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OBSERVAÇÕES INICIAIS

O presente material foi preparado pela Equipe Mege após a divulgação do gabarito preliminar da prova objetiva do TJ-SC. O intuito é auxiliar nossos alunos e seguidores na elaboração de recursos e possibilitar também a revisão de temas cobrados no certame em formato conclusivo. Trata-se de versão elaborada por nosso time específico para 1ª fase de magistratura estadual, sem maiores pretensões de aprofundamento e trabalho editorial neste momento de apoio. Nas questões que identificamos como antecipadas consideramos apenas o conteúdo da turma de reta final TJ-SC, não sendo listadas nesta abordagem, diante do curto tempo (com foco maior em ajudar na via recursal e análise de maior ou menor chance de aprovação), as produções das Turmas Regulares e Extensivas de Magistratura Estadual (que visam um edital completo de magistratura) e Mege Informativos.

Novamente foi cumprido o compromisso de revisão e treinamento no formato apresentado pela prova oficial. Temos certeza que será, como sempre, uma invasão de megeanos na segunda fase (com corte estimado em 76/77 pontos, sem as anulações). Guardem esta informação! Importante observar as fundamentações das questões que entendemos passíveis de recursos (destaque para 4 situações: 38, 41, 47 e 71). Com isso,

o candidato poderá vislumbrar a possibilidade de um aumento em sua nota final. Em

nossa experiência, constatamos um parâmetro de que a cada 2 (duas) questões anuladas a pontuação oficial de corte aumenta em 1 (um) ponto. Essa dica deve seguir

como norte para definição de maiores chances de avanço no certame.

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Aos alunos do TJ-SC (Reta Final), pedimos que não deixem de reler os conteúdos das rodadas com temas antecipados na prova. A melhor fixação será importante nos próximos desafios. Como perceberam, o estudo em sprint final foi revertido em pontos decisivos. Sempre acreditamos muito que, com o devido foco, é possível evoluir mesmo em menor prazo. Portanto, eis aqui o nosso extrato de conferência de pontuação com os devidos apontamentos!

O respeito ao concurseiro demanda transparência de informações - um de nossos valores em cada atuação. Identificamos nas fundamentações as questões que

entendemos passíveis de recurso (destaque para 4 situações: 38, 41, 47 e 71). Com isso,

o candidato poderá vislumbrar a possibilidade de um aumento em sua nota final. Em

nossa experiência, constatamos um parâmetro de que a cada 2 (duas) questões anuladas a pontuação oficial de corte aumenta em 1 (um) ponto. Essa dica deve seguir como norte para definição de maiores chances de avanço no certame.

corte aumenta em 1 (um) ponto. Essa dica deve seguir como norte para definição de maiores

Aos alunos do TJ-SC (Reta Final), pedimos que não deixem de reler os conteúdos das rodadas com temas antecipados na prova. A melhor fixação será importante nos próximos desafios. Como perceberam, o estudo em sprint final foi revertido em pontos decisivos. Sempre acreditamos muito que, com o devido foco, é possível evoluir mesmo em menor prazo. Portanto, eis aqui o nosso extrato de conferência de pontuação com os devidos apontamentos! O respeito ao concurseiro demanda transparência de informações - um de nossos valores em cada atuação.

Por fim, vale ressaltar que estamos com inscrições abertas para Turma de 2ª fase TJ-SC, onde contaremos com videoaulas, provas autorais e focadas no estilo esperado para o concurso, correções efetivamente personalizadas, material de apoio, preparação verticalizada em Humanística com o professor Rosângelo Miranda e coordenação geral do professor Luiz Otávio Rezende (Juiz do TJDFT; ex-examinador de certames para magistratura; e autor em Sentença Cível e Sentença Penal pela Editora Juspodivm), que será auxiliado por outros ex-examinadores de concursos públicos nas nossas correções de atividades. Tudo pensado para auxiliar nossos alunos na manutenção da liderança de aprovações também na 2ª fase. Turma com vagas limitadas!

Inscrições, com preço promocional de lançamento, em:

www.mege.com.br/cursomege.

Bons estudos! Atenciosamente, Equipe Mege.

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com preço promocional de lançamento, em: www.mege.com.br/cursomege. Bons estudos! Atenciosamente, Equipe Mege. 3

SUMÁRIO

BLOCO I DIREITO CIVIL DIREITO PROCESSUAL CIVIL DIREITO DO CONSUMIDOR DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE BLOCO II DIREITO PENAL DIREITO PROCESSUAL PENAL DIREITO CONSTITUCIONAL DIREITO ELEITORAL BLOCO III DIREITO EMPRESARIAL DIREITO TRIBUTÁRIO DIREITO AMBIENTAL DIREITO ADMINISTRATIVO

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51

51

65

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89

96

96

104

111

119

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EMPRESARIAL DIREITO TRIBUTÁRIO DIREITO AMBIENTAL DIREITO ADMINISTRATIVO 5 5 16 31 42 51 51 65 78

BLOCO I

DIREITO CIVIL

1. A declaração enganosa de vontade que vise à produção, no negócio jurídico, de efeito diverso do apontado como pretendido consiste em defeito denominado:

(A)

dolo.

(B)

lesão.

(C)

reserva mental.

(D)

simulação.

(E)

erro.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

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Nos termos do que dispõe o art. 167 do CC, a declaração enganosa ou inverídica de vontade que vise à produção de efeito diverso do apontado como pretendido consiste em simulação.

Na simulação, celebra-se um negócio jurídico aparentemente normal, mas que, em verdade, não pretende atingir o efeito que juridicamente deveria produzir. Duas partes se unem para praticar acordo simulatório para prejudicar terceiro ou a lei.

Trata-se de manifestação de vontade com desacordo proposital entre a vontade interna (intenção) e a vontade externa (manifestação/declaração). A pessoa declara uma coisa, quando na verdade queria outra, ou nada queria. No dolo, uma das partes é a vítima; na simulação, não.

Toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante (Enunciado 152 da III Jornada de Direito Civil). Desse modo, no novo CC não há espaço para se alegar simulação inocente (que não visa prejudicar): toda simulação é considerada grave e é causa de nulidade

se alegar simulação inocente (que não visa prejudicar): toda simulação é considerada grave e é causa

absoluta do NJ. Exemplo de simulação inocente: simular compra e venda de um carro para amigo, quando na verdade era uma doação, para não causar ciúmes.

2. A multa estipulada em contrato que tenha por objeto evitar o inadimplemento da obrigação principal é denominada:

(A)

arras penitenciais.

(B)

multa pura e simples.

(C)

multa penitencial.

(D)

cláusula penal.

(E)

perdas e danos.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

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A cláusula penal, que tem previsão nos artigos 408 a 416 do CC, tem por finalidade evitar

o inadimplemento da obrigação principal vinculando as partes ao pagamento de uma pena pecuniária para a hipótese de sua ocorrência.

Nos termos do que dispõe o art. 409 do Código Civil de 2002, a cláusula penal é estabelecida como importante elemento na defesa contra o inadimplemento das obrigações. A lição de Caio Mário reside no sentido de que a cláusula penal “deve, em síntese, estar em consonância com os princípios do renovado direito contratual, como

a função social do contrato, o equilíbrio das prestações e a boa-fé objetiva, entre outros.

A doutrina, ao discutir acerca da finalidade da pena convencional, argumenta em torno

de dois sentidos interpretativos, quais sejam: (i) a garantia do implemento da obrigação

e (ii) a liquidação antecipada das perdas e danos. Para Caio Mário, a finalidade última da cláusula penal seria o “reforçamento do vínculo obrigacional”, pois a sanção estipulada gera um ônus secundário que torna ainda mais premente a vinculação do obrigado ao implemento da obrigação.

gera um ônus secundário que torna ainda mais premente a vinculação do obrigado ao implemento da

Dessa forma, a alternativa que se mostra como correta é a da letra “D”.

3. A doação de um determinado bem a mais de uma pessoa é denominada:

(A)

híbrida.

(B)

contemplativa.

(C)

mista.

(D)

conjuntiva.

(E)

divisível.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

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A doação conjuntiva é aquela feita em conjunto, ou seja, a mais de uma pessoa, distribuída em partes iguais aos beneficiados, a menos que o contrário se tenha estipulado (em cláusula expressa). Essa é a previsão do disposto no art. 551, que trata sobre esta hipótese de doação e que estabelece que, salvo declaração em contrário, a doação conjuntiva, ou seja, em comum a mais de uma pessoa, entende-se distribuída entre elas por igual, sendo que, caso ela ocorra em partes iguais para marido e mulher, ou seja, para os cônjuges, falecendo um deles, a doação subsistirá, em sua totalidade, para o cônjuge sobrevivente.

4. A aposição de cláusula proibitiva de endosso no título de crédito é considerada pelo

Código Civil como:

(A)

não escrita.

(B)

anulável.

pelo Código Civil como: (A) não escrita. (B) anulável. (C) válida, se aceita expressamente pelo tomador.

(D)

inexistente, se dada no anverso do título.

(E) nula de pleno direito.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

Essa assertiva pode ser respondida mediante a simples leitura do disposto no art. 890 do CC, que estabelece, in verbis:

Art. 890. Consideram-se não escritas no título a cláusula de juros, a proibitiva de endosso, a excludente de responsabilidade pelo pagamento ou por despesas, a que dispense a observância de termos e formalidade prescritas, e a que, além dos limites fixados em lei, exclua ou restrinja direitos e obrigações.

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5. O estatuto do idoso determina que a entidade de atendimento que deixe de proceder aos estudos sociais e pessoais de cada caso estará sujeita à penalidade de:

(A)

interdição da unidade.

(B)

multa.

(C)

suspensão parcial do repasse de verbas públicas.

(D)

advertência.

(E)

afastamento provisório de seus dirigentes.

RESPOSTA: B

repasse de verbas públicas. (D) advertência. (E) afastamento provisório de seus dirigentes. RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

A realização de estudos social e pessoal de cada caso constitui em obrigação estabelecida para toda e qualquer entidade de atendimento, como se observa pela leitura do disposto no art. 50, XI, Estatuto do Idoso:

Art. 50. Constituem obrigações das entidades de atendimento:

( ) XI proceder a estudo social e pessoal de cada caso;

Por outro lado, conforme disposição do art. 56 do referido diploma legal, a entidade de atendimento que deixar de cumprir as determinações do art. 50 daquela lei será punida a título de multa. Vamos à leitura do dispositivo legal:

Art. 56. Deixar a entidade de atendimento de cumprir as determinações do art. 50 desta Lei:

Pena multa de R$ 500,00 (quinhentos reais) a R$ 3.000,00 (três mil reais), se o fato não for caracterizado como crime, podendo haver a interdição do estabelecimento até que sejam cumpridas as exigências legais. Parágrafo único. No caso de interdição do estabelecimento de longa permanência, os idosos abrigados serão transferidos para outra instituição, a expensas do estabelecimento interditado, enquanto durar a interdição.

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Dessa forma, a assertiva que se mostra como correta é a letra “B”.

6. A respeito da guarda dos filhos após a separação do casal, julgue os itens a seguir:

I. De acordo com o STJ, o estabelecimento de guarda compartilhada não se sujeita à transigência dos genitores.

II. Na audiência de conciliação, o juiz deverá instar o Ministério Público a informar os pais do significado da guarda compartilhada, da sua importância, da similitude de deveres e dos direitos atribuídos aos genitores bem como das sanções pelo descumprimento de suas cláusulas.

III. O descumprimento imotivado de cláusula de guarda compartilhada acarretará a redução do número de horas de convivência com o filho.

imotivado de cláusula de guarda compartilhada acarretará a redução do número de horas de convivência com

IV. O pai ou a mãe, em cuja guarda não esteja o filho, poderá visitá-lo e tê-lo em sua companhia, segundo o que acordar com o outro cônjuge, bem como fiscalizar a sua manutenção e educação.

Estão corretos apenas os itens:

(A)

I e III.

(B)

I e IV.

(C)

II e IV.

(D)

I, II e III.

(E)

II, III e IV.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

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(I) Correto. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, a implementação da guarda compartilhada não se sujeita à transigência dos genitores. Pode-se perceber este entendimento através da leitura da ementa do AgInt no AREsp 879.361/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 13/03/2018, DJe

22/03/2018:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FAMÍLIA. GUARDA COMPARTILHADA. MELHOR INTERESSE DO MENOR. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº

7/STJ.

1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de

Processo Civil de 1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).

2. A implementação da guarda compartilhada não se sujeita à transigência dos

genitores.

3. As peculiariedades do caso concreto inviabilizam a implementação da guarda

compartilhada em virtude da realização do princípio do melhor interesse da menor, que obstaculiza, a princípio, sua efetivação. 4. A verificação da procedência dos argumentos expendidos no recurso especial exigiria, por parte desta Corte, o reexame de matéria fática, o que é vedado pela Súmula nº

recurso especial exigiria, por parte desta Corte, o reexame de matéria fática, o que é vedado

5.

Agravo interno não provido.

(AgInt no AREsp 879.361/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 13/03/2018, DJe 22/03/2018).

(II) Incorreto. A atribuição de informar ao pai e à mãe acerca do significado da guarda

compartilhada, sua importância, a similitude de deveres e direitos, bem como as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas é do juiz presidente da audiência conciliatória, e não do Ministério Público. Isso é extraído da leitura do art. 1.584, §1º, CC:

Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser:

) (

§ 1o Na audiência de conciliação, o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda compartilhada, a sua importância, a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas.

(III) Incorreto. O descumprimento imotivado de cláusula de guarda compartilhada poderá implicar na redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor, ou seja, ao detentor da guarda compartilhada. Nos termos do item III, esta consequência seria impositiva, ou seja, estabelece que o descumprimento acarretará tal consequência, o que, nos termos do que dispõe o art. 1.584, §4º, CC, não se mostra como verdadeiro:

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Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser:

) (

§ 4o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda

unilateral ou compartilhada poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor.

7. Após a abertura de testamento público, foi verificado que havia sido deixado um

terreno, no valor de sessenta salários mínimos, a uma das testemunhas signatárias do

documento. Nesse caso, a disposição testamentária será:

(A)

válida, se for convalidada pelos herdeiros.

(B)

válida, se não existirem herdeiros legítimos.

(C)

anulável, se os herdeiros legítimos comprovarem vício de vontade.

legítimos. (C) anulável, se os herdeiros legítimos comprovarem vício de vontade. (D) nula de pleno direito.

(E) considerada codicilo, se não representar mais de 1% do valor total do testamento.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, desde longa data, estabelece que, no testamento público, as exigências trazidas pela lei (no caso, trazidas pelo art. 1.684, principalmente, e nos arts. 1.865 a 1.867, todos do CC/2002) são essenciais e, quando não observadas, resultam em nulidade absoluta as disposições de última vontade. O art. 1.864, incisos II e III, fala na presença das testemunhas como requisito essencial para a formalização do ato.

Embora o STJ venha, recentemente, relativizando a presença das testemunhas durante todo o procedimento de realização do instrumento público, especialmente nas hipóteses em que as testemunhas não tenham acompanhado integralmente o ato de elaboração do testamento público (neste sentido, vide o Resp. 302.767/PR o Resp. 600.746/PR e o Resp. 753.261/SP) e venha entendendo pelo aproveitamento do ato de disposição de última vontade, o fato é que uma das testemunhas, no caso, tinha interesse direto no testamento, já que foi contemplada nele. Sendo assim, por violação do disposto no art. 228, IV, CC, que estabelece que o interessado no litígio não pode servir ou ser admitido como testemunha, tem-se que o testamento acaba se tornando nulo de pleno direito, por ausência do requisito trazido nos incisos II e III do art. 1.864 do CC.

Em julgado similar, já decidiu a Corte da Cidadania:

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RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE TESTAMENTO. PROCEDÊNCIA DO PEDIDO. VÍCIOS DO ATO RECONHECIDOS NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. CAPACIDADE PARA TESTAR. AUSÊNCIA DE PLENO DISCERNIMENTO (CC/2002, ART. 1.860; CC/1916, ART. 1.627). TESTEMUNHAS TESTAMENTÁRIAS. INIDONEIDADE (CC/2002, ART. 228; CC/1916, ART. 1.650). CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. DEFERIMENTO DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. INSUCESSO DO APELO ESPECIAL. QUESTÃO PREJUDICADA. 1. O testamento público exige, para sua validade, que sua lavratura seja realizada por tabelião ou seu substituto legal, na presença do testador e de duas testemunhas que, após leitura em voz alta, deverão assinar o instrumento.

legal, na presença do testador e de duas testemunhas que, após leitura em voz alta, deverão

2.

É inválido o testamento celebrado por testador que, no momento da lavratura do

instrumento, não tenha pleno discernimento para praticar o ato, uma vez que se exige a manifestação perfeita de sua vontade e a exata compreensão de suas disposições.

3. Nos termos do art. 228, IV e V, do Código Civil vigente (CC/1916, art. 1.650), não

podem ser admitidos como testemunhas o interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes, bem como os cônjuges, os ascendentes, os descendentes e

os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, por consanguinidade, ou afinidade. In casu, houve violação dos referidos dispositivos legais, na medida em que o testamento público teve como testemunhas um amigo íntimo e a nora da única beneficiária da disposição de última vontade. 4. O acórdão recorrido, com base no exame dos elementos fático-probatórios dos autos, consignou a ausência do pleno discernimento do testador para a prática do ato, bem como reconheceu a interferência da beneficiária na celebração do testamento e o reflexo de sua vontade na do testador, de modo que é inviável, em sede de recurso especial, a revisão de tais questões, haja vista o óbice da Súmula n. 7 desta Corte Superior.

