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Cinco tipos de Fé - Iranildo medeiros

A bíblia nos revela alguns tipos de fé que não produz salvação e é importante identificá-las pra não correr

o risco de acharmos que estamos salvos por elas.

A bíblia menciona a Fé Intelectual que é a que traz conhecimento da palavra de Deus, a obra de Cristo,

mas os pecadores ímpios tem ( Rm 1 : 18 – 21 ) e os demônios também ( Tg 2 : 19 ) e esse conhecimento

não garante salvação.

A Fé Histórica ela concorda com ou aprova determinados fatos bíblicos vemos isso no exemplo de

Nicodemos parecia concordar com fatos sobre a identidade de Jesus, porém isso não lhe garantia a entrada

no reino dos céus ( Jo 3 : 1 – 3 ) assim também o rei Agripa acreditava nos profetas, mas essa fé não o

trouxe salvação ( At 26 : 26 – 28 ).

A Fé Miraculosa muita gente acreditou no poder de Jesus após a multiplicação dos pães e peixes a ponto

de desejarem torná-lo rei ( Jo 6 : 14,15 ) porém isso não isentou que Jesus identificasse os incrédulos ( Jo

6 : 26 – 64 ) estavam interessados somente no que Ele podia fazer.

A Fé Temporal por ser passageira e momentânea esta fé se baseia na vida emocional a parábola do

semeador ilustra bem a fé temporal que sucumbe em meio as tribulações e perseguições.

A Fé Salvadora nos faz reconhecer que somos pecadores ao olharmos pra Cristo como o filho de Deus e

nos traz convicção de pecado e a necessidade de arrependimento ( Rm 3 : 22 – 25 ) fatos que nenhuma

das outras que foram mencionadas faz.

Medite nisso.

Pr. Iranildo Medeiros


Como fenômeno psicológico, a fé, no sentido religioso, não difere da fé em geral. Se a fé
em geral é uma persuasão da verdade fundada no testemunho de alguém em quem temos
confiança e em quem descansamos, e, portanto, apoia-se numa autoridade, a fé cristã, no
sentido mais abrangente, é a persuasão do homem quanto à veracidade da Escritura, com
base na autoridade de Deus. Nem sempre a Bíblia fala da fé religiosa no mesmo sentido, e
isto deu surgimento às seguintes distinções na teologia.

Fé histórica. Pura e simples apreensão da verdade, vazia de qualquer propósito moral ou


