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O PAPEL FUNDAMENTAL DA AFETIVIDADE PARA A APRENDIZAGEM NA

ALFABETIZAÇÃO.

Elisabete de Lima Azeredo Santos,


Curso de Pós-graduação em Alfabetização,
aluna do Centro Universitário Barão de Mauá
cidade de Ribeirão Preto, São Paulo- Brasil ,
elisabetelasant@bol.com.br. orientadora
CAROLINA DONEGA BERNARDES

RESUMO: A criança deseja e necessita ser amada, aceita, acolhida e ouvida para
que possa despertar para a vida da curiosidade e do aprendizado. E o professor
é quem prepara e organiza o microuniverso da busca e do interesse das crianças.
A postura desse profissional se manifesta na percepção e na sensibilidade aos
interesses das crianças que, em cada idade, diferem em seu pensamento e modo
de sentir o mundo. Este trabalho tem como objetivo principal salientar os
benefícios que um relacionamento afetivo saudável tem como solidificar
confiança entre professor, aluno, direção, família e comunidade escolar.

PALAVRAS-CHAVES: afetividade; aprendizagem; alfabetização; ensino

Introdução

A afetividade é a dinâmica mais profunda e complexa de que o ser humano pode


participar. Compartilhamos desse tipo de relação geralmente desde o nascimento.
No presente artigo pretende-se fazer uma abordagem sobre o tema. O PAPEL
FUNDAMENTAL DA AFETIVIDADE PARA A APRENDIZA-GEM NA
ALFABETIZAÇÃO, destacando alguns conceitos, teorias e enfatizando sua
importância no processo de ensino e aprendizagem. Assim, dentro do cotidiano
escolar não poderia ser diferente. Partindo desse importante princípio,
entendendo que, para abordar um tema como a importância da afetividade na
tão sonhada arte de educar, tem que ter como eixo central, a “relação professor e
aluno”.

Devendo haver desenvolvimento positivo de ambas as partes para que se possa


desenvolver a empatia.
Assim, para que a criança tenha um desenvolvimento saudável e adequado dentro
do ambiente escolar, e consequentemente no social, é necessário que haja um
estabelecimento de relações interpessoais positivas, verdadeiras como aceitação
e apoio, possibilitando assim o sucesso dos objetivos educativos. Para os quais
foram desenvolvidos.
Para Fernandes (2011) na teoria de Jean Piaget o desenvolvimento intelectual é
considerado como tendo dois componentes: o cognitivo e o afetivo. Paralelo ao
desenvolvimento cognitivo está o desenvolvimento afetivo. Afeto inclui
sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções em geral.

Nos primeiros anos de escola a criança passa por um processo de pressões e


mudanças. Saindo de um ambiente estritamente familiar, portanto, bastante
pessoal, passa a se interagir com o mundo, sem a presença dos pais,
integrando-se na sociedade, dividindo atenção e amores. Ao pensar em
afetividade como um elemento facilitador de inclusão escolar estamos trazendo
uma reflexão que a afetividade pode sim, ajudar as pessoas através de uma
proposta que auxilie a aprendizagem humana de valores, de costumes e
princípios fundamentais para o desenvolvimento humano numa sociedade mais
harmoniosa. Sendo a escola como principal meio de desenvolvimento e de
aprendizado na vida de qualquer criança, porque ela propicia, além do ensino,
O convívio com outras crianças.

É fundamental para que a criança aprenda a vivenciar experiências


diferenciadas e respeitar o espaço do outro. Essa convivência faz com que elas
aprendam a conviver no meio social e desenvolvam capacidades de serem
felizes e se realizarem. É preciso incentivar a educação, mas não apenas uma
educação distante e fria, educar exige desenvolvimento afetivo independente
de faixa etária. Envolver a ponto de marcar de maneira positiva. Auxiliar as
crianças e adolescentes e outrem nos momentos de dúvidas ajudando-os a
compor atitudes de integridade e responsabilidade consigo e com os outros.

1 Afetividade: Conceito
No Dicionário Aurélio (1994, p.80), o verbete afetividade está definido da seguinte
forma: “Psicol: Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma
de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre dá impressão de dor
ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou
tristeza.

