Você está na página 1de 175

Fonética e Fonologia

da Língua Inglesa
Profª Carla Fernanda Nolli

2017
Copyright © UNIASSELVI 2017

Elaboração:
Profª Carla Fernanda Nolli

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

421
N796f

Nolli; Carla Fernanda

Fonética e fonologia em língua inglesa / Carla Fernanda


Nolli: UNIASSELVI, 2017.

167 p. : il.

ISBN 978-85-515-0068-2

1.Língua Inglesa – Fonologia.


I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
Apresentação
Você sabia que Fonética e Fonologia em língua inglesa é uma disciplina
de extrema importância para um futuro professor de língua inglesa? Isso se
deve ao fato de o professor entender as diferentes nuances dos sons da língua
para poder ajudar seus futuros alunos a pronunciar corretamente as palavras
na língua inglesa.

A Fonética e a Fonologia são estudos muito importantes dentro dos


estudos da Linguística e têm como principal objetivo estudar os sons da
fala humana e identificar como esses sons são produzidos. No entanto, a
fonética não se refere a qualquer tipo de som, assim como o som de uma porta
batendo. A fonética lida especificamente com os sons da linguagem humana
falada. Acredita-se que os animais utilizam sons como latidos, no caso de
um cachorro, para se comunicar. Contudo, nós, seres humanos, somos os
únicos animais que utilizam a fala para a comunicação, e por isso o estudo da
fala é tão importante. A fonética se assemelha muito à fonologia, por isso a
diferença parece tão difícil de entender.

Você deve estar se perguntando: qual é a diferença de fonética e


fonologia?

A diferença é que a fonética se preocupa em como os sons são


produzidos, transmitidos e ouvidos pelo ser humano, enquanto a fonologia se
preocupa em como os sons se relacionam entre si em uma língua. Em outras
palavras, a fonética lida com os sons em si. A parte mais complicada, que são
as regras e o sistema fonético, é estudada através da fonologia. Toda língua
tem um sistema de regras de som, nem sempre explícitas, mas elas existem,
ou seja, isso é o que a fonologia estuda (ROACH, 2009).

Veja um exemplo para entender melhor a diferença. Pense na palavra


ERRO nas duas frases abaixo:

1. Eu ERRO frequentemente.
2. O ERRO é uma oportunidade de aprender.

Perceba como o som do fonema “e” da palavra ERRO fica diferente


nas duas frases. Na primeira, como verbo, o som do “e” se assemelha ao
som (é). Falaríamos assim: “Eu érro frequentemente”. Veja agora a diferença
do fonema “e” na palavra ERRO na segunda frase, visto como substantivo:
Falaríamos esta frase assim: “o êrro é uma oportunidade de aprender”, na
qual o som se assemelha ao (ê). Esses dois fonemas diferenciam as duas
palavras. Isso é fonética, o estudo dos diferentes sons da língua.

III
Sabemos que existem diferenças em palavras, tanto na sua escrita
quanto em sua fala, pois a mesma escrita pode corresponder a vários sons.
Por exemplo, as palavras em inglês escritas com “ough”. O som de ough pode
ser diferente, dependendo de cada palavra. Por exemplo: through, although
e bought, apesar de terem a mesma escrita, as palavras são pronunciadas de
formas totalmente diferentes. A diferença da pronúncia depende muito de
algumas regras de sons das palavras. Essas regras são feitas pela fonologia,
que estuda o sistema de som e suas regras.

Utilizaremos as palavras fonema e grafema neste caderno. Você sabe o


que estas palavras significam? Veja a explicação:

Fonema é a menor unidade sonora de um sistema fonológico de uma


língua, é o elemento fônico mínimo deste sistema munido de valor distinto.
Grafema é um conceito linguístico da representação de uma unidade
de determinado sistema de escrita, podendo – com determinadas diferenças
– ser sinônimo de letra.

Em várias palavras, o fonema corresponderá a um grafema. No


entanto, é importante lembrar que o fonema é a representação sonora,
enquanto o grafema é a representação gráfica. Em alguns casos, a mesma letra
pode significar mais do que um fonema, de modo que nem sempre o número
de letras é igual ao número de fonemas. Por exemplo, na linguagem oral, as
palavras “manto” e “canto” se diferem somente pelos fonemas “m” e “c”.
Neste exemplo, manto (m-ã-t-o) e canto (c-ã-t-o), devido à nasalização das
vogais, cada palavra possui cinco grafemas e apenas quatro fonemas.

Você já deve ter percebido que a fonética e a fonologia estudam o som


das palavras e não a sua grafia. Para você ter uma ideia, no inglês, temos 20
(vinte) sons diferentes só de vogais, mas a grafia de apenas 6 (seis) = (a, e, i, o,
u, y). Isso também acontece na língua portuguesa.

Para transcrevermos a pronúncia (ou sons) de uma palavra, precisamos


utilizar o International Phonetic Alphabet (IPA), o Alfabeto de Fonética Internacional,
criado para fazer a transcrição dos sons de uma palavra. Assim, as transcrições
fonéticas serão mostradas neste caderno sempre entre barras invertidas, por
exemplo, /pli:z/ para diferenciarmos o som da grafia da palavra “please”.

Nesta disciplina estudaremos todos os aspectos da fonética e fonologia.


Estudaremos brevemente a história de como os sons da língua inglesa
mudaram durante os anos e como isso quase resultou no desaparecimento
dos estudos da fonética. Aprenderemos também o que é e como funciona o
aparelho fonador.

Analisaremos também algumas regras de pronúncia e como podemos


ensinar nossos futuros alunos a pronunciar melhor as palavras em inglês.
Você ensinará seus futuros alunos a entenderem os símbolos fonéticos quando
utilizarem um dicionário.
IV
Bem-vindo à disciplina de Fonética e Fonologia. Ao final deste caderno,
você poderá entender o que o símbolo fonético abaixo quer dizer sem nem
consultar o dicionário ou o alfabeto fonético!

Bons estudos!
fəˈnɛtɪks ænd fəˈnɑləˌʤi ɪn ˈɪŋglɪʃ
Profª Carla Fernanda Nolli

FONTE: Disponível em: <http://seven-e.com/tag/aparelho-fonador/>. Acesso


em: 28 jan. 2017.

UNI

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades
em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o


material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

V
VI
Sumário
UNIDADE 1 - CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE
FONÉTICA E FONOLOGIA . ..................................................................................... 1

TÓPICO 1 - ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA ............................................................... 3


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA . ..................................................................... 3
3 BREVE HISTÓRIA DA LÍNGUA INGLESA .................................................................................. 5
3.1 COMO OCORRERAM AS MUDANÇAS LINGUÍSTICAS? ..................................................... 7
LEITURA COMPLEMENTAR . ............................................................................................................. 10
RESUMO DE TÓPICO 1 ........................................................................................................................ 16
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 17

TÓPICO 2 - O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA) .............................. 19


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 19
2 O APARELHO FONADOR ................................................................................................................. 19
3 LUGAR DA ARTICULAÇÃO DO SOM . ........................................................................................ 23
4 MODO DE ARTICULAÇÃO DO SOM ........................................................................................... 24
5 O ALFABETO FONÉTICO (IPA) . ...................................................................................................... 25
6 VOZEAMENTO: CONSOANTES VOZEADAS E DESVOZEADAS ........................................ 32
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 40
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 41

TÓPICO 3 - SONS DIFERENCIADOS ............................................................................................... 43


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 43
2 SILENT LETTERS / LETRAS NÃO PRONUNCIADOS . ............................................................. 43
3 PALAVRAS HOMÓFONAS E HOMÓGRAFAS . .......................................................................... 46
LEITURA COMPLEMENTAR . ............................................................................................................. 49
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 53
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 54

UNIDADE 2 - CONHECENDO MELHOR OS SONS . .................................................................... 57

TÓPICO 1 - ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS ...................................................................... 59


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 59
2 AS VOGAIS ........................................................................................................................................... 59
2.1 CONHECENDO O SOM DO “SCHWA” /ə/ ou /ər/ ................................................................... 64
2.2 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /i:/ e /ɪ/ ...................................................................... 66
2.3 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /æ/ e /ɛ/ . ................................................................... 69
2.4 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /ʊ/ e /ʊ:/ .................................................................... 72
2.5 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /ɑ/ e /ɔ/ ..................................................................... 73
2.6 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /ʌ/ e /ɜr/ .................................................................... 76
3 DITONGOS ........................................................................................................................................... 78
3.1 DIFERENÇAS NOS SONS DOS DITONGOS /eɪ/; /oʊ/ e /ɔɪ/ . .................................................. 80
3.2 DIFERENÇAS NOS SONS DOS DITONGOS /aɪ/ e /aʊ/ . .......................................................... 80

VII
3.3 DIFERENÇAS NOS SONS DOS DITONGOS /iə/ ou /eə/ e /ʊə/ ............................................... 80
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 82
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 83

TÓPICO 2 - ESTUDO DAS CONSOANTES ..................................................................................... 87


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 87
2 SOM DE /θ/ e /ð/ .................................................................................................................................. 89
3 SONS NASAIS: /m/, /n/ e /ŋ/ .............................................................................................................. 90
4 SOM DE /r/ e /h/ .................................................................................................................................... 93
5 SOM /l/ .................................................................................................................................................... 96
6 SONS COM PARADAS BRUSCAS: /p/ e /b/, /t/ e /d/, /k/ e /g/ .................................................... 97
7 SOM DE /ʃ/ e /ʧ/, /ʒ/ e /ʤ/, /f/ e /v/ ..................................................................................................... 100
8 SOM DE /s/ e /z/ .................................................................................................................................... 102
9 SOM DE GLIDES /w/ e /j/ ................................................................................................................... 105
10 SOM DAS PALAVRAS TERMINADAS EM S ............................................................................. 108
11 SOM DAS PALAVRAS TERMINADAS EM ED . ........................................................................ 110
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 114
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 115

UNIDADE 3 - ESTUDO DA FONOLOGIA ....................................................................................... 117

TÓPICO 1 - SÍLABA TÔNICA, RITMO ............................................................................................. 119


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 119
2 SÍLABAS . ............................................................................................................................................... 119
3 SÍLABAS TÔNICAS ............................................................................................................................ 127
3.1 ACENTUAÇÃO TÔNICA EM SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS ............................................. 131
3.2 ACENTUAÇÃO TÔNICA EM VERBOS ...................................................................................... 133
3.3 ACENTUAÇÃO TÔNICA EM PALAVRAS COMPOSTAS ...................................................... 134
3.4 ACENTUAÇÃO TÔNICA DE AFIXOS . ...................................................................................... 136
4 RITMO NAS FRASES (ÊNFASE) ...................................................................................................... 140
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 143
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 144

TÓPICO 2 - ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS ......................................... 147


1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 147
2 ENTONAÇÃO DAS PALAVRAS ...................................................................................................... 147
2.1 ENTONAÇÃO ASCENDENTE – DESCENDENTE (RISING-FALLING) .............................. 149
2.2 ENTONAÇÃO ASCENDENTE (RISING) ................................................................................... 151
2.3 ENTONAÇÃO NA POSIÇÃO NÃO FINAL DE FRASE . ......................................................... 152
3 ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS .......................................................................................... 155
LEITURA COMPLEMENTAR . ............................................................................................................. 158
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 161
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 162
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 165

VIII
UNIDADE 1

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E
FONOLOGIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Esta unidade tem por objetivos:

• diferenciar melhor fonética e fonologia;

• entender como funciona o aparelho fonador;

• perceber onde e como os sons são pronunciados em nosso organismo;

• reconhecer a transcrição fonética das palavras utilizando o alfabeto fonético


internacional;

• entender a pronúncia das palavras, apenas considerando para a transcrição


fonética;

• perceber as letras não pronunciadas nas palavras, chamadas de silent let-


ters;

• diferenciar a escrita de uma palavra e seu som;

• diferenciar palavras homógrafas e homófonas.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. Ao final de cada um deles você
encontrará atividades que auxiliarão no seu aprendizado.

TÓPICO 1 – ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

TÓPICO 2 – O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

TÓPICO 3 – SONS DIFERENCIADOS

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, estudaremos as diferenças entre fonética e fonologia através
de exemplos práticos. Veremos também um pouco sobre como mudanças na língua
inglesa fizeram com que os sons se modificassem e como a Fonética e a Fonologia
evoluíram para transformar os estudos da Linguística.

2 DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA


A língua é uma das características mais importantes do comportamento
humano e sempre foi fruto de estudos no mundo acadêmico. Com o passar dos
anos e com a tão famosa “globalização”, os estudos da língua não estão mais
restritos somente ao inglês britânico ou americano. Hoje, todo o mundo fala inglês
como segunda língua. Portanto, você encontrará diferentes pessoas com diferentes
sotaques falando inglês, por exemplo, japoneses, irlandeses, espanhóis. Todos eles
têm um sotaque característico da sua língua materna. Por isso, é tão importante
saber conhecer os diferentes sotaques. Com o estudo da fonologia, você poderá
reconhecer um sotaque mais facilmente.

Você se recorda qual é a diferença entre fonética e fonologia?

Vamos rever: a Fonética e a Fonologia fazem parte da área de Linguística


Descritiva, disciplina que estuda as línguas em termos estruturais. A linguística é
o estudo da linguagem como ela é estruturada e como ela funciona. Existem vários
ramos da linguística que recebem seu próprio nome, como fonologia e fonética,
morfologia, sintaxe, análise do discurso, semântica e sociolinguística (PRATOR,
1957).

Fonética e Fonologia são os dois ramos da Linguística que estudam os sons


da fala humana. Com o interesse atual em entender melhor as línguas faladas
no mundo, houve uma mudança fundamental em como se ensina uma língua.
Antigamente se ensinava apenas o inglês americano e britânico e o objetivo do
professor era o de fazer o aluno se parecer com um nativo. Hoje, já é comum vermos
livros didáticos com listening (atividades auditivas) usando o “inglês global”, ou
seja, falado por chineses, japoneses, irlandeses e brasileiros como uma segunda
língua, ou seja, nunca foi tão interessante estudar inglês, mas está mais difícil
de entender o inglês falado por tantos sotaques diferentes. Por isso, temos que

3
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

ouvir mais exemplos de inglês, como em séries, filmes e músicas. Quanto maior a
exposição do listening, mais entendimento teremos.

De acordo com Santos (2017), pode-se dizer que Fonética e Fonologia


são estudos interligados, mas interdependentes dos sons produzidos pela fala
humana. A diferença é que o estudo da fonética se dedica a estudar os sons da
fala como entidades isoladas (aparelho fonador) e com os aspectos físicos dos
fonemas (unidade mínima do som), enquanto a fonologia estuda as diferenças
fônicas internacionais, ou seja, as diferenças e traços distintos e contrastivos dos
fonemas, estabelecendo a relação entre esses elementos e as condições em que se
combinam para formar morfemas, palavras e frases, ou seja, enquanto a Fonética
preocupa-se com a natureza física da produção e da percepção dos sons da fala,
a Fonologia concentra-se na maneira como os sons se organizam dentro de uma
língua, classificando-os em unidades capazes de distinguir significados.

NOTA

Você sabia que para produzir um som todos nós temos que utilizar o aparelho
fonador? E você sabia que todos nós somos equipados com esse aparelho? Ele é composto
pelos órgãos: pulmões; cordas vocais, glote (laringe) e traqueia, responsável pela fonação
humana.

A maior dificuldade encontrada pelos alunos hoje é a oralidade, pois eles


têm dificuldades em reconhecer o som de uma palavra nova, e nem sempre a grafia
da palavra ajuda. Temos exemplos em inglês de palavras com a mesma escrita, mas
com sons diferentes. Por exemplo, com as palavras escritas com “ough”, como em
through /u:/, although /əu/, bought /bɔt/, cough /cɔf/ etc. Todas têm sons diferentes,
apesar de ter a mesma grafia “ough”. Observamos então que as vogais ou o mesmo
grafema (letra) não correspondem sempre ao mesmo fonema (som), isto é, não têm
sempre a mesma pronúncia, o que os tornam diferentes da escrita.

Por este motivo, no momento em que o estudante está envolvido em uma


conversa, o contexto será importante para o entendimento de uma nova palavra,
mas, para um nativo, se o estudante pronunciar uma palavra errada, ela perde todo
o sentido e a comunicação pode falhar. É mais difícil para um nativo entender o que
um estudante quer dizer, porque, às vezes, o estudante coloca uma sílaba a mais
na pronúncia e acaba por inventar uma palavra nova, não reconhecida pelo nativo.
Por exemplo, em algumas regiões do Brasil é comum o estudante pronunciar com
um alongamento o final das palavras, ou ele pronuncia o “e” do final das palavras
em inglês, observe, na frase “I live in Brazil” (pronunciado corretamente como /
liv/) o nativo entenderia, sem problemas, mas alguns brasileiros falam (livê) e para
os ouvidos nativos é uma palavra totalmente diferente, portanto, ele teria mais
dificuldades em compreender.

4
TÓPICO 1 | ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

Com isso, vemos a importância de entendermos a pronúncia correta das


palavras. Não somente a pronúncia é importante, mas também a maneira como a
pronunciamos, ou seja, a entonação, o ritmo, o sotaque, entre outros aspectos que
veremos com detalhes nos próximos capítulos.

3 BREVE HISTÓRIA DA LÍNGUA INGLESA


A história do inglês está ligada aos fatos históricos que permeiam a formação
da Europa, e que ajudaram a formar os conceitos de cultura, economia, política e
língua de cada país deste continente. Para o inglês ser a língua que é atualmente,
muitas coisas aconteceram. O inglês de hoje é resultado de uma miscigenação de
línguas, dialetos e culturas de muitas nações ao longo da história.

Tudo começa por volta de 700 a.C., quando o povo celta se estabelece na
Europa. Em torno de 50 a.C., começa a invasão do Império Romano. Depois de 100
anos, houve o enfraquecimento do poder dos romanos, e o povo celta remanescente
na região, mas os anglo-saxões invadem essas terras e, com isso, a miscigenação, já
existente na língua, é aumentada.

Depois, o cristianismo começa a ter importante ascensão e inicia a


propagação de sua doutrina por toda a Europa. Isso faz com que o pouco que
restava da cultura celta seja praticamente engolido pelos preceitos cristãos e, até
mesmo, demonizado pela Igreja Católica. Com isso, a língua começa a sofrer
influências do latim utilizado por Roma.

FONTE: Disponível em: <http://www.culturainglesacuritiba.com.br/historia-lingua-inglesa/>.


Acesso em: 2 fev. 2017.

Neste tópico, vamos entender os motivos pelos quais uma língua muda.
Já vimos acima que uma língua pode mudar por várias razões. Primeiro, ela
muda porque as necessidades de seus falantes mudam. Novas tecnologias,
novos produtos e novas experiências exigem novas palavras para se referir a
eles de forma clara e eficiente. Fax, cable TV, celular phone são palavras que foram
adicionadas em todas as línguas desde que seu uso ficou em evidência. Podemos
ver essas mudanças também na língua portuguesa. Começamos em português a
usar a palavra “deletar” por causa da tecla delete do computador. Antes, usávamos
“apagar”, não é mesmo?

Outra razão para a mudança é que as pessoas tiveram experiências


diferentes de linguagem. Todos nós sabemos um conjunto de palavras e
construções diferentes, dependendo da nossa idade, emprego, nível de educação,
região e outros fatores. Nós ouvimos e utilizamos essas novas palavras e frases,
fazendo assim com que elas se combinem para fazer algo novo e diferente do modo
particular de falar de outra pessoa. Ao mesmo tempo, vários grupos da sociedade
usam a linguagem como forma de marcar sua identidade de grupo e deixar claro

5
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

quem não faz parte daquele grupo. É assim que uma língua vive, assim criam-se
as gírias e figuras de linguagem (SCHÜTZ, 2013).

De acordo com Birner (2012), recebemos palavras novas de muitos
lugares diferentes. Podemos fazer várias coisas com as novas palavras. Pegamos
emprestados os vocábulos de outras línguas, por exemplo, sushi, que já utilizamos
no português. Também podemos criar novas palavras encurtando palavras mais
longas, por exemplo, gym de gymnasium, ou combinando palavras, por exemplo,
brunch, que é uma forma de fazer um breakfast mais tarde próximo ao lunch
(almoço). Às vezes, até mesmo criar uma nova palavra por estar errado sobre a
análise de uma palavra existente, como a forma como a palavra pea (ervilha) foi
criada (pease era uma forma plural, então pea ficou como sendo o singular e assim
nasceu a palavra pea).

A ordem das palavras também muda de língua para língua, embora


esse processo seja muito mais lento. Conforme Birner (2012), a antiga ordem de
palavras em inglês era muito mais "livre" do que a do inglês moderno, e mesmo
comparando o inglês moderno precoce da Bíblia King James com o inglês de hoje,
verifica-se diferenças na ordem das palavras. Por exemplo, a Bíblia King James
traduz Mateus 6:28 como: "Consider the lilies of the field, how they grow; they toil
not”. (Considere os lírios do campo, como eles crescem, eles trabalham não). Em
uma tradução mais recente, a última frase é traduzida como "eles não trabalham",
porque o inglês já não coloca “não” depois do verbo em uma frase (BIRNER, 2012).

Assim como os vocábulos e a gramática, os sons de uma língua também


mudaram ao longo do tempo (NORDQUIST, 2016). Cerca de 500 anos atrás, a
palavra “geese” (ganso) rimaria com “face” (rosto) e “mice” (ratos) rimaria com
peace. Entretanto, a Grande Mudança Vocálica  (Great Vowel Shift) ocorreu,
representando uma transformação na pronúncia da língua inglesa ocorrida no sul
da Inglaterra entre 1200 e 1600. Nesta época, o inglês começou a sofrer uma grande
mudança no modo como suas vogais foram pronunciadas.

DICAS

Para ver as mudanças nas vogais que aconteceram com a “Great Vowel Shift”,
acesse o site: <https://www.thoughtco.com/great-vowel-shift-gvs-1690825>. Acesso em: 10
dez. 2016.

6
TÓPICO 1 | ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

3.1 COMO OCORRERAM AS MUDANÇAS LINGUÍSTICAS?


Temos que voltar um pouco na história da formação da língua inglesa
para entender como os sons ficaram diferentes da escrita. De acordo Prator (1957),
houve três momentos importantes nas mudanças fonéticas da língua inglesa: o
inglês antigo ou anglo-saxão (entre o ano 449 e o 106 ou 1100); o inglês médio
(entre os anos 1066 ou 1100 até o 1500); e o moderno, com duas etapas: a clássica
(desde 1500 até o 1660) e a contemporânea (desde o ano de 1660 até nossos dias).
Vamos conhecer um pouco destas etapas:

a) Inglês antigo (Old English)

De acordo com o site BBC (2014), no artigo “Anglo-Saxons: Who were they?”,
o inglês antigo, também conhecido como anglo-saxão, foi uma forma primitiva da
língua inglesa, falada entre meados do século V e meados do século XII. O que se
tinha não era uma única língua, mas um conjunto de diferentes dialetos. Os últimos
soldados romanos deixaram a Grã-Bretanha em 410 AD, e então, novos povos
vieram nos navios através do Mar do Norte. Os historiadores chamam estes povos
de anglo-saxões. Os novos colonizadores eram uma mistura de povos do norte da
Alemanha, Dinamarca e Holanda do Norte. A língua que foi se configurando como
idioma nacional sofreu influência do latim em um período de aproximadamente
700 anos, das migrações anglo-saxãs que criaram a Inglaterra no século V até um
momento posterior à invasão da Normandia na Inglaterra, em 1066.

O alfabeto usado para escrever os textos no inglês antigo foi adotado do


latim, que foi introduzido pelos missionários cristãos. Infelizmente, a ortografia
foi nunca totalmente padronizada: o alfabeto, usado por monges escribas para
soletrar palavras "foneticamente" de cada dialeto, foi feito de maneira diferente
e inconsistentemente ao longo do tempo, devido à evolução dialetal e/ou
diferenças de escribas (escriba, na antiguidade, era a pessoa encarregada por
escrever textos). Era uma língua flexível porque seu vocabulário era limitado e,
por isso, tomou vários empréstimos das línguas com as quais se relacionava. As
invasões vikings no século VIII também contribuíram para uma série de palavras
relacionadas com o mar e a navegação, e outras relativas à organização social,
como “law”, “take”, “cut”, “both” e “are”, forma conjugada do verbo to be.
FONTE: Disponível em: <http://reference.yourdictionary.com/dictionaries/old-english-
words-and-modern-meanings.html>. Acesso em: 10 dez. 2016.

Podemos ver exemplos de palavras usadas no inglês antigo nos livros de


literatura. São alguns exemplos, conforme o Your Dictionary (1996-2017):

• Eald - que significa “old” (velho)


• Brodor - que significa “brother” (irmão)
• Hus - que significa “house” (casa)
• Nett - que significa “net” (rede)
• Riht - que significa “right” (certo)

7
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

b) Inglês médio (Middle English)

Data-se o período do inglês moderno a partir da conquista normanda em


1066 até 1650. De acordo com Slocum e Lehmann (2017), durante o período do
inglês médio, a Inglaterra era essencialmente uma cultura trilíngue: (1) francês era
a língua da administração, cultura, da corte e na culinária; (2) o latim era a língua
da igreja, educação e filosofia, e (3) inglês era a língua de expressão popular e
reflexão pessoal.

Gradualmente o inglês antigo se transformou em inglês médio, mas ainda


a língua oficial de Inglaterra era o francês. De acordo com Santana (2016), em
1399, o rei Henrique IV tornou-se o primeiro rei da Inglaterra desde a conquista
normanda cuja língua materna era o inglês. No entanto, o inglês era ainda uma
língua de baixo status, especialmente quando se tratava de escrever poesia e
literatura. Durante o século 14, os italianos e franceses estavam experimentando
uma explosão de criatividade, grandes poetas como Dante, Petrarca e Boccaccio
estavam escrevendo de maneira inteiramente nova. Foi então que o escritor, filósofo
e diplomata inglês Geoffrey Chaucer, considerado por muitos o pai da literatura
inglesa, ficou famoso pela publicação da obra “Os contos da Cantuária”,  onde
ele usou a linguagem do homem da rua e transformou-a em uma série de obras-
primas.

Conforme Schütz (2013), a conquista normanda em 1066 trouxe vários


nobres e soldados que falavam francês para a Inglaterra, incorporando assim um
novo vocabulário para a língua inglesa. Muitas das palavras francesas que entraram
em inglês naquela época têm finais tais como – “íon” - ioun, - ment, - encen, - aunce,
e -our. Grafias que incluem “ei”, “ey” e “oy” também indicam um empréstimo
do francês. Classes mais abastadas da Normandia falavam francês e contribuíram
para acrescentar aproximadamente novecentas palavras ao anglo-saxão, por
exemplo,  “baron”  e “nobre”, termos que as classes populares desconheciam,
mas que deviam usar em seu trato com os novos senhores. Schütz (2013) afirma
que alguns nobres e o clero também aprendiam o inglês e introduziram palavras
francesas relacionadas com o governo, a igreja, o exército e outras que se referiam
às artes, ao ensino e à medicina. A língua dos anglos adquire prestígio no século
XIV, surgem as universidades e se amplia uma próspera vida econômica. É a zona
conhecida por Midland, cujo centro hoje é Londres.

De acordo com Birner (2012), a transição do inglês médio ao


moderno vem marcada por uma rigorosa evolução  fonética  na pronunciação
das vogais, feito que ocorreu entre os séculos XV e XVI. O linguista
dinamarquês Otto Jespersen denominou-o a grande mutação vocálica (The Vowel
Shift), que alterou a articulação das vogais em relação com as posições dos lábios e
a língua, que elevou em um grau. Isso fez com que mudassem de 20 para 18 vogais.
A grafia permaneceu inalterada em consequência do aparecimento da imprensa.
A mudança iniciou-se no século XV, quando todas as vogais longas (aquelas que
são pronunciadas por mais tempo, por exemplo, o som de “i” da palavra me) se
pronunciaram com um grau maior de elevação da língua e o fechamento da boca.

8
TÓPICO 1 | ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

Essa alteração foi a razão da mudança na pronúncia de forma diferente das vogais
em relação às demais línguas europeias ocidentais.

c) Inglês moderno

No começo desse período, iniciado em 1500, há um acréscimo do léxico


tanto pela difusão do idioma como pelos empréstimos que recebe de outras
línguas. Pouco depois são os viajantes e comerciantes que trazem novos termos
à língua: por exemplo, do italiano tomam-se stanza e violin, e do português e do
espanhol vêm as palavras alligator e sombrero.

De acordo com Tobias (2012), entre os séculos XVII e XVIII vemos as


mudanças gramaticais mais importantes. Introduz-se o pronome its, que substitui
ao  genitivo  his, única forma que empregam os tradutores da Bíblia (1611) do
rei Jacobo I. A partir do emprego do particípio, como se fosse um nome, precedido
da preposição  on, surgem os tempos progressivos; pouco a pouco a preposição
substitui-se e depois desaparece.

O desenvolvimento e a difusão da língua tiveram início no século XIX e,


como toda língua “viva”, continua em desenvolvimento. Incorporaram-se ao inglês
inúmeras palavras como consequência da expansão  colonial  britânica. Assim,
são americanismos,  canoe,  raccoon,  wigwam, chama,  quinine  e  potato, entre outras
muitas; africanismos, chimpanzee e zebra; procedem da Índia bandanna, curry e punch;
e da Austrália, kangaroo e boomerang.

DICAS

Para conhecer mais sobre a Batalha de Hastings, na conquista dos normandos


contra a Inglaterra, onde a língua inglesa começou a se formar, veja os três episódios do
documentário que a BBC gravou no YouTube:
Episódio 1: The Normans 1 - Men from the North <https://www.youtube.com/
watch?v=R7SX3ulV_tk>. Acesso em: 10 fev. 2017.
Episódio 2: The Normans 2 – Conquest <https://www.youtube.com/watch?v=aZ0Ny0jTiGc>.
Acesso em: 10 fev. 2017.
Episódio 3: The Normans 3 - Normans of the South <https://www.youtube.com/
watch?v=SSnXsYdJ9uo>. Acesso em: 10 fev. 2017.

Agora que você já sabe um pouco sobre a história de como a língua inglesa e
seus diferentes sons evoluíram durante os anos, vamos estudar a fundo o aparelho
fonador e o alfabeto fonético. Sabendo como ler o alfabeto fonético você poderá
saber a pronúncia de qualquer palavra sem mesmo ouvi-la.

lɛt´ɛs ˈstʌdi sʌm mɔr!

9
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

LEITURA COMPLEMENTAR

Fonética versus Fonologia?

Cláudia Regina Brescancini e Christina Abreu Gomes

A relação entre Fonética e Fonologia é capturada diferentemente nas


diversas vertentes teóricas da Linguística, de modo que diferentes limites para
esses, ao mesmo tempo, níveis e campos de estudo são estabelecidos. As diversas
propostas podem ser sumarizadas em duas abordagens, a de uma separação nítida
entre Fonética e Fonologia, e a de uma relação de entrelaçamento, que envolve
continuidade e dependência. A primeira teve sua origem no Estruturalismo,
na postulação dicotômica entre conhecimento linguístico abstrato (langue)
e a manifestação desse conhecimento através da fala (parole). A organização
do conhecimento sonoro ficaria circunscrita a unidades abstratas discretas e
invariantes. Malmberg (1954, p. 169) tributa à Escola de Praga a separação nítida
entre Fonética e Fonologia. Assim, Fonética e Fonologia são entendidas como
duas dimensões independentes e que se desenvolveram, na medida do possível,
independentemente, muito embora antecedam ao século XX, e à Linguística,
estudos que focalizaram aspectos físicos dos sons linguísticos (VAGONES, 1980).

A segunda proposta, de incorporação da Fonética à Fonologia, baseia-se em


diversas evidências de estudos psicolinguísticos de acesso lexical, processamento
etc., que se desenvolveram a partir dos anos 80 nos estudos experimentais e na
análise de grandes bancos, apontando para a importância do detalhe fonético no
processamento, no acesso e memória de itens lexicais (FLEGE; HILLENBRAND,
1996, PISONI, 1990; GOLDINGER, 1996, JONHSON, 1997), na aquisição (JUSCZYK,
1997) e na diferenciação entre línguas (BRADLOW, 1995, KEATINGS, 1984). Bybee
(2001) também atribui aos desenvolvimentos fora da Linguística a possibilidade
de outra postulação sobre o conhecimento implícito do falante a respeito da
organização sonora de sua língua e da própria natureza do conhecimento
linguístico, como os estudos de Rosch (1973, 1978) sobre categorizaçxão natural,
os quais mostraram que os seres humanos categorizam tanto entidades não
linguísticas quanto entidades linguísticas através da comparação com um membro
central e não em função de presença ou ausência de características.

O percurso da relação entre Fonética e Fonologia começa então no modelo


estruturalista (fonêmica), segundo o qual a representação sonora abstrata da
forma das palavras se baseia em segmentos com função distintiva com diferentes
graus de especificação (fonema ou arquifonema). As diferentes formas fonéticas
são resultantes da possibilidade de os sons serem modificados pelo ambiente em
que se encontram, dado ao caráter contínuo da fala. Assim, ao lado da diversidade
dos sons como unidades físicas manifestas nas línguas humanas existe um
conjunto menor de unidades sonoras cuja função é distinguir os itens lexicais da
língua. Assim, o estabelecimento de fonemas implica em um determinado grau de
abstração em relação aos sons reais.

10
TÓPICO 1 | ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

A abordagem formalista que se desenvolveu a partir de Chomsky (1957)


ratificou e redimensionou a perspectiva modular estabelecida no Estruturalismo.
De uma maneira geral, do ponto de vista formal, a Fonética, em todos os seus
aspectos gradientes, contínuos e redundantes, é derivada da interpretação e
implementação de estruturas fonológicas, que por sua vez são interpretações de
unidades mais abstratas. As diversas teorias desenvolvidas desde então procuram
dar conta das unidades abstratas que melhor capturam a organização abstrata
e como esta interface se estabelece, isto é, como informações sonoras abstratas
como traços, sílabas etc., são instanciadas nos outputs produzidos pelos falantes.
É tarefa da Fonologia dar conta das unidades básicas do contraste lexical, bem
como das diversas estruturas e suas relações. A teoria que se seguiu à fonologia
estrutural ficou conhecida como Fonologia Linear. A representação abstrata das
informações sonoras dos itens lexicais foi traduzida na noção de traços distintivos,
introduzida na Linguística pelos estruturalistas (JACKOBSON; FANT; HALLE,
1952), inicialmente com ênfase em propriedades acústicas dos sons, e depois,
no formalismo, contemplando majoritariamente características articulatórias. A
representação da estrutura fonológica de uma palavra foi concebida como uma
série de segmentos em sequência horizontal, cada um deles representado por uma
coluna vertical de traços fonéticos não ordenados (CHOMSKY; HALLE, 1968).
Os diversos outputs fonéticos eram gerados a partir de regras que especificavam
mudanças nos valores dos traços, algumas obrigatórias e outras opcionais.

O modelo formulado por Chomsky e Halle não estabelecia limites para


a formulação das abstrações e assim o alto grau de abstração das representações
resultante foi questionado por Kiparsky (1973) e também nos modelos subsequentes
da Fonologia Gerativa Natural (VENNEMANN, 1972, 1973; HOOPER, 1972,
1976) e da Fonologia Natural (STAMPE, 1980). A crítica residia na formulação
de hipóteses de representação abstrata sem referência na base fonética. Assim,
as duas teorias subsequentes procuraram dar conta da relação entre formas
abstratas e substância fonética de maneira que, para a Fonologia Gerativa Natural,
a representação subjacente é igual à forma fonética de superfície, cabendo ao
componente fonológico dar conta dos processos motivados foneticamente,
tendo em sua formulação somente informação fonética (segmentos, fronteira de
sílaba etc.) e processos definidos como não produtivos, isto é, que se relacionam
a generalizações léxico semânticas, como as alternâncias morfofonológicas,
capturados via regras, que contêm informação de traços morfológicos e lexicais
em sua formulação. Já a Fonologia Natural de Stampe focalizou a naturalidade dos
processos fonológicos, fazendo uma distinção entre processos, que se baseiam em
aspectos inatos do funcionamento do aparelho fonador, e regras, que se relacionam
às especificidades das línguas em seu desenvolvimento histórico.

À representação linear da estrutura fonológica da palavra, seguem-


se os chamados modelos não lineares, fundamentados na proposta de que os
traços, libertos das matrizes, passam a ser representados em níveis autônomos,
como autossegmentos (GOLDSMITH, 1979). Dentre as teorias que compõem a
Fonologia Não Linear (Fonologia Autossegmental, Geometria de Traços, Teoria da
Sílaba, Fonologia Métrica, Fonologia Prosódica, Fonologia Lexical, dentre outras),
a Geometria de Traços (CLEMENTS; HUME, 1995) aproxima substancialmente
11
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

a teoria fonológica dos eventos de fala real ao considerar a organização interna


do segmento através da adoção de uma representação em que as camadas
autossegmentais estão arranjadas em uma estrutura hierárquica baseada em uma
taxonomia de traços. A distância maior entre os níveis fonético e fonológico é
verificada na Fonologia Lexical (KIPARSKY, 1982, 1985), que promove a integração
entre regras fonológicas e morfológicas no componente lexical, central à gramática,
e reserva ao componente pós-lexical a introdução de segmentos não contrastivos e
a aplicação conjuntiva de regras.

A proposição alternativa à visão modular entre Fonética e Fonologia


estabelece uma relação oposta, ou seja, não modular, entre esses campos, de
maneira que a Fonética é trazida para dentro da gramática e as unidades abstratas
definidas em função de uma base fonética. A Fonologia Articulatória ou Gestual
(BROWMAN; GOLDSTEIN, 1992) propõe um modelo unificado que tem como
base representacional o gesto, o qual corresponde a eventos articulatórios definidos
espaço-temporalmente. Essa abordagem permitiu capturar o aspecto dinâmico e
gradual de fenômenos definidos como categóricos como inserção, apagamento e
assimilação, entendidos como instanciações de relações contínuas entre gestos,
que podem ocorrer temporalmente.

