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Conceitos e notas doutrinárias no âmbito do Direito Eleitoral

Ação penal: “A ação penal eleitoral é pública incondicionada. A propositura da ação penal independe de
representação do ofendido e, tampouco, pode ser promovida pelo particular atingido pelo ilícito penal. É
que, em qualquer dos casos, o Estado é sempre sujeito passivo. Observe-se, no entanto, que, se outras
vítimas pode haver no crime eleitoral, além do Estado, inclusive podendo atuar como assistência acusatória,
a estas, consoante garantia do art. 5°, LIX, da Constituição da República, será possível a ação penal
privada subsidiária.”
(GUERRERO, Hermes Vilchez. Dos Crimes Eleitorais. In: Revista Brasileira de Ciências Criminais. n. 16, p. 142.)

Ação rescisória: “No processo eleitoral não existe o procedimento rescisório, como no processo comum.
Não sendo recurso, a ação rescisória faz as vezes dele, pois por via da mesma se provoca o julgamento de
um julgamento anterior. Na verdade, trata-se de um remédio processual autônomo, tendo por objetivo a
própria sentença ou o acórdão rescindendo.
A ação rescisória mostra-se inteiramente incompatível com o processo eleitoral, onde deve prevalecer,
além da celeridade dos julgamentos, a estabilidade de suas decisões. Não há, no Código Eleitoral, nenhu-
ma referência à rescisória de julgados, o que leva a concluir que o legislador, efetiva e conscientemente,
não desejou adota-la no processo eleitoral.” (COSTA. Tito, 1992 – Recursos em material eleitoral; temas de
direito eleitoral. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996.)

Agravo de instrumento: É o recurso contra as decisões interlocutórias do magistrado. “Na petição de agra-
vo de instrumento, conforme ensina o Código Eleitoral, o interessado fará exposição do fato e do direito,
dará as razões de pedir, indicará as peças a serem trasladadas, sendo obrigatório o traslado de sentença
recorrida e a certidão de intimação. Intimado da formação do agravo, o recorrido terá 3 dias para contra-
arrazoar e indicar peças a serem trasladadas. Formado o instrumento, será ele remetido ao Tribunal Supe-
rior Eleitoral, instruído com mais peças que o Presidente do Tribunal Regional indicar. Como ainda existe a
faculdade de a junta e de o juiz reformarem as suas próprias decisões, em matéria de recurso, pode-se
dizer que a característica do agravo de petição permanece viva no processo eleitoral.”
(LEÃO, Anis José. Eleições 92 (2ª. Parte). Belo Horizonte: Edição do autor, junho de 1992.)

Alistamento eleitoral: “Consiste em procedimento administrativo, instaurado perante os órgãos compe-


tentes da Justiça Eleitoral, visando à verificação do cumprimento dos requisitos constitucionais e das condi-
ções legais necessárias à inscrição como eleitor.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 224.)

Alto-falantes e amplificadores de voz: “Não se deve confundir o serviço de alto-falante ou de amplificador


de voz com o de radiodifusão. Os serviços de alto-falante são serviços de amplificação de sons de caráter
local. (...) Os serviços de alto-falantes têm assim por finalidade a versão da energia elétrica em energia
sonora, produzindo sons mais elevados que possam ser ouvidos a distância, reproduzindo e elevando,
isto é, ampliando a voz humana, a música, os discursos, as conferências, mas sempre em veículo local,
isto é, em recintos fechados (casas, salões), ou a céu aberto (ruas, praças, avenidas). O alto-falante é
sempre usado na mesma cidade, no mesmo local, a curta distância, e não em cidades diferentes. (...) Os
serviços de alto-falantes instalados em recintos fechados, particulares, privados, independem evidente-
mente de licença ou fiscalização das autoridades, ressalvada, porém, a norma de não perturbar o sossego
público.” (FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, pp. 294, 295.)

Candidatos, escolha em convenção: “A escolha dos candidatos ocorre por meio de convenção partidária,
que deve transcorrer nos termos do estatuto do partido. Cada partido pode lançar até cento e cinqüenta
por cento do número de cargos eletivos a serem providos. Havendo coligação, os partidos a ela pertencen-
tes poderão lançar juntos até o dobro de vagas em disputa.
(PAULA, Dídimo Inocêncio de. Manual Prático das Eleições. Belo Horizonte: Mandamentos, 2000, p. 42.)

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Capacidade eleitoral ativa: “Consiste em forma de participação da pessoa na democracia representativa,
por meio da escolha de seus mandatários.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 224.)

Capacidade eleitoral passiva ou elegibilidade: consiste “na possibilidade de o cidadão pleitear determi-
nados mandatos políticos, mediante eleição popular (...) desde que preenchidos certos requisitos” .
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 227.)

Coligação: Os partidos podem coligar-se no processo eleitoral. Coligação é a união de dois ou mais parti-
dos, sob denominação própria, para participação conjunta em determinada eleição, majoritária ou majo-
ritária e proporcional. A coligação somente será permitida se observada coerência entre a orientação da
instância partidária que pretende coligar-se e a política de alianças geral do partido.

Conflitos de competência: “O TSE tem competência para processar e julgar originariamente os conflitos de
jurisdição entre Tribunais Regionais e Juizes Eleitorais de Estados diferentes. Por seu turno, cabe aos Tribu-
nais Regionais o conhecimento e o julgamento dos conflitos de jurisdição entre Juizes Eleitorais do respec-
tivo Estado”. (COSTA. Tito, 1992. Recursos em material eleitoral; temas de direito eleitoral. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 1996.)

Conscrito: “É o recrutado ou mobilizado para o serviço militar obrigatório (Código Eleitoral, art. 143), incor-
porado às forças armadas para: a) a prestação do serviço militar ou b) para o serviço militar ativo em
tempo de guerra (lei 6.880, de 9-12-1980 – Estatuto dos Militares).”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, p. 94.)

Contas dos candidatos: “As contas dos candidatos são de sua responsabilidade e por eles pagas, ou
pelos respectivos partidos, aos quais devem satisfação. É o princípio legal da solidariedade na responsabi-
lidade pelos gastos de campanha. Cumpre ao partido, como se verá a seguir, apresentar à Justiça Eleitoral
a prestação de contas coletiva sua e de seus candidatos e das despesas que ele mesmo fizer na campa-
nha. O candidato é responsável pela sua prestação de contas.”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, p. 126.)

Crimes eleitorais: “A fim de fornecer especial proteção jurídica às eleições, o legislador estabeleceu uma série
de condutas indesejáveis e as tipificou penalmente. Crimes eleitorais são “as infrações penalmente sanciona-
das, que dizem respeito às várias e diversas fases de formação do eleitorado e do processo eleitoral”.
(HUNGRIA, Nelson. Crimes Eleitorais. In: Revista Eleitoral da Guanabara. a. 1., v. 2, 1968, p. 138.)
Podem também ser descritos como sendo “condutas tipificadas em razão do processo eleitoral e, portanto,
puníveis em decorrência de serem praticadas por ocasião do período em que se preparam e realizam as
eleições e ainda porque visam a um fim eleitoral”. (GUERRERO, Hermes Vilchez. Dos Crimes Eleitorais. In:
Revista Brasileira de Ciências Criminais. n. 16, p. 138.)
“Os crimes eleitorais constituem espécie do gênero crimes políticos, tendo em vista que afetam diretamen-
te estruturas institucionais que alicerçam a organização política democrática.”
(CANEDO, Carlos A. Crimes Políticos. Belo Horizonte: Del Rey, 1993, p. 57.)