5. Consoante jurisprudência desta Corte, compete ao magistrado, à luz do princípio do

livre convencimento motivado, previsto no art. 131 do Código de Processo Civil, decidir

quais as provas necessárias para formar sua convicção, razão pela qual não se pode

exigir que seja levado em consideração determinado depoimento, mormente quando se tratar daquele prestado pelas testemunhas consideradas inidôneas. A convicção do julgador deve resultar do conjunto das provas produzidas na demanda.

6. Fica prejudicada a análise da questão relativa ao julgamento extra petita pela

antecipação dos efeitos da tutela, tendo em vista o insucesso do recurso quanto às

demais questões.

7. Recurso especial a que se nega provimento.

(REsp 1155641/GO, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em

13/12/2011, DJe 28/09/2012)

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8. Para que seja caracterizada a posse de boa-fé, o Código Civil determina que o

possuidor:

(A)

tenha adquirido a posse de quem se encontrava na posse de fato.

(B)

ignore o vício impedidor da aquisição do bem.

(C)

apresente documento escrito de compra e venda.

(C) apresente documento escrito de compra e venda. (D) tenha a posse por mais de um

(E) aja com ânimo de dono e sem oposição.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

Nos termos do que dispõe o art. 1.201 do CC, é considerado possuidor de boa-fé aquele que ignora o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa.

Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.

9. O oficial do registro imobiliário, antes de registrar o título, deverá verificar se a pessoa que nele figura como alienante é a mesma cujo nome consta no registro como proprietária. Esse procedimento deve-se ao cumprimento do princípio da:

(A)

continuidade.

(B)

força probante.

(C)

territorialidade.

(D)

legalidade.

(E)

especialidade.

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RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

De acordo com o Princípio da Continuidade, somente será viável o registro de título contendo informações perfeitamente coincidentes que aquelas constantes da

somente será viável o registro de título contendo informações perfeitamente coincidentes que aquelas constantes da

respectiva matrícula sobre as pessoas e bem nela mencionados. Identifica-se a obediência a este princípio nos artigos 195, 222 e 237 da Lei Federal nº 6.015/73, determinando o imprescindível encadeamento entre assentos pertinentes a um dado imóvel e as pessoas neles constantes, formando uma continuidade ininterrupta das titularidades jurídicas de um imóvel.

Art. 195 - Se o imóvel não estiver matriculado ou registrado em nome do outorgante, o oficial exigirá a prévia matrícula e o registro do título anterior, qualquer que seja a sua natureza, para manter a continuidade do registro. (Renumerado do art. 197 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975).

Art. 222 - Em todas as escrituras e em todos os atos relativos a imóveis, bem como nas cartas de sentença e formais de partilha, o tabelião ou escrivão deve fazer referência à matrícula ou ao registro anterior, seu número e cartório. (Renumerado do art 223 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975).

Art. 237 - Ainda que o imóvel esteja matriculado, não se fará registro que dependa da apresentação de título anterior, a fim de que se preserve a continuidade do registro.

Baseado neste princípio, não poderá vender ou gravar de ônus, quem não figurar como proprietário no registro imobiliário.

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Respeitando o princípio da continuidade, se for anulado um negócio jurídico por sentença transitada em julgado, o respectivo registro será cancelado, e, consequentemente, serão cancelados todos os posteriores que nele se apoiaram.

10. Se, mediante escritura pública, o proprietário de um terreno conceder a terceiro, por tempo determinado, o direito de plantar em seu terreno, então, nesse caso, estará configurado o:

(A)

direito de uso.

(B)

usufruto resolutivo.

(C)

usufruto impróprio.

(D)

comodato impróprio.

(E)

direito de superfície.

usufruto resolutivo. (C) usufruto impróprio. (D) comodato impróprio. (E) direito de superfície.
RESPOSTA: E COMENTÁRIOS O conceito trazido pela questão de número 10 é exatamente o mesmo

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O conceito trazido pela questão de número 10 é exatamente o mesmo conceito trazido

pela lei, especialmente o art. 1.369 do CC, in verbis:

Art. 1.369. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao objeto da concessão.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

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11. Matheus e Isaac o primeiro residente e domiciliado em São Paulo SP, e o segundo em Recife PE resolveram adquirir, em condomínio, imóvel localizado na praia de Jurerê, em Florianópolis SC, pertencente a Tarcísio, residente e domiciliado em Recife PE. Após a celebração da promessa de compra e venda com caráter irrevogável e irretratável e depois do pagamento do preço ajustado, Tarcísio se recusou

a lavrar a escritura pública definitiva do imóvel, sob a alegação de que o preço deveria ser reajustado, em razão da recente instalação de dois famosos beach clubs na região. Inconformados, Matheus e Isaac resolveram buscar tutela judicial, a fim de obrigar

Tarcísio a cumprir o negócio jurídico. Nessa situação hipotética, é correto afirmar, à luz das regras do Código de Processo Civil (CPC) e da jurisprudência majoritária do STJ, que

o mecanismo jurídico adequado para a tutela pretendida é

(A) a ação de adjudicação compulsória, que independerá do prévio registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis competente e deverá ser ajuizada em Florianópolis SC ou Recife PE, mas não em São Paulo SP.

(B) a ação reivindicatória, que independerá do prévio registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis competente e deverá ser ajuizada necessariamente em Florianópolis SC.

de compra e venda no cartório de imóveis competente e deverá ser ajuizada necessariamente em Florianópolis

(C) a ação de adjudicação compulsória, que independerá de prévio registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis competente e deverá ser ajuizada necessariamente em Florianópolis SC.

(D) a ação reivindicatória, que dependerá do prévio registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis competente e deverá ser ajuizada em Florianópolis SC ou Recife PE, mas não em São Paulo SP.

(E) a ação de adjudicação compulsória, que dependerá do prévio registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis e deverá ser ajuizada em Florianópolis SC ou Recife PE, mas não em São Paulo SP.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

A promessa de compra e venda registrada é um direito real imobiliário, conforme dispõem os artigos 1.215, VII, e 1.417, ambos do Código Civil. Sendo assim, há quem sustente que, no caso de promessas de compra e venda de imóveis não registradas, as ações deveriam ser propostas no foro do domicílio do réu (art. 46 do NCPC), por se tratar de ação de direito pessoal. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça entende pela natureza real da ação, independentemente do registro do contrato, de forma que a ação deverá ser proposta no foro de situação da coisa, na forma do artigo 47, caput, do NCPC (AgRg no REsp 773942 / SP).

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12. A ação de prestação de contas em desfavor de instituição financeira pode ser proposta, de acordo com a jurisprudência do STJ, por

I. titular da conta-corrente bancária, em contrato de conta-corrente.

II. tomador do mútuo, em contratos de mútuo bancário.

III. tomador do financiamento, em contratos de financiamento bancário com garantia de alienação fiduciária.

Assinale a opção correta.

em contratos de financiamento bancário com garantia de alienação fiduciária. Assinale a opção correta.

(A)

Apenas o item I está certo.

(B)

Apenas o item II está certo.

(C)

Apenas os itens I e III estão certos.

(D)

Apenas os itens II e III estão certos.

(E)

Todos os itens estão certos.

RESPOSTA: A

 

COMENTÁRIOS

 

Informativo nº

0558. Período:

19

de

março a

6

de abril de 2015.

RECURSOS

REPETITIVOS. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR EM AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS DE CONTRATOS DE MÚTUO E FINANCIAMENTO. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). Nos contratos de mútuo e financiamento, o devedor não possui interesse de agir para a ação de prestação de contas. A ação de prestação de contas constitui procedimento especial de jurisdição contenciosa normatizado nos arts. 914 a 919 do CPC e presta-se, essencialmente, a dirimir incertezas surgidas a partir da administração de bens, negócios e interesses alheios, cabendo ao gestor a apresentação minuciosa de todas as receitas e despesas envolvidas na relação jurídica e, ao final, a exibição do saldo, que tanto pode ser credor quanto devedor. O art. 914 do CPC dispõe que a "ação de prestação de contas competirá a quem tiver: I - o direito de exigi-las; II - a obrigação de prestá-las". A hipótese a que se refere o inciso I - única que interessa ao presente caso - visa a permitir que o autor exija do réu o oferecimento de contas. Fundamenta-se exclusivamente na existência ou não do direito de exigir essas contas, sem que seja necessário que se invoque alguma desconfiança sobre o trabalho exercido pelo administrador ou algum saldo supostamente existente em razão da atuação deste. Assim, na ação de prestação de contas, é fundamental a existência, entre autor e réu, de relação jurídica de direito material em que um deles administre bens, direitos ou interesses alheios. Sem essa relação, inexiste o dever de prestar contas. Nessa ordem de ideias, são duas conclusões acerca do interesse de agir nesse tipo de ação: a) o interesse sobre o qual versa a prestação de contas independe da existência ou não de débito e b) requer apenas a existência de vínculo jurídico capaz de obrigar uma das partes a prestá-las em favor da outra. No contrato de mútuo bancário, a obrigação do mutuante cessa com a entrega da coisa. Nesse contexto, não há obrigação da instituição financeira em prestar contas,

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cessa com a entrega da coisa. Nesse contexto, não há obrigação da instituição financeira em prestar

porquanto a relação estabelecida com o mutuário não é de administração ou gestão de bens alheios, sendo apenas um empréstimo. Conclui-se, então, pela inexistência de interesse de agir do cliente/mutuário para propor ação de prestação de contas, haja vista que o mutuante/instituição financeira exime-se de compromissos com a entrega da coisa. Ou seja, "a atividade da instituição financeira limita-se a entrega de recursos ao tomador do empréstimo, no valor estipulado contratualmente, cabendo a este a restituição da quantia emprestada, na forma pactuada". (REsp 1.225.252-PR, Terceira Turma, DJe 6/5/2013). No que concerne à matéria, a Segunda Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.201.662-PR, firmou o entendimento de que, na hipótese de contrato de financiamento, não há, para o tomador do financiamento, interesse de agir na propositura de ação de prestação de contas, uma vez que o banco não administra recursos do financiado. Ademais, importante salientar que a questão analisada é diversa da regulada na Súmula 259 do STJ, que dispõe sobre o cabimento da ação de prestação de contas em contratos de conta-corrente bancária. Aliás, toda argumentação utilizada até aqui deve ser estendida aos contratos de financiamento em geral. Nessa espécie contratual, assim como no empréstimo bancário, o cliente adquire certa quantia em dinheiro com a instituição financeira, comprometendo-se a saldá-la em determinado prazo, na forma avençada no contrato. A diferença entre eles é que, no contrato de financiamento, há destinação específica dos recursos tomados, como, por exemplo, para a aquisição de um bem imóvel ou de um veículo. Ademais, geralmente o contrato de financiamento possui algum tipo de garantia, como a hipoteca ou a alienação fiduciária. Conclui-se, então, que, na hipótese de contrato de financiamento, assim como no de mútuo, não há, para o tomador do financiamento, interesse de agir na propositura de ação de prestação de contas, uma vez que o banco não administra recursos do financiado: trata-se aqui de contrato fixo, em que há valor e taxa de juros definidos, cabendo ao próprio financiado fazer o cálculo, pois todas as informações constam no contrato. REsp 1.293.558-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 11/3/2015, DJe 25/3/2015.

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13. No que se refere à arguição de falsidade como instrumento processual para impugnação de documentos, assinale a opção correta.

(A) A falsidade documental pode ser suscitada em contestação, na réplica ou no prazo

de dez dias úteis, contado a partir da intimação da juntada do documento aos autos.

(B) O STJ pacificou o entendimento de que a arguição de falsidade é o meio adequado

para impugnar a falsidade material do documento, mas não de falsidade ideológica.

de falsidade é o meio adequado para impugnar a falsidade material do documento, mas não de

(C)

Após os momentos processuais da contestação e da réplica, se arguida a falsidade,

esta será autuada como incidente em apartado e, nesse caso, o juiz suspenderá o processo principal.

(D) Após a instauração do procedimento de arguição de falsidade, a outra parte deverá

ser ouvida em quinze dias e, então, não será admitida a extinção prematura do feito sem

o exame pericial do documento, mesmo que a parte concorde em retirá-lo dos autos.

(E) Uma vez arguida, a falsidade documental será resolvida como questão incidental;

contudo, é possível que a parte suscitante requeira ao juiz que a decida como questão principal, independentemente de concordância da parte contrária.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 430 do NCPC – “Art. 430. A falsidade deve ser suscitada na contestação, na réplica ou no prazo de 15 (quinze) dias, contado a partir da intimação da juntada do documento aos autos”.

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(B) Incorreta. “A instauração de incidente de falsidade é possível mesmo quando se tratar de falsidade ideológica, mas desde que o documento seja narrativo, isto é, que não contenha declaração de vontade, de modo que o reconhecimento de sua falsidade não implique a desconstituição de relação jurídica, quando será necessário o ajuizamento de ação própria (REsp 1637099/BA, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 02/10/2017)”.

(C) Incorreta. Não haverá a suspensão do processo, ainda que a falsidade tenha sido

arguida após a réplica, devendo esta ser julgada como questão incidental, independentemente de suspensão do processo, nos termos do artigo 430, Parágrafo

único, diferentemente de como era no CPC/73 (arts. 393 e 394 do CPC/73).

(D) Incorreta. Art. 432 do NCPC – “Art. 432. Depois de ouvida a outra parte no prazo de

15 (quinze) dias, será realizado o exame pericial. Parágrafo único. Não se procederá ao exame pericial se a parte que produziu o documento concordar em retirá-lo”.

(E) Correta. Art. 430, Parágrafo único – “Art. 430, Parágrafo único. Uma vez arguida, a

falsidade será resolvida como questão incidental, salvo se a parte requerer que o juiz a

questão incidental, salvo se a parte requerer que o juiz a decida como questão principal, nos
14. Sérgio ajuizou ação indenizatória para reparação de danos morais contra determinado estabelecimento de

14. Sérgio ajuizou ação indenizatória para reparação de danos morais contra determinado estabelecimento de Florianópolis, sob a alegação de que, em razão de sua orientação sexual, fora vítima, em quatro dias diversos, de ofensas por parte de prepostos da pessoa jurídica. Na fase de saneamento e organização do processo, o magistrado deferiu a produção da prova testemunhal, e Sérgio apresentou o rol de testemunhas, sendo quatro delas para provar as ofensas ocorridas na primeira ocasião; outras três para a segunda ocasião; outras duas testemunhas para a terceira ocasião; e, por fim, outras duas testemunhas para a quarta ocasião.

Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta à luz do CPC.

(A) O referido rol não extrapolou o limite máximo de testemunhas para a prova de cada

fato, mas extrapolou o limite máximo global.

(B) Não há previsão de limite máximo de testemunhas para a prova de cada fato, mas

somente previsão de número máximo global.

(C) Não há previsão de limite máximo global de testemunhas, mas apenas de número

máximo para a prova de cada fato, cabendo ao magistrado determinar o máximo global

no caso concreto.

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(D) O referido rol extrapolou o limite máximo de testemunhas para a prova de cada fato

bem como o limite máximo global.

(E) O referido rol não extrapolou o limite máximo de testemunhas para a prova de cada

fato nem o limite máximo global.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

Art. 357, §6º, do NCPC – “Art. 357 § 6º O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para a prova de cada fato”.

de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), se ndo 3 (três), no máximo,

15. De acordo com as disposições do CPC, assinale a opção correta relativa aos procedimentos especiais.

(A) Entre os legitimados para requerer a abertura de inventário, estão os credores dos

herdeiros ou do autor da herança, mas não os credores do legatário.

(B) No caso da ação possessória multitudinária, o oficial de justiça procurará, por uma

vez, os ocupantes no imóvel, sendo citados por edital os que não forem encontrados na ocasião, independentemente de outras diligências para citação por hora certa.

(C) Em razão da sumariedade do procedimento monitório, o CPC vedou a possibilidade

da reconvenção em demandas dessa natureza.

(D) Falecendo qualquer uma das partes no curso do processo, a sucessão processual

acontecerá por meio do procedimento de habilitação, que ocorrerá nos mesmos autos da demanda, independentemente de suspensão do processo.

(E) Em regra, o proprietário fiduciário do bem constrito ou ameaçado não detém

legitimidade ativa para ajuizar embargos de terceiro.

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RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 616, VI, do NCPC – “Art. 616. Têm, contudo, legitimidade concorrente:

VI - o credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança”.

(B) Correta. Art. 554, §§1º e 2º, do NCPC – “Art. 554, § 1º No caso de ação possessória

em que figure no polo passivo grande número de pessoas, serão feitas a citação pessoal dos ocupantes que forem encontrados no local e a citação por edital dos demais, determinando-se, ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em situação de hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública. § 2º Para fim da citação pessoal prevista no § 1º, o oficial de justiça procurará os ocupantes no local por uma vez, citando-se por edital os que não forem encontrados.

(C) Incorreta. Art. 702, §6º, do NCPC – “Art. 702, § 6º Na ação monitória admite-se a

reconvenção, sendo vedado o oferecimento de reconvenção à reconvenção”.

§ 6º Na ação monitória admite-se a reconvenção , sendo vedado o oferecimento de reconvenção à

(D)

Incorreta. Arts. 313, I, 687 e 689, todos do NCPC – “Art. 313. Suspende-se o processo:

I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu procurador; § 1º Na hipótese do inciso I, o juiz suspenderá

o processo, nos termos do art. 689 . / Art. 687. A habilitação ocorre quando, por falecimento de qualquer das partes, os interessados houverem de suceder-lhe no processo. / Art. 689. Proceder-se-á à habilitação nos autos do processo principal, na instância em que estiver, suspendendo-se, a partir de então, o processo”.

(E) Incorreta. Art. 674, Parágrafo único do NCPC – “Art. 674. Quem, não sendo parte no

processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro. § 1º Os embargos podem ser de terceiro proprietário, inclusive fiduciário, ou possuidor”.

