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Excelentíssimo Senhor Doutor Ministro Presidente do Colendo TRIBUNAL
SUPERIOR DO TRABALHO.

MINERAÇÃO SERRA GRANDE S.A., nos autos da ação reclamatória


proposta em seu desfavor por ADENIR GOMES DA SILVA, processo nº TST-
AgR-AIRR-0000967-13.2014.5.18.0201 comparece à digna presença de Vossa
Excelência, por intermédio dos procuradores ao final assinados, especialmente para,
inconformada, data vênia, com o v. Acórdão proferido, nos termos da alínea “a”, do
inciso III, do artigo 102, da Constituição Federal, c/c artigos 541 e seguintes do
Código de Processo Civil, 266 do RITST e 321 e seguintes do RISTF, vem interpor o
presente RECURSO EXTRAORDINÁRIO, pelos motivos de direito expostos no
arrazoado em anexo, requerendo seu recebimento, com a manifestação do recorrido,
análise prévia de admissibilidade e posterior remessa ao Colendo Supremo Tribunal
Federal.

1. TEMPESTIVIDADE
O v. acórdão foi disponibilizado em 10.03.2016 (quinta-feira), e publicado no
dia 11.03.2016 (sexta-feira). Assim, o prazo recursal iniciou-se no dia 14.03.2016
(segunda-feira), logo, o prazo para a interposição do presente recurso extraordinário
fluir-se-á no dia 25.03.2016 (sexta-feira da Paixão), assim, prorrogável para o primeiro
dia útil subsequente, à saber dia 28.03.2016 (segunda-feira), razão pela qual é
indiscutivelmente tempestiva a presente peça
2. PREPARO
O Juízo encontra-se completamente garantido, conforme comprovante nos
autos, não havendo que se falar em diferenças de depósitos ou custas a serem
complementadas.

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Quanto as custas, a recorrente requer a juntada aos autos da guia de preparo
no valor de R$ 181,34, devidamente recolhidas por Instituição Financeira, em guia GRU
Judicial, nos termos da Resolução nº 278/2007, alterada pela Resolução nº 411/2010
e Resolução nº 554/2015.
Portanto, regularmente preparado o Recurso.
Com fundamento no art. 830 da CLT, as advogadas signatárias declaram, sob sua
responsabilidade pessoal, que a guia de deposito GRU no valor de R$ 163,80 é reprodução
autêntica das originais, tendo sido regularmente recolhida, e fica à inteira disposição do
Juízo, do mesmo modo que as guias de custas processuais, já recolhidas quando da
interposição de Recurso de Revista.
A autenticação pelo procurador é admitida pelo Colendo Tribunal Superior do
Trabalho, com base em julgamento proferido pela Subseção II Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2) no Processo: AIRO-7202-59.2012.5.01.0000.
Assim, observados todos os pressupostos de admissibilidade pela Recorrente,
requer o recebimento e regular processamento do Recurso Extraordinário para
conhecimento e julgamento do Colendo Supremo Tribunal Federal, considerando as
razões da Recorrente como integrantes desta parte introdutória para o exercício do Juízo
de Admissibilidade, como se estivesse integralmente transcrito o inteiro teor.
Nestes termos,
Pede Deferimento.
Goiânia, 17 de março de 2016.

Patrícia Miranda Centeno Denise A. de Miranda Bento


OAB/GO 24.190 OAB/GO 21.789

Lorena Miranda C.Gasel Joice R. de Souza Griffo


OAB/GO 29.390 OAB/GO 32.538

Taopi Pinto Clavijo Miriam José Silva


OAB/GO 32.409 OAB/GO 25.447

Natália M. O. Coelho Camila Pereira A. Leite Leal


OAB/GO 37.191 OAB/GO 37.741-A

Carla Zanina Oliveira Karen Cristine Xavier


OAB/GO 32.720 OAB/GO 43.608

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EXCELSO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Recorrente: MINERAÇÃO SERRA GRANDE


Recorrido: ADENIR GOMES DA SILVA
Processo: 000967-13.2014.5.18.0201

RAZÕES RECURSAIS

Colenda Turma Julgadora

1. CABIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO


Inconformada com a decisão consubstanciada no v. acórdão da SBDI-1 do
Tribunal Superior do Trabalho, proferido em última instancia, vem, respeitosamente,
interpor o presente Recurso Extraordinário, tendo em vista que houve afronta direta e
literal ao dispositivo da Constituição Federal, mais precisamente a literalidade do
artigos 5º, inciso II, LV, XXXV e artigo 7º inciso XIII e XXVI da CF/88, para
tanto, as razões seguintes.

