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OS - Organização Social: contrato de gestão;

OSCIP - Organização Social de Interesse Público: termo de parceria;

OSC - Organização da Sociedade Civil: termo de colaboração ou termo de fomento.

Direito Administrativo 2015

CONCURSO PÚBLICO
Surgimento de novas vagas e discussão sobre direito subjetivo à
nomeação
Importante!!!
O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o
mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior, não gera
automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados fora
das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição
arbitrária e imotivada por parte da administração, caracterizada por
comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a
inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de
validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato.
Assim, o direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado
em concurso público exsurge nas seguintes hipóteses: a) quando
a aprovação ocorrer dentro do número de vagas dentro do
edital; b) quando houver preterição na nomeação por não
observância da ordem de classificação; e c) quando surgirem
novas vagas, ou for aberto novo concurso durante a validade
do certame anterior, e ocorrer a preterição de candidatos de
forma arbitrária e imotivada por parte da administração nos
termos acima. STF. Plenário. RE 837311/PI, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 09/12/2015 (repercussão geral) (Info 811)
SERVIDORES PÚBLICOS
Declaração de inconstitucionalidade de lei que efetuou transposição e
exoneração do servidores
No julgamento da ADI 3819, o STF declarou inconstitucional lei estadual,
posterior à CF/88, que transformou ocupantes de determinado cargo
público em Defensores Públicos. Entendeu-se que houve violação ao
princípio do concurso público. Os servidores foram, então, exonerados
pelo Governador do Estado, mas conseguiram ser reintegrados por
decisão do STJ, que entendeu que, antes da exoneração, deveria a eles ser
garantido devido processo legal, com contraditório e ampla defesa. O STF,
em reclamação, cassou essa decisão do STJ por entender que ela
contrariou a autoridade da decisão proferida pelo STF no julgamento da
ADI 3.819/MG. STF. 2ª Turma. Rcl 16950/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia,
julgado em 1º/12/2015 (Info 810).
SERVIDORES PÚBLICOS
Adicional por tempo de serviço e direito adquirido
Não há garantia à continuidade de recebimento de adicional por tempo de
serviço em percentual superior àquele previsto em legislação posterior
sob o fundamento de direito adquirido. STF. Plenário. MS 22423/RS, rel.
orig. Min. Eros Grau, red. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em
26/11/2015 (Info 809).
CONCURSOS PÚBLICOS
Teoria do fato consumado: inaplicabilidade em concurso público
Importante!!!
O candidato que toma posse em concurso público por força de decisão
judicial precária assume o risco de posterior reforma desse julgado
que, em razão do efeito “ex tunc”, inviabiliza a aplicação da teoria do
fato consumado em tais hipóteses. A posse ou o exercício
em cargo público por força de decisão judicial de caráter provisório não
implica a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende a
exigência de prévia aprovação em concurso público (art. 37, II, da CF/88),
valor constitucional que prepondera sobre o interesse individual do
candidato, que não pode invocar, na hipótese, o princípio da proteção da
confiança legítima, pois conhece a precariedade da medida judicial. Em
suma, não se aplica a teoria do fato consumado para
candidatos que assumiram o cargo público por força de
decisão judicial provisória posteriormente revista. STF. 1ª
Turma. RMS 31538/DF, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min.
Marco Aurélio, julgado em 17/11/2015 (Info 808).
As vantagens pessoais do servidor também devem respeitar o teto,
mesmo que sejam anteriores à EC 41/2003
Importante!!!
Alguns servidores continuavam tentando excluir do teto as vantagens
pessoais que haviam adquirido antes da EC 41/2003 (que implementou,
na prática, o teto no funcionalismo). Argumentavam que a garantia da
irredutibilidade de vencimentos, modalidade qualificada de direito
adquirido, impediria que as vantagens percebidas antes da vigência da EC
41/2003 fossem por ela alcançadas. O STF acolheu esse argumento? As
vantagens pessoais anteriores à EC 41/2003 estão fora do teto? NÃO.
Computam-se para efeito de observância do teto
remuneratório do artigo 37, XI, da Constituição da
República, também os valores percebidos anteriormente
à vigência da EC 41/2003 a título de vantagens pessoais
pelo servidor público, dispensada a restituição de valores
eventualmente recebidos em excesso e de boa-fé até o
dia 18/11/2015. STF. Plenário. RE 606358/SP, Rel. Min. Rosa Weber,
julgado em 18/11/2015 (repercussão geral) (Info 808).
SERVIDORES TEMPORÁRIOS
Competência da Justiça Comum
Importante!!!
A justiça comum é competente para processar e julgar
causas em que se discuta a validade de vínculo jurídico-
administrativo entre o poder público e servidores
temporários. Dito de outra forma: a Justiça competente para julgar
litígios envolvendo servidores temporários (art. 37, IX, da CF/88) e a
Administração Pública é a JUSTIÇA COMUM (estadual ou federal). A
competência NÃO é da Justiça do Trabalho, ainda que o autor da ação
alegue que houve desvirtuamento do vínculo e mesmo que ele formule os
seus pedidos baseados na CLT ou na lei do FGTS. STF. Plenário. Rcl 4351
MC-AgR/PE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Dias
Toffoli, julgado em 11/11/2015 (Info 807).

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Improbidade administrativa e conduta direcionada a particular
Não ensejam o reconhecimento de ato de improbidade administrativa
eventuais abusos perpetrados por agentes públicos durante abordagem
policial, caso o ofendido pela conduta seja particular que não estava no
exercício de função pública. STJ. 1ª Turma. REsp 1.558.038-PE, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 27/10/2015 (Info 573).
Não ensejam o reconhecimento de ato de improbidade administrativa
eventuais abusos perpetrados por agentes públicos durante abordagem
policial, caso o ofendido pela conduta seja um particular que não estava
no exercício de função pública. O fato de a probidade ser atributo de toda
atuação do agente público pode suscitar o equívoco interpretativo de que
qualquer falta por ele praticada, por si só, representaria quebra desse
atributo e, com isso, faria com que ele ficasse sujeito às sanções da Lei nº
8.429/92. Contudo, o conceito jurídico de ato de improbidade
administrativa, por ser uma sanção, não pode ser um conceito elástico,
isto é, não pode ser ampliado para abranger situações que não tenham
sido contempladas expressamente pelo legislador. Dessa forma,
considerando o conceito restrito de improbidade, vê-se que o referencial
da Lei nº 8.429/92 é o ato do agente público frente à coisa pública a que
foi chamado a administrar.

