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SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA

FACULDADE UNISOCIESC
PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO
TRABALHO

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

DESENVOLVIMENTO DE UM APLICATIVO DE DIAGNÓSTICO


ERGONÔMICO DAS SOBRECARGAS EM MEMBROS SUPERIORES
PARA USO EM DISPOSITIVOS MÓVEIS — MÉTODO RULA.

André Bonetto Trindade


Professora Orientadora: Nádia Isabel de Souza

Joinville, SC
2018
ANDRÉ BONETTO TRINDADE

DESENVOLVIMENTO DE UM APLICATIVO DE DIAGNÓSTICO ERGONÔMICO


DAS SOBRECARGAS EM MEMBROS SUPERIORES PARA USO EM
DISPOSITIVOS MÓVEIS — MÉTODO RULA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Faculdade UniSociesc, mantido pela Sociedade
Educacional de Santa Catarina — SOCIESC,
Joinville/SC, como requisito para obtenção do título
de Especialista em Engenharia de Segurança do
Trabalho.

Orientadora: Nádia Isabel de Souza

Joinville, SC
2018
DESENVOLVIMENTO DE UM APLICATIVO DE DIAGNÓSTICO ERGONÔMICO
DAS SOBRECARGAS EM MEMBROS SUPERIORES PARA USO EM
DISPOSITIVOS MÓVEIS — MÉTODO RULA.

ANDRÉ BONETTO TRINDADE

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado como requisito parcial para a


obtenção do título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pela
Faculdade UniSociesc em Joinville/SC, e aprovado pela Banca Examinadora.

.............................................................................................
Coordenador (a) de Curso

Banca Examinadora integrada pelos Professores:

.............................................................................................
Prof.Orientador(a)

.............................................................................................
Prof. Banca Examinadora
A todos que colocam a segurança e saúde em primeiro lugar.
AGRADECIMENTOS

A Deus, pela saúde e paciência durante mais esta longa etapa de


aprendizagem.
À Professora Doutora Nádia Isabel de Souza pelo paciente trabalho de
orientação e revisão de monografia e suporte durante o desenvolvimento do
aplicativo.
À Dr. Linn McAtamney pela autorização do uso do método RULA no aplicativo
RULAPP.
À minha linda e atenciosa esposa Joice que me apoia em todos os sentidos e
aos meus filhos peraltas, Artur e Apolo, que me deram uma nova visão de saúde e
segurança dentro do ambiente doméstico.
E a todos que colaboraram de forma direta ou indireta neste trabalho de
conclusão de curso.
RESUMO

TRINDADE, André Bonetto. DESENVOLVIMENTO DE UM APLICATIVO DE


DIAGNÓSTICO ERGONÔMICO DAS SOBRECARGAS EM MEMBROS
SUPERIORES PARA USO EM DISPOSITIVOS MÓVEIS — MÉTODO RULA
(RAPID UPPER LIMB ASSESSMENT). 2018. 55 f. Trabalho de Conclusão de Curso
de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho – Faculdade
UniSociesc, Joinville, 2018.

A engenharia de segurança do trabalho ao realizar uma análise ergonômica do


trabalho, além de avaliar os critérios existentes na Norma Regulamentadora NR 17,
que dispõe sobre ergonomia e que considera o levantamento, transporte e descarga
individual de materiais, mobiliário e equipamentos dos postos de trabalho, condições
ambientais e organização do trabalho, também necessita de ferramentas
ergonômicas para avaliar as posturas dos trabalhadores. Observando esta
necessidade de mercado relacionada aos profissionais da engenharia de segurança
do trabalho, neste trabalho desenvolveu-se um aplicativo para dispositivos móveis
de uma ferramenta ergonômica para análise das posturas do trabalhador. Este
aplicativo é específico para diagnósticos biomecânicos das posturas em membros
superiores, que são as mais demandadas pelos trabalhadores em suas atividades
laborais. O aplicativo está fundamentado no método RULA 1 (Rapid Upper Limb
Assessment), uma ferramenta que permite avaliar de forma rápida e geral as
sobrecargas em membros superiores e pescoço para diagnosticar e priorizar os
riscos ergonômicos relacionados as sobrecargas mecânicas nestas estruturas
corporais.

Palavras-chave: Ergonomia; Aplicativo; RULA; NR-17.


1
McAtamney, L. and Corlett, E.N. (1993) RULA: A survey method for the investigation of work-related
upper limb disorders. Applied Ergonomics, 24 (2), 91-99
ABSTRACT

TRINDADE, André Bonetto. DEVELOPMENT OF A MOBILE DEVICE


APPLICATION FOR ERGONOMIC DIAGNOSTICS OF SUPERIOR MEMBERS
OVERLOAD – RULA METHOD (RAPID UPPER LIMB ASSESSMENT). 2018. 55 f.
Conclusion monograph of post-graduation course in work safety engineering -
Unisociesc, Joinville, 2018.

Occupational Safety and Health engineering when carrying out a workstation


ergonomic analysis, besides evaluating the existing criteria in the Norma
Regulamentadora NR 17, which deals with ergonomics and considers the lifting,
transport and individual discharge of materials, furniture and equipment of the
workstations, environmental conditions and work organization, also needs ergonomic
tools to evaluate workers' postures. Observing this market need related to the
professionals of the work safety engineering, in this work it was developed an
application for mobile devices of an ergonomic tool for analysis of the worker's
postures. This application is specific for biomechanical diagnoses of postures in
upper limbs, which are the most demanded by workers in their work activities. The
application is based on the RULA 1 (Rapid Upper Limb Assessment) method, a tool
that allows a quick and general evaluation of the overloads in the upper limbs and
neck to diagnose and prioritize the ergonomic risks related to mechanical overloads
in these corporal structures.

Keywords: Ergonomics; App; RULA; NR-17.

1
McAtamney, L. and Corlett, E.N. (1993) RULA: A survey method for the investigation of work-related
upper limb disorders. Applied Ergonomics, 24 (2), 91-99
LISTA DE FIGURAS

Figura 01: Pontuação do braço………………………………………………………………………….……21


Figura 02: Pontuação do antebraço…...……………………………………….……………………….……22
Figura 03: Ajustes da pontuação do antebraço.……………………….………………………………....…22
Figura 04: Pontuação do punho.……………………….…………………………………….……………….22
Figura 05: Pontuação de ajuste do punho.……………………….……………………………………….…23
Figura 06: Pontuação do pescoço.……………………….…………………………………….….…………24
Figura 07: Pontuação do tronco.……………………….…………………………………….…….…………24
Figura 08: Logo do sistema operacional Android.……………………………………………..……………27
Figura 09: Captura da tela de interface gráfica do MIT App Inventor.……………...……….……………28
Figura 10: Tela de blocos de programação.……………………….………......…..………………..………28
Figura 11: Posicionamento do braço através do botão deslizante.………………………….……………30
Figura 12: Caixas de marcação para ajustes.……………………….….......…..………………..…………30
Figura 13: Sugestão de ação conforme a pontuação final.…………………………….…….……………31
Figura 14: Entrada de dados para o relatório final.……………………….…..………………….…………32
Figura 15: Relatório final e botão de compartilhamento.…………………………………..….……………32
Figura 16: Blocos de lógica de programação do MIT App Inventor.………..……………….……………33
Figura 17: Rotação do pescoço.……………………….……………......……………………………………34
Figura 18: Rotação de imagens.……………………….…………..….…….……………………………..…34
Figura 19: Lógica de programação do pescoço.…………………....……..….……………….……………35
Figura 20: Bloco parcial de programação para combinações do grupo A com resultado 8..…………..37
Figura 21: Bloco parcial de programação para combinações do grupo B com resultado 2…...……....39
Figura 22: Possíveis pontuações finais e as respectivas considerações de ação……...………………40
Figura 23: Versão beta RULAapp disponibilizada na Google Play Store.………………….…………….41
Figura 24: Respostas recebidas pelo formulário digital….…………………………………………………42
Figura 25: Vista parcial do formulário de feedback.……………………….……….....……………………43
Figura 26: Relatório de falhas dos testes automáticos.………………………..…….……….……………43
Figura 27: Relatório de vulnerabilidades.……………………….…………….......….…..…………………43
Figura 28: Relatório parcial de desempenho em diferentes dispositivos.…...…..…………………….…44
Figura 29: Catálogo de dispositivos.……………………….………….…........…………………………..…44
Figura 30: RULApp versão de distribuição.………………………..….……..………………………………45
Figura 31: Mapa de instalações do RULApp por países.………........……………………….……………46
Figura 32: Avaliação pelos usuários do aplicativo RULApp.……....…….…..……………….……………47
Figura 33: Falha detectada por falta de memória.……………………….….………………………………47
Figura 34: Posicionamento do trabalhador durante a tarefa.………………………..……….……………48
Figura 35: Passos 1, 2 e 3 do aplicativo RULApp..……………………….…...……………………………48
Figura 36: Pontuação do grupo A.……………………….…………….....…………………………………..49
Figura 37: Passos 9, 10 e 11 do aplicativo RULApp.……………...………………………….……………50
Figura 38: Pontuação do grupo B e pontuação final da análise…….……………………….……………50
Figura 39: Relatório final RULApp.……………………….……………………………………………..……51
LISTA DE TABELAS

Tabela 01: Relação exemplificativa entre o trabalho e algumas entidades nosológicas……………….19


