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o MÉTODO CIENTíFICO

. t

!

'.

Teoria e Prática

Planejamento, editoração e redação

A. Guilherme Galliano

Equipe editorial

Ana Lúcia Teixeira Vasconcelos Maurício Rittner Silvana Salerno Rodrigues

1S:ffl

HARBRA

HARPER & ROW DO BRASIL

Cambr i dge tfj Londres

SÃO PAULO

Filadélfia

Bogotá

México

Sidney

Nova Iorque S ã o Francisco

1817

o conhecimento

.1ntrgdu çÍlo

• Conh ec im e nto vulgar

• Conhecimento Ci entífico

• . C onhecim e nto filosófico

• Conhecim e n to teológico

• Conhecimento e verdade

I NTRODUÇÃO

D iante da natureza, o homem - animal racional - não age como os animais

i n f eriores. Estes apenas esforçam - se pela vida . O homem, além disso , esforça-

- se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limita-

ç ões , tenta semp r e dominar a realidade , agir so b re ela para tor n á-Ia mais ade - quada às suas próprias necessidades. E à medida que a domina e transforma , tam bém amplia ou de s envolve s uas próprias necessidade s ; Ess e processo permanente de acumulo de conhecimentos sobre a natureza

e

de ações racionais capazes de transformá-Ia compõe o univer s o de idéias que

h

oje denominamos " Ciência " .

C iência é, pois, o c onhecimento racional , sistemát i co , e x ato e verif i cá ve l

da realidade. Por meio da in v e s t i gação c ientífica o homem reconst it ui arti f i-

c ia l men te o universo real em sua própria mente. M as ess a recon s tituição ainda .

n

ã o é d ef initiva. A descoberta e a compreensão de fato s qua s e s empre le v am à

n

e cess idade de descobrir e compreender novo s fatos. E como o r e s u lt ado das

invest igações depende dos conhecimentos já adquirido s e de in st rumento s ca-

p azes de aprofundar a obser v a ç ão , a Ciên c ia está sempre l i mitada às condiçõe s de s u a é poca.

O que era conhecimento v erd a deiro p ara o sábio da A n t iguidade, já não o

e r a pa r a o c ient i sta do Renas ci mento; e o que foi verdadei r o pa r a o cien t ista d o

s éc ulo XV I II pode já não o se r para o c i entista em nosso s dias. A ssim, diz-se

ta mbém que a ciênci a é falível , ou s eja , pode ser e x ata a penas p a ra de t ermin a -

que o homem tem do mundo é c ada v ez

do ' pe r íod o . O conceito cie ntí fic o

-1

\

o CONHECIMENTO

17

mais amplo, mais pr ofundo , mais detalhado e mais exato. Mas está ainda mui-

to longe de ser completo . Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico da ciência, é lóg ico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de conhec i mentos muito mais desenvolvidos e e x atos do que os de hoje.

Afinal, o que é conhecer?

' 7

Em l i nhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a p J:S Sm t _ ql t_e, Tu L o conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento, M -', -" 1

q ü êf f i C Õ nhece aca 6 a p ó r, ' a e ce rto mo õõ; - apr opriar-se do objeto que conhe- I V ' ;: > l; f :/'- ~ 1 ",

ceu. De certa forma, " engole" o objeto que conheceu . Ou seja, transforma em

c onceito ess e objeto , reconstitui-o em sua mente.

O conceito , no entanto ; não é o objeto real, não é a realidade, mas a p ena s

uma f orma ª e con ! ! ecer (Q U conce b er, ou conceituar) a realidade. O objeto real continua e x istindo como tal, independentemente a o f ato de o conhecermo s ou

não. Há duas maneiras de se conhecer um objeto, de nos " apropriarmos"

mentalmente dele. Uma é mediante os nossos sentidos , atra v és da nossa sen s ibi- lidade física ; a outra é mediante o nosso pensamento, através do nosso cérebro .

O conhecimento que adquirimos por meio de no s sa sensibilidade físi c a diz

respeito aos objet os físicos. Por exemplo: conhecemos uma cor porque nossos olhos v êem a cor; conhecemos um som porque nos s os ouvidos sentem a vibra- ção que produz o som; conhecemos um gos t o porque as terminações nervo s a s que constituem o no s so paladar di s tinguem o gosto. Disso podemos concluir que o conhecimento é sensível quando obtido mediante uma informação pres- tada pelos nossos sentidos (a cor excita os nervos ópticos que informam nossa mente; o s om, os nervos auditivos etc.). A outra forma de conhecimento é puramente intelectual. Mesmo sem qualquer informação da visão, audição, olfato, paladar ou tato, podemos co- nhecer uma idéia, um princípio, uma lei . É claro que se você assiste a uma con- ferência, seus nervos auditivos entram em ação . Eles são atingidos pela voz do conferencista , mas você f ica conhecendo as idéias expostas mediante um pro- cesso intelectual . A voz do conferencista é apenas um veículo. Ela só intere s sa na medida em que transporta o conte ú do da conferê ncia. O conhecimento des- se conteúdo - ou seja, a "apropriação" das idéias - é intelectual. Nem sempre essas duas formas de conhecimento - sensível e intelectual

- ocorrem isoladamente. Ao contrário, com freqüência combinam- s e para produzir conhecimento misto, ao mesmo tempo sensí v el e intelectual. Você pode, por e x emplo, conhecer-se . Seus sentidos lhe informarão sobre a cor de

sua pele, sobre seu cheiro , sua estatura, enfim , sobre suas características físi -

sobre seus próprios pensamentos, so-

bre sua maneira de agir ante determinado problema, sobre o tipo de entreteni- mento que você prefere etc. E todas essas informações estão relacionadas a um mesmo objetei: você.

cas. Mas será a mente que lhe informará

Q sQ!lhecimen t o lev a o J lgmem ) ~ aprol? ria t ; - s . e da ~ ade

e , ao mesmQ ~

tempo, a penetrar nela. Essa posse confere-nos a grande vantagem de nos tor- ~ iiãiriiârs a p tos para a aç ã o consciente. A i gnorância tolhe as possibilidades de

a vanço para melhor, mantém-nos prisioneiros das circunstâncias . O conheci-

18 o M E TODO CIENTiF I CO

monto liberta: permite que atuemos para modificar as circunstân c ias em nosso

e fício. Quando pensamos em termos de toda a humanidade, reconhecemos qu e s 6 podemos avançar mediante o conhecimento da realidade.

