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Higiene do Trabalho

HIGIENE DO TRABALHO 1
Higiene do Trabalho

1. Saúde e Segurança do Trabalho

1.1 Conceituações Iniciais

Saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não somente a


ausência de enfermidades.

Para garantir o referido conceito, o Governo Federal, por intermédio do Ministério da


Saúde, desenvolve a Política Nacional de Saúde do Trabalhador que visa à redução
dos acidentes e das doenças relacionadas com o trabalho, mediante a execução de
ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de saúde.

Podemos definir Segurança do trabalho como sendo um conjunto de metodologias


cuja finalidade é a prevenção de acidentes e de doenças do trabalho pela minimização
ou até eliminação dos riscos associados aos processos produtivos.

A segurança não deve ser tratada como uma atividade à parte, já que faz parte de
toda atividade.

Podemos ainda afirmar que a segurança do trabalho é uma estrutura desenvolvida


pelos empregados, empresas e Governo, objetivando garantir a integridade física e
mental de todos.

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7o, Capítulo II, dispondo sobre os
direitos sociais, estabelece:

“São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de


outros que visem à melhoria de sua condição social – Item
XII: Redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança”.

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1.1.1 Cronologia

A evolução das questões relativas à segurança do trabalho está intimamente


relacionada com os riscos enfrentados pelos trabalhadores que por sua vez são
incorporados ao ambiente laboral via tecnologia empregada. Por exemplo, vamos
analisar os riscos ao trabalhador em três distintas fases da história:

 Homem Primitivo: riscos associados ao ato de caçar ou de pescar.

 Pré-Revolução Industrial: riscos associados ao trabalho no campo e na


manipulação de metais e das primeiras ferramentas utilizadas pelos artesões.

 Pós-Revolução Industrial: nesse caso os riscos estão associados ao manuseio e


ao controle de máquinas de alta tecnologia, de substâncias perigosas, bem
como de substâncias radioativas.

Na cronologia a seguir apresentada, é possível traçar um paralelo entre a evolução


tecnológica e seus correspondentes riscos, com as ações promovidas pela sociedade
para estabelecer as salvaguardas para a conservação da saúde e da segurança dos
trabalhadores:

No Mundo:

1700 – Itália

Bernardino Ramazzini publica estudo intitulado “De Morbis Artificum Diatriba” (A


Doença dos Trabalhadores).

Estudo pioneiro das doenças associadas ao trabalho envolvendo mais de 50 profissões.

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1802 – Reino Unido

“Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes”

Limita a jornada em 12 horas por dia; exigência de lavagem de paredes das fábricas
periodicamente; exigência da ventilação nos ambientes laborais.

1830 – Reino Unido

Instalado o primeiro serviço médico industrial somente para a medicina curativa.

1833 – Reino Unido

“Factory Act”
É estabelecida a obrigatoriedade de prover máquinas com proteção e comunicar
acidentes do trabalho.

1867 – França

Instalada a 1a Associação para Prevenção de Acidentes por iniciativa de Engels Dolfus.

1877 – Estados Unidos

Promulgada a lei sobre a necessária proteção de correias de transmissão em máquinas.

1913 – Estados Unidos

Instalado o “National Safety Council”

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No Brasil:

1919

Promulgada a Lei 3.724 – 1a Lei sobre os acidentes de trabalho que estabelece uma
série de procedimentos prevencionistas ligados ao setor ferroviário.

1941

Ano de fundação da Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes (ABPA).

1943

Aprovação do Decreto-Lei 5.452, que trata da Consolidação das Leis do Trabalho


(CLT), sendo o Capítulo V dedicado à Segurança e Medicina do Trabalho.

1972

A Portaria 3237, de julho de 1972, tornou obrigatória a existência de Serviços de


Higiene, Segurança e Medicina do Trabalho nas empresas, de acordo com o tipo de
atividade desenvolvida, do grau de risco e do número de empregados da empresa.

1977

Alteração do Capítulo V do Título II da CLT relativo à Segurança e Medicina do


Trabalho, que vai proporcionar o estabelecimento de novas normas regulamentadoras
de segurança do trabalho.

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1978

A Portaria 3.214 estabelece o necessário atendimento pelas empresas e empregados


das “Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho – NR”

1.1.2 Noções Preliminares das Relações Jurídicas do Trabalho

São as seguintes as principais atribuições dos órgãos do Poder Público nas questões
da relação capital/trabalho:

Ministério do Trabalho e Emprego – responsável pelo estabelecimento de políticas


e diretrizes nacionais para a geração de emprego e renda; pela aplicação de sanções
previstas nas normas legais, bem como pela assessoria direta ao Presidente da
República para a solução de questões de conflito de interesses.

Instituto Nacional do Seguro Social – responsável pela fiscalização da legislação


previdenciária, notadamente no tocante ao recolhimento de contribuições
previdenciárias; pelo pagamento de benefícios sociais decorrentes de acidentes de
trabalho, bem como pela viabilização da aposentadoria especial.

Ministério Público do Trabalho – responsável pela defesa da ordem jurídica, do


regime democrático e dos interesses sociais individuais indisponíveis especificamente
no tocante às relações trabalhistas, promovendo, quando necessário, o inquérito civil
e a ação civil pública para a proteção do meio ambiente do trabalho.

Ministério Público Estadual – por ser o detentor do monopólio da ação penal


pública é o responsável pela viabilização de o empregador vir a ser responsabilizado
criminalmente pela ocorrência de acidente do trabalho.

Justiça do Trabalho – responsável pela solução dos conflitos decorrentes da relação


de trabalho, especialmente entre empregado e empregador. Cabe destacar que com

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o advento da Emenda Constitucional 45, de 08/12/2004, a Justiça do Trabalho teve a
sua competência material ampliada para a totalidade dos litígios oriundos da relação
de trabalho e não mais apenas à relação de emprego.

Certamente a norma jurídica de maior relevância para a segurança e a saúde no


trabalho é a Lei 6514, de 22 de dezembro de 1977, que altera os artigos 154 a 201 da
Consolidação das Leis do Trabalho, os quais compõem o Capítulo V, relativo à
Segurança e Medicina do Trabalho.

De acordo com o caput do artigo 200 desse diploma legal o Ministério do Trabalho e
do Emprego editou a Portaria 3214, de 08/06/1978, estabelecendo as 28 primeiras
normas regulamentadoras de segurança e saúde no trabalho urbano.

1.2 Riscos Ambientais

Consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes


nos ambientes de trabalho que, em função de sua natureza, concentração ou
intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do
trabalhador. Vale destacar que os riscos ergonômicos e de acidentes são tratados em
separado das ações da higiene ocupacional.

Agentes Físicos

Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar


expostos os trabalhadores, tais como ruído, vibrações, pressões anormais,
temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o
infrassom e o ultrassom.

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Agentes Químicos

Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam


penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas,
neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam
ter contato ou ser absorvidos pelo organismo pela pele ou por ingestão.

Agentes Biológicos

Consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas,


protozoários, vírus, entre outros.

1.3 Higiene do Trabalho, Industrial ou Ocupacional

Segundo a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH –


Conferência Americana de Higienistas Industriais Governamentais, 2012), a higiene
industrial é uma ciência e uma arte que objetiva a antecipação, o reconhecimento, a
avaliação e o controle dos fatores ambientais e estresses, originados nos locais de
trabalho.

Segundo a American Industrial Hygiene Association (AIHA – Associação Americana de


Higiene Industrial, 2012), “Ciência que trata da antecipação, reconhecimento,
avaliação e controle dos riscos originados nos locais de trabalho e que podem
prejudicar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, tendo em vista também o possível
impacto nas comunidades vizinhas e no meio ambiente” (AIHA – American Industrial
Hygiene Association).

A higiene ocupacional pode ser dividida em duas partes, ou seja:

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- Higiene de campo: realiza o estudo da situação higiênica do ambiente de trabalho,
análise dos postos de trabalho, detecção de contaminantes, estudo e recomendações
de medidas de controle.

- Higiene analítica: realiza as análises químicas das amostras coletadas, cálculo e


interpretações dos dados levantados no campo.

Cabe nesse ponto esclarecer que as definições de higiene podem conter uma ou outra
variação conceitual, mas todas têm por objetivo a proteção e a promoção da saúde e
do bem-estar dos trabalhadores como também do meio ambiente em geral, mediante
ações preventivas no ambiente de trabalho, utilizando-se das fases de antecipação,
reconhecimento, avaliação e controle descritas a seguir:

Antecipação dos Riscos

A etapa de antecipação prevista no escopo da Higiene Ocupacional visa identificar os


riscos que poderão ocorrer no ambiente de trabalho, ainda na fase de projeto,
instalação, ampliação, modificação ou substituição de equipamentos ou processos,
objetivando, já nessa fase a implementação de medidas de controle, sempre que
necessárias.

Reconhecimento dos Riscos

O Reconhecimento dos Riscos visa identificar no ambiente de trabalho fatores ou


situações com potencial de dano, isto é, identificar a possibilidade de dano. O
Reconhecimento dos Riscos pode também ser denominado avaliação qualitativa dos
riscos.

Avaliar o risco qualitativamente significa estimar a probabilidade e a gravidade do


dano, o grau de risco e julgar se o grau de risco é tolerável, apontando as opções de
controle ou a necessidade de avaliações aprofundadas para melhor caracterizar o risco.

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Avaliação

A etapa de avaliação é destinada à quantificação dos riscos mediante instrumentos e


técnicas adequadas. Serão realizadas avaliações quantitativas para os agentes físicos,
químicos e biológicos, sempre que se dispor de metodologias e limites de tolerância
cientificamente e tecnicamente reconhecidos.
São as seguintes as principais fases de uma avaliação de exposição:

- O primeiro passo na avaliação de uma exposição é a identificação do agente


(Características físico-químicas do agente químico ou natureza do agente físico)
presente no ambiente laboral e as possíveis consequências desta exposição.

- Definição do tempo real de exposição considerando-se a análise da tarefa


desenvolvida que inclui a definição do tipo de atividade e suas particularidades,
movimento do trabalhador ao efetuar o serviço, jornada de trabalho e descanso.

- Identificação de exposição simultânea a mais de um agente.

- Avaliação da concentração dos agentes químicos ou da intensidade dos agentes


físicos a partir de amostragens representativas nos ambientes laborais envolvidos.

A avaliação de exposição deve tomar por base as seguintes considerações:

- Definição dos métodos de amostragem a partir dos objetivos da avaliação e das


fontes de referência metodológicas (NHO, NR, NIOSH, NBR, OSHA, ACGIH)

- Definição do grupo homogêneo de exposição – GHE ou grupo de exposição similar –


GES que corresponde ao grupo de trabalhadores expostos aos agentes ambientais de
forma similar, de tal forma que a avaliação de qualquer um de seus componentes
oferece dados úteis para estimar o risco dos demais integrantes.

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- Estabelecimento da duração e do número de amostragens que deve representar o
ciclo de trabalho e permita a representatividade da exposição. Cabe ainda salientar
que tais amostragens devem ser realizadas em condições normais de trabalho.

Controle dos Riscos

A etapa de Controle dos Riscos objetiva minimizar ou eliminar a exposição dos


trabalhadores aos riscos ambientais, mediante implementação de medidas de controle
que atuem na fonte de emissão, meios de transmissão e receptor.

Quando a técnica adotada atua na fonte de emissão ou na trajetória é denominada


como controle de engenharia ou controle coletivo. Já quando as medidas de controle
envolvem o receptor são denominadas controle individual ou administrativo.

O estudo, desenvolvimento e implantação de medida de proteção coletiva deverá


obedecer à seguinte hierarquia:

- Medidas que eliminam ou reduzam a utilização ou a formação de agentes prejudiciais


à saúde;
- Medidas que previnam a liberação ou disseminação desses agentes no ambiente de
trabalho;
- Medidas que reduzam o nível ou a concentração desses agentes no ambiente de
trabalho.

Quando comprovada a inviabilidade técnica ou econômica da adoção de medidas de


controle de proteção coletiva, ou enquanto estiverem em desenvolvimento os estudos
relativos à sua implementação, ou ainda em caráter complementar ou emergencial,
serão adotadas outras medidas, obedecendo-se à seguinte hierarquia:

- Medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho;

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- Utilização do Equipamento de Proteção Individual (EPI), um dispositivo ou produto,
de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis
de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho.

Nesse ponto cabe discutir alguns preceitos sobre as classificações das doenças geradas
no ambiente laboral, a saber:

- Doenças profissionais – São alterações fisiopsicológicas provocadas


inequivocamente, ou inerente a certas atividades profissionais, existindo sempre uma
relação indiscutível entre a causa e o efeito (nexo causal): silicose por obreiros;
cataratas entre os soldadores etc.

- Doença do trabalho – Afecção que nem sempre estaria rigorosamente relacionada


com o trabalho e provocada por esse: aparecimento de varizes, de hérnias ou de
afecções na coluna.

Obs.: Podem existir fatores predisponentes que nem sempre são detectados nos
exames admissionais e nem sempre são provocados pelo trabalho desenvolvido.

A partir de um olhar sobre a legislação temos (Lei 8.213, artigo 20, de 24/07/1991):

- doença profissional – a produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho


peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo
Ministério do Trabalho e da Previdência Social;

- doença do trabalho – a produzida ou desencadeada em função de condições especiais


em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente.

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1.4 Limites de Tolerância

Segundo o texto da NR 15, limite de tolerância é a concentração ou intensidade


máxima ou mínima relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente,
que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral. A partir de
uma visão mais ampliada limite de tolerância pode ser encarado como concentrações
ou intensidades dos agentes ambientais as quais a maioria dos trabalhadores possa
estar exposta ao longo de sua vida laboral sem sofrer efeitos adversos à saúde.

Tendo em vista que a suscetibilidade individual a um determinado agente pode variar


de indivíduo para indivíduo os limites de tolerância não devem ser considerados como
100% seguros.

Assim, cabe aqui esclarecer que a legislação prevê por intermédio da NR 9 – PPRA a
adoção do conceito de nível de ação que indica um valor inferior ao limite de tolerância
(normalmente 50% do limite de tolerância) a partir do qual devem ser iniciadas ações
preventivas de modo a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes
ambientais ultrapassem os limites de exposição. As ações devem incluir o
monitoramento periódico da exposição e o controle médico.

1.5 Insalubridade e Periculosidade

Então vamos apresentar dois conceitos muito importantes para a saúde e a segurança
do trabalho, ou seja, os conceitos de insalubridade e de periculosidade:

- Segundo o artigo 189 da CLT, serão consideradas atividades ou operações insalubres,


aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os
empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em
razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus
efeitos. O trabalho em condições de insalubridade acima dos limites de tolerância
assegura ao empregado um adicional de 10%, 20% ou 40% sobre o salário-mínimo

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regional, segundo se classifiquem nos graus mínimo, médio e máximo
respectivamente.

- Cabe esclarecer que o artigo 191 da CLT prevê que o pagamento do adicional de
insalubridade será suprimido com a adoção de medidas que conservem o ambiente de
trabalho dentro dos limites de tolerância ou com a eliminação ou a neutralização
mediante uso do EPI, desde que este seja capaz de diminuir o risco a níveis abaixo
dos limites de tolerância (nem todos os agentes insalubres são neutralizados com EPI);

- De acordo com o artigo 193 da CLT são consideradas atividades ou operações


perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho, aquelas
que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem o contato permanente com
inflamáveis ou explosivos em condições de risco acentuado. O trabalho em condições
de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário sem
os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da
empresa.

- O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja
devido.

- Adicionalmente, temos hoje as seguintes atividades consideradas como periculosas:


atividades ou operações perigosas com energia; atividades ou operações perigosas
com radiações ionizantes e substâncias radioativas, atividades ou operações perigosas
em segurança pessoal ou patrimonial, e as atividades laborais com utilização de
motocicleta ou motoneta no deslocamento de trabalhador em vias públicas.

- Cabe esclarecer que a utilização de medidas preventivas, apesar de obrigatórias, não


exclui a necessidade do pagamento do adicional.

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- Segundo o artigo 194 da CLT, a cessação do pagamento do adicional de
periculosidade, dar-se-á com a eliminação do risco à saúde e a integridade física do
trabalhador;

2. Agentes Físicos

2.1 Ruído

2.1.1 Conceituações

O Som

O som se origina de vibrações mecânicas de diferentes frequências que se propagam


no ar, produzindo uma onda de pressão no meio. Nessa linha podemos ainda
conceituar o som como uma sensação auditiva resultante da propagação de um
movimento vibratório em um material elástico. É uma forma de energia do movimento
ondulatório que é transmitida pela colisão das moléculas do meio.

A frequência do som está relacionada com o número de vibrações na unidade de


tempo. Para a vibração ser ouvida, é necessário que a frequência do som esteja entre
16 e 20 kHz.

Já o ruído ou barulho é também uma sensação sonora, mas nesse caso desagradável
ou indesejável. O ruído tem características indefinidas de variações de pressão em
função da frequência. Sob o ponto de vista dos agentes físicos, o ruído certamente é
o principal desses agentes presentes nos ambientes laborais.

O ouvido humano percebe as variações de pressão da sucessão de zonas de


compressão e de descompressão no tempo do movimento ondulatório. No ouvido
externo os sons são captados, no ouvido médio são então amplificados e a seguir são
levados pelo ouvido interno ao cérebro para interpretação.

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O ruído pode ser classificado em:

- Ruído contínuo – é caracterizado pela pequena variação de intensidade em função


do tempo. Segundo a NR 15, o NPS varia de 3 dB em mais de 15 minutos.

- Ruído intermitente – é caracterizado pela média variação de intensidade em função


do tempo. Segundo a NR 15, o NPS varia de 3 dB em mais de 2 segundos e em menos
de 15 minutos.

- Ruído de impacto (ou impulsivo) – é caracterizado pela alta variação de intensidade


em um intervalo de tempo muito pequeno. Segundo a NR 15, caracterizado pela
ocorrência de picos de energia acústica de duração inferior a 1 segundo a intervalos
de tempo superiores a 1 segundo.

Nível de Pressão Sonora (NPS)

O som é resultado da variação entre a pressão atmosférica produzida na presença de


som em função da pressão de referência que chamamos de limiar de audibilidade. O
limiar de audibilidade humana, obtida entre pessoas jovens e sem problemas auditivos,
corresponde à pressão de 2 × 10-5 N/m2 a 1 kHz, ou por convenção o dB. Cabe
ressaltar que o limiar da dor (sensação dolorosa no ouvido) corresponde a pressão de
200 N/m2 a 1 kHz, que corresponde a 140 dB.

O nível de pressão sonora e uma medida logarítmica da pressão sonora efetiva de um


som em relação ao valor de referência. O NPS e representado pela relação do logaritmo
entre a variação da pressão (P) provocada pela vibração e a pressão de referência
(P0).

NPS = 20 log P/P0

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Nível de Intensidade Sonora (NIS)

A intensidade do som representa a quantidade de energia contida no movimento


vibratório. O nível de intensidade sonora expresso em dB pode ser determinado pela
relação do logaritmo da intensidade sonora (energia) que passa por uma área (I) e a
intensidade de referência (I0 = 10-12 Watt/m2)

NIS = 10 log I/I0

Nível de Potência Sonora (NWS)

Representa a energia acústica produzida por uma fonte sonora por unidade de tempo.
O nível de potência sonora expresso em Watts pode ser determinado pela relação do
logaritmo da potência sonora da fonte (W) e a potência sonora de referência (W0 =
10-12 Watts).

NWS = 10 log W/W0

Nível de Decibel Compensado ou Ponderado

Estudos demonstram que a resposta do ouvido humano é diferente nas diversas


frequências da banda audível. Foram então desenvolvidas curvas de decibéis
compensados ou ponderações nas frequências, denominadas A, B, C e D, de modo a
simular a resposta do ouvido. Essas curvas de compensação foram introduzidas nos
circuitos elétricos dos medidores de nível de pressão sonora.

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Fonte: https://www.somaovivo.org/artigos/o-decibelimetro-um-bom-companheiro/.

Analisadores de Frequência

Indicam a distribuição do som em função da frequência. Os analisadores de frequência


geralmente vêm acoplados aos decibelímetros.

Os resultados indicam qual banda de oitava (ou terça) que contém a maior parte da
energia do som irradiado.

Calibradores

Sua finalidade é checar a resposta dos equipamentos de avaliação do nível de pressão


sonora. Os calibradores emitem um sinal conhecido (normalmente 94 ou 114 dB a
1.000 Hz) com o qual se verifica a leitura do equipamento.

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Dose

Parâmetro utilizado para caracterização da exposição ocupacional ao ruído, expresso


em porcentagem de energia sonora, tendo por referência o valor máximo da energia
sonora diária admitida.

Dosímetro de Ruído

Medidor integrador de uso pessoal que fornece a dose da exposição ocupacional ao


ruído.

Cabe ainda destacar as seguintes definições:

- Incremento de Duplicação de Dose (q) é o incremento em decibéis que, quando


adicionado a um determinado nível, implica a duplicação da dose de exposição ou na
redução pela metade do tempo máximo permitido.

- Limite de Exposição Valor Teto (LE-VT) corresponde ao valor máximo, acima do qual
não é permitida exposição em nenhum momento da jornada de trabalho.

- Medidor Integrador de Uso Pessoal é o equipamento que pode ser fixado no


trabalhador durante o período de medição, fornecendo por meio de integração, a dose
ou nível médio.

- Medidor Integrador Portado pelo Avaliador é o equipamento operado pelo avaliador,


que fornece, por meio de integração, a dose ou o nível médio.

- Nível Equivalente (Neq) é o nível médio que toma por base a equivalência de energia,
conhecido como LEQ.

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- Nível de Exposição (NE) é o nível médio que representa a exposição ocupacional
diária.

- Nível de Exposição Normalizado (NEN) é o nível de exposição, convertido para uma


jornada padrão de 8 horas diárias, para comparação com o limite de tolerância.

- Nível Limiar de Integração (NLI) é o nível a partir do qual os valores devem ser
considerados na integração a fim de determinar o nível médio ou a dose de exposição.

- Nível Médio (NM) é o nível que representa a exposição ocupacional relativo ao período
de medição, que considera os diversos valores de níveis instantâneos ocorridos no
período e os parâmetros de medição predefinidos.

Correlações entre a Terminologia em Português e Inglês

 Incremento de Duplicação de Dose (q): Exchange Rate (q ou ER)

 Limite de Tolerância (LE): Threshold Limit Value (TLV)

 Limite de Exposição Valor Teto (LE-VT): Threshold Limit Value-Ceiling (TLV-C)

 Nível Equivalente (Neq): Equivalent Level (Leq)

 Nível Médio (NM): Average Level (Lavg ou TWA)

 Nível Limiar de Integração (NLI): Threshold Level (TL)

2.1.2 Efeitos do Ruído sobre o Organismo

O ruído afeta o organismo de muitas maneiras, causando prejuízos não apenas ao


funcionamento do sistema auditivo; também compromete as atividades física,

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fisiológica e mental do indivíduo a ele exposto. Para um melhor entendimento, são
utilizadas para a classificação dos efeitos nocivos do ruído os termos auditivos e não
auditivos.

São os seguintes os efeitos, ao sistema auditivo, mais comuns:

a) Trauma Acústico – Oliveira (1997) atribui ao trauma acústico o som


explosivo instantâneo com pico de pressão sonora que excede 140 dB.
b) Fadiga Auditiva – Para Russo (1997), a fadiga auditiva corresponde a um
fenômeno temporário, em que o limiar auditivo retorna ao normal após um período de
repouso auditivo.
c) Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) – Russo (1997) considera a
PAIR decorrente de um acúmulo de exposições ao ruído repetidas constantemente por
período de muitos anos.

São os seguintes os efeitos não auditivos mais observados: Transtornos da Habilidade


de executar atividades; Transtornos Neurológicos; Transtornos Vestibulares;
Transtornos Digestivos; Transtornos Cardiovasculares; Transtornos Hormonais;
Transtorno do Sono; e Transtornos Comportamentais.

2.1.3 Avaliação da Exposição Ocupacional

Segundo a NR 15 o limite de tolerância estabelecido para oito horas de trabalho diárias,


sob exposição ocupacional ao ruído contínuo ou intermitente, é de 85 dB (A), o que
corresponde a uma dose de 100%, o incremento de dose (q) igual a 5 e o nível limiar
de integração igual a 80 dB (A). Cabe ainda salientar que o limite de exposição valor
teto para o ruído contínuo ou intermitente é 115 dB (A).

A seguir, apresentamos um resumo da NR 15 (Anexo I) que está orientado pela


sequência do documento original.

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1. Entende-se por ruído continuo ou intermitente, para os fins de aplicação de limites
de tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto.

2. Os níveis de ruído continuo ou intermitente devem ser medidos em decibel (dB)


com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação “A”
e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido
do trabalhador.

3. Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites de


tolerância fixados no Quadro deste anexo.

4. Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário será considerada a


máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado.

5. Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB (A) para indivíduos
que não estejam adequadamente protegidos.

6. Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição a


ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, de
forma que, se a soma das seguintes frações exceder a unidade, a exposição estará
acima do limite de tolerância.

C1/T1 + C2/T2 + ......... + Cn/Tn

Onde:
Cn – tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído especifico e
Tn – máxima exposição diária permissível nesse nível, segundo o Quadro deste Anexo.
7. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído,
continuo ou intermitente, superiores a 115 dB (A), sem proteção adequada oferecerão
risco grave e iminente.
Limites de tolerância para ruído contínuo ou intermitente

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Nível de ruído db(A) Exposição diária permissível
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos

Fonte: NR 15.

A Avaliação da exposição ocupacional ao ruído contínuo ou intermitente segundo a


NHO 01 pode ser feita por meio da determinação da dose diária de ruído ou do nível
de exposição. Tais parâmetros são equivalentes tornando possível, a partir de um
obter-se o outro, como demonstrado a seguir:

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Onde:
NE = nível de exposição
D = dose diária de ruído em porcentagem
TE = tempo de duração, em minutos, da jornada diária do trabalho

Em ambos os casos devem ser utilizados preferencialmente medidores integradores


de uso individual.

Na avaliação da exposição de um trabalhador ao ruído contínuo ou intermitente, por


meio da dose diária utilizando medidor integrador de uso pessoal, o critério de
referência que embasa os limites de exposição diária adotados para ruído continuo ou
intermitente corresponde a uma dose de 100% para exposição de 8 horas ao nível de
85 dB (A).

O critério de avaliação considera, além do critério de referência, o incremento de


duplicação de dose (q) igual a 3 e o nível limiar de integração igual a 80 dB (A).

De acordo com esse critério, o limite de exposição ocupacional diária ao ruído contínuo
ou intermitente corresponde à dose diária igual a 100%. A figura a seguir apresenta o
medidor de nível de pressão sonora (decibelímetro) e dosímetro de ruído.

HIGIENE DO TRABALHO 24
Fonte: PEIXOTO e FERREIRA, 2013.

Na avaliação da exposição de um trabalhador ao ruído contínuo ou intermitente, por


meio do nível de exposição, o Nível de Exposição (NE) é o Nível Médio (NM)
representativo da exposição diária do trabalhador avaliado. Para comparação com o
limite de tolerância, deve-se determinar o Nível de Exposição Normalizado (NEN), que
corresponde ao Nível de Exposição (NE) convertido para a jornada padrão de 8 horas
diárias, que é determinado pela seguinte expressão:

Onde:
NE = nível médio representativo da exposição ocupacional diária.
TE = tempo de duração, em minutos, da jornada diária de trabalho.

De acordo com esse critério, o limite de tolerância ocupacional diária ao ruído


correspondente a NEN igual a 85 dB (A), e o limite de exposição valor teto para ruído
contínuo ou intermitente é de 115 dB (A). Para esse critério, considera-se nível de
ação o valor NEN igual a 82 dB (A).

HIGIENE DO TRABALHO 25
Importante: Avaliação da exposição de um trabalhador ao ruído contínuo ou
intermitente por meio da dose diária utilizando medidor integrador portado pelo
avaliador.

Na indisponibilidade do medidor integrador de uso pessoal poderão ser utilizados


outros tipos de medidores não fixados no trabalhador; nesse caso a dose poderá ser
determinada pela seguinte expressão:

D = (C1/T1 + C2/T2 + ......... + Cn/Tn) . 100%

Onde:
D – dose diária de ruído
C1 – tempo real de exposição a um nível específico (NPS)
T1 – duração total permitida a esse nível (NPS)

De acordo com esse critério, o limite de tolerância ocupacional diária ao ruído contínuo
ou intermitente corresponde à dose diária igual a 100%.

Caso a dose diária esteja entre 50% e 100%, a exposição deve ser considerada acima
do nível de ação, devendo ser adotadas medidas preventivas de forma a minimizar a
probabilidade de que as exposições ao ruído causem prejuízos à audição do
trabalhador.

Quando a exposição for a um único nível de ruído o cálculo da dose diária é feito
utilizando a expressão

D = (C1/T1) . 100%

Onde:
D – dose diária de ruído.

HIGIENE DO TRABALHO 26
C1 – tempo real de exposição a um nível específico (NPS)
T1 – duração total permitida a esse nível (NPS)

Da mesma maneira, de acordo com esse critério, o limite de tolerância ocupacional


diária ao ruído contínuo ou intermitente corresponde à dose diária igual a 100%. Caso
a dose diária esteja entre 50% e 100%, a exposição deve ser considerada acima do
nível de ação, devendo ser adotadas medidas preventivas de forma a minimizar a
probabilidade de que as exposições ao ruído causem prejuízos a audição do
trabalhador.

Como pode ser observado existem divergências significativas entre a NR 15 e a NHO

01. Para minimizar esse conflito o INSS publicou a Instrução s Normativa IN 45/2010
que apresenta, em seu artigo 239, que na avaliação devemos utilizar:

- Os limites de tolerância definidos no Quadro Anexo I da NR 15 do MTE; e


- As metodologias e os procedimentos definidos na NHO 01 da Fundacentro.

Segundo a NR 15, na avaliação da exposição ocupacional ao ruído de impacto, devem


ser atendidos os seguintes aspectos:

1. Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibel (dB), com medidor de nível
de pressão sonora operando no circuito linear e circuito de resposta para impacto. As
leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O limite de tolerância
para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos, o ruído
existente deverá ser avaliado como ruído contínuo.

2. Em caso de não se dispor de medidor de nível de pressão sonora com circuito de


resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida (FAST)
e circuito de compensação “C”. Nesse caso, o limite de tolerância será de 120 dB (C).

HIGIENE DO TRABALHO 27
3. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteção
adequada, a níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB (LINEAR), medidos no
circuito de resposta para impacto, ou superiores a 130 dB (C), medidos no circuito de
resposta rápida (FAST), oferecerão risco grave e iminente.

O texto a seguir é um resumo da NHO 01 para a avaliação da exposição ocupacional


ao ruído de impacto e tem a orientação do documento original.

A determinação da exposição ao ruído de impacto ou impulsivo deve ser feita por meio
de medidor de nível de pressão sonora operando em (Linear) e circuito de resposta
para medição de nível de pico.

Nesse critério, o limite de exposição diária ao ruído de impacto é determinado pela


expressão a seguir:

Np = 160 – 10 Log (n)

Onde:
Np = nível de pico, em dB (Lin), máximo admissível.
n = número de impactos ou impulsos ocorridos durante a jornada diária de trabalho.

A tabela a seguir, obtida com base na expressão anterior, apresenta a correlação entre
os níveis de pico máximo admissíveis e o número de impactos ocorridos durante a
jornada diária de trabalho, extraída a partir da expressão de determinação do limite
de exposição diária ao ruído de impacto.

Níveis de pico máximo admissíveis em função do número de impactos

Np n Np n Np n
120 10.000 127 1.995 134 398
121 7.943 128 1.584 135 316

HIGIENE DO TRABALHO 28
122 6.309 129 1.258 136 251
123 5.011 130 1.000 137 199
124 3.981 131 794 138 158
125 3.162 132 630 139 125
126 2.511 133 501 140 100

Quando o número de impactos ou de impulsos diário exceder 10.000 (n > 10.000), o


ruído deverá ser considerado como contínuo ou intermitente. O limite de tolerância
valor teto para ruído de impacto corresponde ao valor de nível de pico de 140 dB (Lin).

O nível de ação para a exposição ocupacional ao ruído de impacto corresponde ao


valor Np obtido na expressão acima, subtraído de 3 decibéis.

Na ocorrência simultânea de ruído continuo ou intermitente e ruído de impacto, a


exposição ocupacional estará acima do limite de exposição, quando pelo menos o
limite para um dos tipos de ruído for excedido.

Não é permitida exposição a ruídos de impacto ou impulsivos com níveis de pico


superiores a 140 dB para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos.

2.1.4 Medidas de Controle na Exposição ao Ruído

Sempre que as avaliações indiquem que os níveis de pressão sonora estão acima do
nível de ação devem ser aplicadas as medidas de controle a fim de eliminar ou
minimizar o risco associado.

Na fonte:
- Eliminação ou atenuação do ruído na fonte (troca ou manutenção).
- Isolamento a distância ou no local (segregação ou enclausuramento).
- Organização do trabalho (concentração de máquinas ruidosas).

HIGIENE DO TRABALHO 29
No meio de transmissão do som:
- Absorção do som (barreiras, tratamento acústico etc.).
- Refúgios de ruído – console central enclausurado.

No trabalhador:
- Exame otológico admissional.
- Exame audiométrico periódico.
- Rotatividade na função.
- Isolamento dos trabalhadores com problemas ou afastamento dos mesmos em
operações ruidosas.
- EPI.

Obs.: Os protetores auriculares para serem eficazes devem ser usados de forma
correta e obedecer aos requisitos mínimos de qualidade representada pela capacidade
de atenuação; o uso permanente do protetor garante a eficácia da proteção, e os
protetores devem ser capazes de reduzir a intensidade do ruído abaixo do limite de
tolerância.

2.1.5 Protetores Auditivos

São dois os tipos de protetores auditivos mais usuais: o tipo concha e o de inserção.

Protetor auditivo tipo concha:

- São constituídos por duas conchas de material plástico com bordas almofadadas.
Tem como vantagens a simplicidade e rapidez na utilização, tamanho único e são
fáceis de higienizar. Como principal desvantagem temos a utilização em ambientes
quentes.

HIGIENE DO TRABALHO 30
Fonte: http://www.aplequipamentos.com.br/a-necessidade-de-usar-protetores-auditivos.

Protetor auditivo de inserção moldável ou pré-moldado:

- O protetor pré-moldado é constituído de três flanges geralmente em silicone


medicinal para a inserção no canal auditivo. Tem a aplicação indicada quando
necessário o uso de outros EPI de forma simultânea. Tem como vantagens o tamanho
reduzido para guarda e transporte e são relativamente confortáveis mesmo em
ambientes quentes. Como principal desvantagem temos a necessária e permanente
higienização.

- Já o protetor de inserção moldável e fabricado em espuma moldável o que permite


a adaptação a qualquer tamanho de canal auditivo. Tem a aplicação indicada quando
necessário o uso de outros EPI de forma simultânea. Tem como vantagens o tamanho
reduzido para guarda e transporte e são relativamente confortáveis mesmo em
ambientes quentes. Como principais desvantagens temos o fato da necessária e
permanente higienização, assim como de não poder sofrer manutenção.

HIGIENE DO TRABALHO 31
Fonte: http://www.superepi.com.br/protetor-auricular-laranja-dystray-em-silicone-12db-p514/.

Fonte: PEIXOTO e FERREIRA, 2013.