CONCURSO PÚBLICO
Vagas reservadas a pessoas com deficiência
Súmula 552-STJ: O portador de surdez unilateral não se qualifica como
pessoa com deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas em
concursos públicos. STJ. Corte Especial. Aprovada em 04/11/2015.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Termo inicial do prazo prescricional no caso de reeleição
O prazo prescricional em ação de improbidade administrativa movida
contra prefeito reeleito só se inicia após o término do segundo mandato,
ainda que tenha havido descontinuidade entre o primeiro e o segundo
mandato em razão da anulação de pleito eleitoral, com posse provisória
do Presidente da Câmara, por determinação da Justiça Eleitoral, antes da
reeleição do prefeito em novas eleições convocadas. Ex: João foi Prefeito
no período jan/2001 a dez/2004 (primeiro mandato). Em 2002 ele
praticou um ato de improbidade administrativa. Em out/2004 concorreu e
conseguiu ser reeleito para um novo mandato (que seria de jan/2005 a
dez/2008). Ocorre que não chegou a tomar posse em 1º de janeiro de
2005, pois teve seu registro de candidatura cassado em virtude de
condenação na Justiça Eleitoral. Tomou posse o Presidente da Câmara
Municipal. O TRE marcou nova eleição para o Município e João foi
novamente eleito, tendo tomado posse em fevereiro de 2006. Desse
modo, João ficou fora da Prefeitura durante 1 ano e 1 mês, período no
qual o Município foi comandado pelo Presidente da Câmara. Em 2008,
acabou o segundo mandato de João. O prazo prescricional quanto à
improbidade praticada em 2002 somente se iniciou em dezembro de 2008
com o término do segundo mandato. STJ. 2ª Turma. REsp 1.414.757-RN,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 6/10/2015 (Info 571).
DIREITO EDUCACIONAL
Posse de membro do MP no cargo de Desembargador Federal e direito à
transferência universitária de dependente
O filho de membro do Ministério Público do Trabalho tem, em razão da
mudança de domicílio de seu pai para tomar posse no cargo de
Desembargador Federal do Trabalho, direito a ser transferido para
instituição de ensino superior congênere, nos termos do art. 49 da Lei nº
9.394/96, c/c art. 1º da Lei nº 9.536/97. STJ. 2ª Turma. REsp 1.536.723-RS,
Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 13/10/2015 (Info 571).
PROVIMENTO DERIVADO
É inconstitucional lei estadual que transforma cargo de Comissário de
Polícia em Delegado de Polícia
Em 2001, foi editada uma lei estadual criando cargos e organizando a
Polícia Civil de determinado Estado. Nesta Lei foi previsto que, na
estrutura da Polícia Civil, haveria cargos de Delegado de Polícia e de
Comissário de Polícia. Ainda em 2001, foi realizado um concurso público,
com provas específicas para cada um desses cargos, e os aprovados
nomeados e empossados. Contudo, em 2004, houve duas leis modificando
o cargo de Comissário de Polícia. • a primeira delas afirmou que
Comissário de Polícia seria autoridade policial, juntamente com o
Delegado de Polícia, equiparando a remuneração dos dois cargos. • a
segunda lei, transformando o cargo de "Comissário de Polícia" em
"Delegado de Polícia". Essas duas leis foram impugnadas por meio de ADI
e o STF decidiu que elas são INCONSTITUCIONAIS porque representaram
burla à exigência do concurso público. As referidas leis fizeram uma
espécie de ASCENSÃO FUNCIONAL dos Comissários de Polícia porque
transformaram os ocupantes desses cargos em Delegados de Polícia sem
que eles tivessem feito concurso público para tanto. No caso concreto, os
Ministros entenderam que, quando o cargo de Comissário de Polícia foi
criado, ele possuía diferenças substanciais em relação ao de Delegado de
Polícia, o que impediria a transformação mesmo sob o argumento de ser
medida de racionalização administrativa. STF. Plenário. ADI 3415/AM, Rel.
Min. Teori Zavascki, julgado em 24/9/2015 (Info 800).
SERVIDORES PÚBLICOS
Fixação de limitação temporal para o recebimento de nova ajuda de custo
A fixação de limitação temporal para o recebimento da indenização
prevista no art. 51, I, da Lei 8.112/1990, por meio de normas infralegais,
não ofende o princípio da legalidade. STJ. 1ª Seção. REsp 1.257.665-CE,
Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 8/10/2014 (recurso repetitivo)
(Info 569).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Estagiário de serviço público está sujeito à Lei de Improbidade
O estagiário que atua no serviço público, ainda que transitoriamente,
remunerado ou não, está sujeito a responsabilização por ato de
improbidade administrativa. Isso porque o conceito de agente público
para fins de improbidade abrange não apenas os servidores
públicos, mas todo aquele que exerce, ainda que
transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação,
designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura
ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função na
Administração Pública. Além disso, é possível aplicar a lei de
improbidade mesmo para quem não é agente público, mas
induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele
se beneficie sob qualquer forma, direta ou indireta. É o caso do
chamado "terceiro", definido pelo art. 3º da Lei nº 8.429/92. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.352.035-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
18/8/2015 (Info 568).
CONCURSO PÚBLICO
Aprovado fora do número de vagas e desistência dos que estavam na sua
frente
Importante!!!
Situação 1: o candidato aprovado fora do número de vagas previstas no
edital de concurso público tem direito subjetivo à nomeação quando o
candidato imediatamente anterior na ordem de classificação, aprovado
dentro do número de vagas, for convocado e manifestar desistência. Ex:
eram 10 vagas e João passou em 11º lugar; ocorre que o 10º colocado foi
convocado e desistiu de assumir; João tem direito subjetivo de ser
nomeado. Em suma, tem direito subjetivo à nomeação o candidato
aprovado fora do número de vagas previstas no edital, mas que passe a
figurar entre as vagas em decorrência da desistência de candidatos
classificados em colocação superior. Situação 2: o candidato aprovado
fora do número de vagas previstas no edital de concurso público tem
direito subjetivo à nomeação quando o candidato imediatamente
anterior na ordem de classificação, embora aprovado fora do número de
vagas, for convocado para vaga surgida posteriormente e manifestar
desistência
SERVIDORES PÚBLICOS
Férias gozadas em período coincidente com o da licença à gestante
Maria, servidora pública, estava grávida. A criança nasceu em
março/2015. A partir daí, ela começou a usufruir a licença-maternidade
(que é de 180 dias). Em setembro/2015, a servidora retornou ao trabalho.
Quando voltou a trabalhar, Maria foi até o departamento de recursos
humanos do órgão e explicou o seguinte para a diretora do setor: "minhas
férias estavam marcadas para julho/2015. Ocorre que neste período eu
estava de licença-maternidade. Logo, minhas férias foram interrompidas e
eu quero agora remarcar esse período de férias referente a julho/2015
para dezembro/2015." O pedido de Maria poderá ser aceito? NÃO. A Lei
nº 8.112/90 não assegura à servidora pública o direito de usufruir, em
momento posterior, os dias de férias já gozados em período coincidente
com o da licença à gestante. Ao contrário do que afirma Maria, houve sim
o gozo das férias, ainda que ao mesmo tempo em que ela fazia jus à
licença-maternidade, visto que a referida licença não é causa interruptiva
das férias. STJ. 2ª Turma. AgRg no RMS 39.563-PE, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 6/8/2015 (Info 566).
SERVIDORES PÚBLICOS
O art. 170 da Lei 8.112/1990 é inconstitucional
Importante!!!
O art. 170 da Lei n. 8.112/90 prevê que, mesmo estando prescrita a
infração disciplinar, é possível que a prática dessa conduta fique registrada
nos assentos funcionais do servidor. O STF e STJ entendem que esse art.
170 é INCONSTITUCIONAL por violar os princípios da presunção de
inocência e da razoabilidade. STF. Plenário. MS 23262/DF, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 23/4/2014 (Info 743). STJ. 1ª Seção. MS 21.598-DF, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 10/6/2015 (Info 564)
RESPONSABILIDADE CIVIL
Ilegitimidade passiva da União em demanda que envolve erro médico
ocorrido em hospital do SUS
Importante!!! Atualize seu livro de 2014
A União não tem legitimidade passiva em ação de indenização por danos
decorrentes de erro médico ocorrido em hospital da rede privada durante
atendimento custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com
a Lei 8.080/90, a responsabilidade pela fiscalização dos hospitais
credenciados ao SUS é do Município, a quem compete responder em tais
casos. STJ. 1ª Seção. EREsp 1.388.822-RN, Rel. Min. Og Fernandes, julgado
em 13/5/2015 (Info 563).
GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO
Possibilidade de desconto dos dias parados da remuneração dos grevistas
Deve ser suspensa a execução da decisão liminar (art. 25, § 3º, da Lei
8.038/1990) proibitiva de desconto salarial dos dias de paralisação
decorrentes de greve dos professores do Estado de São Paulo, movimento
paredista que durava mais de 60 dias até a análise do pedido de
suspensão de segurança, sem êxito nas tentativas de acordo e sem notícia
de decisão judicial sobre as relações obrigacionais entre grevistas e o
Estado, e que, além disso, já havia levado ao dispêndio de vultosos
recursos na contratação de professores substitutos, como forma de
impedir a iminente interrupção da prestação do serviço público
educacional do Estado. STJ. Corte Especial. AgRg na SS 2.784-SP, Rel. Min.
Francisco Falcão, julgado em 3/6/2015 (Info 563).
ATOS ADMINISTRATIVOS
Incompetência do Poder Judiciário para autorizar o funcionamento de
rádio educativa
O Poder Judiciário não tem competência para autorizar, ainda que a título
precário, a prestação de serviço de radiodifusão com finalidade
exclusivamente educativa. O art. 223 da CF/88 atribui competência ao
Poder Executivo para outorgar e renovar concessão, permissão e
autorização, bem como fiscalizar o serviço de radiodifusão sonora e de
sons e imagens. O funcionamento das rádios educativas, mesmo que a
título precário, está definido na legislação infraconstitucional, em portaria
do Ministério das Comunicações e em portaria interministerial do
Ministério das Comunicações e do Ministério da Educação, exigindo prévia
outorga do poder concedente, a qual não pode ser suprida por
autorização judicial. STJ. 2ª Turma. REsp 1.353.341-PE, Rel. Min. Humberto
Martins, julgado em 12/5/2015 (Info 562).
PODER DE POLÍCIA
Poder de polícia de trânsito e guardas municipais
Importante!!!
As guardas municipais podem realizar a fiscalização de trânsito? SIM. As
guardas municipais, desde que autorizadas por lei municipal, têm
competência para fiscalizar o trânsito, lavrar auto de infração de trânsito e
impor multas. O STF definiu a tese de que é constitucional a atribuição às
guardas municipais do exercício do poder de polícia de trânsito, inclusive
para a imposição de sanções administrativas legalmente previstas (ex:
multas de trânsito). STF. Plenário.RE 658570/MG, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 6/8/2015
(Info 793).
PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
Princípio da intranscendência subjetiva na inscrição de unidade federativa
em cadastro de inadimplentes
Atenção!
Advocacia Pública
O Estado de Pernambuco celebrou convênio com a União por meio do
qual recebeu determinadas verbas para realizar projetos de interesse
público no Estado, assumindo o compromisso de prestar contas da
utilização de tais valores perante a União e o TCU. Ocorre que o Estado
não prestou contas corretamente, o que fez com que a União o inserisse
no CAUC. Ao julgar uma ação proposta pelo Estado-membro contra a
União, o STF exarou duas importantes conclusões: 1) Viola o princípio do
devido processo legal a inscrição de unidade federativa em cadastros de
inadimplentes antes de iniciada e julgada tomada de contas especial pelo
Tribunal de Contas da União. Em casos como esse, mostra-se necessária a
tomada de contas especial e sua respectiva conclusão, a fim de
reconhecer que houve realmente irregularidades. Só a partir disso é
possível a inscrição do ente nos cadastros de restrição ao crédito
organizados e mantidos pela União. 2) O princípio da intranscendência
subjetiva impede que sanções e restrições superem a dimensão
estritamente pessoal do infrator e atinjam pessoas que não tenham sido
as causadoras do ato ilícito. Assim, o princípio da intranscendência
subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações
atuais por atos de gestão praticados por administrações anteriores. A
inscrição do Estado de Pernambuco no CAUC ocorreu em razão do
descumprimento de convênio celebrado por gestão anterior, ou seja, na
época de outro Governador. Ademais, ficou demonstrado que os novos
gestores estavam tomando as providências necessárias para sanar as
irregularidades verificadas. Logo, deve-se aplicar, no caso concreto, o
princípio da intranscendência subjetiva das sanções, impedindo que a
Administração atual seja punida com a restrição na celebração de novos
convênios ou recebimento de repasses federais. STF. 1ª Turma. AC
2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em
23/6/2015 (Info 791).
CONCURSO PÚBLICO
Momento para comprovação do limite de idade
Atualize seu livro de 2014
O limite de idade, quando regularmente fixado em lei e no edital de
determinado concurso público, há de ser comprovado no momento da
inscrição no certame. STF. 1ª Turma. ARE 840.592/CE, Min. Roberto
Barroso, julgado em 23/6/2015 (Info 791).
SERVIDORES PÚBLICOS
Revisão geral dos servidores antes da EC 19/98
Súmula vinculante 51-STF: O reajuste de 28,86%, concedido aos servidores
militares pelas Leis 8.622/1993 e 8.627/1993, estende-se aos servidores
civis do Poder Executivo, observadas as eventuais compensações
decorrentes dos reajustes diferenciados concedidos pelos mesmos
diplomas legais. STF. Plenário. Aprovada em 17/06/2015.
APOSENTADORIA ESPECIAL
Oficiais de justiça não têm direito à aposentadoria especial
Importante!!!
Aposentadoria especial é aquela cujos requisitos e critérios exigidos do
beneficiário são mais favoráveis que os estabelecidos normalmente para
as demais pessoas. A CF/88 prevê que os servidores que exerçam
atividades de risco têm direito à aposentadoria especial, segundo
requisitos e condições previstas em lei complementar (art. 40, § 4º, II,
“b”). O sindicato dos Oficiais de Justiça ajuizou, no STF, mandado de
injunção coletivo alegando que os oficiais de justiça exercem atividades de
risco, nos termos do art. 40, § 4º, II, da CF/88 e que, apesar disso, até
agora, não foi editada uma lei complementar nacional prevendo
aposentadoria especial para eles. Argumentou, então, que estaria
havendo omissão legislativa. O STF concordou com o pedido formulado?
NÃO. Os Oficiais de Justiça, no exercício de suas funções, até sofrem,
eventualmente, exposição a situações de risco, mas isso, por si só, não
confere a eles o direito subjetivo à aposentadoria especial. Os Oficiais de
Justiça podem até, a depender do caso concreto, estar sujeitos a situações
de risco, notadamente quando no exercício de suas funções em áreas
dominadas pela criminalidade, ou em locais marcados por conflitos
fundiários. No entanto, o STF entendeu que esse risco é
contingente (eventual), e não inerente ao serviço. Não se
pode dizer que as funções dos Oficiais de Justiça são perigosas (isso não
está na sua essência). Elas podem ser eventualmente perigosas. Se uma
atividade é eventualmente perigosa, o legislador pode prever que os
servidores que a desempenham tenham direito à aposentadoria especial
com base no art. 40, § 4º, II, da CF/88. Se o legislador não fizer isso, não
haverá omissão de sua parte porque o texto constitucional não exige. Ex:
Oficiais de Justiça. Reconhecer ou não o direito à aposentadoria especial é
uma escolha da discricionariedade legislativa. Se uma atividade é perigosa
por sua própria natureza, o legislador tem o dever de prever que os
servidores que a desempenham terão direito à aposentadoria especial
com base no art. 40, § 4º, II, da CF/88. Se o legislador não fizer isso, haverá
omissão inconstitucional de sua parte porque o texto da CF/88 exige. Aqui
não existe discricionariedade, mas sim um dever do legislador. Ex: carreira
policial. STF. Plenário. MI 833/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 11/6/2015 (Info 789).
NEPOTISMO
Norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores
de provimento efetivo
A Constituição do Estado do Espírito Santo prevê, em seu art. 32, VI, que é
“vedado ao servidor público servir sob a direção imediata de cônjuge ou
parente até segundo grau civil”. Foi proposta uma ADI contra esta norma.
O STF julgou a norma constitucional, mas decidiu dar interpretação
conforme à Constituição, no sentido de o dispositivo ser válido somente
quando incidir sobre os cargos de provimento em comissão, função
gratificada, cargos de direção e assessoramento. Em outras palavras, o STF
afirmou que essa vedação não pode alcançar os servidores admitidos
mediante prévia aprovação em concurso público, ocupantes de cargo de
provimento efetivo, haja vista que isso poderia inibir o próprio provimento
desses cargos, violando, dessa forma, o art. 37, I e II, da CF/88, que
garante o livre acesso aos cargos, funções e empregos públicos aos
aprovados em concurso público. STF. Plenário. ADI 524/ES, rel. orig. Min.
Sepúlveda Pertence, red. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski, julgado
em 20/5/2015 (Info 786).
PENSÃO POR MORTE
Adoção de descendente maior com o único objetivo de deixar pensão por
morte
Não é legítima a adoção de descendente maior de idade, sem a
constatação de suporte moral ou econômico, com o fim de induzir o
deferimento de benefício previdenciário. No caso concreto, militar
reformado do Exército, antes de falecer, adotou sua própria neta, que na
época tinha 41 anos de idade e era professora do ensino público estadual.
Quando faleceu, a neta habilitou-se para receber a pensão por morte
como dependente do militar. O Exército fez a concessão inicial do
benefício, mas o TCU negou registro à pensão. O STF considerou que a
decisão do TCU foi correta porque a adoção não tinha suporte moral nem
econômico e tinha sido feita com o objetivo de induzir o deferimento do
benefício previdenciário. Logo, não foi legítima, tendo sido praticada com
simulação e fraude à lei. STF. 1ª Turma. MS 31383/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 12/5/2015 (Info 785).
LICITAÇÕES
Termo inicial da punição prevista no art. 7º da Lei n. 10.520/2002 (Lei do
Pregão)
O pregão é uma modalidade de licitação disciplinada pela Lei
10.520/2002. O art. 7º da Lei prevê que o licitante que for convocado
dentro do prazo de validade de sua proposta e não celebrar o contrato,
deixar de entregar a documentação, apresentar documentação falsa,
retardar a execução do que contratado, não mantiver a proposta, falhar
ou fraudar na execução do contrato, comportar-se de modo inidôneo ou
cometer fraude fiscal, ficará impedido de licitar e contratar com a União,
Estados, Distrito Federal ou Municípios pelo prazo de até 5 anos. Esse
prazo de 5 anos (ou menos) de punição começa a ser contado quando?
Inicia-se com a publicação da decisão no Diário Oficial ou somente no dia
em que é feito o registro negativo sobre a empresa no SICAF? Isso é
importante porque a inserção dessa informação no SICAF pode demorar
um tempo para acontecer. Qual é, portanto, o termo inicial da sanção? A
data da publicação no Diário Oficial. O termo inicial para efeito de
contagem e detração (abatimento) da penalidade prevista no art.
7º da Lei 10.520/2002, aplicada por órgão federal, coincide com
a data em que foi publicada a decisão administrativa no Diário
Oficial da União – e não com a do registro no SICAF. STJ. 1ª Seção. MS
20.784-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. para acórdão Min. Arnaldo Esteves
Lima, julgado em 9/4/2015 (Info 561).
PERSONALIDADE JUDICIÁRIA
Personalidade judiciária das Câmaras de Vereadores
Súmula 525-STJ: A Câmara de vereadores não possui personalidade
jurídica, apenas personalidade judiciária, somente podendo demandar em
juízo para defender os seus direitos institucionais. STJ. 1ª Seção. Aprovada
em 22/04/2015, DJe 27/4/2015.
SERVIDORES PÚBLICOS
Auxílio-reclusão previsto para servidores públicos federais (art. 229 da Lei
8.112/90)
O art. 229 da Lei 8.112/90 prevê a concessão de auxílio-reclusão para os
dependentes dos servidores públicos federais que estiverem presos. Ao
contrário do auxílio-reclusão do RGPS, previsto no art. 201, IV, da CF/88,
o auxílio-reclusão da Lei 8.112/90 não exige que o servidor público preso
seja enquadrado como pessoa de baixa renda. O art. 13 da EC 20/98 traz
uma regra para que o segurado seja considerado de “baixa renda” para
fins de pagamento do auxílio-reclusão. Essa regra, contudo, somente vale
para servidores públicos que forem vinculados ao RGPS. Assim, para a
concessão do auxílio-reclusão da Lei 8.112/90 não se aplica aos servidores
públicos estatutários ocupantes de cargos efetivos a exigência de baixa
renda prevista no art. 13 da EC 20/98. Assim, conclui-se que o art. 13 da
EC 20/98 não afeta a situação jurídica dos servidores ocupantes de cargo
público de provimento efetivo, mas apenas dos servidores vinculados ao
RGPS, isto é, empregados públicos, contratados temporariamente e
ocupantes de cargos exclusivamente em comissão. STJ. 2ª Turma. AgRg no
REsp 1.510.425-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 16/4/2015
(Info 560)
SERVIDORES TEMPORÁRIOS
Contratação temporária de servidor público para atividades de caráter
permanente
O art. 37, IX, da CF/88 autoriza que a Administração Pública contrate
pessoas, sem concurso público, tanto para o desempenho de atividades
de caráter eventual, temporário ou excepcional, como também para o
desempenho das funções de caráter regular e permanente, desde que
indispensáveis ao atendimento de necessidade temporária de excepcional
interesse público. Esse é o entendimento do STF (Plenário. ADI 3247/MA,
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/3/2014. Info 740). O STJ adotou
essa mesma conclusão. No caso concreto, o Ministério da Saúde autorizou
a contratação de 200 profissionais para a Agência Nacional de Saúde
Suplementar – ANS. O sindicato dos servidores públicos impetrou MS
contra este ato alegando que os servidores estavam sendo contratados
para a análise de processos administrativos do órgão, o que não é uma
atividade temporária, mas sim permanente e, portanto, não se
enquadraria no art. 37, IX, da CF/88, devendo ser desempenhada por
servidores estatutários da autarquia. O MS foi julgado improcedente.
Segundo decidiu o STJ, admite-se a contratação por tempo determinado
para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público
(art. 37, IX, da CF/88) ainda que para o exercício de atividades
permanentes do órgão ou entidade. No caso concreto, as contratações
temporárias se fazem necessárias em decorrência do crescente número de
demandas e do enorme passivo de procedimentos administrativos que
estão parados junto à ANS. Ademais, o quadro de pessoal da agência já
está completo, inexistindo, portanto, cargos vagos para a realização de
concurso público. STJ. 1ª Seção. MS 20.335-DF, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 22/4/2015 (Info 560).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Aplicação da pena de perda da função pública a membro do MP em ação
de improbidade administrativa
Importante!!!
Atenção! Ministério Público
O membro do Ministério Público pode ser processado e condenado por
ato de improbidade administrativa? SIM. É pacífico o entendimento de
que o Promotor de Justiça (ou Procurador da República) pode ser
processado e condenado por ato de improbidade administrativa, com
fundamento na Lei 8.429/92. Mesmo gozando de vitaliciedade e a Lei
prevendo uma série de condições para a perda do cargo, o membro do
MP, se for réu em uma ação de improbidade administrativa, poderá ser
condenado à perda da função pública? O membro do MP pode ser réu em
uma ação de improbidade de que trata a Lei 8.429/92 e, ao final, ser
condenado à perda do cargo mesmo sem ser adotado o procedimento da
Lei 8.625/93 e da LC 75/93? SIM. O STJ decidiu que é possível, no âmbito
de ação civil pública de improbidade administrativa, a condenação de
membro do Ministério Público à pena de perda da função pública
prevista no art. 12 da Lei 8.429/92. A Lei 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional
do MP) e a LC 75/93 preveem uma série de regras para que possa ser
ajuizada ação civil pública de perda do cargo contra o membro do MP.
Tais disposições impedem que o membro do MP perca o cargo em ação
de improbidade? NÃO. Segundo o STJ, o fato de essas leis preverem a
garantia da vitaliciedade aos membros do MP e a necessidade de ação
judicial para a aplicação da pena de demissão não significa que elas
proíbam que o membro do MP possa perder o cargo em razão de
sentença proferida na ação civil pública por ato de improbidade
administrativa. Essas leis tratam dos casos em que houve um
procedimento administrativo no âmbito do MP para apuração de fatos
imputados contra o Promotor/Procurador e, sendo verificada qualquer
das situações previstas nos incisos do § 1º do art. 38, deverá obter-se
autorização do Conselho Superior para o ajuizamento de ação civil
específica. Desse modo, tais leis não cuidam de improbidade
administrativa e, portanto, nada interferem nas disposições da Lei
8.429/92. Em outras palavras, existem as ações previstas na LC 75/93 e na
Lei 8.625/93, mas estas não excluem (não impedem) que o membro do
MP também seja processado e condenado pela Lei 8.429/92. Os dois
sistemas convivem harmonicamente. Um não exclui o outro. Se o membro
do MP praticou um ato de improbidade administrativa, ele poderá ser réu
em uma ação civil e perder o cargo? Essa ação deverá ser proposta
segundo o rito da lei da carreira (LC 75/93 / Lei 8.625/93) ou poderá ser
proposta nos termos da Lei 8.429/92? SIM. O membro do MP que praticou
ato de improbidade administrativa poderá ser réu em uma ação civil e
perder o cargo. Existem duas hipóteses possíveis:
• Instaurar o processo administrativo de que trata a lei da carreira (LC
75/93: MPU / Lei 8.625/93: MPE) e, ao final, o PGR ou o PGJ ajuizar ação
civil de perda do cargo contra o membro do MP.
• Ser proposta ação de improbidade administrativa, nos termos da Lei
8.429/92. Neste caso, não existe legitimidade exclusiva do PGR ou PGJ. A
ação poderá ser proposta até mesmo por um Promotor de Justiça (no caso
do MPE) ou Procurador da República (MPF) que atue em 1ª instância. STJ.
1ª Turma. REsp 1.191.613-MG, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
19/3/2015 (Info 560).
SERVIDORES TEMPORÁRIOS
Acumulação de aposentadoria de emprego público com remuneração de
“cargo” temporário
Importante!!!
Maria é empregada pública federal aposentada. Como se aposentou cedo
e ainda está cheia de vitalidade, ela decide que deseja continuar
trabalhando e, por isso, se inscreve no processo seletivo aberto pelo
Ministério do Meio Ambiente para contratar servidores temporários. A
empregada pública aposentada poderá ser contratada e receber, ao
mesmo tempo, os proventos da aposentadoria e também a remuneração
proveniente do serviço temporário? SIM. É possível a cumulação de
proventos de aposentadoria de emprego público com remuneração
proveniente de exercício de “cargo” temporário. O § 3º do art. 118 da Lei
8.112/90 proíbe apenas a acumulação de proventos de aposentadoria
com remuneração de cargo ou emprego público efetivo. Os servidores
temporários contratados sob o regime do art. 37, IX, não estão vinculados
a um cargo ou emprego público, exercendo apenas uma função
administrativa temporária (função autônoma, justamente por não estar
vinculada a cargo ou emprego). Além disso, ainda que se considere que
isso é um “cargo” público, não se trata de cargo público efetivo já que as
pessoas são selecionas mediante processo seletivo simplificado e irão
exercer essa função por um prazo determinado, não possuindo direito à
estabilidade. Em suma, não é cargo; mas mesmo que fosse,
não seria cargo efetivo. Ademais, a aposentadoria da interessada se
deu pelo Regime Geral de Previdência Social – RGPS (ela era empregada
pública), não se lhe aplicando, portanto, o disposto no § 10 do art. 37 da
CF/88, segundo o qual “É vedada a percepção simultânea de
proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts.
42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função
pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta
Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão
declarados em lei de livre nomeação e exoneração”. Isso porque
a aposentadoria dos empregados públicos, concedida no
regime do RGPS, é disciplinada não pelo art. 40 da CF/88,
mas sim pelo art. 201. Logo, não se pode atribuir interpretação
extensiva em prejuízo do empregado público aposentado pelo RGPS. STJ.
2ª Turma. REsp 1.298.503-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
7/4/2015 (Info 559).
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Possibilidade de execução imediata de penalidade imposta em PAD
Importante!!!
Atenção! Advocacia Pública
Determinado servidor público federal recebeu pena de demissão em
processo administrativo disciplinar contra si instaurado. O servidor
interpôs recurso administrativo contra a decisão proferida. Ocorre que,
antes mesmo de ser julgado o recurso, a Administração Pública já cessou o
pagamento da remuneração do servidor e o afastou das funções. É
possível que a sanção aplicada seja desde logo executada mesmo que
ainda esteja pendente recurso interposto no âmbito administrativo? SIM.
É possível o cumprimento imediato da penalidade imposta ao servidor
logo após o julgamento do PAD e antes do julgamento do recurso
administrativo cabível. Não há qualquer ilegalidade na imediata
execução de penalidade administrativa imposta em PAD a servidor
público, ainda que a decisão não tenha transitado em julgado
administrativamente. STJ. 1ª Seção. MS 19.488-DF, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 25/3/2015 (Info 559).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Competência para julgar ação de improbidade proposta por Município
contra ex-prefeito que não prestou contas de convênio federal
Importante!!!
Determinado Município ajuizou Ação Civil Pública de Improbidade
Administrativa contra o ex-prefeito da cidade, sob o argumento de que
este, enquanto prefeito, firmou convênio com órgão/entidade federal e
recebeu recursos para aplicar em favor da população e, no entanto, não
prestou contas no prazo devido, o que fez com o que o Município fosse
incluído no cadastro negativo da União, estando, portanto, impossibilitado
de receber novos recursos federais. Esta ação de improbidade
administrativa deverá ser julgada pela Justiça Federal ou Estadual? 
Regra: compete à Justiça Estadual (e não à Justiça Federal)
processar e julgar ação civil pública de improbidade
administrativa na qual se apure irregularidades na prestação de
contas, por ex-prefeito, relacionadas a verbas federais
transferidas mediante convênio e incorporadas ao patrimônio
municipal.  Exceção: será de competência da Justiça Federal se
a União, autarquia federal, fundação federal ou empresa pública
federal manifestar expressamente interesse de intervir na causa
porque, neste caso, a situação se amoldará no art. 109, I, da
CF/88. STJ. 1ª Seção. CC 131.323-TO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia
Filho, julgado em 25/3/2015 (Info 559)
PODER DE POLÍCIA
Incompetência do INMETRO para fiscalizar balanças gratuitamente
disponibilizadas por farmácias
O Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial
(INMETRO) não é competente para fiscalizar as balanças de pesagem
corporal disponibilizadas gratuitamente aos clientes nas farmácias. STJ. 1ª
Turma. REsp 1.384.205-SC, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 5/3/2015
(Info 557)
SERVIDORES PÚBLICOS
Aposentadoria por invalidez com proventos proporcionais se a doença não
estiver prevista no art. 186 da lei 8.112/1990
Atualize seu livro de 2014
A CF/88 prevê, em seu art. 40, § 1º, I, a possibilidade de os servidores
públicos serem aposentados caso se tornem total e permanentemente
incapazes para o trabalho. Trata-se da chamada aposentadoria por
invalidez. Em regra, a aposentadoria por invalidez será paga com
proventos proporcionais ao tempo de contribuição. Excepcionalmente, ela
será devida com proventos integrais se essa invalidez for decorrente de
acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou
incurável, especificada em lei. Assim, a concessão de aposentadoria por
invalidez com proventos integrais exige que a doença incapacitante
esteja prevista em rol taxativo da legislação de regência. O art. 41, § 1º, I,
da CF/88 é bastante claro ao exigir que a lei defina as doenças e moléstias
que ensejam aposentadoria por invalidez com proventos integrais. Logo,
esse rol legal deve ser tido como exaustivo (taxativo). Com base no
entendimento acima exposto, o STJ tem decidido que serão
PROPORCIONAIS (e não integrais) os proventos de aposentadoria de
servidor público federal diagnosticado com doença grave, contagiosa ou
incurável que não esteja prevista no art. 186, § 1º, da Lei n. 8.112⁄1990
nem indicada em lei. STJ. 2ª Turma. REsp 1.324.671-SP, Rel. Min.
Humberto Martins, julgado em 3/3/2015 (Info 557). STF. Plenário. RE
656860/MT, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 21/8/2014 (Info 755).
AÇÃO POPULAR
Impossibilidade de condenação de ressarcimento ao erário fundada em
lesão presumida
Determinado contrato administrativo foi celebrado, tendo havido, no
entanto, irregularidades formais no procedimento de licitação. A empresa
contratada cumpriu exatamente os serviços previstos no contrato e
recebeu por isso. Neste caso, o STJ entendeu que até seria possível a
declaração de nulidade de contrato administrativo, mas não se poderia
condenar a empresa a ressarcir o erário se não houve comprovação real
de lesão aos cofres públicos. Para o STJ, eventual violação à boa-fé e aos
valores éticos esperados nas práticas administrativas não configura, por si
só, elemento suficiente para ensejar a presunção de lesão ao patrimônio
público, uma vez que a responsabilidade dos agentes em face de conduta
praticada em detrimento do patrimônio público exige a comprovação e a
quantificação do dano. Adotar entendimento em sentido contrário
acarretaria evidente enriquecimento sem causa do ente público, que
usufruiu dos serviços prestados em razão do contrato firmado durante o
período de sua vigência. STJ. 1ª Turma. REsp 1.447.237-MG, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 16/12/2014 (Info 557).
CONSELHO PROFISSIONAL
Termo inicial do prazo prescricional para punição de profissional liberal
por infração disciplinar
Qual é o prazo prescricional que o Conselho profissional possui para punir
o profissional liberal a ele vinculado e a partir de quando é contado? 5
anos. Esse prazo começa a ser contado, não da data em que a infração
disciplinar ocorrer, mas sim do dia em que o Conselho Profissional tiver
conhecimento do respectivo fato (art. 1º da Lei 6.838/80). STJ. 1ª Turma.
REsp 1.263.157-PE, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 5/3/2015
(Info 557)
RESPONSABILIDADE CIVIL
Termo inicial da prescrição de pretensão indenizatória decorrente de
tortura e morte de preso
Importante!!!
Determinada pessoa foi presa e torturada por policiais. Foi instaurado
inquérito policial para apurar o ocorrido. Qual será o termo de início da
prescrição da ação de indenização por danos morais? • Se tiver sido
ajuizada ação penal contra os autores do crime: o termo inicial da
prescrição será o trânsito em julgado da sentença penal. • Se o inquérito
policial tiver sido arquivado (não foi ajuizada ação penal): o termo inicial
da prescrição da ação de indenização é a data do arquivamento do IP. STJ.
2ª Turma. REsp 1.443.038-MS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado
em 12/2/2015 (Info 556)
DESAPROPRIAÇÃO
Indenização por desapropriação e prova de apenas parte da propriedade
do imóvel
Se, em procedimento de desapropriação por interesse social, ficar
constatado que a área medida do bem é maior do que a escriturada no
Registro de Imóveis, o expropriado receberá indenização correspondente
à área registrada, ficando a diferença depositada em Juízo até que,
posteriormente, se complemente o registro ou se defina a titularidade
para o pagamento a quem de direito. A indenização devida deverá
considerar a área efetivamente desapropriada, ainda que o tamanho real
seja maior do que o constante da escritura, a fim de não se configurar
enriquecimento sem causa em favor do ente expropriante. STJ. 2ª Turma.
REsp 1.466.747-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24/2/2015
(Info 556). STJ. 2ª Turma. REsp 1.286.886-MT, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 6/5/2014 (Info 540)
PODER DE POLÍCIA
Compete aos Conselhos Regionais de Farmácia fiscalizar se as drogarias e
farmácias funcionam com a presença constante de um farmacêutico
As farmácias e drogarias deverão, obrigatoriamente, ter em seu
estabelecimento, durante todo o período de funcionamento, um
farmacêutico inscrito no Conselho Regional de Farmácia. A competência
para fiscalizar essa exigência é dos Conselhos Regionais de Farmácia. A
Vigilância Sanitária não fiscaliza a presença do farmacêutico no
estabelecimento. Sua atuação fica restrita ao licenciamento do
estabelecimento e à fiscalização do cumprimento de padrões sanitários.
Em suma, o STJ definiu a seguinte tese: “Os Conselhos Regionais de
Farmácia possuem competência para fiscalização e autuação das
farmácias e drogarias, quanto ao cumprimento da exigência de manterem
profissional legalmente habilitado (farmacêutico) durante todo o período
de funcionamento dos respectivos estabelecimentos, sob pena de esses
incorrerem em infração passível de multa, nos termos do art. 24 da Lei
3.820/1960, c/c o art. 15 da Lei 5.991/1973.” STJ. 1ª Seção. REsp
1.382.751-MG, Rel. Min. Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em
12/11/2014 (recurso repetitivo) (Info 554)
Súmula 561-STJ: Os conselhos regionais de Farmácia possuem atribuição
para fiscalizar e autuar as farmácias e drogarias quanto ao cumprimento
da exigência de manter profissional legalmente habilitado (farmacêutico)
durante todo o período de funcionamento dos respectivos
estabelecimentos. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe
15/12/2015
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Inscrição de profissionais no Conselho Regional de Educação Física
Não é obrigatória a inscrição, nos Conselhos de Educação Física, dos
professores e mestres de dança, ioga e artes marciais (karatê, judô, tae-
kwon-do, kickboxing, jiu-jitsu, capoeira e outros) para o exercício de suas
atividades profissionais. STJ. 2ª Turma. REsp 1.450.564-SE, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 16/12/2014 (Info 554).
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Existência de cadáver em decomposição em reservatório de água
Foi encontrado um cadáver humano em decomposição em um dos
reservatórios de água que abastece uma cidade. Determinado consumidor
ajuizou ação de indenização contra a empresa pública concessionária do
serviço de água e o STJ entendeu que ela deveria ser condenada a reparar
os danos morais sofridos pelo cliente. Ficou configurada a
responsabilidade subjetiva por omissão da
concessionária decorrente de falha do dever de efetiva
vigilância do reservatório de água. Além disso, restou
caracterizada a falha na prestação do serviço, indenizável por dano moral,
quando a Companhia não garantiu a qualidade da água distribuída à
população. O dano moral, no caso, é in re ipsa, ou seja, o resultado
danoso é presumido. STJ. 2ª Turma. REsp 1.492.710-MG, Rel. Min.
Humberto Martins, julgado em 16/12/2014 (Info 553).
SERVIDORES PÚBLICOS
Inaplicabilidade do direito à recondução do art. 29, I, da Lei 8.112/90 a
servidor público estadual
Importante!!!
Se a legislação estadual não prevê a recondução, é possível aplicar a Lei
8.112/90 por analogia? NÃO. Não é possível a aplicação, por analogia, do
instituto da recondução previsto no art. 29, I, da Lei 8.112/1990 a servidor
público estadual na hipótese em que o ordenamento jurídico do estado
for omisso acerca desse direito. Segundo a jurisprudência do STJ, somente
é possível aplicar, por analogia, a Lei 8.112/90, aos servidores públicos
estaduais e municipais se houver omissão, na legislação estadual ou
municipal, sobre direito de cunho constitucional e que seja autoaplicável
e desde que tal situação não gera o aumento de gastos. Ex: aplicação, por
analogia, das regras da Lei 8.112/90 sobre licença para acompanhamento
de cônjuge a determinado servidor estadual cuja legislação não prevê esse
afastamento (RMS 34.630⁄AC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda
Turma, julgado em 18/10/2011). Nesse exemplo, o STJ reconheceu que a
analogia se justificava para proteção da unidade família, valor protegido
constitucionalmente (art. 226 da CF/88). No caso da recondução, contudo,
não é possível a analogia porque esse direito não tem cunho
constitucional. STJ. 2ª Turma. RMS 46.438-MG, Rel. Min. Humberto
Martins, julgado em 16/12/2014 (Info 553).
PENSÃO POR MORTE (LEI 8.112/90)
Pessoa designada que receberá a pensão não precisa ter sido inscrita nos
assentos funcionais do servidor
Para fins de concessão da pensão por morte de servidor público federal, a
designação do beneficiário nos assentos funcionais do servidor é
prescindível se a vontade do instituidor em eleger o dependente como
beneficiário da pensão houver sido comprovada por outros meios
idôneos. STJ. 2ª Turma. REsp 1.486.261-SE, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 20/11/2014 (Info 553).
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
Imprensa tem direito de acesso a informações detalhadas do cartão
corporativo do governo
Importante!!!
Determinado jornal solicitou que o governo federal fornecesse a relação
dos gastos efetuados com o cartão corporativo pela chefe da
representação da Presidência da República em SP. O Governo concedeu
ao jornal a relação dos gastos efetuados no período, ou seja, os valores
despendidos. No entanto, negou-se a fornecer informações detalhadas
como os tipos de gastos, as datas, valores individuais de cada transação,
CNPJ/razão social das empresas contratadas etc. O STJ entendeu que essa
recusa ao fornecimento do extrato completo (incluindo tipo, data, valor
das transações efetuadas e CNPJ dos fornecedores) constitui ilegal
violação ao direito de acesso à informação de interesse coletivo (Lei
12.527/2011), já que não havia qualquer evidência de que a publicidade
desses elementos atentaria contra a segurança do Presidente e Vice-
Presidente da República ou de suas famílias. STJ. 1ª Seção. MS 20.895-DF,
Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 12/11/2014 (Info 552).
EXERCÍCIO DA ADVOCACIA E CARGOS PÚBLICOS
O cargo de Fiscal Federal Agropecuário é incompatível com o exercício da
advocacia
O cargo de Fiscal Federal Agropecuário é incompatível com o exercício da
advocacia por se enquadrar no inciso V do art. 28 do Estatuto da OAB. A
vedação do inciso V do art 28 abrange não apenas a atividade policial
estritamente voltada à segurança pública, mas também engloba o agente
que possui poderes de polícia administrativa, como o caso do Fiscal
Federal Agropecuário, que realiza fiscalização, autuação, apreensão e
interdição. Essa interpretação é baseada na parte final do inciso V, que
fala em “atividade policial de qualquer natureza”. Ademais, a finalidade da
norma é a de proibir a prática da advocacia por agente público que,
exercendo atividade de polícia, possa se beneficiar da sua atuação
funcional, vulnerando as suas atribuições administrativas e⁄ou gerando
privilégio na captação de clientela, mormente se considerado o poder de
decisão que detém, com base no cargo que exerce, sobre os
administrados. STJ. 1ª Turma. REsp 1.377.459-RJ, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 20/11/2014 (Info 552).
SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO
MP tem legitimidade para ajuizar ACP em defesa de mutuários do SFH
O Ministério Público tem legitimidade ad causam para propor ação civil
pública com a finalidade de defender interesses coletivos e individuais
homogêneos dos mutuários do Sistema Financeiro da Habitação. O STJ
entende que os temas relacionados com SFH possuem uma expressão
para a coletividade e o interesse em discussão é socialmente relevante.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.114.035-PR, Rel. originário Min. Sidnei Beneti, Rel.
para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 7/10/2014 (Info
552).
SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO
Sistema de amortização em série gradiente
A utilização do Sistema de Amortização em Série Gradiente em contratos
do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) não é incompatível com o Plano
de Equivalência Salarial (PES). STJ. 3ª Turma. REsp 1.114.035-PR, Rel.
originário Min. Sidnei Beneti, Rel. para acórdão Min. João Otávio de
Noronha, julgado em 7/10/2014 (Info 552).
PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE
Divulgação de vencimentos dos servidores públicos com relação nominal
É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela
Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos
correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. STF. Plenário. ARE
652777/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 23/4/2015 (repercussão
geral) (Info 782)
CONCURSO PÚBLICO
Controle de questões de concurso pelo Poder Judiciário
É possível que o Poder Judiciário anule questão objetiva de concurso
público que foi elaborada de maneira equivocada? É possível que seja
alterada a pontuação dada ao candidato na questão sob o argumento de
que a correção feita pela banca foi inadequada? Regra: NÃO. Os
critérios adotados por banca examinadora de concurso público
não podem ser revistos pelo Poder Judiciário. Não é possível
controle jurisdicional sobre o ato administrativo que corrige
questões de concurso público. Não compete ao Poder Judiciário
substituir a banca examinadora para reexaminar o conteúdo das questões
e os critérios de correção utilizados. Exceção: apenas em casos de
flagrante ilegalidade ou inconstitucionalidade, a Justiça poderá
ingressar no mérito administrativo para rever critérios de
correção e de avaliação impostos pela banca examinadora. STF.
Plenário. RE 632853/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 23/4/2015
(repercussão geral) (Info 782).
ORGANIZAÇÕES SOCIAIS
Constitucionalidade da Lei 9.637/98
Importante!!!
Organizações sociais são pessoas jurídicas de direito privado, sem fins
lucrativos, prestadoras de atividades de interesse público e que, por terem
preenchido determinados requisitos previstos na Lei 9.637/98, recebem a
qualificação de “organização social”. A pessoa jurídica, depois de obter
esse título de “organização social”, poderá celebrar com o Poder Público
um instrumento chamado de “contrato de gestão” por meio do qual
receberá incentivos públicos para continuar realizando suas atividades. Foi
ajuizada uma ADI contra diversos dispositivos da Lei 9.637/98 e também
contra o art. 24, XXIV, da Lei 8.666/93, que prevê a dispensa de licitação
nas contratações de organizações sociais. O Plenário do STF não declarou
os dispositivos inconstitucionais, mas deu interpretação conforme a
Constituição para deixar explícitas as seguintes conclusões: a) o
procedimento de qualificação das organizações sociais deve ser conduzido
de forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do
“caput” do art. 37 da CF, e de acordo com parâmetros fixados em abstrato
segundo o disposto no art. 20 da Lei 9.637/98; b) a celebração do contrato
de gestão deve ser conduzida de forma pública, objetiva e impessoal, com
observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF; c) as hipóteses de
dispensa de licitação para contratações (Lei 8.666/1993, art. 24, XXIV) e
outorga de permissão de uso de bem público (Lei 9.637/1998, art. 12, §
3º) são válidas, mas devem ser conduzidas de forma pública, objetiva e
impessoal, com observância dos princípios do “caput” do art. 37 da CF; d)
a seleção de pessoal pelas organizações sociais deve ser conduzida de
forma pública, objetiva e impessoal, com observância dos princípios do
“caput” do art. 37 da CF, e nos termos do regulamento próprio a ser
editado por cada entidade; e e) qualquer interpretação que restrinja o
controle, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União, da
aplicação de verbas públicas deve ser afastada. STF. Plenário. ADI
1923/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux,
julgado em 15 e 16/4/2015 (Info 781)
SERVIDORES PÚBLICOS
Remunerações acima do teto constitucional e base de cálculo para
incidência do IR e da contribuição previdenciária
Existem determinados servidores, especialmente aposentados, que, por
terem vantagens pessoais incorporadas em seus vencimentos (ex:
quintos), “no papel”, deveriam receber mais do que o teto. Ex: João,
Desembargador aposentado, incorporou diversas gratificações pessoais ao
longo de sua carreira. Assim, a remuneração bruta de João é de R$ 50 mil,
mas ele só receberá, de fato, até o valor do teto, devendo ser ressaltado
que a quantia que superar o limite constitucional não lhe será paga. O
valor que, no momento do pagamento, é descontado da remuneração
total do servidor por estar superando o teto constitucional é chamado de
“abate-teto”. O servidor público, antes de receber sua remuneração
líquida, é obrigado a pagar imposto de renda e contribuição
previdenciária. Esse valor já é descontado na folha pela entidade
pagadora. Assim, o Tribunal de Justiça, antes de pagar a remuneração de
um Desembargador, já desconta os valores que ele deverá pagar de IR e
contribuição previdenciária. As alíquotas do IR e da contribuição
previdenciária incidem sobre o valor da remuneração do servidor público.
Ex: valor do IR = 27,5% multiplicado pela remuneração do servidor. Em
termos tributários, podemos dizer que a base de cálculo do IR e da
contribuição previdenciária é a remuneração do servidor. Se o servidor
tem uma remuneração “no papel” superior ao teto, o imposto de renda e
a contribuição previdenciária incidirão sobre essa remuneração total ou
sobre a remuneração total menos o abate-teto? Em outras palavras, a
remuneração de João é 50 mil; ocorre que o teto do funcionalismo é 33
mil; João pagará IR e CP sobre 50 mil ou sobre 33 mil? Sobre os 33 mil. A
base de cálculo para se cobrar o IR e a contribuição previdenciária é o
valor da remuneração do servidor depois de ser excluída a quantia que
exceder o teto. Como o recurso extraordinário foi julgado sob a
sistemática de repercussão geral, o STF definiu, em uma frase, a tese que
será aplicada em todos os demais casos idênticos. A tese firmada foi a
seguinte: “Subtraído o montante que exceder o teto e subteto
previsto no artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal, tem-se o
valor que vale como base para o Imposto de Renda e para a
contribuição previdenciária”. STF. Plenário. RE 675978/SP, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 15/4/2015 (repercussão geral) (Info 781).
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
Súmula vinculante
Súmula vinculante 46-STF: A definição dos crimes de responsabilidade e o
estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da
competência legislativa privativa da União. STF. Plenário. Aprovada em
09/04/2015 (Info 780).
TRIBUNAL DE CONTAS
Anulação de acordo extrajudicial pelo TCU
O TCU tem legitimidade para anular acordo extrajudicial firmado entre
particulares e a Administração Pública, quando não homologado
judicialmente. Se o acordo foi homologado judicialmente, o TCU não
pode anulá-lo porque a questão já passou a ser de mérito da decisão
judicial, o que não pode ser revisto pelo Tribunal de Contas. Contudo,
sendo o acordo apenas extrajudicial, a situação está apenas no âmbito
administrativo, de sorte que o TCU tem legitimidade para anular o ajuste
celebrado. STF. 1ª Turma. MS 24379/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
7/4/2015 (Info 780).
LICITAÇÕES
É constitucional lei estadual que determina que a Administração Pública
irá, preferencialmente, utilizar “softwares” livres
O Governo do Rio Grande do Sul editou uma lei estadual determinando
que a administração pública do Estado, assim como os órgãos autônomos
e empresas sob o controle do Estado utilizarão preferencialmente em seus
sistemas e equipamentos de informática programas abertos, livres de
restrições proprietárias quanto à sua cessão, alteração e distribuição
(“softwares” livres). Determinado partido político ajuizou uma ADI contra
essa lei afirmando que ela teria inconstitucionalidades materiais e formais.
O STF julgou improcedente a ADI e afirmou que a lei é constitucional. A
preferência pelo “software” livre, longe de afrontar os princípios
constitucionais da impessoalidade, da eficiência e da economicidade,
promove e prestigia esses postulados, além de viabilizar a autonomia
tecnológica do País. Não houve violação à competência da União para
legislar sobre licitações e contratos porque a competência da União para
legislar sobre licitações e contratos fica restrita às normas gerais, podendo
os Estados complementar as normas gerais federais. A referida lei
também não viola o art. 61, II, “b”, da CF/88 porque a competência para
legislar sobre “licitação” não é de iniciativa reservada ao chefe do Poder
Executivo, podendo ser apresentada por um parlamentar, como foi o caso
dessa lei. STF. Plenário. ADI 3059/RS, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o
acórdão Min. Luiz Fux, julgado m 9/4/2015 (Info 780).
CONCURSO PÚBLICO
Súmula vinculante 43
Súmula vinculante 43-STF: É inconstitucional toda modalidade de
provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em
concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra
a carreira na qual anteriormente investido. STF. Plenário. Aprovada em
08/04/2015 (Info 780).
CONCURSO PÚBLICO
É inconstitucional lei estadual que cria Serviço de Interesse Militar
Voluntário Estadual
O Estado de Goiás editou uma lei criando algo que ele chamou de Serviço
de Interesse Militar Voluntário Estadual (SIMVE). Esse SIMVE funcionaria,
em linhas gerais, da seguinte forma: as pessoas poderiam se alistar para
trabalhar “voluntariamente” como soldado na Polícia Militar ou no Corpo
de Bombeiros Militar. Haveria uma espécie de seleção (menos rigorosa
que um concurso público) e, se a pessoa fosse escolhida, ela receberia,
como contraprestação pelo trabalho desempenhado, um subsídio e
atuaria como se fosse um soldado. Esse contrato seria por um prazo
determinado. O STF entendeu que esse SIMVE é formal e materialmente
inconstitucional. O SIMVE viola a regra do concurso público (art. 37, II,
da CF/88). Além disso, o STF afirmou ainda que a Lei estadual possui um
vício formal, já que trata sobre prestação voluntária de serviços na PM e
Corpo de Bombeiros de forma diametralmente oposta ao que diz a Lei
federal 10.029/2000. STF. Plenário. ADI 5163/GO, rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 26/3/2015 (Infos 880 e 881).
CONCURSO PÚBLICO
Súmula vinculante 44
Súmula vinculante 44-STF: Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico
a habilitação de candidato a cargo público. STF. Plenário. Aprovada em
08/04/2015 (Info 780).
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: I – os cargos, empregos e funções
públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos
estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
SERVIDORES PÚBLICOS
Inconstitucionalidade de subsídio vitalício a ex-governador
Algumas Constituições estaduais preveem que a pessoa que tiver
exercido o cargo de Governador do Estado fará jus, após deixar o
mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de
representação, outros de pensão vitalícia e outros de pensão civil. A
previsão desse pagamento é compatível com a CF/88? NÃO. Essa regra
fere o princípio da isonomia. Não há uma justificativa razoável para que
seja prevista genericamente a concessão da “pensão” para ex-
governadores, configurando um tratamento privilegiado sem haver
fundamento legítimo. STF. Plenário. ADI 4552 MC/DF, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 9/4/2015 (Info 780)
PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
Observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa antes
da inclusão de entes federativos nos cadastros federais de inadimplência
Atenção! Concursos federais
A União, antes de incluir Estados-membros ou Municípios nos cadastros
federais de inadimplência (exs: CAUC, SIAF) deverá observar o devido
processo legal, o contraditório e a ampla defesa. STF. Plenário. ACO
1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/3/2015 (Info 779).
CONCURSO PÚBLICO
Constitucionalidade do art. 19-A da Lei 8.036/90
É nula a contratação de pessoal pela Administração Pública sem a
observância de prévia aprovação em concurso público, razão pela qual
não gera quaisquer efeitos jurídicos válidos em relação aos empregados
eventualmente contratados, ressalvados os direitos à percepção dos
salários referentes ao período trabalhado e, nos termos do art. 19-A da
Lei 8.036/90, ao levantamento dos depósitos efetuados no Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço — FGTS. Neste julgado, o STF declarou que
o art. 19-A da Lei 8.036/90 é CONSTITUCIONAL. STF. Plenário. ADI
3127/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 26/3/2015 (Info 779).
CONCURSO PÚBLICO
Questão da prova objetiva que exige do candidato saber quantas
afirmações estão corretas
Determinada candidata impetrou mandado de segurança questionando
três questões da prova objetiva do concurso para Procurador da
República. As questões impugnadas foram formuladas da seguinte forma:
eram apresentadas quatro afirmações; após essas assertivas, existiam
quatro alternativas; a letra “A” dizia: “apenas uma está correta”; letra “B”:
“duas estão corretas”; letra “C”: “três estão corretas”; letra “D”: “todas
estão corretas”. Segundo a autora, essa forma de questão objetiva estaria
em desacordo com as Resoluções do CNMP e do CNJ sobre concursos
públicos. O STF concordou com a tese da impetrante? Essa forma de
questão objetiva violou a resolução do CNMP? NÃO. Apesar de as
referidas questões apresentarem realmente uma estrutura objetiva
diversa das demais perguntas normalmente feitas em prova objetiva, isso
não significa qualquer nulidade, sendo apenas uma forma de dificultar o
nível da prova igualmente a todos os candidatos e condizente com o
objetivo de um concurso destinado a medir conhecimentos de vários
tipos, ou seja, não só jurídicos, mas também lógicos e gramaticais.
Ademais, entendeu-se que não se poderia invocar a Resolução 57/2009 do
CNJ porque, embora o CNJ e o CNMP possuam estruturas semelhantes e
mesma origem constitucional, são órgãos autônomos, de forma que o
CNMP disciplinou o tema na forma que entendeu melhor e não vedou
esse tipo de questão. STF. 1ª Turma. MS 31323 AgR/DF, Rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 17/3/2015 (Info 778)
CONCURSO PÚBLICO
Critério de desempate em concursos de remoção de serventias notariais e
registrais
Importante!!!
A lei estadual do Estado “X” prevê que, em caso de empate entre os
candidatos em concurso de remoção para serventias notariais e registrais,
o primeiro critério de desempate é o maior tempo de serviço público.
Ocorre que a Lei Federal 10.741/2003 (Estatuto do Idoso) determina que o
primeiro critério de desempate em concurso público será a idade, dando-
se preferência ao de idade mais elevada (art. 27, parágrafo único). Qual
das duas legislações deverá prevalecer no caso? A legislação estadual. O
Estatuto do Idoso, por ser lei geral, não se aplica como critério de
desempate, no concurso público de remoção para outorga de delegação
notarial e de registro, quando existir lei estadual específica que regule o
certame e traga regras aplicáveis em caso de empate. Desse modo, em
nosso exemplo, a vaga deve ficar com o candidato que tiver maior tempo
de serviço público (e não necessariamente com o mais idoso). STF. 1ª
Turma. MS 33046/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/3/2015 (Info 777).
SERVIDORES PÚBLICOS
SÚMULA VINCULANTE 42-STF: É inconstitucional a vinculação do reajuste
de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais
de correção monetária.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
Competência da Justiça estadual para julgar complementação de
aposentadoria por entidades de previdência privada
Segundo a jurisprudência do STF e do STJ, compete à Justiça COMUM
ESTADUAL (e não à Justiça do Trabalho) julgar demandas que envolvam a
complementação de aposentadoria por entidades de previdência privada.
STF. Plenário. CC 7706 AgR-segundo-ED-terceiros/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 12/3/2015 (Info 777).
CONCURSO PÚBLICO
Posse em cargo público por determinação judicial e dever de indenizar
Importante!!!
O candidato que teve postergada a assunção em cargo por conta de ato
ilegal da Administração tem direito a receber a remuneração retroativa?
Regra: NÃO. Não cabe indenização a servidor empossado por decisão
judicial sob o argumento de que houve demora na nomeação. Dito de
outro modo, a nomeação tardia a cargo público em decorrência de
decisão judicial não gera direito à indenização. Exceção: será devida
indenização se ficar demonstrado, no caso concreto, que o servidor não
foi nomeado logo por conta de uma situação de arbitrariedade flagrante.
Nas exatas palavras do STF: “Na hipótese de posse em cargo público
determinada por decisão judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob
fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior,
salvo situação de arbitrariedade flagrante.” STF. Plenário. RE 724347/DF,
rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 26/2/2015 (repercussão geral) (Info 775).
TETO CONSTITUCIONAL
É inconstitucional lei estadual que fixa teto remuneratório para servidores
do Poder Judiciário
Lei do Estado da Bahia fixava um teto remuneratório exclusivo para os
servidores do Poder Judiciário. O STF entendeu que essa lei é
inconstitucional. O teto para o funcionalismo estadual somente pode ser
fixado por meio de emenda à Constituição estadual, não sendo permitido
mediante lei estadual. Além disso, a Constituição do Estado da Bahia
adotou subteto único (§ 12º do art. 37 da CF/88) e a lei viola a sistemática
escolhida porque fixou um teto apenas para os servidores do Poder
Judiciário, excluindo-o para os demais Poderes. STF. Plenário. ADI
4900/DF, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o acórdão Min. Roberto
Barroso, julgado em 11/2/2015 (Info 774).
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Inconstitucionalidade de lei estadual que preveja pensão para cônjuges
de todos os falecidos por crimes hediondos
É inconstitucional lei estadual (distrital) que preveja o pagamento de
pensão especial a ser concedida pelo Governo do Estado (Distrito Federal)
em benefício dos cônjuges de pessoas vítimas de crimes hediondos,
independentemente de o autor do crime ser ou não agente do Estado. Tal
lei amplia, de modo desmesurado (irrazoável), a responsabilidade civil do
Estado prevista no art. 37, § 6º, da CF/88. STF. Plenário. ADI 1358/DF, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/2/2015 (Info 773)
Direito Administrativo 2016