e

n

_Ela é constituída de

nu m erosos f u veis e es i D i t ~ ~ De um mesmo objeto - como, por exemplo,

um elemento químico, um àê fbração luminosa ou um conceito - podemos ob -

t e r c onhecimentos da realidade em níveis disti nt os . Esses conhecimentos nos

inf o rmarão sobre o objeto, nos apresentarão sua origem, sua aparência, sua

f un ç ão, seu significado, sua relação com outros objetos e assim por diante. De

um mesmo objeto, portanto, podemos obter conhecimento horizontal, mais

Mas a r ~ e~li<!~~ . J 1 ão . sedeix ~ des y ~ !! c: ! a L [ª 9

Lment~.

s

uperf i c ial, e conhecimento vertical, mais profundo, ou seja , desde sua apa-

r

ê n c ia mais simples até as implicações de seu relacionamento com outras estru-

u ras da pr6pria realidade . , Em outras palavras, ~ ealidade é tã Q . S :0J ! l . P . l e.~2~le

t

homem, para _ aprol 2 rias . = sedela, teve d ~ aceitar diferentes tipos de conhe c i : "

m e nte .

Há pelo menos quatro tipos fundamentais de conhecimento, cada um de-

l es s ubordinado ao tipo de apropriação que o homem faz da realidade. Esses

q uatro tipos são: o conhecimento vulgar, o conhecimento científico , o conhe -

c imento filosófico e o conhecimento teológico . Vamos exarnin á -los mais de

o CONHECIMENTO

19

CONHECIMENTO CIENTÍFICO

As principais características do conhecimento científico serão apresentadas no

capítulo seguinte. Por ora, apenas como termo de comparação com os demais tipos de conhecimento, basta um resumo de algumas delas.

O conhecimento científico resulta de , investigação metódica, sistemática

da realidade. Ele transcende os fatos e os f en ô menos em si mesmos, analisa-os

para descob ~ ir suas ~ concluir as l~is gerais que os regem. Como o objeto da Ci ência é o umverso material, fí SICO, naturalmente per - ceptível pelos órgãos dos sentidos ou mediante a ajuda de instrumentos de in-

v estigação, o conhecimento científico é verificável na prática, j2 or demonstra-

çã ~ . !!

segredos da realidade , ele os explica e demonstra com clareza e precisão, des-

cobre suas relações de predomínio, igualdade ou subordinação com outros fa- tos ou fenômenos. De tudo isso conclui leis gerais, universalmente válidas para

t odos os casos da mesma espécie .

~ l 'P ~ l m $ l1 !~ ç ª (). Além disso, tendo o firme propósito de d e sv - ê r Í d ài- os

CONHECIMENTO FILOSÓFICO

p

e rto .

 

O conhecimento filosófico tem por origem a ca p acidade de reflexão do homem

e

por instrumento exclusi v o o raciocínio. Como a Ciência ôão é sufi c iente para

C

ONHECIMENTO VULGAR

Ta mbém denominadct ' empírico" , 1 0 conhecimento vulgar é o que todas as

p

vivida ou transmitida por alg u ém . Em geral resulta de rem ; . t i

e ssoas adquirem na vida cotidiana, ao acaso, baseado apenas na experiência

® ~w iências,

explicar o sentido geral do universo, o homem tenta essa explicação através da Filosofia. F ilosofando, ele ultrapassa os limites da Ciência - delimitados pela necessidade de comprovação concreta - para compreender ou interpretar a

ção g,eral "p Q

~

--

" •••.-

realidade em sua totalidade. Medi@ . l e .- a - } j : j , l es t lfia '" e ' stã l 5 elecemouma" s - ê õncep- ~

cas uais de erro e acerto, sem observação met õ c ! i c~ E~! : P .Y -~ tif ic ~ çãos j stemática,

p o r isso carece 'ae' c arát ê r ' ê i e f iT íTi C õ . " Põ d e 1 ã ' mbém resultar de simples trans-

' mi ssã o de geraçâo - para ge r - aç ãõ ê~ assim, t r azer p ãr te a ã s 1 r a ãi ç Õ ~ 4 Bi n i a

' c : Q )

I

Não é necessário estudar Ps i cologia para se saber que uma pessoa está ale-

c ou está triste. Você conhece o estado de humor dessa pessoa porque empi-

ri

tri

t e m d a s coisas do campo. Ele interpreta a fecundidade do solo, os ventos mun c iadores de chuva, o comportamento dos animais. Sabe onde furar um

p oço p ara obter água, quando cortar uma árvore para melhor aproveitar sua

m ade ira e se a colheita deve ser feita nesta ou naquela lua. Ele pode, inclusive, rpre s e ntar argumentos lógicos para explicar os fatos que conhece, mas seu co- nh ec im e nto não penetra os fenômenos, permanece na ordem aparente da reali -

d a d e. C omo é fruto da experiência circunstancial, não vai além do fato em si,

c tivi a à ã é )

r

I

ca mente já passou por muitas experiências de contato com pessoas alegres ou

s t es. É igualmente vulgar o conhecimento que, em geral, o lavrador iletrado

10 f e n ô m e no, : i ~ so ~ l ! ! ; a ~ d : . : .o : - -- . ~ : --~ -_~.•

, -•-_

~ mb o ra e nível inferior ao científico, o conhecimento vulgar não deve

r m e n os pr ezado . E e constitui a ase do saber e já existia muito antes do ho-

m c m i m ag inar a possibilidade da Ciência .

- Tendo o homem como tema permanente de suas considerações, o filoso- far pressupõe a existência de um dado determinado sobre o qual refletir, por

isso apóia-se nas ciência s . Mas sua aspiração ultrapassa o dado científico, já

que a ess ência do conhe c imento

se. Tratando de compreender a realidade dos problemas mais gerais do homem . e sua presença no universo, a Filosofia interroga o próprio saber e transforma-

- o em problema. É, sobretudo, ~ specula t í Y[ J no sentido de que s uas conclusões

carec t m _ de ~ va m J J. l $ Ü alda _ fsalidade. Mas, embora a concepção f i losófica não ofereça soluções definitivas para numerosas questões formuladas pela mente, ela se traduz em ideologia. E como tal influi diretamente na vida con - creta do ser humano, orientando sua atividade prática e intelectual.

filosófico é a busca do "saber" e não sua po s -

CONHECIMENTO TEOLÓGICO

O conhecimento teológico é produto da fé humana na existência de uma ou

mais entidades divinas - um deus ou muitos deuses. Ele provém das revela- ções do mistério, do oculto, por algo que é interpretado como mensagem ou

o o M"TODO CIENTíFICO

niani f e stação divina. T ais revela~õ ç , ~ o transmi~jgas U.QLill&!!~!!l,.J2.Q.L t , fj l

