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SAÚDE DA CRIANÇA II

ANEMIAS NA INFÂNCIA

Prof. Ricardo Balesdent Barreira


Professor efetivo UFRJ
DEFINIÇÃO

▪ DIMINUIÇÃO DA MASSA ERITROCITÁRIA


CIRCULANTE OU CONCENTRAÇÃO DE HB
▪ LIMITE INFERIOR DA NORMALIDADE → 2,5 DV
ABAIXO DA MÉDIA PARA POPULAÇÃO
▪ SEGUNDO OMS HB < 11,0 G/DL (5M A 6 ANOS)
▪ ATINGE GRANDE PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO
PEDIÁTRICA
▪ LEMBRAR QUE A TAXA DE HB VARIA COM A IDADE
Definição
Síndrome clínica e quadro laboratorial caracterizado por:
✓ ↓ Hematócrito
✓ ↓ Hemoglobina
✓ ↓ Hemácias/ volume de sangue.

O hematócrito e níveis de hemoglobina variam:


◦ Fase do desenvolvimento
◦ Estimulação hormonal
◦ Tensão de O₂ no ambiente
◦ Idade e sexo.
Deficiência de produção de
eritrócitos
▶ Falta de tecido eritropoiético:
◦ Destruição
◦ Estimulantes (EPO) ↓
◦ congênita.
▶ Invasão da medula óssea por elementos
malignos.
▶ ↓ Elementos essenciais à eritropoiese:
◦ Ferro
◦ Folato
◦ Vitaminas B 12, B 6 e C.
Excesso de destruição de eritrócitos (Hemólise)

▶ Agressão ao eritrócito:
◦ Toxinas
◦ Parasitas
◦ Imunológica

▶ Defeito do eritrócito:
◦ Arquitetura da membrana
◦ Enzimático
◦ Hemoglobina anormal

▶ Hiperesplenismo.
Perdas hemorrágicas

▶ Agudas:
◦ Traumas
◦ Cirurgias
◦ Hemorragias nos tratos gastrintestinal e genital

▶ Crônicas:
◦ Úlceras
◦ Tumores intestinais
◦ Parasitas intestinais
◦ Menstruações abundantes
Diagnóstico Clínico

▶ As manifestações clínicas são decorrentes da redução


da capacidade transporte de O₂ no sangue e menor
oxigenação dos tecidos (hipóxia):

Palidez Irritabilidade
Palidez
Tontura Irritabilidade
Cefaléia
Tontura
Astenia Cefaléia
Debilidade física
Falta de interesse e atenção
Astenia Dispnéia
Debilidadeaos esforços
física
Perversão do apetite e anorexia Depressão imunológica
Falta de interesse e atenção Dispnéia aos esforços
Perversão do apetite e Depressão imunológica
anorexia
AVALIAÇÃO DA CRIANÇA COM ANEMIA
VALORES (NORMAL E LIMITE INFERIOR DO NORMAL) PARA HB, HT E VCM

Hb (g/dl) Ht (%) VCM


IDADE MÉDIA LIM. INF. MÉDIA LIM. INF. MÉDIA LIM. INF.
0,5 A 1,9 ANOS 12,5 11,0 37 33 77 70
2 A 4 ANOS 12,5 11,0 38 34 79 73
5 A 7 ANOS 13,0 11,5 39 35 81 75
8 A 11 ANOS 13,5 12,0 40 36 83 76
12 A 14 ANOS
FEM. 13,5 12,0 41 36 85 78
MASC. 14,0 12,5 43 37 84 77
15 A 17 ANOS
FEM. 14,0 12,0 41 36 87 79
MASC. 15,0 13,0 46 38 86 78
18 A 49 ANOS
FEM. 14,0 12,0 42 37 90 80
MASC. 16,0 14,0 47 40 90 80
AVALIAÇÃO DA ANEMIA QUANTO À IDADE

▪ PERÍODO NEONATAL → PERDAS, DEFICIT DE PRODUÇÃO


(APLASIAS CONGÊNITAS), AUMENTO DA DESTRUIÇÃO
(INCOMP. ABO/RH, INFECÇÕES, CIVD, ESFEROCITOSE,
ERITROENZIMOPATIAS, TALASSEMIAS), PREMATURO RISCO
PARA CARÊNCIA NUTRICIONAL

▪ ANEMIA FISIOLÓGICA – QUEDA NORMAL DA HB NAS


PRIMEIRAS SEMANAS DE VIDA (6 A 8 SEMANAS)

▪ 3 A 6 MESES → ANEMIAS CONGÊNITAS, CARENCIAL


(CONDIÇÕES SOCIO-ECONÔMICAS)

▪ MAIOR QUE 6 A 9 MESES → CARENCIAL, CONGÊNITAS


AVALIAÇÃO LABORATORIAL

▶ HEMOGRAMA COMPLETO
◦ VCM
◦ RDW → red cell volume distribution width (largura de
distribuição das hemácias) Valor normal - 11,5 a 14,5 %

◦ Interpretação:
⚫ Valor normal → população homogênea
⚫ Valor elevado → população heterogênea
Diagnóstico Laboratorial
▶ Contagem de reticulócitos:
◦ 0,5 a 2,0%, em nº absolutos 25.000 a 75.000/ µl.
<0,5% = insuficiente produção medular.
>2,0% = hiperprodução medular.

