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INTRODUÇÃO

As políticas habitacionais nem sempre foram um tema priorizado pelo Estado, mas com
o alto crescimento populacional o meio urbano passou a se estruturar de maneira pouco
organizada, desse modo o país começou a intervir e a partir dessas políticas que passaram a ser
implementadas aos poucos, foi visto a necessidade que essas políticas passassem a se consolidar.
Segundo a Constituição Federal, art.6º (BRASIL,1988), é assegurado o direito à
moradia, o déficit habitacional no país, chega a mais de 7 milhões de moradias (FGV, 2015) e
de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2018, tornando um dado
preocupante, além disso, nas construções existentes mais de 85% das pessoas reformam ou
constroem sem a orientação de um arquiteto ou engenheiro, conforme pesquisa realizada pelo
Instituto DataFolha e a Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/BR), em 2015.
A Lei nº 11.888, de 24 de dezembro de 2008, conhecida como Lei de Assistência Técnica
para Habitação de Interesse Social (LATHIS), assegura famílias de baixa renda, a execução do
projeto e a construção de habitação de interesse social para sua própria moradia, visando
diminuir o déficit habitacional no país, além de complementar programas habitacionais
existentes, com isso, a lei pode promover para as cidades e para população soluções mais
adequadas para a produção de moradia voltada para habitação de interesse social, pois quando
a lei é aplicada ela busca sempre que possível, manter o morador em seu local de origem,
sabendo que a expulsão dos moradores do bairro em que residem não é melhor solução, já que
os mesmos, na maioria das vezes possuem uma estrutura social e cultural no local.
A LATHIS, entrou em vigor em junho de 2009, entretanto essa lei é pouco conhecida e
aplicada no campo da arquitetura, mas de suma importância para o assunto em questão com isso,
conclui-se que deve-se avançar os estudos para conseguir ampliar o acesso à moradia digna pela
população.
De acordo com Caio Santo Amore e Raúl Vallés, XVII ENAPUR - São Paulo (2017, p.
2):

Muitos grupos de moradores das favelas e periferias não se sentem


representados nos já tradicionais movimentos de moradia que ajudaram a
construir as políticas habitacionais e urbanas e que tem voltado suas energias
para a produção habitacional de unidades novas em terrenos vazios – ainda que
parte desses grupos discuta de forma absolutamente pertinente a qualidade
dessa moradia, a apropriação dos processos produtivos, a gestão física e
financeira dos empreendimentos como meios para formação política da base
social, para a “construção de cidadania para além da construção da casa”, como
se diz (AMORE; VÁLLES, 2017, p. 2).

O papel social do arquiteto é extremamente relevante uma vez que os arquitetos têm
como possibilidade promover o bem-estar social por meio dos projetos realizados, assim como
organizar cidades a fim de obter o mesmo objetivo, sendo assim, esse trabalho busca ampliar a
função social do arquiteto perante a população de baixa renda, procurando obter a participação
da população em seus projetos e execução, auxiliando na democratização da arquitetura.
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A assistência técnica busca a participação cidadã de forma efetiva nos projetos e


execução da obra, de maneira que não determine sobre eles um modelo proposto, é acordado
então entre morador e profissional às necessidades e especificidades de cada proposta, assim
procurando resolver as necessidades organizacionais urbanas.
O trabalho realizado irá propor um anteprojeto arquitetônico visando melhoria
habitacional, através da Lei de Assistência Técnica Pública e Gratuita, no município de Campos
dos Goytacazes/RJ, no bairro da Lapa, o Conjunto Residencial João Batista, possibilitando que
os moradores tornem-se agentes do processo.
Serão desenvolvidas tipologias habitacionais, viabilizando melhor qualidade técnica e
qualitativa de forma que possam auxiliar na democratização da arquitetura e a sua importância
no meio habitacional para as classes de baixa renda, além de buscar ampliar a aplicação da lei
11.888/08 para habitação de interesse social na cidade, e com isso pretende-se minimizar a
precariedade técnico-construtiva e a ocupação de áreas de riscos em áreas urbanas, incentivando
a criação de identidade dos moradores com a habitação.
Para atingir os objetivos apresentados pretende-se fazer uma revisão bibliográfica para
auxiliar no entendimento da habitação de interesse social no Brasil e a lei de assistência técnica,
por meio de livros, artigos, sites na internet, teses, entre outros.
A busca por autores que abordam o tema traz referência tanto para etapa projetual que
será realizada posteriormente, quanto para fundamentação teórica para embasar este projeto
proposto, além disso, serão realizados estudos de caso em conjuntos residenciais voltados para
habitação de interesse social para analisar a situação em que compreende esse tema, e o contexto
no qual está inserido, almeja-se nesse estudo serem realizadas entrevistas com moradores locais,
para conhecer melhor o ambiente, além disso será estudado um projeto de assistência técnica já
existente para entender o funcionamento prático da lei.
Pretende-se fazer questionários com a comunidade escolhida para realizar por meio da
participação da população a aproximação do morador com o profissional de arquitetura, para
entender as suas necessidades de projeto, dessa forma envolvê-lo em todo o processo e
promovendo melhor entendimento, com isso a lei de assistência poderá ser aplicada para
possibilitar melhorias habitacionais ou novas produções.
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1.HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL NO BRASIL

1.1 BREVE HISTÓRICO

Para maior compreensão sobre a origem da habitação de interesse social no Brasil, é


necessário analisar o contexto histórico na qual está inserido, iniciando pelo ano de 1890.
Segundo os dados do Histórico Demográfico do município de São Paulo, de 1890 até 1940, a
população sofreu um súbito crescimento de 65 mil habitantes para mais de 1.300.000, época que
a Revolução Industrial torna-se mais forte e faz as cidades se desenvolverem a ponto de virarem
amplos centros industriais, porém o país tinha dimensões pouco urbanizadas e com esse aumento
populacional através do fluxo de imigrantes, do êxodo dos trabalhadores rurais e os ex-escravos,
a necessidade de moradias se eleva e com isso o preço do solo aumenta, propiciando melhores
perspectivas para as pessoas que possuíam maior poder aquisitivo, através da compra de terras
resultando na construção de moradias para aluguel, esta que era uma excelente forma de acúmulo
de bens e riquezas naquele período.
Conforme Nabil Bonduki, (São Paulo, 2011, p. 227) declara:

A construção de casas de aluguel, de diversos tipos e tamanhos, fora, desde a


segunda metade do século XIX, excelente investimento, com rendimento certo
e seguro. Além de uma renda mensal, o investidor contava com a excepcional
valorização imobiliária ocasionada pela expansão da cidade. Uma casa de
aluguel era, ao mesmo tempo, reserva de valor e fonte de renda, e não é por
outro motivo que a propriedade imobiliária era tão atraente para os investidores
(BONDUKI, 2011. p. 227).

No período que antecede a Era Vargas, a construção das habitações não tinha vínculo
estatal, essa condição era voltada apenas para o mercado, focado na iniciativa privada. Em 1981,
Raquel Rolnik declara sobre as questões habitacionais daquela fase:

Fiel ao liberalismo predominante, o Estado privilegiava a produção privada e


recusava a intervenção direta no âmbito da construção de casas para os
trabalhadores. Assim, suas iniciativas restringiam-se à repressão às situações
mais graves de insalubridade, via legislação sanitária e ação policial, e à
concessão de isenções fiscais, que beneficiavam basicamente os proprietários
de casas de locação, ampliando sua rentabilidade (ROLNIK, 1981, p .12).

As políticas públicas sociais voltadas para habitação de interesse social eram escassas
no Brasil durante (1889-1930), somente a partir do governo de Vargas, que ocorreu entre 1930
a 1954, o Estado brasileiro passou a implementar mudanças em relação aos aluguéis e
construções de moradias para a população, um decreto-lei que apresentou grande importância
para o dilema habitacional existente naquele período refere-se ao Decreto-Lei nº 4.598, 20 de
agosto de 1942, que consistia no congelamento dos aluguéis com o valor referente a dezembro
de 1941, por uma duração de dois anos consecutivos, esta medida resultou em diversas
consequências, como o despejo de muitos inquilinos, a construção de casas de aluguel eram
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insuficientes feitas pela indústria da construção civil, gerando uma escassez de moradias no
Brasil e aprofundado o problema de habitação existente.
Outros pontos importantes sobre as questões de habitação social foram abordados
naquele período como a fundação dos Institutos de Aposentadoria e Previdência (IAPs) e a
Fundação da Casa Popular, sendo que as IAPs eram instituições associadas a diversos grupos de
profissões, foi um dos primeiros a se dedicar no assunto da habitação, criadas em 1937 pelo
poder público, contudo o seu principal objetivo era possibilitar aos seus associados maiores
privilégios médicos e previdenciários, já que eles não foram criados com a finalidade de
interesse social, segundo Bonduki (2004). Muitos edifícios foram feitos com os Institutos, um
dos exemplos mais comentados dessa produção é o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de
Moraes, conhecido como Pedregulho, projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy em 1947,
localizado no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (Figuras 1 e 2), essas edificações
pertenciam às instituições, o que resultava em uma preocupação com a qualidade dos conjuntos,
os membros pagavam por um aluguel, mas com o tempo e o país passando pela Lei do
Inquilinato o que era recebido referente ao aluguel torna-se pouco significativo, proporcionando
pequeno retorno dos investimentos concedidos, dessa forma as instituições passam a diminuir a
aplicação sobre as construções de habitação de interesse social até deixarem de construí-las
completamente, a partir desse momento é interrompido esse processo de produção de moradia.

Figura 01: Vista lateral do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes.

Fonte: Bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro


ArchDaily, 2019.
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Figura 02: Vista superior do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes.

Fonte: Bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro


ArchDaily, 2019.

A Fundação da Casa Popular, começa atuar em 1946, no governo de Gaspar Dutra,


tratando-se do primeiro órgão federal a atuar puramente na construção de residências do Brasil,
tendo concepções ambiciosas, na teoria, o seu projeto subsidiaria desde construções de moradias
até a equipe técnica das prefeituras, assim, com a grande gama de objetivos que tinham a
Fundação tornaram as ações dela fragmentadas e pouco articuladas, mas a sua grande finalidade
era construir para as classes com menor renda, entretanto a instituição continuamente passava
por dificuldades financeiras pois faltava recursos, porém no governo de Juscelino Kubitschek,
ela passa adquirir força e começa produzir mais moradias.
De acordo com Bonduki (2002), essa medida de criação expressava maior cunho
populista do que social, visto que no período em conjunto com os partidos e governos que
estavam no poder era diminuir os avanços do Partido Comunista e se beneficiar com os atos da
Fundação de modo a agradar as camadas populares oferecendo suas moradias.
Em consequência da existência da Fundação a construção civil seria uma área
beneficiada, apesar disso havia um medo de escassez de produtos principalmente dos materiais
de construção, já que o período é pós-guerra, então a instituição sofreu bastante rejeição antes
de ser criada, Bonduki (2002) explica que um fator para esse repúdio sobre a Fundação seria a
diminuição de recursos para a classe média e alta, dado que os materiais iriam para construção
das habitações para a população de menor renda, além disso, a instituição também previa que as
IAPs utilizassem seus recursos e com isso as responsabilizassem por toda construção de
habitações no país.
Mesmo com todas as adversidades que a Fundação da Casa Popular enfrentava, houve
algumas tentativas para realizar mudanças em sua estrutura organizacional, as alterações
começaram a ocorrer em 1953, com a hipótese de criar um banco hipotecário, no qual poderia
conceder um valor para aqueles que já possuíssem terras com intuito de produzir suas próprias
moradias, essa concessão era feita por meio de empréstimo e com isso eles poderiam angariar
recursos em prol da instituição, sendo assim avalia-se que foram construídas 120 mil casas ao
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total pela fundação, um número expressivo de habitações em um país que não tinha políticas
sociais para moradia.
Bonduki (1994) declara que a Fundação da Casa Popular foi um importante marco para
a história da habitação de interesse social, pois admite-se que foi a partir desse processo que o
país percebeu que o Estado deveria intervir nas questões habitacionais.

O fracasso da Fundação da Casa Popular como órgão central e coordenador de


uma emergente «política habitacional», no entanto, não obscurece o fato de que
sua criação, como o primeiro órgão nacional destinado exclusivamente à
provisão de moradias para a população de baixa renda, representou o
reconhecimento de que o Estado brasileiro tinha obrigação de enfrentar, através
de uma intervenção direta, o grave problema da falta de moradias (BONDUKI,
1994, p. 718).

Após o seu insucesso, no ano de 1964 a fundação é extinta, a partir do golpe militar,
dando início a Lei nº 4380, 21 de agosto de 1964, que apresenta o Sistema Financeiro de
Habitação (SFH), em conjunto com o Banco Nacional de Habitação (BNH).

