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ANATOMIA E FISIOLOGIA DO

ENVELHECIMENTO HUMANO

Envelhecimento e sociedade – v. 1
Universidade Nove de Julho – UNINOVE
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Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
Débora Bachin Carvalho
Jéssica Julioti Urbano
Luciana Rodrigues Barcala
Nadhia Helena Costa Souza
Patrícia Lira dos Santos
Vanessa dos Santos Grandinetti

ANATOMIA E FISIOLOGIA DO
ENVELHECIMENTO HUMANO

Envelhecimento e sociedade – v. 1
Fernanda Ishida Corrêa
Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
(Organizadoras)

São Paulo
2019
© 2019 UNINOVE
Todos os direitos reservados. A reprodução desta publicação, no todo ou em parte,
constitui violação do copyright (Lei nº 9.610/98). Nenhuma parte desta publicação
pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização da UNINOVE.

Conselho Editorial: Eduardo Storópoli


Maria Cristina Barbosa Storópoli
Nadir da Silva Basílio
Cristiane dos Santos Monteiro
João Carlos Ferrari Corrêa
Cinthya Cosme Gutierrez Duran
Renata Mahfuz Daud Gallotti

Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores

Capa e Editoração eletrônica: Big Time Serviços Editoriais


Revisão: Antonio Marcos Cavalheiro
Sumário

Sobre a Coleção Envelhecimento e Sociedade........................................... 10


Apresentação.................................................................................................11

Capítulo 1
DIVISÃO DO CORPO HUMANO: CONCEITOS E PARTES,
POSIÇÃO ANATÔMICA E PLANOS DE SECÇÃO, 12
Patrícia Lira dos Santos
Introdução.................................................................................................... 12
Objetivos....................................................................................................... 12
Níveis de organização do corpo humano................................................... 13
Células........................................................................................................... 13
Tecidos........................................................................................................... 13
Órgãos e Sistemas.......................................................................................... 15
Posição anatômica..........................................................................................17
Planos e eixos do corpo humano................................................................... 18
Conclusão...................................................................................................... 20
Exercícios...................................................................................................... 21
Bibliografia................................................................................................... 22

Capítulo 2
SISTEMA ÓSSEO: TECIDO ÓSSEO,
FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS, 24
Vanessa dos Santos Grandinetti
Introdução.................................................................................................... 24
Objetivos....................................................................................................... 24
Sistema ósseo................................................................................................ 25
Aspectos do envelhecimento.......................................................................... 32
Conclusão...................................................................................................... 34
Exercícios...................................................................................................... 35
Bibliografia................................................................................................... 36
Capítulo 3
SISTEMA ARTICULAR: TECIDO ARTICULAR,
FUNÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES, 38
Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
Jéssica Julioti Urbano
Introdução.................................................................................................... 38
Objetivos....................................................................................................... 38
Sistema articular.......................................................................................... 39
Articulações fibrosas...................................................................................... 39
Articulações sinoviais.................................................................................... 42
Aspectos do envelhecimento.......................................................................... 44
Conclusão...................................................................................................... 45
Exercícios...................................................................................................... 46
Bibliografia................................................................................................... 47

Capítulo 4
SISTEMA MUSCULAR: TECIDO MUSCULAR,
TIPOS E FUNÇÃO, CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS
E CONTRAÇÃO MUSCULAR, 49
Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
Jéssica Julioti Urbano
Introdução.................................................................................................... 49
Objetivos....................................................................................................... 50
Tipos de tecido muscular............................................................................. 50
Classificações dos músculos.......................................................................... 54
Mecanismo de contração............................................................................... 55
Aspectos do envelhecimento.......................................................................... 56
Conclusão...................................................................................................... 57
Exercícios...................................................................................................... 58
Bibliografia................................................................................................... 59

Capítulo 5
SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO:
ESTRUTURA E FUNÇÃO, 61
Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
Introdução ................................................................................................... 61
Objetivos....................................................................................................... 61
Estrutura e função do sistema cardiovascular.......................................... 62
Estrutura e função do sistema respiratório............................................... 64
Aspectos do envelhecimento.......................................................................... 65
Conclusão...................................................................................................... 67
Exercícios...................................................................................................... 68
Bibliografia................................................................................................... 69

Capítulo 6
SISTEMA DIGESTÓRIO:
ESTRUTURA E FUNÇÃO, 71
Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
Introdução.................................................................................................... 71
Objetivos....................................................................................................... 71
Estrutura e função do sistema digestório................................................... 72
Aspectos do envelhecimento.......................................................................... 75
Conclusão...................................................................................................... 76
Exercícios...................................................................................................... 77
Bibliografia................................................................................................... 78

Capítulo 7
SISTEMA UROGENITAL FEMININO E MASCULINO:
ESTRUTURA E FUNÇÃO, 80
Nadhia Helena Costa Souza
Introdução ................................................................................................... 80
Objetivos....................................................................................................... 80
Estrutura e função do sistema urogenital feminino e masculino............. 81
Sistema urinário............................................................................................. 81
Sistema genital feminino................................................................................ 82
Sistema genital masculino.............................................................................. 82
Aspectos do envelhecimento.......................................................................... 83
Conclusão...................................................................................................... 85
Exercícios...................................................................................................... 86
Bibliografia................................................................................................... 88
Capítulo 8
SISTEMA NERVOSO: EMBRIOLOGIA,
ESTRUTURAS E FUNÇÕES DO SISTEMA NERVOSO, 90
Luciana Rodrigues Barcala
Introdução.................................................................................................... 90
Objetivos....................................................................................................... 90
Embriologia.................................................................................................. 90
Divisão Estrutural do Sistema Nervoso......................................................... 92
Sistema nervoso central................................................................................. 93
Cérebro........................................................................................................... 93
Cerebelo......................................................................................................... 97
Tronco Encefálico.......................................................................................... 98
Medula Espinal.............................................................................................101
Sistema nervoso periférico........................................................................... 102
Nervos e Gânglios........................................................................................ 102
Terminações Nervosas..................................................................................103
Aspectos do envelhecimento.........................................................................103
Conclusão.................................................................................................... 104
Exercícios.....................................................................................................105
Bibliografia................................................................................................. 106

Capítulo 9
TECIDO NERVOSO E POTENCIAL DE AÇÃO:
CÉLULAS NERVOSAS E SUAS FUNÇÕES, 108
Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
Introdução.................................................................................................. 108
Objetivos..................................................................................................... 108
Tecido nervoso............................................................................................ 109
Sinapses........................................................................................................114
Mecanismo da transmissão sináptica...........................................................117
Aspectos do envelhecimento........................................................................ 120
Conclusão.....................................................................................................121
Exercícios.................................................................................................... 122
Bibliografia................................................................................................. 123
Capítulo 10
CONTROLE MOTOR E NEUROPLASTICIDADE:
TEORIAS DO CONTROLE MOTOR E
FISIOLOGIA DA PLASTICIDADE NEURAL, 125
Débora Bachin Carvalho
Introdução.................................................................................................. 125
Objetivos..................................................................................................... 125
Controle motor........................................................................................... 126
Teorias do controle motor.............................................................................131
Teoria do Reflexo..........................................................................................131
Teoria Hierárquica........................................................................................132
Teoria da Programação Motora.....................................................................133
Teoria dos Sistemas...................................................................................... 134
Teoria da Ação Dinâmica............................................................................. 134
Teoria Ecológica...........................................................................................135
Breve consideração sobre as Teorias do Controle Motor.............................135
Aprendizado motor e neuroplasticidade...................................................... 136
Aspectos do envelhecimento.........................................................................139
Conclusão.................................................................................................... 140
Exercícios.....................................................................................................141
Bibliografia..................................................................................................143

Autores.........................................................................................................145
Coleção Envelhecimento e Sociedade........................................................147
10 - Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sobre a Coleção Envelhecimento e Sociedade


A coleção a seguir foi estruturada de maneira que o leitor reforce
o seu conhecimento acerca do desenvolvimento e organização do indi-
víduo e da sociedade. Para tal, cada capítulo elaborado visa abranger de
maneira clara e objetiva esses pontos.
O primeiro volume descreve sobre a anatomia e fisiologia dos sis-
temas que formam o corpo humano, bem como as alterações possíveis
durante o envelhecimento, propiciando que o leitor associe os aspectos
normais e as mudanças em decorrência da idade.
O segundo e o terceiro volumes abordam conceitos antropológi-
cos e sociais, bem como as políticas públicas essenciais ao idoso e à re-
abilitação durante o envelhecimento.
Os demais volumes (quarto, quinto e sexto) estão direcionados à
abordagem da atuação do Fisioterapeuta nas principais doenças neuro-
lógicas do adulto, os recursos auxiliares disponíveis e o conhecimento
dos aspectos da dor.

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


11 - Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Apresentação
Ao longo deste livro, o leitor aprofundará seu conhecimento
sobre cada sistema do corpo humano, abordando sua forma e
funcionamento, bem como todo processo que ocorre nestes sistemas
durante o envelhecimento.
O corpo humano é formado por diversos sistemas, que estão
inter-relacionados, cada qual com suas funções específicas; objetivando
a manutenção da vida.
Compreender como cada sistema funciona, é extremamente
importante para entendermos os processos que comprometem o
indivíduo no decorrer do envelhecimento.
O envelhecimento é um processo fisiológico que está atrelado
a mudanças estruturais, funcionais e comportamentais. Perceber e
adaptar-se a essas mudanças pode ser um caminho complexo e difícil
para muitos; portanto, cabe ao profissional da Saúde, compreender o
funcionamento fisiológico de cada sistema do corpo humano para, desta
maneira, saber identificar as mudanças fisiológicas ou não, durante o
processo do envelhecimento, possibilitando uma melhor orientação
para o envelhecimento saudável, respeitando cada indivíduo dentro de
suas limitações.
Cada capítulo deste livro, discorre sobre os principais pontos de
cada sistema; contribuindo para o melhor aprendizado e aproveitamento
de cada leitor.

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


12 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 1
DIVISÃO DO CORPO HUMANO:
CONCEITOS E PARTES, POSIÇÃO
ANATÔMICA E PLANOS DE SECÇÃO

Patrícia Lira dos Santos

Introdução
O corpo humano é dividido em cabeça, pescoço, tronco e mem-
bros e formado por inúmeras células que possuem formas e funções
distintas. O estudante da área da saúde deve entender e compreender
a posição anatômica do corpo humano. Para definir as descrições ana-
tômicas, tanto do corpo humano quanto dos órgãos, nos baseamos em
três principais planos de secção. Esta posição é um referencial para po-
der localizar, descrever as estruturas anatômicas e definir um padrão
entre os profissionais da área. Esta compreensão se faz importante, já
que conhecer o que está dentro da normalidade favorece a compreen-
são das possíveis mudanças estruturais e funcionais durante o proces-
so do envelhecimento.

Objetivos
Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
• Conhecer os níveis de organização do corpo humano;
• Conhecer e compreender as divisões anatômicas;
• Conhecer a posição anatômica;
• Compreender os planos e eixos de secção.
13 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Níveis de organização do corpo humano

Células
O corpo humano é constituído por diversas partes, que são forma-
das por inúmeras células que apresentam formas e funções definidas. A
célula é um componente estrutural e funcional básico da vida. Os seres
vivos são compostos de 60 a 100 trilhões de células constituídas por áto-
mos, estes ligados entre si para formar partículas maiores chamadas de
moléculas. Alguns agrupamentos específicos de moléculas formam es-
truturas funcionais chamadas de organelas, que realizam funções especí-
ficas dentro das células. O corpo humano contém muitos tipos distintos
de células com funções específicas. Exemplo destas células especializa-
das são: células sanguíneas, células musculares, células adiposas, célu-
las ósseas e células nervosas. A estrutura de cada célula está diretamente
relacionada à sua função.

Níveis de organização do corpo humano:


átomos – moléculas – organelas – células –
tecidos – órgãos – sistemas – corpo humano.

Tecidos
Os tecidos são formados por grupos de células que realizam a
mesma função. Durante a formação do feto, as células vão se desenvol-
vendo conforme sua função e localização; este processo é chamado de
diferenciação celular. As células que possuem características semelhan-
tes, seja estrutural ou funcional, se agrupam e, desta maneira, formam
os tecidos. Na constituição do corpo humano, existem quatro tipos fun-
damentais de tecidos:
• Tecido epitelial;
• Tecido conjuntivo;
14 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Tecido nervoso;
• Tecido muscular.
O tecido epitelial possui as funções de proteção do corpo (pele),
a produção e absorção de hormônios, nutrientes e percepção de sen-
sações (frio e calor). Pode ser classificado em dois tipos: tecido epi-
telial de revestimento e tecido epitelial glandular. É formado por um
grupamento de células que permanecem juntas e sobrepostas (justa-
postas), podem estar dispostas em uma ou mais camadas e apresen-
tam diferentes formas.

• Grupamentos de células em uma única


camada: epitélio simples.

• Grupamento de células em mais de uma


camada: epitélio estratificado.

• As células podem ter as seguintes formas:


cilíndricas/colunares, pavamentosas
(achatadas) ou cúbicas.

O tecido epitelial de revestimento protege os órgãos externos do


corpo, já o tecido epitelial glandular participa na formação de glându-
las (produzem suor, lágrima ou hormônios). Este tipo de tecido é avas-
cular, ou seja, não há presença de vasos sanguíneos.
O tecido conjuntivo possui duas funções importantes no
organismo: unir e separar órgãos do corpo humano, além de nutrição
e proteção. Também transporta nutrientes, armazena gorduras,
amortece impactos e permite a liberação de células de defesa por todo
o organismo. Este tecido é constituído por fibras que são formadas
por colágeno e elastina. Possuem células bem diversificadas, quanto à
forma, tamanho e função; portanto, é divido em tecidos especializados
descritos a seguir:
15 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Tecido adiposo: composto por células adiposas que acumulam


gorduras (adipócitos). Este tipo de tecido tem como principal
função o isolamento térmico.
• Tecido cartilaginoso: possui componentes de consistência fir-
me, porém flexível; função de sustentação e revestimento. Além
disso, a cartilagem presente amortece os impactos gerados na
coluna vertebral.
• Tecido ósseo: tecido rico em cálcio, sais minerais e colágenos.
Estes elementos permitem que os ossos fiquem rígidos e resis-
tentes, além disso, é vascularizado.
• Tecido sanguíneo: possui função de defesa do organismo, trans-
porte de hormônios, oxigênio e nutrientes para todo corpo.

Órgãos e Sistemas
Um órgão é formado por 2 (dois) ou mais tecidos (conjuntivo, epi-
telial, muscular e nervoso) que executam uma função específica. Quando
vários órgãos interagem e desempenham uma função específica no or-
ganismo, é chamado de sistema. O corpo humano é formado por vários
sistemas:
• Sistema nervoso: formado por órgãos (encéfalo, medula espi-
nal, receptores e nervos) responsáveis por regular as funções do
corpo humano (Capítulos 8 e 9);
• Sistema respiratório: formado por órgãos (vias áreas superio-
res e inferiores) responsáveis pela troca gasosa entre o organis-
mo e o meio ambiente (Capítulo 5);
• Sistema endócrino: formado por órgãos e glândulas que pro-
duzem e liberam hormônios responsáveis por manter a home-
ostasia do organismo;
16 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Sistema circulatório: formado pelo coração e vasos da base,


responsáveis por levar nutrientes e oxigênio para os tecidos
(Capítulo 5);
• Sistema linfático: formado pelos vasos linfáticos, linfa e órgãos
linfáticos (baço, linfonodos, timo), responsáveis pela produção de
células de imunidade e transporte da linfa para todo corpo;
• Sistema urinário: formado por órgãos (rins, ureteres, bexiga e
uretra), responsáveis por produzir e eliminar a urina (Capítulo 7);
• Sistema reprodutor: formado por órgãos reprodutores mas-
culinos (testículos e órgãos internos e externos) e reprodutores
femininos (ovários e os órgãos internos e externos), sendo res-
ponsável pela reprodução humana (Capítulo 7);
• Sistema digestivo: formado por órgãos (boca, faringe, esôfago,
estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus), respon-
sáveis por manter o suprimento de água, nutrientes e eletrólitos
do organismo (Capítulo 6);
• Sistema esquelético: formado pelos ossos do esqueleto huma-
no, responsáveis pela sustentação, locomoção e proteção do cor-
po humano (Capítulo 2);
• Sistema muscular: formado pelos músculos do corpo humano,
responsáveis pela movimentação e locomoção do corpo huma-
no (Capítulo 4).
17 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 1 – Sistemas do corpo humano | Fonte: 123rf.

Posição anatômica
Para representar e descrever as posições dos vários órgãos que
compõem o corpo humano, é utilizado uma posição de referência de-
finida como posição anatômica. O intuito desta posição é ajudar na
melhor compreensão dos movimentos do corpo e padronizar a lin-
guagem entre os profissionais da área da saúde, evitando assim dú-
vidas na utilização dos termos anatômicos. A posição anatômica é
descrita abaixo:
• Posição bípede (em pé);
18 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Corpo ereto;
• Cabeça com a face voltada para a frente;
• Membros inferiores unidos (pés apontados para frente);
• Braços e antebraços ao lado do corpo, palmas das mãos para
frente.

Figura 2 – Posição anatômica | Fonte: 123rf.

Planos e eixos do corpo humano


Para estudar e visualizar a disposição dos órgãos, os mesmos po-
dem ser seccionados a fim de permitir uma melhor descrição anatômi-
ca. A secção ocorre em três planos de referência: plano sagital, plano
transversal e plano frontal. Partindo da análise da posição anatômica,
estes eixos imaginários auxiliam na descrição dos movimentos do cor-
po. Os planos são definidos assim:
19 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Plano sagital: é o plano que se estende verticalmente ao longo do


corpo, permitindo a divisão em parte direita e esquerda. Também
pode ser definido como plano sagital mediano quando passa lon-
gitudinalmente ao longo do plano mediano do corpo;
• Plano frontal ou coronal: é o plano que se estende vertical-
mente ao longo do corpo, dividindo em parte anterior (frente) e
posterior (atrás);
• Plano transversal: é o plano que se estende horizontalmente ao
longo do corpo e divide em parte superior e inferior.
Quando analisamos os movimentos realizados pelo corpo huma-
no, aplicamos o conhecimento dos eixos de movimentos. Os eixos são
linhas imaginárias que atravessam os planos do corpo. Estas linhas são
conduzidas perpendicularmente e os movimentos ocorrem em torno de-
las. Os eixos são divididos em três seguimentos:
• Eixo látero-lateral: eixo perpendicular ao plano sagital, estende-
-se no sentido látero-lateral (de um lado para outro e vice-versa).
Também conhecido como eixo transversal ou horizontal, possi-
bilita os movimentos de flexão e extensão, como por exemplo,
o movimento das articulações do cotovelo e ombro.
• Eixo ântero-posterior: eixo perpendicular ao plano frontal (co-
ronal), estende-se no sentido anterior-posterior. Também conhe-
cido como eixo sagital; possibilita os movimentos de abdução
e adução, como por exemplo, o movimento das articulações do
quadril e ombro.
• Eixo longitudinal: eixo perpendicular ao plano transversal, es-
tende-se no sentido de crânio-caudal (de cima para baixo e vi-
ce-versa). Possibilita os movimentos de rotações lateral/externa
e medial/interna, como por exemplo, o movimento das articula-
ções do ombro, quadril, tronco.
20 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 3 – Planos e Eixos do Movimento | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Conclusão
Conhecer o corpo humano é de fundamental importância para a
atuação na área da saúde, desde seus aspectos histológicos até os aspec-
tos anatômicos. A padronização de termos favorece o entendimento e a
utilização no estudo e na pesquisa e a compreensão das mudanças du-
rante o envelhecimento.
21 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) Paciente M.N.C, masculino e jogador de volei. Durante uma partida,
na realização do saque, movimento de flexão de ombro com extensão de
cotovelo, sentiu dores intensas e foi encaminhado para análise clínica.
Foi realizado um exame de imagem e no laudo médico continha a des-
crição de secção frontal dos tecidos. Com base nestas informações, este
plano devide as estruturas em quais partes?
a) Anterior e posterior;
b) Látero-lateral;
c) Superior e inferior;
d) Ântero-lateral;
e) Póstero-inferior.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) Em relação aos níveis de organização do corpo humano, a sequência


de desenvolvimento é:
a) Organelas, tecidos, células, órgãos, moléculas e sistemas;
b) Átomos, moléculas, células, tecidos, órgãos e sistemas;
c) Tecidos, órgãos, sistemas, átomos e células;
d) Moléculas, células, sistemas, tecidos, organelas e átomos;
e) Células, sistemas, organelas e tecidos.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Quais são os tipos fundamentais de tecidos que compõem o corpo humano?


a) Tecido esquelético, tecido ósseo, tecido cardíaco e tecido conjuntivo;
b) Tecido sanguíneo, tecido muscular, tecido nervoso e tecido adiposo;
c) Tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso;
d) Tecido nervoso, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido esquelético;
e) Tecido conjuntivo, tecido epitelial, tecido muscular e tecido sanguíneo.
Resposta correta ao final do capítulo.
22 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

4) O tecido adiposo é composto por adipócitos. Em relação a este tipo


de tecido e célula, é correto afirmar que:
a) Os adipócitos são células que acumulam gorduras e este tipo de teci-
do tem como principal função o isolamento térmico (calor);
b) Os adipócitos são células que eliminam gorduras e este tipo de tecido
tem como principal função o isolamento térmico (calor);
c) Os adipócitos são células que produzem calor e este tipo de tecido tem
como principal função a produção de células sanguíneas;
d) Os adipócitos são células que acumulam sangue e este tipo de tecido
tem como principal função transporte de hormônios;
e) Os adipócitos são células que produzem hormônios e este tipo de te-
cido tem como principal função o isolamento térmico (calor).
Resposta correta ao final do capítulo.

