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I

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA


FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA
Fundada em 18 de fevereiro de 1808

Monografia

Ensino das Práticas Integrativas e Complementares na


graduação em medicina no Brasil: um olhar sobre a UFBA

Lais Rocha Cruz

Salvador (Bahia)
Dezembro de 2017
II

FICHA CATALOGRÁFICA
Universidade Federal da Bahia
Sistema de Bibliotecas
Biblioteca Gonçalo Muniz – Memória da Saúde Brasileira
III

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA


FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA
Fundada em 18 de fevereiro de 1808

Monografia

Ensino das Práticas Integrativas e Complementares na


graduação em medicina no Brasil: um olhar sobre a UFBA

Lais Rocha Cruz


Professor orientador: Lilian Carneiro de Carvalho

Monografia de Conclusão do Componente


Curricular MED-B60/2014.2, como pré-
requisito obrigatório e parcial para conclusão
do curso médico da Faculdade de Medicina da
Bahia da Universidade Federal da Bahia,
apresentada ao Colegiado do Curso de
Graduação em Medicina.

Salvador (Bahia)
Dezembro, 2017
IV

Monografia: Ensino das Práticas Integrativas e Complementares na graduação em


medicina no Brasil: um olhar sobre a UFBA, de Lais Rocha Cruz.

Professor orientador: Lilian Carneiro de Carvalho

COMISSÃO REVISORA:

● Lilian Carneiro de Carvalho, Professora do Departamento de Saúde da Família, Faculdade


de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia.

 Caroline Lopez Fidalgo, Professora do Departamento de Saúde da Família, Faculdade de


Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia.

 Estevão Toffoli Rodrigues, Professor do Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade


de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia.

TERMO DE REGISTRO ACADÊMICO: Monografia avaliada


pela Comissão Revisora, e julgada apta à apresentação pública no VIII
Seminário Estudantil de Pesquisa da Faculdade de Medicina da Bahia/UFBA,
com posterior homologação do conceito final pela coordenação do Núcleo de
Formação Científica e de MED-B60 (Monografia IV). Salvador (Bahia), em
___ de _____________ de 2017.
V

“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.


Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter
fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não
entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não
entender, mas não como um simples estado de espírito. O bom é
ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter
loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura
de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero
entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que
não entendo.” (extraído do livro “A paixão Segundo G.H”, de
Clarice Lispector)
VI

EQUIPE

 Lais Rocha Cruz, Faculdade de Medicina da Bahia/UFBA. Salvador, Bahia, Brasil.


Correio-e: lais.cruuz@gmail.com

 Lilian Carneiro de Carvalho, Faculdade de Medicina da Bahia/UFBA. Departamento de


Saúde da Família.

INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA


 Faculdade de Medicina da Bahia (FMB)

FONTES DE FINANCIAMENTO

1. Recursos próprios.
VII

AGRADECIMENTOS

♦ A minha Professora orientadora, Lilian Carneiro de Carvalho, pela presença constante e


grande aprendizado durante todo o processo deste trabalho.

♦ A minha família, por todo apoio e carinho de sempre durante essa caminhada.

♦ Aos amigos e colegas, que participaram desse percurso tornando mais colorido, alegre e leve.
1

SUMÁRIO

ÍNDICE DE QUADRO E TABELA 2

I. RESUMO 3

II. OBJETIVOS 4

III. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 5

IV. METODOLOGIA 9

V. RESULTADOS 11

VI. DISCUSSÃO 17

VII. CONCLUSÕES 24

VIII. SUMMARY 25

IX REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 26
2

ÍNDICE DE QUADRO E TABELA

QUADRO 1 . Fluxograma da seleção de artigos 18

TABELA 1. Resultado da análise dos artigos selecionados 19


3

I. RESUMO

Ensino das Práticas Integrativas e Complementares na graduação em medicina no Brasil: um


olhar sobre a UFBA. Fundamentação: A organização e institucionalização das práticas
integrativas e complementares (PICs) e as Racionalidade Médicas foram realizadas em um período
que ocorreu uma crescente busca por métodos alternativos a biomedicina. Existe uma grande
importância dessas práticas no quesito de promoção de saúde, uma vez que há uma crise no método
convencional de atendimento, onde o paciente é fragmentado em partes e o seu contexto de
experiência do adoecer é negligenciado. Por isso, há necessidade de se estudar o perfil da graduação
dos estudantes de medicina na Universidade Federal da Bahia, pois se tem uma grande defasagem
dos profissionais atuais sobre o conhecimento dessas práticas. Objetivos: Caracterizar o ensino das
práticas integrativas e complementares nos cursos de graduação em medicina no Brasil,
especialmente na UFBA. Metodologia: Foi realizada uma revisão da literatura disponível nas bases
de dados Scielo e Bireme, selecionando artigos que abordavam sobre PICs na graduação dos
estudantes de medicina. Também foi realizada uma análise documental das ementas disponíveis no
sistema web das matérias obrigatórias e optativas no curso de medicina da UFBA. Resultados: Os 7
artigos selecionados mostraram que a maioria das instituição realizam o ensino através de matérias
optativas e que há boa receptividade dos estudantes. As ementas da grade curricular da UFBA não
evidenciou o ensino das PICs nessa instituição. Discussão: A revisão de artigos e a análise
documental possibilitaram obter algumas informações sobre o ensino das práticas integrativas e as
dificuldades de inserção na grade curricular formal do curso. Foi identificada a oferta de matérias
optativas, com maior predomínio da acupuntura e homeopatia, boa receptividade dos alunos ao
ensino e necessidade de mais pesquisa sobre as PICs. Conclusão: Ainda são necessários avanços na
inserção das PICs na grade curricular das instituições de ensino médico.

Palavras-chave: Práticas integrativas e complementares; graduação em medicina; educação médica.


4

II. OBJETIVOS

GERAL:

Caracterizar o ensino das práticas integrativas e complementares nos cursos de graduação em


medicina no Brasil, especialmente na UFBA.

ESPECÍFICOS:

Identificar a situação da UFBA quanto à disponibilidade de disciplinas e cursos de extensão com


conteúdo de práticas integrativas e complementares disponíveis para matrícula via web pelo
estudante de graduação em medicina na UFBA.

