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Concurso de Crimes

Reabilitação

Medida de Segurança

Extinção da Punibilidade

Prof. Priscila Silveira

Concurso de Crimes Reabilitação Medida de Segurança Extinção da Punibilidade Prof. Priscila Silveira
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Concurso de Crimes
Concurso de
Crimes
Concurso de Crimes
A MATÉRIA É DISCIPLINADA NOS BRASILEIRO. ARTIGOS 69 A 76 DO CÓDIGO PENAL
A MATÉRIA É DISCIPLINADA NOS
BRASILEIRO.
ARTIGOS
69
A
76
DO
CÓDIGO
PENAL

Conceito: Concurso de crimes é o instituto que se verifica quando o agente, mediante uma ou várias condutas, pratica duas ou mais infrações penais. Pode existir, portanto, unidade ou pluralidade de condutas. Sempre serão cometidas, contudo, duas ou mais infrações penais.

Sistemas de aplicação da pena no concurso de crimes: Destacam-se, no Brasil, três sistemas de aplicação da pena: cúmulo material, exasperação e absorção.

Pelo sistema do cúmulo material, aplica-se ao réu o somatório das penas de cada

uma das infrações penais pelas quais foi condenado. Esse sistema foi adotado em relação ao concurso material(art. 69 do CP), ao concurso formal imperfeito ou

impróprio(art. 70,caput, 2ª parte, do CP), e, pelo texto da lei, ao concurso das

penas de multa(art. 72 do CP). De acordo com o sistema da exasperação,

do CP), e, pelo texto da lei, ao concurso das penas de multa(art. 72 do CP).

aplica-se somente a pena da infração penal mais grave praticada pelo agente, aumentada de determinado percentual. É o sistema acolhido em relação ao concurso formal próprio ou perfeito(art. 70,caput, 1ª parte, do CP) e ao crime continuado(art. 71 do CP). Já pelo sistema da absorção, aplica-se exclusivamente a pena da infração penal mais grave, dentre as diversas praticadas pelo agente, sem qualquer aumento. Esse sistema foi consagrado pela jurisprudência em relação aos crimes falimentares praticados pelo falido, sob a égide do Decreto-lei 7.661/1945, em virtude do princípio da unidade ou unicidade dos crimes falimentares. Isso, porém, não impedia o concurso material ou formal entre um crime falimentar e outro delito comum. Com a entrada em vigor da Lei 11.101/2005 (nova Lei de Falências), a situação deve ser mantida, mas ainda não há jurisprudência consolidada sobre o assunto.

(nova Lei de Falências), a situação deve ser mantida, mas ainda não há jurisprudência consolidada sobre
Espécies: O concurso de crimes pode se manifestar sob três formas: concurso material, concurso formal

Espécies: O concurso de crimes pode se manifestar sob três formas: concurso material, concurso formal e crime continuado.

concurso material, concurso formal e crime continuado. Concurso material: Caracteriza o concurso material a

Concurso material: Caracteriza o concurso material a prática de dois ou mais crimes através de mais de uma ação ou omissão. Previsto no artigo 69 do CP.

Também chamado na doutrina por concurso real ou cúmulo material.

Pode ser:

I - Homogêneo: Quando os crimes forem da mesma natureza. Ex.: Vários furtos

II - Heterogêneo: Quando os crimes forem de natureza diversa. Furto de um automóvel e atropelamento de um pedestre.

O juiz deve individualizar a pena fixada para cada um dos delitos, somando as penas ao final.

de um pedestre. O juiz deve individualizar a pena fixada para cada um dos delitos, somando
Concurso formal: Base legal – artigo 70 do CP: Caracteriza-se quando o agente pratica dois

Concurso formal: Base legal artigo 70 do CP: Caracteriza-se quando o agente

pratica dois ou mais crimes, mediante uma só ação ou omissão, embora resultem dois ou mais delitos.

É também denominado concurso ideal ou intelectual. Reconhecido o concurso formal, aplica-se a pena mais grave, ou, se iguais, somente uma delas, aumentada de um sexto até metade.

somente uma delas, aumentada de um sexto até metade. Concurso formal perfeito ou próprio (art. 70,

Concurso formal perfeito ou próprio (art. 70, caput, 1ª parte, CP): O agente não atua com desígnios autônomos. Por exemplo, em um acidente de trânsito, um motorista causa, culposamente, a morte de três pessoas. Adota-se o sistema da exasperação, aplicando-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade.

mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. Concurso formal imperfeito: É definido na

Concurso formal imperfeito: É definido na segunda parte do artigo 70 do CP: Ocorre o concurso formal imperfeito quando o agente, mesmo com uma só ação, tinha desígnios autônomos, ou seja, pretendia mais de um resultado. A pena é aplicada cumulativamente.

uma só ação, tinha desígnios autônomos, ou seja, pretendia mais de um resultado. A pena é
Crime continuado: É chamado, também, continuidade delitiva. Vem expresso no artigo 71 do CP. Ocorre

Crime continuado: É chamado, também, continuidade delitiva. Vem expresso no artigo 71 do CP. Ocorre quando o agente, através de mais de uma conduta, comete dois ou mais delitos da mesma espécie, idênticos ou não.

dois ou mais delitos da mesma espécie, idênticos ou não. Da mesma espécie: São os delitos

Da mesma espécie: São os delitos que se assemelham por idênticos elementos objetivos e subjetivos.

assemelham por idênticos elementos objetivos e subjetivos. Requisitos: - Pluralidade de crimes da mesma espécie:
Requisitos:
Requisitos:

- Pluralidade de crimes da mesma espécie: conforme a jurisprudência dos Tribunais Superiores, todos os delitos devem estar previstos no mesmo tipo penal. - Condições objetivas semelhantes de tempo, lugar e maneira de execução. De

semelhantes de tempo, lugar e maneira de execução. De acordo com a jurisprudência: a) conexão temporal:

acordo com a jurisprudência:

a)

conexão temporal: até 30 dias entre um crime e outro;

 

b)

conexão

local:

mesma

cidade

ou

cidades

vizinhas

na

mesma

região

metropolitana;

c) conexão modal: mesmo modus operandi.

metropolitana; c) conexão modal: mesmo modus operandi. - Unidade de desígnio: conforme o STF e o

- Unidade de desígnio: conforme o STF e o STJ, há necessidade de liame subjetivo entre os eventos.

Aplica-se a pena de um só deles, se idênticos, ou a mais grave, se diferentes,

aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dos terços.

de um só deles, se idênticos, ou a mais grave, se diferentes, aumentada, em qualquer caso,

STJ AgRg no REsp 1629450, Dje 4-10-2017

“De acordo com a Teoria Mista, adotada pelo

Código Penal, mostra-se imprescindível, para

a aplicação da regra do crime continuado, o preenchimento de requisitos não apenas de

ordem subjetiva mesmas condições de

tempo, lugar e forma de execução como também de ordem subjetiva unidade de desígnios ou vínculo subjetivo entre os eventos”.

execução – como também de ordem subjetiva – unidade de desígnios ou vínculo subjetivo entre os
Do crime continuado específico: Encontra-se expresso no parágrafo único do artigo 71 do CP. Além

Do crime continuado específico: Encontra-se expresso no parágrafo único do artigo 71 do CP.

Além de todos os requisitos do crime continuado comum, exige três outras

condições:

- Que os crimes sejam dolosos;

- Que sejam praticados contra vítimas diferentes;

- Que ocorra grave ameaça ou violência à pessoa.

Erro na execução (aberratio ictus):
Erro na execução (aberratio ictus):

Conceito: É o desvio no ataque quanto à pessoa-objeto‖ do crime. Não altera o nomen júris do crime.

objeto‖ do crime. Não altera o nomen júris do crime. Base legal: artigo 73 do CP.

Base legal: artigo 73 do CP.

Tipos de aberratio ictus:

Aberratio com resultado único chamada de unidade simples. 1ª Parte do artigo 73;

Aberratio com resultado duplo chamada de unidade complexa 2ª parte do

artigo 73 do CP.

do artigo 73; • Aberratio com resultado duplo – chamada de unidade complexa – 2ª parte
Resultado diverso do pretendido: Também chamado de aberratio criminis ou aberratio delicti: trata-se do desvio

Resultado diverso do pretendido: Também chamado de aberratio criminis ou aberratio delicti: trata-se do desvio do crime, ou seja, do objeto jurídico do delito.

Base Legal: artigo 74 do CP.

Limites das penas:
Limites das penas:

Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 30 (trinta) anos. § 1º - Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 30 (trinta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. § 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido

Obs.: não há impedimento que o agente de vários delitos possa receber uma condenação superior a 30 anos.