16. O Ministério Público ajuizou ação civil pública contra determinada empresa e seus sócios, visando tutelar direitos de consumidores lesados por contratos celebrados para

a prática de esquema de pirâmide financeira. A sentença condenatória na ação coletiva foi publicada em 5/1/2003 e, após recurso, transitou em julgado em 2/6/2005. Em 6/7/2012, um consumidor beneficiário da referida demanda apresentou execução individual da sentença coletiva.

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Nessa situação hipotética, de acordo com o entendimento do STJ, é correto afirmar que,

à época da propositura da execução individual pelo beneficiário, a sua pretensão

(A) estava prescrita desde o transcurso de cinco anos após o trânsito em julgado da

sentença coletiva.

(B) não estava prescrita, e só será assim considerada após o transcurso de dez anos do

trânsito em julgado da sentença coletiva.

(C) estava prescrita desde o transcurso de cinco anos após a publicação da sentença

coletiva.

(D) não estava prescrita, e só será assim considerada após o transcurso de dez anos após

a publicação da sentença coletiva.

(E) estava prescrita desde o transcuro de três anos após o trânsito em julgado da

sentença coletiva.

coletiva. (E) estava prescrita desde o transcuro de três anos após o trânsito em julgado da

RESPOSTA: A

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Informativo nº 0515. Período: 3 de abril de 2013. SEGUNDA SEÇÃO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PRAZO PRESCRICIONAL PARA O AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. RECURSO REPETITIVO

(ART. 543-C DO CPC E RES. N. 8/2008-STJ). No âmbito do direito privado, é de cinco anos

o prazo prescricional para ajuizamento da execução individual em pedido de

cumprimento de sentença proferida em ação civil pública. O emprego pelo julgador de determinada regra como parâmetro para fixar o prazo de prescrição no processo de conhecimento em ação coletiva não impõe a necessidade de utilizar essa mesma regra para definir o prazo de prescrição da pretensão de execução individual, que deve observar a jurisprudência superveniente ao trânsito em julgado da sentença exequenda. Assim, ainda que na ação de conhecimento, já transitada em julgado, tenha sido reconhecida a aplicabilidade do prazo de prescrição vintenário, deve ser utilizado, no processo de execução individual, conforme orientação da Súmula 150 do STF, o mesmo

prazo para ajuizar a ação civil pública, que é de cinco anos nos termos do disposto no art. 21 da Lei n. 4.717/1965 - Lei da Ação Popular. Precedentes citados: REsp 1.070.896- SC, DJe 4/8/2010; AgRg no AREsp 113.967-PR, DJe 22/6/2012, e REsp n. 1.276.376-PR,

DJ 1º/2/2012. REsp 1.273.643-PR, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 27/2/2013”. / “O

prazo prescricional para a execução individual é contado do trânsito em julgado da sentença coletiva, sendo desnecessária a providência de que trata o art. 94 da Lei n. 8.078/90 (Informativo nº 0580. Período: 2 a 13 de abril de 2016. RECURSOS REPETITIVOS. REsp 1.388.000-PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 26/8/2015, DJe 12/4/2016)”.

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17. José ajuizou ação de despejo cumulada com cobrança de aluguéis atrasados em desfavor de Paulo, tendo o magistrado julgado procedentes os pedidos, declarando rescindido o contrato de locação, determinando a desocupação do imóvel e condenando Paulo ao pagamento dos valores atrasados. Paulo interpôs recurso de apelação, pedindo a reforma integral da sentença. Durante o trâmite recursal, José iniciou a execução provisória apenas em relação à cobrança dos aluguéis, pois Paulo, após interpor apelação, desocupou voluntariamente o imóvel. Intimado para pagamento da parte líquida da condenação, Paulo agravou da decisão, sustentando ser necessário aguardar o julgamento da apelação antes de se dar andamento à execução provisória.

sustentando ser necessário aguardar o julgamento da apelação antes de se dar andamento à execução provisória.

Nessa situação hipotética, assinale a opção correta à luz da jurisprudência do STJ.

(A) O recurso de agravo de instrumento deverá ser provido, uma vez que, ficando a ação

limitada à cobrança dos aluguéis, seria autorizado o recebimento da apelação no efeito suspensivo, visto que a ação passaria a ter natureza exclusivamente condenatória.

(B) O recurso de agravo de instrumento deverá ser provido, pois a Lei n.º 8.245/1991

não prevê regramento específico em relação aos efeitos do recebimento do recurso de

apelação; portanto, o apelo deveria ter sido recebido nos efeitos devolutivo e suspensivo, atendendo à regra geral no CPC.

(C) O recurso de agravo de instrumento deverá ser denegado, porque a apelação que

ataca sentença proferida em ação de despejo, ainda que cumulada com ação de cobrança de débitos atrasados, deve ser recebida somente no efeito devolutivo, em razão de regramento específico da Lei n.º 8.245/1991 em relação aos efeitos do recebimento da apelação.

(D) O recurso de agravo de instrumento deverá ser denegado, já que, embora não haja

regramento específico acerca dos efeitos do recebimento da apelação na Lei n.º 8.245/1991, a desocupação voluntária implicou em desistência do recurso de apelação.

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(E) O recurso de agravo de instrumento não deverá ser conhecido, por ausência de

pressuposto objetivo de admissibilidade recursal, pois, além de existir regramento

específico acerca dos efeitos do recebimento da apelação na Lei n.º 8.245/1991, a desocupação voluntária implicou desistência do recurso de apelação.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

Arts. 58, V, e 64, ambos do NCPC, e Jurisprudência do STJ “Art. 58. Ressalvados os casos previstos no parágrafo único do art. 1º, nas ações de despejo, consignação em pagamento de aluguel e acessório da locação, revisionais de aluguel e renovatórias de locação, observar - se - á o seguinte: V - os recursos interpostos contra as sentenças terão efeito somente devolutivo. / Art. 64. Salvo nas hipóteses das ações fundadas no art. 9o, a execução provisória do despejo dependerá de caução não inferior a 6 (seis) meses nem superior a 12 (doze) meses do aluguel, atualizado até a data da prestação da caução. / AgInt no AREsp 544.885 – “Inexiste óbice ao cumprimento provisório da

até a data da prestação da caução. / AgInt no AREsp 544.885 – “ Inexiste óbice

sentença proferida na ação de despejo cumulada com cobrança de aluguéis, mesmo

na pendência de julgamento do recurso de apelação, recebido só no efeito devolutivo.

A posterior desocupação do imóvel não tem influência, no caso, diante da

possibilidade de execução provisória da sentença no tocante à cobrança dos débitos atrasados (AgInt no AREsp 544.885/RS, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), QUARTA TURMA, julgado em 14/08/2018, DJe 21/08/2018)”.

18. De acordo com os princípios constitucionais e infraconstitucionais do processo civil, assinale a opção correta.

(A) Segundo o princípio da igualdade processual, os litigantes devem receber do juiz

tratamento idêntico, razão pela qual a doutrina, majoritariamente, posiciona-se pela inconstitucionalidade das regras do CPC, que estabelecem prazos diferenciados para o Ministério Público, a Advocacia Pública e a Defensoria Pública se manifestarem nos autos.

(B) O conteúdo do princípio do juiz natural é unidimensional, manifestando-se na

garantia do cidadão a se submeter a um julgamento por juiz competente e pré- constituído na forma da lei.

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(C) O novo CPC adotou o princípio do contraditório efetivo, eliminando o contraditório

postecipado, previsto no sistema processual civil antigo.

(D) O paradigma cooperativo adotado pelo novo CPC traz como decorrência os deveres

de esclarecimento, de prevenção e de assistência ou auxílio.

(E) O CPC prevê, expressamente, como princípios a serem observados pelo juiz na

aplicação do ordenamento jurídico a proporcionalidade, moralidade, impessoalidade, razoabilidade, legalidade, publicidade e a eficiência.

RESPOSTA: D

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(A) Incorreta. Em razão da própria atividade de tutelar o interesse público, a Fazenda

Pública ostenta condição diferenciada das demais pessoas físicas ou jurídicas de direito

público, a Fazenda Pública ostenta condição diferenciada das demais pessoas físicas ou jurídicas de direito

privado. Além do mais, “quando a Fazenda Pública está em juízo, ela está defendendo o erário. Na realidade, aquele conjunto de receitas públicas que pode fazer face às despesas não é de responsabilidade, na sua formação, do governante do momento. É

toda a sociedade que contribui para isso. (

Pública é condenada, sofre um revés, contesta uma ação ou recorre de uma decisão, o que se estará protegendo, em última análise, é o erário. É exatamente essa massa de recurso que foi arrecadada e que evidentemente supera, aí sim, o interesse particular. Na realidade, a autoridade pública é mera administradora”. Isso já seria o suficiente para demonstrar que a Fazenda Pública apresenta-se em situação bastante diferenciada dos particulares, merecendo, portanto, um tratamento diverso daquele que lhes é conferido. Exatamente por atuar no processo em virtude da existência de interesse público, consulta ao próprio interesse público viabilizar o exercício dessa sua atividade no processo da melhor e mais ampla maneira possível, evitando-se condenações injustificáveis ou prejuízos incalculáveis para o Erário e, de resto, para toda a coletividade que seria beneficiada com serviços públicos custeados com tais recursos. Para que a Fazenda Pública possa, contudo, atuar da melhor e mais ampla maneira possível, é preciso que se lhe confiram condições necessárias e suficientes a tanto.

Ora, no momento em que a Fazenda

)

(B) Incorreta. Pelo princípio do juiz natural entende-se que ninguém será processado

senão pela autoridade competente (art. 5.º, LIII, da CF). O princípio pode ser entendido de duas formas distintas. A primeira delas diz respeito à impossibilidade de escolha do juiz para o julgamento de determinada demanda, escolha essa que deverá ser sempre aleatória em virtude de aplicação de regras gerais, abstratas e impessoais de competência. Essa proibição de escolha do juiz atinge a todos; as partes, os juízes, o Poder Judiciário etc. Por outro lado, o princípio do juiz natural proíbe a criação de tribunais de exceção, conforme previsão expressa do art. 5.º, XXXVII, da CF. Significa que não se poderá criar um juízo após o acontecimento de determinados fatos jurídicos com a exclusiva tarefa de julgá-los, sendo que à época em que tais fatos ocorreram já existia um órgão jurisdicional competente para o exercício de tal tarefa (NEVES, Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil Volume único. 8. Ed. Salvador:

Juspodivm, 2016, ebook).

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(C) Incorreta. O NCPC ainda admite o contraditório postergado, conforme se verifica,

por exemplo, quando o magistrado concede uma tutela provisória de urgência

antecipada antes de ouvir o réu, nos termos do artigo 300, §2º, do NCPC.

(D) Correta. A doutrina nacional, que já enfrentou o tema, divisa fundamentalmente três

vertentes desse princípio da cooperação, entendidas como verdadeiros deveres do juiz na condução do processo: (i) dever de esclarecimento, consubstanciado na atividade do juiz de requerer às partes esclarecimentos sobre suas alegações e pedidos, o que naturalmente evita a decretação de nulidades e a equivocada interpretação do juiz a

suas alegações e pedidos, o que naturalmente evita a decretação de nulidades e a equivocada interpretação

respeito de uma conduta assumida pela parte; (ii) dever de consultar, exigindo que o juiz sempre consulte as partes antes de proferir decisão, em tema já tratado quanto ao conhecimento de matérias e questões de ofício; (iii) dever de prevenir, apontando às partes eventuais deficiências e permitindo suas devidas correções, evitando-se assim a declaração de nulidade, dando-se ênfase ao processo como genuíno mecanismo técnico de proteção de direito material (NEVES, Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil Volume único. 8. Ed. Salvador: Juspodivm, 2016, ebook).

(E) Incorreta. Art. 8º do NCPC – “Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz

atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.

19. O CPC considera título executivo extrajudicial

I. o instrumento de transação referendado por conciliador credenciado por tribunal, após homologação pelo juiz.

II. o contrato celebrado por instrumento particular, garantido por direito real de garantia, independentemente de ter sido assinado por duas testemunhas.

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III. o contrato celebrado por instrumento particular, garantido por fiança, desde que assinado por duas testemunhas.

IV. o crédito de contribuição extraordinária de condomínio edilício, aprovada em assembleia geral e documentalmente comprovada.

Estão certos apenas os itens

(A)

I e III.

(B)

I e IV.

(C)

II e IV.

(D)

I, II e III.

certos apenas os itens (A) I e III. (B) I e IV. (C) II e IV.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

(I) Incorreto. Art. 784, IV, do NCPC – “Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal”.

(II) Correto. Art. 784, V, do NCPC – “Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: V - o

contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e

aquele garantido por caução”.

(III) Incorreto. A Lei não prevê executoriedade para os contratos garantidos por fiança,

salvo se for assinado por duas testemunhas, o que, em verdade, aplica-se a todos os contratos particulares garantidos por fiança, conforme dispõe o artigo 784, III, do NCPC (Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas).

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(IV) Correto. Art. 784, X, do NCPC – “Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: X - o

crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que

documentalmente comprovadas”.

20. Acerca da reconvenção, assinale a opção correta.

(A) A decisão que indefere a petição inicial da reconvenção é irrecorrível, podendo o

reconvinte formular os mesmos pedidos em ação própria autônoma.

(B) Se o autor da demanda originária estiver atuando na condição de substituto

processual, haverá ilegitimidade passiva caso o réu reconvinte proponha reconvenção

para discutir relação jurídica de direito material com o substituto.

(C) Configurada a revelia, o juiz deverá extinguir, sem julgamento de mérito, eventual

reconvenção apresentada pelo réu.

Configurada a revelia, o juiz deverá extinguir, sem julgamento de mérito, eventual reconvenção apresentada pelo réu.

(D)

Por ser a reconvenção uma demanda conexa e incidental, quando houver desistência

regular da ação principal, o juiz deverá extinguir a reconvenção em razão da ausência de interesse processual.

(E) Apresentada a reconvenção, o reconvindo será citado pessoalmente para apresentar a resposta no prazo de quinze dias.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 354 do NCPC e Jurisprudência – “Art. 354. Ocorrendo qualquer das

hipóteses previstas nos arts. 485 e 487, incisos II e III , o juiz proferirá sentença. Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput pode dizer respeito a apenas parcela do processo, caso em que será impugnável por agravo de instrumento. / “Cabe agravo da decisão que indefere liminarmente a reconvenção (REsp 443.175/SP, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 21/11/2002, DJ 16/12/2002, p.

345)”.

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(B) Correta. Art. 343, §5º, do NCPC – “Art. 343, § 5º Se o autor for substituto processual,

o reconvinte deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de

substituto processual”.

(C) Incorreta. Art. 343, §6º, do NCPC – “Art. 343, § 6º O réu pode propor reconvenção

independentemente de oferecer contestação”.

(D) Incorreta. Art. 343, §2º, do NCPC – “Art. 343, § 2º A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção”.

(E) Incorreta. Art. 343, §1º, do NCPC – “Art. 343, § 1º Proposta a reconvenção, o autor

será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15

(quinze) dias”.

o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15

DIREITO DO CONSUMIDOR

21. No que tange à relação jurídica entre consumidor e incorporadora imobiliária, à comissão de corretagem e à taxa de assessoria técnico-imobiliária, julgue os itens a seguir, à luz das disposições do Código de Defesa do Consumidor e do entendimento do STJ:

I. A incorporadora, na condição de promitente-vendedora, é parte ilegítima para figurar no polo passivo da ação que vise à restituição ao consumidor dos valores pagos a título de comissão de corretagem e de taxa de assessoria técnico-imobiliária.

II. É válida a cláusula que transfira ao promitente-comprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem.

III. É abusiva a cobrança pelo promitente-vendedor do serviço de assessoria técnico- imobiliária, ou atividade congênere, vinculada à celebração de promessa de compra e venda de imóvel.

Assinale a opção correta:

(A)

Apenas o item I está certo;

(B)

Apenas o item II está certo;

(C)

Apenas os itens I e III estão certos;

(D)

Apenas os itens II e III estão certos;

(E)

Todos os itens estão certos.

31

RESPOSTA: D

estão certos; (D) Apenas os itens II e III estão certos; (E) Todos os itens estão

COMENTÁRIOS

(I) Incorreto. A jurisprudência pacífica do STJ reside no sentido de que “Tem legitimidade passiva "ad causam" a incorporadora, na condição de promitente-vendedora, para responder a demanda em que é pleiteada pelo promitente-comprador a restituição dos valores pagos a título de comissão de corretagem e de taxa de assessoria técnico- imobiliária, alegando-se prática abusiva na transferência desses encargos ao consumidor” (REsp 1.551.968-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 24/8/2016, DJe 6/9/2016 Informativo 589).

(II) Correto. A assertiva corresponde exatamente ao que restou decidido no REsp

1.599.511-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, por unanimidade,

julgado em 24/8/2016, DJe 6/9/2016 (Informativo 589), no sentido de que “É válida a cláusula contratual que transfere ao promitente-comprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem”.

(III) Correto. O item representa o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.599.511-SP,

Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 24/8/2016, DJe 6/9/2016, no sentido de que “É abusiva a cobrança pelo promitente- vendedor do serviço de assessoria técnico-imobiliária (SATI), ou atividade congênere,

vinculado à celebração de promessa de compra e venda de imóvel”.

32

22. Um cidadão ajuizou ação contra o Banco XY S.A. a respeito de contrato de arrendamento mercantil de veículo automotor firmado entre as partes em 2018. Os itens a seguir representam as alegações feitas na referida ação.

I. Existência de abusividade da cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da despesa com o registro pós-gravame.