Identificar o posicionamento e conhecimento dos estudantes quanto ao ensino das práticas


integrativas e complementares (PICs) nos cursos de graduação nas faculdades de medicina do Brasil.
5

III. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E JUSTIFICATIVA

O entendimento dos conceitos de saúde e doença que se conhecem atualmente passou por
diversas mudanças ao longo dos anos. A análise da trajetória dessas concepções ao longo da história
permite uma compreensão de como o modelo biomédico alcançou o auge e conquistou um enorme
espaço dentro do modelo de cuidado, dificultando o reconhecimento das práticas integrativas e
complementares (PICs) como formas de opções terapêuticas.1,4
A medicina mágico-religiosa, predominante na antiguidade, atribuía às enfermidades
presentes no período como punições por transgressões cometidas individuais ou coletivamente. Com
o advento da Filosofia, na Grécia clássica, há um marco sobre a busca de explicações para os
fenômenos naturais que contribui para o surgimento da medicina empírico-racional, livre da
intromissão de forças divinas. Essa implementação do pensamento científico e posteriormente a
revolução industrial, contribuíram para o desenvolvimento do modelo biomédico que foi bastante
importante no desenvolvimento da saúde pública, principalmente no controle das infecções.
Contudo, com avanço e sofisticação da biomedicina foi sendo detectada sua impossibilidade de
oferecer respostas conclusivas ou satisfatórias para muitos problemas de componentes psicológicos
ou subjetivos que acompanham o processo de adoecimento, uma vez que esse modelo
intervencionista reduziu o corpo a um objeto de estudo e permitiu que o conceito de saúde fosse
associado a um estado de ausência de doença. 1,4
É nesse contexto em que há uma expansão do entendimento de saúde, vinculando conceitos
de prevenção e promoção como práticas importantes no bem-estar do individuo. Esse cenário torna
favorável uma maior inserção e reconhecimento das PICs no campo da saúde, uma vez que há um
objetivo de resgatar modelos alternativos de sociabilidades mais ligados à natureza e com menor
interferência das indústrias farmacêuticas. 4,26
As práticas integrativas e complementares em saúde, também denominados de medicina
tradicional e complementar/alternativa (MT/MCA), segundo Schveitzer (2012), consistem em
“racionalidades e práticas que partilham de uma perspectiva vitalista, centrada na experiência de vida
do paciente, com ênfase no doente e não na doença; e integradora, de caráter não intervencionista”.
Essas foram emersas de práticas artísticas conhecidas como medicina popular, que passa a ser campo
de estudo de antropólogos e sociólogos internacionais em meados da década de 30, que fazem uma
investigação de práticas culturais relacionadas ao cuidado. 5,26
No âmbito internacional (EUA e Europa), no final dos anos 60, movimentos de contracultura
em combate a uma onda tecnológica, visando uma necessidade de valorização da natureza,
fortaleceram noções e conceitos ligados à ecologia. No campo da saúde, essa movimentação criou
um espaço para o conceito de promoção de saúde, que visa à prevenção antes que se atinja uma
6

morbidade, fugindo da medicalização social vista como um domínio político dos cidadãos, atrelado
ao reducionismo biologicista da medicina. Nesse contexto, a Conferência Internacional de Alma-Ata,
realizada na antiga União Soviética (URSS) em 1978, e a Conferência Internacional sobre Promoção
da Saúde, realizada em Ottawa em 1986, foram importantes para a propagação do conhecimento e
levantamento desse debate para o resto do mundo. Trazendo para o contexto do Brasil, tem-se a
realização da VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986, no qual suas ideias são utilizadas, ainda
que de forma discreta, na criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988. 16,29
Dentro desse campo, têm-se as práticas conhecidas como Racionalidades Médicas (RM) que
englobam a Medicina Ocidental Contemporânea ou Medicina Alopática, Medicina Tradicional
Chinesa, Medicina ayurvédica, Medicina Homeopática, dentre outras. 29
A formulação da RM, iniciada por volta de 1992, foi composta por diversas etapas de um
projeto realizando um estudo e comparação das medicinas homeopática, tradicional chinesa,
ayurvédica e ocidental contemporânea também conhecida como biomedicina. Ao final desse grande
estudo, ao longo dos anos, passou a assumir um caráter político na afirmativa de diversas
modalidades de saber médico. 17,29
É importante salientar que a RM não é um campo isolado, está inserida nas práticas
integrativas. Ocorre uma distinção entre esses termos, pois o conceito da RM foi fundamentado e
estruturado em seis dimensões que são: morfologia humana, dinâmica vital (fisiologia), sistema de
diagnóstico, sistema terapêutico, doutrina médica e cosmologia, que trazem uma proposta de
expansão da prática clínica engessada nos conhecimentos da biomedicina. Enquanto que as práticas
integrativas e complementares são bastante abrangentes, não estabelecem uma padronização
conceitual, abarcando também práticas artísticas e conhecimentos do saber popular de várias
culturas. 16,29
Atualmente, foi implantado pelo Ministério da Saúde a Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares (PNPIC), em 2006, no SUS que envolvem justificativas
socioculturais e econômicas, como garantia de se realizar uma integralidade na atenção à saúde, que
é uma das políticas do Sistema Único de Saúde (SUS). 5,26
A PNPIC promoveu incorporação e institucionalização de práticas como a homeopatia, as
plantas medicinais e fitoterápicas, a medicina tradicional chinesa/acupuntura, a medicina
antroposófica e o termalismo social/crenoterapia, que já vinham sendo desenvolvidas na rede pública
de muitos municípios e estados. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a adoção dessas
práticas favorecem princípios fundamentais como: “universalidade, acessibilidade, vínculo,
continuidade do cuidado, integralidade da atenção, responsabilização, humanização, equidade e
participação social”. 3,5,26
7