Súmula vinculante 55: O direito ao auxílio-alimentação não se


estende aos servidores inativos.

nepotismo
Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de
assessor de controle externo do Tribunal de Contas mesmo que seu tio
(parente em linha colateral de 3º grau) já exerça o cargo de assessor-chefe
de gabinete de determinado Conselheiro, especialmente pelo fato de que
o cargo do referido tio não tem qualquer poder legal de nomeação do
sobrinho. A incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37
da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de parentesco
entre pessoa designada e agente político ou servidor público, mas de
presunção de que a escolha para ocupar cargo de direção, chefia ou
assessoramento tenha sido direcionado à pessoa com relação de
parentesco com quem tenha potencial de interferir no processo de
seleção. STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP, rel. orig. Min. Gilmar Mendes, red.
p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 23/2/2016 (Info 815).
RESSARCIMENTO AO ERÁRIO
Prazo prescricional da ação de ressarcimento ao erário
Importante!!!
É prescritível a ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrente
de ilícito civil. Dito de outro modo, se o Poder Público sofreu um dano ao
erário decorrente de um ilícito civil e deseja ser ressarcido, ele deverá
ajuizar a ação no prazo prescricional previsto em lei. Vale ressaltar,
entretanto, que essa tese não alcança prejuízos que decorram de ato de
improbidade administrativa que, até o momento, continuam sendo
considerados imprescritíveis (art. 37, § 5º). STF. Plenário. RE 669069/MG,
Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 3/2/2016 (repercussão geral) (Info
813).
É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia
mista?
Importante!!!
Atenção! Advocacia Pública
As sociedades de economia mista prestadoras de serviço público de
atuação própria do Estado e de natureza não concorrencial submetem-se
ao regime de precatório. O caso concreto no qual o STF decidiu isso
envolvia uma sociedade de economia mista prestadora de serviços de
abastecimento de água e saneamento que prestava serviço público
primário e em regime de exclusividade. O STF entendeu que a atuação
desta sociedade de economia mista correspondia à própria atuação do
Estado, já que ela não tinha objetivo de lucro e o capital social era
majoritariamente estatal. Logo, diante disso, o STF reconheceu que ela
teria direito ao processamento da execução por meio de precatório. STF.
2ª Turma. RE 852302 AgR/AL, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
15/12/2015 (Info 812).
Acumulação de cargo de tradutor de LIBRAS com de professor
Importante!!!
É possível a acumulação de um cargo público de professor com outro de
intérprete e tradutor da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). STJ. 2ª Turma.
REsp 1.569.547-RN, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 15/12/2015
(Info 575). O STJ entende que cargo técnico ou científico, para fins de
acumulação com o de professor, nos termos do art. 37, XVII, da CF/88, é
aquele para cujo exercício sejam exigidos conhecimentos técnicos
específicos e habilitação legal, não necessariamente de nível superior (STJ.
5ª Turma. RMS 20.033/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em
15/02/2007). Definição de cargo técnico Cargo técnico "é aquele que
requer conhecimento específico na área de atuação do profissional, com
habilitação específica de grau universitário ou profissionalizante de 2º
grau" (STJ. 2ª Turma. RMS 42.392/AC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado
em 10/02/2015). É aquele que exige da pessoa um conjunto de
atribuições ligadas ao conhecimento específico de uma área do saber
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Recurso cabível contra a decisão do juiz que rejeita a inicial contra apenas
alguns réus
Recursos cabíveis contra a: 1) sentença que rejeita a inicial da ação de
improbidade: cabe APELAÇÃO. 2) decisão que recebe a inicial da ação de
improbidade: cabe AGRAVO DE INSTRUMENTO. 3) decisão que recebe a
inicial contra alguns réus e rejeita para os demais: AGRAVO DE
INSTRUMENTO (obs: caso o autor da ação de improbidade interponha
apelação em vez do AI, será possível receber o recurso, com base no
princípio da fungibilidade, desde que não haja má-fé e tenha sido
interposto no prazo do recurso correto). Segundo decidiu o STJ, pode ser
conhecida a apelação que, sem má-fé e em prazo compatível com o
previsto para o agravo de instrumento, foi interposta contra decisão que,
em juízo prévio de admissibilidade em ação de improbidade
administrativa, reconheceu a ilegitimidade passiva ad causam de alguns
dos réus. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.305.905-DF, Rel. Min. Humberto
Martins, julgado em 13/10/2015 (Info 574).
CONCURSO PÚBLICO
Formação exigida em edital de concurso ao cargo de perito dapiloscopista
de polícia civil estadual
É legal a cláusula de edital que prescreva que as atividades do cargo de
perito datiloscopista são de nível médio, desde que, à época da publicação
do edital do concurso para o referido cargo, haja previsão legislativa
estadual nesse sentido. STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 32.892-RO, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 17/12/2015 (Info 576).
CONCURSO PÚBLICO
Posse em cargo público por menor de idade
Ainda que o requisito da idade mínima de 18 anos conste em lei e no
edital de concurso público, é possível que o candidato menor de idade
aprovado no concurso tome posse no cargo de auxiliar de biblioteca no
caso em que ele, possuindo 17 anos e 10 meses na data da sua posse, já
havia sido emancipado voluntariamente por seus pais há 4 meses. STJ. 2ª
Turma. REsp 1.462.659-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
1º/12/2015 (Info 576).
SERVIDORES PÚBLICOS
Monitoramento de e-mail corporativo de servidor público
Importante!!!
As informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de
servidor público não configuram prova ilícita quando relacionadas com
aspectos "não pessoais" e de interesse da Administração Pública e da
própria coletividade, especialmente quando exista, nas disposições
normativas acerca do seu uso, expressa menção da sua destinação
somente para assuntos e matérias afetas ao serviço, bem como
advertência sobre monitoramento e acesso ao conteúdo das
comunicações dos usuários para cumprir disposições legais ou instruir
procedimento administrativo. STJ. 2ª Turma. RMS 48.665-SP, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 15/9/2015 (Info 576).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Aplicação de multa eleitoral e sanção por ato de improbidade
administrativa
A condenação pela Justiça Eleitoral ao pagamento de multa por
infringência às disposições contidas na Lei n. 9.504/1997 (Lei das Eleições)
não impede a imposição de nenhuma das sanções previstas na Lei nº
8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa), inclusive da multa civil,
pelo ato de improbidade decorrente da mesma conduta. STJ. 2ª Turma.
AgRg no AREsp 606.352-SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em
15/12/2015 (Info 576).
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Princípio da intranscendência e entidade integrante de consórcio público
com pendência no CAUC
Importante!!!
Se um consórcio público celebrou convênio com a União por meio do qual
estão previstos repasses federais, o fato de um dos entes integrantes do
consórcio possuir pendência inscrita no CAUC não pode impedir que o
consórcio receba os valores prometidos. Isso porque o consórcio público é
uma pessoa jurídica distinta dos entes federativos que o integram e,
segundo o princípio da intranscendência das sanções, as punições
impostas não podem superar a dimensão estritamente pessoal do
infrator, ou seja, não podem prejudicar outras pessoas jurídicas que não
sejam aquelas que praticaram o ato. Assim, o fato de ente integrante de
consórcio público possuir pendência no Serviço Auxiliar de Informações
para Transferências Voluntárias (CAUC) não impede que o consórcio faça
jus, após a celebração de convênio, à transferência voluntária a que se
refere o art. 25 da LC 101/2000. STJ. 2ª Turma. REsp 1.463.921-PR, Rel.
Min. Humberto Martins, julgado em 10/11/2015 (Info 577).

Atualize seu livro de 2015 (p. 325)


