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Ree eee ST ee ese rdent cr are i eat eee Uae ee ete meas ELES NAO SABEM O QUE FAZEM O sublime objeto da ideologia Slavoj Zizek ¥ ¥) ¥| r S % a y yi 5 : 9 =} : ny in i | x § /\, Transmissio da Psicandlise {Z retor: Marco Antonio Coutinho Jorge 4 A Crianga Magnifica da Psicenélise, J.-D. Nasio ‘5. Fantasia Originéri, Fantasias das Origens, Origens da Fantasie, Jean Laplanche eJ-B. Pontalis 6 Inconsciente Froudiano e Transmissio da Peicantlise, Alain Didier-Weill 7 Sexoe Discurso em Frevd ¢ Lacan, Marco 4. Coutinho Jorge 8 OUmbigo do Sonno, Laurence Botaille 18 OMals Subtine dos Hiséicos, Slav) Zite 19 Para que Serve uma Andlise?, Jean-Jacques Moscovite 20 Introdusdo & Obra de Francoise Dolio, Michel H. Ledows Questo do Pai, Jean ‘o que Fazem, Slava) Zick Préximos lancamentos: Batrevistes com o Homem dos Lobos, Karin Obhater Slavoj Zizek ELES NAO SABEM O QUE FAZEM O sublime objeto da ideologia LISO DO SUGUARAO BIBLIOTECA PESSOAL Jorge Zahar Editor Rio de Janeiro Para Renata, de novo Sumario Preficio 7 OS IMPASSES DA “DESSUBLIMACAO REPRESSIVA” 9 izagio do politico”, 30 MO chogue e suas repercussdes 35 Oencontro de um “Real A“légiea da dominagio”, 37 A“subjetividade a ‘Talo onginat Habermas: a andlise como auto-reflexdio, 49 sme sven pace quo VARIAGOES DO TOTALITARISMO-TIPICO_ s7 sh + oat eilidrle 39 20081 Rio de Sani, RD “adoro ston revered 4 Acoyodagio nko-aatrizade data publoagio, 0 toto (0 “nareisismo patolégico”, 70 fv em prt conta volgto Jo copyright. (ei .088) 1V.0 diesen satetise ” Ettrago clase: TopTentes Epes Grice Iida impress Tavaes¢Teaio Lita © SUBLIME OBIETO DA IDEOLOGIA ” V0 grifico do desejo: uma leitura politica AAs reflexes proponente, exterior e determinante, 131 Esabelecendo as pressuposigdes, 134 Pressupondo 0 esiabelecer, 140 0 GOZA.O-SENTIDO IDEOLOGICO 149 VIL. Respostas do real Oolhar e a voz como objetos, 151 Quando o real responde, 153 Reproduzindo o re vin. Bibliografia 195 Prefacio Nos debates teSricos atuais, cada vez mais se revela que 0 “eles nao sahem*, definindo a experiéncia ideolbgica, anuncia a dimensio do g0z0: hhd ume Vertente positiva da cegueita ideolsgica, que eonsiste na presenga ,tenaz. dolorosa de umn gorar que resistea sua diss obsexna (0 Tribunal, 0 Ca logia como discurse, da sobredeterminagio simbélica do efeito-de-senti , esbarra em seu limite: reconhecer esse limite & no ly © BeStO Trt D5 cue ae ee) Esia obra dé prosseguimento is anilises'do livro precedente do me dos histricos — Hegel com Lacan (Jorge Zahar mpasses da “dessublimagao repressiva” sio « parte que resume 3 ago da “Escola de Frankfurt” (a “teoria critica da sociedade”) 1m o fascismo, isto é, a maneira como a “teoria critica” procurou ireendler os paradoxas do gozar tolalitirio por meio da nogio de “dessu- \¢ao repressive"; a leitura lacaniana nos permite localizar o que falta critica” no conceito de supereu como agente obstinado e Feroz, pal para 0 funcionamento da ideologia totalit ‘cmptegado no originel nfo & simplesmente jouissance (goz0), sim fono, jonis sens, slgo 8 sler mio sabem o que fazem , a0 mesmo tempo, a deteraaso do sentido ideoldgico centraliza-se no nicleo mais extremo da € mais do que (o significado) desmoronamento, funcion: possibil fa mesmo tempo, como sua condigio de © autor expressa seus agradecimentes i sta, Dominique por sua ajuda na tradugéo do manuscrito. 1-Zeitoun + Otenmo Mattre, em francés, mestre, senhor, dono, chefe et Jogo do texto, depentdendo do contexto, por mestre ou senor traduzido a0 Os IMPASSES DA “DESSUBLIMAGAO REPRESSIVA” Lh I A “teoria critica” frente ao fascismo A woria eritiea contra 0 “revisionismo” analitico (Uma critica & psicologia conformista, ic lero “revisionismo” peicanalitieo em sua totalidade, desde Adler, iro dessa escola, até 2 antipsiquiatrie (representada por Laing, sem omitir 0s neofreudianos © os pis: freudianos fan etc, ou “humanista” (Allport, Frankl, to de “amnésia” progressive em que se perde, gradativamente, a radical da descoberia freudiana: seu nticleo “eritico” i “TUOTES, eITOME Ue uma concepyao do homem ivo que transcend? reiteradamente em seu projcto existen- jonais so apenas componentes yitexto da relacdo ativa c totali- homent com o mundo,,., 0 que equivale, no nivel propriamente 0, & reafirmagao do eu como instancia ativade sintese. Acausa jento pulsional, deven- 12 esinpasses da “dessublinasdo repressiva” istencial” bloqueada, em relagdes interpessoais sem "cariter sadomasoguista” efeitos de uma sociedad que b homem, [E, nu verdade, tl "soe leks lade, integrar 0 Peomplexo de Edi ‘como sua condigéo objediva) ele.! Ore, a TCS Tutou desde 0 Ayn a foie paluinedel Came ' Esse socializapao Suméria do inconse te acarreta um problema quase “e 30 enire 0 eu €0 isso, coma ev’ isto 6, em que baseat resisténcia dordemexistome? Fromm se livia desse impacce através de uma vast ‘censtrugdo aniropolégica da “essncia humana" que combina tragos do hit fenreaofasciemy 1S precisamente em nome de uma rigorosa do chamado “debate sobre 0 cultu- no seio da ae undamental des teéricos da TCS contra esse a partir das mesmas pre Tomece um quadro pormenorizado desse re mo, apresentado através do prisma eritico da TCS. na “sociedade de massa"), enguanto a TCS via o ira vista, como “natureza”, heranea bi que determinam o individuo \Seico: ora, questi de que se a nao é simplesmente na ‘se afigura como naturera, 1975, p. 46.) eon cere oyliud. ry ds antropologia existe / do bloqueio dos poten “alicerga” 0 14 os passe da “desublinagto repressva”™ nada tem em dos conllitos sonscientes que a ele se tensio que confere 4 teoria freudians seu potencial critic, jedade alienada, 0 campo da “cultura” ye assenta na "repressio” um micleo excluido desse campo, assumindo a forma de uma quase- dos coneetos; interpreta freudiano como uma segunda natureza, como a histriaeristaizada, (Ibid) podemos nos equivocar (0, que nio se reconhece mais em seu como “substineia psiquica alienada”. ‘onde Freud vira apenas 0s digo eferiva da “segunda natureza™: a aparéncia segundo a qual 0 ciente se compoe das “pulsves arcaicas”, quase-~biologicas”, ¢, em si alidade histérice “falsa” em simesme, ou seja,alienada, reificada, Na sociedade contemporiinea, 0 individuo, efetivamente, nfo & ‘um sujeito “eondenad« se realizar através de seus projetos ‘a merce das forgas, igo de “media. nnaturcza”. Por essa razio, a abordagem freudiana, que recusa autonomia ao eu e descreve a dinimica pulsional “naturalizada” a que todos os de dominagio; de outro, apre pulsional, como condiglo necessi igo do supereu, mas a “harmonia” entre us trés insténcias. Intro- maw Ma pupal oem Lu ‘os iepasses da Lp Pye dompu tae ove do recaleamento, em ni ‘quer, plor ainda, no sentido de um eom- de recaleamento”, Na verdade,o cu, que se eonstitui como uma mediagio entre 0 jogo \Ida TCS consiste em apreender essa as forgaspsiguicese¢ realdade extema, desempeaha 0 papel ds da contradigao social ¢ em si mesma, um peso cogniti nao ha nenkn representante da realidade, tem que st \conscientes, e chegamos i contradigio de que “o eu t ser — enguanto consi tempo — na medida em que , que demanda uma consciea aboligdo do recalcamento, levaria, radicalmente conduzido, & desagrega- SX ao do cu e ao esfacelamento dos “mecanismos de defesa que aparecem \ \ ns, meeanismos sem os quais nio seria possivel conceber a \ ‘dentidade do prineipio do ev em oposigdo & multiplicidade das presses impulsivas” ((bid, p. 131); por outro lado, qualquer demanda do ra fieudiana, A teoria critica, a0 contrétio, tum pensador nfo-ideolégico e por um surdo pritico terapé ser allernadamente rompidos ¢ reforgados neuroses, em que o supereu é “forte demais” para desnudar os instintes, seria preciso vencer a res psicoses, onde o superen é “fraeo demai Ja, Dessa mancira, © término da anilise — © cardter contr Neste ponto, devemos tomar cuidado para niio deixar escapar o desafio co-pitico, absoluiamentedevisivo, da TCS: cla ndo vis, de om HhOD fils bonne fo . hd que tomar essa jo da “querela real entre pelo indicio que remete dado impessivel de to é, na medida em que, por causa dela, renuneia-se d intengao de “conciliat™ o universal com o particular; no entanto, nenhuma consciente sf fiz revelar os ia, No inconsciente se aw jue nio levado emconta pelo Ora, mesmo it preciso conservar, a qualquer preg! Dari evitar a “oct complement “sécio:psicoldgico” da “psicclo; — justamen- te 0 que preocupou os tevisionistas ac criticarem a insuf “psicalogismo” abstrato — ivo da metiagio socialffe entre ¢ social ¢ o psiquics, de mais nada a dstingso de outro lado, chegou-se bid, p. 1 a “socializaso” pr Assim, ‘a “teoriacrvica” frente ao fascsmo 9 es iene as sa por ex peel ta a tea eatouernsbn ac eae et oun pies sacle go inconsinte some “aduzida pa ff Oda r8 u proprio encaminkamento como uma espécie de contramovimento para restabelecer a verdade da descoborta freudiana, esquecida pelo revisionismo, que eseamoteou 0 cunho sumamente crtico da psica através de sua transformacéo numa ¢g0-psychotogy (psicologia do egé fazendo dela um veiculo do conformismo sociale da adaptacio a um dado way of life (estilo de vida); pois bem, no fundo, a TCS ace froudiana “tal © qual", afitmando-a com todas as suas “anti “inconseqhéncias”, a medide em que vé nesses aspectos a prop cagio de sua verdide. Em outras palavras, essa orientagao toma desne- ceeseéria e absurdo wm “retorno a Freud” q desiacar, mediante um paciente trabalho teérico, 0 que Freud “produziu sem saber”. a TCS vé a grandeza de Freud, paradoxalmente, no prop lescoberta; porque a “contradigéo™ fundamental de sua ‘momento erueial de sua verdade,exprime precisamen- tea ica de sua posigio ainda burguesa, cla é 0 proprio ‘extremo em que essa posigao, levada imanente, Nao nos devemos esquecer, em nenhum momento, de que a ‘a de uma inversio revolt 10 acoatece em Adome, dio & Alteridade total” (die Se dem ganz Anderen) — de uma sociedade em que a “cultura” nao seja mais: aga com uma “regressAo™ barbara imanente, em que a “repressio” ndo ‘soja mais a condigio inevitivel da *sublimagio™. ATCS de modo algum censura o revisionismo por admitir « possibilidade de tal “sociedace sem repressio”, refetindo-se sua ccnsura, antes, a0 fato de cle admitir a no interior da “0 “livre desen- te por meio da em uma revolugio global da sociedade, € justamente a malanga radical da rea em demonstrar certo "mal-esta teoria 20 dm agudeza eritica: corsidera apenas o prime! emboia se @ agudees ca psicundlise 6. versio de Jacoby pare a psicandlise como “vocagio sivel”: a terapia s6 pode tei idade de ums con ie- nada” em que ndo haja necessidade da prépria psicandlise — esse ideal setia odo individuo “in-diviso”, nio-dividido, o que equivalea diz inconsciente, nio assujeitado ao processo do recaleamento, um A puonalin Limg Lhpite Linena ono nod £ gor Wy kil fell oy NAO L WbepgaR - ep hat ania See como uma tearia “posi oe ee A “dessublimagéo repressiva” ATCS vé a prova dei mento histérico poster absolutamente inesperad: jentro do campo con freudiano: a de uma “dessublimagio repressiva”, que, nas socied ido a “sublimagio repressiva" propria da Sligo dos “tolalitarismos” contemporaneos, desde; va dessa insuficiéncia de Freud no desenvolvi ‘onazisimo até a *sociedade de consumo”, consis 10" (Adorno, 1975, p. 133). tonomia do eu repousava em scu papel mediador entre (a substineia libid torna-se automtico” (Marcuse), perde ‘mas esse mesmo tipo de comporta- imeflctido, “automtico”, supostamente assume a forma de wma “lei” ou de uma “proibig&o” interna que exige a Tenuneie, o autodominioete.,mas, antes, assume & forma de uma instanci 1 levar pela correnteza”, ja ordem se reduz.a um “Goza!” — 0 proprio Adorno jé o disse — 4 imposigio de um goz0 obtuso ditado pelo meio social, inclusive pelos ;pontineo...". A exigéneia social cla aparece sob a forma e aanilise do ego, que & para a'TCS, um dos textos fundamentais| de Freud, sobretudo por sua descrigao do proceso de formagio dos chamados “movimentos de massa” a "reova erica” frente ao fascism 23. apareciam como forgas determinant a dos individuos perdev sua substine! indo a0 dominio da psicologia individual e se abstendo sabiamente roduzit nela fatores sociolégices externos, Freud chegou, Apsico- objeto” e coloca o objeto “no lugar de seu componente mais important © supereu, antecipou de maneira quase clarividente os alomos socials pés-psicoldgicos, desindividualizedos, da masse fascista. esses itomos sociais, a dinimicn psicolégien da formago das masses foj ultrapascada leres, tal como nos alos de idemtificagdo da massa, em, da mesmna teatralidade {ntimas, nfo créem realmente que os judeus sejam. odibo, eles tampouco sereditam no lider, Niose i nadas de pani. (Adorno, Esse longo trecho condensa todos os momentos di pelogunta TCS se apropeia do campo pienaltin: ua propos jen « nogio de * "4 dimensZo propriamente “ ‘empregada na psicans ia dessa visio, ¢, eviden- “o que era isso se tome co teria como meta a “despsicologizagio" do sujcito. © ponto de partida tinhe sido, para Freud, 0 sujeito “psicolbgico™, 0 individuo aliensdo a soci “anti-sociais”, na miedidaem que 0 campo do “social” era conecbido como 24 osimpasses da “dessbmecin repressina™ idade” ¢ “racionalidade” sociais dominant 1aglo repressiva” inverteu completam al 0s impulsos “ilicitos” sé podiam ‘a de uma “espontanei : " — toda a riquezs das " “impulsos” ete. atribuides 10 lo inverso", pelo. do inconsciente, ou seja, de ur que prescindia da fun¢io mediadora do “repressio” social, assenhoreouse 9: fhoou pr diata, foi “mediatizada”, “manipulad: -mecanismos da “repress -sultado de umn processo fo e “manipulado”, A “massa” con- -ce como exemplo puro da “re- o um fend no ser através dos processos“ que eles tenham conhecimento Fendmeno “nio: lagdo “totalitiria”. A “espontancida: teria coletiva” sao, todos, essen: tanto no alto, entre os lideres, 4 mam-se as conclusdes de Adorno: 0 sujcito tomado Psicandlise ¢ esiritamente hist6rico, corresponde a0 “indi (Adomo, 1975, p. 134), yurgués. O mundo pré-burgués da coalescé: cia social ainda néo o conheee, ¢ o “mundo admi- nistrado” contemporinco, totalmente socializado, néo 0 conhece mais: (0s tipos contemporineos sio agueles perto de quem © cu qualquer se ausenta, agueles que, por conseguinte, tio agem inconscieotemenie, no sentido estito da palavra, mas refletem os laos objtivos. Panieipamm 1 “teoria erica” fresteaofusciomy 28 Jtontos desse ritual absurdo, seguindo o ritmo compulsivo da tepetigio, ese ‘empcbreeem afctivamnente: pela demaligiodo eu, reforgam-seonaeisismo, «© seus desvios eoletivistas. (bid, p. 133.) Poderiamos dizer que ai reside o primeito grande ato da teoria analitica: “chegat & evidenciagZo — na qual consistiria sua verdade — 8 que, no seio do Universal destruidor, e exercem no id); detectar os mecanismos subjetivos, tis eomo naresismo coletivo, que se aliam & coerpio social na demoligia do 'viduorelativamente auténomo, monadoidgica”, como objeto préprio. ical a instineia, conceber as condigdcs desua ssa concepyio, alids muito engenhosa, da como testemunha a situagio vaga da tese ulagao das massas”: parece que Adornorecorret a ESSA Test Wwe caracterizaria a formagao controlada , conformisia-adaptativa Postamente oculta por trds da fachada simulada do “mergulho no irraci nal”, Isso acarrea, naturalmente, consequéncias radicais quanto a0 con- ceito da ideologia, que convém examinat. Atradigdo hegeliano-marxista coneebe a idcologia como “conscién- false", determinada pela objetividade “reificada” do processo soci alicnado: seu modelo basico sdo as “formas objetivas de pensamento”, 1do do “fetichismo da mercadoria” na produgao lismo burgués, que se desenvolve a partir juntamente, por exemplo, com a explicagdo ‘cdo homem entre os ideslogos burgueses classicos, ‘Ora, o fescismo marca precisamer uadicional de proved & mar rio, como ap Col0Ualo ¢ tyh uc fee ra da “mentira necessariamente vivida como I de reconhecimento” da ideologie propriamente dita (Cf. Adorno, 1972). A performatividade do diseurso totalitério Em torno da revista berlinense Das Argument c ideologia. Nao por aeaso a diversas teorias matxis se acha na base das * “écbilidade” do contetklo positive de sua argumentagio “rai fazem destacat a propria forma ideoldgica da “servidao voluntéria™: « ‘renga na Coisa que impde i i uals o fascismo “pratica” 0 Amor “irracional”/-incor © Lider ao Povo etc. Nada mais fécil do que desfazer as palavras en! sobre a “comunhio do povo (Volksgemeinschafi, 6 fazem dissimular a luta de classes e convém esquecer que o discurso fascista " de classe como uma série de atos performat dee wee po arse a “teora erica” fremeaofascismo 27 & por seu proprio rituayAVeoligico e pela “reinscrigao” ideoldgica das popular ete., quefo discurso fascista “pratica”, “realiza”, “m: seu papel estnit pre especific, endo a simples resultante da signif ‘cago (ot da combinagio das signifieagdes) dos elementos singulares. os investidos, agambarcados pelo fascismo (0 Folclore pop: admiragio pelo esporte ¢ pela natureza etc.), jé eram intrinsecamer “fascistes”, em vez.de enxergar neles o campo da lula ideol6gica e tentar da dominagio fascista. “bloco do pods”): 0 impactoda idcologia fascista Povo" como oposto a0 28 os impassesda“‘dessublinagao repressva’* a instincia do signifieante — 0 ieee em altima a de ums idcologia nao se deve a signi por assim dizer, “racionalizagdes” € se ditige diretamente aos sujeitos sob a “dogmatismo” amoroso. 