Crimes eleitorais, objeto: “No delito eleitoral, o bem jurídico protegido é a própria democracia e, especi-
ficamente, a lisura das eleições e dos demais instrumentos da representatividade democrática. O sujeito
passivo é sempre o Estado, às vezes acompanhado de outras vítimas. Os crimes eleitorais se dividem em
próprios e acidentais. Os primeiros são aqueles que só existem em função do processo eleitoral e estão
descritos na legislação eleitoral. Os demais estão previstos nas leis penais e, praticados contra bem jurídi-
co protegido pelo direito eleitoral, são deslocados para o raio de competência da justiça eleitoral. Exemplo
freqüente destes últimos são os crimes contra a honra, previstos no Código Penal, quando praticados na
propaganda eleitoral ou com finalidade eleitoral.”
(GUERRERO, Hermes Vilchez. Dos Crimes Eleitorais. In: Revista Brasileira de Ciências Criminais. n. 16, p. 138).

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Crimes eleitorais, classificação : Joel José Cândido, propõe a seguinte repartição:
– crimes contra a organização administrativa da justiça eleitoral;
– crimes contra os serviços da justiça eleitoral;
– crimes contra a fé pública eleitoral;
– crimes contra a propaganda eleitoral;
– crimes contra o sigilo e exercício do voto;
– crimes contra os partidos políticos.
(CÂNDIDO, Joel José. Direito Eleitoral Brasileiro. 3.ª ed. São Paulo: Edipro, 1992, p.170.)

Crimes eleitorais, jurisdição: Os crimes eleitorais são processados e julgados perante a justiça eleitoral.
(RIBEIRO, Fávila. Direito Eleitoral. 2.ª ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 474).

Danos material e moral: “Dano material, ou patrimonial, é a ofensa a um bem patrimonial, diminuindo
seu valor, restringindo sua utilidade, ou mesmo anulando-a. (...) Dano moral é aquele que fere a alma da
vítima. O conteúdo do dano moral não é o dinheiro, nem o patrimônio material, nem a coisa reduzida a
dinheiro, mas ‘a dor, o espanto, a emoção, a vergonha, a injúria física ou moral, em geral uma dolorosa
sensação experimentada pela pessoa, atribuída à palavra dor o mais largo significado’.”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, pp. 252, 253.)

Decadência: “É o perecimento de um direito pela falta de seu exercício no prazo assinalado em lei. (...) É o
caso do direito de resposta a que se refere a lei eleitoral, que terá de ser exercido nos prazos estabelecidos
pelo art. 58.”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, p. 255.)

Democracia: “Democracia pode ser definida, modernamente, como sendo o governo onde o povo toma
as principais decisões políticas, diretamente ou pelos representantes que elege. Significa, bem assim, uma
forma de governo na qual as regras da disputa política são conhecidas previamente e respeitadas, são
reconhecidos direitos fundamentais dos cidadãos, entre os quais a liberdade, a igualdade e a segurança
jurídica, e, enfim, o governo, apesar de exercido pela maioria e destinado a cumprir seus desígnios, é
igualmente compromissado com o respeito a direitos reconhecidos às minorias. Decorre desta noção de
democracia a igualdade dos indivíduos no que se refere à capacidade política. Em princípio, todos os
cidadãos podem votar e serem votados.”
(BOBBIO, Norberto. A Teoria das Formas de Governo. 2.ª ed. Trad. Sérgio Bath. Brasília: UnB, 1980, pp. 31 e ss.)

Despesas processuais: Impera a gratuidade no processo eleitoral, sendo descabido exigir adiantamento
de custas processuais e mesmo a condenação em verbas sucumbenciais. Nesse sentido, existe previsão
legal expressa estabelecendo a gratuidade das ações de impugnação de mandato eletivo (Lei nº 9.265, de
12/2/1996, art. 1º, inciso IV), entendendo o TSE, contudo, que, nos casos de litigância de má-fé, impõe-se a
condenação em honorários advocatícios.
É certo que o art. 367, inciso VIII, do Código Eleitoral determina que “as custas, nos Estados, Distrito Federal e
Territórios serão cobradas nos termos dos respectivos Regimentos de Custas”, enquanto o art. 373, parágrafo
único, do mesmo diploma legal, estabelece que serão devidas custas nos processos-crimes e executivos
fiscais referentes à cobrança de multas, observado o que dispuser o Regimento de Custas de cada Estado.

Direito eleitoral, noção: O Direito Eleitoral constitui um “sistema de normas de direto publico que regulam,
primordialmente, os deveres do cidadão de participar na formação do governo constitucional e, secunda-
riamente, os direitos políticos correlatos aquele dever, tanto os que são pressupostos como os que são
conseqüentes ao adimplemento daquele dever.”
(COSTA, Elcias Ferreira. Compêndio de Direito Eleitoral. São Paulo: Sugestões Literárias, 1978, p. 17.)

Direitos políticos: “É o conjunto de regras que disciplina as formas de atuação da soberania popular,
conforme preleciona o ‘caput’ do art. 14 da Constituição Federal. São direitos públicos subjetivos que inves-

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tem o indivíduo no ‘status activae civitatis’, permitindo-lhe o exercício concreto da liberdade de participação
nos negócios políticos do Estado, de maneira a conferir os atributos da cidadania”.
”Assim, são direitos políticos:
• Direito de sufrágio;
• Alistabilidade (direito de votar em eleições, plebiscitos e referendos);
• Elegibilidade;
• Iniciativa popular de lei;
• Ação popular;
• Organização e participação de partidos políticos.
É importante ressaltar que os direitos políticos compreendem o direito de sufrágio, como seu núcleo, e este,
por sua vez, compreende o direito de voto.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, pp. 222, 223.)

Direitos políticos negativos: “Correspondem às previsões constitucionais que restringem o acesso do ci-
dadão à participação nos órgãos governamentais, por meio de impedimentos às candidaturas. Dividem-
se em regras sobre inelegibilidade e normas sobre perda e suspensão dos direitos políticos.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 229.)

Doações: “As doações – quando em dinheiro, sempre por meio de cheque nominativo e cruzado, tornando
obrigatório seu depósito na conta corrente do candidato ou do partido – são permitidas a partir da constitui-
ção (com o registro) dos Comitês Financeiros (e não a partir do registro das candidaturas), e, ao mesmo
tempo, só a partir de então é que serão controladas. (...) Os doadores podem ser pessoas físicas e pessoas
jurídicas, e os valores, nos limites expressos na lei. Quando expressas em dinheiro, devem ser reduzidas a
um valor monetário e contabilizadas, sempre. Em dinheiro devem ser feitas por meio de cheque nominativo e
cruzado (tornando obrigatório seu depósito na conta corrente do candidato ou do partido).”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, pp. 135,
306, 307).
Observação: De acordo com o art. 24 da lei eleitoral, é vedada a doação oriunda de entidade ou governo
estrangeiro; órgão da administração pública direta e indireta ou fundação mantida com recursos proveni-
entes do poder público; entidade de direito privado que receba, na condição de beneficiária, contribuição
compulsória em virtude de disposição legal; entidade de utilidade pública; entidade de classe ou sindical;
pessoa jurídica sem fins lucrativos que receba recursos do exterior. Matéria atualmente disciplinada pela
resolução do TSE nº 21.609, de 2004, alterada pela Resolução nº 21.668, de 16 de abril de 2004.

