Você está na página 1de 35

Capítulo 11

UTILIZAÇÃO DE SUBPRODUTOS
AGROINDUSTRIAIS NA ALIMENTAÇÃO
DE NOVILHAS LEITEIRAS

Marcos Cláudio Pinheiro Rogério


Professor do Curso de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias e
Biológicas da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA.
marcosclaudio@gmail.com

Hélio Henrique Araújo Costa


Mestrando em Zootecnia do Curso de Mestrado em Zootecnia –
UVA /Embrapa Caprinos e Ovinos.
helioa.costa@gmail.com

Luciano J. F. Ximenes
Doutor em Zootecnia, BNB/ ETENE/ FUNDECI
lucianoximenes@bnb.gov.br

José Neuman Miranda Neiva


Professor do Curso de Zootecnia da Universidade Federal do Tocantins – UFT.
araguaia2007@gmail.com

1 – INTRODUÇÃO
A pecuária leiteira vem passando por grandes transformações na tentativa
de aumentar a eficiência na produção de leite. Diante desse cenário, a criação de
novilhas leiteiras representa um fator relevante nesse sistema de criação, na medida
em que essa categoria se configura na reposição de matrizes no rebanho, sem o
comprometimento ou queda da produção média verificada. Ao mesmo tempo, há
um grande entrave para a manutenção dessa categoria dentro do rebanho, já que
os custos com alimentação são elevados, proporcionados por um prazo longo até o
retorno financeiro, após a recria desses animais. Segundo Sejrsen e Purup (1997),

263
a forma mais eficiente de redução dos custos para a adequada nutrição desta
categoria está na redução da idade ao primeiro parto e na possibilidade de uso de
alimentos alternativos disponíveis regionalmente, em associação ao aumento do
número de animais em produção. Na tentativa de intensificar a produção leiteira
no Nordeste brasileiro, sem elevar os custos com alimentação, a utilização de
subprodutos agroindustriais pode vir a ser uma importante estratégia, na medida em
que é possível balancear as dietas com esses subprodutos, amplamente disponíveis
na região em quantidade e qualidade, sob várias formas, sem comprometer o
desempenho produtivo dos rebanhos.

A presente revisão visa caracterizar em termos de valor nutritivo os principais


subprodutos agroindustriais disponíveis no Nordeste brasileiro. Ao caracterizá-los,
alguns aspectos sobre a composição fibrosa dos mesmos e sua relação com a
efetividade física da fibra neles existentes, a substituição da fração concentrada
pelos subprodutos ricos em energia e proteína também serão considerados. Após
isso, serão descritos os principais fatores antinutricionais existentes nos subprodutos
agroindustriais, principais subprodutos com potencial uso na alimentação de
novilhas leiteiras e resultados de experimentos que avaliaram o uso de subprodutos
agroindustriais em dietas para novilhas leiteiras.

2 – CARACTERIZAÇÃO BROMATOLÓGICA DOS SUB-


PRODUTOS
Existe uma grande diversidade de subprodutos que poderão ser utilizados
na alimentação de novilhas leiteiras. Esses subprodutos são muito variáveis em
termos de composição bromatológica, porque essa composição depende muito da
forma como são processados os produtos que os geram. O processamento nas
agroindústrias processadoras de frutas, por exemplo, resulta em grande variação
na composição bromatológica, inclusive entre lotes de produção. Neste tópico, será
feito um breve relato sobre a composição bromatológica de alguns subprodutos.

Do campo até a indústria, surgem subprodutos de origem agrícola, também


caracterizado como restos de culturas agrícolas, e subprodutos agroindustriais
propriamente ditos, resultantes do beneficiamento industrial. Dentre estes, alguns
se destacam não só pela alta disponibilidade, mas também por suas características
bromatológicas, muito diferentes a cada produção, o que pode vir a dificultar

264
os processos de conservação e uso nas dietas de ruminantes. Estes tipos de
subprodutos, em sua maioria, não apresentam grandes retornos às agroindústrias
e muitas vezes podem até representar problemas como os de ordem ambiental.

Em função desses aspectos, a utilização de subprodutos na alimentação de


novilhas leiteiras pode representar uma saída para o problema do retorno econômico
às agroindústrias, de destinação antes de causar um problema ambiental e, ao
mesmo tempo, constituir-se em ingrediente dietético, muitas vezes de relevante
valor bromatológico, contribuindo com o atendimento dos requisitos nutricionais
de novilhas leiteiras.

Segundo Van Soest (1994), os subprodutos agroindustriais podem ser


considerados, de modo geral, como alimentos de alta qualidade, com baixo conteúdo
fibroso e que contêm uma alta concentração de energia digestível por unidade de
peso e volume. Sob essa condição, o subproduto pode incrementar a produção
animal nos trópicos, conforme este autor, destacando-se sob essa caracterização:
o melaço, a mandioca e alguns subprodutos de frutas. Outros subprodutos podem
ainda ser rico em fibra, como por exemplo, o bagaço de cana e outros, ricos em
proteína, como o farelo de castanha de caju. Sendo assim, é possível inferir que
não havendo uma inclusão de subprodutos de forma balanceada em dietas de
novilhas leiteiras, podem ocorrer problemas, particularmente quanto ao balanço
entre compostos nitrogenados e energéticos. Vale ressaltar, todavia, que os
subprodutos podem ser fontes mais baratas de energia e proteína em relação aos
cereais intactos. É importante destacar também que estes subprodutos apresentam
os mesmos defeitos que suas fontes vegetais, e outros que podem surgir em
decorrência do processamento.

Van Soest (1994) também comentou que os subprodutos de frutas, por se


constituírem em importante fonte alimentar, são também ricos em pectina e outros
açúcares, podendo apresentar altas digestibilidades, desde que não contenham
níveis elevados de fatores antinutricionais. No processamento, algumas vezes, as
frutas são filtradas para a obtenção de suco, resultando dessa filtragem, subprodutos
com elevadas concentrações de cascas de grãos ou de frutas. Como resultado
disso, a maioria dos nutrientes é removida, resultando em um produto alterado.
Destaca-se para esse caso, as sementes de oleaginosas, cuja extração de óleo
ocorreu e a cana-de-açúcar, após a prensagem, condição em que a maioria dos
carboidratos solúveis foi retirada. Assim, os subprodutos variam em qualidade

265
conforme a eficiência de extração de seus nutrientes. A polpa cítrica, a polpa de
beterraba e os subprodutos do tomate são todos bastante digestíveis, mas dependo
do processamento ao qual foram submetidos, podem ter ou nutrientes sob a forma
disponível à digestão pelos ruminantes.

Muitos subprodutos alimentares não contribuem com significativas quantidades


de fibra efetiva digestível, embora possam ser importantes fontes de proteína e de
energia. Alguns desses subprodutos são colocados nas dietas baseados apenas
na análise proximal dos mesmos, sem considerar aspectos como o teor de lignina
e de taninos ou a presença de produtos de Maillard que não são detectados nas
análises proximais (VAN SOEST, 1994). Considerando então a disponibilidade dos
nutrientes, verifica-se que a maior parte dos subprodutos de baixa qualidade podem
ser fornecidos em baixo nível dietético (5-10% do total) sem efeitos negativos,
entretanto, quantidades maiores podem ocasionar transtornos à fermentação ruminal
levando à redução do desempenho animal.

Na região Nordeste do Brasil destacam-se os subprodutos de frutas em virtude


da ampla disponibilidade e do incremento das áreas de cultivo irrigado de frutíferas
(ROGÉRIO, 2005). Podem ser citados então os subprodutos oriundos do cultivo e
do processamento agroindustrial de abacaxi, abacate, banana, caju, coco, mamão,
manga, maracujá, uva, acerola, laranja, urucum, goiaba e tomate.

Na Tabela 1 são apresentados alguns dados de composição química e níveis


de energia bruta (Mcal/Kg) dos subprodutos de abacaxi, acerola, caju e maracujá.
Devem ser ressaltados os teores de proteína bruta verdadeiramente digestível que, à
exceção do subproduto de caju, foram bem próximos. Provavelmente os altos níveis
de taninos existentes no subproduto de caju (VASCONCELOS et al., 2002) podem
ter afetado a disponibilidade desse nutriente. Os valores de fibra em detergente
neutro (FDN) foram bastante elevados para os subprodutos de acerola (74,18%)
e caju (79,23%), seguidos dos valores para abacaxi e maracujá (66,14 e 57,14%),
respectivamente, em base de matéria seca. Vale ressaltar que o subproduto de
maracujá, dependendo do seu processamento, constitui-se de cascas e sementes
e que, estas últimas, podem apresentar teor de extrato etéreo em matéria seca de
até 31,97%, conforme Starling et al. (1997).

266
Na literatura, vários trabalhos de pesquisa caracterizaram uma infinidade de
subprodutos em termos de composição bromatológica. Na Tabela 2, é apresentada
a composição bromatológica de mais nove subprodutos oriundos de frutos tropicais,
resultantes do processamento agroindustrial. Para cada um deles, algum(ns)
nutriente(s) torna(m)-se mais relevante(s) e outro(s) não. Para o subproduto de
manga, destaca-se o valor fibroso existente e aí cuidado redobrado deve existir em
termos de efetividade física da fibra nele existente. Para o farelo de mamão já se
observam níveis regulares de proteína bruta (13,02% na MS). Para o subproduto de
abacate, o teor de extrato etéreo. Para o subproduto de goiaba, os níveis de fibra
são tão elevados quanto o de gramíneas como o Tifton 85 e o capim elefante, por
exemplo, 72,95% e 76,89% em base de matéria seca, respectivamente, conforme
citaram Valadares Filho et al. (2006).

Tabela 1 – Composição químico-bromatológica (%) dos subprodutos de


abacaxi, acerola, caju e maracujá

Componentes Abacaxi Acerola Caju Maracujá


Matéria Seca (%) 88,51 82,46 89,10 88,26

Proteína Bruta (%) 9,25 17,36 13,78 13,46

Proteína Bruta Verdadeiramente Digestível (%) 4,91 11,08 2,89 9,85

Nitrogênio Insolúvel em Detergente Ácido (%) 0,78 1,04 2,87 0,56

Extrato Etéreo (%) 1,34 1,57 3,91 7,97

Fibra em Detergente Neutro (%) 66,14 74,18 79,23 57,14

Fibra em Detergente Ácido (%) 34,41 59,90 68,59 44,16

Hemiceluloses (%) 31,73 14,28 10,64 12,98

Celulose (%) 37,74 39,28 30,81 40,35

Lignina (%) 10,05 40,83 37,76 25,69

Cinzas (%) 9,20 2,85 2,78 6,54

Cálcio (%) 2,22 1,26 0,53 0,63

Fósforo (%) 0,03 0,03 0,04 0,03

Carboidratos Totais (%) 80,21 78,22 79,53 72,03

Nutrientes Digestíveis Totais (%) 55,95 46,67 47,20 56,89


Fonte: Rogério, 2005.

