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FACULDADES INTEGRADAS DE PATOS

CURSO DE BACHARELADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

CARPEGIANY GOMES DE MEDEIROS

VANESSA BORGES BERTO

ARQUITETURA PARAMÉTRICA: UMA


ANÁLISE SOBRE A NOVA VERTENTE DA
ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA

PATOS-PB

JUNHO, 2019
CARPEGIANY GOMES DE MEDEIROS

VANESSABORGES BERTO

ARQUITETURA PARAMÉTRICA: UMA


ANÁLISE SOBRE A NOVA VERTENTE DA
ARQUITETURA CONTEMPORÂNEA

Trabalho desenvolvido para a Disciplina


de Teoria e História da Arquitetura e
Urbanismo IV, como pré-requisito de
avaliação da terceira unidade, sob a
orientação da Prof.ª Ma. Mariana
Andrade Bezerra.

PATOS-PB

JUNHO, 2019
ARQUITETURA PARAMÉTRICA: UMA ANÁLISE SOBRE A NOVA VERTENTE DA
ARQUITETURA CONTEPORÂNEA
Carpegiany Gomes de Medeiros
Vanessa Borges Berto
Ma. Mariana Andrade Bezerra

Faculdades Integradas de Patos


Curso de Arquitetura e Urbanismo

RESUMO
A partir da expansão do uso de processos computadorizados para o desenvolvimento
gráfico surgiram softwares que possibilitaram a inserção de dados que influenciam
diretamente na forma arquitetônica das construções. Denominada de Parametricismo
por um dos arquitetos que utilizam desse método projetual, a arquitetura paramétrica
torna a forma arquitetônica dependente de fatores externos, além disso, a inserção de
parâmetros possibilita que o projeto de urbanismo contemporâneo seja dinâmico e
fluido como o crescimento e comportamento das cidades. Por se tratar de um estilo
arquitetônico pouco explorado teoricamente esse artigo tem por objetivo fazer uma
análise dessa nova vertente da arquitetura contemporânea fazendo uma exploração
do surgimento e expansão do movimento além de elencar obras e seus
desenvolvimentos projetuais, por ultimo uma breve descrição de alguns softwares que
torna possível o domínio da concepção projetual paramétrica.

PALAVRAS CHAVE: Parametricismo; software; arquitetura contemporânea;


urbanismo paramétrico.
1 INTRODUÇÃO

Segundo Veloso, Sheeren e Vasconcelos (2017) o design paramétrico é gerado


a partir de processos computadorizados e ganha cada vez mais espaço na arquitetura
contemporânea, porém, este exige um domínio técnico que norteia os modos e
concepções projetuais.
Assim como dito por Woodbury (2010), o movimento arquitetônico com base
algorítmica teve ideologia iniciada na década de 1980 nos Estados Unidos, porém só
ganhou expansão territorial alcançando diversas partes do mundo recentemente na
década de 2000 e 2010 com grandes nomes da arquitetura contemporânea utilizando
do princípio paramétrico para concepções arquitetônicas.
Zaha Hadid e Patrick Schumacher são exemplos de arquitetos que utilizam ou
utilizaram técnicas projetuais arquitetônicas com base em algoritmos. Schumacher
(2009) define essa nova possibilidade de projetos com base em parâmetros inseridos
em formato algorítmico como um novo estilo arquitetônico, o Parametricismo1,
comumente chamado de Arquitetura Paramétrica.
A utilização de softwares paramétricos pode ampliar o campo de possibilidades
formais da arquitetura através da manipulação de relações, engendrando geometrias
flexíveis e associativas que não são soluções fixas (KOLAREVIC, 2005, p. 149).
Assim, a expressão projetual paramétrica não tem um carácter específico ditado por
um modo de projetar e sim é o resultado da combinação de diversos parâmetros
definidos por meio da inserção de dados algorítmicos.
Segundo Woodbury (2010, p. 22), diferentemente do método convencional de
design, a definição de relações exige um esforço inicial para se estabelecer a lógica
do conjunto e se explicitar as ideias através de notações formais. Para um melhor
entendimento da definição de Arquitetura Paramétrica, Veloso, Sheeren e
Vasconcelos (2017) conceituam como a forma de projetar a partir de novas
tecnologias que auxiliam na definição do conceito arquitetônico.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento desde trabalho tem
característica exploratória por meio de pesquisa bibliográfica que, segundo Gil (2008,
p.50), é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído de livros e artigos
científicos.

