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BEZERRA

DE
MENEZES:
O Médico
dos Pobres

AS GRANDES ENTREVISTAS IMPOSSÍVEIS:

O Espantoso Gurdjieff

Emoção x Desempenho Profissional

R
R
SHANTI - SETEMBRO/2008 - PÁGINA 2

EDITORIAL
Nesta edição, trazemos
matérias de duas grandes
personalidades: Bezerra de
Menezes e Gurdjieff, den-
tre outras é claro. INFORMAÇÃO DE PAZ ATENÇÃO!!!
Porém chamou-nos a
atenção a semelhança de Gostei dos textos da revista Shanti,
DIVULGUEM...
pensamentos, em tempos
inclusive vou repassá-la à minha lista de
tão distintos. Bezerra de
Menezes, o médico dos po- contatos para que mais pessoas tenham Existe uma bela biblioteca digi-
bres, como era chamado, acesso à leitura. tal, desenvolvida em software livre,
disse que o verdadeiro Faço apenas uma ressalva: as pes- onde você poderá ter acesso gra-
médico não é negocian- soas que seguem o caminho espiritual tuitamente:
te da medicina. Gurdjieff deveriam se esforçar por excluir de seus · Ver as grandes pinturas de
afirma que a imortalidade textos e de suas falas o termo “homem”
não é uma propriedade
Leonardo Da Vinci ;
porque há vários anos já está claro que
que nasce com o homem, a expressão é excludente. Talvez subs- · escutar músicas em MP3 de
ela deve ser adquirida. tituir por “pessoas” ou ainda ser huma- alta qualidade;
Em ambas as afirmati- no, como está no seu texto no corpo do · Ler obras de Machado de Assis
vas, percebemos o compro- e-mail, ficasse melhor, porque inclui a Ou a Divina Comédia;
metimento destas persona- todos: homens e mulheres em todas as · ter acesso às melhores
lidades com o bem estar do
suas etnias, raças, orientação sexual, historinhas infantis e vídeos da TV
homem e, que sua reputa-
ção deriva de seus atos, etc. O que você acha? ESCOLA
palavras e ações. Beijos e paz · e muito mais
Sathya Sai Baba nos en- Ana Lúcia Garske
Este lugar existe! O Ministério da
sina que somente estamos Educação disponibiliza tudo
em equilíbrio quando nos- Bom dia Ana,
sos pensamentos estão em Obrigada pelo reconhecimento ao isso,basta acessar o site:
harmonia com nosso cora- nosso trabalho. www.dominiopublico.gov.br
ção e atitudes. Quanto a sua ressalva, achei inte- Só de literatura portuguesa são
Om Sai Ram ressante sua colocação, porém, ao reler 732 obras!
o texto de apresentação vi que existem Vamos tentar reverter esta si-
EXPEDIENTE duas formas descritas no texto para se tuação, divulgando e incentivando
referir a mesma pessoa: o ser humano. amigos, parentes e conhecidos, a
Direção/Edição: São elas: o legado da Revista Shanti
Laura Fahning utilizarem essa fantástica ferramen-
é “levar uma informação de paz aos ho-
shanti@revistashanti.com.br mens de boa vontade”. Aqui fazemos alu-
ta de disseminação da cultura e do
Projeto gráfico/ são ao texto bíblico de Lucas 2:14, onde gosto pela leitura...
editoração: um exército celestial louvou a Deus, por Divulgue para o máximo de pes-
Iza Pyjak ocasião do nascimento de Jesus. Veja que soas!
iza_pyjak@yahoo.com.br este texto, “Glória a Deus nas maiores
Ilustrador:
Yuri Pyjak Ricci
alturas e na terra paz entre homens de
boa vontade”, não faz qualquer tipo de
SOS TERRA
yuri_pyjak@hotmail.com
discriminação, somente o desejo de que
Capa: com o nascimento de Jesus houvesse paz Muitos de nós, não tem a cons-
entre os homens, ou seres humanos. ciência e nem se dá conta de que é
O segundo ponto é que os textos são cercado por essa perfeição divina.
de vários autores e, antes de publicá- Deus em todos os lugares a to-
los, verificamos se há no conteúdo, algo dos os momentos. Quem procura
que vá de encontro a este legado, pois
Deus é só olhar para a perfeição da
como descrito no texto de apresenta-
ção, somos comprometidos com o bem
Natureza, para a beleza deste pla-
estar do ser humano; mas note, esse neta.
bem estar não diz respeito somente ao A natureza espelha esta perfei-
Ricardo Movits
shanti@revistashanti.com.br “homem”, mas a todo “ser vivo” do pla- ção e o homem, que tem Deus
neta, por isso publicamos a matéria so- dentro dele, e por não ter esta cons-
bre os golfinhos. ciência, ainda caminha para ela,
Os desenhos de Yuri Pyjak
Ricci, assim como a capa de Apreciamos muito sua colocação e, exerce este poder divino na
Ricardo Movits estão gostaríamos que sempre que tiver opini- Terra e provoca tantas sombras que
disponíveis para venda e ões deste tipo, manifeste-as, porque des-
encobre essa Perfeição Divina, a
serão enviados via e-mail ta forma estará nos ajudando a melhorar
para impressão. esta “informação de paz”, independente nossa disposição.
de sexo, raça, etnias, religião, etc... Fátima Louzada
Solicitação: Om Sai Ram. Planeta Terra
shanti@revistashanti.com.br Laura Fahning http://video.thesecret.tv/
yuri_pyjak@hotmail.com shanti@revistashanti.com.br windowsmedia/planet_earth.wmv
SHANTI - SETEMBRO/2008 - PÁGINA 3

O espantoso Gurdjieff
Saltando as barreiras do tempo e do espaço, o nosso
enviado especial, Sérgio Alagemovits, entrevista
Gurdjieff, no ano de 1916, na Rússia, em plena guerra.

Em um castelo, em Fontainebleau, a cada viagem, eu levo algumas para


criou uma espécie de comunidade filo- vender.
sófica, onde conseguiu reunir conside- S – Procuro trazê-lo e indago sobre
rável grupo de alunos e adeptos. A par sua infância.
de algumas idéias disparatadas e, até G – Não sei como pode isto interes-
certo ponto pretensiosas, exprimiu al- sar a alguém, mas passei os primeiros
gumas teorias originais, válidas até os anos da minha vida nas fronteiras da Ásia
dias de hoje. Menor, em condições muito pobres. En-
Um dos seus mais destacados discí- tre rebanhos de carneiros e em contato
pulos, Ouspensky, reuniu o essencial de com povos e costumes inusitados. Mi-
O nosso suas divagações no livro “Fragmentos de nha imaginação foi bastante ativada pe-
entrevistado é um Gurdjieff Ensino Desconhecido”, do los Yesidas, os “Adoradores do Diabo”,
uma das qual retiramos o material para a presen- que adotavam costumes incompreensí-
te entrevista. veis e tinham uma estranha dependên-
figuras mais Em 1920 está na Alemanha, em 1921, cia a leis desconhecidas e misteriosas
misteriosas e na América. Morreu em Paris em 1949, para mim. Veja um exemplo: lembro-me
dizendo aos seus discípulos. “Deixo-vos perfeitamente, que os meninos Yesidas
contraditórias em maus lençóis”. Este é o nosso entre- eram incapazes de sair de um círculo tra-
do princípio do vistado que afirmava, entre outras coi- çado ao seu redor, no chão.