A Fonologia de Uso (BYBEE, 2001; PIERREHUMBERT, 2003; MUNSON;


EDWARDS; BECKMANN, 2005) propõe um modelo em que diversos níveis
de abstração são estabelecidos. Os diferentes níveis de representação capturam
desde aspectos fonético-finos (acústicos e articulatórios), prosódicos, assim como
unidades mais abstratas que deem conta de unidades segmentais e suas relações
fonotáticas, sílabas, moldes lexicais e relações morfofonológicas. Pierrehumbert
(2000) defende uma base fonética para a fonologia, isto é, as entidades ou
instâncias abstratas são emergentes de fatores articulatórios e perceptuais que,
por sua vez, fornecem a base para os processos e restrições. Em outras palavras,
os diferentes níveis de conhecimento implícito da estrutura sonora envolvem
generalizações sobre diferentes tipos de eventos e entidades. O conhecimento do
detalhe fonético, que inclui distribuições probabilísticas de parâmetros fonéticos,
constitui generalizações sobre eventos de fala. Estudos sobre aquisição mostram
a importância do domínio de esquema vocais motores (Vocal Motor Schemes) e
sua relação com as primeiras palavras (VIHMAN; VELLEMAN, 2000; MCCUNE;
VIHMAN, 2001). Por outro lado, o conhecimento implícito das restrições fonotáticas
que permitem aos falantes adultos fazerem julgamentos de boa formação de novas
palavras e que subjazem à adaptação de empréstimos constituem generalizações
sobre as representações das palavras no léxico. Relações mais abstratas como as
relações morfofonológicas entre as palavras são emergentes de relações entre as
palavras organizadas em um léxico em redes. Enfim, nessa abordagem, uma escala
de abstrações se estabelece a partir da fonética em direção à morfofonologia. Para
Pierrehumbert, o desafio para a teoria linguística, e especificamente para a teoria
fonológica, é acomodar tanto evidências que dão conta da importância do detalhe
fonético quanto evidências que apontam para a importância de categorias mais
abstratas em um construto teórico capaz de capturar detalhe fonético e abstração.

12
TÓPICO 1 | ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

A representação do detalhe fonético é estabelecida de acordo com a


formulação da Teoria de Exemplares proposta por Johnson (1997). De acordo
com essa proposta, os exemplares são representações detalhadas abstraídas da
experiência do falante em ouvir e produzir itens lexicais em diversos contextos
linguísticos e de uso. Essas memórias são organizadas em um mapa cognitivo em
que são estabelecidas relações de proximidade entre as instâncias representadas
em função de sua frequência de ocorrência. Instâncias com maior frequência de
ocorrência estão mais próximas, ao passo que as menos frequentes estão mais
distantes. Assim, a Fonologia de Uso postula que a representação do detalhe fonético
se dá de acordo com a proposta da Teoria de Exemplares (PIEREHUMBERT, 2001).
O pressuposto é o de que o detalhe fonético esteja representado, mas não se definiu
ainda tanto quanto o detalhe do sinal acústico está representado, embora não haja
uma limitação para a representação.

Esse modelo pressupõe a utilização de um vasto espaço de memória em


contraposição à visão modular, que exclui o detalhe fonético das representações, e
propõe representações livres de redundância e gradualidade, não onerando assim
a memória. Silva e Gomes (2007) observam que, se de um lado a Fonologia de
Uso, ou Modelos Multirrepresentacionais, propõem uma representação complexa
e mapeamento mais simples, por outro lado, nos modelos formais, a representação
é menos complexa, uma vez que contém somente informação relacionada com
propriedades distintivas, mas o mapeamento é complexo. Em cada caso um tipo
de memória é mais requerido, no primeiro, a memória declarativa, e, no último, a
memória procedural.

O percurso das diferentes abordagens da relação entre Fonética e Fonologia


precisa ser entendido de forma mais ampla em função da evolução do pensamento
linguístico nas diversas definições do objeto da Linguística traduzido nas diferentes
concepções de gramática. Essas questões envolvem o grau de autonomia da
gramática, a relação entre gramática e uso, o papel do input.

O debate que tem se desenvolvido nas últimas duas décadas em torno


dessa questão e o rico espectro de abordagens teóricas são tentativas de apreender
a complexa relação entre a manifestação física, o sinal acústico, e o conhecimento
implícito do falante. No final desta seção, como sugestão, indicamos um
conjunto de trabalhos que abordam as perspectivas mencionadas ao longo desta
apresentação. Ao apresentar artigos desenvolvidos em diferentes enfoques teóricos
sobre a interface Fonética x Fonologia e/ou sua aplicação em diferentes ramos
da Linguística, o presente volume temático da revista Letras de Hoje pretende,
portanto, estimular esse debate, ainda nascente entre os linguistas brasileiros.

O dossiê inicia-se pela investigação do ditongo, tema dos quatro primeiros


artigos. De autoria de Adelaide Hercília Pescatori Silva e intitulado Organização
temporal de encontros vocálicos no Português Brasileiro e a relação entre Fonética
e Fonologia, o primeiro artigo aborda, com base na Fonologia Gestual, a diferença
entre ditongos e hiatos a partir da relação entre duração e acento, apontando para
a relevância da organização temporal nas análises fonológicas, a partir da proposta
13
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

de uma análise fonológica que incorpore informação fonética fina. O segundo


artigo, de Thais Cristófaro Silva e Ingrid Faria, Percursos de ditongos crescentes
no Português Brasileiro, ao analisar as diversas possibilidades de produção da
sequência de duas vogais finais em ditongos crescentes (hiato, ditongo, monotongo
e apagamento de vogal), sugere, com base nos pressupostos dos Modelos
Multirrepresentacionais, a emergência de consoantes diversas em posição final de
palavra, caracterizada como um novo padrão fonológico na língua. Também sobre
ditongos crescentes, o artigo seguinte, intitulado Ditongos crescentes: um conceito
fonológico ou fonético? de Lurdes Ferreira, ao examinar a percepção de estudantes
portugueses quanto ao ditongo crescente ou ao hiato a partir da realização da divisão
silábica de vocábulos com vogal alta sujeita à semivocalização, oferece argumentos
para a inexistência de glides no nível fonológico da língua portuguesa. O quarto
artigo, A palavra como lócus de análise da variação fonético fonológica, de Carine
Haupt, analisa, com base na Fonologia de Uso e Teoria dos Exemplares, o impacto
da frequência de tipo e da frequência de ocorrência de vocábulos com ditongo
decrescente terminado por glide coronal no processo variável de monotongação.
O quinto e sexto artigos apresentam descrições do sistema sonoro de línguas na
linha de Pike (1947). Em Descrição sonora da língua pomerana, Shirlei Conceição
Barth Schaeffer considera a língua pomerana falada no município de Santa
Leopoldina-ES e oferece seu inventário fonético, fonêmico e silábico. Em Descrição
fonético fonológica do Kyikatêjê, Marília de Nazaré Ferreira Silva apresenta a
descrição fonética, fonêmica e silábica da língua indígena falada no sudeste do
Pará, com destaque para os aspectos comparáveis a outras línguas geneticamente
aparentadas. O sétimo artigo, intitulado Respostas evocadas de incongruência a
categorias na percepção da fala, de autoria de Daniel Márcio Rodrigues Silva e Rui
RotheNeves, realiza uma revisão crítica sobre o papel de medidas da atividade
neuronal relacionadas ao processamento perceptivo no córtex cerebral quanto à
sensibilidade aos aspectos físicos dos sons fala e à categorização desses aspectos
pelos falantes.

Os dois artigos que encerram o dossiê envolvem pesquisas na área de


Aquisição. O artigo A influência grafo-fônico-fonológica na produção oral de
multilíngues e o papel da proficiência: uma abordagem dinâmica, de Cintia Avila
Blank e Márcia Cristina Zimmer, ao examinar, com base na Teoria dos Sistemas
Dinâmicos, o papel da proficiência linguística e da características grafo-fônico
fonológicas na produção de vogais orais por indivíduos multilíngues, falantes
de português, espanhol e inglês, encontra indícios em favor da possibilidade de
sincronia ou sintonia incompleta entre os osciladores envolvidos na produção da
fala. Em O efeito da anterioridade e da altura na identificação das vogais médias
altas e médias baixas do português brasileiro por falantes de espanhol, Juliana
Andrade Feiden, Ubiratã Kickhöfel Alves e Ingrid Finger investigam, com base no
Modelo Perceptual de Assimilação-L2, em conformidade com a Fonologia Gestual,
os efeitos da altura e da anterioridade na percepção da distinção entre vogais
médias do português brasileiro (L2) por falantes do espanhol.

A seção livre deste volume apresenta dois artigos e uma resenha. O artigo
Caracterização acústica de vogais orais na fala infantil: o falar florianopolitano, de
Lilian Elisa Minikel Brod e Izabel Christine Seara, focaliza as vogais orais tônicas
14
TÓPICO 1 | ESTUDOS DE FONÉTICA E FONOLOGIA

do português brasileiro a partir de dados de crianças florianopolitanas com idade


entre 10 e 11 anos, buscando descrevê-las a partir de parâmetros de duração relativa,
F1 e F2, trazendo contribuições relativas à caracterização acústica das vogais em
função da idade e do sexo das crianças analisadas. O segundo artigo, Investigando
processos de solução de problemas e tomada de decisão no desempenho de
tradutores profissionais durante tarefas de tradução direta e inversa, de Norma
Barbosa de Lima Fonseca, aborda os processos cognitivos presentes na execução
de uma tarefa de tradução relativos à tomada de decisão e solução de problemas
dentro de uma abordagem psicolinguística a partir da gravação de oito tradutores
profissionais durante a execução de quatro tarefas tradutórias e do monitoramento
oferecido pelo software Translog, que registrou todos os pressionamentos de
teclas realizados, e pelo rastreador ocular Tobbi T60, que gravou as sequências
de ações realizadas pelos sujeitos. Os eventos gravados foram analisados pelos
próprios sujeitos, que refletiram sobre seus próprios desempenhos. Esse conjunto
diferenciado de ferramentas permitiu a investigação das pausas observadas durante
o processo tradutório em que ocorrem os processos de solução de problemas e
tomadas de solução. Os resultados trazem contribuição para analisar o papel da
direcionalidade da tradução (português↔inglês) no processo tradutório analisado
em função da duração e natureza das pausas. Finalmente, Alessandra Baldo
comenta o trabalho de Norbert Schmitt, Researching vocabulary – a vocabular
research manual, publicado por Palgrave Macmillan em 2010, sobre pesquisa na
área de estudos a respeito do léxico, que inclui desde questões centrais até aspectos
da metodologia de pesquisa, principalmente no que diz respeito à aquisição de
vocabulário em língua estrangeira.

Gostaríamos de agradecer a todos os pesquisadores que contribuíram para


a elaboração deste volume. Boa leitura!

FONTE: Disponível em: <http://www.sk.com.br/sk-pron.html> Acesso em: 2 fev. 2017.

TURO S
ESTUDOS FU

No próximo subtópico, veremos como os sons saem do nosso organismo,


aprenderemos o que é o aparelho fonador e como ele funciona. Aprenderemos também a ler
a descrição fonética de uma palavra, o que pode parecer a parte mais difícil e, no entanto, mais
interessante da fonética. Para você ter um “gostinho” do que está para vir...

Você consegue entender o que a frase a seguir significa em inglês?

kənˈtɪnju ˈstʌdiɪŋ hɑrd

Resposta no próximo capítulo.

15
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:

• A língua é uma das características mais importantes do comportamento humano.

• Fonética e Fonologia são os dois ramos da Linguística que estudam os sons da


fala humana.

• A história do inglês está ligada aos fatos históricos que permeiam a formação da
Europa, e que ajudaram a formar os conceitos de cultura, economia, política e
língua de cada país deste continente.

• A diferença entre fonética e fonologia.

• A diferença de morfema e grafema.

• A língua inglesa e seus diferentes sons evoluíram durante os anos.

• A história de como a língua inglesa se desenvolveu ao longo dos anos.

16
AUTOATIVIDADE

1 (ENADE, 2014) Invitation to the Jenny Cheshire Lecture 2014

English in Paradise?: a new variety in the Pacific

Friday 13 June 2014 at 6.30pm

Maths Lecture Theatre, School of Mathematical Sciences, Mile End


Campus The talk aims to provide a holistic sociohistorical, political as well
as linguistic account of the process by which a new English emerges in a
colonial environment. Taking the case of the Republic of Palau in Micronesia
as an example, I will examine, first, the emergence of English in the context of
the country’s complex colonial past. Second, I attempt to apply Schneider’s
‘Dynamic Model’ of postcolonial English formation to this community. Palau
provides an interesting and important testing ground for the model, because
few communities in which English has emerged as a result of American as
opposed to British colonialism have been examined to date. Finally, I present,
based on analyses of recordings of informal conversations among Palauans,
an initial portrait of the main linguistic characteristics of Paluan English, and
assess the extent to which English is nativising in this small community.

If a foreign language teacher attends the lecture by David Britain, its


subject might help him/her prepare a class about:

a) Language variation, dialects and “Englishes”.


b) Lexical similarities and differences between world Englishes.
c) Grammatical aspects of the English language used by non-native speakers.
d) Differences between American and British English variations around the
world.
e) Dialects of the English language as a mother tongue and as a foreign
language.

2 As habilidades de produção na língua inglesa, também conhecidas como


habilidades ativas, são aquelas nas quais o falante precisa efetivamente
produzir linguagem. São elas:

a) ( ) Speaking e listening
b) ( ) Writing e reading
c) ( ) Speaking e writing
d) ( ) Reading e listening
e) ( ) Listening e writing

17
18
UNIDADE 1
TÓPICO 2

O APARELHO FONADOR E O ALFABETO


FONÉTICO (IPA)

1 INTRODUÇÃO
Aprenderemos, neste tópico, como os sons são emitidos em nosso
organismo. Você saberá diferenciar os lugares de articulação dos sons, ou seja, em
que lugar da boca os sons são produzidos. Também poderá diferenciar os sons pelo
modo como eles são produzidos. Você aprenderá o alfabeto fonético internacional
(IPA), que serve para transcrever o som de uma palavra. Também estudaremos a
diferença entre consoantes vozeadas e desvozeadas e praticaremos todo o novo
conhecimento através de exercícios. Durante este tópico, você terá muitas dicas de
estudos para aprimorar os seus conhecimentos.

2 O APARELHO FONADOR
O homem se diferencia de outros animais pelo fato de ter um mecanismo
que faz com que ele emita sons e os transforme em palavras. Este mecanismo é
chamado de aparelho fonador. Podemos afirmar que aprendemos a falar sem
saber que este aparelho existe e até mesmo como ele funciona, mas percebemos
que temos este aparelho quando pegamos um resfriado ou temos uma dor de
garganta. Nestes casos, percebemos que nosso desempenho na fala muda tanto no
volume e timbre de voz quanto na quantidade de fala, por conta da dificuldade em
respirar. Veja na figura a seguir as articulações do aparelho fonador.

19
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

FIGURA 1 - O APARELHO FONADOR – AS ARTICULAÇÕES

FONTE: Disponível em: <http://itafono.blogspot.com.br/2013/01/fonetica-e-


fonologia.html>. Acesso em: 10 jan. 2017.

A figura acima é frequentemente utilizada nos estudos da fonética. Ela


representa a cabeça humana, vista de lado como se tivesse sido cortada pela
metade. Você vai estudar com cuidado as articulações descritas nela. Para ter um
conhecimento maior sobre o aparelho fonador, sugiro que você olhe sua boca em
um espelho em um lugar bem iluminado, assim conseguirá aprender melhor.

Linguistas estudam em detalhes como o corpo humano produz os sons das


palavras. É um campo de estudos bem vasto. Mas será que sabemos as maneiras
como utilizamos os pulmões para respirar, como produzimos sons com vibrações
na laringe e como usamos a boca, dentes e lábios para modificar os sons?

De acordo com Prator (1957), todos os sons que produzimos quando


falamos são resultado dos músculos contraindo. Os músculos no peito que usamos
para respirar produzem o fluxo de ar que é necessário para quase todos os sons de
fala. Os músculos da laringe produzem muitas modificações diferentes no fluxo
de ar do peito para a boca. Depois de passar pela laringe, o ar passa pelo que
chamamos de trato vocal, que termina na boca e nas narinas. Chamamos a parte
que compreende a boca de cavidade oral e a parte que leva ao nariz de cavidade
nasal. Aqui o ar dos pulmões escapa para a atmosfera.

Temos um conjunto grande e complexo de músculos que podem produzir


mudanças na forma de produzir sons, e para aprender como os sons da fala são
produzidos é necessário se familiarizar com as diferentes partes do trato vocal.
Estas são as chamadas articulações, é aqui que começaremos nossos estudos sobre
lugar e modo de articulação dos sons (PRATOR, 1957).

Vamos estudar o que cada articulação faz?

20
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

1. A faringe é um tubo que começa logo acima da laringe. Tem cerca de 7 cm de


comprimento nas mulheres e cerca de 8 cm nos homens, e na sua extremidade
superior é dividido em dois, sendo um a parte de trás da cavidade oral e o outro
sendo o início do caminho até a cavidade nasal. Se você olhar em seu espelho
com a boca aberta, pode ver a parte de trás da faringe.
2. O palato mole ou úvula é visto no diagrama na posição que permite que o ar
passe através do nariz e através da boca. Durante a fala, a úvula é levantada de
modo que o ar não possa escapar através do nariz. Outra coisa importante sobre
o palato mole é que é um dos articuladores que podem ser tocados pela língua.
Quando fazemos o som /k/ e /g/, a língua entra em contato com o lado inferior
do palato mole.
3. O palato duro ou véu palatino é popularmente chamado de “céu da boca”. Você
consegue sentir que ele é uma superfície suavemente curvada com sua língua.
A consoante feita com a língua próxima ao palato duro é chamada de palatal,
assim como o som de /j/ da palavra “yes”.
4. O alvéolo pode ser encontrado entre os dentes frontais superiores e o palato
duro. Você pode sentir sua forma com sua língua. Sua superfície é realmente
muito mais áspera do que sente e é coberta com elevações. Você só pode ver o
alvéolo se tiver um espelho pequeno o suficiente para entrar em sua boca, como
os usados ​​pelos dentistas. Os sons feitos com a língua tocando no alvéolo são /t,
/d/ e /n/ e eles são chamados “alveolar”.
5. A língua é o articulador mais importante e pode ser movida em diferentes
lugares e de formas diferentes.
6. Os dentes (superiores e inferiores) são mostrados sempre nessas figuras na
frente da boca e apenas atrás dos lábios, não dos lados. Sabemos que temos
dentes na boca toda, mas a foto apenas mostra os dentes que importam para a
produção da fala. A língua está em contato com os dentes superiores na maioria
dos sons. Sons feitos com a língua tocando os dentes da frente são os θ (como
em “thing”) e ð (como em “father”), chamados de dental.
7. Os lábios são importantes na fala. Eles podem ser juntados quando produzimos
os sons de /p/ e /b/, podem ser colocados entre os dentes quando produzimos
os sons de /f/ e /v/ ou podem ser arredondados para produzir o som de /u/. O
som produzido quando os lábios estão em contato são chamados de bilabial,
enquanto o som produzido quando os lábios tocam os dentes chama-se de
labiodental.

Estas sete articulações descritas são as principais usadas na fala, mas temos
outras ainda, assim como a laringe, a mandíbula e o nariz. Vários órgãos também
estão envolvidos na produção de sons. Podemos dividir o aparelho fonador em
três partes, de acordo com Roach (2009):

• Respiratório: constituído pela traqueia, pulmões, brônquios e diafragma.


Encontra-se na cavidade infraglotal, ou seja, parte inferior à glote (glote é o
espaço livre entre as pregas vocálicas). Sua função principal é a respiração.
• Articulatório: é constituído pela língua, faringe, nariz, lábios e dentes; são
estruturas que se encontram na parte superior da glote. O sistema articulatório
é responsável por várias funções primárias, principalmente ao ato de comer –
morder, mastigar, sentir o paladar, cheirar, sugar e engolir.
21
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

• Fonatório: constituído pela laringe. Na laringe encontramos músculos estriados


que podem obstruir a passagem da corrente de ar – as cordas vocais, ou pregas
vocálicas. A glote é o espaço decorrente da não obstrução dos músculos laríngeos.
A função primária da laringe é atuar como válvula que obstrui a entrada de
alimentos nos pulmões por meio do abaixamento da epiglote. 

A figura a seguir tenta esclarecer melhor como isso tudo funciona em nosso
organismo.

FIGURA 2 - APARELHO FONADOR

FONTE: Disponível em: <http://fonticaarticulatria.blogspot.com.br>. Acesso em: 10 fev. 2017.

Yavas e Blackwell (2016) afirmam que utilizamos principalmente o ar


que está saindo de nossos pulmões (ar de transição) para falar. Na laringe, as
cordas vocais produzem vibrações no ar de transição. O ar vibratório passa por
outras cavidades que podem modificar o som que é finalmente articulado pelos
articuladores passivos e ativos.

• articuladores passivos (imobilizados): são compostos pelo palato duro (que é o


céu da boca), o rebordo alveolar e os dentes superiores;
• articuladores ativos (móveis): são a faringe, o velo (ou palato mole), a mandíbula
e dentes inferiores, os lábios e, acima de tudo, a língua.

Yavas e Blackwell (2016) ainda definem que a língua é um órgão tão


importante e tão flexível que os linguistas identificam diferentes regiões da língua
por nome, uma vez que estas estão associadas a sons particulares, mas não é o caso
do nosso estudo.

22
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

De acordo com a fonética articulatória, os sons produzidos na linguagem


humana são chamados  fones  ou  segmentos. Esses sons podem ser divididos
basicamente em três grupos: consoantes, vogais e semivogais (ou glides). Yavas e
Blackwell (2016, p. 5) definem que:
As consoantes, ou segmentos consonantais, são sons
produzidos com algum tipo de obstrução no trato vocal, de forma que
há impedimento total ou parcial da passagem de ar. Esses sons são
classificados de acordo com os seguintes critérios, que veremos a seguir:
1. lugar de articulação
2. modo de articulação
3. vozeamento

Vamos estudar cada um deles!

3 LUGAR DA ARTICULAÇÃO DO SOM

Yavas e Blackwell (2016, p. 6) esclarecem que o lugar de articulação de uma


consoante é a descrição pelo lugar onde a obstrução consonantal ocorre no trato
vocal de acordo com a posição da língua ou lábios. Uma definição bem sintetizada
de alguns movimentos fonéticos que produzem os sons da fala:

• Bilabial – os sons são produzidos com ambos os lábios juntos nos sons de /p/,
/b/ e /m/, assim como em “pay” (pagar), “bay” (baia), “may” (poder).
• Labiodental – os sons são produzidos com os dentes superiores e lábios
inferiores como em /v/ e /f/; como em “veal” (vitela) e “feel” (sentir).
• Interdental - os sons são produzidos com os dentes superiores e dentes
inferiores como em /θ/ e /ð/; como em “thing” (coisa) e “father” (pai). Veremos
estes símbolos com mais detalhes no Tópico 5.
• Alveolar – os sons são produzidos com a ponta da língua tocando na parte
superior dos dentes como em /t/, /d/, /s/, /n/, /l/ e /z/. Assim como em “tip”
(dica), “dip” (mergulhar), “sip” (gole), “zip” (fecho), “nip” (beliscar) e “lip”
(lábio).
• Palatal alveolar – é produzido com uma parte da língua tocando no fundo dos
alvéolos, como em /ʃ/, /ʒ/,/ʧ/ e /ʤ/, como em “fish” (peixe), “garage” (garagem)
e “rich” (rico).
• Palatal – /j/ é o único som produzido com a língua perto do céu da boca, como
em “yes”, “yellow”.
• Velar – os sons são produzidos com a língua próxima ao palato mole, também
chamado velum, como em /k/, /g/ e /ŋ/ nas palavras “back” (atrás), “bag” (bolsa)
e “sing” (cantar).
• Glotal – os sons são produzidos pelo ar passando ou parando nas cordas vocais,
como em “home” (lar) produzindo o som de /h/.

23
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

DICAS

Leia cada palavra dada como exemplo acima nos lugares de articulações e sinta
como os sons destas palavras saem do seu aparelho fonador. Articule bem as palavras!

4 MODO DE ARTICULAÇÃO DO SOM


O modo de articulação dos sons é o degrau e o tipo de obstrução de uma
consoante no trato vocal. Por exemplo, se compararmos os primeiros sons das
palavras “tip” e “sip”, vemos que o ar é obstruído na mesma área (alveolar), e em
ambos os casos, /t/ e /s/, a configuração das cordas vocais é a mesma (desvozeado).
A diferença entre os dois sons é no tipo de obstrução do fluxo do ar. Enquanto
em /t/ nós paramos o ar completamente antes de liberar o som, em /s/ nós apenas
obstruímos, mas não paramos o fluxo de ar. Em inglês, os sons são caracterizados
da seguinte maneira:

• Oclusivos  – São sons que sofrem fechamento dos articuladores (como lábios,
arcada dentária, língua, palato etc.) durante a passagem de ar. Estes sons são
vistos em /p/, /b/, /t/, /d/, /k/, /g/.
• Fricativos – São sons feitos com uma pequena abertura entre os articuladores,
permitindo que o ar escape com fricção audível, como em /θ/, /ð/, /f/,/v/, /s/, /z/,
/ʃ/ e /ʒ. Assim como em “brother” (irmão), “frog” (sapo), “vet” (veterinário).
• Africados – Acontece quando à oclusão segue-se uma fricção. Os africados
começam com paradas (fechamento completo) e terminam como as fricativas.
Ambos /ʧ/ e /ʤ/ são produzidos no palato alveolar. Estes símbolos são usados
nos sons das combinações de /t/ e /d/ com fricativos /ʃ/ e /ʒ/, respectivamente.
São sons como em “church” (igreja) e “judge” (juiz).
• Nasais  – São sons que, em sua pronúncia, o ar expirado ressoa na cavidade
nasal por encontrar abaixados a úvula e o véu palatino. Encontrados em /m/, /n/
e /ɲ/. Se compararmos o som inicial de /b/ como em “beat/ e em /m/ como em
“meat”, vemos que eles compartilham o mesmo lugar da articulação (bilabial)
e vozeamento (vozeado). A diferença entre eles reside na abertura velofaríngea
e nos canais do fluxo de ar de saída. Na produção de /m/, o velum é abaixado
e a passagem velofaríngea é aberta. Assim, após a libertação do fecho, o ar sai
através da cavidade nasal, bem como através da cavidade oral. Na produção de
/b/, ao contrário, o velum é levantado e a passagem fechada. Consequentemente,
a única saída para o fluxo do ar é a cavidade oral.
• Laterais – São sons pronunciados ao fazer passar a corrente de ar nos dois cantos
da boca ao lado da língua. /l/ e /r/.                   
• Glides – São sons pronunciados com pouca circulação de ar. Na verdade, a
circulação é tão pequena que são considerados semivogais e não consoantes,
como em /w/ e /j/ (YAVAS; BLACKWELL, 2016 p. 6-7).

24
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

Veja no próximo tópico o Alfabeto Fonético, que mostra o modo e lugar de


articulação das vogais e consoantes para entender melhor o exposto aqui.

DICAS

Assista ao vídeo para entender um pouco sobre como nosso aparelho fonador
produz nossa voz: <https://www.youtube.com/watch?v=auzYrSpez8Y>. Acesso em: 22 fev.
2017.

5 O ALFABETO FONÉTICO (IPA)


Antes de falarmos sobre o alfabeto fonético, você saberia dizer quantas
vogais e consoantes existem no nosso alfabeto? Você diria que a quantidade é a
mesma no alfabeto em inglês? Saberia também comparar a quantidade de sons
diferentes do alfabeto americano e do português? Vejamos se você acertou.

Em português existem cinco vogais e dezoito consoantes. No inglês,


temos cinco vogais também, mas vinte e uma consoantes. A diferença
está no número de sons que as vogais e consoantes possuem nas duas
línguas. Em português, para as cinco vogais, podemos emitir sete
sons. Já no inglês, as cinco vogais produzem doze sons diferentes. Nas
consoantes, o português tem dezoito consoantes com dezenove sons
diferentes. Já no inglês, as vinte e uma consoantes têm vinte e quatro
sons diferentes (GODOY; GONTOW; MARCELINO, 2006, p. 34).

Como podemos ver, no alfabeto americano temos um número maior de sons


do que em português. Assim, para não errar na representação dos sons da língua
humana, fonólogos e foneticistas empregam alfabetos fonéticos, construídos para
caracterizar precisamente cada símbolo. O mais conhecido deles e o atualmente
utilizado é o Alfabeto Fonético Internacional, conhecido como IPA (International
Phonetic Alphabet).

Você conseguiria imaginar quem inventou o primeiro alfabeto fonético?


Você vai ficar surpreso ao saber que quem inventou o primeiro desses alfabetos foi
Alexander Melville Bell (em 1867).

Does it ring a bell? (Expressão utilizada em inglês para dizer, “Isso te lembra
algo?”, é uma brincadeira com a palavra “bell” e o sobrenome “Bell”). Ele foi o pai
do inventor do telefone, Alexander Graham Bell. Incrível, não é mesmo? De acordo
com o site International Phonetic Association, Alexander Melville Bell chamou este
alfabeto de Visible Speech e ele tinha uma qualidade incrível em mostrar a estrutura
dos símbolos e como os sons eram produzidos. Esse alfabeto foi depois melhor
desenvolvido por Henry Sweet, um foneticista britânico, aluno de Bell. Henry
chamou seu alfabeto de “Romic Alphabet”. Em 1886, a Associação Internacional de
Fonética, a International Phonetic Association, foi fundada e baseou seu alfabeto no
25
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

alfabeto de Henry. O IPA, mencionado acima, teve várias modificações, mas ainda
é o que está em uso e que será alvo dos estudos deste caderno.

Conhecer e entender o Alfabeto Fonético em inglês, em que cada símbolo


representa um som, é muito importante para aprender a pronúncia correta das
palavras. Aliás, a pronúncia das palavras em inglês tem relação com a separação
silábica, que veremos na Unidade 3.

Você sabia que a separação de sílabas em inglês é bem diferente da


separação de sílabas em português?

Em inglês, a separação tem relação com o número de sílabas que a palavra


tem. Portanto, cada sílaba é um som. Veja no exemplo a palavra ORIGINAL, em
inglês – se usarmos nossa experiência de falantes de língua portuguesa, podemos
dizer que a palavra “original” se separa em quatro sílabas (o - ri - gi - nal), certo?
Sim, são quatro sílabas em inglês também, mas as sílabas em inglês se separam de
acordo com o seu som.

Portanto, a palavra original em inglês se separa assim: (or – ig – in – al).


A transcrição fonética desta palavra é /ə-rĭj′ə-nəl/. Para saber isso, você precisa
conhecer os símbolos fonéticos. Os melhores dicionários já apresentam as palavras
com sua representação fonética e com a separação de sílabas, representada pelos
pontos (or.ig.in.al) no meio das sílabas.

DICAS

Como os dicionários já estão mais acessíveis hoje na internet e em celulares,


seguem algumas sugestões de dicionários para vocês utilizarem durante nossos estudos.
Os melhores são o The Free Dictionary <http://www.thefreedictionary.com>, Merriam-
Webster (https://www.merriam-webster.com) e o dicionário de Cambridge <http://dictionary.
cambridge.org>.

ðə fənɛ́tɪk ǽlfəbɛ̀t ɪ́z nát dɪ́fəkəlt tú lə́rn

A frase acima parece bem difícil de entender, mas assim que você ficar mais
familiarizado com os símbolos fonéticos, verá que não é tão complicado quanto
parece. Depois de estudarmos o alfabeto fonético internacional, volte nesta frase e
tente decifrá-la.

O alfabeto IPA – International Phonetic Alphabet – é um sistema de símbolos


fonéticos, baseado no alfabeto latino, criado como uma forma de representação
padronizada dos sons do idioma falado. Estes símbolos foram feitos para
representar apenas as características da fala que podem ser distinguidas nos
fonemas, na entonação e na separação de palavras e sílabas. Embora a maioria dos
26
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

alfabetos seja projetada para representar apenas uma língua, o IPA representa os
sons de qualquer uma das línguas do mundo (ROACH, 2009).

Você sabia que a palavra ALPHABET vem das letras gregas alpha e beta, e
das letras hebraicas aleph ebet?

O IPA surgiu em 1886, quando um grupo de professores de línguas reuniu-


se em Paris para ajudar as crianças a aprender a ler e a melhor pronunciar línguas
estrangeiras. O grupo tornou-se eventualmente conhecido como a Associação
Fonética Internacional. O grupo determinou-se a criar um alfabeto universal para
descrever os sons de qualquer língua no mundo. De acordo com Roach (2009),
depois de 125 anos de trabalho e numerosas revisões, surgiu com a sofisticada
versão do IPA.

O IPA é dividido em seis partes diferentes, que serão vistas aqui em forma
de quadros e figuras. Cada parte representa diferentes aspectos da classificação de
som. Não veremos todos em detalhes, somente os que mais são importantes para
nossos objetivos. Veja como é o alfabeto fonético do IPA:

27
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

FIGURA 3 - ALFABETO FONÉTICO

FONTE: Disponível em: <https://www.internationalphoneticassociation.org/redirected_home>.


Acesso em: 2 jan. 2017.

28
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

Cada um dos símbolos do IPA representa o vozeamento (se as pregas ou


cordas vocais estão ativas durante a produção de som), o lugar de articulação
(onde o som é produzido) e o modo de articulação (como um som é produzido)
para as consoantes. Para as vogais, cada símbolo do IPA representa a altura
(posicionamento vertical da língua), avanço (posicionamento horizontal da língua)
e especificações de arredondamento dos lábios (se os lábios são abertos ou fechados
para a produção de som).

A primeira parte da figura acima representa os sons das consoantes das


línguas do mundo. As consoantes são sons produzidos bloqueando parcial ou
totalmente a via aérea oral durante a fala. Ela mostra 59 símbolos diferentes,
distribuídos em colunas que demonstram o lugar da articulação do som, e em
fileiras demonstrando o modo de articulação do som. Onde quer que seja aplicável,
pares de sons vozeados e não vozeados são listados lado a lado, com o símbolo
das consoantes não vozeadas à esquerda e o símbolo das consoantes vozeadas à
direita, exemplo: /v/ e /f/.

Portanto, como visto acima, cada símbolo do IPA é definido por seu
vozeamento, lugar e modo de articulação. Já estudamos o lugar e modo de
articulação, veremos o vozeamento com mais detalhes no próximo tópico.

Vamos ver se você entendeu como ler o primeiro bloco do Quadro 1, veja
a seguir que /p/ é uma consoante bilabial oclusiva não vozeada. Olhando o /v/,
vimos que ele é uma consoante labiodental fricativa vozeada.

QUADRO 1 – AS CONSOANTES

FONTE: Disponível em: <https://www.internationalphoneticassociation.org/redirected_home>.


Acesso em: 2 jan. 2017.

Viu como não é tão difícil assim? Vamos recapitular:

1. No topo da coluna você acha o lugar de articulação da consoante.


2. No lado esquerdo da coluna você acha a forma de articulação da consoante (Se
o caractere está no lado esquerdo da célula, ele é desvozeado, caso contrário, é
vozeada. Se um caractere está no meio, ele é vozeado).

29
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

Para o quadro das vogais (vowels) na Figura 4, temos um layout físico de


vogais, como elas são produzidas na boca. Nesse quadro, na direção vertical, as
vogais são representadas por quão perto a língua está no topo da boca, conhecida
como alta. Ao contrário, a vogal pode ser produzida com um trato vocal aberto,
conhecido por deixar a língua baixa. Em termos de direção horizontal, a língua
pode ser descrita como posicionada na parte frontal, central ou posterior da boca.
Onde os símbolos são em pares, o símbolo mais à direita é produzido com os lábios
arredondados (lipround). Arredondamento de lábios tem o efeito de dar à vogal um
som mais baixo e bastante oco. Quando as vogais aparecem em pares, o símbolo da
direita representa uma vogal arredondada.

A melhor maneira de se familiarizar com o alfabeto fonético é praticar


os diferentes sons. Praticar vai ajudar você a entender melhor como esses sons
são diferentes e porque os quadros do IPA são organizados como são. Falando e
ouvindo os sons pode ajudar a memorizar os sons. Veja algumas dicas de como
praticar.

Para facilitar um pouco, o British Council disponibiliza gratuitamente e


para fins educacionais o esquema da figura a seguir, com os sons de cada símbolo
fonético isoladamente.

FIGURA 4 - QUADRO DE PRONÚNCIA DOS SONS

FONTE: Disponível em: <http://www.teachingenglish.org.uk/>. Acesso


em: 22 mar. 2017.

30
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

DICAS

Abra o link <https://www.teachingenglish.org.uk/article/phonemic-chart/> e


ouça os sons das consoantes, vogais e ditongos em inglês. Você também consegue baixar o
gráfico acima em seu computador para fazer os exercícios.

Enquanto o IPA tem 59 símbolos, o site indicado mostra apenas alguns.


Esses emblemas são os símbolos mais ensinados em sala de aula. Não deixe de
ouvir e repetir todos eles!

Observe na figura acima que os símbolos são divididos pelos sons das
letras ou fonemas. A seguir trazemos a relação da divisão e como o som de cada
fonema é representado nas palavras em parênteses:

• Consoantes: p (part), b (boat), t (ten), d (dark), k (cold) , g (gold), m (man), n


(next), ŋ (ring), f (far), v (very), θ (think), ð (mother), s (send) , z (zoo), ʃ (shoes),
ʒ (pleasure), h (home), ʧ (church), ʤ (age), r (rest), l (let), j (yes), w (when).
• Vogais: i: (sea) ɪ (sit), e, aqui representado pelo ɛ (get), æ (am), a: (car), ʌ (but),
aqui representado por ɑ (not), ɔ: (saw), ʊ (put), ʊ: (boots), ɜ (bird), ə (maker,
doctor).
• Ditongos: eɪ (say), aɪ (eyes), ɔɪ (toy), əʊ (snow), aʊ (now), eə (care), ɪə (near), ʊə
(tour).

Não se assuste! Se você analisar bem, já conhece a maioria dos símbolos,


pois são parecidos com o português, portanto, não são tantos símbolos novos para
aprender, não é mesmo?

Os símbolos que não são familiares provavelmente são os sete seguintes:

• θ e ð = ambos se referem ao som do th – /θ/ é usado com a língua no meio dos


dentes, como em “think”, “thought” e o /ð/ – o som é como em “mother”, a
língua encosta nos dentes, mas não tem o som vibrado como o anterior, como
em “mother”, “father”;
• ʃ = geralmente usado para palavras que são escritas com sh, como em “shoes”,
“show”, “shine”;
• ʧ = geralmente usado para palavras que são escritas com ch, como em “China”,
“check”, “church”;
• ʒ = geralmente usado para palavras que têm um s entre vogais. É o som de
“measure”, “casual”, “pleasure”;
• ʤ = usado nas palavras escritas com “j” ou “g”, como em “jail”, “George”,
“gentleman”;
• ŋ = som nasal usado nas palavras escritas com “ng” ou “n” antes de “k” e “g”,
como em “doing”, “long”, “thank”.