Para a determinação do nível sonoro no ouvido protegido do trabalhador basta a


realização da operação de diferença entre o leq medido pela atenuação que está
preconizada pelo fabricante (NRRsf – Nível de Redução do Ruído Subject Fit que e
obtido em testes de laboratório com ouvintes não habituais)

dB (A) = Leq – NRRsf

Onde:
HIGIENE DO TRABALHO 32
dB (A) = ruído resultante no ouvido protegido
Leq = ruído equivalente resultante na região da audição
NRRsf = atenuação do protetor

2.1.6 Programa de Conservação Auditiva (PCA)

A ordem de serviço do INSS 608, de 1998 apresenta os aspectos técnicos para


identificar a perda auditiva induzida por ruído ocupacional (PAIRO), assim como
recomenda a obrigatoriedade de implementação pelo empregador de um programa de
conservação auditiva (PCA). Esse programa é composto por uma série de medidas
administrativas e de controle do risco que devem ser implementadas em toda a
empresa que detectou em suas ações de levantamentos das condições ambientais
níveis de pressão sonora elevados. O referido programa deve contemplar os seguintes
aspectos:

a) Avaliação dos níveis de ruído no ambiente ocupacional construção do mapa do


ruído.
b) Adoção de medidas administrativas e de engenharia.
c) Exames audiométricos periódicos.
d) supervisão e treinamento.
e) Compromisso da administração em implementar o PCA.
f) Documentação de todas as atividades.
g) Auditoria interna do programa.

2.2 Temperaturas Extremas

2.2.1 A Termorregulação Humana

A termorregulação humana coordenada pelo hipotálamo tem por objetivo impedir


grandes variações na temperatura interna do corpo garantindo assim o bom
funcionamento dos sistemas vitais. O hipotálamo recebe impulsos, originados em

HIGIENE DO TRABALHO 33
células termossensíveis e emite comandos que acionam mecanismos de compensação,
como vasoconstrição e vasodilatação cutâneas e sudorese, que interferem nas trocas
térmicas do corpo com o ambiente de forma a manter a temperatura interna.
(FUNDACENTRO, 2001)

As temperaturas extremas, ou seja, o calor ou o frio em intensidade suficiente para


causar alterações e prejuízos ao desempenho ou à saúde do trabalhador, constituem-
se em um fator de risco importante do ponto de vista ocupacional.

2.2.2 Conceituação

Homeotermia ou Endotermia – é a capacidade que alguns animais possuem de


utilizar o metabolismo para manter sua temperatura corporal relativamente constante.

Condução – calor transmitido entre sólidos em contato direto (corpos em repouso –


fluxo de calor de um corpo de temperatura maior para outro de temperatura menor).

Convecção – característico de fluidos (mesmo processo anterior, mas pelo menos um


dos corpos é um fluido – líquido ou gasoso), com a troca de calor ocorrendo pelos
movimentos do ar em contato com o corpo.

Radiação – transmissão de calor por meio de raios ou ondas que se processam


através do espaço vazio, sem contato.

Evaporação – quando o líquido que envolve um sólido passa para o estado de vapor.

Calor Radiante – calor absorvido pelo mecanismo da radiação.

Calor Metabólico – calor produzido pelo organismo em função da atividade física


exercida.

HIGIENE DO TRABALHO 34
Ciclo de Exposição – conjunto de situações térmicas ao qual o trabalhador é
submetido, conjugado às diversas atividades físicas por ele desenvolvidas, em uma
sequência definida, e que se repete de forma contínua no decorrer da jornada de
trabalho.

Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo Médio (IBUTG) – média


ponderada no tempo dos diversos valores de IBUTG obtidos em um intervalo de 60
minutos corridos (60 minutos mais desfavoráveis da jornada).

Taxa Metabólica Média (M) – média ponderada no tempo das taxas metabólicas,
obtidas em um intervalo de 60 minutos corridos (60 minutos mais desfavoráveis da
jornada).

Ponto de Medição – ponto físico escolhido para o posicionamento do dispositivo de


medição onde serão obtidas as leituras representativas da situação térmica objeto de
avaliação (região mais atingida no trabalhador).

Situação Térmica – cada parte do ciclo de exposição em que as condições do


ambiente que interferem na carga térmica a que o trabalhador está exposto podem
ser consideradas estáveis.

Grupo Homogêneo – corresponde a um grupo de trabalhadores que experimentam


exposição semelhante, tanto do ponto de vista das condições ambientais como das
atividades físicas desenvolvidas, de modo que o resultado fornecido pela avaliação da
exposição de parte do grupo seja representativo da exposição de todos os
trabalhadores que compõem o mesmo grupo.

Limite de Exposição – valor máximo de IBUTG, relacionado com M, que representa


as condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa estar
exposta, repetidamente, durante toda a sua vida de trabalho, sem sofrer efeitos
adversos à sua saúde.

HIGIENE DO TRABALHO 35
2.2.3 Equilíbrio Homeotérmico

São os seguintes os fatores ambientais e individuais que influenciam na sensação


térmica:

- Temperatura do ar – para uma temperatura maior do que a temperatura da pele


temos um ganho de calor do organismo pelos mecanismos de convecção ou condução.
- Umidade do ar – influi na troca térmica que ocorre entre o organismo humano e o
meio ambiente pela evaporação.

- Velocidade do ar – e a responsável por aumentar a troca térmica entre o corpo e


meio ambiente, por condução/convecção.

- Calor radiante – e a energia emitida pelos corpos aquecidos a partir de fontes de


radiação infravermelha.

- Tipo de atividade exercida pelo trabalhador – a taxa metabólica correspondente e


estimada por tabelas disponíveis na legislação.

A exposição do trabalhador a temperaturas extremas pode ser entendida pela


expressão a seguir (balanço térmico):

S=+M±C±R–E

Onde:
S – calor acumulado no organismo;
M – calor produzido pelo metabolismo;
C – calor ganho ou perdido por condução/convecção;
R – calor ganho ou perdido pela radiação;
E – calor perdido por evaporação.

HIGIENE DO TRABALHO 36
Obs.:
Temperatura da superfície do corpo tsc × temperatura ambiente ta

tsc > ta – corpo cede calor para as moléculas de ar;


tsc = ta – não haverá troca de calor;
tsc < ta – corpo recebe calor do meio ambiente e entra em sobrecarga térmica.

O calor cedido é por condução/convecção (tsc > ta) – quando em contato com a pele,
o ar aquece-se, tornando-se menos denso, deslocando-se então, em direção
ascendente.

O calor recebido é por contato ou proveniente de fontes radiantes, que transmitem à


distância, energias por meio de ondas eletromagnéticas (radiações), cujos
comprimentos de onda localizam-se na região infravermelha do espectro luminoso.
Nesse caso o organismo utiliza o mecanismo do suor, cuja evaporação, resfria a
superfície do corpo.

As limitações fisiológicas decorrem da capacidade de funcionamento das glândulas


sudoríparas (1 litro por hora – 615 kcal/h). Já as limitações de natureza ambiental são
relacionadas com as condições do meio que influenciam na evaporação do suor.

Quando o organismo não consegue liberar o excesso de temperatura interna uma


fadiga fisiológica é provável. Existem quatro categorias de doenças devidas ao calor:
desidratação, câimbras, choque térmico, e exaustão.

2.2.4 Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor – NR 15

A seguir apresentamos um resumo da NR 15 (Anexo III) que está orientado segundo


a sequência do documento original:

HIGIENE DO TRABALHO 37
A avaliação da exposição ocupacional ao calor adotado pela NR 15 toma por base o
Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG), calculado pelas seguintes
equações:

a) Para ambientes internos ou externos sem carga solar direta

IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg

b) Para ambientes externos com carga solar direta

IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 tg + 0,1 tbs

onde
tbn = temperatura de bulbo úmido natural em º C,
tg = temperatura de globo em º C,
tbs = temperatura de bulbo seco (temperatura do ar) em º C.

1. Os aparelhos que devem ser usados nesta avaliação são: termômetro de bulbo
úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum.

HIGIENE DO TRABALHO 38
HIGIENE DO TRABALHO 39
2. As medições devem ser efetuadas no local onde permanece o trabalhador, à
altura da região do corpo mais atingida.

Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho


intermitente com períodos de descanso no próprio local de prestação de
serviço.

3. Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido no


Quadro 1.

4. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os


efeitos legais.
5. A determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita
consultando-se o Quadro 3.

Limites de Tolerância para exposição ao calor, em regime de trabalho


intermitente com período de descanso em outro local (local de descanso).

HIGIENE DO TRABALHO 40
1. Para os fins deste item, considera-se local de descanso ambiente termicamente mais
ameno, com o trabalhador em repouso ou exercendo atividade leve.

2. Os limites de tolerância são dados segundo o Quadro 2.

TIPO DE ATIVIDADE kcal/h


SENTADO EM REPOUSO 100
TRABALHO LEVE
Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (p. ex.,
datilografia). 125
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (p. ex., dirigir). 150
De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os 150
braços.
TRABALHO MODERADO
Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas.
De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação. 180
De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma 175
movimentação. 220
Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar. 300
TRABALHO PESADO
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (p. ex.,
440
remoção com pá).
550
Trabalho fatigante
(kcal/h) Máximo IBUTG

175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 26,0
450 25,5
500 25,0

M é a taxa de metabolismo média ponderada para 1 hora determinada pela seguinte


fórmula:

M = Mt × Tt + Md × Td
60
HIGIENE DO TRABALHO 41
Sendo:
Mt – taxa de metabolismo no local de trabalho.
Tt – soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho.
Md – taxa de metabolismo no local de descanso.
Td – soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso.

IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado para 1 hora determinado pela seguinte
fórmula:

IBUTG = IBUTGt × Tt + IBUTGd × Td


60
Sendo:
IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho.
IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso.
Tt e Td = como anteriormente definidos.
Os tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo de
trabalho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos.

3. As taxas de metabolismo Mt e Md serão obtidas consultando-se o Quadro 3.


4. Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos
legais.

2.2.5 Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor – NHO 06

A seguir apresentamos um resumo da NHO 06 orientado segundo a sequência do


referido documento.

A avaliação da exposição ao calor é feita por meio da análise da exposição de cada


trabalhador, cobrindo-se todo o seu ciclo de exposição. A determinação do Índice de
Bulbo Úmido termômetro de Globo Médio, IBUTG, e da Taxa Metabólica Média, M,

HIGIENE DO TRABALHO 42
representativos da exposição ocupacional ao calor, devem ser obtidos em um intervalo
de 60 minutos corridos, considerado o mais crítico em relação à exposição ao calor.

O IBUTG deve ser calculado pelas seguintes equações:


a) Para ambientes internos ou externos sem carga solar direta

IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg

b) Para ambientes externos com carga solar direta

IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 tg + 0,1 tbs

Onde:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural em º C.
tg = temperatura de globo em º C.
tbs = temperatura de bulbo seco (temperatura do ar) em º C.

As taxas metabólicas relativas às diversas atividades físicas exercidas pelo trabalhador


devem ser estimadas utilizando-se os dados constantes do Quadro 1 (NHO 06 –
parcial).

Atividade Taxa metabólica (kcal/h) Taxa metabólica


(W/m²)

SENTADO
Em repouso 90 58

Trabalho leve com as mãos


(escrever, datilografar) 105 68

Trabalho moderado com as


mãos e os braços (desenhar,
trabalho leve de montagem) 170 110

HIGIENE DO TRABALHO 43
Quando o trabalhador está exposto a duas ou mais situações térmicas diferentes, deve
ser determinado o IBUTG média ponderada no tempo (situações térmicas que
compõem o ciclo de exposição). Da mesma maneira, quando o trabalhador desenvolve
duas ou mais atividades físicas, deve ser determinada a taxa metabólica média
ponderada no tempo (atividades físicas exercidas pelo trabalhador durante o ciclo de
exposição).

É permitida a utilização de conjunto convencional ou equipamento eletrônico para a


determinação do IBUTG.

Fonte: PEIXOTO e FERREIRA, 2012.

O conjunto de medição deverá sempre ser posicionado no local de medição, de


maneira que os sensores fiquem todos alinhados segundo um plano horizontal.
Quando houver uma fonte principal de calor, os termômetros deverão estar contidos
em um mesmo plano vertical e colocados próximos uns dos outros, sem, no entanto,
se tocarem. A posição do conjunto no ponto de medição deve ser tal que a normal ao

HIGIENE DO TRABALHO 44
referido plano vertical esteja na direção da fonte anteriormente citada. Caso não haja
uma fonte principal de calor, esse cuidado torna-se desnecessário.

A altura de montagem dos equipamentos deve coincidir com a região mais atingida do
corpo.

A determinação do Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo Médio, IBUTG, e da


Taxa Metabólica Média, M, representativos da exposição ocupacional ao calor, deve
ser obtida em um intervalo de 60 minutos corridos, considerado o mais crítico em
relação à exposição ao calor.

O limite de exposição ocupacional ao calor é o valor de IBUTG máximo permissível


(IBUTGMÁX) correspondente ao valor de M determinado para a condição de exposição
avaliada, conforme Quadro 2 NHO 06 (parcial). Esse limite é válido para trabalhadores
sadios, aclimatados, completamente vestidos com calça e camisa leves, e com
reposição adequada de água e sais minerais.

HIGIENE DO TRABALHO 45
2.2.6 Efeitos Sobre o Organismo

São os seguintes os principais efeitos sobre o organismo:

- Exaustão – com a dilatação dos vasos sanguíneos em resposta ao calor, há uma


insuficiência do suprimento de sangue do córtex cerebral, resultando na queda da
pressão arterial.

- Desidratação – a desidratação provoca, principalmente, redução de volume de


sangue, promovendo a exaustão do calor.

- Câimbras – na sudorese, há perda de água e sais minerais o que pode ocasionar


câimbras.

HIGIENE DO TRABALHO 46
- Choque térmico – ocorre quando a temperatura do núcleo do corpo atinge
determinado nível.

2.2.7 Medidas de Controle na Exposição ao Calor

Sempre que as avaliações indiquem devem ser aplicadas as medidas de controle a fim
de eliminar ou minimizar o risco associado:

- Eliminação dos riscos – alteração do processo, substituição ou alteração de local de


instalação de equipamentos, automatização do posto de trabalho.

- Meio ambiente – eliminar radiação solar direta, diminuir ganho por radiação
(isolamento) e diminuir ganho por convecção (reduzir temperatura do ar); ventilação
local exaustora (controle de temperatura do ar, umidade ou velocidade).

- Trabalhadores – seleção adequada, aclimatação, pausas, roupas adequadas,


limitação do tempo de exposição, óculos infravermelho, educação e treinamento,
controle de saúde.

2.3 Avaliação da Exposição Ocupacional ao Frio

2.3.1 Conceituação e Avaliação da Exposição Ocupacional ao Frio – NR 15

A temperatura abaixo de 15º C diminui a concentração, reduz a capacidade para julgar,


afeta o controle muscular. O organismo humano não se aclimata ao frio da mesma
forma que ao calor. Quando exposto ao frio, os vasos sanguíneos, que abastecem a
pele, as mãos e os pés, contraem-se para que menos sangue circule na superfície do
corpo, diminuindo assim a perda de calor.

Com temperatura corporal inferior a 35º C o corpo reage passando a tremer (aumento
da atividade física) e com a temperatura corporal de 29º C o hipotálamo perde a

HIGIENE DO TRABALHO 47
capacidade termorreguladora e o indivíduo pode entrar em sonolência e coma
(hipotermia).

A NR 15 não estabelece limite de tolerância para o frio e determina que a avaliação da


insalubridade se realize por avaliação qualitativa, por perito, do ambiente laboral.

Ainda com base no anexo 9 da NR 15, as atividades ou as operações executadas no


interior de câmaras frigoríficas, ou em locais que apresentem condições similares, que
exponham os trabalhadores ao frio, sem a proteção adequada, serão consideradas
insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho.

Ainda segundo o artigo 253 da CLT, NR 29 e 36, para os empregados que trabalham
no interior das câmeras frigorificas e para os que movimentam mercadorias do
ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de 1 hora e 40 minutos de
trabalho continuo, será assegurado um período de 20 minutos de repouso, computado
esse intervalo como de trabalho efetivo.

Cabe salientar que se considera artificialmente frio, o que for inferior, na primeira,
segunda e terceira zonas climáticas a 15º C, na quarta zona a 12º C, e nas zonas
quinta, sexta e sétima, a 10º C, conforme mapa oficial do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).

2.3.2 Medidas de Controle na Exposição ao Frio

Sempre que as avaliações indiquem devem ser aplicadas as medidas de controle a fim
de eliminar ou minimizar o risco associado.

A redução da velocidade e o aumento da temperatura do ar são medidas são medidas


de caráter coletivo capazes de minimizar a exposição, mas quando não possíveis deve-
se adotar medidas de caráter administrativo (limitação do tempo de exposição) e os
equipamentos de proteção individual (luvas, botas, capuz etc.). Outras medidas

HIGIENE DO TRABALHO 48
importantes são: aclimatação, controle medico, capacitação nos procedimentos de
primeiros socorros, hábitos alimentares, utilização de EPI etc.

Cabe aqui destacar que o procedimento técnico de avaliação, como critérios para
amostragem, escolha das situações térmicas desfavoráveis, condições para o uso e
utilização de instrumentos deve ser obedecido o que está estabelecido para NHO 06.

2.4 Umidade

2.4.1 Introdução e Conceituação

A umidade pode ser definida como a quantidade de vapor de água em suspensão


presente em uma porção da atmosfera. A umidade pode acarretar efeitos metabólicos
e endocrinológicos para a saúde. Dentre outras podemos destacar as afecções
cutâneas e dos tratos respiratório e circulatório etc. Adicionalmente, deve ser
considerado, ainda, o risco de acidentes por queda.

2.4.2 Avaliação da Exposição Ocupacional à Umidade – NR 15

A seguir apresentamos um resumo da NR 15 (Anexo X) que está orientado segundo a


sequência do documento original.

As atividades ou as operações executadas em locais alagados ou encharcados, com


umidade excessiva, capazes de produzir danos à saúde dos trabalhadores, serão
consideradas insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de
trabalho.

2.4.3 Medidas de Controle na Exposição à Umidade

Sempre que as avaliações indiquem devem ser aplicadas as medidas de controle a fim
de eliminar ou minimizar o risco associado.

HIGIENE DO TRABALHO 49
Medidas de proteção coletiva:

- Alteração no processo de trabalho, implantação de barreiras de contenção,


implantação de ralos para escoamento, implantação de áreas com estrados de
madeira, implantação de sistemas de ventilação e exaustão.

Medidas de proteção individual:

- Adoção de equipamentos de proteção individual como luvas, botas, aventais etc.

2.5 Vibração

2.5.1 Introdução

Podemos afirmar que um corpo está em vibração quando ele descreve um movimento
oscilatório em torno de um ponto de referência. O número de vezes de um ciclo
completo de um movimento durante um período de um segundo é chamado de
frequência e é medido em Hertz [Hz].

Já a Convenção 148, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estabelece que


as vibrações são compreendidas por movimentos oscilatórios que são transmitidos
para o organismo humano por estruturas solidas, que são nocivas a saúde ou que
possa oferecer qualquer outro tipo de perigo.

As vibrações ditas ocupacionais podem ser classificadas em vibrações de corpo inteiro


e em vibrações de mãos e braços. As vibrações de corpo inteiro (VCI) são
caracterizadas por serem transmitidas ao corpo através dos pés, adegas e costas
(empilhadeiras, tratores, caminhões etc.). Já as vibrações de mãos e braços (VMB) são
caracterizadas por serem transmitidas ao corpo através das mãos e dos braços
(motosserras, marteletes pneumáticos, furadeiras etc.).

HIGIENE DO TRABALHO 50
Como a vibração é um movimento oscilatório, a sua quantificação é feita pela
aceleração em m/s2 ou em dB por meio de:

dB = 20 log A/A0

Onde:
A = aceleração avaliada em m/s2
A0 = aceleração de referência (10-6 m/s2)

As vibrações retilíneas transmitidas ao corpo do trabalhador devem ser avaliadas nas


direções de um sistema ortogonal que para a VCI tem origem no coração segundo os
esquemas seguintes

Fonte: NHO 09, Fundacentro.

Já para a VMB A origem do sistema ortogonal é posicionada sobre o objeto que vai ser
segurado pelo trabalhador e abaixo do início dos dedos, segundo os esquemas
seguintes:

HIGIENE DO TRABALHO 51
Fonte: NHO 10, FUNDACENTRO.

2.5.2 Critério legal

O anexo 8 da NR 15 estabelece os critérios para caracterização da condição de trabalho


insalubre decorrente da exposição às Vibrações de Mãos e Braços (VMB) e Vibrações
de Corpo Inteiro (VCI).

Já os procedimentos técnicos para a avaliação quantitativa das VCI e VMB são os


estabelecidos nas Normas de Higiene Ocupacional da Fundacentro, a saber:

- NHO 09 – Avaliação da exposição ocupacional a vibrações de corpo inteiro, que toma


por base as seguintes referências ISO 2631 (1997) – Mechanical Vibration and Shock.

– Evaluation Human Exposure of Whole-body. Part 1: General Requirements e da ISO


8041 (2005) – Human Response to Vibration – Measure Instrumentation.

- NHO 10 – Avaliação da exposição ocupacional a vibrações em mãos e braços,


estruturada a partir da ISO 5349-1 (2001) – Mechanical Vibration – Measurement and
Evaluation of Human Exposure to Hand-transmitted Vibration – Part 1: General
Requirements”, ISO 5349-2 (2001) – “Mechanical Vibration – Measurement and
Evaluation of Human Exposure to Hand-transmitted Vibration – Part 2: Practical
Guidance for Measurement at the Workplace”, e ISO 8041 (2005): Human Response
to Vibration – Measuring Intrumentation.

Cabe ainda destacar que o Anexo I da NR 9, Programa de Prevenção de Riscos


Ambientais – PPRA, apresenta os critérios para prevenção de doenças e distúrbios

HIGIENE DO TRABALHO 52
decorrentes da exposição ocupacional às Vibrações em Mãos e Braços (VMB) e às
Vibrações de Corpo Inteiro (VCI), no âmbito do Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais.

A seguir estão listadas as principais definições estabelecidas pelas normas Fundacentro


NHO 09 e NHO 10:

- Aceleração instantânea [aj(t)]: valor da aceleração ponderada em frequência, no


instante de tempo “t”, expressa em m/s2, segundo um determinado eixo de direção
“j”, sendo que “j” corresponde aos eixos ortogonais “x”, “y” ou “z”.

- Aceleração média (amj): raiz média quadrática dos diversos valores da aceleração
instantânea ocorridos em um período de medição, expressa em m/s2, na direção “j”.

- Aceleração média resultante (amr): corresponde à raiz quadrada da soma dos


quadrados das acelerações médias, medidas segundo os três eixos ortogonais “x”, “y”
e “z”, definida pela expressão que segue:

Amr = [(fx . amx)2 + (fy . amy)2) + (fy . amy)2]1/2 m/s2

Sendo:
amj = aceleração média;
fj = fator de multiplicação em função do eixo considerado (f = 1,4 para os eixos “x” e
“y” e
“f ”= 1,0 para o eixo “z”).
- Aceleração resultante de exposição parcial (arepi): corresponde à aceleração média
resultante representativa da exposição ocupacional relativa à componente de
exposição “i”, ocorrida em uma parcela de tempo da jornada diária, considerando os
três eixos ortogonais. Esse parâmetro poderá ser resultado de uma média aritmética
das acelerações obtidas cada vez que a componente de exposição é repetida.

HIGIENE DO TRABALHO 53
- Aceleração resultante de exposição (are): corresponde à aceleração média resultante
representativa da exposição ocupacional diária, considerando os três eixos ortogonais
e as diversas componentes de exposição identificadas, definida pela expressão que
segue:

are = [1/T. Σ1m. ni . arep2i .Ti]1/2 m/s2

Sendo:
arepi = aceleração resultante de exposição parcial;
ni = número de repetições da componente de exposição “i” ao longo da jornada de
trabalho;
Ti = tempo2 de duração da componente de exposição “i”;
m = número de componentes de exposição que compõem a exposição diária;
T = tempo de duração da jornada diária de trabalho.

- Aceleração resultante de exposição normalizada (aren): corresponde à aceleração


resultante de exposição (are) convertida para uma jornada diária padrão de 8 horas,
determinada pela seguinte expressão:

aren = are . (T/T0)1/2 m/s2

Sendo:
are = aceleração resultante de exposição;
T = tempo de duração da jornada diária de trabalho expresso em
horas ou minutos;
T0 = 8 horas ou 480 minutos.

- Componente de exposição: parte da exposição diária que pode ser representada por
um único valor de aceleração resultante de exposição parcial (arep). A componente de
exposição pode ser decorrente de uma única operação ou consequência de duas ou
mais operações executadas de forma sequencial.

HIGIENE DO TRABALHO 54
- Fator de crista (FC): módulo da razão entre o máximo valor de pico de aj(t) e o valor
de amj, ambas ponderadas em frequência.

- Forças de preensão: forças exercidas pelo trabalhador para segurar a ferramenta ou


a peça que está sendo trabalhada.

- Grupo de exposição similar (GES): corresponde a um grupo de trabalhadores que


experimentam exposição semelhante, de forma que o resultado fornecido pela
avaliação da exposição de parte desse grupo seja representativo da exposição de todos
os trabalhadores que o compõem.

- Limite de exposição (LE): parâmetro de exposição ocupacional que representa


condições sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores possa estar
exposta repetidamente sem sofrer efeitos adversos que possam resultar em dano à
sua saúde.

- Nível de ação: valor acima do qual devem ser adotadas ações preventivas de forma
a minimizar a probabilidade de que as exposições à vibração causem danos à saúde
do trabalhador e evitar que o limite de exposição seja ultrapassado.

- Ponto de medição: ponto(s) localizado(s) na zona de exposição, ou próximo(s) a


esta, cujos valores obtidos sejam representativos da exposição da região do corpo
atingida.

- Valor da dose de vibração (VDVj): corresponde ao valor obtido a partir do método


de dose de vibração à quarta potência determinado na direção “j”, sendo que “j”
corresponde aos eixos ortogonais “x”, “y” ou “z”, expresso em m/s1,75.

HIGIENE DO TRABALHO 55
- Valor da dose de vibração (VDVji): corresponde ao valor de dose de vibração,
determinado na direção “j”, relativo às “s” amostras da componente de exposição “i”
que foram mensuradas, definido pela expressão que segue:

- Valor da dose de vibração da exposição parcial (VDVexpji): corresponde ao valor de


dose de vibração representativo da exposição ocupacional diária no eixo “j”, relativo à
componente de exposição “i”, que pode ser obtido por meio da expressão que segue:

VDVexpji = fj . VDVji (Texp/Tamos)1/4 m/s1,75

Sendo:
VDVji = valor da dose de vibração medido no eixo “j”, relativo à componente de
exposição “i”;
Texp = tempo total de exposição à vibração, ao longo de toda a jornada de trabalho,
decorrente da componente de exposição “i” em estudo. Corresponde ao número de
repetições da componente vezes o seu tempo de duração;
Tamos = tempo total utilizado para a medição das “s” amostras representativas da
componente de exposição “i”, em estudo:

Tamos = Σ1s Tk
Sendo:
Tk = tempo de medição relativo à késima amostra selecionada dentre as repetições da
componente de exposição “i”;
s = número de amostras da componente de exposição “i” que foram mensuradas;
fj = fator de multiplicação em função do eixo considerado
(f = 1,4 para os eixos “x” e “y” e f = 1,0 para o eixo “z”).
- Valor da dose de vibração da exposição (VDVexpj): corresponde ao valor de dose de
vibração representativo da exposição ocupacional diária em cada eixo de medição, que
pode ser obtido por meio da expressão que segue:

VDVexpj = [Σ1m (VDVexpji)4]1/4 m/s1,75

HIGIENE DO TRABALHO 56
Sendo:
VDVexpji = valor da dose de vibração da exposição representativo da exposição
ocupacional diária no eixo “j”, relativo à componente de exposição “i”;
m = número de componentes de exposição que compõem a exposição diária.

- Valor da dose de vibração resultante (VDVR): corresponde ao valor da dose de


vibração representativo da exposição ocupacional diária, considerando a resultante
dos três eixos de medição, que pode ser obtido por meio da expressão que segue:

VDVR = [Σj (VDVexpj)4 ]1/4 m/s1,75

Sendo:
VDVexpj = valor da dose de vibração da exposição, representativo da exposição
ocupacional diária no eixo “j”, sendo “j” igual a “x”, “y” ou “z”.

- Síndrome da vibração em mãos e braços (SVMB): corresponde à terminologia


utilizada para se referir ao conjunto de sintomas de ordem vascular, neurológica,
osteoarticular, muscular e outros, ocasionados pela exposição ocupacional à vibração
em mãos e braços.

- Zona de exposição: interface entre a fonte de vibração e a região do corpo para a


qual a energia da vibração é transferida.

2.5.3 Limites de Exposição e Caracterização e Classificação Da


Insalubridade

São as seguintes as premissas para a caracterização da insalubridade previstas no


Anexo 8 da NR 15:

– Caracteriza-se a condição insalubre caso seja superado o limite de exposição

HIGIENE DO TRABALHO 57
ocupacional diária a VMB correspondente a um valor de aceleração resultante de
exposição normalizada (aren) de 5 m/s2.

- O nível de ação para a exposição ocupacional diária à vibração em mãos e braços


adotado nesta norma corresponde a um valor de aceleração resultante de exposição
normalizada (aren) de 2,5 m/s2.

– Caracteriza-se a condição insalubre caso sejam superados quaisquer dos limites de


exposição ocupacional diária a VCI: valor da aceleração resultante de exposição
normalizada (aren) de 1,1 m/s2, e valor da dose de vibração resultante (VDVR) de
21,0 m/s1,75.

- O nível de ação para a exposição ocupacional diária à vibração de corpo inteiro


adotado nesta norma corresponde a um valor da aceleração resultante de exposição
normalizada (aren) de 0,5m/s2 e ao valor da dose de vibração resultante (VDVR) de
9,1m/s1,75.

– Para fins de caracterização da condição insalubre, o empregador deve comprovar a


avaliação dos dois parâmetros acima descritos.

– As situações de exposição a VMB e VCI superiores aos limites de exposição


ocupacional são caracterizadas como insalubres em grau médio.

A avaliação quantitativa deve ser representativa da exposição, abrangendo aspectos


organizacionais e ambientais que envolvam o trabalhador no exercício de suas funções.

Cabe ressaltar que a caracterização da exposição deve ser objeto de laudo técnico que
contemple, no mínimo, os seguintes itens:

- Objetivo e datas em que foram desenvolvidos os procedimentos;

HIGIENE DO TRABALHO 58
- Descrição e resultado da avaliação preliminar da exposição, realizada de acordo com
o item 3, do Anexo 1 da NR-9 do MTE;

- Metodologia e critérios empregados, inclusas a caracterização da exposição e


representatividade da amostragem;

- Instrumentais utilizados, bem como o registro dos certificados de calibração;

- Dados obtidos e respectiva interpretação;

- Circunstâncias específicas que envolveram a avaliação;

- Descrição das medidas preventivas e corretivas eventualmente existentes e indicação


das necessárias, bem como a comprovação de sua eficácia;

- Conclusão.

2.5.4 Efeitos Sobre a Saúde

Segundo a norma ISO 2531 a exposição diária as VCI pode acarretar além de danos
permanentes a região espinhal problemas não menos importantes nos sistemas
urinário, circulatório e nervoso central.

Já com relação a exposição diária as VMB são reportados problemas no sistema


vascular, neurológico, osteoarticular e muscular. Cabe destacar que a doença
característica desse tipo de exposição é a doença dos “dedos brancos”.

HIGIENE DO TRABALHO 59
Fonte: http://www.industria-transformadora.info/vibracoes-na-industria-evite-a-sindrome-do-dedo-branco/.

Convém ressaltar que os riscos caracterizados por vibrações dependem de fatores


como intensidade, frequência, direção da vibração, tempo de exposição, direção da
vibração transmitida, método de trabalho e fatores predisponentes do indivíduo.

2.5.5 Procedimentos de Avaliação

A seguir estão destacados os principais itens previstos na NHO 09 e NHO 10 relativos


aos procedimentos de avaliação:

A avaliação da vibração deverá ser feita de forma a ser representativa da exposição


de todos os trabalhadores considerados no estudo. A análise preliminar tem por
objetivo reunir elementos que permitam enquadrar as situações analisadas em três
distintas possibilidades, quais sejam:

- A convicção técnica de que as situações de exposição sejam aceitáveis, pressupondo-


se que estejam abaixo do nível de ação;

- A convicção técnica de que as situações de exposição sejam inaceitáveis,


pressupondo-se que estejam acima do limite de exposição;

HIGIENE DO TRABALHO 60
- A incerteza quanto à aceitabilidade das situações de exposição analisadas.

Para a análise preliminar da exposição, deve-se considerar, entre outros, os seguintes


aspectos:

- Informações fornecidas por fabricantes de veículos, máquinas ou equipamentos


sobre suas especificações técnicas, incluindo os níveis de vibração gerados durante as
operações envolvidas na exposição;

- Estado de conservação de veículos, máquinas ou equipamentos utilizados quanto aos


sistemas de amortecimento, assentos e demais dispositivos que possam interferir na
exposição dos operadores ou motoristas.

O nível de vibração gerado depende, entre outros fatores, das características e do


estado de conservação desses dispositivos.

Esses aspectos devem ser considerados quando da utilização de dados relativos a


operações e equipamentos similares;

- Dados de medições de exposição ocupacional já existentes, eventualmente


disponíveis;

- Características da superfície de circulação;

- Constatação de condições específicas de trabalho que possam contribuir para o


agravamento das condições de exposição, como, por exemplo, atividades
desenvolvidas em situações ou condições diversas das finalidades para as quais se
destinam os veículos, as máquinas ou os equipamentos;

- Estimativa de tempo efetivo da exposição diária;

HIGIENE DO TRABALHO 61
- Nível de ação e limite de exposição adotados, conforme item 5;

- Informações ou registros relativos a queixas, suscetibilidades ou predisposições


atípicas ou antecedentes médicos relacionados com os trabalhadores expostos e os
efeitos neles gerados.

Quando, por meio da análise preliminar, houver a convicção técnica de que as


situações de exposição são aceitáveis, em princípio não são necessárias avaliações
quantitativas, sendo recomendada, no mínimo, a manutenção das condições de
exposição existentes.

Quando, por meio da análise preliminar, houver a convicção técnica de que as


situações de exposição são inaceitáveis, em princípio não são necessárias avaliações
quantitativas, sendo obrigatória a adoção de medidas de controle.

Quando, após a análise preliminar, permanecer a incerteza da aceitabilidade da


condição de exposição analisada ou quando houver a necessidade de se dispor do
valor da aceleração resultante de exposição normalizada (aren) e do valor da dose de
vibração resultante (VDVR) para quaisquer fins, deve-se efetuar a avaliação
quantitativa.

2.5.6 Avaliação Quantitativa da Exposição

A avaliação da exposição ocupacional à vibração de corpo inteiro deverá ser feita


utilizando-se sistemas de medição que permitam a determinação da aceleração
resultante de exposição normalizada (aren) e do valor da dose de vibração resultante
(VDVR), parâmetros representativos da exposição diária do trabalhador.

A avaliação da exposição ocupacional à vibração em mãos e braços deverá ser feita


utilizando-se de sistemas de medição que permitam a obtenção da aceleração

HIGIENE DO TRABALHO 62
resultante de exposição normalizada (aren), parâmetro representativo da exposição
diária do trabalhador.

Os sistemas de medição devem ser compostos basicamente de medidores integradores


e de transdutores (incluindo acelerômetros de assento) do tipo triaxial. Esses
transdutores serão posicionados nos pontos de medição. Os equipamentos de
medição, quando em uso, devem estar calibrados e em perfeitas condições
eletromecânicas.

Fonte: http://01db.acoemgroup.com.br/catalogo/VIB-Dosmetro-de-vibraco-1-0-246-produit.