Esse limite só se refere ao tempo de cumprimento de pena, não podendo servir de base para cálculo de outros benefícios, como livramento condicional e progressão de regime.

não podendo servir de base para cálculo de outros benefícios, como livramento condicional e progressão de

Nesse sentido é a súmula nº 715 do STF: “a pena unificada para atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do

Código Penal, não é considerada para a concessão de outros benefícios,

como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução”.

para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução”
Reabilitação
Reabilitação
Reabilitação
REABILITAÇÃO:
REABILITAÇÃO:
Base legal:
Base legal:

I-

II - Código de Processo Penal - arts. 743 a 750; III - Código Penal Militar - art. 134; IV- LEP - art. 202;

Código Penal - artigos 93 a 95;

DA REABILITAÇÃO – ARTS. 93 A 95 DO CP – ARTS. 743 A 750 DO
DA REABILITAÇÃO – ARTS. 93 A 95 DO CP – ARTS. 743 A 750 DO CPP

Conceito:

―É a declaração judicial de reinserção do sentenciado ao gozo de determinados

direitos que foram atingidos pela condenação‖. ( NUCCI ) ―É a medida de Política Criminal consistente na restauração da dignidade social e na reintegração no exercício de direitos, interesses e deveres, sacrificados pela condenação‖ .( REALE e DOTTI ).

―É o instituto por meio do qual o condenado tem assegurado o sigilo sobre os

registros acerca do processo e de sua condenação, podendo, ainda, por meio dele, readquirir o exercício de direitos interditados pela sentença condenatória‖.( NEY MOURA TELES ). ―É a declaração judicial de que estão cumpridas ou extintas as penas impostas ao sentenciado, que assegura o sigilo dos registros sobre o processo e atinge outros efeitos da condenação‖. (MIRABETE).

que assegura o sigilo dos registros sobre o processo e atinge outros efeitos da condenação‖ .

―É a reintegração do condenado no exercício dos direitos atingidos pela sentença‖ (DAMÁSIO). ―É declaração judicial de que o condenado se regenerou e é, por isso, restituído à condição anterior à sua condenação‖. (CELSO DELMANTO)

anterior à sua condenação‖ . (CELSO DELMANTO) METAS PRINCIPAIS: Garantia de sigilo dos registros sobre o

METAS PRINCIPAIS: Garantia de sigilo dos registros sobre o processo e a condenação do sentenciado;

Esse sigilo já existe, ensina ALBERTO SILVA FRANCO

Art,. 202 da LEP Cumprida ou extinta a pena, não constarão da folha corrida, atestados ou certidões fornecidas por autoridade policial ou por auxiliares da Justiça, qualquer notícia ou referência à condenação, salvo para instruir processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos em lei”

Proporcionar a recuperação de direitos perdidos por conta dos efeitos da condenação.

de direitos perdidos por conta dos efeitos da condenação. PRAZO PARA SER REQUERIDA: pode ser requerida

PRAZO PARA SER REQUERIDA: pode ser requerida 2 anos após a extinção ou

término da pena, incluindo nesse período o prazo do sursis ou do livramento condicional se não houver revogação.

ou do livramento condicional se não houver revogação. REABILITAÇÃO EM PORÇÕES: Inadmissibilidade. Deve,

REABILITAÇÃO EM PORÇÕES: Inadmissibilidade. Deve, primeiro, cumprir todas as penas e somente depois pedir a reabilitação.

EM PORÇÕES: Inadmissibilidade. Deve, primeiro, cumprir todas as penas e somente depois pedir a reabilitação.
nos termos do artigo 743 do CPP. COMPETÊNCIA PARA A CONCESSÃO DE REABILITAÇÃO: É do

nos termos do artigo 743 do CPP.

COMPETÊNCIA PARA A CONCESSÃO DE REABILITAÇÃO: É do juiz da condenação,

A CONCESSÃO DE REABILITAÇÃO: É do juiz da condenação, CARÁTER PESSOAL DA REABILITAÇÃO: a reabilitação é

CARÁTER PESSOAL DA REABILITAÇÃO: a reabilitação é pessoal e não pode ser requerida por sucessores ou herdeiros.

DOCUMENTOS PARA INSTRUIR O PEDIDO DE REABILITAÇÃO: Art. 744 do CPP:
DOCUMENTOS PARA INSTRUIR O PEDIDO DE REABILITAÇÃO: Art. 744 do CPP:

- certidões de antecedentes do condenado das comarcas onde residiu durante

dois anos posteriores à extinção da pena;

- atestados de autoridades policiais ou outros documentos que mostrem ter residido nas comarcas indicadas e mantido bom comportamento;

- atestados de bom comportamento fornecidos por pessoas a cujo serviço tenha

prestado;

- outros documentos que provem sua regeneração;

- prova de ter ressarcido o dano ou não poder fazê-lo.

- prova de ter ressarcido o dano ou não poder fazê-lo. RECURSO CABÍVEL EM CASO DE

RECURSO CABÍVEL EM CASO DE DENEGAÇÃO: Apelação.

- prova de ter ressarcido o dano ou não poder fazê-lo. RECURSO CABÍVEL EM CASO DE
Medida de Segurança
Medida de
Segurança
Medida de Segurança

CONCEITO

Segundo o Prof. Rogério Sanches Cunha (p. 505):

“A medida de segurança é mais um instrumento (ao lado da pena) utilizado pelo Estado na resposta à violação da norma penal incriminadora, pressupondo, no entanto agente não imputável”.

Guilherme de Souza Nucci afirma que (p. 1041):

“Trata-se de uma espécie de sanção penal, com caráter preventivo e curativo, visando a

evitar que o autor de um fato havido como infração penal, inimputável ou semi-imputável,

mostrando periculosidade, torne a cometer outro injusto e receba o tratamento adequado. Jair Leonardo Lopes conceitua: “é o meio empregado para defesa social e o tratamento do indivíduo que comete crime e é considerado inimputável. E Frederico Marques ensina: “é

uma sanção penal que se aplica contra aquele que praticou um fato penalmente ilícito e se

revela perigoso. Ela tem por fim evitar que o delinquente volte a praticar novas infrações penais, segregando-o, assim, para o tratamento devido.

que o delinquente volte a praticar novas infrações penais , segregando-o , assim, para o tratamento

CONCEITO

O professor Guilherme de Souza Nucci (p. 1041/1042) em brilhante trabalho aponta também aqueles contrários aos posicionamentos anteriores, vejamos:

“Em posição análoga ao conceito que fornecemos supra estão os posicionamentos de

PIERANGELI E ZAFARONI, sustentando ser a medida de segurança uma forma de pena, pois, sempre que se tira a liberdade do homem, por uma conduta por ele praticada, na verdade o que existe é uma pena. Toda privação de liberdade, por mais terapêutica que seja, para quem

a sofre não deixa de ter um conteúdo penoso (

é a postura majoritária. Para LUIZ VICENTE

CERNICCHIARO E ASSIS TOLEDO, no entanto, em visão minoritária, a medida de segurança é instituto de caráter puramente assistencial ou curativo ”, não sendo nem mesmo necessário

que se submeta ao princípio da legalidade e da anterioridade. Seria medida pedagógica e

terapêutica, ainda que restrinja a liberdade

)

da legalidade e da anterioridade. Seria medida pedagógica e terapêutica, ainda que restrinja a liberdade ”

SISTEMAS

SISTEMAS DUPLO BINÁRIO  Advém da expressão doppio binário que significa: dois trilhos ou dupla via.

DUPLO BINÁRIO

SISTEMAS DUPLO BINÁRIO  Advém da expressão doppio binário que significa: dois trilhos ou dupla via.

Advém da expressão doppio binário que significa: dois trilhos ou dupla via.

Esse sistema conduz a aplicação

da pena e medida de segurança.

As medidas de segurança podiam ser aplicadas isoladamente, aos

inimputáveis e, cumuladas com penas, aos semi-imputáveis e aos imputáveis considerados

perigosos.

VICARIANTE

e aos imputáveis considerados perigosos . VICARIANTE  Sendo o réu imputável aplica-se apenas pena ;

Sendo o réu imputável aplica-se apenas pena;

Sendo o réu inimputável, caberá medida de segurança.

Sendo o réu imputável aplica-se apenas pena ;  Sendo o réu inimputável , caberá medida

MEDIDAS

MEDIDAS

SEGURANÇA

na periculosidade do sujeito.