século. Os sas: S – Entendo que Gurdjief teve seus
primeiros anos de vida em uma atmosfe-
pormenores de - A imortalidade não é uma proprie- ra de lendas e tradições. Ao seu redor, o
sua vida são dade que nasce com o homem. Ela deve “milagroso” havia sido um fato real. Es-
ser adquirida. cutou profecias que eram acatadas e
pouco - O homem não é uma pluralidade. acreditadas pelos adultos que o cerca-
conhecidos. Seu nome é legião. vam. Participou de olhos arregalados, de
Consta que fez - A evolução não é obrigatória ou rituais e cânticos mântricos. O conjunto
mecânica. É o resultado de uma luta de todas estas influências criou nele uma
espionagem a consciente. inclinação para o misterioso, para o in-
favor de várias - Um ritual realizado sem alterações compreensível, para o mágico. No nosso
ou deturpações tem mais conteúdo que contato preliminar, pude perceber que ele
grandes cem livros. falava de maneira evasiva acerca das
potências, escolas e dos lugares onde encontrou o
aproveitando- Gurdjief está aqui, bem na minha fren- conhecimento que, sem dúvida, possui.
te. Tipo oriental, bigodes negros, olhos Sei que tem grupos secretos de pesqui-
se de suas penetrantes. Sua simplicidade interior e sas e estudos e pergunto o que deve
numerosas a naturalidade com que fala, faz que eu fazer um homem para assimilar seus
esqueça que estou diante de um homem ensinamentos.
viagens à Ásia. que representa, para vários grupos de G – Que deve fazer? O homem é in-
alunos e estudiosos, o mundo do mila- capaz de fazer coisa alguma, sem antes
groso e do desconhecido. Está cercado compreender. Tem milhões de idéias fal-
de almofadas e novelos de lã, de todas sas e de conceitos falhos, sobretudo
as cores. Costura uma delas com uma acerca de si mesmo e, se algum dia qui-
agulha em forma de gancho. ser adquirir algo novo, deve começar por
G – A fabricação de almofadas é uma libertar-se pelo menos de algumas des-
das mais antigas formas de arte. Na Ásia, tas idéias.
persistem ainda, os antigos costumes de S – Mas como pode um homem liber-
sua tecelagem. Descobri que o preço das tar-se das idéias falsas, se ele depende
almofadas é mais elevado em São das suas formas de percepção que, na
Petersburgo do que em Moscou. Por isso, maioria das vezes, são falhas?
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O ESPANTOSO as que poderiam mudar o relaciona- tão pequena, que o efeito sobre suas
GURDJIEFF mento entre os homens e combater a vidas será nulo e não modificará em
mentira, o mal e a ignorância, perma- nada a sua compreensão das coi-
G – É claro que dentro dos limi- necem em segredo. Somente peque- sas. Vou dar um exemplo para que
tes das percepções humanas pode- nos grupos as conhecem e se negam você compreenda melhor o que es-
se errar em maior ou menor grau. a fazer delas um bem comum. Isto tou dizendo. Se, para dourar obje-
Mas, a suprema ilusão do homem, é torna as coisas mais difíceis e, até tos tomamos certa quantidade de
a sua convicção de que pode fazer. certo ponto, parece-nos ser uma ati- ouro, teremos que saber o número
Todo mundo pensa que pode fazer, tude injusta e egoísta. Por que o gran- exato de objetos que esta quanti-
que pode querer. Porém, para dizer de conhecimento está velado? dade permite dourar. Se dourarmos
a verdade, ninguém pode fazer nada. G – Para aqueles que são capa- um número exagerado de objetos,
O homem é uma máquina. Tudo que zes de assimilá-lo, o conhecimento cada um deles receberá tão pouco
faz, todas as suas ações, todas as está muito mais acessível do que se ouro, que não estará dourado, e as-
suas palavras, seus pensamentos, pensa. O grande problema é que as sim fazendo, teremos desperdiçado
sentimentos, con- pessoas ou não o o nosso ouro. A distribuição do co-
vicções, opiniões e querem ou não o po- nhecimento se baseia em um princí-
hábitos, são resul- dem receber. Na rea- pio análogo. Se tivéssemos que dar
tados de influências lidade, o conheci- conhecimento a todos, ninguém re-
exteriores. Por si “Não há nada oculto. mento não pode per- ceberia nada.
mesmo, o homem Entretanto, o tencer a todos, nem S – Esta teoria me parece incor-
não pode produzir conhecimento não pode mesmo a muitos. As- reta, pois a situação daqueles aos
um só pensamento,
chegar ao homem sem sim é a Lei. quais é negado o conhecimento, me
uma só ação. O ho- S – Como assim? parece cruel, triste e injusta.
mem é uma máqui- esforço da parte dele. G – Você não G – Absolutamente. Na distribui-
na que apenas res- Todos compreendem compreende isto, ção do conhecimento não há a me-
ponde a estímulos isto, quando se trata de porque não se dá nor sombra de injustiça. A grande
externos. conhecimentos conta de que o co- maioria das pessoas ignora o desejo
S – Então, não nhecimento é algo de conhecer. Especialmente nos pe-
comuns.”
há absolutamente material e possui to- ríodos de loucura coletiva, de guer-
nada que se possa das as características ras e revoluções, quando os homens
fazer? da materialidade. E, uma destas ca- entregam as matanças gigantescas.
G – Para fazer alguma coisa, an- racterísticas é a limitação, isto é, em Neste período, uma grande quanti-
tes é preciso ser. algum lugar dado e, em determinadas dade de conhecimento permanece
S – Entendo que para ser, temos condições, a quantidade de matéria sem ser reclamada e a acumulação
que nos valer dos ensinamentos da- é sempre a mesma. Quando então eu por parte de uns, depende do aban-
queles que já são. Acha você que o digo que o conhecimento é material, dono por parte de outros. As gran-
estudo da chamada literatura digo que em determinado lugar e em des massas não se preocupam com
esotérica ou mística, tão amplamen- um período de tempo, a sua quanti- o conhecimento e não o querem. Seus
te manuseada nos dias de hoje, pos- dade é previamente definida. interesses e suas aspirações estão
sa se constituir em um fator positi- Assim, podemos afirmar que du- voltados para caminhos que nada têm
vo no desenvolvimento do homem? rante o curso de certo período, diga- a ver com a sua aquisição. Analise
G – Por meio da leitura podemos mos, um século, a humanidade dis- os interesses maiores do homem de
alcançar alguns resultados. Porém, põe de uma quantidade definida de hoje e veja se não tenho razão.
