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PRÓTESE PARCIAL FIXA

Para que uma PPF não sofra qualquer tipo de movimentação, seja axial ou oblíqua, o preparo
deve apresentar quatro requisitos:

1. Retenção
2. Estabilidade
3. Rigidez estrutural
4. Integridade marginal

A . RETENÇÃO

Qualidade que uma prótese apresenta de atuar contra força de deslocamento ao longo
da sua via de inserção (impede o deslocamento axial).

 Retenção friccional: contato existente entre a superfícies internas da


restauração com as superfícies externas do dente preparado.
A retenção é dependente de aspectos relacionados com a área preparada, a altura, a
largura e a conexidade das paredes do preparo: quanto maior a área de contato entre a
superfície preparada e a prótese e quanto mais paralelas forem essas paredes, mais
retentivo será o preparo e, consequentemente, maior será a retenção da prótese (Fig.
3.1). Entretanto, paredes muito paralelas dificultam o assentamento da prótese,
causando desadaptação oclusal e marginal.

Quando se realiza um preparo para coroa total, é importante ter em mente a forma da
anatomia do dente que será preparado, com suas áreas côncavas próximas à margem gengival,
planas no terço gengival e convexas no terço oclusal/incisal. O preparo no terço gengival não
pode ter áreas retentivas; o terço médio deve apresentar-se plano; e o terço incisal/oclusal,
com uma inclinação semelhante a que essa face apresentava antes do desgaste. Isso significa
que as paredes axiais devem apresentar duas inclinações: a 1• inclinação na metade inferior e
a 2• inclinação na metade superior (Fig. 3.2). Ou seja, a coroa de um dente preparado deve ser
uma miniatura da coroa íntegra.
.

Preparar as faces axiais com uma única inclinação é um erro muito comum, que leva as
paredes axiais a apresentar Ângulos maiores que 10º, com consequências negativas para a
retenção da prótese. Dentes com coroas longas apresentam uma grande superfície de contato
entre a coroa e o preparo, e dessa forma podem ser preparados com inclinações maiores que
10º, para não criar áreas de retenção friccional acentuada e que podem dificultar o
assentamento da coroa.

Dentes com coroas curtas devem ser preparados mantendo-se as paredes axiais mais
paralelas (no máximos•). Para melhorar a retenção, podem ser confeccionados sulcos ou
canaletas nessas paredes para aumentar a área de superfície do preparo. Também se pode
criar um plano de inserção definido, reduzindo as possibilidades de deslocamento da coroa,
especialmente quando a prótese é submetida a forças laterais (Fig. 3.3).

Nos casos de PPFs, deve-se buscar uma forma de paralelismo entre as faces axiais dos
preparos dos dentes pilares, a fim de obter um eixo de inserção único, fundamental para o
correto assentamento da prótese (Fig. 3.4).

A análise do paralelismo entre as paredes axiais dos preparos é feita em um modelo de


gesso dos dentes preparados, a uma distância aproximada de 30 cm, com um dos olhos
abertos, procurando visualizar todos os términos dos preparos. Se uma ou mais áreas não
podem ser observadas, é porque existem áreas retentivas. A marcação dos ângulos
axiocervicais com grafite auxilia nessa análise (Fig. 3.5).
B. RESISTÊNCIA OU ESTABILIDADE

A forma do preparo deve prover resistência e estabilidade para minimizar a ação das
forças oblíquas que incidem sobre a prótese e que podem causar sua rotação e deslocamento.
A altura e a angulação das paredes axiais do preparo são essenciais para impedir o
deslocamento da prótese.

 Altura do preparo: a altura do preparo tem de ser igual ou superior à sua largura.
Dentes com largura maior do que a altura são mais suscetíveis à rotação da prótese e,
consequentemente, ao seu deslocamento.
 Angulação das paredes do preparo: quanto menor a angulação das paredes axiais do
preparo, maior é a estabilidade da prótese. Paredes com inclinações mais próximas do
paralelismo dificultam o deslocamento da prótese quando é submetida à ação de
forças obliquas. Esse aspecto é particularmente importante para os dentes com coroas
curtas.