Elegibilidade e Inelegibilidade: “Elegibilidade é a capacidade eleitoral passiva consistente na possibilida-


de de o cidadão pleitear determinados mandatos políticos, mediante eleição popular (...) desde que preen-
chidos certos requisitos denominados condições de elegibilidade. Inelegibilidade consiste em impedimen-
to à capacidade eleitoral passiva.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 227.)

Embargos de declaração: “Os embargos de declaração são admitidos no processo eleitoral, mas, embo-
ra tenham o objetivo de declarar no acórdão as suas obscuridades e contradições, como no processo
comum, não têm no processo eleitoral cabimento contra as Juntas e os juízes eleitorais (art. 275, I e II do
Código Eleitoral).”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 323.)

Fontes do Direito Eleitoral: “À União, somente a ela, a Constituição defere competência para legislar sobre
matéria eleitoral. A Constituição é, pois, a fonte primeira desse ramo do Direito Público. Outras fontes: leis
complementares, leis ordinárias, instruções do TSE traduzidas em resoluções, assim como os estatutos dos
partidos políticos que são, sem dúvida, fontes subsidiárias do Direito Eleitoral.
Tal como em outros ramos do Direito, o Eleitoral se realiza e se pratica por meio de normas legais substan-

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tivas e adjetivas. Há, então, o Direito Eleitoral propriamente dito e o Direito Processual Eleitoral, que define
as regras mediante as quais são conduzidas as diversas ações que tramitam na Justiça Eleitoral.”
(COSTA, Tito. Recursos em Matéria Eleitoral: Temas de direito eleitoral. São Paulo: Editora Revista dos Tribu-
nais, 1996.)

Habeas corpus: “O habeas corpus é admitido no Código Eleitoral, embora não seja especificamente um
recurso, mas um remédio processual especial. A Constituição brasileira o admite (art. 5º, LXVIII), atribuindo
à Justiça Eleitoral a competência para o processo e julgamento tanto dos crimes eleitorais como em maté-
ria eleitoral. (...) Compete aos juízes eleitorais decidir habeas corpus em matéria eleitoral, desde que essa
competência não esteja atribuída privativamente à instância superior (Código Eleitoral, art. 35, III). (...) Com-
pete aos Tribunais Regionais Eleitorais processar e julgar originariamente o habeas corpus ou mandado de
segurança em matéria eleitoral, contra ato de autoridades que respondam perante os Tribunais de Justiça
por crime de responsabilidade e, em grau de recurso, os denegados ou concedidos pelos juízes eleitorais,
ou ainda o habeas corpus quando houver perigo de se consumar a violência antes que o juiz competente
possa prover sobre a impetração (art. 29, I, e). (...) Admite-se o habeas corpus como remédio idôneo para
corrigir a irregularidade em caso de cerceamento de defesa, no processo dos crimes eleitorais. (...) O habeas
corpus não é meio hábil para conseguir o registro de candidatos. (...) O habeas corpus não é meio idôneo
para invalidar processo administrativo, mesmo que o paciente e candidato necessite da liberdade para
fazer campanha política.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, pp. 309, 310 e 311.)

Idade: A idade mínima de 18 anos para concorrer ao cargo de vereador tem como referência a data da
posse (Lei nº 9.504, de 1997, art. 11, § 2º).

Impugnação: “Impugnação é oposição manifestada mesmo antes de ser tomada uma decisão ou prati-
cado um ato. Por exemplo: o fiscal do partido impugna, no ato de votação, a identidade de um eleitor que
ainda vai votar. Ou, no ato de apuração, a validade e a contagem de um voto. Geralmente, a impugnação
é verbal e se destina a desaparecer logo depois de ser feita. É um protesto com a finalidade de medida
preparatória que produz efeitos imediatos; ou mediatos, na hipótese de recurso posterior contra a apura-
ção, caso em que o recurso somente será admitido se tiver havido impugnação perante a Junta, no ato de
apuração, contra as nulidades argüidas. (...) Se aos delegados cabe impugnar ou interpor impugnações,
não lhes cabe interpor recursos, que constituem um plus. (...)
Destarte, só os delegados que sejam advogados podem interpor recursos, salvante aqueles casos expressamen-
te enumerados e alusivos à matéria de alistamento, eleições e apuração (Código de Processo Civil, art. 106).”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, pp. 305, 391.)

Incompatibilidade e Inelegibilidade: “A inelegibilidade é um impedimento à eleição. A incompatibilidade


se configura após a eleição, obrigando o candidato à escolha entre o mandato e o cargo que ocupa. Em
determinados casos, o candidato é obrigado a afastar-se do cargo a partir do registro, mas só em casos
expressamente enumerados.(...) É preclusa a apreciação da inelegibilidade que devia ter sido argüida por
ocasião do registro, e que não foi então argüida. Ou, ainda, quando houve impugnação do registro,
impugnação denegada, contra a qual não ocorreu recurso, dando-se a preclusão. (...) Contudo, deve-se
acentuar que, em se tratando de matéria constitucional, não se verifica a preclusão, admitindo-se a invo-
cação da inelegibilidade por ocasião da diplomação, ainda que lhe seja anterior.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, pp. 340, 342.)

Indenização: “A veiculação da resposta, nos termos da lei, não exime o ofensor da indenização, ao ofen-
dido, por dano material, moral ou à imagem (Constituição Federal, art. 5º, V), nem o livra da ação penal
competente (código eleitoral, art. 243, § 1º), podendo o ofendido, independentemente dessa, ingressar no
Juízo Civil demandando a reparação do dano moral ‘respondendo por este o ofensor e, solidariamente, o
partido político deste, quando responsável por ação ou omissão, e quem quer que, favorecido pelo crime,
haja de qualquer modo contribuído para ele.”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, p. 252.)

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Inelegibilidade: “A inelegibilidade consiste na ausência de capacidade eleitoral passiva, ou seja, da con-
dição de ser candidato e, conseqüentemente, poder ser votado, constituindo-se, portanto, em condição
obstativa ao exercício passivo da cidadania. Sua finalidade é proteger a normalidade e legitimidade das
eleições contra a influência do poder econômico ou do abuso do exercício de função, cargo ou emprego
na administração direta ou indireta, conforme expressa previsão constitucional (art. 14, § 9º).
A Constituição estabelece, diretamente, vários casos de inelegibilidade no art. 14, §§ 4º a 7º, normas estas
de eficácia plena e aplicabilidade imediata, além de permitir que lei complementar estabeleça outros
casos (Constituição Federal, art. 14, § 9º. A lei complementar correspondente é a Lei Complementar nº 64/
90), com a mesma finalidade acima descrita. “
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 229.)

Inelegibilidade absoluta: “Consiste em impedimento eleitoral para qualquer cargo eletivo. É excepcional e
somente pode ser estabelecida, taxativamente, pela própria Constituição Federal. São os seguintes casos:
• Inalistáveis: a elegibilidade tem como pressuposto a alistabilidade (capacidade eleitoral ativa); assim,
todos aqueles que não podem ser eleitores não poderão ser candidatos.
• Analfabetos: apesar da possibilidade de alistamento eleitoral e do exercício do direito de voto, o analfa-
beto não possui capacidade eleitoral passiva.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 230.)

Inelegibilidade relativa: “Constituem restrições à elegibilidade para certos pleitos eleitorais e determina-
dos mandatos, em razão de situações especiais existentes, no momento da eleição, em relação ao cida-
dão. O relativamente inelegível possui elegibilidade genérica, porém, especificamente em relação a algum
cargo ou função eletiva, no momento da eleição, não poderá candidatar-se.
A inelegibilidade relativa pode ser dividida em:
• Por motivos funcionais;
• Por motivos de casamento, parentesco ou afinidade;
• Dos militares;
• Previsões de ordem legal.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 231.)