Essa política sofreu uma atual expansão com a Portaria nº 849, de 27 de março de 2017,
proposta pelo Ministério da Saúde, em que mais práticas foram incorporadas, que são: Arteterapia,
Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia,
Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga. 15
Ainda que haja um crescente debate sobre essas práticas integrativas e adoção de medidas
públicas, há um desafio inerente de se inserir essas práticas como modalidade terapêutica. Isso
ocorre, pois a totalidade do individuo e seu processo de adoecimento são, em muitos casos,
desconsiderados no modelo hegemônico da clínica médica. Sobre essa negligência do processo de
adoecimento, através de uma perspectiva vitalista, Canguilhem (2005 apud Nogueira, 2010) faz a
seguinte abordagem: “as doenças do homem não são somente limitações do seu poder físico, são
dramas de sua história”. 17,20
É dessa forma que a integralidade no desenvolvimento da racionalidade biomédica é
prejudicada, uma vez que essa prática se afasta da individualidade das pessoas, tornando a prática
homogênea e padronizada sem levar em questão as subjetividades envolvidas, além da fragmentação
dos conhecimentos, onde a prática é voltada para ações terapêuticas medicamentosas com solicitação
de exames. Há um destoamento entre o saber teórico e as práticas acolhedoras, voltada para o ser em
processo de adoecer. Esse desequilíbrio e um maior empoderamento dos usuários do sistema, em
relação aos serviços oferecidos e sua qualidade, tem levado há um aumento na procura de práticas
integrativas e complementares. 16,29
Diante desses fatores, torna-se necessário analisar também a formação desses profissionais de
saúde, mais especificamente os médicos, para verificar o acesso dos mesmos a essas práticas
alternativas do cuidado que pregam uma visão ampliada do individuo. 30
Trazendo um panorama internacional, percebe-se uma boa adesão das universidades no
ensino das PICS em resposta ao crescente interesse na década 90. O Reino Unido, em 1993 passou a
recomendar o ensino das medicinas alternativas e complementares (CAM) nas escolas médicas, e
após três anos (1996), 23% das faculdades de medicina já ministravam esse conteúdo referente às
CAM. Um levantamento em 1998 mostrou que 64% das escolas médicas americanas (EUA)
ministravam conteúdos relacionados às práticas. Do mesmo modo, uma pesquisa também em 1998,
revelou que 81% das escolas canadenses tinham adotado o ensino dessas mesmas práticas. 8,19,30
No contexto brasileiro, há uma enorme defasagem no ensino regular destas abordagens no
currículo das escolas de medicina e, com isso, a classe médica não tem preparo para atuar com essas
práticas, não proporcionando uma abordagem terapêutica adequada para o paciente. Já estão sendo
realizadas pesquisas que reforçam a necessidade e importância da adaptação das universidades a essa
“nova” demanda da sociedade e os benefícios obtidos na relação médico-paciente, uma vez que além
de diminuir o preconceito com essas práticas, o profissional se encontrará mais qualificado para
8

orientar os seus pacientes. Outras contribuições do ensino das PICs é a valorização da subjetividade
do indivíduo e a integração com o modelo biomédico no cuidado em saúde. 7,17,20,31
Com isso, a ampliação do ensino inserindo as práticas integrativas durante a formação médica
está em consonância com que é proposto nas Diretrizes Curriculares Nacionais desse curso, no qual o
perfil almejado para esse profissional é baseado na “perspectiva da integralidade da assistência, com
senso de responsabilidade social”. 8
Sendo assim, tem-se a intenção caracterizar o ensino das práticas integrativas e
complementares nos cursos de graduação em medicina no Brasil.
Considerando a importância das PICs, outro objetivo é evidenciar o seu ensino na
Universidade Federal da Bahia, que foi a primeira instituição de ensino superior no pais, pois há
necessidade de uma pluralidade na assistência com ampliação da percepção do indivíduo e das
propostas terapêuticas no cuidado. 17,20
A UFBA possibilita aos seus alunos a realização de uma matrícula via internet a partir do
segundo semestre, através de um portal chamado Siac, que todos os discentes são orientados a fazer
inscrição logo no inicio do curso. Esse portal, no período da matricula, fornece acesso dos estudantes
às matérias obrigatórias e optativas referentes ao seu curso disponíveis, para que possa ser solicitada
a matricula. Com isso, o portal e o site da instituição foram utilizados para a realização da
caracterização do ensino.
9

IV. METODOLOGIA

IV.1 Desenho do estudo

Trata-se de uma revisão sistemática de literatura, em que na primeira etapa do trabalho


realizou-se uma procura por estudos que foram utilizados como fonte: artigos científicos que
abordavam a temática nas bases de dados Scielo e Bireme, de 01 de Janeiro de 2006 a 31 de outubro
de 2017. As palavras chaves utilizadas na busca foram: ensino médico OR ensino de medicina OR
graduação em medicina OR educação médica AND medicina alternativa e complementar OR
práticas integrativas e complementares OR fitoterapia OR racionalidades médicas OR naturopatia
OR meditação OR reiki OR homeopatia OR reflexoterapia OR auriculoterapia OR acupuntura OR
antroposofia OR terapia comunitária OR medicina ayurvédica. A escolha dessas palavras foi
realizada visando às práticas apontadas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares no SUS e algumas que foram incorporadas pela portaria em 2017, como também o
ensino dessas na graduação de medicina.
Em uma segunda etapa foi realizada uma leitura crítica, exploratória e seletiva para coleta de
dados e registro das informações pertinentes encontradas. Foram adotados como critérios de inclusão
artigos que abordem o ensino dessas práticas integrativas e complementares na graduação do
estudante de medicina, no período de 2006 a 2017. Os critérios de exclusão adotados para retirada
dos artigos foram: artigos que fugissem do tema de graduação em medicina, duplicados, que não
estivesse disponível o texto integral e gratuito e cartas de editoriais. Com os artigos selecionados,
buscou-se coletar os seguintes dados: identificar instituições em que há o ensino das práticas, qual ou
quais práticas são ensinadas; desde quando iniciou o ensino na graduação; formato de oferta das PICs
(optativo e/ou obrigatório); em que momento do curso está disponível para os alunos e avaliação dos
resultados alcançados com o ensino dessas práticas.
Desse modo, tendo em vista o objetivo de se identificar a situação da UFBA quanto à
disponibilidade de disciplinas e cursos de extensão que abordassem sobre as PICs foi executada a
análise documental a partir das ementas das matérias obrigatórias e optativas disponíveis no Siac e
no site da instituição. Com isso, foi realizada a leitura das mesmas, observando a presença de
palavras chaves como: medicina alternativa e complementar; práticas integrativas e complementares;
fitoterapia; racionalidades médicas; naturopatia; meditação; reiki; homeopatia; reflexoterapia;
auriculoterapia; acupuntura; antroposofia; terapia comunitária e medicina ayurvédica que permitisse
avaliar se havia o ensino das práticas integrativas nas matérias presentes na graduação.

IV.2 Período de busca


10

A seleção dos artigos foi realizada considerando artigos publicados no período de 01 janeiro
de 2006 a 31 de outubro de 2017, sendo a busca realizada no segundo semestre de 2015 até o
segundo semestre de 2017.
As ementas foram buscadas no início do segundo semestre curricular, mês de novembro, de
2016 e foi realizada uma nova busca no segundo semestre curricular, mês de outubro, de 2017.

