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ANATOMIA E FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO HUMANO

Envelhecimento e sociedade – v. 1

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Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho Débora Bachin Carvalho Jéssica Julioti Urbano Luciana Rodrigues Barcala Nadhia Helena Costa Souza Patrícia Lira dos Santos Vanessa dos Santos Grandinetti

ANATOMIA E FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO HUMANO

Envelhecimento e sociedade – v. 1 Fernanda Ishida Corrêa Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho (Organizadoras)

São Paulo

2019

e sociedade – v. 1 Fernanda Ishida Corrêa Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho (Organizadoras) São Paulo

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Conselho Editorial: Eduardo Storópoli Maria Cristina Barbosa Storópoli Nadir da Silva Basílio Cristiane dos Santos Monteiro João Carlos Ferrari Corrêa Cinthya Cosme Gutierrez Duran Renata Mahfuz Daud Gallotti

Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores

Capa e Editoração eletrônica: Big Time Serviços Editoriais Revisão: Antonio Marcos Cavalheiro

dos autores Capa e Editoração eletrônica: Big Time Serviços Editoriais Revisão: Antonio Marcos Cavalheiro

Sumário

Sobre a Coleção Envelhecimento e Sociedade

10

Apresentação

11

Capítulo 1

DIVISÃO DO CORPO HUMANO: CONCEITOS E PARTES, POSIÇÃO ANATÔMICA E PLANOS DE SECÇÃO, 12 Patrícia Lira dos Santos

Introdução

12

Objetivos

12

Níveis de organização do corpo humano

13

Células

13

Tecidos

13

Órgãos e Sistemas

15

Posição anatômica

17

Planos e eixos do corpo humano

18

Conclusão

20

Exercícios

21

Bibliografia

22

Capítulo 2

SISTEMA ÓSSEO: TECIDO ÓSSEO, FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS, 24 Vanessa dos Santos Grandinetti

Introdução

24

Objetivos

24

Sistema ósseo

25

Aspectos do envelhecimento

32

Conclusão

34

Exercícios

35

Bibliografia

36

Capítulo 3

SISTEMA ARTICULAR: TECIDO ARTICULAR, FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES, 38 Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho Jéssica Julioti Urbano

Introdução Objetivos Sistema articular Articulações fibrosas Articulações sinoviais Aspectos do envelhecimento Conclusão Exercícios Bibliografia

38

38

39

39

42

44

45

46

47

Capítulo 4

SISTEMA MUSCULAR: TECIDO MUSCULAR, TIPOS E FUNÇÃO, CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS E CONTRAÇÃO MUSCULAR, 49 Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho Jéssica Julioti Urbano

Introdução Objetivos Tipos de tecido muscular Classificações dos músculos Mecanismo de contração Aspectos do envelhecimento Conclusão Exercícios Bibliografia

49

50

50

54

55

56

57

58

59

Capítulo 5

SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO:

ESTRUTURA E FUNÇÃO, 61 Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução Objetivos Estrutura e função do sistema cardiovascular

61

61

62

Estrutura e função do sistema respiratório Aspectos do envelhecimento Conclusão Exercícios Bibliografia

64

65

67

68

69

Capítulo 6

SISTEMA DIGESTÓRIO:

ESTRUTURA E FUNÇÃO, 71 Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução Objetivos Estrutura e função do sistema digestório Aspectos do envelhecimento Conclusão Exercícios Bibliografia

71

71

72

75

76

77

78

Capítulo 7

SISTEMA UROGENITAL FEMININO E MASCULINO:

ESTRUTURA E FUNÇÃO, 80 Nadhia Helena Costa Souza

Introdução

Objetivos

Estrutura e função do sistema urogenital feminino e masculino

Sistema urinário

Sistema genital feminino Sistema genital masculino Aspectos do envelhecimento Conclusão Exercícios Bibliografia

80

80

81

81

82

82

83

85

86

88

Capítulo 8

SISTEMA NERVOSO: EMBRIOLOGIA, ESTRUTURAS E FUNÇÕES DO SISTEMA NERVOSO, 90 Luciana Rodrigues Barcala

Introdução

90

Objetivos

90

Embriologia

90

Divisão Estrutural do Sistema Nervoso

92

Sistema nervoso central

93

Cérebro

93

Cerebelo

97

Tronco Encefálico

98

Medula

Espinal

101

Sistema nervoso periférico

102

Nervos e Gânglios

102

Terminações Nervosas

103

Aspectos do envelhecimento

103

Conclusão

104

Exercícios

105

Bibliografia

106

 

Capítulo 9

TECIDO NERVOSO E POTENCIAL DE AÇÃO:

CÉLULAS NERVOSAS E SUAS FUNÇÕES, 108 Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução

108

Objetivos

108

Tecido nervoso

109

Sinapses

114

Mecanismo da transmissão sináptica

117

Aspectos do envelhecimento

120

Conclusão

121

Exercícios

122

Bibliografia

123

Capítulo 10

CONTROLE MOTOR E NEUROPLASTICIDADE:

TEORIAS DO CONTROLE MOTOR E FISIOLOGIA DA PLASTICIDADE NEURAL, 125 Débora Bachin Carvalho

Introdução

125

Objetivos

125

Controle motor

126

Teorias do controle motor

131

Teoria do Reflexo

131

Teoria Hierárquica

132

Teoria da Programação Motora

133

Teoria dos Sistemas

134

Teoria da Ação Dinâmica

134

Teoria Ecológica

135

Breve consideração sobre as Teorias do Controle Motor

135

Aprendizado motor e neuroplasticidade

136

Aspectos do envelhecimento

139

Conclusão

140

Exercícios

141

Bibliografia

143

Autores

145

Coleção Envelhecimento e Sociedade

147

10 - Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sobre a Coleção Envelhecimento e Sociedade

A coleção a seguir foi estruturada de maneira que o leitor reforce

o seu conhecimento acerca do desenvolvimento e organização do indi- víduo e da sociedade. Para tal, cada capítulo elaborado visa abranger de maneira clara e objetiva esses pontos.

O primeiro volume descreve sobre a anatomia e fisiologia dos sis- temas que formam o corpo humano, bem como as alterações possíveis durante o envelhecimento, propiciando que o leitor associe os aspectos normais e as mudanças em decorrência da idade.

O segundo e o terceiro volumes abordam conceitos antropológi-

cos e sociais, bem como as políticas públicas essenciais ao idoso e à re- abilitação durante o envelhecimento.

Os demais volumes (quarto, quinto e sexto) estão direcionados à abordagem da atuação do Fisioterapeuta nas principais doenças neuro- lógicas do adulto, os recursos auxiliares disponíveis e o conhecimento dos aspectos da dor.

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

11 - Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Apresentação

Ao longo deste livro, o leitor aprofundará seu conhecimento sobre cada sistema do corpo humano, abordando sua forma e funcionamento, bem como todo processo que ocorre nestes sistemas durante o envelhecimento. O corpo humano é formado por diversos sistemas, que estão inter-relacionados, cada qual com suas funções específicas; objetivando a manutenção da vida. Compreender como cada sistema funciona, é extremamente importante para entendermos os processos que comprometem o indivíduo no decorrer do envelhecimento. O envelhecimento é um processo fisiológico que está atrelado a mudanças estruturais, funcionais e comportamentais. Perceber e adaptar-se a essas mudanças pode ser um caminho complexo e difícil para muitos; portanto, cabe ao profissional da Saúde, compreender o funcionamento fisiológico de cada sistema do corpo humano para, desta maneira, saber identificar as mudanças fisiológicas ou não, durante o processo do envelhecimento, possibilitando uma melhor orientação para o envelhecimento saudável, respeitando cada indivíduo dentro de suas limitações. Cada capítulo deste livro, discorre sobre os principais pontos de cada sistema; contribuindo para o melhor aprendizado e aproveitamento de cada leitor.

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

12 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 1

DIVISÃO DO CORPO HUMANO:

CONCEITOS E PARTES, POSIÇÃO ANATÔMICA E PLANOS DE SECÇÃO

Patrícia Lira dos Santos

Introdução

O corpo humano é dividido em cabeça, pescoço, tronco e mem- bros e formado por inúmeras células que possuem formas e funções distintas. O estudante da área da saúde deve entender e compreender a posição anatômica do corpo humano. Para definir as descrições ana- tômicas, tanto do corpo humano quanto dos órgãos, nos baseamos em três principais planos de secção. Esta posição é um referencial para po- der localizar, descrever as estruturas anatômicas e definir um padrão entre os profissionais da área. Esta compreensão se faz importante, já que conhecer o que está dentro da normalidade favorece a compreen- são das possíveis mudanças estruturais e funcionais durante o proces- so do envelhecimento.

Objetivos

Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:

Conhecer os níveis de organização do corpo humano;

Conhecer e compreender as divisões anatômicas;

Conhecer a posição anatômica;

Compreender os planos e eixos de secção.

13 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Níveis de organização do corpo humano

Células

O corpo humano é constituído por diversas partes, que são forma- das por inúmeras células que apresentam formas e funções definidas. A célula é um componente estrutural e funcional básico da vida. Os seres vivos são compostos de 60 a 100 trilhões de células constituídas por áto- mos, estes ligados entre si para formar partículas maiores chamadas de moléculas. Alguns agrupamentos específicos de moléculas formam es- truturas funcionais chamadas de organelas, que realizam funções especí- ficas dentro das células. O corpo humano contém muitos tipos distintos de células com funções específicas. Exemplo destas células especializa- das são: células sanguíneas, células musculares, células adiposas, célu- las ósseas e células nervosas. A estrutura de cada célula está diretamente relacionada à sua função.

Níveis de organização do corpo humano:

átomos – moléculas – organelas – células – tecidos – órgãos – sistemas – corpo humano.

Tecidos

Os tecidos são formados por grupos de células que realizam a mesma função. Durante a formação do feto, as células vão se desenvol- vendo conforme sua função e localização; este processo é chamado de diferenciação celular. As células que possuem características semelhan- tes, seja estrutural ou funcional, se agrupam e, desta maneira, formam os tecidos. Na constituição do corpo humano, existem quatro tipos fun- damentais de tecidos:

Tecido epitelial;

Tecido conjuntivo;

14 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Tecido nervoso;

Tecido muscular.

O tecido epitelial possui as funções de proteção do corpo (pele),

a produção e absorção de hormônios, nutrientes e percepção de sen-

sações (frio e calor). Pode ser classificado em dois tipos: tecido epi - telial de revestimento e tecido epitelial glandular. É formado por um grupamento de células que permanecem juntas e sobrepostas (justa- postas), podem estar dispostas em uma ou mais camadas e apresen- tam diferentes formas.

• Grupamentos de células em uma única camada: epitélio simples.

• Grupamento de células em mais de uma camada: epitélio estratificado.

• As células podem ter as seguintes formas:

cilíndricas/colunares, pavamentosas (achatadas) ou cúbicas.

O tecido epitelial de revestimento protege os órgãos externos do corpo, já o tecido epitelial glandular participa na formação de glându- las (produzem suor, lágrima ou hormônios). Este tipo de tecido é avas- cular, ou seja, não há presença de vasos sanguíneos.

