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Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Engenharia – Chimoio


Resistência dos Materiais Aplicada - 2°ano Engenharia Electrotécnica 2019

SIMBOLOGIA

Eng°. Rasmim Novais 1


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Resistência dos Materiais Aplicada - 2°ano Engenharia Electrotécnica 2019

INTRODUÇÃO

A Mecânica é a ciência física que estuda os estados de repouso e movimento


dos corpos sob a acção de forças. Todo campo da Engenharia depende dos
princípios da mecânica. Assim sendo, esta dividida em:

1. Estática: Estuda o equilíbrio das forças que atuam num corpo em repouso;

2. Dinâmica: Estuda o movimento dos corpos em relação às causas que o


produzem.

O que é Resistência dos Materiais?

É o estudo sobre a capacidade que os materiais têm para resistir a certos tipos
de forças externas que causam esforços internos em função do tipo de
material, dimensões, processo de fabricação, entre outros. Esta disciplina usa a
estática para considerar os efeitos externos (forças), e a partir de então
considerar os efeitos internos (esforços).

Porque estudar Resistência dos Materiais?

Por um lado, esse estudo evita que peças de máquinas estejam sub-
dimensionadas, ou seja, possuam uma dimensão insuficiente em relação às
forças que nela atuam e que provocará quebras. Por outro lado, evita o super-
dimensionamento, ou seja, evita gasto excessivo com material quando não é
necessário, influenciando directamente no custo final dos produtos e tornando-
os inviáveis (caro em relação aos demais concorrentes).

O problema fundamental da "Resistência dos materiais" é o dimensionamento


das estruturas, das máquinas e dos equipamentos em geral, bem como dos
seus elementos e a apresentação do respectivo certificado de segurança. Isto
significa:

 Uma comparação das solicitações máximas possíveis esperadas com as


solicitações admissíveis dos materiais usados;
 A determinação do estado de deformação das construções, uma vez
que pelo seu dimensionamento devem ser garantidas não só uma
segurança suficiente mas também deformações dentro de limites
determinados;
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 A garantia da estabilidade das estruturas;


 A economia dos materiais disponíveis.

Ao contrário da estática onde são estudadas apenas as resultantes das forças


internas aplicadas em qualquer secção transversal de um elemento estrutural,
na "Resistência dos materiais" não se determinam só os valores e as
direcções das forças internas mas também a sua distribuição sobre as secções
transversais. As forças internas, no entanto, só podem ser determinadas
independentemente das deformações no caso de estruturas isostáticas.
Todavia, a maioria dos problemas é hiperestática de modo que só tendo em
conta as deformações se podem determinar as forças internas.

Em relação às propriedades mecânicas dos elementos estruturais basear-nos-


emos nas idealizações seguintes:

 Todos os materiais serão considerados como meios contínuos e


homogéneos, independentemente das particularidades da sua
microestrutura.

Um material é homogéneo quando as suas propriedades não dependem do


volume do corpo. Disto provém o conceito do meio contínuo. Um meio contínuo
caracteriza-se pela ocupação contínua de todo o volume que lhe é atribuído.

- Supõe-se que o material tenha as mesmas propriedades em todas as


direcções, isto é, seja isotrópico. Isto significa que as propriedades de um
corpo destacado de um meio contínuo não dependem da sua orientação
angular original dentro deste meio.

FORÇAS EXTERNAS

Força

Força é toda causa capaz de produzir ou modificar movimento. Toda força tem
um ponto (local) de aplicação, direcção (recta de acção), intensidade
(grandeza) e sentido (para um dos dois lados de direcção). Como não é algo
material, mas imaginativo, a força foi representada graficamente por vectores
(flechas). Dessa forma, é possível representar num papel cada elemento da
força:

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1. Ponto de aplicação – início do vector;

2. Direcção – posição da recta do vector (ex: norte-sul);

3. Intensidade – dimensão do vector;

4. Sentido – fim do vector, flecha (ex: norte).

A força pode estar concentrada, tendo um ponto de aplicação, ou distribuída,


como a força da água contra uma barragem. No caso de força concentrada, a
unidade é expressa em Newtons [N]. No caso de força distribuída, é expressa
em Newtons por comprimento (metro, centímetro, milímetro) [N/m; N/cm;
N/mm]. Na verdade, toda força é distribuída, mas quando esta força distribuída
atua numa área considerada desprezível, podemos idealizar um vector único,
que na maioria dos casos nos traz resultados precisos.

