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Cálculo diferencial e integral,

volume 4

José Ricardo Gonçalves Manzan

Ana Paula Arantes Lima

Anderson Osvaldo Ribeiro


© 2011 by Universidade de Uberaba

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Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário

Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE

Manzan, José Ricardo Gonçalves.


M319 c Cálculo diferencial e integral, volume 4 / José Ricardo Gonçalves
Manzan, Ana Paula Arantes Lima, Anderson Osvaldo Ribeiro. –
Uberaba: Universidade de Uberaba, 2011.
v.4, 140 p. : il.

ISBN 978-85-7777-431-9

1. Cálculo diferencial. 2. Números complexos. 3. Equações diferenciais. 4. Calculo


vetorial. I. Manzan, José Ricardo Gonçalves. II. Lima, Ana Paula Arantes. III.
Ribeiro, Anderson Osvaldo. IV. Universidade de Uberaba. V. Título.

CDD: 515.33
Sobre os autores
José Ricardo Gonçalves Manzan

Especialista em Matemática e Estatística pela Universidade Federal


de Lavras. Licenciado em Matemática pela Universidade de Uberaba.
Professor de Cálculo, de Álgebra Linear e de Estatística do Instituto
Federal do Triângulo Mineiro, nos cursos de Engenharia Agronômica,
Gestão Ambiental, Química e Zootecnia.

Ana Paula Arantes Lima

Licenciada em Matemática pela Universidade de Uberaba. Professora


da área de Matemática e Coordenadora de Referência dos cursos de
Engenharias, modalidade a distância, da Universidade de Uberaba.

Anderson Osvaldo Ribeiro

Especialista em Docência do Ensino Superior pela Universidade


de Uberaba – UNIUBE. Engenheiro Civil pela Universidade de
Uberlândia – UFU – e Licenciado em Física pela mesma Universidade.
É professor nos cursos de Graduação em Engenharia e Sistemas de
Informação na UNIUBE.
Sumário
Apresentação..................................................................................................VII

Capítulo 1 Números complexos: representações e operações .... 1


1.1 Um pouco da história dos números complexos ............................................3
1.2 A forma algébrica dos números complexos...................................................5
1.2.1 Propriedades dos números complexos.................................................7
1.2.2 Divisão de números complexos............................................................9
1.3 Representação geométrica dos números complexos..................................11
1.3.1 Módulo de um número complexo........................................................15
1.4 A forma trigonométrica de um número complexo........................................17
1.5 Produto e divisão de números complexos na forma trigonométrica...........19
1.6 Potenciação e radiciação............................................................................21

Capítulo 2 Equações diferenciais no contexto das ciências....... 27


2.1 Equações diferenciais: significado e conceitos básicos...............................28
2.2 Equações lineares ordinárias de primeira ordem.........................................31
2.2.1 Métodos de resolução.........................................................................31
2.2.2 Algumas aplicações.............................................................................39
2.3 Campos de direções e o Método de Euler...................................................46
2.4 Equações diferenciais lineares de segunda ordem......................................53

Capítulo 3 Cálculo vetorial.......................................................... 73


3.1 Campos vetoriais..........................................................................................74
3.1.1 Criação de campo vetorial utilizando recursos computacionais..........79
3.2 Divergência e rotacional...............................................................................87
3.3 Integrais de linha ou curvilíneas..................................................................89
3.1.1 Criação de campo vetorial utilizando recursos computacionais..........98
3.4 Independência do caminho........................................................................105
3.5 Teorema de Green......................................................................................113
3.6 Integrais de superfície................................................................................116
3.7 Teorema da divergência ou Teorema de Gauss.........................................125
3.8 Teorema de Stokes.....................................................................................128
Apresentação
Prezado(a) aluno(a).

Desde o livro Cálculo diferencial e integral, volume 1, você estabelece


um contato direto com o cálculo diferencial e integral e pode visualizar,
especialmente no estudo das derivadas e das integrais, o potencial que
este instrumento matemático tem, no contexto das várias ciências. Não
temos a intenção de esgotar as possibilidades de utilização, conceitos
e desdobramentos dessa importante ferramenta matemática, mas
oferecer-lhe condições de compreendê-lo em sua abrangência. Para
tanto, organizamos este livro, Cálculo diferencial e integral, volume 4,
fazendo, inicialmente, um estudo sobre números complexos para, em
seguida, continuarmos com o cálculo propriamente dito.

No primeiro capítulo, intitulado “Números complexos: representações


e operações” você terá a oportunidade de estudar as propriedades
e características do conjunto dos números complexos e operações.
Aprenderá a resolver equações quadráticas que apresentem soluções
complexas, reconhecer as diferentes formas de se representar um
número complexo e manipular transformação entre as diferentes
maneiras de se representar um número complexo.

No segundo capítulo, intitulado “Equações diferenciais no contexto das


ciências”, você será levado(a) a interpretar e resolver as equações
diferenciais mais básicas , assim como, interpretar e solucionar algumas
situações mais comuns em que elas se aplicam. No terceiro capítulo,
intitulado “Cálculo vetorial”, você aprenderá a criar campos vetoriais e
poderá visualizar as soluções utilizando softwares como o Scilab e o
MatLab. Verá o cálculo vetorial e suas aplicações que envolvem as
questões de fluxo e fluido. O conhecimento dos conteúdos abordados
neste livro é fundamental para o prosseguimento de seus estudos nos
demais componentes nas etapas adiantes. Assim, recomendamos
que estude e não acumule dúvidas.

Bons estudos.
UNIUBE 1
Capítulo Números complexos:
1 representações
e operações

Ana Paula Arantes Lima


José Ricardo Gonçalves Manzan
Anderson Osvaldo Ribeiro

Introdução

Em unidades anteriores, realizamos o estudo dos conjuntos


numéricos, que, relembrando a você, são os números naturais
(  ), inteiros (  ), racionais (  ), irracionais ( Ι ) e, finalmente, o
conjunto dos números reais (  ).

Este último conjunto, o dos números reais, é dado pela união


entre os números racionais e os irracionais. Para a maioria
dos problemas que nos interessam, o conjunto  fornece as
soluções. No entanto, existem algumas equações polinomiais
que não apresentam conjunto solução no conjunto dos números
reais. Observe os exemplos seguintes, em que tentamos
determinar as soluções de duas equações quadráticas:

a) x 2 − 6 x + 5 =
0

Aplicando-se a fórmula de Baskara:


∆= b 2 − 4ac −b ± ∆ −( −6) ± 16 6 ± 4
2
= x = =
∆ = ( −6) − 4 ⋅ 1⋅ 5 = 36 − 20 2a 2 ⋅1 2
∆ =16 = x ' 5=ou x " 1

O conjunto solução da equação, então, é: S = { 1,5 }

b) x 2 − 4 x + 5 =
0
2 UNIUBE

∆= b 2 − 4ac −b ± ∆ −( −4) ± − 4
= x =
2a 2 ⋅1
∆ = ( −4)2 − 4 ⋅ 1⋅ 5 = 16 − 20
∆ = −4 4 ± −4
x=
2

Quando você se deparou com uma equação dessas em


capítulos anteriores, certamente deve ter escrito algo como
“não há solução real”, ou seja, o conjunto solução é vazio:
S =φ .

Tal fato se deve à propriedade de qualquer número perten-


cente ao conjunto  , seja ele positivo ou negativo, quando
elevado ao quadrado, tornar-se positivo. Assim, não seria
possível determinar uma raiz quadrada real para o número – 4.

No entanto, é possível se determinar essa raiz quadrada


com um radicando negativo, desde que se considerem o
universo dos números complexos. Com o intuito de mostrar-
-lhe como isso pode ser feito, organizamos este capítulo.

Objetivos

Ao final deste capítulo de estudo, o aluno deverá ser capaz de:

• identificar o conjunto dos números complexos;


• resolver equações quadráticas que apresentem solu-
ções complexas;
• reconhecer as diferentes formas de se representar um
número complexo;
• manipular a transformação entre as diferentes maneiras
de se representar um número complexo;
• realizar operações de soma/subtração, produto/divisão
e potenciação de números complexos nas suas dife-
rentes representações;
UNIUBE 3

• representar os números complexos no plano complexo


e determinar a forma trigonométrica desses complexos;
• realizar operações de potenciação e radiciação de
números complexos.

Esquema

1.1 Um pouco da história dos números complexos


1.2 A forma algébrica dos números complexos
1.3 Representação geométrica dos números complexos
1.4 A forma trigonométrica de um número complexo
1.5 Produto e divisão de números complexos na forma trigo-
nométrica
1.6 Potenciação e radiciação

1.1 Um pouco da história dos números complexos

Depois da criação dos números reais, os matemáticos acharam que


não seria mais necessária a ampliação dos conjuntos numéricos.
Alguns matemáticos, como chegaram a denominar de “fictícias”
as soluções para os radicais de números negativos. A geometria
tinha um papel fundamental, pois, naquela época, só era aceito
pelos matemáticos como verdade matemática aquilo que podia ser
representado ou provado através da geometria.

Até mesmo os matemáticos indianos e árabes, que eram mais


voltados à álgebra do que os gregos tiveram uma grande resistência,
chegando a considerar os radicais de números negativos como
sendo expressões que não tinham significado.

Para entendermos então o conjunto dos números complexos, vamos


admitir a existência de solução para a equação x =± −1 , que muito
preocupou os matemáticos durante o século XV. Ao tentarmos
resolver a equação, obtemos: x =± −1
4 UNIUBE

Para que essa equação, e tantas outras, apresentassem solução,


ampliou-se o universo dos números, admitindo a existência do
chamado número imaginário, cujo quadrado seria igual a – 1.

Ainda que o conjunto dos números complexos (  ) tenha surgido da


necessidade de se determinar soluções para equações do terceiro
grau, a existência desse conjunto permite que se calculem radicais
de índice par para números negativos.

Mais tarde, em 1794, Leonard Euler utilizou o símbolo “i” para represen-
tar a unidade imaginária: i= −1 ou i 2 = − 1.

Se retornarmos à equação anterior, x 2 − 4 x + 5 =


0 , que não apresen-
tava solução real, temos:

4 ± − 4 4 ± 2i
=x =
2 2
x =' 2 + i
x "= 2 − i

As soluções complexas da equação são: S ={ 2 + i , 2 − i }

Caso você não tenha entendido porque a raiz do número – 4 é igual


a 2i, fique atento ao seguinte fato:

−4 = 4 ⋅ −1 = 2 ⋅ i
ou
( 2i ) = 2 ⋅ i 2 = 4 ⋅ ( −1) = 4
2 2

Assim, de um modo geral, podemos dizer que para determinarmos


a raiz complexa de um número negativo, basta determinar a raiz do
número, desconsiderando o sinal, e, em seguida, multiplicarmos
essa raiz pela unidade imaginária i. Observe os exemplos, a seguir:

a) 4i c)
−16 = −81 =
9i

−3 3
b) 5i d)
−25 = = i
4 2
UNIUBE 5

Agora, você vai conhecer diferentes formas de se representar os


números complexos, e as operações que podem ser realizadas
com esses números.

1.2 A forma algébrica dos números complexos

Um número complexo z, na forma algébrica, pode ser representado


na seguinte forma:
z= a + bi

O número “a” é chamado de parte real do complexo e o número “b”


é chamado de parte imaginária.

Re( z ) = a Im( z ) = b
e

Quando a parte real do complexo é nula, temos um número denominado


imaginário puro: z =0 + bi ⇒ z =bi (z é imaginário puro).

Exemplo: z = −3i

Quando a parte imaginária do complexo é nula, temos que esse


complexo é um número real: z =a + 0i ⇒ z =a (z é real)
Exemplo: z = 4 + 0 ⋅ i corresponde ao número real 4

Podemos entender todo número real como sendo um complexo


em que a parte imaginária é nula.
Assim, todo número real é um complexo, mas nem todo número
complexo é real.

A unidade imaginária

O conjunto dos números complexos, representado por  , é o


conjunto dos pares ordenados z = ( a , b ) , com a ∈  e b ∈  , que
indicam os complexos z= a + bi .

Chama-se unidade imaginária o par ordenado, em  , ( 0,1) . Esse


par será representado por i, e seu valor é i= −1 .
6 UNIUBE

A representação algébrica dos complexos não se restringe apenas


às potências da unidade imaginária. Qualquer radical de índice
par e radicando negativo é um número complexo que pode ser
representado com a utilização da unidade imaginária “i”. Observe
o exemplo:
−50

Utilizando as propriedades da radiciação, temos:

−50
= 50 ⋅ ( −=
1) 50 ⋅ −=
1 5 2 ⋅i

No entanto, como já foi citado anteriormente, a maior utilização dos


complexos, tanto em termos algébricos como em suas aplicações,
se dá pela soma de um número real com uma unidade imaginária.

1 i

Os números 4 + 2i , 5 − 3 ⋅ i e 3 5 são exemplos de complexos
com uma parte real e outra imaginária.

Você, agora, vai realizar a atividade 1 proposta, a seguir, e observar


o que ocorre com as potências da unidade imaginária.

Atividade 1

1.1 Complete as lacunas indicadas, a seguir, para as potências da


unidade imaginária:

i0 = 1 i 6 = ____________
i1 = i i 7 = ____________
i 2 = −1 i 8 = ____________
i 3 =i 2 ⋅ i =( −1) ⋅ 1 =−i i 9 = ____________
i 4 = _____________ i 10 = ____________
i 5 = _____________ i 11 = ____________

1.2 Observe o expoente da potência e o resultado obtido. O que


você percebeu na sequência dos resultados obtidos?
UNIUBE 7

1.3 De acordo com suas observações, para um valor inteiro n,


complete as lacunas, a seguir:

i 4n = 1 i 4 n + 2 = ______ i 4 n + 2 = ______ i 4 n + 3 = ______

IMPORTANTE!

Vimos, anteriormente, que Euler utilizou a letra “i” para simbolizar a


unidade imaginária −1 . Esta notação é utilizada até os dias de hoje.

Em problemas de engenharia, os números complexos aparecem


frequentemente no estudo dos circuitos de corrente alternada, em que
a grandeza física da corrente é simbolizada por i. Assim, para evitar
confusões com o símbolo de corrente elétrica, adota-se o símbolo j
para representar a unidade imaginária.

Assim, o número 3 − 7 j indica o complexo com parte real igual a 3


e parte imaginária – 7. No texto e nas atividades seguintes, utilizaremos
i para a unidade imaginária, e outras vezes usaremos o j.

1.2.1 Propriedades dos números complexos


Assim como todos os conjuntos numéricos, os complexos têm a
relação de igualdade e as operações de adição e multiplicação
definidas.

Igualdade: a + bi =c + di ⇔ a =c e b =d

Dois números complexos são iguais se, e somente se, têm partes
reais iguais e partes imaginárias iguais.

Adição: (a + bi ) + (c + di ) = (a + c ) + (b + d )i
8 UNIUBE

A soma de dois números complexos é um complexo cuja parte real


é a soma das partes reais das parcelas e cuja parte imaginária é a
soma das partes imaginárias das parcelas.
Exemplo: considere os complexos z1= 5 − 3i , z2 = (12 ,7 ) e z3 = 4i
e determine os resultados das operações, a seguir:

a) z1 + z2
z1 + z2 = 5 − 3i + (12 + 7i ) = 5 + 12 + ( −3 + 7)i
z1 + z2 = 17 + 4i

b) z3 − 2z2
z3 − 2 ⋅ z1 = 4i − 2 ⋅ (5 − 3i ) = 4i − 10 + 6i
z3 − 2 ⋅ z1 =−10 + 10i

Multiplicação: (a + bi )(c + di ) = (ac − bd ) + (ad + bc )i

isto é, o produto de dois números complexos é o resultado do


desenvolvimento de (a + bi )(c + di ) , aplicando a propriedade distribu-
tiva e levando em conta que i 2 = −1 :

(a + bi )(c + di ) = a(c + di ) + bi (c + di ) = ac + adi + bci + bd ⋅ i 2


(a + bi )(c + di ) = (ac − bd ) + (ad + bc )i

Apresentamos o resultado desse produto apenas para fins de


definição da propriedade do produto. Uma vez que o processo de
multiplicação, aplicando-se a propriedade distributiva, é bastan-
te simples, indicamos que você não tente decorar o resultado
(ac − bd ) + (ad + bc ) ⋅ i , e realize o produto em cada um dos exercícios
que essa operação aparecer.

Exemplos: considere os complexos z2 = (12 ,7 ) , z2 = (12 ,7 ) e z3 = 4 j


e determine:
UNIUBE 9

a) z1 ⋅ z2
z ⋅ z = (5 − 3 j ) ⋅ (12 + 7 j ) = 60 + 35 j − 36 j − 21j 2
1 2

z1 ⋅ z2 = 60 − j − 21 ⋅ ( −1) = 60 − j + 21
z1 ⋅ z2 = 81 − j

b) 2z1 ⋅ z3 + z2
2z ⋅ z + z =2 ⋅ (5 − 3 j ) ⋅ 4 j + 12 + 7 j
1 3 2

2z1 ⋅ z3 + z2 = 40 j − 24 j 2 + 12 + 7 j = 47 j + 12 − 24 ⋅ ( −1) = 47 j + 12 + 24
2z1 ⋅ z3 + z2 = 36 + 47 j

Atividade 2

Efetue as operações indicadas, a seguir:

a) (3 + 5i ) + ( −1 − 3i ) c) (3 + 2i ) ⋅ (5 + i )
b) (7 − 3i ) − (2 + 2i ) d) ( 3 + 2i )( 2 − 4i )

1.2.2 Divisão de números complexos

Para realizar a operação de divisão com os complexos, precisamos


conhecer um recurso algébrico necessário, o denominado “conjuga-
do” de um complexo.

Chama-se conjugado de um número complexo z= a + bi , ao


complexo indicado por z , tal que: z= a − bi .

Por exemplo, o conjugado de (3 + 5 j ) é ( −2 − 4 j ) , e o conjugado de


( −2 − 4 j ) é o complexo ( −2 + 4 j ) .

Consequentemente, temos as seguintes propriedades do conjuga-


do:

I) z + z = 2 ⋅ Re( z )

II) z − z = 2 ⋅ Im( z ) ⋅ i
10 UNIUBE

III) z = z ⇔ z ∈ 

Você, agora, vai exercitar os conceitos sobre divisão de números


complexos realizando a atividade 3.

Atividade 3

Dado o número z= 3 + 4i , resolva os itens, a seguir:

a) determine o conjugado de z;

b) realize a adição z + z e compare com o item I das


propriedades apresentadas anteriormente;

c) realize a subtração z − z e compare com o item II das


propriedades anteriores.

Agora, que conhecemos o conjugado, podemos trabalhar a divisão


dos complexos. Dados os complexos z= 4 + 3 j e w= 3 − 2 j , vamos
z
obter a razão w :
z 4 +3j
=
w 3 − 2j

Para resolvermos esta divisão, temos que multiplicar o numerador


e o denominador pelo conjugado do denominador. Observe:

z (4 + 3 j ) (3 + 2 j ) 12 + 8 j + 6 j + 6 ⋅ j 2
= ⋅ =
w (3 − 2 j ) (3 + 2 j ) 9 − 4 ⋅ j2

12 + 14 j + 6 ⋅ ( −1) 6 + 14 j 6 14
= = = + j
9 − 4.( −1) 13 13 13

Assim, obtemos como resultado um número complexo do tipo a + bj


ou a + bj .
UNIUBE 11

Generalizando:

Se z= a + bi e w= c + di , temos que:

w c + di (c + di )(a − bi ) ca + db da − cb
= = = + i
z a + bi (a + bi )(a − bi ) a 2 + b 2 a 2 + b 2

PARADA OBRIGATÓRIA

Indicamos que faça a leitura do encarte, ao final deste capítulo, do


tópico sobre Números Complexos, até o exemplo 1 sobre operações
com números complexos.
Em seguida, realize a atividade 4.

Atividade 4

Coloque os complexos, a seguir, na forma algébrica e resolva a


divisão:
a) 3 b) 3 − 4i c) 4 − i
9

i 3 + 2i 1 − 3i

1.3 Representação geométrica dos números complexos

Utilizando a geometria, como poderíamos representar o número


imaginário −1 ?

Foi Jean Robert Argand (1786 – 1822), partindo da ideia da média


geométrica, quem construiu todo o plano dos números complexos.
Observando que, se cada ponto de uma reta pode corresponder a
um número real, então, cada ponto do plano podia ser, também,
associado a um número complexo.

No plano complexo, ou também chamado de plano de Argand-Gauss,


cada ponto representado pela fórmula z= x + yi será associado a
um ponto P(x, y) do plano cartesiano xOy. Desta maneira, o eixo
12 UNIUBE

das abscissas representa a parte real de z, e o eixo das ordenadas


a parte imaginária de z. O ponto P(x, y) é denominado de afixo do
número complexo z= x + yi .

Exemplo:

Vamos representar, na Figura 1, geometricamente, os números com-


plexos:

A= 3 − 2i B = 5 C = −2i D= 2 + i E =−2 + i

Im(z) A = 3 – 2i = (3, -2)


2 B = 5 = (5, 0)
C = - 2i = (0, -2)
D = 2 + i = (2, 1)
1 E = -2 +i = (-2, 1)

Re(z)
−2 −1 1 2 3 4 5

−1

−2

Figura 1: Plano de Argand e representação geométrica dos números complexos.

Os números complexos podem apresentar


Vetores grandezas indicando a sua direção no plano
complexo. Dessa forma, podemos associar
Um segmento de reta
orientado que parte da
os números complexos aos vetores, que,
origem até o ponto (x,y). em Física, indicam grandezas como velo-
cidade, força, aceleração, possuindo módulo,
direção e sentido.
UNIUBE 13

IMPORTANTE!

Vamos utilizar a atividade 5, a seguir, para que você compreenda


melhor a representação geométrica dos números complexos. Realize a
atividade com atenção, confira os resultados encontrados no referencial
de respostas, e fique atento(a) às relações entre a representação
geométrica e a soma algébrica.

