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SUPLEMENTO DOUTRINÁRIO E TEOLÓGICO

LIÇÃO 02 – SALVAÇÃO
“Porque pela graça [CHAVE: 5485] sois salvos [CHAVE: 4982 – Salvação da morte
eterna, do pecado, e da punição e infelicidade que resultam do pecado. Salvos e
(consequentemente), dar vida eterna], por meio da Fé [CHAVE: 4102 – Confiança em
Cristo para a Salvação, certeza; no sentido abstrato, a constância em tal profissão de
fé; por extensão, o sistema da verdade religiosa (Evangelho). Fé na morte de Cristo,
como o motivo para justificação perante Deus, a fé salvadora, encontrada apenas nos
textos de Paulo], e isto não vem de vós é dom [CHAVE: 1435] de DEUS. Não vem das
obras [CHAVE: 2041 – referente ao cumprimento das obras exigidas pela Lei Mosaica]
para que ninguém se glorie”. Ef 2:8-9

Teologia Pentecostal Sistemática diz: Graça relacionada com a salvação.


E a atitude (ou provisão) graciosa do Senhor para com o indigno
transgressor da sua lei (cf. Rm 3.9-26). Ela resulta da parte de Deus para
com o pecador em: misericórdia (I Tm 1.2; 2 T m 1.2; T t 1.4; 2 Jo v.3; Jd
v.2I); benevolência (Lc 2.14b); paz (resultado da misericórdia de Deus no
coração do homem); gozo (que é mais interior), bem como alegria, beleza
e adorno espirituais — que são mais externos (cf. Rm 12.6)

Norman Geisler: A graça, portanto, é um favor imerecido. Aquilo pelo


qual trabalham os é considerado nossa conquista; mas aquilo pelo qual não
trabalham os, não é considerado nossa conquista. Com o a salvação vem
até nós sem a necessidade de qualquer tipo de obra da nossa parte,
concluem os que não nos cabe qualquer mérito nela: a Salvação é “dom
gratuito de Deus” (Rm 6.23). A graça salvífica de Deus é o favor imerecido
que ele faz por nós.
Algumas pessoas têm contrastado a graça e a misericórdia ao observar que
a graça é dar aquilo que não se merece (por exemplo, a salvação), ao passo
que a misericórdia é não dar aquilo que se merece (por exemplo, a
condenação). Em bora o uso bíblico destes termos não esteja,
necessariamente, de acordo com esta distinção, esta observação continua
sendo bíblica. Os atos da graça e da misericórdia de Deus representam dois
lados do seu amor incondicional por nós.
De acordo com a Bíblia, a graça da salvação divina não é automática ou
unilateralmente concedida a pecadores, mas é recebida som ente por meio
da fé .7 Paulo era cuidadoso ao qualificar a maneira com o a provisão
graciosa da vida eterna de Deus é recebida: “Porque
rela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de
Deus” (Ef 2.8).

02.01 – A Salvação procede de Deus:


Norman Geisler: O pecado é um a pré-condição para a salvação; e a
salvação não é necessária se não houver pecadores que necessitem dela.
Quanto à origem da salvação, existe um consenso universal entre os
teólogos ortodoxos: Deus é o autor da salvação, pois apesar de o pecado
humano ter a sua origem nos homens, a salvação vem do céu, e tem a sua
origem em Deus.

Norman Geisler: A origem da salvação é a vontade de Deus, que decretou


desde a eternidade que providenciaria a salvação àqueles que cressem: “do
SENHOR vem a salvação” (Jn 2.9). Com o declarou João, os crentes são
“filhos [...] os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne,
nem da vontade do varão, mas de Deus” (Jo 1.13). Paulo acrescenta:
“Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de
Deus, que se compadece” (Rm 9.16), pois “nos predestinou para filhos de
adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua
vontade” (E f 1.5). Em suma, a salvação se originou em um a decisão de
Deus em nos salvar. De outra forma, ninguém jamais poderia ser
resgatado.
Com Deus, tal como ocorre com os seres hum anos feitos à sua imagem e
semelhança, a liberdade de decisão (livre-arbítrio) é autodeterminação; a
salvação está fundamentada em um ato livre e autodeterminado da parte
de Deus. Esta decisão foi tom ada de acordo com a sua natureza boa e
graciosa, mas a escolha foi completamente autodeterminada (cf. E f 1.5; 1
Pe 1.2). Não houve nenhum tipo de compulsão externa ou interna sobre
Deus, seja no sentido de criar, seja no de salvar. Ele fez estas duas coisas
de maneira livre.