1.1.2 BANCO NACIONAL DE HABITAÇÃO

As funções que eram da antiga Fundação da Casa Popular foram passadas para o Banco
Nacional da Habitação que tinha como foco o alto déficit habitacional que acontecia no país
naquele momento, fazendo-se primordial um plano de habitação social do Estado, o banco
estimulava a compra de casas pela população e implantava uma política de habitação para as
classes com menor poder aquisitivo dessa forma, fomentava a economia aumentando o número
de empregos, consolidando a construção civil.
A quantidade de moradias construídas expandia de forma expressiva, segundo
(BONDUKI, 2008) somou-se mais de 4,3 milhões de casas para pessoas de baixa renda até o
fim do BNH porém, foram recebidas muitas críticas a forma que o banco atuava, o número de
habitações era grande, contudo os problemas da situação urbana acentuava-se cada vez mais,
de forma dura o único método utilizado para aquisição da casa própria era através de
financiamento sem subsídio, atingindo apenas uma camada da população, aqueles que não eram
contemplados passavam a auto-construir em locais sem infraestrutura, como citado por
(BONDUKI, 2008):

A estratégia implementada pelo BNH beneficiou a construção civil que pôde


contar com uma fonte de financiamento estável para a produção de unidades
prontas, mas contribuiu pouco para enfrentar o problema que o órgão se
propunha a resolver. Os pressupostos de gestão adotados pelo BNH – típicos
do regime militar – eram rígidos e centralizados, impermeáveis à incorporação
das práticas desenvolvidas pela população para enfrentar, a custos mais baixos,
o problema da habitação, podendo ser assim caracterizados: administração
autoritária; inexistência de participação na concepção dos programas e
projetos; falta de controle social na gestão dos recursos; adoção da casa própria
como única forma de acesso à moradia; ausência de estratégias para incorporar
a processos alternativos de produção da moradia, como a autoconstrução, nos
programas públicos. Ademais, utilizando apenas recursos retornáveis, sem
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contar com qualquer fonte de subsídios e adotando critérios de financiamento


bancários, o sistema excluiu parcelas significativas da população de mais baixa
renda do atendimento da política habitacional (BONDUKI, 2008, p . 23).

O Banco Nacional de Habitação passou por severas críticas em relação a questões


arquitetônicas , onde os conjuntos residenciais eram distribuídos em zonas periféricas, e de
maneira limitada era abordado os temas projetuais para melhor qualidade do projeto, além da
instituição ignorar aspectos singulares da população, como seu modo de viver, morar, pensar e
usufruir espaço, transformando a localidade em um modelo normatizado.
A partir do anos 80, o país se encontrava em crise e o modelo econômico vigente para
obtenção de moradias entrava em instabilidade , os cidadãos que não conseguiam realizar seu
financiamento solicitaram que medidas fossem tomadas em prol dessa parcela da população,
consequentemente o BNH encarava um enorme julgamento, por isso mesmo com as
providências tomadas pelo regime naquela época, o Banco Nacional da Habitação interrompeu
suas atividades em 1986, não continuando suas ações no governo seguinte.
De acordo com Bonduki (2008), após o encerramento do banco o Brasil podia presenciar
que as políticas habitacionais existentes foram estagnadas, a Caixa Econômica Federal sucedia
algumas funções do BNH e o crédito de habitação era passado para outra instituição.
Em 1988, foi promulgada uma nova Constituição Federal, chamada como Constituição
Cidadã, onde as políticas urbanas passaram a submeter a cidades com mais de 20 mil habitantes
a produzirem o Plano Diretor, para tentarem controlar a expansão e desenvolvimento urbano,
contudo em 1990 a crise ganhou força no período do governo de Fernando Collor de Mello,
então os financiamentos habitacionais foram bloqueados, o que impulsionou o aumento dos
índices de falta de moradia, após essa fase, outros órgãos passam a participar ativamente nessas
políticas, entretanto somente em 1995 são retomados os financiamentos, através do capital do
Fundo de Garantia sobre o Tempo de Serviço (FGTS), essa etapa de governo possui uma
organização menos centralizada e abandona os antigos moldes de construção de conjuntos
habitacionais, que eram superpopulosos, com enorme número de unidades por edifícios, a
Secretaria de Política Urbana passa a se responsabilizar no ano seguinte sobre a área habitacional
e expõem o documento da Política Nacional de Habitação (PNH), que não tinha como prioridade
apenas a construção de novas moradias populares, mas que tentava beneficiar o cidadão, ou seja,
aquele que receberia o dinheiro de financiamento para construir sua moradia, essas ações
realizadas pelo governo, não conseguiram combater o déficit habitacional existente, e gerou
vários problemas em diversas escalas, um deles o agravamento das questões urbanas, pois a
autoconstrução sem nenhuma assessoria técnica provocava um grande número de habitações
com pouca infraestrutura, como Nabil Bonduki (2001) declara:

Outro componente das necessidades habitacionais é o chamado déficit


qualitativo formado por moradias que apresentam deficiências no acesso à
infra-estrutura ou adensamento excessivo. Trata-se de famílias que não
necessitam, com prioridade, de uma nova moradia, mas intervenções para
condições dignas para sua habitação (BONDUKI, 2011, p. ).

Outro projeto realizado nesse período foi o Projeto Moradia que tinha como base atender
a população que residia em áreas precárias, implementando urbanização, a fundamentação
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básica desse plano era colocar em pauta e priorizar a necessidade de habitacional e utilizar vários
níveis governamentais, do federal ao municipal, logo criou-se o Sistema Nacional de Habitação
(SNH), que associaria todas as estruturas que fossem ligadas a habitação, com isso a lei nº
10.257, de 10 de julho de 2001, denominada Estatuto das Cidades foi sancionada, após essas
providências, o projeto continua no próximo governo com alterações.
Com o início da nova administração, foi fundado o Ministério das Cidades, em 2003,
tendo como objetivo ampliar o acesso a habitação para população, segundo Nabil Bonduki
(2001) esse novo ministério era o maior órgão voltado para políticas habitacionais desde a
extinção do BNH, além disso, tinha como auxílio jurídico o Estatuto das Cidades para embasar
e efetuar mudanças.
Muitas mudanças começaram a ocorrer a partir de 2005 em relação ao financiamento
habitacional, houve um aumento nos investimentos tanto para a classe média obter a casa própria
quanto às camadas mais baixas da população, estas que foram contempladas em larga escala
pelos novos programas, com isso acreditava-se que teria um grande impacto para a construção
civil, sendo um grande desenvolvimento para área.
Com a crise que enfrentava os Estados Unidos em 2007, e com as proporções
internacionais que vinha se estabelecendo, o mercado estava inquieto portanto, o governo passou
a incentivar a economia do país, assim no mesmo ano foi lançado o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) que contava em realizar obras de infraestrutura, para aumentar os níveis
econômicos no Brasil.
No ano seguinte, outro ponto importante para habitação de interesse social foi
vivenciado, a Lei 11.888, de 24 de dezembro de 2008, foi sancionada e garante a população com
renda de até 3 salários mínimos a assessoria técnica pública e gratuita de arquitetos e
engenheiros, concedendo auxílio em projetos, reformas e construção de moradias, essa lei entrou
em vigor em 2009, mesmo ano que outro grande programa foi estabelecido o Programa Minha
Casa, Minha Vida (PMCMV).

1.2 PROGRAMA MINHA CASA, MINHA VIDA

O Programa Minha Casa, Minha Vida foi criado em 2009, estabelecido pela lei 11.977,
de 7 de julho de 2009, sendo uma resposta do governo a crise que o país enfrentava, em
contrapartida a solução apresentada por eles para sanar o alto déficit habitacional que o Brasil
apresentava, porém essa política enfraquecia os órgãos públicos em relação a habitação social,
já que as empresas privadas passam a estar na liderança da construção dos conjuntos de
habitação de interesse social (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2018).
Na primeira etapa do projeto que durou todo o segundo mandato do então Presidente na
época, o Luís Inácio Lula da Silva, popularmente conhecido como Lula (2009-2011), possuía o
objetivo de construir um milhão de casas, um número alto porém necessário, já que o país
naquele período tinha um déficit habitacional de quase 6 milhões de propriedades segundo a
Fundação João Pinheiro (FJP), 2012.
O programa incluía várias classes sociais que se dividiam em faixas para contemplação:
Faixa I - de 0 até 3 salários mínimos; Faixa II - de 3 até 6 salários mínimos e Faixa III - até 10
salários mínimos. Cada faixa usufruía de alguma característica própria, voltado para faixa I, o
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subsídio para habitação era praticamente total e vinha do Fundo de Arrendamento Residencial
(FAR), já na faixa II o recurso era obtido através do FGTS e o cidadão era beneficiado por meio
do subsídio em uma parte e na outra era feito por financiamento e por último na faixa III existiam
descontos para compra da habitação (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2018).
A segunda fase do PMCMV aconteceu no primeiro mandato do governo da Dilma
Rousseff, já a terceira fase começou no ano de 2016 com o objetivo de construir mais de 2
milhões de habitações até o ano de 2018, contudo, segundo o Ministério das Cidades, 2018,
foram entregues desde o ano de 2009, abertura do programa, até março de 2018 3.787.200
unidades habitacionais.
Conforme o gráfico do Ministério das Cidades, 2018, podemos observar a quantidade de
moradias que foram destinadas por faixas, com um alto índice de moradias contratadas pela
faixa II.

Figura 03: Gráfico com quantitativo de unidades habitacionais do PMCMV.

Fonte: Ministério das Cidades, 2018.

1.2.1 CRÍTICA AO PROGRAMA MINHA CASA, MINHA VIDA

O projeto Minha Casa, Minha Vida passa por diversas críticas sobre a qualidade
urbanística e arquitetônica, sendo mais uma vez um debate dessas questões voltadas para um
programa de habitação social, no plano habitacional como (ARANTES; FIX, 2009) apresentam
e avaliam os itens arquitetônicos, eles realçam que passam a existir modelos padronizados, pela
Caixa Econômica Federal, dividas em duas tipologias, que são válidas para todo país, ocorrendo
a massificação dos projetos e mostrando novamente que todas as condições culturais, sociais e
climáticas estão sendo ignoradas, prejudicando a produção de moradias com qualidade no país,
dessa forma as construtoras entregam o mínimo aos novos proprietários e vêm com uma
premissa de autoconstrução, ou seja, que os novos moradores quando pegarem as suas chaves
possam adequar as suas necessidades, podendo desenvolver uma problemática já conhecida e
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mencionada por (BONDUKI, 2011) no período que antecede o Projeto Moradia, com o
programa Carta de Crédito, individual e associativa, que por mais flexível, inovador e benéfico
para o usuário final que isso possa parecer, o projeto acabaria incentivando a construção informal
e sem assessoria técnica especializada agravando problemas urbanísticos e dificultando a
condição de uma boa infraestrutura na habitação, como ele expõe:

O financiamento para material de construção, embora tenha o mérito de apoiar


o enorme conjunto de famílias de baixa renda que auto-empreeende a
construção da casa própria e de gerar um atendimento massivo (567 mil
beneficiados no período, a de maior alcance quantitativo), tende a estimular a
produção informal da moradia, agravando os problemas urbanos. Ademais, o
baixo valor do financiamento e a ausência de assessoria técnica não permitem
que as famílias beneficiadas alcancem condições adequadas de habitabilidade
(BONDUKI, 2011, p.26).

Outro parâmetro abordado por (ARANTES; FIX, 2009) é o emprego das empresas
privadas como personagem principal para a construção de habitação social e os métodos
realizados para projetos e suas escolhas, com isso declaram:

Como mencionamos, o pacote entrega nas mãos da iniciativa privada o


protagonismo da provisão habitacional. São as construtoras que decidem onde
construir, o quê e como. Os municípios não têm um papel ativo no processo a
não ser na exigência de que se cumpra a legislação local, quando muito, pois a
proposta da casa apresentada pela Caixa Econômica contraria códigos de obra
e legislações municipais em diversas cidades, gerando impasses. Não são
fortalecidas as estruturas municipais de gestão, projetos e controle do uso do
solo. Não cabe ao poder público local decidir onde investir, definir a qualidade
dos projetos e realizar licitações de obra.
É provável ainda que os municípios sejam pressionados, nas cidades médias
(acima de 50 mil moradores, e que serão o alvo principal da investida), a alterar
a legislação de uso do solo, os coeficientes de aproveitamento e mesmo o
perímetro urbano, para viabilizar economicamente os projetos. As companhias
habitacionais e secretarias de habitação devem estar preparadas para se tornar
um balcão de aprovações, muitas delas “flexibilizadas” (ARANTES; FIX,
2009, p. 8).

Conforme apresenta (BONDUKI, 2011), a construção de novas moradias, não deveria


ser o único sistema para a idealização da casa própria sendo assim, mostra-se a necessidade da
elaboração de novas políticas mais articuladas que flexibilizem esse aspecto. A lei da assistência
técnica, que entrou em vigor em junho de 2009, pode ser um começo para essa flexibilização, já
que ela pode promove o auxílio gratuito de profissionais especializados, dessa forma pode
preencher as lacunas existentes nos modelos já consolidados de habitação de interesse social,
tornando-se um outro parâmetro para as políticas de moradia social.
A segregação espacial é um ponto também questionado, as construtoras compram as
terras em sua maioria, em áreas periféricas, a preços baixos, replicam a tipologia padronizada,
vendem, sendo que esses locais em grande parte, não oferecem infraestrutura urbana, mas para
as empresas não é algo que é obrigação, nem mesmo do governo Federal, contudo torna-se
responsabilidade dos municípios, gerando novos custos para localidade, além disso acarretando
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a valorização dos terrenos, gerando o aumento da especulação imobiliária (ARANTES; FIX,


2009).
O programa Minha Casa, Minha Vida é atribuído em grande parte ao número de unidades
que foram e que serão entregues de acordo com os anos e não são avaliados em termos de
qualidade de construção, tecnologias construtivas, sustentabilidade, localidade, entre outras
formas projetuais e de construção, resumindo todos os problemas do déficit habitacional
brasileiro em números, porém não existe uma medida que possa quantificar a longo e médio
prazo os impactos negativos e positivos que esse plano habitacional poderá gerar na sociedade
e nas cidades.