1 Neologismo derivado da tradução espontânea do inglês Parametricism.


Por se tratar de um movimento pouco explorado teoricamente, o objetivo deste
é a exploração de uma nova característica arquitetônica associada à tecnologia que,
traduz uma experiência arquitetônica mais humanizada e com forte característica.

2 METODOLOGIA

Conforme Prodanov e Freitas (2013, p. 126) “método científico é o conjunto de


processos ou operações mentais que devemos empregar na investigação. É a linha
de raciocínio adotada no processo de pesquisa”. A metodologia utilizada para o
desenvolvimento do presente trabalho é de caráter exploratório por meio de análise
bibliográfica a qual, segundo Gil (2008, p.50), é desenvolvida a partir de material já
elaborado, constituído de livros e artigos científicos.

Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em


contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos
são ciências. Dessas afirmações podemos concluir que a utilização de
métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência, mas não há ciência
sem o emprego de métodos científicos (MARCONI; LAKATOS, 2003. P. 83).

O presente estudo foi feito por meio dos métodos indutivos, através da coleta
de dados tendo como base em pesquisas bibliográficas e documentais, encontradas
em artigos e manuais. Para o seu desenvolvimento, parte das informações foram
coletadas na internet e em manuais, para que desta forma propicie um melhor
conhecimento sobre o tema abordado.
Para sua estruturação usou-se livros sobre metodologia e pesquisa, e por meio
destes, fez-se um levantamento bibliográfico com fins de analisar o assunto e
esquematiza-lo para que se tenha uma melhor compreensão do mesmo. O uso de
dados nas áreas da arquitetura, urbanismo e de modelagem tridimensional por meio
de softwares foram de fundamental importância, já que contém itens que estão
diretamente relacionados.
Os dados coletados foram analisados e selecionados de acordo com seu nível
de contribuição para a pesquisa. A abordagem e o tipo de pesquisa utilizada foram a
qualitativa. Todas as informações foram obtidas de documentos e outros dados
previamente disponíveis.
3 CONTEXTO HISTÓRICO