”A afetividade desenvolve um papel importante nas relações básicas de um


individuo, além de influenciar na percepção, na memória, no pensamento e na
iniciativa de ações, sendo assim através da afetividade que a personalidade de
uma criança é formada.

“A afetividade refere-se às vivências dos indivíduos e às formas de expressão


mais complexas e essencialmente humanas”. (Krueger apud Silva, 2008, p. 1),
ela desenvolve a criança as ações pensamento e demais ações desenvolvidas
por ele.

Afetividade é o termo usado para designar e resumir não só os afetos em sua


acepção mais estreita, mas também os sentimentos ligeiros ou matizes de
sentimentos de agrado ou desagrado, enquanto o afeto é definido como qualquer
espécie de sentimento e emoção associada à ideias ou a complexos de ideias.
(Cabral e Nick apud Oliveira e Ruiz, 2005, p.1).

A afetividade é uma dimensão indissociável do desenvolvimento biológico e


cognitivo que compõe a vida e as relações das pessoas desde a infância até a
velhice. Segundo Wallon apud Alves (s.a,p.8) “muito cedo na vida da criança
estabelecem-se laços afetivos que são também importantes para sua
sobrevivência quanto à alimentação material. Segundo Ferreira (1999, p.62)
afetividade significa: “Conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a
forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre da impressão
de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de
alegria ou tristeza”. A afetividade tem grande função no processo de
desenvolvimento da personalidade de uma criança, e é formada a partir da ação
do meio social, pois assim como a inteligência ela é construída ao longo de uma
história podendo se modificar de um período a outro.

Na teoria de Jean Piaget, o desenvolvimento intelectual é considerando como


tendo desenvolvimento afetivo. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos,
tendências, valores e emoções em geral (Piaget apud Arantes, 2003, p.57), nessa
frase Piaget afirma a ideia de que o ser humano se desenvolve cognitivamente a
partir de uma afetividade na família e também no ambiente escolar, estar bem
afetivamente é estar bem consigo, e assim está mais disposto para novas ações
aprendizados é estar motivado para buscar conhecimento.

A afetividade tem um papel imprescindível no processo de desenvolvimento da


personalidade da criança, que se manifesta primeiramente no comportamento e
posteriormente na expressão. Almeida (1999, p.42) ao mencionar Wallon diz que
ele “atribui à emoção como os sentimentos e desejos, são manifestações da vida
afetiva, um papel fundamental no processo de desenvolvimento humano.
Entende-se por emoção as formas corporais de expressar o estado de espírito da
pessoa, este estado afetivo pode ser penoso ou agradável. ”

Conforme La Taille (1992, p. 76), Vygotsky explica que o pensamento tem sua
origem na esfera da motivação, a qual inclui inclinações, necessidades,
interesses, impulsos, afeto e emoção. Nesta esfera estaria a razão última do
pensamento e, assim, uma compreensão completa do pensamento humano só é
possível quando se compreende sua base afetivo-volitiva. Apesar de a questão
da afetividade não receber aprofundamento em sua teoria, Vygotsky evidencia a
importância das conexões entre as dimensões cognitiva e afetiva do
funcionamento psicológico humano, propondo uma abordagem unificadora das
referidas dimensões.

2. O conceito de afetividade de Henri Wallon

Segundo Henri Wallon, a afetividade é expressa de três maneiras: por meio da


emoção, do sentimento e da paixão. Essas manifestações surgem durante toda
a vida do indivíduo, mas, assim como o pensamento infantil, apresentam uma
evolução, que caminha do sincrético para o diferencial. A emoção, segundo o
educador, é a primeira expressão da afetividade. Ela tem uma ativação orgânica,
ou seja, não é controlada pela razão. Quando alguém é, em tese assaltado e fica
com medo, por exemplo, pode sair correndo mesmo sabendo que não é a melhor
forma de reagir. O sentimento, por sua vez, já tem um caráter mais cognitivo. Ele
é a representação da sensação e surge nos momentos em que a pessoa já
consegue falar sobre o que lhe afeta - ao comentar um momento de tristeza, por
exemplo. Já a paixão tem como característica o autocontrole em função de um
objetivo. Ela se manifesta quando o indivíduo domina o medo, por exemplo, para
sair de uma situação perigosa.