Têm natureza preventiva e encontram fundamento Têm natureza só preventiva e encontram

SÓCIO-

EDUCATIVAS

preventiva e encontram fundamento SÓCIO- EDUCATIVAS Aplicada aos adolescentes infratores – artigo 112 do

Aplicada aos adolescentes infratores artigo 112 do ECA Aplicada aos adolescentes infratores – – Lei 8.069/90. Lei 8.069/90.

PROTEÇÃO

8.069/90.

Aplicadas às crianças artigo 101 do ECA Lei nº Aplicadas às crianças – artigo 101 do ECA –

artigo 112 do ECA – Lei 8.069/90. PROTEÇÃO 8.069/90. Aplicadas às crianças – artigo 101 do

MEDIDA DE SEGURANÇA X PENA

PENA

Tripla Finalidade:

I.

Prevenção;

II.

Retribuição;

III.

Ressocialização.

Visa o fato praticado no passado

pelo agente delituoso;

Trabalha

agente.

com

a

culpabilidade

do

X

MEDIDA DE SEGURANÇA

Tem caráter preventivo;

Não se nega seu caráter aflitivo;

Atenta-se ao futuro, ou seja, àquilo que o indivíduo possa vir a cometer;

Trabalha com a periculosidade do

agente.

ao futuro , ou seja, àquilo que o indivíduo possa vir a cometer;  Trabalha com

PRINCÍPIOS

A aplicação das medidas de segurança devem seguir alguns princípios como seus norteadores, princípios estes que, também, são aplicados as penas,

São eles:

P. Da Legalidade: Segundo o prof. Bitencourt – “não resta a menor dúvida quanto à submissão

das medidas de segurança ao princípio da reserva legal, insculpido nos arts. 5º, inc. XXXIX, da Constituição Federal e 1º do Código Penal, referentes ao crime e à pena. Todo cidadão tem o

direito de saber antecipadamente a natureza e duração das sanções penais pena e medida de

segurança a que estará sujeito se violar a ordem jurídico-penal, ou, em outros termos, vige

Consubstanciam

formas de invasão da liberdade do indivíduo pelo Estado, e, por isso, todos os princípios

fundamentais e constitucionais aplicáveis à pena (

também o princípio da anterioridade legal, nas medidas de segurança (

).

)

regem também as medidas de segurança.

o princípio da anterioridade legal, nas medidas de segurança ( ). ) regem também as medidas

PRINCÍPIOS

P. Da Proporcionalidade: Diante da natureza da medida de segurança, quando o magistrado analisar a situação in concreto não analisa apenas a gravidade do fato, mas especialmente o grau de periculosidade daquele.

LEGISLAÇÃO

ESPÉCIES DE MEDIDAS DE SEGURANÇA

Art. 96, CP: “As medidas de segurança são:

I - Internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, em outro estabelecimento adequado;

II - sujeição a tratamento ambulatorial.

Parágrafo único - Extinta a punibilidade, não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta.

- Extinta a punibilidade , não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha

LEGISLAÇÃO

IMPOSIÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA PARA INIMPUTÁVEL

Art. 97, CP: Se o agente for inimputável, o juiz determinará sua internação (art. 26). Se, todavia, o

fato previsto como crime for punível com detenção, poderá o juiz submetê-lo a tratamento

ambulatorial.

PRAZO

§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando

enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo

mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 (três) anos.

PERÍCIA MÉDICA § 2º - A perícia médica realizar-se-á ao termo do prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução.

fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo , se o

LEGISLAÇÃO

Desinternação ou liberação condicional

§ 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser restabelecida a situação anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica fato indicativo de

persistência de sua periculosidade.

§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa providência for necessária para fins curativos.

, poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa providência for necessária para fins

ESPÉCIES

MEDIDA DE SEGURANÇA DETENTIVA

São elas:

1. hospital de custódia (art. 96, I, CP); e

2. tratamento ambulatorial (art. 96, I, CP).

Aplica-se com base nos crimes apenados com reclusão, ou seja, leva-se em consideração a gravidade da infração penal cometida pelo agente e não em sua periculosidade, por força do art.

97, caput, CP, desrespeitando o princípio constitucional da proporcionalidade ora mencionado.

, por força do art. 97, caput, CP, desrespeitando o princípio constitucional da proporcionalidade ora mencionado.

ESPÉCIES

Vários autores, como veremos abaixo, criticam tal posicionamento e de forma muito acertada.

Guilherme de Souza Nucci

“Esse preceito é nitidamente injusto, pois padroniza a aplicação da sanção penal e não resolve o drama de muitos doentes mentais que poderiam ter suas internações evitadas.

Rogério Grecco

“É importante ressaltar que a classe médica, há alguns anos, vem se mobilizando no sentido de

evitar a internação dos pacientes portadores de doença mental, somente procedendo a internação dos casos reputados mais graves quando o convívio do doente com os seus familiares ou com a própria sociedade torna-se perigoso para estes e para ele próprio. Em

virtude desse raciocínio, surgiu em nosso ordenamento jurídico a Lei 10.216, de 6 de abril de

2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais,

redirecionando o modelo assistencial em saúde mental.

das pessoas portadoras de transtornos mentais , redirecionando o modelo assistencial em saúde mental ” .

ESPÉCIES

Resolução nº 113 do Conselho Nacional de Justiça art. 17:

“O juiz competente para a execução da medida de segurança, sempre que possível

buscará implementar políticas antimanicomiais, conforme sistemática da Lei nº

10.246, de 06 de abril de 2001.

buscará implementar políticas antimanicomiais, conforme sistemática da Lei nº 10.246, de 06 de abril de 2001

ESPÉCIES

MEDIDA DE SEGURANÇA RESTRITIVA

Sendo ele:

1. tratamento ambulatorial (art. 96, II, CP).

Esta medida de segurança será aplicada nas hipóteses de crimes apenados com detenção, salvo se o nível de periculosidade do agente indicar a necessidade da internação do agente.

STJ: O inimputável submetido à medida de segurança de internação em hospital de custódia e

tratamento psiquiátrico não poderá cumpri-la em estabelecimento prisional comum, ainda que sob a justificativa de ausência de vagas ou falta de recursos estatais. Isso porque não pode o paciente ser submetido a situação mais gravosa do que aquela definida judicialmente(HC

231.124, Quinta Turma, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 23/04/2013).

mais gravosa do que aquela definida judicialmente ” (HC 231.124, Quinta Turma, Rel. Min. Laurita Vaz,

PRESSUPOSTOS

PRESSUPOSTOS

Pós-Delitivas: as medidas de segurança serão aplicadas ao indivíduo após a

prática do fato definido como crime.

Periculosidade do Agente: Segundo Rogério Sanches “a. concluindo a perícia que o réu, além de portador de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado,

era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do

fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, será considerado inimputável (art. 26, caput, CP). Respeitado o devido processo legal, o inimputável será absolvido com imposição de medida de segurança (absolvição imprópria); b. Se a conclusão dos expertos for de que o agente, além de portador de perturbação de saúde mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não era, ao tempo do fato, inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento, será rotulado como semi-imputável (art. 26, parágrafo único, do CP). Depois de processado, deve ser condenado, decidindo o juiz se impõe pena, diminuída

de 1/3 a 2/3 (art. 98 do CP), ou medida de segurança (esta quando demonstrada sua necessidade)”.

pena, diminuída de 1/3 a 2/3 (art. 98 do CP), ou medida de segurança (esta quando

DA SENTENÇA

SENTENÇA ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA: o inimputável, mesmo tendo praticado uma conduta típica e ilícita, deverá ser absolvido, sendo aplicado, contudo, medida de segurança, razão pela qual esta sentença que o absolve, mas deixa a sequela da medida de segurança, é reconhecida como uma sentença absolutória imprópria.

, mas deixa a sequela da medida de segurança , é reconhecida como uma sentença absolutória

BASE LEGAL DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA

1 - Código Penal- : Artigo 26 c/c artigo 96 a 99;

2 - LEP - Artigos: 171 a 179 da Lei nº 7.210/84.

3 - Resolução nº 05/2004, que dispõe sobre as diretrizes para cumprimento das Medidas

de Segurança

4 - Lei nº 10.216/2001, que estatui sobre os direitos das pessoas portadoras de

transtornos mentais.

de Segurança 4 - Lei nº 10.216/2001, que estatui sobre os direitos das pessoas portadoras de

CUMPRIMENTO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

Art. 171, LEP: “Transitada em julgado a sentença que aplicar medida de segurança, será

ordenada a expedição de guia para a execução”.