Inelegibilidade relativa dos militares: “O militar é alistável, podendo ser eleito, conforme determina o art.
14, § 8º. Ocorre, porém, que o art. 142, § 3º, V, da Constituição Federal proíbe aos membros das Forças
Armadas, enquanto em serviço ativo, estarem filiados a partidos políticos. Essa proibição, igualmente, se
aplica aos militares dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, em face do art. 42, § 1º. “
O Acórdão do TSE nº 11.314 indica ‘como suprimento da prévia filiação partidária o registro da candidatura
apresentada pelo partido e autorizada pelo candidato’. Assim, do registro da candidatura até a diplomação
do candidato ou seu regresso às Forças Armadas, o candidato é mantido na condição de agregado, ou
seja, afastado temporariamente, caso conte com mais de dez anos de serviço, ou ainda, será afastado
definitivamente, se contar com menos de dez anos. Fixada esta premissa, a Constituição Federal determi-
na que o militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
• Se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
• Se contar mais de dez anos, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automatica-
mente, no ato da diplomação, para a inatividade.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 243.)

Inelegibilidade relativa por motivos de casamento, parentesco ou afinidade: “São inelegíveis, no territó-
rio de circunscrição (a Constituição Federal usa a terminologia jurisdição) do titular, o cônjuge e os parentes
consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de governador de
Estado ou Território, do Distrito Federal, de prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. É a denominada
inelegibilidade reflexa. (...)

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A norma constitucional traz duas regras para a inelegibilidade reflexa: uma como norma geral e proibitiva
e outra como norma excepcional e permissiva.
• Norma geral e proibitiva: a expressão constitucional ‘no território da jurisdição’ significa que o cônjuge,
parentes e afins até segundo grau do prefeito municipal não poderão candidatar-se a vereador e/ou
prefeito do mesmo município; o mesmo ocorrendo no caso do cônjuge, parentes ou afins até segundo
grau do governador, que não poderão candidatar-se a qualquer cargo no Estado (vereador ou prefeito
de qualquer município do respectivo Estado; deputado estadual e governador do mesmo Estado; e ain-
da, deputado federal e senador nas vagas do próprio Estado, pois conforme entendimento do Tribunal
Superior Eleitoral, ‘em se tratando de eleição para deputado federal ou senador, cada Estado e o Distrito
Federal constituem uma circunscrição eleitoral’ – TSE – Resolução nº 19.970, de 18-9-1997 – Consulta nº
346/DF); por sua vez, o cônjuge, parentes e afins até segundo grau do Presidente, não poderão candidatar-
se a qualquer cargo no país. Aplicando-se as mesmas regras àqueles que os tenham substituído dentro
dos seis meses anteriores ao pleito.
• Norma excepcional e permissiva: no caso do cônjuge, parente ou afim já possuir mandato eletivo, não
haverá qualquer impedimento para que pleiteie a reeleição, ou seja, candidate-se ao mesmo cargo,
mesmo que dentro da circunscrição de atuação do chefe do Poder Executivo. Note-se que a exceção
constitucional refere-se à reeleição para o mesmo cargo na mesma circunscrição eleitoral. A título
exemplificativo, o cônjuge, parente ou afim até segundo grau de Governador de Estado somente poderá
disputar a reeleição para Deputado Federal ou Senador por esse Estado se já for titular desse mandato
nessa mesma circunscrição. Caso, porém, seja titular do mandato de Deputado Federal ou Senador por
outro Estado e pretenda, após transferir seu domicílio eleitoral, disputar novamente as eleições à Câmara
dos Deputados ou ao Senado Federal pelo Estado onde seu cônjuge, parente ou afim até segundo grau
seja Governador do Estado, incidirá a inelegibilidade reflexa (Constituição Federal, art. 14, § 7º), uma vez
que não se tratará juridicamente de reeleição, mas de uma nova e primeira eleição para o Congresso
Nacional por uma nova circunscrição eleitoral. (...)
Conforme a Súmula nº 6 do Tribunal Superior Eleitoral: ‘É inelegível para o cargo de Prefeito o cônjuge e os
parentes indicados no § 7º do art. 14 da Constituição, do titular do mandato, ainda que este haja renuncia-
do ao cargo há mais de seis meses do pleito.’ (...) Dessa forma, se o chefe do Executivo renunciar seis
meses antes da eleição, seu cônjuge e parentes ou afins até segundo grau não poderão candidatar-se ao
mesmo mandato, ou seja, à mesma chefia do Executivo; porém, a renúncia produzirá o efeito de afastar a
inelegibilidade reflexa para que possam disputar outros mandatos eletivos.” (TSE – Resolução nº 20.114, de
10-3-98 – Consulta nº 366 – DF.)
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, pp. 240 a 242.)

Inelegibilidade relativa por motivos funcionais: “A Emenda Constitucional nº 16, de 4-6-1997, alterou
tradição histórica do direito constitucional brasileiro instituindo a possibilidade de reeleição para o chefe do
Poder Executivo federal, estadual, distrital e municipal. (...)
Note-se que não se proíbe constitucionalmente que uma mesma pessoa possa exercer três ou mais man-
datos presidenciais, mas se proíbe a sucessividade indeterminada de mandatos. Assim, após o exercício
de dois mandatos sucessivos, o Chefe do Poder Executivo não poderá ser candidato ao mesmo cargo, na
eleição imediatamente posterior, incidindo sobre ele a inelegibilidade relativa por motivos funcionais para
o mesmo cargo. (...)
Importante opção adotada pela Emenda Constitucional nº 16, de 4-6-1997, foi no tocante à inexigência de
desincompatibilização do Chefe do Poder Executivo que pretenda candidatar-se à reeleição. A citada Emenda
não exigiu ao titular de mandato executivo a necessidade de renunciar, ou mesmo de afastar-se tempora-
riamente do cargo, para que pudesse concorrer a sua própria reeleição, demonstrando a nítida escolha
pela idéia de continuidade administrativa.”
Conforme o disposto no § 6º do art. 14 da Constituição Federal, “são inelegíveis para concorrerem a outros
cargos o Presidente da República, os governadores de Estado e do Distrito Federal e os prefeitos que não
renunciarem aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. “ (...) ‘Assim, para que possa candidatar-
se a outros cargos, deverá o Chefe do Poder Executivo afastar-se definitivamente, por meio da renúncia.
O Tribunal Superior Eleitoral entende que o Vice-Presidente, o Vice-Governador e o Vice-Prefeito poderão
candidatar-se a outros cargos preservando os seus mandatos respectivos, desde que, nos seis meses
anteriores ao pleito, não tenham sucedido ou substituído o titular.”

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Quanto a este tema, veja-se a Consulta nº 112 – Distrito Federal – Brasília, respondida pelo TSE por meio da
Resolução nº 19.491, de 28-3-96.
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, pp. 231, 233, 237 e 239.)

Inelegibilidade relativa e previsões de ordem legal: “A Constituição Federal, no § 9º do art. 14, autorizou
a edição de lei complementar (Leis Complementares nºs 64/90 e 81/94) para dispor sobre outros casos de
inelegibilidades e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade
para o exercício do mandato, considerada a vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade
das eleições contra a influência do poder econômico ou do abuso do exercício de função, cargo ou empre-
go na administração direta ou indireta. A lei complementar é a única espécie normativa autorizada consti-
tucionalmente a disciplinar a criação e estabelecer os prazos de duração de outras inelegibilidades rela-
tivas, sendo-lhe vedada a criação de inelegibilidade absoluta, pois estas são previstas taxativamente pela
própria Constituição.”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 243.)