2. DA SÍNTESE FÁTICA.
A matéria debatida nos autos, não enseja revolvimento de matéria fática, diz
respeito à possibilide de, em negociação coletiva, em razão do princípio da prevalência
do Acordo Coletivo de Trabalho e da autonomia da vontade das partes contratantes,
estabelecerem que não serão pagas como extra as horas in itinere, haja vista a existência
de vantagens pactuadas nos acordos coletivos, bem como o fato de que a empresa
recorrente dista a apenas 3,5km da zona urbana, sendo que o trajeto pode ser vencido à
pé ou por outros meios de transporte.
Em decorrência do instrumento normativo firmado sem qualquer insurgência
pelo sindicato obreiro ao longo de anos, surge a questão se o C. Tribunal Superior do
Trabalho pode afastar o Acordo Coletivo de Trabalho firmado entre a Recorrente e as
entidades representativas das bases sindicais da categoria, invalidando algumas de suas

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cláusulas, cujos termos e condições vêm sendo cumpridas na forma estipulada e desde
sempre mantida nos acordos subsequentes, pois, a prevalecer tal decisão, proferida no
bojo de uma ação individual, com força de precedente uniformizador sobre o tema no
âmbito da Justiça do Trabalho, poderá importar em grandes prejuízos financeiros da
empresa recorrente, importando até mesmo no encerramento de suas atividades.
Na espécie, cuida-se de Reclamação Trabalhista movida por ex-empregado da
ora recorrente postulando o pagamento de horas in itinere, acrescido do adicional de
50% e reflexos nas demais verbas, estabelecida em cláusula de Acordo Coletivo de
Trabalho firmado com o Sindicato da Categoria, e desde sempre, praticada nos moldes
e condições estabelecidos entre as partes contratantes.
O pedido foi julgado improcedente em primeiro grau.
O Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região reformou a r. sentença e
condenou a recorrente ao pagamento das horas in itinere, entendendo pela invalidade
do instrumento coletivo.
O Recurso de Revista interposto pela recorrente teve o seu curso denegado.
Interposto Agravo de Instrumento no Recurso de Revista, a 5ª Turma do C.
TST negou provimento, sob o fundamento de que a decisão recorrida, encontra-se de
acordo com o entendimento do C. TST.
Da referida decisão, foram interpostos Recurso de Embargos à SBDI-1.
Extraí-se das razões de decidir do v. Acórdão proferido pelo colendo TST que
a vontade das partes, ao firmar a norma coletiva e estabelecerem a forma de
negociação das horas in itinere, entendeu que o pactuado no referido instrumento não
tem validade, pois supreme direitos, o que segundo sua ótica infrige o art. 58, § 2º da
CLT.
O v. Acórdão ora recorrido, por sua vez, ao assim decidir afrontou, direta e
literalmente o disposto no artigos 5º, inciso II, LV, XXXV, e artigo 7º inciso XIII
e XXVI da CF/88, como a seguir se demonstrará, devendo, por conseqüência, ser
reformado.
Assim, requer a reforma do julgado.

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3. DO CABIMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO E DA
NECESSIDADE DE REFORMA DO V. ACÓRDÃO ORA ATACADO.
O presente recurso tem como fundamento o artigo 102, inciso III, letra "a", da
Constituição Federal, que assim dispõe:
"Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente,
a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
(...)
III - Julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última
instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;"

No presente caso, como será demonstrado, houve interpretação equivocada


do v. acórdão, contrariando diretamente o artigos 5º, inciso II, LV, XXXV e artigo
7º inciso XIII e XXVI e Súmula Vinculante nº 10 do STF, , que assim dispõe:
Artigo 5º
(...)
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei;
(...)
LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa,
com os meios e recuros a ela inerentes;
XXXV – a lei não excluíra da apreciação do Poder Judiciário lesão
ou ameaça a direito;
(...)

Art. 7º
(...)
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias
e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de
horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção
coletiva de trabalho;
XXVI – reconhecimento das convenções e acordos coletivos do
trabalho;

“Sumula Vinculante 10:


Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de
órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
poder Público, afasta sua incidência, no todo ou em parte”.