II. Ocorrência de descaracterização da mora, em razão da abusividade dos encargos acessórios do contrato.

III. Presença de abusividade da cláusula que prevê a obrigação do consumidor de contratar seguro com a instituição financeira ou com seguradora indicada pela instituição bancária.

do consumidor de contratar seguro com a instituição financeira ou com seguradora indicada pela instituição bancária.

Assinale a alternativa correta:

(A)

Apenas o item I está certo;

(B)

Apenas o item II está certo;

(C)

Apenas os itens I e III estão certos;

(D)

Apenas os itens II e III estão certos.

(E)

Todos os itens estão corretos.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

33

(I) Correto. Corresponde exatamente ao decidido pelo STJ no REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 12/12/2018, DJe 17/12/2018 (Tema 972): “É abusiva a cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da despesa com o registro do pré-gravame, em contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada em vigor da Resolução CMN 3.954/2011, sendo válida a cláusula pactuada no período anterior a essa resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva”.

(II) Incorreto. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora (REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 12/12/2018, DJe 17/12/2018 (Tema 972)).

(III) Correto. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, contratos bancários em geral, o consumidor não pode ser compelido a contratar seguro com a instituição financeira ou com seguradora por ela indicada, como se extrai do REsp 1.639.259-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 12/12/2018, DJe 17/12/2018 (Tema 972).

Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 12/12/2018, DJe 17/12/2018 (Tema

23. A respeito da defesa do consumidor em juízo, assinale a opção correta:

(A) O Ministério Público possui legitimidade para pleitear, em demandas de saúde

contra os entes federativos, tratamentos médicos, exceto quando se tratar de feitos que contenham beneficiários individualizados.

(B) A Defensoria Pública tem legitimidade para ajuizar ação civil pública em defesa de

direitos individuais homogêneos de consumidores idosos, independentemente da

comprovação de hipossuficiência econômica dos beneficiários.

(C) Associação com fins específicos de proteção ao consumidor possui legitimidade para

o ajuizamento de ação civil pública com a finalidade de tutelar interesses coletivos de

beneficiários do seguro DPVAT.

(D) Em caso de ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não

fazer, o juiz deverá dar prioridade à conversão da obrigação em perdas e danos.

(E) O comerciante que indenize, em juízo, o consumidor lesado não poderá exercer o

direito de regresso contra os demais responsáveis pelo evento danoso nos mesmos autos nem requerer a denunciação da lide.

34

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Incorreta. REsp 1.682.836-SP, Rel. Min. Og Fernandes, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 25/04/2018, DJe 30/04/2018 (Tema 766): O Ministério Público

é parte legítima para pleitear tratamento médico ou entrega de medicamentos nas

demandas de saúde propostas contra os entes federativos, mesmo quando se tratar de feitos contendo beneficiários individualizados, porque se refere a direitos individuais

indisponíveis, na forma do art. 1º da Lei n. 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público).

art. 1º da Lei n. 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do Ministério Público). (B) Correta. Trata-se do

DIREITO CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA PROPOR AÇÃO CIVIL PÚBLICA EM DEFESA DE JURIDICAMENTE NECESSITADOS. A Defensoria Pública tem legitimidade para propor ação civil pública em defesa de interesses individuais homogêneos de consumidores idosos que tiveram plano de saúde reajustado em razão da mudança de faixa etária, ainda que os titulares não sejam carentes de recursos econômicos. A atuação primordial da Defensoria Pública, sem dúvida, é a assistência jurídica e a defesa dos necessitados econômicos. Entretanto, ela também exerce atividades de auxílio aos necessitados jurídicos, os quais não são, necessariamente, carentes de recursos econômicos. Isso ocorre, por exemplo, quando a Defensoria exerce as funções de curador especial (art. 9º, II, do CPC) e de defensor dativo (art. 265 do CPP). No caso, além do direito tutelado ser fundamental (direito à saúde), o grupo de consumidores potencialmente lesado é formado por idosos, cuja condição de vulnerabilidade já é reconhecida na própria Constituição Federal, a qual dispõe no art. 230 que: "A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida". Dessa forma, nos termos do assentado no julgamento do REsp 1.264.116-RS (Segunda Turma, DJe 13/4/2012), "A expressão 'necessitados' (art. 134, caput, da Constituição), que qualifica, orienta e enobrece a atuação da Defensoria Pública, deve ser entendida, no campo da Ação Civil Pública, em sentido amplo, de modo a incluir, ao lado dos estritamente carentes de recursos financeiros - os miseráveis e pobres -, os hipervulneráveis (isto é, os socialmente estigmatizados ou excluídos, as crianças, os idosos, as gerações futuras), enfim, todos aqueles que, como indivíduo ou classe, por conta de sua real debilidade perante abusos ou arbítrio dos detentores de poder econômico ou político, 'necessitem' da mão benevolente e solidarista do Estado para sua proteção, mesmo que contra o próprio Estado". EREsp 1.192.577-RS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 21/10/2015, DJe

13/11/2015.

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(C) Incorreta. A associação, nos termos da jurisprudência do STJ, mesmo que tenha fins

específicos de proteção ao consumidor, não possui legitimidade para o ajuizamento de ação civil pública com a finalidade de tutelar interesses coletivos de beneficiários do seguro DPVAT, conforme REsp 1.091.756-MG, Rel. Min. Marco Buzzi, Rel. Acd. Min.

Marco Aurélio Bellizze, por maioria, julgado em 13/12/2017, DJe 05/02/2018 (Informativo 618).

(D) Incorreta. Quando se tratar de obrigação de fazer e de não fazer, o juiz deverá dar

prioridade à concessão da tutela específica da obrigação, ou então deverá tomar providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento da obrigação. Somente quando não for possível uma ou outra solução, a título subsidiário, poderá ser convertida a obrigação em perdas e danos. Esse é o teor do art. 84 do CDC:

a título subsidiário, poderá ser convertida a obrigação em perdas e danos. Esse é o teor

Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.

§ 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será admissível se por elas

optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente.

§ 2° A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa (art. 287, do Código de Processo Civil).

§ 3° Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de

ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia, citado o réu.

§ 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor multa diária ao réu,

independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito.

§ 5° Para a tutela específica ou para a obtenção do resultado prático equivalente, poderá

o juiz determinar as medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas, desfazimento de obra, impedimento de atividade nociva, além de requisição de força policial.

(E) Incorreta. Nos termos do que dispõe o art. 13, parágrafo único, CDC, o comerciante que for acionado na condição de “comerciante presumido”, ou seja, nas hipóteses trazidas pelos incisos do art. 13 do Código Consumerista, poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis:

36

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior,

quando:

I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;

II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;

III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na

causação do evento danoso.

Devemos lembrar, de forma geral, que a denunciação da lide é vedada no CDC:

Art. 88. Na hipótese do art. 13, parágrafo único deste código, a ação de regresso poderá ser ajuizada em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide.

em processo autônomo, facultada a possibilidade de prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação da lide.

24. Considerando o entendimento do STJ acerca da relação do consumidor com as operadoras do plano de saúde, assinale a opção correta:

(A) As operadoras de saúde são obrigadas a custear medicamento importado, não

nacionalizado, mesmo sem registro pela ANVISA, desde que fundamentadamente receitado pelo médico competente.

(B) O reajuste de mensalidade de plano de saúde individual ou familiar fundado na

mudança de faixa etária do beneficiário é válido, sendo vedado ao Poder Judiciário

analisar a sua adequação ou razoabilidade.

(C) Cirurgia reparadora de mamoplastia, ainda que seja decorrente do tratamento da

obesidade mórbida, não poderá ser exigida do plano de saúde se inexistir previsão

contratual expressa para sua realização.

(D) Embora seja abusiva cláusula contratual que preveja a interrupção de tratamento

psicoterápico por esgotamento do número de consultas anuais asseguradas pela Agência Nacional de Saúde Complementar, o plano de saúde poderá cobrar coparticipação nas consultas excedentes.

(E) É válida a cláusula contratual excludente do custeio de medicamento prescrito e

ministrado pelo médico em ambiente domiciliar, desde que escrita em destaque, o que

permite a imediata e fácil compreensão do consumidor.

37

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Incorreta. As operadoras de plano de saúde não estão obrigadas a fornecer medicamento não registrado pela ANVISA, nos termos do REsp 1.712.163-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 08/11/2018, DJe 26/11/2018 (Tema 990).

(B) Incorreta. A jurisprudência do STJ inclina-se no sentido da validade do reajuste da

mensalidade dos planos de saúde individuais ou familiares em razão da mudança da faixa etária, mas não de maneira absoluta. Isso porque o reajuste deve respeitar os critérios da adequação e da razoabilidade, podendo, portanto, a proporcionalidade ser

o reajuste deve respeitar os critérios da adequação e da razoabilidade, podendo, portanto, a proporcionalidade ser

aferida pelo Poder Judiciário. Neste sentido, “É válida a cláusula, prevista em contrato

de seguro-saúde, que autoriza o aumento das mensalidades do seguro quando o usuário

completar sessenta anos de idade, desde que haja respeito aos limites e requisitos estabelecidos na Lei 9.656/1998 e, ainda, que não se apliquem índices de reajuste desarrazoados ou aleatórios, que onerem em demasia o segurado” (REsp 1.381.606-DF, Rel. originária Min. Nancy Andrighi, Rel. para acórdão Min. João Otávio De Noronha, julgado em 7/10/2014).

(C) Incorreta. Em razão de o tratamento da obesidade mórbida encontrar-se acobertado

pelo plano de saúde firmado (art. 10 da Lei n. 9.656/1998), a seguradora deve arcar com todos os tratamentos necessários à cura de tal patologia. Desse modo, não só a cirurgia bariátrica (ou outra pertinente) deve ser custeada pela seguradora, mas também as cirurgias destinadas à retirada do excesso de tecido epitelial (retirada do avental abdominal, mamoplastia redutora e a dermolipoctomia braçal), que lhes são

subsequentes ou consequentes, tal como na hipótese, em que firmado não terem essas intervenções natureza estética (excluída da incidência do referido artigo de lei). Essas cirurgias são prescritas como tratamento contra infecções e outras manifestações propensas a ocorrer nas regiões em que a pele dobra sobre si mesma. Daí que ilegítima

a recusa de cobrir essas cirurgias quando se revelam necessárias ao pleno

restabelecimento do segurado acometido da obesidade mórbida acobertada pelo plano

de saúde, sob pena de se frustrar a finalidade precípua do contrato. REsp 1.136.475-RS,

Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 4/3/2010

38

(D)

Correta. Há que se falar em abusividade, apenas, na cláusula contratual ou em ato

da

operadora de plano de saúde que importe em limitação/interrupção de tratamento

psicoterápico por esgotamento do número de sessões anuais asseguradas no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. No entanto, nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, as consultas excedentes podem ser cobradas e custeadas pelo consumidor e aderente no plano de saúde, desde que em regime de coparticipação (REsp 1.679.190-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, por unanimidade, julgado em

26/09/2017, DJe 02/10/2017).

(E) Incorreta. Nos termos da jurisprudência do STJ, ainda que, em contrato de plano de

saúde, exista cláusula que vede de forma absoluta o custeio do serviço de home care (tratamento domiciliar), a operadora do plano, diante da ausência de outras regras contratuais que disciplinem a utilização do serviço, será obrigada a custeá-lo em substituição à internação hospitalar contratualmente prevista, desde que haja: (i) condições estruturais da residência; (ii) real necessidade do atendimento domiciliar, com verificação do quadro clínico do paciente; (iii) indicação do médico assistente; (iv) solicitação da família; (v) concordância do paciente; e (vi) não afetação do equilíbrio contratual, como nas hipóteses em que o custo do atendimento domiciliar por dia não

(vi) não afetação do equilíbrio contratual, como nas hipóteses em que o custo do atendimento domiciliar

supera o custo diário em hospital (REsp 1.537.301-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/8/2015, DJe 23/10/2015 Informativo 571).

25. No que se refere à relação entre seguradoras e consumidores, assinale a opção correta à luz do Código de Defesa do Consumidor e do entendimento do STJ:

(A) A seguradora pode se recusar a contratar seguro se a pessoa proponente tiver

restrição financeira em órgãos de proteção ao crédito, mesmo que essa pessoa se

disponha a pronto pagamento do prêmio.

(B) Inexiste relação de consumo entre pessoa jurídica e seguradora em contrato de

seguro que vise à proteção do patrimônio dessa pessoa jurídica, em razão de tal contrato

configurar consumo intermediário.

(C) O contrato de seguro de vida pode vedar a cobertura de sinistro decorrente de

acidente de ato praticado pelo segurado em estado de embriaguez, mesmo quando

ocorrido após os dois primeiros anos do contrato.

(D) As normas protetivas do Código de Defesa do Consumidor aplicam-se aos contratos

de seguro facultativo e, subsidiariamente, ao seguro obrigatório do DPVAT.

39

(E) É abusiva a exclusão do seguro de acidentes pessoais em contrato de adesão para as hipóteses de intercorrências ou complicações consequentes da realização de exames, tratamentos clínicos ou cirúrgicos.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Incorreta. A seguradora não pode recusar a contratação de seguro a quem se

disponha a pronto pagamento se a justificativa se basear unicamente na restrição financeira do consumidor junto a órgãos de proteção ao crédito (REsp 1.594.024-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, por unanimidade, julgado em 27/11/2018, DJe

(REsp 1.594.024-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, por unanimidade, julgado em 27/11/2018, DJe 05/12/2018).

(B) Incorreta. Nos termos da jurisprudência já consolidada no STJ, que trata exatamente da hipótese prevista nesta assertiva, considera-se que há, sim, relação de consumo entre a seguradora e a concessionária de veículos que firmam seguro empresarial visando à proteção do patrimônio desta (destinação pessoal) - ainda que com o intuito de resguardar veículos utilizados em sua atividade comercial -, desde que o seguro não integre os produtos ou serviços oferecidos por esta (REsp 1.352.419-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 19/8/2014).

(C) Incorreta. O contrato de seguro de vida tem como finalidade a conferência de cobertura para o caso de superveniência do risco por ele previsto. Nos termos da jurisprudência do STJ, consolidada na Súmula 610, nem mesmo o suicídio não pode ser

coberto se já ultrapassados os dois primeiros anos da contratação: “O suicídio não é coberto nos dois primeiros anos de vigência do contrato de seguro de vida, ressalvado

o direito do beneficiário à devolução do montante da reserva técnica formada”. Esta conclusão pode ser extraída, também, do julgado abaixo, que se mostra ainda mais

específico:

EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DE VIDA PROPOSTA POR FAMILIARES BENEFICIÁRIOS DA COBERTURA. ACIDENTE DE TRÂNSITO. MORTE DO CONDUTOR SEGURADO. NEGATIVA DE COBERTURA PELA SEGURADORA. ALEGAÇÃO DE AGRAVAMENTO DE RISCO. INGESTÃO DE BEBIDA ALCOÓLICA. EMBRIAGUEZ DO SEGURADO. RELEVÂNCIA RELATIVA. ORIENTAÇÃO CONTIDA NA CARTA CIRCULAR SUSEP/DETEC/GAB n° 08/2007. PRECEDENTES. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS.

40

1.

Sob a vigência do Código Civil de 1916, à época dos fatos, a jurisprudência desta Corte

e

a do egrégio Supremo Tribunal Federal foi consolidada no sentido de que o seguro de

vida cobre até mesmo os casos de suicídio, desde que não tenha havido premeditação

(Súmulas 61/STJ e 105/STF).

2. Já em consonância com o novel Código Civil, a jurisprudência do Superior Tribunal de

Justiça consolidou seu entendimento para preconizar que "o legislador estabeleceu critério objetivo para regular a matéria, tornando irrelevante a discussão a respeito da premeditação da morte" e que, assim, a seguradora não está obrigada a indenizar

apenas o suicídio ocorrido dentro dos dois primeiros anos do contrato (AgRg nos EDcl nos EREsp 1.076.942/PR, Rel. p/ acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA).

3. Com mais razão, a cobertura do contrato de seguro de vida deve abranger os casos

de sinistros ou acidentes decorrentes de atos praticados pelo segurado em estado de insanidade mental, de alcoolismo ou sob efeito de substâncias tóxicas, ressalvado o suicídio ocorrido dentro dos dois primeiros anos do contrato. 4. Orientação da Superintendência de Seguros Privados na Carta Circular SUSEP/DETEC/GAB n° 08/2007: "1) Nos Seguros de Pessoas e Seguro de Danos, é VEDADA A EXCLUSÃO DE COBERTURA na hipótese de 'sinistros ou acidentes decorrentes

de Pessoas e Seguro de Danos, é VEDADA A EXCLUSÃO DE COBERTURA na hipótese de 'sinistros

de atos praticados pelo segurado em estado de insanidade mental, de alcoolismo ou sob efeito de substâncias tóxicas'; 2) Excepcionalmente, nos Seguros de Danos cujo bem segurado seja um VEÍCULO, é ADMITIDA A EXCLUSÃO DE COBERTURA para 'danos ocorridos quando verificado que o VEÍCULO SEGURADO foi conduzido por pessoa embriagada ou drogada, desde que a seguradora comprove que o sinistro ocorreu devido ao estado de embriaguez do condutor". Precedentes: REsp 1.665.701/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA; e AgInt no AREsp 1.081.746/SC, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA. 5. Embargos de divergência providos. (EREsp 973.725/SP, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 25/04/2018, DJe

02/05/2018).

(D) Incorreta. As normas protetivas do Código de Defesa do Consumidor não se aplicam ao seguro obrigatório (DPVAT), nos termos do REsp 1.635.398-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, por unanimidade, julgado em 17/10/2017, DJe 23/10/2017, tratado no Informativo 614 do STJ.