31
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

Algumas particularidades dos símbolos:

• O símbolo ə é sempre usado para descrever qualquer vogal fraca, ou seja, que
não seja sílaba tônica, por exemplo, na palavra “doctor” /ˈdɒktə/.
• O acento antes de alguma sílaba, por exemplo, /ˈdɒktə/ serve para informar que
a próxima sílaba é tônica “dóctor”.
• Som de consoante geralmente tem som de consoante, assim como em português
(b em boi, banana), somente alguns sons são diferenciados, como em “church”
(a maioria das palavras escritas com “CH” tem som de /ʧ/).

Com base na explicação acima, as palavras a seguir seriam descritas


foneticamente assim:

• Teacher: /ˈtiːʧə/
• Show: /ʃəʊ/
• Talented: /ˈtæləntɪd/
• Nervous: /ˈnɜːvəs/
• Ought: /ɔːt/
• Could: /kʊd/
• Other: /ˈʌðə/
• Bread: /brɛd/
• Alone: /əˈləʊn/
• Shall: /ʃæl/

6 VOZEAMENTO: CONSOANTES VOZEADAS E


DESVOZEADAS
Podemos concluir que para emitir um som, o ar deve sair dos pulmões e ir para
a traqueia, que pode vibrar ou não na laringe. O som então sairá pela boca ou nariz.
Além de fazer todos os movimentos acima explicados, para emitir um som temos
que respirar. Quando inspiramos, a cavidade nasal ou bucal abre completamente
para permitir que o ar entre. Quando expiramos, duas coisas podem acontecer:
ou a glote abrirá e o ar fluirá livremente ou a boca ou nariz farão a passagem do
ar ficar mais estreita (WISE, 1957). Na fala, a cavidade oral atua como um volume
continuamente variável para modificar o tom produzido na laringe na produção de
vogal e como uma câmara de obstrução através da qual o ar exalado é direcionado
para criar algumas consoantes. Se a nossa corda vocal vibra quando o ar sai, então
produzimos um som vozeado, em inglês, dizemos voiced sound. Se a corda vocal não
vibrar, nós produzimos um voiceles sound, ou desvozeado.

Um som é vozeado quando a corrente de ar que vem dos pulmões encontra


as cordas vocais fechadas, fazendo-as vibrar, produzindo o som vozeado como
o percebido na palavra “buy”. Um som é desvozeado quando a corrente de ar
que vem dos pulmões encontra as cordas vocais abertas, não ocorrendo vibração
e produzindo o som surdo percebido na palavra “fish”. Para testar, coloque seu
dedo na garganta e fale as palavras dos exemplos acima.

32
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

NOTA

todas as vogais são vozeadas = a, e, i, o, u, y (como em city)

Em inglês, as consoantes vozeadas e desvozeadas são:

• Consoantes Desvozeadas – São consoantes pronunciadas sem esforço vocal, ou


seja, as cordas vocais não apresentam vibração. Sendo elas: /f/, /k/, /p/, /t/ e /ʃ/.
• Consoantes Vozeadas – São as consoantes pronunciadas com esforço vocal, ou
seja, as cordas vocais apresentam vibração. São elas: /b/, /d/,/g/, /ʒ/, /r/, /m/, /ɲ/,
/p/, /v/, /z/ e /l/.

Veja no quadro a seguir quais são os sons vozeados e desvozeados:

QUADRO 2 - CONSOANTES VOZEADAS E DESVOZEADAS

FONTE: Disponível em: <http://stuffphonetic.blogspot.com.br>. Acesso em: 2 jan. 2017.

Para saber identificar um símbolo do outro, vamos aprender o que significa


“minimal pairs”, ou pares mínimos. Os pares mínimos acontecem quando duas
palavras diferem por apenas um som. Por exemplo: /bæt/ e /bit/ (“bat” e “beet”).
Pares mínimos nos ajudam a identificar os diferentes fonemas de uma palavra.
Se você ficar em dúvida quando ouve um som, por exemplo, o som nasal /ŋ/,
você pode contrastar com um par mínimo. Por exemplo, a palavra “sin” (pecado)
aqui transcrita como /sɪn/. Se você estiver em dúvida de como pronunciá-la, tente
diferenciar com o som de /ŋ/, como em sing (cantar), transcrito como /sɪŋg/. Assim
você pode ter uma garantia a mais da pronúncia de uma palavra.

33
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

DICAS

Ouça os exemplos de pares mínimos nos exercícios do site Expresso English


<https://www.espressoenglish.net/minimal-pairs-english-pronunciation-exercises-vowels/>.

Nos exemplos do quadro acima é fácil notar que /m/, /p/ e /b/, que soam
exatamente como eles são soletrados em português, como em “mat” (colchão),
“pat” (tapinha nas costas) e “bat” (morcego). Todas essas consoantes são oclusivas
(sons feitos bloqueando o ar na boca), sendo o primeiro nasal e os dois últimos orais.
Note que na parte inferior da coluna bilabial você também encontra os símbolos /w/-
vozeado e /ʍ/-desvozeado que também são encontrados na coluna velar. Esses sons
são considerados labiovelar, ou seja, as articulações são feitas simultaneamente nos
lugares de articulação labial e velar. As articulações labiovelares são articulações
chamadas de “articulações duplas” e são relativamente complexas. Não será o
caso para o nosso estudo, mas você poderá ver esta articulação novamente neste
caderno, então é bom saber o que significa (WISE, 1957).

Avançando para a próxima coluna, os sons labiodental /f/ e /v/ também são
fáceis de aprender e de transcrever. Lembre-se de que estamos falando do som e
não da escrita da palavra. Você encontra o som desvozeado da consoante /f/ nas
palavras “free” (livre), “fire” (fogo), “phone” (fone) e “enough” (suficiente). E o
som vozeado labiodental fricativo em “vibe” (vibrar), “river” (rio) e em “Dave”
(nome próprio). Pronuncie essas palavras e preste atenção no som produzido
nesse fonema específico. Sinta em sua boca como o som é produzido, a posição
dos seus lábios e da língua.

Um som que todo estudante confunde é o som do dental-fricativo /θ/ e /ð/.


O som de /θ/ é desvozeado em palavras como “thing” (coisa), “thick” (espesso),
“method” (método) e “bath” (banho). Enquanto isso, você encontra o som vozeado
fricativo /ð/ em palavras como “those” (aqueles/aquelas), “this” (este, esta), “lather”
(espuma), “brother” (irmão) e em “breathe” (respirar).

DICAS

Se você colocar sua mão sobre sua laringe e sentir uma pequena vibração, é
porque o som é vozeado.

Muitos sons de consoantes são feitos nos alvéolos, popularmente


conhecidos como o céu da boca. Esses sons incluem /t/,/d/,/n/,/s/,/z/, e /l/. Vamos

34
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

ver em detalhes como estes sons são produzidos com base nos estudos de Gleason
(1977):

• /t/ e /d/: estes sons são bem diretos em inglês. Por exemplo, você pode ver o
som de /t/ nas palavras “tick” (assinalar), “steel” (aço) e “pit” (cova). Assim
como você encontra o som de /d/ nas palavras “dome” (cúpula), “drip” (gota) e
“loved” (passado de amar). Mas, na posição média, ou seja, no meio da palavra,
o inglês americano tem a tendência de mudar o tradicional /t/ e /d/ para algo
chamado de “flap”, o que significa que um articulador rapidamente se move
contra outro sob a influência de uma corrente de ar, sem tempo suficiente para
construir qualquer tipo de explosão, de modo que ele soe como uma consoante
de parada total. Por exemplo, observe que o /t/ em “Betty” não é o mesmo /t/
como em “bet” (aposta) – mas soa como uma junção entre a /t/ e /d/ - um evento
de vozeamento curto. /n/: alguns sons, como o /n/, são fáceis de transcrever
quando se é iniciante em fonética, pois eles são fáceis de reconhecer. Você pode
achar este som nas palavras “nice” (legal), “pan” (panela), “honor” (honra).

• /s/ e /z/: os sons fricativos são relativamente diretos, como o /s/ em “sail” (velejar),
“rice”(arroz) e “receipt” (cupom fiscal), e o som /z/ nas palavras “zipper”
(zíper), “fizz” (borbulho) e “runs” (3ª forma do singular de run – correr). Mas,
note que você pode ser enganado aqui com a escrita de uma palavra, como em
“runs”, que é escrita com “s”, mas pronunciada com o som de “z”. Portanto,
fique atento!

• / / e /l/: esses sons são feitos no lugar de articulação alveolar. Approximants


(laterais) são sons feitos por trazer os articuladores próximos o suficiente para
moldar o fluxo de ar, mas não tão perto que o ar é parado ou que haja algum
atrito. Podemos ver o som da consoante / / nas palavras “rice”, “careen”
(desviar) e “croak” (tipo de som, parecido com o emitido pelos sapos). Mas,
perceba que este som é parecido com a letra r, mas de cabeça para baixo, isso
acontece porque no IPA o símbolo /r/ corresponde a um som diferente, assim
como o pronunciado nas palavras “burro” e “trilled” (sonido). O som do /l/ é
outra consoante interessante, pois ela ocupa lugar em duas colunas na tabela.
O som pode ser de um /l/ leve ou fraco ou de um /l/ mais pesado ou fechado.
Se ele for leve, o símbolo será /l/ e é produzido na crista alveolar (alveolar). Ele
sempre é feito no início de uma sílaba, por exemplo, “light” (luz), “leaf” (folha)
e em “load” (carregamento). Quando o /l/ for produzido na posição posterior
da boca (velar), o símbolo é / / e ele sempre acontece no final das palavras, por
exemplo, “waffle”, “full” (cheio) e “call” (chamar).

DICAS

Pronuncie o /l/ na sílaba “la” e segure o /l/ enquanto puxa o ar através da boca.
Você vai sentir um ar fresco nos lados da língua, mostrando que esse é um som lateral.

35
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

Os sons que acontecem no palato alveolar consistem em dois modos de


articulação: fricativos e os africados, vejamos a diferença conforme Gleason (1977).

• Fricativos: os sons fricativos são representados pelos símbolos /ʃ/ e /ʒ/. O símbolo
/ʃ/ é pronunciado em palavras como “ship” (navio), “nation” (nação), “mission”
(missão), “wash” (lavar) e “sure” (certeza). Esses sons são desvozeados. Já o
símbolo /ʒ/ é vozeado e é pronunciado em palavras como “measure” (medida),
“leisure” (lazer), “rouge” (tipo de vermelho) e em “derision” (ridicularizar).

• Africados: os africados /ʧ/ e /ʤ/ são sons que começam abruptamente e


continuam em uma fricção prolongada. Alguns exemplos do som desvozeado
de /ʧ/ são as palavras “chip”, “chocolate”, “feature” (característica) e “watch”
(relógio). Quando o som é vozeado, o símbolo é o /ʤ/ e pode ser encontrado nas
palavras como “George”, “region” (região), “midget” (anão) e “judge” (juiz).

DICAS

Se você não sabe quais são vozeadas ou não, fale a palavra em voz alta, coloque
a sua mão sobre sua laringe e sinta uma pequena vibração nas palavras vozeadas.

• O som /j/ do lugar de articulação palatal é interessante. Você geralmente encontra


esse som nas palavras “yes”, “youth” (juventude) e “yellow” (amarelo). No
entanto, ela pode ocorrer nas palavras “few” (pouco/a), “cute” (fofo/a) e “mute”
(mudo/a).

• Três sons de consoantes nas posições velar e glotal são aqui representados pelos
símbolos /k/ e /g/ e /h. O som /k/, por exemplo, pode ser visto nas palavras
“skin” (pele) e “excess” (excesso). O /g/ pode ser visto nas palavras “fog” (névoa)
e “girl” (menina). Já o som /h/ acontece no final da boca na região da glote.
Glote é o espaço compreendido entre as pregas vocais e a garganta. A glote tem
forma triangular e se fecha na produção das vogais, das consoantes sonoras e
dos glides, quando o fluxo de ar, ao passar através das pregas vocais levemente
relaxadas, ocasiona a sua vibração, a que se dá o nome de voz ou sonoridade.
Quando você causa este ar de soar ali, você consegue o som de /h/, como visto
nas palavras “hello” (oi), “hot” (quente), “who” (quem).

UNI

O que você está achando até agora? Dê uma boa revisada no conteúdo acima
antes de partirmos para o estudo das vogais. Assim, você terá mais confiança ao produzir e
entender como os sons funcionam!

36
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

Os sons das vogais são mais difíceis que as consoantes em inglês, pois
elas são produzidas com menos precisão da posição da língua na boca. Os sons
de vogais podem ser diferentes de acordo com um sotaque, por exemplo, com o
inglês americano e com o inglês britânico. Veja as vogais mais comuns na figura “O
aparelho fonador – as articulações”.

As vogais são produzidas com relativamente pouca obstrução do ar no


trato vocal, que é diferente das consoantes. Os fonéticos descrevem a forma como
as pessoas produzem as vogais em termos diferentes do que as consoantes.

Os lugares da articulação dos sons das vogais são descritos como “anterior”,
“central” e “posterior” e o modo de articulação em “aberta ou alta”, “média” e
“fechada ou baixa”. Neste caderno usaremos os termos “aberta e fechada”.

Para entender melhor, vamos começar com você produzindo alguns sons.

Ouça e pronuncie em voz alta as cinco palavras sugeridas em seguida.


Essas cinco palavras incluem exemplos de vogais no lugar de articulação anterior
de modo fechado a aberto. Ouça a pronúncia correta das seguintes palavras em um
dos dicionários sugeridos anteriormente: “heed”, “hid”, “hayed”, “head” e “had”.
Não temos a tradução destas palavras como antes, pois o objetivo aqui é sentir o
som das vogais. Ouça várias vezes cada palavra e a pronuncie em voz alta. Sinta
a diferença dos sons da vogal em seu aparelho fonador. Faça o mesmo com as
palavras com o som /i/ “fleece”, “pea” e “key”. O mesmo com as palavras de som
/ɪ/ “tip”, “thick” e “rid”. Você conseguiu perceber a diferença entre os sons /i/
(representado pelo i minúsculo) e o /ɪ/ (representado pelo i maiúsculo)? Se ainda
não conseguiu, tente ouvir as palavras novamente nos dicionários on-line sugeridos
acima (YAVAS; BLACKWELL, 2016).

As vogais no lugar de articulação anterior são produzidas com a ponta


da língua logo atrás dos dentes. Encontramos esse som “ee” como em “heed”,
transcrito no IPA como /hid/. Pronuncie esse som três vezes. Este é um som de
vogal na posição anterior e de modo de articulação fechado. Depois, tente falar
as palavras “hid”, “hayed, “head” e “had”, nesta ordem. Você acaba de falar as
vogais da posição anterior: /ɪ/, /e/,/ɛ/ e /æ/. Enquanto você pronuncia, note que sua
língua fica na frente da sua boca, mas a língua e a mandíbula declinam porque a
vogal se torna progressivamente fechada ou alta (YAVAS; BLACKWELL, 2016).

Agora vamos ver as vogais no lugar de articulação posterior, assim como


na palavra “boot” (botas) que faz o som /u/, uma vogal posterior fechada. Veja a
pronúncia correta da palavra no dicionário on-line sugerido, ouça e repita várias
vezes. Depois, faça o mesmo com as palavras “book” e “boat”. Você deve sentir
que sua língua abaixa na boca, com um estreitamento encontrado ainda na parte
posterior.

Os próximos dois sons são alguns dos mais difíceis de distinguir, então não
se desespere se não pode decifrá-los imediatamente. Pronuncie as palavras “law”
e “father”. Estas duas palavras contêm as vogais no modo de articulação aberto
37
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

“o”, representada foneticamente pelos símbolos /ɔ/ como em “saw” e /ɑ/ como em
“not”, respectivamente nas palavras acima. A maioria dos alunos tem dificuldades
em diferenciá-las. Estas vogais também aparecem em outros dialetos do inglês,
fazendo ficar a distinção ainda mais difícil (YAVAS; BLACKWELL, 2016).

Os sons do modo médio são os mais fáceis, mas temos alguns detalhes
para aprender. O som “uh” inclui os símbolos /ə/ (conhecido com schwa) e o /ʌ/
(conhecido como wedge), assim como nas palavras “the” e “mud”. Estes sons podem
parecer iguais para você, não se assuste. A diferença aqui está na ênfase linguística
da palavra, porque palavras com conteúdo linguístico são substantivos, verbos
e adjetivos (por exemplo, “mud” e “cut”) produzidos com uma leve abertura
da mandíbula. Já os artigos em inglês “the”, “an e “a” tendem a ser produzidos
sem ênfase. Para resumir, o “schwa” sempre será usado para sons de vogais não
enfatizados ou sem entonação. Alguns dicionários trazem o som /ər/ – que nada
mais é do que o “schwa” + a letra “r”, que se refere a uma palavra em que não há
ênfase na vogal que segue com um r, por exemplo, na palavra “color” (kŭl′ər) – a
ênfase é na primeira vogal e a última não tem ênfase, portanto, utilizamos /ə/ o
“schwa” seguida de “r”, por isso o /ər/.

Para terminar esta parte sobre o aparelho fonador e os detalhes que vimos
do lugar de articulação do som e o modo de articulação do som, fique atento à dica
que vai fazer você entender um pouco melhor sobre fonética, e você irá se divertir
ao mesmo tempo.

DICAS

Assista ao filme “My Fair Lady”. É um musical baseado na peça teatral Pygmalion,
de George Bernard Shaw. O filme mostra um foneticista britânico tentando fazer uma menina
de classe baixa trocar o sotaque de interior dela pelo inglês britânico mais “apropriado”. É uma
boa lição de fonética.

Lembre-se, não existe sotaque correto ou mais apropriado. Como hoje em


dia os falantes da língua inglesa estão espalhados pelo mundo todo, ouviremos
vários sotaques. Temos é que entender as regras da fonética e fonologia para não
falarmos errado, mas nunca é demais saber diferenciar sotaques.

Você lembra da frase do começo do tópico? Você acha que já consegue


entender o que ela quer dizer? Veja se acertou:

ðə fənɛtɪk ælfəbɛt ɪznat dɪfəkəlt tu lərn = (The phonetic alphabet is not


difficult to learn)

38
TÓPICO 2 | O APARELHO FONADOR E O ALFABETO FONÉTICO (IPA)

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar o alfabeto mais um pouco?

1. Transcreva as palavras a seguir usando os símbolos fonéticos:

a. Late ______________ e. Children___________


b. Said______________ f. Went______________
c. Rumour___________ g. Learning___________
d. Reason____________ h. Vision_____________

i. Edge______________ k. House_____________
j. Raise______________ l. Hill_______________

Tente fazer a descrição e depois veja as respostas em Lingorado – IPA


Phonetic Transcriptionof English Text <http://lingorado.com/ipa/>.

39
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:

• O alfabeto fonético e como transcrever o som de uma palavra.

• As funções do aparelho fonador.

• Vimos com detalhes os lugares e modos de articulação do som da fala.

• Existem sons parecidos, mas que são produzidos em lugares de articulação


diferentes.

• Existem palavras vozeadas e desvozeadas e vimos com detalhes os sons das


vogais e das consoantes.

40
AUTOATIVIDADE

1 Complete as frases:

a) Sons bilabiais são produzidos com ambos os_______________.


b) Sons labiodentais são produzidos com os _______________ superiores e
_______________ inferiores.
c) Sons dentais são produzidos com a ponta da língua entre os ___________.
d) Sons alveolares são sons produzidos com a ponta da _______________
tocando a parte superior dos dentes.
e) Sons palatais são produzidos com a sua _______________ perto do palato
duro.
f) Sons velares são produzidos com a língua próxima ao _______________ mole,
também chamado velum.
g) Sons glotais são produzidos pelo _______________passando ou parando nas
cordas vocais _______________.

2 Quais dessas palavras você acha que são vozeadas e desvozeadas?

1. Washed 6. Traveled 11. Coats 16. Gloves


2. shells 7. watched 12. Started 17. changed
3. Books 8. Wheels 13.Lived 18. Dreams
4. Seats 9. Dropped 14. Exchanged 19. Globes
5. Phones 10. Carts 15. Listened 20. orgazined

3 Analise se a parte de articulação das palavras a seguir é igual (i) ou diferente


(d):
Exemplo: now – pneumonia (i) – alveolar

Sun – sugar (d) – alveolar vs. Palato-alveolar


Goose – gerrymander ______________________________________
Simple – shackle___________________________________________
Curious – cereal___________________________________________
Phonetic – fictional_________________________________________
Manners – wicker__________________________________________
Normal – location__________________________________________
Wander – yesterday________________________________________
Those – Thursday_________________________________________
Scissors – zíper___________________________________________
Temperate – chestnut______________________________________
Chromosome – chief_______________________________________
Baker – delegate__________________________________________
Happened – usual_________________________________________
Neuron – Market__________________________________________
Painting - broccoli_________________________________________

41
4 Analise se o modo de articulação das palavras a seguir é igual (i) ou diferente
(d):

Exemplo: bomb – ten (i) – nasal


rough – zip (d) – fricativa vs. oclusiva
Álbum – broken_________________________________________
ideal – keepsake_________________________________________
prologue – confine________________________________________
aqueous – sociable_______________________________________
variable – watch_________________________________________
waste – adage___________________________________________
barometer – finish________________________________________
inch – gauge____________________________________________
fiord – equip____________________________________________
barb – relief____________________________________________
alive – fiftieth___________________________________________
laughing – hydraulic______________________________________
opulence – paramedic_____________________________________
outrage – swivel_________________________________________
dominion - eminent______________________________________

5 Circule as palavras que:

Começam com um som fricativo:


Foreign, theater, tidings, hospital, cassette, shroud
Contêm uma vogal na posição posterior:
Putter, boost, roast, fraud, matter, hospital
Começam com um som vozeado oclusivo:
Government, pottery, taxonomy, jury, phonograph, sister
Terminam em um som alveolar:
Went, atom, rigor, column, multiple, garnish

6 Coloque os símbolos fonéticos para cada som:

Oclusivos desvozeados: /p/, ____________________________


Fricativos vozeados:_________________________________
Nasals: ___________________________________________

7 Transcreva apenas o símbolo das vogais das seguintes palavras:

Bread /e/____________
Rough_________________
Foot___________________
Hymn__________________
Pull___________________
Cough_________________
Mat___________________
Friend ________________
42
UNIDADE 1
TÓPICO 3

SONS DIFERENCIADOS

1 INTRODUÇÃO
Veremos, neste tópico, alguns sons que se diferenciam dos estudados
anteriormente. Veremos palavras que possuem letras silenciosas, ou seja, não
pronunciadas. Também estudaremos palavras que se escrevem de forma igual,
mas têm pronúncia diferente e palavras com escrita diferente, mas com a mesma
pronúncia. Prontos para mais uma aventura fonética?

2 SILENT LETTERS / LETRAS NÃO PRONUNCIADOS


Você já sabe que todas as transcrições fonéticas aqui estudadas são
representadas por símbolos, e nunca se pode confundir com a palavra escrita. A
ortografia (escrita das palavras) em inglês é caracterizada pela presença de letras
não pronunciadas, como “t” da palavra “listen” (ouvir) transcrita como /lisn/.

Esse fenômeno acontece em português também. Você já notou que a letra


H não é pronunciada na palavra “hora”, e a letra U não é pronunciada na palavra
“quilômetro”? Em inglês, essas mudanças começaram no período do Middle
English, visto no Tópico 1, quando palavras foram sendo adicionadas na língua. Por
exemplo, “delit” foi substituída por “delight”. Outras palavras foram emprestadas
ao inglês, como no caso de “pneumonia” (GLEASON, 1977).

Na escrita utilizamos todas as letras das palavras, por exemplo, a


palavra “knife” (faca). Mas, se você já ouviu esta palavra antes, saberá que ela
não se pronuncia /knaɪf/, mas sim /naɪf/, ou seja, a letra “k” nessa palavra não é
pronunciada, portanto, é uma silent letter.

Infelizmente, não temos uma regra clara para quando uma silent letter vai
acontecer. Geralmente, estas são as letras que podem ser silenciosas na pronúncia
de algumas palavras: a, b, c, d, e, g, h, k, l, n, p, s, t, u, w. Mas podemos ficar atentos
a alguns casos em que a pronúncia é influenciada tanto pelas letras vizinhas quanto
pela posição da letra na palavra.

Veja as dicas:

43
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

T mudo

• O T é mudo quando ele está entre "s" e '' le". Por exemplo: “whistle” /wɪsəl/ =
apito ou assobiar; “castle”/kæsəl = castelo)
• T também é mudo quando ele está entre consoantes. Exemplos: “Exactly” /
ɪgzæktli/ = exatamente; “Christmas” /krɪsməs/= Natal; “directly” /dərɛktli/ =
diretamente; “postcard” /poskard/ = cartão postal.
• Entre "s" e "n". Exemplos: listen /lɪsən/ = ouvir, fasten /fæsən/ = prender, fixar,
atar
• Entre "f" e "n". Exemplo: often /ɔfən/ = frequentemente

L mudo

• O L não é pronunciado antes das letras M, F ou V. Exemplos: “salmon” /sæmən/


= salmão; “calm” /kam/ = calma; “palm” /pam/ = palma;
• L antes de F e V. Exemplos: “half” /hæf/ = metade, meio; ou mesmo no seu plural
“halves”/ hævs/ = metades, meios; em “behalf” /bəhæf/ = a favor de.
• L entre A ou O e K “talk” /tɔk/ = conversar, “walk” / wak / = andar, caminhar e
em “chalk” /tʃak/ = giz

Palavras terminadas em OULD

• Também em geral com as palavras terminadas em ould, que geralmente são as


palavras chamadas auxiliares de verbos (auxiliary verbs).
Exemplo: “could” /kʊd/ = poderia
“should” /ʃʊd/ = deveria
“would” /wʊd/ esse não tem tradução, ele só auxilia verbo para terminá-los.

G mudo

• A letra g nas palavras é muda quando ela é seguida por M, N ou NE. Exemplo:
“diaphragm” /dajəfræm/ = diafragma; “sign” /sayn/ = sinal e em “foreign” /
fɔrən/ = estrangeiro.

GH mudo

• Essas duas letras juntas não são pronunciadas quando ela é seguida de T.
Exemplo: em “night” /najt/ = Noite; “fight” /fajt/ = luta; “right” /rajt/ = certo,
direito.

KN mudo

• Palavras começadas com KN sempre têm o K mudo, como em “knife” /najf/ =


faca.

44
TÓPICO 3 | SONS DIFERENCIADOS

P mudo em palavras que contenham PN, PS, PT

• o  P  de palavras com  PN, PS  ou  PT  também não é pronunciado, como em
“psychology” / sajkalədʒi/ = psicologia.

A dica principal aqui é: sempre que você encontrar uma palavra


desconhecida, procure a pronúncia da palavra nos dicionários on-line para ter
certeza de como se pronuncia. Preste atenção na transcrição fonética, se ela tem
uma letra não pronunciada.

Vejamos exemplos de algumas silent letters:

QUADRO 2 - SILENT LETTERS


SILENT LETTER EXEMPLO DE PALAVRAS
K know, knee, knife, knit
P psychology, psychiatrist, pneumonia
W wrap, wrinkle, write
L should, could, would
S isle, aisle, island
B debt, doubt
T listen, castle, often
D Wednesday, handkerchief, handsome
C corpuscle, muscle, knuckle
G Eight, foreigner, laugh
H Chorus, ache, chord (exceções do som ʧ)
Gh Dough, fought, daughter, caught
N Damn, autumn, hymn
Th Asthma, isthmus (exceções de θ e ð)
W Two, answer, who, toward
FONTE: Gleason (1977)

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Circule as palavras a seguir que possuem uma silent letters:

a) cupboard, pub, pupil


b) bird, tiger, snake
c) wall, science, cave
d) tall, desk, half
e) Wednesday, Monday, Sunday
f) country, child, knife

45
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

g) island, address, some


h) window, paint, pencil
i) hundred, green, white
j) lamp, autumn, bath

2 Circule as silente letters das palavras a seguir:

a) Castle k) daughter
b) caught l) debt
c) champagne m) different
d) chocolate n) Doubt
e) Christmas o) Dumb
f) Climb p) Evening
g) comb q) Every
h) comfortable r) Fasten
i) could s) foreig
j) cupboard

3 PALAVRAS HOMÓFONAS E HOMÓGRAFAS


A palavra homograph vem do grego  homo, que  significa “o mesmo”,
e graph,  que significa “escrita”, e o termo é muito usado na linguística. Para a
linguística, as palavras homógrafas são aquelas escritas com grafia idêntica, mas
que têm diferentes significados e, geralmente, pronúncias diferentes, sendo mais
comum ocorrer uma mudança na pronúncia da sílaba tônica (ROACH, 2009).

Alguns exemplos em inglês de palavras homófonas são:

• Content–/′kantɛnt/ pronunciado com ênfase tônica na primeira sílaba, significa


contido em recipiente ou conteúdo; /kan′tɛnt/ com a ênfase tônica na segunda
sílaba, trata-se do adjetivo satisfeito.
• Lead – pronunciado com som /liːd/, refere-se à forma infinitiva do verbo liderar;
quando pronunciado com som /led/ trata-se do mineral chumbo.
• Live de “viver” (pronúncia /lív/): “I´d like to live in Canada” (Eu gostaria de morar
no Canadá) e “live” da palavra “ao vivo” (pronúncia /láif/): “I'll present a live
show tonight” (Vou apresentar um show ao vivo esta noite).
• Wind de “vento” (pronúncia /uind/): "Can you hear the wind blowing?"
(Você consegue ouvir o vento soprando?) E wind de “enrolar” (pronúncia /
uaind/): "Please, wind those strings" (Por favor, enrole essas cordas).

46
TÓPICO 3 | SONS DIFERENCIADOS

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar um pouco!

Escolha a melhor opção de acordo com o contexto. Todas as palavras


em parênteses têm a mesma pronúncia:

1. Get up my _____________________ (sun / son).


2. You _____________________ (ought / aught) to have said it long ago.
3. He skidded because he did not apply the _____________________
(brake / break).
4. We must try our best to _____________________ (caste / cast) away all
prejudices.
5. I did not have the _____________________ (hart / heart).
6. The _____________________ (hair / hare) has a short tail.
7. The flesh of Kangaroo sells very _____________________ (deer / dear).
8. He told me the _____________________ (tail / tale) of a fox.
9. What is the _____________________ (prize / price) of it.
10. Please _____________________ (pray / prey) for me.
11. We _____________________ (peel / peal) the orange with a knife.
12. The time is half _____________________ (passed / past) ten.
13. There is a _____________________ (whole / hole) in the bucket.
14. The strength for Achilles was on his _____________________ (heal / heel).

As palavras homófonas são aquelas que têm o mesmo som  e podem


ser escritas de maneira diferente, com significados diferentes (assim como em
português temos cessão, sessão e seção) (ROACH, 2009).

Alguns exemplos em inglês de palavras e expressões homófonas são:

• It’s e its – /ɪts/ – o primeiro sendo a forma verbal do verbo to be no presente com
o pronome it, e o segundo o pronome possessivo de coisas em geral.
• Bare e bear – /bɛr/ – o primeiro significando exposto, nu; o segundo significa urso.
• Two, too e to – /tu/ – o primeiro sendo o número dois, o segundo sendo a palavra
também ou demais e o último uma preposição (para).
• Which e witch – /wɪtʃ/ – o primeiro se trata do pronome qual; e o segundo o
substantivo bruxa.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Qual a palavra mais correta para completar a frase?

47
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

1) The burning candle created a pleasant ____ in the room.


a) sent b) cent c) scent

2) We’re going to Prague in the spring. Can you recommend some


interesting      _____?
a) sites b) sights c) cites

3) If we’re taking the subway, I’ll need to borrow some money for the ____.
a) faire b) fare c) fair

4) Would you like a piece of fruit? Perhaps a ____?


a) pear b) pair c) pare

5) Henry VIII’s ____ lasted for 38 years.


a) rain b) reign c) rein

6) Wow! You made that jacket yourself? I didn’t even know you could ____.
a) sew b) so c) sow

7) I’ll need your help in making the lasagna. Would you please ____ the      cheese?
a) grate b) great c) greet

8) Mike was sent to the _____ office for misbehaving.


a) principal’s b) principle’s

9) What kind of fish would you like – salmon or ____?


a) soul b) sole

10) They sell beautiful _____ from Italy at the Metropolitan Museum gift shop.
a) stationary b) stationery

2 Qual a palavra mais correta para completar a frase?

a) Sorry, I don't want to play football. I'm to/too tired.


b) Can you speak louder please. I can't here/hear you.
c) Do you know/no the answer?
d) I went to the airport to meat/meet my grandmother.
e) It's my birthday next weak/week.
f) Did you know that its/it's my birthday tomorrow?
g) Sorry, you're/your wrong.
h) Who's/Whose pen is this? - It's mine!
i) Witch/Which book did you like best?
j) She walked right passed/past me without saying a word.
k) Would you like a piece/peace of cake?
l) Do we have any flower/flour? I want to bake a cake.
m) That's the fourth/forth time I've told you to stop talking.
n) Where are my glasses? - Their/They're there!
o) The son/sun was shining in the clear blue sky.
48
TÓPICO 3 | SONS DIFERENCIADOS

UNI

1. Você concorda que aprender a fonética da língua inglesa melhorou sua


pronúncia das palavras? De que maneira aprender os símbolos fonéticos lhe ajudou?
2. Você consegue se imaginar ensinando aos seus alunos os símbolos fonéticos? Como você
acha que pode ajudar seus alunos a entender os símbolos?
3. Pense em três atividades que ajudariam seus alunos a praticar a pronúncia das palavras em
inglês e que sejam motivadoras.

LEITURA COMPLEMENTAR
Making pronunciation visual
Ricardo Barros

15 years ago, Kelly (2001:13) said that pronunciation teaching tends to be


neglected in the classroom. I think that’s still true in some contexts. When it does
take place, it may not be done in a way that benefits the students. In a famous
scene from The Pink Panther, Inspector Clouseau (played by Steve Martin) tries
to learn English from a teacher who insists on having him repeat the same words
over and over again. This is unsuccessful, of course. The fictional student simply
can’t pronounce ‘I’d like to buy a hamburger’ correctly. One of the reasons for
this, I believe, is the fact that the teacher failed to make pronunciation visual or
kinesthetic in any way. Now, one could argue that pronunciation is all about your
mouth and ears, but I’d like to make the case that students would benefit from
using their eyes and hands to help with pronunciation as well. One simple way of
making pronunciation visual is to mark word stress on the board. There are many
ways of doing that, such as underlining the stressed syllable or by drawing a dot
or a square above it.

HAMBURGER HAMBURGER HAMBURGER

My favorite way of marking stress, however, is to use circles to show both


stress and how many syllables a word has

HAMBURGER

This better allows the teacher to play with stress and make it kinesthetic.
By establishing that a word has three syllables, you could get students to clap
their hand three times, and making a louder sound to mark the stressed syllable.

49
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

Another suggestion, taken from Underhill (2005:154), is using Cuisenaire rods. For
three-syllable words, give students two white rods and a red one, then pronounce
words students may pronounce incorrectly, such as hamburger and tomorrow, for
example. Students use the rods to show the correctly stressed syllable.

You can even use students’ mistakes to help with awareness. For instance,
if a student puts the red rod on the third syllable for either word, you can
pronounce it as if the stress was at the end and see if students notice the difference.
Pronunciation can also be made more visual with the use of phonemic symbols.
This is particularly helpful when it comes to individual sounds. Students often
have problems hearing or isolating specific sounds made by the teacher or a
speaker in a video/recording. A visual explanation, therefore, goes a long way.
Take the pronunciation of work in the past simple. You could tell your students
that the vowel sound is not pronounced by crossing out the letter e.

WORKED

That is helpful and works for a lot of verbs, but you are missing the chance
to show students that the d is pronounced like a /t/.

WORKED
/KT/

Starting with phonemes that represent consonant sounds makes things easier
for students, as many of the symbols are straightforward. In the aforementioned
example, I don’t think students would get confused or scared if you told them that
the ending of the verb worked is pronounced /kt/. There are some rules of thumb
that you should keep in mind when using phonemic symbols, though. Always
use them with forward slashes //, so that students know this is not plain English.
The first time you use them it may be useful to say that the symbols which appear
between slashes are used for pronunciation only. It is also a good idea to use a
different color, if possible. If you don’t feel confident using the phonemic symbols,
you can learn them together with your students. Start by focusing on sounds that
cause your students problems and keep things simple by using one or two symbols
per lesson. At the beginning of any semester, I like to focus on the pronunciation
of common words like because and have. They are often pronounced with an extra
consonant sound at the end, which is typical of Brazilian Portuguese: /bɪˈkəzi/ and
/ˈhevi/. Start by giving students and activity where they need to use these words.
If they pronounce the words incorrectly, which is likely, board both words and
elicit the consonant sounds at the end of each word. Mark the consonant sounds
like this:

50
TÓPICO 3 | SONS DIFERENCIADOS

BECAUSE HAVE
/Z/ /V/

Students are often able to pronounce sounds in isolation, but have trouble
when they need to make full sentences. At this point, give them another chance to
use the words and correct students by pointing at the symbols on the board. One
of my favorite symbols is less straightforward than the ones above, but can be
equally useful for students. Students often struggle with the pronunciation of CH
sounds in words like cheat or chair, for example. This is problematic as it can lead
the listener to think of sheet and share.

CHEAT SHEET CHAIR SHARE


//tʃ/ /ʃ/ //tʃ/ /ʃ/

I start by saying that the funny S is the symbol for SH and get students to
make the sound individually and then pronounce sheet. Then I say that in words
with CH, there’s generally a T sound before the /ʃ/. Again, we pronounce the sound
in isolation and then say the word cheat. Visual students will definitely appreciate
the use of symbols. It’s important to point out that you don’t need to transcribe
whole words, particularly when you first introduce the symbols. Students often
have problems with one phoneme, not the whole word. The phonemic symbols
may help your students with sounds they struggle with. The more comfortable
students get with them, the more symbols you’ll be able to use. You can also make
pronunciation visual for students by showing them how sounds are formed in the
mouth. Sometimes students may think they are making a /θ/ when in fact they are
making a /s/ or /f/ and one of the possible reasons is that they haven’t been told
where their tongue and teeth should be positioned to produce the correct sound. I
like to use the Sounds of Speech animated chart from the University of Iowa. The
images and animations are particularly helpful to show sounds like /ŋ/, which is
present in words like sing, because they are produced in the back of the mouth and
are harder for students to visualize when a teacher does it. Lastly, you can make
pronunciation kinesthetic when working with sentence stress. This is a suggestion
given to me by Paula Rosa. Ask students to clap three times and for each clap they
should say one, two, three. Get them to repeat the words while clapping and then
add more words to it but keeping the same rhythm.