5) A articulação do cotovelo permite os movimentos de extensão e fle-


xão; qual eixo possibilita estes movimentos?
a) Eixo Ântero-Posterior;
b) Eixo Látero-Lateral;
c) Eixo Longitudinal;
d) Eixo Póstero-Lateral;
e) Eixo Látero-Ânterior.
Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia
ABRAHAMS, Peter H. Mcminn atlas clínico de anatomia humana. 6.
ed. Rio de Janeiro, Elsevier, 2008.

DÂNGELO, J.G.; FATTINI, C.A. Anatomia humana sistêmica e seg-


mentar. 3. ed. São Paulo: Atheneu: São Paulo, 2011.

GARDNER. E. Anatomia: estudo regional do corpo humano – métodos


de dissecção. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.

MOORE, K.L. Anatômia orientada para a clínica. 6. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2011.
23 - Capítulo 1 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

NETTER, F.H. Atlas de anatomia humana. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier,


2011.

ROHEN, J. W. ; YOKOCHI, C. Anatomia humana: atlas fotográfico de


anatomia sistêmica e regional. 7. ed. São Paulo: Manole, 2010.

SOBOTTA, J. Atlas de anatomia humana. 23. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2013.

STANDRING, S. Gray”s anatomia. 40. ed. Rio de Janeiro: Elsevier,


2010.

TODA MATÉRIA. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/


tecidos-do-corpo-humano/>. Acesso em: 20 jul. 2018.

TORTORA, G.J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiolo-


gia. 14. ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2016.

VAN DE GRAAFF, Kent M. Anatomia humana. 6. ed. Barueri: Manole,


2003.
Gabarito
1. a | 2. b | 3. c | 4. a | 5. b
24 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 2
SISTEMA ÓSSEO: TECIDO ÓSSEO, FUNÇÃO
E CLASSIFICAÇÃO DOS OSSOS

Vanessa dos Santos Grandinetti

Introdução
O tecido ósseo é um tipo de tecido conjuntivo especializado, com-
posto por diversos tipos de células ósseas e por matriz extracelular, que
nutre as células ósseas.
Este é o principal constituinte do esqueleto e apresenta diversas
funções, como, sustentação, proteção, armazenamento de íons, produ-
ção de células sanguíneas (medula óssea) e alavanca para o movimento.
Conhecer as estruturas e funções deste sistema é importante para
o conhecimento do funcionamento normal do corpo, desde sua forma-
ção até o envelhecimento, sendo que, neste último, há uma série de mo-
dificações normais ou patológicas importantes.

Objetivos
Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
• Reconhecer a constituição e a função do tecido ósseo;
• Reconhecer os efeitos do envelhecimento fisiológico no tecido
ósseo;
• Reconhecer os efeitos da perda de massa óssea e seus efeitos
deletérios na qualidade de vida.
25 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema ósseo
O tecido ósseo é um sistema orgânico em constante remodelação
secundário ao processo de formação pelos osteoblastos e de reabsorção
pelos osteoclastos. Os osteoblastos são células responsáveis pela síntese
da parte orgânica da matriz óssea, localizados na superfície óssea, orga-
nizados lado a lado aparentando um epitélio. Conforme os osteoblastos
vão sintetizando os elementos da matriz óssea, ficam mais envolvidos
pela matriz, diminuem sua atividade e passam a ser chamados de osteó-
citos. Os osteoclastos são células responsáveis pela reabsorção através
da secreção de colagenase, que digere a matriz orgânica e dissolve os
sais de cálcio. Os osteócitos são células maduras do osso, derivados dos
osteoblastos, com a função de manutenção da matriz óssea, são vias de
transporte de nutrientes e metabólitos entre os vasos sanguíneos.
O tecido ósseo apresenta função de sustentação, proteção dos ór-
gãos e da medula óssea, movimento através do sistema de alavanca que
forma em associação aos músculos e armazenamento de cálcio, fosfa-
to, magnésio e outros íons utilizados no metabolismo. Pode ser classifi-
cado em tecido ósseo compacto e esponjoso, de acordo com a estrutura
macroscópica O osso compacto não apresenta cavidades visíveis e está
relacionado à proteção, suporte e resistência, geralmente encontrado nas
diáfises. O osso esponjoso apresenta muitas cavidades intercomunican-
tes (trabéculas), representa a maior parte do tecido ósseo dos ossos cur-
tos, chatos e irregulares, geralmente encontrado nas epífises.
De acordo com a estrutura microscópica, o tecido ósseo pode ser
classificado como primário ou secundário. O tecido ósseo primário apre-
senta disposição irregular das fibras de colágeno, possui menos minerais
e maior quantidade de osteócitos. É o primeiro tipo de osso a se formar,
ainda durante a fase embrionária. O tecido ósseo secundário é encontrado
nos adultos, apresenta as fibras colágenas organizadas. Anatomicamente,
26 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

os ossos são classificados de acordo com sua forma e tamanho em: cur-
to, longo, plano, irregular, sesamoide, pneumático.
A classificação dos ossos, de acordo com sua forma, divide-se em:
• Longos: comprimento maior que a largura, com 2 extremidades,
apresentam uma pequena concavidade, garantindo sua maior re-
sistência. Suas diáfises são formadas por tecido compacto e suas
epífises por tecido esponjoso. Exemplo: fêmur.

Figura 1 – Osso longo | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

• Curtos: comprimento e largura praticamente iguais, compos-


tos por osso esponjoso, recoberto por uma fina camada de osso
compacto. Exemplo: ossos do tarso.
27 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 2 – Ossos curtos (metatarso) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

• Planos: finos, compostos por 2 lâminas paralelas de tecido osso


compacto, com tecido ósseo esponjoso entre elas. Têm função
de proteção e inserção de músculos. Exemplo: frontal do crânio.
28 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 3 – Osso Plano (exemplo: osso frontal) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

• Alongados: longos e achatados sem canal central. Exemplo:


costelas.
29 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 4 – Osso Alongado (exemplo: costelas) | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

• Pneumáticos: ossos ocos, com as cavidades preenchidas por ar


e mucosa. Exemplo: esfenoide.
30 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 5 – Ossos pneumáticos (exemplo: esfenoide) | Fonte: Banco de imagens


UNINOVE.

• Irregulares: formas complexas com variáveis quantidades de


osso compacto e osso esponjoso. Exemplo: vértebras.
31 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 6 – Osso irregular (exemplo: vértebra lombar) | Fonte: Banco de imagens


UNINOVE.

• Sesamoides: ossos formados entre as articulações ou entre os


tendões e ligamentos. Exemplo: patela.

Figura 7 – Osso Sesamoide | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.


32 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Aspectos do envelhecimento
Até os 20 anos de idade, há um predomínio de formação do tecido
ósseo devido a um incremento progressivo da massa óssea. Mesmo após
o fechamento das epífises de crescimento persiste a construção óssea,
porém em menor ritmo, proporcionando ao indivíduo sua maior mas-
sa óssea em torno dos 35 anos de idade. A partir dessa idade ocorre es-
tabilização da formação e aumento da reabsorção, resultando em perda
progressiva da massa óssea resultando em involução esquelética (oste-
openia fisiológica).
As modificações no sistema esquelético tornam-se muito eviden-
tes com o envelhecimento. Por volta dos 50 anos de idade, homens e
mulheres começam a apresentar uma perda geral de massa óssea, sen-
do que a osteoporose acontece mais cedo nas mulheres, já que a perda
de sais minerais é mais evidente e precoce. A possível justificativa des-
se fato é a relação do hormônio estrogênio com a atividade osteoblásti-
ca. Considerando a diminuição da taxa hormonal na menopausa, ocorre
diminuição da estimulação da atividade osteoblástica. Fatores extrínse-
cos como, dieta irregular e ausência de atividade física, também influen-
ciam na perda óssea.
Acima dos 50 anos de idade ocorre perda óssea principalmente nos
ossos corticais, portanto, a atrofia óssea não ocorre de forma homogênea.
33 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 8 – Osso Normal e Osso com osteoporose | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

A osteoporose requer atenção por ser uma doença debilitante, tor-


nando o idoso vulnerável a fraturas, com pequeno ou nenhum trauma,
devido a perda de matriz óssea e de minerais, além de comprometer a lo-
comoção e a independência nas atividades motoras. As fraturas de qua-
dril são as mais frequentes e causam maior morbidade e mortalidade.
A alteração da densidade mineral das vértebras influencia a redução
da coluna vertebral e consequentemente diminuição da altura envolven-
do modificações posturais, incluindo aumento da cifose torácica, retifi-
cação da lordose cervical com protusão da cabeça, aumento da lordose
lombar, escoliose, anteriorização e rebaixamento das costelas.
Os fatores de risco de osteoporose são: idade avançada, gênero fe-
minino, raça branca, baixo índice de massa corpórea, vida sedentária, bai-
xa ingestão de cálcio, tabagismo, alcoolismo, deficiência de estrogênio
na mulher e de testosterona no homem. Doenças como hiperparatireoi-
dismo e hipertireoidismo e uso prolongado de corticoesteroides também
aumentam o risco de osteoporose. A prevenção da osteoporose é baseada
no controle dos fatores de risco modificáveis. Acompanhamento nutri-
cional e a prática de atividades físicas são capazes de reduzir a veloci-
34 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

dade de perda óssea na menopausa. A exposição à luz solar e a vitamina


D são necessárias para formação da massa óssea. O estresse mecânico
sobre o tecido ósseo através do exercício é capaz de produzir hipertro-
fia e apresentar melhor resposta na mobilização de cálcio, estimulando
a formação óssea, tornando-o mais forte.

Conclusão
O Fisioterapeuta é o profissional que estará constantemente em
contato com o Aparelho Locomotor, sendo o Sistema Ósseo um dos sis-
temas pertencentes a este aparelho. É de fundamental importância o co-
nhecimento das estruturas e das funções normais deste, bem como as
alterações sofridas no processo do envelhecimento.
35 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) As células maduras dos ossos com função de manutenção de matriz
óssea são:
a) Osteoblastos;
b) Osteoclastos;
c) Osteócitos;
d) Compactas;
e) Esponjosas.
Resposta ao final do capítulo.

2) Não é função do tecido ósseo:


a) Sustentação;
b) Proteção;
c) Movimento;
d) Armazenamento;
e) Contração.
Resposta ao final do capítulo.

3) A osteopenia fisiológica é a involução óssea e acontece em torno de:


a) 20 anos de idade;
b) 35 anos de idade;
c) 50 anos de idade;
d) 60 anos de idade;
e) 70 anos de idade.
Resposta ao final do capítulo.

4) A atividade osteoblástica está relacionada ao hormônio:


a) Estrogênio;
b) Progesterona;
c) Testosterona;
d) Do crescimento;
e) Luteinizante.
Resposta ao final do capítulo.
36 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

5) A prevenção da osteoporose é baseada no controle dos fatores modi-


ficáveis. Não é considerado um fator modificável:
a) Nutrição;
b) Atividade física;
c) Exposição solar;
d) Suplemento vitamínico;
e) Idade.
Resposta ao final do capítulo.

Bibliografia
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37 - Capítulo 2 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

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Paraná, 7(3): 269-275, 2003.
Gabarito
1. c | 2. e | 3. b | 4. d | 5. e
38 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 3
SISTEMA ARTICULAR:
TECIDO ARTICULAR, FUNÇÃO E
CLASSIFICAÇÃO DAS ARTICULAÇÕES

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


Jéssica Julioti Urbano

Introdução
A artrologia é a parte da anatomia que estuda as articulações, ou
seja, o estudo do sistema articular e suas funções, características e clas-
sificações. As articulações possuem a principal função de unir as estrutu-
ras do esqueleto humano e, quando associadas às contrações musculares,
possibilitam os movimentos de algumas regiões.
Este sistema compõe o Aparelho Locomotor, fundamental para o
movimento humano.

Objetivos
Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
• Definir sistema articular;
• Comparar e diferenciar os tipos de articulações, de acordo com
o tecido e com o grau de movimentação;
• Descrever a estrutura e a localização de cada subdivisão articu-
lar existentes dentro das classificações;
• Reconhecer o efeito do envelhecimento nas articulações.
39 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema articular
A classificação das articulações varia de acordo com os tecidos
presentes entre as estruturas e também o grau de movimento que reali-
zam. Classifica-se as articulações quanto ao tecido como articulações fi-
brosas, cartilagíneas e sinoviais e quanto ao grau de movimento como
sinartrose, anfiartrose e diartroses. Cada classificação apresenta subdi-
visões, portanto, as articulações fibrosas são subdivididas em suturas,
sindesmoses e a gonfose, já as articulações cartilagíneas são subdividi-
das em sincondroses e as sínfises. As articulações sinoviais são as mais
comuns no esqueleto humano e apresentam componentes acessórios e
essenciais que as identificam, podem ainda ser classificadas considera-
do se o movimento ocorre em um, dois ou três eixos.

Articulações fibrosas
As articulações fibrosas são caracterizadas pela presença de teci-
do conjuntivo fibroso. Os movimentos nestas articulações são restritos,
portanto, quanto ao movimento, são classificadas como sinartroses. As
articulações fibrosas podem ser subdivididas em: suturas, sindesmoses
ou gonfose.
As suturas estão presentes apenas no crânio e são caracterizadas
por uma camada de tecido conjuntivo denso (tecido fibroso). No feto e
também no recém-nascido existem grandes espaços entre os ossos do
crânio com a presença de uma membrana, chamada fontanela, porém a
maioria deles se fecha durante o primeiro ano de vida. Esse fechamento
ocorre em razão ao crescimento ósseo, formando as suturas.
Existem diferentes tipos de suturas, classificadas de acordo com
a região articular de cada osso, na sutura serrátil é possível visualizar
o entrelaçamento das articulações como, por exemplo, a sutura sagital,
localizada entre os dois ossos parietais. Na sutura plana, as superfícies
40 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

ósseas são planas nas margens articulares como, por exemplo, a sutura
mediana palatina, entre os ossos maxila e palatino. Na sutura escamosa
há uma sobreposição óssea, ou seja, a região articular de um osso se so-
brepõe a região articular de outro osso, por exemplo a sutura escamosa,
entre os ossos parietal e temporal (figura 1).

Figura 1 – Suturas do crânio | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

As sindesmoses são articulações com a presença de membranas


interósseas, compostas de tecido fibroso. Na figura 2 pode-se visualizar
a membrana interóssea entre os ossos do antebraço, o rádio e a ulna
(sindesmose radioulnar). Outro exemplo é a sindesmose tibiofibular,
encontrada na perna, entre os ossos tíbia e fíbula.
41 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 2 – Sindesmose radioulnar do antebraço | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

A gonfose é a articulação fibrosa responsável pela fixação dos den-


tes, inferiormente na mandíbula e superiormente na maxila.
Nas articulações cartilagíneas, as estruturas ósseas estão unidas
por meio de cartilagem e os movimentos destas articulações são limita-
dos, sendo classificadas como anfiartroses. As articulações cartilagíne-
as podem ser subdivididas em: sincondroses e sínfises.
Nas sincondroses a cartilagem presente é do tipo hialina, encon-
tram-se nas articulações costocondrais, localizadas entre as cartilagens
costais e as extremidades das costelas. Algumas sincondroses, como em
ossos longos e em alguns lugares do crânio, são temporárias e se ossifi-
cam após o crescimento completo, então passam a ser chamadas de si-
nostose, ou seja, a cartilagem é substituída por osso. Já as sínfises são
articulações com cartilagem do tipo fibrosa, que amortecem impacto e
possibilitam movimentos limitados. Estão presentes entre os ossos pú-
bis (sínfise púbica) e também nas articulações intervertebrais, no forma-
to de discos intervertebrais (figura 3).
Os discos intervertebrais são importantes para amortecer os impactos
na coluna vertebral. Ele é recoberto por tecido fibroso e, internamen-
te, apresenta um núcleo pulposo; com característica gelatinosa. Quan-
do este disco intervertebral se desloca, ocorre a hérnia de disco.
42 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 3 – Sínfise intervertebral |Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Articulações sinoviais
As articulações sinoviais são as mais complexas e variadas do cor-
po humano. São as articulações que possuem, como componentes essen-
ciais, uma cavidade articular, envolvidas por uma cápsula articular que,
internamente, possui uma membrana sinovial, responsável pela produ-
ção do líquido sinovial lubrificante. As margens dos ossos presentes nes-
sa articulação são revestidas por uma cartilagem articular, que é do tipo
hialina, sendo que, tal cartilagem é nutrida pelo líquido sinovial duran-
te o movimento articular.
Nas articulações sinoviais ainda há a presença de ligamentos, me-
niscos ou discos articulares e bolsas (componentes acessórios) (figura
4). As bolsas sinoviais, também conhecidas como bursas, são sacos fe-
chados de membrana sinovial que se interpõe entre tendões (ou pele)
e ossos (ou articulações), com a função de diminuir o atrito durante a
movimentação. Externamente as cápsulas são formadas por membranas
fibrosas, onde podem ser mais espessas, formando ligamentos que esta-
bilizam ainda mais as articulações. Os ligamentos podem ser por dentro
ou por fora da cápsula articular.
43 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Na articulação do joelho, especificamente, encontram-se os me-


niscos que são coxins cartilagíneos para amortecer as estruturas ósseas
que se articulam. Em outras articulações, há os discos articulares, que
geralmente são formados por fibrocartilagem e apresentam a função de
absorção das forças de compressão, ou seja, função bem parecida com
a do menisco.
Considera-se componentes essenciais aqueles presentes em todas as
articulações sinoviais, que são: cápsula articular, membrana sino-
vial, líquido sinovial e cartilagem articular.

Os componentes acessórios podem existir em algumas articula-


ções sinoviais ou não; são eles: meniscos, discos articulares e bol-
sas sinoviais.

Figura 4 – Articulação do Joelho e seus componentes articulares: 1. Ligamento cruzado


anterior; 2. Ligamento cruzado posterior; 3. Menisco lateral; 4. Menisco medial; 5.
Tendão do músculo quadríceps; 6. Ligamento Colateral. | Fonte: Banco de imagens
UNINOVE.

As articulações sinoviais podem ainda ser classificadas da seguin-


te forma:
1. Classificação funcional: monoaxial, biaxial e triaxial;
44 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

2. Classificação morfológica: gínglimo, plana, trocóidea, selar,


condilar e esferóidea.
Na classificação funcional é considerado se a articulação reali-
za um movimento em torno de um, dois ou três eixos, também pode-se
descrever como um, dois ou três graus de liberdade. Quando é realizado
em torno de um eixo classifica-se como monoaxial, como a articulação
do cotovelo que realiza flexão e extensão, quando em torno de dois ei-
xos temos uma articulação biaxial, como as articulações interfalangea-
nas com os movimentos de flexão, extensão, abdução e adução, por fim
quando em torno de três eixos tem-se a triaxial, como a articulação do
quadril que realiza flexão, extensão, abdução, adução e rotação.