(E) Correta. Nos termos da recente e consolidada jurisprudência do STJ, “é abusiva a exclusão do seguro de acidentes pessoais em contrato de adesão para as hipóteses de:

I) gravidez, parto ou aborto e suas consequências; II) perturbações e intoxicações alimentares de qualquer espécie; e III) todas as intercorrências ou complicações consequentes da realização de exames, tratamentos clínicos ou cirúrgicos”. Trata-se do julgado no REsp 1.635.238-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 11/12/2018, DJe 13/12/2018 e que tem como informações do inteiro teor as tratadas abaixo:

41

“Salienta-se, de início, que da definição de acidente pessoal, veiculada por meio da Resolução CNSP n. 117/2004, da SUSEP, extrai-se que se trata de "evento com data caracterizada, exclusivo e diretamente externo, súbito, involuntário, violento, e causador de lesão física, que, por si só e independente de toda e qualquer outra causa, tenha como conseqüência direta a morte, ou a invalidez permanente, total ou parcial, do segurado, ou que torne necessário tratamento médico". Assim, sobressai como inequívoca a abusividade da restrição securitária em relação a gravidez, parto ou aborto e suas consequências, bem como as perturbações e intoxicações alimentares de qualquer espécie, pois não se pode atribuir ao aderente a ocorrência voluntária do acidente, isto é, a etiologia do acidente não revela qualquer participação do segurado na causação da lesão física, seja pela ingestão de alimentos, seja pelos eventos afetos à gestação. No entanto, remanesce a discussão relativa à exclusão securitária de todas as intercorrências ou complicações consequentes da realização de exames, tratamentos clínicos ou cirúrgicos, quando não decorrentes de acidente coberto. Neste ponto,

da realização de exames, tratamentos clínicos ou cirúrgicos, quando não decorrentes de acidente coberto. Neste ponto,

percebe-se que a generalidade da cláusula poderia abarcar inúmeras situações que definitivamente não teriam qualquer participação do segurado na sua produção. Inserir cláusula de exclusão de risco em contrato padrão, cuja abstração e generalidade abarquem até mesmo as situações de legítimo interesse do segurado quando da contratação da proposta, representa imposição de desvantagem exagerada ao consumidor, por confiscar-lhe justamente o conteúdo para o qual se dispôs ao pagamento do prêmio”.

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

26. Com relação ao direito fundamental das crianças à educação, julgue os itens a seguir

à luz do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do entendimento dos tribunais superiores.

I - Direito social fundamental,

constitucional programática que orienta os gestores públicos dos entes federativos.

a educação infantil constitui norma de natureza

II - Em se tratando de questões que envolvam a educação infantil, poderá o juiz, ao julgá-

las, sensibilizar-se diante da limitação da reserva do possível do Estado, especialmente da previsão orçamentária e da disponibilidade financeira.

42

III - O Poder Judiciário não pode impor à administração pública o fornecimento de vaga

em creche para menor, sob pena de contaminação da separação das funções do Estado moderno.

Assinale a opção correta.

(A)

Nenhum item está certo.

(B)

Apenas o item I está certo.

(C)

Apenas o item II está certo.

(D)

Apenas os itens I e III estão certos.

(E)

Apenas os itens II e III estão certos.

item II está certo. (D) Apenas os itens I e III estão certos. (E) Apenas os

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.

(I) Incorreto. As normas que tratam de direitos fundamentais dos menores não têm natureza programática, tendo aplicação imediata (art. 5º, § 1º da CF).

(II) Incorreto. Impossível a alegação da reserva do possível em razão do princípio da

prioridade absoluta aplicável aos menores.

Art. 4º do ECA (e art. 227 da CF) - É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, COM ABSOLUTA PRIORIDADE, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção

e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços

públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas

relacionadas com a proteção à infância e à juventude.

43

(III) Incorreto. Possível a atuação do Poder Judiciário na garantia de direitos sociais, não

havendo violação a separação dos poderes (ADPF 45).

27. A Defensoria Pública (DP) apresentou defesa em processo no qual foi proferida, pelo juiz, sentença homologatória de remissão cumulada com medida socioeducativa de liberdade assistida, concedida a adolescente pelo Ministério Público (MP), na ocasião de oitiva informal, alegando o que se afirma nos itens a seguir.

I - Nulidade da oitiva informal do MP por ausência da defesa técnica.

II - Nulidade da sentença homologatória dos termos determinados pelo MP em razão da ausência da defesa técnica.

III - Impossibilidade de o MP conceder remissão cumulada com medida socioeducativa

de liberdade assistida.

técnica. III - Impossibilidade de o MP conceder remissão cumulada com medida socioeducativa de liberdade assistida.

Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta acerca das alegações da DP.

(A)

Apenas o item I está certo.

(B)

Apenas o item II está certo.

(C)

Apenas os itens I e III estão certos.

(D)

Apenas os itens II e III estão certos.

(E)

Todos os itens estão certos.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.

44

(I) Incorreto. Art. 179 do ECA - Apresentado o adolescente, o representante do

Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência

ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação

sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente à sua oitiva

e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.

A oitiva informal é ato extrajudicial, no qual a ausência de defensor do menor poderia

levar ao reconhecimento de mera irregularidade, não de nulidade. Assim entendeu a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao julgar habeas corpus que alegava existir nulidade supostamente ocorrida em razão da ausência de defensor durante o

procedimento do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

(II)

satisfatoriamente a questão, a liminar deve ser deferida, de ofício. Isto, porque, ainda que admita a jurisprudência a falta de defesa técnica na oitiva com o Ministério Público,

Em que pese o Tribunal de origem não tenha debatido

Correto.

“(

)

a ausência do defensor na apresentação em Juízo e na sentença homologatória

evidencia a ilegalidade, sendo violado o princípio da ampla defesa. No mesmo sentido:

HABEAS CORPUS. ECA. REMISSÃO CONCEDIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO AO

PACIENTE, COMO FORMA DE EXCLUSÃO DOS PROCEDIMENTOS, CUMULADA COM

ECA. REMISSÃO CONCEDIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO AO PACIENTE, COMO FORMA DE EXCLUSÃO DOS PROCEDIMENTOS, CUMULADA COM

MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE. CUMPRIMENTO DAS MEDIDAS POR PRECATÓRIA. AUSÊNCIA DE DEFESA TÉCNICA EM JUÍZO QUANDO DA HOMOLOGAÇÃO. ILEGALIDADE FLAGRANTE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. ANULAÇÃO DO PROCEDIMENTO. INCOMPETÊNCIA DO TRIBUNAL A QUO PARA REVISAR DECISÃO PROFERIDA PELO JUÍZO DEPRECANTE. SUPRESSÃO DE

INSTÂNCIA. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. (

)”

HC Nº 435.209 – DF

(III) Incorreto. Art. 127 do ECA - A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes, PODENDO INCLUIR EVENTUALMENTE A APLICAÇÃO DE QUALQUER DAS MEDIDAS PREVISTAS EM LEI (REMISSÃO IMPRÓPRIA), exceto a colocação em regime de semi-liberdade e a internação.

28. A respeito de aspectos processuais da justiça da infância e da juventude, assinale a opção correta à luz das disposições do ECA e do entendimento do STJ.

(A) O juiz, caso entenda indispensável estudo psicossocial para a formação de sua

convicção, poderá determinar a intervenção de equipe interprofissional no procedimento de habilitação de pretendentes à adoção.

45

(B) Decretar liminarmente o afastamento provisório de dirigente de entidade de

atendimento de infantes sem a oitiva prévia é vedado ao juiz.

(C) Durante o curso da ação de destituição de poder familiar, é possível a modificação

da competência em razão da alteração do domicílio dos menores, o que relativiza a regra

da perpetuatio jurisdictionis, que impõe a estabilização da competência.

(D) No procedimento para aplicação de medida socioeducativa, havendo a confissão do

adolescente, o juiz poderá homologar a desistência de produção de demais provas requeridas pelo MP ou pela defesa técnica.

(E) No caso de procedimentos previstos no ECA, o MP detém a prerrogativa processual de contagem em dobro dos prazos recursais.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

no ECA, o MP detém a prerrogativa processual de contagem em dobro dos prazos recursais. RESPOSTA:

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão e no material da turma de reta final.

(A) Incorreta. Art. 50, § 3º do ECA - A inscrição de postulantes à adoção SERÁ precedida de um período de preparação psicossocial e jurídica, orientado pela equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar.

(B) Incorreta. Art. 191, parágrafo único do ECA - Havendo motivo grave, poderá a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, decretar liminarmente o afastamento provisório do dirigente da entidade, mediante decisão fundamentada.

(C) Correta. Segundo o STJ deve-se sempre levar em consideração o princípio do melhor interesse de criança, sendo até mesmo possível afastar outros princípios, como o da perpetuatio jurisdictionis, previsto no art. 43 do NCPC.

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS PROMOVIDA POR MENOR. MUDANÇA DE DOMICÍLIO DO EXEQUENTE NO CURSO DA LIDE. MENOR HIPOSSUFICIENTE. INTERESSE PREPONDERANTE DESTE. MITIGAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PERPETUATIO JURISDICTIONIS (ART. 87 DO CPC). MUDANÇA PARA O MESMO FORO DE DOMICÍLIO DO GENITOR/ALIMENTANTE. CONFLITO CONHECIDO. 1. A mudança de domicílio do autor da ação de alimentos durante o curso do processo não é, em regra, suficiente para alteração da competência para o julgamento do feito, prevalecendo o princípio da perpetuatio jurisdictionis, previsto no art. 87 do CPC, segundo o qual a competência se define no momento da propositura da ação, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia. 2. Entretanto, "o princípio do juízo imediato, previsto no art. 147, I e II, do ECA, desde que firmemente atrelado ao princípio do melhor interesse da criança e do adolescente, sobrepõe-se às regras gerais de competência do CPC". Assim, "a regra da perpetuatio jurisdictionis, estabelecida no art. 87 do CPC, cede lugar à solução que oferece tutela jurisdicional mais ágil, eficaz e segura ao infante, permitindo, desse modo, a modificação da competência no curso do processo, sempre consideradas as peculiaridades da lide" (CC 111.130/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, DJe de 1º/2/2011). 3. O caráter continuativo da relação jurídica alimentar, conjugado com a índole social da ação de alimentos, autoriza que se mitigue a regra da perpetuatio jurisdictionis. 4. Atenta a essas circunstâncias, já decidiu esta colenda Corte Superior que o foro competente para a execução de alimentos é o do domicílio ou da residência do alimentando (art. 100, II, do CPC), mesmo na hipótese em que o título

46

é o do domicílio ou da residência do alimentando (art. 100, II, do CPC), mesmo na

judicial exequendo seja oriundo de foro diverso. Nesse caso, a especialidade da norma insculpida no art. 100, II, do CPC prevalece sobre aquela prevista no art. 575, II, do mesmo diploma legal. 5. Assim, se a mudança de domicílio do menor alimentando ocorrer durante o curso da ação de execução de alimentos, como ocorreu na hipótese, não parece razoável que, por aplicação rígida de regras de estabilidade da lide, de marcante relevância para outros casos, se afaste a possibilidade de mitigação da regra da perpetuatio jurisdictionis. 6. Ademais, no caso em tela, o menor e a genitora se mudaram para o mesmo foro do domicílio do genitor, nada justificando a manutenção do curso da lide na comarca originária, nem mesmo o interesse do próprio alimentante. 7. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direito da 3ª Vara de Cajazeiras - PB. (CC 134.471/PB, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 27/05/2015, DJe 03/08/2015).

(D) Incorreta. Súmula 342 do STJ - No procedimento para aplicação de medida sócio-

educativa, é NULA a desistência de outras provas em face da confissão do adolescente.

(E) Incorreta. Art. 152, § 2º do ECA - Os prazos estabelecidos nesta Lei e aplicáveis aos

seus procedimentos são contados em DIAS CORRIDOS, EXCLUÍDO O DIA DO COMEÇO E

INCLUÍDO O DIA DO VENCIMENTO, VEDADO O PRAZO EM DOBRO PARA A FAZENDA PÚBLICA E O MINISTÉRIO PÚBLICO. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)

47

29. Determinado sujeito, maior e imputável, adquiriu em sítio da Internet vídeos com cenas de pornografia que envolviam adolescentes e os armazenou em seu computador. Posteriormente, transmitiu esses vídeos, por meio de aplicativo de mensagem instantânea, a dois amigos adolescentes.

Considerando essa situação hipotética, é correto afirmar, de acordo com as disposições do ECA e com o entendimento do STJ, que o sujeito praticou

(A)

condutas consideradas atípicas.

(B)

duas condutas típicas, porém, em aplicação ao princípio da consunção, a primeira

restou absorvida pela segunda.

(C)

condutas que caracterizam dois crimes em continuidade delitiva.

(D)

condutas que caracterizam dois crimes em concurso material.

(E)

condutas que caracterizam dois crimes em concurso formal.

que caracterizam dois crimes em concurso material. (E) condutas que caracterizam dois crimes em concurso formal.
RESPOSTA: D COMENTÁRIOS Art. 241-A do ECA - Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

Art. 241-A do ECA - Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Art. 241-B do ECA - Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

“Trata-se de agravo contra decisão que obstaculizou recurso especial manejado em adversidade a acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que deixou de reconhecer a consunção do delito do art. 241-B pelo crime do art. 241-A, além da atenuante da confissão espontânea, como se vê dos termos da seguinte ementa (e-STJ fl. 326): DIREITO PROCESSUAL PENAL. COMPARTILHAMENTO E ARMAZENAMENTO DE PORNOGRAFIA INFANTIL. ARTIGOS 241-A E 241-B DA LEI 8069/90. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DA ATENUANTE DA CONFISSÃO E DA CONTINUIDADE DELITIVA. 1. O princípio da consunção não é aplicável aos delitos

previstos nos artigos 241-A e 241-B da Lei 8.069/90, pois abrangem condutas diversas.

)” (

(AREsp 1106543 STJ)

48

30. Considerando o entendimento do STJ, assinale a opção correta acerca da Lei n.º 12.594/2012, que institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE).

(A) É direito absoluto do adolescente ser incluído em programa de meio aberto quando

inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade no domicílio de

sua residência familiar.

(B) O juiz deverá ouvir a defesa técnica antes de decidir a respeito do pedido de

regressão da medida socioeducativa, sendo dispensável, no entanto, a oitiva do adolescente.

a respeito do pedido de regressão da medida socioeducativa, sendo dispensável, no entanto, a oitiva do

(C)

É garantido aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de

internação o direito de receber visita de filhos, desde que maiores de dois anos de idade.

(D) Cabe ao diretor da entidade de atendimento socioeducativo designar socioeducando

com bom comportamento para desempenhar função de apuração e aplicação de sanção disciplinar.

(E) É vedado ao juiz aplicar nova medida de internação, por ato infracional praticado

anteriormente, a adolescente que já tenha concluído o cumprimento de medida

socioeducativa dessa natureza.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.

(A) Incorreta. A Lei nº 12.594/2012 (Lei do SINASE) prevê que é direito do adolescente

submetido ao cumprimento de medida socioeducativa "ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa, quando o adolescente deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de residência". Entendeu o STF que o simples fato de não haver vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade em unidade próxima da residência do adolescente infrator não impõe a sua inclusão em programa de meio aberto, devendo-se considerar o que foi verificado durante o processo de apuração da prática do ato infracional, bem como os relatórios técnicos profissionais. Dessa forma, a regra prevista no art. 49, II, do SINASE deve ser aplicada de acordo com o caso concreto, observando-se as situações específicas do adolescente, do ato infracional praticado, bem como do relatório técnico e/ou plano individual de atendimento. STJ. 6ª Turma. HC 338.517-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015 (Info 576).

49

(B) Incorreta. Súmula 265 do STJ - É necessária a oitiva do menor infrator antes de

decretar-se a regressão da medida sócio-educativa.

(C) Incorreta. Art. 19, § 4º do ECA -Será garantida a convivência da criança e do

adolescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente de autorização judicial.

ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente de autorização judicial.

(D)

Incorreta. Art. 73 da Lei 12.594/2012 - Nenhum socioeducando poderá

desempenhar função ou tarefa de apuração disciplinar ou aplicação de sanção nas entidades de atendimento socioeducativo.

(E) Incorreta. Art. 45, § 2º da Lei 12.594/2012 - É vedado à autoridade judiciária aplicar nova medida de internação, por atos infracionais praticados anteriormente, a adolescente que já tenha concluído cumprimento de medida socioeducativa dessa natureza, ou que tenha sido transferido para cumprimento de medida menos rigorosa, sendo tais atos absorvidos por aqueles aos quais se impôs a medida socioeducativa extrema.

50

de medida menos rigorosa, sendo tais atos absorvidos por aqueles aos quais se impôs a medida

BLOCO II

DIREITO PENAL

31. À luz das disposições do Código Penal acerca do erro, julgue os itens a seguir.

I. De acordo com a teoria da culpabilidade adotada pelo Código Penal, todo erro que recai sobre uma causa de justificação configura erro de proibição.

II. No chamado aberratio ictus, quando, por acidente ou erro no uso dos meios de

execução, em vez de vitimar a pessoa que pretendia ofender, o agente atingir pessoa

diversa, consideram-se as condições e qualidades não da vítima, mas da pessoa que o agente pretendia atingir.

III. O erro sobre elemento constitutivo do tipo penal exclui o dolo, se inevitável, ou

diminui a pena de um sexto a um terço, se evitável.

IV. Constitui crime impossível a prática de conduta delituosa induzida por terceiro que

assegure a impossibilidade fática da consumação do delito.

Estão certos apenas os itens

(A)

I e III.

(B)

I e IV.

(C)

II e IV.

(D)

I, II e III.

(E)

II, III e IV.