IV.3 Busca eletrônica

Os artigos foram selecionados utilizando as bases de dados Scielo e BIREME. Os descritores


utilizados na busca foram: ensino médico OR ensino de medicina OR graduação em medicina OR
educação médica AND medicina alternativa e complementar OR práticas integrativas e
complementares OR fitoterapia OR racionalidades médicas OR naturopatia OR meditação OR reiki
OR homeopatia OR reflexoterapia OR auriculoterapia OR acupuntura OR antroposofia OR terapia
comunitária OR medicina ayurvédica.

IV.4 Critério de Inclusão

As buscas dos artigos para revisão foram realizadas do segundo semestre de 2015 até o
segundo semestre de 2017 e foram selecionados artigos que abordavam o ensino dessas práticas
integrativas e complementares na graduação do estudante de medicina e artigos publicados no
período de 01 de janeiro de 2006 a 31 de outubro 2017.

IV.5 Critério de Exclusão

A retirada de artigos foi realizada adotando os seguintes critérios de exclusão: artigos que
fugissem do tema do ensino das práticas integrativas na graduação de medicina, cartas de editoriais,
artigos duplicados e que não estivessem disponíveis o texto integral e de forma gratuita.

IV.6 Aspectos Éticos

Para a realização deste estudo não houve necessidade de submissão do projeto ao Conselho
de Ética em Pesquisa.
11

V. RESULTADOS

V.1 Revisão Sistemática de Literatura

Como descrito na metodologia, as buscas dos artigos foram realizadas nas bases de dados
indicadas aplicando os descritores, selecionando artigos dos últimos 11 anos (2006-2017). Os
resultados obtidos através dessa busca podem ser visualizados no Quadro 1.

Quadro 1. Fluxograma da seleção de artigos

Na base de dados Bireme realizando todas as combinações dos descritores se encontrou um


total de 15666 artigos, que ao ser acrescentado o filtro de texto completo obteve-se 4998 artigos, nos
quais 3960 estavam dentro do período desejado (2006-2017). Com uma leitura dos títulos e resumos
12

dos artigos e aplicando os critérios de exclusão foi realizada uma triagem, em que artigos de revisão,
duplicados, que fugissem do tema e cartas de editoriais foram descartados, sendo 38 artigos pré-
selecionados. Desses artigos, 6 foram selecionados, uma vez que artigos duplicados encontrados nos
descritores e que fugiram do tema após leitura completa do texto foram dispensados.

A busca na base de dados do Scielo utilizando as combinações dos descritores encontrou 83


artigos, que ao utilizar o filtro estabelecendo o período desejado (2006-2017) restaram 76 artigos.
Dentre esses artigos, foram pré-selecionados 23 se aplicando os mesmo critérios de exclusão
adotados na base de dados do Bireme para a seleção da triagem. Os 3 artigos selecionados foram
obtidos excluindo-se as duplicatas encontrados nos descritores e que fugiram do tema após leitura
completa dos artigos.

Os 7 artigos utilizados na revisão, que se encontram na Tabela 1, foram obtidos através de


uma avaliação dos artigos selecionados nas duas bases de dados, excluindo os artigos duplicados. Na
tabela foram colocados elementos que pudessem caracterizar a presença do ensino das práticas
integrativas nas universidades do Brasil.

Tabela 1. Resultado da análise dos artigos selecionados

Autores/Ano de publicação Instituição de Ano que Práticas Formato de Momento que Avaliação dos
ensino superior iniciou o integrativas e oferta da PIC está disponível resultados
ensino complementares para o aluno para alunos alcançados
(PICS) ensinada

Sandra Abrahão Chaim Salles. Universidade NI Homeopatia 1 matéria NI NI


2008 Federal do Rio optativa
Grande do
Norte

Faculdade de NI Homeopatia 1 matéria NI NI


Medicina do optativa
ABC

UNIRIO 1948 Homeopatia 1 matéria NI NI


obrigatória e 3
optativas.

Universidade 1983 Homeopatia 1 matéria NI NI


Federal da optativa e
Paraíba ambulatório

Universidade 1984 Homeopatia Matéria optativa NI NI


Federal de
Uberlândia

Universidade 1996 Homeopatia 2 matérias NI NI


Federal obrigatórias e 3
Fluminense optativas.
13

Faculdade de 1999 Homeopatia 1 matéria NI NI


Ciências optativa
Médicas da
UNICAMP

Universidade 2001 Homeopatia Matéria optativa NI NI


Federal de São
Paulo

Faculdade de 2002 Homeopatia Matéria optativa Quarto ano Os alunos


Medicina da com práticas em apresentaram
Universidade de ambulatório grande interesse no
São Paulo aprendizado dos
fundamentos da
homeopatia

Faculdade 2002 Homeopatia 1 matéria Quinto ano NI


Evangélica do optativa com
Paraná assistência
ambulatorial

Universidade do 2003 Homeopatia 1 matéria Sétimo semestre NI


estado do optativa
Amazonas

Fundação 2004 Homeopatia 1 matéria NI NI


Universidade optativa
Regional de
Blumenau

Universidade de 2004 Homeopatia 1 matéria Quarto ano NI


Mogi das Cruzes optativa e (optativa) e
práticas no quinto ano
ambulatório (prática)

Universidade 2005 Homeopatia 1 matéria NI NI


Federal de optativa com
Pernambuco práticas
ambulatoriais.

João Eduardo Daud Amadera; Faculdade de 2002 Acupuntura 1 matéria Sétimo Os alunos
Hong Jin Pai; Wu Tu Hsing; Medicina da optativa semestre consideraram que o
Marcus Zulian Teixeira; Universidade de curso possui boa
Mílton de Arruda Martins; São Paulo qualidade, no qual
Chin An Lin. 2010 se acham
parcialmente
capazes de exercer
a técnica.

Sandra Abrahão Chaim Salles. Centro 2009 Homeopatia 1 matéria Sexto semestre Os alunos
2012 Universitário obrigatória referiram que a
São Camilo matéria contribui
para sua formação
e resultou na
redução de
preconceitos,
escuta ampliada,
foco no individuo,
clinica ampliada, e
outro caminho de
abordagem
terapêutica.