ç l lo ac umula _ c ; I _ a AQ

N ã o é necessário que se seja monoteísta (acredite-se em um só deus) para

Q u e o conhecimento proporcionado pela fé seja teológico. Os gregos da Anti-

Qi: . ,

l

. Q- v gQ : : a a h . i~t s :t ti a _ o . u

at r :esa ~é. critOS. s ,. d J!~. $ . ~g L ªçlPS !

uidade e ram politeístas (acreditavam na existência de muitos deuses), mas os

s e u s sacerdotes já possuíam e cultivavam o conhecimento teológico. Atual-

m ente , os sacerdotes de diferentes religiões ocidentais e orientais conhecem

di s t int as entidades divinas e seus atributos, bem como suas relações com o uni-

v e rs o e o homem em particular, portanto possuem conhecimento teológico . De modo geral, o conhecimento teológico apresenta respostas para ques-

t õe s que o homem não pode responder com os conhecimentos vulgar, científi-

c o ou filosófico. Assim, as revelações feitas pelos deuses ou em seu nome são

c o n s ideradas satisfatórias e aceitas como expressões de verdade. Tal aceitação, po r é m, racional ou não , tem necessariamente de resultar da fé que o aceitante de posita na existência de uma divindade.

C ONHECIMENTO E VERDADE

De t udo o que acabamos de expor, podemos tirar algumas conclusões impor- ta nt e s para o estudo:

1 . O ser precede o conhecimento que temos dele. Sem que os seres, os fa- tos, os fenômenos, enfim, o mundo sensível exerça ação sobre os ór- gãos dos nossos sentidos, é impossível obtermos qualquer conhecimen- to objetivo. Em outras palavras, isto significa que a causa de nossas sensações é a própria realidade material . A montanha, o sapato, o som etc. são seres reais - eles existem independentemente da consciência que tenhamos deles.

2. As sensações dão-nos a imagem do universo real . Qualquer objeto ma- terial atua de alguma forma sobre os órgãos dos nossos sentidos, cau-

s ando-nos uma sensação. Essa informação é transmitida para o cére-

bro que , por seu turno, forma a imagem exata, a cópia, do objeto ma-

t e rial . Assim, nossa percepção da montanha, do sapato, do som etc . é a

imagem real da montanha, do sapato, do som. Por vezes os órgãos dos

se ntidos têm de ser auxiliados por instrumentos ou equipamentos que

a

mpliam nossa capacidade natural de sentir . Por exemplo: nossos

o

lhos não são capazes de ver um vírus, mas com a ajuda do microscó-

p io eletrônico essa deficiência foi sanada e já é possível termos a ima- ge m exata de um vírus. Radiotelescópios detectam a presença de astros

q u e nem mesmo os mais poderosos telescópios ópticos podem obser-

va r; a s sim, nossos sentidos recebem a sensação da presença de um ob-

j e to que está a alguns milhões de anos-luz distante de nós.

T udo isso significa que podemos conhecer realmente o mundo ma-

ter i a l , ou s eja, dele obtermos um conhecimento objetivo.

O CONHECIMENTO

21

3. O conhecimento racional objetivo não dispensa o conhecimento sensí - vel . Tomando a Ciência como ponto de apoio, a Filosofia produz co- nhecimento racional objetivo; quando não considera o dado científico, produz conhecimento racional abstrato ou subjetivo . Mas o conheci- mento teológico é produto exclusivo de fé, portanto, é exclusivamente conhecimento ideal, metafísico, abstrato. Podemos conhecer a realidade e encontrar a verdade se, ao conhe- cermos um objeto, um fenômeno natural , não introduzirmos na percep- ção que temos dele algo que não seja do próprio objeto ou fenômeno . Por exemplo: se você tem diante de si um relógio, sua visão, seu tato, seu olfato e sua audição informarão sua mente que aquilo é um relógio. Portanto, você não poderá dizer que a imagem "copiada" por sua mente é a de um chapéu. Se você disser que é um chapéu estará detur- pando a verdade . Quando deturpainos a verdade , deturpamos também o conheci- mento, pois relógio é relógio, chapéu é chapéu.

4 . A verdade é a realidade. Toda vez que há divergência entre o objeto real e a percepção que temos dele ocorre uma deformação da realidade , portanto, uma deturpação da verdade. Por seu turno, toda vez que há coincidência entre o objeto real e a percepção que temos dele, com suas propriedades reais, ocorre a representação da própria realidade, por- tanto, o conhecimento da verdade. É essa verdade que se denomina ob- jetiva, porque reflete com· exatidão o que realmente existe. Acontece l que muitas vezes manifestamos como verdade conceitos que são subje- tivos, ou seja, que não correspondern à realidade independente de nos - sa consciência. Nesses casos não obtemos conhecimento verdadeiro, porque o conteúdo desse conhecimento não corresponde à rea l idade , I mas a um conceito subjetivo do que se "julga" ser a realidade. -- 1 ' S. A negação da verdade objetiva é incompatíve l com a Ciência. A apro- priação do objeto pela mente, o conhecimento da verdade real, não - -subjetiva, é uma das razões de ser- da Ciência . Somente conhecendo a verdade real o homem pode desvendar o universo material, cornpreen- dê-lo e agir sobre ele para subordiná-lo às suas próprias necessidades. Sem a possibilidade de posse da verdade objetiva, ou seja, de conheci- mento da realidade concreta, a Ciência seria inútil.

I

RESUMO

Obtemos conhecimento através das sensações que os seres e fenômenos nos dão de si . Essas sensações propor c ionam - nos a imagem do universo real . Quem conhece al- guma coisa de certo modo "apropria-se" do objeto que conheceu, transformando-o em conceito . Mas o conceito não é o objeto real e sim uma forma de se conhecer a realidade. O objeto real existe como ele é, independentemente do fato de o conhecer-

mos ou não . Conhecimento verdadeiro é aquele que corresponde

à rea l idade objeti-

va. Sem que houvesse a possibilidade de conhecimento da verdade objetiva a Ciência seria inút i l .

o METODO CIENTíFI CO

C iência é, pois, o conhecimento ra c ion a l, sistemático, exato e verificável da rea-

lid a de. Mas e s t e conhecimento está sempre limitado às condi ç ões de sua época.