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4. OS LIMITES DA CONTROVÉRSIA SUBMETIDA AO C. TST.
QUESTÕES OBJETO DO APELO EXTRAORDINÁRIO PLENAMENTE
PREQUESTIONADAS. DESNECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE
MATÉRIA FÁTICA.
Discute-se nos autos a possibilidade, de uma vez identificada a vontade das
partes firmada em noma coletiva da categoria, que estabeleceu/convencionou que o
tempo despendido através de veículo fornecido pela recorrente de ida ou retorno ao
trabalho não dá ensejo ao pagamento de horas in itinere, conforme entendimento dos
julgadores que vos antecederam, bem como, a aplicação de multa por embargos
protelatórios.
Vislumbra-se que a validade do pactuado na convenção coletiva bem como a
possibilidade de flexibilização das horas in itinere, restou devidamente
prequestionados.
Senão vejamos, a ementa extraída da decisão atritada:
“AGRAVO REGIMENTAL. HORAS IN ITINERE. NORMA
COLETIVA. SUPRESSÃO. DENEGAÇÃO DE SEGUIMENTO.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 557, CAPUT, DO CPC. ACERTO DA
DECISÃO AGRAVADA. NÃO PROVIMENTO. O artigo 557, caput, do
CPC autoriza o relator a negar seguimento ao recurso quando manifestamente
inadmissível, improcedente ou prejudicado em razão de entendimento sumulado pelo
respectivo Tribunal. Na hipótese, negou-se seguimento ao agravo de instrumento, em
razão de o acórdão regional se encontrar em consonância com a Súmula nº 90, II. No
presente agravo, embora a parte recorrente demonstre seu inconformismo, reiterando as
teses anteriormente esposadas, não apresenta argumentos que demovam a decisão
denegatória do agravo de instrumento. Por tal razão, deve ser mantido o decisum ora
agravado. Agravo regimental a que se nega provimento”.

Assim, pretende a recorrente discutir a possibilidade dos Tribunais


Trabalhistas conferirem conteúdo à clausula coletiva diferente da vontade declarada
pelas partes no instrumento normativo, em manifesto prejuízo a uma das partes que
firmaram o acordo coletivo.
O presente recurso, fora devidamente prequestionado, não importando em
vedação ao contido na Súmula 282 do STF.

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Assim, a decisão atritada negou validade ao estabelecido na Norma Coletiva,
violando os artigos 5º, inciso II, LV, XXXV artigo 7º inciso XIII e XXVI da
CF/88.
Desta feita, merece o presente Recurso Extraordinário o conhecimento e
provimento, conforme razões abaixo expendidas:

5. REPERCUSSÃO DAS QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.


A Constituição Federal, em seu artigo 102, com redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, e, o contido no artigo 543-A, § 2º do CPC, a recorrente
demonstra a repercussão geral da questão abordada neste recurso excepcional, que
ultrapassa os interesses subjetivos do recorrente, visto que pretende a observância do
que dispõe os artigos 5º, inciso II, LV, XXXV e artigo 7º inciso XIII e XXVI da
CF/88, nos quais restaram inobservados pelos julgadores que vos antecederam.
O v. acórdão recorrido feriu questão que, a todas as luzes, transcendem o
direito subjetivo das partes e, ademais, compreende relevância, do ponto de vista
econômico, político, social e jurídico, impactando o sistema das negociações coletivas
de trabalho, causando óbice ao principio da segurança jurídica, contido no art. 5º inciso
LV, e inciso XXVI do art. 7º da CF/88.
Proferido pelo C. TST, a decisão vergastada, por força da função
uniformizadora de jurisprudência, poderão advir diversas consequências, pois, a
despeito de a discussão cingir-se às partes do processo, todavia, os julgadores que vos
antecederam afastaram a validade de cláusulas do Acordo Coletivo firmado há vários
anos, desde sempre praticada conforme os critérios e condições estipuladas entre as
partes, no que pertine ao convencionado de que a opção pelo uso do transporte
fornecido pela empresa, não constitui hora in itinere ou à disposição do empregador.
Diante disso, poderão surgir inúmeros processos em face da recorrente, com
graves efeitos jurídicos e conômicos, vez que os julgadores que vos antencederam, não
observaram o contido no artigo 5º, inc. LV e Art. 7º inciso XXVI da CF/88, que em
homenagem ao postulado da segurança jurídica, deverá ser observado o pactuado nas
normas e acordos coletivos.