O tecido conjuntivo possui duas funções importantes no

organismo: unir e separar órgãos do corpo humano, além de nutrição

e proteção. Também transporta nutrientes, armazena gorduras,

amortece impactos e permite a liberação de células de defesa por todo o organismo. Este tecido é constituído por fibras que são formadas por colágeno e elastina. Possuem células bem diversificadas, quanto à forma, tamanho e função; portanto, é divido em tecidos especializados descritos a seguir:

15 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Tecido adiposo: composto por células adiposas que acumulam gorduras (adipócitos). Este tipo de tecido tem como principal função o isolamento térmico.

Tecido cartilaginoso: possui componentes de consistência fir- me, porém flexível; função de sustentação e revestimento. Além disso, a cartilagem presente amortece os impactos gerados na coluna vertebral.

Tecido ósseo: tecido rico em cálcio, sais minerais e colágenos. Estes elementos permitem que os ossos fiquem rígidos e resis- tentes, além disso, é vascularizado.

Tecido sanguíneo: possui função de defesa do organismo, trans- porte de hormônios, oxigênio e nutrientes para todo corpo.

Órgãos e Sistemas

Um órgão é formado por 2 (dois) ou mais tecidos (conjuntivo, epi- telial, muscular e nervoso) que executam uma função específica. Quando vários órgãos interagem e desempenham uma função específica no or- ganismo, é chamado de sistema. O corpo humano é formado por vários sistemas:

Sistema nervoso: formado por órgãos (encéfalo, medula espi- nal, receptores e nervos) responsáveis por regular as funções do corpo humano (Capítulos 8 e 9);

Sistema respiratório: formado por órgãos (vias áreas superio- res e inferiores) responsáveis pela troca gasosa entre o organis- mo e o meio ambiente (Capítulo 5);

Sistema endócrino: formado por órgãos e glândulas que pro- duzem e liberam hormônios responsáveis por manter a home- ostasia do organismo;

16 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema circulatório: formado pelo coração e vasos da base, responsáveis por levar nutrientes e oxigênio para os tecidos (Capítulo 5);

Sistema linfático: formado pelos vasos linfáticos, linfa e órgãos linfáticos (baço, linfonodos, timo), responsáveis pela produção de células de imunidade e transporte da linfa para todo corpo;

Sistema urinário: formado por órgãos (rins, ureteres, bexiga e uretra), responsáveis por produzir e eliminar a urina (Capítulo 7);

Sistema reprodutor: formado por órgãos reprodutores mas- culinos (testículos e órgãos internos e externos) e reprodutores femininos (ovários e os órgãos internos e externos), sendo res- ponsável pela reprodução humana (Capítulo 7);

Sistema digestivo: formado por órgãos (boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus), respon- sáveis por manter o suprimento de água, nutrientes e eletrólitos do organismo (Capítulo 6);

Sistema esquelético: formado pelos ossos do esqueleto huma- no, responsáveis pela sustentação, locomoção e proteção do cor- po humano (Capítulo 2);

Sistema muscular: formado pelos músculos do corpo humano, responsáveis pela movimentação e locomoção do corpo huma- no (Capítulo 4).

17 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

17 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 1 – Sistemas do

Figura 1 – Sistemas do corpo humano | Fonte: 123rf.

Posição anatômica

Para representar e descrever as posições dos vários órgãos que compõem o corpo humano, é utilizado uma posição de referência de- finida como posição anatômica. O intuito desta posição é ajudar na melhor compreensão dos movimentos do corpo e padronizar a lin- guagem entre os profissionais da área da saúde, evitando assim dú- vidas na utilização dos termos anatômicos. A posição anatômica é descrita abaixo:

Posição bípede (em pé);

18 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Corpo ereto;

Cabeça com a face voltada para a frente;

Membros inferiores unidos (pés apontados para frente);

Braços e antebraços ao lado do corpo, palmas das mãos para frente.

antebraços ao lado do corpo, palmas das mãos para frente. Figura 2 – Posição anatômica |

Figura 2 – Posição anatômica | Fonte: 123rf.

Planos e eixos do corpo humano

Para estudar e visualizar a disposição dos órgãos, os mesmos po- dem ser seccionados a fim de permitir uma melhor descrição anatômi- ca. A secção ocorre em três planos de referência: plano sagital, plano transversal e plano frontal. Partindo da análise da posição anatômica, estes eixos imaginários auxiliam na descrição dos movimentos do cor- po. Os planos são definidos assim:

19 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Plano sagital: é o plano que se estende verticalmente ao longo do corpo, permitindo a divisão em parte direita e esquerda. Também pode ser definido como plano sagital mediano quando passa lon- gitudinalmente ao longo do plano mediano do corpo;

Plano frontal ou coronal: é o plano que se estende vertical- mente ao longo do corpo, dividindo em parte anterior (frente) e posterior (atrás);

Plano transversal: é o plano que se estende horizontalmente ao longo do corpo e divide em parte superior e inferior.

Quando analisamos os movimentos realizados pelo corpo huma- no, aplicamos o conhecimento dos eixos de movimentos. Os eixos são linhas imaginárias que atravessam os planos do corpo. Estas linhas são conduzidas perpendicularmente e os movimentos ocorrem em torno de- las. Os eixos são divididos em três seguimentos:

Eixo látero-lateral: eixo perpendicular ao plano sagital, estende- -se no sentido látero-lateral (de um lado para outro e vice-versa). Também conhecido como eixo transversal ou horizontal, possi- bilita os movimentos de flexão e extensão, como por exemplo, o movimento das articulações do cotovelo e ombro.

Eixo ântero-posterior: eixo perpendicular ao plano frontal (co-

ronal), estende-se no sentido anterior-posterior. Também conhe- cido como eixo sagital; possibilita os movimentos de abdução

e adução, como por exemplo, o movimento das articulações do quadril e ombro.

Eixo longitudinal: eixo perpendicular ao plano transversal, es- tende-se no sentido de crânio-caudal (de cima para baixo e vi-

ce-versa). Possibilita os movimentos de rotações lateral/externa

e medial/interna, como por exemplo, o movimento das articula- ções do ombro, quadril, tronco.

20 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

20 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 3 – Planos e

Figura 3 – Planos e Eixos do Movimento | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Conclusão

Conhecer o corpo humano é de fundamental importância para a atuação na área da saúde, desde seus aspectos histológicos até os aspec- tos anatômicos. A padronização de termos favorece o entendimento e a utilização no estudo e na pesquisa e a compreensão das mudanças du- rante o envelhecimento.

21 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios

1) Paciente M.N.C, masculino e jogador de volei. Durante uma partida, na realização do saque, movimento de flexão de ombro com extensão de cotovelo, sentiu dores intensas e foi encaminhado para análise clínica. Foi realizado um exame de imagem e no laudo médico continha a des- crição de secção frontal dos tecidos. Com base nestas informações, este plano devide as estruturas em quais partes?

a)

Anterior e posterior;

b)

Látero-lateral;

c)

Superior e inferior;

d)

Ântero-lateral;

e)

Póstero-inferior.

Resposta correta ao final do capítulo.

2) Em relação aos níveis de organização do corpo humano, a sequência de desenvolvimento é:

a)

Organelas, tecidos, células, órgãos, moléculas e sistemas;

b)

Átomos, moléculas, células, tecidos, órgãos e sistemas;

c)

Tecidos, órgãos, sistemas, átomos e células;

d)

Moléculas, células, sistemas, tecidos, organelas e átomos;

e)

Células, sistemas, organelas e tecidos.

Resposta correta ao final do capítulo.

3) Quais são os tipos fundamentais de tecidos que compõem o corpo humano?

a)

Tecido esquelético, tecido ósseo, tecido cardíaco e tecido conjuntivo;

b)

Tecido sanguíneo, tecido muscular, tecido nervoso e tecido adiposo;

c)

Tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso;

d)

Tecido nervoso, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido esquelético;

e)

Tecido conjuntivo, tecido epitelial, tecido muscular e tecido sanguíneo.

Resposta correta ao final do capítulo.

22 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

4) O tecido adiposo é composto por adipócitos. Em relação a este tipo de tecido e célula, é correto afirmar que:

a) Os adipócitos são células que acumulam gorduras e este tipo de teci-

do tem como principal função o isolamento térmico (calor);

b) Os adipócitos são células que eliminam gorduras e este tipo de tecido

tem como principal função o isolamento térmico (calor);

c) Os adipócitos são células que produzem calor e este tipo de tecido tem

como principal função a produção de células sanguíneas;

d) Os adipócitos são células que acumulam sangue e este tipo de tecido

tem como principal função transporte de hormônios;

e) Os adipócitos são células que produzem hormônios e este tipo de te-

cido tem como principal função o isolamento térmico (calor).

Resposta correta ao final do capítulo.

5) A articulação do cotovelo permite os movimentos de extensão e fle- xão; qual eixo possibilita estes movimentos?

a) Eixo Ântero-Posterior;

b) Eixo Látero-Lateral;

c) Eixo Longitudinal;

d) Eixo Póstero-Lateral;

e) Eixo Látero-Ânterior.

Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia

ABRAHAMS, Peter H. Mcminn atlas clínico de anatomia humana . 6. ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2008.

DÂNGELO, J.G.; FATTINI, C.A. Anatomia humana sistêmica e seg - mentar. 3. ed. São Paulo: Atheneu: São Paulo, 2011.

GARDNER. E. Anatomia: estudo regional do corpo humano – métodos de dissecção. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

MOORE, K.L. Anatômia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro:

Guanabara Koogan, 2011.

23 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

NETTER, F.H. Atlas de anatomia humana. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier,

2011.

ROHEN, J. W. ; YOKOCHI, C. Anatomia humana: atlas fotográfico de anatomia sistêmica e regional. 7. ed. São Paulo: Manole, 2010.

SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. 23. ed. Rio de Janeiro:

Guanabara Koogan, 2013.

STANDRING, S. Gray”s anatomia. 40. ed. Rio de Janeiro: Elsevier,

2010.

TODA MATÉRIA. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/ tecidos-do-corpo-humano/>. Acesso em: 20 jul. 2018.

TORTORA, G.J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiolo - gia . 14. ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2016.

VAN DE GRAAFF, Kent M. Anatomia humana. 6. ed. Barueri: Manole,

2003.

Gabarito

1. a | 2. b | 3. c | 4. a | 5. b

24 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 2

SISTEMA ÓSSEO: TECIDO ÓSSEO, FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS

Vanessa dos Santos Grandinetti

Introdução

O tecido ósseo é um tipo de tecido conjuntivo especializado, com- posto por diversos tipos de células ósseas e por matriz extracelular, que nutre as células ósseas.

Este é o principal constituinte do esqueleto e apresenta diversas funções, como, sustentação, proteção, armazenamento de íons, produ- ção de células sanguíneas (medula óssea) e alavanca para o movimento.

Conhecer as estruturas e funções deste sistema é importante para o conhecimento do funcionamento normal do corpo, desde sua forma- ção até o envelhecimento, sendo que, neste último, há uma série de mo- dificações normais ou patológicas importantes.

Objetivos

Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:

Reconhecer a constituição e a função do tecido ósseo;

Reconhecer os efeitos do envelhecimento fisiológico no tecido ósseo;

Reconhecer os efeitos da perda de massa óssea e seus efeitos deletérios na qualidade de vida.