As medições da vibração transmitida ao corpo devem ser feitas segundo as três


direções de um sistema de coordenadas ortogonais de forma simultânea, utilizando-
se acelerômetro do tipo triaxial. As Figuras a seguir mostram exemplos de localização
e fixação de acelerômetro

Fonte: NHO 09, Fundacentro (VCI).


HIGIENE DO TRABALHO 63
Fonte: http://01db.acoemgroup.com.br/catalogo/VIB-Dosmetro-de-vibraco-1-0-246-produit.

Fonte: NHO 10, FUNDACENTRO.

Em determinadas situações de trabalho, nas quais as atividades são realizadas em pé,


as medições para VCI terão de ser feitas com acelerômetros fixados no piso.

Para as medições de VMB a utilização de transdutores de pequeno porte minimiza a


interferência na medição e facilita um melhor posicionamento. O conjunto composto
pelo acelerômetro e pelos dispositivos de fixação deve possuir massa inferior a 10%
da massa do componente vibrante (punho, corpo da ferramenta ou peça trabalhada).

O valor da dose de vibração (VDVj), na literatura técnica, é tratado como um


parâmetro complementar utilizado para a representação da exposição ocupacional,
quando há a ocorrência de picos no sinal de vibração. Essa condição fica caracterizada
quando o fator de crista (FC) for superior a nove (fc > 9). Por conduta preventiva a

HIGIENE DO TRABALHO 64
legislação adota esse parâmetro como mais um critério de julgamento da exposição,
devendo ser determinado em todos os casos.

A exposição diária pode ser decorrente das seguintes situações:

- Uma componente de exposição, de curta ou longa duração, de ocorrência única ou


repetida durante toda a jornada de trabalho ou em parte dela;

- Duas ou mais componentes de exposição, de curta ou longa duração, repetidas ou


não, de forma sequencial ou aleatória, durante toda a jornada de trabalho ou em parte
dela.

Quando a exposição diária for composta por duas ou mais componentes de exposição,
distintas entre si, a avaliação da exposição ocupacional diária poderá ser feita pela
composição dos dados obtidos para cada uma das componentes.

Uma vez determinadas as componentes de exposição, devem ser obtidos: a aceleração


resultante de exposição parcial (arepi) representativa da contribuição da exposição
ocupacional de cada uma das diferentes componentes identificadas; o tempo médio
de duração de cada componente (Ti); e o número de repetições de cada componente
ao longo da jornada de trabalho (ni). Esses parâmetros serão utilizados na
determinação da aceleração resultante de exposição (are).

Adicionalmente para VCI deve ainda ser obtido o valor da dose de vibração da
exposição parcial (VDVexpji),

A aceleração resultante de exposição parcial (arepi) de cada componente de exposição


deve ser obtida por meio da média aritmética das acelerações.

Para a avaliação da VCI o valor da dose de vibração da exposição parcial (VDVexpji)


de cada componente de exposição deve ser determinado por meio da projeção do

HIGIENE DO TRABALHO 65
valor da dose de vibração (VDVji). O VDVji dever ser determinado pela somatória dos
valores de dose VDVjik, obtidos cada vez que a componente é repetida.

Outra situação ocorre quando a integração do sinal for mantida de forma continuada,
procedimento recomendável para operações intermitentes que alternem rápidas
exposições com rápidas interrupções. Nesse caso, a medição prossegue cobrindo
várias repetições da componente de exposição até que o avaliador, baseado no seu
julgamento e experiência profissional, tenha convicção de que a amostragem é
representativa da exposição, sendo que o resultado amri obtido já corresponde ao
valor do arepi a ser atribuído à componente de exposição em análise.

2.5.7 Medidas Preventivas e Corretivas de Controle Da Exposição

De acordo com o Anexo 1, da Norma Regulamentadora 9 – Programas de Prevenção


de Riscos Ambientais (PPRA):

- No processo de eliminação ou redução dos riscos relacionados com a exposição às


vibrações mecânicas devem ser considerados, entre outros fatores, os esforços físicos
e aspectos posturais.

- O empregador deve comprovar, no âmbito das ações de manutenção preventiva e


corretiva de veículos, máquinas, equipamentos e ferramentas, a adoção de medidas
efetivas que visem o controle e a redução da exposição a vibrações.

- As ferramentas manuais vibratórias que produzam acelerações superiores a 2,5 m/s2


nas mãos dos operadores devem informar junto às suas especificações técnicas a
vibração emitida pelas mesmas, indicando as normas de ensaio que foram utilizadas
para a medição.

HIGIENE DO TRABALHO 66
- As situações de exposição ocupacional superior ao nível de ação, independentemente
do uso de equipamentos de proteção individual, implicam obrigatória adoção de
medidas de caráter preventivo.

- As situações de exposição ocupacional superior ao limite de exposição,


independentemente do uso de equipamentos de proteção individual, implicam
obrigatória adoção de medidas de caráter corretivo.

Ainda de acordo com o Anexo 1 – Vibração, da Norma Regulamentador 9 – Programas


de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) estão previstas as seguintes medidas
preventivas:

- As medidas preventivas são ações que visam a minimizar à probabilidade de que as


exposições à vibração causem prejuízos ao trabalhador exposto e evitar que o limite
de exposição seja ultrapassado. (Devem incluir o monitoramento periódico da
exposição, a informação, a orientação aos trabalhadores e o controle médico).

- O monitoramento periódico consiste em uma avaliação sistemática e repetitiva da


exposição dos trabalhadores e das medidas de controle, visando a um
acompanhamento dos níveis de exposição, tendo em vista a introdução ou a
modificação das medidas de controle sempre que necessário.

- Os trabalhadores devem ser informados e orientados sobre: os riscos decorrentes da


exposição à vibração de corpo inteiro; os cuidados e procedimentos necessários para
redução da exposição à vibração, como, por exemplo, adotar velocidades adequadas
no uso de veículos, evitar, dentro do possível, superfícies irregulares, ajustar o assento
do veículo em relação ao posicionamento e ao peso do usuário; os cuidados a serem
tomados após a exposição, tais como evitar levantar pesos ou fazer movimentos
bruscos de torção ou flexão; as eventuais limitações de proteção das medidas de
controle, sua importância e seu uso correto; a necessidade de informar seus superiores

HIGIENE DO TRABALHO 67
sempre que observar níveis anormais de vibração durante o uso de veículos ou durante
a execução de atividades em plataformas de trabalho.

Cabe destacar que o controle médico dos trabalhadores expostos a vibrações de corpo
inteiro deve envolver exames físicos e a manutenção de um histórico com registros de
exposições anteriores.

Finalmente e ainda de acordo com o Anexo 1 – Vibração, da Norma Regulamentadora


9 – Programas de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) estão previstas medidas
corretivas, que devem contemplar, no mínimo, uma das medidas a seguir, obedecida
a hierarquia prevista na NR9:

- No caso de exposição às VMB, modificação do processo ou da operação de trabalho,


podendo envolver: a substituição de ferramentas e acessórios; a reformulação ou a
reorganização de bancadas e postos de trabalho; a alteração das rotinas ou dos
procedimentos de trabalho; a adequação do tipo de ferramenta, do acessório utilizado
e das velocidades operacionais;

- No caso de exposição às VCI, modificação do processo ou da operação de trabalho,


podendo envolver: o reprojeto de plataformas de trabalho; a reformulação, a
reorganização ou a alteração das rotinas ou dos procedimentos e organização do
trabalho; a adequação de veículos utilizados, especialmente pela adoção de assentos
antivibratórios; a melhoria das condições e das características dos pisos e pavimentos
utilizados para circulação das máquinas e dos veículos;

- Redução do tempo e da intensidade de exposição diária à vibração;

- Alternância de atividades ou operações que gerem exposições a níveis mais elevados


de vibração com outras que não apresentem exposições ou impliquem exposições a
menores níveis.

HIGIENE DO TRABALHO 68
Cabe ressaltar que as medidas de caráter corretivo mencionadas não excluem outras
medidas que possam ser consideradas necessárias ou recomendáveis em função das
particularidades de cada condição de trabalho.

2.6 Pressões Anormais

2.6.1 Conceituação

Muitos trabalhadores desempenham suas atividades sob condições de trabalho


especiais influenciados pela pressão atmosférica considerada anormal, como, por
exemplo, em atividades de mergulho, na construção civil em tubulações ou túneis
pressurizados e em voos a grandes altitudes.

A pressão atmosférica é a pressão que o ar exerce sobre todos os corpos graças ao


seu peso. A superfície corporal, ao nível do mar, recebe uma pressão uniformemente
distribuída correspondente a 1,03 kg/cm² – 1 ATM (760 mmHg ao nível do mar). Cada
gás componente do ar exerce uma pressão proporcional à sua composição.

As pressões anormais podem ser classificadas de duas maneiras:

 Hipobáricas: os níveis de pressão são menores do que a normal (trabalhos


realizados a elevadas altitudes);
 Hiperbáricas: os níveis de são maiores do que a normal (trabalhos realizados
sob ar comprimido ou submersos).

Na medida em que o corpo é constituído de muitas cavidades aéreas e o sangue é


uma solução que se presta para o transporte de gases as variações de pressão alteram
o volume dos gases bem como a solubilidade dos gases no sangue.

HIGIENE DO TRABALHO 69
São as seguintes as leis dos gases que regem as respostas do nosso organismo:

- Lei de Avogrado – as moléculas dos gases estão em constante movimento, variando


o seu número em função da temperatura e pressão neles exercidos;

- Lei de Boyle – o volume ocupado por um gás é inversamente proporcional à pressão


absoluta a que está sujeito;

- Lei de Dalton – a pressão total exercida por uma mistura de gases é igual a soma
das pressões que cada um dos seus gases componentes da mistura exerceria se
ocupasse sozinho o volume total da mistura;

Cálculo da pressão parcial:

ppx = P . X %

Sendo:
ppx = Pressão parcial do gás "X"
P = pressão total do gás (absoluta)
X% = porcentagem do gás "X" por volume na mistura

Observações:
- Por exemplo, as pressões parciais do nitrogênio e do oxigênio no ar comprimido a 0
m e a 40 m de profundidade são, respectivamente:
0 m (pressão de 1 ATM) – 0,8 ATM de N2 e 0,2 ATM de O2

40 m (pressão de 5 ATM) – 4 ATM de N2 e 1 ATM de O2

- Note-se, aqui, que o ar comprimido respirado a uma profundidade de 40 m tem uma


pressão parcial de oxigênio igual a 1 Atm, o que corresponde à inalação de oxigênio
puro na superfície. Para mergulhar a grandes profundidades, a mistura respiratória

HIGIENE DO TRABALHO 70
tem que ser preparada de tal sorte que a pressão parcial de oxigênio não ultrapasse
a 0,5 ou 0,6 bar, exceto sob condições controladas, e temporariamente, como nos
casos de tratamento. Tal mistura contém uma porcentagem baixíssima de oxigênio,
sendo irrespirável na superfície.

- Lei de Henry – à temperatura constante, a quantidade de um gás que se dissolve em


um líquido com o qual esteja em contato é diretamente proporcional à pressão deste
gás. A absorção e eliminação de um gás no organismo, segundo esse modelo, tem
caráter exponencial. A saturação e dessaturação são reguladas por equações do
seguinte tipo:
Pi = Pio e-kt

Onde:
Pi = pressão do gás inerte
Pio = pressão do gás inerte no tempo zero
k = constante
t = tempo

Observação:
Desse modo, em função da resposta de alguns tecidos, surge a necessidade de se
aumentar ou diminuir a pressão vagarosamente e em estágios que são função da
pressão e do período de exposição a que o trabalhador foi submetido.

Cabe observar que o Anexo 6 da NR 15 considera insalubres os trabalhos sob ar


comprimido e aqueles que são submersos, ou seja, em atividades de mergulho.

Ainda segundo o Anexo 6 da NR 15, temos as seguintes definições e conceitos


associados:

- Barotrauma – síndrome ocasionada pela dificuldade de equilibrar a pressão no


interior de uma cavidade pneumática do organismo com a pressão do meio ambiente

HIGIENE DO TRABALHO 71
em variação. Cabe esclarecer que além dos espaços aéreos naturais outros podem ser
criados por equipamentos, como, por exemplo, um capacete ou uma máscara de
mergulho.

- Câmara de superfície – uma câmara hiperbárica especialmente projetada para ser


utilizada na descompressão dos mergulhadores, requerida pela operação ou pelo
tratamento hiperbárico;

- Câmara de trabalho – espaço ou compartimento sob ar comprimido, no interior da


qual o trabalho está sendo realizado;

- Câmara de recompressão – câmara que, independentemente da câmara de trabalho,


é usada para tratamento de indivíduos que adquirem doença descompressiva ou
embolia e é diretamente supervisionada por médico qualificado;

- Câmara hiperbárica – vaso de pressão especialmente projetado para a ocupação


humana, no qual os ocupantes podem ser submetidos a condições hiperbáricas;

- Câmara submersível de pressão atmosférica – câmara resistente à pressão externa,


especialmente projetada para uso submerso, na qual os seus ocupantes permanecem
submetidos à pressão atmosférica;

- Câmara terapêutica – câmara de superfície destinada exclusivamente ao tratamento


hiperbárico;

- Campânula – câmara pela qual o trabalhador passa do ar livre para a câmara de


trabalho do tubulão e vice-versa;

- Descompressão – conjunto de procedimentos por meio dos quais um mergulhador


elimina do seu organismo o excesso de gases inertes absorvidos durante determinadas

HIGIENE DO TRABALHO 72
condições hiperbáricas, sendo tais procedimentos absolutamente necessários no seu
retorno à pressão atmosférica para a preservação da sua integridade física;

- Eclusa de pessoal – câmara pela qual o trabalhador passa do ar livre para a câmara
de trabalho do túnel e vice-versa;

- Emergência: qualquer condição anormal capaz de afetar a saúde do mergulhador ou


a segurança da operação de mergulho;

- Encarregado de ar comprimido – profissional treinado e conhecedor das diversas


técnicas empregadas nos trabalhos sob ar comprimido, designado pelo empregador
como o responsável imediato pelos trabalhadores;

- Equipamento autônomo de mergulho: aquele em que o suprimento de mistura


respiratória é levado pelo próprio mergulhador e utilizado como sua única fonte;

- Médico hiperbárico: médico com curso de medicina hiperbárica com currículo


aprovado pela SSMT/MTb, responsável pela realização dos exames psicofísicos
admissional, periódico e demissional de conformidade com os Anexos A e B e a NR 7;

- Mergulhador: profissional qualificado e legalmente habilitado para utilização de


equipamentos de mergulho, submersos;

- Mergulho de intervenção – mergulho caracterizado pelas seguintes condições:


utilização de misturas respiratórias artificiais (MRA), e tempo de trabalho, no fundo,
limitado a valores que não incidam no emprego de técnica de saturação;

- MRA – misturas de oxigênio, hélio ou outros gases, apropriadas à respiração durante


os trabalhos submersos, quando não seja indicado o uso do ar natural;

HIGIENE DO TRABALHO 73
- Operador de eclusa ou de campânula – indivíduo previamente treinado nas manobras
de compressão e descompressão das eclusas ou campânulas, responsável pelo
controle da pressão no seu interior;

- Período de observação – aquele que se inicia no momento em que o mergulhador


deixa de estar submetido a condições hiperbáricas e se estende: até 12 horas para os
mergulhos com ar, ou até 24 horas para os mergulhos com MRA;

- Período de trabalho – tempo durante o qual o trabalhador fica submetido a pressão


maior que a do ar atmosférico excluindo-se o período de descompressão;
- Pressão de trabalho – maior pressão de ar à qual é submetido o trabalhador no
tubulão ou túnel durante o período de trabalho;

- Programa médico – conjunto de atividades desenvolvidas pelo empregador, na área


médica, necessária à manutenção da saúde e integridade física do mergulhador;

- Sino aberto – campânula com a parte inferior aberta e provida de estrado, de modo
a abrigar e permitir o transporte de, no mínimo, dois mergulhadores, da superfície ao
local de trabalho, devendo possuir sistema próprio de comunicação, suprimento de
gases de emergência e vigias que permitam a observação de seu exterior;

- Sino de mergulho – câmara hiperbárica, especialmente projetada para ser utilizada


em trabalhos submersos;

- Sistema de mergulho – conjunto de equipamentos necessários à execução de


operações de mergulho, dentro das normas de segurança;

- Supervisor de mergulho – mergulhador, qualificado e legalmente habilitado,


designado pelo empregador para supervisionar a operação de mergulho;

HIGIENE DO TRABALHO 74
- Técnicas de saturação – procedimentos pelos quais um mergulhador evita repetidas
descompressões para a pressão atmosférica, permanecendo submetido à pressão
ambiente maior que aquela, de tal modo que seu organismo se mantenha saturado
com os gases inertes das misturas respiratórias;

- Técnico de saturação – profissional devidamente qualificado para aplicação das


técnicas adequadas às operações em saturação;

- Túnel pressurizado – escavação, abaixo da superfície do solo, cujo maior eixo faz um
ângulo não superior a 45º com a horizontal, fechado nas duas extremidades, em cujo
interior haja pressão superior a uma atmosfera;

- Tubulão de ar comprimido – estrutura vertical que se estende abaixo da superfície


da água ou solo, pela qual os trabalhadores devem descer, entrando pela campânula,
para uma pressão maior que atmosférica. A atmosfera pressurizada opõe-se à pressão
da água e permite que os homens trabalhem em seu interior;

- Umbilical – conjunto de linha de vida, mangueira de suprimento respiratório e outros


componentes que se façam necessários à execução segura do mergulho, de acordo
com a sua complexidade.

2.6.2 Efeitos Sobre a Saúde

2.6.2.1 Condições Hiperbáricas

O barotrauma (do ouvido externo; do ouvido médio; do ouvido interno; sinusal;


pulmonar; facial; dental; gastrointestinal; cutâneo; corporal) é o efeito mais comum e
está relacionado com a lei da física que regula o comportamento entre as pressões e
os volumes (lei de Boyle).

HIGIENE DO TRABALHO 75
Efeitos da pressão positiva (mergulho, tubulão pneumático e recompressão
terapêutica):

- Com o aumento da pressão, a quantidade de gases dissolvidos nos tecidos do corpo


aumenta em função dessa pressão, e ocasiona intoxicação grave;

- Na fase de compressão: intoxicação pelos gases que compõem a atmosfera;


intoxicação aguda por oxigênio ou gás carbônico e embriaguez das profundidades por
nitrogênio;

- Na descompressão brusca (ascensão rápida dos mergulhadores): lesões cerebrais,


dores articulares e até a morte (nitrogênio forma bolhas em várias partes do
organismo).

2.6.2.2 Condições Hipobáricas

Prostração, perda de clareza mental, problemas de coordenação motora, doença


descompressiva, cefaleia, hemorragia (agudo) e mal das montanhas (crônico)

2.6.3 Medidas de Controle

Para condições hiperbáricas de forma geral podemos relacionar as seguintes ações de


controle: seleção profissional adequada, exames admissional e periódico, repouso
adequado, exposições controladas, compressão controlada, instalação de câmara
terapêutica para tratamento de acidentes e doenças hiperbáricas, descompressão
controlada.

Para condições hipobáricas de forma geral podemos relacionar as seguintes ações:


seleção de pessoal adequada, exames médicos específicos, período de adaptação, uso
de máscaras de oxigênio, controle rigoroso do sistema de pressurização das
aeronaves.

HIGIENE DO TRABALHO 76
2.6.4 Trabalhos Sob Ar Comprimido Em Tubulões Pneumáticos e Túneis
Pressurizados

De acordo com o Anexo 6 da NR 15 temos as seguintes principais recomendações:

- Todo trabalho sob ar comprimido será executado de acordo com as prescrições dadas
a seguir e quaisquer modificações deverão ser previamente aprovadas pelo órgão
nacional competente em segurança e medicina do trabalho.

- O trabalhador não poderá sofrer mais que uma compressão em um período de 24


(vinte e quatro) horas.

- Durante o transcorrer dos trabalhos sob ar comprimido, nenhuma pessoa poderá ser
exposta à pressão superior a 3,4 kgf/cm2, exceto em caso de emergência ou durante
tratamento em câmara de recompressão, sob supervisão direta do médico
responsável.

- A duração do período de trabalho sob ar comprimido não poderá ser superior a 8


(oito) horas, em pressões de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm2; a 6 horas em pressões de
trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm2; e a 4 horas, em pressão de trabalho de 2,6 a 3,4
kgf/cm2.

- Após a descompressão, os trabalhadores serão obrigados a permanecer, no mínimo,


por 2 horas, no canteiro de obra, cumprindo um período de observação médica.

- O local adequado para o cumprimento do período de observação deverá ser


designado pelo médico responsável.

- Para trabalhos sob ar comprimido, os empregados deverão satisfazer os seguintes


requisitos: ter mais de 18 e menos de 45 anos de idade; ser submetido a exame
médico obrigatório, pré-admissional e periódico, exigido pelas características e

HIGIENE DO TRABALHO 77
peculiaridades próprias do trabalho, e ser portador de placa de identificação, fornecida
no ato da admissão, após a realização do exame médico.

- Antes da jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser inspecionados pelo


médico, não sendo permitida a entrada em serviço daqueles que apresentem sinais de
afecções das vias respiratórias ou outras doenças.

Fonte: PEIXOTO e FERREIRA, 2012.

HIGIENE DO TRABALHO 78
Fonte: http://www.ebanataw.com.br/roberto/fundacoes/fund4.htm.

2.6.5 Exigências para Operações em Campânulas ou Eclusas

Deverá estar presente no local, pelo menos, uma pessoa treinada nesse tipo de
trabalho e com autoridade para exigir o cumprimento, por parte dos empregados, de
todas as medidas de segurança preconizadas neste item.

As manobras de compressão e descompressão deverão ser executadas por dispositivos


localizados no exterior da campânula ou eclusa, pelo operador das mesmas.

Tais dispositivos deverão existir também internamente, porém serão utilizados


somente em emergências.

No início de cada jornada de trabalho, os dispositivos de controle deverão ser aferidos.

A comunicação entre o interior dos ambientes sob pressão de ar comprimido e o


exterior deverá ser feita por sistema de telefonia ou similar.

A compressão dos trabalhadores deverá obedecer às seguintes regras:

- No primeiro minuto, após o início da compressão, a pressão não poderá ter


incremento maior que 0,3 kgf/cm2;

HIGIENE DO TRABALHO 79
- Atingido o valor 0,3 kgf/cm2, a pressão somente poderá ser aumentada após
decorrido intervalo de tempo que permita ao encarregado da turma observar se todas
as pessoas na campânula estão em boas condições;

- Decorrido o período de observação, recomendado na alínea "b", o aumento da


pressão deverá ser feito a uma velocidade não superior a 0,7 kgf/cm2, por minuto,
para que nenhum trabalhador seja acometido de mal-estar;

- Se algum dos trabalhadores queixar-se de mal-estar, dores no ouvido ou na cabeça,


a compressão deverá ser imediatamente interrompida e o encarregado reduzirá
gradualmente a pressão da campânula até que o trabalhador se recupere e, não
ocorrendo a recuperação, a descompressão continuará até a pressão atmosférica,
retirando-se, então, a pessoa e encaminhando-a ao serviço médico.

2.6.6 Trabalhos Submersos

De acordo com o Anexo 6 da NR 15, temos as seguintes principais recomendações:

- Os mergulhadores serão classificados em duas categorias: MR – mergulhadores


habilitados, apenas, para operações de mergulho utilizando ar comprimido; e MP –
mergulhadores devidamente habilitados para operações de mergulho que exijam a
utilização de mistura respiratória artificial.

- A equipe básica para mergulho com “ar comprimido” até a profundidade de 50 metros
e na ausência das condições perigosas deverá ter a constituição especificada a seguir,
desde que esteja prevista apenas descompressão na água: um supervisor; um
mergulhador para a execução do trabalho; um mergulhador de reserva, pronto para
intervir em caso de emergência; e um auxiliar de superfície.

HIGIENE DO TRABALHO 80
- Em águas abrigadas, nas condições anteriores, considerada a natureza do trabalho
e, desde que a profundidade não exceda 12 metros, a equipe básica poderá ser
reduzida de seu auxiliar de superfície.

- Quando, em mergulhos nas condições estipuladas anteriormente estiver programada


descompressão na câmara de superfície, a equipe básica será acrescida de um
mergulhador, que atuará como operador de câmara.

- Na ocorrência de quaisquer das condições perigosas, as equipes serão acrescidas de


um mergulhador, passando, respectivamente, a serem constituídas por cinco e seis
homens.

- Em toda operação de mergulho em que para a realização do trabalho for previsto o


emprego simultâneo de dois ou mais mergulhadores na água, deverá existir, no
mínimo, um mergulhador de reserva para cada dois submersos.

- Em operação a mais de 50 metros, ou quando for utilizado equipamento autônomo,


serão sempre empregados, no mínimo, dois mergulhadores submersos, de modo que
um possa, em caso de necessidade, prestar assistência ao outro.

Nos mergulhos de intervenção, utilizando-se MRA, as equipes de mergulho terão a


seguinte constituição:

- Até a profundidade de 120 metros: um supervisor; dois mergulhadores; um


mergulhador encarregado da operação do sino; um mergulhador auxiliar; e um
mergulhador de reserva para atender a possíveis emergências.

- De 120 metros a 130 metros: todos os elementos anteriores e mais um mergulhador


encarregado da operação da câmara hiperbárica.

Os exames médicos dos mergulhadores serão realizados nas seguintes condições:

HIGIENE DO TRABALHO 81
- Por ocasião da admissão;

- A cada 6 meses, para todo o pessoal em efetiva atividade de mergulho;

- Imediatamente, após acidente ocorrido no desempenho de atividade de mergulho


ou doença grave;

- Após o término de incapacidade temporária;

- Em situações especiais, por solicitação do mergulhador ao empregador.

É obrigatório o uso de comunicações verbais em todas as operações de mergulho


realizadas em condições perigosas sendo que, em mergulhos com MRA, deverão ser
incluídos instrumentos capazes de corrigir as distorções sonoras provocadas pelos
gases na transmissão da voz.

Em todas as operações de mergulho, serão utilizados balizamento e sinalização


adequados de acordo com o código internacional de sinais e outros meios julgados
necessários à segurança.

Os mergulhos com descompressão somente deverão ser planejados para situações em


que uma câmara de superfície, pronta para operar, possa ser alcançada em menos de
1 hora, utilizado o meio de transporte disponível no local.

Caso a profundidade seja maior que 40 metros ou o tempo de descompressão superior


a 20 minutos, é obrigatória a presença no local do mergulho de uma câmara de
superfície.

Sempre que for necessário pressurizar ou descomprimir um mergulhador, um segundo


homem deverá acompanhá-lo no interior da câmara.

HIGIENE DO TRABALHO 82
Nas operações de mergulho discriminadas neste subitem deve ser observado o
seguinte:

- Mergulho com equipamento autônomo a ar comprimido: profundidade máxima igual


a 40 metros;

- Mergulho com equipamento a ar comprido suprido pela superfície: profundidade


máxima igual a 50 metros;

- Mergulho sem apoio de sino aberto: profundidade máxima igual a 50 metros;

- Mergulho de intervenção com MRA e apoiado por sino aberto: profundidade máxima
igual a 90 metros;

- Mergulho de intervenção com e apoiado por sino de mergulho: profundidade máxima


igual a 130 metros.

Nas profundidades de 120 a 130 metros somente poderão ser realizados mergulhos
utilizando-se equipamentos e equipes que permitam a técnica de saturação.

As operações de mergulho, em profundidade superior a 130 metros, somente poderão


ser realizadas quando utilizando técnicas de saturação.

Em profundidade superior a 90 metros, qualquer operação de mergulho somente


deverá ser realizada com sino de mergulho em conjunto com câmara de superfície
adotada de todos acessórios e equipamentos auxiliares, ficando a profundidade
limitada à pressão máxima de trabalho dessa câmara.

Os sistemas e equipamentos deverão ser instalados em local adequado, de forma a


não prejudicar as condições de segurança das operações.

HIGIENE DO TRABALHO 83
Os equipamentos de mergulho utilizados nas operações de mergulho deverão possuir
certificado de aprovação fornecido ou homologado pela Diretoria de Portos e Costas
(DPC).

3. Agentes Biológicos

Conceituação

Segundo a NR 9, consideram-se agentes biológicos bactérias, fungos, bacilos,


parasitas, protozoários, vírus, entre outros.

Já segundo a NR 32 Consideram-se agentes biológicos os microrganismos,


geneticamente modificados ou não; as culturas de células; os parasitas; as toxinas e
os príons, que são partículas compostas apenas por proteínas normais do organismo
que, quando modificadas, tornam-se patogênicas.

A exposição ocupacional acontece principalmente em atividades relacionadas com a


manipulação de produtos de origem animal, em hospitais e em serviços de saúde em
geral, em laboratórios, em serviços de limpeza e reciclagem do lixo, em cemitérios,
em trabalhos em laboratórios biológicos, em necrotérios, entre outros.

Os agentes biológicos são classificados em (NR 32 – Anexo I):

– Classe de risco 1: baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade,


com baixa probabilidade de causar doença ao ser humano.

– Classe de risco 2: risco individual moderado para o trabalhador e com baixa


probabilidade de disseminação para a coletividade.

- Classe de risco 3: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade de


disseminação para a coletividade.

HIGIENE DO TRABALHO 84
– Classe de risco 4: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade
elevada de disseminação para a coletividade.

Adicionalmente o Anexo II da NR 32 apresenta uma lista de informações


complementares que são agregadas as classes anteriormente relacionadas, a partir
dos seguintes símbolos:

- A: possíveis efeitos alérgicos


- E: agente emergente e oportunista
- O: agente oncogênico de baixo risco
- O+: agente oncogênico de risco moderado
- T: produção de toxinas
- V: vacina eficaz disponível

A transmissão de um agente biológico ocorre de forma:

- Direta – como, por exemplo, a que ocorre por bioaerossóis, por gotículas e contato
com a mucosa dos olhos, entre outros.

- Indireta – a que ocorre por intermédio de veículos ou vetores, como, por exemplo, a
aquela que acontece na transmissão por meio de mãos, perfurocortantes, água,
alimentos, superfícies, luvas etc.

Como vias de penetração no organismo, temos principalmente as vias respiratórias,


em um segundo plano a via cutânea e, finalmente, a ingestão.

HIGIENE DO TRABALHO 85
Fonte: PEIXOTO e FERREIRA, 2012.

Dentre as principais formas de contaminação por via cutânea estão os casos de pele
danificada, mucosas (boca, olhos), lesões por materiais perfurocortantes
contaminados, arranhões e mordidas.

3.2 Efeitos Sobre a Saúde

São os seguintes os principais efeitos sobre a saúde resultantes da exposição aos


agentes biológicos: tuberculose, sífilis, hepatite, AIDS; tétano, leptospirose, gripe
H1N1, brucelose, doença de Weil, raiva, micoses em geral, malária, esquistossomose,
entre outros.

3.3 Medidas de Controle

São as seguintes as principais medidas de controle a exposição aos agentes biológicos:

HIGIENE DO TRABALHO 86
– Evitar o contato com o agente: construção de barreiras de confinamento (cabines
de segurança biológica), utilização de barreiras que evitem o contato com a pele e
mucosas, utilização de barreiras que evitem a penetração pelas vias respiratórias.

– Desinfecção e esterilização: limpeza com esterilizantes e desinfetantes químicos ou


esterilização com o uso de radiação ultravioleta e radiação ionizante.

– Organização e higiene rigorosa nos locais de trabalho.

– Controle médico permanente.

– Vacinação ou imunização ativa.

– Uso de EPI adequado à atividade, tais como: luvas, botas, máscaras faciais etc.

– Higiene pessoal.

– Uso de material descartável.

– Observar normas da vigilância sanitária.

– Descarte de material perfurocortante em local adequado.

3.4 Insalubridade

O pagamento da insalubridade associada à exposição aos agentes biológicos está


previsto para algumas atividades laborais no Anexo 14 da NR 15, uma vez
caracterizada pela avaliação qualitativa: insalubridade de grau máximo, por exemplo,
em trabalhos ou operações, em contato permanente com pacientes em isolamento por
doenças infectocontagiosas ou de grau médio, por exemplo, em trabalhos e operações

HIGIENE DO TRABALHO 87
em contato permanente com pacientes, animais ou com material infectocontagiante,
em hospitais, serviços de emergência, enfermaria etc.

4. Agentes Químicos

4.1 Conceituações Iniciais

Em uma primeira analise os agentes químicos são classificados de acordo com o estado
físico, resultando em duas famílias a família dos aerodispersoides, e a família dos gases
e vapores.

Os aerodispersoides são partículas sólidas ou líquidas suspensas ou dispersas no ar,


de tamanho reduzido (tamanho inferior a 150 μm), que podem ser caracterizados pelas
seguintes subclassificações:

a) Poeiras – partículas sólidas com diâmetro na faixa de 0,1 a 25 μm


produzidas por ruptura mecânica de um sólido.

b) Fibras – partículas sólidas produzidas por ruptura de sólidos, que se


diferenciam das poeiras porque têm forma alongada, com comprimento três a cinco
vezes superior ao seu diâmetro. Podem ser de origem animal (lã, seda, pelo de cabra
de camelo etc.), vegetal (algodão, linho etc.) e mineral (asbesto, vidro, cerâmica etc.).

c) Fumos – partículas sólidas menores que 1 μm resultantes da


condensação de vapores ou reação química.

d) Névoas e neblinas – partículas líquidas de diâmetro entre 0,1 e 100 μm


produzidas da ruptura mecânica de líquido ou por condensação de vapores de
substâncias que são líquidas à temperatura ambiente (nebulização, borbulhamento e
respingo).

HIGIENE DO TRABALHO 88
Cabe salientar que os aerodispersoides podem ainda ser classificados pelo tamanho
em:
a) Sedimentável – entre 10 e 150 μm
b) Visível – menor que 50 μm
c) Inalável – menor que 10 μm
d) Respirável – menor que 5 μm

Com relação ao agrupamento dos gases e vapores cabe aqui ressaltar que são
conceitos diferentes e que devem ser conhecidos a fim de facilitar o reconhecimento
e a avaliação de suas concentrações em um espaço laboral:

a) Gases – substâncias que em condições normais de temperatura e pressão estão


em estado gasoso;

b) Vapores – fase gasosa de uma substância que, em condições normais de


temperatura e pressão, é líquida ou sólida (vapores de água e vapores de gasolina);

Segundo a NR 9, consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou


produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de
poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade
de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo pela pele ou por
ingestão.

Cabe aqui ressaltar que a via respiratória é a via mais importante na medida em que
a grande maioria das intoxicações originadas nas atividades laborais resulta da
aspiração de substâncias dispersas no ar. Tais substâncias podem ser retidas no
sistema respiratório superior, nos pulmões, ou ainda passar para a corrente sanguínea,
atingindo outras áreas do organismo.

HIGIENE DO TRABALHO 89
Adicionalmente, como ações para garantir um ar para a respiração isento de
substâncias agressivas, as normas brasileiras recomendam um teor mínimo de 18%
de oxigênio em volume

A Concentração IPVS (imediatamente perigosas para a vida e saúde) ou IDLH


(Imediatelly Dangerous for Life and Health) significa a exposição respiratória aguda ao
agente que pode causar a morte ou consequências irreversíveis à saúde (instantâneas
ou retardadas), ou ainda a exposição dos olhos que impeça a fuga do local. Pode ainda
ser entendida como a concentração máxima para a exposição por 30 minutos que
permite ao trabalhador escapar de um ambiente se houver falha do protetor
respiratório.