Léia Fortes Salles; Rafael 13 faculdades NI Acupuntura, Matéria optativa NI NI


Fernandes Bel Homo; das 74 homeopatia e
Maria Júlia Paes da Silva. instituições fitoterapia
14

2014 públicas do
Brasil

Maria Inês de França Roland; Faculdade de 2002 Acupuntura 1 matéria Terceiro ano Alunos percebem
Reinaldo José Gianini. 2014 Medicina da optativa com certa resistência na
Universidade de prática utilização dessa
São Paulo ambulatorial. prática no meio
médico;
desconhecem o
processo de
implantação da
acupuntura como
política pública de
saúde; identificam
o seu benefício
terapêutico;
avaliam
necessidade de
regulamentação da
formação e prática
dessa técnica.

João Bosco Guerreiro da Faculdade de 1997 Acupuntura 1 Matéria Terceiro ano e Alunos avaliam
Silva; RassenSaidah; Cecília Medicina de Rio obrigatória; quinto ano positivamente a
Baccili Cury Megid; Neil Preto Ambulatório presença da
Alvimar Ramos. 2017 (2007) acupuntura no
currículo e que
proporcionou
identificar
pacientes que
podem se
beneficiar dessa
técnica.

Ivia Fonseca de OliveiraI; Universidade 1994 Homeopatia 2 matérias Segundo período Alunos avaliam
Bráulio Henrique B. PelusoI; Federal obrigatórias; 3 e sétimo período positivamente a
Filipe A. C. FreitasI; Fluminense optativas (1997); (obrigatórias). A presença dessa
Marilene Cabral do partir do prática no ensino,
Nascimento. 2017 segundo período, porém sentem
terceiro período faltam de uma
ou todos maior integração
períodos com modelo
(optativas). biomédico e um
ambulatório-escola
para realização de
aulas práticas.
NI- Não informado

V.2 Formas de inserção das PICs nas escolas médicas

Com a avaliação do início do ensino das PICs nas universidades encontradas, foi possível
identificar que a grande maioria teve seu início antes da implantação da Política Nacional de 2006.
Também foi verificado que há um maior espaço para o ensino da homeopatia e acupuntura em
comparação com as outras práticas integrativas e complementares, e que essas, em determinadas
universidades, são realizadas há décadas. Esse longo tempo de ensino permitiu um avanço no ensino
das mesmas, com expansão de oferta de matérias optativas e inclusão de práticas ambulatoriais,
contudo, muitos autores trazem, que houve também uma dificuldade de continuação do ensino e
muitas perderam seu campo de prática ou reduziram as matérias oferecidas. 2,18,22,23,24,25,27
15

Outro dado coletado a partir dos textos selecionados, é que a grande maioria das instituições
apresentaram o ensino das PICs em seu currículo de forma optativa e sem realização de aulas
práticas pelos alunos, trazendo alguns prejuízos no aprendizado por não desenvolver a habilidade
técnica e ter contato com os pacientes que se beneficiam dessas práticas. Devido a isso, em algumas
instituições houve a formação de ligas acadêmicas pelos alunos voltadas para suprir a necessidade de
um contato prático ou então para proporcionar uma maior experiência na área. 2,,22,23,24,25

As matérias obrigatórias ofertadas em algumas das universidades listadas na tabela 1, em


alguns casos, não são específicas na abordagem da prática integrativa, realizando uma abordagem
geral dessas práticas em algumas aulas. 18,24,27

V.2 Avaliação dos estudantes sobre ensino das PICs

A perspectiva dos estudantes de medicina quanto ao aprendizado das PICs, abordada por
esses autores, se mostrou bastante favorável a sua presença na grade curricular do curso, onde a
maioria concorda que deveria ser abordado como optativa, alegando uma atual grade curricular com
extensa carga horária. 2,18,,23,24,25,27

Os discentes avaliaram a riqueza da expansão no atendimento integral e um modelo além do


oferecido pelo biomédico, capacitando para reconhecer futuras indicações aos pacientes que se
beneficiariam do uso dessas técnicas. Outros também enfatizam a importância desse ensino para
romper preconceitos existentes em relação às práticas, e alguns reconhecem a resistência de alguns
profissionais na utilização das mesmas. Relatam que muitos atribuem essas práticas ao misticismo,
efeito placebo e que não possuem fundamentação científica. 2,18,22,,24,25,27

Outro dado importante apontado, é que muitos dos graduandos em medicina desconheciam a
Política Nacional de práticas integrativas e complementares de 2006, que possibilita o acesso a essas
práticas pelo SUS. 23

Apesar de não ter sido o foco da revisão, foi identificada a formação de ligas acadêmica por
determinados grupos de alunos nas faculdades o que proporcionou um aprofundamento do
conhecimento sobre PICs e possibilitou a realização de atividades práticas. 22,24,25,27

V.3 Análise Documental


16

A análise documental das ementas de cada matéria obrigatória e optativa, disponíveis no Siac
e no site da instituição, do primeiro ao sexto ano na graduação de medicina na UFBA, revelou não
existir o objetivo de debater sobre práticas integrativas e complementares no seu componente
curricular. Na busca não foram visualizadas as palavras-chaves (medicina alternativa e
complementar; práticas integrativas e complementares; fitoterapia; racionalidades médicas;
naturopatia; meditação; reiki; homeopatia; reflexoterapia; auriculoterapia; acupuntura; antroposofia;
terapia comunitária; medicina ayuverdica) propostas para avaliação.
17

VII. DISCUSSÃO

O cuidado em saúde possuiu diferentes modelos ao longo da história da medicina. Contudo,