Sistema de Forças

Quando duas ou mais forças estão agindo sobre um corpo, temos um sistema
de forças, sendo cada vector chamado de componente. Todo sistema de
forças, que atuam num mesmo plano, pode ser substituído por uma única força
chamada resultante, que produz o mesmo efeito das componentes. Para
determinar qual vector é positivo ou negativo, existe uma convenção,
adoptando-se que na direcção x, o vector com sentido para direita é positivo, e
na direcção y, o vector com sentido para cima é positivo.

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EXEMPLO 1.

Calcular a resultante das forças F1 = 50 N, F2 = 80 e F3 = 70 N aplicadas no


bloco abaixo:

Caso os vectores não estejam na mesma direcção, ou seja, formando ângulo


com as linhas x e y, devemos decompor o vector em duas forças: a força x e a
força y. Para isso, usaremos as fórmulas da trigonometria.

EXEMPLO 2.

Sendo dada uma força F num plano “xy”, é possível decompô-la em duas
outras forças Fx e Fy, como no exemplo abaixo:

Da trigonometria sabemos que:

sen α = cateto oposto / hipotenusa e cos α = cateto adjacente / hipotenusa,


então, para o exemplo acima, temos:

sen α = Fy / F e cos α = Fx / F

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EXEMPLO 3.

Calcular as componentes horizontais e vertical da força de 200 N aplicada na


viga conforme figura abaixo:

Nesse estudo de Resistência dos Materiais, consideraremos apenas corpos


estáticos, ou seja, cujas forças estão em equilíbrio ( Ʃ = 0). Isso quer dizer que
se há uma ou mais forças actuando, haverá reacções com mesma intensidade
e direcção e com sentido contrário. Se a resultante das forças fosse maior que
as reacções, o corpo não estaria em repouso (Leis de Newton).

Leis de Newton

1ª Lei (Inércia): Todo corpo tende a permanecer em seu estado de repouso ou


de movimento;

2ª Lei (Dinâmica): A força resultante que age em um ponto material é igual ao


produto da massa desse corpo pela sua aceleração;

3ª Lei (Acção e Reacção): Toda força que atua num corpo em repouso resulta
em uma reacção com mesma direcção, mesma intensidade e sentido contrário.

EXEMPLO 4.

Um peso de 100 Newtons é suportado por duas cordas de mesmo tamanho


que formam um ângulo de 70°. Calcular as cargas nos cabos.

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a) Construção o desenho da situação e um gráfico com as forças de


reacção nos cabos:

SOLUÇÃO: Aplicando as equações de equilíbrio da mecânica temo:

Deixar o estudante resolver o problema!

MOMENTO ESTÁTICO

Momento (M) é o resultado de uma força F que age num dado ponto P estando
numa distância d. O momento em P é dado por F vezes d, sendo que a força
que causa momento sempre estará a 90° em relação da distância. Na figura
abaixo temos um momento causado pela componente y de F:

O momento é representado graficamente por um semi-círculo ao redor do


ponto em que se tem momento, e com uma flecha apontando o sentido, que
depende do sentido da força que causa o momento. Para a condição de
equilíbrio estático, a somatória dos momentos num dado ponto deve ser igual a
zero. A convenção adoptada é que o sentido horário é o positivo.

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EXEMPLO 5.

Calcular o momento provocado na alavanca da morsa, durante a fixação da


peça conforme indicado na figura abaixo:

GRAUS DE LIBERDADE (GL)

Grau de liberdade é o número de movimentos rígidos possíveis e


independentes que um corpo pode executar.

Caso Espacial

Caso dos corpos submetidos a forças em todas as direcções do espaço. No


espaço estas forças podem ser reduzidas a três direcções ortogonais entre si
(x, y, z), escolhidas como referência.

Nestes casos o corpo possui 6 graus de liberdade, pois pode apresentar três
translações (na direcção dos três eixos) e três rotações (em torno dos três
eixos).

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EXEMPLO 6.