Mandado de Segurança: “Os candidatos a postos eletivos são sempre parte legítima para impetrar o
mandado de segurança, quando seja violado um direito seu, líquido e certo. Mas a Justiça Eleitoral só
conhece o mandado de segurança nas questões específicas de processo eleitoral, do registro das candi-
daturas até a diplomação. As questões sobre o exercício do mandado se prendem à Justiça comum. Os
eleitores são também parte legítima para impetrar mandado de segurança, na titularidade de direitos
concernentes ao processo eleitoral: problemas de alistamento eleitoral, inscrição, votação nas suas seções
eleitorais ou fora delas (voto em separado) etc. Quanto aos partidos políticos, a opinião dominante é a de
que eles têm legitimidade ativa para impetrar mandado de segurança, poder que se estende aos diretórios
nacionais, regionais e municipais legalmente representativos do partido. (...) Contudo, não se admite a
legitimação passiva dos partidos políticos no mandado de segurança, dado que eles não exercem o jus
imperii, e assim não se pode impetrar mandado de segurança contra os presidentes dos partidos políticos,
nem aos seus respectivos diretórios. (...) Podem ser consideradas autoridades coatoras: os sindicatos, quando
seus atos são reflexos de poder delegado; os diretores de estabelecimentos particulares de ensino equi-
parados aos oficiais.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 315, 316.)

Nulidade: “É a declaração legal de que a determinados atos não se vinculam os efeitos jurídicos normalmen-
te produzidos por outros atos semelhantes. A nulidade pode ser absoluta ou insanável ou nulidade relativa.
Já a anulabilidade é nulidade relativa, porque necessita ser argüida para provocar a anulação do ato respec-
tivo. Serão nulas as cédulas: I – que não corresponderem ao modelo oficial; II – que não estiverem devida-
mente autenticadas; III – que contiverem expressões, frases ou sinais que possam identificar o voto. Serão
nulos os votos, em cada eleição majoritária: I – quando forem assinalados os nomes de dois ou mais candi-
datos para o mesmo cargo; II – quando a assinalação estiver colocada fora do quadrilátero próprio, desde
que torne duvidosa a manifestação da vontade do eleitor. Serão nulos os votos, em cada eleição pelo sistema
proporcional: I – quando o candidato não for indicado, através de nome ou do número, com clareza suficiente
para distingui-lo de outro candidato ao mesmo cargo, mas de outro partido, e o eleitor não indicar a legenda;
II – se o eleitor escrever o nome de mais de um candidato ao mesmo cargo, pertencentes a partidos diversos,
ou, indicando apenas os números, o fizer também com candidatos de partidos diferentes; III – se o eleitor, não
manifestando preferência por candidato, ou fazendo de modo que não se possa identificar o de sua prefe-
rência, escrever duas ou mais legendas diferentes no espaço relativo à mesma eleição. Serão nulos, para
todos os efeitos, os votos dados a candidatos inelegíveis ou não-registrados.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 269.)

Ofensa e direito de resposta: “É assegurado o direito de resposta a quem for injuriado, difamado ou
caluniado através da imprensa, rádio, televisão ou alto-falante, aplicando-se, no que couber, os arts. 90 a
96 da Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1942”.
Difamação: “é toda alegação ou imputação de fato que atente contra a honra ou a boa fama ou conceito
social do imputado, atingindo sua honra e reputação, com a intenção de desacreditá-lo em seu meio, ou
provocar-lhe o desprezo público. Pode ser efetivada mediante agressão oral ou escrita. Difere: 1) da injúria,

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que é a ofensa à dignidade e ao decoro, mediante palavras ou ação, e 2) da calúnia, que é a imputação
que se sabe ser falsa e que fere a honra. Para caracterização da difamação (art. 325 do código eleitoral), é
necessário que haja a imputação de fato determinado ofensivo à reputação (acórdão 275, de 3-6-97 –
habeas corpus n. 275/RS (Porto Alegre), rel. Min. Néri da Silveira).
Injúria: “é a ofensa de ordem física ou moral, real ou verbal, que alcança a pessoa, ferindo-a em seu
decoro, em sua honra, em seus bens ou em sua integridade física. Pode efetivar-se (injúria real) pelas vias
de fato, pela violência ou ofensa física, com a intenção de aviltar ou diminuir o conceito público da vítima ou
(injúria moral) por palavras, escritas ou não, expressando afirmações ultrajantes ou injuriosas, expondo a
vítima à desconsideração pública.
Calúnia: “é a imputação falsa atribuída a alguém de fato que a lei capitule como crime ou contravenção,
com o ânimo de difamar ou injuriar. Subentende, além do ânimo ofensor, a ciência da inverdade imputada.
‘Para a configuração da calúnia, é preciso que o fato increpado seja determinado. Mas, para tanto, não é
preciso que ele seja narrado em todas as suas circunstâncias: basta que se dê a impressão de certo
acontecimento concreto ou específico’ (acórdão 12.773, de 28-5-1998 – recurso especial eleitoral – classe
22ª/PR (127ª Zona – Rondon), rel. Min. Eduardo Alckmin). Em todas as hipóteses, seja de difamação, injúria
ou calúnia, pode a vítima exigir indenização por danos morais ou materiais.”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, pp. 250 a 252.)

Partidos políticos e registro: “Os partidos políticos são os órgãos necessários da ação política no Brasil e
somente poderão concorrer às eleições candidatos registrados por partidos. Nenhum registro será admi-
tido fora do período de seis meses antes da eleição.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 144.)
Observação: O art. 20 da Lei dos Partidos Políticos faculta aos partidos estabelecerem, em seu estatuto,
prazos de filiação superiores.

Plebiscito e referendo: ”Enquanto o plebiscito é uma consulta prévia que se faz aos cidadãos no gozo de
seus direitos políticos sobre determinada matéria a ser, posteriormente, discutida pelo Congresso Nacio-
nal, o referendo consiste em uma consulta posterior sobre determinado ato governamental para ratificá-lo,
ou no sentido de conceder-lhe eficácia (condição suspensiva), ou, ainda, para retirar-lhe a eficácia (condi-
ção resolutiva).”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 227.)

Polícia judiciária eleitoral: “Questão controvertida se refere ao exercício da polícia judiciária eleitoral. A
rigor, trata-se de competência exclusiva da Polícia Federal, prevista no art. 144, § 1.°, IV, da Constituição de
1988. Tem-se admitido, porém, o uso das polícias civis estaduais para o trabalho investigatório, inclusive
abertura de inquérito sobre casos envolvendo crimes eleitorais, na falta da Polícia Federal.”
(NOGUEIRA, Paulo Lúcio. Questões Processuais Penais Controvertidas. 2.ª ed. São Paulo: Sugestões Lite-
rárias. 1979, p. 52.)
Prazos: “Os prazos são peremptórios e contínuos: a partir de 5 de julho do ano da eleição correrão, inclu-
sive, aos sábados, domingos e feriados.”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, p. 99.)
“A regra geral no direito eleitoral, relativamente a prazo é a seguinte: quando a lei não fixar prazo especial,
o recurso deverá ser interposto em três dias contados da publicação do acórdão, da sentença, do ato, da
resolução ou do despacho que se deseja reformar.
Na contagem do prazo para recursos eleitorais devem ser obedecidas as disposições do Código de Pro-
cesso Civil, sobre– tudo a do seu art. 184 que diz respeito ao início e ao vencimento do mesmo.
No Direito Eleitoral os prazos para interposição de recursos são preclusivos, salvo quando neste se discute
matéria constitucional.
Na classificação de Frederico Marques, a preclusão pode ser temporal que predomina. Preclusão tempo-
ral, ensina ele, “é a perda de uma faculdade processual oriunda de seu não exercício no prazo ou termo
fixado na lei processual”.
(COSTA. Tito, 1992. Recursos em material eleitoral; temas de direito eleitoral. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 1996).