contextos culturais e econômicos contribuíram para o predomínio do modelo biomédico até os dias
atuais. O reconhecimento e valorização da subjetividade do indivíduo no processo de adoecimento
contribuiu para a crescente busca por outras modalidades de atenção a saúde. 1,4,20
Nesse contexto, as práticas integrativas e complementares (PICs) começam a adquirir maior
visibilidade, mesmo com as limitações de adequação as normas estabelecidas pela produção
cientifica e o preconceito dos profissionais de saúde, principalmente médicos, que subestimam a sua
eficácia. 3,12
A presença da Organização Mundial de Saúde foi muito importante nesse processo, pois a
criação do programa de Medicina Tradicional objetivou a formulação de políticas em defesa dos
conhecimentos tradicionais em saúde. Com isso, em seus comunicados e resoluções, a OMS
incentivou os Estados-membros a formularem políticas públicas para uso racional e integrado das
Medicinas Tradicionais e das Medicinas Complementares e Alternativas nos sistemas nacionais de
atenção à saúde, como também abordou a necessidade de desenvolvimento de pesquisas para melhor
conhecimento de sua segurança e eficácia. 10,13
Dados publicados recentemente no documento WHO Traditional Medicine Estrategy 2014-
2023, da OMS, trazem que houve um substancial crescimento na utilização das PICs na última
década e trouxe a estimativa de que mais de 100 milhões de europeus e um número ainda maior de
pessoas concentradas na África, Ásia, Austrália e Estados Unidos são usuárias dessas práticas. Além
disso, o documento destacou que as PICs movimentaram aproximadamente 83,1 bilhões de dólares,
em 2012, no consumo de produtos originados da Medicina Tradicional Chinesa e 14,8 bilhões de
dólares, em 2008, com produtos naturais, nos Estados Unidos. 13,10,19
No Brasil, avanços nessa área podem ser considerados com a implantação da Política
Nacional de 2006 que integra as práticas de homeopatia, plantas medicinais e fitoterápicas, medicina
tradicional chinesa/acupuntura, medicina antroposófica e termalismo social/crenoterapia no SUS,
garantindo o acesso da população a práticas que se mantinham restritas ao serviço particular, e que
mais recentemente foi ampliada pelo ministério da Saúde incluindo: Arteterapia, Ayurveda,
Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia,
Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga. 5,15
Nesse quesito, tendo em vista o crescente reconhecimento de tais manejos terapêuticos pela
população, e que algumas práticas já estão inseridas no SUS, tem-se a necessidade de caracterizar o
ensino das PICs na formação dos futuros médicos. Diante disso, foram selecionados artigos que
18

abordavam sobre essa realidade da formação médica e o ensino dessas práticas integrativas no
âmbito acadêmico. 5,28

Práticas integrativas nas instituições de ensino médico no Brasil

Em uma análise geral dos artigos, pode-se observar que apesar das PICs estarem há milênios
sendo utilizadas por diversas populações, e que mesmo com a política de 2006 que foi importante
para reforçar sua presença e importância na terapêutica ampliada do paciente, ainda são reduzidos os
números de instituições que fornecem essa temática na graduação. Isso é bem verificado por Salles
(2007), que realizou uma investigação exploratória das 115 instituições listadas pela Associação
Brasileira de Educação Médica (Abem), a partir das suas pesquisas, encontrou que apenas 17
instituições ofertavam a prática de homeopatia. Essa pequena adesão das instituições também é
evidenciada no trabalho de Salles (2014), em que das 74 instituições públicas, catalogadas junto aos
órgãos de educação que possuem o curso de medicina, apenas 13 ofertam atividades em caráter
optativo, contra 53 instituições que não ofereciam nenhuma atividade sobre a temática. 23,24
Um fator que explicaria a ausência nas instituições seria a dificuldade de continuação do
ensino das PICs por falta da sua consolidação dentro da instituição, uma vez que foram
desenvolvidos por iniciativa pessoal de um grupo específico, dependendo dos mesmos para que haja
continuidade das atividades devido às resistências e falta de interesse nos demais docentes presentes.
Isso corrobora com que foi apontado por Texeira (2013), em que a incorporação dessas práticas no
currículo é dependente da vontade política de coordenadores dos cursos e diretores da instituição,
sendo muitas vezes desenvolvidas por médicos especializados na área de forma voluntária. Em
consonância com isso, tem-se o relato trazido por Oliveira (et al, 2017) de uma médica homeopata
que coordena três disciplinas optativas de homeopatia na Universidade Federal Fluminense (UFF) e
recebe auxílio de médicos convidados e cedidos pelo ministério da saúde para a continuidade do
curso. 8,18,24,32
Outro dado observado com a avaliação dos artigos é que a grande maioria das faculdades
identificadas ofertam esses cursos em caráter optativo. Isso também é indicado na revisão realizada
por Christensen (2010), em que as matérias são ofertadas em caráter eletivo. Contudo, há uma
sugestão de que eles fossem incorporados à grade principal do currículo, construídos com os mesmos
quesitos dos outros cursos ofertados. Essa inserção de caráter obrigatório permitiria abranger mais a
formação desses futuros médicos generalistas, permitindo uma integralidade como é proposto na
diretriz curricular avaliado por Salles (2012):
19

As diretrizes curriculares para os cursos de graduação em medicina almejam


desenvolver nos seus estudantes o perfil de um médico com “formação generalista,
humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar no processo saúde-doença em seus
diferentes níveis de atenção [...] como promotor da saúde integral do ser humano”.
(Salles, 2012)

Com isso, estaria garantindo a integralidade a respeito do seu raciocínio clínico sem depender da
busca individual de cada aluno pela temática. 7,25,31
Essa “disputa” por tempo na grade curricular mínima obrigatória não é recente, como também
é apontado por Salles (2012). Com o crescente desenvolvimento das áreas de conhecimento ligadas à
biomedicina, as instituições de ensino rediscutem a carga horária que se usará para esses conteúdos.
Esse fator torna a inserção das práticas complementares na grade curricular dos profissionais de
saúde uma ação complexa que não possuiu uma solução simples. Há motivos corporativistas,
econômicos, religiosos a se considerar quando se deseja aprofundar o entendimento dessas práticas e
quando se propõe analisar a perspectiva de mudança de paradigmas no campo da saúde. Com isso, é
importante ressaltar que o ensino das PICs não visa substituir a estrutura do saber vigente, mas
agregar valores, percepções, possibilidades de compreensões diagnósticas e terapêuticas. 24,25,23
Também foi possível identificar outra característica nos artigos analisados, em que se há um
predomínio dentre as instituições oferecerem abordagem sobre homeopatia e acupuntura. Isso pode
ser explicado por essas práticas serem reconhecidas como especialidades médicas pelo Conselho
Federal de medicina desde 1980 para homeopatia e 1995 para a acupuntura. Segundo um
levantamento realizado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) e
pelo CFM, mostrou que a acupuntura e a homeopatia ocupam, respectivamente, o 22º e o 28º
contingente de profissionais dentre 53 especialidades médicas brasileiras. 8,24,26
Um dos motivos apontado como obstáculo na inclusão de outras práticas na graduação é a
escassez de estudos científicos, o que explica a dificuldade de encontrar artigos que identifique a
presença no ensino médico. Isso é paradoxalmente contrastado pelo crescimento da busca dessas
práticas pela sociedade como terapêuticas alternativas, principalmente nos casos de doenças crônicas.
Com isso, a produção científica não acompanha esse crescimento, o que reflete na falta de adesão das
graduações no ensino das mesmas, repercutindo em profissionais despreparados para oferecer um
serviço amplo, resultando em uma barreira para orientar sobre outras modalidades terapêuticas e na
relação médico-paciente. Existem relatos na literatura de pacientes que não se sentem confortáveis
em compartilhar que fazem uso dessas práticas com a maioria dos médicos. 20,23,24
Um fator que pode explicar esse desinteresse por uma abordagem mais holística e ampliada é
o predomínio da biomedicina no cuidado ao longo da história que contribui para o crescimento do
preconceito em relação às PICs, no qual muitos médicos desacreditam sua eficiência.1,20
20