267
Tabela 2 – Composição bromatológica de subprodutos agroindustriais com
potencial uso na alimentação de ruminantes
Nutrientes (% na MS)
Alimentos Fonte
MS PB EE FB FDN FDA
Manga 92,23 3,87 4,36 - 37,25 21,84 Vieira et al. (2008)
F. mamão* 93,12 13,02 - 1,59 - - Saad et al. (2008)
Abacate 20,00 1,32 9,78 - - - Scaloppi Jr. et al. (2008)
F. de Coco* - 20,39 9,79 10,67 47,88 21,58 Siebra et al. (2008)
Goiaba 86,33 8,47 - - 73,45 54,65 Lousada Jr. et al. (2006)
Melão 84,56 17,33 - - 59,10 32,60 Lousada Jr. et al. (2006)
Uva 95,26 7,85 - - 52,53 27,76 Goes et al. (2008)
Polpa cítrica - 7,00 - - 23,00 22,00 Ítavo et al. (2000)
S. urucum* - 14,70 - 13,45 36,80 20,20 Utiyama (2001)
Tomate 22,1 20,50 14,90 - 63,10 50,80 Campos et al. (2007)
Fonte: Ítavo et al. 2000
Nota: *F. mamão: Farelo de mamão; *F. de coco: Farelo de coco; *S. urucum: subproduto de urucum.

Ainda avaliando-se a Tabela 2, verifica-se que os subprodutos do melão,


da uva e do tomate também apresentam valores de FDN elevados, superiores a
50% em base de matéria seca e, no caso particular dos subprodutos de melão,
urucum e tomate devem ser mencionados os relevantes teores de proteína bruta
(17,33%, 14,70% e 20,50% em base de matéria seca, respectivamente). Para a
polpa cítrica, tanto os valores de proteína bruta quanto de fibra são baixos, mas a
grande relevância desse subproduto está nos elevados teores de NDT (acima de
80% em base de matéria seca), conforme Ítavo et al. (2000).

Neiva et al. (2009) destacaram que o subproduto agroindustrial da manga


(casca e caroço), que corresponde de 40 a 60% da fruta, foi utilizado na elaboração
de silagem de capim elefante para a alimentação de bovinos, o que representou
uma boa fonte nutricional de baixo custo. Os autores relataram ainda que a fibra
é o componente mais abundante do farelo, pois cascas e envoltórios da semente
(epicarpo) são tecidos de revestimento e contêm elevados teores de celulose,
hemicelulose e lignina. Embora os valores de minerais, lipídios e proteínas sejam
baixos, Vieira et al. (2008) relataram, todavia, que a proteína do subproduto de
manga é rica em lisina e o extrato etéreo contém quantidades apreciáveis de ácidos
graxos insaturados, como o oléico e o linoléico.

268
Saad et al. (2008) avaliaram a energia metabolizável do farelo de mamão
desidratado e obtiveram valor de energia metabolizável de 3306,2 Kcal/Kg. Saad
et al. (2007), por sua vez, comentaram que o mamão possui alta digestibilidade da
matéria seca e da matéria orgânica, podendo ser considerado uma boa escolha
para a composição de dietas completas.

O subproduto de abacate apresenta-se com baixo teor de óleo, porém com


uma concentração alta de ácido oléico (66,74g/100g de óleo da polpa do abacate).
Deve-se ressaltar ainda, que cerca de 11% da composição em ácidos graxos
corresponde aos ácidos linoléico e linolênico (ômega 6 e 3, respectivamente) que
são substâncias essenciais para as dietas humanas, conforme Scaloppi Júnior et
al. (2008), e que podem ser incorporados nos produtos gerados pelos ruminantes
como a carne e o leite.

Os subprodutos oriundos da bananeira (pseudocaule, cascas, frutos


refugos), em conjunto, apresentam-se interessantes à alimentação de ruminantes,
notadamente por possuírem a maioria dos nutrientes requeridos por esses animais,
combinados na mesma planta (Clementino, 2008). De acordo com essa autora, o
subproduto do processamento da banana, composto essencialmente de cascas e
frutos refugos, não deve ser utilizado como única fonte de alimento para ruminantes.
Apesar de ter favorecido o aumento no consumo de proteína bruta (PB), extrato
etéreo (EE) e Nutrientes Digestíveis Totais (NDT) em dietas para ovinos, houve
aumento nos teores de Nitrogênio Insolúvel em Detergente Ácido (NIDA), o que
pode interferir na quantidade de nitrogênio disponível para o animal e com isso
reduzir as digestibilidades da MS, PB, FDA, além do balanço nitrogenado. A autora
sugeriu que o mesmo fosse utilizado com fonte protéica associada.

O farelo de coco, por não apresentar fator antinutricional, é considerado um


ingrediente energético, mas apresenta de 10 a 12% de fibra bruta, o que influencia
o aproveitamento dos nutrientes. O farelo, além de sua característica energética,
possui elevado teor de proteína bruta, que varia de 20 a 25%, e, dessa forma, torna-
se um ingrediente com dupla função e que pode substituir as fontes energéticas e
protéicas (Siebra et al. 2008).

O subproduto de goiaba se destaca pela grande quantidade produzida,


fácil manuseio e aceitabilidade pelos ruminantes. Lousada Júnior et al. (2005)
comentaram que apesar do subproduto de goiaba possuir teores de FDN e lignina

269
próximos aos do subproduto da acerola, em ovinos alimentados com o subproduto
de goiaba houve maior consumo de matéria seca em relação àqueles alimentados
com subproduto de acerola. Conforme esses autores, isso ocorreu por causa da
presença de elevada porcentagem de sementes. A alta densidade específica das
sementes aumenta a taxa de passagem da digesta pelo trato gastrintestinal e
reduz a digestibilidade dos nutrientes e permite maior consumo em razão do rápido
esvaziamento ruminal.

Vasconcelos et al. (2002) relataram que de 8 a 10% de frutos da produção


de melão são refugados da comercialização interna e externa, podendo constituir
dietas para ruminantes. Lousada Júnior et al. (2006) comentaram que o teor de
lignina é elevado nesse subproduto (16,61% na matéria seca) o que resulta em
NIDA de 14,76% em relação a porcentagem de nitrogênio total.

Silva (2009) destacou que os subprodutos da vinificação caracterizam-se


pelo bagaço (produto resultante da prensagem das massas vínicas compostas
pelos engaços e pedúnculos das uvas), cascas, engaços (ricos em celulose e
lignina, porção menos nutritiva) e a borra (resíduo depositado nos recipientes que
contenham vinho após a fermentação).

Considerando-se a polpa cítrica, Ítavo et al. (2000) relataram que o bagaço da


laranja representa 42% do total da fruta e tem composição bromatológica destacada,
no que diz respeito aos teores de NDT (83-88% em matéria seca). Por essa
razão, é considerada como concentrado energético, todavia, Fegeros et al. (1995)
destacaram que parâmetros de fermentação ruminal, obtidos experimentalmente
em vacas leiteiras em lactação que receberam esse alimento em suas dietas, a
caracterizam como um alimento intermediário entre volumoso e concentrado.

O subproduto de semente de urucum é um subproduto de baixo custo,


descartado pela indústria em quantidades de aproximadamente 2.600 toneladas ao
ano (PIMENTEL, 1995). Pode ser usado em rações em substituição aos alimentos
protéicos (COSTA et al., 2008).

A industrialização do tomate gera cerca de 4,5% do peso do fruto em


subproduto, sendo 3% de peles e 1,5% de sementes, conforme informou Oliveira
(2003), que citou diversas alternativas de elaboração de silagem, para contornar
o problema da alta umidade, inclusive utilizando o subproduto de tomate seco.

270
De acordo com Campos et al. (2007), o teor de lignina chega a 17,9%, para esse
subproduto e o NIDA como porcentagem do nitrogênio total é da ordem de 18,6%.
Portanto, o alto teor de lignina pode ser um sério limitante da utilização dos nutrientes
solúveis existentes no subproduto de tomate.

Por causa das secas e incertezas climáticas recorrentes na região semiárida do


Nordeste do Brasil e devido às suas características morfofisiológicas, as cactáceas
representam fonte de água e alternativa alimentar para ruminantes nas regiões
subúmida e semiárida (CÂNDIDO et al., 2005). A palma apresenta baixa proteína
digestível e valor equivalente à silagem de milho em extratos não nitrogenados, além
de elevado índice de digestibilidade da matéria seca (75%). Um fator limitante para
a nutrição dos animais com uso da palma é a baixa quantidade de matéria seca
consumida (CÂNDIDO et al., 2005). Na Tabela 3, está a composição nutricional
dos principais tipos de palma.

Tabela 3 – Composição químico-bromatológica (%) de alguns cultivares de


palma forrageira

Variedades de palma DIVMS MS PB FB Ca P

Palma gigante (Opuntia ficus-indica) 75,15 8,41 6,23 14,54 3,74 0,14

Palma redonda (Opuntia stricta) 74,11 9,09 7,82 8,62 --- 0,41

Palma miúda (Nopalea ochenillifera) 77,37 11,1 5,21 7,66 2,06 0,17

Palma sem espinho (Opuntia robusta


--- 6,70 8,38 --- --- 0,22
cv. Monterey)

Fonte: Adaptado de Cândido et al,., 2005.


Nota: 1DIVMS=digestibilidade in vitro da matéria seca;MS = matéria seca; PB = proteína
bruta; FB = fibra bruta; Ca=cálcio; P=fósforo.

Outro alimento alternativo com potencial uso na alimentação de novilhas


leiteiras é a cana-de-açúcar. Nos sistemas de produção de açúcar, verifica-se
normalmente que o ponto ótimo de maturação da cana-de-açúcar ocorre exatamente
quando há escassez de alimentos. Dentre os subprodutos da cana-de-açúcar,
merecem destaque especial pelo potencial nutritivo que representam: a ponta da
cana, o melaço e o bagaço de cana-de-açúcar.