1.3 HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL EM CAMPOS DOS GOYTACAZES/ RJ

1.3.1 BREVE HISTÓRICO DAS POLÍTICAS HABITACIONAIS EM CAMPOS DOS


GOYTACAZES/ RJ

O município de Campos dos Goytacazes situado na região Norte Fluminense, é o maior


do interior do estado do Rio de Janeiro e possui uma população estimada de acordo com o
(IBGE, 2017) em 503 424 mil habitantes.
A política habitacional na cidade até o ano de 1989 não era muito expressiva, porém,
após a promulgação da Constituição de 1988, o município publica a Lei Orgânica Municipal no
ano de 1990 e elabora o Plano Diretor, requisitos necessários para obtenção de verba, com isso
os novos regimentos apresentam a descentralização do governo mostrando que os municípios
são capazes de gerirem as próprias políticas habitacionais, visto que, em Campos dos
Goytacazes, no período do BNH, em meio das décadas de 60 e 80, com uma administração
centralizada, o governo federal trouxe para o município quatro conjuntos de habitação de
interesse social, separando por faixas a população que recebia até 5 salários mínimos referentes
àquela época, receberam mais de mil moradias e aqueles que recebiam mais do que 5 salários
mínimos foram contemplados mais de 2000 habitações.
Em 1991, foi criada a Empresa Municipal de Habitação e Saneamento (EMHAB), em
vigor através da lei nº 5172, de 18 de junho de 1991, este departamento apresentaria com para a
população que recebia até 3 salários mínimos (PÓVOA, 2002; AZEVEDO; BASTOS, 1991).
De acordo com a Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes (PMCG), a EMHAB
engloba alguns direitos e está habilitada para certos deveres como:

I - estabelecer, de acordo com as diretrizes do Plano Diretor do Município de


Campos dos Goytacazes, programas destinados a facilitar o acesso da
população de baixa renda à habitação, bem como à melhoria da moradia e das
condições de habitabilidade como elemento essencial no atendimento do
princípio da função social da cidade (PMCG, 2019, s/p.).

II - promover programas de habitação popular em articulação com os órgãos


federais, regionais e estaduais, como também, através de consórcios
municipais e pelas organizações da sociedade civil (PMCG, 2019, s/p.).
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Com isso a partir de 89, foram criados diversos programas habitacionais, entre eles o
primeiro, realizado no governo de Anthony Garotinho - “Pode entrar que a casa é sua” que
consistia em construir habitações para aqueles que possuíam renda de até 3 salários mínimos,
vários setores eram responsáveis, cada um com sua devida atribuição destinada, entre eles estava
o Departamento de Habitação que era um dos encarregados pela escolha dos moradores de
acordo com o perfil determinado, a própria EMHAB, citada anteriormente, e a Secretaria
Municipal de Obras.
O programa produziu 1839 moradias na cidade, por meio de recursos próprios, até o ano
de 2008, porém, ele não atuou continuamente desde 1989, o projeto sofreu interrupção em 1994
e voltou somente no ano de 1999.
O Vale Construção e Cada Família tem um Lote passam a ser os próximos programas
habitacionais, colocados em ordem cronológica, pois foram iniciados no ano de 1991, cada
projeto tinha uma finalidade diferente, o Vale Construção baseava-se em um auxílio no qual
eram doados materiais de construção para famílias que apresentavam situação de emergência e
ganhavam até um salário mínimo, porém deveriam possuir imóvel próprio, o projeto foi
ampliado e em 1998, resultando em uma parceria com a Caixa Econômica Federal que pôde
contemplar os usuários com pequenas reformas, construções e ampliações, já o Cada Família
tem um Lote resumia-se na doação de lotes, para a população que recebia até 3 salários mínimos,
mas a única aplicabilidade do projeto ocorreu na localidade próxima a Companhia de
Desenvolvimento Industrial (CODIN), originando o bairro Terra Prometida, cada área doada
apresentava a construção de um cômodo. O programa executou 80 habitações e não foi
continuado.
Seguindo uma linha cronológica dos programas de políticas públicas habitacionais o
próximo projeto a ser executado ocorre no ano de 1993, denominado como SOS Habitação, este
que oferece uma assistência para moradores de locais que sofreram algum tipo de catástrofe, não
possuem moradia própria, estão em vulnerabilidade social ou moram em áreas de risco. O
recurso deste programa é proveniente do município por meio do royalties, o aluguel é
disponibilizado para essas famílias por um período de três meses, tolerando uma ampliação de
mais três meses, ou até o fim da vulnerabilidade (PMCG, 2014).
O último dado concedido pela PMCG, está disponível no Portal da Transparência, que
pertence ao município, referente a julho de 2017, nele mostra que foram beneficiados com o
programa 233 pessoas com o valor de R$468,50, ou seja, meio salário mínimo do ano vigente,
destes aluguéis, 72 pertencem a famílias oriundas da demolição da Favela Inferno Verde no
bairro da Lapa, dentre eles 9 moradores também possuem o aluguel social voltado para os
estabelecimentos que foram demolidos.
Em 2000, inicia-se o projeto Comunidade Legal que visava construir, (re)construir e
aumentar as moradias das comunidades, uma da favela que foi contemplada pelo programa foi
a Tamarindo. As casas foram demolidas pela prefeitura que reconstruiu as habitações, e estas
que foram entregues com sistema construtivo de alvenaria, além disso, dotados com acabamento
em piso cerâmico e forro de madeira, por fim estabeleceu infraestrutura no local, como água e
esgoto (DUARTE, 2008).
No ano de 2007, ocorre uma enchente e como meio de solucionar a os problemas
resultados pela calamidade, a PMCG, cria o programa Casa Nova, que tinha como pretensão
24

reabilitar as habitações atingidas. Os investimentos realizados pela prefeitura estavam em


aproximadamente em 10 milhões e com isso reabilitaria ou construiria 400 unidades
habitacionais.
O Programa Morar Feliz criado no ano de 2009, torna-se o maior projeto habitacional
social municipal do Brasil, com o objetivo de realocar famílias que moravam em áreas de risco
para conjuntos habitacionais construídos pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes.
Outros programas habitacionais surgiram após o Programa Morar Feliz, como o Cheque
Construção (2010) que era um projeto parecido com o Vale Construção (1991), neste programa
foram beneficiadas famílias até três salários mínimos que receberam um cheque no valor de R$
1500,00 reais para construir, reformar ou ampliar suas residências, porém esta quantia é
destinada para a contratação do material, não estando vinculado ao uso do pagamento de mão-
de-obra. Até o final do projeto em 2011, 112 famílias usufruíram do benefício (DUTRA, 2015).
No ano subsequente surgem dois novos programas o Projeto Titularidade que consistia
em regulamentar a situação fundiária do residente e do lote vigente, promovendo a regularização
da propriedade ou do terreno de maneira gratuita, os contemplados por este serviço, residem
principalmente em áreas periféricas do município (D’ALMEIDA, 2017) e o Bairro Legal era
um programa que oferecia urbanização para diversos bairros da cidade, com obras de drenagem,
elaboração de redes de esgoto, pavimentação de rua e construção de calçadas acessíveis, galerias
de águas pluviais, iluminação e paisagismo (DUTRA, 2015), ao total no município até o ano de
2017, 21 bairros foram beneficiados com o projeto e 5 ficaram em estado de aguardo, pois a
PMCG tinha firmado com acordo com o Governo Federal no ano de 2013, para receber recursos
por meio do PAC II (Programa de Aceleração do Crescimento II) no valor de 30 milhões de
reais (PMCG, 2013), porém a Prefeitura noticiou que não obteve todo o recurso, e com isso os
5 bairros faltantes deveriam esperar os novos investimentos (PMCG, 2016).
E por fim, em 2013, um outro projeto baseado na construção de infraestrutura urbana é
iniciado, o Meu Bairro é Show, programa muito similar com o Bairro Legal (2011) que visava
padronizar as calçadas, fazer a manutenção em sistemas de drenagem e na pavimentação das
ruas. Segundo D’Almeida, 2017, 26 bairros foram atendidos com o projeto.

Figura 04: Linha do tempo com histórico de programas habitacionais em Campos dos Goytacazes/RJ.

Fonte: D’ ALMEIDA, 2017, alterado pela autora.


25

1.3.2 PROGRAMA HABITACIONAL MORAR FELIZ

O Programa Habitacional Morar Feliz, divulgado em 2009, foi realizado no governo da


prefeita Rosinha Garotinho e tinha como pretensão construir 10 mil casas para população que
estava em área de risco ou em vulnerabilidade social, com isso, tornou-se um dos maiores
programas habitacionais feitos por município.
Segundo a Fundação João Pinheiro, no ano de 2005 o déficit habitacional existente na
época era de 11.709 unidades habitacionais, ou seja, supriria quase toda porcentagem de déficit
que a cidade possuía e para promoção desse projeto ele seria executado com a parceria de
algumas secretarias do governo vigente.
Conforme (SANTOS, 2013) a prefeitura tinha nesse programa uma grande expectativa
de transformação para o município, pois para eles a construção de novas moradias acabariam
com as favelas existentes e as recentes habitações tornariam um novo bairro dotado de
infraestrutura, já que concomitantemente a esse projeto era implementado o Programa Bairro
Legal.
A iniciativa do Programa Morar Feliz contava com capital próprio da prefeitura vindo
dos royalties sem interferência de nenhum outro órgão governamental, o projeto foi realizado
em duas fases, que juntas construíram 6986 casas, totalizando 15 conjuntos habitacionais.
Vários questionamentos são abordados sobre o programa, como um deles, a segregação
sócio-espacial, podendo ser observada na Figura 4, que mostra um condomínio sendo construído
em Ururaí no ano de 2013 e ao fundo na foto, aparece a área central do município, essa questão,
existe nesses residenciais desde a época do BNH, na qual as edificações eram colocadas em
zonas periféricas que não possuíam urbanização, passando também para outro projeto mais
recente o PMCMV, porém a prefeitura buscou oferecer outro projeto para viabilizar
infraestrutura para esses locais recém construídos, que já foi mencionado, o Bairro Legal, mas
além dessa urbanização promovida, existe o problema da mobilidade, ou seja, o transporte, pois
parte dessa população passa a residir fora da área central da cidade. Perante essas críticas pode-
se perceber que há uma recorrência das mesmas falhas em políticas habitacionais existentes no
país.
26

Figura 05: Foto aérea da construção do Conjunto Habitacional de Ururaí.

Fonte: PMCG, 2019.

Figura 06: Implantação do conjunto habitacional e área central da cidade ao fundo.

Fonte: PMCG, 2019.

Outra observação referente a esses conjuntos é a grande quantidade de residências em


um mesmo local, no Condomínio de Ururaí, foram construídos 990 novas moradias provocando
um amplo adensamento populacional em uma área de maneira rápida e sem uma política pós-
ocupação, que deveria instruir aos moradores sobre o novo modelo de habitação.
27

Uma divergência com a realidade, deve-se ao fato da objeção a modificação na estrutura


da moradia, que como explicado anteriormente como uma crítica ao PMCMV, o projeto dessas
moradias oferecem apenas o mínimo para essas famílias, conforme (SANTOS, 2012) explica:

No projeto, os conjuntos do Programa Morar Feliz contam com drenagem,


abastecimento de água e esgoto, iluminação, telefonia, arborização, calçadas
com acessibilidade e transporte público. As casas possuem 43,08 m², e são
compostas de 2 quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, em
construção de alvenaria e laje, com paredes com acabamento em pinturas e
revestimento no banheiro, cozinha e área de serviço (SANTOS, 2012, p.56).

Essa proibição está descrita no artigo 5º , Decreto Nº 055/11:

Art. 5º - Haverá a perda do direito de uso do imóvel objeto do programa de que


trata este decreto, na ocorrência das seguintes situações, sem prejuízo das
demais previstas no Termo de Permissão de Uso: I - constatação de mau uso
ou depredação do imóvel concedido, devidamente comprovado pela Empresa
Municipal de Habitação - EMHAB, ou ainda a realização de qualquer obra sem
prévia autorização da Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo, II - venda,
locação, comodato, cessão de uso ou qualquer outra forma que implique
alienação ou transferência, a título gratuito ou oneroso, do bem concedido ao
beneficiário; III - conduta que caracterize abandono do imóvel (Decreto Nº
055/2011).