Pelo fato de ser mais visível que as outras duas manifestações, a emoção é tida
por Wallon como a forma mais expressiva de afetividade e ganha destaque
dentro de suas obras. Ao observar as reações emotivas, ele encontra
indicadores para analisar as estratégias usadas em sala de aula. "Se o professor
consegue entender o que ocorre quando o aluno está cansado ou desmotivado,
por exemplo, é capaz de usar a informação a favor do conhecimento, controlando
a situação”, não é possível falar em afetividade sem falar em emoção, porém os
dois termos não são sinônimos.

“ O espaço não é primitivamente uma ordem entre as coisas, é antes uma


qualidade das coisas em relação a nós próprios, e nessa relação é grande o papel
da afetividade, da pertença, do aproximar ou do evitar, da proximidade ou do
afastamento." (Henri Wallon no livro Do Ato ao Pensamento)

Wallom sem dúvida foi o autor que soube muito bem privilegiar a relação
entre o domínio afetivo e cognitivo, na medida em que criou uma teoria de
desenvolvimento da personalidade. Ocupando-se em estudar a passagem do
orgânico ao psíquico, verificou que, nesse processo, ocorre
concomitantemente de ambos os domínios. O desenvolvimento da
personalidade oscila entre movimentos ora afetivos, ora cognitivos, que são
interdependentes; em outras palavras, à medida que a afetividade se
desenvolve, interfere na inteligência e vice-versa. O desenvolvimento
humano não está pautado somente em aspectos cognitivos, mas também e,
principalmente, em aspectos afetivos. Assim a sala de aula é um grande
laboratório para se observar e questionar os motivos que levam o convívio
escolar do professor e aluno, muitas vezes, a ficar desgastado e sem
estímulo. Experiências vividas em sala de aula ocorrem, inicialmente, entre
os indivíduos envolvidos, no plano externo (interpessoal). Através da
mediação, elas vão se internalizando (intrapessoal), ganham autonomia e
passam a fazer parte da história individual. Essas experiências também são
afetivas. “Para aprender, necessitam-se de dois personagens (ensinante e
aprendente) e um vínculo que se estabelece entre ambos”. (FERNANDEZ,
1991, p.47 e 52).

3. O desenvolvimento da afetividade na Família


Desde o nascimento de uma criança é importante ela estar inserida em um
ambiente que possa satisfazer suas necessidades, como o afeto, segurança,
comunicação, educação, pois a partir desses fatores bem desenvolvidos em uma
criança ela passar a ser mais receptiva ao aprendizado. Os primeiros professores
do cérebro de uma criança são seus pais, uma família estruturada afetivamente
proporciona resultados significativos no desenvolvimento cognitivo de uma
criança.

A afetividade faz parte do indivíduo desde o seu nascimento e o acompanha a


vida toda, ela desempenha um papel de grande importância para todas as
relações humanas. As relações familiares e o carinho dos pais exercem grande
influência sobre a evolução dos filhos, pois a inteligência não se desenvolve sem
a afetividade. O desenvolvimento psicológico de uma criança dá-se através do
meio social que ela convive. Segundo Almeida (1999, p. 63) ao mencionar Wallon
ela observa que “são as emoções que unem a criança ao meio social: são elas
que antecipam à intenção e o raciocínio. ”

Para Wallon (2007, p.122) “é inevitável que as influências afetivas que rodeiam a
criança desde o berço tenham sobre sua evolução uma ação determinante”.
“segundo Boing e Crepaldi Apu Oliveira e Ruiz(2005, pag.7)”: o desenvolvimento
da aprendizagem e da consciência de um bebê, depende dos sentimentos
maternos , que são passados, pois eles criam um clima emocional que transmite
ao bebê muitas experiências vitais”.

Uma relação amorosa e contínua entre mãe e filho desempenha papel importante
para a saúde mental de uma criança, bem como na formação de sua
personalidade. Uma relação afetivo-amorosa com a criança deve envolver toda a
família e implica futuramente em agentes importantes de socialização inteligência
de uma criança.

