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17/08/2019 Emily Brontë – Wikipédia, a enciclopédia livre

Emily Brontë
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Emily Jane Brontë (Thornton, Inglaterra, 30 de julho de Emily Brontë
1818 — Haworth, Inglaterra, 19 de dezembro de 1848) foi
uma escritora e poetisa britânica, autora do romance
Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes), hoje
considerado um clássico da literatura mundial. Era a segunda
irmã mais velha das três sobreviventes irmãs Brontë, entre
Charlotte e Anne. Ela escrevia sob o pseudônimo masculino
Ellis Bell.

É, das três irmãs, a de que menos se têm informações, tendo


vivido reclusa e introvertida. Charlotte Brontë, no seu
prólogo para a edição de Wuthering Heights de 1850, falou
da relação da irmã com as pessoas: "Embora seus
sentimentos pelos que a cercavam fossem benevolentes,
relações com eles ela nunca procurou, nem, com poucas
O único retrato confirmado de Emily Brontë,
exceções, as experimentou. E mesmo assim ela os conhecia: pintado pelo seu irmão, Branwell[1]
sabia seus costumes, sua linguagem, a história de suas
Nome Emily Jane Brontë
famílias; podia ouvir sobre eles com interesse, e falar deles completo
com detalhes (...); porém, com eles, raramente trocou uma
Nascimento 30 de julho de 1818
palavra".[2] Thornton, condado de York,
Reino Unido da Grã-Bretanha e
Irlanda, hoje Reino Unido
Morte 19 de dezembro de 1848 (30 anos)
Índice Haworth, condado de York,
Reino Unido da Grã-Bretanha e
Biografia Irlanda, hoje Reino Unido
Idade adulta Parentesco Branwell (irmão)
Wuthering Heights Charlotte Brontë (irmã)
Morte Anne Brontë (irmã)
Referências Ocupação Romancista, poetisa
Referências bibliográficas Movimento Romantismo
Ligações externas literário
Magnum O Morro dos Ventos Uivantes BRA
opus ou O Monte dos Vendavais PRT
Biografia
Emily nasceu em Thornton, Yorkshire, na Inglaterra, parte do então Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda (hoje
Reino Unido) em 30 de julho de 1818, a quinta dos seis filhos de Patrick Brontë, vigário da Igreja da Inglaterra, e
Maria Branwell, e irmã de Charlotte Brontë e Anne Brontë, também escritoras.[3] Ela teve ainda duas irmãs mais
velhas, Maria e Elizabeth e um irmão mais velho, Patrick Branwell.[4] Em 1820, sua família mudou-se para Haworth,
onde o pai de Emily foi um curador, e nestes arredores o seu talento literário floresceu.[5]

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Depois da morte de sua mãe, quando Emily tinha três anos de idade, a austera tia Branwell foi morar com eles, e
Maria, Elizabeth e Charlotte foram mandadas para um colégio interno em Cowan Bridge, onde sofriam castigos,
alimentavam-se mal e não dormiam, devido ao frio. Emily juntou-se a elas durante algum tempo quando tinha seis
anos. Quando uma epidemia de febre tifoide atingiu a escola, Maria e Elizabeth ficaram doentes e a primeira foi
enviada para casa, onde morreu pouco tempo depois. Após a morte de Maria, o pai resolveu levar as crianças,
definitivamente, de volta para casa, porém Elizabeth acabou por falecer depois do seu regresso.[6]

Em casa, a nova empregada Thabitha (Taby) costumava contar-lhes histórias, e anos mais tarde Emily a homenageou
como a fiel personagem de Nelly Dean, em Wuthering Heights. As 3 meninas, Charlotte, Emily e Anne, aprendiam
tarefas domésticas e o único filho homem, Patrick (costumavam chamá-lo de Branwell), aprendia grego e latim com o
pai.[7]

Emily e os irmãos criaram, em suas brincadeiras, várias terras imaginárias (Angria, Gondal, Gaaldine), que aparecem
nas histórias que eles escreveram. Tais terras imaginárias eram relatadas em detalhes, jornais e outros artigos que as
crianças costumavam escrever, e onde seus soldados de chumbo, presente do pai, costumavam “morar”. Poucos dos
trabalhos de Emily neste período sobreviveram, exceto por alguns poemas declamados pelas personagens e a lista de
personagens de Gondal elaborada por Anne.[7][8]