Caso Plano

Ocorre nos corpos submetidos a forças actuantes em um só plano, por


exemplo, x, y. Neste caso possuem três graus de liberdade, pois os corpos
podem apresentar duas translações (na direcção dos dois eixos) e uma rotação
(em torno do eixo perpendicular ao plano que contém as forças externas).

EXEMPLO 7.

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A análise dos graus de liberdade podem ser também usados para a


classificação das estruturas quanto a hiperestaticidade. Segundo a fórmula:

G=X–E

Onde:

G – grau de liberdade;

X – número de incógnitas geradas na estrutura em análise;

E – numero de equações geradas na estrutura levando em consideração as já


existentes da estática (3 equações de equilíbrio). Assim sendo, se:

G>0 – Estrutura Hiperestática;

G=0 – Estrutura Isostática;

G<0 – Estrutura Hipostática.

VIGAS

Estrutura linear que trabalha em posição horizontal ou inclinada, assentada em


um ou mais apoios e que tem a função de suportar os carregamentos normais
à sua direcção (se a direcção da viga é horizontal, os carregamentos são
verticais). Muitos problemas envolvendo componentes sujeitos à flexão podem
ser resolvidos aproximando-os de um modelo de viga, como mostra o exemplo
abaixo:

(a) Talha transportadora; (b) o problema representado por um modelo de viga.

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APOIOS

Apoios ou vínculos, são componentes ou partes de uma mesma peça que


impedem o movimento em uma ou mais direcções. Considerando o movimento
no plano, podemos estabelecer três possibilidades de movimento:

- Translação horizontal (←→);

- Translação vertical (↑↓);

- Rotação ( )

As cargas externas aplicadas sobre as vigas exercem esforços sobre os


apoios, que por sua vez produzem reacções para que seja estabelecido o
equilíbrio do sistema.

Portanto, estas reacções devem ser iguais e de sentido oposto às cargas


aplicadas. E as reacções nos apoios vão depender justamente do grau de
liberdade que cada apoio oferece. Veja tabela abaixo com a classificação dos
apoios:

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De acordo com o tipo e número de apoios, as vigas podem ser


classificadas em:

Apoiadas

Engastadas

Em balanço

As vigas ainda podem ser classificadas como:

Isostáticas

Hipostáticas

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Hiperestática

Tipos de Carregamentos

1. Carga Concentrada

Classificamos como carga concentrada, quando a superfície ocupada pela


carga quando a superfície ocupada pela carga é relativamente pequena em
relação à viga. Exemplos: pés das bases de máquinas; rodas de veículos.

2. Carga Distribuída Uniforme

Quando o carregamento é igualmente distribuído em um terminado


comprimento ou por toda a viga.

3. Carga Distribuída Variável

ESFORÇOS INTERNOS

Solicitações (esforços)

Quando um sistema de forças atua sobre um corpo, causam esforços internos


divididos em duas classes, normais ou axiais, que causam esforços internos na

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mesma direcção do eixo do corpo, e transversais, que causam esforços


internos na direcção perpendicular (que forma 90 graus) ao eixo de um corpo.

As tensões normais são representadas pela letra grega sigma (σ), enquanto as
tensões transversais são representadas pela letra grega tau (𝜏).

Esforços axiais: (a) tração, (b) compressão e (c) flexão.

Esforços transversais: (d) torção e (e) cisalhamento.

Método das Seções

O principal problema da mecânica dos sólidos é a investigação da resistência


interna e da deformação de um corpo sólido submetido a carregamentos. Isso
exige o estudo das forças que aparecem no interior de um corpo, para
compensarem o efeito das forças externas. Para essa finalidade prepara-se um
esquema diagramático completo do membro a ser investigado, no qual todas
as forças externas que agem sobre o corpo são mostradas em seus
respectivos pontos de aplicação. Tal esquema é chamado de diagrama de
corpo livre.

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Em seguida, para a determinação das forças internas decorrentes das


externas, deve-se traçar uma seção qualquer separando o corpo em partes. Se
o corpo está em equilíbrio, qualquer parte dele também estará em equilíbrio.
Então a seção do corte do corpo terá forças de reacção para produzir
equilíbrio. Portanto, as forças externas aplicadas a um lado de um corte devem
ser compensadas pelas forças internas, tornando as forças nulas.