Há du a s formas de se obter conhe c imento: mediante os nos s os s entidos ou me -

d i a nt e o nos s o cérebro , o que resulta re s pecti v amente em conhe c imento sensível e co nh e cimento intelectual . Com freqüência essas duas forma s combinam-se , mas o

c o nhecimento intele c tual depende do conhecimento sensível . Como a realidade é

c o mplexa, para "apropriar-se" dela o homem aceita quatro di f er e ntes tipos de co- nh e c imento: vul ga r, científico, filosófico e teológico.

Q U ES TÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO

~ S l e c a pítulo enfoca alguns problemas filosóficos. Se você realmente com-

pr ee n d e u o seu conteúdo não terá muita dificuldade em responder às questões

aba i x o . No entanto, para desenvolver seus conhecimentos sobre o assunto , uti-

l ize a l g umas delas como tema para um trabalho ou como assunto para discutir .orn a l g uém.

O c onhecimento científico foi desenvolvendo-se aos poucos, apropriando- s e

d

a re alidade da natureza . Você crê que ele já atingiu a verdade em alguma

á

r ea do univers o real? Por quê?

O qu e é mais verdadeiro: o objeto real ou o conceito que temos dele?

Ex i s te alguma diferen ç a de qualidade entre conhecimento sens í vel e conhe c i-

m e nt o intelectual? Se existe, qual é essa diferença?

É po s sí vel adquirir-se conhecimento intelectual sem que de alguma forma o s

11

0SS 0S órgãos dos s entidos sejam acionados?

O

c a pítulo informa que , para apropriar-se da realidade, o homem desenvol-

v

e u q u a tro

tipos de conhecimento . Você é capaz de mencionar as caracterís-

I i cas q ue diferenciam entre si os conhecimentos vulgar, científico , filosófico

c t e o l ó g ico?

C o m o você explicaria o fato de muitos cientistas serem r eligiosos? Não há c on t radição entre o conhecimento científico e o teológico?

Ao inv e stigar a realidade, o homem extrapola os conhecimentos adquiridos e pr e v ê uma realidade que ainda não conhece, ou seja, formula uma hipótese . Essa hipót e se pertence a que tipo de conhecimento: vulgar, científico, filosó- fi co o u teol ógico? Por quê?

V ocê é capaz de dar um exemplo de hipótese que depois foi confirmada pela v e r ifi c açã o experimental?

A ciência e suas características

• Introdução

• Racionalidade e objetividade

• O conhecimento científico at é m- -se aos jatos

• O conhecimento , oientífi c o transe ; cende os jatos

• O conhecimento C ientífico é ana- lítico

• O conhec i mento c i e ntífico re- quer exatidão e clareza

• O conhecimento científico é co- municável

• O conhecimento científico é veri-

.

ficável

.

11

• o conh e cimento Científi c o d e - pende de inve s tigação metódic a

• O conh e cimento científico é s i s - temático

. é O conhecimento CieMífico busca e aplica lei s

• O conhecimento Científico é ex - plicativo

~ conhecimeruecientifico pod e

O

ja z er predições

' h

• O conhecim e nto científi co é aberto

• O conhecimento científico é útil

I NTRODUÇÃO

No capítulo anterior foi dito que sem a possibilidade de posse da verdade obje-

t iva a Ciência seria inútil. Ora, será que isso quer dizer que todas as ciências se ocupam com a busca da verdade material? Não, porque nem todas as ciências , t êm como propósito a realidade dos fatos. A Matemática pura, por exemplo, não se ocupa com o conhecimento de fatos reais. Como as demais ciências, ela

é também rac i onal, metódica, sistemática e verificável, mas não se ocupa dire-

t amente com seres ou fatos. O matemático trabalha com signos, abstrações que freqüentemente representam seres ou fatos reais , mas que não são seres nem fatos, são apenas números. Por exemplo: você pode somar cinco laranjas

e duas bananas para obter sete frutas; pode somar cinco homens e duas mulhe-

r es para obter sete pessoas. Em ambos os casos você . realizou a mesma opera-

ç ão aritmética, manipulando seres reais e obtendo um resultado real. Certa- mente cinco laranjas, cinco homens, duas bananas e duas mulheres são seres

reais . Mas, quem já viu um 5 e um 2 como ser ou fato real? O número

t ico é uma abstração, um conceito racional, uma espécie de forma vazia que

pode ser preenchida com diferentes tipos de conteúdo, desde que o conteúdo seja matemático. Em uma forma vazia 5 cabem cinco homens, cinco laranjas,

cinco montanhas, cinco planetas, cinco universos etc. 9 número puro é, pois,

@

Apesar disso, o conhecimento matemático é científico e utilizado pelas ciências que se ocupam com os fatos, naturais ou sociais. Aplicando o conheci- mento matemático podemos estabelecer relações de correspondência entre se-

matemá-

enas um c.Q Jl~

e k , J la. n~idade,

s< L existe-coffiO - cOD . C.e.P-çãomental

)

tN -- riFICO

( Í I

e{O~O [ 'sos e estruturas

de qualquer nível da realidade objetiva . Por

das diferentes

24 o rv1

f

lIdo pelas demais ciências (Física, Química, Economia, Fisio-

relações entre os fa-

í"c ;, etç.) para a reconstrução " P íe~lls aspectos.

~ es e at? e ~~~i~ í ce s , a verdade consiste na coerência do enunciado, oferecido

~

ss ~ el~ e cí~.

ogra ,

0, ,,;~a

t

, \ de idéia previamente aceitas. Por isso a verdade matemática ; ' las relativa ao sistema do enunciado.

jn

to s e~eu~ ~ t e tJI ~ ur - na proposição matemática

a

,1

5

t í l ' í ca. mente verdadeira

válida para um sistema pode

Vejamos o seguinte

em outro sistema.

c om~ u~"I~eítO ~! você soma aritmeticamente 24 + 1, obtém 25 e esse resultado

vinte e quatro unidades ar í tmé ti-

n ã o eca

., e JO P ~o. o 24 está representando

.

01> ' . er

de 7 ~

d V

. s t :ItUlr o sim imb o I o por um ser concreto;

' .

di igamos que esse ser

.

deixar 10:,a~.C~ f(),sfor~o. Para ~erific~r se o resultado . obtido

%

c

xemJ d e1í oe s ~r.0 você pode dispor vinte e quatro palitos de fosforo sobre a

ver a G ?~~t "d ~ ,to , acrescentar

"

final será vinte e

~a adição arit -

as

.

'

I d e

d í l

mais um. Claro, o resultado

.