os resultados seriam bem melhores conhecimento. Porém, sabemos, por S – Mas o caráter oculto e
se o homem soubesse ler. Se alguém uma observação elementar da própria esotérico, com que se reveste o co-
tivesse compreendido tudo aquilo vida, que a matéria do conhecimento nhecimento, não é a causa deste
que leu durante sua vida, teria um possui qualidades inteiramente dife- desinteresse das grandes massas?
grande conhecimento e eu me incli- rentes, conforme seja absorvida em Gurdjieff olhou-me como se eu não
naria a seus pés. Entretanto, a mai- maior ou menor quantidade. Tomada tivesse entendido nada. A minha per-
oria das pessoas não compreende em grande quantidade por um homem gunta não chegou a irritá-lo, mas,
nem o que lê, nem o que escreve. O ou por um grupo pequeno de homens, largando sobre um banco de madeira
essencial é compreender o que se produz resultados muito bons. Porém, alguns novelos de lã verde que tinha
lê. Por isto é difícil dizer se a leitura tomada em pequena quantidade por na mão, chegou à janela e conti-
é uma prática boa ou ruim. O impor- cada um dos indivíduos que compõem nuou de costas para mim.
tante é compreender o que os livros uma grande massa, não dá resultado. G – Não há nada oculto. Entre-
contêm. Tudo aquilo que o homem S – Então você acha que o co- tanto, o conhecimento não pode
sabe fazer bem, é um fator positivo nhecimento deve ser preservado por chegar ao homem sem esforço da
para ele. Se o homem sabe fazer bem pequenos grupos? parte dele. Todos compreendem isto,
um café ou um par de botas, já se G – Sim. Acho que se um pequeno quando se trata de conhecimentos
pode falar com ele. Mas o grande grupo de homens pudesse concentrar comuns. Ninguém ignora que são ne-
problema é que ninguém sabe fazer uma grande quantidade de conheci- cessários cinco anos de esforços e
nada bem. Conhece-se tudo, de uma mento, os resultados seriam maiores estudos para que se aprenda a prá-
maneira bastante superficial. e melhores. Isto porque, se uma quan- tica da medicina. Outros cursos du-
S – Ocorre que, de um modo ge- tidade definida de conhecimento for ram até mais tempo e exigem muita
ral, o conhecimento, isto é, as idéi- distribuída e assimilada por milhões de dedicação e perseverança. Contu-
pessoas, cada uma receberá uma dose do, “o grande conhecimento” é con-
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O ESPANTOSO ção do homem. Porém, não há evolu- ber, o homem sabe, mas não tem o
GURDJIEFF ção obrigatória ou mecânica. A evo- poder de fazer. É um saber inútil. No
lução é o resultado de uma luta cons- caso contrário, ele tem o poder de
ciente. fazer, mas não sabe o quê. Na his-
siderado oculto e as pessoas o que- S – E como você entende a evo- tória da humanidade encontramos
rem de imediato e sem despender lução do homem, como indivíduo? numerosos exemplos de civilizações
esforços. Assim, esquecem que de- G – No homem, o desenvolvimen- inteiras que pereceram pela desar-
vem lutar pela sua evolução e vol- to se opera ao longo de duas linhas: monia entre o saber e o ser.
tam seus interesses para coisas sem saber e ser. Para que a evolução se S – Você faz referências ao de-
importância. realize corretamente, ambas as linhas senvolvimento unilateral do saber e
S – E qual o seu conceito de evo- devem avançar juntas, paralelas uma do ser. Qual o resultado deste de-
lução? a outra e sustentando-se mutuamen- senvolvimento?
G – A evolução do homem pode te. Se a linha do saber ultrapassar a G – No primeiro caso, teremos
ser compreendida como o desenvol- do ser, ou se a do ser avançar mais um yogui débil, no segundo, um Santo
vimento de faculdades e poderes que que a do saber, o desenvolvimento estúpido.
jamais se desenvolvem por si mes- não é realizado regularmente e, cedo S – E o desenvolvimento do EU
mo, isto é, mecanicamente. Só este ou tarde, tende a deter-se. As pes- individual, como se processa?
tipo de desenvolvimento ou de cres- soas captam o que se deve entender G – Um dos erros mais graves do
cimento, marca a evolução real do por saber. Reconhecem a possibilida- homem e que lhe deve ser, perma-
homem. Não existe nem pode existir de de diferentes níveis de saber; com- nentemente lembrado, é a sua ilu-
outro tipo de evolução. Considere- preendem que o saber pode ser mais são a respeito do seu EU. Tal como
mos o homem no seu atual grau de ou menos elevado ou de melhor ou o conhecemos, o homem máquina, o
desenvolvimento. A natureza o for- pior qualidade. Porém, não se aplica homem que não pode fazer e atra-
jou tal qual ele é e, analisando cole- esta compreensão ao ser. Para elas, vés do qual as coisas apenas acon-
tivamente até onde podemos ver as- o ser designa apenas a existência à tecem, não pode ter um EU único e
sim ele permanece. Para compreen- qual, sistematicamente, opõem a “não permanente. Seu EU muda tão rapi-
der a Lei da evolução do homem é existência”. Não são capazes de com- damente como seus pensamentos,
indispensável perceber que esta evo- preender que o ser pode se situar, seus sentimentos, seus humores.