Atualize livro Julgados Resumidos (p. 177)
A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui
ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública. STJ. 1ª Seção. REsp 1.177.910-SE, Rel. Ministro
Herman Benjamin, julgado em 26/8/2015 (Info 577)
PODER DE POLÍCIA
Atribuição para classificar como medicamento produto importado
Importante!!!
Se a ANVISA classificou determinado produto importado como
"cosmético", a autoridade aduaneira não poderá alterar essa classificação
para defini-lo como "medicamento". Incumbe à ANVISA regulamentar,
controlar e fiscalizar os produtos e serviços que envolvam risco à saúde
pública (art. 8º da Lei nº 9.782/99). Assim, é da Agência a atribuição de
definir o que é medicamento e o que é cosmético. STJ. 1ª Turma. REsp
1.555.004-SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
16/2/2016 (Info 577).
DESAPROPRIAÇÃO
Desconsideração das conclusões do laudo pericial com base em outras
provas
A preferência do julgador por determinada prova insere-se no livre
convencimento motivado e não cabe compelir o magistrado a colher com
primazia determinada prova em detrimento de outras pretendidas pelas
partes se, pela base do conjunto probatório tiver se convencido da
verdade dos fatos. STF. Plenário. RE 567708/SP, rel. orig. Min. Gilmar
Mendes, red. p/ o acórdão Min. Cármen Lúcia, julgado em 8/3/2016 (Info
817).
RESPONSABILIDADE CIVIL
Responsabilidade civil do Estado em caso de morte de detento
Importante!!!
Em caso de inobservância de seu dever específico de proteção previsto no
art. 5º, inciso XLIX, da CF/88, o Estado é responsável pela morte de
detento. STF. Plenário. RE 841526/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
30/3/2016 (repercussão geral) (Info 819).
SERVIDORES PÚBLICOS
Revogação de lei que concedeu aumento sem que tenham se iniciado seus
efeitos financeiros
Lei estadual de 2007 fixou aumento na remuneração dos servidores
públicos estaduais. A Lei entrou em vigor na data de sua publicação, mas
estabeleceu que os efeitos financeiros desse aumento seriam contados
somente a partir do primeiro dia do ano seguinte. Ocorre que, antes que
chegasse a data prevista como início do reajuste, a referida Lei foi
revogada por uma outra. O STF entendeu que esta Lei revogadora é
inconstitucional por violar o direito adquirido (art. 5º, XXXVI, da
CF/88) e o princípio da irredutibilidade dos vencimentos (art.
37, XV). A Lei que concedeu o reajuste entrou em vigor na data de sua
publicação. Apenas os efeitos financeiros é que foram postergados para o
dia 1º/1/2008. No momento em que a Lei entrou em vigor, os servidores
passaram a ter direito adquirido ao reajuste, ainda que os efeitos
financeiros somente fossem em data futura. STF. Plenário. ADI 4013/TO,
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/3/2016 (Info 819).
SERVIDORES PÚBLICOS
Restituição à Administração Pública de proventos depositados a servidor
público falecido
Importante!!!
Os herdeiros devem restituir os proventos que, por erro operacional da
Administração Pública, continuaram sendo depositados em conta de
servidor público após o seu falecimento. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp
1.387.971-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 15/3/2016
(Info 579).
PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS
Observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa antes
da inclusão de entes federativos nos cadastros federais de inadimplência
Atenção!
Concursos federais
É necessária a observância da garantia do devido processo legal, em
especial, do contraditório e da ampla defesa, relativamente à inscrição de
entes públicos em cadastros federais de inadimplência. Assim, a União,
antes de incluir Estados-membros ou Municípios nos cadastros federais de
inadimplência (exs: CAUC, SIAF) deverá assegurar o devido processo legal,
o contraditório e a ampla defesa. STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825). STF. Plenário. ACO
1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/3/2015 (Info 779)
RESPONSABILIDADE CIVIL
Constitucionalidade do art. 1ºC da Lei 9.494/97
A fixação do prazo prescricional de 5 anos para os pedidos de indenização
por danos causados por agentes de pessoas jurídicas de direito público e
de pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos,
constante do art. 1º-C da Lei 9.494/97, é constitucional. STF. Plenário. ADI
2418/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 4/5/2016 (Info 824).
PENSÃO POR MORTE
Condição de companheira pode ser provada mesmo sem sentença judicial
Não constitui requisito legal para a concessão de pensão por morte à
companheira que a união estável seja declarada judicialmente, mesmo
que vigente formalmente o casamento. Assim, é possível o
reconhecimento de união estável de pessoa casada que esteja
comprovadamente separada judicialmente ou de fato, para fins de
concessão de pensão por morte, sem necessidade de decisão judicial
neste sentido. STF. 1ª Turma. MS 33008/DF, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 3/5/2016 (Info 824).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Desnecessidade de lesão ao patrimônio público em ato de improbidade
administrativa que importa enriquecimento ilícito
Ainda que não haja dano ao erário, é possível a condenação por ato de
improbidade administrativa que importe enriquecimento ilícito (art. 9º da
Lei nº 8.429/92), excluindo-se, contudo, a possibilidade de aplicação da
pena de ressarcimento ao erário. STJ. 1ª Turma. REsp 1.412.214-PR, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 8/3/2016 (Info 580).
RESPONSABILIDADE CIVIL
Indenização por danos morais a anistiado político
O anistiado político que obteve, na via administrativa, a reparação
econômica prevista na Lei nº 10.559/2002 (Lei de Anistia) não está
impedido de pleitear, na esfera judicial, indenização por danos morais
pelo mesmo episódio político. Inexiste vedação para a acumulação da
reparação econômica com indenização por danos morais, porquanto se
tratam de verbas indenizatórias com fundamentos e finalidades diversas:
aquela visa à recomposição patrimonial (danos emergentes e lucros
cessantes), ao passo que esta tem por escopo a tutela da integridade
moral, expressão dos direitos da personalidade. Nas hipóteses de
condenação imposta à Fazenda Pública, como regra geral, a atualização
monetária e a compensação da mora devem observar os critérios
previstos no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº
11.960/2009. STJ. 1ª Turma. REsp 1.485.260-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina,
julgado em 5/4/2016 (Info 581).
As ações de indenização por danos morais decorrentes de perseguição,
tortura e prisão, por motivos políticos, durante o regime militar, são
imprescritíveis. Para esses casos, não se aplica o prazo prescricional de 5
anos previsto no art. 1º do Decreto 20.910/1932. STJ. 2ª Turma. REsp
1.374.376-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/6/2013 (Info
523).
Na condenação imposta à Fazenda Pública a título de danos morais
decorrentes de perseguição política durante a ditadura militar instalada
no Brasil após 1964, para fins de atualização monetária e compensação da
mora, haverá a incidência dos índices oficiais de remuneração básica e
juros aplicados à caderneta de poupança a partir da data do arbitramento
da indenização. Isso porque, na espécie, a atualização monetária e a
compensação da mora deverão observar os parâmetros estipulados no
art. 1º-F da Lei nº 9.494/97. STJ. 1ª Turma. REsp 1.485.260-PR, Rel. Min.
Sérgio Kukina, julgado em 5/4/2016 (Info 581)
PROCESSO ADMINISTRATIVO
Prazo para o TCU exigir comprovação de regular aplicação de verbas
federais por meio de tomada de contas especial
É de cinco anos o prazo para o TCU, por meio de tomada de contas
especial (Lei nº 8.443/92), exigir do ex-gestor público municipal a
comprovação da regular aplicação de verbas federais repassadas ao
respectivo Município. STJ. 1ª Turma. REsp 1.480.350-RS, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 5/4/2016 (Info 581).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Inaplicabilidade das sanções por ato de improbidade administrativa
abaixo do mínimo legal
No caso de condenação pela prática de ato de improbidade administrativa
que atenta contra os princípios da administração pública, as penalidades
de suspensão dos direitos políticos e de proibição de contratar com o
Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios
não podem ser fixadas abaixo de 3 anos, considerando que este é o
mínimo previsto no art. 12, III, da Lei nº 8.429/92. Não existe autorização
na lei para estipular sanções abaixo desse patamar. STJ. 2ª Turma. REsp
1.582.014-CE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7/4/2016 (Info
581).
SERVIDORES PÚBLICOS
A questão dos 13,23% e as súmulas vinculantes 10 e 37
O art. 1º da Lei nº 10.698/2003 concedeu reajuste aos servidores públicos
federais de todos os Poderes, porém em percentuais diferentes. A
diferença entre o maior e o menor reajuste foi de 13,23%. Os servidores
que receberam o menor percentual alegaram que o mencionado art. 1º
representou uma revisão geral anual, tendo, no entanto, violado o art. 37,
X, da CF/88, considerando que foi feita com índices diferentes, o que não
é permitido por esse dispositivo constitucional. Diante disso, pediram que
fosse concedida a incorporação dos 13,23% em sua remuneração. A 1ª
Turma do TRF1 (órgão fracionário do Tribunal) concedeu a incorporação
pedida. Para o STF, esta decisão violou as súmulas vinculantes 10 e 37. A
1ª Turma do TRF1, mesmo sem dizer isso expressamente, fez um controle
de constitucionalidade do art. 1º da Lei nº 10.698/2003 concluindo que
este dispositivo incidiu em inconstitucionalidade por omissão parcial. No
entanto, como se trata de órgão fracionário do TRF, houve violação ao art.
97 da CF/88 e da SV 10: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art.
97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte." Além disso, houve
violação da SV 37: "Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento
de isonomia." STF. 2ª Turma. Rcl 14872, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 31/5/2016 (Info 828).
SERVIDORES TEMPORÁRIOS
Lei que prevê hipóteses genéricas de contratação temporária é
inconstitucional
Lei que autoriza contratação temporária para projetos educacionais
ordinários é inconstitucional
A LC 22/2000, do Estado do Ceará, autoriza a contratação de professores,
por tempo determinado, para atender necessidade temporária de
excepcional interesse público nas escolas estaduais. O art. 3º da referida
Lei prevê diversas hipóteses nas quais é possível a referida contratação. O
STF afirmou que, em tese, é possível a contratação temporária por
excepcional interesse público (art. 37, IX, da CF/88) mesmo para
atividades permanentes da Administração (como é o caso de professores).
No entanto, o legislador tem o ônus de especificar, em cada circunstância,
os traços de emergencialidade que a justificam. As alíneas "a, b, c, d, e"
preveem a contratação temporária caso o titular se afaste para gozar de
licenças ou para fazer cursos de capacitação. O STF reputou que tais
hipóteses são constitucionais já que elas descrevem situações que são
alheias ao controle da Administração Pública, ou seja, hipóteses que
estão fora do controle do Poder Público e que, se este não tomasse
nenhuma atitude, poderia resultar em desaparelhamento transitório do
corpo docente. Logo, para tais situações está demonstrada a
emergencialidade. A alínea "f" previa que poderia haver a contratação
temporária para suprir "outros afastamentos que repercutam em
carência de natureza temporária". O STF entendeu que esta situação é
extremamente genérica, de forma que não cumpre o art. 37, IX, da
CF/88. O parágrafo único do art. 3º autoriza a contratação temporária
para que a Administração Pública pudesse implementar "projetos
educacionais, com vista à erradicação do analfabetismo, correção do
fluxo escolar e qualificação da população cearense". O STF entendeu que
esta previsão também é inconstitucional porque estes são objetivos
corriqueiros (normais, ordinários) da política educacional. Desse modo,
esse tipo de ação não pode ser implementado por meio de contratos
episódicos (temporários), já que não constitui contingência especial a ser
atendida. STF. Plenário. ADI 3721/CE, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em
9/6/2016 (Info 829).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Possibilidade de dupla condenação ao ressarcimento ao erário pelo
mesmo fato
Não configura bis in idem a coexistência de título executivo extrajudicial
(acórdão do TCU) e sentença condenatória em ação civil pública de
improbidade administrativa que determinam o ressarcimento ao erário e
se referem ao mesmo fato, desde que seja observada a dedução do valor
da obrigação que primeiramente foi executada no momento da execução
do título remanescente. STJ. 1ª Turma. REsp 1.413.674-SE, Rel. Min.
Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Rel. para
o acórdão Min. Benedito Gonçalves, julgado em 17/5/2016 (Info 584)
FUNDEF
Retenção de honorários advocatícios contratuais sobre a diferença de
valores de repasse ao FUNDEF
No caso em que Município obtenha êxito em ação judicial destinada à
complementação de repasses efetuados pela União ao Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização
do Magistério (FUNDEF), será legítima a retenção de parte das referidas
verbas complementares para o pagamento de honorários advocatícios
contratuais (art. 22, §4º, da Lei nº 8.906/94). STJ. 2ª Turma. REsp
1.604.440-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 14/6/2016 (Info
585).
AUTOTUTELA
Anulação de anistia e prazo decadencial
A Administração Pública não pode, depois de terem se passado mais de 5
anos, anular a anistia política concedida mesmo que, antes de completar
este prazo, a AGU tenha emitido nota questionando os critérios adotados
na concessão. A nota emitida pela AGU teve efeito similar ao de um
parecer e, por isso, não impediu o fluxo do prazo decadencial, não
podendo ser classificada como "exercício do direito de anular", para os
fins do § 2º do art. 54 da Lei nº 9.784/99. Vale ressaltar que, no caso
concreto, não ficou demonstrada má-fé do interessado. Além disso, não
houve flagrante inconstitucionalidade na concessão de anistia, mas sim
nova interpretação da Administração Pública quanto ao efetivo
enquadramento como anistiado político. STF. 1ª Turma. RMS 31841/DF,
Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2/8/2016 (Info 833).
OAB
Inscrição na OAB de graduado em curso de Direito não reconhecido pelo
MEC
A inscrição como advogado, nos quadros da OAB, de quem apresente
diploma ou certidão de graduação em Direito "obtido em instituição de
ensino oficialmente autorizada e credenciada" (art. 8º, II, do Estatuto da
Advocacia) não pode ser impedida pelo fato de o curso de Direito não ter
sido reconhecido pelo MEC. STJ. 1ª Turma. REsp 1.288.991-PR, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/6/2016 (Info 586)
CÓDIGO DE TRÂNSITO
Aplicação de multa por excesso de velocidade pelo DNIT Atenção!
Concursos federais
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) tem
competência para autuar e aplicar sanções por excesso de
velocidade em rodovias e estradas federais. A competência da
Polícia Rodoviária Federal para aplicar multas de trânsito nas rodovias
federais não é exclusiva. Se analisarmos o art. 82, § 3º da Lei nº
10.233/2001 combinado com o art. 21, VI, da Lei nº 9.503/97, veremos
que o DNIT detém competência para aplicar multa por excesso de
velocidade. STJ. 1ª Turma. REsp 1.583.822-RS, Rel. Min. Sérgio Kukina,
julgado em 23/6/2016 (Info 586). STJ. 2ª Turma. REsp 1592969/RS, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 05/05/2016
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Inexistência de impedimento de que os membros da comissão do
primeiro PAD, que foi anulado, participem da segunda comissão
Importante!!!
Respeitados todos os aspectos processuais relativos à suspeição e
impedimento dos membros da Comissão Processante previstos pelas
Leis 8.112/90 e 9.784/99, não há qualquer impedimento ou prejuízo
material na convocação dos mesmos servidores que anteriormente
tenham integrado Comissão Processante, cujo relatório conclusivo foi
posteriormente anulado (por cerceamento de defesa), para comporem a
segunda Comissão de Inquérito. Assim, não há qualquer impeditivo legal
de que a comissão de inquérito em processo administrativo disciplinar
seja formada pelos mesmos membros de comissão anterior que havia sido
anulada. STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 9/8/2016 (Info 834). STJ.
1ª Seção. MS 16.192/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
10/04/2013.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Desnecessidade de intimação do servidor após o relatório final
Não é obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações
finais após o relatório final de processo administrativo disciplinar. Inexiste
previsão na Lei nº 8.112/1990 de intimação do acusado após a
elaboração do relatório final da comissão processante. STF. 1ª Turma.
RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min.
Roberto Barroso, julgado em 9/8/2016 (Info 834). STJ. 1ª Seção. MS
18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 8/5/2013 (Info 523).
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Empréstimo das interceptações telefônicas do processo criminal para o
PAD
A prova colhida mediante autorização judicial e para fins de investigação
ou processo criminal pode ser utilizada para instruir procedimento
administrativo punitivo. Assim, é possível que as provas provenientes de
interceptações telefônicas autorizadas judicialmente em processo criminal
sejam emprestadas para o processo administrativo disciplinar. STF. 1ª
Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão
Min. Roberto Barroso, julgado em 9/8/2016 (Info 834).
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Ausência de transcrição integral de dados obtidos por meio de
interceptação telefônica não gera nulidade
Mesmo em matéria penal, a jurisprudência do STF e do STJ é no sentido
de que não é necessária a degravação integral das escutas, sendo bastante
que dos autos constem excertos suficientes a embasar o oferecimento da
denúncia. O servidor processado, que também é réu no processo criminal,
tem acesso à integralidade das interceptações e, se entender necessário,
pode juntar no processo administrativo os eventuais trechos que
considera pertinentes ao deslinde da controvérsia. O acusado em
processo administrativo disciplinar não possui direito subjetivo ao
deferimento de todas as provas requeridas nos autos, ainda mais quando
consideradas impertinentes ou meramente protelatórias pela comissão
processante (art. 156, §1º, Lei nº 8.112/90). STF. 1ª Turma. RMS
28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto
Barroso, julgado em 9/8/2016 (Info 834).
CONCURSO PÚBLICO
Surgimento de vaga durante o período validade do concurso e abertura de
novo certame logo depois do primeiro concurso expirar
Determinado candidato foi aprovado fora do número de vagas. Todos os
aprovados dentro do número de vagas foram nomeados e empossados.
Durante o prazo de validade do concurso, um servidor se aposentou, mas
não houve autorização do Ministério do Planejamento para que o órgão
federal fizesse o provimento desta vaga. Um mês após o fim do prazo de
validade do concurso, a Administração Pública abriu novo concurso para
este cargo. O STF entendeu que este candidato não possui direito líquido e
certo à nomeação porque:  foi aprovado fora do número de vagas
previsto no edital; e  o prazo de validade do concurso em que ele foi
aprovado expirou antes da abertura do novo certame.  realmente surgiu
uma vaga decorrente da aposentadoria, mas não houve manifestação do
órgão competente se havia disponibilidade orçamentária para que este
cargo fosse imediatamente provido. O mero surgimento de vagas ou
a abertura de novo concurso para o mesmo cargo não gera
direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado fora do
número de vagas, cabendo a ele demonstrar, de forma
inequívoca, que houve preterição arbitrária e imotivada por
parte da administração pública. No caso concreto, o STF entendeu
que isso não ficou comprovado. Assim, para o Tribunal, a situação não se
enquadra nas hipóteses previstas no RE 837311/PI. STF. 1ª Turma. RMS
31478/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Edson
Fachin, julgado em 9/8/2016 (Info 834).
LICITAÇÕES E CONTRATOS
É inconstitucional lei estadual que exige nova certidão negativa não
prevista na Lei 8.666/93
Importante!!!
É inconstitucional lei estadual que exija Certidão negativa de Violação aos
Direitos do Consumidor dos interessados em participar de licitações e em
celebrar contratos com órgãos e entidades estaduais. Esta lei é
inconstitucional porque compete privativamente à União
legislar sobre normas gerais de licitação e contratos (art. 22,
XXVII, da CF/88). STF. Plenário. ADI 3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki,
julgado em 8/9/2016 (Info 838).
DIREITO ADMINISTRATIVO
AUTOTUTELA
Recebimento de auxílio-moradia com má-fé e inexistência de decadência
Servidor que recebeu auxílio-moradia apresentando declaração falsa de
que havia se mudado para outra cidade terá que ressarcir o erário e
devolver os valores recebidos mesmo que já se tenha passado mais de 5
anos desde a data em que o pagamento foi autorizado. STF. 1ª Turma. MS
32.569/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o ac. Min. Edson Fachin,
julgado em 13/09/2016 (Info 839).
Quais os argumentos invocados pelo STF para a decisão? Os Ministros
ficaram divididos. A 1ª Turma do STF é composta por 5 Ministros, que
votaram assim:  Ministros Marco Aurélio e Luiz Fux: votaram pela
concessão do mandado de segurança com base no princípio da segurança
jurídica e por não vislumbrarem a ocorrência de má-fé da servidora. 
Ministro Edson Fachin: votou pela denegação do mandado de segurança.
Defendeu que deveria ser aplicado o art. 37, § 5º da CF/88, que, em sua
visão, prevê a imprescritibilidade das ações de ressarcimento propostas
pelo Estado contra o agente que tenham causado prejuízos ao erário.
Além disso, afirmou que analisar se a servidora estava ou não de boa-fé é
algo que significa reexame de fatos e provas e, portanto, não pode ser
tratado em mandado de segurança, sendo necessária a propositura de
uma ação ordinária.  Ministros Roberto Barroso e Rosa Weber: votaram
pela denegação do mandado de segurança. Sustentaram, no entanto, uma
tese diferente do Min. Fachin. Para os Ministros Barroso e Weber, no caso
concreto ficou caracterizada a evidente má-fé da servidora, considerando
que ela já residia em Brasília (DF) há muitos anos e simulou que havia se
mudado do Rio de Janeiro para lá com o objetivo de receber o benefício.
Assim, como ficou provada a má-fé, não se aplica o prazo de 5 anos do art.
54, caput, da Lei nº 9.784/99 por causa da parte final do dispositivo: Art.
54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que
decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos,
contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé.
SERVIDORES PÚBLICOS
Inconstitucionalidade de norma estadual que amplie as hipóteses do art.
19 do ADCT da CF/88
O art. 19 do ADCT da CF/88 previu que os servidores públicos que estavam
em exercício há pelo menos 5 anos quando a Constituição Federal foi
promulgada, deveriam ser considerados estáveis, mesmo não tendo sido
admitidos por meio de concurso público. Desse modo, quem ingressou no
serviço público, sem concurso, até 05/10/1983 e assim permaneceu, de
forma continuada, tornou-se estável com a edição da CF/88. É
inconstitucional Constituição estadual ou lei estadual que amplie a
abrangência do art. 19 do ADCT e preveja estabilidade para servidores
públicos admitidos sem concurso público mesmo após 05/10/1983 (5
anos antes da CF/88). STF. Plenário. ADI 1241/RN, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 22/09/2016 (Info 840)
AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA
Inconstitucionalidade de lei que preveja plantão criminal para escritório
de prática jurídica da Universidade estadual
É inconstitucional lei estadual que preveja que o escritório de prática
jurídica da Universidade Estadual deverá manter plantão criminal nos
finais de semana e feriados para atender pessoas hipossuficientes que
sejam presas em flagrante. Esta lei viola a autonomia administrativa,
financeira, didática e científica assegurada às universidades no art. 207
da CF/88 (inconstitucionalidade material). Além disso, contém vício de
iniciativa (inconstitucionalidade formal), na medida em que foi usurpada a
iniciativa privativa do Governador. STF. Plenário. ADI 3792/RN, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 22/09/2016 (Info 840).
CONCURSO PÚBLICO
Inconstitucionalidade de permuta de serventia sem concurso público após
a CF/88
O art. 236, § 3º, da CF é uma norma constitucional autoaplicável. Logo,
mesmo antes da edição da Lei nº 8.935/94, ela já tinha plena eficácia e o
concurso público era obrigatório como condição não apenas para ingresso
na atividade notarial e de registro, como também nos casos de remoção
ou permuta. As normas estaduais que admitem a remoção na
atividade notarial e de registro independentemente de prévio
concurso público são incompatíveis com o art. 236, § 3º, da
Constituição, razão pela qual não foram por essa
recepcionadas. O prazo decadencial de 5 anos, de que trata o
art. 54 da Lei nº 9.784/99, não se aplica à revisão de atos de
delegação de serventias extrajudiciais editados após a CF/88,
sem o atendimento das exigências prescritas no seu art. 236.
Assim, se uma pessoa assumiu uma serventia notarial ou registral sem
concurso público após a CF/88, este ato poderá ser anulado mesmo que já
se tenham passado mais de 5 anos. A decisão que anula o ato de
investidura em serventia notarial e registral sem concurso público não
viola o direito adquirido nem a segurança jurídica. STF. 1ª Turma. MS
29415/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado
em 27/09/2016 (Info 841).
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Constitucionalidade da Lei 12.514/2011 A Lei nº 12.514/2011, que trata
sobre as contribuições (anuidades) devidas aos Conselhos Profissionais, é
constitucional.
Sob o ponto de vista formal, esta Lei, apesar de ser fruto de uma MP que
originalmente dispunha sobre outro assunto, não pode ser declarada
inconstitucional porque foi editada antes de o STF declarar ilegítima a
prática do “contrabando legislativo” (ADI 5127/DF). Ainda quanto ao
aspecto formal, esta Lei não trata sobre normas gerais de Direito
Tributário, motivo pelo qual não precisava ser veiculada por lei
complementar. Sob o ponto de vista material, a Lei respeitou os princípios
da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e da legalidade. STF.
Plenário. ADI 4697/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 06/10/2016
(Info 842)
TERRENOS DE MARINHA
Nulidade de contrato de compra e venda de imóvel localizado em terreno
de marinha sem pagamento de laudêmio
É nulo o contrato firmado entre particulares de compra e venda de imóvel
de propriedade da União quando ausentes o prévio recolhimento do
laudêmio e a certidão da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), ainda
que o pacto tenha sido registrado no Cartório competente. Antes de o
ocupante vender o domínio útil do imóvel situado em terreno de marinha,
ele deverá obter autorização da União, por meio da SPU, pagando o
laudêmio e cumprindo outras formalidades exigidas. Somente assim esta
alienação será possível de ser feita validamente. STJ. 2ª Turma. REsp
1.590.022-MA, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 9/8/2016 (Info
589).
GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO
Administração Pública deve descontar os dias não trabalhados por
servidor público em greve
Importante!!!
A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de
paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores
públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre.
É permitida a compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo,
incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta
ilícita do Poder Público. STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 27/10/2016 (repercussão geral) (Info 845).
ANISTIADO POLÍTICO
Pagamento dos valores retroativos a anistiados políticos
1 - Reconhecido o direito à anistia política, a falta de cumprimento de
requisição ou determinação de providências por parte da União, por
intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos artigos 12,
parágrafo 4º, e 18, caput, parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002,
caracteriza ilegalidade e violação de direito líquido e certo.
2 - Havendo rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das
indenizações devidas aos anistiados políticos, e não demonstrada a
ausência de disponibilidade de caixa, a União há de promover o
pagamento do valor ao anistiado no prazo de 60 dias.
3 - Na ausência ou na insuficiência de disponibilidade orçamentária no
exercício em curso, cumpre à União promover sua previsão no projeto de
lei orçamentária imediatamente seguinte. STF. Plenário. RE 553710/DF,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2016 (repercussão geral) (Info
847).
A Súmula Vinculante 5 continua válida.
O STF rejeitou proposta da OAB que pretendia o cancelamento do
verbete. Após a edição da SV 5, não houve mudança na legislação, na
jurisprudência ou na percepção da sociedade a justificar a revisão ou o
cancelamento do enunciado. A súmula vinculante deve ter certo grau de
estabilidade, somente devendo ser cancelada ou revista em caso de
superveniência de fatos suficientemente relevantes. Assim, a falta de
defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a CF. STF. Plenário. PSV 58/DF, julgado em 30/11/2016 (Info 849).
GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO
O desconto dos dias parados pode ser feito de forma parcelada
Importante!!!
Não se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela
única sobre a remuneração do servidor público dos dias
parados e não compensados provenientes do exercício do
direito de greve. STJ. 2ª Turma. RMS 49.339-SP, Rel. Min. Francisco
Falcão, julgado em 6/10/2016 (Info 592)
CONFISCO DO ART. 243 DA CF/88
Possibilidade de o proprietário afastar a sanção do art. 243 da CF/88 se
provar que não teve culpa
Importante!!!
A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser
afastada, desde que o proprietário comprove que não incorreu em culpa,
ainda que in vigilando ou in eligendo. STF. Plenário. RE 635336/PE, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2016 (repercussão geral) (Info
851)
SERVIDORES PÚBLICOS
Aposentadoria compulsória não se aplica a cargos comissionados
Importante!!!
Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se
submetem à regra da aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º,
II, da CF, a qual atinge apenas os ocupantes de cargo de provimento
efetivo, inexistindo, também, qualquer idade limite para fins de nomeação
a cargo em comissão. Ressalvados impedimentos de ordem
infraconstitucional, não há óbice constitucional a que o servidor efetivo,
aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado que já
desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e
exoneração, uma vez que não se trata de continuidade ou criação de
vínculo efetivo com a Administração. STF. Plenário. RE 786540/DF, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2016 (repercussão geral) (Info 851).
SERVIDORES PÚBLICOS
Piso salarial nacional para os professores da educação básica e reflexos na
carreira e nas demais verbas recebidas por tais profissionais
A Lei nº 11.738/2008, em seu art. 2º, § 1º, ordena que o vencimento
inicial das carreiras do magistério público da educação básica deve
corresponder ao piso salarial profissional nacional, sendo vedada a fixação
do vencimento básico em valor inferior, não havendo determinação de
incidência automática em toda a carreira e reflexo imediato sobre as
demais vantagens e gratificações, o que somente ocorrerá se estas
determinações estiverem previstas nas legislações locais. STJ. 1ª Seção.
REsp 1.426.210-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 23/11/2016
(recurso repetitivo) (Info 594).
SERVIDORES PÚBLICOS
Regime de subsídio e pagamento de 13º e férias a Prefeito e Vice-Prefeito
O art. 39, § 4º, da Constituição Federal não é incompatível com o
pagamento de terço de férias e décimo terceiro salário. STF. Plenário. RE
650898/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, julgado em 1º/2/2017 (repercussão geral) (Info 852).
PODER DE POLÍCIA
Não cabe ao Banco Central fiscalizar o Serasa
O Banco Central tem o dever de exercer o controle do crédito e fiscalizar a
atividade das instituições financeiras.
O Serasa não é uma instituição financeira, considerando que não exerce
coleta, intermediação nem aplicação de recursos financeiros, nem a
custódia de valor de propriedade de terceiros, seja como atividade
principal ou acessória. Logo, não é da atribuição do Banco Central a
fiscalização das atividades do Serasa. STJ. 4ª Turma. REsp 1.178.768-SP,
Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 1/12/2016 (Info 595)
APOSENTADORIA
Aproveitamento do tempo trabalhado como aluno-aprendiz
O servidor que trabalhou como "aluno-aprendiz" pode utilizar este
período como tempo de serviço para fins de aposentadoria? Sim, no
entanto, para isso é necessário que ele apresente certidão do
estabelecimento de ensino frequentado. Tal documento deve atestar a
condição de aluno-aprendiz e o recebimento de retribuição pelos serviços
executados, consubstanciada em auxílios materiais diversos. Com a edição
da Lei nº 3.353/59, passou-se a exigir, para a contagem do tempo
mencionado, a demonstração de que a mão de obra foi remunerada com
o pagamento de encomendas. O elemento essencial à caracterização do
tempo de serviço como aluno-aprendiz não é a percepção de vantagem
direta ou indireta, mas a efetiva execução do ofício para o qual recebia
instrução, mediante encomendas de terceiros. Como consequência, a
declaração emitida por instituição de ensino profissionalizante somente
comprova o período de trabalho caso registre expressamente a
participação do educando nas atividades laborativas desenvolvidas para
atender aos pedidos feitos às escolas. STF. 1ª Turma. MS 31518/DF, Rel.
Min. Marco Aurélio, julgado em 7/2/2017 (Info 853).
APOSENTADORIA
Juiz Federal que completou os requisitos para se aposentar quando ainda
vigorava o art. 192, I, da Lei 8.112/90 tem direito de se aposentar com
proventos de Desembargador
A redação originária do art. 192, I, da Lei nº 8.112/90 previa que o
servidor público federal, ao se aposentar, deveria receber, como
proventos, a remuneração da classe superior a que pertencia. Esse art.
192 foi revogado em 1997 pela Lei nº 9.527. Determinado Juiz Federal
completou os requisitos para se aposentar em 1994. No entanto, optou
por continuar trabalhando até 2010, quando pediu a aposentadoria. O STF
entendeu que, como ele preencheu os requisitos para se aposentar em
1994, ou seja, antes da Lei nº 9.527/97, ele teria direito à regra prevista no
art. 192, I, da Lei nº 8.112/90. Logo, ele, ao se aposentar como Juiz
Federal, tem direito de receber os proventos como se fosse
Desembargador Federal (classe imediatamente superior àquela em que
ele se encontrava posicionado). STF. 1ª Turma. MS 32726/DF, rel. orig.
Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em
7/2/2017 (Info 853).
APOSENTADORIA
Não se aplica a aposentadoria compulsória para titulares de serventias
judiciais não estatizadas não ocupantes de cargo público e que não
recebam remuneração dos cofres públicos
Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da
CF aos titulares de serventias judiciais não estatizadas, desde que não
sejam ocupantes de cargo público efetivo e não recebam remuneração
proveniente dos cofres públicos. STF. Plenário. RE 647827/PR, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 15/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Estado deve indenizar preso que se encontre em situação degradante
Importante!!!
Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo,
manter em seus presídios os padrões mínimos de humanidade previstos
no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos termos do art.
37, § 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive
morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta
ou insuficiência das condições legais de encarceramento. STF. Plenário. RE
580252/MS, rel. orig. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 16/2/2017 (repercussão geral) (Info 854).
DESAPROPRIAÇÃO
Desistência da desapropriação
É possível que o expropriante desista da ação de desapropriação? SIM, é
possível a desistência da desapropriação a qualquer tempo, mesmo após
o trânsito em julgado, desde que: a) ainda não tenha havido o
pagamento integral do preço (pois nessa hipótese já terá se consolidado
a transferência da propriedade do expropriado para o expropriante); e b)
o imóvel possa ser devolvido sem que ele tenha sido alterado de forma
substancial (que impeça sua utilização como antes era possível). É ônus
do expropriado provar a existência de fato impeditivo do direito de
desistência da desapropriação. STJ. 2ª Turma. REsp 1.368.773-MS, Rel.
Min. Og Fernandes, Rel. para acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em
6/12/2016 (Info 596).
Trata-se de aplicação das regras do ônus da prova previstas no CPC: Art.
373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de
seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito do autor
SERVIDORES PÚBLICOS
É constitucional o art. 2º, parágrafo único, da LC 152/2015, que prevê
regra especial de transição para a idade da aposentadoria compulsória dos
servidores do Serviço Exterior Brasileiro
Não viola o princípio da isonomia o implemento de regra de transição de
aposentadoria dos servidores integrantes do Serviço Exterior Brasileiro
(Lei nº 11.440/2006), como está previsto no parágrafo único do art. 2º da
LC 152/2015, considerando-se as peculiaridades da carreira, as
necessidades do Estado e a ordem constitucional vigente. STJ. 1ª Seção.
MS 22.394-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 9/11/2016 (Info
596).
PODER DE POLÍCIA
Empresas brasileiras poderão desenvolver atividades de segurança
privada, ainda que tenham sócios estrangeiros
A Lei nº 7.102/83 estabelece normas para constituição e funcionamento
das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de
transporte de valores. O art. 11 dessa Lei prevê que “a propriedade e a
administração das empresas especializadas que vierem a se constituir são
vedadas a estrangeiros.” Esse art. 11 deve ser interpretado segundo a
Constituição Federal que, desde a EC 6/95, proíbe, em regra, que a lei faça
discriminação entre “empresa brasileira de capital nacional” e “empresa
brasileira de capital estrangeiro”. Em outras palavras, para o texto
constitucional atual, em regra, desde que uma empresa seja brasileira
(constituída no Brasil e sujeita às leis brasileiras), a origem do seu capital é
irrelevante. Diante disso, a interpretação atual do art. 11 deve ser a
seguinte: • Empresas constituídas no exterior são proibidas de atuar no
setor de segurança privada. • Todavia, empresas que sejam constituídas
sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País são
consideradas “empresas brasileiras” (art. 1.126 do Código Civil), sendo
irrelevante que tenham na sua composição societária, direta ou
indiretamente, participação ou controle pelo capital estrangeiro. • Logo,
“empresas brasileiras” poderão praticar atividades de segurança privada
no país ainda que tenham sócios estrangeiros. A restrição veiculada pelo
art. 11 da Lei nº 7.102/83, de acordo com a CF/88, não impede a
participação de capital estrangeiro nas sociedades nacionais (empresas
brasileiras) que prestam serviço de segurança privada. STJ. 1ª Seção. MS
19.088-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 14/12/2016 (Info 596).
ATOS ADMINISTRATIVOS
Portaria interministerial produzida, em conjunto, por dois Ministérios não
pode ser revogada por portaria posterior editada por apenas uma das
Pastas
A portaria interministerial editada pelos Ministérios da Educação e do
Planejamento demanda a manifestação das duas Pastas para a sua
revogação. Ex: o art. 7º do Decreto 6.253/2007 determinou que os
Ministérios da Educação e da Fazenda deveriam editar um ato conjunto
definindo os valores, por aluno, para fins de aplicação dos recursos do
FUNDEB. Atendendo a este comando, em março de 2009, os Ministros da
Educação e da Fazenda editaram a Portaria interministerial 221/2009
estipulando tais valores. Ocorre que alguns meses depois, o Ministro da
Educação editou, sozinho, ou seja, sem o Ministro da Fazenda, a Portaria
788/2009 revogando a Portaria interministerial 221/2009 e definindo
novos valores por aluno para recebimento dos recursos do FUNDEB. O STJ
concluiu que esta segunda portaria não teve o condão de revogar a
primeira. A regulamentação do valor por aluno do FUNDEB exige um ato
administrativo complexo que, para a sua formação, impõe a
manifestação de dois ou mais órgãos para dar existência ao ato (no caso,
portaria interministerial). Por simetria, somente seria possível a revogação
do ato administrativo anterior por autoridade/órgão competente para
produzi-lo. Em suma, o primeiro ato somente poderia ser revogado por
outra portaria interministerial das duas Pastas. STJ. 1ª Seção. MS
14.731/DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/12/2016
(Info 597).
SERVIÇOS PÚBLICOS
É válida a interrupção do serviço público por razões de ordem técnica se
houve prévio aviso por meio de rádio
Em regra, o serviço público deverá ser prestado de forma contínua, ou
seja, sem interrupções (princípio da continuidade do serviço público).
Excepcionalmente, será possível a interrupção do serviço público nas
seguintes hipóteses previstas no art. 6º, § 3º da Lei n.º 8.987/95: a) Em
caso de emergência (mesmo sem aviso prévio); b) Por razões de ordem
técnica ou de segurança das instalações, desde que o usuário seja
previamente avisado; c) Por causa de inadimplemento do usuário, desde
que ele seja previamente avisado. Se a concessionária de energia elétrica
divulga, por meio de aviso nas emissoras de rádio do Município, que
haverá, daqui a alguns dias, a interrupção do fornecimento de energia
elétrica por algumas horas em virtude de razões de ordem técnica, este
aviso atende a exigência da Lei nº 8.987/95? SIM. A divulgação da
suspensão no fornecimento de serviço de energia elétrica por meio de
emissoras de rádio, dias antes da interrupção, satisfaz a exigência de aviso
prévio, prevista no art. 6º, § 3º, da Lei nº 8.987/95. STJ. 1ª Turma. REsp
1.270.339-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 15/12/2016 (Info 598)
SERVIDORES PÚBLICOS
Não se aplica a teoria do fato consumado para remoção realizada fora das
hipóteses legais
Atenção! Advocacia Pública
A “teoria do fato consumado" não pode ser aplicada para consolidar
remoção de servidor público destinada a acompanhamento de cônjuge,
em hipótese que não se adequa à legalidade estrita, ainda que tal situação
haja perdurado por vários anos em virtude de decisão liminar não
confirmada por ocasião do julgamento de mérito. Em outras palavras, se a
pessoa consegue uma decisão provisória garantindo a ela a remoção e,
posteriormente, esta decisão é revogada, esta remoção terá que ser
desfeita mesmo que já tenha se passado muitos anos. Não se aplica a
"Teoria do Fato Consumado" em relação a atos praticados sob
contestação das pessoas envolvidas, que o reputam irregular e
manifestam a existência da irregularidade nas vias adequadas, ainda
que, pela demora no transcurso do procedimento destinado à apuração
da legalidade do ato, este gere efeitos no mundo concreto. Verificada ou
confirmada a ilegalidade, o ato deve ser desfeito, preservando-se apenas
aquilo que, pela consolidação fática irreversível, não puder ser restituído
ao status quo ante. Se a Administração Pública, mesmo após a decisão
liminar, continuou questionando no processo a legalidade da remoção
do servidor/autor, não se pode aplicar a teoria do fato consumado,
devendo o ato ser desfeito, salvo se tivesse havido uma consolidação
fática irreversível (ou seja, se não fosse mais possível voltar ao "status
quo ante"). STJ. Corte Especial. EREsp 1.157.628-RJ, Rel. Min. Raul Araújo,
julgado em 7/12/2016 (Info 598).
O que é a Teoria do Fato Consumado? Segundo esta teoria, as situações
jurídicas consolidadas pelo decurso do tempo, amparadas por decisão
judicial, não devem ser desconstituídas, em razão do princípio da
segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais (STJ. REsp
709.934/RJ). Assim, de acordo com essa posição, se uma decisão judicial
autorizou determinada situação jurídica e, após muitos anos, constatou-se
que tal solução não era acertada, ainda assim não deve ser desconstituída,
para que não haja insegurança jurídica. "A teoria do fato consumado foi
construída ao longo dos anos como um mecanismo de estabilização de
atos ou decisões, em casos excepcionais, nos quais a restauração da
estrita legalidade seria faticamente impossível ou, ainda que possível,
causaria danos sociais de grande monta e irreparáveis, com malferimento
do postulado da segurança jurídica." (Min. Raul Araújo). Em suma, seria
uma espécie de convalidação da situação pelo decurso de longo prazo.
Influência do comportamento das partes na aplicação da teoria. O
comportamento das partes influencia na aplicação ou não da teoria do
fato consumado. Veja:
1ª) Se o ato contrário à lei é praticado sem dolo e sem contestação de
ninguém, vigorando por anos com aparência de legalidade: neste caso, o
ato deverá ser preservado em homenagem à segurança jurídica. Protege-
se, com isso, a boa-fé e o princípio da confiança legítima do administrado.
2ª) Se o ato praticado é questionado pela Administração Pública, que,
desde o início defende que ele é irregular: neste caso não se deve aplicar a
teoria do fato consumado, mesmo que tenha transcorrido muitos anos.
Nessa segunda hipótese, verificada ou confirmada a ilegalidade, o ato
deverá ser desfeito, salvo se tiver havido uma consolidação fática
irreversível (ou seja, não é possível voltar ao "status quo ante").
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Competência para instaurar e julgar PAD relacionado com servidor cedido
Importante!!!
A instauração de processo disciplinar contra servidor efetivo cedido deve
ocorrer, preferencialmente, no órgão em que tenha sido praticada a
suposta irregularidade. Por outro lado, o julgamento e a eventual
aplicação de sanção só podem ocorrer no órgão ao qual o servidor efetivo
estiver vinculado.
Ex: João é servidor efetivo (técnico judiciário) do TJDFT e foi cedido para
um cargo em comissão no STJ. Quando ainda estava prestando serviços no
STJ, João praticou uma infração disciplinar. A Instauração do PAD deverá
ser feita preferencialmente pelo STJ. Por outro lado, o julgamento do
servidor e aplicação da sanção deverão ser realizados obrigatoriamente
pelo TJDFT. STJ. Corte Especial. MS 21.991-DF, Rel. Min. Humberto
Martins, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em
16/11/2016 (Info 598).