25 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema ósseo

O tecido ósseo é um sistema orgânico em constante remodelação secundário ao processo de formação pelos osteoblastos e de reabsorção pelos osteoclastos. Os osteoblastos são células responsáveis pela síntese da parte orgânica da matriz óssea, localizados na superfície óssea, orga- nizados lado a lado aparentando um epitélio. Conforme os osteoblastos vão sintetizando os elementos da matriz óssea, ficam mais envolvidos pela matriz, diminuem sua atividade e passam a ser chamados de osteó - citos. Os osteoclastos são células responsáveis pela reabsorção através da secreção de colagenase, que digere a matriz orgânica e dissolve os sais de cálcio. Os osteócitos são células maduras do osso, derivados dos osteoblastos, com a função de manutenção da matriz óssea, são vias de transporte de nutrientes e metabólitos entre os vasos sanguíneos.

O tecido ósseo apresenta função de sustentação, proteção dos ór- gãos e da medula óssea, movimento através do sistema de alavanca que forma em associação aos músculos e armazenamento de cálcio, fosfa- to, magnésio e outros íons utilizados no metabolismo. Pode ser classifi- cado em tecido ósseo compacto e esponjoso, de acordo com a estrutura macroscópica O osso compacto não apresenta cavidades visíveis e está relacionado à proteção, suporte e resistência, geralmente encontrado nas diáfises. O osso esponjoso apresenta muitas cavidades intercomunican- tes (trabéculas), representa a maior parte do tecido ósseo dos ossos cur- tos, chatos e irregulares, geralmente encontrado nas epífises.

De acordo com a estrutura microscópica, o tecido ósseo pode ser classificado como primário ou secundário. O tecido ósseo primário apre- senta disposição irregular das fibras de colágeno, possui menos minerais e maior quantidade de osteócitos. É o primeiro tipo de osso a se formar, ainda durante a fase embrionária. O tecido ósseo secundário é encontrado nos adultos, apresenta as fibras colágenas organizadas. Anatomicamente,

26 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

os ossos são classificados de acordo com sua forma e tamanho em: cur- to, longo, plano, irregular, sesamoide, pneumático.

A classificação dos ossos, de acordo com sua forma, divide-se em:

Longos: comprimento maior que a largura, com 2 extremidades, apresentam uma pequena concavidade, garantindo sua maior re- sistência. Suas diáfises são formadas por tecido compacto e suas epífises por tecido esponjoso. Exemplo: fêmur.

e suas epífises por tecido esponjoso. Exemplo: fêmur. Figura 1 – Osso longo | Fonte :

Figura 1 – Osso longo | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Curtos: comprimento e largura praticamente iguais, compos- tos por osso esponjoso, recoberto por uma fina camada de osso compacto. Exemplo: ossos do tarso.

27 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

27 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 2 – Ossos curtos

Figura 2 – Ossos curtos (metatarso) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Planos: finos, compostos por 2 lâminas paralelas de tecido osso compacto, com tecido ósseo esponjoso entre elas. Têm função de proteção e inserção de músculos. Exemplo: frontal do crânio.

28 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

28 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 3 – Osso Plano

Figura 3 – Osso Plano (exemplo: osso frontal) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Alongados: longos e achatados sem canal central. Exemplo:

costelas.

29 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

29 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 4 – Osso Alongado

Figura 4 – Osso Alongado (exemplo: costelas) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Pneumáticos: ossos ocos, com as cavidades preenchidas por ar e mucosa. Exemplo: esfenoide.

30 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

30 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 5 – Ossos pneumáticos

Figura 5 – Ossos pneumáticos (exemplo: esfenoide) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Irregulares: formas complexas com variáveis quantidades de osso compacto e osso esponjoso. Exemplo: vértebras.

31 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

31 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 6 – Osso irregular

Figura 6 – Osso irregular (exemplo: vértebra lombar) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Sesamoides: ossos formados entre as articulações ou entre os tendões e ligamentos. Exemplo: patela.

ou entre os tendões e ligamentos. Exemplo: patela. Figura 7 – Osso Sesamoide | Fonte :

Figura 7 – Osso Sesamoide | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

32 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Aspectos do envelhecimento

Até os 20 anos de idade, há um predomínio de formação do tecido ósseo devido a um incremento progressivo da massa óssea. Mesmo após o fechamento das epífises de crescimento persiste a construção óssea, porém em menor ritmo, proporcionando ao indivíduo sua maior mas- sa óssea em torno dos 35 anos de idade. A partir dessa idade ocorre es- tabilização da formação e aumento da reabsorção, resultando em perda progressiva da massa óssea resultando em involução esquelética (oste- openia fisiológica).

As modificações no sistema esquelético tornam-se muito eviden- tes com o envelhecimento. Por volta dos 50 anos de idade, homens e mulheres começam a apresentar uma perda geral de massa óssea, sen- do que a osteoporose acontece mais cedo nas mulheres, já que a perda de sais minerais é mais evidente e precoce. A possível justificativa des- se fato é a relação do hormônio estrogênio com a atividade osteoblásti- ca. Considerando a diminuição da taxa hormonal na menopausa, ocorre diminuição da estimulação da atividade osteoblástica. Fatores extrínse- cos como, dieta irregular e ausência de atividade física, também influen- ciam na perda óssea.

Acima dos 50 anos de idade ocorre perda óssea principalmente nos ossos corticais, portanto, a atrofia óssea não ocorre de forma homogênea.

33 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

33 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 8 – Osso Normal

Figura 8 – Osso Normal e Osso com osteoporose | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

A osteoporose requer atenção por ser uma doença debilitante, tor- nando o idoso vulnerável a fraturas, com pequeno ou nenhum trauma, devido a perda de matriz óssea e de minerais, além de comprometer a lo- comoção e a independência nas atividades motoras. As fraturas de qua- dril são as mais frequentes e causam maior morbidade e mortalidade.

A alteração da densidade mineral das vértebras influencia a redução da coluna vertebral e consequentemente diminuição da altura envolven- do modificações posturais, incluindo aumento da cifose torácica, retifi- cação da lordose cervical com protusão da cabeça, aumento da lordose lombar, escoliose, anteriorização e rebaixamento das costelas.

Os fatores de risco de osteoporose são: idade avançada, gênero fe- minino, raça branca, baixo índice de massa corpórea, vida sedentária, bai- xa ingestão de cálcio, tabagismo, alcoolismo, deficiência de estrogênio na mulher e de testosterona no homem. Doenças como hiperparatireoi- dismo e hipertireoidismo e uso prolongado de corticoesteroides também aumentam o risco de osteoporose. A prevenção da osteoporose é baseada no controle dos fatores de risco modificáveis. Acompanhamento nutri- cional e a prática de atividades físicas são capazes de reduzir a veloci-

34 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

dade de perda óssea na menopausa. A exposição à luz solar e a vitamina D são necessárias para formação da massa óssea. O estresse mecânico sobre o tecido ósseo através do exercício é capaz de produzir hipertro- fia e apresentar melhor resposta na mobilização de cálcio, estimulando a formação óssea, tornando-o mais forte.

Conclusão

O Fisioterapeuta é o profissional que estará constantemente em contato com o Aparelho Locomotor, sendo o Sistema Ósseo um dos sis- temas pertencentes a este aparelho. É de fundamental importância o co- nhecimento das estruturas e das funções normais deste, bem como as alterações sofridas no processo do envelhecimento.

35 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios

1) As células maduras dos ossos com função de manutenção de matriz óssea são:

a)

Osteoblastos;

b)

Osteoclastos;

c)

Osteócitos;

d)

Compactas;

e)

Esponjosas.

Resposta ao final do capítulo.

2) Não é função do tecido ósseo:

a)

Sustentação;

b)

Proteção;

c)

Movimento;

d)

Armazenamento;

e)

Contração.

Resposta ao final do capítulo.

3) A osteopenia fisiológica é a involução óssea e acontece em torno de:

a)

20 anos de idade;

b)

35 anos de idade;

c)

50 anos de idade;

d)

60 anos de idade;

e)

70 anos de idade.

Resposta ao final do capítulo.

4) A atividade osteoblástica está relacionada ao hormônio:

a)

Estrogênio;

b)

Progesterona;

c)

Testosterona;

d)

Do crescimento;

e)

Luteinizante.

Resposta ao final do capítulo.

36 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

5) A prevenção da osteoporose é baseada no controle dos fatores modi- ficáveis. Não é considerado um fator modificável:

a) Nutrição;

b) Atividade física;

c) Exposição solar;

d) Suplemento vitamínico;

e) Idade.

Resposta ao final do capítulo.

Bibliografia

AMADIO, A. C. Metodologia biomecânica para o estudo das forças in - ternas ao aparelho locomotor: importância e aplicações no movimento humano. Estação Liberdade, São Paulo, 2000.

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37 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

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Gabarito

1. c | 2. e | 3. b | 4. d | 5. e

38 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 3

SISTEMA ARTICULAR:

TECIDO ARTICULAR, FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Jéssica Julioti Urbano

Introdução

A artrologia é a parte da anatomia que estuda as articulações, ou seja, o estudo do sistema articular e suas funções, características e clas- sificações. As articulações possuem a principal função de unir as estrutu- ras do esqueleto humano e, quando associadas às contrações musculares, possibilitam os movimentos de algumas regiões.

Este sistema compõe o Aparelho Locomotor, fundamental para o movimento humano.

Objetivos

Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:

Definir sistema articular;

Comparar e diferenciar os tipos de articulações, de acordo com o tecido e com o grau de movimentação;

Descrever a estrutura e a localização de cada subdivisão articu- lar existentes dentro das classificações;

Reconhecer o efeito do envelhecimento nas articulações.

39 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema articular

A classificação das articulações varia de acordo com os tecidos presentes entre as estruturas e também o grau de movimento que reali- zam. Classifica-se as articulações quanto ao tecido como articulações fi - brosas, cartilagíneas e sinoviais e quanto ao grau de movimento como sinartrose, anfiartrose e diartroses. Cada classificação apresenta subdi- visões, portanto, as articulações fibrosas são subdivididas em suturas, sindesmoses e a gonfose, já as articulações cartilagíneas são subdividi- das em sincondroses e as sínfises. As articulações sinoviais são as mais comuns no esqueleto humano e apresentam componentes acessórios e essenciais que as identificam, podem ainda ser classificadas considera- do se o movimento ocorre em um, dois ou três eixos.

Articulações fibrosas

As articulações fibrosas são caracterizadas pela presença de teci- do conjuntivo fibroso. Os movimentos nestas articulações são restritos, portanto, quanto ao movimento, são classificadas como sinartroses. As articulações fibrosas podem ser subdivididas em: suturas, sindesmoses ou gonfose.

As suturas estão presentes apenas no crânio e são caracterizadas por uma camada de tecido conjuntivo denso (tecido fibroso). No feto e também no recém-nascido existem grandes espaços entre os ossos do crânio com a presença de uma membrana, chamada fontanela, porém a maioria deles se fecha durante o primeiro ano de vida. Esse fechamento ocorre em razão ao crescimento ósseo, formando as suturas.

Existem diferentes tipos de suturas, classificadas de acordo com a região articular de cada osso, na sutura serrátil é possível visualizar o entrelaçamento das articulações como, por exemplo, a sutura sagital, localizada entre os dois ossos parietais. Na sutura plana, as superfícies

40 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

ósseas são planas nas margens articulares como, por exemplo, a sutura mediana palatina, entre os ossos maxila e palatino. Na sutura escamosa há uma sobreposição óssea, ou seja, a região articular de um osso se so- brepõe a região articular de outro osso, por exemplo a sutura escamosa, entre os ossos parietal e temporal (figura 1).

escamosa, entre os ossos parietal e temporal (figura 1). Figura 1 – Suturas do crânio |

Figura 1 – Suturas do crânio | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

As sindesmoses são articulações com a presença de membranas interósseas, compostas de tecido fibroso. Na figura 2 pode-se visualizar a membrana interóssea entre os ossos do antebraço, o rádio e a ulna (sindesmose radioulnar). Outro exemplo é a sindesmose tibiofibular, encontrada na perna, entre os ossos tíbia e fíbula.