51

RESPOSTA: C

(A) I e III. (B) I e IV. (C) II e IV. (D) I, II e

COMENTÁRIOS

(I) Incorreta. O erro que recai sobre as circunstâncias fáticas atinentes a uma causa de justificação (falsa percepção da realidade) constitui erro de tipo permissivo. Exemplo é a legítima defesa putativa.

(II) Correta. A aberratio ictus ou erro na execução está prevista no art. 73 do Código

Penal: Art. 73 – “Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código”. Consideram-se portanto as qualidades da vítima virtual, aquela que o agente queria atingir, e não da vítima real, a efetivamente atingida.

(III) Incorreta. Conforme o art. 20, o erro de tipo evitável faz com que o agente responda

por crime culposo, se houver previsão da modalidade culposa para o respectivo delito.

(IV) Correta. Se há impossibilidade fática de consumação, em decorrência de ineficácia absoluta do meio ou absoluta impropriedade do objeto, incide o art. 17 do Código Penal.

52

32. Em cada uma das opções a seguir, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, a respeito da substituição das penas privativas de liberdade por penas restritivas de direitos.

(A) Antônio, com anterior condenação transitada em julgado pelo delito de dano ao

patrimônio público, foi processado e condenado à pena privativa de liberdade de um ano e dois meses de reclusão pelo cometimento do delito de receptação. Nessa situação, em razão da reincidência criminal em crime doloso, não é cabível a substituição da pena corporal imposta a Antônio por pena restritiva de direitos.

(B) Manoel foi processado e condenado pela prática de violência física, de ameaça e de

lesão corporal em contexto de violência doméstica contra a mulher, tendo-lhe sido impostas as penas privativas de liberdade de quinze dias de prisão simples e de três meses e um mês de detenção, em regime aberto. Nessa situação, somente é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em relação à contravenção de violência física.

da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos em relação à contravenção de violência física.

(C)

Pedro, réu primário, foi processado e condenado pela prática de delito de roubo

simples na modalidade tentada, tendo-lhe sido imposta pena privativa de liberdade de dois anos e oito meses de reclusão, em regime aberto. Nessa situação, a pena privativa de liberdade imposta a Pedro poderá ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas penas restritivas de direitos.

(D) Alberto, réu primário e em circunstâncias judiciais favoráveis, praticou crime de

homicídio culposo qualificado ao conduzir embriagado veículo automotor. Em razão dessa conduta, ele foi processado e condenado ao cumprimento de pena privative de

liberdade de cinco anos de reclusão, inicialmente em regime semiaberto. Nessa hipótese, o quantum de pena fixado não impede a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.

(E) João foi processado e condenado à pena privativa de Liberdade de um ano e oito

meses de reclusão, em regime aberto, pela prática de delito de tráfico de drogas na forma privilegiada. Nessa hipótese, haja vista a condenação por delito equiparável a hediondo, não é admitida a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

53

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Incorreta. O art. 44, §3º do CP admite a possibilidade de substituição de pena para

reincidente em crime doloso quando a reincidência for pela prática de crime diverso.

(B) Incorreta. Súmula 588 do STJ: “A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos”.

(C) Incorreta. Não é possível a substituição em crime praticado com violência ou grave

ameaça, em razão do disposto no art. 44, I do Código Penal.

(D) Correta. Art. 44, I do Código Penal. Permite-se a substituição em crime culposo, ainda

que a pena aplicada seja superior a 4 anos.

44, I do Código Penal. Permite-se a substituição em crime culposo, ainda que a pena aplicada

(E) Incorreta. É possível a substituição, segundo o STF, para o tráfico de drogas. Ademais,

o tráfico privilegiado não é equiparado a hediondo, conforme os tribunais superiores.

33. Conforme o Código Penal e a legislação aplicável, constitui efeito automático da condenação criminal, que independe de expressa motivação em sentença,

(A) nos casos de crime doloso sujeito à pena de reclusão cometido contra filho, tutelado

ou curatelado, a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela.

(B) nos casos de crimes praticados com violação de dever para com a administração

pública, a perda de cargo ou função pública, quando aplicada pena privativa de

liberdade igual ou superior a um ano.

(C) nos casos de servidor público condenado pela prática de crime resultante de

discriminação ou preconceito de raça, cor, religião ou procedência nacional, a perda do

cargo ou da função pública.

(D) nos casos de condenação pela prática de crime falimentar, a inabilitação para o

exercício de atividade empresarial, pelo prazo de cinco anos após a extinção da

punibilidade.

54

(E) no caso de servidor público condenado pela prática de crime de tortura, a perda do

cargo ou da função pública e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

(A)

Não é automático. Art. 92, II, parágrafo único do CP.

(B)

Não é automático. Art. 92, I, “a” e parágrafo único do CP.

(C)

Não é automático. Arts. 16 e 18 da Lei 7.716/89.

(C) Não é automático. Arts. 16 e 18 da Lei 7.716/89. (D) Não á automático. Art.

(E)

É automático. Art. 1º, §5º, lei 9.455/97.

34. Com relação a crimes contra a honra, assinale a opção correta.

(A) O crime de calúnia se consuma no momento em que o ofendido toma conhecimento

da imputação falsa contra si.

(B)

Calúnia contra indivíduo falecido não se enquadra como crime contra a honra.

(C)

A exceção da verdade é admitida em caso de delito de difamação contra funcionário

público no exercício de suas funções.

(D) A retratação cabal do agente da calúnia ou da difamação após o recebimento da

ação penal é causa de diminuição de pena.

(E) O delito de injúria racial se processa mediante ação penal pública incondicionada.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

55

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Incorreta. A calúnia viola a honra objetiva, consumando-se quando terceiros tomam

conhecimento da ofensa.

(B)

Incorreta. É punível a calúnia contra os mortos (art. 138, §2º do CP).

(C)

Correta. Art. 139, p.único, CP.

(D) Incorreta. A retratação da calúnia ou da difamação até a sentença isenta de pena (extingue a punibilidade art. 143 do CP).

(E) Incorreta. A ação é pública condicionada à representação (art. 145, parágrafo único

do CP).

art. 143 do CP). (E) Incorreta. A ação é pública condicionada à representação (art. 145, parágrafo

35. Joaquim, fiscal de vigilância sanitária de determinado município brasileiro, estava licenciado do seu cargo público quando exigiu de Paulo determinada vantagem econômica indevida para si, em função do seu cargo público, a fim de evitar a ação da fiscalização no estabelecimento comercial de Paulo.

Nessa situação hipotética, Joaquim praticou o delito de

(A)

constrangimento ilegal.

(B)

extorsão.

(C)

corrupção passiva.

(D)

concussão.

(E)

excesso de exação

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

56

Trata-se de crime contra a Administração Pública, previsto no art. 316 do Código Penal:

“Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida. Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa”.

Não se trata de constrangimento ilegal ou extorsão, pois o crime foi praticado em razão da função. Não se trata de excesso de exação, pois não houve exigência do pagamento de tributo ou contribuição social.

36. À luz do entendimento do STJ, assinale a opção correta a respeito de faltas disciplinares cometidas no curso da execução penal.

(A) A prescrição de faltas disciplinares de natureza grave regula-se pelo menor dos

prazos prescricionais previstos no Código Penal, que é de três anos.

de natureza grave regula-se pelo menor dos prazos prescricionais previstos no Código Penal, que é de

(B) A prática de falta grave interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional

e para a progressão de regime de cumprimento da pena.

(C) A prática de falta grave interrompe automaticamente os prazos para concessão de

indulto e de comutação de pena.

(D) O reconhecimento de falta grave decorrente da prática de fato definido como crime

doloso no curso da execução penal é condicionado ao trânsito em julgado da sentença condenatória.

(E) O cometimento de falta grave implica a perda de até a totalidade dos dias remidos

por trabalho ou por estudo.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

(A) Correta. STJ HC 111.650 RS – Informativo 479: “É consabido que a prescrição da

falta grave deve ser regulada pelo menor prazo previsto no art. 109 do CP”.

57

(B) Incorreta. Súmula 441 do STJ: “A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional”.

(C) Incorreta. Súmula 535 do STJ: “A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de pena ou indulto”.

(D) Incorreta. Súmula 526 do STJ: “O reconhecimento de falta grave decorrente do

cometimento de fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato”.

(E) Incorreta. STJ - AgRg no REsp 1.430.097-PR – “A prática de falta grave impõe a

decretação da perda de até 1/3 dos dias remidos, devendo a expressão "poderá" contida no art. 127 da Lei 7.210/1984, com a redação que lhe foi conferida pela Lei 12.432/2011, ser interpretada como verdadeiro poder-dever do magistrado, ficando no juízo de discricionariedade do julgador apenas a fração da perda, que terá como limite máximo 1/3 dos dias remidos.”

de discricionariedade do julgador apenas a fração da perda, que terá como limite máximo 1/3 dos

37. Julgue os itens a seguir com base no Código Penal e na jurisprudência do STJ.

I. Um indivíduo poderá responder criminalmente por violação sexual mediante fraude, caso pratique frotteurismo contra uma mulher em uma parada de ônibus coletivo lotada, sem o consentimento dela.

II. Nos casos de parcelamento de contribuições previdenciárias cujo valor seja superior ao estabelecido administrativamente como sendo o mínimo para ajuizamento de suas execuções fiscais, é vedado ao juiz aplicar somente a pena de multa ao agente, ainda que ele seja réu primário.

III. Tanto ao agente, maior e capaz, que praticar o crime de estupro coletivo quanto ao agente, maior e capaz, que praticar o crime de estupro corretivo será aplicada a mesma majorante de pena in abstrato.

IV. Situação hipotética: Um homem, em 31/12/2018, por volta das cinco horas da madrugada, com a intenção de obter vantagem pecuniária, explodiu um caixa eletrônico situado em um posto de combustível. Assertiva: De acordo com o STJ, ele responderá criminalmente por furto qualificado em concurso formal impróprio com o crime de explosão majorada.

Estão certos apenas os itens

(A)

I e II.

(B)

II e III.

(C)

III e IV.

(D)

I, II e IV.

(E)

I, III e IV

58

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

(I) Incorreto. Responde pelo art. 215-A do Código Penal (importunação sexual).

I, III e IV 58 RESPOSTA: B COMENTÁRIOS (I) Incorreto. Responde pelo art. 215-A do Código

(II)

Correto. Para a obtenção do benefício, o valor tem que ser inferior ao estabelecido

administrativamente como sendo o mínimo para ajuizamento de suas execuções fiscais. Portanto, se o valor for superior é vedado ao juiz aplicar somente a pena de multa.

(III) Correto. Art. 226, IV do Código Penal.

(IV) Incorreto. Responde somente pelo art. 155, §4º - A do Código Penal (furto qualificado pelo emprego de explosivo).

38. Acerca de punibilidade e de suas causas de extinção, assinale a opção correta de acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores.

(A) As escusas absolutórias são formuladas de modo positivo, e a sua presença afasta a

punibilidade do crime.

(B) Nos delitos de punibilidade condicionada, o termo inicial da prescrição não começa

a correr a partir do dia em que o crime tenha se consumado.

59

(C) Às medidas de segurança não se aplica a incidência do indulto por não serem elas

espécie de pena em sentido estrito.

(D) Compete ao magistrado que conduza a ação penal lançar a decisão judicial que

reconheça a anistia e declare a extinção da punibilidade, mesmo quando a ação penal

estiver no tribunal.

(E) Nos crimes conexos, a prescrição e a consequente extinção de punibilidade de um

dos crimes alcançam a majorante da pena resultante da conexão e incidente no(s) outro(s) crime(s).

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

pena resultante da conexão e incidente no(s) outro(s) crime(s). RESPOSTA: B COMENTÁRIOS QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO!

(A) Incorreta. Entende a doutrina que são formuladas de modo negative, como ensina

Luiz Regis Prado: “As condições objetivas de punibilidade são estruturadas de forma objetiva, isto é, seu advento fundamenta a punibilidade do delito; já as escusas absolutórias são formuladas de modo negativo, afastando a punibilidade do mesmo. Assim, em ambas situações, o crime encontra-se perfeitamente estruturado, somente a possibilidade de aplicação da pena é sobrestado por considerações político-criminais, conclui Régis Prado (Curso de Direito Penal – ed. 2004)”. Em suma, as escusas absolutórias indicam o que deve ocorrer para não haver punição, enquanto as condições objetivas da punibilidade indicam o que deve ocorrer para haver punição.

(B) Item passível de recurso, pois no crime do art. 1º da lei 8.137/90 é a consumação

que é levada em conta para o início do prazo prescricional e não o preenchimento da condição objetiva de punibilidade de encerramento do procedimento fiscal. STJ -HC 219.752: “A contagem do prazo prescricional em relação ao crime previsto no art. 1º da Lei n. 8.137/1990 inicia-se no momento da constituição definitiva do crédito tributário, ocasião em que é, efetivamente, consumado o delito e preenchida a condição objetiva de punibilidade necessária para a deflagração da ação penal”.

(C) Incorreta. STJ – HC 113.993/RS : “O Decreto n.º 7.046, de 22 de dezembro de 2009,

concedeu indulto às pessoas que sofreram aplicação de medida de segurança, por meio de sentença absolutória imprópria, nas modalidades de privação da liberdade, internação ou tratamento ambulatorial, por prazo igual ou superior ao prazo máximo da pena abstratamente cominada ou, no casos de doença mental superveniente, por prazo igual ao superior à pena in concreto, independentemente da cessação da

periculosidade”.

60

(D) Incorreta. As causas de extinção da punibilidade podem ser reconhecidas de ofício,

em qualquer fase do processo (art. 61 do CPP). Portanto, se ação penal estiver no Tribunal, caberá a ele lançar a decisão judicial que reconheça a anistia e declare extinta a punibilidade.

(E) Incorreta. Art. 119 do Código Penal: “No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um, isoladamente”.

39. Constitui uma das características do direito penal do inimigo

(A)

a legislação diferenciada.

(B)

a punição a partir de atos executórios.

do direito penal do inimigo (A) a legislação diferenciada. (B) a punição a partir de atos

(C)

a não utilização de medidas de segurança.

(D)

a observância das garantias processuais penais.

(E)

o abrandamento das penas na antecipação da tutela penal.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

De fato, a legislação diferenciada para aqueles considerados “inimigos” é uma das características do Direito Penal do Inimigo de Gunther Jakobs (ex: lei de crimes hediondos, lei de terrorismo, etc). O Direito Penal do inimigo também prevê a punição a partir de atos preparatórios. É possível a utilização de medidas de segurança. As garantias processuais penais tradicionais são flexibilizadas ou suprimidas e não há abrandamento das penas.

61

40. O estudo das teorias relaciona-se intimamente com as finalidades da pena. Nesse sentido, a teoria que sustenta que a única função efetivamente desempenhada pela pena seria a neutralização do condenado, especialmente quando a prisão acarreta seu afastamento da sociedade, é a teoria

(A)

das janelas quebradas.

(B)

relativa.

(C)

unificadora.

(D)

absoluta.

(E)

agnóstica.

RESPOSTA: E

janelas quebradas. (B) relativa. (C) unificadora. (D) absoluta. (E) agnóstica. RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

A teoria agnóstica, que tem como precursor Eugenio Raul Zaffaroni, indica que a pena não tem nenhum efeito ressocializador, tendo como objetivo único a neutralização do indivíduo.

41. Mara, pretendendo tirar a vida de Ana, ao avistá-la na companhia da irmã, Sandra, em um restaurante, ainda que consciente da possibilidade de alvejar Sandra, efetuou um disparo, que alvejou letalmente Ana e feriu gravemente Sandra. Nessa situação hipotética, assinale a opção correta relativa ao instituto do erro.

(A) Devido à aberratio ictus, Mara responderá somente pelo homicídio de Ana, visto que

o dolo estava direcionado a esta, havendo absorção do crime de lesão corporal cometido contra Sandra.

(B) Mara responderá por homicídio doloso consumado em relação à Ana e por tentativa

de homicídio em relação à irmã desta.

(C) Em concurso formal imperfeito, Mara responderá pelo homicídio de Ana e pela lesão

corporal de Sandra.

62

(D)

Mara incidiu em delito putativo por erro de tipo em unidade complexa.

(E)

Excluído o dolo e permitida a punição por crime culposo, se essa modalidade for

prevista em lei, Mara terá incidido em erro de tipo essencial escusável contra a irmã de

Ana.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO!

Entendemos que o enunciado permite 2 interpretações, pois a assertiva B também é resposta viável, se considerarmos um possível dolo eventual em relação a Sandra, sendo possível, neste contexto, uma imputação por tentativa de homicídio (para a corrente minoritária que admite tentativa em dolo eventual).

uma imputação por tentativa de homicídio (para a corrente minoritária que admite tentativa em dolo eventual).
42. A respeito da classificação dos crimes, assinale a opção correta (A) O crime de

42. A respeito da classificação dos crimes, assinale a opção correta

(A) O crime de associação criminosa configura-se como crime obstáculo; o de falsidade

documental para cometimento de estelionato é crime de atitude pessoal.

(B) O crime de uso de documento falso configura-se como crime remetido; e o de uso

de petrechos para falsificação de moeda, como crime obstáculo.

(C) O crime de tráfico de drogas configura-se como crime vago; o de extorsão mediante

sequestro constitui crime profissional.

(D) O crime de falso testemunho configura-se como crime de tendência; e o de injúria,

como crime de ação astuciosa.

(E) O crime de rufianismo configura-se como crime de intenção; o de curandeirismo

constitui crime de olvido.

63

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. De fato, a associação criminosa é crime-obstáculo (incriminação antecipada) mas a falsidade documental para cometimento de estelionato não é crime de atitude pessoal (delito de tendência), pois a falsificação do documento configura crime por si só, bastando o dolo genérico de falsificar, independentemente de dolo específico.