Tabela 02: Quadro parcial da quantidade de acidentes de 2013, 2014 e 2015.…………………..…….20
Tabela 03: Pontuação do grupo A.……………………….…………………………………….……….……23
Tabela 04: Pontuação do grupo B.……………………….…………………………………….……….……24
Tabela 05: Pontuação conforme contração muscular.……………………….…………………….………25
Tabela 06: Pontuação conforme força e comportamento da carga.………………..……….……………25
Tabela 07: Pontuação final da análise RULA.……………………….………………..…………………….25
Tabela 08: Pontuação final e sugestões de ações.……………………….…………....….………….……26
Tabela 09: Números de dispositivos móveis versus sistema operacional.………...……………….……27
Tabela 10: Exemplo de pontuação do grupo A.……………………….…….…..……..…………...………36
Tabela 11: Possíveis pontuações do grupo A.……………………….…….....…….………………………36
Tabela 12: Exemplo de concatenação das possíveis pontuações do grupo A com resultado 8……....37
Tabela 13: Exemplo de lógica condicional de pontuações do grupo A com resultado 8…....………….37
Tabela 14: Exemplo de pontuação do grupo B.……………………….……….......….…..…………….…38
Tabela 15: Possíveis pontuações do grupo B.……………………….…….....…………………….………38
Tabela 16: Concatenação das possíveis pontuações do grupo B com resultado 2.……………………39
Tabela 17: Lógica condicional de pontuações do grupo B com resultado 2.………….……...…………39
Tabela 18: Possíveis pontuações finais.………………..……………………………..……….……………40
Tabela 19: Quantidade de instalações do RULApp por países.…………………….……….……………46
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABERGO Associação Brasileira de Ergonomia


CLT Consolidação das Leis Trabalhistas
CPU Central Processing Unit
DORT Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho
IEA Interrnational Ergonomics Association
LER Lesão por Esforços Repetitivos
MTE Ministério do Trabalho e Emprego
NIOSH National Institute for Occupational Safety and Health
NR Norma Regulamentadora
OCRA Occupational Repetitive Actions
OWAS Ovako Working Posture Analysing System
RULA Rapid Upper Limb Assessment
SST Segurança e Saúde do Trabalho
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO……………………………………………………………………………..…………………12
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA……………………….……………………………13
1.2 OBJETIVOS……………………….…………………………………….…………………………….……13
1.2.1 Geral……………………….…………………………………….………………….………………….…13
1.2.2 Específicos……………………….…………………………….……..…………………….……………13
1.3 JUSTIFICATIVA E DELIMITAÇÃO DO TEMA……………………….…………………………………14
1.4 ESTRUTURA DO ESTUDO……………………….…………………………………….……..…………14
2 REVISÃO DA LITERATURA……………………….……..…………………….………….………………15
2.1 ERGONOMIA……………………….…………………………………….………………………..………15
2.2 NORMA REGULAMENTADORA 17………………………….…………………………………….……17
2.2.1 Demandas Posturais em Membros Superiores…………………….…..……………….……………18
2.3 METODOLOGIA RULA (RAPID UPPER LIMB ASSESSMENT)……………….……….……………21
2.4 DISPOSITIVOS MÓVEIS……………………….………………………………..………….……………26
2.4.1 Sistema Operacional Android……………………….…………………………………….……………27
2.4.2 Ambiente de programação MIT App Inventor……………………….……………………..…………28
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS……………………….…………………………………………29
3.1 APLICATIVO RULAPP……………………….……………………….………..…………….……………29
3.2 INTERFACE GRÁFICA……………………….…………………………….….…………….……………30
3.3 LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO……………………….…………….………………………….…………33
3.3.1 Lógica de programação do botão deslizante……………………….…………………………………34
3.3.2 Lógica de pontuação do grupo A……………………….…………..…………………………….……36
3.3.3 Lógica de pontuação do grupo B……………………….………..…………………………….………38
3.3.4 Pontuação final e níveis de ação……………………….………..…………………………….………40
3.4 RULAPP VERSÃO BETA……………………….………………………..………………….……………41
3.5 RULAPP VERSÃO DE DISTRIBUIÇÃO……………………….….………………………………….…45
4 VALIDAÇÃO DO APLICATIVO RULAPP EM UM POSTO DE TRABALHO……..……………….…47
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E PROJETOS FUTUROS…………………………………………………52
6 REFERÊNCIAS……………….…….………………………………….…………………………………….54
12

1 INTRODUÇÃO

A norma regulamentadora 17 visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das


condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, a fim de proporcionar
um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente nas atividades relacionadas ao
levantamento, transporte e descarga de material, aos equipamentos, às condições ambientais e a
própria organização do trabalho.
A mesma norma também indica que para avaliar a adaptação das condições de trabalho às
características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica
do trabalho, devendo abordar no mínimo o que rege esta norma.
Contudo, nota-se que a norma regulamentadora 17 é generalista e qualitativa quanto ao
critério psicofisiológico e não apresenta referência de método ou ferramenta a ser utilizada na
avaliação e diagnose postural, na maioria dos itens, não proporcionando parâmetros específicos de
medição, os quais um ergonomista poderia fazer uma verificação direta de conforto do trabalhador.
Desta maneira, a disponibilização de ferramentas que possam atender essas demandas da
norma regulamentadora 17 de forma rápida e econômica torna-se um grande atrativo tanto para os
empregadores como para os profissionais da área de segurança do trabalho, pois os mesmos podem
detectar de forma prevencionista, problemas ergonômicos em estações de trabalho.
Atualmente dispositivos eletrônicos como smartphones e tablets com alto poder de
processamento de dados, memória e funções de compartilhamento estão ao alcance de qualquer
profissional e estes dispositivos podem ser utilizados como auxílio em diversas atividades, entre elas
as relacionadas com a área da saúde e segurança do trabalho, desde que hajam aplicativos
dedicados para tais fins.
Aproveitando esta possibilidade, o presente trabalho visa digitalizar uma ferramenta de
análise ergonômica em postos de trabalho que hajam grande demanda dos membros superiores dos
trabalhadores, utilizando como referência o bem-conceituado método RULA (Rapid Upper Limb
Assessment, MCATEMNEY e CORLETT, 1993), através da construção de um aplicativo para
dispositivos móveis. O método RULA foi desenvolvido em uma época em que os dispositivos móveis
com alto poder de processamento ainda não estavam disponíveis, desta maneira a realização da
análise exigia o uso de ao menos uma folha de papel para avaliação, preenchimento dos vários
passos da análise e a determinação das pontuações parciais e final utilizando tabelas descritas pelo
método, além do espaço físico necessário para o armazenamento e arquivamento destas análises.
Assim, com a união da demanda por avaliação ergonômica para atender os requisitos da NR-
17 e da oportunidade de utilização de dispositivos móveis como equipamento auxiliar durante a
execução da análise ergonômica, objetiva-se desenvolver o aplicativo RULApp, a ser disponibilizado
gratuitamente para a comunidade em geral através de loja virtual de aplicativos.
13

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E PROBLEMA

O tema deste estudo consiste na necessidade do mercado dispor de aplicativos ergonômicos


para avaliação dos riscos posturais em membros superiores para dispositivos móveis.
O problema de pesquisa decorre da tendência atual do mercado em transformar atividades
cotidianas, desde as mais simples como listas de supermercados até as mais complexas, como
transações financeiras em aplicativos para dispositivos móveis.
A área de saúde e segurança do trabalho também segue esta tendência, com a demanda por
aplicativos de fácil acesso para avaliação ergonômica do risco postural ergonômico dos
trabalhadores.
Neste sentido, escolheu-se o método RULA como ferramenta ergonômica para
desenvolvimento de um aplicativo para dispositivos móveis para o público da engenharia de
segurança do trabalho, aumentando desta maneira a gama de aplicativos gratuitos e na língua
portuguesa disponível para os profissionais que realizam análises ergonômicas em nosso país e até
mesmo no exterior.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Geral

Este estudo tem como objetivo geral o desenvolvimento de um aplicativo de análise


ergonômica para dispositivos móveis, fundamentado no método RULA (Rapid Upper Limb
Assessment) para diagnóstico das sobrecargas em membros superiores.

1.2.2 Específicos

Para alcançar o objetivo geral é necessário que sejam atingidos os seguintes objetivos
específicos:
 Realizar estudo e revisão de literatura sobre o histórico, desenvolvimento e aplicação de
ergonomia;
 Verificar e apresentar os requisitos da Norma Regulamentadora NR-17 sobre ergonomia do
MTE;
 Apresentar a revisão de literatura sobre o histórico e aplicação da ferramenta ergonômica
fundamentada no método RULA;
 Apresentar histórico e relevância do uso de aplicativos em dispositivos móveis;
 Selecionar e descrever e a linguagem de programação para sistema operacional de
dispositivos móveis;
14

 Traduzir a lógica do procedimento RULA para a linguagem de programação;


 Criar o design da interface do usuário;
 Validação e publicação do aplicativo.

1.3 JUSTIFICATIVA E DELIMITAÇÃO DO TEMA

A justificativa para o desenvolvimento deste estudo, consiste na demanda e ausência de


aplicativos gratuitos, disponíveis no mercado para análise de posturas em membros superiores dos
trabalhadores nas análises ergonômicas do trabalho. Os dispositivos móveis são uma tecnologia que
nos últimos anos se desenvolveu rapidamente e hoje em dia, grande parcela da população mundial
possui em seu alcance algum tipo destes dispositivos para as mais diversas funções, sejam elas
pessoais, sociais ou profissionais. Sendo um instrumento tão versátil, eles também podem ser
utilizados na área da engenharia de segurança de trabalho como uma ferramenta auxiliar em tarefas
específicas. Assim, este estudo se justifica, uma vez que a ergonomia não dispõe de vasta gama de
aplicativos para dispositivos móveis para diagnóstico das sobrecargas em membros superiores
acessíveis aos profissionais da segurança do trabalho.
Ao término deste trabalho, pretende-se entregar a comunidade profissional um aplicativo não
comercial baseado no sistema operacional Android® para o auxílio dos diagnósticos ergonômicos
utilizando o método RULA que possa gerar um relatório digital compartilhável por meio digital.