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Assim, presente a transcendência da questão/Repercussão Geral, a ser
analisada por esta Corte Excepcional.
Ao invalidar a cláusula que estabeleceu que o tempo despendido através de
veículo fornecido pela recorrente de ida ou retorno ao trabalho não dá ensejo ao
pagamento de horas in itinere, os Julgadores que vos antecederam invalidaram o
convencionado pelas partes da negociação coletiva, sendo que a empresa signatária
fora supreendida no bojo de uma ação individual, sujeita, ainda, ao efeito de
pluralização de tal decisão.
Registra-se ainda que ao negar validade à cláusula Oitava do acordo coletivo
de trabalho, ultrapassou o principio constitucional que é o da prevalência da
negociação coletiva, contido no artigo 7º, XXVI da CF/88, para declarar a validade dos
acordos coletivos, negando vigência ao primado da segurança jurídica.
A questão constitucional retratada no v. acórdão recorrido, qual seja, a
validade de negociação coletiva e demais inobservância a legislação constitucional,
ultrapassa alguns princípios constitucionais, à saber:
O primeiro, é o da prevalência da negociação coletiva, contido no art. 7º,
XXVI da CF/88, que declaram a validade da clausula do Acordo Coletivo.
O segundo, é principio da segurança jurídica, contido no art. 5º, XXXVI da
CF/88, isso porque as clausulas invalidadas, vem se renovando a vários anos, nos
mesmos moldes em que desde então é rigorosamente cumprida pelo empregador.
Alterá-la agora como decidiu os julgadores que vos antecederam, impõe, a todas as
luzes, à parte que negociou e firmou a negociação, flagrante insegurança jurídica.
Em hipótese similiar o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de
repercussão geral, senão vejamos, RE 590.415/SC:
“Encontra-se em julgamento, neste Plenário Virtual, a presentção de repercussão
geral na questão suscitada no Recurso Extraordinário 590415, a saber, a validade e
a eficárica de renuncia a direitos contida em termo de adesão ao Programa de
Desligamento Incentivado – PDI, com chancela sindical, e prevista em nomra de
acordo coletivo.
(...)
A recorrente afirma que a matéria discutida no presente recurso extraordinário possui
relevância econômica, social e jurídica, a justificar o reconhecimento do recurso
extraordinário patronal. No mérito, alega ofensa aos artigos 5º, inciso

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XXXVI, e 7º, inciso XXVI da Constituição Federal, que reconhecem
eficácia e validae ao ato jurídico perfeito e às convenções e acordos coleitivos de
trabalho. Acrescenta que ao TST não é dado desconsiderar a quitação concedida pelo
empregado, ao aderir ao Plano de Demissão Voluntário originado de acordo coletivo
celebrado com o Sindicato respectivo.

(...) Muito embora entenda ser incabível o reconhecimento da repercussão geral nos
casos emq eu não não haja controvérsia contisticuional a ser dirimida pela via do
extraordinário, entende o que a questão jurídica de que se trata nestes
autos está a reclamar o exame da presença deste pressuposto de
admissibilidade, não como supletivo da presença dos demais, mas
porque, a meu ver estamos diatne de autencia questão
constitucionalo, merecedora do pronunciamento de mérito desta Corte.
É que na decisão recorrida, o Tribunal superior do Trabalho, ao dar provimento ao
Recurso Revista, afastou por invalidade, norma constante de acordo
coletivo celebrado entre sindicato patronal e trabalhadores, que
previu de forma expressa a possibilidade de ser concedida quitação plena pelo
trabalhadors, ao aderir ao Plano de Demissão Incentivada.
(...)
Naquele julgamento invocado como precedente da decisão ora recorrida, discutiu-se em
face do reconhecimento constitucional dos acordos coletivos de trabalho(art. 7º, inc.
XXVI) seria lícito ao Sindicato da categoria profissional celebrar a avença nos
termos em que a firmou. A conclusão foi negativa, colhendo-se do voto condutor: “A
meu juízo, não. O poder de disposição do sindicato em relação aos
direitos individuais dos representados, de conformidade com a
Constituição Federal, concerne estritamente a salário e jornada. Se
lhe fosse dado ir adiant, não teria sido encetada, recentemente, uma fracassada
tentativa de mudança da CLT exatamente para emprestar prevalência ao negociado
entre sindicatos e patrões, em confronto com a lei, o que, na prática, apenas abriria
caminho para a redução de importantes direitos trabalhistas, tal como se dá no caso
sob exame.
(..)
A matéria constitucional, portanto, está delineada e prequestionada nos autos e sua
análise foi determinante para o julgamento da lide no âmbito do TST.
(...)
Concluo que se ofensa houver à Constituição, não será reflexa, mas direta. Entendo,
ademais, que se a questão se solucionar pela interpretação sobre o alcance do
reconhecimento que a Constituição reservou aos acordos e convenções coletivas de
trabalho, caberá a esta Corte dar a palavra final, definindo em que limites se
poderá abandonar o que foi pactuado entre os sindicatos patronais
e dos trabalhadores.
....
Relevantes, pois, sob os aspectos social, jurídico e econômico, as questões constitucionais
aqui discutidas. A decisão de mérito que sobrevier terá importância, inclusive, na

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definição dos limites em que se deverá estimular a utilização destes instrumentos de
pactuação de direitos”.
(manifestação do Ministro Gilmar Mendes)

“... está em jogo a segurança jurídica no que, sem o envolvimento


do vício quanto à manifestação da vontade das partes, colocou-se,
presente programa de incentivo à demissão voluntária, fim ao contrato de trabalhyo. A
corte de orgiem assentou a insubsistência do ato. Impoe-se, em termos
de prevalência da Constituição Federal, a manifestação do Supremo. Admito a
repercussão geral suscitada”. (negritamos).
Nota: Repositório autorizado do STF nº 41/2009, do STJ nº
67/2008 e do TST nº 35/2009.

