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EXCELENTÍSSIMO (A) SR.

(A) JUIZ (A) DA 1ª VARA DO TRABALHO DO MUNICÍPIO


DE PALMAS/TO

PROCESSO N. 1234.2019.5.01.0063

Comércio Atacadista de Vestuário Ltda, já qualificada nos autos, por seu advogado
adiante assinado (procuração anexa), vem, na reclamação trabalhista que lhe foi ajuizada por
AURELINO SILVA, também já qualificado nos autos, apresentar

CONTESTAÇÃO

com fulcro no art. 847 da CLT, em face das matérias de fato e de direito a seguir aduzidas,
para, no final, requerer a TOTAL IMPROCEDÊNCIA dos pedidos.

1) SÍNTESE DOS PEDIDOS DA RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

Em resumo o reclamante postula: a) a sua reintegração no emprego, ou


pagamento de indenização substitutiva, em face da estabilidade provisória prevista no
artigo 55 da Lei 5.674/71; b) o pagamento de 02 (duas) horas extraordinárias diárias de
todo o período laboral, com adicional de 50% (cinquenta por cento), e dos reflexos no
aviso prévio, férias integrais e proporcionais, décimos terceiros salários integrais e
proporcionais, FGTS e indenização compensatória de 40% (quarenta por cento); c) o
pagamento em dobro das férias referentes ao período aquisitivo de 2012/2013, 2014/2015
e 2016/2017 acrescidas do terço constitucional, nos termos do artigo 137 da CLT; d) o
pagamento das diferenças salariais decorrentes da equiparação salarial com o paradigma
apontado e dos reflexos no aviso prévio, férias integrais e proporcionais, décimos
terceiros salários integrais e proporcionais, FGTS e indenização compensatória de 40%
(quarenta por cento); e) o pagamento dos valores correspondentes aos vales-transportes
não fornecidos durante todo o período contratual; e f) o pagamento do décimo terceiro
salário dos anos de 2010 e 2018.

2) PREJUDICIAL DE MÉRITO
2.1. Da Prescrição Quinquenal

Excelência, o presente feito foi ajuizado em primeiro de janeiro de 2019.


Temos, que o reclamante foi admitido em 3 de março de 2010; assim, considerando o
disposto no artigo 7.º, inciso XXIX, da Constituição Federal, artigo 11 da CLT e Súmula
308 do TST, as pretensões anteriores a primeiro de janeiro de 2014 estão fulminadas pela
prescrição quinquenal, que se conta, como cediço, retroativamente, da data do
ajuizamento da Reclamatória.

Desse modo, por cautela, caso reconheça a procedência dos pedidos do


reclamante, a reclamada suscita a prescrição de todas as verbas devidas há mais de 5
anos, contados da data de ajuizamento da reclamação trabalhista.

3) DO MÉRITO

3.1. Da Estabilidade Provisória

Alega o reclamante, ser membro suplente de cooperativa criada pelos


empregados da ré, motivo pelo qual faria jus ao que preleciona o artigo 55 da lei n.
5.764/71, o qual estende as garantias asseguradas aos dirigentes sindicais aos diretores
dessas cooperativas.

Como bem salientado pelo autor, ele é membro suplente na mencionada


cooperativa e nesse sentido existe forte orientação do Tribunal Superior do Trabalho que
O art. 55 da Lei nº 5.764/71 assegura a garantia de emprego apenas aos empregados
eleitos diretores de Cooperativas, não abrangendo os membros suplentes.

Sendo assim, com base na OJ-SDI1-253, requer a improcedência da


reintegração ao emprego preiteada pelo reclamante.

3.2. Das Horas Extraordinárias

Alegou o reclamante, que prestava serviços de segunda-feira a sábado, das 9h


às 20h, com intervalo para alimentação de 01 (uma) hora diária, não sendo submetido a
controle de jornada de trabalho, motivo pelo qual, requer o pagamento de 02 (duas) horas
extraordinárias diárias de todo o período laboral, com adicional de 50% (cinquenta por
cento), e dos reflexos no aviso prévio, férias integrais e proporcionais, décimos terceiros
salários integrais e proporcionais, FGTS e indenização compensatória de 40% (quarenta
por cento).

Excelência, como se retira da peça inicial, o empregado exercia atividade


externa, não sendo submetido ao controle de jornada de trabalho. Nesse casso,
preleciona a nossa CLT que esse tipo de trabalhador não é abrangido pelas normas
referentes à duração do trabalho mencionadas no Capítulo II (art. 57 ao 75).

Isso significa, que para essas pessoas, não haverá pagamento de horas extras
ou adicional noturno, assim como não será delas descontadas eventuais faltas e atrasos,
afinal, não existe controle de horários, tampouco cartões de ponto.

Assim, com fulcro no artigo 62, parágrafo I da CLT, como o reclamante exerce
atividade externa incompatível com a fixação de horário de trabalho, com tal condição
devidamente anotada na sua Carteira de Trabalho e Previdência Social e no registro de
empregados, conforme documento comprobatório em anexo, pugna a reclamada pela
total improcedência desse pedido.

3.3. Do Pagamento das Férias

Postulou o reclamante, pagamento em dobro das férias referentes ao período


aquisitivo de 2012/2013, 2014/2015 e 2016/2017 acrescidas do terço constitucional, nos
termos do artigo 137 da CLT, alegando não ter gozado nem recebido os valores referentes
a esses direitos.

Pedido que não merece prosperar excelência, pois a concessão das referidas
férias está anotada nos livros e fichas de registro do reclamado, conforme manda o art.
135, parágrafo 2º da CLT. O que demonstra que o alegado não procede e o pedido resta-
se infundado.