Além disso, há uma dificuldade de adequação aos métodos de produção científica


preconizado para legitimação do conhecimento. A marginalização dessas práticas terapêuticas que
não apresentassem evidências científicas com base em métodos experimentais e em fenômenos
matemáticos quantificáveis ocorreu mais intensamente desde o advento da revolução científica e da
revolução industrial. Devido a essa conjuntura, recentemente a organização mundial de saúde
abordou sobre a necessidade de ampliar o número de pesquisas e o espectro de desenhos desses
estudos. Isso também é abordado por Tesser, sobre a necessidade de se abranger os métodos
científicos para validação das práticas integrativas e complementares: 3,21

A ciência pode ser um ponto de apoio para legitimação, não o único nem tampouco
necessário sempre. Outros valores além dos científicos são desejáveis na promoção
da saúde, bem como outros saberes de novas e antigas tradições não científicas ou
ocidentais [...]. Isso significa, em certa medida, "desepistemologizar" a discussão ou
tirá-la do marco positivista restrito e ingênuo em que comumente se a coloca.
(Tesser apud Azevedo, 2011)

Perspectivas dos estudantes frente ao ensino das PICs

No contexto dos estudantes, uma analise geral dos artigos, possibilitou observar uma boa
receptividade por parte dos estudantes que demonstraram interesse e reconhecimento da importância
dessa abordagem durante sua formação. Esse fato pode ser explicado pela proposta de integralidade
abordada pelas PICS, como evidenciado por Oliveira (et al, 2017): “A singularização do indivíduo,
com a valorização de queixas sensoriais, emocionais [...] preenchem lacunas do modelo biomédico e
facilitam uma abordagem ampliada de cada pessoa”. Isso promove uma ampliação da escuta ao
paciente e o raciocínio clínico, contribuindo para relação médico-paciente. 18,22,24,25,27
A grande maioria dos discentes concordou com a inserção das PICs de forma optativa, sendo
a principal justificativa o excesso de carga horária que ocasionaria na grade curricular. Já alguns
alunos acreditam que essa crítica à adesão no currículo obrigatório parte da dificuldade de aceitação
de novos paradigmas onde afirmam que “o modelo biomédico também possui um grau de abstração,
menos questionado devido à dominância de seu paradigma na cultura ocidental” (Oliveira, et al,
2017). Isso reflete que há maior valorização à dimensão física/bioquímica em comparação às
dimensões emocionais, psicológicas, energéticas no cuidar/ tratar de um indivíduo. 18,25
Ainda sobre a perspectiva dos alunos, um problema evidenciado é que maioria das
instituições que apresentam conteúdo teórico sobre as PICS não possuem um espaço para realização
de atendimentos com aplicação dessas práticas. Esse fato não possibilita uma melhor imersão e
21

vivência com maior apropriação dos conhecimentos pelos discentes, com também não permite
verificar resultados e obter relatos dos pacientes que utilizam essa prática. 2,18
Como um mecanismo de superar essas dificuldades encontradas em algumas instituições,
determinados grupos de alunos fundaram ligas acadêmicas sobre essas práticas para promover um
espaço de debate mais ampliado sobre essas técnicas, principalmente acupuntura e homeopatia. A
resposta à criação desses grupos foi bastante positiva e contribuiu para a formação acadêmica dos
participantes. 22,25

Um olhar sobre o ensino na UFBA

Em 1808, a transferência do trono família real portuguesa para o Brasil e sua permanência
temporária na Bahia acarretaram em fatos de relevância na nossa história. Um deles foi à criação da
Escola de Cirurgia, no Hospital Militar da Bahia, em 18 de fevereiro desse mesmo ano. Somente em
03 de outubro de 1832 adquire o nome de Faculdade de Medicina, que guarda até os dias atuais. 6
Dentro desses anos desde a sua criação, algumas mudanças foram realizadas na grade
curricular de ensino diante da necessidade de adequar a formação do médico de acordo as novas
realidades. O ultimo processo de transformação curricular em desenvolvimento nesta escola desde
2004, foi finalizado em 2009 e se encontra vigente até hoje. Esse projeto Político-pedagógico do
curso de medicina foi elaborado baseado no preceito legal da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(Lei n 9.394/96) que prevê, no seu artigo 12, inciso I, que “os estabelecimentos de ensino,
respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de elaborar e
executar sua proposta pedagógica”. Esse projeto também visou seguir as recomendações propostas
pela diretriz Nacional Curricular de 2001, proposta pelo Ministério da Educação, definindo os
princípios, fundamentos, condições e procedimentos para a formação de médicos, estabelecidos pela
Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. É apresentado que esse processo
de construção pedagógico reflete a busca de harmonizar os interesses que operam no sistema
educacional e necessidades da sociedade sobre o profissional que se quer formar. 8,12

No caso da formação médica, a contradição central nos últimos anos situa-se na


exigência social de transformação proveniente da constatação de que o perfil do
médico formado não atende às necessidades de atenção à saúde da população
brasileira, e na ação das forças conservadoras que se opõem às mudanças no
processo de formação do médico. [...] Assim, os profissionais deverão estar
preparados para lidar com diferenças culturais, sociais, de gênero, de etnia, de
valores e de representações sobre saúde e doença, favorecendo a criação de
22

estratégias efetivas para o alcance da integralidade do cuidado e a equidade do


direito à saúde. (Formigli, et al, 2010)