Atividade 5

Resolva, algébrica e geometricamente, a adição dos números


complexos z1= 1 + 2i e z2= 4 + i .

a) Primeiro represente, no plano complexo, os dois


números complexos:

Im(z)

Re(z)
1 2 3 4 5

b) Agora, realize algebricamente a soma, ou seja, faça z1 + z2 =


z3 :

c) Represente, no mesmo plano, os complexos z1 , z2 e z3 :


14 UNIUBE

Im(z)

Re(z)
1 2 3 4 5

Se você representou corretamente os complexos z2 , z2 e z3 é


possível observar que os vetores que têm origem no ponto (0,0)
e extremidade nos pontos (x,y) que são afixos desses complexos
  
são vetores tais, que: z1 + z2 =
z3 . (Figura 2).

Im(z)

Re(z)
1 2 3 4 5

Figura 2 : Vetores que representam os complexos.


UNIUBE 15

1.3.1 Módulo de um número complexo

Dado um número complexo z= a + bi , não nulo, sua representação


no plano complexo está indicada na Figura 3, a seguir:

Figura 3: Forma geométrica do complexo z= a + bi .

O módulo do número complexo, indicado por z , é dado pela


distância entre a origem O do sistema de coordenadas e o ponto
P, afixo do número complexo. Apenas relembrando, essa distância
pode ser obtida através do teorema de Pitágoras.

Algumas literaturas adotam ρ para simbolizar essa distância, e


assim podemos escrever:

=
z a 2 + b 2 ou
=ρ a2 + b2
16 UNIUBE

Propriedades envolvendo módulo:

2
I z ⋅ z =z
z = z
II
z1 ⋅ z2 = z1 ⋅ z2
III

Observe o exemplo, a seguir:

Determine o módulo do número complexo z =− 4 + 3j .


Temos:

z = ( − 4)2 + 32 = 16 + 9 = 25
z =5

Para exercitar o conceito de módulo e suas propriedades, antes de


prosseguir com sua leitura, realize a atividade 6.

Atividade 6

Dados os números complexos z= 2 + 3i e w =−3 + 2i , responda aos


itens que se seguem:

a) calcule z ⋅ w , z , z + w , z e w ;
w
b) calcule agora z ⋅ w e z ⋅ w . Em seguida, compare os
resultados;
z
c) agora, obtenha a razão e a razão z . Faça a comparação
dos resultados; w w

d) determine o módulo da adição z + w e compare com os


resultados obtidos ao se fazer z + w ;

e) anote o que você observou em relação aos itens anteriores.


UNIUBE 17

1.4 A forma trigonométrica de um número complexo

Já estudamos alguns conceitos sobre forma trigonométrica em livros


anteriores, especialmente, no estudo das funções trigonométricas.

Precisaremos do conhecimento de alguns elementos relacionados


ao assunto, por isso, sugerimos que você retorne aos materiais
estudados, anteriormente, caso seja necessário.

Vamos, novamente, representar um número complexo qualquer


z= a + bi no plano de Argand-Gauss. A Figura 4 apresentada aqui,
praticamente é a mesma utilizada anteriormente para indicar o módulo
do complexo. Apenas foi incluso nessa figura o ângulo ϕ , que indica
a abertura entre o eixo x e o segmento que une o segmento que une
a origem ao ponto (a,b) , afixo do número complexo z= a + bi .

a
cos ϕ = ⇒ a = ρ ⋅ cos ϕ
ρ
b
sen ϕ = ⇒ b = ρ ⋅ sen ϕ
ρ

Figura 4: Representação geométrica de um número


complexo e seus componentes.
18 UNIUBE

O ângulo ϕ é chamado de argumento do número complexo.

A forma trigonométrica de um complexo pode ser entendida, de


forma simplificada, como reescrever a forma algébrica z= a + bi ,
em função do módulo do número complexo, e dos valores da parte
real (a) e da parte imaginária (b) escritos como função do ângulo ϕ .
Assim, z= a + bi fica escrito como:

z = ρ ⋅ cos ϕ + ρ ⋅ sen ϕ ⋅ i ou z = ρ ⋅ ( cos ϕ + i ⋅ sen ϕ )

Para se escrever um número complexo z= a + bi na


forma trigonométrica, basta conhecermos seu módulo
e, ainda, o valor do ângulo ϕ que satisfaça às condições
de
b b
sen ϕ = e sen ϕ = .
ρ ρ

Observe o exemplo seguinte: dado o número w = 1 + 3i , vamos


colocá-lo na forma trigonométrica.

( 3)
2
Calculando o módulo de w: w = ρ = 12 + ⇒ ρ = 1+ 3 ⇒ ρ = 2

a 1 b 3
Calculando o argumento ϕ : cos ϕ= = e senϕ= =
ρ 2 ρ 2
O arco que satisfaz aos valores do seno e cosseno encontrados é
π π
, ou o ângulo de 60º. Portanto, ϕ = .
3 3
Substituindo, na relação, z = ρ ⋅ ( cos ϕ + i ⋅ senϕ ) , temos:

 π π
w = 2 ⋅  cos + i ⋅ sen 
 3 3
UNIUBE 19

IMPORTANTE!

É importante salientar que existem infinitos arcos θ que satisfazem


a 1 b 3
à condição de cos θ= = e senθ= = .
ρ 2 ρ 2
Dessa forma, seria possível determinarmos diversos argumentos no
exemplo anterior.

Contudo, o argumento que está compreendido no intervalo de [0,2π [


é chamado de argumento principal, ou seja, utiliza-se como argumento
do complexo um ângulo compreendido no intervalo 0º ≤ θ ≤ 360º .

Exercite os conceitos estudados nesse tópico, realizando a ativi-


dade 7, a seguir.

Indicamos que, antes de realizar a atividade, você procure relembrar


nas unidades anteriores, os conceitos relativos a seno, co-seno e
arcos de circunferência.

Atividade 7
7.1 Represente, na forma trigonométrica, os seguintes complexos:
1
−4 3 − 4i
a) z = b) z = −i c) z =
1− i
6 2
7.2 Seja o complexo=
z + i.
2 2

a) Escreva z e z na forma trigonométrica.

b) Faça a representação gráfica de z e z .

1.5 Produto e divisão de números complexos na


forma trigonométrica
Para números complexos que estejam escritos na forma trigonométrica,
nas operações de produto e divisão entre esses números, é possível
realizar estas operações sem que primeiramente seja preciso reescrever
os números na forma algébrica, para posteriormente realizar o produto/
divisão.
20 UNIUBE

Considerando os complexos

z1 = ρ1 ( cos ϕ1 + j ⋅ sen ϕ1 ) e z2 =ρ2 ( cos ϕ2 + j ⋅ sen ϕ2 ) temos:

O produto de z1 ⋅ z2 definido por:

z1 ⋅ z2 = ρ1 ⋅ ρ2 cos ( ϕ1 + ϕ2 ) + j sen ( ϕ1 + ϕ2 ) 

z1
A divisão é definida por:
z2
z1 ρ
= 1 ⋅ cos ( ϕ1 − ϕ2 ) + j sen ( ϕ1 − ϕ2 ) 
z 2 ρ2

Novamente, chamamos atenção para o fato de que todas essas


fórmulas podem ser demonstradas, mas suas deduções foram
omitidas por não ser o foco de nossos estudos.

Atividade 8

8.1 Reescreva os números complexos na forma algébrica:

 7π 7π 
a) z1 2  cos
= + isen
 4 4 
 2π 2π 
b) z2 4  cos 3 + i ⋅ sen 3 
=
 
3π 3π 
c) z3 4  cos
= + isen
 2 2 
8.2 Para os complexos indicados no exercício anterior realize as
seguintes operações:

a) z1 ⋅ z2
z1
b)
z3
UNIUBE 21

1.6 Potenciação e radiciação

Extrair a raiz quadrada, cúbica, ou de outro índice qualquer de um


número natural é um processo bem conhecido e de fácil resolução.

Da mesma forma, as operações de radiciação de números naturais é


um processo relativamente simples.

Podemos resolver potências de números complexos através do


processo usual, em que, por exemplo, para um complexo z elevado
ao cubo, teríamos: z2= z ⋅ z . Mas, esse processo pode se tornar
muito trabalhoso, para números complexos com parte imaginária
e parte real diferentes de zero, quando os expoentes são maiores
ou iguais a 3.

Por exemplo, para se determinar a potência (4 − 3i )7 , necessitaríamos


fazer: (4 − 3i )7 = (4 − 3i ) ⋅ (4 − 3i ) ⋅ ... ⋅ (4 − 3i ) sete vezes, o que exigiria
um cálculo algébrico relativamente extenso.

Nestes casos, torna-se mais fácil utilizarmos a forma trigonométrica


do número complexo para desenvolver a potência.

=
Tomemos o complexo z ρ ( cos θ + isenθ ) .
Se elevarmos esse complexo a um expoente n temos: z n = z
⋅ z ⋅z.
z ⋅ ...
⋅
n fatores
Não iremos aqui demonstrar a validade dessa equação matemática,
mas para o número na forma trigonométrica é possível demonstrar
que:
z n = ρ ⋅ ρ ⋅ ... ⋅ ρ cos (θ + θ + ... + θ ) + isen (θ + θ + ... + θ )

z n = ρ n ⋅ [cos(nθ ) + i ⋅ sen(nθ )]

Esta expressão é denominada de 1ª fórmula de De Moivre.

Observe o exemplo, a seguir: Calcular z7, sendo z= 2 + 2 3i :

Primeiramente, determina-se o módulo do complexo e o argumento


θ , para que o complexo possa ser escrito na forma trigonométrica:
22 UNIUBE

( ) 1 3
2
ρ
= 22 + 2 3 =
cos θ = e sen θ
2 2
ρ = 16 π
θ=
ρ =4 6

Assim, podemos escrever o complexo na forma:

 7π 7π 
z = 4 ⋅  cos + i ⋅ sen e aplicar, em seguida, a fórmula de De
 6 6 
Moivre.

 7π 7π 
=z 7 47  cos + i sen
 6 6 
 3  1 
=z 7 16384  − + i ⋅  − 
 2  2  
z7 =
− 8192 3 − 8192i

Agora, realize a atividade 9 para fixar seus conceitos sobre a


potenciação de complexos pela fórmula de De Moivre.

Utilizando a primeira fórmula de De Moivre, calcule as potências,


a seguir:

50
 3 i
( ) c) ( 4i )
9 4
a)  −  b) − 3 + i
 2 2 

De forma semelhante ao que ocorre com a potenciação de comple-


xos, para a radiciação também há uma fórmula que facilita a obtenção
das raízes. As raízes de um número complexo z, que esteja na forma
=
trigonométrica z ρ ( cos θ + isenθ ) , podem ser calculadas pela se-
guinte fórmula:

 θ + 2kπ θ + 2kπ 
w=
k
n
=
z n ρ  cos + i sen 
 n n 
UNIUBE 23

Esta é 2ª Fórmula de De Moivre. Não apresentaremos aqui sua


demonstração e/ou dedução, por não se tratarem do objetivo de
nossos estudos. No entanto, deve-se observar alguns detalhes na
utilização dessa segunda fórmula:

• para valores de k ≥ n , os arcos coincidem, levando à obtenção


das mesmas raízes. Portanto, ao calcular as raízes de um número
complexo, consideraremos para k valores inteiros compreendidos
no intervalo 0 ≤ k < (n − 1) ;

• os distintos w k , que são obtidos pela fórmula, representam as


raízes do número complexo z;

• a interpretação geométrica das raízes mostra que elas per-


θ
tencem à circunferência de raio n , sendo que uma delas tem
θ
como argumento .
n

Observe o exemplo de determinação das raízes cúbicas do


complexo z = 8 .

Encontrando ρ : ρ = a2 + b2 = 82 + 02 = 8

Determinando o argumento:

a 8 
cos θ== = 1
ρ 8 
θ = 0
b 0
senθ= = = 0 
p 8 

O número complexo na forma trigonométrica é dado por:


=z 8 ( cos 0 + isen0 )

Utilizando a 2ª fórmula de De Moivre, temos:

3  0 + 2kπ 0 + 2kπ   2kπ 2kπ 


=
wk 8  cos + isen ⇒=w k 2  cos + isen
 3 3   3 3 
24 UNIUBE

Neste caso, como a raiz é cúbica, temos n = 3 e os valores de k


variando de 0 até ( n − 1) , ou seja, k = 0, 1 e 2. Logo, as raízes são:

k =0 ⇒ w 0 =2 ( cos 0 + isen0 ) =2 (1 + i 0 ) =2

 2π 2π   1 3
k =1 ⇒ w1 =2  cos + isen  =2  − 2 + i 2  =−1 + i 3
 3 3   
 4π 4π   1 3
k =2 ⇒ w 2 =2  cos + isen  =2  − 2 − i 2  =−1 − i 3
 3 3   

As raízes do complexo z = 8 , então, são: S= { 2 ,− 1+ i 3 , − 1− i 3 }

Resumo
Nesse capítulo, você estudou o universo dos números complexos,
e as soluções de algumas equações que apresentam soluções
complexas.

Os números complexos são aqueles que apresentam a chamada


unidade imaginária, definida como sendo o número que elevado ao
quadrado resulta em – 1, ou seja, i 2 = −1 ou i= −1 . Eles podem
ser apresentados na forma algébrica como z = a + b ⋅ i , em que o
número “a” é chamado de parte real do complexo e o número “b” é
chamado de parte imaginária: Re( z ) = a e z = (a , b ) . Esse complexo
pode ser ainda representado através de um par ordenado z = (a , b ) .

É possível se realizar operações de igualdade, soma/subtração e


produto entre os números complexos, e que essas operações são
semelhantes àquelas realizadas com os números reais:

Igualdade: a + bi =c + di ⇔ a =c e b =d

Adição: (a + bi ) + (c + di ) = (a + c ) + (b + d )i
UNIUBE 25

Multiplicação:

(a + bi )(c + di ) = a(c + di ) + bi (c + di ) = ac + adi + bci + bd ⋅ i 2


(a + bi )(c + di ) = (ac − bd ) + (ad + bc )i

Você também estudou que o conjugado de um número complexo


z= a + bi é dado pelo complexo indicado por z , tal que: z= a − bi .

Conhecendo-se a definição de conjugado, podemos então realizar


a divisão entre dois números complexos w= c + di e w= c + di , da
seguinte forma:

w c + di (c + di )(a − bi ) ca + db da − cb
= = = + i
z a + bi (a + bi )(a − bi ) a 2 + b 2 a 2 + b 2

O módulo do número complexo z = a + b ⋅ i , indicado por z , é dado


por:
=
z a2 + b2

A forma trigonométrica de um complexo z = a + b ⋅ i é dada por:

z = ρ ⋅ cos ϕ + ρ ⋅ sen ϕ ⋅ i ou z = ρ ⋅ ( cos ϕ + i ⋅ sen ϕ )

a b
Em que: cos ϕ = e sen ϕ =
ρ ρ
O ângulo ϕ é chamado de argumento do número complexo.

Para números complexos z2 =ρ2 ( cos ϕ2 + j ⋅ sen ϕ2 )

z =ρ ( cos ϕ + j ⋅ sen ϕ )
e 2 2 2 2
escritos na forma trigonométrica, o
produto e a divisão podem ser realizados de acordo com as
seguintes definições:

z1 ⋅ z2 = ρ1 ⋅ ρ2 cos ( ϕ1 + ϕ2 ) + j sen ( ϕ1 + ϕ2 ) 

e
z1 ρ
= 1 ⋅ cos ( ϕ1 − ϕ2 ) + j sen ( ϕ1 − ϕ2 ) 
z 2 ρ2
26 UNIUBE

Para fazer a potenciação de complexos na forma trigonométrica,


utiliza-se a 1ª fórmula de De Moivre:

z n = ρ n ⋅ [cos(nθ ) + i ⋅ sen(nθ )]

As raízes de um número complexo z, que esteja na forma


=
trigonométrica z ρ ( cos θ + isenθ ) , podem ser calculadas pela 2a
Fórmula de De Moivre:

 θ + 2kπ θ + 2kπ 
w=
k
n
=
z n ρ  cos + i sen 
 n n 

Referências
FINNEY, Ross L. Cálculo de George B. Thomas Jr., volume 1.
São Paulo: Addison Wesley, 2002. Apêndice A4 – Números Complexos.
UNIUBE 27
Capítulo Equações diferenciais no
2 contexto das ciências

José Ricardo Gonçalves Manzan

Introdução

Prezado(a) aluno(a).

Neste capítulo, apresentaremos outra ferramenta do cálculo


muito importante na prática do profissional que envolve
cálculos, pelo fato de ser aplicável a muitos problemas
que envolvem o conhecimento científico e tecnológico: as
equações diferenciais.

Logicamente, não será possível, em apenas um capítulo,


esgotar todas as possibilidades de aplicações deste ins-
trumental, e isso seria ainda impossível em um livro ou mesmo
em um curso específico para o tema “equações diferenciais”.
O importante, para o momento, é que você saiba interpretar
e resolver as equações diferenciais mais básicas, bem como
interpretar e solucionar algumas si-tuações mais comuns em
que elas se aplicam.

Para a aprendizagem do tema aqui abordado será essencial


que você tenha conhecimentos básicos de derivadas e
integrais que já foram trabalhados em livros anteriores, pois o
estudo das equações diferenciais é ligado a estes dois itens
do cálculo diferencial e integral.

Objetivos
Ao final deste capítulo de estudo, você deverá ser capaz de:

• reconhecer uma equação diferencial e classificá-la quan-


to à sua ordem;
28 UNIUBE

• resolver equações diferenciais de primeira ordem por


meio dos métodos dos fatores integrantes, de separação
de variáveis e pelo método de Euler;
• desenvolver soluções para equações diferenciais lineares
de segunda ordem homogêneas por meio do método da
equação auxiliar;
• solucionar equações diferenciais lineares de segunda
ordem não homogêneas por meio dos métodos da
determinação de coeficientes e da variação dos parâ-
metros;
• interpretar e estabelecer soluções para problemas rela-
cionados ao campo das ciências que requerem o uso das
equações diferenciais.

Esquema

2.1 Equações diferenciais: significado e conceitos básicos


2.2 Equações lineares ordinárias de primeira ordem
2.3 Campos de direções e o Método de Euler
2.4 Equações diferenciais lineares de segunda ordem

2.1 Equações diferenciais: significado e conceitos


básicos

Em estudos anteriores, vimos que as notações servem para


dy
= y=' f '( x) representar derivadas. Vimos, também, que dada
dx x2
uma função y=e , então:

dy dy
= 2 xy ou = 2 xy
dx dx
UNIUBE 29

y = ex
2
dy 2
Veja que e a expressão = 2 xe x pode ser reescrita
dy dx
como = 2 xy .
dx

Tínhamos uma função, e o nosso problema consistia em encontrar


a sua derivada. Agora, o nosso problema é: dada uma equação da
dy
forma dx = y , queremos descobrir quem é a função “y” que satisfaz
a igualdade dada. Voltando ao exemplo anterior, dada uma função
dy
= 2 xy , queremos encontrar a função “y” e sabemos que a função
dx x2
solução para essa equação, é a função y=e . Esse é um exem-
plo de equação diferencial. Uma equação diferencial envolve uma
função desconhecida e uma ou mais de suas derivadas. A solução
dessa equação é uma função, ou como poderemos constatar no
decorrer deste capítulo, uma família de funções.

Uma definição formal de equação diferencial é a sugerida por Zill;


Culen (2001, p. 2), “uma equação que contém as derivadas ou
diferenciais de uma ou mais variáveis dependentes, em relação
a uma ou mais variáveis independentes, é chamada de equação
diferencial (ED)”.

Uma equação diferencial que contém somente derivadas ordinárias


de uma ou mais variáveis dependentes, em relação a uma única
variável independente, é chamada de equação diferencial ordinária
(EDO). São exemplos de EDOs:

dy
(1) − 5y =
2
dx
(2) (2 y − 3t )dt − 6tdy =
0

d2y dy
(3) 2
−3 − 2y =
0
dx dx
30 UNIUBE

Equações diferenciais que envolvem derivadas parciais de uma ou


mais variáveis, dependentes de duas ou mais variáveis independentes,
são chamadas de equações diferenciais parciais (EDP). São exemplos
de EDPs:

∂w ∂z
(4) − = 0
∂y ∂x
∂w y ∂w w3
(5) 2 x 2 − =
∂x 2 ∂y 4
∂2w ∂2w ∂w
(6) 2
−3
− 2 =
∂x ∂t ∂t

Neste capítulo, abordaremos apenas as Equações


Diferenciais Ordinárias (EDO).

A ordem da derivada de maior ordem em uma equação diferencial


é, por definição, a ordem da equação. As equações (1), (2), (4) e
(5) são exemplos de equações de primeira ordem. Já as equações
(3) e (6) são equações de segunda ordem.

Atividade 1

Associe cada equação diferencial com sua família de soluções e


classifique cada uma delas quanto à ordem.

DICAS

Derive cada uma das funções sugeridas para a associação e compare


com as equações diferenciais.

a) x dy = y ______________ y x2 + C
(i) =
dx

b) y '' = 4 y ______________ (ii) y C1sen 2 x + C2 cos 2 x


=
UNIUBE 31

c) dy = 2 x _____________ (iii)
= y C1e 2 x + C2 e −2 x
dx
2
d) d y = −4 y _____________ (iv) y = Cx
dx 2

2.2 Equações lineares ordinárias de primeira ordem


2.2.1 Métodos de resolução

A - Solução pelo método dos fatores integrantes

Algumas equações diferenciais de primeira ordem podem ser


resolvidas simplesmente com uma integral.

dy 3 5
É o caso da equação = 3t 4 , em que y = t .
dt 5
Contudo, nem sempre é possível resolver Equações diferenciais
uma equação diferencial dessa forma. Para lineares
alguns casos, utilizamos o método dos Na solução de
fatores integrantes, que especificamente equações diferenciais,
falando, é empregado para as equações as funções p(x) e q(x)
devem ser contínuas
diferenciais lineares cuja forma é expressa de suas respectivas
variáveis no intervalo
dado para a solução.
dy
por + p( x) y =
q( x) .
dx
Com equações dessa forma, temos as seguintes classificações:

dy 3 2x
+ x3 y =3e 2 x em que: p ( x) = x e q ( x) = 3e
dx
dy
+ (cos x) y − x 2 =0 em que: p ( x) = cos x e q ( x) = x 2
dx
dy 1 1
− 3y = − em que: p ( x) = −3 e q ( x) = −
dx 2 2
32 UNIUBE

O método dos fatores integrantes é dado por:

µ = e∫
p ( x ) dx
1º) Cálculo do fator integrante:
Considere a constante c, devida à integração ∫ p( x)dx como 0.
2º) Multiplique ambos os membros da equação original por µ
e fazendo o processo inverso da propriedade da derivada de um
produto, deixe a equação na forma:

d
( µ y ) = µ q( x)
dx

Seja a função y= u ⋅ v , temos que a derivada é dada por

dy
= u '⋅ v + v '⋅ u
dx

3º) Integre ambos os lados da equação obtida no 2º passo e


encontre a função y. Não se esqueça da constante de integração,
pois você irá obter não uma solução, mas uma classe de soluções
para a equação em estudo.