ç

p sf " oro, o que corresponde

ao resultado obtido com a opera-

se J,a. um, .l ()"jvf~ mesmo resultado não será real se o enunciado tratar do sís -

me tica e~" c Je ~ os dias em horas. Nesse caso a fórmula correta da operação

~e s a e, ít"s tO ' h 25 mas 24 + 1 = l!

c mco pale"t~o ) ística do conhecimento

çã o. No Oí"l~ J lu oom fatos. Elas não

l e ;a de , J~ ~ ct ~ ser preenchidas

n

com diferentes conteúdos; utilizam apenas

Para elas o conhecimento matemático é um instru-

fi de símbolos interpretados e não de formas vazias. Além .2!§';"

c

g.

s

m e nto ~ é. ~ y la ~ r l lática pode ser considerado adequado ao seu objeto, ou seja,

so, as .cIJ a" P l P' e l{ ' - deiro.

e nunclav ~ ~< o e la J~stO pode - se compreender que

c? mpro ln"er tr minada

c l a ~o d~( 1 10 j e"f/er estudo especial, o que escapa

ace

e / ou experimentação

matemático não Ocorre com as ciên- empregam formas vazias (variáveis ló-

.

o ~ra~ et l~vP /{ etados.

ss se oi e

~a s jue tJ~ f i~ Jl ~ t~j tí q~ , . ~ ~ ~ e s .atis . f ~ z ~ ~ ~2 2 - S !!! ! O

l c a~ lq S lti t t .

im o °ol 5

J óg~çÇ L e c i 1 ~ F en Hi ", d g ~

V

f~e : lta ~ los _ cQI ! 10y ~ r dill le )[os~ Somente depois de devidamente

f observação

objetivas é que um enun-

com as demais ciên c ias

.

só aceita ser

até certo ponto. Sua análise aos limites desse livro de in-

a Matemática

presentes basta que você seja capaz

lt~ c ~aurl ~ ~ ologia . •para os~etivos

.

o III

(e ~ ática

como ciência forma l distinté L das ciências - que _ tê 1! L

c o nj un~ ê l~et ~~

c

ciências fáticas) naturais ol L cultuut i s

o mdo cãl O~;~' $ ~} tã Ó , ao exame das principais características das ciências fá-

tro uç ~J ! j '

de di s tit1

por o bj e t (110 '

g a

0'& ~

P a sse

tlcas.

fADE E OBJETIVIDADE

RACIO r

J~1

ocupam com os fatos da natureza e da sociedade apresentam

if rísti c os que lhes

são absolutamente essenciais e estão presen-

a racionalidade e a objetividade.

v e ~t .as demais características:

A

,'C c j 9 5c ~la~p~cirnento é racional e objetivo. Vejamos o que isso significa.

S t i n

9

~ s f

d oi s I ruÇO~/lM ,t l ~ '

I CH C'11I 111~\l1i

~

A CIENCIA E SUAS CARACTERiSTICAS

25

, - n h ec i rne nto ci entíf ! co racional aquele

que:

l . É c on s tituído y or conceitos , julgamentos e raciocínioS' J não por sensa-

ç ões, imagens , modelos de conduta

te, f orma imagens mentais de seres e fa t os, portanto,

nhec i mento sensível . Mas quando trabalha com o conhecimento racio-

etc . É evidente que o cientista sen-

depende do co-

n

a l , tem como

ponto de partida e ponto de chegada apenas idéias (hi-

p

óteses) e não

 

fatos.

 

=

-

>,, ' d

 
 

- -

u

.~

--

-

-

-""

 

.

2 . A s idéi a Sg ue compõem o conhecimento racional podem combinar-se de,

acordo com algum tipo de conjunto _ de

de produzir novas idéias ( m : .oposição dedutiva). Do ponto de vista do conhecimento, tais idéias podem s er conside i ã a as novas na medida em que expressam conhecimentos sobre os quais não se tem consciên c ia até o momento em que a dedução é efetuada .

r.

eg r as J ógi c as , - C Q . ID o - p rop ós i to

Por seu turno, \ ~ ~ ~ c

1 . Concor - P a . com seu o ~ jeto ! isto ~ anç ; a

: nto. , 5i~!! tífi S . 2 ob)et~vo f aquele que:

a ~ xat 1 E .ão da re ~ , !~ _ s 5 ! _ -

gundo o nível dos meios de observaç ã Q , l nves j igação

~

a;:=

.

x : :: : _

,.

, ".~-

•. ,.

.-.,

:t:c

Ou e x pe ri me rltâ -

-

~

-

-

~

çao . e sua epoca.

para

isso à observaçã õê - à experimentaçã o a TIv i ã â c f êsC o ntrolá v eis e , pelo

2. Verifica a adap t a. ç . ã pdas idéias (hipóteses) aos fatos ? ,recorrendo

' menos até certo ponto , reproduzíveis .

Estes dois traços básicos, a racionalidade e a objetividade, encontram-se

i ntimamente interligados no conhecimento obtido pelas ciências fáticas. Veja- mos quais são as demais características.

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO ATÉM-SE AOS FATOS

A Ciência tem 9 l ? LSE ósito de desvenda . L a * a1 i ç ! a, Q ~ éi j " - a _ a t iugi-lo ,

qual for o o b jeto do seu estudo, sempre começa por

estabelecer os fatos. Estes constituem o seu - ponto

chegada na investigação . Durante o p r ocesso de conquista do conhecimento da realidade, porém , nem sempre é possível, ou desejáv e l, respeitar a integridade

dos fatos. Muitas vezes é neces s ário interferir nessa integridade

a fim de

melhor conhecer a função de um órgão, o

o organismo que está estudando; o físico nuclear pode perturbar deliberada-

men t e o comportamento

de partida e o seu ponto de

aos f â1 õ s. O cientista, seja

atém-se

para se obter

dados significativ os da s propr i edade s

reai s dos fatos. Por e x emplo:

biólogo pode interferir , e até matar

do átomo que está analisando para melhor conhecer

sua estrutura e assim por diante .

É necessário , p orém, que a interferên c ia

.

s eja c laramente definida e con-

trolável, isto í o , o des v io

r

duzir a um conhecimento falso da realidade . A s sim , diz-se g u e o coohecim en iõ

c

é, passível de ava Jillç ão com c er to grau de e x atidão .

Caso co Ii t i : â = - o f ato e 1fi::

a eles .

