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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA,
LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

CLIMATOLOGIA DINÂMICA DA ANTÁRTIDA:


CICLONES EXTRATROPICAIS QUE ATUARAM
NOS VERÕES E INVERNOS DE 2001 A 2006
NA REGIÃO DA PENÍNSULA ANTÁRTICA

TESE DE DOUTORADO
VOLUME I

Ricardo Augusto Felicio

Orientador: Prof. Dr. José Bueno Conti

Março de 2007
CLIMATOLOGIA DINÂMICA DA ANTÁRTIDA:
CICLONES EXTRATROPICAIS QUE ATUARAM
NOS VERÕES E INVERNOS DE 2001 A 2006
NA REGIÃO DA PENÍNSULA ANTÁRTICA

TESE DE DOUTORADO

VOLUME
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA,
LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

CLIMATOLOGIA DINÂMICA DA ANTÁRTIDA:


CICLONES EXTRATROPICAIS QUE ATUARAM
NOS VERÕES E INVERNOS DE 2001 A 2006
NA REGIÃO DA PENÍNSULA ANTÁRTICA

TESE DE DOUTORADO

Ricardo Augusto Felicio

Orientador: Prof. Dr. José Bueno Conti

Março de 2007
AGRADECIMENTOS

São muitos os agradecimentos e acredito que vale citar todos. Cada um deles
teve uma participação, direta ou indireta, em maior ou menor grau, para que minha
carreira tenha chegado até aqui. São todos amigos acadêmicos que ajudaram ou
incentivaram a carreira e esta pesquisa.

Agradeço, inicialmente, ao Prof. Dr. Paulo Marques dos Santos. Além de ser o
mentor da minha carreira, sempre foi uma fonte de inspiração. A continuidade das
minhas pesquisas na área de instrumentação meteorológica e aplicação direta da
Meteorologia foram espelhadas na sua vivência. De fato, o que é hoje o Departamento
de Ciências Atmosféricas (antigo Departamento de Meteorologia) foi graças à sua visão
e empenho. Foi com muito orgulho que creditamos seu nome ao nosso antigo centro
acadêmico, obra de nós, “alunos da velha guarda” que o considerávamos, de maneira
pessoal, respeitosa e carinhosamente como o nosso Mentor do IAG, pela maneira como
ele demonstrava o seu apreço por nós.

Agradeço ao Prof. Dr. José Bueno Conti que aceitou o cargo de orientação desta
pesquisa, de direito e fato, de um aluno “estranho no ninho” que apareceu no
Departamento de Geografia. Ele vislumbrou o trabalho e sua utilidade enriquecedora
para o Departamento desde a primeira entrevista. Foram muitos os momentos de
discussão, dos mais variados temas, em geral, da Climatologia e da Antártida. Foram
nestas conversas que aprendi a ver a Meteorologia por outro ponto de vista.
Sinceramente, foi uma honra tê-lo como meu orientador.

Ao Prof. Dr. Ailton Luchiari, pelas explicações técnicas sobre Sensoriamento


Remoto e pelos ensinamentos da disciplina oferecida ao Programa de Pós-graduação,
onde aprendi a manipular e entender melhor as imagens de satélite, cobrindo as lacunas
operacionais que não são abordadas no curso de pós-graduação em Meteorologia do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.

Agradecimentos à Profª. Drª. Iracema Fonseca de Albuquerque Cavalcanti que


apoiou os trabalhos, desde a pesquisa de Mestrado, durante a minha estadia no INPE.

iii
Ao Prof. Dr. Ricardo de Camargo que, há mais de dez anos, é companheiro das
atividades de pesquisa e instrução, desde a Oceanografia Física até a Meteorologia
Sinóptica. Quem diria que a brincadeira de “colecionar ciclones”, através das imagens
de satélite para compor as aulas, poderia gerar indícios para um trabalho de doutorado.
Nem eu imaginava.

Agradeço ao Prof. Dr. Tarik Rezende de Azevedo que, desde o início, apoiou e
confiou muitas das atividades desta academia às minhas mãos. Além disto,
notadamente, seus ensinamentos me fizeram observar a Climatologia por outros
aspectos que hoje, completam a minha formação profissional. Acredito que isto me
tornou um “Meteorologista Geógrafo”, ampliando o meu campo geral de visão, em
todos os aspectos.

Um especial agradecimento ao Prof. Dr. Mário de Biasi e à aluna de graduação


em Geografia Daniela Miranda de Souza, que me ajudaram na busca de bibliografia em
Geografia Física e pelos conselhos quanto à escolha da formatação de gráficos, cores,
mapas e escalas. O volume de dados desta pesquisa foi tamanho que, sem essas
sugestões, correr-se-ia o risco de se tornar impraticável a sua síntese.

Agradecimento especial ao amigo Prof. Dr. Wallace Figueiredo Menezes, que


prontamente se ofereceu para participar como um dos membros da minha banca de
doutorado.

Ao amigo antártico e de muitas missões paramilitares, Marcelo Romão Oliveira,


membro da equipe de Meteorologia da Estação Antártica Comandante Ferraz. Sua ajuda
nas discussões sobre dados meteorológicos da Antártida e na depuração dos erros foram
valiosas.

Agradecimentos à equipe do Departamento de Satélites Ambientais – DSA do


INPE que forneceu muitas das imagens de satélite utilizadas nesta pesquisa.

Agradecimentos especiais ao Laboratório de Climatologia e Biogeografia – LCB


e ao seu técnico responsável, aluno de graduação em Geografia Rogério Rozolen Alves
que auxiliou em diversas etapas da infra-estrutura necessária para as atividades de

iv
participação nesta academia. Quanto ao laboratório, boa parte da coleta de imagens foi
realizada em suas dependências, etapa essencial para a elaboração da pesquisa.

Agradecimentos aos amigos Dr. Frederico Luiz Funari, Prof. Dr. Emerson
Galvani e Prof. Ms. Mário Festa, pelas explicações sobre alguns dados meteorológicos e
o companheirismo acadêmico. Ao Prof. Ms. Fernando Shinji Kawakubo pela ajuda com
os softwares de tratamento de imagens de satélite e dados, além das indicações para que
eu ministrasse algumas aulas de Climatologia na UNESP. Ao Prof. Dr. Cláudio Solano
Pereira, pelo fornecimento de material de Oceanografia Antártica e pelo seu apoio
incondicional, dado nos tempos do INPE. Aos amigos Dr. Mateus da Silva Teixeira e
Ms. Reinaldo Olmar Kneib, pelo apoio e a diligência em dirimir dúvidas de pesquisa.

Aos novos amigos e colegas, professores e alunos, do Departamento de


Geografia.

Ao Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento – CNPq pelo


financiamento desta pesquisa e pelo fornecimento da taxa de bancada, crucial para
suprir às necessidades operacionais de trabalho.

Agradeço ao Departamento de Geografia, Programa de Pós-graduação em


Geografia Física, pela oportunidade de completar esta etapa da minha vida acadêmica.

Finalmente, com muito carinho, agradeço a Nene e a Degó, minhas


cachorrinhas, pelos irresistíveis convites para as brincadeiras com bolinhas, que me
resgatavam da permanência de horas no encantado mundo dos ciclones antárticos.

Fig.0.0: Máquina de fazer


Furacão, com 4 anos. Só podia
resultar nisto (1974).

v
Climatologia Dinâmica da Antártida:
Ciclones Extratropicais que Atuaram
nos Verões e Invernos de 2001 a 2006
na Região da Península Antártica

RESUMO

O presente trabalho consistiu em avaliar e estudar o comportamento dos


ciclones extratropicais que atuaram na região da península Antártica e estreito de
Drake, durante cinco verões e invernos, pertencentes aos anos de 2001 a 2006. Para
tanto, estabeleceu-se 3 metodologias de trabalho que tiveram como metas avaliar os
grandes ciclones sinópticos e os mesociclones. A primeira metodologia consistiu em
catalogar todas as ocorrências dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro e junho,
julho e agosto, gerando estatísticas a esse respeito, quanto ao tamanho,
deslocamento e desenvolvimento. O trânsito dos ciclones pelo estreito de Drake foi,
em média, de 1 a 2 dias. Pelas estatísticas geradas, verificou-se que a região teve
predominância de ciclones com ciclo completo de desenvolvimento e que a direção
predominante de chegada dos sistemas foi de Noroeste. Mostrou-se que a região do
mar de Bellingshausen foi a principal área de decaimento de grandes ciclones e que
a mesma área foi a geradora de pequenos vórtices. Os invernos computaram cerca de
um terço a mais de ciclones em relação aos verões. A segunda metodologia avaliou
os dados da estação meteorológica automática situada no complexo da Estação
Antártica Comandante Ferraz. Neste estudo, destacou-se a atuação dos sistemas
ciclônicos anteriormente descritos pelas imagens de satélites e os extremos
meteorológicos registrados no período. Foi notado que não houve uma variação
muito grande de temperatura durante a passagem dos ciclones, e que a redução ou
aumento de temperatura depende da direção dos ventos ocasionados pelos sistemas.
Finalmente, em posse dos resultados de ambas as metodologias, escolheu-se alguns
casos para o trabalho da terceira metodologia. Esta última, visou avaliar o
comportamento dos sistemas, dentro de um contexto operacional e científico na área
de atuação deste trabalho. Foram escolhidos os sistemas com desenvolvimento
ciclônico acentuado e de casos de baixa pressão e/ou ventos fortes. Verificou-se que
os ciclones causaram advecções térmicas acentuadas no estreito de Drake, com
transporte quente na vanguarda e fria na retaguarda. Alguns casos particulares
demonstrados, indicaram que certas situações podem atingir o sul do Brasil,
dependendo da configuração sinóptica dos ciclones.

1 – Antártida; 2 – Sinóptica; 3 – Ciclones Extratropicais;

4 – Imagens de Satélite; 5 – Climatologia Dinâmica.

vi
Dynamic Climatology of Antarctica:
Extratropical Cyclones Who Acted
in the Summers and Winters of 2001 to 2006
in the Antarctica Peninsula Region

ABSTRACT

The behaviour of synoptics systems which affected the Antarctica


Peninsula and Drake Passage during five summers and winters, that belongs to
the years of 2001 to 2006, were analysed in this study. Three main methods were
developed to measure the largest synoptic cyclones and mesocyclones. The first
one it was used to catalogue all the occurrences in the months of December,
January and February (summer) and June, July and August (winter) using
satellite image, by this time a statistical analysis was performed, related to the
size, displacement and development of the systems. The passage of cyclones over
the area occurs in a average time of one or two days. The cyclones with complete
lifecycle were the dominant cases and the Northwest was the dominant direction
of the systems arriving in the region. It was noticed that the Bellingshausen Sea
were the main area of the decaying of largest systems, and also of the origin of
new small scale vortexes. The winters had counted 33% of cyclones over than the
summers. The second method evaluate the data obtained from the Antartica
Station Comandante Ferraz. In this study were detached extreme cases of wind
and pressure of the cyclonic systems, in the Antarctica Peninsula. These
occurrences were discussed considering the behaviour of the synoptic systems in
the region. It had not notice a large change in temperature at the surface
associated with the passage of the cyclones, and the reduction or increase of
temperature depends on the directions of the winds caused by the systems.
Finally, with the results of both methodologies, were chosen some cases to work
with the third methodology. This one intended to evaluate the behavior of the
systems in a context operational and scientific of this work. The selected cases
were taken considering the systems with intense cyclonic development, low
pressure and strong winds. The presence of the systems caused strong
temperature advection in the Drake Strait, with warm transport in the vanguard
and cold transport in the rear. Some particular cases that were showed indicate
that some situations could reach Brazil, depending on the cyclones synoptic
configuration.

1 – Antarctica; 2 – Synoptic; 3 – Extratropical Cyclones;

4 – Satellite Images; 5 – Dynamic Climatology.

vii
SUMÁRIO

Pág.:
LISTA DE TABELAS............................................................................................... xi
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS.............................................................. xvii
PRÓLOGO................................................................................................................. xxi

1. APRESENTAÇÃO................................................................................................ 2

2. OBJETIVOS.......................................................................................................... 8

3. JUSTIFICATIVA.................................................................................................. 10

4. INTRODUÇÃO AO CONTINENTE ANTÁRTICO:

4.1 A Antártida...................................................................................................... 14
4.2 Características Peculiares................................................................................ 15
4.3 Breve Discussão do Clima e Tempo da Antártida........................................... 17

5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................. 21

6. DADOS É MÉTODOS:
6.1 Dados............................................................................................................... 35
6.2 Métodos........................................................................................................... 36
6.2.1 Metodologia de Varredura Visual – MET-1....................................... 36
6.2.2 Metodologia de Análise de Dados Meteorológicos – MET-2............ 42
6.2.3 Metodologia de Análises Estatísticas – MET-3.................................. 49

7. RESULTADOS...................................................................................................... 57
7.1 Resultados da Metodologia de Varredura Visual – MET-1............................ 57
7.2 Resultados da Metodologia de Análise de Dados Meteorológicos – MET-2. 135
7.2.1 Pressão Atmosférica em Superfície.................................................... 135
7.2.2 Temperatura do Ar na EACF.............................................................. 147
7.2.3 Velocidade dos Ventos na EACF........................................................ 162
7.2.4 Sentido Predominante dos Ventos na EACF...................................... 180
7.2.5 Umidade Relativa na EACF................................................................ 191
7.2.6 Precipitação Acumulada em 24 Horas na EACF................................ 208
7.3 Resultados da Metodologia de Análises Estatísticas – MET-3....................... 219
7.3.1 Parâmetros Meteorológicos Limitantes.............................................. 219

viii
7.3.2 Casos de Ciclones e as Variáveis Meteorológicas Extremadas.......... 251
7.3.3 Casos de Ciclones Avaliados pelos Formatos Físicos ou
Comportamentais............................................................................. 257

8. CONCLUSÕES..................................................................................................... 265

REFERÊNCIAS........................................................................................................ 286

ANEXO I: ÁBACOS DE CONSULTA


ANEXO II: 2 DISCOS ÓPTICOS DVD-RAM

ix
LISTA DE TABELAS
LISTA DE TABELAS

Pág.
Capítulo 5 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

5.1 As Categorias de Vórtices de Nuvens Identificados por Streten e Troup em 24


1973...................................................................................................................................................

Capítulo 6 DADOS E MÉTODOS


6.2 – Métodos
6.2.1 – Metodologia de Varredura Visual – MET-1

6.2.1.1 Exemplo da Tabela de Varredura Visual das Imagens de Satélite – Dezembro de 2005 – Posição 55
Relativa à EACF................................................................................................................................

Capítulo 7 RESULTADOS
7.1 – Resultados da Metodologia de Varredura Visual – MET-1

7.1.1A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Dezembro de 2001 – Posição Relativa à EACF.......... DVD1
7.1.1B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Janeiro de 2002 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.1C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Fevereiro de 2002 – Posição Relativa à EACF........... DVD1
7.1.2A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Dezembro de 2002 – Posição Relativa à EACF.......... DVD1
7.1.2B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Janeiro de 2003 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.2C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Fevereiro de 2003 – Posição Relativa à EACF........... DVD1
7.1.3A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Dezembro de 2003 – Posição Relativa à EACF.......... DVD1
7.1.3B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Janeiro de 2004 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.3C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Fevereiro de 2004 – Posição Relativa à EACF........... DVD1
7.1.4A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Dezembro de 2004 – Posição Relativa à EACF.......... DVD1
7.1.4B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Janeiro de 2005 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.4C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Fevereiro de 2005 – Posição Relativa à EACF........... DVD1
7.1.5A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Dezembro de 2005 – Posição Relativa à EACF.......... DVD1
7.1.5B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Janeiro de 2006 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.5C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Fevereiro de 2006 – Posição Relativa à EACF........... DVD1
7.1.6A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Junho de 2002 – Posição Relativa à EACF................. DVD1
7.1.6B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Julho de 2002 – Posição Relativa à EACF.................. DVD1
7.1.6C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Agosto de 2002 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.7A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Junho de 2003 – Posição Relativa à EACF................. DVD1
7.1.7B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Julho de 2003 – Posição Relativa à EACF.................. DVD1
7.1.7C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Agosto de 2003 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.8A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Junho de 2004 – Posição Relativa à EACF................. DVD1
7.1.8B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Julho de 2004 – Posição Relativa à EACF.................. DVD1
7.1.8C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Agosto de 2004 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.9A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Junho de 2005 – Posição Relativa à EACF................. DVD1
7.1.9B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Julho de 2005 – Posição Relativa à EACF.................. DVD1

xi
7.1.9C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Agosto de 2005 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.10A Varredura Visual das Imagens de Satélite – Junho de 2006 – Posição Relativa à EACF................. DVD1
7.1.10B Varredura Visual das Imagens de Satélite – Julho de 2006 – Posição Relativa à EACF.................. DVD1
7.1.10C Varredura Visual das Imagens de Satélite – Agosto de 2006 – Posição Relativa à EACF............... DVD1
7.1.11 Índice Remissivo do Catálogo Climatológico de Ciclones 2001-2006............................................. 59
7.1.12 Critérios Adotados para a Divisão dos Ciclones Ocorridos Dentro da Área de
Interesse............................................................................................................................................. 61
7.1.13 Valores Médios de Ciclones por Dia, Sazonais e Mensais................................................................ 63
7.1.14 Valores Médios de Ciclones por Dia, Grandes e Pequenos, nos Verões e seus Respectivos Meses,
com a Taxa Relacional entre os Sistemas.......................................................................................... 66
7.1.15 Valores Médios de Ciclones por Dia, Grandes e Pequenos, nos Invernos e seus Respectivos
Meses, com a Taxa Relacional entre os Sistemas.............................................................................. 71
7.1.16 Índice Remissivo das Tabelas de Síntese de Ciclones 2001-2006.................................................... 74
7.1.17 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2001/2002, Seguindo o Procedimento
de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 75
7.1.18 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2002/2003, Seguindo o Procedimento
de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 77
7.1.19 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2003/2004, Seguindo o Procedimento
de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 79
7.1.20 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2004/2005, Seguindo o Procedimento
de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 81
7.1.21 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2005/2006, Seguindo o Procedimento
de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 83
7.1.22 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2002, Seguindo o Procedimento de
Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 85
7.1.23 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2003, Seguindo o Procedimento de
Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 87
7.1.24 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2004, Seguindo o Procedimento de
Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 89
7.1.25 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2005, Seguindo o Procedimento de
Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 91
7.1.26 Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2006, Seguindo o Procedimento de
Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares
Adjacentes.......................................................................................................................................... 93
7.1.27 Valores Totais de Ciclones que Atuaram nos Verões e Invernos Cadastrados no Universo do
CCC, suas Freqüências Relativas e a Taxa Relacional entre os Períodos de Invernos e Verões...... 95
7.1.28 Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Período de Verão e suas Freqüências
Relativas............................................................................................................................................. 96
7.1.29 Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Período de Inverno e suas Freqüências
Relativas............................................................................................................................................. 99
7.1.30 Valores Totais e Freqüências Relativas de Ciclones de todos os Verões Distribuídos em
Categorias Evolutivas........................................................................................................................ 102
7.1.31 Valores Totais de Ciclones Grandes e Pequenos, de todos os Verões, Distribuídos em Categorias
Evolutivas.......................................................................................................................................... 103
7.1.32 Valores Totais e Freqüências Relativas de Ciclones de todos os Invernos Distribuídos em
Categorias Evolutivas........................................................................................................................ 106
7.1.33 Valores Totais de Ciclones Grandes e Pequenos, de todos os Invernos, Distribuídos em
Categorias Evolutivas........................................................................................................................ 107
7.1.34 Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Mês dos Períodos de Verão e suas Freqüências
Relativas............................................................................................................................................. 110

xii
7.1.35 Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Mês dos Períodos de Inverno e suas
Freqüências Relativas........................................................................................................................ 112
7.1.36 Taxas Relacionais Obtidas dos Valores Totais de Ciclones de Todos os Verões e Invernos, com
Relato da Estação que se Destacou nas Categorias Evolutivas......................................................... 114

7.2 – Resultados da Metodologia de Análise de Dados Meteorológicos – MET-2


7.2.1 – Pressão Atmosférica em Superfície

7.2.1.1 Valores Médios da Pressão Atmosférica em Superfície ao NMM (Máxima, Mínima, Amplitude e
Média) dos Meses de Verão, em Todos os Períodos......................................................................... 138
7.2.1.2 Valores Médios da Pressão Atmosférica em Superfície ao NMM (Máxima, Mínima, Amplitude e
Média) dos Meses de Inverno, em Todos os Períodos...................................................................... 143

7.2.2 – Temperatura do Ar na EACF

7.2.2.1 Valores Médios da Temperatura do Ar (Máxima, Mínima e Amplitude) dos Meses de Verão, em
Todos os Períodos.............................................................................................................................. 151
7.2.2.2 Valores Médios da Temperatura do Ar (Máxima, Mínima e Amplitude) dos Meses de Inverno,
em Todos os Períodos........................................................................................................................ 158

7.2.3 – Velocidade dos Ventos na EACF

7.2.3.1 Valores Médios de Velocidade do Vento em Superfície (Rajada/Máximo, Mínimo, Médio) e


Horas de Calmaria na EACF, nos Meses de Verão, em Todos os Períodos...................................... 166
7.2.3.2 Valores Médios de Velocidade do Vento em Superfície (Rajada/Máximo, Mínimo, Médio) e
Horas de Calmaria na EACF, nos Meses de Inverno, em Todos os Períodos................................... 175

7.2.4 – Sentido Predominante dos Ventos na EACF

7.2.4.1 Valores Absolutos do Setor Predominante Diário do Vento em Superfície e Dias Calmos na
EACF, nos Meses de Verão, em Todos os Períodos......................................................................... 182
7.2.4.2 Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último Setor dos Meses de
Dezembro, em Todos os Períodos de Verão...................................................................................... 184
7.2.4.3 Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último Setor dos Meses de Janeiro,
em Todos os Períodos de Verão........................................................................................................ 185
7.2.4.4 Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último Setor dos Meses de
Fevereiro, em Todos os Períodos de Verão....................................................................................... 186
7.2.4.5 Valores Absolutos do Setor Predominante Diário do Vento em Superfície e Dias Calmos na
EACF, nos Meses de Inverno, em Todos os Períodos....................................................................... 187
7.2.4.6 Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último Setor dos Meses de Junho,
em Todos os Períodos de Inverno...................................................................................................... 189
7.2.4.7 Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último Setor dos Meses de Julho,
em Todos os Períodos de Inverno...................................................................................................... 190
7.2.4.8 Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último Setor dos Meses de Agostos,
em Todos os Períodos de Inverno....................................................................................... 191

7.2.5 – Umidade Relativa na EACF

7.2.5.1 Valores Médios da Umidade Relativa do Ar (Máxima, Mínima e Amplitude) dos Meses de
Verão, em Todos os Períodos............................................................................................................ 196
7.2.5.2 Valores Médios da Umidade Relativa do Ar (Máxima, Mínima e Amplitude) dos Meses de
Inverno, em Todos os Períodos.......................................................................................................... 203

xiii
7.2.6 – Precipitação Acumulada em 24 Horas na EACF

7.2.6.1 Valores de Precipitação Acumulada e Médias dos Meses de Verão, em Todos os Períodos............ 211
7.2.6.2 Valores de Precipitação Acumulada e Médias dos Meses de Inverno, em Todos os Períodos......... 216

7.3 – Resultados da Metodologia de Análises Estatísticas – MET-3


7.3.1 – Parâmetros Meteorológicos Limitantes

7.3.1.1 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão Atmosférica Média, em
Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a 975,0mb nos Meses de Verão, em Todos os Períodos...... 222
7.3.1.2 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão Atmosférica Média, em
Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a 975,0mb por Períodos de Verão........................................ 224
7.3.1.3 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão Atmosférica Média, em
Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a 975,0mb nos Meses de Inverno, em Todos os Períodos... 225
7.3.1.4 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão Atmosférica Média, em
Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a 975,0mb por Períodos de Inverno..................................... 227
7.3.1.5 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Temperatura do Ar Positiva, nos Meses
dos Períodos de Verão....................................................................................................................... 229
7.3.1.6 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Temperatura do Ar Positiva, nos Meses
dos Períodos de Inverno..................................................................................................................... 230
7.3.1.7 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Ventos de Velocidade Média Não
Restritiva, nos Meses dos Períodos de Verão.................................................................................... 233
7.3.1.8 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Ventos de Velocidade Média Não
Restritiva, nos Meses dos Períodos de Inverno................................................................................. 235
7.3.1.9 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido Leste na Predominância do
Vento, nos Meses de Verão, em Todos os Períodos.......................................................................... 237
7.3.1.10 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido Leste na Predominância do
Vento por Períodos de Verão............................................................................................................. 238
7.3.1.11 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido Leste na Predominância do
Vento, nos Meses de Inverno, em Todos os Períodos....................................................................... 239
7.3.1.12 Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido Leste na Predominância do
Vento por Períodos de Inverno.......................................................................................................... 240
7.3.1.13 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Umidade Relativa Abaixo de 80,0%,
nos Meses dos Períodos de Verão...................................................................................................... 241
7.3.1.14 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Umidade Relativa Abaixo de 80,0%,
nos Meses dos Períodos de Inverno................................................................................................... 242
7.3.1.15 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Sensação Térmica Acima de Zero Grau
Celsius, Separados pelo Método Clássico, de Siple e Novo, do MSC, nos Meses dos Períodos de
Verão.................................................................................................................................................. 245
7.3.1.16 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Sensação Térmica Acima de Zero Grau
Celsius, Separados pelo Método Clássico, de Siple e Novo, do MSC, nos Meses dos Períodos de
Inverno............................................................................................................................................... 247
7.3.1.17 Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Condição NORMAL de Windchill,
Separados pelo Método Clássico, de Siple e Novo, do MSC, nos Meses dos Períodos de Inverno. 250

Capítulo 8 CONCLUSÕES

8.1 Cômputo de Ciclones que Decaíram nos Setores Sudoeste e Sudeste do Ano de 2002, Divididos
por Tamanhos e Totalização em Duas Classes Evolutivas................................................................ 267
8.2 Cômputo de Ciclones que Decaíram nos Setores Sudoeste e Sudeste do Ano de 2003, Divididos
por Tamanhos e Totalização em Duas Classes Evolutivas................................................................ 268
8.3 Cálculo das Probabilidades de Recorrência Setorial de Nascimento para os Ciclones Pequenos
dos Verões que Nasceram na Área de Controle, mas a Abandonaram, Utilizando Valores
Absolutos dos Setores Preferenciais e Taxa Relacional.................................................................... 271

xiv
8.4 Cálculo das Probabilidades de Recorrência Setorial de Saída para os Ciclones dos Verões que
Nasceram na Área de Controle, mas a Abandonaram, Utilizando Valores Absolutos dos Setores
Preferenciais e Taxa Relacional......................................................................................................... 271
8.5 Cálculo das Probabilidades de Recorrência Setorial de Entrada para os Ciclones dos Verões que
Vieram Decair na Área de Controle, Utilizando Valores Absolutos dos Setores Preferenciais e
Taxa Relacional................................................................................................................................. 272

xv
LISTA DE SIGLAS
E ABREVIATURAS
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

Append – Modo de abertura de arquivos digitais, em linguagem de programação,


que permitem acesso no modo “acréscimo de registro”;
APT – Aquisição de Imagens por Transmissão, via rádio (Aquisition Picture
Transmission);
ASCII – Código Padrão Americano para Intercâmbio de Informações (American
Standard Code for Information Interchange);
AWS – Estação Meteorológica Automática (Automatic Weather Station);
bit – Dígito Binário (Binary Digit) fração do byte, que sozinho, não comporta
informação, pois representa dois estados de dados (zero e um; desligado
e ligado; não e sim; falso e verdadeiro);
byte – Menor unidade de informação;
CC – Composição Colorida, montagem de uma imagem com dados de
diversas bandas espectrais obtidas via satélite (Color Composition);
CCC – Catálogo Climatológico de Ciclones;
CNPq – Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento;
CPTEC – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos;
DSA – Departamento de Satélites Ambientais, ligado ao INPE;
DVD-RAM – Disco de Vídeo Digital como Memória de Acesso Randômico (Digital
Video Disc – Random Access Memory);
EACF – Estação Antártica Comandante Ferraz;
Excel® – Software de planilha eletrônica;
FAB – Força Aérea Brasileira;
FFLCH – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas;
FROST – Primeiro Estudo Observacional Regional da Troposfera Antártica
(Antarctic First Regional Observing Study of the Troposphere);
GASP – Birô Australiano de Assimilação e Previsão Meteorológica Global
(Australian Bureau of Meteorology’s Global Assimilation and
Prediction);
GOES – Satélite Ambiental de Órbita Geoestacionária (Geostacionary Orbit
Environment Satellite);
GTS – Sistema Global de Telecomunicação (Global Telecommunication
System);
HRPT – Transmissão Pictórica de Alta Resolução (High Resolution Picture
Transmission);

xvii
IAG – Instituto Astronômico e Geofísico;
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais;
IR – Infravermelho, espectro observável pelo sensor embarcado em satélite
(Infrared);
LMO – Laboratório de Meteorologia e Oceanografia;
MB – Marinha do Brasil;
METEOSAT – Satélite Meteorológico da União Européia (European Union
Meteorological Satellite – EUMESAT);
MSC – Serviços Meteorológicos do Canadá (Meteorological Services of
Canada);
NApOc – Navio de Apoio Oceanográfico – Marinha do Brasil;
NCEP – Centro Nacional para Previsão Ambiental (National Centers for
Environmental Prediction);
NMM – Nível Médio do Mar;
NOAA – Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (National Ocean and
Atmosphere Administration);
OACI – Organização da Aviação Civil Internacional (International Civil Aviation
Organization – ICAO);
OFCM – Escritório do Coordenador Federal para Serviços Meteorológicos e
Apoio à Pesquisa (Office of the Federal Coordinator for Meteorological
Services and Supporting Research – OFCM)
OMM – Organização Meteorológica Mundial (da sigla WMO – World
Meteorological Organization);
Open Office® – Pacote livre de software que contém planilha eletrônica;
OPERANTAR – Operação Antártica, com início na saída do NApOc “Ary Rongel” do
porto da Marinha do Brasil, Rio de Janeiro, em outubro e final, no seu
regresso, em março;
Origin Pro 7.0® – Software de análises estatísticas;
PA – Posto Avançado;
Pixel – Acrônimo de Elemento ou Célula Pictórica (Picture Element ou Picture
Cell);
PNMM – Pressão ao Nível Médio do Mar, cujo valor de referência é 1.013,25mb;
Ponto CSV – Extensão de nomes de arquivos digitais, com formatação de registros,
cujos campos são separados por vírgulas, ou seja, Vírgulas Separando
Valores (Comma Separating Values);
Ponto DAT – Extensão de nomes de arquivos digitais, em alusão à dados (data);
Ponto XLS – Extensão de nomes de arquivos digitais que seguem o padrão do
software de planilha eletrônica Excel®;
PROANTAR – Programa Antártico Brasileiro;
SOP – Período Especial de Observação (Special Observing Period);
string – Forma de descrever, em linguagem de Processamento de Dados, um
cordão de caracteres;
SYNOP – Código Meteorológico adotado pela OMM, confeccionado pelas
estações meteorológicas do mundo a cada 3 horas;

xviii
TSM – Temperatura da Superfície do Mar;
U.S.NAVY – Marinha dos Estados Unidos (United States Navy);
UKMO – Escritório Meteorológico do Reino Unido (United Kingdom
Meteorological Office);
VIS – Visível, espectro observável pelo sensor embarcado em satélite (Visible);
Visual BASIC® – Linguagem de Programação BASIC – Código de Instruções Simbólicas
para Iniciantes de Propósito Geral (Beginers All-purpose Symbolic
Instruction Code) – para ambiente operacional visual do Windows®;
VOLMET – Transmissão de Dados Meteorológicos Via Rádio, dentro dos horários
sinópticos;
WV – Vapor D’água, espectro observável pelo sensor embarcado em satélite
(Water Vapour);
Windows®, Excel®, Visual BASIC®, Open Office®, Origin Pro 7.0® são marcar registradas de seus
respectivos proprietários.

xix
PRÓLOGO
PRÓLOGO

O presente trabalho foi dividido em dois volumes, onde se elaborou um livro de


texto e outro de figuras. Este procedimento visou facilitar a leitura dos textos analíticos
ou descritivos, permitindo a permanente verificação das figuras, evitando o incômodo
manusear de páginas, enquanto se percorre a leitura.

O trabalho também é acompanhado de um ábaco de consulta permanente que


indica ao leitor, os casos de ciclones avaliados, suas categorias e os períodos de dados
sazonais de forma bem prática, recorrentes neste trabalho. Esta foi uma solução
apresentada, dada a enorme quantidade de dados e casos processados nesta pesquisa.
Este mesmo motivo determinou que certas conclusões fossem apresentadas,
oportunamente, durante a descrição de alguns resultados metodológicos, com a
finalidade de não se perder certos raciocínios.

É aceito por este autor, desde o princípio, que muitos mecanismos tenham
passado “despercebidos” de discussões mais aprofundadas, para se evitar o
agigantamento da obra e fuga do escopo de trabalho, mas estas ficaram como “pistas”,
deixadas para novos estudos. Com isto, em muitos aspectos, esta pesquisa espera servir
de fomento na geração de outras em Meteorologia, Oceanografia, Sensoriamento
Remoto e Climatologia Antártica. Ela também teve o caráter de despertar o gosto de
novos estudantes, com uma linguagem que seja mais acessível dos “termos do gelo”.
Isto visou a formação de novos recursos humanos nesta área, tão escassa e
monopolizada, local e mundialmente. Propositadamente, as conclusões lançaram
perguntas que tendem à reflexões mais profundas sobre os mecanismos da mecânica
atmosférica, da Climatologia Antártica e Global.

Também foi objetivo deste trabalho, versar um pouco das experiências vividas
operacionalmente em campo, na Antártida. As dificuldades de trabalho, em ambiente
extremamente dinâmico, requerem atenção redobrada para todas as finalidades
logísticas, operacionais ou científicas. Cabe às equipes de Meteorologia uma grande
responsabilidade.

xxi
O trabalho também comportou discos ópticos, de formato DVD-RAM, que
contêm todas as informações que foram utilizadas nesta pesquisa, como os textos,
figuras, planilhas de dados, planilhas de processos adotados, tabelas das ocorrências
ciclônicas sazonais e as imagens de satélite. Desta maneira, disponibilizou-se as
informações, facilitando acesso aos dados e que novas pesquisas possam ser elaboradas.
Todas as séries temporais de três meses, integrantes do livro de figuras, foram
preparadas para impressão, em formato A3, e seus arquivos estão no disco DVD-RAM.

Finalmente, foram produzidos “carrosséis”, em forma de filmes, com as imagens


pesquisadas, para que estas fiquem de exemplo da dinâmica da área de estudo, além de
servirem como material didático, para o ministrar de aulas de Sensoriamento Remoto,
Oceanografia, Meteorologia e Climatologia.

Boa Leitura!

xxii
APRESENTAÇÃO
1. APRESENTAÇÃO

As regiões polares, em especial a Antártida, sempre me fascinaram desde a


infância. Assistir aos programas científicos dos anos de 1970 e, em especial, as
expedições do Calypso, sob comando do Capitão Jacques-Yves Cousteau, eram
instigantes. Primeiro porque avançavam para lugares cada vez mais distantes, onde os
mares, algo que sempre gostei, permitiam a sua chegada e segundo, pela inédita
abordagem de assuntos que eram pouco difundidos para o público em geral. Foi assim
que no verão de 1972-1973 eles chegaram à Antártida (Figs.1.1 a 1.3) navegando por
toda a península Palmer (ou Antártica) e alcançando o mesmo lugar onde hoje se
encontra a Estação Antártica Comandante Ferraz (Fig.1.4). Exatos dez anos antes de o
Brasil se lançar aos mares antárticos, Cousteau, com o Calypso, enfrentou os mares
bravios e os ciclones extratropicais polares. Definitivamente, aquele verão tinha sido
muito frio e os seus relatos são de verdadeiro interesse para um meteorologista que
prima em conhecer climas inóspitos (COUSTEAU, 1980). Contudo, as missões não
somente tinham um propósito científico, mas também ecológico. Foi assim que surgiu
um monumento, criado por ele, próximo de Ferraz, com as ossadas das baleias que
forram as praias das ilhas sub-antárticas (Fig.1.5). Este foi um alerta para as gerações
futuras de que o equilíbrio do mundo pode ser muito frágil.

Além de Cousteau, uma menção ao seriado científico de Carl Sagan deve ser
feito, devido à fabulosa inspiração que este me causou. No ano de 1980 chegou às
televisões do mundo o seriado COSMOS. O programa abordou temas da mais variada
ordem da cosmologia, desde os confins do universo até o código genético. Mas o que
mais chamou a atenção foi a descrição dos outros planetas, através dos programas
espaciais Mariners, Venera e Voyagers, e como suas condições são severas. Fazendo
uma analogia com a Terra, quão pacífico é o nosso planeta. Os fenômenos naturais aqui
são mais escassos e as condições são calmas, quando comparamos ao contraste térmico
de Mercúrio, às altas pressões e temperaturas de Vênus, às pálidas condições de Marte,
aos terríveis tormentos de Júpiter, às velocidades supersônicas das nuvens de Saturno,
Urano e Netuno, ao gélido Plutão (SAGAN, 1980). Acredito que a presença do
continente antártico e o contínuo trânsito dos ciclones extratropicais sejam os fatores
que elevam nosso planeta ao status de poder pertencer ao sistema Solar. Não é a toa que

2
muitos experimentos espaciais são testados na Antártida. Tanto nas condições costeiras
como principalmente no interior do continente.

Em suma, estas foram as primeiras experiências que apuraram o gosto em aliar a


Ciência, a Ecologia e o desbravamento de lugares inóspitos. Uma fusão que mais me
movia em direção à uma carreira como cientista. Logo, ao iniciar o curso de
Meteorologia, em 1991, um primeiro contato foi realizado exatamente com os
professores do antigo Departamento de Meteorologia do Instituto Astronômico e
Geofísico – IAG – USP, Mestres Mário Festa e Rubens Junqueira Villela, ambos com
experiência antártica. Traçara meu objetivo em fazer missões à Antártida e trabalhar
com clima severo, como fizeram estes professores, ainda nos anos de 1980. O manusear
dos instrumentos, ministrados pelo Prof. Dr. Paulo Marques dos Santos e depois, a
aplicação em campo, sob condições severas que a atmosfera nos impõe, nortearam a
minha vida profissional. Além disto, almejava outras particularidades, como o emprego
operacional da Meteorologia, em aviação, naval ou militar. Com isto, a busca para
entrar no Programa Antártico Brasileiro – PROANTAR, começou cedo. Diversos
contatos, desde 1992, foram realizados na tentativa de participar de uma expedição
brasileira. Mas há muita dificuldade em se conseguir trabalhar e pesquisar na Antártida.
Foram anos e anos sem resultado. As vagas são escassas e há um grande número de
projetos concorrentes, apresentados ao Conselho Nacional de Pesquisa e
Desenvolvimento – CNPq. Acabam por participar os pesquisadores que mais vezes
foram, com poucas chances de renovação e formação de novos quadros de recursos
humanos em Antártida.

Enfim, a busca pessoal resultou em algum progresso em 1999. Desta vez, um


projeto foi apresentado para a Marinha do Brasil – MB. Este órgão disporia de três
vagas próprias para projetos no verão de 1999/2000 que fossem de interesse da Arma,
aliado à divulgação em meios de circulação pública, como jornais, revistas e televisão.
Como escrevia artigos para diversas revistas, em parceria com o amigo especialista em
Meteorologia Marcelo Romão, apresentamos um projeto até que audacioso: “A
Influência da Meteorologia nas Atividades Aeronavais Brasileiras na Antártida”. O
projeto abordava tanto as atividades dos helicópteros Esquilo bi-turbina embarcados no
Navio de Apoio Oceanográfico – NApOc Ary Rongel, como os vôos de translado para a
Antártida, executados pelos Hercules C-130 da Força Aérea Brasileira – FAB (Figs.1.6

3
a 1.13). Dentre nove candidatos fortes (incluindo a rede Globo de televisão) nosso
projeto foi aprovado, após seis meses de argumentações. A vida militar pesou a nosso
favor. Ambos tínhamos estudado nas melhores academias militares e servimos às Armas
de Guerra.

Em fevereiro de 2000, embarcava no Hercules da FAB, no Rio de Janeiro, em


direção à Pelotas, Rio Grande do Sul. Dali, seguimos para Punta Arenas, Chile, cidade
às margens do estreito de Magalhães. Esta era nossa última estadia no mundo como a
maior parte das pessoas o conhece. Dali para frente, destino Antártida! E assim
chegávamos ao continente branco, pousando em campo Marsh, base aérea chilena na
ilha Rei George (designação britânica) ou 25 de Mayo (designação argentina)
pertencente ao arquipélago das Shetlands do Sul. Minha estadia foi à bordo do Ary
Rongel, no fechamento da XVIIIª Operação Antártica – OPERANTAR. Dentre as
diversas pesquisas realizadas, as que mais surpreendiam eram as de passagem das
“frentes”. O termo teórico é vago, pois o que reina na latitude de 60º Sul são os centros
de baixa pressão atmosférica, os quais raramente eram designados por ciclones
extratropicais. A inexperiência de todos no assunto Meteorologia Polar (e confesso que
até mesmo minha, neste primeiro contato, mesmo com estudos prévios) fazia-nos
descrever os fenômenos Frente e Centro de Baixa Pressão como coisas um tanto
distintas, pouco coesas uma com a outra. Algo que passava despercebido devido à
convivência com os sistemas sinópticos tão bem comportados que abordam a América
do Sul. Mas, nesta primeira missão, o que mais marcou foi verificar que dificilmente
uma frente fria, das que atingem o Brasil, saia daquelas paragens ao redor do estreito de
Drake (entre América do Sul e península Antártica). Os sistemas eram demais velozes
para poderem perder latitudes ainda maduros. Seus deslocamentos eram sempre zonais.

Terminada nossa missão, atravessamos o estreito de Drake à bordo do Ary


Rongel e desembarcamos na cidade de Mar del Plata, Argentina. De lá, voltamos para o
Brasil. Mas uma missão à Antártida não foi suficiente! No mesmo ano, em 2000, resolvi
entrar em contato com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE para realizar
meu mestrado em Meteorologia Antártica. Com o projeto pronto, em 2001, inicio os
meus estudos no Laboratório de Meteorologia e Oceanografia – LMO no INPE. No
final do ano parti para a Antártida, mas desta vez como meteorologista da XXª
OPERANTAR. Foram três meses de trabalho nesta função (dezembro de 2001 a

4
fevereiro de 2002). Logo, de princípio, verifiquei a dúvida da missão anterior. Constatei
que o pessoal do INPE que trabalhava com Meteorologia, na estação, relatava aqueles
sistemas sinópticos como frentes frias (Fig.1.14). O disparate era verificar que a
temperatura do ar aumentava com a passagem destas frentes. Isto só poderia ser causado
por forte advecção de massa de ar quente. Além disto, esses sistemas atingiam a região
advindos de latitudes mais baixas. Se o ar frio está exatamente na região oposta, seria
impraticável que eles produzissem queda de temperatura. Os centros de baixa pressão,
quando plotados em cartas, apareciam nas oclusões. Aliando as duas informações, o
aumento de temperatura e as fortes oclusões, só poderíamos estar diante de um tipo de
fenômeno sinóptico: os Ciclones Extratropicais. Até aquela missão, ainda se reportava
“frente fria” na fonia da Meteorologia Antártica brasileira. Isto mudou durante o meado
da minha estadia nesta expedição e após o término do trabalho de mestrado. Agora, o
termo ciclone é empregado rotineiramente e o vórtice espiral de nuvens, associado à ele,
é descrito com a alcunha de “braço do ciclone”, pois representa melhor a realidade.

Contudo, a responsabilidade de um meteorologista na Antártida é grande, pois


todo o efetivo da estação, do navio e dos acampamentos em diversos lugares distantes
estão ávidos pela informação meteorológica e pelos prognósticos de curto e curtíssimos
prazos (doze e seis horas, respectivamente). Na Antártida, tudo depende da
Meteorologia! (Figs.1.15A e B). Arriscar-se contra as intempéries pode causar perdas de
vidas e danos materiais severos (Figs.1.16A a F). Um exemplo ocorreu durante uma
atividade de transporte de carga, executado pela chata (espécie de balsa) entre o navio e
a estação, em fevereiro de 2002. O vento médio no meio da baia do Almirantado
(interior da ilha Rei George) aumentou em demasia e os dois botes não conseguiram
manter o controle da chata. Do posto da Meteorologia, informei ao chefe da estação,
pelo rádio, da dificuldade de nossos amigos e imediatamente formamos uma equipe de
resgate, composta por mais dois botes e a lancha de pesquisa Skua. No total, éramos
quatro botes e uma lancha para o resgate. A empreitada perdurou por quase três horas de
disputa com os revoltosos vento e mar gelados.

Em continuidade à vida acadêmica, projetei aliar a pesquisa antártica e a rotina


da Meteorologia Operacional com o uso de imagens de satélites e dados
meteorológicos. A maior dificuldade foi encontrar um berço protetor para esta pesquisa
nos meios acadêmicos de Meteorologia do Brasil atual. O Instituto Astronômico e

5
Geofísico não possui mais, em seus quadros curriculares, a abordagem operacional da
Meteorologia. O INPE não adota como critério climatológico, a atividade de rastreio e
classificação de sistemas sinópticos por imagens de satélite. O projeto estava pronto,
porém sem um lugar que adotasse a metodologia com a visão climatológica que ele
merece. A solução apareceu no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas – FFLCH – USP. Sob sua óptica, o trabalho de climatologia
se justifica pela análise de séries temporais de dados e de cartas sinópticas, com a
mesma idéia da Meteorologia Operacional. Nesta pesquisa, substituiu-se as cartas pelas
imagens geoestacionárias dos satélites da série GOES (Geostationary Orbit
Environment Satellite). Além destes, os estudos relativos aos ciclones extratropicais
foram representados em mapas esquemáticos. As representações de suas categorias
evolutivas, rotas, predominâncias e estudos estatísticos tornaram estas entidades
meteorológicas, fatores geográficos. Os ciclones extratropicais terão localização,
distribuição e quantificação relacionados com uma área específica do planeta. Estas
premissas fizeram com que este trabalho, em Climatologia Antártica, pudesse achar seu
lugar científico, com o propósito correto.

6
OBJETIVOS
2. OBJETIVOS

O objetivo deste trabalho foi elaborar um estudo climatológico dos ciclones


extratropicais que passaram pela região da península Antártica e áreas oceânicas
adjacentes, durante uma série temporal representativa de verões e invernos. As metas da
pesquisa foram:

a) Classificação sistemática dos vórtices ciclônicos extratropicais, segundo a escala de


categorias de vórtices de nuvens de Streten e Troup (1973) registrados em imagens
de satélites, nos períodos pré-definidos;
b) Identificação das trajetórias dos sistemas para classificar a posição inicial e final de
cada ocorrência;
c) Análise da evolução de variáveis meteorológicas em superfície, obtidas na Estação
Antártica Comandante Ferraz – EACF;
d) Identificar e caracterizar os impactos nos parâmetros meteorológicos na passagem
dos ciclones extratropicais;
e) Dissertar sobre casos especiais.

A região estudada foi limitada pelos paralelos 45ºS e 73ºS e pelos meridianos
30ºW e 100ºW (Fig.2.1). A climatologia foi elaborada com os dados pertencentes aos
verões e invernos de 2001 a 2006. Os ciclones foram classificados de acordo com o
tamanho, forma e trajetória, segundo Felicio (2003).

8
JUSTIFICATIVA
3. JUSTIFICATIVA

O desenvolvimento de projetos de pesquisa e trabalhos de suporte na Antártida


estão intimamente ligados às variações locais do tempo, cabendo à Meteorologia definir
quando laborar, voar, navegar, executar e aplicar a logística da presença antrópica neste
continente (SOLAR, 1995). Espera-se que a análise climatológica, desenvolvida neste
trabalho, leve a uma melhor compreensão da situação sinóptica característica da área de
estudo.

A importância de estudos de Meteorologia e Climatologia Dinâmica na área da


península Antártica se dá exatamente por ser esta a localidade da Estação Antártica
Comandante Ferraz. A escolha do local da estação brasileira partiu da antiga Teoria da
Defrontação (Fig.3.1). Com o advento da primeira expedição brasileira, em 1983,
avaliou-se todo o recorte do litoral Norte da península Antártica e sua costa Leste
próxima (mar de Weddell) a procura de um lugar que fornecesse as condições logísticas
e operacionais para o funcionamento da estação que, no aspecto da logística militar são
a boa drenagem e fonte de água disponível o ano todo (Fig.3.2). Com o tempo
escasseando e sem muitas alternativas, adotou-se o interior de uma ilha pertencente ao
arquipélago das Shetlands do Sul, denominada ilha Rei George (britânica) ou 25 de
Mayo (argentina) com cerca de 1.139km2 em 62º08’S e 58º50’W, na baía do
Almirantado (britânica) ou Lasserre (argentina) como um local apropriado (Figs.3.3 e
3.4) onde no referido ano, havia ainda escombros do antigo posto G (posto Golf)
britânico (CAPOZZOLI, 1991). Do ponto de vista da logística, a nossa estação pode
permanecer operando por todo o ano, diferentemente de outras estações ou bases
sazonais, que só operam durante o curto verão antártico (Fig.3.5).

Portanto, fornecer indicativos úteis à elaboração mais precisa dos prognósticos


de tempo desta área, no âmbito operacional do Programa Antártico Brasileiro, é de
significativo valor. Além disto, este trabalho enriquecerá a Climatologia com
informações de alta relevância em escala global e estabelecerá possíveis correlações da
ação dos ciclones extratropicais antárticos com o aquecimento do planeta, por exemplo
e seus impactos mais regionais, como no Sul do Brasil.

10
É importante ressaltar que eventos peculiares surpreendem as equipes
operacionais e meteorologistas na Antártica, alterando cronogramas de execução das
tarefas das expedições brasileiras (tal como observado na XXª Operação Antártica
Brasileira – participação pessoal como previsor de tempo na Estação Antártica
Comandante Ferraz – EACF, no verão de 2001/2002). Em janeiro de 2004, a EACF
completou 20 anos de existência, firmando o compromisso da presença do Brasil na
região. Desde o início até agora, em 2007, consagramos XXV Operações Antárticas e,
durante todo este período, as pesquisas na área de Meteorologia e de Climatologia se
limitaram a coleta de dados meteorológicos, com pouca análise e elaboração de teorias,
aplicações de experimentos e chegada à resultados.

Um estudo mais detalhado da estrutura, evolução e comportamento dos sistemas


meteorológicos, como frentes, ciclones e mesociclones nas regiões próximas à península
Antártica, faz-se necessário para ampliar o conhecimento da ação dos mesmos e dar
suporte para as próximas expedições. Além disto, há uma hipótese interessante em se
observar: Será que os extremos meteorológicos registrados em Ferraz podem estar
ligados aos tamanhos dos ciclones, intensidade da nebulosidade ou outros fenômenos de
tempo significativo?

A intensidade e trajetória dos ciclones extratropicais estão associadas à


penetração de massas de ar frio que atingem o Sul da América do Sul. Certos quadros
sinópticos, como a configuração combinada com outro ciclone próximo ao litoral do
Brasil podem estar ligados à penetração de ar frio nas regiões Sul, Sudeste e
Centro-Oeste, com precipitação de neve ou ocasionando geadas e atingindo, por vezes,
a região Norte, formando ocorrências dos fenômenos de friagem na Amazônia. Este fato
é de alto interesse para as atividades no Brasil em geral, como agricultura, turismo e
indústria, mas pouco correlacionado.

Quanto ao congelamento dos mares próximos à península Antártica, vale


lembrar que o Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”, da Marinha do Brasil,
realiza suas operações no estreito de Gerlache, importante ligação entre pontos remotos
espalhados pelo mar de Bellingshausen (observável na Fig.3.3). Nos verões de
2001/2002 e 2002/2003, a travessia deste estreito não foi possível devido ao
inexpressivo descongelamento verificado. Tal fato acarretou a perda de informações

11
meteorológicas importantes da ilha de Biscoe, pois a estação automática de superfície
ficou sem manutenção instrumental por mais de um ano. Com isto, cancelou-se o
estabelecimento do Posto Avançado – PA brasileiro em 2002, retomado somente em
2006. Um exemplo mais grave foi o acidente ocorrido durante o verão de 2003/2004
com a equipe coreana na própria ilha Rei George, onde pesquisadores realizavam
tarefas de coleta em botes, sem prognósticos de tempo. Acabaram surpreendidos por
mudança de tempo severa que causou a perda de vidas. Entre estes acontecimentos e
outros, como o caso da missão do navio Endurance, em 1916, onde as equipes
antárticas ficaram presas no gelo por mais de um ano (ALEXANDER, 1998) este
trabalho se justifica para uma melhor compreensão e avaliação das condições
meteorológicas, indispensáveis para a presença do Brasil na Antártida.

Quanto ao programa de Pós-graduação em Geografia Física da FFLCH – USP, o


trabalho abrange um tema inédito de pesquisa. Nenhuma dissertação ou tese adotou a
Antártida como área de estudo. Além disto, não há na literatura uma referência a uma
climatologia dinâmica de ciclones extratropicais, por método observacional
experimentado, com comparação sazonal de período de cinco anos, ou mais.

Concluindo, em 2007 teremos o início do III Ano Polar Internacional – 2008,


com duração estendida até 2009. Como nos anos polares anteriores (I IPY, 1882-1883 e
II IPY, 1932-1933) e, a exemplo do Ano Geofísico Internacional, em 1957-1959, este
evento tentará mobilizar a maior parte da comunidade científica polar internacional.
Este trabalho pretende enriquecer as diversas atividades de pesquisa que se realizarão no
Ártico e na Antártida neste período.

12
INTRODUÇÃO AO
CONTINENTE ANTÁRTICO
4. INTRODUÇÃO AO CONTINENTE ANTÁRTICO

4.1 A Antártida:

Desde tempos remotos, a Terra Australis Nondum Cognita, ou Terra Austral não
Conhecida, era grafada nos mapas antigos como sendo uma região existente, porém não
descoberta. Tal território, já idealizado pelos antigos gregos, mas descoberto há pouco
mais de um século é a Antártida. É difícil oficialmente dizer quem foi o explorador, ou
melhor, qual a expedição, que encontrou o continente, pois muitas ocorriam
simultaneamente. Com isto, diversos países, inclusive o Brasil, participaram de
expedições às regiões sub-polares e polares. Porém, empregando as tecnologias dos
séculos XVIII e XIX, tais jornadas eram muito críticas e trabalhavam no limite extremo
entre a vida e a morte. Podemos fazer uma idéia de como tais missões eram perigosas
quando comparamos com os dias atuais. Se mesmo hoje ainda existe muita dificuldade
na prestação de socorro para um acidente nos mares antárticos, ou mesmo sobre o
continente, imaginemos há mais de 100 ou 200 anos atrás. Os expedicionários realmente
tinham um espírito aguçado de aventura. Infelizmente, nem todos portavam uma visão
ecológica e científica acurada. Avaliando a História, podemos dizer algumas coisas
interessantes de um grande personagem do descobrimento antártico. Seu nome é
Bellingshausen.

Embora haja muita controvérsia sobre os descobridores da Antártida,


sumariamente, avaliando-se todos os documentos registrados da época, podemos
atribuir, com mais exatidão que o encontro das terras antárticas ocorreu na expedição do
Capitão Fabian Gotlieb Thaddeus von Bellingshausen. Ele foi o chefe de duas
expedições antárticas russas iniciadas na data de 1819. Naqueles tempos de descobertas,
tais expedicionários saíam em suas missões para ficarem mais de dois anos percorrendo
as regiões dos mares gelados, fazendo retornos breves para recarga de suprimentos e
reparos de avarias provocados pelo gelo depositado e icebergs. Normalmente tais
retornos eram feitos na Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Brasil. Havia uma corrida
mundial entre muitas nações para o descobrimento das terras austrais. Muito antes de
Bellingshausen, diversos outros exploradores tentaram encontrar o continente. Em 1768,
o jovem comandante inglês James Cook, à bordo do Endeavour, já partira para as águas
do Sul. Porém, somente na sua segunda viagem, à bordo do Resolution, no qual ele

14
próprio comandava, em 1772, foi que ele conseguiu chegar ao ponto Sul máximo até
aquela época. Tal marca só foi batida em 1933 na expedição do almirante americano
Richard Bird. Considera-se quase uma fatalidade Cook não ter descoberto a Antártida,
pois avançou até o paralelo 71º10’S, mas na longitude 160º54’W, ou seja, penetrou na
região mais profunda e exaurida de terras da Antártida, o mar de Ross. Se não fosse por
esse fato, sua expedição teria descoberto o continente já no século XVIII
(CAPOZZOLI, 1991).

O comandante Bellingshausen, seguindo pelas recém descobertas ilhas Shetlands


do Sul e navegando, sempre que possível além dos 60ºS, encontrou a península
Antártica (Fig.4.1.1). Isto só ocorreu depois de diversas tentativas de ultrapassar as
barreiras de gelo que cercavam sua flotilha constantemente (navios Vostok e Mirnyi).
Pode-se dizer que a data mais correta para se atribuir à descoberta é 28 de janeiro de
1821 (COELHO, 1983).

4.2 Características Peculiares:

Em um contexto geográfico global, a Antártida se situa completamente no


hemisfério Sul, centrada em seu pólo geográfico, com superfície emersa, composta por
gelo (99,6%) e terreno rochoso (0,4%). Esta totalidade é computada pela área
continental e trecho das plataformas de Ross, Ronne, Filchner, Larsen e Amery que
pouco se derretem, não computando as grandes plataformas de gelo do talude e o
período de congelamento dos mares (Fig.4.2.1). Todo o continente que na realidade é
um imenso arquipélago, está situado além dos 60ºS (Fig.4.2.2) e possui pontos onde o
gelo, com seu enorme peso, conseguiu afundar partes continentais abaixo do NMM em
cerca de mais de 1000 metros (Fig.4.2.3).

Contudo, nem sempre foi assim, pois a Antártida derivou da área equatorial. Há
500 milhões de anos atrás, este continente se situava bem no Equador. Depois, há 230
milhões de anos, localizava-se na parte oriental do continente africano. Por volta de 180
milhões de anos, a Antártida se separou totalmente da Pangea e iniciou seu longo
percurso para o Sul do planeta (AVÉROUS, 1993). Como ela foi oriunda de uma região
tropical, comportou florestas e animais. A existência disto foi comprovada por estudos
geológicos da região que mostraram excelentes reservas de carvão, petróleo e madeira

15
petrificada. Além disto, há diversos minerais cuja quantificação excede muitas reservas
exploradas em outras regiões do mundo, como depósitos de ferro, cobre e outros metais
preciosos. Por estas poucas características, a Antártida já se tornou uma área de relativo
interesse econômico (METZENBACHER, 1986). Contudo, a obtenção destes minerais
não são viáveis no momento, devido ao altíssimo custo de exploração, manutenção e
resistência às intempéries climáticas severas. Talvez por isso, e se afirma que somente
por isso, eles ainda não tenham sido explorados de fato (CAPOZZOLI, 1991).

Porém, a maior riqueza mineral da Antártida é a sua água. Cerca de 90% da


reserva de água doce potável está congelada no continente. Esse valor representa cerca
de 30 milhões de quilômetros cúbicos ou 120 vezes o volume total de água doce contida
em todos os rios e lagos da Terra (COELHO, 1983). Uma analogia deste valor pode ser
idealizada na forma de um cubo, cujas arestas teriam um pouco mais de 300km (300 x
300 x 300km, ou seja, cobriria o estado de Pernambuco, com mais de 90.000km2 e teria
uma altitude de 300km, alcançando quase a exosfera). Essa reserva é encontrada por
praticamente todo o continente, com cerca de 14 milhões de quilômetros quadrados e
que quase duplica, no inverno, quando seus mares congelam e recebem a neve
precipitada, alcançando estes, marcas de mais de 20 milhões de quilômetros quadrados
(Figs.4.2.4A e B). Sabe-se que em futuro próximo, a maior dificuldade da humanidade
será a obtenção de água potável. Provavelmente até guerras serão travadas pela posse de
ecossistemas que sustentem a vida. Aos olhos dos visionários, a Antártida se torna uma
região estratégica de futuro muito promissor, nos próximos séculos, com o esgotamento
dos recursos de outras fontes. Contudo, o Tratado Antártico, no seu segundo período de
validade, decretou que as coisas permaneçam como estão, sendo apenas pesquisadas e
não usufruídas, pelo menos até a sua revogação, que pode ocorrer a qualquer momento,
ou a sua extinção, planejada para o ano de 2048 (VILLA, 2004).

A neve precipitada vai se tornando gelo com o passar dos dias. Em meses, esse
gelo vai se concentrando, formando camadas mais compactas e se aprofundando. Desta
maneira, a Antártida serve como registro congelado da história do nosso planeta. Em
cada camada de gelo estão aprisionadas pequenas amostras da atmosfera. Os
glaciologistas perfuram o gelo e conseguem estimar diversos parâmetros da atmosfera
primitiva através de pequenos blocos, denominados de Testemunhos. Pode-se avaliar o
gelo de 780 mil de anos atrás, descobrindo concentrações dos principais gases

16
atmosféricos, por exemplo (AVÉROUS, 1993). Tais estimativas poderão alcançar a
impressionante marca de 820 mil anos a até um milhão, o que mostra a importância
deste laboratório natural para o estudo da Climatologia global (SIMÕES, comunicação
pessoal, 2005).

Toda a neve não pode se acumular em forma de gelo eternamente. Com o estudo
obtido por marcadores feitos em geleiras e mais modernamente se utilizando dos
satélites, percebeu-se que as geleiras se movem do interior do continente para o litoral.
A velocidade de deslocamento pode ser de um metro por semana à impressionante
marca de um metro por dia. Quando chega a região costeira, a geleira atinge o mar.
Nesta interface, surgem rachaduras gigantescas que formam os icebergs. Então, pode-se
dizer que cada iceberg é um bloco de gelo, que um dia foi neve, a muitos milhares de
anos atrás e que agora é devolvido à fase líqüida do ciclo hidrológico. Cada iceberg é
um retorno na máquina do tempo do nosso planeta. Contudo, os icebergs antárticos
diferem totalmente dos seus pares do Ártico. Enquanto no hemisfério Norte eles são
pontiagudos, pois derivam de rachaduras de geleiras próximas ao mar, na Antártida
imperam os tabulares, originados da quebra do talude congelado sobre os oceanos. Com
isto, os icebergs antárticos podem ter dimensões surpreendentes. Em minha missão à
Antártida, em 2001/2002, tive a oportunidade de rastrear pelo satélite russo da série
Meteor, dois tabulares muito maiores que a Ilha Rei George, local onde se situa a
estação brasileira e que tem cerca de 100 x 20km. Outros podem ser rastreados pelos
satélites de órbita polar da National Oceans Atmosphere Administration – NOAA e que
vagam pelos mares de Weddell, partindo da plataforma Ronne ou no mar de Ross,
quando se quebram em sua plataforma (Figs.4.2.5A e B).

4.3 Breve Discussão do Clima e Tempo da Antártida:

As diferenças são marcantes em relação ao seu par, no pólo Norte, em todos os


sentidos. O mais importante é o fato de a Antártida ser realmente um continente,
enquanto que o Ártico é apenas uma calota de mar congelado salgado. As características
geográficas são muito importantes para a compreensão das diferenças climatológicas e
oceanográficas entre os dois extremos dos hemisférios da Terra (Figs.4.3.1A e B).
Devemos dar ênfase a estas características para o estudo desta região. Enquanto no
entorno do pólo Norte há o Ártico, com espessura de gelo próxima de 10 metros,

17
cercado de continentes por todos os lados e estreitas faixas de oceanos livres, no Sul, a
configuração é exatamente oposta. Há um continente de fato, a Antártida, cercada de
oceano por todos os lados, o oceano Circumpolar Antártico. Este é um motivo chave
para os deslocamentos dos fluidos geofísicos do planeta: os oceanos e a atmosfera. Com
a ausência de perturbações causadas pela presença de massas continentais, os fluidos
podem circular livremente (TURNER, 1996).

A idéia de frio de pessoas que vivem em países tropicais ou temperados, como


os brasileiros, é muito vaga. Alguns acham que se estivessem na Antártida, iriam sentir
um frio extremo. Este é um conceito equivocado. A região costeira da Antártida pode
alcançar temperaturas inclusive positivas. Há uma interação muito forte entre a região
costeira fria com os mares, relativamente mais quentes. Portanto, a costa antártica e
principalmente os arquipélagos sub-antárticos possuem temperaturas que variam entre
5º a –25ºC, dependendo da época do ano e do sistema sinóptico meteorológico que
estiver atuando na área (FELICIO, 2003).

Os sistemas sinópticos e sub-sinópticos atuantes na troposfera antártica são


denominados de ciclones extratropicais. Estes, são as principais entidades que atuam na
região costeira e mares adjacentes de todo o continente. Atuam como os responsáveis
pela troca de energia das regiões sub-tropicais com as regiões sub-polares, ou seja,
convertem uma quantidade da energia térmica, do ar mais aquecido, em energia cinética
(de fortes ventos) quando tentam transpor o ar mais frio. Nesta ocasião, forma-se um
vórtice de proporções planetárias (daí o termo sinóptico = visão simultânea) que
caracteriza o transporte de ar, as vezes mais aquecido, as vezes mais frio, sobre um
observador em superfície, conforme o ciclone se desloca. Portanto, nas proximidades da
costa antártica, o frio não é extremo (SCHWERDTFEGER, 1984).

Os valores de baixas temperaturas estão mais ligados a parte interior do


continente e às grandes cadeias montanhosas. O recorde de frio de –89.3ºC foi
registrado oficialmente em 21 de julho de 1983, na estação russa Vostok, com cerca de
3.500m de altitude (Fig.4.3.2). Deve-se levar em conta também que todo o continente
têm uma altitude média muito elevada (Fig.4.3.3). Este valor é mais influenciado pelos
platôs de gelo do que por montanhas, onde se destacam as Transantárticas que cruzam a
Antártida Ocidental (Fig.4.3.4) e os Antartandes (península Antártica). O monte mais

18
alto, segundo o Calendário Atlante de Agostini de 2006, é o Vinson Massif, com 5.140
metros (78,6ºS e 85,4ºW) e o vulcão mais alto é o Erebus, com 3.784 metros (Fig.4.3.5).
O platô Antártico, localizado no centro do continente, possui altitude de mais de 4.400
metros (AVÉROUS, 1993). Nesta região central, em altitude, o ar superior converge,
assim, há subsidência com o transporte deste ar para a superfície. Desta maneira,
forma-se um grande anticiclone e semi-permanente no platô Antártico (ASTAPENKO,
1964). Como o escoamento do ar no anticiclone é divergente, teremos condições
propícias para a formação de fortes ventos em superfície muito frios que caminham para
o litoral. Porém, não podemos esquecer que a forte declividade entre o alto platô central
até a costa, ao nível do mar, serão fatores determinantes para o surgimento dos mais
intensos ventos frios catabáticos da Terra. A velocidade máxima de vento registrada na
Antártida foi de 327km.h-1 na estação francesa de Dumont D’Urville em julho de 1972
(SCHWERDTFEGER, 1984).

Em suma, na faixa do litoral e oceano Circumpolar Antártico, agem os ciclones


extratropicais e ciclones extratropicais polares. Enquanto que na área continental
imperam, em média, escoamentos catabáticos originados do interior para o litoral
(BROMWICH, 1997). Mas tal simplicidade aparente não explica outros mecanismos,
ainda a serem descobertos e avaliados. Há muito em se pesquisar para se entender todos
os fenômenos da atmosfera antártica.

19
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
5. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A Antártida, como dito anteriormente, é o continente com a maior altitude média


do mundo, alcançando cerca de 2.500 metros, mas o centro do continente atinge mais de
4.400 metros de altitude, onde se situa o platô Antártico. Nesta região central não há
irregularidades significativas no relevo, apenas planaltos cobertos de gelo (com grandes
profundidades, algumas alcançando 200 metros abaixo do Nível Médio do Mar –
NMM) mas que são de suma importância para o escoamento atmosférico superficial,
pois os ventos podem soprar para todas as direções, sem canalizações evidentes
(ORVIG, 1970). Essas características tornam a região peculiar no que se refere aos
fluxos atmosféricos em superfície.

Sobre o pólo Sul há a ação da célula Polar, climatologicamente relatada pelo


Modelo da Circulação Global Média (Fig.5.1). Esta célula gera subsidência do ar dos
altos níveis para a superfície e dá origem ao grande anticiclone sobre o platô Antártico.
A intensa convergência em altos níveis acarreta em um forte movimento descendente
compensatório na região central do continente. Esta subsidência, com ar muito frio e
seco, mantém o grande anticiclone permanente em superfície, praticamente sobre o pólo
Sul, onde a umidade relativa é muito baixa e a precipitação de neve não ultrapassa três
gramas por centímetro quadrado, ou o equivalente a 30mm de chuva anuais
(AVÉROUS, 1993). Como a altitude do platô central é muito elevada, o ar tende a
escoar para regiões mais baixas (Fig.5.2). Este tipo de escoamento, em superfície, gera
os ventos catabáticos que saem da parte central da Antártida e se dirigem para a região
costeira, seguindo a topografia (Fig.5.3). A temperatura do ar desses intensos ventos
podem variar de –30ºC, no verão, a –70ºC, no inverno. Esses ventos, frios e com grande
intensidade, chegam ao litoral e se encontram com massas de ar mais úmidas e
relativamente mais quentes, com temperaturas próximas de 0ºC, no verão, a –30ºC, no
inverno. O contato dessas massas provoca a formação de intensos fenômenos
atmosféricos, tornando a região antártica e, principalmente a sub-antártica, uma das
mais inóspitas do mundo (TURNER et al., 1993; TURNER e THOMAS, 1994).

A circulação troposférica na Antártida possui características especiais, algumas


delas ainda pouco estudadas e compreendidas. Na região da península Antártica e do
mar do estreito de Drake, entre as latitudes de 50º a 65ºS, ocorrem fenômenos

21
particulares que levam a extremos meteorológicos e estão associados às frentes frias, às
baixas concatenadas, que formam alinhamentos de mesociclones muito próximos uns
dos outros (CARRASCO e BROMWICH, 1997 a, b), ao Jato Frio Inercial, um
fenômeno particular da península em que o vento catabático de Leste, proveniente do
interior do continente, desvia-se para oeste na ponta da península, dentre outros
(SCHWERDTFEGER e AMARUTO, 1979). Há casos em que podem ser observadas
influências sub-antárticas, particularmente em situações sinópticas sobre o Brasil, como
a atuação de frentes frias muito extensas e de forte intensidade, associadas aos ciclones
extratropicais, embora sejam raras (MARENGO et al., 2001).

Ressalta-se, novamente, os dois fatores importantes que diferem o Ártico da


Antártida e resultam das diferentes condições topográficas, bem como da configuração
terra-oceano: se por um lado o Ártico é um oceano congelado, de cerca de 10 metros de
elevação, cercado pelas maiores áreas de terra do planeta, a Antártida é um continente,
tem a maior elevação média e está cercada por grandes oceanos. Isto gera diferenças
climatológicas substanciais. No Ártico, as baixas pressões atmosféricas em superfície
têm seu desenvolvimento intimamente ligado aos poucos trechos de oceanos livres,
sendo sobre esses, o ponto de maior intensidade. A presença de continentes, estreita ou
inibe a presença de trilhas de depressões contínuas. Na Antártida, a presença de oceanos
livres e a alta pressão no platô Antártico, a qual forma uma barreira atmosférica
permanente, mantém os centros de baixa pressão circundando o continente (Fig.5.4).
Estas baixas permanecem sobre o oceano circumpolar, com pouca penetração no
interior do continente. Normalmente, dissipam-se ou estacionam nas regiões costeiras.
Como conseqüência, nas latitudes austrais, os gradientes de temperatura na direção
meridional são mais fortes e geram, por sua vez, ventos mais intensos, com maior
volume de precipitação frontal do que nas latitudes correspondentes no hemisfério
Norte (ASTAPENKO, 1964). Os anticiclones geralmente implicam em tempo bom e
ventos fracos, com pouca precipitação, nas latitudes entre 50º a 70ºS, mas também
podem ser associados com extensa e persistente cobertura de nuvens baixas com
precipitação (CARLETON e FITCH, 1993).

Inúmeros fenômenos são peculiares da região antártica, como estabelecido nos


experimentos do Ano Geofísico Internacional, em 1957-1959 (ASTAPENKO, 1964).
Destes, a circulação troposférica superficial da Antártida têm se mostrado a mais

22
distinta do planeta (SCHWERDTFEGER, 1984). O contraste térmico entre as massas de
ar provenientes do interior do continente antártico e aquelas que se deslocam sobre os
oceanos sub-antárticos é o principal fator de desenvolvimento de sistemas de meso-
escala e de pequenas perturbações sinópticas na região, podendo estes mesos, evoluírem
para grandes sistemas (TURNER e THOMAS, 1993; CARRASCO e BROMWICH,
1996). No cinturão de baixas pressões, entre 60º a 70ºS, os sistemas ciclônicos regionais
podem ser vistos, principalmente durante o verão austral. No estreito de Drake, em
particular, entre 50º a 65ºS, há maior interação entre sistemas de meso e escala sinóptica
(CARLETON et al., 1993; BROMWICH, 1997). É nesta área que são observadas as
maiores depressões atmosféricas que afetam sensivelmente os aspectos climáticos e de
tempo no Norte da península Antártica e nas regiões circunvizinhas (TURNER e KING,
1997; BROMWICH e PARISH, 1998). O campo climatológico de pressão à superfície
do mar (Fig.5.5) evidencia três centros de baixa pressão quase estacionários e o
transporte de umidade das latitudes mais baixas para as latitudes polares (BROMWICH
e PARISH, 1999).

A primeira climatologia com base de dados observacionais, elaborada com


características sistemáticas, data de 1841 a 1861. Seu precursor foi o Tenente Mathew
Fontaine Maury, da Marinha dos Estados Unidos – U.S.NAVY. Ele iniciou a coleta de
informações meteorológicas durante uma expedição litorânea e, logo a seguir, elaborou
uma caderneta de anotações, a qual distribuía para todas as embarcações que fossem
executar missões ao continente gelado, não importando a nacionalidade. Maury, já
naquela época, achava que o continente antártico tinha conexões climáticas com todo o
planeta e não somente com o hemisfério Sul. A idéia foi muito avançada para sua época,
pois admitia os fenômenos de teleconexões, muito antes destes serem discutidos
(COELHO, 1983). O importante passo para os estudos de Meteorologia e Climatologia
foi dado e, a partir deste momento, inúmeras expedições iniciaram suas anotações e
estudos da atmosfera antártica. A demonstração disto foi a existência e funcionamento
contínuo da estação meteorológica mais antiga da Antártida. Ela está situada na ilha
Orcadas, Nordeste da península Antártica, pertence à Argentina e foi inaugurada em
1904. Até o advento das novas tecnologias, estes foram os procedimentos básicos
adotados, além do lançamento de balões meteorológicos sondadores.

23
Modernamente, com o surgimento dos satélites, foi possível examinar os
fenômenos meteorológicos com detalhes. Os primeiros trabalhos de mapeamento e
classificação dos ciclones extratropicais foram realizados por Streten e Troup (1973).
Até aquele momento, não se tinha noção de que modo se pareciam, como se
comportavam e, muito menos, qual era a sua abrangência sobre os oceanos ou
continentes, dada a pouca quantidade de informações de regiões remotas, como aquelas
além do Círculo Polar Antártico. Com o advento dos imageadores de satélites, Streten e
Troup realizaram análises de centenas de imagens, definindo a formação dos ciclones
extratropicais pelo acompanhamento de suas trajetórias e identificando, posteriormente,
as etapas de surgimento, amadurecimento e decaimento. O resultado deste trabalho foi a
classificação morfológica dos ciclones extratropicais, como apresentada na Figura 5.6 e
na Tabela 5.1.

Tabela 5.1 – As Categorias de Vórtices de Nuvens Identificados por Streten e Troup em


1973.
Vórtice Características

W Onda desenvolvida em uma banda frontal.


Desenvolvimento de vórtice jovem, isolado ou misturado com uma banda
A
nebulosa.
Amadurecimento do vórtice. A banda nebulosa começa a desenhar seu formato
B
em ar claro.
Maturidade total. O vórtice de nuvem com alternadas bandas de nebulosidade e
C
ar claro espiralando ao redor de um centro bem definido.
Decaimento, com considerável nebulosidade ao redor do centro (Dx) ou com
D
nuvens fragmentadas próximas ao centro (Dy).
Vórtices em frontólise. Correspondem aos tipos Dx e Dy, mas sem a banda
F/G
nebulosa.

O esquema adotado por Streten e Troup (1973) assume que o desenvolvimento


do vórtice ciclônico se inicia em uma onda que acompanha uma banda frontal, passando
pela região (configuração W) ou em forma de “vírgula invertida” isolada ou mergulhada
em bandas maiores de nebulosidade (configuração A). Os vórtices passam pelos
estágios iniciais normais de desenvolvimento, tipo W ou A, para evoluírem
posteriormente ao estágio B. O sistema alcança maturidade completa na fase C, quando

24
migra para uma das fases de dissipação ou desintegração Dx ou Dy. A classe Dx é
caracterizada por espessa nebulosidade homogênea e tende a permanecer próxima ao
centro de baixa. A classe Dy é caracterizada quando a nebulosidade fica espalhada em
fragmentos perto do centro de baixa pressão. Os tipos F e G correspondem às categorias
Dx e Dy, mas nos casos em que o vórtice não esteja associado a uma banda nebulosa.

Utilizando o método criado por Streten e Troup, Carleton (1979) realizou um


primeiro mapeamento das regiões de atuação dos ciclones extratropicais. Em seu
trabalho foram utilizadas as imagens de satélites geradas nos invernos de 1973 a 1977,
sendo investigada a atividade ciclônica por todo o hemisfério Sul. Chegou à conclusão
de que ciclogêneses acontecem por toda a região compreendida entre médias e altas
latitudes e que as ciclólises são mais significativamente observadas em algumas regiões
próximas aos mares antárticos. Estas regiões são denominadas de “Trilhas das
Depressões”. Outra característica interessante deste trabalho foi a classificação do
decaimento dos ciclones em dois tipos diferentes, em relação à sua forma: O tipo
D(x/y)1, associado à dissipação simétrica do vórtices e o tipo D(x/y)2 que representa o
vórtice disforme ou assimétrico. Isto complementou o trabalho realizado por Streten e
Troup.

Quanto à Trilha das Depressões, convém citar uma parte histórica importante
que pertence às pesquisas realizadas no continente antártico. Ela foi investigada por
mais de 40 anos com trabalhos em fases distintas. Primeiramente, nos anos 1940 e 1950,
as informações eram adquiridas dos navios, principalmente os pesqueiros russos, que
circundavam a região antártica oceânica. Essas informações, de dados in-situ, foram
trabalhadas por Lamb (1959), Van Loon (1960) e Astapenko (1964) e produziram as
primeiras estimativas do posicionamento da Trilha das Depressões (relato histórico de
Turner e King, 1997). Nos anos 1960, com o advento da poderosa ferramenta dos
imageadores dos satélites meteorológicos, foi possível estimar com maior precisão sua
posição. Finalmente, dos anos 1970 em diante, houve o início de trabalhos com
modelagem computacional sobre a ação de sistemas atmosféricos na região antártica.

Outras investigações subseqüentes ao trabalho de Streten e Troup foram


realizadas por Carleton (1987) quando comparou os vórtices ciclônicos dos dois
hemisférios, e concluiu, pelas suas observações, que os gerados no hemisfério Sul são

25
muito maiores e mais fortes que seus correspondentes do hemisfério Norte. Os grandes
vórtices do hemisfério Sul, segundo Carleton, têm a possibilidade de ter um tempo de
vida mais longo, além de contribuir para o desenvolvimento de outros sistemas
ciclônicos, logo após a fase de decaimento de um sistema anterior.

Na década de 1990, foram estudados os vórtices de meso-escala que influenciam


a escala sinóptica. Foram realizados trabalhos em áreas específicas do continente
antártico por diversos autores, principalmente para o período de inverno. Carleton e
Fitch (1991) realizaram um trabalho utilizando imagens de satélite e dados das estações
automáticas de superfície (aqui denominadas de Automatic Weather Station – AWS).
Investigaram, no contexto da escala sinóptica, um setor do mar de Ross (150ºE até
150ºW) para o período do final do outono, todo o inverno e início de primavera de
1988. Mesociclones (eventos não maiores que 1000km) foram classificados e mapeados
segundo suas características dominantes como tempo de vida, velocidade de propagação
e localizações geográficas preferenciais de formação. Concluíram que a formação destes
mesociclones ocorrem principalmente pela influência significativa dos ventos
catabáticos que atuam intensamente na região. Os fluxos catabáticos, advindos pelas
superfícies e rampas geladas do mar de Ross (forte inclinação das montanhas
Transantárticas) agem nas latitudes mais baixas por sua grande penetração sobre o
oceano Circumpolar Antártico.

Turner et al. (1993) atuaram numa pesquisa sobre casos específicos de meso-
escala, desta vez no mar de Weddell, utilizando, para tanto, imagens de satélites e dados
de superfície da estação inglesa Halley, localizada na região Leste do mar de Weddell,
no platô gelado de Brunt. Foram os primeiros a relatar as dificuldades encontradas no
trabalho com as imagens de satélite, quanto às bandas semi-transparentes de
nebulosidade baixa ou formação de Cirrus em altitude. As sondagens do perfil de
temperatura, obtidas pelos instrumentos e mesmo as observações feitas pelo canal na
banda do visível, dificultavam a localização dos sistemas com precisão. Identificaram,
com mapeamento, o desenvolvimento de um vórtice ciclônico em terra, sobre a região
do platô gelado de Brunt, e o classificaram como um forte sistema baroclínico. Na
região estudada, o ar quente, transportado para a direção do pólo, encontra-se com o ar
frio descendente do platô Antártico. O sistema se intensifica quando esse ar frio
continental se associa com uma onda curta em nível mais elevado. Turner, neste

26
trabalho, faz uma citação importante a relatar nestas referências: “(...) os trabalhos são
de considerável interesse para os meteorologistas da área operacional, devido ao
impacto das condições severas do tempo nas operações marítimas polares (...)”. Em uma
comparação entre os vórtices de ambos os hemisférios, verificou-se que os da região
antártica, e próximos à área costeira, possuem um fator de forçante muito mais
baroclínica.

Outro trabalho elaborado por Bromwich et al. (1994) foi a realização de uma
estatística climatológica dos aspectos de meso-escala dos ciclones. Primeiramente foi
pesquisada a região do mar de Ross, de forma semelhante ao realizado no trabalho de
Carleton e, depois, na área das proximidades da península Antártica. O estudo
estatístico de ciclogênese de meso-escala, com dados do ano de 1988, ocorreu próximo
à baía de Terra Nova e da geleira Byrd. Ele foi conduzido com imagens de satélite de
alta resolução e dados das AWS’s que estavam espalhadas pela região do mar de Ross e
por suas superfícies congeladas. Os resultados indicaram que, em média, durante o
verão, formaram-se dois ciclones de meso-escala, por semana, próximos à baía de Terra
Nova, enquanto que, durante o inverno, formou-se apenas um próximo à geleira Byrd.
Esse trabalho identificou estas duas áreas como regiões de ciclogêneses de meso-escala.
Nesta pesquisa, foi ampliada a área de vigilância dos ciclones para todo o mar de Ross e
suas planícies congeladas. Os resultados sugeriram que a parte Sul das terras de Mary
Byrd pode ser considerada outra área de formação ciclônica de meso-escala. Entretanto,
a atividade ciclônica de meso-escala mais freqüente foi notada sobre o mar de Ross e
nas planícies congeladas ao seu redor, onde foram observadas, em média, seis e três
vórtices de meso-escala, por semana, no verão e inverno respectivamente. O número de
ocorrências também tem o máximo definido no verão e o mínimo no inverno. As
formações típicas foram de nebulosidade estilo “vírgula invertida”. O surgimento destes
mesociclones, neste trabalho, foi também associado à redução do geopotencial em
500hPa pelos ventos catabáticos frios, provenientes do interior do continente, que
desceram pelas escarpas das montanhas Transantárticas. Um fator importante,
encontrado por Bromwich et al. (1994) foi a correlação positiva entre a advecção
quente, causada pelo decaimento de ciclones sinópticos próximos às terras de Mary
Byrd, e os ventos catabáticos intensos e frios, provenientes do Leste da Antártida, os
quais se dirigem para o Sudoeste do mar de Ross. Nestes casos, maior será a formação
dos mesociclones sobre a zona baroclínica criada na camada limite.