(B) Correta. O crime de uso de documento falso é de tipo remetido, pois a redação do

tipo penal faz referência (remete) aos arts. 297 a 302. O crime de petrechos de falsificação de moeda é crime-obstáculo (incriminação antecipada, independente da

efetiva falsificação).

(C) Incorreta. O tráfico de drogas de forma genérica é crime vago (sem vítima específica,

pois a vítima é a coletividade e o bem jurídico é a saúde pública). Já o crime de extorsão

mediante sequestro não é crime profissional, pois não se exige que seja praticado no exercício da profissão ou em razão dela.

sequestro não é crime profissional, pois não se exige que seja praticado no exercício da profissão

(D)

Incorreta. O crime de falso testemunho é de ação astuciosa, pois vale-se o agente de

uma fraude, uma mentira, quando da sua prática. Já a injuria é delito de tendência, pois

é necessário o dolo específico de violar a honra subjetiva alheia.

(E) Incorreta. A doutrina entende que no rufianismo há crime de intenção, pois o dolo

específico é tirar proveito da prostituição alheia. Os crimes de olvido são os crimes omissivos impróprios culposos, não se enquadrando o curandeirismo, que não admite a modalidade culposa.

43. De acordo com a Lei de Execução Penal, caso seja verificada a exigência de que o sentenciado cumpra medida além dos limites fixados na sentença, deverá ser instaurado

o incidente

(A)

de conversão da pena, que poderá ser provocado pelo Ministério Público.

(B)

administrativo, que poderá ser suscitado por qualquer um dos órgãos que atuam na

execução penal.

(C)

de indulto individual, que poderá ser provocado pela autoridade administrativa.

(D)

de excesso ou desvio, que poderá ser suscitado pelo sentenciado.

(E)

de chamamento da execução à ordem, que poderá ser provocado pelo Ministério

Público.

64

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

A resposta decorre dos arts. 185 e 186, III da lei 7.210/84 (Lei de Execução Penal)

Lei de Execução Penal

Art. 185. Haverá excesso ou desvio de execução sempre que algum ato for praticado além dos limites fixados na sentença, em normas legais ou regulamentares.

execução sempre que algum ato for praticado além dos limites fixados na sentença, em normas legais

Art. 186. Podem suscitar o incidente de excesso ou desvio de execução:

I - o Ministério Público; II - o Conselho Penitenciário;

III - o sentenciado;

IV - qualquer dos demais órgãos da execução penal.

DIREITO PROCESSUAL PENAL

44. É correto afirmar que o juiz de direito substituto agirá corretamente se

(A) não homologar a suspensão condicional do processo com base no argumento de que

houve procedência parcial da pretensão punitiva.

(B) declinar a competência, em favor do foro do local da recusa, para o processamento

e o julgamento de crime de estelionato mediante a apresentação de cheque sem

provisão de fundos.

(C) exigir resposta preliminar, no prazo de quinze dias, em ação penal instruída por

inquérito policial que apure crime inafiançável de responsabilidade de funcionário público.

65

(D) aceitar a retratação de vítima e extinguir o processo no caso de crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra mulher: essa ação penal é pública condicionada.

(E) fixar a competência da justiça estadual do local da apreensão para julgar crime de

tráfico internacional de drogas, no caso de ter sido utilizada a via postal para remessa do exterior.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Incorreta. Súmula 337 do STJ: “É cabível a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva”.

a suspensão condicional do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punit

(B) Correta. Súmula 521 do STF: “O foro competente para o processo e julgamento dos crimes de estelionato, sob a modalidade da emissão dolosa de cheque sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a recusa do pagamento pelo sacado”.

(C) Incorreta. Súmula 330 do STJ: “É desnecessária a resposta preliminar de que trata o

artigo 514, do Código de Processo Penal, na ação penal instruída por inquérito policial”.

(D) Incorreta. Súmula 542 do STJ: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada”.

(E) Incorreta. Súmula 528 do STJ: “Compete ao juiz federal do local da apreensão da

droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional”.

45. De acordo com o Código de Processo Penal, assinale a opção correta acerca do instituto do desaforamento do tribunal do júri.

(A) O pedido de desaforamento será distribuído imediatamente e terá preferência de

tramitação somente quando for referente a réu preso.

66

(B) O relator poderá determinar, fundamentadamente, a suspensão do julgamento pelo

júri quando os motivos alegados forem relevantes.

(C) O pedido de desaforamento não será cabível em nenhuma hipótese caso já tenha

sido realizado um primeiro julgamento anulado.

(D) A pendência de julgamento de recurso interposto contra a decisão de pronúncia não

impede que seja realizado pedido de desaforamento.

(E) O desaforamento poderá ser determinado caso o júri não possa ser realizado, por

excesso de serviço, no prazo de três meses após o trânsito em julgado da sentença de pronúncia.

RESPOSTA: B

por excesso de serviço, no prazo de três meses após o trânsito em julgado da sentença

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Incorreta. Art. 427, §1º do CPP: “O pedido de desaforamento será distribuído

imediatamente e terá preferência de julgamento na Câmara ou Turma competente”.

(B) Correta. Art. 427, §2º do CPP: “Sendo relevantes os motivos alegados, o relator

poderá determinar, fundamentadamente, a suspensão do julgamento pelo júri.”.

(C) Incorreta. Art. 427, §4º do CPP: “Na pendência de recurso contra a decisão de

pronúncia ou quando efetivado o julgamento, não se admitirá o pedido de desaforamento, salvo, nesta última hipótese, quanto a fato ocorrido durante ou após a realização de julgamento anulado”.

(D) Incorreta. Art. 427, §4º do CPP: “Na pendência de recurso contra a decisão de

pronúncia ou quando efetivado o julgamento, não se admitirá o pedido de desaforamento, salvo, nesta última hipótese, quanto a fato ocorrido durante ou após a realização de julgamento anulado”.

67

(E) Incorreta. Art. 428 do CPP: “O desaforamento também poderá ser determinado, em razão do comprovado excesso de serviço, ouvidos o juiz presidente e a parte contrária, se o julgamento não puder ser realizado no prazo de 6 (seis) meses, contado do trânsito em julgado da decisão de pronúncia”.

46. De acordo com a legislação vigente acerca de recursos em geral no processo penal, assinale a opção correta.

(A) Decisão proferida em sede de recurso interposto por um dos réus em concurso de

agentes que reconheça a atipicidade do fato a eles atribuído aproveitará ao outro réu

por força do efeito extensivo.

(B) É viável que, no curso da tramitação, o Ministério Público desista de recurso que

tenha interposto, desde que o assistente de acusação também desista do ato processual.

(C) É viável a interposição de recurso por um réu que pleiteie a condenação de outro

que tenha sido absolvido.

(C) É viável a interposição de recurso por um réu que pleiteie a condenação de outro

(D)

O recurso deverá ser feito por meio de petição escrita caso o réu não saiba assinar o

nome, não sendo viável que o recurso seja apresentado por termo nos autos.

(E) O princípio da fungibilidade deverá ser aplicado a todos os recursos que forem

apresentados de forma indevida.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

(A) Correta. Art. 580 do CPP. A atipicidade do fato é um motivo não exclusivamente

pessoal e por isso admite o efeito extensivo.

(B) Incorreta. Art. 576 do CPP: “O Ministério Público não poderá desistir de recurso que

haja interposto”.

(C) Incorreta. Falta de legitimidade recursal. Art. 577 do CPP: Art. 577. O recurso poderá

ser interposto pelo Ministério Público, ou pelo querelante, ou pelo réu, seu procurador ou seu defensor. Parágrafo único. Não se admitirá, entretanto, recurso da parte que não tiver interesse na reforma ou modificação da decisão.

68

(D) Incorreta. Art. 578 do CPP: O recurso será interposto por petição ou por termo nos

autos, assinado pelo recorrente ou por seu representante.

(E) Incorreta. Art. 579 do CPP: “Salvo a hipótese de má-fé, a parte não será prejudicada

pela interposição de um recurso por outro”.

47. Ao receber ação penal para o processamento de crime de lavagem de valores, de acordo com a legislação especial que trata do assunto, o juiz de direito substituto atuará corretamente no caso de

(A) suspender o processo, mas determinar a produção antecipada de provas, caso o réu,

citado por edital, não compareça aos autos nem constitua advogado.

a produção antecipada de provas, caso o réu, citado por edital, não compareça aos autos nem

(B) indeferir eventual pedido de declinação de competência do feito para a justiça

federal quando somente a infração penal antecedente for de competência da justiça federal.

(C) emitir ordem, após o trânsito em julgado de ação de competência da justiça federal ou estadual, para que o valor constante da sentença penal condenatória e depositado judicialmente como medida assecuratória seja incorporado definitivamente ao patrimônio da União.

(D) suspender, após ouvir o Ministério Público, medida assecuratória de bens e valores

sob o fundamento de que a execução imediata poderá comprometer as investigações.

(E) não receber a denúncia sob o fundamento de que a peça foi instruída com infração penal antecedente cuja punibilidade foi extinta.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

69

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO!

(A) Incorreta. A assertiva está errada em razão do art. 2º, §2º da lei 9.613/98, que veda

a aplicação do art. 366 do CPP para os crimes de lavagem de capitais. Porém, Pierpaolo Bottini, em sua obra “Lavagem de Dinheiro” considera o dispositivo inconstitucional, de modo que não seria errado se o juiz, declarando a inconstitucionalidade em controle incidental, aplicasse o art. 366 do CPP em obediência aos princípios do contraditório e da ampla defesa.

(B) Incorreta. Se os crimes são conexos, prevalence a competência da justiça federal

(Súmula 122 do STJ - Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimesconexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, a, do Código de Processo Penal).

(C) Incorreta. Art. 4º - A, §º, I, CPP - em caso de sentença condenatória, nos processos

de competência da Justiça Federal e da Justiça do Distrito Federal, incorporado definitivamente ao patrimônio da União, e, nos processos de competência da Justiça Estadual, incorporado ao patrimônio do Estado respectivo.

da União, e, nos processos de competência da Justiça Estadual, incorporado ao patrimônio do Estado respectivo.

(D)

Correta. Art. 4º - B - A ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de

bens, direitos ou valores poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as investigações.

(E) Incorreta. Art. 2º, §1º - A denúncia será instruída com indícios suficientes da

existência da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal antecedente.

48. De acordo com o Código de Processo Penal, na audiência de instrução para a colheita de depoimento de testemunha, o juiz

(A)

poderá vedar à testemunha consulta a apontamentos, mesmo que seja breve.

(B)

deixará de colher depoimento de pessoa não identificada, designando nova data com

imediata intimação e determinando diligências para a sua perfeita identificação.

(C) poderá colher, de ofício ou a pedido das partes, o depoimento antecipado de

testemunha que, por velhice ou doença, possa vir a falecer antes de realizada a instrução criminal.

70

(D) suspenderá a instrução criminal sempre que for emitida carta precatória para oitiva

de testemunha em comarca diversa.

(E) efetuará primeiro suas perguntas, depois as perguntas de quem arrolou a testemunha, e, por fim, os questionamentos da parte contrária.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 204, parágrafo único do CPP: Art. 204. “O depoimento será prestado

oralmente, não sendo permitido à testemunha trazê-lo por escrito. Parágrafo único. Não será vedada à testemunha, entretanto, breve consulta a apontamentos”.

(B) Incorreta. Art. 205 do CPP. Se ocorrer dúvida sobre a identidade da testemunha, o

juiz procederá à verificação pelos meios ao seu alcance, podendo, entretanto, tomar-

lhe o depoimento desde logo.

o juiz procederá à verificação pelos meios ao seu alcance, podendo, entretanto, tomar- lhe o depoimento

(C)

Correta. Art. 156, I do CPP: A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo,

porém, facultado ao juiz de ofício:

I ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida;

(D) Incorreta. Art. 222, §1º do CPP: Art. 222. A testemunha que morar fora da jurisdição

do juiz será inquirida pelo juiz do lugar de sua residência, expedindo-se, para esse fim,

carta precatória, com prazo razoável, intimadas as partes. § 1o A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal.

(E) Incorreta. Art. 212 do CPP: Art. 212. As perguntas serão formuladas pelas partes

diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. Parágrafo único. Sobre os pontos não esclarecidos, o juiz poderá complementar a inquirição.

71

49. Com relação às características do inquérito policial (IP), assinale a opção correta.

(A) O IP, por consistir em procedimento indispensável à formação da opinio delicti,

deverá acompanhar a denúncia ou a queixa criminal.

(B) Não poderá haver restrição de acesso, com base em sigilo, ao defensor do investigado, que deve ter amplo acesso aos elementos de prova já documentados no IP, no que diga respeito ao exercício do direito de defesa.

(C) É viável a oposição de exceção de suspeição à autoridade policial responsável pelas

investigações, embora o IP seja um procedimento de natureza inquisitorial.

(D) Não se admite a utilização de elementos colhidos no IP, salvo quando se tratar de

provas irrepetíveis, como fundamento para a decisão condenatória.

(E) A autoridade policial não poderá determinar o arquivamento dos autos de IP, salvo

na hipótese de manifesta atipicidade da conduta investigada.

poderá determinar o arquivamento dos autos de IP, salvo na hipótese de manifesta atipicidade da conduta

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

(A)

Incorreta. O IP é procedimento dispensável.

(B)

Correta. Súmula Vinculante nº 14 e art. 7º, XIV da lei 8.906/94

(C)

Incorreta. Art. 107 do CPP: Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos

atos do inquérito, mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.

(D) Incorreta. Art. 155 do CPP: O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da

prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as

provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

(E) Incorreta. Art. 17 do CPP O inquérito é um procedimento indisponível para a

autoridade policial.

72

50. Caso seja verificada conexão probatória entre fatos concernentes a crimes de competência da justiça estadual e a crimes de competência da justiça federal, é correto afirmar que

(A) o processamento e o julgamento dos crimes de forma unificada não é possível, em

razão da impossibilidade de modificação da regra de competência material pela

conexão.

(B) o juízo estadual é o competente para o processamento e o julgamento dos crimes

conexos, com exceção da hipótese de posterior sentença absolutória em relação ao delito estadual.

(C) o juízo federal é o competente para o processamento e o julgamento dos crimes

conexos, independentemente da pena prevista para cada um dos delitos.

(D) o juízo federal é o competente para o processamento e o julgamento dos crimes

conexos, salvo o caso de ser prevista pena mais grave ao delito estadual.

para o processamento e o julgamento dos crimes conexos, salvo o caso de ser prevista pena

(E) o juízo federal é o competente para o processamento e o julgamento unificado dos

crimes, excluída a hipótese de posterior sentença absolutória em relação ao delito federal.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

Súmula 122 do STJ: Compete à Justiça Federal o processo e julgamento unificado dos crimes conexos de competência federal e estadual, não se aplicando a regra do art. 78, II, a, do Código de Processo Penal. CC 146.160/MT: A melhor exegese do verbete n. 122 da Súmula desta Corte é a que preconiza que, havendo um crime federal, com menor pena cominada abstratamente, e um crime estadual, com maior pena, ambos conexos, o critério utilizado para a fixação não será o que considera o quantum apenatório (nos termos do art. 78, II, "a", do CPP), mas, sim, a força atrativa exercida pela jurisdição federal.

73

51. Com referência à aplicação das medidas cautelares e à concessão da liberdade provisória, assinale a opção correta.

(A) As medidas cautelares podem ser decretadas no curso da investigação criminal, de

ofício, pelo magistrado, ou por representação da autoridade policial ou do Ministério Público.

(B) O descumprimento de qualquer das obrigações impostas a título de medida cautelar

é causa suficiente para a decretação imediata de prisão preventiva.

(C) A concessão de liberdade provisória por meio de pagamento de fiança, quando

cabível, não impede a cumulação da fiança com outras medidas cautelares.

(D) Ausentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva, é admissível a concessão de liberdade provisória aos crimes hediondos mediante o arbitramento de fiança.

(E) O não comparecimento aos atos do processo, quando regularmente intimado e sem

motivo justo, é causa de quebra da fiança, cuja declaração independe de decisão judicial.

regularmente intimado e sem motivo justo, é causa de quebra da fiança, cuja declaração independe de

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. Art. 282, §2º, CPP: As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz, de

ofício ou a requerimento das partes ou, quando no curso da investigação criminal, por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do Ministério Público.

(B) Incorreta. Art. 282, §4º, CPP - § 4o No caso de descumprimento de qualquer das

obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a medida, impor outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a prisão preventiva (art. 312, parágrafo único).

(C) Correta. STJ Art. 319, §4º do CPP. A fiança será aplicada de acordo com as

disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser cumulada com outras medidas

cautelares.

(D) Incorreta. É tranquilo no STF o entendimento de que a concessão de Liberdade

provisória em crimes hediondos, embora possível, não permite arbitramento de fiança, pois os crimes são inafiançáveis.

74

(E) Incorreta. Arts. 341 e 342 do CPP: Se vier a ser reformado o julgamento em que se

declarou quebrada a fiança, esta subsistirá em todos os seus efeitos

52. De acordo com a jurisprudência do STF, julgue os itens que se seguem, a respeito do procedimento do tribunal do júri.

I. Caso a inimputabilidade seja a única tese defensiva, não sendo o caso de impronúncia ou de absolvição sumária sem imposição de medida de segurança, o juiz poderá, desde logo, proferir absolvição sumária imprópria, impondo ao acusado o cumprimento de medida de segurança.

II. Havendo dúvida sobre a imparcialidade do júri ou a segurança pessoal do acusado, o tribunal poderá determinar o desaforamento do julgado do tribunal do júri para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles motivos, devendo, para tanto, ser ouvida a defesa.

do júri para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles motivos, devendo, para tanto,

III. Em razão do efeito devolutivo amplo e inerente à apelação criminal, o julgamento pelo tribunal não se restringe aos fundamentos invocados no apelo interposto contra decisão do tribunal do júri.