41 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

41 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 2 – Sindesmose radioulnar

Figura 2 – Sindesmose radioulnar do antebraço | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

A gonfose é a articulação fibrosa responsável pela fixação dos den- tes, inferiormente na mandíbula e superiormente na maxila.

Nas articulações cartilagíneas, as estruturas ósseas estão unidas por meio de cartilagem e os movimentos destas articulações são limita- dos, sendo classificadas como anfiartroses. As articulações cartilagíne- as podem ser subdivididas em: sincondroses e sínfises.

Nas sincondroses a cartilagem presente é do tipo hialina, encon- tram-se nas articulações costocondrais, localizadas entre as cartilagens costais e as extremidades das costelas. Algumas sincondroses, como em ossos longos e em alguns lugares do crânio, são temporárias e se ossifi- cam após o crescimento completo, então passam a ser chamadas de si- nostose, ou seja, a cartilagem é substituída por osso. Já as sínfises são articulações com cartilagem do tipo fibrosa, que amortecem impacto e possibilitam movimentos limitados. Estão presentes entre os ossos pú- bis (sínfise púbica) e também nas articulações intervertebrais, no forma- to de discos intervertebrais (figura 3).

Os discos intervertebrais são importantes para amortecer os impactos na coluna vertebral. Ele é recoberto por tecido fibroso e, internamen- te, apresenta um núcleo pulposo; com característica gelatinosa. Quan- do este disco intervertebral se desloca, ocorre a hérnia de disco.

42 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

42 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 3 – Sínfise intervertebral

Figura 3 Sínfise intervertebral |Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Articulações sinoviais

As articulações sinoviais são as mais complexas e variadas do cor- po humano. São as articulações que possuem, como componentes essen- ciais, uma cavidade articular, envolvidas por uma cápsula articular que, internamente, possui uma membrana sinovial, responsável pela produ- ção do líquido sinovial lubrificante. As margens dos ossos presentes nes- sa articulação são revestidas por uma cartilagem articular, que é do tipo hialina, sendo que, tal cartilagem é nutrida pelo líquido sinovial duran- te o movimento articular.

Nas articulações sinoviais ainda há a presença de ligamentos, me- niscos ou discos articulares e bolsas (componentes acessórios) (figura 4). As bolsas sinoviais, também conhecidas como bursas, são sacos fe- chados de membrana sinovial que se interpõe entre tendões (ou pele) e ossos (ou articulações), com a função de diminuir o atrito durante a movimentação. Externamente as cápsulas são formadas por membranas fibrosas, onde podem ser mais espessas, formando ligamentos que esta- bilizam ainda mais as articulações. Os ligamentos podem ser por dentro ou por fora da cápsula articular.

43 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Na articulação do joelho, especificamente, encontram-se os me- niscos que são coxins cartilagíneos para amortecer as estruturas ósseas que se articulam. Em outras articulações, há os discos articulares, que geralmente são formados por fibrocartilagem e apresentam a função de absorção das forças de compressão, ou seja, função bem parecida com a do menisco.

Considera-se componentes essenciais aqueles presentes em todas as articulações sinoviais, que são: cápsula articular, membrana sino- vial, líquido sinovial e cartilagem articular.

Os componentes acessórios podem existir em algumas articula- ções sinoviais ou não; são eles: meniscos, discos articulares e bol- sas sinoviais.

eles: meniscos, discos articulares e bol - sas sinoviais. Figura 4 – Articulação do Joelho e

Figura 4 – Articulação do Joelho e seus componentes articulares: 1. Ligamento cruzado anterior; 2. Ligamento cruzado posterior; 3. Menisco lateral; 4. Menisco medial; 5. Tendão do músculo quadríceps; 6. Ligamento Colateral. | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

As articulações sinoviais podem ainda ser classificadas da seguin- te forma:

1. Classificação funcional: monoaxial, biaxial e triaxial;

44 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

2. Classificação morfológica: gínglimo, plana, trocóidea, selar, condilar e esferóidea.

Na classificação funcional é considerado se a articulação reali- za um movimento em torno de um, dois ou três eixos, também pode-se descrever como um, dois ou três graus de liberdade. Quando é realizado em torno de um eixo classifica-se como monoaxial, como a articulação do cotovelo que realiza flexão e extensão, quando em torno de dois ei- xos temos uma articulação biaxial, como as articulações interfalangea- nas com os movimentos de flexão, extensão, abdução e adução, por fim quando em torno de três eixos tem-se a triaxial, como a articulação do quadril que realiza flexão, extensão, abdução, adução e rotação.

Aspectos do envelhecimento

Com o surgimento do envelhecimento, o sistema musculoesque- lético começa a sofrer modificações, por exemplo, os ossos se tornam mais frágeis, as cartilagens perdem a resiliência e a elasticidade dos li- gamentos fica reduzida.

Existem diversos mecanismos patogênicos que levam as altera- ções dos tecidos durante o envelhecimento, porém alguns processos ge- néricos podem explicar as mudanças na maioria dos tecidos, são eles:

Desequilíbrio entre a síntese e a degradação da matriz, o que leva a uma diminuição da quantidade de tecido;

Alterações nas estruturas de colágeno e elastina, que são essen- ciais na composição da matriz;

Acumulo de moléculas já degradadas na matriz;

Diminuição da resposta celular ou alteração dos níveis de hor- mônios circulantes e fatores de crescimento, o que reduz a re- posição de tecido.

45 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Nas articulações pode-se verificar alterações na cartilagem articu-

lar, nos discos intervertebrais e nos ligamentos. A cartilagem articular

e o disco intervertebral proporcionam amortecimento para as articula-

ções, através da capacidade dos proteoglicanos presentes na matriz, as- sociados a água, em gerar uma pressão de expansão no tecido. Com o envelhecimento, ocorre perda de fragmentos de proteoglicanos e dimi- nuição em sua capacidade de formar grandes complexos hidrófilos, o que reduz a sua função em gerar a pressão de expansão, predispondo o idoso a desenvolver osteoartrite e degeneração de discos intervertebrais.

Os ligamentos possuem a capacidade de absorver os choques na

articulação e retornar à sua forma anatômica, ou seja, possuem elastici- dade. Com o envelhecimento, a síntese de colágeno fica alterada e ocor- re mudanças na transdução de colágeno e elastina presentes na matriz,

o que reduz a elasticidade dos ligamentos.

Conclusão

O sistema articular sofre modificações, fisiológicas ou não, que implicam na locomoção e postura do indivíduo, portanto, conhece-lo é primordial para entender o funcionamento do Aparelho Locomotor du- rante todo desenvolvimento humano, bem como as alterações que ocor- rem no mesmo durante o envelhecimento.

46 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios

1) Paciente, sexo masculino, 32 anos, jogador de futebol amador, sofreu uma lesão no joelho direito durante uma partida de futebol com os cole- gas, com o edema rápido e fortes dores na região foi levado ao hospital. Após a avaliação e realização de exames complementares foi diagnos- ticado a tríade infeliz do joelho, que seria o comprometimento do liga- mento cruzado anterior, ligamento colateral lateral e menisco medial. Como podemos classificar a articulação do joelho?

a)

Sinovial condilar, diartrose;

b)

Sinovial gínglimo, diartrose;

c)

Cartilagínea gínglimo, anfiartrose;

d)

Cartilagínea condilar, anfiartrose;

e)

Fibrosa troclear, sindesmose.

Resposta ao final do capítulo.

2) Qual das afirmativas sobre as funções do sistema articular é correta:

a) O sistema articula possui a função de união entre as estruturas do es-

queleto humano;

b) O sistema articular é o responsável pela movimentação de todos os

pontos de união do esqueleto humano;

c) O sistema articular apenas auxilia no crescimento ósseo, sem interfe-

rir na movimentação;

d)

O sistema articular possui a função de produção de células sanguíneas;

e)

O sistema articular tem importante participação na regulação da tem-

peratura corporal.

Resposta ao final do capítulo.

3) Qual dos componentes abaixo não é característica presente em todas as articulações sinoviais?

a) Líquido sinovial;

b) Menisco;

47 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

d)

Cápsula sinovial;

e)

Cartilagem sinovial.

Resposta ao final do capítulo.

4) As sínfises são tipos de quais articulações?

a) Fibrosas;

b) Cartilagíneas;

c) Sinoviais;

d) Suturas;

e) Gínglimo.

Resposta ao final do capítulo.

5) Cada tipo de articulação possui características expecíficas, a mem- brana interóssea é característica de:

a)

Sínfises;

b)

Suturas;

c)

Planas;

d)

Sincondroses;

e)

Sindesmoses.

Resposta ao final do capítulo.

Bibliografia

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48 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

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TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de anatomia e fisiologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

Gabarito

1. b | 2. a | 3. b | 4. b | 5. e

49 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 4

SISTEMA MUSCULAR:

TECIDO MUSCULAR, TIPOS E FUNÇÃO, CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS E CONTRAÇÃO MUSCULAR

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Jéssica Julioti Urbano

Introdução

O sistema muscular atua principalmente na locomoção do corpo humano, porém possui outras funções, que também são essenciais ao adequado funcionamento do mesmo. Por meio da contração muscu- lar, as articulações permanecem estabilizadas, ajudando na manuten- ção da postura, além de realizar a movimentação de substâncias pelo corpo, sendo que os músculos estriados esqueléticos auxiliam no re- torno sanguíneo ao coração e no fluxo da linfa, já os músculos lisos, presentes nas paredes dos vasos sanguíneos, auxiliam no fluxo san- guíneo. Também realizam a regulação do volume de conteúdo dos ór- gãos, não permitindo a saída das substâncias até o momento adequado e auxiliam na regulação da temperatura corporal, uma vez que a con- tração muscular gera calor.

Existem três tipos de tecido muscular diferentes, são eles: estriado esquelético, estriado cardíaco e liso. Cada um desses tecidos musculares possui localização e características estruturais e funcionais diferentes. Os músculos estriados esqueléticos possuem quatro propriedades funcionais específicas: extensibilidade, elasticidade, irritabilidade e contratilidade.

50 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

A extensibilidade permite ao músculo aumentar em comprimento, ou seja, ser estirado algumas vezes além do seu tamanho em repouso e a elasticidade é a capacidade que o músculo tem de retornar ao seu tama- nho original de repouso, após estiramento. Já a irritabilidade é a capa- cidade do músculo em responder a um estímulo, tanto químico quanto elétrico, por exemplo, o potencial de ação. A contratilidade é a contra- ção como resposta da irritabilidade.

Objetivos

Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:

Descrever as funções do sistema muscular;

Comparar e diferenciar os tipos de tecido muscular;

Descrever as classificações musculares;

Identificar os componentes de uma fibra muscular;

Descrever a contração muscular;

Reconhecer o efeito do envelhecimento nos músculos.

Tipos de tecido muscular

O corpo humano apresenta três tipos de tecido muscular: músculos estriados esqueléticos, músculo estriado cardíaco e músculos lisos (fi- gura 1). Abaixo encontram-se características específicas desses tecidos.