Sempre que houver um ponto de transição, há a necessidade de analisar


um trecho antes e outro depois deste ponto de transição.

De maneira análoga, ponto de transição é todo aquele ponto em que há


alteração no carregamento:

 Ponto de força aplicada

 Ponto de momento aplicado

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 Ponto de troca da taxa de carregamento

O “MÉTODO DAS SEÇÕES” consiste em:

1. Cortar a peça na seção desejada e isolar um dos lados do corte (qualquer


um), com todos os esforços externos actuando;

2. Na seção cortada devem ser desenvolvidas solicitações que mantêm o


sistema isolado em equilíbrio. Arbitramos as solicitações possíveis de serem
desenvolvidas (N, Q e M) com suas orientações positivas. Estas solicitações
são os valores que devemos determinar;

3. Aplicando as equações de equilíbrio, por exemplo, em relação à seção


cortada, determinamos os valores procurados. Observe-se que as solicitações
a serem determinadas são em número de 3 e dispomos também de 3
equações de equilíbrio, podendo-se então formar um sistema de 3 equações
com 3 incógnitas.

Procedimento de Calculo:

Dado o esquema estrutural da peça (vínculos, cargas activas e vãos):

1. Cálculo das reacções externas;

2. Identificação dos pontos de transição criando trechos pré-estabelecidos;

3. Usar o método de corte de seções em cada um destes trechos, adoptando


como posição genérica desta seção a variável x, que valerá dentro dos limites
dos trechos;

4. Supõe-se em cada seção cortada o aparecimento das solicitações previstas,


que devem ser arbitradas com o sentido convencionado positivo;

5. Aplicam-se as equações de equilíbrio estático em cada um dos cortes,


obtendo-se então as equações desejadas;

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6. Representação destas equações sob a forma de um diagrama, conforme


convenção abaixo:

Observação: As cargas distribuídas não mais podem ser substituídas por suas
resultantes totais, mas sim por resultantes parciais nos trechos considerados.

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EXEMPLO 8.

Calcule as solicitações desenvolvidas na seção intermediária da viga abaixo.

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DIAGRAMAS DE ESFORÇOS PARA CARGAS USUAIS

Casos particulares:

- O diagrama de esforços transversos apresenta uma descontinuidade quando


existe uma força concentrada;

- O diagrama de esforços transversos tem um extremo quando o carregamento


p(x) se anula;

- O diagrama de momentos flectores tem uma descontinuidade quando existe


um momento concentrado;

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- O diagrama de momentos flectores tem um extremo quando o esforço


transverso V(x) se anula.

Equilíbrio de uma barra uniformemente carregada

Diagramas de esforço cortante e momento flector:

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EXEMPLO 9.

Calcular as reacções às forças que atuam no corpo abaixo em cada secção.

a) O primeiro passo é desenhar no diagrama de corpo livre os cortes, que


devem ser localizados nas seções em que existam variação de forças. Depois
disso, devemos desenhar diagrama de corpo livre para cada corte, incluindo as
reacções.

b) Devemos calcular as reacções a partir da equação de equilíbrio:

ATENÇÃO: Se alguma reacção der negativa, então o sentido do vector está


invertido. No caso acima temos exemplo de tração, mas se houvesse alguma
reacção negativa, teríamos compressão.

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 Para a viga da figura abaixo determine as reacções externas de vínculo


e as solicitações internas transmitidas por uma seção transversal `a 75
cm do apoio A.

 Para a viga abaixo, determine as reacções de apoio e as solicitações


internas em uma seção à 2 m do apoio esquerdo.

 Traçar o diagrama de forças serve para que percebamos a intensidade


das forças de forma visual:

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Aplicando o método das seções acima, pudemos descobrir qual seção possui
maior força interna actuante. Isso será especialmente útil quando tratarmos de
dimensionamento.

 Calcule as forças de reacção nas seções dos objectos abaixo,


desenhando o

diagrama de forças.

a)

b)

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CENTRO DE GRAVIDADE

O Centro de Gravidade (CG) é um ponto da peça que é considerado a


localização central de massa. Se cortarmos uma peça x de forma que obtemos
um perfil geométrico, podemos inserir um parafuso no CG do perfil e prender
uma linha no parafuso.