No caso de preparos curtos ou com conicidade acentuada, a confecção de canaletas ou


sulcos nas paredes axiais - ou de uma caixa oclusal, quando houver cáries ou restaurações
nessas áreas - cria uma segunda área de resistência ao deslocamento, o que dificulta a rotação
da prótese (Fig. 3.6).
C. RIGIDEZ ESTRUTURAL

A rigidez estrutural é dependente do tipo do material da infraestrutura, do tipo de término


e da quantidade de desgaste dentário. A quantidade de desgaste do preparo deve ser
suficiente para acomodar adequadamente a espessura do material restaurador selecionado
(liga metálica e/ou cerãmica). Essa redução deve ser específica para cada material (ver
Características Finais do Preparo no item Técnica de preparo), uma vez que preparas com
desgastes reduzidos comprometem a estética e a longevidade da prótese perante os esforços
mastigatórios, ao passo que os desgastes acentuados comprometem a saúde pulpar.

D. INTEGRIDADE MARGINAL

O preparo deve permitir uma adequada adaptação da coroa no dente pilar. Para isso, o
término gengival deve ser nítido, para ser facilmente reproduzido na moldagem, e deve
apresentar espessura suficiente para acomodar a coroa sem sobrecontorno. Quanto mais bem
adaptada estiver a coroa, menor será a espessura da linha de cimento e a possibilidade de
adesão da placa nessa área. Consequentemente, menor será também a possibilidade de
recidiva de cárie, principal causa de fracassos em PPF.

E. LOCALIZAÇÃO DO TÉRMINO CERVICAL

O término cervical pode estar localizado em três níveis em relaçao à margem gengival:

• Supragengival: está indicado em regiões não estéticas e sua localização deve ser de
aproximadamente 2 mm acima da margem gengival. Essa localização permite uma melhor
visuallzaçao do término nos procedimentos de moldagem, adaptação da coroa provisória e da
infraestrutura e um melhor controle da higiene, por expor a interface prótese-dente.
Entretanto, pode comprometer a retenção e a estabilidade da prótese se as paredes axiais do
dente preparado não apresentarem altura maior do que a largura.

• No nível da gengiva marginal: posicionar o término ao nível gengival não é


recomendado, pois essa é a região que mais acumula placa. Como consequência disso, pode
ocorrer recidiva de cárie, inflamação gengival, recessão gengival e exposição da cinta metálica,
nos casos de próteses metalocerãmlcas

• Subgengival: o término deve ser localizado 0,5 mm no interior do sulco gengival para se
obter melhor estética - por esconder a interface entre a restauração e o dente preparado no
interior do sulco-, aumentar a retenção em preparos de dentes com coroa curta e também
preservar a homeostasia da área.

F. TIPOS DE TÉRMINO CERVICAL

Existem diferentes desenhos de términos, cada um com suas indicações. Na Tabela 3.1, são
apresentadas as características dos tipos de términos cervicais mais utilizados em PPFs.
PRINCÍPIOS ESTÉTICOS
Desgaste insuficiente influencia as propriedades ópticas da restauração, alterando a
percepção da cor e a translucidez da cerâmica, além de interferir no formato da restauração, na
resistência da infraestrutura e na saúde dos tecidos periodontais (Fig. 3.7).
Para evitar preparos com falta ou excesso de desgaste, deve-se utilizar uma técnica de
preparo que assegure a redução padronizada da estrutura dentária, de acordo com as
necessidades estéticas e funcionais de cada região e dos materiais empregados para a
confecção da prótese. Pode-se também empregar uma matriz de silicone ou de plástico obtida
do enceramento diagnóstico ou do próprio dente, se este estiver bem posicionado no arco.
Esse guia, quando posicionado sobre o preparo, serve de referência para avaliar a quantidade
de desgaste, minimizando os riscos anteriormente comentados (Fig. 3.8).

PRINCÍPIOS BIOLÓGICOS
É recomendado utilizar turbinas com irrigação e pontas diamantadas novas para evitar
danos a polpa.

DISTANCIAS BIOLÓGICAS

 Inserção conjuntiva - 1,07 mm


 Epitélio juncional - 0,97 mm
 Epitélio do sulco - 0,69 mm
 Área aproximada total - 3 mm

Para que um procedimento restaurador não cause danos aos tecidos periodontais, o término
do preparo deve estar localizado no início do sulco gengival (aproximadamente 0,5 mm).

TÉCNICA DE PREPARO

Técnica da silhueta: É uma técnica didática, que facilita o aprendizado por realizar sulcos de
orientação e preparo inicial da metade do dente, os quais servem de referências para analisar a
forma e a quantidade de desgaste realizado, orientando, assim, o desgaste das faces restantes.

Dependendo do grau de inclinação do dente pilar, pode ser necessário indicar tratamento
endodôntico prévio ao desgaste
PREPARO PARA COROA TOTAL CERÂMINA EM DENTES ANTERIORES
PREPARO PARA COROAS METALOCERÂMICAS EM DENTES POSTERIORES

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