lução, além de certo grau, não é ne- também, em diversos níveis, em vári- Comete ele um profundo erro quan-
cessária para o desenvolvimento da as categorias e esquecem que o sa- do se considera uma só pessoa. Na
natureza em determinado momento. ber depende do ser. Contudo, ninguém realidade, a cada instante é uma pes-
Em termos mais precisos, a evolução compreende isto e não percebe que soa diferente. O homem não tem um
da humanidade depende da evolu- o grau de saber de um homem de- EU permanente e imutável. Cada
ção dos planetas. Porém, o proces- pende do grau do seu ser. É preciso pensamento, cada desejo, cada sen-
so evolutivo dos planetas, para nós, não esquecer que o ser do homem sação diz EU. E, cada vez parece
se desenvolve em ciclos de tempo moderno é de uma qualidade inferior. ter-se por seguro que este EU per-
infinitamente grandes. No espaço de Às vezes tão inferior que não há pos- tence ao Todo do homem, ao ho-
tempo em que o pensar humano pode sibilidade de desenvolvimento para ele. mem inteiro e que um pensamento,
abarcar, não pode ter lugar nenhuma Felizes aqueles cujo ser pode, ain- um desejo, uma aversão, sejam a ex-
modificação na vida dos planetas e, da, ser modificado. A maioria é ape- pressão do Todo. Contudo, cada pen-
por conseguinte, não pode também, nas um conjunto de máquinas samento do homem, cada um dos
ter lugar, nenhuma alteração na vida emperradas com as quais nada pode seus desejos se manifesta e vive de
da humanidade. O ser feito. Poucos são uma maneira independente e sepa-
homem contém em os homens que po- rada do seu Todo. Mas, o Todo do
si mesmo a possibi- dem receber o verda- homem jamais se exprime, pela sim-
lidade de sua evolu- deiro saber. ples razão de que não existe como
ção. Porém, a evo- “Felizes aqueles cujo S – Gurdjieff va- tal, salvo fisicamente como uma “coi-
lução da humanida- ser pode, ainda, ser garosamente saiu da sa” e abstratamente como um con-
de em seu conjun- janela onde estava, e ceito. O homem não tem um EU indi-
modificado. A maioria é
to, isto é, o desen- começou a arrumar vidual. Em seu lugar, há centenas de
volvimento desta apenas um conjunto de algumas almofadas milhares de pequenos EU’s separa-
possibilidade em to- máquinas emperradas pequenas. Senti que dos, que na maioria das vezes, se
dos os homens ou na com as quais nada pode o que estava ali era ignoram, não mantém relações e, até
maioria deles, não é ser feito. Poucos são os apenas seu corpo. pelo contrário, hostilizam-se uns aos
necessária aos de- Sua mente estava outros, são exclusivos e incompatí-
homens que podem
sígnios do planeta enfocada em uma li- veis. A cada minuto o homem diz ou
Terra ou do mundo receber o verdadeiro nha de raciocínio tão pensa EU e, a cada vez, seu EU é
planetário em geral. saber.” profunda, que não diferente. Até um momento, era um
Isto até poderia ser arrisquei nenhuma pensamento, agora é um desejo, de-
prejudicial ou fatal. pergunta. pois outro pensamento e assim su-
Por conseguinte, existem forças G – Geralmente o equilíbrio entre cessivamente. O homem é uma
especiais de caráter global que se o ser e o saber é ainda, mais impor- pluralidade. Seu nome é legião.
opõem à evolução das grandes mas- tante que o desenvolvimento sepa- S - Durante a entrevista com
sas humanas e que as mantém no rado de um e de outro. Mas, o de- Gurdjief, chamou-me a atenção a
nível de desenvolvimento adequado senvolvimento unilateral é exatamente sua naturalidade e, particularmente
àquele instante planetário. Tais são aquilo que parece interessar mais ao a completa ausência de qualquer pre-
as bases do meu conceito de evolu- homem de hoje. Predominando o sa- tensão de santidade ou de posses-
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O ESPANTOSO tecimentos seguem nosso. Ao mesmo
GURDJIEFF inexoravelmente, o tempo, você pode
seu curso. Noto, ao notar o aumento de-
são de poderes “milagrosos”. Entre- longo da nossa con- “As teorias situam o senfreado do
tanto, seus talentos eram extraor- versa, uma mordaci- automatismo. A ci-
homem no centro de
dinariamente variados. Suas atitu- dade penetrante e um vilização contempo-
des, suas idéias, sua figura, não se pessimismo velado
tudo. Como se o sol, as rânea quer autôma-
encaixavam em nenhuma das medi- acerca do homem e estrelas, a Terra e tudo tos. As pessoas es-
das comuns. Nas histórias que con- seu futuro. Volto ao mais que existe, tão perdendo aos
tou sobre si mesmo, havia muitos assunto da evolução tivessem sido feitos só poucos, seus costu-
elementos contraditórios e e ele entende que mes de liberdade e
para ele. E assim,
inacreditáveis. Referindo-se ao ho- precisa ser mais cla- independência e se
mem comum, chama-o de “máquina” ro.
esquecem a medida do convertem, cada
e sobre a psicologia como ciência G – Vou então me homem. Todas as vez mais, em “ro-
disse-me o seguinte: alongar um pouco a teorias “humanitárias” bôs”. Não são mais
G – Antes devemos compreender respeito deste tema. e “igualitárias” são do que engrenagens
quais os objetivos desta ciência. O Para muitas pessoas, de uma máquina.
irrealizáveis e se
verdadeiro objeto da Psicologia é o a vida da humanida- S – E como este
ser humano, a pessoa. Que psicolo- de não se desenvol-
realizadas, seriam processo terminará?
gia pode haver quando os homens ve como deveria e fatais. Tudo na G – É impossível
são máquinas? Para o estudo de má- inventam toda a natureza tem sua meta dizer como termina-
quinas, necessitamos é de mecâni- classe de teorias e seu sentido, tanto na rá. É impossível
ca. Todos os atos do homem são me- para renová-la. E, to- apontar uma saída,
desigualdade do
cânicos. Ele não se conhece e tra- das as teorias são se é que existe esta
balha como uma máquina. No momen- fantásticas, sobretu-
homem, como no seu saída. Só uma coisa
to em que ele se conhecer, deixará do porque não leva sofrimento.” é certa: a escravi-
de agir como máquina e começará a em conta o mais im- dão do homem au-
ser responsável pelos seus atos. portante, que é o papel secundário menta cada vez mais. E o pior é que
S – Então isto significa que o ho- que desempenha a humanidade e a se torna um escravo voluntário. Já
mem não é responsável pelos seus vida orgânica no Cosmo. As teorias não tem necessidade de correntes
atos? situam o homem no centro de tudo. ou grilhões. Começa a amar sua es-
G – Um homem é responsável. Como se o sol, as estrelas, a Terra e cravidão e se orgulha dela. Nada mais
Uma máquina não o é. tudo mais que existe, tivessem sido terrível poderia acontecer ao homem.
S – Existe algo de real nos feitos só para ele. E assim, esquecem A evolução da humanidade só pode-
ensinamentos e nos ritos das atuais a medida do homem. Todas as teorias rá ser realizada através de um grupo
religiões? “humanitárias” e “igualitárias” são que, por sua vez, influirá no restante
G – Sim e não. Imagine que ago- irrealizáveis e se realizadas, seriam das pessoas e as dirigirá.
ra estamos falando de religião e a fatais. Tudo na natureza tem sua meta S – E este grupo já existe?
minha empregada Mascha, ouve a e seu sentido, tanto na desigualdade G – Pelos sinais existentes, po-
conversa. Naturalmente vai compre- do homem, como no seu sofrimento. demos dizer que existe um grupo de-
ender aquilo que ouviu à sua manei- Destruir a desigualdade seria destruir dicado a este trabalho, porém, é tão
ra e contará para o seu noivo a par- toda a possibilidade de evolução. Veja pequeno que se torna insuficiente
te que recorda. Este, por sua vez, o estado atual da humanidade, ape- para influir no resto da humanidade.
compreenderá à sua maneira e con- sar de todas as teorias existentes. S – Os componentes deste pe-
tará para seu amigo que, indo ao Podemos dizer que a vida está go- queno grupo consciente se conhe-
campo, comentará com o povo aquilo vernada por um grupo de homens cem? Tem um relacionamento soci-
que as pessoas da cidade conver- conscientes? Onde estão? Quem são? al? Quantos são?