A inflexibilidade da lei desconsidera a adequação das moradias que são entregues com
infraestrutura básica, não podendo sofrer alteração, porém a prática corresponde ao não
cumprimento da lei e naturalmente as residências vão se modificando sem nenhum
acompanhamento técnico.
O Residencial João Batista que será um dos objetos de estudo do trabalho, está situado
no bairro da Lapa, nas ruas Miguel Herédia e Adão Pereira Nunes, foi recém inaugurado pelo
Prefeito Rafael Diniz no dia 20 de abril de 2018, este conjunto que faz parte do Programa de
Habitação Morar Feliz, diferente dos outros condomínios desse projeto o empreendimento é
composto por blocos de apartamentos, totalizando 72 moradias, sendo exatamente a quantidade
que existia na antiga comunidade, chamada de “Inferno Verde”, os moradores somente
receberam suas casas 7 anos após o início da construção e nesse período de espera foram
contemplados pelo aluguel social. Alguns durante essa etapa ficaram morando próximo ao local
da construção, que é o mesmo lugar de origem, e outros se distribuíram em alguns bairros. Hoje,
em processo de adaptação os moradores passam a viver em condomínio e agora em
apartamentos, passando por um processo de um novo modo de morar, além da readaptação de
voltar para o mesmo lugar, contudo esse conjunto está localizado em uma área central de menor
proporção de unidades e possuem infraestrutura no seu entorno que já era proveniente do bairro.
28

2.LEI DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA PARA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

2.1 LEI DA ASSISTÊNCIA TÉCNICA NO BRASIL

A assistência técnica voltada para arquitetos e engenheiros começa a tomar forma no


início da década de 1970, de acordo com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de
Janeiro (CAU/RJ) arquitetos urbanistas e advogados da época juntaram-se para elaborar o
programa de Assistência Técnica à Moradia Econômica (ATME), já nos anos 80 iniciaram-se
processos que focaram na evolução de trabalhos sociais em relação ao auxílio técnico por meio
de autogestão, principalmente na cidade de São Paulo, ao decorrer dos anos alguns municípios
começaram a produzir suas próprias leis para tal finalidade, em 2001 é aprovado o Estatuto da
Cidade, lei 10.257/01, que apresenta no capítulo II, dos instrumentos da política urbana a
seguinte temática “assistência técnica e jurídica gratuita para as comunidades e grupos sociais
menos favorecidos”, no ano subsequente é iniciado o caminho para aprovação da Lei de
assistência técnica que começou com o arquiteto Clóvis Ilgenfritz da Silva, que aprovou uma lei
complementar nº 428, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, passando até a sua sanção com o
também arquiteto Zezéu Ribeiro em 2008.
A lei 11.888, 24 de dezembro de 2008, conhecida como lei de assistência técnica para
habitação de interesse social, que modifica a lei 11.124/05, passou por um longo caminho de
aprovação, a LATHIS promove auxílio técnico para pessoas de baixa renda na execução de
projetos de arquitetura e além disso, ela abrange reformas, ampliações, acompanhamento e
execução de obra e regularização fundiária, a lei pede para priorizar regime de mutirão na
produção das edificações, ou seja, maior envolvimento da comunidade com o projeto,
possibilitando um vínculo do arquiteto com o usuário final, para uma tentativa mais concreta de
sanar suas necessidades de acordo com suas especificidades, além disso, há o incentivo do uso
de áreas demarcadas como zona de interesse especial.
A ausência do conhecimento da lei resulta na sua pequena aplicação no Brasil, de acordo
com (CAU/RJ, 2018) apenas 122 cidades do país receberam fundos provenientes da LATHIS
para aplicá-la, e existem poucos profissionais que se capacitam para poder executar, outro ponto
é a falta de organizações públicas que atendam para implementá-la, dificultando o seu processo
de expansão.
A lei pode possibilitar melhor uso do espaço urbano, a fim de minimizar os impactos
gerados no desenho urbano perante a autoconstrução sem um acompanhamento técnico,
legitimando o direito à cidade e o art. 6° da Constituição Federal, que foi alterado pela emenda
constitucional, nº 26, no ano 2000, declarando:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a


moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta
Constituição (CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988).

Entender que o processo de autoconstrução e alterações na estruturas física da residência


ocorrem, é o primeiro passo para democratizar e ampliar políticas públicas que passem a focar
29

em melhorar a qualidade técnica dessas moradias, construindo cidadania, como (SANTOS,


2014) cita:

A massa populacional residente em aglomerados e comunidades informais está


em constante modificação e isso reflete muito claramente em sua moradia. É
justamente nesse ponto em que o Programa de Assistência Técnica Pública e
Gratuita pode atuar, direcionando as reformas e ampliações de maneira
coerente e, viabilizando a correta aplicação dos recursos públicos
disponibilizados pelo Governo Federal neste sentido. De fato cada vez mais, a
assistência técnica têm se mostrado importante e há grandes esforços para que
ela seja implantada e replicada em âmbito nacional por meio de um sistema
público (SANTOS, 2014, p.18).

Neste aspecto levando em consideração a proliferação da autoconstrução pelo


país, sem qualquer tipo de apoio técnico e, sendo a moradia direito
constitucional do cidadão, abordar a Assistência Técnica quanto política
pública e enquanto discussão acadêmica, fomentando sua efetiva aplicação,
pode caracterizar uma contribuição a multiplicação de seus debate pelo país
(SANTOS, 2014, p.19).

Ainda são poucas as cidades que demonstraram interesse para efetivar a legislação
vigente em seu município, pois para que ela seja realizada nas cidades, elas devem se comunicar
com o Ministério das Cidades para receber recursos do Fundo Nacional de Habitação de
Interesse Social (FNHIS), apenas a cidade de Macaé no interior do estado solicitou verbas para
tal fim (MINISTÉRIO DAS CIDADES).
Existem muitos debates sobre a aplicação da lei, de forma a estimular sua implementação
em mais estados do país, o Conselho de Arquitetura Urbanismo (CAU/BR - DATAFOLHA,
2015) relatou em uma pesquisa que mais de 85% da população realizou construções sem auxílio
de um corpo técnico, além disso, o Conselho irá disponibilizar aproximadamente 2% da sua
verba em atividades que buscam promover a divulgação da lei (CAU/BR, 2018).
No estado do Rio de Janeiro, não existe um órgão que tenha como finalidade o
cumprimento da assistência técnica, mas no município do Rio de Janeiro existe um projeto de
lei Nº 642/2017 criado pela vereadora Marielle Franco, como base a lei vigorada.
Conforme o (IBGE, 2016) a cidade de Campos dos Goytacazes/RJ, que é objeto de
estudo do referente trabalho, possui o salário médio mensal dos habitantes de 2,5 salários
mínimos e 37,7% da sua população tem um rendimento mensal de até meio salário mínimo, um
dado que mostra a legítima necessidade do município para aplicação da lei, já que ela contempla
famílias de baixa renda, ou seja, aquelas que recebem até 3 salários mínimos, mostrando que o
cenário atual é propício para aplicabilidade da lei no município.
Além disso, conforme o Art. 192 da Lei Orgânica Municipal, da cidade de Campos dos
Goytacazes, deve-se incentivar a implementação de programas que promovam o
desenvolvimento e ampliem o acesso a habitação as camadas mais populares.

Art. 192 - Incumbe ao Município promover e executar programas de


construção de moradias e garantir condições habitacionais e infraestrutura
urbana, em especial as de saneamento básico, escola pública, posto de saúde e
transporte (Lei Orgânica de Campos dos Goytacazes, 2014).
30

2.2 FUNDO NACIONAL DA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

A lei federal 11.124/05 estabelecida pelo Sistema de Nacional de Habitação de Interesse


Social (SNHIS), que ganha força com o Estatuto da Cidade (2001), possui um Fundos, o Fundo
Nacional de Habitação de Interesse Social, esse que deve ser gerados em todas as hierarquias do
governo para que com isso possa criar melhor qualidade técnica de moradias para população de
baixa de renda e essa produção tenha melhor eficácia, mas fica a cargo de cada órgão criar o seu
fundo, o município de Campos dos Goytacazes, por exemplo não possui o próprio, (CARDOSO,
2008) declara essas medidas:

Os Municípios e os Estados brasileiros são parte fundamental do SNHIS, e a


criação dos Fundos nacional, estaduais e municipais de HIS deveria fomentar
políticas habitacionais integradas a essas esferas para o desenvolvimento
urbano de forma inclusiva e sustentável, com participação popular e controle
social, porém considerando a necessidade da articulação com as políticas
fundiária, de saneamento ambiental e de mobilidade urbana. Desse modo, o
mais adequado é a instituição de Fundos de Desenvolvimento Urbano que
tenham recursos vinculados para a execução da política habitacional
(CARDOSO, 2008, p.12).

A integração entre governo e a população é um dos focos do SNHIS, pois dessa maneira
existe maior êxito na produção das moradias, além disso, as cidades que não se adequarem ao
Sistema não receberão verbas do fundo, a declaração de (CARDOSO, 2008):

Os objetivos do SNHIS serão atendidos havendo a produção de habitações de


qualidade e bem localizadas para os mais pobres. Para tanto, faz-se necessário
implementar programas de subsídios e investimento para garantir o acesso da
população de menor renda à moradia digna, compreendido como um
componente fundamental do direito à cidade sustentável, atuando em parceria
com os demais entes federativos e apoiando iniciativas da sociedade civil
(entidades privadas sem fins lucrativos) de produção social da moradia e
utilização de tecnologias sustentáveis alternativas (CARDOSO, 2008, p.13).
31

3. ESTUDOS DE CASO

3.1 PROJETO ARQUITETO DE FAMÍLIA

O projeto Arquiteto de Família, idealizado pela arquiteta Mariana Estevão, é radicado na


cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro fazendo um trabalho no morro Vital Brasil, tendo
como objetivo difundir a prática da LATHIS, de forma a oferecer melhor qualidade vida aos
usuários, surgiu em 2001, porém está funcionando desde o ano de 2009. Existe uma parceria
com uma Organização Não-Governamental (ONG), denominada como ONG Soluções Urbanas,
cuja a presidente é a idealizadora do projeto, encontra-se também uma colaboração com o
Instituto Vital Brasil, este sendo um dos grandes apoiadores do programa, pois em 2007, o
presidente realizou um convite, convidando para iniciar o projeto, como parte da ação de
responsabilidade social da organização, além disso, o vínculo com o Instituto é um meio
facilitador para intercomunicação com entidades governamentais e fonte de maior parte dos
recursos do projeto Arquiteto de Família, custeando a remuneração dos envolvidos com o
trabalho, a sede onde funciona o programa e as ações de reforma e construção .
O programa atende famílias que recebem até 3 salários mínimos, algo que é estipulado
pela lei em vigor, prestando serviços de intervenção em habitações autoconstruídas que
oferecem algum tipo de risco para os moradores e a população do entorno, de acordo com uma
entrevista realizada pela programa Como Será?, da Rede Globo de Televisão, a arquiteta que
elaborou o projeto diz que o Arquiteto de Família tem moldes parecidos com o Saúde da Família,
de modo que os profissionais possuam um local fixo para atuação, com um trabalho contínuo e
permanente.
A equipe é multidisciplinar, sendo formada por 20 colaboradores, entre eles estão,
arquitetos, assistentes sociais, engenheiros, profissionais de marketing entre outros tipos de
funções, a iniciativa funciona pela procura dos moradores, que ocorre de forma natural, a partir
dessa ação, é agendado uma visita técnica até a habitação, para realizar uma “consulta” das
principais necessidades do morador, com isso é estudado a viabilidade de reforma e os ajustes
são acordados juntos com o usuário. No morro onde o trabalho é desempenhado, já foram
executados projetos de infraestrutura, saneamento e até construções de novas moradias.
O número de pessoas que foram contempladas totalizam 440, desde 2009.
32

Figura 07: Antes e depois da habitação por meio do Projeto Arquiteto de Família.

Fonte: Changemakers, 2019.

Figura 08: Resultado da execução do Projeto Arquiteto de Família

Fonte: Changemakers, 2019.

Para a implementação dos projetos acordados e solicitados pelo programa, são realizadas
algumas estratégias de viabilização, que propiciam aos moradores alternativas para custear a
mão-de-obra e os materiais de construção.
33

De acordo com o site da ONG Soluções Urbanas, existem três planos para facilitar cada
atributo específico da obra, que fica dividido em soluções econômicas que consiste na
arrecadação de recursos para compra de materiais que serão utilizados, e as soluções construtivas
para realização da execução do projeto:

ECONÔMICAS
● Feira de Trocas Solidárias
Realizada uma vez a cada dois meses, tem como principal objetivo
facilitar a aquisição de materiais de construção. As famílias coletam
embalagens Tetrapack e as trocam por uma moeda social local, desenvolvida
pela Soluções Urbanas, com a qual adquirem materiais de construção doados,
provenientes de excedentes de obras ou não, porém ainda em condições de uso.
Através de uma parceria, as embalagens são recolhidas, recicladas e
transformadas em telhas ecológicas, que retornam com um dos itens passíveis
de aquisição na Feira. Este evento mobiliza grande parte das famílias da
comunidade e promove o uso consciente e sustentável de recursos naturais;
● Microcrédito Habitacional
Com este Microcrédito é possível providenciar tanto a compra dos
materiais quanto remunerar a mão de obra, caso necessário. Em geral a
capacidade de endividamento é baixa, por isso as obras devem ser pontuais ou
ainda necessitarão de complementação de recursos. O potencial de
desenvolvimento social é significativo pela possibilidade de atender a um
ilimitado número de família, pelo retorno do valor concedido em prestações a
juros baixos e pelo comprometimento com a contrapartida financeira por parte
da família;
● Subsídios
Podem ser PARCIAIS ou INTEGRAIS e permite a execução de obras
com agilidade, porém deve ser restrito às situações cujo perfil social não
indique outra estratégia de acesso a recursos e faz-se necessário o equilíbrio,
na contrapartida da família, para que a ação não se configure como uma medida
assistencialista. As limitações quanto à gestão das obras são as mesmas do
sistema de financiamento por MICROCRÉDITO HABITACIONAL.

CONSTRUTIVAS
● Autoconstrução
As intervenções ou construções são realizadas diretamente pelos
moradores, motivadas principalmente pela existência de um familiar capaz de
executar as obras e pela possibilidade de acesso a materiais de maneiras
diversas, e contam com as orientações fornecidas pela equipe técnica da
Soluções Urbanas, quando solicitadas;
● Mutirões
Mutirões têm um maior potencial de desenvolvimento social pela
capacidade de promover ações em cooperação e facilitar e reprodução das
experiências vividas. A metodologia aqui prevê ações pontuais, de simples e
rápida execução e pressupõe o auxílio de pelo menos um pedreiro. Esse maior
potencial de desenvolvimento social é garantido quando associado à FEIRA
DE TROCAS SOLIDÁRIAS e aos SUBSÍDIOS, pois são reduzidos os riscos
34

de desperdício, eleva-se a chance de resultados com melhor qualidade e


permite um maior controle nos processos;
● Empreitadas
Podem ser PARCIAIS ou GLOBAIS, caracterizadas pela contratação de
profissionais para a execução das intervenções, e necessitam de um maior
planejamento logístico, pois podem exigir áreas destinadas ao armazenamento
de materiais ou o desalojamento temporário de famílias para poder ser
concluída. Quando associadas ao MICROCRÉDITO HABITACIONAL têm
grande possibilidade de resultados de qualidade, pois conta com mão de obra
qualificada e ainda permite que o recurso investido seja recuperado (ONG
SOLUÇÕES URBANAS, 2019, s/p.).