Aspectos do envelhecimento
Com o surgimento do envelhecimento, o sistema musculoesque-
lético começa a sofrer modificações, por exemplo, os ossos se tornam
mais frágeis, as cartilagens perdem a resiliência e a elasticidade dos li-
gamentos fica reduzida.
Existem diversos mecanismos patogênicos que levam as altera-
ções dos tecidos durante o envelhecimento, porém alguns processos ge-
néricos podem explicar as mudanças na maioria dos tecidos, são eles:
• Desequilíbrio entre a síntese e a degradação da matriz, o que
leva a uma diminuição da quantidade de tecido;
• Alterações nas estruturas de colágeno e elastina, que são essen-
ciais na composição da matriz;
• Acumulo de moléculas já degradadas na matriz;
• Diminuição da resposta celular ou alteração dos níveis de hor-
mônios circulantes e fatores de crescimento, o que reduz a re-
posição de tecido.
45 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Nas articulações pode-se verificar alterações na cartilagem articu-


lar, nos discos intervertebrais e nos ligamentos. A cartilagem articular
e o disco intervertebral proporcionam amortecimento para as articula-
ções, através da capacidade dos proteoglicanos presentes na matriz, as-
sociados a água, em gerar uma pressão de expansão no tecido. Com o
envelhecimento, ocorre perda de fragmentos de proteoglicanos e dimi-
nuição em sua capacidade de formar grandes complexos hidrófilos, o
que reduz a sua função em gerar a pressão de expansão, predispondo o
idoso a desenvolver osteoartrite e degeneração de discos intervertebrais.
Os ligamentos possuem a capacidade de absorver os choques na
articulação e retornar à sua forma anatômica, ou seja, possuem elastici-
dade. Com o envelhecimento, a síntese de colágeno fica alterada e ocor-
re mudanças na transdução de colágeno e elastina presentes na matriz,
o que reduz a elasticidade dos ligamentos.

Conclusão
O sistema articular sofre modificações, fisiológicas ou não, que
implicam na locomoção e postura do indivíduo, portanto, conhece-lo é
primordial para entender o funcionamento do Aparelho Locomotor du-
rante todo desenvolvimento humano, bem como as alterações que ocor-
rem no mesmo durante o envelhecimento.
46 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) Paciente, sexo masculino, 32 anos, jogador de futebol amador, sofreu
uma lesão no joelho direito durante uma partida de futebol com os cole-
gas, com o edema rápido e fortes dores na região foi levado ao hospital.
Após a avaliação e realização de exames complementares foi diagnos-
ticado a tríade infeliz do joelho, que seria o comprometimento do liga-
mento cruzado anterior, ligamento colateral lateral e menisco medial.
Como podemos classificar a articulação do joelho?
a) Sinovial condilar, diartrose;
b) Sinovial gínglimo, diartrose;
c) Cartilagínea gínglimo, anfiartrose;
d) Cartilagínea condilar, anfiartrose;
e) Fibrosa troclear, sindesmose.
Resposta ao final do capítulo.

2) Qual das afirmativas sobre as funções do sistema articular é correta:


a) O sistema articula possui a função de união entre as estruturas do es-
queleto humano;
b) O sistema articular é o responsável pela movimentação de todos os
pontos de união do esqueleto humano;
c) O sistema articular apenas auxilia no crescimento ósseo, sem interfe-
rir na movimentação;
d) O sistema articular possui a função de produção de células sanguíneas;
e) O sistema articular tem importante participação na regulação da tem-
peratura corporal.
Resposta ao final do capítulo.

3) Qual dos componentes abaixo não é característica presente em todas


as articulações sinoviais?
a) Líquido sinovial;
b) Menisco;
c) Membrana sinovial;
47 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

d) Cápsula sinovial;
e) Cartilagem sinovial.
Resposta ao final do capítulo.

4) As sínfises são tipos de quais articulações?


a) Fibrosas;
b) Cartilagíneas;
c) Sinoviais;
d) Suturas;
e) Gínglimo.
Resposta ao final do capítulo.

5) Cada tipo de articulação possui características expecíficas, a mem-


brana interóssea é característica de:
a) Sínfises;
b) Suturas;
c) Planas;
d) Sincondroses;
e) Sindesmoses.
Resposta ao final do capítulo.

Bibliografia
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48 - Capítulo 3 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

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TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de


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Gabarito
1. b | 2. a | 3. b | 4. b | 5. e
49 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 4
SISTEMA MUSCULAR:
TECIDO MUSCULAR, TIPOS E FUNÇÃO,
CLASSIFICAÇÃO DOS MÚSCULOS E
CONTRAÇÃO MUSCULAR

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


Jéssica Julioti Urbano

Introdução
O sistema muscular atua principalmente na locomoção do corpo
humano, porém possui outras funções, que também são essenciais ao
adequado funcionamento do mesmo. Por meio da contração muscu-
lar, as articulações permanecem estabilizadas, ajudando na manuten-
ção da postura, além de realizar a movimentação de substâncias pelo
corpo, sendo que os músculos estriados esqueléticos auxiliam no re-
torno sanguíneo ao coração e no fluxo da linfa, já os músculos lisos,
presentes nas paredes dos vasos sanguíneos, auxiliam no fluxo san-
guíneo. Também realizam a regulação do volume de conteúdo dos ór-
gãos, não permitindo a saída das substâncias até o momento adequado
e auxiliam na regulação da temperatura corporal, uma vez que a con-
tração muscular gera calor.
Existem três tipos de tecido muscular diferentes, são eles: estriado
esquelético, estriado cardíaco e liso. Cada um desses tecidos musculares
possui localização e características estruturais e funcionais diferentes. Os
músculos estriados esqueléticos possuem quatro propriedades funcionais
específicas: extensibilidade, elasticidade, irritabilidade e contratilidade.
50 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

A extensibilidade permite ao músculo aumentar em comprimento,


ou seja, ser estirado algumas vezes além do seu tamanho em repouso e a
elasticidade é a capacidade que o músculo tem de retornar ao seu tama-
nho original de repouso, após estiramento. Já a irritabilidade é a capa-
cidade do músculo em responder a um estímulo, tanto químico quanto
elétrico, por exemplo, o potencial de ação. A contratilidade é a contra-
ção como resposta da irritabilidade.

Objetivos
Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
• Descrever as funções do sistema muscular;
• Comparar e diferenciar os tipos de tecido muscular;
• Descrever as classificações musculares;
• Identificar os componentes de uma fibra muscular;
• Descrever a contração muscular;
• Reconhecer o efeito do envelhecimento nos músculos.

Tipos de tecido muscular


O corpo humano apresenta três tipos de tecido muscular: músculos
estriados esqueléticos, músculo estriado cardíaco e músculos lisos (fi-
gura 1). Abaixo encontram-se características específicas desses tecidos.
1. Músculo estriado esquelético: possui contração voluntária,
suas fibras são longas, cilíndricas e multinucleadas. As fibras
estão agrupadas em fascículos;
2. Músculo estriado cardíaco: possui contração involuntária e
rítmicas, suas fibras são pequenas, ramificadas e com um nú-
cleo; além da presença de discos intercalares, que possuem a
função de transmitir a contração célula a célula;
51 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

3. Músculo liso: possui contração involuntária, suas fibras são


alongadas, no formato fusiforme como um núcleo. Presentes
nos órgãos, vias aéreas e vasos sanguíneos. Sua contração está
sob controle do sistema nervoso autônomo.

Figura 1 – Tipos de tecido muscular | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Os músculos estriados esqueléticos possuem componentes anatô-


micos específicos. O ventre muscular equivale a parte contrátil do mús-
culo, o tendão é composto por tecido conjuntivo e fixa o ventre muscular
na estrutura óssea; tecido subcutâneo ou cápsula articular, a aponeuro-
se é o mesmo tecido conjuntivo, como no tendão, porém em forma de
52 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

lâmina e as bainhas tendíneas envolvem os tendões, protegendo e fa-


cilitando o deslizamento no movimento.
O tecido conjuntivo presente nos músculos, possui a função de
manter as fibras unidas, permitindo que a contração única em cada fi-
bra reflita no músculo por completo e nos tendões. As fibras muscula-
res (células musculares) são revestidas por uma fina camada de tecido
conjuntivo chamada endomísio. Cada conjunto de fibras musculares,
ou seja, os feixes musculares, são revestidos por uma camada de te-
cido conjuntivo chamado perimísio. Já o músculo por completo é re-
vestido por tecido conjuntivo que recebe o nome de epimísio. A fáscia
muscular é a camada de tecido conjuntivo fibroso que envolve o mús-
culo e liga este a pele, além disso ela reduz a fricção, permitindo fa-
cilmente o deslizamento
A propriedade do músculo estriado é a capacidade de contração,
portanto, suas células apresentam, internamente, componentes que, ao
receber estímulo nervoso, desempenham esta função (descrito abaixo no
item Mecanismo de Contração). Cada célula muscular, ou seja, cada fi-
bra é envolvida por uma membrana plasmática chamada de sarcolema.
O seu citoplasma é chamado de sarcoplasma, onde está presente o re-
tículo sarcoplasmático. Também há, nas fibras musculares, várias mio-
fibrilas que possuem filamentos finos, compostos da proteína actina e
filamentos grossos, composto da proteína miosina. Quando se observa
a disposição dos filamentos na miofibrila, visualiza-se bandas escuras
e bandas claras. As bandas claras são chamadas de banda I, enquanto
que as escuras são chamadas de banda A, entre a banda I há uma linha
Z. Um par de linha Z (uma banda Z), chama-se sarcômero, ou seja, é a
unidade de contração do músculo (figuras 2 e 3).
53 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 2 – Sarcômero. | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

Figura 3 – Detalhe do Sarcômero | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.


54 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Classificações dos músculos


Envolvendo todo esqueleto, os músculos apresentam formas
específicas, com relação a disposição de suas fibras, além da localização
e função, portanto, podem ser classificados por meio desses critérios,
como podemos observar na tabela abaixo:

Tabela 1. Classificações dos músculos

Classificação Divisões Exemplos


Profundos: se inserem Pronador redondo
em ossos e não tem
Quanto a inserção na derme. Platisma, na região do
localização pescoço
Superficiais: logo abaixo
da pela.
Longos: prevalece a Principalmente nos
longitude membros, exemplo bíceps
braquial
Largos: geralmente em
Quanto a forma
lâminas Diafragma

Curtos: três dimensões Principalmente nas mãos


parecidas
Reto: paralelo Músculos abdominais

Quanto a Transversal: Reto abdominal


disposição perpendicular
das fibras
(considera-se a Transverso do abdome
linha média) Oblíquo: diagonal
Oblíquo interno e externo
do abdome.
Agonista Dependendo do movimento
realizado, o músculo pode
Quanto a exercer função agonista,
Antagonista
função antagonista ou sinergista.
Sinergista
55 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Único: um só tendão na Flexor radial do carpo


origem
Bíceps braquial: cabeça
Quanto ao Bíceps: dois tendões na longa e cabeça curta
número de origem
tendões Tríceps braquial: cabeça
presentes na Tríceps: três tendões na longa, medial e lateral
origem origem
Quadríceps: reto femoral,
Quadríceps: quatro vasto lateral, vasto
tendões na origem intermédio e vasto medial
Quanto ao Bicaudado: dois tendões Fibular longo
número de na inserção terminal
tendões Flexor profundo dos dedos
presentes Policaudado: mais de
na inserção dois tendões na inserção
terminal terminal
Fonte: Autor.

Mecanismo de contração
Para começar a descrever o mecanismo de contração é importante
identificar algumas estruturas que fazem parte da conexão entre o siste-
ma nervoso e o sistema muscular. Cada célula muscular recebe somente
um motoneurônio (ou neurônio motor inferior), o que gera especificida-
de para o controle muscular, porém um motoneurônio pode inervar vá-
rias células musculares, o que permite resposta coordenada de músculos
grandes. Essa associação de um motoneurônio e suas células inervadas
é o que chamado de unidade motora (figura 4).
O neurônio motor inferior recebe o potencial de ação e o propaga
até o seu final, terminação axonal e então ocorre uma sinapse química
com a liberação de acetilcolina na fenda sináptica. Essa região é conhe-
cida como junção neuromuscular, ou placa motora terminal. O potencial
de ação será descrito no capítulo 9.
56 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 4 – Inervação do musculo estriado esquelético | Fonte: Banco de Imagem


UNINOVE.

A abertura dos canais de acetilcolina permite influxo de grande


quantidade de íons sódio para dentro da membrana da fibra muscular, de-
sencadeando um potencial de ação na fibra muscular. O potencial de ação
despolariza a membrana da fibra até fazer com que o retículo sarcoplas-
mático libere cálcio para as miofibrilas. O cálcio tem papel importante na
contração muscular, uma vez que ele se liga a troponina, realizando o mo-
vimento dos filamentos de tropomiosina, fazendo com que a actina seja
exposta para ligação da miosina. No momento em que ocorre o desliza-
mento dos filamentos de actina e miosina tem-se a contração muscular.

Aspectos do envelhecimento
Observa-se que durante o processo de envelhecimento ocorre uma
diminuição da função muscular, devido a redução de potência e tam-
bém perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia. A sarcope-
nia ocorre por perda dos números de fibras musculares, além da atrofia
de algumas fibras do tipo II, sendo que essas perdas estão relacionadas à:
• Alteração do estado hormonal, ou seja, diminuição na produção
dos hormônios, como testosterona e hormônio do crescimento;
• Aumento dos agentes catabólicos o que amplia a perda muscular;
57 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Inervação alterada do sistema nervoso central e periférico que


gera a perda de unidades motoras;
• A taxa de rotatividade das proteínas contráteis no músculo di-
minui, tornando-os alvos para diferentes tipos de modificações
que podem afetar a atividade enzimática da proteína motora.

Conclusão
As alterações quantitativas estabelecidas no músculo ocorrem pa-
ralelamente com as mudanças qualitativas na regulação da contração de
fibras musculares, o que contribui com o declínio na função muscular
devido ao envelhecimento. Sabendo deste fato, ao profissional da saú-
de cabe conhecer a fisiologia do sistema muscular a fim de elaborar me-
lhores estratégias de tratamento.
58 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1. Assinale a opção com a associação correta entre o tipo de tecido
muscular e a característica de suas fibras.
a) Tecido muscular estriado esquelético – possui fibras longas e
cilíndricas;
b) Tecido muscular liso – possui fibras longas e cilíndricas;
c) Tecido muscular estriado cardíaco – possui fibras fusiformes;
d) Tecido muscular estriado esquelético – possui fibras fusiformes;
e) Tecido muscular liso – possui fibras pequenas, cilíndricas e ramificadas.
Resposta ao final do capítulo.

2. O músculo bíceps braquial recebe a nomenclatura de bíceps, devido a:


a) Classificação quanto ao número de tendões na inserção terminal;
b) Classificação como bicaudado;
c) Classificação quanto ao número de tendões na inserção de origem;
d) Classificação como policaudado;
e) Classificação quanto ao número de tendões na inserção de origem e
também na inserção terminal.
Resposta ao final do capítulo.

3. Assinale a opção errada quanto as funções do sistema muscular:


a) Produzir movimento ou locomoção;
b) Responsável pelo crescimento ósseo;
c) Estabilização das posições do corpo;
d) Produção de calor;
e) Regulação do volume dos órgãos.
Resposta ao final do capítulo.

4. “A extremidade do músculo fixa à peça óssea que não se desloca” a


frase anterior representa:
a) Inserção de origem muscular;
59 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

b) Inserção terminal muscular;


c) Apenas inserção, não é possível identificar se é de origem ou terminal;
d) Classificação quanto ao número de tendões na inserção de origem;
e) Classificação quanto ao número de tendões na inserção terminal.
Resposta ao final do capítulo.

5. Assinale a opção que não representa um componente anatômico do


músculo estriado esquelético:
a) Ventre muscular;
b) Tendões;
c) Fáscia muscular;
d) Disco intercalar;
e) Aponeuroses.
Resposta ao final do capítulo.

Bibliografia
DÂNGELO, José Geraldo; FATTINI, Carlo Américo. Anatomia huma-
na sistêmica e segmentar. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2001.

GARDNER, Ernest. Anatomia: estudo regional do corpo humano. 4. ed.


Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.

GOSS, Charles Mayo. Gray Anatomia. 29. ed. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan S.A., 1988.

GRAY, Henry. Anatomia. 29. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan


S.A., 1988.

MOORE, Keith L. Anatomia orientada para a prática clínica. 4. ed. Rio


de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.

NETTER, Frank H. Atlas de anatomia humana. 2. ed. Porto Alegre:


Artmed, 2000.

SACRAMENTO, Arthur; CASTRO, Luciano. Anatomia básica aplica-


da à educação física. 2. ed. Canoas: Editora da Ulbra, 2001.
60 - Capítulo 4 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

SOBOTTA, Johannes. Atlas de anatomia humana. 21. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2000.

THIBODEAU, Gary A.; PATTON, Kevin T. Estrutura e funções do cor-


po humano. 11. ed. São Paulo: Manole, 2002.

TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de


anatomia e fisiologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.
Gabarito
1. a | 2. c | 3. b | 4. a | 5. d
61 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 5
SISTEMA CARDIORRESPIRATÓRIO:
ESTRUTURA E FUNÇÃO

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução
O profissional da área da saúde deve conhecer a anatomia e a fi-
siologia dos diversos sistemas que compõem o corpo humano. Este co-
nhecimento é fundamental para que possamos entender as modificações
desses sistemas no processo do envelhecimento, sadio ou não.
O sistema cardiorrespiratório é formado pelos sistemas cardiovas-
cular e cardiorrespiratório. O primeiro é responsável por conduzir a to-
dos os órgãos e tecidos o sangue e, junto com este, realizar o transporte
de gases, hormônios e nutrientes, além de recolher os resíduos metabó-
licos das células; o segundo é responsável pela captação do O2 do am-
biente externo, condução até o pulmões, troca gasosa entre pulmões e
sangue e expulsão do CO2.
Durante o processo do envelhecimento, as funções acima estarão
comprometidas, sem necessariamente interferir na funcionalidade do
idoso; portanto, é fundamental o conhecimento da estrutura, função e
modificação desse sistema.

Objetivos
Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
• Identificar as estruturas do sistema cardiorrespiratório;
• Compreender as funções do sistema cardiorrespiratório;
62 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Compreender as alterações do sistema cardiorrespiratório rela-


cionadas com o envelhecimento.

Estrutura e função do sistema cardiovascular


O sistema cardiovascular compreende as estruturas relacionadas
com o transporte do sangue e de todas as substâncias por ele carregadas,
tais como, nutrientes e gases. Essas estruturas são o coração e os vasos
sanguíneos (artérias, veias e capilares).
O coração é a bomba propulsora deste sistema, ou seja, sua ana-
tomia e fisiologia favorecem a circulação do sangue e das substâncias
presentes neste.
Histologicamente, encontramos três camadas de tecidos formando
o coração: tecido conjuntivo, formando o pericárdio, camada mais exter-
na; músculo estriado cardíaco, que compreende o miocárdio, a camada
média; e o tecido epitelial (pavimentoso simples) mais internamente, o
endocárdio. É no miocárdio que encontramos, anatomicamente, as qua-
tro câmaras cardíacas: átrios direito e esquerdo (superiores) e ventrícu-
los direito e esquerdo (inferiores).
O ventrículo esquerdo é mais espesso e responsável por bombear
o maior volume de sangue para o corpo todo (sangue rico em oxigênio
e nutrientes), por meio da artéria aorta, fazendo parte da chamada cir-
culação sistêmica; juntamente com as veias cavas (superior e inferior)
e o átrio direito, que se relacionam com o retorno do sangue pouco oxi-
genado para o coração.
O ventrículo direito e o átrio esquerdo, respectivamente com as
artérias pulmonares e veias pulmonares, se relacionam com a circulação
pulmonar, que tem a finalidade de receber o sangue pouco oxigenado da
circulação sistêmica, conduzi-los aos pulmões, para assim realizar a he-
matose e retornar ao coração, reiniciando o circuito.
63 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Juntamente com essas estruturas, as valvas, as cordas tendíneas e


os músculos papilares participam deste processo, permitindo a passagem
do sangue e/ou impedindo o refluxo do mesmo (Figura 1).

Figura 1 – Anatomia interna do coração | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.