4.2 Efeitos Sobre a Saúde

A seguir estão listadas as classificações dos agentes químicos a partir dos efeitos sobre
a saúde dos trabalhadores:

a) Aerodispersoides
- Carcinogênicos – causam câncer (amianto).
- Fibrogênicos – produzem nódulos e causar fibroses dos tecidos pulmonares (Sílica e
amianto).
- Irritantes – causam ulcerações e inflamações no trato respiratório (névoas de ácidos
e bases).
- Mutagênicos – causam modificações celulares e alterações genéticas (chumbo,
mercúrio)
- Sistêmicos – afetam o funcionamento de órgãos e sistemas (manganês e cádmio).

b) Gases e vapores
- Anestésicos – agem sobre o sistema nervoso central (éteres e cetonas).
- Asfixiantes simples – atuam substituindo o oxigênio do ar (sem ação bioquímica

HIGIENE DO TRABALHO 90
- Asfixiantes químicos – têm ação bioquímica na célula dificultando a agregação do
oxigênio com a hemoglobina (nitrogênio e monóxido de carbono).
- Carcinogênicos – causam câncer (benzeno).
- Irritantes – causam irritação e ulcerações no trato respiratório (gás sulfídrico).
- Tóxicos – afetam órgãos e sistemas (hidrocarbonetos).

4.3 Caracterização da Insalubridade

Segundo a NR 15 são as seguintes as condições para a caracterização da


insalubridade:

a) Acima dos limites de tolerância dos Anexos 11 e 12 (avaliação quantitativa)


b) Nas atividades mencionadas no Anexo 13 (avaliação qualitativa de riscos
inerentes à atividade)

Estão apresentadas a seguir as unidades de medida utilizadas para representar as


concentrações dos agentes, assim como os limites de tolerância padronizados:

a) mg/m3 (miligrama por metro cúbico) – unidade normalmente empregada para


representar a concentração de aerodispersoides.

Obs.
A concentração nesse caso é obtida pela seguinte fórmula:

C = m/Va

Onde:

C – concentração;
m – massa da amostra em mg;

Va – volume amostrado em m3.


HIGIENE DO TRABALHO 91
Cabe ressaltar que 10 mg/m3 significa que em 1 metro cúbico de ar amostrado existem
10 miligramas do agente que se quer avaliar.

b) ppm (partes por milhão) – unidade normalmente empregada para representar


a concentração de gases e vapores.

Obs. A concentração (C) nesse caso é expressa em C = volume/volume (1 m3 de ar e


1 cm3 de ar contaminado)

ppm = 1 cm3/1 m3 = 1 cm3/1.000.000;

Cabe reassaltar que 5 ppm significa que em 1 milhão de litros de ar amostrado, existem
5 litros do agente que se quer avaliar.

4.4 Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ)

A Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ) reúne as


informações necessárias sobre o transporte, manuseio, armazenamento, entre outros
sob o ponto de vista das ações de segurança, saúde e meio ambiente.

A referência para a elaboração dessas fichas é a NBR 14725 – Ficha de informações


de segurança de produtos químicos (FISPQ): julho 2001. A FISPQ tem amparo legal
no Decreto 2657, de 3/7/1998, que promulga a Convenção 170 da OIT.

As informações que devem constar da FISPQ são:

1 – IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO E DA EMPRESA


 Nome do produto expresso no rótulo;
 Código interno da empresa para o produto;
 Nome da empresa;

HIGIENE DO TRABALHO 92
 Endereço;
 Telefone/fax/e-mail.

2 – COMPOSIÇÃO E INFORMAÇÕES SOBRE OS INGREDIENTES


 Nome químico/sinônimo;
 Número de registro do produto no “Chemical Abstract Service” of the Chemical
Society;
 Número da ONU;
 Natureza química/ingredientes: (faixas de concentração);
 Classificação e rotulagem.

3 – IDENTIFICAÇÃO DE PERIGOS
 Perigos e os efeitos adversos para a saúde e meio ambiente.

4 – MEDIDAS DE PRIMEIROS SOCORROS


 Ações que devem ser tomadas e também aquelas que não devem ser
praticadas;
 Dividir as informações por via de penetração no organismo (inalação, contato
com a pele, contato com os olhos e ingestão);
 Recomendações para a proteção do socorrista e para o médico;
 Sinais e sintomas de exposição: (pele, olhos, via respiratória, ingestão).

5 – MEDIDAS DE COMBATE A INCÊNDIO


 Meios de extinção apropriados e os não recomendados;
 Necessidade de equipamentos especiais para combate às chamas;
 Métodos especiais de extinção.

6 – MEDIDAS DE CONTROLE PARA DERRAMAMENTO OU VAZAMENTO


 Precauções pessoais (inalação, contato com a pele e olhos);
 Necessidade de manter afastadas as fontes de ignição;
 Ações e precauções relativas ao meio ambiente;

HIGIENE DO TRABALHO 93
 Métodos de recuperação, limpeza e disposição.

7 – MANUSEIO E ARMAZENAMENTO
 Medidas técnicas para a prevenção da exposição humana e do meio ambiente;
 Embalagem apropriada e imprópria;
 Prevenção de incêndio e explosão;
 Necessidade de ventilação;
 Materiais incompatíveis.

8 – CONTROLE DE EXPOSIÇÃO E PROTEÇÃO INDIVIDUAL


 Medidas técnicas para a proteção e controle na fonte e na trajetória.
 Procedimento para monitoramento.
 Tipo de proteção para inalação, mãos, olhos e pele.
 Equipamentos especiais.

9 – PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS
 Aspecto, estado físico, forma, cor e odor;
 Ponto de fulgor;
 Pressão de vapor;
 Densidade em água;
 Limiar do odor;
 Ponto de ignição;
 Peso molecular;
 Densidade no ar;
 Limites de exposição: TLV TWA, STEL;
 Ponto de ebulição;
 Limites de inflamabilidade: LIE, LSE;
 Solubilidade em água;
 Incompatibilidades.

HIGIENE DO TRABALHO 94
10 – ESTABILIDADE E REATIVIDADE
 Condições específicas que tornam o produto instável ou que possa reagir
perigosamente;
 Materiais ou produtos incompatíveis;
 Necessidade de inibidores ou de aditivos para evitar reação perigosa;
 Produtos que podem ser formado se houver decomposição.

11 – INFORMAÇÕES TOXICOLÓGICAS
 Efeitos agudos, crônicos, local, sensibilização;
 Característica cancerígena, mutagênica, teratogênica;
 Produtos que causam efeito aditivo ou sinérgico.

12 – INFORMAÇÕES ECOLÓGICAS
 Mobilidade;
 Persistência/degradabilidade;
 Bioacumulação;
 Impacto ambiental esperado.

13 – CONSIDERAÇÕES SOBRE TRATAMENTO E DISPOSIÇÃO


 Métodos para tratamento e disposição segura e ambientalmente aprovado
(produto e embalagem);
 Regulamentação para tratamento e disposição.

14 – INFORMAÇÕES SOBRE TRANSPORTE


 Número da ONU (produtos perigosos);
 Código e classificação para o meio de transporte que será usado (terrestre,
fluvial, marítimo, aéreo).

15 – REGULAMENTAÇÕES
 Riscos e medidas de segurança conforme descrição no rótulo.

HIGIENE DO TRABALHO 95
16 – OUTRAS INFORMAÇÕES
 Outras características importantes não citadas nos itens anteriores;
 Treinamentos especiais e restrições ao uso do produto;
 Bibliografia.

4.5 Avaliação de Agentes Químicos

Para uma avaliação adequada, são necessárias, além das informações sobre o
processo de trabalho e caracterização da exposição, as informações sobre os agentes
presentes no ambiente e suas possíveis interações, as medidas de controle existentes,
as condições de manuseio e operação, e as condições ambientais, dentre outras
variáveis. A seguir estão apresentadas as principais ações de planejamento de forma
a garantir bom desempenho na avaliação.

4.5.1 Dimensionamento do Tamanho da Amostra e Indicação do Local de


Coleta

O dimensionamento do tamanho da amostra depende do comportamento da


exposição. Se a exposição tem uma grande variabilidade ao longo da jornada, então,
pode ser necessário um número elevado de amostras espaçadas ao longo da jornada.

As amostras podem ser coletadas diretamente junto ao trato respiratório do


trabalhador (amostragem pessoal) ou junto à fonte do poluente (amostragem
ambiental ou estática).

4.5.2 Dimensionamento da Duração da Coleta da Amostra

A duração da coleta de cada amostra de ar deve ser a necessária para amostrar um


volume de ar adequado, de acordo com o método de coleta padronizado a ser utilizado.

HIGIENE DO TRABALHO 96
4.5.3 Definição do Tipo de Amostragem

As amostragens podem ser classificadas em contínuas ou instantâneas. As contínuas


são caracterizadas por demandarem uma duração superior a 30 minutos, enquanto as
instantâneas têm duração inferior a 5 minutos. Cabe esclarecer que as instantâneas
permitem determinar as concentrações mais elevadas (picos de concentração).

Vale salientar que a amostragem contínua pode ainda ser classificada em: amostra
única de período completo; amostras consecutivas de período completo, e Amostras
de período parcial.

Na amostragem completa da jornada com várias amostras consecutivas (melhor forma


de amostragem) a precisão cresce com o número de amostras, como, por exemplo,
oito amostragens de 1 hora cada é mais precisa do que duas amostragens de 4 horas
cada;

Na amostragem completa da jornada com uma única amostra, esta deve ser coletada
de forma continua por pelo mens 70% da jornada.

Amostra integral da jornada de trabalho se faz recomendada para jornadas em que a


exposição ocorre de forma contínua e uniforme, ou seja, quando não há atividades
que exponham os trabalhadores a concentrações significativamente mais elevadas.

4.5.4 Definição do Tipo de Amostrador

Os instrumentos para amostragem dos agentes químicos podem ser divididos em 2


grupos: amostradores ativos e amostradores passivos. No grupo dos amostradores
ativos estão todos os dispositivos que succionam um determinado volume de ar, por
efeito de uma bomba de amostragem, fazendo-o passar através de um suporte de

HIGIENE DO TRABALHO 97
retenção, para reter o agente. Os amostradores passivos se utilizam apenas da difusão
molecular, ou seja, dispensam o emprego de dispositivos de sucção.

Fonte: http://www.fasteronline.com.br/products/bomba-de-amostragem-de-ar-pcxr4-kit-basico-alta-vazao.

Os amostradores podem ser de Leitura direta, quando fornecem a concentração do


contaminante por leitura direta em superfícies graduadas ou display de equipamentos,
ou de Leitura indireta, quando atuam retendo o contaminante para posterior analise
em laboratório.

4.5.5 Indicação do Método de Coleta

Os métodos de coleta se caracterizam pela separação ou não dos contaminantes. No


método de coleta denominado Ar total uma amostra de ar e recolhida e encaminhada
para o laboratório. Alternativamente temos o método com separação dos
contaminantes por meio de retentores para posterior analise em laboratório.

4.5.6 Indicação do Tipo de Retentor

De forma geral os retentores são classificados em três grupos: Filtros de membrana,


sólidos adsorvente (tubos adsorventes – retenção na superfície) e líquidos absorventes
(impingers – retenção no interior).
HIGIENE DO TRABALHO 98
Fonte: PEIXOTO e FERREIRA, 2012.

4.6 Medidas de Controle do Risco

As medidas de controle do risco podem ser classificadas em relativas ao ambiente e


relativas ao homem, a saber:

4.6.1 Relativas ao Ambiente

São as seguintes as principais medidas de controle relativas ao ambiente:

HIGIENE DO TRABALHO 99
a) Substituição do produto tóxico (quando possível);

b) Mudança ou alteração do processo ou operação (pintura por imersão × pistola);

c) Encerramento ou enclausuramento da operação (confinamento da operação,


objetivando-se, assim, impedir a dispersão do contaminante para todo o ambiente de
trabalho);

d) Segregação da operação ou processo (isolamento da operação, limitando seu


espaço físico fora da área de produção);

e) Umidificação;

f) Ventilação geral diluidora (insuflação e exaustão de ar em um ambiente de trabalho


– promove a redução da concentração de poluente);

g) Ventilação local exaustora (captação dos poluentes de uma fonte antes que estes
se dispersem no ar do ambiente de trabalho);

h) Ordem e limpeza;

4.6.2 Relativas ao Homem

São as seguintes as principais medidas de controle relativas ao homem:

a) Limitação do tempo de exposição (redução dos períodos de trabalho quando todas


as outras medidas possíveis forem impraticáveis ou insuficientes no controle de um
agente);

b) Educação e treinamento (conscientização quanto aos riscos inerentes às operações,


riscos ambientais e formas operacionais adequadas);

HIGIENE DO TRABALHO 100


c) Equipamentos de proteção individual (segunda linha de defesa nas operações em
que as concentrações de poluentes são superiores ao limite de tolerância):
respiradores de filtro químico (gases e vapores); mecânico (fumos, poeira) e, filtro
combinado em ambientes onde há a presença e gases e poeiras;

d) Controle médico.

5. Avaliação de Aerodispersoides

5.1 Conceituação

Muitas ocupações expõem trabalhadores ao risco de inalação de poeiras causadoras


de pneumoconiose (asbestose, siderose, silicose etc.) e estão relacionadas com
diversos ramos de atividades, tais como mineração, construção civil, metalurgia,
cerâmica, vidros, acabamento de pedras etc.

As poeiras podem ser classificadas em orgânicas e inorgânicas, dependendo de sua


composição química. As orgânicas constituem risco por provocarem doenças
pulmonares ou intoxicações. Outro aspecto importante associado as poeiras orgânicas
diz respeito ao risco de explosões pela combustão violenta de partículas suspensas no
ar (excrementos de aves, madeira, algodão etc.)

As poeiras inorgânicas que contém sílica cristalina são as de maior interesse para a
Higiene do trabalho. Resultam de materiais existentes em grande quantidade na crosta
terrestre, tais como rochas, minérios e areias.

A sílica apresenta-se geralmente como dióxido de silício (SiO2), nas formas cristalina e
amorfa: sílica amorfa – terra diatomácea, sílica gel, sílica precipitada – e sílica cristalina
– cristobalita, quartzo, tridimita.

A forma cristalina apresenta o maior risco, podendo causar uma grave pneumoconiose
chamada de silicose, que é a enfermidade pulmonar mais conhecida, relacionada com

HIGIENE DO TRABALHO 101


o trabalho. O quartzo é o tipo mais comum de sílica cristalina. Classificado pela ACGIH
como A 2 (suspeito de provocar câncer).

Avaliações da exposição são realizadas por coleta e mensuração das poeiras presentes
na zona de respiração do trabalhador durante a jornada de trabalho.

5.2 LIMITES DE TOLERÂNCIA NR 15

A NR 15 em seu Anexo 12 apresenta os limites de tolerância para as poeiras minerais.

5.2.1 ASBESTO

O limite de tolerância para fibras respiráveis (diâmetro inferior a 3 μm, comprimento


maior ou igual a 5 μm e relação entre comprimento e diâmetro igual ou superior a
3:1) de asbesto crisotila é de 2,0 f/cm3 (fibras por centímetro cúbico).

A NHO 04 establece as metodologias para a avaliação de fibras não orgânicas.

5.2.2 SÍLICA

Os limites de tolerância para fumos metálicos poeira total e respirável, expressos em


mg/m3, estão apresentados respectivamente pelas seguintes expressões:

a) Poeira total

LT = 24/% SiO2 + 3 (mg/m3)

b) Poeira respirável

LT = 8/%SiO2 + 2 (mg/m3)

Observação: A norma define que o quartzo deverá sempre ser entendido como sílica
livre cristalizada.

HIGIENE DO TRABALHO 102


Fumos Metálicos

Os fumos notadamente são resultantes das operações de soldagem e de fundição de


metais. Nesses processos desprendem-se vapores e gases, que após resfriamento e
condensação, oxidam-se rapidamente formando os fumos metálicos.

Dependendo do processo e das matérias – primas utilizadas, pode ocorrer a exposição


a ferro, manganês, zinco, chumbo, cromo. A exposição a fumos metálicos pode
produzir “febre dos fundidores”, pneumoconiose, saturnismo (chumbo), manganismo.

Os limites de tolerância fixados pela NR 15 são:

a) Manganês – anexo XII, NR-15

Obs.: insalubridade máxima – 5,0 mg/m3 exposição à poeira (extração, moagem,


transporte de minério); 1,0 mg/m3 exposição a fumos (baterias, pilhas secas, vidros
especiais, cerâmicas)

b) Chumbo – anexo XI, NR-15 – 0,1 mg/m3 exposição a fumos.

Obs.: os demais metais na forma de fumos não possuem limites fixados na NR-15,
outros são citados para avaliação qualitativa, no anexo XIII.

Na avaliação de fumos metálicos devemos levar em consideração os efeitos


independentes e os efeitos combinados. Segundo a ACGIH quando os componentes
da mistura têm efeitos tóxicos similares devem ser considerados seus efeitos
combinados, sendo o limite da mistura igual a:

C1 + C2 + .... + Cn =1

LT1 LT2 LTn

Onde:

HIGIENE DO TRABALHO 103


Cn – concentração do agente n;
LTn – limite de tolerância do agente n.

Temos como meio de coleta para fumos metálicos o filtro de éster de celulose de 0,8
μm de porosidade e 37 mm de diâmetro. Os fumos são coletados em particulado total,
isto é, sem o separador de partículas. Em laboratório as amostras são tratadas com
ácido nítrico, a fim de dissolver os metais presentes na amostra, para posterior análise
por espectrofotometria de absorção atômica (uma fonte de energia de radiação para
cada metal).

5.3 Avaliação da Exposição Ocupacional – Particulados Sólidos – NHO 08

São as seguintes as principais medidas de planejamento para a avaliação da exposição


ocupacional:
a) Para uma avaliação adequada são necessárias além das informações
sobre o processo de trabalho e caracterização da exposição as informações sobre os
agentes presentes no ambiente e suas possíveis interações, as medidas de controle
existentes, as condições de manuseio e operação, e as condições ambientais, dentre
outras variáveis;

b) O dimensionamento do tamanho da amostra depende do


comportamento da exposição. Se a exposição tem uma grande variabilidade ao longo
da jornada, então, pode ser necessário um número elevado de amostras espaçadas
ao longo da jornada;

c) As amostras podem ser coletadas diretamente junto ao trato respiratório


do trabalhador (amostragem pessoal) ou junto a fonte do poluente (amostragem
ambiental ou estática);

HIGIENE DO TRABALHO 104


d) A duração da coleta de cada amostra de ar deve ser a necessária para
amostrar um volume de ar adequado, de acordo com o método de coleta padronizado
a ser utilizado;

e) Para a identificação dos trabalhadores de maior risco é necessário


observar a sua proximidade com relação à fonte geradora de material particulado, o
tempo de exposição, a sua mobilidade, as diferenças em hábitos operacionais e a
movimentação do ar no ambiente de trabalho;

Fonte: NHO 08 – FUNDACENTRO, 2009.

Fonte: NHO 08 – FUNDACENTRO, 2009.

HIGIENE DO TRABALHO 105


f) Quando não for possível caracterizar e selecionar um trabalhador de
maior risco para cada atividade, define-se, estatisticamente, um subgrupo de tamanho
adequado, de tal maneira que essa amostra aleatória tenha elevada probabilidade de
incluir pelo menos um trabalhador com alta exposição;

g) O número de amostras a serem coletadas está relacionado com o dispositivo de


coleta a ser utilizado e a capacidade de retenção do filtro de membrana, variando
conforme o tipo de amostra, podendo ser:

- Amostra única de período completo;


- Amostras consecutivas de período completo;
- Amostras de período parcial.

h) A seleção do filtro de membrana deve atender aos requisitos do método a ser


aplicado para a análise do material particulado. A seleção do porta-filtro depende da
fração de material particulado a ser coletada;

Fonte: NHO 08 – FUNDACENTRO, 2009.

i) Para a coleta de material particulado inalável, utilizar um dispositivo de


coleta projetado para selecionar partículas com diâmetro aerodinâmico de até 100 μm
com 50% de eficiência de coleta;

HIGIENE DO TRABALHO 106


j) Para a coleta de material particulado torácico, utilizar um separador
projetado para selecionar partículas menores que 25 μm com 50% de eficiência de
coleta em partículas com diâmetro aerodinâmico de 10 μm;

k) Para a coleta de material particulado respirável, utilizar um separador,


do tipo ciclone, projetado para selecionar partículas menores que 10 μm com 50% de
eficiência de coleta em partículas com diâmetro aerodinâmico de 4 μm;

l) Para a coleta de material particulado total, utilizar porta-filtro de 37 mm


de diâmetro, de três peças, com face fechada e orifício para a entrada do ar de 4 mm
de diâmetro, até que outra recomendação seja especificada;

Fonte: NHO 08 – FUNDACENTRO, 2009.

m) Selecionar uma bomba de amostragem que atenda às características


técnicas definidas na NHO 08. A calibração da bomba deve ser realizada a partir de
um padrão primário de calibração ou um padrão secundário devidamente calibrado,
conforme a norma NHO 07. A vazão da bomba deve ser ajustada de acordo com
orientações definidas para o desempenho correto do dispositivo de coleta utilizado;
n) Utilizar mangueiras flexíveis de material plástico, de preferência inerte,
tipo Tygon®, com diâmetro e comprimento adequados a fim de evitar a interrupção
do fluxo de ar ou vazamento.
HIGIENE DO TRABALHO 107
5.4 Procedimento de Coleta

São os seguintes os principais elementos a serem considerados na fase de coleta:

a) Antes de iniciar a coleta das amostras, deve-se consultar o laboratório que realizará
a análise sobre: os métodos analíticos utilizados, o fornecimento de dispositivos e
filtros para a coleta, prazo de validade dos filtros, acondicionamento e transporte das
amostras, entre outros;

b) O laboratório deve utilizar métodos analíticos específicos para a determinação da


concentração de material particulado em ambientes de trabalho. Podem ser utilizados
métodos desenvolvidos ou sugeridos por organismos nacionais e internacionais de
referência na área de higiene ocupacional;

c) Calibrar a bomba de amostragem;

d) Montar o sistema de coleta acoplando o dispositivo de coleta à bomba de


amostragem por meio da mangueira;

e) Instalar o sistema de coleta no trabalhador ou posicioná-lo por meio de um tripé no


local de trabalho a ser avaliado;

f) Verificar se a entrada de ar do dispositivo de coleta está livre e ligar a bomba de


amostragem;

g) Anotar data, horário do início da coleta, código do filtro, número da bomba e demais
dados em um formulário de registro;

h) Acompanhar e observar o processo e as atividades de trabalho, assim como as


ocorrências que podem interferir nos resultados durante o período de coleta;

HIGIENE DO TRABALHO 108


i) Desligar a bomba de amostragem após concluído o período de coleta e anotar o
horário;

j) Desconectar, cuidadosamente, a mangueira da bomba de amostragem e,


posteriormente, do dispositivo de coleta;

k) Retirar o porta-filtro do sistema de coleta, tampar o orifício de entrada do ar e, em


seguida, o de saída do ar com os plugues adequados;

l) Guardar o porta-filtro com a face amostrada voltada para cima, em caixa apropriada
para transporte, de maneira a evitar o desprendimento do material coletado;

m) Verificar a variação da vazão, considerando para análise somente as amostras


coletadas com bombas que apresentaram variação de vazão (∆Q) inferior a 5%.

5.5 Determinação da Concentração

A seguir estão apresentados os principais passos para a determinação da


concentração:

a) O volume de ar amostrado deve ser calculado para cada amostra, de


acordo com a seguinte expressão:

V= Qm × t
1.000
Sendo:
V = volume de ar amostrado em m3
Qm = vazão média em l/min
t = tempo total de coleta em minutos

HIGIENE DO TRABALHO 109


b) A concentração de material particulado no ar deve ser calculada para
cada amostra de acordo com a seguinte expressão:

C= m
V

Sendo:
C = concentração da amostra em mg/m3
m = massa da amostra em mg
V = volume de ar amostrado em m3

c) Os resultados de concentração de material particulado de cada amostra


são utilizados para o cálculo da concentração média ponderada pelo tempo para a
jornada de trabalho, conforme a seguinte expressão:

CMPT = C1 . t1 + C2 . t2 + .... +Cn . tn


Ttotal

Sendo:
CMPT = concentração média ponderada pelo tempo
Cn = concentração do particulado obtida na amostra n
Tn = tempo de coleta da amostra n
Ttotal = tempo total de coleta = t1 +t2 +...tn

5.6 Resultados e Relatório Conclusivo da Exposição

Os resultados obtidos podem ser utilizados para: avaliar a exposição dos


trabalhadores; subsidiar a tomada de decisões quanto à implantação de medidas de
controle preventivas e corretivas nos ambientes de trabalho; estudos epidemiológicos
e de análise de risco, entre outros.

HIGIENE DO TRABALHO 110


Na interpretação dos resultados, além da comparação dos valores de concentração
com os limites de exposição ocupacional, deve-se levar em consideração as
informações obtidas na literatura, o objetivo da avaliação quantitativa, a variabilidade
das concentrações, as características específicas do material avaliado e do processo
de trabalho, entre outras.

O relatório técnico deve abordar, no mínimo, os aspectos:

a) Introdução, incluindo objetivos do trabalho, justificativa e datas ou


períodos em que foram desenvolvidas as avaliações quantitativas;
b) Materiais e equipamentos utilizados (tipo, marca e modelo de bombas e
dispositivos de coleta);
c) Metodologias utilizadas (estratégia de coleta, métodos de coleta e
métodos analíticos);
d) Descrição das situações de exposição avaliadas;
e) Resultados obtidos;
f) Conclusões e recomendações;
g) Referências bibliográficas.

5.7 Aplicações

5.7.1 Exemplo 1:

Verificar a ocorrência de insalubridade na amostragem de poeira respirável em uma


empresa de corte de rochas, a partir dos dados de campo e dos dados fornecidos pelo
laboratório, a seguir:

- Tempo de amostragem – 300 min


- Vazão da bomba – 1,7 l/min
- Massa da amostra – 2,5 mg
- Percentual de sílica livre cristalizada na amostra – 4%

HIGIENE DO TRABALHO 111


Observação: O tempo de amostragem e a vazão da bomba de amostragem pessoal
utilizados foram aqueles estabelecidos por metodologia NIOSH.

- Cálculo do volume amostrado:

V= q×t
1.000

1,7 l/min × 300 min = 0,51 m³


1.000

- Cálculo da concentração da poeira:

C= M 2,5 mg C = 4,9 mg/m³


V 0,51 m³

- Cálculo do limite de tolerância – poeira respirável:

LT= 8 8 LT= 1,33 (mg/m³)


% quartzo + 2 4+2

- Conclusão – a concentração de poeira respirável (4,9 mg/m³) superou o limite de


tolerância calculado (1,33 mg/m³), caracterizando a exposição insalubre.

HIGIENE DO TRABALHO 112


5.7.2 Exemplo 2:

Verificar a ocorrência de insalubridade na amostragem de poeira respirável e para


poeira total em uma empresa de arte em pedras, a partir dos dados de campo e dos
dados fornecidos pelo laboratório, a seguir:

- Poeira total:
- tempo de amostragem – 300 min
- vazão da bomba – 2 l/min
- massa da amostra – 4 mg
- percentual de sílica livre cristalizada na amostra – 3%

- Poeira respirável:
- Tempo de amostragem – 300 min
- Vazão da bomba – 1,7 l/min
- Massa da amostra – 1,5 mg
- Percentual de sílica livre cristalizada na amostra – 0,5%
- Cálculos para a poeira total:

V= q×t
1.000

V= 2 l/min × 300 min


1.000

V = 0,6 m³

- Concentração da poeira:

C =P
V

HIGIENE DO TRABALHO 113


C= 4 mg
0,6 m³

C = 6,6 mg/m³

- Limite de tolerância:

LT = 24 = 24 = 4 (mg/m³)
% quartzo + 3 3+3

- Cálculos para a poeira respirável:

V= q×t
1.000

V = 1,7 l/min × 300 min = 0,51 m³


1.000

- Concentração da poeira:

C= P
V

C = 1,5 mg
0,51 m3

C = 2,9 mg/m³

- Limite de tolerância:

HIGIENE DO TRABALHO 114


LT = 8 = 8
% quartzo + 2 0,5 + 2

LT = 3,2 (mg/m³)

- Conclusão – A concentração obtida para a poeira total (6,6 mg/m³) superou o limite
de tolerância calculado (4 mg/m³). A concentração obtida para a poeira respirável (2,9
mg/m³) é inferior ao limite de tolerância calculado (3,2 mg/m³). Esta situação
caracteriza uma exposição insalubre.

Cabe ainda salientar que a ACGIH recomenda a avaliação da poeira respirável quando
na poeira total a sílica livre cristalizada superar 1%. Nessa condição possibilidade de
silicose é significativa. Para a ACGIH as partículas insolúveis ou pouco solúveis na água
possam causar efeitos adversos, mesmo que não causem pneumoconioses, que
tenham menos que 1% de sílica cristalina e não possuam asbesto. Recomenda que as
concentrações sejam inferiores a: 3 mg/m3 para as partículas respiráveis, e 10 mg/m3
para as partículas inaláveis.

6. Gases e Vapores

6.1 Metodologia de Avaliação da Exposição Ocupacional

A metodologia de avaliação a ser empregada com a definição do tipo de amostrador e


amostragem, número de amostras, volume coletado e vazão depende do método
padronizado envolvido (NIOSH) e das características da exposição.

A amostragem deve seguir rigorosamente o método de amostragem indicado, pois


esse vai referenciar o processo de análise do contaminante a ser empregado pelo
laboratório. Podem ser utilizados equipamentos fixos instalados no ambiente em

HIGIENE DO TRABALHO 115


avaliação e equipamentos portáteis, para avaliações ocupacionais da exposição dos
trabalhadores.

O processo de amostragem pode ser realizado por coleta de ar total, ou por separação
dos contaminantes gasosos, mediante retenção (adsorção ou absorção) ou por
condensação.

Os instrumentos para amostragem dos agentes químicos podem ser divididos em dois
grupos. No grupo dos amostradores ativos estão todos os dispositivos que succionam
um determinado volume de ar, fazendo-o passar através de um suporte de retenção,
para reter o agente. Os amostradores passivos se utilizam apenas da difusão
molecular, ou seja, dispensam o emprego de dispositivos de sucção.

Os amostradores podem ser:

a) De leitura direta quando fornecem a concentração do contaminante por


leitura direta em superfícies graduadas, ou display de equipamentos, ou
b) De leitura indireta que atuam retendo o contaminante para posterior
análise em laboratório.
c) A coleta de ar total é utilizada para amostragem de gases que são de
difícil retenção em outros meios de coleta. A coleta é realizada por bolsas ou “bags”,
onde uma quantidade determinada de ar contendo o contaminante é coletada. A coleta
do ar normalmente é realizada por uma bomba de amostragem motorizada. A
concentração é obtida com base na massa de contaminante encontrada na análise de
laboratório e do volume de ar coletado.

São os seguintes os principais dispositivos de leitura direta:

a) Tubos colorimétricos – são tubos de vidro, de pequeno diâmetro, que


contém um sólido adsorvente, impregnado com um produto químico que reage com o
gás ou vapor que está sendo amostrado. Essa reação resulta na alteração da cor. A

HIGIENE DO TRABALHO 116


extensão da mudança de cor é indicada na escala de concentração marcada no tubo.
Tem como vantagens a facilidade de operação, o baixo custo e a possibilidade do
registro dos picos de concentrações. A desvantagem está na baixa precisão (erros de
até 30%).

Fonte: http://www.sklep.ibhp.pl/produkt/gazowy-reczny-zestaw-pomiarowy-accuro-rurki-wskaznikowe-drager.

b) Medidor com sensor eletroquímico – realiza a medição direta e imediata do


contaminante a partir de sensor específico que determina a concentração desse
contaminante. O sensor é uma célula eletroquímica, onde em geral ocorre uma reação
(oxidação catalítica) do gás ou vapor a ser determinado.

Fonte: http://www.fasteronline.com.br/products/detector-de-4-gases-lel-o2-co-h2s-com-sensor-lel-infravermelho-
gas-clip

HIGIENE DO TRABALHO 117


São os seguintes os principais dispositivos ativos de leitura indireta (em laboratório):

a) Tubo de carvão ativo ou sílica gel – consiste em um tubo de vidro que


tem em seu interior carvão ativado ou sílica gel e que é colocado na zona respiratória
do trabalhador. O tubo é ligado a uma bomba de aspiração por uma mangueira flexível.
Essa bomba força o ar a passar pelo interior do tubo, ficando o contaminante retido.
Os tubos de carvão ativo são mais indicados para a amostragem de vapores orgânicos
em geral e os tubos de sílica gel para gases ácidos em geral.

Fonte:http://www.criffer.com.br/produtos/p.asp?id=36&produto=tubo-de-carvao-ativado-50-
100mg#prettyPhoto/0/.

b) Impinger – consiste em um frasco de vidro onde será colocada uma


solução adequada para a retenção do contaminante (solução absorvente). O impinger
e conectado a bomba de aspiração por uma mangueira flexível. A bomba forcara a
passagem de um determinado volume de ar pela solução que reterá ou reagirá com o
contaminante, absorvendo-o.

HIGIENE DO TRABALHO 118


Fonte: PEIXOTO e FERREIRA, 2012.

Um dos principais dispositivos passivos de leitura indireta (em laboratório) é o botton


que contém em seu interior uma determinada quantidade de material adsorvente
(geralmente carvão ativo). Esse amostrador é fixado na lapela do trabalhador e a
retenção do contaminante ocorre por adsorção em função da difusão. Ao final da
jornada de trabalho (amostragem) o monitor é retirado e enviado para análise do
conteúdo.

Fonte: http://www.fasteronline.com.br/products/amostrador-passivo-para-vapores-organicos-carvao-ativado-350-
mg-5-un.

HIGIENE DO TRABALHO 119


6.2 Avaliação da Exposição Ocupacional

Segundo a NR 15, anexo XI, nas atividades ou operações nas quais os trabalhadores
ficam expostos a agentes químicos, a caracterização de insalubridade ocorrerá quando
forem ultrapassados os limites de tolerância constantes do Quadro 1, a seguir
reproduzido parcialmente. Todos os valores fixados são válidos para absorção apenas
por via respiratória.

Fonte: NR-15 (parcial).

Todos os valores fixados como "Asfixiantes Simples" determinam que nos ambientes
de trabalho, em presença destas substâncias, a concentração mínima de oxigênio
deverá ser 18 (dezoito) por cento em volume.

Na coluna "VALOR TETO" estão assinalados os agentes químicos cujos limites de


tolerância não podem ser ultrapassados em momento algum da jornada de trabalho.

Na coluna "ABSORÇÃO TAMBÉM PELA PELE" estão assinalados os agentes químicos


que podem ser absorvidos, por via cutânea e, portanto, exigindo na sua manipulação

HIGIENE DO TRABALHO 120


o uso da luvas adequadas, além do EPI necessário à proteção de outras partes do
corpo.

A avaliação das concentrações dos agentes químicos por métodos de amostragem


instantânea, de leitura direta ou não, deverá ser feita pelo menos em 10 (dez)
amostragens, para cada ponto, ao nível respiratório do trabalhador.

Entre cada uma das amostragens deverá haver um intervalo de, no mínimo, 20 (vinte)
minutos.

Cada uma das concentrações obtidas nas referidas amostragens não deverá
ultrapassar os valores obtidos na equação que segue, sob pena de ser considerada
situação de risco grave e iminente.

Valor máximo = L.T. × F. D.

Onde:
L.T. = limite de tolerância para o agente químico, segundo o Quadro 1.
F.D. = fator de desvio, segundo definido no Quadro 2.

Fonte: http://www.grupomednet.com.br/medicina-trabalho/ppra-pcmso-ltcat-aso-ppp/norma-regulamentadora-
15-11.html

HIGIENE DO TRABALHO 121


O limite de tolerância será considerado excedido quando a média aritmética das
concentrações ultrapassar os valores fixados no Quadro 1.

Para os agentes químicos que tenham "VALOR TETO" assinalado no Quadro 1 (Tabela
de Limites de Tolerância) considerar-se-á excedido o limite de tolerância, quando
qualquer uma das concentrações obtidas nas amostragens ultrapassar os valores
fixados no mesmo quadro.

