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Apostila de EJA LÍNGUA PORTUGUESA PARA ENSINO MÉDIO -PROFESSORA

MARIANA MARCELINO

Caro aluno você está recebendo uma apostila trimestral, atente-se aos conteúdos e exercícios nela
contido.

Para seu sucesso é necessário decicação e empenho, por isso leia todo omaterial e também acesse os
links de sites recomendados.

Att. Professora Mariana Marcelino

Segundo um estudo morfológico da língua portuguesa, as palavras podem ser analisadas e catalogadas
em dez classes de palavras ouclasses gramaticais distintas, sendo elas: substantivo, artigo, adjetivo,
pronome, numeral, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

Substantivo

Substantivos são palavras que nomeiam seres, lugares, qualidades, sentimentos, noções, entre outros.
Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (diminutivo,
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normal, aumentativo). Exercem sempre a função de núcleo das funções sintáticas onde estão inseridos
(sujeito, objeto direto, objeto indireto e agente da passiva).

Podem ser classificados em:

 Substantivos simples: casa, amor, roupa, livro, felicidade,…

 Substantivos compostos: passatempo, arco-íris, beija-flor, segunda-feira, malmequer,…

 Substantivos primitivos: folha, chuva, algodão, pedra, quilo,…

 Substantivos derivados: território, chuvada, jardinagem, açucareiro, livraria,…

 Substantivos próprios: Flávia, Brasil, Carnaval, Nilo, Serra da Mantiqueira,…

 Substantivos comuns: mãe, computador, papagaio, uva, planeta,…

 Substantivos coletivos: rebanho, cardume, pomar, arquipélago, constelação,…

 Substantivos concretos: mesa, cachorro, samambaia, chuva, Felipe,…

 Substantivos abstratos: beleza, pobreza, crescimento, amor, calor,…

 Substantivos comuns de dois gêneros: o estudante/a estudante, o jovem/a jovem, o artista/a

artista,…

 Substantivos sobrecomuns: a vítima, a pessoa, a criança, o gênio, o indivíduo,…

 Substantivos epicenos: a formiga, o crocodilo, a mosca, a baleia, o besouro,…

 Substantivos de dois números: o lápis/os lápis, o tórax/os tórax, a práxis/as práxis,…

Artigo
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Artigos são palavras que antecedem os substantivos, determinando a definição ou a indefinição dos
mesmos. Sendo flexionados em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), indicam
também o gênero e o número dos substantivos que determinam.

Podem ser classificados em:

 Artigos definidos: o, a, os, as.

 Artigos indefinidos: um, uma, uns, umas.

Adjetivo

Adjetivos são palavras que caracterizam um substantivo, conferindo-lhe uma qualidade, característica,
aspecto ou estado. Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e
grau (normal, comparativo, superlativo).

Podem ser classificados em:

 Adjetivos simples:vermelha, lindo, zangada, branco,…

 Adjetivos compostos:verde-escuro, amarelo-canário, franco-brasileiro, mal-educado,…

 Adjetivo primitivo: feliz, bom, azul, triste, grande,…

 Adjetivo derivado: magrelo, avermelhado, apaixonado,…

 Adjetivos biformes: bonito, alta, rápido, amarelas, simpática,…

 Adjetivos uniformes: competente, fácil, verdes, veloz, comum,…

 Adjetivos pátrios: paulista, cearense, brasileiro, italiano, romeno,…

Pronome
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Pronomes são palavras que substituem o substantivo numa frase (pronomes substantivos) ou que
acompanham, determinam e modificam os substantivos, atribuindo particularidades e características aos
mesmos (pronomes adjetivos). Podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número
(singular e plural) e pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa do discurso).

Podem ser classificados em:

 Pronomes pessoais retos: eu, tu, ele, nós, vós, eles,…

 Pronomes pessoais oblíquos: me, mim, comigo, o, a, se, conosco, vos,…

 Pronomes pessoais de tratamento: você, senhor, Vossa Excelência, Vossa Eminência,…

 Pronomes possessivos: meu, tua, seus, nossas, vosso, sua,…

 Pronomes demonstrativos: este, essa, aquilo, o, a, tal,…

 Pronomes interrogativos: que, quem, qual, quanto,…

 Pronomes relativos: que, quem, onde, a qual, cujo, quantas,…

 Pronomes indefinidos: algum, nenhuma, todos, muitas, nada, algo,…

Numeral

Numerais são palavras que indicam quantidades de pessoas ou coisas, bem como a ordenação de
elementos numa série. Alguns numerais podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino) e
número (singular e plural), outros são invariáveis.

Podem ser classificados em:

 Numerais cardinais: um, sete, vinte e oito, cento e noventa, mil,…

 Numerais ordinais: primeiro, vigésimo segundo, nonagésimo, milésimo,…


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 Numerais multiplicativos: duplo, triplo, quádruplo, quíntuplo,…

 Numerais fracionários: um meio, um terço, três décimos,…

 Numerais coletivos: dúzia, cento, dezena, quinzena,…

Verbo

Verbos são palavras que indicam, principalmente, uma ação. Podem indicar também uma ocorrência, um
estado ou um fenômeno. Podem ser flexionados em número (singular e plural), pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª
pessoa do discurso), modo (indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (passado, presente e futuro),
aspecto (incoativo, cursivo e conclusivo) e voz (ativa, passiva e reflexiva).

Podem ser classificados em:

 Verbos regulares: cantar, amar, vender, prender, partir, abrir,…

 Verbos irregulares: medir, fazer, ouvir, haver, poder, crer,…

 Verbos anômalos: ser e ir.

 Verbos principais: comer, dançar, saltar, escorregar, sorrir, rir,…

 Verbos auxiliares: ser, estar, ter, haver e ir.

 Verbos de ligação: ser, estar, parecer, ficar, tornar-se, continuar, andar e permanecer.

 Verbos defectivos pessoais: falir, banir, reaver, colorir, demolir, adequar,…

 Verbos defectivos impessoais: haver, fazer, chover, nevar, ventar, anoitecer, escurecer,…

 Verbos defectivos unipessoais: latir, miar, cacarejar, mugir, convir, custar, acontecer,…

 Verbos abundantes: aceitado/aceito, ganhado/ganho, pagado/pago,…


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 Verbos pronominais essenciais: arrepender-se, suicidar-se, zangar-se, queixar-se, abster-se,

dignar-se,…

 Verbos pronominais acidentais: pentear/pentear-se, sentar/sentar-se, enganar/enganar-se,

debater/debater-se,…

Advérbio

Advérbios são palavras que modificam um verbo, um adjetivo ou um advérbio, indicando uma
circunstância (tempo, lugar, modo, intensidade,…). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e
número. Contudo, alguns advérbios podem ser flexionados em grau.

Podem ser classificados em:

 Advérbio de lugar: aqui, ali, atrás, longe, perto, embaixo,…

 Advérbio de tempo: hoje, amanhã, nunca, cedo, tarde, antes,…

 Advérbio de modo: bem, mal, rapidamente, devagar, calmamente, pior,…

 Advérbio de afirmação: sim, certamente, certo, decididamente,…

 Advérbio de negação: não, nunca, jamais, nem, tampouco,…

 Advérbio de dúvida: talvez, quiçá, possivelmente, provavelmente, porventura,…

 Advérbio de intensidade: muito, pouco, tão, bastante, menos, quanto,…

 Advérbio de exclusão: salvo, senão, somente, só, unicamente, apenas,…

 Advérbio de inclusão: inclusivamente, também, mesmo, ainda,…

 Advérbio de ordem: primeiramente, ultimamente, depois,…


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Preposição

Preposições são palavras que estabelecem conexões com vários sentidos entre dois termos da oração.
Através de preposições, o segundo termo (termo consequente) explica o sentido do primeiro termo (termo
antecedente). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número.

Podem ser classificadas em:

 Preposições simples essenciais: a, após, até, com, de, em, entre, para, sobre,…

 Preposições simples acidentais: como, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante,

salvo, segundo, senão,…

 Preposições compostas ou locuções prepositivas: acima de, a fim de, apesar de, através de,

de acordo com, depois de, em vez de, graças a, perto de, por causa de,…

Conjunção

Conjunções são palavras utilizadas como elementos de ligação entre duas orações ou entre termos de
uma mesma oração, estabelecendo relações de coordenação ou de subordinação. São invariáveis, não
sendo flexionadas em gênero e número.