64 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Estrutura e função do sistema respiratório


Ao sistema respiratório dá-se a função de captar e transportar os
gases por meio da respiração e realizar a troca gasosa.
As estruturas que participam deste processo são: cavidade na-
sal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, ductos alveolares e alvéo-
los. A condução do ar ocorre nas chamadas vias aéreas condutoras,
que se inicia na cavidade nasal e vai até os brônquios terminais. Nos
bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e alvéolos acontece a tro-
ca gasosa, hematose, sendo essas estruturas denominadas vias aéreas
respiratórias (Figura 2).

Figura 2 – Estruturas do Sistema respiratório | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.


65 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

O tecido respiratório é formado por células que favorecem o trans-


porte e a troca gasosa, bem como a proteção das vias aéreas inferiores.
Sistemas cardiovascular e respiratório funcionam em uníssono,
sendo a divisão acima apenas didática, com a finalidade de melhor com-
preensão por parte do aluno.
Sabendo que esse sistema é primordial à vida, conhecer as modi-
ficações fisiológicas decorrentes do envelhecimento, é primordial para
atitudes preventivas ao longo da vida. Veja a seguir as principais modi-
ficações deste sistema.

Aspectos do envelhecimento
Com o envelhecimento ocorrem muitas alterações sistêmicas. No
sistema cardiovascular encontra-se diversas alterações, como as cita-
das a seguir:
Ao contrário do que ocorre com outros órgãos, o coração aumen-
ta seu peso com a idade: aumenta em massa, aproximadamente, 1 g/ano
em homens e 1,5 g/ano em mulheres. Este aumento está relacionado à
hipertrofia do ventrículo esquerdo, que aumenta o esforço devido à di-
minuição da complacência.
Nos átrios e septo interventricular, há acúmulo de tecido adiposo e
degeneração dos miócitos, com substituição das células por tecido fibroso.
Os vasos sanguíneos, em especial a aorta, se dilatam e ocorre di-
minuição das fibras elásticas com aumento de depósito do cálcio, au-
mentando a probabilidade de formação de placas de aterosclerose. O
depósito de cálcio também ocorre nas valvas, em decorrência da dege-
neração do colágeno.
Ocorrem alterações no sistema de geração e condução do estímulo
elétrico, que se dá pelo Nodo Sinoatrial, em decorrência do acúmulo de
gordura, diminuição do colágeno e aumento do cálcio. Essas modifica-
66 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

ções levam a um aumento da fase diastólica (fase de relaxamento), em


especial do ventrículo esquerdo, aumentando a probabilidade de insufi-
ciência cardíaca diastólica, arritmias e congestão pulmonar.
O estímulo do Sistema Nervoso Simpático diminui nos idosos,
portanto, o coração fica menos responsivo. Isso não leva a problemas
maiores, a não ser quando há situações estressantes.
Embora essas modificações sejam fisiológicas durante o envelhe-
cimento, os problemas cardíacos afetam mais a população idosa.
No sistema respiratório as alterações ocorrem na mucosa, nas cé-
lulas de defesa, no reflexo da tosse, na substituição de cartilagem por
tecido ósseo e na diminuição das fibras dos músculos respiratórios. A
mucosa respiratória e suas células de defesa sofrem alteração, diminuin-
do a motilidade dos cílios, que, associado à ineficiência do reflexo da
tosse, aumenta a probabilidade de infecções respiratórias.
As cartilagens costais e traqueal passam a ser substituídas por cé-
lulas ósseas, aumentando a rigidez torácica, alterando a mecânica res-
piratória; também há um aumento das fibras colágenas em relação às
fibras elásticas nos pulmões, bem como a redução do número de septos
alveolares, gerando uma menor área de troca gasosa e facilitando o co-
labamento das vias aéreas de pequeno calibre; em decorrência dessas
alterações, o idoso tende a solicitar mais o músculo diafragma durante
a inspiração para compensar os déficits da mecânica respiratória, já que
há diminuição da complacência pulmonar.
Essas alterações fisiológicas propiciam o aumento de doenças res-
piratórias, tais como, as infecções respiratórias (pneumonias) e as doen-
ças obstrutivas crônicas (bronquite crônica e enfisema).
67 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Conclusão
O conhecimento do sistema cardiorrespiratório é importante para o
Fisioterapeuta. Saber distinguir os possíveis efeitos sofridos com o pas-
sar do tempo pelo organismo, bem como as alterações que acometem o
mesmo, em decorrência de alguma patologia instalada, ajuda o profis-
sional a criar melhores estratégias de tratamento.
68 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) O aumento do peso do coração se relaciona a:
a) Aumento das quatro câmaras cardíacas;
b) Hipertrofia do átrio direito;
c) Hipertrofia do ventrículo esquerdo;
d) Aumento do ventrículo direito;
e) Hipotrofia do ventrículo esquerdo.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) A rigidez da caixa torácica é decorrência de:


a) Substituição das cartilagens costais por células ósseas;
b) Rigidez pulmonar devido ao aumento dos alvéolos;
c) Postura cifótica;
d) Maior complacência pulmonar;
e) Menor eficácia da troca gasosa.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Com relação ao sistema cardiovascular, assinale a alternativa correta:


a) O tamanho do coração diminui, principalmente nas mulheres;
b) Os vasos sanguíneos, em especial a aorta, se dilatam e ocorre dimi-
nuição das fibras elásticas com aumento de depósito do cálcio, aumen-
tando a probabilidade de formação de placas de aterosclerose;
c) Ocorre um aumento na fase sistólica, aumentando a fase de contra-
ção do coração;
d) Ocorre hipotrofia do ventrículo esquerdo;
e) O coração do idoso fica mais responsivo devido ao aumento do estí-
mulo do Sistema Nervoso Simpático.
Resposta correta ao final do capítulo.
69 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

4) Leia as frases a seguir atentamente:


I. As alterações fisiológicas do sistema respiratório não apresentam re-
lação com o aumento de doenças respiratórias nos idosos, tais como, as
infecções respiratórias (pneumonias) e as doenças obstrutivas crônicas
(bronquite crônica e enfisema);
II. Ocorre depósito de cálcio nas valvas em decorrência da diminuição
do colágeno;
III. Há diminuição da motilidade ciliar e diminuição da eficácia do re-
flexo da tosse.
Agora, escolha a opção que contenha apenas informações corretas so-
bre o envelhecimento do sistema cardiorrespiratório:
a) Apenas I e II estão corretas;
b) Apenas I está correta;
c) Apenas III está correta;
d) Apenas II e III estão corretas;
e) Apenas II está correta.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) Assinale a alternativa correta.


a) A artéria aorta está relacionada com o ventrículo direito e participa
da circulação pulmonar;
b) A troca gasosa ocorre nas vias aéreas condutoras;
c) O sangue rico em oxigênio chega ao coração por meio das artérias
pulmonares;
d) O pericárdio é a camada mais interna do coração;
e) A sequência do ar nas vias aéreas é: cavidade nasal, laringe, traqueia,
faringe, brônquios e alvéolos.
Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAUDE. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pes-
soa idosa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
70 - Capítulo 5 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Departamento de Atenção Básica – Brasília: Ministério da Saúde,


2006. 192 p. il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos
de Atenção Básica, n. 19).

MORAES, E.N.; MARINO, M.C.A.; SANTOS, R.R. Principais sín-


dromes geriátricas. Rev. Med. Minas Gerais, Minas Gerais, v. 20, n.1,
p. 54-56, 2010.

PANTONI, C.B.F.; REIS, M.S.; MARTINS, L.E.B.; CATAI, A.M.,


COSTA, D.; BORGHI-SILVA, A. Estudo da modulação autonômica da
freqüência cardíaca em repouso de pacientes idosos com doença pul-
monar obstrutiva crônica. Rev. bras. Fisioter., São Carlos, v. 11, n. 1, p.
35-41, jan./fev. 2007.

PAPALÉO NETTO, M. Gerontologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2002.

PAPALÉO NETTO, M.; CARVALHO FILHO, E.T.; SALLES, R.F.N.


Fisiologia do Envelhecimento. In: CARVALHO FILHO, Eurico Thomas
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rapêutica. 2. Ed. São Paulo: Atheneu, 2006. p. 43-62.

VAN DE GRAAFF, K.M. Sistema Circulatório. In: VAN DE GRAAFF,


K.M. Anatomia Humana. Barueri: Manole, 2003, p. 537-600.

VAN DE GRAAFF, K.M. Sistema Respiratório. In: VAN DE GRAAFF,


K.M. Anatomia Humana. Barueri: Manole, 2003, p. 602-632.

ZASLAVSKY, C.; GUS, I. Idoso: doença cardíaca e comorbidades. Arq.


Bras. Cardiol., São Paulo, v. 79, n. 6, p. 635-639, Dez. 2002.
Gabarito
1. e | 2. a | 3. b | 4. d | 5. e
71 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 6
SISTEMA DIGESTÓRIO:
ESTRUTURA E FUNÇÃO

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução
Durante o envelhecimento ocorrem diversas modificações nos siste-
mas do corpo humano que implicam na funcionalidade do idoso, portan-
to, é primordial que o profissional da área da saúde conheça a anatomia
e a fisiologia desses sistemas, a fim de identificar as alterações fisiológi-
cas ou não.
O sistema digestório é formado pelas estruturas que recebem o ali-
mento, trituram, digerem, absorvem e excretam compostos não utiliza-
dos pelo organismo.
Durante o processo do envelhecimento ocorrem modificações teci-
duais e funcionais que afetam a disponibilidade dos nutrientes nas células.

Objetivos
Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
• Identificar as estruturas do sistema digestório;
• Compreender as funções do sistema digestório;
• Compreender as alterações do sistema digestório relacionadas
com o envelhecimento.
72 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Estrutura e função do sistema digestório


Todas as células que formam os tecidos do nosso corpo, neces-
sitam, continuamente, de nutrientes para que possam manter suas ati-
vidades metabólicas. Um dos produtos finais deste metabolismo, é a
produção de ATP (Adenosina Trifosfato), molécula que, quando que-
brada, gera energia.
Esses nutrientes são obtidos por meio da alimentação, sendo o sis-
tema digestório responsável pelo recebimento, transporte e absorção des-
sas moléculas e excreção dos compostos não utilizados pelo organismo.
As estruturas anatômicas que fazem parte deste são: cavidade da
boca, parte oral da faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e gros-
so; além desses, há os órgãos digestivos acessórios, que apresentam par-
ticipação fundamental neste processo: dentes, língua, glândulas salivares,
pâncreas, fígado e vesícula biliar.
Na cavidade da boca ocorre a quebra mecânica dos alimentos,
possibilitada pela ação dos dentes, língua e saliva, sendo que, esta últi-
ma libera a amilase, enzima que inicia a quebra química dos carboidra-
tos (polissacarídeos) em moléculas simples; este processo compreende
a etapa da mastigação. A língua conduz o bolo alimentar em direção à
parte oral da faringe para que ocorra a deglutição, etapa em que o bolo
alimentar chega ao esôfago.
O esôfago é um tubo muscular condutor que, por meio de contra-
ções peristálticas, encaminha o bolo alimentar ao estômago, processo
denominado ingestão. Na transição do esôfago com o estômago, o es-
fíncter esofágico inferior (músculo circular com função de permitir ou
não a passagem de substâncias) permite a ingestão e evita o refluxo do
bolo alimentar, função também executada pelo óstio cárdico, abertura
inicial do estômago.
73 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

No estômago, ocorre a digestão, processo mecânico e químico de


quebra das macromoléculas em moléculas simples. Esta etapa depende
da liberação de enzimas pela vesícula biliar e pâncreas, que se misturam
ao bolo alimentar no estômago, formando o quimo. Para que este qui-
mo não chegue rapidamente ao intestino delgado, há, na parte final do
estômago, o óstio pilórico, que controla a velocidade da passagem das
moléculas ao duodeno, parte inicial do intestino delgado.
Assim como no estômago, no intestino delgado ocorre a digestão de
macromoléculas, que, após sua quebra, serão absorvidas, ou seja, passam
para a corrente sanguínea. Aquelas substâncias não essenciais ao organis-
mo são encaminhadas ao intestino grosso, que absorve água e eletrólitos,
além de formar o bolo fecal, excretando (defecação) esses compostos.
74 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 1 – Anatomia do Sistema Digestório | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

A função de cada órgão só é possível pelas células que o compõe


e pela organização destas em camadas que, da mais interna para a mais
externa, são: mucosa, submucosa, muscular e serosa.
75 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Essas camadas são semelhantes em toda extensão do tubo diges-


tório, com algumas particularidades em cada órgão.
Para facilitar a aprendizagem, devemos relacionar essas camadas
com a função de cada órgão, sendo assim, em órgãos onde há atrito do
bolo alimentar ou fecal a camada mucosa é constituída por epitélio es-
tratificado (conferindo maior proteção à estrutura); já órgãos onde a ab-
sorção é a função principal, a camada mucosa deverá ser revestida por
epitélio simples, favorecendo a passagem de substâncias.

Aspectos do envelhecimento
As alterações do sistema digestório com o envelhecimento são di-
versas e afetam desde a capacidade de percepção da textura e sabor dos
alimentos até a absorção dos nutrientes.
A mudanças na cavidade da boca compreendem: uma maior fra-
gilidade dentária, interferindo na eficácia da mastigação; atrofia ou per-
da de papilas gustativas, tornando-se lisa e plana, diminuindo o paladar
e expressando diminuição no prazer de comer, fato também relaciona-
do com a diminuição da secreção salivar.
As sensações de disfagia e “alimento parado na garganta”, como
referido por muitos idosos, estão relacionadas com a redução dos movi-
mentos peristálticos no esôfago, além da diminuição da pressão do es-
fíncter, aumentando a incidência de refluxo e hérnia de hiato.
As alterações no processo de digestão e absorção dos nutrientes,
interferem diretamente na saúde geral do idoso. O ácido clorídrico, pro-
duzido no estômago, está diminuído, interferindo diretamente no proces-
so de digestão e na capacidade de esvaziamento do estômago, que leva
mais tempo para acontecer, principalmente com substâncias líquidas, o
que afeta diretamente o apetite do idoso. No intestino delgado, em de-
corrência das alterações nas vilosidades do mesmo, há uma diminuição
76 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

na capacidade de absorção de algumas vitaminas, do cálcio e do ferro,


levando a uma predisposição para diarreia e osteopenia. Com a absorção
de nutrientes comprometida, associada a mudanças no intestino grosso,
a constipação é mais frequente.
Há uma maior probabilidade de surgir a Diabetes do tipo 2, em
decorrência da diminuição da sensibilidade ao hormônio insulina e in-
tolerância à glicose, mudanças que ocorrem nas células pancreáticas.

Conclusão
O conhecimento do sistema digestório é importante para que o pro-
fissional da saúde saiba distinguir os possíveis efeitos fisiológicos ou pa-
tológicos relacionados ao processo do envelhecimento e, desta maneira,
criar melhores estratégias e abordagem de tratamento.
77 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) Assinale a alternativa correta:
a) O processo de digestão ocorre no intestino grosso;
b) O processo de deglutição ocorre quando o alimento é direcionado da
faringe ao esôfago;
c) O processo de absorção ocorre no estômago;
d) A ingestão é quando o alimento é levado à boca;
e) A mastigação ocorre apenas por meio da quebra química das moléculas.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) Analise as frases abaixo:


I. Com o envelhecimento, ocorre uma diminuição do peristaltismo eso-
fágico, aumentando a possibilidade de refluxo;
II. A alteração da percepção do sabor e textura dos alimentos não tem
relação com o envelhecimento e sim com os hábitos do indivíduo;
III. Há uma maior probabilidade de constipações nos idosos que está re-
lacionada com mudanças no intestino delgado e grosso.
Assinale a alternativa correta em relação às frases acima:
a) Apenas a I está correta;
b) Apenas a III está correta;
c) Apenas a I e a II estão corretas;
d) Apenas a I e a III estão corretas;
e) Apenas a II está correta.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Com o envelhecimento, há um aumento da sensibilidade ao hormô-


nio insulina levando a uma maior resistência à glicose. Este fato aumen-
ta a probabilidade de surgir:
a) Hipoglicemia;
b) Diabetes tipo I;
c) Diabetes tipo II;
d) Hipertensão;
78 - Capítulo 6 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

e) Colesterol.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) A diminuição na capacidade de absorção de algumas vitaminas, do


cálcio e do ferro, levando a uma predisposição para diarreia e osteope-
nia, é uma consequência da alteração de qual órgão?
a) Estômago;
b) Pâncreas;
c) Intestino delgado;
d) Intestino grosso;
e) Esôfago.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) Órgão condutor que tem relação com os sistemas digestório e


respiratório:
a) Esôfago;
b) Faringe;
c) Laringe;
d) Traqueia;
e) Estômago.
Resposta correta ao final do capítulo

Bibliografia
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAUDE. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa ido-
sa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de
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Gabarito
1. b | 2. d | 3. c | 4. c | 5. b
80 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 7
SISTEMA UROGENITAL FEMININO E
MASCULINO: ESTRUTURA E FUNÇÃO

Nadhia Helena Costa Souza

Introdução
O profissional da área da saúde deve conhecer a anatomia e fisio-
logia dos diversos sistemas que compõem o corpo humano. Este conhe-
cimento é fundamental para que possamos entender as modificações
desses sistemas no processo do envelhecimento, sadio ou não.
O sistema urogenital é responsável por formar e eliminar a urina,
bem como pela reprodução, e com o passar dos anos sofre diversas mo-
dificações, estruturais e funcionais.

Objetivos
Ao final do capítulo, espera-se que o leitor seja capaz de:
• Identificar as estruturas do sistema geniturinário masculino e
feminino;
• Compreender as funções do sistema geniturinário masculino e
feminino;
• Compreender as alterações do sistema geniturinário masculino
e feminino relacionadas com o envelhecimento.
81 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Estrutura e função do sistema urogenital feminino e


masculino

Sistema urinário
O sistema urinário é composto por um par de rins, um par de ure-
teres, uma bexiga urinária e uma uretra. Este Sistema apresenta várias
funções, dentre elas: os rins são responsáveis por filtrar o sangue e de-
volver grandes quantidades de água e solutos à corrente sanguínea,
onde o que não foi absorvido novamente pelo sistema é transforma-
do em urina, que é conduzida pelos ureteres e armazenada na bexiga
até ser eliminada pela uretra para o meio externo do corpo. Além dis-
so, os rins apresentam algumas outras funções importantes como: re-
gulação de íons presentes no sangue, do volume e pressão sanguínea,
auxiliam na regulação do pH sanguíneo, produzem alguns hormônios,
além de eliminarem resíduos.

Figura 1 – Anatomia do Sistema Urinário | Fonte: 123rf.


82 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema genital feminino


O Sistema genital feminino é composto por dois ovários, duas tu-
bas uterinas, um útero, uma vagina e a vulva; localiza-se no interior da
cavidade pélvica, é considerado o órgão reprodutor da mulher e também
responsável pela produção de hormônios que controlam parte da estru-
tura e funções dos órgãos do sistema reprodutor.

Figura 2 – Anatomia do Sistema Genital feminino | Fonte: 123rf.

Sistema genital masculino


O Sistema genital masculino é constituído pelos testículos, um
sistema de ductos (epidídimo, ductos deferentes, ductos ejaculatórios e
uretra), é composto também por glândulas sexuais acessórias (glândulas
seminais, próstata e glândulas bulbouretrais), além de estruturas de sus-
tentação (escroto e o pênis). Os testículos produzem os espermatozóides
e hormônios; o sistema de ductos transporta, armazena e auxilia na ma-
turação dos gametas masculinos, além de transportá-los para o exterior.
83 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 3 – Anatomia do Sistema Genital Masculino | Fonte: 123rf.