Na teoria de Piaget, a afetividade é caracterizada como instrumento propulsor das


ações, estando à razão a seu serviço. Sobre esse ponto, Taille, Dantas e Oliveira,
(1992, p. 66), explicam que para Piaget: A afetividade seria a energia, o que move
a ação, enquanto a razão seria o que possibilitaria ao sujeito identificar desejos,
sentimentos variados e obter êxito nas ações. Nesse caso não há conflito entre
as duas partes. Porém, pensar a razão contra a afetividade é problemático por
que, então, deve-se –ia, de alguma forma adotar a razão de algum poder
semelhante ao da afetividade, ou seja, reconhecer nela a característica do móvel,
de energia.
De acordo com Novaes apud Almeida (1984, p. 4) a carência afetiva materna não
só produz choque imediato, mas deterioração progressiva, tanto mais grave,
quanto mais longa e precoce for à carência. Essa deterioração é um processo
evolutivo que pode culminar numa desintegração da personalidade, como também
provocar distúrbios sérios na área somática. “Enfim, a angústia provocada, em
crianças pequenas, pela perda ou separação da figura materna determina
mecanismos de defesa que podem comprometer e modificar a sua personalidade.
” A família é essencial para que a criança ganhe confiança, para que se sinta
valorizada, para que se sinta assistida”. (Gabriel Chalita, 2004, p.26). Por isso é
de extrema importância criar um elo de comunicação entre a família e a escola.
Ambas necessitam uma da outra.

As relações familiares e o carinho dos pais exercem grande influência sobre a


evolução dos filhos, em que a inteligência não se desenvolve sem a afetividade.
Segundo Almeida (1999, p. 50):

A afetividade, assim como a inteligência, não aparece pronta nem permanece


imutável. Ambas evoluem ao longo do desenvolvimento: são construídas e se
modificam de um período a outro, pois, à medida que o indivíduo se desenvolve,
as necessidades afetivas se tornam cognitivas.

É na família que a criança aprende a equilibrar suas emoções, que são tão
importantes quanto aprender na escola, ler, escrever, calcular e viver sociável, a
afetividade unida ao bom aprendizado se completa na escola, local onde a criança
passa boa parte de sua vida, está por sua vez tem a responsabilidade de reafirmar
e continuar a construção iniciada em casa pela família, os professores são os
espelhos dos alunos, é ele quem organiza e instiga a busca do conhecimento e
despertando o interesse das crianças para o conhecer. Para Cury (2003, p 36) “os
professores precisam deixar de serem bons e se tornarem fascinantes para que
suas aulas e conteúdos façam sentido e possam ser assimilados por seus alunos”.
“Na sala de aula não há necessidade de o professor ser “bonzinho” ele precisa
ser amoroso, saber separar os momentos que ocorrem em sala de aula, ele
precisa deixar que sua afetividade penetre no aluno, só assim conseguirá ter o
alunos para si e fazer com que o mesmo aprenda, em nossa era precisamos de
professore que fascinem o aluno, sem deixar de assumir o papel de professor, é
necessário que o professor cative seu aluno, assim o próprio aluno percebe que
na escola ele tem a mesma influencia que recebeu em casa, onde ficará cada vez
mais motivado e em busca do saber.

3 Afetividade e o aprendizado na Alfabetização


“As escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de
conteúdos e técnicas educativas. Elas têm contribuído em demasia para a
construção de neuróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias,
de símbolos e de dores”. (Saltini apud Krueger, s.a, p.1)

A aprendizagem está intimamente ligada à afetividade, pois, sem afetividade,


não há motivação e sem motivação, não há conhecimento. “A afetividade e o
desenvolvimento da inteligência estão indissociadas e integradas, no
desenvolvimento psicológico, não sendo possível ter duas psicologias, uma da
afetividade e outra da inteligência para explicar o comportamento. ” (Piaget apud
Arantes, 2003, p.56). Quando Jean Piaget se refere ao desenvolvimento
Intelectual é considerado dois fatores: o cognitivo e o afetivo. Segundo ele para
ter um bom desenvolvimento cognitivo em primeiro plano deve haver um
desenvolvimento afetivo, uma está interligado ao outro, pois a partir do afeto que
muitos sentimentos são desenvolvidos incluindo o interesse pelo aprendizado.
Demonstração de afetividade na alfabetização, esta por sua vez, inicia sua
formação na família que é o responsável pela formação inicial da criança, outra
instituição de grande importância para a formação da criança é a escola, pois
através da troca de afeto entre professores e alunos resulta em um
Significativo processo de ensino aprendizagem, pois quando uma criança se
sente acolhida em um ambiente, ela consegue expor seus sentimentos, o qual
melhora a socialização entre as pessoas, e a curiosidade para aprender, além
de despertar a motivação.