3.2 RESIDENCIAL JOÃO BATISTA

● FICHA TÉCNICA:
Nome do projeto: Conjunto Habitacional João Batista;
Endereço: Rua Adão Pereira Nunes, nº 862 - Lapa, Campos dos Goytacazes/RJ;
Início da construção: 2013;
Término da construção: 2018;
Tipo: Edifício Residencial Vertical;
Área total construída: 3135,15 m²;
Nº de habitações: 72 apartamentos;
Nº de pavimentos: 4;
Unidades por pavimento: 8;

● CONTEXTO HISTÓRICO

No momento que o Programa Bairro Legal (O processo de criação do plano é realizado


em 2011 e foi estabelecido em 2013) começa o processo de transformação no bairro da Lapa,
este local, que ao longo do tempo era denominado como Favela Inferno Verde, recebe um novo
nome a partir da construção da habitação coletiva, sendo nomeada como Residencial João
Batista, que segundo moradores foi o primeiro morador da localidade a construir um comércio
no bairro, o conjunto habitacional de interesse social que começara a ser desenvolvido no ano
de 2011, foi entregue no ano de 2018, precisamente no data de 20 de abril deste ano referente.
As famílias que moravam naquela região foram removidas durante a construção dos
edifícios e passaram a receber o aluguel social, alguns moradores ficaram próximos a sua
localidade, porém outros se deslocaram para bairros mais afastados do original. A população
daquela região em sua maioria morava em casa térreas ou sobrados, algumas com comércio
faceando a calçada, encontrando um ponto em questão da relação dos estabelecimentos com os
moradores que utilizavam esses espaços como forma de subsistência.

[...] De uma coisa eu tenho certeza, ele “tá” me dando a metade da minha casa
que ele tombou, ele não, a prefeitura, a metade da minha vida, destruíram
35

minha vida, não só a minha como a de muitos…” (Morador da Favela Inferno
Verde - Material do Projeto de Extensão Políticas Públicas e Espera, 2018).

[...] Alguns com muito, outros com tão pouco! Quantos tempos eu tô sem
receber o dinheiro do comércio! Eu doente, aleijado, como é que eu vivo?”
(Morador da Favela Inferno Verde - Material do Projeto de Extensão Políticas
Públicas e Espera, 2018).

-Paga o nosso comércio mês sim, mês não! E o nosso comércio?


- Você tinha comércio?
- Tenho!
- Tem, né?
- Tenho, porque eles vão fazer né? Então eu tenho” (Entrevista da
moradora da Favela Inferno Verde - Material do Projeto de Extensão
Políticas Públicas e Espera, 2018).

Um aspecto interessante a ser relatado sobre o conjunto de apartamentos que foram


entregues, é a volta dos moradores para o mesmo lugar de onde viveram parte de suas vidas,
mas em condições diferentes ao que eram apresentadas anteriormente, pois os moradores passam
a viver em circunstâncias completamente distintas, visto que a vivência atual possui
características de convivência mais coletiva ao apresentar o condomínio, mostrando a
experiência do morar sem o quintal da sua casa, a privacidade dos muros e com isso, estabelecer
a boa vizinha do “porta com porta”, dos corredores e áreas de uso comum e os obstáculos de
adaptação da nova forma de morar.

Figura 09: Vista da Rua Miguel Herédia da antiga Favela Inferno Verde.

Fonte: Google Maps, 2019.

● IMPLANTAÇÃO

O conjunto residencial fica localizado na Rua Adão Pereira Nunes, tangenciando à direita
com a Rua Miguel Herédia, a habitação coletiva que possui 347,78 m² cada bloco, possui apenas
um local de acesso, feito por dois portões, um deles possibilita a entrada de veículos e outro de
pedestres, na implantação não existe local para guarda de nenhum transporte utilizado pelos
36

moradores, sendo proibido o estacionamento de carro dentro espaço, o portão de acesso para
veículos é de uso restrito para algumas finalidades específicas como entrada de ambulâncias por
exemplo.
Os prédios foram divididos em 3 blocos, e cada edificação possui uma porta de acesso
para todos os apartamentos. Na área de uso comum foi implantando um playground cujo o nome
foi uma homenagem a uma das moradoras mais antigas do local, porém que veio a falecer antes
da inauguração (Espaço de Lazer Sônia Gomes dos Santos), além disso existe uma quadra de
areia que é utilizada para atividades esportivas, um quiosque e um amplo espaço livre sendo
aproveitado para reuniões de moradores e eventos diversos, inclusive a inauguração do espaço
foi realizada nesse local.
O bairro em que a habitação de interesse social está inserida possui infraestrutura em
seu entorno, dispondo de comércio como padarias, mercearias entre outras atividades locais,
escola e a Praça da Lapa, além de apresentar, pavimentação com ruas asfaltadas e calçadas em
concreto, postes de iluminação pública, rede de água e esgoto, sinaleiros, faixas de pedestre,
sendo uma região beneficiada por ser em uma área central da cidade, influenciando no meio de
trabalho de alguns moradores do local, que exercem suas funções próximo ao local.

Figura 10: Implantação do Conjunto Habitacional João Batista.

Fonte: PMCG, 2019, alterado pela autora.

● SISTEMA CONSTRUTIVO E ESTÉTICO

O residencial João Batista possui em seu sistema construtivo o uso de tijolos cerâmicos
furados predominante na região, possuindo um custo mais econômico, por apresentar diversas
empresas ceramistas na cidade, a técnica utilizada para construção é tradicional como dito
37

anteriormente os tijolos cerâmicos e infra e supra estruturas confeccionadas com concreto


armado, como podemos observar na Figura 13 retirada do Google Maps no ano de 2015.

Figura 11: Vista lateral do Conjunto Habitacional João Batista em construção.

Fonte: Google Maps, 2019.

No projeto cedido pela Prefeitura, no exterior dos edifícios a alvenaria seria emboçada,
rebocada e pintada na cor branca em sua maior parte, com detalhes em cor não definida no
projeto em questão, elementos vazados (cobogós) fariam parte da fachada principal, no espaço
da circulação do prédio, com intuito de trazer iluminação e ventilação para aquele local, além
desta área foi determinado que os cobogós seriam utilizados abaixo das janelas do ambiente
escolhido para ser a cozinha e área de serviço, estas que foram especificadas como esquadrias
de alumínio anodizado com vidro natural, na Figura 14 podemos observar como foi determinado
a fachada no projeto, além disso, os blocos foram projetados com uma elevação, empregando
uma rampa para o acesso principal dos edifícios.
38

Figura 12: Fachada principal do Bloco II.

Fonte: PMCG, 2019.

O conjunto foi entregue com algumas modificações projetuais de cores de fachada, tendo
sido escolhido como proposta final tons de branco, bege e areia, os elementos vazados, só foram
aplicados no espaço de circulação e os detalhes em concreto pré-moldado em cor não foram
executados.

Figura 13: Imagem da Inauguração do Residencial.

Fonte: Projeto de Extensão Políticas Públicas e Espera: ação para preservação de direitos, 2018.

● PLANTA BAIXA

O conjunto habitacional possui três tipologias diferentes, a planta baixa tipo 1, apresenta
2 quartos, uma sala, uma cozinha integrada com a área de serviço e um banheiro, totalizando
45,73 m² de área construída, o tipo 2 é o modelo acessível, com 59,45 m² e possui a mesma
configuração, já o tipo 3 é constituído de 3 quartos, cozinha também integrada com área de
serviço, sala e um banheiro e o total construído é de 60,65 m².
39

Para melhor compreensão foi realizado um estudo de layout com cada tipologia do
Conjunto Habitacional João Batista, todas as configurações das áreas molhadas vieram com o
projeto do residencial cedido pela PMCG, a Figura 16 apresenta o tipo 1 dos apartamentos, que
é o modelo como dito anteriormente de 2 quartos, na cozinha e área de serviço a circulação
estipulada entre os móveis e a alvenaria (1,00 m) assegura o conforto para um usuário fazer a
sua utilização, no setor onde se encontra a sala de estar e jantar, é apresentada uma disposição
de móveis enxuta com medidas de circulação mínima (60 cm) entre os mobiliários de forma a
contemplar o uso simultâneo do ambiente para todos os habitantes que podem comportar o local
confortavelmente, no quarto 01, é disposto uma cama casal modelo padrão (1,38x1,88 cm) que
também obteve proporções no limite no quesito ergonomia, o quarto 02, acomoda uma cama
com medida padrão no formato solteiro (0,88x1,88 cm), uma mesa de estudos, um armário e
televisão, apresentando medidas mínimas para a movimentação ser feita de maneira confortável.

Figura 14: Planta Baixa do apartamento tipo 1.

Fonte: PMCG, 2019, alterado pela autora.

O tipo 2 é o padrão adaptado para portadores de necessidades especiais (PNE), foi


efetuada a análise de mobiliário de acordo com os padrões estabelecidos pela NBR 9050/15, ao
começarmos pelo setor da cozinha e área de serviço do modelo estabelecido pelo projeto,
observamos uma inadequação na circulação que segundo a norma deve apresentar espaço
suficiente para o cadeirante realizar o giro completo (360º), que convertido em metros é
apresentando um total em diâmetro de 1,50 metros para execução do movimento, porém a
distância retratada no projeto é de 1,20 metros, sendo incompatível com os padrões
estabelecidos.
40

Ao percorrermos para a sala de estar e jantar, no layout foi planejado um espaço para
acomodar 3 pessoas sentadas em um sofá de 3 lugares e mais um local reservado para o
cadeirante, no setor que está determinado para realizar as refeições, não conseguimos adaptar
para o número de pessoas que podem compor o apartamento de forma confortável, atingindo um
total de 3 lugares, sendo que um deles fica destinado ao uso da pessoa com necessidade especial.
O banheiro de acordo com norma brasileira de acessibilidade em edificações, mobiliários,
espaços urbanos e equipamentos, o cadeirante dentro desse espaço deve conseguir realizar o giro
de 360º, o sanitário apresentado exibe dimensões maiores do que todos os outros, abertura da
porta com o sentido oposto ao deslocamento do habitante, porém não cumpre com as medidas
mínimas propostas da NBR 9050/15, não obtendo o giro completo no ambiente para realizar a
transferência de maneira confortável.
Para obter os parâmetros mínimos exigidos pela norma no quarto 01, denominado
acessível, foi proposto uma disposição de mobiliário de modo que um dos setores do quarto
possuísse uma área de diâmetro de 1,50 metros e a circulação entre os mobiliários obtivesse o
tamanho mínimo proposto de 90 cm, além disso foi posicionado um mesa de usos variados
destinado para o cadeirante, o quarto 02, dispõe uma configuração tradicional, comportando
duas camas de solteiro medida padrão (0,88x1,88cm), uma mesa de estudos e um armário
(Figura 17).

Figura 15: Planta baixa do apartamento tipo 2 (adaptada).

Fonte: PMCG, 2019, alterado pela autora.


41

A tipologia 3, composta de 3 quartos, apresenta algumas inconsistências quanto ao


layout, para utilização dos moradores, segundo a apresentação desse estudo, o apartamento
comporta até 5 pessoas confortavelmente contabilizando a partir da área dos quartos, todos os
dormitórios apresentam móveis com medidas padronizadas, encontradas facilmente no
comércio, na sala de estar e jantar apresenta o problema em relação a acomodação de todos os
moradores para utilização do espaço em conjunto, pois de acordo com o tamanho exposto no
projeto, somente admitiria com dimensões mínimas de ergonomia 4 pessoas na área determinada
para a mesa de refeições e no setor de estar somente um sofá de 2 lugares tamanho padrão e dois
bancos estofados para comportar mais 2 usuários no local, para convivência simultânea, não
permitindo um membro da habitação a utilizar o local ao mesmo tempo (Figura 18).

Figura 16: Planta baixa do apartamento tipo 3.

Fonte: PMCG, 2019, alterado pela autora.

Na análise sobre a setorização das plantas baixas apresentadas no estudo de caso em


questão, foi analisado individualmente cada tipologia de apartamento existente no conjunto
habitacional, no tipo 1 a área social apresenta um espaço de estar e um local reservado para
refeições, contando com 11,94 m², contabilizando 3,94 m² por pessoa nesse setor, que está
configurado para 3 pessoas. O espaço denominado como serviço está conjugado em cozinha e
área de serviço que encontram-se iguais no tipo 1 e 3, o local destinado para lavanderia possui,
1,43 m² e apenas um ponto para tanque, durante a aplicação do questionário que pertence ao
Projeto de Extensão (Colocar nome), no qual participei como bolsista, na Universidade Estadual
42

Fluminense (UENF) diversos moradores relataram a insatisfação com o determinado ambiente,


que possui a metragem reduzida.
Os quartos que ficam localizados na área íntima da habitação, ambos possuem 8 m², no
Código de Obras elaborado pela PMCG, descreve que o primeiro quarto deverá possuir 10 m² e
os demais 8 m² e somente quando o quarto for reversível este poderá possuir a metragem mínima
de 6 m², porém no mesmo Código é aberto uma exceção, para estas dimensões quando forem
utilizadas para projetar unidades retratadas como habitações populares no município, que é a
situação desta edificação, o banheiro que também se enquadra nesse setor tem, 2,20 m² e possui
a mesma configuração na tipologia 1 e 3, a circulação que é denominado como setor de
circulação, tem um espaço reservado para armário na planta original, porém torna-se um espaço
pouco utilizado pelos moradores.