271
A ponta de cana, caracteristicamente um resíduo agrícola, tem sido listada por
McDowel et al. (1974) como forragem verde. Apresenta por volta de 29% de MS;
5% de PB e um alto teor de fibra. Deve ser fornecida a ruminantes junto com uma
fonte concentrada energética e também pode ser necessária alguma suplementação
protéica. O bagaço de cana é o produto fibroso que resulta do esmagamento da
cana-de-açúcar na extração do caldo que será empregado na recuperação de açúcar
ou na transformação direta em álcool ou aguardente. A produção de bagaço é da
ordem de 180 a 280 kg por tonelada de cana esmagada. Devido ao seu alto teor de
fibra bruta na matéria seca (45%), ao baixo teor de proteína bruta na matéria seca
(2,5%) e ao alto teor de lignina (23%), a digestibilidade para ruminantes torna-se
baixa. A utilização do bagaço de cana na alimentação de ruminantes justifica-se por
sua alta produção, além da possibilidade de melhoria do seu valor nutritivo, o que
viabiliza o seu aproveitamento, pela realização de tratamentos químicos.

O melaço é também chamado de mel final, obtido por turbinagem da massa


cozida por ocasião da industrialização da cana, visando à recuperação do açúcar.
Trata-se de um líquido viscoso ou xaroposo, de cor marrom-escura, muito denso,
contendo além da sacarose, todos os produtos originais do caldo de cana. Esse
subproduto não contém mais do que 48% de açúcares totais e, sua umidade
excede a 27%. É um produto bem aceito por bovinos, sendo muitas vezes
utilizado para melhorar a aceitabilidade de alimentos grosseiros e pouco palatáveis
(ANDRIGUETTO, 1981). Constitui importante fonte de energia com 3.100 Kcal/Kg
de energia bruta e 80% de NDT (OLIVEIRA, 2009).

A infinidade de subprodutos que poderão ser utilizados na alimentação


de ruminantes depende muito da avaliação da composição bromatológica,
disponibilidade regional, inexistência de princípios tóxicos, reduzidos teores de
fatores antinutricionais, palatabilidade e de baixos custos de aquisição. Nas tabelas
a seguir, são apresentados outros subprodutos com potencialidade para inclusão
em dietas de novilhas leiteiras. Serve como referencial, considerando-se os fatores
descritos anteriormente.

272
Tabela 4 – Valor nutritivo (%) de subprodutos utilizados na alimentação de
ruminantes

Alimentos MS MO PB EE CT FB FDN CNF

Abóbora 7,07 93,92 10,75 2,12 81,05 - 20,65 60,4

Açaí caroço + borra - 90,01 6,63 1,53 81,86 - 79,86 2

Agave resíduo (%NAOH) 14,88 74,97 9,89 - - 26,46 - -

Algodão casca 88,96 96,96 4,91 1,74 90,63 42,07 85,63 11,98

Algodão fibra 93 - 3,5 - - - 93 -

Algodão resíduo de lixadeira 93,34 1,1 - - - - 94,66 -

Algodão resíduo têxtil da fibra 91,76 1,22 - - - - 94,4

Amendoim casca 90,25 - 5,2 0,52 92,06 77,56 96,11 -

Arroz casca 90,12 83,39 2,7 0,67 83,63 42,08 81,33

Buriti amêndoa - 95,35 6,32 - - - - -

Buriti polpa - 95,33 5,1 - - - - -

Cacau casca do fruto 15 83,71 7,47 2,17 74,07 - 57,98 16,09

Cacau tegumento da semente 90,04 - 15,4 2,75 73,63 17,23 46,53 -

Café casca 88,01 91,87 10,07 2,21 81,82 23,49 60,09 -

Café casca com 1,5% NAOH


72,9 91,15 34,75 - - - 49,5 -
(3,1 a6% de Ureia)
Fonte: Adaptado de Valadares Filho et al., 2006.
Notas: MS: Matéria Seca; MO: Matéria Orgânica; PB: Proteína Bruta; EE: Extrato Etéreo; CT:
Carboidratos Totais; FB: Fibra Bruta; FDN: Fibra em detergente Neutro e CNF: Carboidratos não
fibrosos.

273
Tabela 5 – Valor nutricional de subprodutos utilizados na alimentação de
ruminantes
Alimentos MS MO PB EE CT FB FDN CNF
Cana-de-açúcar (bagaço) 48,16 92,64 1,82 0,87 93,77 45,23 89,07 6,22

Cana-de-açúcar bagaço
- - 16,9 - - - 75,8 -
(%Amônia anidra)

Cana-de-açúcar bagaço
52,86 83,1 1,38 1,22 - 50,72 91,58 -
(0 a 2 % de NaOH)

Cana-de-açúcar bagaço (0 a 2 %
74,72 - 10,72 4,1 74,87 39,74 65,5 -
de Ureia)

Cana-de-açúcar bagaço hidro-


44,66 94,7 1,65 3,03 90,62 34,19 61,96 24,65
lisado
Coco casca 16,41 86,63 18,8 8,02 - - 61,27 -

Melancia forrageira casca 17,1 88,16 - - - - 48,04 -

Melancia forrageira polpa 60,25 - - - - - 21,15 -

Milho resíduo de cultura 84,58 - 4,22 1,61 97,77 36,67 82,32 -


Milho resíduo do beneficiamento
88,83 - 9,64 5,8 - - 15,99 -
do milho moído
Milho sabugo 42,15 - 3,28 0,61 94,41 31,71 80,25 13,46
Palma forrageira (farelo) - 74,43 5,17 - - - 52,91 -
Resíduo da extração do suco
88,91 91,69 15,01 - - 26,93 - -
de uva

Resíduo de cervejaria (bagaço


92,25 - 21,33 6,93 - 16,52 - -
de malte)

Resíduo de panificação 93,28 - 9,7 14,95 74,49 0,46 7,52 67,76

Torta de mamona destoxificada 90,61 84,53 30,19 6,1 57,63 - 47,99 12,37

Fonte: Adaptado de Valadares Filho et al. 2006 e Pompeu, 2009.


Notas: MS: Matéria Seca; MO: Matéria Orgânica; PB: Proteína Bruta; EE: Extrato Etéreo;
CT: Carboidratos Totais; FB: Fibra Bruta; FDN: Fibra em detergente Neutro e CNF: Carboidratos
não fibrosos.

É importante salientar ainda a mandioca, pela relevância econômica regional.


Destacam-se os elevados teores de amido, notadamente para a farinha de

274
varredura, que contribuem fortemente com os teores de energia existentes nesses
subprodutos.

Tabela 6 – Composição química de subprodutos do processamento da


mandioca

Composição Química (% da MS)


Subproduto
MS Amido PB EE FDN FDA

Casca de Mandioca 80,5 35,4 4,5 0,8 43,0 28,7

Farinha de Varredura 90,1 86,1 2,1 0,9 12,3 -

Bagaço da Mandioca 17,2 32,1 2,3 1,2 34,9 29,4

Silagem de casca + Polpa cítrica 30,9 15,9 5,8 - 50,3 -


Fonte: Adaptado de Neiva et al., 2006.

3 – EFEITOS DA SUBSTITUIÇÃO DE VOLUMOSOS POR


FONTES DE FIBRA NÃO FORRAGEIRAS
Apesar de novilhas confinadas poderem sobreviver e serem produtivas por
períodos pequenos (90 a 120 dias) quando recebem dietas baixas em fibra, em
longo prazo, a saúde e a produtividade de futuras vacas de leiteiras depende do
consumo de forragem para estimular o funcionamento normal do rúmen e manter
a percentagem de gordura do leite (MERTENS, 1997).

O conteúdo em fibra das dietas para ruminantes é inversamente relacionado


com a disponibilidade de sua energia (VAN SOEST et al., 1991). Apesar disso, é
necessário que nessas dietas haja fibra na quantidade e na forma física adequada,
de modo a permitir uma manutenção das funções ruminais normais. O nível de
FDN e o tamanho de partícula da forragem desempenham um importante papel na
determinação da fibra fisicamente efetiva dietética. Efetividade física é a capacidade
em promover a atividade física motora do trato gastrintestinal, pois seletivamente
os ruminantes retêm fibra na câmara fermentativa por um tempo adequado de
digestão, ingerindo partículas grandes enquanto comem. Estas partículas grandes
formam um material flutuante no rúmen e estimulam a atividade de ruminação. De
acordo com Mertens (1992), a fibra fisicamente efetiva pode ser definida como a
capacidade da fonte de fibra da dieta estimular a mastigação.

275
Fontes de fibra não forrageira vêm sendo utilizadas como alternativa alimentar
para barateamento nos custos referentes ao arraçoamento dos rebanhos e aos
subprodutos agroindustriais que estão incluídos nessa categoria de alimentos.
Destaque-se que o grau de moagem, segundo Mertens (1997), interfere no
tamanho das partículas alimentares e isto influencia a mastigação e a ruminação,
podendo, conforme Allen & Grant (2000), provocar alterações particularmente na
relação acetato/propionato. A redução da relação acetato/propionato é diretamente
proporcional à redução do pH ruminal (Grant et al., 1990), o que, segundo Oliveira
et al. (2009), pode comprometer a função ruminal normal e levar à ocorrência de
distúrbios metabólicos.

A adição de fontes de fibra não forrageiras (FFNF) às dietas com o intuito de


substituir parte da FDN da forragem deve considerar também as taxas de digestão
e passagem em relação às fontes de fibra das forragens (Nussio et al., 2006).
Além disso, FFNF apresentam gravidade específica mais elevada, favorecendo
o aumento da taxa de passagem ruminal. A combinação desses fatores contribui
para reduzir o tempo de retenção desses alimentos no rúmen; aumentar a taxa
de passagem da FDN potencialmente digestível para o trato digestório inferior o
que, em decorrência, reduz a digestibilidade da FDN no trato total (FINKS, 1997).