Podem ser classificadas em:

 Conjunções coordenativas aditivas: e, nem, também, bem como, não só...mas também,…

 Conjunções coordenativas adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto,

não obstante,…

 Conjunções coordenativas alternativas: ou, ou...ou, já…já, ora...ora, quer...quer, seja...seja,…

 Conjunções coordenativas conclusivas: logo, pois, portanto, assim, por isso, por consequência,

por conseguinte,…
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 Conjunções coordenativas explicativas: que, porque, porquanto, pois, isto é,…

 Conjunções subordinativas integrantes: que, se.

 Conjunções subordinativas adverbiais causais: porque, que, porquanto, visto que, uma vez

que, já que, pois que, como,…

 Conjunções subordinativas adverbiais concessivas: embora, conquanto, ainda que, mesmo

que, se bem que, posto que, …

 Conjunções subordinativas adverbiais condicionais: se, caso, desde, salvo se, desde que,

exceto se, contando que,…

 Conjunções subordinativas adverbiais conformativas: conforme, como, consoante, segundo,…

 Conjunções subordinativas adverbiais finais: a fim de que, para que, que,…

 Conjunções subordinativas adverbiais proporcionais: à proporção que, à medida que, ao

passo que, quanto mais… mais,…

 Conjunções subordinativas adverbiais temporais: quando, enquanto, agora que, logo que,

desde que, assim que, tanto que, apenas,…

 Conjunções subordinativas adverbiais comparativas: como, assim como, tal, qual, tanto como,

 Conjunções subordinativas adverbiais consecutivas: que, tanto que, tão que, tal que, tamanho

que, de forma que, de modo que, de sorte que, de tal forma que,…

Interjeição

Interjeições são palavras que exprimem emoções, sensações, estados de espírito. São invariáveis e seu
significado fica dependente da forma como as mesmas são pronunciadas pelos interlocutores.
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Podem ser classificadas em:

 Interjeições de alegria: Oh!, Ah!, Oba!, Viva!, Opa!,…

 Interjeições de estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Ânimo!, Adiante!,…

 Interjeições de aprovação: Apoiado!, Boa!, Bravo!,…

 Interjeições de desejo: Oh!, Tomara!, Oxalá!,…

 Interjeições de dor: Ai!, Ui!, Ah!, Oh!,…

 Interjeições de surpresa: Nossa!, Cruz!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!,…

 Interjeições de impaciência: Diabo!, Puxa!, Pô!, Raios!, Ora!,…

 Interjeições de silêncio: Psiu!, Silêncio!,…

 Interjeições de alívio: Uf!, Ufa! Ah!,…

 Interjeições de medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!,…

 Interjeições de advertência: Cuidado!, Atenção!, Olha!, Alerta!, Sentido!,…

 Interjeições de concordância: Claro!, Tá!, Hã-hã!,…

 Interjeições de desaprovação: Credo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora!,…

 Interjeições de incredulidade: Hum!, Epa!, Ora!, Qual!,…

 Interjeições de socorro: Socorro!, Aqui!, Piedade!, Ajuda!,…

 Interjeições de cumprimentos: Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Adeus!,…

 Interjeições de afastamento: Rua!, Xô!, Fora!, Passa!,…


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Concordância verbal com verbos impessoais


Nos verbos impessoais, ou seja, nos verbos que não apresentam sujeito, o verbo deverá ser conjugado
sempre na 3.ª pessoa do singular. Verbos impessoais são também verbos defectivos, não apresentando
conjugações completas.

Os principais verbos impessoais são:

 o verbo haver, com sentido de existir;

 o verbo fazer, indicando tempo decorrido;

 verbos que indicam fenômenos atmosférico e da natureza, como os verbos chover, nevar, ventar,
anoitecer, escurecer,…

Exemplos com verbo haver:

 Há pastéis de carne e de queijo.

 Havia várias crianças correndo no parque.

 Há três minutos você ainda não tinha chegado.

Exemplos com verbo fazer:

 Vai fazer cinco anos que visitei o Canadá.

 Faz três meses desde a última vez que te vi.

 Faz duas horas que estou esperando você!

Exemplos com verbos que indicam fenômenos da natureza:

 Todos os dias chove no fim da tarde.

 Nos dias frios neva muito.

 Já anoiteceu!

Atenção!
Quando um verbo impessoal é utilizado com sentido figurado, deixa de ser impessoal, passando a ser
conjugado nas diversas pessoas.

Exemplos:

 Choveram pedidos de ajuda alimentar.

 Hoje, meus filhos amanheceram doentes!


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MORFOLOGIA
DEFINIÇÃO

Em linguística, Morfologia é o estudo da estrutura, da formação e da classificação das palavras. A


peculiaridade da morfologia é estudar as palavras olhando para elas isoladamente e não dentro da
sua participação na frase ou período. A morfologia está agrupada em dez classes, denominadas
classes de palavras ou classes gramaticais. São elas: Substantivo, Artigo, Adjetivo, Numeral,
Pronome, Verbo, Advérbio, Preposição, Conjunção e Interjeição.

ÍNDICE

Estrutura e Formação das Palavras

Estrutura das Palavras

Raiz

Desinência

Formação das Palavras

Derivação Regressiva

Composição

Prefixos

Sufixos

Sufixos Formadores de Palavras

Radicais Gregos

Radicais Latinos

Substantivo

Definição

Substantivo Comum

Substantivo Abstrato

Substantivo e seus Coletivos

Lista de Substantivos Coletivos I

Lista de Substantivos Coletivos II

Lista de Substantivos Coletivos III


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Lista de Substantivos Coletivos IV

Lista de Substantivos Coletivos V

Formação dos Substantivos

Flexão dos Substantivos

Substantivo Uniforme I

Substantivo Uniforme II

Substantivo Comum de 2 Gêneros

Substantivo de Gênero Incerto

Número de Substantivo

Plural dos Substantivos Compostos

Plural das Palavras Substantivadas

Grau do Substantivo

Artigo

Artigo

Adjetivo

Adjetivo

Adjetivo Pátrio

Locução Adjetiva I

Locução Adjetiva II

Flexão dos Adjetivos

Adjetivo Composto

Grau Superlativo

Lista Superlativos

Numeral

Numeral

Numerais Multiplicativos

Pronome
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Pronome

Pronomes Pessoais

Pronome Oblíquo Átono

Pronome Oblíquo Tônico

Pronome de Tratamento

Pronomes Possessivos

Pronomes Demonstrativos

Observações sobre Pronomes

Pronomes Indefinidos

Pronomes Relativos

Pronomes Relativos II

Pronomes Interrogativos

Verbo

Verbo

Classificação dos Verbos

Verbos Unipessoais I

Verbos Unipessoais II

Verbo Ser - Formas Nominais

Verbo Ter - Modo Indicativo

Modos de Verbo

Tempos Verbais

Tempos do Subjuntivo

Tempos Primitivos

Tempos Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo

Futuro do Subjuntivo

Futuro do Pretérito do Indicativo I

Futuro do Pretérito do Indicativo II

Aspecto Verbal

Emprego do Infinitivo Impessoal e Pessoal I

Emprego do Infinitivo Impessoal e Pessoal II


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Infinitivo Pessoal

Vozes do Verbo

Voz Passiva Sintética

Pronúncia Correta de Alguns Verbos

Advérbio

Advérbio I

Advérbio II

Classificação dos Advérbios

Advérbios Interrogativos

Palavras e Locuções Denotativas

Preposição

Preposição

Classificação das Preposições

Locução Prepositiva

Principais Relações Estabelecidas pelas Preposições

Conjunção

Definição de Conjunção

Conjunções Coordenativas

Conjunções Subordinativas I

Conjunções Subordinativas II

Conjunções Subordinativas III

Interjeição

Interjeição I

Interjeição II

Locuções Interjetivas

Ver no site: http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/


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ESTRUTURA DAS PALAVRAS


Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das palavras. Assim, compreendemos
melhor o significado de cada uma delas. Observe os exemplos abaixo:

art-ista brinc-a-mos cha-l-eira cachorr-inh-a-s

A análise destes exemplos mostra-nos que as palavras podem ser divididas em unidades menores, a
que damos o nome de elementos mórficos ou morfemas.