Tem sua importância para considerar o peso da peça, aonde será inserido um
vector com seu peso. Além disso, é utilizado para o cálculo de flexão em perfis
não tabelados.

A localização do CG é feita através de coordenadas cartesianas (x-y).

Em muitas formas geométricas, o CG é facilmente conhecido, como quadrado,


rectângulo e círculo (o CG está exactamente no meio da figura).

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Mas existem muitos perfis que exige equações para descobrir o CG. Basta
traçar um plano cartesiano e dividir a figura em pequenas formas geométrica
cujo CG é conhecido. Então, utiliza-se a seguinte fórmula:

EXEMPLO 10.

Determinar o CG da figura geométrica abaixo, sendo o rectângulo 1 = 100x200


mm, e o rectângulo 2 = 300x150 mm.

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TENSÃO NORMAL

É determinada através da relação entre a intensidade da carga aplicada F e a


área de seção transversal da peça. Isso quer dizer que em cada pequena parte
de uma área da seção de uma peça atua uma carga F.

No Sistema Internacional (SI), a força é expressa em Newtons e a área em


metros quadrados (m²). A tensão então será expressa em N/m², que é
denominada Pascal (Pa). Ou ainda em:

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O MPa será a unidade “padrão”, sendo a mais utilizada.

EXEMPLO 11.

Uma barra de seção circular com 50 mm de diâmetro é traccionada por uma


carga normal de 36 kN. Determine a tensão normal actuante na barra.

Observação: Isso quer dizer que em cada mm² da seção transversal da peça,
atua 18,33 N.

Diagrama Tensão x Deformação

Em Resistência dos Materiais, é necessário conhecer o comportamento dos


materiais quando submetidos a carregamentos. Para obtermos estas
informações, é feito um ensaio de tração numa amostra do material chamada
corpo de prova (CP). São medidas a área de seção transversal “A” do CP e a
distância “Lo” entre dois pontos marcados neste.

O diagrama σxε varia muito de material para material, e ainda, para um mesmo
material podem ocorrer resultados diferentes devido à variação de temperatura
do corpo de prova e da velocidade da carga aplicada. Entre os diagramas σxε
de vários grupos de materiais é possível distinguir características comuns que
nos levam a dividir os materiais em duas importantes categorias: os materiais
dúcteis e os frágeis.
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Os materiais dúcteis como aço, cobre, alumínio e outros, são caracterizados


por apresentarem escoamento a temperaturas normais. O corpo de prova é
submetido a carregamento crescente, e com isso seu comprimento aumenta,
de forma lenta e proporcional ao carregamento. Desse modo, a parte inicial do
diagrama é uma linha recta com grande coeficiente angular.

Entretanto, quando é atingido um valor crítico de tensão (σe - tensão de


escoamento), o corpo de prova sofre uma grande deformação com pouco
aumento de carga aplicada. A deformação longitudinal de um material é
definida como:

Quando o carregamento atinge um valor máximo (σR - tensão limite de


resistência), o diâmetro do CP começa a diminuir, devido a perda de
resistência local. Esse fenómeno é conhecido como estricção:

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Após ter começado a estricção, um carregamento mais baixo (σr - tensão de


ruptura) é suficiente para a deformação e rompimento do corpo de prova. Em
materiais frágeis a σR é igual à σr, sendo que ocorre muita pouca deformação
até a ruptura (ex: ferro fundido, vidro e pedra).

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Pontos no Diagrama Tensão x Deformação (aço com baixo teor de C)

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Lei de Hooke

Sabemos que a tensão é directamente proporcional à deformação. Então


podemos escrever:

Essa relação é conhecida como Lei de Hooke. Devemos aprender também


acerca do módulo de elasticidade ou módulo de Young, que é determinado
pela força de atracção entre átomos dos materiais, isto é, quando maior a
atracção entre átomos, maior o seu módulo de elasticidade. Este módulo é
característico de cada material, e pode ser encontrado tabelados (ex: E aço =
210 GPa; E alumínio = 70 GPa).

Sabendo que:

Podemos escrever a seguinte relação para o alongamento ( ΔL):

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O alongamento será positivo (+) quando a carga aplicada traccionar a peça, e


será negativo (-) quando a carga aplicada comprimir a peça.