Em situações específicas em que se obtém adequado tamanho de partículas,


tendo o milho como principal fonte de amido e utilização de rações completas o NRC
(2001) preconizou teores mínimos de 25% de FDNTOTAL, sendo que no mínimo 19%
destes devem ser provenientes de forrageiras (FDNF) na MS. Quando a proporção
de FFNF na dieta for superior a 60 a 65%, deve-se trabalhar com partículas de
tamanho maiores para que ocorram estímulos à atividade mastigatória (Grant et al.,
1990). Redução de duas unidades de FDN requerido pode ser aceitável ao utilizar
silagens com mais de 15% de partículas com tamanho menor que 38 mm, ou quando
for utilizado feno de partículas longas em conjunto com a mesma. Igualmente, é
recomendável incremento de duas unidades percentuais na FDNTOTAL da dieta, quando
o feno tiver poucas partículas maiores que 38mm, bem como nos casos em que a
inclusão de fibra não forrageira (subprodutos) for acima de 10% (ALLEN, 1995).

Destaquem-se na condição de subprodutos potencialmente ricos em fibras: o


bagaço de cana-de-açúcar, o subproduto de acerola, o subproduto de abacaxi, o
subproduto de caju, o subproduto de goiaba, o subproduto do melão, as palhadas
e as cascas de modo geral.

276
4 – EFEITOS DA SUBSTITUIÇÃO DE CONCENTRADOS POR
SUBPRODUTOS RICOS EM ENERGIA E PROTEÍNA
Existe grande variedade de concentrados energéticos e protéicos tradicionais
que podem ser utilizados na alimentação de ruminantes. Uma questão sempre
discutida é a alta dos preços desses alimentos, notadamente nos períodos de
estiagem, quando há escassez de forragens de modo geral. Assim, ao longo
dos anos, esses ingredientes vêm sendo substituídos por alguns subprodutos
agroindustriais que, pela existência de carboidratos, proteínas e lipídios em
percentuais substanciais na matéria seca, terminam por fornecer um valor
representativo desses nutrientes nas dietas de ruminantes. Outro fator é a
oportunidade da disponibilização regional, principalmente nos períodos mais críticos
do ano, o que pode vir a representar alternativa alimentar e também a possibilidade
de serem adquiridos a preços mais convidativos.

Vale destacar alguns subprodutos que se destacam como subprodutos ricos


em energia e/ou proteína, a saber: o farelo de castanha de caju, o subproduto de
urucum, a polpa cítrica, a raspa de mandioca, o melaço, o caroço de algodão, o
subproduto de tomate, o farelo de coco, o subproduto de melão e a torta de mamona
destoxificada.

Destacaremos dois desses subprodutos, como resultados das pesquisas que


a equipe de Nutrição de Ruminantes da Universidade Estadual Vale do Acaraú vem
desenvolvendo recentemente: o farelo de castanha de caju (FCC) e o subproduto
de urucum.

A inclusão do FCC não promove alterações no consumo de nutrientes, de


modo geral, caracterizando-se como importante alternativa no incremento da
densidade calórica dietética, entretanto, cuidado especial deve ser tomado em
virtude da promoção do consumo excessivo de proteínas e relativa carência no
consumo de CNF nas dietas com FCC, o que pode resultar em desbalanço na
relação proteína: carboidratos, fundamentais à síntese protéica microbiana. Por outro
lado, a inclusão de FCC exerce efeito negativo sobre a digestibilidade das frações
fibrosas, notadamente sobre a hemicelulose, implicando redução considerável da
digestibilidade da MS dietética (Silva, 2010).

277
Costa et al. (2008a) e Costa et al. (2008b), em avaliações comparativas dos
sistemas de dietas formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007), utilizaram
o subproduto de urucum em suas dietas. Constataram o elevado potencial de
uso desse alimento em dietas de ovinos, especialmente no que diz respeito ao
consumo de nutrientes e digestibilidade, já que não houve comprometimento
desses parâmetros nas dietas em que foi feita essa inclusão, até promovendo
uma melhor relação proteína: energia dietética. Da análise dos resultados obtidos
na viabilidade financeira da terminação de ovinos na região Noroeste do Estado
do Ceará com dietas contendo subproduto de urucum, Castro (2009) concluiu que
dietas formuladas conforme o NRC (2007) com consumo de 20% de proteína não
degradável no rúmen, contendo o subproduto de urucum, resultaram em receita
bruta total mais vantajosa, relacionada ao maior peso final obtido pelos cordeiros.

5 – FATORES ANTINUTRICIONAIS EXISTENTES EM


SUBPRODUTOS AGROINDUSTRIAIS E LIMITES DE
UTILIZAÇÃO
O cuidado com a alimentação de ruminantes, ainda mais quando se intenciona
utilizar subprodutos agroindustriais nas dietas, também deve considerar a existência
ou não de fatores antinutricionais e, mesmo na existência, se os níveis e a
composição química dos mesmos podem ser prejudiciais ao adequado desempenho
produtivo dos animais. Os subprodutos agroindustriais podem apresentar
substâncias que causam resistência à degradação biológica. Essas substâncias são
geralmente formadas por compostos como taninos, ligninas, saponinas, mimosina,
flavonóides, entre outros, que são sintetizados pelas plantas que os originam como
forma de proteção aos ataques de pragas, impedindo consequentemente o ataque
microbiano ruminal (KOZLOSKI, 2002). Neste tópico serão discutidos alguns fatores
antinutricionais presentes em subprodutos agroindustriais.

Os taninos inibem principalmente bactérias fermentadoras de carboidratos


estruturais. Estão presentes em muitas plantas forrageiras da caatinga e nos
subprodutos de acerola, caju e uva. Também inibem a atividade proteolítica. Algumas
estirpes de bactérias toleram taninos em ovinos, cabras e antílopes até oito gramas por
litro de fluido ruminal (KAMRA, 2005). Os ruminantes que continuamente alimentam-se
com dietas ricas em tanino, geralmente desenvolvem uma microflora tolerante à alta
quantidade de tanino. Caprinos selvagens e camelos que se alimentam com plantas

278
ricas em taninos são capazes de tolerá-los na dieta devido à presença de grande
número de bactérias resistentes a esse fator antinutricional, como por exemplo, as
bactérias Streptococcus caprinus e Selenomonas ruminatium (KAMRA, 2005).

Ørskov (1992) afirmou que o tanino parece causar ligação cruzada entre
proteínas e outras moléculas. Isso pode resultar em proteção na degradação da
proteína no rúmen. Há aparentemente dois tipos de reações com o tanino: uma
reação de hidrólise, que é reversível em condições ácidas no abomaso e outra
reação de condensação, a qual é irreversível. Portanto, conforme este autor,
diferenças entre taninos condensados e hidrolisáveis podem constituir fatores
de indisponibilização de nutrientes de forma reversível, o que contribui com o
incremento da quantidade de proteína não degradável no rúmen digestível, ou de
forma irreversível que representa realmente o efeito antinutricional.

A lignina, por sua vez, é um constituinte da célula vegetal de baixa ou nula


digestibilidade. A estrutura celular das plantas pode ser encoberta ou protegida pela
lignina, de modo que as bactérias não podem atacar os nutrientes no interior das
células. A hemicelulose e a celulose ocorrem em estreita relação e podem ter um
coeficiente de digestibilidade de 80%, mas com um aumento do ciclo vegetativo
da planta e consequentemente a elevação no teor de lignina, este coeficiente pode
decrescer em mais de 50% (TEIXEIRA, 1992).

As saponinas, outros fatores antinutricionais presentes nos subprodutos


agroindustriais, e normalmente relacionadas à existência de fungos resultantes
do armazenamento inadequado, secagem insuficiente de subprodutos ou mesmo
já existentes no produto que deu origem, podem provocar efeitos deletérios sobre
a fermentação do rúmen causando redução no total de ácidos graxos totais e na
relação acetato: propionato de 1,93 para 1,37 para cada 1% de saponina dietética
(Kamra, 2005). Segundo este autor, alguns microrganismos do rúmen são capazes
de liberar o esteróide existente nas saponinas responsável por essas reduções.

As leguminosas tropicais como a Leucaena leucocephala contêm um composto


tóxico, a mimosina. Algumas bactérias do rúmen são capazes de degradar a
mimosina e seus derivados como a espécie Synergistes jonesii.

Os alimentos podem ainda apresentar uma ampla variedade de flavonóides.


Essas substâncias podem estar presentes em determinadas raízes como a batata

279
e seus subprodutos, nos subprodutos do trigo e no subproduto de maracujá.
Os flavonóides são relativamente inofensivos. Algumas destas substâncias têm
certamente características semelhantes aos taninos condensados, possivelmente
antinutricionais, principalmente de redução da degradação ruminal de nutrientes
(TEIXEIRA, 1992).

Os subprodutos oriundos da semente da mamona, por sua vez, são ricos


em três compostos tóxicos: ricina, ricinina e complexos alergênicos (albuminas
2S). A ricina é uma proteína solúvel encontrada principalmente no endosperma da
mamona, não sendo detectada em outras partes da planta, como raízes, folhas e
caules (SEVERINO, 2005). Exerce mecanismo de toxidez através da inativação dos
ribossomos e impede a síntese protéica (OLSNES & KOZLOV, 2001). A dose letal das
sementes varia conforme a espécie e idade dos animais, onde para ovinos, caprinos,
equinos, bezerros e bovinos adultos, as doses letais seriam, respectivamente, de 1,25;
5,50; 0,1; 0,5 e 2,0 g/kg de peso vivo (Tokarnia et al., 2000).

6 – PRINCIPAIS SUBPRODUTOS AGROINDUSTRIAIS COM


POTENCIAL USO NA ALIMENTAÇÃO DE
NOVILHAS LEITEIRAS
A utilização dos subprodutos agroindustriais pode ser feita por meio da
suplementação, no caso de animais criados a pasto, ou na formulação de dietas
totais para animais em confinamento. Alguns resultados de pesquisa evidenciam que
esses subprodutos podem ser utilizados nas dietas de ruminantes, sem prejuízos ao
desempenho produtivo, trazendo inclusive contribuições nutricionais significativas.

