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FACULDADE ISSED/FAVED
Licenciatura em Educação Física

MARCELO DE LIMA ARAÚJO

A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO


DA CRIANÇA COMO INDIVÍDUO

SÃO PAULO
2019
2

MARCELO DE LIMA ARAÚJO

A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO


DA CRIANÇA COMO INDIVÍDUO

Monografia apresentada à Issed/Faved de


São Paulo, como requisito parcial para a
obtenção do título de graduado em Educação
Física.

Orientador (a):

SÃO PAULO
2019
3

MARCELO DE LIMA ARAÚJO


A INFLUÊNCIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO DESENVOLVIMENTO
DA CRIANÇA COMO INDIVÍDUO

Monografia apresentada à Faculdade


Issed/Faved, como requisito parcial para a
obtenção do título de graduado em Educação
Física.

Aprovado em:

Banca Examinadora

Orientador(a) Prof(a) Ms ____________________________________________

Assinatura________________________________________________________

Prof(a) ___________________________________________________________

Assinatura_________________________________________________________

Prof(a) Ms _________________________________________________________

Assinatura_________________________________________________________
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Dedicatória

Á minha família por todo amor, carinho e


compreensão no decorrer a elaboração desse.
5

AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, por me iluminar no decorrer desse novo caminhão percorrido.


Aos meus familiares por todo apoio que me foi dispensado, que possibilitou essa mais nova
conquista.
Aos professores pela dedicação e orientação desde o primeiro dia de aula.
Aos funcionários pela receptividade recebida.
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“O problema não é o problema, mas a forma


como é visto”.
Kelly Yong
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RESUMO

A elaboração desse foi a partir da pesquisa bibliográfica, a qual por meio de


assuntos, artigos, livros entre outros documentos, que possibilitaram abordar a
respeito: “A influência da educação física no desenvolvimento da criança como
indivíduo importância”, o qual vem a ser o tema central. Destacando-se que o tema
se faz presente, pois muitos julgam que a educação física escolar vem a ser apenas
uma “disciplina do passatempo”, contudo a mesma possui qualidades irrefutáveis
que possibilitam o desenvolvimento global do aluno, norteando-o em sua
aprendizagem, de forma a possibilitar-lhe a se tornar um cidadão consciente de si e
do outro. Com o intuito de mostrar a importância da educação física escolar para os
alunos e como é essencial e prazerosa para a quem pratica, apresentando os seus
benefícios, abordando seu papel na escola e o dever dos professores na pratica das
atividades, mostrando o se real valor. Dando hipóteses de possíveis melhorias para
a vida do ser humano.

Palavras-chave: Educação Física Escolar. Docente. Socialização. Ensino-


aprendizagem. Desenvolvimento.
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 9
CAPÍTULO I
A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO HUMANA .............................................................. 11
CAPÍTULO II
EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO BRASIL: UM BREVE HISTÓRICO .................. 21
CAPÍTULO III
A EDUCAÇÃO FÍSCIA ESCOLAR E O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DA
CRIANÇA .................................................................................................................. 31
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 43
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 45
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INTRODUÇÃO

A abordagem desse trabalho se centraliza em trazer a discussão a respeito


da importância da Educação Física Escolar no desenvolvimento e formação do
aluno que frequenta as salas de aula das instituições educacionais.
Pois, a Educação Física no ambiente escolar se prima por possuir diversos
instrumentos que possibilitam ao aluno a desenvolver de forma integra e global,
auxiliando–o no decorrer do processo de ensino-aprendizagem. O que concerne a
afirmar que a disciplina trabalha com metodologias que possibilitam ao educando a
vivenciar práticas que venham a desenvolver capacidades e aflorar habilidades, que
por vezes se encontram incutidas.
Por outro lado, a Educação Física Escolar, vai além das expectativas da
prática esportiva, a mesma conduz ao discente a deslumbrar e descobrir a vida em
sociedade, a qual para ser realmente efetivada necessita de elementos que sejam
despertados e compreendidos, tais como o respeito por si e pelo outro, no que
condizem as opiniões e ideias, diferenças sexuais, raciais, econômicas, em fim como
um ser humano como qualquer outro.
Além dos elencados, a prática da educação física escolar possibilita ao
aluno auxilia e norteia o aluno a se estabelecer como um ser social, o qual realiza
criticas e inferências, que se relaciona, possibilitando a melhora da autoestima, a
autoconfiança, a despertar habilidades desconhecidas, etc.
A educação física ajuda a contribuir para o desenvolvimento da
aprendizagem do aluno, bem como, possibilitar o resgate da autonomia,
principalmente dos que possuem dificuldades em se expressar ou que não sentem
segurança ou inibição para participar das aulas, sendo que, todo ganho para o
discente vem a ser um enorme benefício, pois influenciará diretamente no
desenvolvimento e na aprendizagem.
A educação física tem o dever de incluir o aluno na cultura corporal, de uma
forma completa, transmitindo conhecimentos sobre saúde, modalidades esportivas,
adaptando o conteúdo das aulas ao individual de cada aluno e a sua fase de
desenvolvimento. É uma oportunidade de desenvolver o potencial de cada aluno,
incluindo todos os alunos nas aulas.
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Diante do exposto, conduz a questionar: Como as aulas de Educação Física


Escolar podem contribuir na formação social do aluno?
As hipóteses conduzem a refletir que em decorrência de ser uma disciplina
dinâmica, a qual trabalha diretamente com o corpo e a mente humana, e por meio
de ferramentas e materiais diversos, possui a possibilidade de auxiliar e nortear o o
aluno em seu desenvolvimento de forma plena e global, conduzindo a reflexões
sobre as suas capacidades e no aprimoramento de habilidades, ao entendimento da
importância de trabalhar em grupo, por meio do respeito das divergências e
desigualdades e a compreender a si e outro, como ser humano.
Assim esse se objetiva em discutir o assunto a fim de nortear opiniões e
esclarecer duvidas que frequentemente assolem os docentes da área e das demais,
principalmente.
Para responder as indagações à metodologia a ser utilizada será de revisão
bibliográfica, de autores, tais como Arantes (2008), Medalha (1985), Rosamilha
(1979), Silva (2017), Souza (2000), entre outros, retratam o assunto de forma
concreta e concisa, para tanto as fontes de consulta poderão ser: livros, artigos,
monografias, entre outros documentos disponíveis na internet ou não.
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CAPÍTULO I. A EDUCAÇÃO E A FORMAÇÃO HUMANA

A educação sempre esteve presente na vida humana, pois ao longo de sua


existência o homem sempre necessitou de ensinamentos para aprender a sobreviver
e a conviver com e no meio no qual se encontra inserido. Destaca-se que esses
ensinamentos a principio eram realizados no âmbito familiar, no qual aprendiam
técnicas de sobrevivência, como a pescar, caçar, a subir em árvores, a se defender,
etc., e ao longo dos tempos foram sendo ministrados pelo grupo social.
Assim, nesse sentido esse capitulo tem por abordagem a retratar a educação
como instrumento auxiliar na formação cidadã, pois por meio da escola e as
aprendizagens e conhecimentos transmitidos por ela que possibilita ao aluno a
ampliar os seus saberes que são recebidos da família e do meio no qual se encontra
inserido, em seu cotidiano.
Nesse contexto vale destacar que sempre que se comenta a respeito da
formação cidadã, a qual notoriamente se relaciona a escola, pois nela por meio de
suas metodologias e abordagens retrata e constitui pensamentos, norteia ações e
auxilia na aquisição de conteúdos que possibilitam ao sujeito no decorrer de sua
aprendizagem a se adaptar e transformar realidades sociais.
A escola possui regras e normas, as quais possibilitam a convivência da
comunidade escolar em um ambiente diversificado culturalmente, o que possibilita
ao aluno o desenvolvimento de sua subjetividade e autonomia, por meio da
socialização e interação.
Nesse pensar, pode-se considerar que a instituição educacional vem a ser
uma ferramenta norteadora da prática da cidadania, pois é no ambiente escolar que
surge a possibilidade do aluno de se posicionar como um ser social, pois pode
defender ideias e opiniões e conhecer os seus direitos e deveres como cidadão
social.
Em corroboração, Oliveira (s/d) retrata que nos documentos oficiais da
educação brasileira existe uma proposta de formar um ser critico e capaz de trilhar
seu próprio caminho. Essa proposta possibilita ao educando a aquisição de
conhecimentos e habilidades essenciais para o exercício da cidadania e inserção no
mercado de trabalho.
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Partindo desse pressuposto, os Parâmetros Curriculares Nacionais propõe a