One, Two, Three


One and Two and Three
the One and the Two and the Three.

51
UNIDADE 1 | CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E A DIFERENÇA ENTRE FONÉTICA E FONOLOGIA

The idea here is to show students that, in English, adding more words
doesn’t mean the rhythm is going to change. You could then do a similar activity
with a more relevant sentence such as ‘I’d like to buy a hamburger’ and show them
that only the content words carry the stress.

FONTE: BARROS, R. Making pronunciation visual. São Paulo: Braz-Tesol Newsletter, 2016.

52
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• Existe diferença na pronúncia de algumas letras, e que algumas vezes elas não
são nem pronunciadas, ou seja, elas são mudas. Como pode ser visto na palavra
“hour” (hora), som do /h/ não é pronunciado.

• Um fonema pode mudar a pronúncia de uma palavra. São as palavras


homógrafas, que têm a mesma escrita, mas são pronunciadas diferentemente,
assim como a palavra “read” – pronúncia diferente para o verbo no presente e
no passado.

• As palavras homófonas, que têm o mesmo som, mas escrita diferente. Por
exemplo, nas palavras “too” (também) e “two” (dois).

• O estudo da pronúncia das palavras não é algo tão simples, mas também não
é um desafio impossível. Podemos concluir que é necessário entender como a
fonética funciona para termos um preparo melhor quando ensinarmos nossos
alunos. A dica para aprimorar sua fonética é sempre ouvir muitas coisas em
inglês e sempre repetir as palavras novas.

53
AUTOATIVIDADE

1 Qual é a silent letter das palavras abaixo?

1 - Knife 7 - Chemistry
a) k a) c
b) f b) h

2 - Through 8 - Parliament
a) g a) i
b) h b) o segundo a
c) g + h
9 - Acquaintance
3 - Plumber a) c
a) m b) q
b) b
10 - Psychology
4 - Debt a) p
a) b b) s
b) t
11 - Marriage
5 - Night a) i
a) g b) a
b) h
c) g + h 12 - Thumb
a) h
6 - Doubt b) m
a) b c) b
b) t
c) b + t 13 - Knee
a) k
b) n

O exercício abaixo só tem sentido se feito em inglês. Então, gostaria de propor


um desafio. O exercício propõe que você adivinhe uma mesma palavra que
tenha o sentido para as duas opções que ele deu. Não se preocupe se não
conseguir fazer todas, o objetivo aqui é pensar um pouco, mas também
aprender com o que não sabemos. Let’s do that!

Exemplo: The opposite of left or another word for correct = right

Viu, não é difícil. Você só precisa pensar um pouco.

54
2 Qual é a palavra homógrafa que representa as duas definições abaixo?

a) a toy that bounces or Cinderella’s dance = _____BALL_____________


b) a bed covering or a single piece of paper = __________________
c) when someone goes away or parts of a tree = __ _____________
d) a quacking animal or to move downward to avoid something = _________
e) a type of baseball equipment or a mammal that flies = _______________
f) a building where money is kept or the sides of a river = ______________
g) vehicle that moves on tracks or to teach a particular skill = ___________
h) the opposite of float or the place where you wash your hands = ________
i) something you must pay in a restaurant or President Clinton’s first name =
__________________
j) a child or a baby goat = __________________
k) opposite of heavy or opposite of dark = __________________
l) a dog sound or the outside of a tree = __________________
m) a vacation or to stumble and fall = __________________
n) another word for difficult or the opposite of soft = __________________
o) something you light to start a fire or two things that go together =
__________________
p) a person who rules a country or something used to measure = _________
q) a place with trees or to put a car in a particular place = _______________

55
56
UNIDADE 2

CONHECENDO MELHOR OS SONS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

A partir desta unidade, você será capaz de:

• diferenciar sons de vogais e consoantes;

• aprender como os sons de vogais, ditongos e consoantes mudam dentro


da boca;

• entender melhor os sons de consoantes diferentes das do português;


• perceber sons de ditongos;

• diferenciar sons de palavras terminadas em S;

• diferenciar sons de palavras terminadas em ED.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em dois tópicos. Ao final de cada um deles você
encontrará atividades que auxiliarão no seu aprendizado.

TÓPICO 1 - ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

TÓPICO 2 - ESTUDO DAS CONSOANTES

57
58
UNIDADE 2
TÓPICO 1

ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

1 INTRODUÇÃO
Nesta unidade, aprenderemos com profundidade todas as particularidades
dos sons das vogais, ditongos e das consoantes. Já vimos na Unidade 1 como se
faz a transcrição fonética de uma palavra e como funciona o aparelho fonador.
Este conhecimento prévio será essencial para você aprender os detalhes das
vogais e consoantes. Não se esqueça de sempre consultar os dicionários on-line
para ter certeza da pronúncia correta das palavras. Veremos como esses sons
são produzidos na boca, como eles são diferentes ou similares aos sons que já
conhecemos na língua portuguesa. Vamos começar?

Bons estudos!

2 AS VOGAIS
Descrever os sons das vogais do inglês é uma tarefa muito mais complexa
do que fazer o mesmo com as consoantes. Isso acontece por causa da magnitude na
variação e diferenças dos sons nos vários dialetos da língua inglesa. O número de
fonemas nas consoantes é o mesmo em todas as variedades do inglês (24). Quando
olhamos para as vogais, no entanto, vemos que o número de fonemas varia, e as
realizações fonéticas desses fonemas podem divergir de uma variedade para outra
(YAVAS, 2016). Contudo, nosso objetivo é aprender como os sons principais da
língua inglesa funcionam. Portanto, o inglês estudado aqui será o inglês americano.

Neste tópico, você estudará 11 sons de vogais em inglês. Os sons das


vogais básicas, que você já conhece em português, são aqueles que ocorrem em
quase todas as línguas: “a”, “e”, ”i” “o” e “u”. Vale a pena notar que os símbolos
para estes cinco sons são letras romanas, já conhecidas na ortografia, mas os sons
emitidos podem ser:

1. /a/ como em “pá”, “mapa”


2. /ə/ como em “mapa” e “reta”
3. /ɛ/ como em “fé”e “peteca”,
4. /e/ como em “dedo”e “cabelo”,
5. /i/ como em “aqui”, “apito”,
6. /ɪ/ como em “júri” e “trânsito”,
7. /ɔ/ como em “avó” e “bola”,
8. /o/ como em “avô” e “bolo”,

59
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

9. /u/ como em “caju” e “cúmulo”, e


10. /ʊ/ como em “dedo, “caso”

Já no inglês, as vogais “a”, “e”, ”i” “o” e “u” podem ter os sons relacionados,
como demonstrado na figura a seguir, que mostra os sons das vogais e o modo de
articulação das mesmas. Por exemplo: o som da letra “o” da palavra “hot” (quente)
é representado pelo símbolo fonético /a/ e acontece na parte central da língua com
um som aberto. As relações das cinco vogais podem ser vistas no gráfico conhecido
como o triângulo de Viëtor.

FIGURA 5 - TRIÂNGULO DE VIËTOR

FONTE: Disponível em: <https://ideascanchange.wordpress.com/2011/04/30/httpwp-mep1wo5o-


1l-2/>. Acesso em: 15 fev. 2017.

Como pode ser visto, as palavras “High”, “middle” e “low” são os modos
de articulação das vogais, significam, respectivamente, “fechado, meio, aberto”.
Os quadrados de presentes na figura representam a posição da língua na boca.
“Tongue front”, “central” e “back” significam, respectivamente, “anterior, central
e posterior”. A figura acima mostra a posição da boca na produção do som das
vogais e a diferença dos sons que elas produzem. A flecha para baixo indica que
a mandíbula abre na hora da produção do som. A flecha para cima indica que a
mandíbula se fecha (YAVAS, 2016).

Na descrição das vogais, a posição da língua é muito importante. Os sons


das vogais podem ser classificados como:

60
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

Anterior (tongue front): /i/ “sea”, /ɪ/ “sit”, /e/ “hey”, /ɛ/ “get”, /æ/ “cat”
Central (tongue center): /ʌ/ “but” e /ə/ “about”
Posterior (tongue back): /ɔ/ “saw” e /ɑ/ “not”, /o/ “both”, /u/ “human”,/ʊ/
“boots”

Para você ter uma noção básica da diferença dos sons das vogais, faça
o seguinte: A vogal pronunciada mais à frente da boca é /i/, como em “eat” /
it/. Pronuncie esse som para entendê-lo melhor. Agora pronuncie o som de /e/
como em “late” /leɪt/. No movimento de /i/ para /e/, note que há duas mudanças
importantes na posição dos articuladores da fala. A mandíbula é abaixada e o
ponto em que a língua aproxima o céu da boca é deslocado longe dos dentes em
direção à garganta. Para entender como funcionam os sons de vogais anteriores,
produza o som de um /i/ como em "heed” (guarda) e, em seguida, passe para as
palavras seguintes uma por uma:

/i/ - “heed” (guarda)


/e/ - “hayed” (feno)
/ɛ/ - “head” (cabeça)
/æ/ - “hat” (chapéu)

Perceba que você segura sua língua em uma determinada posição para
pronunciar cada vogal e a posição da língua não precisa ser exata. Também, cada
posição de vogal pode misturar um pouco na posição do próximo. Agora, tente
dizê-los todos juntos em uma sequência, /i, e, ɛ, æ/. Observe que as vogais parecem
uma continuidade uma da outra. “Ao contrário das consoantes, as vogais são feitas
com a língua relativamente livre no espaço articulatório e a formação de todo o
trato vocal é o que determina a qualidade acústica de cada som” (YAVAS, 2016, p.
110).

Agora tente o mesmo exercício com os sons das vogais posteriores,


começando com /u/ como em "who" (quem) e proceda para as seguintes palavras:

/ʊ/ - “hood” (capuz)


/o/ - “hope” (esperança)
/ɔ/ - “law” (lei)
/ɑ/ - “dog” (cachorro)

Então vamos nos aprofundar um pouco em cada posição dos sons das
vogais.

Quanto às posições dos sons das vogais no aparelho fonador, com base em
Roach (2009), compreendemos:

Na posição anterior: os sons que são produzidos na posição fechada


anterior são /i/ e /ɪ/. Eles diferem na altura e comprimento. O /i/ é mais longo do
que o /ɪ/. Quando produzimos este som, a posição da língua é um pouco mais
baixa e centralizada e levantada na frente da articulação. Isso pode ser percebido
no final das sílabas, por exemplo, com o /i/ na palavra “see” /si/ (ver) e com o /ɪ/
61
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

na palavra “meat” /mit/ (carne). Os sons que são produzidos na posição central
anterior são /e/ e /ɛ/. Eles são parecidos com o caso acima. O /e/ é mais longo e
mais fechado, enquanto o /ɛ/ é mais curto e aberto. Podemos perceber o /e/ na
palavra “pay” /peɪ/ (pagar) e o /ɛ/ na palavra “bet” /bɛt/ (aposta). O único som que
é produzido na posição aberta anterior é o /æ/ como na palavra “cat” /kæt/ (gato).

Na posição central: já na posição central, encontramos dois sons: /ə/ e o /ʌ/.


Esta última é encontrada apenas em sílabas tônicas, como em “bus” /bʌs/ (ônibus).
Em sílabas não tônicas usamos o som /ə/, como na palavra “around” /əraʊnd/ (ao
redor).

TURO S
ESTUDOS FU

O som de /ə/ conhecido pelo nome de “schwa” e sua variante /ər/ na posição
média, é um som produzido de maneira neutra e relaxada, sempre na sílaba mais fraca e não
tônica das palavras.

Na posição posterior: na figura triângulo de Viëtor, na posição aberta


posterior temos o som de /ɑ/, como na palavra “father” /fɑðər/ (pai). Todavia,
alguns dicionários utilizam o símbolo /ɔ/, como em “call” /kɔl/ (ligar), também
como na posição aberta posterior. Você verá alguns dicionários trazendo estes dois
sons ou apenas o primeiro.

A figura acima mostra que na posição central posterior temos o som


/o/ e /ɔ/. O som /o/ é produzido um pouco mais alto, assim como em “boat” /
boʊt/ (barco). Na posição fechada posterior vemos o som /ʊ/ “book” /bʊk/ (livro)
(ROACH, 2009).

Os estudantes de inglês são geralmente bem familiarizados com os cinco


sons fundamentais das vogais, e acham fáceis de pronunciá-las e identificá-las.
A familiaridade com esses sons pode ajudá-lo a dominar os outros seis sons de
vogal da língua, vistos anteriormente, que são aqueles representados por símbolos
diferentes dos do alfabeto romano comum. São eles: /ɪ/, /ɛ/, /æ/, /ɔ/, /ʊ/, /ə/.

O símbolo /ɪ/ representa o som intermediário de /i/ e /e/. Em outras


palavras, /ɪ/ é pronunciado mais atrás do que o /i/, mas mais próximo do /e/, ele é
pronunciado com a mandíbula e a língua mais baixas do que para o som /i/ e mais
altas do que para o /e/. Para entender melhor, repita os sons várias vezes nessa
ordem /i-ɪ-e/. Entre o /e/ e o /a/ temos mais duas intermediárias: primeiro o /ɛ/ e,
um pouco mais para trás e para baixo, temos o /æ/. Entre o /a/ e o /o/ está o /ɔ/, e
entre o /o/ e o /u/ está o /ʊ/.

62
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

Isso nos deixa com a posição do /ə/ conhecido pelo nome de “schwa” e
sua variante /ər/ na posição média. Este som é produzido de maneira neutra e
relaxada. Conforme vimos na unidade anterior, se você estiver pensando em algo
e produzir o “uh” (parecido com o som que emitimos como quando queremos
dizer “entendi”), este é o som do /ə/. É o som mais frequente da língua inglesa e
ele geralmente é o som de todos os sons anteriores combinados. É um som especial
para todas as vogais não tônicas (átonas). Como ela não é pronunciada nem na
parte anterior e nem na posterior, nem aberta e nem fechada, ela fica na posição
central do triângulo, visto na figura anterior.

FIGURA 6 - PRODUÇÃO DO SCHWA

FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/iiAAz5>. Acesso em: 30 mar.


2017.

É muito importante saber reconhecer os sons do triângulo de Viëtor, pois


se você trocar o som, corre o risco de falar a palavra errada e não ser entendido
por um outro falante da língua. Por exemplo, se você erra o /ɪ/ da palavra “bit”
(aposta) /bɪt/, provavelmente falou “beat” /bit/ (batida). Ou você pode perder o
contexto do conteúdo de uma conversa ao trocar a compreensão de um som pelo
outro. Entendeu a importância de saber diferenciar os sons?

Esses sons de vogais podem ser confusos para você que inicia seus estudos
fonéticos, mas a prática leva à perfeição. Treine, deixe sempre um dicionário on-
line aberto para ouvir as pronúncias das palavras e sempre tenha esse triângulo
para lhe guiar.

E
IMPORTANT

Se você quer entender e ser entendido em inglês, deve saber distinguir e fazer
distinção dos sons das vogais.

63
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

QUADRO 3 - REPRESENTAÇÃO FONÉTICA DOS SONS


Símbolos que podem ser usados
Símbolos fonéticos Palavra-chave
dependendo do dicionário pesquisado:
/i/ Beat /i:/, /ij/, /iy/
/ɪ/ bit
/e/ Bait /ei/, /ej/, /ey/
/ɛ/ Bet
/æ/ Bat
/ʌ/ Bus /ə/ quando sílaba não tônica
/ɑ/ Pot /a:/
/ɔ/ Cloth /ɔ:/
/o/ boat /oʊ/ , /ow/
/ʊ/ Book
/u/ Boot /u:/, /uw/
FONTE: Yavas (2016, p. 81)

Note que nem todos os símbolos têm outras representações fonéticas. Isso
acontece pois eles são sons únicos e não mudam se estão com outras vogais ou
consoantes. Os sons cujas representações fonéticas variam, devem-se aos diferentes
dicionários ou websites onde você estiver fazendo sua pesquisa. Neste livro, você
perceberá que utilizamos os símbolos da primeira coluna.

No quadro acima você consegue entender melhor a relação dos 11 sons de


vogais da língua inglesa. A lista contém os sons e algumas palavras-chave para
ajudar a memorizá-los.

Agora que você já sabe onde as vogais são pronunciadas em sua boca,
vamos ver os 11 sons em detalhes. Ready?

2.1 CONHECENDO O SOM DO “SCHWA” /ə/ ou /ər/


Este símbolo fonético é o som mais comum da língua inglesa. Conhecido
pela palavra “schwa” /ʃwɑː/, cuja origem vem do hebraico, significa “nada” ou
“ausência de vogal”.

Uma característica interessante para ter em mente é que o “schwa” é o som


mais fácil de produzir na língua inglesa: se apenas abrir a boca um pouco e emitir
voz, vai pronunciá-lo. A boca está na posição neutra. Por ser tão fácil de produzir,
é o som que fazemos automaticamente quando pensamos, "uh", conforme vimos
anteriormente. O “schwa” possui um som fraco e nunca é enfatizado, ou seja, está
sempre na sílaba átona. Às vezes, quando é pronunciado muito rápido, quase não
se percebe seu som na palavra, podendo até, dependendo da situação, ser omitido
por completo. O “schwa” tem o som parecido com o â em português, só não é tão
carregado quanto em teacher /ˈtiːtʃər/, observer /əbˈzərvər/ e about /əˈbæʊt/.

64
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

O som do “schwa” /ə/ pode ser visto nas cinco vogais:

• a: como em about, banana


• e: como em the, open, travel, item, taken 
• i: como em animal, family, pencil 
• o: como em above, gallon, dinosaur, another 
• u: como em particular

É o som mais comum porque tem uma frequência alta de uso. Veja a palavra
“available”, por exemplo. A sílaba tônica é “available” /əveləbəl/ – esta palavra
tem três “schwas”.

AUTOATIVIDADE

Você consegue identificar quantos sons de “schwa” têm as palavras abaixo?

Brazilian (Brasileiro)
Construction (Construcão)
Jealous (invejoso)
Minute (minuto)

Dica: primeiro ache a sílaba tônica e a sublinhe. As outras serão o som do


“schwa”. Será que você acertou?

O “schwa” representa a pronúncia fraca das vogais. A maioria dos alunos


não sabe que o “schwa” representa tantos sons de vogais em inglês que, às vezes,
ele não é nem produzido. Por exemplo, o ous na palavra “various” – a pronúncia
típica seria /oʊz/, mas a pronúncia correta é /əs/.

Durante a fala, pode acontecer a redução de algum som, dependendo


da rapidez da fala e das palavras envolvidas. Por exemplo, a frase “see you”,
geralmente pronunciada /si: yu:/, pode ser pronunciada /si: yə/. Na verdade, esta
é uma escolha do falante, por conta do dialeto/variedade linguística adotada ou
até da situação e contexto. Quando estamos cansados ou com sono, tendemos a
reduzir os sons das palavras, ou seja, fazer reduções deste tipo.

Lembre-se de que o símbolo do “schwa” /ə/ pode ser visto também como
/ər/, quando uma vogal é seguida de r. Por exemplo: “her” /hər/, “were” /wər/,
“Bird”/ bərd/.

65
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Transcreva o símbolo fonético das palavras a seguir e sublinhe os “schwas”,


quando houver:

a) Turn ____________
b) From____________
c) First____________
d) World____________
e) Won____________
f) Hurt____________
g) Done____________

2 Vamos fazer ao contrário agora. Escreva a palavra da transcrição fonética


dada a seguir:

a) / rən/ _____________
b) /lərn/_____________
c) /wərk/_____________
d) /kəm/_____________
e) /sən/_____________
f) /gərl/_____________
g) /kət/_____________
h) /wərld/_____________
i) /ləv/_____________
j) /hərd/_____________

2.2 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /i:/ e /ɪ/


Com este som pronunciamos as palavras  “seat” (assento) /si:t/ e “sit”
(sentar) /sɪt/. Veja que quando pronunciamos essas palavras, a palavra “seat” tem o
som mais prolongado do que o de “sit”. Quando falamos em um som prolongado,
ele pode ser representado por dois pontos no final do símbolo fonético, assim como
este (i:). Podemos sentir esse som mais prolongado na palavra “cheese” (queijo) /
tʃi:z/, que é mais conhecida por todos. Tente pronunciar as duas palavras acima e
veja a diferença.

Para mudar de /i:/ para /ɪ/, a mandíbula relaxa e cai ligeiramente, a pressão
dos lados da língua contra os dentes superiores diminui, e o espalhamento forçado
dos lábios desaparece. A ponta da língua pode apenas tocar a parte posterior dos
dentes frontais inferiores. Para ver claramente o que acontece nos lábios, mandíbula
e língua, a melhor maneira é olhar a sua boca em um espelho e pronunciar os sons.

66
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

O mais importante de tudo, a abertura entre a lâmina da língua e o palato se torna


mais larga e redonda. Isso significa que o local onde a língua e o palato estão mais
próximos um do outro se move um pouco mais para trás na boca.

FIGURA 7 - PRODUÇÃO DE /i:/, /ɪ/ e /j/

FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/GGJUvT>. Acesso em: 30 mar. 2017.

Pronuncie a palavra “sheep” /ʃi:p/ (ovelha) e depois a palavra “ship” /


ʃɪp/ (navio) e sinta a diferença. O som de /ɪ/ pode ser visto nas palavras “big”
/bɪg/ (grande), “king” /kɪŋ/ (rei) e “city” /sɪti/ (cidade). Exemplos do som mais
prolongado /i:/ são vistos nas palavras “sleep” /sli:p/ (dormir), “beat” /bi:t/ (bater),
“seek” /si:k/ (procurar), “sea” /si:/ (mar), “see” /si:/ (ver), “tree” /tri:/ (árvore),
“each” /i:ʧ/ (cada), “meet” /mi:t/ (conhecer) e “knee” /ni:/ (joelho) (PRATOR, 1957).

DICAS

A maioria das palavras escritas com as letras “ee” e “ea” tem o som prolongado.

Você pode se deparar com outras letras para esse som, além do normal
“i”, “ee”, “ea” que já vimos. Veja algumas dessas palavras e faça o exercício de
pronúncia delas:

• grafia “e”: “be” (ser, estar); “complete” (completar), “he” (ele), “ego”;
• grafia “ei”: “receive” (receber); “conceive” (conceder); “seize” (apreender);
“ceiling”(teto);
• grafia “ie”: “believe” (acreditar); “achieve” (atingir); “chief” (chefe); “piece”
(pedaço).

67
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

Temos as exceções também, palavras que não têm as grafias acima, mas
que são pronunciadas com o /i:/ são: “ski” (esquiar), “visa” (visto), “magazine”
(revista), “machine” (máquina), “chic”, “police” (polícia), “key” (chave), “people”
(pessoas), “Phoenix” (nome pessoal e de uma cidade nos Estados Unidos).

Outro caso interessante é que o som de /i:/ (som prolongado) pode ocorrer
na posição final das sílabas não tônicas, mas, por não serem sílabas tônicas, o
símbolo fonético não apresenta os dois pontos /i/. Por exemplo: “money” /məni/
(dinheiro); “merry” (feliz); “pretty” (lindo), “turkey” (perú), “calorie” (caloria),
“coffee” (café), “movie” (filme) e “sunny” (ensolarado) (PRATOR, 1957).

Pratique repetindo estas frases:


a) Believe me
b) See the police
c) Green wheat field
d) Extremely windy
e) An easy recipe
f) Meet me at three
g) Speak and leave
h) Coffee and tea

Vimos que palavras escritas com “ee” e “ea” geralmente têm a pronúncia
prolongada do /i:/, mas algumas palavras terminam com um “r” a mais. Neste
caso, colocar o “r” no símbolo fonético. Exemplo: “dear” /dir/ (querido/a). Vamos
ver outros exemplos: “near” /nir/ (próximo), “beer” /bir/ (cerveja), “cheer” /ʧir/
(animar), “fear” /fir/ (medo), e assim por diante.

Pratique repetindo estas frases:


a) The beer on your beard looks weird.
b) My dear, don’t fear and dry your tear.

Você lembra o minimal pair (par mínimo) que comentamos na unidade


anterior? Pares mínimos são palavras que diferem umas das outras apenas por
causa de um som. Veja os exemplos abaixo com a diferença do som prolongado /i:/
e do som curto /ɪ/:

• Feet – fit
• Peak – pick
• Cheap – chip
• Eat – it
• Steal – still
• Heal /heel
• Beet – bit
• Least – list

68
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

DICAS

Na Unidade 1 deste caderno, vimos que há dicionários on-line e gratuitos para


você consultar a pronúncia das palavras. Um desses dicionários é o Webster, disponível em:
<http://www.dictionary.com/browse/webster>.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar mais?

1 Escreva a palavra da transcrição fonética dada a seguir:


a) /lɪv/ ____________
b) /liv/____________
c) /fɪl/ ____________
d) /sɪt/ ____________
e) /mi/____________
f) /fil/____________
g) /bɪn/ ____________
h) /kip/____________
i) /sit/____________
j) /wil/____________

2 Transcreva as palavras a seguir usando o IPA:


a) he ____________
b) in____________
c) still____________
d) seem____________
e) week____________
f) if____________
g) be____________
h) him____________
i) give____________
j) least____________

2.3 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /æ/ e /ɛ/


Podemos ver o som de /ɛ/ nas palavras “yes” /yɛs/, “egg” /ɛgg/ e “end” /
ɛnd/. Para formar o som /ɛ/, a mandíbula é abaixada. Pela primeira vez, a língua
não exerce qualquer pressão. A ponta da língua pode tocar o lugar onde os dentes
dianteiros inferiores nascem, os lados da língua tocam levemente as pontas dos

69
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

dentes superiores. A passagem de escape de ar é tão larga quanto o próprio céu da


boca (PRATOR, 1957).

Segundo Prator (1957), já o som de /æ/ pode ser visto nas palavras “am”
/æm/, “black” /blæk/ e “cap” /kæp/ (boné). Para formá-lo, a mandíbula é mais
abaixada, até que a boca fique quase tão aberta quanto pode ser sem fazer um
esforço muscular. Lembre-se de que esta é a última vogal frontal que pode ser
produzida, e quando nos movemos para /a/, os lados e a ponta da língua não irão
mais tocar os dentes superiores ou inferiores. Para o /æ/, o contato feito é o mais
leve possível entre a ponta da língua e o rebordo do dente inferior, e entre os
lados da língua e as pontas dos dentes superiores ou mesmo dos primeiros dentes
molares, logo atrás do rebordo dos dentes.

Esses dois sons são bem parecidos com o nosso “é” em português, por isso
podem ser bem confusos. Tenha certeza de que você sabe a diferença dos dois. O /ɛ/
não é longo e nem tão aberto, e ao formá-lo, os lados da língua tocam levemente as
pontas dos dentes superiores sem nenhuma pressão. Para formar o /æ/ há pressão
suficiente para estreitar a passagem de ar um pouco.

Para perceber estes sons na sua boca, vamos fazer um teste: primeiro você
deve pronunciar o fonema “É” em português e fechar a boca um pouco. Assim
você acabou de produzir o som /ɛ/, ou seja, o /ɛ/ não é tão aberto quanto o nosso
“é”. Agora abra a boca como se fosse pronunciar a letra “a” em português, mas
não a pronuncie, só abra a boca na proporção certa e fale “é”. Pronto, você acabou
de produzir o som /æ/. Sentiu a diferença? Repita este exercício até perceber a
diferença dos dois.

Pronuncie as seguintes frases para praticar:

a) Where else = / wɛ́r ɛ́ls/


b) Get the test = / gɛ́t ðə tɛ́st/
c) Send ten bells = /sɛ́nd tɛ́n bɛ́lz/

DICAS

Lembre-se de consultar um dicionário on-line para auxiliá-lo na pronúncia,


como o Webster: <http://www.dictionary.com/browse/webster>.

O som /ɛ/ pode ser visto quando a letra “e” estiver entre consoantes ou
na posição inicial seguida de consoantes em uma sílaba tônica. Por exemplo, nas
palavras: “empty” (vazio), “educate” (educar), “energy” (energia). Se a sílaba não
for tônica, o som geralmente é de /i/ ou /ə/.

70
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

Alguns exemplos de palavras que utilizam o “r” no símbolo fonético /ɛr/:


“share” (dividir) /ʃɛr/, “prepare” /pripɛr/, “bear” (suportar) /bɛr/, e assim por
diante.

O som de /ɛ/ pode ser visto em outras grafias, por exemplo: “any” /ɛni/
(nenhum/algum), “friend” /frɛnd/ (amigo/a), “against” /əgɛnst/ (contra), “bury”
/bɛri/ (enterrar), “leopard” / lɛpərd/ etc. Este som é muito usado nos passados
simples dos verbos. Por exemplo, em “bred” (passado de breed), “fed” (passado
de feed), “left” (passado de leave), “read” (passado de read).

E
IMPORTANT

Cuidado neste último! “Read” /rid/ no infinitivo e “Read” /rɛd/ no passado simples,
apesar da mesma grafia, são palavras com pronúncias totalmente diferentes.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar um pouco?

1 Pronuncie estas palavras para sentir a diferença dos dois sons.

/ɛ/ (curto) /æ/ (longo)


Ten Tan
Pen Pan
Men Man
Said Sad
Bed Bad
Send Sand
Met Mat
Dead dad
FONTE: Godoy; Gontow e Marcelino (2006, p. 183)

2 Identifique qual o símbolo, /ɛ/ ou /æ/, em cada palavra representada a seguir:

a) Chance ___________
b) Elephant___________
c) Chimpanzee________
d) Happen___________
e) Weather___________
f) Recipe___________
g) Dance___________
71
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

h) Bank____________
i) Paragraph________
j) Heavy___________

2.4 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /ʊ/ e /ʊ:/


O som /ʊ/ é muito parecido com o nosso “u” do português. Podemos
ver este som nas palavras “blue” (azul) /blʊ/ e na palavra “book” (livro) /bʊ:k/.
Novamente temos o som mais curto (sem os dois pontos) e o som mais longo (com
os dois pontos = /ʊ:/).

Para formar o som /ʊ/, os lábios são menos arredondados e protrusos do


que na produção de /o/, a vogal precedente. A abertura entre os lábios é mais larga
do que para /o/, mas um pouco menor na distância dos lábios superior e inferior.
Os dentes podem ficar visíveis, as pontas dos dentes inferiores se aproximam das
costas dos superiores. Embora a ponta da língua não toque nada, a própria língua
é puxada para trás e para cima, mais do que para a produção do /o/, até que seus
lados toquem o rebordo do dente superior (PRATOR, 1957).

Já com o som de /ʊ:/, os lábios devem ser arredondados e salientes o máximo


possível, deixando uma pequena abertura circular do tamanho de um lápis. Os
dentes não são visíveis. A ponta da língua fica para trás e não toca em nada, mas
os lados da língua podem ser pressionados ao longo da região superior dental.

Algumas palavras que têm o som longo de /ʊ:/ são: “flew” (passado de
voar) /flʊ:/, “do” (fazer) /dʊ:/, “June” (junho) /ʤʊ:n/, “soup” (sopa), “true”
(verdade) /trʊ:/, “soon” (logo) /sʊ:n/, “tooth” (dente) /tʊ:θ/, “shoes” (sapatos) /ʃʊ:z/.
Reproduza os sons em frente ao espelho e sinta a movimentação dos articulados
na boca.

Em alguns casos, o som do /ʊ:/ é precedido de um som de “i”, por exemplo, em:
“music”, representado pelo símbolo /j/, /mjuzɪk/ ou em “university”, /junɪvərsəti/,
“uniform”/ junəfɔrm/.

O som curto de /ʊ/ pode ser encontrado em palavras que são escritas com
“oo”, “ou” e “consoante + u + consoante”. Vejamos alguns exemplos:

Grafia “oo” – good /gʊd/, wood /wʊd/, cook /kʊk/, foot /fʊt/, wool /wʊl/.
Grafia “ou” – should /ʃʊd/, would /wʊd/, could /kʊd/.
Grafica CuC (consoante + u + consoante) – put /pʊt/, bush /bʊʃ/, sugar /
ˈʃʊgər/, full /fʊl/.

Assim como visto acima com os outros sons, também encontramos o som
de /ʊ/ seguido da letra “r”. Portanto, o símbolo fica /ʊr/, como pode ser visto nas
palavras: “poor” /pʊr/ (pobre) e “sure” /sʊr/ (certeza). Também podemos encontrar
palavras com o som de “i”, como visto acima e seguido de “r”, como nas palavras
“cure” /cyʊr/ (cura) e “furious” /fjʊriəs/ (furioso).
72
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Indique a forma, representada pelo alfabeto fonético, das palavras a seguir:

/fʊt/ ___________
/fʊ:d/ ___________
/rʊ:m/ ___________
/gʊd/ ___________
/fʊl/ ___________
/skʊ:l/ ___________
/pʊl/ ___________
/kʊd/ ___________
/fʊ:l/ ___________
/tʊk/ ___________

2 Transcreva as palavras usando o alfabeto fonético:

Would ___________
two ___________
look___________
put___________
do___________
group___________
book___________
cook___________
blue___________
grew___________

2.5 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /ɑ/ e /ɔ/


O som de /ɑ/ pode ser comparado a quando você vai a um médico e ele
pede-lhe para dizer “ah”. Esse é o som do /ɑ/. Mais precisamente, para formar
o /ɑ/, a mandíbula é abaixada mais do que seria numa posição relaxada normal,
rebaixada até exigir um ligeiro esforço muscular. Como consequência, os lábios
também ficam mais abertos e dois dentes superiores e vários dentes inferiores são
provavelmente visíveis. Podemos ver este som nas palavras “calm” (calmo), “war”
(guerra), “bar” (GODOY; GONTOW; MARCELINO, 2006). Novamente, vá para
frente do espelho e pratique esse som sentindo o movimento dos articuladores.
Você perceberá que a ponta da língua toca levemente o “chão” da boca a tal ponto
que, em compensação, a parte traseira da língua é levantada um pouco próximo da
garganta (GODOY; GONTOW; MARCELINO, 2006).

73
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

O som de /ɑ/ deve ser exclusivamente pronunciado quando a grafia for de


“consoante + o + consoante” ou “a” seguido de “r”. Exemplo, “pot” /pɑt/ (panela)
e “start” /stɑrt/ (começar).

De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), ao produzir o som de


/ɑ/ para /ɔ/, estamos movendo uma posição para cima no triângulo das vogais,
conforme estudado no começo deste tópico. A coisa mais importante a observar é
a posição de seus lábios. A produção de uma vogal dianteira é determinada pela
língua. Por outro lado, são os lábios que têm maior influência na formação de
uma vogal posterior, como neste caso. Os lábios são um pouco empurrados para
frente. Normalmente pouco ou nada é visto dos dentes. A língua fica na mesma
posição, como em /ɑ/, mas fica um pouco amontoada atrás da boca. O som /ɔ/ é
bem parecido com o som de “ó” em português, mas o /ɔ/ é mais longo do que o
nosso som e pode ser visto nas palavras “all” /ɔl/ (tudo), “saw” /sɔ/ (passado de
ver), e em “cause” /kɔz/ (abreviação de “because” = porque).

FIGURA 8 - PRODUÇÃO de /ɔ/ e /a:/

FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/SsR8Nf>. Acesso em: 30 mar. 2017.

Conforme Godoy, Gontow e Marcelino (2006), o som de /ɑ/ e /ɔ/ pode vir
de grafias diferentes, por exemplo:

grafia de au ou aw: como em daughter /dɔtər/ e law /lɔ/


a seguido de l, ll: como em always /ˈɔlweɪz/ e mall /mɔl/
o seguido de ng: como em wrong /rɔŋ/
o seguido de ff, th, ss: como em off /ɔf/, moth /mɔθ/, cross /rɔs/
augh ou ough: caught /kɔt/, thought /θɔt/

De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), o som de /ɔ/ deve ser
exclusivamente pronunciado quando a grafia for de “o” ou “oo” seguido de “r”.
Portanto, é o som mais longo, mas sem os dois pontos no símbolo. Exemplo, “door”
/dɔr/ (porta) e “four” /fɔr/ (quatro).
74
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Pronuncie estas palavras em frente a um espelho para sentir a movimentação


dos articuladores, todas com som de /ɔ/:

• Awful (terrível)
• Bald (careca)
• Fall (outono)
• Floor (chão)
• Dawn (amanhecer)
• Taught (passado de teach – ensinar)
• Coffee (café)
• Across (através)
• Warm (quente)
• Bought (passado de buy – comprar)

Lembre-se de usar um dicionário on-line para auxiliá-lo com a pronúncia


das palavras, como o Lingorado: <http://lingorado.com/ipa/pt/>; ou o Webster:
<http://www.dictionary.com/browse/webster>.

2 Descubra qual é a palavra da transcrição fonética e coloque-a dentro do


contexto a seguir:

/bɔt/ /wɔr/ /mɔl/


/blɑk /’kɑlərz/ /ri’kɔl/
/’prɑmist/ /’dɑlərz/ /sɔŋz/
/prɑm/ /rɑk/ /ʤɔrʤ/
FONTE: Godoy, Gontow e Marcelino (2009, p. 201)

It was prom night, and all the seniors at St. a)__________ ____High
School were very excited. There was going to be a b)______________ band, and
they c)______________ to play all the most popular d)______________. Some
of the girls spent thousands of e)______________ on their dresses, and boys
f)______________ them the most beautiful corsages at the g)______________.
All the boys h)______________ white i)______________ and ties and music
could be heard all around the j)______________. It was a night they would
k)______________ for the rest of their lives.

75
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

2.6 DIFERENÇAS NOS SONS DAS VOGAIS /ʌ/ e /ɜr/


De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), o som de /ʌ/, como na
palavra “but” (mas) é geralmente confundido com o “schwa”. Nos livros mais
antigos de fonética, o som /ʌ/ era representado pelo “schwa”. Depois é que ele foi
acrescentado no IPA. Podemos dizer que o /ʌ/ é o “schwa” para as vogais tônicas.
Quando temos o som de /ʌ/ seguido de “r” temos o símbolo /ɜr/.

NOTA

Dependendo do dicionário que você utilizar, pode aparecer uma diferença de


transcrição.

Cuidado com a pronúncia de algumas palavras que os brasileiros têm


costume de errar na produção deste som. De acordo com Godoy, Gontow e
Marcelino (2009 p. 204), as palavras mais comuns são:

• Country – pronúncia com som de /ʌ/, mas muitas pessoas falam como se o som
fosse /aʊ/.
• Firm – pronúncia com som de /ɜr/, mas muitos pronunciam como /ɪr/.
• Pronunciation – pronúncia com som de /ʌ/, mas muitos pronunciam com /aʊ/
por causa do verbo “pronounce”.