1.4 ESTRUTURA DO ESTUDO

Este estudo apresenta sua estrutura fundamentada na teoria e na revisão da literatura do


tema proposto que consiste na aplicação de uma ferramenta de avaliação ergonômica dos membros
superiores durante atividades laborais. Estudou-se os fundamentos da NR 17 que dispõe sobre
ergonomia e as principais demandas posturais em membros superiores, segundo o Instituto Nacional
de Previdência Social. As posturas foram classificadas e conceituados os níveis de intervenções
biomecânicas conforme o método adotado como base do aplicativo.
Também houve a conceituação dos dispositivos móveis, apresentado o sistema operacional
móvel Android e o ambiente de programação MIT App Inventor.
O procedimento metodológico consistiu tanto na apresentação da transposição das etapas de
avaliação ergonômica dos membros superiores descritas no método RULA – Rapid Upper Limb
Assessment para a linguagem de programação para dispositivos móveis do sistema Android, quanto
o detalhamento dos passos da criação da interface gráfica e na lógica por trás da tabulação e
classificação dos resultados das avaliações do aplicativo RULApp.
A versão de distribuição do aplicativo foi disponibilizada a usuários de todos os países após
testes e validação da versão beta do aplicativo e modificações sugeridas pelos usuários.
15

Após a liberação da versão de distribuição pode-se verificar o comportamento do aplicativo


com usuários de várias localidades, versões do sistema Android e dispositivos móveis de diferentes
fabricantes, desta forma ações de melhorias futuras puderam ser identificadas.

2 REVISÃO DA LITERATURA

A revisão de literatura está estruturada em 4 subcapítulos nos quais serão abordados os


seguintes temas: Ergonomia, Norma Regulamentadora 17, o método RULA e Dispositivos móveis.

2.1 ERGONOMIA

O termo Ergonomia foi cunhado em 1857, quando o cientista polonês Wojciech Jastrzebowski
em seu artigo intitulado “Ensaios de Ergonomia, ou ciência do trabalho, baseada nas leis objetivas da
ciência sobre a natureza”, juntou os termos gregos ergon = trabalho e nomos = leis e estabeleceu que
a Ergonomia como uma ciência do trabalho requer que entendamos a atividade humana em termos
de esforço, pensamento, relacionamento e dedicação (WOJCIECH, 1857, apud MÁSCULO, 2011).
A ergonomia é algo que acompanha a evolução do homem. Melhoramentos das ferramentas
manuais pré-históricas, os primeiros estudos de fatores ambientais feitos por Armanda de Villeneuve
na idade média, a descrição de problemas de saúde relacionados a 52 ocupações, feita por
Ramazzini no século XVIII são alguns marcos dos primeiros passos desta ciência.
Na primeira metade do século XX, as novas divisões de trabalho oriundas da revolução
industrial e as novas técnicas de produção criaram novos ambientes e condições de trabalho para o
homem. Neste período equipamentos para mensurar o desempenho físico humano e pesquisas sobre
o desgaste fisiológico e desgaste muscular estavam se tornando realidade e a ergonomia já se
tornava o embrião do que atualmente se considera ergonomia.
Durante o período da segunda grande guerra, foram formados tanto na Inglaterra como nos
Estados Unidos, grupos interdisciplinares com objetivo de elevar a eficácia combativa dos soldados,
marinheiros e aviadores. O trabalho destes grupos foram voltados para adaptação de equipamentos
militares às características físicas e psicológicas dos soldados, sobretudo em situações de
emergência e pânico (MÁSCULO, 2011).
No pós-guerra, os esforços de adaptações dos equipamentos bélicos foram migrados para a
produção civil e em 1947 é formada a Ergonomics Research Society, sendo a primeira associação
sobre ergonomia do planeta (MÁSCULO, 2011). Também, em 1949, outra vertente da ergonomia
aparece devido à necessidade da reconstrução do parque fabril Europeu, tendo como modelo a
montadora de automóveis Renault, dando origem a escola francesa de ergonomia, que tenta
conceber adequadamente novos postos de trabalho a partir do estudo da situação existente
(MÁSCULO, 2011).
Em 1967, a International Ergonomics Association – IEA, a qual o Brasil faz parte através da
ABERGO, se tornou uma associação de sociedades federadas em todo o mundo, e tem como
16

definição de ergonomia a disciplina científica preocupada com a compreensão das interações entre
os seres humanos e outros elementos de um sistema e a profissão que aplica teoria, princípios,
dados e métodos a serem projetados para otimizar o bem-estar humano e o sistema geral
desempenho. Os praticantes de ergonomia, os ergonomistas, contribuem para a concepção e
avaliação de tarefas, empregos, produtos, ambientes e sistemas para torná-los compatíveis com as
necessidades, habilidades e limitações das pessoas (http://www.iea.cc/whats/index.html, 05/02/2018).
De acordo com a IEA, pode-se dividir os estudos ergonômicos em três grandes domínios de
fatores humanos: a ergonomia física, a ergonomia cognitiva e a ergonomia organizacional.
A ergonomia física, lida com as respostas do corpo humano à carga física e psicológica.
Preocupa-se, principalmente com os aspectos físicos de interface homem – máquina, objetivando
dimensionar a estação de trabalho, facilitar discriminação de informações e manipulação de controles
(MÁSCULO, 2011).
Como os processos mentais, tais como percepção, cognição, atenção, controle motor e
armazenamento e recuperação de memória, afetam a interação dos seres humanos com outros
elementos de um sistema é conhecida como ergonomia cognitiva (MÁSCULO, 2011).
Por último, a ergonomia organizacional refere-se diretamente a organização do trabalho em
si, como por exemplo: turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teria motivacional,
trabalho em equipe e ética, que são fatores que afetam o trabalhador no desenvolvimento de suas
tarefas (MÁSCULO, 2011).
No Brasil, a Ergonomia tem sua obrigatoriedade de aplicação a partir da Norma
Regulamentadora NR 17, do Ministério do Trabalho e Emprego. Esta norma traz recomendações da
estrutura de itens que devem obrigatoriamente ser desenvolvidos em uma avaliação ergonômica, tais
como a análise e levantamento, transporte e descarga individual de materiais, mobiliário dos postos
de trabalho, equipamentos dos postos de trabalho, condições ambientais de trabalho e a organização
do trabalho. Observa-se, entretanto, que a NR 17 não discorre sobre metodologias de avaliações
posturais para que o avaliador possa analisar os aspectos físicos, posturais e seus respectivos riscos
biomecânicos e de sobrecargas nos trabalhadores.
Portanto, o objetivo deste trabalho relaciona-se principalmente com a ergonomia física, na
qual a carga física e o modo de interação do trabalhador pode resultar em lesões, caso não sejam
manipuladas dentro de certos limites e neste sentido, os diferentes métodos disponíveis ajudam o
avaliador na determinação dos riscos posturais em membros superiores dos trabalhadores.
No decorrer da história da ergonomia, diversas ferramentas de ergonomia física foram
desenvolvidas, entre elas o método Ovako Working Posture Analysing System (OWAS), Occupational
Repetitive Actions (OCRA), a equação do NIOSH para levantamento de cargas e o Rapid Upper Limb
Assessment (RULA).
O método OWAS foi desenvolvido na Finlândia por Karhu, Kansi e Kuorinka, entre 1974 e
1978 em conjunto com o instituto Finlandês de Saúde Ocupacional, com intuito de gerar informações
para melhorar os métodos de trabalho pela identificação de posturas corporais prejudiciais durante a
realização das atividades e a partir de análises fotográficas, foram colecionadas 72 posturas típicas
17

que ocorrem em uma indústria pesada (Karhu; Kansi; Kuorinka 1977; Joode; Verspuy; Burdof, 2004
apud MÁSCULO, 2011).
O método OCRA foi desenvolvido pelos Drs. Enrico Occhipinti e Daniela Colombini, a pedido
da Associação Internacional de Ergonomia (IEA) a partir de 1996. O objetivo deste método é
identificar um procedimento para calcular um índice quantitativo, que represente os riscos associados
aos movimentos repetitivos dos membros superiores e estabelecer um número recomendado de
movimentos por minuto, considerando algumas variáveis, tais como esforço físico, posturas dos
membros superiores e pausas durante a jornada de trabalho (MÁSCULO, 2011).
A equação do NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Heath) para
levantamento de cargas é uma equação amplamente utilizada para determinar a carga máxima a ser
levantada em um posto de trabalho e depende de fatores de caráter biomecânico, fisiológico e
psicofísico (MÁSCULO, 2011)
O método RULA é um método ou ferramenta desenvolvida por Mc Attameny e Corlett (1993)
que objetiva avaliar o risco do trabalhador à exposição de posturas e atividades musculares
inadequadas e aquisição de LER ou DORT. Este método é o que fundamenta o aplicativo
desenvolvido neste trabalho e terá um capítulo dedicado para seu detalhamento. Analisando os
objetivos dos diferentes métodos, observa-se que cada qual é específico em sua análise,
proporcionando diagnósticos que favorecem a categorização de risco das atividades desenvolvidas
pelos trabalhadores. Neste estudo priorizou-se o método RULA por ser generalista e diagnosticar
principalmente as sobrecargas em membros superiores que é o principal segmento corporal
demandado nos trabalhos executados pelo ser humano.