27
Posteriormente, Carrasco e Bromwich et al. (1997) fizeram trabalhos
semelhantes para a área da península Antártica. Mapearam regiões de possíveis
ciclogêneses de meso-escala durante o inverno. Considerando-se os diversos trabalhos
realizados, percebeu-se que a maioria deles foram realizados para o mar de Ross e o mar
de Weddell, mas poucos para a região da península Antártica, onde há uma grande
diferença de forçantes topográficas. O mar de Ross e o mar de Weddell são regiões de
reentrância do litoral, enquanto que a península Antártica é uma extensa saliência
(avança para dentro do oceano) além de apresentar uma barreira de montanhas de
grande altitude próximas ao mar, conhecidas como os Antartandes e que podem atingir
4.000 metros de altitude. Estas características morfológicas certamente influenciam o
escoamento atmosférico de maneiras distintas. Deve-se lembrar que a troposfera, nas
regiões polares, é muito mais baixa, atingindo cerca de 8.000 metros de altitude. As
barreiras orográficas fazem grande diferença na Antártida, pois representam obstáculos
com, as vezes, mais de 50% de toda a troposfera livre para a atuação dos fenômenos
dinâmicos.

Turner et al (1997) verificaram os resultados de previsão obtidos pelo modelo do


Reino Unido. Foi visto que houve uma razoável representação da circulação atmosférica
na região antártica, porém com algumas deficiências. Os ventos catabáticos costeiros,
simulados pelo modelo, foram bem representados, se comparados com o vento real
medido pelas estações, para um prazo de até três dias de prognóstico. Entretanto, a
estimativa de temperatura apresentou erros, acusando valores mais baixos que os
observados devido, provavelmente, à influência dos ventos frios catabáticos. Quanto ao
cinturão de baixas pressões, o modelo acertou bem, em média, as posições dos grandes
centros, desde que se tratassem de distúrbios associados às anomalias de baixa
freqüência, como um grande centro de baixa pressão que se propaga por alguns dias. O
parâmetro melhor simulado pelos modelos, em comparações com valores observados,
foi a cobertura de nuvens. Os acertos foram muito bons no verão, entretanto, para julho,
o modelo aumentou em demasia a nebulosidade. Neste trabalho, as verificações foram
realizadas para os campos médios diários, sem que valores horários tenham sido
comparados aos dados observados de uma estação in situ.

Mais recentemente, diversos trabalhos foram realizados com os dados de um


grande programa chamado Antarctic First Regional Observing Study of the Troposphere

28
– FROST, realizado em 1994/1995. Esse programa foi organizado por um grupo do
Comitê Científico de Pesquisa de Física e Química da Atmosfera Antártica, com auxílio
de diversas instituições alemãs, australianas, estadunidenses e inglesas. FROST foi
criado para assegurar a qualidade numérica das análises e prognósticos de tempo e suas
modificações sazonais sobre o continente antártico e plataformas dos mares congelados.
Durante o período do programa FROST, avaliou-se a qualidade das análises, tanto em
superfície, quanto em níveis mais elevados da atmosfera. Os dados observados foram
introduzidos nos modelos globais de prognósticos de tempo, em operação no Escritório
de Meteorologia do Reino Unido (United Kingdom Meteorological Office – UKMO) ou
no sistema utilizado pelo Birô Australiano de Assimilação e Previsão Meteorológica
Global (Australian Bureau of Meteorology’s Global Assimilation and Prediction –
GASP) para análises diagnósticas em pontos de grade. O plano estipulado foi a
produção de análises revisadas sob o ponto de vista de dados de superfície,
radiossondagens e imagens de satélite. Diferentes processos foram adotados para a
elaboração de reanálises sobre o oceano Circumpolar Antártico, Antártida Leste e
Antártida Oeste.

O FROST operou de julho de 1994 a janeiro de 1995 e foi dividido em três


períodos especiais de observação, denominados SOP’s – SOP-1, em julho de 1994;
SOP-2, de 16 de outubro a 15 de novembro; e SOP-3, em janeiro de 1995. Durante os
períodos de observação, os dados das AWS’s foram coletados se utilizando o Sistema
Global de Telecomunicação – GTS, onde vários satélites recuperaram essas
informações, observadas diretamente dos sítios das AWS’s. Turner et al. (1997)
comentaram a dificuldade encontrada neste processo pois, em alguns casos, o GTS não
recuperava os dados meteorológicos de todas as AWS’s. Estas informações transitavam
em forma de código numérico padrão da Organização Meteorológica Mundial – OMM,
conhecido por SYNOP. Quando as informações de superfície foram reunidas,
perceberam que algumas estações possuíam até 30% mais dados que outras. Isso
dificultou as análises preliminares de consistência dos prognósticos para algumas
regiões. Contudo, Simmonds e Murray (1999) confirmaram que os dados coletados nos
três períodos especiais de observação (SOP’s) durante o FROST, forneceram uma
excelente base para o estudo de sistemas ciclônicos que se desenvolvem no inverno,
primavera e verão no hemisfério Sul. Neste estudo, os autores aplicaram um algoritmo
de mapeamento dos ciclones usando imagens digitais de satélites e campos de pressão.

29
Os resultados revelaram que geralmente os grandes ciclones percorrem as posições
climatológicas de longo período, reconstituída pelo esquema. Os autores observaram
que muitos sistemas são gerados na parte Oeste da Antártida, sobre o oceano, e migram
para Leste, às vezes para o Sul, em direção à parte costeira do continente antártico. Nos
três períodos dos SOP’s, encontrou-se concentrações de trilhas de baixa pressão
atmosférica ao Norte do continente Antártico, próximos à região Sul do oceano Índico.
Ao mesmo tempo foram encontradas algumas diferenças marcantes entre a Climatologia
e o observado em regiões específicas. Anomalias positivas de pressão de até 10hPa
foram encontradas no oceano Pacífico e no Sul da Austrália. Aparentemente, estruturas
anômalas de ciclones nestas áreas geraram anomalias na Pressão ao Nível Médio do
Mar – PNMM. Os resultados obtidos com essa análise de alta qualidade, durante os
SOP’s, confirmaram que a costa da Antártida é uma região com grande atividade
ciclogenética. A identificação de alta freqüência de ciclogênese costeira pareceu diferir
dos estudos anteriores. Nestes últimos, sugeriu-se que a maior atividade ciclogenética,
durante o inverno, ocorria com maior intensidade somente no cinturão latitudinal entre
40ºS e 50ºS. Entretanto, os resultados encontrados no FROST, que foi o estudo mais
elaborado recentemente, confirmaram a hipótese ciclogenética na região costeira da
Antártida, mostrado por Hutchinson et al. (1999), já que o programa utilizou imagens
de alta resolução e modelagem em quatro camadas na análise de dados (superfície, 700,
500 e 250hPa).

Problemas com os dados de análises do Centro Nacional para Previsão


Ambiental (National Centers for Environmental Prediction – NCEP/NCAR) foram
examinados por Bromwich et al.(1999) para o período do FROST. A acurácia das
condições simuladas para o período de inverno antártico, levando-se em conta os ventos
catabáticos intensos próximos à superfície, estava intimamente ligada à precisão dos
dados de topografia, utilizados em vários modelos matemáticos. As análises e
prognósticos do NCEP são produzidos com a utilização de dados altimétricos da
Marinha dos Estados Unidos, que apresentam erros da ordem de mais de 1km na
direção vertical. Isto produz grandes diferenças entre as saídas analíticas do modelo e as
observações das estações automáticas de superfície. Um exemplo foi o valor de PNMM.
Valores expressivos de diferença da pressão em superfície foram encontrados no
período do SOP-1 do FROST, na ordem de 170hPa, próximas às Montanhas
Transantárticas. Essas discrepâncias também ocorreram nas informações de temperatura

30
em superfície. No interior do continente foram geradas por erros topográficos e na
região costeira, por efeito adicional dos ventos frios catabáticos. Sobre o continente
Antártico, diversos ajustes precisaram ser feitos nos primeiros dias de integração
numérica para um prognóstico de médio prazo de temperatura, altura do geopotencial e
cobertura de nuvens.

Lieder e Heinemann (1999) trabalharam na última fase do FROST, a SOP-3,


durante a estação de verão. Estudaram o desenvolvimento de três mesociclones sobre a
área Norte do mar de Amundsen e Bellingshausen durante os dias 10, 11 e 12 de janeiro
de 1995. O estudo compreendeu a utilização de imagens de satélite de alta resolução no
canal 4 (infravermelho) dos satélites de órbita polar, NOAA-9 e NOAA-12. O sistema
conhecido como High Resolution Picture Transmission – HRPT é uma plataforma de
imageadores contidos nestes satélites que conseguem uma resolução de 1,1km. Para
receber o sinal na estação inglesa de Rothera, localizada na península Antártica, o
sistema em terra utilizava uma antena rastreadora em modo ativo que acompanhava a
passagem do satélite sobre a região, desde o seu nascimento até o ocaso. As imagens
eram transmitidas por sinal de onda portadora, mas com uma resolução de 10 bits,
superior ao normal de 8 bits. Diferem das imagens comuns emitidas por Automatic
Picture Transmission – APT, dos outros imageadores, também contidos nos satélites da
série NOAA, mas que podem ser captados com antena passiva comum. A qualidade das
imagens, com grande definição puntual, refletiu diretamente na investigação dos
mesociclones. Estes dados permitiram a realização de um estudo detalhado do
mesociclone mais pronunciado, ocorrido dentro do período do SOP-3. Os mesociclones
foram detectados por configurações detalhadas das bandas nebulosas, com os
imageadores de alta resolução que mostraram sinais distintos nos campos de nuvens,
vapor d’água, velocidade do vento e vapor d’água integrado na coluna atmosférica. A
estrutura frontal do mesociclone estudado, com diâmetro de 800km, desenhada pelo alto
gradiente do vapor d’água integrado, mostrou um forte cisalhamento próximo à
superfície. A captação destas imagens com os poderosos sensores a bordo dos satélites
da série NOAA e TIROS-N possibilitou investigar a velocidade dos ventos com uma
boa aproximação (diferença de 1,1m.s-1 e desvio padrão de ±1,2m.s-1). As informações
obtidas serviram para validar as saídas das simulações numéricas. Nessas simulações, os
autores utilizaram o modelo norueguês, de área limitada, para analisar os dois
mesociclones deste estudo, identificados entre 10 e 12 de janeiro de 1995, associados a

31
uma onda baroclínica curta. A validação feita com as saídas simuladas do vapor d’água,
integrado na coluna atmosférica, mostraram boa aproximação da estimativa da
velocidade do vento próximo à superfície.

As trajetórias de ciclones e anticiclones extratropicais no hemisfério Sul foram


avaliadas objetivamente, em um primeiro momento, por Murray e Simmons (1991)
através do esquema numérico criado por eles, chamado MS e utilizado no estudo
FROST. Este esquema numérico realizou o rastreio dos centros de alta e baixa pressões
atmosféricas com os dados de reanálise do NCEP/NCAR. O processo de identificação
utiliza o Laplaciano nos campos de pressão atmosférica em superfície, o que permite
definir as regiões com valores mínimos e máximos, associados aos ciclones e
anticiclones, os quais os modelos conseguiram identificar (Fig.5.7). Recentemente, o
trabalho de Pezza (2003) identificou as trajetórias de ciclones e anticiclones para o
período de inverno em todo o hemisfério Sul, confirmando regiões de ciclogêneses e
linhas de trajetórias conhecidas para a estação do ano. Beu (2003) realizou um trabalho
semelhante, embora este último tenha identificado as trajetórias dos ciclones
extratropicais, inclusive para o período de verão, mas ambos os trabalhos se limitaram a
avaliar os dados de reanálise do NCEP/NCAR, sem realizar uma verificação das
trajetórias com dados observados, tanto do hemisfério quanto em uma região de escala
espacial menor. Os dois trabalhos utilizaram o método MS do Laplaciano. Em
particular, pode-se contestar alguns resultados da identificação objetiva dos ciclones por
esse método na Antártida. O Laplaciano é uma operação matemática (a derivada de
segunda ordem) aplicável em um campo pré-estabelecido de uma variável. Ele permite
identificar os locais de máximos ou mínimos da variável, distribuídos no campo. No
caso da sua aplicação, em um campo de pressão atmosférica em superfície, na região
antártica, não se poderá afirmar que tal artifício encontrará todas as ocorrências de
ciclones. A explicação vem do fato de o campo de pressão atmosférica ser modelado e,
para se gerar esses campos, há a necessidade de se obter dados de superfície
(FEDOROVA, 2001). Sabemos que estes são raros na região antártica, portanto, as
condições de contorno para modelagem são demais especuladas por interpolações que
não refletem a realidade. A avaliação subjetiva, realizada por observador bem treinado e
experimentado, poderá identificar e localizar, com melhor acurácia, os sistemas
sinópticos. O método MS é mais eficaz, sob rígido controle de variáveis, na
identificação de grandes ciclones (FELICIO, 2003).

32
Portanto, este trabalho veio complementar as lacunas onde os métodos
computacionais objetivos não conseguem cobrir, ou seja, a verificação de todas as
ocorrências de sistemas sinópticos e sub-sinópticos ciclônicos, dentro de períodos
distintos. A metodologia empregada, utilizou a observação direta das imagens de
satélite, ou seja, o que era real e podia ser observado, e não campos numéricos de saídas
de modelos que possuem dificuldades operacionais, inclusive, em avaliar o que é real,
além de fatores como intensidade, tamanho e tempo de duração de cada sistema.

Finalmente, a classificação, por períodos sazonais, pretendeu estabelecer uma


climatologia dos ciclones atuantes na região. Este estudo determinou, com boa exatidão,
o número de ocorrências dos ciclones em cada período, contrastando a diferença entre
verões e invernos.

33
DADOS É MÉTODOS
6. DADOS E MÉTODOS

6.1 Dados:

As informações utilizadas neste trabalho constaram do conjunto de dados


meteorológicos de superfície, registrados na Estação Antártica Comandante Ferraz, e
imagens dos satélites geoestacionários GOES-8 (desativado) e GOES-12 (atual) no
canal do infravermelho termal, para o setor sub-antártico. Todos os dados e imagens,
utilizadas nesta pesquisa, estão disponíveis no disco DVD-RAM, anexo ao trabalho.

As variáveis atmosféricas registradas a cada hora na EACF foram: temperatura


do ar, temperatura do ponto de orvalho, pressão, umidade relativa, precipitação, direção
e velocidade do vento. Estas informações, referentes à AWS de Ferraz, encontram-se
arquivadas para utilização e foram obtidas do Projeto de Meteorologia do PROANTAR
(METEORO, 2006). Este projeto integra as expedições realizadas ao continente
antártico desde quase a sua origem. O início da coleta de dados data de 1986 e a
disponibilidade destas informações, faz parte da divulgação internacional dos dados
referentes à região antártica.

As imagens de satélite da região sub-antártica, obtidas pelos satélites GOES-8 e


GOES-12, estão armazenadas no banco de dados do Centro de Previsão de Tempo e
Estudos Climáticos – CPTEC. Elas são tratadas na Divisão de Satélites Ambientais –
DSA. Um exemplo destas imagens é apresentado na Figura 6.1.1, onde se nota a
ocorrência de um sistema ciclônico, com centro próximo a 60ºS e 70ºW.

Foram analisadas mais de 6.370 imagens de satélite, durante o processo de


classificação de ciclones. As imagens avaliadas foram preferencialmente do canal 4,
infravermelho. Desta maneira, conseguiu-se praticamente neutralizar as dificuldades
que Turner et al. (1992) tiveram com a análise de imagens, devido as bandas semi-
transparentes de nebulosidade baixa ou formação de Cirrus em altitude. O problema
pode ser verificado também no exemplo da Figura 6.1.1, nas coordenadas 55ºS e 50ºW.
Neste ponto, pode-se observar que um mesociclone está dissimulado na imagem do
canal visível (direita) mas evidente, ao olhar experimentado, na imagem do canal

35
infravermelho (esquerda). Todas as imagens se encontram em posse do Laboratório de
Climatologia e Biogeografia – LCB.

O estudo começou no verão de 2001, ano este que marca o início do banco de
dados de imagens sub-antárticas geradas pelo CPTEC. Foram cinco anos de análises,
período que justifica o mínimo para a elaboração de uma climatologia dinâmica.
Embora as imagens sejam geradas continuamente, durante todo o ano, dentro dos
horários sinópticos (00, 03, 06, 09, 12, 15, 18 e 21UTC ou Z, em referência ao
meridiano Zulu, Greenwich) as análises deste trabalho foram sazonais, cobrindo os
períodos de verão (dezembro, janeiro e fevereiro) e inverno (junho, julho e agosto). Os
meses que demarcaram esses períodos são meramente referenciais e aceitos
mundialmente, na literatura científica, como representantes destas estações. Além disto,
foi mais prático a adoção deste padrão, em intervalos mensais, para as comparações
estatísticas que foram realizadas. A escolha de períodos distintos de verão e inverno
para análise, refletiu a idéia de comparar a dinâmica destes dois períodos e seus
contrastes, além de tentar verificar se procedem os efeitos relatados na literatura em
geral, sobre a atuação dos ciclones extratropicais na “Trilha das Depressões”.

6.2 Métodos:

A metodologia de trabalho foi dividida em três etapas, denominadas aqui como


Metodologia de Varredura Visual (MET-1), Metodologia de Análise de Dados
Meteorológicos (MET-2) e Metodologia de Análises Estatísticas (MET-3).

6.2.1 Metodologia de Varredura Visual – MET-1:

No emprego da MET-1, foram verificadas todas as imagens provenientes do


satélites da série GOES para a região sub-antártica em estudo. A divisão foi feita para as
estações de verão e inverno, dentro do período de anos estabelecido de 2001 a 2006.

Contudo, antes de prosseguir na descrição total dos procedimentos da MET-1,


convém explanar algumas características dos satélites da série GOES, bem como
levantar alguns aspectos importantes no que tange a acurácia dos seus imageadores e

36
erros pertinentes de discussão, os quais poderiam ser levantados para a execução desta
pesquisa.

As melhores imagens para serem utilizadas na visualização dos fenômenos


meteorológicos na América do Sul, península Antártica e estreito de Drake são as
geradas pelo satélite GOES-E (GOES Leste) em 75ºW de longitude (o GOES Oeste
permanece na longitude de 135ºW). Ambos os satélites são de órbita geoestacionária, ou
geossíncrona, equatorial. A reta Normal deste satélite, em relação à superfície da Terra,
acompanha um ponto do planeta constantemente, conforme passam as horas. Este ponto
também é conhecido como Nadir. A principal justificativa para o uso das imagens do
GOES é o fato de esta missão espacial obter observações repetidas e cronológicas,
fundamentais para o rastreio e detecção dos sistemas meteorológicos. Isto auxilia a
visualização de suas trajetórias, o que permite melhores prognósticos. Para o caso
específico desta pesquisa, foi fundamental para detectar, localizar, ordenar e classificar
todos os ciclones extratropicais ocorridos nos intervalos sazonais de verão e inverno.

Os mais novos satélites da série GOES estão equipados tanto com instrumentos
imageadores como também sondadores. Os imageadores do GOES são instrumentos
multicanais, capazes de medir as radiações eletromagnéticas no visível e infravermelho.
Atualmente, são 19 canais, com pixels nas resoluções de 0,5 x 1km no visível, 2 x 4km
no infravermelho termal e 2 x 8km no vapor d’água. Há uma grande resposta espectral
que, aliada a um baixo nível de ruído, maior resolução espacial, reduzido intervalo
temporal e boa distribuição radiométrica, fazem deste satélite, um dos melhores para a
observação de fenômenos meteorológicos diversos (FERREIRA, 2006).

Contudo, alguns erros observacionais devem ser aqui discutidos. O primeiro


deles se refere à resolução espacial. Por se posicionar sobre a linha do Equador, os
pontos mais próximos ao Nadir, imediatamente abaixo do satélite, possuem uma área
pictórica menor quando comparados com os pontos observados cada vez mais distantes,
conforme se abre o leque da linha de visada do sensor. Em outras palavras, observar
pontos abaixo do satélite representam maior fidelidade das propriedades radiométricas
de uma área, já que a mesma é menor. Conforme a linha de visada se abre, ao se afastar
do Nadir, a superfície observada é maior, portanto, mais interações eletromagnéticas
deste ponto estarão a interferir na medida (Fig.6.2.1.1). Este é um problema que não

37
afetou a pesquisa, pois a mesma não se importou com valores de pixel, ou suas
respectivas temperaturas, dentro de uma escala linear.

Um segundo problema que deve ser discutido é o tempo de resposta do sensor.


Este tipo de erro, na obtenção de valores de pixel, surge quando o sensor permaneceu
observando, por um tempo, uma área que possuía valores altos (ou baixos) de
temperatura e, logo a seguir, passou a observar uma outra área com valores baixos (ou
altos). Durante um curto, mas as vezes significativo intervalo de tempo, o sensor ainda
estará acostumado com a temperatura que anteriormente detectara na área
esquadrinhada, ou seja, há uma inércia em se adaptar às novas propriedades
radiométricas medidas. Isto se reflete nos primeiros valores de pixel, após a brusca
mudança. Quanto mais rápido o sensor se resfriar (ou se aquecer) mais próximos os
valores representarão a realidade. Este problema é mais significativo quando se
necessita delinear sistemas de meso-escala menores, como as tempestades severas. No
caso desta pesquisa, onde os sistemas rastreados são de escala sinóptica ou
sub-sinóptica, o erro de delineação dos sistemas por influências de temperaturas é
desprezível, ou simplesmente, não se aplica.

O terceiro e mais importante erro que poderíamos discutir é o erro de paralaxe de


observação. Como os objetos desta pesquisa normalmente estavam a mais de 50º de
latitude, a posição dos mesmos poderia estar comprometida pelo acentuado ângulo de
inclinação (Fig.6.2.1.2). Contudo, os satélites da série GOES necessitam de órbitas
extremamente longas. A posição destes é sempre ao redor de 36.000km de altitude (ou
distância, pois com valores deste porte, a topografia na Terra já não tem importância).
Os pontos observados em altas latitudes possuem um erro de paralaxe observacional,
principalmente para nuvens altas (que pode chegar a alguns quilômetros de distância).
Para nuvens mais baixas, o erro é muito menor. Contudo, há vários argumentos que
diluem os erros de paralaxe. O primeiro vem do fato de a troposfera ser cada vez mais
baixa, conforme se aumentam os valores de latitudes. Portanto, observar fenômenos de
grande escala, confinados em uma troposfera mais baixa, em altas latitudes, reduzem
drasticamente o erro de posicionamento. A relação é mais simples de se compreender
quando comparamos uma visada de 36.000km de distância, com uma troposfera que
chega a 8km de altitude. O segundo e melhor argumento sugere que as imagens geradas
por satélites de órbita geossíncrona podem ser corrigidas geometricamente com maior

38
facilidade. As técnicas de processamento que compatibilizam a imagem de satélite com
uma projeção cartográfica são executadas pela equipe do DSA – INPE e melhoram
significativamente a posição dos sistemas, mesmo que a distorção esteja sempre
presente na imagem. Além destes, são aplicados processos de realce para que se
melhorem os contornos dos sistemas meteorológicos e de nuvens em complexos abertos
ou fechados (ZANUTO, 1998).

Uma vez abordado e discutido todos os problemas referentes aos satélites que
seriam utilizados, passou-se a formar os bancos de imagens sazonais. Estes, foram
colecionados, classificados, depurados de erros e devidamente divididos em visível
(VIS), infravermelho (IR), vapor d’água (WV) e composição colorida (CC) para se
iniciar os processos classificatórios da MET-1. Foram observadas, uma a uma, todas as
imagens no canal infravermelho e quando um sistema sinóptico foi identificado (ou
avistado) como um ciclone extratropical, dentro da área de estudo, imediatamente se
aplicou a técnica de classificação desenvolvida por Streten e Troup (1973). Todas as
fases de desenvolvimento do sistema identificado foram avaliadas, de acordo com as
categorias de vórtices de nuvens (W, A, B, C, D). Cada ciclone foi catalogado através
de um número. Este identificador batizou o sistema como um nome. O número
identificador começou a registrar os sistemas no primeiro dia de um período de
observação e terminou no último dia. Para cada período de observação (um verão, por
exemplo) a numeração recomeçou.

Além disto, durante a sua trajetória, com o passar das horas, ele recebeu uma
posição cardeal/colateral de rastreio em relação à estação Comandante Ferraz (que
ocupa a posição central da área de estudo). A classificação foi categorizada por tamanho
dos ciclones e fases evolutivas dentro da área de controle. Entende-se por tamanho, a
distância entre a base contrária do centro de baixa pressão, até o final do vórtice de
nebulosidade, durante a fase madura (C) exemplificado na Figura 6.2.1.3. Quando esta
não ocorrer, foi utilizada a fase de maior desenvoltura, mesmo quando em fase de
decaimento (Dx/Dy). Com isto, ciclones foram considerados sinópticos (grandes)
quando seu tamanho foi maior que 10º de latitude, o que corresponde a
aproximadamente 1.000km. O estado de maturação foi quem definiu o tamanho dos
sistemas, dentro desta estimativa aproximada. Os ciclones identificados abaixo desta

39
medida foram considerados mesos (HOLTON, 1979). É importante lembrar que os
mesociclones só foram catalogados sob rígidas regras:

1 – Pelo menos duas fases evolutivas foram avistadas nas imagens em seis horas; e
2 – Uma das fases evolutivas, obrigatoriamente foi a fase madura (C), salvo exceções
em que se observou nitidamente a existência de mesociclone (mas não de miniciclone).

Também é necessário relatar que a área de controle recebeu ciclones nas mais
diversas fases evolutivas ao mesmo tempo. Portanto, foram divididos cinco casos
possíveis de catalogação:

1 – Ciclones com ciclo completo dentro da área de interesse;


2 – Ciclones que nasceram na área de interesse, mas a abandonaram;
3 – Ciclones que vieram para decair na área de interesse;
4 – Ciclones que passaram totalmente pela área, ou apenas em parte dela, em alguma
fase evolutiva de desenvolvimento ou decaimento;
5 – Ciclones que não se desenvolveram.

Desta maneira, o catálogo climatológico desenvolvido tem o número do sistema,


sua fase evolutiva na hora UTC, a posição geográfica em relação à Ferraz, sua atuação
na área de controle e o seu tamanho. Um exemplo deste catálogo é exibido na Tabela
6.2.1.1 ao final deste capítulo. Todo o catálogo se encontra em forma digital, como
tabelas de planilhas de banco de dados, no disco DVD-RAM que acompanha este
documento. No processo de desenvolvimento, uma vez que um caso era catalogado,
voltava-se à varredura das imagens novamente. Tal procedimento foi feito por centenas
de vezes através de software que permitia a visualização das imagens em forma de
carrossel controlado, ou seja, cada imagem poderia ser verificada para avaliação de um
sistema, bem como as suas imagens anteriores ou posteriores. O fluxograma básico
deste procedimento é mostrado na Figura 6.2.1.4. Um exemplo simples da formação do
catálogo climatológico, descrito na Tabela 6.2.1.1, é exibido na Figura 6.2.1.5.

É importante lembrar que pesquisas de rastreio de situações meteorológicas e


oceanográficas, como determinou a MET-1, são objeto de estudo da Geografia. No
próprio departamento verificamos casos bem sucedidos, como por exemplo o trabalho

40
de Conti (1975) que avaliou diversos dados de estações da região do Vale do Paraíba,
Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, correlacionando os sistemas frontais de escala
sinóptica com a intensidade e localidade das chuvas. A pesquisa visou determinar
efeitos orográficos na gênese da chuva, algo que poderá ser interessante na
determinação da influência dos Antartandes na ação dos ciclones extratropicais. Tais
trabalhos de análise rítmica de pluviosidade também foram realizados intensamente por
Monteiro (1973) na realização do Atlas Climatológico e Gallo (1988) no que tange à
Oceanografia, com determinação da ação das correntes na costa Leste da América do
Sul, principalmente a brasileira, através de lançamento de cilindros flutuantes
identificados, chamados de Corpos de Deriva.

Outro fato a relatar foi a dificuldade em se classificar e posicionar sistemas


ciclônicos quando uma imagem estava ausente. Quando possível, a imagem era
substituída por outra que estivesse disponível em algum outro canal (visível, ou vapor
d’água, por exemplo). Quando isto não era possível, aplicava-se a técnica de
interpolação. Com isto, a fase evolutiva e o posicionamento intermediário foram
inferidos, baseados na última posição existente e na próxima posição observada. Alguns
poucos casos extremados surgiram e foram inferidos desta maneira, ou seja, é possível
que dentro de um intervalo grande de perda de imagens, alguns mesociclones tenham
escapado da catalogação, mas, ressalta-se, que estes foram casos raros que não
interferiram na estatística do trabalho. Se observarmos que mais de 2.000 ciclones
foram classificados, um erro de 2,5% representariam 50 ciclones perdidos de
classificação, o que certamente não aconteceu, devido ao pequeno número seqüencial de
imagens ausentes e o tempo de vida dos sistemas.

Ainda sobre a discussão da MET-1, haveria uma hipótese que poderia ser feita
nesta pesquisa e digna de ser firmada: será que um sistema conseguiria entrar na área de
controle pelo setor Oeste, percorrer todo o trajeto, sair pelo setor Leste, dar a volta na
Antártida, seguir pela “Trilha das Depressões” e surgir novamente na área de controle
por Oeste, recebendo uma nova catalogação? Para responder a esta pergunta, um teste
de validade foi executado com uma montagem de imagens de satélite que cobrem três
quartos do planisfério. Este mosaico utiliza imagens dos satélites GOES e METEOSAT
(Fig.6.2.1.6) e permitiu que se verificasse esta situação. Durante um período de
avaliação de dois meses, nenhum caso foi registrado que tornasse a afirmação

41
verdadeira. Observou-se os casos de grandes ciclones que praticamente ocuparam quase
toda a área de controle e, mesmo estes, não foram possíveis candidatos à
circunavegação antártica. Estes sistemas conseguiram, no máximo, perpetuar sua
baroclinia para além dos mares sul-africanos, sobre a Corrente Circumpolar Antártica e
serem fomento para a geração de outros sistemas. Mesmo estes novos sistemas não se
aproximaram sequer da área de controle por Oeste, permanecendo ao Sul da Austrália
(Fig.6.2.1.7). Outro mosaico de imagens de satélites de órbita polar (Fig.6.2.1.8)
exemplifica bem o cinturão ciclônico da “Trilha das Depressões”. Um maior cuidado foi
tomado para caso um sistema passasse por um dos cantos limítrofes da área de controle,
saísse e reentrasse. Isto poderia gerar a falsa impressão de que um sistema abandonou a
área e outro sistema chegou para decair, por exemplo. Apenas um caso foi identificado e
devidamente registrado para não ser duplamente contabilizado.

Ao se terminar a MET-1, as características gerais dos ciclones foram


categorizadas. Divisões esquemáticas, representadas em gráficos, foram realizadas para
se avaliar estas distribuições dos ciclones por diversos pontos de vista. Isto permitiu o
cálculo dos valores estatísticos que exprimiram o comportamento climatológico, de
tamanho e trajetórias, dos sistemas ciclônicos durante os verões e invernos, da região
em estudo. Além disto, alguns resultados e imagens de casos, serviram para as análises
e descrições executadas na MET-3.

6.2.2 Metodologia de Análise de Dados Meteorológicos – MET-2:

A MET-2 visou analisar os dados referentes à EACF. As informações de


superfície serviram como referência para o quadro sinóptico geral, próximo ao estreito
de Drake. Inicialmente, foram depurados os erros de registro dos dados brutos, obtidos
do Projeto de Meteorologia, direto da AWS, para que não fossem utilizados dados
errôneos nas estatísticas.

Antes de se prosseguir na descrição da MET-2, faz-se necessário desenvolver


algum conteúdo que relate os processos de aquisição de dados, sua confiabilidade e as
garantias de que as variáveis atmosféricas, medidas em superfície, são representativas
de uma realidade antártica.

42
A AWS de Ferraz se encontra em um sítio com cerca de 18,3 metros de altitude,
ao lado da Torre dos Ingleses (denominação da torre metálica que comporta os
instrumentos meteorológicos de vento, em alusão à antiga Estação G britânica). Os
instrumentos de medida ficam protegidos das intempéries diretas por abrigo
meteorológico característico. O sítio é composto por terreno rochoso, de origem
vulcânica (como todo o arquipélago das Shetlands do Sul). Durante o inverno e o início
do mês de dezembro, no verão, o sítio permanece com cobertura de neve que, com o
passar dos dias, endurece em uma das formas de cristal de gelo (Figs.6.2.2.1A e B).

Além dos anemômetros e anemoscópios, um pluviômetro permanece exposto. O


dispositivo é do tipo Báscula (pequena gangorra coletora que, ao se mover, gera pulsos
de informação). Para evitar seu congelamento existem, na sua base interna, três
pequenas lâmpadas de 15 watts de potência. Estas, têm a finalidade de manter sua
superfície aquecida e desobstruída de cristais de neve/gelo. Desta maneira, a informação
de pluviosidade pode estar acrescida de valores, devido às eventuais nevascas que
tenham sido capturadas pelo pluviômetro e fundidas pelo calor interno do instrumento.

Quanto à acurácia e a confiabilidade dos dados, é importante relatar que os


instrumentos meteorológicos utilizados seguem normais internacionais de calibração e
pertencem às melhores marcas comercializadas no mercado, com ampla difusão. Além
disto, em todos os verões, a equipe de manutenção do Projeto de Meteorologia faz as
devidas calibrações e checagens recomendadas. Outro procedimento comum é a troca
de muitos instrumentos medidores a cada intervalo de dois anos. Durante esse período
de bancada, os instrumentos sofrem novas calibrações mais específicas, ou são
simplesmente descartados quando sua vida útil se encerrou. É possível que mínimas
flutuações ocorram, quando se executa a troca de um instrumento por outro similar.
Essa flutuação é mais visível quando tratamos dos dados referentes à umidade relativa
do ar. Em se tratando de instrumentos automáticos, um medidor de temperatura do
ponto de orvalho, além de muito custoso, necessita condições especiais de uso, proteção
e funcionamento. Por este motivo, utiliza-se sempre medidores de umidade relativa, os
higrômetros, e através de processamento de cálculo, auxiliado pelos valores de
temperatura do ar e de pressão atmosférica (e suas parciais de ar seco e saturado),
obtêm-se o valor de temperatura do ponto de orvalho. Um exemplo de um formulário de
equações para a obtenção da temperatura do ponto de orvalho, normatizado pela OMM

43
e utilizado, por exemplo, na Estação Meteorológica do IAG – Água Funda, que no ano
de 2007 fez 75 anos de funcionamento, segue abaixo.

x
Onde: P é a pressão atmosférica do local (medido) em milibares [mb] ou hectopascais
[hPa]. Uma vez executado o cálculo, obtêm-se o valor da Função f(P). Este valor será
utilizado na equação y para a obtenção da pressão parcial de vapor. O processo é
exponencial/logarítmico, porque representa o comportamento da função Pressão
Atmosférica:

y
Onde: T é a temperatura do ar (medido) [ºC]. Obtida a pressão parcial do vapor d’água,
aplica-se a equação z que, através de uma fórmula de regra de três simples e,
utilizando-se o valor da umidade relativa medida, obtêm-se a pressão parcial do ar seco:

z
Onde: UR é a umidade relativa (medido) [%]. Uma vez estabelecido os valores parciais,
aplica-se a equação { para resultar a temperatura do ponto de orvalho To:

Onde: e’ representa a pressão parcial do ar seco, f(P) é a função pressão e ln é o


logaritmo neperiano das operações internas aos parênteses.

44
No caso destas equações, a temperatura do termômetro de bulbo úmido não foi
utilizada. Praticamente todas foram rescritas e adaptadas matematicamente, pelo autor,
para o propósito desta pesquisa.

É importante relatar que podem ocorrer, na substituição de um instrumento


medidor de umidade relativa, ligeiras flutuações na condição de 100% (máximo do
instrumento) ou ponto de saturação. Alguns instrumentos podem ter dificuldade em
alcançar esse valor e registram seu teto operacional em 98 ou 99%. Para sanar o
problema, pode-se aplicar a técnica de “esticamento” dos valores deste instrumento. Tal
técnica, também conhecida como escalonagem, reposiciona o máximo medido do
instrumento de 98% para 100%. Este processo não foi realizado nos dados deste
trabalho, pois se achou melhor manter a informação registrada oficialmente dos bancos
de dados antárticos. Contudo, o procedimento é muito simples de ser aplicado, partindo
de um processo de cálculo de regra de três. Nas comparações entre períodos, tal fato foi
levado em conta e se estabeleceu limites que fossem compatíveis entre os dados, por
exemplo, na determinação de estados de quase saturamento do ar. O procedimento não
comprometeu a qualidade do resultado, tendo em vista que a região próxima à costa,
onde se situa a AWS, possui alto índice de umidade relativa constantemente, embora
baixos valores de umidade absoluta, devido às temperaturas.

Quanto à obtenção das informações, a mesma é realizada por questionamento


eletrônico de segundo em segundo, portanto, há exibição em tempo real destas
informações, bem como a média dos parâmetros de minuto em minuto, ou em médias de
intervalos de 10 minutos. Nas horas cheias, temos o registro oficial dos dados. Neste
instante, o valor designado de cada parâmetro meteorológico, segundo norma da
Organização Meteorológica Mundial – OMM, é escrito em um arquivo de dados
mensal, composto por todos os valores diários, de hora em hora Zulu.

Um arquivo de dados meteorológicos de Ferraz, logo no início de um


determinado mês, recebe um cabeçalho que define as variáveis a serem registradas. Em
seguida, cada hora é gravada em forma de um “cordão de caracteres”, ou simplesmente
string (forma de descrever, em linguagem de Processamento de Dados, uma linha de
registros múltiplos, referentes à um indivíduo que neste caso, é uma hora cheia Zulu).
Os dados de cada parâmetro meteorológico são alocados em tamanhos definidos

45
anteriormente, portanto, aparentam estar em uma tabela, cujas linhas divisórias não
existem. São apenas linha de texto contínuo, com o caracter de controle <ENTER>
(código 13 do American Standard Code for Information Interchange – ASCII) inserido,
ao final da hora cheia, para executar a quebra de linha. O arquivo é fechado após o
registro e reaberto na próxima hora no modo APPEND, ou seja, modo de “acréscimo de
informação”. Uma vez registrados os dados in situ de todo o mês, o arquivo é encerrado.
Estas são as informações que compõem um arquivo com extensão .DAT (ponto DAT,
em alusão ao inglês data, ou dados). Com este formato, a informação não tem como ser
utilizada. É preciso manipular os dados em forma de texto, para que as informações se
tornem úteis para processamento matemático. Para isto, abriu-se o arquivo de dados do
mês e se removeu os espaços em branco entre as informações, concatenando todos os
dados, separando-os por “ponto-e-vírgulas” ou por apenas “vírgulas”. A posição segue
rigorosamente a ordem, anteriormente pré-estabelecida, de o que cada valor registrado
representa. O mesmo foi aplicado ao cabeçalho do arquivo, onde estão os nomes das
futuras colunas de dados de parâmetros meteorológicos. Após este processo, foi gerado
um arquivo com extensão .CSV (ponto CSV, em alusão à Comma Separating Values,
ou Vírgulas Separando Valores). A partir deste ponto, um novo processamento para
formatação foi executado. Para tanto, fez-se necessário o uso de algum software
utilitário de planilhas eletrônicas como o exemplo do Excel® ou Open Office®. Neste
processo, removeu-se os separadores dos dados de cada cordão de caracteres (os
“ponto-e-vírgulas” descritos acima) e, um a um, os valores foram alocados para uma
célula da planilha. Neste momento, extinguiu-se os cordões de caracteres e se criaram as
células de dados. O procedimento foi realizado automaticamente pelo software, restando
ao usuário, apenas a certificação de que nenhuma informação foi alocada, erroneamente,
nas colunas. Para finalizar, como os dados numéricos decimais seguem o padrão
estadunidense de registro, foi preciso substituir os valores decimais, registrados pelo
caracter “ponto decimal”, pelo caracter “vírgula”. Desta maneira, os softwares de
planilhas eletrônicas, em versão nacional, reconheceram os valores decimais. O
procedimento foi simplificado quando se utilizou a seqüência de comando “Editar  
Substituir”. Deve-se escolher para o campo “Localizar”, o caracter “ponto” e para o
campo “Substituir por”, o caracter “vírgula”. Após este procedimento, gerou-se o
arquivo .XLS (ponto XLS, relativo ao formato Excel®) que já possui os dados prontos
para processo matemático.

46
Ao término de todas as manipulações de texto para a conversão matemática,
iniciou-se a busca pelos erros de registros e valores incoerentes. Neste procedimento,
corrigiu-se informações de velocidade de ventos abaixo de zero (com valores de um
décimo negativo, resultantes da discriminação de valores em bytes, quando ocorre a
interpolação de velocidades, algo comum de ocorrer quando uma estação AWS
interroga um instrumento). Para os casos de registros com valores exorbitantes,
recorreu-se aos dados manuais feitos em Ferraz ou se verificou se houve alguma
incompatibilidade no processo de conversão do arquivo de dados original (.DAT) para o
arquivo de cordão de caracteres (.CVS).

Finda a verificação visual, os procedimentos analíticos matemáticos foram


aplicados. Estes, constaram de reduções dos dados, de hora em hora, para valores
médios, máximos, mínimos, totais e predominantes do dia, conforme o parâmetro
meteorológico em estudo. Este processo, realizado pelo software de planilha eletrônica,
gerou sínteses de dados, permitindo comparações posteriores, descritas mais abaixo. É
importante ressaltar que outros procedimentos foram adotados para as padronizações.
As informações brutas, as vezes, não estavam sempre na mesma posição de registro.
Dependendo do ano, os dados poderiam estar em colunas diferentes ou com formatação
de registro fora de padrão (direção do vento em graus de azimute, em um ano e em
cardeal/colateral em outro, por exemplo). Isto dificultou o trabalho de depuração, pois
exigiu tempo extra para correções. Só após estes ajustes, foi que se procedeu à aplicação
dos algoritmos de processamento (Fig.6.2.2.2).

Uma breve explanação se faz necessária para descrever algumas técnicas


adotadas para certos parâmetros meteorológicos, como é o caso das definições de vento,
rajadas e predominância dos quadrantes, bem como o regime de calmarias.

Para a pressão atmosférica em superfície, adotou-se o cálculo da pressão média


diária e a determinação das pressões máxima e mínima, ocorridas durante as 24 horas,
para cada dia do mês. No caso da temperatura do ar e da umidade relativa, adotou-se os
valores máximo e mínimo, ocorridos em cada dia. Foi realizado também o registro de
precipitação acumulada, no período de 24 horas, para cada dia do mês. Contudo, o
parâmetro meteorológico mais trabalhado foi o vento, pois este é considerado uma

47
variável vetorial (possui um valor escalar – simplesmente quantitativo, e um valor
direcional, com azimute, que o caracteriza como vetor).

Os estudos de vento englobaram a determinação do vento médio, vento mínimo,


rajada máxima do dia, direção predominante e quantidade de horas e dias calmos.
Elaborando uma descrição sumária de cada um deles, o vento médio diário foi calculado
com base nos valores de vento médio de cada hora, das 24 horas. O vento mínimo foi
determinado como o menor registro de vento do dia. A rajada de vento, na estação AWS
de Ferraz, é descrita como a maior velocidade de vento registrado em poucos segundos,
como pulsos velozes de vento acima do vento médio, dentro de uma hora. Este é o
padrão adotado pela OMM. O padrão seguido pela Organização de Aviação Civil
Internacional – OACI, também determina que a rajada de vento seja aquela em que a
velocidade do vento exceda em 10 nós [kt] (18,52km.h-1 ou 5,14m.s-1) a velocidade do
vento médio do momento, por tempo não superior à um minuto (Fig.6.2.2.3). No caso
deste trabalho, a rajada máxima do dia foi a maior rajada registrada, pelo padrão OACI,
dentro do período de 24 horas.

O sentido do vento, ou seja, seu quadrante cardeal/colateral, foi determinado


pelo valor estatístico conhecido como moda. Este parâmetro indicou a ocorrência que se
destacou na distribuição dos dados que, neste caso, determinaram a predominância do
sentido registrado, de hora em hora, durante as 24 horas do dia. Para empregar o uso da
moda, no software de planilha eletrônica, foi necessário realizar uma conversão
numérica entre os pontos cardeais/colaterais de sentido do vento. Desta maneira, Norte
se tornou um; Nordeste, dois; Leste, três e assim por diante, em rotação horária.

Finalizando, as ocorrências de calmarias tiveram que ser estudadas com mais


propriedade. Uma hora calma foi considerada aquela em que o vento médio, na hora
cheia, registrou velocidades iguais ou inferiores à 0,3m.s-1. Este valor limite é utilizado
pela OMM e pela OACI como indicador de calmaria, mas é importante lembrar que se
pode utilizar o valor 0,5m.s-1 como indicativo deste mínimo também (que não foi
utilizado neste trabalho). Tomou-se o cuidado de inutilizar os valores de sentido do
vento, já que o anemoscópio permaneceu parado, porém, indicando um sentido dentro
da hora de registro. Para estes casos, adotou-se o valor zero como sentido do vento,
sendo este, o indicativo de calmaria que permitiu a aplicação do algoritmo de moda,

48
descrito anteriormente. Um dia calmo, representado neste trabalho, foi aquele em que o
número de horas cheias, registradas com calmaria (ou quadrante zero) superou qualquer
quadrante predominante de vento. Contudo, foi possível ter dias calmos em que a
velocidade média predominante foi maior que 0,3m.s-1. Um exemplo seria um dia com
15 registros de horas de vento zero, mas em cujas outras nove horas, os registros de
vento médio alcançaram apenas 1,5m.s-1 (valor este que pode ser empregado como
indicativo de calmaria, quando for representante do vento médio diário). Neste exemplo,
o vento médio diário seria de aproximadamente 0,6m.s-1. Embora seja considerado um
dia calmo, pela quantidade de horas calmas, ou moda zero de direção, deve-se chamar a
atenção para o fato de que a sua velocidade média diária, alcançou a faixa de ventos de
0,4 a 1,5m.s-1, correspondente a Força 1 pela escala Beaufort1 (viração ou “baba” de
vento). Um dia calmo, em toda a sua plenitude, teve muitas horas de calmaria e
cômputo de vento médio diário, com valor igual ou inferior à 0,3m.s-1. De qualquer
modo, este trabalho registrou como dias calmos, ambas as situações, tanto de calmaria
plena, como predominância de horas calmas, com valores pouco significativos de
velocidade média diária de até 1,5m.s-1.

Após os estudos particulares dos parâmetros meteorológicos, mês a mês, foram


realizados, a seguir, os cálculos das médias destes valores e identificados, máximos e
mínimos, representativos de todos os anos. Destas informações, foram produzidas séries
temporais anuais, através de gráficos analíticos, descritivos mês a mês, com dados do
verão e inverno. Isto permitiu a realização das discussões destas comparações e verificar
particularidades dentro dos meses estudados. Da mesma maneira, foram feitas séries
comparativas interanuais, por estações do ano, que objetivaram identificar, dentro do
período de estudo, o comportamento geral das variáveis meteorológicas. As séries
temporais anuais e interanuais serviram como instrumento da MET-3.

6.2.3 Metodologia de Análises Estatísticas – MET-3:

A MET-3 visou abrir a discussão das associações entre os ciclones e os dados


meteorológicos de superfície, obtidos da AWS de Ferraz. Em alguns casos, a passagem
1
Francis Beaufort (1774-1857) almirante britânico do século XVIII, criou uma escala, em 1806, que
varia da Força 0 a 12. A escala permite estimar as faixas de velocidade do vento, observando o estado do
mar. Posteriormente foram acrescentados os estados de terreno, para uso em batalhas campais e o estado
da costa marítima. Sua vantagem é executar a avaliação da velocidade do vento por uma escala espacial
(área) e não puntual (uma estação, ou ponto de coleta de dados). Isto permite uma melhor avaliação das
reais condições da velocidade do vento.
49
dos sistemas ocorreu exatamente sobre a estação. Isto permitiu executar uma avaliação
destas associações. Para isto, utilizou-se as séries temporais produzidas na MET-2, onde
foram identificados os valores extremos e, a estes, associados, ou não, os respectivos
sistemas ciclônicos atuantes, catalogados anteriormente na MET-1. Pretendeu-se
verificar estas correlações de tamanho de ciclones e sua intensidade, com as variações
em superfície. Como foram cinco anos de dados e dez períodos de análise, realizou-se
estatísticas com os seus resultados que sugeriram possíveis tendências climatológicas.

Neste caso, os valores dos parâmetros meteorológicos utilizados como


indicadores da procura por sistemas atuantes foram: quedas acentuadas do valor da
pressão atmosférica, mínimos de temperatura, velocidade média do vento elevada, bem
como fortes rajadas de ventos, casos de maior valor de precipitação acumulada,
variações da umidade relativa do ar, com máximos, mínimos e amplitudes. Outras
informações pertinentes foram as predominâncias de sentido dos ventos e dias de
calmarias. Todos os dados foram agrupados em categorias e representados em
histogramas estatísticos. As ocorrências acumuladas foram diárias, para cada mês. Para
todos os gráficos, tanto os apresentados na MET-2 quanto na MET-3, procurou-se
manter as escalas, o máximo possível, na mesma faixa observacional de valores. Isto
visou facilitar as comparações entre os períodos da mesma estação sazonal e, quando
possível, para estações diferentes.

Em suma, nestas estatísticas de contagem dos casos ciclônicos atuantes,


determinou-se intervalos usando alguns critérios específicos. Alguns deles foram
criados pela observação direta dos dados da MET-2, de maneira que se separassem as
ocorrências comuns das particulares. Outros, foram adotados por critérios operacionais,
da própria OMM, da OACI ou da MB. Isto visou formar produtos de aplicabilidade
direta, como uma estatística de períodos possíveis de parada de trabalhos externos à
Estação Comandante Ferraz, ou o uso de botes e aeronaves. Com esta visão,
determinou-se as horas úteis de logística e operação nesta área de estudo na Antártida,
seguindo os preceitos que limitam os trabalhos. Tais determinantes são utilizados para
se aumentar a segurança das equipes e atividades.

Além das faixas operacionais e de segurança das variáveis meteorológicas,


utilizou-se a avaliação da sensação térmica. Este parâmetro, calculado indiretamente, foi

50
obtido por uma equação empírica que processa os valores de temperatura do ar e da
velocidade média dos ventos. Os estudos da influência da velocidade do vento,
combinadas com o valor da temperatura, começaram na Antártida na década de 1930,
precisamente na estação Litlle America durante a 2ª Expedição Byrd (1939-1940) com o
cientista americano Paul Siple que, através de recipientes cilíndricos plásticos cheios de
água em temperaturas diversas, expostos às diferentes temperaturas do ar e velocidades
do vento, conseguiu estimar qual era a quantidade de calorias que eram dissipadas pelos
elementos meteorológicos, marcando o tempo em que a água demorava para congelar.
A partir daí, conseguiu-se estabelecer uma equação que relacionava a perda de calorias
do corpo humano, com a pele seca, em relação a estes dois elementos: temperatura do ar
e velocidade do vento. Mais tarde, uma segunda equação matemática foi sugerida por
Falconer (1968) e Dare (1981) que, derivando a equação de Siple (1945)2 encontraram a
relação entre a temperatura ambiente, a velocidade do vento e a temperatura da pele
seca do ser humano. Com estes fatores, determinou-se uma nova temperatura. Esta
temperatura é denominada de "sensação térmica" e tecnicamente chamada de
Temperatura Equivalente de Windchill (Tw). Esta "nova" temperatura representa a
temperatura que um ser humano estaria sentindo, nas condições estipuladas pela
velocidade do vento e temperatura do ar. A equação original de Siple foi rescrita por
Felicio (1997) apenas como ajuste matemático, facilitando os cálculos computacionais.
Denominou-se de Método Clássico, quando a obtenção do valor da sensação térmica
utilizou o cálculo de Siple. Esta equação apresenta a seguinte forma:


Onde: v é a velocidade média, ou instantânea do vento (medido) em metros por segundo
[m.s-1] e T é a temperatura do ar (medido) em graus Celsius [ºC]. O resultado é expresso
em Tw que representa a temperatura equivalente de windchill clássica, em graus Celsius
[ºC]:

A título de comparação, utilizou-se também o método novo de obtenção da

temperatura equivalente de windchill, aplicado pelo Serviços Meteorológicos do Canadá


(Meteorological Services of Canada – MSC). Apresentando um breve histórico, em

2
Siple (1945); Falconer (1968) e Dare (1981) foram referências dadas apenas a título de orientação, pois
o conteúdo específico destes trabalhos visaram sensação e conforto térmico, além de estudos de
Biometeorologia, com ênfase em Antártida, mas que não pertencem diretamente ao escopo desta pesquisa
sobre atividade ciclônica (FELICIO, 1997).
51
agosto de 2001, o MSC elaborou um plano para a implementação e substituição do
método clássico, para a obtenção da sensação térmica, desenvolvida por Siple. O novo
índice, criado no inverno de 2001/2002, reuniu esforços científicos de um grupo
especial, coordenado pelo Escritório do Coordenador Federal para Serviços
Meteorológicos e Apoio à Pesquisa (Office of the Federal Coordinator for
Meteorological Services and Supporting Research – OFCM). A equipe foi constituída
por pessoal técnico do próprio MSC, de membros da comunidade de pesquisa
acadêmica das universidades de Indiana, Purdue, Delaware e Missouri, além de
membros da Sociedade Internacional de Biometeorologia. Este grupo avaliou a
possibilidade da existência de uma nova fórmula, na obtenção da sensação térmica,
aplicando as mudanças necessárias na fórmula antiga.

O processo utilizou os avanços científicos, tecnológicos e de modelagem


computacional, não disponíveis na época de Siple, que providenciaram maior acurácia,
estabilidade e praticidade para a nova fórmula, na determinação de ventos perigosos e
temperaturas congelantes. Em adição ao processo, conduziu-se avaliações clínicas e os
seus resultados foram utilizados para a verificação da acurácia da nova fórmula. O
cenário contextual para a fórmula usou os dados de ventos que sopram na altura média
de 5 pés (1,52m) que é a altura média da face humana. Além disto, utilizou-se um
modelo de face humana e a incorporação da moderna teoria de transferência de calor,
com perda de calor pelo corpo, durante dias com ventos soprando constantemente, tanto
frios, como congelantes. Usou-se também a consistência padrão de resistência da pele
humana, baseada em valores de vento fraco ou calmo e finalmente, o cenário assumido
foi totalmente desprovido de influência de radiação solar, como uma noite de céu claro.
Por reflexo da nova fórmula, os sinais de AVISO e ALERTA de windchill mudaram
para outros valores. A condição de AVISO foi estipulada para valores de windchill
dentro da faixa de –23,3ºC, inclusive, até o valor de –31,7ºC e a condição de ALERTA
para valores iguais ou menores que –31,7ºC.

Em 2002, ajustes pela ação do Sol, ou seja, a incidência de radiação solar para
uma variedade de condições de céu e cobertura de nuvens (ensolarado, parcialmente
ensolarado, esparso, nublado e encoberto) foram adicionadas para o cálculo do modelo.

52
Embora a equação tenha sido desenvolvida para valores de velocidade do vento,
em milhas por hora [mph] e temperatura do ar, em graus Fahrenheit [ºF] cuja
temperatura equivalente de windchill também resulta nesta grandeza, este autor
rescreveu a nova fórmula, nas unidades usuais e padrão, com velocidade do vento em
metros por segundo [m.s-1] e temperatura do ar e de windchill em graus Celsius [ºC].
Desta maneira, familiarizou-se o seu emprego, nesta pesquisa, e se tornou prática para a
utilização nas atividades brasileiras, A equação resultante se apresentou na seguinte
forma:

‘
Onde: v é a velocidade média, ou instantânea do vento (medido) em metros por segundo
[m.s-1] e T é a temperatura do ar (medido) em graus Celsius [ºC]. O resultado é expresso
em Tw que representa a temperatura equivalente de windchill nova, em graus Celsius
[ºC]:

Vale ressaltar que o congelamento do indivíduo pode ocorrer em 15 minutos ou


menos, quando exposto à valores de windchill de –27,7ºC ou abaixo disto.

A MET-3 também discutiu alguns casos encontrados, pelo estudo, destes


extremos meteorológicos. Realizou-se algumas discussões sucintas do panorama
sinóptico geral da área de controle. A explanação dos casos utilizou as imagens de
satélite da MET-1. Adotou-se uma codificação de cores e formatos, baseados nos
padrões da OMM e OACI, aplicados diretamente sobre as imagens de satélite, com a
finalidade de facilitar a visualização. As circunferências vermelhas foram utilizadas
para marcar os ciclones responsáveis pelas situações sinópticas que causaram os
extremos meteorológicos, em alusão aos centros de baixa pressão, observados nas cartas
meteorológicas em geral. As circunferências azuis demarcaram os centros de alta
pressão em superfície. As setas vermelhas e azuis representaram as advecções quente e
fria, respectivamente. O sentido dos ventos ou rajadas, discutidas pelos casos, foram
indicadas por setas amarelas. A indicação de ponto de colo foi realizada por uma estrela
de quatro pontas amarela. Locais de precipitação intensa foram determinados por
quadriláteros azuis (Código Chuva – Rain) e os de provável névoa úmida ou nevoeiro,

53
causados pela determinação de altos valores de umidade relativa, por quadriláteros
verdes (Código Nevoeiro – Mist). A localização de pontos geográficos, ou a citação de
um ciclone qualquer, foram indicados por setas verdes.

A MET-3 também abriu espaço para discussões de particularidades encontradas


no trabalho da MET-1. Estas curiosidades foram casos de ciclones com configurações
diferentes dos formatos tradicionalmente observados, o modo como se apresentaram na
região do estreito de Drake, particularidades geográficas com a península Antártica e
outras observações dignas de relato ao se observar a Natureza própria desta região.

54
Tabela 6.2.1.1: Exemplo da Tabela de Varredura Visual das Imagens de Satélite
Dezembro de 2005
Posição Relativa à EACF

Hora 00:00 03:00 06:00 09:00 12:00 15:00 18:00 21:00


Dia Tipo Pos Tipo Pos Tipo Pos Tipo Pos Tipo Pos Tipo Pos Tipo Pos Tipo Pos
1 C1 NE C1 NE C1 NE C1 NE C1 NE C1 NE C1 NE DY1 NE
C2 E C2 E C2 E >
A3 E >
A4 SE B4 SE C4 SE DY4 SE DY4 SE --
A5 S B5 S C5 S C5 S DY5 S C5 S C5 S
> DY6 W DY6 W
> DX7 S
2 DY1 NE DY1 NE DY1 NE DY1 NE DY1 NE >
C5 S DY5 S DY5 S DY5 S C5 S C5 S DY5 S --
DY6 W DY6 W DY6 W --
DX7 S DX7 S DX7 S DY7 SW DY7 SW DY7 SW DY7 SW DY7 SW
A8 E A8 E B8 E B8 E C8 E DY8 E --
W9 NE W9 NE B9 NE C9 NE C9 NE
A10 SE B10 SE C10 SE C10 SE
A11 S B11 S C11 S DY11 SW --
3 DY7 W DY7 W DY7 W DY7 W DY7 W DY7 NW DY7 NW DY7 NW
C9 NE C9 NE C9 NE >
DY10 SE DY10 SE DY10 SE DY10 SE DY10 SE DY10 E C10 E DY10 E
A12 NW A12 NW B12 N --
A13 NE A13 NE
4 DY7 NW DY7 NW DY7 NW DY7 NW DY7 N DY7 N DY7 N DY7 N
DY10 E DY10 E DY10 E --
A13 NE A13 NE A13 NE --
> C14 W C14 W C14 W C14 W C14 W C14 SW C14 SW C14 SW
A15 NE B15 NE C15 NE C15 NE
A16 N B16 N C16 NE C16 NE
5 DY7 N DY7 N DY7 N DY7 N --
C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW
C15 NE >
DX16 NE DX16 NE DX16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE C16 NE
A17 NE B17 NE >
> C18 NW C18 NW C18 NW C18 NW C18
NW DY18 NW DY18 NW DY18 NW
A19 NE A19
NE A19 NE B19 NE C19 E
A20 SE B20
SE C20 SE DY20 SE DY20 SE
A21 N B21 N
6 C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW
C16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE C16 NE
DY18 NW DY18 NW DY18 NW DY18 NW DY18 NW DY18 NW DY18 NW DY18 NW --
C19 E DY19 E DY19 E C19 E C19 E C19 E DY19 E DY19 E
DY20 SE DY20 SE DY20 SE DY20 SE DY20 SE DY20 SE DY20 E DY20 E --
B21 NE C21 NE DX21 NE DX21 NE --
A22 W B22 W C22 W C22 W DY22 NW C22 NW DY22NW DY22 NW
A23 NW B23 NW B23 NW C23 NW C23 NW C23 NW
A24 NE
7 C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW C14 SW DY14 SW DY14 SW DY14 SW
DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE DY16 NE
DY19 E DY19 E --
DY22 N DY22 N --
DY23 NW DY23 N DY23 N --
B24 NE B24 NE C24 NE C24 E C24 E C24 E C24 E C24 E
W25 NE A25 NE B25 NE B25 NE >
A26 NW B26 NW C26 NW
A27 N A27 N A27 N
Continua...

55
RESULTADOS
7. RESULTADOS

A pesquisa teve três grandes vertentes que seguiram as metodologias descritas


anteriormente. Portanto, os resultados foram divididos, seguindo os procedimentos
adotados em cada metodologia. Desta forma, apresentou-se, primeiramente, toda a
análise do produto gerado pela observação e varredura sistemática das imagens de
satélites e suas diversas classificações, sob a óptica da MET-1. Em segundo lugar, todo
o trabalho com os dados, redução de informações e suas séries temporais foram
apresentados, como determinou a MET-2. Finalmente, houve a fusão de informações de
ambas as metodologias e algumas descrições de fenômenos e casos de interesse, espaço
este, aberto pela MET-3.

7.1 Resultados da Metodologia de Varredura Visual – MET-1:

Uma vez que todas as imagens GOES setorizadas sub-antárticas foram


colecionadas, selecionadas e devidamente classificadas, passou-se para a varredura das
imagens, como determinou a MET-1. O produto desta varredura sistemática que
localizou todas as ocorrências ciclônicas, seguindo as normas de tamanho e maturidade,
dentro da área de controle, gerou o Catálogo Climatológico de Ciclones – CCC.

O CCC foi apresentado em formato de tabelas que contêm os registros das


observações das imagens de satélite. Esta disposição auxiliou a pesquisa no cômputo de
casos diários, casos mensais, estatísticas de rastreio e divisão por categorias e tamanhos.
O catálogo seguiu rigorosamente o modelo exibido anteriormente na Tabela 6.2.1.1.
Essas tabelas foram estruturadas com a seguinte disposição: hora UTC ou Zulu da
imagem de satélite, dia da ocorrência, tipo de maturação do sistema (classificação por
Streten e Troup, 1973) posição do sistema observado, em relação à Estação Antártica
Comandante Ferraz, e o número da ocorrência do caso, dentro do período sazonal de
observação. Além disto, as tabelas forneceram outras informações especiais: os casos de
inexistência de ocorrência de sistemas ciclônicos, na hora da imagem, foram registrados
como “células em branco”; a inexistência da imagem de satélite na hora sinóptica foi
registrada como “zero” na mesma posição relativa a um sistema que seria observado no
dado momento; o sinal “maior que (>)” precedido de um registro de sistema, indicou
que o mesmo entrou na área de controle; o mesmo sinal de “maior que” após o último

57
registro de sistema, indicou que o mesmo abandonou a área de controle; e, finalmente, o
símbolo “menos-menos (--)” indicou que o sistema decaiu por completo ou deixou de
existir. Chama-se a atenção para as casas relativas aos dias de ocorrência de sistemas.
Estas, são livres, podendo receber mais de um ciclone por dia, como de fato ocorre na
Natureza antártica. A adoção destas técnicas, nas tabelas do catálogo, visou facilitar a
criação futura de outros algoritmos computacionais, já que os softwares envolvidos na
sua criação, como o Excel®, permitem programação em Visual BASIC® em suas bases,
ou adoção de funções próprias.

Como dito anteriormente, para se fazer distinção entre os diversos ciclones


observados, adotou-se uma numeração exclusiva, que chamamos de número da
ocorrência. Este número sempre se iniciou no valor um (1) no dia 1º de dezembro de
cada período de verão e, no mesmo valor, no dia 1º de junho de cada inverno, seguindo
a cronologia das ocorrências até o final do período estudado. Ele foi precedido por uma
letra que representou o estágio evolutivo do sistema (seja A/W, B etc.). Desta maneira,
pôde-se mapear todo o desenvolvimento de qualquer ciclone localizado, através de um
ou mais dias. Adicionar a sua posição relativa, cardeal ou colateral, em relação à estação
Ferraz, tornou os ciclones, fatores geográficos, possíveis de serem representados em
mapas. Isto permitiu gerar uma estatística do comportamento dos sistemas em relação à
estação brasileira, um dos objetivos do trabalho.

Por sua grande extensão, os registros, em formato digital, foram gravados no


disco DVD-RAM que acompanha este trabalho, mas já adaptados para a impressão em
formato carta, caso algum outro estudo assim o necessite. O CCC reportou os registros
de ciclones ocorridos primeiramente em todos os verões (dezembros, janeiros e
fevereiros) e depois em todos os invernos (junhos, julhos e agostos). A seguinte ordem
foi estabelecida: iniciou-se no verão 2001-2002, seguindo para o verão 2002-2003 e
assim por diante. Ao final dos verões, passou-se para os invernos, iniciando-se no
inverno de 2002, seguido do inverno de 2003, até terminar no inverno de 2006. Desta
maneira, mantendo a ordem numérica das tabelas apresentadas neste texto, montou-se
um índice remissivo do CCC e suas respectivas numerações tabulares (de 7.1.1A até a
7.1.10C) descritos na Tabela 7.1.11.

58
Tabela 7.1.11: Índice Remissivo do Catálogo Climatológico de Ciclones 2001-2006.

INTERVALO NÚMERO DA TABELA NO CCC


VERÕES
INÍCIO FIM DEZ JAN FEV
2001-2002 Dez/2001 Fev/2002 Tab. 7.1.1A Tab. 7.1.1B Tab.7.1.1C
2002-2003 Dez/2002 Fev/2003 Tab. 7.1.2A Tab. 7.1.2B Tab.7.1.2C
2003-2004 Dez/2003 Fev/2004 Tab. 7.1.3A Tab. 7.1.3B Tab.7.1.3C
2004-2005 Dez/2004 Fev/2005 Tab. 7.1.4A Tab. 7.1.4B Tab.7.1.4C
2005-2006 Dez/2005 Fev/2006 Tab. 7.1.5A Tab. 7.1.5B Tab.7.1.5C

INTERVALO NÚMERO DA TABELA NO CCC


INVERNOS
INÍCIO FIM JUN JUL AGO
2002 Jun/2002 Ago/2002 Tab. 7.1.6A Tab. 7.1.6B Tab.7.1.6C
2003 Jun/2003 Ago/2003 Tab. 7.1.7A Tab. 7.1.7B Tab.7.1.7C
2004 Jun/2004 Ago/2004 Tab. 7.1.8A Tab. 7.1.8B Tab.7.1.8C
2005 Jun/2005 Ago/2005 Tab. 7.1.9A Tab. 7.1.9B Tab.7.1.9C
2006 Jun/2006 Ago/2006 Tab. 7.1.10A Tab. 7.1.10B Tab.7.1.10C

Durante a varredura, busca e catalogação dos sistemas ciclônicos pelas imagens


de satélite, adotou-se os critérios de divisão de classes, explanados na metodologia da
MET-1: ciclones que tiveram seu período evolutivo total dentro da área de interesse;
ciclones que nasceram e/ou tiveram uma fase de seu desenvolvimento dentro da área de
interesse; ciclones que entraram na área e decaíram, seja em que fase evolutiva fosse,
menos a inicial, até a sua extinção; ciclones que passaram totalmente pela área em
qualquer fase evolutiva ou de decaimento; e finalmente os ciclones que não se
desenvolveram. Desta maneira, conseguiu-se cobrir todas as possibilidades de
existência dos sistemas em estudo, não deixando de caracterizar nenhuma situação. Em
linhas gerais, pode-se fazer alguns comentários preliminares destas categorias antes da
abordagem analítica mais aprofundada.

Dentro da categoria dos ciclones que tiveram seu ciclo completo dentro da área
de interesse, entendeu-se que os mesmos deveriam ter a fase inicial, A ou W e a sua fase
de decaimento, seja Dx ou Dy totalmente dentro da região coberta pelo estudo. Foi uma

59
das categorias em que mais se registraram casos, em todos os períodos estudados,
destacando-se muito mais no inverno.

Na categoria compreendida pelos ciclones que nasceram na área de interesse,


mas que a abandonaram, para posterior desenvolvimento fora da região, estão todos os
casos em que se detectou a fase A ou W somente, as fases A ou W seguidas por B, e as
fases A ou W seguidas por B e amadurecidas por C. Nesta divisão, não poderiam ser
computados casos de decaimento Dx ou Dy. Esta categoria teve uma atuação bem
menos expressiva, em ambos os períodos do estudo. Normalmente permaneceu com o
terceiro lugar das categorias mais atuantes.

A categoria de ciclones que vieram para dissipar na área, ou seja, tiveram sua
fase de decaimento totalmente dentro da região do estudo, compreendeu os casos em
que os ciclones entraram na área já nas fases de decaimento Dx ou Dy somente.
Também estão incluídos os casos dos ciclones que entraram na fase de amadurecimento
C, seguidas de decaimento por Dx ou Dy, e finalmente, os casos de ciclones de fase B,
seguidas de amadurecimento da fase C e decaídas em fases Dx ou Dy, ou seja, a fase A
inicial, não poderia fazer parte do cômputo desta divisão. Foi uma categoria que
chamou a atenção por se destacar em segundo lugar nas categorias em estudo. Este
destaque foi bem mais acentuado quando se tratou de ciclones grandes.

A categoria dos ciclones que passaram, ou totalmente, ou em parte pela área de


interesse em alguma fase evolutiva, seja de desenvolvimento ou decaimento, foi a mais
complexa do ponto de vista analítico. Esta foi a divisão em que menos casos foram
registrados, pois para se obter um cômputo nesta categoria, o ciclone tinha que passar
por uma série de condições, que resumidamente, não incluíam os ciclones que nasceram
e também decaíram fora da área de estudo. O pequeno número de casos mostrou que os
sistemas ou se desenvolvem, ou se dissipam na região, mas poucos passam incólumes
por toda a área. Poucos também foram os casos em que os ciclones desenvolveram uma
rota de afastamento em alguma fase evolutiva. Para estabelecer um cômputo nesta
divisão, foram considerados todos os casos em que os sistemas entraram e saíram da
área, ou nas fases A ou W, ou na fase B, ou na fase C, ou nas fases Dx ou Dy somente.
Os casos em que os ciclones já entraram nas fases A ou W na área de interesse e saíram,
ou na fase B, ou fase C ou fases Dx ou Dy também participaram desta divisão. Os

60
sucessivos casos semelhantes como ciclones que entraram na área de interesse na fase B
e a abandonaram na fase C ou nas fases Dx e Dy e os casos em que os sistemas
entraram na área na fase C e a abandonaram nas fases Dx ou Dy também foram
computados nesta divisão. Como este trabalho envolveu uma ampla área de observação,
desde a região da península Antártica e áreas adjacentes, seriam virtualmente
impossíveis cômputos de pequenos ciclones nesta divisão. Mesmo para os mesos e
sinópticos, a contagem foi escassa de casos que podiam satisfazer as condições desta
divisão. Contudo, a presença desta categoria se fez necessária para não permitir
omissões de casos.

Finalmente, a última divisão compreendeu os ciclones que não se


desenvolveram, ou seja, passaram somente pelas fases A ou W, ou casos em que os
sistemas iniciaram as fases A ou W, seguidas por uma breve fase B. Em ambas as
situações, notou-se que, ou os sistemas menores se dissipavam ou eram absorvidos por
outros sistemas maiores. Esta categoria computou poucos casos, porém a quase
totalidade foi composta de sistemas menores. Estes, são mais suscetíveis a
desaparecerem por falta de baroclinia ou por simplesmente serem absorvidos pelos
sistemas maiores. Neste efeito, grandes ciclones, com mais velocidade de deslocamento,
engolfaram sistemas menores. Um resumo das categorias é mostrado na Tabela 7.1.12.

Tabela 7.1.12: Critérios Adotados para a Divisão dos Ciclones Ocorridos Dentro da Área
de Interesse.
CONDIÇÕES POR FASE
DIVISÃO
Entra Nasce Decai Sai
Ciclones com ciclo completo - A/W Dx/Dy -
A/W A
Ciclones que nasceram na área mas a abandonaram - A/W - B
A/W C
B Dx/Dy
Ciclones que decaíram na área C - Dx/Dy -
Dx/Dy Dx/Dy
A A
A B
A C
A Dx/Dy
B B
Ciclones que atravessaram a área em alguma fase B - - C
B Dx/Dy
C C
C Dx/Dy
Dx/Dy Dx/Dy
A/W A*
Ciclones que não se desenvolveram A/W B*
(* fase de desaparecimento ou absorção)

61
Além das classes descritas, os sistemas foram divididos por tamanhos, sendo
esta contabilidade repartida em grandes e pequenos. A análise também foi realizada por
sazonalidade que incluiu os cinco verões e invernos e os meses pertencentes a eles.
Desta maneira, o trabalho analítico, após encerrada a varredura das imagens e
catalogação dos ciclones, pormenorizou todos os detalhes possíveis de conexões de
dados. A seguir, as informações destas divisões foram relacionadas. O cruzamento dos
dados seguiu um padrão lógico em forma de triângulo (Fig.7.1.1). Isto permitiu formar
as sínteses de dados que auxiliaram nos estudos e descrições de todos os processos
verificados.

Contudo, antes destes refinamentos da MET-1, explorou-se mais as informações


do CCC. O catálogo, por si próprio, forneceu o número de ocorrências ciclônicas em
cada período estudado e permitiu quantificar a atividade ciclônica diária. Com estas
informações, realizou-se algumas estatísticas simples, aqui denominadas de Pulsos
Ciclônicos – simbolizando o número de sistemas que atuavam em um mesmo dia de
observação, dentro da área de controle. Isto tornou o CCC um dos principais produtos
desta pesquisa, porém, ele informa apenas implicitamente quais as classes atuantes e
quantos sistemas, em geral, estiveram ativos mensalmente. Além desta dificuldade, não
houve a descrição de qual ciclone foi qualificado como grande ou pequeno, pois o CCC
visou representar apenas as localizações dos sistemas e suas fases evolutivas.

No primeiro estudo estatístico do CCC, estabeleceu-se a atividade ciclônica


diária, aqui definido como os Pulsos Ciclônicos. Este procedimento computou todas as
ocorrências de ciclones grafadas em cada dia do CCC. Houve uma pequena falha de
registro por ausência completa de imagens. Nos cinco verões, com 451 dias, apenas sete
ficaram sem dados, o que resultou em 1,55% de falha. Nos cinco invernos, com 460
dias, a falha foi de 0,65%, pois apenas três dias ficaram sem dados. Infelizmente, para
um registro de ocorrências de fenômenos atmosféricos, esta limitação pode inferir em
ausência de algumas identificações. Se algum mesociclone, de estágios de maturação
muito curta, não tiver deixado rastro em alguma imagem, este acabou não sendo
computado. Pode-se avaliar que a perda de ciclones tenha sido na ordem de cinco ou
seis sistemas. Esta estimativa se baseou na quantidade de sistemas operando antes e
depois da ausência de dados. Contudo, dentro do universo de mais de 2000 sistemas
catalogados, aceitou-se estas ausências, pois representam uma falha inferior a 0,25%.

62
O valor numérico de cada dia se referiu aos ciclones que operaram
simultaneamente na área de controle. Porém, não houve necessariamente, relação entre
os sistemas. Isto significa que valores de dias vizinhos podem ter muita ou pouca
relação entre si. Diversos exemplos deste fato ocorreram durante a pesquisa: um grande
ciclone podia permanecer por três dias dentro da área de controle, enquanto que
mesociclones apenas por algumas horas ou um dia (Fig.7.1.2). Os gráficos gerados com
estas informações foram formatados em linhas com vértices. Não se adotou a forma
ondulada exatamente para se diferenciar este fato. Os Pulsos Ciclônicos tiveram por
objetivo apenas quantificar as ocorrências dos sistemas dentro da área de controle, não
se importando com as suas formas de atuação. Além disto, serviram para relatar os
períodos de maior atividade, médias diárias sazonais (verões e invernos) e mensais.

O resultado deste estudo mostrou que a média de atuação de todos os sistemas,


durante os períodos de verão, foi de 5,1 ciclones por dia. Contudo, em um refinamento
dos valores que geraram este resultado, percebeu-se que houve uma ligeira flutuação
nas médias mensais. Os invernos obtiveram uma média de 6,6 ciclones por dia,
apresentando a mesma flutuação mensal detectada nos verões (Tab.7.1.13).

Tabela 7.1.13: Valores Médios de Ciclones por Dia, Sazonais e Mensais.

VERÕES DEZEMBROS JANEIROS FEVEREIROS

MÉDIA 5,1 4,9 5,4 4,8


(ciclones/dia)
INVERNOS JUNHOS JULHOS AGOSTOS
6,6 6,5 7,1 6,3

Notou-se que a flutuação foi mínima, porém mais intensa no mês intermediário
de cada estação, segundo a climatologia destes cinco anos estudados. Contudo, um dos
aspectos que chamou a atenção foi a diferença entre inverno e verão. Ao se realizar esta
operação, obteve-se 1,5 ciclones por dia a mais para os invernos. Quando se multiplicou
este valor por 90 dias, que é o tempo de uma estação sazonal, obteve-se 135 ciclones a
mais para o inverno. Esta seria a média teórica dentro deste estudo.

63
A atividade ciclônica dos cinco verões estudados mostrou que, em cada ano, o
comportamento foi distinto (Fig.7.1.3). Percebeu-se que nos verões de 2001-2002 e
2003-2004, os pulsos de ciclones estiveram abaixo da média geral de 5,1 ciclones por
dia, enquanto que os verões de 2002-2003 e 2005-2006, a distribuição de sistemas teve
um comportamento superior à este valor. Apenas o verão de 2004-2005 apresentou uma
declinação nos pulsos. Este verão iniciou com leve superioridade à média, mas, em
meados do período, mostrou tendência para baixo desta. Aplicou-se uma linha de
tendência polinomial de sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias
(linha amarela com círculos vermelhos, configuração formalizada para todos os
gráficos). Notou-se que a equação da reta não conseguiu exprimir uma aproximação
razoável, pois sua representação conseguiu um índice muito baixo, de apenas 21,97%.
Pode-se explicar este fato pelo comportamento da atividade ciclônica na área de estudo.
Ele, em geral, é de alta freqüência e por isto, dificultou qualquer aproximação de retas
de tendência. Outras aproximações foram empregadas, com resultados ainda piores.

É importante expressar um pequeno comentário sobre as ferramentas da


Matemática, aplicadas nas tentativas de equacionar funções da Natureza como estas.
Um exemplo teórico qualquer pode ser dado pela função Zeta (Fig.7.1.4) contínua mas
não derivável3 no ponto de coordenadas (5, 5). Esta função não representa nada de
especial, com eixos x e y em valores unitários, não descritos. Utilizou-se três tipos de
aproximação, com uma segunda variação de ordem em um deles. A tendência que mais
errou foi a logarítmica, com 0,01% de precisão, ou seja, não representou a função Zeta.
A tendência linear ficou com 8,42% de representatividade, marca esta, muito baixa. Ao
se utilizar os ajustes polinomiais, a configuração melhorou muito. O polinômio de
segunda ordem conseguiu representar a função Zeta em 92,59%. Aumentando-se o grau
do polinômio, neste caso, para a sexta ordem, o ajuste atingiu a melhor marca, com
99,02%. Concluindo, a hipotética função Zeta, com uma configuração de “pico”
apresentou melhor precisão na sua tendência, pela função polinomial de sexta ordem,
pois esta, conseguiu se aproximar mais da realidade. O ponto de singularidade (5, 5) foi
melhor representado. Um outro exemplo genérico que demonstra estas operações é a
fictícia função Ômicron (Fig.7.1.5). Por ser uma função que não possui muitas variações

3
Derivabilidade de um ponto, em uma função, pode ser entendido, em linhas gerais, como o local da
função onde se pode aplicar uma operação de variação delta, onde:
∆ = (número final do intervalo) – (número inicial do intervalo)
mas que o intervalo desta operação seja tão pequeno que, no limite desta proximidade, ele atinja um valor
zero.

64
na sua reta ascensional, a tendência logarítmica se aproximou, com 88,24% de precisão.
A tendência linear (ou polinomial de primeira ordem) alcançou 99,58%, e as
polinomiais de segunda e sexta ordens atingiram 99,61 e 99,68% respectivamente.

Continuando com o estudo da atividade ciclônica dos verões, realizou-se a


análise mensal de todo o período. Observou-se os meses de dezembro (Fig.7.1.6) que
obtiveram uma média ligeiramente menor (4,9 ciclones por dia) que a média geral dos
verões (5,1). O comportamento seguiu o descrito para o verão inteiro, com menor
atuação que a média em 2001-2002 e 2003-2004 e maior atuação em 2002-2003 e
2005-2006. O verão 2004-2005, que apresentou uma tendência decrescente em todo o
período, em dezembro, atuou com maior atividade no início do mês, mas em meados
dele até o término, aproximou-se da média.

Ao se verificar os meses de janeiro (Fig.7.1.7) com média um pouco maior de


ciclones ao dia (5,4) em relação à todos os verões, percebeu-se que o mesmo
comportamento de dezembro se repetiu, com baixas em 2001-2002 e 2003-2004 e altas
em 2002-2003 e 2005-2006. Contudo, nestes dois verões, as altas foram significativas.
Mais da metade do mês de janeiro, do período 2002-2003, apresentou oito ciclones ou
mais atuantes por dia. Janeiro do período 2005-2006 registrou 11 dias com esta mesma
marca, sendo que o restante, na quase totalidade dos dias, esteve acima da média dos
verões e do mês. O dia 8 de janeiro de 2003 registrou o recorde dos cinco verões
estudados: 12 ciclones em atividade. Nos registros de baixa atuação, janeiro do período
2001-2002 registrou ocorrências abaixo da média ou pouco próxima a ela, como era
esperado, contudo, 2003-2004 passou um terço do mês com menos de dois ciclones por
dia e no restante dos dias, a atuação também permaneceu muito aquém das médias do
mês e dos verões. Apenas em um dia houve registro de sete ciclones. O mês de janeiro
do período anômalo de 2004-2005 permaneceu oscilando entre a média, terminando em
tendência abaixo desta. Este mês demonstrou a sua fase de transição, de alta para baixa
atuação ciclônica, verificado anteriormente no estudo dos verões completos.