Posteriormente, Charlotte entrou para o colégio em Roe Head, Branwell


começou a beber, e Emily começou a se isolar em seu mundo. Quando
Charlotte, que acabou sendo bem aceita em Roe Head, foi convidada a
lecionar naquela escola, levou Emily consigo; devido, porém, à timidez,
Emily não se integrou e acabou voltando para casa, onde Anne se
preparava para ocupar o seu lugar em Roe Head. Branwell, nessa época, já
bebia imoderadamente, contava mentiras, não seguia a carreira promissora
que o seu talento e o esforço do pai prenunciavam, e nem chegou a realizar
os exames preparatórios na Academia de Belas-Artes de Londres, para
onde o pai o mandara.[7]

Idade adulta
Emily tornou-se professora na Law Hill School em Halifax em setembro de
1838, quando tinha 20 anos.[9] No entanto, começou a ter problemas de
saúde devido ao estresse causado por dias de trabalho de 17 horas e
As irmãs Brontë, pintadas pelo regressou a casa em abril de 1839.[10] A partir daí, dedicou-se
irmão Branwell, em 1834. Da
maioritariamente a tarefas domésticas e a ensinar catequese. Ela aprendeu
esquerda para a direita: Anne, Emily
alemão sozinha através de livros e tocava piano.[11]
e Charlotte (entre elas há a sombra
de Branwell).
Emily passava os dias, em casa, solitariamente. Em certa ocasião, um cão a
mordeu no braço, e ela mesma cauterizou a ferida, ficando com o braço
definitivamente deformado.[11] Nos intervalos dos afazeres domésticos, compunha versos que escondia. Através da
correspondência com Charlotte, ficou sabendo que a irmã mandara uns versos aos poetas William Wordsworth e
Southey, e não fora muito encorajada.

Charlotte resolveu partir para a Bélgica, para trabalhar, levando Emily consigo. Em Bruxelas, conhecem o Professor
Constantin Héger, por quem Charlotte se apaixona, apesar de ele ser casado. Héger ficou impressionado com a
personalidade de Emily e escreveu:

Ela deveria ter sido um homem: um grande navegador. A


sua racionalidade poderosa teria retirado novas
perspectivas através do seu conhecimento das velhas e a sua

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vontade forte e imperiosa nunca teria esmorecido perante


oposição ou dificuldades, apenas perante a morte. Ela tinha
cabeça para a lógica e uma capacidade de debate pouco
comum para um homem e ainda mais rara numa mulher...
este dom era prejudicado pela tenacidade da sua teimosia
que a tornava obtusa a todos os argumentos que
desafiavam os seus desejos e as suas ideias do que era
correto.[12]

As duas irmãs dedicaram-se a estudar Francês e Alemão e, ao fim de um


semestre, tinham conseguido aperfeiçoar o seu Francês de tal modo que
Héger lhes pediu que ficassem mais seis meses em Bruxelas. Ele até propôs
despedir o professor de Inglês da sua escola e oferecer o emprego a Constantin Héger, professor de
Charlotte, enquanto Emily ensinaria música.[13] Porém, a doença e a morte Charlotte e Emily em Bruxelas.
da tia delas obrigaram-nas a regressar a Haworth.[14]

Os irmãos voltam a se reunir, com planos de fundar uma escola, mas não conseguiram alunos. Anne e Branwell vão
trabalhar de preceptores, e Emily e Charlotte ficam em Haworth. Em 1845, Charlotte descobriu os poemas de Emily e
decidiu que queria publicá-los, juntamente com os seus e os de Anne.[15] Em janeiro de 1846, uma pequena editora
aceitou publicar o livro a expensas das próprias autoras, e foi usada, para isso, a herança da tia. Apenas dois
exemplares foram vendidos, apesar do elogio da crítica. As três irmãs não desanimaram, e cada uma começou a
escrever sua narrativa.[16]

Wuthering Heights
Charlotte foi a primeira a publicar, Jane Eyre, sob o pseudônimo de Currer
Bell, atingindo grande sucesso. Quando Wuthering Heights foi publicado
em 1847, sob o pseudônimo Ellis Bell, Jane Eyre já estava na 2.ª edição.
Wuthering Heights foi publicado como dois volumes de um conjunto de
três que incluía Agnes Grey de Anne Brontë.[17] A estrutura do romance e o
clima tenso da história levaram a que os críticos não compreendessem e
não valorizassem por completo a obra.