O desempenho animal depende fortemente da ingestão de nutrientes


digestíveis e metabolizáveis, sendo que de 60% a 90% das diferenças de
desempenho são causadas pelo aumento da ingestão e de 10% a 40% às diferenças
de digestibilidade. Sendo assim, é extremamente interessante descrever o potencial
de utilização de subprodutos agroindustriais para dietas de novilhas leiteiras, mesmo
a partir de resultados oriundos de pesquisas com outras espécies de ruminantes
e outras categorias de bovinos leiteiros. Os dados de pesquisa com utilização
de subprodutos agroindustriais disponíveis no Nordeste brasileiro, em dietas de
novilhas leiteiras, são ainda escassos o que pode demonstrar um amplo campo de
oportunidades para a otimização dos sistemas de produção de bovinos leiteiros no

280
semiárido nordestino. A seguir serão feitos comentários sobre alguns subprodutos
agroindustriais que podem ser utilizados na alimentação de novilhas leiteiras.

Pereira et al. (2001) avaliaram os efeitos de duas fontes nitrogenadas (cama


de frango e ureia) e o uso de Sacharomyces cerevisiae em dietas à base de cana-
de-açúcar sobre os consumos e as digestibilidades aparentes totais e parciais de
nutrientes, o balanço nitrogenado e os parâmetros ruminais de novilhos Holandês-
Zebu, fistulados no rúmen e abomaso. Os autores verificaram que os consumos
de MS, MO, EE, CT e CNE não foram influenciados pelas fontes nitrogenadas e
pela utilização de Sacharomyces cerevisiae. Os coeficientes de digestibilidades
totais de PB e EE foram maiores para as dietas constituídas de ureia. As
digestibilidades aparentes totais de MS, MO, CT e FDN não foram influenciadas
pelas fontes nitrogenadas e pela utilização de Sacharomyces cerevisiae. O pH do
líquido ruminal decresceu linearmente para as dietas suplementadas com ureia e
apresentou comportamento quadrático, quando estas dietas foram combinadas
com Sacharomyces cerevisiae. As concentrações de amônia no líquido ruminal
apresentaram valores máximos de 16,90; 26,12; 18,48; e 14,40 mg/100 mL para
os tratamentos constituídos de cana-de-açúcar e ureia; cana-de-açúcar, ureia e
Sacharomyces cerevisiae; cana-de-açúcar e cama de frango; e cana-de-açúcar,
cama de frango e Sacharomyces cerevisiae, respectivamente.

Peter et al. (2000) avaliaram três dietas contendo milho e feno suplementado
com um dos três coprodutos da indústria de moagem de milho: glúten de milho
seco (GMS), grãos secos de destilaria (GSD), e uma nova fibra de milho modificado
(FMM) em termos de desempenho animal, digestibilidade e metabolismo ruminal de
nutrientes em novilhos e novilhas de corte. Os autores não perceberam diferenças
nos pesos iniciais ou sobre o consumo de MS. O ganho de peso médio diário e
a eficiência alimentar foram melhorados em novilhas alimentadas com GMS em
relação àquelas alimentadas com GSD ou FMM. Não houve diferenças para a
digestibilidade dos nutrientes ou de qualquer das concentrações de AGVs no
rúmen para novilhos alimentadas com esses coprodutos. O glúten de milho seco
propiciou aumento da porcentagem da fração imediatamente solúvel da proteína
bruta, resultando também em aumento das taxas de degradação ruminal da proteína.
Conforme os autores, o GMS pode ser utilizado na alimentação de novilhos em
dietas de alta energia, sem comprometimento do desempenho dos animais. Os
autores verificaram também que a FMM resultou no pior desempenho dos novilhos,

281
sugerindo que a inclusão desse subproduto deve ser feita com cautela por causa
dos elevados teores de NIDA e da mais baixa degradação ruminal da proteína bruta.

Leme et al. (2003) afirmaram a partir de avaliações com novilhos Nelore em


confinamento, alimentados com dietas com elevada proporção de concentrado,
contendo milho, polpa cítrica e farelo de soja, que houve viabilidade do uso de 15
ou 21% de bagaço de cana-de-açúcar como única fonte de volumoso.

Lallo et al. (2003) e Prado et al. (2003), trabalhando com diferentes níveis
de substituição (0%, 20%, 40% e 60%) da silagem de milho pela silagem de
subproduto de abacaxi, concluíram que a silagem deste subproduto pode substituir
em até 60% (base da matéria seca) a silagem de milho nas rações para bovinos
em confinamento, sem afetar a fermentação ruminal, desempenho animal (GMD
de 1,4 kg/dia), a conversão alimentar (6,7 kg/ kg PV) e o rendimento de carcaça
(55,0%). Rogério (2005), estudando a influência da inclusão de níveis crescentes
de subproduto de abacaxi em dietas experimentais isofibrosas e isoprotéicas para
ovinos, concluiu que sendo incluído em até 28% do total dietético não houve riscos
de diminuição do pH ruminal.

O subproduto de acerola, por sua vez, apesar dos balanços nitrogenados


positivos, reduziu o consumo da maioria dos nutrientes dietéticos e deve ser
incluído, em no máximo, oito por cento do total de dietas para ovinos (Rogério,
2005). Para o subproduto de caju, Dantas Filho et al. (2007), ao avaliarem o
desempenho, a digestibilidade e o balanço de nitrogênio e analisar a viabilidade
econômica da inclusão de polpa de caju desidratada na alimentação de ovinos
em confinamento recebendo dietas contendo cinco níveis de subproduto de caju
desidratado (0%, 10%, 20%, 30% e 40%), observaram que o ganho de peso
decresceu proporcionalmente com o aumento da inclusão do subproduto de caju.

Alves et al. (2003) avaliaram o consumo de matéria seca (CMS) e o


desempenho de novilhos alimentados com o subproduto de maracujá in natura,
fornecido como alimento exclusivo ou suplementado com concentrado na proporção
de 0,5 kg/100 kg de PV contrastando com novilhos alimentados com silagem de
sorgo, como alimento exclusivo ou suplementado com o mesmo concentrado, em
idêntica proporção. Concluíram que o subproduto de maracujá in natura foi superior
à silagem de sorgo em termos de consumo proporcionando elevado CMS (3,67% e

282
3,28% PV, para dietas com e sem concentrado, respectivamente) e ganho de peso
de 1,45 kg/dia e 1,38 kg/dia, para dietas com e sem concentrado, respectivamente.

Rogério (2005) verificou menor disponibilidade da proteína existente no


subproduto de caju e esclareceu que os altos níveis de taninos existentes nesse
subproduto foram provavelmente os responsáveis por isso. Os valores de FDN
foram bastante elevados para os subprodutos de caju e acerola principalmente,
seguidos dos valores encontrados para os subprodutos de maracujá e abacaxi. Isso
provavelmente resultou nos maiores valores de NDT para estes últimos.

Para o subproduto de abacaxi foi constatado que, se incluído em até 16% do


total de dietas para ovinos, não há risco de limitação de consumo e digestibilidade
dos nutrientes dietéticos (Rogério, 2005). A digestibilidade da matéria orgânica
indicou excelente fração de NDT para as dietas que incluíram o subproduto de
abacaxi em até 16%. Considerando-se a digestibilidade da proteína bruta, as dietas
em que se incluiu o subproduto de abacaxi apresentaram valores semelhantes aos
do grão de soja (65%).

Considerando-se o subproduto de maracujá, Rogério (2005) relatou que houve


limitação de consumo da maior parte dos nutrientes, entretanto, o consumo de FDN,
como porcentagem da matéria seca ingerida, representou em média 49,79%, o que
possibilitou uma distribuição mais uniforme de energia entre as dietas experimentais.
O aumento do consumo de FDA, como porcentagem da matéria seca ingerida,
também resultou no aumento da inclusão de lignina. Portanto, a inclusão deve ser
de até 18% do total das dietas.

O subproduto de caju representou prejuízo quando incluído em níveis


superiores a 19% do total dietético, principalmente no tocante ao aproveitamento
das frações fibrosas e protéicas. Os altos níveis de fibra existentes no subproduto
de caju foram determinantes para o aumento dos consumos de FDN e FDA com a
inclusão crescente de subproduto, mesmo assim não ocorreu aumento proporcional
do consumo de matéria seca diante da baixa digestibilidade desse nutriente. Deve-se
considerar que houve queda brusca do balanço nitrogenado, quando foi ultrapassado
o percentual de 19%, quando praticamente chegou a zero na dieta que incluiu 52%
de subproduto de caju. A presença de compostos polifenólicos, tais como taninos
e lignina, podem ter indisponibilizado a proteína dietética e assim ter promovido a
redução da retenção de nitrogênio (ROGÉRIO, 2005).

283
Visando a quebra da parede celular presente no subproduto de caju com
consequente melhoria da disponibilização de nutrientes solúveis e visando também
avaliar os riscos de acidose em dietas com subproduto de caju incluídos de 11 a
33% em dietas de cordeiros em terminação, Costa (2008) realizou a moagem do
referido subproduto em 3 mm (moído finamente) e 19 mm (moído grosseiramente).
O autor constatou que o grau de moagem aplicado ao subproduto de caju não afetou
os consumos de matéria seca, matéria orgânica, proteína bruta, extrato etéreo e
das frações fibrosas. Definiu que a inclusão do subproduto de caju em até 33% do
total dietético, considerando-se os graus de moagem testados, não representou
riscos para a queda do pH do líquido ruminal.

Pompeu et al. (2006) avaliaram a composição químico-bromatológica e


fermentativa de silagens contendo zero, cinco, 10, 15 e 20% do subproduto
da polpa de melão e observaram elevações nos teores de matéria seca, o que
permitiria uma boa condição para o processo fermentativo. Entretanto, os autores
observaram que o processo fermentativo não ocorreu de forma satisfatória, pois
com a adição do subproduto, os valores de pH se elevaram e atingiram níveis que
caracterizam silagens de baixa qualidade. Os autores observaram ainda que a
adição de subproduto elevou os teores de proteína bruta das silagens.

Clementino (2008) avaliou a adição de subproduto de banana às dietas de


ovinos e observou que os consumos diários de MS não foram influenciados por essa
inclusão. Para a autora, embora o FDN dietético tenha reduzido e os teores de PB
tenham aumentado com a inclusão crescente do subproduto de banana às dietas,
esses componentes bromatológicos não foram suficientes para alterar o consumo
de MS. Há que se destacar também que embora o teor de PB das dietas tenha
elevado com a adição de subproduto de banana, a disponibilidade de nitrogênio
foi reduzida, pois os teores de NIDA elevaram de 26,5 para 37,5% quando se
comparou a dieta exclusiva de feno de capim Tifton 85 com aquela contendo 80%
de subproduto de banana.