Aspectos do envelhecimento
Com o envelhecimento, ocorrem muitas alterações sistêmicas. No
sistema urogenital encontra-se diversas alterações, como citadas a seguir:
nos rins, observa-se uma redução da massa renal, principalmente no córtex
renal, em decorrência da diminuição do número total de células. Ocorre
uma perda significativa de glomérulos, que com o envelhecimento acabam
sendo substituídos por um tecido fibroso; ocorre também o depósito de te-
cido adiposo, levando ao espessamento dos túbulos renais, além disso, as
arteríolas aferentes se tornam estreitadas não apresentando comunicação
com os glomérulos. Devido à presença de placas de aterosclerose, as pa-
redes das arteríolas renais acabam por ficar mais espessas.
Em relação à bexiga e à uretra, estas apresentam uma diminuição
da força de contração da musculatura, que durante a micção se contrai
84 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

com menos força e consequentemente apresenta uma menor capacidade


de dilatação, retendo em torno de 250 mL de urina, quantidade bastan-
te diferente quando comparada à bexiga de um jovem, que tem uma ca-
pacidade de retenção em torno de 600 mL. Além disso, após a micção,
o idoso não consegue esvaziar totalmente a bexiga, apresentando uma
retenção de urina em torno de 100 mL, fato que aumenta a probabilida-
de de infecções urinárias.
No idoso, apenas quando a bexiga está totalmente cheia que os
receptores da parede vesical são ativados para que o Sistema Nervoso
entenda a necessidade de eliminar a urina, diferente do que acontece ao
jovem, que já percebe a necessidade de urinar quando a bexiga está com
urina pela metade.
Além disso, o esfíncter externo da uretra enfraquece com o passar
dos anos, permitindo que a urina escape antes de chegar ao banheiro,
ou em situações de incontinência ao estresse, como tosse ou ao espirro.
Esta alteração percebida no esfíncter está diretamente relacionada à fra-
queza dos músculos do assoalho pélvico.
Com relação ao sistema genital feminino, a produção de hormô-
nios pelos ovários (estrógeno e progesterona) diminui. Com a diminui-
ção do estrogênio, a menstruação é interrompida, indicando o início da
menopausa. O útero, a vagina e os órgãos externos também diminuem
seu tamanho, atrofiam-se.
A vagina torna-se menos elástica devido à presença de tecido fi-
broso, diminui em comprimento e largura e torna-se menos úmida, fa-
vorecendo episódios de infecção; além disso, as glândulas responsáveis
pela lubrificação da vagina se atrofiam, deixando a região mais seca e
desta maneira prejudicando o ato sexual.
Com o envelhecimento, o útero acaba diminuindo seu peso, redu-
zindo-o pela metade. O tecido muscular é substituído por tecido colágeno
85 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

fibroso, levando à perda de elasticidade. O endométrio se atrofia, pode


ocorrer a queda de órgãos como: útero, bexiga e reto, sustentados pelos
ligamentos que, com o passar dos anos, podem se tornar mais fracos.
As glândulas mamárias são substituídas por tecido adiposo, pois
atrofiam-se, e os ligamentos que as dão sustentação ficam fracos, con-
ferindo o aspecto flácido e caído das mamas.
Já com relação ao sistema genital masculino, as células presentes
na parede dos túbulos seminíferos contorcidos diminuem. Estas apre-
sentam grande importância no processo de reprodução e nutrição de
gametas; ocorre também a diminuição da produção de testosterona, o
que pode influenciar na diminuição da força muscular. Em relação à
quantidade de gametas masculinos (espermatozóides), estes são redu-
zidos pela metade, mas, mesmo assim, a fertilidade pode estar presen-
te até o final da vida.
Na próstata, temos a substituição das fibras musculares por tecido
fibroso, diminuindo sua capacidade de contração e levando este órgão à
atrofia. Além disso, a quantidade de líquido prostático diminui. Em tor-
no dos 70 anos, ocorre um aumento do peso da próstata, o que prejudi-
ca a saída da urina. A musculatura das glândulas seminais é substituída
por tecido conjuntivo, levando à sua atrofia. As paredes das arteríolas
dos corpos cavernosos do pênis tornam-se rígidas em conjunto com o
tecido erétil, que se torna menos elástico, e ambos os fatores podem pre-
judicar a ereção.

Conclusão
O conhecimento do sistema urogenital é importante para o
Fisioterapeuta. Saber distinguir os possíveis efeitos sofridos com o pas-
sar do tempo pelo organismo, bem como as alterações que acometem o
mesmo, em decorrência de alguma patologia instalada, ajuda o profis-
sional a criar melhores estratégias de tratamento.
86 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) Quais são as alterações morfológicas encontradas nos rins?
a) Observa-se uma redução da massa renal, principalmente no córtex re-
nal, em decorrência da diminuição do número total de células;
b) Observa-se um aumento da massa renal, principalmente no córtex re-
nal, em decorrência da diminuição do número total de células;
c) Ocorre um ganho significativo de glomérulos, que com o envelheci-
mento acabam sendo substituídos por um tecido fibroso;
d) Ocorre o depósito de tecido adiposo, levando à atrofia dos túbulos
renais;
e) Devido à presença de placas de aterosclerose, as paredes das arterío-
las renais acabam por ficar mais finas.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) Em relação a bexiga e uretra, quais são as alterações encontradas?


a) Apresentam um aumento da força de contração da musculatura;
b) Apresentam uma diminuição da força de contração da musculatura;
c) Apresentam uma maior capacidade de dilatação, retendo em torno de
600mL de urina;
d) Após a micção, o idoso consegue esvaziar totalmente a bexiga, não
apresentando retenção de urina;
e) Mesmo que o esfíncter externo da uretra se enfraqueça, não há esca-
pe de urina antes de chegar ao banheiro, ou em situações de incontinên-
cia ao estresse como tosse ou ao espirro.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Com relação ao sistema genital feminino, assinale a alternativa incorreta


a) A produção de hormônios pelos ovários (estrógeno e progesterona)
diminui com o passar dos anos;
b) Com a diminuição do estrogênio, a menstruação é interrompida indi-
cando o início da menopausa;
c) O útero, a vagina e os órgãos externos também diminuem seu tama-
nho, atrofiam-se;
87 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

d) O útero acaba aumentando seu peso, o tecido muscular é substituído


por tecido colágeno fibroso, levando à perda de elasticidade, consequen-
temente favorecendo a reprodução da mulher;
e) A vagina torna-se menos elástica devido à presença de tecido fibroso,
diminui em comprimento e largura e torna-se menos úmida, favorecen-
do episódios de infecção.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) Leia as frases a seguir atentamente


I. Com relação ao sistema genital masculino, as células presentes na pa-
rede dos túbulos seminíferos contorcidos diminuem, estas apresentam
grande importância no processo de reprodução e nutrição de gametas;
II. Com o passar dos anos, ocorre também o aumento da produção de
testosterona, influenciando diretamente a força muscular;
III. As glândulas mamárias da mulher são substituídas por tecido adi-
poso, e os ligamentos que as dão sustentação ficam fracos, conferindo o
aspecto flácido e caído das mamas.
Agora, escolha a opção que contenha apenas informações corretas.
a) Apenas I e II estão erradas, as demais corretas;
b) Apenas I está correta, as demais erradas;
c) Apenas III está correta, as demais erradas;
d) Apenas II está correta, as demais erradas;
e) Apenas II está errada, as demais corretas.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) Assinale a alternativa correta.


a) Os espermatozóides são reduzidos pela metade com o passar dos anos,
mas mesmo assim a fertilidade pode estar presente até o final da vida;
b) Na próstata, temos a substituição das fibras musculares por tecido fibro-
so, aumentando sua capacidade de contração e levando este órgão à atrofia;
c) A quantidade de líquido prostático aumenta consideravelmente;
d) A musculatura das glândulas seminais é substituída por tecido adipo-
so, levando à sua hipertrofia;
88 - Capítulo 7 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

e) As paredes das arteríolas dos corpos cavernosos do pênis tornam-se


flácidas em conjunto com o tecido erétil, que se torna mais elástico, pre-
judicando a ereção.
Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAUDE. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa ido-
sa / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de
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Gabarito
1. a | 2. b | 3. d | 4. e | 5. a
90 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 8
SISTEMA NERVOSO:
EMBRIOLOGIA, ESTRUTURAS E FUNÇÕES
DO SISTEMA NERVOSO

Luciana Rodrigues Barcala

Introdução
Entender o desenvolvimento do sistema nervoso (SN) é fundamen-
tal para a Fisioterapia compreender os distúrbios patológicos ocorridos
nestas regiões. Conhecendo cada estrutura e sua função, o Fisioterapeuta
terá base para elaborar o seu plano de tratamento de acordo com a dis-
função neural.

Objetivos
Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
• Conhecer a embriologia do Sistema Nervoso;
• Identificar as diferentes estruturas do Sistema Nervoso;
• Compreender as funções do Sistema Nervoso;
• Reconhecer o efeito do envelhecimento no sistema nervoso.

Embriologia
A neurulação é um evento chave para o desenvolvimento do Sistema
Nervoso (SN). Ela compreende toda diferenciação celular que ocorre para
formar as estruturas do SN. O folheto embrionário, do qual se originam
as células que irão formar o SN, chama-se ectoderma (folheto embrioná-
rio mais externo). Essa diferenciação inicia-se por volta de 21 a 22 dias
91 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

de vida embrionária (3⸰ semana de gestação). O ectoderma se desenvolve


e origina os órgãos sensoriais, a epiderme e o Sistema Nervoso. A partir
deste momento o SN intensifica seu desenvolvimento, iniciando a mieli-
nização, que é uma camada lipoprotéica que envolve o axônio.
O primeiro indício de formação do SN é o espessamento do ecto-
derma formando a placa neural, localizada ao longo da superfície do
embrião e em contato com o líquido amniótico. Essa placa neural con-
tinua seu desenvolvimento e forma um sulco neural, as extremidades
deste sulco se unem e formam o tubo neural que se fecha primeiro na
futura região da cervical. Células adjacentes ao tubo neural se separam
deste e formam a crista neural, onde a crista e o tubo se movem para
dentro do embrião.
É a partir do tubo neural que ocorre o desenvolvimento do encéfa-
lo e da medula espinal, estruturas do Sistema Nervos Central.
As estruturas do Sistema Nervos Periférico, formam-se a partir
das cristas neurais.
O desenvolvimento encefálico no embrião se divide primeiramen-
te em três partes, sofrendo ampliações estruturais. A Tabela 1 apresenta
estas transformações.
Tabela 1. Desenvolvimento Encefálico Normal

Ponte, região superior do bulbo,


Rombencéfalo Metencéfalo
cerebelo e IV ventrículo
Mielencéfalo Região inferior do bulbo
Mesencéfalo
Mesencéfalo Mesencéfalo e aqueduto cerebral

Diencéfalo Tálamo, hipotálamo e III ventrículo


Prosencéfalo
Hemisférios cerebrais e ventrículos
Telencéfalo
laterais
Fonte: Autor.
92 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Divisão Estrutural do Sistema Nervoso


O sistema nervoso é dividido em central (SNC) e periférico (SNP).
As estruturas do SNC são todas aquelas localizadas e protegidas pelo
esqueleto axial (crânio e coluna vertebral); são elas: encéfalo e medula
espinal. As estruturas do SNP estão fora do esqueleto axial, são as termi-
nações nervosas ou receptores; gânglios e nervos espinais e cranianos.
O fluxograma a seguir mostra as principais estruturas do SN (figura 1).

Figura 1 – Divisão do Sistema Nervoso | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

O SN é formado por um conjunto de órgãos que possuem a função


de captar os estímulos do ambiente; conduzir esses estímulos, da periferia
para a região central do SN; interpretá-los e produzir respostas que podem
ser dadas em forma de movimentos, sensações, pensamentos/lembranças
e/ou liberação de secreções.
Para maior compreensão, dividiremos o estudo das funções de
acordo com as principais e grandes estruturas do SN.
93 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Sistema nervoso central

Cérebro

O cérebro humano é a parte mais desenvolvida do encéfalo, ocu-


pando cerca de 80% de todo crânio. Ele pode ser dividido em dois com-
ponentes: o diencéfalo, uma estrutura única e mediana, e o telencéfalo,
parte externa (sulcos e giros), representada pelos hemisférios cerebrais
direito e esquerdo e todas as estruturas neles contidas. O diencéfalo ocu-
pa o interior do cérebro e é representado por cinco estruturas:

1. Tálamo – constituído por duas massas ovoides unidos pela aderência


intertalâmica, uma estrutura composta por massa cinzenta. Das margens
do aqueduto cerebral até os forames interventriculares existe uma de-
pressão chamada de sulco hipotalâmico, o tálamo situa-se imediatamente
acima deste sulco. O tamanho aproximado desta estrutura é três centí-
metros, e mesmo com este reduzido comprimento ocupa quase 80% do
diencéfalo. Suas funções englobam a mediação de estímulos elétricos e
químicos, de forma a classificar a informação que vai em direção ao cé-
rebro e, ao mesmo tempo, direcionar esta informação a áreas cerebrais
mais precisas e específicas. Outras funções incluem a condução e dire-
cionamento das informações sensitiva (exceto o olfato) e motora; a ati-
vação do córtex cerebral; o comportamento emocional e a participação
na manutenção do estado de alerta. O tálamo ainda é dividido em cinco
grupos, de acordo com as funções que os mesmos desempenham. São
eles: anterior, posterior, lateral, mediano e medial.

2. Hipotálamo – uma das mais importantes estruturas do SNC, desem-


penhando funções extremamente importantes relacionadas ao compor-
tamento e funcionamento visceral. Quatro importantes proeminências
podem ser visualizadas no hipotálamo: corpos mamilares, quiasma óp-
tico, túber cinéreo e o infundíbulo. Dentre as principais funções estão:
94 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

controle do Sistema Nervoso Autônomo; geração dos ritmos circadia-


nos e regulação da temperatura corporal; do comportamento emocional;
da ingestão hídrica e de alimentos, da diurese. Essas funções estão re-
lacionadas a Glândula Hipófise, estrutura que faz parte do hipotálamo
e é responsável pelo controle da secreção hormonal de diversas outras
glândulas do nosso corpo.

3. Metatálamo – composto por duas estruturas: o corpo geniculado me-


dial, que faz parte da via auditiva, e o corpo geniculado lateral, respon-
sável pela via de processamento dos estímulos visuais.

4. Epitálamo – composto pela Glândula Pineal, principal estrutura do


epitálamo, que se encontra entre os colículos superiores do mesencéfalo,
é responsável por secretar o hormônio melatonina. Quando há diminui-
ção da incidência de luz, esta glândula ativa a secreção de melatonina,
que irá induzir o sono; com a incidência da luz, esta glândula diminui a
secreção da melatonina, preparando o indivíduo para a vigília (contro-
le do sono e vigília)

5. Subtálamo – apresenta formações de substância branca e cinzenta, e


sua principal estrutura é o núcleo subtalâmico. Este núcleo, participa do
circuito de controle dos movimentos voluntários, nos núcleos da base.
Uma lesão nesta estrutura ocasiona movimentos anormais das extremi-
dades, chamado de hemibalismo.

O telencéfalo é formado por substância branca e cinzenta. A subs-


tância branca é constituída por fibras nervosas mielinizadas com a fun-
ção de conduzir as informações para as áreas específicas, constituídas de
substância cinzenta. A substância branca pode ser de dois tipos:
a) Fibras de Projeção: conexão do córtex aos centros subcorticais.
Agrupadas, formam duas estruturas conhecidas como cápsula
95 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

interna e fórnix. Estas fibras estão relacionadas com as áreas


primárias do córtex;
b) Fibras de Associação: conexão entre as áreas corticais, poden-
do se conectar com o mesmo hemisfério (intra-hemisférica) ou
esta conexão ocorre entre os hemisférios direito e esquerdo (in-
ter-hemisférica). As fibras de associação estão relacionadas com
as áreas secundárias e terciárias do córtex. Este grupamento de
fibras nervosas é denominado de centro branco do cérebro.
A substância cinzenta reveste todo o centro branco do cérebro, sen-
do chamada de córtex cerebral. É composto por neurônios (corpos de
neurônio), células da glia e fibras nervosas amielínicas). No córtex che-
gam os impulsos de todas as vias sensitivas que se tornam conscientes
e são interpretadas (Vias Aferentes) e saem impulsos nervosos que ini-
ciam e comandam os movimentos voluntários e se relacionam ao psí-
quico (Vias Eferentes).

As Vias Aferentes são formadas por um conjunto de fibras (tractos),


que conduzem as informações, captadas na periferia, até o SNC.

As Vias Eferentes são formadas por um conjunto de fibras (trac-


tos), que conduzem as informações, processadas e produzidas no
SNC, até o SNP.

O telencéfalo é dividido em regiões que executam funções espe-


cíficas e complementares. Essas regiões são chamadas de lobos (figu-
ras 2 e 3):
1. Frontal: envolvido nas atividades motoras (área pré-motora e
motora suplementar), emocionais e de personalidade, e a área
de Broca (expressão da linguagem – área motora);
2. Temporal: relacionado com a memória, emoção e apresenta a
área de Wernick (interpretação da linguagem – área sensitiva);
96 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

3. Parietal: funções sensitivas e de reconhecimento do espaço;


4. Occipital: interpreta a visão;
5. Ínsula: reconhecimento do paladar e do sistema límbico.

Figura 2 – Encéfalo – divisão por lobos cerebrais | Fonte: Banco de Imagens UNINOVE.

Figura 3 – Encéfalo – áreas específicas dos sentidos | Fonte: Banco de Imagens UNINOVE.
97 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

A modelagem de todo córtex cerebral é feita pelos seus giros e sulcos.


Os giros são a saliência do córtex cerebral e os sulcos são uma depressão
(espaço) entre os giros. O giro pré-central (localizado no lobo frontal) e o
giro pós-central (localizado no lobo parietal) compartilham suas funções
na gênese de comportamentos sensório-motores. Sendo o giro pré-central
(córtex motor primário) envolvido na execução de comportamentos mo-
tores voluntários e o giro pós-central relacionada à sensação tátil. A dis-
tribuição dessas áreas é representada por um mapa topográfico do corpo
humano, que foi criado pelo neurocirurgião Wilder Penfield (1891-1976)
e ficou conhecido como “homúnculo de Penfield”. (figura 4)

Figura 4 – Homúnculo de Penfield | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

Cerebelo

O cerebelo está localizado na região posterior ao tronco encefáli-


co. Este se comunica com outras estruturas através dos pedúnculos, sen-
do o pedúnculo superior com o mesencéfalo, o pedúnculo médio com
a ponte e o pedúnculo inferior com o bulbo. O cerebelo apresenta dois
hemisférios cerebelares (direito e esquerdo) ligados por uma porção me-
98 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

diana, denominada vérmis. Os hemisférios são constituídos pelo córtex


cerebelar e divididos em três lobos:
1. Lobo Anterior ou Paleocerebelo – composto por núcleos embo-
liformes e globosos, responsáveis por auxilia no controle do tô-
nus muscular;
2. Lobo Posterior ou Neocerebelo – contém núcleos denteados,
responsáveis pelos movimentos de coordenação motora fina;
3. Lobo Flóculo Nodular ou Arquicerebelo – contém núcleos fas-
tigiais, responsáveis pelo controle do equilíbrio e postura.
Os lobos anterior e posterior são divididos pela fissura primária,
enquanto os lobos posteriores e flóculo nodular são divididos pela fissura
póstero-lateral. O córtex cerebelar é formado por três camadas de célu-
las: a granular composta por fibras musgosas e trepadeiras, a camada mo-
lecular composta por células cesto e estrelada, e as Células de Purkinje.

Tronco Encefálico

O tronco encefálico é uma estrutura localizada entre a medula es-


pinal e o cérebro. É composto por três estruturas, que de cranial para
caudal, são: mesencéfalo, ponte e bulbo. A figura 5 ilustra as estruturas
do tronco encefálico e as conexões com os nervos cranianos.
99 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 5 – Tronco encefálico e nervos cranianos. | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

O bulbo está superior à medula espinal e é constituído pelos tratos


ascendentes e descendentes que trafegam pela medula espinal. Na parte
anterior do bulbo estão localizadas: as pirâmides bulbares, dois abaula-
mentos verticais formados pelas fibras do trato corticoespinal; ao térmi-
no das pirâmides e antes de iniciar a medula espinal, está a decussação
das pirâmides, local fisiologicamente importante, pois, nesta região ocor-
re o cruzamento destas fibras do trato corticoespinal; lateralmente estão
as olivas bulbares, duas pequenas protuberâncias ovais, lateralmente as
pirâmides. No bulbo posterior estão os fascículos grácil e cuneiforme,
respectivamente recebem as informações sensórias dos membros supe-
riores e membros inferiores.
100 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

A decussação das pirâmides é importante, pois,


aproximadamente, 80% dos axônios eferentes, vindos de um lado
do córtex cerebral, cruzam para o lado contralateral; fazendo
sinapse com os neurônios motores inferiores da medula espinal;
que inervam o hemicorpo contralateral a sua origem, sendo
assim, os neurônios do hemisfério cerebral direito, controlam os
músculos do hemicorpo esquerdo e vice-versa.