2.2 NORMA REGULAMENTADORA 17

As relações de trabalho no Brasil estão sob o ordenamento jurídico que começam pela nossa
Lei maior, a constituição federal, e dela partem as outras normas que servem para melhor detalhar e
regulamentar o que o legislador propôs.
As normas previdenciárias tratam do acidente e das doenças do trabalho, suas definições e
classificações e as repercussões para o empregador e empregado. Do ponto de vista sanitário, as
empresas também estão submetidas às obrigações de manter os locais de trabalho e as situações de
interesse para a saúde humana em condições sanitárias condizentes com as normas federais,
estaduais e municipais da saúde (MÁSCULO, 2011).
No âmbito trabalhista, nossa legislação está assentada na consolidação das leis trabalhistas
(CLT), na qual o capítulo V trata da Segurança e Medicina do Trabalho, e para especificar o que a Lei
trata, são emitidas Normas Regulamentadoras que atualmente são totalizam 36 normas nos mais
variados temas pertinentes a SST, entre elas a NR-17 trata especificamente da ergonomia do
trabalho.
A Norma Regulamentadora 17 visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das
condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar
um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente (NR 17.1,1990).
18

Entende-se como características psicofisiológicas todo o conhecimento referente ao


funcionamento do ser humano. Algumas características psicofisiológicas do ser humano (MANUAL da
NR 17, 2002):
 Prefere escolher livremente sua postura, dependendo das exigências da tarefa e do estado
de seu meio interno;
 Prefere utilizar alternadamente toda a musculatura corporal e não apenas determinados
segmentos corporais;
 Tem capacidades sensitivas e motoras que funcionam dentro de certos limites, que variam de
um indivíduo a outro e ao longo do tempo para um mesmo indivíduo;
O item 17.1.2 desta norma, indica que para avaliar a adaptação das condições de trabalho às
características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica
do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho conforme estabelecido
na NR 17(MANUAL da NR 17, 2002).
O item 17.6.3 descreve que nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou
dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise
ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte:
a) todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de
qualquer espécie deve levar em consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores;
b) devem ser incluídas pausas para descanso;
c) quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze)
dias, a exigência de produção deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes
na época anterior ao afastamento.
Portanto, nota-se que a norma é generalista e qualitativa quanto ao critério psicofisiológico e
não apresenta referência de método ou ferramenta a ser utilizada na avaliação e diagnose postural,
na maioria dos itens, não proporcionando parâmetros específicos de medição, os quais um
ergonomista poderia fazer uma verificação direta de conforto do trabalhador. Desta maneira a
utilização de ferramentas de análises ergonômicas, como o RULA neste estudo, auxilia o avaliador
verificar os principais pontos críticos posturais existentes na relação do trabalho e membros
superiores para um diagnóstico que permite a priorização das principais demandas de criticidade
posturais.

2.2.1 Demandas Posturais em Membros Superiores

As atividades humanas exigem demandas em membros superiores durante todos os ciclos da


vida. No trabalho, a empresa tem como objetivo contratar a mão de obra para execução das
atividades e em contrapartida manter a higidez dos empregados.
O Instituto Nacional de Previdência Social, preocupado com as lesões e doenças que
invalidam de forma temporária ou permanente seus securitários, elaborou uma instrução normativa
específica para lesões que demandam aspectos músculo-esqueléticos aos trabalhadores.
19

A Previdência desenvolve nesta normativa o conceito de LER/DORT como uma síndrome


relacionada ao trabalho, caracterizada pela ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, tais
como: dor, parestesia, sensação de peso, fadiga, de aparecimento insidioso, geralmente nos
membros superiores, mas podendo acometer membros inferiores (Instrução Normativa INSS/DC Nº
98, 2003)
A sobrecarga pode ocorrer seja pela utilização excessiva de determinados grupos musculares
em movimentos repetitivos com ou sem exigência de esforço localizado, seja pela permanência de
segmentos do corpo em determinadas posições por tempo prolongado, particularmente quando essas
posições exigem esforço ou resistência das estruturas músculo-esqueléticas contra a gravidade
(Instrução Normativa INSS/DC Nº 98, 2003).
O quadro I da Instrução normativa Nº 98 do INSS exemplifica algumas doenças de trabalho
relacionadas a LER/DORT, e como pode-se notar na tabela 01, a maioria ocorre nos membros
superiores.

Tabela 01: Relação exemplificativa entre o trabalho e algumas entidades nosológicas.

Lesões Causas Ocupacionais Exemplos


Bursite do cotovelo Compressão do cotovelo contra Apoiar o cotovelo em mesas
superfícies duras
Contratura de fáscia palmar Compressão palmar associada à Operar compressores
vibração pneumáticos
Dedo em Gatilho Compressão palmar associada à Apertar alicates e tesouras
realização de força
Epicondilites do Cotovelo Movimentos com esforços estáticos Apertar parafusos, desencapar
e preensão prolongada de objetos, fios, tricotar, operar motosserra
principalmente com o punho
estabilizado em flexão dorsal e nas
prono supinações com utilização de
força
Síndrome do Canal Cubital Flexão extrema do cotovelo com Apoiar cotovelo ou antebraço em
ombro abduzido. Vibrações. mesa
Síndrome do Canal de Compressão da borda ulnar do Carimbar
Guyon punho.
Síndrome do Desfiladeiro Compressão sobre o ombro, flexão Fazer trabalho manual sobre
Torácico lateral do pescoço, elevação do veículos, trocar lâmpadas, pintar
braço. paredes, lavar vidraças, apoiar
telefones entre o ombro e a
cabeça
Síndrome do Interósseo Compressão da metade distal do Carregar objetos pesados
Anterior antebraço apoiados no antebraço
Síndrome do Pronador Esforço manual do antebraço em Carregar pesos, praticar
Redondo pronação. musculação, apertar parafusos
Síndrome do Túnel do Movimentos repetitivos de flexão, Digitar, fazer montagens
Carpo mas também extensão com o punho, industriais, empacotar
principalmente se acompanhados
por realização de força.
Tendinite da Porção Longa Manutenção do antebraço supinado Carregar pesos
do Bíceps e fletido sobre o braço ou do membro
20

superior em abdução.
Tendinite do Supra – Elevação com abdução dos ombros Carregar pesos sobre o ombro,
Espinhoso associada a elevação de força.
Tenossinovite de De Estabilização do polegar em pinça Apertar botão com o polegar
Quervain seguida de rotação ou desvio ulnar
do carpo, principalmente se
acompanhado de força.
Tenossinovite dos Fixação antigravitacional do punho. Digitar, operar mouse
extensores dos dedos Movimentos repetitivos de flexão e
extensão dos dedos.

Fonte: Adaptado de Instrução Normativa INSS/DC Nº 98 (2003).

Além da categorização de lesões, síndromes ou doenças descritas pela Previdência Social,


pode-se verificar nas informações constantes nos anuários estatísticos de acidentes de trabalho
(AEAT) do ministério do trabalho e emprego do Brasil, especificamente nos quadros de quantidade de
acidente de trabalho, pela Classificação Internacional de Doenças — CID-10, que os membros
superiores dos corpos dos trabalhadores estão presentes nas primeiras colocações dos últimos três
anos disponibilizados, conforme visto na tabela 02.

Tabela 02: Quadro parcial da quantidade de acidentes de 2013, 2014 e 2015.

Fonte: Adaptado de AEAT 2015.


Observa-se que a medida que o governo investe mais em prevenção, exigindo ergonomia e
também imputando dolo ao empregador que lesiona seus empregados, os dados estatísticos vão
diminuindo.
Portanto, neste cenário, estações de trabalho onde os membros superiores possam sofrer
carga mecânica devem ser analisadas a fim de identificar fatores que possam contribuir para o
aumento do risco de acidentes e para auxiliar nestas análises, alguns métodos foram desenvolvidos,
entre eles o método RULA que será abordado no próximo tópico.
21

2.3 METODOLOGIA RULA (RAPID UPPER LIMB ASSESSMENT)

Para atingir os objetivos deste trabalho utilizou-se a metodologia da ferramenta de aplicação


ergonômica postural RULA (Rapid Upper limb Assessment), desenvolvido por Mc Attamney e Corlett
(1993) na universidade de Nottingham na Inglaterra em associação com uma metodologia de
programação de dispositivos móveis baseado na plataforma de programação MIT App Inventor,
descrito em capítulo posterior.
RULA é um método utilizado para investigações ergonômicas de fatores de risco associados
a membros superiores. O método é qualitativo e ocorre através da avaliação visual dos movimentos e
não requer nenhum equipamento especial para fornecer uma avaliação rápida das posturas do
pescoço, tronco e membros superiores, envolvendo também a função muscular e cargas externas
experimentadas pelo corpo. O resultado é traduzido em uma codificação numérica que sugere 4
níveis de intervenção biomecânica ou no posto de trabalho para reduzir os riscos de lesões músculo-
esqueléticas nos trabalhadores (McAtamney e Corlett, 1993).
O método divide o corpo humano em dois grandes grupos A e B. O grupo A é constituído pelo
braço, antebraço e punho enquanto o grupo B é formado pelo pescoço, tronco e pernas.
A postura de cada item do grupo é pontuada conforme o ângulo formado pelas respectivas
articulações durante a execução da tarefa na estação de trabalho avaliada. A pontuação 1 indica que
o movimento ou a postura de trabalho tem risco mínimo de lesão e quanto maior a pontuação, maior
o risco de lesão naquele segmento de corpo devido aos esforços proveniente da atividade laboral.
Após encontrar a pontuação dos grupos A e B, utiliza-se a tabela 07 para se determinar a
pontuação final da análise e a ação sugerida a ser tomada no local avaliado.
O primeiro item avaliado é amplitude de movimento do braço e é pontuada de acordo com o
ângulo entre o braço e a linha vertical central do tronco. A pontuação varia de 1 a 4 de acordo com a
figura 01.
Figura 01: Pontuação do braço.

Fonte: RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993).