108 apreender sob da ideologia fasci através do qual a “inter pelagao” ideoldgica se efetua, isto é, quanto 20 elemento a que 0 sujeito «sti assujeitado na *servidao voluntiria”.O trago “incdmodo” da ideolo, fascista consiste, muito simplesmente, em aio dissimular o [aio de larmos com un conjunto de elementos heterogéneos diseordantes quanto a sua significagao: sua “tolalidade” conserva o cariter de “cola- gem" € nio se apresenta sob a forma vivida de uma “totalidade de significagio” — na qualidade de diseurso do Amor “insensato”, ela faz com que se destaque como “meio"/“mediador” de sua “unidade” 0 absur- do de um significante-mestre. Essa teoria do PIT parece inteiramente p jana”, na medida em que enfatiza © impact iseurso do senhor pré-burgués, a ‘sua “performatividade™ pura e simples. Em outras palavras, €-nos impos- siv a “uot erie” fone ao fisciomo 29 que © PIT perde de visia um curto-circuito “psicstico™ que marc Ciferenga entre 0 diseurso fascista e o discurso do senhor pré-burg Numa primeira abordagem, o fascismo confirma perfeita da repeti rx, eem que consiste ela? Marcuse jé havia esbocado, ‘ade aforismo, a conceps' Esse horror {ao fascismo} exige uma tetificagio das p Brumdtio de Lais Boraparte™ dos “sos rs A ordem da repetigao fica ento como qui vez. (Napoledo [Il como primeiro my do que oesquema marxis: faseismo, ¢ sobretide como anziamo, & Togiea da “represetagao™ po social” representads pordeterminado movimento pol regime) vé-se radicalmente transforma: divida para com aq representa todos” (tanto os camponeses quanto a burguesia, 0 i), 86 pBde fazé-lo percorrendo todas as classes & rometido", satisfazendo uns em detrimento de outros, de modo que, nalmente, ficou-se num citculo, lidando com um “eft pare ftom a expessio do se. Pécheux)o pas que ier i flow 19 *psiedtico”, de um lugar inabalivel e (:a0~Tepresenitaliva™ (ou seja, assistimos — no nivel simb ‘unr broqueio Tat ta Tanga da ideologia que con: Aug LA Ty toe. Liithse ta Was inpasses da “dessublimagdo repressiva"™ ‘as permanece falha diante do ponto em que a cen: Idgica apaga a “divida” simbdlica e desfxz a relag “represeatacio” ¢ sou “exterior” (a “efetividade soci “farsa” pressupoe ainda ume idgica” ¢ a “eletividade”: € idade™ (das novas condigdes tims uma farsa como “farsa”, ouseja, a ideo ee (enum outro nivel, 0 “sta Zo poles eta doloyia de manta -sintom 0 eats por nan propia acuas, india a conju “fetiva™ A “esteticizacéio do politico” Esse eariter “nio-dialetizado” e “eristalizado” da ideologia fascista torna possivel abordar numa nova perspectiva o fenémeno apreendido por “despsicologizagao” da massa fascista: essa “despsicologi- iterpretado dentro Ga stica do que Lacan sublinha como sendo umm m ‘Aquilo em que € preciso insistir, no fendmeno psiestico, é seu ‘emt Sew aspecto mais formal e] tudo que se constidicin erro dso Bo apenas, 2 “Yeora erbiea” frente ao jscismo 3k jeito se vé confrontado com izada”, em que falta o™bas- a forma de uma injungao nao-di surge como um texto que de mod ito reconhecet panida, gue consiste em aprender a psicandlise como uma teoria logica”, uma teoria cujo objeto o indivicuo psicolégico: uma vez ‘ssa proposiga9, néo se pode sociedade “toulitiria”, € tragar os contornos desse processo que 1¢ Seu proprio objeto, Ora, o “retomo a Freud” lacaniano, que se no papel-chave da “instincia da letra no inconsciente” — em 1s palavras, no eardter estritamente “nio-psicolégico” do inconscien- toda a perspectiva: onde, segundo Adorno, a psicandlise ie € Ve dissolver-se seu priprio “objeto” (o indivi \6nico”), nesse ponto, precisamente, é a forma pura da “instancia a questio decisiva de saber evocado por Benjamin sob 0 (oy one aL nee que o faz de transpo-lo como um certo lagaio séquito”, sobre a “missio", 0" im efeito da bono”), como se a “méseara” do. se em ser captado por io”, cle atesta a “no- io do significante”, a “imitagdo externa” da urticulagéo significante (Lacan, 1981, pp. 284-5 fed. franc.) que caracte- siza 0 fendmeno 0. Portanto, é « “distancia interna” do saj; iscurso ideolégico “totalitério™ que faz desse si longe de Ihe fomnecer um caminho para “evitar do espeticulo ideoldgico. (O sujeito “por tris da méseara” s6 pode ser chamado de “normal” na medida em que as determinagdes da linguagem ‘que costumamos tomar por “normais” — a linguagem como 10", como meio externo de expresso dos pensamentos etc. — dseuyo ae Fi na PDS Ps validade, justarhente, para o psicético.) 0 priptio Adomfo, vez por out jé tem um pressentimento disso, © que confere a suas teses uma ambi eee eee ees ula” ser captado pelo discurso fascista, ja deve ser em si um louco”, “ooo”, 0 que o condena a fupir incessantemente para a teatralidade idcolégica — se 0 show parasse por um tinico instante, todo 0 universo desmoronaria...? Em outras palavras, a “loucura” nao consisti- ia em “crer realmente” no “eompla judaico”, em “crer realmente” na onipoténciae no amor do Lider etc. — essa cronga, sob a forma recalcada, ‘Seria justamente o normal —, mas deve ser buscada, antes, na auséncia de ‘erenga, no fato de que “os homens, em algum lugar de suas profundezas se eee dee re lenlos mulago", na “imitagdo extema” que caracteriza sua Ne co 50 idec @ 5 bd um abe da 7d Mtn le Llu Wane. > nogio de *dessubli- tomal™, que nos per- io ser gragas ao acompanhamenio ” (Lacan, 1981, p.345 fed. franc.). cireberteria‘S¢ Tornado, em citeuntancias mais propicies, um 0 do tipo de Hitler. qualquer “cultura” — oda da dominagao”: renunciamos pontaneidade natural priprio pensament us 1 ean raters mst aro conende obscrece s da dominagéo externa da natureza, mas também mano, Tio logo 0 homem se separa ce sua conceigneta de ‘mesmo, todos os fins para cs quais se mantém vivo — formas mate realiza; é que a s de preservacio, nio ¢ outra coisa senio 4 tiniea parcela de vide em Fung a qual se definem os esforgos da autopreservago — 0 que deve, juste. ‘mente, ser preservado, (Adome/Horkheimer, 1974, p. 68.) Essa ronegasio tinge seu ponto culminante na ética ocidental do trabalho, do ato moral como seu prépri 208 inslintos, ao principio do prazer) & colocada no libercade (compreendida como autodominio, contro “substincia” natural, ¢, nesse sentido, como auion ide na capacidade de agit de acardo com a isto 6, na capacidade de desps cheque e usr repercussser 30 20 da dominagio. A razio como prio fim se inverte, necessariamente, na “entronizago do meio 1”, onde a razio “volta ase desatrelar em diregao a natureza™: a dela torna-se novamente natureza, ‘principio do prazer”, leva hoje 86 pode ser um quase: sé ¢ “ele mesmo” no movimento da nega¢io inte de seu “outro”, sempre jé pressuposto — um verdade lacendo,’E somente a0 provaro esté 0 paradoxo da “reconciliagio” proposta por Adomo ¢ Hork- .t ni mais o reconhecimento-de-si-no-outro hegeliano, ‘que reconhece sua prépria objetivagao na substanci mas, por assim dizer, 0 reconhecimento-dlo-outro-em si jo que reconhece sua propria “obrigagéo” paracom anatureza modo, rompe o circulo vicioso da dominaclo. Assim, a perspec de Adomo e Horkheimer estd longe de ser unilateralmente “pessimis- © circulo nio € fechado: por um gesto que se poderia dizer — se ja * Bosque por nao reluzir", exemplo corhecido da etimologla funtesiosa que se sia na semelhanga casual entre dois vacébulos. (N.T.) D—osimpasses da “dessablimagdo repressiva’” demais — 0 da tiea por exceléncia, cles véem a tulo da sociedade “repressiva” em seu chamento. E precisamente a “dessublimagio repressive” sto radical: ¢ que, dade da dominagio tradi 1agdo repressiva”, a cultura, © desenvolvimento das iores”, baseava-se na “repressio” — a“ necessaria & cultura, o que Ihe assepu- itimagao, Coma “dessublimacio repres. a Ficam agora do lado} « inversdo dessa conjunt ‘nla © modelo do comportamento — aose dobrar as circunstincias, 5, Oeu volla as Forgas naturais contra Aconduta de Ulisses diante das inago da natureza ¢ as rel manipulatstio para com a objetividade 40 renunciar a seus impulsos imedia azo” tesiemunha um nticleo “rept Jogos implica, desde seu comego, em seu gesto fundamental sdentrode uma ue Adorno e Horkheimer re. é claro, o tema “Kant xo consisie em aprender a ia radical da © que o levou ao formalism vazio do imperativo categérico” — a “verdad” dese fae, rmalismo, evitada por Kant, foi realmente Sade quem a destacou: o instoa, ‘mentalismo radical, o dominio dos prazetes através da premeditagao, 6 echoque e mas repercussoes 41 20, como obietos do coneeito estrito de supereu impediu Adorno ¢ Horkheimer isrem o vinclo entre a Lei moral katana lei “Loven” que is sddicos um gozo que chega até mesmo ao sacrific igo do gou0: “Que € o goo? Ele fincia negaliva. O goz0 € 0 que nao p. 10 fed. frane.}). Foi por isso que Adorno: a outra dimensao (odo 0 trabalho pelo {anto, devemos tomar cuidado para nao reduzir 2-TCS ultapassou 9 ambito de seu elifico hegelano-mantist initio a variagdes dessa general Sse passo, podemos tamt freqtlemtermente se exprime ficar uma outraresposta que, de linguagem da corrente princi- 4 apresentagdo eo apresentado”, ests dicudads em suas propia plays reste que, no decorrer de meu trabalho, a mim se do dos pensamentos,algumes sobre a fonma, Conseqliéncias ‘que ainda € que se “exprima” nessa “constelagio", sento a ‘montage dos complexes parciais —scrd pos dade’ sobredete ia" E preci Zia da “constelagio” sineréniea que nos pclae dlireta do contctdo por cle mesino™ soe tion ears een eee cule ae ‘0s fencmenos analisados por ele, a razio de : o-choque e suas repercessoes 43 diretas do conte simples, sfo falas do ponto de visa do estilo, sendo esi mesma, osinal eo refleca de um ertoestencial processo do pensamento. E que, no paramente sciolbgies, 0 Sui deixeo fenomeno soe entrar em cena de m ma coise em si A atude deerminada deve ser superada pelo pensomento dieléti. (Jameson, 1971, p. 4% Esse “rebote” do “pensamento fundamental”, do “contetido imedin- em diregao a sua determinagao concreta, a sta captagio no “partica- a rede semapre especificn, é apenas — abstraindo-se 0 obscure~ observavel no texto citndo de Jameson (os “atos ) — 0 passo em diresao & sobredeterminagéo desse :mento fundamental”, ou seja, rumo a sua determinagao pela rede So transpuséssemos para a fala, imediatameate, o “pensamento nial”, 0 efelo disso ndo seria simplesmente detestavel do ponto como ¢ perfeitamente sabido; além disso, tratar-se-ia, jo de um dos compéndios de Adorno), opostas ao hegreife o. Contrariando 0 modo de exposigio catacteristico d jedida em que ele chege em que 0 referido “defeito” de ‘pensamento fundamental”, do “conteiido oficial”: ialética negativa pressupde 0 de uma cert idéia — por exemplo, da natureza “efetiva”* ds 4 osimparser de “dessublimagto. repressive” iamento da “pripria coisa”, nos langa no Possivel quando essa “coisa em 81" ja Por assim dizer, seu préprio rebot, distanciada dela mesma, no de um buraco intemo, quando lidamos dal em que convergem, mim ponto paradoxal,o fora e uma, essa Conjuntura implica o cardter romp Verdadeiro” Todo: Como num gigantesco sistema de erédi nio-idéntios —, ja idealista comete seu. Oconceito leeaniano do “nio-todo” nos oferece a tiniea impedir que esse tema de Adomo, “o Todo é o nao-Verdade: ndo-toda, da verdade significante que sé por um “detalhe™ que quebra a homogeneidade do Todo imagin am sua importancia pera © N6gico rasga os enveltsrias do que, se gun ‘do conceito generico atrangenie, permanece desesperadamente leva d explosio de sua identidade, da ilusio Ue que cle sera ong cemplar. (Adorno, 1978, p.317,) (Que, por conseguinte, “adiviso douniverso em assuntos principais € assuntos secundarios ( i fendmenos da extrema e3 excegies™ © lugarde irrupeo da verdade } [& Por isso, parte integral e até integrante do siste estamos lidando com uma esirutura de base dupla: a ve significante ("a rede extremamente ai dentficada através dos detalhes, dos limites, dos “lapsos” do sistema, do ‘contetido oficis!", do “pensamento fundamental” 4s ‘chaque e suas repercussoes -a pelo proprio Fato de essa coisa perma Os me as Formas de luséo do "dado positivo™ do objeto o situam na cou sea, desarticulam esse dado no eruzamento das otra cficie dos sinais com 0 engas, Inverte-se a relagio tradicional da supe “ " ‘ ser tnaiders ie po nlepragieca “spelt © a inlerpretagio passa para o significante, 0 ‘la dissolve o “dado” da significagio na “rede intemss*. wiederheraus- mente ampla de relagdes internas*. Es gibt : rs fo ewan sno plo pr i € sempre jé mediatizado: o significante & a verd Eris vata ala gr ere a Om que *a mediagdo & a verdade do imediato™... 46 osinpasses da “descublimacdio. mpressiva”® "yt que esse modo de praticar a “imposs le o método teérico se curva quase mim entre a “aptesentagio” ingue disso de maneira muito clara. cemplo, seu E2queno ensaio sobre as relagSes entre a igem (Adorno, 1982): a misica “diz o que as palavras fi ii onde “a palavra fata”; evidentemente, ler essas formulagoes de : como expressiio imediata dos s efiveis™ ete. — nio se reportasse precisamente a dimensio do rexzo: a fala se na musical ao se fazor escrita. A “musicalidade”, portanto — longe de 8 ver com um modo simbolico, ou mesmo com um mi rio —, deve ser “impossivel” i 4, que diz que as palavras néo podem exprimir, mas , na impossibilidade de dispor de palavras, pode, ainda assim, ralmente” (ibid., p. 116), de modo que ha sempre um “encontro entre o texto musical, cartegado de um “ieor” absurdo, no-simbolizado, ¢ a riqueza sempre excessiva das interpretages simbo licas; niio ¢ por acsso que Adomo forncee como exemplo da literatura nusieal”, no certos “efeitos musicais” da poesia (60 tipo das Vogais, de Rimbaud), mas a prosa de Katka: 0 texto kafkiano é realmente carregado de um “teor” a “compulsio a interpretar™ € que, ao mesmo la todas as interpretagdcs dadas. A “obra de arte”, sempre contém o momento do te obras de arte $6 falem na medida em que so um escrito [di I”, diz Adorno na ria estetica (AdoMO, 1970, p. 189). Nao Surpreeni, portanto, que seu Programatico “Por uma miisica informal” termine com esta frase: “Todas as utopias esiéticas revestem iio sabemos_o que so" (Adorno, Parifrase de um trechode O inomind na epigrafe esse ensaio: “dizer sem saber o qué” — visio ut6pica de uma misica que ttaria 0 “gozo feminino”, o da santa Teresa cvocada por Lacan tin © fala, isso goza c nada sabe™ (Lacan, 1975, p. 95 ‘o choquee sues repercussoes 47 A “subjetividade a ser salva” Quando Adomo evoca a urgéncia pritico-tedrica de “salvara subjetivida- de", ameapada nas relagées totalmente “reificadas” do “mundo adminis- trado”, convém, portanto, proceder com prudéncis quanto ao quadro de referéncha dessas proposigées. & verdade que, & primeira vista tals pro- parecem curvar-se inteiramente & I6gica narxista fa bogada pelo jovem Lukécs: apreende-se a sociedade dada como sendo uma extrema *reificagio”, de um total predominio da substan nada sobre a subjetividade viva — 0 mundo em que 0 si nipulado™, pequena migalha no jogo das forgassociais que role —, donde decorre, necessariamente, que o projeto 1¢ a forma de uma “reafirmagio da subjetividade”; ag lade de 0 suj seentragio, sen cardter ieredutivel de medinglia se porpetiens os da cbjetividade, Jusive o sujeito transcendental, Feprescnta, ma filosofia, 0 que ndo pode ser p,/ a " (ibid.). Reconhecer essa | a tinica maneira de “salvar a fazemos do sujeito « Origem ipio Ativodo movimento desua “expressio"/“ex- perdernos a dimenséo propria da subjetividade, 0 sujeito idadc — sendo esta animada apenas pe! “conteiido” idade a sersalva” de que jo deve ser buszada, antes, do ladodo “sui lacaniana dos textos da TCS, por tomar 0 euidado de nio deixar escapar # ruptura imp! de Adomo it wseguinte, deve iw no trabalho rapassa 0 edificio hege- da TCS em dirego a uma generalizagio filosé- ica, #0 passo que Adomo, mesmo retomando os temas do trado", da “razio instrumental” ete,, produz através deles cctapa da sua pritica © para que se tome — estamos outta vez. n0 que € precisamente fe", que toma retroativamente ica de Adomo, que niio podemos liano-marxista originério, nem no campo da ‘trumental”, Essa tensio extrema, que, de certa maneira, ja evoca sua resolugio, de que modo se dissipou no desenvolvimento posterior da TCS? Nesse ‘um rumo bastante surpreendente: produziu-se uma ruptura essencisl cujo artifice foi Jirgen Habermas, o principal echoquee suas repercussdes 49 cpresentante da “segunda geracao™ dos tedricos da TCS. Ele m mpletamente 0 terreno € rearticulou toda a problemitica. A primeira vista, fez precisamente 0 qu i ey das “formas elementares da ‘agdes e expresses da experiéneia’ \wente nie consegue perceberessadiscordanci, ‘ou, quando percebe, no consegue compreendé-la, porgue 20 mest {tempo se exprimee se equivoca a respeito de si mesmo nessa discordancia, expressio pelomenos, ao que possa ser verbalizado. (Habermas, 1976, pp. rma separagio normal enire 0 ‘© a expressiio da experiéncia; quando — em relagio a tte, na qual cremos serlamente — a refutagao do = Por exempla, sum gen “expend rata-se de um caso pal izes, abandonando-os ndio pode conceber & as. AS mutilagdes tém um sentido como tais. hermenéutica “elissica” foi, ida: € justamente pelos lugares vaz r” conseiente, e pelos ives, pelas mutilagdes, silénci Entretanio, 0 aleance dessa como o modelo hermenéu- aparéncia, radicalmente subv autocompreensio do deslizamentos. nfio- irrompe a yerdadeira posigao do sui “subverso” continuow estritament ochoquee suas repercussdes SL “Classico” pressupde a nio-ruptura interna do texto, on seja,o modelo ssim ensurdecendo a prior para 0 © universo dado do discurso tem que recalear: ~Maculado pela falta” ¢, de fato, num sentido metodicamente rigoroso, qualquer desvio ent relacido ao modelo do jogo de linguagem de , Freud teria concebido as “instituigdes de dominacao ¢ de tradigzo cultural como solugoes tempo- (0 fundamental enire ox excessos in ”. O superett representa 0 I", o modelo do saber, io nao se reconhece dde suas propries ‘oque torna 0 recalcados ‘Uma vez. que nao se trata de um domi ‘es, a defesa contra elas também se toma inconscient semelhante ao isso: 0s simbolos do supereu nio s: jo de se furterem & comunicagio puiblica/conssient ados contra as censuras criticas, Sio “sacralizados™. Essa concepgio imp! identemente, toda uma “pedagogia”, uma ldgica do desenvol do ego até sua “maturidade”: como nos patamares interiores do desenvolvimento (tanto da filogénese da ontogénese), nao é eapaz de dominar suas pulsdes de maneira /consciente, € necesséria uma instancia “irracional”/“waumitica” 52 osimpasses ca “dessublimasio repressiva™® ee a renunciar a0 excesso nio-realizivel; com 0 nto gradativo das forgas produtoras — no nivel da filogéne- de —, 0 grau de rentincia necessdrio diminui, a ponto de seu dominio (0 €, de sermos capazes de decidir conscien- sem traumas, sobre aquilo a que renunciamos. Quando 0 antigo sa despeito des possibilidades objetivas, estamos ia desmedida que nao ¢ historicamente justificeda — é a idgia marcusiana do “excesso-de-recalcamento”, do recaleamento passa o grau objetivamente necessirio, determinado pelo desen- volvimento das forges produtoras, ¢ cuja barre que ser derrubada por meio da reflexio libertaria da “eritica da ideologia™. A principal censura de Habermas a Freud nfo ¢ tanto por ele situar a barreira do recalcamento “baixo dk antropol6gica, em vez. de “historic refere-se, antes, a situagio cpistemologica de sua tecria. Segundo Habermas, o areabouo cons em que Freud procurou refletirsua pritiea mostra se atrasado nose qual 0 alo de defesa é apenas o negativo: A psicanslise nem 0 de uma em de agit como motivos conscientes, as sumem as caracteristicas da instintividade natu- "na qualidade ‘exprimir esse se choque eauasrepercuasces 53 deselo ae lingoagem da comuaicacto pid lagiia causal do sintoma; pois bem, é a pripria compreensio dessa causalidade que desfaz. seu poder de dominayao, A andlise bem-sucedida, portant, no conduz. apenas a0 “verdadeiro conhecimento” das causas do sintoma, porém leva também a reconcilingio do analisando consiga mesmo; essa “efieécin desempenha o papel “constitutive” para a prép: lise, isto ¢, 0 papel de uma condigao de veracidade da interpre de outra maneira, ficaria exclusivamente “para nds” (para o analista); assim, 4 snlise s6 se consuma 20 se tornar efetiva também “para ela", «do, Por isso o processo analitico possui as a-se do conhecimento como ato de liber- tacio, de “reconcilisgio”, ¢ ndo do