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GRUPO TEMÁTICO

OUTROS SABERES

VISITA PATRIMONIAL
CCBB BH: PAISAGEM
IMATERIAL SENSÍVEL
EIXO PAISAGEM IMATERIAL SENSÍVEL
"Os materiais expressam sua idade e história, além de nos
contar suas origens e seu histórico de uso pelos humanos. Toda
a matéria existe em um continuum temporal; a pátina do
desgaste leva a experiência enriquecedora do tempo aos
materiais de construção” (PALLASMAA, 2011, p. 30). Paisagem
como espaço
que nos toca

Investigar o A paisagem é algo que se


CCBB como revela com a nossa presença
paisagem
Tem cor, forma, som e
temperatura. É o espaço
Como a presença do público formal, é a forma, mas é
revela a paisagem do CCBB paisagem apenas quando
nos toca. É o meio entre o
Trata-se de ultrapassar a fronteira do que eu sinto e o que está ali.
patrimônio material e chegar ao
sensível. Para tanto, não há outra
maneira senão entrar no mundo do
imaterial, dos símbolos, memórias,
significados, narrativas, criatividade,
imaginação e sensorial.
O QUE NOS
TOCA NO
PATRIMÔNIO?

Como a arquitetura pode O EDIFÍCIO A PRAÇA E A


nos ensinar a ver? CIDADE
O trajeto pelo prédio poderia nos
dizer que não só temos um corpo, Durante a visita, convide o
mas somos um corpo? Porque, público a perceber como a
muitas vezes nosso corpo é história da cidade se reflete
excluído da conversa, como se e materializa na arquitetura
fosse um impedimento à “correta" do prédio.
fruição dos espaços?

CARTOGRAFIAS POSSÍVEIS:
FÍSICO SIMBÓLICO SENSÍVEL
Que narrativas o prédio revela
a partir da observação dos
elementos físicos/simbólicos/
sensíveis? Que tipo de
mentalidade da época pode
ser apreendida e em que
medida ela se atualiza hoje?
BELO HORIZONTE:
VALORES DE
PROGRESSO E ORDEM
A Arquitetura é um indício do triunfo UMA “NOVA ESCALA” DE FENÔMENOS

da razão sobre o caos


Intervenções no espaço para a criação
de alamedas arborizadas para passeio,
abertura de novas artérias de
cruzamento; determinação morfológica
da expansão urbana, e em particular,
dos novos bairros burgueses,
administrativos e comerciais.

O modelo foi encontrado na Roma de


Sisto V: o culto do eixo de simetria, do
sistema fechado realizado pelos muros
de construção contínuos, ao longo de
grandes boulevards, as ruas retilíneas
com o foco perspectivo constituído por
um monumento, a acentuada
geometrização do espaço urbano.
UMA
ARQUITETURA
PARA A
BURGUESIA

No princípio da urbanização O Ecletismo era a cultura


de Belo Horizonte a zona arquitetônica própria de uma
urbana - perímetro interno a burguesia que dava primazia ao
Av. 17 de Dezembro - tornou- conforto, amava o progresso, as
se o espaço de moradia dos novidades, mas rebaixava a
privilegiados. Em 1912 68% produção artística e
dos 40 mil habitantes viviam arquitetônica ao nível da moda e
na zona rural e suburbana. do gosto.

Foi a clientela burguesa que


exigiu os grandes progressos
nas instalações técnicas, nos
serviços sanitários; que solicitou
uma evolução rápida nas
tipografias, nas grandes lojas,
nos escritórios, bolsas: tudo em
torno do progresso.
FABRIS, 1993, p. 131.
"A ARTE DA VISÃO TEM OFERECIDO
EDIFICAÇÕES IMPONENTES E INSTIGANTES
MAS NÃO TEM PROMOVIDO A CONEXÃO
HUMANA COM O MUNDO"
Ensinar a ver nesse contexto significa que podemos perceber como a visualidade
influencia nossa corporalidade - a forma como nos colocamos nos espaços.

SEGUNDO PALLASMAA (2011, P. 21):

"O fato de o vocabulário modernista em geral


não ter conseguido penetrar na superfície do
gosto e dos valores populares parece ser
resultado de uma ênfase visual e intelectual
injusta; a arquitetura modernista em geral tem
abrigado o intelecto e os olhos, mas tem deixado
desabrigados nossos corpos e demais sentidos,
bem como nossa memória, imaginação e olhos".
PENSANDO A VISITA
PATRIMONIAL
A partir do eixo Paisagem Imaterial Sensível

A HISTÓRIA SE REVELA A PARTIR DO QUE TIPO DE PRESENÇA O PRÉDIO NOS


OLHARE NÃO O CONTRÁRIO CONVIDA A PERFORMAR EM CADA ESPAÇO?

O pátio pode ser um bom lugar para Os corpos que vêm ao CCBB hoje,
entendermos o tipo de caminhar introduzem novos usos. Convide o
queremos instaurar em nossa visita: visitante a perceber que usos se foram
Um caminhar atento e ao mesmo e que usos chegam junto com sua
tempo disponível. presença.