Exemplo 1
dy −3 x
Determine a solução para a equação = e − 4y .
dx
Solução:

1º) Inicialmente, organizamos a equação diferencial na forma

dy
e −3 x e identificamos as funções p ( x) = 4 e q ( x) = e .
−3 x
+ 4y =
dx
Calculamos µ por meio da fórmula:


µ e=
= e4 x
4 dx
UNIUBE 33

2º) Multiplicando ambos os membros da equação reorganizada por


µ , temos
 dy  dy 4 x
e 4 x  + 4 y  = e −3 x ⋅ e 4 x ⇒ e 4 x + e 4 y = ex
 dx  dx
e, finalmente, chegamos à equação

d 4x
e y  = e x
dx
d 4x
Perceba que derivando a expressão e y  , chegamos em:
dx 

x2 x2 dy
e 4 x y '+ e 4 x 4 y e y '+ e 2 xy em que = y'.
dx

3º) Integramos ambos os membros da equação e encontramos a


função y.

d 4x
∫ dx e y  = ∫ e dx ⇒ e
x 4x
y = e x + C ⇒ y = e −3 x + Ce −4 x

−3 x −4 x
Assim, a solução dessa equação é a função= y e + Ce .
Podemos constatar a veracidade da resposta, derivando a função
encontrada e substituindo na equação original. Veja:

y
Se= e −3 x + Ce −4 x , então, dy =
−3e −3 x − 4Ce −4 x
dx

Ao substituirmos na equação dada no problema, chegamos a:

dy
e −3 x
+ 4y =
dx
34 UNIUBE

(−3e −3 x − 4Ce −4 x ) + 4 ⋅ (e −3 x + Ce −4 x ) =e −3 x
−3e −3 x − 4Ce −4 x + 4e −3 x + 4Ce −4 x =
e −3 x
−3e −3 x + 4e −3 x =
e −3 x
e −3 x = e −3 x

PARADA PARA REFLEXÃO

Perceba que a constante C na solução da equação representa as


infinitas possibilidades de solução para a equação dada.

A seguir, na Figura 1, plotamos um gráfico por meio do software


Winplot com algumas das funções pertencentes à família de
soluções encontradas, a saber com o parâmetro C, variando de -4
a 4 com 8 passos.

1.0

−2.0 −1.0 1.0 2.0

−1.0

−2.0

−3 x
y e
Figura 1: Gráfico da função= + Ce −4 x .
UNIUBE 35

PESQUISANDO NA WEB

O software Winplot é de uso livre e pode ser baixado pela internet por
meio do site <http://www.edumatec.mat.ufrgs.br/>. Com ele é possível
plotar gráficos de diversas funções de uma de diversas variáveis reais.
Não é preciso ter muitas habilidades com o computador para utilizar
essa ferramenta computacional. Contudo, ele é limitado em alguns
pontos, e, para tanto, outros softwares são recomendados como o
Scilab, Matlab ou o Maple.

Quando é solicitada a solução de uma equação diferencial,


consideramos todas as soluções possíveis e a constante C obtida
no processo de integração é quem faz essa representação. Por
outro lado, alguns problemas estabelecem condições de valores
específicos, tornando a solução de uma equação diferencial
própria para um valor de C. Em situações como esta, utilizamos
a condição estabelecida para determinar o valor de C. Problemas
dessa natureza são denominados por Problemas de Valor Inicial
(PVI).

Em relação aos Problemas de Valor Inicial (PVI), dada uma


equação diferencial qualquer e um valor da variável independente
implicando em um valor da variável dependente y ( x0 ) = y0 , temos
um problema de valor inicial em que y ( x0 ) = y0 é denominada de
condição inicial.

Exemplo 2
dy
Determine a solução da equação diferencial x + y =x que
dx
satisfaça a condição inicial y (1) = 2 .

Solução:
dy
1º) Podemos perceber que a equação x +y=x não está na
dy dx
forma + p( x) y =
q ( x) , mas esse pequeno impasse é resolvido,
dx
dividindo ambos os membros da equação por x, o que nos leva à
dy y 1
equação equivalente + = 1 , em que p ( x) = x e q ( x) = 1 .
dx x
36 UNIUBE

1
µ e∫ =
dx
ln x
Determinando o fator integrante, chegamos a= x
e= x.
log b
Aplicamos aqui a propriedade dos logaritmos em que a a = b . De
fato ln x é o logaritmo em base natural e que pode ser escrito de
forma equivalente como log e x . Assim eloge x = x .

2º) Multiplicando ambos os membros da equação em questão,


dy y d
chegamos à x +x = 1 ⋅ x o que nos leva à equação [ xy ] = x .
dx x dx

3º) Integrando ambos os membros, chegamos à expressão

x2 x
xy = ∫ xdx ⇒ xy = + C ⇒ y = + Cx −1 .
2 2
Como foi dada a condição inicial em que y (1) = 2 , temos que:

1 C 3
2= + ⇒C =
2 1 2

RELEMBRANDO

Relembrando os conceitos básicos de função, se y (1) = 2 , temos que


para x = 1 o valor de y é igual a 2.

Assim, a equação requerida pelo problema é:

x 3 x 3
y= + ou de forma equivalente y= + .
2 2x 2 2x
Faça a derivada dessa função e confirme a veracidade da solução
do problema.
UNIUBE 37

Atividade 2

Resolva as equações diferenciais a seguir, e encontre a solução


para as condições iniciais dadas:

dy
a) ( x 2 + 1) 0 , y (0) = 1
+ xy =
dx
dy 4
b) x − y= x 6 e x , y (1) = 2
dx x
dy
3 , y (e) = 1
c) x + 2 y =
dx

B - Método da separação de variáveis para equações de primeira


ordem não lineares

Antes de apresentar o método da separação de variáveis, é preciso


que se saiba que não existe um método geral para a solução de
equações diferenciais de primeira ordem não lineares. O método da
separação de variáveis é uma possibilidade de resolução. Quando
não é possível resolver uma equação por métodos algébricos,
utilizamos o método de Euler, que será abordado posteriormente.
dy
Se uma função é da forma h( y ) = g ( x) , podemos reescrevê-la
como h( y )dy = g ( x)dx . dx

Por esse motivo, denominamos método da separação de variáveis


ou dizemos que as equações dadas na segunda forma apresentada
são equações de primeira ordem separáveis. O processo de
resolução segue por meio da integração de ambos os membros da
igualdade correspondentes a cada variável em específico, em que

∫ h( y)dy = ∫ g ( x)dx que resulta em: H=


( y) G ( x) + C

Na resolução anterior, suponha que h(y) e g(x) sejam contínuas de


suas respectivas variáveis.

Como H ( y ) e h( y ) são as integrais das funções h( y ) e g ( x) , a


validade da solução pode ser deduzida pela derivação da última
equação, em que:
38 UNIUBE

d dH dy dy dG
[ H (=
y)] = h( y )= g=
( x)
dx dy dx dx dx

Em resumo, o método da separação de variáveis pode ser execu-


tado da seguinte forma:

1º) separe as variáveis, deixando a equação original na forma


h( y )dy = g ( x)dx ;

2º) integre ambos os membros da equação, conforme a indicação


de cada operador diferencial;

∫ h( y)dy = ∫ g ( x)dx
3º) finalmente, interpretamos que à equação H=
( y ) G ( x) + C define
uma família de soluções dadas na forma implícita.

Exemplo 3
dy
Resolva a equação diferencial = xy que satisfaça a condição
dx
inicial y (0) = 1 .

Solução:

1
1º) Organizamos a equação em dy = xdx
y
2º) Integrando o primeiro membro em relação a y e o segundo em
relação a x, temos:

1
∫ y dy = ∫ xdx x2
+C
x2
C
x2
y= e 2
= e ⋅e = e ⋅C
2 2
2
x 2
y
ln= +C x

2 y = Ce 2
UNIUBE 39

3º) Como a condição inicial é dada por y (0) = 1 , temos que


02
1= Ce ⇒ 1= Ce0 ⇒ C= 1
2

x2

Assim, a equação procurada é y=e 2

Atividade 3

Resolva a integral por separação de variáveis e encontre a solução


específica para sua condição inicial.

dy y y (2) = 4
a) = ,
dx x

1 + x 2 dy 2
b) = − x , y (0)= −1
1 + y dx e

−y 2
c) e senx − y 'cos x =
0 , y (1) = 0

2.2.2 Algumas aplicações

As equações diferenciais se aplicam a diversas situações no


âmbito das ciências. Quando uma situação é modelada de forma a
considerar as razões de variação e cujo objetivo seja o de encontrar
uma função que forneça informações de interesse, estaremos
lidando com equações diferenciais. Obviamente, não será possível
contemplar todas as aplicações neste capítulo. Entretanto, as
aplicações aqui abordadas são suficientes para que você amplie
seus conhecimentos em disciplinas específicas ao seu curso.
Primeiramente, veremos a aplicação em um circuito elétrico, em
problemas de mistura e, finalmente, em resfriamento.

Aplicação 1: Circuito elétrico

A Figura 2, a seguir, representa um circuito elétrico em série RL


básico, que contém uma fonte de energia com uma voltagem
dependente do tempo de V(t) volts (V), um resistor com uma
40 UNIUBE

resistência constante de R ohms (Ω) e um indutor com uma


indutância constante de L henrys (H). Se você não entende nada
sobre circuitos elétricos, não se preocupe! A teoria da eletricidade
afirma que uma corrente I(t) em amperes (A) flui através do circuito
em que I(t) satisfaz à equação diferencial.

dI
L + RI =
V (t )
dt

Figura 2: Ilustração de um circuito elétrico.

Vamos determinar I(t) se R = 6 Ω, L = 3 H, V for a constante 24V e


I(0) = 15A

Solução:

Substituindo os valores de L, R e V, temos a equação diferencial

dI
3 + 6I =
24
dt

Dividindo todos os termos por 3, obtemos a nova equação:

dI
+ 2I =
8
dt

Obtendo a constante de integração, chegamos a:


µ e=
= e 2t
2 dt
UNIUBE 41

Dando sequência à resolução, temos:

d 2t
e I  = 8e 2t ⇒ e 2t I = ∫ 8e 2t dt ⇒ e 2t I = 4e 2t + C

dt
4e 2 t C
I = 2t + 2t =4 + Ce −2t
e e

Como a condição inicial, implica em I(0) = 15A, então temos que:

15 = 4 + Ce −2⋅0 = 4 + Ce0 ⇒ 15 = 4 + C ⇒ C =11

Assim, a função corrente elétrica específica para o problema de


−2 t
valor é I (t )= 4 + 11e

Ainda observando o modelo determinado para a corrente do circuito


elétrico, percebemos que se o tempo aumentar indefinidamente, ou
seja, o tempo tendendo a infinito, a corrente tenderá ao valor de
4 amperes. Isto pode ser confirmado facilmente através do limite.

lim 4 + 11e −2t =


4A
t →+∞

Aplicação 2: Problemas de mistura

Suponha que no instante t = 0, um tanque contenha 7 kg de poluentes


dissolvidos em 350 litros de água. Nesse mesmo instante, o tanque
recebe água contendo 50 gramas de poluentes por litro a uma taxa
de 12 litros por minuto. Considere ainda que exista uma válvula
de escape, na qual a solução misturada deixa o tanque à mesma
taxa com que a água poluída é adicionada. Vamos encontrar a
quantidade de poluentes no tanque após 8 minutos. (Figura 3).
42 UNIUBE

Figura 3: Tanque de poluentes.


Fonte: Acervo EAD-Uniube.

Solução:

Consideremos y(t) como a função que representa a quantidade de


poluentes (em gramas) após t minutos. Sabemos que y(0) = 7 kg =
7000 g, e queremos encontrar y(8). Essa solução será determinada
por meio da equação diferencial, cuja solução seja a função y(t).
dy
Desta forma, representa a taxa segundo a qual a quantidade
dt
de poluentes no tanque está variando com o tempo, em que:

dy
= taxa de entrada − taxa de saída
dt

 g    g
taxa de entrada =  50  ⋅ 12  =600 =600 g / min
    min  min
Como o volume de água que entra no tanque é o mesmo volume
que sai, então podemos observar que o volume do tanque será
sempre de 350  . Assim, a razão de saída para as y(t) gramas de
poluente no tanque será:
UNIUBE 43

 y (t ) g     4 g
taxa de saída =  ⋅8 = y (t )
 350   min  175 min

dy
Consequentemente, será dado por:
dt

dy 4y dy 4 y
= 600 − ⇒ + = 600
dt 175 dt 175
Resolvendo essa equação diferencial, temos:

4 4t
∫ 175 dt
=µ e= e175
Dando sequência à resolução, temos:

d  175
4t
 4t 4t 4t 4t

e y = 600e ⇒ e y=
dt  
175 175
∫ 600e 175
dt= 26250e 175
+C

4t
4t
26250e 175
+C −
=y 4t
= 26250 + Ce 175

e175
4t

y (t ) 26250 + Ce
= 175

Como em y(0) = 7000g, temos que:

4⋅0

7000 = 26250 + Ce 175
= 26250 + C
C = −19250

Assim, a função que nos informará a quantidade de poluentes em


função do tempo t é a função:
4t

y (t ) 26250 − 19250e
= 175

Finalmente, em t = 8 min, a quantidade de poluentes no tanque


será de:
4⋅8

y (8) =
26250 − 19250e 175
≅ 10216,92 g ≅ 10, 216kg
44 UNIUBE

Aplicação 3: Resfriamento

Nessa aplicação, precisamos da lei do resfriamento de Newton,


em que a taxa e mudança de temperatura T(t) de um corpo em
resfriamento é diretamente proporcional à diferença entre a
temperatura do corpo e a temperatura constante Tm do meio
ambiente, isto é,
dT
= k (T − Tm )
dt .

Em que, k é uma constante de proporcionalidade.

Suponha que uma barra de ferro tenha sido aquecida em um forno


e retirada dele a uma temperatura de 90ºC. Três minutos depois,
sua temperatura é de 45ºC. Quanto tempo levará para a sua
temperatura chegar aos 26ºC, se a temperatura do ambiente em
que ele está é de exatamente 23ºC.

Solução:
Temos que Tm = 23 . Assim, deveremos resolver o problema de
valor inicial:
dT
= k (T − 23) T (0) = 90
dt ,

Estamos diante de uma equação diferencial, separável, que pode


ser resolvida da seguinte forma:

dT
= kdt Integrando ambos os membros da equação, ficaremos
(T − 23)
com:

dT
∫ (T − 23) =∫ kdt ⇒ ln T − 23 =kt + C 1

T − 23 = e kt +C1 ⇒ T − 23 = e kt ⋅ eC1 ⇒ T − 23 = C2 e kt
T= 23 + C2 e kt

Perceba que eC1 é um valor constante, e podemos denominá-


lo como outra constante C2 .
UNIUBE 45

Como T (0) = 90 , isso decorre em:


90 = 23 + C2 e k ⋅0 ⇒ C2 = 67
Montando a expressão da temperatura em função do tempo, temos:
T= 23 + 67e kt
Da relação T (3) = 45 , encontramos:

22
45 = 23 + 67e k ⋅3 ⇒ 22 = 67e3k ⇒ = e3 k
67
 22  1  22 
=3k ln  = ⇒k ln   ≅ −0,371216
 67  3  67 
Finalmente: T= 23 + 67e −0,371216t e

 3 
26 = 23 + 67e −0,371216t ⇒ 3 = 67e −0,371216t ⇒   = e −0,371216t
 67 
 3 
−0,371216t = ln   ⇒ −0,371216t ≅ −3,106080
 67 
t ≅ 8,37 min

Atividade 4

Considere um circuito elétrico como o que foi mostrado anterior-


mente.

dI
L + RI =
V (t )
dt

Determine I(t), I(2) e I(10) se R = 33 Ω, L = 11 H, V for a constante


44V e I(0) = 12A.
46 UNIUBE

Atividade 5

Uma xícara de café é colocada num ambiente no qual a temperatura é


de 18ºC. No momento em que a xícara é colocada na mesa (t = 0), a
temperatura do café é de 67ºC. Depois de 40 segundos, a temperatura
do café passa aos 42ºC. Calcule quanto tempo será necessário para que
o café chegue a temperatura de 2º acima da temperatura ambiente.

Atividade 6

Um tanque tem capacidade de armazenamento de 800 litros.


Considere que, a partir de um dado instante, o tanque contenha
30 gramas de sal dissolvidos em 400 litros de água e que comece
a receber 20 litros de água pura por minuto. Ainda nesse mesmo
instante, a solução do tanque é drenada a uma taxa de 10 litros por
minuto. Determine a quantidade de sal no tanque, quando o nível
da solução estiver a ponto de transbordar.

2.3 Campos de direções e o Método de Euler

O método de Euler trabalha com aproximações numéricas. Para


motivar o método, vamos recordar a definição de derivada.

A derivada de uma função de um ponto dado corresponde à


inclinação da reta tangente naquele ponto.(Figura 4).

y = -0.2xx+3 y
y = 3
4.0

3.0

2.0

1.0

−5.0 −4.0 −3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0


1
Figura 4: Gráfico das funções y =− x2 + 3 e y = 3 .
−1.0
5

−2.0
UNIUBE 47

Na Figura 4, apresentada anteriormente, temos o gráfico da função


1
y= − x2 + 3
5 e de uma de suas tangentes, no caso particular, tangente
y = 3, que tem inclinação 0. Se fizermos a derivada da curva y, teremos
2
y ' = − x e da derivada decorre que a inclinação da tangente em x =
5
2
0 é dada por y '(0) =− ⋅ 0 =0 .
5
No exemplo, temos uma das tangentes à Inclinação
curva, mas é importante observar que, por
Tem o mesmo
cada ponto dela, passa uma tangente e, significado que
portanto, elas são infinitas. Também lem- coeficiente angular. O
-bramos que a solução de uma equação ângulo θ , que a
tangente forma com o
diferencial constitui numa função ou numa eixo das abscissas,
família de funções EM QUE todas elas produz um valor m que
denominamos de
possuem suas devidas inclinações. Se coeficiente angular
imaginarmos a família de soluções de uma onde m = tgθ .
equação diferencial com as inclinações de
todas essas curvas, podemos estabelecer uma relação interessan-
te para as soluções aproximadas. Daí, surge o conceito de campo
de direções. Ele é um conjunto de pequenos segmentos que re-
presentam hipoteticamente as inclinações de todas as possíveis
curvas de soluções de uma equação diferencial.

dy
Considere a equação diferencial = x− y.
dx
Se entendermos essa equação como uma função de duas variáveis
dy
denotada genericamente por dx = f ( x, y ) ,

teremos a cada par ordenado do plano cartesiano, um valor numérico


que indica a inclinação da tangente de uma possível solução para a
equação diferencial.

Na Figura 5, a seguir, temos a representação de um campo de


dy
= x− y
direções para a equação dx , na qual foram utilizadas 5
colunas. Por exemplo, substituindo os valores de (x,y) do par ordenado
dy
(0,2) na equação diferencial, produz a inclinação = 2−2 = 0.
dx
48 UNIUBE

Perceba que no ponto (0,2) um segmento indica uma inclinação


decrescente, onde você pode constatar na figura um pequeno
segmento representando essa inclinação descendente. Da mesma
dy
forma para o par ordenado (2,2), temos = 2 − 2 = 0 onde, um
dx
segmento horizontal indica uma inclinação nula.

4.0

3.0

2.0

1.0
x

−4.0 −3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0

−1.0

−2.0

−3.0

−4.0

dy
Figura 5: Campo de direções da equação = x − y com 5
colunas. dx

Um campo de direções pode ser construído manualmente, quando


são necessárias poucas inclinações. No entanto, tais cálculos
podem se tornar tediosos quando o número de colunas aumenta.
Assim, é usual utilizar um recurso computacional como o Maple, o
Matlab ou o Winplot. Veja, na Figura 6, o campo de direções

dy
da equação = x − y , com 15 colunas, produzido pelo software
Winplot. dx
UNIUBE 49

4.0

3.0

2.0

1.0
x

−4.0 −3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0

−1.0

−2.0

−3.0

−4.0

Figura 6: Campo de direções da equação


dy
= x − y com 15 colunas.
dx

DICAS

Para obter um campo de direções como este no Winplot, inicie o


programa, escolha a opção 2-dim, clique no menu equação e selecione
a opção diferencial.
dy
Em seguida, digite no campo a função x − y , que é o caso do
problema. dx

Escolha o tamanho do comprimento para os segmentos e o número


de colunas. Clique em traçar e o campo será desenhado.