Determinada a pontuação do braço, deve-se adicionar 1 ponto se o braço estiver abduzido ou


o ombro elevado e deve-se subtrair 1 ponto se o braço estiver apoiado, atenuando a carga.
Em seguida, a pontuação do antebraço é dada de acordo com o ângulo entre o antebraço e a
linha vertical central do tronco. A pontuação varia de 1 a 2 de acordo com a figura 02.
22

Figura 02: Pontuação do antebraço.

Fonte: RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993).

Deve-se adicionar 1 ponto se o antebraço cruzar a linha média do corpo ou se houver


afastamento lateral, conforme a figura 03.

Figura 03: Ajustes da pontuação do antebraço.

Fonte: RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993).

Os punhos são pontuados de 1 a 3 conforme o ângulo formado entre o punho e a linha


central que passa pelo antebraço, demonstrado na figura 04.

Figura 04: Pontuação do punho.

Fonte: RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993).
23

Se houver desvio lateral radial ou ulnar conforme figura 05, acrescenta-se 1 ponto. A rotação
dos punhos também é avaliada de acordo com a amplitude do movimento. Para grandes amplitudes
adiciona-se 2 pontos e para médias rotações adiciona-se um ponto.

Figura 05: Pontuação de ajuste do punho.

Fonte: RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993).

Encontrados os valores para braço, antebraço e punhos, utiliza-se a tabela 03 para


determinar a pontuação do grupo A.

Tabela 03: Pontuação do grupo A.

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).

A avaliação do grupo B começa com a postura do pescoço que é avaliada conforme a figura
06. A pontuação possível é 1,2,3 ou 4. Se houver rotação do pescoço ou se o mesmo estiver
inclinado lateralmente adiciona-se mais 1 ponto.
24

Figura 06: Pontuação do pescoço.

Fonte: RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993).

O tronco é avaliado como segue na figura 07. Se o tronco for bem suportado enquanto o
trabalhador estiver sentado ou se o tronco estiver alinhado com a linha vertical que passa pela coluna
vertebral, a pontuação é 1. Será pontuado em 2 pontos até 20 graus em relação à linha vertical, 3
pontos de 20 a 60 graus e 4 pontos acima de 60 graus. Se houver rotação ou inclinação lateral do
tronco, adiciona-se 1 ponto.

Figura 07: Pontuação do tronco.

Fonte: RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993).

As pernas e pés são pontuados em 1 ponto caso estejam bem apoiadas e balanceadas, caso
contrário a pontuação é 2.
Determinados os valores para pescoço, tronco, pernas e pés, utiliza-se a tabela 04 para
determinar a pontuação do grupo B.

Tabela 04: Pontuação do grupo B.

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
25

(1993).

Determinada a pontuação do grupo A e do grupo B, aplicam-se correções de acordo com a


contração muscular, da força e carga que são exigidas durante a realização da atividade para cada
grupo. A tabela 05 mostra a pontuação adicionada referente à contração muscular e a tabela 06 em
relação à força e carga.

Tabela 05: Pontuação conforme contração muscular.

Pontuação Contração Muscular


+1 ponto Se principalmente estática, mantida por mais de um minuto.
+1 ponto Se a ação é repetida mais que 4 vezes por minuto.
0 ponto Postura dinâmica e não repetitiva.

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).

Tabela 06: Pontuação conforme força e comportamento da carga.

Pontuação Força Aplicada Comportamento


0 Inferior a 2 kg Intermitente
+1 ponto 2 a 10 kg Intermitente
+2 pontos 2 a 10 kg Estático superior a 1 minuto ou se repete mais que 4 vezes/minuto.
+2 pontos Superior a 10 kg Intermitente
+3 pontos Superior a 10 kg Estático superior a 1 minuto ou se repete mais que 4 vezes/minuto.
+3 pontos Independente Ação brusca ou com choques.

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).

Por fim, após determinar os valores do grupo A e B e feita as correções conforme a contração
muscular, força e carga, utiliza-se a tabela 07 para encontrar a pontuação final da análise e as
recomendações de ação para o posto de trabalho analisado.

Tabela 07: Pontuação final da análise RULA.


26

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).
As possíveis ações a serem tomadas de acordo com o determinado pela tabela 07 estão
descritas na tabela 08.

Tabela 08: Pontuação final e sugestões de ações.

Pontuação Recomendação
1 ou 2 A atividade não oferece riscos posturais, se não for mantida ou repetidas por longos
períodos.
3 ou 4 A atividade deve ser melhor investigada, pois pode oferecer riscos posturais.
Mudanças podem ser necessárias.
5 ou 6 A atividade deve ser melhor investigada, pois oferece riscos posturais. Mudanças
devem ser feitas em breve.
7 Investigação e mudanças devem ser realizadas imediatamente.

Fonte: Adaptado RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).

2.4 DISPOSITIVOS MÓVEIS

Estima-se que praticamente metade da população mundial possui um aparelho celular e que
cada vez os usuários comuns procuram dispositivos que contenham recursos sofisticados além da
função básica de telefone. O mercado corporativo também cresce em ritmo acelerado. Diversas
empresas estão buscando agregar seus serviços e em sua forma de operar aos dispositivos móveis.
(Lecheta, 2013).
Desde pequenas aplicações que nos ajudam a lembrar da lista do supermercado até
aplicações criptografadas que nos permitem realizar transações comerciais na palma de nossa mão
em qualquer local que tenha conexão com a internet são alguns exemplos do que os dispositivos
móveis como smartphones e tablets podem oferecer.
Para cumprir suas funções, os aplicativos necessitam de um sistema operacional que os
hospedem nos dispositivos móveis e que lhes deem condições de acesso e controle das
funcionalidades do dispositivo, por exemplo, teclado, memória, processador lógico e display.
27

Segundo o Instituto de pesquisa Gartner de tecnologia, em 2016, o sistema operacional


Android já liderava o mercado de vendas com mais de 1 bilhão de dispositivos vendidos, seguido pelo
sistema iOS da Apple e pelo Windows da Microsoft (www.gartner.com, consulta em 20/03/2018).

Tabela 09: Números de dispositivos móveis versus sistema operacional.

Fonte: Adaptado de Gartner Institute, em milhares de unidades.

2.4.1 Sistema Operacional Android

O sistema operacional para dispositivos móveis Android é uma plataforma para aplicativos
móveis desenvolvida pela Google, baseada no sistema operacional Linux, com diversas aplicações já
instaladas e um ambiente de desenvolvimento bastante flexível e poderoso, além de ser uma
plataforma livre e de código aberto. O fato do Android ser uma plataforma aberta contribui muito para
seu aperfeiçoamento, uma vez que desenvolvedores de todo planeta podem ajudar adicionando ou
corrigindo funcionalidades da plataforma (Lecheta, 2013).
Pela popularidade, acessibilidade e disponibilidade de várias ferramentas do sistema Android,
o aplicativo resultante deste trabalho foi desenvolvido especificamente para operar neste sistema
operacional.

Figura 08: Logo do sistema operacional Android.

Fonte: www.android.com.
28

2.4.2 Ambiente de programação MIT App Inventor

A construção de aplicativos é realizada através de ambientes de programação que otimizam


a criação pelo uso de ferramentas padronizadas e compiladores que transformam o aplicativo em
uma linguagem que o os dispositivos móveis conseguem interpretar.
O MIT App Inventor é um ambiente visual e intuitivo de programação que permite pessoas
que não tenham experiência em programação, possam construir aplicativos totalmente funcionais
para smartphones e tablets. Ele é baseado em programação em nuvem, que significa que é possível
construir aplicativos diretamente no navegador de internet e qualquer usuário com conta ativa do
Google pode acessar e criar aplicativos de forma gratuita.
O MIT App inventor basicamente é dividido em duas partes: Interface gráfica e blocos de
programação.
Na interface gráfica os elementos que serão disponibilizados para o usuário do dispositivo
móvel, como botões, textos explicativos e desenhos, são arranjados nesta tela do ambiente de
desenvolvimento, e o programador já consegue ter a visualização do layout final do aplicativo.

Figura 09: Captura da tela de interface gráfica do MIT App Inventor.

Fonte: Próprio Autor.

Na tela dos blocos de programação, o comportamento dos eventos conforme o usuário


navega pela interface gráfica do aplicativo é determinado através de blocos de lógica de
programação.
Muitas operações lógicas, matemáticas e textuais já estão disponíveis e o programador
apenas tem que escolher a que melhor encaixa em sua aplicação e arrastá-la para o espaço central
da tela, mostrada na figura 10, como se fosse um grande quebra-cabeça e fazer as parametrizações
de acordo com o comportamento esperado.

Figura 10: Tela de blocos de programação.


29

Fonte: Próprio Autor.

Pela razão de ser um ambiente aberto, gratuito e disponível para os usuários dos serviços da
Google, e também pela facilidade de programação, o ambiente de programação do MIT App inventor
foi escolhido como a base para o desenvolvimento do aplicativo objetivo deste trabalho.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O método de pesquisa adotado para o desenvolvimento do aplicativo foi do tipo exploratório


através da investigação e familiarização do método RULA descrito em RULA: a survey method for the
investigation of work-related upper limb disorders (1993) de Lynn McAtamney e Nigel Corlett.
Após a etapa exploratória, foi desenvolvida a primeira versão do aplicativo que foi
disponibilizada através da loja virtual de aplicativos Google Play Store em forma de versão Beta e um
link para teste foi encaminhado para vários usuários do sistema operacional Android a fim de coletar
opiniões e comentários sobre a usabilidade e eventuais erros de programação e desempenho.
O feedback dos usuários poderia ser feito através de um formulário digital ou pela própria loja
virtual. A versão Beta do aplicativo ficou disponível por 4 semanas e ao término deste período de
testes, as opiniões e sugestões foram examinadas e modificações para atender os pedidos dos
usuários foram realizadas e a versão de distribuição do aplicativo RULApp foi liberada.