Vamos analisar a palavra "cachorrinhas":

Nessa palavra observamos facilmente a existência de quatro elementos. São eles:

cachorr - este é o elemento base da palavra, ou seja, aquele que contém o significado.

inh - indica que a palavra é um diminutivo

a - indica que a palavra é feminina

s - indica que a palavra se encontra no plural

Morfemas: unidades mínimas de caráter significativo.

Obs.: existem palavras que não comportam divisão em unidades menores, tais como: mar, sol,
lua, etc.

São elementos mórficos:

1) Raiz, radical, tema: elementos básicos e significativos

2) Afixos (prefixos, sufixos), desinência, vogal temática: elementos modificadores da significação


dos primeiros

3) Vogal de ligação, consoante de ligação: elementos de ligação ou eufônicos.

Raiz

É o elemento originário e irredutível em que se concentra a significação das palavras, consideradas


do ângulohistórico. É a raiz que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma família
etimológica. Observe o exemplo:
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Raiz noc [Latim nocere = prejudicar] tem a significação geral de causar dano, e a ela se prendem,
pela origem comum, as palavras nocivo, nocividade, inocente, inocentar, inócuo, etc.

Obs.: uma raiz pode sofrer alterações. Veja o exemplo:

at-o

at-or

at-ivo

aç-ão

ac-ionar

Radical

Observe o seguinte grupo de palavras:

livr- o
livr- inho
livr- eiro
livr- eco

Você reparou que há um elemento comum nesse grupo?

Você reparou que o elemento livr serve de base para o significado? Esse elemento é chamado de
radical (ou semantema).

Radical: elemento básico e significativo das palavras, consideradas sob o aspecto gramatical
e prático. É encontrado através do despojo dos elementos secundários (quando houver) da palavra.

Por Exemplo:

cert-o
cert-eza
in-cert-eza

Afixos

Afixos são elementos secundários (geralmente sem vida autônoma) que se agregam a um radical ou
tema para formar palavras derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema "-mente", por exemplo,
cria uma nova palavra a partir de "certo": certamente, advérbio de modo. De maneira semelhante, o
acréscimo dos morfemas "a-" e"-ar" à forma "cert-" cria o verbo acertar. Observe que a- e -ar são
morfemas capazes de operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados.
Quando são colocados antes do radical, como acontece com "a-", os afixos recebem o nome
de prefixos. Quando, como "-ar", surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos.
Veja os exemplos:

Prefixo Radical Sufixo


in at ivo
em pobr ecer
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inter nacion al

Desinências

Desinências são os elementos terminais indicativos das flexões das palavras. Existem dois tipos:

Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular e


plural) dos nomes.

Exemplos:

alun-o
alun-a

Observação: só podemos falar em desinências nominais de gêneros e de números em palavras que


admitem tais flexões, como nos exemplos acima. Em palavras como mesa, tribo, telefonema, por
exemplo, não temos desinência nominal de gênero. Já em pires, lápis, ônibus não temos
desinência nominal de número.

Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos verbos.

Exemplos:

compr-o compra-s compra-mos compra-is compra-m


compra-va compra-va-s

A desinência "-o", presente em "am-o", é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está
na primeira pessoa do singular; "-va", de "ama-va", é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma
verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.

Vogal Temática

Vogal Temática é a vogal que se junta ao radical, preparando-o para receber as desinências. Nos verbos,
distinguem-se três vogais temáticas:

Caracteriza os verbos da 1ª conjugação.

Exemplos:

buscar, buscavas, etc.

Caracteriza os verbos da 2ª conjugação.

Exemplos:

romper, rompemos, etc.


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Caracteriza os verbos da 3ª conjugação.

Exemplos:

proibir, proibirá, etc.

Tema

Tema é o grupo formado pelo radical mais vogal temática. Nos verbos citados acima, os temas são:

busca-, rompe-, proibi-

Vogais e Consoantes de Ligação

As vogais e consoantes de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar
ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra.

Exemplo:

parisiense (paris= radical, ense=sufixo, vogal de ligação=i)

Outros exemplos:

gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o-cracia, pau-l-ada, cafe-t-eira, cha-l-eira, inset-i-cida, pe-z-inho,


pobr-e-tão, etc.

LITERATURA - ESTILOS LITERÁRIOS


Estilos literários - resumos, autores, obras, características principais e questões comentadas

Estilo individual é a maneira peculiar com que cada escritor manipula a linguagem literária.
Refere-se à capacidade de usar técnicas para obter um melhor resultado estético.

Estilo de época diz respeito a uma série de procedimentos estéticos que caracterizam
determinado período histórico – porque foram usados repetitiva e constantemente, por uma ou
mais geração de escritores.

Tomando por base os estilos de época, podemos fazer a seguinte periodização das literaturas
portuguesa e brasileira:

Literatura Portuguesa
Trovadorismo
Humanismo
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Classicismo
Barroco
Arcadismo
Romantismo
Realismo
Simbolismo
Modernismo

- Conheça as vanguardas europeias

Literatura Brasileira
Quinhentismo
Barroco
Arcadismo
Romantismo
Realismo e Naturalismo
Parnasianismo
Simbolismo
Pré-Modernismo
Modernismo

- saiba mais sobre os estilos da literatura brasileira EM : https://www.youtube.com/watch?


v=POalSeti9cA

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COM O QUE FICAR ATENTO?


Estilos de época são frequentemente cobrados pelos vestibulares em questões sobre o contexto
histórico e cultural dos livros obrigatórios. Eles também podem ajudar a responder sobre as
características psicológicas do autor e das personagens das obras.

COMO PODE CAIR NO VESTIBULAR?


A linguagem literária geralmente é explorada em questões que envolvem figuras de linguagem
(como a metáfora e a metonímia) ou que pretendam avaliar a capacidade de estabelecer relações
textuais.

EXEMPLO DE QUESTÃO DE VESTIBULAR E ENEM:


1. (Enem) Leia o que disse João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, sobre a função de
seus textos:

"Falo somente com o que falo: a linguagem enxuta, contato denso; Falo somente do que falo: a
vida seca, áspera e clara do sertão; Falo somente por quem falo: o homem sertanejo
sobrevivendo na adversidade e na míngua. Falo somente para quem falo: para os que precisam
ser alertados para a situação da miséria no Nordeste."

Para João Cabral de Melo Neto, no texto literário,

a) a linguagem do texto deve refletir o tema, e a fala do autor deve denunciar o fato social para
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determinados leitores.
b) a linguagem do texto não deve ter relação com o tema, e o autor deve ser imparcial para que
seu texto seja lido.
c) o escritor deve saber separar a linguagem do tema e a perspectiva pessoal da perspectiva do
leitor.
d) a linguagem pode ser separada do tema, e o escritor deve ser o delator do fato social para
todos os leitores.
e) a linguagem está além do tema, e o fato social deve ser a proposta do escritor para convencer
o leitor.

GABARITO
1. Resposta correta: A
Comentário: Além de harmonizar forma e conteúdo, a arte literária reflete um fato social. Por isso,
a única alternativa correta sobre a função dos textos de João Cabral é a alternativa A.

IMPORTANTE: artisticamente falando, a literatura caracteriza-se pelo uso estético da linguagem


escrita. Nesse sentido, podemos classificar como literatura o conjunto de obras literárias de
reconhecido valor estético, pertencentes a um país, época, gênero etc.

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HISTÓRIA DA LITERATURA

Quinhentismo (século XVI)

Representa a fase inicial da literatura brasileira, pois ocorreu no começo da colonização.