efetivação de práticas, administrativa e pedagógica, voltadas para a formação do
cidadão. Para que isso aconteça é necessário que a escola seja coerente com os
Princípios Éticos da Autonomia, da Responsabilidade, da Solidariedade e do
Respeito ao Bem Comum; os Princípios Estéticos da Sensibilidade, da Criatividade,
e da diversidade de Manifestações Artísticas e Culturais; e os Princípios Políticos
dos Direitos e Deveres de Cidadania, do exercício da Criticidade e do respeito à
Ordem Democrática. (OLIVEIRA, s/d)
De acordo com Freire (1980, pag.20 apud op. cit.) “a educação deve preparar,
ao mesmo tempo, para o juízo critico das alternativas propostas pela elite, e dar a
possibilidade de escolher o próprio caminho”. Nesse sentido, condiz a retratar a
respeito da formação e preparação do sujeito crítico e consciente do seu lugar na
sociedade e no mundo.
Segundo Tonet (2007 apud Oliveira, s/d) “é função de a educação propiciar
ao individuo conhecimentos, habilidades e valores necessários para a formação do
gênero humano”. O que evidencia afirmar que a escola vem a ser responsável pela
formação integral do sujeito, mas para que isso possa ser realizado, se faz
necessário que as práticas educacionais sejam direcionadas para esse intuito, caso
contrário se formará apenas um mero receptor de valores, e não um ser crítico dos
mesmos.
O mais importante na formação humana é a integralidade do ser e pensar de
cada indivíduo no mundo. Essa formação prepara o ser humano para produzir as
condições de reprodução da sua vida e das formas sociais da sua organização.
Assim, ele poderá construir o seu modo de vida livremente, tendo autonomia para
organizar os modos de existência e sendo responsável pelas suas ações, tornando-
se um ser humano ético. (OLIVEIRA, s/d)
O papel fundamental da educação escolar vem a ser o de possibilitar ao
aluno, no decorrer do processo de ensino-aprendizagem o seu desenvolvimento
global e integral. Pois de acordo com Pelegrin (2016) “o homem é um ser histórico e
social que, ao se apropriar do conhecimento, contribui para se constituir sujeito
capaz de transformar a realidade”.
Educar não é apenas "formar" sujeitos para a sociedade que é posta, mas
que possam transformá-la. O discurso que a educação muda à sociedade deve ser
aprimorada, pois a transformação não ocorre pela ação da escola, mas de forma
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mediada. Isso porque é por meio da educação que ocorrem tomadas de consciência
que desencadeiam processos de transformação social. (PELEGRIN, 2016)
Nesse pensar, pode-se afirmar que se torna primordial uma mudança nas
concepções educacionais, pois “a formação do indivíduo requer um processo
educativo pelo qual o homem se apropria da experiência sócia histórica acumulada
ao longo dos anos, em sua relação com outros indivíduos”. (PELEGRIN, 2016)
Refletir a respeito da educação requer a compreensão do processo de
desenvolvimento do sujeito como um ser pensante e racional. De acordo com
Leontiev, citado por Pelegrin (2016): “o homem se insere num contexto que
possibilita o surgimento de necessidades, a de se apropriar das condições sociais
por meio da linguagem, valores, comportamentos, o que se dá por meio da atividade
educativa”.
Nesse contexto, segundo Pelegrin (2016), como outros animais, o homem
possui características que determinam sua espécie, transmitido por gerações em
função da carga genética. Mas somente ele tem a possibilidade de assimilar a
experiência pela apropriação da cultura. Aceitar esta afirmação requer o
entendimento de que o homem incorpora o desenvolvimento sócio histórico a que se
sujeita.
Ressalta-se que o homem não é um ser pronto e acabado, ele vive em
eterna transformação e modificação, de seus atos e atitudes, pensamentos,
opiniões, ou seja, vive em pleno processo de aprendizagem, pois conforme o
aprendizado que vai adquirindo ao longo de sua vida, passa a ampliar os
conhecimentos e a constituir os seus próprios saberes, que irão norteá-lo em sua
jornada.
Segundo, Pelegrin (2016) para pensar e sentir; querer, agir ou avaliar, é
preciso aprender, o que implica o trabalho educativo. O saber que diretamente
interessa à educação é o que emerge como resultado do processo de
aprendizagem. Para chegar a esse resultado, a educação toma como referência o
saber objetivo produzido historicamente. Portanto, a atividade educativa não é a
responsável pela produção do indivíduo, mas a mediadora da apropriação da
humanidade por ele.
A escola como instituição de transformação social, dispõe de recursos que
possibilitam a auxiliar no desenvolvimento do ser humano, vindo assim a educação a
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assumir um papel importante na sociedade, a de nortear ações que conduzam o


sujeito a se apropriar de conhecimentos culturalmente acumulados e constituídos.
Ela vem a ser o espaço que promove a análise e a generalização da
realidade: o pensamento conceitual. Os conceitos científicos são importantes para o
desenvolvimento cognitivo do indivíduo, pois promovem níveis mais elevados de
tomada de consciência quando comparados aos espontâneos, o que fortalece a
importância da aprendizagem no desenvolvimento do aluno. Nessa perspectiva, a
educação escolar não somente desenvolve a capacidade de apropriação do
conhecimento acumulado, mas a formação do ser humano. (PELEGRIN, 2016).
Em corroboração, Santos (s/d) vem a discorrer que: “o papel da escola é
socializar o conhecimento, e o seu dever é atuar na formação moral dos alunos, é
essa soma de esforço que promove o pleno desenvolvimento do individuo como
cidadão”.
Portanto, a escola vem a ser o local apropriado para o aluno encontrar os
meios que o possibilitará as realizações futuras, ou seja, um ensino que qualifique a
aprendizagem do sujeito no decorrer de sua permanência vem a ser de suma
importância para que o mesmo tenha condições de transformar, mudar e buscar
objetivos que possam inseri-lo realmente na sociedade, caso contrário será apenas
um membro a mais.
Deve-se considerar que no decorrer do processo educacional, os atores
envolvidos de forma geral são responsáveis por auxiliar, nortear e preparar o aluno
em uma convivência em grupo, ou seja, não basta apenas professores adotarem
metodologias inovadoras de aprendizagem, funcionários gentis e diretores que
zelam pelo bem estar dos alunos, se faz necessário que todos se integrem de forma
real no processo educacional, com ações que associadas possibilitem ao educando
o entendimento de conviver social, permitindo-lhe reflexões e opiniões.
Os professores e toda a comunidade escolar, a forma de avaliação são
transmissores de normas e valores que norteiam e preparam o individuo para viver
coletividade. Assim, é importante que as questões de vida em sociedade faça parte,
com clareza, da organização curricular, levando a ética ao centro de reflexão e do
exercício da cidadania. (SANTOS, s/d)
Em continuidade, a autora vem a retratar que a convivência deve ser
organizada de modo que os conceitos como justiça, respeito e solidariedade que
sejam compreendidos, assimilados e vividos, com esse proposto à escola se
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desafiam a instalar uma atitude crítica, que levará o aluno a identificar possibilidades
de reconhecer seus limites nas ações e nos relacionamentos a partir dos valores
que os orientam.
De acordo com Santos (s/d) se faz necessário: “Formar uma escola que está
sempre atenta à qualidade do relacionamento entre seus alunos, professores, pais e
dirigentes, uma vez que praticam as relações sociais, são os melhores mestres em
moralidade”. Ressalta-se que: cooperação, diálogo e respeito são elementos
essenciais no convívio diário, ou seja, na construção da cidadania.
O papel da escola é justamente esse: fazer compreensível o significado dos
conceitos das normas e valores, se esforçar para torna-los visíveis, assimilar os
valores no seu comportamento ao conscientizá-los na sua relação com os outros
alunos afirmando sua autonomia, estabelecer limites ao exercício da liberdade,
contribuir para uma convivência democrática. (SANTOS, s/d)
Destaca-se que se encontra inserido na “Lei Diretrizes e Base Da Educação
Nacional - LDB que é dever da escola o compromisso de educar os alunos dentro
dos princípios democráticos”. (op. cit.). Assim, conduzir o aluno a compreensão e o
entendimento desses princípios de valores, o possibilitará a ser um sujeito social,
que entende a importância e o valor de respeitar a si e o outro.
Desta forma, a escola deve preocupar-se, possibilitando condições para que
a sociedade que a abriga ingresse em seu meio, assumindo assim seu compromisso
como local de transmissão de saber e construção do conhecimento o papel da
escola deve estar equilibrado entre uma função sistêmica de preparar cidadãos tanto
para desenvolver suas qualidades como para a vida em sociedade. (SANTOS, s/d)
Nesse momento aponta-se que os Parâmetros Curriculares Nacionais –
PCNs (1998) em seu bojo ressaltam que os alunos sejam capazes de:
 Compreender a cidadania como participação social e política, assim como
exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-
dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando
o outro e exigindo para si o mesmo respeito;
 Posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes
situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de
tomar decisões coletivas;
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 Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais,


materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de
identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país;
 Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem
como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se
contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe
social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e
sociais;
 Perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente,
identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo
ativamente para a melhoria do meio ambiente;
 Desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de
confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de
inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na
busca de conhecimento e no exercício da cidadania;
 Conhecer o próprio corpo e dele cuidar, valorizando e adotando hábitos
saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com
responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva;
 Utilizar as diferentes linguagens - verbais, musical, matemática, gráfica,
plástica e corporal - como meio para produzir, expressar e comunicar suas
ideias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e
privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação;
 Saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para
adquirir e construir conhecimentos;
 Questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los,
utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a
capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua
adequação.

Como pode ser observada nos PCNs a educação deve ser comprometida
com a cidadania, para tanto elege princípios orientadores para a formação do sujeito
no que condiz: sua integralidade, dignidade, igualdade de direitos, participação e
reponsabilidade, sendo alguns ditames que norteiam a convivência social.
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Assim vem a ser de competência da escola propiciar ao aluno oportunidades


que possibilitem o seu pleno desenvolvimento pessoal e social, por meio de
conteúdos que são transmitidos pelas várias áreas de conhecimento humano que
fazem parte do currículo.
A escola é uma instituição de desenvolvimento humano coletivo
transformando os conhecimentos didáticos com a realidade social. Desse modo a
escola propõe uma diversidade de conceitos que será trabalhado na construção do
ensino aprendizagem para ampliar seus pensamentos na criticidade, na socialização
coletiva. Visto que é na escola que se trabalha a socialização respeitando as etnias
culturais e a pluralidade ética no envolvimento sócio educativo que reúnem regras e
valores para o entendimento pessoal e social. (SANTOS, s/d)
Nesse contexto, a escola como formadora de cidadãos, a qual: explora as
capacidades, proporciona conhecimento, externa sentimentos e habilidades,
desenvolve consciência critica, proporciona a amplitude de conhecer, reconhecer a
si e o outro, favorecendo assim, ao educando “a compreensão de mundo que
garanta a completude e o respeito a valores e concepções imprescindíveis ao meio
social, permitindo a este educando uma atuação interventiva neste âmbito”.
(SANTOS, s/d)
Portanto, a escola vem a ser o local adequado a fim de promover a
socialização e interação, pois o espaço escolar vem a ser o lugar ideal para
desenvolvimento de projetos que irá possibilitar o crescimento e desenvolvimento do
aluno o que irá ampliar horizontes futuros, bem profissional e pessoal do docente.
Por intermédio das situações elaboradas no decorrer da aprendizagem o
aluno vivenciará questões que poderão auxiliá-lo no entendimento e compreensão
de situações de seu cotidiano, bem como a aprender a conviver com as mesmas e
se posicionar diante delas. Quanto ao docente, possibilita a ampliar o seu repertório
de forma a despertar-lhe a criatividade, inovar a sua metodologia, de forma a
atender de maneira ampla as necessidades do educando.
Por meio deste processo, a criança começa a entender seu papel na
sociedade e enxergar formas de interagir e aprender junto com os colegas. Os
alunos que iniciam cedo esse convívio possuem mais facilidade para entender e se
colocar no lugar do outro, criando um sentimento de empatia. (op. cit.)
O que condiz a afirmar que, possibilita ao discente as questões que
envolvem a sociabilidade, a qual possibilita a compreensão de: respeito,
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responsabilidade, diálogo, entendimento e aceitação das ideais e opiniões do outro,