conhecimento “objetivo”. Habermas pode, por conseguinte, conceber 0 inconseiente segundo o modelo hege- alienapio especifien do is do texto ¢ forga de uma embora produzida pelo si mesmo spretam as necessidades reprimi- ‘conunicagdo do sujeito falante e ‘outro e decifra, nos sit as expressGes de suas préprias ivagGes, bem como os processos pelos quais essas motivagdes possam ar de ser excluidas da mediago da comunicagio publica: Porgue « compreensio a que a andlise deve conduzir é, na verdad, unica- menie esa: o x do peice deve se recone, tanto cm set ooo loenga, como em seu si mesmo [Selbst} alienado, € com, icada € chegat, dessa maneira, a “reconc! lar precaugdes para nio sucumbir cedo demais a esse aparente “hege- 54 wes da “destubimagia repressiva”” dessa sa “hegelianizacio” jd funciona um certo nos apréximar nam movi ‘comuicagao, 0 recalcamento do | ideoldgieo que mascara um jece por causa de uma situagao empi agindo de fora sobre 0 contexto da és da Tingue- para ela, € essa contingéncia que impede a dimensio do fracasso, da falta, esse Ideal de uma “eo falhas” 56 pode funcion. — onde encont sintoma”, no qu: ersal de cidadaos “maduros”, livres da pressao perturba- dora ¢ perturbada da sexualidade...? E desnecessério sublinhar como essa concepgio desfigura 0 proces- terpretativo psi ‘pensamento Latente do sonho e o dese) sciente, esquecendo que o pensamento do sonho é “uma seqiiéncia normal de pensamentos” (c, como ta, exprimivel na linguagem da “co- municagdo publica”), que “so é sul ‘um tratamento anormal (como odo sonho e da histeria) quando um desejo inconsciente, derivado o chogue esuas repercussdes SS 1967,)" Habermas reduz.o tral do sonho” na linguagem sonho” € que, por conse; do contra-senso signifieante, Nao ¢ surproend mas rompa a ligagioentte as duas “yer ee a eri ds pulses) ¢ abode apenas pri , “fatual”, ao contririo d A daia € a da edigio francesa de Inzerpretagde dos sonhos, vols. IV © V da Ediggo Standard Brasileira das Obras Psicol6gicas Completasde Sigmund Fred (E.S.B.), Rio de Janeito, Imago, 2a. edigio, revista, (N.T.) © impensado — fiariamos até mesmo tentacos ” te6rico — de Adomo. Ele efetua, 20 contrdrio, uma espécie io” tedrica: a nova dimenso, presente em Adorno, simples. zefaltaeatensiose perde,m ver dese tesolvida no sentido proprics sperado *ponio de basta” se fur c, em seu lugar, difunde-se um, tugatelice oe e vara. esse, pos, oparadoxo do fundamental entre 0 “campo freudiano” e o da iramente externas ao “campo freudiano™, dependentes do ico-hermenéutico,¢ isso, no exato momento em que faz da linguagem o ponto erucial de sua reinterpretagiodo edific VARIAGOES DO TOTALITARISMO-TIPICO stig Cinismo e objeto totalitario A “razdo clinica” A defini¢ao mais elementar da ideologia é, provavelmente, a de Marx, 0 ceélebre “disso eles nao sabem, mas o fazem”. Atribui-se a ideologia, portanto, uma certa ngenuidade constitutiva:aidcologia desconkece suas implica ‘que condigées, suas pressuposigdes efetivas, € Seu proprio conceit incia enire 0 que efetivamente se faze a “falsa conscié isso. Essa “consciéneia ingénua” pode ser submetida ao mét critico-ideolbgico, que supostamente a leva 4 reflexao sobre suas con oes efetivas, sobre a realidade social de que ela faz parte. Tomemos éxemplo elissico que, ele mesmo, nao deixa hoje de dar a impressio de ‘uma ‘certa ingenuidade: a universalidede ideol6gica, a nogio ideolégica da “liberdade” burguesa compreende, inelui uma ¢eria liberdade — a que tem 0 trabathador de vender sta forga de trabalho —, liberdade é a propria forma de sua escravidio; do mesmo modo, a a funciona, no caso da troca entre « forga de trabalho e o capital, 4 propria forma da exploragiio. jade de um interesse que universalidade em quest#o: o universal, na verdade, € determinado por uma constelagao historica i preso 20 p: conerets, 0 Kritik der zynischen Vermunft (Critica da racdo ue recemtemente obteve grande sucesso na Alemenha, Peter erdiik defende a tese de que a ideologia funciona cada vez mais de ica, que torna ineficaz. esse método cr wala da “razio cinica” seria “eles sebem m tamos perfeit conseios da falsidade, da particularidade por tris da universalidade ” ida do kynisme como subversio da ideolo- le pathos. © kynisme a erties popular, telus coherence anos la confronia as frases patéticas da ideologia vigente com a Tidiculariza, mostrando o interesse egoista, tico do que argumentativo: o ideolégico a sua situagé tico prega o dever do sacri tg IsamcaleS respon ca cura viene &subversto Teconhectmos o interesse particular igi ‘mas mesmo assim conservamas 4 méscara. O cinismo nfo é uma idade direta, mas, antes, » propria moral colocada a da imoralidade: a “sabedoria” cfnica consiste em apreender a probidade como a mais rematada forma da desonestidade, a moral como a forma suprema da devassidio e a verdade como a forma mais eficaz da Assim, 0 cinismo realiza ume espScie de “negagio da ncgagao” por exemplo, diante do enriquecimento consiste em afirmar que o enriquecimento lepitimo ssalto muito mais eficaz do que o assalto criminoso e, ainda por ido pela lei, como na célebre frase de Brecht em sua Opera ins: “Que é 0 assalto de um banco comparado & fundagiio de ico vi a entre os principios proclamados e @ ‘priticn — consiste cm legitimar a distancia entee eles. Por isso a coisa mais insuportivel para a postura cinica é ver ransgredir a lei abertamente, declaradamente, isto é, algar-se a transgres- ‘Sf a condigao de um principio ético. Isso explica por que 0 herdi dos tempos modernos, que firmou um “pacto com o diabo” c vive “além do bem edo mal” (de Fausto a D. Juan), € punido, no final, com excessiva cerucldade, de mancira totalmente desproporcional a seus delitos — seu castigo enfurecido & um ato cinico por exceléncia. Assim, fica claro que, diante de tal edificio efaico, \é«ollo critico-ideol6gico tradicional, nao funci a “consciéncia cinica” por meio de uma confrontar 0 texto ideolégico com seu “recaleado”, “dis | cionando seu discurso superficial com um outro discurso, Cine eabjertotaltirio 6 dizer que, com a “consciéncia einica”, propriamente dito © entramos no universo pes-ideolégico em que um ideoldgico se reduz a um simples meio de manipulagao, que nio ado a sério nem mesmo por seus inventores e propagadores? ura a propria “realidade” social. A fantasia ideolégica Para captar essa dimensio da fantasia, devemos retomar & xista do “disso eles niio sabem, mas o fazem”, ¢ levantar, absolutamente ingénua: onde se encont vista, a resposta parceo 6 a enire © saber e a realidad tc, acncarnagao de uma rede de relagSes social, € nio uma propriedade do dinheiro enquanto ca ‘como se 0 dinheiro ja snearnagio dariqueza, Besse ico, que simplesmente exprime as re ‘espontaneament: 6 dinheiro a um pico inte que hé *relagdes humanas” por inis das “relagdes problema é que, no processo de troca, eles procedcm, \gem — na realidade — mo expe salidade abstrata (0 valor de toca) — € 0 universal abstrato a verdi a glesochaued called ecnesee dopartaalar Q srtbleas's goss oee fo pertlevlat (oss WOES a Mars, ele sabe perfeitamente que odireito romano. o di ambos dello’ mas, mesmo Sxin, age como sero abstrata, se realizasse no direito roman inismo ¢ objeto trai ssa primeira tese: a ideologia nfo é,em sua dimensio fundamental wsructo imagindtio que dissimule ou embeleze a realidade so« tuea a propria “* dade. autam-se por uma >”. Por exemplo, eles sabem ques lade dissimula um interesse pa iam @ Se pautar por ela... exploragii &, no entanto, con! “Alei é alei” eqlidade, pela simples razgo de que ¢ aceit; é esse 0 de sua auioridade, Quem 0 remete # seu principio a nega. Nada é tio felho quanto as leis que’ cesséncia da le: ela se concentra Por isso éque o mais sibiodes le cconvém muites veres taped-los; © eutro, bor “Como ele desco: ce a verdade que liberia, é bom que seja enganado,” Nao coavér que ia verdade da usurpagao; ela foi introduzida sem razo no passado ta que paula nossa atividade é 0 deur “como se”, de um postulado aca, \ém podleremos spreender por que, coma diz Lacan, oestaato do ineonseiente vel; convém fazer seu comego, se 280. imos que ela loge chegue ao fim, salientar 0 cariter escandal do poder, de impressio de apoi-las. A vi imulada a qualquer preco, p a do funcionamento d ncion ida em que seus subordinados sio enganados, ci que eles vivenciam ia autoridade como “auténtiea, etema”, ¢ nao sentem “a verdade da em sua Metafisica da ens do poder legal — mente, a mie contiaua 2 eonspurcar, como 0 pecado origin jo surpreende nem um poueo, portanto, qi receba em Kant a forma paradox: nilise: ela proibe algo que, aomesmo tempo, A origem do poder supremo é, para povo que aete se submet doponio des ). Mas algo empreender essa busca. (Kant, 1979, pp. 201 ¢ Em sums, no podemos remontar & origem da lei porque niio deve- ‘mos; essa proibigio, que sc conjuga com uma impossibilidade, nao é outra isa sendo a inverso exaia da célebre formulagéo kantiana do dever: s porque deves” ("Dui kunns, denn du sll"). fantasia po idor do Poder das Leis, do egalidade. Podemos perceber que a argumentagio fundo, i evocaciode umcerto efreulo; nto podemas, Werrogar-nos sobre sua origem: “pam tet ¢ diteito de poder supremo, o povo jé deve estar unio pee povo ji ‘sob uma. constitutive (testemunhado eerta falta no come do Outro inst ‘vem se inserever c ganhar consisténci 1a onde a fantasia pol cnigmo eobjeotonlidrio “Kant com Sade” i, portanto, hi um certo fora-da-lei, um certo real da violencia que coincide com o préprlo ato de instauragio da lei, € todo 0 pensamento politico-filoséfico cldssico repouse num desmentido desse' cas da lol El eta: caiRo Beebe’ desea uss devenica lee “Kank Goel Sade": “No comes Se Kant no chegou a articular a falta no Outro, no “A maitisculo barrado”, nio obsiante — para retomarmos a formulagao de J. A. Mil lc jd articulou © B maitiscule barrado, sob a forma da inacessi ia transcendéncia absoluta do Bem supremo, tinico objeto © mobil 9, no-patol6gieo, de nossa ierminado, representado, que funcione como mébil de nossa vontade, 1 propria forma da lei, damental de Lacan € que esse objeto impossiv tante, uma experiéneis especifia, ado objeto a pegueno, Objeto-cau- ico”, equeniose reduzw um objeto & por que Salledeve set apreendido ‘experiéneia ¢ evitada por Kant , Soh a forma do executor, do precisamente, na obra d 100, do agente que exerce sua erce sua atividade, 0 Outro cuja forma pura é a da vox de uma lei que dirige ao sujcito na segunda pessoa, com o imperative “Cumpre teu ver!” unsa representagio impossivel, a do Bem Supremo, objeto da Lei, como “eoisa si” transcendental. cinismo objeotetaltirio 67 lacaniana é que, no sujeito que toma a si uma missiosimbélica, que accita i serapre um resto, um lado que ndo se deixa apanhar 10 €precisamentea vertente do objeto. O sujeito em que eseapa & esplagio no significante, & sm sua vertente neutra, pacifica- ddora, solene ¢ sublime, hé jo do objeto que anuncia a dade, a maldade e a obscenidade. Outra historinha muito conhe- lustra perfeitamente essa divisio do sujeito da lei: i pergunia dos jeoindigens: “Nao, niohi mais, Segundo Lacan, Kant lei moral, sua maldade e sua obsceni enunciagio reduzido a sua smeente na determinagao (Lacan, 1966, pp. 767-8). No seminério, Lacan conta uma piada que segue na mesma direcio: noiva nunea falta aos encontros, porque, se faltasse, ndo -” — também aqui, a noiva fiea reduzida « sua fa if havia detectado o potoncial terrorista dessa reduya0 do uma determinago abstraia — a pressuposig#o do terror revoluciond |eraG¢ lato, que 0 sueito se deixasse reduzit a sun determinagio de a - do poder legal: ela visa objeto da lei no sentido de sen “sujeito da enunciagio”, do sujeito que faz agente-instrumento obsceno e fercz da le. 0 “objeto totalitirio” is bem, cis nossa tese fundamental: o advento do “iotalitarismo* com jporinco introduziu um corte decisivo na conjuntura que chamariamos sica, um corte que correspondeu precisamente & passagem de Kant para Sade; no “totalitarismo”, esse agente-instrumento ilegal da lei, o irasco sédico, deixa de estaroculto, aparece como tal, por exemplo, sob orma do Partido, agente-instrumento da vontade hisi6tica. O Partido ista foi, verdadeita e literalmente, um executor de altas obras:* idade”, o que acarretava ssem 4 altura dessa responsabili- 9 jacobino fol realmente 2 conseqien antece com a palavra de ordem do socialismo (0 Partido.” Essa proposisao nao é,emabsoluto, igo empiriea e, porianto, refutivel; funciona ' definigio do verdadcito Povo, do Povo “ de sus responsabilidade” — 0 verdadeiro Povo sio aqueles que apdiam o Partido; logica, portanto, ¢ exatamente idéntica a da piada sobre anoiva:“O povo inteizo apéia o Partido, porque os elementos do Povo que contestam © Partido sio, por isso, exeluidos da comunidade do Povo.” jeitos que nao ise sentido, © te ‘Trata-se, no fundo, do que Lacan chamou, em seus primeiros semi ‘ries, de fala fundadora, missio simbélica ete. (“és minha i a perspecilva da -mesize: © pivé da critica elo autor, eaubéa setraduz 8 varigdtsdototaltarismotinice executor da obra do comunismo, a mais alta de todas as obras. E esse 0 foda célebre afirmagao de Stalin: “Nos, os comunistas, somos gente io @ parte. Somos feitos de um estofo a parte” — esse estofo “A ‘ht stuff, poderiamos dizer i moda norte-americana) & ea encarnagio, 0 apare: do objeto. Nesse pont, & ecedor nos reportarmos & determinagdo lacaniana da estrutura da jue se determina como objeto, dade. (Lacan, 1973, p. 168. A formula da fantasia € $ © a, isto é, 0 sujeito barra: idoem jeto-causa de seu desejo; 0 sidico inverte essa em a0$: ele evita sua divisio, de mancira a lugar do objeto, do agent \dido-histevicizado, por exempl ico pequeno-burgués que nio quis r lade, que continua a “desejar em vio" (Lacan). Na ‘mesma passa gem, Lacan remete a seu “Kant con Sade™ para lembrar que © séiico-ocupa o lugar do objeto “em beneficio de um outro, em pro! de ‘cujo gozo exerce sua agao de perverso sddico™ (ibid, p.169 ed. frane.}) ismo” — pot exemplo, a “necessidade incvité- mento histérico™ a que se refere o executor ele exerce sua ago — deve ser concebido, versio do “Ser Supremo em Ma imagem séidica do Outro maitisculo; & essa objetivagao-ins- trumentalizagao radical de sue prépria posigio subjetiva que confere 20 stali dda aparéncia enganosa de um éesprendimento cinico, a le ser apenas 0 instrumento da realizagio da neces- Sidade historica. Assim, o Partido istérico", § posto exato do sujeito — 0 trago distintivo do “sujcito totaitério deve ser buseado, precisamente, nessa recusa radical da lido de $, do sujeito histérico-burgués, na instrument sujeito em relegéo a0 Outro: ao se fazer instrumento transparenie de vontade do Outro, osujeito tenta evita sua divisio constitutiva,o que cle aga com a alienagdo (otal de seu goz0 — se o advento do sujeito burgués se define por seu direio ao gozo livre, o sujeito “tolalitério” faz com que essa liberdade seja vista como a do Outro, do “Ser Supremo em Maligni- dade izagao radical do Assim, poderfamos conccituar a diferenga entre 0 Senhor cléssico, pré-liberal eo Lider otalitério como sendo a diferenca entre S;¢0 objeto: cinisnoe ebjerotoatidrio é a de um certo S,, significante-sem-sig- te auto-referente que encarna a fungao performativa , provavelmente, 0 ultimo pensador classico a claborar ria de um extremo simbélico € puramente formal da widade infundada, “irracional”: 0 monarea hegelizno “pie os pingos s6 tem que assinar seu nome, que acresceniar o“eu quero” formal ‘ido proposto pelo poder ministerial, nfo tem que ser sibio, joso etc, eabendo-the tio-somente a extremidade da decisio formal, leressante ¢ que Hegel situa 0 monarea na série das respostas ‘na antiga repiblica, faltava cssc lugar da decisio subjetiva,e por | a necessidade de buscar a resposta, 0 referencial da decisio, no 10S orculos, no apetite ¢ no is i, jd ndo hd necessidade de dos oraculos, é 0 préprio sujeito que toma a si o momento da Iuminismo pretende prescindir dessa instancia seu projelo € o de uma auloridade inteira- 1 efetivo; nesse contexto, 0 Senhor io: excluido como S), ele assume a forma S; (por exemplo, 0 “eonhecimento objetivo a histéria”) — instrumento da Voniade do supereu que toma a si do” de realizar a necessidade histérica em sua crueldade alesca. A f6rmula, o matema do “sujeito totalitirio™ seria, portanto, ) num povo concebido como uma verdadeira totalidede orginica desenvol- -m sj mesina, a soberania, como personalidade do todo e, na reilidate, ite como a pessoa do monarca (..). Sem divida, scompletas do Esiado, ¢ preciso que haja um apiece na confusto dos pederes, smo momento da iddia, ela tem que gankar vida, mas inetdade humara e de seu eirculo contido no Estado. & jem da necessidade de buscar a deci dltima sobre as grandes questes ravoltas importantes da vids do Estado nos oricules, no deméaio (em (cs)nes entranhas das vitimas, noapetite eno vO0 dos péssaros et.” (Hegel, par 27 um jogo entre savoir, “saber” e savoir-faire, “habilidede™, “compe NT) te de um saber neutro, “objetivo”, agente obsceno de uma Vontade super 0 “narcisismo patolbgica” smo eXc., em Opos iendla englobar as sociedades pés buroerético"), Podemos nos aproximar da estrus Sociedade butoeritico-permissiva a partir des [rontsirigos}, na med inca de histerla J. A. ivro clissieo (Cf. Kembe ida por Kemberg entre 0 nar “ico” — da qual decorre, como Pressionante; no obstante, podemos d ‘ncia teGrica a partir da distingdo lacaniana entre 0 eu 0 supereu. A linha que separa o superen leal é a de identifica 's da identificagi iniria c faca parte da ordem *. Para aprecnder a difcrenga cnire Oeu ideal ¢ ideal docu, basta 4 definigdo lecaniana do ideal do eu no Semindrio iI: 6 pom se vé sob a forma que Ihe parece passivel 90 do amor do Outro, por exemplo, satisfago expcrimentada quando secrificamos nossos 10s © cumprimos nosso dever... O supereu, a0 contri nfo traz nenbum elemento da identi € uma ordem traumétic aterradora,fero2, sentida como estranna ¢ nio-integrdvel, em suma, re cinismo e objeto totaltirio 71 A partir dessas distingdes, portanto, podemos dizer que, no ¢aso do ", Jonge de ser marginal, eads ve7 mais cons ‘pés-frewdiana”, com sua preocupagiio de sujeito dos obstieulos que supestamente bloquciam a plena realizagio de sus personalidade aulé ie seu “verdadeiro eu”, de seus desse “nareisismo pate igico” é realmente a — Christopher lo paciente... O “amor” como abnegagé 40" ou *o sentido” como submi agdes que se afiguran & ca como uma opressio intolerdvel, uma ofenss “Abnegagio”, “submissio a um compromis ras para ter sucesso, regras de adaplacao — 0 sujeilo nareisico s6 oniece “regras do jogo social” que the permitam manipular os outros, 9 mesmo tempo em que s¢ mantem distante de um compromisso se Mas esse destoronamento do ideal do ev acarreta, segundo Lasch, 0 surgimento de uma lei muito mais louca e fercz, de um “supereu matemo nio profbe, mas que inflige 0 go70 e pune 0 “fraeasco social” de um odo muito mai > — toda a converse sobre o “desmoronamento da fe pater” s6 faz. diss ressurgimento desse instancia ncomparavelmente mais opressiva. Faler de um supercu materno mais arcaico”, mais opressivo, parece uma tese nio-lacaniana, pois bem, ai estd asurpresa, o proprio Lacan evoea, no semin do inconscent,o “superenmastemo, mais arcsico do que o josie deserite no final do Eipo™: ‘io hi, por tris do supereu paterno, osuperey materao, ainda mais \da mais opressivo, ainda mais devastador, alnda maisinsisen- -do que o supereu paterno? (15 de janeiro de 1958.) Lasch liga essa mudanga a transformagio das relagies de produgio, 20 advento do que chamamos sociedadde burocritica — 0 que & basta pardoxal, Habitualmente, de fato, imaginamos “o hemem burocritico” somo 0 préprio oposiode Narciso: como 0 homem do sparelho, anénimo, dedicado a sua organizagdo, reduzido a ser apenas uma engrenagem na ) maquina burocritica etc, Pera Lasch, no entanto, o “homem burocrstica™ Narciso, é rio as regras socias, aguele que evita ‘onéo-conformista q lade burguese. Habitualmente, fendmeno chamado “deelinio da ética p ‘gem do organicarion man fhomem da organizacs0} da ética da responsabilidad individual pela éi ido-para-cs-outros. Ora, em toda essa mudanga, por mais t possa ser, imos do contexto do ideal do eu; apenas seu ira etapa descrita por Lasch rompe justa- -nle com esse quadro: a sociedade no é menos “opressiva” do que na 1oca do “homem da organizacio”, servidor obsessive da institu inais da primeira imagem do grande Outro, da “Mie de_um Outro fora da lei que exerce 0 que podemos chamar de um despotismo benévolo...