A violência e a paixão do livro levaram o público vitoriano e alguns dos


primeiros críticos que o leram a acreditar verdadeiramente que tinha sido
escrito por um homem. Segundo Juliet Gardiner: "a paixão sexual vívida e
poder da sua linguagem e descrição impressionaram, deixaram perplexos e
chocaram os críticos".[18] Embora tenha recebido críticas na época em que
foi lançado, posteriormente o livro foi incluído no cânone dos clássicos da
literatura inglesa. Recebeu várias versões oficiais no cinema e inúmeras
adaptações.[19]

Apesar de uma carta da sua editora indicar que Emily tinha começado a
escrever um segundo romance, o manuscrito nunca foi encontrado. É
possível que Emily, ou um membro da sua família o tenha destruído, se é
Primeira edição de Wuthering
que alguma vez existiu, quando a doença a impediu de o terminar.[20] Heights, o único romance publicado
de Emily Brontë.

Morte

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Emily acreditava que a sua saúde, à semelhança da dos irmãos, tinha sofrido devido ao clima severo do local onde
viviam e às condições insalubres da sua casa (a água que recebiam vinha contaminada pelo escoamento do cemitério
da igreja).[21][22] Ela apanhou uma constipação grave durante o funeral do seu irmão Branwell em setembro de
1848[23] e a sua saúde piorou ainda mais quando contraiu tuberculose.[24] Apesar de o seu estado de saúde se ter
agravado bastante, ela recusou qualquer assistência médica e remédios, dizendo que não queria "veneno, nem
médicos" perto dela.[25] Na manhã de 19 de dezembro de 1848, Charlotte, preocupada com o estado de saúde da irmã,
escreveu:

Ela fica mais fraca a cada dia que passa. O médico expressou a sua opinião de forma demasiado
obscura para ter alguma utilidade: ele enviou alguns medicamentos que ela não tomou. Nunca conheci
momentos tão negros como estes, peço a Deus para que nos dê força a todos.[26]

Ao meio-dia, Emily piorou: só conseguia falar através de sussurros entre suspiros. As suas últimas palavras que a
família conseguiu ouvir foram: "podem chamar um médico? Queria que um me visse",[27] mas foi tarde demais. Ela
morreu nesse dia às duas.[28]

O seu irmão tinha morrido três meses antes, o que levou uma criada a declarar que "a Menina Emily morreu de
coração partido pela morte do irmão".[29] Emily tinha emagrecido tanto que o seu caixão tinha apenas 40 centímetros
de largura.[30] Ela foi enterrada na igreja de St. Michael and All Angels Cemetery, Haworth, Oeste de Yorkshire,
Inglaterra.[31][32] No ano seguinte morre sua irmã, Anne Brontë.[33]

Referências
nepage&q&f=false) (em inglês). [S.l.]: OUP Oxford.
1. The "Profile Portrait" – Emily or Anne? (http://www.br ISBN 9780191504594
ontesisters.co.uk/The-Profile-Portrait-Emily-or-Anne.h
14. «Emily Bronte | British author» (https://www.britannic
tml)
a.com/biography/Emily-Bronte). Encyclopædia
2. Prefácio do Editor, Wuthering Heights (https://en.wikis Britannica
ource.org/wiki/Wuthering_Heights/Editor%27s_Prefac
15. Meredith L. McGill (2008). The Traffic in Poems:
e)
Nineteenth-century Poetry and Transatlantic
3. The Houghton Mifflin Dictionary of Biography (2003), Exchange. Rutgers University Press. p. 240.
p. 224
16. Winifred Gérin, Charlotte Brontë: the evolution of
4. Hilda D. Spear, Wuthering Heights by Emily genius (1969), p. 322
Brontë (1985), p. 1
17. Richard E. Mezo, A Student's Guide to Wuthering
5. Rod Mengham, Emily Brontë, Wuthering Heights by Emily Brontë(2002), p. 2
Heights (1988), p. 1
18. Juliet Gardiner, The History today who's who in British
6. Os Imortais da Literatura Universal: Emily Brontë history (2000), p. 109
(1970). Abril Cultural, p. 70
19. Wuthering Heights, Mobi Classics (2009)
7. Lyn Pykett, Emily Brontë (1989)
20. The letters of Charlotte Brontë (1995), edited by
8. The Brontës' Web of Childhood, by Fannie Ratchford, Margaret Smith, Volume Two 1848–1851, p. 27
1941
21. Gaskell, Elizabeth (1998) [1857]. The Life of Charlotte
9. Steven Vine, Emily Brontë (1998), p. 11 Brontë. New York: Penguin. p. 264.
10. Christine L. Krueger, Encyclopedia of British writers, 22. Uma carta de Charlotte Brontë a Ellen Nussey é
19th century (2009), p. 41 citada no livro de Elizabeth Gaskell, The Biography of
11. «The record-union. (Sacramento, Calif.) 1891—1903, Charlotte Brontë. Oxford Edition 1996. Charlotte fala
December 31, 1899, Image 10» (http://chroniclingam do inverno de 1833/34, que foi bastante húmido, e diz
erica.loc.gov/lccn/sn82015104/1899-12-31/ed-1/seq- que houve bastantes mortes na aldeia. Pensa-se que
10/). 31 de dezembro de 1899. 10 páginas. tal se deveu ao facto de a água escoar do cemitério.
ISSN 2151-3929 (https://www.worldcat.org/issn/2151- 23. Richard Benvenuto, Emily Brontë (1982), p. 24
3929)
24. «Wuthering Heights Tuberculosis, Emily Brontë, and
12. The Oxford History of the Novel in English (2011), Victorian England» (http://www.gradesaver.com/wuth
Volume 3, p. 208 ering-heights/study-guide/tuberculosis-emily-bront%C
13. Gaskell, Elizabeth (25 de junho de 2009). The Life of 3%AB-and-victorian-england). www.gradesaver.com.
Charlotte Brontë (https://books.google.pt/books?id=A Consultado em 10 de novembro de 2016
AfwzrVX5UIC&pg=PT483&dq=The+life+of+Charlotte 25. Fraser, Rebecca (2008). Charlotte Brontë: A Writer's
+Bront%C3%AB+(1870)&hl=pt-PT&sa=X&ved=0ahU Life (2 ed.).
KEwjL8KzP9p7QAhUf0IMKHZ4iDSwQ6AEIIjAB#v=o