Da mesma forma que o “schwa”, o /ʌ/ é formado com os lábios um pouco


afastados em quase todo o seu comprimento. Conforme Roach (2009), não há
tensão ou esforço dos articuladores para a produção desse som. A língua relaxa
no “chão” da boca, e nunca toca os lados e a ponta da língua não encosta em
nada, assim como em “cut” /kʌt/ (cortar), “jump” /ʤʌmp/ (pular) e “dull” /dʌl
(chato). Por causa da posição central, pode ser confundido com outras vogais, mas
isso geralmente acontece com as vogais posteriores como /ɑ/ e /ɔ/, visto acima
(ROACH, 2009).

76
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

FIGURA 9 - PRODUÇÃO DE /Ʌ/

FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/SsR8Nf>. Acesso em: 30


mar. 2017.

O som /ɜ/ pode ser difícil para alunos brasileiros quando acompanhado
de “r” ou de “rl”, como no caso das palavras “girl” (menina) e “world” (mundo),
respectivamente. Agora que você já sabe como pronunciar o /ɜ/, tente muitas vezes
pronunciar estas palavras: “girl” /gɜrl/ e “world” /wɜrld/.

Vamos praticar?

AUTOATIVIDADE

1 Repita as palavras a seguir em frente a um espelho e, novamente, sinta a


posição dos articuladores. Prontos?

Won
Tongue
Brother
Work
Other
Search
Jerk
Come
Blood (parece que é /ʊ/, mas não é)
stuck
girlfriend
pearl

2 Pratique a pronúncia com o diálogo a seguir e organize as palavras destacadas


no quadro que segue:

A: Mother, I love this pearl necklace.


B: Girl, don’t ask me to purchase you one. You’re too young to wear pearls.
Where in the world did you see girls with curls wearing pearls?
77
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

A: Earl’s girlfriend got pearls for the birthday.


B: Done then. When you turn thirty like Earl’s girlfriend, you’ll get your pearls,
too.

/ʌ/ /ɜr/ /ɜrl/

FONTE: Godoy, Gontow e Marcelino (2009 p. 207).

3 DITONGOS
De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), na fonética, um ditongo
ocorre quando duas vogais se encontram na mesma palavra, fazendo com que
haja uma mudança visível de som dentro da mesma sílaba. Esta mudança que
transforma uma única vogal em um ditongo é chamada de ditongação. Os ditongos
em inglês são: /eɪ/ com em “wait” (esperar), /ɔɪ/ como em “coin” (moeda), /aɪ/
como em “like” (gostar), /eə/ como em “hair” (cabelo), /ɪə/ como em “here” (aqui),
/ʊə/ como em “tourist” (turista), /əʊ/ como em “show” e/ aʊ/ como em “mouth”
(boca). Como você pode perceber, são oito ditongos.

De acordo com Roach (2009), em termos de comprimento, ditongos são


semelhantes às vogais longas, aquelas com os “dois pontos” no símbolo, como
estudado anteriormente. Talvez a coisa mais importante a lembrar sobre os ditongos
é que a primeira parte do som é muito mais longa e mais forte do que a segunda
parte. Por exemplo, a maior parte do som do ditongo /ai/, como na palavra “eye”,
consiste na vogal “a”, e somente no final do som há o deslizamento para o “i”.
Como o deslizamento para “i” acontece, a intensidade do som diminui, por isso a
parte “i” é mais curta. De acordo com Roach (2009), os alunos estrangeiros devem
sempre lembrar que a última parte de ditongo em inglês não deve ser feita com
muita ênfase.

Para visualizar melhor como eles funcionam, veja o esquema a seguir, ele
mostra como os ditongos acontecem em nosso aparelho fonador.

78
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

FIGURA 10 - FUNCIONAMENTO DOS DITONGOS

FONTE: Disponível em: <https://chrismlanguage.wordpress.com/2015/10/21/


diphthongs-and-triphthongs/>. Acesso em: 8 fev. 2017.

Os ditongos da posição central (em verde) /iə/, /ʊə/ e /eə/ utilizam a vogal
/ə/ “schwa”. Os ditongos da posição superior, ou ascendentes (em vermelho) /aɪ/,
/eɪ/ e /ɔɪ/ são chamados de superior porque envolvem um movimento da boca em
que a língua sobe para a crista alveolar. Cada ditongo superior termina com um
som de /ɪ/. E, os ditongos de deslizamento (em azul) /aʊ/ e /eʊ/, sempre terminam
com som de /ʊ/. Aqui o movimento da boca faz com que os lábios fiquem juntos,
como se você estivesse dando um beijo no ar.

DICAS

Para compreender melhor o que é um ditongo em inglês, há uma frase famosa


usada nos estudos da fonética que pode ajudá-lo: “How now brown cow?”. Essa frase não faz
nenhum sentido, mas tem o propósito de mostrar que os sons sempre começam com o “a” e
depois juntam no “u” (como se você estivesse pronunciando o “how – “hau”). Esta frase faz você
perceber que o encontro desses dois sons da vogal “a” e “u” é o que chamamos de ditongo.

Ditongos não são difíceis de aprender, a pronúncia geralmente é parecida


com a grafia. Vamos ver as diferenças entre eles?

79
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

3.1 DIFERENÇAS NOS SONS DOS DITONGOS /eɪ/; /oʊ/ e /


ɔɪ/
De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), estes três ditongos
podem aparecer em qualquer posição na palavra, são todas tônicas na primeira
vogal, e terminam em vogal fechada. Vejamos os sons em algumas palavras:

/eɪ/: pronuncie as palavras “bait” /beɪt/ e “late” /leɪt/ – o meio destes dois
sons é o eɪ, como em “mate” (amigo) /meɪt/, “plane” (avião) /pleɪn/, “grey” (cinza)
/greɪ/, “great” (fantástico) /greɪt/, “wait” (esperar) /weɪt/.

/oʊ/ ou /əʊ/: pronuncie as palavras “bought” /bɑt/ e boot” /bu:t/ – o meio


destes dois sons é o que queremos atingir, como em “boat” (barco) /boʊt/, “coast”
(costa) /koʊst/, “note” (notar) /noʊt/, “stone” (pedra) /stoʊn/, “coat” (casaco) /
koʊt/.

/ɔɪ/: pronuncie as palavras “buy” e bay” – o meio destes dois sons é o que
queremos atingir, como em “boy”(menino) /bɔɪ/, “coin” (moeda) /kɔɪn/, “point”
(ponto) /pɔɪnt/, “oil” (óleo) /ɔɪl/.

3.2 DIFERENÇAS NOS SONS DOS DITONGOS /aɪ/ e /aʊ/


De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), estes três ditongos
podem aparecer em qualquer posição na palavra, são todas tônicas na primeira
vogal, e terminam em vogal fechada. Vejamos os sons em algumas palavras:

/aɪ/: pronuncie as palavras “mate” /meɪt/ e “meet” /mit/ – o meio destes


dois sons é o aɪ, como em “might” (poderia), “buy” (comprar), “type” (digitar),
“die” (morrer).

/aʊ/: pronuncie as palavras “know” e “now” – o meio destes dois sons é o /


aʊ/, como em “boy”(menino) e “cow” (vaca).

3.3 DIFERENÇAS NOS SONS DOS DITONGOS /iə/ ou /eə/ e


/ʊə/
De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), /iə/ ou /eə/: pronuncie
as palavras “bar” /bɑr/ e “beer” /bɪr/ – o meio destes dois sons pretendido aqui
e que pode ser encontrado das duas formas, /iə/ ou /eə/, como em “bear” /bɛr/
(suportar), “share” /ʃɛr/ (compartilhar), “dare” /dɛr/ (desafiar), “car” /kɑr/ (carro).

/ʊə/: o som /ʊə/ pode ser encontrado nas palavras “moored” (amarrado),
“tour” e “lure” (atrair).

80
TÓPICO 1 | ESTUDO DAS VOGAIS E DITONGOS

Viram que não há muito para se preocupar. Os ditongos não são difíceis de
aprender e geralmente são bem fáceis de reconhecer o som.

DICAS

Acesse o site e ouça os sons das vogais aprendidas aqui <https://elt.oup.com/


student/englishfile/elementary/c_pronunciation/pronunciation01?cc=pe&selLanguage=en>.

81
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• As vogais são produzidas na boca. Classificamos as vogais em relação à posição


da língua em anterior, central e posterior. Vimos como cada uma funciona
em nossa boca. Depois, classificamos cada uma em seu modo de articulação:
fechado, meio ou aberto.

• As vogais e ditongos devem ser pronunciados e os detalhes de cada um foram


expostos durante este tópico. Vimos que não é tão difícil quanto parece, mas
podemos concordar que temos que praticar bastante para aprender.

• Os ditongos são um encontro vocálico de duas vogais. Vimos os encontros


vocálicos de /eɪ/, /oʊ/, /ɔɪ/, /aɪ/, /aʊ/, /iə/, /ou/, /eə/ e /ʊə/.

82
AUTOATIVIDADE

1 Sublinhe o som de /æ/ nas frases abaixo:

a) Where were you standing?


b) Outside my flat.
c) Where was the man?
d) He ran out of the bank.
e) Was he carrying anything?
f) A black bag.
g) Thank you, madam.

2 O grupo de palavras abaixo apresenta os sons /ʌ/; /ɑ/; e /ʊ/. Relacione as


palavras com o mesmo som.

a) Watch ( ) book
b) Look ( ) stopped
c) Shut ( ) cut
d) Just ( ) push
e) Got ( ) good
f) Pull ( ) cough
g) Blood ( ) lunch
h) Not ( ) long
i) Cook ( ) stuck

3 Encontre quatro palavras no quadro que tenham o mesmo som das palavras
relacionadas abaixo: Um exemplo já foi dado.

Improve – heart – prefer – law – visa – piece – laugh – early – banana – water –
me – fruit – June – free – Thursday – word – abroad – half – bought - blue

1. Clean /i:/: piece, __________,__________,__________.


2. Bird /ɜ:/: __________, __________,__________,__________.
3. Car /ɑ:/: __________, __________,__________,__________.
4. Four /ɔ:/: __________, __________,__________,__________.
5. Food /u:/: __________, __________,__________,__________.

4 Encontre a saída do labirinto passando apenas pelas palavras que contenham


o som /i:/. Começando em LEAVE, vá para DREAM, e assim por diante.
Sempre ligando uma palavra abaixo, acima ou ao lado.

83
ENTRADA -- -- -- -- --
Leave Earth Health Reach Teach Meat
Dream Dead Cream Jeans Steak Cheat
East Bread Tea Death Heat Peak
Beach Break Peace Search Leaf Meant
Seat Please Team Early Beat Bean
Head Bear Wear Dreamt Sweat Clean
-- -- -- -- --- SAÍDA

5 As transcrições abaixo correspondem a um numeral cardinal. Você consegue


descobrir qual é o número?

a) faɪv _______________
b) wʌn_______________
c) naɪn ______________
d) θriː _______________
e) fɔː________________
f) tuː________________
g) eɪt________________
h) fɔːˈtiːn_____________
i) fɪfˈtiːn____________
j) θɜːˈtiːn___________

6 Em cada conjunto de palavras existe uma com som diferente das outras três.
Sublinhe a palavra com o som diferente. A primeira já foi feita como exemplo.

1. saw awful raw away


2. heart heard earn pearl
3. work worst wore worth
4. naughty taught laugh August
5. word short sword born
6. card warn hard part
7. talk walk fall salt
8. hurt fur cure Thursday
9. thirsty shirt first mirror
10. almond calm palm almost

7 Agrupe as palavras com seus respectivos sons:

War – dirty – walk – burn – fork – half – sore – turn – calm – car – law – work – learn –
earth – guard – thought – caught – girl – warm – park – past

a) Som de /ɜ:/ ___________________________________________________________


b) Som de /ɔ:/ ___________________________________________________________
c) Som de /ɑ:/ ___________________________________________________________

84
8 Coloque as palavras em seus respectivos sons:

Grey – buy – eyes – eight – dangerous – shy – neighbor – price – paint – like

a) Som de /ei/ __________________________________________________________


b) Som de /ai/________________________________________________________

9 Coloque as palavras em seus respectivos sons:

Cotton – abroad – sports – probably – office – water – small – watch – thought - four

a) Som de /ɑ/ __________________________________________________________


b) Som de /ɔ/___________________________________________________________

10 Coloque as palavras em seus respectivos sons:

Ghost – opposite – box – remote control - home – moment – orange – olives – sofa –
over

a) Som de /ɑ/ __________________________________________________________


b) Som de əʊ/ ___________________________________________________________

11 Coloque as palavras em seus respectivos sons:

Brown – about – download – toast – now – house – joke – programme - follow

a) Som de /əʊ/ __________________________________________________________


b) Som de /aʊ/___________________________________________________________

85
86
UNIDADE 2 TÓPICO 2

ESTUDO DAS CONSOANTES

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, daremos continuidade aos estudos dos sons, focando, agora,
nas consoantes. Já vimos superficialmente, na Unidade 1, que as consoantes são
mais fáceis de aprender, pois geralmente soam como em português, ou seja, o “p”
vai soar “p” e assim por diante.

Contudo, veremos que alguns sons de consoantes podem ser diferentes


daqueles que estamos acostumados a produzir em português. Por exemplo, o
som do “th” da palavra “think” (pensar) pode ser difícil de ser produzido, pois
este som não existe no nosso sistema fonético. Não temos em português um som
que seja equivalente ao do “th”, como na palavra “think”. Por isso, o estudante
brasileiro, não raro, tenta pronunciar o “th” como se fosse um “f” ou “t” (são os
sons mais próximos que fazem parte do português brasileiro), embora seja um
equívoco, pois substituir o fonema pode induzir à compreensão de outra palavra.

Você saberia dizer o que é uma consoante? Uma consoante, segundo Roach
(2009), é um som produzido quando se bloqueia parcialmente ou totalmente o
trato vocal durante a produção da fala. As consoantes são classificadas com base
no local onde são feitas (lugar de articulação) e como elas são produzidas (modo de
articulação) (ROACH, 2009), como já vimos na Unidade 1. Veja no quadro a seguir
os lugares de articulação e o modo de articulação das consoantes para entender
melhor.

87
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

QUADRO 4 - LUGAR E MODO DE ARTICULAÇÃO DOS SONS

FONTE: Disponível em: <http://zajpa.blogs.uv.es/2013/05/20/manner-and-place-of-


articulation/>. Acesso em: 22 fev. 2017.

Como podemos ver no quadro, as maneiras ou modos de articulação de


uma consoante são: oclusiva, africada, fricativa, nasal e lateral. Vejamos o que elas
significam, conforme Gleason (1977):

• O modo oclusivo ou stops acontece quando a respiração para totalmente e depois


é liberada. Isso acontece quando falamos uma palavra com p, b, t, d, k e g, como
visto no quadro acima. Pronuncie essas letras em voz alta para testar.
• O modo africada ou affricates acontece quando a respiração (circulação do ar)
para, mas causa vibração. Isso acontece quando pronunciamos os sons de “ch da
palavra “church” e o som de “j” em “juice” é igual ao som de “dg” da palavra
“judge”. Pronuncie em voz alta e sinta a vibração na sua traqueia.
• O modo fricativa ou fricatives acontece quando a respiração causa alguma
vibração. Isso acontece quando pronunciamos os sons das consoantes f, v, th (este
som não existe em português), s, z, sh (como um x em português). Pronuncie em
voz alta e sinta os sons.
• O modo nasal ou nasals acontece quando a respiração passa pelas narinas, assim
como em português, com as letras m e n. Pronuncie em voz alta e sinta os sons.
• O modo lateral acontece quando a respiração não causa vibração. É o caso das
consoantes l e r. Pronuncie em voz alta e sinta os sons.
• O modo glides ou approximants acontece quando a boca move de uma posição
para outra, geralmente com som de ditongo. É o caso dos sons de w (como em
water) e /j/ em (yes). Lembre-se de que estamos falando do som e não da grafia
da palavra. Pronuncie em voz alta e sinta os sons.

88
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

2 SOM DE /θ/ e /ð/


Os símbolos /θ/ e /ð/ são utilizados para representar o grafema th (como
em think e father), que, dependendo da vogal que o sucede, é pronunciado com
uma leve alteração. Sabemos que o som produzido pelas letras “th” não existe na
fonética da língua portuguesa, e, portanto, é um som difícil de ser acertado pelo
brasileiro, conforme Matos e Trevisol (2013). Você precisa saber que existem dois
sons diferentes para a pronúncia do “th”. O primeiro é como na palavra “father”
/ð/. Ele parece como um “d”. E o outro é como na palavra “thing” /θ/, que muita
gente confunde com uma mistura do som de “f” e “s”. É importante termos claro
que, embora representados pela mesma combinação de letras “th”, os sons /θ/ e
/ð/ são diferentes, conforme vimos em father e thing. Um ponto de identificação
dessas diferenças, nos estudos da fonética, é que o som de “father” é vozeado e
o som de “thing” é desvozeado (você consegue realizar essa identificação pela
vibração das cordas vocais).

Vamos tentar produzir este som?

Primeiramente, vamos para o /θ/. Tente fazer o som de um “s” em português


e continue com ele “sssss”. Sua língua deve aproximar-se da parte traseira dos
seus dentes. Agora continue com o som, mas coloque a ponta da língua entre os
dentes. O que achou? Este é o som que você procura!

Agora pronuncie as palavras “thanks” (obrigado/a), “thief” (ladrão),


“three” (árvore), “anything” (qualquer coisa), “birthday”.

Já o som de /ð/ é um pouco diferente. Aqui sua língua se aproxima da parte


inferior dos dentes, mas não chega a tocá-los. Tente produzir um “z” e continue
fazendo este som. Agora fale a sentença “zebra azul” e preste atenção na posição
de articulação do som. Este é o som que queremos, como em “father” (pai), “they”
(eles/elas), “then” (então).

DICAS

Acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=lFXzo7Kh8gs> e assista ao


vídeo para compreender melhor a pronúncia do th em inglês.

89
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar um pouco:

1 Fale estas frases tentando se aproximar ao máximo dos sons /θ/ e /ð/:

a) There’s a path to the bath where the filthy father bathes.


b) On Thursday I will buy new clothes.
c) I think my brother visited the theater this month.
d) This is the third month that they have been together.

2 Relacione as palavras com seus respectivos sons:

Birthday – rhythm – month – author – leather – there – path – thick – those –


brother – threw – breathe – thin – healthy – then – together – think – fourth –
clothes – north

a) Som de /θ/ _________________________________________________________


b) Som de /ð/_________________________________________________________

3 SONS NASAIS: /m/, /n/ e /ŋ/


As consoantes /m/, /n/ e /ŋ/ formam o grupo de sons “nasais”, utilizadas
para representar os sons de come, phone, sing. Quando produzimos outros sons
o ar escapa pela boca, mas nos sons nasais o ar escapa pelo nariz (ROACH, 2009).
Conforme Roach (2009), é o palato mole ou velo que determina em que direção o
ar escapa. Quando um som puxa o velum para cima, ele fecha a passagem nasal e
força o ar para fora através da boca. Quando o velum está relaxado, de acordo com
Roach (2009), o fluxo de respiração pode passar para fora através da boca ou nariz.
Para produzir uma consoante nasal, o velum tem que estar relaxado e ao mesmo
tempo a passagem através da boca é bloqueada em algum ponto pela língua ou
lábios, de modo que todo o ar é forçado para fora através do nariz (ROACH, 2009).

FIGURA 6 - PRODUÇÃO DO /n/

FONTE: Disponível em: <https://goo.gl/6Tqn4j>. Acesso em: 30 mar. 2017.

90
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

O som nasal /m/ não ocorre nas posições finais em português. Palavras
como “também” e “sem” são escritas com um “m” final, mas são pronunciadas
com um ditongo final nasal /e~ y
~/. Agora pronuncie a palavra “my”. Você percebe
que seus lábios se tocam? Observe seus lábios quando você diz “cantaram”. Eles
não se tocam no final, como fariam para um som de /m/.

Pronuncie estas palavras com o som de /m/, na sílaba final, como em “my”:

• “aim” (alvo)
• “come” (vir)
• “Rome” (Roma)
• “them” (deles/delas)
• “some” (alguns, algumas)

Veja que as palavras da lista anterior têm o som /m/ na sílaba final. As
palavras a seguir têm o mesmo som /m/ com o movimento bilabial, mas não são
sílabas finais. Pronuncie as palavras e perceba o movimento bilabial:

• “comfortable” (confortável)
• “chimney” (chaminé)
• “dime” (10 centavos)

As letras “n” e “b” são mudas nas palavras a seguir, então o som final é o
de /m/:

• “Hymn” (hino) - /hɪm/


• “Damn” (droga –xingamento) - /dæm/
• “column” (coluna) - /kaləm/
• “Autumn” (outono) - /ɔtəm/
• “comb” (pentear) - /kom/
• “bomb” (bomba) - /bam/
• “dumb” (burro) - /dəm/

ATENCAO

As letras “n” e “b” ficam mudas depois do /m/.

O som /n/:

Pronuncie devagar “no, no, no” e observe o ponto que sua língua toca dentro
de sua boca. A área logo atrás de seus dentes frontais superiores. Agora pronuncie
as palavras em português e compare “hífen”, “inveja”, “ensino”. Observe que sua
língua não faz o mesmo movimento. Tente novamente com as palavras:
91
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

• “phone” (telefone)
• “one” (um)
• “unhappy” (infeliz)
• “conversation” (conversa)
• “only” (apenas)

Observe que sua língua toca sempre o mesmo lugar, logo atrás dos seus
dentes frontais superiores.

O som nasal de /n/ não ocorre na posição final em português. O /n/ nasal
em uma palavra em português geralmente é nasalizado se precedido de vogal,
mas o som é de ditongo. Por exemplo, na palavra “inseto”. Não pronunciamos as
letras “i”+ “n”, mas sim o som nasal de “i”. Em inglês o “n” sempre terá som de
“n”, como vimos na palavra “no”, e a ponta da língua sempre tem que tocar a área
atrás dos seus dentes frontais superiores. Como em:

• “sun” (sol)
• “fine” (bem)
• “again” (de novo)
• “insane” (louco)
• “green” (verde)

Quando pronunciar o nasal /ŋ/ em inglês?

O /ŋ/ ocorre nos sons velar, quando você está colocando a parte de trás
de sua língua no palato mole. Tente dizer "kick" (chute) e "gag” (mordaça), sinta
o local que o som nasal é produzido. Agora pronuncie as palavras "sing, sang,
sung" (três formas do verbo cantar). Note a posição da língua na sua boca quando
produz o som de /ŋ/. Cuidado, pois o som /ŋ/ não é a mesma consoante nasal que
o alveolar /n/, como em "sin" (pecado). O /ŋ/ é um som velar nasal e este som se
reproduz mais com a “parte de trás da boca” do que os sons alveolares.

E
IMPORTANT

Lembre-se de que o “g” da palavra “sing” não é pronunciado, assim, o símbolo


fonético /ŋ/ representa o som nasal das palavras escritas com “n”, mas também corresponde ao
som do “ing” das palavras, assim como em “thing” /θɪŋ/ (coisa).

Em inglês não se pode começar uma palavra com velar nasal, pois eles
ocorrem apenas no final de sílabas. Imagine alguém dizendo “nice day” com som
nasal. Soaria muito, muito estranho! Para detectar o som nasal, tente este truque
fonético: deixe um espelho pequeno na geladeira por uma hora, mais ou menos,
para esfriar. Quando estiver frio, coloque-o embaixo do seu nariz e pronuncie a

92
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

palavra “dice” – você verá que não acontece nada com o espelho, pois este não é
um som nasal. Agora pronuncie a palavra “sing”, você verá que algo mudou no
espelho. Isso mostra o fluxo de ar durante a fala. Tente com as palavras “mime” e
“hang”.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Repita as palavras abaixo:


/m/ /n/ /ŋ/
Many Name Bring
Make Near Long
Mend Nobody Spring
Milk News Strong
Mouth Number finger

2 Leia a conversa abaixo. Ela contém 19 exemplos do som /m/. Quantos


exemplos do som /n/ e /ŋ/ você consegue identificar?

A: I met a man near the monument this morning. He was a singer and he sang
a song for me. I’ll always remember that magic moment. Like something out
of a dream!
B: What, is that the moment, the monument or the man you meant?

3 Encontre a saída do labirinto passando apenas pelas palavras que contenham


o som /ŋ/. Começando em SING, vá para THINK, e assim por diante. Sempre
ligando uma palavra abaixo, acima ou ao lado.

ENTRADA -- -- -- -- --
Sing Think Thick Strong Wrong Rung
Sign Uncle Unless Drug Strange Comb
Thanks Angry Signal Drank English Finger
Anxious Angel Single Monkey Money Young
Language Tongue Skiing Skin Came Ink
Lounge Danger Band Dream Swim Wing
-- -- -- -- --- SAÍDA

4 SOM DE /r/ e /h/


Veremos aqui o som de /r/ como na palavra Rome, e o som de /h/ como na
palavra home.

93
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

O maior problema com “h” é omissão. É outro daqueles grafemas que não
ocorrem em algumas outras línguas, como em francês, por exemplo. Em espanhol
o som de /h/ existe, mas é dado à letra “j” e a letra “h” é muda. Isso significa que os
falantes de línguas latinas podem ter dificuldades em pronunciar o /h/, e às vezes
acham que ignorar o som é o mais correto porque é mais comum ver palavras
com a letra “h” muda. Como sabemos, temos o grafema “h” mudo também em
português, como em “humor”, “herói”, “helicóptero”, “hilário”. Assim, conforme
Roach (2009), como na maioria das línguas latinas a letra “h” é muda, quem está
aprendendo inglês tende a deixar o “h” mudo, mas ele não é mudo em todas as
palavras, como veremos a seguir.

O som de /h/ é uma consoante fricativa glotal desvozeada e não precisamos


de nenhuma posição particular da língua ou dos lábios para produzi-la. Com os
órgãos de fala na posição do som que está a seguir do /h/, a respiração é forçada
através das cordas vocais parcialmente fechadas e fora da boca com força suficiente
para fazer um som apressado (como se o falante estivesse ofegante para respirar),
como nas palavras “house” (casa) e “home” (lar) (PRATOR, 1957).

Em português o “h” é sempre mudo na primeira sílaba, mas no inglês o


“h” é geralmente pronunciado em sílabas iniciais, como em “hero”, “horrible”,
“hilarious”. O som deste /h/ é produzido na glote, na garganta. Tente falar “o rato
roeu a roupa do rei de Roma” na variedade do português de Pernambuco ou Rio
de Janeiro – este é o lugar do /h/ das palavras “house”, “home”, “hero”, “horrible”
e “hilarious”. Viu como é fácil?

• Pratique repetindo estas palavras:


• Hi (oi) - /hi/
• House (casa) - /haws/
• Hill (colina) - /hɪl/
• Hair (cabelo) /hɛr/
• Heaven (céu) - hɛvən/
• Hello (oi) - / həlo/
• Happy (feliz) - /hæpi/
• Inhabitant (habitante) - / ɪnhæbətənt/
• Inherit (herdar) - /ɪnhɛrət/

Diferentemente do /h/, símbolo fonético, há a letra h em inglês, que pode


ser muda nas palavras:

• Hour (hora) - awər


• Heir (herdeiro) - /ɛr/
• Honor (honra) - anər
• Honest (honesto) - /anəst/
• Exhibit (exposição) - /ɪgzɪbət/
• Exhibition (exibição) -/ɛksəbɪʃən/
• Vehicle (veículo) - /vihɪkəl/

94
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

Compare as palavras:

• Ear – hear/here
• Ill – hill
• It – hit
• Am – ham
• Eye/I – hi
• Eight/ate - hate

Agora pense no som do “r” em português do interior de São Paulo.


Pronuncie as palavras abaixo:

• Rose (rosa)
• Red (vermelho)
• Arrive (chegar)
• Correct (corrigir)
• Garden (jardim)
• Free (livre)
• Four (quatro)
• Car (carro)

O “r” em inglês é pronunciado como um paulista do interior ou um


paranaense geralmente fala a palavra “porta” (como se tivesse um som mais
prolongado). Sua língua deve curvar para trás quando você produz esse som.
Pronuncie as palavras a seguir para treinar.

• Care (cuidado)
• Heart (coração)
• Fire (fogo)
• Road (rodovia)
• Repeat (repetir)
• Truck (caminhão)
• Practice (praticar)
• Brown (marrom)

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Relacione as palavras com as transcrições fonéticas:

1. honest a. ( ) /ɪgzɪbət/
2. homeless b. ( ) /vihɪkjələr/
3. exhibit c. ( ) / anəst/
4. exhale d. ( ) /hʌni/
95
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

5. honorable e. ( ) /ɛr/
6. honey f. ( ) /anərəbəl/
7. vehicle g. ( ) /hɛr/
8. vehicular h. ( ) /hoʊmləs/
9. heir i. ( ) /vi: əkəl/
10. hair j. ( ) /ɛksheɪl/

5 SOM /l/
Falantes de inglês normalmente pronunciam ”L” como na palavra “fool”
(tolo), com a ponta da língua tocando o cume dos dentes, logo atrás dos dentes
superiores. O meio da língua é também mais baixo na boca. Os lados da língua não
tocam em nada, o ar sai em ambos os lados (ROACH, 2009).

Se o “L” suceder uma vogal, como em “call” (chamar), a língua e os


lábios se movem da posição da vogal para a posição “L”. O movimento envolve
o abaixamento do meio da língua em graus variados e, em seguida, alcançando o
cume do dente com a ponta da língua. Durante este movimento, as cordas vocais
vibram continuamente, uma vez que /l/ é um som sonoro (PRATOR, 1957).

Pronuncie as palavras abaixo para ver os exemplos:

• coal (carvão) - /kol/


• fool (tolo) - /fʊl/
• pull (empurrar) - /pʊl/
• like (gostar) – /laɪk/
• long (longo) - /lɔŋ/

O português tem o som da letra final “L”, mas pronunciamos como se fosse
um “u”, por exemplo: “futebol”, “Brasil”, certo? Em inglês, o som da letra final /l/
é pronunciado como o “l” da palavra “lá”, com a língua tocando a área atrás dos
dentes superiores frontais. Observe os seus lábios. Diferentemente do português,
eles não são arredondados.

ATENCAO

A letra “L” é muda nas palavras: “half” (metade), “talk” (falar), “walk” (caminhar),
“should” (deveria), “calm” (calmo).

96
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

Veja a diferença nos sons de “u” e “L” no inglês com as palavras:

• so /soʊ/  – soul /soʊl/ 


• bow /baʊ/ – bowl /boʊl/ 
• go /goʊ/  – goal /goʊl/  
• road /roʊd/  – rolled /roʊld/ 

Quando o “L” aparece em uma sílaba fraca depois de “t” e “d”, o som da
vogal é mudo mesmo que venha uma vogal depois do “L”. Chamamos isso de
“syllabic L”, e a vogal depois do “L” é geralmente representada pelo “schwa”,
como em: “candle” - /kændəl/, veja que o som acaba no “L”. Outros exemplos são:
“middle” /mɪdəl/ (meio) “bottle” /batəl/ (garrafa), “total” /totəl/ (total), e “needle”
/nidəl/ (agulha).

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Relacione as transcrições fonéticas com suas respectivas definições:

1. /sku:l/ a) ( ) the place where you go when you’re sick


2. /dʒuəl/ b) ( ) complete
3. /tʃajld/ c) ( ) you use it to sew
4. /lɔjəl/ d) ( ) not big
5. /smɔl/ e) ( ) a precious stone
6. /nidəl/ f) ( ) a place where you study
7. /haspɪtəl/ g) ( ) not an adult
8. /hoʊl/ h) ( ) used to describe a dog

6 SONS COM PARADAS BRUSCAS: /p/ e /b/, /t/ e /d/, /k/ e


/g/
O princípio é que, no início da palavra, toda consoante é pronunciada, seja
por um sopro de ar (aspiração) ou pela vibração das cordas vocais. Em muitas
outras línguas, as consoantes iniciais desvozeadas não são regularmente aspiradas,
e as pessoas que aprenderam uma dessas línguas têm dificuldade em aspirar
adequadamente em inglês.

Aspiração é o sopro extra de ar que é liberado com alguns sons. Sons


oclusivos sem voz, como o /p/, /t/ e /k/ são aspirados quando aparecem na posição
inicial ou em sílaba tônica. Assim, a única diferença entre a palavra em português
“pai” e a palavra inglesa “pie” é que o /p/ na palavra inglesa é aspirado (PRATOR,
1957).

97
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

A aspiração é a principal diferença entre os sons desvozeados e suas


contrapartes sonoras (/b/, /d/, /g/). Se você não aspirar o /p/ na palavra “pill”
(pílula), por exemplo, um falante nativo pode entender que você falou “bill”
(conta). Os falantes nativos esperam que esses sons oclusivos desvozeados sejam
aspirados.

Vamos tentar entender melhor. Pegue um pedaço de papel e deixe a parte


superior tocar o nariz enquanto você segura a página da metade em diante na
frente de sua boca. Diga a palavra “pai” algumas vezes. O papel não deve se
mover. Agora diga a palavra “pie” aspirando o /p/. Se você aspirar corretamente,
o pedaço de papel deve se mover visivelmente. Tente até conseguir mover o papel.
Este é o som que você precisa alcançar.

Veja outros exemplos do /p/, /t/ e /k/ oclusivas nas letras iniciais:

• Pen – tea – cat


• Price – true – cry
• Play – twin – close

Veja outros exemplos do /p/, /t/ e /k/ oclusivas nas sílabas tônicas:

• Report – obtain – become


• Approach – attack – account

E
IMPORTANT

Exceção: quando o /p/, /t/ e /k/ são precedidos de /s/ o som não é aspirado. Veja
nos exemplos: “Spanish”, “spy”, “scream”, “skin”.

Já os sons de /b/, /d/, /g/ nunca são aspirados. Veja nas palavras abaixo:

• Boy (menino)
• Doll (boneca)
• Guy (rapaz)
• Embrace (abraçar)
• Drink (bebida)
• Adore (amar)
• Again (novamente)
• Black (preto)
• Glad (contente)

Algumas letras são mudas. Veja nos exemplos a seguir as exceções:

98
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

• O “p” é mudo nas palavras: “pneumonia” (pneumonia), “psycology”


(psicologia), “psychiatrist” (psiquiatra), “cupboard” (armário), “receipt”
(recibo), “raspberry” (framboesa).
• O “t” é mudo nas palavras: “listen” (ouvir), “fasten” (apertar), “Christmas”
(natal), “mortgage” (hipoteca), “castle” (castelo) e “whistle” (apito).
• O “k” é mudo nas palavras: “knight” (cavaleiro), “knee” (joelho), “know”
(saber), “knock” (bater) e “Knit” (tricotar).
• O “b” é mudo nas palavras: “dumb” (burro), “thumb” (dedão), “plumber”
(encanador), “climb” (escalar), “bomb” (bomba), “lamb” (cordeiro) e “debt”
(dívida).
• O “d” é mudo nas palavras: “Wednesday” (quarta-feira), “hadkerchief”
(guardanapo), “handbag” (bolsa), “handsome” (bonito), “handmade” (feito à
mão).
• O “g” é mudo nas palavras: “sign” (assinar), “assign” (atribuir), “design”
(desenhar) “reign” (reinar), “campaign” (campanha), “gnome” (gnomo),
“gnaw” (roer).

Quando o /t/ vem após um /n/ em uma posição fraca, ele pode ser omitido.
Compare: printer – center – twenty (por isso o americano fala “tueni”) – seventy.
Tente pronunciar as seguintes frases:

• The pretty lady got a lot of wedding gifts.


• That old computer is dated.
• The party had already started when Pat entered.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Sublinhe todos os sons oclusivos que são aspirados:

Kate: Hi Ted. Tom just called asking if you could lend him your video camera.
Ted: Thanks for telling me, Kate. It’s about time Tom bought his own equipment,
don’t you think? It’s the tenth time he’s asked to borrow mine!
Kate: Be patient, Ted. After all, Tom just wants to shoot his cousin’s birthday
party.
Ted: Ok, when is the occasion?
Kate: October fourteenth
Ted: So Tom’s going to be the cinematographer at my get-together? So what are
we waiting for? Tom needs that camcorder right away!

99
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

2 Decifre a mensagem:

/ðə ‘æŋgri kɪŋ pro’kleɪmd ðæt ðə prɪn’sɛs ‘kʊdnt baɪ ə pɛt ‘pɔrkyəpaɪn/
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
________

3 Odd one out: uma das palavras dos grupos abaixo tem o som de /b/ e /p/
mudos. Sublinhe qual a palavra:

Exemplo: double – doubt – Dublin (a única palavra com o /b/ mudo é doubt)

1. Lamb – label – lab ______________________


2. Crab – robbed – climb ___________________
3. Cup – cupboard – copy __________________
4. Photo – potato – paper __________________
5. Recipe – repeat – receipt ___________________
6. Possibly – psychology – special ______________
7. Cambridge – combine – combing _____________

7 SOM DE /ʃ/ e /ʧ/, /ʒ/ e /ʤ/, /f/ e /v/


De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), som /ʃ/ (semelhante
ao de “x” do português) vem geralmente das palavras escritas com “sh”, como
em “she” (ela) /ʃi/, mas pode também ser escrita com “s”, como em “sugar”
(açúcar) /ʃʊgər/ e “issue” (problema) /ɪʃu/. Também pode ser vista nas palavras
escritas com “ci”, por exemplo: “social” /soʃəl/, e também nas palavras com “ti”,
como em “action” (ação) /ækʃən/. Observe que não há nenhuma voz na garganta
quando produzimos este som, e você pode sentir o ar em sua mão quando o põe
na frente de sua boca. Se você adicionar voz da garganta, obtém o som /ʒ/, como
em “television” (televisão) /tɛləvɪʒən/.

O som /tʃ/ vem geralmente das palavras escritas com “ch”, como em
“church” (igreja) /tʃərtʃ/, mas pode também ser com palavras escritas com “tu”,
por exemplo em “picture” (figura) /pɪktʃər/. O “ch” pode também ser pronunciado
como um /k/, por exemplo, nas palavras: “Christmas” (natal) /krɪsməs/, “chorus”
(coro) /kɔrəs/, “chemical” (químico) /kɛməkəl/, “headache” (dor de cabeça) /hɛdek/
e em “mechanic” (mecânico) /məkænɪk/.

Já o som /ʒ/ (semelhante ao som do “j” em português, como em “janela”)


não é muito comum no inglês e ocorre na sua maioria na posição média da
palavra. É geralmente visto nas palavras com grafia “s” entre vogais, por exemplo:
“pleasure” (prazer) /plɛʒər/, “usual” (usual) /juʒəwəl/. Pode ocorrer na posição
final nas palavras francesas, como em “mirage” (miragem) /məraʒ/ e “espionage”
(espionagem) /ɛspiənadʒ/.