Assim, o presente recurso possui questão igualmente discutida nos autos do


RE 590.415/SC e dos autos RE , qual seja, a declaração de invalidade de cláusulas
firmadas em acordo coletivo, assim, concluiu-se que a questão federal em discussão
deverá ser atribuido a repercussão geral.
Registra-se que a relevância do tema sob os aspectos econômico, político,
social e jurídico, estão presentes, vez que se a decisão afetar a totalidade dos
empregados da recorrente (que ultrapassa a casa de mil empregados), aliada a força dos
precedentes jurisprudenciais uniformizadores, resta demonstrado que a discussão
ultrapassa/ampliação os limites desta causa, projetando-se sobre uma infinidade de
contratos de trabalho podendo importar em vários ajuizamento de Reclamatórias
trabalhistas, o que importará em impacto na folha de pagamento em valor expressivo,
e, consequentemente a descapitalização da recorrente, importando em um
consequente, encerramento de um posto de trabalho.
A decisão atritada/recorrida não observou o primado da segurança jurídica,
pois, à prevalecer tal decisão, acaba por inibir a via da negociação coletiva e as
vantagens desse instrumento para os trabalhadores, vez que as empresas, ficaram
temerosas de firmar acordos, e depois estes virem a ter a sua validade negada pelo
Poder Judiciário, importando em prejuízos de ordem econômica, jurídica e social.
Assim, resta demonstrada, a relevância e a transcedência jurídica que
configuram a repercussão geral, devendo a controvérsia ser debatida nestes autos
“ultrapassa os interesses subjetivos da causa”, conforme dispõe o § 1º do art. 543-A do CPC,

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razão pela qual plenamente viável a admissão do presente recurso para análise do litígio
ora em debate, sob pena de se fazer letra morta as garantias constitucionais apontadas
como violadas.

MERITALMENTE:
6. HORA IN ITINERE. DESCONSIDERAÇÃO DA CONVENÇÃO
COLETIVA DE TRABALHO E INVERSÃO DO ONUS DA PROVA.
VIOLAÇÃO AO ARTIGO 7º, INCISOS XIII e XXVI da CF/88; SÚMULA
VINCULANTE Nº 10 DO STF:
A C. 7ª Turma, analisando a matéria, conheceu e negou provimento ao Agravo
de Instrumento no Recurso de Revista, mantendo a condenação da embargante ao
pagamento das horas in itinere, a título de horas in itinere, sob o argumento de que tais
horas não podem ser suprimidas por acordo coletivo, negando validade ao acordo
coletivo firmado entre a empresa recorrente e o Sindicato da Categoria. Seguem
Trechos do acórdão ora recorrido:
“(...)
Inconformada, a parte interpõe o presente agravo, por meio do qual requer reforma do
referido decisum.
Sem razão.
O artigo 557, caput, do CPC autoriza o relator a negar seguimento ao recurso
quando manifestamente inadmissível, improcedente ou prejudicado em razão de
entendimento sumulado pelo respectivo Tribunal.
Na hipótese, negou-se seguimento ao agravo de instrumento, em razão de o acórdão
regional se encontrar em consonância com a Súmula nº 90.
O sistema de proteção e prevalência da autonomia privada coletiva encontra limites
nos princípios e normas que compõem o ordenamento jurídico como um todo.
Dessa forma, na medida em que se privilegia a negociação coletiva, a flexibilização
das normas encontra limites no sistema jurídico, garantindo-se direitos e benefícios
básicos ao trabalhador. Dentre eles, limita-se a atuação dos sindicatos no tocante a
cláusulas abusivas e que dispõem a respeito de renúncia de direitos. A elasticidade da
norma é autorizada, desde que não tenha como consequência a supressão do direito
instituído por norma legal.
Nesse contexto, esta colenda Corte Superior possui o entendimento segundo o qual o
artigo 58, § 2º, da CLT é considerado norma de ordem pública, não podendo, assim,
ser fruto de transação entre as partes negociantes a supressão da matéria nele
preceituada. Nesse sentido, precedentes da egrégia SBDI-1:
"EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 11.496/2007. HORAS IN
ITINERE. SUPRESSÃO. ACORDO COLETIVO. INVALIDADE.