O farelo de castanha de caju (FCC) é um alimento rico em energia (lipídios),


entretanto, Rodrigues et al. (2003) quando forneceu dietas compostas por 70%
de volumoso e 30% de concentrado contendo FCC para ovinos verificaram efeito
linear negativo no consumo de matéria seca. Relacionaram aos lipídios existentes
no subproduto e possíveis efeitos sobre a digestibilidade das frações fibrosas.

284
Silva (2010), avaliando dietas contendo ou não FCC fornecidas para três grupos
genéticos de ovinos (½ sangue Dorper, ½ sangue Somalis e ½ sangue Santa Inês)
não percebeu alteração do pH do líquido ruminal considerando-se a dieta que incluiu
o farelo de castanha de caju em relação à dieta controle. Entretanto, verificou que
a inclusão do FCC promoveu redução das concentrações de nitrogênio amoniacal
no líquido ruminal, nos grupos genéticos ½ sangue Dorper e ½ sangue Somalis não
tendo sido evidenciado esse efeito sobre o grupo genético ½ sangue Santa Inês.
Complementarmente a essa informação, Silva (2010) identificou valores de proteínas
totais séricas inferiores àqueles recomendados pela literatura e, em mensurações
de concentrações de ureia sérica, relatou possíveis diferenças na disponibilização
de compostos nitrogenados e carboidratos no processo fermentativo ruminal.

Ribeiro (2008) trabalhando com subproduto de caju amonizado ou não com


ureia, verificou que o tratamento químico com ureia não aumentou os consumos de
matéria seca e matéria orgânica e que inclusão do subproduto de caju tratado com
ureia em 21% do total dietético reduziu o consumo de proteína bruta e do extrato
etéreo digestível. Ainda segundo este autor, a inclusão do subproduto de caju
tratado com ureia aumentou o consumo de FDN, FDA e HCEL, mas não aumentou
o consumo de CEL, reduzindo a digestibilidade do extrato etéreo e aumentando a
digestibilidade da FDN e FDA.

Primo et al. (2009) avaliando dietas contendo silagem do pasto nativo do


Nordeste brasileiro e soro de leite bovino em níveis crescentes de inclusão em
dietas para ovinos, constataram que a inclusão desse subproduto em dietas para
ovinos proporcionou níveis de concentração de nitrogênio amoniacal considerados
ótimos para um adequado funcionamento ruminal, notadamente no máximo nível
de inclusão testado que foi de 6,9% na matéria seca. Araújo et al. (2009) também
verificando a inclusão em níveis crescentes de soro de leite bovino em dietas para
caprinos, verificaram que a utilização de soro nos níveis estudados não promoveu
redução do pH do líquido ruminal nessa espécie.

Barbosa et al. (2009) avaliaram o urucum integral em níveis crescentes de


inclusão em dietas para ovinos e observaram maiores consumos de matéria seca
e de matéria orgânica no nível máximo de inclusão (37,84%). Costa et al. (2008a)
ao avaliarem o subproduto de urucum (resíduo da produção de corantes) em dietas
para ovinos, relataram que as concentrações de nitrogênio amoniacal (N-NH3)
foram aquém dos níveis considerados ótimos para uma adequada fermentação

285
ruminal. Costa et al. (2008b) e Costa et al. (2008c), por sua vez, verificaram maiores
consumos de matéria seca e de proteína bruta, inclusive superior aos recomendados
pelo NRC (2007) para a categoria animal estudada.

7 – UTILIZAÇÃO DE SUBPRODUTOS AGROINDUSTRIAIS


EM DIETAS DE NOVILHAS LEITEIRAS
Neste tópico serão comentados trabalhos que avaliaram a utilização de
subprodutos agroindustriais em dietas de novilhas leiteiras especificamente.

Avaliando a torta de mamona destoxificada (Lex Protéico) na alimentação de


novilhas leiteiras, Miranda et al. (1961) verificaram que o Lex Protéico não causou
intoxicação nos animais e os resultados de desempenho foram próximos aos
obtidos com a utilização da torta de soja, porém para obtenção de resultados mais
conclusivos foi sugerida a condução de ensaios de maior duração.

Mendes Neto et al. (2007), ao avaliarem o consumo, digestibilidade,


desempenho, desenvolvimento ponderal e economicidade de dietas com polpa
cítrica em substituição ao feno de capim Tifton 85 para novilhas leiteiras, verificaram
que a polpa cítrica pode ser utilizada em substituição ao feno de Tifton 85 na
alimentação de novilhas leiteiras em níveis de até 35% da MS da dieta como
alternativa para o produtor reduzir a idade à primeira cobertura e ao primeiro parto,
com menor custo de alimentação.

Silva et al. (2006) verificaram que o desempenho de novilhas leiteiras


alimentadas com silagem de capim-elefante com adição de 5% de bagaço de
mandioca propiciou consumos e desempenhos satisfatórios para os animais
estudados. Dias et al. (2008) afirmaram que a inclusão de bagaço de mandioca
na dieta de novilhas leiteiras em até 14% não resultou em problemas de acidose
e nem interferiu na digestibilidade dos nutrientes.

Silva et al. (2006), por sua vez, avaliaram o efeito da adição de diferentes
níveis (5; 10; 15 e 20%) de bagaço de mandioca na ensilagem do capim-elefante
(Pennisetum purpureum, Schum) sobre o desempenho de novilhas leiteiras. Os
autores verificaram que os consumos médios diários de matéria seca (MS) e proteína
bruta não diferiram entre tratamentos (P>0,05), entretanto, os consumos médios de
FDN e FDA apresentaram comportamento linear decrescente (P<0,05). Não foram

286
observadas diferenças para as médias de peso vivo inicial, peso vivo final, ganho
de peso médio diário, perímetro torácico, altura de cernelha e conversão alimentar
da MS entre os tratamentos.

O farelo integral de mandioca, obtido pela moagem grosseira das raízes


após lavagem e secagem natural ou artificialmente, pela alta pulverulência pode
ter seu uso limitado em rações para ruminantes, devendo ser incluído em até 50%
do total de dietas para bovinos leiteiros (ZINN e DEPETERS, 1991; MARQUES,
1999; JORGE et al., 2002).

Rocha Neto (2008) avaliou a inclusão de quatro níveis (0, 7, 14 e 21%)


de farelo de cacau (FC) em dietas de novilhas leiteiras sobre o consumo,
desempenho, digestibilidade aparente dos nutrientes e viabilidade econômica.
O autor verificou que mesmo não sendo observada diferença significativa para a
maioria das variáveis estudadas, o nível de inclusão de FC na dieta de novilhas
leiteiras deve ser de até 7% para que não haja prejuízo da digestibilidade dos
nutrientes dietéticos e, consequentemente, do desempenho animal para que se
obtenha o melhor retorno econômico.

O farelo de polpa de café contém taninos que protegem a proteína da hidrólise


ruminal. Inclusões acima de 30% para ruminantes podem levar o animal à perda
de peso, sendo recomendado para novilhas a sua inclusão em até 20% do total
dietético. Souza et al. (2006) avaliaram o consumo, a digestibilidade aparente e o
desempenho de novilhas recebendo dietas contendo diferentes teores de casca
de café (0; 8,75; 17,5 e 26,25% da MS da ração concentrada) em substituição
ao milho e verificaram que os consumos de MS, MO, PB, CT e FDN não foram
alterados, registrando-se valores médios de 6,75; 6,23; 1,04; 5,01 e 3,11 kg/
dia, respectivamente. Já os consumos de CNF e de NDT observados reduziram
linearmente com a adição de casca de café. As digestibilidades da MS, MO, PB,
CT, FDN e CNF e a concentração de NDT das dietas diminuíram linearmente com a
adição de casca de café. O ganho de peso decresceu linearmente com a inclusão de
casca de café na dieta, estimando-se queda de 6,94 g de PV/unidade porcentual de
casca de café adicionada ao concentrado. Todavia, conforme os autores, a inclusão
deste resíduo em até 17,5% de substituição ao milho da ração concentrada (7,0%
na MS da dieta) pode ser considerada benéfica, pois os ganhos médios diários
observados foram próximos aos obtidos com a inclusão de 0,0 e 8,75% de casca
de café na ração concentrada.

287
Teixeira et al. (2007), por sua vez, avaliaram a substituição da silagem de
milho pela casca de café em dietas de novilhas leiteiras sobre os consumos, as
digestibilidades aparentes totais dos nutrientes e sobre o desempenho. Os referidos
autores verificaram que os consumos de MS aumentaram linearmente, enquanto
os consumos de matéria natural (MN) não foram influenciados pela inclusão de
casca de café nas dietas. O aumento no consumo de MS foi de aproximadamente
20 g para cada unidade de casca de café adicionada na dieta (% MS) e o consumo
médio de MN foi de 13,84 kg/dia. As digestibilidades de MS, MO, PB, CT e FDN e
a concentração de NDT das dietas reduziram linearmente com a substituição da
silagem de milho pela casca de café, observando-se redução de 0,158 unidades
percentuais na digestibilidade da MS para cada unidade de casca de café adicionada
na dieta (% MS). Segundo os autores, a inclusão de casca de café afetou de modo
negativo o ganho de peso, que reduziu linearmente (5,51 g de PV por unidade de
casca de café adicionada à dieta) conforme aumentaram os níveis de casca de café
em substituição a silagem de milho. Em dietas para novilhas leiteiras, a casca de
café pode substituir a silagem de milho em níveis de até 14% na MS total.

Castro (2007) avaliou os efeitos do uso de gérmen de milho integral e fubá


de canjica de milho em substituição ao milho moído e do farelo de babaçu em
substituição ao farelo de soja no concentrado em dietas fornecidas a novilhas
leiteiras em confinamento. A autora verificou que as dietas influenciaram as
atividades de alimentação, ruminação, ócio, dormindo e outras atividades, no
entanto, não afetaram a procura por sombra. De acordo com a autora, práticas de
manejo como o horário de fornecimento da dieta influenciaram o comportamento
alimentar dos animais e o tipo de dieta afetou o comportamento dos animais.
A referida autora também verificou que não houve diferença nos ganhos de peso e
nem na conversão alimentar entre as dietas avaliadas. A análise econômica mostrou
maior eficiência econômica nos tratamentos com gérmen de milho integral e fubá
de canjica de milho. A dieta com farelo de babaçu apresentou maior custo por kg
de peso ganho. Segundo a autora, tanto o gérmen de milho integral quanto o fubá
de canjica de milho podem substituir, com eficiência, 100% do milho moído na dieta
de novilhas leiteiras, além de permitir economia no custo da atividade. No entanto,
a substituição do farelo de soja por farelo de babaçu deve ser feita com base em
análise econômica, pois, apesar de não ter afetado o desempenho dos animais,
tornou a atividade menos rentável economicamente.