etc. No entanto, para desenvolver a socialização com qualidade, se faz necessário
que esse processo se inicie na família e seja continuo na escola, contudo,
independente do entender da família, se faz necessário que a instituição venha a
trabalhar, por meio de atos e atitudes de seu quadro funcional que englobam a ética
e responsabilidade, e de ações metodológicas que abarca o assunto.
A escola vem a ser local de múltiplas escolhas, de novidades e de vários
projetos acontecendo ao mesmo tempo, o que colabora para que os educandos
possam ser felizes e realizar verdadeiramente seu papel de aprendiz. Mas não se
pode deixar de retratar que os alunos precisam ser respeitados, principalmente por
serem além de tudo seres humanos, que necessitam de orientação, conhecimento,
aprendizagem e saberes.
O estimulo para despertar o sentimento de socialização deve ser realizado
de maneira precoce e constante, o que com diz a retratar que desde a sua chegada
à escola, o mesmo deve ser estimulado por meio de ações a entender, compreender
e exercer a cidadania. A socialização precisa ser ensinada para que as crianças
consigam conviver com outros seres humanos em harmonia.
O âmbito educacional, muitos saberes são disseminados por várias áreas do
saber humano, tais como: Ciências, Matemática, Língua Portuguesa, Geografia,
História, entre outras, contudo destaca-se que a educação física vem a ser, talvez, a
mais adequada para trabalhar e de desenvolver no aluno as questões que envolvem
a cidadania e sociedade. Pois, a mesma consegue ao mesmo tempo a desenvolver
uma metodologia/ação que abrange o corpo e a mente, para tanto possui vários
instrumentos, que possibilitam adequar o seu trabalho conforme a necessidade dos
educandos.
De acordo com Silva (2017), ao contrário do que muitos pensam, a educação
física escolar não trata de deixar os meninos jogando futebol e as meninas
ocupadas jogando vôlei. O objetivo das aulas de educação física vai muito além,
pois será levado por toda a vida daqueles que tiveram contato com essa disciplina
no período escolar.
Qualquer líder de qualquer segmento sabe da importância do trabalho em
equipe e da impossibilidade de conquistar o sucesso sozinho, sem a ajuda de
colaboradores direcionados para o objetivo do grupo. Esse é um dos conceitos
passados nas aulas de educação física, que pelo desconhecimento de muitos se
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torna despercebido e pode parecer que os alunos se encontram apenas para se


exercitarem como se fosse algo que pudesse ser feito apenas numa brincadeira na
rua, por exemplo. (SILVA, 2017)
Ainda conforme o autor, o professor de educação física não se encontra na
posição para simplesmente colocar os alunos para se mexer, e sim para contribuir
com a formação de cidadãos éticos e compromissados com o bem comum,
integrando em sua personalidade o senso de colaboração, trabalho em grupo,
superação de obstáculos e diversos outros benefícios.
Ressalta-se, nesse momento, que as aulas não são aleatórias, mas fazem
parte de um planejamento elaborado que atenda determinados objetivos, os quais
de forma prazerosa e direcionada venham a proporcionar ao aluno aprendizagem
significativa e de qualidade. Segundo Silva (2017), “olhando de uma forma fria e “de
fora” pode até parecer apenas brincadeiras com cordas, bolas, cones e et., mas vai
além, quem apenas observa não imagina os benefícios que os alunos recebem, e
que irão carregar para toda a vida”.
A combinação de educação e esporte é uma excelente forma de cidadania
e deve ser valorizada, assim como qualquer outra disciplina que socialmente
aparente ter mais valor, integrando o aluno na cultura corporal de movimento e
desenvolvendo o potencial de cada aluno, contribuindo para a construção integral do
indivíduo. Com o aprendizado obtido nas aulas de educação física o ser humano
tem a possibilidade de realmente ser mais humano, em todos os aspectos. (SILVA,
2017)
Em corroboração, Lima (2016) vem a discorrer que compete ao professor
acreditar nas potencialidades dos alunos, mesmo que o biológico não esteja dentro
dos padrões esperados pela sociedade/escola, e sobre tudo, não entender este
biológico como fator determinante para o desenvolvimento, evitar os rótulos,
estimular, possibilitando, mediando, intervindo, pois, não o profissional não possui o
direito de julgar quem é, ou não capaz de aprender algo, assim lhe compete
acreditar mais e julgar menos.
A prática de educação física na escola favorece ao aluno a melhoria do seu
desenvolvimento mental, a interação do individuo ao grupo que esta praticando, seu
autoconhecimento, percepção do corpo, tempo e espaço nas atividades tanto em
quadra quanto em campo, domínio das suas habilidades físicas, entre outros
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benefícios ganhos por sua pratica na escola que o aluno pode levar para o resto da
sua vida sendo um ser praticante de atividades físicas. (LIMA, 2016)
A Educação Física vem a ser capaz de entender e compreender o sujeito no
seu mais amplo significado, pois por meio da prática, a qual possibilita dinamismo,
criatividade e inovação, vem a utilizar de atividades que possam contribuir
diretamente com a aprendizagem em sala de aula e para a vida . Assim, essa
disciplina se prima por possuir ferramentas que auxiliam e norteiam o aluno no
decorrer do processo de ensino-aprendizagem em seu âmbito total e integral.
A Educação Física não deve ser uma disciplina na qual prima apenas um
momento de mero prazer, ou como auxiliadora das demais disciplinas, e sim, como
uma disciplina independente, que possui um caráter transdisciplinar, no qual utiliza o
brincar, como recurso pedagógico, ou seja, o conteúdo desta disciplina escolar é
composto por ferramentas que possibilitam o desenvolvimento de atividades que
envolva jogos educativos, esportes, brinquedos e brincadeiras.
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CAPÍTULO 2. EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO BRASIL:


UM BREVE HISTÓRICO

Nesse capítulo será realizada uma breve abordagem a respeito da


Educação Física escolar no Brasil, tendo em vista a sua importância na formação e
desenvolvimento da criança que frequenta as instituições educacionais, pois em dias
atuais muito se comenta e estuda a respeito dos benefícios das atividades físicas.
Ressalta-se que os benefícios são da ordem: emocional, psicomotora, social e
familiar, corporal, prevenção de doenças e etc.
Segundo Custódio e Hilsdorf (1995): “No decorrer do período entre 1559 -
1759 foram organizados os primeiros núcleos de educação escolar para os bons
selvagens. Com orientação jesuítica, o atendimento e a catequização das crianças
realizavam-se nas aldeias”. Segundo, Arantes (2008): “Embora não houvesse aulas
de Educação Física, as atividades ligadas ao movimento corporal estiveram
asseguradas por meio da prática da peteca, arco e flecha e das atividades
recreativas às quais os Inacianos não se opuseram”.
Em continuidade Arantes (2008), vem a retratar que em decorrência da
Contra Reforma, pouco foi realizado para as crianças brasileiras, no que condiz a
educação, contudo, estudiosos defendem que a educação para os mais privilegiados
da época, era administrada com base nas Aulas Régias.
Contudo, as crianças menos abastadas eram acolhidas e instruídas em
colégios como o de São Pedro no Rio de Janeiro, o qual veio a ser posteriormente
denominado de Seminário de São Joaquim, fechado em 1808/1818, era uma
instituição assistencialista para órfãos, recolhimento para crianças e jovens, filhos de
mães solteiras e ou abandonadas pelos pais. (CARDOSO, 2003)
Em 1824 a Constituição do Império recomendou formalmente a
escolarização aos brasileiros. A gratuidade da instrução primária garantia a
existência de colégios e de universidades que ensinassem elementos das ciências,
belas artes e artes. A escolarização prescrita era, entretanto, destinada aos filhos de
proprietários, detentores de direitos políticos e civis, ou seja, para ter acesso aos
bancos escolares era necessário que o cidadão (mormente a sua família) tivesse
bens; portanto, a educação formal mesmo oficialmente recomendada, era para
poucos. (ARANTES, 2002)
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Contudo, Arantes (2008) vem a ressaltar que a arquiteta Maria Cecília N.


HOMEM (2006), em sua dissertação a respeito da construção das casas de São
Paulo, vem a relatar a respeito da prática da ginástica alemã de banheiro ou de
quarto, exercícios realizados de forma independente, sob a direção dos Instructores
de gymnástica que lecionavam nas raras escolas do país.
De acordo com Cardoso (2003), conforme a Corte se encarregava da
educação formal dos brasileiros, em 1832-1834, determinou-se a realização de
exames públicos a fim de avaliar para avaliar a capacidade dos futuros professores
conforme discernimentos de conduta moral.
A esse respeito Villela (2000) vem a retratar que: “Estas comissões eram
formadas pelos párocos, pais dos alunos e chefes de polícia. Não se observa nos
textos qualquer citação sobre a avaliação para os Mestres em Educação Física”.
Conforme Souza (2000), o século XIX, no mundo, foi caracterizado por
intenso debate sobre a questão da educação popular. Difundia-se a crença no poder
da escola como fator de modernização, progresso e mudança social. Era imperativo
que se criasse uma escola que atendesse as exigências que o processo de
urbanização e de industrialização exigia.
Em corroboração, segundo Arantes (2008) nesta esteira dos tempos
modernos, a organização escolar, métodos de ensino, livros e manuais didáticos,
classificação de alunos, estrutura física da escola, formação docente e a inclusão de
disciplinas tais como: ciências, desenho e educação física, no caso a ginástica,
serviram a nova causa, ou seja, orientar um novo homem para uma nova sociedade.
O Brasil na figura de Rui Barbosa, não ficou alheio ao debate internacional.
Preconizava-se até então, um ensino menos verbalista, repetitivo e lotado de
abstrações. Em seu lugar propunham-se “lições das coisas” que hoje talvez pudesse
ser visto como o ensino significativo, no qual o aluno toma parte de maneira ativa.
(ARANTES, 2008)
A respeito das aulas de Educação Física administrada nos colégios, para os
mais abastados, era realizada de forma que retratasse o movimento humano.
CUNHA JUNIOR (s.d apud Arantes, 2008), escreve que: “As mesmas foram
orientadas pelos padrões europeus vigentes. A pedagogia da educação
physica articulava-se à alimentação, ao vestuário, ao exercício corporal e a
degenerescência física”. Em continuidade, Arantes (2008), vem a discorrer que
23