100
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

O som /ʤ/ é muito mais comum no inglês e ocorre em todas as posições da


palavra. É visto em palavras com grafia “j” como em “just” (justo) /dʒəst/ ou em
“gi” ou “ge”, como em “giant” (gigante) /dʒajənt/ e “general” /dʒɛnərəl/. Mas pode
ser visto também nas palavras escritas com “du”, como em “gradual”/grædʒuəl/.

Como os sons acima, o /f/ e o /v/ não são difíceis de falar em termos de
articulação. Observe que no som /f/ não há voz na garganta, e, quando você
pronuncia este som, pode sentir o ar em sua mão quando coloca a mão perto da
boca. Em /v/ há voz na garganta e você não sente o ar se colocar a mão perto da
boca.

Lembre-se apenas de nunca adicionar uma vogal depois destes sons quando
eles aparecerem na posição final da palavra, como é o costume do brasileiro. Por
exemplo: “arrive” (chegar) – você deve pronunciar até o “v”, o “e” é mudo. O
mesmo com a palavra “wife” (esposa). Um exemplo da sílaba a mais que os alunos
costumam colocar: “wife” (ao invés de pronunciar /waif/, pronunciam /waifi/).
Bem, esta sílaba a mais é muito perigosa no inglês, pois pode modificar totalmente
a palavra e transformar em outra. Veja alguns exemplos de palavras com uma e
duas sílabas que, se pronunciadas erradas, podem ser confundidas por um nativo.

Assim pode acontecer nas palavras “cough” /kɒf/ (tosse) e ser confundida
por “coffee” /kɒfi /(café), ou “stuff” /stʌf/ (coisas) com “stuffy” /stʌfi/ (abafado),
ou “move” /muv/ (mover) ser confundido com “movie” /muvi/ (filme), ou mesmo
“have” /hæv/ (ter) com “heavy” /hɛvi/ (pesado).

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Transcreva as palavras abaixo para o alfabeto fonético:

1. She ____________________
2. Vision ____________________
3. Should ____________________
4. Shall ____________________
5. Garage ____________________
6. Dish ____________________
7. Usual ____________________
8. Shoe ____________________
9. Wish ____________________
10. Division ___________________
11. Third ____________________
12. Number ____________________
13. Fish ____________________
14. These ____________________
101
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

15. Until ____________________


16. Television ____________________
17. Rather ____________________
18. Both ____________________

2 Transcreva as palavras abaixo para o alfabeto convencional:

1. /ʃo/ ____________________
2. /neʃən/__________________
3. /vɪʒən/__________________
4. /dəsɪʒən/________________
5. soʃəl/___________________
6. /ʃɪp/____________________
7. /juʒəwəli/_______________
8. /mɛʒər/_________________
9. /ʃɔrt/____________________
10. /əkeʒən/_________________
11. /plez/____________________
12. /ples/____________________
13. /ækʃən/__________________
14. /məðər/__________________
15. /spɛʃəl/___________________
16. /θru/____________________
17. /ðoz/____________________
18. /plɛʒər/ __________________

8 SOM DE /s/ e /z/


Ambos os sons são produzidos na parte da frente da sua boca. Quando
você faz esses sons, seus lábios serão ligeiramente abertos. Seus dentes devem
tocar levemente na frente ou estar muito juntos. A frente de sua língua tocará na
parte traseira de seus dentes inferiores. A parte traseira de sua língua toca o céu
da sua boca nos lados. Ao fazer os sons de S e de Z, o ar é empurrado para baixo
do centro de sua língua e entre a ponta de sua língua e seus dentes superiores. O
movimento do ar é o que faz os sons /s/ e /z/.

Em português, o final “s” é pronunciado /z/ quando seguido de um som


vozeado. Por exemplo, “mas eu” (/z/), “mas tu” (/s/). O mesmo acontece com o
“s” entre vogais, como em “casa” (/z). Por esta razão, muitos alunos tendem a
pronunciar errado o “s” em inglês nas palavras como em: “basic” /beɪsɪk/ e
“fantasy” (/fæntəsi/). Em inglês, a letra “s” pode ser pronunciada como “s” ou
“z” e tem regras claras. Por exemplo: se o som final é /s/, ele sempre vai ser /s/,
independente do som que segue. Veja alguns exemplos que Prator (1957) traz:

• Less (/s/) – less importante (/s/)


• Less (/s/) – less complicated (/s/)
• House (casa)
102
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

• Address (endereço)
• Yes (sim)
• Class (aula)

Existem cinco ortografias comuns do som /s/: s, ss, ce, ci, sc e x. Preste
atenção ao som das palavras terminadas em “ous”, como em “famous” (famoso).
Aqui o som é /əs/ como em “bus”. Exemplos:

• Generous (generoso)
• Glorious (glorioso)
• Courageous (corajoso)
• Various (variado)

De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), o “s’” inicial da palavra


seguido de uma consoante também pode ser um problema para os brasileiros. Não
temos nenhuma palavra em português que comece com “s” seguida de consoante,
apenas com “s + vogal”, como em sapo, suco, e, portanto, podemos colocar uma
sílaba a mais no “s”. Por exemplo: “speak” (tem gente que ao invés de pronunciar
/spik/, (speak), pronuncia /ispik/, colocando uma vogal antes do “s”). Isso não faz
parte da fonética em inglês. Observe que no som /s/ não há voz da garganta. Soa
como o barulho de uma cobra. O som é de “s” mesmo. Pratique alguns exemplos:

• Speak (falar) /spik/


• Smile (sorrir) /smaɪl/
• School (escola) /skul/
• Stage (palco) /steɪʤ/ 
• Sleep (dormir) /slip/ 
• Scale (escala) /skeɪl/
• Straight (reto) /streɪt/ 

Os prefixos “dis” e “mis” são também pronunciados como /s/, por exemplo:

• Disappointed /dɪsəˈpɔɪntɪd/ (desapontado)


• Disorder /dɪsəˈpɔɪntɪd/ (desordem)
• Disappear /dɪsəˈpɪr/ (desaparecer)
• Dishonest /dɪˈsɑnəst/ (desonesto)
• Misunderstand /mɪsəndərˈstænd/ (interpretar errado)
• Misuse /mɪsˈjus/ (uso indevido)
• Misinform /mɪˌsɪnˈfɔrm/ (desinformar)

E
IMPORTANT

Exceção: o “s” não é pronunciado nas palavras: “aisle” /aɪl/ (corredor), “island” /
aɪlənd/ (ilha), Arkansas /ɑrkənsɑ/ e Illinois /ɪləˈnɔɪ/.

103
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

Já no som /z/ há voz na garganta. Parece o barulho de uma abelha. Existem


três ortografias comuns do som /z/: z, zz, s, x. O “ss” nas palavras a seguir também
é pronunciado como /z/, por exemplo:

• Dessert /dɪˈzɜrt/ (sobremesa)


• Possessive /pəˈzɛsɪv/ (possessivo)
• Scissors /sɪzərz/ (tesoura)
• Dissolve /dɪˈzɑlv/ (dissolver)

O “-sm” é sempre pronunciado como /zəm/, por exemplo:

• Tourism /tʊrɪzəm/ (turismo)


• Communism /kamjənɪzəm/ (comunismo)
• pessimism /pɛsəmɪzəm/ (pessimismo)
• patriotismo /petriətɪzəm/ (patriotismo)
• enthusiasm /ɛnθuziæzəm/ (entusiasmo)

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Repita estas palavras com o som de /z/:

a) His (dele)
b) Hers (dela)
c) Theirs (deles/delas)
d) Does (auxiliar do presente)
e) Was (passado de is)
f) Says (dizer na 3ª pessoa do singular)
g) Is (ser, estar na 3ª pessoa do singular)
h) Resort
i) Business (negócio)
j) Easy (fácil)
k) Whose (de quem?)
l) Praise (elogiar)
m) Because (porque)

2 Circule o som de /s/ e sublinhe o som de /z/ das palavras em negrito a seguir:

a) What’s the use of buying it if you don’t use it?


b) Close one of these windows and sit close to me.
c) Excuse us, but this isn’t a good excuse.
d) You shouldn’t house a pet in your house.
e) If you let it loose, you might lose it.

104
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

3 Para ouvir mais sobre a diferença dos sons vistos acima, acesse o site <https://
pronuncian.com/podcasts/episode221> e ouça o podcast “221: Compare
'unvoiced th' to /f/, /s/, and /t/”.

9 SOM DE GLIDES /w/ e /j/


Conforme pontua Silva (2004), glide corresponde a um fonema vocálico
breve, como em yes e win, cujas representações fonéticas são versões breves de /i/
e /u/, tornando-se /j/ e /w/. “De acordo com Kent e Read (1992, p. 136), os termos
glide, semivogal ou aproximante são todos usados para descrever os segmentos
/j/” (SILVA, 2004, s.p.).

O /w/ é um som muito curto e parecido com um /u/ não tônico que passa
imediatamente do /u/ para algum som cheio de vogal. Ele é ouvido em palavras
como "went” /wɛnt/ e “once” /wʌns/. O som começa com os lábios se movendo
para fazer o arredondado na posição /u/ e depois os articuladores do aparelho
fonador avançam rapidamente à posição para a vogal seguinte.

E
IMPORTANT

Cuidado para não confundir o som de /w/ com o som do /v/: “wine” (vinho) /wajn/
e “vine” (videira) /vajn/, “West” (oeste) /wɛst/ e “vest” (colete) /vɛst/. São sons bem diferentes e
que servem para palavras diferentes.

O /j/ é um som muito curto também e é semelhante a um /i/ não tônico. Este
som ocorre antes de algum som de vogal. Ele é formado, como o /w/, não em uma
posição fixa, mas como o movimento dos articuladores do aparelho fonador de
um lugar para outro. Ele é ouvido em palavras como "yet" (ainda) /jɛt/ e "young"
(jovem) /jəŋ/. O som /j/ não pode ser muito bem pronunciado sozinho ou separado
da vogal que o segue. Como você pode ver nos exemplos, o glide /j/, em inglês,
“ocorre no início de palavras, seguido de vogal” (SILVA, 2004, p. 4).

É comum que estudantes brasileiros tenham dificuldades em pronunciar


a semivogal /j/, substituindo-a por uma vogal alta, como /i/ ou /ɪ/. No quadro a
seguir, veja o contexto no qual os fonemas /i:/, /ɪ/ e glide /j/ do inglês acontecem.

105
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

QUADRO 5 - VOGAIS ALTAS FRONTAIS DO INGLÊS E O GLIDE /j/

FONTE: Silva (2004, p. 8)

Em português, o glide palatal /j/ acontece precedendo uma vogal


(iemanjá, pianista). Nesse caso, quando o mesmo precede uma vogal,
o glide pode alternar com a vogal alta correspondente ([j]emanjá x [i]
emanjá). O glide pode também acontecer no meio de sílaba [...]. Na
língua-alvo [inglesa], este segmento pode suceder, como no caso do
português, no início de palavra seguido de vogal, como em yes, mas,
diferente do português brasileiro, não há alternância entre o glide e a
vogal, ou seja, [j]es mas não [i]es. Em inglês, o glide /j/ também ocorre
precedido de consoante e seguido da vogal [u], como em tune. [...]
(SILVA, 2004, p. 11).

O /j/ aparece geralmente nas palavras escritas com a letra “y” na posição
inicial, como em “yesterday” (ontem) /jɛstərˌdeɪ/ e “yellow” (amarelo) /ˈjɛloʊ/,
mas pode ser visto nas palavras com “u” na posição inicial ou média em palavras
como “uniform” (uniforme) /ˈjunəˌfɔrm/ e “confusion” (confusão) /kənˈfjuʒən/. O
som do /j/ não é difícil para nós, brasileiros, mas ele fica um pouco difícil quando
vem antes da letra “i”, como em “year” (ano) e “yield” (produção). A pronúncia
das duas palavras é “year” /jɪr/ e “yield” /jild/.

E
IMPORTANT

Cuidado para não confundir “year” /jɪr/ com “ear” /i:r/, por isso o som do “y+i” é tão
importante aprender. Para praticar, fale a sequência ya – ye – yi – este último é o som que você
precisa. Agora pronuncie a palavra “year” novamente!

De acordo com Godoy, Gontow e Marcelino (2006), note também que há


outras possibilidades para a pronúncia de y.

• Com a letra “n” – como em “News” (notícias) - /nju:/ ou /nu:/.


• Com a letra “t” – como em “student” (estudante) - /stju:dənt/ ou /stu:dənt/.
• Com a letra “d” + “y” – como em “duty” (tarefa) - /dju:ti/ ou / du:ti/.
• Com a letra “s”- como em “consume” (consumo) - /kənsju:m/ ou /kənsu:m/.
• Com o som θ – como em “enthusiasm” (entusiasmo) - /ɛnθju:ziæzəm/ ou /
kənsu:m/.
106
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

NOTA

Você pode ver os símbolos /yu:/ no inglês britânico e o /u:/ no inglês americano
nos dicionários on-line.

Veja que a letra “w” é muda nas palavras:

• Answer - /ænsər/ (resposta)


• Sword - /sɔrd/ (espada)
• Who - /hu/ (quem)
• Whose - /huz/ (de quem)
• Whole - /hol/ (completo)
• Write - /rajt/ (escrever)
• Wrinkle - /rɪŋkəl/ (ruga)
• Wrap - /ræp/ (embalagem)
• Wrist - /rɪst/ (pulso)
• Wrong - /rɔŋ/ (errado)

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Este exercício é uma maneira divertida de aprender os ditados antigos em


inglês. Relacione as duas partes:

1. We are born naked, wet and hungry.


2. Where there’s a will,
3. Always remember you’re unique,
4. When everything’s coming your way,
5. By the time we realize our parents were right,
6. We have enough youth,
7. When you don’t know what you are doing,

a) ( ) do it neatly.
b) ( ) we have children who think we’re wrong.
c) ( ) I want to be in it.
d) ( ) you’re in the wrong lane.
e) ( ) just like everyone else.
f) ( ) how about a fountain of smart?
g) ( ) Then things get worse.

107
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

2 Decifre esta mensagem:

/wʌns ju: pər’sweɪd jʊrə’piən ‘wɪmən tə wɛr ‘sʌmθɪŋ ðə rɛst əv ðə wərld wɪl
faloʊ/
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
________

10 SOM DAS PALAVRAS TERMINADAS EM S


Em inglês, adicionamos o /s/ no final das palavras em inglês para:

• Plural
• Terceira pessoa do singular no presente simples
• Possessivos
• Contrações (is/has)

QUADRO 6 - SONS DO “S”


Palavras terminadas Sons vozeados: Sons desvozeados: Sibilantes*:
em: adicione /z/ adicione /s/ adicione /iz/
Plural Boys Cups Glasses
/bɔjz/ /kʌps/ /glæsɪz/
Verbos na 3ª pessoa do Lives Takes Watches
singular /lɪvz/ /teɪks/ /watʃɪz/
Possessivos Girl’s Student’s Max’s
/gərlz/ /stu:dənts/ /mæksɪz/
Contrações She’s Jeff’s Judge’s
/ʃi:z/ /ʤfs/ /ʤʌʤɪz/
FONTE: Godoy, Gontow e Marcelino (2006, p. 136)
* Nome dado ao /s/ e ao /z/, porque a articulação desses fonemas produz ruído
semelhante ao silvo ou assobio.

O final –s vai ter um som diferente dependendo do som que precede o /s/,
como visto acima.

• Depois de um som vozeado, o som será /z/: “days” (dias), “cities” (cidades),
“dogs” (cachorros), “sons” (filhos), “cars” (carros).
• Depois de um som desvozeado, o som será /s/: “caps” (bonés), ‘”lakes” (lagos),
“kites” (pipas), “cuffs” (algemas), wife’s (da esposa).
• Depois de silitantes (/s/, /z/, /ʃ/, /ʒ/, /ʧ/ e /ʤ/, o som será /ɪz/: “blouses” (blusas),
“roses” (rosas), “watches” (relógios), “bridges” (pontes).

108
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Qual a pronúncia correta das palavras:

1. Chips:
a) /s/ b) /iz// c) /z/

2. Boys:
a) /s/ b) /iz/ c) /z/

3. Mick's daughter:
a) /z/ b) /iz/ c) /s/

4. Goes:
a) /s/ b) /z/ c) /iz/

5. Matches:
a) /z/ b) /iz/: c) /s/

6. Works:
a) /iz/ b) /s/ c) /z/

7. Sandwiches:
a) /z/ b) /iz/: c) /s/

8. News:
a) /iz/ b) /s/ c) /z/

9. Wears:
a) /z/ b) /s/ c) /iz/

10. Chooses:
a) /s/ b) /z/ c) /iz/:

11. Laughs:
a) /z/ b) /s/ c) /iz/

12. Lights:
a) /s/ b) /iz/ c) /z/

FONTE: Disponível em: <http://www.ecenglish.com/learnenglish/lessons/pronunciation-s-z-


iz>. Acesso em: 25 mar. 2017.

109
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

2 Qual o som do final destas palavras? Coloque /s/, /z/ ou /iz/:

Exemplo: books: /s/

a) Dresses ____________
b) Spiders_____________
c) Boats______________
d) John’s _____________
e) Is_________________
f) Likes______________
g) Quizzes____________
h) Calls______________
i) Reads_____________
j) Classifies___________

11 SOM DAS PALAVRAS TERMINADAS EM ED


O final /ed/ adicionado aos verbos regulares em inglês para formar o
passado e particípio passado tem três pronúncias diferentes: /t/, /d/ e /id/. O som
que o final terá em qualquer palavra é determinado por um princípio fonético
muito simples: quando duas consoantes são pronunciadas juntas, como /r/ e /d/,
como em /cared/, é difícil pronunciar uma e deixar a outra sem voz (ou seja, o som
desvozeado), e é fácil de pronunciar ambos ou deixar ambos sem voz. Portanto,
a terminação -ed é pronunciada /d/ depois de um som sonoro, e /t/ depois de um
som desvozeado.

Vejamos quais são esses sons:

QUADRO 7 - SONS DO ED FINAL


Sons vozeados: Sons desvozeados: Palavras terminadas em /t/ ou
adicione /d/ adicione /t/ /d/: adicione /ɪd/
Arrive - /ə’raɪv/ Look - /lʊk/ Need - /nid/
Arrived - /ə’raɪvd/ Looked - /lʊkt/ Needed - /nidɪd/
Study - /stədi/ Hope - /hop/ Print - /prɪnt/
Studied - /stədid/ Hoped - /hopt/ Printed -/prɪntɪd/
*/id/ é uma sílaba extra
FONTE: Godoy, Gontow e Marcelino (2006, p. 146)

O som de –ed é pronunciado com o som de /t/ nos verbos a seguir:

110
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

QUADRO 8 - DIFERENTES SONS PARA O “T”


/pt/ /kt/ /ft/ /st/ /ʃt/ /ʧt/
Stopped Talked Laughed Messed Crashed Matched
Wiped Liked Stuffed Faxed Fished Watched
Typed Picked Goofed Danced Wished Fetched
FONTE: Godoy, Gontow e Marcelino (2006, p. 146)

Atenção: estas palavras são homófonas:

Passed – past /pæst/ 


Missed – mist /mɪst/  
Packed – pact /pækt/
Guessed – guest /gɛst/
Paced – paste /peɪst/

O som de –ed é pronunciado com o som de /d/ nos verbos a seguir. Cuidado
para não acrescentar uma sílaba extra.

/bd/ /gd/ /vd/ /md/ /nd/ /ld/


Bribed Jogged Lived Named Opened Rolled
Grabbed Lagged Served Climbed Trained Smelled

/rd/ /zd/ /ðd/ /ŋd/ /ʤ/d /vowel +d/


Appeared Confused Breathed Longed Encouraged Cried
Scored Raised Bathed Banged Merged Showed

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Qual é a pronúncia correta dos finais –ed das palavras a seguir? Coloque /d/,
/t/ e /id/:

1. played ____________________
2. collected __________________
3. arrived____________________
4. listened___________________
5. packed____________________
6. watched___________________
7. moved____________________
8. decided___________________

111
UNIDADE 2 | CONHECENDO MELHOR OS SONS

9. finished ___________________
10. counted___________________

2 Qual é a pronúncia correta dos finais –ed das palavras a seguir? Coloque /d/,
/t/ e /id/:

1. Moved ____________________
2. Answered____________________
3. Stopped____________________
4. Stayed____________________
5. Discovered____________________
6. Accelerated____________________
7. Added____________________
8. Addicted____________________
9. Helped____________________
10. Advised____________________
11. Decided____________________
12. Approved____________________
13. Cancelled____________________
14. Burned____________________
15. Depended____________________

3 Quais as formas dos tempos verbais a seguir? Use os números 1, 2 e 3 da


tabela a seguir para ajudá-lo. Veja o exemplo abaixo:

1. Use /t/ after unvoiced 2. Use /d/ after voiced final 3. Use / \d/ after
final sounds f, k, p, s, tß sounds b, g, Ω(j), l, m, n, ˜, r, final /d/ and /t/
(ch), ß (sh), † (th) ∂(th), v, z, + vowels
look - looked (t) push - sob - sobbed (d) roam - */\d/ adds an extra
pushed (t) ask - asked (t) roamed (d) believe - believed s y l l a b l e n e e d -
watch - watched (t) help - (d) judge - judged (d) fill - needed (\d) wait –
helped(t) dress - dressed (t) filled (d) enjoy - enjoyed (d) waited (\d)

Say the past tense form of these regular verbs. Pay attention to your pronunciation.

112
TÓPICO 2 | ESTUDO DAS CONSOANTES

1. watch ____ 41. pray ____


2. dress____ 42. melt ____
3. ask ____ 43. increase ____
4. wash ____ 44. follow ____
5. seat ____ 45. touch ____
6. answer ____ 46. tax ____
7. test ____ 47. brush ____
8. cross____ 48. cash ____
9. dance ____ 49. want ____
10. fix ____ 50. judge ____
11. lie ____ 51. kneel ____
12. correct____ 52. hum ____
13. mix ____ 53. open ____
14. invent ____ 54. reply ____
15. consider ____ 55. discover____
16. talk ____ 56. invite ____
17. bathe ____ 57. care ____
18. crash ____ 58. save ____
19. miss ____ 59. report ____
20. pull ____ 60. stop ____
21. burn ____ 61. concentrate ____
22. zip ____ 62. rent ____
23. sigh ____ 63. stay ____
24. enjoy ____ 64. treat ____
25. try ____ 65. realize ____
26. check ____ 66. retire ____
27. push ____ 67. cough ____
28. complain ____ 68. reach ____
29. decide ____ 69. study ____
30. allow ____ 70. permit ____
31. damage ____ 71. pretend ____
32. please____ 72. kidnap ____
33. greet ____ 73. listen ____
34. pass ____ 74. produce ____
35. drill ____ 75. love ____
36. explore ____ 76. remind ____
37. flood ____ 77. share ____
38. mow ____ 78. supply ____
39. exercise ____ 79. snore ____
40. hope ____ 80. work____

113
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• Existem onze sons de vogais em inglês. Vimos cada uma delas em detalhes e
fizemos muitos exercícios para praticar cada uma.

• O lugar de articulação e o modo de articulação das vogais e ditongos.

• O lugar de articulação das consoantes.

• Os sons mais difíceis de pronunciar em inglês com a terminação “ed” dos verbos
no passado. Você já sabia que o “s” tem sons diferentes nas palavras do plural
antes de ter visto este assunto neste livro? São estes sons, quase imperceptíveis
para alguns ouvidos, que são os mais difíceis de aprender.

114
AUTOATIVIDADE

1 Pronuncie e repita as palavras no quadro abaixo. Depois as separe nas


categorias pedidas:

India – river – sweets – Swedish – street – fourteen – knee – builder – British


– teacher – milk – city – chicken – Christmas – finger – Egypt – Easter – tea –
stream – a million

a) Coisas de comer _______________________


b) Números_____________________________
c) Coisas contendo água __________________
d) Profissões____________________________
e) Partes do corpo _______________________
f) Lugares_____________________________
g) Datas especiais_______________________
h) Nacionalidades _______________________
i) Bebidas _____________________________

2 Relacione as palavras com as transcrições fonéticas:

1. Ether ( ) /ðeɪ/
2. Thigh ( ) /θi:f/
3. Though ( ) /ðɪs/
4. Thief ( ) /ðoʊ/
5. Teeth ( ) /θɔt/
6. They ( ) /ti:θ/
7. Either ( ) /ðoʊz/
8. Those ( ) /i:θər/
9. Thought ( ) /i:ðər/
10. This ( ) /θaɪ/

3 Desafio: A palavra “ape” /eɪp/ contém os sons /eɪ/ e /p/. Se invertermos os


sons, temos outra palavra “pay” /peɪ/. Inverta os sons destas palavras e
coloque a palavra nova:

Exemplo: tops – spot

1. Peach ___________
2. Cab_____________
3. Lip______________
4. Step_____________
5. keeps____________

4 Odd one out: uma das palavras dos grupos a seguir tem o som de /t/ mudo.
Sublinhe qual a palavra:

115
Exemplo: asked – castle – letter - first (a única palavra com o /t/ mudo é castle).

1. Eight – Thames – whistle – walked


2. Thomas – needed – time – liked
3. Listen – winter – eaten – after
4. Ended – wished – left – hoped
5. Whiter – greater – soften - written

DICAS

Você gosta de música? Acesse o site <http://www.luizotaviobarros.com/2016/10/


pronunciation-ed-endings.html> e ouça músicas em que você pode praticar os finais –ed.
Acesse o site <http://cambridgeenglishonline.com/Phonetics_Focus/> e divirta-se com todos
os exercícios propostos sobre pronúncia.

116
UNIDADE 3

ESTUDO DA FONOLOGIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Ao final desta unidade, o acadêmico será capaz de:

• entender a importância da separação de sílabas e como este conhecimento


é importante para a compreender melhor a fonética;

• diferenciar a acentuação tônica em substantivos, adjetivos, verbos, afixos


e palavras compostas;

• compreender que palavras podem ter diferentes entonações, dependendo


do tipo de frase;

• distinguir uma entonação ascendente e descentente (rising-falling) de pa-


lavras dentro de uma frase;

• reconhecer que alguns sons podem não ser pronunciados em uma frase
(elisão) e que duas palavras podem ter um som apenas (ligação das pala-
vras).

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em dois tópicos. Em cada um deles você encontra-
rá atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.

TÓPICO 1 – SÍLABA TÔNICA, RITMO

TÓPICO 2 – ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS

117
118
UNIDADE 3
TÓPICO 1

SÍLABA TÔNICA, RITMO

1 INTRODUÇÃO

Neste tópico, aprenderemos mais sobre o que é uma sílaba e seus


componentes. Para entendermos melhor a fonética da língua inglesa, temos que
aprender um pouco sobre a separação silábica na língua. Você sabia que a separação
de sílabas em inglês é bem diferente da separação de sílabas em português? Sim,
a separação silábica em inglês é relacionada aos sons das vogais emitidas nas
palavras, mas vamos estudar isso com detalhes aqui neste tópico.

Estudaremos aqui também sobre as diferentes maneiras de acentuação


tônica das sílabas. Por exemplo, veremos como a acentuação tônica pode mudar
de acordo com a classificação gramatical da palavra, mesmo ela sendo escrita de
forma igual.

Veremos também como pronunciar uma frase usando o ritmo da língua


inglesa. Nesta parte será bem importante que você tenha acesso aos vídeos e sites
sugeridos, assim, pode assistir, ouvir e repetir as pronúncias corretamente.

Vamos começar?

2 SÍLABAS
Vamos introduzir aqui o conceito de sílaba e a diferença de seus sons, assim
como ocorre em português. O padrão de vogais e consoantes que aprendemos nos
capítulos anteriores faz referência à unidade fonológica de sílaba. O que é uma
sílaba? De acordo com Yavas (2016, p. 154), sílaba é uma unidade de linguagem
falada que tem um único som ininterrupto formado por uma vogal, ditongo ou
consoante que pode ou não ser cercada por outras consoantes. Uma sílaba pode
formar uma palavra inteira ou parte de uma palavra. Por exemplo, há uma sílaba
em “cat” (gato), duas sílabas em “monkey” (macaco) e três sílabas em “elephant”
(elefante).

Se você analisar com calma, podemos afirmar que separamos as sílabas em


inglês pelo som das vogais que ela possui. Voltamos em “cat”- /kæt/ só tem um
som de vogal /æ/, portanto, uma sílaba. A palavra “monkey” /mʌŋki/ tem dois
sons de vogais: /ʌ/ e /i/, portanto, duas sílabas. E a palavra “elephant” /ɛləfənt/ tem

119
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

o som de três vogais: /ɛ/, /ə/, /ə/ - novamente, três sílabas, ou seja, diferentemente
do português, a sílaba em inglês se dá pelo som da vogal.

Contar as sílabas em inglês é contar sons de vogais ou ditongos, mas não


as vogais escritas, e sim como elas são pronunciadas. Por exemplo, a palavra
“beautiful” (bonito) é uma palavra escrita com cinco vogais, mas as três primeiras
sílabas – EAU – soam como semivogal, /j/, e uma só vogal, /u/. A palavra “beautiful”,
assim, tem apenas três sílabas = /bjutəfəl/, logo, pronunciamos três sons de vogais:
bEAU – tI – fUl. Veja mais alguns exemplos:

QUADRO 9 - SEPARAÇÃO DE SÍLABAS


PALAVRA SEPARAÇÃO SILÁBICA QUANTIDADE DE SÍLABAS
dog dog 1
green green 1
quite quite 1
quiet qui-et 2
orange or-ange 2
table ta-ble 2
expensive ex-pen-sive 3
interesting in-ter-est-ing* 4
unrealistic un-rea-lis-tic 4
unexceptional un-ex-cep-tio-nal 5
FONTE: Roach (2009, p. 62)

*Note que a separação de sílabas na palavra “interesting” é diferente de como


faríamos na palavra em português (in-te-res-ting), isso porque separamos as sílabas pelo
som e não as letras escritas. Em inglês, a pronúncia da palavra é /ˈɪntrəstɪŋ/, ou seja, a
separação é feita pelo som das vogais, que ficaria in·ter·est·ing

DICAS

Você não precisa quebrar a cabeça para entender como separamos sílabas em
inglês. Para nossa sorte, já existe um site que faz isso, acesse <http://www.syllablecount.com/>
e confira!

Yavas (2016, p. 154) afirma que “uma sílaba tem um papel importante em
relação às restrições fonólogas em todas as línguas”. Estas restrições fonólogas
se referem ao sistema de arranjos de sons e sequências de sons. É com base no
número de sílabas que um falante nativo do inglês pode julgar alguma forma nova
como palavra possível ou impossível de existir. Por exemplo, as palavras “blit” e
“bmit” são inexistentes como palavras em inglês. Se pedirmos a um nativo para
escolher entre as duas palavras para saber qual é a mais possível de existir na

120
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

língua inglesa, ele, sem hesitação, escolheria a palavra “blit”. A razão para isso
é que bl é um encontro de consoantes possível em inglês, enquanto que bm não
é. Isso não quer dizer que nenhuma palavra em inglês pode ter uma sequência
de bm. Palavras como “submarine” (submarino) e “submission” (submissão) são
demonstrações do fato de que podemos ter m após b em inglês. Isso, porém, só é
possível se esses dois sons estiverem em sílabas diferentes. Portanto, a rejeição de
uma palavra como “bmit” por um nativo é baseada na regra geral da separação de
sílabas.

Ainda de acordo com Yavas (2016, p. 154), “foneticistas consideram uma


sílaba uma unidade essencial da produção da fala”. Para entendermos melhor como
a separação de sílabas funciona, devemos antes entender quais os componentes
de uma sílaba. Iremos fazer um estudo bem detalhado do que consiste uma
sílaba. Estes conceitos existem para que possamos entender melhor as regras de
pronúncia. Não se preocupe, este conhecimento não é geralmente ensinado em
escolas, ou seja, você não precisará ensinar fonética usando os componentes das
sílabas. No próximo tópico, iremos aprender mais sobre como lecionar inglês
aplicando nossos conhecimentos em fonética.

Os componentes descritivos de uma sílaba inglesa são: onset (O), rima (R),
núcleo (N) e coda (C) (IGNÁCIO DE MENDONÇA, 2003). Convencionou-se, na
fonologia, usar a letra grega s para simbolizar uma sílaba. Na estrutura silábica,
apresentada na figura a seguir, você pode observar a posição de cada letra quanto
ao Onset, Núcleo e Coda na língua inglesa. O uso dos termos Onset (0), Rima (R),
Núcleo (N) e Coda (C) está sujeito às restrições quanto aos segmentos que podem
ocupar estes espaços (IGNÁCIO DE MENDONÇA, 2003). Veja a ilustração para
entender melhor:

FIGURA 11 - PARTES INTERNAS DE UMA SÍLABA

FONTE: Disponível em: <http://www.intechopen.com/books/modern-speech-recognition-


approaches-with-case-studies/speech-recognition-for-agglutinative-languages>. Acesso
em: 20 fev. 2017.

121
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

Como vemos na figura “Partes internas de uma sílaba”, uma sílaba consiste
em um onset e uma rima. O onset é o primeiro som da palavra. Ele é opcional, pois
se a palavra começar com som de vogal, o onset não existe. Depois vemos a rima,
que é dividida em núcleo e coda. A rima consiste em um som de vogal no núcleo e
qualquer som de consoante depois dele no coda. Coda, assim como o onset, também
é opcional, pois a palavra pode terminar em som de vogal, então o coda não existe.
Por exemplo, na palavra “mother” – o “m” é o onset (IGNÁCIO DE MENDOÇA,
2003). O tipo mais comum de sílaba em inglês consiste de uma única consoante e
uma única vogal, e são chamadas de sílabas CV.

ATENCAO

Daqui para frente, quando estivermos aprendendo e discutindo sobre as sílabas


em inglês, o C representará o som de consoantes e V representará o som de vogais ou ditongos.

Convém analisarmos que, em língua portuguesa, as sílabas normalmente


são constituídas por Consoante Vogal, ou Consoante Vogal Consoante, como na
palavra: “Pas – ta”. Para entendermos a posição que cada letra possui na estrutura
da primeira sílaba, por exemplo, vejamos a figura a seguir:

FIGURA 12 - ESTRUTURA INTERNA DA PRIMEIRA SÍLABA DE “PASTA”

FONTE: A autora.

Veja que a posição inicial da sílaba, ou seja, onset, é ocupada pela letra P,
uma consoante. O núcleo pela vogal A, na língua portuguesa, o núcleo sempre é
ocupado por um vogal. A posição final da sílaba, coda, portanto, é ocupada também
pela consoante, nessa situação, S. Diante disto, a primeira sílaba da palavra “pasta”
é estruturada por: Consoante (P), Vogal (A), Consoante (S).

Na língua inglesa, também temos essas formações de sílabas, embora o


encontro consonantal seja muito mais recorrente que na língua portuguesa. Note
que o número de sílabas das palavras em inglês é menor que em português,
alterando, por consequência, sua estruturação. Em inglês, temos formações de

122
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

sílabas como Consoante Consoante Vogal, Consoante Consoante Consoante Vogal,


Consoante Vogal Consoante, que veremos mais adiante neste tópico. Vejamos um
exemplo da estrutura silábica da palavra Cat:

FIGURA 13 - ESTRUTRA SILÁBICA DA PALAVRA “CAT”

FONTE: A autora

Agora, você deve estar compreendendo melhor o que significa Onset,


Núcleo e Coda.

Como falamos acima, o tipo mais comum de sílaba em inglês consiste de


uma única consoante e uma única vogal, e são chamadas de sílabas CV. De acordo
com Ignácio de Mendonça (2003), qualquer som de consoante pode ocorrer no
início de uma sílaba CV. O onset também pode incluir sons de consoantes adicionais.
Inglês, por exemplo, inclui sílabas CCV, por exemplo, “flee” (fugir) e sílabas CCCV,
por exemplo, “straw” (canudo). No entanto, os sons de consoantes adjacentes são
limitados. Se uma sílaba CCV em inglês começar com /b/, por exemplo, o som de
consoante seguinte pode ser um /r/ ou um /l/, mas nunca podem ser um /k/ ou
um /s/. As sílabas CCCV são ainda mais limitadas, e sempre começam com /s/.
Vejamos como fica essa representação nas palavras CAT e SING.

FIGURA 14 - ESTRUTURA SILÁBICA DE CAT E SING

FONTE: A autora

Veja que na palavra “cat”, o “c” faz parte do onset, e o “at” é a rima, dividida
em “a” no núcleo e o “t” no coda. Assim como na palavra “sing”, onde o “s” é o
onset, o “i” é o núcleo e o “ng” é o coda.

Cat = onset: c Núcleo: a Coda: t


Sing = onset: s Núcleo: i Coda: ng

Veja outro exemplo:


123
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

FIGURA 15 - ESTRUTURA SILÁBICA DE POUNT E POND

FONTE: A autora

Veja que na palavra “pount”, o “p” faz parte do onset, o “ou” é o núcleo e
o “t” é o coda. Também veja na palavra “pond”, em que o “p” é o onset, o “o” é o
núcleo e o “nd” é o coda.

Pount = onset: p Núcleo: ou Coda: t


Pond = onset: p Núcleo: o Coda: nd

Roach (2009) afirma que as línguas variam consideravelmente em como são


alocados o onset e o coda. Em inglês, as posições possíveis das sílabas são:

QUADRO 11 – TIPOS DE SÍLABAS


PALAVRA IPA – Transcrição Fonética TIPO DE SÍLABA
Eye /aɪ/ V (vogal)
Hi /haɪ/ CV (consoante + vogal)
Height /haɪt/ CVC
Slight /slaɪt/ CCVC
Sliced /slaɪst/ CCVCC
Sprints /sprɪnts/ CCCVCCC
FONTE: Yavas (2016, p. 156).

A última coluna lista uma abreviação comum para cada tipo de sílaba,
onde o C representa o som de uma consoante e o V representa o som de uma vogal
ou ditongo, como visto anteriormente. Por exemplo, a palavra “eye” (olho) é um
ditongo /aɪ/ e, por isso, recebe a letra V.

124
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

E
IMPORTANT

Saber o que está descrito aqui é importante para você entender as sílabas e como
elas são formadas, eventualmente, como elas podem ser separadas. Você conseguirá também
entender melhor como as sílabas tônicas são formadas, o que veremos no próximo tópico.