Com isso percebe-se que há um reconhecimento da necessidade de uma abordagem ampliada da


saúde pelo meio de ensino, e desse modo, existe uma busca por adequação. No entanto, apesar da
Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares ter sido instaurada durante esse
processo de mudança curricular, em 2006, não há nenhuma referência sobre a mesma nesse projeto
que reflita na oferta das práticas integrativas para os discentes. Esse fato também foi observado com
a leitura das ementas propostas na grade curricular, que não revelou evidência do ensino dessas
práticas nessa faculdade, e isso corrobora com que é encontrado na literatura á respeito do ensino
dessas práticas. 20
No entanto, tem-se conhecimento que o módulo clínico II (MEDB20), matéria obrigatória do
quarto semestre, proporciona uma atividade de seminários em que os alunos apresentam sobre alguns
temas relacionados às PICs há dois anos. Dessa forma, pode-se avaliar que há por parte de alguns
profissionais que trabalham na instituição o desenvolvimento dessa prática, mas que funcionam de
forma pontual, sem de fato haver um conhecimento da instituição, uma vez que não consta na ementa
da matéria, como abordado anteriormente.
Há também matérias disponíveis em outros cursos que abordam essa forma ampliada de
terapêutica, mas as mesmas não se encontram disponíveis no SIAC, que é um sistema onde os
estudantes realizam uma pré-matrícula online, o que limita o acesso dos estudantes que tenham
interesse de ampliar seu conhecimento.
A Diretriz Curricular Nacional, resolução nº 3, de 20 de junho de 2014, proposta pela Câmara
de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, também aborda aspectos que reforçam a
necessidade de oferta de uma formação com “responsabilidade social e compromisso com a defesa
da cidadania, da dignidade humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade
em sua prática, sempre, a determinação social do processo de saúde e doença”. Contudo,
insuficientes avanços foram realizados em relação ao ensino das PICs. 9

Limitações do estudo

Esse estudo apresentou algumas limitações na caracterização do ensino das PICs nas
instituições de graduação médica.
A fonte utilizada para obter informações foram artigos publicados, a grande maioria com
mais de 5 anos, que podem não mais refletir a atual situação da instituição sobre o ensino dessas
23

práticas. Além disso, há possibilidade de que outras instituições ofertem as PICs na sua grade
curricular, mas que não tenham publicado artigos.
Assim, é proposto que estudos posteriores realizem a busca desses dados diretamente com as
faculdades, através dos seus sites e/ou com aplicação de questionários com os coordenadores do
curso via internet.
Do mesmo modo, somente a análise documental das ementas da grade curricular da UFBA
foi insuficiente para caracterizar o ensino nessa instituição. Também se tem como sugestão a
realização de entrevistas e/ou questionários para maior compreensão da atual realidade.
24

VII. CONCLUSÃO

É fundamental que a formação acadêmica acompanhe a dinâmica da sociedade, que é o foco


principal da sua atuação, aspirando oferecer um serviço de qualidade que respeite a diversidade
cultural, socioeconômico e biopsicossocial dos indivíduos. Dessa forma, este trabalho objetivou
caracterizar o ensino das práticas integrativas e complementares, proposta na política de 2006 com
atual ampliação, nas instituições brasileiras de ensino superior em medicina, especialmente a UFBA,
identificando as matérias e cursos de extensão oferecidos, juntamente com a perspectiva dos
estudantes sobre essa modalidade terapêutica.
Com isso, se verificou que apesar da Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares ter sido implantada há 11 anos, com sua atual expansão no SUS, poucos avanços
foram realizados no eixo de ensino dessa área dentro das universidades médicas presentes no Brasil e
especificamente na UFBA, permanecendo como um grande desafio o ensino dessa práticas.
Dessa forma, é preciso que haja ampliação deste ensino no currículo obrigatório de
graduação, para que haja consolidação dessas técnicas nas instituições, com contratação de
professores qualificados e a presença dessas práticas nos ambulatórios-escola. Essa atitude visa
promover a integração entre essas modalidades terapêuticas, com a valorização da subjetividade dos
pacientes.
Trazendo a abordagem para a UFBA, é necessário que as atividades realizadas em relação ao
ensino das PICs sejam formalizadas nas ementas como garantia de continuidade do ensino, e que
matérias optativas em outros cursos sejam mais divulgadas para os discentes de medicina, no qual
possam ser visualizadas pelo Siac, que é o principal mecanismo de acesso dos estudantes as matérias
ofertadas durante o período de matricula.
A realização de novas pesquisas sobre a eficácia e segurança das PICS é imprescindível e
necessita ser incentivada, respeitando as limitações de se adequar ao desenho cientifico hegemônico,
buscando assim, outras formas de efetuar esses estudos. Isso possibilitaria relatar e documentar os
benefícios das PICs para os pacientes como um forte aliado ao modelo biomédico, e também
possíveis malefícios de suas técnicas.
As limitações identificadas na revisão dos artigos evidenciou a necessidade da coleta de
dados diretamente com as instituições de ensino, como forma de compreender essa realidade. A
análise das ementas da grade curricular da UFBA também não foi muito eficiente em refletir a
realidade do ensino nessa instituição, no qual se propõe à realização de entrevistas com
coordenadores dos departamentos do curso para complementar as informações.
Apesar dos desafios, é necessário garantir uma formação plural em saúde, capaz de oferecer
outros modelos terapêuticos e permitir que a integralidade no cuidado seja realizada.
25

VIII. SUMMARY

Teaching of Integrative and Complementary Practices in medical education in Brazil: a


look at the UFBA. Introduction: The organization and institutionalization of Integrative and
Complementary Practices (PICs) and Medical Rationality were carried out in a period where there
was a growing search for alternative methods to biomedicine. There is a great importance of these
practices in the field of health promotion, since there is a crisis in the conventional method of care,
where the patient is fragmented in parts and his experience context of illness is neglected. Therefore,
there is a need to study the profile of undergraduate medical students at the Federal University of
Bahia, because there is a large gap between the current professionals about the knowledge of these
practices. Objectives: To characterize the teaching of integrative and complementary practices in
undergraduate medical education courses in Brazil, especially at UFBA. Methodology: A literature
review was made available in the Scielo and Bireme databases, selecting articles that dealt with PICs
in medical students' graduation. A documentary analysis of the available syllabi in the web system of
compulsory and optional subjects in the UFBA medical course was also carried out. Results: The 7
articles selected showed that most of the institutions carry out the teaching through optional subjects
and that there is good receptivity of the students. The syllabi of the UFBA curriculum did not show
the teaching of PICs in this institution. Discussion: The review of articles and the documentary
analysis made it possible to obtain some information about the teaching of integrative practices and
the difficulties of insertion in the formal curriculum of the course. It was identified the offer of
electives, with a higher prevalence of acupuncture and homeopathy, good receptivity of students to
teaching and need for more research on PICs. Conclusion: Progress still needs to be made in the
insertion of PICs in the curriculum of medical teaching institutions.

Keywords: Integrative and complementary practices; undergraduate medicine course; medical


education.
26

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