Como desejamos, em muitas situações, obter uma solução


particular para a equação sempre sujeita a uma condição inicial,
precisamos de um algoritmo que nos conduza à curva desejada
na equação diferencial em estudo. Para tanto, o método de Euler
utiliza uma perspectiva numérica que aproxima satisfatoriamente
do resultado. Existem outros métodos mais sofisticados como,
por exemplo, o método de Runge Kuta e o Euler modificado, mas
que não serão abordados neste capítulo por fugirem dos nossos
objetivos. Além disso, estes métodos usam o método de Euler
como ponto de partida.
50 UNIUBE

Quando temos um problema de valor inicial (PVI), então temos


uma expressão da forma

dy
= f ( x, y ) , y ( x0 ) = y0
dx
e buscamos obter os valores aproximados de y com base em valores
de x, seguindo uma sequência uniforme de valores, baseados
num incremento ∆x , iniciando por x0 . Assim, teremos a sequência
de valores x0 , x2 , x2 , x3 , ..., xn , em que x2= x1 + ∆x , x2= x1 + ∆x
, x3= x2 + ∆x , ...., xn +1= xn + ∆x . As aproximações dos valores
de y serão dadas por y1 = y0 + f ( x0 , y0 )∆x , y2 =y1 + f ( x1 , y1 )∆x ,
yn + f ( xn , yn )∆x , ..., yn +1 =
yn +1 = yn + f ( xn , yn )∆x . Se y ( x) é a curva
solução para o PVI em estudo, então os valores de y1 , y2 , yn , ...,
yn são aproximações de y ( x1 ) , y ( x2 ) , y ( x3 ) , ..., y ( xn ) .

Como exemplo, iremos resolver o PVI, a seguir na Tabela 1, usando


o método de Euler com ∆x =0,1 no intervalo de −2 ≤ x ≤ −1 .

dy
= x − y , y (−2) =−1
dx
Para isso, será necessário fazer o uso de uma tabela:

Tabela 1: Resolução do PVI usando o método de Euler


n xn yn f ( xn , yn )∆x yn +1 =
yn + f ( xn , yn )∆x
0 -2 -1,00 -0,10 -1,10
1 -1,9 -1,10 -0,08 -1,18
2 -1,8 -1,18 -0,06 -1,24
3 -1,7 -1,24 -0,05 -1,29
4 -1,6 -1,29 -0,03 -1,32
5 -1,5 -1,32 -0,02 -1,34
6 -1,4 -1,34 -0,01 -1,34
7 -1,3 -1,34 0,00 -1,34
8 -1,2 -1,34 0,01 -1,33
9 -1,1 -1,33 0,02 -1,30
10 -1 -1,30 - -
UNIUBE 51

Utilizando um recurso computacional, podemos traçar a curva a


partir do ponto dado. Veja, na Figura 7, a seguir, o problema de
valor inicial anterior traçado a partir do ponto de condição inicial
com o software Winplot.

DICAS

Uma vez que o campo de direções já tenha sido desenhado no Winplot,


para obter a solução aproximada sujeita à condição inicial, proceda da
seguinte forma:
dy
Vá até o menu “Um”, escolha a opção “Trajetória ”.
dx
Nos campos para x e y digite as coordenadas da condição inicial,
coloque o valor de ∆x no tamanho do passo, deixe selecionada a
opção “Euler” e clique em traçar.

dy/dx = x-y y

3.0

2.0

1.0

−3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0 3.0

−1.0

−2.0

−3.0

Figura 7: Campo de direções da equação y ( −2) =−1 e


solução aproximada sujeita à condição inicial y (−2) =−1 .
52 UNIUBE

Atividade 7

Relacione as equações diferenciais com os campos de direções, a


seguir:

dy dy dy
a) = 2 x + y b) = y c) y ' = 2 xy d) = 2 x − y
dx dx dx
I) II)
y y

3.0 3.0

2.0 2.0

1.0 1.0

x x

−3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0 3.0 −3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0 3.0

−1.0 −1.0

−2.0 −2.0

−3.0 −3.0

III) IV)
y y

3.0 3.0

2.0 2.0

1.0 1.0

x x

−3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0 3.0 −3.0 −2.0 −1.0 1.0 2.0 3.0

−1.0 −1.0

−2.0 −2.0

−3.0 −3.0

Atividade 8

Utilize 5 colunas para construir os campos de direções da equação


dy x + y
diferencial = .
dx 2
UNIUBE 53

Atividade 9

Encontre uma solução inicial para o PVI a seguir, no intervalo dado,


usando o método de Euler

dy x − y y (0) = 3 0 ≤ x ≤1
= ,
dx 2

2.4 Equações diferenciais lineares de segunda ordem

Vimos, no início do capítulo, que uma equação diferencial de


segunda ordem é escrita na forma:

d2y dy
2
r ( x) ou y ''+ p ( x) y '+ q ( x) y =
+ p( x) + q( x) y = r ( x)
dx dx
Veremos, a seguir, métodos para obter soluções de equações
diferenciais de segunda ordem, quando r(x) for igual a 0, caso
em que classificamos como homogêneas, como também alguns
métodos para obter soluções de equações não homogêneas,
quando r ( x) ≠ 0 .

Uma equação diferencial de segunda ordem é dita homogênea


quando é expressa na forma:
d2y dy
2
0.
+ p( x) + q( x) y =
dx dx

A - EDO lineares homogêneas

Inicialmente, vamos compreender o conceito de dependência e


independência linear entre funções. Quando uma função é múltipla
constante de outra função, dizemos que elas são linearmente
dependentes.

É o caso das funções f ( x)= x + 3 e g ( x) = 3 x + 9 = 3( x + 3) . Veja


que g ( x)= 3 ⋅ f ( x) . Por outro lado, duas funções são linearmente
independentes quando nenhuma delas é resultado de um produto
de uma constante pela outra. Isso acontece com as funções
h( x ) = 2 x e j ( x ) = x 3 .
54 UNIUBE

A seguir, apresentamos um teorema importante ao estudo em


desenvolvimento.

Teorema

Considere a equação homogênea:

d2y dy
2
+ p( x) + q( x) y =
0
dx dx

em que as funções p ( x) e q ( x) são contínuas em algum intervalo


comum I. Então, existem soluções linearmente independentes
y1 ( x) e y2 ( x) da equação em I. Além disso, dado qualquer par de
soluções linearmente independentes y1 ( x) e y2 ( x) da equação em
I, temos que

y ( x) c1 y1 ( x) + c2 y2 ( x)
=

é uma solução geral da equação em I. Isso


significa que cada solução da equação em I pode
ser obtida a partir da solução geral, escolhendo
valores apropriados das constantes c1 e c1 ;
reciprocamente, a solução geral é uma solução
da equação para quaisquer escolhas de c1 e c2 .”
(ANTON, 2007, p.612).

Procurando possíveis funções para ser solução da equação, de


d2y
forma que uma constante vezes sua segunda derivada 2 mais
dy dx
outra constante vezes a sua primeira derivada dx mais a terceira
mx
constante vezes y, é igual a 0; podemos lembrar da função y = e ,
o que, nesse caso, nos levaria às igualdades a seguir:

dy d2y
y = e mx = me mx = m 2 e mx
dx dx 2
UNIUBE 55

Se substituirmos essas igualdades na forma geral da equação,


ficamos com:

m 2 e mx + p ( x)me mx + q ( x)e mx =
0

que de uma forma mais simplória pode ser reescrita como:

m 2 e mx + pme mx + qe mx =
0

e ainda em:
(m 2 + pm + q )e mx =
0

2
Essa igualdade só é válida quando m + pm + q =0 , pois sabemos
mx
que a função e ≠ 0, ∀x ∈ IR .

IMPORTANTE!

mx
A simbologia utilizada diz que e é diferente de zero para qualquer
valor real que atribuirmos para x. Na verdade, trata-se de uma função
exponencial cuja base é o número de napier, em que para valores de
x cada vez menores, a função diminui; para x = 0 a função vale 1, e
para valores cada vez maiores a função aumenta.

2
Assim, a equação m + pm + q = 0 , que é chamada de equação
auxiliar, será amplamente utilizada na solução de equações
diferenciais lineares de segunda ordem homogêneas. De fato,
ela é uma equação que pode ser resolvida por meio da fórmula
quadrática:

− p + p 2 − 4q − p − p 2 − 4q
m1 = e m2 =
2 2

Outros métodos de resolução de equações quadráticas também


podem ser utilizados quando se fizerem possíveis.
56 UNIUBE

Exemplo 4

d2y dy
Encontre a solução geral da equação 2
−3 −4 =0.
dx dx
Utilizando a equação auxiliar, temos m 2 − 3m − 4 =.
0 Esse polinômio
pode ser decomposto em (m + 1)(m − 4) = 0 , dando como raízes da
equação auxiliar m1 = −1 e m2 = 4 .

Como o valor de m provém da expressão e mx , temos que a


solução da equação será dada por :

y ( x) c1e m1x + c2 e m2 x
=

E, consequentemente, a solução geral será dada por:

( x) c1e − x + c2 e 4 x
y=

SAIBA MAIS

O algoritmo utilizado para obter a solução encontrada não precisa


ser, necessariamente, feito como no exemplo. O método resolutivo
para equações quadráticas também pode ser empregado e conduz à
mesma solução para a equação auxiliar.

Generalizando: todas as vezes que a equação auxiliar produzir


duas raízes reais e distintas, a solução da equação diferencial será
dada por y ( x) c1e m1x + c2 e m2 x .
=

Exemplo 5
Encontre a solução da equação y ''− 4 y '+ 4 y =
0.

Solução:
2
Da equação auxiliar m − 4m + 4 =0 , chegamos à solução única m = 2.
UNIUBE 57

mx
Sabemos que y1 = e faz parte da solução geral da equação
diferencial de segunda ordem.
mx
Iremos mostrar que y2 = xe também faz parte da solução que
deve acompanhar a solução geral. Tomemos a forma genérica da
equação diferencial admitindo por solução a função y2 .

Assim, y2 ''+ py2 '+ qy2 =


0 .

p
Como a equação auxiliar tem solução única, que no caso é − , a
função pode ser reescrita como: 2
 p
 − x
y2 = xe  2 .

Derivando, obtemos:

 p  p
 p   − x  p2  −  x
y2=' 1 − x  e 2  e = y2 ''  x − pe  2
 2   4 
Substituindo as expressões em y2 ''+ py2 '+ qy2 = 0 , temos:

 p 2   p  
y2 ''+ py2 '+ qy
= 2  x − p+ p 1 − x  + qx  e −( p /2) x
 4   2  

=
o que faz com que y c1e mx + c2 xe mx
Finalmente, podemos concluir que a solução de equações desse
tipo será dada por:
=y c1e mx + c2 xe mx

Finalmente, a solução buscada para o exemplo 2 é


=y c1e 2 x + c2 xe 2 x
58 UNIUBE

Generalizando: todas as vezes que a equação auxiliar produzir


raízes reais e iguais, a solução da equação diferencial será dada por:
( x) c1e mx + c2 xe mx
y=
Exemplo 6
d 2 y dy
Encontre a solução da equação + +y=
0.
dx 2 dx
2
Da equação auxiliar m + m + 1 = 0 , verificamos pelos métodos
quadráticos que não existem raízes reais.

Generalizando: todas as vezes que a equação auxiliar produzir


raízes complexas da forma m1= a + bi e m2= a − bi , a solução da
equação diferencial será dada por

=y e ax (c1 cos bx + c2 senbx)

Continuando a solução do exemplo, temos que as raízes complexas


da equação auxiliar são:

1 3 1 3
m2 =− − i e m2 =− − i
2 2 2 2
Finalmente, a solução geral da equação diferencial em estudo é

−  3 
x
3
=y e 2  c1 cos x + c2 sen x 
 2 2 
Os problemas de valor inicial (PVI) para equações lineares
homogêneas de segunda ordem diferem do que já conhecemos
pelo fato de que há uma condição inicial na função original e outra
na função derivada primeira.

Exemplo 7

Resolva o PVI, a seguir:

d2y dy
2
−3 −4 =0 , y (0) = 1 e y '(0) = 3
dx dx
UNIUBE 59

Solução:

Para resolvê-lo, basta obter a derivada primeira da solução da


equação diferencial e montar o sistema. Sabemos que a solução
dessa equação feita no exemplo 1, é a função

−c1e − x + 4c2 e 4 x
y '( x) =

Assim, temos que −c1e − x + 4c2 e 4 x


y '( x) =

Substituindo as condições iniciais em cada função, ficamos com:

3 =−c1 + 4c2 e 1= c1 + c2

1 4
O que faz com que c1 = e c2 = 5 . Finalmente, a solução para o
5
PVI dado é

1 −x 4 4x
y=
( x) e + e
5 5

Há, também, os Problemas de Contorno (PC), que diferentemente


dos problemas de valor inicial, estabelecem duas condições iniciais
sobre a função solução. É importante observar que os problemas
de contorno nem sempre têm solução.

Exemplo 8

Resolva o problema de contorno, a seguir:

y ''+ 2 y '+ y =0 , y (1) = 3 e y (1) = 3


60 UNIUBE

Solução:

Verifique que a solução geral da equação diferencial é=y c1e − x + c2 xe − x .

Substituindo os valores das condições iniciais na solução geral,


ficamos com: c1 = 1 e c1e + c2 e =
−1 −1
3

o que nos conduz a c1 = 1 e c=


2 3e − 1 .

−x −x
Assim, a solução para o problema de contorno é y = e + (3e − 1) xe .

Exemplo 9

Uma mola presa em uma extremidade com um bloco de massa de


5 kg preso na outra extremidade tem um comprimento natural de
0,6m. Uma força de 28 N é necessária para mantê-la esticada a um
comprimento de 1 m. Se a mola for esticada ao comprimento de 1
m e solta logo em seguida com velocidade inicial 0, determine a
posição do bloco em qualquer tempo t.

Solução:

Sabemos que este é um típico problema que envolve um movimento


harmônico simples. Pela Lei de Hooke, existe uma força restauradora
que a mola exerce sobre o bloco, que é diretamente proporcional à
posição em que ele estiver.

F = ky , em que k é uma constante de proporcionalidade que depende


de outros fatores, tais como material e espessura da mola.

Recordamos ainda outra lei importante da física, que é a 2ª Lei


de Newton, em que F= M ⋅ g , M é a massa e g é a aceleração da
gravidade terrestre. Geometricamente, interpretamos a derivada
d2y
segunda com a aceleração do bloco.
dx 2
Combinando as duas leis, chegamos à equação diferencial:
UNIUBE 61

d2y d2y d2y k


m 2 = −ky ou m 0 ou 2 + y =
+ ky = 0
dx dx 2 dx m

A Figura 8, a seguir, ilustra situações diversas envolvendo problemas


com molas.

Figura 8: Molas em um modelo harmônico simples.

Decorre que a solução para equações dessa natureza, como visto


anteriormente, será dada por:

 k   k 
=y (t ) c1 cos  t  + c2 sen  t 
 m   m 
Em que:

k
• m é a frequência f;
62 UNIUBE

• c12 + c2 2 é a amplitude

1
k
• m é o período T.

No exemplo anterior, a distância y em que a mola é esticada é de


1 – 0,6 = 0,4 m. Além disso, a força necessária para manter o bloco
nessa posição é de 28 N. Assim, k (0, 4) = 28 . Da relação F = ky ,
temos que 28 = k ⋅ 0, 4 ⇒ k = 70 .

Assim, a equação diferencial é dada por:


d2y d2y
5 2 + 70 y =⇒
0 + 14 y =
0
dx dx 2
e a solução é:
=y (t ) c1 cos ( )
14t + c2 sen ( 14t )
Como a condição inicial impõe y (0) = 0, 4 , temos:

0, 4 c1 cos
= ( )
14 ⋅ 0 + c2 sen ( 14 ⋅ 0 )
c1 = 0, 4

Fazendo a derivada da solução geral, temos:

y '(t ) = ( )
− 14c1sen 14t + 14c2 cos ( 14t )

PONTO CHAVE

A solução geral nos informa a posição do bloco em função do tempo.


A derivada dessa função nos informa a velocidade do bloco em função
do tempo. Como sabemos que no instante 0 a velocidade é 0, temos
uma condição inicial usando a primeira derivada.
UNIUBE 63

E temos a outra condição inicial em que y '(0) = 0 , chegamos ao


valor de c2 .
0=− 14c1sen ( )
14 ⋅ 0 + 14c2 cos ( 14 ⋅ 0 )
0
= 14c2 ⇒ c=
2 0
Finalmente, a solução para o problema de valor inicial é a função:

y (t ) = 0, 4 cos ( 14t )
Atividade 10

Determine a solução geral das EDO de segunda ordem homogêneas


a seguir:

d2y dy
a) 2
0 c) 9 y ''+ 4 y =
− 6 + 8y = 0
dx dx

0 d) y ''− 2 y '+ y =
b) 9 y ''+ 4 y = 0

Atividade 11

Uma mola com um bloco de massa 4 kg preso em uma das


extremidades tem um comprimento natural de 1 m e é mantida
esticada até um comprimento de 1,3 m por uma força de 24,3 N. Se
o bloco é empurrado, de forma que a mola tenha um comprimento de
0,8 m, e for solto com velocidade zero, determine a posição do bloco
em qualquer instante.

B - EDO lineares não homogêneas


d2y dy
Seja uma equação diferencial da forma a + b + cy =
G ( x)
dx 2 dx
ou ay ''+ by '+ cy =
G ( x) , em que G ( x) pode ser ou não um polinômio.

Dispomos de dois métodos principais para a resolução de equações


dessa natureza. Trata-se do método dos coeficientes a serem
determinados e do método da variação dos parâmetros.
64 UNIUBE

Em ambos os métodos, usamos do princípio de que a solução geral


é dada pela soma da solução particular com a solução geral. Essa
ideia é mais bem expressa por meio do teorema dado, a seguir:

Teorema

A solução geral da equação diferencial não homogênea


y ( x) y p ( x) + yc ( x) em
G ( x) , pode ser escrita como =
ay ''+ by '+ cy =
que y p é uma solução particular da Equação diferencial e yc é a
solução geral da equação complementar ay ''+ by '+ cy = 0.

I) Método dos coeficientes a serem determinados

O método dos coeficientes a serem determinados exige certa dose


de bom senso no momento de avaliar a melhor escolha para a
solução particular. Ilustraremos melhor o método por meio dos
exemplos, a seguir:

Exemplo 10

Resolva a equação y ''− y '− 6 y =


0.

Solução:

Inicialmente, tomamos a equação complementar y ''− y '− 6 y =


0,
3x −2 x
que tem por solução geral yc=
( x) c1e + c2 e . Como G ( x) = x 2
é um polinômio de grau 2, supomos que a solução particular seja
também um polinômio de grau 2, cuja forma genérica é dada por
y p ( x) = Ax 2 + Bx + C
.

Desse polinômio, calculamos as derivadas de primeira e de segunda


x) 2 Ax + B e y p ''( x) = 2 A .
ordem, obtendo, respectivamente, y p '(=

Substituindo y p ( x) , y p '( x) e y p ''( x) na equação diferencial em


estudo, obtemos:

2 A − (2 Ax + B) − 6( Ax 2 + Bx + C ) =
x2
UNIUBE 65

Reorganizando a equação, chegamos a:

−6 Ax 2 + x(−2 A − 6 B) + (2 A − B − 6C ) = x 2 + 0 x + 0

Assim, podemos igualar os coeficientes de ambos os membros da


equação, resultando em:

−6 A =1 −2 A − 6 B =
0 2 A − B − 6C =
0
Donde os valores obtidos são:

1 1 7
A= − B= C= −
6 18 108

x2 x 7
Assim, a solução particular é y p ( x) =
− + − , que
desencadeia a solução geral: 6 18 108

x2 x 7
y ( x)= y p ( x) + yc ( x)= c1e3 x + c2 e −2 x − + −
6 18 108

Exemplo 11

Resolva y ''− y '− 6 y =senx .

Solução:

A equação complementar é a mesma do exemplo 1 e sua solução


geral é ( x) c1e3 x + c2 e −2 x .
yc=

Como G ( x) = senx , tentamos a solução particular = y p ( x) A cos x + Bsenx


e decorre que y p '( x) =− Asenx + Bcosx e y p ''( x) =
− A cos x − Bsenx.

1 3
Ao substituir na equação diferencial, encontramos A = − e B= − .
10 10
Assim, a solução geral da equação é dada por:
1
y ( x) =c1e3 x + c2 e −2 x − (cos x + 3senx)
10
66 UNIUBE

DICAS

São muitas as situações para o método dos coeficientes a serem


determinados. Para cada uma delas, deve ser escolhida uma função
particular que atenda à solução procurada. É com base no estudo
dos exemplos e na prática de exercícios, que você terá condições
de adquirir a habilidade para escolher as melhores estratégias de
solução.

II) Método das variações de parâmetros

Para resolver EDO não homogêneas pelo Método das Variações


dos Parâmetros, é necessário seguir os passos:

IMPORTANTE!

Você verá que o Método das Variações dos Parâmetros é assim


chamado por levar em conta as constantes c1 e c2 como funções
arbitrárias sujeitas a variações.

1º) Seja a suposta solução da equação diferencial, a saber, a função

y p ( x) u1 ( x) y1 ( x) + u2 ( x) y2 ( x)
=

Em que u1 ( x) e u2 ( x) são funções arbitrárias e y1 e y2 são


soluções linearmente independentes. Derivamos y p , obtendo:

y p '( x) = (u1 ' y1 + u2 ' y2 ) + (u1 y1 '+ u2 y2 ') .

2º) Consideramos (u1 ' y1 + u2 ' y2 ) igual a zero e derivamos y p '


obtendo:

y p '' = u1 ' y1 '+ u2 ' y2 '+ u1 y1 ''+ u2 y2 ''


UNIUBE 67

3º) Substituímos na equação diferencial, obtendo:

a ( u1 ' y1 '+ u2 ' y2 '+ u1 y1 ''+ u2 y2 '') + b ( u1 y1 '+ u2 y2 ') + c ( u1 y1 + u2 y2 ) =


G

4º) Como y1 e y2 são soluções da equação complementar, a


última expressão pode ser simplificada por:

a ( u1 ' y1 '+ u2 ' y2 ') =


G

5º) Com base no sistema formado pelas equações

0 e a ( u1 ' y1 '+ u2 ' y2 ') =


u1 ' y1 + u2 ' y2 = G
, podemos encontrar as fun-
u1 ' u2 '
ções e , que, integradas, nos darão as funções u1 ( x) e
u2 ( x ) .

