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Aluno: Alexandre Borges Villa Treinta 17/09/2008

Análise conclusiva sobre o contágio psíquico e o


enfoque clínico do transe/possessão

Ao realizar uma análise do conteúdo dos textos recomendados para a leitura,


verificam-se com abundância de evidências algumas verdades que, claramente, não
condizem com as crendices populares e com as interpretações espíritas sobre os
fenômenos em questão.
Diante das situações de transe ou aparente possessão, não devemos em primeira
instância considerar o manifestante como doente ou, muito menos, “possesso”. A
natureza humana é a própria facilitadora desse fenômeno. As pessoas são influenciadas
pelo ambiente, pela cultura e pela sociedade, e até inconscientemente imitam ou
orientam seu comportamento por essas influências. A essa característica damos o nome
de sugestionabilidade, o que é bem diferente das manifestações prevalentes e incisivas
que algumas pessoas apresentam, que podemos caracterizar como Delírio.
Cabe ainda ressaltar que o estopim para acionar um grave processo de sugestão ou
auto-sugestão pode ser algo pequeno, como a impressão de ter visto um “vulto” em
casa. Se a pessoa acreditar que o “vulto” era um espírito atormentado e que não vai
abandonar a sua casa, ela pode sofrer uma série de perturbações em seqüência que
podem desencadear um contágio em todos os moradores da casa, da vizinhança e até
mesmo de toda a cidade.
Quando nos deparamos com os casos expostos no livro utilizado para a confecção
da presente conclusão, notamos justamente o quanto a sugestionabilidade pode servir
como energia motriz de diversos fenômenos, sejam eles psicológicos ou
parapsicológicos. Via de regra a sugestão ocorre pelo apelo ao lado emocional humano,
e não ao lado racional, e é tão forte quanto mais atender às necessidades emocionais do
sugestionado.
Podemos citar o caso dos “milagres” do diácono jansenista François, falecido em
1727. Nesse caso, um senhora paralítica (típica doença psicógena) se diz curada, o que
foi suficiente para milhares de pessoas aglomerarem-se em volta do túmulo do diácono.
Diante de alguns fenômenos parapsicológicos, o transe coletivo acontecia como uma
reação em cadeia, chegando ao cúmulo de ser criada uma congregação religiosa
chamada de “Obra das Convulsões”. Houve suicídios, flagelação e até crucificação!
Com o objetivo de controlar as fontes da sugestionabilidade, que por cinco anos
afligiam a população, o governo mandou fechar o cemitério. Essa atitude ajudou para a
eliminação dos fenômenos e gradativamente o local se viu livre das manifestações.
Com a síntese das informações contidas nos textos, verifica-se que em todo o
mundo e em diversos ambientes nos deparamos com manifestações decorrentes da
sugestionabilidade. As pessoas dispostas a acreditar ou extremamente impressionadas
são as que mais facilmente apresentam os sinais do contágio psíquico, que pode ser
considerado uma forma de sugestão. Cabe aos parapsicólogos a tarefa de desmistificar
as falsas interpretações populares e envidar esforços para evitar que, por ignorância,
novas ondas de fenômenos ocorram e comprometam a saúde mental de um número
imensurável de pessoas. Compreendendo o mecanismo do fenômeno e as suas causas,
obteremos as ferramentas necessárias para cumprir esta missão.