Os limites de tolerância fixados no Quadro 1 são válidos para jornadas de trabalho de


até 48 (quarenta e oito) horas por semana, inclusive. Para jornadas de trabalho que
excedam as 48 (quarenta e oito) horas semanais dever-se-á cumprir o disposto no
artigo 60 da CLT.

ACGIH substituiu o “fator de desvio” pelo Threshold Limit Values – Short Term
Exposure Limit (TLV-STEL) que significa “Limite de Exposição de Curta Duração". O
TLV-STEL é a concentração a que os trabalhadores podem ficar expostos
continuamente por curto período de tempo sem sofrer alterações orgânicas
significativas (irritação, lesão crônica ou irreversível e narcose).

O TLV-STEL deve atender simultaneamente as seguintes condições:

a) O TLV-TWA diário não deve ser excedido;


b) Duração máxima de 15 minutos, por período;
c) Ocorrer por no máximo 4 períodos por jornada;
d) Guardar intervalos de pelo menos 60 minutos entre os períodos;
e) O STEL (média da exposição em cada período de 15 minutos) não pode ser
excedido;
Obs. Os efeitos tóxicos de exposições de curta duração devem ser conhecidos.

Para os agentes que não possuem “Valor teto” e quando o TLV STEL não está
estabelecido, a ACGIH, a partir de 1999, recomenda como valor máximo de exposição:

HIGIENE DO TRABALHO 122


a) 3 vezes o valor do TLV TWA por período total máximo de 30
minutos em uma jornada de trabalho diária.
b) Em nenhuma hipótese pode superar 5 vezes o TLV TWA.

6.3 Aplicações

Exemplo 1:

Em um conjunto de 10 amostragens instantâneas de amônia (LT = 20 ppm), utilizando


tubos colorimétricos, foram obtidos os seguintes valores de concentrações: 10, 20, 25,
20, 15, 10, 20, 10, 20, 25. Utilizando a metodologia da NR 15 defina a situação de
insalubridade ou não para o trabalhador que opera 48 horas semanais no ambiente.

- determinação da concentração média

(10+20+25+20+ 15+10+20+10+20+25)/10 = 17,5

- determinação do valor máximo

Vm = LT . FD

FD do quadro 2 para LT = 20 temos: 1,5

Vm = 20 . 1,5 = 30

Como nenhuma das 10 concentrações observadas superou o valor máximo e como a


média ficou abaixo do LT o ambiente não é considerado insalubre!

HIGIENE DO TRABALHO 123


Exemplo 2:

Em um enchedor de caminhões-tanque, a concentração de vapores de etanol foi


determinada pelo método de medição instantânea, sendo observados os seguintes
valores, ao nível respiratório dos operadores:

QUADRO 1 QUADRO 2
medição concentração (ppm) medição concentração (ppm)
1 820 1 720
2 860 2 780
3 800 3 700
4 740 4 850
5 700 5 1.000
6 750 6 980
7 800 7 880
8 450 8 800
9 800 9 500
10 300 10 750

Tomando como referência o anexo XI da NR 15 defina se o limite de tolerância foi


ultrapassado no Quadro 1 e/ou no Quadro 2. Considere o LT do etanol 780 ppm.

- Determinação da concentração média

(820+860+800+740+ 700+750+800+450+800+300)/10 =

- Determinação do valor máximo

Vm = LT . FD

FD do quadro 2 para LT = 20 temos: 1,5

HIGIENE DO TRABALHO 124


Vm = 20 . 1,5 = 30

Como nenhuma das 10 concentrações observadas superou o valor máximo e como a


média ficou abaixo do LT o ambiente não é considerado salubre!

6.4 Equipamentos de Proteção Respiratoria – EPR

O Equipamento de Proteção Respiratória (EPR) é um EPI destinado à proteção dos


trabalhadores quanto à inalação de contaminantes, tais como aerodispersoides, gases
e vapores, bem como a inalação do ar com deficiência de oxigênio.

Em relação ao tipo de peça facial, temos as seguintes classificações:

a) Peça Facial Inteira: cobre a boca, o nariz e os olhos.

Fonte: https://www.bergo.com.br/produtos/detalhes/mascara-facial-inteira-sperian-opti-fit-silicone-ca-19376.

b) Peça semifacial: cobre a boca e o nariz, e se apoia sob o queixo.

HIGIENE DO TRABALHO 125


Fonte: http://multimedia.3m.com/mws/media/43673P/6000-series-half-mask-eu.jpg.

c) Peça Um quarto Facial: cobre a boca e o nariz e se apoia sobre o queixo.

Fonte: http://www.americanaepi.com.br/mascaras-e-respiradores.php.

d) Capuz: envolve a cabeça e o pescoço, podendo cobrir parte dos ombros.

HIGIENE DO TRABALHO 126


Fonte: http://www.protecaoglobal.com/shop/produtoInfo/187/Prote%C3%A7%C3%A3o-
Prote%C3%A7%C3%A3o-Respirat%C3%B3ria-Capuz-de-Fuga-S-Cap---MSA

Quanto a inalação do ar temos as seguintes classificações:

a) Respiradores purificadores – Utiliza o ar do próprio ambiente, que passa por um


meio filtrante onde os contaminantes são retidos. Os filtros podem ser mecânicos,
usados para reter aerodispersoides ou filtros químicos, usados para gases ou vapores.
Cabe destacar que a Peça Facial Filtrante ou PFF é um respirador cujo filtro é própria
peça facial!

Fonte: http://www.americanaepi.com.br/mascaras-e-respiradores.php

Observação: Os Respiradores Purificadores podem ainda ser:


- Respiradores não motorizados: o ar chega até a zona respiratória pela ação de
inspirar.

HIGIENE DO TRABALHO 127


Fonte: http://www.epihaus.com.br/#!blank-5/tuuqo.

- Respiradores motorizados: o ar chega até a zona respiratória forçado por uma


ventoinha.

Fonte: http://www.epihaus.com.br/#!blank-5/tuuqo.

b) Respiradores de adução de ar – se utiliza do ar de uma fonte externa. Esses


respiradores são classificados ainda de acordo com o método pelo qual o ar respirável
é fornecido e também pelo sistema usado para regular o suprimento de ar em:

- Respirador de ar natural;

HIGIENE DO TRABALHO 128


Fonte: http://www.ibrbrasil.ind.br/mascara-respiratoria-ar-mandado.

- Respirador de linha de ar comprimido;

Fonte: http://www.aplequipamentos.com.br/protecao-respiratoria/equipamentos-linha-de-ar/mascara-linha-de-ar-
duo-twin

- Aparelho autônomo ou máscara autônoma

Fonte: http://www.epihaus.com.br/#!blank-5/tuuqo.

HIGIENE DO TRABALHO 129


Cabe observar que a linha de ar comprimido pode ser:

- De fluxo contínuo – garante uma pressão ligeiramente positiva dentro da cobertura


das vias respiratórias;

- De demanda com pressão positiva – válvula de exalação garante que a pressão


dentro da peça facial seja mantida acima da pressão ambiente;

- De demanda sem pressão positiva – válvula de demanda garante o fluxo de ar


exclusivamente durante a inalação.

Os filtros mecânicos podem ser:

a) P1: Indicados contra poeiras vegetais e minerais, e névoas inorgânicas, tais como
névoas de soda cáustica (poeiras de sílica com diâmetro superior a 2 μm);
b) P2: Aerodispersoides descritos na classe P1 e também para fumos metálicos. Podem
ser usados contra pesticidas que não contenham vapores associados;

Fonte: http://www.destrabrasil.com.br/categoria-produto/filtros/filtros-mecanicos/

c) P3: Além das classes P1 e P2 são de uso contra partículas de metais radionuclídeos,
poeira de sílica com diâmetro menor que 2 μm e fibra de asbestos com concentração
superior a 10 fibras/cm3.

HIGIENE DO TRABALHO 130


Fonte: http://www.destrabrasil.com.br/categoria-produto/filtros/filtros-mecanicos/.

Os filtros químicos podem ser classificados em:


a) Vapores orgânicos;

Fonte: http://www.destrabrasil.com.br/produto/gma-3/

HIGIENE DO TRABALHO 131


b) Gases ácidos (exceto CO);

Fonte: http://www.destrabrasil.com.br/wp-content/uploads/2014/10/GMC-2.jpg

c) Amônia;

Fonte: http://www.destrabrasil.com.br/produto/gmd-3/

d) Gases e vapores especiais (vapor de mercúrio, monóxido de carbono e


outros).

Finalmente temos as seguintes classificações:


a) Classe 1 – contaminante gasoso em concentração máxima de 1.000 ppm;
b) Classe 2 – contaminante gasoso em concentração máxima de 5000 ppm;
c) Classe 3 – contaminante gasoso em concentração máxima de 10.000 ppm.

HIGIENE DO TRABALHO 132


7. Gestão de Segurança da Engenharia de Segurança Relativa as Radiações
Ionizantes e não Ionizantes

7.1 Introdução

As radiações, um dos riscos físicos, que se constituem em uma forma de energia e


que, de acordo com a sua energia e a capacidade de interagir com a matéria, pode
se subdividir em:

A. Radiações Ionizantes: as que possuem energia suficiente para ionizar os átomos


e moléculas com as quais interagem, sendo as mais conhecidas:

➱ Raios-X e Raios Gama (radiações eletromagnéticas);


➱ Radiação alfa, beta, nêutrons, prótons (radiações corpusculares).

B. Radiações Não Ionizantes: as que não possuem energia suficiente para ionizar
os átomos e as moléculas com as quais interagem, sendo as mais conhecidas:

➱ Luz visível (branca);


➱ Infravermelho;
➱ Ultravioleta;
➱ Micro-ondas de aquecimento;
➱ Micro-ondas de radiotelecomunicações;

As radiações que pertencem ao espectro eletromagnético ocupam aí diferentes


posições de acordo com a sua energia e comprimento de onda. Dada à complexidade
desse tema, abordar-se-ão apenas as radiações que têm aplicação na indústria,
medicina, pesquisas dando especial ênfase às aplicações industriais, possíveis efeitos
negativos para a saúde do trabalhador e medidas de prevenção e de controle.

HIGIENE DO TRABALHO 133


7.2 Radiações Ionizantes

A matéria é constituída por átomos que correspondem às unidades estruturais dos


elementos químicos conhecidos.

Os átomos são entidades que resultam da associação de três tipos de partículas:


prótons, nêutrons e elétrons.

Os prótons e os nêutrons encontram-se agregados no núcleo do átomo (podendo,


por isso, também ser designados por núcleons, ou chamados ainda de nuclídeos), ao
passo que os elétrons se movem em torno do núcleo.

Ao nos referirmos que o núcleo do átomo possui carga elétrica positiva e que
representa a quase totalidade da massa do átomo, enquanto os elétrons são
eletricamente negativos, chegamos a conclusão que se o número de elétrons
periféricos de um átomo for igual ao número de prótons do respectivo núcleo, o
átomo tem carga elétrica total nula e que trata-se de um átomo em estado neutro.

Em caso contrário, o átomo encontra-se em um estado ionizado se o átomo tiver


excesso de elétrons, sua carga elétrica é negativa e estamos perante a um íon
negativo; se o átomo tiver deficiência de elétrons, a carga do átomo é positiva,
tratando-se assim de um íon positivo.

Designa-se por radioatividade a propriedade que determinados nuclídeos (naturais


ou artificiais) possuírem a capacidade de emitir espontaneamente radiações
corpusculares ou eletromagnéticas.

O ser humano sempre viveu em um mundo radioativo, encontrando-se


continuamente exposto também às radiações provenientes do espaço cósmico, além
das naturais e artificiais que existem nos radionuclídeos que estão no solo, água,

HIGIENE DO TRABALHO 134


alimentos e até mesmo o corpo humano tem na sua constituição elementos
radioativos.

As radiações ionizantes têm tido uma crescente utilização em inúmeras atividades,


desde a medicina à indústria, a produção de eletricidade.

Na indústria, medicina e outras atividades ocorrem na aplicação em aparelhos de


radiografia para diagnósticos, controle de qualidade (ensaios não destrutivos),
podendo ainda os raios-X ocorrer como emissões de certos aparelhos (tubos de raios
catódicos, reguladores de tensão).

7.2.1 Controle das Radiações Ionizantes

O objetivo principal da proteção contra as radiações ionizantes é impedir os feitos


determinísticos e limitar ao máximo os efeitos estocásticos.

Como princípios gerais, todas as atividades que envolvam exposição a radiações


ionizantes, deverão processar-se de forma a:

➱ Que os diferentes tipos de atividades que impliquem a uma exposição sejam


previamente justificados pela vantagem que proporcionam;

➱ Que seja evitada toda a exposição ou contaminação desnecessária de pessoas e


do meio ambiente;

➱ Que os níveis de exposição sejam sempre tão baixos quanto possível em cada
instante e sempre inferiores aos valores-limite fixados por lei.

Assim, para determinar o risco e estabelecer as medidas de controle é necessário


contemplar os seguintes aspectos:

HIGIENE DO TRABALHO 135


➱ Avaliar as condições de exposição (habituais ou acidentais), com o estudo
ambiental dos locais de trabalho, atribuindo respectiva classificação (área livre, área
supervisionada e área controlada), atualizadas das diferentes zonas de risco de
acordo com os níveis potenciais de exposição;

➱ Autorização prévia, licenciamento e parecer favorável para o uso de fontes


radioativas dado pelo órgão de controle CNEN;

➱ Determinação das doses limite.

A título exemplificativo, poderemos dizer que a dose equivalente ao limite anual para
os trabalhadores expostos é de 50 mSv (5 rem), com exceção do globo ocular (150
mSv); Para as pessoas não dosimetradas em geral é recomendado que elas não se
excedam a dose anual de 1 mSv.

➱ Manutenção rigorosa de todos os registros efetuados durante pelo menos um


período de 30 anos após a saída do trabalhador Ocupacionalmente Exposto (IOE),
deve ser facultados às entidades oficiais competentes;

➱ As proteções coletivas e individuais devem ser instituídas, bem como o


acompanhamento da dosimetria individual, deverão ser da responsabilidade da
Instalação e de técnicos especialistas na matéria, com qualificação de seus serviços
feitas pela Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde ou a Comissão Nacional de
Energia Nuclear (CNEN).

A vigilância de saúde é fundamental para os trabalhadores da área de Medicina e


Indústria expostos às radiações ionizantes, sendo isso considerado nos exames de
admissão e periódicos, ou nos ocasionais, nomeadamente em caso de exposição
acidental. Por esse motivo deve ser estabelecida a manutenção dos registros clínicos
com critérios rigorosos (devem ser mantidos pela Instalação por um período mínimo
de 30 anos após a saída do trabalhador da Instalação).

HIGIENE DO TRABALHO 136


1 Sv ("sievert") – unidade equivalente de dose, no Sistema Internacional; dada a sua
grande divulgação, expressa-se também o equivalente de dose em "rem", sendo que:

1 Sv = 100 rem.

De cada exame médico resultará a respectiva "Ficha de Aptidão" não devendo em


caso algum o trabalhador exercer funções se o parecer médico for negativo.

Os trabalhadores expostos a radiações ionizantes deverão ter formação contínua


específica, de forma a cumprirem todos os procedimentos de segurança e proteção
radiologicas exigíveis.

Deverão ainda ser informados mensalmente acerca dos níveis de radiação a que se
encontram sujeitos, bem como do resultado dos exames médicos de vigilância a
saúde a que são submetidos.

A radiação eletromagnética é constituída por vibração simultânea de campos


magnético e elétrico, perpendiculares entre si.

As radiações eletromagnéticas ionizantes de interesse são os raios-X e a radiação


gama.

Raios-X
Raio-X é a denominação dada à radiação eletromagnética de alta energia que tem
origem na eletrosfera ou no freamento de partículas carregadas no campo
eletromagnético do núcleo atômico ou dos elétrons.

7.2.2 Radioatividade

Descoberta da Radioatividade: Após o descobrimento dos raios-X por William


Röentgen em 1895, o físico francês Henri Becquerel, associando a existência desses

HIGIENE DO TRABALHO 137


raios até então desconhecidos aos materiais fosforescentes e fluorescentes, testou
uma série de substâncias com essas características.

Assim, em 1896, verificou que sais de urânio emitiam radiações capazes de velar
chapas fotográficas, mesmo quando envoltas em papel preto. Observou ainda, que a
quantidade de radiação emitida era proporcional à concentração de urânio e era
independente das condições de pressão, temperatura ou estado químico da amostra,
além de permanecer inalterada mesmo sob a ação de campos elétricos ou magnéticos.

Posteriormente, o casal Pierre e Marie Curie aprofundou estas pesquisas, chegando,


em 1898, à descoberta de dois novos elementos radioativos, quais sejam, o polônio e
o rádio, tendo empregado o termo radioatividade para descrever a energia por eles
emitida.

Ernest Rutherford, em 1899, por meio de uma experiência simples, contribuiu para
elucidar a natureza da radioatividade. Uma amostra do material radioativo foi colocada
dentro de um recipiente de chumbo contendo um orifício. A radiação produzia um
ponto brilhante em uma placa de sulfeto de zinco, colocada diante do orifício.

Sob a ação de um campo magnético, o feixe de radiação repartia-se em três, que


foram denominadas radiação alfa, beta e gama.

Em 1909, Rutherford e Soddy demonstraram que a radiação α era constituída por


núcleos de hélio, com dois prótons e dois nêutrons, apresentando, portanto, duas
cargas positivas.

A radiação β foi, posteriormente, identificada como sendo constituída por elétrons.


Tanto as partículas α(alfa) como as partículas β (beta) eram emitidas com altas
velocidades, demonstrando que uma grande quantidade de energia estava
armazenada no átomo.

HIGIENE DO TRABALHO 138


Foi observado, também, que a radiação gama (γ) não era desviada de sua trajetória
sob a ação do campo magnético e apresentava as mesmas características dos raios-
X, ou seja, uma onda eletromagnética de alta energia.

Esses trabalhos de pesquisa científica permitiram concluir que a radioatividade é a


transformação espontânea de um núcleo atômico, convertendo um nuclídeo em outro.
A natureza das radiações emitidas é característica das propriedades nucleares do
nuclídeo que está se desintegrando, denominado nuclídeo-pai. O nuclídeo-pai, ao se
desintegrar, dá origem ao nuclídeo-filho. Em alguns casos, o nuclídeo-filho também é
radiativo, formando, assim, uma cadeia radioativa.

Um nuclídeo radioativo é denominado radionuclídeo.

Tipos de Desintegração Radioativa:

Desintegração Alfa (α)

As partículas alfa são núcleos de hélio, constituídos por dois prótons e dois nêutrons,
tendo duas cargas positivas.

As partículas alfa são emitidas como energias discretas e características do núcleo pai.
A desintegração alfa é característica de núcleos pesados (Z > 82), salvo exceções,
sendo que a maioria dos nuclídeos emissores alfa são naturais.

Desintegração Beta

A desintegração beta tanto pode ser negativa (emissão de elétrons), quando o núcleo
está com excesso de nêutrons, como positiva (emissão de pósitrons), ou seja,
partículas com massa igual à do elétron, mas com carga positiva, quando o núcleo
está com excesso de prótons.

HIGIENE DO TRABALHO 139


Desintegração Beta Negativa (β-)

Quando o núcleo possui um nêutron em excesso, este é convertido em um próton e


uma partícula beta negativa.

A partícula beta negativa possui as mesmas características dos elétrons atômicos,


porém tem origem no núcleo.

A emissão de partícula β- é diferente das emissões α uma vez que as partículas β- são
emitidas em um espectro contínuo de energia, variando de zero até um valor máximo,
característico do núcleo pai.

Esta energia máxima está na faixa de 0,05 – 3,5 MeV, para os nuclídeos mais comuns.
Como o núcleo possui níveis de energias discretos, a emissão de uma partícula com
espectro contínuo de energia é explicada pela emissão de uma segunda partícula,
nesse caso o antineutrino.

O antineutrino transporta a diferença de energia existente entre a energia da partícula


beta negativa e a energia disponível, dada pela diferença de massa entre o núcleo pai
e os produtos da desintegração (Q).

Desintegração Beta Positiva (β+)

Quando o núcleo possui um próton em excesso, este é convertido em um nêutron e


uma partícula beta positiva (pósitron).

O pósitron possui a mesma massa do elétron e sua carga tem valor absoluto igual à
do elétron, porém com sinal positivo. De maneira análoga às partículas beta negativas,
as partículas beta positivas são emitidas em um espectro contínuo de energia. Nesse
caso, a energia máxima está na faixa de 0,3-1,4 MeV, para os nuclídeos mais comuns.

HIGIENE DO TRABALHO 140


Desintegração por Captura Eletrônica.

O processo de captura eletrônica compete com o de desintegração beta positiva, isto


é, também ocorre quando o núcleo possui um excesso de prótons.

Em certos casos, a probabilidade do mesmo núcleo se desintegrar por qualquer um


desses dois processos é comparável. Assim, o núcleo, ao invés de emitir um pósitron,
captura um elétron de seu próprio átomo, convertendo um de seus prótons em nêutron
e liberando um neutrino monoenergético, o qual transporta a energia disponível no
processo.

O elétron da camada K é o que tem maior probabilidade de ser capturado, em razão


da sua maior proximidade do núcleo. Entretanto, esse processo pode ocorrer também
com elétrons de camadas mais externas.

Após a captura do elétron, este deixará uma vaga no seu nível orbital, que será
preenchida por outro elétron de camadas mais externas, dando origem à emissão de
raios-X (chamados de característicos).

Conversão Interna e Elétron Auger

A captura de elétrons orbitais pelo núcleo atômico pode vir acompanhada, algumas
vezes, pela emissão de elétrons atômicos denominados elétrons Auger.

Isso ocorre quando um dos raios-X emitidos colide com um dos elétrons que
permaneceram nos orbitais atômicos e cede energia a esse elétron, deslocando-o de
seu orbital.

Desintegração com Emissão Gama (γ)

Em muitos casos, após ocorrer um dos tipos de desintegração descritos anteriormente,


o processo radioativo se completa. Em outros, o núcleo filho é formado em um de seus

HIGIENE DO TRABALHO 141


estados excitados, contendo, ainda, um excesso temporário de energia. Quando isso
ocorre, o núcleo filho emite essa energia armazenada sob a forma de raios gama (γ).

A radiação gama pertence a uma classe conhecida como radiação eletromagnética.


Esse tipo de radiação consiste em pacotes de energia (quanta) transmitidos em forma
de movimento ondulatório. A radiação eletromagnética é uma modalidade de
propagação de energia através do espaço, sem necessidade de um meio material.
Outros membros bem conhecidos desta classe são: ondas de rádio, raios-X e, inclusive,
a luz visível.

A diferença essencial entre a radiação γ e a radiação X está na sua origem. Enquanto


os raios γ resultam de mudanças no núcleo, os raios-X são emitidos quando os elétrons
atômicos sofrem uma mudança de orbital.

Os raios γ são emitidos dos núcleos radioativos com energias bem definidas,
correspondentes à diferença entre os níveis de energia de transição do núcleo que se
desexcita.

A transição pode ocorrer entre dois níveis excitados ou entre um nível excitado e o
nível fundamental. Desse modo, pode haver a emissão de um ou mais raios γ em cada
desintegração.
Por exemplo, o Cobalto-60, após desintegração beta, tem como resultado o segundo
nível de excitação do Níquel-60 que, como consequência, emite dois gamas, um de
1,17 MeV e outro de 1,33 MeV.

A energia dos raios gamas emitidos pelos diferentes nuclídeos está, aproximadamente,
na faixa de 0,03 – 3 MeV.

HIGIENE DO TRABALHO 142


Interação da Radiação com a Matéria.

As radiações são processos de transferência de energia sob a forma de ondas


eletromagnéticas e, ao interagir com a matéria, resulta na transferência de energia
para os átomos e moléculas que estejam em sua trajetória.

Sob o ponto de vista da física, as radiações, ao interagirem com um meio material,


podem provocar ionização, excitação, ativação do núcleo ou emissão de radiação de
frenamento, conforme descrito a seguir. Ionização: processo de formação de átomos
eletricamente carregados, ou seja, íons, pela remoção ou acréscimo de um ou mais
elétrons.

Excitação: adição de energia a um átomo, elevando-o do estado fundamental de


energia ao estado de excitação. Os elétrons são deslocados de seus orbitais de
equilíbrio e, ao retornarem, emitem a energia excedente sob a forma de radiação (luz
ou raios-X característicos).

Ativação do Núcleo: interação de radiações com energia superior à energia de


ligação dos núcleons e que provoca reações nucleares, resultando em um núcleo
residual e na emissão de radiação.

Radiação de Frenamento: (Bremsstrahlung) radiação, em particular raios-X,


emitida em decorrência da perda de energia cinética de elétrons que interagem com
o campo elétrico de núcleos de átomos-alvo, átomos estes com elevado número
atômico, ou mesmo que interagem com a eletrosfera.

Em decorrência das diferenças existentes entre as partículas e radiações, em suas


cargas e suas massas, cada um deles interage de modo diferente com a matéria.

O conhecimento das propriedades das radiações e de seus efeitos sobre a matéria é


de grande importância, destacando-se:

HIGIENE DO TRABALHO 143


 A detecção de substâncias radioativas, uma vez que se baseia, sempre, em
alguns dos efeitos produzidos pela radiação na parte sensível do equipamento
de medida;
 A maior facilidade na interpretação das diversas aplicações dos materiais
radioativos;
 A adoção das medidas preventivas mais apropriadas, de modo a proteger o
corpo humano dos efeitos nocivos da radiação.

Quando as partículas carregadas ou a radiação eletromagnética atravessam a matéria,


o mecanismo que mais contribui para a perda de energia é a interação com os elétrons.

Para o caso específico de partículas carregadas, esse fenômeno é facilmente


evidenciado a partir da dispersão que elas experimentam ao interagir com a matéria.

As partículas mais pesadas são pouco desviadas de sua direção original quando
interagem, perdendo energia.

As partículas beta, por serem menos pesadas, são desviadas com ângulos muito
maiores ao interagirem com o meio.

As perdas de energia resultante de colisões com núcleos resultam ser várias ordens
de grandeza menores que na interação com elétrons.

A variação do número de desintegrações nucleares espontâneas (dN) em um intervalo


de tempo dt é chamada ATIVIDADE, (A) ou seja:

A = dN/dt

A primeira unidade estabelecida para atividade foi o Curie, originalmente definido


como a taxa de desintegração do gás radônio (222Rn), em equilíbrio com um grama de

HIGIENE DO TRABALHO 144


rádio (226Ra). Posteriormente, o Curie foi definido mais precisamente pelo valor abaixo,
que é bem próximo do medido originalmente.

1Ci = 3,7 × 1010 desintegrações/segundo

O sistema Internacional adotou como unidade padrão de atividade o Becquerel (Bq).


Assim:
1 Bq = 1 desintegração/segundo

Constante de Desintegração e Meia-vida

A velocidade de desintegração varia muito entre os isótopos radioativos, existindo uma


probabilidade para cada um emitir um certo tipo de radiação, ou se desintegrar,
característica desse isótopo.

Essa probabilidade é chamada de Constante de Desintegração ou Constante


Radioativa, sendo representada pelo símbolo λ.

A velocidade de desintegração depende não só do número de átomos do isótopo


radioativo presente na amostra (quanto maior N, maior o número de radiações
emitidas), como também da constante radioativa λ, ou seja:

dN/dt = -λN
Assim,
dN/N = -λ . dt

Integrando-se o primeiro termo dessa igualdade no intervalo de variação do número


de átomos não desintegrados, ou seja, entre N0 (início da contagem do tempo, t = 0)
e N (número de átomos do radioisótopo), presentes decorrido o tempo (t) e
integrando-se o segundo termo entre zero e t, tem-se que:

HIGIENE DO TRABALHO 145


N = N0 exp (-λ . t)

Sendo esta a expressão da Lei da Desintegração Radioativa, que mostra que o número
de átomos de um radionuclídeo diminui exponencialmente com o tempo.

De maneira similar, a atividade de uma fonte radioativa, no tempo t, é expressa por:

A = A0 exp (-λ . t)

Meia-Vida

A meia-vida de um isótopo radioativo, t1/2, é o tempo necessário para que metade dos
átomos contidos em uma amostra desse isótopo sofra desintegração, ou seja, é o
tempo necessário para que N seja igual a N0/2.

A relação matemática existente entre λ e t1/2 pode ser obtida substituindo-se, na


equação anterior, N por N0/2 e t por t1/2.

N0/2 = N0.exp (-λ . t1/2)

8. Efeitos Biológicos das Radiações Ionizantes

8.1 Introdução

As propriedades da matéria são afetadas pela radiação em função do tipo de processo


associado à absorção de energia:

Excitação e/ou produção de íons, ativação nuclear ou, ainda, no caso específico de
nêutrons, à produção de núcleos radioativos.

HIGIENE DO TRABALHO 146


Os efeitos podem ser descritos em diferentes níveis, desde o comportamento do átomo
isolado às mudanças produzidas no material como um todo.

Sólidos orgânicos, por exemplo, quando sujeitos à excitação eletrônica causada pela
radiação, podem mudar de cor ou emitir luz (cintilação) à medida que a excitação
decai. No entanto, no caso de sólidos como metais ou cerâmicas, o efeito maior da
radiação é a transferência de quantidade de movimento para átomos na estrutura
cristalina, resultando no deslocamento desses átomos que, ao ocupar posições
intersticiais, deixam espaços vazios.

Esses processos podem causar mudanças nas propriedades físicas do sólido, como
alteração de forma ou inchaço graças aos espaços vazios criados.

A indução de cor em gemas, pela exposição destas à radiação ionizante, é uma prova
visível da interação da radiação com a matéria.

No nível atômico, a ionização afeta, principalmente, os elétrons das camadas mais


externas que circundam o núcleo.

Tendo em vista que justamente esses elétrons estão envolvidos nas ligações químicas
de átomos em moléculas, não é de surpreender que o comportamento químico dos
átomos ou das moléculas, ambos alterados pela radiação, seja diferente de seu
comportamento original.

A remoção de elétrons pode provocar a quebra de uma molécula e seus fragmentos,


dependendo da estabilidade química, podem se combinar, de algumas maneiras
diferentes, com o material do meio circundante.

A irradiação de material biológico pode resultar em transformação de moléculas


específicas (água, proteína, açúcar, DNA etc.), levando a consequências que devem
ser analisadas em função do papel biológico desempenhado pelas moléculas atingidas.

HIGIENE DO TRABALHO 147


Os efeitos das citadas transformações moleculares devem ser acompanhados nas
células, visto serem essas as unidades morfológicas e fisiológicas dos seres vivos. O
DNA, por ser responsável pela codificação da estrutura molecular de todas as enzimas
das células, passa a ser a molécula-chave no processo de estabelecimento de danos
biológicos.

No caso de exposição de seres humanos a altas doses de radiação, como em acidentes


nucleares, uma grande parte das células do corpo é afetada, impossibilitando a
sustentação da vida. Por outro lado, há, ainda, muita incerteza quanto aos efeitos da
exposição de pessoas a baixas doses de radiação uma vez que, caso haja efeitos,
estes, geralmente, são mascarados pela ocorrência natural de doenças que podem ou
não ser provocadas pela exposição à radiação, como é o caso do câncer.

Assim, para que um estudo sobre os efeitos da radiação a baixas doses seja
estatisticamente válido, é preciso observar uma população de milhões de pessoas
expostas a esses níveis baixos de radiação, durante várias gerações, já que os
organismos dispõem de mecanismos de reparo e, mesmo que haja morte celular, as
células podem vir a ser prontamente substituídas por meio de processos metabólicos
normais, “neutralizando”, assim, o efeito em estudo.

Os efeitos das radiações ionizantes sobre os organismos vivos dependem não somente
da dose por eles absorvida, mas, também, da taxa de absorção (aguda ou crônica) e
do tecido atingido.

Assim, por exemplo, os efeitos relacionados com uma determinada dose são muito
menores quando essa dose é fracionada e recebida em pequenas quantidades ao longo
do tempo, uma vez que os mecanismos de reparo das células podem entrar em ação
entre uma dose e outra. Sabe-se, também, que o dano causado a células quando elas
estão em processo de divisão é maior, tornando os respectivos tecidos e órgãos mais
radiossensíveis que outros constituídos por células que pouco ou nunca se dividem, ou
seja, a radiossensibilidade é inversamente proporcional à especificidade da célula.

HIGIENE DO TRABALHO 148


Convém manter em perspectiva o fato de ser consenso mundial que a indução de
câncer pela exposição a baixas doses de radiação acrescenta alguns casos de
ocorrência dessa doença aos milhares de casos que ocorrem naturalmente, por outras
causas.

Não se deve esquecer que o câncer é a principal doença na velhice e que diversas
substâncias a que se pode estar exposto no dia a dia têm sido identificadas como
cancerígenas (arsênio, fuligem de chaminés, alcatrão, asbestos, parafina, alguns
componentes da fumaça de cigarro, toxinas em alimentos etc.), além da radiação
eletromagnética como a ultravioleta e mesmo do calor.

É importante, também, mencionar, que há alguma evidência experimental de que


baixas doses de radiação podem estimular uma variedade de funções celulares,
incluindo seus mecanismos de reparo, bem como aprimorar o sistema imunológico,
fortalecendo os mecanismos de defesa do corpo.

No entanto, estudos desses efeitos benéficos da radiação, conhecidos por ‘hormesis’,


ainda não são considerados conclusivos, face às dificuldades estatísticas associadas a
baixas doses de radiação.

Assim, sob o ponto de vista de proteção radiológica, considera-se, por prudência, que
qualquer dose de radiação está associada a uma probabilidade de ocorrência de efeitos
nocivos à saúde, não importando quão baixa seja essa dose.

8.3 Mecanismos de Interação das Radiações com o Tecido

8.3.1 Transferência de Energia

HIGIENE DO TRABALHO 149


Quando células em uma cultura são expostas à radiação ionizante, pode ser mostrado,
para a maioria dos efeitos observados, que a quantidade de energia absorvida pela
célula é, claramente, uma variável muito importante.

Outro fator bastante relevante, sob o ponto de vista de efeitos biológicos, é a


‘qualidade’ da radiação, sendo que efeitos maiores serão produzidos em áreas de
ionização mais frequente.

A incidência de radiação ionizante densa dará lugar a uma ionização do meio mais
intensa do que a de radiação ionizante esparsa.

Uma vez que a quantidade de ionização é dependente da energia liberada no meio,


então, a qualidade de diferentes tipos de radiação pode ser comparada tomando por
base a energia média liberada por unidade de comprimento ao longo do caminho
percorrido no meio irradiado.

Essa quantidade é denominada Transferência Linear de Energia, ou TLE da radiação,


normalmente expressa em keV/µm, que depende, de modo complexo, da massa,
energia e carga da radiação ionizante.

Assim, por exemplo, para um valor típico de TLE para um elétron posto em movimento
pela radiação do Co-60, qual seja, 0,25 keV/µm, serão liberados 250 e V de energia
ao longo de uma trajetória de 1 µm de comprimento.

Radiações eletromagnéticas como raios-X e gama, ou, ainda, partículas β, têm uma
probabilidade baixa de interagir com os átomos do meio irradiado e, portanto, liberam
sua energia ao longo de uma trajetória relativamente longa. Por outro lado, partículas
alfa, prótons, ou mesmo nêutrons (ou seja, partículas pesadas) liberam sua energia
ao longo de uma trajetória mais curta, em decorrência da maior probabilidade de
colisão com o meio.

HIGIENE DO TRABALHO 150


No caso de valores de TLE altos, ocorrerão, em uma dada área-alvo, muitos eventos
de ionização com alta probabilidade de efeitos biológicos danosos, mesmo a baixas
doses.