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NÃO PROVIMENTO. 1. É cediço que a Constituição Federal, por meio do
artigo 7º, XXVI, prestigia a negociação coletiva, ao reconhecer a validade das
convenções e dos acordos coletivos de trabalho, nos quais os atores sociais podem
flexibilizar as condições de trabalho. Trata-se do princípio da autonomia privada
negocial coletiva. 2. O referido princípio, contudo, não é absoluto, uma vez que
encontra limites nos princípios e normas que compõem o ordenamento jurídico como
um todo. 3. Nesse contexto, após a edição da Lei nº 10.243/2001, que deu
redação ao § 2º do artigo 58 da CLT, considera-se inválida a cláusula coletiva
que suprime o pagamento de horas in itinere, por se tratar de direito decorrente de
lei, o qual não pode ser retirado por meio de negociação coletiva. 4. Recurso de
embargos de que se conhece, no particular, e a que se nega provimento." (E-ED-
RR - 878-20.2011.5.03.0069, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo
Bastos, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação:
DEJT 16/05/2014)

"RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA


LEI N.º 11.496/2007. HORAS IN ITINERE. SUPRESSÃO.
NORMA COLETIVA. INVALIDADE. 1. O princípio do
reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho, consagrado no artigo
7º, XXVI, da Constituição da República, apenas guarda pertinência com aquelas
hipóteses em que o conteúdo das normas pactuadas não se revela contrário a
preceitos legais de caráter cogente. 2. O pagamento das horas in itinere está
assegurado pelo artigo 58, § 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho, norma
que se reveste do caráter de ordem pública. Sua supressão, mediante norma
coletiva, ainda que mediante a concessão de outras vantagens aos empregados,
afronta diretamente a referida disposição de lei, além de atentar contra os preceitos
constitucionais assecuratórios de condições mínimas de proteção ao trabalho.
Resulta evidente, daí, que tal avença não encontra respaldo no artigo 7º, XXVI,
da Constituição da República. Precedentes da SBDI-I. 3. Recurso de embargos
conhecido e não provido." (E-ED-RR - 1928-03.2010.5.06.0241, Relator
Ministro: Lelio Bentes Corrêa, Subseção I Especializada em Dissídios
Individuais, Data de Publicação: DEJT 11/04/2014)

"[...] B) RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO PELA


SEGUNDA RECLAMADA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
EM RECURSO DE REVISTA. HORAS IN ITINERE.
SUPRESSÃO POR NORMA COLETIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Após a vigência da Lei nº 10.243/2001, é inválido o instrumento coletivo que
procede à supressão total do direito às horas in itinere, disciplinado no artigo 58, §
2º, da CLT, por se tratar de norma cogente. Precedentes desta Subseção
Especializada. Recurso de embargos conhecido e não provido." (E-ED-RR -
117100-41.2009.5.12.0053, Relatora Ministra: Dora Maria da Costa,
Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT
22/11/2013)

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Ademais, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, tendo em vista que
egrégia Corte Regional foi clara ao consignar as razões porque são devidas as horas in
itinere, nos termos da Súmula nº 90, II.
No presente agravo, embora a parte recorrente demonstre seu inconformismo,
reiterando as teses anteriormente esposadas, não apresenta argumentos que demovam a
decisão denegatória do agravo de instrumento.
Por tal razão, deve ser mantido o decisum ora agravado.
Em face do exposto, nego provimento ao apelo”.

Em que pese o entendimento da C. 5ª Turma do TST, a interpretação acerca


da validade do acordo coletivo que permite a negociação das horas in itinere.
As questões que derivam essa controvérsia seriam: em primeiro plano, saber
se, uma vez identificada qual a vontade dos entes coletivos, pode o Poder Judiciário
conferir outro conteúdo à vontade das partes, invalidando a jornada de trabalho
estabelecida em acordo coletivo, e, descaracterizando o banco de horas.
Em um segundo momento, saber se o Poder Judiciário, pode retroagir as
normas existentes, para alcançar fato pretérito(ato jurídico perfeito), em plena
inobservâncias as normas e princípios constitucionais.
Em um terceiro momento, cabe verificar se os critérios definidos pelo C. TST,
de fato observam as normas constitucionais, sem ferir o principio da segurança
jurídica, e do ato jurídico perfeito.
Frise-se que não se está a discutir a possibilidade do Poder Judiciário, exercer
controle de legalidade sobre acordo coletivo, mas, sim, os limites da intervenção
judicial sobre a negociação coletiva.
No caso em exame, o v. acórdão recorrido invalidou parcialmente a vontade
das partes firmada no acordo coletivo, em flagrante violação ao ato jurídico perfeito e à
vontade das partes, retratada na decisão recorrida no momento da assinatura do
acordo.
O entendimento firmado no v. acórdão recorrido, concluiu que a condenação
da recorrentee ao pagamento de horas in itinere, a título de horas in itinere está correta,
sob o argumento de que tais horas não podem ser suprimidas por acordo coletivo,
negando validade ao acordo coletivo firmado entre a empresa recorrente e o Sindicato
da Categoria.