sam. Já, então, tudo estará diferente Vemos exatamente o contrário. A vida G – É claro que se conhecem.
e não guardará nenhuma relação com está em poder dos mais inconscien- Não poderia ser de outra maneira.
aquilo que falamos. É isto, precisa- tes e dos mais adormecidos. Por aca- Imagine dois ou três homens acor-
mente, o que ocorre com as religi- so observamos na vida, a vitória dos dados no meio de uma multidão de
ões hoje existentes e suas origens. mais capazes e dos mais valentes? adormecidos em sono profundo. Cer-
Os ensinamentos, as tradições, os De modo algum. Vemos reinar em to- tamente se conhecerão. E, a única
ritos e as orações estão desfigura- das as partes a vulgaridade e a estu- maneira de saber quantos estão
dos e irreconhecíveis. O essencial pidez. Podemos dizer que vemos na acordados, é acordar também.
perdeu-se há muito tempo. vida aspirações à unificação de to-
S – Estamos em novembro de dos os homens? Certo que não. Ve- Gurdjief morreu em 1949, em Pa-
1916. A situação da Rússia está cada mos apenas, novas divisões, novas ris. Suas afirmações, até hoje, são
vez mais tensa e inquietante. Sente- hostilidades, novos mal entendidos. Se objeto de controvérsias e discus-
se que a guerra se aproxima do seu tomarmos a humanidade como um úni- sões. Sua figura estranha e suas
clímax e do seu fim. Um profundo de- co homem, vamos observar o cresci- idéias profundas e polêmicas deixam-
sânimo domina todas as pessoas como mento da personalidade em detrimento nos a certeza de que a reflexão das
se elas compreendessem e sentissem da essência, isto é, o crescimento do mentes superiores não tem época,
na própria carne, o absurdo de tudo artificial, do irreal, daquilo que real- nem local: são eternas e uni-
aquilo. Todas as tentativas para de- mente é nosso, em prejuízo do natu- versais.
ter a guerra foram em vão. Os acon- ral, do real, daquilo que realmente é Sérgio Alagemovits
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Sobre Jardins
...Mas, passados uns poucos dias, cuidei! Tirei as lagartas de suas fo-
a tristeza bateu. A beleza dos bos- lhas – nem todas é verdade, por
ques e jardins era a mesma mas não causa das borboletas - eu a reguei
me dava alegria. Comecei a ter sau- e pus uma mordaça na boca do car-
dades do meu jardim, jardinzinho que neiro, para que ele não comesse as
Como vencer podia ser atravessado com duas dú- suas folhas...”
zias de passos. Os jardins do palácio Os adultos têm dificuldade de en-
uma montanha eram lindos, lindíssimos, muito mais lin- tender. As crianças são mais inteli-
dos do que o meu. Mas não eram o gentes, elas têm a inteligência do
de problemas? MEU jardim. Eu não os amava. O jar- coração. Quando morre um cachor-
dim que eu amava era aquele onde rinho e a criança chora, os grandes
Através de pequenos esfor- estavam as plantas que eu havia plan- se apressam em consolar: “- Não
ços, coisas grandiosas podem tado. chore! Vamos comprar um outro
ser realizadas. Uma imensa co- Senti-me igual ao Pequeno Prínci- cachorrinho igualzinho ao seu!” Só
pe. No seu pequeno asteróide ele ti- a criança sabe que nenhum outro
bra pode ser destruída por um nha um jardim com uma rosa só. E ele cachorrinho do mundo será igual ao
grande número de pequenas imaginava que sua rosa era única, não seu cachorrinho que morreu”...
formigas. Não se considerem havia nenhuma igual em todo o uni- Foi assim que me senti em meio
pequenos. Busquem adquirir a verso. Agora, caído nesse mundo, lon- aos jardins da “Villa Serbelloni”: eu
força e a determinação para ge da sua rosa, ele estava aflito. So- queria voltar para casa para cuidar
cumprir seus deveres. No mun- zinha, quem cuidaria dela? Havia o do meu jardinzinho! Aprendi então
perigo de que o carneiro a comes- a primeira lição da jardinagem. Jar-
do, dificuldades surgem de tem-
se... Foi então que, andando pelo dins bonitos há muitos. Mas só traz
pos em tempos. Invejar aque- mundo, ele passou por um mercado alegria o jardim que nascer dentro
les que são superiores é bas- de flores. E lá ele viu o que nunca da gente. Vou repetir, porque é im-
tante comum. Os corvos nu- imaginara ver: centenas, milhares de portante: só traz alegria o jardim
trem inimizade contra os cucos. rosas, todas iguais à sua rosa, sendo que nascer dentro da gente. Plan-
As garças zombam dos cisnes. vendidas aos maços. O seu primeiro tar um jardim é como parir um filho.
Mas nem o cuco nem o cisne sentimento foi de espanto. É preciso que o jardim se forme pri-
“- Então, minha rosa não é a úni- meiro, como sonho. Li isso pela pri-
estão preocupados. O mundo
ca! Ela me mentiu quando me fez meira vez nos escritos do místico
tem muito desses seres inve- acreditar que não havia outra igual...” Angelus Silesius: “Se você não ti-
josos. Não se deixem abalar por Ao espanto seguiu-se a tristeza: ro- ver um jardim dentro de você, é
tais experiências. Vocês devem sas, centenas, milhares... Seu certo que você nunca encontrará o
enfrentá-las com coragem e jardinzinho era ridiculamente peque- Paraíso!”
defender a verdade. no... Levou tempo para que ele com- Traduzindo: se o jardim não es-
“Fiquem felizes ao ver os preendesse que sua rosa lhe dissera tiver dentro o jardim de fora não
a verdade. produzirá alegria.
outros prosperarem. “– Não! Essas rosas não são iguais
Compartilhem sua alegria à minha rosa. Não são iguais porque Trecho da Crônica
com os demais.” a minha rosa é a rosa de quem eu “O Jardineiro”, de Rubem Alves

CARDIO TORAX
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SHANTI - SETEMBRO/2008 - PÁGINA 8

A INTERFERÊNCIA DA EMOÇÃO NO DESEMPENHO PROFISSIONAL


A concepção deste tema foi ba- ção, à medida que entendemos como vida, qualquer tipo de emoção que
seada na observação do comporta- funcionamos. Desta forma criamos extrapole o seu limite de tolerância,
mento humano, onde se verifica um auto defesas e, nos posicionamos é ponteado e arquivado junto às ou-
aumento no número de farmácias por melhor diante das adversidades e con- tras emoções já registradas ou não.