Art. 172, LEP: Ninguém será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico,

ou submetido a tratamento ambulatorial, para cumprimento de medida de segurança, sem

a guia expedida pela autoridade judiciária.

ambulatorial , para cumprimento de medida de segurança, sem a guia expedida pela autoridade judiciária ”

CUMPRIMENTO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

 

1.

Qualificação do agente;

2.

Número do RG;

3.

Inteiro teor da denúncia;

   

GUIA ART. 173, LEP

4.

Inteiro teor da sentença que aplica a medida de segurança transitada

em julgado;

em julgado;

 

5.

Data com prazo mínimo da internação ou tratamento ambulatorial;

6.

Outras peças que possam ser tidas como indispensáveis ao adequado tratamento ou internamento.

ambulatorial; 6. Outras peças que possam ser tidas como indispensáveis ao adequado tratamento ou internamento.

DURAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

São três correntes que tratam sobre o período de duração das medidas de segurança, veremos

uma a uma:

1. Enquanto não cessar a periculosidade do indivíduo: este raciocínio se choca com a Carta Maior do nosso país, visto que, a mesma veda penas de caráter perpétuo, como podemos verificar no art. 5º, XXLVII, b, CRFB.

Zaffaroni e Pierangeli:

não é constitucionalmente aceitável que, a título de tratamento, se estabeleça a

possibilidade de uma privação de liberdade perpétua, como coerção penal. Se a lei não

estabelece o limite máximo, é o intérprete quem tem a obrigação de fazê-lo”.

(

)

penal. Se a lei não estabelece o limite máximo, é o intérprete quem tem a obrigação

DURAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

2. A medida não pode ultrapassar o limite da pena prevista em abstrato: o tempo fixado na

sentença que impõe a medida de segurança ao agente, não pode em hipótese alguma ultrapassar a pena que seria imposta à ele se imputável fosse.

André Copetti:

“( totalmente inadmissível que uma medida de segurança venha a ter uma duração maior

)

do que a medida da pena que seria aplicada a um imputável que tivesse sido condenado

pelo mesmo delito. Se no tempo máximo da pena correspondente ao delito o internado não recuperou sua sanidade mental, injustificável é a sua manutenção em estabelecimento psiquiátrico forense, devendo, como medida racional e humanitária, ser tratado como

qualquer outro doente mental que não tenha praticado qualquer delito”.

racional e humanitária, ser tratado como qualquer outro doente mental que não tenha praticado qualquer delito”

DURAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

2. A medida não pode ultrapassar o limite da pena prevista em abstrato: ainda neste

raciocínio vejamos

Súmula 527 STJ: “O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado”.

STF - “O prazo mínimo de cumprimento de medida de segurança deve ser fixada entre um e

três anos, na forma do art. 97, parágrafo 1º, do Código Penal. III o período não poderá

ultrapassar a pena máxima cominada abstratamente ao tipo penal infringido, sob pena de violação a princípios constitucionais” (RE 640135 AgR Rel. Min. Luiz Fux Dje

12/12/2012).

sob pena de violação a princípios constitucionais” (RE 640135 AgR – Rel. Min. Luiz Fux –

DURAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

Sabe-se que a lei não é efetivamente cumprida, assim sendo, em muitos casos, senão a maioria

deles, o indivíduo piora sua condição de doente.

O professor Rogério Grecco afirma em sua obra que mesmo após longos anos de tratamento, não demonstra qualquer aptidão ao retorno ao convívio em sociedade, podendo-se afirmar, até,

que a presença dele no seio da sociedade trará riscos para sua própria vida”.

Tendo em vista o narrado o art. 97, §§ 1º e 2º, CP determina que:

§ 1º - A internação, ou tratamento ambulatorial, será por tempo indeterminado, perdurando

enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade. O prazo

mínimo deverá ser de 1 (um) a 3 (três) anos.(

prazo mínimo fixado e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo, se o

determinar o juiz da execução”.

- A perícia médica realizar-se-á ao termo do

)2º

ano, ou a qualquer tempo, se o determinar o juiz da execução” . - A perícia

DURAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

Afirma a Lei de Execução Penal que:

Art. 175, LEP: A cessação da periculosidade será averiguada no fim do prazo mínimo de

duração da medida de segurança, pelo exame das condições pessoais do agente, observando-

se o seguinte:

I - a autoridade administrativa, até 1 (um) mês antes de expirar o prazo de duração mínima da medida, remeterá ao Juiz minucioso relatório que o habilite a resolver sobre a revogação ou

permanência da medida;

II - o relatório será instruído com o laudo psiquiátrico;

III - juntado aos autos o relatório ou realizadas as diligências, serão ouvidos, sucessivamente, o

Ministério Público e o curador ou defensor, no prazo de 3 (três) dias para cada um;

IV - o Juiz nomeará curador ou defensor para o agente que não o tiver;

V - o Juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, poderá determinar novas

diligências, ainda que expirado o prazo de duração mínima da medida de segurança; VI - ouvidas as partes ou realizadas as diligências a que se refere o inciso anterior, o Juiz

proferirá a sua decisão, no prazo de 5 (cinco) dias”.

as diligências a que se refere o inciso anterior, o Juiz proferirá a sua decisão, no

DURAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA

3. A medida de segurança não pode ultrapassar o limite de 30 anos: o STF já está decidindo de acordo com essa corrente, vejamos:

STF: As medidas de segurança se submetem ao regime ordinariamente normado da prescrição penal. Prescrição a ser calculada com base na pena máxima cominada ao tipo penal debilitado ao agente (no caso da prescrição da pretensão punitiva) ou com base na

duração máxima da medida de segurança, trinta anos (no caso da prescrição da pretensão executória). Prazos prescricionais, esses, aos quais se aplicam, por lógico, os termos iniciais e marcos interruptivos e suspensivos dispostos no Código Penal” (HC 107. 777/RS, Habeas

Corpus, Rel. Min. Ayres Brito, 2ª T., Dje 073 13/4/2012, pub. 16/4/2012).

no Código Penal” ( HC 107. 777/RS, Habeas Corpus, Rel. Min. Ayres Brito, 2ª T., Dje

DESINTERNAÇÃO OU LIBERAÇÃO CONDICIONAL

A desinternação nada mais é que o indivíduo doente deixa o tratamento em regime de

internação e dá início ao tratamento em regime ambulatorial, ou seja, o agente encontra-se

em tratamento, mas não há mais necessidade em se manter em um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico.

Pode ocorrer a seguinte situação: o agente submetido ao exame de cessação de periculosidade

constata que o paciente já está completamente “restabelecido do mal que o afligia”. Neste caso o juiz determinará a liberação do agente.

Concedida a desinternação ou a liberação do agente, o juiz da execução, nos moldes do art. 178, LEP, estipulará condições a serem observadas pelo agente.

do agente, o juiz da execução , nos moldes do art. 178, LEP, estipulará condições a

DESINTERNAÇÃO OU LIBERAÇÃO CONDICIONAL

Segundo Alberto Silva Franco:

“A revogação das medidas de segurança, decorrente do reconhecimento da cessação da periculosidade, é provisória. Se no ano seguinte à desinternação ou à liberação o agente praticar algum fato indicativo de que continua perigoso, será restabelecida a situação anterior (internação ou sujeição a tratamento ambulatorial). Não é necessário que o fato constitua crime; basta que dele se possa induzir periculosidade. Como fatos dessa natureza podem-se citar, por exemplo, o descumprimento das condições impostas, o não

comparecimento ao local indicado para tratamento psiquiátrico ou a recusa do tratamento

etc.

impostas, o não comparecimento ao local indicado para tratamento psiquiátrico ou a recusa do tratamento etc

REINTERNAÇÃO DO AGENTE

Regra revista no §4º do art. 97, CP: “ § 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a internação do agente, se essa providência for necessária para fins curativos.

Segundo o prof. Rogério Grecco:

“Pode acontecer que o agente, após a sua desinternação tendo iniciado o

tratamento ambulatorial, ou mesmo na hipótese de ter sido esse tratamento o escolhido para o início do cumprimento da medida de segurança -, demonstre que a medida não está sendo suficientemente eficaz para a sua cura, razão pela qual

poderá o juiz da execução determinar, fundamentadamente, a internação do agente em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ou outro local com dependências médicas adequadas”.

do agente em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ou outro local com dependências médicas adequadas”

CONVERSÃO DA PENA EM MEDIDA DE

SEGURANÇA

Imputável na época do fato criminoso: a sentença imposta deve aplicar uma pena;

Inimputável na época do fato criminoso: a sentença é chamada de absolutória imprópria,

visto que, ao invés de aplicar uma pena, ela comina uma medida de segurança;

Semi-imputável na época do fato criminoso: a sentença aplicará uma pena diminuída OU uma medida de segurança.