: . =

provocado pela in t erferên - º ª - ªr!if ~

-

pode deturpar

ient í fiC O parre - das - f a l os , p O c l e T nterferir

ç ---- ' - ' ---

-

-

neles , mas sempre

-

~--- ~ - - " - --_ -

retoma

26 o MÉT ODO C I E N T i F/C O

A CIÊNCIA E SUAS CAAACTEAISTlCAS

27

o CONHECIMENTO CIENTÍFICO TRANSCENDE OS

F

ATOS

O

V'\O . !;'Mi

/'

,

conhecimento vulgar J comum, regis t ra a aparênci<Ulo. s

t~

, ' l ''i ''t"

ato L e fixa - se nela .

f

~

---

F r et tu ~ rrrerrr e h m i t a- s e ao fato íso l a d o.e esfor : ç a - se _ nouco para explicá-Io ou ara estabelecer suas relações com outros fatos. C om o conhecimento científi -

c õi iã o se dá ãi n - e S r nõ - : - A o analisar -um f'ãfi5-;-0 conhecimento

~ penas trata deex2 ! icá-Io ~ ! lmb é m

t

c ientífi co não

~ om ou- - ,

busca desc p brir sU l l i ela ç2 E 2

ro s fatos

~~

, • o f . ~N:''';~~;;'o~-,i ' f l [

e explicá-Ias

t rí j t ã d e

conhecer a reah d a ê l e alé m d e suas apar ê n-

,.• "0

000

-

~o_

0-

o"

~,~

_,,_

Por não se contentar em descre v er as e x periência s, a Ciên c ia s in t etiza-as,

c

ompara - a s

com o que já sabe s obre outro s fato s, de s cobre

s uas correla ç ões

;H l l lo c o nstante m e n te s endo submetidas à pro v a da experiência e da ve -

1

I 1 1 11 I ~ ' n( ) , l i e xat i dão

e a c lareza são requisitos

indispensáveis.

Por e x emplo,

II n . I N l ' c o m unica

I 1 ~ 1 ' 1 lI o b s c ur a,

11

1111 verlflcação.

um a investigação científica em termos vagos, nem com lin-

pois i s so poderá confundir ou anular sua experimentação ou

de qualquer inexati -

d nl l 01 1 e rro. Ma s como a Ciência dis p õe: . : . d e - m ~ " s . to s _ pa L~cobrir

pl Ó p r i u pr es e n ç a de erro lhe é útil, p ~ H ; [ u e a eXJ 2 o ~ içãO do erro conduz nova-

mente ao esta b el ecimen t o

Obviamente isto n ão exime o conhecime t í t o . c í entífico

erros, a

da e x atidão . O conhecimento do ine x ato é, em si,

R I ' o l - ei t o . J a _ l J lbér n . @: suas even-

)(1110. A ss i m ,

9 . ~ _ cim e nt 9 3 jent j fico ~ ti rª

I l l I d s fa l has .

c

om outros níveís e e s trutu r a s

da realidade e trata de e x plicá-Ia s at? ' a' Vê s ãe1 1 i : "

p

ó t es ~ ~ Q ua n d ; : ; Zo os~g~

~~ p r o y ' , i=! I i . Y ~ r . gâ de ,, 9 o a s } ' ! i . J). , é t~ . s . Sestas; ~ tran S f o r: ~

,

,.

1

,.

mam-se em e nunci a dos de lei s gerai s. Portanto , os cientistas também l ev am se u c onhecimen f õ ã lém dõ'S f ãt õ S o T s ervado s , presumem o que pode haver por

t r á s deles. A exi s tê n cia do átomo, por exemplo, f oi predita muito antes que de- la houvesse qualquer comprovação objetiva.

o conhecimento científico rejeita as n o vas

hi póteses que sejam i ncompa tí veis com t udo o que já c onhe c e e recebe u c o m- pr o v a ç ão f i dedigna.

A pesar dis s o , habitualmente

() C ONHECI M ENT O CI ENT IF ICO EI, COMUNICA V EL

() c o nhecime nto científico é propriedade

I

de toda a humanidade

e sua lingua-

l!TI de v e i nfo rmar a todos aqueles seres humanos que tenham sido instruídos

pur a en t e nd ê -Ia . S ua - m a neita de e xp~ ssa L = S _ e A s P

p ress iva. Seu pr Opó sito é o de comuni c ar,

A comun i ca15i r r a ã c i ' ê ã õêõ ' ií 1 1 e C iment ô ê ierí - t ífic ü é par tiCii larmente possí- vel g r aç a s à e x a t idão e à clareza com que tem de ser formulado - condições

Q . retudo informativa, não ex-

não ~ Ci 7 $ ;( f ii z i f ' : '- -- '-"

O CONHECIM E NTO C I E N T Í F ICO É ANALÍTICO

\ l 2J do estuda um fat o , a Ciênci ~ rata

d e ,. ! nalisá - I o. Pa rª- M ~ c om R2s .

<?~

tod o em par t es

n ã o necessariamen i e nas

m e nores pa r tes e m que o t odo a d-

- m i t ê ' { H v i são. T al decomposição

tot alid a de e as i nt er l i gações que ju s tificam sua integração, da d e .

t e m o propó s ito

de descobrir o s eleme n tos da

a unidade da totali-

A Ciência ocupa - s e de problemas cir c uns c r i to s

e v ale- se de sua análi se

mais c omo um i nstr umento pa r a co ns tru ç ão d e sínteses teó r ica s . Sua inves tig a-

ç ã o co meça pela de c ompo s ição d o õ õ J e t õ ' Pá ra

tura " mecânica "

_ ela n ro ss e-

c obert a e a análi s e dos elementos compo nen te s do " m êcã msmo "

r ê m ar êlêsê"00rif qual é a estru-

do objeto obser v ado .

M a s a análi s e não termina com a des -

I

ndi s pe n sáv eis para a compro v ação e a v erificação dos seus dados e hipóteses.

I

J m p r i nc í pio , embora admitam-sereser v a s à comunicação por mo t ivos de se- uranç a na c i o nal, toda s a s i n v estigaç õ es , descoberta s , no v as técnic as e hipóte -

s

es da a tivi dade cientí fica devem se r c omunicadas,

a fim de que se multipli-

q

uem a s possibilidades de sua confirma ç ão ou refutação . Só assim o resultado

de um tra balho pode se r r econhecid o como científico.

Entre cientista S - nãO - pod e

o.

h aY ~ g r e d _ o _ e JXl_ nu ltéria

q e conheci me nto cien -

tí~ ~~

.~ A di v ~ a ~ ão

do conhecim $ , ! l . l . ~ ola llt; . ºP Jll. § i > ~ !2~ ~ s J , 9 _ êj . a

Ç

l ~.

b 'l " " l "' - ~oM~e,

rt>~A .- ?l . J Q . \A C A~~ ' Ó

i::::::J.'\

C~

G ' Tt - / t ;; ~f ; Q I ~ I

-

. - '

.