EXEMPLO 12.

Uma barra de alumínio possui uma seção transversal quadrada com 60 mm de


lado, o seu comprimento é de 0,8 m. A carga axial aplicada na barra é de 30
kN. Determine o seu alongamento. E al = 0,7 x 10³ MPa.

Observação: Preste muita atenção nas unidades. Antes de jogar os valores na


fórmula, deve-se converter tudo em uma unidade comum.

No dispositivo abaixo, calcular a tensão normal actuante no parafuso.


(Considerar para os exercícios 1 kg = 10 N).

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DIMENSIONAMENTO

Na prática, a determinação de tensões é um importante passo para o


desenvolvimento de dois estudos:

 Análise de estruturas e máquinas já existentes, com o objectivo de


prever o seu comportamento sob condições de cargas específicas;
 Projecto de novas máquinas e estruturas, que deverão cumprir
determinadas funções de maneira segura e económica.

Para cada tipo de material, isto pode ser determinado através de uma série de
ensaios específicos a cada tipo de solicitação, de onde obtemos dados
importantes como tensões de escoamento e ruptura.

Tensão Admissível (σadm)

No projecto de um elemento estrutural ou componente de máquina, deve-se


considerar que, em condições normais de operação/trabalho, o carregamento
seja menor que o valor que o material possa suportar. Este valor que o material
suporta, deve ser a tensão de escoamento (para materiais dúcteis) e a tensão
de ruptura (para materiais frágeis).

Tensão admissível, nada mais é do que uma tensão abaixo da tensão de


proporcionalidade, sendo a máxima tensão a ser aplicada em condições
normais de trabalho. Assim, caso haja um carregamento além do normal, não
será atingida a tensão de proporcionalidade.

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Há casos em que a tensão admissível pode estar acima da tensão de


proporcionalidade, dentro da região de deformação plástica. Isso se dá ao fato
da necessidade de redução de peso, como na indústria de foguetes espaciais,
mísseis. Esse caso específico é possível devido a grande precisão de cálculos
e conhecimento das tensões de trabalho. Mas o fato é que isso representa uma
pequena minoria.

A tensão admissível será calculada pela divisão da tensão de escoamento ou


ruptura (depende do tipo de material) pelo coeficiente de segurança (Sg).

Coeficiente de Segurança (Sg)

As especificações para Sg de diversos materiais e para tipos diferentes de


carregamentos em vários tipos de estruturas são dados pelas Normas Técnicas
da ABNT. Na prática, a fixação do coeficiente é feita nas normas de cálculo e
baseado no critério e experiência do projectista. Os factores a serem
considerados para a determinação do Sg são:

a) Material a ser aplicado;

b) Tipo de carregamento;

c) Frequência de carregamento;

d) Ambiente de actuação;

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e) Grau de importância do membro projectado.

A tabela abaixo dá uma ideia sobre a influência do conhecimento dos factores


no valor do Sg:

TRAÇÃO E COMPRESSÃO

Podemos afirmar que uma peça está submetida a esforços de tração ou


compressão, quando uma carga normal (axial) F, actuar sobre a área de seção
transversal da peça.

Quando a carga actuar no sentido de comprimir a peça, o esforço é de


compressão (vigas de concreto, pés de mesa). Quando a carga actuar no
sentido de alongar a peça, o esforço é de tração (correias, cabos, correntes).

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A relação entre a tensão máxima (σmáx) e a tensão média (σmed) é definida


por:

Onde: Kt é chamado “factor de forma” ou “coeficiente de concentração de


tensão”. Para cada caso particular de descontinuidade geométrica, os valores
de Kt podem ser obtidos por gráficos.

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EXEMPLO 13.

Seleccionar o material indicado para a peça apresentada abaixo, submetida a


carga de tração de 120kN. As dimensões indicadas são:

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EXEMPLO 14.

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 Determinar o diâmetro interno do fuso para o caso abaixo, sendo que


este deve ser produzido em aço ABNT 1020 LQ usando um coeficiente
de segurança igual a 2.