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O presente pleito extraordinário resta autorizado na medida em que não se
requer uma reanalise do teor da norma coletiva, haja vista que o TST já apontou o
conteúdo e a qualificação jurídica atribuída.
Aviolação constituicional, portanto é direta, e a discussão cingida ao tema: qual
seja a supressão do pagamento de horas in itinere, por meio de negociação coletiva
entre as entidades Sindicais, em se tratando de direito passível de negociação coletiva.
Doutos Ministros, em plena inobservância ao contido no artigo 5º, II e
XXXVI e 7º, XXVI da CF, o C. TST, negou validade ao acordo coletivo firmado pela
recorrente e o Sindicato da categoria, desprestigiando o fato de que o acordo coletivo
possui patamar constitucional, e, deve ser prestigiado e valorizado, pois tais sindicatos
atuam em benefício da categoria.
Não obstante tal fato e a despeito do que dispõe o Texto Constitucional,
mormente em seu art. 7º, inciso XXVI, o C. TST entendeu por declarar a invalidade da
norma coletiva legitimamente pactuada nos autos, para reconhecer que tais horas não
podem ser suprimidas por acordo coletivo, negando validade ao acordo coletivo
firmado entre a empresa recorrente e o Sindicato da Categoria.
As questões posta em debate referem-se ao Poder Judiciário pode conferir
outro conteúdo a vontade das partes, e, substituir os critérios estabelecido em normas
convencionais definidos pelas partes para impor os seus próprios, vez que, apesar de
aparentemente tal cláusula ser desfavorável ao empregado, todavia, do instrumento
coletivo, no conjunto, exurgem normas favoráveis que tutelam de maneira adequada o
interesse dos trabalhadores o que é da natureza dos acordos coletivos.
Inobstante caiba ao Poder Judiciário exercer o controle de legalidade sobre
acordos coletivos, todavia, o limite da intervenção judicial sobre tais normas
convencionais, deverá ocorrer quando importar em flagrante prejuízo as partes.
A equação de interesse definida nesse ajuste não pode ser apreciada
pontualmente, mas somente sistematicamente, sob pena de desiquilibrar o ajuste e
causar prejuízo injustificável a uma das partes, senão vejamos o contido na cláusula 8ª
(objeto da controvésia), senão vejamos:
CLÁUSULA OITAVA – MANUTENÇÃO DO ACORDO
ANTERIOR

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Ficam mantidas como parte integrante deste, as seguintes disposições do acordo
anterior:
(...)
18 – TRANSPORTE – HORA IN ITINERE
18.1 – Com o objetivo de suprir deficiência e evitar desconforto do transporte público
regular que serve também aos empregados da empresa, é facultado a ela fornecer
transporte através de empresa idônea, sob regime do vale-transporte, para uso
facultativo do empregado, convencionando-se que a opção não constitui
hora in itinere ou à disposição do empregador.

As convenções e acordos coletivos de trabalho são reconhecidos


constitucionalmente pelo Art. 7º, inciso XXVI, de modo que ao condenar a recorrente
ao pagaemnto de horas in itinere, o Egrégio TRT negou vigência ao que dispõem os
acordos coletivos jungidos aos autos, em plena ofensa ao contido na CF/88.
Entretanto, o referido entendimento merece apreciação por esta Corte
Suprema, vez que equivocado, e em plena inobservância ao texto constitucional.
Doutos Ministros, o v. acórdão recorrido, renunciou publicamente o acordo
coletivo firmado pela recorrente e o sindicato da categoria, invalidando uma de suas
cláusulas, à saber a de nº 8ª, que prescreve à flexibilização de direitos dos empregados,
estabelecendo outros fundamentos, impondo a parte recorrente terrível insegurança
jurídica e desarrazoado e excessivo ônus financeiro, além de violar o art. 7º XXVI da
CRFB/88, vez qu e o procedimento adotado pela recorrente encontra-se em
perfeita harmonia com o instrumento coletivo de trabalho da categoria do
reclamante.
Deste modo, considerando a peculiaridade da atividade desenvolvida pela
recorrente, e, considerando que a empresa dista da cidade apenas 3,5 Km (podendo ser
vencido de bicicleta ou a pé – conforme costume das cidades interioranas),
conjuntamente com o fato de que deve prevalecer a autonomia da vontade privada,
devidamente disciplinada no art. 7º, XXVI da CF, sendo que a inobservância ao
pactuado no instrumento normativo, importa em flagrante negativa de vigência a
Súmula Vinculante 10 desta Corte Suprema, que assim, dispõe:
“Sumula Vinculante 10 – Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a
decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder Público, afasta sua
incidência, no todo ou em parte”.

