Você está na página 1de 5

A desigualdade entre os homens

Jean-Jacques Rousseau divide a desigualdade social em sua obra, o “Discurso sobre


a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens” em dois tipos: A física
ou natural, que é estabelecida por fatores como força física, idade, condições de
saúde e até mesmo a qualidade de espírito do indivíduo; e a desigualdade moral e
política, uma espécie de senso comum entre a sociedade, que uma convenção
autorizada e consentida pela maioria das pessoas.

O Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens é


dividido em 3 partes.

No Contrato Social ele nos apresenta uma solução – já que não podemos viver como
o homem natural, pois a evolução da sociedade é inevitável (perfectibilidade), que
constituamos uma sociedade harmoniosa, que tenha como ponto de partida uma
relação entre governantes e governados baseada na liberdade.

E em Emilio Rousseau nos mostra como chegar a tal sociedade - através da educação
por um método bem específico que deve formar cidadãos livres. A educação de Emílio
visa a construção do governante ideal, resolvendo um dos problemas da sociedade
cujos vícios "...não pertencem tanto ao homem, mas fundamentalmente ao homem
mal governado."

A desigualdade de consideração e de autoridade forçou os homens que viviam em


sociedade a compararem-se e a tomar conhecimento de suas diferenças. E aqueles
que promovem a distinção através da qual os homens se medem tornam os homens
rivais.

Em resultado desta desordem Rousseau conclui que o povo não teria mais chefe, e o
poder estaria nas mãos dos tiranos, que fazem prevalecer à vontade pela força. Logo
o estado perderia sua legitimidade. Por sua vez o tirano é destituído do poder,
passando a valer a lei do mais forte, não existindo mais pacto, dando origem a
senhores e escravos. E assim os homens são jogados a um segundo estado de
natureza, o estado político, diferente do primeiro, o estado natural, que era puro,
sendo o segundo resultado da corrupção.

O primeiro que cercou um terreno e atreveu-se a dizer: Isto é meu, e encontrou


pessoas simples o suficiente para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da
sociedade civil.

A origem natural do homem é uma história hipotética que Rousseau desenvolve


através de uma cadeia de raciocínios afastando a autoridade dos fatos e dos livros
científicos, buscando respostas na própria natureza, que segundo ele, “jamais mente”.
Suas primeiras considerações recaem sobre a constituição física do homem natural.

Rousseau tem uma preocupação lateral no Discurso que esta ligada a sua
religiosidade. Em alguns pontos lembra que o homem natural é uma ficção criada por
ele para explicar sua teoria, que tal homem não existiu em época alguma da história,
portanto seu texto não estaria desta forma contrariando as escrituras sagradas.
No Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens
Rousseau nos mostra um problema – a degeneração social provocada pelo
distanciamento que o homem social está do homem natural.

Trata-se agora de ver quais são essas causas, ou, nos termos do próprio Rousseau,
quais são "a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens". A principal
delas, diz-nos Jean-Jacques, é o nascimento da propriedade privada: "O verdadeiro
fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se
de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simplórias para acreditar
nele". Ao mesmo tempo, temos o surgimento e crescente intensificação da divisão do
trabalho, que se tornou cada vez mais necessária em função da desmesurada
ampliação dos carecimentos humanos, bastante exíguos e limitados em estado de
natureza. Quebrando a independência do homem natural e ampliando a dependência
recíproca entre os indivíduos socializados, no quadro de um regime baseado na
propriedade privada, a divisão do trabalho criou conflitos e rivalidades entre os seres
humanos, tornando o egoísmo desenfreado (o amour propré) a motivação básica da
vida social. Sobre isso, Jean-Jacques é categórico: "Por um lado, temos concorrência
e rivalidade; por outro, oposição de interesses; e, em ambos, o desejo oculto de
alcançar lucros em detrimento dos outros. Todos esses males constituem o primeiro
efeito da propriedade e o cortejo inseparável da desigualdade nascente"
Fontes:
http://www.unicamp.br/~jmarques/cursos/2001rousseau/aso.htm

http://projetophronesis.com/2010/08/02/resumo-da-obra-discurso-sobre-a-
origem-e-os-fundamentos-das-desigualdades-entre-os-homens-de-j-j-rousseau/

http://www.passeiweb.com/estudos/livros/discurso_sobre_a_origem_da_desigu
aldade

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-
64451996000200002&script=sci_arttext
Cruzeiro do Sul

Trabalho
De
Sociologia
2º Bimestre
Ana Dourado
Nº 2
1ºD