Conforme Vygotsky apud La Taille (1992, p. 76), explica que o pensamento tem
sua origem na esfera da motivação, a qual inclui inclinações, necessidades,
interesses, impulsos, afeto e emoção. Em sua teoria Vygostsky destaca a
importância das ligações entre a afetiva e cognitiva, em relação ao funcionamento
do psicológico humano.

A infância é um período em que a criança vive um processo de adaptação


progressiva ao meio físico e social. Nesse momento, dá-se um rompimento da
vida familiar da criança para iniciar-se uma nova experiência. Dessa forma, para
que a criança tenha um desenvolvimento saudável em todos os aspetos –
cognitivo, biológico, cognitivo e sócio afetivo – é necessário que ela se sinta
segura e acolhida. O ambiente alfabetizador, o qual a criança será submetida, seja
ele qual for, deverá proporcionar relações interpessoais positivas e os educadores
devem buscar uma abordagem integrada, enxergando a criança em sua
totalidade.
As aprendizagens ocorrem, inicialmente, no âmbito familiar e, depois, no social e
na escola. Podemos observar que existe uma grande dificuldade quando ocorre a
separação da criança no meio familiar para o meio escolar, então esse é o
momento onde professores alfabetizadores devem também estar preparados
efetivamente para receber sua criança, que por sua vez vem para o ambiente
escolar, como medo e ao mesmo tempo cheia de expectativas. Os problemas de
aprendizagem como leitura e escrita podem ser causas, sinais e evidências de um
processo educacional que está desarticulado ao longo de sua evolução histórica,
sendo necessário um resgate do processo de ensino – aprendizagem, deixando
aos educadores e aos pais a incapacidade de entender tais problemas como a
leitura e a escrita. Segundo Almeida (1999, p.91), “[…] é preciso que o professor
esteja muito atento aos movimentos das crianças, pois estes podem ser
indicadores de estados emocionais que devem ser levados em conta no contexto
de sala de aula.” A escola por si própria deveria ser modificada, transformando-se
em uma alternativa de equilíbrio cognitivo e afetivo para as crianças que passam
por ela, sempre visando os problemas que serão encontrados no perfil de cada
criança, deveria ser espaço de segurança para o aluno, local onde ela se sentisse
acolhida, amada, respeitada onde pudesse desenvolver-se naturalmente, mas
para isso primeiramente é necessário deixar esquecido intolerâncias,
preconceitos e preferências, fatores esse que são muitas vezes observados por
ocorrer em sala de aula. Acima de tudo na escola deve ocorrer a união e
participação de todas as pessoas presentes, de maneira que demonstre para o
aluno o laço de afeto que ocorre entre todos que ali convivem.

Em uma escola um professor jamais deve transmitir insegurança a uma criança.


Para Lima (1994,p.45) Deve-se: “evitar transmitir desânimo e cansaço para as
crianças. E quando percebem este tipo de sentimento, tente mostrar que a
questão não é com elas. Na verdade, as condições gerais externas á criança é
que são realmente causa de desânimo e cansaço”.

Toda relação com uma criança deve-se manifestar afetividade, onde o professor
deve conhecer seu aluno, abraçar, perceber se ele está bem, ou se está deixando
transparecer algum problema, se tiver jamais deve ser deixado esquecido, e sim
mostrar sua preocupação com ele, desse modo ele se sentirá importante,
podendo mudar seu comportamento.

A serenidade e a paciência do educador mesmo em situações difíceis fazem parte


da paz que a criança necessita. Observar a ansiedade, a perda de controle e a
instabilidade de humor, vai assegurar à criança ser o continente de seus próprios
conflitos e raivas, sem explodir, elaborando-os sozinha ou em conjunto com o
educador. A serenidade faz parte do conjunto de sensações e percepções que
garantem a elaboração de nossas raivas e conflitos. Ela conduz ao conhecimento
do si – mesmo, tanto do educador quando da criança (SALTINI, 1997, p. 91).