Direito Administrativo 2017


CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES
O crime do art. 89 da Lei 8.666/93 exige dano ao erário?
Critérios para verificação judicial da viabilidade da denúncia pelo art. 89
O crime do art. 89 da Lei 8.666/93 exige resultado danoso (dano ao erário)
para se consumar?
1ª corrente: SIM. Posição do STJ e da 2ª Turma do STF.
2ª corrente: NÃO. Entendimento da 1ª Turma do STF. O objetivo do art. 89
não é punir o administrador público despreparado, inábil, mas sim o
desonesto, que tinha a intenção de causar dano ao erário ou obter
vantagem indevida. Por essa razão, é necessário sempre analisar se a
conduta do agente foi apenas um ilícito civil e administrativo ou se chegou
a configurar realmente crime. Deverão ser analisados três critérios para se
verificar se o ilícito administrativo configurou também o crime do art. 89:
1º) existência ou não de parecer jurídico autorizando a dispensa ou a
inexigibilidade. A existência de parecer jurídico é um indicativo da
ausência de dolo do agente, salvo se houver circunstâncias que
demonstrem o contrário. 2º) a denúncia deverá indicar a existência de
especial finalidade do agente de lesar o erário ou de promover
enriquecimento ilícito. 3º) a denúncia deverá descrever o vínculo subjetivo
entre os agentes. STF. 1ª Turma. Inq 3674/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
em 7/3/2017 (Info 856)
PRECATÓRIOS
É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia
mista?
Importante!!! Atenção!
Advocacia Pública
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista
prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não
concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 23/3/2017 (Info 858).
CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA
Lei de contratação temporária não pode prever hipóteses genéricas nem a
prorrogação indefinida dos contratos
São inconstitucionais, por violarem o art. 37, IX, da CF/88, a autorização
legislativa genérica para contratação temporária e a permissão de
prorrogação indefinida do prazo de contratações temporárias. STF.
Plenário. ADI 3662/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/3/2017
(Info 858).
ABONO DE PERMANÊNCIA
Magistrado que estava recebendo abono de permanência e foi
promovido terá direito de continuar percebendo o benefício
A ocupação de novo cargo dentro da estrutura do Poder Judiciário, pelo
titular do abono de permanência, não implica a cessação do benefício. Ex:
determinada pessoa ocupa o cargo de Desembargador do Trabalho e está
recebendo abono de permanência; se ela for promovida ao cargo de
Ministro do TST, terá direito de continuar recebendo o abono, não sendo
necessário completar cinco anos no cargo de Ministro para requerer o
benefício. STF. 1ª Turma. MS 33424/DF e MS 33456/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 28/3/2017 (Info 859)
PENSÃO
O art. 11 da EC 20/98 não proibiu a percepção de pensão civil com pensão
militar
A CF/67 e a CF/88 (antes da EC 20/98) não proibiam que o militar
reformado voltasse ao serviço público e, posteriormente, se aposentasse
no cargo civil, acumulando os dois proventos. Ex: João foi reformado como
Sargento do Exército em 1980. Voltou ao serviço público e se aposentou
como servidor da ABIN (órgão público federal), concedida em 1995. Essa
acumulação de proventos é possível. O art. 11 da EC 20/98 proibiu,
expressamente, a concessão de mais de uma aposentadoria pelo regime
de previdência dos servidores civis. No entanto, este dispositivo não
vedou a cumulação de aposentadoria de servidor público com proventos
de militar. Sendo possível a cumulação de proventos, é também
permitido que o dependente acumule as duas pensões. Ex: Em 1996,
João faleceu e Maria, sua esposa, passou a receber duas pensões por
morte, uma decorrente de cada vínculo acima explicado. STF. 2ª Turma.
MS 25097/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/3/2017 (Info 859).
GREVE
Policiais são proibidos de fazer greve
Importante!!!
O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou
modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores
públicos que atuem diretamente na área de segurança pública.
É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada
pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do
art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. STF.
Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860).
APOSENTADORIA
EC 70/2012 produz efeitos financeiros somente a partir da data de sua
promulgação
Os efeitos financeiros das revisões de aposentadoria concedida com base
no art. 6º-A da EC 41/2003, introduzido pela EC 70/2012, somente se
produzirão a partir da data de sua promulgação (30/3/2012). STF.
Plenário. RE 924456/RJ, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (Info 860).
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Conselhos profissionais não estão sujeitos ao regime de precatórios
Importante!!!
Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos
Conselhos de Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se
submetem ao regime de precatórios. STF. Plenário. RE 938837/SP, rel.
orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em
19/4/2017 (repercussão geral) (Info 861)
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do
contratado não transfere automaticamente ao Poder Público a
responsabilidade pelo seu pagamento
Importante!!!
O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do
contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante
a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou
subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93. Obs: a tese
acima foi a fixada pelo STF. No entanto, penso que é importante um
esclarecimento revelado durante os debates: é possível sim,
excepcionalmente, que a Administração Pública responda pelas dívidas
trabalhistas contraídas pela empresa contratada e que não foram pagas,
desde que o ex-empregado reclamante comprove, com elementos
concretos de prova, que houve efetiva falha do Poder Público na
fiscalização do contrato. STF. Plená rio. RE 760931/DF, rel. orig. Min. Rosá
Weber, red. p/ o ác. Min. Luiz Fux, julgádo em 26/4/2017 (repercussão
geral) (Info 862).
SERVIDORES PÚBLICOS
Se a pessoa acumular licitamente dois cargos públicos ela poderá receber
acima do teto
Importante!!!
Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos,
empregos e funções, a incidência do art. 37, XI, da Constituição Federal
pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a
observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do
agente público. Ex: se determinado Ministro do STF for também professor
da UnB, ele irá receber seu subsídio integral como Ministro e mais a
remuneração decorrente do magistério. Nesse caso, o teto seria
considerado especificamente para cada cargo, sendo permitido que ele
receba acima do limite previsto no art. 37, XI da CF se considerarmos seus
ganhos globais. STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min.
Márco Aure lio, julgádos em 26 e 27/4/2017 (repercussão geral) (Info
862).
BENS PÚBLICOS
Continuam pertencendo à União os terrenos de marinha situados em ilha
costeira que seja sede de Município
Importante!!!
A EC 46/2005 não interferiu na propriedade da União, nos moldes do art.
20, VII, da Constituição Federal, sobre os terrenos de marinha e seus
acrescidos situados em ilhas costeiras sede de Municípios. STF. Plenário.
RE 636199/ES, Rel. Min. Rosá Weber, julgádo em 27/4/2017 (repercussão
geral) (Info 862).
CONCURSO PÚBLICO
Ação questionando critérios do psicotécnico previstos no edital deve ser
proposta contra a entidade que promoveu o concurso (e não contra a
instituição contratada)
Importante!!!
Em ação ordinária na qual se discute a eliminação de candidato em
concurso público – em razão da subjetividade dos critérios de avaliação de
exame psicotécnico previstos no edital – a legitimidade passiva será da
entidade responsável pela elaboração do certame. Ex: o Estado do ES
abriu concurso para agente penitenciário. O CESPE foi contratado para
realizar as provas. João inscreveu-se no certame e foi aprovado nas provas
teóricas, tendo sido, contudo, reprovado no exame psicotécnico. Diante
disso, João quer ajuizar ação ordinária questionando os critérios de
avaliação do exame psicotécnico previstos no edital sob o argumento de
que eles eram subjetivos. Essa ação terá que ser proposta contra o Estado
do ES (e não contra o CESPE). STJ. 1ª Turma. REsp 1.425.594-ES, Rel. Min.
Regina Helena Costa, julgado em 7/3/2017 (Info 600).
SERVIDORES PÚBLICOS
Não se pode cassar a aposentadoria do servidor que ingressou no serviço
público por força de provimento judicial precário e se aposentou durante
o processo, antes da decisão ser reformada
Importante!!!
Se o candidato tomou posse por força de decisão judicial precária e esta,
posteriormente, é revogada, ele perderá o cargo, mesmo que já o esteja
ocupando há muitos anos. Não se aplica, ao caso, a teoria do fato
consumado. Nesse sentido: STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. Min. Teori
Zavascki, julgado em 7/8/2014 (repercussão geral) (Info 753). A situação
será diferente se ele se aposentou antes do processo chegar ao fim.
Imagine que o candidato tomou posse no cargo por força de decisão
judicial precária. Passaram-se vários anos e ele, após cumprir todos os
requisitos, aposentou neste cargo por tempo de contribuição. Após a
aposentadoria, a decisão que o amparou foi reformada. Neste caso, não
haverá a cassação de sua aposentadoria. Nas palavras do STJ: quando o
exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias e o
servidor se aposentou, antes do julgamento final de mandado de
segurança, por tempo de contribuição durante esse exercício e após
legítima contribuição ao sistema, a denegação posterior da segurança que
inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não pode
ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS 20.558-DF, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (Info 600).
SERVIDORES PÚBLICOS
O valor do abono de permanência deverá ser levado em consideração na
conversão da licença-prêmio em pecúnia
O abono de permanência insere-se no conceito de remuneração do cargo
efetivo, de forma a compor a base de cálculo da licença-prêmio não
gozada. STJ. 1ª Turma. REsp 1.514.673-RS, Rel. Min. Regina Helena Costa,
julgado em 7/3/2017 (Info 600).
AGENTES POLÍTICOS
Exercentes de mandato eletivo que não forem vinculados a regime
próprio deverão pagar contribuição previdenciária ao RGPS
Incide contribuição previdenciária sobre os rendimentos pagos aos
exercentes de mandato eletivo, decorrentes da prestação de serviços à
União, aos Estados e ao Distrito Federal ou aos Municípios, após o
advento da Lei nº 10.887/2004, desde que não vinculados a regime
próprio de previdência. STF. Plenário. RE 626837/GO, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 25/5/2017 (repercussão geral) (Info 866).
POSSE TARDIA EM CARGO PÚBLICO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL
A nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não
gera direito à promoção retroativa
Importante!!!
A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por
meio de ato judicial, à qual atribuída eficácia retroativa, não gera direito
às promoções ou progressões funcionais que alcançariam se houvesse
ocorrido, a tempo e modo, a nomeação. STF. Plenário. RE 629392 RG/MT,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/6/2017 (repercussão geral)
SERVIDORES TEMPORÁRIOS
É constitucional a quarentena para recontratação de servidores
temporários prevista no art. 9º, III, da Lei 8.745/93
No âmbito da administração pública federal, é vedada a contratação
temporária do mesmo servidor antes de decorridos 24 meses do
encerramento do contrato anterior. Tal regra está prevista no art. 9º, III,
da Lei nº 8.745/93: Art. 9º O pessoal contratado nos termos desta Lei não
poderá: III - ser novamente contratado, com fundamento nesta Lei, antes
de decorridos 24 (vinte e quatro) meses do encerramento de seu contrato
anterior, salvo nas hipóteses dos incisos I e IX do art. 2º desta Lei,
mediante prévia autorização, conforme determina o art. 5º desta Lei. O
STF, ao analisar um caso concreto envolvendo a contratação temporária
de professores, decidiu que essa regra é constitucional e fixou a seguinte
tese: “É compatível com a Constituição Federal a previsão legal que exija o
transcurso de 24 (vinte e quatro) meses, contados do término do
contrato, antes de nova admissão de professor temporário anteriormente
contratado.” STF. Plenário. RE 635648/CE, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 14/6/2017 (repercussão geral) (Info 869).
SERVIDORES PÚBLICOS
Jornada de trabalho diferenciada para servidores médicos e dentistas
A jornada de trabalho do MÉDICO servidor público é de 4 horas diárias e
de 20 horas semanais, nos termos da Lei nº 12.702/2012. A jornada de
trabalho do ODONTÓLOGO servidor público é de 6 horas diárias e de 30
horas semanais, nos termos do DL 2.140/84. Essas regras acima explicadas
não se aplicam no caso de médicos e odontólogos que ocupem cargo em
comissão ou função de confiança, considerando que, neste caso, terão
que cumprir a jornada normal de trabalho. STF. 2ª Turma. MS 33853/DF,
Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 13/6/2017 (Info 869).
LICITAÇÃO
Proibição do art. 9º, III, da Lei 8.666/93 permanece mesmo que o servidor
esteja licenciado
Se um servidor público for sócio ou funcionário de uma empresa, ela não
poderá participar de licitações realizadas pelo órgão ou entidade ao qual
estiver vinculado este servidor público (art. 9º, III, da Lei nº 8.666/93). O
fato de o servidor estar licenciado do cargo não afasta a referida
proibição, considerando que, mesmo de licença, ele não deixa possuir
vínculo com a Administração Pública. Assim, o fato de o servidor estar
licenciado não afasta o entendimento segundo o qual não pode participar
de procedimento licitatório a empresa que possuir em seu quadro de
pessoal servidor ou dirigente do órgão contratante ou responsável pela
licitação. STJ. 2ª Turma. REsp 1.607.715-AL, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 7/3/2017 (Info 602)
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Aplicação de crime continuado no PAD
Há fatos ilícitos administrativos que, se cometidos de forma continuada
pelo servidor público, não se sujeitam à sanção com aumento do quantum
sancionatório previsto no art. 71, caput, do CP. STJ. 1ª Seção. REsp
1.471.760-GO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 22/2/2017 (Info
602)
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Lojas que vendam animais vivos e medicamentos veterinários não
precisam se inscrever no Conselho Regional de Medicina Veterinária
Não estão sujeitas a registro perante o respectivo Conselho Regional de
Medicina Veterinária, nem à contratação de profissionais nele inscritos
como responsáveis técnicos, as pessoas jurídicas que explorem as
atividades de comercialização de animais vivos e a venda de
medicamentos veterinários, pois não são atividades reservadas à atuação
privativa do médico veterinário. STJ. 1ª Seção. REsp 1.338.942-SP, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 26/4/2017 (recurso repetitivo) (Info 602).
CONCURSOS PÚBLICOS
O grave erro no enunciado – reconhecido pela própria banca examinadora
– constitui flagrante ilegalidade apta a ensejar a nulidade da questão
Importante!!!
O STF, em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida,
firmou a seguinte tese: "Não compete ao Poder Judiciário, no controle de
legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas dadas
pelos candidatos e notas a elas atribuídas" (RE 632.853). Do voto
condutor do mencionado acórdão, percebe-se que a tese nele constante
buscou esclarecer que o Poder Judiciário não pode avaliar as respostas
dadas pelo candidato e as notas a eles atribuídas se for necessário
apreciar o conteúdo das questões ou os critérios utilizados na correção,
exceto se flagrante a ilegalidade. Ao analisar uma prova para o cargo de
assessor do MPRS, o STJ decidiu anular uma das questões discursivas pelo
fato de que ela possuía um grave erro no enunciado, o que prejudicou o
candidato na elaboração de sua resposta. No enunciado da questão
constou a expressão “permissão de saída”, mas na verdade o examinador
queria saber sobre a “saída temporária”, tanto que a resposta padrão do
gabarito envolvia este segundo instituto. Houve, portanto, uma troca dos
conceitos. A própria comissão examinadora reconheceu que houve o erro
no enunciado, mas afirmou que isso não atrapalhou os candidatos e, por
isso, manteve as notas. O STJ, contudo, não concordou com isso e anulou
a questão. Se a própria banca examinadora reconhece o erro na
formulação da questão, não se pode fechar os olhos para tal constatação
ao simplório argumento de que referido erro não influiria na análise do
enunciado pelo candidato. Vale ressaltar que o STJ afirmou que esta
anulação não contraria o que decidiu o STF no julgamento do RE 632.853
por duas razões:
1) o candidato não está buscando que o Poder Judiciário reexamine o
conteúdo da questão ou o critério de correção para decidir se a resposta
dada por ele está ou não correta. Em outras palavras, não se quer que
recorrija a prova. O que o impetrante pretende é que seja reconhecido
que o enunciado da questão apresenta um erro grave insuperável.
2) o STF decidiu que, em regra, não é possível a anulação de questões de
concurso, salvo se houver ilegalidade a permitir a atuação do Poder
Judiciário. Em outras palavras, existe uma “exceção” à tese fixada no RE
632.853. E, no presente caso, estamos diante de uma flagrante ilegalidade
da banca examinadora. STJ. 2ª Turma. RMS 49.896-RS, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 20/4/2017 (Info 603).
CONCURSOS PÚBLICOS
O espelho de prova, com a motivação da avaliação do candidato, deve ser
apresentado antes ou durante a divulgação do resultado, sob pena de
nulidade
Importante!!!
A banca examinadora do certame, por ocasião da divulgação dos
resultados das provas, deve demonstrar, de forma clara e transparente,
que os critérios de avaliação previstos no edital foram devidamente
considerados, sob pena de nulidade da avaliação. As informações
constantes dos espelhos de provas subjetivas representam a motivação
do ato administrativo, consistente na atribuição de nota ao candidato.
Essa motivação deve ser apresentada anteriormente ou concomitante à
prática do ato administrativo, pois caso se permita a motivação posterior,
isso pode dar ensejo para que se fabriquem, forjem ou criem motivações.
Não é legítima a conduta da banca examinadora de divulgar o espelho
de provas com a motivação das notas após ser contestada na via judicial
ou administrativa. Destaque-se também que não há fundamentação
válida se a banca apenas divulga critérios muito subjetivos e a nota
global dos candidatos, desacompanhados do padrão de resposta e das
notas atribuídas para cada um dos critérios adotados. STJ. 2ª Turma. RMS
49.896-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/4/2017 (Info 603).
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Suspensão ou cancelamento do registro do profissional que atrasar
anuidades
Segundo o art. 8º da Lei nº 12.514/2011, para que os Conselhos
Profissionais ajuízem execução fiscal cobrando anuidades em atraso, é
necessário que o total da quantia executada seja de, no mínimo, quatro
vezes o valor da anuidade. Mesmo sem poder executar a dívida, o
Conselho Profissional poderá adotar uma outra sanção contra o
inadimplente: poderá suspender ou cancelar seu registro profissional.
Assim, o fato de os conselhos não poderem executar dívidas inferiores a
quatro vezes o valor cobrado anualmente da pessoa física ou jurídica
inadimplente, não impede que seja feita a suspensão ou o cancelamento
do registro do profissional que deixar de efetuar o pagamento das
anuidades. Isso está previsto no art. 8º, parágrafo único, da Lei nº
12.514/2011. No caso específico dos Engenheiros e Arquitetos, o
cancelamento do registro somente pode acontecer desde que o atraso
seja de, no mínimo, duas anuidades consecutivas (art. 64 da Lei nº
5.194/66). STJ. 2ª Turma. REsp 1.659.989-MG, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 25/4/2017 (Info 603)
TARIFAS DE TRANSPORTE PÚBLICO
Decisão que suspende reajuste das tarifas de transporte público urbano
viola a ordem pública
A interferência judicial para invalidar a estipulação das tarifas de
transporte público urbano viola a ordem pública, mormente nos casos em
que houver, por parte da Fazenda estadual, esclarecimento de que a
metodologia adotada para fixação dos preços era técnica. Segundo a
“doutrina Chenery”, o Poder Judiciário não pode anular
um ato político adotado pela Administração Pública sob o
argumento de que ele não se valeu de metodologia
técnica. Isso porque, em temas envolvendo questões técnicas e
complexas, os Tribunais não gozam de expertise para concluir se os
critérios adotados pela Administração são corretos ou não. Assim, as
escolhas políticas dos órgãos governamentais, desde que não sejam
revestidas de reconhecida ilegalidade, não podem ser invalidadas pelo
Poder Judiciário. STJ. Corte Especial.AgInt no AgInt na SLS 2.240-SP, Rel.
Min. Laurita Vaz, julgado em 7/6/2017 (Info 605).
SERVIDORES PÚBLICOS
União não deve figurar na ação proposta pedindo a implementação do
piso nacional do magistério
Os dispositivos do art. 4º, caput, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 11.738/2008 não
amparam a tese de que a União é parte legítima, perante terceiros
particulares, em demandas que visam à sua responsabilização pela
implementação do piso nacional do magistério, afigurando-se correta a
decisão que a exclui da lide e declara a incompetência da Justiça Federal
para processar e julgar o feito ou, em sendo a única parte na lide, que
decreta a extinção da demanda sem resolução do mérito. STJ. 1ª Seção.
REsp 1.559.965-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 14/6/2017
(recurso repetitivo) (Info 606).
DESAPROPRIAÇÃO
Ente desapropriante não responde por tributos anteriores à
desapropriação
O ente desapropriante não responde por tributos incidentes sobre o
imóvel desapropriado nas hipóteses em que o período de ocorrência dos
fatos geradores é anterior ao ato de aquisição originária da propriedade.
STJ. 2ª Turma. REsp 1.668.058-ES, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
julgado em 8/6/2017 (Info 606)
GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO
Compete à Justiça Comum (estadual ou federal) decidir se a greve
realizada por servidor público é ou não abusiva
A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a
abusividade de greve de servidores públicos celetistas da Administração
pública direta, autarquias e fundações públicas. STF. Plenário. RE
846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871).
A Justiça Comum será competente mesmo que se trate de empregado
público (vínculo celetista)? SIM. A Justiça Comum será competente
mesmo que o vínculo do servidor com a Administração Pública seja
regido pela CLT, ou seja, ainda que se trate de empregado público. Sobre
o tema, o STF fixou a seguinte tese: A justiça comum, federal ou estadual,
é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos
celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações
públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac.
Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral)
(Info 871).Vale fazer, contudo, uma importante ressalva: se a greve for
de empregados públicos de empresa pública ou sociedade de economia
mista, a competência será da Justiça do Trabalho.
BENS PÚBLICOS
Não se pode caracterizar as terras ocupadas pelos indígenas como
devolutas
As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União (art.
20, XI, da CF/88) e, portanto, não podem ser consideradas como terras
devolutas de domínio do Estado-membro. STF. Plenário. ACO 362/MT e
ACO 366/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 16/8/2017 (Info 873).
FUNDEF
União deverá indenizar Estados prejudicados com o cálculo incorreto do
VMNA
O valor da complementação da União ao Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério
(Fundef) deve ser calculado com base no valor mínimo nacional por aluno
extraído da média nacional. A complementação ao Fundef realizada a
partir do valor mínimo anual por aluno fixada em desacordo com a média
nacional impõe à União o dever de suplementação de recursos, mantida a
vinculação constitucional a ações de desenvolvimento e manutenção do
ensino. Em outras palavras, os Estados prejudicados com o cálculo
incorreto do valor mínimo nacional por aluno deverão ser indenizados por
conta do montante pago a menor a título de complementação pela União
no período de vigência do FUNDEF, isto é, nos exercícios financeiros de
1998 a 2007. Essa indenização abrange apenas os danos materiais, não
sendo devidos danos morais coletivos por conta desse repasse a menor.
STF. Plenário. ACO 648/BA, ACO 660/AM, ACO 669/SE e ACO 700/RN, rel.
orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgados em
6/9/2017 (Info 876).
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Validade da prova emprestada
Súmula 591-STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo
administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo
competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. STJ. 1ª Seção.
Aprovada em 13/09/2017, DJe 18/09/2017.
A prova colhida mediante autorização judicial e para fins de investigação
ou processo criminal pode ser utilizada para instruir procedimento
administrativo punitivo. Assim, é possível que as provas provenientes de
interceptações telefônicas autorizadas judicialmente em processo criminal
sejam emprestadas para o processo administrativo disciplinar. STF. 1ª
Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão
Min. Roberto Barroso, julgado em 9/8/2016 (Info 834)
“Prova emprestada é a prova de um fato, produzida em um processo, seja
por documentos, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame
pericial, que é trasladada para outro processo sob a forma documental.”
“A utilização de prova já produzida em outro processo responde aos
anseios de economia processual, dispensando a produção de prova
já existente, e também da busca da verdade possível, em especial
quando é impossível produzir novamente a prova.” (NEVES, Daniel
Assumpção.
A prova que veio de outro processo entra no processo atual como
“prova documental”, independentemente da natureza que ela tinha
no processo originário
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
Excesso de prazo para conclusão
Súmula 592-STJ: O excesso de prazo para a conclusão do processo
administrativo disciplinar só causa nulidade se houver demonstração de
prejuízo à defesa. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 13/09/2017, DJe
18/09/2017.
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Aplica-se às ações de improbidade administrativa o reexame necessário
previsto no art. 19 da lei da ação popular
Importante!!!
A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência de ação de
improbidade administrativa está sujeita ao reexame necessário, com
base na aplicação subsidiária do CPC e por aplicação analógica da
primeira parte do art. 19 da Lei nº 4.717/65. STJ. 1ª Seção. EREsp
1.220.667-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24/5/2017 (Info
607)
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Técnico de futebol não precisa ser inscrito no Conselho Regional de
Educação Física
O exercício da profissão de técnico ou treinador profissional de futebol
não se restringe aos profissionais graduados em Educação Física, não
havendo obrigatoriedade legal de registro junto ao respectivo Conselho
Regional. STJ. 2ª Turma. REsp 1.650.759-SP, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 6/4/2017 (Info 607).
CONCURSOS PÚBLICOS
É válida a alteração na ordem de aplicação das provas do teste físico
desde que anunciada com antecedência
A simples alteração na ordem de aplicação das provas de teste
físico em concurso público, desde que anunciada com
antecedência e aplicada igualmente a todos, não viola direito
líquido e certo dos candidatos inscritos. Ex: o edital inicial dizia que,
no dia da prova de esforço físico, o teste de equilíbrio seria o primeiro e a
corrida o último; depois foi publicado um novo edital alterando a ordem.
STJ. 1ª Turma. RMS 36.064-MT, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
13/6/2017 (Info 608).
CONTROLE DE ATOS ADMINISTRATIVOS
Judiciário pode determinar que Estado implemente plantão em Delegacia
de Atendimento ao adolescente infrator
A decisão judicial que impõe à Administração Pública o restabelecimento
do plantão de 24 horas em Delegacia Especializada de Atendimento à
Infância e à Juventude não constitui abuso de poder, tampouco extrapola
o controle do mérito administrativo pelo Poder Judiciário. STJ. 1ª
Turma.REsp 1.612.931-MS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado
em 20/6/2017 (Info 609)
Discricionariedade administrativa não é absoluta
O controle dos atos discricionários pelo Poder Judiciário deve ser visto
com extrema cautela, para não servir de subterfúgio para substituir uma
escolha legítima da autoridade competente. Assim, não cabe ao
magistrado declarar ilegal um ato discricionário tão só por discordar dos
valores morais invocados pela Administração, quando ambos são válidos e
admissíveis perante a sociedade. Tomando-se esse cuidado, deve-se
lembrar que a discricionariedade administrativa não é absoluta e seus
abusos podem e devem ser submetidos à apreciação do Poder Judiciário,
a quem cabe o controle de sua legalidade, bem como dos motivos e da
finalidade dos atos praticados sob o seu manto
Conduta contrária à CF/88, à lei e ao tratado internacional.
Assim, o STJ considerou que, ao não se oferecer plantão 24 horas na
Delegacia especializada de apuração dos atos infracionais, houve violação
à CF/88, ao art. 172 do ECA e também ao item 12.1 das Regras de Beijing
considerando que, fora do horário de funcionamento da Delegacia, os
jovens infratores serão submetidos às unidades policiais comuns, onde
estarão expostos ao contato com presos maiores de idade. A decisão
governamental de encerrar o plantão na Delegacia não é uma escolha
aceitável do Estado sob os aspectos moral e ético, representando
induvidosa preterição de uma prioridade imposta pela Constituição
Federal, além de conduta contrária à lei e ao tratado internacional,
constituindo, portanto, hipótese na qual se admite que o Poder Judiciário
intervenha legitimamente no caso mesmo em se tratando de um ato
discricionário.
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
MP pode instaurar inquérito civil para apurar ato de improbidade
praticado por magistrado e solicitar seu depoimento pessoal
Importante!!!
É possível a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público objetivando
a apuração de ato ímprobo atribuído a magistrado mesmo que já exista
concomitante procedimento disciplinar na Corregedoria do Tribunal
acerca dos mesmos fatos, não havendo usurpação das atribuições da
Corregedoria pelo órgão ministerial investigante. A mera solicitação para
que o juiz preste depoimento pessoal nos autos de inquérito civil
instaurado pelo Ministério Público para apuração de suposta conduta
ímproba não viola o disposto no art. 33, IV, da LC nº 35/79 (LOMAN). STJ.
1ª Turma. RMS 37.151-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para
acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado em 7/3/2017 (Info 609).
REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA
ADI proposta contra a Lei nº 11.952/2009
A Lei nº 11.952/2009 trata sobre a regularização fundiária das ocupações
incidentes em terras situadas em áreas da União, no âmbito da Amazônia
Legal. O STF deu intepretação conforme ao art. 4º, § 2º da Lei para dizer
que é inconstitucional qualquer interpretação que permita a regularização
fundiária das terras ocupadas por quilombolas e outras comunidades
tradicionais da Amazônia Legal em nome de terceiros ou de forma a
descaracterizar o modo de apropriação da terra por esses grupos. Em
outras palavras, os quilombolas e outras comunidades tradicionais não
podem perder suas terras em caso de regularização fundiária. O STF
também deu intepretação conforme ao art. 13 da Lei para afastar
quaisquer interpretações que concluam pela desnecessidade de
fiscalização dos imóveis rurais até quatro módulos fiscais, devendo o ente
federal utilizar-se de todos os meios referidos em suas informações para
assegurar a devida proteção ambiental e a concretização dos propósitos
da norma para, somente então, ser possível a dispensa da vistoria prévia,
como condição para a inclusão da propriedade no programa de
regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na Amazônia
Legal. Em outras palavras, a União deve utilizar-se de todos os meios para
assegurar a devida proteção ambiental e a concretização dos propósitos
da norma, para somente então ser possível a dispensa da vistoria prévia
como condição para inclusão da propriedade no programa de
regularização fundiária de imóveis rurais de domínio público na Amazônia
Legal. STF. Plenário. ADI 4269/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em
18/10/2017 (Info 882).
CONCURSO PÚBLICO
Decisão do STF que cassou ato do CNJ que havia anulado o concurso de
cartório do TJ/RJ
CNJ anulou concurso público para cartório no RJ sob o argumento de que
o Presidente da Comissão do concurso possuía relacionamento pessoal
com duas candidatas aprovadas que teriam sido beneficiadas na correção
das questões da prova subjetiva. O STF cassou a decisão do CNJ sob três
argumentos principais: 1) CNJ não poderia ter reavaliado os critérios de
correção das provas adotados pela comissão; 2) Houve um aditamento no
processo administrativo sem que as candidatas tenham tido a
oportunidade de se manifestar sobre ele; 3) Não ficou provado ter havido
o alegado favorecimento das candidatas. STF. 2ª Turma. MS 28775/DF, rel.
orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
17/10/2017 (Info 882)
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
Associação de Municípios não pode ajuizar ação para tutelar direitos dos
Municípios
Atenção! Advocacia Pública
Associação de Municípios e Prefeitos não possui legitimidade ativa para
tutelar em juízo direitos e interesses das pessoas jurídicas de direito
público. STJ. 1ª Seção. REsp 1.503.007 - CE, Rel. Min. Herman Benjamin,
julgado em 14/6/2017 (Info 610)
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Quem pode ser responsável técnico em drogarias
É facultado aos técnicos de farmácia, regularmente inscritos no Conselho
Regional de Farmácia, a assunção de responsabilidade técnica por
drogaria, independentemente do preenchimento dos requisitos previstos
nos arts. 15, § 3º, da Lei nº 5.991/73, c/c o art. 28 do Decreto nº
74.170/74, entendimento que deve ser aplicado até a entrada em vigor da
Lei nº 13.021/2014. Obs: após a Lei nº 13.021/2014 apenas farmacêuticos
habilitados na forma da lei poderão atuar como responsáveis técnicos por
farmácias com manipulação e drogarias. STJ. 1ª Seção. REsp 1.243.994-
MG, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 14/6/2017 (recurso repetitivo)
(Info 611)
CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO
A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de
concessão
Importante!!!
A concessionária não tem direito adquirido à renovação do contrato de
concessão de usina hidrelétrica. A União possui a faculdade de prorrogar
ou não o contrato de concessão, tendo em vista o interesse público, não
se podendo invocar direito líquido e certo a tal prorrogação. Dessa forma,
a prorrogação do contrato administrativo insere-se no campo da
discricionariedade. A Lei nº 12.783/2013 subordinou a prorrogação dos
contratos de concessão de geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica à aceitação expressa de determinadas condições. Se estas são
recusadas pela concessionária, a Administração Pública não é obrigada a
renovar a concessão. A Lei nº 12.783/2013 pode ser aplicada para a
renovação de contratos ocorrida após a sua vigência mesmo que a
assinatura do pacto original tenha ocorrido antes da sua edição. STF. 2ª
Turma. RMS 34203/DF e AC 3980/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em
21/11/2017 (Info 885).
SERVIDORES PÚBLICOS
Decisão que concede a gratificação de 13,23% viola a SV 37
A decisão judicial que concede a servidor público a gratificação de 13,23%
prevista na Lei nº 10.698/2003 afronta a súmula vinculante 37, mesmo
que o julgador fundamente sua decisão no art. 37, X, da CF/88 e no art. 6º
da Lei nº 13.317/2016. Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o
fundamento de isonomia. STF. 1ª Turma. Rcl 25927 AgR/SE e Rcl 24965
AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgados em 31/10/2017 (Info 884). STF. 1ª Turma. Rcl 24965
AgR/SE, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de
Moraes, julgado em 28/11/2017 (Info 886).
Súmula vinculante 37-STF: Não cabe ao poder judiciário, que não tem
função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o
fundamento de isonomia.
CONCURSO PÚBLICO
O candidato aprovado fora do número de vagas, mas que fique dentro do
número de vagas em virtude da desistência de alguém melhor colocado,
passa a ter direito subjetivo de ser nomeado
Importante!!!
A desistência de candidatos melhor classificados em concurso público
convola a mera expectativa em direito líquido e certo, garantindo a
nomeação dos candidatos que passarem a constar dentro do número de
vagas previstas no edital. STJ. 1ª Turma. RMS 53.506-DF, Rel. Min. Regina
Helena Costa, julgado em 26/09/2017 (Info 612). STJ. 2ª Turma. RMS
52.251/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05/09/2017.
STF. 1ª Turma. ARE 1058317 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
01/12/2017.
CONSELHOS PROFISSIONAIS
Conselho de Contabilidade, no exercício de fiscalização, pode requisitar
dos contadores os livros e fichas contábeis de seus clientes
O ato do Conselho de Contabilidade que requisita dos contadores e dos
técnicos os livros e fichas contábeis de seus clientes, a fim de promover a
fiscalização da atividade contábil dos profissionais nele inscritos, não
importa em ofensa aos princípios da privacidade e do sigilo profissional.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.420.396-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
19/09/2017 (Info 612).
INFRAÇÃO DE TRÂNSITO
Qual infração de trânsito pratica o condutor que se recusa a fazer o teste
do "bafômetro" e/ou os exames clínicos?
A sanção do art. 277, § 3º, do CTB dispensa demonstração da embriaguez
por outros meios de prova, uma vez que a infração reprimida não é a de
embriaguez ao volante, prevista no art. 165, mas a de recusa em se
submeter aos procedimentos do caput do art. 277, de natureza
instrumental e formal, consumada com o comportamento contrário ao
comando legal. STJ. 2ª Turma. REsp 1.677.380-RS, Rel. Min. Herman
Benjamin, julgado em 10/10/2017 (Info 612). Obs: a conclusão acima
exposta foi acolhida pelo legislador que, por meio da Lei nº 13.281/2016,
acrescentou uma infração administrativa exclusivamente para o condutor
que se recusar a se submeter ao teste de etilômetro e/ou exames clínicos.
Logo, atualmente, tais situações se enquadram no novo art. 165-A ao CTB,
que tem a seguinte redação: Art. 165-A. Recusar-se a ser submetido a
teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar
influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida
pelo art. 277.
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR
É possível PAD contra servidor público federal que pratica ilegalidade
durante sua gestão em fundação privada de apoio à Universidade Federal
Atenção!
Concursos federais
É legal a instauração de procedimento disciplinar, julgamento e sanção,
nos moldes da Lei nº 8.112/90, em face de servidor público que pratica
atos ilícitos na gestão de fundação privada de apoio à instituição federal
de ensino superior. STJ. 1ª Seção. MS 21.669-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria,
julgado em 23/08/2017 (Info 613)
SERVIDÃO ADMINISTRATIVA
Compartilhamento de infraestrutura por concessionárias de serviços
públicos
O compartilhamento de infraestrutura de estação rádio base de telefonia
celular por prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse
coletivo caracteriza servidão administrativa, não ensejando direito à
indenização ao locador da área utilizada para instalação dos
equipamentos. O direito de uso previsto no art. 73 da Lei nº 9.472/97
constitui-se como servidão administrativa instituída pela lei em benefício
das prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse coletivo,
constituindo-se direito real, de natureza pública, a ser exercido sobre
bem de propriedade alheia, para fins de utilidade pública, instituído com
base em lei específica. Ex: João possui um terreno na beira da estrada. Ele
celebrou contrato de locação com a Embratel permitindo que a empresa
instalasse, em seu imóvel, uma torre e uma antena de telecomunicações.
Alguns meses depois, a Embratel permitiu que a TIM compartilhasse de
sua infraestrutura. João ajuizou ação de indenização alegando que o
contrato de locação proíbe que a locatária faça a sublocação do imóvel
para outra empresa. Ele não terá direito à indenização. STJ. 4ª Turma.
REsp 1.309.158-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/09/2017
(Info 614).
CADASTRO NACIONAL DE EMPRESAS INIDÔNEAS E SUSPENSAS
Mera divulgação do nome da empresa punida no CEIS da CGU não gera
dano
A divulgação do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas -
CEIS pela CGU tem mero caráter informativo, não sendo determinante
para que os entes federativos impeçam a participação, em licitações, das
empresas ali constantes. STJ. 1ª Seção. MS 21.750-DF, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, julgado em 25/10/2017 (Info 615)
PODER EXECUTIVO
Imunidade do art. 51, I, e art. 86 da CF/88 não se estende para
codenunciados que não sejam Presidente da República, Vice ou Ministro
de Estado
Importante!!!
A imunidade formal prevista no art. 51, I, e no art. 86, caput, da CF/88 não
se estende para os codenunciados que não se encontrem investidos nos
cargos de Presidente da República, Vice Presidente da República e
Ministro de Estado. A finalidade dessa imunidade é proteger o exercício
regular desses cargos, razão pela qual não é extensível a codenunciados
que não se encontrem ocupando tais funções. STF. Plenário. Inq 4483 AgR-
segundo/DF e Inq 4327 AgR-segundo/DF, rel. Min. Edson Fachin, julgados
em 14 e 19/12/2017 (Info 888).
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
Contratos de franquia dos Correios celebrados sem licitação
Apenas concursos federais!
Os contratos das Agências de Correios Franqueadas em vigor em 27 de
novembro de 2007 que não sejam precedidos de licitação possuem
eficácia até que as novas avenças sejam firmadas, ainda que descumprido
o prazo estabelecido pelo art. 7º, parágrafo único, da Lei nº 11.668/2008.
STJ. 1ª Turma. AREsp 613.239-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
em 07/11/2017 (Info 616)
PLANO DIRETOR
MPF não possui legitimidade para ajuizar ACP contra Município pedindo
que sejam realizadas audiências públicas antes do envio do projeto de Lei
do Plano Diretor
Importante!!!
O Ministério Público Federal é parte ilegítima para ajuizar ação civil
pública que visa à anulação da tramitação de Projeto de Lei do Plano
Diretor de município, ao argumento da falta de participação popular nos
respectivos trabalhos legislativos. No caso concreto, o MPF ajuizou ACP
contra o Município de Florianópolis e a União argumentando que o Poder
Executivo Municipal teria encaminhado à Câmara de Vereadores o projeto
de Lei do Plano Diretor da cidade sem a realização das necessárias
audiências públicas, o que violaria o Estatuto da Cidade. O STJ entendeu
que a legitimidade para essa demanda seria do Ministério Público
estadual (e não do MPF). STJ. 1ª Turma. REsp 1.687.821-SC, Rel. Min.
Sérgio Kukina, julgado em 07/11/2017 (Info 616).
CONCURSO PÚBLICO
A nomeação tardia de candidato aprovado em concurso não gera direito à
indenização, ainda que a demora tenha origem em erro reconhecido pela
própria Administração Pública
Importante!!!
O STF, em sede de repercussão geral, fixou a seguinte tese: Na hipótese
de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor
não faz jus à indenização, sob fundamento de que deveria ter sido
investido em momento anterior, salvo situação de arbitrariedade
flagrante. STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 26/2/2015 (repercussão
geral) (Info 775). Esse entendimento do STF aplica-se mesmo que o erro
tenha sido reconhecido administrativamente pelo Poder Público (e não
por decisão judicial). Assim, a nomeação tardia de candidatos aprovados
em concurso público não gera direito à indenização, ainda que a demora
tenha origem em erro reconhecido pela própria Administração Pública.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.238.344-MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em
30/11/2017 (Info 617).
O fato de a Administração Pública ter reconhecido o erro
administrativamente não muda a situação. Assim, deve-se aplicar o
entendimento do STF firmado no RE 724347/DF. Isso porque a ratio
decidendi constante do precedente do STF consagra a compreensão de
que o pagamento de remuneração e a percepção de demais vantagens
por servidor público pressupõe o efetivo exercício no cargo, sob pena de
enriquecimento sem causa. Ora, se mesmo quando a ilegalidade da
nomeação tardia é declarada por provimento jurisdicional o direito à
indenização é afastado pela jurisprudência (salvo situação de
arbitrariedade flagrante), não há razão para, reconhecido o erro pela
própria Administração, determinar-se o pagamento de valores retroativos.
Se fosse admitida essa “exceção” (pagar indenização em caso de erro
reconhecido administrativamente), isso acabaria desestimulando que a
Administração Pública exercesse o seu poder-dever de autotutela, ou seja,
desencorajaria que a Administração corrigisse seus próprios equívocos.
Haveria, então, um estímulo à judicialização, o que não atende ao
interesse público. Por fim, cumpre ressaltar que no caso de João havia
uma dúvida razoável sobre os critérios de cálculo da nota final, razão pela
qual não se pode dizer que ocorreu uma situação de arbitrariedade
flagrante, a ponto de se permitir a indenização.
REMOÇÃO
Inexistência de direito à remoção para acompanhamento de cônjuge que
foi removido a pedido (art. 36 da Lei 8.112/90)
Importante!!!
Pacificou!!!
Pedro e Soraia, casados entre si, são servidores públicos federais lotados
em Recife. É aberta uma vaga em Salvador para o cargo de Pedro. Este
concorre no concurso de remoção e consegue ser removido para a capital
baiana. Soraia terá direito de ser removida junto com Pedro, com fulcro
no art. 36, parágrafo único, III, “a”? O servidor que é transferido de
localidade a pedido, após concorrer em concurso de remoção, gera para
seu cônjuge o direito subjetivo de também ser transferido para
acompanhá-lo, independentemente do interesse da Administração? NÃO.
O servidor público federal somente tem direito à remoção prevista no
art. 36, parágrafo único, III, "a", da Lei nº 8.112/90, na hipótese em que
o cônjuge/companheiro, também servidor, tenha sido deslocado de
ofício, para atender ao interesse da Administração (nos moldes do inciso
I do mesmo dispositivo legal). STJ. 1ª Seção. EREsp 1.247.360-RJ, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 22/11/2017 (Info 617).
IBGE
Sigilo das informações coletadas pelo IBGE
O IBGE está legalmente impedido de fornecer a quem quer que seja as
informações individualizadas que coleta, no desempenho de suas
atribuições, para que sirvam de prova em quaisquer outros
procedimentos administrativos. STJ. 1ª Turma. REsp 1.353.602-RS, Rel.
Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 30/11/2017 (Info 617).
AGÊNCIAS REGULADORAS E FUNÇÃO NORMATIVA
É constitucional a previsão de que a ANVISA pode proibir produtos e
insumos em caso de violação da legislação ou de risco iminente à saúde,
inclusive cigarros com sabor e aroma
É constitucional o art. 7º, III e XV, da Lei nº 9.782/99, que preveem que
compete à ANVISA: III - estabelecer normas, propor, acompanhar e
executar as políticas, as diretrizes e as ações de vigilância sanitária; XV -
proibir a fabricação, a importação, o armazenamento, a distribuição e a
comercialização de produtos e insumos, em caso de violação da legislação
pertinente ou de risco iminente à saúde; Entendeu-se que tais normas
consagram o poder normativo desta agência reguladora, sendo
importante instrumento para a implementação das diretrizes, finalidades,
objetivos e princípios expressos na Constituição e na legislação setorial.
Além disso, o STF, após empate na votação, manteve a validade da
Resolução RDC 14/2012- ANVISA, que proíbe a comercialização no Brasil
de cigarros com sabor e aroma. Esta parte do dispositivo não possui
eficácia erga omnes e efeito vinculante. Significa dizer que,
provavelmente, as empresas continuarão ingressando com ações judiciais,
em 1ª instância, alegando que a Resolução é inconstitucional e pedindo a
liberação da comercialização dos cigarros com aroma. Os juízes e Tribunais
estarão livres para, se assim entenderem, declararem inconstitucional a
Resolução e autorizar a venda. Existem, inclusive, algumas decisões nesse
sentido e que continuam valendo. STF. Plenário. ADI 4874/DF, Rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 1º/2/2018 (Info 889).
SERVIDORES PÚBLICOS
Acordo de divisão da pensão por morte não altera a ordem legal de
beneficiários, mas autoriza desconto pela entidade de previdência
O acordo de partilha de pensão por morte, homologado judicialmente,
não altera a ordem legal do pensionamento, podendo, todavia, impor ao
órgão de previdência a obrigação de depositar parcela do benefício em
favor do acordante que não figura como beneficiário perante a autarquia
previdenciária. STJ. 2ª Turma. RMS 45.817-RJ, Rel. Min. Humberto
Martins, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, julgado em 26/09/2017 (Info 618).
CÓDIGO DE TRÂNSITO
Carros dos conselhos profissionais não podem ser registrados como
veículos oficiais
Os conselhos de fiscalização profissional não possuem autorização para
registrar os veículos de sua propriedade como oficiais. STJ. 1ª Turma.
AREsp 1.029.385-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 05/12/2017
(Info 619)
PODER DE POLÍCIA
Fiscalização prévia do camarão in natura
É obrigatória a prévia fiscalização do camarão in natura, ainda que na
condição de matéria prima, antes do beneficiamento em outros Estados
da Federação, podendo tal atividade ser realizada no próprio
estabelecimento rural onde se desenvolve a carcinicultura. STJ. 1ª Turma.
REsp 1.536.399-PI, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 08/02/2018 (Info
620).
Súmula 611-STJ: Desde que devidamente motivada e com amparo em
investigação ou sindicância, é possível a instauração de processo
administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do
poder-dever de autotutela imposto à Administração. STJ. 1ª Seção.
Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018.
Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do
município em cadastros restritivos fundada em irregularidades na gestão
anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências
cabíveis à reparação dos danos eventualmente cometidos. STJ. 1ª Seção.
Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018.
RESPONSABILIDADE CIVIL
Responsabilidade civil da concessionária que administra a rodovia por
furto ocorrido em seu pátio
A pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público possui
responsabilidade civil em razão de dano decorrente de crime de furto
praticado em suas dependências, nos termos do art. 37, § 6º, da CF/88.
Caso concreto: o caminhão de uma empresa transportadora foi parado na
balança de pesagem na Rodovia Anhanguera (SP), quando se constatou
excesso de peso. Os agentes da concessionária determinaram que o
condutor estacionasse o veículo no pátio da concessionária e, em seguida,
conduziram-no até o escritório para ser autuado. Aproximadamente 10
minutos depois, ao retornar da autuação para o caminhão, o condutor
observou que o veículo havia sido furtado. O STF condenou a Dersa –
Desenvolvimento Rodoviário S/A, empresa concessionária responsável
pela rodovia a indenizar a transportadora. O Supremo reconheceu a
responsabilidade civil da prestadora de serviço público, ao considerar que
houve omissão no dever de vigilância e falha na prestação e organização
do serviço. STF. 1ª Turma. RE 598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado
em 8/5/2018 (Info 901)
Com base no art. 37, § 6º, da CF/88, o Min. Marco Aurélio entendeu que
há responsabilidade civil objetiva do Estado, ou da empresa prestadora do
serviço público, em razão de dano decorrente de crime de furto praticado
em posto de pesagem, considerada a omissão no dever de vigilância e
falha na prestação e organização do serviço. Vamos relembrar o que diz o
art. 37, § 6º da CF/88: Art. 37 (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito
público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa.
responsabilidade objetiva da
Repare que o STF reconheceu a
concessionária pela omissão no dever de vigilância e falha na
prestação e organização do serviço.
O Min. Marco Aurélio considerou que o Estado, por ter maior quantidade
de poderes e prerrogativas, deve suportar o ônus das atividades
desenvolvidas. “Não há espaço para afastar responsabilidade
independentemente de culpa, mesmo sob a ótica da omissão, ante o
princípio da legalidade, presente a teoria do risco administrativo”. Ainda
segundo o Ministro Relator, o STF, no RE 841526, consolidou o
entendimento de que o art. 37, § 6º da CF/88 aplica-se também para as
omissões administrativas.
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Ação de improbidade administrativa: ministro de estado e foro
competente
Importante!!!
Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República,
encontram-se sujeitos a duplo regime sancionatório, de modo que se
submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de improbidade
administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por
crimes de responsabilidade. O foro especial por prerrogativa de função
previsto na Constituição Federal em relação às infrações penais comuns
não é extensível às ações de improbidade administrativa. STF. Plenário.
Pet 3240 AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, julgado em 10/5/2018 (Info 901).
DESAPROPRIAÇÃO
Análise da constitucionalidade da MP 2.183-56/2001, que alterou o DL
3.365/41
O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Veja o
que diz o art. 15-A, que foi incluído pela MP 2.183-56/2001: “Art. 15-A No
caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou
utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária,
havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem,
fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão juros
compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da diferença
eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo
de juros compostos. § 1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a
compensar a perda de renda comprovadamente sofrida pelo proprietário.
§ 2º Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir
graus de utilização da terra e de eficiência na exploração iguais a zero. § 3º
O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de
indenização por apossamento administrativo ou desapropriação indireta,
bem assim às ações que visem a indenização por restrições decorrentes de
atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção
ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença. § 4º Nas
ações referidas no § 3º, não será o Poder Público onerado por juros
compensatórios relativos a período anterior à aquisição da propriedade
ou posse titulada pelo autor da ação.”
O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL 3.365/41 e chegou
às seguintes conclusões: 1) em relação ao “caput” do art. 15-A do DL
3.365/41: 1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros
compensatórios no patamar fixo de 6% ao ano para remuneração do
proprietário pela imissão provisória do ente público na posse de seu bem;
1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”; 1.c) deu
interpretação conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de
maneira a incidir juros compensatórios sobre a diferença entre 80% do
preço ofertado em juízo pelo ente público e o valor do bem fixado na
sentença; 2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que
condiciona o pagamento dos juros compensatórios à comprovação da
“perda da renda comprovadamente sofrida pelo proprietário”; 3) declarou
a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A, afastando o pagamento de
juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra
e de eficiência iguais a zero; 4) declarou a constitucionalidade do § 3º do
art. 15-A, estendendo as regras e restrições de pagamento dos juros
compensatórios à desapropriação indireta. 5) declarou a
inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A; 6) declarou a
constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo (0,5%) e
máximo (5%) para a concessão de honorários advocatícios e a
inconstitucionalidade da expressão “não podendo os honorários
ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” prevista no
§ 1º do art. 27. STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 17/5/2018 (Info 902).
O STF julgou o mérito da ADI 2332/DF e resolveu alterar a decisão liminar
que havia tomado em 2001. Agora, em 2018, o STF, ao julgar em definitivo
a ADI 2332/DF, decidiu que é constitucional o percentual fixo de 6%
previsto no art. 15-A do DL 3.365/41. Veja a redação do dispositivo: Art.
15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por
necessidade ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de
reforma agrária, havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o
valor do bem, fixado na sentença, expressos em termos reais, incidirão
juros compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da
diferença eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o
cálculo de juros compostos. (Incluído pela MP 2.183-56, de 2001) Assim, o
Plenário do STF reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros
compensatórios de 6% ao ano para remuneração do proprietário pela
imissão provisória do ente público na posse de seu bem. Com essa decisão
estão superadas as Súmulas 618 do STF e 408 do STJ Súmula 618-STF: Na
desapropriação, direta ou indireta, a taxa dos juros compensatórios é de
12% (doze por cento) ao ano. Súmula 408-STJ: Nas ações de
desapropriação, os juros compensatórios incidentes após a Medida
Provisória 1.577 de 11/06/1997 devem ser fixados em 6% ao ano até
13/09/2001 e a partir de então, em 12% ao ano, na forma da Súmula 618
do Supremo Tribunal Federal.