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Assim, a decisão do C. TST violou o art. 7º, inciso XXVI e art. 8º, inciso III e
VI da Constituição Federal, vez que a intenção do legislador ao reconhecer as
convenções e acordos coletivos, demonstrando a preocupação em estimular a
negociação de melhores condições de trabalho pelos sindicatos patronal e profissional.
A concessão de transporte gratuito aos trabalhadores se constitui histórica e
importante conquista da classe operária, que, durante anos, lutou pelo benefício, vindo
o mesmo, inclusive, a ser contemplado nas próprias convenções coletivas firmadas
entre o Sindicato obreiro e o Sindicato Patronal.
Não obstante a legitimidade e constitucionalidade da negociação havida, as
decisões anteriores, invalidaram, a negociação coletiva, não observando o contido no
artigo 7º, inciso XXVI da CF, que permite a flexibilização de direitos trabalhistas
mediante negociação coletiva em relação a salário e jornada de trabalho. E, ainda, os
termos da norma coletiva, no que tange ao estabelecido quanto as horas in itinere não
ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, vez que o percurso é de
apenas 3,5Km, conforme constatado pelas instancias ordinária.
Destaca-se que a discussão, é plenamente financeira, e sob esse aspecto a
própria Constituição Federal admitiu a negociação, conforme preconiza o Art. 7º,
VI, não envolvendo na hipótese infrações as normas de medicina e segurança do
trabalho.
Neste contexto, considerando que o acordo coletivo prevê que a opção do uso
do veículo fornecida pela empresa, não constitui horas in itinere ou à disposição do
empregador, assim, ao condenar a recorrente ao pagamento de tal título em debate o
E. TRT negou vigência ao disposto nas Convenções Coletivas, em flagrante
violação ao art. 7º, XXVI da Constituição Federal, que reconhece a validade dos
instrumentos coletivos de trabalho, pelo que com a devida vênia requer a reforma
do v. julgado para excluir as condenações impostas à ora recorrente.
Assim, o v. acórdão violou o artigo 7°, inciso XXVI da Constituição
Federal, uma vez que não validou os Acordos Coletivos, os quais foram reconhecidos
pela Constituição Federal.

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Em sendo assim, propugna pela reforma do julgado a fim de que,
restabelecido o devido processo legal, seja dada eficácia plena a norma coletiva
legitimamente acordada e consequente absolvição da empresa Recorrente quanto ao
pagamento das horas in itinere, em razão do pactuado na norma coletiva em discussão,
ofensa à Constituição Federal, artigo 7°, inciso XXVI, da CF/88 e Súmula Vinculante
nº 10 do STF.

8. PEDIDO
Diante do exposto, espera o recorrente seja recebido e processado o presente
Recurso Extraordinário, intimando-se o recorrido, para que apresente a resposta que
entender cabível, remetendo-se os autos, após análise prévia de admissibilidade, ao
Colendo Supremo Tribunal Federal, para julgamento, dando-lhe, ao final, integral
provimento, reformando, por conseqüência, o v. Acórdão recorrido, com a correta
interpretação do artigo 5º, inciso II, LV, XXXV e artigo 7º inciso XIII e XXVI da
CF/88 e Súmula Vinculante nº 10 desta Corte Suprema, para ao final, fazendo
prevalecer a ordem constitucional vigente, reformando o r. Acórdão do Tribunal
Regional da 18ª Região, julgando-se improcedente o pedido exordial, neste particular,
por ser medida de JUSTIÇA!!!
Nestes termos,
Pede Deferimento.
Goiânia, 17 de março de 2016.

Patrícia Miranda Centeno Denise A. de Miranda Bento


OAB/GO 24.190 OAB/GO 21.789

Lorena Miranda C.Gasel Joice R. de Souza Griffo


OAB/GO 29.390 OAB/GO 32.538

Taopi Pinto Clavijo Miriam José Silva


OAB/GO 32.409 OAB/GO 25.447

Natália M. O. Coelho Camila Pereira A. Leite Leal


OAB/GO 37.191 OAB/GO 37.741-A

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Carla Zanina Oliveira Karen Cristine Xavier
OAB/GO 32.720 OAB/GO 43.608

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