O CONHECIMENT O C IENTÍFI C O É VERIFI CÁ VEL

uc na o b s er v a ç ã o a a xame, a C' ê - ia

i irter : re I ãÇã o das art es. Fin a lment e,

r e

rUi r o todo

ao sintetiza r seu

- de que uma síntese pode ser

mas õfuz em ~ o s

tnt c rti g ad a s. Por essa razão não ac ~ ita a pretensão

b t id a se m a pr é y ~~ - : - -' -'

-

o C ON HECI M E NTO CIENT Í F I CO REQUER E X ATIDÃO E LA REZA

() c nnhe c im e nm v ul g ar é habitualmente ob s curo e pouco precis 9 . O científico, 11 11I s e u t ur no, esf or ça - se- ãõ má x imo para ser J eX ãrt e claro J Com õ suas fo r mu-

~

28 o METO DO CIENTiFICO

A norma segundo a qual as hipóteses científicas devem ser aprovadas o u

r e futadas mediante a prova da experiência tem sua aplicação dependend o d o

tipo do objeto da ciência, do tip o da formulação em pauta e dos meios de ex-

perimentação disponíveis. Precisamente por esse motivo é que as ciênci a s re - querem uma grande quantidade de técnicas de verificação objetiva . -

A essência do conhecimento científico reside no fato de ser verificável . Se

assim não fosse, não se poderia afirmar que as ciências buscam obter conheci- mento objetivo.

o CONHECIMENTO CIENTÍFICO DEPENDE DE INVESTIGAÇÃO METÓDICA

o cientista ~ a o seu tr ª - ~ alhq, sabe o que p rocura e como deve I 2 r 2 c : c ! . er : .

'

p' ! !" ll ncontrar o _ q Jl e dese.ja. E: claro que o planejamento não exclui o imprevis-

to , o casual - mas , ao prever sua possibilidade , trata de aproveitar a interfe-

rência do acaso, quando esta ocorre, e de submetê-Ia a controle.

O conhecimento científico não resulta da invenção isolada de um cientis-

ta. Toda investigação efetuada Pelas ciências baseia-se no conhecimento ante- rior, particularmente nas hipóteses já confirmadas, nas leis e princípios já esta- belecidos - o que representa o resultado do trabalho de inúmeros outros in -

vestigadores. Além disso, o processo das investigações segue e ! ~ p _ a~,n0 ! ! ! ll ! s e

~ n j ç . as- ) _ ç yi ª J @ í c ã : ç , ão obedece a um méto . W L w : . e . ~ t at > $ k c l !: ! 2Em. verdade,

l

a i§

n . o JJ llaS j ~ J écni ~ . a 1 Jl o , < i em _ seJ;c _ ont . inuame ! l! : aperf~iço - ª -- d , as. à . medjda'lue . s~_

disl 2 .õemde ~ OS

sucedidas etc . •p vale a pena recordar que as ciências fáticas não se distin -

guem entre si apenas pelo objeto de sua investigação, mas também pelos méto - dos específicos que utilizam para investigá - Io.

i !!§ .! r !n : l ~ " ntos _ de

l

y _ e . ri fi . Ç . ª - ç i ! 9 , . s l~ ua Dl : s. e J lO y. as_ experiências

- Qem

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO É SISTEMÁTICO

T od a Ciência é constituída de um sistema de idéias interligadas logicamente.

U m s istema de idéias que se apresenta como um conjunto de princípios funda-

me n t ai s , adequados a uma classe de fatos, compõe uma teoria . Assim , cada

C i ê ncia em particular possui sua própria teoria ou grupo de teorias. Pode-se considerar que a inter-relação das idéias que compõem o COfpO

d e uma teoria é orgânica. Ora, aceitando-se a organicidade dessa inter-relação

pode - se c ompreender que a substituição de qualquer um dos princípios básicos prod u z uma transformação radical na teoria . Por isso diz-se que o conheci-

me nto e ient i f ico s i s tem á t i c o , ô Ü - Séjã , C õ ií S t ftui um

~--.~ .-_-~, .~.- . '

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. • .

A CIÊNC I A E SUAS CARACTERisTICAS

 

29

Ii .r

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)NI I1 4 : < ; IM E N T O C IENTÍFICO BUSCAE'lpi~~A~EI S

I b u sca as l e i s da realidade e aplica-as. O conhecimento científico tra- r lr os f a tos i s olados em normas gerais denominadas "leis naturais"

o c ln l s" .

( ' l e n d a n ã o basta a descoberta das características singulares dos fatos

I I lI l I v l dll l l l s_ O c onhecimento científico requer o que eles p os S ú ' W i ' de uQ iv er ; - 1\ pr oc ura r descobrir os traços comuns aos indivíduos (seres, fe nô~ e nõ s I I ) ql l t . ' sfto úni c os, e encontrar as relações constantes entr e eles, o cient i sta 11'11111 ex p o r o q u e existe de essencial no universo real. Ou seja, não se detém

' " ' ~ ( jll l ll i d a des e s s enciais dos . fatos , f!l~Sbusca se Ql P ~ úa u Jli i er s alidade . , _ as J eis rue dc l e rm in a m a constância de sua i nterli~ ção. , E gua ~ o se aoo § sadessª s -

l t ' l ~ t I Ip l i ca - as na busca de outras leis.

o CO N H ECIMENTO CIENTÍFICO É EXPLICATIVO

'

l ê ncia trata de explicar os fatos . r eais em termos de leis, e as leis da realida-

.

.-- - - ~ =--------

k e m ter mos d e : P r i n c iPIõS ' : - -"- ' -

s c ientistas ~ ão se l lrn ltam a d escrever de J : - ªHg dam~nte os J ~ ~ tratam

-dx'

!'

\t e nc ontrar suas causas, ~ ~ as rel~ ~ ~ l ~m .,, §

e ~J . tª,r~; e}açõ . e . § .ÇQ l ! k : P - utf.QS-

nuos. Seu objetivo é oferec e rre s posta às indagações, aos ~ 9 Anti- unc n te acreditava-se que exp l icar cientificamente era expor a causa dos fa- IOS. No entanto, hoje reconhece-se que a explicação causal dos fatos é apenas um d o s tipos de explicação científica . Como a explicação científica se efetua s e mp r e em termos de leis ehá diversos tipos de leis científicas, há também dife- r e ntes tipos de e x plicação, tais como dinâmicas, morfológicas, dialéticas , cine-

máticas, de asso c iação , de composição etc.