| 2 substituigio nitiva pela justigaterapéutica: niose é mais ulpado(ou sea, responsive), todo delito deve ser compreendido como resultado das cireunstincias sécic-psicol6gicas... Ou endo, na escola, seu objetive nto r 8 niveis da vide recaimos ness cidade, e qualquer atividade (profissional, religiosa, esportiva, sexual etc.) tem que nos ajudar a “atrancar a mdscara”, a ultrapassar as “regras do jogo social alienado” e cnksme e objew totic. 18 realizar os potenciais do “verdadciro eu"... O métito de Lasch est em aver ver esse culto da expressio iberta das regras alienadas, « forma de manifestagéo de uma dependéncia pré-cdipiana, comoa, propria forma da subordina¢do a um supereu materao muito mais feroz € Iv O discurso stalinista O significante ¢ a mercadoria Na formula Iacaniana do significente (“um significamte representa 0 sujeito para um outro significanwe”), tc, numa célebre passagem da “Subversao do representariam nada. (Lacan, 1966, Donde se conclu, ao menos implicitamente, que é realmente S,, osigni- ficante-mestre ma posigao de excepio, aquele para 0 qual todos es outros Tepresentam 0 sujcito. Como resolver esse enigma? termes nao € imediatamente, em absoluto, 0 oposto complemeniar do ‘outro; 0 oposto diferen« causéncia dele, ovacio gue e! termo se insoreve), eo outro terme da di vo", 6 faz preencher esse vaio, tomat 6 lugar deixado livre pela auséncia do primeiro termo. NNesse sentido exato, poderiamas dizer que cada um dos termes de uma diade Significant funciona como auséncia do outro: preencheo varia da auséncia do outro. Sea oposigio entre dia e cite funciona como diade significantc, nio.se tmta, em absoluto, de uma simples alteriincia do dla eda nolte: 7 odiscurso salinisa 7S (Lacan, 1981, p. 169 fed.frane.]) (O dia vem presenga do dia contra o fundo de sua prdpria auséncia, jo vazio ¢ preenchido pela noite, eno contra o fundo de auséacia passivel do signi 6 podem entrar numa relagio “dife ppodendo cade um deles so sto é,na medida em que “i ir a cada significante toda uma série de ss que fepresentam pata cle seu lugar vazio, sua prop , € assim chegamas a ums rede dispersa que “nfo se mantém .", entrando cada significante numa série niio-totalizada das relagdes: que se produz 0 “si 10 de excegio que © paralelo entue essa constituigio do significante-mestre eo desen- wloria A que funciona eomo eq D, etc, que “representa”, para todas as mereadorias, seu valor. Em ambos os casos, ) da mereadoria; ‘sempre um outro 5 (eu lugar vazio)... O jogo do singular e do plural, bem como a troe papéls emtre S; eS: nas diferentes variagdes da formula do significante, podem set, por conse gui matizados pela referéncia a0 desenvol vimento da forma.valor em Mai ‘pari ntar 0 sujeito”; im significante representa 0 sujeito para todos os sujeito "€ represeniado, mas também no € represe tado, resta alguma coisa nesse nivel” (1st0 da “forma desdobrada”, antes da ‘10 do significante-mestre “oculto da relagiio com o mesmo significance”. Isso quer dizer, ‘mente, que osu significante desloca, significante préprio™ conduz a um certo “mau infinito” da série néo-toxlizada das representagoes, Ora, 0 significante que assume na “fonma geral’2 posigéo do “equivalente geral” ito da mesma maneira, no mesmo nive rar a conhecida férmula, el se significante reflexivo “| pela fungto de “impos: faz deles “todos os outros”. E isso que ex} “forma geral” que encontramos na “Subversdo odiscwse sulitisa = 77 (aio mais “qualquer outro”, como aconteci “todos os outres"!) — todosos sii “além" de sua represeniagao propria impossibilidade, coi significante — se se pelo fracasso de sua represeniagio Iago ao signifi- ccadeia significant antes, essa prépria alteridade... No fu jreulo do “nfo me procurarias Se jé no me livesses encontra: significantes procuram o sujeito para aquele que © encontrou antecipadamente para eles... od Danto, 1976, p. ado “paradoxo de bodisatva",’ no budismo makayana (Cf. 8 videde ¢ saber que & liberiagio de um tinkco suj Sabemos que, no fmbito da teorizag do gozo feminine, ao que difere, porexemplo, ‘no taoismo, a “escolha” € simples — ou se pode perseverar salva) éa iluminapao * Otermo trade (body. (NT) iteralmerte por “aquele cuja ess odtscurostinsta 79 caminho gue testa do cardter ilusério da subjetividade para todo o inteira, ¢ de preparar, dessa ma “séibio” taois passagem, € 0 oposto diametral do desafio sexual hhomem: em seu *vocé no consegue nada com mesmo tempo desdenhaso © provocador, ressos 0 apelo: “Prove-me 0 contririo, prove-me que estou enganada!™ e ico que trabalha pela salvagaio da hu intcire. O “bodisatva” funciona, portanio, em relagdo a outros su esiejam imersos na ilusio de “m: CTalico") Falo e fetiche /'B nesse sentido que/o falo Hleve ser apreen: castragio: a vinida caracter(tica do momento «exereicio da poténcia comeca a fancionar como co mo significante da * se dé quando 0 jo de uma "i Proposta por Ouo 1928). A primeira vista, a mensagem desse esto ido, maior do que 0 Seu”, iso é, a mao ° lo” do falo — ao fazermos UK zabando do tamanho e da superi “6rgio viril, comparacdo a0 do outro. Fenicl que rompe com o ceme dessa interpretagio: ‘aro adversirio, em zombar de uma de suas p 40 fazermos fiau para alguém, desiacamos 4s alguém, estariamos nx nifieagio do falo”, ‘Um aspecio da “signifleagao do fal Agostinho: no érgio {ol desenvolvide por santo do corpo humano contra pelo orgulho do homem, : * deve ser lido como caja pulsagio, a eres, pein, a Su Vor ra parte de um sintagma euja segunda parte € 4 seu poder. Todas as partes do corpo humano estio, ém principio, & “O scu € muito grande, mas, apesar disso, Vecé ndo consegue disposigao da vontede humana, e sua indisponibilidade ¢ sempre “de mpotente.." — como diz Fenichel, aimponéncia morfologies tax fio”, com excegio do fal, euja pulsagio 6 indisponivel “em prineipio™ Pequenez funcional. O adversétio, com iss0, ¢ (Cf. Grosrichard, 1977), Enictanto, devemos ligar esse aspecto a um » e83a passagem das QuestGes mando um poder ti paderoso com temaniaautcridage guano 0 oss, quanto o foe dos series exne © aunea exist zo mvno um art the perenne ido Comnsa, Ning nes Bozcomoc eng sous 19. 6.60) io do Partido € imediatamente iado como tum poder ealmente demoeritico, como um poder efetivo wo ete. Dai deeorre uma certa “ingenuidade”, uma certa nao-perti_ ‘das criticas “dissidemtes™:o campo discursivostalinista se organiza de tal maneita que a eri /0,reconhece-se de antemao 0 que cla se esforea por demons # autoritrio do poder ete.), mas se dé a esse fato um eamat al, tenta-se provar que 0 no interior de um bi, spbo-es que « URSS sola una mas, de fato..."), enquanio ele desloca antecipadamente o conflito para o nivel do proprio eédigo. a ..._ Essa, portanto, a pasigao *impossive!” do: “encams” ime¢ “parte interessada”.... Na comécia politica de Woody Allen inttul Bananas, vemos uma cena que ilusira perfeitamente esse ponio: 0 pro que se encootra numa ditadura nio-identificada da America Central, ¢ convidedo pata jantar pelo general governante; 0 convite the entregue em seu quarto de hotel. Logo apds 2 saida do emissirio, o odivesrso solniaa 3 protagonista se stira na cama, radiante, viraos olhos em ditecdo as alturas Celestiais e um som de harpa's¢ faz ouvir, Nés, os espectador - o um acompanhamento musical, e nfo 0 préprio acontecimento. Entretanto, idode encantamento, levanta-se, abre * Iatino-americano tocando harpa. O cena reside na passagem do fora pare 0 dentro: 0 que hhaviamos pereebido como acompankamento mu lade” da cena. O efeito cdmico provémm da situagdo dupla do protagonista e da impossivel posigéo de saber que ‘ese comporta, aomesmo tempo, como personagem intemno i ica e como instincia do dispositive preciso: ali onde the é necessirio afirm: tae" "pentagon das man da “ocsuer” (arte, \ ali d gen cisultiaeaks A Scdataa™ tesa ase Ge) Tomemos o seguinle echo da célebre carta de Joseph Goebbels a WE Ihelm Furtwingler, datada de 11 de abril de 1933: lobia qucw a ej excelent ¢ presto mbm gue cls eapresente occa tam ue Qu i, ser considerada exce- lente, mas também expressio do fovo, uma ver que, na pose ser excelente sendo a expr ficidade néo basta, precisamos também de uma orientacdo ideol6gica ‘correia, de uma visio de mundo dialético-materialisia, uma ver que & somente através de uma oricntagio idcolégica correta que podemos che- gara verdadeiros resuliados cieatificos™. 0 diseurso stalinista (© funcionamento fetichista do Partido garante 2 posigo de um saber sado, em seguida, “a0” objeto “puro” saber objetivo. O proprio eagajamento da BH wuriapdesdorotaliarismo-sipico ) em torno di riado e sua “opgio" por ele niio sio “internos” — 0 | | marcsmo nio fala da pesigdo do proletariado, mas “se orienta para” 0 ) prot le una posigdo externa, neutra, “objetiva’ 1880-1899, (... o proleariado da Russia era uma minotia énfima, ‘comparacia& massa des eamponeses individuals que compuntiam a imenst is da populagac. Mss o proletariago se desenvolveu como classe, cenguanto 0 campesinato como classe se cesagresn. ferse o proletatiado deseavolvido como classe basearam sua agio. No que nio se eagan: proletariado, que ers apenas mente uma forga histériee 1971, pp. 121-2) oi justamente por eo marist ele De onde podiatn falar os marxistas, na época de sua luta contra os -ntemente, de um lugar extemo, rico se descortinava como um campo de Forgas objetivo, lc era preciso “prestar atengdo para no se enganat”, para “se orientar para a5 forgas corretas", as que venceriam, em suma, para “apostar no avalocerto”. A partir dessa posigio externa, podemos aprender a fam ixdagarmes quem ocupa a posi ide € possivel julgar qual é essa “realidade obj 20 Feflexo, de onde é possivel “comparat™ 0 Iga se oreflexo Ihe & eorrespondente ou nfo. je mesmo é, por assim dizer, da auo-referéncia pura sit em que, “nas palavras”, 0 le extralinguajeita, 0 passo. que, ‘xato ponto duplo, refere a uma part proprio) ato”, s85 se critica hegeliana da “coi essa entidade transcen- wlependente da subjetividade, revela ser apenas a interioridade do pensamento puro, feita a abstragio de todo © qualquer conteiido objetivo. Na terminologia eléssica: as proposigdes de validade (eorreto incometo) assumem a forma das proposigSes do ser: ao presi un Julzo, ost it protende deserever, “constatar" o esiado “objetivo™. Numa palavra, ¢ mama perspectiva lacaniana, 0 perfomnativo funciona, no dis- {curso stalinista, como verdade recalcada do constataclor, vé-se empurrado “pata baixo da barra”. Poderiamos, por conseguinte, escrever a relagio ‘entre Se Si da seguinte maneita: $./S,, 0 que quct dizer que o discutso odiseurso sainista 9S satin seein ens et ate lehman is senhor. Eis 0 paradoxo em que o diset ista apanha a vitima do pee apres ieee eee nse rmativo, “através de meus atos”, é, evidentemente, con, ssar — o qué? Precisamente, minha exclusio, o fato de que sou um “traidc ‘um saber puramente subjetivo, wlacro de saber — a “metali ‘nciagio, de disjungio {quatro elapas: que procede por tima escotha em 1. Ow encaramos a natureza como uma acumulacio acidental de ol ‘ow a encaramos como um todo unido e coerent 2. Ou encaramos o Todo unido como um estado de repor evolugio hamoniosa, o1 o encaramos como uma huta de estamos dante de um caso clissieo da 1, 0 género se divide com exatidao em duas paradoxal dessa divisio: todas as variagbes da metal lo harmonioso, “por sua esséneia”, “objetiva- 10 um desenvolvimento do inferior para o supe- rior, mas um movimento circular puro e simples; 0 movimento circular, como uma linha vertical: se optarmos pela evolugio haroniosa, itrismoipico juta dos opostos, mas também o priprio género 10 do inferior para osuperior, porque, “objetiva- movimente circular etc. fidade, € s6 se inverteu em seu oposto ao entrar , uma ver, expulsa essa Assim, com a ajuda de todas lessas oposigdes sucessivas, construiu-se um si *complé bukhariniano- trotskista”, O “curto-cireuito” dessa “unifieagio” repousa, evidentomen: numa (per)versdo particular da “primazia da sineronia sobre a diacro- Projeta-se « distingao atual (a oposi¢ao que determina a atual ‘um esquems que reencontramos — -ontemporineo — na pressu impli ‘da Alemanha Oriental deque foia Aleman para citar apenas um exem| cita dos historiadotes ofi 0 “segtedo” desse processo de a 0s “monstros do grupo bul nesse processo, cada génerotem wma tink indole, ¢ a outra espécie € apenas um rebotalho do género, 0 niv-génci sob a aparéneia de uma espécie do genero. O desenvolvimento do ara o superior tem uma tinica espé harmoniosa é apenss um re otra espécie é 0 negati “caso extremo” da l © mum resto que nfo contraditéria, a metal ineluir, através de sua especificagéojdeterminagao, sua propr \egatividede”, exclui essa auséncia; 0 desenvolvimento \gao do processo de desenvolvimento “em auséncia, negagdo (0 “movimento circular”), mas, precisamente, exclusio do 0 dscuno “movimento circular” do “processo de desenvolvimento” em geral. Atra~ vvés de sua especificagio, 0 género purgedo de seus rebotalhos. Longe de “particular " i 1", a divisio “consolida” o Todo eom mos do Todo do género seu rebotalho, nao estaremos superior” nfio € menos “todo” do qui getal”. Donde podemas apreendi ‘mente absurda: “Em sus imensa y” — a “imensa maloria” equivale ao “unanisnemen- inoria”) nio tem a menor importineia. Em outras de uma fusdo entre o Universal e 0 Particular, no se escolhe entre ldo com o Univer- "entre 0 Nada Ps o contririo da ‘onde nunca é possivel “aleangar palavras, estamos entre 0 géncroe a espécie; € porisso que, na verda Nada e a Parte: cada Particular ¢ imediatamente f disjungdo habiu a tartaruga”, compreen 1 das conias, 0 proprio movimento de cenuneiagio, fazer uma fre uma parte ¢ um resto que nto seja we ecupe o higar da prépria enuncingio (essa divisio funciona \t6tico inacessivel). Na disjungio stalinista,o problema 1,paracla,é uma divisto wes, uina divisio em que um dos termes nzo se evapore num puro semblante. ‘A“metafisica” funciona, por conse guintc, como um objeto parado- xal que “nao é nada”, um excedente “irracional”, um elemento puramente ‘contraditér * , nio-simbolizavel, que é “o outro de si mesmo”, ume falta ‘onde “nfo Ihe falta nada”, portanto, precisamente 0 objeto-causa do desejo, 0 puro semblante que-€ sempre acrescentado ao 8; ¢, sendo assim, nos forga a continuar com a diferenciago. Ou entio, no que cone ‘ordem da elassificagao, da artic i tafisica” funciona como “excesso” que per como espécie paradoxa espécie”, “objeto parcial unilateralmente acentuado” tum momento determinado”, como Lenin costumava dizer). Assim, escrever da seguinte mancira a relagio do agente do disc a, onde a seta indica a 88 veriagdesdotouatuarsmoripice jeto-causa do desejo: 0 mais-gozar que “impele para diante™ Shuuprocesso de diferenciagio deve ser buscado, antes, no purosemblante E 0 processo politico stalinista funciona precisamente como hago alucinatria do deseo a que o propio alnita renuncia, com 0 ual ele se recusa a se identifies le que eu peépriod do desejo da histérica, b desejo do “vidima*, do “iraidor", no diseurso fungio de vitima ocupada pel do como objeto do dese} mas, por tu — 0 objeto ap. é confirmada pelo propri anconts. Essa visto ¢ contiuads pelo propo haces oproprinnente pensive no fascsme. nce No fascismo, 0 que fi ve o acusador & ‘ selo vel “convencet” o culpado de seu erro. um dos mecari is dos procsssos stalinistas consistia em deslocar Jugar neutro do “conhecimento objetivo” e o reino da particularlade ebotalhos” na propria vitima — a vtima ets culpada¢, ao mestio ten lingit © ponto de vista universal-“objetivo™ de onde poderia feconhecer seu erro. Esse mecanismo fundamental da “autoeri impensivel no fascismo; em sua forma pura, vamos encont aulo-acusagoes de Slansky, Rajk etc,, no decomer de conhecidos; a uma pergunia sobre como se tomar tra Pondeti muitoclaramente, no estilo de uma observagdo ‘elalinguagem pure, que dna sido por causa do meio e da edveagio. urguesa, que ele nunca poderia fazer parte da classe operiria, por cause de Suas orig Esse 6 © momento em que o diseurso stalinisia ¢ : ne os dis parm do mesmo pressuposte de ura rio universal ¢ uniforme que alé o mais abjeto rebotalho tots O real da “tuta de classes” Nesse ponto, podemes liga todos os momentos desenvolvi stalinista se apresenta como um “saber objetivo” neutr, echecuce alive 9 ‘outro é a pura aparéncia de um saber “subjetivo” (“metafisico”), sendo a verdade desse saber neutro 0 gesto performativo do senhor, ditige 20 $,05 pode deinar de Poderfamos confirmar isso mediante toda uma série de aspectos complementares. Se considerarmos, por exemplo, os dois textos de refe- réncia do fescismo € do stalinismo, respectivamente, encontraremos, de cariter “universitrio”jé € traido por seu subtitulo, um liv fala imediaia do Senhor, mas essencialmente um coment ni é contingente, de modo algum, que o meio por excelén fascista scje a fala “viva” que hipnotiza por sua simples forga performa tiva, sem levar em conta o contetido expressado (os proprios participantes yamente da “Forea” fala de Hitler & parte sua jo”). Pata citaro proprio “Todos es grandes aconteci Aeavolts no mundo foram provocados (com uma vox: monétona que confirma claramente esiarmos 1 reprodugdo de um escrito prévio). Na teorizagio lacaniat tem das vertentes princi como resto, impossivel de si como furo no Outro — trata-se, sobretudo, do aspecto real do ot yor, 0 olhar —, ¢ 0 real como eserita, construgo, némero, mal [Essa duas vertentes permitem ainda esclarecer a oposigio fascismo(s linismo: 0 poder hipnstico do discurso fascista se baseia no ™: sobretudo, na “voz” do Lider; jé 0 discurso stalinista se apdia no texto. ‘Que texto? Cabe aqui levar em consideragio a diferenge decisiva entre os textos “classicos” ¢ seus “comentétios-aplicagies”: o real-impossivel é a institigao dos “clissicos do marxismo-leninismo™ como Texto sagrado- * Ojtitule da principal obre do légico britinico John Langshaw Austin (1911-60), autor da distingo entre o enunciado constatador e 0 enunciado performative, é (Quando dizer ¢ fazer, publicads apés sua morte, em 1970, (N.T.) 90 veragées do oxatvaronoripice sem sentido, u entre o “sentido” ¢ & “significac: + contra-senso), sarmes esse paralclo a perler de vist podemos — ligandoo que dis € 0 da Histerica — ler 0 50 cap discursos também jo proletarindo como subj fe3 (Estados, corporagées etc.) da Idade -x40 estabelecida por Lacan entre 0 capitalismo — isso é realmente um ¥olvs as Torgas progutivas; a razio deve ser bus --“finalidade-motor” que impulsiona 0 mecanismo Teprodugdo social, em suma, em lugar da “verdade” do discurso capitalist, encontrumos. ~ realmente 0 mais-pozar_ ae. {Que constitui 0 novo vinculo social (a “nova harmonia”), a do Universi. Sh ecenanrece mend uke rena lo Uae Sera, pois, que o vazio no lugar do quarto discurso deve set lido como a ‘mares do proprio fato de nos acharmos no nivel do politico? Sentimo-nos ‘tentados a ousar algumas indicagdes que apontam para outro sentido, ‘viloewe aaliten, A ‘Noma carta, Marx escreveu que O Capital deveria encerrar-se com a luta de classes como “dissolugao dessa merda toda”; é justamente essa issolugio, € claro, que “nfo pdra denio se escrever”, ue falia no préprio texto; 0 tereelro Livro de O Caphual fol interrompido, como se sabe, no ‘comeco do capitulo sobreas classes. Dessa mancira, poderiamos dizer que 1, num sentido estrito, como “objeto” de O pesquisa”, o que necessariamente cai ¢, desse modo, fez da totalidade dos {0s volumes de O Capital uma totalidade “ndo-toda”. Esse “objeto” nao chega “no final”, como uma “expressio subjetiva dos processos econémi- cos objetives”, mas é, antes, o agente sempre jd atuante no priprio émago ou Iégico-classificatirio, ado exists me ° comum € neuro ene clas, € “lua” (a relagio que € justamente uma 1ido-Telagio) entre as classes tem um papel constitutive para elas mesmas. Em oultras palavras, a luta de classes funciona como o “real” em virtude do. qual 0 discurso 6eio-ideslgico munce é “wdo™; la néo é, por ‘sonsegilute, wa “Talo objetivo", mgs antes © nome um dos wets) ds ‘impossibilidade-de o discurso ser “objetivo, de ele se colocar numa distancia objetiva'e dizer “a verdade sobre a verdade”, be me do fato de ‘que toda fala sobre & Tuts ds classes reesi nd lula de classes, Daf decorre que o diseurso stalinista dissimula a dimensao essencial ‘da luta de classes: 0 “saher objetivo” se apresenta como um diseurso | neutro sobre a sociedads, enunciando-se de um lugar excluido, de um lugar que ndo ¢ divicido, ele mesmo, marcado pela linha-de-separagao da . Por isso poderiamos dizer que, para o discurso stalinista, é tudo”, diversamente, por exemp discurso meoista, onde 0 politica se inscrove mais do lado “feminino™, onde € “ndo-toda”. Entretanto, € nesse ponto que devemos estar muito stentos aos paradoxes do nfo-todo: justamente pela razio de que “tudo & politica”, o discurso stalinista tem sempre necessidade das excecdes, dos furdamentes “neutros™ is politica se investe de fora: a “inocéncia” da técnica, a linguagem como instrumento universal-neutro, 4 disposigdo de todas as classes etc. Esses aspectos de modo algum sio 92 wringées do tevalitarisme-tipico indicios de uma “desestalinizagio™ i + mas constituem, m bale , precisamente, a na do “tolalitarismo” stalinista. Stalin versus 0 fascismo [ | A luta de classes tem hoje, evidentement ‘obsolescéncia; 0 raciocinio por meio do todavia, parece homélogo 10 que (nos) época da chamada mor a de uma coisa qu ei ehegamos eca conc rl stl esi oe ioe ; lcamento do desejo sexual). Na poe he prlcanlise, arediava se que a"liberagio dos busses jo menes, contribu nova solidaricdade ctey a expetisncin do a reconhiecer no “socialismo real” Prépri de classes em sua forma para, por assim dizer, destlada, obseurecida pela diferenga entre a “sociedaile éivil" € 0 Esiado, Aqui, mais uma vez, 0 fascism © liberalismo etc., que supostamente destrocm ¢ corrompem + dasociedade como um “todo orginico” em gue os “Estados” particu tm a fungdo de “membros”, isto & onde “cade qual tem dcterminado, natural” (a “cabega” eas “maos™ restabelecer entre as classes a relacdo i 0 judeu encarna nele o a ‘encama a sobra que “per ‘cabega™ com as “méos”, do “capital” com ‘8 esse papel de mui @ cooperagao harmoniosa da 0 *tabalho”. Ojudeu 08 “neg ic um lado, cnicarna a ago “exorbi odiscunosutinisa 99 como personifieagao do capital mercantil, que é — segundo a representa. 0 ideolSgica espontinea —overdadeiro lugar da exploragio, ecom isso reforga a fiegio ideolsgica dos capi c trabalhadores *honestos”, das camadas “produtivas”, exploradas pelo comerciante-judeu”. Em suma, 0 “judeu", ao desempenhar o papel de elemento “perturbador” que “de fora” 0 “excedente” da luta de classes, é realmente 0 des- as de dominagao ¢ servidéo” (Marx), sendo a relacio entre 0 re seu servo a de um vinculo “interpessoal”, de um assujeitamento reto, de uma preoeupagzo patema por parte dosenkor ede uma venera- ‘Com o advento da sociedade burguesa, essa rice rede de relagdes “afetivas” e “organicas” entre o senhor e seus Servos foi rompida, oeseravo liberion-se da tutela que pesava sobre ele ¢ se colocon como sujeito auténcmo, racional; ora aliglo fundamental de Marx & que, indo obstante, 0 servo continuou asstjeitado a um certo senbor, € que 0 lugar do senhor apenas se deslocou: o fetichismo do Senhor “pessoal” ar a0 fetichismo da mercadoris, ¢ a voniade da pessoa do Senhot ida pelo poder anénimo do mercado, essa famosa “mao invi mith) que decide sobre o destino dos individuos pelas costas... E nesse contexto que devemos situar 0 desafio fundamental do fascismo: preservando 2 telagio fundamental do eapitalismo (a relagio entre 0 “capital” ¢ 0 “trabalho"), ele pretende abolir seu snece no contexto funda- smo, essa operago no funciona, ha sempre um excesso ‘que contreria os designios do Senhor; ea nica maneira de pereeber esse excesso é — para o fascista, cujo campo “epistémico” é © do Senhor — tornar a “personalizar” a “mio invisivel”: imaginar para sium outro Senhor, um senhor oculto que, na verlade, detémn todos os fios natiterismotpico ividade clandestine é0 verdadsito segredo por tris sn6nima do mercado: o jude. Quanto 20 “stalinismo”, ele deve ser concebido, antes, camo o rad0Xo da sociedade de classes Com uma sé classe: ai esta a per 310 Fea’ uma sociedad dc classes.ou! iplesmente a “nova classe”, cupa o lugar da classe dominante, 0 que deve set © néo numa perspectiva evolucionisia-ideolégioa sse jd tom alguns tracos da classe dominante, e o futuro tmostrard se deve se consolidar como elasse dominant propriamente dita, ou seja, esse “no lugar de” no deve ser concebido como. caniter “inecabado”, de um “a meio eaminho de". No “sod 2 “burocracia dominante” se acha no jugar da elasse dominante, que ndo © ocupa seu lugar vazio; em outias palavras, 0 “socialismo real Paradoxal em que a difetenge de classes torna-se realmenic nto se trata mais de uma diferenga entre as duas eatidades tmas de ume diferenga entre a classe “ausente” ¢ a classe entre a classe que falta (dominante) ¢ a classe existente Essa classe fallante pode muito bem ser a prépria Classe Operiria, enquanto oposta aos trabalhadores “cmpiricas” —- dessa mnane!. 1, dilerenge de classes coincide com a diferenga entre o Universal (a Clasce operdria) ¢ © Particular (@ classe openitia “empirica”), com a unante encamando, frente a classe operiria “empirica”, i entre a Classe como Penso que os bolcheviques nos fazem lembrar © herdi de mitologia greaa, Anteu. Assim como Anteu, or serem apegados & mic, sram e os educaram. E,eaqusato tio todas as probsbilidades de p-402,) Pemmanecerem ligados 8 mie, 20 pe ‘continuar invenciveis, (Hist ‘A mesma alusdo # Amteu € enconireda no comeen do 18 Brumdrio de Mara, 56 que come uma metéfora do inimigo da classe frente ie Tevolugdes prolelétias, que “derrubam se ara que ele recobre suas odes 0s séculos”: “Nés, comunistas, somos pessoas de tm fei ‘Somos feitos de um estofo a parie.” A prime vista, esses dois trechos ociscurte walinise 95 parecem contradizer-se: num, tata-se da fusio dos boleheviques com a5 “masses” como fonte de sta forga,e,nouiro, eles sio pessoas 4 parte”, Podemos resolver esse paradoxo (como a ligac Ievarmo om conte adifereng apontada sie a Clase (68 noms) como Tae" como no-ecomo colegao “¢ 1": os bolcheviques (0 Partido) sioo tinico representante aoe a nica Scacarnagao" da “verdadcira” massa, da Classe como juger do“Partido” na economia do 0 lugar da “forga de impacto Origa nainene da diferenga de ties poems f Lenin’essa Iogica do Part ‘ jo, € jusiamente com base nessa contin podemos evidenciar sua diferenca, © “passo ie" decisive dado por Stalin emi comparagao com o leninismo: em Lenin, jd encontramos posigaio fundamental de um saber objetivo-neutro e el fnossas“intengéessubjetvas” dai decorrenie:“o essencial£ significagio bjetiva de tcusaos, independentemeate de tas intengbes subjetivas, por pis 8 tae iso se explea amen a dierenga entre © Lider fc = puanos da dalle do pode! cesenvlvie por A. Crick, ft ger ior 9 otro «tnd te Mire env nto gut comm rs Soaisigns doses inoslbede Soe oeroar is lege ows“ Pe eee rane he la tea arf, le 96 varlagies do toraiarismo-tipico mais sinceras que sejam”, “significagdo objetiva” essa determinada, evi dentemente, pelo proprio len: ig a subjetivar tando-a no proprio sujeito como seu ificou objetivamente foi o que de fato ) De Lenin a Stalin marea-se também uma situagio diferente dos adversdrios politicos: em Lenin, 0 adversirio (obviamente, sempre 0 Jnimigo intemo”: 0 menchevique, o “csquerdista", o “oportunista” etc.) ido, em regra gcral, como histérico: 6 aquele que petdeu.o contato com 4 realidade, que nfo consegue se dominar e que teage com um ataquc de $ quando hi necessidade de uma apreciagao sensata da sittagao, (presa apés a tentativa frustrada dos indo descmpenhou, no palco do teatro de oradora histerici: roduz.a histérica: essa mento objetivo” implica que, no fundo, no existe totalmente fechado — nio é possivel diseutir com aquele que A propria realidade, com aquele que encarna a objetividade ‘ualquer postura divergeate é de antemio colocada como um 80 € substituido pela pedagogia, pelo trabalho paciente & grande arte da persuasio de Lenin ¢, como dos Iugares-comuns da ha inista). Nessa con- ijntura de bloqueio otal a tinica possibilidade ao aleance de quem pensa de outra maneita é 0 grit ie0, onde se anuncia um saber que escapa 2 essa universalidadc... Pois bem, com Stalin, acaba-se o jogo histérice: o,péversdtio staliniste, o “traidor", nio é em absoluto aquele que “nao sabe 0 que diz” ou “o que faz” ‘© pelo contrarlo, é precisemente aquele que — para empregar uma construgao stali Em outras palavras, enquanto 0 leninismo continua a set um diseunsg universitério “normal” (0 saber, na posigéo de agente, produz como seu Tpullado 9 sujeito barrado-histericizado), o stalinismo dé © passo ein diregdo a “loucura”, ou seja, o saber universitério converte do parandico, ¢ o adversério s¢ toma o conspirador intencional ¢ ividido”: rebotalho, dejeto puro, mas que ainda assim tem acesso ap saber objetivo-neutro, de onde pode reconhecero aleance de seu aloe confessar, O SUBLIME OBJETO DA IDEOLOGIA mais sinceras que sejam”, “si gnificagdo objetiva” essa determinada, evi- dentemente, pelo préprio leninismo, a partir de sua posicéo de saber neutro-objetivo; ora, Stalin deu um “passo adiante” e tornou a subjetivar essa “significacdo objetiva”, projetando-a no prdprio sujeito como seu “desejo secreto”: “o que teu ato significou objetivamente foi o que de fato duiseste.” Vv O grafico do desejo: uma leitura politica O sé-depois da significagao Lacan articulou seu grifico do des: Lacan, 1966, pp. 805-1 Udine, euja forma & completa de fato, « Sucessdo dos quatro estados no pode ser reduzida a uma simples elaboragao gradual: temos que le conta a mudanga retroativa das formas precedentes, Por exe! forma, que écompleta ¢ contém aarticulagao do nivel superior do grafico [ovetor S(A)/$ 9 D}, 86 pode ser apreendida se a lermos como a elabora- fo da pergunta “Che voi?”, tragada na forma anterior. Se esquecermos que esse nivel superior nio ¢ outra coisa senfo 2 articulagao da estrutura intema de uma pergunta, que jo Outro com quem 0 suf confrontado além da significagdo sim erderemies necessatai seu alcance. Assim, vamos comecar pela primeira forma, « da “eélula elementar do desejo": 9 %. 100 o sublime objeto da ideotogia © que temos aqui ésimplesmente a entre o significante ¢ essa relagao por duas mesma fotha de pape! mente A articule resentacio grifica da relagio sabe, luas faces de uma wear do significado corre paralela- Lacan © ultrapassa, € OSujelto, que recebe 4 notagio de mae ilido ¢,0 mesmo lempo, 0 significante apagado, 2 ignificante). Essa articula Um aspecto importante desse nivel clementar do gréico ¢o fato de Sevens aa intenvio subjetiva sustenia 0 vetor da cadeia significanis tioe deeale tts ditegdo retroativa:ultrapassa a cadeia num penio ante, Coraucle cm ue & cruzou inicialmente. O que Lacan destace cor hay lente 0 ceriter retroative do efeito de antes, que es pre em estado flutuante, porque inda néo fl fixada, vio se sucedendo até o momento cin que onto — justamente 0 pontoem que aintengéocruza a cade g cadela ee ae £m Snifiante fixa reuvativamente a significagse dg 2 significagio ao significante, detém o deslizamento da Para apreender isso claramente, basta simplesmente nos fento idcolsgico: num espaco rerdade”, “Estado”, “justiga”, ‘suplementada por um significante-mestre “paz” elc.,e depois sua. freapmmitme", por cxemplo) que ines determina reteatvamente cour ficaga dade $6 € efetivaao superar liberdade forme burgutea, ascents tm forma de escravidao; 0 “Estado” €:0 meio pelo ust a raise dotinantc asegura as condigdes de sua dominasao; o here ie ‘roca no pode ser “justo e eqtitativo™, porque a propria fonns de oc "40 opaste aos dois campos precedentes) ragdo de bastear: o basteamento terd sucesso na medida em que apagar seus priprios vestigios, 0 “efelto de retroagio” E assim que se resume, portanto, a tese lacaniana fundamental a propésito is significado: em vex. da ssiollinesr, imanente darelagio significante)significad: ee nee aaa c de produgio um processo radicalmente contingents de algalfieagic: Desa oanelr, chegamos A segunda forma do friiin db Ses, 0 6. Age an ge ere sais is ‘ Ne a intenga aa cadeia significante: Ae s(A), © jois pontos em que a intengao A cort Seb nese) level a Sates 12 osubline objeto da deologia ogre do dejo 03 lo basteamento. A vor €0 que depois de termos subtraido do signifieante « operagio retroativa de samento que produz a significagde. A mais clars encaragio concreta mesma Jayra perde seus tltimes vestigios de significacio; aque restaé somente ‘sa presenga ineete, que exerce uma espécie de poder hipnstico e sonilero — € a vox como objeto, como o dejete objetal da operagso significance, ado: « mudanga em sun b ar da intengio mitica A ¢ do $, produzidos quando a intengio airavesse a cadela nte, $, que atravessi a cadeia ado da esquetda (resultado) para a direita (ponto de p: ? © proprio Lacan retroversio”, isto é, com sundo « quel o syjei Por que encontramos 0 60, nesse ponto de basta? Um, um sigr rede parudigmitica do cddigi cia, devemos recordar ‘clementos precedentes: ativamente ao cédigo, asi cédigo (por exempio, no uuniverso comunista da basta representa, ocupa cadeia significante diger ser distinguida da id vetor do significente cu(m)es que se alienar, tem que, por assim dizer, colocar sua identidade fora dele, nna imagem de seu duplo. O “efeito de retroversio” mencionado anterior” mente se baseia justamente nesse nivel imaginério, ou seja, apéia-se na ilusio do eu como agente auténomo, presente na origem desde o préprio ‘comego de seus atos. Essa auto-eaperiéncia imaginiria é, para 0 sujeito, a maneira de|desconhecer sua dependéncia radical do grande Outro, da ‘ordem simbélica como sua causa descentraia. Aqui, em vez de retomara tese da alienagio constitutiva do eu no outro imaginirio — numa palavra, ateoria lacaniana do estédio do espelio, que deve ser situada precisamen- ‘1 Partir do ponto'em que essa les oscitantes € fh a refers Sdigo simbdiico sinerOnico. Sate Eel Mas, ireita do votor de significante $-S", ou se: pat cubseailente ao ponio de basta, € designada como “vo2"? Pera Resolver esse enigma, devemos coneeber a voz de umn maneita esti cada geil, ito é,néo como portadora de plenitudee de nutopresen. {4 4a significapdo (no sentido de Derrida, que assim analisa 1 consereao representando essa Pasto que a identificayao simbs- 10 prdprio lugar de onde somos observados, de de modo a parecermos amaveis a nos mesmes, mer. incipal ¢ espontinea da identifieagso ¢ a de modelos, imitados, de fibrieasde imagens: observa-se (comumen, it de uma perspectiva condescendente de “maturidade") como os "ns se identificam com herdis populares, cantores pop, astros do Essa nojdo espontinea & duplamente enganado.. ceristies, 0 trazo no outro mediante o qual nos campanta presidencial da Austr em a de Waldheim em seu centro, Partindodle je Waldheim ara votos esquerdistas izeram Sea campanha, que nio apenas Waldhcim cra unt hone de pecans duvidoso (provavelmente implicado em crimes de guerra), mas também tum homem despreparado para se confronlar com seuipessevow conse a8 qucstesrelaclonadas com cle. Em suma, um hometn safe ene fundamental era. arecusa a perlaborsr um paseo tatindice. Gene foi que era presiamente isso que conssla 0 tage de res centristas, A Austria do pés-guerra ise se basa numa recs a pelabosnr sea © fato de Waldheim parecer estar-s exquven, antronto com seu passado 56 posia scentuar 9 tye de 'deniticardo com a maioria dos eleltores. A ligdo que se pods arte isso, no plano tere, & que o wago de idcnieagso tambo pe, uma certs fat, vin fraqueza, uns culpa do OU, de Medora er ‘nfatizar essa defisienca, podemos inadvertidameate reloren seein so gificode dresio 105 sia se de i pei il eee ios dissoaté mesmo no tocante a Hitler: ‘em suas aparigbes ito mals grave, consiste em esquecer 0 fato ira € sempre uma Mentfcaeto para un € considerado quando 0 sujeito se id ‘oposigao entre a mancira como me vejo € o poato do qual sou observado ito encarna 0 Outro par remamente “ferini ficagio maseul . Essa separagio & fenomenico imagi- -a masoquista