segundo o autor citado, vem a afirmar em seus inscritos que as atividades corporais
gymnásticas foram efetivamente praticadas a partir de 1841.
Conforme Cunha Jr. (s/d apud op. cit.), vem a descrever que: Joaquim
Caetano da Silva, Reitor do Collégio D. Pedro II, propõe ao Ministro Candido José
de Araujo Viana (Ministro e Secretário dos Negócios do Império), que se pague ao
“Instructor de Gymnástica um ordenado anual de quatrocentos mil reis por sete
horas de exercício semanais; duas na quinta feira e huma em cada hum dos cinco
dias de aula”, somada a esta sugestão o Reitor arrisca recomendar que ao Mestre
não fosse concedido o título de professor devido à natureza prática da atividade, ou
porque o mesmo não estivesse incluído nos exames públicos de admissão como o
obrigatório.
Apesar de reconhecer a suma importância do trabalho, escassez de mão de
obra especializada, o Ministro responde ao responsável pela direção do
estabelecimento. Sobre o valor da renumeração do Instructor, afirma que a mesma é
muito superior a dos demais docentes tais como os de Inglez, Francez, Dezenho e
Música “todos pressionados e com muito mais trabalho que o Mestre de
Gymnástica”. Assim entendendo e, muito incomodado, em junho de 1843, o reitor
questiona a possibilidade de substituir-lhe por hum mestre de dança (CUNHA
JÚNIOR, s/d apud ARANTES, 2008).
Segundo, Cardoso (2003): “Quase dez anos depois, na Cidade do Rio de
Janeiro, observa-se a obrigatoriedade da prática da ginástica nas (poucas) escolas
primárias do Município da Corte”. Ainda conforme o autor, bem como em 1870 dá-se
ali a construção do primeiro prédio destinado exclusivamente para a escola pública.
Nesse ponto, Arantes (2008) vem a retratar que no século XIX dois métodos
ginásticos são citados: 1 - A de quarto: realizada por alunos em sala de aula por
entre as carteiras, composta por exercícios localizados visando melhoria da saúde; 2
- A ginástica alemã (introduzida em 1852 - para soldados): que objetivava o
condicionamento físico dos alunos do sexo masculino, pela utilização de exercícios
acrobáticos exigindo disciplina e certo grau de hipertrofia muscular.
Ressaltam-se nos inscritos de Arantes (2008), que “As indicações sobre a
realização das aulas de gymnástica se multiplicavam. Aqui e acolá se se observa a
recomendação deste conteúdo aos escolares”. A fim de melhor compreensão e
entendimento a respeito à autora vem escrever que no ano de 1852, na província do
Amazonas, é expedido um documento regulamentando a instrução pública primária,
24

que juntamente com as matérias para o desenvolvimento moral, lê-se a indicação


das práticas motoras orientadas:
Com a instrução primária, se dará também a educação física e moral, a
saber; a educação constituirá em limpeza, exercícios e posições e maneiras
do corpo, asseio e descências do vestuário, o mais simples e econômico
possível, danças e exercícios ginásticos, ornicultura, passeios de instrução.
(MARINHO, 1943:46 apud ARANTES, 2008).

Ainda conforme Arantes (2008), a fim de promover a Educação Física e a


manter os pareceres da época, vários decretos, leis e atos oficiais foram sendo
elaborados e criados. Outro exemplo é representado pelo Decreto n. 8025 de 16 de
março 1852 para os alunos das Escolas Normais. “O referido documento
determinava exercícios disciplinares, movimentos parciais e flexões, marchas,
corridas, saltos, exercícios piríricos, equilíbrio e exercícios ginásticos”. (PAIVA e
PAIVA, 2001: s/p apud op. cit.).
De acordo com Paiva e Paiva (2001) citados por Arantes (2008), em seu
trabalho sobre o ensino da gymnástica, escrevem que:
Em 25 de abril de 1873, foi enviado aos membros da Comissão designada
para conduzir o processo de consulta acerca da proposta apresentada á
Inspectoria da Instrucção Pública da Corte pelo Cap. Ataliba M. Fernandes,
mestre de gymnástica, o oficio que encaminhava motivos e projetos
explicativos para a realização nas escolas públicas de Instrucção primária
do sexo masculino, o ensino racional, methódico e progressivo da
gymnástica elementar (visando) o desenvolvimento physico dos
alunnos, (como) aconselhado pelos preceitos higiênicos e regras de boa
educação e civilidade. (s.p).

A respeito do método, a proposta retratava sobre a realização de exercícios


do corpo livre e os dependentes do aparelho e acessórios. Em ambos a flexibilidade,
equilíbrios, lutas, forças, saltos exercícios pyrrichos, natação e de volteios militares
seriam praticados. O pórtico, barras fixas, argolas, escada de cordas, paus, cabos
volantes, barras paralelas, escadas de madeiras, graduador de saltos, pesos,
cordas, cabos, tamboretes seriam usados como facilitadores da aprendizagem
gimnica. (ARANTES, 2008)
Os envolvidos no processo, não apreciaram a proposta, conforme Paiva e
Paiva (2001), pois, a educação física oferecida nas escolas até então se atinha aos
exercícios elementares; movimentos parciais (analíticos), e de flexões, marchas
corridas, saltos simples, equilíbrios, em terra firme. O pórtico e todos os exercícios
que dali pudessem ser praticados foram vistos como não recomendados seja pela
25

falta de condições de instalação física, falta de recursos, ou porque os alunos eram


muito pequenos para tal prática.
Em seu lugar, os diretores sugeriram ao proponente Cap. Ataliba, a
implementação de outro método; (1) “o novo guia para o ensino da gynástica nas
escolas públicas da Prússia”, que havia sido distribuído pelo governo ou (2) que se
adotasse o método americano do Dr. Barnetts que se caracterizava pela exercitação
a mãos livres, com pequenos aparelhos e/ou pelo uso de tiras borrachas com
diferentes tipos de tensão” (s/p apud ARANTES, 2008).
Condicionadas e adequando-se as modestíssimas instalações escolares,
as aulas de educação física, ficaram restritas apenas aos exercícios mais simples, à
prática da higiene. Exercícios mais complexos seriam praticados pelo Exército e nas
Escolas da Marinha; ou até que o governo reunisse condições para construir os
pórticos nas escolas. (PAIVA e PAIVA, 2001 s/p apud op.cit.)
Em continuidade, os autores citados por Arantes (2008), vêm a destacar que:
“Nessa discussão também foram apresentados itens relativos ao trabalho do
professor tão assoberbado com a aprendizagem de outros conteúdos sem tempo
para a implementação das aulas de gymnástica”.
Ainda, conforme os inscritos de Paiva e Paiva (2001) a competência técnica e
a remuneração também foram objeto de discussão. Quanto ao horário, definiu-se
que seria no intervalo entre duas sessões; podendo servir como diversão, recreio ou
uma estratégia para amenizar ou outros exercícios da vida escolar. Às atividades
motoras ministradas pelo professor de escolarização inicial, somariam as de música
e as de desenho linear. (s/p apud ARANTES, 2008)
Em continuidade, Paiva e Paiva (2001 s/p) discorrem que O Capitão Ataliba
imbuído de vigor defendeu que os docentes mesmo para o ensino elementar
deveriam possuir processo, método, linguagem concisa e clara, dedicação ao
trabalho, certo grau de energia e tenacidade; gente idônea. Portanto, as aulas de
Educação Física não poderiam ser ministradas por qualquer pessoa como
defendiam os diretores. Criava-se a necessidade de formação adequada dos
docentes, a realização de exames que dessem conta das atividades motoras das
crianças e que propusessem conteúdos mais complexos a serem desenvolvidos
posteriormente. (ARANTES, 2008).
Cardoso (2003) escreve que o período compreendido entre 1854–1859
caracterizou-se por inúmeras Reformas educacionais: Paulino de Souza, João
26

Alfredo, Leôncio de Carvalho, Rui Barbosa, Almeida de Oliveira; Barão de Mamoré.


Em corroboração Arantes (2008), retrata que: “Nessas reformas educacionais, por
certo, incluem-se a revisão dos conteúdos das aulas de Educação Física a serem
ministradas nas escolas”.
A respeito da formação docente e adequação de trabalho com classes iniciais
Arantes (1990 apud Arantes, 2008), disserta que em 1846 em São Paulo instalou-se
o primeiro Curso de Formação de Professores ou Curso Normal destinado a ambos
os sexos. A autora refere-se à Escola Normal da Praça da República cujo currículo
continha aulas de Educação Física. Ministradas por Instructores das fileiras militares.
As futuras professoras primárias viram-se às voltas com exercícios de marchas e
infiltrações, ordem unida e ginástica analítica. Essa Educação Física se
assemelhava àquela praticada no quartel (ARANTES et.al. 2001, apud op. cit.).
”Esse dado parece ser relevante uma vez que a Primeira Escola de Educação Física
para civis, forma sua primeira turma em somente 1935”. (DAIUTO, 1994 apud
ARANTES, 2008)
Nesse momento, destaca-se que Mário de Andrade percebendo a
necessidade de divulgar a nossa cultura, em decorrência da vinda de vários
imigrantes, principalmente ingleses e italianos e da migração provinda das cidades
do interior do Estado de São Paulo, criou em 1935 na cidade de São Paulo, cerca de
seis Parques Infantis destinados às crianças e aos jovens. O grande escritor de
Macunaíma; quando foi Secretário da Pasta da Cultura do Governo de Fábio Prado
imaginou e implantou uma instituição coeducacional destinada aos filhos dos
operários migrantes e imigrantes. (ARANTES, 2008)
Ainda conforme a autora: “Mário de Andrade tinha por objetivo, a divulgação
da cultura nacional por meio de sessões de: música, artes plásticas, danças, jogos
da cultura popular e tradicional, recreação e a prática da natação”. Para administrar
as aulas dos Parques Infantis, Mário de Andrade contratou nossos primeiros
professores de Educação Physica, provavelmente oriundos do Instituto Superior
Isolado de Educação Physica de São Paulo (hoje Escola de Educação Física e
Esporte da Universidade de São Paulo). (op. cit.)
No ano de 1946 o Governo Federal, de acordo com Medalha (et. Al. 1985),
criou e programou Lei Orgânica; talvez primeira lei na esfera educacional com
caráter “democrático”. O ensino brasileiro deveria iniciar-se aos sete anos de idade.
Os desfavorecidos deveriam cursar a escola técnica; os da elite seriam matriculados
27