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Prejulgado: “O processo eleitoral brasileiro admite o prejulgado. Consoante o Código Eleitoral, no julga-
mento de um mesmo pleito eleitoral, as decisões anteriores sobre questões de direito constituem prejulgados
para os demais, salvo se contra a tese votarem dois terços dos membros do Tribunal.
Por via do prejulgado, o tribunal, pela iniciativa de qualquer de seus juízes, procura preventivamente evitar
a disparidade ou contradição de julgados”.
(COSTA. Tito, 1992– Recursos em material eleitoral; temas de direito eleitoral. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 1996.)

Prescrição: “É a perda da ação atribuída a um direito, e de toda a sua capacidade defensiva, em conseqü-
ência do não uso dela, durante um determinado espaço de tempo, segundo a lição de Clóvis. Para Luiz F.
Carpenter, em seu exaustivo estudo sobre a matéria, um único é o requisito da prescrição das ações: o
decurso do tempo”. (COSTA.Tito, 1992. Recursos em material eleitoral; temas de direito eleitoral. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 1996).

Prescrição e decadência: “A prescrição extingue a ação e a decadência extingue o direito.


• Estão sujeitas a prescrição (indiretamente, isto é, em virtude da prescrição da pretensão a que
correspondem): todas as ações condenatórias, e somente elas.
• Estão sujeitas a decadência (indiretamente, isto é, em virtude da decadência do direito potestativo a que
correspondem): as ações constitutivas que têm prazo especial de exercício fixado em lei.
• São perpétuas (imprescritíveis): a) as ações constitutivas que não têm prazo especial de exercício fixado
em lei; e b) todas as ações declaratórias.“
(AMORIM FILHO, Ângel. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência e para identificar as
ações imprescritíveis. In: Revista de Direito Processual Civil, vol. III, pp. 95 e ss., S. Paulo, jan/jun/61.)

Processo penal eleitoral: As regras do direito processual penal eleitoral são definidas pelo Código Eleitoral
e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Penal.
Nos termos do art. 356 do Código Eleitoral, todo cidadão que tome conhecimento de delito eleitoral deve
comunicá-lo à Justiça Eleitoral. Entende-se, todavia, que esta comunicação pode ser passada, alternativa-
mente, ao representante do Ministério Público ou ao Delegado de Polícia. Recebida a comunicação, o
representante do Ministério Público poderá oferecer denúncia ou pedir seu arquivamento. No último caso,
o magistrado, ao receber o requerimento, poderá deferi-lo ou não, hipótese em que encaminhará a ques-
tão ao Procurador Regional Eleitoral, que poderá oferecer a denúncia, designar outro Promotor para fazê-
lo ou ratificar o pedido de arquivamento, conforme o art. 357, § 1.°, do Código Eleitoral. Se o representante
do Ministério Público não oferecer denúncia no prazo legal, poderá ser responsabilizado penal e adminis-
trativamente. Nestes casos será solicitada ao Procurador Regional Eleitoral a designação de outro Promo-
tor ou, ainda, poderá ocorrer o oferecimento da ação penal privada. O processo se inicia, portanto, com a
apresentação da denúncia pelo representante do Ministério Público. Em seguida, cita-se o acusado, que,
em 10 (dez) dias, poderá oferecer contestação, juntando provas e arrolando testemunhas. As testemunhas
e o eventual interrogatório do réu serão realizados em data designada pelo Juiz Eleitoral, que também
poderá ordenar diligências.
Após a fase probatória, há abertura de vista às partes, para alegações finais. Enfim, o Juiz Eleitoral, em 10
(dez) dias contados da juntada das alegações finais, prolatará a sentença, observando os arts. 381 a 393
do Código de Processo Penal.
(COSTA, Tito. Recursos em Matéria Eleitoral. 6.ª ed., São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996, pp. 207 e ss.)

Propaganda eleitoral, caracterização: “A jurisprudência é mansa e pacífica na caracterização como propa-


ganda eleitoral aquela destinada à conquista de votos, não se confundindo, por exemplo, com manifesta-
ções como votos de feliz ano-novo, ou feliz Natal ou similares. Não configura propaganda eleitoral prema-
tura a fixação de adesivo em veículo de propriedade particular, contendo seu nome e menção a seu traba-
lho, bem como a distribuição de calendários (acórdãos 15.273, de 17-11-1998; 15.307, de 24-01-2000, e
1858, de 29-2-2000). Tem entendido o TSE como caracterizador do tipo propaganda eleitoral aquele ato
que leva ao conhecimento geral, ainda que de forma dissimulada, a candidatura, mesmo que apenas
postulada, a ação política que se pretende desenvolver, ou razões que induzem a concluir que o beneficiário

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é o mais apto ao exercício de função pública. Sem essas características, o ato configura promoção pesso-
al, inatingida pela vedação legal. Podendo configurar abuso de poder, político ou econômico, a promoção
pessoal não configura propaganda eleitoral (acórdão 16.183, de 17-2-2000).”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, pp. 169,170.)

Propaganda político-partidária e eleitoral: “A propaganda é uma técnica de apresentação, argumentos


e opiniões ao público, de tal modo organizada e estruturada para induzir conclusões ou pontos de vista
favoráveis aos seus anunciantes. É um poderoso instrumento para conquistar a adesão de outras pessoas,
sugerindo-lhes idéias que são semelhantes àquelas expostas pelos propagandistas. A propaganda políti-
ca é utilizada com o fim de favorecer a conquista dos cargos políticos pelos candidatos interessados,
fortalecer-lhes a imagem perante o eleitorado, sedimentar a força do governo constituído, ou minar-lhe a
base, segundo as perspectivas dos seus pontos de sustentação ou de contestação. (...)
A propaganda de candidatos a cargos eletivos somente é possível a partir de um determinado momento
previsto pela lei eleitoral, pois só é legalmente permitida após a respectiva escolha pela convenção.”
Observação: A Lei nº 9.504, de 1997, preceitua, no seu art. 36, que a propaganda eleitoral só é permitida
após o dia 5 de julho do ano da eleição.
“É vedada, desde quarenta e oito horas antes até vinte e quatro horas depois da eleição, qualquer propa-
ganda política mediante radiodifusão, televisão, comícios ou reuniões políticas. A lei eleitoral permite di-
versos tipos de propaganda, inclusive cartazes, faixas luminosas, radiodifusão, rádio, televisão etc.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 289, 293.)

Quociente eleitoral: “É aquela cifra que se obtém pela divisão do número de votantes, em uma determina
circunscrição, pelo número de cadeiras a preencher. Por exemplo, há 200.000 votantes e cinco cadeiras a
preencher, então o quociente eleitoral será de 40.000. Destarte cada partido terá tantas cadeiras quantas
vezes ele venha a conter o quociente eleitoral. Exemplificando: Lista A: 80.000 votos; duas vezes o quocien-
te eleitoral, duas cadeiras no Parlamento. Lista B: 40.000 votos, uma cadeira. Lista C: 40.000 votos, uma
cadeira. Lista D: 40.000 votos, uma cadeira.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 176.)