 Semi-imputável na época do fato criminoso: a sentença aplicará uma pena diminuída OU uma medida

CONVERSÃO DA PENA EM MEDIDA DE

SEGURANÇA

O Professor Rogério Sanches Cunha, traz em sua doutrina a seguinte indagação:

e no caso de agente capaz na data da conduta, mas que desenvolve anomalia psíquica no curso da execução da pena (superveniência de doença mental)? Dois dispositivos tratam do assunto: arts. 108 e 183, ambos da LEP. Analisando o caso concreto, o juiz da

execução optará entre uma simples internação para tratamento e cura de doença

passageira, hipótese em que o tempo de tratamento considera-se como pena cumprida, ou a substituição da pena privativa de liberdade em medida de segurança em se tratando de anomalia não passageira, seguindo, no caso, os ditames dos arts. 96 e ss. do CP.

segurança em se tratando de anomalia não passageira , seguindo, no caso, os ditames dos arts.

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE E A

MEDIDA DE SEGURANÇA

Art. 96, Parágrafo único, CP: Extinta a punibilidade, não se impõe medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta.

A sentença absolutória imprópria fixa apenas um prazo tido como mínimo para a imposição da

medida de segurança, o que acaba dificultando na quantificação para computar-se o prazo prescricional.

a imposição da medida de segurança, o que acaba dificultando na quantificação para computar-se o prazo

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE E A

MEDIDA DE SEGURANÇA

Há três correntes que visam auxiliar o intérprete, no entanto, nenhuma delas se consolidou:

1. tratando-se de agente inimputável, por ausência da pena fixada na sentença (absolutória

imprópria) não deve ser aplicada a prescrição da pretensão executória;

2. Aplica-se a prescrição da pretensão executória, com base na pena máxima aplicada ao crime em questão;

3. A prescrição será regulada pela duração máxima da medida de segurança, está corrente se

coaduna aquela em que afirma não poder ultrapassar 30 anos no cumprimento da medida.

de segurança, está corrente se coaduna aquela em que afirma não poder ultrapassar 30 anos no

INTERNAÇÃO CAUTELAR

OU

MEDIDA DE SEGURANÇA PROVISÓRIA

Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão:

( ) VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com violência ou

grave ameaça, quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (ART. 26

do Código Penal) e houver risco de reiteração;

os peritos concluírem ser inimputável ou semi-imputável (ART. 26 do Código Penal) e houver risco de

INTERNAÇÃO CAUTELAR

OU

MEDIDA DE SEGURANÇA PROVISÓRIA

O prof. Renato Brasileiro afirma que:

“a internação provisória será aplicável ao imputável ou semi-imputável nas hipóteses de fatos típicos e ilícitos cometidos com violência ou grave ameaça, quando houver risco de reiteração, o que demonstra que essa medida deve ser aplicada com a finalidade de proteção da sociedade contra a possível prática de crimes graves”.

Assim, entendemos que essa medida poderá ser utilizada como instrumento de natureza

cautelar que visa a garantia e tutela da ordem pública.

essa medida poderá ser utilizada como instrumento de natureza cautelar que visa a garantia e tutela

INDICAÇÕES

Leitura: “EU PIERRE RIVIÈRE QUE DEGOLEI MINHA MÃE MINHA IRMÃ E MEU IRMÃO” MICHEL FOUCAULT.

Vídeo: “A casa dos mortos” - https://www.youtube.com/watch?v=noZXWFxdtNI

IRMÃ E MEU IRMÃO” MICHEL FOUCAULT. Vídeo: “A casa dos mortos” - https://www.youtube.com/watch?v=noZXWFxdtNI
Extinção da Punibilidade
Extinção da
Punibilidade
Extinção da Punibilidade
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE ―As causas de extinção da punibilidade implicam renúncia, pelo Estado, do exercício

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

―As causas de extinção da punibilidade implicam

renúncia, pelo Estado, do exercício do direito de

punir, seja pela não imposição de pena, seja pela não execução ou interrupção do cumprimento daquela já

aplicada‖. (GARCIA MARTIN, L.et alii APUD, PRADO,

Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. v.1. 9

ed. p. 653).

aplicada‖ . (GARCIA MARTIN, L.et alii APUD, PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. v.1.
CLASSIFICAÇÃO DAS CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE • Gerais: são as que podem atingir quaisquer infrações

CLASSIFICAÇÃO DAS CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE

Gerais: são as que podem atingir quaisquer infrações penais,

como a morte do agente, a abolitio criminis (ou lei

supressiva de incriminação), o perdão constitucional (que contém algumas poucas exceções), a prescrição (também inaplicável somente a um pequeno grupo de infrações).

Especiais: são aquelas que somente atingem uma categoria determinada de ilícitos penais, como a retratação (que no Código Penal somente se aplica aos crimes de calúnia,

difamação e falso testemunho ou falsa perícia) e o perdão

judicial (previsto no Estatuto Penal somente para delitos de homicídio culposo, lesão corporal culposa, entre outros).

judicial (previsto no Estatuto Penal somente para delitos de homicídio culposo, lesão corporal culposa, entre outros).
MOMENTO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE ―As causas de extinção da punibilidade podem alcançar a pretensão

MOMENTO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

―As causas de extinção da punibilidade podem alcançar a pretensão punitiva ou a pretensão executória do Estado, conforme ocorram antes ou depois do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Quanto àquelas previstas no art. 107 do CP, ora

analisado, algumas causas extintivas atacam exclusivamente a

pretensão punitiva. São elas:

decadência, perempção, renúncia do direito de queixa, perdão

aceito, retratação do agente e perdão judicial.

Por outro lado, duas outras causas atingem apenas a pretensão

executória:

indulto (pelo texto da LEP, pois o STF admite o indulto antes do trânsito em julgado da condenação) e graça.

• indulto (pelo texto da LEP, pois o STF admite o indulto antes do trânsito em
MOMENTO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Além disso, o sursis e o livramento condicional, previstos fora

MOMENTO DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

Além disso, o sursis e o livramento condicional, previstos fora do art. 107 do CP, afetam exclusivamente a pretensão executória, em face do término do período de prova sem revogação.

Finalmente, as causas de extinção da punibilidade remanescentes podem direcionar-se tanto contra a pretensão punitiva como, também, contra a pretensão executória, dependendo do momento em que ocorrerem, isto é, antes ou depois da condenação

definitiva. Incluem-se nessa relação a morte do agente, a anistia,

a abolitio criminis e a prescrição.

definitiva. Incluem-se nessa relação a morte do agente, a anistia, a abolitio criminis e a prescrição.
Extinção da Punibilidade – primeira análise I – morte do agente; II – anistia, graça
Extinção da Punibilidade – primeira análise I – morte do agente; II – anistia, graça
Extinção da Punibilidade – primeira análise I – morte do agente; II – anistia, graça

Extinção da Punibilidade primeira análise

I morte do agente;

II anistia, graça ou indulto (renúncia do Estado ao direito de punir);

III retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso (abolitio criminis);

IV prescrição, decadência ou perempção (respectivamente: perda

do direito de queixa ou de representação; sanção processual dada ao

querelante omisso na ação penal exclusivamente privada art. 60, CPP);

V pela renúncia do direito de queixa (ato voluntário do ofendido desistindo do direito de propor ação penal privada, podendo ser

expressa

ou tácita art. 104, CP) ou pelo perdão aceito (ato

voluntário do ofendido que visa a obstar o prosseguimento da ação

art. 105, CP - O

perdão deve ser exercido após a propositura da ação penal privada, mas antes do trânsito em julgado da sentença condenatória), nos

crimes de ação privada.

penal privada, podendo ser expresso ou tácito

58

VI pela retratação do agente (retirar o que foi dito), nos casos em que a lei permitir;

IX pelo perdão judicial (juiz deixa de aplicar, nas hipóteses taxativamente previstas em lei, o preceito sancionador levando em conta determinadas circunstâncias cabíveis; não precisando ser aceito para gerar efeitos, nos casos previstos em lei).

determinadas circunstâncias cabíveis; não precisando ser aceito para gerar efeitos, nos casos previstos em lei). 59
determinadas circunstâncias cabíveis; não precisando ser aceito para gerar efeitos, nos casos previstos em lei). 59
determinadas circunstâncias cabíveis; não precisando ser aceito para gerar efeitos, nos casos previstos em lei). 59
determinadas circunstâncias cabíveis; não precisando ser aceito para gerar efeitos, nos casos previstos em lei). 59
O rol do art. 107 do CP: É unânime o entendimento doutrinário no sentido de