3.1 APLICATIVO RULAPP

O aplicativo para dispositivo móvel resultante deste trabalho foi batizado pelo nome RULApp,
que é a junção da sigla RULA – Rapid Upper Limb Assessment com o início da palavra inglesa
application.
O desenvolvimento do RULApp foi divido em duas partes principais: a interface gráfica e a
lógica de programação.
30

3.2 INTERFACE GRÁFICA

Define-se interface gráfica a maneira como o usuário acessa e interage com as


funcionalidades do aplicativo. Teve-se como objetivo deste trabalho construir uma interface enxuta
que disponibilizasse os passos do método RULA sequencialmente e que executasse os cálculos e
determinação de resultados de forma invisível ao usuário, apenas disponibilizando as informações
realmente necessárias para o desenrolar da análise.
Para simbolizar o trabalhador, foi escolhido um manequim interativo que permite o movimento
da parte do corpo correspondente ao passo da análise RULA através de um botão deslizante,
conforme exemplificado na figura 11.

Figura 11: Posicionamento do braço através do botão deslizante.

Fonte: Próprio Autor.

Ao determinar a postura, botões para a continuidade da análise são disponibilizados. Em


certos passos, existem ajustes que o usuário pode selecionar através de caixas de marcação,
conforme a figura 12 exemplifica.

Figura 12: Caixas de marcação para ajustes.


31

Fonte: Próprio Autor.

Executados todos os passos da análise RULA, o aplicativo indica o nível de ação que se deve
tomar e disponibiliza a opção para gerar o relatório final da análise. Ao selecionar a opção de gerar o
relatório, uma tela para inserção de informações pertinentes à análise é apresentada ao usuário,
como é visto na figura 14.

Figura 13: Sugestão de ação conforme a pontuação final.

Fonte: Próprio Autor.


32

Inseridas as informações que se deseja mostrar no relatório final, o usuário clica no botão de
gerar relatório e as pontuações de todos os passos da análise RULA realizada é disposta com a
recomendação final, exemplificado na figura 15.

Figura 14: Entrada de dados para o relatório final.

Fonte: Próprio Autor.

É possível compartilhar o relatório através dos aplicativos de comunicação instalados no


dispositivo móvel, como por exemplo e-mail e serviços de mensagens instantâneas, através do botão
“Compartilhar”, na figura 15.

Figura 15: Relatório final e botão de compartilhamento.

Fonte: Próprio Autor.


33

Verificou-se durante o desenvolvimento da interface gráfica no ambiente de programação MIT


App Inventor que o sistema Android responde satisfatoriamente com a proposta inicial de criação de
uma interface gráfica enxuta e intuitiva para o usuário final.
E também, pela disponibilidade de várias funções preestabelecidas para o sistema Android, a
ambientação de novos usuários com o aplicativo é dada de forma rápida e suave, como pode-se
notar pelos feedbacks dos testadores da versão beta.

3.3 LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO

O comportamento do aplicativo após a ocorrência de um evento proporcionado pelo usuário,


como o apertar de um botão por exemplo, é definido através da lógica de programação.
O ambiente de programação em blocos do MIT App Inventor permite que as principais
operações lógicas sejam agrupadas como um quebra-cabeça. As funções são disponibilizadas em
uma paleta e as mesmas podem ser arrastadas para o plano de trabalho e serem encaixadas
conforme a necessidade da programação.
Não é a intenção deste trabalho ir a fundo na explicação de lógica de programação utilizada,
mas sim, apresentar as partes que o aplicativo automatiza e substitui o usuário na sequência dos
passos do método RULA.

Figura 16: Blocos de lógica de programação do MIT App Inventor.

Fonte: Próprio Autor.


34

3.3.1 Lógica de programação do botão deslizante

As partes do corpo que são analisadas pelo método RULA são demonstradas visualmente
através da rotação da parte do corpo em análise na tela do dispositivo móvel, exemplificada na figura
17, pela rotação do pescoço.

Figura 17: Rotação do pescoço.

Fonte: Próprio Autor.

Em termos gráficos, existem duas imagens com fundo transparente sobrepostas sendo
mostradas simultaneamente ao usuário, uma fixa e uma rotativa, que geram a sensação de apenas
uma imagem. O controle da rotação da imagem rotativa é feita através de um botão deslizante. Na
lógica de programação do botão deslizante é determinado o valor mínimo e máximo que o botão
deslizante pode alcançar. Desta maneira, para todos os passos que representam o movimento de
alguma parte do corpo, os limites do botão deslizante é configurado com os valores limites propostos
pelo método RULA.
Figura 18: Rotação de imagens.
35

Fonte: Próprio Autor.

Utilizando o exemplo da rotação do pescoço mostrada na figura 17, o método RULA indica
quatro níveis de pontuação para o pescoço: +4 pontos caso o pescoço esteja rotacionado para trás
da linha vertical que passa pela coluna vertebral, +1 ponto para rotação até 10 graus para a frente da
linha vertical, +2 pontos de 10 a 20 graus para frente e +3 pontos para casos acima de 20 graus.
Assim, para traduzir estes valores na linguagem de programação, foi montado o bloco de lógica de
programação para o botão deslizante demonstrado na figura 19.
Este bloco verifica a posição que o botão deslizante se encontra e faz uma comparação
condicional. Se a posição do botão for maior e igual que -40 e menor que 0, o texto no superior da
tela será “Menor que 0 grau: +4 pontos”. Se a posição for maior e igual a 0 e menor que 10, o texto no
superior da tela será “De 0 a 10 graus: +1 ponto”. Se a posição for maior e igual a 10 e menor que 20
graus, o texto no superior da tela será “De 10 a 20 graus: +2 pontos”. E por último, se a posição for
maior que 20 graus e menor que 50, o texto no superior da tela será “Maior que 20 graus: +3 pontos”.
Neste último caso, foi escolhido o valor de 50 apenas para colocar um limite de rotação na figura
rotativa, pois ela poderia rotacionar indefinidamente e dar a sensação ao usuário que a cabeça
poderia ultrapassar a caixa torácica. Além da definição do texto, a posição do botão deslizante define
o ângulo de direção da figura rotativa, assim todas as vezes que o botão deslizante é arrastado, a
direção da imagem rotativa é atualizada dando a sensação de movimento.
Quando o usuário estiver satisfeito com a posição do pescoço e clicar no botão “OK”, a
imagem é congelada e o valor do botão deslizante é armazenado na memória do dispositivo para
mais tarde ser utilizado na determinação dos valores tabelados pelo método RULA.

Figura 19: Lógica de programação do pescoço.

Fonte: Próprio Autor.


36

3.3.2 Lógica de pontuação do grupo A

O grupo A, conforme o método RULA, é formado pelo braço, antebraço e punho e a


pontuação para este grupo é determinada conforme mostra a tabela 11. As possíveis pontuações do
braço partem de 1 e pode chegar até 6, o antebraço de 1 a 3, a posição do punho de 1 a 4 e por fim a
rotação do punho pode ser 1 ou 2. Estes valores são determinados pelo usuário do aplicativo e são
armazenados na memória do dispositivo.
A lógica para a determinação da pontuação é baseada na concatenação dos valores
individuais de cada passo do grupo A e feita uma comparação condicional do número concatenado
com os valores determinados na tabela de pontuação do grupo A descrito no método RULA. Para
facilitar o compreendimento, segue um exemplo hipotético.

Tabela 10: Exemplo de pontuação do grupo A.

Passo RULA Pontuação


Braço 6 Pontos
Antebraço 1 Ponto
Punho 3 Pontos
Rotação do punho 2 Pontos
Número Concatenado 6132

Fonte: Próprio Autor.

No exemplo, o número concatenado é 6132. Este número de 4 dígitos é obtido com a união
dos valores individuais de cada passo sequencialmente, 6-1-3-2.
Com a determinação deste número de quatro dígitos, a comparação condicional é feita
através das combinações possíveis dos valores concatenados da tabela do método RULA para o
grupo A e seus possíveis resultados que variam de 1 a 9, conforme a tabela 11.

Tabela 11: Possíveis pontuações do grupo A.

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).
37

Para a pontuação 8, por exemplo, são possíveis 8 combinações possíveis de posição de


braço, antebraço e punho que podem atingir o resultado 8. Desta maneira, a concatenação das
possíveis combinações com resultado 8 são as representadas na tabela 12.

Tabela 12: Exemplo de concatenação das possíveis pontuações do grupo A com resultado 8.

Braço Antebraço Punho Rotação do Resultado Número


Punho Concatenado
5 3 4 2 8 5342
6 1 3 2 8 6132
6 1 4 1 8 6141
6 2 1 1 8 6211
6 2 1 2 8 6212
6 2 2 1 8 6221
6 2 2 2 8 6222
6 2 3 1 8 6231

Fonte: Próprio Autor.

Com a tabela de concatenação de resultados possíveis gerada, para todos os níveis de


resultado determina-se as comparações condicionais. A tabela 13 demonstra a lógica condicional de
condições possíveis para que se obtenha o resultado 8 para o grupo A e a figura 20 demonstra parte
da programação em blocos para esta condição no ambiente MIT App Inventor.

Tabela 13: Exemplo de lógica condicional de pontuações do grupo A com resultado 8.

Verificações condicionais do grupo A para resultado 8


Se o número concatenado é igual a 5342
OU
Se o número concatenado é maior ou igual a 6132 E menor ou igual a 6141
OU
Se o número concatenado é maior ou igual a 6211 E menor ou igual a 6231
Armazena “8” como resultado

Fonte: Próprio Autor.