288
Carvalho et al. (2005) avaliaram o efeito da suplementação com farelo de trigo,
farelo de soja ou milho moído (1 kg/novilha/dia), sobre o desempenho de novilhas
da raça Holandesa alimentadas com rações contendo palma forrageira (69,8%),
bagaço de cana (27,6%) e ureia (2,6%). Estes autores verificaram que os consumos
de matéria seca e FDN (kg/dia e % do peso vivo), matéria orgânica, carboidratos
totais e carboidratos-não-fibrosos não foram alterados pelo suplemento (7,79 kg/dia;
3,30%; 3,34 kg/dia; 1,41%; 7,27 kg/dia; 6,15 kg/dia e 2,81 kg/dia, respectivamente)
e perceberam que novilhas que receberam farelo de soja apresentaram maiores
consumos de proteína bruta e de NDT, além de maior ganho de peso (1.31, 4.56, e
1.17 kg/dia, respectivamente). O ganho de peso das novilhas suplementadas com
farelo de trigo e milho moído foi de 0,71 e 0,24 kg/dia, respectivamente.

8 – CONSIDERAÇÕES FINAIS
A utilização de subprodutos agroindustriais na alimentação de novilhas leiteiras
ainda necessita de uma amplitude maior de estudos em virtude da ampla variedade
de subprodutos existentes, principalmente em países tropicais como o Brasil, na
categoria de novilhas leiteiras.

A diversidade de subprodutos que vão desde os subprodutos de frutas,


amplamente disponíveis no Nordeste brasileiro, passando pelos resultantes do
processamento de sementes de oleaginosas, resíduos agrícolas, dentre outros,
pode contribuir significativamente para a substituição de volumosos e concentrados
tradicionais e, inclusive, representar a melhoria do desempenho de novilhas e a
economicidade dos sistemas de produção de bovinos, especialmente no tocante
á reposição de matrizes leiteiras nos rebanhos.

A existência de fatores antinutricionais em muitos deles, limitações de uso,


composição bromatológica, disponibilidade regional, resultados de desempenho e
economicidade de utilização em sistemas de criação de novilhas leiteiras devem ser
sempre considerados para que efetivamente sejam alcançados os melhores resultados.

REFERÊNCIAS
ALLEN, D. M.; GRANT, R.J. Interactions between forage and wet corn gluten feed
as sources of fiber in diets for lactating dairy cows. Journal of Dairy Science, v.
83, p. 322-331, 2000.

289
ALLEN, M. Fiber requirements: finding an optimum can be confusing. Feedstuffs,
v. 67, p.13-16, 1995.

ALVES, G. R. et al. Consumo alimentar e ganho de peso de novilhos alimentados


com subproduto in natura de maracujá ou silagem de sorgo, suplementados, ou
não, com concentrado. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE
ZOOTECNIA, 40., 2003, Santa Maria. Anais... Santa Maria: Sociedade Brasileira
de Zootecnia, 2003. CD-ROM.

ANDRIGUETTO, J.M. Nutrição Animal: as bases e os fundamentos da nutrição


animal. Os alimentos. 4. ed. São Paulo: São Paulo, 1981. 395 p.

ARAÚJO, A. R. et al. Ph do líquido ruminal de caprinos alimentados com dietas


contendo soro de queijo de leite bovino em níveis crescentes de inclusão. In:
ZOOTEC, 2009, Águas de Lindóia. Anais… Águas de Lindóia: Zootec, 2009.
CD-ROM.

BARBOSA, J. S. R. et al. Consumos de matéria seca e de matéria orgânica de ovinos


alimentados com dietas contendo urucum (Bixa orellana) em níveis crescentes de
inclusão. In: SINCORTE, FEIRA NACIONAL DO AGRONEGÓCIO DA CAPRINO-
OVINOCULTURA DE CORTE, 4., 2009, João Pessoa. Anais... João Pessoa:
Sincorte, 2009. CD-ROM.

CAMPOS, W. E. et al. Degradabilidade ruminal das frações do resíduo industrial


de tomate. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 59, p.189-
195, 2007.

CÂNDIDO, M. J. D.; CAVALCANTE, A. C. R.; NEIVA, J. N. M. Do campus para


o campo: Tecnologias para produção de ovinos e caprinos. Fortaleza: Gráfica
Nacional, 2005. 128 p.

CARVALHO, M. C. et al. Associação da bagana da cana-de-açúcar, palma forrageira,


e ureia com diferentes suplementos em dietas para novilhas da raça Holandesa.
Acta Science Animal Science, v. 27, p. 247-252, 2005.

CASTRO, E.M. Análise econômico-financeira da terminação de ovinos em


confinamento sob diferentes sistemas de requerimentos nutricionais. 2009.
111 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Estadual Vale do
Acaraú, Sobral, 2009.

290
CASTRO, K.J. Desempenho bioeconômico e respostas comportamentais de
novilhas leiteiras alimentadas com subprodutos agroindustriais. 2007. 74 f.
Dissertação (Mestrado em Ciência Animal Tropical) – Universidade Federal de
Tocantins, Araguaína, 2007.

CLEMENTINO, R.H.; Utilização de subprodutos agroindústrias em dietas de


ovinos de corte, consumo, digestibilidade, desempenho e características de
carcaça. 2008. 136 f. Tese (Doutorado Integrado em Zootecnia) – Universidade
Federal do Ceará, Fortaleza, 2008.

COSTA, H. H. A. et al. Concentrações de nitrogênio amoniacal em ovinos


alimentados com dietas contendo silagem de pasto nativo do Nordeste brasileiro
e coproduto de urucum, formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007). In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO ANIMAL, 2008, Fortaleza. Anais...
Fortaleza: AMVECE, 2008a. CD-ROM.

COSTA, H. H. A. et al. Consumo e digestibilidade da matéria seca por ovinos


alimentados com dietas contendo silagem de pasto nativo do Nordeste brasileiro
e coproduto de urucum, formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007). In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO ANIMAL, 2008, Fortaleza. Anais...
Fortaleza: AMVECE, 2008b. CD-ROM.

COSTA, H. H. A. et al. Consumo e digestibilidade da matéria seca por ovinos


alimentados com dietas contendo silagem de pasto nativo do nordeste brasileiro
e coproduto de urucum, formuladas conforme o NRC (1985) e o NRC (2007). In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE NUTRIÇÃO ANIMAL, 2008, Fortaleza. Anais...
Fortaleza: AMVECE, 2008c. CD-ROM.

COSTA. J. B. Efeito da inclusão do subproduto de caju (Anacardium


occidentale, L.), submetido a diferentes graus de moagem, em dietas para
cordeiros em terminação sobre o consumo e a digestibilidade de nutrientes.
2008. 77 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) – Universidade Federal do
Ceará, Fortaleza, 2008.

DANTAS FILHO, L. A. et al. Inclusão de polpa de caju desidratada na alimentação


de ovinos: desempenho, digestibilidade e balanço de nitrogênio. Revista Brasileira
de Zootecnia, v. 36, n. 1, p. 147-154, 2007.

291
DIAS, A. M. et al. Digestibilidade dos nutrientes do bagaço de mandioca em dietas
de novilhas leiteiras. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia,
v. 60, p. 996-1003, 2008.

FEGEROS, K. et al. Nutritive value of dried citrus and its effect no milk yield and milk
composition of lactating ewes. Journal of Dairy Science, v. 78, p. 1116-1121, 1995.

FINKS, J. L. Effects of feeding nonforage fiber sources on site of fiber digestion.


Journal of Dairy Science, v. 80, p. 1426, 1997.

GOES, R. H. T. B. et al. Degradabilidade ruminal da matéria seca e da proteína bruta


de diferentes subprodutos agroindustriais utilizados na alimentação de bovinos.
Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v. 9, p. 715-725, 2008.

GRANT, R.J.; COLENBRANDER, V.F.; MERTENS, D.R. Milk fat depression in


dairy cows: role of particle size of alfalfa hay. Journal of Dairy Science, v. 73, p.
1823-1833, 1990.

ÍTAVO, L. C. V. et al. Composição e digestibilidade aparente da silagem de bagaço


de laranja. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 29, p. 1485-1490, 2000.

JORGE, J. R. V. et al. Substituição do milho pela farinha de varredura (Manihot


esculenta, Crantz) na ração de bezerros holandeses. 1. Desempenho e parâmetros
sanguíneos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 31, p. 192-204. 2002.

KAMRA, D.N. Rumen microbial ecosystem. Current Science, v. 89, p. 124-134, 2005.

KOZLOSKI, G.V. Bioquímica dos ruminantes. Santa Maria: UFSM, 2002. 140 p.

LALLO, F. H. et al. Níveis de substituição da silagem de milho pela silagem de


resíduos industriais de abacaxi sobre a degradabilidade ruminal em bovinos de
corte. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 32, p. 719-726, 2003.

LEME, P. R. et al. Utilização do bagaço de cana-de-açúcar em dietas com elevada


proporção de concentrados para novilhos nelore em confinamento. Revista
Brasileira de Zootecnia, v. 32, p. 1786-1791, 2003.

LOUSADA JÚNIOR, J. E. et al. Caracterização físico-química de subprodutos obtidos


do processamento de frutas tropicais visando seu aproveitamento na alimentação
animal. Revista Ciência Agronômica, v. 37, p. 70-76, 2006.

292
LOUSADA JÚNIOR, J. E. et al. Consumo e digestibilidade aparente de subprodutos
do processamento de frutas em ovinos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 34,
p. 659-669, 2005.

MARQUES, J. Avaliação da mandioca e seus resíduos industriais em


substituição do milho na terminação de novilhas: desempenho e digestibilidade
aparente in vivo. 1999. 42 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade
Estadual de Maringá, Maringá, 1999.

McDOWELL, L.R. et al. Latin American tables of feed composition. Flórida:


University of Flórida, 1974. 509 p.