espiritual. O nome não implica que ela abrange somente fatos e eventos históricos, com a
exclusão das verdades morais e espirituais; nem tampouco que se baseia no testemunho
da história, pois ela pode referir-se a fatos ou eventos contemporâneos (Jo 3.2). Expressa
mais a ideia de que esta fé aceita as verdades da Escritura como uma pessoa poderia aceitar
um relato histórico no qual ela não está interessada pessoalmente. Esta fé pode ser
resultado da tradição, da educação, da opinião pública, do discernimento da grandeza da
Escritura, e de outros fatores mais, acompanhados pelas operações gerais do Espírito
Santo. Pode ser muito ortodoxa e escriturística, mas não está arraigada no coração (Mt 7.26;
At 26.27, 28; Tg 2.19). É uma fides humana, e não uma fides divina (fé humana, não divina).
Fé miraculosa. A fé miraculosa, assim chamada, é a persuasão produzida na mente de uma
pessoa de que um milagre será realizado por ela ou em favor dela. Deus pode dar a uma
pessoa um trabalho para fazer, que transcende os seus poderes naturais, e capacita-la para
fazê-lo. Toda tentativa de realizar uma obra dessa espécie requer fé. Isso é bem patente
nos casos em que o homem aparece apenas como instrumento de Deus ou como alguém
que anuncia que Deus vai fazer um milagre, pois tal homem precisa ter plena confiança em
que Deus não o deixará passar vergonha. Em última instância, somente Deus faz milagres,
embora possa faze-lo através da instrumentalidade humana. Esta é a fé em milagres no
sentido ativo (Mt 17.20; Mc 16.17-18). Não é necessariamente acompanhada pela fé
salvadora, mas pode ser. A fé em milagres também pode ser passiva, a saber, a persuasão
de que Deus fará um milagre em favor de alguém. Esta também pode ser ou não
acompanhada pela fé salvadora (Mt 8.10-13; Jo 11.22 (compare os versículos 25-27);
11.40). Com frequência é levantada a questão sobre se tal fé tem um lugar legítimo na vida
do homem hoje. Os católicos romanos respondem afirmativamente, enquanto que os
protestantes estão inclinados a dar uma resposta negativa. Eles assinalam que não há base
escriturística para tal fé, mas não negam que ainda podem ocorrer milagres. Deus é
inteiramente soberano neste aspecto também, e a Palavra de Deus nos induz a aguardar
outro ciclo de milagres no futuro.
Fé temporal. Esta é a persuasão das verdades religiosas que vem acompanhada de
algumas incitações da consciência e de uma agitação dos afetos, mas não tem suas raízes
num coração regenerado. O nome é derivado de Mateus 13.20-21. É a chamada fé
temporária porque não é permanente e não se mantém nos dias de provação e perseguição.
Não significa que não pode durar a vida inteira da pessoa. É bem possível que só pereça
por ocasião da morte, mas então é certo que perecerá. Às vezes esta fé é denominada fé
hipócrita, mas isso não é inteiramente correto, pois ela não envolve necessariamente
hipocrisia consciente. Os que possuem esta fé, usualmente acreditam que têm a fé
verdadeira. Talvez pudéssemos chamar-lhe fé imaginária, aparentemente genuína, mas de
caráter evanescente. Ela difere da fé histórica no interesse pessoal que mostra pela verdade
e na reação dos sentimentos à verdade. Pode se experimentar grande dificuldade na
tentativa de distingui-la da verdadeira fé salvadora. Daquele que crê desse modo Cristo
falou: não tem raiz em si mesmo (Mt 13.21). É uma fé que não brota da raiz implantada na
regeneração, e, portanto, não é expressão da nova vida entalhada nas profundezas da alma
do pecador regenerado. Em geral pode dizer que a fé temporal se baseia na vida emocional
e busca satisfação pessoal, em vez da glória de Deus.
A verdadeira fé salvadora. A verdadeira fé salvadora tem sua sede no coração e suas raízes
na vida regenerada. Muitas vezes se faz distinção entre o habitus e o actus da fé (entre o
hábito e o ato da fé). Contudo, por trás destes acha-se a semen fidei (semente da fé). Esta
fé não é primeiramente uma atividade do homem, mas uma potencialidade produzida por
Deus no coração do pecador. A semente da fé é implantada no homem quando da
regeneração. Alguns teólogos falam disto como habitus da fé, mas outros mais corretamente
lhe chamam semen fidei. Somente depois que Deus implantou a semente da fé no coração
do homem, é que ele pode exercer a fé. É isto, evidentemente, que Barth tem em mente
também, quando, em seu desejo de ressaltar o fato de que a salvação é exclusivamente
obra de Deus, afirma que Deus, e não o homem, é o sujeito da fé. O exercício consciente
da fé forma gradativamente o habitus, e este adquire uma significação fundamental e
determinante para o ulterior exercício da fé. Quando a Bíblia fala da fé, geralmente se refere
à fé como uma atividade do homem, mas nascida da obra realizada pelo Espírito Santo.
Pode-se definir a fé salvadora como uma certa convicção, produzida pelo Espírito Santo no
coração, quanto à veracidade do Evangelho, e uma segurança (confiança) nas promessas
de Deus em Cristo. Em última análise, é certo, Cristo é o objeto da fé salvadora, mas Ele
nos é oferecido unicamente no Evangelho.

Autor: Louis Berkhof


Trecho extraído da Teologia Sistemática do autor, pág 497-499. Editora: Cultura Cristã

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