Uma sequência de consoantes próximas umas às outras é chamada de


“consonant cluster”, que em português se refere aos “encontros consonantais”.
Cada língua tem suas regras para a formação dos clusters. De acordo com Yavas
(2016), os tipos permitidos de encontros consonantais em inglês são:

Encontros consonantais na posição inicial, ou seja, em onset:

1. /pl/, /pr/ como em: please – plenty – plural – priest – pretty – prepare;
2. /bl/, /br/ como em: black – blue – blood;
3. /tr/, /dr/ como em: tree – trip – trust – dream – drink – drama;
4. /kl/, /kr/ como em: clean – class – club;
5. /gl/, /gr/ como em: glad – glamor – global;
6. /fl/, /fr/ como em: flex – floor – flu – free – friend – frog;
7. /θr/, /shr/ como em: three – threat – throat – shrimp – shrink – shred;
8. /sk/, /skr/ como em: ski – skin –sculpture – sky – scream – screen – script;
9. /sl/, /sm/, /sn/ como em: sleep – slim – slow – smart – small – smile –sneeze –
snake – snow;
10. /sp/, /spl/, /spr/ como em: speak – speed – spirit - split – splendid – splendor –
splash – spring – spread – spray;
11. /st/, /str/ como em: steal – stair – stone – street – strict – strength;
12. /sw/, /tw/, /dw/, /kw/, /skw/, /gw/ como em: sweet – swim – swear – twin –
twenty – twice – dwarf – dwell – queen – quick – question – squeeze – square
– squirrel – Gwen – Gwendolen – Guatemala.

Encontros consonantais na posição final, ou seja, em coda:

1. /ft/, /kt/ como em: gift – lift – left – act – fact – elect;
2. /lt/, /ld/ como em: belt – dealt – felt – old – cold – gold – world;
3. /lk/, /lp/, /lb/ como em: milk – silk – bulk – help – pulp – bulb;
4. /lf/, /lv/ como em: self – shelf – golf – solve – involve – valve;
5. /lch/, /lj/, /lm/, /ls/ como em: belch – bulge – divulge; film – helm – realm – else –
pulse;
6. /mp/, /mf/ como em: camp – lamp – stamp – lymph – nymph – triumph;
7. /nt/, /nd/ como em: mint – sent – moment - wind – send – friend;
8. /nch/, /nj/ como em: bench – French –– launch – change – range – strange;
9. /ns/, /nz/ como em:– since – sense – science – cleanse [klenz] – lens [lenz];
10. /ŋk/ como em: ink – drink – think;*
11. /ŋg/ como em: hungry – younger – language;*

125
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

12. /ps/, /pt/ como em: perhaps – lapse – collapse – kept – accept – adopt;
13. /sk/, /sp/, /st/ como em: risk – mask – desk – crisp – grasp – wasp – chest – fast
– first;

* Fique atento! O som da combinação /ŋg/ não ocorre no final da palavra,


mas veja na comparação com o /ŋk/, que pode ser feito tanto no meio quanto no
final das palavras.

Encontros consonantais com o final [θ]:

month – health – strength – length – seventh – tenth – fifteenth etc.

Encontros consonantais com final S ou ES:

1. /ps/, /ts/, /ks/ como em: stops – lamps – helps – writes – tests – texts – links –
thanks – sharks;
2. /bz/, /dz/, /gz como em: rubs – bulbs – needs – holds – worlds – thousands – pigs
– legs;
3. /fs/, /θs/ como em: beliefs – laughs – gulfs – cliffs – deaths – myths – births;
4. /vz/, /ðz/ como em: leaves – knives – wolves – valves – saves – clothes – breathes
– bathes;
5. /mz/, /nz/, /ŋz/, /lz/ como em: homes – storms – cleans – fans – lungs – rings –
girls – thrills;

Encontros consonantais com final ED:

1. /pt/, /kt/, /ft/ como em: hoped – stopped – tipped – linked – locked – marked –
sniffed – laughed – coughed;
2. /[st/, /sht/, /cht/ como em: missed – danced – mixed – washed – rushed – fished
– watched – reached – searched;
3. /bd/, /gd/ como em: robbed – stabbed – tubed – begged – lagged – logged –
hugged;
4. /vd/, /ðd/, /zd/ como em: lived – received – saved – bathed – breathed – clothed
– seized – raised – closed;
5. /zhd/, /jd/ como em: rouged – charged – managed – paged;
6. /md/, /nd/, /ŋd/, /ld/ como em: filmed – armed – planned – rained – hanged –
banged – called – hurled – sealed.
FONTE: Disponível em: <http://usefulenglish.ru/phonetics/practice-consonant-clusters>. Acesso
em: 20 fev. 2017.

DICAS

Assista ao vídeo no site <https://www.youtube.com/watch?v=rMLym5C3FHo&hl=en-


GB&gl=IN> e reveja o conteúdo aqui explicado.

126
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Usando a análise da palavra “cramped” como exemplo, analise a estrutura


das sílabas das outras palavras:

Exemplo: cramped: /kr/ –onset - /æ/ - núcleo - /mpt/ - coda

a) Squealed ___________________________________________________
b) Eighths ___________________________________________________
c) Splash___________________________________________________
d) Texts___________________________________________________

3 SÍLABAS TÔNICAS
Quando tratamos da pronúncia de uma língua, a tonicidade da sílaba usada
no momento da fala é um fator importante para auxiliar na comunicação. O estudo
das sílabas tônicas, portanto, lhe auxiliará como futuro professor de língua inglesa
a trabalhar a compreensão dos sons da língua com os alunos iniciantes. Muitos
estudantes de inglês não conseguem, no início do curso, fazer o reconhecimento
dos sons das palavras em inglês, compreendendo-os como sons da sua própria
língua e atribuindo-lhes diferentes tonicidades no momento da interação oral.
Um conflito na situação comunicativa com um falante nativo ou não nativo, por
exemplo, pode ser gerado a partir da dificuldade de pronúncia da sílaba tônica,
tornando a palavra incompreensível.

NOTA

Você lembra o que é uma sílaba tônica? De acordo com o Dicionário Priberam
on-line, a sílaba tônica é uma vogal ou sílaba que tem o acento tônico. A sílaba tônica aparece
em diferentes posições da palavra. Dependendo da posição dessa sílaba, a palavra terá uma
classificação, e isso dependerá da intensidade com que é pronunciada.
FONTE: Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/tónica>. Acesso em: 20 fev. 2017.

Com o intuito de pronunciar declaradamente e de efetivamente ensinar


inglês como segunda língua, você precisa saber como e onde a sílaba tônica é
atribuída. Isto requer uma compreensão do sistema fonético da língua inglesa.

De acordo com Yavas (2016), a acentuação tônica é uma parte importante da


pronúncia. Alguns idiomas são caracterizados pela acentuação tônica predominante

127
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

das palavras. É o caso, por exemplo, do francês, no qual todas as palavras são
oxítonas (lalá, lalalá, lalalalá, lalalá). A maioria das palavras em português é
paroxítona, cerca de 70%, e aquelas que não são têm sinalização ortográfica
indicativa (acento) para facilitar. Em inglês, isso acaba sendo um problema, pois
a acentuação tônica do inglês não é representada por sinalização ortográfica, não
existe acento gráfico em palavras de origem inglesa.

DICAS

Lembre-se: não existe acento gráfico nas palavras de origem inglesa, mas a
partir desta parte do caderno você poderá ver palavras com o acento gráfico apenas para
ilustrar a acentuação tônica da sílaba.

Inglês tem acentuação tônica variável, assim como português. Em inglês,


isso depende do som das vogais. A acentuação tônica pode estar em qualquer
sílaba nas palavras. Em relação ao número de sílabas, um vocábulo classifica-se
em:

• Monossílabo: Possui apenas uma sílaba. Exemplos: “pá”, “mel”, “fé”, “sol”.
• Dissílabo: Possui duas sílabas. Exemplos: “ca-sa”, “me-sa” “lá-pis”.
• Trissílabo: Possui três sílabas. Exemplos: “ci-da-de”, “a-tle-ta”.
• Polissílabo: Possui mais de três sílabas. Exemplos: “es-co-la-ri-da-de”, “ha-bi-li-
da-de”. FONTE: <http://www.silabas.com.br/silaba/>. Acesso em: 22 mar. 2017.

É característica das línguas germânicas que qualquer sílaba em uma


palavra polissilábica possa ser tônica. Por exemplo, nos seguintes substantivos
trissilábicos, “article” (artigo), “tomato” (tomate) e “kangaroo” (canguru), a
acentuação tônica se move da primeira para a segunda sílaba e, depois, para a
terceira sílaba, respectivamente /ˈɑrtəkəl/ /təˈmeɪˌtoʊ/, /kæŋgəˈru/. Além desta
variabilidade, a acentuação tônica do inglês é conhecida como móvel. Isto pode
ser mostrado em palavras morfologicamente relacionadas, palavras escritas de
maneira semelhante, pois contêm o morfema base, em que a acentuação tônica
se desloca para diferentes sílabas, como nas palavras a seguir demonstradas por
Yavas (2016, p. 181):

“Democrat” (democrata) / ‘dɛməkræt /


“Democracy” (democracia) / dɪ‘mɑkrəsi /
“Democratic” (democrata) / dɛmə‘krætɪk /

128
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

NOTA

Veja que nas transcrições, antes de cada sílaba tônica, é usado o seguinte símbolo: ‘,
como em /dɪ‘mɑkrəsi/. Este símbolo é chamado de diacrítico e sua função é justamente marcar
a tonacidade da sílaba.

Note que em todas as palavras acima, a acentuação tônica é diferente, mesmo sendo
a raiz da palavra igual. Assim também acontece com as palavras:

“Origin” (origem) / ˈɔrəʤən /


“Original” (original) / əˈrɪʤənəl /
“Originality” (originalidade) / əˌrɪʤəˈnælɪti /

“Photograph” (tirar foto) / ˈfoʊtəˌgræf /


“Photography” (foto) / fəˈtɑgrəfi /
“Photographic” (fotográfico) / foʊtəˈgræfɪk /

E
IMPORTANT

O fato de a acentuação tônica se deslocar para diferentes sílabas nas palavras


listadas acima não quer dizer que não existam regras para acentuação tônica das palavras em
inglês. Pelo contrário, vamos estudar as regras da acentuação tônica nesta unidade. As palavras
acima mostram apenas uma característica do inglês, ou seja, que a categoria gramatical das
palavras determina sua acentuação tônica.

Para começarmos a falar sobre acentuação tônica, temos que definir o que
é sílaba fraca (weak syllable) e o que é sílaba forte (strong syllable). Seria muito
simples classificar como sílaba fraca aquela que não é tônica e sílaba forte aquela que
é a tônica. Às vezes, esta classificação é bem clara, mas na prática não é tão simples
assim. Aprendemos as partes internas das sílabas no tópico anterior justamente
para você entender melhor esta parte da acentuação tônica das palavras. Vamos
entender, com base nos estudos de Roach (2009), o que é sílaba fraca e forte:

1. Sílaba fraca é aquela em que a rima não tem o ramo do coda, ou seja, tem núcleo,
mas não coda. Exemplo: “better”, “radio’”, “you”.

129
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

FIGURA 16 - SÍLABA “YOU”

FONTE: A autora

2. A sílaba forte pode ser aquela em que a rima tem núcleo com vogal curta e não
tônica e tem coda. Ou aquela que tem vogal longa ou ditongo com ou sem coda.
Exemplo: “enough” (vogal curta com coda).

FIGURA 17 - ÚLTIMA SÍLABA DE ENOUGH

FONTE: A autora

Veja que na palavra enough /ɪˈnʌf/ a sílaba tônica é “nough” /nʌf/, cuja
vogal que ocupa o núcleo “ou” /ʌ/ é um som curto e fraco nos estudos da fonética.

Vamos utilizar, neste caderno, as palavras “última”, “penúltima” e


“antepenúltima” para localizar a posição das sílabas das palavras. Entenda melhor
com a palavra “probability” (probabilidade) /prɑbəˈbɪləti/:

/prɑbəˈbɪ/ é a antepenúltima sílaba


/lə/ é a penúltima sílaba e
/ti/ é a última sílaba

Você precisará saber o que é acentuação da “última”, “antepenúltima” e


“penúltima” sílaba para entender os conceitos de fonética que serão apresentados
neste caderno.

130
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

3.1 ACENTUAÇÃO TÔNICA EM SUBSTANTIVOS E ADJETIVOS


Há características em comum entre os padrões de acentuação tônica de
substantivos e adjetivos. Em palavras dissilábicas, a acentuação tônica está na
penúltima sílaba. Em uma amostra de 20.000 palavras monomórficas relatada
por Hammond (1999, p. 194 apud YAVAS, 2016, p. 182), “tanto os substantivos
dissilábicos quanto os adjetivos revelam acentuação tônica na penúltima sílaba
em mais de 80% das vezes”. Ainda de acordo com Hammond (1999, p. 194 apud
YAVAS, 2016, p. 182), “81,7% dos substantivos e 81% dos adjetivos dissilábicos
seguiram este padrão”. Abaixo estão alguns exemplos de ambas as categorias:

Substantivo adjetivo
“agent" /ˈeɪʤənt/ “absent” /ˈæbsənt/
”balance” /ˈbæləns/ “arid” / ˈærəd/
ballad” /ˈbæləd/ “commom” /ˈkɑmən/
“Bottle” /ˈbɑtəl/ “fluent” /ˈfluənt/
”cabbage” /ˈkæbəʤ/ “early” /ˈɜrli/
“chicken” /ˈʧɪkən/ “perfect” /ˈpɜrfɪkt/

Conforme Yavas (2016), as duas exceções à regra da penúltima sílaba tônica


se dividem em:

1. Palavras dissilábicas:

Existem dois grupos para esta exceção:


a) O primeiro grupo contém exemplos de palavras com penúltimas sílabas não
tônicas porque tem em seus núcleos o “schwa” e, portanto, são tônicas apenas
na última sílaba por padrão. Por isso, podem ser consideradas exceções, como
em:

Substantivo adjetivo
“Appeal” /əˈpil/ “banal” /bəˈnɑl /
“Ballon” /ˈbælən/ “corrupt” /kəˈrʌpt/
“Brazíl” /bræzíɛl/ “precise” /prɪˈsaɪs/ 
“Canal” /kəˈnæl/ “divine” /dɪˈvaɪn/ 
“Giraffe”/ʤəˈræf/ “alive” /əˈlaɪv/ 
“Japan”/ʤəˈpæn/  “intense” /ɪnˈtɛns/

b) O segundo grupo consiste em exceções reais porque elas são tônicas na última
sílaba, apesar de terem a sílaba tônica na penúltima com os ramos de núcleo e
coda. São elas:

Substantivo adjetivo
“Typhoon” /taɪˈfun/ “mundane” /mənˈdeɪn/
“Sardine” /sɑrˈdin/ “obscure” /əbˈskjʊr/
“Shampoo” /ʃæmˈpu / “okay” /oʊˈkeɪ/
“Antique” /ænˈtik/ “robust” /roʊˈbʌst/
“July” /ʤuˈlaɪ/ “obscene” /ɑbˈsin/
131
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

2. Palavras trissilábicas:

Em palavras trissilábicas, a regra é a seguinte: se a penúltima sílaba for


“forte”, ou seja, tiver o ramo de rima (núcleo e coda), a sílaba será tônica. Caso não
seja forte, então a acentuação tônica passa para a sílaba forte seguinte. Veja nos
exemplos:

Três sílabas Mais de três sílabas


“tomato” /təˈmeɪtoʊ/ “abdômen” /æbˈdoʊmən/ “barracuda” /bɛrəˈkudə/
“aroma” /əˈroʊmə/ “álgebra” /ˈælʤəbrə/ “asparagus” /əˈspɛrəgəs/
“diploma” /dɪˈploʊmə/ “animal” /ˈænəməl/ “apocalypse” /əˈpɑkəˌlɪps/
“horizon” /həˈraɪzən/ “buffalo” /ˈbʌfəloʊ/  “hippopotamus” /hɪpəˈpɑtəməs/
“computer” /ckəmˈpjutər/ “comedy” /ˈkɑmədi/ “thermometer” /θərˈmɑmətər/
“bonanza” /bəˈnænzə/ “vitamin” /ˈvaɪtəmən/ “harmônica” / hɑrˈmɑnɪkə/
“director” /dəˈrɛktər/ “accident” /ˈæksədənt/ “experiment” / ɪkˈspɛrəmənt/
“agenda” /əˈʤɛndə/ “Africa” /ˈæfrəkə/ “astronomy” / əˈstrɑnəmi /
“december” /dɪˈsɛmbər/ “policy” /ˈpɑləsi/  “cemetery” /ˈsɛməˌtɛri/

As palavras da esquerda, como em “tomato”, são tônicas na penúltima
sílaba porque as suas penúltimas sílabas são consideradas fortes (as primeiras cinco
palavras acima possuem vogal ou ditongo no núcleo e as últimas cinco palavras por
terem os ramos da rima). (YAVAS, 2016). As palavras como “abdomen” recebem
a acentuação tônica na antepenúltima sílaba porque todas têm o núcleo com
“schwa”, portanto, todas as penúltimas são sílabas fracas. O grupo das palavras
com mais de três sílabas segue as mesmas regras de cima. A palavra “barracuda”
tem a penúltima sílaba forte, por isso a acentuação tônica é na penúltima sílaba.
Já nas outras palavras da lista, todas têm núcleo com schwa, portanto, a penúltima
sílaba é fraca, fazendo com que a antepenúltima sílaba seja a tônica (YAVAS, 2016).

E
IMPORTANT

Sabemos agora o quão importante foi conhecer a estrutura interna da sílaba para
entendermos melhor como a acentuação tônica funciona em inglês. Claro que isso não é algo
para decorar, mas sim para entender melhor as regras de acentuação tônica nas palavras da
língua inglesa, que, como bem definimos, são muito diferentes das regras da língua portuguesa.
Outro fator que vale destaque é que palavras de origem de língua inglesa, apesar de receberem
acento tônico, não recebem acento gráfico.

Vale a pena lembrar que as palavras que usamos na língua inglesa, mas que
foram emprestadas de outra língua, seguem suas regras de acentuação tônica da
própria língua. A maioria destas palavras tem a penúltima sílaba fraca, portanto, a
regra diz que a última sílaba deve ter a acentuação tônica, por exemplo:

132
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

• Alien /ˈeɪliən/ (do francês “alius”)


• arduous /ˈɑrʤuəs/ (do latim “arduus”)
• galaxy /ˈgæləksi/ (do Middle English “galaxie”) 
• mania /ˈmeɪniə/ (do grego “maniā”)
• period /ˈpɪriəd/ (do Middle English “periode”)

3.2 ACENTUAÇÃO TÔNICA EM VERBOS


Se os substantivos e os adjetivos têm a penúltima sílaba tônica, o foco dos
verbos está na última sílaba. A regra, de acordo com Yavas (2016), é a seguinte:
a última sílaba é tônica se ela for “forte”, se não for, a sílaba tônica vai para a
próxima sílaba forte à esquerda. Relembre que sílaba forte pode ser aquela em
que a rima tem núcleo com vogal curta e não tônica e tem coda, ou aquela que tem
vogal longa ou ditongo com ou sem coda. Em outras palavras, diferentemente do
português, sílaba “forte” não quer dizer que a sílaba é tônica, como na palavra
“enough” (vogal curta com coda). Veja as palavras a seguir:

Última sílaba forte


Achieve /əˈʧiv/
Admit /ədˈmɪt/ 
Agree /əˈgri/
Announce /əˈnaʊns/
Confine /kənˈfaɪn/
Digest /ˈdaɪʤɛst/
Intend /ɪnˈtɛnd/
Interfere /ɪntərˈfɪr/
Import /ˈɪmpɔrt/

Última sílaba fraca, portanto, a penúltima sílaba é tônica


Balance /ˈbæləns/
Blossom /ˈblɑsəm/
Bother /ˈbɑðər/
Distance /ˈdɪstəns/
Furnish /ˈfɜrnɪʃ/
Harvest /ˈhɑrvəst/
Figure /ˈfɪgjər/
Visit /ˈvɪzət/ 
Differ /ˈdɪfər/

Em palavras de origem de língua inglesa não existem muitos verbos


trissilábicos, mas as regras de acentuação tônica são as mesmas das acima.

Yavas (2016) lembra que existem palavras que têm a mesma escrita em
inglês, mas são de classes diferentes. Isso acontece com verbos e substantivos, por
exemplo, na palavra “conduct”. Ela pode ser o verbo “conduzir” ou o substantivo
“conduta”, mas a acentuação tônica é diferente. Como regra geral, os substantivos

133
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

têm a penúltima sílaba tônica e os verbos a última, ou seja, das palavras a seguir,
se a sílaba tônica for na última sílaba, a palavra é usada como verbo:

Substantivo /Verbo
Compress- /ˈkɑmprɛs / e / kəmˈprɛs /
Combat- /ˈkɑmbæt/ e / kəmˈbæt/
Export /ˈɛkspɔrt/ e /ɛksˈpɔrt

Em alguns casos, a diferença está apenas na pronúncia mais forte de uma


vogal, por exemplo:

Abstract – Substantivo: /ˈæbstrækt /


Verbo: /æbˈstrækt/
Convict - Substantivo: /ˈkɑnvɪkt /
Verbo: /kənˈvɪkt/
Protest - Substantivo: /ˈproʊˌtɛst/
Verbo: /prəˈtɛst/

Existem exceções para todas as regras. Aqui, alguns verbos com duas
sílabas têm a penúltima sílaba acentuada, como nos substantivos. É o caso dos
verbos: “silence” /ˈsaɪləns/, “triumph” /ˈtraɪəmf/, “harvest” /ˈhɑrvəst/, “promise”
/ˈprɑməs/, e outros verbos têm sílaba tônica na última sílaba, como em: “surprise”
/sərˈpraɪz/, “delay” /dɪˈleɪ/, “result” / rɪˈzʌlt/.

3.3 ACENTUAÇÃO TÔNICA EM PALAVRAS COMPOSTAS


Uma “palavra composta”, de acordo com Yavas (2016, p. 192), “é composta
de mais de um morfema de raiz, mas funciona como uma única palavra em termos
sintáticos e semânticos”.

NOTA

Os morfemas são as menores unidades portadoras de significado na língua. A


morfologia, do ponto de vista lexical, trata da origem, formação e estrutura da palavra. Quando
tratamos de uma palavra composta de mais de um morfema, estamos falando de palavra
composta por um adjetivo e substantivo, substantivo e verbo, entre outras combinações,
formando uma só palavra com duas combinações, como em: blueprint – blue (azul) e print
(impressão).

134
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

A prática na linguagem escrita em inglês não é consistente, pois uma


palavra composta pode ser escrita como uma única palavra (ex.: “blueprint”), ou
com hífen entre elas (ex.: “fail-safe”), ou com um espaço entre elas (ex.: “flower
girl”). Você pode verificar que essa composição de palavras também ocorre na
língua portuguesa, como em bem-educado e infraestrutura.

Embora não haja regras consistentes de acentuação tônica entre elas,


parece haver uma tendência para aquelas palavras com a acentuação tônica sobre
o primeiro elemento a ser escrito, como uma palavra (blueprint - /ˈbluˌprɪnt/) ou
com um hífen no meio (fail-safe - feɪl-seɪf), e aqueles que recebem a acentuação
tônica no segundo elemento a ser escrito com um espaço no meio (flower girl - /
ˈflaʊər gɜrl/) (YAVAS, 2016, p. 192).

Diante disso, quando duas palavras se unem e criam uma nova palavra,
dá-se mais ênfase na primeira palavra do que na segunda. Exemplo:

Adjetivo + substantivo = a black board (um quadro negro) /ə blæk bɔrd/


Substantivo composto = a blackboard (um quadro negro) /ə ˈblækˌbɔrd/ 

Vamos analisar as características das palavras compostas por classes:

1. Substantivos compostos:

De acordo com Yavas (2016), todos os substantivos


compostos recebem a acentuação tônica no primeiro elemento.
Exceções quase sempre envolvem nomes próprios (Ex.: Lake Erie/
leɪk ˈɪri/, Mount Sinai /maʊnt ˈsaɪˌnaɪ/, Great Britain / greɪt ˈbrɪtən/).

Compostos que funcionam como substantivos são os mais comuns, e


chegam a 90% de todos os compostos em inglês. Nesta categoria, de acordo
com Yavas (2016), a maior fórmula dos compostos é “substantivo + substantivo”
(ex.: phone card / foʊn  kɑrd/, matchbox /ˈmæʧˌbɑks/, teapot /ˈtiˌpɑt/, postman /
ˈpoʊstmən/). Outros compostos podem ter mais combinações, por exemplo:
“adjetivo + substantivo” (ex.: white house /waɪt haʊs/), “verbo + substantivo” (ex.:
stop watch /stɑp  wɑʧ/), “advérbio + substantivo” (ex.: overdose /ˈoʊvərˌdoʊs/,
underwear /ˈʌndərˌwɛr/).

2. Adjetivos compostos:

Conforme Yavas (2016), a acentuação tônica, assim como no grupo anterior,


será no primeiro elemento. Por exemplo:

• Substantivo + adjetivo: “nationwide” /ˈneɪʃənˈwaɪd/, “seasick” /ˈsiˌsɪk  /,


“bedridden” /ˈbɛˌdrɪdən/.
• Adjetivo + adjetivo: “red hot” /rɛd hɑt /.
• Preposição + adjetivo: “overripe” /ˈoʊvərˈraɪp/.

135
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

3. Verbos compostos:

A acentuação tônica depende das combinações a seguir:


• Substantivo + verbo: “baby-sit” /ˈbeɪbi-sɪt/, “spoon-feed” /spun-fid/, “car wash”
/ˈkɑr wɑʃ/.
• Adjetivo + verbo: “dry-clean” /draɪ-ˈklin/.
• Verbo + verbo: “drop-kick” /drɑp-ˈkɪk/.
• Advérbio + verbo: “undertake” /ˈʌndərˌteɪk/, “oversleep” /oʊvərˈslip/.

Os padrões de acentuação tônica nas três primeiras combinações acima


são como os dos grupos anteriores (a acentuação tônica no primeiro elemento).
Compostos com mais de dois elementos são quase sempre destacados no primeiro
elemento. Somente na última combinação acima é que a acentuação tônica muda
para o segundo elemento (YAVAS, 2016).

3.4 ACENTUAÇÃO TÔNICA DE AFIXOS


Você lembra o que são afixos? De acordo com o dicionário on-line Priberam
(2013), afixo é uma partícula que se junta a uma palavra para lhe modificar a
significação: os prefixos e os sufixos.

Conforme Prator (1957), os afixos se caracterizam pela sua posição quanto


ao radical. Os prefixos vêm antes do radical, por exemplo, “leal” – “desleal”, sufixos
vêm após o radical, por exemplo, “feliz” – “felizmente”. O mesmo acontece em
inglês, como nas palavras “happy” - “unhappy” e em “brother” - “brotherhood”.

Como regra geral, quando um afixo é colocado na palavra, ela continua


com a sílaba tônica anterior. Por exemplo: “happy” (feliz) /ˈhæpi/ e “happiness”
(felicidade) /ˈhæpinəs/. Contudo, alerta Roach (2009) que palavras terminadas
com os sufixos tion, sion, ic, ical e ity quase sempre têm a sílaba tônica na sílaba que
precede o sufixo. Exemplo: “contribute” (contribuir) /kənˈtrɪbjut/ e “contribution”
(contribuição) /kɑntrəˈbjuʃən/.

Ainda conforme Roach (2009, p. 83), “há diferenças na acentuação tônica dos
sufixos. Existem três tipos de sufixos em inglês. Os que são neutros na acentuação
tônica, os que mudam a acentuação tônica e os que atraem a acentuação tônica
para si”. Vejamos quais são estes sufixos:

1. Sufixos que atraem a acentuação tônica para si.

-ade: lemon /ˈlɛmən/ = lemonade /ˈlɛməˈneɪd/


-aire: million /ˈmɪljən/ = millionaire /mɪljəˈnɛr/
-ation: realize /ˈriəˌlaɪz/ = realization /ˈriləˈzeɪʃən/ 
-ee: absent /ˈæbsənt/ = absentee /æbsənˈti/ - (exceção é committee) /kəˈmɪti/
-eer: mountain /ˈmaʊntən/ = mountaineer /ˈmaʊntɪˌnɪr/
-ese: Japan /ʤəˈpæn/ = Japanese /ʤæpəˈniz/

136
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

-esque: picture /ˈpɪkʧər/ = picturesque /ˈpɪkʧərəsk/


-ette: kitchen /ˈkɪʧən/ = kitchenette /kɪʧəˈnɛt/
-itis: larynx /ˈlɛrɪŋks/ = laryngitis /lɑrɪnˈʤaɪtəs/
-ific: honor /ˈɑnər/ = honorific /ɑnəˈrɪfɪk/

Como já vimos anteriormente, esses sufixos sempre constituem sílabas


fortes, nas quais há coda. Os itens acima com os sufixos não devem ser confundidos
com as palavras monomórficas (que têm uma só forma) parecidas, como
“bridgade”, “jamboree”, “groesque”, “brunette”. Estas são palavras que já são
assim formadas, o final delas não representa um sufixo.

2. Sufixo neutro: estes sufixos nunca fazem diferença para a acentuação tônica das
palavras. Aqui também se inclui os sufixos –s (para fazer o plural, possessivo
e verbos na terceira pessoa do singular), -ing, -ed (para fazer o passado dos
verbos), -er/est (para comparativos), e os seguintes:

-al: arrive – arrival = /əˈraɪv/ – /əˈraɪvəl/


-ant: ascend – ascendant = /əˈsɛnd/ – /əˈsɛndənt/
-cy: celibate – celibacy = /ˈsɛlɪbət/ – /ˈsɛləbəsi/
-dom: free – freedom = /fri/ – /ˈfridəm/
-er: play – player = /pleɪ/ – /ˈpleɪər/
-ess: lion – lioness = /ˈlaɪən/ – /laɪəˈnes/
-ful: grace – graceful = - /greɪs/ – /ˈgreɪsfəl/
-hood: nation – nationhood = /ˈneɪʃən/ – – /ˈneɪʃənˌhʊd/
-ish: green – greenish = /grin/ – /ˈgrinɪʃ/
-ism: alcohol – alcoholism = /ˈælkəˌhɑl/ – /ˈælkəˌhɔˌlɪzəm/
-ist: human – humanist = /ˈhjumən/ – /ˈhjumənɪst/
-ive: submit – submissive = /səbˈmɪt/ – /səbˈmɪsɪv/
-ize: special – specialize = /ˈspɛʃəl/ – /ˈspɛʃəˌlaɪz/
-less: bottom – bottomless = /ˈbɑtəm/ – /ˈbɑtəmləs/
-ly: friend – friendly = /frɛnd/ – /ˈfrɛndli/
-ment: amend – amendment = /əˈmɛnd/ – /əˈmɛndmənt/
-ness: frank – frankness = /fræŋk/ – /ˈfræŋknəs/
-ship: friend – friendship = /frɛnd/ – /ˈfrɛndʃɪp/
-some: burden – burdensome = /ˈbɜrdən/ – /ˈbɜrdənsəm/
-wise: clock – clockwise = /klɑk/ – /ˈklɑˌkwaɪz/
-th: grow – growth = /groʊ/ – /groʊθ/
-ty: certain – certainty = /ˈsɜrtən – /ˈsɜrtənti/

3. Sufixos que mudam a acentuação tônica: aqueles que não necessariamente vêm
com a acentuação tônica no sufixo.

-ean: Aristotle – Aristotelian /ˈɛrəˌstɑtəl/ – /əˌrɪstəˈtiliən/


-ial: substance – substantial /ˈsʌbstəns/ – /səbˈstænʧəl/
-ian: library – librarian /ˈlaɪˌbrɛri/ – /laɪˈbrɛriən/
-ical: geometry – geometrical / ʤiˈɑmətri/ – ˌ/ʤiəˈmɛtrɪkəl/
-icide: insect – insecticide /ˈɪnˌsɛkt/ – /ɪnˈsɛktəˌsaɪd/
-ic: period – periodic /ˈpɪriəd/ – ˌ/pɪriˈɑdɪk/
137
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

-ify: person – personify /ˈpɜrsən/ – /pərˈsɑnəˌfaɪ/


-ious: labor – laborious /ˈleɪbər/ – /ləˈbɔriəs/
-ometer: speed – speedometer /spid/ – /spiˈdɑmətər/
-ual: context – contextual /ˈkɑntɛkst/ - /kɑnˈtɛkstəl/
-ous: moment – momentous /ˈmoʊmənt/ – /moʊˈmɛntəs/
-y: homonym – homonymy /ˈhɔmənɪm/ - /hɔməˈnɪmi/

Roach (2009) afirma que se a acentuação tônica está na última sílaba da


raiz da palavra (a sílaba imediatamente antes do sufixo), não haverá mudança
na acentuação tônica, por exemplo: diverse /daɪˈvɜrs/ – diversify /daɪˈvɜrsəˌfaɪ/,
absurd /əbˈsɜrd/– absurdity /əbˈsɜrdəti/, obese /oʊˈbis/– obesity /oʊˈbisəti/.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar:

1 Onde está a acentuação tônica correta?

1. Can you pass me a plastic knife?


a) Plas
b) Tic

2. I want to take a photography class.


a) pho
b) To
c) Gra
d) phy

3. China is the country where I was born.


a) Chi
b) Na

4. Please turn off the television before you go out.


a) Tel
b) E
c) Vi
d) sion

5. I can't decide which book to borrow.


a) De
b) Cide

6. Do you understand this lesson?


a) un
b) der
c) stand

138
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

7. Sparky is a very happy puppy.


a) Hap
b) py

8. It is critical that you finish today.


a) Cri
b) Ti
c) Cal

9. My Grandpa wears an old-fashioned coat.


a) Old
b) Fash
c) ioned

10. There is a lot of traffic on the highway today.


a) Traf
b) Fic

FONTE: Disponível em: <https://www.englishclub.com/pronunciation/word-stress-quiz.


htm>. Acesso em: 20 fev. 2017.

2 Quantas sílabas têm as palavras a seguir?

1. Furniture __3____
2. Brought ________
3. Blackboard________
4. Examination________
5. Remember________
6. Collect________
7. Anybody________
8. Please________
9. Police________
10. Grandmother________
11. Impossible________
12. Electricity________
13. Rabbit________
14. Direction________
15. Good-bye________

TURO S
ESTUDOS FU

Viram como a ênfase das palavras dentro de uma frase é importante para
entendermos o significado de uma frase? Veremos como a ênfase é feita nas palavras dentro
de frases com mais detalhes no subtópico a seguir.

139
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

4 RITMO NAS FRASES (ÊNFASE)


De acordo com Prator (1957), a noção de “ritmo” envolve algum evento
perceptível acontecendo em intervalos regulares de tempo. Pode-se, por exemplo,
detectar o ritmo de um batimento cardíaco, de uma luz intermitente ou de uma
peça de música. O ritmo da frase em inglês é um fator importante na fluência, pois
o inglês falado apenas com formas fortes tem o ritmo que não soa natural e não
ajuda o ouvinte a distinguir ênfase ou significado. Podemos dizer que o ritmo é a
música da língua.

Nosso conhecimento de acentuação tônica deve ir além das palavras


isoladas se quisermos entender melhor o ritmo das palavras em uma sentença.
Naturalmente, não falamos somente em palavras, mas em frases, assim como
acontece no português. Por exemplo, na frase "I’m glad to see you", há normalmente
duas ênfases: “glad” e “see”. Em qualquer frase, algumas palavras carregam
ênfase.

Exemplo: “It’s the worst thing that you could do” (É a pior coisa que você
poderia fazer).

O ritmo produzido por essa combinação de sílabas tônicas e não tônicas


é uma característica importante do inglês falado e torna o inglês uma língua com
“stress-timed rhythm”, ou seja, com ritmo de tempo. Em línguas com ritmo de
tempo, há uma quantidade de tempo aproximadamente igual entre cada sílaba
tônica em uma frase (PRATOR, 1957).

Roach (2009) afirma que a fala na língua inglesa é rítmica, e que o ritmo é
detectável na ocorrência regular de sílabas tônicas. A teoria de que o inglês tem
ritmo de tempo implica que as sílabas tônicas tenderão a ocorrer em intervalos
relativamente regulares, independentemente de serem separados por sílabas
tônicas ​​ou não.

Em inglês, as palavras podem ter as suas acentuações tônicas diferenciadas


dentro de uma frase. Ainda conforme Roach (2009), nas frases, as acentuações
tônicas ou ênfases (usaremos agora a palavra “ênfase”) ocorrem em intervalos
rítmicos, dependendo da velocidade de fala. Para ter uma ideia desses ritmos,
considere essas palavras polissilábicas inicialmente enfatizadas: “really”, “loony”,
“poodle”, “swallowed”, “fifty”, “plastic” e “noodles”. Por exemplo, na frase: “The
really loony poodle swallowed fifty plastic noodles” (O poddle muito bobo engoliu cinquenta
noodles plásticos).

Embora esta sentença possa ser falada de muitas formas, uma maneira
típica de produzi-la é algo parecido com: “The really loony poodle swallowed fifty
plastic noodles” (as partes sublinhadas seriam as palavras com maior ênfase). Ou
seja, sílabas regularmente espaçadas, fortemente enfatizadas são intercaladas com
palavras que ainda retêm sua acentuação tônica primária (como loony), mas elas

140
TÓPICO 1 | SÍLABA TÔNICA, RITMO

normalmente não são enfatizadas em uma sentença. Este tipo de tempo é rítmico e
pode atingir níveis elevados em formas de arte, como jazz ou rap (ROACH, 2009).

Você deve estar pensando: Quais palavras devemos enfatizar em uma


frase?

De acordo com Roach (2009, p. 109, grifos do original), os gramáticos


dividem todas as palavras em duas classes:

1. Content words (palavras de conteúdo) – estas palavras têm significado


em si mesmas, como “mother”, “forget” e “tomorrow”.
2. Function words (palavras funcionais) – estas palavras têm pouco ou
nenhum significado além da ideia gramatical que expressam, como “a”,
“the” e “will”.

Em geral, as palavras de conteúdo são enfatizadas. São palavras de


conteúdo:

• substantivos
• verbos
• adjetivos
• advérbios
• demonstratives – this, that, those, these,
• interrogatives: who, when, why, what, whom, what about, what…like, whose.