indo seu sucesso, organizan- somo localizar 0 para o qual essa separagao nario, constituido, cle fica, por seus atos compalsivos, h o seu fracasso. Mas a questo crucial clas superéuico perversivo para o qual m que desempenha sua identificagio imaginsria ¢ seu “Ser para o deve levi-lo a se aperceber de como ele mesmo é sauce eas eee ee eet ae ‘com as eriangas: nos filmes de Cheplin, as criengas nfo sio tratadas com sparegatn como objcios sradiveis que precisam de idade de Dickens —, de onde vem o olhar de ce ae eee para a “boa gente do povo” ‘mais perigosa do que a dominante, Forman nio quis desiruir« ident femate superior dessas duas eu Vissationovitch Djugatchyili tende a substituir © prenome (diz-se, simplesinene, ‘enquanto, no segundo, ele substi 7 n sistematieamenteo sobrencine (lee Visserionoviteh Stalin"). No pe eaetecnente ("Healt 1eifo caso, 0 cognome faz referencia a ogrdfico do dese 07 Luciano tivera extraordinirio que marcou o individuo (Charl de sobreviver as torturas sclvag: onde “Tosif came eosso, se obsecvava, de modo ase sfigurar passivel de ser amado, Encontramos na o eu ideal, 0 ponto de idem vem do pai, isto 6, designa, ‘como 0 Nome-do-Pai, 0 pot rma imaginéria em que patecemos dignos de amor a nds mesin vel do funcionamento formal, essa subordinagio ¢ confirmada pelo fato que 0 cognome, que tem a noiagio \ciona também como um jo kripkeano do termo, ¢ née come uma 6 [ed bras.J). Para retomar- quando um individuo apenas que sett rosto & ‘no mesmo temapo, que estamos lidando “Scarface”, mesmo que, por exemplo, todas as suas cicatrizes desaparegam mediante uma cirurgia estetica, E 0 mesmo se aplica a fungdo das designacoes ideolégi- 1, na perspectiva comunista, claro, 0 progres da liberdade, mesmo que, nonivel deseritivo dos fatos, ita produza fenOmenos ex- ygnominado de 108 oshlimeobjen da desloge tuagdo efetiva, Assim, a anilise ds ideologia deve fa 0s pontos em que os nomes que significamn prima ls iragos deseritivos postivos ja funcionam como “designaores Mis, por que a diferenca entre « maneira comonos vemos ¢ 0 po recisamente a diferenga cnire o que, © outro no nivel da semethanga, imagem do outro de mancira a ser “co: + na identificagio simbélien, outro precisamente no. Casablanca, mas logo percebemos "© que 4 vert ‘seroporto; renun om © marido, assim fepetindo, na vida omegado; quam sobre suas palavras de despedida, Casablanca, Fsperei minke vida inteira pare a Bogart aparece pela me de ua ami ogrifcododesio 100 suficientemente palavras, Longe de “superar a ete, que modifica t etl pode a repulsivos: sua baix 6, pelo qual assume certas “misses claro para Lacan Lacan soube extrair do sgrafou como i, 0 © problema reside apenas no fato de que essa “quadal ciclo" da interpelago, eae movimento crete « ica ¢ a identificagio imaginéria, nunca se dé sem um 7 Depas de cada busteameato de cada sigaicnt, que lia reroaliva mnie seu send, rests sempre um eo hat, ue sberua due se expresa, na trie forma do grilio, pea famosa perguals “Che vo? — "Voce esté me dizendo isso, mas que quer fazer, aonde quer chegar?™ © subline objero da ideologia -sinel, ue se colocs acima da curva do besten ‘de um shismo entre o enuncinde ene ane mas, que esti quere so? (Nos temnos consagredos de tors deg fe ismo a diferensa entre 2 ¢ vria de um dado enunciado,) E é ex 1 peso dessa nerginia, que surge acima do cnunciado, no i ue voeé esti me dizendo isso”, que devemos situar e fico) em sua diferenca da demanda: voce esta me ido, voo’ me diz. isso, me dizer com isso, através dis nos co ia enreademandn eo aseeiee : site oo que define a posi to Mane: sagen mula ction sia Was : * “Eu Ihe pego isso, mas, na verdade, pego-lhe que ic peo, poguenio iso Besa ions gue eee ae da sabedoria popular, aquela que nos diz que “a politica é uma ogrificododesejo AM fe algo diferente de sua nar como uma provocacao que procura ser qual a melhor maneira de frustrar a demanda é ater 105, foi essa a censura de Lacan a pro (ética que pedia um novo Mestre. jomento final do proceso psican: que ele acaba de satisfazer ergo a missio como um certo “Porquesou 40 excedente em. 'm do sujeito”, do objeto dentro do si subordinagdo do sujeilo, a sua incluséo na rede simb mais bela representagao artistica desse momento de histericiza- gio seja a famosa pintura de Ros Maria no cxato momento de sua interpelagdo, quando 0 arcanjo Gabric! Ihe revela sua missio: conceber, permanecendo imaculada, ¢ dar 2 luz 0 19 de Deus. Como reage Maria a essa mensagem surpreendente, a esse wal “Eu te satide, Maria"? A pintura a mostra assustada, com a cia pesada, recuando pars diate do arcanjo, como se Tonge nessa dires préprio Jesus Cris nado, que descobre p\ objet ce idectogia nifieagiio de suas “tentagbes™ ‘sua misso, em suas dividas Ojudeue Antigona 0 “Che weit sarge de manets mais votenia na tacismo, em sua forma mai sim suas ages. (a conspiragiio c serem guiadas por motivos ocu \g40 do mundo e a corrupgéo moral smo tame ude tam de manila oe its do paso. A fata tugto, uma trama imagindia que preenche sdetada pelo desejo do Outer an needa ote clara perguna “que quero Ouro? cla nor porte crn eet insuporuivel e sem sai tro quer algo de nds, mas na aL 0 final de Judas como ov levotavs 0 mi te 0 bastante pe “neem nome de un deta mas tarabém sua “segunda vi a reputagio para hisisria comoaquele que traira ‘mesmo a suport iss0 para que a missdo de Deus zrura i imo wet is oxrificodo descjo 113 20 mesmo tempo, somos Incapazes de traduzir esse descjo do Outro numa interpelagio positiva, uma missdo com que possamos nos identifiear. Podemos compreender agora por que os judeus foram escolhidos como objeto do racismo por exeeléneia: acaso 0 Deus judsico nio é a encamagio mais pura desse “Che vuoi’, do desejo do Outro, em seu 0 aterrador, com a proibigéo formal de “fazer uma imagem de isto, de preencher o vario formado pelo desejo do Outro com um ceonatio positive da fantasia? Mesmo quando, como na presenca ¢ Abraio, esse Deus pronuncia uma demanda conereta (so ordenar a Abraéi tho), dar uma dimensio exata a0 que cle ‘exemplo, que Abraio, com esse ato i constitui uma vio fundamental do devoto judew &, lamentagio que de incor smo de horror diante do que 0 Outro (Deus) quer dde calamidades. Essa perplexidade horrorizada jdmarea a relagio iniciale fundante do fiel judeu com Deus, isto 0 pacio firmado entre Deus ¢ 0 povo judsico: 0 fato de os judeus se pereeberem ‘como 0 “povo eleito™ nada tem a ver com uma crenga cm sua superioni- es nijo possuiam neahuma qualidade particular antes do pacto com — cram um povo como outro qualquer, nom mais nem menos corrupto, levando sua vida corriqueira, quando, de repente, como num Pago traumitice, soubcram (por Moisés) que 0 Outro os havia tuada no comego, nio determi- dos judeus, para retomarmes tives, Por que e ic na posigio de deve- 2 Arespesta, para incesto, € ao mesmo so paga, onde o Sagrado € anterior aos deus ‘1 dimensio do Sagrado néo é 0 “deus do fildsofo", 0 jonal do universo que impossibilita o éxtase sagraco como implesmente, 0 sinal insuportével do jo no Outro que vem ocultar, previsa- desejo do Ouro, do abismo, do ¥ mente, presenga fascinantc do Sagrado, Os judeus permanecem nesse enigma do desejo do Outro, nesse pont \matico do puro “Che vuoi?” {Que provoca uma angst ‘1 medida em que nfo pode ser Simpolizado, “domesticado” pelo sacifico ou pela devogdo amorosa, E 20 Outro como objeto de seu desejo. E uma interpretagio do Dreenche sua pripria fo que preenche a falta no Outro uperposigio de duas falas ‘gio mitva, como medida de — ea desilusio do amor consi 4 crucificagao, a morte assim nos livrando da ang igem fascinante que anula que condensa toda 4 economia I cago com base no enigma dlesejo do Outro (Deus), >» Jonge disso, que 0 cris relagdo paga do homem com Jo fato de que, ao contrat nismo acarrete uma espéci 0 jd foi atcsiado pel do, santo, que é, antes, o oposto radical d ; lo srdote é um “funciondrio do Sagra véquina burocritice que ante asteca do sacrificio enhum ritual, néo conjura ns ‘Agora compreendemos por sor do steriicio de Crist: Anigca ‘cerlamente ndo uma sacerdoti 1 Lacan viv em Antigona um precur- - Por isso devemos nos po ognifcodedescio 118 Js, que ocultam a estranheza assus- ‘eardter nfo-patético de seu personagem, que fazem’dela uma doce protetora da familia e da casa que provoca nossa compainio e se oferece como modelo de identificacdo. Na Antigona de © personagem com o qual podemos ni ificar é sua irmi, Isménia, meiga, atenciosa e sensivel, disposta a fazer concessées ¢ acor- dos, “humana”, a0 contrério de Antigona, que vai atéo fim, que “aio cede ‘em seu desejo* (Lacan) ¢ que se torna, por sua persisténcia na pulsaio de morte, em seu ser-para-a-morte, nssustadora em sua crueldade, insubmis- 8 a0 Gircule dos sentimentos ¢ ia-0-di dos temores. Em outras palavras, 6s, eriaturas patéticas, compadecidas e comus, nie", pergunta esta que exclu qu uma vitima patétca, em contrasie com Julieta, « devassa nio-patetica que também no cede em seu desejo. E por que néo deveriamos ver, afinsl, 1¢ Vort ica e compadecida, que “lenta compreend de vista a hist6ria € contada. (0 episédio if 8 de Schléndorf no e Gundrun Ensslin.) A prit : a honrada Antigona, sa preci ‘om que o gozo ainda proporeions prazer), © a Gundrun fanitica ¢ ascética, que quer, através de scus atos terroristas, abalar o mundo, mergulhado em seus habits ¢ prazeres cotidiancs. Lacan nos faz reconhecer, em todas trés, a mesma postura ética, a de “niio ceder ‘em seu desejo™. Por isso todas és provocam 0 mesmo “Che v ‘mesmo “que quer vocé, realmente?”. Antigona, com sua po cbstinada, Julieta, com sua desordem néo-patética, ¢ Gundrun, com seus atos terroristas ¢ “insensatos”, todas trés poem em questo o Bem encar- nado no Estado © nas doutrinas morais comuns, A fantasia como anteparo contra 0 desejo do Outro A fantasia aparece, pois, como uma resposta & pergunta “Che vuoi?”, ‘enigma insustentavel do desejo do Outro, da falta existente no Outro; mas, 20 mesmo tempo, é a prdpria fantasia que, por assim dizer, fornece as coordenadas de nosso desejo, isto 6, consirdi o contexto que nos permite M6 osubline objeto de idetogia lesejar algo. A detinigao hal pois, um t na een da fantasia o deseo nao to”, mas constitui oe sess ans pate dale “normal” fracasa, fabs, soe teed ui esse momento qu Por que aconteceu is ) ssquemal ermedisrio entre 0 contetide em; ognifcodedenjo 17 dotadas de propriedades, submetidas « endofas causais te). F ui i nhismo homblogo que funciona {mpirico positivamente dado se transforma mum ob pass a conter um X, uma Hoque ele” eque 0 toma dignode exto da fantasia, snc i ace desconhecida, algo que é “nele mais entrando incapacitado € widentemente, uma jan lo que ele pode ver através dela. Eo problem da pobre Grace Kelly & que, ao the deelarar sou amor, ela ‘age como uth obstéculo, como uma mancha que perturba a visio pela em vex de faseiné-Io porsva bele Num nivel um tanto ingé esquema nao € de psicansiise tradicional pré-lacaniana, que afirma que na mulher que escothe (simbéticos); mie aparece 10 0 desejo € sufocedo pela proximidade do incesto lor paradoxal da fantasi: ela ‘Suma construgdo que nos permite buscar substitulos maternos, mas, 20 mesmo tempo, é uh anteparn que nos protege de che garmos perto demais ‘que nos mantém a distincia. Por isso seria errineo ivamente dado pessa s¢ inte passar a funeionar como um objeto da dese {os que sio pr6ximos demais da Cois traumatica) que estéo de! ‘excludes; quando porventura se atrometem no espago da fantasia, o efeito disso é extremamente pertur fador e-repugnante, ¢ a fantasia perde seu poder de fascinagio c se tome ‘um Objeto de nojo. E ainda Hitchcock, em Um corpo que cai, que nos fomece o exemplo dessa transformacio: © heréi — novamente James Stewart — osté perdidamente apaixonado por Madeleine c a segue num srar tc, pinta seu proprio 10s0 terrivelmente deprimen- \contramos o mesmo ide Joan Fontaine, para ado por Rebecca, a ex-esposa falecida, aparece, numa recepyio oficial, rajando um vest, do que Rebecea usara na tecepeio anterior — o maridoa expulsa, en. furecido...) impede Hamiet 0 confronto com ra vinganga impos ssejodo outro: a cena- da mac — que quer ela, rea laglo abjet e disscluta qu 4 entravado, nao porestarindeciso quento a su pr “no saber o que quer realmente — ele sabe disso m bem: quer vingar o pai —; 0 que 0 incomoda é a duivida concernent desejo do outro, © confronto com um “Che vuoi?” que aruneia 9 abisme ibjeto, Se o Nome-do-Pai funciona como agente da odesejo 0 inconsistente Outro do goro Dessa mancira, temos a quarta e tltima, 2 forma compleia do grifico do desejo, pois 0 que é acrescentado nessa tltima forma é precisamente lum novo vetor do gozo, que corta o vctor do desejo estruturedo pelo significance: ‘ogrifice do deoejo 119 Castragao XQ is, que podemos ‘© problema " nio € determinads pele fisiologia, mas pela mancira como 0 -0mpo {oi dissecado através do significante (o que & confirmado pel Histomash icos em que as partes do corpo das quais 0 gozo ¢ “normal- ‘evacuado voltam a se tomar erotizadas — pescogo, nariz etc.) Talvez devames correr o risco de ler $ vi S isc ler $ 0 D retroativamente, a ule elaboragdo tebiea de Lacan, como a formula do Samet magio significante particular que ¢ imediatamente permedvel a0 goz0, ogrificode desejo 1M 6, jungo impossivel do goz0 com o significante (Cf. cap, VID. Tal Jeiture nos fornece a chave do quadrado superior do grifico do desejo, posto a0 quedrado inferior: em ver. da identficagdo imaginaria (isto ¢ da relagéo entre 0 eu imagindrio ¢ sua imagem constitu 0 eu ideal), temos aqui o desejo (d) sustentado pela fantasia ($ © fungio da fantasia consiste em tampar a abertura no Outro, esconder sua inconsis- téncia, como faz, por exemplo, a presenga fascinante de um roteiro sexual que serve de anteparo para mascarar a impos: lade da relagao sexual. A fantasia esconde 0 fato de que 0 Outro, a ordem simbélica, se estrutura: ‘em torno de uma impossibilidade traumdtica, cm torno de algo que néo través da fantasia, 0 goz0 € domesticado; e que acontece c portanto, depois de termos “atravessado” a fantasia’) A resposta de Lacan, nas wltimas pdginas de seu Semindrio 1, & precisamente a pulsdo, ¢ finalmente, a pulséo de morte: walém da fantasia”, s6 encontramos a pulsio ¢ sua pulsagao em torno do sinthomem — a “travessia da fantasia”, portanto, tem uma estreila corre- lacao com a identificagao com um sinthomem. A “travessia” da fantasia social poderiamos considerar que o nivel superior (segundo) do ‘a dimensio “além da interpelagdo”: a impossivel “qua- dratura do circulo” da identificagio si ‘e/ou imagindria jamais onsisie na auséneia de um resto qualquer, hd sempre um dejeto que dé margem ao desejo ¢ torna o Outro (a ordem simbélica) inconsistem Sendo a fantasia uma tentativa de ultrapassar, de mascarar essa incon: téncia, esse Furo no Outro. Agora, podemos finalmente retomar & proble- mitica da ideologia: na teoriz da ideologia, a deficiéncia crucial das tentativas derivadas da tcoria althusseriana da interpelagao foi que clas se jimitaram ao nivel inferior, ao quadrado inferior do grafico do desejo de Lacan, isto €, visaram a aprender a eficécia de uma ideologia exclusiva- mente pelos mecanismos da identificago imaginéria c da identificagio simbdlica. Ora, além da interpelagio, existe 0 quadrado do desejo da fantasia, da falta no Outro ¢ da pulsado que vibra em tomo de um insusten- tével mais-gozar. Que significa isso tudo para a teoria da ideolo; poder-se-ia crer que o que € pertinente num Somente a mancira pela qual ela funciona como discurso, a maneira como © corjunto dos significantes flutuantes € totalizado, transformado num ‘campo unificado pela intervengao de alguns “pontos de basta”; em suma, ‘a maneita como os mecanismos discursivos constituem 0 campo da 122 osubtime objeto da ideotegia sentido seria, nessa petspectiva, sim- mado com a ideologia como smo demonstra 0 que se — um € discursivo, é a “te aia tomal” do texto ideolégico que traz « eriéncia espontines de seu sentido, isto €, quc légico ¢ 0 resultado de uma monta- heterogeneos, de sua totalizagio por fengd0 de alguns “pontos de basta” " £020, 8 articular o modo como, além mesmo tempo, no interior desse campo, € produ um gozo pee id novo © caso pal cncamagio da ideologia como tal: 0 anti-se mente, “a Sociedade nfo existe” ¢ 0 judeu é 0 dessa inexisténeia, No nivel da andlise discursiva, nao temos articular a a iat es feu. Primeiro, produz-se um deslocamento: 0a anti-semitismo coasiste em deslocar 0 antagonism gonismo entre o tecido social sadio, o corpo soci Que 0 corrdi, forga de eorrupgio (CF. ea tociedade que é Sinpesivel™ baseada te antggenn Se aap Sn iio cn 3c tabalhadores © a classe Qrganizadores da produsio etc.)e os negocianes que exporam as classe Selon cms onetoegon i elnnen nie ecamia men To jecn ac gtreeag esef egrifcededesjo 123 ‘os judens so supostamente sujos ¢ intelectuais, volupiuosos e impotentes ‘te. O que, por assim dizer, fornece energia para esse deslocamento é, ols, a mancira como a figura do judeu condensa um conjunto de antago- nismos heterogéneos: antagonismo econémico (0 judeu que obtém lu- o (0 judeu intrigante, que serve a um poder secreto), moral- (0 judeu anticristio corrapto), sexual (0 judeu sedutor de nossus fithas inocentes) eve. Em suma, podemos mostrar facilmente como a figura do judeu é um sintoma, n0 sentido de uma mensagem codificada, eum signo, de uma representagio deturpada do antagonismo social; por cio desse trabalho de deslocamentofeondensapao, podemos chegar ‘eterminar seu sentido. Mas essa Idgica de deslocamento metaférico-metonimico no basta pata explicar como a figura do judeu cativa nosso desejos para penetrar fem sua forga fascinante, cabe-nos lever em conta a maneira como “o dew” entra no contexto da fantasia que estrutura nosso goz0. A fantasia indameatalmente, um roteiro que cobre 0 espaco vazio de uma impos- jade fundamental, um anteparo que mascara um vazio. “Nao bé sexual": essa impossibilidade € obturada pelo rowiro-fant fascinante;¢ por sso 2 fantasia, em tltima andlise, € sempre ums fanta da relagio sexual, uma encenagio dessa relagio. Como tal, a fantasia nio deve ser interpretada, mas apenas “atravessada”: a tinica coisa que temos de fazer & perceber que nio hé nada “por tris”, ¢ que a fantasia mascara precisamente esse “nada”. (Mas hé muitas coisas por tris de um sintor toda uma rede de sobredeterminagio simbélica; porissoo sintoma impli sua imterpretagio.) ‘Agora esid clara « maneira como podemes utilizar essa nogio de Fantasia no campo existe relago de classe”, a socledade € scmpre clivagem antagonica que no pode ser integrada na ordem simbélica. E 0 que esté em jogo na fantasia ideol6gico-social ¢ construir uma visio da xde que exista, de uma socicdade que nio seja antagonicamente ida, uma sociedade em que a relagdo entre suas diferentes partes seja ica e complementar. O casomais claro disso é, naturalmente, a