1. Músculo estriado esquelético: possui contração voluntária, suas fibras são longas, cilíndricas e multinucleadas. As fibras estão agrupadas em fascículos;

2. Músculo estriado cardíaco: possui contração involuntária e rítmicas, suas fibras são pequenas, ramificadas e com um nú- cleo; além da presença de discos intercalares, que possuem a função de transmitir a contração célula a célula;

51 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

3. Músculo liso: possui contração involuntária, suas fibras são alongadas, no formato fusiforme como um núcleo. Presentes nos órgãos, vias aéreas e vasos sanguíneos. Sua contração está sob controle do sistema nervoso autônomo.

contração está sob controle do sistema nervoso autônomo. Figura 1 – Tipos de tecido muscular |

Figura 1 – Tipos de tecido muscular | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Os músculos estriados esqueléticos possuem componentes anatô- micos específicos. O ventre muscular equivale a parte contrátil do mús- culo, o tendão é composto por tecido conjuntivo e fixa o ventre muscular na estrutura óssea; tecido subcutâneo ou cápsula articular, a aponeuro- se é o mesmo tecido conjuntivo, como no tendão, porém em forma de

52 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

lâmina e as bainhas tendíneas envolvem os tendões, protegendo e fa- cilitando o deslizamento no movimento.

O tecido conjuntivo presente nos músculos, possui a função de

manter as fibras unidas, permitindo que a contração única em cada fi- bra reflita no músculo por completo e nos tendões. As fibras muscula- res (células musculares) são revestidas por uma fina camada de tecido conjuntivo chamada endomísio. Cada conjunto de fibras musculares, ou seja, os feixes musculares, são revestidos por uma camada de te- cido conjuntivo chamado perimísio. Já o músculo por completo é re- vestido por tecido conjuntivo que recebe o nome de epimísio. A fáscia muscular é a camada de tecido conjuntivo fibroso que envolve o mús- culo e liga este a pele, além disso ela reduz a fricção, permitindo fa- cilmente o deslizamento

A propriedade do músculo estriado é a capacidade de contração,

portanto, suas células apresentam, internamente, componentes que, ao receber estímulo nervoso, desempenham esta função (descrito abaixo no item Mecanismo de Contração). Cada célula muscular, ou seja, cada fi- bra é envolvida por uma membrana plasmática chamada de sarcolema. O seu citoplasma é chamado de sarcoplasma, onde está presente o re- tículo sarcoplasmático. Também há, nas fibras musculares, várias mio- fibrilas que possuem filamentos finos, compostos da proteína actina e filamentos grossos, composto da proteína miosina. Quando se observa

a disposição dos filamentos na miofibrila, visualiza-se bandas escuras e bandas claras. As bandas claras são chamadas de banda I, enquanto que as escuras são chamadas de banda A, entre a banda I há uma linha

Z . Um par de linha Z (uma banda Z), chama-se sarcômero, ou seja, é a

unidade de contração do músculo (figuras 2 e 3).

53 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

53 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 2 – Sarcômero. |

Figura 2 – Sarcômero. | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

2 – Sarcômero. | Fonte : Banco de Imagem UNINOVE. Figura 3 – Detalhe do Sarcômero

Figura 3 – Detalhe do Sarcômero | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

54 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Classificações dos músculos

Envolvendo todo esqueleto, os músculos apresentam formas específicas, com relação a disposição de suas fibras, além da localização e função, portanto, podem ser classificados por meio desses critérios, como podemos observar na tabela abaixo:

Tabela 1. Classificações dos músculos

Classificação

Divisões

Exemplos

 

Profundos: se inserem em ossos e não tem inserção na derme.

Pronador redondo

Quanto a

Platisma, na região do pescoço

localização

 

Superficiais: logo abaixo da pela.

 
 

Longos: prevalece a longitude

Principalmente nos membros, exemplo bíceps braquial

Quanto a forma

Largos: geralmente em lâminas

Diafragma

Curtos: três dimensões parecidas

Principalmente nas mãos

 

Reto: paralelo

Músculos abdominais

Quanto a

Transversal:

Reto abdominal

disposição

perpendicular

das fibras

(considera-se a

 

Transverso do abdome

linha média)

Oblíquo: diagonal

Oblíquo interno e externo do abdome.

 

Agonista

Dependendo do movimento realizado, o músculo pode exercer função agonista, antagonista ou sinergista.

Quanto a

função

Antagonista

Sinergista

 

55 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

 

Único: um só tendão na origem

Flexor radial do carpo

Quanto ao

Bíceps: dois tendões na origem

Bíceps braquial: cabeça longa e cabeça curta

número de

tendões

 

Tríceps braquial: cabeça longa, medial e lateral

presentes na

Tríceps: três tendões na origem

origem

 

Quadríceps: quatro tendões na origem

Quadríceps: reto femoral, vasto lateral, vasto intermédio e vasto medial

Quanto ao

Bicaudado: dois tendões na inserção terminal

Fibular longo

número de

tendões

 

Flexor profundo dos dedos

presentes

Policaudado: mais de dois tendões na inserção terminal

na inserção

terminal

Fonte: Autor.

Mecanismo de contração

Para começar a descrever o mecanismo de contração é importante identificar algumas estruturas que fazem parte da conexão entre o siste- ma nervoso e o sistema muscular. Cada célula muscular recebe somente um motoneurônio (ou neurônio motor inferior), o que gera especificida- de para o controle muscular, porém um motoneurônio pode inervar vá- rias células musculares, o que permite resposta coordenada de músculos grandes. Essa associação de um motoneurônio e suas células inervadas é o que chamado de unidade motora (figura 4).

O neurônio motor inferior recebe o potencial de ação e o propaga até o seu final, terminação axonal e então ocorre uma sinapse química com a liberação de acetilcolina na fenda sináptica. Essa região é conhe- cida como junção neuromuscular, ou placa motora terminal. O potencial de ação será descrito no capítulo 9.

56 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

56 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 4 – Inervação do

Figura 4 – Inervação do musculo estriado esquelético | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

A abertura dos canais de acetilcolina permite influxo de grande quantidade de íons sódio para dentro da membrana da fibra muscular, de- sencadeando um potencial de ação na fibra muscular. O potencial de ação despolariza a membrana da fibra até fazer com que o retículo sarcoplas- mático libere cálcio para as miofibrilas. O cálcio tem papel importante na contração muscular, uma vez que ele se liga a troponina, realizando o mo- vimento dos filamentos de tropomiosina, fazendo com que a actina seja exposta para ligação da miosina. No momento em que ocorre o desliza- mento dos filamentos de actina e miosina tem-se a contração muscular.

Aspectos do envelhecimento

Observa-se que durante o processo de envelhecimento ocorre uma diminuição da função muscular, devido a redução de potência e tam- bém perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia. A sarcope- nia ocorre por perda dos números de fibras musculares, além da atrofia de algumas fibras do tipo II, sendo que essas perdas estão relacionadas à:

Alteração do estado hormonal, ou seja, diminuição na produção dos hormônios, como testosterona e hormônio do crescimento;

Aumento dos agentes catabólicos o que amplia a perda muscular;

57 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Inervação alterada do sistema nervoso central e periférico que gera a perda de unidades motoras;

A taxa de rotatividade das proteínas contráteis no músculo di- minui, tornando-os alvos para diferentes tipos de modificações que podem afetar a atividade enzimática da proteína motora.

Conclusão

As alterações quantitativas estabelecidas no músculo ocorrem pa- ralelamente com as mudanças qualitativas na regulação da contração de fibras musculares, o que contribui com o declínio na função muscular devido ao envelhecimento. Sabendo deste fato, ao profissional da saú- de cabe conhecer a fisiologia do sistema muscular a fim de elaborar me- lhores estratégias de tratamento.

58 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios

1. Assinale a opção com a associação correta entre o tipo de tecido

muscular e a característica de suas fibras.

a) Tecido muscular estriado esquelético – possui fibras longas e cilíndricas;

b) Tecido muscular liso – possui fibras longas e cilíndricas;

c) Tecido muscular estriado cardíaco – possui fibras fusiformes;

d) Tecido muscular estriado esquelético – possui fibras fusiformes;

e) Tecido muscular liso – possui fibras pequenas, cilíndricas e ramificadas.

Resposta ao final do capítulo.

2. O músculo bíceps braquial recebe a nomenclatura de bíceps, devido a:

a) Classificação quanto ao número de tendões na inserção terminal;

b) Classificação como bicaudado;

c) Classificação quanto ao número de tendões na inserção de origem;

d) Classificação como policaudado;

e) Classificação quanto ao número de tendões na inserção de origem e

também na inserção terminal.

Resposta ao final do capítulo.

3. Assinale a opção errada quanto as funções do sistema muscular:

a) Produzir movimento ou locomoção;

b) Responsável pelo crescimento ósseo;

c) Estabilização das posições do corpo;

d) Produção de calor;

e) Regulação do volume dos órgãos.

Resposta ao final do capítulo.

4. “A extremidade do músculo fixa à peça óssea que não se desloca” a frase anterior representa:

a) Inserção de origem muscular;

59 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

b) Inserção terminal muscular;

c) Apenas inserção, não é possível identificar se é de origem ou terminal;

d) Classificação quanto ao número de tendões na inserção de origem;

e) Classificação quanto ao número de tendões na inserção terminal.

Resposta ao final do capítulo.

5. Assinale a opção que não representa um componente anatômico do músculo estriado esquelético:

a) Ventre muscular;

b) Tendões;

c) Fáscia muscular;

d) Disco intercalar;

e) Aponeuroses.

Resposta ao final do capítulo.

Bibliografia

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TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de anatomia e fisiologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

Gabarito

1. a | 2. c | 3. b | 4. a | 5. d

61 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 5

SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO:

ESTRUTURA E FUNÇÃO

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução

O profissional da área da saúde deve conhecer a anatomia e a fi- siologia dos diversos sistemas que compõem o corpo humano. Este co- nhecimento é fundamental para que possamos entender as modificações desses sistemas no processo do envelhecimento, sadio ou não.

O sistema cardiorrespiratório é formado pelos sistemas cardiovas- cular e cardiorrespiratório. O primeiro é responsável por conduzir a to- dos os órgãos e tecidos o sangue e, junto com este, realizar o transporte de gases, hormônios e nutrientes, além de recolher os resíduos metabó- licos das células; o segundo é responsável pela captação do O2 do am- biente externo, condução até o pulmões, troca gasosa entre pulmões e sangue e expulsão do CO2.

Durante o processo do envelhecimento, as funções acima estarão comprometidas, sem necessariamente interferir na funcionalidade do idoso; portanto, é fundamental o conhecimento da estrutura, função e modificação desse sistema.

Objetivos

Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:

Identificar as estruturas do sistema cardiorrespiratório;

Compreender as funções do sistema cardiorrespiratório;

62 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Compreender as alterações do sistema cardiorrespiratório rela- cionadas com o envelhecimento.

Estrutura e função do sistema cardiovascular

O sistema cardiovascular compreende as estruturas relacionadas

com o transporte do sangue e de todas as substâncias por ele carregadas, tais como, nutrientes e gases. Essas estruturas são o coração e os vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares).

O coração é a bomba propulsora deste sistema, ou seja, sua ana-

tomia e fisiologia favorecem a circulação do sangue e das substâncias presentes neste.