PODER DE POLÍCIA
Competência do DNIT para fiscalizar trânsito nas rodovias e estradas
federais
Apenas concursos federais!
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes - DNIT detém
competência para a fiscalização do trânsito nas rodovias e estradas
federais, podendo aplicar, em caráter não exclusivo, penalidade por
infração ao Código de Trânsito Brasileiro, consoante se extrai da
conjugada exegese dos arts. 82, § 3º, da Lei nº 10.233/2001 e 21 da Lei nº
9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro). STJ. 1ª Seção. REsp 1.588.969-
RS, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 28/02/2018 (recurso
repetitivo) (Info 623).
LICITAÇÃO
Flexibilização da Lei 8.666/93 no “Minha Casa, Minha Vida”
Importante!!!
As regras gerais previstas na Lei nº 8.666/93 podem ser flexibilizadas no
Programa Minha Casa Minha Vida, por força do art. 4º, parágrafo único,
da Lei nº 10.188/2001, desde que se observem os princípios gerais da
administração pública. STJ. 2ª Turma. REsp 1.687.381-DF, Rel. Min.
Francisco Falcão, julgado em 17/04/2018 (Info 624).
SERVIDORES PÚBLICOS
Termo inicial do adicional de insalubridade
Atenção! Concursos federais
O termo inicial do adicional de insalubridade a que faz jus o servidor
público é a data do laudo pericial. STJ. 1ª Seção. PUIL 413-RS, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 11/04/2018 (Info 624).
ACUMULAÇÃO DE CARGOS
Auditor Fiscal do Trabalho não pode acumular seu cargo com outro da
área de saúde
O Auditor Fiscal do Trabalho, com especialidade em medicina do trabalho,
não pode cumular o exercício do seu cargo com outro da área de saúde.
STJ. 1ª Turma. REsp 1.460.331-CE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2018 (Info 625).
FGTS
Aplica-se a TR para contas vinculadas ao FGTS
Importante!!!
A remuneração das contas vinculadas ao FGTS tem disciplina própria,
ditada por lei, que estabelece a TR como forma de atualização monetária,
sendo vedado, portanto, ao Poder Judiciário substituir o mencionado
índice. STJ. 1ª Seção. REsp 1.614.874-SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
julgado em 11/04/2018 (recurso repetitivo) (Info 625).
ROYALTIES
Pontos de entrega de gás canalizado e pagamento de royalties
A Lei nº 12.734/2012, que alterou os arts. 48, § 3º, e 49, § 7º, da Lei nº
9.478/1997 e passou a considerar os pontos de entrega de gás canalizado
(city gates) como instalações de embarque e desembarque, para fins de
pagamento de royalties aos municípios afetados por tais operações, não
tem eficácia retroativa. STJ. 1ª Turma. REsp 1.452.798-RJ, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Gurgel de Faria, julgado em
19/04/2018 (Info 625).
DESAPROPRIAÇÃO
Não cabimento de restituição pelo expropriado dos honorários periciais
Nas ações de desapropriação por interesse social para fins de reforma
agrária descabe a restituição, pelo expropriado sucumbente, de
honorários periciais aos assistentes técnicos do INCRA e do MPF. STJ. 1ª
Turma. REsp 1.306.051-MA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado
em 08/05/2018 (Info 626).
GREVE
Constitucionalidade de Decreto estadual que regulamenta as providências
a serem adotadas em caso de greve
O Governador da Bahia editou um decreto prevendo que, em caso de
greve, deverão ser adotas as seguintes providências:
a) convocação dos grevistas a reassumirem seus cargos;
b) instauração de processo administrativo disciplinar;
c) desconto em folha de pagamento dos dias de greve;
d) contratação temporária de servidores;
e) exoneração dos ocupantes de cargo de provimento temporário e de
função gratificada que participarem da greve.
O STF decidiu que este Decreto é constitucional. Trata-se de decreto
autônomo que disciplina as consequências — estritamente
administrativas — do ato de greve dos servidores públicos e as
providências a serem adotadas pelos agentes públicos no sentido de dar
continuidade aos serviços públicos. A norma impugnada apenas prevê a
instauração de processo administrativo para se apurar a participação do
servidor na greve e as condições em que ela se deu, bem como o não
pagamento dos dias de paralisação, o que está em consonância com a
orientação fixada pelo STF no julgamento do MI 708. É possível a
contratação temporária excepcional (art. 37, IX, da CF/88) prevista no
decreto porque o Poder Público tem o dever constitucional de prestar
serviços essenciais que não podem ser interrompidos, e que a
contratação, no caso, é limitada ao período de duração da greve e apenas
para garantir a continuidade dos serviços. STF. Plenário. ADI 1306/BA, Rel.
Min. Cármen Lúcia, julgado em 13/6/2017 (Info 906).

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Imprescritibilidade do ressarcimento nas ações de improbidade
administrativa
Importante!!!
São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na
prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa. STF.
Plenário. RE 852475/SP, Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para
acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 08/08/2018 (repercussão geral)
(Info 910).
A prescrição tem como fundamentos a pacificação social e a segurança
jurídica. Se não existisse prazo para o titular do direito exercer a sua
pretensão, todas as relações jurídicas seriam sempre marcadas pela
incerteza e instabilidade, considerando que um fato ocorrido há anos ou
mesmo décadas poderia ser questionado. A prescrição está presente nos
diversos ramos do Direito, inclusive no Direito Administrativo.
Os atos de improbidade administrativa, assim como ocorre com as
infrações penais, também estão sujeitos a prazos prescricionais. Logo,
caso os legitimados ativos demorem muito tempo para ajuizar a ação de
improbidade administrativa contra o responsável pelo ato ímprobo,
haverá a prescrição e a consequente perda da pretensão punitiva.
Desse modo, podemos fazer a seguinte distinção:
Ação de reparação de danos à Fazenda Pública decorrentes de ilícito civil é
PRESCRITÍVEL (STF RE 669069/MG).
Ação de ressarcimento decorrente de ato de improbidade administrativa
praticado com CULPA é PRESCRITÍVEL (devem ser propostas no prazo do
art. 23 da LIA).
Ação de ressarcimento decorrente de ato de improbidade administrativa
praticado com DOLO é IMPRESCRITÍVEL (§ 5º do art. 37 da CF/88).
EMPRESAS PÚBLICAS
É possível aplicar o regime de precatórios às empresas públicas? Não se
submetem ao regime de precatório as empresas públicas dotadas de
personalidade jurídica de direito privado com patrimônio próprio e
autonomia administrativa que exerçam atividade econômica sem
monopólio e com finalidade de lucro. STF. 1ª Turma. RE 892727/DF, rel.
orig. Min. Alexandre de Morais, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em
7/8/2018 (Info 910).