nas escolas propedêuticas, também conhecidas pelo ensino enciclopédico, com


vistas às poucas universidades existentes.
As aulas de Educação Physica ministradas nas escolas tiveram participação
significativa para aumentar o espírito nacionalista. Grandes concentrações de
estudantes e exibições de ginástica com ou sem elementos foram praticadas a guisa
de exibir o ufanismo nacional. Para os pequenos os jogos de “dar e tomar”, foram
utilizados para que desde tenra idade pudessem entrar em contato com as regras
socialmente aceitas. (MEDALHA, et. al., 1985)
Segundo Arantes (2008), em 1961 promulgou-se a primeira Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional – LBD, nº 4024, a qual vem a retratar que a aula de
Educação Física deverá ser ministrada pelos regentes. A esse respeito destaca-se:
“Dada suas bases científicas, é atualmente considerada como um aspecto de
educação geral, oferecendo valiosa contribuição ao educando”. (Programa da
Escola Primária de São Paulo, 1967:59 apud op. cit.)
“Na escola primária a educação física teve como objetivo a recreação
(individual e coletiva) nos seus variados aspectos era realizada por meio das
atividades naturais, jogos, atividades rítmicas, dramatizações, atividades
complementares” (Programa da Escola Primária de São Paulo, 1967:59), visando
abarcar a totalidade do desenvolvimento do aluno. A Educação Física na década de
60, também se preocupou com a atitude postural adequada, com a coordenação
sensório motor, o refinamento dos sentidos, e o aumento da sensibilidade rítmica,
favorecendo a coeducação, e o conhecimento de nossos costumes. (ARANTES,
2008)
Neste período houve por parte governamental e pela iniciativa privada, um
significativo esforço para uma escolarização diversificada. Essa realidade pode ser
notada pela criação de inúmeras experiências inovadoras no processo de educação
formal tais como os ginásios pluri-curriculares, vocacionais, a unificação em dois
níveis dos anos do primário formando apenas dois blocos. A experiência não vingou
e logo sofreu revezes devido ao regime implantado pelo governo militar (ARANTES,
1991 apud op. cit.).
Ainda, conforme Arantes (2008) “As aulas de Educação Física para a
juventude, consistiam em ensinar a ginástica formativa, fundamentos de jogo,
valendo-se do Método “da Desportiva Generalizada”; não se previa a inclusão dos
que não se adequassem a normalidade”.
28

Dez anos depois da LDB. Nº 4224/61 foi implementada a segunda Lei de


Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 5692. Os diferentes graus de
escolarização recebiam agora nova organização e unificação vertical. O primeiro
segmento denominado 1º Grau era composto por oito séries integradas pelo Núcleo
Comum e Parte Diversificada. Nomeavam-se Disciplina aquelas com orientação
teórica e por Atividade as de cunho prático sem reprovação exceto por faltas;
Educação Artística, Inglês e Educação Física (PAR.CFE. 853/71 apud ARANTES,
2008).
O programa recomendado para as aulas de Educação Física compreendia:
Um conjunto de ginástica, jogos desportos, danças e recreação, capaz de
promover o desenvolvimento harmonioso do corpo e do espírito e, de modo
especial, fortalecer a vontade, formar e disciplinar hábitos sadios, adquirir
habilidades, equilibrar e conservar a saúde e incentivar o espírito de equipe
de modo que seja alcançado o máximo de resistência orgânica e de
eficiência individual. (SÃO PAULO, SE/CENP, 1985:158 apud ARANTES,
2008).

No ano de 1985 com a instalação do processo democrático, abriram-se


novas perspectivas para multiplicidade de Propostas Curriculares em todas as
Disciplinas e Atividades. Observa-se em São Paulo a formulação das Propostas
Curriculares pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas para as escolas
estaduais. (ARANTES, 2008)
Nesse ponto, a autora vem a abordar que “este processo de intensa
discussão acerca dos conteúdos escolares terminou em 1992 com a publicação do
modelo final das Propostas Curriculares para o 1º e 2º. Graus para todas as
Disciplinas e Atividades coordenadas pela CENP”. Ainda segundo a mesma: “As
aulas de Metodologia da Educação Física estavam previstas no documento
demonstrando que seu conteúdo merecia ser estudado”.
Desde 1996 o currículo vigente está organizado segundo a terceira Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional LBD. Nº 9394. O processo de
escolarização brasileiro apresenta-se agora completo. Iniciando pela Educação
infantil nosso Sistema Escolar termina formalmente na Graduação, no Ensino
Superior. Hoje, as propostas e os conteúdos têm a preocupação em atender, incluir
e integrar todos os estudantes em torno do Projeto Escolar. (ARANTES, 2008)
As aulas de Educação Física ao contrário das épocas passadas, e, segundo
o artigo 26, deve ser “integrada à proposta pedagógica da escola, é componente
curricular da educação básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da
29

população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos”. (São Paulo; SE/CENP
1985; 79 apud op. cit.).
A totalidade do ser humano se diferencia no transcurso da evolução
humana. À medida que se desenvolve o homem acentua suas predisposições e as
influências do mundo circundante na estrutura holística do ser, e a Educação Física
como participante deste processo tem como objetivo desenvolver e estimular o lado
biológico do homem, suas aptidões corporais e sensoriais, concomitante com o lado
emocional, oferecendo-lhe estímulos ao desenvolvimento em seu campo de ação
(PADRÃO REFERENCIAL DE CURRÍCULO, 1996 apud OLIVEIRA e MENEZES,
s/d).
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs de 1997, o trabalho
de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental é importante, pois
possibilita aos alunos terem desde cedo, a oportunidade de desenvolver habilidades
corporais e de participar de atividades culturais: como jogos, esportes, lutas,
ginásticas e danças, com a finalidade de lazer, expressão de sentimentos, afetos e
emoções. (OLIVEIRA e MENEZES, s/d)
O que condiz a afirmar que a Educação Física ao longo de sua história
objetiva-se em adequar o prazer por meio do movimento, devendo propiciar e
proporcionar ao aluno força sobre o movimento do corpo. Entretanto segundo
Oliveira e Menezes (s/d): “algo mais que todos os exercícios físicos, ela é educação,
pois por meio da seleção e ordenamento das atividades o educador busca cumprir
seus objetivos educacionais”.
Nesse contexto, os PCNs de 1997, conforme Bezerra (s/d) trazem em seu
bojo que a prática da Educação física na escola deverá proporcionar a autonomia do
aluno para observar as suas atividades: regulando o esforço, traçando metas,
conhecendo as potencialidades e limitações, sabendo distinguir situações de
trabalho corporal que podem ser prejudiciais a sua saúde. A iniciação precoce, o
desempenho e o imediatismo desconsideram a individualidade de cada aluno, único
em suas potencialidades e limitações. Os movimentos são estereotipados, gerando
conformismo pela ausência do exercício da crítica e do espaço da criação. “Em
oposição a uma Educação Física mantenedora do “status quo” propõe-se uma ação
onde o homem seja o agente ativo da construção de sua história pela sua ação
consciente”. (PADRÃO REFERENCIAL DE CURRÍCULO, p.67 apud op. cit.)
30

Propor ao aluno uma participação ativa no próprio aprendizado, a pesquisa


em grupo, a experimentação e atividades que estimulem o questionamento e o
raciocínio, contribuindo assim, no processo de resgate de uma Educação Física
inserida no contexto escolar, como uma prática social, alicerçada na participação
coletiva, que promova autonomia, criatividade e socialização, e não apenas como
um componente, que desenvolve sua atividade fora da sala de aula. (BEZERRA,
s/d)
Nesse momento, vale destacar que em dias atuais a procura de práticas
esportivas a fim de se tornar atleta ou atividades físicas, em busca do corpo perfeito,
tem assolado a sociedade, acarretando nos alunos a preocupação e indagação de
que a aula de Educação Física Escolar venha a proporcionar-lhes determinados
benefícios, que na realidade são anseios causados pela sociedade em geral. Na
realidade as aulas de educação física nas escolas possuem outras preocupações,
tais como as que nos aponta Denis Pereira (Oliveira e Menezes, s/d): “ao contrário
do que muitas pessoas pensam a disciplina não é uma preparação para atletas. Os
jovens que queiram seguir essa carreira devem buscar turmas de treinamento fora
da escola”.
Ainda, conforme o mestre citado por Bezerra (s/d): “a disciplina tem funções
diferentes dependendo do nível escolar. Enquanto que no Fundamental I as
atividades físicas são importantes para a aquisição da bagagem motora dos alunos;
no Fundamental II os movimentos e bagagem são aprimorados”.
No Ensino Médio, o aluno passa a compreender as atividades como formas
de manutenção da saúde. A educação física escolar dever ser de direito a todos e
as turmas de treinamento são excludentes, ou seja, seleciona os melhores e mais
habilidosos, explica Denis Pereira. (BEZERRA, s/d)
Segundo a professora de educação física Carla Vidoni, que trabalha
na University of Louisville, “a matéria não deve ser confundida com lazer ou
recreação. é imprescindível que os alunos entendam o objetivo da educação física,
ajudar os estudantes a optarem por escolhas de hábitos saudáveis”. (op. cit.)
Em suma, segundo Bezerra (s/d): “A Educação Física permite que se
vivenciem práticas corporais advindas das mais diversas manifestações culturais
que seja vista como uma variada combinação de influências presentes na vida
cotidiana”.
31