Histologicamente, encontramos três camadas de tecidos formando

o coração: tecido conjuntivo, formando o pericárdio, camada mais exter-

na; músculo estriado cardíaco, que compreende o miocárdio, a camada média; e o tecido epitelial (pavimentoso simples) mais internamente, o endocárdio. É no miocárdio que encontramos, anatomicamente, as qua- tro câmaras cardíacas: átrios direito e esquerdo (superiores) e ventrícu- los direito e esquerdo (inferiores).

O ventrículo esquerdo é mais espesso e responsável por bombear

o maior volume de sangue para o corpo todo (sangue rico em oxigênio

e nutrientes), por meio da artéria aorta, fazendo parte da chamada cir- culação sistêmica; juntamente com as veias cavas (superior e inferior)

e o átrio direito, que se relacionam com o retorno do sangue pouco oxi- genado para o coração.

O ventrículo direito e o átrio esquerdo, respectivamente com as

artérias pulmonares e veias pulmonares, se relacionam com a circulação pulmonar, que tem a finalidade de receber o sangue pouco oxigenado da circulação sistêmica, conduzi-los aos pulmões, para assim realizar a he- matose e retornar ao coração, reiniciando o circuito.

63 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Juntamente com essas estruturas, as valvas, as cordas tendíneas e os músculos papilares participam deste processo, permitindo a passagem do sangue e/ou impedindo o refluxo do mesmo (Figura 1).

do sangue e/ou impedindo o refluxo do mesmo (Figura 1). Figura 1 – Anatomia interna do

Figura 1 – Anatomia interna do coração | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

64 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Estrutura e função do sistema respiratório

Ao sistema respiratório dá-se a função de captar e transportar os gases por meio da respiração e realizar a troca gasosa.

As estruturas que participam deste processo são: cavidade na- sal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, ductos alveolares e alvéo- los. A condução do ar ocorre nas chamadas vias aéreas condutoras, que se inicia na cavidade nasal e vai até os brônquios terminais. Nos bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e alvéolos acontece a tro- ca gasosa, hematose, sendo essas estruturas denominadas vias aéreas respiratórias (Figura 2).

denominadas vias aéreas respiratórias (Figura 2). Figura 2 – Estruturas do Sistema respiratório | Fonte :

Figura 2 – Estruturas do Sistema respiratório | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

65 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

O tecido respiratório é formado por células que favorecem o trans- porte e a troca gasosa, bem como a proteção das vias aéreas inferiores.

Sistemas cardiovascular e respiratório funcionam em uníssono, sendo a divisão acima apenas didática, com a finalidade de melhor com- preensão por parte do aluno.

Sabendo que esse sistema é primordial à vida, conhecer as modi- ficações fisiológicas decorrentes do envelhecimento, é primordial para atitudes preventivas ao longo da vida. Veja a seguir as principais modi- ficações deste sistema.

Aspectos do envelhecimento

Com o envelhecimento ocorrem muitas alterações sistêmicas. No sistema cardiovascular encontra-se diversas alterações, como as cita- das a seguir:

Ao contrário do que ocorre com outros órgãos, o coração aumen- ta seu peso com a idade: aumenta em massa, aproximadamente, 1 g/ano em homens e 1,5 g/ano em mulheres. Este aumento está relacionado à hipertrofia do ventrículo esquerdo, que aumenta o esforço devido à di- minuição da complacência.

Nos átrios e septo interventricular, há acúmulo de tecido adiposo e degeneração dos miócitos, com substituição das células por tecido fibroso.

Os vasos sanguíneos, em especial a aorta, se dilatam e ocorre di- minuição das fibras elásticas com aumento de depósito do cálcio, au- mentando a probabilidade de formação de placas de aterosclerose. O depósito de cálcio também ocorre nas valvas, em decorrência da dege- neração do colágeno.

Ocorrem alterações no sistema de geração e condução do estímulo elétrico, que se dá pelo Nodo Sinoatrial, em decorrência do acúmulo de gordura, diminuição do colágeno e aumento do cálcio. Essas modifica-

66 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

ções levam a um aumento da fase diastólica (fase de relaxamento), em especial do ventrículo esquerdo, aumentando a probabilidade de insufi- ciência cardíaca diastólica, arritmias e congestão pulmonar.

O estímulo do Sistema Nervoso Simpático diminui nos idosos, portanto, o coração fica menos responsivo. Isso não leva a problemas maiores, a não ser quando há situações estressantes.

Embora essas modificações sejam fisiológicas durante o envelhe- cimento, os problemas cardíacos afetam mais a população idosa.

No sistema respiratório as alterações ocorrem na mucosa, nas cé- lulas de defesa, no reflexo da tosse, na substituição de cartilagem por tecido ósseo e na diminuição das fibras dos músculos respiratórios. A mucosa respiratória e suas células de defesa sofrem alteração, diminuin- do a motilidade dos cílios, que, associado à ineficiência do reflexo da tosse, aumenta a probabilidade de infecções respiratórias.

As cartilagens costais e traqueal passam a ser substituídas por cé- lulas ósseas, aumentando a rigidez torácica, alterando a mecânica res- piratória; também há um aumento das fibras colágenas em relação às fibras elásticas nos pulmões, bem como a redução do número de septos alveolares, gerando uma menor área de troca gasosa e facilitando o co- labamento das vias aéreas de pequeno calibre; em decorrência dessas alterações, o idoso tende a solicitar mais o músculo diafragma durante a inspiração para compensar os déficits da mecânica respiratória, já que há diminuição da complacência pulmonar.

Essas alterações fisiológicas propiciam o aumento de doenças res- piratórias, tais como, as infecções respiratórias (pneumonias) e as doen- ças obstrutivas crônicas (bronquite crônica e enfisema).

67 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Conclusão

O conhecimento do sistema cardiorrespiratório é importante para o Fisioterapeuta. Saber distinguir os possíveis efeitos sofridos com o pas- sar do tempo pelo organismo, bem como as alterações que acometem o mesmo, em decorrência de alguma patologia instalada, ajuda o profis- sional a criar melhores estratégias de tratamento.

68 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios

1) O aumento do peso do coração se relaciona a:

a) Aumento das quatro câmaras cardíacas;

b) Hipertrofia do átrio direito;

c) Hipertrofia do ventrículo esquerdo;

d) Aumento do ventrículo direito;

e) Hipotrofia do ventrículo esquerdo.

Resposta correta ao final do capítulo.

2) A rigidez da caixa torácica é decorrência de:

a) Substituição das cartilagens costais por células ósseas;

b) Rigidez pulmonar devido ao aumento dos alvéolos;

c) Postura cifótica;

d) Maior complacência pulmonar;

e) Menor eficácia da troca gasosa.

Resposta correta ao final do capítulo.

3) Com relação ao sistema cardiovascular, assinale a alternativa correta:

a)

O tamanho do coração diminui, principalmente nas mulheres;

b)

Os vasos sanguíneos, em especial a aorta, se dilatam e ocorre dimi-

nuição das fibras elásticas com aumento de depósito do cálcio, aumen- tando a probabilidade de formação de placas de aterosclerose;

c) Ocorre um aumento na fase sistólica, aumentando a fase de contra-

ção do coração;

d) Ocorre hipotrofia do ventrículo esquerdo;

e) O coração do idoso fica mais responsivo devido ao aumento do estí-

mulo do Sistema Nervoso Simpático.

Resposta correta ao final do capítulo.

69 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

4) Leia as frases a seguir atentamente:

I. As alterações fisiológicas do sistema respiratório não apresentam re- lação com o aumento de doenças respiratórias nos idosos, tais como, as infecções respiratórias (pneumonias) e as doenças obstrutivas crônicas (bronquite crônica e enfisema); II. Ocorre depósito de cálcio nas valvas em decorrência da diminuição do colágeno; III. Há diminuição da motilidade ciliar e diminuição da eficácia do re- flexo da tosse. Agora, escolha a opção que contenha apenas informações corretas so- bre o envelhecimento do sistema cardiorrespiratório:

a)

Apenas I e II estão corretas;

b)

Apenas I está correta;

c)

Apenas III está correta;

d)

Apenas II e III estão corretas;

e)

Apenas II está correta.

Resposta correta ao final do capítulo.

5) Assinale a alternativa correta.

a) A artéria aorta está relacionada com o ventrículo direito e participa da circulação pulmonar;

b) A troca gasosa ocorre nas vias aéreas condutoras;

c) O sangue rico em oxigênio chega ao coração por meio das artérias

pulmonares;

d) O pericárdio é a camada mais interna do coração;

e) A sequência do ar nas vias aéreas é: cavidade nasal, laringe, traqueia, faringe, brônquios e alvéolos.

Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAUDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pes - soa idosa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,

70 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

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Gabarito

1. e | 2. a | 3. b | 4. d | 5. e

71 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 6

SISTEMA DIGESTÓRIO:

ESTRUTURA E FUNÇÃO

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução

Durante o envelhecimento ocorrem diversas modificações nos siste- mas do corpo humano que implicam na funcionalidade do idoso, portan- to, é primordial que o profissional da área da saúde conheça a anatomia e a fisiologia desses sistemas, a fim de identificar as alterações fisiológi- cas ou não.

O sistema digestório é formado pelas estruturas que recebem o ali- mento, trituram, digerem, absorvem e excretam compostos não utiliza- dos pelo organismo.

Durante o processo do envelhecimento ocorrem modificações teci- duais e funcionais que afetam a disponibilidade dos nutrientes nas células.

Objetivos

Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:

Identificar as estruturas do sistema digestório;

Compreender as funções do sistema digestório;

Compreender as alterações do sistema digestório relacionadas com o envelhecimento.

72 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Estrutura e função do sistema digestório

Todas as células que formam os tecidos do nosso corpo, neces- sitam, continuamente, de nutrientes para que possam manter suas ati- vidades metabólicas. Um dos produtos finais deste metabolismo, é a produção de ATP (Adenosina Trifosfato), molécula que, quando que- brada, gera energia.

Esses nutrientes são obtidos por meio da alimentação, sendo o sis- tema digestório responsável pelo recebimento, transporte e absorção des- sas moléculas e excreção dos compostos não utilizados pelo organismo.

As estruturas anatômicas que fazem parte deste são: cavidade da boca, parte oral da faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e gros- so; além desses, há os órgãos digestivos acessórios, que apresentam par- ticipação fundamental neste processo: dentes, língua, glândulas salivares, pâncreas, fígado e vesícula biliar.

Na cavidade da boca ocorre a quebra mecânica dos alimentos, possibilitada pela ação dos dentes, língua e saliva, sendo que, esta últi- ma libera a amilase, enzima que inicia a quebra química dos carboidra- tos (polissacarídeos) em moléculas simples; este processo compreende a etapa da mastigação. A língua conduz o bolo alimentar em direção à parte oral da faringe para que ocorra a deglutição, etapa em que o bolo alimentar chega ao esôfago.

O esôfago é um tubo muscular condutor que, por meio de contra- ções peristálticas, encaminha o bolo alimentar ao estômago, processo denominado ingestão. Na transição do esôfago com o estômago, o es- fíncter esofágico inferior (músculo circular com função de permitir ou não a passagem de substâncias) permite a ingestão e evita o refluxo do bolo alimentar, função também executada pelo óstio cárdico, abertura inicial do estômago.

73 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

No estômago, ocorre a digestão, processo mecânico e químico de quebra das macromoléculas em moléculas simples. Esta etapa depende da liberação de enzimas pela vesícula biliar e pâncreas, que se misturam ao bolo alimentar no estômago, formando o quimo. Para que este qui- mo não chegue rapidamente ao intestino delgado, há, na parte final do estômago, o óstio pilórico, que controla a velocidade da passagem das moléculas ao duodeno, parte inicial do intestino delgado.