Figura 17: Planta de setorização do apartamento tipo .

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.

Na tipologia 2, de PNE, os setores divididos em social, íntimo e serviço possuem maior


amplitude, no social segue o mesmo padrão, um espaço reservado para refeições e outro para
estar, com 15,91 m², o local que possui os ambientes de uso íntimo, possui dois quartos um com
11,30 m² e outro com 10,15 m², o banheiro acessível, possui 3,74 m² e a circulação com a
disposição de um armário, com 1,90 m de circulação, sendo bem maior que a configuração do
apartamento da tipologia 1, que possui 75 cm de passagem entre a alvenaria acabada de um lado
para o outro, o setor de serviço, também possui desenho conjunto, cozinha e área de serviço em
formato retilíneo, a única característica que difere do tipo 1, é a dimensão da circulação que
neste apartamento tem 1,20 m na distribuição no corredor livre entre a alvenaria e os mobiliários,
43

totalizando 6,70 m² de área, somando apenas 0,70 m² a mais para utilização de móveis de um
portador de necessidades especiais.

Figura 18: Planta de setorização do apartamento tipo 2 (adaptada).

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.

O tipo 3, apresenta uma planta baixa muito similar em dimensões com o tipo 1, mesmo
possuindo uma proposta de 3 quartos e obtendo um número total de pessoas por apartamento
maior que o outro caso visto pelo desenho da planta e o estudo de layout, pois nesta moradia
comportam até 5 pessoas e na tipologia 1 até 3 pessoas, com isso podemos observar que a maior
densidade não apresentou mudanças significativas nas áreas sociais e de serviço, pois nessa
configuração o social que também compõe como todos os outros um espaço destinado para
refeições e outro para estar, convívio entre outras pluralidades que esse ambiente pode oferecer
no cotidiano das famílias, a dimensão proposta é de 13,16 m², apenas 1,22 m² maior que as
medidas do outro apartamento, o que prejudica na disposição dos móveis no ambiente e a
ergonomia do local para todos os moradores, já na cozinha e área de serviço nenhuma
modificação foi adotada.
Os quartos são separados em quarto 01, 02 e 03, como visto nas legendas das Figuras
14, 15 e 16, sendo que no quarto 01 possui 7,84 m², o quarto 02, 9,21 m² e o quarto 03, 10,26
m², a circulação nesta situação não abrange todas as soluções encontradas nos apartamentos
anteriores, da disposição do armário, esta que tem 2,96 m² utilizada apenas para ligação da área
social para o íntimo e por fim o banheiro que é idêntico em dimensões e layout ao tipo 1.
44

Figura 19: Planta de setorização do apartamento tipo 3.

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.

● ESTUDO DE INSOLAÇÃO

Para um estudo inicial sobre o conforto térmico da edificação, foi analisado a orientação
solar em que o Conjunto Habitacional João Batista está situado.
Na primeira observação em relação às plantas baixas e os ambientes, foi possível,
constatar, que em todos os blocos, os apartamentos que estão posicionados voltados para Rua
Adão Pereira Nunes, recebem os raios solares do período vespertino, que possui o maior
incidência solar, o que proporciona locais mais quentes nos horários da noite.
A cidade de Campos dos Goytacazes, tem como característica um clima quente,
principalmente no verão que alcança uma temperatura média de 32º C (CLIMATEMPO), por
isso ambientes utilizados com alta frequência devem ser arejados e estarem na posição orientada
para o norte ou leste, pois ambas recebem com menor incidência os raios solares, mas mantém
os ambientes que têm maior permanência mais frescos durante a tarde e à noite.
Durante a análise foi constatado que neste projeto mais de 50% dos apartamentos estão
com ambientes de grande índice de estadia, como os quartos que são habitados principalmente
no horário noturno e as salas que tem uso tanto no período do dia quanto da noite e não foi
aplicada nenhum material ou artifício para que pudesse amenizar os raios solares que incidem
diretamente sobre a alvenaria e provocam uma sensação térmica maior que a do ambiente
externo, com isso dificulta o conforto térmico do local, que por processo de vivência no local,
em épocas de verão, pude certificar que o espaços moradores enfrentaram temperaturas altas,
com pouca ventilação e muita incidência solar.
45

Figura 20: Estudo de insolação do Conjunto Habitacional João Batista.

Fonte: PMCG, 2019, alterado pela autora.

3.3 CONJUNTO HELIÓPOLIS GLEBA G

● FICHA TÉCNICA:
Nome do projeto: Residencial Juntas Provisórias;
Endereço: Rua das Juntas Provisórias, nº 1355, Ipiranga - São Paulo;
Ano do projeto: 2011;
Término da construção: 2014 (1ª fase 200 unidades habitacionais);
Tipo: Edifício de Uso Misto;
Área total construída: 15.550 m²;
Nº de habitações: 420 unidades;
Nº de pavimentos: Até 8 pavimentos;
Unidades por pavimento: 4 apartamentos;

● CONTEXTUALIZAÇÃO

O conjunto habitacional de Heliópolis faz parte do Programa de Reurbanização de


Favelas do Estado de São Paulo, o aglomerado subnormal Heliópolis possui 180 mil habitantes
(PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2017), sendo classificado como uma das maiores
comunidades do estado, com isso a partir dos dados do Censo 2010, este programa realocaria os
moradores para outras residências, visto que a favela possui um vasto território, ela foi
fragmentada em glebas, a partir disso foi distribuído para diversos escritórios de arquitetura uma
área para executar um projeto de habitação de interesse social. Nesse estudo de caso será
46

abordado o Conjunto Habitacional de Heliópolis - Gleba G, projetado pela equipe Biselli +


Katchborian Arquitetos.
Essa edificação é situada no bairro Ipiranga, em um terreno que era um alojamento
provisório (ARCHDAILY, 2011), atualmente localiza-se na entrada da comunidade, o projeto
para ser executado foi dividido em duas fases, sendo que a fase I foi entregue com 200 unidades
habitacionais, no ano de 2014.

Figura 21: Fachada do prédio Heliópolis gleba G.

Fonte: ArchDaily, 2019.

O projeto possui um planejamento de uma área de comércio para utilização dos


moradores que podem usufruir desses espaços como maneira de obtenção de renda
complementar.

Figura 22: Imagem ilustrativa da fachada do prédio Heliópolis gleba G.

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.

● IMPLANTAÇÃO

O projeto possui em sua implantação uma área reservada para uma praça, os edifícios
foram distribuídos no perímetro do lote sem recuo “quadras europeias”, dessa maneira
acrescentou ao programa um amplo espaço livre para os moradores, além disso, alguns
comércios foram implantados para uso dos habitantes no pavimento térreo, visto pela equipe de
47

arquitetos que produziram o espaço como uma fonte alternativa de renda e também utilizado
para subsistência dos moradores, já que eles diante a pesquisa para implementar a habitação de
interesse social (HIS) notou-se que muitos habitantes daquela região utilizava o estabelecimento
como forma de angariar recursos. O terreno que possui por volta de 12.000 m² abrigará dois
blocos desse projeto, totalizando 420 unidades com 31.000 m² de área construída, com o acesso
principal realizado pelos pórticos, a fase I tendo sua entrada voltada para a praça, e a fase II
direcionada para Rua Pinheiro de Lemos.

Figura 23: Implantação do Conjunto Heliópolis Gleba G.

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.

No seu entorno os prédios estão na divisa, sendo que a edificação marca o início da
comunidade de Heliópolis com a vizinhança parte da cidade formal, nos arredores possui grande
comércio, como supermercados, posto de gasolina, mercado municipal e outros
estabelecimentos, porém o bairro é marcado por ser um local com muitas indústrias próximas,
além disso, possui escolas públicas e unidade básica de saúde, como podemos ver pela figura,
do Google Street View do ano de 2017, a fase II ainda não foi realizada.
48

Figura 24: Vista aérea da implantação do Conjunto Heliópolis Gleba G.

Fonte: Google Earth, 2019, alterado pela autora.

● SISTEMA CONSTRUTIVO E ESTÉTICO

A HIS de Heliópolis tem um sistema construtivo clássico voltado para o baixo custo,
com a execução da estrutura realizada por alvenaria de blocos de concreto, que visam o desenho
sequencial e fácil aplicação, porém a construção dos pórticos nos acessos principais das
edificações, são o único sistema que proporcionam a quebra do ritmo, executado de forma mista
foi utilizado o concreto armado na armação.
Para criação de movimento e com o objetivo de anular a monotonia, é pensada em uma
implantação que de modo ilusório demonstra que os blocos funcionam independentemente,
reforçando ainda mais essa característica resulta a aplicabilidade da cores nas torres das caixa
d’águas e nas fachadas promovendo de maneira mais destacada o efeito, outro ponto para trazer
fluidez no prédio é apresentação da disposição das janelas, que sempre ao abrir e fechar trazem
um novo desenho para a fachada.
Um material pouco empregado na construção de habitações populares, a estrutura
metálica foi usada em passarelas de acesso entre os blocos, que vencem grandes vãos que podem
chegar a 27 metros.

Nas fachadas, além das cores, a paginação espanta a monotonia, trazendo


movimento. “Para isso, usamos dois artifícios: o primeiro é uma paginação das
janelas bastante peculiar. Embora portas-balcão e janelas tenham modelos
idênticos, elas diferem no modo de abrir. Enquanto uma abre para a direita, a
outra abre para esquerda; elas se movimentam de tal forma que nunca ficam
49

iguais, abertas ou fechadas, criando a cada dia ou noite uma nova fachada”,
explica Mario Biselli (Galeria da Arquitetura, s/p.).

Figura 25: Maquete eletrônica do Conjunto Heliópolis Gleba G.

Fonte: ArchDaily, 2019.

Figura 26: Perspectiva ilustrativa do Conjunto Heliópolis Gleba G.

Fonte: ArchDaily, 2019.

● PLANTA BAIXA

De acordo com o ArchDaily, 2011 das 420 unidades habitacionais que serão entregues,
todas elas possuem 50 m² nas suas plantas, com isso podemos observar por meio das Figuras
29, 31, e 33 que todos os apartamentos possuem 2 quartos e dispõe de layouts que consegue ser
flexibilizados de acordo com ArchDaily, 2011:

No projeto das unidades prevalece o cuidado com os layouts dos ambientes,


garantindo flexibilidade de configurações, pois as futuras famílias que as
ocuparão variam de 5 a 11 pessoas, demanda essa levantada pela equipe social
da SEHAB. As habitações contam também com espaço para pequenos trabalhos,
50

como costureiras, pequenos consertos, pois muitas das famílias fazem deste
trabalho em casa fonte de renda complementar. (ARCHDAILY, 2011, s/p.)

A planta baixa tipo A, a habitação de acordo com a análise do layout fornecido pela
equipe de arquitetos, em uma ótica de pessoas por quarto, a moradia comporta até 4 pessoas,
composto por camas e armários possui uma configuração bastante de simples para os usuários,
no ambiente proposto como estar/jantar, é observado como a área social se adequa a mais
pessoas que o esperado, a disposição de móveis do estar é colocada até 5 pessoas e a área para
refeições possui a mesma quantidade de pessoas prevista no apartamento, além de dispor uma
bancada.
O banheiro detêm de configuração simples, composto de uma pia, uma bacia sanitária e
um box com chuveiro, ao analisarmos o setor de serviço, a cozinha dispõe de uma integração
com a área social, parte dela é aberta para a mesa de refeições, no projeto exposto ao lado da
banca é exibido um fogão convencional de até 6 bocas, mostrando adaptação a vários tipos de
mobiliários, a área de serviço possui um ponto para tanque e outro para máquina de lavar, por
fim apresenta uma sacada, que de acordo com a Figura 30, apresenta vários tipos de uso, desde
a extensão a lavanderia, como espaço de estar, convívio, armazenamento ou até mesmo
jardinagem e existem duas configurações para fachada da tipologia A (Figura 28).

Figura 27: Imagem ilustrativa das fachadas do apartamento tipo A.

Fonte: ArchDaily, alterado pela autora.


51

Figura 28: Planta baixa e setorização do apartamento tipo A.

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.

Figura 29: Imagem do prédio em uso.

Fonte: SCHARAN, Jaqueline, 2016.

A planta tipo A (Adaptada), é a versão para PNE, com a mesma configuração de planta
baixa da tipologia A, ela apresenta um número menor de pessoas por apartamento,
contabilizando no total 3 usuários, em um dos quartos é esperado até 2 pessoas e no outro apenas
uma, porém em ambos os quartos o indivíduo portador de necessidade especial consegue se
locomover e obter o giro de 360º no ambiente, promovendo conforto ergonômico e
52

contemplando a NBR 9050/2015, que pede que no mínimo em uma das dimensões do quarto
detenha de 1,50 m de largura, continuando na área íntima o banheiro também possui espaço
adequado para PNE, mas na apresentação da planta baixa, não dispõe de área de banho adaptada,
e não aparecem as barras de apoio na bacia sanitária.
Na área social do apartamento, dispõe do mesmo layout da tipologia A, inclusive não
detêm um espaço físico para o portador de necessidade especial se acomodar no recinto. No
setor de serviço o apartamento se integra totalmente com o restante da habitação, não possuindo
paredes que poderiam obstruir a circulação do usuário, assim como o tipo A, esta moradia
também dispõe de uma varanda no setor social.