CONCURSO PÚBLICO / SERVIDORES PÚBLICOS


Não se pode cassar a aposentadoria do servidor que ingressou no serviço
público por força de provimento judicial precário e se aposentou durante
o processo, antes da decisão ser reformada
Em regra, não produzem fato consumado a posse e o exercício em cargo
público decorrentes de decisão judicial tomada à base de cognição não-
exauriente. Em outras palavras, não se aplica a teoria do fato consumado
para candidatos que assumiram o cargo público por força de decisão
judicial provisória posteriormente revista. Trata-se do entendimento
firmado no RE 608482/RN (Tema 476). A situação é diferente, contudo, se
a pessoa, após permanecer vários anos no cargo, conseguiu a concessão
de aposentadoria. Neste caso, em razão do elevado grau de estabilidade
da situação jurídica, o princípio da proteção da confiança legítima incide
com maior intensidade. Trata-se de uma excepcionalidade que autoriza a
distinção (distinguish) quanto ao leading case do RE 608482/RN (Tema
476). STF. 1ª Turma. RE 740029 AgR/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 14/8/2018 (Info 911).
Quando o exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias
e o servidor se aposentou, antes do julgamento final do mandado de
segurança, por tempo de contribuição durante esse exercício e após
legítima contribuição ao sistema, a denegação posterior da segurança que
inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não pode
ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS 20.558-DF, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (Info 600).
ACORDO DE LENIÊNCIA E COMPARTILHAMENTO DE PROVAS
É possível o compartilhamento das provas obtidas no acordo de leniência,
desde que sejam respeitados os limites estabelecidos no acordo em
relação aos aderentes
É possível o compartilhamento, para outros órgãos e autoridades
públicas, das provas obtidas no acordo de leniência, desde que sejam
respeitados os limites estabelecidos no acordo em relação aos aderentes.
Assim, por exemplo, se uma empresa celebra acordo de leniência com o
MPF aceitando fornecer provas contra si, estas provas somente poderão
ser utilizadas para as sanções que foram ajustadas no acordo. No entanto,
nada impede que tais provas sejam fornecidas (compartilhadas) para os
órgãos de apuração para que sejam propostas medidas contra as outras
pessoas envolvidas nos ilícitos e que não fizeram parte do acordo. STF. 2ª
Turma. Inq 4420/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/8/2018 (Info
913)
CONCURSO PÚBLICO
Surgimento de novas vagas + necessidade do provimento + inexistência de
restrição orçamentária = direito subjetivo à nomeação
O candidato aprovado em concurso público fora do número de vagas tem
direito subjetivo à nomeação caso surjam novas vagas durante o prazo de
validade do certame, haja manifestação inequívoca da administração
sobre a necessidade de seu provimento e não tenha restrição
orçamentária. STJ. 1ª Seção. MS 22.813-DF, Rel. Min. Og Fernandes,
julgado em 13/06/2018 (Info 630).
SERVIDORES PÚBLICOS
São imprescritíveis as ações de reintegração em cargo público quando o
afastamento se deu em razão de perseguição política praticada na época
da ditadura militar
Importante!!!
São imprescritíveis as ações de reintegração em cargo público quando o
afastamento se deu em razão de atos de exceção praticados durante o
regime militar. Ex: João era servidor da ALE/PR. Em 1963, João foi
demitido em razão de perseguição política perpetrada na época da
ditadura militar. Em 2011, João ajuizou ação ordinária contra o Estado do
Paraná pedindo a sua reintegração ao cargo. Esta pretensão é considerada
imprescritível considerando que envolve a efetivação da dignidade da
pessoa humana. Vale ressaltar, contudo, que a imprescritibilidade da ação
que visa reparar danos provocados pelos atos de exceção não implica no
afastamento da prescrição quinquenal sobre as parcelas eventualmente
devidas ao autor. Não se deve confundir imprescritibilidade da ação de
reintegração com imprescritibilidade dos efeitos patrimoniais e funcionais
dela decorrentes, sob pena de prestigiar a inércia do Autor, o qual poderia
ter buscado seu direito desde a publicação da Constituição da República.
Em outras palavras, o recebimento dos “atrasados” ficará restrito aos
últimos 5 anos contados do pedido. STJ. 1ª Turma. REsp 1.565.166-PR, Rel.
Min. Regina Helena Costa, julgado em 26/06/2018 (Info 630).
NEPOTISMO
A nomeação da esposa do prefeito como Secretária Municipal não
configura, por si só, nepotismo e ato de improbidade administrativa
Importante!!!
A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal,
por se tratar de cargo público de natureza política, por si só, não
caracteriza ato de improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339
AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 4/9/2018 (Info 914). Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para
cargos públicos de natureza política, como, por exemplo, Secretário
Municipal. Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a
regra sumulada e garantido a permanência de parentes de autoridades
públicas em cargos políticos, sob o fundamento de que tal prática não
configura nepotismo. Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo
mesmo em se tratando de cargo político caso fique demonstrada a
inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de
qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma.
Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/05/2018.
SERVIDORES PÚBLICOS
Servidor que fazia faculdade particular e é removido, de ofício, para outra
cidade tem direito a matrícula em universidade pública, se não existir
instituição privada congênere no destino
Importante!!!
É constitucional a previsão legal que assegure, na hipótese de
transferência ex officio de servidor, a matrícula em instituição pública, se
inexistir instituição congênere à de origem. Ex: Paulo é servidor público
federal, lotado em Recife (PE), onde faz faculdade de Medicina em uma
universidade particular. Ele é transferido, de ofício, para Rio Branco (AC).
Suponhamos, hipoteticamente, que, em Rio Branco, as universidades
privadas lá existentes não possuem o curso de medicina. Neste caso,
Paulo teria direito a uma vaga no curso de Medicina da universidade
pública. Fundamento legal: art. 1º da Lei nº 9.536/97. STF. Plenário. RE
601580/RS, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2018 (repercussão
geral) (Info 916).
• REGRA: em caso de transferência ex officio de servidor público (civil ou
militar), o servidor (ou seu dependente) terá direito de se matricular em
instituição congênere àquela que estava estudando na origem. Ex: se fazia
o curso em uma universidade pública, terá direito de se matricular em
uma instituição pública na cidade para a qual foi transferido. É o chamado
requisito da congeneridade.
• EXCEÇÃO: se no local da nova residência ou em suas imediações não
houver o curso em uma instituição congênere, deverá ser assegurada a
matrícula em instituição não congênere. Ex: o servidor fazia o curso de
Medicina em uma universidade privada e no local de destino não existe
faculdade particular que ofereça o curso de Medicina. Neste caso, como
inexiste instituição congênere à de origem, a lei assegura a matrícula em
instituição pública. O STF afirma que essa interpretação da lei é
compatível com a CF/88.
ANISTIADO POLÍTICO
Pagamento dos valores retroativos a anistiados políticos
1 - Reconhecido o direito à anistia política, a falta de cumprimento de
requisição ou determinação de providências por parte da União, por
intermédio do órgão competente, no prazo previsto nos artigos 12,
parágrafo 4º, e 18, caput, parágrafo único, da Lei 10.559 de 2002,
caracteriza ilegalidade e violação de direito líquido e certo. 2 - Havendo
rubricas no orçamento destinadas ao pagamento das indenizações devidas
aos anistiados políticos, e não demonstrada a ausência de disponibilidade
de caixa, a União há de promover o pagamento do valor ao anistiado no
prazo de 60 dias. 3 - Na ausência ou na insuficiência de disponibilidade
orçamentária no exercício em curso, cumpre à União promover sua
previsão no projeto de lei orçamentária imediatamente seguinte. STF.
Plenário. RE 553710/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2016
(repercussão geral) (Info 847). STF. 1ª Turma. RMS 28201/DF, Rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 25/9/2018 (Info 917).
EMPRESAS PÚBLICAS
Os Correios têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão
de seus empregados
Importante!!!
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) tem o dever jurídico
de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados. STF. Plenário.
RE 589998 ED/PI, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/10/2018
(repercussão geral) (Info 919).
REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
A contribuição previdenciária paga pelo servidor não deve incidir sobre
parcelas que não são incorporadas à sua aposentadoria
Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos
proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de férias,
serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade.
STF. Plenário. RE 593068/SC, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em
11/10/2018 (repercussão geral) (Info 919).
O § 3º do art. 40 determina a incidência de contribuição previdenciária
apenas sobre parcelas de remuneração que influenciarão no cálculo dos
proventos
O STF entendeu que, analisando o § 3º do art. 40 da CF/88, conclui-se que,
de fato, somente podem figurar como base de cálculo da contribuição
previdenciária os ganhos habituais com repercussão nos benefícios
previdenciários, excluindo, assim, as verbas que não se incorporam à
aposentadoria: Art. 40 (...) § 3º Para o cálculo dos proventos de
aposentadoria, por ocasião da sua concessão, serão consideradas as
remunerações utilizadas como base para as contribuições do servidor aos
regimes de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na forma da
lei. (Redação dada pela EC 41/2003)
Este § 3º do art. 40 previu a vinculação expressa entre os proventos de
aposentadoria e a remuneração recebida pelo servidor, de modo que as
parcelas sem reflexo nos proventos estão livres da incidência da
contribuição previdenciária. Não se aplica o § 11 do art. 201 ao regime
próprio
Como vimos acima, a União argumentou que o § 11 do art. 201 da CF/88
determina que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título,
sofrerão a incidência de contribuição previdenciária. Logo, não houve uma
limitação apenas para as verbas recebidas pelo servidor e que irão ter
impacto em sua aposentadoria. Veja a redação do dispositivo: Art. 201 (...)
§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão
incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e
consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.
(Incluído dada pela EC 20/98) O STF refutou, contudo, essa alegação e
disse o seguinte: as regras do art. 201 da CF/88 aplicam-se para o regime
geral de previdência social.
Aqui nós estamos tratando sobre o regime próprio (servidores públicos). O
regime próprio é disciplinado pelas regras do art. 40 e, somente de forma
subsidiária é que podemos aplicar o art. 201 para o regime previdenciário
dos servidores públicos. Nesse sentido é o comando do § 12 do art. 40:
PRECATÓRIOS
É possível aplicar o regime de precatórios às sociedades de economia
mista?
Importante!!!
É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista
prestadoras de serviço público próprio do Estado e de natureza não
concorrencial. STF. Plenário. ADPF 387/PI, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 23/3/2017 (Info 858). É inconstitucional determinação judicial
que decreta a constrição de bens de sociedade de economia mista
prestadora de serviços públicos em regime não concorrencial, para fins de
pagamento de débitos trabalhistas. Sociedade de economia mista
prestadora de serviço público não concorrencial está sujeita ao regime de
precatórios (art. 100 da CF/88) e, por isso, impossibilitada de sofrer
constrição judicial de seus bens, rendas e serviços, em respeito ao
princípio da legalidade orçamentária (art. 167, VI, da CF/88) e da
separação funcional dos poderes (art. 2º c/c art. 60, § 4º, III). STF.
Plenário. ADPF 275/PB, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
17/10/2018 (Info 920).
LICITAÇÃO
Empresa em recuperação judicial pode participar de licitação, desde que
demonstre a sua viabilidade econômica
Importante!!!
Sociedade empresária em recuperação judicial pode participar de
licitação, desde que demonstre, na fase de habilitação, a sua viabilidade
econômica. STJ. 1ª Turma. AREsp 309.867-ES, Rel. Min. Gurgel de Faria,
julgado em 26/06/2018 (Info 631)
ACUMULAÇÃO DE CARGOS
Possibilidade de acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal
ultrapasse 60h
Tema polêmico!
A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde,
prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se sujeita ao limite de 60 horas
semanais previsto em norma infraconstitucional, pois inexiste tal requisito
na Constituição Federal. O único requisito estabelecido para a acumulação
é a compatibilidade de horários no exercício das funções, cujo
cumprimento deverá ser aferido pela administração pública. STF. 1ª
Turma. RE 1.094.802 AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
11/5/2018. STF. 2ª Turma. RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 29/06/2018. STJ. 2ª Turma. REsp 1.746.784-PE,
Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 23/08/2018 (Info 632).
TEMAS DIVERSOS
Concessionária de energia elétrica não pode cobrar a multa do art. 4º,
parágrafo único do DL 2.432/88 dos órgãos públicos usuários do serviço
A concessionária de fornecimento de energia elétrica não pode exigir de
órgão público, usuário do serviço, multa por inadimplemento no
pagamento de fatura, fundamentada no parágrafo único do art. 4º do
Decreto-Lei nº 2.432/88. A multa prevista no parágrafo único do art. 4º do
DL 2.432/88 refere-se aos contratos de compra e venda de energia
elétrica entre concessionárias de serviço público de energia elétrica, não
sendo aplicada para as relações entre a concessionária e os usuários do
seu serviço, ou seja, não é uma multa a ser cobrada dos clientes (usuários
finais). STJ. 1ª Turma. REsp 1.396.808-AM, Rel. Min. Gurgel de Faria,
julgado em 14/08/2018 (Info 632)
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
União não tem o dever de indenizar indústrias nacionais prejudicadas com
a redução das alíquotas do imposto de importação
Importante!!!
O Ministério da Fazenda editou a Portaria nº 492/1994, reduzindo de 30%
para 20% a alíquota do imposto de importação dos brinquedos em geral.
Com a redução da alíquota, houve a entrada de um enorme volume de
brinquedos importados no Brasil, oriundos especialmente da China, sendo
estes bem mais baratos que os nacionais. Como resultado, várias
indústrias de brinquedos no Brasil foram à falência e, mesmo as que
permaneceram, sofreram grandes prejuízos. Uma famosa indústria de
brinquedos ingressou com ação contra a União afirmando que a Portaria,
apesar de ser um ato lícito, gerou prejuízos e que, portanto, o Poder
Público deveria ser condenado a indenizá-la.
O STJ não concordou com o pedido. Não se verifica o dever do Estado de
indenizar eventuais prejuízos financeiros do setor privado decorrentes da
alteração de política econômico-tributária no caso de o ente público não
ter se comprometido, formal e previamente, por meio de determinado
planejamento específico.
A referida Portaria tinha finalidade extrafiscal e a possibilidade de
alteração das alíquotas do imposto de importação decorre do próprio
ordenamento jurídico, não havendo que se falar em quebra do princípio
da confiança. O impacto econômico-financeiro sobre a produção e a
comercialização de mercadorias pelas sociedades empresárias causado
pela alteração da alíquota de tributos decorre do risco da atividade
próprio da álea econômica de cada ramo produtivo.
Não havia direito subjetivo da indústria quanto à manutenção da alíquota
do imposto de importação. STJ. 1ª Turma. REsp 1.492.832-DF, Rel. Min.
Gurgel de Faria, julgado em 04/09/2018 (Info 634).
DIREITO EDUCACIONAL
Aluno que conclui as matérias do ensino médio em escola técnica tem
direito ao certificado de conclusão do ensino médio, ainda que opte por
não fazer o estágio profissionalizante
A emissão do certificado de conclusão do ensino médio, realizado de
forma integrada com o técnico, ao estudante aprovado nas disciplinas
regulares independe do estágio profissionalizante. Caso concreto: João fez
o ensino médio em instituto federal de educação. Ocorre que optou por
não concluir o estágio profissionalizante. A única consequência negativa
para ele vai ser não ter direito ao certificado técnico-profissional. No
entanto, não há nada que o impeça de ter direito ao certificado de
conclusão do ensino médio, considerando que efetivamente estudou e foi
aprovado nas respectivas matérias. STJ. 1ª Turma. REsp 1.681.607-PE, Rel.
Min. Regina Helena Costa, julgado em 20/09/2018 (Info 634).
SERVIDORES PÚBLICOS
O aumento de 45% concedido aos militares pela Lei nº 8.237/91 não foi
uma revisão geral da remuneração, não podendo ser estendida para os
servidores públicos civis
Não é possível a extensão a servidores públicos civis da majoração de
vencimentos, no percentual de 45%, concedida a servidores militares, a
título de reestruturação de cargos, com base na Lei nº 8.237/91 e no
princípio da isonomia dos índices revisionais disciplinados na redação
original do art. 37, X, da Constituição Federal. O reajuste de vencimentos
concedido aos integrantes das Forças Armadas, à base de 45%, pela Lei nº
8.237/91, não configurou um aumento geral na remuneração dos
servidores militares que autorizasse, com fundamento no art. 37, X, da
CF/88, a extensão aos servidores civis. STF. 2ª Turma. RE 229637/ SP, rel.
Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em
6/11/2018 (Info 922).
SERVIDORES PÚBLICOS
Não devolução dos valores recebidos de boa-fé por servidor público por
força de decisão liminar revogada
Não deve ser determinada a devolução de valores recebidos de boa-fé
por servidor público, percebidos a título precário no período em que
liminar produziu efeitos. É desnecessária a devolução dos valores
recebidos por liminar revogada, em razão de mudança de jurisprudência.
Também é descabida a restituição de valores recebidos indevidamente,
circunstâncias em que o servidor público atuou de boa-fé. STF. 1ª Turma.
MS 32.185/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13/11/2018 (Info
923).
SERVIDORES PÚBLICOS
Os substitutos interinos dos cartórios extrajudiciais devem receber
limitado ao teto do funcionalismo público (art. 37, XI, da CF/88)
Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de
serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS 29.039/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923).
CONCURSO PÚBLICO
A candidata que esteja gestante no dia do teste físico possui o direito de
fazer a prova em uma nova data no futuro
Importante!!!
Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos testes físicos em
concursos públicos? REGRA: NÃO.
Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda
chamada nos testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais,
ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver
previsão no edital permitindo essa possibilidade. STF. Plenário. RE
630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2013 (repercussão
geral) (Info 706).
EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem.
É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que
esteja grávida à época de sua realização, independentemente da previsão
expressa em edital do concurso público. STF. Plenário. RE 1058333/PR,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info 924).
• A CF/88 protege a maternidade, a família e o planejamento familiar, de
forma que a condição de gestante goza de proteção constitucional
reforçada.
• Em razão deste amparo constitucional específico, a gravidez não pode
causar prejuízo às candidatas, sob pena de malferir os princípios da
isonomia e da razoabilidade.
• O interesse de que a grávida tenha uma boa gestação e que o bebê
nasça com saúde ultrapassa os limites individuais da genitora,
interessando a outros indivíduos e à própria coletividade.
• Não seria proporcional nem razoável exigir que a candidata colocasse a
vida de seu bebê em risco, de forma irresponsável, ao se submeter a teste
físico mediante a prática de esforço incompatível com a fase gestacional.
• O direito ao planejamento familiar é livre decisão do casal. A liberdade
decisória tutelada pelo planejamento familiar vincula-se estreitamente à
privacidade e à intimidade do projeto de vida individual e parental dos
envolvidos. Tendo em vista a prolongada duração dos concursos públicos
e sua tendente escassez, muitas vezes inexiste planejamento familiar
capaz de conciliar os interesses em jogo. Por tais razões, as escolhas
tomadas muitas vezes impõem às mulheres o sacrifício de sua carreira,
traduzindo-se em direta perpetuação da desigualdade de gênero.
• As mulheres têm dificuldade em se inserir no mercado de trabalho e
enfrente obstáculos para alcançar postos profissionais de maior prestígio
e remuneração. Por consequência, acirra-se a desigualdade econômica,
que por si só é motivo de exclusão social.
• O direito de concorrer em condições de igualdade ao ingresso no serviço
público, além de previsto em todas as Constituições brasileiras, foi
reconhecido pelo Pacto de São José da Costa Rica e pela Declaração
Universal dos Direitos Humanos.
• O não reconhecimento desse direito da mulher compromete a
autoestima social e a estigmatiza.
• O STF entendeu que a situação da candidata grávida merece tratamento
diferente do caso de candidatos doentes ou que não compareceram ao
teste por motivo de força maior. Assim, justifica-se fazer um distinguishing
em relação ao que foi decidido no RE 630733/DF.
• Enquanto a saúde pessoal do candidato em concurso público configura
motivo exclusivamente individual e particular, a maternidade e a família
constituem direitos fundamentais do homem social e do homem solidário.
Por ter o Poder Constituinte estabelecido expressamente a proteção à
maternidade, à família e ao planejamento familiar, a condição de gestante
goza de proteção constitucional reforçada.
ANISTIA POLÍTICA
Súmula 624-STJ: É possível cumular a indenização do dano moral com a
reparação econômica da Lei nº 10.559/2002 (Lei da Anistia Política). STJ.
1ª Seção. Aprovada em 12/12/2018, DJe 17/12/2018.
REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL
Inconstitucionalidade das sanções decorrentes da negativa de expedição
de CRP
Ao editar o art. 7º da Lei nº 9.717/98 e o Decreto nº 3.788/2001, a União
extravasou a competência legislativa para a edição de normas gerais sobre
previdência social. A União extrapolou os limites de sua competência
legislativa na edição da Lei nº 9.717/98, ao impor sanções decorrentes da
negativa de expedição de Certificado de Regularidade Previdenciária
(CRP). STF. 1ª Turma. ACO 3134 TP-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso,
red. p/ ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/12/2018 (Info 928).
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO
Concessionária de rodovia não responde civilmente por roubo e
sequestro
Importante!!!
Concessionária de rodovia não responde por roubo e sequestro ocorridos
nas dependências de estabelecimento por ela mantido para a utilização de
usuários. A segurança que a concessionária deve fornecer aos usuários diz
respeito ao bom estado de conservação e sinalização da rodovia. Não tem,
contudo, como a concessionária garantir segurança privada ao longo da
estrada, mesmo que seja em postos de pedágio ou de atendimento ao
usuário. O roubo com emprego de arma de fogo é considerado um fato de
terceiro equiparável a força maior, que exclui o dever de indenizar. Trata-
se de fato inevitável e irresistível e, assim, gera uma impossibilidade
absoluta de não ocorrência do dano. STJ. 3ª Turma. REsp 1.749.941-PR,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 04/12/2018 (Info 640). Cuidado. O
STF já reconheceu a responsabilidade civil da concessionária que
administra a rodovia por FURTO ocorrido em seu pátio: STF. 1ª Turma. RE
598356/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 8/5/2018 (Info 901).
SERVIDORES PÚBLICOS
A Indenização por Trabalho em Localidade Estratégica somente podia ser
paga após a regulamentação da Lei nº 12.855/2013 pelo Poder Executivo
A Lei nº 12.855/2013, que instituiu a Indenização por Trabalho em
Localidade Estratégica, é norma de eficácia condicionada à prévia
regulamentação, para definição das localidades consideradas estratégicas,
para fins de pagamento da referida vantagem. STJ. 1ª Seção. REsp
1.617.086-PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 28/11/2018
(recurso repetitivo) (Info 641).
CONCURSO PÚBLICO
É inconstitucional dispositivo legal que preveja a possibilidade de o
indivíduo aprovado no concurso tomar posse e entrar em exercício, de
imediato, na classe final da carreira
É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado
no concurso público ingressar imediatamente no último padrão da classe
mais elevada da carreira. Essa disposição afronta os princípios da
igualdade e da impessoalidade, os quais regem o concurso público. Por
essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei
nº 8.691/93. STF. Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado
em 28/2/2019 (Info 932).
SERVIDORES PÚBLICOS
Teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio de
Desembargador de TJ
Importante!!!
A expressão "Procuradores", contida na parte final do inciso XI do art. 37
da Constituição da República, compreende os procuradores municipais,
uma vez que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça, estando,
portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco
centésimos por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do
STF. STF. Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
28/2/2019 (Info 932).
FUNDEF
É vedada a retenção de honorários advocatícios contratuais sobre crédito
relativo a diferenças do FUNDEF
Mudança de entendimento!
Atualize o Info 585-STJ
Importante!!!
É vedada a retenção de honorários advocatícios contratuais sobre crédito
relativo a diferenças do FUNDEF. Os valores relacionados ao FUNDEF, hoje
FUNDEB, encontram-se constitucional e legalmente vinculados ao custeio
da educação básica e à valorização do seu magistério, sendo vedada a sua
utilização em despesa diversa, tais como honorários advocatícios
contratuais. Ex: determinado Município do interior do Estado ingressou
com ação contra a União com o objetivo de conseguir o repasse integral
de verbas do FUNDEF. Como o Município não possuía procuradores
municipais concursados, foi contratado um escritório de advocacia
privado para patrocinar a causa. No contrato assinado com os advogados
ficou combinado que, se o Município vencesse a demanda, pagaria 20% do
valor da causa ao escritório. O pedido foi julgado procedente e transitou
em julgado. O Município requereu, então, que 20% do valor da
condenação (verbas do FUNDEF a serem pagas pela União) fosse separado
para pagamento dos honorários contratuais dos advogados que atuaram
na causa, nos termos do art. 22, § 4º da Lei nº 8.906/94. Esse pedido não
deve ser acolhido. Não é possível a aplicação do art. 22, § 4º, da Lei nº
8.906/1994 nas execuções contra a União em que se persigam quantias
devidas ao FUNDEF/FUNDEB, devendo o advogado credor buscar a
satisfação de seu crédito por outros meios. STJ. 1ª Seção. REsp 1.703.697-
PE, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10/10/2018 (Info 643).
ATO ADMINISTRATIVO
MP que confere status de Ministro de Estado ao chefe da Secretaria-Geral
da Presidência da República não é inconstitucional por desvio de
finalidade
Não é inconstitucional medida provisória que, ao tratar sobre os órgãos
vinculados à Presidência da República, confere status de Ministro de
Estado ao chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, ainda
que seu titular a ser nomeado, venha a ter foro por prerrogativa de função
no STF. Não há desvio de finalidade na edição deste ato.
A norma, ao estabelecer a organização básica dos Ministérios e demais
órgãos ligados à Presidência da República, é matéria que está no âmbito
decisório do chefe do Poder Executivo da União. Não se sustenta, do
ponto de vista jurídico, o argumento de que a criação da Secretaria-Geral
com status de Ministério de Estado implicaria burla aos postulados
constitucionais de moralidade e probidade na Administração, porque a
criação ou extinção de ministérios e órgãos da Presidência também está
no campo de decisão do chefe do Poder Executivo. A nomeação de
determinada pessoa para o cargo de Ministro de Estado é um ato
subsequente e que, em princípio, está na alçada político-administrativa do
Presidente da República (art. 84), desde que presentes os requisitos do
art. 87 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5717/DF, ADI 5709/DF, ADI 5716/DF e
ADI 5727/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 27/3/2019 (Info 935).
SERVIDORES PÚBLICOS
Ainda que a hora-aula do professor não seja de 60 minutos, mas sim de 50
ou 45 minutos, esses 10 ou 15 minutos que sobram como intervalo são
considerados como atividades de interação com os educandos (e não
como atividades extraclasse)
O art. 4º da Lei nº 11.738/2008 estabelece que os professores deverão
cumprir sua jornada de trabalho da seguinte forma: • 2/3 da carga horária
é para atividades de sala de aula; e • 1/3 da carga horária pode ser
utilizado para atividades extraclasse (ex: preparação das aulas, reuniões
pedagógicas, reuniões com os pais etc.). Em alguns Estados, a hora-aula
do professor não é de 60 minutos, mas sim de 50 minutos (se diurna) ou
45 minutos (se noturna). Esses 10 ou 15 minutos que sobram como
intervalo são considerados como atividades de interação com os
educandos (e não como atividades extraclasse). Assim, o cômputo dos 10
ou 15 minutos que faltam para que a “hora-aula” complete efetivamente
uma “hora de relógio” não pode ser considerado como tempo de
atividade extraclasse dos profissionais do magistério. STJ. 2ª Turma. REsp
1.569.560-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, Rel. Ac. Min. Og Fernandes,
julgado em 21/06/2018 (Info 644).
SERVIDORES PÚBLICOS
Não há que se falar em prescrição de fundo de direito nas ações em que
se busca a concessão do benefício de pensão por morte
Importante!!!
Não ocorre a prescrição do fundo de direito no pedido de concessão de
pensão por morte, estando prescritas apenas as prestações vencidas no
quinquênio que precedeu à propositura da ação. STJ. 1ª Seção. EREsp
1.269.726-MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
13/03/2019 (Info 644).
CONCURSO PÚBLICO
A candidata que está amamentando (lactante) na época do curso de
formação para o cargo de agente penitenciário tem direito de fazer o
curso em um período posterior
Importante!!!
É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de
agente penitenciário feminino de candidata que esteja lactante à época de
sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do
concurso público. STJ. 1ª Turma. RMS 52.622-MG, Rel. Min. Gurgel de
Faria, julgado em 26/03/2019 (Info 645).
COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS
É inconstitucional lei estadual que crie hipóteses de isenção de
pagamento de direitos autorais fora do rol trazido pela Lei federal nº
9.610/98
É inconstitucional lei estadual que isenta entidades filantrópicas de
recolher as taxas de retribuição autoral arrecadadas pelo ECAD. A lei
estadual que cria novas hipóteses de não recolhimento de direitos
autorais não previstas na Lei federal usurpa a competência privativa da
União para legislar sobre direito civil, direito de propriedade e para
estabelecer regras de intervenção no domínio econômico (art. 22, I, da
CF/88). Além disso, essa lei estadual retira dos autores das obras musicais
o seu direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução das obras
ou do reconhecimento por sua criação, afrontando o art. 5º, XXII e XXVII,
da CF/88. STF. Plenário. ADI 5800/AM, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
8/5/2019 (Info 939).
ATO ADMINISTRATIVO
O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão
administrativa proferida pelo CADE
O Poder Judiciário não pode fazer a revisão judicial do mérito da decisão
administrativa proferida pelo CADE. A expertise técnica e a capacidade
institucional do CADE em questões de regulação econômica exige que o
Poder Judiciário tenha uma postura deferente (postura de respeito) ao
mérito das decisões proferidas pela Autarquia.
A análise jurisdicional deve se limitar ao exame da legalidade ou
abusividade do ato administrativo.
O CADE é quem detém competência legalmente outorgada para verificar
se a conduta de agentes econômicos gera efetivo prejuízo à livre
concorrência. As sanções antitruste, aplicadas pelo CADE por força de
ilicitude da conduta empresarial, dependem das consequências ou
repercussões negativas no mercado analisado, sendo certo que a
identificação de tais efeitos anticompetitivos reclama acentuada
expertise. STF. 1ª Turma. RE 1083955/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
28/5/2019 (Info 942).
EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de
economia mista exige autorização legislativa e licitação
Importante!!!
A alienação do controle acionário de empresas públicas e sociedades de
economia mista exige autorização legislativa e licitação. Por outro lado,
não se exige autorização legislativa para a alienação do controle de suas
subsidiárias e controladas. Nesse caso, a operação pode ser realizada sem
a necessidade de licitação, desde que siga procedimentos que observem
os princípios da administração pública inscritos no art. 37 da CF/88,
respeitada, sempre, a exigência de necessária competitividade. STF.
Plenário. ADI 5624 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
5 e 6/6/2019 (Info 943).
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
Decreto não pode extinguir colegiado previsto em lei
É proibida a extinção, por ato unilateralmente editado pelo chefe do
Poder Executivo, de colegiado cuja existência encontre menção em lei em
sentido formal, ainda que ausente a expressa referência “sobre a
competência ou a composição”. Caso concreto: o Presidente da República
editou o Decreto nº 9.759/2019 extinguindo uma série de colegiados
existentes na Administração Pública federal. O art. 1º, § 2º deste Decreto
previu que ficariam extintos os colegiados que sejam mencionados em lei,
mas sem que esta tenha definido a competência ou a composição. O STF,
em medida cautelar, declarou a inconstitucionalidade dessa previsão,
considerando que a extinção desses colegiados mencionados em lei
somente poderia ocorrer também mediante lei (e não por decreto). STF.
Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e
13/6/2019 (Info 944).
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS
Serviços sociais autônomos não devem figurar no polo passivo de ação
proposta pelo contribuinte discutindo a exigibilidade das contribuições
sociais
As entidades dos serviços sociais autônomos não possuem legitimidade
passiva nas ações judiciais em que se discute a relação jurídico-tributária
entre o contribuinte e a União e a repetição de indébito das contribuições
sociais recolhidas. Os serviços sociais são meros destinatários de
subvenção econômica e, como pessoas jurídicas de direito privado, não
participam diretamente da relação jurídico-tributária entre contribuinte e
ente federado. O direito que tais entidades possuem à receita decorrente
da subvenção não gera interesse jurídico a ponto de justificar a ocorrência
de litisconsórcio com a União. O interesse dos serviços sociais autônomos
nesta lide é reflexo e meramente econômico. STJ. 1ª Seção. EREsp
1.619.954-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/04/2019 (Info 646).
ACUMULAÇÃO DE CARGOS
Possibilidade de acumulação de cargos mesmo que a jornada semanal
ultrapasse 60h
A acumulação de cargos públicos de profissionais da área de saúde,
prevista no art. 37, XVI, da CF/88, não se sujeita ao limite de 60 horas
semanais. Isso porque não existe esse requisito na Constituição Federal. O
único requisito estabelecido para a acumulação é a compatibilidade de
horários no exercício das funções, cujo cumprimento deverá ser aferido
pela Administração Pública. STF. 1ª Turma. RE 1176440/DF, Rel. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 9/4/2019 (Info 937). STF. 2ª Turma.
RMS 34257 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018.
STJ. 1ª Seção. REsp 1.767.955-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
27/03/2019 (Info 646).
PODER DE POLÍCIA
Agência de turismo que faça câmbio é equiparada a instituição financeira
e está sujeita à fiscalização do BACEN
Atenção! Concursos federais
A agência de turismo devidamente credenciada para efetuar operações
de câmbio é equiparada a instituição financeira e subordina-se à regular
intervenção fiscalizatória do Banco Central. Consideram-se instituições
financeiras as pessoas jurídicas públicas ou privadas que tenham como
atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de
recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou
estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros (art. 17 da
Lei nº 4.595/64). STJ. 1ª Turma. REsp 1.434.625-CE, Rel. Min. Sérgio
Kukina, julgado em 09/04/2019 (Info 647). Obs: esse mesmo
entendimento pode ser aplicado para a seara dos crimes contra o Sistema
Financeiro Nacional (art. 1º, I, da Lei nº 7.492/86): STJ. 5ª Turma. RHC
9.281/PR, Rel. Min. Gilson Dipp, DJe 30/10/2000.
PODER DE POLÍCIA
O termo “bombeiro civil” pode ser utilizado pelos profissionais de
empresas privadas atuantes no ramo
Profissionais de empresas privadas que exerçam atividade de prevenção e
combate ao incêndio podem adotar a nomenclatura “bombeiro civil”. O
art. 2º da Lei nº 11.901/2009 dispõe que são “bombeiros civis” os
empregados contratados tanto por empresas públicas quanto privadas
que exerçam atividade de prevenção e combate ao incêndio. A Lei nº
12.664/2012 não revogou a Lei nº 11.901/2009, mas apenas proibiu o uso
de uniformes que possuam insígnias, distintivos e emblemas
representativos das instituições públicas. STJ. 1ª Turma. REsp 1.549.433-
DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 09/04/2019 (Info 648).

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