Assim como no estômago, no intestino delgado ocorre a digestão de macromoléculas, que, após sua quebra, serão absorvidas, ou seja, passam para a corrente sanguínea. Aquelas substâncias não essenciais ao organis- mo são encaminhadas ao intestino grosso, que absorve água e eletrólitos, além de formar o bolo fecal, excretando (defecação) esses compostos.

74 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

74 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 1 – Anatomia do

Figura 1 – Anatomia do Sistema Digestório | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

A função de cada órgão só é possível pelas células que o compõe e pela organização destas em camadas que, da mais interna para a mais externa, são: mucosa, submucosa, muscular e serosa.

75 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Essas camadas são semelhantes em toda extensão do tubo diges- tório, com algumas particularidades em cada órgão.

Para facilitar a aprendizagem, devemos relacionar essas camadas com a função de cada órgão, sendo assim, em órgãos onde há atrito do bolo alimentar ou fecal a camada mucosa é constituída por epitélio es- tratificado (conferindo maior proteção à estrutura); já órgãos onde a ab- sorção é a função principal, a camada mucosa deverá ser revestida por epitélio simples, favorecendo a passagem de substâncias.

Aspectos do envelhecimento

As alterações do sistema digestório com o envelhecimento são di- versas e afetam desde a capacidade de percepção da textura e sabor dos alimentos até a absorção dos nutrientes.

A mudanças na cavidade da boca compreendem: uma maior fra- gilidade dentária, interferindo na eficácia da mastigação; atrofia ou per- da de papilas gustativas, tornando-se lisa e plana, diminuindo o paladar e expressando diminuição no prazer de comer, fato também relaciona- do com a diminuição da secreção salivar.

As sensações de disfagia e “alimento parado na garganta”, como referido por muitos idosos, estão relacionadas com a redução dos movi- mentos peristálticos no esôfago, além da diminuição da pressão do es- fíncter, aumentando a incidência de refluxo e hérnia de hiato.

As alterações no processo de digestão e absorção dos nutrientes, interferem diretamente na saúde geral do idoso. O ácido clorídrico, pro- duzido no estômago, está diminuído, interferindo diretamente no proces- so de digestão e na capacidade de esvaziamento do estômago, que leva mais tempo para acontecer, principalmente com substâncias líquidas, o que afeta diretamente o apetite do idoso. No intestino delgado, em de- corrência das alterações nas vilosidades do mesmo, há uma diminuição

76 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

na capacidade de absorção de algumas vitaminas, do cálcio e do ferro, levando a uma predisposição para diarreia e osteopenia. Com a absorção de nutrientes comprometida, associada a mudanças no intestino grosso, a constipação é mais frequente.

Há uma maior probabilidade de surgir a Diabetes do tipo 2, em decorrência da diminuição da sensibilidade ao hormônio insulina e in- tolerância à glicose, mudanças que ocorrem nas células pancreáticas.

Conclusão

O conhecimento do sistema digestório é importante para que o pro- fissional da saúde saiba distinguir os possíveis efeitos fisiológicos ou pa- tológicos relacionados ao processo do envelhecimento e, desta maneira, criar melhores estratégias e abordagem de tratamento.

77 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios

1) Assinale a alternativa correta:

a)

O processo de digestão ocorre no intestino grosso;

b)

O processo de deglutição ocorre quando o alimento é direcionado da

faringe ao esôfago;

c)

O processo de absorção ocorre no estômago;

d)

A ingestão é quando o alimento é levado à boca;

e)

A mastigação ocorre apenas por meio da quebra química das moléculas.

Resposta correta ao final do capítulo.

2) Analise as frases abaixo:

I. Com o envelhecimento, ocorre uma diminuição do peristaltismo eso- fágico, aumentando a possibilidade de refluxo; II. A alteração da percepção do sabor e textura dos alimentos não tem relação com o envelhecimento e sim com os hábitos do indivíduo;

III. Há uma maior probabilidade de constipações nos idosos que está re- lacionada com mudanças no intestino delgado e grosso. Assinale a alternativa correta em relação às frases acima:

a)

Apenas a I está correta;

b)

Apenas a III está correta;

c)

Apenas a I e a II estão corretas;

d)

Apenas a I e a III estão corretas;

e)

Apenas a II está correta.

Resposta correta ao final do capítulo.

3) Com o envelhecimento, há um aumento da sensibilidade ao hormô- nio insulina levando a uma maior resistência à glicose. Este fato aumen- ta a probabilidade de surgir:

a) Hipoglicemia;

b) Diabetes tipo I;

c) Diabetes tipo II;

78 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

e) Colesterol.

Resposta correta ao final do capítulo.

4) A diminuição na capacidade de absorção de algumas vitaminas, do cálcio e do ferro, levando a uma predisposição para diarreia e osteope- nia, é uma consequência da alteração de qual órgão?

a)

Estômago;

b)

Pâncreas;

c)

Intestino delgado;

d)

Intestino grosso;

e)

Esôfago.

Resposta correta ao final do capítulo.

5) Órgão condutor que tem relação com os sistemas digestório e respiratório:

a)

Esôfago;

b)

Faringe;

c)

Laringe;

d)

Traqueia;

e)

Estômago.

Resposta correta ao final do capítulo

Bibliografia

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAUDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa ido- sa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 192 p. il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 19).

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VAN DE GRAAFF, K.M. Sistema Digestório. In: VAN DE GRAAFF, K.M. Anatomia Humana. Barueri: Manole, 2003, p. 634-674.

Gabarito

1. b | 2. d | 3. c | 4. c | 5. b

80 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 7

SISTEMA UROGENITAL FEMININO E MASCULINO: ESTRUTURA E FUNÇÃO

Nadhia Helena Costa Souza

Introdução

O profissional da área da saúde deve conhecer a anatomia e fisio- logia dos diversos sistemas que compõem o corpo humano. Este conhe- cimento é fundamental para que possamos entender as modificações desses sistemas no processo do envelhecimento, sadio ou não.

O sistema urogenital é responsável por formar e eliminar a urina, bem como pela reprodução, e com o passar dos anos sofre diversas mo- dificações, estruturais e funcionais.

Objetivos

Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:

Identificar as estruturas do sistema geniturinário masculino e feminino;

Compreender as funções do sistema geniturinário masculino e feminino;

Compreender as alterações do sistema geniturinário masculino e feminino relacionadas com o envelhecimento.

81 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Estrutura e função do sistema urogenital feminino e masculino

Sistema urinário

O sistema urinário é composto por um par de rins, um par de ure- teres, uma bexiga urinária e uma uretra. Este Sistema apresenta várias funções, dentre elas: os rins são responsáveis por filtrar o sangue e de- volver grandes quantidades de água e solutos à corrente sanguínea, onde o que não foi absorvido novamente pelo sistema é transforma- do em urina, que é conduzida pelos ureteres e armazenada na bexiga até ser eliminada pela uretra para o meio externo do corpo. Além dis- so, os rins apresentam algumas outras funções importantes como: re- gulação de íons presentes no sangue, do volume e pressão sanguínea, auxiliam na regulação do pH sanguíneo, produzem alguns hormônios, além de eliminarem resíduos.

produzem alguns hormônios, além de eliminarem resíduos. Figura 1 – Anatomia do Sistema Urinário | Fonte

82 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema genital feminino

O Sistema genital feminino é composto por dois ovários, duas tu-

bas uterinas, um útero, uma vagina e a vulva; localiza-se no interior da cavidade pélvica, é considerado o órgão reprodutor da mulher e também responsável pela produção de hormônios que controlam parte da estru- tura e funções dos órgãos do sistema reprodutor.

estru- tura e funções dos órgãos do sistema reprodutor. Figura 2 – Anatomia do Sistema Genital

Figura 2 – Anatomia do Sistema Genital feminino | Fonte: 123rf.

Sistema genital masculino

O Sistema genital masculino é constituído pelos testículos, um

sistema de ductos (epidídimo, ductos deferentes, ductos ejaculatórios e uretra), é composto também por glândulas sexuais acessórias (glândulas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais), além de estruturas de sus- tentação (escroto e o pênis). Os testículos produzem os espermatozóides e hormônios; o sistema de ductos transporta, armazena e auxilia na ma- turação dos gametas masculinos, além de transportá-los para o exterior.

83 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

83 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1 Figura 3 – Anatomia do

Figura 3 – Anatomia do Sistema Genital Masculino | Fonte: 123rf.

Aspectos do envelhecimento

Com o envelhecimento, ocorrem muitas alterações sistêmicas. No sistema urogenital encontra-se diversas alterações, como citadas a seguir:

nos rins, observa-se uma redução da massa renal, principalmente no córtex renal, em decorrência da diminuição do número total de células. Ocorre uma perda significativa de glomérulos, que com o envelhecimento acabam sendo substituídos por um tecido fibroso; ocorre também o depósito de te- cido adiposo, levando ao espessamento dos túbulos renais, além disso, as arteríolas aferentes se tornam estreitadas não apresentando comunicação com os glomérulos. Devido à presença de placas de aterosclerose, as pa- redes das arteríolas renais acabam por ficar mais espessas.

Em relação à bexiga e à uretra, estas apresentam uma diminuição da força de contração da musculatura, que durante a micção se contrai

84 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

com menos força e consequentemente apresenta uma menor capacidade

de dilatação, retendo em torno de 250 mL de urina, quantidade bastan-

te diferente quando comparada à bexiga de um jovem, que tem uma ca-

pacidade de retenção em torno de 600 mL. Além disso, após a micção,

o idoso não consegue esvaziar totalmente a bexiga, apresentando uma

retenção de urina em torno de 100 mL, fato que aumenta a probabilida- de de infecções urinárias.

No idoso, apenas quando a bexiga está totalmente cheia que os receptores da parede vesical são ativados para que o Sistema Nervoso entenda a necessidade de eliminar a urina, diferente do que acontece ao jovem, que já percebe a necessidade de urinar quando a bexiga está com urina pela metade.

Além disso, o esfíncter externo da uretra enfraquece com o passar dos anos, permitindo que a urina escape antes de chegar ao banheiro, ou em situações de incontinência ao estresse, como tosse ou ao espirro. Esta alteração percebida no esfíncter está diretamente relacionada à fra- queza dos músculos do assoalho pélvico.

Com relação ao sistema genital feminino, a produção de hormô- nios pelos ovários (estrógeno e progesterona) diminui. Com a diminui- ção do estrogênio, a menstruação é interrompida, indicando o início da menopausa. O útero, a vagina e os órgãos externos também diminuem seu tamanho, atrofiam-se.

A vagina torna-se menos elástica devido à presença de tecido fi- broso, diminui em comprimento e largura e torna-se menos úmida, fa- vorecendo episódios de infecção; além disso, as glândulas responsáveis pela lubrificação da vagina se atrofiam, deixando a região mais seca e desta maneira prejudicando o ato sexual.

Com o envelhecimento, o útero acaba diminuindo seu peso, redu- zindo-o pela metade. O tecido muscular é substituído por tecido colágeno

85 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

fibroso, levando à perda de elasticidade. O endométrio se atrofia, pode ocorrer a queda de órgãos como: útero, bexiga e reto, sustentados pelos ligamentos que, com o passar dos anos, podem se tornar mais fracos.