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO PODE FAZER

P REDIÇÕES

B a s eando-se na investigação d . qs fatos ~ no acúmulo das eX. E .er ~ r - ~ as ,o conhe-

c imento científico Q . Ç iÇ l. í Q r eàize .

a predição científica nada tem a ver com a profecia . Ao contrário desta, el ã se

baseia em suas leis já estabeleci das e em informações fidedignas sobre o estado

e o relacionamento dos seres ou fenômenos. Por isso, quando faz suas predi-

ç ões sempre as subordina a determinadas condições. Por exemplo, prediz:

" acontecerá F toda vez que ocorrer M , porque toda vez que ocorre, M é segui-

do por ou está associado a F" . Mas a predição científica, com justa razão, não é in i al~ l . , Como depende

de leis e de informações : pode falhar na medid ã em que essas leis e informa-

ç ões apresentem imperfeições. Contudo , mesmo quando falha continua sendo

P ~ q!!S l Pi . g " passadoQ " q.!le_ e . !i e l á . 2 futuro . Mas

útil , pois sua falha pode permitir a correção das leis ou das informaçõe s em

que se baseou.

30 o METODO CIENTiFICO

,

o CONHECIMENTO CIENTÍFICO É ABERTO

Como a investigação científica depende das circunstâncias de sua época, dos

SQ !1he f imC ; , n i ll S _ aCUIDuladQl/ . d ' Q s ~ instmmentos_ ctt iI J . ~ S . § tf g é; ! Çã 9

seus J ~ c: ; . § ' lJ.ltados ~ não

, ª a, ! . ;S , e . c . oma aplic !! s: J , Q , denovos J l!~t ! l ! .~ , e9 1 0 ~ ~ j g§ , ~ o meio natu f ã l õü " ;; o-

c ial pode sofrer modificações significativas, já que a ação da natureza e do ho-

mem permanece em constante movimento. Sempre é possível imaginar-se o surgimento de uma nova situação na qual nossas idéias, por mais firmemente comprovadas e estabelecidas que estejam, revelem-se de algum modo inade- . quadas. Por conseguinte, o conhecimento científico não é dogmático. Ao contrá- rio, é aberto precisam e n t e p orq úê " fê c õnhec ese r f ã IT Vê C E ' s sa c o . ndíção permite

que ele se renove: a uma nova situação na qual as leis existentes se mostrem inadequadas, ele se propõe a novas investigações que resultarão na correção ou na total substituição das leis incompatíveis. Os sistemas de conhecimento científico são como organismos vivos em permanente crescimento: enquanto estão vivos se modificam. E isso assegura o progresso da Ciência.

t

:

. ~ poní ~ ! .

sãQdefinitiY.,Q

~ PlJ jmutáy , eis e - . A observação pode aprofun :

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO É ÚTIL

Como busca incessantemente a realidade não . se aferra a dogmas, o conhecimen- to científico proporciona ao homem um instrumento valioso para o domínio da !2 atureza e _a .~~~ é U~ 9 . f .i~9a . Q . e, . e iR : ~ n 7l@ : ! Q] . Q]~]§ , m e J i i : · '

RESUMO

. J '

-,

As ciências que se ocupam com os fatos da natureza e da sociedade apresentam dois traços característicos que Ihes são fundamentais: a racionalidade e a objetividade. A

racionalidade diz respeito à forma conceitual de conhecer; a objetividade , à cOl } cor- dância com a realidade. Por isso a Ciência at é rn-se aos fatos, mas ao me s mo tempo transcende-os no sentido de que busca conhecer a realidade além de suas aparên-

c ias. Com esse objetivo, decompõe os fatos a fim de melhor analisar os elementos

que compõem a totalidade e descobrir as interligações que justificam sua unidade no

. O conhecimento científico exige formulações exatas e claras, pois requer que se-

jam verificadas antes de aceitá-Ias como verdadeiras . E esta capacidade de verifica-

ç ã o determina ' sua comunicabilidade, pois sem comuni c ação não há informação;

se m informação não há como verificar, observar , demonstrar ou provar uma for- mula ç ão. O conhe c imento científico depende também da investigação metódica da reali-

d

s m é todos funcionam como garantia da exatidão do conhecimento adquirido) e é

a de (resultantes dos conhecimentos adquiridos na busca permanente da realidade,

o

s i s t e m á ti c o, porque baseia-se em um sistema de idéias organicamente ligadas entre

s i . Es se s i s tema tem a f i nalidade de encontrar a universalidade dos fatos, as leis que

d e t e rmin a m a constância de sua interligação. A posse dessas leis permite . que elas se- ju m a pli c a da s na busca de outras leis. E, assim, a Ciência vai explicando os fatos.

todo.

A CIÊNCIA E SUAS CARACTERisT I CAS

31

P o r outro lado, baseando-se nas leis e princípios que já domina, o conhecimento

c i e ntífico também pode fazer predições . Isso não quer dizer que seja uma espécie de

"profeta" infalível, mas suas falhas servem para revelar e corrigir deficiências nas pr ó prias lei s e princípios em que baseia suas predições. Essa característica demons-

tra sua abertura , pois está permanentemente sujeito à revisão , aperfeiçoamento e de- senvolvimento. Enfim, o conhecimento científico é útil, que proporciona um ins- trumento valioso para o domínio da natureza e a reforma da sociedade em benefício

da humanidade .

QUESTÕES PARA AUTO-AVALIAÇÃO

Você acaba de conhecer as principais características do conhecimento científi-

c o. Se compreendeu o que significam, não terá dificuldade em responder às

questões abaixo. Use-as também como tema para um trabalho ou para discus-

s ão com alguém.

• Como é possível que o conhecimento científico se atenha aos fatos e, ao rnes- mo tempo, transcenda-os?

• Como se explica que a Matemática pura seja considerada ciência se o objeto de sua investigação não são os fatos reais?

• Como se verifica a exatidão de uma formulação matemática?

• É possível aceitar-se como verdadeira uma formulação que não possa ser ex- perimentalmente comprovada?

• Por que motivo o conhecimento . científico depende da investigação metódica?

• Quando interfere no fato que investiga, o cientista não está alterando a inte-

gridade do fato?

• Por que o conhecimento . científico esforça-se ao máximo para ser exato e cla -

ro? Isso tem algo a ver com a busca da verdade?

• Que sentido tem o fato de o conhecimento científico ser sistemático? De que nos serve conhecer e aplicar as leis da natureza?