02.02 – Somente Jesus pode salvar o Homem:


Teologia Sistemática Pentecostal: Expiação, para nós do Novo
Testamento, é a morte de Jesus em nosso lugar para poder nos remir do
pecado; salvar-nos do pecado — expiar é tirar o pecado: “Eis o Cordeiro
de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Expiação tem a ver com
o pecado (Lv 4; 16; 23).
Há quatro grandes palavras doutrinárias empregadas na Bíblia para nos
revelar a extensão do valor da morte de Jesus, isto é, do seu sangue
remidor, para tirar os nossos pecados. Tão vasto e infinito é o alcance da
obra efetuada por Jesus que um só vocábulo das Escrituras não pode
resumi-la.
A palavra “expiação” aplica-se em relação ao pecado em se tratando da
salvação quanto ao seu alcance, que é infinito (Sl 103.12; Is 53.10). Já
“redenção” diz respeito à salvação em relação ao pecador e seu pecado.
Outro termo, “propiciação”, aplica-se à salvação quanto à transgressão;
isto é, a salvação considerando o ser humano como o transgressor. E a
quarta palavra é “imputação”, que se relaciona com a salvação quanto ao
seu “creditamento”. Ou seja, a justiça de Deus “lançada em nossa conta”,
pela fé no próprio Deus (cf. Fp 4.17; M t 6.12; Fm v.I8; Rm 4.3).
Biblicamente, expiar é pagar, quitar, tirar os pecados de alguém, perdoar,
mediante um sacrifício reparador exigido, mas também propiciador.
Expiar, pois, é tirar o pecado mediante a morte de alguém como substituto
do culpado e condenado. No nosso caso, foi Jesus que morreu por nós,
pecadores perdidos (Is 53.10; Jo 1.29; Ap 13.8; 2 Co 5.21). Sem expiação
pelo sangue não há perdão do pecado (Lv 4.35).
A expiação aplaca o Legislador, por satisfazer a sua Lei, violada que foi,
pela culpa do pecado como ato praticado (Lv 5), bem como manchada e
ultrajada pelo pecado como estado, na natureza do pecador (Lv 4). Neste
capítulo, vemos quatro categorias universais de pecadores e a expiação de
seus pecados mediante o sangue expiador.
Há diferença entre a expiação, a redenção e a propiciação, todas
realizadas por Jesus Cristo. A expiação é do pecado do pecador; a
redenção é da pessoa do pecador; e a propiciação tem a ver com Deus em
relação ao pecador já perdoado (cf. Lc 18.13; IJo 2.2). A salvação de
criancinhas inocentes — apesar de pecadores por natureza —decorre da
expiação efetuada por Cristo, e não primeiramente da redenção.

02.03 – Processo da Salvação:


2.3.1 – Arrependimento – é desejar não pecar, Mt 3:2.
Teologia Sistemática Pentecostal: O verdadeiro arrependimento é o que
produz convicção do pecado; contrição do pecado; confissão do pecado;
abandono do pecado; e conversão do pecado. Se essas cinco reações por
parte do homem não ocorrerem, não se trata de arrependimento
verdadeiro, completo, mas apenas tristeza e remorso: “Porque a tristeza
segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém
se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10).
Para que o homem não se glorie, o verdadeiro arrependimento é obra de
Deus (At 5.31; 11.18; 2 Tm 2.25; R m 2.4). Até o abrir do coração do pecador
para o evangelho vem de Deus: “E certa mulher, chamada Lídia (...) nos
ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que
Paulo dizia” (At 16.14). Isso ocorre pela exposição da Palavra de Deus,
que conduz a pessoa ao arrependimento, sendo ela crente ou não (At
2.37,38,41; Jn 3).

2.3.2 – Fé – É crer em Deus, Hb 11:6.


Norman Geisler: A fé salvífica envolve confiança, dependência e
arrependimento — e todas estas coisas trazem mudança na e da nossa
vida.

Teologia Sistemática Pentecostal: Fé não é crer sem provas — ela é


baseada na maior de todas as provas: a Palavra de Deus. A fé é um fato,
mas também um ato (Tg 2.17,26; M t 17.20); manifesta-se por ações, por
obras — “como um grão de mostarda”. Há dois aspectos da fé: ativo e
passivo. A fé ativa diz respeito a nosso viver, nosso agir, nosso trabalhar
para Deus. Já a passiva se relaciona com a fidelidade do crente ao Senhor
e sua firme perseverança.
Como a fé salvífica se manifesta. A fé salvífica tem a ver com o pecador
em relação a Deus (E f 2.8,9; At 16.31), pois “... sem fé é impossível
agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus
creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (H b 11.6).