Representante da Literatura Jesuíta ou de Catequese, destaca-se Padre José de Anchieta com
seus poemas, autos, sermões cartas e hinos. O objetivo principal deste padre jesuíta, com sua
produção literária, era catequizar os índios brasileiros. Nesta época, destaca-se ainda Pero Vaz
de Caminha, o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral. Através de suas cartas e seu diário,
elaborou uma literatura de Informação ( de viagem ) sobre o Brasil. O objetivo de Caminha era
informar o rei de Portugal sobre as características geográficas, vegetais e sociais da nova terra.

Barroco ( século XVII )


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Essa época foi marcada pelas oposições e pelos conflitos espirituais. Esse contexto histórico
acabou influenciando na produção literária, gerando o fenômeno do barroco. As obras são
marcadas pela angústia e pela oposição entre o mundo material e o espiritual. Metáforas,
antíteses e hipérboles são as figuras de linguagem mais usadas neste período. Podemos citar
como principais representantes desta época: Bento Teixeira, autor de Prosopopéia; Gregório de
Matos Guerra ( Boca do Inferno ), autor de várias poesias críticas e satíricas; e padre Antônio
Vieira, autor de Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes.

Neoclassicismo ou Arcadismo ( século XVIII )

O século XVIII é marcado pela ascensão da burguesia e de seus valores. Esse fato influenciou na
produção da obras desta época. Enquanto as preocupações e conflitos do barroco são deixados
de lado, entra em cena o objetivismo e a razão. A linguagem complexa é trocada por uma
linguagem mais fácil. Os ideais de vida no campo são retomados ( fugere urbem = fuga das
cidades ) e a vida bucólica passa a ser valorizada, assim como a idealização da natureza e da
mulher amada. As principais obras desta época são: Obra Poética de Cláudio Manoel da Costa, O
Uraguai de Basílio da Gama, Cartas Chilenas e Marília de Dirceu de Tomás Antonio Gonzaga,
Caramuru de Frei José de Santa Rita Durão.

Romantismo ( século XIX )

A modernização ocorrida no Brasil, com a chegada da família real portuguesa em 1808, e a


Independência do Brasil em 1822 são dois fatos históricos que influenciaram na literatura do
período. Como características principais do romantismo, podemos citar : individualismo,
nacionalismo, retomada dos fatos históricos importantes, idealização da mulher, espírito criativo e
sonhador, valorização da liberdade e o uso de metáforas. As principais obras românticas que
podemos citar : O Guarani de José de Alencar, Suspiros Poéticos e Saudades de Gonçalves de
Magalhães, Espumas Flutuantes de Castro Alves, Primeiros Cantos de Gonçalves Dias. Outros
importantes escritores e poetas do período: Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Junqueira
Freire e Teixeira e Souza.

Realismo - Naturalismo ( segunda metade do século XIX )

Na segunda metade do século XIX, a literatura romântica entrou em declínio, juntos com seus
ideais. Os escritores e poetas realistas começam a falar da realidade social e dos principais
problemas e conflitos do ser humano. Como características desta fase, podemos citar :
objetivismo, linguagem popular, trama psicológica, valorização de personagens inspirados na
realidade, uso de cenas cotidianas, crítica social, visão irônica da realidade. O principal
representante desta fase foi Machado de Assis com as obras : Memórias Póstumas de Brás
Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e O Alienista. Podemos citar ainda como escritores
realistas Aluisio de Azedo autor de O Mulato e O Cortiço e Raul Pompéia autor de O Ateneu.
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MARIANA MARCELINO

Parnasianismo ( final do século XIX e início do século XX )

O parnasianismo buscou os temas clássicos, valorizando o rigor formal e a poesia descritiva. Os


autores parnasianos usavam uma linguagem rebuscada, vocabulário culto, temas mitológicos e
descrições detalhadas. Diziam que faziam a arte pela arte. Graças a esta postura foram
chamados de criadores de uma literatura alienada, pois não retratavam os problemas sociais que
ocorriam naquela época. Os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac, Raimundo Correa,
Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho.

Simbolismo ( fins do século XIX )

Esta fase literária inicia-se com a publicação de Missal e Broquéis de João da Cruz e Souza. Os
poetas simbolistas usavam uma linguagem abstrata e sugestiva, enchendo suas obras de
misticismo e religiosidade. Valorizavam muito os mistérios da morte e dos sonhos, carregando os
textos de subjetivismo. Os principais representantes do simbolismo foram: Cruz e Souza e
Alphonsus de Guimaraens.

Pré-Modernismo (1902 até 1922)

Este período é marcado pela transição, pois o modernismo só começou em 1922 com a Semana
de Arte Moderna. Está época é marcada pelo regionalismo, positivismo, busca dos valores
tradicionais, linguagem coloquial e valorização dos problemas sociais. Os principais autores deste
período são: Euclides da Cunha (autor de Os Sertões), Monteiro Lobato, Lima Barreto, autor de
Triste Fim de Policarpo Quaresma e Augusto dos Anjos.

Modernismo (1922 a 1930)

Este período começa com a Semana de Arte Moderna de 1922. As principais características da
literatura modernista são : nacionalismo, temas do cotidiano (urbanos) , linguagem com humor,
liberdade no uso de palavras e textos diretos. Principais escritores modernistas : Mario de
Andrade, Oswald de Andrade, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado e Manuel Bandeira.

Neo-Realismo (1930 a 1945)


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MARIANA MARCELINO

Fase da literatura brasileira na qual os escritores retomam as críticas e as denúncias aos grandes
problemas sociais do Brasil. Os assuntos místicos, religiosos e urbanos também são retomados.
Destacam-se as seguintes obras : Vidas Secas de Graciliano Ramos, Fogo Morto de José Lins do
Rego, O Quinze de Raquel de Queiróz e O País do Carnaval de Jorge Amado. Os principais
poetas desta época são: Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Cecilia Meireles.

Você sabia?

- Um dos eventos literários mais importantes do Brasil é a FLIP (Festa Literária Internacional de
Paraty). Em 2015, ela ocorrerá entre os dias 1 e 5 de julho.

LINGUISTICA TEXTUAL

Assistir vídeo : https://www.youtube.com/watch?v=iGpXlQzyckQ

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Linguística textual é uma orientação possível na análise de textos. A linguística textual é


basicamente uma criação da Europa continental, e é especialmente valorizada naAlemanha e
na Holanda. Ao contrário das correntes estruturalistas, cujo foco de estudos são os aspectos
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MARIANA MARCELINO

formais e estruturais do texto, essa vertente concentra suas atenções no processo comunicativo
estabelecido entre o autor, o leitor e o texto em um determinado contexto. A interação entre eles é
que define a textualidade de um texto. Na década de 1970, um projeto pioneiro da universidade
de Konstanz, na Alemanha, tentou construir uma gramática de texto explícita; o projeto pareceu
não ter sucesso, e as investigações que se seguiram caracterizaram-se por uma elaboração e
sofisticação maiores.

A linguística textual faz um uso pesado dos conceitos e da terminologia linguística corrente, e
muito do que se faz nesse campo são tentativas de estender os tipos correntes de análise
linguística a unidades maiores do que a sentença. Consequentemente, essa orientação tem muito
em comum com a abordagem que, no mundo de língua inglesa, é conhecida como discourse
analysis, e alguns estudiosos que olham para as coisas de fora não conseguem ver grandes
diferenças entre as duas. A orientação funcionalista chamada linguística sistêmica compartilha
algumas idéias importantes com a linguística textual, mas tem uma natureza bastante diferente.

Bibliografia

TRASK, R. L. Dicionário de linguagem e linguística. Trad. Rodolfo Ilari, rev. Ingedore G. V. Koch e Thaís
Cristófaro Silva. São Paulo: Contexto, 2008. ISBN 85-7244-254-5.
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MARIANA MARCELINO

Gênero Textual
Diferente do Gênero Literário, o Gênero Textual é o nome que se dá às diferentes formas de
linguagem empregadas nos textos. Estas formas podem ser mais formais ou mais informais, e até
se mesclarem em um mesmo texto, porém este será nomeado com o gênero que prevalecer. São
exemplos de gêneros textuais: o romance, o artigo de opinião, o conto e a receita, que são
gêneros escritos, ou ainda textos orais como a aula, o debate, a palestra, etc.