 No dispositivo apresentado na figura abaixo, a porca exerce uma carga


de aperto equivalente a 20 kN provoca tração no parafuso de aço ABNT
1030 e compressão na bucha de aço ABNT 1010. Usando um factor de
segurança igual a 3, determine os diâmetros do, d e D. (consultar tabela
de rosca métrica – PROTEC Projectista – página 4-10).

 Calcular as tensões máximas, nos entalhes indicados nos cortes AA,


BB, CC, DD e EE, conforme figura abaixo, e responder:

- Se o componente apresentado for submetido a carregamentos dinâmicos sob


carga constante, qual o material indicado para a sua fabricação?

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Dimensões:

B = 50 mm; a = 12 mm; e = 20 mm; h = 40 mm;

h’ = 52 mm; B’ = 68 mm.

 Calcular o diâmetro do parafuso de aço ABNT 1020 LQ no dispositivo


abaixo, considerando P = 20kN e Sg = 2.

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 O suporte vertical ABC desliza livremente sobre o eixo AB, porém é


mantido na posição da figura através de um colar preso no eixo.
Desprezando o atrito, determinar as reacções em A e B, quando estiver
sendo aplicada no ponto C do suporte, uma carga de 5kN.

 O guindaste da figura foi projectado para 5 kN. Determinar a força na


haste do cilindro e a reacção na articulação A.

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Flambagem por Compressão

No dimensionamento de uma barra/coluna em compressão, não basta o


cálculo de tensão. Uma falha que pode ocorrer é a flambagem, aonde uma
barra recebe um carregamento e deflecte lateralmente, levando a viga a falhar
por tensão de flexão. Quando uma grande ponte rompeu algumas décadas
atrás, os peritos descobriram que a falha foi causada pela flambagem de uma
placa de aço fina que dobrou sob tensões de compressão. Após o
dimensionamento pela tensão de compressão, deve ser verificada a
flambagem. Ela está directamente ligada ao comprimento do elemento. Quanto

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maior seu comprimento, menor será o valor da carga crítica (carga a partir do
qual o elemento corre o risco de flambar).

Flexão

A flexão é provavelmente o tipo mais comum de solicitação produzida em


componentes de máquinas, os quais atuam como vigas (estrutura linear
assentada em um ou mais apoios e que suporta carregamentos normais).

 Exemplos são engrenagens e chassi de um veículo. Uma flexão é


considerada simples quando a carga (s) aplicada (s) é perpendicular ao
eixo da viga, e composta quando não perpendicular. Nesse caso, a
carga deve ser decomposta em duas componentes Fx e Fy.

Hipóteses

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Tensão de Flexão

A tensão de flexão é calculada a partir do máximo momento flector que atua no


corpo, da maior distância a partir da linha neutra e do momento de inércia do
perfil. É expressa pela seguinte fórmula:

O momento de inércia é uma característica geométrica que fornece uma noção


da resistência da peça. Quanto maior for o momento de inércia da seção
transversal de uma peça, maior será sua resistência. A tensão assume seu
valor máximo na superfície mais distante da linha neutra, ou seja, no maior
valor de “y’”. O momento de inércia (“J” ou “I”) dependerá de onde a força será

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aplicada (eixo x ou y em relação ao perfil). Essa relação de momento de inércia


e a maior distância da linha neutra é chamada de módulo de flexão (W):

Então, substituindo a equação, temos a fórmula da flexão:

EXEMPLO 15.

Determinar o módulo de flexão para uma barra de seção rectangular sendo: a)


3x8 cm; b) 8x3 cm.

EXEMPLO 16.

Seleccione um perfil estrutural tipo “I” (Aço ABNT 1020 LQ) para ser utilizado
na ponte rolante ilustrada abaixo, com comprimento equivalente a 7 metros e
que deverá suportar uma carga máxima equivalente a 1 toneladas. Para o
dimensionamento desta viga, utilize Sg = 2. [1 kg = 10 N].

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 Determine as dimensões indicadas para a manivela ilustrada abaixo.

- Material: Ferro Fundido Cinzento ASTM 20

- Sg = 6

- Carga: P = 10 kN

- Comprimento: L = 70 cm

- Proporções:

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B = 0,5H

h = 0,6H

e = 0,2H

 Determine a dimensão de D e d sabendo que o material é aço ABNT


1040 LQ e será submetido a carga estática e gradual.

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