m², a ineficácia no atendimento mé- flitos, que nos desequilibram e nos É aí que ressaltamos a passagem
dico hospitalar e/ou ambulatorial des- adoecem. de Adão e Eva e, a citação de Lair
te país e, o crescimento vertiginoso Louise L. Hay, afirma em seu livro, Ribeiro. Nelas, o livre arbítrio é a pa-
no consumo de drogas. que se você não gosta do seu traba- lavra chave que pode ou não adoe-
Abordo aqui a importância de se lho, a melhor forma de lidar com ele é cer você. O mau uso do livre arbítrio
manter em equilíbrio emocional, para abençoá-lo com amor, entendendo que poderá levá-lo a conseqüências
melhorar a produtividade e desen- este momento é somente uma escala irreversíveis, como as doenças ter-
volver uma auto estima sólida. no seu crescimento. (Você Pode Cu- minais, fazendo com que você perca
Lembro-me na época da eleição rar a sua Vida, pág. 135). totalmente sua capacidade labor ati-
para Presidência da República, onde Waldez Luiz Ludwig, Consultor de va.
o Fernando Henrique Cardoso era Qualidade, numa palestra sobre Qua- Esclarecendo melhor, à medida
candidato, que enquanto funcioná- lidade de Vida, em 1994, na Embratel, que a mente inconsciente vai arma-
ria da Embratel vi todo um Departa- disse: “se você não faz o que gosta, zenando dados e, como humanos,
mento se esvaziar por causa da afir- pelo menos goste do que faz”. possuímos a tendência a armazenar
mação de que eleito, privatizaria as Nestes dois últimos parágrafos mais registros negativos do que po-
Telecomunicações, principalmente a verificamos que a palavra resigna- sitivos, ela vai atraindo cada vez mais
Embratel. ção está nas entrelinhas. No momen- registros negativos, até que você
Para onde foram? Uma parte foi to em que você abençoa e passa a resolva interromper este processo e
para clínicas de Repouso e Recupe- gostar do que faz, você substitui comece a reagir diferente, mudando
ração, outra parte para emergênci- adrenalina por endorfina, gerando bem o paradigma do seu pensamento.
as cardiológicas. De cerca de 50 fun- estar e até a crença de que as coi- Para finalizar, temos Joshua David
cionários no Departamento, só res- sas irão melhorar. Sugestão? Não, Stone, que diz: “As atitudes geram
tou 20% do efetivo; o restante ado- aceitação. Esta é a palavra que fun- sentimentos. Com a mente do ego,
eceu e ficaram improdutivos. ciona como um escoadouro da emo- você gera sentimentos fundados no
O padrão de pensamento, é que ção. medo; com uma atitude espiritual,
origina a emoção e que, dependen- Os autores Carl e Stephanie gera sentimentos fundados no amor.
do do uso do livre arbítrio, podemos Simonton e James Creighton definem Você tem a capacidade de escolher
ser produtivos ou não. a palavra “psicossomática” como: a forma como se sente, pois são os
“Não importa o que aconteça a “doença originada como resultado de, seus pensamentos e atitudes que
você, o que importa é como você ou agravada por processos psicológi- causam as emoções”. (Psicologia da
reage a isto”. Lair Ribeiro cos do indivíduo. Exemplo: uma úlce- Alma, pág. 104).
Desde os tempos mais remotos, ra pode ter surgido como resultado Ao considerar o que foi mostrado
a Bíblia disse que com a desobediên- de ansiedade e tensão e ser agrava- anteriormente, a melhor forma de
cia (mau uso do livre arbítrio), Adão da por elas. Isto não faz com que a analisarmos e medirmos seu grau de
e Eva perderam sua condição úlcera seja menos real”. (Com a Vida satisfação, pergunte-se:
paradisíaca, envelhecendo e morren- de Novo, pág. 35). Pergunte-se:
do. (Gênesis, cap. 3, vs 24) Aqui podemos ilustrar facilmente
Gurdjieff em 1924 traçou 20 (vin- como se dá este processo. 1. Você gosta do que faz?
te) regras de vida, que hoje estão Tomemos por base uma linha con- 2. O que você faria para melho-
colocadas em destaque no Instituto tínua imaginária, que será a linha da rar a qualidade do seu trabalho?
Francês de Ansiedade e Stress, em nossa vida; e teremos outra linha 3. O que você acha da sua pro-
Paris. Dentre elas, uma se destaca: pontilhada que representará nosso li- dutividade?
“Entenda, de uma vez por todas, mite, a tolerância diante das adversi- 4. Você teria alguma sugestão
definitiva e conclusivamente: você dades. ou crítica a fazer, que contribua para
é o que se fizer”. - - - - - - - - - - - - - - - - melhorar seu local de trabalho?
Hoje vemos uma avalanche de 0 70 5. Você se estressa no trajeto
publicações de auto ajuda, empre- - - - - - - - - - - - - - - - - para o trabalho ou procura se dis-
sas adotando exercícios de alonga- O ponto zero representa o mo- trair com alguma coisa?
mento, outras permitindo que seus mento da concepção e, vamos cha- 6. O que você acha da vida?
funcionários tirem um “cochilo” após mar a linha pontilhada de cima, de 7. Você é feliz?
o almoço e, mais objetivamente, ve- tolerância aos fatos positivos e, a li- 8. Você é uma pessoa acessível
mos empresas devidamente compro- nha pontilhada de baixo de tolerância ao que está a sua volta?
metidas com o bem estar do seu fun- aos fatos negativos.
cionário e sua produtividade, inves- A mente inconsciente categoriza A resposta a estas perguntas po-
tindo em projetos de valorização hu- as emoções por intensidade e tipo, derá ajudá-lo a ser uma pessoa mais
mana, através de workshops. ou seja, quem nomeia as emoções de feliz, mais saudável e, conse-
Como equilibrar esta emoção a fim positivas ou negativas é a mente quentemente um funcionário mais
de gerar uma maior produtividade. É consciente. A mente inconsciente produtivo.
possível neutralizar a emoção? sente, a consciente define.
Sim, é possível neutralizar a emo- Baseado nisto, ao longo da sua Laura Fahning
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Bezerra de Menezes
Adolfo Bezerra de melhorado, pois que havia deixado
Menezes foi conhecido em lá dentro o seu peso, a sua tristeza,
seu tempo com o Médico algo que o oprimia.
dos Pobres. Isto porque ele De uma feita, um pai de família
fazia mais do que ouvir o pede-lhe, chorando, um óbolo, uma
paciente e prescrever um ajuda em dinheiro para enterrar o
receituário com remédios corpo de sua esposa, que
homeopáticos (ele foi um desencarnara, deixando-lhe os filhos
médico homeopata). Ele menores doentes e famintos. Be-
sofria também com o so- zerra procura algo nos bolsos e
frimento de seus pacientes. nada encontra. Comove-se e, por
Era todo amor e bondade, intuição, desapegado das coisas ma-
alimentava sempre o dese- teriais, tira do dedo o anel simbólico
jo de ser útil e procurava a todo de Médico e o entrega ao irmão ne-
“O médico instante arrancar de seu interior os cessitado, dizendo-lhe, com carinho
verdadeiro não maus instintos naturais e substituí- e humildade:
tem o direito de los pelas virtudes cristãs. - Venda-o e, com o dinheiro, en-
Uma vez escreveu sobre a ma- terre o corpo de sua mulher e com-
acabar a refeição, neira de proceder do verdadeiro pre o que precisa.