A fé natural. E a fé “da cabeça”, natural, que não resulta em salvação. A


Palavra de Deus diz que até os demônios crêem que há um só Deus e
estremecem diante de tal fato (Tg 2.19). A fé que Tomé teve, inicialmente,
foi meramente “da cabeça”. Daí Jesus lhe ter dito: “Porque me viste, Tomé,
creste” (Jo 20.29a). Isso também aconteceu com Marta (Jo 11).
Um a pessoa pode, por conseguinte, crer só com a mente, e não com o
coração. A fé natural — também chamada de “pensamento positivo” — é
de grande utilidade nas relações humanas, mas inoperante e sem valor
para a salvação.

2.3.3 – Conversão – É virar em direção oposta, At 3:19; 1ª Ts 1:9.


“Conversão é aquela mudança voluntária na mente do pecador em que
ele se vira do pecado, por um lado, e para Cristo, doutro lado. O elemento
primário e negativo da conversão, nomeadamente, virar-se do pecado,
denominamos arrependimento. O elemento da conversão, último e
positivo, nomeadamente virar-se para Cristo, denominamos fé.” E outra
vez: “Conversão é o lado humano ou aspecto daquela mudança espiritual
fundamental, que, vista do lado divino, chamamos regeneração.” – A. H.
Strong, em Systematic Theology, pág. 460.

“Do fato de a Palavra “conversão” significar, simplesmente, um “virar”,


toda volta do cristão do pecado, subsequente à primeira, pode, num
sentido subordinado, ser denominado uma conversão (Lc. 22:32). Desde
que a regeneração não é santificação completa e a mudança da disposição
regente não é idêntica à purificação completa da natureza, tais voltas
subsequentes do pecado são consequências necessárias e evidencias da
primeira (Cf. João 13:10). Mas não implicam, como a primeira, mudança
na disposição regente, – antes são novas manifestações da disposição já
mudada. Por esta razão, a conversão própria, como a regeneração, de que
é o lado obverso, pode ocorrer apenas uma vez.” - A. H. Strong, em
Systematic Theology, pág. 461.

2.3.4 – Justificação – É o que Deus faz por nós, Rm 5:1 e 8:1


Teologia Sistemática Pentecostal: Justificação é o ato judicial de Deus,
pelo qual Ele declara justo diante dEle o pecador que põe sua fé para a
salvação em Jesus, ficando assim isento de culpa e condenação (Rm 8.30).
A justificação é um ato e também um processo, como a santificação
experimental na vida do crente; ela é primeiramente um ato de Deus.
O perdão remove a condenação do pecado; a justificação nos declara
justos diante de Deus; isto é, como se nunca tivéssemos pecado!

Norman Geisler:
(1) Ela é feita independentemente das obras (R m 1.17; 3.20; 4.2-5);
(2) Ela é feita aos pecadores (Rm 3.21-23); e
(3) Ela é um ato jurídico (legal) (R m 4.4-6; 5.18).

2.3.5 – Regeneração – É o que DEUS faz em nós, Jo 1:12,13; 1ª Pe 1:23.


Teologia Sistemática Pentecostal: E a mudança de condição do pecador:
de servo do pecado para filho de Deus. A regeneração é tão séria diante
de Deus, que a Bíblia a chama de “batismo em Jesus” (I Co 12.13; G1 3.27;
Rm 6.3). Trata-se de um ato interior, dentro do indivíduo, abrangendo
também todo o seu ser. E um termo ligado a família, filhos: “gerar”; é o
novo nascimento (Jo 3.5). Mediante a regeneração somos chamados
“filhos de Deus” (cf. Gn 2.7; Jo 20.22; 15.5).

Norman Geisler: A regeneração é transmissão da vida espiritual, por


parte de Deus, às almas daqueles que estavam “mortos em ofensas e
pecados” (E f 2.1) e que foram “salvos” — trazidos novam ente à vida —
por Deus “pela fé” em Jesus Cristo (Ef 2.8).
A Fonte da regeneração é Deus, o resultado da regeneração é a filiação; o
meio da regeneração é o Espírito Santo; e a duração da regeneração é
eterna:

2.3.6 – Reconciliação – É o que DEUS faz conosco, Rm 5:10; Cl 1:20,22.