Os meses de fevereiro (Fig.7.1.8) apresentaram uma média inferior (4,8 ciclones


por dia) em relação aos verões. Estes meses mantiveram as mesmas tendências de
atividade, com leve declínio no final do verão ativo de 2005-2006. O mês de fevereiro
do período de 2002-2003 continuou se apresentando com alta atividade, registrando 13

65
dias com marcas de oito ou mais ciclones. Fevereiro do período de 2004-2005 indicou o
final da tendência de baixa deste verão. Os verões de baixa atividade de 2001-2002 e
2003-2004 permaneceram desta maneira em fevereiro. Registrou-se apenas um dia de
fevereiro, em 2001-2002, com atividade acima das médias do verão e do mês.

Aparentemente, nesta climatologia de cinco anos, os verões se comportaram


alternando sua atividade, com maior ou menor número de ciclones a cada ano. A
anormalidade de 2004-2005, para esta verificação, pode ser teorizada como um ano em
que a transição, deste possível ciclo, tenha acontecido justamente no meio do verão.

Além do estudo de atividade ciclônica diária, pretendeu-se determinar qual foi a


contribuição, na totalização de cada dia, entre os ciclones grandes e os pequenos. Desta
forma, contabilizou-se para cada mês, em cada período de verão, as somatórias diárias
de ciclones também pelo tamanho. Procurou-se manter a escala idêntica, em todos os
gráficos, para facilitar a comparação entre as informações.

O resultado deste estudo, detalhado por tamanhos, mostrou que a média de


atuação dos sistemas grandes, sempre se apresentou superior aos pequenos, durante
todos os períodos de verão. Foram poucas as ocorrências diárias em que os sistemas
pequenos superaram, dentro da área de controle, o número de ciclones grandes.
Utilizou-se os valores médios processados, para se estimar a taxa relacional entre os
sistemas grandes e pequenos. Estas médias e os valores das taxas estão apresentados na
Tabela 7.1.14.

Tabela 7.1.14: Valores Médios de Ciclones por Dia, Grandes e Pequenos, nos Verões e
seus Respectivos Meses, com a Taxa Relacional entre os Sistemas.

PERÍODO GRANDES PEQUENOS TAXA


VERÕES 3,3 1,7 1,94 : 1
DEZEMBROS 3,3 1,6 2,06 : 1
JANEIROS 3,5 2,0 1,75 : 1
FEVEREIROS 3,2 1,5 2,13 : 1

66
Notou-se que a relação de ocorrências de ciclones grandes ficou maior ou muito
próxima de dois para um (2:1) ou seja, se houvesse uma padronização da atuação dos
sistemas, para cada dia teríamos dois ciclones grandes, operando na área de controle,
com apenas um mesociclone, atuando no mesmo dia.

No refinamento mensal da pesquisa, ao se avaliar os meses de dezembro


(Fig.7.1.9A até E) notou-se a supremacia de atividade de ciclones grandes, com poucas
exceções de dias em que os sistemas menores superaram os maiores, nos já referidos
períodos de baixa atividade de 2001-2002 e 2003-2004. Neste último, a atividade de
grandes ciclones praticamente permaneceu por todo o mês, com diversos dias sem
ocorrências de mesociclones. Nos períodos identificados com alta atividade de
2002-2003 e 2005-2006, o comportamento se apresentou muito próximo nas
ocorrências, com leve destaque para os grandes. O mês de dezembro de 2004-2005, o
verão “anômalo” desta climatologia, apresentou-se em uma configuração diferenciada
dos demais meses de dezembro. Apenas em um de seus dias a atividade de
mesociclones foi maior que a dos grandes sistemas. Todo o mês registrou baixa
atividade de pequenos sistemas, porém, os grandes se mantiveram em alta, onde não
houve, sequer, um dia com menos de dois ciclones sinópticos em atividade na área de
controle.

Os meses de janeiro (Fig.7.1.10A até E) apresentaram-se semelhantes aos de


baixa atividade de dezembro (2001-2002 e 2003-2004) com menor atividade dos
mesociclones. Contudo, os períodos de alta (2002-2003 e 2005-2006) apresentaram uma
escalada crescente de atividade mesociclônica e, em muitos casos, ultrapassaram as
ocorrências dos sistemas maiores. Os dias 24 e 25 de janeiro, do período de 2005-2006,
marcaram o recorde de atividade de mesociclones desta climatologia. Nos dois dias,
nove mesociclones estiveram operando simultaneamente. O único registro de verão com
esta marca foi dado em fevereiro, do período 2002-2003, com nove ciclones sinópticos
dentro da área de controle. Janeiro do período 2004-2005 registrou, mais uma vez, um
comportamento diferente. Os sistemas sinópticos se mantiveram a atuação ao redor de
quatro ciclones por dia, enquanto que os sistemas pequenos, na maior parte do mês, não
registraram dois casos por dia.

67
Finalizando o verão, os meses de fevereiro (Fig.7.1.11A até E) mostraram
tendências um pouco diferentes dos outros meses. Fevereiro do período de 2001-2002
apresentou baixa, como nos outros meses, porém com maior declínio dos sistemas
grandes. O outro período de baixa (2003-2004) manteve o mesmo padrão em fevereiro,
mas com cerca de um terço do mês, sem nenhuma atividade de mesociclones. Durante
estas ausências, os ciclones grandes tiveram ligeiro aumento de ocorrências. Nos
períodos de alta, fevereiro do verão de 2002-2003 apresentou ocorrências acima das
médias, em quase todos os dias, para ambos os tamanhos de ciclones. Como registrado
anteriormente, este mês de fevereiro, em especial, registrou nove ciclones sinópticos no
dia 21. Contudo, o outro período de alta (2005-2006) não demonstrou uma atividade tão
intensa, como todo o período de verão indicou. Houve três grandes exceções, com pico
de atuações, de grandes e pequenos sistemas, em dias distintos.

Uma vez terminada a análise dos verões, aplicou-se o mesmo estudo para os
cinco períodos de inverno. A média geral de todos os invernos foi de 6,6 ciclones por
dia. Sua atividade ciclônica foi superior à registrada nos verões em uma taxa média de
1,29:1. Uma outra observação de interesse foi a oscilação maior da atividade ciclônica,
em geral, durante esta estação (Fig.7.1.12). A atuação dos ciclones teve um rápido
declínio nos primeiros dias de junho, seguidos de uma estabilização próxima da média
diária de atividade. Ao se aproximar de meados de julho, a atividade intensa retornou.
Alguns invernos alcançaram a impressionante marca de 12 ciclones operando, na área
de controle, simultaneamente. O final do período de inverno registrou, em maior ou
menor grau, um declínio geral da atividade ciclônica, para todos os anos analisados. Do
mesmo modo que no estudo dos verões, aplicou-se uma linha de tendência polinomial
de sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias (linha amarela com
círculos vermelhos). Observou-se que a equação da reta também não conseguiu
exprimir uma aproximação razoável, mas esta, foi melhor que a processada nos verões.
O índice, embora baixo, com apenas 35,0% de precisão, devido à alta freqüência dos
sistemas, pôde indicar um fato interessante: o comportamento dos períodos foi
levemente mais parecido, nesta climatologia. Contudo, só um aprofundamento de
estudos de maior período, aliado a outras ferramentas matemáticas, poderão verificar se
isto é um fato cíclico mais permanente. Outras linhas de tendências foram aplicadas,
apenas para efeito comparativo, sendo descartadas por obterem resultados não
aceitáveis.

68
Na avaliação da atividade ciclônica mensal dos invernos, observou-se que os
meses de junho (Fig.7.1.13) obtiveram uma média de 6,5 ciclones por dia, praticamente
a mesma da média geral de 6,6 dos invernos. Todos os meses de junho começaram com
uma declinação da atividade, com oscilações de oito a dez ciclones por dia, até o valor
médio do mês. Houve uma convergência das atividades por volta do dia 12 de todos os
meses, entre cinco a oito ciclones por dia. Contudo, a partir deste dia, junho de 2005
apresentou uma queda abrupta que permaneceu até o final do mês. Junho de 2003
apresentou um pico de atividade no dia 19 e depois, seguiu o comportamento dos
demais meses, levemente abaixo das médias, com algumas poucas exceções.

Os meses de julho representaram o meio do inverno neste estudo. Sua média de


7,1 ciclones por dia foi maior que a média de 6,6 de todos os invernos (Fig.7.1.14).
Percebeu-se que a média diária permaneceu oscilando sobre as médias do mês, com
concentração das atividades entre seis e oito ciclones por dia. As exceções se
compensaram para manter este padrão. Se por um lado o mês de julho de 2002 e 2006
apresentaram algumas altas, julho de 2004 e 2005 mostraram baixa atividade. Chama-se
a atenção para um pico de 11 ocorrências na média diária no dia 20. Não se pôde
afirmar se foi uma coincidência ou não, mas todos os meses de julho apresentaram uma
atividade acentuada entre os dias 19 e 21. Neste intervalo de dias, registrou-se o recorde
de inverno desta climatologia: 15 ciclones estiveram atuando na área de estudo no dia
20 de julho de 2006. Neste mesmo mês, para os outros anos, os valores registrados
foram de 12 ciclones por dia para 2004 e 2005, 11 para 2003 e nove para 2002. O meses
de julho se encerraram com a queda da média diária, após algumas oscilações positivas
de 2002 e 2005 e negativas de 2003 e 2006.

Os meses de agosto (Fig.7.1.15) registraram uma média inferior (6,3 ciclones


por dia) em relação aos invernos (6,6). Estes meses apresentaram uma dispersão no
comportamento das atividades ciclônicas. Agosto de 2002 permaneceu acima da média,
com picos consideráveis de atividade, como o dia 10, onde se registrou 13 ciclones
atuantes. A mesma atividade intensa ocorreu em 2005, com dez dias pouco abaixo das
médias mensais e do inverno. Agosto de 2003, ao contrário, permaneceu sempre abaixo
das médias e registrou apenas três dias de atividade além desta. Agosto de 2004 se
comportou com atividade oscilante, entre quatro a oito ciclones. Finalmente, o ano de
2006 registrou baixa atividade inicial, seguida por forte alta, com 12 ciclones atuantes

69
no dia 10. Em seguida, houve uma tendência de queda e com uma baixa atividade até o
término do mês. O dia 26 registrou a menor atividade ciclônica de todo o inverno,
marca esta, equiparada ao dia 15 de junho de 2005: apenas um ciclone na área de
estudo.

Nesta estudo climatológico, os invernos não tiveram um comportamento de


alternância de atividade entre os anos, como ocorreu com os verões. Além da atividade
ter sido superior aos verões, aparentemente, nos meses de junho, as ocorrências
seguiram uma tendência de declínio até o meio do mês e oscilaram muito pouco até o
seu término, com um comportamento concentrado. O meio do inverno se apresentou
sem marcas de atividade evidentes, salvo o período citado do dia 19 ao 21, onde, em
todos os anos, houve uma intensa atividade, o que causou a tendência de alta no meio do
inverno. Ao se encerrar o período de estudo, os meses de agosto tiveram uma distinção
nas tendências, com 2002 aparentando declinação, 2003 e 2004 com baixa atividade,
2005 declinação, mas com um pico de atividade próximo ao final e 2006, com forte alta,
seguida de tendência de declínio até o término.

Realizou-se a mesma totalização, entre os ciclones grandes e os pequenos, no


período de inverno. Para cada mês, procedeu-se as operações de somatórias diárias de
ciclones pelo tamanho. Também foram mantidas as mesmas escalas adotadas em todos
os gráficos sazonais, auxiliando na comparação dos dados.

O estudo do detalhamento por tamanhos apresentou resultados diferentes dos


encontrados nos meses dos verões. As médias de ocorrências entre os sistemas grandes
e pequenos estiveram mais próximas do que os valores encontrados nos verões. Embora
os valores médios dos sistemas sinópticos tenham sido ligeiramente maiores que os
mesociclones, isto indicou que a atividade foi um pouco mais balanceada quando
abordamos os tamanhos. Somente os meses de junho mantiveram as características de
médias de atividades, entre grandes e pequenos, parecidas com os verões. Foram poucas
as ocorrências diárias em que os sistemas pequenos superaram o número de ciclones
grandes. Calculou-se, como nos verões, os valores médios para se estimar a taxa
relacional entre os sistemas grandes e pequenos. Estas médias e os valores das taxas
estão apresentados na Tabela 7.1.15.

70
Tabela 7.1.15: Valores Médios de Ciclones por Dia, Grandes e Pequenos, nos Invernos
e seus Respectivos Meses, com a Taxa Relacional entre os Sistemas.

PERÍODO GRANDES PEQUENOS TAXA


INVERNOS 3,9 2,6 1,50 : 1
JUNHOS 4,2 2,3 1,82 : 1
JULHOS 4,0 3,1 1,29 : 1
AGOSTOS 3,7 2,6 1,42 : 1

Notou-se que a relação de ocorrências de ciclones grandes quase se equiparou


com a atividade dos pequenos. A relação média de 1,5:1 indicou uma atividade teórica
de três ciclones sinópticos para dois mesociclones, a cada dois dias. Contudo, não houve
uma uniformidade neste resultado. Os meses de junho quase alcançaram a taxa de dois
para um (2:1) semelhante aos verões, mas nos meses de julho, que indicaram a maior
atividade ciclônica média do inverno, esta taxa se aproximou de um para um (1:1). Isto
sugeriu um aumento significativo, ou pelo menos expressivo da atividade
mesociclônica. Estes indicativos foram demonstrados, logo a seguir, no detalhamento
mensal desta pesquisa.

Aplicou-se o estudo mensal no período de inverno, idêntico ao dos verões. Ao se


avaliar os meses de junho (Fig.7.1.16A até E) notou-se que a atividade de ciclones
grandes se destacou nos anos de 2002, 2004 e 2006, com poucas exceções de dias em
que os sistemas menores superaram os maiores. Junho de 2004, em especial, só
registrou um dia deste tipo de ocorrência. Além disto, neste mês de 2004, a atividade de
grandes sistemas foi muito intensa, com registro de quatro sistemas sinópticos atuando
na área de controle por dia. Junho de 2003 teve a particularidade de registrar atividade
mesociclônica acima da média, por quase todo o mês, equiparando-se aos sistemas
sinópticos. Junho de 2005 registrou uma intensa atividade no início do mês, em sistemas
de ambos os tamanhos, mas declinou a sua atividade em meados do mês. Chegou a
registrar, nos dias 14 e 15, uma calmaria na área de estudo. Apenas um ciclone pequeno
e um grande, para cada dia, respectivamente.

71
Os meses de julho (Fig.7.1.17A até E) apresentaram-se com destaque da alta
atividade dos ciclones. Como dito anteriormente, o número de ocorrências dos
mesociclones aumentou consideravelmente. Julho de 2002 registrou a supremacia de
sistemas menores, na área de controle, por quase um terço do mês. Caso semelhante
ocorreu em julho de 2006. Os meses de julho de 2003, 2004 e 2005 registraram
inatividade de mesociclones por períodos de mais de um dia, com destaque para 2004
que registrou sete dias sem a ocorrência destes sistemas pequenos. Contudo, durante
essas fases, os sistemas grandes estiveram atuando com atividade acima da média do
mês. Em linhas gerais, excetuadas as inatividades de mesociclones de poucos dias, os
meses de julho registraram muitas ocorrências, com pulsos de ciclones da ordem de
nove sistemas por dia, quando computado apenas um tamanho. Julho de 2004 e 2005 se
destacaram nesta configuração de picos de atividade, inclusive com sobreposição de
ocorrências de ambos os tamanhos.

No término do inverno, os meses de agosto (Fig.7.1.18A até E) aparentaram


maior alternância de ocorrências entre os sistemas grandes e pequenos, mas, em geral,
houve uma ligeira queda na atividade de sistemas maiores. Agosto de 2002 registrou
uma atividade alternada, mas concentrada de ciclones de ambos os tamanhos até
meados do mês, quando os mesociclones iniciaram uma declinação de atividade,
enquanto os sistemas maiores registraram dois grandes pulsos concentrados de
ocorrências. Agosto de 2003 registrou o oposto. Partiu de uma inatividade de
mesociclones, com escalada das ocorrências, até atingir um máximo no dia 21. Logo em
seguida, declina abruptamente, mas ainda gerou um grande pulso no final do mês.
Simultaneamente, a atividade de grandes sistemas teve um comportamento de várias
pequenas oscilações seguidas, com pouca amplitude. O mês de agosto de 2004 registrou
a maior inatividade de mesociclones do inverno. Cerca de cinco dias de ausência destes
sistemas, entre 22 e 26. Contudo, no mesmo período, as ocorrências de grandes
sistemas, manteve-se acima da média dos meses de agosto. Os sistemas sinópticos
registraram oscilações em declínio até meados do mês, recuperando-se durante a
inatividade mesociclônica citada. Agosto de 2005 registrou dois grandes picos de
atividade, com destaque para os mesociclones. Houve um período de baixa atividade
para ambos os tamanhos, no meio do mês, com ligeira ascensão acima da média no final
do período. Agosto de 2006 encerrou este estudo, com registro de baixa atividade de
ciclones pequenos por quase um terço do mês. A atividade de ciclones sinópticos

72
permaneceu alta por cerca de 12 dias consecutivos, sendo este, o período onde os
mesociclones acompanharam a mesma tendência de alta, acima da média, nos meses de
agosto.

Ao se encerrar esta primeira discussão da atividade dos ciclones, nos verões e


invernos, alguns itens não foram possíveis de discussão. O motivo vem do fato de não
haver informações suficientemente explícitas no CCC que permitissem que estas fossem
feitas. Dentre algumas, a divisão em cinco classes por categorias, o número de
ocorrências nos meses etc. Para cobrir as deficiências do CCC, previamente
programadas em não informar o tamanho dos sistemas, bem como suas classes de
categorias, criou-se as Tabelas de Síntese de Ciclones. Enquanto se fazia a varredura
das imagens, cada novo sistema classificado era imediatamente reportado nestas tabelas
estatísticas. Desta forma, registrou-se o tipo de ocorrência, através de contadores, e se
separou os sistemas por classes, tamanhos e seu balanço mensal dentro de cada período.
Este novo produto complementou definitivamente o trabalho de análise da MET-1.
Criou-se um índice remissivo, dado na Tabela 7.1.16, para indicar os resultados de
síntese dos ciclones nos verões, expressos nas Tabelas 7.1.17 a 7.1.21 e nos invernos,
Tabelas 7.1.22 a 7.1.26. Cada uma delas apresentou os casos pelo nome do sistema (seu
referido número) dentro de uma categoria, dos cinco tipos definidos de classes
evolutivas e, imediatamente a seguir, sub-divididos pelo tamanho (grande ou pequeno).
Completou-se a informação com a identificação do mês de atuação de cada ciclone.

A complexidade deste detalhamento necessitou ser representado em diversos


gráficos separadamente. Para o auxílio de leitura, criou-se alguns ábacos descritivos que
acompanham este trabalho. As cores são padronizadas para descrever as informações de
anos, divisões de classes, tamanhos e meses.

Além dos ábacos, para uma melhor organização dos trabalhos seguintes,
dividiu-se as avaliações em três grupos de análise. Cada um destes, possui um
organograma para descrever os procedimentos seguidos nesta pesquisa. O intuito do seu
uso foi cumprir a meta de análise, em forma de triângulo, como descrito anteriormente.
Primeiramente pelos vértices e depois, as interações possíveis. Com isto, todas as
possibilidades foram cobertas. O organograma dos grupos auxiliou em se seguir a linha
de pensamento em cada etapa

73
Tabela 7.1.16: Índice Remissivo das Tabelas de Síntese de Ciclones 2001-2006.

VERÕES NÚMERO DA TABELA

2001-2002 Tab. 7.1.17


2002-2003 Tab. 7.1.18
2003-2004 Tab. 7.1.19
2004-2005 Tab. 7.1.20
2005-2006 Tab. 7.1.21

INVERNOS NÚMERO DA TABELA

2002 Tab. 7.1.22


2003 Tab. 7.1.23
2004 Tab. 7.1.24
2005 Tab. 7.1.25
2006 Tab. 7.1.26

74
Tabela 7.1.17: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2001/2002,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


50 1, 2, 3, 4, 5, 7, 10, 12, 16, 17, 32, 34, 35, 37, 42, 46, 49, 63, 65, 68, 70,
74, 76, 78, 82, 83, 86, 87, 91, 103, 111, 113, 116, 117, 118, 121, 123,
125, 136, 137, 143, 146, 147, 155, 161, 168, 169, 170, 171, 177.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


34 8, 13, 15, 18, 20, 21, 27, 30, 33, 38, 43, 44, 45, 52, 64, 72, 73, 92, 95, 102, 115,
126, 135, 144, 145, 154, 156, 158, 162, 163, 165, 172, 173, 175.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 9, 77.
A, B 1 160.
A, B, C 3 41, 58, 166.
W, A/B 1 51.
W, A/B, C 1 53.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 0
A, B 2 29, 67.
A, B, C 1 142.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 4 19, 56, 104, 159.


C, Do 22 26, 28, 36, 39, 50, 54, 60, 61, 66, 71, 75, 79, 80,
97, 106, 119, 128, 129, 150, 152, 167, 174.
Do 11 6, 85, 112, 114, 127, 139, 141, 148, 153, 164, 176.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 1 69.
C, Do 2 11, 25.
Do 0

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

75
Tabela 7.1.17: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2001/2002,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 0 >A> 0
> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 1 96. > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 0 >C> 0
> C, Do > 0 > C, Do > 0

> Do > 2 22, 23. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 8 47, 48, 57, 81, 107, 122, 138, 157.


A, B 4 55, 62, 88, 108.
W, (A/B) 2 98, 151.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 9 24, 31, 89, 110, 124, 131, 132, 140, 149.


A, B 15 14, 40, 59, 84, 90, 93, 94, 99, 100, 101, 105, 109, 120, 130, 133.
W, (A/B) 1 134.

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

76
Tabela 7.1.18: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2002/2003,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


47 13,20,21,32,34,47,55,56,63,
65,67,71,72,75,81,82,88,89,103,105,106,115,131,132,136,138,142,146,
159,167,175,183,189,198,210,212,217,218,219,223,227,229,231,233,237,240,244.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


105 2,11,15,16,19,22,23,31,35,36,37,43,44,46,48,52,57,58,59,60,61,
66,68,69,74,78,79,83,85,90,93,95,96,99,100,104,107,108,111,112,114,116,117,
118,122,124,125,128,129,130,133,134,135,139,140,141,143,145,147,148,150,151,
152,153,155,157,160,161,162,164,166,168,169,170,171,172,173,176,178,180,182,
184,186,190,193,194,195,196,197,201,202,203,205,206,208,209,214,216,221,222,
226,235,238,241,247.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 4, 187.
A, B 3 42, 98, 246.
A, B, C 5 9, 10, 33, 41, 177.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 54, 158.
A, B 1 191.
A, B, C 3 25, 225, 230.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 7 1, 7, 14, 26, 39, 53, 73.


C, Do 26 3, 6, 17, 27, 38, 51, 64, 76, 87, 91, 113, 144, 154, 156, 165, 174, 188,
200, 207, 215, 220, 224, 232, 234, 236, 242.
Do 15 24, 30, 49, 70, 80, 94, 109, 119, 126, 127, 179, 181, 192, 228, 239.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 2 28, 45.
C, Do 6 8, 77, 97, 101, 149, 163.
Do 1 84.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

77
Tabela 7.1.18: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2002/2003,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 0 >A> 0
> A, B > 1 204. > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 0 > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 2 29, 211. >C> 0


> C, Do > 1 199. > C, Do > 0

> Do > 1 18. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 120, 213.
A, B 3 5, 102, 123.
W, (A/B) 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 243.
A, B 11 12, 40, 50, 62, 86, 92, 110, 121, 137, 185, 245.
W, (A/B) 0

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

78
Tabela 7.1.19: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2003/2004,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


34 2, 3, 4, 7, 9, 10, 11, 14, 20, 21, 22, 25, 28, 34, 35,
47, 53, 54, 57, 65, 74, 76, 80,
89, 92, 95, 96, 97, 98, 99, 105, 112, 124, 127.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


26 8, 19, 23, 26, 29, 30, 32, 33, 37, 40, 41,
46, 52, 56, 72, 78, 79, 81, 82, 84,
88, 104, 108, 110, 114, 126.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 0
A, B 1 16.
A, B, C 6 67, 83, 100, 113, 121, 122.
W, A/B 2 71, 107.
W, A/B, C 1 44.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 0
A, B 0
A, B, C 0
W, A/B 0
W, A/B, C 2 70, 75.

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 5 5, 12, 43, 91, 93.


C, Do 20 1,6,13,15,17,24,36, 51,63,64,66,68,69,86, 90, 102, 109, 116, 118, 123.
Do 7 38, 49, 58, 61, 94, 115, 125.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 0
C, Do 1 106.
Do 0

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

79
Tabela 7.1.19: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2003/2004,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 0 >A> 0
> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 1 50. > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 1 87. > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 0 >C> 0
> C, Do > 3 39,55,120. > C, Do > 0

> Do > 4 62,101,111,119. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 42.
A, B 6 18, 27, 45, 60, 85, 103.
W, (A/B) 1 117.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 73.
A, B 4 31, 48, 59, 77.
W, (A/B) 0

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

80
Tabela 7.1.20: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2004/2005,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


62 1,2,7,12,15,16,18,22,24,25,27,36,37,41,45,46,47,48,51,54,55,56,61,63,64,65,71,77,
80,81,83,87,89,93,94,102,105,107,110,111,112,113,115,117,118,120,125,127,128,
136,141,144,145,155,160,166,169,177,181,182,184,190.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


44 5,9,11,17,20,26,29,34,38,40,44,57,58,60,66,67,68,72,73,74,76,
82,85,91,92,97,99,100,101,104,122,123,131,133,137,139,
148,156,165,167,170,174,188,189.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 108.
A, B 1 140.
A, B, C 13 4, 30, 31, 52, 75, 88, 96, 103, 114, 116, 124, 132, 191.
W, A/B 2 69, 129.
W, A/B, C 3 162, 173, 180.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A
A, B
A, B, C
W, A/B
W, A/B, C 1 78.

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 3 151, 164, 193.


C, Do 22 6, 10, 13, 23, 42, 49, 50, 59, 70, 90, 98, 106, 119, 130, 138, 152, 154,
157, 168, 172, 179, 187.
Do 14 3,14,19,28,32,33,121,126,134,135,147,178,179,186,192 (33 Super Baixa).

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 2 171, 175.
C, Do 2 35, 95.
Do 3 39, 146, 185.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

81
Tabela 7.1.20: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2004/2005,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 0 >A> 0
> A, B > 1 109. > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 0 > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 2 158, 161. >C> 0


> C, Do > 0 > C, Do > 0

> Do > 0 > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 86, 159.
A, B 3 143, 150, 183.
W, (A/B) 4 62, 84, 142, 163 (142 e 163 somente W).

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 4 53, 79, 153, 176.


A, B 1 21.
W, (A/B) 3 8, 43, 149. (43 somente W)

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

82
Tabela 7.1.21: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2005/2006,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


44 1,5,19,23,24,40,41,49,52,57,59,68,88,98,
104,112,114,138,151,158,162,165,169,170,177,183,187,189,190,
215,217,218,219,225,233,235,249,251,256,259,262,263,264,266.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


105 4,8,10,11,16,20,21,22,26,28,35,38,45,51,54,60,64,65,66,67,69,72,74,76,78,79,82,
84,85,89,91,96,99,102,103,105,111,113,115,116,117,118,125,127,130,131,133,
135,137,139,140,141,143,146,147,148,156,157,159,160,167,171,173,174,176,
179,180,181,182,184,186,188,191,192,193,196,199,202,205,210,211,212,213,
214,221,226,227,228,230,232,237,238,242,243,244,245,246,247,248,252,253,260,
261,267,268.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 39, 129, 155.


A, B 2 145, 216.
A, B, C 15 9, 31, 47, 56, 71, 80, 83, 93, 95, 97, 134, 198, 207, 236, 240.
W, A/B 2 25, 224.
W, A/B, C 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 3, 149.
A, B 4 17, 92, 106, 120.
A, B, C 5 2, 15, 43, 63, 128.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 1 101.
C, Do 23 14, 18, 29, 30, 36, 44, 50, 58, 61, 75, 77, 108, 136, 153, 161, 163, 164,
200, 222, 223, 229, 258, 265.
Do 16 6, 7, 33, 46, 62, 86, 100, 109, 119, 126, 142, 144, 150, 166, 194, 241.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 3 132, 168, 178.


C, Do 11 32, 48, 53, 55, 73, 124, 172, 185, 201, 220, 239.
Do 2 123, 231.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

83
Tabela 7.1.21: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Verão de 2005/2006,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 1 195. >A> 0


> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 1 107. > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 3 37,254,255. >C> 0


> C, Do > 4 87,197,209. > C, Do > 1 250.
234.
> Do > 2 204,208. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 13, 154.
A, B 7 12, 110, 122, 152, 203, 206, 257.
W, (A/B) 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 70.
A, B 8 27, 34, 42, 81, 90, 94, 121, 175.
W, (A/B) 0

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Dezembro Janeiro Fevereiro

84
Tabela 7.1.22: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2002,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


48 9,10,16,19,20,24,29,34,35,40,41,44,47,55,59,71,73,76,80,
84,89,96,101,103,111,113,116,122,128,142,150,155,162,174,184,185,186,
193,200,203,215,219,221,257,266,267,281,282.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


99 3,4,6,7,12,13,15,27,28,30,36,37,49,56,57,61,65,74,
86,87,90,91,94,95,97,98,99,104,108,110,112,114,115,123,132,133,135,136,139,
140,143,144,145,146,147,152,153,156,157,158,164,165,166,167,171,172,173,
178,179,187,189,197,198,202,205,206,207,209,210,212,214,216,220,222,224,227,
229,230,232,233,234,235,236,239,240,242,243,244,248,256,260,264,265,268,269,
271,272,275,284.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 8, 46.
A, B 1 278.
A, B, C 9 25, 51, 53, 119, 190, 228, 255, 259, 283.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 0
A, B 0
A, B, C 8 118, 141, 161, 168, 192, 211, 231, 238.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 6 62, 69, 70, 82, 134, 241.


C, Do 31 5, 11, 17, 18, 26, 32, 39, 48, 50, 63, 64, 66, 68, 79, 93, 106, 109, 120,
169, 170, 176, 181, 208, 213, 217, 252, 254, 273, 279, 280, 285.
Do 13 1, 23, 43, 67, 85, 92, 121, 154, 163, 225, 251, 258, 274.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 7 58, 138, 160, 195, 201, 245, 246.


C, Do 12 72, 81, 88, 100, 127, 151, 180, 194, 226, 250, 263, 276.
Do 5 45, 77, 124, 247, 261.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

85
Tabela 7.1.22: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2002,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 1 137. >A> 0


> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 1 38. >B> 0


> B, C > 0 > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 9 117,126,131, >C> 0


149,175,182,
204,249,277.
> C, Do > 5 14,218,253, > C, Do > 0
262,270.
> Do > 4 60,191,196,237. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 75, 83, 199.


A, B 6 52, 102, 107, 130, 148, 159.
W, (A/B) 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 33, 42, 105.


A, B 9 2, 21, 22, 31, 54, 78, 183, 188, 223.
W, (A/B) 3 125, 129, 177.

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

86
Tabela 7.1.23: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2003,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


46 1,5,8,14,15,17,19,30,37,50,53,54,55,67,72,73,76,81,
99,118,121,131,133,134,140,142,148,149,152,153,156,163,178,181,
185,187,196,202,206,217,219,221,226,235,250,255.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


96 2,3,6,9,11,12,13,16,20,21,26,27,29,33,34,35,39,40,42,43,44,45,46,47,48,52,56,57,
58,60,62,63,64,65,70,71,75,79,82,89,91,93,95,101,104,107,110,112,113,114,117,
119,120,122,125,126,130,135,136,139,150,151,155,158,161,162,165,168,173,174,
175,179,182,186,194,197,199,205,207,209,212,220,223,224,225,227,229,231,233,
236,237,238,246,249,252,253.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 25, 36, 145.


A, B 3 92, 102, 184.
A, B, C 8 10, 23, 51, 97, 160, 172, 204, 234.
W, A/B 2 88, 103.
W, A/B, C 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 0
A, B 2 215, 257.
A, B, C 3 74, 111, 230.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 3 128, 144, 192.


C, Do 34 4,7,32,49,68,69,78,84,86,87,94,108,116,123,127,132,143,147,166,
170,176,188,189,190,191,193,210,211,213,232,240,244,245,248.
Do 22 18, 22, 24, 59, 66, 80, 83, 96, 98, 105, 146, 157, 159, 164, 180, 198,
203, 208, 239, 251, 254, 256.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 1 109.
C, Do 10 28, 31, 41, 85, 138, 141, 154, 169, 216, 247.
Do 4 200, 201, 214, 218.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

87
Tabela 7.1.23: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2003,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 0 >A> 0
> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 0 > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 4 61,137,183,243. >C> 0


> C, Do > 2 124,167. > C, Do > 0

> Do > 1 177. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 100, 222.
A, B 2 38, 90.
W, (A/B) 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 115, 129, 171.


A, B 2 77, 195.
W, (A/B) 4 106, 228, 241, 242.

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

88
Tabela 7.1.24: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2004,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


51 1,2,3,5,9,12,14,15,28,30,33,36,43,47,51,53,55,56,57,59,60,62,65,70,72,74,76,77,
79,81,91,94,103,104,111,112,113,131,135,140,151,177,
186,208,226,234,239,240,243,245,249.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


70 10,11,13,17,19,21,25,31,32,39,49,52,54,66,75,78,80,83,85,86,87,88,89,
90,92,93,101,102,106,108,115,117,119,138,139,141,142,144,152,155,159,160,
162,165,166,167,171,174,178,182,187,191,194,196,204,205,206,207,210,211,212,
213,214,216,217,221,227,248,251,257.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 183, 199, 222.


A, B 5 69, 96, 105, 150, 172.
A, B, C 13 16, 18, 24, 40, 63, 84, 120, 133, 149, 154, 156, 181, 218.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 118.
A, B 1 161.
A, B, C 4 143, 146, 185, 224.
W, A/B 0
W, A/B, C 0

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 3 45, 129, 134.


C, Do 41 4, 6, 20, 23, 26, 35, 38, 42, 44, 50, 58, 64, 68, 71, 110, 116, 123, 125,
127, 136, 153, 163, 176, 179, 184, 188, 189, 190, 192, 193, 200, 202,
223, 225, 230, 232, 233, 241, 242, 252, 253.
Do 32 22,34,41,46,48,67,82,97,98,100,109,114,126,128,130,137,145,148,
158,168,169,173,198,215,220,228,229,236,237,250,254,258.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 1 256.
C, Do 4 164, 203, 231, 247.
Do 4 122, 147, 195, 235.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

89
Tabela 7.1.24: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2004,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 0 >A> 0
> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 0 > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 5 61,95,121,157,246. >C> 0


> C, Do > 2 29,238. > C, Do > 0

> Do > 4 27,37,180,219. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 5 8, 132, 209, 244, 255.


A, B 1 73.
W, (A/B) 1 170.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 7, 124, 201.
A, B 3 99, 107, 175.
W, (A/B) 1 197.

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

90
Tabela 7.1.25: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2005,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


46 1,4,5,26,28,47,58,
85,87,95,98,100,101,102,111,128,129,130,143,148,149,162,174,175,
189,203,205,212,215,216,223,225,231,236,238,241,244,252,254,257,259,262,270,
284,288,290.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


98 5,7,8,11,13,14,16,18,20,21,24,25,33,34,35,38,40,41,43,46,48,53,64,65,
81,82,83,88,89,93,104,105,108,109,113,114,115,117,118,119,120,121,122,124,
125,132,134,139,140,142,146,147,150,152,154,158,159,160,163,176,181,182,184,
188,192,194,195,196,197,199,200,202,204,207,217,219,222,232,234,239,240,245,
246,247,250,253,258,260,263,264,271,276,277,281,282,283,285,287.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 2 9, 71.
A, B 5 36, 110, 169, 178, 201.
A, B, C 11 12, 42, 45, 57, 94, 171, 177, 186, 206, 211, 227.
W, A/B 1 76.
W, A/B, C 1 226.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 235.
A, B 2 75, 275.
A, B, C 3 27, 50, 151.
W, A/B 1 229.
W, A/B, C 1 155.

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 3 55, 214, 218.


C, Do 36 2,6,19,44,49,56,60,73,80,84,86,90,96,123,131,135,138,144,153,156,
165,167,170,173,198,209,210,233,237,261,267,272,286,289,292,294.
Do 22 3, 29, 32, 39, 61, 68, 69, 72, 92, 112, 116, 127, 157, 166, 172, 185, 193,
224, 228, 230, 255, 280.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 6 78, 103, 179, 180, 190, 273.


C, Do 8 30, 37, 74, 133, 136, 221, 242, 243.
Do 5 31, 141, 248, 265, 291.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

91
Tabela 7.1.25: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2005,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 1 278. >A> 0


> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 3 22,183,279. >B> 0


> B, C > 1 54. > B, C > 0
> B, C, Do > 1 67. > B, C, Do > 0

>C> 4 52,187,269,274. >C> 1 268.


> C, Do > 3 59,145,208. > C, Do > 0

> Do > 0 > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 66, 107, 220.


A, B 3 62, 161, 168.
W, (A/B) 2 23, 51.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 137.
A, B 16 10, 17, 63, 70, 77, 79, 97, 99, 126, 164, 191, 213, 251, 256, 266, 293.
W, (A/B) 3 91, 106, 249.

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

92
Tabela 7.1.26: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2006,
Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES COM CICLO COMPLETO DENTRO DA ÁREA DE INTERESSE (W), A, B, C, Do

GRANDES QTD NOME DO SISTEMA


40 3,12,14,15,19,20,27,35,40,53,55,59,73,
103,104,117,121,124,132,133,135,146,149,150,154,157,160,175,186,
199,201,208,211,215,227,235,244,245,255,258.

PEQUENOS QTD NOME DO SISTEMA


92 4,7,10,11,18,26,30,31,33,34,38,39,46,47,49,51,54,60,61,63,64,66,72,75,76,77,81,
92,95,96,97,98,100,106,108,109,111,113,114,118,126,128,131,136,139,147,151,
153,158,161,163,164,166,167,168,171,172,173,174,176,180,182,184,
191,194,200,202,203,205,207,209,210,214,218,221,222,224,225,228,229,237,242,
247,252,256,259,260,263,264,265,266,267.

CICLONES QUE NASCERAM NA ÁREA MAS A ABANDONARAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 65.
A, B 3 234, 250, 268.
A, B, C 13 22, 45, 50, 74, 91, 130, 159, 185, 195, 198, 254, 257, 262.
W, A/B 3 62, 129, 165.
W, A/B, C 0

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 3 70, 183, 238.


A, B 6 23, 41, 82, 102, 144, 249.
A, B, C 9 42, 67, 99, 115, 137, 141, 169, 196, 197.
W, A/B 1 127.
W, A/B, C 0

CICLONES QUE VIERAM PARA DECAIR NA ÁREA

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 1 152.
C, Do 37 1,6,17,25,32,36,37,44,48,52,56,69,78,89,94,122,125,138,156,170,190,
204,216,220,223,226,230,231,232,233,236,240,241,246,248,253,261.
Do 13 9, 16, 28, 57, 58, 71, 79, 87, 107, 123, 134, 162, 206.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

B, C, Do 0
C, Do 12 2, 93, 140, 142, 143, 155, 181, 188, 189, 192, 193, 217.
Do 2 68, 212.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

93
Tabela 7.1.26: Contagem e Separação dos Casos Ocorridos no Inverno de 2006,
(Continuação) Seguindo o Procedimento de Divisão de Fases Evolutivas nas Cercanias
do Estreito de Drake/Península Antártica e Mares Adjacentes.

CICLONES QUE PASSARAM TOTALMENTE PELA ÁREA OU PARTE


DELA EM ALGUMA FASE DE DESENVIMENTO/DECAIMENTO

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD SISTEMAS

>A> 0 >A> 0
> A, B > 0 > A, B > 0
> A, B, C > 0 > A, B, C > 0
> A, B, C, Do > 0 > A, B, C, Do > 0

>B> 0 >B> 0
> B, C > 1 187. > B, C > 0
> B, C, Do > 0 > B, C, Do > 0

>C> 5 5,21,80,84,119. >C> 1 88.


> C, Do > 5 29,85,116, > C, Do > 0
177,219.
> Do > 4 90,105,112,213. > Do > 0

CICLONES QUE NÃO SE DESENVOLVERAM

GRANDES ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 1 239.
A, B 2 24, 251.
W, (A/B) 2 86, 243.

PEQUENOS ESTÁGIO(S) QTD NOME DO SISTEMA

A 4 83, 101, 145, 178.


A, B 6 8, 13, 43, 120, 148, 179.
W, (A/B) 1 110.

OBSERVAÇÕES:

CICLONES GRANDES Aqueles com mais de 10 graus de latitude.

CICLONES PEQUENOS Todos os Mesos e Minis Ciclones encontrados visualmente pelas imagens.

Legenda de Cores nos Algarismos para a Divisão dos Meses: Junho Julho Agosto

94
A primeira informação geral, de todo o CCC, foi o número de ciclones que
atuaram, dentro dos períodos cobertos por esta pesquisa (Fig.7.1.19). Em um universo
de 2.374 ciclones, 1.012 atuaram nos períodos de verão e 1.362 atuaram nos períodos de
inverno. A Tabela 7.1.27 relata estes totais, os valores relativos ao CCC, bem como a
taxa relacional entre os invernos e os verões.

Tabela 7.1.27: Valores Totais de Ciclones que Atuaram nos Verões e Invernos
Cadastrados no Universo do CCC, suas Freqüências Relativas e a Taxa
Relacional entre os Períodos de Invernos e Verões.

PERÍODO TOTAIS Freqüência Relativa ao CCC (%) TAXA


CCC 2.374 100,0
VERÕES 1.012 42,6
INVERNOS 1.362 57,4 1,34 : 1

Notou-se que os invernos obtiveram uma superioridade de atuação na ordem de


34% em relação aos verões, nesta climatologia (Fig.7.1.20A e B). Este resultado
encontrado diferiu de alguns autores que relataram valores menores de atuação no
inverno. Contudo, não foram nas proximidades da área de estudo desta pesquisa. Uma
vez definidos os universos de cada período de estudo, partiu-se para as avaliações dos
três grupos de análise, utilizando-se os dados do CCC e das Tabelas de Síntese de
Ciclones.

O primeiro grupo visou verificar o comportamento dos ciclones dentro dos


períodos dos verões (do início de cada dezembro até o final de cada fevereiro) e nos
invernos (do início dos meses de junho até o final dos meses de agosto).

Neste contexto, a prerrogativa de análise eram os cinco períodos de verão que


quantificaram as ocorrências de ciclones, em cada um deles. A seguir, a divisão por
períodos dos verões foi sub-dividida pelas ocorrências em tamanhos. Uma vez que estes
foram determinados, quantificou-se as ocorrências dentro de cada mês constituinte dos
verões. Para uma avaliação mensal, agrupou-se os valores de tamanhos, divididos nos
meses de atuação, dentro dos períodos de verão e se realizou uma integração destes dois

95
dados. Finalizou-se a análise com a integração das três informações. Um organograma
da primeira fase de análise do verão relatou estas etapas (Fig.7.1.21).

A distribuição das ocorrências de ciclones, durante os cinco verões, não se


apresentou uniforme. A Tabela 7.1.28 relata os valores absolutos e relativos de ciclones
contabilizados em cada período de verão.

Tabela 7.1.28: Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Período de Verão e
suas Freqüências Relativas.

VERÕES TOTAIS Freqüência Relativa (%)


2001-2002 177 17,5
2002-2003 247 24,4
2003-2004 127 12,5
2004-2005 193 19,1
2005-2006 268 26,5

Notou-se que os verões registraram oscilações nos registros de seus cinco


períodos (Fig.7.1.22A e B). Os verões de 2001-2002 e 2003-2004 marcaram as menores
contagens, onde este último período totalizou a menor freqüência (127 ciclones). A
contrapartida ocorreu nos verões de 2002-2003 e 2005-2006, sendo que este último
verão registrou o recorde de ciclones totais, alcançando a marca de 268 ocorrências. O
verão 2004-2005 ficou um pouco além da marca obtida pelo primeiro período de verão.
A avaliação se este verão, em especial, era de transição, foi difícil de ser realizada,
através das informações obtidas. Contudo, pode ser possível extrapolar um outro ciclo
de alta e baixa atividade a cada três anos. Baseando-se nos dados desta climatologia,
avaliou-se o primeiro e quarto períodos como intermediários, segundo e quinto períodos
como máximos e terceiro período como mínimo. Se este ciclo se confirmar, um
prognóstico superficial para o período de verão de 2006-2007 seria de baixa atividade.
Talvez o mesmo se repetisse no período passado (sem dados) de 2000-2001.

Ao se realizar a análise destes valores, mas pela óptica da divisão dos tamanhos,
classificados como ciclones sinópticos e mesociclones, as observações foram
interessantes. Os dois períodos de verão, 2002-2003 e 2005-2006 obtiveram um

96
aumento significativo das ocorrências de sistemas menores, sobrepujando os valores de
grandes ciclones. Esta constatação não ocorreu nos outros períodos de verão, onde os
sistemas sinópticos atuaram acima dos mesociclones em uma taxa de dois para um (2:1)
em 2001-2002 e 2004-2005. O mesmo ocorreu em 2003-2004, o ano de mínima
atividade, porém em uma taxa mais elevada: quase três para um (3:1) para os grandes
sistemas (Fig.7.1.23). Procedeu-se da mesma maneira para cada mês pertencente ao
período de verão (Fig.7.1.24A até C). Constatou-se, no verão de 2001-2002, o mesmo
comportamento de maior ocorrência de sistemas sinópticos sobre os mesociclones, que
permaneceu nos três meses do período, com um acentuado aumento desta ação no mês
de janeiro. O verão de 2002-2003, um dos períodos considerados de alta atividade,
apresentou o mesmo comportamento geral, onde os mesociclones ultrapassaram as
ocorrências de sinópticos. Isto só não foi observado no mês de dezembro, onde as
ocorrências praticamente foram as mesmas (33 sinópticos para 30 mesos). O verão de
menor atividade de 2003-2004, registrou o mesmo comportamento de destaque da
atividade dos grandes sistemas sobre os menores. Isto se manteve nos três meses do
período, sendo que janeiro indicou uma atenuação desta diferença, reduzindo a taxa para
quase dois para um (2:1) em favor dos grandes. Contudo, em fevereiro a taxa se elevou
para cerca de quatro para um (4:1) para os sistemas sinópticos. Esta foi a maior taxa
registrada de toda a climatologia deste estudo. No verão de 2004-2005, verificou-se a
repetência do mesmo comportamento do verão 2001-2002, ambos períodos de verão,
considerados similares neste estudo. A diferença entre eles foi a maior taxa de atividade
entre grandes e pequenos. Dezembro e fevereiro indicaram cerca de dois para um (2:1)
enquanto que em janeiro, esta aumentou para quase três para um (3:1). Finalmente, o
verão de 2005-2006, o último de alta atividade, indicou um comportamento semelhante
ao seu par (2002-2003). A diferença foi que o suave registro de maior ocorrência de
grandes sistemas aconteceu em fevereiro, neste verão, enquanto que no outro,
antecipou-se em dezembro. Também igualmente ao seu par, o mês de janeiro, para
ambos, mostrou a mais alta atividade mesociclônica dos verões.

A primeira análise integrada, sobrepôs as informações de todos os ciclones,


ocorridos em cada período de verão, devidamente distribuídos em seus meses
(Fig.7.1.25). Com o aumento de energia incidente no hemisfério Sul por causa do verão,
esperava-se que a atividade se intensificasse próximo dos meses de janeiro e até mesmo
fevereiro, quando este não indicasse um início de declínio. Contudo, isto de fato só

97
ocorreu nos verões de 2001-2002 e 2002-2003. O verão de 2003-2004 registrou
ocorrências quase que idênticas em cada mês (45, 42 e 40 ciclones para dezembro,
janeiro e fevereiro respectivamente). Além de similares, foram estes valores mensais, os
mais baixos registrados em todos os verões. Na seqüência, 2004-2005 e 2005-2006
indicaram uma tendência de queda, sendo que este último, registrou 99 ciclones em
dezembro e 98 em janeiro, as duas maiores marcas dos verões. Como os registros de
inverno, que antecederam alguns destes verões, indicaram forte atividade ciclônica,
imaginou-se que tais ciclos possam ter se perpetuado até meados do verão. Isto poderia
explicar os altos valores registrados no início de 2004-2005 e 2005-2006

Ao se sobrepor todos os dados, formou-se a segunda análise integrada entre os


cinco períodos de verão, os meses que os compõem e os tamanhos dos sistemas
(Fig.7.1.26). Notou-se que as similaridades, vistas por este tipo de perfil, não ficaram
mais evidentes. Cada período de verão registrou as atividades dos ciclones de maneiras
distintas, entre os grandes e pequenos. Nos meses dos verões de 2001-2002 e
2004-2005, os ciclones de ambos os tamanhos seguiram, aproximadamente, o
comportamento geral do cômputo completo dos seus respectivos verões. Isto implicou
que as ocorrências dos sistemas aumentavam ou diminuíam seguidamente, mas não se
pôde afirmar qual parte influenciou a outra. Os verões intensos de 2002-2003 e
2005-2006 registraram as maiores ocorrências de mesociclones. Estes valores ocorreram
exatamente no meio do período, os meses de janeiro. O verão de 2003-2004 foi
diferente de todos, pois registrou uma ligeira queda de atuação dos sistemas sinópticos
em janeiro. Neste mesmo mês, os mesociclones tiveram a sua maior atividade. É
possível que houvesse um remanescente de energia, muito bem distribuída em toda a
área de estudo, que fomentasse a formação de mesociclones, mas que não era suficiente
para gerar intensas baroclinias e, consequentemente, grandes ciclones.

Analogamente ao verão, aplicou-se a mesma avaliação para os dados de inverno.


Criou-se, também, um organograma desta primeira fase de análise para os invernos,
onde se relatou as etapas de estudo (Fig.7.1.27).

Durante os cinco invernos avaliados, a distribuição das ocorrências de ciclones


se apresentou bem uniforme. Este fato diferiu dos períodos de verão. A Tabela 7.1.29

98
relata os valores absolutos e relativos de ciclones contabilizados para cada período de
inverno.

Tabela 7.1.29: Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Período de Inverno e
suas Freqüências Relativas.

INVERNOS TOTAIS Freqüência Relativa (%)


2002 285 20,9
2003 257 18,9
2004 258 18,9
2005 294 21,6
2006 268 19,7

Os invernos registraram pouco menos que três pontos percentuais nas oscilações
dos registros de seus cinco períodos (Fig.7.1.28A e B). Os invernos 2003 e 2004
marcaram as menores contagens, quase empatados, com 257 e 258 ciclones
respectivamente. Estas menores marcas de inverno praticamente alcançam a maior
marca de verão (268 ocorrências). A maior contagem ocorreu no inverno de 2005, com
294 ciclones catalogados. Os invernos de 2002 e 2006 registraram uma variação
aproximada de 1,5% tanto para mais, quanto para menos, dos valores registrados neste
estudo. Não se conseguiu avaliar a presença de períodos de transição, nesta ordem geral
de ocorrências dos ciclones. Há grande probabilidade de que os invernos, na área de
controle, permaneçam com intensa atividade ciclônica, seguindo a tendência desta
climatologia de cinco anos.

Repetiu-se a análise dos valores de inverno, dividindo-os pelos tamanhos


(ciclones sinópticos e mesociclones). Neste aspecto, todos os invernos registraram
ocorrências muito próximas entre os tamanhos, com uma variação de no máximo 5%.
Apenas o inverno de 2004 foi anômalo aos outros registros, onde os casos de ciclones
sinópticos ultrapassaram os mesociclones em mais de 67%. Com registros de variações
tão pequenos entre os tamanhos, adotou-se a idéia de “empate técnico” entre eles, pois
em 2002, os mesociclones, com 146 casos, ultrapassaram a marca dos sinópticos com
apenas sete ocorrências. Em 2003, os sinópticos, com 132 casos, ficaram também com
sete registros a mais. No inverno de 2005 esta diferença foi menor, com apenas dois

99
registros a mais para os sinópticos (148 casos). Finalmente, em 2006, os mesociclones,
com 131 ocorrências, registraram seis casos a mais que os sinópticos (Fig.7.1.29).

No próximo passo, separou-se as ocorrências por tamanho, agrupados pelos


meses pertencentes ao inverno, dos cinco períodos desta estação (Fig.7.1.30A até C). O
comportamento de “empate técnico” não foi observado neste refinamento mensal, como
já era esperado. Contudo, em alguns meses de certos períodos ele se repetiu. Os meses
do inverno de 2003 foram os que mais se aproximaram do comportamento geral do
período. Sua maior diferença foi de apenas oito casos de ciclones grandes a mais em
julho. O mesmo também ocorreu em 2005. Nos seus três meses, a maior diferença
ocorreu em junho, com seis casos a mais para os sinópticos e a menor diferença foi em
agosto, quando os mesociclones registraram apenas um caso a mais. Nos outros
invernos de ocorrências muito próximas (2002 e 2006) observou-se uma oscilação entre
os casos de grandes e pequenos. As menores diferenças foram verificadas em agosto de
2006 (41 grandes contra 37 pequenos ciclones) seguida de junho do mesmo ano. As
maiores ocorreram em 2002, nos três meses deste inverno, onde junho indicou 20 casos
a mais de sinópticos (51 ocorrências). O inverno de 2004, considerado o anômalo nesta
etapa da climatologia de cinco anos, registrou sempre a superioridade numérica dos
sistemas sinópticos. A maior diferença ocorreu em junho, quando os grandes
registraram 65 casos e os pequenos apenas 24.

Na realização da primeira análise integrada, as informações de todos os ciclones


registrados, em cada período de inverno, foram devidamente distribuídos em seus meses
(Fig.7.1.31). Em linhas gerais, os registros novamente mostraram uma uniformidade
interessante. Quase a totalidade das ocorrências mensais, em cada período de inverno,
estiveram entre 80 a 100 ciclones. As variações foram mínimas quando o quesito
avaliado ocorreu dentro do próprio ano. Em todos os invernos, pelo menos dois meses
seguidos estiveram com a contagem de ciclones com diferenças da ordem de apenas
quatro casos. Junho e julho de 2004 registraram os mesmos valores, 89 ciclones, embora
a distribuição em tamanhos não tenha sido a mesma. As poucas exceções não ficaram
muito distantes destes valores, cujo menor ocorreu em agosto de 2003, com 73 casos.
Este comportamento neutro, no inverno, sugeriu que poderia haver uma constância no
fluxo de energia que entra na área de controle e suas proximidades. Isto fomentaria a
formação de um certo número médio de ciclones que converteriam boa parte desta

100
energia térmica, em energia cinética. Contudo, na realização deste trabalho, o número
de ciclones grandes ou pequenos que poderiam intervir, não seria uma constante.

Na segunda análise integrada, sobrepôs-se os cinco períodos de inverno, seus


meses componentes e os tamanhos dos sistemas (Fig.7.1.32). Notou-se que muitas das
similaridades permaneceram, como foram os registros dos invernos de 2003 e 2005. Em
outros casos, como 2002 e 2006, onde o cômputo geral do período de inverno marcou
similaridade, as oscilações entre grandes e pequenos ocorreu em forma de
compensação: se por um lado houve baixa atuação de grandes sistemas, os menores
compensaram com um aumento de ocorrências e vice-versa. Isto reforçou a idéia de
uma entrada singular de energia no setor, deixando para os ciclones, a opção em operar
entre os dois tamanhos, conforme a baroclinia permitisse. Esta idéia também se aplicaria
no caso do inverno de 2004. Mesmo com um alto registro de sinópticos em relação aos
mesociclones, no cômputo geral, este inverno também se assemelhou aos outros. Só
diferiu na geração de intensas baroclinias e, por sua vez, grandes ciclones. Também
registrou as duas marcas recordes, com máximo de 65 sistemas sinópticos em junho e
apenas 24 mesociclones, no mesmo mês.

Seguindo a seqüência de estudo, o segundo grupo visou verificar o


comportamento dos ciclones, divididos nas cinco categorias evolutivas:

1 – Ciclones com ciclo completo dentro da área de interesse;


2 – Ciclones que nasceram na área de interesse, mas a abandonaram;
3 – Ciclones que vieram para decair na área de interesse;
4 – Ciclones que passaram totalmente pela área, ou apenas em parte dela, em alguma
fase evolutiva de desenvolvimento ou decaimento;
5 – Ciclones que não se desenvolveram.

Neste grupo, a prerrogativa determinante de análise foi a quantificação das


ocorrências ciclônicas, com os dados dos cinco períodos de verão, dentro das categorias
evolutivas. A seguir, aplicou-se a divisão pelas ocorrências em tamanhos e a divisão por
períodos de verão, separadamente. Realizou-se uma análise seguinte integrada com as
três informações, ou seja, as ocorrências por tamanhos, dentro dos períodos de verão,
distribuídos nas categorias evolutivas. Finalizou-se a análise com a quantificação das

101
ocorrências dentro de cada mês constituinte dos verões. Estas etapas da segunda fase de
análise foram dispostas em um organograma relacional (Fig.7.1.33).

Avaliou-se, primeiramente, a distribuição das ocorrências de ciclones, de todos


os verões, pela divisão das categorias evolutivas. Nestes cinco períodos, uma das classes
se destacou consideravelmente. A Tabela 7.1.30 relata os valores absolutos e relativos
de ciclones contabilizados em cada categoria avaliada.

Tabela 7.1.30: Valores Totais e Freqüências Relativas de Ciclones de todos os Verões


Distribuídos em Categorias Evolutivas.

CATEGORIA TOTAIS Freq. Rel. (%)


Ciclo Completo 551 54,4
Nasceram na Área, mas a Abandonaram 93 9,2
Chegaram para Decair na Área 232 22,9
De Passagem pela Área, em qualquer Fase Evolutiva 32 3,2
Não se Desenvolveram 104 10,3

A categoria dos ciclones com ciclo completo dentro da área de controle superou
todas as outras categorias juntas (Fig.7.1.34A e B). Esta categoria registrou 54,4% dos
casos dos ciclones catalogados no verão, seguidos pela categoria de ciclones que vieram
para decair na área, com 22,9%. Esta primeira informação coincide com a registrada no
primeiro estudo de ciclones realizado no verão de 2001-2002 (FELICIO, 2003). Com
uma taxa de mais de dois para um (2:1) em relação ao segundo colocado, a categoria de
ciclones com ciclo completo, computou muitos casos que pertenciam à “Trilha das
Depressões”. Outras contribuições surgiram de latitudes mais baixas, contudo, a maior
parte destas eram compostas por ciclones em algum estágio evolutivo mais adiantado
que, logo a seguir, dissiparam na região em estudo. Estes, foram computados como
ciclones que vieram decair na área. Com estes valores, obtidos da climatologia de cinco
anos, percebeu-se que a área avaliada possuiu baroclinia suficiente para gerar e
amadurecer os ciclones, até seu ponto de dissipação. Porém, os registros de ciclones que
nasceram na área de controle, mas a abandonaram foi muito menor do que o esperado.
Por esta climatologia, em linhas gerais, pôde-se definir que a região Leste da área de
controle, não gerou um número expressivo de ciclones que fossem terminar seu ciclo

102
evolutivo para além de 30ºW, no Sul do Atlântico ou, mais além, sobre o próprio
oceano Circumpolar Antártico. A proximidade desta categoria com os valores da
categoria dos ciclones que não se desenvolveram, também representou um fato
interessante, pois era esperado que os ciclones que abandonassem a área de controle
superasse os que não se desenvolveram, dada a forte baroclinia comentada
anteriormente.

Para apurar os detalhes desta segunda fase do estudo, dividiu-se o cômputo de


cada categoria, avaliando-se a contribuição dos ciclones pelo seu tamanho (Fig.7.1.35).
A Tabela 7.1.31 demonstra os valores absolutos de ciclones grandes e pequenos,
contabilizados em cada categoria avaliada.

Tabela 7.1.31: Valores Totais de Ciclones Grandes e Pequenos, de todos os Verões,


Distribuídos em Categorias Evolutivas.

CATEGORIA GRANDES PEQUENOS


Ciclo Completo 237 314
Nasceram na Área, mas a Abandonaram 70 23
Chegaram para Decair na Área 196 36
De Passagem pela Área, em qualquer Fase Evolutiva 31 1
Não se Desenvolveram 45 59

Os registros indicaram uma maior ocorrência de mesociclones sobre os


sinópticos com ciclo evolutivo completo. A taxa desta relação ficou em quase 1,5:1.
Esta informação era esperada, pois foram observados casos em que um grande ciclone
sinóptico provocou a formação de dois ou três mesociclones menores, conforme decaia.
Isto poderia acontecer sempre que houvesse energia térmica disponível na atmosfera
sub-antártica, após o decaimento de grandes sistemas. Contudo, também se observou
que estes casos não foram comuns, ocorrendo mais em alguns verões que outros, fato
este que será exposto, logo a seguir.

A divisão de tamanhos indicou outras informações importantes, como foi


registrado na categoria de ciclones que nasceram na área, mas a abandonaram. A maior
parte destes sistemas foi sinóptico, com uma taxa de mais de três para um (3:1) sobre os

103
mesociclones. Uma explicação plausível pode ser o tamanho da área de controle. Por ser
grande o suficiente, a maior parte dos sistemas pequenos teve tempo de desenvolver
todo seu ciclo evolutivo. No caso dos ciclones que chegaram para decair, os sistemas
grandes contabilizam o maior número de casos. A taxa registrada foi uma das maiores,
com cerca de 5,5:1 contra os sistemas pequenos. Isto indicou que a região teve uma
forte tendência em receber ciclones evoluídos que terminaram seu ciclo na área de
controle. Os esparsos registros de ciclones que apenas atravessaram a área de controle
se mantiveram sob o domínio dos sistemas grandes. Quase a totalidade dos casos
ocorreu na passagem de ciclones em pontos extremos da imagem de satélite.
Observou-se, durante a pesquisa, que o setor Nordeste foi o que mais registrou nesta
categoria. Ao término destes registros, os ciclones que não se desenvolveram também
tiveram poucos casos. Os mesociclones registraram mais ocorrências que os sistemas
maiores. Verificou-se que isto ocorreu devido a dois fatores: ou o ciclone menor foi
absorvido por um ciclone maior, quando este se deslocava, ou o ciclone menor saiu de
fase de desenvolvimento, quando a baroclinia tendeu para a formação de ciclones
maiores, cujos centros de baixa pressão atmosférica foram mais acentuados.

Outra divisão empregada, com os sistemas separados em categorias, foi o


cômputo de casos de cada período de verão, não importando os tamanhos (Fig.7.1.36).
Nesta avaliação, a distribuição das ocorrências seguiu o padrão geral da divisão das
categorias explanado anteriormente. Contudo, os registros de mudança de valores de
casos, entre os períodos de verão, chamaram a atenção. Uma mudança para mais, ou
para menos, na quantidade das ocorrências de um período de verão, gerava uma
proporção na distribuição entre as categorias, seguindo o padrão geral. Executou-se
alguns cálculos relacionais entre as duas principais categorias (ciclones com ciclo
completo e os que chegaram para decair na área) e se encontrou muitos casos em que
houve esta proporcionalidade, as vezes de ordem dois, as vezes de ordem três. Pelos
dados avaliados nesta climatologia, os valores das ocorrências posicionaram as
categorias na seguinte ordem geral: em primeiro lugar, os ciclones com ciclo completo;
em segundo, os ciclones que vieram decair na área; em terceiro, os ciclones que não se
desenvolveram, seguidos muito próximos, em valores absolutos de casos, dos ciclones
que nasceram na área, mas a abandonaram, pois nos verões de 2004-2005 e 2005-2006,
esta categoria ficou em terceiro lugar. A última posição no cômputo de casos, em todos
os verões, continuou com os ciclones que apenas passaram pela área de controle.

104
Finda as avaliações parciais, procedeu-se a análise integrada da segunda fase,
com a sobreposição das informações de todos os ciclones ocorridos em cada período de
verão, divididos pelos tamanhos e distribuídos nas cinco categorias evolutivas
(Fig.7.1.37). Observou-se que, nos períodos de verão de 2002-2003 e 2005-2006, houve
a maior contribuição numérica para que a contagem dos ciclones pequenos, com ciclo
completo dentro da área, fosse maior que os ciclones sinópticos. Nos outros períodos de
verão, ela foi menor em cerca de um terço. Em contrapartida, para os ciclones que
chegaram para decair na área, em todos os períodos de verão, a hegemonia foi dos
sistemas sinópticos. O verão de 2003-2004 registrou a maior diferença desta
climatologia, com 32 sistemas grandes para apenas um pequeno. Para os sistemas que
não se desenvolveram, apenas os períodos de verão de 2001-2002 e 2002-2003
registraram ocorrências quase dobradas em favor dos mesociclones. Os outros verões
praticamente empataram no numero de casos, com leve diferença positiva para os
sinópticos. Os casos de ciclones que nasceram na área, mas a abandonaram, registraram
ocorrências maiores para os sistemas sinópticos em todos os períodos de verão. A maior
diferença ficou registrada em 2004-2005, com 20 sistemas grandes para apenas um
pequeno. A inexpressividade da categoria dos ciclones que passaram pela área de
controle, em alguma fase evolutiva, registrou tão poucos casos que não houve relatos
observados, a não ser que quase a totalidade destes registros foi de sistemas grandes.

Para um refino maior da avaliação integrada, dividiu-se o mesmo estudo pelos


meses de verão (Figs.7.1.38 até 7.1.40). O intuito foi verificar se o padrão geral dos
verões se repetem durante seus meses. Constatou-se que para os ciclones com ciclo
completo, isto aconteceu com uma pequena mudança apenas no verão de 2003-2004.
Destacou-se também, a forte atividade mesociclônica, em janeiro e fevereiro, no período
de verão de 2002-2003. O mesmo comportamento foi verificado para a categoria de
ciclones que chegaram para decair. Em todos os casos, os grandes registraram
superioridade numérica sobre os pequenos. O mesmo ocorreu para os que nasceram na
área, mas a abandonaram, com apenas dois registros de similaridade de número de
casos. Para os que não se desenvolveram, houve apenas quatro casos em que o
comportamento foi diferente, mas com pouco significado.

105
Analogamente à segunda fase analítica de verão, aplicou-se a mesma avaliação
para os dados de inverno. O mesmo processo foi descrito em um organograma, onde se
relatou as etapas de estudo (Fig.7.1.41).

Iniciou-se a avaliação pela distribuição das ocorrências de ciclones nas divisões


das categorias evolutivas, com dados de todos os invernos. Novamente se verificou que
nos cinco períodos, uma das classes se destacou. A Tabela 7.1.32 relata os valores
absolutos e relativos de ciclones contabilizados em cada categoria avaliada.

Tabela 7.1.32: Valores Totais e Freqüências Relativas de Ciclones de todos os Invernos


Distribuídos em Categorias Evolutivas.

CATEGORIA TOTAIS Freq. Rel. (%)


Ciclo Completo 686 50,4
Nasceram na Área, mas a Abandonaram 135 9,9
Chegaram para Decair na Área 378 27,8
De Passagem pela Área, em qualquer Fase Evolutiva 68 5,0
Não se Desenvolveram 95 7,0

A categoria dos ciclones com ciclo completo dentro da área de controle


continuou a superar todas as outras categorias juntas (Fig.7.1.42A e B). Esta categoria
registrou 50,4% dos casos dos ciclones catalogados no inverno, seguidos pela categoria
de ciclones que vieram para decair na área, com 27,8%. A taxa registrou uma pequena
queda em relação aos verões. A marca de inverno, para estas duas categorias principais,
foi de 1,8:1. O maior número de casos computados nos invernos, ocorreu por uma maior
contribuição das latitudes mais baixas, entre 40º e 50ºS. Os valores desta climatologia
de cinco anos, indicaram que a forte baroclinia permaneceu muito ativa durante o
inverno, na região de estudo. Seguindo a pesquisa, os registros de ciclones que
nasceram na área de controle, mas a abandonaram aumentou, destacando-se dos casos
que não se desenvolveram, cujos registros perderam três pontos percentuais, em relação
ao verão. Chamou a atenção o aumento de dois pontos percentuais, em relação ao verão,
no número de ciclones que atravessaram completamente pela área de controle, em
alguma fase evolutiva. Teorizou-se que para isto ocorrer, grandes ciclones deveriam
passar com mais freqüência por partes laterais da área de controle, mas, em alguns casos

106
observados, certos ciclones sinópticos conseguiram cruzar grandes distâncias dentro da
região de estudo, não mudando de fase evolutiva, ou as vezes, apenas em duas fases.
Este fato ocorreu com o decaimento de sistemas sinópticos com mais de 3.000km.

Dividiu-se o cômputo das categorias nos períodos de inverno, avaliando-se a


contribuição dos ciclones pelo seu tamanho (Fig.7.1.43). A Tabela 7.1.33 demonstra os
valores absolutos de ciclones grandes e pequenos, contabilizados em cada categoria
avaliada.

Tabela 7.1.33: Valores Totais de Ciclones Grandes e Pequenos, de todos os Invernos,


Distribuídos em Categorias Evolutivas.

CATEGORIA GRANDES PEQUENOS


Ciclo Completo 231 455
Nasceram na Área, mas a Abandonaram 89 46
Chegaram para Decair na Área 297 81
De Passagem pela Área, em qualquer Fase Evolutiva 66 2
Não se Desenvolveram 33 62

Os registros de inverno indicaram uma maior ocorrência de mesociclones sobre


os sinópticos com ciclo evolutivo completo. A taxa desta relação ficou em quase dois
para um (2:1). Durante a varredura das imagens de satélite, a área de estudo se mostrou,
em muitos dias, infestada de mesociclones. Estes, surgiram tanto por formações
independentes, quanto pelo decaimento de grandes sistemas, como descrito na fase de
verão. Das três categorias principais, a que mais se destacou, na diferença de atuação
entre grandes e pequenos, foi a dos ciclones que chegaram para decair na área. A taxa
de sistemas sinópticos sobre os mesociclones alcançou 3,6:1. Há uma relação imediata
entre este aumento de casos de sistemas sinópticos, que decaíram na área, e o aumento
de mesociclones, com ciclo completo. Como muita energia não foi dissipada ao nível
molecular, ou não foi convertida em energia cinética, esta é suficiente para fomentar a
geração de novos sistemas pequenos. Por serem menores espacialmente e terem um
tempo de vida mais curto, computaram valores absolutos na primeira categoria. Esta
observação também teve validade para os ciclones que nasceram na área, mas a
abandonaram, devido ao aumento de casos de mesociclones. Neste caso, muitos

107
surgiram praticamente no meio da área de controle, saindo desta, ainda antes de seu
decaimento. Estes relatos foram baseados nas observações das varreduras das imagens.
Além disto, atentou-se para o fato de que não houve um aumento de casos de ciclones
sinópticos, com ciclo completo, quando se comparou o inverno e o verão. O aumento
dos casos de ciclones sinópticos que nasceram na área, mas a abandonaram, também foi
muito pequeno, na ordem de 10%. A categoria dos ciclones que não se desenvolveram,
tiveram um decréscimo nas ocorrências dos sistemas grandes e um leve aumento dos
pequenos, quando comparados ao verão. Finalmente, a categoria dos ciclones que
passaram pela área de controle aumentou em cerca de 100% em relação ao verão. Este
fato também pôde explicar o surgimento de um número maior de mesociclones com
ciclo completo, pois um sistema sinóptico que atuasse nas bordas da área de controle
poderia fomentar maior baroclinia ao seu redor.

A seguir, aplicou-se a divisão do cômputo de casos de cada um de seus cinco


períodos, nos dados de inverno, não importando os tamanhos dos sistemas, nas
separações em categorias evolutivas já descritas (Fig.7.1.44). Nesta avaliação, a
distribuição das ocorrências também seguiu o padrão geral da divisão das categorias
explanado anteriormente, com alguns valores similares, dependendo do período de
inverno. Notou-se que a oscilação dos dados, em geral, foi muito próxima em todas as
categorias. A variação na categoria do ciclo completo ficou em menos de dez ciclones,
em geral, e o seu máximo de variação foi entre 2002 e 2004, com 26 casos. O mesmo
fato ocorreu nas outras categorias, com variações máximas de 20 ciclones ou menos.
Esta homogeneidade se refletiu em todos os períodos, quando se verificou o cômputo
geral de casos por períodos de inverno, descrito anteriormente. Contudo, um efeito
semelhante aconteceu nas divisões de categorias evolutivas, com comportamento
similar aos verões.

Os valores das ocorrências desta climatologia posicionaram as categorias na


seguinte ordem geral: em primeiro lugar, os ciclones com ciclo completo; em segundo,
os ciclones que vieram decair na área; em terceiro, os ciclones que nasceram na área,
mas a abandonaram, com exceção de 2002, pois este registrou a quarta posição nesta
categoria, juntamente com a categoria dos ciclones que passaram pela área. Em 2005,
houve empate da terceira posição também nos casos dos ciclones que não se
desenvolveram. A última posição no cômputo de casos em todos os invernos foi dos

108
ciclones que apenas passaram pela área de controle, quando estes não registraram o
mesmo número de ocorrências, como nos invernos de 2002 e 2006.

Após as avaliações parciais, procedeu-se a análise integrada da segunda fase,


com a sobreposição das informações de todos os ciclones ocorridos em cada período de
inverno, também divididos pelos tamanhos e distribuídos nas cinco categorias
evolutivas (Fig.7.1.45). Notou-se que o padrão se manteve na contagem de casos de
ciclones sinópticos e mesociclones, com ciclo completo, por todos os períodos de
inverno. O inverno de 2004 foi o que registrou uma menor diferença da supremacia dos
mesociclones, com uma diferença de 19 casos. Todos os outros invernos mantiveram
taxas próximas de dois para um (2:1). Para os ciclones que nasceram na área, mas a
abandonaram, todos os invernos demonstraram o padrão geral, excetuando-se 2006,
onde houve uma diferença de apenas um caso a mais para os sinópticos. A divisão de
ciclones que vieram para decair na área também seguiu o padrão geral, mas com
algumas variações mais significativas, como no caso de 2004, onde a taxa de sinópticos
superou os mesociclones em 8,4:1. A categoria dos ciclones que não se desenvolveram
só diferiu do padrão geral em 2004, pois houve empate do número de casos. Nos outros
invernos, os mesociclones computaram mais ocorrências, destacando-se 2005 e 2006,
onde as taxas ficaram em dois para um (2:1). A categoria menos expressiva, dos
ciclones de passagem, dividiu seus casos com certa simetria entre todos os invernos.

Ao se refinar esta avaliação integrada pelos meses de inverno (Figs.7.1.46 até


7.1.48) percebeu-se algumas mudanças no padrão geral. Verificou-se que para os
ciclones com ciclo completo, os invernos de 2002 e 2004 registraram maior número de
casos sinópticos no mês de junho. Nos outros meses, o padrão se restabeleceu. Na
categoria de ciclones que chegaram para decair, junhos seguem o padrão geral, exceto
no inverno de 2006, onde houve empate de casos. Nos meses de julho e agosto, houve
alternância no cômputo de casos, pelos tamanhos, quatro vezes. Em geral, a maior parte
seguiu o padrão estabelecido na análise integrada. Os ciclones que vieram decair na área
também seguiram o padrão geral para todos os meses, com maioridade de casos de
sinópticos. Para a categoria dos ciclones que não se desenvolveram, houve alternância
de contagem, ora maior para sinópticos, ora para mesociclones. Esta variação perdurou
por todos os meses e períodos de inverno, não estabelecendo um padrão, embora a

109
contagem geral tenha registrado uma taxa de dois para um (2:1) à favor dos
mesociclones.

O terceiro e último grupo visou verificar o comportamento dos ciclones dentro


dos períodos dos verões, mas divididos pelos meses que compõem esta estação.
Efetuou-se o cômputo de todos os ciclones que ocorreram em cada mês. A seguir, a
divisão pelos meses foi sub-dividida pelas ocorrências dentro das cinco categorias
evolutivas. Separadamente, quantificou-se as ocorrências de cada mês, mas sub-
divididos pelos tamanhos dos ciclones. Finalizou-se a análise com a integração das três
informações. Um organograma da terceira fase de análise do verão relatou estas etapas
(Fig.7.1.49).

Os valores das ocorrências de ciclones durante os cinco verões, mas distribuídos


pelos meses de dezembro, janeiro e fevereiro se apresentaram uniformes. A Tabela
7.1.34 relata estes valores, absolutos e relativos, dos ciclones contabilizados em cada
período de verão.

Tabela 7.1.34: Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Mês dos Períodos de
Verão e suas Freqüências Relativas.

MESES DE VERÕES TOTAIS Freqüência Relativa (%)


DEZEMBROS 334 33,0
JANEIROS 367 36,3
FEVEREIROS 311 30,7

Notou-se que os meses dos verões registraram oscilações de 3,0% na


distribuição dos casos. Janeiro se destacou com 36,3% das ocorrências, contabilizando
367 ciclones nos registros de cinco períodos (Fig.7.1.50A e B). Contudo, o que chamou
a atenção, depois de diversas fases de estudo, foi que, no geral, as ocorrências de
sistemas mantêm valores absolutos muito próximos dentro da estação de verão. Porém,
o fato esperado de queda no final do período se confirmou. Fevereiros registraram os
menores números de casos.

110
Terminada esta avaliação sumária, dividiu-se o cômputo dos casos mensais pelas
cinco categorias evolutivas (Fig.7.1.51). O resultado demonstrou novamente hegemonia
na distribuição, respeitando os estudos anteriores de colocação ordinal das categorias,
ou seja, os ciclones com ciclo completo permaneceram em primeiro lugar, seguidos
pelos que vieram decair na área e com ligeira alternância de posição entre os que
nasceram na área, mas a abandonaram e os que não se desenvolveram. Contudo, neste
cruzamento de informações, permaneceu a supremacia dos casos em janeiros, com as
exceções ocorridas nas categorias dos que nasceram na área, mas a abandonaram, que
registrou um cômputo superior geral nos meses de dezembro e, nos que passaram pela
área, onde o maior valor ocorreu nos meses combinados de fevereiro.

Paralelamente, ao se realizar a análise destes valores divididos mensalmente,


mas sub-divididos por tamanhos, notou-se que os ciclones sinópticos sobrepujaram as
ocorrências dos mesociclones em todos os meses combinados dos períodos de verão
(Fig.7.1.52). A maior diferença se registrou nos meses combinados de fevereiro, onde
os sinópticos contabilizaram 184 ocorrências, contra 127 dos mesociclones.

A última análise integrada, sobrepôs as informações de todos os ciclones


ocorridos em cada período de verão, agrupados em seus meses, e distribuídos por
tamanhos e categorias evolutivas (Fig.7.1.53). Neste caso, o comportamento destas
categorias foi imperativo em relação às ocorrências mensais, ou seja, voltou-se ao
padrão registrado anteriormente. Como exemplos, os mesociclones, com ciclo
completo, destacaram-se dos sinópticos e a categoria dos que vieram decair na área,
registraram o maior número de casos para os sistemas grandes.

Finalmente, a terceira e última fase visou verificar, analogamente ao verão, o


comportamento dos ciclones dentro dos períodos dos invernos, divididos pelos meses
que compõem esta estação. Computou-se todos os ciclones que ocorreram em cada mês.
Prosseguiu-se com a divisão das ocorrências dos meses dentro das cinco categorias
evolutivas. Distintamente, quantificou-se as ocorrências de cada mês, mas sub-divididas
pelos tamanhos dos ciclones. Uma análise com a integração das três informações
finalizou este terceiro grupo. Um organograma desta fase de análise de inverno, relatou
as referidas etapas (Fig.7.1.54).

111
Os valores das ocorrências de ciclones durante os cinco invernos, distribuídos
pelos meses de junho, junho e agosto também se apresentou uniforme. A Tabela 7.1.35
relata estes valores, absolutos e relativos, dos ciclones contabilizados em cada período
de inverno.

Tabela 7.1.35: Valores Totais de Ciclones que Atuaram em cada Mês dos Períodos de
Inverno e suas Freqüências Relativas.

MESES DE INVERNOS TOTAIS Freqüência Relativa (%)


JUNHOS 439 32,2
JULHOS 486 35,7
AGOSTOS 437 32,1

Os meses dos invernos registraram oscilações ainda menores que os verões, com
apenas 2,0% na distribuição dos casos, quando comparados junhos e agostos contra
julhos. Estes, destacaram-se levemente com 35,7% das ocorrências, contabilizando 486
ciclones nos registros dos cinco períodos (Fig.7.1.55A e B). Os valores, além de mais
altos, como se verificou nas primeiras análises, tiveram uma divisão simétrica nos
meses de junho e agosto, centradas neste máximo de julho. A variação em valores
absolutos foi de 50 ciclones entre o mês de registro máximo e os dois meses de registro
mínimo, porém similares.

A seguir, dividiu-se os valores dos casos mensais pelas cinco categorias


evolutivas (Fig.7.1.56). Com efeito, verificou-se que os resultados foram análogos aos
do verão. A distribuição foi harmoniosa e manteve as posições das categorias, relatadas
anteriormente no respectivo estudo de inverno. Os ciclones, com ciclo completo,
permaneceram em primeiro lugar, seguidos pelos que vieram decair na área e logo
depois, pelos que nasceram na área, mas a abandonaram. A simetria relatada, entre os
meses de junho e agosto, centrados no destacado mês julho, permaneceu em todas as
categorias, com exceção dos ciclones que vieram decair na área, cujo mês de agosto
apresentou valor ligeiramente mais elevado.

Ao mesmo tempo, realizou-se a análise dos valores divididos mensalmente, mas


sub-divididos por tamanhos (Fig.7.1.57). Neste caso, notou-se que os ciclones

112
sinópticos contabilizaram maiores ocorrências que os mesociclones, com significativo
destaque, apenas nos meses combinados de junhos. Esta diferença foi de 73 casos, onde
se registrou 256 sinópticos contra 183 mesociclones. Para os meses combinados de
julhos, os mesociclones passaram os sinópticos em apenas 10 casos, sendo 248 e 238 os
números de casos, respectivamente. Finalmente, os meses combinados de agostos
registraram 222 sistemas grandes e 215 pequenos.

A última análise integrada dos invernos, sobrepôs as informações de todos os


ciclones ocorridos em cada período, agrupados pelos meses, e distribuídos por tamanhos
e categorias evolutivas (Fig.7.1.58). Observou-se que o comportamento das categorias
predominou novamente, na análise de inverno, em todos os meses combinados, sem
exceções em nenhuma categoria, tamanho ou mês combinado. Estes fatos indicaram que
a distribuição da atividade ciclônica, em categorias evolutivas, seguiu um padrão por
todo o período desta climatologia, não importando o mês de estudo. Contudo, casos
particulares indicaram pequenas flutuações. Estas, foram amortecidas conforme se
ampliou o tempo de estudo.

No término desta etapa de análise da MET-1, procedeu-se uma comparação


sumária entre os períodos sazonais, separados primeiramente pelas categorias
evolutivas, no que se refere ao número de casos de verão e inverno. Adicionou-se as
distribuições entre os meses que fazem parte de cada estação climática estudada e, a
seguir, separadamente, a quantificação dos casos sub-divididos por tamanhos. O
procedimento adotado foi descrito em um organograma (Fig.7.1.59).

Nesta análise, verificou-se que os invernos, como relatado anteriormente, se


manifestaram mais ativos que os verões (Fig.7.1.60). No cômputo geral de ciclones,
sem distinção, apenas divididos pelas categorias evolutivas, notou-se que o aumento
mais significativo ocorreu em quase todas as categorias do inverno. Contudo, as taxas
relacionais não foram muito próximas. A Tabela 7.1.36 compara as taxas entre as
estações climáticas e informa qual delas se destacou, dentro das cinco categorias
evolutivas.

113
Tabela 7.1.36: Taxas Relacionais Obtidas dos Valores Totais de Ciclones de Todos os
Verões e Invernos, com Relato da Estação que se Destacou nas
Categorias Evolutivas.