de escolher a hora, médico, dizendo: O médico verda- Bezerra de Menezes foi um gran-
de inquirir se é deiro não tem o direito de acabar a de devoto de Maria Santíssima, a
longe ou perto. O refeição, de escolher a hora, de in- qual atendia sempre a seus divinos
que não atende por quirir se é longe ou perto. O que pedidos. Ela era o seu fanal de con-
não atende por estar com visitas, solação. Na verdade, Bezerra não
estar com visitas,
por ter trabalhado muito e achar- foi espírita desde que nasceu. Nas-
por ter trabalhado se fatigado, ou pôr ser alta noite, cera em família afortunada e católi-
muito e achar-se mau o caminho ou o tempo, ficar ca, a 29 de agosto de 1831, em
fatigado, ou por longe, ou no morro; o que, sobre- Riacho do Sangue, na Província do
ser alta noite, mau tudo pede um carro a quem não Ceará. Cresceu em clima de severa
o caminho ou o tem com que pagar a receita, ou dignidade, respeito e religiosidade.
diz a quem chora à porta que pro- Devido à sua prestimosa inteligên-
tempo, ficar longe, cure outro - esse não é médico, é cia, inerente a todos os espíritos
ou no morro; o negociante de medicina, que traba- superiores, distinguiu-se nos estu-
que, sobretudo lha para recolher capital e juros dos dos desde cedo, sendo sempre o
pede um carro a gastos da formatura. 1o aluno de sua classe. Em 5 de fe-
quem não tem com Podemos ver que era mais do vereiro de 1851, quando contava
que um simples médico chegando- com 19 anos de idade, transferiu-
que pagar a
se mesmo a pensar se as curas que se para a Corte (atual Rio de Janei-
receita, ou diz a operava se deviam aos remédios ro) para fazer seu curso médico.
quem chora à homeopáticos que ministrava ou Nesta época seu pai, homem de
porta que procure eram resultado dos fluidos bom coração havia perdido a sua
outro - esse não é energéticos de amor que emana- fortuna e não pode ajudar seu filho
médico, é vam a todo instante de sua alma. financeiramente em seus estudos.
Ele receitava pelos lábios e pela Foi através de lutas, privações e re-
negociante de pena. Pelos lábios: conselhos, ves- núncias aos prazeres ilusórios do
medicina, que tidos de emoção e ternura, acor- mundo, que Bezerra conseguiu, em
trabalha para dando no consulente o Cristão que 1856, doutorar-se em Medicina.
recolher capital e dormia; pela pena, homeopatia, Para custear seus estudos e a
juros dos gastos água fluídica e passes. E finalizava subsistência própria, Bezerra de
pedindo que cada um tivesse às Menezes lecionava. Numa ocasião
da formatura.”
mãos, no lar, o Grande Livro, o em que se achavam totalmente es-
Evangelho Segundo o Espiritismo, gotados os recursos, de par com a
que o lesse com alma, com since- urgência de pagar o aluguel da casa
ridade e confiança no seu Autor, e acudir a outras necessidades
Jesus Cristo! E como os resulta- inadiáveis, reclinado em sua rede,
dos eram promissores, cada doente sem grandes sobressaltos, mas se-
deixava seu consultório satisfeito, riamente preocupado com a solu-
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ção do caso, dava tratos à
imaginação, em procura dos
meios com que sair da difi-
culdade, quando ouve bater
à porta. Era um desconheci-
do, que vinha nominalmente
procurá-lo, e que, depois,
ajustando certo número de
lições de determinadas ma-
térias, tira do bolso um maço
de células e paga antecipa-
damente o preço
convencionado, ficando igual-
mente combinado para o dia
seguinte o início das aulas.
Bezerra reluta em receber
a importância adiantada. Por
fim, lembrando-se de sua si- Bezerra era um
tuação, resolve aceitá-la. Ra- profundo
diante com a inesperada e conhecedor das
providencial visita, Bezerra de ciências da vida e
Menezes solveu os seus um filósofo por
compromissos e ficou a es-
excelência,
perar, no prazo estipulado, o
novo aluno. colocava, acima de
Mas nem no dia seguinte seus interesses
nem nunca mais lhe tornou pessoais, a defesa
este a aparecer. Foi, pois, do Espiritismo,
uma visita mais misteriosa. desde que ela se
Sua esposa faleceu e este YURI PYJAK RICCI R fizesse necessária.
fato produziu em Bezerra um
abalo físico e moral, todas as
glórias mundanas que havia con- ta à fé, mas numa outra firmada Menezes tornou-se espírita.
quistado tornaram-se aborreci- na razão e na consciência. Atirou- No entanto, assim como Allan
das. Não tinha mais prazer de se então à leitura dos livros sa- Kardec com seu espírito crítico
ler e escrever, suas duas maio- grados, com ardor e sede. Mas e observador não se deu logo a
res distrações e nada encontra- havia sempre uma falha a que seu acreditar em todos os fenôme-
va que lhe fosse lenitivo à ta- espírito reclamava. nos ditos espíritas e iniciou, inti-
manha dor. Começaram a aparecer as pri- mamente uma pesquisa experi-
É porque Bezerra, quando na meiras notas espíritas no Rio de mental para comprovar os pre-
Faculdade, na convivência de Janeiro. E, apesar de ouvir sobre ceitos desta nova doutrina.
seus colegas, na maioria ateus, esta nova Doutrina, Bezerra re- Em 16 de agosto de 1886,
esquecera-se da sua crença ca- pelia-a sem conhecê-la, pois te- Bezerra de Menezes proclamou
tólica que não fora firmada em mia que ela perturbasse a paz que solenemente sua adesão ao Es-
uma fé raciocinada. Apesar dis- lhe trouxera ao espírito a sua volta piritismo e, em 1895, tornou-se
so, continuava a crer em dois à religião. o Presidente da FEB. Durante
pontos da religião católica: a Um dia, porém, seu colega Dr. toda a sua presidência (1895-
crença em Deus e a existência Joaquim Carlos Travassos, tendo 1900) trabalhou ativamente e
da alma. traduzido o Livro dos Espíritos de com muito ardor no propósito
Um dia, um amigo seu lhe Allan Kardec, presenteou-o com de congraçar os espiritistas, e ja-
trouxe um exemplar da Bíblia, este livro. E tal como acontecera mais esmoreceu na luta a bem
traduzido pelo padre Pereira de com a Bíblia, prendeu-se neste li- da unificação geral, mantendo
Figueiredo. Bezerra tomou o li- vro, lendo-o todo. Operou-se nele campanha sistemática em favor
vro sem o intuito de lê-lo, mas um fenômeno estranho. Ele sa- do estudo da nossa Doutrina e,
folheando-o começou a ler e es- bia que nunca havia lido qualquer sobretudo, seja pela palavra fa-
queceu-se nesta tarefa. Leu toda obra espírita, no entanto, tudo o lada, seja pela palavra escrita,
a Bíblia e percebeu que algo de que lia não era novo para seu es- mostrava a completa, integral
estranho se passava em seu pírito. Ele sentia como se já ti- interdependência do Espiritismo
interior. Quando acabou, tinha a vesse lido e ouvido tudo aquilo. e do Evangelho. Dizia mesmo
necessidade de crer novamen- São as lembranças da alma. que a pedra fundamental do Es-
te, mas não nesta crença impos- Foi assim que Bezerra de piritismo, em sua pura concep-
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ção, era o Evangelho. Sem ele a esse fim caridoso. De repente, sob a surpresa dos
Terceira Revelação não subsisti- A miséria passara a residir em que compunham a grande as-
ria e jamais se agigantaria nas seu lar, e faltar-lhe-iam a própria sembléia, de mais Alto, uma Es-
consciências humanas. alimentação e os remédios para trela luminescente dá presença.