Radiocomunicação e radiofusão: “Radiocomunicação é a telecomunicação realizada por meio de onda


rádio-elétrica”.
“Radiodifusão é o serviço de telecomunicações que permite a transmissão de sons (radiodifusão sonora)
ou a transmissão de sons e imagens (televisão), destinada a ser direta e livremente recebida pelo público.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 296.)

Recurso: “Recurso, no entanto, é medida de que se vale o interessado depois de praticado um ato ou
tomada uma decisão. Pode também ser manifestado oralmente, como a impugnação, mas para ter se-
guimento deve ser confirmado dentro dos prazos legais, por petição escrita e fundamentada. (...)
Dos atos, resoluções ou despachos das Juntas Eleitorais caberá recurso para os Tribunais Regionais Eleito-
rais. (...)
Por força da preclusão, não se admite recurso contra a apuração se não se fizer a necessária impugnação
perante a Junta, no próprio ato da apuração, contra as nulidades argüidas. (...)
A regra dominante é que os recursos eleitorais não têm efeito suspensivo. (...) A regra dominante no direito
eleitoral brasileiro é a da irrecorribilidade das decisões do Tribunal Superior Eleitoral (CF de 1967, art. 132, e
CF de 1988, art. 121, § 3º), salvo as que contrariarem a Constituição e as denegatórias do habeas corpus e
do mandado de segurança. (...)
O recurso independerá do termo e será interposto por petição fundamentada dirigida ao juiz eleitoral
acompanhado, se o entender o recorrente, de novos documentos. (...)
Tanto as decisões das Juntas Eleitorais como a dos juízes podem ser por estes reformadas. Se o juiz refor-
mar a decisão, o recorrido poderá, dentro do prazo de três dias, requerer sobre o recurso como se por ele
interposto. Se a decisão não for reformada, o juiz eleitoral enviará o processo para exame do Tribunal
Regional Eleitoral. (Código Eleitoral, arts. 22 e 281).”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, pp. 305, 307, 308, 347, 368.)

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“No que diz com a recorribilidade, as decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais são irrecorríveis, salvo nos
casos taxativamente previstos em que é cabível o recurso ordinário ou o especial.
Tais hipóteses estão relacionadas no art. 121, § 4º, da Constituição Federal, ao qual corresponde o art. 276
do Código Eleitoral, este vazado nos seguintes termos:
‘Art. 276. As decisões dos Tribunais Regionais são terminativas, salvo os casos seguintes em que cabe
recurso para o Tribunal Superior:
I – especial:
a) quando forem proferidas contra expressa disposição de lei;
b) quando ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais;
II – ordinário:
a) quando versarem sobre expedição de diplomas nas eleições federais e estaduais;
b) quando denegarem habeas corpus ou mandado de segurança.’.”
(DECOMAIN, Pedro R. Elegibilidade & Inelegibilidades. Santa Catarina: Letras Contemporâneas, 2000).

Recurso contra diplomação: “O art. 262 do CE dispõe ser cabível recurso contra diplomação (RecDiplo),
naqueles casos que enuncia. Quem ‘recorre’ contra a diplomação não recorre contra o ato de expedição
de diploma em si, mas contra situações anteriores que viciaram o resultado da eleição, vale dizer, o ato
certificado pelo diploma. De modo que não é contra o diploma que se maneja o remédio do art. 262 do CE,
mas contra os fatos previstos nos incisos desse dispositivo legal, que afrontam a legitimidade do resultado
eleitoral. Questionado o resultado certificado, com a sua nulidade, obviamente que se esvazia o ato
certificador (o diploma). A diplomação, desse modo, serve apenas como dies a quo para se ajuizar o
remédio jurídico contrário aos fatos previstos no art. 262, os quais serão logo mais analisados por nós.
A norma do art. 262 é norma de direito material. O Min. Sepúlveda Pertence já teve oportunidade de
afirmar, lapidarmente, que “recurso de diplomação é a ação impugnatória de diploma em primeiro grau
pelos Tribunais”.
(COSTA, Adriano Soares da. Instituições de Direito Eleitoral. 3a. ed. Belo Horizonte: Del Rey. 2000).
“Tanto os candidatos eleitos quanto os suplentes – todos – serão diplomados na mesma sessão. Se algum
deles, todavia, manifestar impedimento de força maior para estar presente ao ato, poderá ser diplomado
noutra ocasião.
É a partir da data da diplomação que se inicia o prazo para interposição do recurso contra ela. Como não
há prazo específico para a interposição desse recurso, é aplicável a ele a regra do art. 258 do Código, de
acordo com a qual, ‘quando a lei não fixar prazo especial, o recurso deverá ser interposto em 3 (três) dias
da publicação do ato, resolução ou despacho’.
O recurso pode ser interposto contra qualquer diplomação, e não apenas contra a dos candidatos já elei-
tos. A competência para reconhecer desse recurso e para decidi-lo será dos Tribunais Regionais Eleitorais,
quando se tratar de diplomas expedidos pelos Tribunais Regionais Eleitorais.
No recurso contra a diplomação, não são produzidas provas. Dessa forma, em caso de recurso contra a
diplomação baseado em inelegibilidade de candidato por abuso do poder econômico ou político, ou uso
indevido de meio ou veiculo de comunicação social, por haver representação nesse sentido sido julgada
procedente depois das eleições (Lei Complementar nº 64, de 1990, art. 22, XV), o recurso contra a diplomação
será decidido com base nas mesmas provas produzidas na representação. A representação para apura-
ção de abuso do poder econômico ou político, ou uso indevido de meio de comunicação social, pode ser
ajuizada mesmo depois das eleições. Caberá a propositura da representação da apuração do abuso, na
qual, embora não se possa obter a cassação do mandato, pode-se obter a declaração de inelegibilidade
para as eleições a serem realizada nos três anos seguintes. E caberá também a propositura da ação de
impugnação de mandato eletivo”.
(DECOMAIN, Pedro R. Elegibilidade & Inelegibilidades. Santa Catarina: Letras Contemporâneas, 2000.)

Recurso especial: “É o interposto contra decisão do TRE que tenha decidido contra expressa disposição da
Constituição ou Lei.”
(LEÃO, Anis José. Eleições 92 (2ª. Parte). Belo Horizonte: Edição do autor. 1992).

Recurso extraordinário: É o recurso que se oferece contra decisões do TSE que envolvam matéria consti-
tucional. “Relativamente ao recurso extraordinário, havia polêmica sobre se era admissível esse recurso

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contra decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Hoje não resta dúvida quanto ao cabimento dessa medida,
tendo em vista o que estabelece a Constituição Federal de 1988, ao declarar que compete ao Supremo
Tribunal Federal (art. 102, III) julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou
ultima instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo da Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestável em face da Constituição.
Os tratadistas entendem que a expressão ‘decisões que contrariam a Constituição’ abarca não apenas
aquelas que violarem diretamente o texto constitucional mas também aquelas que derem a esse texto
uma interpretação que impeça o alcance do objetivo colimado pela Magna Carta.”
(LEÃO, Anis José. Eleições 92 (2ª. Parte). Belo Horizonte: Edição do autor, junho de 1992).