CATEGORIA DESTAQUE TAXA


Ciclo Completo INVERNO 1,24 : 1
Nasceram na Área, mas a Abandonaram INVERNO 1,45 : 1
Chegaram para Decair na Área INVERNO 1,62 : 1
De Passagem pela Área, em qualquer Fase Evolutiva INVERNO 2,12 : 1
Não se Desenvolveram VERÃO 1,09 : 1

A categoria dos ciclones de passagem pela área, no inverno, dobrou de casos, em


relação ao verão. Contudo, dentre as três principais categorias, a dos ciclones que
vieram decair na área ficou em primeiro lugar, com uma taxa de 1,62:1 para os
invernos. Na seqüência, os ciclones que nasceram na área, mas a abandonaram, com
1,45:1. A terceira posição ficou com os ciclones com ciclo completo, com taxa de
1,24:1 favorável aos invernos. Notou-se que o aumento significativo de ciclones que
vieram decair na área pôde indicar que, o período de inverno, nesta climatologia, foi
tendenciosa para a formação de ciclólises. Contudo, a energia remanescente destes
sistemas poderia gerar outros. Observou-se que, ao se dividir as categorias pelos
tamanhos dos sistemas, comparando verões e invernos, o número de casos de
mesociclones aumentou no inverno, para o ciclo completo, da mesma forma que
aumentaram os casos de sistemas sinópticos que vieram decair na área (Fig.7.1.61). Esta
relação também pôde ser demonstrada, ao se comparar os casos de sistemas sinópticos
que tiveram ciclo completo, nas duas estações climáticas. Houve um ligeiro declínio nos
invernos, mas como este foi muito pequeno, considerou-se que ambos os períodos
registraram o “empate técnico”. A diferença entre eles foi de menos de 3%. Como os
sistemas sinópticos não aumentaram, ficou mais evidente que o aumento dos
mesociclones, para os invernos, correspondeu ao aumento dos sinópticos que vieram
decair. A energia disponibilizada por esses grandes sistemas, em sua fase de
decaimento, deve ter auxiliado na formação de sistemas menores.

Para as comparações entre os meses (Figs.7.1.62 e 7.1.63) valeram os fatos


relatados no terceiro grupo de estudo, de cada período sazonal. Contudo, ressalta-se

114
novamente que a divisão das categorias permaneceu praticamente a mesma nas duas
estações climáticas. Os ciclones com ciclo completo se destacam em ambas, seguidos
pelos que vieram decair na área. Outro fato observado e recém comentado foi a
distribuição nos meses. Esta, seguiu um padrão de máximo no meio das estações, ou
seja, janeiro, para os verões e julho, para os invernos, com duas exceções, uma em cada
estação.

A última etapa de análise da MET-1 visou localizar os sistemas ciclônicos


dentro da área de controle deste estudo. Este procedimento também utilizou o Catálogo
Climatológico de Ciclones e as Tabelas de Síntese de Ciclones. Durante o rastreio dos
sistemas, reportou-se a posição de cada um deles em relação à Estação Antártica
Comandante Ferraz. Com isto, foi possível identificar os setores predominantes das
posições, iniciais e finais, de todos os ciclones. Os procedimentos adotados foram a
separação dos casos dentro das três principais categorias evolutivas: ciclones com ciclo
completo; ciclones que nasceram na área, mas a abandonaram e os que vieram decair na
área. Não se abordou as categorias de ciclones que passaram pela área e os que não se
desenvolveram, porque estas não representaram informações de caráter prático. Pelas
observações realizadas, se estas categorias fossem utilizadas, seria identificado,
normalmente, apenas um setor, com raras exceções de dois ou mais. Por outro lado, as
três principais categorias permitiram identificar regiões favoráveis à ciclogênese ou
ciclólise, além de caracterizar geograficamente, a ação típica dos ciclones destas
categorias. Uma vez descritos os setores inicial e final destas três categorias principais,
adotou-se a divisão destas pelos tamanhos dos ciclones, com nova identificação dos
setores inicial e final. Finalmente, uma terceira sub-divisão ocorreu, mas em duas
etapas. A primeira sub-divisão relatou as ocorrências em tamanhos, das três categorias,
levando em conta os valores de casos de cada período de verão. Com isto, gerou-se os
mapas temáticos que representaram os setores preferenciais de início e fim das
atividades ciclônicas nas categorias. Paralelamente, o mesmo foi efetuado, mas se
trocando os períodos de verão pelos meses que os constituem. Desta maneira,
identificou-se os setores inicial e final de atuação dos ciclones nas categorias, mas
sub-divididos por meses. Um organograma deste procedimento relatou todos os passos
seguidos nesta etapa final de verão da MET-1 (Fig.7.1.64).

115
Seguindo esses procedimentos, no cômputo de todos os períodos de verão, a
categoria dos ciclones com ciclo completo dentro da área de interesse, registrou três
setores predominantes para o nascimento dos sistemas. Os maiores valores absolutos
ocorreram nos setores Noroeste, Norte e Oeste, com 143, 129 e 88 casos
respectivamente. Para a fase de decaimento, os maiores registros ocorreram nos setores
Nordeste, com 137 casos, Sudoeste, com 81 e Sudeste, com 75 ciclones (Fig.7.1.65).
Por estas informações, em geral, os ciclones tiveram tendência de nascerem nos setores
centrados à Noroeste. Este fato implicou que a formação destes sistemas, possui relação
específica com o Sul do oceano Pacífico. Pode-se estimar que a energia contida neste
trecho do oceano é suficientemente alta para a geração de fortes baroclinias, causando o
surgimento de grandes ciclones sinópticos. Este fato pôde ser verificado quando se
dividiu, por tamanhos, a categoria dos ciclones com ciclo completo (Fig.7.1.66).
Observou-se que a maior parte dos ciclones que compuseram os valores dos setores
Noroeste, Norte e Oeste são sinópticos, com 84, 56 e 29 casos, respectivamente. Para os
outros setores, os registros são mínimos, onde muitos deles ficaram com apenas 10% do
valor máximo. Quanto ao decaimento, os ciclones sinópticos registraram 72 casos no
setor Nordeste. Isto pode implicar que um maior número de ocorrências neste setor,
influenciem o clima no Sul da América do Sul, com conseqüências para o Brasil.
Mesmo em fase de decaimento, estes ciclones ainda mantêm sua circulação horária,
causando o transporte de ar frio para latitudes mais baixas. O segundo setor
predominante de decaimento de grandes sistemas foi o Sudeste. Este foi um fato
interessante, pois com estas ocorrências, um transporte de ar mais frio, de latitudes mais
baixas, provenientes do mar de Weddell, tem mais probabilidade de ocorrer. Outro fato
interessante foi o terceiro setor predominante de Sudoeste, com 31 casos. Os sistemas
que decaíram neste setor, normalmente eram provenientes de Noroeste e ganhavam
muitos graus de latitude em pouquíssimas horas, com deslocamento praticamente
meridional. O decaimento no mar de Bellingshausen pode influenciar em alguns fatores
que serão comentados mais adiante, na MET-3.

No caso dos mesociclones (Fig.7.1.67) as ocorrências, em teoria, poderiam


registrar nascimento e decaimento em diversos setores, sem muitas correspondências,
contudo, houve predomínio também. Registrou-se recorrência de nascimentos no setor
Norte, com 73 casos, seguidos dos setores Noroeste e Oeste, ambos com 59 casos cada.
Para os outros setores, houve uma similaridade com valores absolutos significativos,

116
excetuando-se Sudeste e Centro. Este último, foi considerado como uma área em um
raio aproximado de 200km da estação Ferraz. Na fase de decaimento, os mesociclones
registraram valores altos, similares ao sinópticos, no setor Nordeste, com 65 casos. Este
fato pôde ter contribuído com transporte de ar frio para latitudes mais baixas, como
descrito para os sinópticos. Em segundo lugar, ficaram os setores Norte e Sudoeste. Este
último, representa a área do mar de Bellingshausen, já descrito como região propícia ao
decaimento de sistemas sinópticos, com ciclo completo. O provável remanescente de
energia destes sistemas gerou muitos casos, aqui registrados, pelas observações.

Prosseguindo nas análises de setores dos ciclones com ciclo completo,


elaborou-se os mapas temáticos com os valores absolutos de ocorrências dos ciclones
grandes e pequenos, distribuídos nos seus períodos de verão. Em cada mapa, os
histogramas setoriais indicaram as freqüências absolutas de ocorrências de nascimento
ou decaimento. Por este ângulo, notou-se que os registros de nascimento de ciclones
grandes, no setor Noroeste, destacaram-se para todos os verões, com exceção de
2005-2006, cuja maior ocorrência aconteceu no setor vizinho, o Norte (Fig.7.1.68). No
verão de 2001-2002, o segundo setor de nascimento foi o Oeste, com 14 casos. O setor
Nordeste se destacou para o verão de 2002-2003. Os outros setores registraram poucos
casos, com verões que não pontuaram sequer uma ocorrência. No decaimento dos
ciclones grandes, apenas 2001-2002 registrou o setor Sudoeste como o seu
predominante (Fig.7.1.69). Em 2003-2004, embora o setor Nordeste tenha registrado o
maior número de casos, a distribuição foi esparsa em mais setores, Contudo, o setor
Nordeste se destacou para três períodos de verão, 2002-2003, 2004-2005 e 2005-2006.
Para estes mesmos períodos, o segundo setor foi Sudeste. Uma pergunta surgiu neste
ponto: seriam estes os verões onde a temperatura média teria sido mais baixa, no Sul da
América do Sul, ou no Sul do Brasil? Esta hipótese foi levantada ao se observar
algumas configurações de ciclones em ambos os setores, Sudeste e Nordeste, ao mesmo
tempo ou com pouco intervalo entre eles. Imaginou-se que as circulações poderiam
causar um intenso transporte de ar frio, proveniente do mar de Weddell, para o estreito
de Drake. Sob certas circunstâncias favoráveis de circulação ciclônica, após uma
modificação no percurso, o ar frio poderia alcançar latitudes mais baixas.

Em análise análoga, aplicada para os ciclones pequenos, os verões de 2002-2003


e 2005-2006 indicaram altos valores de nascimento nos setores Norte, Noroeste e Oeste

117
(Fig.7.1.70). O verão de 2001-2002 registrou pouca atividade, com destaque para os
setores Sul, Sudoeste e Oeste. O verão de 2003-2004 foi um dos mais fracos, mas
mesmo assim, os seus registros indicaram o setor Noroeste como o mais ciclogênico,
seguido pelos setores Norte e Oeste. O verão de 2004-2005 destacou o setor Oeste, com
13 casos. Notou-se que os altos valores de 2002-2003 e 2005-2006 também se referiram
aos mesociclones que surgiram no final da América do Sul e que partiram para Nordeste
ou Leste da área de controle, com a finalidade de decair (Fig.7.1.71). Notou-se que a
maior parte dos mesociclones, em todos os períodos de verão, decaíram em todos os
setores, com mais destaque para os cobertos pela península Antártica, ou seja, setores
Sudoeste, Sul e Sudeste. Porém, os verões de 2002-2003 e 2005-2006 registraram
ocorrências de decaimento muito altas no setores Nordeste, Norte, Leste e Sudoeste.
Prováveis conexões com os sistemas sinópticos ou as interações costeiras foram
previstas para estes períodos, já que os mesmos foram períodos descritos como de
intensa atividade ciclônica.

Separadamente dos mapas temáticos, analisou-se todos os ciclones com ciclo


completo, devidamente divididos por tamanho, mas no aspecto dos valores absolutos,
por meses de verão agrupados. Para os ciclones grandes, a fase de nascimento obteve
uma predominância homogênea nos setores Noroeste, Norte e Oeste para todos os
meses. Apenas o combinado de janeiros apresentou valores mais altos para o setor
Nordeste (Fig.7.1.72). No decaimento, os grandes sistemas se destacaram no setor
Nordeste, com fortes registros em janeiro, seguidos dos setores Sudeste e Sudoeste, com
distribuição similar nos meses combinados. Os setores Leste, Norte e Sul também
contabilizaram em amplitude mais baixa, mas com destaque razoável (Fig.7.1.73).

Para os ciclones pequenos com ciclo completo, a distribuição nos meses


combinados de verão mostrou um pico de ocorrências nos janeiros, setor Norte e
Noroeste. O mesmo ocorreu nestes mesmos setores, mas com menor intensidade, nos
outros meses. O segundo setor com mais registros foi Oeste, com maior número de
casos nos meses combinados de dezembro. Para os outros setores, houve registros com
relativo significado, mas com poucos casos no setor Sudeste. A atividade de ciclogênese
no centro, área da estação Ferraz, registrou nove casos, distribuídos nos meses
(Fig.7.1.74). Nos registros de decaimento de mesociclones, novamente, os combinados
dos meses de janeiro se destacaram no setor Nordeste, seguidos de Sudoeste para o

118
mesmo mês. Os outros setores tiveram destaque homogêneo em todos os meses, com
número significativo de ocorrências. Apenas o setor Oeste foi o que menos registrou
(Fig.7.1.75).

Seguindo com os mesmos procedimentos, porém na avaliação dos ciclones que


nasceram na área de controle, mas a abandonaram, durante todos os verões avaliados, o
setor Nordeste predominou absolutamente sobre todos os outros, como local de
nascimento e de saída, ou fuga, dos sistemas (Fig.7.1.76). Registrou-se 47 casos de
ciclones nascidos neste setor, contra 52 casos de saída da área de controle, pela mesma
posição. Pelas observações, notou-se que este setor formou muitos ciclones, contudo,
pelo escoamento atmosférico de Oeste, estes abandonaram rapidamente a área de
controle, principalmente quando se tratou de mesociclones. O segundo setor
predominante para nascimentos foi o Norte, mas registrou menos da metade dos casos
do setor predominante. Para a saída de sistemas, o setor Leste ficou na segunda posição,
mas também ficou aquém da metade de casos do setor Nordeste. Nesta categoria
pesquisada, não se admitiu a saída de ciclones pelo setor central, pois isto não seria
fisicamente possível e seus registros gráficos foram sempre zero. Quando se dividiu as
ocorrências pelo tamanho dos sistemas, observou-se que os ciclones sinópticos seguem
com fidelidade o padrão geral de ciclones que nasceram na área, mas a abandonaram
(Fig.7.1.77). O setor Nordeste predominou novamente sobre todos os outros, como local
de nascimento e de saída dos sistemas. Quase a totalidade de casos registrados, no
estudo geral, pertenceram aos sinópticos. O segundo setor de nascimento foi o Norte e,
o de fuga, foi o Leste, também semelhantes ao padrão geral. Ao se verificar o
comportamento dos mesociclones, percebeu-se que os mesmos, embora inferiores em
número de casos, também registraram as ocorrências como o padrão geral,
excetuando-se que o setor Leste registrou o segundo lugar em nascimento (Fig.7.1.78).
Este fato foi interessante, pois notabilizou que os ciclones que nasceram na área, mas a
abandonaram, por esta climatologia, tenderam a nascer nos setores Nordeste e Norte e
suas saídas ocorreram pelos setores Nordeste e Leste. As probabilidades calculadas para
estas ocorrências foram grandes, algumas na ordem de 75%.

Os ciclones que nasceram na área, mas a abandonaram também foram


registrados em mapas temáticos, com os valores absolutos de ocorrências dos ciclones
grandes e pequenos, distribuídos nos seus períodos de verão. Conforme a categoria

119
anterior, em cada mapa, os histogramas setoriais indicaram as freqüências absolutas de
ocorrências de nascimento ou de saída dos sistemas. Os ciclones grandes registram suas
predominâncias de nascimento, como descrito anteriormente, no setor Nordeste, onde os
verões 2005-2006 e 2002-2003 se destacaram em casos, seguido de Norte, com maiores
ocorrências nos verões de 2004-2005. Notou-se que o verão de 2001-2002 possuiu
baixo cômputo geral, com seu máximo de quatro casos, no setor Norte (Fig.7.1.79). O
setor de saída dos ciclones grandes, em quase todos os períodos de verão, concentrou-se
no Nordeste. O maior registro foi no verão de 2005-2006, com 14 casos, seguido do
período de 2004-2005 e 2002-2003. Outras concentrações menores de períodos
ocorreram nos setores Leste e Sudeste. Apenas um ciclone, em 2001-2002 saiu pelo
Norte, ou seja, sistemas sinópticos praticamente não se deslocam para a direção Sul da
América do Sul (Fig.7.1.80).

Os mapas temáticos dos ciclones pequenos que nasceram na área de controle,


mas a abandonaram, também registrou os mesmos setores predominantes dos sistemas
sinópticos. Excetuando-se 2005-2006, com mais casos registrados e 2002-2003, um
verão intermediário de casos, os outros verões praticamente registraram apenas uma
ocorrência, quando isto foi possível. Contudo, verificou-se novamente que os setores
Nordeste, Norte e Leste são os preferenciais, nesta ordem, para o nascimento de
mesociclones que abandonaram a área (Fig.7.1.81). Para o caso dos setores de fuga,
houve uma concentração das ocorrências em todos os verões. Nordeste foi quem mais
registrou para 2005-2006, seguido de 2002-2003. O mesmo ocorreu no setor Leste, em
2005-2006, seguido de 200-2002 (Fig.7.1.82).

Na análise combinada por meses, de todos os verões, notou-se que os ciclones


grandes que nasceram na área, mas a abandonaram, registraram mais ocorrências em
dezembro, no setor predominante de Nordeste, declinando para fevereiros. O setor
Norte distribuiu as ocorrências com similaridade. Os outros meses registraram casos
esparsos nos meses combinados de todos os verões (Fig.7.1.83). Para os setores de
saída, Nordeste acompanhou o comportamento de nascimento, com muitos casos nos
meses combinados de dezembro, declinando para fevereiros. Verificou-se que este
comportamento está conectado com as fases de nascimento destes sistemas, os quais
derivaram para Leste, logo que surgiram (Fig.7.1.84). O setor Leste distribuiu quase que

120
homogeneamente os casos pelos meses combinados dos verões. Nos outros setores,
quase não se registrou ocorrências.

Finalmente, os mesociclones que nasceram na área, mas a abandonaram, mesmo


sendo poucos, seguiram o padrão de declínio na análise de meses combinados. Isto
ocorreu no setor Nordeste, para a fase de nascimento. Setores Leste e Norte registraram
algumas ocorrências, distribuídas igualmente, nos combinados de dezembro e janeiro
(Fig.7.1.85). O setor Leste, de fuga dos mesociclones, teve o maior número de registros
nos meses combinados de dezembro, com cinco casos. Em geral, a concentração de
saída dos sistemas pequenos ficou em dezembros e janeiros, nos setores Leste e
Nordeste, com poucos casos no setor Sudeste (Fig.7.1.86).

No término desta análise de verões, a categoria dos ciclones que vieram decair
na área, para todos os períodos de verão, os ciclones registraram dois setores
preferenciais de entrada na área de controle. O primeiro lugar ficou com o setor Oeste,
com 106 casos registrados, seguido pelo setor Noroeste, com 82 ocorrências
(Fig.7.1.87). Um terceiro setor, que contribuiu com relativa significância foi o Sudoeste,
com 30 casos. Todos os outros juntos registraram 14 ocorrências e foram considerados
desprezíveis. Para esta categoria, o setor central não computou casos para entrada de
sistemas, pois isto não seria fisicamente possível. Todos os registros gráficos, neste
setor, resultaram em zero. O decaimento dos ciclones, em todos os verões, registrou
duas predominâncias muito próximas. A primeira foi o setor Sudoeste, com 68 casos e a
segunda foi o setor Noroeste, com 52 ocorrências. Este primeiro setor indicou que esta
climatologia conseguiu confirmar a alcunha do mar de Bellingshausen, conhecido como
“Cemitério das Baixas”. A região mostrou, para esta categoria de ciclones estudados,
que as ciclólises são recorrentes, com possível ligação com a barreira de montanhas
pertencentes à península Antártica, cuja altitude pode atingir 4.000 metros. Uma
estatística preliminar foi efetuada, com dados do verão de 2001-2002, e confirmaram
esta hipótese, pois duas situações ocorreram na chegada de sistemas neste setor: ou o
sistema decaiu completamente, ficando preso no mar de Bellingshausen, ou houve
atrasos na sua travessia, forçada pela península Antártica. Contudo, seguindo na
descrição dos setores, uma terceira posição, pouco menos considerável, foi dada para
dois setores, Oeste e Norte, com valores similares de 39 e 34 casos, respectivamente.
Notou-se que, em geral, os ciclones com ciclo completo seguiram o esperado, ou seja,

121
entrarem na área de controle por setores derivados de Oeste, e decaírem próximos
destes.

Quando se dividiu as ocorrências pelo tamanho dos sistemas, observou-se que o


comportamento de entrada dos ciclones sinópticos foi idêntico ao comportamento geral
(Fig.7.1.88). Estes ciclones foram os regentes desta categoria por terem um grande
número de casos, portanto, os mesmos setores se destacaram. Pela óptica da circulação
geral, os três setores que mais contribuíram para a entrada dos sistemas sinópticos
podem ser explicados. O setor Oeste, representou a Trilha das Depressões e, a maior
parte dos 92 casos, tiveram contribuições diretas da baroclinia que permanece nesta
latitude. O setor Noroeste teve a contribuição do oceano Pacífico, considerado um
grande reservatório de energia e que gerou fortes ocorrências ciclônicas, com 69 casos.
Por último, o setor mais fraco, de Sudoeste, recebeu as contribuições de ciclones
formados localmente, nas cercanias da Antártida. Contribuições estas que poderiam ter
surgido mais ao Sudoeste da península Antártica, ou vindas do mar de Amundsen (ao
Sul do mar de Bellingshausen) ou até mesmo do mar de Ross. Os setores de decaimento
dos sistemas sinópticos também registraram as mesmas ocorrências do caso geral,
destacando o setores Sudoeste, Noroeste e Oeste como regiões de ciclólise. Estes
sistemas registrados foram aqueles que tiveram a maior parte do seu período evolutivo
muito à Oeste da área de controle, só a atingindo na fase de maior decaimento. As
probabilidades calculadas apenas para dois setores predominantes de entrada foram
altas, mas para o decaimento dos sistemas, houve mais opções de setores. Os valores
ficaram na ordem de 81%.

Quanto ao comportamento dos mesociclones, além do baixo número de casos,


notou-se que estes também seguiram o comportamento geral, algo que não era muito
esperado. Os setores Oeste e Noroeste registraram os maiores valores de ocorrências de
entrada de mesociclones na área de controle (Fig.7.1.89). Provavelmente estes sistemas
foram derivados de decaimentos ainda mais à Oeste da área de controle. Os setores
predominantes de decaimento de mesociclones foram Noroeste, Sudoeste e Norte, este
último, com forte influência do Sul da América do Sul.

Os últimos mapas temáticos de verão, referentes aos ciclones que vieram decair
na área de controle, demonstraram a atividade desta categoria em cada período desta

122
estação. Para os setores de entrada dos ciclones sinópticos, houve uma singular
hegemonia de ocorrências dos verões (Fig.7.1.90). O setor Oeste praticamente registrou
18 casos em quase todos os períodos. Houve um destaque singular, no verão de
2002-2003, para setor Noroeste, o segundo em casos de verão. O setor Sudoeste,
embora tenha registrado de cinco a oito ciclones nos verões, não registrou um caso no
verão de 2003-2004. Todos os outros setores foram insignificantes para os verões, em
geral. Contudo, ao se verificar as ocorrências de decaimento dos ciclones sinópticos,
notou-se flutuação nos registros dos valores absolutos de casos (Fig.7.1.91). Em maior
ou menor grau, os casos de todos os períodos de verão se distribuíram nos setores
derivados de Oeste, com leve predomínio de Sudoeste, seguido de Oeste e Noroeste. O
verão de 2004-2005 se destacou nas ocorrências de Sudoeste, 2001-2002 nos casos de
Oeste, mas o verão de 2002-2003 registrou 13 casos em três setores: Norte, Sudoeste e
Noroeste. Foi importante verificar estes casos de decaimento de sistemas sinópticos, na
área do mar de Bellingshausen, porque estes levantaram uma interessante hipótese:
seriam os anos de maior incidência de decaimento neste setor, aqueles em que o mar
congelou menos, ou houve maiores registros de aquecimento costeiro no setor Oeste da
península Antártica, com tendência a liberação de icebergs? Esta pergunta é de difícil
resposta, primeiro por causa de fatores locais de circulação. Em segundo, pelo fato do
congelamento do mar não ser uma função linear4. Em terceiro, por não ter havido uma
estatística desta natureza, dos sistemas ciclônicos, que tornassem esses fenômenos,
fatores intrínsecos da Geografia Antártica.

Os mapas temáticos dos mesociclones que chegaram para decair na área foram
de avaliação mais simples, contudo, com pouca significância para esta climatologia,
devido ao baixo número de casos. Os setores Oeste e Noroeste, de entrada de ciclones,
se destacaram dos casos. O verão de forte atividade de 2005-2006 registrou mais
ocorrências, mas mesmo este, não passou de seis casos. O período de verão de
2003-2004 chegou a registrar apenas um caso no setor Noroeste (Fig.7.1.92). Para o

4
Dados de congelamento dos mares antárticos foram verificados, no intuito de apenas ilustrar, através
de um comentário, como se comportam os bancos de gelo. Segundo a NOAA, até centenas de
quilômetros de distância da costa, na superfície marinha, podem congelar, em uma semana, na Antártida.
As informações são obtidas diariamente, por satélites, bóias, ou até mesmo por observações feitas de
navios. A não linearidade do congelamento, comentada no texto, referiu-se à dificuldade em se
demonstrar, através de funções matemáticas ou empíricas mais simples, o modo de como se comportam
os mecanismos de congelamento marinho na Antártida. A explicação vem do fato de que as variáveis
envolvidas, como presença de ciclones, ventos, temperatura do mar etc. também não serem lineares ou de
difícil avaliação.

123
decaimento dos mesociclones, quase todos os setores registraram um mínimo de
ocorrências, espalhadas pelos verões (Fig.7.1.93). O único destaque significativo, para
mesociclones, foi o verão de 2005-2006, com cinco casos no setor Sudoeste.

Finalizando os verões com o agrupamento das ocorrências setoriais, nos meses


combinados deste período, notou-se que, para o setor de entrada, os ciclones sinópticos
registraram uma distribuição similar, entre os meses, no setor Oeste (Fig.7.1.94). O
setor Noroeste teve mais atividade nos meses combinados de janeiro, enquanto que
dezembros e fevereiros registram menos, mas igualitariamente. O setor Sudoeste se
destacou com mais casos, apenas nos meses de fevereiro. Todos os outros setores mal
registraram um caso, em algum dos meses combinados. Para a fase de decaimento, os
sistemas sinópticos tiveram um destaque significativo nos meses combinados de
fevereiros, setor Sudoeste (Fig.7.1.95). Em todos os outros meses combinados, os
setores Sudoeste, Noroeste e Oeste tiveram número de casos muito parecidos, com
declínio, ao se aproximarem dos fevereiros. Os meses de janeiro, no setor Norte,
registraram valores semelhantes aos obtidos nos setores e meses predominantes. Quanto
aos mesociclones, o setor de entrada de Oeste obteve um registro destacado dos demais,
nos meses combinados de janeiro, com declínio para fevereiros e nenhuma ocorrência
nos meses de dezembro. O setor Noroeste obteve distribuição baixa e homogênea em
todos os meses (Fig.7.1.96). Ao término desta avaliação, não se registrou um setor
significativo para o decaimento dos mesociclones, tanto pelo baixo índice de casos,
quanto pela distribuição em diversos setores e combinados de meses (Fig.7.1.97). Um
pequeno destaque pode ser dado para quase todos os setores, nos meses de dezembro,
pois eles obtiveram, pelo menos, um registro.

Os períodos de inverno foram analisados da mesma maneira, com as três


categorias selecionadas e depois as avaliações parciais, em tamanhos e nos combinados
dos meses desta estação. Um organograma, deste roteiro de estudo, relatou todos os
passos seguidos nesta etapa final de inverno da MET-1 (Fig.7.1.98).

Segundo os procedimentos estabelecidos, no cômputo de todos os períodos de


inverno, a categoria dos ciclones com ciclo completo dentro da área de interesse,
registrou, em geral, cerca de 20% mais ocorrências de ciclones que nos verões. Isto foi
interessante, pois aumentou o espectro de recorrência da pesquisa. Para esta categoria,

124
dois pares de setores predominantes foram identificados para o nascimento dos
sistemas. Os maiores valores absolutos ocorreram no par de setores Noroeste, com 176
casos, e Norte, com 164 casos, seguidos, em um segundo escalão, pelo par de setores
Oeste (91 casos) e Nordeste (88 casos). Para a fase de decaimento desta categoria, os
maiores registros ocorreram no setor Nordeste, com 178 casos, seguido por um par de
setores que registrou semelhança de valores, Sudeste, com 96 ciclones e Norte, com 91
ciclones (Fig.7.1.99). Houve um destaque maior para as ocorrências dentro do raio de
controle central, próximo da Estação Antártica Comandante Ferraz. Foram 18
nascimentos e 17 decaimentos registrados.

Ao se dividir as ocorrências pelos tamanhos, a categoria de ciclones grandes


com ciclo completo, registrou uma semelhança ao padrão geral, tanto para a fase de
nascimento, quanto para o decaimento (Fig.7.1.100). Para o nascimento, apenas houve
uma inversão no destaque do par de setores predominantes. O setor Norte registrou 64 e
o Noroeste, 54 ciclones. O segundo destaque ficou para apenas um setor, o Nordeste,
com 34 casos. Todos os outros registraram 50% menos que a segunda posição. A fase
de decaimento se manteve no padrão geral para as duas primeiras posições. O setor
Nordeste registrou o maior número de casos de decaimento de sistemas sinópticos, com
72 ocorrências, enquanto que o setor Sudeste, 41 casos. O setor Leste ficou muito
próximo dos valores absolutos da segunda posição, com 35 ciclones registrados na fase
de decaimento. Notou-se, por esta climatologia, que as fases de nascimento,
preferencialmente, ocorreram nos setores Norte e Noroeste, no inverno. Estes setores
são os que mais tenderam a ter forte baroclinia. O setor Noroeste teve contribuição do
oceano Pacífico, mas pelas observações, a grande formação de ciclones, no setor Norte,
deveu-se ao fato da influência orográfica do Sul da América do Sul. A tendência da
Trilha das Depressões de atingir latitudes mais baixas, fez com que houvesse a
perturbação das ondas atmosféricas planetárias nesta área, que por sua vez, foram
forçantes de baroclinia. Verificou-se que muitos ciclones se formaram neste setor,
caminhando para a região central da área de controle ou para Nordeste e Leste.

Os mesociclones de ciclo completo, no inverno, seguiram o padrão geral, mas se


destacaram em oito, das nove posições possíveis de formação de ciclones, em relação
aos sinópticos. Os setores preferenciais de nascimento foram Noroeste, com 122 casos e
Norte, com 100 mesociclones. O setor Oeste ficou com a terceira posição preferencial,

125
com 76 casos (Fig.7.1.101). A fase de decaimento teve um destaque para o setor
Nordeste, com 106 casos. A segunda posição preferencial de decaimento obteve valores
semelhantes para cerca de cinco setores, Norte, Noroeste, Sudeste, Sudoeste e Oeste,
onde os valores oscilaram entre 65 e 48 ocorrências. O maior destaque do setor central
ocorreu para os mesociclones, onde 11 nasceram e dez decaíram.

Utilizou-se os mapas temáticos para o estudo das ocorrências de ciclones


grandes, com ciclo completo, com distinção dos períodos de inverno. Estes ciclones
registraram similaridade nas ocorrências em todos os períodos, com leve destaque para
o inverno de 2004. Os registros indicaram o setor Norte como o preferencial de
nascimento durante os invernos. O setor Noroeste, o segundo em destaque de
nascimento de ciclones com ciclo completo, teve registros em 2002, 2003 e 2005, mas
destaques em 2004 e 2006. Uma curiosidade ocorreu no setor Nordeste. Houve uma
redução de registros neste setor, conforme se passaram os invernos. Os outros setores
registraram casos esparsos, com maior ou menor significância, conforme os anos
(Fig.7.1.102). Para a fase de decaimento, os ciclones grandes com ciclo completo
registraram, preferencialmente, no setor Nordeste, com destaque para o inverno de
2004, com 21 casos de decaimento (Fig.7.1.103). Contudo, 2005 e 2006 registraram
uma tendência de redução neste setor. No inverno de 2002, houve similaridade de
registros em dois setores, Nordeste e Leste, para a fase de decaimento. O setor Sudeste
apareceu como o segundo colocado para os invernos de 2002 até 2005. Este fato foi
interessante, pois decaimentos longos, neste setor, forçaram um transporte de ar mais
frio e seco para as latitudes próximas de 60ºS. Quando a situação de escoamento foi
favorável, houve tendências de formação de ciclones no setor Nordeste (muitos dos
casos que nasceram na área, mas a abandonaram). Estas conexões, podem ter
influenciado o clima na América do Sul e, talvez, até mesmo no Sul do Brasil, com
invernos mais secos, quando a Temperatura da Superfície da água do Mar – TSM
estivesse mais baixa.

Os mapas temáticos dos mesociclones de inverno, com ciclo completo dentro da


área de controle, demonstraram que as ocorrências da fase de nascimento, ficaram em
faixas de setores predominantes (Fig.7.1.104). O setor Noroeste foi preferencial para o
nascimento de mesociclones nos invernos de 2002, com a marca recorde de 37 registros,
seguido dos invernos de 2006, com 25 e 2003 e 2004, ambos com 21 casos. Contudo,

126
2005 registrou sua maior ocorrência de nascimentos no setor Norte, com 28 casos. O
mesmo se repetiu para o inverno de 2003, com dois setores predominantes: Norte e
Sudoeste, este último, com forte ligação com os decaimentos de sistemas sinópticos que
ocorreram na região do mar de Bellingshausen. Um detalhe final observado foi uma
certa homogeneidade nas ocorrências de nascimento no setor Oeste. Para os
decaimentos dos mesociclones, houve muita oscilação para os invernos, com alternância
do predomínio, conforme o período (Fig.7.1.105). O setor Nordeste apareceu com
predominância em todos os invernos, com destaque para 2002, mas com reduções em
2003 e 2004. O inverno de 2003, particularmente quase registrou quatro setores de
predominância de decaimento de mesociclones: Nordeste, com 18 casos, Sudeste e
Sudoeste, ambos com 17 casos e Oeste, com 13 ocorrências. Antecipando uma conexão
com os ciclones que vieram decair na área, verificou-se que este mesmo inverno
registrou um grande número de decaimentos no setor Sudoeste, sobre o mar de
Bellingshausen. Esta situação foi seguida por um aumento de casos de mesociclones.
Prosseguindo, o inverno de 2002 registrou o setor Noroeste como seu segundo
predominante. Para o setor Norte, os invernos de 2005 e 2006 tiveram um aumento
considerável de casos de decaimento, o que acompanhou o crescimento destes mesmos
invernos, no setor Nordeste.

Na análise combinada pelos meses de inverno, a categoria dos ciclones grandes,


com ciclo completo dentro da área de controle, registrou, na fase de nascimento, uma
redução de casos no setor predominante Norte (Fig.7.1.106). Os registros começaram
com intensa atividade nos combinados de junho, reduzindo os casos, até os meses de
agosto. O segundo setor predominante, Noroeste, obteve similaridade de ocorrências
nos combinados de todos os meses. Para a fase de decaimento, os sistemas sinópticos
concentraram as atividades no setor Nordeste, nos dois primeiros meses combinados,
reduzindo para os meses de agosto. Houve uma divisão levemente homogênea nos
setores Norte, Leste e Sudeste para todos os combinados de meses dos invernos
(Fig.7.1.107).

No mesmo tipo de análise, os mesociclones, na sua fase de nascimento, agrupada


em praticamente cinco setores, dividiram suas atividades em três grandes
concentrações: Noroeste, nos combinados de junho e agosto, e Norte, no combinado de
meses de julho (Fig.7.1.108). O setor Oeste registrou uma crescente atividade nos

127
períodos de inverno, começando menor, nos meses de junho e se tornando muito
intensa, nos meses de agosto. Nordeste e Sudoeste tiveram atividade significativa e
similar. Para a fase de decaimento, os mesociclones se dividiram em todos os setores e
em todos os combinados de meses de inverno, em maior ou menor grau. Os destaques
ficaram para o setor Nordeste, nos combinados de julho (Fig.7.1.109).

Prosseguindo nas análises, a categoria de ciclones que nasceram na área de


controle, mas a abandonaram, em todos os invernos, registraram o setor Nordeste, com
67 casos, como o predominante para o nascimento dos ciclones (Fig.7.1.110). O
segundo setor ficou muito aquém disto, pois registrou apenas 19 ocorrências em
Sudeste. Para o setor de saída dos ciclones, em todos os invernos, a predominância
registrada foi também em Nordeste, com 63 casos. A segunda posição ficou com o setor
Leste, embora este tenha registrado menos que 50% das ocorrências do setor
predominante. Contudo, novamente, esta categoria distribuiu, de maneira geral, as
ocorrências de nascimento em Nordeste, Sudeste e Leste, com alguns casos de Norte.
Os setores de saída, ou de fuga dos ciclones, também seguiram estas posições,
excetuando-se o setor Norte, como nos casos de verão. Estes três setores, derivados de
Leste, resultaram em alta probabilidade de ocorrências, com valores na ordem de 75%
para nascimentos ou saídas.

Na análise desta categoria, dividida pelos tamanhos, os ciclones sinópticos, que


nasceram na área, mas a abandonaram, seguiram o padrão geral dos invernos, em todos
os setores predominantes (Fig.7.1.111). O setor Nordeste se destacou no nascimento de
ciclones, com 47 casos, e ficou muito além, novamente, do segundo setor, o Sudeste,
com apenas 15 casos. Os setores Leste e Norte ficaram ambos com 10 casos de
nascimento. Os setores de saída dos ciclones grandes permaneceram com as mesmas
predominâncias: Nordeste, com 44, Leste, com 22 e Sudeste, com 15 casos. As
probabilidades combinadas destes três setores registraram valores de cerca de 80% para
nascimentos e 90% para saída dos sistemas, fato este também esperado para os períodos
de inverno, como explanados nas discussões de verão.

Os mesociclones, avaliados da mesma maneira, também demonstraram destaque


do setor Nordeste, com 20 casos (Fig.7.1.112). Contudo, houve uma distribuição
generalizada para quase todos os outros setores, com cerca de 25% do valor da primeira

128
predominância. A realização de um cálculo de probabilidades, neste caso, não seria fiel
ao descrito pela natureza destes sistemas, já que muitos setores teriam a mesma chance
de concorrer com as duas supostas segundas predominâncias, como Leste e Sudeste,
apontadas nos casos gerais. Isto aconteceu porque setores como o Sudoeste ficaram
significativos em ocorrências de nascimento de mesociclones, exatamente pela
característica deste setor, sobre o mar de Bellingshausen, ser um local de preferência de
decaimento dos sistemas sinópticos. Nos setores de fuga de mesociclones,
registraram-se quatro predominâncias, com destaque para o setor Nordeste, com 19
casos. Os setores Leste, Sudeste e Sudoeste registraram quase os mesmos valores, na
ordem de 50% da primeira predominância. Os cálculos de probabilidades, aqui, foram
realizados com os três principais setores de saída e depois, no combinado dos quatro
maiores. Isto resultou em valores da ordem de 78%, com três setores, e pouco mais de
95%, para os quatro combinados.

Foram elaborados os mapas temáticos da categoria de ciclones que nasceram na


área, mas a abandonaram, também divididos pelos tamanhos dos sistemas. Para os
ciclones grandes houve registros acentuados, de ocorrências de nascimento, nos
invernos de 2004, 2005 e 2006, no setor predominante de Nordeste (Fig.7.1.113). Os
invernos, de 2002 e 2003, embora com metade dos casos dos outros invernos, também
indicaram este setor como o seu predominante. A exceção foi 2003 que registrou o
mesmo número de casos (5 ciclones sinópticos) no setor Leste. O forte indício de
ciclogênese deste setor deve exercer influência nos invernos sul-americanos.
Ressaltou-se anteriormente que a TSM no oceano Atlântico Sul também poderia
contribuir com invernos, ora mais quentes e secos, frios e secos ou frios e úmidos. No
caso de invernos mais aquecidos, deve-se levar em conta o tempo de permanência de
anticiclones sobre o continente, na retaguarda dos sistemas sinópticos extensos. Isto
daria tempo para as mudanças de características do ar, como o aquecimento diurno dos
níveis mais baixos, por exemplo. A segunda predominância oscilou entre os invernos.
Os destaques ficaram para o período de 2004, com os setores Sudeste e Norte. Os
invernos de 2003 e 2006, registraram o Sudeste como a segunda predominante. Os
setores de saída de ciclones grandes se agruparam em Nordeste e Leste para todos os
anos, onde o inverno de 2005 registrou a maior marca, com 15 casos, seguido do
inverno de 2004, com 10 casos (Fig.7.1.114).

129
Os mapas temáticos dos mesociclones que nasceram na área, mas a
abandonaram, indicaram nos registros que dez ciclones pequenos nasceram, no inverno
de 2006, no setor Nordeste (Fig.7.1.115). Este foi o maior destaque, seguido de quatro
casos de 2004, no mesmo setor. O inverno de 2002, registrou seu máximo, embora
tênue, com 3 mesociclones, no setor Sudoeste. Em geral, as ocorrências dos anos, foram
mínimas e ficaram distribuídas majoritariamente nos três setores supracitados. Para a
definição dos setores de saída dos mesociclones, observou-se que os padrões
identificados nos períodos de inverno prevaleceram (Fig.7.1.116). O inverno de 2006 se
destacou muito nos registros, em relação aos outros invernos. Sua predominância no
setor Nordeste marcou 12 mesociclones. O inverno de 2002 registrou a segunda maior
marca, com cinco sistemas no setor Sudoeste. Os outros anos ficaram, com suas
concentrações inferiores, nos setores Nordeste, Leste e Sudeste.

As análises combinadas pelos meses de inverno, identificaram que os


nascimentos de ciclones grandes que nasceram na área, mas a abandonaram,
concentraram-se nos meses combinados de junhos, setor Nordeste (Fig.7.1.117). A
seguir, os registros declinaram para cerca da metade de casos, para ambos os meses
combinados restantes de inverno. Os setores Leste e Sudeste tiveram seus esparsos
casos distribuídos pelos combinados de meses de julho e agosto, onde estes registraram
mais ocorrências. Para o setor de fuga dos grandes ciclones, novamente os combinados
de junho, no setor Nordeste, foram os destacados em registro de casos (Fig.7.1.118). Os
registros deste setor declinaram, conforme se aproximaram dos meses combinados de
agosto. O setor Leste registrou suas maiores ocorrências nos combinados de junhos e
agostos, exatamente ao contrário do setor Sudeste, cujo máximo ocorreu nos meses
combinados de julho. De todos os outros setores e meses, apenas cinco tiveram casos
registrados. Estes, não passaram de dois casos.

Finalizando esta categoria de ciclones que nasceram na área, mas a


abandonaram, os mesociclones, como relatado anteriormente, registraram poucos casos.
O setor de nascimento preferencial foi o Nordeste que teve as ocorrências similarmente
distribuídas nos combinados de todos os meses de inverno (Fig.7.1.119). O outro setor
com maior número de registros foi o Noroeste, com quatro ocorrências nos meses
combinados de julho. O setor de saída, ou fuga dos mesociclones ficou definido quase
que igualmente em casos, para todos os meses de inverno, no Nordeste (Fig.7.1.120). O

130
setor Leste teve maiores valores absolutos nos meses combinados de julho e agosto. No
setor Sudeste, a distribuição dos poucos casos foi homogênea em todos os meses do
inverno. Finalmente, houve um segundo pico de ocorrências nos meses combinados de
julhos, mas no setor Sudoeste.

A última análise de inverno avaliou os casos ocorridos na categoria dos ciclones


que vieram para decair na área de controle. O setor de entrada predominou de Noroeste,
com 149 casos. O segundo e terceiro setores predominantes ficaram muito próximos,
sendo Sudoeste, com 107 casos e Oeste, com 93 ocorrências (Fig.7.1.121). O
comportamento seguiu o padrão dos verões. Era esperado que isto ocorresse, com a
chegada dos sistemas pelos setores derivados de Oeste. Estes três setores de entrada, em
combinação, possuem uma probabilidade de recorrência na ordem de 90%. O maior
destaque se deu para Noroeste, pelos motivos anteriormente descritos (influência do
oceano Pacífico). Contudo, também se deve lembrar que a Trilha das Depressões se
deslocou para latitudes mais baixas, durante o inverno. Como muitos ciclones partiram
de baixas latitudes e se dirigiram para a Antártida, esta rota de Noroeste, no controle
desta pesquisa, foi beneficiada. O setor de decaimento dos ciclones registrou a maior
alta no setor Sudoeste, com 84 casos. Este também foi um fato esperado e categorizou a
área do mar de Bellingshausen, como local definitivo de ciclólise, pelos dados avaliados
nesta climatologia, também para o período de inverno. O segundo setor foi Noroeste,
com 75 casos. Os ciclones decaídos neste setor foram aqueles que tiveram seu período
de existência muito longe da área de controle. A maior parte da maturação ocorreu no
meio do oceano Pacífico. Isto também explicou o fato de o terceiro setor com mais
registros ser o Norte, com 66 casos de decaimento. Para estes, a influência do Sul da
América do Sul foi decisivo na ciclólise dos sistemas, já muito enfraquecidos. As
probabilidades só se tornaram aceitáveis, para o decaimento dos sistemas, quando houve
a combinação de quatro setores: Sudoeste, Noroeste, Norte e Oeste, com cerca de 73%
de chances de recorrência. Isto mostrou o quanto estes setores tiveram uma distribuição
significativa de casos e estão fortemente ligados.

Ao se dividir a categoria dos ciclones que vieram para decair na área por
tamanhos, notou-se que os sistemas sinópticos foram os responsáveis pelo
comportamento geral desta classe, com semelhança nas ocorrências de setores
preferenciais de entrada dos sistemas (Fig.7.1.122). Com isto, o setor Noroeste se

131
destacou novamente com quase 80% das ocorrências do quadro geral desta categoria.
Foram registrados 119 ciclones grandes neste setor, seguidos de 90 casos no setor
Sudoeste. O terceiro setor, Oeste, registrou bem menos, com 62 casos, mas teve sua
significância, pois as probabilidades de entrada registraram mais de 90%, no combinado
dos três setores. Para o decaimento dos sistemas sinópticos, verificou-se a situação de
“empate técnico” entre três setores, com valores muito próximos. Em primeiro,
Sudoeste, com 61 casos, seguido por Noroeste, com 58 e Norte, com 52 ocorrências. Os
outros setores e a região central tiveram casos entre 32 a seis casos verificados. A
distribuição de decaimento pelos setores ficou tão próximo da homogeneidade, que
mesmo com alguns predominantes, o cálculo das probabilidades ficou muito baixo com
poucas combinações. Foi necessário aglutinar cinco setores para que ele registrasse mais
de 70%, o que o tornou inviável.

Quanto aos mesociclones que vieram para decair na área, além de menor número
de casos, os setores que predominaram para a entrada de sistemas foram Oeste e
Noroeste, os quais também se apresentaram em situação de empate, com 31 e 30 casos,
respectivamente. A probabilidade de mesociclones entrarem por estes dois setores ficou
em 75%. O setor Sudoeste registrou apenas 17 casos, mas, com a adição deste setor, as
probabilidades chegaram a mais de 96% (Fig.7.1.123). No que tange ao decaimentos
dos mesociclones, os setores Sudoeste, com 23 casos, Noroeste, 17, e Oeste, com 16
ocorrências, foram os mais destacados, mas a distribuição ocorreu em quatro setores. O
setor Norte apresentou 14 casos. Todos os outros foram exíguos. Com isto, as
probabilidades de decaimento só se tornaram interessantes com a combinação destes
quatro setores, o que inviabilizou a eficácia do cálculo probabilístico.

Elaborou-se também os mapas temáticos para os ciclones que vieram decair na


área de controle nos invernos, com os dados distribuídos nos cinco períodos de estudo.
Para a entrada dos ciclones grandes, o inverno de 2004 se destacou no setor Sudeste,
com 32 casos, porém, a maior concentração, em todos os outros invernos, ocorreu no
setor Noroeste, com destaque para 2003, com 29 casos (Fig.7.1.124). O setor Leste não
registrou um caso sequer, em nenhum inverno, como era esperado. O setor Oeste se
destacou para todos os invernos, com forte atividade em 2004 novamente, mas fraca em
2005. Este último, concentrou as ocorrências somente em dois setores, Sudoeste e
Noroeste. Para a fase de decaimento, os ciclones grandes tiveram uma distribuição

132
muito dispersa, como foi relatado anteriormente, no estudo de tamanhos (Fig.7.1.125).
O inverno de 2002 registrou seu máximo no setor Noroeste, seguido por Norte, Em
2003 e 2004, o setor predominante passou para Sudoeste, seguido por Noroeste. Os
invernos de 2005 e 2006 registraram, no setor Norte, as suas primeiras predominâncias,
seguidos de Sudoeste e Noroeste. Contudo, as atividades se espalharam, inverno a
inverno, em outros setores, o que pode demonstrar que as atividades de dissipação de
grandes ciclones não seguiu um padrão específico e que o remanescente desta energia
pode ficar em setores específicos da área de controle. Isto provocaria efeitos locais
distintos, como citados anteriormente: temperatura mais elevada, aumento de TSM,
surgimento de mais mesociclones, congelamento ou derretimento da água do mar etc.

Para os mesociclones que registraram pouca atividade nesta categoria, os setores


de entrada se concentraram precisamente em Oeste, Noroeste e Sudoeste (Fig.7.1.126).
O inverno de 2002 se destacou nos setores Noroeste e Oeste, seguido pelo inverno de
2005, com destaque no setor Oeste somente. Todos os outros invernos tiveram maior ou
menor ocorrência dentro destes três setores. Sudeste e Sul não registraram nenhum caso.
O decaimento foi semelhante aos sistemas grandes, pois houve espalhamento das
atividades durante os invernos (Fig.7.1.127). O setor Sudoeste predominou em 2002,
2005 e 2006. Contudo, em 2005 houve o mesmo registro no setor Norte. Para o inverno
de 2003, houve o mesmo número de casos nos setores Oeste e Noroeste. O inverno de
2004 mal registrou uma preferência, devido ao baixo número de casos. O maior registro
foi no setor Noroeste, com apenas três ciclones.

Na avaliação dos meses combinados, os ciclones sinópticos registraram os


setores Noroeste, Sudoeste e Oeste, nesta ordem, como os preferenciais de entrada de
sistemas, em todos os meses combinados (Fig.7.1.128). Junhos e agostos se destacaram
no setor Noroeste. O setor Sudoeste teve uma distribuição mais homogênea entre os
meses combinados dos invernos. O setor Oeste obteve mais ocorrências nos meses
combinados de julho. O setor Norte, embora muito tênue, registrou as ocorrências de
maneira ascendente durante todos os invernos. Para o decaimento, a avaliação não foi
bem comportada, como era esperado devido à todas as análises anteriores. Houve
registros semelhantes e grande distribuição em todos os meses combinados, para a
maioria dos setores, sendo pouco conclusiva as avaliações (Fig.7.1.129). Os maiores
destaques ocorreram em agostos, no setor Sudoeste e em junhos, no setor Noroeste.

133
Os mesociclones também concentraram suas atividades de entrada de sistemas
nos setores Sudoeste, Oeste e Noroeste. Para todos estes, junhos foram os meses mais
fracos, aumentando as atividades em direção aos meses de agosto, com exceção do setor
Sudoeste que reduziu as ocorrências nestes meses combinados (Fig.7.1.130). O
decaimentos dos mesociclones ficou esparso em alguns setores e meses combinados
(Fig.7.1.131). A maior atividade foi registrada nos meses de julho, setor Sudoeste. A
atividade se manteve igualmente distribuída, no setor Noroeste, para todos os meses
combinados dos invernos. O setor Oeste teve um declínio nos meses de julho,
antagonicamente aos registros do setor Norte, que tiveram aumento de casos nestes
meses combinados.

Em resumo, a MET-1 criou o Catálogo Climatológico de Ciclones – 2001 a


2006 e as Tabelas de Síntese de Ciclones. Com isto, abordou as análises e avaliações
dos Pulsos Ciclônicos, que registraram as atividades diárias dos sistemas. As divisões
de tamanhos, categorias evolutivas, períodos de verão e inverno e os meses constituintes
das estações climáticas, puderam indicar o comportamento destes fenômenos
meteorológicos na região em estudo. Finalmente, com a análise do posicionamento dos
ciclones, divididos pelos períodos de verão e inverno, verificados pela óptica das três
categorias evolutivas mais importantes, divididos pelos tamanhos, anos de ocorrência e
meses combinados de cada estação, puderam permitir sua descrição geográfica, um dos
objetivos deste trabalho. Esta avaliação auxiliou na montagem de tabelas de
probabilidades, uma ferramenta que poderá ser útil nos prognósticos deste setor
antártico.

134
7.2 Resultados da Metodologia de Análise de Dados Meteorológicos – MET-2:

Inicialmente, nesta metodologia, foram depurados os erros de registro dos dados


brutos, referentes à AWS de EACF. Após a padronização de todas as informações em
planilhas de cálculo idênticas, aplicou-se as estatísticas pré-estabelecidas, como
determinou a MET-2. Os produtos desta avaliação foram as séries temporais que
serviram como referência para o quadro sinóptico geral, próximo ao estreito de Drake e
península Antártica, durante os verões e invernos na área de estudo. Outro produto foi
estabelecer os parâmetros de limites de ocorrências significativas, que foram discutidos
na MET-3.

Sumariamente, o trabalho da MET-2 resultou em séries temporais de cinco


verões e cinco invernos, elaboradas com as informações da AWS da Estação Antártica
Comandante Ferraz. Os dados meteorológicos processados foram pressão atmosférica
em superfície, temperatura do ar, velocidade e direção dos ventos, umidade relativa e
precipitação. Durante o trabalho, diversos gráficos foram gerados para serem utilizados
nas análises dos dados e quantificação dos parâmetros de estudo, como situações de
baixas pressões atmosféricas, rajadas de vento etc. Ao todo, esta etapa da pesquisa
gerou 480 gráficos analíticos, que por questão de espaço, não poderiam ser aqui
incluídos. Contudo, as principais informações e séries temporais fizeram parte
integralmente do texto. Todas as outras informações estão disponíveis no disco
DVD-RAM que acompanha este trabalho. O formato de abordagem das análises dos
dados seguiu sempre um padrão: série temporal completa, séries mensais e análise
síntese por mês. Elaborou-se um organograma deste procedimento para descrever as
etapas de trabalho, tanto do verão (Fig.7.2.1) quanto do inverno (Fig.7.2.2).

7.2.1 – Pressão Atmosférica em Superfície:

Durante os cinco períodos de verão, a pressão atmosférica média, na ilha Rei


George, só ultrapassou o valor da PMNM de 1013,25hPa ou mb em três ocasiões. Em
todos os outros dias dos verões, os valores médios diários ficaram abaixo deste patamar.
Os registros de baixa pressão alcançaram valores reduzidos aquém de 990,0mb
facilmente, neste setor das Trilhas das Depressões. Outro fato de destaque, além dos
valores baixos de pressão, foram as amplitudes entre máxima e mínima pressões diárias.

135
Se por um lado as pressões atmosféricas, em superfície, nas baixas ou médias latitudes
têm pouca variação diária, mesmo sob efeito da maré barométrica, no litoral da
Antártida, na a região próxima da latitude de 60º Sul, estes valores são extremados. Para
demonstrar este efeito, construiu-se um modelo matemático de variação da pressão em
superfície (Fig.7.2.1.1A até D). Os dados foram produzidos, e não obtidos, portanto, seu
caráter bem comportado não demonstrou os efeitos reais caóticos e turbulentos da Trilha
das Depressões. Contudo, sua aplicação, neste texto, foi apenas didática. Ele
exemplificou como a maré barométrica atua sobre toda a superfície do globo, em
latitudes mais baixas, com pouca variação, onde recebe também a alcunha de “Pântano
Barométrico”. Demonstrou também que, a partir das médias latitudes, baseado em
dados reais, o comportamento da onda foi alterado, quando se aproximou das latitudes
correspondentes aos ciclones antárticos. A amplitude das ondas e sua freqüência
aumentaram consideravelmente, mas a média abaixou muito, algo que realmente
ocorreu no estudo dos dados. Pode-se notar que a crista destas ondas não ultrapassou a
PMNM, fato este verificado na pesquisa. Quanto à unidade de pressão atmosférica,
preferiu-se utilizar o milibar5 [mb] unidade tradicional no emprego meteorológico e
aeronáutico.

Com as informações da pressão atmosférica da EACF, reduzidas ao NMM,


elaborou-se as séries temporais dos valores de pressão média, máxima, mínima e
amplitude da pressão. Esta última, resultou da diferença entre a pressão máxima e
mínima de um certo dia. Utilizou-se gráficos com linhas suavizadas, pois estas
representaram melhor a função da pressão atmosférica. A primeira série temporal da
MET-2 apresentou a comparação da pressão média de todos os cinco verões estudados
na MET-1. A série comportou os 90 dias seguidos. Para cada dia, obteve-se a média dos
cinco dias de verão. Por exemplo, o valor médio da série, no dia 25 de dezembro, foi o
resultado dos cinco valores de pressão média, dos dias 25 do referido mês. Este
processo, exemplificado para a pressão atmosférica média em superfície, foi aplicado
em todas as séries temporais, das variáveis estudadas na MET-2. Portanto, nos gráficos,
a linha amarela com círculos vermelhos identificou esta operação, para os cinco valores
5
Milibar é a milésima parte da unidade de medida de pressão bar [b] adotada também para a atmosfera,
referenciado no Resnick, R e Halliday, D. (1989) conceituados livros de Física Clássica e sua
equivalência é de:

1mb = 103dyn.cm-2 = 102N.m2

onde 1 dina [dyn] equivale a força de 10-5 Newtons [N] sob a ação da gravidade de 9,80665m.s-2. Existem
outras unidades, como Pascal [Pa] adotada nos anos de 1990, onde 1mb equivale exatamente 1hPa.
136
do dia, em qualquer parâmetro analisado. Observou-se que, na série completa de verão,
a pressão não foi uniforme, como era esperado e comentado anteriormente, devido à alta
freqüência da atividade ciclônica (Fig.7.2.1.2). Aplicou-se, também, uma linha de
tendência polinomial de sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias
(linha amarela com círculos vermelhos). Novamente o resultado foi uma equação de
reta que não conseguiu exprimir uma aproximação razoável. O índice alcançado foi de
38,49%. Outras aplicações foram realizadas em cada série anual, com resultados tão
baixos quanto este. Em uma observação direta à série temporal, foi possível verificar
que a pressão pode ter variações muito pronunciadas de um dia para outro, como
também mudanças menores e menos bruscas. Os motivos foram a presença de ciclones
grandes e velozes, que invadiram todo o setor, seguidos de calmarias de alta pressão, ou,
baixas pressões concatenadas, em forma de pequenos ciclones atuando em conjunto,
próximos à EACF. Contudo, pelas observações das imagens de satélite do período,
alguns sistemas grandes, mais próximos da AWS, as vezes não causavam baixas
pronunciadas nos valores de pressão, quanto a outros sistemas menores e relativamente
mais afastados. Por esta climatologia, notou-se que houve uma tendência de elevação da
pressão média nos meses de dezembro, excetuando-se a forte queda no verão de
2001-2002. Logo após este período, houve uma ligeira concentração de todos os verões,
com tendência de queda, nos princípios dos meses de janeiro. Em meados das estações
de verão, houve uma tendência geral de divergência completa da atuação da pressão
média, padrão este que perdurou até o final de todos os meses de fevereiro. Os verões de
2003-2004 e 2005-2006 permaneceram com valores muito elevados, enquanto que os
verões de 2001-2002 e 2004-2005 representaram os valores mais baixos. Em uma
rápida conexão com a MET-1, estes foram justamente os verões que indicaram uma
razoável atividade de decaimento no setor Sudoeste, para ciclones grandes, com ciclo
completo. Em linhas gerais, o comportamento da pressão média na EACF, para esta
climatologia, apresentou-se com ligeiro aumento no início dos verões, seguido de uma
queda no meio do período e, a partir deste ponto, uma divergência geral entre os cinco
verões. O valor médio da pressão, com dados de todos os cinco verões, foi de
991,58mb, o que representou uma diferença de 21,67mb para abaixo do valor da
atmosfera padrão de 1013,25mb para NMM. Outro detalhe importante foi o fato de que
a pressão média diária, em raras ocasiões, chegou ou ultrapassou este valor, resultando
em apenas três registros destas ocorrências. Duas destas, no final do mês de fevereiro,
para o verão de 2003-2004 e uma, no mesmo mês, para o verão de 2005-2006.

137
Para uma análise mais refinada, elaborou-se séries temporais locais e
comparativas, com duração de apenas um mês. Os resultados, obtidos desta
climatologia, foram expressos na Tabela 7.2.1.1, onde se relatou os valores médios da
pressão máxima, mínima, amplitude diária e média. Calculou-se as médias de referência
aos valores de cada mês, nos verões combinados.

Tabela 7.2.1.1: Valores Médios da Pressão Atmosférica em Superfície ao NMM


(Máxima, Mínima, Amplitude e Média) dos Meses de Verão, em
Todos os Períodos.

VERÕES MÉDIAS (mb ou hPa)


MESES PERÍODOS MÁXIMA MÍNIMA AMPLITUDE MÉDIA
2001-2002 990,4 978,6 11,8 984,5
2002-2003 995,2 987,2 7,9 991,4
2003-2004 999,1 993,3 5,9 996,2
DEZEMBROS
2004-2005 996,2 989,5 6,8 992,7
2005-2006 999,4 992,6 6,8 996,2
TODOS 996,1 988,2 7,8 992,2
2001-2002 993,5 985,2 8,3 989,4
2002-2003 995,9 991,7 4,2 993,9
2003-2004 992,8 982,8 10,0 988,1
JANEIROS
2004-2005 991,2 984,6 6,6 987,9
2005-2006 996,3 990,3 6,0 993,4
TODOS 993,9 986,9 7,0 990,5
2001-2002 992,5 982,4 10,1 987,8
2002-2003 992,6 984,2 8,4 988,1
2003-2004 1003,3 994,0 9,3 998,8
FEVEREIROS
2004-2005 994,0 982,7 11,3 988,2
2005-2006 1001,1 992,6 8,4 997,1
TODOS 996,7 987,2 9,5 992,0

Pelas informações calculadas, verificou-se a suave queda da média nos meses de


janeiro. Em outra conexão com a MET-1, foi justamente nestes combinados de meses
de janeiro que houve um aumento da passagem de ciclones na área de estudo, Tal fato
alterou os valores deste período.

138
Prosseguindo com a avaliação refinada em meses, iniciou-se o trabalho com os
valores de pressão atmosférica máxima diária dos dezembros (Fig.7.2.1.3). Verificou-se
que a maior pressão registrada foi de 1011,9mb em dezembro do verão de 2002-2003. O
menor valor de pressão máxima ocorreu no verão de 2004-2005, com 972,0mb. O mês
de dezembro do verão de 2001-2002 se destacou por ter um comportamento, quase que
predominantemente, abaixo das médias diária e do mês. Para a pressão mínima dos
dezembros (Fig.7.2.1.4) observou-se que o maior valor obtido foi de 1009,3mb no verão
de 2005-2006. A menor mínima pressão atmosférica registrada, para todos os verões
desta climatologia, foi de apenas 959,4mb, justamente no dia 22 de dezembro, do verão
de 2001-2002, onde houve o destaque para as baixas pressões. O verão de 2004-2005 se
destacou pela inversão em relação ao verão de 2001-2002. Na maior parte do mês, a
pressão mínima permaneceu mais alta que as médias de dezembro. Para o caso das
amplitudes diárias, os valores se destacaram, com a chegada rápida dos sistemas
ciclônicos. Os períodos em que a variação foi mínima significaram que a área de Ferraz
estava sob influência direta de um ciclone, onde a pressão era regida diretamente pelo
centro de baixa. Outro caso possível foi a presença de raros períodos de calmaria,
causados por alta pressão entre um ciclone e outro (Fig.7.2.1.5). Neste mês de
dezembro, o verão de 2001-2002 se destacou novamente com a maior marca de
amplitude: 26,5mb. Além disto, foi o período de verão que apresentou oito grandes
amplitudes, sendo seis delas as maiores do mês. O mês de dezembro, do verão de
2002-2003, apresentou comportamento semelhante apenas no início, tendendo para
baixa amplitude no final. O verão de 2004-2005 ficou com as amplitudes praticamente o
mês todo abaixo das médias do mês. Os valores de pressão média de dezembros
seguiram razoavelmente as tendências descritas acima (Fig.7.2.1.6). O dia 22 de
dezembro, do verão de 2001-2002, registrou o menor valor médio da pressão, com
966,1mb. Este também foi o menor valor médio de todos os cinco verões estudados.

Os valores da pressão máxima dos meses de janeiro seguiram o comportamento


geral de queda, conforme discutido acima (Fig.7.2.1.7). O maior registro ocorreu no dia
2 de janeiro do verão de 2005-2006, com 1012,5mb. O menor valor de pressão máxima
ocorreu no dia 16 de janeiro do verão de 2003-2004, com apenas 971,3mb. Esta foi a
menor marca da pressão máxima registrada dos cinco verões. Em nenhum dia, dos
meses de janeiro, houve um registro além de 1013,25mb. Contudo, houve uma ligeira
aproximação de todas as séries temporais deste mês. A aproximação ficou dentro de um

139
intervalo de 5,0 a 10,0mb, com raras exceções. Para as mínimas pressões, os registros
não acompanharam esta tendência (Fig.7.2.1.8). Embora o padrão geral de queda tenha
sido verificado, houve dispersão maior entre os verões. Isto pôde ser verificado pelo
aumento da passagem de ciclones neste mês em estudo. O aumento da freqüência das
amplitudes demonstrou que a alta atividade influenciou diretamente a área da EACF
(Fig.7.2.1.9). Janeiro de 2003-2004 se destacou nos registros de mínimas pressões,
quanto de grandes amplitudes, sendo um dos mais ativos deste mês. Para o valor médio
da pressão, este mesmo verão de 2003-2004, em geral, permaneceu bem abaixo da
média do mês (Fig.7.2.1.10). Os valores, em geral, retornaram a um padrão de
agrupamento, no final do mês.

A pressão máxima nos meses de fevereiro atingiram os mais altos valores de


todos os verões estudados (Fig.7.2.1.11). Em oito dias, computados os verões de
2003-2004 e 2005-2006, a pressão máxima ultrapassou o valor PMNM. O dia 12 de
fevereiro do verão de 2003-2004 registrou a maior alta, com 1019,5mb. Os meses de
fevereiro, dos verões de 2001-2002, 2002-2003 e 2004-2005, ficaram, em geral, abaixo
das médias diárias e do mês. A pressão mínima dos meses de fevereiro tiveram o
comportamento mais disperso possível, em relação aos períodos de verão (Fig.7.2.1.12).
O verão de 2003-2004 registrou, por duas vezes, os maiores valores de mínimas
pressões. A marca recorde, desta climatologia de verão, ocorreu no dia 25 de fevereiro
do verão de 2003-2004, com 1013,6mb, quando uma crista de alta pressão, entre a
passagem de dois ciclones, manteve-se sobre a EACF. Os verões de 2001-2002,
2002-2003 e 2004-2005 foram os que ficaram abaixo das médias do mês. As amplitudes
de fevereiros também registraram grandes ondulações, em geral, para todos os verões
(Fig.7.2.1.13). As menores amplitudes foram causadas por ligeiras calmarias de alta
pressão e não por proximidades de centros de baixa pressão. A amplitude média de
9,5mb foi a mais alta registrada nos meses de verão, o que caracterizou os meses de
fevereiro como um dos mais ativos na estação de Ferraz. A pressão média do mês
também apresentou um comportamento dispersivo para os verões (Fig.7.2.1.14). O dia
12 de fevereiro do verão de 2003-2004, registrou a maior pressão média dos verões,
com 1017,6mb, como era esperado. Tal panorama de alta pressão conseguiu manter, por
três dias seguidos, a região do estreito de Drake, livre de ciclones.

140
Após todas as compilações, elaborou-se gráficos analíticos que sintetizaram as
informações de pressão atmosférica, dentro dos períodos de verão. Os valores foram
distribuídos em categorias, precisamente elaboradas para estudos antárticos, onde as
pressões são mais baixas. Com isto, examinou-se o número de ocorrências de pressão
máxima acima de 1013,25mb, pois estas seriam suficientes para serem consideradas
situações de alta pressão, ou candidatas à bloqueios atmosféricos antárticos, na
passagem do estreito de Drake. Em seguida, dividiu-se os valores de pressão mínima em
três classes: menores ou iguais a 960,0mb; de 960,0mb até menor ou igual a 970,0mb
(cuja simbologia foi ]960—970] ); e, por último, de 970,0mb até menor ou igual a
980,0mb ( ]970—980] ). A última classe elaborada, determinou os casos em que a
pressão média do dia foi menor ou igual a 975,0mb. Este último valor foi definido,
empiricamente, como um limiar entre os casos comuns, de baixa pressão, e os
excepcionais. Nesta análise da pressão em categorias, o mês de dezembro, apresentou
uma predominância de pressão mínima na classe ]970—980]mb nos verões de
2001-2002 e 2002-2003, com 11 e sete casos, respectivamente (Fig.7.2.1.15). A
predominância de dezembro, do verão de 2001-2002, com tendência à mínimas muito
baixas, estendeu-se para todas as classes, enquanto que nos outros verões, os casos
foram exíguos. Para a média abaixo de 960,0mb, a soma dos casos de 2004-2005 e
2005-2006, não alcançam os valores de 2001-2002. Nos meses de janeiro, o verão de
2001-2002 concentrou seus registros na classe de mínimas ]970—980]mb porém,
2003-2004 e 2004-2005 também predominaram nesta classe (Fig.7.2.1.16). Para a
classe ]960—970]mb, a predominância ficou apenas no verão de 2003-2004. Contudo,
chamou a atenção que o mês de janeiro de 2005-2006 não registrou uma ocorrência
sequer nas classes de baixa pressão. Todos os seus valores de mínima e média ficaram
acima de 980,0mb. Registros de pressão média abaixo de 975,0mb também foram
reduzidos. Os meses de fevereiro diferiram dos anteriores com significativo número de
ocorrências na classe de pressão ]970—980]mb, com exceção de 2003-2004 que apenas
teve um caso (Fig.7.2.1.17). Além disto, no mês de fevereiro deste verão, em particular,
a pressão esteve mais alta, onde registrou máximas além dos 1013,25mb. A maior
característica deste mês foi a concentração de casos, em uma só classe de pressão
mínima, com pouquíssimas ocorrências de pressão média abaixo de 975,0mb.

Em processo análogo ao do verão, avaliou-se os valores de pressão atmosférica


dos períodos de inverno. Observou-se que o comportamento da pressão média foi

141
menos uniforme ainda que nos verões. Isto indicou que a alta freqüência da atividade
ciclônica se intensificou, como era esperado, pelo maior número de ocorrências
registradas (Fig.7.2.1.18). A linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha preta)
aplicada sobre os dados de médias diárias (linha amarela com círculos vermelhos)
retornou um valor de aproximação mais baixo, com índice de 21,33%. Aplicou-se o
mesmo método em cada série anual, com os mesmos resultados baixos. Com as
observações realizadas na série temporal, verificou-se que, entre os invernos, as
diferenças da pressão média chegaram a 70,0mb. A oscilação ficou entre 40,0mb. São
valores muito altos, quando comparamos com outras regiões do planeta. Além disto,
estas variações pronunciadas ocorreram de um dia para outro, ou com 48 horas de
diferença. Os motivos foram os mesmos do verão: a presença de ciclones grandes.
Contudo, muitos destes sistemas foram acompanhados de mesociclones que
proliferaram em todos os setores ao redor da EACF, principalmente ao Noroeste, Norte
e Nordeste, como descrito na MET-1. A avaliação de tendências dos períodos de
inverno ficaram muito mais difíceis, pois se observando a série temporal de 92 dias,
verificou-se que, embora houvesse muita variação entre os anos, aparentemente um
período compensou o outro. A tendência da média pareceu oscilar entre 990,0 e
1000,0mb, com certas exceções. Os invernos de 2003 e 2004 mostraram alguns valores
altos de pressão média no início do período, mas ao final, registraram as menores
pressões médias. Os invernos de 2004 e 2006 mostraram as menores pressões médias
apenas em meados do período. O valor médio da pressão, com dados dos cinco
invernos, foi de 995,01mb, o que representou uma diferença de 18,24mb para abaixo do
valor da atmosfera padrão de 1013,25mb para NMM. Esta diferença foi ligeiramente
menor que dos períodos de verão. Outro detalhe importante que destacou o inverno dos
verões foram os valores de pressão média. Estes, ultrapassaram os 1013,25mb do NMM
em diversas ocasiões, em maior ou menor número, mas em todos os invernos. Em 2003
e 2005 este fato ocorreu no início do período. Em 2002, as ocorrências foram no final
do inverno. Contudo, o inverno de 2006 se destacou, pois suas ocorrências foram
distribuídas por todos os meses. Os menores valores de pressão média ocorreram no
meio do período.

Prosseguindo nos estudos de pressão atmosférica em superfície, da mesma


maneira que nos verões, aplicou-se a análise refinada através das séries temporais de
forma local e comparativa, com duração de apenas um mês. Os resultados foram

142
relatados na Tabela 7.2.1.2, onde também se descreveu os valores médios da pressão
máxima, mínima, amplitude diária e média. As médias de referência aos valores de cada
mês dos invernos combinados também foram calculadas.

Tabela 7.2.1.2: Valores Médios da Pressão Atmosférica em Superfície ao NMM


(Máxima, Mínima, Amplitude e Média) dos Meses de Inverno, em
Todos os Períodos.

INVERNOS MÉDIAS (mb ou hPa)


MESES PERÍODOS MÁXIMA MÍNIMA AMPLITUDE MÉDIA
2002 996,7 987,9 8,9 992,7
2003 1003,0 995,7 7,3 999,4
2004 993,8 986,1 7,7 990,1
JUNHOS
2005 1002,2 993,7 8,5 998,1
2006 1002,9 995,5 7,4 999,4
TODOS 999,7 991,8 8,0 995,9
2002 1001,7 990,0 11,7 996,4
2003 991,3 980,8 10,5 986,1
2004 997,6 987,1 10,5 992,6
JULHOS
2005 1003,8 995,1 8,7 999,3
2006 999,3 990,3 9,0 994,9
TODOS 998,8 988,7 10,1 993,9
2002 1005,5 994,8 10,6 999,9
2003 994,8 982,8 12,0 989,2
2004 998,0 985,1 12,9 992,3
AGOSTOS
2005 998,2 987,6 10,6 993,4
2006 1005,2 998,3 6,9 1001,7
TODOS 1000,3 989,7 10,6 995,3

Verificou-se uma suave queda da média nos meses de julho, pois, segundo a
MET-1, foram nestes meses em que houve um aumento na ocorrências de ciclones.
Contudo, a suavidade do valor foi causado pelo deslocamento da Trilha das Depressões
para os setores derivados de Norte, em relação à EACF, como visto também na MET-1.

143
Iniciou-se as análises refinadas mensais, com os valores de pressão atmosférica
máxima diária, dos meses de junho (Fig.7.2.1.19). Verificou-se que a maior pressão
registrada, para estes meses, foi de 1031,0mb no inverno de 2005. O menor valor de
pressão máxima também ocorreu neste inverno, com 974,4mb. O mês de junho, em
geral, registrou, em todos os invernos, uma tendência de valores baixos de pressão
máxima, apenas nos dez primeiros dias. A partir deste ponto, os meses de junho dos
invernos de 2003, 2004 e 2005, tiveram tendência a ficarem acima da média do mês.
Para a pressão mínima de junhos (Fig.7.2.1.20) observou-se que o maior valor obtido
foi de 1023,9mb no inverno de 2005. A menor mínima pressão atmosférica registrada,
em junho, foi de 966,4mb, no inverno de 2002. Para este mês, os invernos de 2004 e
2005 se destacaram como os que mais registraram mínimas pressões significativas. Para
o caso das amplitudes diárias, os valores se destacaram no final do mês, com registros
de grandes amplitudes, nos invernos de 2002, 2003, 2005 e 2006 (Fig.7.2.1.21). A
maior amplitude deste mês ficou registrada em 2002, com 31,7mb. No caso, dois
sistemas ciclônicos atingiram a região de Ferraz, dentro de um intervalo de quatro dias,
e causaram os maiores registros de amplitude da pressão, com baixas pronunciadas.
Outro destaque ocorreu no meio do mês, no inverno de 2004. Os valores de pressão
média de junhos, realçaram os valores registrados em 2002, abaixo da média do mês
(Fig.7.2.1.22). O menor registro de pressão média ocorreu em junho do inverno de
2005, com 970,7mb, embora tenha demonstrado uma tendência acima das médias,
diária e do mês. Junho de 2003 também se destacou como um período que registrou
valores quase sempre acima de ambas as médias.

Os valores da pressão máxima dos meses de julho registraram curiosidades


(Fig.7.2.1.23). Em geral, todos os invernos ficaram concentrados em uma faixa de
pressão ao redor de apenas 10,0mb. O maior destaque foi para os invernos de 2004 e
2005 que não demonstraram quedas abruptas nos valores de pressão máxima. Os meses
de julho de 2002, 2003 e 2006 tiveram algumas exceções, com o menor registro com
996,4mb, em 2006. Neste mesmo inverno, ocorreu o registro mais alto, com 1019,1mb
no final do mês. Em suma, as máximas seguiram o padrão de queda que estes meses
indicaram. Para as mínimas pressões, os registros se dispersaram, seguindo o padrão de
queda verificado anteriormente, com a marca recorde dos invernos, registrado no dia 29
de julho do inverno de 2004 (Fig.7.2.1.24). Esta dispersão, acompanhadas de quedas,
pôde ser verificada pelo aumento da passagem de ciclones nos meses de julho, como

144
demonstrou a MET-1. Como nos verões, a alta freqüência das amplitudes indicou que
houve um aumento significativo de atividade sobre a EACF (Fig.7.2.1.25). A maior
amplitude do mês ocorreu no dia 9 de julho, do inverno de 2002, com 32,1mb. Este
inverno, em particular, registrou a maior freqüência de oscilação das amplitudes no mês.
Para o valor médio da pressão, este mês de inverno registrou a marca recorde da
climatologia deste período. O dia 29 de julho do inverno de 2004 marcou 960,4mb
(Fig.7.2.1.26). Contudo, os valores deste inverno, como dos invernos de 2002, 2005 e
2006 estiveram, em muitos dias deste mês, acima das médias. Julho de 2003 se destacou
por ser o inverno com menores pressões médias, com registros de diversas depressões.

A pressão máxima nos meses de agosto, com semelhança aos meses de


fevereiro, nos verões, atingiram altos valores. A média do mês, com 1000,3mb, foi a
mais alta dos meses de inverno (Fig.7.2.1.27). O único inverno que, neste mês, não
registrou uma alta maior que o valor de PMNM, foi em 2005. Neste inverno, em
particular, os registros de 20 dias foram abaixo de ambas as médias de pressão máxima.
Contudo, os valores de pressão muito alta, neste mês, indicaram os períodos
relativamente mais calmos, quando os ciclones cruzaram a área de controle mais ao
Norte de Ferraz, ou simplesmente quando não houve atividade nas proximidades. A
pressão mínima dos meses de agosto registraram diferenças de 66,0mb entre o valor
mais alto, no dia 5 de agosto do inverno de 2002 e o mais baixo, no dia 11 de agosto do
inverno de 2005 (Fig.7.2.1.28). Em geral, os registros de pressão mínima, no final dos
inverno, também foram muito dispersivos em todos os anos. O mês de agosto de 2003
teve uma tendência maior em registrar as mínimas mais acentuadas, com pelo menos
cinco registros mais pronunciados. As amplitudes de agostos também registraram
grandes ondulações, em geral, para todos os invernos (Fig.7.2.1.29). As menores
amplitudes, como era esperado, foram causadas por calmarias de alta pressão local. A
maior amplitude, nesta climatologia de inverno, ocorreu no dia 16 de agosto do inverno
de 2003, com registro recorde de 36,5mb. Este inverno, registrou o maior número de
casos, com cerca de oito grandes amplitudes dentro dos 31 dias de agosto. Contudo,
agostos de 2002, 2004 e 2005 também tiveram muitas flutuações consideráveis, mas em
2006, as amplitudes passaram praticamente todo o mês abaixo das duas médias. Para a
pressão média do mês, os registros foram suavemente menores que os meses de junho
(Fig.7.2.1.30). A maior pressão média do mês ocorreu no inverno de 2002, com
1023,4mb. Pela série temporal local, foi possível identificar um comportamento mais

145
semelhante entre todos os invernos. A tendência dos registros foi de alta no início do
mês, com uma queda generalizada em meados de agosto, mas terminando com a
retomada de elevação da média, para o final do inverno. A única exceção ficou com o
inverno de 2006, que aparentou manter a tendência de abaixar os valores de pressão
média, com pequenas retomadas de crescimento.

Ao término das compilações de inverno, elaborou-se os gráficos analíticos,


semelhantes ao período de verão, para sintetizarem as informações de pressão
atmosférica dos períodos de inverno. Os valores das mesmas categorias foram adotadas,
nestas análises, para permitir comparações entre os períodos sazonais. Com isto, os
valores de pressão nos meses de junho, em geral, apresentaram-se mais altos. A
categoria de máximas iguais ou acima do valor de PMNM registraram muitas
ocorrências (Fig.7.2.1.31). Junho de 2006 quase registrou um terço do mês com valores
de máxima neste patamar. Junhos de 2003 e 2005 vêm em segundo lugar, ambos com
seis casos. Porém, em 2002, não houve nenhuma ocorrência. Pela divisão destas classes,
percebeu-se que os valores de mínima estiveram sempre acima de 980,0mb, dado o
baixo número de registros nas classes que determinaram os casos de baixas acentuadas.
Junho de 2003 não registrou nenhuma ocorrência abaixo desta marca, categorizando-se
como um mês de pressão mais elevada. Junho de 2004 deteve a maior marca de todos os
meses, com 11 ocorrências registradas dentro da categoria de mínimas pressões entre
]970—980]mb. Esta tendência de alta do mês, refletiu-se nos baixos valores de
ocorrências das médias iguais ou menores que 975,0mb. Este comportamento não
aconteceu no mês seguinte de inverno. O maior número de ciclones atuando na área de
controle, determinados pela MET-1, refletiu nos valores dos meses de julhos, cujas
pressões menores, registraram mais casos nas categorias (Fig.7.2.1.32). Foram poucos
os casos registrados de pressões máximas acima de 1013,25mb. O mês de julho do
inverno de 2003 não registrou casos de pressões elevadas acima da PMNM.
Precisamente o oposto, foi o inverno com mais casos de pressões mínimas acentuadas,
tanto na classe ]970—980]mb, quanto na de ]960—970]mb. A maior concentração
ficou na primeira classe das pressões mínimas e as médias tiveram casos consideráveis,
abaixo ou igual a 975,0mb, para o mês, no inverno de 2003. Um fato curioso foi a
concentração dos valores de pressão deste mês, para o inverno de 2005. A maior parte
não registrou nem mínimas e médias acentuadamente baixas, como também não houve
máximas significativas. Em relação aos meses de julho, este inverno de 2005

146
permaneceu com flutuações de amplitude menores que 20,0mb. No final do inverno, na
avaliação dos registros de todos os meses de agosto, notou-se a alta concentração de
casos de pressão máxima acima de 1013,25mb, excetuando-se o inverno de 2005
(Fig.7.2.1.33). Agosto de 2002 obteve o registro recorde de dias em que a pressão
máxima ficou além deste valor. Foram 12 dias computados. Para os valores de mínima
pressão, a maior concentração, em todos os invernos, ocorreu na classe de pressão
]970—980]mb. As classes inferiores permaneceram com registros altos apenas no mês
de agosto do inverno de 2003. Este último, também deteve o maior número de casos de
médias iguais ou inferiores à 975,0mb. O mês de agosto, do inverno de 2002, registrou
apenas valores altos de pressão, em todas as classificações. Sua média diária mais baixa
ficou em 979,7mb. Em destaque, o inverno de 2003 se categorizou como o que mais
registrou casos nesta compilação das análises.