Bezerra era um profundo co- amenizarem o seu grande martí- Era Celina, a enviada da Virgem
nhecedor das ciências da vida e rio físico, não fossem os corações Santíssima, que chega e lê a sua
um filósofo por excelência, colo- bondosos e agradecidos que, em mensagem, promovendo Bezer-
cava, acima de seus interesses verdadeira romaria, afluíam dia e ra a uma Tarefa Maior e numa
pessoais, a defesa do Espiritis- noite de seu calvário, para levar- Esfera mais Alta. O Evangelizador
mo, desde que ela se fizesse ne- lhe a sua solidariedade e o teste- Espírita chora emocionado e ajo-
cessária. munho de seu reconhecimento, elha-se agradecendo entre lágri-
Foi por este motivo que Be- postando-se, um de cada vez, di- mas, à Mãe das Mães a graça re-
zerra de Menezes foi também ante de seu leito, enquanto ele, cebida, suplicando-lhe, por inter-
intitulado de Kardec Brasileiro, com os olhos lacrimosos, agra- médio de sua enviada sublime,
porque foi ele, quem realmente decia, assim, através dessas lá- para ficar no seu humilde Posto,
no Brasil, estava preparado para grimas, que eram realmente a pa- junto à Terra, a fim de continuar
difundir o Espiritismo pela inteli- lavra de sua alma, a voz de seu atendendo aos pedidos de seus
gência, pela persuasão, pelos sentimento. irmãos terrestres que tantas pro-
atos e, sobretudo, pelos exem- No dia 11 de abril de 1900, sen- vas lhe dão de estima e gratidão.
plos edificantes. tindo que se aproximava a hora O espírito luminoso de Celina
Em 21 de janeiro de 1865 de seu desencarne, pediu que o sobe às esferas elevadas donde
casa-se novamente com a Sra. ajudassem a levantar-se um pou- veio e se dirige aos pés da Mãe
D. Cândida Augusta de Lacerda co e, com a cabeça erguida, olhos Celestial, submetendo à sua
Machado, irmã materna de sua voltados para o Alto, assim orou, apreciação o pedido de seu ser-
1a mulher, e com quem teve sete baixinho e entre lágrimas, deixan- vo agradecido.
filhos. do-os suas últimas palavras como Daí a instantes, volta e traz a
Sabia como pouco ater-se à a Lição permanente da sua gran- resposta de Nossa Senhora:
disciplina do necessário, a des- deza Espiritual, de seu Espírito to- - Que sim, que Bezerra ficas-
prezar o supérfluo, a não se ape- talmente libertado dos vícios e li- se no seu Posto o tempo que
gar às coisas materiais. Aceita- gado à causa cristã: quisesse e sempre sob suas bên-
va o pagamento dos clientes que Virgem Santíssima, Rainha do çãos!
lhe podiam pagar e dava aos Céu, Advogada de nossas súpli- E da Terra e do Além partem
pobres e estropiados o que po- cas junto ao Divino Mestre e a vozes em Prece!
dia dar inclusive algo de si mes- Deus todo poderoso, eu te peço Bezerra de Menezes que, na
mo. Sua família jamais passou não que deixe de sofrer mas que Terra, foi o extraordinário arauto
necessidade. Todos seus famili- meu pobre espírito aproveite bem do Evangelho, simbolizado na
ares lhe tiveram a assistência todo o sofrimento e te peço pe- sua fé, na sua ação, no seu tra-
permanente e o alimento espiri- los meus irmãos que ficam, por balho, no seu amor, nos seus
tual de seus bons exemplos. Pre- esses pobres amigos, doentes do pensamentos e na sublime cari-
ocupava-se com o futuro de seu corpo e da alma, que aqui vieram dade que praticava sempre em
Espírito e dos Espíritos daqueles buscar no teu humilde servo uma todas as horas de seu viver, con-
que o Pai lhe confiou. migalha de conforto e de amor. tinua ainda nas etéreas regiões,
Em plena doença, com o cor- Assiste-os, por caridade, dá-lhes, por intermédio dos mais diver-
po inchado, vítima de anasarca Senhora, a tua Paz, a Paz do Cor- sos médiuns existentes em todo
(edema generalizado, que atin- deiro de Deus que tira os peca- o Brasil, distribuindo as flores
ge todo o tecido celular subcu- dos do Mundo, Nosso Senhor Je- mais belas e mais viçosas, nas-
tâneo devido à infiltração de sus Cristo! Louvado seja Teu cidas de seu coração aos que
serosidades), ainda hemiplégico, nome! Louvado seja o Nome de sofrem, gemem, choram e de-
atendia aos seus inúmeros do- Jesus! Louvado seja Deus! sesperam, em virtude de seus
entes que o visitavam, envian- E desencarnou! padecimentos físicos e morais.
do-lhe no aceno das mãos, no Gente de toda a cidade do Rio,
sorriso dos lábios ou pelo olhar especialmente dos morros, das Eva Patrícia Baptista
manso e bom, consolações e favelas, gente humilde, descalça, (graduanda do curso médico)
Trechos retirados do estudo sobre
testemunhos de confiança na Vir- maltrapilha, os pobres de espíri-
o grande médico e espírita, denomina-
gem Santíssima! to, os humildes de coração, be- do o “Kardec brasileiro”, apresentado
Bezerra fez questão de que neficiados pela Medicina do seu em palestra no NEU-UERJ/Faculdade de
os remédios fossem prescritos amor, ali se achavam em mistura Ciências Médicas em outubro de 1999.
pelas entidades espirituais, e de com outra gente rica e podero-
http://www.espirito.org.br/por-
receber passes mediúnicos, indo sa, pertencente ao mundo oficial tal/artigos/neurj/bezerra.html
os médiuns à sua residência, para do Governo.