Valores baixos de TLE, ao contrário, provocam efeitos pequenos e isolados, de tal


forma que o reparo molecular é possível.

8.4 Radiações não Ionizantes

São aquelas radiações que não tem energia suficiente para arrancar elétrons de um
átomo.

São geralmente radiações eletromagnéticas e de níveis de energia que vão desde as


ondas de rádio até as radiações Ultravioleta.

Todas as radiações eletromagnéticas têm uma origem comum e são campos elétricos
e magnéticos perpendiculares entre si que se deslocam no espaço com a velocidade
da luz.

Elas variam em frequência, comprimento de onda e nível energético, produzindo assim


diferentes efeitos físicos e biológicos.

De todas as radiações não ionizantes, apenas iremos nos referir às radiações


Ultravioleta e infravermelha e o caso específico do laser, uma vez que são as que
habitualmente encontramos na indústria e medicina.

8.5 Radiação Ultravioleta

Na indústria, no que se refere à emissão desse tipo de radiações, temos as operações


de solda por corte oxiacetilênico e a solda por arco elétrico.

HIGIENE DO TRABALHO 151


O poder de penetração das radiações ultravioleta é relativamente fraco, pelo que os
seus efeitos no organismo humano se restringem essencialmente aos olhos e à pele,
a saber:

➱ Inflamação dos tecidos do globo ocular, em especial da córnea e da conjuntiva (a


queratoconjuntivite é considerada uma doença profissional nos soldadores); em regra,
a profundidade de penetração é maior de acordo com o aumento do comprimento de
onda, assim, o cristalino e a retina somente poderão ser atingidos em casos extremos;

➱ Queimaduras cutâneas, de incidência e gravidade variáveis, de acordo também com


a pigmentação da pele; os ultravioletas produzem envelhecimento precoce da pele e
podem exercer sobre ela, o efeito carcinogênico, em especial nas exposições
prolongadas à luz solar;

➱ Fotosensibilização dos tecidos biológicos.


A gravidade da inflamação da córnea e do tecido conjuntivo por pode ocorrer
queimadura por flash" ou "clarão de solda" dependendo de vários fatores:

➱ Duração da exposição;

➱ Comprimento de onda da radiação produzida;

➱ Nível de energia.

As medidas de proteção consistem fundamentalmente em:

➱ Atuação em primeiro lugar sobre a fonte, mediante projeto adequado da instalação,


colocação de cabines ou cortinas em cada posto de trabalho, sendo preferencial a
utilização de cor escura;

➱ Redução do tempo de exposição;


HIGIENE DO TRABALHO 152
➱ Proteção da pele com vestuário adequado, luvas ou cremes protetores;

➱ Proteção dos olhos com óculos ou viseira equipados com filtro adequado em função.

Do tipo de ultravioleta emitido. “Mesmo em curtas operações de solda, como o


"pontear", o trabalhador não deverá retirar a proteção”;

➱ Não esquecer que as lâmpadas fluorescentes de iluminação emitem geralmente


radiações ultravioletas que podem, em alguns casos, contribuir para a dose anual
recebida pelo trabalhador.

A vigilância de saúde é importante na detecção precoce de alterações nos orgãos-alvo


(p. ex., nos olhos normalmente sentida como a "sensação de areia", intolerância à luz,
lacrimejo e inchaço das pálpebras).

De igual forma, é fundamental a formação e informação dos trabalhadores expostos à


radiação ultravioleta de forma a utilizar quotidianamente os procedimentos mais
corretos.

8.6 Radiação Infravermelha

A exposição à radiação infravermelha poderá sempre ocorrer desde que uma superfície
tenha temperatura mais elevada que o receptor, podendo ser utilizada em qualquer
situação em que se queira promover o aquecimento localizado de uma superfície.

Na indústria, esse tipo de radiação poderá ter aplicação nomeadamente na secagem


de tintas e vernizes e em processos de aquecimento de metais. A radiação
infravermelha é perceptível como uma sensação de aquecimento da pele, dependendo
do seu comprimento de onda, energia e tempo da exposição, podendo causar efeitos

HIGIENE DO TRABALHO 153


negativos no organismo como, por exemplo, queimaduras da pele, aumento
persistente da pigmentação cutânea e lesões nos olhos.

Assim, é recomendável o uso de proteção adequada (vestuário de trabalho, óculos e


viseiras com filtro para as frequências relevantes).

8.6.1 LASER

L.A.S.E.R. significa "Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation" e se


caracteriza, principalmente, pela alta direcionalidade do feixe e pela elevada energia
incidente por unidade de área.

O conceito começou a ter aplicação prática nos anos 70 em várias áreas, desde a
medicina, indústria, passando pelas áreas militar e de comunicações.

Na indústria metalomecânica e de automóveis tem aplicação em operações de solda,


perfuração e corte, permitindo:

➱ Menor tempo de operação;

➱ Qualidade superior da superfície tratada;

➱ Aumento da espessura do corte;

➱ Maior variedade de materiais que podem ser trabalhados.

Os seguintes componentes e processos, são comuns a todos os lasers:

➱ Meio emissor ou meio laser: gasoso (p. ex., CO2), sólido (p. ex., cristal de rubi) ou
líquido (p. ex., corantes orgânicos);

HIGIENE DO TRABALHO 154


➱ Excitação ou "sistema de bombeagem": o meio emissor pode ser excitado quer
óptica, química ou eletricamente, o que origina emissões estimuladas de energia sob
a forma de luz;

➱ Amplificação: a luz emitida é amplificada através do meio por um sistema de


espelhos que permite obter um feixe de luz unidireccional de elevada energia e
intensidade.

A utilização dos lasers pode ter efeitos negativos no organismo humano, notadamente
no globo ocular e na pele, de acordo também com o comprimento de onda da radiação
emitida (de infravermelhos a ultravioletas):

➱ Queimadura da córnea;

➱ Lesão grave da retina (não se pode esquecer que o poderoso feixe de luz do laser
pode ser concentrado por focagem na retina);

➱ Queimaduras da pele, dependendo do poder de densidade e de focagem (um foco


mais desfocado poderá provocar queimaduras mais extensas, um foco focado
queimaduras localizadas, mas significativamente mais profundas).

Os limites de exposição a esse fator de risco não se encontram definidos


consensualmente, uma vez que se baseiam em múltiplos critérios como, por exemplo,
comprimento de onda, duração da exposição, potência do pico, frequência de
repetição etc.

Assim, as medidas de proteção deverão ser escrupulosamente cumpridas a saber:

➱ Munir os equipamentos de laser com adequados sistemas de ventilação e de


exaustão, uma vez que durante as operações de corte existe a liberação de fumos,
gases e vapores provenientes dos materiais trabalhados;

HIGIENE DO TRABALHO 155


➱ Uso imprescindível do EPI (óculos com proteção em todo o redor e em conformidade
com as frequências relevantes) bem como vestuário e luva adequados;

➱ Instalação de túneis no dispositivo laser;

➱ Evitar superfícies refletoras nas instalações;

➱ Providenciar que a iluminação na instalação seja suficiente e homogênea de forma


a limitar a abertura da pupila do olho do trabalhador;

➱ Evitar a exposição direta dos olhos em relação ao feixe laser e aos espelhos;

➱ Permanecer alerta durante as operações de ajustamento, lembrando-se sempre


que o feixe permanece perigoso mesmo a longas distâncias;

➱ Restringir o acesso à área de trabalho e implantar sinalização de segurança


adequada.

Será ainda necessário outro tipo de precauções uma vez que, aliadas ao processo,
existem outras situações perigosas, a saber:

➱ Riscos elétricos: dado que são sempre necessárias altas voltagens para excitar o
meio emissor, as operações de manutenção deverão ser feitas por pessoal
especializado e sempre com a corrente desligada;

➱ Riscos de incêndio e de explosão: dependendo da natureza e da pressão dos gases


utilizados como meio emissor.

HIGIENE DO TRABALHO 156


9. Fundamentos da Física

9.1 Estrutura da Matéria

9.1.1 Introdução

A questão da estrutura da matéria vem recebendo atenção de filósofos e cientistas


desde os primórdios da civilização. Sob o ponto de vista de proteção radiológica, a
matéria pode ser considerada como constituída de partículas fundamentais cujas
propriedades de interesse são a massa e a carga elétrica. Nesse contexto, as três
partículas importantes para a compreensão da estrutura e propriedades da matéria
são os elétrons (e), os prótons (p) e os nêutrons (n).
A estas, pode ser acrescentado o fóton, tipo especial de partícula associada à radiação
eletromagnética. Partículas mais elementares como léptons e quarks fogem ao escopo
desta publicação.

O elétron já era conhecido desde o século dezenove como a unidade de carga elétrica,
tendo sua carga negativa o mesmo valor numérico que a do próton, ou seja, 1,6021 .
10-19 C.

O nêutron não possui carga elétrica e tem uma massa aproximadamente igual à do
próton. Assim, o núcleo possui uma carga elétrica positiva cujo tamanho depende do
número de prótons nele contidos.

9.1.2 Átomo e Estrutura do Átomo

O átomo é a menor partícula de um elemento que conserva suas propriedades


químicas, sendo constituído por partículas fundamentais (prótons, elétrons e
nêutrons).

HIGIENE DO TRABALHO 157


Os prótons e os nêutrons encontram-se aglomerados em uma região central muito
pequena, chamada núcleo, que se mantêm unida mediante forças nucleares fortes,
que têm caráter atrativo e são muitas ordens de grandeza superiores à força de
repulsão eletrostática existente entre os prótons, a qual tenderia a expulsá-los do
interior do núcleo. A densidade do núcleo é muito elevada, sendo da ordem de milhões
de toneladas por centímetro cúbico.

Segundo o modelo atômico de Bohr, os elétrons, partículas de massa insignificante


frente à massa do núcleo (me ≅ m p/1840) e carga elétrica negativa, movem-se em
torno do núcleo, em uma região denominada coroa, cujo raio é cerca de dez mil vezes
maior que o raio do núcleo.

Como a massa dos elétrons que orbitam em torno do núcleo é muito pequena, é
correto considerar o núcleo como um ponto minúsculo no centro do átomo onde está
concentrada a maior parte de sua massa.

O átomo de um elemento possui uma massa bem definida, cujo valor exato é
determinado em relação à massa de um elemento tomado como padrão.

Em 1961, por um acordo internacional entre físicos e químicos, foi estabelecida uma
escala unificada, tendo sido atribuído o valor exato de 12,000000 para a massa
atômica do carbono-12, Assim, nessa escala, uma unidade de massa atômica é igual
a 1/12 da massa do átomo de carbono-12, ou seja:

1 u.m.a. = 1/12 da massa do carbono-12 = 1,6598 . 10-24 g

O próton possui uma massa de 1,00759 u.m.a., valor muito semelhante à massa do
átomo de hidrogênio, e uma carga positiva igual a 1,6021 . 10-19 C.

O nêutron possui uma massa de 1,00898 u.m.a., valor muito próximo ao da massa do
próton, sendo eletricamente neutro.

HIGIENE DO TRABALHO 158


As propriedades químicas dos átomos são definidas pelo número atômico Z (número
de unidades de carga positiva existente no átomo), sendo esta a característica que
diferencia um elemento de outro. Normalmente, o número de unidades de carga
positiva é igual ao da negativa, tornando o tomo eletricamente neutro.

Átomos de um elemento podem se combinar com átomos de outro elemento formando


moléculas. Por exemplo, quatro átomos de hidrogênio podem se combinar com um
átomo de carbono para formar uma molécula de metano, CH4.

9.1.3 Número Atômico, Número de Massa, Massa Atômica e Átomo-grama

Número atômico: é o número de prótons que um átomo possui em seu núcleo e


que determina suas propriedades químicas, sendo representado pelo símbolo Z.
Átomos do mesmo elemento químico possuem o mesmo número atômico, mas não
necessariamente a mesma massa, já que podem diferir pelo número de nêutrons.

Número de massa: é o número total de núcleons, ou seja, prótons (Z) + nêutrons


(N) existentes em um átomo, sendo simbolizado pela letra A (A=N+Z). Massa atômica:
também conhecida impropriamente por Peso Atômico: é a razão ente a massa média
dos átomos do elemento em sua composição isotópica natural e 1/12 da massa do
carbono-12.

Átomo-grama: é a massa atômica de um elemento, expressa em gramas, e que


contêm 6.02 × 1.023 átomos desse elemento.

9.1.4 Nuclídeo

Chama-se nuclídeo qualquer espécie nuclear (núcleo de um dado átomo) definida por
seu número atômico (Z), número de massa (A) e estado energético. O símbolo
utilizado neste texto para representar os nuclídeo consiste no símbolo químico do

HIGIENE DO TRABALHO 159


elemento (p. ex., Fe), com o número atômico (Z = 26) como subíndice à direita, abaixo
e o número de massa (A = 57) como supraíndice, à esquerda e acima.

Generalizando:

Normalmente, omite-se o número atômico como subíndice, uma vez que o símbolo
químico é suficiente para identificar o elemento, por exemplo: 57Fe, 4He, 198Au.

9.1.5 Isótopos

Isótopos são nuclídeos que possuem o mesmo número atômico Z, porém massas
atômicas (A) diferentes, isto é, os isótopos têm o mesmo número de prótons, porém
diferente número de nêutrons (N) e, como consequência, diferente número de massa
A. O fato dos isótopos possuírem o mesmo número atômico faz com que se comportem
quimicamente de forma idêntica.

Exemplos: 38Cl e 37Cl; 57Co e 60Co

9.1.6 Isóbaros

São nuclídeos que possuem o mesmo número de massa e diferentes números


atômicos. Tendo números atômicos distintos, comportam-se quimicamente de forma
diferente.

Exemplo: 57Fe e 57Co

9.1.7 Isótonos

São nuclídeos que possuem o mesmo número de nêutrons (N).

Exemplo: 30Si
14 e 31P
15

HIGIENE DO TRABALHO 160


9.1.8 Elemento

Elemento (X) é uma substância que não pode ser decomposta, por ação química
normal, em substâncias mais simples. A definição de elemento engloba sua mistura
natural de isótopos, uma vez que a maioria dos elementos é formada por vários
isótopos. Por exemplo, o estanho natural é formado pela mistura de dez isótopos.

Desde os primórdios da Química, tentou-se classificar os elementos conforme as


analogias ou diferenças de suas propriedades. Atualmente, a pouco mais de centena
de elementos conhecidos está classificada no sistema periódico de Niels Bohr,
aprimorado a partir da classificação original proposta por Mendeleiev (1834-1907).
Assim, os elementos são dispostos em fileiras ou períodos e colunas ou grupos,
atendendo á estrutura eletrônica de seus átomos, de que dependem as respectivas
propriedades, e em ordem crescente de seus números atômicos.

9.1.9 Equivalência entre Massa e Energia

A unidade de energia conveniente para o estudo dos fenômenos de interação da


radiação com a matéria em proteção radiológica é o elétronvolt (simbolizado eV), que
corresponde à energia adquirida por um elétron ao atravessar um campo elétrico de
1 volt. Esta unidade expressa m valor muito pequeno e sua relação com unidades
macroscópicas e a seguinte:

1 eV = 1,602 . 10-19 J = 1,602 . 10-12 erg

Em 1909, como parte de sua teoria da relatividade especial, Albert Einstein enunciou
que o conteúdo total de energia E de um sistema de massa m é dado pela relação:

E = mc2

onde c = 2,99776.1010 cm/s é a velocidade da luz no vácuo.

HIGIENE DO TRABALHO 161


Em quase toda reação nuclear, uma pequena quantidade de massa é transformada
em energia, ou vice-versa, como por exemplo:

226Ra 222Rn + energia


88 → 86

estando essa energia relacionada com o decréscimo de massa convertida de acordo


com a equação de Einstein anteriormente. Alternativamente, a equação de Einstein
pode ser expressa como:

E = 931 ∆m

Sendo E a energia, em MeV, e ∆m o decréscimo de massa, em unidade unificada de


massa atômica.

9.1.10 Energia de Ligação dos Núcleos

As partículas que constituem um núcleo estável são mantidas juntas por forças de
atração fortes e, portanto, para separá-las, é necessário realizar trabalho até que elas
se mantenham afastadas por uma grande distância. Ou seja, energia deve ser
fornecida ao núcleo para separá-lo em seus constituintes individuais, de tal forma que
a energia total dos constituintes, quando suficientemente separados é maior do que
aquela que têm quando formam o núcleo.

Verifica-se que a massa real de um núcleo é sempre menor que a soma das massas
dos núcleons que os constituem. Esta diferença de massa, conhecida por defeito de
massa, quando convertida em energia, corresponde à energia de ligação do núcleo
Tomando, por exemplo, o átomo de 4 He, tem-se:

Massa do núcleo do hélio = 4,00150 u.m.a.


Massa do próton = 1,00728 u.m.a.
Massa do nêutron = 1,00867 u.m.a.

HIGIENE DO TRABALHO 162


Massa total: 2p + 2n = 4,03190 u.m.a.

Pode ser observado que a diferença entre o valor da soma das massas dos
constituintes do núcleo e a massa do núcleo é de 0,03040 u.m.a. Como 1 u.m.a. é
equivalente a 931 MeV, temos que a diferença das massas equivale a 28,3 MeV, que
representa a energia de ligação do núcleo do átomo de Hélio.

9.1.11 Estabilidade Nuclear

Os nuclídeos podem ser estáveis ou instáveis. Estáveis são aqueles que preservam sua
identidade de elemento químico indefinidamente. Instáveis são aqueles que podem
sofrer um processo espontâneo de transformação (desintegração) e se converter em
outro nuclídeo. Nesse processo, pode haver a emissão de radiação.

A energia de ligação é, também uma medida da estabilidade de um núcleo uma vez


que pode ser demonstrado que um núcleo não se fragmenta em partículas menores
quando sua massa é menor que a soma das massas dos fragmentos.

9.1.12 Números Quânticos

As características de cada elétron são definidas por quatro números, denominados


números quânticos. Os elétrons estão distribuídos em camadas ou níveis energéticos,
sendo que, para cada nível, a energia total dos elétrons que o ocupam é exatamente
a mesma.

O número quântico principal ou fundamental indica, ainda, o número máximo de


elétrons possíveis em uma camada, sendo que a cada nível energético principal é
atribuído um número inteiro (1, 2, 3, 4, 5, 6 ou 7) ou uma letra (K, L, M, N, O, P ou
Q).

HIGIENE DO TRABALHO 163


Os níveis de energia das camadas K, L e M para o átomo de tungstênio, por exemplo,
são, respectivamente, 70 keV, 11 keV e 2,5 keV. Esses valores correspondem às
energias de ligação dos elétrons em cada um desses níveis. Isso significa serem
necessários, no mínimo, 70 keV para remover um elétron localizado na camada K para
fora do átomo.

À medida que aumenta o número atômico, aumenta o número de elétrons em torno


do núcleo. Os novos elétrons irão ocupar as camadas disponíveis, seguindo uma ordem
bem estabelecida. Cada camada tem uma capacidade máxima de receber elétrons.

Assim, o nível energético K pode comportar até dois elétrons; o L, oito; o M, 18; o N
e o O comportam o número máximo de 32 elétrons cada. A camada K é a mais próxima
do núcleo e corresponde ao nível energético mais baixo do átomo. Os elétrons em
níveis energéticos mais altos têm probabilidade maior de situarem-se em regiões mais
afastadas do núcleo do átomo. Os elétrons localizados em órbitas próximas do núcleo,
como a órbita K, têm uma certa probabilidade de penetrar a região do núcleo. Isso
possibilita a esses elétrons participar de certos processos nucleares.

Se uma quantidade de energia for fornecida ao átomo de modo que seus elétrons mais
internos sejam removidos para órbitas mais externas ou mesmo arrancados do átomo,
um dos elétrons das camadas mais externas irá ocupar a vaga deixada e, nessa
transição, o átomo emitirá fótons de energia, conhecidos por radiação característica.

Cada nível energético principal subdivide-se em subníveis, que dependem do segundo


número quântico, chamado número quântico secundário. O elétron pode se encontrar
em qualquer lugar em torno do núcleo, exceto neste. No entanto, há algumas regiões
do espaço onde é muito mais provável encontrá-lo que outras. Chama-se orbital à
região do espaço em volta do núcleo onde é mais provável encontrar o elétron ou
onde a densidade eletrônica é maior. O número quântico secundário pode ter n
valores, começando por 0, sendo o valor máximo n - 1, onde n = no quântico principal,
e indicam a forma e o tamanho dos orbitais, sendo seu valor representado, também,

HIGIENE DO TRABALHO 164


pelas letras s, p, d, f.... Os orbitais s, por exemplo, têm a forma esférica e seu raio
aumenta com o nível energético principal.

Uma vez que o elétron é uma partícula carregada e em movimento, ela cria um campo
magnético e se constitui em pequeno ímã, razão pela qual se orienta em qualquer
campo magnético externo. As diferentes orientações que um elétron pode tomar vêm
definidas pelo terceiro número quântico, o número quântico magnético, cujo valor
também é inteiro, positivo, negativo ou nulo.

Os elétrons têm um movimento de rotação sobre si mesmos, conhecido por “spin”,


que é definido pelo quarto número quântico, o número quântico rotacional ou de spin,
que toma os valores -½ e + ½, conforme o sentido de rotação seja horário ou o
contrário.

De acordo com o Princípio de exclusão de Pauli, dois elétrons de um mesmo átomo


não podem ter os quatro números quânticos iguais; diferirão, pelo menos em um deles.
Assim é que dois elétrons no mesmo orbital têm, necessariamente, spins opostos.

9.1.13 Níveis de Energia Nucleares

O núcleo atômico também se apresenta em estados com energias bem definidas. O


estado de energia mais baixa é denominado estado fundamental e corresponde ao
nível de energia zero. O primeiro nível acima deste é o primeiro estado excitado e
assim sucessivamente. Se, por qualquer motivo, for fornecida uma quantidade de
energia suficiente ao núcleo, ele passará a um de seus estados excitados. Após um
período de tempo, em geral muito curto, ele voltará ao seu estado fundamental,
emitindo radiação.

Normalmente, o retorno ao estado fundamental se dá por meio da emissão de radiação


eletromagnética gama, γ. Durante esse processo, o núcleo pode passar por vários de

HIGIENE DO TRABALHO 165


seus estados de excitação. Como consequência, raios γ de diferentes energias podem
ser emitidos por um único núcleo.

9.2 Radiação Eletromagnética

Os gregos da antiguidade já haviam reconhecido a natureza única da luz, empregando


o termo fóton para definir o ‘átomo de luz’, ou seja, a menor quantidade de qualquer
radiação eletromagnética que possui a velocidade da luz. O fóton pode ser retratado
como um pequeno pacote de energia, também chamado quantum, que se move
através do espaço com a velocidade da luz.

Embora fótons não possuam massa, eles possuem campos elétricos e magnéticos que
se movem continuamente sob a forma de ondas senoidais.

As propriedades importantes do modelo senoidal são a frequência (f) e o comprimento


de ondas (λ), sendo a equação da onda expressa simplesmente por:

v = f .λ

No caso de radiação eletromagnética, o produto da frequência pelo comprimento de


onda é constante e igual à velocidade da luz. Assim, sempre que a frequência aumenta,
o comprimento de onda diminui e vice-versa.

Outra propriedade importante da radiação eletromagnética emitida por uma fonte é


expressa pela lei do quadrado das distâncias, ou seja, a intensidade (I) diminui
rapidamente com a distância da fonte (d), conforme se segue:

I1/I2 = (d2/d1)2

HIGIENE DO TRABALHO 166


A razão para esse rápido decréscimo na intensidade da radiação é o fato que, quando
se aumenta cada vez mais a distância da fonte pontual, a energia emitida é espalhada
por áreas cada vez maiores. Como regra geral, a lei do quadrado da distância pode
ser aplicada sempre que a distância da fonte for, pelo menos, sete vezes maior que a
maior dimensão da fonte não pontual.

O espectro eletromagnético está compreendido na faixa de frequência de 10 a 1024 Hz


e o comprimento de onda dos respectivos fótons encontram se na faixa de 107 a 10-
16 metros.

9.3 Radioatividade

9.3.1 Descoberta da Radioatividade

Após o descobrimento dos raios-X por William Röentgen em 1895, o físico francês
Henri Becquerel, associando a existência desses raios até então desconhecidos aos
materiais fosforescentes e fluorescentes, testou uma série de substâncias com essas
características. Assim, em 1896, verificou que sais de urânio emitiam radiações
capazes de velar chapas fotográficas, mesmo quando envoltas em papel preto.
Observou ainda, que a quantidade de radiação emitida era proporcional à
concentração de urânio e era independente das condições de pressão, temperatura ou
estado químico da amostra, além de permanecer inalterada mesmo sob a ação de
campos elétricos ou magnéticos.

Posteriormente, o casal Pierre e Marie Curie aprofundou estas pesquisas, chegando,


em 1898, à descoberta de dois novos elementos radioativos, quais sejam, o polônio e
o rádio, tendo empregado o termo radioatividade para descrever a energia por eles
emitida.

Ernest Rutherford, em 1899, por meio de uma experiência simples, contribuiu para
elucidar a natureza da radioatividade. Uma amostra do material radioativo foi colocada

HIGIENE DO TRABALHO 167


dentro de um recipiente de chumbo contendo um orifício. A radiação produzia um
ponto brilhante em uma placa de sulfeto de zinco, colocada diante do orifício. Sob a
ação de um campo magnético, o feixe de radiação repartia-se em três, que foram
denominadas radiação alfa, beta e gama.

Material Radioativo

Em 1909, Rutherford e Soddy demonstraram que a radiação α era constituída por


núcleos de hélio, com dois prótons e dois nêutrons, apresentando, portanto, duas
cargas positivas.

A radiação β foi, posteriormente, identificada como sendo constituída por elétrons.


Tanto as partículas α como as partículas β eram emitidas com altas velocidades,
demonstrando que uma grande quantidade de energia estava armazenada no átomo.

Foi observado, também, que a radiação gama (γ) não era desviada de sua trajetória
sob a ação do campo magnético e apresentava as mesmas características dos raios-
X, ou seja, uma onda eletromagnética de alta energia.

Esses trabalhos de pesquisa científica permitiram concluir que a radioatividade é a


transformação espontânea de um núcleo atômico, convertendo um nuclídeo em outro.

A natureza das radiações emitidas é característica das propriedades nucleares do


nuclídeo que está se desintegrando, denominado nuclídeo-pai.
O nuclídeo-pai, ao se desintegrar, dá origem ao nuclídeo-filho. Em alguns casos, o
nuclídeo-filho também é radiativo, formando, assim, uma cadeia radioativa.

Um nuclídeo radioativo é denominado radionuclídeo.

HIGIENE DO TRABALHO 168


9.3.2 Tipos de Desintegração Radioativa

9.3.2.1 Desintegração Alfa (α)

As partículas alfa são núcleos de hélio, constituídos por dois prótons e dois nêutrons,
tendo duas cargas positivas.

A reação de desintegração alfa pode ser assim esquematizada:

A X Z  A-4 Y Z-2 + 4 He 2 + Q, sendo Q a energia liberada no processo de desintegração,


oriunda da diferença de massa existente entre o núcleo pai e os produtos da
desintegração.

As partículas alfa são emitidas como energias discretas e características do núcleo pai.
A desintegração alfa é característica de núcleos pesados (Z > 82), salvo exceções,
sendo que a maioria dos nuclídeos emissores alfa são naturais.

9.3.2.2 Desintegração Beta

A desintegração beta tanto pode ser negativa (emissão de elétrons), quando o núcleo
está com excesso de nêutrons, como positiva (emissão de pósitrons), ou seja,
partículas com massa igual à do elétron, mas com carga positiva, quando o núcleo
está com excesso de prótons, conforme descrito a seguir.

9.3.2.2.1 Desintegração Beta Negativa (β-)

Quando o núcleo possui um nêutron em excesso, este é convertido em um próton e


uma partícula beta negativa.

HIGIENE DO TRABALHO 169


A XZ A Y Z+1 + β- + ν + Q

Aqui, ν representa o antineutrino, partícula sem carga, com massa de repouso


extremamente pequena e que se desloca à velocidade da luz.

A partícula beta negativa possui as mesmas características dos elétrons atômicos,


porém tem origem no núcleo. A emissão de partícula β- é diferente das emissões α
uma vez que as partículas β- são emitidas em um espectro contínuo de energia,
variando de zero até um valor máximo, característico do núcleo pai. Esta energia
máxima está na faixa de 0,05-3,5 MeV, para os nuclídeos mais comuns.

Como o núcleo possui níveis de energias discretos, a emissão de uma partícula com
espectro contínuo de energia é explicada pela emissão de uma segunda partícula,
nesse caso o antineutrino, o qual transporta a diferença de energia existente entre a
energia da partícula beta negativa e a energia disponível, dada pela diferença de massa
entre o núcleo pai e os produtos da desintegração (Q).

9.3.2.2.2 Desintegração Beta Positiva (β+)

Quando o núcleo possui um próton em excesso, este é convertido em um


nêutron e uma partícula beta positiva (pósitron).

A XZ  A Y Z-1 + β+ + ν + Q

O pósitron possui a mesma massa do elétron e sua carga tem valor absoluto igual à
do elétron, porém com sinal positivo. De maneira análoga às partículas beta negativas,
as partículas beta positivas são emitidas em um espectro contínuo de energia. Nesse
caso, a energia máxima está na faixa de 0,3-1,4 MeV, para os nuclídeos mais comuns.

HIGIENE DO TRABALHO 170


9.3.2.2.3 Desintegração por Captura Eletrônica

O processo de captura eletrônica compete com o de desintegração beta positiva, isto


é, também ocorre quando o núcleo possui um excesso de prótons. Em certos casos, a
probabilidade de o mesmo núcleo se desintegrar por qualquer um desses dois
processos é comparável. Assim, o núcleo, em vez de emitir um pósitron, captura um
elétron de seu próprio átomo, convertendo um de seus prótons em nêutron e liberando
um neutrino monoenergético, o qual transporta a energia disponível no processo.

O elétron da camada K é o que tem maior probabilidade de ser capturado, em razão


da sua maior proximidade do núcleo. Entretanto, esse processo pode ocorrer também
com elétrons de camadas mais externas.

Após a captura do elétron, este deixará uma vaga no seu nível orbital, que será
preenchida por outro elétron de camadas mais externas, dando origem à emissão de
raios-X (chamados de característicos).

9.3.2.2.4 Conversão Interna e Elétron Auger

A captura de elétrons orbitais pelo núcleo atômico pode vir acompanhada, algumas
vezes, pela emissão de elétrons atômicos denominados elétrons Auger. Isso ocorre
quando um dos raios-X emitidos colide com um dos 12 elétrons que permaneceram
nos orbitais atômicos e cede energia a esse elétron, deslocando-o de seu orbital.

9.3.2.3 Desintegração com Emissão Gama (γ)

Em muitos casos, após ocorrer um dos tipos de desintegração descritos anteriormente,


o processo radioativo se completa. Em outros, o núcleo filho é formado em um de seus

HIGIENE DO TRABALHO 171


estados excitados, contendo, ainda, um excesso temporário de energia. Quando isso
ocorre, o núcleo filho emite essa energia armazenada sob a forma de raios gama (γ).

A radiação gama pertence a uma classe conhecida como radiação eletromagnética.


Esse tipo de radiação consiste de pacotes de energia (quanta) transmitidos em forma
de movimento ondulatório. A radiação eletromagnética é uma modalidade de
propagação de energia através do espaço, sem necessidade e um meio material.
Outros membros bem conhecidos desta classe são: ondas de rádio, raios-X e, inclusive,
a luz visível.

A diferença essencial entre a radiação γ e a radiação X está na sua origem. Enquanto


os raios γ resultam de mudanças no núcleo, os raios-X são emitidos quando os elétrons
atômicos sofrem uma mudança de orbital.

Os raios γ são emitidos dos núcleos radioativos com energias bem definidas,
correspondentes à diferença entre os níveis de energia detransição do núcleo que se
desexcita. A transição pode ocorrer entre dois níveis excitados ou entre um nível
excitado e o nível fundamental. Desse modo, pode haver a emissão de um ou mais
raios γ em cada desintegração.

Por exemplo, o Cobalto-60, após desintegração beta, tem como resultado o segundo
nível de excitação do Níquel-60 que, como consequência, emite dois gamas, um de
1,17 MeV e outro de 1,33 MeV.

A energia dos raios gamas emitidos pelos diferentes nuclídeos está, aproximadamente,
na faixa de 0,03-3 MeV.

HIGIENE DO TRABALHO 172


9.3.3 Interação da Radiação com a Matéria

As radiações são processos de transferência de energia sob a forma de ondas


eletromagnéticas e, ao interagir com a matéria, resulta na transferência de energia
para os átomos e moléculas que estejam em sua trajetória.

Sob ponto de vista da física, as radiações, ao interagirem com um meio material,


podem provocar ionização, excitação, ativação do núcleo ou emissão de radiação de
frenamento, conforme descrito a seguir. Ionização: processo de formação de átomos
eletricamente carregados, ou seja, íons, pela remoção ou acréscimo de um ou mais
elétrons.

Excitação: adição de energia a um átomo, elevando-o do estado fundamental de


energia ao estado de excitação. Os elétrons são deslocados de seus orbitais de
equilíbrio e, ao retornarem, emitem a energia excedente sob a forma de radiação (luz
ou raios-X característicos).

Ativação do Núcleo: interação de radiações com energia superior à energia de


ligação dos núcleons e que provoca reações nucleares, resultando em um núcleo
residual e na emissão de radiação.

Radiação de Frenamento: (Bremsstrahlung) radiação, em particular raios-X,


emitida em decorrência da perda de energia cinética de elétrons que interagem com
o campo elétrico de núcleos de átomos-alvo, átomos estes com elevado número
atômico, ou mesmo que interagem com a eletrosfera.

Em decorrência das diferenças existentes entre as partículas e radiações, em suas


cargas e suas massas, cada um deles interage de modo diferente com a matéria.

O conhecimento das propriedades das radiações e de seus efeitos sobre a matéria são
de grande importância, destacando-se:

HIGIENE DO TRABALHO 173


 A detecção de substâncias radioativas, uma vez que se baseia, sempre, em
alguns dos efeitos produzidos pela radiação na parte sensível do equipamento
de medida;
 A maior facilidade na interpretação das diversas aplicações dos materiais
radioativos;
 A adoção das medidas preventivas mais apropriadas, de modo a proteger o
corpo humano dos efeitos nocivos da radiação.

Quando as partículas carregadas ou a radiação eletromagnética atravessam a matéria,


o mecanismo que mais contribui para a perda de energia é a interação com os elétrons.

Isso se justifica pelo fato de o raio do núcleo ser da ordem de 10.000 vezes menor
que o raio do átomo. Assim, é de se esperar que o número de interações com elétrons
seja muito maior que com núcleos, uma vez que o número de interações é proporcional
à área projetada, ou seja, ao raio elevado ao quadrado.

Para o caso específico de partículas carregadas, esse fenômeno é facilmente


evidenciado a partir da dispersão que elas experimentam ao interagir com a matéria.
As partículas mais pesadas são pouco desviadas de sua direção original quando
interagem, perdendo energia. As partículas beta, por serem menos pesadas, são
desviadas com ângulos muito maiores ao interagirem com o meio. As perdas de
energia resultante de colisões com núcleos resultam ser várias ordens de grandeza
menores que na interação com elétrons.

9.3.3.1 Interação de Partículas Carregadas (10 keV a 10 MeV)

Uma partícula carregada, ao passar através de uma substância (alvo) pode interagir
com elétrons carregados negativamente e núcleos de átomos ou moléculas carregados
positivamente. Graças à força Coulombiana, a partícula, em função de sua carga, tenta
atrair ou repelir os elétrons ou núcleos próximos de sua trajetória, perdendo parte de
sua energia, esta tomada pelos átomos-alvo próximos à sua trajetória.