O rol do art. 107 do CP: É unânime o entendimento doutrinário no sentido de ser exemplificativo o rol do art. 107 do CP, o qual contém em seu interior algumas causas de extinção da punibilidade admitidas pelo Direito Penal brasileiro. Em verdade, diversas outras causas extintivas podem ser encontradas no CP e na legislação especial, destacando-se:

1) término do período de prova, sem revogação, do sursis, do livramento condicional

e da suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei 9.099/1995);

2) escusas absolutórias (exemplos: arts. 181 e 348, § 2º, do CP); 3) reparação do dano, no peculato culposo, efetivada antes do trânsito em julgado da sentença condenatória (art. 312, § 3º, do CP);

4) pagamento do tributo ou contribuição social nos crimes contra a ordem tributária

(art. 9º da Lei 10.684/2003 e art. 83, § 4º, da Lei 9.430/1996); 5) confissão espontânea e pagamento das contribuições, importâncias ou valores e prestação das informações devidas à previdência social, na forma definida em lei

ou regulamento, antes do início da ação fiscal, nos crimes de apropriação indébita

previdenciária e sonegação de contribuição previdenciária (arts. 168-A, § 2º, e 337-A, § 1º, do CP e art. 83, § 4º, da Lei 9.430/1996); 6) anulação do primeiro casamento em crime de bigamia (art. 235 do CP); 7) conciliação efetuada em relação aos crimes contra a honra, nos termos do art. 520 do CPP;

bigamia (art. 235 do CP); 7) conciliação efetuada em relação aos crimes contra a honra, nos
8) morte do cônjuge ofendido no crime de induzimento a erro essencial e ocultação de

8) morte do cônjuge ofendido no crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento (art. 236 do CP), por se tratar de ação penal privada personalíssima; e

9) cumprimento integral do acordo de leniência, relativamente aos crimes

contra a ordem econômica tipificados na Lei 8.137/ 1990 (art. 35-B da Lei

8.884/1994).

Efeitos: As causas de extinção da punibilidade que atingem a pretensão

punitiva eliminam todos os efeitos penais de eventual sentença condenatória já proferida. Destarte, esse ato judicial não serve como pressuposto da reincidência, nem pode ser usado como título executivo judicial na área

cível. Por sua vez, as causas extintivas que afetam a pretensão executória,

salvo nas hipóteses de abolitio criminis e anistia, apagam unicamente o efeito

principal da condenação, é dizer, a pena. Subsistem os efeitos secundários da sentença condenatória: pressuposto da reincidência e constituição de título

executivo judicial no campo civil.

da sentença condenatória: pressuposto da reincidência e constituição de título executivo judicial no campo civil.
 Morte do agente – a morte é causa extintiva da punibilidade porque a pena

Morte do agente a morte é causa extintiva da punibilidade porque a pena é personalíssima,

não se transmitindo aos herdeiros do condenado.

Falecendo o autor do fato, não há espaço à aplicação da pena.

É importante destacar que os efeitos civis da sentença condenatória (notadamente o dever de

indenizar) não se extinguem com a morte do

agente, alcançando limite das forças de seu espólio;

A prova da morte se dá mediante certidão de óbito.

do agente, alcançando limite das forças de seu espólio;  A prova da morte se dá
 Anistia, graça e indulto : espécies de indulgência soberana, na qual o Estado ―desiste‖

Anistia, graça e indulto: espécies de indulgência soberana, na qual o Estado

―desiste‖ de exercer o seu direito de

punir.

Anistia, cuja competência é da União e privativa do Congresso Nacional (art. 48, inc. VIII da CF);

Graça e Indulto, o primeiro de caráter individual e o segundo, coletivo; são de

competência do Presidente da República e

apenas atingem os efeitos principais da condenação.

coletivo; são de competência do Presidente da República e apenas atingem os efeitos principais da condenação

Anistia

Graça

Indulto

Anistia Graça Indulto É um benefício concedido pelo Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da

É um benefício concedido

pelo Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República

(art. 48, VIII, CF/88), por meio do qual se ―perdoa‖ a prática de um fato criminoso. Normalmente,

incide sobre crimes

políticos, mas também pode abranger outras espécies de delito.

É concedida por meio de

uma lei federal ordinária. Pode ser concedida:

a) antes do trânsito em julgado (anistia

Benefício individual (com destinatário certo). Depende de pedido do sentenciado. Concedidos por Decreto do Presidente da República. Apagam o efeito executório da condenação.

A

atribuição

para

conceder

pode

ser

delegada ao (s):

Procurador

Geral

da

 

República;

Advogado

Geral

da

União;

Ministros de Estado.

um

benefício

destinatário

concedido de ofício (não

É

coletivo (sem

É

certo).

depende de provocação).

Concedidos

por

Decreto

do

Presidente

da

República.

 

Apagam

o

efeito

executório

 

da

condenação.

 

A

atribuição

para

conceder

pode

ser

delegada ao (s):

Procurador

Geral

da

 

República;

Advogado

Geral

da

própria);

b) b) depois do trânsito

em julgado (anistia imprópria).

Concedidos por meio de um Decreto.

União;

Ministros de Estado.

Concedidos por meio de um Decreto.

imprópria). Concedidos por meio de um Decreto. União; • Ministros de Estado. Concedidos por meio de
 Abolitio criminis (art. 107, III): É a nova lei que exclui do âmbito do

Abolitio criminis (art. 107, III): É a nova lei que exclui do âmbito do Direito Penal um fato até então considerado criminoso. Encontra previsão legal no art. 2º,caput, do CP. Alcança a execução e os efeitos penais da sentença condenatória, não

servindo como pressuposto da reincidência, nem

configurando maus antecedentes. Sobrevivem, entretanto, os efeitos civis de eventual condenação, isto é, a obrigação de reparar o

dano provocado pela infração penal e a

constituição de título executivo judicial.

isto é, a obrigação de reparar o dano provocado pela infração penal e a constituição de
 Decadência (art. 107, IV, 2ª figura): A decadência é a perda do direito de

Decadência (art. 107, IV, 2ª figura): A decadência é a perda do direito de

queixa ou de representação em face da inércia de seu titular durante o prazo legalmente previsto. O prazo, salvo disposição legal em contrário, é de 6 (seis) meses, independentemente do número de dias de cada mês,

contados do dia em que o ofendido veio a saber quem é o autor do crime,

ou, no caso de ação penal privada subsidiária da pública, do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia (art. 103 do CP). Esse prazo é contado a partir do conhecimento inequívoco da autoria, e não de meras suspeitas. A contagem do prazo se dá de acordo com a regra do art. 10 do CP, pois possui índole penal. O prazo decadencial é para o oferecimento da queixa-crime, e não para o seu recebimento pelo Poder Judiciário, e no caso de ser ela antecedida por inquérito policial, deve o prazo ser apurado a partir da conclusão oficial deste procedimento preparatório, se somente

nesse momento foi apurada a autoria da infração penal. O prazo decadencial é preclusivo e improrrogável, e não se submete, em face de sua própria natureza jurídica, à incidência de quaisquer causas de interrupção e suspensão. No caso de crime continuado, o prazo decadencial é contado separadamente para cada delito parcelar. De fato, a ficção jurídica de unidade de crime tem lugar exclusivamente para fins de aplicação da pena. E, no crime habitual, tal prazo deve ser computado a partir do último fato praticado pelo agente.

de aplicação da pena. E, no crime habitual, tal prazo deve ser computado a partir do
 Perempção (art. 107, IV, 3ª figura): É a perda do direito de ação, que

Perempção (art. 107, IV, 3ª figura): É a perda do direito de ação, que acarreta na extinção da punibilidade, provocada pela inércia processual do

querelante. A perempção não é aplicável na ação penal privada subsidiária

da pública, uma vez que nessa hipótese o MP dará andamento à ação na hipótese de omissão ou desídia do querelante. As causas de perempção foram previstas no art. 60 do CPP. Trata-se de sanção que somente pode ser

imposta após a propositura da queixa. Com efeito, fala o CPP em ―início da

ação penal‖, ―atos do processo‖ etc.

após a propositura da queixa. Com efeito, fala o CPP em ―início da ação penal‖, ―atos
 A renúncia ao direito perdão aceito de queixa e o  A renúncia ao

A renúncia ao direito

perdão aceito

de

queixa e

o

A renúncia ao direito de queixa vem antes

de iniciada a ação penal e demonstra o

desinteresse da vítima em promovê-la.