Figura 20: Bloco parcial de programação para combinações do grupo A com resultado 8.
38

Fonte: Próprio Autor.

Após a determinação da pontuação do grupo A, o usuário escolhe através de caixas de


marcação a pontuação conforme contração muscular e a pontuação conforme força e comportamento
da carga, e esses valores selecionados são adicionados algebricamente resultando no valor final da
pontuação do grupo A.

3.3.3 Lógica de pontuação do grupo B

O grupo B, conforme o método RULA, é formado pelo pescoço, tronco, pernas e pés. A
pontuação para este grupo é determinada conforme mostra a tabela 15. As possíveis pontuações do
pescoço e tronco partem de 1 e pode chegar até 6. As pernas e pés podem ser pontuadas em 1 ou 2.
Similar ao procedimento de determinação da pontuação do grupo A, a pontuação do grupo B
é baseada na concatenação dos valores individuais de cada passo e feita uma comparação
condicional do número concatenado com os valores determinados na tabela de pontuação do grupo B
descrito no método RULA.
A principal diferença entre a lógica entre o grupo A e o grupo B é o número de dígitos da
concatenação, pois o número gerado pelo grupo A tem 4 dígitos e no grupo B apenas 3. Novamente,
para facilitar o compreendimento, segue um exemplo hipotético.

Tabela 14: Exemplo de pontuação do grupo B.

Passo RULA Pontuação


Pescoço 2 Pontos
Tronco 1 Pontos
Pernas e pés 1 Ponto
Número Concatenado 211

Fonte: Próprio Autor.

No exemplo, o número concatenado é 211. Este número de 3 dígitos é obtido com a união
dos valores individuais de cada passo sequencialmente, 2-1-1.
Determinado este número de três dígitos, a comparação condicional é feita através das
combinações possíveis dos valores concatenados da tabela do método RULA para o grupo B e seus
possíveis resultados que podem ser de 1 a 9, conforme a tabela 15.

Tabela 15: Possíveis pontuações do grupo B.


39

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).

Para a pontuação 2, por exemplo, são possíveis 3 combinações possíveis de posição de


pescoço, tronco, pernas e pés que podem atingir o resultado 2. Desta maneira, a concatenação das
possíveis combinações com resultado 2 são as representadas na tabela 16.

Tabela 16: Concatenação das possíveis pontuações do grupo B com resultado 2.

Pescoço Tronco Pernas e Pés Resultado Número


Concatenado
1 2 1 2 121
2 1 1 2 211
2 2 1 2 221

Fonte: Próprio Autor.

Com a tabela de concatenação de resultados possíveis gerada, para todos os níveis de 1 a 9


determina-se as comparações condicionais. A tabela 17 demonstra a lógica condicional de condições
possíveis para que se obtenha o resultado 2 para o grupo B e a figura 21 demonstra parte da
programação em blocos para esta condição no ambiente MIT App Inventor.

Tabela 17: Lógica condicional de pontuações do grupo B com resultado 2.

Verificações condicionais do grupo B para resultado 2


Se o número concatenado é igual a 121
OU
Se o número concatenado é igual a 211
OU
Se o número concatenado é igual a 221
Armazena “2” como resultado

Fonte: Próprio Autor.

Figura 21: Bloco parcial de programação para combinações do grupo B com resultado 2.
40

Fonte: Próprio Autor.

Após a determinação da pontuação do grupo B, o usuário insere a pontuação conforme


contração muscular e a pontuação conforme força e comportamento da carga através de caixas de
marcação, e esses valores selecionados são adicionados algebricamente resultando no valor final da
pontuação do grupo B.

3.3.4 Pontuação final e níveis de ação

Para determinar a pontuação final da análise ergonômica, o aplicativo RULApp observa a


mesma lógica condicional para a determinação da pontuação do grupo A e B e utiliza a tabela 18 para
determinar os níveis de ação.
A concatenação final é feita com os resultados do grupo A e o grupo B e os resultados
possíveis partem de 1 pode alcançar o nível máximo de 7 pontos.

Tabela 18: Possíveis pontuações finais.

Fonte: Adaptado de RULA: a survey method for the investigation of work-related upper limb disorders
(1993).
Ao verificar o nível alcançado, o RULApp disponibiliza para o usuário as ações a serem
tomadas, conforme a figura 22.

Figura 22: Possíveis pontuações finais e as respectivas considerações de ação.


41

Fonte: Próprio Autor.

3.4 RULAPP VERSÃO BETA

A versão de testes beta do aplicativo RULApp foi disponibilizada por 4 semanas para
testadores a fim de recolher comentários e sugestões sobre a interface e eventuais problemas de
lógica de programação e mau desempenho de processamento. Para acessar a versão beta do
aplicativo, o usuário buscava na loja virtual Google Play Store por RULApp e a versão antecipada era
disponibilizada, como é visto na figura 23.

Figura 23: Versão beta RULAapp disponibilizada na Google Play Store.

Fonte: Google Play Store.


42

Um formulário digital foi disponibilizado para recolhimento de feedbacks dos usuários e era
composto por oito perguntas diretas e um espaço para escrita livre de comentários. As respostas
recebidas através do formulário digital estão dispostas na figura 24.

Figura 24: Respostas recebidas pelo formulário digital.

Fonte: Google formulários: https://goo.gl/forms/mxwdv6wiIUr9HHtw2.


43

A figura 25 mostra uma vista parcial do formulário digital enviado aos testadores da versão
beta do aplicativo Rulapp.

Figura 25: Vista parcial do formulário de feedback.

Fonte: Google formulários: https://goo.gl/forms/mxwdv6wiIUr9HHtw2.

Ao disponibilizar uma versão beta de aplicativo, a loja virtual Google Play Store fornece
algumas estatísticas sobre o aplicativo, dentre as quais salienta-se o relatório de falhas, desempenho,
segurança e compatibilidade.
O relatório de falhas mostra o teste automático feito em 10 dispositivos de marcas e versões
de Android diferentes, a fim de verificar o comportamento em diversas situações.

Figura 26: Relatório de falhas dos testes automáticos.

Fonte: Google Play Console.

Outro relatório interessante é o resultado por busca de vulnerabilidades de segurança, as


quais um usuário poderia não estar imune ao instalar o aplicativo.

Figura 27: Relatório de vulnerabilidades.


44

Fonte: Google Play Console.

O relatório de desempenho mostra os principais parâmetros relacionados ao dispositivo físico,


como por exemplo o tempo de inicialização do aplicativo, o consumo de memória e CPU. Estes tipos
de dados ajudam a determinar se modificações da lógica de programação ou interface são necessária
a fim de otimizar o desempenho do aplicativo.

Figura 28: Relatório parcial de desempenho em diferentes dispositivos.

Fonte: Google Play Console.

Por fim, o catálogo de dispositivos mostra todos os dispositivos que rodam a plataforma
Android e que os fabricantes disponibilizaram informações suficientes para a determinação de
incompatibilidades com o aplicativo. Isto ajuda o desenvolvedor a apenas disponibilizar o aplicativo
apenas para aqueles que possam rodar o aplicativo com o menor risco de travamentos, evitando
aborrecimentos aos usuários.
Durante o teste Beta existiam 15.483 dispositivos de diversos fabricantes no catálogo, dentre
os quais 201 não eram compatíveis com o RULApp.

Figura 29: Catálogo de dispositivos.


45

Fonte: Google Play Console.

3.5 RULAPP VERSÃO DE DISTRIBUIÇÃO

Após a coleta de feedbacks dos testadores, modificações foram realizadas no aplicativo e a


versão de distribuição 1.0 foi lançada em 14 de março de 2018 na loja virtual Google Play Store.
Disponibilizada no idioma português e gratuitamente, a versão de distribuição é possível a
qualquer usuário que fizer o download avaliar e comentar sobre o desempenho do aplicativo.

Figura 30: RULApp versão de distribuição.

Fonte: Google Play Store.


46

Na data de 25 de abril de 2018 já haviam sido realizados mais de 50 downloads do aplicativo


RULApp em diversos países conforme tabela 20 e o mapa de instalação por países (Figura 31), no
qual os países em azul significam onde foi feito o download e quanto mais escuro for azul, mais
downloads foram feitos no país.

Figura 31: Mapa de instalações do RULApp por países.

Fonte: Google Play Console.

Tabela 19: Quantidade de instalações do RULApp por países.

Fonte: Google Play Console.


Durante o período mencionado, foram recebidos 7 feedbacks de usuários da versão de
lançamento e a pontuação até então era de 4,857 de uma escala com pontuação máxima de 5.
47

Figura 32: Avaliação pelos usuários do aplicativo RULApp.

Fonte: Google Play Console.

Durante o mesmo período, uma falha foi detectada referente a “java.lang.OutOfMemoryError”,


que significa basicamente um erro devido a falta de memória no dispositivo para que o aplicativo
executasse normalmente.

Figura 33: Falha detectada por falta de memória.

Fonte: Google Play Console.

Este erro poderá ser minimizado alterando parte da interface gráfica em futuras versões,
reduzindo o consumo de memória durante a execução do aplicativo.