HIGIENE DO TRABALHO 174


Essas partículas, à medida que penetram na matéria, sofrem colisões e interações com
perda de energia até que, a uma dada espessura do material, toda energia é dissipada
e a partícula, portanto, para de se deslocar. Denomina-se alcance a distância média
percorrida por uma partícula carregada, em uma dada direção, distância essa que
depende de vários fatores. Quatro dos mais importantes são descritos a seguir:

Energia: O alcance de uma dada partícula é ampliado com o aumento da energia


inicial.

Massa: Partículas mais leves tem alcance maior que partículas mais pesadas de
mesma energia e carga. A dependência do alcance em relação à massa é, algumas
vezes, expressa como função de velocidade da partícula.

Carga: Uma partícula com menos carga possui alcance maior que uma partícula com
mais carga.

Densidade do Meio: Quanto mais alta a densidade do meio, menor é o alcance da


partícula, sendo este muito maior em gases do que em líquidos ou sólidos.

As partículas α, por exemplo, pelo fato de serem pesadas e possuírem carga +2,
interagem muito intensamente com a matéria. Seu poder de ionização é muito alto,
perdendo toda a energia em poucos micrômetros de material sólido ou em alguns
centímetros de ar. Isso significa que o poder de penetração das partículas alfa é muito
pequeno, sendo a espessura de uma folha de papel suficiente para blindar todas as
partículas emitidas por uma fonte alfa.

Já as partículas β, pelo fato de possuírem massa muito menor do que a das partículas
α e, ainda, uma carga menor, também apresentam poder de ionização mais baixo.
Isso significa que seu poder de penetração é maior do que o das partículas α e,
portanto, é necessária uma espessura maior de material para que ocorra a perda de
toda sua energia.

HIGIENE DO TRABALHO 175


9.3.3.2 Interação da Radiação Eletromagnética Ionizante com a Matéria

No processo de interação de partículas carregadas com a matéria, a energia é perdida


em decorrência de um grande número de colisões, a maioria com elétrons orbitais,
processo esse que não ocorre na interação da radiação gama ou X com a matéria.

Nesta, em princípio, os fótons são absorvidos ou desviados de sua trajetória original


por meio de uma única interação. O fóton, quando produz ionização, o faz em uma
única vez, sendo que o elétron pode ser arrancado de um átomo por diversos
mecanismos.

Esse elétron liberado, denominado elétron secundário, pode possuir quase tanta
energia quanto um fóton inicial e, por sua vez, produzir novas ionizações até consumir
toda sua energia. Em outras palavras, pode-se considerar que a ionização da matéria,
quando atravessada por fótons, é consequência de elétrons secundários, já que cada
fóton, em princípio, produz muito pouca ou, às vezes, somente uma ionização.

Os principais efeitos decorrentes da interação das radiações γ e X com a matéria são:

Efeito Fotoelétrico, caracterizado pela transferência total de energia de um fóton


(radiação X ou gama), que desaparece, a um único elétron orbital, o qual é expelido
com uma energia cinética bem definida, T, qual seja:

T = hν – Be

Onde h é a constante de Planck, ν é a frequência da radiação e Be é a energia de


ligação do elétron orbital.

Como T expressa a energia do fóton, a menos de um valor constante Be, a


transferência dessa energia para o material de um detetor pode ser utilizada como
mecanismo de identificação do fóton e respectiva energia. O fato da transferência de

HIGIENE DO TRABALHO 176


energia do elétron de ionização para o material produzir uma ionização secundária
proporcional, faz com que a amplitude do pulso de tensão ou intensidade de corrente
proveniente da coleta dos elétrons, ou íons, no final do processo expressem a energia
da radiação incidente.

A direção de saída do fotoelétron, com relação à de incidência do fóton, varia com a


energia. Para altas energias (acima de 3 MeV), a probabilidade de ser ejetado para
frente é bastante grande. Para baixas energias (abaixo de 20 keV) a probabilidade de
sair para o lado é máxima para um ângulo de 70 graus.

O efeito fotoelétrico é predominante para baixas energias e para elementos químicos


de elevado número atômico Z, decrescendo rapidamente com o aumento de energia.
No caso do chumbo, por exemplo, o efeito fotoelétrico é maior para energias menores
que 0,6 MeV e, no caso do alumínio, para energias menores do que 0,06 MeV.

Efeito Comptom, onde o fóton interage com um elétron periférico do átomo, mas cede
apenas parte de sua energia, resultando na emissão de um fóton com energia menor
e que continua sua trajetória dentro do material e em outra direção.

Como a transferência de energia depende da direção do elétron emergente e sendo


esta aleatória, de um fóton de energia fixa podem resultar elétrons com energia
variando de zero até um valor máximo. Assim, a informação associada ao elétron
emergente é desinteressante, sob ponto de vista da detecção da energia do fóton
incidente.

Quando a energia de ligação dos elétrons orbitais se torna desprezível face à energia
do fóton incidente, a probabilidade de ocorrência de espalhamento Compton aumenta
consideravelmente. O efeito Compton é predominante para energias intermediárias
(100keV – 1MeV).

HIGIENE DO TRABALHO 177


Formação de Pares, uma das formas predominantes de absorção da radiação
eletromagnética de alta energia, também chamada de formação de par elétron-
pósitron, ocorre quando fótons de energia superior a 1,02 MeV passam próximos a
núcleos de elevado número atômico, interagindo com o forte campo elétrico nuclear.
Nesta interação, a radiação desaparece e dá origem a um par elétron-pósitron, por
meio da reação:

γ e- + e+ + E

9.3.4 Decaimento Radioativo

Quando um núcleo é instável por excesso de núcleons (prótons e nêutrons) ou quando


a razão A/Z (número de massa/número atômico) é muito grande, ele se desintegra,
por emissão alfa ou beta, conforme exemplificado a seguir:

226 Ra 88 → 222 Rn 86 + 4 He 2 (emissão α)

234 Th 90 → 234 Pa 91 + β- (emissão β)

No interior do núcleo, os prótons e os nêutrons interagem intensamente, resultando


em uma força chamada nuclear, de curto alcance, de tal forma que somente núcleons
muito próximos interagem entre si.

Existe, também, no núcleo, uma interação entre prótons, dando origem a forças
elétricas mais 18 fracas, porém com alcance maior. Assim, quando prótons e nêutrons
estão no núcleo, existe competição entre essas duas forças: as forças nucleares de
curto alcance tendem a manter os núcleons bem próximos e a força elétrica tende a
separar os prótons.

Para átomos com um número elevado de prótons e nêutrons, a força elétrica de


repulsão continua atuando, mas a força nuclear de curto alcance não abrange todos

HIGIENE DO TRABALHO 178


os núcleons, resultando em núcleo instável. Assim, em busca da estabilidade, ou seja,
para se transformar em núcleo com núcleons mais fortemente ligados, são emitidas
energia e partículas α ou β, o que leva à formação de núcleo de elemento químico
distinto do original.

Muitos fatores afetam a estabilidade nuclear sendo, talvez, o mais importante o


número de nêutrons. Quando um núcleo possui nêutrons a mais (em relação ao
número de prótons), ou a menos, o átomo pode se desintegrar em busca de uma
configuração estável.

9.3.4.1 Velocidade de Desintegração

A emissão de radiação por uma população de átomos de um dado isótopo radioativo


não ocorre simultaneamente em todos os seus núcleos. Assim, o número de átomos
que se desintegram transcorrido um intervalo de tempo (t – t0) será dado pela
diferença entre o número de átomos de um isótopo radioativo no instante inicial (N0)
e o número de átomos ainda não desintegrados (N) do mesmo isótopo, no tempo t >
t0. Logo, a velocidade média de desintegração, Vm, será dada pela relação:

Vm = (N0 – N)/(t – t0)


ou
Vm = – (N – N0)/(t – t0) = – ∆N/∆t

A velocidade instantânea de desintegração em um intervalo de tempo infinitésimo dt,


ou seja, quando ∆t tende a zero, é dada pela derivada de N em relação a t, dN/dt,
com o sinal negativo.

A variação do número de desintegrações nucleares espontâneas (dN) em um intervalo


de tempo dt é chamada atividade, A, ou seja:

A = dN/dt

HIGIENE DO TRABALHO 179


A primeira unidade estabelecida para atividade foi o Curie, originalmente definido
como a taxa de desintegração do gás radônio (222 Rn), em equilíbrio com um grama
de rádio (226 Ra). Posteriormente, o Curie foi definido mais precisamente pelo valor
abaixo, que é bem próximo do medido originalmente.

1 Ci = 3,7 × 1010 desintegrações/segundo

O sistema Internacional adotou como unidade padrão de atividade o Becquerel (Bq).


Assim:

1 Bq = 1 desintegração/segundo

9.3.4.2 Constante de Desintegração e Meia-Vida

A velocidade de desintegração varia muito entre os isótopos radioativos, existindo uma


probabilidade para cada um emitir um certo tipo de radiação, ou se desintegrar,
característica desse isótopo. Essa probabilidade é chamada Constante de
Desintegração ou Constante Radioativa, sendo representada pelo símbolo λ.

A velocidade de desintegração depende não apenas do número de átomos do isótopo


radioativo presente na amostra (quanto maior N, maior o número de radiações
emitidas), como também da constante radioativa λ, ou seja:

dN/dt = -λN
Assim,
dN/N = -λ . dt

Integrando-se o primeiro termo dessa igualdade no intervalo de variação do número


de átomos não desintegrados, ou seja, entre N0 (início da contagem do tempo, t = 0)

HIGIENE DO TRABALHO 180


e N (número de átomos do radioisótopo, presentes decorrido o tempo t) e integrando-
se o segundo termo entre zero e t, tem-se que:

N = N0 exp (-λ . t)

sendo esta a expressão da Lei da Desintegração Radioativa, que mostra que o número
de átomos de um radionuclídeo diminui exponencialmente com o tempo.

De maneira similar, a atividade de uma fonte radioativa, no tempo t, é expressa por:

A = A0 exp (-λ . t), uma vez que A = λN e A0 = λN0, ou seja A/A0 = N/N0.

A meia-vida de um isótopo radioativo, t1/2, é o tempo necessário para que metade


dos átomos contidos em uma amostra desse isótopo sofra desintegração, ou seja, é o
tempo necessário para que N seja igual a N0/2.

A relação matemática existente entre λ e t1/2 pode ser obtida substituindo se, na
equação anterior, N por N0/2 e t por t1/2.

N0/2 = N0.exp (-λ . t1/2)


Assim,
1/2 = exp (-λ . t1/2) → ln 1/2 = -λ . t1/2
Logo
λ . t1/2 = -ln t1/2 = ln 1 - (-ln 2)
Ou seja,
λ = ln 2/t1/2

Portanto, a meia-vida de um radioisótopo pode ser calculada a partir da constante de


desintegração e vice-versa. O intervalo de tempo necessário para que o organismo
elimine metade de uma substância ingerida ou inalada é chamado de meia-vida
biológica, tb.

HIGIENE DO TRABALHO 181


Quando a meia-vida física e a meia-vida biológica devem ser levadas em consideração,
determina-se a meia-vida efetiva, tef, por meio da seguinte expressão:

tef = (t1/2. tb)/(t1/2 + tb)

9.3.4.3 Séries de Desintegração de Isótopos Naturais

Todos os nuclídeos com número atômico maior do que Z = 83 são radioativos. Se o


número atômico do núcleo pai for muito grande, o núcleo formado por decaimento
também é radioativo, dando origem a uma série de decaimento radioativo, ou seja,
sequências em que um núcleo radioativo decai em outro, que por sua vez decai em
um terceiro e assim sucessivamente.

Encontram-se, na natureza, três séries de desintegração de isótopos naturais que se


iniciam com 238U, 235U e 232Th e que, por sucessivas desintegrações, são compostas
por isótopos de diversos elementos, o último sendo sempre isótopos diferentes, mas
estáveis (não radioativos), do chumbo.

A série do 238U é integrada por 18 radioisótopos, com três bifurcações, terminando no


206Pb, isótopo estável.

A série do 235U contém 17 isótopos, com cinco bifurcações, terminando no 207Pb,

estável e a série do 232Th apresenta, apenas, 13 isótopos, com duas bifurcações,


terminando no 208 Pb, também estável.

O urânio natural é constituído em 99,28% pelo 238U, que se desintegra conforme


descrito na Tabela 1, e em 0,72% pelo 235U. Quando a meia-vida do nuclídeo-pai é
muito mais longa que a do filho, um equilíbrio, denominado secular, é estabelecido.
No equilíbrio secular, as atividades dos pais e filhos tornam-se iguais.

HIGIENE DO TRABALHO 182


Assim,

N1λ1 = N2λ2 = N3λ3 = N4λ4 = ...


ou
N1/(t1/2)1 = N2/(t1/2)2 = N3/(t 1/2)3 = N4/(t 1/2)4 = ...

Ou seja, quando um elemento da série tem meia-vida curta, o correspondente número


de átomos será pequeno e vice-versa.

9.3.4.4 Fontes Artificiais de Radiação

A radioatividade artificial foi descoberta pelo casal de cientistas franceses F. Joliot e I.


Curie (filha de Marie Curie) ao bombardear alumínio por partículas alfa, obtendo a
liberação de nêutrons e a formação de 30P.

27 Al 13 + 4 He 2 → 1 n 0 + 30 P 15

Atualmente, quatro processos básicos são empregados para produzir artificialmente


radionuclídios:

 Irradiação de elementos estáveis em reatores;


 Irradiação de elementos estáveis em aceleradores de partículas ou ciclotrons;
 Fissão de elementos pesados; e
 Decaimento/fracionamento.

HIGIENE DO TRABALHO 183


9.3.4.4.1 Radionuclídeos Produzidos em Reatores Nucleares

O processo de produção de radionuclídeos em reatores nucleares é baseado na captura


de nêutrons térmicos (ou seja, nêutrons com energia cinética baixa, da ordem de
0,025 eV) por átomos de um dado elemento.

A X Z + 1 n 0 → A+1 X Z + radiação γ

Pode-se observar que na reação de captura de nêutrons, o número atômico (Z) do


nuclídeo resultante não é alterado e o número de massa (A) aumenta em uma unidade.

O Cromo-51, o Ferro-59, o Cobalto-60, o Selênio-76, o Molibdênio-99, o Iodo-131, o


Xenônio-133, o Samário-153, o Ouro-198 e o Irídio-192 são exemplos de
radionuclídeos produzidos em reatores.

9.3.4.4.2 Radionuclídeos Produzidos em Aceleradores de Partículas


(Ciclotron)

A produção de radionuclídeos em aceleradores de partículas pode ser realizada


empregando diferentes partículas a serem aceleradas, tais como prótons (1p1),
deutério (2H1), trício (3H1) e partícula alfa (4He2). As reações mais comuns para prótons
são:

A X Z + 1 p 1 → A X Z+1 + 1 n 0

A X Z + 1 p 1 → A – 1 Y Z+1 + 2 . 1 n 0

As reações mais comuns para partículas α são

A X Z + 4 He 2 → A + 3 X Z+2 + 1 n 0

HIGIENE DO TRABALHO 184


A X Z + 4 He 2 → A + 2 X Z+2 + 2 . 1 n 0

O Fluor-18, o Gálio-57, o Iodo-123, o Iodo-125 e o Tálio-201 são exemplos de


radionuclídeos produzidos a partir de feixes de partículas aceleradas.

9.3.4.4.3 Radionuclídeos Produzidos por Fissão Nuclear

Para muitos radionuclídeos pesados (A ≈ 200), a captura de um nêutron resulta ou


em um radionuclídeo pesado ou em radionuclídeos cujas massas atômicas são cerca
de metade do nuclídeo-alvo. Por exemplo, no caso de 235U:

235U + 1n 0 → 236U92 + γ (raio)


92

ou, em uma reação muito mais frequente,

235U + 1n 0 → 141Ba56 + 91Kr36 + 4 . 1n 0


92

O processo de divisão de um núcleo pesado em dois mais leves é chamado


de fissão. Todos os elementos de número atômico entre z = 30 (zinco) e z
= 66 (disprósio) têm sido identificados em reações de fissão.

9.3.4.4.4 Radionuclídeos Produzidos por Decaimento/Fracionamento

Um radionuclídeo gerador (também chamado pai) é aquele que, por decaimento,


resulta em radionuclídeo de meia-vida mais curta (filho). Por exemplo:

99Mo → 99mTc → 99Tc → 99Ru 67 h

Na condição acima (t 1/2 do pai > t 1/2 do filho) um equilíbrio transiente é estabelecido
entre 99Mo e 99mTc, em um tempo t, quando a razão entre as quantidades desses dois

HIGIENE DO TRABALHO 185


radionuclídeos torna-se constante, sendo a atividade do filho levemente superior à do
pai. No caso de geradores, o radionuclídeo-filho é quimicamente separado do pai,
antes de ser empregado em práticas médicas e em pesquisa.

10. Efeitos Biológicos das Radiações Ionizantes

10.1 Introdução

As propriedades da matéria são afetadas pela radiação em função do tipo de processo


associado à absorção de energia: excitação e/ou produção de íons, ativação nuclear
ou, ainda, no caso específico de nêutrons, à produção de núcleos radioativos. Os
efeitos podem ser descritos em diferentes níveis, desde o comportamento do átomo
isolado às mudanças produzidas no material como um todo.

Sólidos orgânicos, por exemplo, quando sujeitos à excitação eletrônica causada pela
radiação, podem mudar de cor ou emitir luz (cintilação) à medida que a excitação
decai. No entanto, no caso de sólidos como metais ou cerâmicas, o efeito maior da
radiação é a transferência de quantidade de movimento para átomos na estrutura
cristalina, resultando no deslocamento desses átomos que, ao ocupar posições
intersticiais, deixam espaços vazios. Esses processos podem causar mudanças nas
propriedades físicas do sólido, como alteração de forma ou inchaço graças aos espaços
vazios criados. A indução de cor em gemas, pela sua exposição à radiação ionizante,
é uma prova visível da interação da radiação com a matéria.

No nível atômico, a ionização afeta, principalmente, os elétrons das camadas mais


externas que circundam o núcleo. Tendo em vista que justamente esses elétrons estão
envolvidos nas ligações químicas de átomos em moléculas, não é de surpreender que
o comportamento químico dos átomos ou das moléculas, ambos alterados pela
radiação, seja diferente de seu comportamento original.

HIGIENE DO TRABALHO 186


A remoção de elétrons pode provocar a quebra de uma molécula e seus fragmentos,
dependendo da estabilidade química, podem se combinar, de algumas maneiras
diferentes, com o material do meio circundante.

A irradiação de material biológico pode resultar em transformação de moléculas


específicas (água, proteína, açúcar, DNA etc.), levando a consequências que devem
ser analisadas em função do papel biológico desempenhado pelas moléculas atingidas.
Os efeitos das citadas transformações moleculares devem ser acompanhados nas
células, visto serem essas as unidades morfológicas e fisiológicas dos seres vivos. O
DNA, por ser responsável pela codificação da estrutura molecular de todas as enzimas
das células, passa a ser a molécula-chave no processo de estabelecimento de danos
biológicos.

No caso de exposição de seres humanos a altas doses de radiação, como em acidentes


nucleares, uma grande parte das células do corpo é afetada, impossibilitando a
sustentação da vida. Por outro lado, há, ainda, muita incerteza quanto aos efeitos da
exposição de pessoas a baixas doses de radiação uma vez que, caso haja efeitos,
esses, geralmente, são mascarados pela ocorrência natural de doenças que podem ou
não ser provocadas pela exposição à radiação, como é o caso do câncer.

Assim, para que um estudo sobre os efeitos da radiação a baixas doses seja
estatisticamente válido, é preciso observar uma população de milhões de pessoas
expostas a esses níveis baixos de radiação, durante várias gerações, já que os
organismos dispõem de mecanismos de reparo e, mesmo que haja morte celular, as
células podem vir a ser prontamente substituídas por meio de processos metabólicos
normais, “neutralizando”, assim, o efeito em estudo.

Os efeitos das radiações ionizantes sobre os organismos vivos dependem não somente
da dose por eles absorvida, mas, também, da taxa de absorção (aguda ou crônica) e
do tecido acometido. Assim, por exemplo, os efeitos relacionados com uma
determinada dose são muito menores quando essa dose é fracionada e recebida em

HIGIENE DO TRABALHO 187


pequenas quantidades ao longo do tempo, uma vez que os mecanismos de reparo das
células podem entrar em ação entre uma dose e outra. Sabe-se, também, que o dano
causado em células quando estas estão em processo de divisão é maior, tornando os
respectivos tecidos e órgãos mais radiossensíveis que outros constituídos por células
que pouco ou nunca se dividem, ou seja, a radiossensibilidade é inversamente
proporcional à especificidade da célula.

Convém manter em perspectiva o fato de ser consenso mundial que a indução de


câncer pela exposição a baixas doses de radiação acrescenta alguns casos de
ocorrência dessa doença aos milhares de casos que ocorrem naturalmente, por outras
causas. Não se deve esquecer que o câncer é a principal doença na velhice e que
diversas substâncias a que se pode estar exposto no dia a dia têm sido identificadas
como cancerígenas (arsênio, fuligem de chaminés, alcatrão, asbestos, parafina, alguns
componentes da fumaça de cigarro, toxinas em alimentos etc.), além de radiação
eletromagnética como a ultravioleta e mesmo calor.

É importante, também, mencionar que há alguma evidência experimental de que


baixas doses de radiação podem estimular diversas funções celulares, incluindo seus
mecanismos de reparo, bem como aprimorar o sistema imunológico, fortalecendo os
mecanismos de defesa do corpo. No entanto, estudos desses efeitos benéficos da
radiação, conhecidos por ‘hormesis’, ainda não são considerados conclusivos, face às
dificuldades estatísticas associadas a baixas doses de radiação.

Assim, sob o ponto de vista de proteção radiológica, considera-se, por prudência, que
qualquer dose de radiação está associada a uma probabilidade de ocorrência defeitos
nocivos à saúde, não importando quão baixa seja essa dose.

HIGIENE DO TRABALHO 188


10.2 Mecanismos de Interação das Radiações com o Tecido

10.2.1 Transferência de Energia

Quando células em uma cultura são expostas à radiação ionizante, pode ser mostrado,
para a maioria dos efeitos observados, que a quantidade de energia absorvida pela
célula é, claramente, uma variável muito importante.

Outro fator bastante relevante, sob o ponto de vista de efeitos biológicos, é a


‘qualidade’ da radiação, sendo que efeitos maiores serão produzidos em áreas de
ionização mais frequente. A incidência de radiação ionizante densa dará lugar a uma
ionização do meio mais intensa do que a de radiação ionizante esparsa.

Uma vez que a quantidade de ionização é dependente da energia liberada no meio,


então, a qualidade de diferentes tipos de radiação pode ser comparada tomando por
base a energia média liberada por unidade de comprimento ao longo do caminho
percorrido no meio irradiado.

Essa quantidade é denominada Transferência Linear de Energia, ou TLE da radiação,


normalmente expressa em keV/µm, que depende, de modo complexo, da massa,
energia e carga da radiação ionizante. Assim, por exemplo, para um valor típico de
TLE para um elétron posto em movimento pela radiação do Co-60, qual seja, 0,25
keV/µm, serão liberados 250 eV de energia ao longo de uma trajetória de 1 µm de
comprimento.

Radiações eletromagnéticas como raios-X e gama, ou, ainda, partículas β, têm uma
probabilidade baixa de interagir com os átomos do meio irradiado e, portanto, liberam
sua energia ao longo de uma trajetória relativamente longa. Por outro lado, partículas
alfa, prótons, ou mesmo nêutrons (ou seja, partículas pesadas) liberam sua energia
ao longo de uma trajetória mais curta, em decorrência da maior probabilidade de
colisão com o meio.

HIGIENE DO TRABALHO 189


No caso de valores de TLE altos, ocorrerão, em uma dada área-alvo, muitos eventos
de ionização com alta probabilidade de efeitos biológicos danosos, mesmo a baixas
doses. Valores baixos de TLE, ao contrário, provocam efeitos pequenos e isolados, de
tal modo que o reparo molecular é possível.

10.2.2 Eficiência Biológica Relativa

A dose absorvida é uma grandeza física que, permanecendo os demais parâmetros


iguais, se correlaciona bem com o efeito biológico. No entanto, quando a qualidade da
radiação muda (p. ex., de raios-X para nêutrons), o efeito biológico causado não é
necessariamente o mesmo, ou seja, doses idênticas podem produzir efeitos diferentes
em um mesmo tecido ou órgão.

Assim, para caracterizar essa diferença, o conceito de eficiência biológica relativa, EBR,
foi introduzido, tendo esta eficiência sido definida como sendo a razão entre a dose de
uma radiação de referência, que produz um determinado efeito biológico e a dose da
radiação em estudo, necessária para produzir o mesmo efeito. Normalmente, a
radiação usada como referência em muitas experiências é a radiação X, filtrada
(camada semirredutora de 1,5 mm de Cu), de tensão de 200 kV (pico).

A eficiência biológica relativa depende não somente da qualidade da radiação, mas


também do efeito biológico que está sendo observado.

Quando o valor da EBR de uma radiação (p. ex., alfa) é comparado com o de outra
radiação (p. ex., gama) o resultado representa a razão inversa das doses absorvidas
que produzem a mesma extensão de um definido efeito biológico.

Os fatores de ponderação de dose utilizados em proteção radiológica foram


selecionados para refletir a eficiência biológica relativa de cada tipo de radiação em
induzir efeitos estocásticos a baixas doses, sendo esta eficiência função,
primordialmente, da qualidade da radiação, expressa em termos de Transferência

HIGIENE DO TRABALHO 190


Linear de Energia. A rigor, a EBR depende, também, de outros fatores como taxa de
dose, fracionamento da dose, órgão ou tecido e mesmo da idade da pessoa irradiada.

10.3 Efeitos Radioquímicos Imediatos

10.3.1 Produção de Elétrons Hidratados e Radicais Livres

Uma vez que a água é o principal componente das células, sendo responsável por
cerca de 70% da composição celular, a maior parte da radiação incidente é por ela
absorvida, dando lugar às seguintes espécies reativas:

H2O hν → H2O+ + ε- → H2O+ + ε-(aq)

A molécula d’água, afetada pela passagem da radiação, é ionizada. O elétron que deixa
a molécula é ‘aprisionado’ por demais moléculas d’água que, graças à sua natureza
polar, posicionam-se de tal modo que os átomos de hidrogênio, carregados
positivamente, ficam mais próximos ao elétron e os átomos de oxigênio mais distantes.
Esse arranjo é denominado elétron hidratado, ε-(aq).

H2O+ → •OH + H+

A molécula d’água ionizada, H2O+, pode, também, se dissociar, dando formação ao


íon hidrogênio e ao radical livre hidroxila, conforme ilustrado acima.

H2O hν → H2O* → H • + • OH

É possível, ainda, por radiólise da molécula d’água, a formação dos radicais livres
hidrogênio e hidroxila que, sendo altamente reativos – em decorrência da presença,
nas respectivas últimas camadas eletrônicas, de um elétron isolado ou não
emparelhado – interagem quimicamente entre si ou com as moléculas do meio,
modificando-as.

HIGIENE DO TRABALHO 191


Os principais produtos resultantes da irradiação da água pura tendem a reagir com as
bases nitrogenadas do DNA ou, na ausência destas, entre si, conforme se segue:

ε-(aq) + ε-(aq) + 2 H2O → 2 H2 + OH


H • + H • → H2 • OH + • OH → H2O2 H • + • OH → H2O

As reações acima irão sempre competir com as reações que levam ao dano das
moléculas biológicas presentes no sistema, conforme abordado a seguir.

10.4 Efeitos Biológicos Provocados Pela Radiação Ionizante

10.4.1 Características Gerais

Os efeitos biológicos provocados pela radiação ionizante são de natureza bastante


variável e dependem de fatores como dose total recebida, se esta foi aguda ou crônica,
se localizada ou de corpo inteiro. As características gerais desses efeitos são:

Especificidade: os efeitos biológicos das radiações podem ser provocados por outros
agentes físicos, químicos ou biológicos.

Reversibilidade: a célula possui mecanismos de reparo, podendo, em caso de danos


parciais, ressintetizar ou restaurar uma estrutura danificada.

Transmissividade: a maior parte das alterações causadas pelas radiações ionizantes,


que afeta células e organismos, não se transmite a outras células ou outros
organismos, exceção feita à irradiação das gônadas, que pode resultar em alterações
transmissíveis aos descendentes.

Radiossensibilidade: nem todas as células, tecidos órgãos ou organismos


respondem igualmente à mesma dose de radiação.

HIGIENE DO TRABALHO 192


A radiossensibilidade das células é diretamente proporcional à sua capacidade de
reprodução e inversamente proporcional ao seu grau de especialização.

Fatores de Influência: pessoas expostas à mesma dose de radiação não


apresentam, necessariamente, os mesmos danos e o mesmo tempo de resposta.

Por exemplo, o indivíduo é mais vulnerável à radiação quando criança (processo de


multiplicação celular mais significativo) ou quando idoso (processo de reparo celular
pouco eficiente).

Tempo de Latência: Há um período de tempo que decorre entre o momento da


irradiação e o surgimento do dano visível ou detectável;

Limiar: Certos efeitos exigem, para se manifestar, que a dose de radiação seja
superior a uma dose mínima.

O efeito eritema, por exemplo, é observado para uma dose limiar da ordem de 3,5 Sv
(350 rem).

Os efeitos biológicos da radiação podem ser somáticos ou hereditários. O primeiro


ocorre na soma do indivíduo irradiado, enquanto os hereditários se originam da
introdução de danos na linhagem germinativa do sujeito e se manifestam em sua
descendência.

Para fins de proteção radiológica, os efeitos biológicos da radiação são classificados


em estocásticos e determinísticos (não estocásticos).

HIGIENE DO TRABALHO 193


10.4.2 Efeitos Estocásticos e Efeitos Determinísticos

Efeitos Estocásticos: são aqueles cuja probabilidade de ocorrência é função da dose,


não existindo limiar, como é o caso do câncer.

Assim, para qualquer indivíduo irradiado há uma chance de que certos efeitos
atribuíveis à radiação se manifestem, mas somente depois de um período de tempo
longo (dezenas de anos) a partir do momento que ocorreu evento de irradiação.

Efeitos Determinísticos: são aqueles que surgem em um curto espaço de tempo


(dias, horas, minutos) a partir de um valor de dose limiar e sua gravidade é função do
aumento dessa dose.

Esses efeitos incluem inflamação e ulceração da pele, náusea, vômito, anorexia,


diarreia, queda de cabelos, anemia, hemorragia, infecções etc.

Esses efeitos são atribuídos, principalmente, à morte celular ou à perda de capacidade


de reposição de células de vida biológica relativamente curta, ou seja, aquelas que
devem manter-se em permanente estado de reprodução como as da medula óssea,
as das camadas mais internas dos tecidos de recobrimento (pele, revestimento do
sistema gastrointestinal, recobrimento de glândulas) e aquelas da linhagem
germinativa.

Efeitos Estocásticos Hereditários: são aqueles decorrentes da irradiação das


gônadas, que levam a alterações no material hereditário contido nos gametas (óvulos
e espermatozoides), alterações essas que podem ser transmitidas aos descendentes,
caso o óvulo ou espermatozoide danificado seja utilizado na concepção.

A radiação ionizante é um dos muitos agentes que podem induzir mutações genéticas,
sendo que um material genético alterado transmitido pelo pai ou pela mãe é, em
teoria, suficiente para que a anomalia surja no descendente (mutação dominante).

HIGIENE DO TRABALHO 194


Por outro lado, as mutações recessivas somente se manifestam se o pai e a mãe
carregarem consigo o mesmo defeito mutagênico, sendo normalmente necessárias
muitas gerações para que o dano seja visível.

A observação de mutações é uma tarefa difícil, mas acredita-se que os efeitos


hereditários decorrentes da exposição à radiação ionizante têm caráter cumulativo e
independem da taxa de dose administrada, ou seja, não existem doses inoperantes.

Dentre os métodos empregados para estimar a probabilidade de desordens


hereditárias, o método da “dose duplicadora” (doubling dose method) tem sido
adotado por organismos internacionais. A “dose duplicadora” é a quantidade de
radiação necessária para produzir tantas mutações quanto aquelas que ocorrem
naturalmente em uma geração, tendo sido estimada em 1 Gy (1 J/kg).

De acordo com a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP), a


probabilidade de dano genético significante para toda uma geração está na faixa de
0,5-1,2 × 10-2 Sv-1, correspondendo a uma probabilidade de efeitos hereditários
severos per capita de 0,1 × 10-2 Sv-1 para as primeiras duas gerações.

11. Aspectos de Radioproteção

11.1 Introdução

É de conhecimento geral que altas doses de radiação ionizante danificam o tecido


humano, sendo que diversos efeitos maléficos foram reportados logo após a
descoberta dos raios-X. Naquela época (1895-1896), era prática comum verificar a
intensidade dos raios-X expondo trabalhadores à radiação emitida e medindo o tempo
transcorrido até que a região exposta apresentasse irritação da pele.

Durante as décadas seguintes, foi acumulado um grande número de informações sobre


os efeitos maléficos da radiação ionizante e, consequentemente, sobre a necessidade

HIGIENE DO TRABALHO 195


de regulamentar a exposição de indivíduos a essa radiação bem como de aprimorar as
técnicas empregadas pelo uso de colimadores, filtros, blindagens para atenuação etc.

Assim é que, por ocasião do Segundo Congresso Internacional de Radiologia, em 1928,


houve amplo consenso quanto à necessidade de formular recomendações que
serviriam a diversos países como base para elaborar Normas de Radioproteção.

Naquela época, foram recomendadas espessuras mínimas de blindagem de chumbo


para atividades com raios-X e fontes de Ra-226, bem como elaborados procedimentos
relacionados com locais e condições de trabalho, não tendo sido, no entanto,
estabelecidos valores para limitar as doses de radiação.

Em 1934, a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (International Commission


on Radiological Protection [ICRP]), recomendou adotar, como limite, o valor de 0,2 R
por dia para a exposição ocupacional (isto é, a exposição de pessoas que trabalham
com radiações), o que correspondia a uma dose de cerca de 70 rem/ano, valor que
vigorou até 1950.

Impulsionado pela Segunda Guerra Mundial, o crescente interesse por energia nuclear
acarretou, na década de 1950, avanços importantes na área de proteção radiológica,
tendo sido adotada a ótica cautelosa segundo a qual toda radiação, por menor que
seja, causa danos.

A taxa de exposição máxima permissível para indivíduos ocupacionalmente expostos


foi reduzida para 0,3 R por semana, correspondendo, para radiação X ou γ, a uma
dose de 15 rem/a (0,15 Sv/a).

Em 1956, foi recomendada nova redução para a dose ocupacional, passando esta a 5
rem/ano. Já em 1958, estabeleceu-se que o limite de dose acumulada até a idade N
não poderia exceder o valor 5(N-18), tendo também sido adotado o limite trimestral
de 3 rem.

HIGIENE DO TRABALHO 196


As Normas Básicas de Proteção Radiológica (NBPR), aprovadas pela Comissão Nacional
de Energia Nuclear (CNEN), em 1973, fixaram os princípios básicos de proteção contra
danos oriundos do uso das radiações e estabeleceram, para vigorar no país, entre
outros, os limites de dose que vinham sendo recomendados internacionalmente.

Em agosto de 1988, a CNEN aprovou a Norma “Diretrizes Básicas de Radioproteção”,


em substituição às NBPR de 1973. Essa Norma fundamenta-se no conceito de
detrimento introduzido pela ICRP-26, ou seja, no fato de que qualquer dose, por menor
que seja, está associada à probabilidade de ocorrência de danos (efeitos estocásticos),
e adota três princípios básicos:

Princípio da Justificação: Qualquer atividade envolvendo radiação ou exposição deve


ser justificada em relação a outras alternativas e produzir um benefício líquido para a
sociedade;

Princípio da Otimização: As exposições devem ser tão reduzidas quanto razoavelmente


exequível (ALARA – As Low As Reasonably Achievable), levando-se em consideração
fatores sociais e econômicos; e

Princípio da Limitação da Dose Individual: As doses individuais de trabalhadores e


indivíduos do público não devem exceder os limites anuais de dose estabelecidos pela
CNEN, em particular, 50 mSv (5 rem) para trabalhadores e 1 mSv (100 rem) para o
indivíduo do público.