CAPÍTULO III. A EDUCAÇÃO FÍSCIA ESCOLAR E O


DESENVOLVIMENTO SOCIAL DA CRIANÇA

Nesse capítulo, a abordagem se prima em retratar os benefícios da


Educação Física Escolar, não apenas para o desenvolvimento psicomotor e
corporal, mas também em melhorar a autoestima, aprender a socializar e interagir,
trabalhar em grupo, conhecer e despertar habilidades, externar sentimentos
incutidos, entre outros, pois grandes realizações e descobertas são realizadas
quando o corpo é exigido e a mente trabalhada.
Ressalta-se que as aulas de Educação Física possuem por base os
conceitos de corpo e movimento, o que conduz a afirmar que a realização do
trabalho deve-se centrar nessas concepções, que auxiliam e beneficiam o aluno em
seu desenvolvimento psicomotor, corporal entre outros, ou seja, desenvolvimento
integral e global. Nesse contexto, cita-se o postulado por Rosamilha (1979), o qual
retrata que:
A Educação Física nas escolas primárias terá por fim [...] promover, por
meio de atividades físicas adequadas, o desenvolvimento integral da
criança, permitindo que cada uma atinja o máximo de sua capacidade física
e mental, contribuindo na formação de sua personalidade e integração no
meio social, [...]. (p.74)

De acordo com Rodrigues (2013): “A relevância da Educação Física Escolar


é de fato irrefragável em decorrência de sua concepção pedagógica focada em
realizar a interação e a inclusão no âmbito social dos envolvidos”. O que condiz a
afirmar que se torna de suma proeminência que o aluno a partir das aulas venha a
entender e compreender os valores da pratica esportiva, constitua hábitos de vida
saudável e que aprenda a conhecer e reconhecer os conhecimentos condizentes a
outras disciplinas.
Assim, relaciona-se que a Educação Física se objetiva em proporcionar e
propiciar ao discente o seu desenvolvimento global, auxiliando-o e norteando-o na
conscientização de si e do outro, o que o ajudará em seu dia a adia. A esse respeito
Rodrigues (2013) vem a abordar que “sua prática deve essencialmente fazer parte
no âmbito escolar, uma vez que a escola é o meio educacional mais efetivo e
eficiente para a realização desta prática”.
32

“A atividade física é essencial para a manutenção e melhoria da saúde e na


prevenção de enfermidades, pois contribui para a longevidade e melhora da
qualidade de vida, por meio dos benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais”.
(PIZARRO, 2011 apud RODRIGUES, 2013).
Em corroboração, Rodrigues (2013): “ressalta-se que é na escola que muitas
crianças têm seu primeiro contato com atividades físicas planejadas, daí sua
importância como promotora de desenvolvimento e aprimoramento das esferas
cognitivas, motoras e auditivas”. O que condiz a afirmar “que este contato planejado
faz com que possam compreender e/ou adaptar suas habilidades não somente no
ambiente escolar, mas também em todos os outros a que tenha acesso”. (op. cit.)
Nesse contexto, pode-se dizer que a missão da escola é o de promover a
inclusão social do sujeito, pois a partir do momento que o mesmo passa a frequenta-
la vem a ser conduzido a adquirir e ampliar conhecimentos e saberes, o que vem a
ser um facilitador no cotidiano, ou seja, preparando-o para as próprias escolhas
futuras. De acordo com Matos Jr (2017) “o papel da escola sempre foi proporcionar
aos seus educandos conhecimentos e saberes que oportunizem a inserção social”.
Portanto, pode-se afirmar que esse fato vem a acontecer em decorrência da
escola proporcionar aos seus alunos a aquisição de saberes que foram sendo
construídos no decorrer da história humana, auxiliando e norteando-os em sua
inserção, por meio de uma participação ativa no cotidiano social, ou seja, que
venham a entender que suas ações podem intervir ou que sejam a ser influenciados
por opiniões ou ações de outros que fazem parte da sociedade, na qual se encontra
inserido.
Neste aspecto, Matos Jr (2017) vêm a esclarecer que: “a educação física
escolar cumpre papel importantíssimo na escola e também na sociedade, pois, se
viver em sociedade depende de experiências, as aulas de educação física podem
com certeza oportuniza-las”.
Em continuidade, somos sabedores que as relações sociais é que nos
constroem como pessoas e nas aulas de educação física estas relações são
prementes quando brincamos com nossos amigos, participamos de danças,
jogamos determinados esportes e principalmente descobrimos nossas
potencialidades e enfrentamos nossas fragilidades em atividades físicas ou das mais
diferentes ginásticas. (MATOS JR, 2017)
33

Nesse pensar, relaciona-se que no decorrer da aula de educação física


pode-se apreciar e observar como são constituídas as relações pessoais e sociais,
pois no decorrer de uma atividade, a qual permita que o aluno venha a realizar
mudanças na execução ou nas regras, a fim de possibilitar-lhes controle,
direcionamento e liberdade, transformando-a prazerosa e significativa.
Assim, possibilita aos alunos a oportunidade de expressar suas ideias e de
ouvir a dos outros, identificando novos conhecimentos e opiniões, arquitetando e
proporcionando a edificação de saberes, vindo assim a descobrir e de reconhecer a
importância do outro como um ser participativo e construtor de saberes.
Nessa nuance, Matos Jr (2017) vêm a ser discorrer que: “Este é um grande
exercício da democracia ao entender que outras pessoas podem ter opiniões
diferentes, mas também ideias que às vezes podem ser melhores que as suas para
oportunizar satisfação para todos”.
Outro ponto, a se deixar claro vem a ser que além dos conteúdos que a
educação física trabalha que englobam atividades físicas e esportivas, a disciplina
possibilita desenvolver nos alunos saberes e conceitos que muitas das vezes não
são percebidos pelos praticantes ou mesmo por quem os observa e acompanha.
“Para além dos conteúdos/conhecimentos da educação física escolar, outros
elementos estão sempre perpassando nas aulas como: Ética, Orientação Sexual,
Meio Ambiente, Saúde, Pluralidade Cultural, Trabalho e Consumo”. (MATOS JR,
2017)
No decorrer da aula de educação física possibilita aos alunos a vivenciar as
diferentes abordagens que se encontram inseridas e constantes em vários
momentos no decorrer de uma atividade. Como por exemplo, a ética, pois durante
uma partida esportiva, na realização de uma atividade física ou no decorrer de um
jogo, são várias as questões que são discutidas, em decorrência de atos,
movimentos e atitudes que são ou não permitidos, ou que se enquadram na prática,
possibilitando assim diálogo e discussão a respeito do assunto, de forma a se
chegar a uma conclusão mutua, “pois na ética os elementos do respeito mútuo, da
justiça, do diálogo e solidariedade são elementos que permeiam uma convivência
social”. (MATOS JR, 2017)
Durante a realização de uma aula de educação física, outra questão
presente se encontra nas relações que retratam ao respeito ao seu corpo e a do
outro, se a prática pode ser ou não realizada por ambos os sexos. Ou seja, a
34

orientação sexual se encontra presente, quebrando tabus e desmistificando


conceitos e preconceitos enraizados nas concepções sociais.
As discussões sobre o meio ambiente, conforme Matos Jr (2017), estão
presentes quando se retrata de esportes junto à natureza, mas também as relações
sobre o convívio com a mesma e a influência desta na prática de atividades físicas,
bem como no bem estar físico e mental que vem a ser proporcionado.
Quanto às questões que norteiam a saúde, se encontra a importância de
estar atento aos cuidados que se deve ter consigo e com os outros, ou seja, noções
que possibilitam a perceber as suas necessidades físicas e mentais, bem como dos
que os rodeia, em suma o bem estar coletivo e social.
O nosso país possui uma diversidade cultural a qual pode ser retratada nas
aulas de educação física, tanto de maneira prática quanto dissertativa, ou seja,
muitas danças, práticas esportivas e atividades físicas podem ser elencadas. Matos
Jr (2017) disserta que: “A pluralidade cultural é elemento que se apresenta no dia a
dia na escola pois brincadeiras, jogos, danças, ginásticas, esportes e discussões
sobre o corpo nos remetem sempre ao contato com diferentes culturas”.
Em suma, o autor em sua abordagem vem a discorrer que ao se falar de
Trabalho e Consumo, pode-se discutir as atividades físicas e a cultura do movimento
nas suas relações de diferentes elementos desde implementos a suplementos, de
roupas a uniformes, de informações e imagens, veículos de informação, publicidade,
direitos humanos e, principalmente, da cidadania.
De acordo com Rondinelli (s/d) o termo Educação Física pressupõe a ideia
de controle do corpo ou, ainda, de controle do físico. Educar, desde o século XVII, é
uma ação que está intimamente relacionada à disciplina corporal: a separação
proposta por Descartes, entre corpo e mente, torna-se base de todo o processo
educacional ocidental. Fato bastante visível nas salas de aula: o corpo fica sentado
e parado, sem “atrapalhar” o exercício de raciocínio e de aprendizado feito pela
mente.
Em continuidade, a autora vem a discorrer que a princípio, a Educação
Física, quando inserida no currículo escolar, era tida como um momento para a
prática da ginástica, com a finalidade de deixar o corpo saudável. Após muitas
reformas na própria ideia de Educação Física, atualmente ela é uma disciplina
complexa que deve, ao mesmo tempo, trabalhar as suas próprias especificidades e
se inter-relacionar com os outros componentes curriculares.
35