De acordo com Eastman (2011) na metade da década de 1970 os softwares


Computer Aided Design (CAD) possuíam uma interface para desenvolvimento gráfico
simples, permitindo apenas a inserção de linhas e textos dividas em camadas. Logo
após, foram inclusos nova possibilidades como a inserção da terceira dimensão e
também se tornou possível a inserção de dados não gráficos como por exemplo o
custo de determinado material, com isso os programas passaram a ser chamados de
sistema CADD (Computer Aided Design and Drafting).
O uso de ferramentas computacionais que permitam a inserção de parâmetros
para concepção projetual surgiu na década de 1980, primeiramente utilizadas pela
indústria naval e automobilística para auxiliar a produção, tornando possível a
construção de um projeto, reinventando a forma de projetar e fabricar novos produtos.
O design paramétrico permite a projeção de um produto em modo virtual e a partir
desse modelo torna se possível a extração de dados necessários para a sua
fabricação (KOLAVERIC, 2003, p. 10).
Com a popularização do design computacional e novas metodologias projetuais
a designação arquitetura paramétrica passou a ser conhecida no meio arquitetônico.
Porém, apesar de largamente conhecido, o projeto paramétrico ainda é pouco
utilizado entre os arquitetos (KOLAVERIC, 2003). Só a partir da expansão da
variedade de softwares possibilitou-se a larga difusão da arquitetura paramétrica, com
os softwares Building Information Modeling (BIM) tendo principal função no que diz
respeito a inserção da parametrização pelos profissionais da arquitetura.
Nos sistemas BIM é possivel que as informações paramétricas sejam utilizadas
para tomada de decisão, desenvolvimento de plantas técnicas, análise de
desempenho, planejamento da obra e seus futuros custos. Assim, o modelo virtual
passou a ser um fator determinante na concepção de um projeto arquitetônico
tornando-se fonte primitiva de toda informação de construção sobre o projeto
(KYRGIEL e BRADLEY, 2008, p.30).
Então, arquitetura paramétrica tem surgimento em função da aproximação da
arquitetura e as ferramentas tecnológicas de desenho paramétrico. Essas ferramentas
transformaram as representações do desenho arquitetônico, partindo das formas
geométricas concisas e permanentes para modelos abstratos e alteráveis, tendo em
vista que na concepção paramétrica valoriza-se mais os parâmetros inseridos e
menos a forma, ou seja, esses parâmetros a serem inseridos são o fator que
determinam o objeto resultado (KOLAREVI, 2000). Kolatan (2006) ainda considera
que um dos fatores que torna os softwares paramétricos vantajosos é a capacidade
de transformar o projeto durante todo o processo de desenho, no momento em que
são inseridos novos parâmetros todo o projeto é atualizado de forma instantânea.
Segundo Woodbury (2010) os elementos necessários para que se projete nos
moldes da arquitetura paramétrica são divididos em quatro (4) conceitos, definidos
pelo autor como modelagem paramétrica, geometria, programação e padrões. A
modelagem paramétrica requer que de início o projetista estabeleça parâmetros nos
quais diferentes partes do projeto se conectem, assim, facilitará a manipulação dos
resultados produzidos, o próprio sistema se encarrega de armazenar essas
informações aumentando a possibilidade de ideias. A geometria é um conjunto de
diversas ferramentas podendo se expressar pela variedade de algoritmos. A
programação seria a forma de linguagem onde os algoritmos seriam inseridos. Por
último, o padrão é o resultado do recurso genérico para um problema descrito.
De acordo com Lee (2015), Zaha Hadid e Patrick Schumacher, parceiro de
Zaha Hadid (escritório Zaha Hadid Archtects), nos seus anos primordiais utilizaram-
se da arquitetura paramétrica como fonte principal para a concepção de seus projetos.
Schumacher, aliás, foi o primeiro a usar a nomenclatura Arquitetura Paramétrica em
seu manifesto de 2009, “o parametricismo surge da exploração criativa do sistema de
design paramétrico”2 (SCHUMACHER, 2009).
A Arquitetura Paramétrica é tida como estilo arquitetônico por Shumacher como
o movimento sucessor do estilo modernista da segunda metade do século XX como
uma vertente da Arquitetura Contemporânea, pretendendo ser o auge da prática
contemporânea (SCHUMACHER, 2009).

4 URBANISMO PARAMÉTRICO

Além da utilização do design paramétrico para a concepção projetual de


edifícios, Zaha Hadid e Patrick Shumacher, ainda utilizaram o desenho paramétrico
em uma série de projetos de urbanismo que futuramente seria nomeado de urbanismo
paramétrico. O urbanismo paramétrico tem por finalidade explorar a diferenciação das

2“Parametricism emerges from the creative exploitation of parametric design systems” (Schumacher,
2009)
formas geométricas utilizando novas técnicas de deformação, normalmente através
de formas orgânicas complexas.
Os sistemas paramétricos, ao contrário dos sistemas tradicionais de desenho
digital, tornam possível a alteração do modelo durante todo o processo de design,
além de permitir reproduzir uma “grande quantidade de versões dentro de um
ambiente controlado de design a partir da simples mudança de valores de um
parâmetro específico” (SILVA; AMORIM, 2009, p. 10).
Um projeto de urbanismo paramétrico que se destaca dentre os projetos do
escritório de Zaha Hadid (Zaha Hadid Archtects) é o plano do distrito de Kartal-Pendik,
localizado na cidade de Istambul na Turquia. O objetivo do projeto é constituir um novo
centro, desafogando o núcleo histórico da cidade (SCHUMACHER, 2009).
Muitos dos arquitetos ligados à parametrização defendem que o estilo tem mais
potencialidade quando utilizado para o planejamento urbano. Pode-se afirmar que o
desenvolvimento atual de projetos de urbanismo tem uma moldagem restrita e
imutável no processo de desenvolvimento de soluções, assim, a parametrização torna
esse processo mais fluido e manipulável, atrelando as soluções projetuais às
mudanças constantes do desenvolvimento urbano, desse modo possibilitando
diminuir a probabilidade de falhas no estudo urbanístico (NAGGY, 2009).
Michael Batty também defende essa argumentação quando coloca que pode
ser prejudicial a criação de planos urbanos definitivos e ainda completa elencando os
problemas do desenho das cidades do século XX, que são incapazes de resolver os
problemas do espaço urbano (BATTY, 2011). Batty ainda defende que os problemas
do planejamento urbano tradicional estão na procura do equilíbrio, quando é notório
que o desenvolvimento das cidades tem uma característica desequilibrada, em sua
defesa do crescimento orgânico e natural, o autor ainda destaca uma abordagem mais
realista tratando do desenvolvimento das mesmas.
Nunes (2007) destaca que a capacidade de se adaptar o projeto urbano tanto
na concepção quanto na sua realização é ideia da parametrização, na qual, recorre a
meios digitais para idealizar o projeto urbano sendo possível a sua alteração em
qualquer momento de seu desenvolvimento.
5 OBRAS ARQUITETONICAS REFERÊNCIAS DO PARAMETRICISMO