Atualmente, a tendência mundial tem sido a de adotar limites de dose ainda mais
restritivos, limites esses recomendados pela ICRP em 1990 e que, no Brasil, já foram
adotados pelo Ministério as Saúde para radiodiagnóstico médico e odontológico, por
meio da Portaria 453, de 1o/6/98.

HIGIENE DO TRABALHO 197


Assim é que, para trabalhadores nessas áreas, a dose média anual não deve exceder
20 mSv (2 rem) em qualquer período de 5 anos consecutivos, não podendo exceder
50 mSv em nenhum ano.

11.2 Grandezas e Unidades Empregadas em Radioproteção

Grandeza, por definição, é o atributo de um fenômeno, corpo ou substância que pode


ser qualitativamente distinguido e quantitativamente determinado, sendo expressa por
um valor numérico multiplicado por uma unidade. Assim, por exemplo, comprimento
é uma grandeza e metro é a unidade que pode ser empregada para medir um dado
comprimento.

Historicamente, as grandezas utilizadas para quantificar a radiação ionizante


basearam-se no número total de eventos ionizantes ou, ainda, na quantidade total de
energia depositada, geralmente em uma massa definida de material. Essa abordagem
não leva em conta a natureza descontínua do processo de ionização, mas é justificada
empiricamente pela observação de que essas grandezas podem ser correlacionadas
bastante bem com os efeitos biológicos resultantes.

A aplicação das recomendações da Comissão Internacional sobre Unidades e Medidas


de Radiação (ICRU) requer o conhecimento de uma diversidade de conceitos e
grandezas, muitos empregados em outros campos da ciência.

Algumas grandezas, no entanto, são unicamente empregadas no campo da proteção


radiológica e contêm fatores de ponderação que permitem contemplar diferentes tipos
de energia da radiação incidente sobre um corpo, bem como levar em conta a
radiossensibilidade relativa dos diferentes tipos de tecidos do organismo.

Algumas mudanças conceituais, que vêm ocorrendo ao longo das últimas décadas,
associadas a grandezas empregadas em proteção radiológica serão abordadas aqui.

HIGIENE DO TRABALHO 198


11.2.1 Atividade

A atividade de uma amostra radioativa representa o número de núcleos da amostra,


N, que se desintegram, ou seja, que sofrem transformações nucleares, por unidade de
tempo.

A = dN/dt

A primeira unidade estabelecida para a atividade foi o Curie, originalmente definido


como a taxa de desintegração de uma quantidade de gás radônio, Rn-222, em
equilíbrio com um grama de rádio (Ra-226). Posteriormente, o Curie foi definido mais
precisamente pelo seguinte valor, que é bem próximo daquele estabelecido
originalmente.

1 Ci = 3,7 × 1010 desintegrações/segundo

O sistema Internacional adotou como unidade padrão de atividade o


Becquerel (Bq), sendo que:

1 Bq = 1 desintegração/segundo

3.2.2 – Fluência, φ

A fluência é a razão entre o número de partículas ou fótons incidentes sobre uma


esfera, dN, e a seção de área dessa esfera, da, expressa em m2.

φ = dN/da

Essa grandeza é muito empregada para medir nêutrons.

HIGIENE DO TRABALHO 199


11.2.3 Exposição X ou Gama

Em 1928, foi adotado o Roentgen (R) como unidade de Exposição, ou seja, a


quantidade de radiação X que produzia uma unidade eletrostática de carga (por
definição igual a 3,34 × 10-10 Coulombs) em um centímetro cúbico de ar, em condições
normais de temperatura e pressão (CNTP).

Mais tarde, essa definição foi alterada, de maneira a ser relacionada com a massa de
ar, em vez de ao volume (1 cm3 de ar = 0,001293 g), englobando, também, a radiação
gama. Como a unidade posteriormente empregada no Sistema Internacional para
Exposição é o Coulomb/quilograma (C/kg), tem-se que:

1 R = 2,58 × 10-4 C/kg

De modo geral, a Exposição, simbolizada por X, tem sido definida como:

X = ∆Q/∆m

Onde ∆Q é a soma das cargas elétricas de todos os íons de mesmo sinal (positivos ou
negativos) produzidos no ar quando todos os elétrons gerados pelos fótons incidentes
em um volume elementar de ar, cuja massa é ∆m, são completamente parados no ar.

A relação existente entre atividade (A) e Taxa de Exposição, X, depende de processos


básicos de interação entre a radiação e o ar. No entanto, para fontes pontuais
emissoras gama, a seguinte aproximação é amplamente empregada:

X = Γ A/d2 (R/h)

Onde:

HIGIENE DO TRABALHO 200


Γ – constante específica da radiação gama, expressa em (R . m2)/(h . Ci); d – distância
da fonte, medida em metros; A – atividade, expressa em Ci, sendo a taxa de exposição,
portanto, expressa em R/h.

Pode-se observar que a taxa de exposição é diretamente proporcional à atividade do


radioinuclídeo e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre a fonte
pontual e o ponto considerado.

11.2.4 Dose Absorvida, D

O conceito de Dose Absorvida, D, foi introduzido para representar a energia média


depositada pela radiação incidente em um volume elementar de matéria de massa ∆m.

À medida que os conhecimentos sobre as radiações e suas aplicações foram ampliados,


julgou-se conveniente utilizar esse conceito de deposição de energia. Foi, então,
originalmente adotado o “rad” (radiation absorved dose) para expressar uma unidade
de “dose absorvida”, ou seja, de energia depositada por unidade de massa, sendo:

1 rad = 100 erg/g de material irradiado

É possível relacionar a dose no ar, em rad, à exposição, em R, desde que se conheça


o valor da energia necessária para arrancar um de seus elétrons, cuja carga é sempre
igual a 1,610 × 10-19 C.

Experimentos realizados mostraram que, em média, são necessários 33,8 eV de


energia para produzir um par de íons no ar, ou seja, para arrancar um elétron de sua
camada mais externa, produzindo 1,6 x10-19C.

HIGIENE DO TRABALHO 201


Assim,

1,6x10 –19 C ⎯ 33,8 eV

1R = 2,58x10-4 C/kg ⎯ y eV/kg

Ou seja, 1 R corresponde a

y = 2,58 × 10-4 C/kg × 33,8 eV/1,6 × 10-19 C = 5,366 × 10 16 eV/kg = 5,45


× 1013 eV/g

Mas, por definição,

1 eV = 1,6 × 10-12 erg

Então,

1 R= 5,366 × 1013 eV/g × 1,6 × 10 –12 erg/eV = 85,9 erg/g

Como 1 rad = 100 erg/g, tem-se:

1 R = (85,9 erg/g)/(100 erg/rad . g) = 0,86 rad

Assim, conhecida a exposição no ar (R) ou a taxa de exposição no ar (R/h), é preciso


multiplicar pelo fator 0,87 para obter a dose absorvida no ar (rad) ou mesmo a taxa
de dose absorvida no ar (rad/h).

1 R= 0,86 rad (no ar)

Como cada meio é composto por diferentes conjuntos de átomos, as energias


necessárias para arrancar elétrons de meios diferentes são diferentes (as energias de

HIGIENE DO TRABALHO 202


ligação são diferentes). Por essa razão, 1R (ou seja, 2,58 × 10-4 C/kg) pode ser
relacionado com o valor aproximado de 0,96 rad no tecido humano.

11.2.5 Dose Equivalente, H (‘Dose Equivalent’: ICRP-26)

Para fins de radioproteção, o rad demonstrou ser uma unidade satisfatória para medir
raios-X, raios gama e elétrons, porque o dano biológico causado por esses tipos de
radiação é aproximadamente proporcional à energia depositada.

No entanto, esta proporcionalidade não se mantém no caso de partículas mais


fortemente ionizantes, como produtos de fissão, partículas alfa, prótons etc.

Assim, foi necessário definir a grandeza Dose Equivalente, H, como a grandeza


equivalente à dose absorvida no corpo humano, modificada de modo a constituir uma
avaliação do efeito biológico da radiação, sendo expressa por:

H=D.Q

Onde D é a dose absorvida em um ponto de interesse do tecido ou órgão humano e


Q é o fator de qualidade da radiação no ponto de interesse.

O fator de qualidade Q, para fins práticos, apresenta precisão suficiente para converter
o valor medido da energia depositada, D, em dose equivalente, H.

A dose equivalente, H, foi originalmente expressa em rem (roentgen equivalent man),


sendo atualmente utilizada a unidade do Sistema Internacional, Sievert, Sv, sendo
que:

1 Sv = 100 rem = 1 J/kg

HIGIENE DO TRABALHO 203


Os demais aspectos que influenciam a dose absorvida, como, por exemplo, a
geometria da fonte, o fator de distribuição do radioisótopo no interior do organismo
etc. são expressos por meio de um fator de peso N, que frequentemente pode ser
considerado unitário.

Assim, na prática,
1 rem = 1 rad × Q

onde o fator de qualidade, Q, determina o tipo de radiação.

Legislação e Normalização Aplicáveis

➱ Decreto-Lei 348/89, de 12/10, Estabelece normas e diretivas de proteção contra as


radiações ionizantes, Portaria 453 do MS, norma CNEN3.01

13. VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

13.1 INTRODUÇÃO

A importância do ar para o homem é por demais conhecida sob o aspecto da


necessidade de oxigênio para o metabolismo. Por outro lado, a movimentação de
ar natural, isto é, através dos ventos, é responsável pela troca de temperatura e
umidade que sentimos diariamente, dependendo do clima da região.

A movimentação do ar por meios não naturais constitui-se no principal objetivo dos


equipamentos de ventilação, ar-condicionado e aquecimento, transmitindo ou
absorvendo energia do ambiente, ou mesmo transportando material, atuando em
um padrão de grande eficiência sempre que utilizado em equipamentos
adequadamente projetados.

HIGIENE DO TRABALHO 204


A forma pela qual se processa a transferência de energia e que da ao ar capacidade
de desempenhar determinada função.

A velocidade, a pressão, a temperatura e a umidade envolvem mudanças nas


condições ambientais, tornando-as propícias ao bem-estar do trabalhador. A
ventilação industrial tem sido e continua sendo a principal medida de controle
efetiva para ambientes de trabalho prejudiciais ao ser humano.

No campo da higiene do trabalho, a ventilação tem a finalidade de evitar a dispersão


de contaminantes no ambiente industrial, bem como diluir concentrações de gases,
vapores e promover conforto térmico ao homem. Assim sendo, a ventilação é um
método para se evitarem doenças profissionais oriundas da concentração de pó em
suspensão no ar, gases tóxicos ou venenosos, vapores etc.

O controle adequado da poluição do ar tem início com uma adequada ventilação


das operações e processos industriais (máquinas, tornos, equipamentos etc.),
seguindo-se uma escolha conveniente de um coletor dos poluentes (filtros, ciclones
etc.). Todavia, ao se aplicar a ventilação em uma industrial, é preciso verificar antes,
as condições das máquinas, equipamentos, bem como o processo existente, a fim
de se obter a melhor eficiência na ventilação.

A modernização das indústrias, Isto é, mecanização e/ou automação, além de


aumentar a produção, melhora sensivelmente a higiene do trabalho com relação a
poeiras, gases etc.

13.2 Considerações e Definições Fundamentais

Renovação do Ar: Processo de substituição do ar que promove controle de


temperatura e umidade do ar respirável atendendo padrões permitidos por normas.

HIGIENE DO TRABALHO 205


O Ar: Mistura de gases que constitui camada atmosférica de espessura de
aproximadamente 500 km.

O Ar Respirável – Ar puro: Camada atmosférica próxima ao nível do mar de


espessura aproximada de 1% a 2% do total da camada atmosférica; esta camada que
permite em condições normais permanência para o ser humano.

Composição Média do Ar Respirável: O ar respirável é uma mistura que apresenta


os seguintes componentes principais e em maior proporção os seguintes elementos.

 N2, 78,03%
 O2, 20; 99%
 CO2, 0,03%
 H2O, 0,47%
 Outros gases, 0,49%

Esses valores atendem a camada atmosférica exercida sobre pressão atmosférica ao


nível do mar de 101,322 N/m² (10,332 Kf/m²) (760 mm/Hg) a temperatura de 15°C

Os valores da pressão sofrem alterações à proporção que afastamos verticalmente


com referência ao nível do mar, graças ao peso da camada de ar que reduz
logicamente à medida que elevamos.

Podemos obter a pressão atmosférica em qualquer ponto usando a fórmula


antiga de Laplace.

Log p mm c.a = log po . H km .


18,4 + 0,067 tm

Onde:

HIGIENE DO TRABALHO 206


tm – temp. média do ar compreendida entre o nível do mar e a temperatura
considerada.

H – altura em km, do ponto considerado em relação ao nível do mar

13.3 Fatores que influenciam na troca de calor no Corpo Humano

A temperatura, o calor e o deslocamento do ar são responsáveis pela troca de calor


efetuada com o corpo humano, que, em condições ideais, promove receptividade
térmica, e esses fatores ajudam o metabolismo, a transformação de matéria em
energia vital, oferecendo condições de saúde e bem-estar.

Importância da avaliação do Metabolismo

A energia produzida pelo organismo humano na unidade de tempo pode ser avaliada
em função do consumo de oxigênio respirável absorvido pelo organismo.

(1 kg O2  13.649 kJ = 3.260 kcal).

O metabolismo depende de vários fatores tais como:

 Natureza, constituição, raça, sexo, idade, massa corporal, altura.


 Clima, habitação, vestuário.
 Saúde, nutrição, atividade.

Metabolismo Básico (Mb)

Chamamos de metabolismo básico a energia consumida por metro quadrado de


superfície humana em um indivíduo em jejum há 12 horas deitado em repouso

HIGIENE DO TRABALHO 207


absoluto, normalmente vestido, sem agasalho a temperatura agradável para o seu
corpo que equivale a:

Mb = 150 a 167,5 kJ/m² . H (36 a 40 kcal/m² . H)

Metabolismo Humano

Varia de acordo com condições ou circunstâncias:


* Até os 5 anos de idade é o dobro.
* Dos 20 aos 40 anos praticamente o mesmo.
* Durante a digestão sofre considerável acréscimo dependendo do alimento (pequeno
para açúcar e gorduras e elevado para proteínas).
* Em estado de desnutrição é diminuído.
* Em estado patológico pode aumentar ou reduzir.
* Em condições de temperaturas baixas ou elevadas podem aumentar ou reduzir
graças ao sistema de operação de regulação térmica do organismo.
* Em atividades que requerem esforços físicos aumentam o metabolismo.
* Em atividades intelectuais não influi praticamente sobre o consumo de energia.

Tomando esses princípios como base, podemos ter uma melhor avaliação dos estudos
e resultados apresentado pela NR 15 Anexo 3, Quadro 3, que apresenta as taxas de
metabolismo humano, segundo a ABNT.

Temperatura

O corpo humano apresenta um equilíbrio homeotérmico, ou seja, mantem o equilíbrio


térmico em várias temperaturas embora não em perfeito bem-estar, entretanto, a
condição de maior receptividade é aquela sensação em que a velocidade do ar entre
0,1 a 0,15 m/s bom saturamento de umidade, proporcionando a mesma sensação de
calor ou frio que o ambiente em consideração – a esta condição definimos com
temperatura efetiva.

HIGIENE DO TRABALHO 208


Portanto estas condições devem ser avaliadas nos ambientes onde as atividades então
sendo desenvolvidas e na vestimenta dos usuários para verificar as condições de
conforto térmico.

Um dos métodos para melhorar as condições de conforto térmico em uma atividade é


a aplicação de ventilação à renovação do ar, o que, conforme citado, promove redução
de temperatura.

A NR 15 Anexo 3 Estabelece Limites de tolerância para exposição de calor pelo Índice


de Bulbo Úmido, termômetro de Globo IBUTG

Definido:

- Ambientes internos e externos sem carga solar

IBUTG = 0,7 tm + 0,3 tg

- Ambientes externos com carga solar

IBUTG = 0,7 tun + 0,1 ts + 0,2 tg

Onde:

tm – temperatura de bulbo úmido natural


tg – temperatura de globo
ts – temperatura de bulbo seco

HIGIENE DO TRABALHO 209


De acordo com essas condições, a NR 15 estabelece os Limites de Tolerância para
exposição ao calor em regime de trabalho intermitente com períodos de descanso no
mesmo local de trabalho tabela anterior.

Necessidades Humanas de Ventilação

A ventilação de residências, espaços comerciais e escritórios é necessária para


controlar odores corporais, fumaça de cigarro, odores de cozinha e outras impurezas
odoríficas, e não para manter a quantidade necessária de oxigênio ou remover o
Dióxido de carbono produzido pela respiração. Isso é verdadeiro, pois a construção
padrão de edifícios para ocupação humana não pode prevenir a infiltração ou a saída
de quantidades de ar, mesmo quando todas as janelas, portas e aberturas no forro
estiverem fechadas. Dados públicos sobre as quantidades de ar, normalmente
disponíveis pela ventilação natural ou infiltração, indicam que a sufocação por
deficiência de oxigênio ou excesso de gás carbônico, como resultantes da respiração
humana, é potencialmente impossível em construções não subterrâneas.

13.4 Classificação dos Sistemas de Ventilação

Para a classificação dos sistemas de ventilação é preciso levar em conta a finalidade a


que se destinam. Dessa forma, os objetivos da ventilação são:

HIGIENE DO TRABALHO 210


Ventilação para manutenção do conforto

Restabelecer as condições atmosféricas em um ambiente alterado pela presença do


homem. Refrigerar o ambiente no verão e aquecer o ambiente no inverno.

Ventilação para manutenção da saúde e segurança do homem

Reduzir concentrações no ar de gases vapores, aerodispersoides em geral, nocivos ao


homem, até que baixe a níveis compatíveis com a saúde. Manter concentrações de
gases, vapores e poeiras inflamáveis ou explosivos fora das faixas de inflamabilidade
ou de explosividade.

Ventilação para conservação de materiais e equipamentos (por imposição


tecnológica)

Reduzir aquecimento de motores elétricos, máquinas etc.

Isolar cabines elétricas, não permitindo entrada de vapores, gases ou poeiras


inflamáveis, com a finalidade de se evitar explosão, por meio de faíscas elétricas.

Manter produtos industriais em armazéns ventilados, com o fim de se evitar


deterioração.

Tipos de ventilação

Os tipos de ventilação, empregados para qualquer finalidade, são assim classificados:

a) Ventilação natural.

b) Ventilação geral.

c) Ventilação geral para conforto térmico.

d) Ventilação geral diluidora.


HIGIENE DO TRABALHO 211
e) Ventilação local exaustora (sistema).

13.5 Sistemas de Ventilação

Os sistemas que requerem qualquer tipo de renovação do ar são classificados


basicamente em:

- ventilação natural ou espontânea;

- ventilação artificial, forçada ou mecanizada.

A Ventilação Natural ou Espontânea

Tem como parâmetros de contorno as diferenças de pressões naturais promovidas


pelos ventos e gradientes de temperaturas, essa renovação se dá pelas aberturas dos
ambientes. Nesse processo obtém-se baixo índice de renovação. Esse tipo de
ventilação atende a ambiente (recintos) de baixas concentrações de contaminantes no
ar.

Ventilação Artificial, Forçada ou Mecanizada

Nesse processo requer utilização de recursos mecânicos para promover maior arraste
do ar do ambiente. Esse tipo de ventilação pode ser geral diluidora o local exaustora
ou simplesmente exaustora e diluidora.

HIGIENE DO TRABALHO 212


Ventilação Geral Diluidora

Processo em que a ar puro se mistura com o ar ambiente contaminado diluindo-o seus


contaminantes antes de ser retirada do recinto, a diluição reduz as concentrações
elementos indesejáveis.

Ventilação Diluidora por Exaustão

Processo em que preferencialmente o ar contaminado ou quente é retirado do recinto,


permitindo que o ar puro entre por aberturas. Esse processo é amplamente utilizado
em fábricas, nas quais o ambiente atmosférico apresenta altos índices de
concentrações, nos casos de fundições, cabines de pinturas, jateamento, fornos etc.

Quando o ar ambiente é limpo e necessita apenas de renovação para conforto e evitar


contaminantes externos, o processo de insuflamento utilizado deve ser o filtragemé.
Esses ambientes podem ser exemplificados por áreas administrativas devidamente
climatizadas como, por exemplo, no caso das agências bancárias. Nelas, o
insuflamento promove uma diferença de pressão do ambiente externo com o interno,
deste modo, ampliando o conforto térmico e ampliando o controle da umidade.

Quando houver restrições de saídas em função da elevada pressão, fato que poderá
inclusive dificultar aberturas de portas e acesso, é fundamental que, especificamente
neste caso, seja utilizado o sistema misto de exaustão simultânea.

Ventilação Local Exaustora

Nos casos em que os contaminantes estiverem concentrados ou localizados,


utilizaremos o sistema de captação através da retirada dos contaminantes, antes que
eles possam entrar nos ambientes. Este processo é chamado de ventilação local
exaustora, muito utilizado em locais como laboratórios, restaurantes, entre outros

HIGIENE DO TRABALHO 213


ambientes que possuam as chamadas coifas. É importante considerar que este
procedimento, além de muito eficiente, é bastante econômico.

Métodos de distribuição do ar

Para os processos citados, quanto à renovação, podemos distribuir o ar no recinto de


várias maneiras conforme as condições apropriadas do recinto, definidas pelo projeto
seja arquitetônico ou de planta industrial.

- Distribuição de cima para baixo;


- Distribuição para baixo e para cima;
- Distribuição de baixo para cima;
- Distribuição cruzada;
- Distribuição mista;
- Distribuição especial em duto, em minas ou espaços confinados.

Distribuição de Cima para Baixo

Nesse processo o ar é introduzido pela parte superior do recinto e retirado pela parte
inferior; tem a vantagem de não permitir poeira no recinto, antecipar a mistura
contaminante com o ar ambiente, funciona como fluxo pistão, empurrando o ar para
saídas mais próximas, o que evita curto-circuito, ou turbulência.

Distribuição para Baixo e para Cima

Nesse processo o ar é introduzido e retirado pela parte superior, basicamente dois


tipos são usualmente utilizados:

- Entrada superior formando jato (fluxo) circulatório em todo recinto com saída (grades
de insuflamento) próxima da entrada.

HIGIENE DO TRABALHO 214


- Boca de insuflamento no teto, ocorre quanto o ponto de entrada e saída estão
próximas empurrando o ar para baixo formando uma mistura e retirando o ar por
insuflamento no centro da boca, típicos de lojas, bancos etc.

Distribuição de Baixo para Cima

O processo em que o ar é empurrado para cima pelas laterais do recinto e retirado por
pontos no teto, adotado em ambiente com carga térmica significativa, que com o
aumento de temperatura a ar de menor densidade tende a subir, ótimo para arraste
de calor de insolação de cobertura. As sobre pressão devem ser avaliadas para evitar
dificuldade de aberturas de portas e janelas adotar entorno de 10 N/m² (1 kg/m²).

Distribuição Cruzada

Os pontos de entrada e saída (de insuflamento) ficam em lados opostos situados pela
parte superior do recinto, formando um fluxo dentro do recinto, processo utilizado em
pequenos recintos por sua eficiência.

Distribuição Mista

Processo utilizado em recintos em existem vários comportamentos na atividade e os


contaminantes não apresentam uniformidades a combinação de distribuição permite
insuflar tanto para cima como para baixo o ponto de insuflamento fica normalmente
em altura mediana.

Distribuição em minas ou dutos

Utiliza técnica especial mecanizada para renovação do ar ambiente; nesse caso a


ventilação pode ser a combinação de todos os casos citados, levando-se em
consideração tipo de contaminante, área, distanciamento até o ponto de descarte do
ar, temperatura, pressão etc.

HIGIENE DO TRABALHO 215


Ar Condicionado

Evidentemente, o ar pode ser condicionado artificialmente. Segundo definição da


American Society of Heating, Refrigeratind and Air Conditioning Engineers (ASHRAE),
"ar condicionado é o processo de tratamento do ar de modo a controlar
simultaneamente a temperatura, a umidade, a pureza e a distribui, para atender às
necessidades do recinto condicionado", ocupado ou não pelo homem.

As aplicações do ar condicionado são inúmeras, podendo ser citadas, entre outras, as


seguintes:

a) Processos de fabricação de certos produtos que devem ser feitos em recintos com
umidade, temperatura e pureza controladas; por exemplo, fabricação de produtos
farmacêuticos, alimentícios, impressão de cores, industriais têxteis, de solventes etc.

b) Conforto do indivíduo e produtividade.

c) Hospitais: salas de operação, salas de recuperação e quartos para tratamento de


doentes alérgicos etc.

As Aplicações do Ar Condicionado são Inúmeras, Podendo ser Citadas, entre


outras, as Seguintes:

a) Processos de fabricação de certos produtos que devem ser feitos em recintos com
umidade, temperatura e pureza controladas; por exemplo, fabricação de produtos
farmacêuticos, alimentícios, impressão de cores, industriais têxteis, de solventes etc.;

b) Conforto do indivíduo e produtividade;

c) Hospitais: salas de operação, salas de recuperação e quartos para tratamento de


doentes alérgicos etc.

13.6 Orientações para o Cálculo de Instalação de Ventilação Mecanizada

Para calcular as instalações de ventilação mecanizada é importante que o Engenheiro


de Segurança do Trabalho verifique corretamente o dimensionamento de seus
HIGIENE DO TRABALHO 216
elementos e a determinação das perdas de cargas com objetivo de determinar a
potência mecânica de acionamento do motor para promover a renovação do ar
ambiente. Esse é, certamente, o grande objetivo.

O dimensionamento dos diversos elementos está ligado diretamente à vazão,


velocidade e áreas de entrada e saída do Ar.

Com a equação geral Q = AV

Q – vazão em m³/h

A – área em m²

V – velocidade em m/s

Para o cálculo normalmente necessitamos de determinar a área de ventilação que


chamaremos de (Ω) m²

Ω= Q m³/h . (m²)
V 3600 m/s

A vazão (Q) é calculada em função determinada pela necessidade da renovação do


ar, nesses cálculos devem-se ter precauções com arraste de poeiras, gotas, perdas de
cargas, deslocamento excessivo de ventos, a velocidade do ar atendida conforme NR
e NB 10 da ABNT.

Bocas de Insuflamento ou Difusores

Temos:

HIGIENE DO TRABALHO 217


Para parede

- Grades de palhetas horizontais e verticais fixas;

- Grades de palhetas horizontais e verticais flexionadas em um sentido;

- Grades de palhetas horizontais e verticais flexionadas em duplo sentido.

Para tetos

- Difusores de placas perfuradas;

- Grades que jogam o ar horizontalmente;

- Difusores com anéis ou palhetas embutidas sem indução;

- Difusores com anéis ou palhetas em degrau;

- Difusores com iluminação no centro.

Os tipos de difusores atendem a cada necessidade em função da indução necessária


no ambiente.

Existem, no mercado, difusores com seções diferentes adaptados a diversas vazões


que atendem satisfatoriamente, basta que o projetista determine a vazão de
insuflamento.

Ventilação Local Exaustora

A ventilação local exaustora tem como objetivo principal captar os poluentes de uma
fonte (gases, vapores ou poeiras toxicas) antes que os mesmos se dispersem no ar do
ambiente de trabalho, ou seja, antes que atinjam a zona de respiração do trabalhador.

A ventilação de operações, processos e equipamentos, dos quais emanam poluentes


para o ambiente, é uma importante medida de controle de riscos. De forma indireta,
a ventilação local exaustora também influi no bem-estar, na eficiência e na segurança
HIGIENE DO TRABALHO 218
do trabalhador, por exemplo, retirando-se do ambiente uma parcela do calor liberado
por fontes quentes que eventualmente existam. Também no que se refere ao controle
da poluição do ar da comunidade, a ventilação local exaustora tem papel importante.

A fim de que os poluentes emitidos por uma fonte possam ser tratados em um
equipamento de controle de poluentes (filtros, lavadoras etc.), eles têm de ser
captados e conduzidos a esses equipamentos, e isso, em grande número de casos, é
realizado por esse sistema de ventilação. Veja a ilustração a seguir.

Um sistema de ventilação local exaustora deve ser projetado de acordo com os


princípios de engenharia, ou seja, de maneira a se obter maior eficiência com o menor
custo possível. Por outro lado, devemos lembrar sempre que, na maioria dos casos, o
objetivo desse sistema é a proteção da saúde do homem; assim, esse fator deve ser
considerado em primeiro lugar, e todos os demais devem estar condicionados a ele.

Muitas vezes, a instalação de um sistema de ventilação local exaustara, embora bem


dimensionada, pode apresentar falhas que a tornem inoperante, pela não observância
de regras básicas na captação de poluentes na fonte.

HIGIENE DO TRABALHO 219


O enclausuramento de operações ou processos, a direção do fluxo de ar, entre outros
fatores, são condições básicas para uma boa captação e exausto dos poluentes. Como
exemplo, a figura a seguir ilustra a maneira correta de se proceder, comparada com
as situações que tornam a exaustão inoperante, nos casos específicos de
descarregamento de correias transportadoras e tanques de lavagem.

Os captores envolvem todo o sistema não permitindo emissões fugitivas formando


correntes de fluxo ascendente.

Dependendo das concentrações não é permitido o lançamento para atmosfera, pois


pode atingir a circunvizinhança, tendo assim a necessidade de instalações de filtros ou
dispositivos para reduzir as emissões atmosféricas. Exemplos são cortina de água,
filtros de carvão, filtros de manga etc.

Equipamentos básicos do sistema de ventilação local exaustora:


1. Captores;
2. Coletores (ciclones) alguns resíduos ficam retidos;
3. Ventiladores;
4. Motores de acionamento;
HIGIENE DO TRABALHO 220
5. Duto de canalização do ar contaminado;
6. Duto de saída do ar contaminado;
7. Dispositivos auxiliares de controle para descarte.

Captores

São pontos de captura de poluentes que, dimensionados convenientemente para uma


fonte poluidora, irão enclausurar parte da fonte e, com um mínimo de energia,
consegue-se a entrada desses poluentes para o sistema de exaustão. Esses captores
devem induzir, na zona de emissão de poluentes, correntes de ar em velocidades tais
que assegurem que os poluentes sejam carregados por estas correntes de ar para
dentro do captor. Em casos especiais, formas de captores devem ser desenhadas.

Usualmente as dimensões do processo ou operação determinam as dimensões do


captor e sua forma. Vários tipos de captores são utilizados nas mais diversas aplicações
industriais.

No conjunto do sistema de ventilação local exaustora os captores ficam instalado


próximos à fonte de contaminação de modo a arrastar todo ar contaminado; no projeto
deve-se ter preocupação com a velocidade de captação próxima a boca do captor ou
zona de captação.

HIGIENE DO TRABALHO 221


Qualidade dos captores

- Envolver toda fonte contaminante (baixa velocidade c’);


- Ter mínima seção de boca possível;
- Aproveitar em seu desempenho o movimento inicial das partículas ao serem geradas;
- Facilidade para operador;
- Facilidade de manutenção e limpeza.

Obs.: O bom dimensionamento do captor melhora o equilíbrio da potência mecânica


instalada.

Tipos de Captores

- Capelas;
- Coifas;
- Fendas;
- Captores de politrizes esmeril;
- Campânulas;
HIGIENE DO TRABALHO 222
- Simples bocas.

Capelas – armários normalmente usados em laboratórios;

Coifas – captores para arraste de gases ou vapores; fogões, forjas, fornos etc.;

Fendas – captores para gases ou vapores emitidos por tanques de banhos, instalados
sobre o tanque com saída de arraste fora de centro pela lateral, a fenda cobre toda
superfície do tanque;

Captores de politrizes e esmeris – envolvem motores (rotores) permitindo captura


do abrasivo e do material de corte ou desbasto;
Campânula – simples caixa que envolve o equipamento, usado em serraria,
ensacadeiras etc;

Simples boca – apenas abertura onde entra o ar ambiente.

Ventiladores

São os responsáveis pelo fornecimento de energia ao ar, com a finalidade de


movimentá-lo, quer seja em ambientes quer seja em sistema de dutos. A função básica
de um ventilador é, pois, mover uma dada quantidade de ar por um sistema de
ventilação a ele conectado. Assim, o ventilador deve gerar uma pressão estática
suficiente para vencer as perdas do sistema e uma pressão cinética para manter o ar
em movimento.

Basicamente, há dois tipos de ventiladores: os axiais e os centrífugos, conforme as


figuras a seguir.

HIGIENE DO TRABALHO 223


O ventilador de hélice consiste em uma hélice montada muna armação de controle de
fluxo, com o motor apoiado por suportes normalmente presos à estrutura dessa
armação. O ventilador é projetado para movimentar o ar de um espaço fechado a
outro a pressões estáticas relativamente baixas. O tipo de armação e posição da hélice
tem influência decisiva no desempenho do ar e eficiência do próprio ventilador.

Um ventilador centrífugo consiste em um rotor, uma carcaça de conversão de pressão


e um motor. O ar entra no centro do rotor em movimento na entrada e, acelerado
pelas palhetas, é impulsionado da periferia do rotor para fora da abertura de descarga.

Já vimos que a vazão varia com a rotação, que a pressão desenvolvida varia com o
quadrado da rotação e que a potência varia com o cubo da rotação. Essas relações,

HIGIENE DO TRABALHO 224


acrescidas das que mostram a variação da vazão, da pressão e da potência, com a
densidade do fluido e o tamanho do ventilador, constituem as chamadas leis dos
ventiladores. Usaremos a seguinte nomenclatura: D = diâmetro de ventilador (pés);
Q = vazão exaurida (pés/min) pressão estática (pol. de H2O); SP = rotações por
minuto; HP = potência transferida ao fluido (em horse power); = capacidade do
ventilador (lb/min); = densidade do fluido gasoso (lb/pe³); = eficiência mecânica do
ventilador.

Dados necessários para a seleção correta de um ventilador

 Capacidade ou vazão?
 Pressão estática ou total?
 Potência absorvida?
 O ventilador será centrífugo ou axial?
 Pode ser silencioso, de médio ou alto ruído?
 Vai aspirar ar limpo, sujo, com pós, fiapos ou corrosivos?
 Sendo corrosivo, quais são os agentes?
 Qual a temperatura do ar aspirado?
 Qual o diâmetro da peça onde vai ser ligado o ventilador, se for o caso?
 Trata-se de instalação de ventilação para fins de conforto ou para fins de
aspiração de poeiras, ou troca de calor, ou de ar condicionado, civil ou
industrial, ou torres de arrefecimento de água, ou de cabine de pintura?
 Não sabendo a capacidade, indicar o volume do ambiente, o número de pessoas
presentes, a potência instalada, os quilogramas por hora de óleo queimado etc.
 No caso de o ventilador ser centrífugo, indicar a posição da boca de saída,
olhando do lado do motor ou da polia.
 Quais são o diâmetro e o comprimento dos dutos onde vai ser ligado o
ventilador?
 Quantas curvas tem esse duto?
 Esse duto termina na atmosfera ou dentro de uma máquina? Como se chama
essa máquina?

HIGIENE DO TRABALHO 225


 Se vai aspirar de uma coifa ou um captor, quais as suas dimensões?
 No caso de substituição de ventilador existente, indicar:
 Motor = Potência HP; RPM ; Volts
 Transmissão direta ou por polia? Material de que é feito.

HIGIENE DO TRABALHO 226


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