Já o perdão do ofendido ocorre no curso

da ação penal e somente nesta hipótese se

cogita possível que seja recusada pelo autor do fato (art. 106 CP).

no curso da ação penal e somente nesta hipótese se cogita possível que seja recusada pelo
 Retratação do agente  Nos crimes de calúnia e difamação, tipificados no Código Penal

Retratação do agente

Nos crimes de calúnia e difamação, tipificados no Código Penal (arts. 138, 139

e 143 do CP), e nos crimes nos crimes de

falso testemunho e falsa perícia (art. 342, § 3º, CP), a retratação do ofensor

extinguirá a punibilidade.

crimes de falso testemunho e falsa perícia (art. 342, § 3º, CP), a retratação do ofensor
 Perdão judicial  é o ato pelo qual o juiz, apesar de condenar o

Perdão judicial

é o ato pelo qual o juiz, apesar de condenar o

agente, deixa de aplicar a pena. Diz respeito a certas situações especiais, em que a aplicação

da sanção penal é absolutamente

desnecessária ou não é recomendável, por motivos de política criminal, ou em face do princípio da intervenção mínima. (Ex: art. 121,

§5º/ ART. 140, § 1º/ Art. 176, parágrafo único do CP).

face do princípio da intervenção mínima. (Ex: art. 121, §5º/ ART. 140, § 1º/ Art. 176,
PRESCRIÇÃO Escoado o prazo que a própria lei estabelece, observadas suas causas modificadoras, prescreve o

PRESCRIÇÃO

Escoado o prazo que a própria lei estabelece, observadas suas causas modificadoras, prescreve o direito estatal à punição do infrator . Assim, pode-se definir prescrição como ―a perda do

direito de punir do Estado, pelo decurso de tempo, em razão do

seu não exercício, dentro do prazo previamente fixado‖. A prescrição constitui causa extintiva da punibilidade (art. 107, IV, 1ª figura, do CP).

Hipóteses EXCEPCIONAIS de imprescritibilidade:

- Art. 5º, XLII da CF: racismo (Lei 7.716/89) - Art. 5º, XLIV da CF: ação de grupos armados, civis, ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito.

da CF: ação de grupos armados, civis, ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado
PRESCRIÇÃO Prescrição da pretensão punitiva (PPP): A prescrição da pretensão punitiva só poderá ocorrer antes

PRESCRIÇÃO

Prescrição da pretensão punitiva (PPP): A prescrição da pretensão punitiva só poderá ocorrer antes de a sentença penal transitar em julgado, e tem como consequência a eliminação de todos os efeitos do crime: é como se este nunca tivesse existido.

em julgado, e tem como consequência a eliminação de todos os efeitos do crime: é como
PRESCRIÇÃO Termo inicial da PPP: O lapso prescricional começa a correr a partir da data

PRESCRIÇÃO

Termo inicial da PPP: O lapso prescricional

começa a correr a partir da data da

consumação do crime ou do dia em que cessou a atividade criminosa (art. 111), apresentando, contudo, causas que o

suspendem (art. 116) ou o interrompem (art. 117).

a atividade criminosa (art. 111), apresentando, contudo, causas que o suspendem (art. 116) ou o interrompem
PRESCRIÇÃO A prescrição da pretensão punitiva lato sensu começa a correr: I — no dia

PRESCRIÇÃO

A prescrição da pretensão punitiva lato sensu começa a

correr:

I no dia em que o crime se consumou;

II no caso de tentativa, no dia em que cessou a

atividade criminosa;

III nos crimes permanentes, no dia em que cessou a

permanência;

IV nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração

de assento do registro civil, na data em que o fato se

tornou conhecido.

de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assento do registro civil, na data em
PRESCRIÇÃO Modalidades: - prescrição abstrata, - prescrição retroativa e - prescrição intercorrente

PRESCRIÇÃO

Modalidades:

- prescrição abstrata,

- prescrição retroativa e

- prescrição intercorrente

PRESCRIÇÃO Modalidades: - prescrição abstrata, - prescrição retroativa e - prescrição intercorrente
PRESCRIÇÃO Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o

PRESCRIÇÃO

Art. 109. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o disposto no § 1o do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa de liberdade cominada ao crime, verificando-se:

I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;

II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito

anos e não excede a doze;

III - em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro

anos e não excede a oito;

IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos

e não excede a quatro;

V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou,

sendo superior, não excede a dois;

VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um)

ano.

a um ano ou, sendo superior, não excede a dois; VI - em 3 (três) anos,
PRESCRIÇÃO Prescrição da pretensão punitiva abstrata: Denomina-se prescrição abstrata porque ainda não existe pena

PRESCRIÇÃO

Prescrição da pretensão punitiva abstrata:

Denomina-se prescrição abstrata porque

ainda não existe pena concretizada na

sentença para ser adotada como parâmetro

aferidor do lapso prescricional.

porque ainda não existe pena concretizada na sentença para ser adotada como parâmetro aferidor do lapso
PRESCRIÇÃO Parâmetro: O prazo da prescrição abstrata regula-se pela pena cominada ao delito, isto é,

PRESCRIÇÃO

Parâmetro: O prazo da prescrição abstrata regula-se pela

pena cominada ao delito, isto é, pelo máximo da pena

privativa de liberdade abstratamente prevista para o

crime, segundo a tabela do art. 109 do CP. Assim, por

exemplo, a pretensão estatal prescreve em vinte anos, se

o máximo da pena é superior a doze (art. 109, I), ou em

dois anos, se o máximo da pena é inferior a um (art. 109,

VI).

o máximo da pena é superior a doze (art. 109, I), ou em dois anos, se
PRESCRIÇÃO Como encontrar o prazo prescricional abstrato: Para encontrá-lo, devem-se tomar as seguintes providências:

PRESCRIÇÃO

Como encontrar o prazo prescricional abstrato: Para encontrá-lo, devem-se tomar as seguintes providências:

1º) deve-se observar o máximo de pena privativa de liberdade cominado

à infração penal

considera-se o limite máximo cominado ao delito,

porque será o limite que poderá atingir a pena que for concretizada na sentença;

2º) verificar , no art. 109 do CP, o prazo prescricional correspondente

àquele limite de pena cominada (prazo preliminar)

este prazo é básico

ou preliminar, porque poderá sofrer a incidência de majorantes ou minorantes de aplicação obrigatória, bem como menoridade ou velhice,

que, naturalmente, alterarão seu limite;

ou minorantes de aplicação obrigatória, bem como menoridade ou velhice, que, naturalmente, alterarão seu limite;
PRESCRIÇÃO 3º) verificar se há alguma das causas modificadoras desse prazo - majorantes ou minorantes

PRESCRIÇÃO

3º) verificar se há alguma das causas modificadoras desse prazo

- majorantes ou minorantes obrigatórias, exceto as referentes ao concurso formal próprio e ao crime continuado deve-se considerar a eventual existência de causas modificadoras da pena, quais sejam, as majorantes ou minorantes, excluindo-se, evidentemente, as agravantes e atenuantes. Em se tratando de majorante deve-se considerar o fator que mais aumente, e, em se tratando de minorante, o fator que menos diminua a pena;

- menoridade ou velhice (art. 115) se o agente era, ao tempo do crime,

menor de vinte e um anos, ou, na data da sentença, maior de setenta, o

prazo prescricional reduzir-se-á pela metade. Com a incidência dessas causas modificadoras sobre o máximo da pena cominada, encontrar-se-á o

prazo prescricional definitivo.

dessas causas modificadoras sobre o máximo da pena cominada, encontrar-se-á o prazo prescricional definitivo.
PRESCRIÇÃO Prescrição da Pretensão Executória (PPE): só poderá ocorrer depois de transitar em julgado a

PRESCRIÇÃO

Prescrição da Pretensão Executória (PPE): só poderá ocorrer depois de transitar em julgado a

sentença condenatória, regulando-se pela pena

concretizada (art. 110), e verificando-se nos

mesmos prazos fixados no art. 109. O decurso do

tempo sem o exercício da pretensão executória

faz com que o Estado perca o direito de executar

a sanção imposta na condenação.

exercício da pretensão executória faz com que o Estado perca o direito de executar a sanção
PRESCRIÇÃO Termo inicial da prescrição da pretensão executória: A prescrição da pretensão executória começa a

PRESCRIÇÃO

Termo inicial da prescrição da pretensão executória: A prescrição

da pretensão executória começa a correr:

I no dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação;

II no dia em que se interrompe a execução da pena, salvo quando referido tempo deva ser computado na pena (internação por doença

mental);

III no dia em que transita em julgado a decisão que revoga o sursis

ou o livramento condicional (art. 113). Além dessas hipóteses, o art. 117, V e VI, prevê mais duas: pelo início ou continuação do cumprimento da pena e pela reincidência.

o art. 117, V e VI, prevê mais duas: pelo início ou continuação do cumprimento da
PRESCRIÇÃO Pressuposto básico da prescrição executória: O prazo começa a correr do dia em que

PRESCRIÇÃO

Pressuposto básico da prescrição executória: O prazo começa a

correr do dia em que transitar em julgado a sentença condenatória para a acusação, mas o pressuposto básico para essa espécie de

prescrição é o trânsito em julgado para acusação e defesa, pois,

enquanto não transitar em julgado para a defesa, a prescrição poderá ser a intercorrente. Nesses termos, percebe-se, podem

correr paralelamente dois prazos prescricionais: o da intercorrente, enquanto não transitar definitivamente em julgado, e o da

executória, enquanto não for iniciado o cumprimento da

condenação, pois ambos iniciam na mesma data, qual seja, o trânsito em julgado para a acusação.

o cumprimento da condenação, pois ambos iniciam na mesma data, qual seja, o trânsito em julgado
PRESCRIÇÃO Efeitos da PPE: O s efeitos dessa prescrição limitam-se à extinção da pena, permanecendo

PRESCRIÇÃO

Efeitos da PPE: Os efeitos dessa prescrição limitam-se à extinção da pena, permanecendo inatingidos todos os demais efeitos da condenação, penais e extrapenais.

Pressupostos: O lapso prescricional da pretensão executória

depende de:

a) inocorrência de prescrição da pretensão punitiva, seja

abstrata, retroativa ou intercorrente;

b) sentença condenatória irrecorrível;

c) não satisfação da pretensão executória estatal.

ou intercorrente; b) sentença condenatória irrecorrível; c) não satisfação da pretensão executória estatal.
PRESCRIÇÃO Como encontrar o prazo prescricional: 1º) Tomar a pena privativa de liberdade imposta na

PRESCRIÇÃO

Como encontrar o prazo prescricional:

1º) Tomar a pena privativa de liberdade imposta na

sentença condenatória

- na hipótese de fuga ou de revogação de livramento

condicional, tomar-se-á o restante de pena a cumprir , para a obtenção do prazo prescricional (art. 113 do CP);

- no caso de concurso formal e de crime continuado,

deverá, também, ser desprezado o quantum de majoração a eles pertinente.

de concurso formal e de crime continuado, deverá, também, ser desprezado o quantum de majoração a
PRESCRIÇÃO 2º) Verificar qual é o prazo prescricional correspondente (art. 109 do CP). 3º) Analisar

PRESCRIÇÃO

2º) Verificar qual é o prazo prescricional correspondente

(art. 109 do CP).

é o prazo prescricional correspondente (art. 109 do CP). 3º) Analisar a existência de ―causas modificadoras‖

3º) Analisar a existência de ―causas modificadoras‖ do

lapso prescricional

- reincidência, reconhecida na sentença: eleva em um terço o prazo prescricional;

- art. 115 do CP: reduz pela metade o lapso prescricional.

na sentença: eleva em um terço o prazo prescricional; - art. 115 do CP: reduz pela
PRESCRIÇÃO Prescrição da pretensão punitiva retroativa: A prescrição retroativa leva em consideração a pena

PRESCRIÇÃO

Prescrição da pretensão punitiva retroativa: A prescrição

retroativa leva em consideração a pena aplicada, in

concreto, na sentença condenatória, contrariamente à

prescrição in abstrato, que tem como referência o máximo

de pena cominada ao delito. A prescrição retroativa (igualmente à intercorrente), como subespécie da prescrição da pretensão punitiva, constitui exceção à contagem dos prazos do art. 109.

como subespécie da prescrição da pretensão punitiva, constitui exceção à contagem dos prazos do art. 109.
PRESCRIÇÃO Marco da prescrição retroativa: A prescrição retroativa era considerada entre a consumação do crime

PRESCRIÇÃO

Marco da prescrição retroativa: A prescrição retroativa era considerada entre a consumação do crime e o recebimento da denúncia, ou entre este e a sentença condenatória (art. 110, § 2º, do CP). Esse parágrafo segundo foi revogado pela Lei n. 12.234/2010, como veremos logo adiante. Nada impede que a

prescrição retroativa ocorra entre a consumação do fato e o

acórdão condenatório de segundo grau, tendo havido sentença

absolutória. A pronúncia, nos crimes contra a vida, também cria

um novo marco interruptivo para a prescrição retroativa.

A pronúncia, nos crimes contra a vida, também cria um novo marco interruptivo para a prescrição
PRESCRIÇÃO Pressupostos da prescrição retroativa: O lapso prescricional retroativo depende de: a) inocorrência da

PRESCRIÇÃO

Pressupostos da prescrição retroativa: O lapso prescricional retroativo depende de:

a) inocorrência da prescrição abstrata;

b) sentença penal condenatória;

c) trânsito em julgado para a acusação ou

improvimento de seu recurso.

abstrata; b) sentença penal condenatória; c) trânsito em julgado para a acusação ou improvimento de seu

PRESCRIÇÃO

Como encontrar o prazo prescricional: Para encontrar o prazo prescricional, na modalidade retroativa, devem-se adotar as seguintes providências:

1º) tomar a pena concretizada na sentença condenatória

dever-se-á

computar toda a pena aplicada, com exceção da majoração decorrente do

concurso formal próprio e do crime continuado. A detração somente é aproveitada para a execução da pena, ou para a prescrição da pretensão

executória;

2º) verificar qual é o prazo prescricional correspondente (art. 109 do CP);

3º) analisar a existência de causa modificadora do lapso prescricional,

cuja única possibilidade é a do art. 115.

3º) analisar a existência de causa modificadora do lapso prescricional, cuja única possibilidade é a do
PRESCRIÇÃO Prescrição da pretensão punitiva intercorrente ou subsequente: A prescrição intercorrente também leva

PRESCRIÇÃO

Prescrição da pretensão punitiva intercorrente ou subsequente: A prescrição intercorrente também leva em consideração a pena aplicada in

concreto na sentença condenatória; poder-se-ia dizer , trata-se de uma

subespécie da prescrição retroativa. As prescrições retroativa e intercorrente assemelham-se, com a diferença de que a retroativa se volta

para o passado, isto é, para períodos anteriores à sentença, em regra, e a intercorrente se dirige para o futuro, ou seja, para períodos posteriores à

sentença condenatória recorrível. Na verdade, a própria prescrição

intercorrente tem caráter retroativo, pois, quando de seu reconhecimento

volta-se para o passado até a decisão condenatória, que é seu marco inicial.

pois, quando de seu reconhecimento volta-se para o passado até a decisão condenatória, que é seu
PRESCRIÇÃO Marco temporal da prescrição intercorrente: O prazo da prescrição intercorrente, superveniente ou

PRESCRIÇÃO

Marco temporal da prescrição intercorrente: O prazo da prescrição intercorrente, superveniente ou subsequente, começa a correr a partir da sentença condenatória, até o trânsito em julgado para acusação e defesa.

Pressupostos da prescrição intercorrente: O lapso prescricional intercorrente depende de:

a) inocorrência de prescrição abstrata e de prescrição retroativa;

b) sentença condenatória;

c) trânsito em julgado para acusação ou improvimento de seu recurso.

retroativa; b) sentença condenatória; c) trânsito em julgado para acusação ou improvimento de seu recurso.
PRESCRIÇÃO Como encontrar o prazo prescricional: Para encontrar o prazo prescricional, na modalidade intercorrente,

PRESCRIÇÃO

Como encontrar o prazo prescricional: Para encontrar o prazo prescricional, na modalidade intercorrente, devem-se adotar as seguintes providências:

dever-se-á

computar toda a pena aplicada, com exceção da majoração decorrente do concurso formal próprio e do crime continuado. A detração somente é aproveitada para a execução da pena, ou para a prescrição da pretensão

executória;

1º) tomar a pena concretizada na sentença condenatória

2º) verificar qual é o prazo prescricional correspondente (art. 109 do CP);

3º) analisar a existência de causa modificadora do lapso prescricional, cuja

única possibilidade é a do art. 115.

3º) analisar a existência de causa modificadora do lapso prescricional, cuja única possibilidade é a do