Exemplo 10
Resolva a equação tgx , 0 < x < π .
y ''+ y =
2
Solução:

A solução da equação auxiliar y ''+ y = 0 é dada por


= yc c1senx + c2 cos x .
Usando a variação dos parâmetros, queremos encontrar a solução
=
da forma yc u1 ( x) senx + u2 ( x) cos x

Assim , yc ' = ( u1 ' senx + u2 'cos x ) + ( u1 cos x − u2 s enx )

Tomando u1 ' senx + u2 'cos x =


0 , temos que:

yc '' = u1 'cos x − u2 ' senx − u1senx − u2 cos x


Se y p é uma solução, então

y p ''+=
y p u1 'cos x − u2 ' senx
= tgx
Resolvendo o sistema das equações u1 ' senx + u2 'cos x = 0
tgx , temos que: u1 ' ( sen x + cos x ) =
e u1 'cos x − u2 ' senx =
2 2
cos xtgx , em
que resolvendo a equação, chegamos a u1 ' = senx , e que, integrando,
nos dá u1 = − cos x .
68 UNIUBE

u2 ' cos x − sec x


0 , obtemos=
Voltando à equação u1 ' senx + u2 'cos x =
e u2 =senx − ln ( sec x + tgx ) .

Finalmente, a solução geral da equação é dada por:

y ( x) =c1senx + c2 cos x − cos x ln(sec x + tgx)


Exemplo 13

Na Figura 9, a seguir, temos a ilustração de um circuito elétrico em


série que contém uma força eletromotriz E (proporcionada por uma
bateria ou gerador), um resistor R, um indutor L e um capacitor C.

Se a carga no capacitor no instante t for Q = Q(t ) , então a corrente


dQ
é a taxa de variação de Q em relação a t : I = .
dt
Da física, sabemos que as quedas de voltagem pelo resistor, indutor
dI Q
e capacitor são: RI, L e .
dt C

A Lei da voltagem, de Kirchhoff, diz que a soma dessas quedas


dI Q
de voltagem é igual à voltagem fornecida L + RI + = E (t ) .
dQ dt C
Sabendo que I = , a equação pode ser reescrita como:
dt
d 2Q dQ Q
L + R + =E (t )
dt 2 dt C

Figura 9: Circuito elétrico em série.


UNIUBE 69

Se a variação Q0 e a corrente I 0 forem conhecidas, poderemos


utilizar os Métodos dos coeficientes a serem determinados, ou das
Variações dos Parâmetros, para resolvermos problema de valor
inicial.

Dessa forma, vamos determinar a carga e a corrente no instante t


de um circuito, como mostrado na Figura 8, sabendo que R= 20Ω ,
= 20 ⋅10−4 F , E (t ) = 100 cos10t e que a carga e a corrente
L = 1H , C
inicial são ambas 0.

Solução:

d 2Q dQ Q
A equação diferencial para a situação é + 20 + 100 cos10t
=
dt 2 dt 25 ⋅10−4

d 2Q dQ
podendo ser reescrita como 2
+ 20 100 cos10t .
+ 400Q =
dt dt

A equação auxiliar tem raízes m =−10 ± 20i , o que nos dá uma solução
=
para a equação complementar Qc (t ) e −10t ( c1 cos 20t + c2 sen20t ) .

Para a solução particular, supomos=


Q p (t ) A cos10t + Bsen10t desencadeando

Q p '(t ) =
−10 Asen10t + 10 Bcos10t e Q p ''(t ) =
−100 A cos10t − 100 Bsen10t .

Pelo método dos coeficientes a serem determinados, chegamos à


solução particular

1
Q p (t )
= ( 3cos10t + 2sen10t )
13

e à solução geral

1
(t ) e −10t ( c1 cos 20t + c2 sen 20t ) +
Q= ( 3cos10t + 2sen10t )
13

Temos, aqui, um exemplo de problema de valor inicial (PVI), em


dQ
que Q(0) = 0 e Q =
'(0) (0) I=
= (0) 0 .
dt
70 UNIUBE

3
Para Q (0) = 0 , na solução geral, chegamos a c1 = − .
13
dQ
Já, para Q =
'(0) (0) I=
= (0) 0 , precisamos derivar a solução
dt
geral, chegando em:

Q '(t ) = −10e −10t ( c1 cos 20t + c2 sen 20t ) + e −10t ( −20c1sen 20t + 20c2 cos 20t ) +
I (t ) =
1
( −30sen10t + 20 cos10t )
13
50
Em que, pela condição I (0) = 0 , temos que c2 = −
13

Finalmente, a carga e a corrente no instante t são, respectivamente:

e −10t 1
Q(t ) = ( −3cos 20t − 50 sen20t ) + ( 3cos10t + 2 sen10t )
13 13
E

−10e −10t e −10t


Q '(t ) =I (t ) = ( −3cos 20t − 50sen20t ) + ( −60sen20t − 1000 cos 20t ) +
13 13
1
( −30sen10t + 20 cos10t )
13

Atividade 12

Resolva as equações diferenciais, a seguir, usando o (I) Método


dos Coeficientes a serem Determinados e (II) o Método da variação
dos parâmetros.

a) y ''+ 4 y =
x ex
b) y ''− y ' =

Atividade 13

Um circuito em série consiste em um resistor com R= 20Ω , um


indutor com L = 1H , um capacitor com C = 0, 002 F e um gerador
com uma voltagem E (t ) = 12 sent . Se a carga inicial e a corrente
forem 0, encontre a carga e a corrente no instante t.
UNIUBE 71

Chegamos ao final deste capítulo. É importante ressaltar que exis-


tem outros métodos para a solução de equações diferenciais que
não foram abordados aqui, por necessitarem de pré-requisitos, tais
como a Transformada de Laplace, Séries de Potências e Séries
Fourier, aos quais você não teve contato.

Resumo

Neste capítulo, enfocamos o estudo de equações diferenciais


em relação ao seu reconhecimento e classificação quanto à sua
ordem. Para tanto, você aprendeu a resolver equações diferenciais
de primeira ordem por meio dos métodos dos fatores integrantes,
de separação de variáveis e pelo método de Euler, a desenvolver
soluções para equações diferenciais lineares de segunda ordem
homogêneas por meio do método da equação auxiliar; a solucionar
equações diferenciais lineares de segunda ordem não homogêneas
por meio dos métodos da determinação de coeficientes e da
variação dos parâmetros. Nossos esforços foram para que consiga
interpretar e estabelecer soluções para problemas relacionados ao
campo das ciências que requerem o uso das equações diferenciais.

Referências

ANTON, H.; BIVENS, I.; DAVIS, Stephen. Cálculo.8. ed. São


Paulo: Bookman, 2007. v.2.

STEWART, J. Integrais múltiplas. Cálculo. 5. ed. São Paulo:


Pioneira Thomson Learning, 2006. v.2.

SWOKOWSKI., E. W. Cálculo com geometria analítica. 2. ed. São


Paulo: Makron Books, 1994, v.2.
UNIUBE 73
Capítulo Cálculo vetorial
3

Ana Paula Arantes Lima


José Ricardo Gonçalves Manzan

Introdução

O cálculo vetorial está presente em aplicações que envolvem


as questões de fluxo e fluido. Essas aplicações têm uma
relação muito próxima com conceitos físicos e são ferramentas
utilizadas por esta ciência na tomada de soluções.

Para a aprendizagem dos conceitos que serão abordados, é


essencial que você domine o cálculo de derivadas de funções
de mais de uma variável real e de integrais múltiplas, bem como
os métodos de integração: o da substituição de variáveis e o de
integração por partes. Isso porque eles serão constantemente
utilizados durante o nosso estudo. Também será essencial
o conhecimento relativo ao estudo dos vetores, pois, como
o próprio nome sugere cálculo vetorial, ou seja, o cálculo de
vetores.

Ressaltamos que em cada tópico serão sugeridas atividades


fundamentais para a construção de sua aprendizagem. Por isso,
procure desenvolvê-las de forma independente, re-correndo ao
texto quando as dúvidas surgirem, para uma aprendizagem
significativa.

Objetivos
Ao final deste capítulo de estudo, esperamos que você seja
capaz de:

• relacionar os campos vetoriais presentes em situações


da engenharia que envolvam fluxo e fluido;
74 UNIUBE

• calcular integrais de linha numa perspectiva de


aplicações na física;
• utilizar o conceito de independência do caminho para
calcular integrais em campos vetoriais conservativos;
• desenvolver habilidades de cálculo em integrais de
superfície;
• aplicar os teoremas de Green, de Divergência e de
Stokes em diferentes cálculos.

Esquema

3.1 Campos vetoriais


3.2 Divergência e rotacional Integrais de linha ou curvilíneas
3.4 Independência do caminho
3.5 Teorema de Green
3.6 Integrais de superfície
3.7 Teorema da Divergência ou Teorema de Gauss
3.8 Teorema de Stokes

3.1 Campos vetoriais


Iniciamos nossos estudos ressaltando que os termos campos ve-
toriais equivalem a campos de vetores. Ora poderá ser utilizado
um termo, ora poderá ser utilizado o outro.

Um campo vetorial pode ser um campo de forças, um campo


elétrico, um campo de velocidades de fluidos, como a corrente de
um rio, entre outros.

Anton (2007, p. 1103) apresenta a seguinte definição:

Um campo vetorial num plano é uma função


que associa a cada ponto P do plano um único
vetor F ( P ) paralelo ao plano. Analogamente, um
campo vetorial no espaço tridimensional é uma
função que associa a cada ponto P do espaço
tridimensional um único vetor F ( P ) no espaço.
UNIUBE 75

Em representações gráficas e para fins de cálculo, um sistema de


coordenadas é utilizado apesar de a definição ser independente
deles. Representar um campo de vetores não é uma tarefa simples
do ponto de vista do trabalho de execução. Muitos campos exigem
uma quantidade demasiada de cálculos e a obtenção de muitos
vetores para uma interpretação de qualidade.

Na verdade, a iniciativa é utilizar alguns Vetores canônicos


vetores que representam bem o campo para
São assim
obter informações sobre o comportamento caracterizados por
dele. Existem softwares que realizam a estarem ao longo dos
construção gráfica desses campos, obtendo eixos coordenados.
2
Em IR , o vetor i tem
representações mais precisas e com uma coordenadas (1, 0) e o
quantidade maior de vetores. Embora vetor j tem coordenadas
(0,1) . Em IR 3 o vetor
essas representações sejam suficientes i tem coordenadas
para obter as informa-ções desejadas, é (0,1, 0) , o vetor j
tem coordenadas
importante ressaltar que elas não esgotam (0,1, 0) e o vetor k tem
a representação de to-do o campo. Isso coordenadas (0, 0,1)
porque, como a própria definição diz, “cada . Assim, qualquer vetor
do plano e do espaço
ponto associa um vetor”, e como é de pode ser escrito em
nosso conhecimento, tanto o plano quanto função dos vetores
canônicos.
o espaço possuem infinitos pontos. Então,
os campos de ve-tores possuem infinitos
vetores.

Tomemos como exemplo o campo vetorial representado pela


função: F ( x, y ) =− yi + xj .

Perceba que esta representação utiliza os vetores canônicos i e


j. O campo é dado no plano. E como a definição sugere, em cada
ponto dele (elemento do domínio da função), é estabelecido um
vetor correspondente (elemento da imagem). Em campos vetoriais
de IR 2 , o domínio é formado pelo conjunto de todos os pontos do
plano, e a imagem, pelos seus respectivos vetores regidos pela lei
de formação.

Além da forma utilizada anteriormente para a representação do


campo, também existe a forma de representação por pares orde-
nados.
 Assim, esse campo também pode ser representado por
f ( x, y ) = (− y, x) . O importante é que se saiba que o primeiro elemento
corresponde à abscissa e o segundo representa a ordenada.
76 UNIUBE

IMPORTANTE!

Para obter vetores representativos do gráfico do campo, tomamos


elementos do domínio, submetemos esses elementos à lei de formação
da função vetorial e, assim, obtemos os vetores da imagem. Veja
que se trata de um algoritmo conhecido, no qual a mudança ocorre
apenas na natureza dos conjuntos domínio e imagem. Entretanto, o
vetor obtido pela função tem sua origem coincidente com o ponto do
domínio.

Veja alguns pares e seus vetores correspondentes.

• (0, 0) ⇒ F (0, 0) =−0i + 0 j =0i + 0 j


• (1, 0) ⇒ F (1, 0) = 0i + 1 j = j

A representação do vetor j = (0,1) , partindo da origem do plano, é


dada pela Figura 1.

Figura 1: Representação do vetor j = (0,1) .

Observe a figura, atentamente. Perceba que, no campo vetorial, o vetor


tem origem no ponto do domínio que estabelece correspondência com
ele. Assim, a representação adequada desse vetor no campo vetorial
em estudo é dada pela Figura 2.
UNIUBE 77

Figura 2: Representação do vetor j = (0,1)


com origem em seu ponto correspondente.

F (0, −1) =−(−1)i + 0 j = i

Veja, na Figura 3, a representação desse vetor no plano, partindo


da origem.

Figura 3: Representação do vetor i = (1, 0) .


78 UNIUBE

No campo, esse vetor é representado com a origem no ponto (0, −1) , ponto
este que deu origem ao vetor. Observe, na Figura 4, essa representação.

Figura 4: Representação do vetor i = (1, 0)


com origem em seu ponto correspondente.

Representar um campo vetorial, como já apresentamos, consiste


na tarefa de obter alguns vetores que representem bem o campo
vetorial. Então, a tarefa até aqui executada, deve seguir com a
determinação de mais alguns vetores e a representação desses
vetores em um mesmo plano cartesiano, conduzindo, assim, ao
campo vetorial de fato.

Verifique, na Figura 5, a seguir, a obtenção de mais alguns vetores


deste campo e a representação do campo vetorial F ( x, y ) =− yi + xj
com os vetores determinados até aqui com suas dimensões reais.

• F (−1, 0) =0i − 1 j =− j =(0, −1)


• F (0,1) =−1i + 0 j =−i =(−1, 0)
• F (2, 0) = 2 j
• F (0, −2) =
2i

• F (−2, 0) =
−2 j

• F (0, 2) = −2i
UNIUBE 79

Figura 5: Campo vetorial F ( x, y ) =− yi + xj


com vetores em dimensão real.

Você pode perceber que a realização dessa representação não


é uma tarefa fácil. Entretanto, os recursos computacionais como
Matlab e o Scilab realizam as representações desses campos com
um número muito maior de vetores. Nesses softwares, os vetores
não são representados com seus tamanhos originais para facilitar
a interpretação do campo.

3.1.1 Criação de campo vetorial utilizando recursos


computacionais

Acompanhe, a seguir, alguns caminhos na obtenção de gráficos de


campos vetoriais com recursos computacionais.

No caso do Matlab, trabalhamos com um software de aritmética


vetorial rico em diversas aplicações da matemática, da engenharia e
da estatística.
80 UNIUBE

PESQUISANDO NA WEB

O Matlab não é um software livre, mas possui uma versão para o


estudante, gratuita, disponível, mediante cadastro, no site http://www.
mathworks.com/. Trata-se de um software muito útil para a produção
de gráficos de campos vetoriais.

Propomos, a seguir, a determinação de um campo vetorial usando


o Matlab. Acompanhe, com atenção, a rotina de comandos para
obter a representação gráfica do campo vetorial F ( x, y ) =− yi + xj .

>> [x,y]=meshgrid(-5:1:5,-5:1:5);
>> u=-y;
>> v=x;
>> quiver(x,y,u,v)

A Figura 6 mostra a representação desse campo no Matlab.

-2

-4

-6
-6 -4 -2 0 2 4 6

Figura 6: Campo vetorial F ( x, y ) =− yi + xj obtido


pelo Matlab.
UNIUBE 81

Conheça, a seguir, as funções:

• meshgrid;
• quiver;
• champ.

A função meshgrid desempenha o papel de criar uma matriz de


dados para o domínio da função vetorial. A função pode apresentar
dois ou três argumentos. Esses argumentos representam os limites
estabelecidos para os eixos x e y em se tratando de um domínio
no plano ou os limites estabelecidos para os eixos x, y e z para o
espaço. Veja que estabelecemos limites para o eixo dos x e dos y,
variando de – 5 até 5.

Já, a função quiver é específica para a plotagem de campos


vetoriais com quatro argumentos, sendo os dois primeiros
referentes, respectivamente, às matrizes vetoriais dos eixos x e y
e os dois últimos, respectivamente, referentes às funções vetoriais
para i e j. Em se tratando de campos vetoriais no espaço, usamos
a função quiver3 com seis argumentos, em que os três primeiros
referem-se ao domínio correspondente aos eixos x, y e z e os três
últimos correspondem aos componentes vetoriais i, j e k.

Conforme é do seu conhecimento, o Scilab é um recurso


computacional gratuito e com tanta qualidade quanto o Matlab.

O mesmo gráfico plotado anteriormente com o Matlab será


apresentado com o Scilab. Acompanhe a rotina de comandos
apresentada, a seguir:

-->function[z]=fx(x,y)
-->z=-y
-->endfunction

-->function[w]=fy(x,y)
-->w=x
-->endfunction

-->x=[-5:1:5];y=x;
82 UNIUBE

-->vx=feval(x,y,fx);

-->vy=feval(x,y,fy);

-->champ(x,y,vx,vy)

A lógica de obtenção do campo vetorial no Scilab parte inicialmente


da determinação das funções vetoriais em relação a i e j. Em seguida,
definimos o domínio da função vetorial e nomeamos os atributos que
serão indicados nos argumentos da função de plotagem. Finalmente,
utilizamos a função champ, que tem quatro argumentos, assim como
descrito na função quiver, do Matlab.

Veja que a utilização do software é mais rápida, mais precisa e


esboça um número muito maior de vetores para o campo. Portanto,
é muito interessante que você procure obter um dos recursos
computacionais citados para facilitar a sua aprendizagem.

Acompanhe, com muita atenção, outros exemplos de campos ve-


toriais nas Figuras 7, 8, 9,10.

4.5

3.5

2.5

1.5

0.5
-2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3

1
Figura 7: Campo vetorial F ( x, y ) = yi obtido pelo Matlab.
5
UNIUBE 83

1.5

0.5

-0.5

-1

-1.5
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5

xi + yj
Figura 8: Campo vetorial F ( x, y ) = obtido
10 ( x 2 + y 2 )
32
pelo Matlab.

-2

-4

-6
10
5 10
0 5
0
-5 -5
-10 -10

xi + yj + zk
Figura 9: Campo vetorial F ( x, y, z ) =
(x + y2 + z2 )
2 32

obtido pelo Matlab.


84 UNIUBE

Veja que os dois últimos exemplos apresentados correspondem a


campos vetoriais em IR 3 . Se a construção de gráficos de campos no
plano em um processo manual já é uma tarefa difícil, imagine a cons-
trução manual de campos no espaço. Nestes casos, é recomendável
que a tarefa seja realizada por um recurso computacional.

Construir campos vetoriais não é o objetivo principal deste capítulo. No


entanto, entender o que eles são e como é feito o processo de construção
é uma habilidade essencial neste estudo. Por isso, apresentamos,
a seguir, algumas atividades para que você compreenda melhor os
conceitos até aqui abordados.

Atividade 1

Esboce os campos vetoriais a seguir:


1   1 1 
a) F ( x, y ) = i + xj b) F ( x, y=
) yi + j c) f =  2 , 2 
2  

Atividade 2

Relacione os campos vetoriais, com as figuras apresentadas, a


seguir:

a) F ( x, y ) = xi b) F= ( x, y ) sen( x)i + j

 x y
c) f = (1,1) d)= F ( x, y ) i+ j
x2 + y 2 x2 + y 2

I) II)
2.5 3

2
2
1.5

1 1

0.5
0
0

-0.5 -1

-1
-2
-1.5

-2 -3
-2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 -3 -2 -1 0 1 2 3

Obtido pelo Matlab. Obtido pelo Matlab.


UNIUBE 85

III) IV)

2.5 8

2
6
1.5

1 4

0.5
2
0
0
-0.5

-1 -2

-1.5
-4
-2

-2.5 -6
-3 -2 -1 0 1 2 3 -6 -4 -2 0 2 4 6

Obtido pelo Matlab. Obtido pelo Matlab.

Agora, que você já sabe o que é um campo vetorial, é interessante


ressaltar que nas ciências físicas os campos de quadrado
inverso ocorrem com muita frequência. Acompanhe, com atenção,
a seguinte definição apresentada por Anton (2007, p. 1104).

[...] se r for um vetor posição do espaço bi ou


tridimensional e c uma constante, então um campo
vetorial da forma
c
F (r ) = 3
r
r
é denominado um campo de quadrado inverso.

c
O campo apresentado é equivalente a F (r ) = 2 . Uma situação que
r
enquadra esse tipo de campo é a Lei de Coulomb, na qual a força
F (r ) que a partícula de carga Q exerce sobre a partícula de carga
q é dada pela expressão:

qQ
F (r ) = 3
r.
4π ∈0 r

Outra situação que abriga o campo de quadrado inverso é a lei de


gravitação universal. Se uma partícula de massa m0 está localizada na
origem de um sistema coordenado xyz, então a força exercida sobre
outra partícula de massa m localizada em um ponto k(xyz) é dada por:
86 UNIUBE

m0 m , em que G é a constante gravitacional, r é o


F ( x, y, z ) = −G
2
u
r
vetor posição do ponto k e u = (1/ r ) r é um vetor unitário.
Uma classe importante desses campos de vetores surge do cálculo
dos gradientes. Se f ( x, y, z ) é uma função de três variáveis, então
o gradiente de f ( x, y, z ) é calculado por:

∂f ∂f ∂f
∇f= i+ j+ k
∂x ∂y ∂z

Gradientes do tipo apresentado anteriormente são dados no espa-


ço tridimensional. De forma análoga, se f ( x, y ) é uma função de
duas variáveis, então o gradiente será um campo vetorial no plano,
calculado pela fórmula:

∂f ∂f
∇f= i+ j
∂x ∂y

IMPORTANTE!

Como consequência dos gradientes, surgem outras definições


importantes.

• a de função potencial;
• a de campo conservativo.

Se um campo vetorial foi obtido por meio do gradiente de uma


função f, então chamamos este campo de campo conservativo e
a função f de função potencial. Em linguagem matemática, temos
que:
F = ∇f
Veja:

F é um campo conservativo;
f é uma função potencial;
UNIUBE 87

∇ (del) é um operador presente tanto no gradiente como em outros


conceitos que serão abordados. Como ele é um operador, podemos
considerá-lo como o vetor:
∂ ∂ ∂
=∇ i+ j+ k
∂x ∂y ∂z

Todo campo vetorial de quadrado inverso é conservativo.