As palavras funcionais são deixadas sem ênfase, a menos que a pessoa


deseje chamar atenção especial para elas. São elas:

• artigos: a, an, the


• preposições: to, of, in etc.
• pronomes pessoais: I, me, he, him, she, her, it, its, we, us, they, them
• pronomes possessivos: my/mine, his/his, her/hers, your/yours, our/ours, their/
theirs
• pronomes relativos: who, whom, whose, which, that
• conjunções: for, and, nor, but, or, yet, so, though, although, even though, while,
if, unless, until, than, rather than, whether, as much as, whereas, after, as long
as, as soon as, before, by the time, entre outras.
• “One” usado para substituir um substantivo: exemplo: “the red dress and the
blue one”.
• Os verbos be, have, do, will, would, shall, should, can, could, may, might e must. Eles
são fáceis de lembrar e devem ser usados como auxiliares. Exemplo: “do you see
it?”, “we must wait”. Mesmo que ele seja o verbo principal da frase, é geralmente
não enfatizado, como em “Harry is my best friend, Bárbara has a lovely smile”.

141
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

DICAS

Veja mais sobre ritmo no vídeo “Stress and Rhythm in English Pronunciation”, do
canal Elemental English <https://www.youtube.com/watch?v=UbcEiFTmkQo>.

142
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• O que é uma sílaba e sua estrutura interna.

• A estrutura de uma sílaba é composta de onset, rima, núcleo e coda.

• A separação silábica é relacionada à estrutura interna da sílaba.

• As palavras em inglês são formadas através de combinações de sílabas.

• O ritmo é importante para termos uma boa fluência em inglês.

• A acentuação tônica das palavras pode mudar se elas estiverem dentro de uma
frase.

143
AUTOATIVIDADE

1 Você verá abaixo três estrofes de um poema famoso em inglês de James


Thomsom, chamado “Give a man a horse he can ride”. Este poema tem um
ritmo natural. Marque as palavras que devem ser enfatizadas. A primeira
linha já foi feita como exemplo:

Give a man a horse he can ride (James Thomson)

Give a man a horse he can ride,


Give a man a boat he can sail,
And his rank and wealth, his strength and health
On sea nor shore shall fail.

Give a man a pipe he can smoke,


Give a man a book he can read,
And his home is bright with a calm delight,
Though the rooms be poor indeed.

Give a man a girl he can love,


As I, O my ove, love thee,
And his hand is great with the pulse of Fate,
At home, on land, on Sea.

2 Cada frase do texto está enumerada para você poder responder às perguntas
sobre o texto:

1. There’s a little game I want us to play that I used to play at school. 2. It’s
called Forget-Me-Not. 3. I’m going to call out some words – just anything at
all – and as I say each word, you’re all to put down the first thing that comes to
your mind. 4. Is that clear? 5. For instance, if I should say “grass”, you might
write “it’s green”, or anything else you think of. 6. Or if I call out “bridge”,
you might put down “a card game”. 7. It’s an interesting game because it
shows the reactions of people to different things and tells you a lot about the
people themselves. 8. You see how simple and easy it is?

a) Onde é a ênfase do substantivo composto “forget-me-not” (sentença 2) e do


pronome indefinido “anything” (sentenças 3 e 5)?

b) Onde a ênfase vai ser dada na palavra “themselves” (sentença 7)?

c) “Card game” (sentença 6) é um exemplo de dois substantivos usados juntos.


Qual a posição de acentuação tônica dele?

d) Call out (sentenças 3 e 6) e “put dow” (sentenças 3 e 6) são palavras


compostas por dois verbos. Qual é a posição de acentuação tônica deles?
144
e) Você daria ênfase nas palavras “because” (sentença 7), “you” (sentença 8)
e “is” (sentença 8)? Se sim, por quê?

3 Tente fazer a separação de sílabas das palavras acima. As duas primeiras já


estão feitas como exemplo:

1. Furniture – 3 = fur/ni/ture
2. Brought – 1 = brought
3. Blackboard – 2 =
4. Examination – 5 =
5. Remember – 3 =
6. Collect – 2 =
7. Anybody – 4 =
8. Please – 1 =
9. Police – 2 =
10. Grandmother – 3 =
11. Impossible – 4 =
12. Electricity – 5 =
13. Rabbit – 2 =
14. Direction – 3 =
15. Good-bye – 2 =

4 Em cada linha, quatro palavras têm o mesmo padrão de acentuação tônica,


mas uma palavra é diferente de todas na mesma linha. Você saberia
identificar qual das palavras é a diferente em cada linha? (Usaremos como
padrão as sílabas “la” como não tônica e “lá” como tônica).

1. Padrão La lá = above, chicken, prepare, guitar, correct


2. Padrão Lá la = under, dirty, handsome, Japan, reason
3. Padrão La lá la = exciting, tomorrow, November, injection, presidente
4. Padrão Lá lala = appointment, popular, yesterday, politics, sensitive
5. Padrão La la lá la = unemployment, competition, supermarket, information,
immigration

5 Coloque a acentuação tônica das palavras a seguir:

1. Decision – decision
2. Suggestion
3. Institution
4. Identification
5. Equality
6. Possibility
7. Responsability
8. Personality
9. Magnetic
10. Scientific
11. Enthusiastic
12. Democratic
145
13. Musical
14. Medical
15. Political
16. psychological

DICAS

Leia mais sobre os assuntos acima nos sites:


<https://www.englishclub.com/pronunciation/word-stress-rules.htm>. Acesso em: 1º mar.
2017.
<http://www.sltinfo.com/syllables-and-clusters>. Acesso em: 20 fev. 2017.
<http://www.sk.com.br/sk-spell.html>. Acesso em: 20 fev. 2017.
<http://www.phonicsontheweb.com/syllables.php>. Acesso em: 20 fev. 2017.

146
UNIDADE 3
TÓPICO 2

ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS


PALAVRAS

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, iremos aprender as diferentes entonações em língua inglesa,
por exemplo, entonação Ascendente - Descendente (rising-falling), entonação
Ascendente (rising), e entonação na posição não final de frase. Com isso, você terá
melhor compreensão da fonética da língua inglesa e conseguirá entender melhor a
audição em inglês, por exemplo, ouvir um diálogo entre nativos, entender melhor
um filme ou música.

Também veremos como fazer a elisão e ligação das palavras, que são muito
comuns no inglês falado. A dica para ouvir e pronunciar melhor em inglês é
sempre estar em contato com a língua inglesa. Assista filmes, séries, vídeos e ouça
músicas em inglês. Reserve uma hora por dia para isso, fazendo assim com que o
seu ouvido seja treinado em receber informações em inglês, ficando mais fácil você
compreender e pronunciar palavras na língua inglesa.

2 ENTONAÇÃO DAS PALAVRAS


Antes de falarmos sobre entonação, você saberia dizer o que é ritmo?
Sabendo isso, você entenderá melhor o que é entonação. De acordo com Roach (2009,
p. 111), “ritmo é a quebra da continuidade do fluxo do enunciado em obediência
a um parâmetro, que se vincula a uma sílaba com sua tonicidade e duração e sua
pausa”. O ritmo da língua inglesa, assim como o da língua portuguesa, “é o ritmo
acentual, ou seja, o enunciado é marcado pelas sílabas tônicas e os intervalos entre
as mesmas soam aproximadamente iguais” (ROACH, 2009, p. 111).

Na fonética, entonação em nível de sentença se refere aos padrões melódicos


de uma frase ou sentença que pode mudar o significado, ou seja, entonação é a
melodia do que dizemos. Conforme Roach (2009, p. 112), “a entonação é a sucessão
de tons que afetam os segmentos que compõem a frase. É o som emitido que pode,
às vezes, coincidir com o acento tônico das palavras”. Em inglês, entonações podem
ser: ascendentes (rising intonation), ou descendentes (falling intonation). Estas
entonações mudam uma afirmação para uma pergunta, ou vice-versa (ROACH,
2009).

147
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

Você saberia dizer qual é a importância de aprender a entonação das


palavras em inglês? De acordo com Prator (1957), é através da entonação que
expressamos nossas emoções, intenções e atitudes. Imagine você dizendo “bom
dia” para alguém. Você pode dizer “bom dia” de forma “alegre” para uma pessoa
querida – usando uma entonação ascendente e até longa, ou pode dizer “bom
dia” de forma mais “formal”, por exemplo, para o seu chefe, usando a entonação
descendente, com mais “frieza”. Entendeu a importância de saber utilizar a
entonação adequada?

Quando pensamos em entonação, pensamos imediatamente em como


fazemos ela em nossa língua. Bem, em português, todas as perguntas têm entonação
ascendente, por exemplo:

Vamos passear?
Aceita um café?
Por que você está triste?
Onde você mora?

Prator (1957) afirma que, em inglês, a entonação pode ser ascendente ou


descendente em uma pergunta. Na marcação da entonação, usaremos aqui um
sistema simplificado que divide os tons de entonação em três tipos: normal, alto
e baixo. Podemos mostrar os movimentos da voz para cima ou para baixo por
meio de linhas em três níveis diferentes sobre ou abaixo da passagem que estamos
estudando. Uma linha desenhada na base das letras de uma palavra indica que essa
palavra é pronunciada em um tom normal. Uma linha acima da palavra marca um
tom alto, e uma linha a alguma distância abaixo da palavra marca um tom baixo.
Você pode fazer sua voz seguir as linhas? Vejamos o exemplo que Prator (1957, p.
149) traz:

Conforme Prator (1957), geralmente o movimento de um tom para outro


ocorre entre as sílabas, e é chamado de shift, aqui traduzido como “deslocamento”.
Um deslocamento é indicado por uma linha vertical reta, como aquela entre “how”
e “are” no primeiro exemplo acima, ou aquele entre “are” e “you”. Às vezes, a
voz desliza de um tom para o outro enquanto está pronunciando uma sílaba. Tal
movimento com uma sílaba é marcado por uma linha curva para cima ou para
baixo, e é conhecido como uma inflexão, aqui representado pelo símbolo:

all day long

148
TÓPICO 2 | ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS

Neste último exemplo, começamos a pronunciar longamente sobre uma


nota mais alta do que o normal e então a voz desliza até uma nota mais baixa que
o normal antes do final da sílaba.

De acordo com Prator (1957), um padrão básico de entonação em inglês é a


sentença afirmativa simples, que é uma sentença usada para transmitir informações.
Alguns exemplos são "The sky is blue” (o céu é azul) e "I have a red pencil box"
(tenho uma caixa de lápis vermelho). Quando você está simplesmente afirmando
algo, as chances são de que sua entonação é descendente. Isto é, você começa com
a frase na entonação ascendente e termina com ela descendente.

2.1 ENTONAÇÃO ASCENDENTE – DESCENDENTE (RISING-


FALLING)
Nesta posição, a voz mais frequentemente sobe acima do normal, então
cai abaixo do normal. Isso significa que o padrão de entonação subindo-caindo se
parece com isto:

Exemplos:

Em ambas as frases acima há uma ou mais sílabas não tônicas deixadas para
receber a nota baixa. O movimento descendente da voz é então um deslocamento,
mostrado por uma linha vertical entre a sílaba com a nota alta e a seguinte sílaba.

Analise as frases abaixo:

149
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

De acordo com Prator (1957, p. 150), o fato de que a nota alta normalmente
coincide com a última entonação da sentença nos permite, ao falar, distinguir entre
expressões como “blackbird” (certa espécie de pássaro) e “black bird” (qualquer
pássaro de cor preta).

Por que a nota alta vem em sílabas diferentes nestes dois exemplos?
Prator (1957) explica que o movimento descendente da voz é um deslocamento
no primeiro caso e uma inflexão no segundo. Em inglês, a entonação ascendente-
descendente é normalmente usada no final de:

c) Perguntas que começam com palavras interrogativas como “why”,


“where”, “what” etc.:

Os brasileiros podem ter dificuldades em pronunciar perguntas do tipo


que descrevemos acima, apenas com a entonação ascendente-descendente, pois
não faz parte do nosso sistema fonológico fazer perguntas assim. A tendência para
usar uma entonação ascendente-descendente em tais casos deve ser fortemente
resistida.

150
TÓPICO 2 | ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS

DICAS

A queda de sua voz para um tom baixo no final de uma frase é uma espécie de
marca de pontuação vocal, um ponto-final vocal, indicando que o pensamento está completo.
Um ouvinte sente que há mais a ser adicionado até que ele ouve a sua queda de voz.

2.2 ENTONAÇÃO ASCENDENTE (RISING)


No final de uma frase, dois tipos de entonação são comuns: uma é a
entonação ascendente-descendente, que vimos acima, e a outra é a ascendente.
Vimos anteriormente que a entonação ascendente-descendente é usada em
afirmações, comandos e perguntas que começam com uma palavra interrogativa.
Agora, vamos estudar a entonação ascendente. (PRATOR, 1957).

Em inglês, entonação ascendente é normalmente usada no final de


perguntas que não começam com palavras interrogativas, mas são perguntas de
resposta “sim/não”. Exemplo:

A voz normalmente sobe para uma nota alta na entonação do final da frase,
assim como no padrão ascendente-descendente. A diferença entre os dois reside
no fato de que, na entonação ascendente, as sílabas não tônicas são pronunciadas
na nota alta também.

Quando deixamos nossa voz alta no final de uma frase, despertamos no


ouvinte um sentimento de incompletude, em contraste com o senso de plenitude
despertado por uma voz abaixada. A entonação ascendente sugere que algo a
mais deve ser dito, quer pelo orador ou pelo ouvinte. Qualquer afirmação pode
ser transformada em uma pergunta pelo uso de entonação sozinha, sem alterar as
próprias palavras de forma alguma.

151
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

2.3 ENTONAÇÃO NA POSIÇÃO NÃO FINAL DE FRASE


O que foi estudado até agora se aplica ao aumento ou diminuição da voz ao
final de uma frase. De acordo com Roach (2009, p. 152), “a entonação não final pode
variar amplamente de falante para falante, com pouca variação de significado”. No
entanto, você deve saber que em qualquer frase podemos pronunciar em uma nota
mais alta do que a normal as sílabas tônicas de qualquer palavra ou das palavras
que queremos chamar a atenção especial do ouvinte.

Estas palavras podem ser palavras de função especialmente enfatizadas ou


palavras de conteúdo. Exemplo:

Também há ênfase em pronomes demonstrativos e em palavras


interrogativas. Exemplo:

Também pode haver ênfase em comparações e contrastes. Exemplo:

Existem frases com uma construção especial de palavras que geram


entonações diferentes. São elas:

a) Palavras alternativas ou o “or”: usamos entonação ascendente para todas, menos


na sílaba final.

152
TÓPICO 2 | ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS

Exemplo:

b) Palavras em série com uso de “and”: pode-se usar entonação ascendente em


todos os membros da série, exceto a última ou entonação ascendente sobre o
último membro:

Exemplo:

c) Quando se dirige a alguém em particular: entonação ascendente é usada nos


nomes (ou pronomes substitutivos dos nomes) e os títulos são diretamente
direcionados para a pessoa com que está se falando. Isso pode acontecer no final
da frase ou em qualquer outro lugar.

Exemplo:

d) Frases com fórmulas reiterativas, como “aren’t you”, “will he”: Elas mostram
claramente a diferença essencial entre a subida da entonação. Se a fórmula
reiterativa é pronunciada com o padrão ascendente-descendente.

Toda a sentença deve ser interpretada como uma declaração de fato, e


indica que o orador está confiante de que o ouvinte estará de acordo com ele.
Quando a fórmula é pronunciada com o padrão crescente, a sentença é uma
pergunta genuína, o que significa que o orador não tem certeza se o ouvinte está
com fome ou não, e se pede a este último para confirmar ou negar a ideia, para
responder sim ou não.

153
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

Portanto, fazer a entonação das palavras dentro da frase faz com que
possamos expressar nossas intenções, emoções e atitudes

DICAS

Ouça a entonação das frases a seguir no site <http://usefulenglish.ru/phonetics/


listening-for-falling-and-rising-intonation>. Acesso em 10 fev. 2017.

FRASES AFIRMATIVAS

Betty lives in London.


Victor works at a bank.
I haven't read this book.
We went to the theater yesterday.

PERGUNTAS ESPECIAIS

What is his name?


Where does he live?
When did you call him?
Why are you late?

PERGUNTAS GERAIS

Do you visit them often?


Have you seen my keys?
Are you ready to start?
Could you give me a pen, please?

PERGUNTAS DE ALTERNATIVAS

Do you want coffee or tea?


Does he speak English or German?

PERGUNTAS COM FÓRMULAS REITERATIVAS (TAG QUESTIONS)

It's a beautiful town, isn't it?


She knows him, doesn't she?

COMANDOS

Stop it! Sit down.


Close your books.

154
TÓPICO 2 | ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS

SENTENÇAS EXCLAMATIVAS

What a wonderful present!


How nice of you!

SENTENÇAS DIRECIONADAS À PESSOA

Peter, can you /help me?


Mrs. Smith, this is Mary Brown.

ENUMERAÇÃO

One, /two, three, four, five.


She bought bread, cheese, oranges, and apples.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 Divida as seguintes frases conforme a entonação e ligação das palavras,


usando a barra invertida (/) como um símbolo de limite. Se uma frase começa
com uma sílaba não tônica, deixe-a fora de consideração. Veja no exemplo:

a) A Bird in the hand is worth two in the bush.


A / Bird in the / hand is worth / two in the / bush.
b) Over a quarter of a century has elapsed since his death.
c) Computers consume a considerable amount of money and time.
d) Most of them have arrived on the bus.
e) Newspaper editors are invariably underworked.

Acesse o site: <http://www.spokenskills.com/student-activities.


cfm?section=studentpractice&practicepageID=1826>. Acesso em: 10 mar. 2017 para ouvir a
entonação das frases e gravar sua voz repetindo as frases.

3 ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS


A elisão é típica da fala rápida e casual. De acordo com Roach (2009, p. 113),
“elisão nada mais é do que a omissão, supressão de um fonema, som, sílaba ou
palavra”. A natureza da elisão pode ser declarada de forma bastante simples: sob
certas circunstâncias os sons desaparecem. Pode-se expressar isso em linguagem
mais técnica, dizendo que em certas circunstâncias um fonema pode ser realizado
como zero, ou ter realização zero ou ser excluído. Produzir elisões é algo que os
alunos estrangeiros não precisam aprender a fazer, mas é importante que eles
estejam conscientes de que, quando falantes nativos falam uns com os outros,

155
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

um número de fonemas que o estrangeiro pode esperar ouvir não é realmente


pronunciado. Por exemplo:

• “I don't know” /I duno/


• /kamra/ para falar camera - “câmera”
• “fish 'n' chips” - olhe o que acontece com o “and”.

Roach (2009, p. 113, grifos do original) sugere algumas possibilidades de


elisão e ligação de palavras em frases:

1. Perda da vogal fraca depois de /p/, /t/, /k/: como nas palavras “potato”
(batata), “tomato” (tomate), “canary” (canário), “perhaps” (talvez),
“today” (hoje) – as vogais das sílabas iniciais podem desaparecer,
a aspiração do plosivo inicial ocupa toda a porção média da sílaba,
resultando nas pronúncias abaixo. O /h/ indica aspiração na transcrição
fonética.

• “potato” /pəˈteɪˌtoʊ/ vira /phˈteɪˌtoʊ/


• “tomato” /təˈmeɪˌtoʊ/vira /thˈmeɪˌtoʊ/
• “canary” /kəˈnɛri/ vira /khˈnɛri/ 
• “perhaps”/pərˈhæps/ vira /phˈhæps/
• “today” /təˈdeɪ/ vira /thˈdeɪ/

2. Vogal fraca + n, l, r se tornam consoantes silábicas (são consoantes


que têm um som fraco de vogal entre elas ou uma vogal silenciosa). Por
exemplo:

• “tonight” (hoje à noite) /təˈnaɪt/ - vira /tnaɪt/


• “police” (polícia) /pəˈli:s/ vira /pli:s/ 
• “correct” (correto) /kəˈrɛkt/ vira /krɛkt/

3. Evitar encontros consonantais (consonant clusters): nenhuma pessoa


falando inglês pronunciaria todas as consoantes entre as duas últimas
palavras do seguinte:

• “George the Sixth’s throne” (O trono de George, o sexto) /


ʤɔrʤ ðə sɪksθs θroʊn/. Embora isso não seja impossível de pronunciar,
algo como /sɪksθsroʊn/. ou /sɪksroʊn/ é uma pronúncia mais provável
para as duas últimas palavras.
Em aglomerados de três plosivos (/p/, /t/, /k/, /b/, /d/ e /g/) ou duas
plosivas mais uma fricativa (/f/, /v/,/s/, /z/, /ʃ/, /Ʒ/), a plosiva média pode
desaparecer, de modo que resultam as seguintes pronúncias:
• “acts” (atuar na 3ª pessoa do singular) /ækts/ vira /æks/
• “looked back” (olhar para trás) /lʊkt bæk/ vira /lʊk bæk/
• “scripts” (manuscrito) /skrɪpts/ vira /skrɪps/

4. Perda do som final de “v” da palavra “of” antes de consoantes. Por


exemplo:

• “lots of them” (muitos deles) /lɑts əv ðɛm/ vira /lɑts ə ðɛm/


• “waste of Money” (desperdício de dinheiro) /weɪst  əv  ˈmʌni/ vira /
weɪst ə ˈmʌni/

156
TÓPICO 2 | ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS

O último exemplo é típico da fala casual. De acordo com Roach (2009, p. 114),
“é difícil saber se as contrações de palavras gramaticais devem ser consideradas
como exemplos de elisão ou não”. O fato é que eles são regularmente representados
com formas de ortografia especial que fazem com que pareçam bastante diferentes
dos exemplos acima. Os casos mais conhecidos, de acordo com Roach (2009), são:

• “had”, “would”: pronunciados como /d/ após vogais e /əd/ após consoantes.
• “is”, “has”: pronunciados como /s/ após consoantes fortes, e como /z/ após
consoantes fracas, exceto depois de /s/, /z/, /ʃ/, /ʒ/, /ʤ/, /tʃ/ que é pronunciado
como /iz/.
• “will”: pronunciado como /l/.
• “have”: pronunciado /’ve/ depois de vogais e /əv/ depois de consoantes.
• “not”: pronunciado /nt/ - alguns casos com troca no som da vogal, por exemplo:
“can” /kæn/ e “cannot” /ka:nt/, “do” /du:/ e: “don’t” /dəʊnt/ e “shall” /ʃæl/
“shan’t” / ʃa:nt/.
• “are”: pronunciado como /’re/ depois de vogais, por exemplo: “you” /ju/ e
“you’re” /jʊə/.

DICAS

Assista ao vídeo <http://rachelsenglish.com/english-conversation-meet-


stoney/>. Neste vídeo você verá um diálogo normal entre uma família americana e, junto com
o áudio, irá rever os conceitos aprendidos neste tópico.

AUTOATIVIDADE

Vamos praticar?

1 As seguintes sentenças foram escritas aqui com a transcrição fonética de uma


fala calma e devagar. Reescreva a transcrição fonética para uma fala mais
casual, com elisões e ligações das palavras:

a) One cause of asthma is supposed to be allergies.


/wʌn kɑ:z əv æzmə ɪz səpəʊzd tə bi ælərʤiz/
____________________________________________________

b) What the urban population could use is better trains.


/wʌt ði ɜrbən ˌpɑpjəleɪʃn kʊd ju:z ɪz bɛtə treɪnz/
____________________________________________________

157
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

c) She acts particularly well in the first scene.


/ʃi ækts pɑrtɪkjələrli wel ɪn ðə fɜrst si:n/
____________________________________________________

LEITURA COMPLEMENTAR

Teaching: a profession?
Marcela Cintra

Do you work or do you just teach? – the classic question teachers are often
faced with in and outside the classroom. The discussion seems very simple: one
who decides to be in the classroom helping other people is a professional like in any
other field, and deserves the respect for his/her choice. In this article, I am going to
explore some of the facts that make a teacher a professional, as well as raise issues
that might help understand the origin of the behaviour behind the question that
offends many of us, and help us reflect upon the social expectations and our actions
in order to proudly proclaim ourselves teachers and nothing else.

Not only can teachers thrive and become role models to a wider public
beyond their classrooms, but also contribute to their learners’ development in
achieving their goals and dreams. In Brazil, we can definitely refer to many
professionals, such as Vinicius Nobre and Luiz Otávio Barros, who inspire other
teachers to become as great as each one of them can be, carrying the pride in their
career choice throughout their professional lives. But what makes these professionals
so special and respected? In order to investigate the situation, I carried out a survey
with 98 Brazilian students from different learning contexts to understand whether
the question above is addressed to teachers of any given subject or whether it is
exclusive to language teachers. The majority of the answers stated that the question
was natural only when talking about language teachers. The justifications ranged
from the belief that teachers they had had were only temporarily in the classroom
(until they found a job in their area) to the belief that anyone speaking the language
could become a teacher. In any case, learners’ ideas and images of the English
teaching world were not completely wrong. How many of us have become teachers
incidentally? What have we, as a group, been doing to change the misconception
that we are not professionals?

Curiosity drove me to study what the current thoughts on teacher quality


in Brazil are and what makes teachers unique, different from language speakers
who are temporarily on the job. Thus, the second part of the survey included
learners, teachers, trainers, managers and people who are not directly involved in
the teaching/learning process. In this case, the question was related to what makes
a good teacher. In the qualitative analysis of the answers, I found out that the vast
majority listed very similar qualities, despite the differences in word choice. The
summarised list of the findings below may shed light on how high the expectations
are and how challenging it is to earn the respect we dream of. As Hall and Simeral

158
TÓPICO 2 | ENTONAÇÃO, ELISÃO E LIGAÇÃO DAS PALAVRAS

(2008) state, “Good teachers matter. (…) Everything in education depends on it.”
(p. 12). Troman (1996) highlights that “‘good’ teachers represent a social construct
and are subject to change depending on historical contexts”. So here’s what makes
a good teacher:

1. Love: most students and managers referred to love for what one does as the core
of the work of a teacher. As a trainer, the best teachers I have worked with were
also those who had a sparkle in their eyes when talking about lessons, learners,
courses. The challenges are the same to most teachers: those who consciously
choose to be teachers focus on their roles rather than on changing the conditions,
and they are often perceived as professionals who have passion for what they
do and inspire others to pursue this path as well. In the words of teachers, love
was also related to engagement in learning and studying English.

2. Commitment: this quality translated in simple attitudes such as punctuality and


flexibility and in performing core skills eagerly – e.g. planning a lesson carefully
and liaising with parents. The dedication to other people and commitment to
their success definitely makes a teacher stand out – commitment was in the
majority of the learners’ answers as being key to the quality of the teachers’
work. Also, students and trainers mentioned they feel proud of teachers who
are enrolled in courses and have certificates. It shows they are committed to
working as a teacher in the long-run.

3. Empathy: being able to treat others as they want to be treated, being a good
listener and catering for learners’ needs, with attention to differentiation in the
classroom. This item is connected with the first one, but it means a passion for
others and takes patience (often mentioned by the learners who contributed to
the survey) and genuine interest in people to engage all learners in the classroom.

4. Learning: teachers need to be, above all, learners, if not as role models for their
students, at least for their own professional development. “Just as, ultimately,
language students must do the learning for themselves, so too, if we are to
develop professionally, we teachers have to do the developing for ourselves.”
(Bailey, Curtis and Nunan, 2001: 237). That means that teachers need to walk
their talk and make an effort to learn, change and develop knowledge, skills,
behaviours.

5. Knowledge: in this case learners, trainers and managers mentioned the need to
know how to communicate in the language and how to better help students learn
English. At IATEFL Manchester 2015, Martin Parrott highlighted the need for a
teacher to constantly study the language, regardless of their level of awareness
and knowledge about its use and features. There is always something new to
learn and a good teacher is usually intrigued by words, texts, books, films – the
language and the culture permeating English.

Having understood the main expectations towards language teachers, it is


still important to define ‘profession’ to understand where we actually stand in the
social definitions. Wallace (1991) states that “any occupation aspiring to the title of
159
UNIDADE 3 | ESTUDO DA FONOLOGIA

‘profession’ will claim at least some of these qualities: a basis of scientific knowledge;
a period of rigorous study which is formally assessed; a sense of public service;
high standards of professional conduct; and the ability to perform some specified
demanding and socially useful tasks in a demonstrably competent manner.” (p.
5). That being said, and considering the available scientific knowledge in our area,
the existence of specific and assessed courses and our social role, one could easily
claim that teaching is a profession. But the question that really matters is: how
professional are you?

Aiming at helping the reflection, we may consider that Leung (2009)


distinguishes two types of professionalism: sponsored professionalism and
independent professionalism. The first one is done by regulatory bodies that provide
definitions of standards to the profession, giving teachers the conditions to develop
and carry out studies in the area. As for independent professionalism, this is what
teachers do in a rather informal way to develop (e.g. lesson observations, action
research) and consequently show engagement and commitment towards the career
path.

In conclusion, many of us have searched for sponsored professionalism


in order to become a teacher, but we still need the autonomous development and
dedication to teaching and learning in order to become a professional. In conclusion,
English language teachers do not simply work, they engage and inspire others to go
beyond their comfort zones in social interaction, they study throughout their entire
lives knowing there is always a next step, they love others and what they do, they
commit to being at their best possible whenever in class, they respect those who think
their job is easy at the same time they are making huge efforts to develop in order
to better help learners communicate in English. Therefore, next time someone asks
you whether you also work, maybe the best reply is that you simply help people
reach dreams. Working is too trivial.

160
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• As palavras com ênfase são alteradas de acordo com o contexto. Isto explica-se
porque em inglês variamos como falamos ritmicamente.

• Às vezes, falamos ritmicamente (falando em público, por exemplo), enquanto


em outras ocasiões podemos falar de forma não rítmica (como quando estamos
hesitantes ou nervosos).

• Podemos enfatizar certas palavras para dar importância e significado a alguma


coisa a que nos referimos. Exemplo: “O que VOCÊ sabe sobre o assunto?” é
diferente de “O que você SABE sobre este assunto?”. Perceba que as palavras em
caixa alta seriam as enfatizadas na fala.

• No exemplo “O que VOCÊ sabe sobre o assunto?”, a ênfase mostra que o falante
duvida que a pessoa com quem ele esteja falando sabe algo sobre o assunto,
enquanto na segunda frase, “O que você SABE sobre este assunto?”, o contexto
nos diz que duas pessoas estão conversando amigavelmente e que a pergunta
foi feita para pedir informações sobre o “assunto”.

• Vimos também que a entonação das palavras pode ser “ascendente” e


“descendente”, dependendo de algumas regras.

• Não há necessidade de decorar todas as regras que vimos aqui, pois estas são
apenas para ajudá-lo a entender melhor os conceitos de separação silábica e de
entonação de palavras.

• Sempre assista/ouça muito filmes, séries, vídeos e músicas em inglês. Quanto


mais o seu ouvido estiver treinado para receber informações em inglês, mais
fácil será você compreender e pronunciar palavras nessa língua.

161
AUTOATIVIDADE

Escolha qual a sílaba tônica nas frases a seguir:

1. Hello, my name's Alex and if you want to learn about and improve…
( ) im
( ) ro
( ) ve

2. your English pronunciation…


( ) ti
( )a
( ) tion
( ) pro
( ) nun

3. you've come to the right place. There are videos, quizzes, activities…
( ) tiv
( )i
( ) ac
( ) ties

4. and downloads….
( ) loads
( ) down

5. to help you practice…


( ) tice
( ) prac

6. your English.
Now good pronunciation is very…
( )y
( ) ver

7. important for good spoken communication…


( ) ni
( ) mu
( ) tion
( ) ca
( ) co

8. But what do we mean by good pronunciation? Well, you don't have to speak
English like a native…
( ) tive
( ) na

162
9. speaker. It's fine to have a different…
( ) diff
( ) ent
( ) er

10. accent, but what is important is that you are able to speak clearly…
( ) ly
( ) clear

11. and that you don't prevent…


( ) pre
( ) vent

12. other people from understanding…


( ) un
( ) ding
( ) der
( ) stan

13. what your are trying to say. There are many different English accents…
( ) cents
( ) ac

14. in Britain and all around …


( ) round
( )a

15. the world. These are all good models…


( ) mo
( ) dels

16. Now, my accent is standard British English.


( ) En
( ) glish 

FONTE: Disponível em: <http://www.tolearnenglish.com/cgi2/myexam/print.


php?monsite=ff>. Acesso em: 10 mar. 2017.

163
164
REFERÊNCIAS
BARROS, R. Making pronunciation visual. São Paulo: Braz-Tesol Newsletter,
2016.

BBC. Primary History – Anglo-Saxons: Who were they? Disponível em: <http://
www.bbc.co.uk/schools/primaryhistory/anglo_saxons/who_were_the_anglo-
saxons/>. Acesso em: 28 mar. 2017.

BIRNER, B. Is English Changing? Linguistic Society of America. Disponível em:


<http://www.linguisticsociety.org/content/english-changing>. Acesso em: 28
mar. 2017.

BOYANOVA, M. A Brief History of the English Language. Study English Today.


Disponível em: <http://www.studyenglishtoday.net/english-language-history.
html>. Acesso em: 28 mar. 2017.

CULTURA INGLESA. A história da língua inglesa, 2016. Disponível em: <http://


www.culturainglesacuritiba.com.br/historia-lingua-inglesa/>. Acesso em: 2 fev.
2017.

DE SEVILLA MARTÍN-ALBO, M. F. A correlação Ortografia x Pronúncia.


English Made in Brazil. Disponível em: <http://www.sk.com.br/sk-interfer.html>.
Acesso em: 28 mar. 2017.

GLEASON, H. A. An introduction to descriptive linguistics. New York: Henry


Holt and Company Inc., 1977.

GODOY, S.; GONTOW, C.; Marcelino, M. English Pronunciation for Brazilians:


the sounds of American English. São Paulo: Disal Editora, 2006.

IGNÁCIO DE MENDONÇA, C. S. A Sílaba em Fonologia. Working Papers em


Linguística, Florianópolis, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC,
n. 7, 2003, p. 21-40. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/
workingpapers/article/viewFile/6165/5720>. Acesso em: 28 mar. 2017.

KAPLAN INTERNATIONAL. Pronúncia em inglês e o alfabeto fonético. Kaplan


International English Blog. Disponível em: <http://www.kaplaninternational.
com/br/blog/pronuncia-em-ingles-e-o-alfabeto-fonetico>. Acesso em: 28 mar.
2017.

165
KROCH, A. II. The sounds of Old English and their evolution: The Great
English Vowel Shift. The University of Pennsylvania – Department of Linguistics.
Linguistics 310: History of English Project 3, 2016. Disponível em: <http://www.
ling.upenn.edu/~kroch/courses/lx310/handouts/handouts-09/ringe/gvs-revised.
pdf>. Acesso em: 28 mar. 2017.

MASTIN, L. The history of English. 2011. Disponível em: <http://


thehistoryofenglish.com/history_early_modern.html>. Acesso em: 28 mar. 2017.

MATOS, A. P. A.; TREVISOL, J. R. O ensino dos fonemas fricativos interdentais


do inglês: investigando turmas de Ensino Médio em Jacobina-BA. Revista
Interlinguagens, Irati, v.1, 4. ed. p. 61-81. 2013. Disponível em: <http://www.
revistainterlinguagens.com.br/pdfs/4/5.PDF>. Acesso em: 28 mar. 2017.

MERRIAM-WEBSTER INCORPORATED. What are the origins of the English


Language? Disponível em: <https://www.merriam-webster.com/help/faq-
history>. Acesso em: 28 mar. 2017.

MILLER, C. Diphthongs and Triphthongs. Disponível em: <https://


chrismlanguage.wordpress.com/2015/10/21/diphthongs-and-triphthongs/>.
Acesso em: 28 mar. 2017.

NORDQUIST, Richard. Great Vowel Shift (GVS): Glossary of Grammatical and


Rhetorical Terms. ThoughtCo. Disponível em: <https://www.thoughtco.com/
great-vowel-shift-gvs-1690825>. Acesso em: 28 mar. 2017.

PRATOR, C. H. Manual of American English Pronunciation. 2. ed. New York:


Rinehart & Company, 1957.

PRIBERAM, Dicionário da Língua Portuguesa. Lisboa: 2013 Priberam


Informática, S.A. 2013. Disponível em: <https://www.priberam.pt/dlpo/tónica>.
Acesso em: 29 mar. 2017.

ROACH, P. English Phonetics and Phonology: a practical course. 4. ed. London:


Cambridge University Press, 2009.

SCHÜTZ, R. História Da Língua Inglesa. English Made in Brazil. Disponível em:


<http://www.sk.com.br/ sk-enhis.html>. Acesso em: 28 mar. 2017.

SILVA, Flávia Christina Azeredo. Contribuições da fonética e da fonologia ao


ensino de língua estrangeira: o caso das Vogais Altas Frontais e do Glide /j /
no Inglês e no Português Brasileiro. 157 f. Dissertação (Mestrado em Estudos
Linguísticos), Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004.

SILVA, M. Por que só os humanos podem falar? Seven-e Soluções em Tecnologias


Educacionais. Disponível em: <http://seven-e.com/tag/aparelho-fonador/>. Acesso
em: 28 mar. 2017.

166
SILVA, T. C. Fonética e fonologia do português: roteiro de estudos e guia de
exercícios. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2007.

SLOCUM, J.; LEHMANN, W. P. Old English On-line: Series Introduction.


Linguistics Research Center University of Texas at Austin. Disponível em:
<https://lrc.la.utexas.edu/eieol/engol>. Acesso em: 28 mar. 2017.

THANGARAJAN, R. Speech Recognition for Agglutinative Languages, Modern


Speech Recognition Approaches with Case Studies. InTech. Disponível em:
<https://www.intechopen.com/books/modern-speech-recognition-approaches-
with-case-studies/speech-recognition-for-agglutinative-languages>. Acesso em:
29 mar. 2017.

TOBIAS, D. R. Archaic English Grammar. Disponível em: <http://dan.tobias.


name/frivolity/archaic-grammar.html>. Acesso em: 28 mar. 2017.

TOPHONETICS. IPA Phonetic Transcription of English Text. Disponível em:


<http://lingorado.com/ipa/>. Acesso em: 28 mar. 17.

UBC VISIBLE SPEECH. Introduction to Articulatory Phonetics (Consonants).


Youtube, 25 jan. 2015. Disponível em: <https://youtu.be/dfoRdKuPF9I>. Acesso
em: 28 mar. 2017.

UNIVERSITY OF PENNSYLVANIA. Department of Linguistics: the reading


road. Disponível em: <http://www.ling.upenn.edu/pri/readingroad/chapters.
html>. Acesso em: 28 mar. 2017.

USEFULENGLISH. Practice Materials for Consonant Clusters. Disponível em:


<http://usefulenglish.ru/phonetics/practice-consonant-clusters>. Acesso em: 29
mar. 2017.

WISE, C. M. Introduction to Phonetics. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, Inc.


1957.

YAVAS, M.; BLACKWELL, W. Applied English Phonology. 3. ed. Sussex:


Blackwell Publishing, 2016.

167