Vygotsky e Wallon descrevem o caráter social da afetividade, sendo a relação


afetividade-inteligência fundamental para todo o processo de desenvolvimento do
ser humano. Cabe ao educador integrar o que amamos com o que pensamos,
trabalhando de uma só vez, a razão e a emoção. Só se aprende a
Amar, quando se é amado. Por isso a criança tem que se sentir amada, para
descobrir o que é amor. Nós não damos aquilo que não temos. “A escola faz um
tipo de trabalho e a família outro”. Ambas se complementam de forma maravilhosa
e incrível para o bem-estar e a formação integral das nossas crianças. Mas nem
uma nem a outra podem suprir todas as necessidades infantis e juvenis sem ser
um conjunto. (ZAGURY, 2002, p. 24)

Segundo Piaget apud Balestra (2007, p.42) o professor é o elo fundamental,


indispensável para estabelecer a interação quem aprende – objeto de
conhecimento, e para que esta interação se dê os laços de confiança e afetividade
entre aquele que ensina e aquele que aprende devem estar bem consolidados,
pois “a afetividade deve ser vista como a força motriz que impele o sujeito para o
conhecimento. “Para que haja esse processo educativo efetivo é necessário que
algo mais permeie essa relação aluno-professor”. É esse algo a mais que falta em
diversas instituições de ensino. A afetividade, uma relação mais estreita entre o
educando e o educador. A escola é o local onde a criança complementa as
formação cognitiva (pois esta tem início da família) e afetiva, a instituição de
ensino é o principal responsável pelo processo , nesse caso fica muito difícil
ensinar , quando uma criança não sente segurança no local onde passar muito
tempo de sua vida, portanto o papel da escola é de acolher, transmitir afeto para
seus alunos , assim um conjunto afetividade/aprendizagem formará uma criança
sociável, que busca novos caminhos, disposta e pronta para conhecer o novo ,
nada para ela será dificuldade, assim será preparada para a vida.

Para Lima (1994, p.44) baseado na teoria de Piaget, “um professor deve deixar
transparecer um afetividade igual por todas as crianças, suas preferências não
devem ser manifestadas em sala”.

Segundo Masseto apud Siqueira (2008, p.3), o sucesso (ou não) da aprendizagem
está fundamentado essencialmente na forte relação afetiva existente entre alunos
e professores, alunos e alunos e professores e professores.
Wallon apud Almeida (1999, p.51) destaca que “a afetividade e a inteligência
constituem um par inseparável na evolução psíquica, pois ambas têm funções
bem definidas e, quando integradas, permitem à criança atingir níveis de evolução
cada vez mais elevados”

Em uma boa prática educativa, o professor não deve usar seu autoritarismo para
“prender” seus alunos, mas deve transmitir afetividade, dessa forma ele consegue
atrair a atenção de seus educandos bem como transmitir conhecimento
proporcionando aprendizagem. A afetividade tem uma valiosa contribuição para o
desenvolvimento da criança, na alfabetização, principalmente quando ela deixa a
educação Infantil e adentra num ambiente alfabetizador em que a afetividade tem
um papel importante uma que há troca de professor e de ambiente, novos olhares
e novos horizontes podem trazer alegria e prazer dependendo do grau de
afetividade criado. Um ambiente frio e triste não produz motivação para aprender.
A sala deve ter cores e decorações para criar um ambiente de aceitação. Por “tom
afetivo” não devemos entender que o educador deva se comportar como um
aluno, ou que não exija respeito. Ele pode ser muito amável e até amigável, sem
se pôr a brincar com eles. Quando a criança nota que a professora gosta dela, e
que a professora apresenta certas qualidades como paciência, dedicação,
vontade de ajudar e atitude democrática, a aprendizagem torna-se mais facilitada;
ao perceber os gostos da criança, o professor deve aproveitar ao máximo suas
aptidões e estimulá-la para o ensino.

Ao contrário, o autoritarismo, inimizade e desinteresse podem levar o aluno a


perder a motivação e o interesse por aprender, já que estes sentimentos são
consequentes da antipatia por parte dos alunos, que por fim associarão o
professor à disciplina, e reagirão negativamente a ambos.