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documento oficial


do Ministério da Educação, a Educação Física na escola deve ser constituída de três
blocos: 1 - Jogos, Ginásticas, Esportes e Lutas; 2 - Atividades rítmicas e expressivas
e 3 - Conhecimentos sobre o corpo (RONDINELLI, s/d). Ainda de acordo o
documento os conteúdos dos três blocos podem ser difundidos ou não em uma
mesma aula, por outro lado, destaca-se que não se deve privilegiar apenas um, pois
a aula deixa de ser enriquecedora vinda a ser, provavelmente excludente, em
decorrência que nem todos os alunos apreciam determinadas atividades como os
apresentados no primeiro bloco, por exemplo.
O primeiro bloco, “jogos, ginásticas, esportes e lutas”, compreende
atividades como ginástica artística, ginástica rítmica, voleibol, basquetebol, salto em
altura, natação, capoeira e judô. O segundo bloco abrange atividades relacionadas à
expressão corporal, como a dança, por exemplo. Já o terceiro bloco propõe ensinar
ao aluno conceitos básico sobre o próprio corpo, que se estendem desde a noção
estrutural anatômica, até a reflexão sobre como as diferentes culturas lidam com
esse instrumento. (RONDINELLI, s/d)
Nesse ponto ressalta-se que a aula de educação física deve contemplar os
eixos que venham a conduzir o aluno a ter noções básicas de si e do outro que o
rodeia, ou seja, auxilia o sujeito em sua formação ampla, que entenda a sua cultura
e as demais que fazem parte de seu cotidiano.
Na opinião de Rondinelli (s/d), a Educação Física tem uma vantagem
educacional que poucas disciplinas têm: o poder de adequação do conteúdo ao
grupo social em que será trabalhada. Esse fato permite uma liberdade de trabalho,
bem como uma liberdade de avaliação, do grupo e do indivíduo, por parte do
professor, que pode ser bastante benéfica ao processo geral educacional do aluno.
A educação física escolar propõe por meio das experiências motoras a
apropriação crítica e cultural de seus conteúdos, articulando o conhecimento para
ressignificação da prática e formação humana. A disciplina vem para somar e
contribuir com a educação intelectual e moral nas escolas. (COLÉGIO OBJETIVO
SOROCABA, G1. Globo on line, 2018)
A reportagem ainda destaca que a educação física precisa conduzir e
instigar o aluno a entender os limites do próprio corpo, exercendo, assim, o papel de
compreendê-lo como sujeito ativo dentro do espaço da escola e da sociedade.
36

Dessa forma, ele estará desenvolvendo seu aprendizado e sua capacidade de


expressão, evidenciando sua liberdade cognitiva e emocional para a aprendizagem.
O que condiz a elencar, conforme o contido no teor da reportagem, que a
educação física escolar beneficia: o desenvolvimento motor; Integra socialmente;
Colabora para que os alunos adquiram autoconfiança; Melhora a autoestima;
Trabalha a expressão do aluno; Reduz o estresse pelas pressões do dia a dia;
Coopera para um estilo de vida melhor; Contribui para resolução de problemas;
Favorece o autoconhecimento. (op. cit.)
O que condiz a retratar que a prática de esportes e atividades físicas na
escola são momentos mágicos que possibilitam a contemplar aprendizagens,
conhecimentos e construir saberes, pois possui uma tática transformadora, a qual se
utiliza: “de recursos pedagógicos, metodologias, espaços, dinâmicas profissionais e
a oportunidade de extrapolar os muros da escola com experiências esportivas e
culturais envolvendo a comunidade”. (Colégio Objetivo Sorocaba, G1. Globo on line,
2018).
Em continuidade, a reportagem retrata que “os esportes coletivos trazem
consigo o benefício do trabalho em conjunto, que é a integração social entre alunos.
A qual insere no jovem uma das noções humanas mais importantes para a vida em
sociedade: o respeito às diferenças”.
Por outro lado, destaca-se que as aulas de educação física contemplam
conceitos formadores de consciência social e de integridade pessoal, pois no
decorrer da pratica esportiva, atividade física e jogos, quando bem conduzida e
direcionada vem a colaborar com: “Redução do risco de doenças ligadas à pressão
e ao coração; Ganho de resistência muscular; Equilíbrio dos níveis de colesterol;
Combate à insônia; Flexibilidade de tendões e articulações; Aumento da oxigenação
do cérebro”. (op.cit.)
Segundo Marques (2018) a Lei 9.394/96, em seu parágrafo 3º, vem a
retratar que “a educação física escolar está integrada à proposta pedagógica, sendo
componente curricular obrigatório da educação básica”.
Muito mais do que uma prática esportista, a educação física nas escolas
oferece um leque de benefícios aos alunos. Da educação infantil ao ensino médio,
as aulas têm como principais objetivos promover a saúde, a socialização, colaborar
para o desenvolvimento de habilidades motoras e estimular o processo de ensino-
aprendizagem, por exemplo. (MARQUES, 2018)
37

Para isso, conforme a autora, as aulas devem ser planejadas como as


demais disciplinas escolares, levando-se em consideração as dimensões afetivas,
cognitivas e socioculturais dos alunos, conforme os Parâmetros Curriculares
Nacionais apontados pelo Ministério da Educação – MEC. Além de estimular a
participação dos alunos nas aulas, cabe ao professor de educação física propor
atividades lúdicas e que ao mesmo tempo contemple as questões elencadas..
Segundo Santana (2012), em seu artigo vem a abordar que “A escola tem
como objetivos passar aos alunos conhecimentos úteis ao longo da vida, além de
formar cidadãos competentes e responsáveis”, ou seja, ao longo de sua vida escolar
o aluno irá socializar com outros sujeitos, sendo: alunos, professores e funcionários,
com os quais aprenderá a socializar e interagir, bem como a cuidar de si e dos
demais, em fim a viver socialmente.
Nesse ponto ressalta-se que essa convivência vai além do psicológico,
abrangendo igualmente o físico. Conforme Santana (2012), “nas aulas de Educação
Física que o aluno se relaciona, e por meio de seus movimentos, gestos, e de suas
ações, demonstrará suas dificuldades, seus anseios, seu modo de agir, sua forma
de pensar e sua personalidade”.
Em continuidade a autora vem a discorrer que: “Mais especificamente, numa
aula de Educação Física, o aluno terá maior contato com atividades em grupo, o que
será essencial não apenas à sua formação física, mas psicológica”.
Por meio dos movimentos e das ações que a criança expressará seus
sentimentos e sua forma de pensar. Neira (2003, p. 118 apud Santana, 2012) expõe:
Conquistas no plano da coordenação e precisão dos movimentos podem
ser alcançadas por meio da prática constante de diversas brincadeiras e
atividades motoras presentes em diversas culturas, que terminam por
solicitar complexas sequências motoras para serem reproduzidas,
oferecendo, assim, oportunidades privilegiadas para desenvolver
habilidades no plano motor. (...) Conhecer jogos e brincadeiras e refletir
sobre os tipos de movimentos envolvidos é condição importante para ajudar
as crianças a desenvolverem uma motricidade harmoniosa. (p. 118 apud
SANTANA, 2012)

O que torna relevante ressaltar que o professor esteja observando sempre,


aos gestos e movimentos dos alunos. Para Neira (2003, pag.119), citado por
Santana (2012), “O gesto carregado de sentido, significado e intenção assumirá,
então, um papel fundamental no processo educativo daquelas crianças, reunindo em
uma mesma ação a dimensão cognitiva, afetiva, e, claro, motora”. Qualquer
movimento precisa ser reconhecido pelo professor, pois representa uma forma de
38

expressão, suas dificuldades, seu estado psicológico, suas ansiedades ou emoções.


(SANTANA, 2012)
Em relação à função do professor, destaca-se:
O professor bem subsidiado possui uma clara noção do seu papel político
como formador de cidadãos que se constituem em sujeitos do processo de
aprendizagem. Dessa forma, o educador não deverá limitar sua formação
aos saberes específicos dos conteúdos, mas conhecer de forma ampla as
questões pedagógicas e o processo de aprendizagem do ser humano para
elaborar e adequar situações de ensino com especial atenção aos níveis de
conhecimentos reais dos seus alunos, prevendo objetivos concretos e
exequíveis. (MATTOS, 2006, pag. 59 apud op. cit.)

Nesse contexto, ressalta-se que o profissional de educação física, necessita


estar atento aos movimentos do aluno, a fim de possibilitar-lhe, por meio da
observação realizar analise para que possa verificar problemas e dificuldades a
serem trabalhadas e suplantadas, de forma a motivar o discente a continuar a
buscar novos recursos e dinâmicas que venham a proporcionar-lhe caminhos para
superação.
No que se refere à importância do movimento corporal, Gallardo (1998)
apresenta:
O movimento corporal ou movimento humano, tema da Educação Física,
não é qualquer movimento. Ele está inserido em um contexto educativo (de
capacitação e de formação), apresentando um determinado significado para
o professor e para o aluno. Por isso mesmo, no planejamento, no
acompanhamento e na avaliação desse trabalho, o professor deve ficar
atento aos aspectos reflexivos e de tomada de consciência presentes nas
atividades, a fim de que estas não se tornem um fim em si mesmo. (pag. 94
apud SANTANA, 2012)

Dessa forma, é possível claramente verificar a importância da Educação


Física para o desenvolvimento da criança. As atividades, os jogos e as brincadeiras
são essenciais para que o professor analise as dificuldades e evolução do aluno
tanto no seu aspecto físico quanto psicológico. (SANTANA, 2012)
Acredita-se que educar não é apenas instruir, mas oferecer uma experiência
significativa que prepare para a vida. As reflexões realizadas no cotidiano escolar
possibilitam aos educadores e alunos vivenciar a cidadania, transferindo estas ações
para outras instâncias da sociedade, firmando-se como pessoas que fazem a
diferença. (THOMAZ e OLIVEIRA, 2009, pag. 3)
De acordo com os autores:
O espaço escolar não deve apenas preocupar-se com a formação
intelectual do educando, mas também e principalmente, com a sua
formação enquanto ser humano ético, participativo, realizado no campo
39

pessoal e profissional. A proposta a ser trabalhada deve por finalidade


repensar a questão da formação para a efetivação do papel do cidadão na
sociedade, fazendo com que a escola se organize como um espaço vivo, no
qual a cidadania possa ser exercida a todo o momento. (op. cit. pag. 3)

Segundo Thomaz e Oliveira (2009, pag. 3), acredita-se que só quando as


atitudes cidadãs passarem a ser uma constante no espaço escolar e principalmente,
em sala de aula, por todos aqueles que fazem parte do dia a dia do fazer escolar, é
que se terá uma geração de cidadãos participativos, envolvidos com o próprio bem
estar, assim como de seus semelhantes.
Em sala de aula, ainda conforme os autores (pag.4) a cidadania precisa ser
trabalhada a partir do conhecimento dos direitos e deveres do cidadão, perpassando
pela melhoria da autoestima e a importância do desenvolvimento de valores como
responsabilidade, solidariedade, companheirismo, amizade, empatia, ética, cuidado
com o meio ambiente, a serem refletidos com os alunos para tomada de decisões
visando o estabelecimento e o cumprimento de atitudes cidadãs no cotidiano de
todos os envolvidos.
Com esta prática, a intenção vem a ser de abrir e ampliar possibilidades a
partir da reflexão que as mudanças apenas serão possíveis por meio da
participação, engajamento e respeito. Acredita-se que só a partir do
momento no qual a pessoa passe a agir, com ética, com respeito aos
valores humanos, torna-se uma pessoa realizada e feliz (o objetivo maior do
ser humano) e por extensão, o mesmo acontecerá com as pessoas em seu
entorno. (THOMAZ e OLIVEIRA, 2009, pag.4)