IV. O princípio da soberania dos veredictos não impede que o tribunal competente, em sede de revisão criminal, desconstitua decisão do tribunal do júri, e, reexaminando a causa, prolate provimento absolutório.

Estão certos apenas os itens

(A)

I e II.

(B)

I e III.

(C)

III e IV.

(D)

I, II e IV.

(E)

II, III e IV.

75

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

(I) Correto. Art. 415, parágrafo único do CPP: Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV do caput deste artigo ao caso de inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, salvo quando esta for a única tese defensiva.

(II) Correto. Art. 427 do CPP e Súmula 712 do STF.

(III) Incorreto. Súmula 713 do STF: O efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é adstrito aos fundamentos da sua interposição.

(IV) Correto. É tranquilo o entendimento na jurisprudência no sentido de que cabe revisão criminal contra as decisões do Tribunal do Júri, podendo o Tribunal proferir acórdão absolutório. STF ARE 674.151/Mt

contra as decisões do Tribunal do Júri, podendo o Tribunal proferir acórdão absolutório. STF – ARE

53. Acerca do benefício do sursis processual previsto na Lei n.º 9.099/1995, é correto afirmar que

(A) é cabível o benefício na desclassificação do crime e na procedência parcial da

pretensão punitiva, ainda que ocorrida em grau recursal.

(B) é aplicável o benefício no caso de crimes cuja pena mínima não seja superior a um

ano, ainda que, em razão da continuidade delitiva, a soma das penas mínimas

cominadas aos delitos supere um ano.

(C) o juiz poderá oferecer diretamente o benefício ao acusado, caso o promotor de

justiça se recuse a oferecê-lo; isso porque o benefício é um direito subjetivo do réu,

desde que preenchidos requisitos objetivos e subjetivos.

(D) deverá ser considerada extinta a punibilidade do crime, caso, após a aceitação do

benefício pelo réu, sejam cumpridas as condições impostas e expire o período de prova sem que o benefício tenha sido revogado.

(E) o benefício deverá ser obrigatoriamente revogado, caso o réu, no curso do período

de prova, venha a ser processado por contravenção

76

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado na aula de revisão.

(A) Correta. Súmula 337 do STJ. Além disso, é possível emendation libelli na segunda

instância, conforme tranquilo entendimento dos Tribunais Superiores.

(B)

Incorreta. Súmulas 243 do STJ e 723 do STF.

(C)

Incorreta. Súmula 696 do STF.

(D)

Incorreta. O fato de o período de prova ter expirado sem revogação, por si só, não

gera a extinção da punibilidade, que deve ser declarada pelo juiz (art. 89, §5º da lei

9099/95).

por si só, não gera a extinção da punibilidade, que deve ser declarada pelo juiz (art.

(E)

Incorreta. Esta é uma causa de revogação facultativa (art. 89, §4º da lei 9099/95)

54. No que tange a interceptação das comunicações telefônicas e a disposições relativas a esse meio de prova, previstas na Lei n.º 9.296/1996, assinale a opção correta.

(A) A referida medida poderá ser determinada no curso da investigação criminal ou da

instrução processual destinada à apuração de infração penal punida, ao menos, com

pena de detenção.

(B) A existência de outros meios para obtenção da prova não impedirá o deferimento da

referida medida.

(C) O deferimento da referida medida exige a clara descrição do objeto da investigação,

com indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta

justificada.

(D) A utilização de prova obtida a partir da referida medida para fins de investigação de

fato delituoso diverso imputado a terceiro não é admitida.

77

(E) A decisão judicial autorizadora da referida medida não poderá exceder o prazo

máximo de quinze dias, prorrogável uma única vez pelo mesmo período.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS

(A)

Incorreta. Art. 2º, III da lei 9296/96.

(B)

Incorreta. Art. 2º, II da lei 9296/96

(C)

Correta. Art. 2º, parágrafo único

(D)

Incorreta. A jurisprudência tem admitido o fenômeno da serendipidade.

(E)

Incorreta. Porrogável quantas vezes forem necessárias conforme entendimento do

STF (art. 5º, lei 9296/96).

(E) Incorreta. Porrogável quantas vezes forem necessárias conforme entendimento do STF (art. 5º, lei 9296/96).

DIREITO CONSTITUCIONAL

55. A respeito das constituições classificadas como semânticas, assinale a opção correta.

(A) São aquelas que se estruturam a partir da generalização congruente de expectativas

de comportamento.

(B) São aquelas cujas normas dominam o processo político; e nelas ocorrem adaptação

e submissão do poder político à constituição escrita.

(C) Funcionam como pressupostos da autonomia do direito; e nelas a normatividade

serve essencialmente à formação da constituição como instância reflexiva do sistema

jurídico.

(D) São aquelas cujas normas são instrumentos para a estabilização e perpetuação do

controle do poder político pelos detentores do poder fático.

(E) São aquelas cujo sentido das normas se reflete na realidade constitucional.

78

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

Inicialmente, o conceito mais conhecido de constituição semântica foi desenvolvido por Karl Loewsntein, seguindo o critério ontológico, segundo o qual, nas palavras de Bernardo Gonçalves Fernandes (Curso de direito constitucional, 7ª ed, Juspodivm, 2015, p. 51), As constituições semânticas são aquelas que traem o significado de Constituição (do termo Constituição). Sem dúvida, Constituição, em sua essência, é e deve ser entendida como limitação de poder. A Constituição semântica trai o conceito de Constituição, pois ao invés de limitar o poder, legitima (naturaliza) práticas autoritárias de poder. A Constituição semântica vem para legitimar o poder autoritário (sendo, portanto, Constituições tipicamente autoritárias).

Portanto, se adotado tal critério de classificação, a resposta “D” é a que mais se enquadra dentro do conceito trazido.

se adotado tal critério de classifi cação, a resposta “D” é a que mais se enquadra

No entanto, outros conceitos foram desenvolvidos para o termo “constituições semânticas”. Para alguns autores, são as constituições nas quais o texto não é dotado de uma clareza e especificidade e que, portanto, não vão trabalhar apenas o método gramatical, exigindo outros métodos de interpretação (ou outras posturas interpretativas) (Bernardo Gonçalves Fernandes, Curso de direito constitucional, 7ª ed, Juspodivm, 2015, p. 47).

Por fim, Canotilho conceitua tal espécie de Constituição, como sendo aquelas que podem ser entendidas como Constituições fechadas de cunho meramente formal que não consagram um conteúdo mínimo de justiça em termos materiais. Estas, para o autor de Coimbra, se diferenciam das Constituições normativas, que são aquelas Constituições que trazem um conjunto de normas dotadas de bondade material que garantem direitos e liberdades, bem como impõem limites aos poderes. (Bernardo Gonçalves Fernandes, Curso de direito constitucional, 7ª ed, Juspodivm, 2015, p. 47).

56. Acerca da jurisdição constitucional no Brasil e do controle de constitucionalidade de leis municipais, assinale a opção correta.

(A) É defeso aos tribunais de justiça realizar controle abstrato de leis municipais com

parâmetro na Constituição da República, ainda que se trate de normas de reprodução

obrigatória pelos estados.

79

(B) É cabível ação direta de inconstitucionalidade contra lei do Distrito Federal quando

derivada do exercício de sua competência municipal.

(C) É cabível arguição de descumprimento de preceito fundamental contra ato regulamentar que atualize a base de cálculo do IPTU segundo parâmetro fixado em lei municipal.

(D) Não é cabível reclamação constitucional contra decisão de tribunal estadual que

tenha declarado inconstitucional lei municipal de conteúdo idêntico ao de lei estadual declarada constitucional pelo STF.

(E) O controle de constitucionalidade difuso de lei municipal contrária à lei orgânica do município é admitido pelo ordenamento jurídico pátrio.

de lei municipal contrária à lei orgânica do município é admitido pelo ordenamento jurídico pátrio. RESPOSTA:

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.

(A) Incorreta. “Tribunais de justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da CF, desde que se trate de normas de reprodução obrigatória pelos Estados.” [RE 650.898, rel. p/ o ac. min. Roberto Barroso, j. 1º-2-2017, P, DJE de 24-8-2017, Tema 484.]

(B) Incorreta. Súmula 642/STF: Não cabe ação direta de inconstitucionalidade de lei do

Distrito Federal derivada da sua competência legislativa municipal.

(C) Incorreta. Na situação descrita no item, trata-se, em verdade, de controle de legalidade do ato regulamentar, e de não controle de constitucionalidade, pois a violação à Constituição se mostra de forma indireta.

(D) Correta. Rcl 5442 MC, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 31/08/2007,

publicado em DJ 06/09/2007 PP-00058 RDDP n. 56, 2007, p. 185-188.

(E) Incorreta. “É claro que também não se deve ter por parâmetro as Leis Orgânicas Municipais. Mesmo porque, se ato normativo municipal contraria Lei Orgânica Municipal, esse ato normativo deve ser entendido apenas como ilegal. Para a doutrina e para o STF, a única Lei Orgânica que é parâmetro para controle de constitucionalidade é a Lei Orgânica do Distrito Federal.” (Bernardo Gonçalves Fernandes, Curso de direito constitucional, 7ª ed, Juspodivm, 2015, p. 1.272).

80

57. A respeito de métodos de interpretação constitucional e do critério da interpretação conforme a constituição, assinale a opção correta.

(A) A busca das pré-compreensões do intérprete para definir o sentido da norma

caracteriza a metódica normativo-estruturante.

(B) O método de interpretação científico-espiritual é aquele que orienta o intérprete a

identificar tópicos para a discussão dos problemas constitucionais.

(C) A interpretação conforme a constituição não pode ser aplicada em decisões sobre

constitucionalidade de emendas constitucionais.

conforme a constituição não pode ser aplicada em decisões sobre constitucionalidade de emendas constitucionais.

(D) A interpretação conforme a constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto são exemplos de situações constitucionais imperfeitas.

(E) A interpretação conforme a constituição é admitida ainda que o sentido da norma

seja unívoco, pois cabe ao STF fazer incidir o conteúdo normativo adequado ao texto

constitucional.

RESPOSTA: D

COMENTÁRIOS

(A) Incorreta. “A Metódica jurídica normativo-estruturante trabalha com a concepção de que a norma jurídica não se identifica com seu texto (expresso), pois ela é o resultado de um processo de concretização. Portanto, o texto da norma não possui normatividade,

mas sim, apenas validade. (

apenas como a ‘ponta do iceberg’” (Bernardo Gonçalves Fernandes, Curso de direito constitucional, 7ª ed, Juspodivm, 2015, p. 191). Em verdade, o conceito trazido no item mais se aproxima do método desenvolvido por Gadamer, e não o normativo- estruturante, desenvolvido por Muller.

Metaforicamente, o texto de uma norma deve ser visto

)

81

(B) Incorreta. Trata-se do método tópico-problemático. O método de interpretação científico-espiritual atesta que a Constituição deve ter em conta as bases de valoração (ou ordens de valores) subjacentes ao texto constitucional. (Bernardo Gonçalves Fernandes, Curso de direito constitucional, 7ª ed, Juspodivm, 2015, p. 191).

(C) Incorreta. Não há óbice a que se utilize referida técnica de interpretação em decisões

que reconheçam a constitucionalidade de emendas constitucionais, conforme doutrina

majoritária.

(D) Correta. Trata-se, para doutrina majoritária, de exemplos de situação constitucional

imperfeita, pois há uma atenuação de declaração da nulidade, haja vista que preserva

uma interpretação possível que se mostra compatível com o texto constitucional. É dizer, pelo fato de não ter sido declarada a inconstitucionalidade da norma como um todo o que deveria acontecer - tem-se uma situação constitucional imperfeita. Obs:

tal posicionamento foi considerado correto na prova objetiva do TJ/CE, pela mesma banca CESPE.

(E) Incorreta. Necessário para utilização da técnica que a norma seja plurívoca.

do TJ/CE, pela mesma banca CESPE. (E) Incorreta. Necessário para utilização da técnica que a norma
58. Com relação à disciplina constitucional das comissões parlamentares de inquérito (CPI), assinale a opção

58. Com relação à disciplina constitucional das comissões parlamentares de inquérito (CPI), assinale a opção correta de acordo com a doutrina e a jurisprudência do STF.

(A) Para o STF, é nula a intimação de indígena não aculturado para oitiva em CPI, na

condição de testemunha, fora de sua comunidade.

(B) É constitucional a criação de CPI por assembleia legislativa de estado federado ficar

condicionada à aprovação de seu requerimento no plenário do referido órgão.

(C) À CPI não é oponível o sigilo imposto a processos judiciais que tramitem sob o

segredo de justiça.

(D) Diferentemente do que ocorre com as investigações policiais, o procedimento das

CPI não é caracterizado pela unilateralidade.

(E) É inconstitucional norma regimental da Câmara dos Deputados que limite o número de CPI em funcionamento simultâneo.

82

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

O assunto da questão foi abordado no material da turma de reta final.

(A) Correta. STF, Tribunal Pleno, HC 80.240/RR, Rel. Sepúlveda Pertence, julgado em

20/6/2001, publicado em 14/10/2005.

(B)

Incorreta. STF, ADI 3.619. Rel. Min. Eros Grau, julgado em 1°/8/2006.

(C)

Incorreta. STF, MS 27.483 - MC/DF, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 14/8/2008.

(D)

Incorreta. STF, MS 25.617-MC, rel. min. Celso de Mello, julgado em 24/10/2005.

(E) Incorreta. STF, ADI 1.635/DF, rel. min. Maurício Corrêa, julgado em 19/10/2000.

de Mello, julgado em 24/10/2005. (E) Incorreta. STF, ADI 1.635/DF, rel. min. Maurício Corrêa, julgado em

59. A respeito da eficácia mediata dos direitos fundamentais, assinale a opção correta segundo a doutrina e a jurisprudência do STF.

(A)

A eficácia mediata dos direitos fundamentais independe da atuação do Estado.

(B)

De

acordo

com

o

STF,

as

normas

de

direitos

fundamentais

que

instituem

procedimentos têm eficácia mediata.

(C) Nas relações privadas, a eficácia dos direitos fundamentais é necessariamente

mediata.

(D) A eficácia mediata desobriga o juiz de observar o efeito irradiante dos direitos fundamentais no caso concreto.

(E) A eficácia mediata dos direitos fundamentais dirige-se, primeiramente, ao legislador.

RESPOSTA: E

COMENTÁRIOS

83

(A) Incorreta. Segundo Daniel Sarmento (Vinculação dos particulares aos direitos

fundamentais no direito comparado e no Brasil, Juspodivm, 2007, p.121-182), a teoria da eficácia mediata nega a possibilidade de aplicação direta dos direitos fundamentais nas relações privadas, porque, segundo seus adeptos, esta incidência acabaria exterminando a autonomia da vontade, e desfigurando o Direito Privado, ao convertê- lo numa mera concretização do Direito Constitucional. Portanto, para tal teoria necessária a presença do Estado, por meio da atuação do legislador, a quem incumbe mediar a aplicação dos direitos fundamentais. Além disso, também caberia ao Judiciário dotar de sentido as cláusulas gerais criadas pelo legislador.

(B) Incorreta. Prevalece que as normas de direitos fundamentais que instituem

procedimentos têm eficácia direta ou mediata. Nesse sentido, a título de exemplo: RE

n° 158.215/RS, Rel. Min. Marco Aurelio de Mello, julgado em 30/4/1996.

(C) Incorreta. A expressão necessariamente encontra-se incorreta, pois há divergências

na doutrina quanto à aplicação dos direitos fundamentais nas relações privadas, surgindo as teorias mediata, imediata e alternativas, bem como o próprio STF já

fundamentais nas relações privadas, surgindo as teorias mediata, imediata e alternativas, bem como o próprio STF

sedimentou que a incidência de tais normas deve ser analisado caso a caso, predominando na jurisprudência a aplicação direta dos direitos fundamentais.

(D) Incorreta. Conforme comentado no item “a”, incumbe ao juiz aplicar, no caso concreto, as cláusulas indeterminadas instituídas pelo legislador, sem olvidar dos valores objetivos básicos de conformação do Estado Democrático de Direito, que constitui a perspectiva objetiva dos direitos fundamentais, da qual decorre o efeito irradiante, que pode ser conceituada como a capacidade de influência de seus efeitos sobre os poderes do Estado no exercício de suas funções.

(E) Correta. Vide comentários do item “a”.

60. Acerca do direito fundamental à intimidade e da proteção constitucional à privacidade, assinale a opção correta.

(A) De acordo com o STF, a inviolabilidade das comunicações não alcança a proteção dos

últimos registros telefônicos de aparelhos celulares apreendidos em flagrante.

(B) O ingresso forçado em domicílio, sem mandato judicial, é admitido desde que a

autoridade policial justifique previamente a ocorrência de flagrante delito.

84

(C) Para o STF, são ilícitas as provas obtidas via interceptação telefônica determinada

por juízo cuja incompetência seja posteriormente reconhecida.

(D) É ilícito o uso de prova colhida, por via de interceptação telefônica no curso de inquérito policial, em processo disciplinar instaurado contra servidor não investigado pelo mesmo fato na seara criminal.

(E) Em procedimentos de fiscalização da aplicação de recursos públicos, o TCU poderá

decretar a quebra de sigilo bancário ou empresarial de terceiros.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS

ou empresarial de terceiros. RESPOSTA: A COMENTÁRIOS (A) Correta. STF, HC 91.867/PA, Rel. Min. Gilmar Mendes,

(B) Incorreta. RE 603.616 (repercussão geral) - A entrada forçada em domicílio sem

mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados.

(C)