7.2.2 – Temperatura do Ar na EACF:

No período de verão, a temperatura na ilha Rei George, possui um


comportamento interessante. Por pertencer à Antártida Oceânica, os fluxos de calor,
sensível e latente, dependem da radiação solar incidente, transporte de umidade dos
oceanos Pacífico e Atlântico e a chegada de sistemas ciclônicos. Tais características
fazem com que este parâmetro meteorológico seja um dos mais importantes para os
estudos de interações entre a atmosfera, oceano, criosfera e litosfera. Justamente neste
período, de modo geral, ocorrem as temperaturas mais elevadas nas ilhas e parte
costeira da Antártida. As oscilações diárias ficam alternando entre valores negativos e
positivos, muito próximos de zero grau Celsius. Estas mudanças, passam pelo ponto de
fusão e congelamento da água, as vezes mais de uma vez por dia. Por se tratar muitas
vezes de rocha vulcânica, o intemperismo e desgaste se acentuam. Um dos principais
estudos realizados atualmente que necessitam destas informações de temperatura e
fluxos de calor, são sobre o permafrost. Na Antártida existem atualmente apenas dois
postos subterrâneos de 20 metros, de sondagem contínua, e 13 postos de somente dois
metros. Curiosamente, os estudos desta camada do solo são muito avançados na região
Ártica, onde pelo menos 25% de toda a sua área já foi descoberta e mapeada, como o
Norte do Canadá, Alaska, península Escandinávia, Sibéria e regiões de altitude como a
Suíça, Tibete etc. (Vieira, comunicação pessoal durante o seminário, 2007). Para a
Geografia, esta é uma nova área, com um campo vastíssimo de pesquisa, pois pouco se

147
conhece ainda da Antártida. Esta área funde a Meteorologia (condições meteorológicas
nos sítios de estudo) Climatologia (Comportamento climático de longo período nos
mesmos sítios) Geologia (estudo dos substrato, camadas do solo, rochas e
intemperismo) e Geografia (permafrost, mapeamento, catalogação e quantificação
destes novos fatores geográficos). Neste contexto, a temperatura entra como um dos
fatores determinantes de diversas situações diretas e indiretas de avaliação.

Após esta pequena introdução ao estudo da temperatura do ar em Ferraz,


objetivou-se preparar uma avaliação de como os ciclones podem interferir neste
parâmetro meteorológico. O estudo da temperatura do ar foi dividido em avaliar as
temperaturas máximas e mínimas diárias. Avaliou-se também as amplitudes destas
temperaturas nos 90 dias de cada verão. Elaborou-se as séries temporais com gráficos
em linhas suavizadas. Calculou-se a média diária das temperaturas máximas, mínimas e
amplitudes, baseadas nos valores dos mesmos cinco dias de cada verão, como se
procedeu com a pressão atmosférica. Manteve-se o mesmo padrão para o valor da média
diária, em linha amarela com círculos vermelhos. Em uma primeira observação, a
temperatura máxima, na série completa de verão, apresentou-se em acentuada elevação
no primeiro mês dos verões, logo no término da primavera (Fig.7.2.2.1). Ao se calcular
a média da temperatura máxima do ar de todos os períodos, obteve-se o valor de 4,2ºC.
Todos os períodos se comportaram desta maneira, mas o termo de deslocamento da
série foi diferenciado. Isto significou que, dezembro do verão de 2003-2004, com
temperaturas máximas registradas abaixo das médias, também apresentou elevação no
período, porém, deslocada para baixo em relação aos outros verões. O verão de
2004-2005 se iniciou com muitas oscilações, inclusive com tendências para baixo, mas
seguiu, 15 dias depois, o padrão de todos os outros verões. Em linhas gerais, pôde-se
observar que nos períodos de verão, exceto por pouquíssimos dias de dois períodos, a
temperatura máxima em Ferraz esteve acima de zero grau Celsius.

Em um comentário operacional, importante de ser feito neste ponto da pesquisa,


é o fato de que temperaturas positivas podem ser um agravante para as atividades em
geleiras, por exemplo. Há possibilidade de que se formem pontos de fusão, e possíveis
aberturas de fendas, sobre os campos gelados. Esta informação é de caráter vital para as
operações antárticas, devendo o meteorologista de plantão, estar ciente disto. As fendas
podem ocorrem tanto nos domos gelados, quanto nas superfícies congeladas,

148
provenientes de neve sazonal. Estas fendas, na realidade, recebem um nome especial e
são conhecidas por gretas6.

Prosseguindo no estudo, aplicou-se a linha de tendência polinomial de sexta


ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias. O resultado foi uma equação de
aproximação média, com índice de 63,66%. Esta aproximação melhorada resultou do
comportamento mais aproximado das temperaturas médias em quase todos os períodos
de verão, com flutuações menores. Observou-se, na série temporal, que o verão de
2003-2004 teve um comportamento abaixo dos outros anos, excetuando o final do
período. Em mais de 50% dos seus dias, a temperatura máxima não alcançou 4,0ºC.
Além disto, este verão, em particular, foi diferente por registrar os recordes de menor e
maior temperatura máxima. Os dias 6 e 7 de dezembro, registraram a menor máxima,
com –2,6ºC. No mesmo verão, em 24 de janeiro, a maior máxima, com a
impressionante marca de 12,9ºC. A média diária, de todas as máximas, sempre registrou
valores acima de zero graus Celsius. Iniciou o verão oscilando entre 0,7 a 5,1ºC,
mantendo-se por mais tempo entre 2,0ºC. No meio do verão, oscilou próxima dos 5,0ºC,
com marcas de máxima média em 6,2ºC. Terminou o verão na mesma tendência, mas
com fortes oscilações, baixando no final do período.

Na avaliação da série temporal de 90 dias, da temperatura mínima do ar,


procedeu-se como no estudo anterior. Pelos dados, verificou-se que houve muitas
flutuações no início da estação sazonal, mas as tendências foram semelhantes às
temperaturas máximas registradas (Fig.7.2.2.2). Contudo, as variações de cada período
de verão foram menores nos seus últimos dois meses. Isto refletiu na média diária, com
menor oscilação. A linha de tendência polinomial de 6ª ordem se aproximou mais do
seu comportamento, com índice de 71,52%. A tendência geral das temperaturas
mínimas foi a mesma das máximas, ou seja, crescimento acentuado no primeiro mês,
com tendência de se suavizar no meio do verão e por fim, após uma ligeira elevação, em
meados de fevereiro, as mínimas voltaram a declinar. A média da temperatura mínima

6
Greta é o termo oficialmente utilizado, pelo Programa Antártico Brasileiro, na denominação das
rachaduras nos campos de gelo, sobre as geleiras (ou glaciares). A maior parte das gretas é formada pelo
avanço descontínuo das geleiras em direção ao mar. As diferentes acelerações provocam rachaduras que
podem ter um metro, como trincas, ou centenas de metros, como abismos. O maior problema surge
quando a neve precipitada cobre a greta, tornando-a invisível. Como a neve sempre permanece na mesma
temperatura do ar, quando esta é positiva, formam-se pontos de fusão que rapidamente perdem calor para
o gelo vizinho e voltam a se congelar. Este processo de congelar e fundir, em temperaturas positivas,
enfraquece o tampão de neve que se formou sobre a greta. Um expedicionário que passar sobre ela, a pé
ou motorizado, corre o risco de quebrar a cobertura e se precipitar para o abismo oculto, dentro da geleira.

149
de todos os períodos de verão foi de 0,5ºC, ou seja, mesmo com muitas ocorrências de
registros diários de mínimas negativas, a média desta climatologia indicou um valor
positivo de temperatura, na estação meteorológica de Ferraz. A menor temperatura
mínima, de todos os verões, ocorreu no dia 7 de dezembro do verão de 2003-2004, com
o valor de –7,4ºC. O maior valor ocorreu no dia 22 de janeiro, do verão de 2005-2006,
com o valor de 5,7ºC. Em uma análise sumária entre as temperaturas máxima e mínima
diárias, com conexão aos estudos da MET-1, observou-se que os registros de quedas
estão associados aos ciclones que se situam na região Sudeste da EACF, ou situando
geograficamente com referências, sobre o mar de Weddell. Esta discussão será
deliberada na MET-3.

No estudo das amplitudes térmicas diárias, a série temporal de todos os verões


indicou que as oscilações dos períodos foram muito acentuadas (Fig.7.2.2.3). Contudo,
deve-se chamar a atenção para o fato de que as amplitudes na região antártica, durante o
verão, são menores que em outras regiões do planeta. Portanto, quando as amplitudes
térmicas atingiram valores próximos de 5,0ºC ou mais, estas puderam ser consideradas
notáveis. Além deste fato, percebeu-se que as oscilações registraram não somente
amplitudes elevadas, mas alta freqüência no seu comportamento. Este foi um aspecto de
suma importância que explicou a baixíssima correspondência da linha de tendência
aplicada. A alta freqüência da atuação dos ciclones, na área de estudo, provocou as
intensas oscilações a cada dois ou três dias, contudo, os setores envolvidos neste
processo foram os determinantes para a alta ou baixa variação da amplitude, na
freqüência. Em outras palavras, se o ciclone cruzou apenas por setores mais quentes
(para os padrões antárticos) as amplitudes foram menores, mas se o mesmo cruzou por
setores quentes, seguidos de frios, como ocorreu na maioria dos casos, a circulação
ciclônica dos ventos transportou, primeiramente ar quente, mas na retaguarda do
sistema, a circulação forçou o transporte de ar frio. Casos especiais, como citados
acima, na área do mar de Weddell, foram responsáveis por estas condições. A amplitude
média de todos os verões foi de 3,7ºC.

Após o estudo geral das temperaturas em todo o período de verão, aplicou-se a


avaliação sumária e se desenvolveu as séries temporais reduzidas para um mês. A
técnica foi aplicada nos valores de temperatura máxima, mínima e as suas amplitudes
diárias. Os resultados, obtidos desta climatologia, foram expressos na Tabela 7.2.2.1,

150
onde se relatou os valores médios destas temperaturas e a amplitude diária. Calculou-se
também as médias que fizeram referência aos valores de cada mês dos verões
combinados.

Tabela 7.2.2.1: Valores Médios da Temperatura do Ar (Máxima, Mínima e Amplitude)


dos Meses de Verão, em Todos os Períodos.

VERÕES MÉDIAS (ºC)


MESES PERÍODOS MÁXIMA MÍNIMA AMPLITUDE
2001-2002 3,6 0,3 3,2
2002-2003 3,9 0,0 3,9
2003-2004 0,9 –2,3 3,2
DEZEMBROS
2004-2005 3,3 –0,3 3,6
2005-2006 2,4 –1,2 3,6
TODOS 2,8 –0,7 3,5
2001-2002 4,6 1,4 3,2
2002-2003 5,0 0,9 4,0
2003-2004 4,4 0,6 3,9
JANEIROS
2004-2005 4,5 0,6 3,9
2005-2006 5,9 1,8 4,1
TODOS 4,9 1,1 3,8
2001-2002 5,2 1,6 3,6
2002-2003 4,7 1,5 3,2
2003-2004 5,2 1,0 4,2
FEVEREIROS
2004-2005 4,5 1,1 3,4
2005-2006 5,5 1,4 4,1
TODOS 5,0 1,3 3,7

O perfil de elevação de temperatura foi verificado em todas as médias dos meses


agrupados. Porém, alguns meses de certos períodos de verão, como 2003-2004, as
temperaturas de dezembro estiveram mais baixas que todos os outros períodos.
Verificou-se que, para estes padrões, como foi o caso deste mês em particular, a
predominância ciclônica nos setores Sudeste e Sul, permaneceu por muitos dias. Este
tipo de configuração sinóptica, demonstrada na MET-1, com ciclones atuando nos
setores Sudeste e Sul, foi sempre o causador de baixas temperaturas e ocorrências de

151
precipitados sólidos como neve, água-neve, chuva congelada e gelo. A configuração de
chegada de sistemas pelos outros setores, sempre acusaram temperaturas mais elevadas,
muitas vezes, mesmo depois da passagem dos sistemas sobre a EACF.

O padrão de acentuada elevação de temperatura dos meses de dezembro para


janeiro foi seguido, sem exceções, por todos os períodos de verão. Notou-se variação no
comportamento das temperaturas de janeiro para fevereiro. Em alguns períodos, houve
elevação, mas em outros, queda. Contudo, os valores médios destas diferenças ficaram
em torno de 1,0ºC. As médias gerais indicaram que está variação foi mínima.

Como registro das séries temporais mensais, os meses de dezembro tiveram


variação ascendente das temperaturas máxima e mínima (Figs.7.2.2.4 e 7.2.2.5). O
referido período de 2003-2004 se destacou nos dados, pois registrou mais ocorrências
de temperaturas máximas e mínimas abaixo de zero grau Celsius. O mês do período de
2005-2006 apresentou um comportamento semelhante. Com isto, estes dois períodos
tiveram as menores freqüências de oscilação das amplitudes, pois em boa parte do mês,
sistemas sinópticos trouxeram ar frio para a área da EACF, continuamente (Fig.7.2.2.6).

Os registros de temperatura máxima do ar, nos meses de janeiro, ficaram todos


acima de zero grau Celsius (Fig.7.2.2.7). O único dia que registrou exatamente este
valor ocorreu em 4 de janeiro, do período de verão de 2003-2004. As temperaturas
mínimas do ar acompanharam o padrão (Fig.7.2.2.8). Excetuando-se apenas um dia,
todos os registros dos períodos de verão estiveram acima de –2,0ºC. Os meses de
janeiro dos períodos de 2002-2003, 2003-2004 e 2004-2005 foram os que mais
registraram valores negativos no meio do verão. Janeiros também detiveram o maior
número de amplitudes acentuadas, dados os contrastes térmicos, ocorridos pela chegada
de sistemas ciclônicos, próximos de Ferraz (Fig.7.2.2.9). A maior amplitude de
temperatura dos verões foi causada por situação de bom tempo, o que permitiu que o dia
24 de janeiro, do período do verão de 2003-2004, atingisse 9,8ºC de amplitude térmica.

Os meses de fevereiro indicaram uma tendência de suave queda, nos valores de


temperatura máxima diária, no final do verão (Fig.7.2.2.10) e mais suave ainda foi
verificado na tendência da temperatura mínima (Fig.7.2.2.11). As máximas ficaram
agrupadas entre 2,0 e 8,0ºC, em todos os períodos, até o dia 12 de fevereiro. A partir

152
deste dia, houve ligeiras quedas no meio do mês, em todos os períodos. Uma nova
retomada ascendente ocorreu da terceira semana, com poucas flutuações, encerrando o
mês de todos os períodos em queda. As grandes amplitudes ocorreram em menor
freqüência (Fig.7.2.2.12). Os maiores destaques ficaram para fevereiro de 2001-2002.

Elaborou-se os gráficos analíticos com as informações compiladas que


sintetizaram as informações de temperatura do ar máxima e mínima, dentro dos
períodos de verão. Os valores foram distribuídos em classes que são as mais
significantes para as atividades na Antártida, onde os valores próximos de zero grau
Celsius determinam atividades humanas e fluxos de calor entre atmosfera e superfícies
congeladas. Para isto, dividiu-se os valores de temperatura máxima em cinco classes:
menor que –5,0ºC; maior ou igual a –5,0ºC até 0,0ºC ( [–5,0—0,0[ ); maior ou igual a
0,0ºC até 5,0ºC ( [0,0—5,0[ ); maior ou igual a 5,0ºC até 10,0ºC ( [5,0—10,0[ ) e
maiores ou iguais a 10,0ºC. A primeira e última classes comportaram os valores
extremados de verão, para os padrões da Antártida Oceânica. Para o caso das
temperaturas mínimas, as classes foram diferenciadas das máximas, com um destaque
mais refinado próximo de zero grau Celsius. Preferiu-se transferir o limite fechado das
classes para o lado superior, exatamente para que todas as temperaturas menores ou
iguais a zero grau Celsius tenham a mesma diferenciação. As classes foram definidas
nos seguintes intervalos: menor ou igual a –10,0ºC; maior que –10,0ºC e menor ou igual
a –5,0ºC ( ]–10,0— –5,0] ); maior que –5,0ºC e menor ou igual a 0,0ºC ( ]–5,0—0,0] );
maior que 0,0ºC e menor ou igual a 3,0ºC ( ]0,0—3,0] ); maior que 3,0ºC.

Com estas definições para as análises mensais, verificou-se que as temperaturas


máximas, de todos os períodos de verão, nos meses de dezembro, ficaram dentro da
classe de [0,0—5,0[ºC por pelo menos dois terços dos meses (Fig.7.2.2.13). A segunda
maior tendência ocorreu na classe também positiva de [5,0—10,0[ºC. As alternâncias
desta classe foram o destaque, pois dezembro do verão de 2001-2002 apresentou baixos
registros, alternando com oito casos em dezembro de 2002-2003, baixando no dezembro
seguinte e assim sucessivamente. Destacou-se o mês de dezembro de 2003-2004 que
esteve com registros de máxima, sempre mais baixos, e com nove de seus dias
registrando abaixo de zero grau Celsius, na classe de [–5,0—0,0[ºC. Apenas dois casos
de temperatura máxima alta foram registrados em dezembro do verão de 2005-2006.
Nenhum registro ocorreu abaixo de –5,0ºC. Para as temperaturas mínimas de dezembro,

153
de todos os verões, houve concentração no intervalo ]–5,0—0,0]ºC nos períodos de
2003-2004 (em quase todo o mês) 2004-2005 e 2005-2006 (com dois terços do mês). Os
períodos de 2001-2002 e 2002-2003 estiveram com as máximas ocorrências na classe
positiva de ]0,0—3,0]ºC ao redor de dois terços do mês também (Fig.7.2.2.14). Foram
os períodos de pequena amplitude térmica. Pouquíssimos casos foram registrados nas
outras classes, sendo que mínimas menores ou iguais a –10,0ºC não ocorreram.

Na avaliação dos meses de janeiro, as temperaturas máximas se dividiram em


duas classes positivas de [0,0—5,0[ e [5,0—10,0[ºC. Contudo, houve alternância a cada
período de verão. Se 2001-2002 registrou cerca de dois terços do mês, com ocorrências
na primeira classe positiva, 2002-2003 o fez na segunda classe, exceção apenas do mês
de janeiro, do período de 2004-2005, que seguiu a ordem do verão antecessor
(Fig.7.2.2.15). Cinco casos de máximas iguais ou maiores que 10,0ºC foram registradas,
quase que homogeneamente, entre os verões, mas nenhuma máxima ocorreu nas classes
negativas, em todos os janeiros. Para as temperaturas mínimas, janeiros impressionaram
com os altos registros positivos, na classe ]0,0—3,0]ºC. Quase todos os períodos
tiveram dois terços do mês registrados neste intervalo, com destaque para 2001-2002,
com 26 ocorrências (Fig.7.2.2.16). Para a primeira classe de valores negativos de
temperatura [–5,0—0,0[ºC, os destaques ocorreram, primeiramente, para janeiro de
2004-2005, considerado o verão com registros mais frios, seguidos na ordem por
2003-2004 e 2002-2003.

Finalmente, os meses de fevereiro se assemelharam muito aos meses de janeiro.


As duas primeiras classes positivas, das temperaturas máximas, registraram quase que
igualmente as ocorrências dos meses, em meio a meio (Fig.7.2.2.17). A exceção
novamente ocorreu no verão, com registros mais frios de 2004-2005. Neste, dois terços
do mês estiveram na primeira classe positiva de [0,0—5,0[ºC. Fevereiro de 2005-2006
registrou ocorrências levemente mais quentes. A classe positiva máxima teve apenas um
registro e as negativas, nenhum. Em suma, as classes negativas de temperatura máxima,
não registraram ocorrências nesta climatologia, tanto em janeiro como em fevereiro.
Para os valores de mínima temperatura, o padrão de janeiro, com ocorrências
predominando na classe positiva de ]0,0—3,0]ºC, ocorreu também em fevereiro.
Excetuando-se 2005-2006, os registros de mínima dos períodos marcaram cerca de dois
terços de ocorrências nesta classe (Fig.7.2.2.18). O restante dos dias, de todos os

154
fevereiros, foram distribuídos na primeira classe negativa, [–5,0—0,0[ºC, com destaque
para 2005-2006. Para a classe superior, acima de 3,0ºC, este ano se destacou novamente
com nove ocorrências, enquanto que os outros períodos, estiveram em similaridade. As
classes negativas abaixo de –5,0ºC não registraram nenhuma ocorrência, igualmente aos
meses de janeiro.

Diferentemente dos verões, os invernos possuem grande variação nos registros


de temperatura entre os dias. Os fluxos de calor estão concentrados em uma maior
participação dos oceanos do que da radiação solar incidente. Embora a EACF ainda
tenha períodos de brilho solar, os intervalos horários são muito reduzidos,
principalmente no meio do inverno. Este fato refletiu diretamente nos dados de
temperatura do ar observados pela AWS. Para a formação da série temporal de 92 dias
de inverno, as informações de temperatura do ar também foram divididas em máxima,
mínima e amplitude diárias. Calculou-se a média diária das temperaturas máximas,
mínimas e amplitudes, baseadas nos valores dos mesmos cinco dias de cada inverno.
Permaneceu o padrão para o valor da média diária, em linha amarela com círculos
vermelhos. Com isto, as observações realizadas para a temperatura máxima, indicaram
um declínio generalizado nos 15 primeiros dias de junho. Porém, os períodos de 2004,
2005 e 2006 demonstraram seu deslocamento positivo, ou seja, estavam acima do valor
de zero grau Celsius, diferente dos períodos de 2002 e 2003, bem mais frios que assim
permaneceram até o final do mês de junho (Fig.7.2.2.19). O declínio da temperatura se
estabilizou, entre –5,0ºC e 2,0ºC, no meio dos períodos, com algumas exceções. Houve
uma concentração de todos os períodos no mesmo intervalo, no princípio dos meses de
agosto, mas o final do período só se manteve neste padrão em três invernos, 2002, 2004
e 2005. O inverno de 2003 terminou com leve alta, enquanto que em 2006, a tendência
foi de queda acentuada, com oscilações. Os registros de temperatura média, de todos os
períodos de inverno, só indicaram sete dias acima de zero grau Celsius. A média
calculada da temperatura máxima do ar foi de –2,7ºC para todos os períodos de inverno.
Excetuando-se o inverno de 2003, que obteve muitos valores de máxima temperatura
acima de zero grau Celsius e o inverno de 2006, com períodos mais longos nesta mesma
marca, em linhas gerais, pôde-se observar que na maior parte do inverno, as
temperaturas não ficaram por muitos dias acima do ponto de fusão do gelo. Esta
informação é importante para o âmbito operacional também. Pesquisas que necessitem
caminhar sobre as geleiras, podem ser realizadas com maior segurança nestes períodos,

155
nas ilhas antárticas oceânicas. Mesmo quando os valores forem positivos, mas que
durem menos de dois ou três dias, esta segurança ainda estará garantida. Isto porque o
degelo requer muito tempo para ocorrer, dada a condição do gelo ser um isolante
térmico. Continuando o estudo, a aplicação da linha de tendência polinomial de sexta
ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias resultou em valores muito abaixo
do aceitável. Este fato espelhou a grande variabilidade das temperaturas durante o
período de inverno. As amplitudes das ondas, em todos os períodos, ficaram a oscilar
entre 15,0 a 25,0ºC. No que tange aos registros recordes, o dia 1º de julho do inverno de
2005 registrou –18,5ºC, a mais baixa temperatura máxima de todos os períodos. Foi
seguido pela tendência de queda do inverno de 2006, pois o dia 24 de agosto deste
período registrou –16,3ºC. Os maiores valores de temperatura máxima ocorreram no
inverno de 2004, no dia 3 de junho, com 5,7ºC e no inverno de 2003, em dois dias
seguidos, de 28 e 29 de agosto, com 5,6ºC.

Na avaliação da série temporal de 92 dias da temperatura mínima do ar,


observou-se que as variações entre os períodos são as maiores possíveis. As flutuações
podem atingir até 30,0ºC de variação (Fig.7.2.2.20). Houve um acentuado declínio em
todos os períodos, no início de mês de junho. Neste mês, em apenas um dia de 2004 e
dois de 2006, os registros de mínima estiveram acima de zero grau Celsius. O início dos
invernos de 2002, 2003 e 2005 foram os que mais registraram grandes variações
negativas. O inverno de 2006 se comportou desta maneira, acentuadamente, no final de
agosto. Os registros se concentraram mais no meio dos invernos, com variações de
15,0ºC, e alguns valores positivos. Após a leve tendência de elevação das temperaturas
mínimas e sua curiosa concentração de valores, em princípio dos meses de agosto,
houve uma tendência de divergência geral, onde alguns períodos encerraram os invernos
com fortes baixas, causadas por ciclones sinópticos atuando sobre Ferraz. A média
diária sempre esteve abaixo da linha de zero grau Celsius durante todos os invernos
desta climatologia. Com a alta oscilação, a sua linha de tendência polinomial de 6ª
ordem não representou os valores aceitavelmente. A média da temperatura mínima, de
todos os períodos de inverno, foi de –8,1ºC. Os valores de mínimas positivas foi
insignificante nos períodos de inverno. As marcas recordistas desta climatologia para as
temperaturas mínimas do ar foram: –23,1ºC no dia 2 de julho do inverno de 2005,
seguida de –22,0ºC no dia 25 de agosto de 2006, o que demonstrou sua tendência de
queda. Para o valor mais alto, a maior mínima foi de 2,4ºC no dia 1º de junho.

156
Aplicando o estudo para as amplitudes térmicas diárias, a série temporal indicou
que as oscilações dos períodos de inverno foram as mais acentuadas (Fig.7.2.2.21). Os
valores refletiram exatamente o transporte de energia que ocorre, com a passagem dos
ciclones, pelas ilhas da Antártida Oceânica. As amplitudes, em linhas gerais,
concentraram-se em faixas preferenciais de, no mínimo, 8,0ºC. Notou-se que as
amplitudes de 10,0ºC também foram comuns. A partir de 12,0ºC de amplitude, os casos
foram recorrentes com certa freqüência, pois todos os períodos de inverno obtiveram
valores desta magnitude. O destaque se deu para todo o inverno de 2005, seguido por
períodos de 2002. Com isto, houve novamente uma correspondência muito baixa na
linha de tendência aplicada. A maior amplitude registrada ocorreu no dia 2 de julho do
inverno de 2005, com 15,7ºC de variação.

Uma vez analisadas as séries completas de inverno, analogamente aos verões,


desenvolveu as séries temporais reduzidas para um mês. Aplicou-se a metodologia nos
valores de temperatura máxima, mínima e as suas amplitudes diárias. Os resultados,
obtidos desta climatologia de inverno, foram expressos na Tabela 7.2.2.2, onde se
relatou os valores médios das temperaturas descritas acima e a amplitude diária.
Calculou-se as médias dos valores de cada mês dos invernos combinados.

Curiosamente, o perfil de temperatura iniciou com médias muito mais baixas no


princípio do inverno, logo no término do outono. Conforme os dias se passaram, os
meses tiveram uma tendência de aumento. O perfil de elevação de temperatura foi
verificado em todas as médias dos meses agrupados. Em alguns meses, como foi o caso
de junho e julho, dos invernos de 2004 e 2006, as temperaturas estiveram mais altas que
os seus pares. Porém, no final do inverno, agosto de 2006 se resfriou mais que os outros
agostos, enquanto que, no mesmo mês, mas em 2003, a média das máximas alcançou
valor positivo. Com exceções destes períodos citados, a variação das médias, avaliadas
pelos meses, ficou na ordem de 3,0ºC.

Para os registros dos meses de junho, a tendência de queda acentuada ocorreu


nos primeiros dias, com estabilização e suave elevação da temperatura máxima, logo a
seguir (Figs.7.2.2.22). Junhos de 2002 e 2003 se destacaram com seus registros de
valores negativos de temperatura máxima diária. As maiores oscilações verificadas,
ocorreram no mês de junho de 2005. Para os valores de temperatura mínima, a dispersão

157
em todos os períodos de inverno, no mês de junho, foi significativa (Figs.7.2.2.23).
Novamente, o inverno de 2002, para este mês, destacou-se com os valores mais baixos
de mínimas. Os invernos de 2003 e 2005 também obtiveram valores consideráveis, com
profundas oscilações em intervalos de três dias. Este fato se refletiu nas amplitudes, que
chegaram a atingir de 12,0 a 14,0ºC com a chegada de sistemas na área da EACF
(Fig.7.2.2.24).

Tabela 7.2.2.2: Valores Médios da Temperatura do Ar (Máxima, Mínima e Amplitude)


dos Meses de Inverno, em Todos os Períodos.

INVERNOS MÉDIAS (ºC)


MESES PERÍODOS MÁXIMA MÍNIMA AMPLITUDE
2002 –5,5 –12,3 6,8
2003 –5,7 –10,5 4,8
2004 –0,2 –4,7 4,5
JUNHOS
2005 –5,0 –11,2 6,2
2006 –1,5 –6,3 4,7
TODOS –3,6 –9,0 5,4
2002 –4,1 –11,2 7,1
2003 –2,8 –8,0 5,2
2004 –1,2 –5,9 4,8
JULHOS
2005 –2,8 –10,2 7,4
2006 –1,8 –6,2 4,4
TODOS –2,5 –8,3 5,8
2002 –2,0 –7,1 5,1
2003 0,6 –3,6 4,2
2004 –1,7 –7,1 5,4
AGOSTOS
2005 –0,8 –5,8 5,0
2006 –5,6 –11,9 6,3
TODOS –1,9 –7,1 5,2

Os meses de julho tiveram uma tendência de estabilidade dos valores de


temperatura máxima do ar, com oscilações menos pronunciadas. A maior parte das
amplitudes destas freqüências, ficou em torno de 15,0ºC (Fig.7.2.2.25). Os meses de
julho de 2002 e 2003 estiveram, quase que por completo, abaixo das médias e do ponto

158
de fusão da água. Situação inversa ocorreu com 2004, com poucas variações e acima de
todos os padrões das médias, além da linha de zero grau Celsius. Para as temperaturas
mínimas, o padrão dispersivo continuou a ocorrer nas comparações dos meses de julho
(Fig.7.2.2.26). Os destaques, para as mais baixas mínimas, ficaram com os invernos de
2002 e 2003. O inverno de 2004 continuou a registrar os valores elevados. Em uma
rápida intervenção com os dados da MET-1, deve-se ressaltar que este inverno obteve
muitos registros de ocorrências de ciclones que vieram decair na área de controle.
Muitos destes casos, justamente no setor Sudoeste. Com a vanguarda dos sistemas
transportando ar mais aquecido, este fato poderia indicar as tendências de valores
maiores para o período. Quanto às amplitudes, o mês de julho apresentou valores
dispersos, com freqüências amplificadas além de 10,0ºC (Fig.7.2.2.27). O mês de julho
de 2004 foi o que menos registrou amplitudes bem definidas. A incidência dos ciclones,
como comentado logo acima, deve ter mantido um fluxo de calor com certa constância
por períodos de dias, das latitudes mais baixas sobre a EACF.

Finalizando as análises mensais de inverno, os meses de agosto tiveram uma


curiosa concentração de registros de temperatura máxima, nos primeiros dias, em todos
os invernos (Fig.7.2.2.28). Além disto, os valores estiveram acima de zero grau Celsius.
Somente neste mês, de todos os invernos, que a média diária alcançou valores positivos.
Agosto de 2006 se destacou pelos seus valores baixos de temperatura máxima, enquanto
que os outros períodos de inverno mantiveram a leve tendência de aumento, com
destaque para a forte elevação de agosto de 2003. Para as temperaturas mínimas, os
meses de agosto agruparam as ocorrências, de todos os anos, em um intervalo genérico
entre –10,0 e 0,0ºC (Fig.7.2.2.29). Agosto de 2006 se destacou muito na série, pois
registrou isoladamente, –22,0ºC, com fortes tendências de queda para o final do
inverno. As amplitudes foram mais suavizadas para o final do inverno (Fig.7.2.2.30).
Notou-se que as freqüências permaneceram altas, entre dois ou três dias, contudo, foram
poucas as grandes amplitudes. A maior parte se reservou a permanecer abaixo da marca
de 8,0ºC de diferença. As maiores exceções continuaram a ocorrer em agosto de 2006.
Este mês, em particular, encerrou o inverno com forte queda nos valores de temperatura
máxima e mínima.

Para os gráficos analíticos das informações sintetizadas dos meses de inverno, os


valores foram divididos em classes diferentes das apresentadas para os verões. Levou-se

159
em conta que houve temperaturas muito mais baixas neste período sazonal, portanto,
uma discriminação maior se fez necessária. Além do fato de que as temperaturas
determinam as atividades humanas, no exterior das estações, a composição com vento
pode atingir situações de extremo perigo de congelamento. Tal problema será abordado
mais a frente, no tópico sobre ventos e na MET-3. Contudo, as temperaturas máximas
foram divididas em cinco classes: menor que –10,0ºC; maior ou igual a –10,0ºC até
–5,0ºC ( [–10,0— –5,0[ ); maior ou igual a –5,0ºC até 0,0ºC ( [–5,0—0,0[ ); maior ou
igual a 0,0ºC até 5,0ºC ( [0,0—5,0[ ) e maiores ou iguais a 5,0ºC. A primeira e última
classes comportaram os valores extremados de inverno, para os padrões da Antártida
Oceânica. Para o caso das temperaturas mínimas, as classes foram diferenciadas das
máximas, com o acréscimo de mais uma classe, além do destaque próximo de zero grau
Celsius. Para seguir o padrão adotado no verão, transferiu-se o limite fechado das
classes para o lado superior, exatamente para que todas as temperaturas menores ou
iguais a zero grau Celsius tenham a mesma diferenciação. As classes foram definidas
nos seguintes intervalos: menor ou igual a –15,0ºC; maior que –15,0ºC e menor ou igual
a –10,0ºC ( ]–15,0— –10,0] ); maior que –10,0ºC e menor ou igual a temperatura de
–5,0ºC ( ]–10,0— –5,0] ); maior que –5,0ºC e menor ou igual a 0,0ºC ( ]–5,0—0,0] );
maior que 0,0ºC e menor ou igual a 3,0ºC ( ]0,0—3,0] ); maior que 3,0ºC.

Com estas definições para as análises mensais, verificou-se que as temperaturas


máximas se concentraram em cerca de um terço do mês de junho, de todos os períodos,
na classe de [–5,0— 0,0[ºC. Junho de 2005 registrou quase igualmente em todas as
classes, excetuando-se a mais aquecida (Fig.7.2.2.31). Os meses de junho de 2004 e
2006 foram mais quentes, com registros predominantes na primeira classe positiva e
poucos nas mais frias. Exatamente o oposto de 2002 e 2003, cujos meses de junho
estiveram com suas ocorrências, predominantemente, nas classes mais frias. Houve
apenas dois registros de máximas iguais ou acima de 5,0ºC, no mês de junho de 2004.
Para as temperaturas mínimas, nos meses de junho, em todos os invernos, registrou-se
comportamentos diferentes, conforme o período. A classe ]–15,0— –10,0]ºC foi a que
mais registrou em junho (Fig.7.2.2.32) excetuando-se junhos de 2004 e 2006 que
deslocaram suas maiores ocorrências, para as classes mais aquecidas de ]–10,0— –5,0]
e ]–5,0—0,0]ºC. Destacou-se o mês de junho de 2002, com pelo menos dois terços de
seus dias com mínimas abaixo de –10,0ºC, contabilizadas nas duas classes mais frias.
Além disto, este mesmo inverno obteve dez registros de mínimas abaixo ou iguais a

160
–15,0ºC. As ocorrências de mínimas acima de zero grau Celsius foram exíguas. Junhos
mais quentes, citados acima, de 2004 e 2006, foram os que obtiveram mais registros,
com três casos cada um. Nenhum caso foi registrado além de 3,0ºC.

Os meses de julho tiveram os registros de temperaturas máximas concentrados


nas duas classes ao redor de zero grau Celsius (Fig.7.2.2.33). As classes [–5,0—0,0[ e
[0,0—5,0[ºC dividiram os registros em cerca de um terço para cada, com exceções de
2002, que registrou casos nas classes mais frias e 2003, onde houve uma concentração
de 15 ocorrências na classe [0,0—5,0[ºC, com diluição dos outros 15 dias em todas as
classes frias. O único caso dos meses de julho, com temperatura máxima igual ou além
de 5,0ºC, também ocorreu neste inverno. Para os registros de temperaturas mínimas de
julho, todos os períodos concentraram suas ocorrências nas classes abaixo de zero grau
Celsius (Fig.7.2.2.34). A distribuição não foi homogênea em todos os períodos. Julho de
2004 e 2006 tiveram maiores ocorrências, mais próximo do ponto de fusão da água.
Julho de 2003 dividiu suas ocorrências, igualitariamente, nas classes negativas. O mês
de julho de 2002 se destacou pela concentração de registros nas classes negativas,
principalmente no intervalo ]–15,0— –10,0]ºC. Houve apenas três registros positivos,
um para cada período de 2003,2004 e 2005. Nenhuma ocorrência acima de 3,0ºC.

Finalizando o inverno, os meses de agosto também apresentaram um


comportamento das temperaturas máximas, semelhante aos meses de julho
(Fig.7.2.2.35). A maior concentração dos valores ocorreu nas duas classes vizinhas do
ponto de fusão da água, de zero graus Celsius, diferindo de julho somente pelo maior
número de casos. Agosto de 2002 e 2005 ficaram com quase dois terços do mês na
classe [–5,0—0,0[ºC, enquanto que agosto de 2003 concentrou suas ocorrências na
classe [0,0—5,0[ºC. O mês de agosto de 2006 dividiu as ocorrências em uma classe
positiva e outras nas negativas. A distribuição dos casos nos meses de agosto de 2002,
2003, 2005 e 2006 aparentaram um comportamento de curva Gaussiana7, com uma
distribuição intensa em uma classe, diminuindo ao redor. Este fato foi pouco observado,
em geral, nos dados mensais sintetizados. O mês de agosto foi o que mais aparentou
este comportamento em quase todos os períodos de inverno. Para os registros de
máximas acima ou iguais a 5,0ºC, houve somente três casos em agosto de 2003. Os
registros de mínimas de agosto seguiram o comportamento de Gaussiana, bem visível
em 2002, 2004 e 2006 (Fig.7.2.2.36). Os valores se distribuíram predominantemente nas

161
classes negativas, com mais casos em ]–10,0— –5,0] e ]–5,0— 0,0]ºC. Agosto de 2003
registrou quase dois terços do mês na classe negativa, vizinha ao zero grau Celsius. Os
meses de agosto de 2002, 2004 e 2005 concentraram as ocorrências mais para as classes
negativas de ]–10,0— –5,0] e ]–15,0— –10,0]ºC. Para esta última classe, agosto de
2006 obteve sua maior marca, com 13 casos. Este mesmo inverno registrou seis
ocorrências abaixo ou igual a –15,0ºC. Os casos de temperaturas mínimas na classe
]0,0— 3,0]ºC ficaram concentrados no mês de agosto de 2003. Nenhuma ocorrência de
mínima acima de 3,0ºC foi relatada nesta climatologia, em todos os meses de inverno.

7.2.3 – Velocidade dos Ventos na EACF:

O vento é um dos parâmetros meteorológicos que mais determina a atividade


humana na Antártida. Sua combinação, com os valores baixos de temperatura, pode ser
completamente mortal em questão de minutos, pois causa o congelamento dos tecidos
pelo rápido resfriamento. Além disto, fica impraticável laborar externamente aos
módulos, lançar botes ou aeronaves, deslocar qualquer tipo de equipamento e executar
pesquisas de campo. Nas atividades navais, as ondas geradas podem atingir três a quatro
metros com facilidade. Em campo, torna-se impossível caminhar com segurança, pois
há dificuldade generalizada nos deslocamentos. Outros fenômenos dependentes como a
neve soprada ou o surgimento de nevoeiros glaciais, prejudicam a visibilidade,
aumentando os fatores de risco.

Os ventos na parte interior do continente antártico tendem a ser do tipo


catabático, com grandes velocidades e periodicidade até mesmo regular. Contudo, na

7
Gaussiana ou Curva de Gauss, em linhas gerais, é uma função matemática contínua, derivável em todos
os pontos, cuja a aparência se assemelha a uma montanha. O valor central é o mais elevado, ou Moda da
função (o termo que mais predomina) reduzindo para ambos os lados, conforme se afasta deste ponto
central. Difere da parábola porque suas extremidades “abrem” com tendência a se aproximarem de zero,
na sua correspondência com os valores da incógnita y. O caso mais clássico de experimento de Gauss
pode ser obtido jogando-se 100 vezes dois dados. A maior concentração de resultados ocorrerá nos
valores próximos de sete ou oito, mas poucos nos valores dois e doze. Existem vários termos
modificadores da curva de Gauss que podem alongar, compactar, amplificar, reduzir e deformar sua
aparência.
Exemplo:
35

30

25

20

15

10

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

162
região costeira e na Antártida Oceânica, o regime dos ventos é regido pela passagem
dos ciclones extratropicais e polares. A área da Trilha das Depressões é o setor do
planeta com a maior variabilidade de ventos ciclônicos. Neste estudo, em particular,
observou-se as variações de comportamento dos ventos nos verões e invernos,
demonstrando diferenças que podem ocorrer com a variação sazonal, no setor da EACF,
sendo esta, uma amostra do que ocorre em toda a região circumpolar.

Os dados de ventos, em superfície na EACF, permitiram elaborar as séries


temporais dos valores de rajadas máximas, vento mínimo, vento médio e horas de
calmaria. Utilizou-se gráficos com linhas suavizadas apenas para o vento médio, pois
este foi melhor representado com este artifício. As rajadas e vento mínimo tendem a
lembrar pulsos, portanto, sua representação foi elaborada em linhas com vértices, em
pontos de registro. As séries gerais de verão comportaram os 90 dias seguidos. Para
cada dia, obteve-se também, a média dos cinco dias de verão, como descrito nos
parâmetros anteriores (linha amarela com círculos vermelhos). Iniciando os estudos
pelas rajadas dos ventos em superfície, observou-se que praticamente todos os dias de
verão obtiveram registros. Foram poucas as exceções de dias que não ocorreram rajadas
(menos de dez dias). Para estes, adotou-se o vento máximo como o maior valor de
velocidade do vento registrado. A média geral das rajadas máximas foi de 16,5m.s-1
(59,4km.h-1 ou 32,0kt) dentro dos 445 dias de todos os verões. Descontou-se os seis dias
do valor de dias real (451 dias) quando houve pane no instrumento e este foi substituído.
O problema ocorreu no mês de janeiro do verão de 2004-2005. Quanto aos registros,
não houve uniformidade nos dados de rajadas, como era esperado (Fig.7.2.3.1). Os
valores se alternaram entre muito altos (acima de 25,0m.s-1) ou moderados (ao redor de
15,0m.s-1). É importante lembrar que estes valores indicaram a rajada máxima ocorrida
dentro de um certo dia. Contudo, em uma hora qualquer de observação, dezenas de
vezes ocorreram rajadas semelhantes. Este é um fato que deve ser registrado.
Diferentemente de outros lugares, onde as rajadas estão mais presentes na aproximação
de trovoadas ou de passagens frontais, acompanhadas de nuvem Cb, as rajadas
antárticas permanecem constantemente ocorrendo, inclusive por horas, até a passagem
do ciclone nas proximidades. Este fato foi um dos mais importantes, pois indicou o
quanto a máquina termodinâmica dos ciclones estava atuando. Observou-se que, com a
alta freqüência da passagem de ciclones, os dias se alternaram rapidamente, entre baixos
e altos registros de velocidade. Com isto, a aplicação da linha de tendência polinomial

163
de sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias, resultou uma equação de
reta que não conseguiu exprimir uma aproximação, com índice baixo, situação típica
para valores de velocidade de ventos na Antártida. Em uma outra conexão com a
MET-1, notou-se também casos em que alguns mesociclones foram capazes de gerar
ventos mais intensos e rajadas maiores que alguns ciclones sinópticos. Na avaliação
desta climatologia, verificou-se que os períodos de verão de 2001-2002 e 2002-2003
registraram fortes e intensas rajadas, destacando-se principalmente no início do período.
Nos outros três períodos, 2003-2004, 2004-2005 e 2005-2006, as tendências foram de
menores ocorrências, com algumas mudanças excepcionais, para o final do verão. A
rajada máxima, recorde desta climatologia, ocorreu no dia 11 de dezembro do verão de
2002-2003, com a impressionante marca de 47,1m.s-1 (169,5km.h-1 ou 91,5kt). O verão
de 2001-2002 foi o detentor de ocorrências de rajadas acima de 35,0m.s-1 (126,0km.h-1
ou 68,0kt) com quatro casos.

A série temporal de 90 dias, dos ventos mínimos em superfície registrados


diariamente, indicou que foram poucos os dias em que ocorreram valores de velocidade
iguais a zero (Fig.7.2.3.2). Quando isto aconteceu, significou que, em pelo menos um
registro, houve calmaria horária. Destacou-se o verão de 2004-2005, com mais
ocorrências de mínimas velocidades em zero. A média geral das mínimas, de todos os
períodos de verão, foi de 1,4m.s-1 (5,0km.h-1 ou 2,7kt) dentro dos 445 dias. O verão de
2005-2006 foi o que menos registrou valores mínimos, seguido pelo verão de
2001-2002. Também não houve uniformidade nos ventos mínimos, pois seu regime foi
ditado pela ausência de ciclones e escassos períodos de calmaria, situações raras no
ambiente da Antártida Oceânica. A grande alternância dos valores dos períodos gerou
uma média de difícil avaliação. Como esperado, a linha de tendência polinomial de
sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias, resultou em baixa
aproximação. Na avaliação geral, os períodos de verão de 2001-2002 e 2002-2003, que
registraram as fortes e intensas rajadas, tiveram menores ocorrências de velocidades
mínimas baixas. Contudo, o período de 2005-2006 se destacou pelo elevado número de
velocidades mínimas mais altas. A maior mínima registrada, nesta climatologia, ocorreu
no dia 18 de fevereiro do período de 2004-2005, com 9,1m.s-1 (32,7km.h-1 ou 17,6kt).

Para os registros de vento médio diário, a série temporal de 90 dias teve grande
oscilação, ditada pela atuação dos sistemas ciclônicos na área de controle (Fig.7.2.3.3).

164
A média geral das velocidades médias, de todos os períodos de verão, foi de 5,2m.s-1
(18,7km.h-1 ou 10,1kt) dentro dos 445 dias. Em uma avaliação geral, do comportamento
dos valores médios de vento, verificou-se que os primeiros trinta dias dos verões
indicaram uma tendência descendente nas velocidades, seguido de certa estabilidade no
meio dos verões, com retomada de alta, por mais 20 dias e finalização em queda.
Alguns períodos de verão se destacaram deste padrão, como o verão de 2001-2002,
cujas velocidades médias estiveram mais elevadas que os outros períodos, por um
tempo maior. O verão de 2004-2005 obteve significativos registros de médias baixas.
Não se observou uniformidade nos ventos médios, devido ao destaque na variação de
altas e baixas, o que também prejudicou a aproximação da linha de tendência polinomial
de sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias. A maior velocidade
média registrada ocorreu no dia 11 de dezembro do período de 2002-2003, com
14,9m.s-1 (53,6km.h-1 ou 28,9kt). Outro caso semelhante, em janeiro do verão de
2001-2002 será discutido logo abaixo, nas particularidades mensais.

Os períodos de calmarias, ou horas calmas, da série temporal de 90 dias


representaram as particularidades dos verões menos ativos, onde os ciclones tiveram
menor influência sobre a EACF, ou simplesmente, sua formação foi dificultada pelas
condições sinópticas locais (Fig.7.2.3.4). Este foi um fato que ocorreu em alguns anos,
com mais freqüência do que outros. Contudo, em geral, todos os períodos de verão
indicaram uma etapa de calmaria no setor. Uma hora calma foi considerada aquela em
que o vento médio, na hora cheia da observação, registrou velocidades iguais ou
inferiores à 0,3m.s-1. A média geral de horas calmas de todos os períodos de verão foi
de 1,1 horas (uma hora e seis minutos) dentro dos 445 dias. Na descrição geral dos
períodos de calmaria, os verões de 2001-2002, 2002-2003 e 2005-2006 foram os que
menos registraram horas de vento calmo, com destaque para este último verão. O
período de 2003-2004 registrou muitas calmarias, nos primeiros 30 dias e no seu final.
O verão de 2004-2005 foi o que mais registrou horas calmas e estas contribuíram para o
cômputo de dias calmos, nos registros de predominância de sentido. Conforme era
esperado, não se observou padrões na média diária de horas calmas, de todos os verões,
indicado pela aproximação ruim, da linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha
preta). O dia com mais horas calmas ocorreu em 25 de fevereiro do verão de 2004-2005,
com 16 horas registradas.

165
Elaborando a análise refinada de verão, realizou-se as séries temporais locais e
comparativas, com duração de apenas um mês. Os resultados, obtidos desta
climatologia, foram expressos na Tabela 7.2.3.1, onde se relatou os valores médios das
rajadas máximas, do vento mínimo, do vento médio e do número de horas calmas.
Calculou-se também as médias referentes aos valores de cada mês dos verões
combinados.

Tabela 7.2.3.1: Valores Médios de Velocidade do Vento em Superfície


(Rajada/Máximo, Mínimo, Médio) e Horas de Calmaria na EACF, nos
Meses de Verão, em Todos os Períodos.

VERÕES (m.s-1) MÉDIAS


MESES PERÍODOS RAJADA* MÍNIMO MÉDIO CALMARIA (h)
2001-2002 24,5 1,8 7,3 0,1
2002-2003 18,3 1,6 5,8 0,5
2003-2004 13,6 1,0 4,2 2,2
DEZEMBROS
2004-2005 17,4 1,1 5,4 2,0
2005-2006 15,9 2,3 5,7 0,3
TODOS 17,9 1,6 5,7 1,0
2001-2002 18,0 1,4 5,5 0,5
2002-2003 13,1 1,0 4,1 0,2
2003-2004 17,5 1,2 4,7 1,2
JANEIROS
2004-2005 13,2 0,5 3,0 6,2
2005-2006 13,6 1,2 4,2 0,4
TODOS 15,2 1,1 4,4 1,5
2001-2002 12,7 1,9 6,6 0,5
2002-2003 17,4 1,2 5,0 0,2
2003-2004 17,5 1,2 4,8 0,8
FEVEREIROS
2004-2005 17,8 1,6 6,6 2,2
2005-2006 17,6 1,4 5,3 0,2
TODOS 16,6 1,4 5,6 0,8
* Nos raros casos de ausência de rajadas, adotou-se o valor do vento máximo.

Pelas informações calculadas, percebeu-se que os períodos de dezembro foram


os mais intensos, com poucas ocorrências de calmas. Em seguida, o meio dos verões foi
marcado por uma leve queda nos valores, de todos os parâmetros de vento, no mês de

166
janeiro, com a compensação de um suave aumento nas horas de calmaria. Houve uma
retomada aos valores maiores no mês de fevereiro, em todos os valores de vento, com
redução significativa das calmarias.

Na avaliação mensal, os meses de dezembro indicaram os maiores valores de


rajadas desta climatologia de verão (Fig.7.2.3.5). O período de 2001-2002 foi o que
mais se destacou nas rajadas por todo o mês. Seu valor médio atingiu a marca recorde
de 24,5m.s-1 (88,2km.h-1 ou 47,6kt). Dezembro do verão de 2002-2003 foi o detentor do
recorde da climatologia, como dito anteriormente. Nos outros três períodos de verão, as
rajadas foram menos intensas, por quase todo o mês. Para os valores de vento mínimo, o
mês de dezembro registrou as maiores mínimas nos verões de 2005-2006 e 2002-2003
(Fig.7.2.3.6). O verão de 2001-2002 foi o que menos registrou casos de mínimas muito
baixas, diferentemente de 2003-2004 e 2004-2005, que tiveram as menores marcas.
Quanto ao vento médio, dezembros exibiram os registros muito dispersos, com destaque
para o verão de 2001-2002, onde o vento médio esteve, em pelo menos dois terços dos
dias, acima das médias mensais e diárias (Fig.7.2.3.7). O verão de 2002-2003, em
dezembro, registrou dez dias seguidos de fortes médias elevadas, com pouco flutuação.
A maior alternância do vento médio ficou com o verão de 2004-2005. No cômputo das
horas calmas, os meses de dezembro tiveram uma média de apenas uma hora
(Fig.7.2.3.8). O verão de 2001-2002 se destacou por ser o menor registro de calmas
médias de toda a climatologia, com apenas 0,1 hora (seis minutos). Os verões de
2003-2004 e 2004-2005 são os que mais registraram calmas neste mês, destacadamente.

Para a análise dos dados dos meses de janeiro, as rajadas máximas diminuíram
em relação ao início do verão, concentrando-se entre 10 e 30m.s-1 (Fig.7.2.3.9).
Destacou-se o verão de 2001-2002, com a maior parte das ocorrências acima das
médias, seguido pelo verão de 2003-2004. Foi no dia 1º de janeiro, do verão de
2001-2002, que se registrou a maior marca do mês, com 36,0m.s-1 (129,6km.h-1 ou
69,9kt). Esta citação foi feita como registro, pois este dia se destacou na velocidade
média. Novamente, os verões de 2001-2002 e 2003-2004 registraram dois terços do mês
com valores acima das duas médias. Para o vento mínimo, quase a plenitude dos dados
indicaram valores abaixo de 3,0m.s-1 (Fig.7.2.3.10). No cômputo geral, os meses de
janeiro foram os que registraram os menores valores de velocidade de vento. Isto
indicou que houve intervalos significativos, pelo menos uma vez ao dia, na atuação dos

167
sistemas ciclônicos sobre o setor. O verão de 2004-2005 foi o que mais registrou
velocidades zero em pelo menos uma hora de observação. O verão de 2001-2002
registrou mais casos que os outros meses de janeiro, sempre acima das médias do mês.
Para as informações do vento médio, houve uma concentração e queda generalizada dos
valores no mês de janeiro (Fig.7.2.3.11). Excetuando-se 2001-2002, as médias tiveram
tendência de permanecer, na maior parte dos casos, abaixo de 6,0m.s-1. Reporta-se aqui,
a falha já comentada do anemômetro, com ausência de dados do dia 17 ao 22 de janeiro
de 2004-2005. Conforme comentário acima, o dia 1º de janeiro, do verão de 2001-2002,
registrou o segundo maior vento médio desta climatologia. Diferiu muito pouco do
valor de 14,9m.s-1 do dia 11 de dezembro, do verão de 2002-2003. Este dia, em
particular, ocorreu o sistema batizado por Nexus (FELICIO, 2003) cujo vento médio do
dia, foi de 14,7m.s-1 (52,9km.h-1 ou 28,5kt). Este caso, em particular, em conexão com a
MET-1, ocorreu no intervalo de dois sistemas ciclônicos sinópticos gêmeos. O conjunto
dos sistemas, um à Leste e outro à Oeste do Drake, configuraram um corredor de vento
que perdurou por 36 horas, com o máximo ocorrendo no dia citado. Para o dia seguinte,
registrou-se baixa velocidade média e horas de calmaria, com brilho solar intenso.
Quanto aos valores de horas calmas, o mês de janeiro registrou um suave aumento das
ocorrências em todos os períodos, com grande destaque para o verão de 2004-2005
(Fig.7.2.3.12). Embora todos os parâmetros de vento tenham declinado neste mês e, as
horas calmas, em geral, aumentado, a elevação da média das horas de calmaria tiveram
muita influência dos valores de 2004-2005. O mês de janeiro do verão de 2005-2006 foi
o que menos registrou horas calmas.

Finalizando os meses de verão, as rajadas máximas de fevereiro, dos períodos


desta climatologia, tiveram uma suave retomada geral de valores altos, após a redução
de janeiro (Fig.7.2.3.13). A grande diferença, para o início do verão, foi que o aumento
ocorreu em todos os períodos, não ocorrendo meses com valores acentuados. As
ocorrências máximas registraram abaixo dos 35,0m.s-1. Em geral, as variações ficaram
ao redor da média. Contudo, o verão de 2001-2002, que esteve sempre acima das
médias, computou, em quase a totalidade do mês, valores abaixo de ambas. O verão de
2002-2003 obteve um comportamento ascendente, justamente ao contrário de
2004-2005, que declinou consideravelmente. Para os ventos mínimos, a tendência em
seguir o mês inicial de valor mais alto de dezembro retornou (Fig.7.2.3.14). Porém, o
comportamento não foi uniforme, pois os verões de 2001-2002, 2002-2003 e 2004-2005

168
tiveram os valores mínimos mais altos, com destaque para este último período e a marca
recorde de mínima elevada deste mês, com 9,1m.s-1 no dia 18. Os valores de vento
médio de fevereiro demonstraram um comportamento interessante, com aproximação
em todos os períodos (Fig.7.2.3.15). Os valores ficaram muito próximos, numa
diferença de apenas 6,0m.s-1. Houve uma tendência geral de elevação das velocidades
médias, nos primeiros dez dias dos meses de fevereiro. Em seguida, uma estabilidade
até o dia 17, terminando em uma tendência de queda para todos os períodos,
excetuando-se 2002-2003 e 2005-2006, onde este padrão não ficou muito evidente. O
valor mais alto da velocidade média do mês ocorreu no dia 11 de fevereiro, do verão de
2001-2002, com 14,5m.s-1. As horas de calmarias de fevereiros se destacaram por serem
as mais baixas da climatologia de verão (Fig.7.2.3.16). Excetuando-se 2004-2005, as
médias quase registraram zero. Embora o valor médio do mês tenha se assemelhado ao
valor do mês de dezembro, a configuração da contribuição dos períodos foi a
responsável pela elevação. Enquanto dezembro obteve valores distribuídos pelos
períodos, fevereiro praticamente não registrou casos, sendo apenas alguns picos de
ocorrências, os responsáveis pela elevação do valor médio. Foi o caso, novamente, do
verão de 2004-2005, com o recorde de 16 horas de calmaria ocorrido no dia 16, com
outra marca de 15 horas, no dia seguinte.

Na elaboração dos gráficos analíticos, com as informações compiladas dos


meses de verão, escolheu-se os dois parâmetros de vento mais significativos: as rajadas
máximas e os valores de velocidade média do vento. Ambas as variáveis têm a
importância de serem fatores determinantes para as atividades antárticas. Os valores das
rajadas máximas foram distribuídos em cinco classes de velocidades: de zero, inclusive,
até 10,0m.s-1 ( [0,0—10,0[ ); maior ou igual a 10,0m.s-1 até 20,0m.s-1 ( [10,0—20,0[ );
maior ou igual a 20,0m.s-1 até 30,0m.s-1 ( [20,0—30,0[ ); maior ou igual a 30,0m.s-1 até
40,0m.s-1 ( [30,0—40,0[ ) e maiores ou iguais a 40,0m.s-1. A primeira classe comportou
as ocorrências de máximas velocidades, nos raros casos da inexistência das rajadas. Para
os gráficos do vento médio, elaborou-se uma divisão de classes um pouco diferente. Foi
necessário diminuir as amplitudes das classes para poder refinar o estudo das
ocorrências. Além disto, uma das classes foi destinada aos dias em que a velocidade
média registrou calmaria plena, caso esta ocorresse. Desta maneira, a divisão foi feita
em seis classes: de zero, inclusive, até 0,3m.s-1, inclusive ( [0,0––0,3] ); maior que
0,3m.s-1 até 2,5m.s-1 ( ]0,3––2,5[ ); maior ou igual a 2,5m.s-1 até 5,0m.s-1 ( [2,5––5,0[ );

169
maior ou igual a 5,0m.s-1 até 7,5m.s-1 ( [5,0––7,5[ ); maior ou igual a 7,5m.s-1 até
10,0m.s-1 ( [7,5––10,0[ ) e maiores ou iguais a 10,0m.s-1.

Após as definições das classes, no mês de dezembro, verificou-se que os


registros de rajadas máximas se concentraram, efetivamente, na classe de velocidade de
[10,0—20,0[m.s-1 onde dois terços dos dias, de todos os períodos, indicaram ocorrências
(Fig.7.2.3.17). A exceção foi o mês de dezembro de 2001-2002 o qual dividiu as
ocorrências, quase por igual, nas três classes, logo acima de 10,0m.s-1. A segunda maior
tendência ocorreu na classe mais veloz de [20,0—30,0[m.s-1. Para as rajadas abaixo de
10,0m.s-1, destacou-se a ausência de casos de 2001-2002 e a marca de sete ocorrências
de dezembro de 2003-2004. O mês de dezembro do verão de 2001-2002 se destacou
como o das mais velozes rajadas, computando, inclusive, dois casos além dos 40,0m.s-1.
O verão de 2002-2003 obteve desempenho semelhante, incluindo um caso na classe de
velocidade máxima. Em relação aos dados de vento médio, as ocorrências se
distribuíram em duas classes predominantes, [2,5––5,0[ e [5,0––7,5[m.s-1 (Fig.7.2.3.18).
Dezembros dos verões de 2003-2004 e 2005-2006 registraram metade do mês na
primeira, enquanto que 2001-2002, na segunda. Os períodos de 2002-2003 e 2004-2005,
registraram cerca de apenas um terço do mês. O mês de dezembro de 2003-2004,
destacou-se com 8 casos na classe mais baixa de velocidades médias. Nenhum período
registrou dias com ocorrências nas velocidades baixíssimas das calmarias. Dezembros,
dos verões de 2001-2002 e 2004-2005, registraram ocorrências nas classes superiores,
com destaque para o primeiro verão, com cinco casos na última classe veloz.

Na avaliação dos meses de janeiro, as rajadas máximas se concentraram na


classe [10,0––20,0[m.s-1, mas se dividiram, alternando as máximas ocorrências, em suas
duas classes vizinhas de [0,0—10,0[ e [20,0—30,0[m.s-1 (Fig.7.2.3.19). A exceção foi o
mês de janeiro, do verão de 2005-2006, que seguiu o padrão de registros de rajadas
menos velozes do verão anterior. Todos os verões registraram apenas uma ocorrência na
penúltima classe mais veloz, mas nenhuma na classe igual ou superior ao valor de
40,0m.s-1. Para as velocidades médias, janeiros demonstraram a suavização das
velocidades (Fig.7.2.3.20). A classe ]0,3—2,5[m.s-1 aumentou o número de ocorrências,
com 2002-2003 e 2004-2005 registrando os maiores valores, alternando com os valores
menores dos outros períodos. Janeiros de 2005-2006 e 2001-2002 registraram os
maiores valores nas classes intermediárias de [2,5—5,0[ e [5,0—7,5[m.s-1

170
respectivamente. As duas últimas classes, de ventos médios mais velozes, reduziram
significativamente as ocorrências. A classe mais veloz teve contribuições dos verões de
2001-2002 e 2002-2003 somente. Não houve registros de casos na classe das calmarias
plenas.

Finalmente, os meses de fevereiro registraram muitas ocorrências de rajadas


máximas na classe [10,0––20,0[m.s-1, como nos meses de dezembro (Fig.7.2.3.21). Os
registros foram de cerca de dois terços do mês, excetuando-se 2004-2005 que registrou
mais casos na classe imediatamente superior. O maior número de rajadas menos velozes
ocorreu no verão de 2001-2002, reflexo de um mês com menos atividade ciclônica.
Fevereiros de 2002-2003 e 2003-2004 foram os únicos que registraram dois casos cada
um na classe [30,0––40,0[m.s-1 e 2005-2006, apenas um caso. Semelhante a janeiro, não
houve caso de registro acima de 40,0m.s-1. Para o vento médio, os meses de fevereiro se
assemelharam aos meses de dezembro, com aumento na classe [5,0––7,5[m.s-1, onde
quase todos os períodos registraram cerca de um terço do mês (Fig.7.2.3.22). Na classe
anterior, de [2,5––5,0[m.s-1, os períodos de 2002-2003 e 2003-2004 registraram metade
do mês. A classe de menor velocidade voltou ao padrão baixo de dezembro. Para as
classes mais velozes, acima de 7,5m.s-1, os valores tiveram um ligeiro aumento, com
destaque para 2004-2005, na penúltima classe e 2001-2002, na última. Fechando o mês
de fevereiro, não houve ocorrências na classe das calmarias plenas, como nos outros
dois meses de verão.

Para o período de inverno, algumas modificações nos padrões foram observadas.


Primeiramente foram as rajadas que diferiram por serem mais velozes, aumentando
consideravelmente os casos de acima de 30m.s-1 (108,0km.h-1 ou 58,3kt). Em seguida,
verificou-se um aumento nos valores dos registros de velocidade mínima e média. O
mesmo ocorreu para os períodos de horas calmas, que praticamente dobraram de valor
nas ocorrências diárias. Iniciando os estudos pelas rajadas dos ventos em superfície,
observou-se que nem todos os dias do inverno tiveram valores de rajadas, ou vento
máximo, que pudesse ser considerado. Em pelo menos seis ocasiões, isto não foi
verificado. A média geral das rajadas foi de 18,2m.s-1 (65,5km.h-1 ou 35,3kt) dentro dos
460 dias, de todos os cinco invernos. Novamente, os dados de rajadas máximas não
foram uniformes, como verificado nos verões (Fig.7.2.3.23). Os valores se alternaram
mais, com particularidades em cada período, mas valores muito altos (acima de

171
20,0m.s-1) foram recorrentes. Com isto, além da alta freqüência da passagem de
ciclones, os valores dos registros se comportaram em funções com deslocamentos muito
diferentes. Nestes termos, ao se aplicar da linha de tendência polinomial de sexta ordem
(linha preta) sobre os dados de médias diárias, obteve-se um resultado que não
representou a função. Como comentado anteriormente, esta situação foi corriqueira para
valores de velocidade de ventos na Antártida Oceânica. Na avaliação desta climatologia,
verificou-se que o período de inverno de 2002 e 2003 registraram fortes e intensas
rajadas, por quase todo o período. O inverno de 2004 começou com valores próximos da
média, no início, mas acompanhou as fortes rajadas, dos dois períodos anteriores, no
final do inverno. O inverno de 2004 foi o mais atenuado, com rajadas de baixo valor e
extensos dias de velocidades em zero. Finalmente, o inverno de 2006 permaneceu muito
próximo da média. A rajada máxima, recorde desta climatologia, ocorreu no dia 28 de
julho do inverno de 2004, com a marca de 46,2m.s-1 (166,3km.h-1 ou 89,8kt) ficando
abaixo da marca de verão por apenas 0,9m.s-1. O inverno de 2003 obteve a marca
recorde de rajadas acima de 35,0m.s-1 (126,0km.h-1 ou 68,0kt) com dez casos.

O vento mínimo registrado diariamente, em superfície, na série temporal de 92


dias, indicou que os casos de ocorrências de valores com velocidade igual a zero
aumentou (Fig.7.2.3.24). Outro fato, ocorrido nos invernos, foi que aumentaram as
ocorrências de ventos mínimos com altos valores. Isto indicou que as passagens dos
ciclones foram mais ativas que nos verões, com velocidades acentuadas por mais tempo,
distribuídas em dias. O mesmo se repetiu quando houve calmaria horária. Destacou-se o
inverno de 2005, com mais ocorrências de mínimas velocidades em zero. A média geral
das velocidades mínimas, de todos os períodos de inverno, foi de 1,5m.s-1 (5,4km.h-1 ou
2,9kt) dentro dos 460 dias. Não houve um destaque evidente para o inverno que
apresentou menos registros de valores mínimos. Também não houve uniformidade nos
ventos mínimos. A grande variação entre os períodos gerou uma média sem a
possibilidade real de avaliação. Como esperado, a linha de tendência polinomial de
sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias, resultou em um dos índices
mais baixos desta pesquisa, sem validade. Na avaliação geral, cada período de inverno,
momentaneamente, registrou mínimas mais elevadas na série. Os invernos de 2002,
2003 e 2004 foram os que registraram as maiores velocidades de vento mínimo.
Contudo, o período de 2003 se destacou pelo elevado número de velocidades mínimas

172
mais altas. A maior mínima registrada nesta climatologia ocorreu no dia 3 de agosto, do
período de 2003, com 17,3m.s-1 (62,2km.h-1 ou 33,6kt).

Para os registros de vento médio diário, a série temporal de 92 dias de inverno


teve maior oscilação que o verão (Fig.7.2.3.25). A média geral das velocidades médias,
de todos os períodos de inverno, foi ligeiramente superior ao verão, com 6,1m.s-1
(21,9km.h-1 ou 11,8kt) dentro dos 460 dias. Na avaliação geral dos valores médios de
vento, verificou-se uma tendência descendente nas velocidades, apenas nos 15 primeiros
dias dos invernos. A partir deste ponto, houve muita oscilação da média geral dos cinco
invernos, com fortes oscilações locais (curto período) e globais (na série completa). Os
ventos médios, para todos os períodos, dispersaram-se em várias faixas de velocidades,
sem nenhuma similaridade. Os períodos de inverno de 2002, 2003 e 2006 se destacaram
com valores mais altos de vento médio. O inverno de 2005 foi o que obteve
significativos registros de médias baixas. A dispersão dos valores de ventos, desta
climatologia, também prejudicou a aproximação da linha de tendência polinomial de
sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias, com resultado sem
representatividade. A maior velocidade média registrada ocorreu no dia 3 de agosto, do
período de 2003, com 20,9m.s-1 (75,2km.h-1 ou 40,6kt). Outro caso de interesse ocorreu,
no mesmo inverno, em 19 de junho, com 20,4m.s-1 (73,4km.h-1 ou 39,6kt).

Os períodos de calmarias, ou horas calmas, da série temporal de 92 dias


aumentaram consideravelmente nos períodos de inverno. Excetuando-se 2006, todos os
outros períodos apresentaram números de horas calmas acentuados, inclusive por
seqüência de períodos de dias. Estas foram as particularidades dos invernos menos
ativos, ou pelo maior deslocamento da Trilha das Depressões para latitudes mais baixas
(Fig.7.2.3.26). A média geral de horas calmas, de todos os períodos de inverno, foi o
dobro do verão (1,1 horas). O cálculo indicou 2,1 horas (duas horas e seis minutos)
dentro dos 460 dias. Observou-se que o aumento das horas de calmaria não foi
responsabilizado por um ou dois períodos de inverno, que se destacaram nos registros,
mas da contribuição de todos. Embora os invernos possuam um número de ciclones
maior e estes sejam mais ativos, com marcas acentuadas de velocidades em relação aos
verões, também são nestes períodos que se registraram as maiores calmarias desta
climatologia. O período de 2005 foi o que mais registrou calmarias por todo o inverno.
Destacaram-se várias seqüências de dias, como de 10 a 13 e 19 a 22 de junho, 14 e 25

173
de julho e 12 de agosto, com as situações sinópticas mais curiosas dentro da área de
controle deste estudo, que serão discutidas na MET-3. Conforme era esperado, não se
observou padrões na média diária de horas calmas, de todos os invernos, indicado pela
baixa aproximação da linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha preta).
Obteve-se vários dias com registros de 24 horas de calmaria. Estes foram considerados
os dias calmos plenos. A seqüência recorde, desta climatologia de dias calmos, ocorreu
no inverno de 2002, do dia 26 ao 29, ou seja, quatro dias calmos plenos, com 24 horas
de registros de velocidade zero.

Procedeu-se, a seguir, na elaboração das análises refinadas de inverno. Como


nos verões, realizou-se as séries temporais locais e comparativas, com duração de
apenas um mês. Os resultados foram expressos na Tabela 7.2.3.2, onde se relatou os
valores médios das rajadas máximas, do vento mínimo, do vento médio e do número de
horas calmas. Calculou-se também as médias referentes aos valores de cada mês dos
verões combinados.

Pelos cálculos das médias dos invernos, obteve-se como resultado que os meses
de agosto foram os mais intensos, inclusive com registros de calmarias semelhantes aos
verões. Contudo, houve uma tendência de leve crescimento nos parâmetros de vento do
início ao fim do inverno, exatamente o oposto do que ocorreu no verão. Conforme era
esperado, o contrário ocorreu com o cômputo das horas calmas.

Na avaliação mensal, os meses de junho indicaram os menores valores de


rajadas máximas desta climatologia de inverno (Fig.7.2.3.27). O período de 2003 foi o
que mais se destacou nas rajadas por todo o mês. Além do seu valor médio Ter sido o
mais alto, o destaque também se deu pela maior marca dos meses de junho, com
38,3m.s-1 (137,8km.h-1 ou 74,4kt). Os meses de junho de 2002 e 2006 também se
destacaram com médias de rajadas máximas elevadas, distribuídas por todo o mês. No
caso de médias muito baixas, destacou-se junho de 2005, com valores de registro com
cerca da metade dos valores dos outros períodos. Além disto, este mês obteve a marca
recorde desta climatologia de dias sem vento de rajada (18 a 24 de junho). Para os
valores de vento mínimo, o mês de junho registrou as maiores mínimas no inverno de
2003 (Fig.7.2.3.28) com duas marcas significativas. A maior delas ocorreu no dia 5 de
junho, com 12,6m.s-1 (45,3km.h-1 ou 24,4kt). O inverno de 2005 obteve a menor marca

174
Tabela 7.2.3.2: Valores Médios de Velocidade do Vento em Superfície
(Rajada/Máximo, Mínimo, Médio) e Horas de Calmaria na EACF, nos
Meses de Inverno, em Todos os Períodos.

INVERNOS (m.s-1) MÉDIAS


MESES PERÍODOS RAJADA* MÍNIMO MÉDIO CALMARIA (h)
2002 18,5 1,4 5,9 0,3
2003 19,2 2,5 6,8 0,5
2004 17,6 1,2 5,7 1,8
JUNHOS
2005 9,0 0,2 3,6 10,6
2006 18,7 1,8 6,0 0,2
TODOS 16,6 1,4 5,6 2,7
2002 18,2 1,5 6,0 5,5
2003 21,4 1,3 6,4 0,8
2004 24,5 1,9 7,6 1,0
JULHOS
2005 6,5 0,2 3,7 5,3
2006 20,2 2,4 6,9 0,1
TODOS 18,1 1,5 6,1 2,6
2002 19,7 1,3 6,2 0,5
2003 27,6 2,8 9,2 0,1
2004 26,0 2,1 8,4 0,8
AGOSTOS
2005 8,3 0,7 3,5 3,8
2006 17,2 1,3 5,1 0,2
TODOS 19,8 1,7 6,5 1,1
* Nos raros casos de ausência de rajadas, adotou-se o valor do vento máximo.

do mês, com apenas 0,2m.s-1, que seria considerado, pela média, um mês calmo,
segundo os padrões da OMM. Os outros períodos de inverno tiveram as suas oscilações
de vento mínimo ao redor de 2,0m.s-1. Para os registros de vento médio, junhos
apresentaram os registros abaixo de 10m.s-1, com poucas flutuações acima disto
(Fig.7.2.3.29). Junho de 2003 novamente se destacou com um valor médio maior que os
seus meses pares. A segunda maior marca dos invernos ocorreu neste mesmo período de
2003, com 20,4m.s-1 (73,4km.h-1 ou 39,6kt) de média. As maiores amplitudes, seguidas
de vento médio, ocorreram no inverno de 2006, com a chegada contínua de ciclones
sobre a EACF. Os menores registros de vento médio continuaram ocorrendo no período

175
de 2005. Para o cômputo de horas calmas, os meses de junho tiveram a maior média dos
invernos, com 2,7 horas (Fig.7.2.3.30). O destaque para este valor mensal foi
responsabilizado pelos extensos e contínuos períodos de calmarias do inverno de 2005.
O referido período, somente neste mês, registrou três dias de calmaria plena, com 24
horas sem vento. Além destes, outros nove dias também registraram 16 horas ou mais
de calmaria. Este mês de 2005 foi o recordista, desta climatologia, com destacada marca
média de 10,6 horas (10 horas e 36 minutos). O mês de junho de 2006, opondo-se ao
período de 2005, praticamente não registrou horas calmas, com a marca de apenas 0,2
hora (12 minutos).

Para as séries temporais dos meses de julho, as rajadas máximas iniciaram sua
tendência de aumento, discutida na série completa de inverno (Fig.7.2.3.31). A
flutuação dos registros ficou compreendida entre 15 e 30m.s-1. Destacou-se o inverno de
2005, como era esperado, com seus registros aquém deste intervalo. Além deste, houve
o destaque da súbita queda ocorrida no final do mês de julho, no período de 2002, que
atingiu a marca zero, perpetuada por três dias consecutivos. Contrapondo-se à este
inverno, o período de 2004 registrou a rajada máxima recorde da climatologia de
inverno, com 46,0m.s-1 (166,3km.h-1 ou 89,8kt) no dia 28 de julho. Para o vento
mínimo, o mesmo padrão, de elevação dos valores, foi observado nos meses de julho
(Fig.7.2.3.32). Os maiores valores médios de vento mínimo ficaram com os invernos de
2004 e 2006, indicando maior atividade ciclônica. O inverno de 2005, novamente, foi o
que mais registrou velocidades zero em pelo menos uma hora de observação. Para os
dados de vento médio, todos os períodos registraram uma concentração entre 5,0 até
10,0m.s-1 (Fig.7.2.3.33). Além disto, a média geral do mês também se elevou. O valor
de vento médio de destaque, em julho, ocorreu no dia 14, no inverno de 2002, com
16,8m.s-1 (60,4km.h-1 ou 32,6kt). A marca recorde de dias com vento médio igual a
zero, na climatologia de inverno, ocorreu entre os dias 26 a 29, do período de 2002, ou
seja, quatro dias consecutivos. Excetuando-se 2005, as médias tiveram tendência de
permanecer, na maior parte dos casos, acima de 6,0m.s-1. Para o estudo das horas
calmas, o mês de julho registrou um suave decréscimo das ocorrências, de modo geral
(Fig.7.2.3.34). Contudo, a média do mês se manteve alta devido a grande contribuição
do período de 2002, que deteve a marca recorde de quatro dias de calmaria plena, do dia
26 ao 29. A segunda maior contribuição continuou com o inverno de 2005. O inverno
de 2006 praticamente não registrou calmarias neste mês, com um registro médio de

176
apenas 0,1 hora (seis minutos). No panorama geral, o mês de julho, intermediário do
inverno, registrou aumento em todos os parâmetros de vento, com decréscimo das horas
calmas.

No término dos meses de inverno, as rajadas máximas de agosto foram as mais


altas da climatologia, mantendo o padrão de elevação constatado em julho
(Fig.7.2.3.35). Contudo, a dispersão das ocorrências, quando comparadas por períodos,
foi a maior registrada. O único momento em que os dados se concentraram em uma
faixa, e mesmo esta não era pequena, foi durante os dias 22 ao 29, com exceções. Os
invernos de 2003 e 2004 se destacaram com os maiores registros médios, com
ocorrências de rajadas máximas acima de 35,0m.s-1. O segundo lugar ficou com o
inverno de 2002, com média próxima da média do mês e três casos de rajada máxima
também acima de 35,0m.s-1. O inverno de 2005, no mês de agosto, registrou suas
rajadas, na maioria dos dias, abaixo da marca de 10,0m.s-1. Em pelo menos seis dias,
utilizou-se o vento máximo para o registro da maior velocidade de vento, deste inverno
em particular. Para os ventos mínimos, também se registrou a mesma tendência de
ascensão das médias (Fig.7.2.3.36). O comportamento foi generalizado, pois mesmo o
inverno de 2005, sempre com menores valores, acompanhou a tendência, registrando
mais que a soma dos seus dois outros meses. O inverno de 2003, detentor da marca
recorde de maior mínima, foi o que mais computou mínimas velocidades elevadas. O
inverno de 2004 foi o segundo maior, com quatro ocorrências significativas. Para os
valores de vento médio de agosto, registrou-se as maiores velocidades médias mensais
dos invernos (Fig.7.2.3.37). Foi observado o mesmo comportamento dispersivo das
rajadas máximas. As ocorrências também perduraram por mais tempo, ou seja, além das
amplitudes consideráveis, os comprimentos das ondas, verificadas nos registros, foram
maiores. O inverno de 2005 se destacou como o único que declinou em relação aos
outros períodos. Os maiores valores ocorreram nos invernos de 2003, 2004 e, logo a
seguir, 2002. O valor mais alto da velocidade média do mês, foi o recordista da
climatologia de inverno, como descrito anteriormente. Quanto às horas de calmarias de
agostos, o mesmo padrão baixo de registros de verão foi verificado (Fig.7.2.3.38). O
único a se destacar continuou sendo o inverno de 2005, com uma média três vezes
maior que a média de todos os agostos. Os outros períodos ficaram abaixo de 1 hora de
calmaria média. O dia 12 de agosto de 2005 registrou a maior marca dos mês, com 19
horas de calmaria. Este mesmo inverno registrou mais três casos acima de 12 horas.

177
Na elaboração dos gráficos analíticos, o mesmo padrão do verão foi adotado
para o inverno. Continuou-se a utilizar as rajadas máximas e os valores de velocidade
média do vento como os dois parâmetros de vento mais significativos. Estas variáveis
têm mais importância ainda, durante o inverno, como indicadoras de segurança para as
atividades antárticas. Os valores das rajadas máximas foram distribuídos em cinco
classes de velocidades, com limites de intervalo, idênticos aos do verão, onde os
conjuntos foram descritos do mesmo modo: [0,0—10,0[; [10,0—20,0[; [20,0—30,0[;
[30,0—40,0[ e maiores ou iguais a 40,0m.s-1. A primeira classe comportou as
ocorrências de máximas velocidades quando houve a inexistência de rajadas. Estes
casos não foram tão raros como no verão. Para os gráficos do vento médio, adotou-se a
mesma divisão de seis classes, como no verão. Porém, no inverno, foi mais necessário
ainda a adoção de classes com menores amplitudes para cobrir as ocorrências. A classe
de calmaria plena obteve muitos registros, principalmente no já discutido inverno de
2005. Os conjuntos das classes foram descritos da mesma maneira: de zero, inclusive,
até 0,3m.s-1, inclusive; [0,0––0,3]; ]0,3––2,5[; [2,5––5,0[; [5,0––7,5[; [7,5––10,0[ e
maiores ou iguais a 10,0m.s-1.

Com estas definições, verificou-se que nos meses de junho, os registros de


rajadas máximas se concentraram na classe [10,0—20,0[m.s-1 onde, desde a metade até
dois terços dos dias, de todos os períodos, computaram ocorrências (Fig.7.2.3.39).
Junho de 2005 registrou um pouco mais que um terço do mês. Este mesmo inverno
registrou metade dos seus dias dentro da primeira classe de velocidades, incluindo os
casos de zeros. A segunda maior tendência ocorreu na classe de [20,0—30,0[m.s-1, com
registros maiores, de quase um terço do mês, dos invernos de 2002, 2003 e 2004. Para a
classe de [30,0—40,0[m.s-1, o inverno de 2002 obteve quatro casos, seguido de 2006 e
2003, com três e dois casos, respectivamente. Os outros períodos não registraram casos
mais velozes e nenhum período computou ocorrências, na última classe mais veloz,
iguais ou além dos 40,0m.s-1. Em relação aos dados de vento médio, as ocorrências se
distribuíram em várias classes, o que era esperado pela grande dispersão observada nos
dados anteriormente (Fig.7.2.3.40). Duas classes predominantes dividiram as
ocorrências dos invernos. Enquanto 2002, 2004 e 2006 registraram de um terço a
metade do mês na classe [2,5––5,0[m.s-1, junho do inverno de 2003, registrou metade do
mês na classe [5,0––7,5[m.s-1. Junho de 2005 continuou registrando na classe mais
baixa, com 12 ocorrências em ]0,3––2,5[m.s-1 e foi o único que registrou ocorrências na

178
classe calma, com três casos. Os outros dias, ficaram divididos nas classes acima
citadas. A classe mais veloz de [30,0—40,0[m.s-1 obteve registros de todos os anos, com
destaque para 2002, com mais registros e 2004, com apenas um. A classe mais veloz,
com valores iguais ou maiores que 40,0m.s-1, registrou homogeneidade em quase todos
os períodos de inverno, com três casos cada, diferindo apenas 2005, com dois casos.