Inúmeros edifícios já foram projetados com base no parametricismo e podem


ser analisados para que se possa verificar a aplicação do design paramétrico para a
sua concepção arquitetônica. Diante disto, duas obras foram selecionadas para que
se possa entender como foi aplicado o parametricismo na definição do seu formato e
suas curvas.
As obras selecionadas foram o Museu Guggenhein em Bilbao projetado pelo
arquiteto Frank O. Gehry e o Nationale-Nederlanden Building do mesmo arquiteto
situado na cidade de Praga. Foi realizada uma breve análise de como foram
desenvolvidos os projetos e quais softwares e parâmetros base utilizados.

5.1 Museu Guggenheim de Bilbao

O Museu Guggenheim de Bilbao foi projetado pelo arquiteto Frank O. Gehry


em 1991, quando o mesmo ganha um concurso realizado na cidade de Bilbao.
Localizado na Espanha ao longo do rio Nervión, em um bairro que possui diversas
instituições culturais, o museu é tido como a peça chave da revitalização econômica
e urbana da cidade (Figura 01). O projeto tinha a intensão de ter sucesso instantâneo
de público e, com isso, rápido retorno financeiro. Para este fim, concebeu-se um
edifício icônico (iconic building3), e após a construção do Guggenhein deu-se início ao
“Efeito Bilbao” que é a proliferação de edificações contemplativas (POLONINI, 2014)
(ALMEIDA, 2012).

Figura 01. Museu Guggenheim de Bilbao: vista a partir do rio

Fonte: KOLAREVIC, 2003, p.75.

3 Termo criado por Charles Jenks no “Iconic building – The power of enigma” (2005)
O formato curvo devido a derivação de volumes prismáticos é característico das
obras do escritório de Gehry, o estudo inicial da volumetria do Museu foi feito por meio
de caixas de papel que foram deformadas. Por meio do estudo de volumetria com
maquete física, desenvolveram-se dados da construção superficial que foram
inseridos no programa de modelagem paramétrica CATIA da Dassaut Systemes4, o
qual era um software de modelagem em 3D de produtos aeronáuticos. Gehry usa a
curvatura de Gauss por meio de análise computacional como parâmetro de validar a
moldagem (Figura 02). A construção e manutenção de suas formas não convencionais
deve-se ao uso de recurso de fabricação digital e ao seu projeto estrutural que foi
produzido do exterior para o interior da edificação (POLONINI, 2014) (ALMEIDA,
2012).

Figura 02. Museu Guggenheim de Bilbao: análise da curvatura gaussiana das superfícies

Fonte: SHELDEN, 2002, p.198.

A partir dos estudos desenvolvidos no software, obteve-se como resultado a


sobreposição e justaposição de aproximadamente 21 volumes com tamanhos e
formatos diversos e todos estes volumes possuem um centro comum, que é o átrio do

4
Empresa de sociedade anônima francesa, líder mundial na criação de softwares de desenho em 3D,
prototipagem em 3D e soluções para product lifecycle management.
museu. Como os volumes não conseguem ser identificados isoladamente, o projeto
apresenta certa dificuldade de interpretação visual de suas formas, porque as mesmas
diferem-se dos volumes clássicos da geometria, no entanto, dois grandes volumes
conseguem ter destaque na obra, um sendo linear e o outro curvo. (POLONINI, 2014).