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26. Elizabeth Gaskell, The life of Charlotte Brontë (1870), 31. BRONTË, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes.
p. 281 Editora Martin Claret. Dados biográficos: A autora e
27. The Ladies' Repository for July 1857 sua obra. Pág. 399.
28. Barker, The Brontës, p. 576 32. Emily Brontë (http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cg
i?page=gr&GRid=1709) (em inglês) no Find a Grave
29. Javier Marías, Margaret Jull Costa, Written Lives
(2006), p. 171 33. «Anne Bronte's grave error corrected» (http://www.bb
c.com/news/entertainment-arts-22351887). BBC
30. Catherine Reef, The Brontë Sisters: The Brief Lives
News (em inglês). 30 de abril de 2013
of Charlotte, Emily, and Anne (2012)

Referências bibliográficas
Juliet R. V. Barker (1995). The Brontës. Phoenix House. [S.l.: s.n.] ISBN 1-85799-069-2
Editor Victor Civita (1970). Os Imortais da Literatura Universal: Emily Brontë. São Paulo: Abril Cultural. [S.l.: s.n.]
ISBN Volume I, capítulo 5, pp. 69–84 Verifique |isbn= (ajuda)
BRONTË, Emily (1970). O Morro dos Ventos Uivantes. São Paulo: Abril Cultural. [S.l.: s.n.] ISBN Volume 10
Verifique |isbn= (ajuda)
BRONTË, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes. Editora Martin Claret. Dados biográficos: A autora e sua obra

Ligações externas
A obra de Emily Wuthering Heights pode ser adquirida no site do Governo Federal do Brasil em Domínio Público
(http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2611).
BrontëBlog (http://bronteblog.blogspot.com)
Obras de Emily Brontë (http://www.gutenberg.org/author/Emily_Brontë) no Projeto Gutenberg
Website of the Brontë Parsonage Museum in Haworth (http://www.bronte.info/)
Some poems by Emily Brontë (https://web.archive.org/web/20090816184241/http://texts.elotw.org/emily-bronte)
Emily Brontë's grave (http://www.poetsgraves.co.uk/bronte.htm)
Emily Brontë (http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=1709) (em inglês) no Find a Grave
Short biography and selected Poems (https://web.archive.org/web/20070916185114/http://www.poetseers.org/the
_great_poets/british_poets/emily_bronte_poems)
Reader's Guide to Wuthering Heights (http://www.wuthering-heights.co.uk)
Map of Locations associated with Wuthering Heights and Emily Brontë (http://maps.google.co.uk/maps/ms?ie=UT
F8&hl=en&msa=0&msid=111811052051951249860.00043456f50a0204ad5d4&z=10&om=1)
Dutch website on the Brontës (https://web.archive.org/web/20140517080139/http://brontes.nl/)

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