Acompanhe atentamente os exemplos apresentados, a seguir.

Exemplo 1

Determine o campo conservativo que tem as funções, a seguir,


como funções potenciais:

2 −3 x
a) f ( x, y ) = y e

b) f ( x, y, z ) =x 2 − 3 y 2 + 4 z 2

Para uma maior compreensão, acompanhe, atentamente, a solução


apresentada, a seguir.

Se desejar encontrar os campos conservativos e conhecer as


funções potenciais, o trabalho se restringe a determinar o gradiente
das funções, a seguir.

∂ ∂ 2 −3 x
a) ∇f = y 2 e −3 x i + y e j =−3 y 2 e −3 x i + 2 ye −3 x j
∂x ∂y

∂ 2
b) ∇f =
∂x
( x − 3 y 2 + 4 z 2 ) i + ∂∂y ( x 2 − 3 y 2 + 4 z 2 ) j + ∂∂z ( x 2 − 3 y 2 + 4 z 2 ) k = 2 xi − 6 yj + 8zk

3.2 Divergência e rotacional

Você sabe que divergência e rotacional são duas operações


importantes sobre campos vetoriais?
88 UNIUBE

Se F é um campo de velocidade de um fluido ou gás, a operação de


divergência nos dá informações sobre o fluxo de massa que sai ou
que entra em um ponto. Se divF = 0 em um ponto, podemos dizer
que nele flui uma maior quantidade de massa fazendo deste ponto
uma fonte. Por outro lado, se divF = 0 em um ponto, dizemos que
nele entra uma maior quantidade de massa, tornando este ponto
um poço. Se divF = 0 , dizemos que não há poço nem fonte, o que
ocorre em fluidos incompreensíveis.

Aplicações práticas envolvendo este conceito podem ser vistas


em campos de calor, havendo uma fonte ou um poço de calor,
em campos de eletricidade, entre outros. A divergência é um
produto escalar entre o operador ∇ e o campo vetorial. Assim, se
∂ ∂ ∂
F ( x, y, z ) = f ( x, y, z )i + g ( x, y, z ) j + h( x, y, z ) k e =
∇ i+ j+ k,
∂x ∂y ∂z
então:
∂ ∂ ∂
divF = ∇  F = ⋅ f ( x , y , z ) + ⋅ g ( x, y , z ) + ⋅ h ( x, y , z )
∂x ∂y ∂z
∂f ∂g ∂h
divF = + +
∂x ∂y ∂z
Já a operação de rotacional nos dá informações sobre a rotação do
movimento. Trata-se de um vetor que está sobre o eixo de rotação
do campo vetorial. O rotacional é o resultado do produto vetorial
entre o operador ∇ e o campo vetorial.

i j k
∂ ∂ ∂  ∂h ∂g   ∂f ∂h   ∂g ∂f 
rotF = ∇ × F = =  − i +  −  j +  −  k
∂x ∂y ∂z  ∂y ∂z   ∂z ∂x   ∂x ∂y 
f g h

Veja que a definição utiliza um determinante que é oriundo do


produto vetorial e que origina a última parte da expressão quando
desenvolvido. Ambas as partes conduzem ao rotacional. A expres-
são com o determinante é comum e em alguns momentos é bem
mais fácil de ser utilizada diante da dificuldade de memorizar a
última expressão.

Exemplo 2
Calcule o rotacional do campo vetorial F ( x, y, z )= xy 2 z 4i + ( 2 x 2 y + z ) j + y 3 z 2 k .
UNIUBE 89

Solução:

i j k
∂ ∂ ∂
rotF = ∇ × F = = ( 3 y 2 z 2 − 1) i + 4 xy 2 z 3 j + ( 4 xy − 2 xyz 4 ) k
∂x ∂y ∂z
xy 2 z 4 ( 2x 2
y + z) (y z )
3 2

Exemplo 3

Calcule a divergência do campo vetorial do exemplo 2.

Solução:

∂ ∂ ∂
∇ F = ( xy 2 z 4 ) + ( 2 x 2 y + z ) + ( y 3 z 2 ) =
divF = y 2 z 4 + 2x2 + 2 y3 z
∂x ∂y ∂z

Atividade 3

Calcule ∇ F e ∇ × F para os campos vetoriais, a seguir:

a) xz 3i − 2 y 4 x 2 j + 5 z 2 yk
F ( x, y , z ) = xz 3i − 2 y 4 x 2 j + 5 z 2 yk
b) F ( x, y, z ) =

c) F ( x, y, z ) = 7 y 3 z 2i − 8 x 2 z 5 j − 3xy 4 k d) F ( x, y, z ) =e xy i − cos yj + sen 2 zk

1
e) F ( x, y, z )
= ( xi + yj + zk ) f) F ( x, y, z ) = ln xi + e xyz j + arctg ( z / x ) k
x + y2 + z2
2

3.3 Integrais de linha ou curvilíneas


Alguns autores sugerem para essas integrais a denominação “integrais
de linha” e outros sugerem a denominação “integrais curvilíneas”.
Semanticamente, a segunda denominação faz mais sentido do que a
primeira. No entanto, por razões históricas, a primeira denominação é
a mais utilizada.

Você sabe qual o sentido dessas integrais e em qual


significado físico ou geométrico elas representam?
90 UNIUBE

Para isso, considere a necessidade em determinar a massa de


um fio de arame que tem f ( x, y, z ) , uma função que dá o valor da
densidade em cada ponto ( x, y, z ) . Considere ainda que esse fio de
arame esteja representado de acordo com a Figura 11.

∆M k ≈ f ( xk *, y*, zk *)∆sk

Figura 11: Motivação geométrica e física para a


integral de linha.

Veja que o fio de arame está subdividido em seções por uma


sequência de pontos. Considere que a massa da k - ésima seção
seja simbolizada por ∆M k e que o seu comprimento seja dado
por ∆sk . Escolhendo um ponto qualquer nesta seção, ao qual
chamamos de Pk * ( xk *, yk *, zk *) . Se o comprimento ∆sk desta seção
for suficientemente pequeno, o valor da função densidade não varia
muito ao longo dela podendo ser aproximado por f ( xk *, yk *, zk *) .
Dessa forma, a massa dessa k - ésima seção pode ser aproximada
por

∆M k ≈ f ( xk *, yk *, zk *) ⋅ ∆sk
UNIUBE 91

Se somarmos as massas destas n seções, teremos, então, uma


boa aproximação da massa do arame, o que nos faz usar a notação
de somatório:

n n

=
M=
k
k 1= k 1
∑ ∆M ≈ ∑ f ( xk *, yk *, zk *) ⋅ ∆sk

Se aumentarmos o número de seções do fio de arame


indefinidamente, ou de modo análogo, se tivermos tantas seções
fazendo com que os comprimentos ∆sk fiquem tão pequenos que
tendam a zero, o erro no cálculo da massa também tenderá a zero.
Esse raciocínio é equivalente às somas de Riemann já vistas na
definição das integrais definidas em uma variável e em integrais
duplas e triplas. Usamos max ∆sk → 0 para indicar o processo do
aumento das n seções do fio de arame.

n
=M lim
max ∆sk → 0
∑ f ( x *, y *, z *)∆s
k =1
k k k k

Finalmente, definimos a integral de linha de f em relação a s ao


longo de C usando os raciocínios apresentados. C representa uma
curva lisa no plano ou no espaço tridimensional, como:
n

∫ f ( x, y)ds
= lim
max ∆sk → 0
∑ f ( x *, y *)∆s
k =1
k k k no espaço bidimensional
C

∫ f ( x, y, z )ds
= lim
max ∆sk → 0
∑ f ( x *, y *, z *)∆s
k =1
k k k k no espaço tridimensional
C

Para não dizer que o cálculo de integrais de linha por meio dos
conceitos explorados anteriormente é uma tarefa “impossível”,
podemos classificá-la como muito difícil. Contudo, essas ideias nos
ajudam a compreender as aplicações. Essas integrais podem ser
expressas como integrais definidas. Para isso, é preciso apenas
obter uma parametrização da curva lisa.

Consideremos, inicialmente, que a curva seja parametrizada por


r=
(t ) x(t )i + y (t ) j , em que (a ≤ t ≤ b) . Dessa forma, cada ponto
da curva pode ser obtido por um parâmetro tk dentro do intervalo
estabelecido.
92 UNIUBE

O comprimento de arco ∆sk é obtido pela integração

tk
∆sk =∫ r '(t ) dt
tk −1

na qual os limites da integração são os parâmetros que determinam


os pontos inicial e final da seção ∆sk . Se considerarmos ∆tk =[tk , tk −1 ] ,
temos que pelo teorema do valor médio existe um ponto tk * no intervalo
[tk −1 , tk ] de forma que
tk
∆sk
= ∫
tk −1
r '(t=
) dt r '(tk *) ∆tk

Dado um ponto Pk * ( xk *, yk *) = Pk * ( x ( tk *) , y ( tk *) ) correspondente


ao parâmetro tk * e fazendo com que max ∆sk → 0 , temos que:

∫C
f ( x, y )ds = lim
max ∆sk → 0
∑ f ( x *, y *)
k =1
k k

n
lim
max ∆sk → 0
∑ f ( x ( t *) , y ( t *) ) r ' ( t *) ∆t
k =1
k k k k

n
lim
max ∆tk → 0
∑ f ( x ( t *) , y ( t *) ) r ' ( t *) ∆t
k =1
k k k k

= ∫ f ( x ( t ) , y ( t ) ) r ' ( t ) dt
b

Assim, se C é uma curva lisa com parametrização expressa por


r=
(t ) x(t )i + y (t ) j , na qual (a ≤ t ≤ b) , então

f ( x, y )ds = ∫ f ( x ( t ) , y ( t ) ) r ' ( t ) dt
b
∫C a

Para o espaço tridimensional, sendo C uma curva parametrizada


por r (t ) =x(t )i + y (t ) j + z (t )k com (a ≤ t ≤ b) ,

f ( x, y, z )ds = ∫ f ( x ( t ) , y ( t ) , z ( t ) ) r ' ( t ) dt
b
∫C a
UNIUBE 93

As integrais de linha podem ser ainda calculadas em relação às


variáveis x e y e, para isso, valem as expressões:

f ( x, y )dx = ∫ f ( x ( t ) , y ( t ) )x '(t )dt


b
∫C a

e
f ( x, y )dy = ∫ f ( x ( t ) , y ( t ) ) y '(t )dt
b
∫C a

O processo de parametrização acontece de duas formas:

i. se a curva é dada por uma função no plano, atribuímos


o parâmetro t para x e substituímos na função, obtendo,
consequentemente, a parametrização de y. Se temos, por
exemplo, a função y = x 3 dada no intervalo (1 ≤ x ≤ 4 ) ,
procedemos da seguinte forma: atribuímos o parâmetro t para
x e obtemos, consequentemente, y = t . Como (1 ≤ x ≤ 4 ) , é
3

fácil entender que (1 ≤ t ≤ 4 ) ;

ii. se por outro lado a curva é literalmente um segmento de reta,


há um dispositivo prático para realizar a parametrização.
Usamos a fórmula r =(1 − t )r1 + tr2 , na qual r1 = ( x1 , y1 ) é o ponto
inicial e ( 0 ≤ t ≤ 1) é o ponto final. Nessa parametrização, a
variação será sempre ( 0 ≤ t ≤ 1) .

Exemplo 4

Calcule a integral ∫C xy 2 ds , na qual C é o quarto de circunferência


no primeiro quadrante, com centro na origem do plano cartesiano
e de raio 1.

Solução:

O primeiro passo é obter a parametrização de C. A Figura 12


representa a curva em estudo.
94 UNIUBE

Figura 12: Quarto de circunferência


de raio 1.

RELEMBRANDO

Lembre-se de que na conversão de coordenadas retangulares


para coordenadas polares, temos x = r cos θ e y = rsenθ .

Considerando o ângulo como o parâmetro t e sendo o raio da


circunferência igual a 1, as equações paramétricas da curva C são:

x = cos t e y = sent , em que (0 ≤ t ≤ π 2)

Da definição para o cálculo de integrais, precisamos ainda determinar


r '(t ) , na qual=
r (t ) cos(t )i + sen(t ) j . Assim, r '(t ) =
− sen(t )i + cos(t ) j
e a norma do vetor derivada é:

r '(t ) =(− cos(t )) 2 + ( sen(t )) 2 =cos 2 (t ) + sen 2 (t ) =1=


1

Finalmente:
π 2
π 2 1  1
∫ ∫
2 2
xy
= ds ⋅1dt  sen3 (t=
cos(t ) ⋅ sen (t )= )
C 0
3 0 3

SAIBA MAIS

A derivada de uma função vetorial é feita simplesmente pelas derivadas


dos componentes vetoriais. Assim, r '(t ) = − sen(t )i + cos(t ) j resultando
em r '(t ) =
− sen (t )i + cos(t ) j .
UNIUBE 95

Essa integral foi resolvida usando o método da substituição. Aqui


usamos u = sen(t ) .

Exemplo 5
2
Calcule se C é a parte da parábola y = x de (2, 4) a (2, 4) .

Solução:

A Figura 13 representa a curva C.

Figura 13: Parábola y = x2 .

Veja que as integrais são dadas em relação às variáveis x e y.


Como a curva C é uma função, podemos simplesmente atribuir um
2
parâmetro t à variável x, obtendo, assim y = t , e sabemos ainda
que (0 ≤ t ≤ 2) . Se y =t 2 ⇒ dy =2tdt , e y =t 2 ⇒ dy =2tdt , finalmente
temos que:

2
2 7  256
xy dy ∫ t ( t =
)
2 2
2 2
∫C= 2tdt ∫ =
2 6
2t dt = t 
0 0
 7 0 7

2
2 7  256
( )
2 2
2 2
∫C ∫0 ∫0
2 6
=xy dy t t = 2tdt = 2t dt = t
 7 
0 7
96 UNIUBE

Exemplo 6

Calcule a integral
situações, a seguir:

C
(1 + xy 2 )ds , na qual C é a curva dada nas

a) C é o segmento de reta que vai de (0, 0) até (1, 2) ;


b) C é o segmento de reta que vai de (1, 2) até (0, 0) .

Solução:

A Figura 14 representa o segmento citado nos dois itens, porém


com sentidos opostos.

Figura 14: Segmento de reta em dois sentidos.

a) Parametrizado o primeiro segmento, temos:

r (t ) =
(1 − t )(0, 0) + t (1, 2) = (t , 2t ) . Assim, x = t e y = 2t .
(0, 0) + (t , 2t ) =

Logicamente, r (t )= ti + 2tj . Assim, r '(t ) =+


i 2j =(1, 2) .

A norma do vetor é calculada normalmente.


Veja que se r '(t ) =+
i 2j =(1, 2) , então:

r '(t ) = 12 + 22 = 5
.

∫C (1 + xy )ds = ∫0 1 + t (2t )  5dt = 5 ∫0 (1 + 4t )dt = 5 t + t  0 = 2 5


1 1 1
2 2 3 4
UNIUBE 97

b) Parametrizado o primeiro segmento, temos:

r (t ) =(1 − t )(1, 2) + t (0, 0) =(1 − t , 2 − 2t ) + (0, 0) =(1 − t , 2 − 2t ) .


Assim x = 1 − t e y= 2 − 2t . Logicamente, r (t ) = (1 − t )i + (2 − 2t ) j .
Assim, r '(t ) =−i − 2 j ⇒ r '(t ) = 5 .

1 1
∫ (1 + xy 2 )ds= ∫ 1 + (1 − t )(2 − 2t )  5dt= 5 ∫ 1 + 4(1 − t )3 dt=
2
C 0 0
1
= 5 t − (1 − t ) 4 = 2 5
0

Exemplo 7
Suponha que um arame semicircular tenha equação = y 9 − x2 , e
que sua densidade de massa seja δ ( x, y )= 5 − y . Fisicamente, isso
significa que o arame tem uma densidade máxima de 5 unidades
para y = 0 e densidade mínima de 2 unidades, quando y = 3. Calcule
a massa do arame.

Solução:

A Figura 15 representa o fio de arame descrito pelo exercício.

Figura 15: Semicírculo de raio 3.

A parametrização da curva C é dada por:

r (t ) 3cos(t )i + 3sen(t ) j com (0 ≤ t ≤ π )


=
r '(t ) =
−3sen(t )i + 3cos(t ) j

r '(t ) = (−3sen(t )) 2 + (3cos(t )) 2 = 9( sen 2 (t ) + cos 2 (t )) = 9 ⋅1 = 3


98 UNIUBE

π
M =∫ δ ( x, y )ds =∫ (5 − y )ds =∫ (5 − 3sen(t ))3dt =3 [5t + 3cos(t ) ]0
π
C C 0

= 3 [5π − 3 − (0 + 3)=
] 3 ( 5π − 6=) 15π − 18 ≈ 29,12u.M .

Atividade 4

Em cada parte, calcule a integral

∫ ydx + zdy − xdz


ao longo da curva indicada.

a) O segmento de reta de (0, 0, 0) até (1,1,1) .


b) A cúbica retorcida x = t , z = t 3 , z = t de (0, 0, 0) até (1,1,1) .
3

c) A hélice x = cos(π t ) , y = sen(π t ) , z = t de (1, 0, 0) até (−1, 0,1) .


Atividade 5

Em cada parte, calcule a integral de linha em relação a s ao longo


da curva C.

1 2
a) ∫ ds , C : r (t )= ti + t 3 2 j ( 0 ≤ t ≤ 3)
C 1+ x 3
1
b) ∫ ds , C : x = t ( 0 ≤ t ≤ 1)
1 + 2t , y =
C 1+ y2

Atividade 6

Calcule a massa de um arame fino com o formato do arco circular


=y 25 − x 2 com ( −5 ≤ x ≤ 5) , se a função de densidade for
δ ( x, y=
) 15 − y .

3.3.1 Integração de um campo vetorial ao longo de uma curva

Alternativamente, existe uma notação distinta das já vistas para


calcular integrais de linha em relação a x, y e z.
UNIUBE 99

Segundo Anton (2007, p. 1121), se F for um campo vetorial contínuo


e C uma curva lisa orientada, então a integral de linha de F ao
longo de C é

∫C
F dr

) x(t )i + y (t ) j; ( a ≤ t ≤ b )
na qual r= r (t=

Se F (r (t )) f ( x(t ), y (t ))i + g ( x(t ), y (t )) j , consequentemente


=

b
∫C
F dr = ∫ F (r (t ))r '(t )dt
a

Exemplo 8

Calcule ∫ F dr , em que F=


( x, y ) cos( x)i + sen( x) j e C é a curva
C

orientada dada.

π
a) C : r (t ) =− i + tj;(1 ≤ t ≤ 2)
2
b) F=
( x, y ) cos( x)i + sen( x) j

Solução:

Inicialmente, vamos obter o campo de vetores F=( x, y ) cos( x)i + sen( x) j


e a curva em questão. Veja, com atenção, a Figura 16.

Figura 16: Campo de vetores com a curva


100 UNIUBE

π
C : r (t ) =− i + tj;(1 ≤ t ≤ 2)
2 -
- Obtido pelo Matlab.
Usando a fórmula de integração, temos que:

 π  π
F (r (t )) =cos  −  i + sen  −  j =0i − j =− j
 2  2

r '(t ) = 0i + j = j
2
∫C ∫ F (r (t )) ⋅ r '(t )dt =
F ⋅ dr =
C ∫ (−1)dt =
1
−1

2
∫ C ∫ F (r (t )) ⋅ r '(t )dt =
F ⋅ dr =
C ∫ (−1)dt =
−1
1

Utilizaremos, neste item, o desenvolvimento apresentado anterior-


mente. A Figura 17 representa o campo de vetores do exercício
2
com a curva C : r (t ) = ti + t j;(−1 ≤ t ≤ 2) .

Figura 17: Campo de vetores F= ( x, y ) cos( x)i + sen( x) j


com a curva C : r (t ) = ti + t 2 j;(−1 ≤ t ≤ 2) -
- Obtido pelo Matlab
UNIUBE 101

A integral, a seguir, deve ser resolvida pelo método de


integração por partes.

F (r (t )) =cos ( t ) i + sen ( t ) j = r '(t ) = i + 2tj


'(t ) cos(t ) ⋅1 + sen ( t )=
F (r (t )r= ⋅ 2t cos(t ) + 2tsen ( t )

2 2 2
∫C
F=
⋅ dr ∫
C
F (r (t )) ⋅ r=
'(t )dt ∫ ( cos(t ) + 2tsen(=
−1
t ) )dt ∫
−1
cos(t )dt + ∫ 2tsen=
−1
(t )dt

[ −2t cos(t ) + 3sen(t )]−1 =


2
−2cos(1) − 4cos(2) + 3( sen(1) + sen(2)) ≈ 5,83629

PARADA OBRIGATÓRIA

A integração de um campo vetorial ao longo de uma curva tem um


significado importante para a física. Se uma partícula se move ao longo
de uma curva lisa C seguindo uma orientação no movimento e que a
partícula esteja sendo influenciada pelo campo de forças contínuo F,
então o trabalho realizado pelo campo de forças na partícula é dado

pela integral F dr .
C

Exemplo 9

2
Calcule o trabalho realizado pelo campo de forças F ( x, =
y ) xyi + x j na
partícula que se move ao longo da curva C : x = y de (0, 0) até (1,1) .
2

Solução:

Como vimos anteriormente, para calcular o trabalho citado no


exercício é necessário calcular a integral ∫ F dr . Observe, com
C
atenção, o campo e a curva na Figura 18.
102 UNIUBE

Figura 18: Campo de vetores y ) xyi + x 2 j


F ( x, =
com a curva C : x = y 2 - Obtido pelo Matlab.