Foto: © iStock.com / milosluz

Os gêneros textuais são a forma como a língua se organiza para se manifestar nas mais diversas
situações de comunicação, são a língua em constante uso.

Não podemos confundir Gênero Textual com Gênero Literário. Há uma classificação para os
gêneros literários, ou seja, textos literários que são classificados segundo a sua forma: gênero
lírico, gênero épico, gênero dramático e gênero narrativo …

Quando falamos em gêneros textuais, não estamos nos detendo nos textos literários, mas sim
englobando todos os textos da língua, basta que possuam a capacidade de comunicar algo. Os
textos, orais ou escritos, que produzimos para nos comunicar, possuem um conjunto de
características, e são estas características que determinarão seu gênero textual. Algumas destas
características são: o assunto, quem está falando, para quem está falando, sua finalidade, ou se
o texto é mais narrativo, instrucional, argumentativo, etc.

Enfim, cada gênero textual possui seu próprio estilo e estrutura, possibilitando, assim, que nós o
identifiquemos através de suas características. Vejamos alguns exemplos:
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Carta: se caracteriza por ter um destinatário e um remetente específicos, pode ser uma carta
pessoal, ou uma carta institucional, pode ser ainda uma carta ao leitor, ou uma carta aberta.
Dependendo de qual seja seu OBJETIVO, ela adquirirá diferentes estilos de escrita, poderá ser
dissertativa, narrativa ou descritiva. A estrutura formal da carta é também uma característica
marcante, pois é fixa, apresentando primeiramente a saudação, em seguida o corpo da carta e
por último a despedida.

Propaganda: este gênero costuma aparecer bastante na forma oral, mas também pode ser
escrito. Possui como característica marcante a linguagem argumentativa e expositiva, podendo
também haver pequenas descrições. O objetivo é sempre o mesmo: divulgar o produto/serviço e
influenciar a opinião do leitor para que ele “compre” a ideia. O texto é claro e objetivo, e as
mensagens costumam despertar sentimentos, emoções e sensações no leitor: calma,
tranquilidade, emoção, adrenalina, calor, frio, inquietação. Outro elemento importante é o uso das
imagens.

Receita: é um texto instrucional permeado de descrições. O objetivo é instruir o leitor para


preparar algo, geralmente uma comida. A estrutura também é fixa, apresentando na sequência:
os ingredientes, o modo de preparo e o rendimento da receita. Quanto à linguagem, utiliza verbos
no imperativo, pois a partir da ordem, o leitor tenderá a seguir corretamente as instruções para
adquirir bom êxito.

Outros exemplos de textos instrucionais são a bula de remédio e o manual de instruções.

Notícia: este é um dentre os diversos gêneros jornalísticos, e pode ser facilmente identificado.
Possui como característica a linguagem narrativa e descritiva, e seu objetivo é informar um fato
ocorrido. Outra característica marcante é a presença de elementos como: o tempo, o lugar e as
personagens envolvidas no fato.

Há outros gêneros essencialmente jornalísticos como a Reportagem e a Entrevista.

Vejamos mais alguns exemplos de gêneros textuais:

 Conto maravilhoso;  Diário;

 Conto de fadas;  Autobiografia;

 Fábula;  Curriculum vitae;

 Lenda;  Biografia;

 Narrativa de ficção científica;  Relato histórico;

 Romance;  Artigo de opinião;

 Conto;  Carta de leitor;

 Piada;  Carta de solicitação;

 Relato de viagem;  Editorial;


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MARIANA MARCELINO

 Ensaio;  Entrevista de especialista;

 Resenhas críticas;  Relatório científico;

 Seminário;  Regulamento;

 Conferência;  Textos prescritivos;

 Palestra;
 Seria impossível estudar todos ao mesmo tempo, por isso ao escrever qualquer um destes
ou outros textos, é importante ler alguns exemplos e estudar a linguagem e as
características, especialmente se há uma exigência para que você seja fiel ao gênero
textual.

 Questões
 OBJETO DE CONHECIMENTO: MORFOLOGIA E CLASSE DAS PALAVRAS

 1. O prefixo grego "dia" designa:

 a) através - meio
b) reduplicação - inversão 

c) ideia de privação - negação


d) posição inferior - movimento para dentro.

 2. Indique o prefixo grego que indica posição inferior.

 a) sub
b) semi - 

c) - peri
d) hipo

 3. Indique a origem das seguintes palavras: arcediago - bíblia - diabo

 a) Germânica
b) Grega 

c) Árabe
d) Hebraica
 4. Neste período: "Talvez os diretores antevejam uma solução para o
caso", indique o modo e o tempo do verbo.

 a) subjuntivo - presente

b) indicativo - pretérito perfeito
c) subjuntivo - futuro
d) nenhuma das anteriores

 5. Indique a alternativa que contenha o verbo "querer" conjugado na


primeira pessoal do singular do futuro do presente (indicativo).

 a) Amanhã eu queria ver os cadernos.



b) Amanhã eu quero ver os cadernos.
c) Amanhã eu queira ver os cadernos.
d) Amanhã eu quererei ver os cadernos.

 6. "Nem sempre nós ................... (ir - pretérito imperfeito do indicativo)


lá com vontade."Indique a conjugação correta.

 a) iríamos

b) íamos
c) fôramos
d) vamos

 7. Indique a alternativa absolutamente correta. Lembre-se de que


estamos tratando agora dos verbos abundantes.

 a) O funcionário não deveria ter aceitado a incumbência.



b) O funcionário não deveria ter aceito a incumbência.
c) As duas alternativas anteriores estão corretas.
d) Nenhuma das alternativas está correta.


 8. Indique a grafia e leitura corretas do seguinte numeral cardinal:
3.726.

 a) Três mil, setecentos e vinte e seis.


b) Três mil, e setecentos e vinte e seis.
c) Três mil e setecentos e vinte e seis.
d) Três mil, setecentos, vinte, seis.

 9. Marque a opção em que há erro na identificação da classe da palavra


destacada.

 a) Júlia é uma executiva SEM parâmetros. - Preposição


b) Ricardo odeia que lhe digam O que é certo. - Artigo 

c) Em tempos de mudança de ERA, é preciso estar atento. -


Substantivo
d) Os homens assistem PERPLEXOS à revolução hormonal. - Adjetivo

 10. Qual das palavras destacadas a seguir não é um adjetivo?

 a) As pesquisas eliminaram PARTE da emoção.


b) Os BONS candidatos nem sempre são eleitos. 
c) Nas eleições há feriado NACIONAL.
d) As GRANDES empresas patrocinam candidatos.
e) Os resultados são dados no dia SEGUINTE.

 11. Assinale a palavra cujo gênero está indevidamente indicado pelo


artigo.

 a) a cal 

b) a dinamite 

c) o suéter
d) o champanhe
e) a dó


 12. "Mandou-me comprar o presente, mas não O fiz." A palavra em
destaque é:

 a) artigo
b) pronome átono
c) preposição
d) substantivo
e) pronome demonstrativo

 13. "Em alguns textos, o vocabulário é MÍNIMO." A forma em destaque


corresponde a:

 a) superlativo absoluto sintético;



b) superlativo relativo de superioridade;
c) superlativo relativo de inferioridade;
d) superlativo absoluto analítico;
e) comparativo de inferioridade.

 14. Das palavras abaixo, qual pode trocar de gênero, sem sofrer
nenhuma alteração ortográfica, apenas pela troca de artigo que a
anteceda?

 a) princípio 

b) biólogo
c) cientistas
d) professor
e) altura

 15. Assinale o item em que a classe da palavra destacada está correta.

 a) Quem fala em flor não diz TUDO. - pronome indefinido;


b) Quem fala EM flor diz demais. - conjunção; 
c) O poeta se torna MUDO. - substantivo;
d) Que mata MAIS do que faca. - pronome indefinido;
e) Mais QUE bala de fuzil - advérbio.