5.2 Nationale-Nederlanden Building

O Nationale-Nederlanden Building projetado pelo arquiteto Frank O. Gehry em


cooperação com Vlado Milunic em 1992, também conhecido como Dancing Building
localizado na cidade de Praga na República Tcheca.
A sua forma é composta por três elementos: um bloco e duas torres diferentes
entre si (Figura 03). O bloco principal ocupa quase todo o lote e tem formato
tradicional, reservando um espaço periférico para as duas torres na esquina do
terreno. As duas torres diferem-se entre si, pois, uma é feita em concreto e a outra por
uma cortina de vidro e um formato irregular e sinuoso de modo que suas extremidades
são mais largas enquanto o meio da torre é mais estreito (POLONINI, 2014)
(MARTINS, 2015).
Figura 03. Nationale-Nederlanden Building: vista da fachada e suas duas torres

Fonte: NATIONALE..., 2003, p.91.


O volume da segunda torre, por ter curvas complexas, e o proprietário não
aceitar a instalação de uma malha metálica como fachada, tornou complicada a
execução do projeto, para auxiliar no desenvolvimento do projeto fizeram uso do
software de modelagem tridimensional CATIA (Figura 04) e para fabricar partes do
edifício usufruiu-se do Computer-Aided Design (CAD) e Computer-Aided
manufacturing (CAM). De modo, que os painéis de vidro não padronizados da torre
foram produzidos por modelagem computacional e com máquinas de corte a lazer
(POLONINI, 2014) (MARTINS, 2015).

Figura 04. Nationale-Nederlanden Building: modelo geométrico no CATIA

Fonte: RAGHEB, 2001, p.177.

Para a construção do edifício foram utilizadas apenas tecnologias de fabricação


Digital para que fosse possível a produção das estruturas irregulares de vidro da torre
Ginger a partir de modelos computacionais (KOLAREVIC, 2003).

6 TECNOLOGIA UTILIZADA

Um dos primeiros softwares CAD para desenvolvimento projetual paramétrico


que se tem registros foi o Sketchpad, desenvolvido por Ivan Sutherland em 1963 e
que tinha como princípio a manipulação de produtos digitais que modificassem
automaticamente o resultado final. Como definido por Woodbury (2010, p.22), o
Parametricismo é um método não convencional em que a geometria final é definida
através de parâmetros. Derivados do Sketchpad surgiram em grandes variações, a
partir de então o Rhinoceros ganha destaque quando associado a diversos outro plug-
ins como o Grasshoper 3D e o Ladybug.

6.1 Rhinoceros

O Rhinoceros teve seu desenvolvimento criado a partir da necessidade de


modelos computadorizados que permitissem o desenho de curvas complexas, mas
precisamente falando sobre o design feito por engenheiros mecânicos para a
concepção de formas singular para o bom desempenho de uma aeronave. Essa
tecnologia que faz uso de curvas é denominada de Non Uniformal Rational Bass
Spline (NURBS), datada da década de 1950, e faz uso de representações
matemáticas para o desenvolvimento de superfícies curvas complexas. A grande
vantagem dessa tecnologia é a facilidade do controle da forma a partir de dois pontos,
pesos e nós referenciados que permite gerar inúmeras geometrias de formas
complexas (Figura 05) (KOLAREVIC, 2009).

Figura 05. Figura curva derivada de um conjunto de arcos.

Fonte: KOLAREVIC, 2009


O rhinoceros tronou-se então um plug-in para o AutoCAD em meados da
década de 1980. Devido à alta demanda passou a ser software independente podendo
ser usados em diversas áreas que utilizem de modelagem em três dimensões.

6.2 Grasshoper 3D

O Grasshoper 3D (GH) foi criado em 2007 pelo programador David Rutten e,


assim como diversos outros softwares, ainda não possui versão final, continua em
desenvolvimento para o aprimoramento (MCCULLOUGH, 2006). O GH é um plug-in5
utilizado na plataforma Rinocheros, portanto só funcional com o uso desse programa,
não há possibilidade de uso independente, possui o objetivo de acrescentar
funcionalidades específicas a um programa (WOODBURY, 2010).
O GH produz um conjunto de instruções (roteiro) para a modelagem e não a
geometria em si, esse roteiro é armazenado em um arquivo específico do plug-in,
denominado Definition (Figura 06). As formas criadas pelo GH podem ser vistas no
Rinocheros não podendo ser manipulada por outras ferramentas do próprio
Rinocheros, ou seja, não há como fazer uma manipulação direta, mas sim uma
manipulação indireta a partir da introdução de novos parâmetros no roteiro do GH,
assim, a forma final irá muda automaticamente para visualização no Rinocheros.