visio om corporativists da soviedade, considerade esta como um Todo organi ‘corpo social em que as diferentes classes so assemelhiveis a extremida. des, cada membro contribuindo para 0 Todo conforme sua fungo; pode- smos dizer que "a sociedade como corpo constituldo” é ideolégica fundamental. Nesse caso, como levar em conia cexisiente entre essa visio corporativista ¢ a sociedade real, dividida por Tutas anlagénicas? A resposta, evidentemente, € o judeu: um elemento 124 osublime ebjetode tdeologia Corpo estranho que introduz a corrupgao no tecido sociat “judeu” é um fetiche que, ao mesmo tempo, desmente idade estrutural da “sociedade™: € como se, na lade adquirisse uma existéncia positiva | — e € por essa razio que isso marca a irrupgdo do go70 no ‘campo social. A mogto de fantasia social é, pois, uma conirapartids necessiria do conceito de antagonismo: a fantasia é precisamente a mane! clivagem antagénies é mascarads. Em outras palavras, nte, estruturado em torno de uma travessado por um “antagonismo” central ese imy tifieagao que nos confere rma identidade sécio- si ‘condenado 20 fracasso — ¢ exatamenie a fan ‘mascarar essa inconsisténcia, o fato de que “a assim nos compensar pela identificagiio malograda, edade néo exisie”, ¢ O judes ¢, para o ascismo, o meio de levar em conta, ds fazer uma sa prépria ade: om sun presengs pov, {sso nao ¢ suficienle designar 0 projeto Népico ¢ desejoso de estabelecer uma socie homogénes — o probleme é que, de certs sabe disso, reconhece-o de antemao: na ‘esse stber em sua construgio. Toda a ideo- fascista se estrutura como uma luta contra 0 elemento que ocups o idade imanente do préprio projeto fascista: 6 “judeu” € apenas uma encarnagio fetichista de uma certa barteira fundamental ‘a sociedade de realizarsua id € homogénea. Longe de set causa positiva da negatividade social, 0 Siudeu" € 0 ponto em que a negatividade social como tal assume wine existencia positiva, Assim podemos formular o método bisico da “erltica logis”: identificar, sum dado edificio ideoldgico, o elemento que sua prépria n ea antagonica, sua propria barreira imanente,e ela “projeta” cosa o grifen do deseio 2S ras, 0 que & ividade is figura do “jude. pals, © exch do sinbolizo (cone 1 comoraiisn sein sims fea) etorm no Real como uma chan do “den dade, Mas 2 "unvessia da fu se nee wer acompanhar de nossa idet Sintoia eins que teconecet, nos rags dato aveessérie de osun propels satin spc : nes “exeess05"atbuldos ack “judeus, nossa propria verdad 105 que reeomhecer, Tealizagao de afiguram a consci gies © degeneracies c dade (crises econdmicas, guerras et mum. como simples desvies, simples deforma: ngentes do funcionamento “normal” dz - e, como tal, facilmen produtosnecessirios do coisas, a chave que nos da acesso a seu verdad movin ietiois spenas esse movimento Para ilustrar esse movimento de reffexio, i : reflex, isto, {tide da Teflerdo proponene, da elexioextetos¢ de nee 8 ante (Cf. Hegel, 1976), tomcinos a eiema questio hermentaeee on, lerum texto? A “reflexio proponente” comesponde wan iy ‘que protende aceder imediat itura ingém do texto: sa casei tie tm erect ia Ste et med pia nee an determinante” é nos dessrmarmos, de ceria ‘maneira, dias de od ioe mp cara nn te da esséncia (ou seja, das séties de re i fi n ‘nos diante do fat enaiaie sico, Antigona, por se aproximar diretamente do se tragédia sobre. 36 histotica, da eficéecia do poca do Renascimento, para Beer, até Lacan..." E, para "MOS apenes yuc viver 4 expe ido verdaceiro e “original” de “em si”, independeniem ioapensscomosubstincia.mastanbém como sjeto 133 Ieituras sucessivas, do que em seu pretenso sentido “original”. O yerda- deito sentido de Antigona nao deve ser buscedo nas obscuras drigens do ‘que “Sofocles realmente queria dizer”, mas se eonstitui dessas séries de Icituras sucessivas, ou seja, constitui-se a posteriori, por interméio de , de que 6 se adquire a verdade de um texto pela perda de jarismo. Em outras palavras, © que 8 roflexio exteri como um obsaiculo é, de fato, uma condigao pi para acedemnos & verdade: a verdade de uma coisa vem a luz pelo falo de a coisa ndo nos ser acessivel em sua propria identidade imediat™ Entretanio, 0 que acabamos de dizer & i que ainda dé margem a um posstvel mal- pluralidade das determinagées fenomenais que & prin vam nossaabordagem da “esséncia” como sendo autodete remos dizer que, dessa maneira, ou seja, pela “reflexao determinante”, a aparéncia acaba sendo reduzida & autodeterminacao da esséncia, “anui da” no proprio movimento da esséncia, intemalizada, concebids comoum ‘movimento subordinado da avtemediagao da essén srescentar a énfase decisiva: nao apenas a aparencia, a divisio centres aparéneia ¢ a esséncia, ¢ uma divisio a propri como também o ponto crucial é a 1 divisio entre aparéncia e € interna 4 prépria aparéncia, ser refletida no proprio dominio da eparéncia — ¢ isso que Hegel cha de “reflexio determinante”. O trago fundamental da reflexao hegel é ide conceitual e estrutural de sua duplicagdo: a ‘esséncia deve, de um lado, eparccer, articular sua verdade interna numa licidade de detcrminagdes. Esse € um lugar-comum do comeatirio a essencia € 140 profunda quanto ampla. Mas cladeve também, € principalmente, aparecer para a pripria aparéncia, ou seja, como cesséneia em sua diferenpa da aparéncia, sob a forma de um fendmeno que ‘encarne, paradoxalmente, a \de-do campo fenomenal. Essa dupli- cagdo caracteriza 0 movimento da reflexio; ela nos ¢ imposta em todos ‘08 niveis do Espirito, desde 0 Estado até a religiao. O mundo, o universo identemente, 2 manifestagio da divindade, o reflexo do infinita ide de Deus, mas, para que Deus se tome ofativo, ele mesmo tom ainda que se reyelar « sua criago, s¢ encamar numa pessoa particular (0 Cristo). O Estado certamente ¢ uma totalidade racional, mas s6se estabe- lece como mediapéo-anulacio efetiva de qualquer conteido particular 20 134 Sublime objetode idcologia se reencamar na individ ide contingente do Monatea, Esse movimen- to de duplicagio defin reflexéo determinante”; ¢ 0 elemento que reencama, que dé forma positiva ao priprio movimento de anulagio de ‘qualquer positividade, é 0 que Hegel denomina de “determinagao reflexive”. exterior e determinante e a “absoluto”, isto é, do sujeito que no esta alguns contetidossubstanciais pressupostos, mas Pressuposigées substanciais — dizendo-o m: ssa tese € que o que é constitutive pam o sujc hegeliano é, precisamente, a duplicagio anteriormente mencionada da. reflexiio, o gesto pelo qual o sujeito estabelece a “esséncia” substancial Dressuposta na reflexao exterior. Estabelecendo as pressuposigées ica do “posicionamento dos pressupostes”, 1osas “figuras da consciéncia” da Fenomeno ‘o de Hegel, a “bela alma”, De que modo Hegel mina a Posigdo dessa “bela alma”, dessa doce, delicada ¢ sensivel forma de subjetividade que, de sua posigdo resguardada de observado! inocente, deplora as imoralidades do mundo? A falsidade da “bela alma” jaz, nio, como se costuma entender, em sua inatividade, no fato de ela se de uma depravagio sem fazer seja lé 0 que for pata remedid-la, mas, a0 contritio, essa falsidade consiste no priprio modo de atividade implicado hessa postura de inatividade, isto esirutura de antemio o mundo soci assumir nele, desempenhar nele 0 \jetivo, de tal modo que pode spel de vitima delicada, inocente € Passiva. Aqui encontmmes, pois, a lipo fundamental de Hegel: quando somos ativos, quando intervimos no mundo por um ato particular, o verdadeiro ato nao é essa intervengio (ou ndo-intervengfo) particular, empirica e fatual: 0 verdadeiro ato ¢ de natureza estritamente simbélica, © consiste no proprio modo pelo qual estruturamos antecipadamente o mundo, ou nossa percepgio do mundo, de tal maneira que abrimos nele ‘espago para nossa atividade (ou nossa inatividade). O ato verdadeiro precede, pois, a atividade (particular fatual), c consiste cm recstruturar Previamente nosso universo simbélico no qual nosso ato (fatual e parti- cular) serd inscrito (Cf. Zitek, 1 J Neste ponto, também poderiamos fazer referénci a identificagio “constituinte” ¢ a identificagio “constitufda”, ou seja, ‘ngo apenas como substincia, mas também como sajeito 138 entte 0 eu ideal e 0 ideal do eu. No plano do eu ideal imaginirio, a “bela alma” se vé como uma vitima delicada ¢ passi tifica-se com esse papel, no qual “gosia de si", acha-se amdvel, saboreia um prazer narcisico. Mas ela também se identifica, efetivamente, com a estrutura formal do campo intersubjetivo que Ihe permite assumir esse papel. Em outras palavras, essa estrituragio do espaco intersubjetivo & 0 lugar de sua identificagao simbdlica, 0 lugar a partir do qual cla se observa de modo a parecer digna de amor a si mesma em seu papel imaginério. Também poderiamos formular tudo isso nos termos da dialética hegetiana da forma e do contetido, onde a verdade se acha, evidentemente, na forma: mediante um ato puramente formal, a “bela alma” estrutura previamente sua realidade social de uma maneira que lhe permita sssumir o papel de vitima passiva; cegado pelo conterido fascinante (a beleza do papel de “vitima sofredora”), 0 sujcite esquece sua respo lade formal pelo estado de coisas existente, E no contexto dessa forma e do contetido que devemos apreender a seguinte frase enigmitica, extraida da fenomenologia de Hegel: atualizagao ¢, pois, a forma pura do querer; a simples is a ef Antes de intervirmos 1a realidade por meio de um ato particula:, de converter a realidade, como idade”, como coisa produzida, 1" messe ponio, esid em tos (ou dois aspectos estabelecida pelo sujeito. O interesse da “bel ‘nos mostrar precisamente a separaco entre os pela “conver ”, j4 mencionada, da realidade “objctiva” cm efetividadc. Para quc a realidade nos apareca como 0 campo de nossa prdpria atividade (ou inatividade), jé devemos coneebé-la previamente como “convertida’”, isto 6, devemos nos conceber como formalmente responsdveis-culpados por ela, Aqui encontramos, finalmente, o problema das press belecidas: em sua atividade particular-empirica, 0 sujeito, pressupoe 0 “mundo”, a objetividade na qual exeree sua atividade, como ‘ums coisa previamente dada, como uma condi¢ao positiva de sua ativida- cde; mas sua atividade positiv o-empltica s6 € possivel quando ele estrutura antecipadamente sua percepcio do mundo de uma maneira que abra espago para sua intervengo; em outras palavras, ela sé possivel quando (30 osuoline objeto da idetogia lece relroativamente as stabelecer™. Esse ‘witamente formal: € uma *conversao” puramente formal, que fansfor- mma a realidad auma coisa pereebids, presumida como um resultado de dude. © momento crucial, sav, & ge] difere total (coletiva) ani, € depois, elitindo os resuitados de sua ativide, gercebe-se almente como 0 “autor do mundo ds cbjetividae”, a0 passo que, om Oprimeire “oto” Jevee ).0 patente consangiines complet, absiralo, acreseentarvo Ihe o rovimenta da sonceishsie, nterrompent ‘brs da naiureza e arraacando o parente ccasansiineo de destruigao, ou, rrelher ainda, que essa destruisdo, a pessagem para o ser puro, € neve, cle we encarrega da operogdo de destruisio, (Hegel, 1975, , pp. 20-2 A dimensio crucial do rto Flnebte ¢ indicads na ultima frase citada: 4 passaigem para a morte, para a desintegragdo natural, chega de qualquer fem suas Ligtes sobre a filosofia 9 da queda do homem o/mal ¢ a matureza to abrange um conte por ele, mes ‘oelo entre essa agio de “es formal mediante 0 qual o sujel ° assume 0 excedente que eseapa a sta Esse “gestovazio" reeebe,em Lacan, seu nome aprop © alo elementar e constitutivo de simboliza 1¢ apropriedo: o significante, Assim, podemps tamb no de “substincia como sii go apencs como substance, mas ambemconosujeko 138 dialético: nesse processo, em certo sentido, podemos dizer que do jd aconteceu, que tudo 0 que acontece atualmeate é uma siraples transfor- macio por meio da qual assinalamos 0 fato de que tudo aquilo a que chegamos jé foi desde sempre. No processo dialético, a cisio nio é “enuleda” ao sor ativamente ultrapassada: tudo o que temos de fazer & formalmente que ela nunca existiu (Cf. Zitek, 1991, cap. IL digdo entre esse aspecto “fatalista” da je que simplesmente tomamnos nots do que jé aconieceu, © sua reivindicagéo de conceber a substincia como sujeito — ambas visam, efetivamente, a mesma conjuntura, porque © “sujeito” ¢ exatamente um nome desse “gesto vazio”, que nio modifica nada no nivel do contesido positivo (nesse nivel, tudo jé aconteceu), mas que, no entanfo, tcm que ser acrescentado para que o proprio contetido atinja sua efetividade plena, Eo Monarea hegeliano que melhor encama essa fungio paradoxal: ‘© Estado, sem o monarea, permaneceria como uma ordem substancial, ¢ €0 Monarca que representa o lugar de sua subjetivasio — mas, em que consiste exatamente sua fungio? Apenas em “por os pingos nos iI” (Hegel), num movimento formal que consiste em assumit (apondo-Ihes sua assinatura) 0s decretos que The sio propostos por seus ministros € conselliciros, isto é, que consiste em fazer doles # expresso de sus vontade pessoal, em acrescentar « forma pura vidade, do “esta nossa voniade”, a0 contetido objetivo dos decretos e das leis. Assim, o Monarea é um sujeito por exceléncia, mas apenas na medida em que se Jimita ao ato purameate formal de decisk 4 partir do momento em que almeja outra coisa, em que se scute implicado em questes de ccontesido positivo, ele atravessa a linha que o separa de seus conselheiros ‘¢ 0 Estado regride ao nivel da substancialidade. ‘Podemos voltar agora ao paradoxo do significante félico: na medida em que, segundo Lacan, o falo é “um puro significante”, cle € precisa ‘mente um significante do ato de converséo formal fssume a realidade subsiancial jé dada como sua prépria obra. Por isso poderfamos dofinir a “experiéncia féliea” fundament Ftudo depende de mim, mas, quanto a isso tudo, nio posso fazer nada” (Cf. cap. IV), como o ponto em que coincidem a onipotéacia ("tudo depeade de mim”: osvjeito afirma qualquer realidade como Dea {impoténcia total (“mas nada posso fazer quanta a isso tudo”: 0 sujeito s6 pode assumir formalmente o que lhe é dado). E nesse sentido que 0 falo € um “significamte transcendental”: no sentido em que é igualmente fentendido por Adorno, quando ele define como “transcendental” a inver~ so mediante a qual 0 sujeito percebe sua limitagdo radical (isto é, 0 fato 140 o sublime o’jero da ideologia de estar confinado aos tmites de seu deen le seu mundo) sob a forma de ler Sotatatve (eee previa das categories qu esta sree cao im Sua percepgio Pressupondo 0 estabelecer Enwetanto, hd uma deficiéncia crucial al no que nw cpt dec nea tetany de ti sone & pasagem de rftesdo proponente par a relenso fo habitual dessa passagem, que accitamcs automa ite: a reflexdo proponente é da essénci ro movimento de mediagdo que estabelece a aparencia, ioe fa que snule qualquer imediatisino dado o estabel: "smas ssa anulagso efexiva doi Mo, esse ismo como “pura aparéneia”, est ligado, el do da aparéncia, necessita dela como una eoist ja dada, como sass sobre agua wali stn svilatede eerie sea ae ybamos de enunciar: snarls a Tt staan a mero ne a we ee mee pn sin, mim movinentopueate nega, oe ee plisies “espontiines”, “no. refletida™ em = sales" nce on que ele estd sempre ligado a Pressuposigdes: var em cons suas aesten gum aida de esbelecer Justameate o que é exterior ao movimento de rel suas pressuposicdes sio flexio, Em scmtaste com ee visi comet Distr Hear eect stash gen drctesso deel (Ct saceae DAS semorstos cone mds a dled establecehe So reer rec na eategria da “refetn proponents eter Freee ae ssiotd Teflexao proponente por exceléncia: através de sua nv, anions fouled kas eo fe norma nth manifested esse estabelecimento fiea perraanentemente sua propria criatividade, mas tuto apenas como substdacia, mas também como sueito AL idade positivamente dada ne ligado a suas pressuposigdes, isto é, a jeado qual ele realiza sus atividade negativa. Em outras palavras, a osujeito eslabelecer-pressupor implica o sujcito do processo de trabs iio para a que, por meio de sua atividade negativa, serve de interm objetividade pressuposta, transformando-a numa odjetiv fem suma, é 0 sujeito “finito” e nio o sujeito “absoluto” que esté implicado aqui. ‘Assim, ouseja, se toda a dialética do estabelecer edo pressuporrecal rno.campo dla reflexfo proponente, em que consiste a passagem da reflexio proponente para a reflexio exterior? Com isso, chegamos & distingi crucial elaborada por Hencich: nio basta definir a reflexto exterior pelo fato de que a esséncia pressupde 0 mundo objetivo como seu fundamento, como poato de partide de sei nto negativo de mediacao, exte 2 esse movimento; 0 aspecio decisivo da reflexio exterior é que a esse pressupde a si mesma como seu proprio “outro”, na forme da exterio dade, de alguma coisa objetivamente dada de antemdo, oa seja, na forma do imediato, Lidamos com a reflexio exterior quando a — pressupSe 4 st MESMA na for exclufda do movimento de mediagio; para empregarmos os termes hege- lianos exatos, portanto,lidamos com a reflexdo exterior quando a csséne! rio apenas pressupde seu “outro” (imediatismo objetivo-feaomenal como também pressupée A St WESMA na forma da alteridade, na forma de uma substincia estranha. Para ilustrar essa afirmagio decisiva, fagamos referencia a um caso que pode induzir em erro, na medida em que idamente “conereto”, no sentido hegeliano, isto é, na medida em ca jd termos efetuado a passagem das sgicas puras mteido espiritual conereto e histérico: fi ise da alienagaio josa, tal como elaborada por Feuerbach. Essa “alienagio", euja estru- tura formal nos parece claramente ser @ da reflexdo exterior, aio consiste simplesmente no fato de que o Homem — um set que crig, que exterioriza seus potenciais no mundo des objetos — “deifica” a objetividade, conce- bendo as forgas objetivas, naturais e sociais que eseapam a seu controle como manifesiagSes de um Ser sobrenatural; a “alicnagdo” tem uma significagao mais precisa: significa que o homem se pressume, que pe:~ ccebe a si mesmo e petcebe seu proprio poder criativo na forma de uma centidade substancisl extema, significa que ele “projeta”, que transpde sua ‘esséncia mais profunda para um ser estranho (“Deus”). “Deus”, portanto, € 0 proprio homem, a esséncia do homem, 0 movimento ctiative da mediagao, 0 poder de transformapio da negatividade, percebido como pertencente « alguma entidade estranha, existente em si, independente- do homem. ir do apenas como substincia,mas anbém como sujeto 143 do processo de inado —numa palavra,esse |, ou sea, como uma pressu- material da atividade do su produggio quesewestatuto ontoldgico€ de estatuto é previamente estabelecido como posigdo do estabelecer subjetivo. scare medida em mo descevsinos antetirmer goisa tru, como seu proprio “Ort: aa - 1, £0 roptio ”: 6 € dvds, undo no movimento ds sean eres percebe como uma Entidade Ser shai Rote como tm Ende etna, «pipe diets cosnsp fee '. Essa autodivisdo da essénci fica que esséncia na medida em que se a reflexio exterior néo pode ser suficientemente defini- pelo fato de o estabelecer estar sempre ligado a pressuposigdes, ¢ $e, fatingic a reflexdo exterior a esséncia tem que se pretensler com sas se complicam um pouco. A primeira vista, elas con no-nes mais uma vez a andlise da Seri que a passagem da reflexio te nao consist, simplesmente, no fato ‘hice aoa ld enomena, one lo movine dese ee nae anulacesiteleer cn shjaviade SE ee ee eared aan lida em que esta, ela mesma, é 3 sania der a : res ela mesa, Seagate ae aa ia emia sspreaden BE ee es Sense Sica ous palerin pe mente, pode- mente a “determinagao reflk ‘sua propria esséncia? Para poder mancia que 2 ait Pare DOde ge Sevaarecade "” Essa concepcao, a rigor, ndo reflexio. Achave lerior para a reflexio danogiode “reflexdo” em Hegel, reflexio de Hegel, a reflecio sempre se situa em dois nivels: *reflexio” designa a simples relagio esséneis/apa~ , onde a esséncia € 0 ‘20 mesmo tempo, estabe 10 circulodo estabelecer \de como “pura aparén- poato de partida de sew fimeiro nivel, 2 Em que consis a refeso ageiento, para a qual a passagcin da reflex Dressuposigbes ji sio —— Coats proponente ic bassagem do estabelecer pera o pres. Soe eS do claras: para efetuar a passagem Savlong aeanie Aeaipe pres registrar 0 fato de que a aa one que as proprias ‘em que passamos da contramos um tipo reflexiio. O termo “teflexdo” designa, aqui, a relagdo entre a esséncla — como negatividade auto-re ‘como movimento da mediacio abso- ee a esséncia, na medida cin que ela pressupoe asi mesma na forma jenada de um imediatismo substaneial, como uma entidade trans- i, a reflexio € esséncia). 