Como ∫C F = ⋅ dr ∫ F (r (t )) ⋅ r '(t )dt , precisamos determinar F (r (t ))


C
e r (t ) . E, logicamente, para determinar ambos é necessário
determinar r (t ) . Se a função é dada por x = y , podemos atribuir
2

o parâmetro t para a variável independente, no caso y, e obter a


parametrização consequente para a variável dependente x. Assim,
x = t 2 e x = t 2 e (0 ≤ t ≤ 1) , visto que estamos determinando o
trabalho realizado do ponto (0, 0) ao ponto (1,1) e a variação de y
é de r (t=) t 2i + tj .

) t 2i + tj .
Dessa forma r (t=

F (r (t )) = t 2 ⋅ ti + ( t 2 ) j = t 3i + t 4 j
2

r '(=
t ) 2ti + j

F (r (t ))r '(t ) = 2t ⋅ t 3 + 1 ⋅ t 4 = 2t 4 + t 4 = 3t 4

1
3 5 3 5 5 3
∫C F ⋅ dr= ∫C F (r (t )) ⋅ r '(t )dt= ∫0 3t dt= 5 t 0= 5 (1 − 0 )= 5
1
4
UNIUBE 103

A unidade do trabalho dependerá da unidade de comprimento pela


distância percorrida e da unidade de força. Se o exemplo 9 trouxesse
a distância em metros(m) e a força em newtons(N), teríamos que o
3
trabalho seria de m − N .
5

As integrais de linha não se restringem


Únicas
à definição até aqui abordada em curvas
únicas. Se temos uma curva lisa composta A denominação de
por mais de um segmento ligados pelas unicidade refere-se
a curvas definidas
extremidades, ou a união de um segmento por uma única lei de
com uma curva ou a reunião entre seg- formação ou a um único
segmento de reta.
mentos ou curvas, temos uma “curva lisa
por partes”.

“Definimos uma integral de linha ao longo de uma curva C lisa por


partes como sendo a soma das integrais ao longo das seções:

∫C
= ∫
C1
+∫
C2
+ ... + ∫
Cn
” Anton (2007, p. 1125).

Exemplo 10

Calcule ∫C x ydx + xdy no sentido anti-horário, ao longo do trajeto


2

triangular mostrado na Figura 19.

Figura 19: Curva lisa por partes.


104 UNIUBE

Solução:

O primeiro passo para a resolução do exercício é parametrizar os


segmentos que compõem o triângulo. Fazemos isso de posse dos
pontos inicial e final e com a orientação do segmento.

C1 : É o segmento que vai do ponto de (0, 0) e (1, 0) .

r (t ) =
(1 − t )(0, 0) + t (1, 0) =
(0, 0) + (t , 0) =
(t , 0) =
ti + 0 j
C2 : É o segmento que vai do ponto de (1, 2) e (1, 2) .
r (t ) =
(1 − t )(1, 0) + t (1, 2) =
(1 − t , 0) + (t , 2t ) =
(1, 2t ) =
i + 2tj

C3 : É o segmento que vai do ponto de (1, 2) e (0, 0) .


r (t ) =(1 − t )(1, 2) + t (0, 0) =(1 − t , 2 − 2t ) + (0, 0) =(1 − t , 2 − 2t ) =(1 − t )i + (2 − 2t ) j

Após a parametrização de todos os segmentos, o próximo passo é


calcular a integral para cada segmento e somar os resultados.

• ∫
x 2 ydx + xdy
C1

Para C1, temos: x =⇒


t dx =dt e y =0 ⇒ dy =0

1
∫ x 2 ydx + xdy ∫t
2
= ⋅ 0dt + t ⋅ =
0 0
C1 0

• x =⇒
1 dx =0
1 dx =0 e y = 2t ⇒ dy = 2dt
Para C2, temos: x =⇒
1 1 1
∫C2
x 2 ydx + xdy= ∫ 0
12 ⋅ 2t ⋅ 0 + 1 ⋅ 2dt= ∫0
2dt= 2t =
0
2

• ∫ C3
x 2 ydx + xdy

Para C3, temos: x =1 − t ⇒ dx =−dt e y =−


2 2t ⇒ dy =−2dt
UNIUBE 105

1
∫ x 2 ydx + xdy ∫ (1 − t )
2
= ⋅ (2 − 2t ) ⋅ (−dt ) + (1 − t ) ⋅ (−2)dt
=
C3 0
1 1
=∫ −2(1 − t ) 2 ⋅ (1 − t )dt + (2t − 2)dt =∫ −2(1 − t )3 dt + (2t − 2)dt =
0 0
1
t4  1 3
=∫ ( 2t − 6t + 8t − 4 )dt = − 2t 3 + 4t 2 − 4t  = − 2 + 4 − 4 =−
1
3 2
0
2 0 2 2

Assim, o cálculo da integral considerando toda a curva lisa por


partes é dado por:

 3 1
∫ C
x 2 ydx + xdy = 0 + 2 +  −  =
 2 2

Atividade 7

Calcule a integral ∫ C
F dr ao longo da curva C:

C : r (t ) 2 cos(t )i + 2sen(t ) j , com (0 ≤ t ≤ π )


) x 2i + xyj e =
a) F ( x, y=

) et i + e − t j , com (0 ≤ t ≤ 1)
, y ) x 2 yi + 4 j e C : r (t=
b) F ( x=

Atividade 8

Calcule o trabalho realizado pelo campo de forças

F ( x, y ) = (x 2
+ xy ) i + ( y − x 2 y ) j , em que C : x= t , y= 1 t (1 ≤ t ≤ 3) .

3.4 Independência do caminho


Para motivar as ideias deste tópico, faremos uma discussão por
meio de um exemplo.

Exemplo 11

Seja o campo vetorial F ( x, y ) =( 2 x + y ) i + ( 3 xy + 4 ) j . Calcule o


3 2

trabalho realizado por uma partícula que se move do ponto (1,1)


para o ponto (1,1) por três caminhos diferentes:
106 UNIUBE

a) o segmento de reta (0, 0) de (0, 0) para o ponto (1,1) ;


b) a parábola y = x de (1,1) para o ponto (1,1) ;
2

c) a cúbica y = x de (0, 0) para o ponto (1,1) .


3

Solução:

a) r (t ) =ti + tj ⇒ r '(t ) =i + j

F (r (t ))r '(t )= ( 2t + t ) ⋅1 + ( 3t
3 3
+ 4 ) ⋅1= 4t 3 + 2t + 4
F (r (t ))r '(t )= ( 2t + t ) ⋅1 + ( 3t
3 3
+ 4 ) ⋅1= 4t 3 + 2t + 4

∫ ( 4t + 2t + 4 )dt = ( t 4 + t 2 + 4t ) = 1 + 1 + 4 = 6
1 1
3
0 0

ti t 2 j ⇒ r '(t ) =
b) r (t ) =+ i + 2tj

F (r (t )) =( 2t + t 6 ) i + ( 3t ⋅ t 4 + 4 ) j =( 2t + t 6 ) i + ( 3t 5 + 4 ) j

F (r (t ))r '(t )= ( 2t + t ) ⋅1 + ( 3t
6 5
+ 4 ) ⋅ 2t= 7t 6 + 10t

∫ ( 7t + 10t )dt = ( t 7 + 5t 2 ) =1 + 5 = 6
1 1
6
0 0

ti t 3 j ⇒ r '(t ) =+
c) r (t ) =+ i 3t 2 j

F (r (t )) =( 2t + t 9 ) i + ( 3t ⋅ t 6 + 4 ) j =( 2t + t 9 ) i + ( 3t 7 + 4 ) j

F (r (t ))r '(t )= ( 2t + t ) ⋅1 + ( 3t
9 7
+ 4 ) ⋅ 3t 2= 10t 9 + 12t 2 + 2t

∫ (10t + 12t 2 + 2t )dt = ( t10 + 4t 3 + t ) = 1 + 4 + 1 = 6


1 1
9
0 0
UNIUBE 107

Perceba que os três resultados foram iguais. Isso não acon-


teceu por acaso! No caso deste exercício, o campo vetorial
f ( x, y ) =( 2 x + y 3 ) i + ( 3 xy 2 + 4 ) j é conservativo, ou seja, existe uma
função, cujo gradiente resulta neste campo vetorial, a saber a função
f ( x, y ) =( 2 x + y 3 ) i + ( 3 xy 2 + 4 ) j . Veja que ∇f ( x, y ) =( 2 x + y 3 ) i + ( 3 xy 2 + 4 ) j .

O fato de campo vetorial ser conservati- Independentemente


vo produz este resultado importante para Veja que o termo
a Física e para a engenharia. Se dese- “Independência do
jamos calcular o trabalho realizado por caminho” se justifica pelo
comentário feito neste
uma partícula que se move de um ponto parágrafo. Não importa
para outro em um campo vetorial con- o caminho feito entre os
pontos, quando o campo
servativo, obteremos o mesmo resultado é conservativo, o trabalho
independentemente do caminho a ser é o mesmo.
escolhido.

Para centralizar essas ideias, apresentaremos o Teorema Funda-


mental das Integrais de Linha.

Suponha que
F
= ( x, y ) f ( x, y )i + g ( x, y ) j

seja um campo vetorial conservativo em alguma região aberta D,


contendo os pontos ( x0 , y0 ) e ( x1 , y1 ) e que f ( x, y ) e g ( x, y ) sejam
contínuas nessa região. Se

F ( x , y ) = ∇φ ( x , y )
e se C for uma curva lisa por partes qualquer, que começa em
( x0 , y0 ) , termina em ( x1 , y1 ) e esteja toda contida na região D, então

∫ , y )dr φ ( x1 , y1 ) − φ ( x0 , y0 )
F ( x=
C

ou de forma equivalente,

∫ ∇φ ( x, y )= φ ( x1 , y1 ) − φ ( x0 , y0 ) ” ANTON (2007, p. 1131)


C
108 UNIUBE

Para utilizarmos o teorema fundamental, em muitas situações pre-


cisaremos saber se um campo vetorial é ou não conservativo. Para
isso, mostraremos um teste que pode ser aplicado a campos no espaço
bidimensional e no espaço tridimensional. Começamos apresentando
alguns conceitos sobre curvas paramétricas e conjuntos conexos. Uma
curva que não se autointersecta é denominada de curva paramétrica
simples, e ela pode ou não ser fechada. Já no caso das regiões,
classificamos informalmente aquelas que possuem “buracos” como
conjunto multiplamente conexo. No caso de conjuntos que não
possuem “buracos”, consideramos como conjunto simplesmente
conexo. Veja, com atenção, a Figura 20 a seguir:

r(a)
r(a)
r(a) = r(b)

r(b)
r(a) = r(b)

Curva simples Curva fechada e não simples r(b)


e fechada Curva não simples e
Curva simples e não fechada não fechada

Conjunto multiplamente Conjunto simplesmente


conexo conexo

Figura 20: Exemplos de curvas e conjuntos.

I) Teste para campos conservativos no espaço bidimensional

Sejam as funções f ( x, y ) e g ( x, y ) contínuas e deriváveis em uma


região aberta D e seja o campo vetorial F =( x, y ) f ( x, y )i + g ( x, y ) j
conservativo nessa mesma região. Assim,

∂f ∂g
=
∂y ∂x
UNIUBE 109

em cada ponto de D. Em consequência, se a região D for


simplesmente conexa e a igualdade anterior valer para todos os
pontos da região D, dizemos que F
= ( x, y ) f ( x, y )i + g ( x, y ) j é con-
servativo.

II) Teste para campos conservativos no espaço tridimensional

Estendendo as condições do teste para campos no espaço


bidimensional para campos no espaço tridimensional, dizemos que
um campo vetorial F ( x, y, z ) = f ( x, y, z )i + g ( x, y, z ) j + h( x, y, z ) j será
conservativo se rot ( F ) = 0 .

Exemplo 12

Considerando que o campo vetorial seja F ( x, y=


) yi + xj :

a) mostre que o campo vetorial é conservativo;

b) encontre a função potencial para este campo;

c) use o teorema fundamental das integrais de linha para calcular


1
∫0
F dr
.

Solução:

∂ ∂
a) ( x) = 1 ( x) = 1
∂x ∂x
∂ ∂
Como ( y ) = ( x) , concluímos que F ( x, y=
) yi + xj é um campo
∂y ∂x
conservativo.

b) Como F é um campo conservativo, existe uma função potencial


φ ( x, y ) , cujo gradiente seja ∇φ ( x, y ) = yi + xj .
F ( x, y ) =

Sabemos que para φ ( x, y ) o gradiente é calculado por

∂ ∂
∇φ ( x=
, y) [φ ( x, y)] i + [φ ( x, y)] j .
∂x ∂y
110 UNIUBE

Assim, podemos afirmar que para o campo do exercício

∂ ∂
[φ ( x, y)] = ∫
y ⇒ φ ( x, y ) = [φ ( x, y)] =
∫ ydx =
xy + k ( y ) .
∂x ∂x
Analogamente, podemos afirmar também que

∂ ∂
[φ ( x, y)] = ∫
x ⇒ φ ( x, y ) = [φ ( x, y)] =
∫ xdy =
xy + k ( x)
.
∂y ∂y

Temos, então, duas expressões para φ ( x, y ) :

φ ( x, y=
) xy + k ( y ) e φ ( x, y=
) xy + k ( x)

Se calcularmos a derivada de φ ( x, y=
) xy + k ( y ) em relação a y,
temos:


φ ( x, y )= x + k '( y ) o que é equivalente a componente em y do
∂y
campo vetorial obtida no processo de cálculo do gradiente, sendo

portanto φ ( x, y ) =
x + k '( y ) = 0.
x ⇒ k '( y ) =
∂y

De forma análoga, quando calculamos a derivada de


φ ( x, y=
) xy + k ( x) em relação a y, temos:

φ ( x, y ) =xy + k ( y ) + k ( x) =xy + 0 + 0 =xy


Reunindo as duas condições, podemos afirmar que:

φ ( x, y ) =xy + k ( y ) + k ( x) =xy + 0 + 0 =xy

De fato, verifique que ∇φ ( x, y ) =


0.

(1,1)
c) ∫(0,0)
F dr = φ (1,1) − φ (0, 0) = 1 ⋅1 − 0 ⋅ 0 = 1

Exemplo 13

Seja o campo vetorial do exemplo 11, a saber


UNIUBE 111

(1,1)
F ( x, y ) =( 2 x + y 3 ) i + ( 3 xy 2 + 4 ) j , calcule ∫
(0,0)
F dr usando o teorema
fundamental das integrais de linha.

Solução:

De acordo com o exemplo 11, já sabemos que se trata de um


campo vetorial conservativo e que a função potencial é dada por
φ ( x, y ) =x 2 + xy 3 + 4 y .

Assim:

(1 + 1 ⋅13 + 4 ⋅1) − ( 02 + 0 ⋅ 03 + 4 ⋅ 0 ) = 6
(1,1)

2
F dr =
(0,0)

Exemplo 14

) 2 xy 3i + (1 + 3 x 2 y 2 ) j , verifique se o campo
Seja o campo vetorial F ( x, y=
(3,1)
é conservativo, obtenha a função potencial e calcule ∫(1,4)
F dr .

Solução:

Realizando o teste para campos conservativos, constatamos que


∂f ∂f , o que confirma que é realmente conservativo.
= 6= xy 2
∂y ∂x
Para determinar a função potencial, procedemos da seguinte forma:

φ ∫ 2 xy=
3
= dx x2 y 2 + k ( y)

∂φ
3 x 2 y 2 + k '( y ) =
= 1 ⇒ ( k '( y ) ) dy =
1 + 3 x 2 y 2 , logo k '( y ) = ∫ 1dy = ∫
y+C
∂y

φ ( x, y=
) x2 y3 + y + C

∫ (1 + 3x y )dx =
φ= 2 2
y + x 2 y 3 + k ( x)
112 UNIUBE

∂φ
0 ⇒ ∫ ( k '( x) ) dx =
= 2 xy 3 + k '( x) = 2 xy 3 , logo k '( x) = ∫ 0dx =
0+C
∂y
Analisando as duas integrais, chegamos, finalmente, em
) x2 y3 + y + C .
φ ( x, y=
Como conhecemos a função potencial, podemos determinar
(3,1)
∫ (1,4)
F dr .

( 32 ⋅13 + 1) − (12 ⋅ 43 + 4 ) =10 − 68 =−58


(3,1)
∫(1,4)
F dr =

Ainda, neste enfoque dos campos vetoriais conservativos e na


independência do caminho, temos um teorema de grande impor-
tância:

Se f ( x, y ) e g ( x, y ) forem contínuas em alguma


região D aberta e conexa, então as seguintes
afirmações são equivalentes (todas verdadeiras
ou todas falsas):

a) F= ( x, y ) f ( x, y )i + g ( x, y ) j é um campo
vetorial conservativo na região D.

b)

C
F dr = 0 para cada curva fechada C lisa por

partes em D.

c) ∫
C
F dr é independente do caminho de

qualquer ponto P em D para qualquer ponto Q em


D para cada curva C lisa por partes em D. ANTON
(2007, p. 1132).

Atividade 9

Mostre que a integral é independente do caminho e use o teorema


fundamental das integrais de linha para determinar seu valor.

(4,0)
a) ∫(1,2)
3 ydx + 3 xdy
UNIUBE 113
( −1,0)
b) ∫(2, −2)
2 xy 3 dx + 3 y 2 x 2 dy

Abordaremos, a seguir, o teorema de Green. Por isso, tenha muita


atenção para compreender as peculiaridades deste teorema.

3.5 Teorema de Green

O teorema de Green facilita incrivelmente o cálculo de algumas


integrais de linha. Segundo Anton (2007, p. 1139):

Seja R uma região plana simplesmente conexa,


cuja fronteira é uma curva C lisa por partes,
fechada, simples e orientada no sentido anti-
horário. Se g ( x, y ) e g ( x, y ) forem contínuas
e tiverem derivadas parciais de primeira ordem
contínuas em algum conjunto aberto contendo R,
então

 ∂g ∂f 
∫ C ∫∫R  ∂x − ∂y dA
f ( x, y )dx + g ( x, y )dy =
.

É usual utilizar uma simbologia própria para o símbolo de integração


em curvas fechadas simples. Nesse caso, acrescentamos um
círculo sobreposto ao símbolo de integração com a seta para
indicar o sentido da curva. Este símbolo é dado por:f

 ∂g ∂f 
∫ ∫∫R  ∂x − ∂y dA
f ( x, y )dx + g ( x, y )dy = 

O teorema de Green também serve para calcular a área de uma


região R que satisfaça às condições do teorema. As fórmulas
podem ser obtidas por:

1
∫∫R
A= dA ∫
= xdy =
− ∫ ydx
2 ∫
= − ydx + xdy
114 UNIUBE

Exemplo 15

Integral Reveja o exemplo 10. Verifique que nele



2
Os limites de integração
foram estabelecidos na
calculamos a integral C x ydx + xdy ao
perspectiva do cálculo longo do caminho triangular “fechado”,
da integral dupla em que representado pela Figura 19. Neste exem-
R é região do triângulo
dado. Caso tenha plo, vamos usar o teorema de Green para
dúvidas, volte ao roteiro calcular a mesma integral. Verifique que,
“Integrais Múltiplas e
suas aplicações”, a fim ao final, o resultado é o mesmo.
de entender o processo
utilizado.

Solução:

 ∂ ∂ 
∫ x 2 ydx + xdy = ∫∫  ∂x ( x) − ∂y ( x ∫∫ (1 − x )dA
2 2
y ) dA =
C
R  R

Veja que a curva triangular compõe uma região na qual (0 ≤ x ≤ 1)


e (0 ≤ y ≤ 2x) .

Assim, o cálculo será dado por:

1
∫ ∫ (1 − x )dydx=
1 2x
∫ x 2 ydx + xdy 2
=
C 0 0 2

Exemplo 16

Use o teorema de Green para calcular a integral de linha


∫5 xydx + x 3 dy , na qual C é a curva fechada que consiste nos
C

gráficos de y = x e y = 2 x entre os pontos (0, 0) e (2, 4) .


2

Solução:

Veja que a Figura 21 representa a curva C.


UNIUBE 115

Figura 21: Curva C do exemplo 16.

 ∂ 3 ∂ 
∫
C
5 xydx + x 3dy= ∫∫R  ∂x
 ( x ) −
∂y
( 5 xy ) dA= ∫∫ ( 3x
2
− 5 x )dA
 R

Determinando os limites de integração, verificamos que (0 ≤ x ≤ 2)


e ( x ≤ y ≤ 2x) .
2

28
∫0 ∫x2 ( 3x − 5 x ) =
2 2x
∫C
3 2
5 xydx + x dy = −
15

Exemplo 17

x2 y 2
Use o teorema de Green para calcular a área da elipse 2 + 2 =1.
a b

Solução:

As equações paramétricas da elipse C são x = a cos(t ) , y = bsen(t )


e ( 0 ≤ t ≤ 2π ) . Aplicando a fórmula de área do teorema de Green,
temos:
116 UNIUBE

1 1 2π
A= ∫
 − ydx + xdy = ∫ ( a cos(t ) )( b cos(t ) ) dt − ( bsen(t ) )( −asen(t ) ) dt
2 2 0
1 2π 1 1
A = ∫ ab ( cos 2 t + sen 2t ) dt = ab ∫ dt = ab(2π ) = π ab

2 0 2 0 2

Atividade 10

Use o teorema de Green para calcular as integrais a seguir, supondo


que a curva C seja orientada no sentido anti-horário.

a) ∫ C
3 xydx + 2 xydy , na qual C é o retângulo limitado por x = −2 ,

x = 4 , y =1 e y = 2 .

∫ ( x − y 2 ) dx + xdy , na qual C é o círculo x 2 + y 2 =


2
b) 9.
C

c)
∫ C
x cos( y )dx − ysen( x)dy , na qual C é o quadrado de vértices
(0, 0) , (π 2, 0) , (π 2, π 2) , (0, π 2) .

Atividade 11

Use uma integral de linha para encontrar a área do triângulo de


vértices (0, 0) , a > 0 e a > 0 , na qual a > 0 e b > 0 .