Desse modo, conforme documento comprobatório em anexo, requer a total


improcedência do pedido mencionado.

3.4. Da equiparação Salarial

Aduziu o reclamante, que foi contratado pela ré, em razão da morte do Sr.
Sílvio Santos, para exercício de função idêntica, na mesma localidade, mas com salário
inferior em R$ 800,00 (oitocentos reais) ao que era percebido pelo paradigma, em ofensa
ao artigo 461, caput, da CLT.

Assim, requer o pagamento das diferenças salariais decorrentes da


equiparação salarial com o paradigma apontado e dos reflexos no aviso prévio, férias
integrais e proporcionais, décimos terceiros salários integrais e proporcionais, FGTS e
indenização compensatória de 40% (quarenta por cento).

Excelência, trabalho de igual valor, é aquele feito com igual produtividade e


com a mesma perfeição técnica, entre pessoas cuja diferença de tempo de serviço para o
mesmo empregador não seja superior a quatro anos e a diferença de tempo na função
não seja superior a dois anos (art. 461, parágrafo 1º da CLT), e essa equiparação salarial
só é possível entre empregados contemporâneos no cargo ou na função, ficando vedada
a indicação de paradigmas remotos, conforme preleciona o Parágrafo 5º do mesmo artigo
461 da CLT.

Ora, o reclamante nem chegou a laborar suas atividades concomitantemente


com o outro ocupante do cargo, tendo em vista que sua contratação se deu em razão
justamente do falecimento do único ocupante da função, não adquirindo assim os tempos
de serviços de 4 ou 2 anos para mensuração da produtividade ou perfeição técnica.

Sendo assim, nos termos do art. 461, parágrafos 1º e 5º, pugna a reclamada
pela total improcedência do pedido.

3.5. Do Vale-Transporte

Ressaltou o reclamante, que o deslocamento de sua residência para o local de


trabalho e vice-versa era realizado em transporte coletivo fretado pela ré, não tendo
recebido vale-transporte durante todo o período do contrato de trabalho. Requerendo
assim, o pagamento dos valores correspondentes aos vales-transportes não fornecidos
durante todo o período contratual.

Nesse ponto, como bem mencionado pelo reclamante o transporte ocorria a


custa da reclamada, mediante o fretamento do transporte coletivo, fato que desabona a
obrigação de pagamento de vale-transporte por parte do empregador, uma vez que, são
assegurados os benefícios da lei que rege o pagamento de vale-transporte, ao
empregador que proporcionar, por meios próprios ou contratados, em veículos adequados
ao transporte coletivo, o deslocamento integral de seus trabalhadores (Art. 8º da Lei n.
7.418/85)

Desse modo, fica a reclamada naturalmente desobrigada de fornecer o vale-


transporte, requerendo assim a total improcedência desse pedido.

3.6. Do pagamento do 13º Salário dos anos de 2010 e 2018

Afirmou o autor, que não lhe foi pago o décimo terceiro salário do ano de 2010
e 2017, motivo pelo qual requer o pagamento do décimo terceiro salário dos anos de 2010
e 2018.

Nesse ponto, a afirmação do autor não condiz com a realidade dos fatos, pois
tais verbas foram devidamente pagas conforme documentos em anexo, não restando
nenhum débito acerca de 13º devidos ao reclamante.

De todo modo, apenas título hipotético, caso entenda o contrário e conceda


esse pedido, vale ressaltar que eventuais valores relativos ao 13º de 2010 encontra-se
fulminado pela prescrição quinquenal do artigo 7.º, inciso XXIX, da Constituição Federal,
artigo 11 da CLT e Súmula 308 do TST.

Desse modo, requer a total improcedência deste pedido.

DOS PEDIDOS

POR TODO O EXPOSTO, requer o reclamado:

a) a improcedência da reintegração ao emprego preiteada pelo reclamante,


com base no que dispõe a OJ-SDI1-253;

b) com fulcro no artigo 62, parágrafo I da CLT, a improcedência do pedido


referente a horas extraordinárias, pois o reclamante exerce atividade externa incompatível
com a fixação de horário de trabalho, com tal condição devidamente anotada na sua
Carteira de Trabalho e Previdência Social e no registro de empregados;
c) a improcedência dos pedidos relativos ao pagamento em dobro das férias
referentes ao período aquisitivo de 2012/2013, 2014/2015 e 2016/2017 acrescidas do
terço constitucional, visto que foi apresentado fichas comprobatórias de quitação dos
referidos débitos na época devida;

d) a improcedência do pedido de equiparação salarial nos termos do Art. 461,


parágrafos 1º e 5º;

e) a improcedência do pedido de vale-transporte, nos termos do Art. 8º da Lei


n. 7.418/85;

f) a improcedência do pagamento do 13º Salário dos anos de 2010 e 2018;

Requer ainda, seja o reclamante condenado nas custas e demais despesas


processuais cabíveis, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em
direito admitidos.

Por derradeiro, requer a condenação do reclamante no pagamento de


horários advocatícios sucumbenciais, nos termos do art. 791-A da CLT.

Nestes termos

Pede deferimento.

Palmas/TO, __ de janeiro de 2019

_____________________________________________
Claudinei Marques Soares – OAB-TO: xxxxx.

_____________________________________________
Carlos Eduardo dos Santos Lindoso – OAB-TO: xxxxx.

_____________________________________________
Rodrigo de Lima Rodrigues – OAB-TO: xxxxx.

_____________________________________________
Paulo Guilherme B. Albetini – OAB-TO: xxxxx.

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