2. A partir do mom reflexiio exterior, porém, essa objetividade pessuposta,no que Wo é outra coisa sendo a pressupo- rm ge ele gg um Process pelo qual essa objeividade cendenial excluida do movimento da reflexio (por isso, dela, para que realize com base nela sua “exterior”: uma reflexéo exterior que no conceme & prépi termedisiia, ¢ através do - qual, por fim, ela é erage al isela é retroativamente sa a atividede dele. A*Natureza,0 objeto presouposte Nesse nivel, passamos da reflexio externa para a reflexio determi- + &, por assim dizer, “por Porassim dizer, “por sua prépria natureza”, em si, objeto ante, simplesmente apreendendo a relacdo entre esses dois momentos (0 a do openas como substncia, max também eomosiieity 8S la — 0 pomlo crucial ¢ que essa jue se dividir e “gerar” 0 sujeito, sr homem” idade como em sua imagem invert da teflexto) como sendo a relardo da rfiooe ere stabelecer © do pressupor, essa far que o sujeito estabelece de poder de nega quer dad rota de suas relagdes soe! idade irredutivel do Estado mo "Sua prOpria obra”, apenas ref Estado, na pessoa do Monarea, isto é, pressupando no coino seu “ponto de basta”, ar que the confere sua dade — o luger da sub re, 0 lugar do ato formalmente ‘do monarea, “esta € nossa vontade.... Dessa dialétiea podemos vir, com muita facilidade, « necessidade existente por tris do duplo ‘da palavra “sujeito”: joridade 1 — €somenie a duplicag ia nela mesina, abt has © © cago pat a Meth, Levantoem cons Ho da teflenia exterior Fess mode” a a catidade substancial i imagem inversa de seu prépro potencialessenc ' que ide ao retrato da rel iagem inversada impoté nerretato Kgl que se enconta por ris , @ encamagio de Deus. Segundo ‘Aqui, deveriames retificar, ou melhor, complementar nossa a ‘de reconhecer que Deus como essénci s da do potencial criativo do hoe ns eens apenas vario, 0 ato de conversao formal pelo qual “a substancia na media em que “P ade para o amago da substincia que hes € opost ‘monarca como “chefe de Esiado™. Em outras palavras, ‘40 pressuporem que a substineis social que Ihes ‘oposta na forma do Estado {monates) a0qual eles estfo assujeitados, 1" & “sidito”, entre outras acepgdes. smente disperso ent im deles da mesm multidio de sujeitos Proclamarem-no como sua prépria igo, mas 20 pressuporem no préprio Deus lugar da “encamagior, 0 lugar em que Deus se faz homem. £ essa a significn de seu “esta consumado”: para que a liberdade se d8 (como nosso “ests, deve ter-se instalado em Deus como sua laneceriam para sempre ligedos a substi ha dle suas pressuposigbes. saga da atividad: tO €, por uma religiio que No fato de que “tudo ja esta de antemac”. Agora, Finalmente, podemos também dar uina formulagio exala da passagen de reflexiio exterior para a reflexio de condigdo de nossa tiberdade subjetiva, de nosso “pos antecipadamente ref terminaga fe concebida como “de dessa propria substéneia estranha (Deus). Pi logia: que € 07 brute € 10 no grande Outro? mente que esse ato vazio estabelece o grande a conversa puramente for €simplesmente a conversio do Real ada, isto é, no resl apanhado na armaditha ‘outras palavras, do grande Out do apenas como substdncia, nas também como sujito Tver postuos ager sitar 9 modenga define # elapa fine! do processo, .*. E precisamente 0 fto de 0 sue ‘que esti em jogo nessa “destitvicio”; a0 erty mss erento do ga Oso, round iia ccm se uréci simi ‘agi, e nfo preenche o abismo entre o Real ¢ sua simbolizaga cago, e no pre ; do mesmo aio,ele ania a serpagopor isso, ovidentemente, 6g. Co ee Ge Hegel "porque —e esta Se Jie a si mesmo como absolvto pelo, (0 a0 presumir a si ms Lacan, la reflexio, O GOZA-O-SENTIDO IDEOLOGICO vi Respostas do real Oolkar ¢ a vez como objetos CCertamente, a primeira associagdo que vem & mente do leitor verssdo nos textes “desconsirutivisias”, a proptsito do “olher © da vor", é que os dois formam o alvo principal do esforgo de desconstrugio que encontramos om Derrida: que & 0 olhar teoria apreendendo a “propria coisa” ta presenge de sua forma ou na forma de sua presenga,¢ que éa Yor senio fo veleulo da pura “auto-afcigio" que permite a presengaem-si dosujelto falante? O objetivo da ~desconsirugio"é, precisamente, mostrar a mane ra como o olhar é sempre determinado pela rede “infra-estrutural” que distingue 0 que pode do que nfo pode ser Visto e que, assim, escapa nnecessariamente 4 dominagio do olhar, que s6 pode ser apreendida pela imargem desva csirutura, eque no podemos explicar por ums reapropria- 0 “auto-reflexiva’; e, correlativamente, seu ‘maneira como a presenga-em-si da vor € sempr ‘marca da escrita. Entretanto, encontramos aqui uma ‘mensurabilidade radical que existe entre Lacan ¢ 0 “desconstrutivismo”: fin Lacan, a fungao do olhar e da vor & quase exatamente oposta. Para ‘comegar, cles nfo ficam do lado do do lado do objeto. Oolhar indica o ponto do objeto (da imagem) 4 € olhado, ou sea, € 0 objeto que me 1a presenga-em-si do sujeito e de sus visi ‘ranch, um ponto na imagem qve perturba sua visbilidade transparent € introdaz uma distancia irredutivel em minha relagao com a imagem: ‘nunca posso ver a imagem no ponto dc onde cla me olba, isto é, a visio e ‘oolhar sto essencialmente dissimétricos. O olbar, enquanto objeto, é uma imagem a partir de uma distancia ‘como uma coisa a disposigéo do ‘ssim dizer, um ponto em que o proprio ‘enquade (de minha visio) inserito no “conteido” da imagem vista. E, naturalmente, o mesmo aconlece com a vor como objeto: essa vez, a asi 182 operaosemieidecligico vox do supercu, por exemplo, que se dirige a mim sem estar ligads a ‘nenhum esteio particular, que flutua livremente em algum intervale ater rorizante, funciona também como uma mancha cuja presenga inerte inco- moda como um corpo estranbo c me impede de realizat minha propria identidade, Para tomar tudo isso mais elaro, tomemes o elissico método hitch- cockisno: como Hitchcock filma uma cena em que o sujeito se apronima de um objeto mistetioso e “sinistro”, geralimente uma casa? Altemnando a visio subjetiva do objeto que sc aproxima (a casa) com uma tomada objetiva do sujcito em movimento, Entre cs inimeros casos, tomemos dois: Lilah (Vera Miles) se aproximando da casa da “mae”, no final de i fedran), também se apraxir di ansiedade? Por que 0 objeto que se Aqui encontramos, precisamente, a dialética antes mencionada da visto ¢do olhar: 0 sujeito vé a casa,maso quo provoca ansiedade é o sentiment, indefinido de que « propria casa, de algum mod, jest olbando pata cle, ebservando-o a partir de um pomto que escapa totalmente & sua Visio ‘que, assim, a toma inteiramente impotente. fo ime, 0 esc, © - cisamente por es Ta que Poems Pnbiptiade Fondamental dana. Pare A situugdo corresponente da voz como objeto foi claborada por Michel Chion a propésito da noso de “woz acusmatica’ ‘suporte, quenio pode seratil indefinido: uma voz que € convenientemente situads, por niopertencer nem i *realidade” diegética’ ‘nem a0 acompanhamento sonoro (conversa, partitura mi tc Pscose de Hitchcock: come demonston Chico Pree lo aos tr obses Psicose num nivel formal, que concerne a relagio entre uma certa voz (a ie") € 0 co*po ~ a vor esté, por assim dizer, & procura de scu oro. Quando, no final, ela o encontza, nioé o corpo da mie, mas ela se “grida” artificialmente ao corpo de Norman. A tensao criaga pela voz ‘crrante cm busea de seu corpo também poderia explicaro efeito de 2 nacido a4 Diegesis (lt, do ere diegisi, umn arrsbo, de dégeschat, gaano o genio que escapa da gerafs, attavis, ¢ geisha, cond raja, ma relagdo de fetos, 2 gou-o-semito aeotigico elites ninguém co joe fis ningun conscgue dinar. A ados — 0 que mindrio 11), € nos a} Coen Caiecd eee ran fendmeno em sua totalidade histérica, mas por nas levar a viver oe cote mesmo tempo, a tocar sua harmonica, alé que ele desmaiou de cansago, ‘assim vindo a morrer seu irmao, que estava pendurado pelo pescovo... Por isso, ele se toma um “morto-vivo", incapaz de ter uma “relagio sexual normal”, a parte o circulo dos medos ¢ paixes humanos corriqueires; a tinica coisa que consegue preservar nele uma certa coeréncis, isto é,evitar ‘que ele “perce a cabeca, que caia numa catatonia autista, € justamente sua forma especifica de “loucura”, a identificagao com seu sintoma-har- monica: “ele toca harménica quando deveria falar ¢ fala quando methor faria tocando harménica™, como descreve scu amigo Cheyenne. Ninguém sabe como se chama — é simplesmente chamado de “Harmonica” —, ¢ quando Frank, o ladrlo responsivel pela cena traumitica original, the pergunta seu nome, ele s6 consegue responder citando onomedos homens mortos que pretende vingar. Em termos lacanianos, diriamos: ele viven- ciou uma “destituigio subjetiva”, no tem nome (decerto nio é por acaso 1800 gose-o-soide ideoigico que othlmo bangue-baague de Leone se intitula Meu nome € ninguém ‘nao tem um significante para representa-lc eee Desens coer sets desu dent Com essa “des social eficaz, pelo distanciemento do micleo odioso de seu gazo estipido. Vil A coisa catastréfica Lenin em Varsévia como objeto ‘Atualmente, todos sabem que “nio existe metalinguagem”: a bese © 0 " é também seu claro, prineipalmente que igo subjetiva de ‘enunciagio jaesta sempre inscritana linguagem- na linguagem que parece falar de maneira neutra-transparente sobre 0s objetos: ia do significante, em tulo distanciamento, na autodi fungio do que tamente 0 que “quer dizer”, no excesso do si cconstitut auto-int .¢do da linguagem, devemos depositar a énfase também ‘num outro momento e ler a férmula de mancira mais “literal”: ndo existe linguagem (nem tampouco “nivel” da linguagem) que sejadesprovida de objeto. Desse modo, podemos determinar 0 objeto a precisamente como objeto da metalinguagem: seu “referente” nfo-significante. O fato de que “nao existe metalinguagem” significa que a propria meialinguagem tem seu objeto “extralinglistico", que nao é 0 auto-espelhamento puro da linguagem em si, Mais precisamente: 0 objeto a éoreferencial “extralin- glistico” do movimento “auto-referente”, da autodistincia interna da Tinguagem, o refereate de tudo que faz, com que « linguagem nunca diga direlamente o que “quer dizer”, ¢ diga sempre a mais ou a menos; como 11 182 ogoomo-semtido ideoligico taljcls €oequvalente do suelo, que selnscrevena A queso estat sigaiic exalamente nesse autodistanciament = a o ajo corte, em rel ‘enifican iio €0 da distinc que separa 0 Dy david eee “intemo” ao proprio signilicante. (Somente o apegtmento dese cove nificante ¢ que abre o campo da lado, a estratificagzo das metalinguagens, ede outto, a reflexio filosstica sem “ref r esa que do objeto ( objeto como queda), unicament aravé qual o fato de “no aver metalinguay P nels |. em Lacan, para cada letra economia “fechada”, que k existe “um titulo da etre", ma ° diver do Teor dean tan vest sone sentido do titulo de um quadro — naturalmente, aquele em torno do qual se articule « célebre pisda 2 propésito de Lenin em Varsévie: numa joem Moseos, um guadro mosirava Nadejds Krapskais na cama ‘com um jovern komsomol,"* vendo. tinulo do quadro Lenin em Varsdvia dds exposigdo perguntou: “E Lenin, onde respondcu trangdilameate: “Lenin sid ein 0 desse quadro. O itil, Portanio, nomcia exalamente 0 objeto separado, eaido do quadto. Quel é, de fato, nessa enedota, o engodo em que 0 espectador é cpanndee ae s. * Nadejde Konstantinova ia, reveluciondrie nussa nasci sepa etn ma met a poneperer ny pes ieee ae cence lee me mt cquivoca justamente 40 tomar o titulo por wna Ca, ao restabelecer entre o titulo ¢ 0 quadro 8 esighativa e, em seguida, procurar 0 correlato positive do titulo no iquadro — como se 0 titulo falasse sobre 0 quadro de uma distancia “objetiva”. Acontece que,na verdade, 0 titulose acha, por assim dizer, no mesmo nivel do quedro, faz parte de um mesmo “continuo”, © sua distancia do quadro é um corte interior ao quadro — p tem que eait do préprio quadro: nio seu titulo, mas, precisamente, 0 objeto. Em oUtras palavias, o “titulo” de umn quado €, segundo essa 0 Vorstelluagsreprasentanz, o represeniante da 0 representagio cujo recale: “originariamente recaleada”, vo" do quadro possa ser pintado. €a condisio de que 0 « Poderiamos dizer — entendendo 0 — que se trata justamente dt Krupskaia com 0 jovem komsomot” € Varsévia” é seu objeto. ‘De fato, poderiamos determinar esse tipo de chiste como sendo 0 do Vorstellungsreprdsentana: nossa atengio & cativada pelo engodo de que o titulo deva ser tomado como designagdo do “conteiido” do quadro, en- quanto, na verdade, cle fanciona como Vorstellungsreprasenranc no sen- tido estrito. Nio é a “representante da representagao” no sentido saussu- iano do signo como unidade do significante (representante, actistica”) edo significado (representagio, “imagem mental”), masocupa, antes, o lugar de uma represeniaglo recaicada, caida do complexo dado das representagses, ¢ & substitul como uma peya de reposigio para que a maquina funcione... Medernismo versus pés-modernismo 0 Vorstellungsreprisentane (a marca da f que Taz as vezes da fala na ondem da mi Suuro, preenche o vazio da queda do objeto; por essa razio, seu corte (corte entre Si ¢ S:, entre 0 sigaificante quase “normal” ¢ 0 significante- sem significado, ponto do ndo-senso significante) ¢ um corte “interno” enire os elementos da mesma superficie (ai encontramos a estrutura da banda de Moebius): entre o Vorstellungsreprdsentanz ea cadcia “normal” io hi distancia metalingilstica. 184 ogeano-temidoideoigico Exse lngerextrasimbilico da queda do objeto € o ue Lacan nos dé 4 ver como um vazio abero pelo fro no Ouito simbdlico: 0 objeto & ‘Scmpre a presentificagdo, © preenchimento do furo em toro do qual se articula a ordem simi tuido por essa ‘mesma ordem, ede modoaigum um dado préliniistico. Como discemit ‘esse furo? Ha duas manciras de fazé-lo, a maneira “moderna” e a “pos- ‘moderna™, Partamos de Blow ‘modemista: quando 0 herSi cle amplia 0 ‘corpo: no ato, em plena no fenconira 0 corpo; mas, na pareceu sem F quc 0 corpo, segundo 0 eédigo do romance do desejo por excelencia, a causa que aciona 0 desejo cchave do filme nos € dada, entretanto, pela cena final: o heréi, resignado em virtude do beco sem saida a que sua investigagio levou, de uma quadra de ténis, onde um grupo de hippies finge estar jogando ‘énis (sem bol, eles simulam os lances, comem, pulam etc.); no contexto esse jogo simulaco, a bola imagindria salta sobre a cerca da quadra ¢ para bem perto do herdi; cle hesita por um instante, e depois accita @ brincadeira: inclins-so ¢ faz.o gesto de apanhar a bola e tornar a atird-la Desnecessiirio 10 priprio objeto, seu c: pode funcionar, suc tural: nao se prende as “propriedades, tivas” do objeto, mas unicamente a seu lugar, a seu engate num trago si MD. Podemos captar essa diferenga entre 0 “modermisimo™ ¢ 0 “pis-mo- demismo™ a propdsito do susio, do terror nos filmes de Hitencock. A primeira vista, Hitchcock parece simplesmente respeitar a regra classica i conhecida por Esquilo na Orestia) de que o evento assustador deve ser ccolocado fora de cena, mostrando.se na cena apenas seus reflexos ¢ seus efeitos: quando nio.o yemos diretamente, o pavor aumeata, jé que 0 vazio acelsa catastrifiea 18S de sua auséncia € preenchido pelas projegdes fantasisticas (“imaginamo. Jo mais pavoroso do que €..."). © método mais simples para suscitar 0 is itarmos aos reflexos do objeto aterradorem suas sna em que o grupo de niu tarinhciro alco do submarino destruido, e sua surpress ‘reeberem de que 0 homem resgatado € um inimigo. A maneira oma ss fazer-se ouvirem 0s gritos, 0s pedidos éesconhecido agatradas i borda do jemao, ¢ sim correr 4 cimara seus rostos € que deveria pelos néufragos; a expres tos & qa Imostrar-nos que eles haviam tirado da égua uma coist inesperada — 0 qué? Nesse momen s de ji iado o suspense, # camara poder finalmente m lemao... Mas Hitchcock faz tririo desse método tra: ‘que ele no mostra s ‘ament¢ o$ niufragos — ele mosira 0 marinhiciro alemio que se agarra a borda do bote e diz, com um sorriso amistoso, “Danke schon! depois ndo mostra os rostos surpresos dos naufragos, ficando a camara Fiaadlano alemio.O fato de o aparecimento deste ter provocado um efeito aterrador € algo que o espectador 36 consegue detectar pele reago do eago dos ndufagos: seusorlso se eninge ese oar ‘se torna perplexo... Esse &0 aspecto proustiano de Hitchcock evidence Sobel Boa fet (Cf. Bonitzer, 1984), pois esse método de Hitchcock Um amer de Swann, quando repent : mnesmo objeto, percebemos tet diantede nds um objeto aterrador, fonte de tum pavor inexpliedvel. O horror se intensifica em virtude de esse objeto a, perfeitamente corriqueiro: 0 que fomarfamos, wente comum, revela ser a cencarnagiio do Mal. Muito obrigado. (N.T) 186 gecrersentide ideoligice Esse método “pés-moderno” nos parece muito mais subversivo do que o método “moderno” habitual, porque este, nfo mostrando a Coisa, deixa em aberto a possibilidade de apreendermos 0 vazio central sob a perspectiva do “Deus ausente™. Se a ligio do “modernismo™ foi que @ ‘4 méquina intersubje! isa, quando a mai ieme como nis, prazetes idiots, com a tnica diferenca de que, por acaso, disso cle mesmo, descobre-se em dado momento no lugar da Coisa, ‘omega a enesrnar a Coisa cuja chegada era espernda,