Figura 30: Planta baixa e setorização do apartamento tipo a (adaptada).

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.

A Tipologia B apresenta uma configuração padronizada como todas as outras do


conjunto, com 2 quartos e dispostos por esse layout, apresentando a adequação de até 4 pessoas,
um banheiro. Uma das poucas modificações deste tipo fica exposto no formato do setor de
serviço, que aparece em forma “L”, a cozinha fica unida em linha reta e a área de serviço segue
pela extremidade, porém neste mesmo setor, a área de serviço apresenta uma circulação pequena
e inadequada para o espaço, dificultando a sua utilização, além disso, esta moradia dispõe de um
banheiro com a ventilação voltada para este local.
53

Figura 31: Imagem ilustrativa da fachada do apartamento tipo B.

Fonte: ArchDaily, 2019.

Figura 32: Planta baixa e setorização do apartamento tipo C.

Fonte: Archdaily, 2019, alterado pela autora.

● ESTUDO DE INSOLAÇÃO

A face dos apartamentos que estão voltados para Rua Comandante Taylor, a área social
fica direcionada para oeste, além disso o setor íntimo também fica localizado para essa
orientação, porém o projeto deteve de pequenas funcionalidades para diminuir a incidência solar
direta nesses ambientes, foi realizado um recuo do setor de estar/jantar e a aplicação da sacada,
54

ameniza o contato total da entrada dos raios solares que provocam o ganho de calor,e no setor
onde ficam os quartos executou-se um avanço de alvenaria que possibilita uma quebra dos raios
do Sol que se aplicam fortemente nos horários da tarde, contudo somente 25% das habitações
ficaram localizados nesta direção, pois o formato da implantação adotado permitiu o
espelhamento dos apartamentos.

Figura 33: Estudo de insolação Conjunto Heliópolis gleba G.

Fonte: ArchDaily, 2019, alterado pela autora.


55

4. REFERENCIAIS

4.1 REFERENCIAL PLÁSTICO - FORMAL

4.1.1 DORTHEAVEJ RESIDENCE - COPENHAGUE, DINAMARCA

A habitação de interesse social localizada em Copenhague na Dinamarca, tem uma área


total de 6800 m², nomeada como Dortheavej Residence, o projeto idealizado pela equipe Bjarke
Ingels Group, possui um formato simples, sendo o tradicional modelo retangular, que surpreende
por ser modular e permitir movimento da fachada ao ser empilhado, proporcionando um efeito
de cheios e vazios, com jogo de subtração ao permitir o uso dos vazios como terraço e varanda
pelos moradores, com isso ausenta a monotonia da edificação, além disso, o prédio que está
disposto em apenas um bloco acompanha a curvatura do alinhamento da rua, propondo certa
sinuosidade ao conjunto na sua totalidade.

Figura 34: Desenho esquemático de módulos para fachada.

Fonte: ArchDaily, 2019.

Figura 35: Maquete modular 1º pavimento.

Fonte: ArchDaily, 2019.


56

Figura 36: Maquete modular esquema final.

Fonte: ArchDaily, 2019.

O prédio transmite leveza com os materiais que foram aplicados, como o vidro
predominante em toda a fachada, propiciando a transparência, os tons claros que compõem o
ambiente e se misturam à paisagem e a madeira que permite o acolhimento e o aconchego.

Figura 37: Vista da fachada Dortheavej Residence.

Fonte: ArchDaily, 2019.


57

4.2 REFERENCIAL FUNCIONAL

4.2.1 QUINTA MONROY - IQUIQUE, CHILE

No contexto de funcionalidade, o projeto do arquiteto Alejandro Aravena, nomeado


como Quinta Monroy, fica localizado em Iquique, no Chile, com uma área construída de 3500
m², a iniciativa possui cerca de 100 habitações para as respectivas famílias que já moravam
naquele local por 30 anos, com desafio sobre a viabilidade econômica para a execução das
moradias, o orçamento previsto resultaria em residências com metragens muito reduzidas, com
aproximadamente 30 m² (AU.PINI, 2016).
O aspecto funcional desse referencial é concentrado nas soluções que foram encontradas
durante o processo projetual, as residências são entregues com 36 m² inicialmente e apresentam
como proposta a flexibilização da planta baixa, para possíveis ampliações realizadas pelos
moradores, visto que são entregues moradias básicas e passíveis de reformas.
Em uma entrevista para revista para AU.PINI, uma moradora do local emite sua opinião
sobre a remodelação do ambiente pelos próprios habitantes: “A necessidade de intervir na
construção e de a terminar com seus próprios meios não pareceu a ela uma desvantagem, se isso
lhes permitia continuar no mesmo bairro. Hoje não está em seus planos vender sua casa nem
mudar-se.” (AU. PINI, 2016).
A planta baixa da residência unifamiliar é feita por 2 andares em seu formato original,
com plantas superpostas, obtendo entradas independentes para cada moradia, a casa pode
alcançar com as recomendações colocadas em seu programas aproximadamente 70 m².

Figura 38: Planta baixa do térreo e pavimento superior da residência.

Fonte: ArchDaily, 2019.


58

Figura 39: Planta baixa térreo com ampliação da residência.

Fonte: ArchDaily, 2019.

Figura 40: Planta baixa pavimento superior com ampliação da residência.

Fonte: ArchDaily, 2019.


59

Figura 41: Imagem fachada principal sem modificação.

Fonte: ArchDaily, 2019.

Figura 42: Imagem fachada principal com modificação.

Fonte: ArchDaily, 2019.


60

4.3 REFERENCIAL TECNOLÓGICO

4.3.1 MOVIMENTO 90º - COMPLEXO VIÁRIO DO MINHOCÃO, SÃO PAULO

Projeto idealizado desde o ano de 2013, pelo Movimento 90º, tinha como objetivo
principal construir 20 jardins verticais em fachadas nos edifícios no complexo viário do
Minhocão, a utilização das paredes verdes nas empenas cegas dos prédios acarreta uma série de
vantagens, como podemos ver na Figura 46, um infográfico dos benefícios da aplicação desta
tecnologia.

Figura 43: Infográfico sobre fachadas verdes.

Fonte: Movimento 90º, 2019.

O referencial tecnológico adotado, traz de acordo com (CAETANO, 2014) em uma


entrevista para revista digital AEC Web, o arquiteto expõe que em dias com a temperatura mais
alta a tecnologia da parede verde proporciona a redução em até 6º graus no ambiente interno da
edificação, além disso, minimiza os efeitos da poluição do ar, dos ruídos e traz personalidade
estética a paisagem.

Os acabamentos normalmente empregados não respondem de maneira


inteligente à questão climática. "Quando o sol bate na parede, o calor é
transmitido para dentro e, se está frio do lado de fora, o ambiente interno acaba
perdendo calor para o externo. Quando é usado muro vivo, cria-se um
revestimento vegetal que evita a perda ou o ganho excessivo de calor no interior
da edificação (Trecho retirado da entrevista AEC Web, 2014).
61

Figura 44: Vistas dos edifícios Wood (esquerda) e Mackenzie (direita).

Fonte: Conapa, 2019, alterado pela autora.

Figura 45: Vistas dos edifícios Minerva (esquerda) e Bonfim (direita).

Fonte: Conapa, 2019, editado pela autora.

A tecnologia possui algumas tipologias que devem ser estudadas para serem aplicadas
de acordo com a necessidade do ambiente para melhor implantação, sendo que duas são mais
utilizadas, denominadas como jardim vertical e a outra fachada verde, porém ambas são
popularmente conhecidas como jardim vertical, todavia o jardim é executado com um sistema
de fixação que podem ser ou não afastados da parede da edificação, além de conseguirem em
alguns modelos serem autoportantes, na outra categoria, as fachadas verdes dividem-se em dois
tipos as diretas e as indiretas, que podem ser plantadas diretamente no solo ou em lajes
(RODRIGUES; JÚNIOR; ROMÉRO; BRAZOLIN, 2018).
62

Figura 46: Fluxograma de classificação de parede verde.

Fonte: Au.Pini, 2019.

4.4 REFERENCIAL TIPOLÓGICO

4.4.1 ENTRE DEUX RIVES - L’ ÎLE - SAINT - DENIS, FRANÇA

Em L’île - Saint - Denis, uma comuna na França, o conjunto residencial denominado


Entre Deux Rives, destaca-se pelo seu formato na paisagem, o projeto possui 165 apartamentos
configurados em três blocos com edifícios de 3 a 7 andares, sendo projetado pelo escritório
Philippon - Kalt, o nome Entre Deux Rives, significa entre dois rios, e o residencial recebeu este
nome, por estar literalmente na sua implantação em uma faixa de terra entre dois rios, o Rio
Verde, aquele local era uma área industrial que seria revitalizada com a construção dos prédios.
63

Figura 47: Vista aérea da implantação do edifício Entre Deux Rives.

Fonte: Archdaily, 2019.

No seu formato evidencia-se nas fachadas as varandas dos apartamentos, que encontram-
se em balanço, além disso, elas possuem variados usos para os moradores, tornando-se espaços
de lazer, estar, locais de apoio para lavanderia, horta e jardim, transformando a região em uma
extensão do apartamento, que em uma casa seria denominado como quintal, visto que de forma
similar as varandas, esses locais apresentam múltiplas funções, adaptando-se às necessidades de
cada família, de acordo com seu cotidiano.
Outro aspecto relevante no formato das varandas, são os rasgos que formam uma
descontinuidade, com certo ritmo, diminuindo a monotonia dos prédios que possuem formato
retangular, proporcionando cheios e vazios, além de transmitir leveza na maneira que aplica-se
os materiais nas fachadas, sendo utilizado fechamento em vidro colorido em alguns apartamento
e em outros são fechados com gradeado metálico.
64

Figura 48: Vista da fachada dos prédios Entre Deux Rives.

Fonte: Archdaily, 2019.

Figura 49: Vista da área de integração dos prédios Entre Deux Rives.

Fonte: Archdaily, 2019.


65

5. DIAGNÓSTICO

Este capítulo apresenta uma análise realizada sobre o Conjunto Habitacional João
Batista, área exposta no estudo de caso deste trabalho, que sofrerá uma intervenção projetual,
nos moldes da lei de assistência técnica.
O diagnóstico será feito a fim de auxiliar parâmetros projetuais para melhor executar e
compreender dentro das necessidades dos habitantes da região e características urbanísticas, com
isso serão realizados mapas, a fim de ampliar o campo de estudo.

5.1 TERRENO

Localizado na cidade de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, no bairro


da Lapa, o Residencial João Batista, situado entre as ruas Miguel Herédia e a Adão Pereira
Nunes, possui uma área total de 3.135,15 m², sendo mostrado na Figura ??, a área de intervenção.
No local que antigamente era situado a Favela Inferno Verde, transforma-se no conjunto
que é separado entre três blocos e uma praça, esta que é dividida entre espaço infantil, jovem e
idoso, sendo eles, um playground, uma quadra de areia e um quiosque com jogo de dama, cada
um na área respectiva.

Figura 50: Mapa de implantação geral.

Fonte: Google Earth, 2019, alterado pela autora.

5.2 CONDICIONANTES AMBIENTAIS


66

O vento predominante da cidade de Campos dos Goytacazes, é o Nordeste-Sudoeste,


vindo do rio Paraíba do Sul, a incidência solar apresentada em relação aos blocos, o oeste expõe
o sol pleno (Figura 54), nos quartos que estão localizados naquela região, os ambientes que
dispõem de proteção solar estão posicionados de acordo com a (Figura 54).
Segundo relatos e experiências vivenciadas no Conjunto Habitacional João Batista como
bolsista de extensão na UENF, os ambientes da área social como sala de estar e jantar, são muito
abafados e escuros, pois a janela situada nesse ambiente está localizada em um “corredor” entre
meio aos outros apartamentos, tornando o espaço enclausurado em relação ao meio externo,
somente os quartos, salas e ambientes voltados para o nordeste possuem um efeito climático
menos severo em relação aos outros.

Figura 51: Mapa de condicionantes ambientais.

Fonte: PMCG, 2019, alterado pela autora.

5.3 MAPA VIÁRIO

De acordo com o contexto que se insere a HIS, a rua Adão Pereira Nunes é classificada
como via coletora e a rua Miguel Herédia caracterizada como via de circulação, nesta o
67

transporte coletivo com a linha São Pedro x Centro é realizado todos os dias em um intervalo de
uma hora, passando em frente ao conjunto, já Avenida Nelson de Souza Oliveira, funciona como
coletora, ao estar próxima a Rua dos Goytacazes que apresenta semáforos de maneira a controlar
o fluxo, e leva aos habitantes do município até a Ponte Saturnino de Brito, conhecida
popularmente como “Ponte da Lapa”, de forma a atravessar o Rio Paraíba do Sul e deslocar-se
para outro eixo da cidade, com isso podemos constatar que o local estudado está inserido em um
ponto central do município com certa oferta de infraestrutura. A Figura 55, apresenta o local
analisado com suas determinadas vias.
As ruas Miguel Herédia e Adão Pereira Nunes, detêm de comércios situados em sua
extensão, no seu alinhamento, e na antiga Favela Inferno Verde grande parte do perímetro era
ocupado por sobrados com estabelecimentos no térreo das residências, muitas utilizadas como
forma de subsistência, sendo 9 comércios ao total.