Recurso ordinário: “Ou simplesmente recurso, é o que se oferece contra decisões dos Tribunais Regionais
versando sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais, e quando os
Regionais denegarem ‘habeas corpus’ ou mandado de segurança. Os recursos, o ordinário e o especial,
são apresentados perante o Tribunal Regional Eleitoral competente, e vão ser apreciados pelo Tribunal
Superior Eleitoral.
A Constituição Federal, no art. 121, § 4º, itens III, IV e V, dá fundamento para o Recurso Ordinário, que pode
ser oferecido quando as decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais:
a) versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou estaduais;
b) anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou estaduais;
c) denegarem “habeas corpus”, mandado de segurança, “habeas data”, ou mandado de injunção.
O cabimento do recurso, quando se tratar de ‘inelegibilidade de candidato’, não faz parte do Código
Eleitoral, mas da Constituição Federal, que, neste caso, prevalece sobre o Código”.
(LEÃO, Anis José. Eleições 92 (2ª. Parte). Belo Horizonte: Edição do autor, junho de 1992.)

Renúncia: “A renúncia é ato de vontade unilateral sobre o qual não cabe apreciação. Acata-se. Mas ela
precisa exteriorizar-se. Não pode ser presumida. Deve afirmar-se de forma expressa. O candidato pode
renunciar tanto ao dieito de ser candidato (que lhe deu a convenção partidária) quanto ao direito de ser
votado, que lhe deu o registro”.
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, p. 113.)

Representação: “Além dos recursos, a legislação eleitoral alude às representações, reclamações, protes-
tos e impugnações, que evidentemente diferem dos recursos eleitorais. (...)
Em princípio, o direito de representação pode ser utilizado como meio processual idôneo para a provação
da Justiça Eleitoral, a fim de manifestar-se sobre a constitucionalidade da lei. (...)
A representação, ou a reclamação, pode ainda ser utilizada contra atos, resolução ou despacho, do qual
não caiba nenhum recurso possível.”
(FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado. Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, pp. 307, 321.)

Sobras de campanha: “Pelo direito atual (inexistia preceito para as eleições de l989 e 1992) as sobras
devem ser declaradas na prestação de contas, permanecendo depositadas na conta bancária da campa-
nha até o fim do prazo da impugnação. Vencido este, serão entregues ao partido ou coligação, neste caso
para distribuição entre os partidos que a integram. Inova a lei ao determinar que essas sobras serão
utilizadas pelos partidos “de forma integral e exclusiva, na criação e manutenção de instituto ou fundação
de pesquisa e de doutrinação e educação política.”
(AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Editora Saraiva, 2002, p. 156.)

Substituição de candidato: “A substituição do candidato majoritário poderá efetivar-se em caso de faleci-


mento ou renúncia formalizada até sessenta dias antes do pleito. Neste caso, só serão impressas novas
cédulas se o registro do novo candidato for deferido até trinta dias antes do pleito. Caso contrário, serão

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utilizadas as cédulas já impressas, computando-se como do candidato substituto os votos dados ao can-
didato substituído. Salvo esta hipótese, será considerado nulo o voto sufragando quem tenha tido o registro
de candidato cancelado.” (AMARAL, Roberto e Cunha, Sérgio Sérvulo da. Manual das Eleições. 2ª ed., Edito-
ra Saraiva, 2002, p. 115.)

Sufrágio, direito de: Expressa-se “pela capacidade de eleger e de ser eleito. Assim, apresenta-se em seus
dois aspectos:
• capacidade eleitoral ativa (direito de votar – alistabilidade);
• capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado – elegibilidade).”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 223.)

Sufrágio restrito: “Será restrito quando o direito de voto é concedido em virtude da presença de determina-
das condições especiais possuídas por alguns nacionais. O sufrágio restrito poderá ser censitário, quando
o nacional tiver que preencher qualificação econômica (renda, bens etc.), ou capacitário, quando necessi-
tar apresentar alguma característica especial (natureza intelectual, por exemplo).”
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 224.)

Sufrágio universal: “O sufrágio é universal quando o direito de votar é concedido a todos os nacionais,
independentemente de fixação de condições de nascimento, econômicas, culturais ou outras condições
especiais.(...) A existência de requisitos de forma (necessidade de alistamento eleitoral) e fundo (nacionali-
dade, idade mínima, por exemplo), não retiram a universalidade do sufrágio”. Observação: É o sufrágio
adotado no País.
(MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, p. 224.)

Sufrágio, voto e escrutínio: “Os três se inserem no processo de participação do povo no governo, expres-
sando: um, o direito (sufrágio), outro, o seu exercício (o voto), e o outro, o modo de exercício (escrutínio).”
O sufrágio “é um direito público subjetivo de natureza política, que tem o cidadão de eleger, ser eleito e de
participar da organização e da atividade do poder estatal.”
(SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 9ª edição, São Paulo: Malheiros Editores,
1992, p. 309.)

TSE: O Tribunal Superior Eleitoral é a instância jurisdicional máxima da Justiça Eleitoral. Sua competência é
definida “ratione materiae” ( em razão da matéria) e não “ratione personae” (em razão da pessoa), e ocorre
em grau de recurso.

TREs: Os Tribunais Regionais Eleitorais têm competência em razão da pessoa, para processar e julgar os
crimes eleitorais e comuns que lhe forem conexos, em atendimento à determinação do art. 96, II, c/c art.
108, I, “a”, da Constituição da República. Em regra, de suas decisões não cabem recursos ao TSE. As exce-
ções são todas enumeradas no art. 121, § 4.°, do texto constitucional.

Voto: “É um direito público subjetivo, sem, contudo, deixar de ser uma função política e social de soberania
popular na democracia representativa. Além disso, aos maiores de 18 e menores de 70 é um dever, por-
tanto, obrigatório.”(...) O voto, que será exercido de forma direta, apresenta as seguintes características
constitucionais:
• Personalidade: o voto só pode ser exercido pessoalmente. Não há possibilidade de se outorgar procura-
ção para votar .(...)
• Obrigatoriedade formal do comparecimento: em regra, existe a obrigatoriedade do voto, salvo aos mai-
ores de 70 anos e aos menores de 18 e maiores de 16. Consiste em obrigar o cidadão ao comparecimen-
to às eleições, assinando uma folha de presença e depositando seu voto na urna, havendo inclusive uma
sanção (multa) para sua ausência. Em virtude, porém, de sua característica de secreto, não se pode
exigir que o cidadão, efetivamente, vote.

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• Liberdade: manifesta-se não apenas pela preferência a um candidato entre os que se apresentam, mas
também pela faculdade até mesmo de depositar uma cédula em branco na urna ou em anular o voto.
(...)
• Sigilosidade: o Código Eleitoral exige cabine indevassável, para garantir o sigilo do voto. O segredo do
voto consiste em que não deve ser revelado nem por seu autor nem por terceiro fraudulentamente.
• Direto: os eleitores elegerão, no exercício do direito de sufrágio, por meio do voto (instrumento), por si,
sem intermediários, seus representantes e governantes. (...)
• Periodicidade: o art. 60, § 4º, da Constituição Federal é garantia da temporariedade dos mandatos, uma
vez que a democracia representativa prevê e exige existência de mandatos com prazo determinado.
• Igualdade: todos os cidadãos têm o mesmo valor no processo eleitoral, independentemente de sexo, cor,
credo, idade, posição intelectual, social ou situação econômica. ‘One man, one vote’.” (Um homem, um
voto.) (MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo: Editora Atlas, 2001, pp. 225, 226.)

Votos válidos: “São todos os que não incidem nas nulidades mencionadas na lei e decretados no ato
apuratório: as nulidades são as de ‘cédulas’ e as de votação.” (FERREIRA, Pinto. Código Eleitoral Comentado.
Editora Saraiva, 4ª ed., 1977, p. 274.)
Observação: O art. 2º da Lei nº 9.504, de 1997, preceitua que não serão computados os votos em branco e
os nulos.

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