4 VALIDAÇÃO DO APLICATIVO RULAPP EM UM POSTO DE TRABALHO

A validação do aplicativo foi feita em um trabalhador de um posto de trabalho em uma


indústria automobilística de veículos de passeio. A observação das posturas do trabalhador foram
inseridas no aplicativo para verificação das possíveis combinações de análises versus os valores
tabelados pelo método RULA. Para isto, foram verificadas as combinações de posturas e os
resultados possíveis contra as tabelas definidas no metódo RULA descrito em RULA: a survey
method for the investigation of work-related upper limb disorders (1993) e os resultados gerados pela
lógica de programação do aplicativo RULApp, não encontrando divergência entre resultados.
As atividades desenvolvidas pelo trabalhador no posto de trabalho apresentam grande
exigência de demanda em membros superiores. Este posto já havia sido avaliado anteriormente e
verificado pelo departamento de segurança e saúde do trabalho da empresa, constatando-se a
necessidade de modificações para evitar lesões ao trabalhador. Desta forma, a avaliação ergonômica
48

utilizando o aplicativo RULApp teve como objetivo corroborar ou não com o diagnóstico prévio já
existente neste posto de trabalho.
A tarefa realizada pelo trabalhador consiste no aperto dos parafusos da barra de proteção do
cofre do motor de um veículo de passeio. Para fazer o aperto, o trabalhador se curva sobre o veículo
para alcançar os parafusos e encaixar a ferramenta de torque. Após o encaixe, o trabalhador
rotaciona a ferramenta até chegar ao torque nominal. O tempo total da tarefa é de 30 segundos e ela
é repetida a cada 5 minutos, na produção diária normal. A figura 34 mostra o operador executando a
tarefa.

Figura 34: Posicionamento do trabalhador durante a tarefa.

Fonte: Própria do Autor.

A posição do braço foi considerada maior que 90 graus, o antebraço posicionado entre 60 e
100 graus e a posição do punho menor que 15 graus, como pode ser observado na figura 35, que
mostra as capturas de tela destes passos do método RULA.

Figura 35: Passos 1, 2 e 3 do aplicativo RULApp.


49

Fonte: Própria do Autor.

A amplitude de rotação do punho foi considerada em média amplitude. Assim, a pontuação


parcial para o grupo A é de 4 pontos. Para finalizar a pontuação do grupo A, o uso dos músculos e a
carga é pontuada.

Figura 36: Pontuação do grupo A.


50

Fonte: Própria do Autor.

A posição do pescoço considerado foi menor que 0 grau, a posição do tronco de 20 a 60


graus e os pés e pernas bem suportados.

Figura 37: Passos 9, 10 e 11 do aplicativo RULApp.

Fonte: Própria do Autor.

Desta maneira a pontuação parcial do grupo B alcançada é de 6 pontos. Para finalizar a


pontuação do grupo B, o uso dos músculos e a carga é pontuada.

Figura 38: Pontuação do grupo B e pontuação final da análise.


51

Fonte: Própria do Autor.

Após a determinação das pontuações do grupo A e grupo B o aplicativo RULApp determina


automaticamente o nível de ação a ser executada no posto analisado, que nesta avaliação didática foi
determinado o nível 6, conforme relatório final RULApp, constante na figura 39 ratificando a análise
previamente realizada pelo departamento de segurança e saúde do trabalho da empresa, mostrando
a necessidade de revisão do posto de trabalho e das atividades realizadas pelo trabalhador.

Figura 39: Relatório final RULApp.

Fonte: Própria do Autor.

Além da aplicação da ferramenta RULApp em um trabalhador de um posto de trabalho na


indústria automobilística, as diversas possibilidades de combinações que poderiam ser encontradas
durante as análises ergonômicas foram verificadas e a lógica de programação do aplicativo
respondeu conforme os resultados tabelados. O aplicativo RULApp encontra-se disponibilizado na
loja de aplicativos Google Play Store e o mesmo foi compartilhado entre vários alunos da turma de
segurança de trabalho e profissionais interessados na área de ergonomia, sendo que a possibilidade
de comentar e identificar possíveis problemas através da loja virtual ainda está disponível.
52

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E PROJETOS FUTUROS

O desenvolvimento deste estudo foi motivado na observação da lacuna existente em relação


a disponibilização de ferramentas de avaliação ergonômica para dispositivos móveis de forma gratuita
e de fácil utilização para a sociedade em geral e em especial aos profissionais de segurança do
trabalho. Constatando a versatilidade que os dispositivos móveis como smartphones e tablets
atingiram nos tempos atuais e a possibilidade de criação de aplicativos de forma aberta e de fácil
acesso, foi despertado um grande interesse por parte do autor no desenvolvimento de um aplicativo
que pudesse atender a demanda da engenharia de segurança do trabalho em dispor de ferramentas
complementares para as análises ergonômicas do trabalho, principalmente relacionados a posturas
do trabalhador em suas atividades.
Desta forma, o aplicativo para dispositivos móveis pode unir conhecimentos de programação
e design gráfico com as necessidades identificadas na área de engenharia de segurança de trabalho.
O aplicativo é de grande utilidade e usabilidade para os profissionais de saúde e segurança
do trabalho, permitindo em curto espaço de tempo ao acessar um dispositivo móvel, classificar e
diagnosticar as principais demandas posturais e prioridades de riscos para as análises ergonômicas
do trabalho.
Outro detalhe importante foi a rede de contato estabelecida com profissionais e estudantes
durante o desenvolvimento do aplicativo, e incluindo a própria a autora do método RULA, Dr. Lynn
McAtamney que permitiu a utilização do método para a criação do RULApp sem fins comerciais.
Após o trabalho de criação e validação do aplicativo propriamente dito, apareceu um novo
desafio para o autor: a divulgação e marketing do aplicativo. Assim, para evitar que o aplicativo fosse
criado e no final não houvessem usuários usufruindo das facilidades atingidas, um árduo trabalho de
comunicação utilizando e-mails, redes sociais e conversas entre amigos e familiares foi conduzido.
Com isso, este estudo proporcionou ao pesquisador satisfação em desenvolver um aplicativo
compatível com um grande número de dispositivos com sistema operacional Android, e que baseado
nos feedbacks recebidos e relatórios da loja virtual, o aplicativo atende aos objetivos iniciais de
apresentar uma interface enxuta, intuitiva e de fácil utilização e que principalmente, conseguiu realizar
as avaliações ergonômicas dos membros superiores conforme rege o método RULA. A capacidade
de executar a tarefa de determinar os valores tabelados pelo método RULA, como também o
armazenamento e compartilhamento dos resultados finais das análises se tornaram os grandes
diferenciais e atrativos do RULApp.
Após o lançamento da versão de distribuição e a constante atualização dos relatórios da loja
virtual, pode-se sugerir melhorias futuras para a manutenção e expansão do aplicativo RULApp:

 Modificação de parte da interface gráfica a fim de diminuir o consumo de memória dos


dispositivos, evitando falhas por falta de memória;
 Adição de traduções dos textos do aplicativo para, ao menos, o espanhol e inglês. Pois, o que
verificou-se até a este momento, que a maioria dos downloads foram realizados na América
Latina e países europeus.
53

 Desenvolvimento do aplicativo para outros sistemas operacionais como por exemplo iOS e
Windows aumentaria a gama de usuários;
 Melhorar exibição dos controles e figuras em dispositivos móveis do tipo Tablets, pois foi
verificado que a resolução e posicionamento das imagens e controles do aplicativo em
smartphones atenderam as expectativas, porém em tablets a exibição do aplicativo não ficou
a contento, conforme comentário de usuário.

Assim, espera-se ter contribuído para o cenário atual de ferramentas de avaliação


ergonômica a fim de minimizar e prevenir acidentes de trabalho por lesões músculo-esqueléticas
decorrente de atividades laborais, principalmente em postos de trabalho com demandas e exigências
posturais em membros superiores.
54

6 REFERÊNCIAS

McAtamney, L. and Corlett, E.N. (1993) RULA: A survey method for the investigation of work-
related upper limb disorders. Applied Ergonomics, 24 (2), 91-99

MÁSCULO, Francisco Soares; VIDAL, Mario Cesar (Org.). Ergonomia: trabalho adequado e
eficiente. Rio de Janeiro: Elsevier: ABEPRO, 2011. 606 p. (Campus - ABEPRO: Engenharia de
Produção).

IEA. Definition and Domains of Ergonomics. Disponível em < http://www.iea.cc/whats/index.html>.


Acesso em: 05 fev. 2018.

ABERGO. O que é ergonomia?. Disponível em <http://www.abergo.org.br/internas.php?


pg=o_que_e_ergonomia>. Acesso em: 05 fev. 2018.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 17 – Ergonomia. Brasília: Ministério do Trabalho e


Emprego,2007. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR17.pdf>.
Acesso em: 17 jan. 2018.

Ministério do Trabalho e Emprego. Manual de aplicação da Norma Regulamentadora nº 17. 2 ed. –


Brasília : MTE, SIT, 2002. 101 p. : il.

INSS. Instrução Normativa INSS/DC Nº 98. INSS, 2003. Disponível em <


http://sislex.previdencia.gov.br/paginas/38/INSS-DC/2003/98.htm>. Acesso em: 17 jan. 2018.

Ministério da Fazenda [et al.]. Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho : AEAT 2015 / – vol. 1
(2009). Brasília : MF, 2015. 991 p.

LECHETA, Ricardo R. Google Android: aprenda a criar aplicações para dispositivos móveis
com o Android SDK. 3. ed. São Paulo: Novatec, 2013. 824 p., il.

GARTNER. Gartner Says Worldwide Traditional PC, Tablet, Ultramobile and Mobile Phone
Shipments On Pace to Grow 7.6 Percent in 2014. Disponível em
<https://www.gartner.com/newsroom/id/2645115>. Acesso em: 17 mar. 2018.

MIT APP INVENTOR. About us. Disponível em <http://appinventor.mit.edu/explore/about-us.html>.


Acesso em: 05 jan. 2018.

GOOGLE PLAY CONSOLE. Publish. Disponível em <https://play.google.com/apps/publish/>. Acesso


em: 01 mar. 2018.
55

GOOGLE DOCS. Feedback do aplicativo RULApp. Disponível em


<https://goo.gl/forms/BEO6EwSDDd1t3YQC2>. Acesso em: 14 mar. 2018.