Na avaliação dos meses de julho, as rajadas máximas se concentraram na classe


[10,0––20,0[m.s-1 com destaque para o inverno de 2006, com metade dos dias. Contudo,
a classe vizinha superior [20,0—30,0[m.s-1 obteve marcas maiores, mas sem a
participação de todos os períodos de inverno (Fig.7.2.3.41). Julho de 2005 não registrou
mais casos iguais ou maiores que 20,0m.s-1. Este inverno deteve a marca recorde, desta
climatologia, com casos registrados dentro da classe de rajadas mais baixas, com 24
dias. Nesta classe mais baixa, julho de 2002 também apareceu com 9 dias de
ocorrências. Os meses de julho de 2002, 2003 e 2004 foram os que registraram mais
casos na classe veloz de [30,0—40,0[m.s-1. A última classe mais veloz obteve dois
registros de 2004 e apenas um de 2002. Para as velocidades médias, julhos continuaram
com a distribuição divergente nas classes, como era esperado, mas com suave aumento
de casos nas classes mais velozes (Fig.7.2.3.42). A tendência de aumento de velocidade
dos invernos pôde ser verificada com as contribuições de julho, dos períodos de 2004 e
2006, nas classes superiores. O mês de julho de 2002 registrou casos em todas as classes
adotadas com certa regularidade. O mês de julho de 2003 seguiu este padrão, mas não
registrou na classe de calmaria e reforçou os casos na classe [5,0—7,5[m.s-1. Nenhum
dos períodos registrou mais que um terço do mês em determinada classe, excetuando-se
o mês de julho de 2005, que registrou quase que dois terços do mês na classe baixa de
[2,0—5,0[m.s-1. Suas outras contribuições, pelas classes, foram exíguas e não registrou
casos na classe de calmarias.

Finalmente, os meses de agosto demonstraram o aumento mais significativo dos


valores das rajadas máximas, como foi verificado anteriormente (Fig.7.2.3.43). Os
registros se dividiram em mais classes, sendo que as predominâncias não ficaram
evidentes e foram regidas pelos períodos. Com isto, a classe de [10,0—20,0[m.s-1
comportou cerca de dois terços dos dias dos meses de agosto, dos períodos de 2002 e
2006, mas apenas um terço ou somente uma semana, dos outros três períodos.
Excetuando-se 2005, que registrou 22 dias de ocorrências na classe mais baixa de

179
rajadas máximas, os invernos de 2003 e 2004 se dividiram nas classes de [20,0—30,0[ e
[30,0—40,0[m.s-1, com casos na marca de um terço do mês cada um, com leve destaque
para 2006, nesta primeira classe veloz. Para as velocidades acima de 40m.s-1, houve
apenas um registro para os períodos de 2002, 2003 e 2004. Para o vento médio, os
meses de agosto continuaram a trilhar a tendência de aumento deste mês, mas com
maior concentração das ocorrências em duas classes, alternadas pelos períodos
(Fig.7.2.3.44). Agosto de 2005 e 2006 registraram metade dos dias na classe de
velocidade de [2,5––5,0[m.s-1, enquanto 2002, apenas um terço e os outros períodos
foram mínimos. Contudo, a classe vizinha de [5,0—7,5[m.s-1 comportou ao redor de um
terço do mês de todos os períodos, salvo 2005 que só obteve dois casos, para todas as
classes superiores de vento médio. A classe de velocidade [7,5—10,0[m.s-1 indicou um
queda abrupta dos registros, mas destacou uma segunda predominância menor de casos
com velocidades maiores ou iguais a 10,0m.s-1. Estas ocorrências foram significativas e
ajudaram a elevar a média geral de agosto. Os destaques, na ordem foram para 2003,
2004, 2002 e até mesmo um caso de 2005. Findando o mês de agosto, nenhuma
ocorrência foi registrada na classe de calmas.

7.2.4 – Sentido Predominante dos Ventos na EACF:

O parâmetro meteorológico vento não possui somente um valor escalar, ou seja,


um número que quantifica a sua grandeza. Ele também é acompanhado de um indicativo
de sentido, que erroneamente é chamado de direção8. Este indicativo recebe o nome de
vetor. Então, para ser uma grandeza completa, o vento possui um escalar e um vetor
como determinantes do seu parâmetro. No item anterior, estudou-se os escalares do
vento. Neste item, serão avaliados os seus vetores predominantes desta climatologia.

8
Direção é a representação de uma linha imaginária que pode ser transitada em dois sentidos, ou seja,
“direção Norte-Sul” é o mesmo que “direção Sul-Norte”, pois ambas apenas indicam qual a linha a se
seguir. Casos semelhantes são direção meridional, latitudinal etc. Nenhum deles indica realmente para
onde se transita, ou seja, o seu sentido. Completando o primeiro exemplo, Sentido Norte-Sul é diferente
de Sentido Sul-Norte. Segundo Resnick, R. e Halliday, D. (1989) uma grandeza vetorial, como o vento, é
um conceito que envolve módulo, direção e sentido. Seu módulo é dado pelo valor escalar e seu vetor,
definido pela direção e sentido. Em Meteorologia, seguindo os preceitos aeronáuticos, as direções são
dadas por ângulos de azimute, contudo, novamente o conceito de sentido é necessário, pois uma aeronave
transitando na “direção 360” é diferente de um “vento 360”. Nos dois casos o sentido ficou implícito, mas
não definido. Uma aeronave voa do ponto central da bússola para a marca 360 e o vento faz o percurso
inverso, ou seja, atinge o centro da bússola pela marca 360. Para este trabalho, adotou-se o padrão da
Física, onde o vetor necessita de direção e sentido, sendo que a direção ficou implícita na descrição do
sentido.

180
O estudo do sentido predominante foi realizado pela observação do valor da
moda diária, nos dados coletados nas 24 horas da EACF. O estudo difere um pouco dos
padrões adotados para as outras variáveis meteorológicas. Para o sentido do vento,
realizou-se, primeiramente, a avaliação do cômputo geral de todos os dias de verão e
inverno separadamente. A seguir, voltou-se ao padrão normal de avaliação da
contribuição de cada mês constituinte, tanto da estação sazonal, quanto de cada período
anual de verão/inverno. Finalmente, houve a fusão das duas informações integradas,
com dados dos meses e períodos.

Pelas limitações dos softwares em formarem um gráfico que facilitasse a


visualização de múltiplas informações, criou-se um gráfico específico para o propósito
deste item. O valor dos tamanhos das barras foram calculadas em planilhas eletrônicas,
porém, cada uma delas foi desenhada manualmente, executando cálculos relacionais,
por regra de três, entre valor absoluto e comprimento da figura. As escalas foram
devidamente estabelecidas para o universo em estudo de cada problema. Com isto, os
gráficos representaram as oito posições de vento predominante e a área central foi
reservada para as calmarias. Como as informações demonstraram o setor predominante
diário, as escalas foram montadas em dias, portanto, as calmarias representadas foram
as relativas às calmarias diárias, conceito explanado na metodologia deste trabalho, que
envolvem as calmarias diárias plenas e os dias predominantemente calmos.

Uma vez definidos os procedimentos, as informações das predominâncias dos


cinco períodos de verão foram agrupadas por setores, primeiramente, em um cômputo
geral. Depois, os valores foram divididos nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.
Finalmente, registrou-se cada contribuição por período. Estes resultados, obtidos para
esta climatologia, foram expressos na Tabela 7.2.4.1, onde se relatou os valores
absolutos, ocorridos em cada setor e os dias de calmaria. Calculou-se também os
sub-totais dos meses combinados e de todo o período de verão.

Com estes valores, observou-se, para os verões desta climatologia, que a maior
predominância no sentido dos ventos ficou com o setor Oeste (Fig.7.2.4.1). Este setor
foi o responsável por 29,7% dos dias predominantes de todos os verões (Fig.7.2.4.2). O
segundo setor predominante de vento foi o Norte, com 19,8% dos casos, imediatamente
seguido pelo setor Leste, com 18,2%. Estes números representaram, em boa parte, a

181
Tabela 7.2.4.1: Valores Absolutos do Setor Predominante Diário do Vento em
Superfície e Dias Calmos na EACF, nos Meses de Verão, em Todos
os Períodos.

VERÕES SETORES (Valor Abs.)


MESES PERÍODOS N NE E SE S SW W NW C
2001-2002 7 9 1 0 0 2 12 0 0
2002-2003 11 1 7 2 0 1 7 2 0
2003-2004 4 2 12 5 0 1 5 1 1
DEZEMBROS
2004-2005 3 2 10 4 0 1 8 2 1
2005-2006 2 1 7 5 2 1 10 3 0
TODOS 27 15 37 16 2 6 42 8 2
2001-2002 7 4 3 2 1 4 10 0 0
2002-2003 6 4 8 7 0 1 4 1 0
2003-2004 6 3 6 1 0 3 9 3 0
JANEIROS
2004-2005* 4 0 5 1 0 0 8 0 7
2005-2006 8 3 2 0 1 8 9 0 0
TODOS 31 14 24 11 2 16 40 4 7
2001-2002 3 3 1 0 1 2 17 1 0
2002-2003 10 3 5 1 1 2 6 0 0
2003-2004 10 0 3 0 1 2 11 2 0
FEVEREIROS
2004-2005 2 4 3 0 0 4 12 0 3
2005-2006 5 2 8 2 0 4 4 3 0
TODOS 30 12 20 3 3 14 50 6 3
VERÃO COMPLETO 88 41 81 30 7 36 132 18 12
* Janeiro de 2005 teve 25 dias válidos de dados, por pane instrumental.

atuação de dois padrões do estreito de Drake. O primeiro foi relativo ao escoamento de


Oeste, predomínio da Trilha das Depressões. Enquanto não havia ciclones próximos da
EACF para reger os ventos, ao redor do seu centro de baixa pressão atmosférica, o
escoamento básico, embora mais fraco, predominou. Com a passagem dos ciclones
próximos de Ferraz, pelo setor Norte, um dos predominantes verificados na MET-1, foi
notada a tendência de vento deste setor, com a forte advecção quente na vanguarda
destes sistemas. Quando os ciclones continuaram sua rota pelo Drake, os ventos
tenderam a soprar de Leste, pois este foi o sentido que sopraram os ventos no setor mais

182
austral dos ciclones (no hemisfério Sul, sentido horário ao redor do centro de baixa
pressão). O setor que menos registrou dias de predominância foi o Sul, com 1,6%. Os
ventos deste setor tem a característica de serem muito frios. Suas ocorrências estiveram
associadas às quedas abruptas de temperatura, e fenômenos como neve, chuva
congelada e água-neve.

Ao se dividir os casos em grupos mensais, de todos os períodos de verão, em


seus 445 dias válidos de dados, percebeu-se que os valores de predomínio setorial
permaneceram, durante os meses, com a exceção de dezembros, onde o segundo setor
predominante de Norte, passou para terceiro, trocando de posição com o setor Leste
(Fig.7.2.4.3). Contudo, era esperado que houvesse alternância entre estes dois setores,
na segunda colocação, devido aos seus valores totais estarem muito próximos. Isto de
fato ocorreu. O setor Sul permaneceu na última colocação, com ocorrências pouco
significativas. Os meses de janeiro foram os detentores das maiores ocorrências de dias
calmos, com 7 casos.

Ao se examinar as ocorrências de predomínio por períodos de verão, com todos


os meses agrupados, os comportamentos visivelmente se alternaram (Fig.7.2.4.4).
Embora a maior parte dos setores predominantes, do cômputo geral de verão, tenham
permanecido, houve algumas trocas de primeira e segunda predominâncias. Estas,
foram regidas pelos deslocamentos dos ciclones, com diferenças entre os períodos,
como visto na MET-1. O período de verão de 2001-2002, manteve o setor Oeste como
seu primeiro predominante de vento. O segundo setor foi o Norte, mas o terceiro foi o
Nordeste. O setor Leste nem sequer foi o quarto, posição esta que ficou com o setor
Sudoeste. O verão de 2002-2003 indicou a primeira predominância no setor Norte,
passando para Leste. O setor Oeste ficou em terceiro lugar. Para o período de
2003-2004, o primeiro setor predominante foi o Leste, seguido de Oeste e depois Norte.
Os verões de 2004-2005 e 2005-2006 seguiram o padrão geral de predomínio de Oeste,
mas com a mudança do segundo predomínio para Leste. Para ambos, o Norte ficou com
a terceira predominância. O setor Sul foi o que menos registrou predominâncias em
todos os verões. O verão de 2005-2006 foi o recordista desta climatologia de verão com
dias calmos, computando 11 casos. O verão de 2004-2005 registrou apenas um caso e
todos os outros períodos, nenhuma ocorrência.

183
Procedeu-se na divisão destas ocorrências pelos meses que compõem o verão.
Os resultados de dezembro foram semelhantes ao cômputo geral por períodos, com a
troca dos setores da segunda e terceira predominância, como visto na divisão mensal
(Fig.7.2.4.5). Ocorreram algumas alterações interessantes, regidas por casos de ciclones
em particular. Estes, foram os principais responsáveis pelas mudanças ocorridas nos
meses e reafirmaram a grande variabilidade dos ventos neste setor antártico, ou seja,
embora em média os valores tendam a ter um certo comportamento, localmente, estes
podem se apresentar muito diferentes (entendendo este “localmente” como um intervalo
de tempo observacional menor). Com a finalidade de se facilitar a leitura das
informações de predomínio, criou-se um resumo, expresso na Tabela 7.2.4.2, com as
três primeiras predominâncias do mês de dezembro, de cada período de verão, e a
última predominância computada.

Tabela 7.2.4.2: Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último
Setor dos Meses de Dezembro, em Todos os Períodos de Verão.

VERÕES SETORES
MESES PERÍODOS 1ª Pred. 2ª Pred. 3ª Pred. Última Pred.
2001-2002 Oeste Nordeste Norte S / SE / NW / C
2002-2003 Norte W/E NE / SE Sul / Calmo
2003-2004 Leste W / SE Norte Sul
DEZEMBROS
2004-2005 Leste Oeste Sudeste Sul
2005-2006 Oeste Leste Sudeste Calmo
TODOS Oeste Leste Norte Sul / Calmo
VERÃO GERAL Oeste Norte Leste Sul

Excetuando-se as primeiras predominâncias de cada período, que obtiveram


destaque nos valores das ocorrências, as outras predominâncias ficaram muito próximas,
pois seus valores absolutos diferiram por poucos casos. Este foi o motivo da maior
alternância de setores no segundo e terceiro predomínio. Para os registros de dias
calmos, 2003-2004 e 2004-2005 obtiveram um caso cada.

Os predomínios de vento dos meses de janeiro seguiram o padrão geral dos


verões, com o predomínio principal do mês no setor Oeste (Fig.7.2.4.6). Este setor se
destacou em quatro, dos cinco períodos de verão. Contudo, os valores absolutos das

184
predominâncias de vento estiveram muito próximas. Esta congruência ficou mais
evidente no caso dos segundo e terceiro setores predominantes. A Tabela 7.2.4.3
resumiu os predomínios de setores dos meses de janeiro e os setores que menos casos
registraram.

Tabela 7.2.4.3: Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último
Setor dos Meses de Janeiro, em Todos os Períodos de Verão.

VERÕES SETORES
MESES PERÍODOS 1ª Pred. 2ª Pred. 3ª Pred. Última Pred.
2001-2002 Oeste Norte NE / SW Noroeste / Calmo
2002-2003 Leste Sudeste Norte Sul / Calmo
2003-2004 Oeste N/E NE SW NW Sul / Calmo
JANEIROS
2004-2005 Oeste Calmo Leste S / NE / SW
2005-2006 Oeste N / SW Nordeste NW / SE / Calmo
TODOS Oeste Norte Leste Sul
VERÃO GERAL Oeste Norte Leste Sul

A maior divergência dos dados foi verificado no período de 2002-2003, onde os


setores predominantes mudaram completamente. Para os dias de calmarias, apenas o
verão de 2004-2005 registrou sete casos. Isto colocou as calmarias diárias em uma das
posições mais altas como predomínio, nesta climatologia. Nenhum outro mês de janeiro
computou dias calmos.

Finalmente, os meses de fevereiro também demonstraram as mesmas


predominâncias gerais de verão (Fig.7.2.4.7). O mês de fevereiro, do verão de
2001-2002, destacou-se pelo acentuado número de dias no setor predominante de Oeste,
com 17 casos. Esta foi a maior marca de toda a climatologia de verão. As outras duas
predominâncias registraram apenas três casos. A Tabela 7.2.4.4 registrou os três setores
predominantes para os meses de fevereiros, em todos os períodos, e os casos setoriais de
menores ocorrências.

185
Tabela 7.2.4.4: Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último
Setor dos Meses de Fevereiro, em Todos os Períodos de Verão.

VERÕES SETORES
MESES PERÍODOS 1ª Pred. 2ª Pred. 3ª Pred. Última Pred.
2001-2002 Oeste N / NE Sudoeste Sudeste / Calmo
2002-2003 Norte Oeste Leste Noroeste / Calmo
2003-2004 Oeste Norte Leste NE / SE / Calmo
FEVEREIROS
2004-2005 Oeste Sudoeste Leste S / NW / SE
2005-2006 Leste Norte W /SW Sul / Calmo
TODOS Oeste Norte Leste S / SE / Calmo
VERÃO GERAL Oeste Norte Leste Sul

Ao se observar os valores absolutos de fevereiros, percebeu-se que eles diferiram


dos ocorridos em janeiros, por exemplo. Houve um grande distanciamento do número
de ocorrências que determinaram o primeiro setor predominante, em relação ao
segundo, em quase todos os períodos, excetuando-se apenas o verão de 2003-2004. Isto
pôde categorizar os meses de fevereiro como determinantes de primeiras
predominâncias. Fato este que ocorreu moderadamente nos meses de dezembro e pouco
nos de janeiro. Quanto aos casos de calmarias diárias, novamente o único verão que
registrou ocorrências foi 2004-2005, com três casos.

Repetindo-se o estudo para os invernos, primeiramente se agrupou as


predominâncias, dos cinco períodos, por setores, formalizando o cômputo geral.
Dividiu-se os valores nos meses de junho, julho e agosto e depois, pela contribuição de
cada período de inverno. Os resultados foram expressos na Tabela 7.2.4.5, com relatos
dos valores absolutos em cada setor, os dias de calmaria, os cálculos dos sub-totais dos
meses combinados e de todo o período de inverno.

Após o cálculo dos resultados, o mesmo setor predominante de verão, ocorreu na


climatologia de inverno. Observou-se que o setor Oeste registrou 124 ocorrências
(Fig.7.2.4.8). Este setor foi o responsável por 27,0% dos dias predominantes, de todos
os 460 dias pertencentes aos invernos (Fig.7.2.4.9). O segundo setor predominante de
vento foi o Leste, com 19,1% dos casos, imediatamente seguido pelo setor Norte, com

186
18,9%. Estes dois últimos trocaram de posição em relação aos verões, mas pela
proximidade dos valores absolutos, novamente este fato era esperado. Pôde-se avaliar
que a segunda predominância de ventos ficou empatada entre estes dois setores,
principalmente porque, nos invernos, a mudança ocorreu por causa de um caso.

Tabela 7.2.4.5: Valores Absolutos do Setor Predominante Diário do Vento em


Superfície e Dias Calmos na EACF, nos Meses de Inverno, em Todos
os Períodos.

INVERNOS SETORES (Valor Abs.)


MESES PERÍODOS N NE E SE S SW W NW C
2002 5 1 9 4 0 2 9 0 0
2003 2 4 13 4 0 0 6 1 0
2004 6 2 3 3 0 0 12 0 4
JUNHOS
2005 2 0 10 2 0 0 2 0 14
2006 9 0 11 3 0 1 4 2 0
TODOS 24 7 46 16 0 3 33 3 18
2002 4 2 3 2 1 1 9 0 9
2003 8 5 5 4 0 0 5 3 1
2004 10 3 5 1 0 0 11 0 1
JULHOS
2005 5 2 7 1 0 0 7 3 6
2006 4 1 5 2 0 11 4 4 0
TODOS 31 13 25 10 1 12 36 10 17
2002 3 2 2 0 0 2 16 6 0
2003 11 5 2 1 0 0 11 1 0
2004 7 1 4 1 0 1 16 1 0
AGOSTOS
2005 6 4 1 1 0 3 8 4 4
2006 5 2 8 5 0 4 4 3 0
TODOS 32 14 17 8 0 10 55 15 4
INVERNO COMPLETO 87 34 88 34 1 25 124 28 39

Os casos de calmarias diárias chamaram a atenção por se destacarem como uma


predominância que sobrepujou todos os outros setores de sentido dos ventos. Foram 39
dias calmos computados, representando 8,5% de todos os cinco invernos. Este fato
indicou que as maiores calmarias ocorrem efetivamente durante os invernos. O alto
número de casos posicionou as calmarias diárias na quarta colocação geral, superando

187
os setores Sul, Nordeste, Sudeste, Sudoeste e Noroeste. Quanto ao setor menos
predominante de vento, dos 460 dias de invernos, apenas um foi de sentido Sul,
representando apenas 0,2% das ocorrências. Neste caso, os ventos deste setor apenas
esfriaram mais a região da EACF, pois durante o inverno, as temperaturas já foram
suficientemente baixas para formarem os diversos fenômenos, como a neve.

Na divisão das ocorrências em seus meses, de todos os períodos de inverno,


percebeu-se que o mesmo caso dos verões se repetiu. Os valores de predomínio setorial
permaneceram, durante os meses, com a exceção de junhos, onde os setores
predominantes mudaram de posição (Fig.7.2.4.10). A primeira predominância foi do
setor Leste que se destacou mais que o setor Oeste, na segunda predominância. O
terceiro setor, com mais ocorrências, foi o Norte. Estas mudanças ocorreram pelo
acentuado número de casos neste mês, nos invernos de 2003, 2005 e 2006. O setor Sul
permaneceu na última colocação, com apenas uma ocorrência. Os dias de calmarias
foram distribuídos em todos os meses, com 18 casos em junho, 17 em julho e apenas 4
em agosto.

A seguir, avaliou-se as ocorrências de predomínio por períodos de inverno, com


todos os meses agrupados. Os setores predominantes também se alteraram, como nos
verões (Fig.7.2.4.11). O período de inverno de 2002 manteve o setor Oeste como seu
primeiro predominante de vento. O segundo setor não seguiu o padrão geral, pois
registrou o Leste. O terceiro foi o Norte. O inverno de 2003 indicou a primeira
predominância no setor Oeste, passando para Norte. O setor Leste ficou em terceiro
lugar. Este inverno seguiu o padrão geral, exatamente como o período de 2004, com
Oeste, Norte e Leste. O inverno de 2005 foi totalmente diferente desta climatologia,
destacando-se com um inverno anômalo. A sua primeira predominância sequer foi um
setor de sentido de vento, pois ficou com os dias calmos, computando 24 ocorrências. A
segunda predominância ficou com o setor Leste, por apenas um caso a mais que o setor
Oeste. O inverno de 2006 também diferiu em seus setores. A primeira predominância de
ventos foi de Leste, seguido de Sudoeste e depois Norte. O setor Sul registrou apenas
um dia de predominância no inverno de 2002. Para o recordista de dias calmos, nos
invernos, o relatado ano de 2005 se destacou com mais que o dobro de ocorrências do
verão.

188
Avaliou-se as ocorrências de todos os invernos, mas se dividiu os casos pelos
meses. Os resultados de junho tiveram as predominâncias trocadas, como visto no caso
da divisão mensal. Notadamente, neste mês de junho, os períodos alternaram a sua
predominância para o setor Leste (Fig.7.2.4.12). Como dito anteriormente, outras
alterações também ocorreram nos setores, regidas por casos de ciclones em particular.

Com o mesmo propósito de se facilitar a leitura das informações de predomínio,


distribuídas nos meses de inverno, criou-se os resumos em forma de tabelas. Com isto, a
Tabela 7.2.4.6, indicou as três primeiras predominâncias do mês de junho, de cada
período de inverno, e a última predominância computada.

Tabela 7.2.4.6: Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último
Setor dos Meses de Junho, em Todos os Períodos de Inverno.

INVERNOS SETORES
MESES PERÍODOS 1ª Pred. 2ª Pred. 3ª Pred. Última Pred.
2002 Oeste Norte Sudeste S / NW / Calmo
2003 Leste Oeste NE / SE S / SW / Calmo
2004 Oeste Norte Calmo S / NW / SW
JUNHOS
2005 Calmo Leste N / W / SE S / NE / NW/ SW
2006 Leste Norte Oeste Sul / Calmo
TODOS Leste Oeste Norte Sul
INVERNO GERAL Oeste Norte Leste Sul

As primeiras predominâncias de cada período obtiveram valores mais


expressivos, excetuando-se os invernos de 2005 e 2006, onde os valores da segunda
predominância ficaram muito próximos. As ocorrências de dias calmos ficaram na
primeira posição no mês de junho, do inverno de 2005, e na terceira predominância, no
inverno de 2004. Em geral, os casos computados nos setores de sentido de ventos
ficaram muito próximos, o que definiu, também, a alternância no segundo e terceiro
predomínio.

Os meses de julho seguiram o padrão geral dos invernos, com predomínio


principal do mês no setor Oeste (Fig.7.2.4.13). Contudo, a distribuição entre os anos,

189
nos setores, foi a mais divergente e de difícil avaliação. Um exemplo pôde ser notado no
cômputo dos predomínios do inverno de 2002. Além do setor predominante ser de
Oeste, os dias calmos também registraram o mesmo valor de casos, detendo assim, o
recorde desta climatologia de inverno, com 14 casos. O inverno de 2003 conseguiu
empatar, na segunda predominância, o valor de três setores. Outro caso ocorreu no
inverno de 2005, com o empate nas ocorrências dos setores Oeste e Leste, pela primeira
predominância. Os dias com calmaria marcaram predominâncias no mês de julho, em
dois períodos de inverno desta climatologia. Em outros casos, houve muitos empates de
segunda ou terceira predominâncias, não tão significativos. A Tabela 7.2.4.7 resumiu os
predomínios de setores, dos meses de julho, e indicou aqueles em que se registraram o
menor número de casos.

Tabela 7.2.4.7: Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último
Setor dos Meses de Julho, em Todos os Períodos de Inverno.

INVERNOS SETORES
MESES PERÍODOS 1ª Pred. 2ª Pred. 3ª Pred. Última Pred.
2002 W / Calmo Norte Leste Noroeste
2003 Norte W / E / NE Sudeste Sul / Sudoeste
2004 Oeste Norte Leste Sul / Sudoeste
JULHOS
2005 W/E Calmo Norte Sul / Sudoeste
2006 Sudoeste Leste N / W / NW Sul
TODOS Oeste Norte Leste Sul
INVERNO GERAL Oeste Norte Leste Sul

Ao término das avaliações mensais de predomínio de sentido de ventos, os


meses de agosto também demonstraram as mesmas predominâncias gerais do inverno
(Fig.7.2.4.14). Os meses de agosto, dos períodos de inverno de 2002, 2003 e 2004,
destacaram-se pelo acentuado número de dias no setor predominante de Oeste. Apenas
2003 teve um empate neste setor, com o mesmo número de casos do setor Norte. A
Tabela 7.2.4.8 registrou os setores predominantes de fevereiros e os casos de menores
ocorrências.

190
Tabela 7.2.4.8: Tabela Resumo dos Primeiros Três Setores Predominantes e Último
Setor dos Meses de Agostos, em Todos os Períodos de Inverno.

INVERNOS SETORES
MESES PERÍODOS 1ª Pred. 2ª Pred. 3ª Pred. Última Pred.
2002 Oeste Noroeste Norte S / SE / Calmo
2003 N/W Nordeste Leste S / SW / Calmo
2004 Oeste Norte Leste Sul / Calmo
AGOSTOS
2005 Oeste Norte NW / NE / C Sul
2006 Leste N / SE W /SW Sul / Calmo
TODOS Oeste Norte Leste Sul
INVERNO GERAL Oeste Norte Leste Sul

Percebeu-se, pelos valores absolutos das ocorrências de agostos, que houve um


grande distanciamento do número de ocorrências. Este fato determinou com facilidade o
primeiro setor predominante, em relação ao segundo, em quase todos os períodos,
excetuando-se apenas os invernos de 2005 e 2006. Em geral, o último mês dos invernos
se assemelhou muito ao último mês dos verões, na determinação da predominância do
sentido do vento. Os registros de calmarias diárias também foram os menores possíveis
nos meses de agosto, com apenas quatro casos no inverno de 2005.

7.2.5 – Umidade Relativa na EACF:

A umidade relativa é um parâmetro meteorológico que tem influência em


diversos aspectos das atividades antárticas. Existem particularidades na descrição deste
parâmetro, conforme a localização geográfica no continente antártico e que merecem
uma breve discussão. Se por um lado o interior do continente é um dos maiores desertos
da Terra, extremamente seco e com baixos índices de umidade relativa, a região costeira
da Antártida tem muita umidade disponível, aliada aos baixos valores de temperatura do
ar, permanecendo com índices muito altos de umidade relativa. Há relatos de locais do
interior do continente que lembram, pelas suas condições de aridez e friagem, a
superfície de outros planetas telúricos. Não é a toa que muitos projetos espaciais são
testados nestas condições antárticas, pois conseguem combinar estes dois parâmetros
extremos, em um laboratório aberto. Um exemplo que pode ser citado aqui, foram os

191
estudos do microbiologista Wolf Vladimir Vishniac (1922-1973) criador da “armadilha
biológica” para descoberta de vida em outros mundos. Seus testes eram executados no
vale seco de Asgard, onde a umidade relativa pode alcançar valores como 10,0% ou
menos. O local fica próximo do monte Balder, estação Mc. Murdo. Vishniac, em suas
pesquisas antárticas, conseguiu descobrir vida microbiológica neste vale seco, onde se
encontram as piores condições do planeta. Seu último registro, em vida, foi encontrado
pelas equipes de busca, próximo de uma de suas estações de coleta de dados e dizia:
“Estação 202 – recolhida. Dez de dezembro de 1973. Hora: 22:30. Temperatura do
Solo: –10,0ºC. Temperatura do ar: –16,0ºC”. Estas eram as condições típicas de um dia
de verão em Marte. Vishniac desapareceu na Antártida e nunca foi encontrado
(SAGAN, 1980). Em geral, a secura do ar trás diversos problemas para as atividades
externas e internas. Nas externas, aumenta a desidratação, pois esta ocorre mesmo em
condições frias. As mucosas e os olhos também são muito atingidos por valores baixos
de umidade relativa. Quanto às atividades internas, equipamentos elétricos e eletrônicos
podem gerar muita carga eletrostática e esta se emanar pelo ar. Aumentam-se os casos
de choque e danos aos equipamentos eletrônicos dentro dos módulos antárticos,
principalmente rádio-transmissores. Esta situação é agravada pela dificuldade em se
produzir aterramento eficiente no continente antártico.

Contrapondo-se às regiões secas do interior da Antártida, a região costeira


registra índices muito mais altos de umidade que, dependendo da localização
geográfica, podem permanecer acima de 80,0% por diversos dias. Como a EACF se
encontra na região da Antártida Oceânica, a influência dos mares foi imperativa nas
condições de umidade relativa registradas nas séries temporais. Com isto, as duas
maneiras de se atingir pontos próximos da saturação podem ser encontradas, ou se
satura pelo fornecimento acentuado de vapor d’água, ou pelo resfriamento do ar, até que
se atinja o ponto de saturação. No primeiro caso, ocorre o transporte de umidade para o
interior do continente, utilizando-se os mecanismos dos ciclones extratropicais que
trafegam mais próximos da costa. No caso da EACF, no extremo Norte da península
Antártica, a região da vanguarda dos sistemas faz esta função, pois o vento, com sentido
Norte-Sul, transporta muita umidade para a área da ilha Rei George. No segundo caso,
com amplitudes diárias de temperatura menores, como visto em item anterior da
MET-2, acompanhadas de temperaturas de ponto de orvalho semelhantes, a quantidade
de umidade disponível se torna rapidamente saturante ou próxima disto. Mesmo com

192
dias de amplitudes maiores, o ar tende a se resfriar rapidamente, ou pelo setor da
retaguarda de sistemas ciclônicos, que fazem a função de transporte de ar mais frio, com
ventos em sentidos Sudeste-Noroeste ou Sul-Norte, ou pela ausência de insolação e
aumento da perda de energia de forma radiativa, no final do dia. Como discutido para a
secura do ar, a alta umidade também gera alguns problemas. Primeiramente de ordem
técnica, pois se aumentam as corrosões das estruturas antárticas, principalmente com o
depósito de sal marinho. Para as atividades humanas, há fatores limitantes também. As
roupas, por exemplo, tornam-se de difícil secagem e em atividades de pesquisa de
campo, o conforto térmico, em associação com os parâmetros de temperatura e
velocidade do vento, podem aumentar a sensação térmica de frio, já que se gastam 1000
calorias (1000cal, ou 1kcal) para se aquecer um grama (1g) de água, valores baseados
na variação de 14,0 a 15,0ºC. Os ferimentos, em geral, não se cicatrizam por semanas.

Após esta breve explanação geral, do parâmetro de umidade relativa, na


Antártida, tanto continental como oceânica, verificou-se que os padrões na EACF se
comportaram, em geral, como as condições descritas para a área oceânica, com discretas
ocasiões intermediárias de situações semelhantes a área costeira, onde em pequenos
períodos, houve umidade relativa mais baixa, cujos valores raramente ficaram abaixo de
60,0%. Isto foi possível de ser verificado nas séries temporais de 90 dias de umidade
relativa do ar na EACF. Utilizou-se gráficos com linhas suavizadas para os três
parâmetros de trabalho escolhidos: umidade relativa máxima e mínima diária e sua
amplitude. Do mesmo modo que nos outros estudos, para cada dia, obteve-se também, a
média dos cinco dias de verão, como descrito nos parâmetros anteriores (linha amarela
com círculos vermelhos). Como houve um problema de instrumentação e calibragem no
mês de fevereiro do verão de 2001-2002, descontou-se os cinco dias inoperantes do
instrumento, do cômputo geral de verão (451 dias). Portanto, para as séries temporais de
umidade relativa, os dados válidos estão contidos em 446 dias. Uma vez definido os
parâmetros de estudo, iniciou-se as séries temporais com dados de umidade relativa
máxima registrada diariamente (Fig.7.2.5.1). Embora os valores sejam muito altos,
observou-se que os princípios dos verões possuem registros de máximas mais baixas.
Estes valores assumiram uma tendência de crescimento, conforme se passaram os
verões. Desta maneira, quando chegou o mês de fevereiro, os registros de média diária
de máxima umidade relativa, estiveram confinados em valores acima de 95,0%. Em
apenas três dias de fevereiro, a média dos cinco anos esteve abaixo deste patamar, mas

193
não menor que 93,0%. O verão de 2005-2006 foi o que registrou marcas inferiores de
umidade relativa máxima. O verão de 2004-2005 seguiu aproximadamente esta
tendência, mas somente no primeiro mês de verão. Com poucas exceções, em linhas
gerais, todos os outros períodos de verão mantiveram seus registros, de máxima
umidade relativa, acima de 90,0%. A média de todos os verões foi de 95,5% de umidade
relativa máxima. A aplicação da linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha
preta) sobre os dados de médias diárias, resultou uma equação de reta que conseguiu
exprimir uma aproximação baixa de 33,47%. O dia de menor umidade relativa máxima
ocorreu em 22 de dezembro do verão de 2005-2006, com a marca de 77,0%. Os
registros de valores máximos ficaram em torno de 99,0%, em alguns anos, e 99,8% em
outros. Contudo, estes valores foram considerados, neste trabalho, como pontos de
saturação, onde o índice seria de 100,0%. Constatou-se que a ausência de valores de
máxima umidade relativa possível, ocorreu devido às calibrações e ajuste de curva do
instrumento. Foi cogitado que o valor máximo de umidade relativa que o instrumento
detectou, não foi correlacionado com o máximo valor possível da escala 0,0––100,0%
ao se fazer a programação da estação e os ajustes de curva in situ. Isto geraria uma
pequena diferença, que seria notada no ponto máximo da escala, ou seja, no valor
saturante. Uma vez que o instrumento chegava ao seu máximo, por falta de resolução, o
valor descrito pela AWS não era de 100,0%, mas muito próximo disto. Preferiu-se não
acrescentar um valor de deslocamento do tipo “para cima, com distribuição uniforme”
nos valores. Isto poderia ser facilmente executado para que houvesse uma
correspondência direta de todos os anos, mas se preferiu que estes permanecessem
como os originais. Contudo, fez-se a ressalva que isto ocorreu e que a diferença entre
alguns anos é menor que 1%, um erro9 muito aceitável.

Para os valores de umidade relativa mínima registradas na EACF, observou-se,


na série temporal de 90 dias, que os padrões das máximas se repetiram. Houve uma
9
Teoria dos Erros é uma parte da Ciência Matemática, muito atrelada à Física Experimental e todas as
suas aplicações. Utiliza ferramentas da Matemática Aplicada, como o cálculo de Resíduos. Contudo, em
uma explanação mais simples, qualquer medida adquirida tem um erro que deve ser considerado. Quanto
maior for a coleção de medidas de um mesmo parâmetro, por um mesmo instrumento, maior será a
acurácia do valor medido, pois menores serão os erros, pela óptica do Desvio Padrão. Na pior condição,
onde se realiza apenas uma medida, a Teoria dos Erros nos indica que o menor erro aceitável, para este
caso, é a raiz quadrada da medida, ou seja, se um parâmetro qualquer foi medido apenas uma vez e
resultou em 100u, seu erro será a raiz quadrada de 100u que equivale a 10u. Nota-se que este erro ficou
na ordem de 10% do valor da medida. A mesma Teoria dos Erros também explica a propagação dos
erros, conforme se sofisticam as medidas, cálculos e problemas em campo, o que não é o caso específico
deste trabalho, no estudo da umidade relativa da EACF, pois os valores foram adquiridos a cada cinco
segundos e registrados em forma de média de dez minutos. A coleção de medidas possui 120 registros.
Aos erros do instrumento, foram propagados os de desvio padrão destas medidas. No cômputo final, o
valor não passou de 1%.
194
escalada crescente de elevação da média da umidade relativa mínima, conforme se
passavam os meses de verão (Fig.7.2.5.2). Os registros dos períodos começaram
dispersos, no início do verão, mas se concentraram conforme se passavam os meses,
terminando a estação em uma faixa entre 75,0 a 92,0%. Com tantas flutuações nos
períodos, a aplicação da linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha preta)
sobre os dados de médias diárias, resultou uma equação de reta que não conseguiu
exprimir uma aproximação. Na avaliação desta climatologia, verificou-se que o período
de verão de 2005-2006 foi o que registrou os menores valores de umidade relativa
mínima, destacando-se principalmente no meio do período. Os outros períodos tiveram
mínimas acentuadas dispersadas pelos 90 dias, mas essas dificilmente foram inferiores a
70,0%. O valor médio de todos os verões, de umidade relativa mínima, ficou em 80,3%.
A menor umidade relativa registrada, nesta climatologia, ocorreu no verão de
2001-2002, no dia 1º de janeiro, com 49,5%. Foi nesta data que se observou o fenômeno
descrito anteriormente como Nexus, com velozes velocidades de vento que
permaneceram por mais de um dia atuando sobre a EACF.

A série temporal de 90 dias das amplitudes da umidade relativa estiveram dentro


de um intervalo médio de aproximadamente 15,0 pontos percentuais (Fig.7.2.5.3).
Contudo, alguns dias registraram valores zero e outros, extremos de 45,0 pontos
percentuais. Esta grande variação dos valores dos períodos gerou uma média de difícil
avaliação. Como esperado, a linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha preta)
sobre os dados de médias diárias, não resultou em aproximação aceitável. Na avaliação
geral, os períodos de verão de 2003-2004, 2004-2005 e 2005-2006 foram os que
registraram as maiores amplitudes. Contudo, o maior registro de amplitude ocorreu no
fenômeno Nexus, no dia 1º de janeiro do verão de 2001-2002, com 44,2 pontos
percentuais de diferença, entre a máxima e mínima umidade relativa diária. A média dos
verões ficou em 15,2 pontos percentuais de amplitude de umidade relativa.

A seguir, realizou-se as séries temporais com duração de apenas um mês. Os


resultados, obtidos para esta climatologia, foram expressos na Tabela 7.2.5.1, onde se
relatou os valores médios da umidade do ar máxima e mínima, e sua amplitude.
Calculou-se as médias referentes aos valores de cada mês dos verões combinados.

195
Tabela 7.2.5.1: Valores Médios da Umidade Relativa do Ar (Máxima, Mínima e
Amplitude) dos Meses de Verão, em Todos os Períodos.

VERÕES MÉDIAS (%)


MESES PERÍODOS MÁXIMA MÍNIMA AMPLITUDE (p.p)
2001-2002 94,0 78,2 15,8
2002-2003 95,3 83,1 12,2
2003-2004 95,3 81,8 13,5
DEZEMBROS
2004-2005 94,5 78,1 16,3
2005-2006 92,4 74,9 17,4
TODOS 94,3 79,2 15,1
2001-2002 97,0 81,3 15,7
2002-2003 94,7 78,5 16,2
2003-2004 96,0 81,9 14,0
JANEIROS
2004-2005 95,7 81,0 14,7
2005-2006 94,9 76,8 18,1
TODOS 95,7 79,9 15,8
2001-2002 97,5 81,2 16,3
2002-2003 97,3 83,7 13,6
2003-2004 96,2 80,7 15,5
FEVEREIROS
2004-2005 97,1 83,2 13,9
2005-2006 95,3 81,0 14,4
TODOS 96,6 82,0 14,7

Observando-se os valores, foi possível verificar que a umidade relativa máxima


teve uma suave tendência de crescimento, conforme se passaram os meses de verão.
Apenas o verão de 2002-2003 obteve um registro levemente inferior no segundo mês do
período. A tendência também ocorreu nos registros de umidade relativa mínima média
dos meses. Contudo, o padrão não ocorreu em cada período, pois alguns verões tiveram
leves quedas no segundo mês, retornando ao padrão de maiores valores somente no final
do período. Outros, um maior aumento no segundo mês e terminando o período em
menor valor. As amplitudes registraram seu máximo no meio da estação, com uma
média de 15,8 pontos percentuais.

196
Iniciando a avaliação mensal, os meses de dezembro foram os que registraram os
valores mais dispersos em todos os períodos (Fig.7.2.5.4). O período de 2005-2006 se
destacou com os menores valores de umidade relativa máxima, com marcas de 70,0%.
Além disto, este período foi o que obteve mais casos diários, com seis casos abaixo de
85,0%. O período de 2004-2005 vem a seguir, com menores registros de umidade
relativa máxima. Para os casos de maior regularidade, próximo da média diária e do
mês, destacou-se o verão de 2001-2002 que, em quase todos os seus dias de registro,
oscilou sobre as referidas médias. O mês de dezembro de 2003-2004 foi o que mais
vezes registrou pontos máximos de umidade relativa, próximos ou na saturação.
Para os valores de umidade relativa mínima, o mês de dezembro também obteve
registros dispersos em todos os períodos. A média diária de todos os verões oscilou de
72,1 a 86,0% (Fig.7.2.5.5). Houve três marcas significativas abaixo de 60,0%, nos
verões de 2001-2002, 2004-2005 e 2005-2006. A menor delas ocorreu no dia 5 de
dezembro do verão de 2001-2002 com 54,8%. Em três dias ocorreram marcas de
saturação (aqui computadas como 98,8%). O verão de 2003-2004 registrou esta marca,
em dois dias seguidos, quando um ciclone em decaimento, provocando chuva,
permaneceu sobre a EACF. Para os valores de amplitudes diárias da umidade relativa, o
mês de dezembro registrou marcas significativas, quando predominou tempo ensolarado
sobre a EACF, mas que, no mesmo dia, foi atingida por um ciclone em fase madura
(Fig.7.2.5.6). Este foi o caso, por exemplo, do dia 25 de dezembro do verão de
2005-2006. Neste dia, registrou-se a máxima amplitude de todos os períodos em
dezembro, com 42,9 pontos percentuais de diferença. Em geral, para os dias de
amplitude zero, o quadro meteorológico foi de chuva leve sobre a estação brasileira. A
média diária, de todos os meses de dezembro, oscilou de 9,8 até 22,3 pontos
percentuais.

Para a série temporal dos meses de janeiro, a umidade relativa máxima


permaneceu alta, com apenas um caso em que seu valor foi inferior a 85,0%
(Fig.7.2.5.7). Na maior parte do mês, a média diária não ficou aquém de 92,0%. O
menor valor de umidade máxima ocorreu no verão de 2003-2004, com 84,5%. Os outros
períodos permaneceram com as máximas, na maior parte do mês, acima de 95,0%. Para
a umidade relativa mínima, o mês de janeiro obteve uma concentração maior dos
valores ao redor de 80,0% (Fig.7.2.5.8). Neste mês, registrou-se a menor marca desta
climatologia, como relatado acima. Além desta, houve mais duas marcas abaixo de

197
60,0% no verão de 2005-2006. Contudo, não foram registradas mínimas que chegassem
ao ponto saturante. A maior mínima registrada foi de 95,3% e ocorreu no dia 21 de
janeiro, do verão de 2004-2005. Para as amplitudes de umidade relativa, os meses de
janeiro indicaram a tendência de aumento, como visto anteriormente (Fig.7.2.5.9).
Observou-se registros além de 35,0 pontos percentuais que incluíram a marca recorde
desta climatologia de verão. O mês de janeiro de 2005-2006 foi o que registrou mais
casos de grandes amplitudes. Para o caso das menores amplitudes, o verão de
2001-2002 foi o que marcou mais ocorrências, todas próximas de apenas 5,0 pontos
percentuais. Não se observou amplitudes zero.

Finalizando as séries temporais mensais de verão, os meses de fevereiro


registraram os maiores valores de máximas umidade relativa (Fig.7.2.5.10).
Observou-se apenas 5 casos de umidade relativa máxima abaixo de 90,0%. A média
diária, de todos os verões, obteve somente três registros abaixo de 95,0%. O verão de
2004-2005 foi o que obteve mais dias consecutivos de altos valores de umidade relativa,
na saturação, ou próximos disto. A dispersão dos valores foi a menor possível, com
forte concentração acima de 95,0%. Para a umidade relativa mínima, fevereiros também
obtiveram registros mais concentrados, com suave tendência de elevação para o final do
mês (Fig.7.2.5.11). Obteve-se apenas seis valores abaixo de 70,0%. A grande
concentração dos dados ficou na faixa compreendida entre 73,0 até 92,0%. Não se
registrou ocorrências de umidade relativa mínima, com valor do ponto de saturação,
como ocorrido em dezembro. O maior valor registrado foi de 97,9%, valor ocorrido em
duas ocasiões do verão de 2002-2003. Quanto aos valores de amplitude de umidade
relativa, os meses de fevereiro foram os que menos registraram valores amplos
(Fig.7.2.5.12). Foi observado apenas um dia, do verão de 2005-2006, com amplitude de
34,0 pontos percentuais. Todos os outros períodos ficaram aquém de 30,0 pontos
percentuais. Poucos foram os registros abaixo de 5,0 pontos percentuais. Em geral, os
valores oscilaram dentro da faixa compreendida entre 7,0 até 23,0 pontos percentuais.
Os menores valores registrados foram de 1,1 pontos percentuais, em duas ocorrências,
no final do mês de fevereiro, do verão de 2002-2003. Não se observou amplitudes zero
em fevereiro.

Elaborou-se, a seguir, os gráficos analíticos com as informações compiladas dos


meses de verão. Para o caso da umidade relativa do ar, escolheu-se estudar os

198
parâmetros de máximas e mínimas ocorrências registradas diariamente. Estas variáveis
poderiam indicar as possibilidades de ocorrências de outros fenômenos atmosféricos.
Dentre estes, pode-se relatar os fenômenos restritores de visibilidade, como nevoeiro ou
possibilidade de névoa seca, provocada por aerossol marinho em suspensão. Altos
valores de umidade relativa mínima, por exemplo, também indicariam teto baixo ou
chuva leve ocorrendo por muitas horas. Contudo, os principais fenômenos ocorrem em
altas concentrações de vapor d’água na atmosfera. Por isto, a divisão de classes desta
variável foi mais seletiva em um ponto extremo da escala, ou seja, mais próximo de
100,0%. Então, para cobrir as necessidades operacionais das atividades antárticas,
principalmente de logística, adotou-se, neste trabalho, os padrões OACI para a definição
do estado de umidade da atmosfera. Estes padrões definem apenas três classes de
umidade relativa. A primeira classe vai de zero, inclusive, até 80,0% ( [0,0—80,0[ ) e
define a classe de atmosfera seca, com possibilidade de ocorrência de névoa seca. A
segunda classe inicia em valor maior ou igual a 80,0% até 97,0%, mas que, no caso
deste trabalho, será substituído por 96,0% ( [80,0—96,0*[ ). Esta classe define a
atmosfera como úmida e aumentam as possibilidades de ocorrências de névoa úmida.
Finalmente, a última classe inclui os valores maiores ou iguais a 97,0%, mas que
também foi alterada para 96,0%. Nesta classe, define-se a atmosfera como
saturante/saturada e as possibilidades de ocorrência de nevoeiros são a mais altas
possíveis, além das ocorrências de precipitação. Preferiu-se limitar as duas últimas
classes em 96,0% pelo fato discutido anteriormente, onde os registros de umidade
relativa poderiam estar deslocados um ponto abaixo do valor máximo de 100,0%. Com
isto, o ponto intermediário entre as duas últimas classes pôde descrever, com melhor
distinção, os casos de atmosfera úmida da atmosfera saturante/saturada. Em todos os
gráficos analíticos, o valor 96,0%* representa esta modificação, do valor OACI que é de
97,0%. Estas escalas foram aplicadas para os valores de umidade relativa máxima é
mínima.

Após as definições das classes, as análises por divisão indicaram que em todos
os períodos de verão, no mês de dezembro, os valores de umidade relativa máxima
ficaram nas duas classes superiores [80,0—96,0*[% e iguais ou maiores que 96,0%
(Fig.7.2.5.13). A distribuição foi homogênea, com cerca de metade dos dias para cada
classe. A exceção foi o verão de 2001-2002, que registrou todos os seus dias de
dezembro na classe úmida de [80,0—96,0*[%. Isto significou que não foi possível a

199
ocorrência de nevoeiros neste mês, fato constatado pelos registros de fenômenos. O mês
de dezembro de 2005-2006 registrou duas ocorrências na classe seca. Nenhum outro
período teve registros nesta classe. Para as análises de umidade relativa mínima, o mês
de dezembro dividiu as ocorrências entre a classe seca e a úmida, mas não de maneira
igual (Fig.7.2.5.14). O verão de 2005-2006 foi o que mais registrou casos na classe seca
de [0,0—80,0[% com 24 casos. Nesta mesma classe, o verão de 2002-2003 computou
menos casos. Em contrapartida, foi o período que registrou mais casos na classe úmida
de [80,0—96,0*[% com dois terços dos dias computados. Os outros períodos de verão
distribuíram as ocorrências entre a classe seca e úmida, ao redor de metade dos dias do
mês. Para a classe saturante/saturada, ocorreram registros apenas nos verões de
2003-2004, com três casos e 2002-2003, com um caso. As outras classes não
registraram umidade relativa mínima nesta classe superior.

Na avaliação dos meses de janeiro, todos os períodos registraram o mesmo


padrão de umidade relativa máxima de dezembro, ou seja, com cerca de pouco menos
da metade do mês na classe úmida de [80,0—96,0*[% e a outra metade na classe
saturante/saturada, mas com leve superioridade de casos (Fig.7.2.5.15). O verão de
2002-2003 obteve 18 casos na primeira e o verão de 2004-2005, 19 na segunda, sendo
estes, os destaques em cada classe. Nenhum verão registrou casos de umidade relativa
máxima na classe seca de [0,0—80,0[%. Para a avaliação da umidade relativa mínima,
os meses de janeiro dividiram os casos na classe seca e na úmida (Fig.7.2.5.16). Na
classe seca, a variação de dias ficou ao redor de um terço a metade dos dias do mês.
Apenas 2005-2006 obteve mais casos, com quase dois terços do mês. O restante dos
dias, de cada período, foi registrado na classe úmida de [80,0—96,0*[%. O mês de
janeiro de 2003-2004 registrou dois terços dos dias nesta classe. Nenhum período
registrou umidade relativa mínima igual ou acima de 96,0%. Isto indicou que no meio
dos verões, pelo menos por algum período a umidade relativa do ar não permaneceu,
durante as 24 horas de registro do dia, em valores de saturação.

Finalmente, os meses de fevereiro confirmaram a tendência de elevação dos


valores de umidade relativa máxima (Fig.7.2.5.17). Os registros foram de cerca de dois
terços do mês, na classe saturante/saturada, em todos os períodos. O menor valor de
ocorrências foi no verão de 2005-2006, com 17 casos. Fevereiro, deste mesmo período,
registrou mais na classe úmida de [80,0—96,0*[%, com 11 casos. Todos os outros

200
períodos registraram o restante de seus dias nesta classe. Fevereiro do período de verão
de 2001-2002 registrou apenas cinco casos, porém só foram computados 23 dias válidos
por causa de pane instrumental. Como em janeiro, nenhum período de verão registrou
casos na classe seca de [0,0—80,0[%. Para os valores de umidade relativa mínima,
verificou-se também a tendência de crescimento (Fig.7.2.5.18). A classe úmida de
[80,0—96,0*[% obteve um aumento significativo de casos nos períodos de 2004-2005 e
2005-2006. Os outros períodos registraram cerca de um terço do mês nesta classe. Para
a classe seca de [0,0—80,0[%, o verão de 2003-2004 se destacou nos registros, com 14
casos. Os outros verões registraram um terço dos dias. Para a classe saturante/saturada,
apenas o verão de 2002-2003 registrou três casos. Como dito anteriormente, fevereiro
de 2001-2002 teve 23 dias válidos de registros de umidade relativa mínima, também.

No estudo da umidade relativa para os períodos de inverno, observou-se que os


padrões se diferenciaram do que foi registrado no verão. Verificou-se que os padrões na
EACF se comportaram, na maior parte dos dias, como as condições descritas para a área
oceânica. Houve uma tendência geral de elevação dos valores registrados de umidade
relativa, em todos os invernos desta climatologia. Foram exíguos os casos de situações
semelhantes à área costeira, onde houve umidade relativa mais baixa, com valores raros
abaixo de 60,0%. Estes registros foram feitos nas séries temporais de 92 dias de
umidade relativa do ar na EACF. Como nos verões, utilizou-se gráficos com linhas
suavizadas para os três parâmetros de trabalho escolhidos. Obteve-se também, a média
dos cinco dias de cada inverno, como descrito nos parâmetros anteriores (linha amarela
com círculos vermelhos). As séries temporais de umidade relativa possuem 460 dias de
dados. Nestes termos, os registros de umidade relativa máxima, registrada na EACF nos
períodos de inverno, foram maiores que os valores verificados no verão (Fig.7.2.5.19).
Os valores estiveram acima de 95,0% na maior parte dos invernos, com leve tendência
de queda no final dos períodos. Contudo, este declínio, no mês de agosto, foi causado
pela forte influência de queda do inverno de 2002 e não do comportamento geral dos
meses de agosto dos outros invernos. A aplicação da linha de tendência polinomial de
sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias, resultou uma equação de
reta que não conseguiu exprimir uma aproximação, como era esperado. Com raras
exceções, todos os dias de inverno, em todos os períodos, mantiveram os valores diários
de umidade relativa máxima, acima do patamar de 90,0%. O inverno de 2002 foi o que
mais registrou marcas abaixo deste valor. A média de todos os invernos foi de 96,0% de

201
umidade relativa máxima. O dia de menor umidade relativa máxima ocorreu em 16 de
junho, do inverno de 2005, com a marca de 79,0%. Os registros de valores máximos
ficaram em 99,0%. Como descrito para os verões, estes valores também foram
considerados como pontos de saturação, por limite instrumental, onde o índice seria de
100,0%.

Para os valores de umidade relativa mínima, registradas na EACF, observou-se,


na série temporal de 92 dias, que os padrões de elevação dos valores, como nas
máximas, repetiram-se (Fig.7.2.5.20). Contudo, os valores não se mantiveram
constantemente altos. O princípio dos invernos foi caracterizado com dados mais
dispersos. Houve uma elevação maior, no meio dos períodos de inverno, com a
concentração dos valores. Ao término, os valores de umidade relativa mínima diária
ficaram concentrados em uma faixa de 70,0 a 95,0%. As flutuações, nos períodos de
inverno, comprometeram o resultado da linha de tendência polinomial de sexta ordem
(linha preta) sobre os dados de médias diárias. A equação de reta resultante não
conseguiu exprimir uma aproximação. Na avaliação desta climatologia, verificou-se que
o período de inverno de 2002 foi o que registrou os menores valores de umidade relativa
mínima, destacando-se principalmente, no final do período. Com exceção de casos
particulares e isolados, os outros períodos tiveram mínimas muito baixas, mas
dificilmente inferiores a 70,0%. O valor médio de todos os invernos, de umidade
relativa mínima, ficou em 86,1%. A menor umidade relativa registrada, nesta
climatologia, ocorreu no inverno de 2005, no dia 23 de junho, com 42,0%. Muitas
mínimas alcançaram o ponto de saturação, como foi determinado neste estudo.

A série temporal de 92 dias das amplitudes da umidade relativa de inverno


estiveram concentradas, na maior parte do período, dentro de um intervalo médio de
10,0 pontos percentuais (Fig.7.2.5.21). Observou-se muitos valores zero ou próximo
disto. Houve extremos acentuados de amplitude também, mas estes foram mais raros
que as ocorrências de verão. Os períodos, embora com valores aproximadamente
concentrados, registraram deslocamentos distintos, produzindo uma média de difícil
avaliação. A linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha preta) aplicada sobre
os dados de médias diárias, não resultou em aproximação. Na avaliação geral, os
períodos de inverno de 2004 e 2006 foram os que registraram as maiores amplitudes
generalizadas. Para casos locais, 2002 e 2005 se destacaram. A maior amplitude

202
registrada de toda a climatologia deste trabalho ocorreu no dia 23 de junho, com 51,0
pontos percentuais. Neste dia, em rápida conexão com a MET-1, houve tempo bom,
sem a ocorrência de ciclones sobre a EACF. A média dos invernos ficou em 9,9 pontos
percentuais de amplitude de umidade relativa. Este valor foi cerca da metade do valor
de verão.

A seguir, elaborou-se as séries temporais com duração de apenas um mês.


Assim, realizou-se as avaliações locais dos meses de inverno. Os resultados foram
expressos na Tabela 7.2.5.2. Relatou-se os valores médios da umidade do ar máxima e
mínima, e sua amplitude. Calculou-se as médias referentes aos valores de cada mês dos
invernos combinados.

Tabela 7.2.5.2: Valores Médios da Umidade Relativa do Ar (Máxima, Mínima e


Amplitude) dos Meses de Inverno, em Todos os Períodos.

INVERNOS MÉDIAS (%)


MESES PERÍODOS MÁXIMA MÍNIMA AMPLITUDE (p.p)
2002 96,4 89,0 7,3
2003 96,1 90,5 5,6
2004 96,4 85,6 10,9
JUNHOS
2005 94,9 86,1 8,8
2006 94,5 81,2 13,3
TODOS 95,7 86,5 9,2
2002 95,1 88,0 7,1
2003 96,7 89,0 7,7
2004 97,9 87,9 10,1
JULHOS
2005 95,9 86,8 9,0
2006 96,0 85,0 11,0
TODOS 96,3 87,4 9,0
2002 92,0 78,3 13,7
2003 97,7 87,3 10,4
2004 98,1 85,4 12,8
AGOSTOS
2005 95,7 83,0 12,7
2006 96,0 88,5 7,5
TODOS 95,9 84,5 11,4

203
Os valores mensais indicaram que houve um leve aumento, na média da
umidade relativa máxima, no meio do inverno, com tendência de elevação até o final da
estação. Este fato foi generalizado em todos os períodos, excetuando-se 2002, que
declinou continuamente por todo o inverno. Este comportamento também ocorreu com
os registros de umidade relativa mínima média dos meses, mas não se repetiu em todos
os invernos. Os períodos de 2002 e 2003 registraram tendências de queda por todo o
inverno. O período de 2006 se manteve em tendência de crescimento por toda a estação.
As amplitudes registraram seu máximo valor no final da estação, no mês de agosto, com
11,4 pontos percentuais. Em geral, as amplitudes foram bem menores que os valores
obtidos para os verões.

Na avaliação mensal, os meses de junho concentraram os valores de umidade


relativa máxima acima de 90,0% (Fig.7.2.5.22). O mês de junho, do inverno de 2002,
registrou todas as suas máximas acima desta marca. Este mês teve a maior regularidade
próximo da média diária. Os outros períodos obtiveram apenas uma marca mais baixa
cada um. Destacaram-se duas ocorrências como as marcas mais baixas: o recorde que
ocorreu em junho, do período de 2005, descrita anteriormente, seguido da marca de
80,0% ocorrida no dia 10 de junho, do período de 2006. O mês de dezembro de 2003
registrou por mais vezes, pontos máximos de umidade relativa, próximos ou na
saturação. Para os valores de umidade relativa mínima, o mês de junho obteve registros
dispersos em todos os períodos (Fig.7.2.5.23). O mês de junho de 2002 também
manteve oscilações mais regulares, próximas das médias. Houve três marcas
significativas abaixo de 60,0%, nos invernos de 2005 e 2006. A menor delas também foi
a marca recorde da climatologia, citada anteriormente, com 42,0%. Em dois dias
seguidos, no mês de junho, do inverno de 2004, ocorreram marcas de saturação (aqui
computadas como 98,8%). Nestes dias, em particular, embora não houvesse ciclone
sobre a EACF, uma nebulosidade persistente permaneceu por 48 horas, sobre a ilha Rei
George. Para os valores de amplitudes diárias da umidade relativa, o mês de junho
registrou algumas marcas de destaque, causadas por tempo bom sobre a EACF, seguida
de queda de temperatura, por resfriamento radiativo, no final do dia (Fig.7.2.5.24). Este
caso relatado foi a marca recorde da climatologia, como dito anteriormente. Casos
similares ocorreram, ainda neste mês, em todos os períodos, excetuando-se o regular
mês de junho de 2002. A maior concentração de valores permaneceu na faixa de até

204
10,0 pontos percentuais. O mês de junho registrou algumas marcas de amplitude zero
nos invernos de 2004 e 2005.

Para a série temporal dos meses de julho, a umidade relativa máxima


permaneceu alta, com apenas um caso, ocorrido no inverno de 2002, em que o valor foi
de 85,0% (Fig.7.2.5.25). Na maior parte do mês, a média diária ficou acima de 95,0%.
Todos os períodos permaneceram com as máximas, na maior parte do mês, acima de
93,0%. Em linhas gerais, o mês de julho, de todos os períodos, foi o que mais
concentrou os valores de máxima umidade relativa diária. Para a umidade relativa
mínima, o mês de julho também obteve uma concentração dos valores, em uma faixa de
80,0 a 95,0% (Fig.7.2.5.26). Nenhum valor de saturação foi registrado, bem como
marcas abaixo de 70,0%. A média diária permaneceu acima de 80,0% com apenas um
caso levemente abaixo disto. Para as amplitudes de umidade relativa, os meses de julho
também concentraram os valores, como era esperado (Fig.7.2.5.27). A maioria dos
registros esteve abaixo de 15,0 pontos percentuais. As quatro maiores amplitudes,
divididas igualmente entre julho de 2004 e 2006, ficaram abaixo de 25,0 pontos
percentuais. Observou-se amplitudes zero em apenas um dia de julho de 2004.

Finalizando as séries temporais mensais de inverno, os meses de agosto


registraram os mais dispersos valores de máximas umidade relativa (Fig.7.2.5.28). O
principal causador destas variações foi o inverno de 2002, seguido pelas flutuações no
final do mês de agosto, dos invernos de 2005 e 2006. Agosto de 2002 registrou 11
casos, de valores de umidade relativa máxima, abaixo de 90,0%. O mês de agosto de
2003 foi o que obteve mais registros diários de valores próximos da saturação, ou neste
ponto. Este mês teve todos os seus valores acima das duas médias, diária e mensal,
excetuando-se apenas em duas ocasiões. Para a umidade relativa mínima, os meses de
agosto tiveram menor dispersão dos dados, com a maior parte dos valores dentro da
faixa de 85,0 a 95,0% (Fig.7.2.5.29). O mês de agosto de 2002 obteve três registros
abaixo de 70,0%. A outra ocorrência, abaixo desta marca, ficou com agosto de 2006. O
valor médio diário oscilou dentro da faixa de 80,0 a 90,0%. Registrou-se pelo menos um
dia de agosto, do inverno de 2004, com ocorrência de umidade relativa mínima, com
valor do ponto de saturação. O mês de agosto de 2002 permaneceu praticamente todo o
mês abaixo dos valores médios, diário e mensal. Finalizando com os valores de
amplitude de umidade relativa, os meses de agosto registraram as amplitudes medianas

205
do inverno (Fig.7.2.5.30). As marcas acima de 30,0 pontos percentuais ocorreram nos
invernos de 2002 e 2006. Destacou-se o inverno de 2004 com o maior número de
amplitudes significativas seguidas, mas também pelas três ocorrências diárias
consecutivas de amplitude de 0,1 ponto percentual. Em geral, todos os meses de agosto
obtiveram mais casos de registros de amplitudes maiores e persistentes. Além disto, este
mês de inverno também obteve mais casos de amplitude zero, destacando-se o mês de
agosto, do inverno de 2006, com três casos.

Analogamente ao verão, compilou-se as informações dos meses de inverno. As


classes descritas anteriormente, continuaram em utilização. Com isto, pôde-se relatar os
fenômenos restritores de visibilidade, como nevoeiro, névoa úmida ou névoa seca, além
da precipitação líquida, como chuva, ou sólida, como neve. Manteve-se as três classe
padrão OACI de umidade. A primeira classe de umidade relativa vai de zero, inclusive,
até 80,0% ( [0,0—80,0[ ) para a classificar a atmosfera seca. A segunda classe inicia em
valor maior ou igual a 80,0% até 97,0%, mas que, no caso deste trabalho, como
explicado anteriormente, será substituído por 96,0% ( [80,0—96,0*[ ) definindo a
atmosfera úmida. E por fim, a classe dos valores maiores ou iguais a 97,0%, também
alterada para 96,0% que define a atmosfera como saturante/saturada.

As análises dos meses de junho indicaram que a maior concentração dos valores
de umidade relativa máxima, ficou concentrado nas duas classes superiores
(Fig.7.2.5.31). Houve um leve predomínio da classe de valores iguais ou maiores que
96,0%, constatado pelos registros de cerca de dois terços de dias dos meses, em junhos
de 2003 e 2004 e metade dos dias dos períodos de 2002 e 2006. Junho de 2005 registrou
pouco menos da metade dos dias, pois quase dois terços foram registrados na classe
[80,0—96,0*[%, com 17 casos. A classe da atmosfera úmida comportou o resto dos dias
ocorridos nos invernos. Excetuando-se 2005, que foi o único período a registrar uma
ocorrência na classe seca. Para as análises de umidade relativa mínima, o mês de junho
concentrou praticamente todos os dias na classe úmida de [80,0—96,0*[%
(Fig.7.2.5.32). Os meses de junho de 2002, 2003 e 2005 registraram acima de 25 dias
nesta classe. Os outros dois períodos de inverno de 2004 e 2006 registraram dois terços
e metade do mês, respectivamente. A classe seca de [0,0—80,0[% registrou casos de
todos os períodos, com destaque para os 12 casos do inverno de 2006. Os invernos de
2002 e 2003 foram os que registraram menos casos na classe seca. Para a classe superior

206
igual ou maior que 96,0%, apenas junhos, dos invernos de 2004, 2005 e 2006,
obtiveram registros, sendo que o primeiro deles se destacou com quatro casos.

Na avaliação dos meses de julho, houve um destaque significativo da classe


superior de valores de umidade relativa máxima, iguais ou maiores que 96,0%
(Fig.7.2.5.33). O inverno de 2004 se destacou com quase todos os dias do mês nesta
classe, seguido de 2003 e 2006 com cerca de dois terços dos dias. O menor destaque
ocorreu no inverno de 2002, pois a maior parte dos dias computaram registros na classe
úmida, com cerca de dois terços do mês. O mês de julho do período de 2005 registrou
igualmente nas duas classes superiores, com metade dos dias do mês para cada.
Nenhuma ocorrência foi registrada na classe seca de [0,0—80,0[%. Para a avaliação da
umidade relativa mínima, os meses de julho concentraram definitivamente as
ocorrências na classe úmida de [80,0—96,0*[% (Fig.7.2.5.34). Os registros variaram de
mais de dois terços até quase a totalização dos dias de cada período de inverno.
Destacou-se o mês de julho de 2003, com 30 dias registrados nesta classe. Os outros
poucos registros ocorreram na classe seca de [0,0—80,0[%. O inverno de 2006 se
destacou com sete casos nesta classe. Os outros períodos registraram poucos casos,
variando de um a seis. Para a classe superior de valores iguais ou maiores que 96,0%,
apenas o inverno de 2005 registrou dois casos e 2004, somente um.

Terminando as análises de inverno, os meses de agosto confirmaram a tendência


de elevação dos valores de umidade relativa máxima (Fig.7.2.5.35). A classe superior de
valores iguais ou maiores que 96,0% comportou, de dois terços a quase a totalidade dos
casos dos períodos, excetuando-se o mês de agosto de 2002, que reduziu
significativamente seus registros nesta classe. Este mesmo mês se destacou nos registros
da classe úmida de [80,0—96,0*[% com quase a totalidade dos dias computados. Os
outros períodos registraram poucos casos na classe úmida, com pouco mais de um terço
do mês, nos invernos de 2005 e 2006. Nenhum registro foi efetuado na classe seca de
[0,0—80,0[%. Para os valores de umidade relativa mínima, os registros continuaram
altos na classe úmida de [80,0—96,0*[% (Fig.7.2.5.36). O inverno de 2003 computou
quase a totalidade dos casos nesta classe. Os outros períodos registraram cerca de um a
dois terços dos dias. A classe seca de [0,0—80,0[% obteve mais registros do inverno de
2002, com 17 ocorrências. Os períodos de 2004 e 2005 registraram quase um terço dos
dias do mês e, os invernos de 2003 e 2006, apenas três casos cada. A classe úmida, de

207
valores iguais ou maiores que 96,0%, registrou o maior número de casos apenas no
inverno de 2006, com seis ocorrências. Em segundo, ficou o inverno de 2004, com três
e o inverno de 2003, com apenas uma. Os outros períodos não computaram nesta classe.

7.2.6 – Precipitação Acumulada em 24 Horas na EACF:

O estudo da precipitação na ilha Rei George, considerada com condições


antárticas oceânicas, foi realizado se baseando nos dados do pluviômetro automático, do
tipo báscula, com área de coleta idêntica ao do pluviômetro paulista. Como o sítio da
AWS de Ferraz se posiciona em uma situação geográfica, onde a temperatura do ar
permanece na faixa próxima de zero grau Celsius, é comum a ocorrência de fenômenos
de precipitação correlatos com estes valores. Como citado anteriormente, a água-neve, a
neve e a chuva congelada (também chamada de pelota de gelo, pelo grupo WW da
tabela 4678 da OMM) são alguns dos fenômenos que ocorrem na área. Todos são
considerados precipitados sólidos, mas podem ser coletados pelo pluviômetro. Quando
isto ocorre, as lâmpadas de 15W de potência, no interior do aparelho, conseguem fundir
estes precipitados sólidos e todos são computados como precipitação líquida. Porém, a
situação não é demais agravada. Exatamente pelo fato de que a chuva congelada
normalmente ocorre em situações de ventos fortes, provenientes do setor Sudoeste e
Sul. Isto dificulta a sua precipitação sobre o pluviômetro. A neve, quando ocorre em
condições de tempo calmo ou vento fraco, deposita-se sobre a área coletora e é
convertida em precipitação líquida. Mas mesmo assim, a quantidade dificilmente é
muito elevada, exceto poucos casos em que precipitou cerca de 1,50m de neve na área
de Ferraz, em 19 de março de 2000. Embora exista um coletor de neve na EACF, este
infelizmente não permanece em funcionamento, por motivos operacionais.

Para este trabalho, a precipitação líquida incluiu os raros períodos de


precipitação sólida no verão, mas que não foram tão raros no inverno, dependendo das
condições de atuação dos ciclones sobre Ferraz ou não. Para tanto, os dados foram
trabalhados visando informar o acumulado de precipitação ocorrido nas 24 horas dos
dias de verão, durante os 90 dias de cada período. Os valores foram expressos em
milímetros [mm] mas que podem ser interpretados também como litros por metro
quadrado [l.m-2]. Como o acumulado de 1mm equivale a 0,001m de altura, dentro de
uma área de controle de 1m2 e como 1dm3 equivale a 1 litro [l], pelas relações temos:

208
1mm = 0,001m ’
1dm3 = 1ll “
(0,001m) x (1m) x (1m) = (0,001m) x (1m2) = 0,001m3 ”
0,001m3 = 1dm3 = 1ll •
portanto, utilizando os preceitos de ’ e “, e calculando ”, o resultado de • indica que
1mm de precipitação em 1m2 é equivalente a 1l.m-2, ou numericamente, um milímetro
equivale a um litro.

Uma vez elaborada a série temporal completa, separou-se as ocorrências pelos


meses constituintes, o que permitiu a avaliação mensal e discussão particular dos casos.
Para a avaliação analítica da precipitação, elaborou-se um gráfico que sintetizou todas
as ocorrências por períodos de verão e o acumulado de toda a climatologia. Depois,
estas informações foram distribuídas pelas suas contribuições mensais, com as
ocorrências acumuladas por períodos. Finalizou-se o estudo com a avaliação mensal da
precipitação de cada período, distribuídas em classes de valores.

Iniciando os estudos pelos verões, observou-se que as quantidade de precipitação


acumulada diária é totalmente arbitrária. As maiores ocorrências podem, ou não, estar
associadas à presença de ciclones, na área próxima da EACF. Através de uma conexão
com a MET-1, pôde-se exemplificar esta afirmação com o caso ocorrido entre os dias
13 a 15 de dezembro, do verão de 2001-2002. Embora a EACF no dia 13 estivesse sob a
ação de um gigantesco ciclone sinóptico, a precipitação acumulada diária foi de apenas
6,6mm. Sua dissipação ocorreu no dia 14, com registro de 3,8mm, mas o maior valor de
precipitação acumulada ocorreu no dia 15, sem a presença de ciclone, mas com
persistente nebulosidade derivada de dissipação, na área do estreito de Drake. Neste dia,
registrou-se 25,1mm de precipitação acumulada em 24 horas. Este exemplo, descrito na
série temporal de 90 dias (Fig.7.2.6.1) foi o terceiro maior caso de toda a climatologia.
A maior marca de precipitação de verão ocorreu no dia 12 de fevereiro, do verão de

209
2004-2005, com 34,6mm. Como executado nos outros parâmetros, gerou-se a média de
precipitação acumulada diária, dos cinco dias de cada verão, como descrito
anteriormente (linha amarela com círculos vermelhos). A falta completa de
regularidade, das ocorrências de precipitação acumulada, gerou médias diárias que se
alternaram consideravelmente. A aplicação da linha de tendência polinomial de sexta
ordem (linha preta) sobre os dados de médias diárias, resultou em uma equação de reta
que não conseguiu exprimir uma aproximação, como era esperado. Verificou-se que os
períodos de maior precipitação foram os verões de 2001-2002, 2002-2003 e 2004-2005,
embora este comportamento tenha sido distribuído, diferentemente, nos meses de verão
de cada período. Os períodos de 2003-2004 e 2005-2006 se destacaram pelos baixos
valores de precipitação acumulada. Estes períodos tiveram valores maiores, depois do
meio de janeiro, mas mesmo estes, ainda eram menores que os anos mais chuvosos. Em
linhas gerais, o aumento de precipitação ocorreu, para todos os períodos, no final do
verão, concentrando-se no mês de fevereiro. Todos os períodos obtiveram maiores
valores, mas as quantidades seguiram a descrição particular, relatada anteriormente,
para cada um deles.

Elaborou-se as séries temporais, com duração de apenas um mês, com os valores


de precipitação acumulada em 24 horas. Os resultados obtidos, para a climatologia de
verão, foram expressos na Tabela 7.2.6.1. Relatou-se para cada mês de verão, dos cinco
períodos, o valor da precipitação acumulada no mês e o valor médio da precipitação
acumulada em 24 horas. Calculou-se as médias referentes aos valores descritos acima,
para cada mês dos verões combinados, e o acumulado de todos os períodos de verão,
bem como a média diária para os 451 dias desta climatologia.

Pela observação dos valores tabelados, verificou-se que, em geral, os meses de


janeiro são os que menos registraram valores de precipitação acumulada, com média
baixa, nesta climatologia de cinco anos. Os meses de fevereiro foram os que marcaram
os maiores valores de precipitação. Em três períodos, os valores foram mais altos que os
dos outros meses do mesmo período. O maior destaque ocorrido em fevereiro, no verão
de 2004-2005, favoreceu o aumento da média, mas mesmo se este valor fosse
equiparado aos outros períodos, os meses de fevereiro ainda seriam os de maior
precipitação acumulada. No cômputo geral, os cinco anos de dados registraram
746,0mm de precipitação acumulada.

210
Tabela 7.2.6.1: Valores de Precipitação Acumulada e Médias dos Meses de Verão, em
Todos os Períodos.

VERÕES PRECIPITAÇÃO (mm)


MESES PERÍODOS ACUMULADA NO MÊS MÉDIA
2001-2002 97,9 3,2
2002-2003 29,8 1,0
2003-2004 4,7 0,2
DEZEMBROS
2004-2005 61,2 2,0
2005-2006 9,5 0,3
TODOS 203,1 1,3
2001-2002 65,5 2,1
2002-2003 28,3 0,9
2003-2004 44,1 1,4
JANEIROS
2004-2005 32,1 1,0
2005-2006 16,8 0,5
TODOS 186,8 1,2
2001-2002 71,4 2,6
2002-2003 80,6 2,9
2003-2004 16,1 0,6
FEVEREIROS
2004-2005 140,4 5,0
2005-2006 47,6 1,7
TODOS 356,1 2,5
VERÃO GERAL 746,0 1,6

Iniciando a avaliação mensal, os meses de dezembro foram os que menos


registraram precipitação acumulada na EACF (Fig.7.2.6.2). O mês de dezembro, do
verão de 2005-2006, foi o de menor registro de precipitação. A maior marca deste mês
ocorreu no dia 15 de dezembro, do verão de 2001-2002, com 25,1mm. Este verão, em
particular, foi o que registrou valores mais altos de precipitação acumulada diária,
seguido do verão de 2004-2005, com três casos próximos de 15,0mm. O verão de
2002-2003 obteve três registros próximos de 5,0mm.

Para a série temporal dos meses de janeiro, a média da precipitação acumulada


diária registrou um leve retrocesso geral (Fig.7.2.6.3). Contudo, os verões de 2003-2004

211
e 2005-2006, neste mês, registraram altas em relação ao mês passado. A maior marca do
mês ocorreu no dia 12 de janeiro, no verão 2002-2003, com 20,5mm de precipitação
acumulada nas 24 horas. Mesmo com leve alta, o mês de janeiro, do verão de
2005-2006, foi o que menos registrou precipitação acumulada, tanto diária como
mensal. O verão de 2001-2002 foi o que registrou mais picos de precipitação, com
quatro ocorrências entre 7,0 a 10,0mm.

Finalizando as séries temporais mensais de verão, os meses de fevereiro


registraram os maiores valores de precipitação acumulada nas 24 horas, com
significativo aumento, em geral, dos acumulados mensais (Fig.7.2.6.4). Neste mês,
houve o registro da marca recorde, descrita na série temporal de 90 dias, no verão de
2004-2005. Além disto, este período, em fevereiro, registrou a marca recorde de
precipitação acumulada mensal, com 140,4mm. Observou-se que todos os períodos
registraram aumento de precipitação acumulada diária, excetuando-se 2003-2004, que
obteve muitos valores diários em zero, e uma das menores marcas acumuladas no mês,
com apenas 16,1mm. A média geral, computando todos os meses, dobrou de valor e
ficou em 2,5mm de precipitação acumulada nas 24 horas.

Ao se realizar a análise integrada dos dados de precipitação acumulada total, por


período, verificou-se que os verões de 2001-2002 e 2004-2005 foram os que registraram
valores mais altos, com 31,5% (234,8mm) e 31,3% (233,7mm) respectivamente, do
total de 746,0mm, computados em toda a climatologia de verão (Fig.7.2.6.5A e B). Os
verões de 2003-2004, com 8,7% (64,9mm) e 2005-2006, com 9,9% (73,9mm) do total,
computaram os valores mais baixos da climatologia. O verão de 2002-2003 se
categorizou como mediano, pois acumulou um valor intermediário entre os dois
extremos, com 18,6% (138,7mm). Para as distribuições mensais, destacou-se o mês de
fevereiro, como relatado anteriormente, com os valores acumulados mensais mais altos
(Fig.7.2.6.6). Excetuaram-se deste comportamento, o verão de 2001-2002, que registrou
97,9mm no mês de dezembro, e o verão de 2003-2004, que registrou 44,1mm no mês de
janeiro. A maior marca de precipitação acumulada mensal ocorreu no mês de fevereiro,
do verão de 2004-2005, com 140,4mm e a menor marca, no mês de dezembro, do verão
de 2003-2004, com 4,7mm.

212
Na elaboração dos gráficos analíticos, dividiu-se as ocorrências em classes, de
modo que se pudesse avaliar o número de ocorrências dos acumulados de precipitação
diária, bem como os dias de total ausência de precipitação. Para esta finalidade,
escolheu-se cinco classes que representassem estes valores, verificados nos dados da
climatologia de verão. Nestes termos, as classes foram assim estabelecidas: dia de
registro zero, ou seja, nenhuma precipitação; dia com precipitação acumulada diária
maior que zero até 10,0mm, inclusive ( ]0,0—10,0] ); precipitação acumulada diária
maior que 10,0mm até 20,0mm, inclusive ( ]10,0—20,0] ); maior que 20,0mm até
30,0mm, inclusive ( ]20,0—30,0] ) e maiores que 30,0mm.

Uma vez definidas as classes, verificou-se que os meses de dezembro


registraram mais dias sem precipitação (Fig.7.2.6.7). Essas ocorrências variaram entre
metade a dois terços dos dias dos meses. A exceção foi o mês de dezembro, do verão de
2001-2002, que registrou apenas cinco dias. Contudo, este mesmo verão registrou 24
dias na classe de precipitação acumulada diária mínima de ]0,0—10,0]mm. O verão de
2002-2003 também registrou nesta classe, com metade dos dias do mês em ocorrências.
Os outros três períodos registraram cerca de um terço do mês em casos. A próxima
classe ]10,0—20,0]mm registrou apenas poucos casos, no verão de 2004-2005, com três
ocorrências e, no verão de 2001-2002, com apenas um dia computado. Este mesmo
verão foi o único que registrou apenas um dia com precipitação acumulada diária na
classe ]20,0—30,0]mm. Nenhum verão registrou casos na maior classe de precipitação
acumulada diária, superior a 30,0mm.