O pátio é o lugar do caminhar livre, da observação que coleta os primeiros


indícios sobre o que é esse lugar.
PENSANDO A VISITA
PATRIMONIAL
A partir do eixo Paisagem Imaterial Sensível

PARA ALÉM DOS ELEMENTOS A LEI COMO REFERÊNCIA EM TORNO DA QUAL


JÁ CONHECIDOS DO VITRAL TODO O USO DO PRÉDIO É CONSTITUÍDO

Uma imagem nunca é neutra. Que “As grandes obras da arquitetura da


imagens poderíamos escolher, hoje, modernidade retiveram para sempre o
para falar de justiça? Em que medida tempo utópico do otimismo e da esperança;
essas “novas" imagens de justiça se mesmo após décadas elas emanam uma
chocariam com os ideais da época? atmosfera de primavera e
promessa” (PALLASMAA, p. 50)

O vitral é uma superfície sensível que aglutina diversos ideais e simbolismos


que se distribuem pelo prédio.
PENSANDO A VISITA
PATRIMONIAL
A partir do eixo Paisagem Imaterial Sensível

ELEMENTOS FIGURATIVOS X CONTRAPONTO À “IDEOLOGIA DA BELLE


ELEMENTOS ABSTRATOS EPÓQUE”

Se a figuração presente em todo o Importava a criação de um cenário


prédio conta das funções e usos do faustoso, no qual o artefato cultural é um
lugar, como a azulejaria de Athos símbolo funcional e ornamental ao mesmo
Bulcão se contrapõe a isso? Do ponto tempo, desempenhando um "papel
de vista da arte da arte como isso pode cosmético", a cujos anseios responde
ser colocado na visita? plenamente a arquitetura de importação.

Contra a espetacularização do espaço urbano, uma arquitetura que elimina da


sua superfície toda a figuração - uma preocupação formal.
PENSANDO A VISITA
PATRIMONIAL
A partir do eixo Paisagem Imaterial Sensível

SALA DO SECRETÁRIO E SALÃO NOBRE QUAL A CENOGRAFIA DO PODER HOJE?

São os espaços de maior choque: Investigar as impressões do grupo sobre


remetem a uma performance no essa “cenografia do poder” pode oferecer
espaço que divergem radicalmente da material interessante para compararmos
nossa. Salas onde o toque não é com imagens do poder hoje - o que nos
permitido - o que nos leva para a leva para a imaginação como possibilidade
imaginação como possibilidade de de “uso” espaços. Como o “poder” aparece
“uso” espaços. no cotidiano desse grupo?

As “salas" são os lugares onde a história oficial do prédio se impõe.


EM QUE TIPO DE
PARTICIPAÇÃO DO
PÚBLICO PODEMOS
INVESTIR EM UMA VISITA
PATRIMONIAL?

A IDEIA DA PRESENÇA DE
Vemos pouca coisa, trechos somente: UM CORPO
corpos recostados no acostamento de
uma autoestrada, seres que O corpo é o peso que sinto no
atravessam a noite […] Apesar da contato com a materialidade
do mundo. Aquilo que se
escuridão reinante, não são invisíveis,
perde com os media, é a
mas sim ‘parcelas de corporeidade, o peso, o calor,
humanidade'” (DIDI-HUBERMAN, o volume real do corpo
2011, p. 156). (ZUMTHOR, 2018, p. 17).

“A voz viva tem necessidade de


revanche, de ‘tomar a palavra’, como
se diz. Mas essa tomada, apesar de
violenta, poderia realizar-se sob o
aspecto de um discurso social cada
vez mais psicótico, uma esquizo-
oralidade” (ZUMTHOR, 2018, p. 17).
REFERÊNCIAS:

DIDI-HUBERMAN, Georges. A sobrevivência dos vagalumes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
FABRIS, Annateresa. Arquitetura eclética no Brasil: o cenário da modernização. IN: Anais do Museu Paulista. n. 1.
1993.
___ (ORG). Ecletismo na arquitetura brasileira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: 1987.
FREITAS, Marcel de Almeida. A influência italiana na arquitetura de Belo Horizonte. IN: Cadernos de Arquitetura e
Urbanismo, Belo Horizonte, v.14 - n.15 - dez. 2007.
MARCONATTO. Rafael Ferreira. O edifício da prefeitura de Porto Alegre e a materialização dos ideais positivistas.
IN: https://www.uniritter.edu.br/files/sepesq/arquivos_trabalhos_2017/4368/1625/1922.pdf. Acesso em 21 abr 2019.
PALLASMAA, Juhani. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. Porto Alegre: Bookman, 2011.
SOUZA, B. G.; MURGUIA, E. I. Memória e tradição positivista no Brasil: reflexões sobre o processo de elaboração de
um projeto de nação a partir da proclamação da república. IN: XVI Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da
Informação. João Pessoa. Anais… João Pessoa, 2015.
ZUMTHOR, Paul. Performance, percepção, leitura. São Paulo: Ubu Editora, 2018.