A ponte está localizada inferior ao mesencéfalo e superior ao bul-


bo, tem a função de processar as informações motoras do córtex cere-
bral e remete-as para o cerebelo, por meio dos pedúnculos cerebelares.
Além disso, é um grande centro associativo de informações sensitivas e
motoras, principalmente associada aos nervos cranianos.
O mesencéfalo está localizado entre o diencéfalo e a ponte. A sua
parte posterior contém os colículos superiores, responsáveis pela recep-
ção da visão e os colículos inferiores da audição. Anteriormente temos
a substância negra, estrutura que produz o neurotransmissor dopami-
na. Atrás da substância negra está o núcleo rubro, estrutura motora que
controla os músculos distais dos membros. O núcleo rubro determina o
tipo de postura patológica adotada em lesões encefálicas, por exemplo,
se a lesão for acima do núcleo rubro, o indivíduo adotará uma postura
denominada decorticada, caracterizada por extensão dos membros infe-
riores e flexão dos membros superiores. Caso a lesão ocorra abaixo do
núcleo rubro, a postura será descerebrada, onde ocorrerá extensão dos
membros superiores e inferiores.

A Dopamina é um neurotransmissor que atua nos núcleos


da base para regular os movimentos voluntários. Sua ação
ocorre por meio de duas vias. A Via Direta atua facilitando
a excussão dos movimentos voluntários e a Via Indireta atua
inibindo os movimentos involuntários.
101 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Medula Espinal

A medula espinal é uma massa cilíndrica de tecido nervoso que se


estende do bulbo até a altura da vértebra L2. A figura 6 apresenta a me-
dula com seus respectivos nervos espinais. A região medular compreende
as estruturas neurais localizadas no interior do canal vertebral incluindo
a medula espinal, as raízes dorsais (sensoriais) e ventrais (motoras), as
meninges e os nervos espinais.

Figura 6 – Medula espinal e nervos espinais | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

As suas funções relacionam-se com a condução dos impulsos ner-


vosos do SNP ao SNC e vice-versa. Esta função é realizada por meio
102 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

de raízes nervosas denominadas dermátomo e miótomo. Dermátomo


é a raiz sensitiva de cada raiz nervosa, ou seja, a área da pele inerva-
da por uma única raiz nervosa. Os miótomos são definidos como gru-
pos musculares inervados por fibras de uma única raiz nervosa. Tanto
os dermátomos e miótomos são conectados à um nível medular. Outra
importante função desta estrutura relaciona-se com as respostas refle-
xas. Os reflexos são respostas automáticas rápidas e previsíveis às al-
terações do meio.
A região anterior da medula espinal é composta por neurônio mo-
tores (motoneurônios inferiores), que conduzem as informações para os
músculos ou glândulas e na região posterior da medula espinal, chegam
os impulsos nervosos advindos da periferia, sendo esta região relacio-
nada com a chegada das informações sensoriais, que serão conduzidas
ao cérebro para ser interpretada.

As respostas reflexas estão relacionadas à maturidade do


Sistema Nervoso, portanto, quando bebês, as respostas
são basicamente reflexas e com o crescimento e maturação
do Sistema Nervoso, as respostas vão se tornando cada
vez mais voluntárias e, alguns reflexos, permanecem para
nossa proteção, por exemplo, ao pisar em um prego; a
retirada do membro é um reflexo de proteção.

Sistema nervoso periférico

Nervos e Gânglios

Os nervos são cordões esbranquiçados constituídos por feixes de


fibras nervosas reforçadas por tecido conjuntivo, que unem o sistema
nervoso central aos órgãos periféricos. Dependendo da estrutura de ori-
gem, podem ser classificados em espinais e cranianos:
• Espinais: fazem conexão com a medula espinal e são compostos
por 31 pares. Os nervos espinais são mistos, ou seja, são sensi-
103 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

tivos e motores. São responsáveis pela condução dos impulsos


nervosos da pele e dos músculos dos membros e tronco;
• Cranianos: fazem conexão com o encéfalo e são compostos por
12 pares de nervos, localizados, principalmente, no tronco ence-
fálico. A função desses nervos é conduzir, por meio de suas fibras,
impulsos nervosos da pele e dos músculos da cabeça, olhos, larin-
ge, língua. Podem apresentar função sensitiva, motora, ou ambas.
Os gânglios são definidos como “corpos dos neurônios sensitivos”.
Esses neurônios estão fora do SNC e conduzem as informações senso-
riais do SNP para o SNC. As demais informações sobre esses neurônios
e sobre os neurônios motores, estão descritas no capítulo 7.

Terminações Nervosas

As terminações nervosas são estruturas com a função de captar os


estímulos sensitivos ou motores. Também podem ser chamadas de recep-
tores. As terminações nervosas motoras localizam-se nos músculos (ven-
tre muscular e tendões) e são responsáveis por captar as informações sobre
tensão e contração muscular. As terminações nervosas sensitivas estão na
pele e captam informações de frio, calor, tato, pressão, dor e vibração.

Aspectos do envelhecimento
Infelizmente o cérebro também passa pelo processo de envelheci-
mento, por mais que o exercite, o cérebro também sofrerá degenerações
morfológicas e funcionais, tanto microscopicamente como as funções ce-
lulares e macroscopicamente como a diminuição do volume cortical, além
de surgimento de placas senis devido à diminuição da função encefálica.
No idoso, a neuroplasticidade, que é a capacidade de adaptação
do sistema nervoso, será diminuída, limitando-se a novos aprendizados
e com perdas de memórias. Por isso, os idosos necessitam aumento o
número de circuitarias neurais para poderem processar as informações,
104 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

interpretar e interagir, até em comandos mais simples, tendo cada vez


mais lentidão neste processamento de acordo com o passar dos anos.
Interessante saber que as áreas mais afetadas no cérebro são o lobo
frontal, temporal superior e o occipital e as mais conservadas são as pa-
rietais e temporal inferior. Esta perda de massa cerebral é devido à atro-
fia dos corpos celulares. Todas estas características fazem parte de um
processo natural do sistema nervoso, processo este de envelhecimento.
Seguem algumas alterações do sistema nervoso causadas pelo pro-
cesso de envelhecimento: cognição; percepção; atenção; linguagem; me-
mória visual e espacial; planejamento e velocidade dos movimentos. O
declínico da capacidade funcional é umas das características mais evi-
dentes no processo de envelhecimento. Esse declínio é consequência das
alterações neurológicas e musculares decorrentes da idade, que levam a
alterações na força, equilíbrio, flexibilidade e agilidade.

Conclusão
O Sistema Nervoso relaciona-se com todos os outros sistemas do
corpo, já que realizam o controle desses. Com base nestes conceitos e
conhecimento do sistema nervoso, os fisioterapeutas terão a capacida-
de de compreender o funcionamento de todo corpo humano, bem como,
interpretar as disfunções dos mecanismos neurais, traçar os objetivos te-
rapêuticos de acordo com as estruturas morfológicas e aplicar a interven-
ção mais adequada na reabilitação de pacientes neurológicos.
105 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) Cite as etapas da formação do tubo neural.
a) Placa Neural → Tubo Neural → Sulco Neural;
b) Placa Neural → Sulco Neural → Tubo Neural;
c) Sulco Neural → Tubo Neural → Placa Neural;
d) Sulco Neural → Placa Neural → Tubo Neural;
e) Tubo Neural → Placa Neural → Tubo Neural.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) Selecione a época do desenvolvimento dos órgãos sensoriais.


a) A partir do primeiro dia embrionário;
b) Ao nascimento;
c) No sexto mês de gestação;
d) Segunda semana embrionária;
e) Ao completar um ano de vida.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Identifique as características das células mielínicas.


a) São neurônios do sistema nervoso periférico e central;
b) Os oligodendrócitos formam as bainhas do sistema nervoso central;
c) As Células de Schwann são mielinas do sistema nervoso central;
d) A bainha de mielina é formada somente no sistema nervoso central;
e) São caracterizadas por cordões esbranquiçados de tecido conjuntivo.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) Nomeie as estruturas que compõe o tronco encefálico.


a) Mesencéfalo, cérebro e cerebelo;
b) Medula espinal, cerebelo e cérebro;
c) Mesencéfalo, ponte e bulbo;
d) Nervos, gânglios e terminações nervosas;
e) Nervos cranianos e motoneurônio.
Resposta correta ao final do capítulo.
106 - Capítulo 8 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

5) Escolha a função, respectivamente, dos giros pré e pós-central loca-


lizados no córtex cerebral?
a) Motor e sensitivo;
b) Visão e Audição;
c) Memória e aprendizado motor;
d) Giros responsáveis pelo nosso comportamento emocional;
e) Paladar e Memória.
Resposta correta ao final do capítulo.

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risk factors for falls, incontinence and functional dependence: unifying
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Gabarito
1. c | 2. d | 3. b | 4. c | 5. a
108 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 9
TECIDO NERVOSO E POTENCIAL DE AÇÃO:
CÉLULAS NERVOSAS E SUAS FUNÇÕES

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho

Introdução
Todas as funções executadas pelos sistemas do corpo humano, de-
pendem de informações que chegam e saem do Sistema Nervoso, sendo
este primordial para controlar as funções conscientes e inconscientes do
homem. Essas informações são conduzidas ao longo do Sistema Nervoso
como uma rápida corrente elétrica, denominada impulso nervoso ou po-
tencial de ação, mantendo nosso corpo em funcionamento mesmo quan-
do estamos dormindo.
Para que isso seja possível, as células que compõem este sistema
apresentam características específicas. Um grupo dessas células mantém
o tecido nervoso íntegro, propiciando nutrição, sustentação e proteção.
Essas são as células da glia, ou neuroglias, que dão condições para as
células neuronais desempenharem suas funções, que são de captar, trans-
mitir, processar e produzir respostas reflexas, motoras, secretivas, cog-
nitivas e emocionais. Qualquer modificação presente neste tecido altera
estas funções celulares, interferindo no funcionamento de diversos sis-
temas do corpo humano, como pode ser percebido durante o processo
de envelhecimento, senescente e/ou senil.

Objetivos
Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
109 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Conhecer as células que compõem o tecido nervoso;


• Compreender as diferentes funções executadas pelas células do
Sistema Nervoso;
• Compreender a comunicação e transmissão do impulso nervo-
so (potencial de ação);
• Reconhecer o efeito do envelhecimento sobre as células do
Sistema Nervoso.

Tecido nervoso
Todo Sistema Nervoso (SN) é constituído por células divididas
em dois tipos: as células de sustentação, também conhecidas como
células da glia ou neuroglia e as células nervosas, conhecidas como
neurônios. Os neurônios são as células com função de receber as in-
formações, transmiti-las, processá-las e produzir repostas, sejam mo-
toras, cognitivas, secretivas ou emocionais. São células sensitivas,
motoras ou que se conectam umas às outras. As células da glia for-
mam uma rede que proporciona sustentação aos neurônios; além de
nutri-los e protegê-los, são caracterizadas por seu tamanho e função.
Embora as funções dessas células sejam distintas, todas apresentam
grande importância para o funcionamento adequado do SN, como será
descrito abaixo.
As grandes células da glia são denominadas macróglias, e as pe-
quenas, micróglias. Para cada neurônio, estima-se que existam, apro-
ximadamente, dez células da glia, o que mostra a importâncias dessas
células para o perfeito funcionamento do SN.
As micróglias apresentam a função de fagocitose, ou seja, remo-
vem as células mortas, dendritos e/ou microorganismos invasores, parti-
cipando, principalmente, da defesa do Sistema Nervoso Central (SNC).
Alguns autores acreditam que essas células são pouco diferenciadas e,
110 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

portanto, capazes de se diferenciarem em outras, tais como, astrócitos


ou oligodendrócitos, quando há necessidade.
As macróglias são divididas em quatro grupos: astrócitos, células
ependimárias, oligodendrócitos e células de Schwann, todas com fun-
ções que dão condições para os neurônios funcionarem, sendo que cada
uma desempenha funções específicas.
Os astrócitos são células em formato estrelado encontradas
em todo o Sistema Nervoso Central (SNC), atuando na regulação da
atividade neural, já que podem controlar a concentração de substâncias
(íons, neurotransmissores, glicose). Essas células apresentam vários
prolongamentos que deixam o corpo celular, chamados pés vasculares;
estes ligam o neurônio a capilares sanguíneos e à piamáter, fazendo par-
te, juntamente com outras estruturas, da barreira hematoencefálica.
As células ependimárias apresentam função de epitélio de reves-
timento simples, elas forram as paredes dos ventrículos cerebrais e são
importantes para a formação do líquido cérebro-espinal (líquido cefa-
lorraquidiano ou líquor). Constituem, junto com os astrócitos, a barrei-
ra hematoencefálica.
Os oligodendrócitos e as células de Schwann formam uma camada
protetora para isolar a condução elétrica do neurônio. Esta camada pro-
tetora é chamada de Bainha de Mielina, esta camada se enrola ao lon-
go do prolongamento do axônio e é constituída por lipídeos e proteínas.
Os neurônios do SNC são mielinizados por oligodendrócitos, enquan-
to os do sistema nervoso periférico (SNP) são mielinizados pelas célu-
las de Schwann.
111 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

A barreira hematoencefálica (BHE) é uma estrutura


importante, já que dificulta a passagem de substância
do sangue para o SNC, regulando as substâncias a
serem utilizadas pelos neurônios e também substâncias
tóxicas e medicamentos.

Figura 1 – Células da Glia (oligodendrócitos; Micróglia; Células ependimárias;


Astrócitos e Células de Schwann) | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

Os neurônios são células altamente excitáveis, capazes de se co-


municarem entre si ou com outras células, tais como células musculares
e glândulas. Essa comunicação é possível por modificações do potencial
de membrana das células, o que desencadeará o potencial de ação, como
descrito adiante. Os neurônios recebem informações, transmitem, pro-
cessam e geram respostas. São compostos por corpo celular, dendritos,
axônio e terminações axonais, que apresentam funções especializadas.
112 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

O corpo celular é primordial para a sobrevivência dos neurônios,


já que é o local onde encontram-se todas as organelas celulares, assim
como aquelas encontradas em outros tipos de células. Sendo assim, esta
região é o centro metabólico da célula, responsável pela síntese de to-
das as proteínas neurais e pela degradação e renovação de constituin-
tes celulares. Os dendritos são estruturas curtas e ramíficas que deixam
o corpo celular, atuam na estimulação celular, recebem informações de
outras células. Apresentam as espinhas dendríticas, estruturas diminu-
tas encontradas como locais de contato entre os dendritos e os axônios.
São de suma importância, já que mediam a plasticidade sináptica (neu-
roplasticidade ou plasticidade neural), que fundamenta o aprendizado,
a memória e a cognição. A maioria dos neurônios apresentam um pro-
longamento longo e fino, que deixa o corpo celular, denominado axônio.
Este é a unidade transmissora dos neurônios, já que é capaz de gerar e
conduzir o potencial de ação. Quando esses axônios apresentam bainha
de mielina (mielínicos ou mielinizados), o potencial de ação é conduzido
mais rapidamente quando comparado ao axônio sem bainha de mielina
(amielínicos/amielinizados). As terminações axônais são prolongamentos
curtos que se encontram ao final do axônio e realizam o contato do neu-
rônio com outras células, que pode ser outro neurônio ou células mus-
culares e glândulas. Os locais de contato recebem o nome de sinapse.
113 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 2 – Anatomia do neurônio: corpo celular, axônio (mielinizado), dendritos e


terminação axonal | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

Os neurônios podem ser classificados quanto aos seus


prolongamentos e suas funções, sendo que essas classificações se
complementam. A maioria dos neurônios possuem vários dendritos e um
único axônio, sendo classificados como multipolares. Os neurônios com
esta forma conduzem respostas motoras – neurônios motores/eferentes
e também conectam os diversos neurônios do SN – interneurônios ou
neurônios de associação. Nos neurônios pseudo-unipolares, apenas
um prolongamento deixa o corpo celular e logo se divide, em forma
de T, gerando um prolongamento central, estabelecendo contato com
outros neurônios, e outro periférico, que se dirige a periferia, entrando
em contato com as terminações nervosas ou receptores, que captam
os estímulos periféricos. Os neurônios com esta forma conduzem
impulsos sensitivos – neurônios sensitivos/aferentes. Os neurônios
bipolares apresentam dois prolongamentos que deixam o corpo celular,
sendo um o axônio e outro o dendrito. Esses são neurônios sensitivos
especializados, transmitem informação sobre a visão, o olfato e o
paladar, além de fazerem parte do sistema vestibular, ajudando nas
sensações de audição, equilíbrio e percepção do movimento.
114 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 3 – Classificação dos neurônios | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.

Neurônio sensitivo/aferente – pseudo-unipolar:


conduzem informações do SNP para o SNC. Pseudo
significa falso e unipolar significa prolongamento único,
ou seja, falso unipolar; parece que tem apenas um
prolongamento, quando na verdade têm dois.

Sinapses
Todas as informações que chegam (aferentes) ou saem (eferentes)
do SN, são conduzidas de acordo com a transmissão ou propagação dos
estímulos nervosos. No sistema nervoso maduro, os neurônios fazem
contato/conexões em forma de sinapse, como já citado anteriormente.
A sinapse é a comunicação entre um neurônio e outra célula, podendo
115 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

ser um outro neurônio, uma célula muscular (esquelética, cardíaca ou


lisa) ou uma célula secretora (glândula). As sinapses podem ser de dois
tipos, dependendo da morfologia e da função: sinapses elétricas ou si-
napses químicas.
As sinapses elétricas ocorrem entre os neurônios (interneuronais)
e a comunicação entre essas células ocorre por meio de canais iônicos
que estão em cada uma das membranas em contato. Esses canais permi-
tem a passagem direta de pequenas moléculas, como íons, do citoplasma
de uma célula para a outra; por não serem polarizadas, esta passagem
acontece nos dois sentidos (bidirecional).
As sinapses químicas ocorrem entre os neurônios (interneuronais)
e entre qualquer célula que dependa de uma substância química (neu-
roefetuadoras), ou seja, os elementos em contato dependem da libera-
ção de um neurotransmissor. Os neurotransmissores ficam armazenados
em locais denominados de vesículas sinápticas, localizadas no neurô-
nio pré-sináptico, responsável por liberar este neurotransmissor para a
a célula pós-sináptica, portanto, esse tipo de sinapse é unidirecional (da
célula pré-sináptica para a célula pós-sináptica). A maioria das sinap-
ses interneuronais é axo-dendrítica, ou seja, o elemento pré-sináptico é
o axônio, com sua terminação axonal contendo as vesículas sinápticas,
e o elemento pós-sináptico é o dendrito, com suas espinhas dendríticas
contendo os receptores. Nas sinapses neuroefetuadoras, os axônios dos
nervos ligam-se a uma célula muscular ou secretora; quando a ligação
ocorre com uma célula estriada esquelética, por exemplo, essa sinapse
é chamada de placa motora.
116 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Neurotransmissores ou neuromoduladores são moléculas


químicas biossinalizadoras, presentes nas sinapses
químicas e, quando liberados das vesículas sinápticas,
são captados por receptores que possibilitam a liberação
iônica para a transmissão do impulso nervoso. O tipo
de resposta encontrada depende da característica do
neurotransmissor e do receptor, podendo ser inibitória ou
excitatória. Alguns neurotransmissores são: acetilcolina;
glicina; glutamato; GABA; dopamina; noradrenalina;
adrenalina; histamina; opioides.

Figura 4 – Sinapse química | Fonte: Banco de Imagem UNINOVE.


117 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 5 – Sinapse elétrica: Observa-se a proximidade das células pré e pós-sinápticas;


ausência de neurotransmissores e receptores. | Fonte: 123rf.