MENDES NETO, J. et al. Consumo, digestibilidade, desempenho, desenvolvimento


ponderal e economicidade de dietas com polpa cítrica em substituição ao feno de
capim Tifton 85 para novilhas leiteiras. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 36,
p.626-634, 2007.

MERTENS, D. R. Análise da fibra e sua utilização na avaliação e formulação de rações.


In: Simpósio Internacional de Ruminantes, Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia,
29, Lavras, 1992. Anais... Lavras: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 1992. p. 188-219.

MERTENS, D. R. Creating a system for meeting the fiber requirements of dairy


cows. Journal of Dairy Science, v. 80, p. 1463-1481, 1997.

MIRANDA, R.M. et al. O farelo de mamona destoxicado na alimentação de


novilhas leiteiras. Rio de Janeiro: Instituto de Zootecnia, 1961. p. 12. (Publicação 41).

NATIONAL RESEARCH COUNCIL – NRC. Nutrient requeriments of small


ruminants. 1.ed. Washington, DC: National Academy Press, 2007. 362 p.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL – NRC. Nutrient requirements of sheep. 6.ed.


New York: National Academy Press, 1985. 99 p.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL – NRC. Nutrients Requeriments of Dairy


Catlle. 6.ed. Washigton, DC: National Academy Press, 2001. 333 p.

NEIVA, J. N. M. et al. Uso de subprodutos da agroindústria na ensilagem do


capim-elefante. Disponível em: <http://www.neef.ufc.br/pal03_pdf> Acesso em: 11
fev. 2009.

293
NEIVA, J. N. M. et al. Uso de subprodutos e resíduos agroindustriais para ruminantes.
In: GOMIDE, C. A. M. et al. (Org.). Alternativas alimentares para ruminantes.
Aracaju: Triunfo, 2006. p. 119-150.

NUSSIO, L. G., CAMPOS, F. P.; LIMA, M. L. M. Metabolismo de carboidratos


estruturais. In: BERCHIELLI; T. T., PIRES, A. V., OLIVEIRA, S. G. (Org.). Nutrição
de ruminantes. Jaboticabal: FUNEP, 2006. p. 183-223.

OLIVEIRA, D. E.; MANELA, M. Q.; GAMA, M. A. S. Associações de ingredientes


e efetividade de fibra. Disponível em: <http://na.linkway.com.br/artigos/fibra_
efetiva_e_ingredientes.pdf> . Acesso em: 07 dez. 2009.

OLIVEIRA, E. R. Aproveitamento de resíduos agroindustriais na alimentação de


ovinos. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CAPRINOS E OVINOS DE CORTE,
3., João Pessoa. Anais... João Pessoa: EMEPA, 2003. CD-ROM.

OLIVEIRA, L.S. Melaço na alimentação de bovinos. Disponível em: <http://www.


pecuariabrasil.com/conteudo.php?areaid=40&id=1054>. Acesso em: 14 dez. 2009.

OLSNES, S.; KOZLOV, J. Ricin. Toxicon, v. 39, p. 1723-1728, 2001.

0RNIA, C. H.; DÖBEREINER, J.; PEIXOTO, P. V. Plantas tóxicas do Brasil. Rio


de Janeiro: Helianthus, 2000. 310 p

ØRSKOV, E. R. Protein nutrition in ruminants. 2. ed. London: Academic Press,


1992.175p.

PEREIRA, E. S. et al. Fontes nitrogenadas e uso de Sacharomyces cerevisiae em


dietas à base de cana-de-açúcar para novilhos: Consumo, digestibilidade, balanço
nitrogenado e parâmetros ruminais. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 30, p.
563-572, 2001.

PETER, C. M. et al. The effects of corn milling coproducts on growth performance


and diet digestibility by beef cattle, Journal of Animal Science, v. 78, p. 1-6, 2000.

PIMENTEL, F. A. Avaliação de métodos de obtenção e da estabilidade de


pigmentos de sementes de Urucum (Bixa orellana L.). 1995. 132 f. Dissertação
(Mestrado em Zootecnia). – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1995.

294
POMPEU, R. C. F. F. Substituição do farelo de soja pela torta de mamona
destoxificada em dietas para ovinos: valor nutritivo e desempenho
bioeconômico. 2009. 107 f. Tese (Doutorado Integrado em Zootecnia) –
Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2009.

POMPEU, R. C. F. F. et al. Valor nutritivo de silagens de capim-elefante (Pennisetum


purpureum Schum.) com adição de subprodutos do processamento de frutas
tropicais. Revista Ciência Agronômica, v. 37, n. 1, p. 77-83, 2006.

PRADO, I. N. et al. Níveis de substituição da silagem de milho pela silagem de


resíduo industrial de abacaxi sobre o desempenho de bovinos confinados. Revista
Brasileira de Zootecnia, v. 32, n. 3. p. 737-744, 2003.

PRIMO, T. S. et al. Concentrações de nitrogênio amoniacal em ovinos alimentados


com dieta contendo silagem de pasto nativo do nordeste brasileiro e soro de queijo
de leite bovino. In: ZOOTEC, 2009, Águas de Lindóia. Anais… Águas de Lindóia:
Zootec, 2009. CD-ROM.

RIBEIRO, T.P. Valor nutritivo de dietas para ovinos contendo coproduto de caju
amonizado ou não com ureia. 2008. 78 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia)
– Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral, 2008.

ROCHA NETO, A.L. Farelo de cacau na dieta de novilhas leiteiras. 2008. 56


f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia, Itapetinga, 2008.

RODRIGUES, M. M. et al. Utilização do farelo de castanha de caju na terminação de


ovinos em confinamento. Revista Brasileira de Zooteccnia, v. 32, p. 240-248, 2003.

ROGÉRIO, M.C.P. Valor nutritivo de subprodutos de frutas para ovinos. 2005.


318 f. Tese (Doutorado em Ciência Animal) – Universidade Federal de Minas Gerais,
Belo Horizonte, 2005.

SAAD, C. E. P. et al. Digestibilidade e retenção de nitrogênio de alimentos para


papagaios verdadeiros (Amazona aestiva). Ciência Agrotécnica, v. 31, p. 1500-
1505, 2007.

295
SAAD, C. E. P. et al. Energia metabolizável de alimentos utilizados na formulação
de rações para papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva). Ciência Agrotécnica,
Lavras, v. 32, p. 591-597, 2008.

SCALOPPI JÚNIOR, E. J. et al. Elvira: Nova variedade de abacate sem semente.


In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA - ANNUAL MEETING OF
THE INTERAMERICAM SOCIETY FOR TROPICAL HORTICULTURA, 20., 2008,
Vitória. Anais… Vitória: [s.n.], 2008. CD-ROM.

SEJRSEN, K.; PURUP, S. Influence of prepubertal feeding level on milk yield potential
of dairy heifers: A review. Journal of Animal Science, v. 75, p.828-835, 1997.

SEVERINO, L.S. O que sabemos sobre a torta de mamona. Campina Grande:


Embrapa Algodão, 2005. 31 p. (Documento, 134).

SIEBRA, J. E. C. et al. Desempenho bioeconômico de suínos em crescimento e


terminação alimentados com rações contendo farelo de coco. Revista Brasileira
de Zootecnia, v. 37, p.1996-2002, 2008.

SILVA, F. F. et al. Desempenho de novilhas leiteiras alimentadas com silagem de


capim-elefante com adição de diferentes níveis de bagaço de mandioca. Arquivo
Brasileiro Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 58, p. 205-211, 2006.

SILVA, L. M. L. R. Caracterização dos subprodutos da vinificação. Disponível


em: <http://www.ipv.pt/millenium28/10.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2009.

SILVA, V. L. Avaliação nutricional da inclusão do farelo de castanha de caju em


dietas de cordeiros mestiços. 2010. 111 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia)
- Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral, 2010.

SOUZA, A.L. et al. Casca de café em dietas para novilhas leiteiras: consumo,
digestibilidade e desempenho. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 35, p. 921-
927, 2006.

STARLING, J. M. C.; RODRIGUEZ, N. M.; MOURÃO, G. B. Avaliação da semente


de maracujá (Passiflora edulis) em ensaio de digestibilidade da matéria seca, fibra
em detergente acido, hemicelulose e celulose. Arquivo Brasileiro de Medicina
Veterinária e Zootecnia, v. 49, p. 63-74, 1997.

296
TEIXEIRA, J. C. Nutrição de ruminantes. Lavras: FAEPE, 1992. 239 p.

TEIXEIRA, R. M. A. et al. Consumo, digestibilidade e desempenho de novilhas


alimentadas com casca de café em substituição à silagem de milho. Revista
Brasileira de Zootecnia, v. 36, p. 968-977, 2007.

0RNIA, C. H.; DÖBEREINER, J.; PEIXOTO, P. V. Plantas tóxicas do Brasil. Rio


de Janeiro: Helianthus, 2000. 310 p.

UTIYAMA, C.E. Utilização do resíduo de sementes processadas de urucum


(Bixa orellana L.) na alimentação de suínos em crescimento. 2001. 43 f.
Dissertação (Mestrado em Ciência Animal e Pastagens) - Universidade de São
Paulo, Piracicaba, 2001.

VALADARES FILHO, S. C. et al. Tabelas de composição de alimentos para


bovinos. 2. ed. Viçosa: UFV/ DZO, 2006. 329 p.

VAN SOEST, P. J. Nutritional ecology of the ruminant. 2. ed. Ithaca: Cornell


University Press, 1994. 476p.

VAN SOEST, P. J.; ROBERTSONJ, B.; LEWIS, B. A. Methods for dietary fiber,
neutral detergent fiber, and nonstarch polysaccharides in relation to animal nutrition.
Journal of Dairy Science, v. 74, p. 3583-3597, 1991.

VASCONCELOS, V. R. et al. Utilização de subproduto da indústria frutífera


na alimentação de caprinos e ovinos. Sobral: EMBRAPA-CNPC, 2002. 36 p.
(EMBRAPA-CNPC. Documentos, 42).

VIEIRA, P. A. F. et al. Efeitos da inclusão de farelo do resíduo de manga no


desempenho de frangos de corte de 1 a 42 dias. Revista Brasileira de Zootecnia,
v. 37, p. 2173-2178, 2008.

ZINN, R. A.; DEPETERS, E. J. Comparative feeding of tapioca pellets for feedlot


cattle. Journal of Animal Science, v. 69, p. 4726-4733, 1991.

297