Norman Geisler: Um a palavra grega utilizada para reconciliação é
katalasso, que significa “reconciliar” ou “trazer junto ” (cf. M t 5.23,24).
Katallasso é utilizada cinco outras vezes no Novo Testamento. Outro
termo utilizado para expressar a ideia de reconciliação é katallage, que
significa “trazer junto.” Katallaga é utilizada quatro vezes. Por estarem
alienados de Deus pelo pecado, os seres hum anos decaídos necessitam
de reconciliação com Ele (2 Co 5.18-20)
Existem dois lados na reconciliação: o lado objetivo, o potencial que Cristo
conquistou para toda a humanidade (v. 19), e o lado subjetivo, pelo qual
nós verdadeiramente nos reconciliamos os com Deus (v. 20).
E também digno de nota que Deus não está reconciliado conosco; nós
estamos reconciliados com Ele. Deus não se movimenta em relação ao
pecador; mas o pecador se movimenta em relação a Ele. Tanto a alienação,
quanto a reconciliação são mencionadas em Colossenses 1.20,21, que é um
a fabulosa expressão do significado da salvação:
“[Era propósito de Deus que], por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as
coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus. A vós também, que
noutro tempo éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras más,
agora, contudo, vos reconciliou.”

2.3.7 – Satisfação – É o fruto da libertação do pecado, Rm 6:22.


Comentário Bíblico Beacon: “Assim como você tinha um senhor naquela
época, também tem um Senhor agora”, parafraseia Barth, “você também
estava livre, isto é, da justiça - uma terrível liberdade, o inevitável
resultado vergonhoso, e cujo fruto é a morte. E da mesma forma, você está
livre novamente, isto é, do pecado, porque você se tornou servo de Deus,
com o resultado de que, pela sua decisão e pela ordem consequente, você
é um homem santificado que, como tal, está no caminho da vida eterna”.
Agora retornamos à elevada visão da santificação que se iniciou nos
versículos 11-13. Ao se apegarem às amplas possibilidades da graça de
Deus, os cristãos romanos podem se tornar homens completamente
santificados, com a esperança da vida eterna.

02.04 – O Crente pode perder a Salvação:


Jo 5:6; 1ªJo 1:7; Mt 10:22; Ap 2:11
Teologia Sistemática Pentecostal: O crente está seguro quanto à sua
salvação enquanto permanecer em Cristo (Jo 15.1-6). Não há segurança
fora de Jesus e do seu aprisco. Não há segurança espiritual para ninguém,
estando em pecado (cf. Rm 8.13; Hb 3.6; 5.9). Jesus guarda o crente do
pecado; e não no pecado.
Somos mantidos em Cristo pelo seu poder, mediante a nossa fé nEle (IPe
1.5; Jd v.20; 2 Co I.24b). A salvação é eterna para os que obedecem ao
Senhor (H b 5.9; I Co 15.1,2). Estamos em pé pela fé em Cristo, e não pela
predestinação: “tu estás em pé pela fé” (Rm 11.20); “se é que permaneceis
firmes e fundados na fé” (Cl 1.22,23); “Deus é salvador de todos, mas
principalmente dos fiéis [lit. “dos que crêem”]” (I T m 4.10).
O crente deve obedecer a Deus; não para que a sua obediência o salve ou
o mantenha salvo, mas como uma expressão da sua salvação, do seu amor
e da sua gratidão para com aquEle que o salvou. Não nos tornamos salvos
por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, mas pela fé em Jesus Cristo
(At 16.31). A conservação da salvação também vem pela fé em Cristo, pois
está escrito: “O justo viverá da fé” (Rm I.1 7).

02.05 – Resultado da Salvação:


2.5.1 – Libertação, Jo 8:32, 36.
2.5.2 – Perdão dos pecados, 1ª Jo 1:7-9; Mt 26:28.
O perdão não apaga o pecado-, a história não pode ser modificada. Mas
o perdão apaga o registro do pecado. Tal qual ocorre com um indulto, o
crime do acusado não é eliminado da história, mas é apagado da sua
conta.

2.5.3 – Paz, Jo 14:27.


2.5.4 – Amor, Rm 5:5.
2.5.6 – Esperança, Rm 5:4.

02.06 – Conclusão: Podemos ter certeza de que a:


2.6.1 – Salvação para quem Crer, Mc 16:16.
2.6.2 – Condenação para quem não Crê, Jo 3:18, 19 e 36.