▶ Mielograma:
◦ Normoblástica: Fe, hemólise, infecção.
◦ Hiperplasia da série vermelha: ↓ Fe e hemólise.
◦ Hipoplasia.
◦ Eritropoiese megaloblástica: ↓ folato e vitamina B
12.
◦ Invasão de células anormais.
Caracterização das anemias
Tipo de CHCM VCM
Anemia
Normocítica >30 80 – 90

Macrocítica >30 >94

Microcítica >30 <80

Hipocrômica <30 <80


microcítica
Anemia Ferropriva
▶ Mais freqüente ( atingindo 40 a 50% das
crianças < 5 anos).

▶ Deficiência de Ferro:

– Aumento da – Dieta deficiente em


necessidade Fe
– Excesso de perda – Anemia materna
– Má absorção GI de Fe – Hemólise neonatal
Anemia Ferropriva
Quadro Clínico
▶ Instalação gradual (estágio ↓ Fe corporal)
▶ Sintomatologia característica:
◦ Sintomas gerais da anemia
◦ Glossite atrófica
◦ Perversão alimentar
◦ Disfagia intensa
◦ Queda do rendimento intelectual
Inicialmente, as formas de reserva de ferro, ferritina e

hemossiderina diminuem, persistindo normais os níveis de

hematócrito e de hemoglobina. A seguir, o nível sérico de ferro

diminui e, concomitantemente, a capacidade de ligação do ferro

na transferrina aumenta, resultando em um decréscimo da

percentagem de saturação do ferro na transferrina.

Conseqüentemente, ocorre um ligeiro decréscimo da circulação

das células vermelhas. Essa fase pode ser

denominada deficiência de ferro sem anemia.


Anemia Ferropriva
Diagnóstico Laboratorial
▶ Hemograma:
◦ ↓ Hb, Ht, VCM, HCM, CHCM
▶ Esfregaço : microcitose e hipocromia, pode
haver poiquilocitose e hemácias em alvo.
▶ Ferro Sérico ↓ : < 70µg/dl (VR:115 ± 50)
▶ Transferina ↑ : > 400µg/ml
▶ Saturação da transferrina ↓ : < 15%
▶ Ferritina sérica ↓ : <10ng/mlA
Anemia Ferropriva
Diagnóstico Laboratorial

Hemácias normais Hemácias microcíticas e


hipocrômicas
Anemia Ferropriva
Diagnóstico Laboratorial
▶ Reticulócitos: normais ou levemente elevados
▶ Mielograma: hiperplasia eritróide; ↓
grânulos de Fe nos normoblastos; quase
ausência de Fe corável ou ferritina.
▶ Prova terapêutica: pode substituir
comprovação laboratorial.
◦ Administração oral de Fe, com aumento significativo
dos reticulócitos em 1 semana e da Hb em 1 mês.
Anemia Ferropriva
Tratamento

▶ Correção da causa de espoliação do Fe.


▶ Adequação dietética.
▶ Sais de Fe via oral :
◦ 3 a 4 mg de Ferro elementar/Kg/dia
(dividido em 2 a 3 tomadas, às refeições)
Outras Anemias
▶ Anemia megaloblástica
◦ Carência de ácido fólico e vitamina B12.
◦ Eritropoiese ineficaz por comprometimento
da biossíntese do DNA.
◦ Resultam em macrócitos de VCM e HCM
aumentados.

Megaloblastos
Outras Anemias
▶ Anemia Hemolítica
◦ Defeitos intrínsecos ou extrínsecos dos
eritrócitos que alteram integridade celular.
◦ Destruição excessiva de hemácias com redução
da sobrevida.
Ex: Enzimopatia (deficiência de G6PD)
Hemoglobinopatia (anemia falciforme,
talassemia)

Hemácias em foice e algumas em alvo


Outras Anemias
▶ Anemia Aplástica
◦ Transtorno quantitativo de células precursoras
caracterizada por comprometimento de todas as
linhagens celulares: anemia, leucopenia e
trombocitopenia.
◦ Aplasia ou hipoplasia da medula óssea.

Medula normal Medula na anemia aplástica


grave
Outras Anemias

▶ Anemia de doença crônica


– Deficiência de produção ou resistência a
ERITROPOETINA.
– Associada a inflamações e neoplasias.
– Normocítica e normocrômica.
ANEMIA FISIOLÓGICA
▶ A deficiência de ferro durante a gravidez, principalmente no último trimestre,
aumenta o número de nascimentos prematuros e de baixo peso. Entretanto, a
quantidade de ferro na criança ao nascer independe do estado da mãe em relação
a este mineral, com exceção dos casos de deficiência materna muito grave. A
deficiência de ferro na gestação teria repercussões mais importantes na própria
mãe do que na criança, uma vez que a criança espolia as reservas de ferro da mãe
para atender as suas necessidades. Baixas reservas de ferro ao nascer,
determinando aparecimento precoce de anemia, podem estar associadas a
situações anormais, como as hemorragias perinatais.

▶ A criança ao nascer apresenta altas taxas de hemoglobina e tem em seu


organismo 75 mg de ferro/kg de peso, sendo a maior parte deste contido nas
células vermelhas (50 mg/kg).
ANEMIA FISIOLÓGICA
▶ As reservas de ferro acumuladas pelo feto são mobilizadas, a partir do
nascimento, para suprir as necessidades do nutriente, impostas pelo
crescimento acelerado e pela reposição das perdas por meio das fezes,
pele e urina.

▶ Nos primeiros dois meses de vida, ocorre uma queda acentuada na


concentração de hemoglobina, sendo os valores mais baixos entre seis a
oito semanas e, paralelamente, um aumento na mobilização das reservas
de ferro. Esta queda é conhecida como anemia fisiológica do lactente, não
sendo evitada por qualquer medida preventiva e nem acompanhada de
qualquer anomalia.