Os meses de janeiro indicaram o mesmo comportamento dos meses de


dezembro, com mudança apenas nos comportamentos particulares dos verões
(Fig.7.2.6.8). Na classe de dias sem precipitação, destacou-se o mês de janeiro do verão
de 2005-2006, com dois terços dos mês em ocorrências. A variação nesta classe foi o
número de casos acima da metade dos dias do mês. O verão de 2001-2002 se
diferenciou novamente, pois os seus registros, de dias sem precipitação, foram baixos.
Contudo, este mesmo verão computou dois terços dos dias do mês na classe de
precipitação de ]0,0—10,0]mm. Os outros períodos registraram casos, nesta primeira
classe, variando de um terço do mês, como ocorrido no verão de 2005-2006, a cerca de
dois terços, como o verão de 2004-2005. A classe ]10,0—20,0]mm obteve apenas dois
registros, sendo seus contribuintes os meses de janeiro, dos verões de 2001-2002 e

213
2003-2004. A classe superior de ]20,0—30,0]mm obteve apenas um dia de ocorrência,
no verão de 2002-2003. Nenhum verão registrou na classe de precipitação acumulada
diária maior que 30,0mm.

Finalizando as análises de precipitação acumulada, os meses de fevereiro foram


os que registraram mais casos de dias com precipitação (Fig.7.2.6.9). A classe de
ausência de precipitação teve queda de registros. Os verões de 2001-2002 e 2002-2003
obtiveram um terço do mês em casos nesta classe. O verão de 2004-2005 registrou
menos que isto. Os outros verões, com menor queda, registraram metade dos dias, pois a
outra parte ficou na classe de precipitação acumulada diária de ]0,0—10,0]mm. Os
verões de 2001-2002, 2002-2003 e 2004-2005 registraram, nesta mesma classe, um
pouco mais que a metade dos dias dos seus meses de fevereiro. A classe de precipitação
de ]10,0—20,0]mm registrou poucos casos, nos verões de 2001-2002, 2002-2003 e
2004-2005 e nenhum caso, nos dois verões restantes. A classe ]10,0—20,0]mm
registrou um dia, no verão de 2002-2003, e outro, no verão de 2004-2005. A classe de
precipitação acumulada diária maior que 30,0mm, também obteve um caso. Este,
ocorreu no mês de fevereiro, do verão de 2004-2005.

Os estudos dos invernos se procederam de maneira análoga aos dos verões.


Contudo, pelos baixos valores de precipitação acumulada diária, foi necessário uma
redução na escala para que se fizessem notar os valores registrados em milímetros. A
escala de precipitação acumulada passou do máximo de 40,0mm para 20,0mm diários.
Com isto, a série temporal de 92 dias de inverno indicou pouquíssimos valores de
precipitação (Fig.7.2.6.10). Na maior parte dos dias, os registros não chegaram a
0,1mm. O registro mais elevado de precipitação ocorreu no dia 9 de agosto, do inverno
10
de 2003 , com a marca de 60,1mm. O valor deste caso, foi impressionante para os
padrões de inverno antártico. Como realizado no verão, gerou-se também a média de
precipitação acumulada diária, dos cinco dias de cada verão, como descrito
anteriormente (linha amarela com círculos vermelhos). Não houve regularidade das

10
Dia 9 de agosto do inverno de 2003 foi uma ocasião em que havia um observador que pôde relatar o
ocorrido, pois no momento da avaliação dos dados, questionou-se se tal marca foi possível e se buscou
mais informações para confirmarem o fato. Contudo, segundo o relato do Sr. Flávio Santos, técnico
responsável pela manutenção dos programas do INPE na EACF, durante o inverno de 2003, neste dia,
houve muita precipitação de neve, seguida de precipitação líquida que permaneceu por horas, em forma
de chuva contínua. A precipitação, as 15:00 horas Zulu, alcançou o ápice, com 10,8mm.h-1. Pelos
registros da MET-1, a área de Ferraz esteve encoberta, durante todo o referido dia, com nebulosidade de
um gigantesco ciclone sinóptico. O próprio técnico, um veterano de missões antárticas, relatou que nunca
havia presenciado algo assim no inverno.

214
ocorrências de precipitação acumulada diariamente. Como era esperado, a aplicação da
linha de tendência polinomial de sexta ordem (linha preta) sobre os dados de médias
diárias, não exprimiu uma aproximação. Com valores tão baixos, a determinação de
períodos de inverno de destaque, ficou indiferente. Em uma avaliação sumária, os
poucos casos isolados foram os que determinaram, o inverno de 2003 e de 2004, como
os maiores em registros de precipitação acumulada, o que não necessariamente
representa a tendência geral. O inverno de 2006 foi o que registrou menor valor de
precipitação acumulada.

A seguir, como nos verões, elaborou-se as séries temporais de apenas um mês


com os valores de precipitação acumulada diariamente. Os resultados obtidos para esta
climatologia foram expressos na Tabela 7.2.6.2. Relatou-se para cada mês de inverno,
dos cinco períodos, o valor da precipitação acumulada no mês e o valor médio da
precipitação acumulada no dia. Calculou-se as médias, referentes aos valores descritos
acima, para cada mês dos invernos combinados e o acumulado de todos os períodos de
inverno, bem como a média diária para os 460 dias desta climatologia.

Pela observação dos registros, o único mês que registrou valores elevados de
precipitação acumulada mensal, causados pelas ocorrências isoladas, foi agosto, nos
invernos de 2003 e 2004. Em geral, a particularidade do inverno foi indicar que a
influência sobre os dados de precipitação acumulada mensal, derivaram dos casos
especiais de registros mais altos de precipitação acumulada diária, e não da tendência
geral do mês.

Iniciando a avaliação mensal, os meses de junho foram os que menos


registraram precipitação acumulada na EACF (Fig.7.2.6.11). A marca média do mês
ficou em 0,2mm. Os esparsos casos, ocorridos em todos os invernos, excetuando-se
2005, não ultrapassaram 4,0mm de precipitação acumulada diária. A maior marca ficou
com o dia 2 de junho, do inverno de 2006, com 3,8mm.

215
Tabela 7.2.6.2: Valores de Precipitação Acumulada e Médias dos Meses de Inverno, em
Todos os Períodos.

INVERNOS PRECIPITAÇÃO (mm)


MESES PERÍODOS ACUMULADA NO MÊS MÉDIA
2002 4,9 0,2
2003 9,7 0,3
2004 14,4 0,5
JUNHOS
2005 0,1 0,0
2006 7,9 0,3
TODOS 37,0 0,2
2002 16,4 0,5
2003 18,9 0,6
2004 11,9 0,4
JULHOS
2005 6,7 0,2
2006 4,6 0,1
TODOS 58,5 0,4
2002 2,7 0,1
2003 69,0 2,2
2004 30,0 1,0
AGOSTOS
2005 9,9 0,3
2006 0,3 0,0
TODOS 111,9 0,7
INVERNO GERAL 207,4 0,5

Para a série temporal dos meses de julho, a média da precipitação acumulada


diária registrou aumento devido aos casos isolados de precipitação acumulada
(Fig.7.2.6.12). O dia 17 de julho, do inverno de 2003, registrou a maior marca, com
10,6mm de precipitação acumulada em 24 horas. O inverno de 2002 registrou duas
ocorrências ao redor de 6,0mm e 2004, apenas uma ao redor de 4mm. As outras cinco
ocorrências, dos diversos períodos, ficaram na exígua marca de 2,0mm. O mês de julho,
do inverno de 2006, praticamente não obteve registro de precipitação.

Terminando os poucos relatos das séries temporais mensais de inverno, os meses


de agosto registraram os maiores valores locais de precipitação acumulada nas 24 horas.

216
Estes, contribuíram para o significativo aumento do acumulado mensal de todos os
períodos, com 111,9mm (Fig.7.2.6.13). Neste mês, houve o registro da marca recorde,
descrita na série temporal de 92 dias, no inverno de 2003. Contudo, o padrão de
aumento não ocorreu para nenhum dos períodos de inverno, neste mês. Esta elevação da
média só ocorreu pelos pontos singulares de precipitação acumulada, não refletindo o
comportamento mensal de cada série. Se estes fossem subtraídos, agostos tornar-se-iam
escassos em registros, como os outros meses.

Os casos particulares dificultaram o estudo analítico, pois acrescentaram um


valor de peso às séries de seus respectivos períodos. Com isto enfatizado, verificou-se
que, pelos valores numéricos, os invernos de 2003 e 2004 foram os que registraram
valores mais altos, com 47,1% (97,6mm) e 27,1% (56,3mm) respectivamente, do total
de 207,4mm computados em toda a climatologia de inverno (Fig.7.2.6.14A e B). Na
seqüência, os invernos de 2002, com 11,6% (24,0mm) 2005, com 8,1% (16,7mm) e
2006, com 6,2% (12,8mm). Para as distribuições mensais, destacou-se o mês de agosto,
como relatado anteriormente, com os valores acumulados mensais mais altos devido aos
casos singulares (Fig.7.2.6.15). Se estes fosse removidos, a avaliação se tornaria mais
difícil, pois os padrões de inverno são de baixíssima precipitação.

Na elaboração dos gráficos analíticos, analogamente ao verão, dividiu-se as


ocorrências em classes para se avaliar o número de casos, tanto nos acumulados de
precipitação diária, quanto os dias de total ausência de precipitação. As cinco classes
escolhidas foram as mesmas estabelecidas anteriormente, ou seja: dia de registro zero,
sem precipitação; dia com precipitação acumulada diária maior que zero até 10,0mm,
inclusive ( ]0,0—10,0] ); precipitação acumulada diária maior que 10,0mm até 20,0mm,
inclusive ( ]10,0—20,0] ); maior que 20,0mm até 30,0mm, inclusive ( ]20,0—30,0] ) e
maiores que 30,0mm.

Após as definições, verificou-se que os meses de junho registraram mais dias


sem precipitação (Fig.7.2.6.16). As ocorrências variaram entre dois terços (junhos de
2002, 2003 e 2006) a quase totalidade dos dias (junho de 2006) com o inverno de 2004
registrando metade do mês de junho nesta situação. A classe de precipitação acumulada
diária de ]0,0—10,0]mm registrou todas as outras ocorrências, com o inverno de 2004
computando metade dos dias do mês e os outros períodos, o restante de seus dias, os

217
quais não foram registrados como sem precipitação. Nenhum inverno registrou casos na
classe de precipitação acumulada diária ]10,0—20,0]mm ou nas outras classes
superiores a esta.

Os meses de julho indicaram um comportamento semelhante aos meses de


junho, com significativo casos de dias sem precipitação (Fig.7.2.6.17). Os registros
ficaram ao redor de dois terços do mês, com o inverno de 2005 se destacando para mais,
com 25 dias e o inverno de 2003, para menos, com 17 dias. A classe ]0,0—10,0]mm
registrou o restante dos dias de cada período, onde os maiores ficaram com cerca de um
terço dos dias de seus respectivos meses de julho. Houve apenas um registro na classe
]10,0—20,0]mm para o mês de julho, do inverno de 2003. Nenhum inverno registrou na
classe ]20,0—30,0]mm de precipitação acumulada diária, ou nas superiores a esta.

Finalizando as análises de precipitação acumulada, os meses de agosto também


mantiveram o padrão dos outros meses, porém com diferenças particulares nos períodos
(Fig.7.2.6.18). A classe de ausência de precipitação registrou casos de dois terços
(invernos de 2002 e 2005) a quase totalidade dos dias do mês (inverno de 2006, com 30
dias nesta classe). Os outros dois períodos de inverno registraram cerca de metade dos
dias sem precipitação. A classe ]0,0—10,0]mm obteve registros distintos, com 17 casos
em 2004, 15 casos em 2003, menos que um terço dos dias, em 2002 e 2005, finalizando
com um dia, em 2006. Os dois valores extremados de 2004 e 2003, foram registrados
nas classes ]10,0—20,0]mm e acima de 30,0mm, respectivamente.

Assim, encerrou-se a MET-2. Ressalta-se que muitos dos valores, aqui descritos
e analisados, serão tema de discussões particulares na MET-3. Contudo, alguns
comentários dos casos especiais e certas conclusões, foram pertinentes durante a própria
descrição dos valores estudados. Utilizou-se este artifício para que certas linhas de
raciocínio não se perdessem durante as descrições, incluindo algumas relações com a
MET-1.

218
7.3 Resultados da Metodologia de Análises Estatísticas – MET-3:

A Metodologia de Análises Estatísticas – MET-3 teve, como principal objetivo,


identificar os parâmetros limitantes que foram bem discutidos e avaliados na MET-2.
Alguns valores foram escolhidos para fazerem a distinção entre os casos especiais dos
comuns. Uma vez identificados, correlacionou-se com as informações classificadas da
MET-1. Certos casos foram separados, em particular, para uma descrição das condições
em que ocorreram.

A MET-3 também abriu espaço para discussão dos assuntos gerais observados
durante a MET-1. Estes temas foram mais pertinentes de serem comentados nesta etapa,
pois muitos deles descreveram as condições físicas de formato e comportamento dos
ciclones na Trilha das Depressões. Em mais de uma ocasião, as observações diretas das
imagens revelaram as diversas possibilidades do caos, com formações ciclônicas de
comportamentos anômalos, diferentes, desafiantes aos padrões costumeiros, verificados
nas médias latitudes. Além destes, abriu-se espaço para os comentários das observações
realizadas, durante a MET-1, da influência da orografia da península Antártica e da ilha
Geórgia do Sul, na atividade ciclônica. Estas informações também foram trabalhadas
como estatísticas, pois casos foram computados.

7.3.1 – Parâmetros Meteorológicos Limitantes:

Nesta primeira etapa da MET-3, estabeleceu-se as condições meteorológicas que


se tornaram os parâmetros de limites das atividades humanas na Antártida, na área da
ilha Rei George, EACF, com base nos dados horários da MET-2. Com isto, elaborou-se
as estatísticas que foram definidas como Horas Úteis de Atividade Antártica. Além
destas, determinou-se as Horas Limitantes para diversas situações ciclônicas, além das
suas influências nos parâmetros meteorológicos. Uma vez detectado estes valores,
escolheu-se os casos de interesse, correlacionados com a MET-1, para serem discutidos.
Adotou-se o número total de horas de cada mês como o valor máximo do conjunto, ou
seja, 100%. Com isto, os meses de dezembro, janeiro, julho e agosto tiveram 744 horas
úteis, os meses de junho tiveram 720 horas e os meses de fevereiro, 672 horas, com o
bissexto do período de 2003-2004, com 696 horas. As horas com ausência de dados ou
panes instrumentais foram descontadas das horas totais.

219
As condições meteorológicas selecionadas foram as que diretamente
influenciaram as mais diversas atividades brasileiras na Antártida. Como citado
anteriormente, a logística e as operações dependem de fatores climáticos que
possibilitem a sua realização. A atividade de vôo, navegação, lançamento de botes,
transporte de combustíveis e pesquisas externas possuem limites que precisam ser
respeitados, para que estas sejam realizadas com o máximo de segurança possível.
Fazendo uma alusão aos programas espaciais, com suas “janelas” de lançamento ou
pouso, a atividade antártica possui as suas “Janelas Meteorológicas” que definem,
dentro das 24 horas do dia, quando se pode laborar. Contudo, sempre foi possível
resistir ou enfrentar as condições impostas e desrespeitar os limites operacionais, mas,
nestas situações, conta-se sempre com o apreço da sorte ou o acaso e, em muitos relatos
antárticos, como já realizado anteriormente nesta pesquisa, tais situações acarretaram a
morte de expedicionários e perda total de equipamentos. O último incidente grave na
ilha Rei George ocorreu recentemente, em 19 de setembro de 2005, quando dois
argentinos, utilizando motos de neve, precipitaram-se para dentro de uma greta, oculta
por tampão de neve, quando cruzavam um dos domos de geleira da ilha. Na ocasião, a
temperatura do ar estava positiva e isto facilitou o rompimento do tampão de neve, pois
este se tornara mais frágil em temperaturas positivas. Equipes de resgate chilenas
desceram até 50 metros de profundidade e não alcançaram o fundo da greta. Ambos
foram dados como desaparecidos e presumidamente mortos.

Após este prelúdio da MET-3, a estratégia de aplicação desta metodologia foi


dividida em dois pontos de abordagem. Primeiramente, visou-se reconhecer a presença
de intensos ciclones na área da EACF, como um dos fatores limitantes, pois estes
aumentariam realmente, a possibilidade de mudança nas condições meteorológicas. Em
segundo, mas não necessariamente destacado da atividade ciclônica, viriam os valores
de certas variáveis meteorológicas que indicaram as condições operacionais. Para o caso
da primeira abordagem, o parâmetro que definiu os mais intensos ciclones foi a pressão
atmosférica média, obtida de hora em hora. Escolheu-se o valor limite de 975,0mb
como divisor da triagem dos valores horários. Determinou-se este valor pela avaliação
das séries temporais gerais realizada na MET-2. Verificou-se que foram poucos os casos
que atingiram ou foram inferiores a esta marca. Isto certificaria o destaque dos sistemas
ciclônicos intensos, diferenciando-os dos outros mais comuns. Para o caso da segunda
abordagem, escolheu-se os parâmetros meteorológicos que puderam ser classificados,

220
quanto ao tipo de atividade operacional. Desta maneira, adotou-se o emprego das
variáveis que, por si mesmas, foram limitadoras, as quais se definiu como
independentes. Em outros casos, aplicou-se algoritmos que utilizaram mais de uma
variável que, neste caso, foram definidas como variáveis combinadas. Os limites
relacionados a cada variável foram discutidos particularmente. O processo das decisões
lógicas, adotados para os dados diários de verão, e a descrição dos seus conjuntos,
foram detalhados em um organograma relacional (Fig.7.3.1.1). Analogamente,
adotou-se os mesmos processos para os dados diários de inverno e a descrição de suas
decisões lógicas foram demonstradas no organograma relacional de dados de inverno
(Fig.7.3.1.2).

O processo de identificação de parâmetros limites se iniciou pela pressão


atmosférica média horária. Registrou-se todos as horas em que seu valor foi abaixo da
marca estipulada de 975,0mb. Com isto, obteve-se os valores absolutos e relativos,
dentro de cada mês, tanto dos períodos de verão como de inverno. Isto permitiu realizar
comparações sazonais. Durante os verões, os registros de pressão média horária, abaixo
da marca padrão, tiveram características muito particulares e não demonstraram
tendências por mês ou período. A Tabela 7.3.1.1 informa os valores obtidos para os
cinco períodos de verão, no grupo lógico dos sistemas ciclônicos “Proximidade de
Ciclones Severos”. Diante de valores de pressão atmosférica média horária tão baixos,
foi alta a possibilidade da presença de diversos fenômenos atmosféricos, na área da
EACF, como ventos e rajadas intensas, precipitação de neve ou queda da temperatura.

Quando se observou os valores, em uma primeira análise, pode-se avaliar que


estes não tenham sido significativos, pois em alguns casos, o número de horas não
aparentou ser demasiado. Contudo, se descontarmos das horas úteis do dia, pelo menos
um terço para descanso e mais uma outra fração dos momentos que são destinados a
outras atividades como pesquisa interna, serviços gerais, alimentação etc., obteremos,
em muitos casos, um valor menor de horas disponíveis para atividades externas, as
quais necessitem de muito tempo de elaboração. Estas, normalmente utilizam botes,
barcos, aeronaves e até mesmo o navio. Mesmo os deslocamentos à pé são
demasiadamente demorados. Então, verificou-se que foi grande a possibilidade de que
as atividades sejam interrompidas ou nem sequer realizadas. Esta foi a visão que se
abordou nesta primeira etapa da MET-3, referindo-se às “Janelas Meteorológicas”.

221
Também é notório ressaltar que estes relatos, de baixa pressão, representaram as mais
extremas quedas. Nem todos os ciclones necessariamente, atingiram tais valores, mas
provocaram diversos outros fenômenos meteorológicos que limitaram as operações.

Tabela 7.3.1.1: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão


Atmosférica Média, em Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a
975,0mb nos Meses de Verão, em Todos os Períodos.

VERÕES HORAS
MESES PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2001-2002 744 158 21,24
2002-2003 744 24 3,23
2003-2004 744 0 0,00
DEZEMBROS
2004-2005 744 55 7,39
2005-2006 744 35 4,70
TODOS 3720 272 7,31
2001-2002 744 42 5,65
2002-2003 744 2 0,27
2003-2004 744 69 9,27
JANEIROS
2004-2005 744 5 0,67
2005-2006 742* 2 0,27
TODOS 3718 120 3,23
2001-2002 672 47 6,99
2002-2003 672 29 4,32
2003-2004 696** 0 0,00
FEVEREIROS
2004-2005 672 52 7,74
2005-2006 672 19 2,83
TODOS 3384 147 4,34
VERÃO COMPLETO 10822 539 4,98
* Duas horas sem dados; ** Fevereiro bissexto.

Sob esta óptica, observou-se que o mês de dezembro, do período de 2001-2002,


destacou-se de todos os outros meses de verão, pois registrou 158 horas ou 21,24% do
tempo total do mês, com pressão média igual ou inferior a 975,0mb. Os meses de
marcas mais baixas ocorreram no período de 2003-2004, onde os meses de dezembro e
fevereiro obtiveram valor zero (Fig.7.3.1.3A e B). Verificou-se também como se

222
distribuíram as ocorrências das pressões médias horárias, nos meses que constituíram os
verões e a contribuição de cada período, dentro deste cômputo mensal. Foi possível
observar que os meses de dezembro obtiveram a maior porcentagem de casos de todos
os períodos, sendo que em seu acumulado de 3720 horas úteis, cerca de 272 horas, ou
seja 7,31% estiveram com pressão abaixo da marca. Isto representou 50,46% de todos
os casos ocorridos, nos cinco períodos de verão (Fig.7.3.1.4). Dentro deste conjunto, o
mês de dezembro, do verão de 2001-2002, com seus já citados 21,24% de horas
computadas, na marca limite ou abaixo desta, destacou-se de todos os outros meses de
dezembro, com o valor de 58,09% de todos os casos deste grupo de meses. Para os
meses de janeiro, com quase o mesmo número de horas úteis de dezembros, apenas 120
horas ou 3,23% foram dentro ou abaixo da marca de pressão média determinada. Isto
representou 22,26% do total de horas registradas em todos os verões, com o destaque
para o mês de janeiro, do verão de 2003-2004, com 69 horas ou 9,27% que
representaram 57,50% de todos os casos deste grupo de meses (Fig.7.3.1.5). Finalmente,
os meses de fevereiro, com 3384 horas úteis, tiveram 147 horas ou 4,34% deste total,
com registros de pressão média iguais ou inferiores a 975,0mb. Este valor representou
27,27% do total de horas de verão, com destaques para fevereiro, do verão de
2004-2005, com 52 horas ou 7,74% e fevereiro, do verão de 2001-2002, com 47 horas
ou 6,99%. Cada um destes meses representou 35,37 e 31,97% dos casos ocorridos neste
grupo de meses (Fig.7.3.1.6).

Embora alguns meses particularmente tenham se destacado, em horas de baixa


pressão média, no cômputo geral dos verões, com 10.822 horas úteis, apenas 4,98%
destas estiveram dentro da marca estipulada. Quando os valores foram comparados por
períodos, o verão de 2001-2002 se destacou mais, pois das 2160 horas úteis, 247 horas,
ou 11,44% estiveram nestas condições de pressão média. O período de verão com
menor número de ocorrências foi 2002-2003, onde apenas 2,55% ou 55 das 2160 horas
úteis, alcançaram valores iguais ou inferiores a 975,0mb. A Tabela 7.3.1.2 apresentou
todos os valores calculados, no acumulado por período.

223
Tabela 7.3.1.2: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão
Atmosférica Média, em Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a
975,0mb por Períodos de Verão.

VERÕES HORAS
PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2001-2002 2160 247 11,44
2002-2003 2160 55 2,55
2003-2004 2184* 69 3,16
2004-2005 2160 112 5,19
2005-2006 2158** 56 2,59
* Conteve fevereiro bissexto; ** Duas horas sem dados.

Quando se comparou estes valores com o número de ciclones que foram


contabilizados na MET-1, houve uma surpresa. O verão de 2001-2002, que computou
177 ciclones, registrou o maior número de horas de pressões mais baixas, enquanto que
o verão de 2005-2006, com 268 ciclones computados, registrou um número de horas de
baixa pressão bem inferior. O mesmo aconteceu para o verão de 2002-2003, com 247
ciclones e apenas 55 horas ou 2,55% com ocorrências de baixas acentuadas. Este padrão
não ficou claro nos verões de 2003-2004 e 2004-2005.

No estudo geral e detalhado, percebeu-se que não houve uma regra específica,
em tempos determinados, para a chegada de sistemas intensos de baixa pressão, na área
demarcada como central, onde se situa a EACF. Primeiramente, pelo fato da área total
do estudo ser de grandes proporções. Em segundo, pela localização geográfica da
Estação Antártica Comandante Ferraz. Pela avaliação da MET-1, notou-se os setores
predominantes de chegada e decaimento de ciclones e os seus deslocamentos. As
trajetórias dos centros de baixa pressão não necessariamente passaram por sobre a
EACF. Normalmente pouco mais deslocados ao Norte e em alguns casos, para o Sul.
Não houve periodicidade nas escolhas das trajetórias, como visto anteriormente. Isto
também se refletiu para os casos sobre a EACF.

Para os casos de inverno, procedeu-se da mesma maneira, com o limite da


pressão atmosférica média em valores iguais ou menores que 975,0mb. A Tabela 7.3.1.3

224
informou os valores obtidos para os cinco períodos de inverno, no grupo lógico dos
sistemas ciclônicos “Proximidade de Ciclones Severos”, com totais de horas dos meses
e de ocorrências na área da EACF.

Tabela 7.3.1.3: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão


Atmosférica Média, em Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a
975,0mb nos Meses de Inverno, em Todos os Períodos.

INVERNOS HORAS
MESES PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2002 720 21 2,92
2003 720 0 0,00
2004 720 52 7,22
JUNHOS
2005 720 59 8,19
2006 720 12 1,67
TODOS 3600 144 4,00
2002 744 52 6,99
2003 744 157 21,10
2004 744 81 10,89
JULHOS
2005 744 0 0,00
2006 744 89 11,96
TODOS 3720 379 10,19
2002 744 3 0,40
2003 744 159 21,37
2004 744 40 5,38
AGOSTOS
2005 744 51 6,85
2006 744 1 0,13
TODOS 3720 254 6,83
INVERNO COMPLETO 11040 777 7,04

Em uma primeira observação, notou-se valores maiores de ocorrências em


relação aos verões. Uma conclusão possível seria que mesmo com o deslocamento
sazonal da “Trilha das Depressões” para o Norte (SIMMONDS e MURRAY, 1999 e
TURNER e KING, 1997) alguns ciclones ainda permaneceram muito ativos na área de
estudo, tanto no estreito de Drake, como na península Antártica. Contudo, chama-se a
atenção para o fato de que os valores de pressão média e mínima foram menores nos

225
verões e não nos invernos, informações estas, constatadas na MET-2. Mas isto só
indicou que, em geral, houve uma redução de centros de baixa pressão sobre o exato
ponto da EACF, mas não na área de estudo. Os ciclones que atingiram a EACF do seu
exato ponto central, foram os que indicaram as mais acentuadas quedas de pressão.
Também não se pode esquecer de que os invernos computaram um número maior de
ciclones, ocorrendo na área de estudo. Todos os períodos de inverno obtiveram valores
de registro acima de 200 ciclones.

Pelos dados, observou-se que os meses de julho e agosto, do período de inverno


de 2003, destacaram-se de todos os outros meses, pois registraram 157 horas ou 21,10%
e 159 horas ou 21,37% respectivamente, do tempo total dos meses com pressão média
igual ou inferior a 975,0mb, sendo este último mês, o recordista da climatologia de
inverno. Os meses com valor zero de ocorrências foram junho, do período de 2003, e
julho, do período de 2005 (Fig.7.3.1.7A e B). Dentro do estudo pelo cômputo mensal,
verificou-se que os meses de junho, com 3600 horas úteis, tiveram 144 horas ou 4,00%
deste total, com registros de pressão média iguais ou inferiores a 975,0mb. Este valor
representou 18,53% do total de horas de inverno, nestas condições. Os maiores
destaques foram junhos, do inverno de 2005, com 59 horas ou 8,19% e do inverno de
2004, com 52 horas ou 7,22% que representaram 40,97 e 36,11% do total de casos deste
grupo de meses (Fig.7.3.1.8). Os meses de julho obtiveram a maior porcentagem de
casos de todos os períodos, sendo que, do seu acumulado de 3720 horas úteis, cerca de
379 horas, ou 10,19% estiveram com pressão igual ou abaixo da marca. Isto representou
48,78% dos casos ocorridos, nos cinco períodos de inverno. O maior destaque de
ocorrências se deu no mês de julho, do período de 2003, com 157 horas ou 21,10% que
representaram 41,42% dos casos deste grupo de meses (Fig.7.3.1.9). No término dos
invernos, os meses de agosto, com 3720 horas úteis, tiveram 254 horas ou 6,83% deste
total, com registros de pressão média iguais ou inferiores a 975,0mb. Este valor
representou 32,69% do total de horas do inverno, nestas condições de pressão baixa,
com destaque para agosto, do período de 2003, com 159 horas ou 21,37% o que
representou 62,60% dos casos ocorridos neste grupo de meses (Fig.7.3.1.10).

Como ocorrido nos verões, alguns meses obtiveram destaque particular em


ocorrências. Mas o aumento de casos nos invernos alcançou a taxa de 1,41:1 em relação
aos verões. Em valores gerais, os invernos, com 11.040 horas úteis, obtiveram 777 horas

226
ou 7,04% destas, dentro da marca estipulada. Ao se comparar os valores por períodos, o
inverno de 2003 se destacou, pois das 2208 horas úteis, 316 horas, ou 14,31% estiveram
nas condições estipuladas de pressão média. O inverno de 2002 foi o que registrou
menor número de ocorrências iguais ou inferiores a 975,0mb, com 76 horas ou 3,44%
do seu total de horas úteis. Contudo, em linhas gerais, os períodos de inverno foram
superiores aos de verão em horas dentro da marca. A Tabela 7.3.1.4 apresentou todos os
valores calculados, no acumulado por período.

Tabela 7.3.1.4: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Pressão


Atmosférica Média, em Superfície ao NMM, Igual ou Inferior a
975,0mb por Períodos de Inverno.

INVERNOS HORAS
PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2002 2208 76 3,44
2003 2208 316 14,31
2004 2208 173 7,84
2005 2208 110 4,98
2006 2208 102 4,62

Pôde-se notar também que não houve ciclos determinados, na área da EACF,
para a chegada de sistemas intensos de baixa pressão. As ocorrências não indicaram
regras específicas para o local em estudo. Contudo, não se descartou teleconexões com
outras áreas e ciclos de maior período, não coberto nesta primeira climatologia de cinco
anos. Também não foi verificado alguma relação direta com o número de casos de
ciclones da MET-1 influenciando diretamente os valores de baixa pressão acentuada,
como era esperado.

Uma vez determinados os valores de possíveis limites, causados pelos centros de


baixa pressão e os ciclones associados, a MET-3 avaliou os grupos de variáveis que
determinaram as condições de operação e logística, independentemente se houvesse ou
não ciclones exatamente sobre a EACF. Contudo, julga-se que estes estiveram muito
próximos, ou sobre ela mesma, dada as condições meteorológicas que impuseram os
fatores limitantes.

227
Nesta avaliação, um dos fatores abordados foi a temperatura do ar como variável
independente. Tal parâmetro auxilia em diversas atividades e pode prevenir acidentes
como o descrito anteriormente, ocorrido com os argentinos na ilha Rei George. O
procedimento adotado dividiu os valores em três classes de interesse: menores ou iguais
a –10,0ºC, considerados os mais frios e que permitiram maior segurança, nos
deslocamentos à pé ou motorizados, sobre as áreas de risco, como domos de geleiras e
plataformas de mar congelado; valores de –10,0ºC até –2,0ºC, inclusive (]–10,0–– -2,0])
considerados os seguros para deslocamentos em geleiras, mas não sobre plataformas de
gelo, formadas por água do mar, principalmente se os valores estiverem próximos do
limite superior; e de –2,0ºC até zero grau Celsius, inclusive ( ]–2,0––0,0] ) que
representou o ponto de congelamento da água doce, no limite superior e um valor
próximo de –1,8ºC que representou o congelamento da água do mar. Tais valores são
empíricos e representaram apenas um auxílio na segurança das atividades, devendo o
bom senso e outras técnicas específicas de cada logística, serem empregadas. É
importante lembrar que os valores de temperatura do ar podem dificultar algumas
atividades, mas facilitar outras. Por exemplo, valores muito baixos de temperatura
auxiliarão na segurança de travessias que necessitem caminhar sobre os domos gelados,
mais prejudicarão atividades de coleta de amostras de solo, ou saídas de botes para
coletas de amostras marinhas. Cada logística antártica possui a sua coleção de
parâmetros que a auxiliam ou a limitam.

Nestes termos, os dados horários de temperatura do ar, em todos os períodos de


verão, foram agrupados nas classes determinadas e se calculou os valores absolutos e
relativos de suas ocorrências, em relação às horas totais úteis de cada mês
(Fig.7.3.1.11). Com isto, observou-se que os meses de dezembro foram categoricamente
os mais frios da climatologia de verão. Os valores de horas na classe ]–2,0––0,0]ºC se
destacaram em praticamente todos os períodos, com valores mais altos de ocorrências
em dezembro, do período de 2003-2004, onde 359 horas, ou 48,25% das 744 horas
úteis, estiveram nesta classe de temperatura. Também foi em dezembro que ocorreram
mais casos na classe intermediária de ]–10,0–– –2,0]ºC. Todos os períodos,
excetuando-se 2001-2002, obtiveram registros nesta classe. A classe mais fria, com
valores abaixo ou iguais a –10,0ºC não obteve casos. O mês de dezembro de 2003-2004
foi o que registrou menos horas com temperatura do ar positivo. Foram apenas 187
horas, das 744 horas úteis. Para os meses de janeiro e fevereiro, a situação na área da

228
EACF é extremamente favorável para as atividades que não dependam de valores
negativos de temperatura, pois a quase totalidade dos registros se concentraram na
classe ]–2,0––0,0]ºC. Mesmos estes, ocuparam poucas das horas úteis. O maior valor
ocorreu em janeiro, do verão de 2003-2004, com 88 horas ou 11,83% das 744 horas. O
único registro, na classe intermediária mais fria, ocorreu no mês de fevereiro, do verão
de 2002-2003, que obteve apenas uma hora. Como dezembros, os meses de janeiro e
fevereiro não registraram horas na classe mais fria. A Tabela 7.3.1.5 informou o número
de horas restantes em cada mês, por período, que não se enquadraram nestas classes, ou
seja, valores positivos de temperatura do ar. Verificou-se, nesta climatologia, que os
meses de janeiro e fevereiro foram os que obtiveram menos tempo de restrições.

Tabela 7.3.1.5: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Temperatura


do Ar Positiva, nos Meses dos Períodos de Verão.

VERÕES MESES
DEZEMBROS JANEIROS FEVEREIROS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2001-2002 694 93,28 738 99,19 664 98,81
2002-2003 591 79,44 681 91,53 604 89,88
2003-2004 187 25,13 656 88,17 660 94,83
2004-2005 508 68,28 671 90,19 647 96,28
2005-2006 381 51,21 737 99,33 590 87,80
TODOS 2361 63,47 3483 93,68 3165 93,53

Paralelamente aos verões, a situação dos invernos, como era esperado, mudou
drasticamente. Não houve sequer um mês, da climatologia dos cinco invernos, que
obtivesse metade das suas horas úteis, com temperaturas do ar acima de zero grau
Celsius. Além disto, todas as classes de temperatura registraram ocorrências
(Fig.7.3.1.12). A classe de temperaturas ]–10,0–– –2,0]ºC foi a que concentrou o maior
número de horas. Isto favoreceu as atividades que supostamente pudessem ocorrer,
próximos às geleiras, na área da ilha Rei George. Contudo, não necessariamente as
plataformas de gelo marinho, que porventura estivesses formadas ou em formação,
pudessem estar estáveis. A única garantia foi que, nestas condições, o ar sobre o mar,
por estar mais frio que a temperatura de congelamento da sua água, facilitaria a
mudança de fase, ou sorveria a energia proveniente deste. Aqui, não se considerou

229
outras formas de energia e transmissão que, porventura, estivessem envolvidas, como
calor latente do oceano e a própria inércia térmica das trocas etc. Em uma avaliação
sumária, o período de inverno de 2002 foi o que menos registrou, em todos os meses,
valores positivos de temperatura do ar. Grande parte das horas destes meses registraram
na classe ]–10,0–– –2,0]ºC e na classe mais fria, iguais ou abaixo de –10,0ºC.
Chamou-se a atenção para um comportamento interessante em forma de padrão. Os
períodos de verão de 2003 e 2005 registraram valores crescentes de horas com
temperaturas positivas, conforme se passaram os meses. A situação foi completamente
oposta nos períodos de 2004 e 2006. Destacou-se os valores do mês de agosto, do
período de 2006, que permaneceram 333 horas ou 44,76% na classe ]–10,0–– –2,0]ºC e
326 horas ou 43,82% na classe mais fria igual ou menor que –10,0ºC. Além disto, a
classe ]–2,0–– 0,0]ºC obteve apenas 73 horas ou 9,81%. A grande concentração, nas
duas classes de menores temperaturas, indicou que o mês foi um dos mais frios. Das
744 horas úteis, restaram-se apenas 12 horas de valores com temperatura do ar acima de
zero grau Celsius. A Tabela 7.3.1.6 informou o número de horas restantes em cada mês,
por períodos de inverno, com valores positivos de temperatura do ar. Os invernos, em
geral, obtiveram valores sem restrições muito próximas na totalização dos meses, nesta
climatologia.

Tabela 7.3.1.6: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Temperatura


do Ar Positiva, nos Meses dos Períodos de Inverno.

INVERNOS MESES
JUNHOS JULHOS AGOSTOS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2002 23 3,19 32 4,30 74 9,95
2003 45 6,25 209 28,09 323 43,41
2004 220 30,56 154 20,70 72 9,68
2005 57 7,92 110 14,78 136 18,28
2006 217 30,14 96 12,90 12 1,61
TODOS 562 15,61 601 16,16 617 16,59

Outro parâmetro que exerce uma função fundamental nas atividades em geral,
principalmente na Antártida, é o vento. Seus dados também foram interpretados, nesta
etapa da pesquisa, como uma variável independente. O vento, em linhas gerais, limita as

230
atividades pelo seu próprio efeito mecânico. Os botes infláveis, do tipo Zodiac, ao
navegarem no meio da enseada Martel ou na baía do Almirantado, interior da ilha Rei
George, podem simplesmente virar, quando estiverem em deslocamento. Primeiramente
pelo fato de serem leves e, em segundo, pelo tamanho das ondas do mar, geradas pelo
próprio vento. A Força 3 da escala Beaufort, que corresponde às velocidades na faixa de
3,4 até 5,4m.s-1 (12,2 a 19,4km.h-1 ou 6,5 a 10,4kt) são suficientes para que as ondas
tenham alturas de 60cm até 1m. Para a Força 4, com velocidades no intervalo de 5,5 a
7,9m.s-1 (19,8 a 28,4km.h-1 ou 10,6 a 15,3kt) as ondas já alcançam de 1m até o máximo
de 1,5m. Estas velocidades são muito comuns na região costeira da Antártida,
principalmente na área da ilha Rei George. Portanto, merecem considerável atenção
para a utilização operacional dos botes e lanchas. A atividade ciclônica, com ventos
fortes, determinaram as horas de operações navais seguras. Escolheu-se a marca
superior da Força 3 como a limitadora de segurança, norma aceita na EACF.

Para as atividades aeronavais, que exigem o uso dos helicópteros, o vento é o


fator de maior restrição. Como seu efeito mecânico causa ondas e arrasta os objetos, os
helicópteros e o navio de apoio da Marinha do Brasil ficam suscetíveis a sua ação.
Outro fator importante que não pode ser esquecido é que os helicópteros não estão
pousando/decolando do solo e sim de uma plataforma inercial móvel. Portanto, há
limites dos movimentos do navio para as operações aéreas também: o balanço lateral
não pode ultrapassar a inclinação de 5º e o caturro, um movimento de balanço
longitudinal, onde proa e popa levantam, alternando-se, não pode passar os 2º. Além
disso, é necessário que o sentido do vento esteja dentro do chamado "Envelope" de
vento que é pré-estabelecido (embora seja conhecido por este autor, não foi possível sua
divulgação, por ser informação de categoria “Classificada”). Isto permite a garantia de
que o helicóptero tenha uma controlabilidade para lançar/pousar. Além destes fatos,
mesmo para a atuação das aeronaves em solo, as condições para pousos e decolagens
são muito restritivas. Como verificado na MET-2, praticamente todos os dias com
ventos médios acentuados, foram acompanhados de rajadas. Esta combinação é a mais
eficaz limitadora das operações de logística com os helicópteros. Se os valores de
velocidade de vento médio, para pouso e decolagem deste tipo de aeronave, oscilam
entre 7,7 a 12,8m.s-1 (27,7 a 46,3km.h-1 ou 15,0 a 25,0kt) esta eficiência cai
drasticamente com rajadas presentes (ou até mesmo pseudo-rajadas, onde o vento
aumenta de velocidade mas não suficiente para ser declarado como tal). Portanto, esta

231
marca inferior de 7,7m.s-1 (27,7km.h-1 ou 15,0kt) foi escolhida para as limitações de
operações com helicópteros.

As atividades externas que ocorrem no Navio de Apoio Oceanográfico Ary


Rongel, da MB são limitadas com ventos iguais ou superiores a 10,2m.s-1 (37,0km.h-1
ou 20,0kt) por regulamentação. De fato, o salvamento, em um hipotético acidente onde
um tripulante fosse arrastado pelo convés e atirado ao mar, seria de difícil realização. O
processo de salvatagem, desde o primeiro grito de “Homem ao Mar”, comunicação ao
Passadiço (a ponte de comando do navio) adoção de mudança de rota em 180º, manobra
de timão com inclinação de leme a 7º, velocidade de dez nós do navio e início de busca
em mar revolto durariam, no mínimo dez minutos, com todas as condições favoráveis.
Lembrando que a temperatura da água do mar oscila entre 2,0º a –1,8ºC, o tempo de
sobrevivência se reserva a cerca de quatro ou cinco minutos, dependendo das condições
de vestimenta do tripulante, saúde, condicionamento físico e mental, e vontade de
sobreviver (tempos maiores de sobrevivência já foram registrados).

Por último, mas não menos importante, são as atividades externas, em solo, na
EACF. O limite regulamentar é de 15,4m.s-1 (55,5km.h-1 ou 30,0kt). Manusear objetos,
como placas e fios metálicos, ou experimentos de maior dimensão podem ser perigosos,
pois o vento, nestas condições e com rajadas, aumentam as possibilidades de ocorrência
de acidentes, alguns até fatais. As atividades que necessitem técnicas de montanhismo
ou mesmo alpinismo, possuem limitações ainda menores. Não é raro escutar relatos de
colegas que literalmente saem voando, quando transitaram de um módulo de trabalho
externo, em retorno ao complexo principal da EACF.

Com estes conceitos relatados, classificou-se os dados horários de vento médio


dos verões, dividindo-os pelas velocidades limitantes para as principais atividades
operacionais e de logística. Montou-se conjuntos de limite operacional para botes
infláveis, helicópteros, atividades externas do NApOc Ary Rongel e atividades externas
à EACF. Os conjuntos de horas foram formados de maneira que os limites inferiores,
contivessem os valores dos outros, com limites superiores. Este preceito seguiu a
simples regra de que “se não é possível laborar externamente à EACF, então não é
possível utilizar os botes” por exemplo. Nesta avaliação, os meses de dezembro dos
verões são os que mais limitaram as operações, em geral, seguidos bem próximos, em

232
valores, dos meses de fevereiro. No comportamento dos meses de dezembro,
verificou-se um padrão decrescente nas limitações, por esta climatologia, conforme se
passaram os períodos (Fig.7.3.1.13). O mês de dezembro, do período de 2001-2002,
iniciou a climatologia com mais restrições. Estas, foram se reduzindo até um mínimo,
no mês de dezembro, do verão de 2003-2004. A partir deste mês, as restrições
aumentaram de valor, até dezembro do verão de 2005-2006, onde os valores são
semelhantes ao primeiro mês de dezembro avaliado. Os meses de janeiro não tiveram
um comportamento semelhante (Fig.7.3.1.14). Embora o período de 2001-2002 tenha
permanecido com valores altos de restrição, principalmente nas atividades de botes,
janeiro do verão de 2005-2006, não correspondeu da mesma maneira, pois seus valores
diminuíram. Janeiro do período de 2004-2005, mesmo com ausência de alguns dias de
dados, não obteve tantas horas de restrição. Os meses de fevereiro tiveram, em geral,
aumento de restrição em todas as atividades, com destaque para fevereiro, do verão de
2004-2005 (Fig.7.3.1.15). No cômputo geral, por períodos de verão, o maior destaque
de horas gerais de restrição, ocorreu no verão de 2001-2002. Dois de seus meses,
dezembro e fevereiro, tiveram pelo menos 50,0% das horas totais, sob alguma das
restrições descritas. Além disto, foi o período de verão que mais registrou horas em
restrição máxima, incluindo as atividades externas à EACF. A Tabela 7.3.1.7 informou
o número de horas restantes em cada mês, por período, que estiveram fora das restrições
de velocidade média do vento, nesta pesquisa. Nos acumulados mensais, os meses de
janeiro foram os que menos restrições ofereceram por ventos fortes.

Tabela 7.3.1.7: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Ventos de


Velocidade Média Não Restritiva, nos Meses dos Períodos de Verão.

VERÕES MESES
DEZEMBROS JANEIROS FEVEREIROS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2001-2002 271 36,42 435 58,47 283 42,11
2002-2003 360 48,39 536 72,04 397 59,08
2003-2004 505 67,88 461 61,96 397 57,04
2004-2005 394 52,96 444 76,29 270 40,18
2005-2006 329 44,22 500 67,39 354 52,68
TODOS 1859 49,97 2376 66,82 1701 50,27

233
Embora o NApOc Ary Rongel e seus helicópteros Esquilo não operem no
período de inverno, manteve-se as classes restritivas para estes equipamentos, à título de
comparação. Contudo, outras nações, como é o caso do Chile, mantêm aeronaves de
asas rotativas na ilha Rei George, aeródromo Tte Rodolfo MARSH Montalva, na
Estação Antártica Pdte. Eduardo FREI Montalva. Durante os invernos, estas aeronaves
operam, prestando serviços para o Brasil. Portanto, fez-se necessário manter estas
classes restritivas, para efeito de interpretação operacional também. Quanto ao estudo
dos dados dos invernos, a situação apresentou uma característica particular interessante.
O período de tempo das restrições por vento diminuíram, com poucas exceções,
contudo, os conjuntos internos, ou seja, os períodos de restrições mais severas,
aumentaram. Um exemplo foi o número de horas de restrição às atividades externas em
Ferraz. Em geral, elas foram muito baixas nos verões, mas nos períodos de inverno, seus
valores aumentaram consideravelmente. O caso de maior destaque foi marca recorde,
ocorrida no mês de agosto, do inverno de 2003. Das 744 horas úteis, 113 horas ou
15,19% estiveram na restrição máxima por velocidade média dos ventos. Para os meses
de junho, somente o do período de inverno de 2005 registrou mais de 50,0% das horas
úteis fora de alguma restrição (Fig.7.3.1.16). O maior destaque foi para o mês de junho,
do inverno de 2003, onde 442 horas ou 61,39% das 720 horas úteis estiveram restritas,
no mínimo, para atividades navais com botes. Os meses de julho registraram um
aumento significativo, nos períodos de inverno de 2004 e 2006, e redução no período de
2005 (Fig.7.3.1.17). os valores de restrição de atividades externas à EACF registraram
aumento em todos os períodos, exceto 2006. Finalizando o inverno, os meses de agosto
registraram aumentos de restrição em três períodos, sendo que o mês de agosto, do
inverno de 2003, obteve a marca recorde de mínima restrição, com 543 horas ou
72,98% das 744 horas úteis (Fig.7.3.1.18). Na avaliação por período, o inverno de 2003
e 2004 foram os que mais ofereceram restrições em número de horas. Cada período
possuiu 2208 horas úteis e deste montante, 1396 horas ou 63,22% e 1370 horas ou
62,05% estiveram sob alguma restrição por velocidade do vento média. O período de
menor restrição ocorreu no inverno de 2003, com 621 horas ou 28,13%. Para o
acumulado por meses de inverno, a variação de horas sem restrições ficou muito
próxima, dentro de uma variação de menos de 3,0 pontos percentuais entre o maior
valor, ocorrido no grupo de meses de junho, e o menor, no grupo de agostos. A Tabela
7.3.1.8 informou o número de horas restantes em cada mês, por período, que estiveram
fora das restrições de velocidade média do vento.

234
Tabela 7.3.1.8: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Ventos de
Velocidade Média Não Restritiva, nos Meses dos Períodos de Inverno.

INVERNOS MESES
JUNHOS JULHOS AGOSTOS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2002 349 48,61 399 53,63 371 49,87
2003 278 38,61 333 44,76 201 27,02
2004 347 48,19 243 32,66 248 33,33
2005 489 67,92 554 74,46 544 73,12
2006 358 49,72 303 40,73 412 55,38
TODOS 1821 50,61 1832 49,25 1776 47,74

Na interpretação final desta variável, analisou-se diversos fatos. O primeiro foi


que os registros da MET-1 indicaram maior ocorrência de ciclones e que muitos
estavam mais ao Norte de Ferraz. A MET-2, por sua vez, indicou que os invernos
tiveram mais períodos de calmaria, pela própria ausência destes ciclones nas
proximidades. Contudo, as velocidades dos ventos foram mais intensas, quando estes
ciclones estavam presentes. Então, embora houvesse menores tempos de restrição, em
um cômputo geral, quando estes de fato ocorreram, atingiram restrições maiores.

Na continuação dos parâmetros restritivos de operações e logística, temos o


sentido predominante do vento. Esta variável meteorológica foi considerada como
independente. Nesta avaliação, o sentido do vento poderia apenas limitar o uso do
heliponto da EACF. Este fato está relacionado com a sua localização geográfica, muito
próxima ao morro da Cruz. Como é necessário se aproximar do local de pouso contra o
sentido do vento, um obstáculo, próximo ao heliponto, pode limitar certos setores de
aproximação. No caso da EACF, o morro da Cruz se situa à Oeste do heliponto,
portanto, ventos de sentido Leste desfavorecem, dificultam ou impossibilitam o pouso.
Além disto, os pequenos braços de morro, provenientes do morro da Cruz, fomentam as
ocorrências de windshear11 muito próximas da superfície. Por mais de uma vez,
11
Windshear ou também conhecido por tesoura de vento, é um fenômeno onde o vento sopra de direções
diferentes, em níveis de altitude muito próximos. As causas podem ser a presença de nuvens Cb,
turbulência por escoamento de correntes de ar ou a presença de orografia. Para as aeronaves, a mudança
brusca de sentido do vento causa a perda de sustentação. Se esta ocorrer muito próxima da superfície, ou
em momentos críticos, como pousos, as possibilidades de acidentes aumentam consideravelmente. Para
as aeronaves de asas rotativas – os helicópteros, o risco é ainda mais acentuado, já que as mesmas se
utilizam das pás do rotor principal, para gerar sua sustentação.
235
presenciou-se as súbitas abortagens de pousos, por efeitos deste fenômeno, quando o
vento soprava de três direções diferentes, em uma distância espacial de menos de 200
metros, em 20 metros de altitude. Um outro fato interessante, que ocorreu normalmente
com a presença de vento Leste, foi o acúmulo de growlers12 na enseada e praias de
Ferraz. Este acontecimento dificultou o lançamento de botes infláveis. Dependendo da
extensão do campo de gelo, o uso dos botes fica restritivo e até perigoso, pois muitos
deles podem cortar o escudo externo e as câmaras de ar comprimido.

Para quantificar estas ocorrências, determinou-se o número de horas, de sentido


predominante de Leste, que pudessem limitar as operações de uso do heliponto e botes
em Ferraz. Faz-se notar que não se contabilizou, por ser um parâmetro escolhido
independentemente, a velocidade do vento. Isto significou que uma brisa muito leve,
mesmo de Leste, poderia não ser um impedimento para um pouso de helicóptero. A
Tabela 7.3.1.9 informou os valores obtidos, para os cinco períodos de verão, em número
de horas e freqüência relativa, em que o sentido Leste foi a predominância do vento.

Os meses de dezembro tiveram, no cômputo acumulado, maiores registros de


sentido Leste, com destaque para dezembro de 2003-2004. Contudo, o mês de
dezembro, do período de 2001-2002, foi o de menor registro. Nesta climatologia de
verão, o sentido restritivo de vento no heliponto de Ferraz esteve, em quase todos os
meses, acima de 10,0% das horas úteis (Fig.7.3.1.19A e B). Tal sentido de vento foi
causado por ação reflexa da passagem de ciclones, na região do estreito de Drake, cujos
centros de baixa pressão estiveram ligeiramente, ao Norte da EACF. Estes valores
podem ser aplicados como supostos valores de restrição para os botes, mas não de fato,
pois se faz necessário a presença de growlers nas praias de Ferraz, o que
obrigatoriamente, não precisa acontecer.

12
Growler é o nome dado para os pequenos icebergs. Normalmente são blocos de gelo gerados nos
desabamentos das frentes de geleira ou degelo de icebergs. Em uma comparação bem simples, o tamanho
de um growler pode variar desde a dimensão de um tijolo comum até um pequeno caminhão. Alguns
growlers de 10 a 20ton podem romper os casco de navios, que não sejam reforçados, pelo simples
impacto a menos de 10 Nós. Particularmente, os growlers muito menores, do tamanho da palma de uma
mão, são mais perigosos para os botes infláveis zodiak. O derretimento forma pontas muito afiadas que
se tornam literalmente facas. Os rasgos nas câmaras de ar são freqüentes e se contabilizam como um dos
incidentes de maior ocorrência na Antártida Oceânica.

236
Tabela 7.3.1.9: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido Leste
na Predominância do Vento, nos Meses de Verão, em Todos os
Períodos.

VERÕES HORAS
MESES PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2001-2002 744 47 6,32
2002-2003 744 148 19,89
2003-2004 744 237 31,85
DEZEMBROS
2004-2005 744 183 24,60
2005-2006 744 106 14,25
TODOS 3720 721 19,38
2001-2002 744 80 10,75
2002-2003 744 148 19,89
2003-2004 744 114 15,32
JANEIROS
2004-2005 582* 100 17,18
2005-2006 742** 73 9,84
TODOS 3556 515 14,48
2001-2002 672 55 8,18
2002-2003 672 118 17,56
2003-2004 696*** 59 8,48
FEVEREIROS
2004-2005 672 76 11,31
2005-2006 672 175 26,04
TODOS 3384 483 14,27
VERÃO COMPLETO 10660 1719 16,13
* Anemômetro inoperante por 162 horas; ** Duas horas sem dados; *** Fevereiro bissexto.

Além de alguns meses terem se destacado em horas de sentido Leste, na


predominância do vento, no cômputo geral dos verões, com 10.660 horas úteis,
significativos 16,13% destas, estiveram dentro deste setor. Quando os valores foram
comparados por períodos, os verões de 2002-2003 e 2003-2004 se destacaram mais. O
primeiro, com 2160 horas úteis, teve 414 horas, ou 19,17% registrando no setor Leste.
O segundo, com 2184 horas úteis, registrou 410 horas ou 18,77% de sentido de vento
neste mesmo setor. O período de verão com menor número de ocorrências foi
2001-2002, onde apenas 8,43% ou 182 das 2160 horas úteis, registraram restrições de

237
setor Leste. A Tabela 7.3.1.10 apresentou todos os valores calculados, no acumulado
por período.

Tabela 7.3.1.10: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido


Leste na Predominância do Vento por Períodos de Verão.

VERÕES HORAS
PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2001-2002 2160 182 8,43
2002-2003 2160 414 19,17
2003-2004 2184* 410 18,77
2004-2005 1998** 359 17,97
2005-2006 2158*** 354 16,40
* Conteve fevereiro bissexto; ** Anemômetro inoperante por 162 horas; *** Duas horas sem dados.

Adotou-se a mesma metodologia para os invernos. A Tabela 7.3.1.11 informou


os valores obtidos em que o sentido Leste foi a predominância do vento, para os cinco
períodos de inverno, em número de horas e freqüência relativa.

Os meses de junho tiveram, no cômputo acumulado, maiores registros de sentido


Leste, com destaque para junho de 2003. Contudo, a maior marca da climatologia de
inverno ocorreu no mês de agosto, do período de 2006, com 260 horas ou 34,95% do
total de 744 horas úteis do mês. A marca de menor valor de restrição, de setor Leste,
ocorreu no mês de agosto do inverno de 2005. Na climatologia de inverno, percebeu-se
que a variação de restrição oscilou muito. De todas as ocorrências de predominância de
sentido Leste, 26,67% estiveram abaixo de 10,0% das horas totais de cada mês. Este
mesmo valor também ocorreu para os registros acima de 30,0%. Contudo, o maior
predomínio dos invernos, com 46,67% ficou na faixa de 10,1 a 20,0% incluídos estes
dados (Fig.7.3.1.20A e B). Tais valores podem ser preocupantes, em situações de
emergência, as quais se necessite o uso do helicóptero chileno, por exemplo, em um
acidente grave na EACF, ou no translado de pessoal do aeródromo de Marsh para
Ferraz.

238
Tabela 7.3.1.11: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido
Leste na Predominância do Vento, nos Meses de Inverno, em Todos
os Períodos.

INVERNOS HORAS
MESES PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2002 718* 146 20,33
2003 720 251 34,86
2004 720 104 14,44
JUNHOS
2005 720 184 25,56
2006 720 140 19,44
TODOS 3598 825 22,93
2002 744 74 9,95
2003 744 140 18,82
2004 744 123 16,53
JULHOS
2005 744 135 18,15
2006 744 93 12,50
TODOS 3720 565 15,19
2002 744 44 5,91
2003 744 53 7,12
2004 744 83 11,16
AGOSTOS
2005 744 24 3,23
2006 744 260 34,95
TODOS 3720 464 12,47
INVERNO COMPLETO 11038 1854 16,80
* Duas horas sem dados.

Não se verificou uma variação muito diferente dos verões, quando se comparou
os valores do período. Os meses de junho se destacaram um pouco, mas como casos
isolados. No cômputo geral dos invernos, com 11.038 horas úteis, 16,80% destas
estiveram dentro do setor Leste. Este valor foi muito próximo do obtido na climatologia
de verão. Quando os valores foram comparados por períodos, o inverno de 2006 se
destacou em ocorrências. Das 2208 horas úteis, 493 horas, ou 22,33% registraram
predominância de sentido no setor Leste. O período de inverno, com menor número de
ocorrências, foi 2002, onde 11,97% ou 264 das 2206 horas úteis, registraram restrições

239
de setor Leste. A Tabela 7.3.1.12 apresentou todos os valores calculados, no acumulado
por período.

Tabela 7.3.1.12: Valores Absolutos e Relativos de Horas que Registraram Sentido


Leste na Predominância do Vento por Períodos de Inverno.

INVERNOS HORAS
PERÍODOS TOTAIS Freq. Absoluta (h) Freq. Relativa (%)
2002 2206* 264 11,97
2003 2208 444 20,11
2004 2208 310 14,04
2005 2208 343 15,53
2006 2208 493 22,33
* Duas horas sem dados.

Em uma relação direta com a MET-1, apenas os estudos de trajetórias, muito


específico, poderia quantificar e correlacionar estas informações. O número de casos de
ciclones não pôde determinar uma informação desta natureza, dado o tamanho da área.

O parâmetro meteorológico da umidade relativa do ar também foi estudado


como uma variável independente. Os valores obtidos nesta análise foram interpretados
como possíveis de restrição e não restritivos de fato. O objetivo foi determinar o número
de horas suscetíveis à formação de névoa úmida, dentro da faixa de 80,0% inclusive, até
96,0% ( [80,0––96,0[ ). Além desta, criou-se uma classe para determinar as horas
possíveis de formação de nevoeiro, de 96,0% inclusive, até 98,5% ( [96,0––98,5[ ).
Finalmente, adotou-se uma classe que determinou o número de horas extremamente
próximo da saturação ou saturada, onde os valores foram iguais ou maiores que 98,5%.
Este número limitante para saturação levou em conta que os valores, obtidos da AWS
de Ferraz, tiveram o problema instrumental relatado anteriormente na MET-2.

Por se tratar de uma área insular, dentro da região da Antártida Oceânica, era
esperado que os valores de umidade relativa estivesses sempre muito altos, com
possíveis situações favoráveis de formação de névoa úmida, nevoeiro ou formação de
precipitados, como constatado na MET-2. Com isto, verificou-se que os valores de

240
umidade relativa, nesta climatologia de verão, estiveram na maior parte das horas,
dentro da faixa de umidade de [80,0––96,0[% para todos os meses, em geral, sem
exceções. Também não houve um mês de verão que obtivesse, em mais da metade de
suas horas úteis, valores de umidade relativa mais baixos que 80,0% (Fig.7.3.1.21). A
situação mais favorável, para os verões, foi a formação de névoa úmida na área da
EACF. A situação de nevoeiro foi menos expressiva nos meses de dezembro, com suave
tendência de aumento, do número de horas, para os meses de fevereiro. Para a saturação
total, com possibilidade alta de precipitados ou nevoeiro, os meses de janeiro se
destacaram no número de horas, seguidos dos meses de fevereiro. Apenas quatro meses,
dos 15 desta climatologia de verão, não obtiveram valores próximos da saturação total.
Dois destes ocorreram nos meses de dezembro, dos verões de 2001-2002 e 2005-2006,
onde a temperatura do ar também foi mais fria. O número de horas em que a umidade
relativa esteve abaixo de 80,0% foi bem reduzido. Isto diminuiu a possibilidade de
formação de névoa seca, na área da EACF. Para o acumulado por meses de verão,
notou-se que os valores de horas, com umidade relativa na faixa seca, abaixo de 80,0%
decresceu no acumulado por meses, partindo de dezembros até fevereiros. Houve uma
exceção significativa apenas no verão de 2002-2003, onde janeiro registrou mais horas
secas. O verão de 2003-2004 se diferenciou, mas não significativamente, pois obteve
em janeiro e fevereiro, valores muito próximos. A Tabela 7.3.1.13 informou o número
de horas de umidade relativa abaixo de 80,0%, por períodos de verão e os valores
obtidos por grupo de meses.

Tabela 7.3.1.13: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Umidade


Relativa Abaixo de 80,0%, nos Meses dos Períodos de Verão.

VERÕES MESES
DEZEMBROS JANEIROS FEVEREIROS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2001-2002 114 15,32 49 8,31 11 2,31
2002-2003 56 7,53 114 15,32 68 10,12
2003-2004 114 15,32 69 9,27 78 11,21
2004-2005 129 17,34 81 10,89 36 5,36
2005-2006 211 28,36 118 15,90 52 7,74
TODOS 624 16,77 431 12,09 245 7,69

241
A situação dos meses de inverno foi bem diferente. A baixa temperatura do ar e
a alta umidade, fornecida pelo oceano, mantiveram a umidade relativa constantemente
em valores altos. Novamente, a classe de umidade de [80,0––96,0[% predominou em
todos os meses de inverno, sempre acima de 50,0% do total de horas úteis dos meses
(Fig.7.3.1.22). A segunda maior ocorrência ficou com a classe [96,0––98,5[% em todos
os meses, excetuando junho e agosto de 2004, onde a classe saturante foi maior. Para
esta mesma classe, onde as possibilidades de precipitados e nevoeiro foram altas, o
inverno de 2002 obteve valores de ocorrências muito baixos e os invernos de 2005 e
2006 não obtiveram valor algum, em horas, em todos os seus meses. Verificados os
dados de inverno, percebeu-se que houve alta probabilidade de formação de névoa
úmida e nevoeiro na área de Ferraz. Tal fato sempre foi constatado nos relatos
meteorológicos, principalmente quando o vento sopra, por sobre as geleiras da ilha Rei
George, causando nevoeiro glacial nas imediações da enseada Martel. Para o caso de
valores abaixo de 80,0% de umidade relativa, os invernos obtiveram os menores
índices. A variação entre os acumulados, obtidos por meses dos invernos, foi muito
baixa, não diferindo mais do que 2,7 pontos percentuais. A Tabela 7.3.1.14 informou o
número de horas de umidade relativa abaixo de 80,0%, por períodos de inverno e os
valores obtidos por grupo de meses.

Tabela 7.3.1.14: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Umidade


Relativa Abaixo de 80,0%, nos Meses dos Períodos de Inverno.

INVERNOS MESES
JUNHOS JULHOS AGOSTOS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2002 3 0,42 42 5,65 83 11,16
2003 4 0,56 2 0,27 9 1,21
2004 46 6,39 15 2,02 29 3,90
2005 53 7,36 23 3,09 38 5,11
2006 108 15,00 39 5,24 14 1,88
TODOS 214 5,94 121 3,25 173 4,65

A última variável independente utilizada foi a precipitação acumulada dentro de


uma hora. Adotou-se o valor de 10,0mm de chuva por hora como um valor que pudesse
causar algum impedimento das atividades operacionais e de logística. Contudo, o

242
cômputo de casos foi significativamente escasso, dada a pouca precipitação ocorrida na
área da EACF. Os casos ocorridos foram exceções muito distintas, temporalmente
espaçadas, que não puderam ser consideradas fatores de limitação consistentes. Estes
casos estiveram ligados diretamente com a passagem de ciclones sobre Ferraz.
Concluiu-se, pela avaliação dos dados da MET-2 desta climatologia, que o parâmetro
precipitação, não constituiu um fator rotineiramente limitante, como ocorreu com os
outros parâmetros.

O último parâmetro de limitação das operações, estudado nesta pesquisa, foi a


sensação térmica, também conhecida por windchill13. Por se consistir da avaliação
integrada dos efeitos da temperatura do ar e velocidade dos ventos, considerou-se como
uma variável combinada. O algoritmo utilizado comparou o índice clássico com o novo,
estudo abordado pelo Serviços Meteorológicos do Canadá (Meteorological Services of
Canada – MSC). Desta maneira, dividiu-se os valores de temperatura equivalente de
windchill (Tw) ocorridos de hora em hora, em duas avaliações. A primeira selecionou e
dividiu os valores em duas classes que já são sensíveis aos brasileiros, de forma geral.
Essas classes compreenderam os valores de sensação térmica de zero grau Celsius,
inclusive, até –10,0ºC ( ]–10,0––0,0] ) e valores iguais ou menores que –10,0ºC,
avaliados pelos métodos clássico, de Siple (1945) e o novo, do MSC (2001/2002). Na
segunda etapa, aplicou-se o mesmo método, mas para a emissão dos sinais de AVISO
ou ALERTA, segundo o padrão MSC, seguido mundialmente pelos países de “tradições
frias”. Assim, determinou-se o número de horas que se passaram, em ambas as
condições, e as horas fora de perigo. Os sinais de AVISO compreenderam os valores de
sensação térmica na faixa de temperatura de windchill de –23,3ºC, inclusive, até o valor
de –31,7ºC ( ]–31,7–– –23,3] ). Os sinais de ALERTA foram determinados com
temperatura de windchill iguais ou menores que –31,7ºC.

Para os verões, verificou-se que a sensação térmica, pelo método clássico,


registrou a maior parte dos valores horários dentro da faixa de ]–10,0––0,0]ºC. Esta
mesma classe obteve pelo menos 50,0% do total de horas válidas, em quase todos os
13
Windchill como descrito na metodologia desta pesquisa, visou apenas apresentar referências de valores
de sensação térmica, avaliados na área da Estação Antártica Comandante Ferraz. Os seus respectivos
sinais de AVISO ou ALERTA, para combinações perigosas de valores de temperatura do ar e velocidade
do vento, baseiam-se na perda de calorias do corpo humano, exposto às condições em que a integração
destas duas variáveis meteorológicas, determinam os períodos de rápido congelamento do indivíduo.
Representa-se a variável pelo símbolo Tw.

243
meses dos verões (Fig.7.3.1.23). Os registros de sensação térmica iguais ou abaixo da
temperatura de –10,0ºC foram mais significativos nos meses de dezembro, de maneira
geral e no período de verão de 2001-2002 e, em seguida, do período de 2005-2006. Pelo
método clássico, todos os meses registraram valores na classe mais fria de sensação
térmica. Ao se aplicar o novo método de avaliação da sensação térmica, verificou-se
que a totalidade dos meses registrou mais de 50,0% do total de horas válidas, na classe
da faixa de ]–10,0––0,0]ºC. Em muitos casos, esse valor foi além de 70,0%,
principalmente nos meses de dezembro. Este fato ocorreu pela atenuação dos valores de
sensação térmica, quando se utilizou o novo algoritmo de temperatura equivalente de
windchill, dado o modo como operaram os seus parâmetros de correção. Esta atenuação
ocorre principalmente nos valores de temperatura muito próximos de zero grau Celsius
e velocidades do vento até 15,0m.s-1, exatamente os padrões corriqueiros que ocorreram
na EACF, nos meses de verão desta climatologia.

Foi importante notar que as horas com valores de sensação térmica iguais ou
abaixo de –10,0ºC ocorreram em quatro, dos cinco meses de dezembro, em nenhum mês
de janeiro e em apenas um dos meses de fevereiro. Este foi um fato muito importante,
pois indicou que o perigo por congelamento, durante os períodos de verão, foi
extremamente baixo. Ao se utilizar os parâmetros para a emissão de sinais de AVISO
ou ALERTA, verificou-se que apenas o mês de dezembro, do verão de 2003-2004,
obteve cinco horas dentro da situação de AVISO, ou ]–31,7–– –23,3]ºC, e somente pelo
padrão clássico de Siple. Nenhum outro mês dos verões indicou condições de perigo,
para que se fosse possível emitir algum sinal. Tais fatos garantiram que as melhores
condições externas de trabalho ocorreram nos verões. Além disto, também garantiram
que a sobrevida, em casos de acidentes, poderia ser maior, se o socorro for diligente.

A Tabela 7.3.1.15 informou o número de horas em que a sensação térmica


esteve acima de zero grau Celsius. Os valores foram separados pelo algoritmo clássico e
pelo novo, por períodos de verão e os valores obtidos por grupo de meses.

244
Tabela 7.3.1.15: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Sensação
Térmica Acima de Zero Grau Celsius, Separados pelo Método Clássico,
de Siple e Novo, do MSC, nos Meses dos Períodos de Verão.

VERÕES Tw > 0ºC – MÉTODO CLÁSSICO SIPLE (meses)


DEZEMBROS JANEIROS FEVEREIROS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2001-2002 65 8,74 184 24,73 143 21,28
2002-2003 143 19,22 305 40,99 217 32,29
2003-2004 179 24,06 219 29,44 184 26,44
2004-2005 183 24,60 299 51,37 150 22,32
2005-2006 125 16,80 291 39,22 196 29,17
TODOS 695 18,68 1298 36,50 890 26,30
VERÕES Tw > 0ºC – MÉTODO NOVO MSC (meses)
DEZEMBROS JANEIROS FEVEREIROS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2001-2002 75 10,08 218 29,30 235 34,97
2002-2003 152 20,43 351 47,18 348 51,79
2003-2004 100 13,44 263 35,35 258 37,07
2004-2005 174 23,39 309 53,09 210 31,25
2005-2006 90 12,10 429 57,82 324 48,21
TODOS 591 15,89 1570 44,15 1375 40,63

Foi possível notar, pelos valores obtidos, que o método novo do MSC, de
avaliação da sensação térmica, indicou um maior número de horas com valores
positivos, quando comparado com o método clássico, excetuando-se os meses de
dezembro que foram mais frios. Avaliando os verões por períodos, verificou-se que pelo
método clássico, as horas com Tw positivo foram menores nos meses de dezembro,
crescendo em janeiro e reduzindo em fevereiro. A mesma avaliação, pelo método novo,
indicou mais horas de sensação térmica favorável, no geral, conforme se avançaram os
meses do verão, com ligeira exceção dos períodos de 2004-2005 e 2005-2006. O
período de verão de 2002-2003 foi o que computou mais horas, com valores positivos,
de sensação térmica, pelo método clássico. Das 2160 horas úteis, 665 horas ou 30,79%
estiveram acima de zero grau Celsius. Pelo método novo, o mesmo período registrou
mais ocorrências positivas, com cerca de 851 horas ou 39,40%. O período de verão de

245
2001-2002 foi o que registrou menos horas, com valores positivos, pelo método
clássico. Das 2160 horas úteis, 392 horas ou 18,15% estiveram nesta faixa. O método
novo amainou o valor deste mesmo período de verão, com 528 horas ou 24,44% de
valores positivos de sensação térmica.

Aplicou-se a mesma metodologia para os períodos de inverno. A mudança foi


significativa, tanto em menor número de horas, com sensação térmica acima de zero
grau Celsius, como mais ocorrências na classe de temperatura equivalente de windchill
abaixo de –10,0ºC (Fig.7.3.1.24). Excetuando-se apenas dois meses do inverno de 2005,
todos os outros meses de inverno registraram valores além de 50,0% do total de horas
válidas, com valores de sensação térmica iguais ou menores que –10,0ºC pelo método
clássico. Também foram significativos os casos acima de 70,0%. Pelo método novo, a
diferença ficou apenas com um número ligeiramente maior de casos, na classe de
sensação térmica de ]–10,0––0,0]ºC. Contudo, a classe de valores mais baixos registrou
também valores expressivos, além de 50,0% do total de horas válidas.

A marca mais substancial, obtida pelo método clássico, ocorreu no mês de


junho, do inverno de 2003, onde 569 horas ou 79,03% das 720 horas úteis, estiveram
com a sensação térmica abaixo de –10,0ºC. Pelo método novo, o mês de junho, do
inverno de 2002, foi o mais significativo nesta mesma classe de valores de temperatura
de windchill. Cerca de 540 horas ou 75,21% das 718 horas úteis, estiveram nestas
condições. O mês de julho do inverno de 2006 registrou apenas uma hora com valor de
sensação térmica acima de zero grau Celsius, pelo método novo. O mês de agosto, deste
mesmo inverno, registrou somente duas horas na mesma situação. Nenhum mês dos
invernos deixou de registrar horas de ocorrências, nas classes estipuladas para as
temperaturas de windchill.

A Tabela 7.3.1.16 informou o número de horas em que a sensação térmica


esteve acima de zero grau Celsius, avaliada pelo algoritmo clássico e o novo, por
períodos de inverno e os valores obtidos por grupo de meses.

246
Tabela 7.3.1.16: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Sensação
Térmica Acima de Zero Grau Celsius, Separados pelo Método Clássico,
de Siple e Novo, do MSC, nos Meses dos Períodos de Inverno.

INVERNOS Tw > 0ºC – MÉTODO CLÁSSICO SIPLE (meses)


JUNHOS JULHOS AGOSTOS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2002 32 4,46 205 27,55 82 11,02
2003 47 6,53 64 8,60 45 6,05
2004 118 16,39 48 6,45 44 5,91
2005 341 47,36 222 29,84 217 29,17
2006 54 7,50 23 3,09 82 11,02
TODOS 592 16,45 562 15,11 470 12,63
INVERNOS Tw > 0ºC – MÉTODO NOVO MSC (meses)
JUNHOS JULHOS AGOSTOS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2002 7 0,97 172 23,12 19 2,55
2003 15 2,08 31 4,17 18 2,42
2004 86 11,94 23 3,09 13 1,75
2005 302 41,94 168 22,58 115 15,46
2006 13 1,81 1 0,13 2 0,27
TODOS 423 11,76 395 10,62 167 4,49

Pelo método clássico, verificou-se que os acumulados mensais de junho e julho


não tiveram uma variação significativa, permanecendo em torno de 16,0% do total de
horas úteis, com valores positivos de sensação térmica, excetuando-se seus casos
particulares mensais. Contudo, os meses de agosto foram mais frios. O mesmo se
aplicou para explanar as variações avaliadas pelo método novo porém, a quantidade de
horas com valores positivos decaiu consideravelmente, ao redor de 5,0 pontos
percentuais. Isto ocorreu devido ao novo método ter corrigido as discrepâncias de
aumento de sensação térmica, causado pelo efeito quadrático da velocidade do vento.
Mesmo com muitas calmarias de inverno, a passagem de ciclones na área de Ferraz
causou velocidades de vento mais acentuadas. O método novo considerou estes valores
e quantificou a temperatura de windchill em valores mais baixos. Na avaliação por
períodos, ambos os métodos registraram uma alta de valores positivos de sensação

247
térmica nos meses de julho, para os invernos de 2002 e 2003, e uma tendência de
decréscimo dos valores horários, partindo de junhos até agostos, nos invernos de 2004,
2005 e 2006. O período de inverno de 2005 foi o que computou mais horas com valores
positivos de sensação térmica, pelo método clássico. Das 2208 horas úteis, 780 horas ou
35,53% estiveram acima de zero grau Celsius. Pelo método novo, o mesmo período
registrou mais ocorrências positivas, com cerca de 585 horas ou 26,49%. O período de
inverno de 2003 foi mais frio, pois registrou menos horas com valores positivos, pelo
método clássico. Das 2208 horas úteis, 156 horas ou 7,07% estiveram nesta faixa. Pelo
método novo, este mesmo período de inverno ficou com 64 horas ou 2,90% de valores
positivos de sensação térmica. Contudo, pelas diferenças inerentes aos dois métodos, o
inverno de 2006 obteve 159 horas ou 7,20% das 2208 horas úteis, com valores
positivos, pelo método clássico. Este valor foi muito próximo do inverno de 2003, mas
pelo método novo, este mesmo inverno de 2006 registrou o valor mais baixo de valores
positivos de sensação térmica desta climatologia, com apenas 16 horas ou 0,72% do
total.

Uma vez verificado que os invernos obtiveram, de fato, os valores mais baixos
de sensação térmica, aplicou-se a metodologia de sinais de AVISO ou ALERTA de
valores perigosos de windchill utilizados pelo MSC. Desta vez, todos os meses de
inverno registraram situações em que os sinais puderam ser emitidos (Fig.7.3.1.25). A
importância deste fato indicou que o perigo por congelamento, durante os períodos de
inverno, deve ser levado em consideração nas atividades externas. Ao se utilizar o
método clássico de obtenção do valor de Tw, na emissão de sinais de AVISO ou
ALERTA, verificou-se que todos os meses do inverno registraram horas sob a condição
de AVISO, onde Tw esteve na faixa de ]–31,7–– –23,3]ºC. A maior marca ocorreu no
mês de junho, do inverno de 2003, com 203 horas ou 28,19% das 720 horas úteis. A
menor marca ocorreu no mês de agosto, do inverno de 2005, com 31 horas ou 4,17%
das 744 horas úteis. Ainda sob a óptica do método clássico, a condição de ALERTA,
onde Tw esteve igual ou abaixo de –31,7ºC, ocorreu em todos os meses de inverno,
excetuando-se apenas o mês de junho de 2004, com marca zero. A maior marca sob
condição de ALERTA ocorreu no mês de junho, do inverno de 2002, com 130 horas, ou
18,11% das 718 horas úteis. Este mês, além de ser frio, registrou maiores velocidades de
vento médio que, nesta combinação, contribuiu para maior número de horas nesta
condição. Prosseguindo na avaliação, mas se utilizando o método novo para a obtenção

248
dos valores de sensação térmica, a condição de AVISO, na faixa de ]–31,7–– –23,3]ºC
de valores de Tw, esteve presente em quatro, de cada cinco meses, tanto em junho,
como julho e agosto. A maior marca ocorreu no mês de agosto de 2006, com 136 horas
ou 18,28% das 744 horas úteis, seguida de junho de 2002, com 130 horas ou 18,11%
das 718 horas úteis. A condição de ALERTA, obtida pelo método novo, foi bem mais
seletiva. Apenas dois meses de junho, nos invernos de 2002 e 2005, registraram 15
horas ou 2,09% de seus respectivos totais de horas úteis, com valores de sensação
térmica igual ou abaixo de –31,7ºC. Apenas em dois meses de julho se verificou esta
condição, mas em valores menores de horas. Encerrando os invernos, o mês de agosto
do período de 2006 foi o único que registrou a condição de ALERTA para o grupo de
agostos, com 15 horas ou 2,02% das 744 horas úteis que, segundo a MET-2,
correspondeu a um dos meses mais frios de inverno. Tanto as ocorrências de junho,
quanto a última de agosto, foram as maiores marcas nesta condição. Uma vez que as
condições mais perigosas foram definidas, elaborou-se a Tabela 7.3.1.17 que informou
o número de horas em que a condição windchill, avaliada pelos dois métodos, esteve na
situação NORMAL, por períodos de inverno e os valores obtidos por grupo de meses.

Deve-se atentar para o fato de que os valores considerados, na definição da


condição NORMAL, foram todos aqueles em que a sensação térmica, ou temperatura
equivalente de windchill estiveram acima de –23,3ºC. Este limite padrão é o adotado
pelo MSC, como discutido anteriormente.

Verificou-se que, pelo método clássico, houve uma melhora nas condições,
segundo os acumulados mensais, ou seja, as horas de condição NORMAL apresentaram
tendência crescente, conforme se passaram os meses. Esta mesma situação não foi
observada pelo emprego do método novo, onde o acumulado dos meses de julho foi o
que mais registrou horas em condição NORMAL. Nas avaliações particulares, o mês de
agosto, do inverno de 2005, obteve o maior número de horas sem restrições de perigo,
com 711 horas ou 95,56% das 744 horas úteis, pelo método clássico e o valor total de
100,0% pelo método novo. Ocorrências semelhantes, mas apenas pelo emprego deste
último método, ocorreram no mês de junho, do inverno de 2004, e julho, do inverno de
2006. O mês com menor número de horas foi junho, do período de 2003, com 439 horas
ou 60,97% das 720 horas úteis, pelo emprego do método clássico.

249
Tabela 7.3.1.17: Valores Absolutos e Relativos de Horas com Registro de Condição
NORMAL de Windchill, Separados pelo Método Clássico, de Siple e
Novo, do MSC, nos Meses dos Períodos de Inverno.

INVERNOS Tw > 0ºC – MÉTODO CLÁSSICO SIPLE (meses)


JUNHOS JULHOS AGOSTOS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2002 458 63,79 556 74,73 654 87,90
2003 439 60,97 589 79,17 672 90,32
2004 677 94,03 641 86,16 589 79,17
2005 563 78,19 657 88,31 711 95,56
2006 625 86,81 604 81,18 501 67,34
TODOS 2762 76,76 3047 81,91 3127 84,06
INVERNOS Tw > 0ºC – MÉTODO NOVO MSC (meses)
JUNHOS JULHOS AGOSTOS
PERÍODOS
Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%) Fr.Abs(h) Fr.Rel(%)
2002 576 80,22 693 93,15 738 99,19
2003 670 93,06 688 92,47 725 97,45
2004 720 100,00 731 98,25 700 94,09
2005 653 90,69 718 96,51 744 100,00
2006 676 93,89 744 100,00 593 79,70
TODOS 3295 91,58 3574 96,08 3500 94,09

Na avaliação final, por períodos de inverno, a maior marca ocorreu no inverno


de 2005, com 1931 horas ou 87,45% das 2208 horas úteis. A menor marca ocorreu no
inverno de 2002, com 1668 horas ou 75,61% das 2206 horas úteis, pelo emprego do
método clássico. Sob a óptica do método novo, a maior marca de horas de condição
NORMAL ocorreu no inverno de 2004, com 2151 horas ou 97,42% das 2208 horas
úteis. A menor marca ocorreu no inverno de 2002, com 2007 horas ou 90,98% das 2206
horas úteis.

Estas informações, adicionadas com as estatísticas discutidas na MET-2, foram


utilizadas para a escolha de casos interessantes, voltando ao banco de imagens da
MET-1.