Nessa nuance, Thomaz e Oliveira (2009, pag. 9) discorrem que para a


formação de valores éticos para a vida em sociedade, há necessidade de se
conhecer e entender o conteúdo da Declaração Universal dos Direitos Humanos e
cabe a escola educar seus alunos dentro dos princípios morais de ética e cidadania
que regem a vida democrática. Respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade são
aprendizados importantes na sua formação, assim como os conteúdos das diversas
disciplinas, os quais colaboram para a formação de cidadãos conscientes e capazes
de discernir, escolher e decidir a respeito dos deveres e direitos de cidadão.
O papel da escola não é só propiciar o conhecimento intelectual que faz
parte de sua grade curricular. Seu papel vai além, cabe-lhe preparar os alunos para
o futuro. E, se a pretensão é transformar o futuro para uma sociedade mais justa e
igualitária, urge preparar os educandos para tal, para que não seja apenas um
40

cidadão de papel, mas que saibam serem cidadãos de fato e de direito, em todo
tempo e lugar. (THOMAZ e OLIVEIRA, 2009, pag.10)
Em suma para os autores: “Ser cidadão não é apenas possuir um
documento, vem a ser muito mais. Para que, o educando passe a agir como um
verdadeiro cidadão é necessário fazer com que a cidadania seja vivenciada no
cotidiano escolar”. (2009, pag.10)
Nas aulas de Educação Física é desenvolvida diversas habilidades, e, por
meio do movimento pode-se desenvolver habilidades como o equilíbrio,
coordenação, força, agilidade, e varias outras como o trabalho em equipe, a
cooperação, a autonomia, a criatividade, a autoconfiança, os cuidados com a saúde,
e o gosto pela atividade física, valores que ultrapassam os limites da escola e se
trabalhados de forma correta são indispensáveis para a sequência da vida deste
aluno, que irá se defrontar com uma sociedade individualista, na qual a
responsabilidade e a ética estão cada vez mais sendo esquecidas. (LOVERA, 2015,
pag.5)
Dentro dos conteúdos possíveis de ser trabalhado nas aulas de Educação
Física, Barbosa (2004), descreve alguns objetivos específicos que podem ser
trabalhados para cada série da Educação Básica, partindo da 5ª série do ensino
Fundamental:

 5ª SÉRIE (ENSINO FUNDAMENTAL)


 Identificar as várias partes do corpo humano, sabendo nomeá-las;
 Deslocar-se em diferentes situações, em espaços delimitados, apresentando
continuidade durante e entre os movimentos;
 Executar diferentes movimentos, apresentando coordenação entre as
diferentes partes do corpo envolvidas no gesto;
 Identificar as principais características dos vários desportos, sabendo
diferenciá-las entre si;
 Conhecer a origem histórica dos vários desportos;
 Executar os movimentos básicos dos vários desportos.

 6ª SÉRIE (ENSINO FUNDAMENTAL)


 Diferenciar resistência aeróbia e anaeróbia;
41

 Conhecer e aplicar as principais técnicas de corrida e seu controle;


 Conhecer e executar as técnicas de primeiros socorros, e transporte de
feridos;
 Conhecer a história de lutas, como a capoeira.

 7ª SÉRIE (ENSINO FUNDAMENTAL)


 Conhecer os diferentes problemas posturais, assim como a maneira de
prevenir seu aparecimento;
 Conhecer as principais regras para a aquisição e manutenção da saúde
corporal;
 Identificar as características sexuais masculinas e femininas;
 Conhecer aspectos gerais do folclore.

 8ª SÉRIE (ENSINO FUNDAMENTAL)


 Desenvolver aparelhos de musculação que podem ser feitos em casa;
 Conhecer a técnica correta dos movimentos e os principais músculos
atuantes de alguns exercícios físicos;
 Organizar um programa de treinamento de musculação;
 Conhecer as principais doenças sexualmente transmissíveis (DST);
 Compreender os principais métodos de contracepção.  Organizar
competições esportivas;
 Entender o papel do esporte de alto nível na alienação social. (apud LOVERA,
2015, pag.9)

Para Seybold (1980 apud op. cit. pag.10) os exercícios físicos trabalhados
em seu sentido original, ou seja, primitivo, são adequados à criança. Pois neles ela
encontra a resposta à sua necessidade natural de se movimentar, à sua inclinação
natural de brincar, à sua ânsia de recompensa e de um eficaz desempenho.
Barbosa (2004), citado por Lovera (2015, pag. 5), nos mostra que o
movimento, para ser útil à alfabetização, não deve ser encarado apenas em seu
aspecto corporal, mas, sobretudo no social, através do qual devem ser exploradas
todas as possibilidades sociopolíticas. O objetivo deverá ser o de alfabetizar as
crianças de classes populares para que elas possam “ler o mundo”, tendo assim
42

chance de participarem como cidadãos na construção de uma nova sociedade. Uma


sociedade justa onde todos possam ter as mesmas oportunidades, sendo cidadãos
atuantes na comunidade que estão inseridos, participando das decisões que vão de
encontro aos seus interesses.
Para Neira:
O movimento é uma importante dimensão do desenvolvimento e da cultura
humana. As crianças se movimentam desde que nascem, adquirindo cada
vez maior controle sobre seu próprio corpo e se apropriando cada vez mais
das possibilidades de interação com o mundo. Engatinham, caminham,
manuseiam objetos, correm, saltam, brincam sozinhas ou em grupo,
experimentando sempre novas maneiras de utilizar seu corpo e seu
movimento. Ao movimentarem-se, as crianças expressam sentimentos,
emoções e pensamentos, ampliando as possibilidades do uso significativo
de gestos e posturas corporais. O movimento humano é mais do que um
simples deslocamento do corpo no espaço; constitui-se em uma linguagem
que permite às crianças agirem sobre o meio físico e atuarem sobre o
ambiente humano, mobilizando as pessoas por meio de seu teor expressivo
(2006, p. 114 apud LOVERA, 2015, pag. 5).

Santin (2003) conforme Lovera (2015, pag. 5) define o movimento humano


como uma linguagem, uma capacidade de se expressar, sendo que o homem se
expressa pelos seus movimentos, pelas suas posturas, pelos seus gestos. O corpo
humano é fala e expressão. O homem se expressa no seu olhar, na face, no seu
andar, ao ocupar um lugar, o movimento humano será sempre intencional e pleno de
sentido.
Cabe ao professor saber utilizar-se da melhor maneira o movimento, que é
natural de cada criança, para que sua aula possa desenvolver o máximo de
habilidades possíveis em cada estagio de amadurecimento de seus alunos,
promovendo uma aprendizagem que contribua para a formação de seus alunos.
Tornando-os cidadãos autônomos, caminho único para a cidadania (NEIRA, 2006
apud LOVERA, 2015, pag. 6).
43

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer da elaboração desse trabalho foi possível o observar e verificar


que tão preciosa e integrante como a sua própria história, a educação física vem a
ser a disciplina que contempla o individuo em sua amplitude, possibilitando-lhe
conhecimentos e saberes que irão nortear as suas ações atual e na sua formação
cidadã futura.
Outro fator a ser destacado que as aulas de educação física não se
restringem apenas a trabalhar esportes coletivos, mas também atividades
individuais. O trabalho quando planejado e direcionado possibilita ao aluno a
potencializar habilidades, a descoberta do próprio corpo, respeitar o outro como um
ser pensante, a possibilitar-lhe a reflexões sobre os seus atos e atitudes, bem como
de outro sujeito, aprender a ouvir e opinar, a trabalhar em grupo, melhorar a
autoestima, etc.
Contudo, foi possível verificar que a aula de educação física para ser
completa depende do trabalho do professor, pois vem a ser ele quem irá conduzir e
nortear ações que viabilizam a deslumbrar aprendizagens, para tanto o mesmo
precisa ser inovador, observador e analítico, não se postando apenas a lecionar.
Assim, ressalta-se que o professor precisa ser compromissado em buscar
novos horizontes, além de seu papel de repetidor de conteúdo e os alunos por sua
vez receptores do mesmo, mas o de formador de cidadãos que irão formar novos
cidadãos conscientes de seu desempenho na sociedade.
Como podem ser observadas, as aulas de educação física não se restringe
apenas em práticas esportivas ou atividades físicas a fim de cumprir com
sistematização educacional de conteúdos os quais são puramente metodológicos
para cumprimento de carga horária. O trabalho docente do profissional de educação
física ultrapassa limites e amplifica conhecimentos proporcionando saberes incutido,
ou seja, possibilita ao aluno a descobrir a si e o outro como um ser em eterna
construção.
A Educação Física sem duvida contribui muito para a formação integral dos
alunos, promovendo valores, e refletindo criticamente sobre aspectos como a
cultura, educação, politica, meio ambiente entre outros. Utilizando meios que
44

possam auxiliar nesta formação, assim como conteúdos próprios e novos modelos
de atuação, conciliando a teoria com à pratica.
Quanto ao papel do professor, este se torna a chave principal no processo
de formação dos alunos, e para que ocorra esta mudança nas aulas de Educação
Física, é necessário que ele esteja comprometido com suas aulas, sempre se
atualizando, sendo criativo e inovador, traçando os objetivos e metas a serem
alcançadas. E assim mostrando a verdadeira importância da Educação Física no
ambiente escolar, bem como o papel que esta exerce na formação das crianças e
jovens estudantes.
Enfim, conclui-se que no decorrer das aulas de educação física, fortalece o
sujeito aprendiz em sua estrutura emocional, psicomotora e corporal, ou seja, o
fortalecimento estrutural de um ser que pensa, age, reflete, se estabelece, que tece
opinião e transforma a si e modifica a sociedade na qual se encontra inserido.
45

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