Mecanismo da transmissão sináptica


As células nervosas transmitem informações entre si ou entre ou-
tras células por meio de impulsos elétricos denominados potenciais de
ação (PA), tornando a comunicação dos neurônios similar a uma rede
de circuitos eletrônicos. Como visto no tópico acima, as sinapses são a
maneira pela qual esses impulsos elétricos passam de uma célula a outra.
Para o potencial de ação começar, é necessário que a membrana
celular esteja em uma condição chamada de potencial de repouso; uma
vez iniciado, este se autopropagará. No neurônio não estimulado ou em
repouso, a superfície interna da membrana plasmática tem uma carga
negativa quando comparada com o meio externo, sendo assim, dizemos
que a membrana plasmática está polarizada. Este potencial de repouso
é mantido por canais presentes na membrana do neurônio, denominados
Bomba de Sódio/Potássio, que transporta sódio e potássio para o inte-
118 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

rior e exterior do neurônio. Aproximadamente três íons Na+ (sódio) são


bombeados para fora da célula para cada dois íons K+ (potássio) bombe-
ados para dentro. Proteínas negativamente carregadas e outras moléculas
grandes contribuem para as cargas negativas do lado interno da mem-
brana plasmática, pois não se difundem para fora da célula.
Em um certo ponto, a carga positiva externa torna-se tão alta que
não é mais possível a saída de K+, neste ponto, o neurônio alcançou seu
potencial de repouso, cerca de -70 milivolts.
Quando um estímulo excitatório chega até o neurônio, ocorre a
abertura desses canais de membrana, permitindo a entrada (influxo) do
íon Na+. Isso faz com que o meio interno da célula fique menos negati-
vo, o que é chamado de despolarização, porém, este estímulo deve ser
suficiente para mudar o potencial de repouso de -70 para -55 milivolts,
chamado de nível de disparo, o que resulta em uma onda de despolari-
zação ao longo do axônio. Entretanto, caso este estímulo não atinja o
chamado nível de disparo, a despolarização será apenas local, ou seja, o
potencial de ação não será conduzido ao longo do axônio.
É importante saber que a despolarização tem um limite máximo,
ou seja, a entrada de Na+ ocorre até o nível de +35 milivolts. Em conse-
quência, há uma inversão momentânea da polaridade da membrana: o
meio interno fica mais positivo que o meio externo. Neste momento, os
canais de Na+ fecham-se, impedindo a entrada deste íon, enquanto os
canais de K+ abrem-se, favorecendo a saída tardia deste íon, sendo as-
sim, o meio interno fica menos positivo; essa fase é chamada de repo-
larização, o que faz a membrana voltar em direção ao seu potencial de
repouso; entretanto, há, durante alguns milissegundos, um excesso de
negatividade na membrana interna da célula, ou porque saiu mais íons
K+ do que deveria, ou pela entrada de íons cloreto (Cl-); esse fato im-
pede que esta célula responda imediatamente a um novo estímulo; essa
fase recebe o nome de hiperpolarização.
119 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Despolarização: etapa em que a membrana torna-se muito permeável


aos íons Na+, ocorre influxo de Na+ e consequente aumento de carga po-
sitiva no interior da célula. Nesta fase a célula parte de -70 milivolts e
atinge +35 milivolts.
Repolarização: etapa em que ocorre fechamento dos canais de Na+ e
abertura dos canais de K+. Nesta fase a célula parte de +35 milivolts e
atinge -70 milivolts.
Hiperpolarização: é um período de alguns milissegundos, em que a cé-
lula não responde, pois está com excesso de negatividade em seu inte-
rior, o que impede a ocorrência de um novo potencial de ação. Nesta
fase a célula parte de -70 milivolts e chega até -90 milivolts.

Figura 6 – Potencial de ação | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.


120 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Aspectos do envelhecimento
Diversas modificações fisiológicas e estruturais ocorrem no
cérebro ao longo da vida. Com o envelhecimento, as funções do cérebro
poderão estar comprometidas, entretanto, tudo dependerá de aspectos,
tais como, atividade física, leitura, controle do estresse e alimentação,
ou seja, manter hábitos saudáveis propicia melhores condições para o
funcionamento das estruturas cerebrais.
Durante o envelhecimento, há perda fisiológica do número de
células e da capacidade das mesmas em disparar o potencial de ação, o
que favorece alterações de diversas atividades cognitivas e funcionais
do indivíduo. Estas alterações estão presentes ao longo de todo SN: no
cérebro, cerebelo, hipocampo, tronco encefálico e medula espinal.
As alterações fisiológicas celulares, assim como do código genético
na senescência, relaciona-se à redução da capacidade mitocondrial, ou
seja, a teoria dos radicais livres, em que há um aumento na produção
desses, pela cadeira respiratória celular, bem como uma diminuição em
sua eliminação, promovendo um processo inflamatório e ativando as
micróglias.
Os estudos com neuroimagem evidenciam mudanças estruturais,
tais como, redução do volume total do cérebro, com dilatação dos sulcos e
sistema ventricular, especialmente dos ventrículos laterais e III ventrículo,
processo este conhecido como atrofia cortical. Apesar dessas alterações
estarem mais evidentes no cérebro de idosos senis, estão presentes
também durante a senescência e contribuem para as alterações funcionais
e cognitivas percebidas durante o envelhecimento.
A memória a curto prazo e a capacidade de aprender coisas
novas, tanto cognitiva quanto funcional, ficam prejudicadas e ocorrem
de maneira mais lenta e gradual. Este fato está relacionado tanto
com as questões apontadas nos parágrafos anteriores, quanto com a
121 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

diminuição da irrigação sanguínea, decorrente do estreitamento das


artérias cerebrais.
Sinais de fraqueza muscular e parestesias comum nos idosos estão
relacionados com a diminuição das massas muscular e óssea, levando
a maior probabilidade de compressão das raízes nervosas por extrusão
discal. Esse fato, associado a alterações do sistema vestibular, leva a
déficits nas reações de equilíbrio e reflexos.
As alterações dos neurotransmissores estão relacionadas principal-
mente com os déficits de memória e humor. Há diminuição significativa
de Acetilcolina, Noradrenalina, Gaba e Glutamato.
Apesar de ocorrerem mudanças estruturais nas sinapses e árvo-
re dendrítica durante o envelhecimento, evidências científicas afirmam
que a neuroplasticidade ocorre ao longo de toda a vida, portanto, mes-
mo com todas as alterações morfofuncionais, a capacidade de aprendi-
zado cognitivo e funcional existe. Este fato mostra que o estímulo do
desenvolvimento de novas habilidades, respeitando o ritmo de cada um,
é válido ao longo de toda a vida para a manutenção da cognição e fun-
cionalidade do indivíduo.

Conclusão
O Sistema Nervoso é responsável pela homeostase de todo o corpo
humano, portanto, conhecer suas células e o funcionamento das mesmas
é primordial para a compreensão dos aspectos fisiológicos e patológicos
relacionados ao envelhecimento.
122 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) As células do tecido nervoso com a função de produzir a bainha de
mielina no Sistema Nervoso Central e no Sistema Nervoso Periférico
são, respectivamente:
a) Neurônios e Oligodendrócitos;
b) Micróglia e Células de Schuwann;
c) Oligodendrócitos e Células de Schuwann;
d) Oligodendrócitos e Micróglia;
e) Células de Schuwann e Oligodendrócitos.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) O Neurônio é uma célula formada por várias partes. Correlacione as


partes dos neurônios à suas respectivas funções:
(A) Corpo celular ( ) condução do potencial de ação;
(B) Dendritos ( ) local onde ocorrem as sinapses;
(C) Axônio ( ) metabolismo celular;
(D) Terminação axonal ( ) receber os estímulos de outra célula.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Etapa em que ocorre influxo de Na+ e consequente aumento de carga


positiva no interior da célula, decorrente de um estímulo excitatório, re-
tirando o neurônio de seu potencial de repouso. A frase acima se refere
a qual fase do potencial de ação?
a) Despolarização;
b) Despolarização com repolarização;
c) Repolarização;
d) Hiperpolarização;
e) Repolarização com hiperpolarização.
Resposta correta ao final do capítulo.
123 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

4) No neurônio pré-sináptico há a presença de_________________ que


armazenam os _______________, fundamentais nas sinapses químicas.
Esses são liberados e captados pelos ______________ que se encontram
no neurônio pós-sináptico.
Assinale a alternativa que completa as lacunas acima:
a) Receptor; neurotransmissor; vesícula sináptica;
b) Neurotransmissor; vesícula sináptica; receptor;
c) Vesícula sináptica; receptor; neurotransmissor;
d) Vesícula sináptica; neurotransmissor; receptor;
e) Neurotransmissor; receptor; vesícula sináptica.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) Em relação à degeneração neuronal durante o envelhecimento, assi-


nale a alternativa correta:
a) Alteração no transporte e no armazenamento de cálcio, bem como sua
diminuição; causa lipólise, proteólise e morte celular;
b) Alteração no transporte e no armazenamento de cálcio, bem como o
seu aumento; causa lipólise, proteólise e morte celular;
c) Alteração no transporte e no armazenamento de sódio, bem como sua
diminuição; causa lipólise, proteólise e morte celular;
d) Alteração no transporte e no armazenamento de sódio, bem como o
seu aumento; causa lipólise, proteólise e morte celular;
e) Alteração no transporte e no armazenamento de potássio, bem como
sua diminuição; causa lipólise, proteólise e morte celular.
Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia
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124 - Capítulo 9 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

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Gabarito
1. c | 2. sequência correta: C;D;A;B | 3. a | 4. d | 5. b
125 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Capítulo 10
CONTROLE MOTOR E
NEUROPLASTICIDADE:
TEORIAS DO CONTROLE MOTOR E
FISIOLOGIA DA PLASTICIDADE NEURAL

Débora Bachin Carvalho

Introdução
O Controle do Movimento humano contempla a natureza de como
o movimento é planejado, organizado e executado. A partir do funciona-
mento adequado de estruturas nervosas específicas, o movimento passa
por quatro etapas, que são: planejamento e comando, controle, ordenação
e execução. Outro aspecto relevante neste contexto é o caráter de domi-
nância e especialização hemisférica, abordando o aspecto funcional dos
hemisférios cerebrais direito e esquerdo no que se refere ao controle motor.
Com a finalidade de explicar melhor como o movimento é controla-
do, algumas teorias se destacam, entre elas a teoria Reflexa, a Hierárquica,
da programação Motora, dos Sistemas, da Ação Dinâmica e a Ecológica,
lembrando que este é um campo em constante evolução e novos estudos
sempre surgem com a finalidade de melhor associar e explicar a com-
plexa interação dos mecanismos envolvidos.

Objetivos
Ao concluir a leitura deste capítulo, o leitor será capaz de:
• Entender as estruturas e os mecanismos envolvidos no controle
neural do movimento humano;
126 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

• Diferenciar as Teorias que explicam o Controle do Movimento;


• Estabelecer as adaptações e condições necessárias envolvidas
no processo de aprendizado e plasticidade neural;
• Apontar as principais modificações neurais atribuídas ao pro-
cesso de envelhecimento.

Controle motor
O termo CONTROLE MOTOR refere-se à capacidade de orien-
tar ou regular os aparatos indispensáveis para a realização de um movi-
mento. O seu estudo dirige-se à natureza de como o movimento é gerado
ou, em outros termos, de como o movimento é planejado, organizado e
executado.
O controle neural dos movimentos pode ser explicado por etapas
(figura 1). E sendo assim, quatro etapas são descritas com o objetivo de
elucidar o(s) mecanismo(s) pelo qual o movimento é gerado.
São elas: planejamento e comando, referindo-se às áreas do
córtex cerebral que idealizam e planejam o movimento; controle, con-
tando com a participação principalmente do cerebelo e dos núcleos da
base, com a finalidade de detectar possíveis erros entre o movimen-
to programado e o movimento que está sendo executado; ordenação,
que por meio dos motoneurônios existentes no tronco encefálico e na
medula espinal enviam comandos finais aos músculos; e, por fim, exe-
cução, referindo-se diretamente à atividade muscular que gera o mo-
vimento propriamente dito.
127 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 1 – Principais estruturas neurológicas envolvidas no Controle Neural do


Movimento | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

O planejamento motor pode ser definido como o conjunto de pa-


râmetros necessários para realizar um movimento aprendido como, por
exemplo, a localização de um alvo, a velocidade e a força muscular que
deverão ser empregadas durante a execução do ato motor, a distância a
ser percorrida e etc. As áreas de planejamento e comando são represen-
tadas pelas áreas motoras do córtex cerebral, situadas no lobo frontal.
Quando a intenção do movimento é originada nas regiões asso-
ciativas terciárias do córtex cerebral, a informação é transferida, se-
quencialmente, para quatro áreas motoras corticais, que fornecem a sua
contribuição específica para o controle da motricidade voluntária. São
elas: córtex motor primário, área pré-motora, área motora suplementar
e área motora cingulada.
Representado pela área 4, de acordo com o mapeamento cortical
proposto por Korbinian Brodmann, em 1909 (figura 2), o córtex motor
primário situa-se na região pré-central e concentra as áreas motora su-
plementar e pré-motora.
128 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

A área motora suplementar, definida como área 6, é responsável


pela organização do movimento sequencial e dos movimentos bilate-
rais, planejando o mesmo em função de experiências anteriores. Já a
área pré-motora, também localizada na área 6, é responsável por con-
trolar os músculos proximais do corpo e está mais envolvida em deta-
lhes dos movimentos.
As áreas 4 e 6, que transformam as intenções em realizar o movi-
mento em planos de ação desses movimentos, apresentam mapas soma-
totópicos do corpo, ou seja, a estimulação de um determinado local no
córtex cerebral induz à contração de músculos específicos dos de deter-
minada parte do corpo.
A área motora cingulada, por sua vez, localizada na área 24, for-
nece o aspecto afetivo para a execução do movimento voluntário. Sendo
assim, enquanto a área motora suplementar e a área pré-motora plane-
jam o movimento que as áreas associativas terciárias desejam realizar, a
área motora primária recruta os motoneurônios necessários para a exe-
cução da tarefa proposta, com base no embasamento motivacional que
o indivíduo apresenta.
129 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Figura 2 – Mapeamento cortical de Brodmann | Fonte: Banco de imagens UNINOVE.

Este recrutamento de neurônios conta também com a adequação


de ajustes finos e precisos, bem como com a coordenação temporal do
movimento. Para estas funções, citam-se duas estruturas subcorticais: o
cerebelo e os núcleos da base.
O papel do cerebelo é dedicar-se ao movimento voluntário, em ní-
vel inconsciente. Sua participação inclui a ordenação temporal da motri-
130 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

cidade, a intensidade da contração muscular, fornecer ajustes necessários


durante a execução dos movimentos, antecipar o próximo evento mo-
tor, suavizar a transição dos movimentos controlando as ações agonista
e antagonista e aperfeiçoando os movimentos repetitivos.
Os núcleos da base são representados por três estruturas situadas na
base do córtex cerebral: núcleos caudado, putâmen e globo pálido (cor-
po estriado). Além destas, o núcleo subtalâmico, localizado no diencé-
falo, mais precisamente no subtálamo, e substância negra, pertencente
ao mesencéfalo, também são considerados integrantes, apesar de suas
localizações distintas. Eles são acionados com a função de controlar a
atividade motora, por meio do funcionamento eficaz de sua circuitaria
motora, além de auxiliar o planejamento do movimento e a execução
dos movimentos sequenciais.
Sendo assim, toda a organização providenciada pelas diversas áreas
encefálicas envolvidas no controle do movimento, é repassada aos mo-
toneurônios situados no tronco encefálico e na medula espinal, de forma
a atingir os efetores do movimento: os músculos estriados esqueléticos.
Outras características que fazem parte da codificação dos movi-
mentos por parte do Sistema Nervoso Central (SNC) incluem a qualida-
de ou a modalidade do movimento, a intensidade da contração muscular,
a localização e a duração do movimento, e ainda a precisão e a veloci-
dade requerida ou dispendidas para a execução de cada tarefa motora.
Sendo assim, o SNC executa o planejamento e o controle dos mo-
vimentos de acordo com as funções, mais ou menos específicas, de cada
área. O mesmo pode ser aplicado em relação aos hemisférios cerebrais
direito e esquerdo, que igualmente apresentam seus domínios e particu-
laridades relacionados ao movimento, embora pareçam ser espelhos um
do outro. Estas particularidades são definidas como dominância e espe-
cialização hemisférica.
131 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

O hemisfério cerebral esquerdo é mais especializado em funções


de fala e linguagem (compreensão e expressão), além de abordar pen-
samento lógico e cálculos. Ele é responsável também pelo controle e
execução das habilidades motoras mais complexas, que necessitam de
um maior planejamento. Outra função ligada a este hemisfério está re-
lacionada com a seleção e o armazenamento motor, incluindo o proces-
samento temporal e sequencial dos movimentos.
Por outro lado, o hemisfério cerebral direito está mais envolvi-
do com o processamento perceptual, a organização dos parâmetros es-
paciais, a formação de imagens e a posição final do movimento. Além
disso, as habilidades musicais e a realização de atividades com maior
necessidade de atenção e memória operacional são especialidades atri-
buídas a este hemisfério (aspectos lúdicos).

Teorias do controle motor


Algumas teorias foram formuladas com a finalidade de explicar
como o movimento é gerado, planejado, controlado e executado. Segue,
abaixo, elucidações sobre as principais teorias encontradas na literatu-
ra, lembrando que cada uma delas fornece a sua contribuição acerca de
implicações clínicas, principalmente no contexto da reabilitação de pa-
cientes que apresentam tais limitações.

Teoria do Reflexo

Baseada inicialmente nos estudos do neurocientista Charles


Sherrington, esta teoria era fundamentada no princípio de que o compor-
tamento motor, sobretudo o complexo, era criado a partir dos reflexos.
Para Sherrington, os movimentos mais complexos eram formula-
dos com base na existência de reflexos compostos e suas combinações
sucessivas, também chamadas de combinações em cadeia.
132 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

O exemplo clássico utilizado para explicar esta teoria refere-se à


um sapo, em repouso numa lagoa. Se surgir uma mosca e o sapo avistá-
-la, este estímulo sensorial (visual) provocará a ativação reflexa de sua
língua, na tentativa de capturar o seu alimento. Se esta ação for eficaz,
assim que a mosca entrar em contato com a cavidade bucal do animal, a
mesma se fechará reflexamente, que por consequência implicará na de-
glutição reflexa do conteúdo.

Teoria Hierárquica

Uma vez considerando que o SNC rege e controla as estruturas


situadas inferiormente, esta teoria apoia a organização nervosa em três
centros: superior, médio e inferior, referindo-se a um controle organiza-
cional por níveis verticais de importância hierárquica.
Os níveis superiores são representados pelas áreas superiores de
associação (corticais), os médios por estruturas subcorticais como o ce-
rebelo, núcleos da base e outros, e o nível inferior é representado por es-
truturas espinais e efetoras propriamente ditas do movimento, incluindo
medula espinal e os músculos.
Em meados de 1920, após estudos aprimorados, a teoria Hierárquica
defendeu a hipótese de que os reflexos, uma vez controlados pelos níveis
inferiores de organização, estariam presentes e comandariam a execução
dos movimentos apenas se os centros superiores e médios estivessem
danificados, o que fortaleceu ainda mais a ordem vertical descendente
de controle do movimento.
Mais a seguir, outros estudos surgiram explicando que o surgimento
e a posterior integração/desaparecimento dos reflexos eram a base para
o desenvolvimento da mobilidade funcional humana, e mais ainda, es-
tes seriam a base para o desenvolvimento do equilíbrio. Alguns autores,
por conta desta interação, nomearam a teoria como Teoria Reflexa-
hierárquica, afirmando que o controle do movimento seria um produto
133 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

da emergência dos reflexos contidos e organizados nos três níveis hie-


rárquicos definidos anteriormente.
Nas décadas de 40 e 50, outras descrições somaram-se aos estu-
dos preliminares, defendendo a chamada Teoria Neuromaturacional,
que defende a hipótese de que durante o desenvolvimento motor nor-
mal, e para a excelência do mesmo, deve haver um aumento sobrepos-
to e constante da atividade cortical, encorajando a hierarquia dos níveis
superiores de comando em relação aos níveis mais inferiores.

Teoria da Programação Motora

A base desta teoria está no mecanismo de como as ações são ge-


radas e não as reações, como estudado pelas teorias anteriores, apresen-
tando um conceito mais flexível, uma vez que prega que o movimento
pode ser ativado e gerado por um estímulo sensorial (com base reflexa),
com uma importante função moduladora, porém não essencial, ou mes-
mo por um processo central (mediado pelo SNC).
A teoria da programação motora fundamenta-se na hipótese, com
base experimental importante, de que os reflexos não orientam a ação,
ou ainda, que é possível apresentar movimento controlado mesmo na
ausência de uma ação reflexa.
Em 1981, estudos com gatos mostraram que o padrão locomotor
destes felinos era produzido por redes neurais espinais, sem quaisquer in-
fluências de estímulos sensoriais e/ou mecanismos cerebrais descenden-
tes. Alterando a intensidade das estimulações espinais, verificou-se que
o animal, igualmente, alterava o ritmo de sua locomoção. Sendo assim,
permitiu-se afirmar que os reflexos não orientam a ação motora, mas sim
a existência de Geradores de padrão central (GPC) ou centrais geradoras
de padrão, que são programas motores mediados pela medula espinal, ca-
pazes de ocasionar movimentos rítmicos mesmo em situações de menor
envolvimento de áreas encefálicas e dos estímulos sensoriais recebidos.
134 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Os GPC se adaptam e interagem de acordo com a presença de ou-


tros fatores, tais como as influências supraespinais, com importante pa-
pel no início do movimento e na adaptação motora frente às condições
ambientais e motivacionais; a informação sensorial, quanto à regulação
e preservação da coordenação motora e do equilíbrio despendidos duran-
te a execução da tarefa; e, por último, do componente neuromodulador
(substância química), responsável por evocar alterações na transmissão
dos impulsos nervosos.