 OBJETO DE CONHECIMENTO: LITERATURA - ESTILOS LITERÁRIOS


Texto I

Como
 não há literatura sem fuga ao real e tentativas de transcendê-lo pela imaginação, os escritores
brasileiros se sentiram frequentemente tolhidos no voo, prejudicados no exercício da fantasia, pelo
peso
 do sentimento de missão, que acarretava a obrigação tácita de descrever a realidade imediata
ou de exprimir determinados sentimentos de alcance geral. Esse nacionalismo infuso contribuiu para
certa renúncia

à imaginação ou certa incapacidade de aplicá-la devidamente à representação do real, resolvendo-



se, por vezes, na coexistência de realismo e fantasia, documento e devaneio.

Antonio Candido. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Belo Horizonte: Itatiaia, 2000, p. 26-7 (com

adaptações).

 O texto I é parte do livro Formação da Literatura Brasileira: Momentos Decisivos, de Antonio Candido, livro
que completa 50 anos de publicação neste ano. As palavras de Candido referem-se ao Arcadismo e ao
Romantismo e apontam para a “coexistência de realismo e fantasia, documento e devaneio” na produção
literária nesses períodos literários. Considerando esse traço que marcou a formação da literatura no Brasil e
a análise dos textos I e II, julgue o item 01.

 QUESTÃO 01 – (UNB – 2007 – 3ª etapa – PAS – Q 33)

 O texto II aborda a relação entre realidade e fantasia de forma poética e em contexto modernista, ao passo
que o texto I trata dessa relação no âmbito da crítica literária e com foco nos séculos XVIII e XIX.


Ouço o cantar dos astros no mar do firmamento;
No mar das matas virgens ouço o cantar do vento, 
Aromas que s’elevam, raios de luz que descem,

Estrelas que despontam, gritos que se esvaecem,
Tudo me traz um canto de imensa poesia, 
Como a primícia augusta da grande profecia;
Tudo me diz que o Eterno, na idade prometida, 
Há de beijar na face a terra arrependida. 
E, desse beijo santo, desse ósculo sublime 
Que lava a iniqüidade, a escravidão e o crime, 
Hão de nascer virentes nos campos das idades,

Amores, esperanças, glórias e liberdades!
Então, num santo êxtasis, escuto a terra e oscéus,
O vácuo se povoa de tua sombra, ó Deus! 

E, ouvindo nos espaços as louras utopias 
Do futuro cantarem as doces melodias, 
Dos povos, das idades, a nova promissão... 
Me arrasta ao infinito a águia da inspiração...
Então me arrojo ousado das eras através,

Deixando estrelas, séculos, volverem-se a meus pés...
Porque em minh’alma sinto ferver enorme grito,
Ante o estupendo quadro das telas do infinito...
Que faz que, em santo êxtasis, eu veja a terra e os céus,
E o vácuo povoado de tua sombra, ó Deus!

Castro Alves. O vidente. In: Literatura comentada.São Paulo: Abril Educação,
1980, p. 54.





 Julgue o item a seguir, a respeito desses versos de Castro Alves.

 QUESTÃO 02 – (UNB – 2008 – 1º dia – Q 114)
 O tom grandiloquente e o vigor que se constatam nos versos apresentados estão entre as características que
justificam a inclusão da poesia de Castro Alves na terceira fase romântica, denominada condoreira.

 No anfiteatro de montanhas
 Os profetas do Aleijadinho
 Monumentalizam a paisagem
 As cúpulas brancas dos Passos
 E os cocares revirados das palmeiras
 São degraus da arte de meu país
 Onde ninguém mais subiu
 Bíblia de pedra sabão
 Banhada no ouro das minas.

 Oswald de Andrade. In: Poesias reunidas.
 São Paulo, 1966, p. 128.

 Tendo como referência esse poema de Oswald de Andrade e a imagem ilustrada na figura, que mostra parte
do adro Profetas do Aleijadinho, em Congonhas do Campo, julgue os itens :


 QUESTÃO 03 – (UNB – 2008 – 2ª etapa – PAS – Q 61)
 É correto inferir-se, das informações apresentadas, que o fato de a obra de Aleijadinho ser representativa da
época em que foi criada não impede que ela seja integrada a manifestações artísticas contemporâneas.


CARTAS CHILENAS

205 Perguntarás agora que torpezas
Comete a nossa Chile, que mereça

Tão estranho flagelo? Não há homem
208 Que viva isento de delitos graves,
 E, aonde se amontoam os viventes
Em cidades ou vilas, aí crescem

301 Os crimes e as desordens, aos milhares.
Talvez, prezado amigo, que nós, hoje,
 Sintamos os castigos dos insultos
304 Que nossos pais fizeram; estes campos
 Estão cobertos de insepultos ossos
De inumeráveis homens que mataram.
307 Aqui os europeus se divertiam

Em andarem à caça dos gentios
Como à caça das feras, pelos matos.

310 Havia tal que dava, aos seus cachorros,
Por diário sustento, humana carne,
 Querendo desculpar tão grave culpa
313 Com dizer que os gentios, bem que tinham
 A nossa semelhança, enquanto aos corpos,
Não eram como nós, enquanto às almas.
316
 Que muito, pois, que Deus levante o braço
E puna os descendentes de uns tiranos
 Que, sem razão alguma e por capricho,
Espalharam na terra tanto sangue.
 Tomaz Antonio Gonzaga. Cartas chilenas. Carta 10. , versos
A de 295 a 319, “Em que se contam as desordens maiores que
 Fanfarrão fez no seu governo”.
 Em Cartas Chilenas, um dos mais importantes textos literários brasileiros do século XVIII, Tomaz Antonio
Gonzaga desenvolve, por meio de discurso ácido, irônico e contestatório, a crítica aos desmandos do
personagem Fanfarrão Minésio. Assim, entre história e ficção, apresenta um retrato da sociedade brasileira
que começava a se organizar naquela época. Com base na leitura da obra Cartas Chilenas e, especialmente,
do trecho acima destacado da Carta 10ª, julgue os itens 04 e 05.



 QUESTÃO 04 – (UNB – 2009 – 1ª etapa – PAS – Q 113)
 Os recursos literários utilizados pelo poeta nessa obra evidenciam bucolismo, equilíbrio e harmonia, atributos
que confirmam a ligação do autor com o estilo de época árcade.


 QUESTÃO 05 – (UNB – 2009 – 1ª etapa – PAS – Q 114)
 Em Cartas Chilenas, o autor busca discutir questões éticas, expressando posicionamento claramente
contrário à política que visa satisfazer apenas os interesses pessoais e não, os da coletividade.


 QUESTÃO 06 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 26)
 Um dos ícones da poesia modernista brasileira, Augusto dos Anjos integrou o movimento
cultural que, a partir da Semana de Arte Moderna de 1922, desdenhou valores artísticos e
literários do passado, como o barroco do século XVIII, e assumiu posição política de apoio à
República oligárquica.



A PALO SECO

Belchior


 você vier me perguntar por onde
1 Se

andei

No  tempo em que você sonhava.
De  olhos abertos, lhe direi:
4 — Amigo, eu me desesperava.

 que, assim falando, pensas
Sei
Que esse desespero é moda em 76.

7 Mas ando mesmo descontente.

Desesperadamente eu grito em

português:
— Tenho vinte e cinco anos de sonho e

10 De sangue e de América do Sul.

Por força deste destino,

Um tango argentino

13 Me vai bem melhor que um blues.
 que assim falando, pensas
Sei,

Que esse desespero é moda em 76.





 Considerando a composição acima e os aspectos que ela suscita, julgue o seguinte item.


 QUESTÃO 07 – (UNB – 2º - 2010 – 1º dia – Q 90)
 A declaração “Que esse desespero é moda em 76” (v.6) alude a um momento da literatura
brasileira em que escritores, entre eles Nélida Piñon, tentavam construir, em prosa, o contexto
histórico brasileiro a partir da dicotomia realidade/sonho, reinaugurando, com essa perspectiva,
o subjetivismo ou individualismo do modelo romântico.

DECADÊNCIA

Iguais às linhas perpendiculares

Caíram, como cruéis e hórridas hastas,
Nas suas 33 vértebras gastas

Quase todas as pedras tumulares!

A frialdade
 dos círculos polares,
Em sucessivas atuações nefastas,
Penetrara-lhe os próprios neuroplastas,

Estragara-lhe os centros medulares!