Figura 06. Grasshoper 3D: Roteiro e forma.

Fonte: Seth Moczydlowski

5
Plug-in é um pequeno programa que usa os recursos de um programa maior e normalmente oferece
personalização ou recursos adicionais (HENDERSON, 2009, p. 374).
Segundo Tedeschi (2015) a abordagem algorítmica percebe a construção de
modelos geométricos como um algoritmo, ou seja, um problema que será resolvido
pela inserção de uma sequência de instruções na entrada de dados inicial (input),
desde modo irá gerar uma forma como resultado, denominada de dados de saída
(output).

6.3 Ladybug

Apesar de uma enorme variedade de plug-ins disponíveis para o Grasshopper,


o Ladybug ganha destaque por ser uma boa ferramenta de análise ambiental, que
permite a leitura de dados climatológicos disponíveis em formato epw. disponibilizados
no banco de dados do site EnergyPlus. Por dispor de uma interface interativa o plug-
in facilita a interpretação das análises feitas, além de representar diretamente os
resultados no modelo 3D. (ROUDSARI et al, 2013).
Ainda segundo o autor, o Ladybug possibilita estudos de radiação solar,
incidência solar na edificação e seus efeitos. As análises de radiação solar podem ser
feitas de três distintas maneiras, sendo elas Tragenza Sky Dome, Radiation Rose e
Radiation CallaLily. O primeiro desses citados, Trangenza Sky Dome (Figura 07)
mostra dados das condições do céu em qualquer período do ano selecionado, porém
não associa os dados ao modelo 3D.

Figura 07. Ladybug: Imagem gráfica do Trangenza Sky Dome.

Fonte: ROUDSARI et al, 2013, p. 3130.

O Radiation Rose (Figura 08) propicia a intensidade da radiação em


relação a orientação, pode-se mudar o ângulo azimutal, o período e o resultado a ser
apresentado, que também é apenas representado em modelo de duas dimensões
(ROUDSARI et al, 2013).

Figura 08. Ladybug: Imagem gráfica do Radiation Rose.

Fonte: ROUDSARI et al, 2013, p. 3130.

O terceiro e ultimo estudo de radiação, Radiation CallaLily (Figura 09), associa


diretamente o resultado com as superfícies do modelo 3D em qualquer ângulo,
possibilitando a visualização da relação dos dados do estudo de radiação diretamente
na geometria.

Figura 08. Ladybug: Imagem gráfica do Radiation CallaLily.

Fonte: ROUDSARI et al, 2013, p. 3131.

O Ladybug ainda possibilita estudos de orientação possibilitando a análise da


quantidade de radiação recebida nas fachadas do edifício e a quantidade de horas
que aquela fachada ficará recebendo incidência solar direta. Também é possível
analisar o percurso do sol e criar conexões com as condições climáticas (ROUDSARI
et al, 2013). Isso simplifica o processo de análise e automatiza os cálculos,
proporcionando fácil entendimento das visualizações gráficas na interface de
modelagem 3D do Grasshoper.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar das limitações para a concepção do projeto arquitetônico paramétrico,


tendo em vista a necessidade do suporte técnico para o domínio de softwares que
possibilitem a inserção de algoritmos, o Parametricismo ganha cada vez mais espaço
na arquitetura contemporânea.
Como analisado, o design paramétrico não só pode ser utilizado na concepção
de edifícios como também no planejamento urbano moderno, destoando dos ideais
do urbanismo moderno e tornando possível mudanças projetuais de acordo com o
avanço e mudanças ocorridas nos centros urbanos.
O uso de parâmetros para o desenvolvimento de um projeto arquitetônico tem
ainda muito a ser evoluído, a lógica algorítmica ainda deixa de lado alguns parâmetros
importantes que podem ser inseridos em estudos futuros como por exemplo estudos
de parâmetros sociais e históricos que ainda não são considerados quando se trata
apenas de design de edificações.
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