Figura 52: Mapa de hierarquia viária.

Fonte: Google Earth, 2019, alterado pela autora.

5.4 PARÂMETROS URBANÍSTICOS

De acordo com o Mapa de Uso e Ocupação do Solo, exposto no site da PMCG, o setor
analisado do projeto está situado em um Setor Especial, esse respectivamente localizado no
Setor Especial de Preservação, a rua Adão Pereira Nunes, definida no Eixo e Comércio e Serviço
1 (ECS-1), estimula de acordo com a lei a trechos como este a construírem comércio local e são
destinados a elaboração de projetos residenciais unifamiliares e multifamiliares, sendo que
dependendo da Zona Residencial (ZR) em que ele está localizado a Taxa de Ocupação (TO) e o
Coeficiente de Aproveitamento do Terreno (CAT).
68

Os parâmetros urbanísticos variam, a ZR 1, a TO é de 2,0 o ZR 2/3 3,0 e o ZR 4 de 3,5,


já o CAT, as porcentagens de acordo com os ZR’s respectivos ficam em 60, 70 e 80%.

Figura 53: Mapa de uso e ocupação do solo.

Fonte: PMCG, 2019, alterado pela autora.

5.5 ENTORNO

O entorno da HIS possui boa infraestrutura, com o trecho estando próximo a bairros
centrais, dispõem de escolas públicas, a Praça da Lapa que eles utilizam, possui comércio dos
mais variados, como padarias, mecânicos, mercearias, muitas residências espalhadas no entorno,
encontra-se próximo a orla do Rio Paraíba do Sul, pontos de transporte público.
Embora esteja localizado em um Setor Especial de Preservação, todo entorno é
construído, estando em contradição com a medidas da Lei de Uso e Ocupação do Solo, a
Habitação de Interesse Social em questão foi construída no governo da ex-prefeita Rosinha
Garotinho e entregue pela atual gestão.

Figura 54: Entorno do Conjunto Habitacional João Batista.

Fonte: Google Earth, elaborado pela autora, 2019.


69

6. ANTEPROJETO

6.1 CONCEITO E PARTIDO

Como início da conceituação do anteprojeto proposto foi pensado no conceito de


integração, integrar espaços com pessoas, essas sendo os moradores do atual Conjunto
Habitacional João Batista, com isso o uso da palavra integração, seria utilizado com múltiplos
significados que pode ser obtido de acordo com determinado contexto, logo o conceito
ultrapassa as barreiras da integração do projeto com o entorno, e passa a ser um projeto que
integra pessoas com os locais do seu uso, de forma que eventualmente possa valorizar a conexão
morador x moradia.
Todo o projeto será moldado em um conjunto de “integrações”. Um dos primeiros
partidos utilizados para este conceito é a realização da associação do entorno com todo o seu
contexto histórico, pois nas diversas visitas realizadas durante o projeto de extensão da UENF
(Políticas Públicas e Espera: ação para preservação e garantia de direitos) os moradores, sempre
retratam uma relação muito forte com a sua identidade local, sendo que em uma dessas conversas
com um dos moradores, foi contado o surgimento da antiga Favela Inferno Verde, hoje a HIS,
que fica no bairro da Lapa, que formou-se de acordo com as chances de trabalho que existiam
na época oriundas da fábrica de tecidos, denominada Cia de Fiação e Tecelagem Campista, tendo
sido inaugurado em 12 de março de 1885, realizada pelo progressista industrial Francisco
Saturnino Braga (MENDONÇA, 2011).
O histórico do surgimento da antiga Favela, por meio da fábrica, traz um dos princípios
para elaboração do espaço dos comércios, (Prometido pela prefeitura na época, não possuindo
construção nem projeto) com a possibilidade da utilização de cores e materiais que remetam o
contexto fabril, buscando obter um caminho de comunicação da época com os dias atuais.

Figura 55: Cia de Fiação e Tecelagem Campista.

Fonte: Instituto Historiar, acessado em 2019.

Figura 56: Torre da Cia de Fiação e Tecelagem Campista.


70

Fonte: Instituto Historiar, acessado em 2019.

Outro aspecto de integração utilizando as pessoas como ponto central para parâmetros
projetuais, são as percepções de necessidades estratégicas através da vivência de campo e os
relatos, com isso, considera-se configurações flexíveis, de modo que possibilitem variados usos
em um mesmo espaço, para que possa ocorrer uma dinamização do local, além disso, oferecer
ambientes para que possa provocar a integração entre os próprios moradores, pois segundo
conversas com algumas pessoas que moram no conjunto, eles se consideram uma família, sendo
assim o projeto proposto poderia desencadear por meio de novos usos melhor fluidez dos
ambientes da área social, que no projeto atual, encontram-se enclausurados.
Dessa forma a implantação receberá usos de integração entre os próprios moradores do
local, com a vivência e história do lugar e o seu entorno.

6.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES

O programa de necessidades deste presente trabalho foi delineado a partir das


percepções do cotidiano presenciado por meio de visitas ao local do projeto e a demandas
expressas durantes conversas com os moradores locais durante a aplicação do questionário.
As varandas foram um quesito em unanimidade de necessidade a todos os habitantes
questionados, a pluralidade de finalidades em relação aos seus usos, podem ser percebidas
durante a permanência no conjunto e foi explicitado por meio de diálogos. A execução de
varandas como instrumento auxiliar do ambiente da área de serviço, foi muito cotado pelos
usuários da habitação, sendo diagnosticada pelos próprios habitantes como extremamente
reduzida, facilmente constatado pela metragem destinada em planta de 1,43 m² de espaço para
essa finalidade, esta que também é conjugada com a cozinha, mais uma aplicação vivenciada é
a utilização da varanda como espaço social, em muitas visitas realizadas foram presenciadas os
moradores usando como ponto de permanência as janelas dos seus quartos como local de
71

“encontro” para conversas com os seus vizinhos, outra questão abordada por eles era a falta de
espaço de armazenamento, pois como falado anteriormente as proporções muito reduzidas,
diminuem a viabilidade de locais para armazenagem.
Com isso, foram descobertas algumas demandas relacionadas à varanda e a sua
flexibilização do seu espaço, por fim serão propostas varandas com layouts flexíveis resultado
em varandas de âmbito social, armazenagem e serviço.

Figura 57: Utilização das grades do residencial como lavanderia.

Fonte: Material do projeto de extensão - Políticas públicas e espera - UENF, 2019.

Um segundo item muito abordado durante todo processo de pesquisa realizado, foi a
situação dos estabelecimentos comerciais, as famílias que moravam na antiga Favela Inferno
Verde, tinham em seus sobrados ou casas térreas, na testada dos seus terrenos pequenos
comércios, utilizados como forma de subsistência por alguns moradores, dessa maneira a
PMCG, na época no governo de Rosinha Garotinho, alocou os proprietários dos
estabelecimentos em alugueis sociais, totalizando 9 propriedades, no dia da inauguração, 20 de
abril de 2018, foi questionado sobre a construção e projeto dos comércios, não obtiveram retorno
concreto, apenas que ainda seriam realizados, porém no projeto cedido pela PMCG, não existe
previsão projetual para esta construção, outras inadequações puderam ser observadas, como o
conforto térmico e lumínico, os ambientes de estar enclausurados possuem pouca iluminação
natural, além disso, os apartamentos são muito quentes.
72

Figura 58: Favela Inferno Verde antes da demolição.

Fonte: Material do projeto de extensão - Políticas públicas e espera - UENF, 2019.

Figura 59: Favela Inferno Verde sobrados com comércios.

Fonte: Material do projeto de extensão - Políticas públicas e espera - UENF, 2019.

Sendo assim, o programa de necessidades obtém:

● Incorporação de varandas aos apartamentos;


○ Varandas com layouts flexíveis (Estar, social e armazenamento);
● Centro comercial;
● Área de contemplação no centro comercial;
● Mini quadra;
● Playground;
● Espaço de reuniões reversível.
73

6.3 IMPLANTAÇÃO

A implantação adotada no projeto consiste em uma proposta de adequação às


necessidades dos moradores, com a identificação do programa de necessidades, foi implantado
uma área comercial, foi realizado uma reformulação do espaço do playground, alocou-se uma
nova quadra e um adaptação do do local delimitado do quiosque.
A utilização do paisagismo é feita de forma crucial, pois o conjunto habitacional possui
todo o seu piso acabado construído com blocos intertravados, sendo assim os espaços
contemplados com paisagismo também possuem a função de proporcionar maior conforto
térmico ao ambiente com arborização de de porte médio e baixo.
A mini quadra foi inserida como espaço de recreação, sendo redimensionada para o
tamanho 5x10 metros, com bancos em volta para possibilitar aos moradores pontos para
descanso, além disso, o quiosque foi reposicionado, com isso os equipamentos existentes foram
realocados para melhor adequação dos espaços para se integrar com o centro comercial, nele o
comércio é criado de maneira modular de modo a otimizar a construção de cada estabelecimento,
proporcionando aos moradores um modo de construção flexível, com isso foram agrupados um
total de 10 lojas, com uma área de contemplação no seu interior.
O centro comercial possui completa privacidade aos habitantes do residencial,
delimitando o espaço em público e privado, através do paisagismo proposto, a maioria das lojas
possuem banheiro para utilização dos funcionários do local. As 4 tipologias se encaixam e dispõe
de dimensões variadas para viabilização do custo para confecção, os comércios que ali existiam
tinham porte pequeno e possuíam variação de segmento, além disso faz referência a tipologia
plástica, com o jogo de cheios e vazios através da proposta modular.
O afastamento frontal utilizado foi de 5 metros, o lateral voltado para a rua Adão Pereira
Nunes de 1,50 metros e o entre blocos (comercial x bloco de apartamentos), de 5,10 metros
contados a partir do dobro do afastamento estipulado pela legislação para vãos secundários
(cozinhas, banheiros e lavanderias) para edificações com 4 pavimentos.
O acesso para os estabelecimentos é realizado por uma rampa, pois a edificação tem uma
elevação de 0,38 metros em seu perímetro, a entrada do local é dotada por um paisagismo
orgânico, além disso, a área de contemplação fica localizada no ponto central, possuindo total
visibilidade para o interior das lojas e o exterior, de forma a convidar as pessoas que estão
passando para entrar no ambiente, para isso, foi proposto a disposição de pontos para descanso
como bancos, para aumento da permanência no espaço.
74

Figura 60: Implantação do Conjunto Habitacional João Batista.

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.


75

Figura 61: Planta baixa centro comercial.

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

6.4 ESTUDO VOLUMÉTRICO

A volumetria inicial da área comercial consistiu para quem vê de fora em um bloco


único, com um grande vazio no centro, de modo a possibilitar maior entrada de luz natural no
espaço e com o paisagismo no ponto central para trazer maior conforto térmico para o local.
A adoção do material a ser utilizado na fachada como o cobogó, remete ao que já tem
construído e provém da indústria ceramista local, incentivando o comércio municipal, o uso do
concreto em sua forma bruta, fazendo uma comunicação com o contexto fabril proposto no
conceito, a paleta de cores voltada para os tons terrosos e cinza, a arborização que traz um frescor
para a contextualização e possibilita uma integração com toda implantação do conjunto
habitacional, unindo os espaços e transformando ele em algo único, para melhor compreensão
que o comércio sempre fez parte da vida daquelas pessoas sendo algo de subsistência para as
famílias que usufruem do lugar.
76

Figura 62: Estudo volumétrico inicial do comércio.

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

Para os blocos de apartamento foram propostos a incorporação de varandas aos quartos


que serão utilizados com diferentes usos, no apartamento de 3 quartos, um dos quartos pode ser
utilizado como quarto reversível com um elemento vazado e uma porta de correr ele faz a
integração dos espaços e promove fluidez até chegar a varanda, de acordo com os resultados do
questionários, o conjunto habitacional não possui adensamento excessivo, sendo que poucas
famílias possuem 5 pessoas no apartamento, colocando um dos quartos com pouca utilização
pelos moradores, dessa forma a integração do 3º quarto ora como extensão da sala, ora como
quarto, traz maior aproveitamento do ambiente, e buscar aumentar a área social, para esta
tipologia de apartamento, fazendo o uso da varanda como um espaço social, que passa a ter uma
conversa com o exterior do próprio conjunto e com a variedade de execução de layouts que está
em desenvolvimento, esta varanda pode criar também o uso de local para armazenamento.
A tipologia de varanda utilizada para o apartamento de 2 quartos, fica na extensão da
cozinha/área de serviço, conseguindo utilizar o local de forma a ampliá-lo, neste caso esta
varanda pode ganhar duas formas de uso que foram observadas, a de armazenagem e a extensão
da área de serviço, os materiais adotados neste local fazem comunicação com os materiais já
utilizados no próprios espaços, pretende-se adotar a estrutura metálica para incorporar as
varandas ao prédio e também remeter ao contexto mais industrial, além disso, a presença do
paisagismo para maior conforto térmico foi adotado em toda a extensão da fachada onde o Sol
está voltado para o poente de forma a amenizar o calor que incide sobre o local, outra medida
adotada para trazer maior conforto para os moradores, foi a adoção da amplificação da janela da
sala aumentando sua altura, em forma de vidro fixo na parte baixa, trazendo maior iluminação.
77

Figura 63: Estudo volumétrico inicial dos prédios, apartamento 3 quartos.

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

Figura 64: Estudo volumétrico inicial dos prédios fachada apartamento 2 quartos.

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.


78

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Desconhecimneto da Lei 11.888/2008 e Suas Consequencias para a Construção da Cidadania.
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79

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