C1 : (0, 0) até (a, 0); =


x at , =
y 0, (0 ≤ t ≤ 1)

C3 : (0, b) até (0, 0); x = 0, y = b − bt , (0 ≤ t ≤ 1)

C3 : (0, b) até (0, 0); x = 0, y = b − bt , (0 ≤ t ≤ 1)

3.6 Integrais de superfície

As integrais de superfície são úteis em aplicações envolvendo


fluxo e fluido de calor, de eletricidade, de magnetismo, de massa e
de centro de gravidade.
UNIUBE 117

Considere uma superfície lisa e parametrizada σ , cuja equação


vetorial é dada por:

r =x(u, v)i + y (u, v) j + z (u, v)k

na qual (u , v) varia numa região R do plano uv. Se f ( x, y, z ) for


contínua em σ , então

∂r ∂r
=∫∫ f ( x, y, z )dS
σ
∫∫ f ( x(u, v), y(u, v), z(u, v))
R
× dA
∂u ∂v

Quando essas integrais são calculadas em superfícies dadas em


relação a x, y e z, as definições nos levam a:

2 2
 ∂f   ∂f 
∫∫ g ( x, y, z )dS
=
S
∫∫ g ( x, y, f ( x, y) )
Rxy
  +   + 1dA
 ∂x   ∂y 

2 2
 ∂h   ∂h 
∫∫ g ( x, y, z )dS
=
S
∫∫ g ( x, h( x, z ), z )
Rxz
  +   + 1dA
 ∂x   ∂z 

2 2
 ∂k   ∂k 
∫∫ g ( x, y, z )dS
=
S
∫∫ g ( k ( y, z ), y, z) )
Rxy
  +   + 1dA
 ∂y   ∂z 

Exemplo 18

∫∫σ x dS
2
Calcule a integral de superfície em que σ é a esfera
x2 + y 2 + z 2 =
1.

Solução:

Se convertermos a equação da esfera para coordenadas esféricas,


teremos que x = senφ cos θ , y = senφ senθ e z = cos φ .

Assim, temos o vetor representativo de σ sendo


r (φ , θ ) = senφ cos θ i + senφ senθ j + cos φ k em que ( 0 ≤ φ ≤ π , 0 ≤ θ ≤ 2π ) .
118 UNIUBE

Dessa forma, usaremos a primeira fórmula para o cálculo das


integrais de superfície na qual a superfície é dada parametricamente.

∂r ∂r ∂r ∂r
Para isso, precisamos calcular × = × .
∂u ∂v ∂φ ∂θ

A operação aqui indicada refere-se ao produto vetorial,


devido ao símbolo × .

∂r ∂r
( sen φ cos θ ) + ( sen φ senθ ) + ( sen φ=
cos φ )
2 2 2
= × 2 2 2 2
senφ
∂φ ∂θ

Para desenvolver essa expressão, lembre-se de que a


simbologia representa a norma ou módulo de um vetor e
da identidade trigonométrica sen 2θ + cos 2 θ =
1.

Finalmente, podemos calcular a integral. Ela é calculada da


seguinte forma:

∂r ∂r
∫∫ ( sen φ cos θ ) ∫ ∫ ( sen φ cos θ )senφ dφ dθ
2π π
∫∫ x dS
2 2 2 2 2
= = × dA
S R
∂φ ∂θ 0 0

4
∫ ( sen φ cos θ )dφ dθ
2π π
∫∫ x dS ∫= π
2 3 2
=
S
0 0 3

Exemplo 19

∫∫ x zdS
2
Calcule na qual S é a porção do cone compreendida
S
entre os planos z = 1 e z = 4 .

Solução:

2 2 2
Na Figura 22 , temos o cone z= x + y e os planos z = 1 e z = 4 .
UNIUBE 119

Figura 22: Cone e planos z = 1 e z = 4.

A projeção do cone no plano xy, considerando o intervalo de


validade que vai do plano z = 4 a z = 4 é dada pela Figura 23.

Figura 23: Projeção do cone no plano xy.


120 UNIUBE

Para calcular a integral dada, utilizamos a fórmula

2 2
 ∂f   ∂f 
∫∫ g ( x, y, z )dS
=
S
∫∫ g ( x, y, f ( x, y) )
Rxy
  +   + 1dA
 ∂x   ∂y 

∂f ∂  2 x ∂f ∂  2 y
( x + y 2 )  = ( x + y 2 )  =
12 12
=  = 
∂x ∂x  
(x )
2 12 ∂y ∂y  
(x + y2 )
2 2 12
+y

∫∫ x zdS =∫∫ x ( x + y ) 2dS = 2 ∫ ∫ (r cos 2 θ ) r ⋅ rdrdθ


2π 4
2 2 2 2 2
0 1
S S

1023 2π
∫∫ x zdS
2
= ≈ 909
S
5

Exemplo 20

Seja uma lâmina curva σ com formato do paraboloide = z x2 + y 2


abaixo do plano z = 1 . Considere a função densidade constante
δ ( x, y, z ) = δ 0 . Determine a massa da lâmina.

Solução:

Para calcularmos a massa da lâmina, temos que considerar a


z x2 + y 2 .
superfície =
∂z ∂z
= 2x = 2y
∂x e ∂y

M
= ∫∫σ δ dS= ∫∫ δ
0
R
0 = δ 0 ∫∫ 4 x 2 + 4 y 2 + 1dA
(2 x) 2 + (2 y ) 2 + 1dA
R

πδ 0
(5 )
2π 1
M= δ 0 ∫ ∫ 4r 2 + 1rdrdθ= 5 −1
0 0 6

Atividade 12

Calcule a integral de superfície ∫∫σ f ( x, y, z )dS para os itens, a seguir.


UNIUBE 121

a) f ( x, y, z ) = z 2 ; σ é a porção do cone=z x 2 + y 2 entre os


planos z = 1 e z = 2 .
b) f ( x, y, z ) = xy ; σ é a porção do plano x + y + z =
1 que fica no
primeiro octante.
c) f ( x, y, z ) = x 2 y ; σ é a porção do cilindro x 2 + z 2 =
1 entre os
planos y = 0 , y = 1 e acima do plano xy.

Atividade 13

Encontre a massa da lâmina que é a porção do cilindro


circular x 2 + z 2 = 4 , e fica diretamente acima do retângulo
=R {( x, y ) : 0 ≤ x ≤ 1, 0 ≤ y ≤ 4} no plano xy, sabendo que a densidade
é constante e considerada como δ 0 .

Para abordar as aplicações comentadas anteriormente, é importante


abordar os seguintes conceitos:

• o primeiro deles é em relação às superfícies orientáveis e


superfícies não orientáveis. Consideremos como superfícies
orientáveis aquelas que têm dois lados, um interno e outro
externo, como por exemplo, uma esfera, um cubo, um parale-
lepípedo, cone ou um paraboloide elíptico.
• por outro lado, consideramos como superfícies não
orientáveis como aquelas que não possuem dois lados.
Parece estranho do ponto de vista prático imaginar alguma
superfície que não tenha dois lados, mas existe uma superfície
com esta característica. É denominada de faixa de Möbius.
Veja a Figura 24.

Figura 24: Projeção do cone no plano xy.


122 UNIUBE

Observe que um objeto partindo de um determinado ponto sai


aparentemente de um lado, dá uma volta inteira pela faixa e chega
aparentemente do outro lado. Na verdade, não há um lado interno ou
um lado externo. É por este fato que essa superfície é considerada
não orientável.

Trataremos, aqui, apenas de superfícies orientáveis. Superfícies não


orientáveis são detalhadamente estudadas em cursos de cálculo
avançado.

PONTO CHAVE

A chave de aplicação dessa parte está no estudo do fluxo. O estudo


do fluxo pode corresponder a fluidos líquidos ou aos gases, mas
consideraremos aqui apenas a possibilidade de fluidos incompressíveis,
ou seja, aqueles que não podem ter o seu estado físico alterado pelo
processo de compressão.

Como o fluxo, uma substância está diretamente ligada à superfície


pelo qual ele flui, propomos sem demonstração e sem deduções,
duas formas para seu cálculo: uma considerando que a superfície
está representada parametricamente por um vetor r = r (u , v) e a
outra com uma superfície dada por uma função no espaço como
z = g ( x, y ) , y = g ( x, z ) ou r = r (u , v) .

Consideremos uma superfície representada parametricamente por


uma equação vetorial r = r (u , v) na qual (u , v) varia numa região
do plano uv. Consideremos ainda que as funções componentes
do campo vetorial sejam contínuas na superfície e o vetor normal
à superfície indicar uma orientação positiva da superfície. Então, o
fluxo é calculado por:

 ∂r ∂r 
=Φ ∫∫σ =
F ndS ∫∫ F  × dA
R  ∂u ∂v 

A segunda integral é utilizada quando temos a representação


paramétrica da superfície. Já a primeira integral é usada quando a
superfície é representada por uma função não paramétrica no espaço
tridimensional.
UNIUBE 123

Veja a presença de um vetor n no produto escalar com o campo


vetorial. Para esse vetor, consideramos uma expressão vetorial que
informará o vetor normal unitário n para cada ponto da superfície. Se a
superfície S é o gráfico de uma equação z = g ( x, y ) , e se definimos
g ( x, y, z )= z − g ( x, y ) , então S é também o gráfico da equação
g ( x, y, z ) = 0 . Como o gradiente g ( x, y, z ) = 0 é um vetor normal ao
gráfico de g ( x, y, z ) = 0 no ponto ( x, y, z ) , podemos obter o vetor
unitário normal n.

∂ ∂
− f ( x, y )i − f ( x, y ) j + k
∇g ( x , y , z ) ∂x ∂y
=n =
∇g ( x , y , z ) 2 2
∂  ∂ 
 ∂x f ( x, y )  +  ∂y f ( x, y )  + 1
 

Por outro lado, se a superfície é dada por uma equação da forma


y = g ( x, z ) , consideramos g ( x, y, z )= y − g ( x, y ) . Consideramos ainda
uma terceira possibilidade em que a superfície dada é x = g ( y, z )
e usamos para tanto g ( x, y, z )= x − g ( x, y ) . Finalmente, podemos
simplificar a expressão da integral para o cálculo do fluxo como sendo:

=
Φ ∫∫σ F ndS
= ∫∫ F ∇GdA
R

em que: ∇G =− ∂g i − ∂g j + k =− ∂z i − ∂z j + k .
∂x ∂y ∂x ∂y

Em todas as situações, n aponta para o sentido positivo do fluxo.


Podemos pensar que – n aponta para o sentido negativo do
fluxo. No entanto, em conceitos de fluxo e fluido, dizemos que n
representa a normal superior e que a normal inferior é dada por – n.

Exemplo 21

Encontre o fluxo do campo vetorial F ( x, y, z ) = zk por meio da


esfera x 2 + y 2 + z 2 =
a 2 orientada para fora.
124 UNIUBE

Solução:

A representação paramétrica da esfera é dada por:

r (φ , θ ) = asenφ cos θ i + asenφ senθ j + a cos φ k


(0 ≤ φ ≤ π , 0 ≤ θ ≤ 2π )

∂r ∂r
= × a 2 sen 2φ cos 2 θ i + a 2 sen 2φ senθ j + a 2 senφ cos φ k
∂φ ∂θ
 ∂r ∂r 
F  × =a 3 senφ cos 2 φ
 ∂φ ∂θ 
 ∂r ∂r  2π π 4π a 3
=Φ ∫∫=
σ
F ndS ∫∫R F  ∂φ=
× 
∂θ  ∫ ∫
0 0
a 3 senφ cos 2=
φ d φ dθ
3

Exemplo 22
2 2
Seja S a parte do gráfico de z =9 − x − y com z ≥ 0 .
Se F ( x, y, z ) = 3 xi + 3 yj + zk , encontre o fluxo de F através de S.
(Figura 25).

Solução:

Figura 25: Paraboloide z =9 − x 2 − y 2 .


UNIUBE 125

g ( x, y , z ) = z − ( 9 − x 2 − y 2 ) = z − 9 + x 2 + y 2

∇g ( x , y , z ) 2 xi + 2 yj + k
=n =
∇g ( x , y , z ) 4 x2 + 4 y 2 + 1

6x2 + 6 y 2 + z 6x2 + 6 y 2 + 9 − x2 − y 2
∫∫ F dS
=
S
∫∫
S
=
4x2 + 4 y 2 + 1
∫∫
S
2
4x + 4 y +1 2
4 x 2 + 4 y 2 + 1dA

567π
∫∫ F dS= ∫∫ ( 5 x + 5 y 2 + 9 )dA= ∫ ∫ ( 5r + 9 )rdrdθ=
2π 3
2 2
≈ 890, 6
S R
0 0 2

Atividade 14

Encontre o fluxo do campo vetorial F ( x, y, z ) = xi + yj + 2 zk no


qual σ é a porção da superfície z =1 − x 2 − y 2 acima do plano xy,
orientada para cima.

Atividade 15

Encontre o fluxo do campo vetorial F ( x, y, z ) = xi + yj + k no qual σ


, v) u cos vi + usenvj + (1 − u 2 ) k com
é a porção do paraboloide r (u=
1 ≤ u ≤ 2, 0 ≤ v ≤ 2π .

Você já ouviu falar em teorema da divergência ou de Gauss?

Atente-se para a abordagem do teorema, a seguir, a fim de utilizá-


-lo nos cálculos do campo vetorial.

3.7 Teorema da divergência ou Teorema de Gauss

O Teorema da Divergência, devido a Gauss, é um dos mais im-


portantes resultados do Cálculo Vetorial. Ele nos permite calcular
o fluxo por meio de superfícies fechadas como, por exemplo, es-
feras e cubos em termos da divergência do campo vetorial, o que
exige uma tarefa menos trabalhosa.
126 UNIUBE

Consideremos um sólido G, de modo que sua superfície σ seja


orientada para fora. Consideremos, também, um campo vetorial
F ( x, y, z ) = f ( x, y, z )i + g ( x, y, z ) j + h( x, y, z ) k envolvendo o campo,
no qual as funções f, g e h tenham derivadas parciais de primeira
ordem contínuas num conjunto aberto que contenha o sólido G, e
que n seja o vetor normal unitário orientado para fora da superfície
σ . Nessas condições, podemos dizer que:

∫∫σ F ndS = ∫∫∫ divFdV


G

Se calculássemos esse fluxo com a fórmula usual em um cubo,


por exemplo, o número de integrais que deveriam ser calculadas
é equivalente ao número faces do cubo (no caso, seis integrais).
Com o teorema da divergência, o mesmo cálculo é feito com uma
única integral.

Podemos, assim, ter uma interpretação física para a divergência.


Leia-a, com muita atenção:

“A integral tripla da divergência na região que envolve a superfí-


cie representa o fluxo de um campo vetorial através da superfície
fechada com orientação para fora.” (ANTON, 2007, p. 1167).

Exemplo 23

Seja Q a região limitada pelo cilindro circular x 2 + y 2 = 4 e pelos


planos z = 3 e z = 3 . Denotamos por S a superfície de Q. Se
F ( x, y, z ) =x3i + y 3 j + z 3 k , use o teorema da divergência para
calcular ∫∫ F ndS .
S

Solução:

Inicialmente, calculamos a divergência do campo vetorial. Assim,


∇ F = 3 x 2 + 3 y 2 + 3 z 2 = 3 ( x 2 + y 2 + z 2 ) . O cilindro descrito no exercício
tem limites estabelecidos por: (0 ≤ z ≤ 3, 0 ≤ r ≤ 2, 0 ≤ θ ≤ 2π ) .

Essa integral é calculada em coordenadas cilíndricas.


UNIUBE 127

Exemplo 24

2
Seja Q a região delimitada pelo cilindro circular z= 4 − x , pelo
plano y + z =5 e pelos planos xy e xz. Seja S a superfície de Q. Se
F ( x, y, z ) =( x3 + senz ) i + ( x 2 y + cos z ) j + e x ( 2
+ y2
) k , calcule ∫∫ F ndS .
S

Solução:

Calculando a divergência do campo vetorial, chegamos a


divF = 3 x 2 + x 2 = 4 x 2 .

2 4− x2 5− z 4608
∫∫ F = ∫∫∫ 4 x= ∫ ∫ ∫
2
ndS dV 4 x 2 dydzdx
= ≈ 131, 7
S Q
−2 0 0 35
O Teorema da Divergência tem ainda a utilidade de determinar a
densidade de fluxo.

1
diV ( P0 ) = lim
vol (G ) σ∫∫
F ndS
vol ( G ) → 0
(G )

Ainda analisando as aplicações do Teorema da Divergência, apre-


sentamos um teorema para campos de quadrado inverso que é
um resultado importante para muitos princípios da física. Segundo
Anton (2007, p. 1170):
c
Se F (r ) = 3
r
r
for um campo de quadrado inverso no espaço
tridimensional e se σ for uma superfície orientável
fechada que circunda a origem, então o fluxo de
saída de F através de =σ é Φ ∫∫= F ndS 4π c .
σ

Temos, ainda, um resultado importante para o campo da eletrostática.


Trata-se da Lei de Gauss para Campos Elétricos. Se a carga q
é tal que q = 1 , o fluxo para fora Φ através de qualquer superfície
orientável fechada σ que circunde Q é

 Q  Q
=Φ ∫∫σ =
F ndS 4π  = 
 4π ∈0  ∈0
128 UNIUBE

Atividade 16

Use o Teorema da Divergência para encontrar o fluxo de F por meio


da superfície σ com orientação para fora.

a) F ( x, y, z ) = ( x + y ) i + z j + ( e − z ) k ; σ superfície do sólido
2 2 y

retangular limitado pelos planos coordenados e os planos x = 3 ,


y =1 e z = 2 .

2 2 2
b) F ( x, y, z ) = z 3i − x 3 j + y 3 k ; σ a esfera x + y + z =a2 .

c) F ( x, y, z ) = ( x − z ) i + ( y − x ) j + ( z − y ) k ; σ superfície do sólido
2 2
cilíndrico limitado por x + y = a2 , z = 0 e z = 1.

3.8 Teorema de Stokes

O Teorema de Green possui uma generalização para o espaço


tridimensional e tem aplicações importantes no estudo dos campos
vetoriais, discutindo particularmente a análise do movimento de
rotação dos fluidos. Em outras palavras, é dito que o Teorema
de Green é um caso especial, o Teorema de Stokes. Antes de
abordarmos o Teorema de Stokes propriamente dito, é importante
apresentar conceitos sobre sentido de orientação. Para um maior
entendimento desse assunto, observe, atentamente, os detalhes
apresentados na Figura 26, a seguir.

Figura 26: Superfícies orientáveis.


UNIUBE 129

A Figura 26 ilustra o que entendemos por orientação no sentido


positivo ou no sentido negativo. A primeira parte que produz um vetor
normal de rotação à superfície voltado para cima é denominada
de sentido positivo. Já, a segunda parte, com vetor normal de
rotação voltado para baixo representa o sentido negativo.

Acompanhe, a seguir, o Teorema de Stokes. De acordo com Anton


(2007, p. 1174):

Seja σ uma superfície orientada lisa por


partes limitada por uma curva C lisa por partes,
fechada, simples e com orientação positiva. Se os
componentes do campo vetorial

F ( x, y, z ) = f ( x, y, z )i + g ( x, y, z ) j + h( x, y, z ) k

forem contínuos e tiverem derivadas parciais de


primeira ordem contínuas em algum conjunto
aberto contendo σ e se T for o vetor tangente
unitário a C, então

∫C
F Tds = ∫∫ (rotF )ndS .
σ
Do teorema, podemos ainda estabelecer a igualdade. Acompanhe,
a seguir:

∫ =
C
F Tds ∫=
F dr ∫∫ (rotF )ndS
C
σ

Fisicamente, tomamos o significado do rotacional, de acordo com


Anton (2007, p. 1175) como:

O trabalho realizado por um campo de forças que percorre no


sentido positivo uma curva C lisa por partes, fechada e simples,
pode ser obtido integrando o componente normal do rotacional
numa superfície orientada σ limitada por C.

Exemplo 25

2 2
Seja S a parte do paraboloide z =9 − x − y com z ≥ 0 e seja C o traço
de S no plano xy. Seja, ainda, o campo vetorial F = 3 zi + 4 xj + 2 yk .
130 UNIUBE

Use o teorema de Stokes para calcular ∫C


F Tds .

Solução:

Inicialmente, calculamos o vetor normal à superfície:

2 xi + 2 yj + k
n=
4x2 + 4 y 2 + 1

i j k
∂ ∂ ∂
rotF = ∇ × F = = 2i + 3 j + 4k
∂x ∂y ∂z
3z 4x 2y

2π 3
∫
C
F Tds
= ∫
C
F dr= ∫∫σ (4 x + 6 y + 4)dA= ∫ ∫
0 0
(4r cos θ + 6rsenθ + 4)rdrdθ

∫
C
F Tds = 36π

É necessário fazer a mudança para coordenadas polares


para calcular a integral.

Atividade 17

Use o Teorema de Stokes para calcular ∫ C


F dr .

2 2
a) F ( x, y, z ) = z i + 2 xj − y k ; C é o círculo x + y =1 no plano
2 3

xy com orientação anti-horária, olhando no eixo z positivo de


cima para baixo.

1
−3 y 2i + 4 zj + 6 xk ; C é o triângulo no plano z = y de
b) F ( x, y, z ) = 2
vértices (0, 2,1) , (0, 2,1) e (0, 0, 0) , com orientação anti-horária,
olhando no eixo z positivo de cima para baixo.
UNIUBE 131

Resumo

Neste capítulo abordamos os campos vetoriais presentes em


situações da engenharia que envolvam fluxo e fluído. Vimos como
calcular integrais de linha, a utilizar o conceito de independência do
caminho para calcular integrais em campos vetoriais conservativos,
aplicações dos teoremas de Green, de Divergência e de Stokes.
Nosso intuito maior é proporcionar-lhe o desenvolvimento de
habilidades de cálculo em integrais de superfície e campos vetoriais.

Referências

ANTON, H.; BIVENS, I.; DAVIS, Stephen. Cálculo. 8. ed. São


Paulo: Bookman, 2007. v.2.

STEWART, J. Integrais múltiplas. Cálculo. 5. ed. São Paulo: Pioneira


Thomson Learning, 2006. v. 2.

SWOKOWSKI., E. W. Cálculo com geometria analítica. 2. ed.


São Paulo: Makron Books, 1994, v. 2.