Como
 quem quebra o objeto mais querido
E começa
 a apanhar piedosamente
Todas
 as microscópicas partículas,

Ele hoje vê que, após tudo perdido,
Só lhe restam agora o último dente
Ea armação funerária das clavículas!

Augusto dos Anjos. Eu e outras poesias. São
Paulo: Martin Claret, 2002, p. 84.


















 Enquanto os românticos — apesar de acreditarem que o nascimento da chamada língua brasileira era fato
contra o qual não se poderiam insurgir — não reivindicavam mais que o direito a certa originalidade, os
escritores modernistas serão os que, de fato, buscarão, na realidade linguística brasileira, as formas que
constituirão a sua expressão.

 Tânia C. F. Lobo. Variantes nacionais do português: sobre a questão da definição do português do Brasil. In: Revista Internacional de
Língua Portuguesa. Lisboa, dez./1994, p. 9-15. Internet: <www.aulp.org> (com adaptações).



 QUESTÃO 08 – (UNB – 2º - 2011 – 1º dia – Q 35)
 O anseio por uma língua própria foi representado no romance Iracema, obra em que José de Alencar inseriu
vocábulos e expressões indígenas, a fim de distinguir o português literário do Brasil daquele utilizado em
Portugal.


 O artista francês Gustave Doré (1832-1883) ficou famoso pelas gravuras que ilustraram
grandes clássicos da literatura mundial. Entre elas, incluem-se as que figuraram, em 1857,
na obra
 O Inferno de Dante, trabalho que, pela qualidade das imagens, influenciou o cinema, a
fotografia e as histórias em quadrinhos do século XX.
 As obras de Sandow Birk (1962), artista contemporâneo norte-americano, privilegiam
temas sociais e políticos, como violência urbana, prisões, grafites. Birk ilustrou a obra O
Inferno de Dante, em 2005, com base nas ilustrações de Doré, que foram atualizadas com
ícones do século XXI.

 Tendo como referência essas informações e as das gravuras reproduzidas acima, julgue o
item 9.




 QUESTÃO 09 – (UNB – 1º - 2012 – 1º dia – Q 48)
 Verifica-se que, nas gravuras de Doré apresentadas, o artista mesclou elementos românticos com elementos
realistas, em consonância com a maneira de enxergar, no século XIX, os tempos medievais e o
Renascimento.

 VASO GREGO

 Esta, de áureos relevos, trabalhada
 De divas mãos, brilhante copa, um dia,
 Já de aos deuses servir como cansada,
 Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
 Era o poeta de Teos que a suspendia
 Então e, ora repleta ora esvazada,
 A taça amiga aos dedos seus tinia
 Toda de roxas pétalas colmada.
 Depois... Mas o lavor da taça admira,
 Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas
 Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,
 Ignota voz, qual se da antiga lira
 Fosse a encantada música das cordas,
 Qual se essa a voz de Anacreonte fosse.

 Alberto de Oliveira. Poesias completas. In: Crítica. Marco Aurélio de Mello Reis. Rio de Janeiro: EDUERJ, 197, p.144.

 Acerca do soneto Vaso grego, de Alberto de Oliveira, e do período histórico-literário a que ele remete, julgue
os itens de 117 a 119 e assinale a opção correta no item a seguir.


 QUESTÃO 10 – (UNB – 1º - 2012 – 1º dia – Q 117)
 No período em que o Parnasianismo se destacou, o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, vivia forte influxo
de modernização tardia em relação aos centros europeus, o que incentivou o consumo de mercadorias
culturais luxuosas, mas desligadas da realidade local. Assim, verifica-se que a recorrência a temas advindos
da Antiguidade Clássica era a correspondência estética dessa tendência manifestada na objetividade social
brasileira.




 OBJETO DE CONHECIMENTO: LITERATURA – HISTÓRIA DA LITERATURA




ERRO DE PORTUGUÊS
Quando aqui aportaram os portugueses, há mais de
 500 anos, falavam-se, no país, mais de mil línguas
Quando o português chegou
 indígenas; tal profusão linguística constitui-se numa
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio situação semelhante 4 à que ocorre, hoje, nas Filipinas
Que pena! Fosse uma manhã de sol (com 160 línguas), na Índia (com 391 línguas) ou,
O índio tinha despido ainda, na Indonésia (com 663 línguas).
O português
Gilvan Müller de Oliveira. Brasileiro fala português: monolinguismo e
 preconceito linguístico. In: Revista Linguagem. Internet:
Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. <www.letras.ufscar.br> (com adaptações).





 Com relação ao poema Erro de português, de Oswald de Andrade, ao fragmento de texto acima, bem como
às questões por eles suscitadas, julgue o item seguinte.

 QUESTÃO 01 – (UNB – 2º - 2011 – 1º dia – Q 45)
 A expedição comandada por Pedro Álvares Cabral fazia parte da estratégia portuguesa de iniciar a efetiva e
imediata colonização de suas terras americanas, decisão estabelecida em face dos reduzidos lucros obtidos
pelo comércio com as Índias nas décadas iniciais do século XVI.


Ao longo da história da literatura brasileira, foram inúmeros os autores que se expressaram segundo as

diretrizes de uma literatura regionalista. Uma das grandes estudiosas do fenômeno, Lígia Chiappini,
caracteriza-o
 assim: “Na verdade, a história do regionalismo mostra que ele sempre surgiu e se
desenvolveu em conflito com a modernização, a industrialização e a urbanização. Ele é, portanto, um

fenômeno moderno e, paradoxalmente, urbano.”
 Do beco ao belo. In: Revista de Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 8, n.º 15, 1995, p. 155.



 QUESTÃO 02 – (UNB – 2º - 2011 – 1º dia – Q 59)
 A partir da leitura do texto acima, redija uma definição de regionalismo literário e indique, no mínimo, duas
obras da literatura brasileira que o exemplifiquem.


 Manifestação popular caracterizada por poesias escritas em
folhetos, a literatura de cordel originou-se na Europa em
 meados do século XII. Em Portugal, escritores amadores
 usavam cordões para pendurarem e divulgarem suas
 produções em lugares públicos. Com a vinda dos
Peste atenção por favor portugueses ao Brasil, a tradição de contar histórias
na história que vou contar disseminou-se pela região Nordeste, tornando-se um dos
símbolos da cultura e memória nordestina.
ela explica o que é cordel
grande manifestação popular. No início, como a maioria das pessoas não sabia ler e
 escrever, as poesias eram apenas decoradas e recitadas em
Paulo Araújo. Internet: feiras e praças. Mais tarde, passaram a ser impressas em
<www.bibceuguarapiranga.blogs.com>. folhetos, cujas capas eram ilustradas em xilogravura, e
afirmaram-se como manifestação artística e popular nas
 décadas 60 e 70 do século passado.
 A importância do cordel não se limita à literatura. O cordel se
expande como registro histórico da cultura nordestina,
reverberando nas manifestações artísticas, tais como teatro,
dança, cinema, música e artes visuais.


 Figura I Figura 2


 Tendo como referências iniciais o texto e as figuras acima, julgue o Item 1.

 QUESTÃO 03 – (UNB – 1º - 2012 – 1º dia – Q 1)
 A arte de contar histórias é uma das formas mais antigas de transmissão de conhecimento. Nas histórias,
estão presentes crenças, fantasias, bem como aspectos éticos, estéticos e morais de uma cultura. O
contador de histórias pode desenvolver, para cada performance, formas singulares de narrativa, utilizando
objetos, músicas, sons e movimentos, de modo que suas ações se organizem cenicamente.

Tarsila, como outros modernistas — e perto


dela Oswald de Andrade —, foi movida por
Blaise Cendrars, na direção da descoberta de
arquétipos culturais e artísticos do país. Em
depoimento de fins dos anos 30, ela refere-se
à viagem que fez a várias cidades mineiras
na semana de 1924, ao lado de Cendrars,
Oswald e Mário de Andrade. “Encontrei em
Minas as cores que adorava em criança.
Ensinaram-me depois que eram feias e
caipiras. Segui o ramerrão do gosto
apurado... Mas depois vingueime da
opressão, passando-as para minhas telas:
azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo,
verde cantante, tudo em gradações mais ou
menos fortes, conforme a mistura de branco.
Pintura limpa, sobretudo sem medo de
cânones convencionais.”