A todo o momento, a escola recebe crianças com auto estima baixa, tristeza,
dificuldades em aprender ou em se entrosar com os coleguinhas e as rotulamos
de complicadas, sem limites ou sem educação e não nos colocamos diante delas
a seu favor, não compactuamos e nem nos aliamos a elas, não as tocamos e
muito menos conseguimos entender o verdadeiro motivo que as deixou assim. O
grau de afetividade que envolve a relação do (a) professor (a) com os seus pares
representa o fio condutor e o suporte para a aquisição do conhecimento pelo
sujeito. O aluno, especialmente o da alfabetização, precisa sentir-se integralmente
aceito para que alcance plenamente o desenvolvimento de seus aspectos
cognitivo, afetivo e social. (BALESTRA, 2007,p .50).
O processo de desenvolvimento na alfabetização se realiza nas interações, que
objetivam não só a satisfação das necessidades básicas, como também a
construção de novas relações sociais, com o predomínio da emoção sobre as
demais atividades.
A afetividade só é estimulada através da vivência, na qual o professor-educador
estabelece um vínculo de afeto com o educando. A criança precisa de estabilidade
emocional para se envolver com a aprendizagem.
O processo de desenvolvimento da aprendizagem na alfabetização se realiza nas
interações, que objetivam não só a satisfação das necessidades básicas, como
também a construção de novas relações sociais, com o predomínio da emoção
sobre as demais atividades. As interações emocionais devem se pautar pela
qualidade, a fim de ampliar o horizonte da criança e levá-la a transcender sua
subjetividade e inserir-se no social. Na concepção walloniana, tanto a emoção
quanto a inteligência são importantes no processo de desenvolvimento da criança,
de forma que o professor deve aprender a lidar com o estado emotivo da criança
para melhor poder estimular seu crescimento individual. No âmbito da
alfabetização, a inter-relação da professora com o grupo de alunos e com cada
um em particular é constante, dá-se o tempo todo, na sala, no pátio ou nos
passeios, e é em função dessa proximidade afetiva que se dá a interação com os
objetos e a construção de um conhecimento altamente envolvente. Como afirma
Saltini (1997, p. 89), “essa inter-relação é o fio condutor, o suporte afetivo do
conhecimento”.
Complementa o referido autor:
Neste caso, o educador serve de continente para a criança. Poderíamos
dizer, portanto, que o continente é o espaço onde podemos depositar nossas pequenas
construções e onde elas tomam um sentido, um peso e um respeito, enfim, onde elas são
acolhidas e valorizadas, tal qual um útero acolhe um embrião (SALTINI, 1997)

Conclusão

A afetividade este presente em todas as relações pessoais e profissionais, por


isso, sua importância na realização subjetiva de cada indivíduo. A afetividade, nos
primeiros anos de vida, é ainda mais importante, pois é quando a criança ou o
adolescente está aprendendo a organizar suas estruturas mentais e cognitivas

A afetividade influi e facilita na aprendizagem, pois nos momentos informais, o


educando aproxima-se do educador, trocando experiências, expressando seu
ponto de vista e fazendo questionamentos, sendo tais atitudes significantes para
a construção do conhecimento. Dessa forma o professor deve sempre estar
aberto ao diálogo e atitudes que favoreçam o aprendizado de seus alunos,
mantendo com eles um bom relacionamento.

Cabe aos pais e aos professores construírem com o papel de afetividade no


desenvolvimento da criança, onde sejam trabalhadas as emoções de forma
prazerosa, pois o resultado do trabalho com essas emoções pode resultar em
grandes aprendizagens significativas, seja ela em casa ou na escola.

A afetividade estimula a criança a alcançar seus objetivos e a ter êxito em seu


processo de aprendizagem, por isso, deve estar presente em seu cotidiano
escolar, pois envolve atenção, carinho, respeito e interesse, logo quando existe
uma relação de troca, o processo de ensino-aprendizagem será efetivamente
produtivo.

Dessa forma, podemos notar que a afetividade se constitui um fator de grande


importância no processo do desenvolvimento humano, e, por conseguinte na
determinação da natureza das relações que se estabelecem entre pessoas. Para
que essas relações sejam construtivas, a presença da afetividade é indispensável,
pois ela irá nortear o processo de interação e de convivência entre elas.

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WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 2007.

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