Teoria dos Sistemas

Nicolau Bernstein, cientista russo, se propôs a estudar as caracte-


rísticas do movimento e das forças internas (inércia, por exemplo) e ex-
ternas (como a ação da gravidade) que agem sobre o mesmo e conseguiu
evidenciar que um mesmo comando central pode originar movimentos
variados, bem como variados comandos centrais podem resultar em um
mesmo tipo de movimento.
A partir de diferentes considerações sobre a natureza e controle do
movimento, Bernstein assumiu que o movimento pode ser controlado
em diversos graus de liberdade, de modo que os centros superiores con-
trolam os centros médios, que controlam os centros inferiores. Estes úl-
timos, por sua vez, controlam e ativam as sinergias musculares, fazendo
com que os grupos musculares atuem juntos, como unidades ou sistemas.

Teoria da Ação Dinâmica

De acordo com a ação dinâmica, estudada por volta das décadas


de 80 e 90, o movimento é um ato emergente, desencadeado pela inter-
ligação ordenada de vários elementos, descartando a necessidade de co-
mandos específicos ou programas motores específicos do SNC.
Esta descrição realça a importância da definição do chamado es-
tado atrativo, que é um padrão de movimento preferencial, confortável
135 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

ao indivíduo, para a execução de determinada tarefa motora, principal-


mente quando associado à execução de tarefa cotidianas.
Em uma reformulação mais atual, a Teoria da ação dinâmica, in-
corporando muitos conceitos previstos e estudados por Bernstein, pode
ser igualmente chamada de Teoria dos Sistemas Dinâmicos ou Teoria
Dinamicista, fortalecendo a hipótese de que o movimento é resultante
da interação dos componentes físicos e neurais. Desta forma, o SNC,
de forma exclusiva, não permite a realização do movimento, mas sim a
interação das variações do ambiente no qual o indivíduo está inserido
com a imposição hierárquica do SN.

Teoria Ecológica

As elucidações sobre esta teoria começaram a avançar a partir da


dúvida sobre como a interação com o ambiente pode promover um mo-
vimento orientado a um objetivo de forma mais eficaz. Neste contexto,
surgiu a necessidade de se definir a forma com a qual as ações são orien-
tadas e direcionadas ao ambiente.
Esta teoria baseia-se na hipótese de que a percepção, a partir da
determinação das informações ambientais capazes de suportar as ações
necessárias para se alcançar um objetivo motor específico, é o fator mais
importante para o planejamento e controle do movimento.
A concepção ecológica parte do princípio de que o SNC é conside-
rado um sistema baseado na percepção e na ação capazes de aproveitar
ativamente das interações ambientais para atender aos seus propósitos
próprios.

Breve consideração sobre as Teorias do Controle Motor


Como pode-se constatar, nenhuma teoria é completa ou autossufi-
ciente. Uma combinação de todos os elementos dispostos, com a intera-
ção dinâmica do meio, com a percepção, a cognição e a ação, certamente
136 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

constituiria uma melhor e mais apropriada explicação sobre como o mo-


vimento é gerado e, consequentemente, controlado.

Aprendizado motor e neuroplasticidade


O aprendizado motor requer a aquisição de conhecimentos, além da
capacidade de guardar e formular nova memória para que esta aquisição
seja integrada, e posteriormente poder ser recrutada quando necessário.
Todo aprendizado pode ocorrer a qualquer momento da vida de um
indivíduo de modo a proporcionar um aprendizado de algo novo ou modi-
ficar um comportamento motor baseado no que já foi aprendido. Este pro-
cesso conta com a passagem gradativa por três fases hierárquicas. São elas:
1. Inicial ou cognitiva, onde a nova tarefa está sendo apresentada
ao SNC e, portanto, é passível de muitos erros de execução;
2. Intermediária ou associativa, fase em que a tarefa está sendo as-
similada. Alguns erros durante o seu planejamento e execução
ainda são vistos, mas acertos começam a acontecer e a se tornar
cada vez mais evidentes;
3. Final ou Autônoma, fase em que o aprendizado está se concluin-
do. Nesse momento, o córtex cerebral conseguiu esquematizar
um melhor planejamento para o movimento e a performance tem,
visivelmente, mais qualidade, incluindo um menor tempo para a
sua execução, trajetórias mais desenvolvidas e elaboradas e maior
precisão. Nesta fase, áreas superiores são recrutadas em menor
grau, conferindo ao córtex cerebral condições de se dedicar, as-
sociadamente ou não, a um novo movimento ou tarefa.
A Neuroplasticidade pode ser definida como a capacidade do
Sistema Nervoso em alterar as suas propriedades morfológicas e funcio-
nais em resposta a estímulos e alterações do ambiente. Tal capacidade
sofre a influência de diversos fatores, como por exemplo, o meio am-
137 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

biente no qual o indivíduo está inserido, o seu estado emocional e cog-


nitivo, dentre outros.
A Neuroplasticidade inicia-se na vida intrauterina e só tem o seu
término com a morte. No entanto, é inversamente proporcional à idade,
ou seja, de uma forma geral, quanto maior a idade do indivíduo, meno-
res são as possibilidades de aprendizado, visando a velocidade e a qua-
lidade do desempenho.
Na presença de lesões, um desarranjo ocorre na rede neural e, em
consequência desse ocorrido, o SNC dá início a processos de reorgani-
zação e regeneração, na tentativa de recuperar as funções perdidas ou
então de estabelecer funções similares às acometidas.
Nestes casos, a recuperação funcional conta com outros fatores di-
retamente envolvidos e que influenciam a neuroplasticidade, tais como:
a localização, duração e extensão da lesão, o uso de medicamentos, a
aplicação de estímulos adequados e o incentivo à produção e liberação
de fatores neurotróficos. Os fatores neurotróficos são proteínas respon-
sáveis pelo desenvolvimento de células precursoras de neurônios e pela
manutenção do tecido nervoso. De uma forma geral, neurônios que re-
cebem um suporte adicional de fatores neurotróficos conseguem sobre-
viver e se restabelecer, mantendo o contato sináptico.
Os fatores neurotróficos são produzidos por células-alvo, ou seja,
por outros neurônios, glândulas e ainda pelo tecido muscular. Na pre-
sença de receptores específicos, nos terminais axônicos, os fatores neu-
rotróficos ligam-se a esses receptores ativando o DNA e favorecendo o
crescimento de dendritos e axônio.
Uma lesão nervosa pode promover três diferentes situações:
1. Comprometimento do corpo celular do neurônio, levando à mor-
te da célula e, sendo, neste caso, irreversível;
138 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

2. Integridade do corpo celular e comprometimento somente do


axônio;
3. O neurônio se encontra em um estágio de excitação diminuído.
Independentemente da situação vigente, os mecanismos de reparo
e reorganização do SNC começam a surgir imediatamente após a lesão
e podem perdurar por meses e até anos. Alguns dos principais mecanis-
mos, que podem ser programados geneticamente ou podem depender do
meio, são expostos abaixo:
* Recuperação da eficácia sináptica: este processo consiste em for-
necer ao tecido nervoso um ambiente mais favorável à sua re-
cuperação por meio de alguns recursos neuroprotetores, como
melhorar a oferta dos níveis de O2 e glicose, e reduzir o edema
provocado pelo processo patológico.
* Potencialização sináptica: processo estimulado a partir do in-
centivo às sinapses mais efetivas, desviando os neuromodula-
dores para outros pontos íntegros de contatos.
* Supersensibilidade de denervação: para manter o seu funciona-
mento adequado, a célula pré-sináptica influencia a pós-sináptica
por meio da liberação dos neuromoduladores (ou neurotransmis-
sores). Este fato passa a não ocorrer em casos de denervação, e
assim, a célula nervosa passa a promover o surgimento de no-
vos receptores de membrana pós-sináptica.
* Recrutamento de sinapses silentes: em situações fisiológicas,
existem algumas sinapses no nosso organismo que estão pre-
sentes morfologicamente, mas inativas funcionalmente. Essas
sinapses podem ser ativadas ou recrutadas no caso de lesão.
* Brotamentos: trata-se da formação de novos brotos axônicos,
provenientes de neurônios íntegros ou lesados. Pode ser de dois
tipos:
139 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

** brotamento regenerativo: a partir de axônios lesados e consti-


tui a formação de novos brotos provenientes do segmento pro-
ximal, pois o coto distal, geralmente, é rapidamente degenerado.
** brotamento colateral: decorre de axônios não lesados, não aco-
metidos, em resposta a um estímulo que não faz parte do pro-
cesso normal de desenvolvimento.

Aspectos do envelhecimento
As células nervosas, igualmente às demais, podem entrar em fa-
lência e se degenerar por um processo patológico, uma situação progra-
mada (apoptose) ou, ainda, por desgaste natural e velhice. Como visto,
o SN é responsável por integrar, comandar e controlar todas as nossas
ações, e assim como os demais sistemas também sofre os danos prove-
nientes do envelhecimento fisiológico.
Cabe dizer, que este processo fisiológico é assimétrico e indivi-
dual, ou seja, depende diretamente dos hábitos e estilo de vida assumi-
dos ao longo dos anos. Com o envelhecimento, o SN torna-se, cada vez
mais, menos produtivo e efetivo.
A neuroplasticidade continua acontecendo, porém, a perda neuro-
nal é substancialmente maior do que a reparação, bem como um declí-
nio importante afeta a produção do fator de crescimento nervoso e do
fator neurotrófico. Concomitantemente, a síntese de substâncias essen-
ciais torna-se diminuída, ao mesmo tempo em que as substâncias ma-
léficas passam a ocupar quantitativamente os tecidos. Como resultado,
danos sensoriais e motores são observados, tais como: hipoestesias, di-
minuição das acuidades visual e auditiva, vertigens, alterações percep-
tuais, de memória e cognição, hipotrofia muscular, aumento do tempo
de reação e do tempo total do movimento.
140 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Conclusão
Para que o movimento seja controlado, o mesmo deve ser apren-
dido. O processo de aprendizado motor está totalmente vinculado à
Neuroplasticidade, propriedade na qual o Sistema Nervoso é capaz de
se alterar e adaptar frente aos estímulos direcionados; portanto, o co-
nhecimento sobre as estruturas nervosas específicas que realizam este
controle é de fundamental importância para todas as áreas da saúde que
lidam diretamente com o movimento humano.
141 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Exercícios
1) Considere as sentenças e, a seguir, assinale a alternativa correta: I.
Independentemente da situação vigente, os mecanismos de reparação e
reorganização do SNC começam a surgir imediatamente após a lesão
e podem perdurar por meses e até anos; II. O córtex motor primário é
representado pela área 4, de acordo com o mapeamento cortical proposto
por Korbinian Brodmann; III. Os núcleos da base são acionados com
a função de controlar a atividade motora, por meio do funcionamento
eficaz de sua circuitaria motora, auxiliar o planejamento do movimento
e, ainda, auxiliar a execução dos movimentos sequenciais.
a) Todas as sentenças são verdadeiras;
b) Somente a sentença I é verdadeira;
c) As sentenças I e III são verdadeiras;
d) Somente a sentença II é verdadeira;
e) Todas as sentenças são falsas.
Resposta correta ao final do capítulo.

2) A intenção do movimento é originada nas regiões associativas terci-


árias do córtex cerebral, e a seguir é transferida para quatro áreas moto-
ras corticais, que são:
a) Área sensório-motora, área septal, área cingular e área motora;
b) Córtex motor primário, área pré-motora, área motora suplementar e
área motora cingulada;
c) Área terciária, área pré-frontal, córtex sensório-motor; corpo caloso;
d) Cerebelo, núcleos da base, tronco encefálico e área pré-frontal;
e) Cápsula interna, fascículo arqueado, aqueduto cerebral e tálamo.
Resposta correta ao final do capítulo.

3) Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as sentenças a seguir e iden-


tifique a alternativa que as represente adequada e respectivamente: ( )
A neuroplasticidade tem início na vida intrauternina e só termina com a
morte. ( ) A neuroplasticidade é inversamente proporcional à idade do
142 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

indivíduo. ( ) Uma lesão distal do neurônio, na altura do axônio, não é


passível de recuperação.
a) V / F / V;
b) F / F / V;
c) V / V / F;
d) V / F / F;
e) V / V / V.
Resposta correta ao final do capítulo.

4) Sobre a Teoria dos Sistemas Dinâmicos, também chamada de Teoria


da Ação Dinâmica, é correto afirmar que:
a) Trata-se de uma teoria similar à teoria ecológica, sendo o ambiente o
responsável por planejar, determinar e mediar a execução do movimento;
b) Não é aceita nos modelos atuais de estudo sobre o comportamento
motor humano;
c) O comportamento motor humano resulta de uma função cooperativa
dos subsistemas que estão em constante desenvolvimento e de acordo
com o estado de prontidão de cada subsistema, fazendo com que o orga-
nismo se encontre em constante desenvolvimento e renovação;
d) Pode ser explicado partindo de processos, como por exemplo, assi-
milação e acomodação, os quais fornecem meios específicos para que,
a partir das estruturas já existentes, novas experiências sejam somadas
e sobrepostas ao organismo, com a finalidade de novas situações;
e) Em linhas gerais e sucintamente, podemos afirmar que retrata a hie-
rarquia do Sistema Nervoso como único responsável pela execução e
modificação motora do indivíduo.
Resposta correta ao final do capítulo.

5) De acordo com o recrutamento das sinapses silentes, o processo neu-


roplástico pode ocorrer, pois:
a) Para alcançar o funcionamento adequado, a célula pré-sináptica in-
fluencia a pós-sináptica por meio da liberação dos neuromoduladores;
b) Existe a formação de novos brotos axônicos, provenientes de neurô-
nios íntegros ou mesmo de lesados;
143 - Capítulo 10 | Envelhecimento e Sociedade – v. 1

c) Este processo consiste em fornecer ao tecido nervoso um ambiente mais


favorável à sua recuperação por meio de alguns recursos neuroprotetores;
d) Tal processo é estimulado a partir do incentivo às sinapses mais efe-
tivas, desviando os neuromoduladores para outros pontos íntegros de
contatos;
e) Em situações fisiológicas, existem algumas sinapses no nosso organis-
mo que estão presentes morfologicamente, mas inativas funcionalmente.
Resposta correta ao final do capítulo.

Bibliografia
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SHUMWAY-COOK, A.; WOOLLACOTT, M. H. Controle Motor: teo-


ria e aplicações práticas. 3. ed. São Paulo: Manole, 2010.
Gabarito
1. a | 2. b | 3. c | 4. c | 5. e
145 - Envelhecimento e Sociedade – v. 1

AUTORES

Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho


Docente da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) desde 2008.
Desempenhou também a função de supervisora do Estágio em Neurologia
Adulto na Clínica Integrada de Saúde desta instituição. É Fisioterapeuta,
formada na Universidade Santa Cecília em 2004. Especialista em
Doenças Neuromusculares pela UNIFESP, formada em 2005, local onde
também concluiu o Mestrado em Ciências, no ano de 2007.

Débora Bachin Carvalho


Fisioterapeuta, Especialista em Neurologia, Mestre em Fisioterapia
(Propedêutica e Reabilitação Neurológica).

Fernanda Ishida Corrêa


Professora do programa de Mestrado e Doutorado em Ciências da reabili-
tação da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e Professora do curso
de graduação em Fisioterapia. Graduada em Fisioterapia pela Universidade
do Estado de São Paulo – UNESP. Mestrado e Doutorado em engenharia
Biomédica pela Universidade do vale do Paraíba – UNIVAP.

Jéssica Julioti Urbano


Doutora e Mestre em Ciências da Reabilitação pela Universidade Nove de
Julho (UNINOVE). Especialização em Fisiologia do Exercício aplicada
a clínica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Graduada
em Fisioterapia pela UNINOVE.

Luciana Rodrigues Barcala


Mestre e doutoranda em Ciências da Reabilitação pela Universidade
Nove de Julho (UNINOVE). Formada em Fisioterapia pela Universidade
Bandeirante de São Paulo (UNIBAN). Especialista em Fisiologia e
Biomecânica da Atividade Motora: Avaliação e tratamento, pela Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Especializada em cur-
sos do Bobath, Bola Suíça, Balance, Kabat e Hidroterapia. Experiência
na área de reabilitação neurológica em adulto e criança. Foi supervisora
146 - Envelhecimento e Sociedade – v. 1

de estágio na neurologia adulto da clínica escola de Fisioterapia. Atuou


na AACD como fisioterapeuta e professora da pós graduação. Palestrante
de cursos teóricos e práticos na área da Fisioterapia.

Nadhia Helena Costa Souza


Docente dos cursos de Medicina, Fisioterapia e Tecnologia em Estética e
Cosmética da Universidade Nove de Julho (UNINOVE). Doutora (2013-
2016) e Mestre (2011-2012) em Ciências da Reabilitação pela UNINOVE
(2013-2016). Graduada em Fisioterapia pela UNINOVE (2007-2010).
Especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopedia e Desportiva pela
Universidade Nove de Julho (2011).

Patrícia Lira dos Santos


Docente do curso de Fisioterapia e Medicina da Universidade Nove de Julho
(UNINOVE). Sua trajetória na universidade iniciou em 2007 como aluna
do curso de Fisioterapia e desde então, segue sua carreira na Universidade.
É especialista em Terapia Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva
(AMIB) e pela UNIFESP, atuou por alguns anos em Unidade de Terapia
Intensiva e Emergência em diversos hospitais de referências em São Paulo.
É pesquisadora no laboratório de reabilitação cardiopulmonar, doutoranda
e mestre em Ciências da Reabilitação pela UNINOVE.

Vanessa dos Santos Grandinetti


Docente dos cursos de Fisioterapia e Medicina da Universidade Nove
de Julho (UNINOVE). Fisioterapeuta, especialista em ortopedia e trau-
matologia, Mestre e Doutora em Biofotônica Aplicada às Ciências da
saúde da UNINOVE.
147 - Envelhecimento e Sociedade – v. 1

Coleção Envelhecimento e Sociedade


Fernanda Ishida Corrêa; Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho
(Organizadoras)

v. 1 – Anatomia e fisiologia do envelhecimento humano


Andrezza Sossai Rodrigues de Carvalho; Débora Bachin Carvalho;
Jessica Julioti Urbano; Luciana Rodrigues Barcala; Nadhia
Helena Costa Souza; Patrícia Lira dos Santos; Vanessa dos Santos
Grandinetti

v. 2 – Saúde e doença no processo de envelhecimento


Beatriz Guimarães Ribeiro; Nadhia Helena Costa Souza; Natalie Souza
de Andrade; Patrícia Lira dos Santos

v. 3 – Aspectos antropológicos e sociológicos em saúde


Andreia Martinelli de Siqueira Araújo; Ivan Peres Costa; Jacira Souza
Ribeiro; Raquel Agnelli Mesquita Ferrari

v. 4 – Tecnologia e qualidade de vida


Aline Marina Alves Fruhauf; Fernanda Ishida Corrêa; Gláucio Carneiro
Costa; Juliana Barbosa Goulardins; Letizzia Dall’Agnol; Luciana
Rodrigues Barcala; Soraia Micaela Silva

v. 5 – Órtese e prótese
Aline Marina Alves Fruhauf; Juliana Barbosa Goulardins; Pamella
Ramona Moraes de Souza; Vanessa dos Santos Grandinetti

v. 6 – Avaliação e manejo da dor


Letizzia Dall’Agnol
Livro composto com as fontes Times New Roman 12/18 no corpo
de texto e 12/18 nos títulos, impresso em papel offset 90g/m2,
em junho de 2019.

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