250
7.3.2 – Casos de Ciclones e as Variáveis Meteorológicas Extremadas:

Esta etapa seguinte da MET-3 discutiu, sucintamente, os ciclones que se


destacaram pela sua atuação no comportamento extremado das variáveis
meteorológicas, observado anteriormente, na primeira etapa da MET-3 e no trabalho da
MET-2. Estabeleceu-se um padrão para a apresentação de casos através das variáveis
meteorológicas. Os parâmetros extremados escolhidos foram: pressão atmosférica
mínima e média, em superfície, com valores baixos; temperatura do ar mínima com
valor baixo; alta umidade relativa, com amplitude diária de valor baixo; alto valor de
precipitação acumulada em 24 horas; velocidade do vento médio elevada; maiores
rajadas; e particular e indiretamente ligado aos ciclones, o maior registro de horas de
calmaria horária e/ou diária. Para o caso do vento médio e/ou rajadas máximas, ambos
com valores mais elevados, incluiu-se dois casos em que o escoamento básico de Oeste
foi o valor mais alto da série temporal, ou seja, sem a presença de ciclones sobre a
EACF diretamente.

Os casos selecionados serviram para exemplificar que a disposição espacial dos


ciclones, na área de controle, pode interferir nos parâmetros meteorológicos de distintas
maneiras. O panorama sinóptico destes exemplos foi descrito com quatro imagens de
satélite, quando possível, ou múltiplos deste. Escolheu-se as mais relevantes, ao fato e
momento, onde a variável meteorológica, em questão, estava no seu máximo ou
mínimo.

Os primeiros exemplos abordaram a pressão atmosférica em superfície.


Escolheu-se um caso de ciclone de menor valor barométrico médio e/ou mínimo,
ocorrido nos verões, como o candidato. O mesmo procedimento foi adotado para os
invernos, com dois casos escolhidos, sendo que, em um deles, houve a atuação em
conjunto de dois ciclones.

Iniciando os estudos resumidos dos casos, o ciclone de menor valor barométrico


mínimo dos verões ocorreu em 22 de dezembro, do verão 2001-2002, com 959,4mb
(Fig.7.3.2.1A a D). Sua aproximação ocorreu pelo setor Noroeste, em relação à EACF,
em fase dissipativa, quando próximo do menor valor de pressão atmosférica. Seu rápido
deslocamento, pela área de controle, conduziu-o para sobre o mar de Weddell. Este caso

251
de verão foi o mais singelo, pois não haviam outros sistemas operando na área. Para os
dois casos de inverno, o primeiro ocorreu em 29 de julho, do inverno de 2004, com
945,9mb (Fig.7.3.2.2A a D). A situação consistiu da atuação de um mesociclone, em
fase madura, que evoluía para sinóptico, proveniente do setor Noroeste. A passagem do
centro de baixa pressão coincidiu exatamente com a posição da EACF, registrando,
neste momento, o menor valor. Seu deslocamento final foi em direção ao mar de
Weddell, em fase de decaimento. O segundo caso de inverno consistiu da atuação de
dois ciclones, ocorridos em 10 e 11 de agosto, do inverno de 2005, com passagens
simultâneas sobre Ferraz (Fig.7.3.2.3A a D). O primeiro ciclone, de porte sinóptico, em
fase de decaimento, registrou um centro de baixa pressão sobre a EACF, com 955,9mb.
Conforme se deslocava para Leste, um mesociclone, em fase madura, com 955,4mb
alcançou Ferraz no dia seguinte

Os próximos casos foram determinados pelo parâmetro de temperatura mínima.


Escolheu-se dois casos mais significativos dos verões e invernos. Para os verões, a
menor temperatura registrada ocorreu no dia 06 de dezembro, do verão de 2003-2004,
com –7,4ºC (Fig.7.3.2.4A a D). O quadro sinóptico consistiu de dois ciclones
semi-estacionários na área de controle. O primeiro, próximo de Ferraz, à Noroeste,
determinou o fluxo do escoamento de ar frio sobre a EACF, com sentido Leste. Este
escoamento foi proveniente do mar de Weddell, onde o segundo ciclone, em fase de
decaimento, auxiliava na circulação. Tal configuração de ciclones poderia contestar as
teorias do Jato Frio Inercial, à Leste da península, que assume uma forçante apenas
catabática do vento, aliada com um desvio intenso de Coriolis para Oeste, no extremo
da costa Norte da península Antártica (SCHWERDTFEGER, 1984). O ar originado em
Weddell tem temperaturas muito frias que fizeram os valores dos termômetros caírem,
na área da ilha Rei George, quando a circulação combinada de ciclones foi favorável.
No segundo caso de verão, ocorrido no dia 7 de dezembro, do verão de 2005-2006, com
temperatura mínima do ar em –6,7ºC, um ciclone sinóptico distante, com mesociclones
embutidos, à Nordeste da EACF, forçou uma intensa advecção fria, proveniente da
península Antártica. (Fig.7.3.2.5A a D). Em determinado momento, um dos
mesociclones evoluiu para sinóptico e se dirigiu para o mar de Weddell, onde
permaneceu em fase de decaimento. Neste tempo, o ciclone original, em decaimento na
latitude das ilhas Malvinas, sustentou a forte advecção fria. A configuração dos dois
sistemas manteve as temperaturas baixas no período. A repetência desta configuração de

252
ciclone, no setor Nordeste, em geral, foi notadamente a mais responsável pelas situações
em que o ar frio alcançou o Sul da América do Sul. Quanto aos valores baixos de
temperatura em Ferraz, pelas avaliações realizadas entre a MET-1 e MET-2, estes
ocorreram com a presença de ventos do setor Sul, originados por condições ciclônicas,
principalmente na retaguarda dos sistemas.

Ambos os casos de menor temperatura do ar, durante os invernos, aconteceram


em situações análogas às dos verões, com ciclone sinóptico no setor Nordeste, diferindo
apenas pela ausência de um ciclone auxiliar sobre o mar de Weddell. O primeiro caso,
ocorreu no dia 2 de julho, do inverno de 2005, com –23,1ºC de temperatura mínima do
ar (Fig.7.3.2.6A a D). Um grande ciclone sinóptico, à Nordeste da EACF, forçou intensa
advecção fria de ar originado do interior da península Antártica. Esta advecção fria
permaneceu durante toda a fase de decaimento do ciclone, na latitude de 55ºS, próximo
da ilha Geórgia do Sul. O segundo caso ocorreu no dia 25 de agosto, do inverno de
2006, com a temperatura mínima do ar em –22,0ºC (Fig.7.3.2.7A a D). A situação foi
idêntica ao caso anterior, porém o ciclone permaneceu em fase de decaimento em
latitudes bem mais baixas, próximas de 50ºS. O quadro de advecção fria, proveniente da
península Antártica, só foi amainado com a chegada de um novo ciclone sinóptico pelo
setor Sudoeste.

Os casos seguintes foram determinados pelos altos valores de umidade relativa e


sua amplitude mínima durante o dia. Foram casos em que a probabilidade de névoa
úmida ou nevoeiro foram altas, incluindo precipitação. Para os verões, escolheu-se dois
casos. O primeiro, com valor de amplitude diária de 1,1 ponto percentual e umidade
relativa próxima de 100,0% ocorreu no dia 26 de fevereiro, do verão de 2002-2003
(Fig.7.3.2.8A a D). O quadro foi definido pela presença de dois ciclones concatenados,
onde o setor da retaguarda de um estava ligado ao setor de vanguarda de outro. O
primeiro ciclone estava à Nordeste de Ferraz, enquanto que o segundo, à Sudoeste. Uma
grande cobertura nebulosa, na ligação entre os dois, estendeu-se por toda a península. A
permanência desta cobertura de nuvens sobre a EACF, determinou uma área com
índices de UR ≅ 100,0%, como verificado pelos dados. O segundo caso ocorreu em uma
situação mais amena, onde a temperatura do ar se apresentou mais baixa. Isto facilitou o
alcance de valores de umidade relativa próximos de 100,0%. O fato ocorreu no dia 7 de
dezembro, do verão de 2003-2004, com amplitude de apenas 0,1 ponto percentual

253
(Fig.7.3.2.9A a D). Nesta ocorrência, um pequeno ciclone semi-estacionário, sobre o
estreito de Drake, ao Norte, bem próximo da EACF, manteve o seu setor de
nebulosidade sobre a ilha Rei George. A circulação favoreceu a formação de fraca
advecção fria, mas com a alimentação de umidade proveniente do setor de vanguarda do
ciclone. Esta configuração manteve a umidade relativa alta.

Para os invernos, os dois casos escolhidos foram semelhantes na sua


configuração. Em ambos, houve a presença de um ciclone sinóptico no setor Nordeste,
mas distante da EACF, em latitudes mais baixas. O primeiro caso persistiu durante
aproximadamente três dias, entre 26 a 28 de agosto, do inverno de 2004, com amplitude
de apenas 0,1p.p. (Fig.7.3.2.10A a D). A retaguarda do sistema ciclônico envolvido,
baixou a temperatura do ar que estava carregado de umidade proveniente dos mares
antárticos. A conseqüência desta configuração foi demonstrada por registros de
saturação, ou valores muito próximos disto. Para o segundo caso, a situação foi análoga,
mas com maior provento de umidade. Isto ocorreu na vanguarda de um ciclone
sinóptico que se aproximava pelo setor Sudoeste (Fig.7.3.2.11A a D). O caso ocorreu
nos dias 14 e 15 de agosto, do inverno de 2006, com amplitude de valor zero e umidade
relativa próxima de 100,0%.

Também foram escolhidos dois casos, tanto para os verões como para os
invernos, onde se verificou os maiores valores de precipitação acumulada diária. Para os
verões, o primeiro caso ocorreu no dia 12 de fevereiro, do período de 2004-2005, com
34,6mm.d-1 (Fig.7.3.2.12A a D). A situação sinóptica envolveu dois ciclones, um ao Sul
e outro à Noroeste, que formaram uma confluência de advecção quente e úmida sobre a
EACF. Este fato causou o alto valor de precipitação registrado no dia. Com o passar das
horas, o ciclone ao Sul se deslocou para o mar de Weddell, encerrando a configuração
de confluência. O segundo caso de verão ocorreu no dia 15 de fevereiro, do período de
2002-2003, com 26,3mm.d-1 (Fig.7.3.2.13A a D). Nesta situação, um grande ciclone
sinóptico, à Oeste da EACF, provocou forte advecção quente e úmida na sua região de
vanguarda. Isto permitiu a formação de uma área de precipitação intensa sobre a ilha
Rei George. A configuração permaneceu, mesmo com o deslocamento do ciclone para
Sudoeste.

254
Para os invernos, o primeiro caso ocorreu no dia 20 de agosto, do período de
2004, com 15,7mm.d-1 (Fig.7.3.2.14A a D). O quadro sinóptico foi muito semelhante ao
último caso de verão. Um ciclone sinóptico, à Oeste da EACF, provocou a advecção
quente e úmida, originada de toda a área do estreito de Drake. A saturação causou a
precipitação sobre a península Antártica. A situação permaneceu, mesmo com menor
intensidade, após o deslocamento do ciclone para o setor Sul. Já o segundo caso,
ocorrido no dia 9 de agosto, do inverno de 2003, registrou a maior marca de ambas as
climatologias, com 60,1mm.d-1 (Fig.7.3.2.15A a D). A situação envolveu um grande
ciclone, em decaimento tipo Dx, sobre a península Antártica e estreito de Drake,
combinado com outro ciclone, à Noroeste da EACF. Houve uma intensa advecção
quente e úmida por esta fusão, causando precipitação considerável sobre Ferraz. A
situação permaneceu durante a aproximação do ciclone pelo setor Noroeste.

Os casos seguintes foram escolhidos pelo maior valor do vento médio, mas
aliados ou não à presença de ciclones. Com isto, para os verões, escolheu-se o dia 19 de
fevereiro, do período de 2004-2005, com 13,5m.s-1 de vento médio, mas sem a presença
de ciclone diretamente sobre Ferraz (Fig.7.3.2.16A a D). A configuração consistiu em
um dos raros casos de ausência de ciclones na área de estudo, com fortes ventos de
Oeste, que seguiram a circulação básica da latitude de 60ºS. O segundo caso ocorreu no
dia 11 de fevereiro, do verão de 2001-2002, com 14,5m.s-1 (Fig.7.3.2.17A a D). Neste
exemplo, um ciclone se aproximou por Noroeste, sobre a península Antártica. No seu
núcleo, as advecções fria e quente foram intensas e ocorreram com muita proximidade.
Isto fomentou uma forte baroclinia que intensificou o vento, no setor de vanguarda do
ciclone. Este caso permaneceu praticamente longitudinal, por vários graus de latitude e
recebeu a alcunha de “Caso Represa”. Estas configurações, em forma de represa,
transferiram os intensos gradientes de temperatura da posição zonal para a meridional e
fomentaram fortes baroclinias, intensificando os ciclones.

Os invernos também registraram casos de altos valores de vento médio, tanto


com ciclones, como sem eles. O primeiro caso ocorreu no dia 19 de junho, do inverno
de 2003, com 20,4m.s-1 (Fig.7.3.2.18A a D). A situação envolveu um conjunto de
mesociclones dispersos. Alguns destes estiveram embutidos em um ciclone sinóptico,
em decaimento Dy, semi-estacionário à Noroeste de Ferraz. Embora os mesociclones
tenham se mantido na área, a circulação predominou pelo ciclone maior, com forte

255
vento de Nordeste, sobre a EACF, nas primeiras horas do dia. O segundo caso ocorreu
no dia 3 de agosto, do inverno de 2003, com 20,9m.s-1 (Fig.7.3.2.19A a D). Comportou
dois ciclones nos setores Noroeste e Nordeste, mas muito distantes da EACF. Isto não
permitiu que suas respectivas circulações interferissem no escoamento básico de Oeste,
o qual permaneceu intenso, até a chegada do ciclone pelo setor Noroeste.

Para os casos de rajadas, escolheu-se uma ocorrência de cada estação sazonal


que apresentassem maiores valores, motivados por ciclones. Uma das maiores rajadas
de verão ocorreu no dia 8 de dezembro, do período de 2001-2002, com velocidade de
41,2m.s-1 (Fig.7.3.2.20A a D). A situação sinóptica aparentou a forma de caso represa
novamente. Um ciclone no setor Sudoeste, sobre a península Antártica, causou intensas
advecções fria e quente. A mesma proximidade destas advecções formou forte
baroclinia que intensificou o vento. A situação só foi amenizada com o deslocamento do
sistema para o mar de Weddell. No caso dos invernos, a maior rajada ocorreu no dia 28
de julho, do período de 2004, com 46,2m.s-1 (Fig.7.3.2.21A a D). A situação levantou
certo interesse e confirmou as afirmações feitas anteriormente nesta pesquisa, onde o
tamanho do ciclone pode ocultar a sua verdadeira força. O caso envolveu um
mesociclone no setor Oeste, em relação à EACF, com intensas advecções fria e quente.
Contudo, a proximidade espacial das advecções formou uma forte baroclinia que
intensificou o vento. Curiosamente, os ventos mais velozes estavam na interface
superior da oclusão do ciclone com o ar frio, proveniente de sua retaguarda. A maior
velocidade registrada foi do setor Oeste.

Finalmente, escolheu-se os casos de maior registro de calmaria horária e/ou


diária para se verificar a configuração sinóptica da área de estudo. Para os verões,
escolheu-se o caso do dia 25 de fevereiro, do período de 2004-2005, com 16 horas de
ventos calmos (Fig.7.3.2.22A a D). A configuração comportou uma certa calmaria na
área de estudo, com dois mesociclones muito próximos, no setor Norte e Nordeste, em
relação à EACF. Tal distribuição espacial fez com que a circulação de um deles
anulasse a atuação do mais próximo de Ferraz. A combinação dos ventos fracos e a
ausência de outros sistemas nas proximidades, permitiu a formação de uma região
momentânea de colo sobre a ilha Rei George. Após algumas horas, a aproximação de
um ciclone praticamente dissipado, pelo setor Sudoeste, determinou o retorno dos
ventos de Nordeste. Para os invernos, as situações de calmaria foram mais prolongadas,

256
como demonstrou a MET-2. Na maioria dos casos, houve a presença de situações de
bloqueio antártico ou geração de centros de alta pressão. O primeiro caso de maior
calmaria ocorreu na seqüência de dias entre 19 a 21 de junho, do inverno de 2005, com
99 horas seguidas (Fig.7.3.2.23A a D). O quadro sinóptico apresentou dois ciclones
distantes, locados no setor Nordeste, que não influenciaram na circulação. Além disto, a
alta pressão atmosférica, registrada na EACF, anulou a circulação de Oeste. Isto ocorre
com mais freqüência nos invernos pelo fato da Trilha das Depressões se deslocar para o
Norte, durante esta estação. A permanência da situação sinóptica perdurou até o
enfraquecimento do centro de alta pressão atmosférica. O último caso estudado, não
diferiu muito na configuração. Ocorreu em uma distribuição temporal de quase sete
dias, com paralisação total em quatro deles, de 26 a 29 de julho, do inverno de 2002. O
cômputo geral foi de 165 horas de calmaria (Fig.7.3.2.24A a D). A configuração
envolveu um ciclone ao Norte da EACF, cuja circulação da advecção fria foi
neutralizada pela advecção quente de um outro grande ciclone sinóptico, à Sudoeste. O
quadro favoreceu a formação de bloqueio, com uma região de alta pressão sobre a área
da ilha Rei George. O centro de alta permaneceu estacionário, conseguindo bloquear o
tráfego de ciclones e a circulação básica de Oeste por muitos dias.

7.3.3 – Casos de Ciclones Avaliados pelos Formatos Físicos ou Comportamentais:

Nesta etapa da MET-3, abriu-se espaço para discussões sucintas de ciclones que
se diferenciaram pela sua aparência física ou comportamental. Os registros gerais, na
íntegra, foram realizados nas próprias tabelas que compuseram o Catálogo
Climatológico de Ciclones, elaborado pelas observações da MET-1. Os ciclones de
maior curiosidade geral foram descritos, nesta etapa, e utilizados como exemplos.
Alguns receberam alcunhas que categorizaram o modo de formação de uma classe
inteira de ciclones, como por exemplo, os “Ciclones Galáxia”. O objetivo foi
demonstrar o quanto a área de estudo é dinâmica e como o seu comportamento
influenciou nas atividades de transformação de energia térmica, proveniente das baixas
latitudes, em energia cinética, intensificando os ventos, tanto de superfície, quanto de
altitude, principalmente a corrente de jato polar que circula por todo o continente
antártico. Também serviu como uma demonstração de que a área circumpolar desafia os
olhares analíticos ortodoxos, pois apresentou configurações não triviais dos sistemas
meteorológicos. Estas características devem ser consideradas e difundidas na formação

257
de novos recursos humanos em Meteorologia e Climatologia Antártica, tanto no
emprego como instrução.

Com esta visão, o primeiro caso demonstrou o surgimento de um ciclone pelo


rompimento da banda nebulosa de outro ciclone maior (Fig.7.3.3.1A a D). Um sistema
sinóptico percorria a área do estreito de Drake, quando a sua banda nebulosa ainda
atravessava o final da América do Sul. A influência do continente pode ter gerado um
atraso na onda do ciclone, formando uma leve região de baixa pressão que já estava na
proeminência de ocorrer. O núcleo do ciclone original certamente possuía uma área de
baixa pressão muito intensa que conseguiu se manter. Enquanto isto, pequenos centros
de baixa pressão se formaram, gerando os novos ciclones menos intensos. O regime
local de circulação dos ventos seguiu os novos ciclones porém, ambos passaram a
orbitar o antigo centro de baixa pressão, mais intenso, girando ao seu redor. Como era
de se esperar, o ciclone que se manteve com a teórica advecção quente, sendo
alimentada do ar proveniente do Sul, perdeu sua intensidade, simplesmente porque esta
deixou de ser quente. Foi interessante observar a nebulosidade no corredor, formado
entre os dois centros de baixa pressão dos novos ciclones. Em um primeiro instante, a
velocidade do vento pôde ser estimada em próxima de zero, devido ao encontro dos dois
vetores de ventos neste setor, contudo, depois de um período, prevaleceu o de maior
valor, conforme um ciclone adquiriu força e o outro se amainou.

O segundo caso demonstrou outra situação corriqueira no estreito de Drake.


Tratou-se do alinhamento de ciclones ou mesociclones em forma de “Dente de Serra”
quando três ou mais sistemas se tornaram ligados, de maneira que o final da banda
nebulosa de um, coincide com o centro de baixa pressão do outro. Esta formação ocorre
em certo alinhamento que, descontando a navegação da imagem, na realidade indicaria
uma curvatura contrária aos centros de baixa pressão, indicando que os sistemas não
pertenceram a um centro comum (Fig.7.3.3.2A a D). O caso chamou a atenção por estar
paralelo à latitude do estreito de Drake, fechando toda a passagem. Provavelmente os
ciclones estiveram envolvidos em uma onda transiente de alta freqüência que se formou
naquele setor. O motivo desta formação pode ser tanto pela influência do Sul da
América do Sul e Norte da península Antártica, como a sobreposição de ondas
baroclínicas nesta passagem. Também não pode ser descartado, para o caso em questão,

258
de ambas as ocorrências simultâneas. O desfecho do caso foi verificado quando houve
falta de provimento energético, do setor quente, nos mesociclones de vante e retaguarda.

Os casos mais interessantes, verificados na MET-1, foram os sistemas aqui


batizados como “Ciclones Galáxia”. Ocorreram por decaimento de sistemas ciclônicos
sinópticos cujo tamanho e vorticidade foram acentuados. Além disto, a fase de
decaimento Dy permitiu que uma grande quantidade de energia térmica estivesse
disponível. Com isto, houve a formação de ciclones menores, normalmente
mesociclones. Curiosamente, estes sistemas adquiriram dois tipos de movimento. O giro
local dos próprios ciclones, como um movimento de rotação (spin) aliado ao giro de
transição, ou seja, circulação ao redor do núcleo do sistema ciclônico original. Um dos
casos mais didáticos, para a exemplificação, ocorreu entre 13 a 15 de dezembro, do
verão de 2004-2005 (Fig.7.3.3.3A a H). No primeiro dia, um ciclone sinóptico, em
decaimento, alcançou a área de estudo pelo setor Oeste. Durante esta fase, três centros
de baixa pressão se formaram, com nebulosidade característica da fase A. Um dia
depois houve o amadurecimento de dois destes mesociclones. O terceiro demorou mais
tempo para atingir esta fase. Contudo, o centro do ciclone original permaneceu como
um ponto rotor destes novos ciclones. Curiosamente, formou-se uma área central, onde
a nebulosidade se apresentou em forma de triângulo, concentrando a umidade pelo
encontro dos vetores de vento de cada mesociclone. Esta convergência pode ter gerado
movimentos ascendentes que também auxiliaram na formação da nebulosidade. Ao
término, houve a evolução de um dos mesociclones para escala superior.

Outro caso interessante foi o surgimento de um mesociclone no interior de um


sistema sinóptico (Fig.7.3.3.4A a D). Neste exemplo, o setor quente do mesociclone
forçou uma circulação que rompeu a nebulosidade do ciclone maior, cuja intensidade
estava se reduzindo. Após este instante, o pequeno sistema perdeu sua força de atuação
e se desintegrou, enquanto o centro do ciclone original ainda permanecia ativo, em fase
de decaimento Dy. A banda nebulosa remanescente, próxima da península, gerou um
centro de baixa pressão que fomentou a formação de novo sistema. Estas características
foram muito repetitivas na área de estudo.

O próximo caso demonstrou uma formação nada ortodoxa, quando envolveu um


ciclone sinóptico no setor Nordeste da área de controle, típico dos que influenciam o Sul

259
do Brasil. A circulação deste sistema deslocou um ciclone menor que se formava nas
altas latitudes, portanto mais frio. Contudo, este mesociclone se apresentou com uma
configuração de nebulosidade voltada para o setor Oeste. Ao se aproximar do ciclone
grande, a circulação do setor quente do mesociclone, iniciou um processo de
desintegração do ciclone sinóptico, pois lhe cortou a fonte primária de energia
(Fig.7.3.3.5A a D). O processo atingiu um estado mais crítico no dia seguinte, quando
os dois ciclones ficaram em paralelo, na mesma latitude (Fig.7.3.3.5E a H). Neste
momento, o mesociclone evoluiu para a sua fase de maturidade C. A circulação inferior,
mais aquecida do ciclone sinóptico, em decaimento e abandonando a área de controle,
foi forçada para um fluxo frio, na retaguarda do ciclone que se originou das latitudes
mais altas. Isto causou a formação de uma zona baroclínica intensa que, em poucas
horas, fomentou um novo mesociclone (Fig.7.3.3.5I a M). Após a saída da área de
controle do que ainda restou do ciclone sinóptico inicial, os ciclones remanescentes se
mantiveram em transição, ao redor de um centro comum, semelhante ao movimento dos
Ciclones Galáxia.

O caso seguinte reportou a formação de sistemas ciclônicos que foram


denominados do tipo “Siameses”, pois ambos eram ligados pelo mesmo fluxo de
advecção quente, que por sua vez, serviu para a alimentar a baroclinia dos dois sistemas
(Fig.7.3.3.6A a D). Neste caso, a influência ocorreu por efeito das altas montanhas,
pertencentes à ilha Geórgia do Sul (54º30’S 37º27’W área de 3.755km2). Dentro da
pesquisa realizada na MET-1 e MET-3, verificou-se diversos casos em que a influência
de suas cordilheiras de montanhas, com média de 1.828 metros (monte Paget 2934m)
formou baroclinia acentuada, à sotavento, causada por forte escoamento do vento. Em
outros, a pequena cordilheira auxiliou no desmembramento de sistemas ciclônicos
maiores. Neste caso específico, houve a formação do sistema Siamês, onde o fluxo de
advecção quente, de ambos os ciclones, seguiu o mesmo sentido. Passado um certo
tempo, o centro de baixa pressão atmosférica interno se tornou mais intenso, cortando o
fluxo para o ciclone mais afastado, antecipando seu decaimento.

O primeiro caso de inverno demonstrou a forma diferenciada de um ciclone


sinóptico, no setor Nordeste (Fig.7.3.3.7A a D). Estes sistemas foram os maiores
responsáveis pela chegada de ar mais frio ao Sul da América do Sul. Neste caso, a
advecção fria, na retaguarda do ciclone, foi tão intensa que conseguiu canalizar a

260
oclusão do ciclone. A presença da corrente de jato, muito próxima do centro de baixa
pressão, atribuiu ao sistema uma forma atípica de triângulo esférico que, descontada a
navegação da imagem, permaneceu por algumas horas.

O segundo caso de inverno demonstrou o rápido avanço, em ganho de valores de


latitude, de um ciclone sinóptico de proporções gigantescas (Fig.7.3.3.8A a D). O
deslocamento se iniciou no setor Noroeste e depois de certo tempo, o centro de baixa
pressão surgiu no setor Oeste, da área de controle. Cerca de 12 horas depois, o ciclone
sinóptico se agigantou, chegando a demarcar cerca de 30º de latitude com a sua banda
nebulosa, constituída de frente na parte mais superior. No terceiro dia, o ciclone, em
fraca fase de decaimento, sobre o mar de Bellingshausen, cobriu toda a área de controle.
Este percurso foi um dos mais comuns, como visto nas discussões da MET-1,
categorizando a área de Bellingshausen, definitivamente como o “Cemitério das
Baixas”.

O próximo caso demonstrou formações nada ortodoxas das bandas nebulosas,


causadas por um ciclone sinóptico no setor Sudoeste, em decaimento à margem da área
de controle, acrescida de um mesociclone no mesmo setor (Fig.7.3.3.9A a D). Os ventos
na EACF no dia 5 de agosto, do inverno de 2002, sopraram em um sentido diferente a
cada hora, devido à posição de um terceiro ciclone sinóptico, em decaimento, no setor
Nordeste. Praticamente todos os setores de vento foram cobertos em Ferraz, mas a
predominância do dia foi de Oeste, além de serem os mais fortes, foram causados pelo
novo centro de baixa pressão, muito próximo da EACF. A configuração da
nebulosidade aparentou a formação de um sistema invertido, para o hemisfério Sul,
devido à forte advecção fria do sistema remanescente no setor Nordeste. Este, conseguiu
reduzir a advecção quente do novo sistema que surgiu à Oeste, além de influenciar em
sua menor nebulosidade.

O caso de inverno seguinte apresentou um quadro de diversos ciclones e


mesociclones, atuando em conjunto na área de controle (Fig.7.3.3.10A a D). Duas
formações foram muito interessantes. A primeira demonstrou um alinhamento de
ciclones e mesociclones na configuração de Dente de Serra, em um corte de Sudoeste a
Nordeste, atravessando o estreito de Drake. Esta disposição indicou uma profunda
advecção quente que sustentou a oclusão dos sistemas, até altas latitudes. A segunda

261
formação ocorreu com a presença de um intenso mesociclone, em latitudes mais baixas,
que se aproximou da parte superior do alinhamento de ciclones (Fig.7.3.3.10E a H). A
dado momento, verificou-se a formação de nebulosidade em forma de estrela triangular,
com cada ciclone determinando a condição do sentido dos ventos. A profunda advecção
quente, em um dia de inverno como este, foi um exemplo típico de casos em que se
proliferaram a formação de meso e mini-ciclones por toda a área. Isto demonstrou que a
energia disponível ainda era suficientemente grande para a formação de pequenas
oclusões, com formação de vórtices menores, conhecidos por eddies14. Estes núcleos, de
escala inferior, podem ser considerados os remanescentes de energia dos grandes
sistemas. Os casos não foram raros no setor da Antártida Oceânica.

Em outro caso, verificou-se o surgimento de dois mesociclones siameses,


embutidos no núcleo de um ciclone sinóptico (Fig.7.3.3.11A a D). Este caso
demonstrou que os ciclones siameses foram opostos pelo setor quente. A advecção
quente teve que servir à ambos os sistemas e foi fomentada pelo ciclone sinóptico.
Contudo, com o passar das horas, o setor quente, de um dos mesociclones, interrompeu
o fluxo quente do núcleo do grande sistema, causando a sua ruptura e decaimento.
Ciclones do estilo Siamês, opostos pelo setor quente, foram mais raros e sempre de
porte médio ou inferior a este.

O caso seguinte foi escolhido por ser um exemplo didático da conexão entre os
altos e baixos níveis (Fig.7.3.3.12A a D). No exemplo, verificou-se uma configuração
extremada da corrente de jato polar, com formação em “V” (letra vê) que acompanhou o
setor de vante de um mesociclone. Foi possível observar a nebulosidade Cirrus formada
na corrente de jato, com distinção da nebulosidade baixa e fechada do ciclone.
Conforme o tempo passou, a configuração contribuiu para o aumento de vorticidade do
sistema, acarretando seu crescimento e mudança de escala. Ao mesmo tempo, a energia
térmica foi transformada em cinética, intensificando a corrente de jato. Com uma
troposfera mais baixa, esses efeitos repercutiram em níveis próximos da superfície,
aumentando a advecção quente, que por sua vez, intensifica mais o ciclone. O
deslocamento para o Sul fez com que o sistema encontrasse uma barreira orográfica, os
Antartandes da península Antártica (Fig.7.3.3.12E a H). Desta maneira, um efeito físico
14
Eddies é um termo dado aos pequenos vórtices de nuvens que se formam no setor frio, como se cada
um deles indicasse uma pequena oclusão ciclônica. Em muitas pesquisas que se combinaram as teorias da
Matemática e Meteorologia, os pequenos vórtices foram tratados tanto pela teoria do Caos, quanto pela
teoria dos Fractais.

262
de corte e bloqueio, em uma troposfera mais baixa, foi um eficiente atenuador de
deslocamento. Porém, uma grande quantidade de energia térmica poderia estar
disponível para conversão e ficou contida para ser dissipada por outros processos,
inclusive aquecendo a área do mar de Bellingshausen.

A configuração apresentada pela corrente de jato, no caso anterior, não foi de


rara ocorrência, pois se observou, durante esta pesquisa que a mesma se apresentou em
ângulos de 90º, com cortes longitudinais e até na mais estranha forma triangular. O caso
seguinte demonstrou outra dessas ocorrências, com três sistemas sinópticos atuando na
área de controle, sendo que dois deles eram gigantes (Fig.7.3.3.13A a D). O setor de
vanguarda do ciclone posicionado à Oeste da EACF, provocou forte advecção quente
sobre a península Antártica, com ventos de Norte. A transformação de energia térmica
em cinética deste sistema, intensificou a corrente de jato que adquiriu novamente uma
configuração longitudinal, fomentando a formação de novo ciclone, tempo depois, no
seu vértice de 90º.

O último caso apresentado na MET-3 demonstrou uma ocorrência de Ciclone


Galáxia no inverno, com diversos mesociclones, mini-ciclones e eddies espalhados pelo
mar de Bellingshausen (Fig.7.3.3.14A a D). O giro de transição dos sistemas ocorreu
bem lentamente, mas a disposição indicou um centro de manobra. Além disto, houve a
presença de Ciclones Siameses, opostos pelo setor de advecção quente, que estiveram
contidos dentro do sistema estudado. Após 24 horas, o sistema perdeu consistência e
alguns de seus integrantes perpetuaram seus próprios ciclos evolutivos. Houve destaque
para um mini-ciclone, ainda derivado de um eddy que evoluiu para um sistema de meso-
escala (Fig.7.3.3.14E a H).

Encerrando a MET-3, verificou-se alguns longos períodos de ocorrências de


baixa coesão dos sistemas ciclônicos, onde a área de controle demonstrava a chegada ou
o surgimento de sistemas com nebulosidade esparsa. Os casos ocorreram nos dois
períodos sazonais. A impressão dada ao observador foi de que os sistemas possuíam
fraca evolução. Foram descritos pela alcunha de períodos de “desmonta ciclone”. Esta
provável fase deve estar baseada em baixa baroclinia na área de controle. Os períodos
foram relatados nas tabelas do Catálogo Climatológico de Ciclones

263
CONCLUSÕES
8. CONCLUSÕES

A pesquisa concluída avaliou as ocorrências ciclônicas e seus efeitos


climatológicos na península Antártica, estreito de Drake e áreas adjacentes através de
três metodologias de trabalho que abordaram procedimentos específicos. Apresentou-se
na MET-1, uma vasta análise do produto gerado pela observação e varredura das
imagens de satélites e suas diversas classificações ciclônicas. Em seguida, a MET-2
elaborou uma avaliação completa com os dados de verão e inverno da EACF, redução
de informações e elaboração de séries temporais. Findando a pesquisa, a MET-3
realizou a fusão de informações, de ambas as metodologias anteriores, além de
descrições de fenômenos, com exemplificações de interesse.

Foram assim estabelecidas as primeiras estatísticas de como a região da


península Antártica e suas cercanias oceânicas, são afetadas pelos ciclones. Analisando
as imagens de satélite, foi possível realizar uma classificação sumária e dividir os
sistemas atuantes em divisões. As categorias empregadas nestas divisões demonstraram
o modo operante dos sistemas, na área da estação Ferraz, formando conceitos da
maneira de como os ciclones nasceram, desenvolveram-se e finalmente decaíram.

Contudo, desconsiderando-se as relações diretas entre sistemas grandes e


pequenos, dentro das suas categorias, um fato que chamou a atenção foi a realização de
um balanço apenas entre os sistemas grandes. Como houve uma categoria que permitiu
o acréscimo de ciclones, na área de controle, e outra que permitiu o decréscimo,
realizou-se então, um balanço destas entradas e saídas. Este raciocínio contou com os
argumentos de que os ciclones que tiveram seu ciclo completo dentro da área eram
neutros. Os ciclones que apenas passaram pela área em alguma fase evolutiva, além de
poucos, também receberam esta classificação e, finalmente, os que não se
desenvolveram, não entraram e muito menos saíram da área, sendo neutralizados
também. Nestes termos, o balanço de ciclones foi positivo, ou seja, entraram mais
ciclones na área de controle para decair, do que os ciclones que nasceram e a
abandonaram. Os valores encontrados nesta climatologia foram: para o verão, 196
ciclones que vieram decair, subtraídos de 70 ciclones sinópticos que nasceram, mas
abandonaram a área. Isto resultou em 126 ciclones a mais que vieram decair. No caso
dos invernos, o valor foi muito maior, pois 297 ciclones vieram decair na área de

265
controle. Quando subtraídos dos 89 ciclones que nasceram, mas abandonaram a área,
obteve-se o resultado de 208 ciclones que vieram para decair. Seria esta uma entrada de
energia a mais, no setor sub-antártico, que provocaria alguns registros de aquecimento
local? A possível resposta seria sim! Seria a configuração geográfica, com a disposição
física em forma de gargalo, do Sul da América do Sul e Norte da península Antártica,
uma grande influência? A possível resposta também seria sim! Durante o decaimento
dos sistemas, em geral, grande parte de sua energia térmica será convertida em energia
cinética, mas não se sabe a estimativa de quanto desta permaneceu para participar de
outros processos, como o de aquecimento da área costeira da Antártida, principalmente
na península, onde as anomalias de longo prazo da temperatura do ar, de 1950 a 2000,
foram positivas (Fig.8.1A e B).

No final da MET-3, apresentou-se um dos casos em que o ciclone sinóptico


ficou bloqueado pela orografia da península. Pelos dados estatísticos revelados na
MET-1, observou-se que a recorrência destes casos foi grande na área do mar de
Bellingshausen. Se estes ciclones ainda mantêm um remanescente considerável de
energia térmica, era de se esperar que esta participasse de outros processos, como a
formação de mesociclones, aquecimento das águas, derretimento de geleiras etc.
Também era de se esperar que isto influenciasse nos valores de temperatura local e que
estas, tenham variabilidade climatológica, conforme decaiam mais ou menos ciclones
naquela área. Se cruzarmos estas informações, os gráficos que geralmente são
apresentados demonstrando “aquecimento global na Antártida” tornam-se discutíveis. O
motivo destes gráficos identificarem um aquecimento na área da península Antártica,
principalmente à Oeste, estão ligados intimamente ao decaimento dos ciclones sobre o
mar de Bellingshausen e não a um aquecimento inadvertido do planeta, com influência
direta na Antártida. As transformações destes remanescentes de energia mal foram
estudados. Muitos destes processos nem sequer são lineares e seus mecanismos, pouco
conhecidos. Os mapas de temperatura, utilizados nesta avaliação, foram obtidos por
sensoriamento remoto. O processo esquadrinhou a baixa troposfera (de zero a 8km)
baseando-se na intensidade das microondas, intimamente dependente da temperatura,
emitidas pelo gás oxigênio, o segundo maior constituinte atmosférico.

Nesta avaliação, quando se comparou os valores de temperatura de dois anos


específicos, obtidos pelo método de sensoriamento remoto, com os casos computados

266
de ciclones da MET-1, alguns aspectos se evidenciaram, embora esta seja uma avaliação
preliminar, iniciando uma climatologia sistemática de ciclones extratropicais antárticos.
Como o aquecimento registrado dos valores de anomalia se concentraram em ambos os
lados da península Antártica, com o mar de Bellingshausen à Oeste e o mar de Weddell
à Leste, computou-se todos os casos de ciclones grandes e pequenos que tiveram seu
ciclo completo dentro da área de interesse, mas que o setor de decaimento fosse
Sudoeste e Sudeste, respectivas posições dos mares citados acima, em relação à EACF.
Aplicou-se a mesma contagem para os ciclones que vieram decair na área, cujos setores
finais de decaimento fossem Sudoeste e Sudeste. Para isto, os valores dos meses foram
agrupados nos seus respectivos anos, e não mais por períodos de verão ou inverno. A
Tabela 8.1. demonstrou os valores processados para o ano de 2002.

Tabela 8.1.: Cômputo de Ciclones que Decaíram nos Setores Sudoeste e Sudeste do
Ano de 2002, Divididos por Tamanhos e Totalização em Duas Classes
Evolutivas.

Setor de Decaimento dos Ciclones com Ciclo Completo x


SETORES
GRANDES PEQUENOS TOTAL
Sudoeste 12 13 25
Sudeste 11 12 23
Setor Final dos Ciclones que Vieram Decair na Área y
SETORES
GRANDES PEQUENOS TOTAL
Sudoeste 24 7 31
Sudeste 3 0 3
Cômputo dos Setores de Ambas as Classes x + y
SETORES
GRANDES PEQUENOS TOTAL
Sudoeste 36 20 56
Sudeste 14 12 26

Para o ano de 2002, verificou-se que o número de ciclones que decaíram no setor
Sudoeste foi considerável, em ambas as classes evolutivas. Ele também se destacou dos
casos ocorridos no setor Sudeste, na proporção de 2,15:1. Ao se verificar os valores de
anomalia da temperatura para o referido ano, pelo processo de sensoriamento remoto,
observou-se um valor bem baixo, dentro da faixa de 0,2 até 0,5 pontos positivos, em
ambos os setores, ao redor da península Antártica (Fig.8.2). Com esta informação,

267
realizou-se o mesmo processo para o ano seguinte de 2003, onde os valores computados
de ciclones, que decaíram nos mesmos setores, foram avaliados, analogamente ao ano
anterior. Os resultados foram expressos na Tabela 8.2.

Tabela 8.2.: Cômputo de Ciclones que Decaíram nos Setores Sudoeste e Sudeste do
Ano de 2003, Divididos por Tamanhos e Totalização em Duas Classes
Evolutivas.

Setor de Decaimento dos Ciclones com Ciclo Completo x


SETORES
GRANDES PEQUENOS TOTAL
Sudoeste 9 35 44
Sudeste 18 26 44
Setor Final dos Ciclones que Vieram Decair na Área y
SETORES
GRANDES PEQUENOS TOTAL
Sudoeste 26 3 29
Sudeste 1 0 1
Cômputo dos Setores de Ambas as Classes x + y
SETORES
GRANDES PEQUENOS TOTAL
Sudoeste 35 38 73
Sudeste 19 26 45

Verificou-se que o ano de 2003 registrou um aumento significativo de casos,


principalmente os ciclones pequenos de ciclo completo. O crescimento de casos entre os
anos foi de 30,3% no setor Sudoeste e 73,0% no setor Sudeste. A proporção entre os
setores caiu para 1,62:1. Ao se comparar estes dados aos valores de anomalia da
temperatura, para o ano de 2003, utilizando-se o mesmo processo de sensoriamento
remoto, observou-se que houve um acréscimo nos valores. Estes, apresentaram-se de
maneira diferenciada nos setores. O mar de Bellingshausen, à Oeste da península e
considerado como setor Sudoeste, em relação à EACF, indicou crescimento dentro da
faixa de 0,5 até 1,0 ponto positivo. Para a área da península, Sul de Ferraz e mar de
Weddell, setor Sudeste em relação à EACF, o crescimento foi maior, ficando dentro da
faixa de 1,0 até 2,0 pontos positivos (Fig.8.3). Estes dois exemplos chamaram a atenção
para o fato de que os mecanismos estão ligados, de alguma forma, aos fluxos de calor.
Quando se avaliou a média de prazo intermediário das temperaturas do ar, entre o
período de novembro de 1978 até outubro de 2003, obtidas pelo mesmo processo de

268
sensoriamento remoto, os valores anômalos decaem completamente. A região do mar de
Bellingshausen chegou a registrar anomalias negativas na faixa entre –0,1 a –0,3 pontos.
A área da península se manteve neutra e o mar de Weddell registrou um setor de alta,
com pouca significância, na faixa entre 0,1 até 0,3 pontos positivos (Fig.8.4). Uma
conclusão de fato, para este setor, só poderia ser obtida com mais dados da atuação dos
ciclones e suas categorias. Contudo, os exemplos citados forneceram pistas interessantes
de pesquisa que devem ser continuadas. Além disto, a média de longo prazo demonstrou
aquecimento, a de prazo intermediário, resfriamento. Estes fatos indicaram que houve
ciclos, muito provavelmente ligados à atuação dos ciclones na área.

Registre-se também que, em geral, a Antártida tem demonstrado setores de


resfriamento, alguns mais acentuados que outros. Em estudo recente, realizado com
séries temporais de diversas estações, observou-se que muitas registraram queda de
temperatura nos últimos 20 anos. Algumas indicaram tendências de elevação de
pouquíssima intensidade. Estas estações, com variação positiva, estão próximas da
região da península Antártica (BLANCHARD, 2002; DORAN, 2002; TURNER et al.,
2002). A mais significativa variação positiva ocorreu na estação Faraday, com 0,67ºC
em dez anos, exatamente à Oeste da península (KEJNA, 2003). Contudo, um pouco
mais ao Sul da mesma área, a estação de Rothera registrou uma elevação insignificante.
Notou-se então, que estas variações são demasiadamente localizadas e as indicações
continentais de temperatura do ar, como foi o caso da estação Amundsen-Scott,
demonstraram tendências de queda dos seus valores, algumas até muito mais acentuadas
(Fig.8.5).

Quanto a atuação dos ciclones, notou-se que, para os sistemas com ciclo
completo, os setores próximos à costa da península Antártica não computaram tantos
casos de nascimento de sistemas sinópticos, mas se registrou muitos casos de
mesociclones nestas paragens. Os relatos fornecidos por alguns autores, referentes ao
surgimento de mesociclones na área costeira do mar de Ross, também foram verificados
em todo o litoral da península Antártica, principalmente nos setores Sudoeste, Sul e
levemente no Sudeste, em relação à EACF. O fato destes fenômenos serem registrados
nesta área, pode ser explicado pela forte baroclinia das forçantes dos ventos frios
catabáticos, provenientes das escarpas das montanhas, e seu encontro com o ar mais
aquecido, sobre o mar de Bellingshausen.

269
Quase em todos os anos de inverno e alguns de verão, a elevação do número de
casos de decaimento de ciclones, no setor Sudoeste, ocorreu ao mesmo tempo em que se
registraram o aumento na formação de mesociclones, no setor Sudeste. Muitos destes se
formaram pela perturbação da onda, através de fortes escoamentos sobre a península
Antártica, e outros, pela dissipação da energia remanescente do decaimento de grandes
ciclones. A energia que por ventura não foi utilizada para aumentar a velocidade dos
ventos, ou formar mesociclones, ficou retida à Oeste da península Antártica,
provavelmente mantendo o ar mais aquecido. Este, por sua vez, poderia aquecer
levemente a superfície dos oceanos, derreter parte de geleiras e soltar icebergs.
Contudo, apenas como nota de comentários, os anos de pouca atividade ciclônica, sobre
o mar de Bellingshausen, foram aqueles em que a superfície do mar se manteve
congelada por mais tempo. Um exemplo foi vivido pelas expedições antárticas
brasileiras, naquelas águas, quando foi necessário atingir a ilha Biscoe, bem mais ao
Sul.

Finalizando as conclusões obtidas pelo estudo dos ciclones na MET-1,


elaborou-se um cálculo probabilístico, baseado nos dados climatológicos desta pesquisa,
para a determinação da recorrência de atuação dos ciclones, nos setores da área de
controle. Este processo pode ser utilizado nas avaliações prognósticas operacionais na
área da EACF. Para tanto, processou-se as informações de duas categorias que se
destacaram no número de casos e por serem antagônicas, no modo de atuação. A
primeira classe escolhida foi a que representou os ciclones que nasceram na área de
controle, mas a abandonaram, e a segunda, os ciclones que vieram decair na área.
Embora os cálculos das probabilidades tenham cruzado os setores cardeais/colaterais de
atuação, número de casos, estação do ano e tamanho, só foram representados os casos
em que se satisfez as seguintes condições: quando dois setores, no máximo, em
conjunto, destacassem-se no cálculo probabilístico; e que o valor obtido para esta
recorrência, fosse igual ou superior a 75,0%.

Iniciando pelos ciclones que nasceram na área de controle, mas a abandonaram


durante os verões, verificou-se que, para ambos os tamanhos, os cálculos de
probabilidade setorial para o nascimento dos sistemas não satisfez as condições, ou seja,
dois setores predominantes estiveram abaixo de 75,0%. Quando se fez distinção por

270
tamanhos, apenas os sistemas pequenos conseguiram um cômputo aceitável. A Tabela
8.3 demonstrou os setores predominantes de nascimento e a probabilidade calculada.

Tabela 8.3: Cálculo das Probabilidades de Recorrência Setorial de Nascimento para os


Ciclones Pequenos dos Verões que Nasceram na Área de Controle, mas a
Abandonaram, Utilizando Valores Absolutos dos Setores Preferenciais e
Taxa Relacional.

SETORES TOTAIS TAXA PROBABILIDADE (%)


Nordeste e Leste 18 3,60 : 1 78,2
Todos os Outros 5 21,8

Observou-se que, embora os eventos sejam independentes, pela análise


climatológica, haverá grande probabilidade de que os ciclones desta categoria, em geral,
nasçam na área de controle pelos setores Nordeste e Leste.

No caso dos setores de saída, obteve-se valores significativos. A Tabela 8.4


demonstrou os setores predominantes de saída e a probalidade calculada.

Tabela 8.4: Cálculo das Probabilidades de Recorrência Setorial de Saída para os


Ciclones dos Verões que Nasceram na Área de Controle, mas a
Abandonaram, Utilizando Valores Absolutos dos Setores Preferenciais e
Taxa Relacional.

SETORES TOTAIS TAXA PROBABILIDADE (%)


Nordeste e Leste 75 4,16 : 1 80,6
Todos os Outros 18 19,4

Pelos cálculos, haverá grande probabilidade de que os ciclones desta categoria,


em geral, abandonem a área de controle pelos setores Nordeste e Leste. Ao se refinar
este cálculo pelo tamanho dos sistemas, verificou-se que, do universo dos grandes
ciclones desta categoria, 78,5% (taxa de 3,66:1) poderiam abandonar a área por estes
setores. Para o caso dos sistemas pequenos, o valor da probabilidade, destes mesmos
setores, aumentou para 86,9% (taxa de 6,66:1).

Para os casos de verão da categoria de ciclones que vieram decair na área, o


cálculo das probabilidades do setor de entrada dos sistemas, com ambos os tamanhos

271
agrupados, satisfez as condições. A Tabela 8.5 demonstrou os setores predominantes de
entrada e a probalidade calculada.

Tabela 8.5: Cálculo das Probabilidades de Recorrência Setorial de Entrada para os


Ciclones dos Verões que Vieram Decair na Área de Controle, Utilizando
Valores Absolutos dos Setores Preferenciais e Taxa Relacional.

SETORES TOTAIS TAXA PROBABILIDADE (%)


Oeste e Noroeste 188 4,27 : 1 81,0
Todos os Outros 44 19,0

O valor obtido para os dois setores predominantes foi considerável, e mais


notável quando se fez distinção por tamanhos. Os sistemas grandes desta categoria
obtiveram, para estes setores, uma probabilidade de 82,1% (taxa de 4,60:1) de
recorrência. No caso dos sistemas pequenos, o valor caiu para o limiar da condição, com
75,0% (taxa de 3,00:1) para os mesmos setores.

Quanto aos setores predominantes de decaimento, os ciclones de verão desta


categoria não conseguiram satisfazer, de modo geral, as condições estabelecidas. Foi
preciso agrupar os setores Norte, Noroeste, Oeste e Sudoeste para se obter 83,1% de
probabilidade. O mesmo se aplicou para esta classe de ciclones, quando se fez a
distinção por tamanhos. Nenhum cálculo foi significativo e as probabilidades com
apenas dois setores predominantes se assemelharam ao lançar de uma moeda.

Ao se aplicar o mesmo processo para os invernos, na conclusão das


probabilidades de recorrência setorial, verificou-se que a situação não se manteve. A
categoria de ciclones que nasceram na área de controle, mas a abandonaram, não
satisfez as condições impostas para os dois setores predominantes de nascimento. Os
valores obtidos foram baixos para o cômputo geral de tamanhos. O mesmo ocorreu
quando se fez a distinção dos mesmos. Foi necessário um setor predominante a mais
para que as probabilidades surtissem em valores consideráveis, porém, com três setores,
a ferramenta prognóstica se tornou inócua, ou de pouca validade, dado o grande campo
angular de cobertura. A mesma situação ocorreu para o cálculo do setor de saída dos
sistemas, nesta categoria.

272
Finalizando os cálculos, a categoria de ciclones que vieram decair na área de
controle durante os invernos, também não satisfez as condições estabelecidas, ao se
realizar o cálculo das probabilidades para o setor de entrada dos sistemas, no cômputo
geral. Quando se fez distinção por tamanhos, apenas os sistemas pequenos obtiveram,
nos setores de entrada Oeste e Noroeste, os valores de 75,3% (taxa de 3,05:1) de
probabilidade de recorrência. Aplicando-se o mesmo processo para o setor de
decaimento, no cômputo geral, os invernos também não obtiveram um valor
significativo. O mesmo resultado negativo foi obtido com a distinção por tamanhos.

Na conclusão geral, observou-se que os verões obtiveram uma atuação mais


comportada, pelos valores estatísticos, do que os invernos. Com os poucos resultados
obtidos dentro das condições estabelecidas, foi possível elaborar uma mapa temático
síntese onde se registrou, sobre a área de estudo, os valores encontrados destas
probabilidades de recorrências (Fig.8.6). Contudo, estas possibilidades podem basear
uma teoria para o cálculo de energia que é transformado na Trilha das Depressões. Estes
procedimentos foram iniciados, paralelamente, aos estudos da MET-3. Além dos casos
avaliados em grupos, um destaque particular deve ser dado para a área do mar de
Bellingshausen, considerada como o setor Sudoeste. Esta, mostrou que as ciclólises são
freqüentes, com a possível ligação com a barreira de montanhas pertencentes à
península Antártica, cuja altitude está próxima dos 4.000 metros. Uma estatística
preliminar foi efetuada, paralelamente aos estudos da MET-3, com dados do verão de
2001-2002, e confirmaram esta hipótese. Computou-se todos os ciclones que atingiram
o setor, encontrando duas situações possíveis de se ocorrer: ou o sistema decaiu
completamente, ficando preso no mar de Bellingshausen, ou houve atrasos na sua
travessia, durante a transposição sobre a península Antártica. O número total de
sistemas bloqueados pela orografia da península foi de 14 ciclones, sendo 12 de ciclones
grandes e apenas dois casos de pequenos. O cômputo de retardo foi mais baixo.
Registrou-se seis ocorrências de grandes ciclones, retardados em seu deslocamento por
sobre a península, contra duas ocorrências de pequenos ciclones, na mesma situação.
Estes casos, ocorridos no setor Sudoeste, mostraram mais indícios da influência
orográfica da península, sobre a área de estudo.

Os dados trabalhados da estação meteorológica automática de superfície, na


EACF, permitiram avaliar a influência dos ciclones, de maneira geral, na área do

273
estreito de Drake e as condições que permaneceram nas cercanias da península
Antártica. Como conclusões observadas pelos dados gerados na MET-1 e MET-2,
verificou-se que as condições de pressão atmosférica não tem relação direta ao número
de casos de ciclones, mas sim pelo posicionamento e trajetória dos mesmos.
Esperava-se que esta hipótese fosse confirmada com os dados de Ferraz, como ocorreu,
mas também se aguardava que alguns sistemas de grande porte, acima de 3000km,
conseguissem reger valores locais de pressão atmosférica mais baixa. Esperava-se que
os sistemas maduros, em fase C, com muitas espiras nebulosas, conseguissem obter esta
performance, já que os mesmos possuíam um grande alcance setorial, ou cobertura de
área maior. Isto, de fato, embora tenha ocorrido, não foi uma regra. Observou-se que
tais casos registraram valores de pressão não tão pronunciados, quando comparados a
certos ciclones de porte sinóptico, mas com tamanho menor. Alguns mesociclones, bem
desenvolvidos, também registraram valores de pressão atmosférica mais baixas,
inclusive. Esta observação valeu para os verões e invernos. Contudo, observou-se
também que os meses de inverno, com maior incidência de ciclones pequenos com ciclo
completo dentro da área de interesse, registraram valores de pressão mais baixa. O
mesmo se repetiu, de maneira geral, para os meses que obtiveram maiores valores de
ocorrências de ciclones grandes que vieram decair na área. Via de regra, a maior
regência ficou com o posicionamento.

Pelos dados da MET-1, verificou-se que o número de ciclones atuantes nos


invernos foi maior que o dos verões em cerca de um terço. Porém, o tempo de atuação
foi praticamente o mesmo entre as estações, ou seja, 90 dias. Uma explicação possível
seria o fato de estes sistemas serem mais velozes, não só em seu deslocamento pela área
de controle, mas com vida evolutiva um pouco mais acelerada. Contudo, isto não
aparentou ser verdadeiro, dado o maior tempo em que permaneceram as situações de
altos valores das rajadas, vento médio etc. Ao voltar-se para as observações da MET-1,
verificou-se que o deslocamento ciclônico foi alterado nesta estação, principalmente
para os ciclones com ciclo completo dentro da área de controle. Eles tiveram um
deslocamento para os quadrantes derivativos de Norte. Esta poderia ser uma das
explicações, para o alongamento dos períodos de alta velocidades e horas de calmaria na
EACF, mas com elevado número de ciclones na área de controle.

274
Baseando-se nestas informações, a verificação da velocidade do vento
acompanhou as mesmas descrições. As maiores velocidades médias e rajadas estiveram
atreladas à casuística de trajetórias de ciclones. Se estes eram constituídos por centros
de baixa pressão mais intensos, as velocidades eram maiores, não importando o
tamanho dos ciclones. Apoiando-se nestes dois parâmetros meteorológicos e se
observando as imagens de satélite, inclusive em campo, como meteorologista da EACF
no verão 2001-2002, a frase “Cuidado com os Pequenos!” será aqui relatada. Isto deve
soar como um alerta operacional para as futuras equipes de trabalho, na área da
Antártida Oceânica. Normalmente, a observação de grandes sistemas ciclônicos, tanto
por sensoriamento remoto, como por acompanhamento dos dados meteorológicos
sinópticos, emitidos pelas estações de rádio antárticas, ou VOLMET, já fazem com que
o meteorologista tenha um posicionamento cauteloso de maneira natural. Contudo, pode
não agir da mesma maneira ao observar sistemas menores. Fora do ambiente
operacional, a mesma regra deve ser utilizada para os trabalhos científicos puros de
climatologia, executados em gabinete, que necessitem avaliar casos especiais de
ciclones, quando a premissa de escolha for apenas o parâmetro visual, observado pela
imagem de satélite. Um forte indício que pode auxiliar na identificação de sistemas
intensos, foi verificado quando se observou a nebulosidade. Os sistemas reportados com
maiores velocidades de vento, aliados aos menores valores de pressão atmosférica,
indicaram nebulosidade espiral bem coesa, com alto brilho. Uma verificação sumária,
executada em paralelo durante a MET-3, indicou que os valores de pixel foram mais
altos, no canal infravermelho, das imagens de satélite utilizadas na MET-1. É possível
que haja outras ferramentas operacionais para serem descobertas, com avaliações mais
precisas.

Quando aos valores da temperatura do ar na EACF, verificou-se que estas estão


intimamente ligadas às configurações sinópticas encontradas na área de estudo. Isto
indicou que a presença dos ciclones em setores específicos, atuando em modo solo ou
em conjunto de ciclones, interferem diretamente nas temperaturas da área da península
Antártica. Via de regra, o principal contribuinte para temperaturas mais elevadas, com
fortes rajadas e velocidades de vento maiores, são os ciclones que se deslocaram nos
setores derivados de Oeste, principalmente os grandes ciclones que porventura se
dirigiram ao setor Sudoeste, mar de Bellingshausen (Fig.8.7). A advecção quente, no
setor de vanguarda do sistema, normalmente assolou a estação brasileira com ventos

275
intensos, temperaturas em suave ascensão e céu encoberto. Estes sistemas foram os que
ofereceram mais condições restritivas de trabalho, por parâmetros derivados de
velocidade dos ventos e rajadas. Os ciclones que vieram para decair na área de controle
pertenceram a categoria que mais contribuiu para estas ocorrências.

Algumas situações de bloqueio na área do estreito de Drake/península Antártica


também ocorreram, semelhantemente ao Nexus, relatado no verão de 2001-2002
(FELICIO, 2003). O quadro da área de controle normalmente foi constituído de um
ciclone sinóptico de proporções imensas, cuja banda nebulosa principal apareceu em
forma de barra longitudinal. A advecção quente, na área de vanguarda, pode influenciar
na formação de uma crista de alta pressão (Fig.8.8A). Se a situação for favorável e
houver a contribuição da subsidência do ar, enquanto se forma o centro de alta pressão
atmosférica em superfície, a configuração de bloqueio atmosférico estará instaurada na
passagem do Drake (Fig.8.8B). A situação pode perdurar por mais de 24 horas, pois nas
ocorrências observadas, os centros de alta pressão permaneceram estáticos. Contudo, a
dinâmica local da latitude de 60ºS não permite que tais configurações permaneçam por
muito tempo. A duração pode ser comparada ao tempo de decaimento do ciclone que o
originou, normalmente estático, na área do mar de Bellingshausen, ou também no setor
Oeste, em relação à EACF. As condições meteorológicas em Ferraz, durante este tempo,
normalmente foram de calmaria.

Para os valores de queda de temperatura mais acentuados, as configurações em


quase a totalidade dos casos envolveu a presença de um ciclone, normalmente de porte
sinóptico, sobre a área do mar de Weddell (Fig.8.9). Nestas condições, o ar proveniente
da região continental da Antártida é forçado pela advecção fria do setor de retaguarda
do ciclone, por toda a península. Em Ferraz, nestas condições, predominarão os ventos
de quadrante Sul, muito frios e de Sudeste. Em alguns casos, o vento também pode vir
de Sudoeste, dependendo da proximidade do ciclone com a península. Não raro, os
grandes sistemas podem permanecer sobre Weddell, por mais de 4 dias.

Outro caso de registro de baixas temperaturas pôde ser verificado com a atuação
dos ciclones em conjunto. A circulação horária particular de cada um deles, determinou
a predominância dos ventos e direcionou a advecção fria para a EACF, mas pelo setor
Leste. Este caso, apresentado anteriormente, torna discutível o argumento da forçante

276
inercial, derivada de Coriolis, do Jato Frio Inercial, fenômeno que atinge o Norte da
península ocasionalmente (SCHWERDTFEGER, 1984). A presença de um grande
ciclone, em fase madura C, ou em decaimento prolongado Dy, provoca a advecção fria
com ar proveniente do interior do continente. Com a passagem simultânea de dois
ciclones transientes menores (mesos ou sinópticos) em fase de amadurecimento B, por
exemplo, a advecção fria pode ser conduzida para Leste (Fig.8.10). Pelo que foi
observado, o que faz a dependência do fluxo ser de maior ou menor intensidade, está
ligado ao estágio evolutivo e força dos ciclones transientes que trafegam pelo Drake. Se
a condição for favorável, como o alinhamento latitudinal dos centros de baixa pressão, o
fluxo de ar frio tem grande probabilidade de permanecer, por algumas horas, atingindo a
EACF.

É importante relatar os casos que influenciaram o Sul da América do Sul, e a


probabilidade desta influência atingir a região Sul do Brasil. Pelo levantamento
sistemático verificado na MET-1, observou-se que os ciclones que diretamente atuaram
próximos do Sul da América do Sul, ou seja, nos países do Chile e Argentina,
trafegaram nos setores derivados de Norte, não tendo trajetórias originadas de setores de
altas latitudes, salvo raras exceções. Porém, a queda de temperatura nestes países, esteve
intimamente ligada à presença dos ciclones no setor Nordeste da área de estudo. Quanto
mais a temperatura nas proximidades do estreito de Drake estiverem baixas, maior serão
as quedas dos valores sobre os países, dependendo diretamente do tamanho do sistema
ciclônico atuante. Se o seu tamanho for enquadrado na categoria sinóptica e de grandes
proporções, a advecção fria poderá atingir a região Sul do Brasil (Fig.8.11). Contudo,
esta configuração independente não justifica valores de queda de temperatura muito
mais acentuadas. Como verificado na MET-1, é possível que a área de estudo admita
diversas configurações ciclônicas, distintas umas das outras, e recorrer na repetição de
certos casos (como o caso Nexus, por exemplo). Estas configurações irão reger a
circulação dos ventos locais e as configurações sinópticas como um todo. O vento,
como principal agente de transporte de calor, umidade, momentum etc. fará a advecção
fria e quente, seguindo os giros horários, dos centros de baixa pressão, e anti-horários,
nos centros de alta, no hemisfério Sul, observando rigorosamente, a posição geográfica
da atuação de cada sistema ciclônico independente. O que se verificou, através da
MET-3, foi a montagem de uma grande engrenagem da circulação atmosférica. Esta,
poderá conduzir fluxos, frios ou quentes, para distâncias consideráveis, como um

277
intervalo de 20 ou 30 graus de latitude. Portanto, para fluxos muito frios que conseguem
abaixar consideravelmente as temperaturas no Sul do Brasil e, as vezes, até mesmo na
região Sudeste, provêm de uma configuração sinóptica particular, na área de estudo
desta pesquisa. Esta configuração é determinada pela presença de dois grandes ciclones,
atuando em conjunto, mas não necessariamente nas mesmas fases evolutivas, desde que
estas estejam além da madura fase C. O primeiro, precisa estar posicionado no mar de
Weddell e o segundo, no setor Nordeste (Atlântico Sul). Os fluxos de advecção fria, de
ambos os ciclones, podem ser conduzidos até as latitudes de 20ºS com muita eficiência
(Fig.8.12). Embora o fluxo frio, advindo do interior do continente antártico pelo mar de
Weddell, consiga baixar a temperatura do ar até o Sul do Brasil, com valores de queda
consideráveis, estes não podem ser admitidos como via de regra.

A experiência antártica demostra que os casos de correlação normalmente são


independentes. Eles apenas indicam certas tendências, mas estas devem sempre ser
avaliadas com cautela. Foi o caso de matéria publicada em um jornal de renome que
indicou que o “Ar Polar Muda de local e Altera Estações no Sul”. A matéria foi baseada
em estudos realizados recentemente pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul –
UFRGS e pelo INPE, divulgadas em congressos científicos nos Estados Unidos e na
Austrália. Em resumo, o estudo afirma que o “aquecimento global” está modificando a
origem do ar frio que atinge o Sul do Brasil, baseando-se em dados de três estações
meteorológicas, situadas na península Antártica (ilha Biscoe, no mar de Bellingshausen;
ilha Rei George, na EACF; e ilha Joinville, Norte da península Antártica). Segundo ele,
o aumento da temperatura, causado pelos gases poluentes “está alterando a dinâmica da
atmosfera e fazendo com que os ventos fiquem mais fortes”. Os ventos mais potentes,
originados do oceano Pacífico, empurrariam a massa de ar que se situa sobre o mar de
Bellingshausen, até que esta atravessasse a península Antártica e alcançasse o mar de
Weddell. Desta maneira, as novas “massas de ar” que atingiriam o Brasil seriam mais
frias, afirmou a pesquisa. Contudo, há controvérsias neste estudo que podem ser
levantadas. Uma delas é que não há indicação suficiente de que os ventos estejam mais
velozes na área da península. Em discussões sumárias, verificou-se que os registros de
vento indicaram suave aumento nas velocidades dos ventos na EACF, mas não foram
computadas as suas direções nestes argumentos. Isto pode ser um indício de que os
ciclones estariam fazendo, com mais eficiência, o seu trabalho de conversão de energia
térmica em cinética. Mas se deve deixar claro que estes pontos ainda não foram

278
avaliados. Portanto, afirmar que o ar frio que atinge o Brasil, proveniente de Weddell, é
uma mudança provocada pelo “aquecimento global” parece não ser a explicação mais
acertada. Os ventos sobre a península, quando sob regime do escoamento básico de
Oeste, sempre geraram centros de baixa pressão à sotavento dos Antartandes, sobre o
mar de Weddell, exatamente como o fazem na região da América do Sul, na
transposição dos Antes, intensificando cavados. Não parece ser acertado declarar que
houve mudança do ar polar, que atinge o Sul da América do Sul, por causa da geração
de “ventos mais intensos” sobre a península. Estes, sempre existiram, como ficou
demonstrado diversas vezes nos dados da MET-2 e em trabalhos anteriores (FELICIO,
2003) quando não havia ciclones operando na área de controle, os quais determinassem
os regimes de ventos, situação observada na MET-1. Parece ser mais fácil categorizar a
origem do ar proveniente de Weddell, por uma configuração particular de grandes
ciclones, relatada e verificada anteriormente, do que a mudança por ventos fortes
originados do Pacífico.

A matéria ainda afirmou que o regime de temperaturas do Sul do Brasil estará


mudado definitivamente, pois a pesquisa comparou os valores de temperatura no Rio
Grande do Sul, do mês de fevereiro de 2004 e julho de 2005. No primeiro, como
representante do verão, a temperatura média esteve 1,2ºC mais baixa que a média dos
últimos 30 anos e no segundo, representando o inverno, o valor médio do mês esteve
3,5ºC mais alto. A conclusão dada informou que os verões serão mais frios e os
invernos, mais quentes, para a região Sul do Brasil. Baseado nesta premissa, obteve-se
as temperaturas médias e mínimas da Estação Meteorológica Classe 1A do IAG – Água
Funda (IAG, 2002 a 2006), de todos os meses que fizeram parte deste trabalho de
doutorado. A média da temperatura média dos cinco meses de fevereiro foi de 22,1ºC e
de julhos, 16,1ºC. Subtraiu-se os valores dos meses particulares, obteve-se 1,3ºC mais
frio para fevereiro de 2004, indicando a mesma queda registrada no Rio Grande do Sul,
e julho de 2005 registrou uma queda ínfima de 0,1ºC. Aplicou-se o mesmo processo
para as temperaturas mínimas. Ambos os meses registraram valores menores que a
média desta pesquisa de doutorado. Os cinco meses de fevereiro obtiveram média
mínima de 14,8ºC, com fevereiro de 2004, 1,6ºC mais baixo. Os cinco meses de julho,
com média mínima de 6,4ºC indicou a diferença mais fria de 1,2ºC em julho de 2005,
diferindo do Rio Grande do Sul. Embora estas médias sejam internas a esta climatologia
de cinco anos, podem indicar que se tratou de um evento único, que se perpetuou apenas

279
no verão e pela região Sudeste também. Esta conclusão foi prematura e necessitaria de
mais dados para avaliação.

Finalizando a discussão, se estes forem realmente os indicativos de que o ar de


Weddell conseguiu atingir a região Sul do Brasil, assumindo que este seja o novo
parâmetro, seria necessária uma certa configuração, onde um ciclone de porte sinóptico
estivesse atuando, no setor Nordeste, da área de controle. Para tanto, aplicou-se a
análise de variância e da correlação, utilizando-se o software Origin Pro 7.0®, entre o
número de ciclones e as temperaturas média e mínima obtidas no IAG – Água Funda. O
universo de ciclones foi definido dentro dos que nasceram/entraram na área de controle
por Nordeste e, depois, os que decaíram/saíram pelo mesmo setor. O uso dos dados do
IAG poderiam demonstrar que a atuação dos ciclones tenderia a valores mais altos de
temperatura, quando estivessem em nascimento/entrada, por situação pré-frontal em São
Paulo e para valores mais baixos, no pós-frontal, com o ciclone em decaimento/saída do
setor Nordeste. Mesmo estes argumentos, talvez não fossem indicativos seguros, pois o
fato de existir ciclones no setor Nordeste, não seria prova suficiente para afirmar que
haveria situação frontal, próxima do estado de São Paulo. A análise de variância poderia
assegurar a independência dos universos com seu nível de significância. Os resultados
obtidos demonstraram que os eventos, em grupo, foram independentes. Percebeu-se
poucos pontos que indicaram uma correlação aceitável da temperatura média e mínima
dos meses de verão ou inverno, com o número de ciclones no Nordeste, mas houve
outros que nada demonstraram (Fig.8.13A a F até Fig.8.16A a F). As retas de tendência
linear foram traçadas, apenas a título de ilustração. Pôde-se verificar como os pontos
foram muito dispersos ao seu redor, na maioria dos casos. As conclusões são de que
existem outras variáveis interferindo no sistema. Uma delas, categoricamente, foi a
configuração dos ciclones, atuando em conjunto, na área de estudo. Este fato pode ser
acertadamente aceito, demonstrando que a casuística das situações e suas combinações
aleatórias de diversas configurações, estão muito interligadas, assemelhando-se ao “jogo
de Xadrez”. Talvez, a parte descritiva deste trabalho seja a que mais demonstrou esses
aspectos. Ora os processos pareciam estar muito correlacionados com os sistemas, até
mesmo indicando variações favoráveis nas suas distribuições espaciais e temporais. Em
outros momentos, não. Este é um dos maiores problemas que assolam as equipes de
meteorologia operacional na Antártida.

280
Um último exemplo de que estes fatos podem ser isolados, mas que devem ser
avaliados devido a sua importância de causas e efeitos, sobre condições climáticas no
Brasil, ocorreu no dia 10 de julho de 2006. O quadro sinóptico se definiu como um
grande ciclone extratropical, no setor Nordeste da área de estudo (Fig.8.17A a D). A
banda nebulosa da espira de nuvens gerou uma frente fria muito ativa, com centro de
baixa pressão que se desenvolveu paralelamente, com o passar das horas. A
determinado momento, a frente de destacou do ciclone originário e seguiu rumo ao
Norte, associada ao seu próprio centro de baixa pressão (Fig.8.18A e B). O ciclone
sinóptico que fomentou a advecção fria, com ar proveniente do mar de Bellingshausen,
e não de Weddell, seguiu rumo à latitudes mais altas, em direção à Antártida,
adiantando sua fase de decaimento Dy. Situações semelhantes, de geração de outro
centro de baixa pressão, embutido na banda nebulosa de ciclones sinópticos, com
quebra do sistema, também foram avaliadas, em paralelo, durante a execução da
MET-3. Constatou-se que estes casos não são raros e se avaliou as possíveis novas
ferramentas de prognóstico. Estas, poderiam considerar os valores de pixel destes
setores, por exemplo, nas imagens infravermelho, dos satélites da série GOES.

Sempre foi possível desafiar a Natureza e suas forças, mas manter isto por muito
tempo se torna insustentável. No caso da Antártida, é possível realizar operações se
utilizando os diversos equipamentos disponíveis de uma sociedade tecnológica,
adicionados de pessoal eficiente. Pode-se vencer diversas barreiras e restrições
demonstradas neste trabalho, principalmente na MET-3. Contudo, estes casos, na área
de estudo da Antártida Oceânica e, expandindo para o interior de todo o continente, não
são mero acaso, ou situações isoladas. Estas são as condições predominantes.

Dada a quantidade de horas suscetíveis à restrições meteorológicas, causadas


principalmente pela atividade ciclônica, resta a pergunta: seria viável a instalação de
uma plataforma de extração de petróleo, montagem de uma mineração ou qualquer
outra atividade rotineira econômica e comercial? A resposta, na visão de um
meteorologista e climatologista, seria não. Os argumentos seriam bem simples. Que
empresa se empenharia em um empreendimento que, na maior parte do tempo, estaria
em estado de ATENÇÃO ou ALERTA? Quanto custaria os seguros patrimoniais de tais
empreitadas? Quantas pessoas estariam dispostas a continuamente arriscarem suas vidas
nestas atividades? Talvez o elemento humano seja até mesmo um dos componentes

281
mais fáceis de se obter, pois certamente um número elevado de pessoas aceitariam tais
condições, por encará-los como desafios pessoais. A pergunta para o fator humano
seria: por quanto tempo? Também teríamos outro problema empresarial, já que treinar
homens antárticos e formar diversas equipes de trabalho, também gerariam outros
custos (transporte, estadia, seguro, alimentação etc.).

As mesmas restrições, dadas para as atividades comerciais, são aplicadas para as


atividades científicas. A crítica atual, nos meios científicos antárticos, é a crescente
presença de turismo na região. Com tantas horas sob restrição, as atividades de pesquisa
precisam trabalhar nas “janelas meteorológicas” que aqui foram definidas. Infelizmente,
são nestas ocasiões que uma quantidade enorme de turistas desembarcam de seus navios
e visitam as estações e bases costeiras. Quando isto acontece, diversas horas de
pesquisa, que são financiadas pelos órgãos competentes de cada país, são paralisadas,
pois os pesquisadores são deslocados de suas atividades para atender a demanda de
visitantes. Alguns atrasos, por exemplo, já foram relatados no PROANTAR.

Contudo, ao que parece, os ciclones extratropicais na Antártida exercem


diversos papéis de proteção. Não apenas dos fatores climáticos, mas até das atividades
humanas.

O trabalho ofereceu diversos produtos de avaliação, incluindo um Catálogo


Climatológico de Ciclones. Este poderá ser utilizado como um instrumento de avaliação
quantitativa das ocorrências ciclônicas na área de estudo. Ele apenas iniciou um
processo que poderá ser continuado para responder perguntas que são lançadas pela
mídia como: “janeiro de 2007 foi considerado um dos anos mais quentes? Talvez se
espere que haja uma contra-resposta ciclônica na Trilha das Depressões antárticas. Isto
seria possível de ser verificado, desde que o trabalho se perpetue, pois é fato que o
número de sistemas atuantes, na área de controle, em um longo período de tempo, é
desconhecido. Isto geraria diversas hipóteses que podem ser enumeradas neste exato
momento das conclusões. Partindo da premissa de que os ciclones extratropicais atuam
dinamicamente, isto é, convertem energia térmica em cinética, em um possível ambiente
de “aquecimento global” as hipóteses seriam:

282
² Haveria um número crescente de ciclones extratropicais na região antártica, mas as
velocidades dos ventos e da corrente de jato seriam as mesmas;
² Não haveria um número crescente de ciclones extratropicais na região antártica, mas
as velocidades dos ventos e da corrente de jato seriam intensificadas;
² Ficaria indefinida qual divisão por tamanhos cresceria mais: mesociclones poderiam
ser mais eficientes neste processo de transformação de energia;
² Ficaria indefinida, para a área deste estudo, qual categoria evolutiva se destacaria
mais.

E finalmente a hipótese reversa, que não levaria em conta o aquecimento atual


dos oceanos, ou seja, será que o “aquecimento global” poderia ser causado pela
diminuição da atividade ciclônica na região antártica?

Estas respostas necessitam de mais pesquisas, incluindo as interações no


deslocamento das águas superficiais dos oceanos, causados pela passagem de ciclones
na Trilha das Depressões, fato este pouco abordado nas conexões. Este trabalho visou
ser a primeira estatística climatológica sistemática de ciclones totais. Novas pesquisas
poderão definir se a “Máquina Ciclônica Antártica” é eficiente e até que ponto. Com
novos valores do futuro, que incrementem o CCC constantemente, será possível
produzir estatísticas e curvas de tendência climatológica. Utilizando-se as novas
tecnologias de sensoriamento remoto e estações meteorológicas automáticas,
começaremos a entender melhor os mecanismos termodinâmicos na Antártida, em
escala espacial e temporal, ou seja, nos âmbitos planetário e climatológico.

A continuidade deste trabalho, de forma permanente, poderá elaborar séries


temporais de longa duração que tentem moldar os ciclos que estão envolvidos nesta
dinâmica antártica. O entendimento destes processos poderão auxiliar na descoberta de
muitos outros fatores, não somente os que envolvem as Ciências da Terra diretamente.
Os outros benefícios precisam ser descobertos e conectados.

Em geral, os resultados deste trabalho abrirão novos focos de pesquisa antártica,


que ficarão como sugestões para outros temas, como por exemplo o cruzamento de
dados de temperatura e atividade ciclônica, cálculo de energética envolvida nos
sistemas, avaliação da cobertura de gelo e chegada de ciclones, interações Ar-Mar. Tais

283
informações poderão avaliar tendências planetárias, no que se refere a climatologia
dinâmica dos ciclones extratropicais no hemisfério Sul, tanto os comuns quanto os
polares.

A Antártida precisa ser preservada e abordada em detalhes, pois muitos dos


mecanismos de interação global passaram a ser estudados, com mais atenção, somente
no final dos anos de 1990. Muito há que se descobrir ainda. As teleconexões entre
sistemas meteorológicos, efeitos globais, interação oceânica, devem ser avaliados e
formar novas teorias. O complexo conjunto das diferentes áreas do conhecimento
mostra que todas são importantes, dentro de um sistema não totalmente conhecido. Para
isso, apela-se para que a consciência do homem tenha a visão suprema de manter
intacto, tão grandioso ecossistema.

Um continente de máximos em todos os sentidos, a Antártida se torna única no


encanto que oferece pela poesia de sua beleza, a fascinação pela grandiosidade da
primeira descoberta que leva, ao espírito humano, a sensação da exploração de um
mundo novo, longínquo, alienígena, incomum. Uma impressão marcante que
acompanhará o indivíduo por toda a sua vida, em uma sensação de sintonia com o
Universo...

284
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS

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Letras, pp.244.

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290
ANEXOS
ANEXO I - ÁBACOS DE CONSULTA
ÁBACO PARA DEFINIÇÕES E LEGENDAS GRÁFICAS CONSTANTES

CLASSIFICAÇÃO E FASES EVOLUTIVAS DOS CICLONES

Ciclones que PASSARAM


Ciclones com CICLO Ciclones que NASCERAM totalmente pela área ou parte Ciclones que
COMPLETO dentro da área na área, mas a Ciclones que vieram para dela em ALGUMA FASE de NÃO se
de interesse ABANDONARAM DECAIR na área Desenvolvimento/ DESENVOLVERAM
Decaimento
·A· ·B, C·
3 (W), A · · B, C, Do ⊗ ·A, B· ·B, C, Do· 3 (W), A ⊗
3 (W), A, B, C, Do ⊗ 3 (W), A, B · · C, Do ⊗ ·A, B, C· ·C· 3 (W), A, B ⊗
3 (W), A, B, C · · Do ⊗ ·A, B, C, Do· ·C,Do·
·B· ·Do·

3 – Nascimento do sistema dentro da área de controle. · (FASE) – Entrou na área de controle na fase evolutiva descrita posteriormente.
⊗ – Decaimento ou não desenvolvimento do sistema dentro da área de controle. (FASE) · – Saiu da área de controle na fase evolutiva descrita anteriormente.
GRÁFICOS ANALÍTICOS DA CLASSIFICAÇÃO DOS CICLONES
LEGENDAS DE TAMANHOS E PERÍODOS

PERÍODOS DE VERÃO PERÍODOS DE INVERNO

CORES TAMANHOS ANO DO VERÃO MESES INCLUSOS CORES TAMANHOS ANO DO INVERNO MESES INCLUSOS
GRANDES GRANDES
2001-2002 dez 001/jan e fev 002 2002 jun, jul e ago 002
PEQUENOS PEQUENOS
GRANDES GRANDES
2002-2003 dez 002/jan e fev 003 2003 jun, jul e ago 003
PEQUENOS PEQUENOS
GRANDES GRANDES
2003-2004 dez 003/jan e fev 004 2004 jun, jul e ago 004
PEQUENOS PEQUENOS
GRANDES GRANDES
2004-2005 dez 004/jan e fev 005 2005 jun, jul e ago 005
PEQUENOS PEQUENOS
GRANDES GRANDES
2005-2006 dez 005/jan e fev 006 2006 jun, jul e ago 006
PEQUENOS PEQUENOS

Tamanho dos Ciclones: REFERÊNCIAS MENSAIS


VERÕES INVERNOS
GRANDES
Todo ciclone com extensão maior que 10º de latitude (cerca de 1000km). DEZEMBROS JUNHOS
JANEIROS JULHOS
PEQUENOS FEVEREIROS AGOSTOS
Todo meso ou mini ciclone menores que 10º de latitude, segundo os critérios:
1 - pelo menos duas fases evolutivas foram avistadas nas imagens em 6 horas; e
2 - uma das fases evolutivas, obrigatoriamente foi a fase madura (C).

OBS.: o tamanho considerou a medida entre a base contrária Final do vórtice de nebulosidade espiral
do centro de baixa pressão, até o final do vórtice de nebulosidade,
durante a fase madura (C). Quando esta não ocorreu, o parâmetro
utilizado foi a fase de maior desenvoltura, mesmo quando em
decaimento (Do).
Base contrária do centro de baixa pressão
ANEXO II - DISCOS DVD-ROM

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