As glândulas mamárias são substituídas por tecido adiposo, pois atrofiam-se, e os ligamentos que as dão sustentação ficam fracos, con- ferindo o aspecto flácido e caído das mamas.

Já com relação ao sistema genital masculino, as células presentes

na parede dos túbulos seminíferos contorcidos diminuem. Estas apre- sentam grande importância no processo de reprodução e nutrição de gametas; ocorre também a diminuição da produção de testosterona, o que pode influenciar na diminuição da força muscular. Em relação à quantidade de gametas masculinos (espermatozóides), estes são redu- zidos pela metade, mas, mesmo assim, a fertilidade pode estar presen- te até o final da vida.

Na próstata, temos a substituição das fibras musculares por tecido fibroso, diminuindo sua capacidade de contração e levando este órgão à atrofia. Além disso, a quantidade de líquido prostático diminui. Em tor- no dos 70 anos, ocorre um aumento do peso da próstata, o que prejudi- ca a saída da urina. A musculatura das glândulas seminais é substituída por tecido conjuntivo, levando à sua atrofia. As paredes das arteríolas dos corpos cavernosos do pênis tornam-se rígidas em conjunto com o tecido erétil, que se torna menos elástico, e ambos os fatores podem pre- judicar a ereção.

Conclusão

O conhecimento do sistema urogenital é importante para o

Fisioterapeuta. Saber distinguir os possíveis efeitos sofridos com o pas- sar do tempo pelo organismo, bem como as alterações que acometem o mesmo, em decorrência de alguma patologia instalada, ajuda o profis- sional a criar melhores estratégias de tratamento.

86 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios

1) Quais são as alterações morfológicas encontradas nos rins?

a) Observa-se uma redução da massa renal, principalmente no córtex re-

nal, em decorrência da diminuição do número total de células;

b) Observa-se um aumento da massa renal, principalmente no córtex re-

nal, em decorrência da diminuição do número total de células;

c) Ocorre um ganho significativo de glomérulos, que com o envelheci-

mento acabam sendo substituídos por um tecido fibroso;

d) Ocorre o depósito de tecido adiposo, levando à atrofia dos túbulos renais;

e) Devido à presença de placas de aterosclerose, as paredes das arterío-

las renais acabam por ficar mais finas.

Resposta correta ao final do capítulo.

2) Em relação a bexiga e uretra, quais são as alterações encontradas?

a)

Apresentam um aumento da força de contração da musculatura;

b)

Apresentam uma diminuição da força de contração da musculatura;

c)

Apresentam uma maior capacidade de dilatação, retendo em torno de

600mL de urina;

d) Após a micção, o idoso consegue esvaziar totalmente a bexiga, não

apresentando retenção de urina;

e) Mesmo que o esfíncter externo da uretra se enfraqueça, não há esca-

pe de urina antes de chegar ao banheiro, ou em situações de incontinên- cia ao estresse como tosse ou ao espirro.

Resposta correta ao final do capítulo.

3) Com relação ao sistema genital feminino, assinale a alternativa incorreta

a) A produção de hormônios pelos ovários (estrógeno e progesterona)

diminui com o passar dos anos;

b) Com a diminuição do estrogênio, a menstruação é interrompida indi-

cando o início da menopausa;

c) O útero, a vagina e os órgãos externos também diminuem seu tama-

nho, atrofiam-se;

87 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

d) O útero acaba aumentando seu peso, o tecido muscular é substituído

por tecido colágeno fibroso, levando à perda de elasticidade, consequen- temente favorecendo a reprodução da mulher;

e) A vagina torna-se menos elástica devido à presença de tecido fibroso,

diminui em comprimento e largura e torna-se menos úmida, favorecen- do episódios de infecção.

Resposta correta ao final do capítulo.

4) Leia as frases a seguir atentamente

I. Com relação ao sistema genital masculino, as células presentes na pa- rede dos túbulos seminíferos contorcidos diminuem, estas apresentam grande importância no processo de reprodução e nutrição de gametas; II. Com o passar dos anos, ocorre também o aumento da produção de testosterona, influenciando diretamente a força muscular; III. As glândulas mamárias da mulher são substituídas por tecido adi- poso, e os ligamentos que as dão sustentação ficam fracos, conferindo o aspecto flácido e caído das mamas. Agora, escolha a opção que contenha apenas informações corretas.

a)

Apenas I e II estão erradas, as demais corretas;

b)

Apenas I está correta, as demais erradas;

c)

Apenas III está correta, as demais erradas;

d)

Apenas II está correta, as demais erradas;

e)

Apenas II está errada, as demais corretas.

Resposta correta ao final do capítulo.

5) Assinale a alternativa correta.

a) Os espermatozóides são reduzidos pela metade com o passar dos anos,

mas mesmo assim a fertilidade pode estar presente até o final da vida;

b) Na próstata, temos a substituição das fibras musculares por tecido fibro-

so, aumentando sua capacidade de contração e levando este órgão à atrofia;

c) A quantidade de líquido prostático aumenta consideravelmente;

d) A musculatura das glândulas seminais é substituída por tecido adipo-

so, levando à sua hipertrofia;

88 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

e) As paredes das arteríolas dos corpos cavernosos do pênis tornam-se flácidas em conjunto com o tecido erétil, que se torna mais elástico, pre- judicando a ereção.

Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAUDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa ido- sa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de

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89 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

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Gabarito

1. a | 2. b | 3. d | 4. e | 5. a

90 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 8

SISTEMA NERVOSO:

EMBRIOLOGIA, ESTRUTURAS E FUNÇÕES DO SISTEMA NERVOSO

Luciana Rodrigues Barcala

Introdução

Entender o desenvolvimento do sistema nervoso (SN) é fundamen- tal para a Fisioterapia compreender os distúrbios patológicos ocorridos nestas regiões. Conhecendo cada estrutura e sua função, o Fisioterapeuta terá base para elaborar o seu plano de tratamento de acordo com a dis- função neural.

Objetivos

Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:

Conhecer a embriologia do Sistema Nervoso;

Identificar as diferentes estruturas do Sistema Nervoso;

Compreender as funções do Sistema Nervoso;

Reconhecer o efeito do envelhecimento no sistema nervoso.

Embriologia

A neurulação é um evento chave para o desenvolvimento do Sistema Nervoso (SN). Ela compreende toda diferenciação celular que ocorre para formar as estruturas do SN. O folheto embrionário, do qual se originam as células que irão formar o SN, chama-se ectoderma (folheto embrioná- rio mais externo). Essa diferenciação inicia-se por volta de 21 a 22 dias

91 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

de vida embrionária (3⸰ semana de gestação). O ectoderma se desenvolve e origina os órgãos sensoriais, a epiderme e o Sistema Nervoso. A partir deste momento o SN intensifica seu desenvolvimento, iniciando a mieli- nização, que é uma camada lipoprotéica que envolve o axônio.

O primeiro indício de formação do SN é o espessamento do ecto-

derma formando a placa neural, localizada ao longo da superfície do embrião e em contato com o líquido amniótico. Essa placa neural con- tinua seu desenvolvimento e forma um sulco neural, as extremidades deste sulco se unem e formam o tubo neural que se fecha primeiro na futura região da cervical. Células adjacentes ao tubo neural se separam deste e formam a crista neural, onde a crista e o tubo se movem para dentro do embrião.

É a partir do tubo neural que ocorre o desenvolvimento do encéfa-

lo e da medula espinal, estruturas do Sistema Nervos Central.

As estruturas do Sistema Nervos Periférico, formam-se a partir das cristas neurais.

O desenvolvimento encefálico no embrião se divide primeiramen-

te em três partes, sofrendo ampliações estruturais. A Tabela 1 apresenta estas transformações.

Tabela 1. Desenvolvimento Encefálico Normal

Rombencéfalo

Metencéfalo

Ponte, região superior do bulbo, cerebelo e IV ventrículo

 

Mielencéfalo

Região inferior do bulbo

Mesencéfalo

Mesencéfalo

Mesencéfalo e aqueduto cerebral

 

Diencéfalo

Tálamo, hipotálamo e III ventrículo

Prosencéfalo

Telencéfalo

Hemisférios cerebrais e ventrículos laterais

Fonte: Autor.

92 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Divisão Estrutural do Sistema Nervoso

O sistema nervoso é dividido em central (SNC) e periférico (SNP).

As estruturas do SNC são todas aquelas localizadas e protegidas pelo esqueleto axial (crânio e coluna vertebral); são elas: encéfalo e medula

espinal. As estruturas do SNP estão fora do esqueleto axial, são as termi- nações nervosas ou receptores; gânglios e nervos espinais e cranianos.

O fluxograma a seguir mostra as principais estruturas do SN (figura 1).

a seguir mostra as principais estruturas do SN (figura 1). Figura 1 – Divisão do Sistema

Figura 1 – Divisão do Sistema Nervoso | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

O SN é formado por um conjunto de órgãos que possuem a função

de captar os estímulos do ambiente; conduzir esses estímulos, da periferia

para a região central do SN; interpretá-los e produzir respostas que podem ser dadas em forma de movimentos, sensações, pensamentos/lembranças e/ou liberação de secreções.

Para maior compreensão, dividiremos o estudo das funções de acordo com as principais e grandes estruturas do SN.

93 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema nervoso central

Cérebro

O cérebro humano é a parte mais desenvolvida do encéfalo, ocu- pando cerca de 80% de todo crânio. Ele pode ser dividido em dois com- ponentes: o diencéfalo, uma estrutura única e mediana, e o telencéfalo, parte externa (sulcos e giros), representada pelos hemisférios cerebrais direito e esquerdo e todas as estruturas neles contidas. O diencéfalo ocu- pa o interior do cérebro e é representado por cinco estruturas:

1. Tálamo – constituído por duas massas ovoides unidos pela aderência

intertalâmica, uma estrutura composta por massa cinzenta. Das margens do aqueduto cerebral até os forames interventriculares existe uma de- pressão chamada de sulco hipotalâmico, o tálamo situa-se imediatamente acima deste sulco. O tamanho aproximado desta estrutura é três centí- metros, e mesmo com este reduzido comprimento ocupa quase 80% do diencéfalo. Suas funções englobam a mediação de estímulos elétricos e químicos, de forma a classificar a informação que vai em direção ao cé- rebro e, ao mesmo tempo, direcionar esta informação a áreas cerebrais mais precisas e específicas. Outras funções incluem a condução e dire- cionamento das informações sensitiva (exceto o olfato) e motora; a ati- vação do córtex cerebral; o comportamento emocional e a participação na manutenção do estado de alerta. O tálamo ainda é dividido em cinco grupos, de acordo com as funções que os mesmos desempenham. São eles: anterior, posterior, lateral, mediano e medial.

2. Hipotálamo – uma das mais importantes estruturas do SNC, desem-

penhando funções extremamente importantes relacionadas ao compor- tamento e funcionamento visceral. Quatro importantes proeminências podem ser visualizadas no hipotálamo: corpos mamilares, quiasma óp- tico, túber cinéreo e o infundíbulo. Dentre as principais funções estão:

94 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

controle do Sistema Nervoso Autônomo; geração dos ritmos circadia- nos e regulação da temperatura corporal; do comportamento emocional; da ingestão hídrica e de alimentos, da diurese. Essas funções estão re- lacionadas a Glândula Hipófise, estrutura que faz parte do hipotálamo e é responsável pelo controle da secreção hormonal de diversas outras