 Considerando o texto acima e as figuras I e II, que ilustram obras, respectivamente, de Almeida Junior e
 Tarsila do Amaral, julgue os itens 4 e 5.


 QUESTÃO 04 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 107)
 Na realidade literária brasileira, a denominação Modernismo designa tanto o período literário
que se inicia em 1922 quanto um conjunto de experiências estéticas, estilísticas e expressivas
apresentadas na Semana de Arte Moderna.

 QUESTÃO 05 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 109)
 Entre os modernistas que participaram da Semana de 22, despontam, ao lado de Mário de
Andrade e Oswald de Andrade, Graciliano Ramos e Jorge Amado.

 A CIDADE

Destinava-se a uma cidade maior, mas o trem permaneceu indefinidamente na
 antepenúltima estação. Cariba acreditou que a demora poderia ser atribuída a algum
comboio de carga descarrilado na linha, acidente comum naquele trecho da ferrovia.
 Como se fizesse excessivo o atraso e ninguém o procurasse para lhe explicar o que
 estava ocorrendo, pensou numa provável desconsideração à sua pessoa, em virtude de
ser o único passageiro do trem.

Chamou o funcionário que examinara as passagens e quis saber se constituía motivo

para tanta negligência o fato de ir vazia a composição.

Não recebeu uma resposta direta do empregado da estrada, que se limitou a apontar o
 morro, onde se dispunham, sem simetria, dezenas de casinhas brancas.

— Belas mulheres? Indagou o viajante. Percebeu logo que tinha pela frente um cretino.
 Apanhou as malas e se dispôs a subir as íngremes ladeiras que o conduziriam ao
povoado. (...) Uma vaga tristeza rodeava o lugarejo. As janelas e portas das casas
 estavam fechadas, mas os jardins pareciam ter sido regados na véspera. Experimentou
 bater em alguns dos chalés e não o atenderam. Caminhou um pouco mais e, do topo da
montanha, avistou a cidade, tão grande quanto a que buscava.

Murilo Rubião. Contos reunidos. São Paulo: Ática, 1998.




 Com relação à estética literária brasileira e ao trecho narrativo apresentado, de Murilo Rubião, integrante da
geração de autores que surgiu logo após a consolidação do Modernismo, julgue os itens de 06 e 07.

 QUESTÃO 06 – (UNB – 1º - 2010 – 1º dia – Q 59)
 O texto apresenta características do modelo Naturalista de narrativa, como evidenciado, por exemplo, na
influência do meio nas percepções do personagem

 QUESTÃO 07 – (UNB – 1º - 2010 – 1º dia – Q 61)
 Como exemplo de narrativa contemporânea, o texto de Murilo Rubião demonstra o apego à descrição
positivista dos fatos e dos personagens, sem deixar margem a simbologias.

 no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas
Tudo
antes
 da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve.
Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou. Que ninguém se engane, só consigo a

simplicidade através de muito trabalho.

Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se
as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-préhistória já havia os monstros

apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um
fato.
 Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo.
Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 17.


 Considerando o trecho acima, extraído da obra A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, julgue os itens 8 e 9.

 QUESTÃO 08 – (UNB – 2º - 2008 – 1º dia – Q 01)
 Clarice Lispector inclui-se entre os autores do romance introspectivo, da literatura intimista, que se
caracteriza, na literatura brasileira moderna, por um questionamento do ser.


 QUESTÃO 09 – (UNB – 2º - 2008 – 1º dia – Q 08)
 Na linha 2, foi utilizada a expressão “pré-história”, que, em si mesma, geralmente, é empregada para
identificar o estágio da evolução das sociedades anterior ao domínio da escrita.


Nenhuma cousa se pode prometer à natureza humana mais conforme a seu maior apetite

nem mais superior a toda a sua capacidade que a notícia dos tempos e sucessos futuros;
e
 isto é o que oferece a Portugal, à Europa e ao Mundo esta nova e nunca ouvida História.
 outras histórias contam as cousas passadas, esta promete dizer as que estão por vir;
As
as
 outras trazem à memória aqueles sucessos públicos que viu o Mundo, esta intenta
manifestar ao Mundo aqueles segredos ocultos e escuríssimos que não chegam a

penetrar o entendimento.
 Antonio Vieira. História do futuro. José Carlos Brandi Aleixo (org.). Brasília: UnB, 2005, p. 121.



 A partir da leitura do fragmento de texto acima, de Antonio Vieira, julgue o seguinte item.


 QUESTÃO 10– (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 10)
 Jesuíta que passou parte considerável de sua vida no Brasil, padre Vieira é uma exceção entre
seus pares, pois, ao se fixar na América, não atendeu ao que determinava a ordem religiosa a
que pertencia, a qual, criada por Inácio de Loyola, exigia que fosse priorizada a ação
evangelizadora católica na
 Europa, onde se assistia à expansão aparentemente incontrolável do protestantismo.


 OBJETO DE CONHECIMENTO: LITERATURA – LETRAMENTO LITERÁRIO


SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

Mario Quintana


A vida são uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...

 Com base no poema acima, de Mario Quintana, julgue os item a seguir.


 QUESTÃO 01 – (UNB – 2º 2010 – 1º dia – Q 88)
 No poema apresentado, a ideia de morte, apoiada em visão que evoca temáticas do modelo árcade tanto
quanto do modelo barroco, surge por oposição à de vida, que, por sua vez, é satirizada, a partir de sua
definição, apresentada no primeiro verso.

O TRENZINHO DO CAIPIRA


1 Lá vai o trem com o menino

Lá vai a vida a rodar

Lá vai ciranda e destino

4 Cidade e noite a girar

Lá vai o trem sem destino


 Considerando o fragmento transcrito acima, de obra de Heitor Villa-Lobos e Ferreira Gullar, julgue os item 9.


 QUESTÃO 02 – (UNB – 1º 2010 – 1º dia – Q 10)
 Em O trenzinho do caipira, Villa-Lobos utilizou o recurso de variação do andamento da música, para traduzir
o movimento de um trem: a aceleração ao deixar a estação; a velocidade constante durante a viagem; e a
desaceleração ao se aproximar novamente da estação.


De acordo com o Livro de recordes do Guinness, a versão original de Parabéns prá você é a canção
mais
 conhecida da língua inglesa. Na verdade, acredita-se que a canção, com versões em mais de
dezoito línguas, seja a mais popular e cantada em todo o mundo. Em todos os lugares, tais versões
 cantadas ao se comemorar a data do nascimento de uma pessoa e, portanto, participam da
são
celebração
 da vida, como evidencia a versão em língua portuguesa, apresentada a seguir.


Parabéns prá você
Nesta data querida

Muitas felicidades
Muitos
 anos de vida.



 Considerando a letra dessa canção, julgue os itens 3, 4 e 5.

 QUESTÃO 03 – (UNB – 2º 2010 – 1º dia – Q 01)
 Os quatro versos que constituem a canção Parabéns prá você têm a mesma organização rítmica básica.

 QUESTÃO 04 – (UNB – 2º 2010 – 1º dia – Q 02)
 A nota mais aguda da melodia da canção Parabéns prá você ocorre na primeira sílaba da palavra
“felicidades”.

 QUESTÃO 05 – (UNB – 2º 2010 – 1º dia – Q 03)
 O padrão métrico da música Parabéns prá você é binário


A ARTE RETRATA A VIDA


Cidade de Deus mescla entretenimento e realidade brasileira. Logo de início, o filme apresenta sons
e imagens de uma faca sendo amolada. Em seguida, surgem rápidas cenas que mostram um

animado churrasco, com muita música, carne e alegria. Em um canto, estão presas várias galinhas,
que,
 aos poucos, vão sendo depenadas e mortas.
Uma
 delas assiste a tudo com olhar atônito. “Não quero morrer”, deve pensar consigo mesma,
“preciso sair daqui”. A galinha consegue se soltar e foge, o mais rápido que pode, pelas estreitas
 do local onde se encontra. Esse insólito início causa espanto em quem conhece um pouco da
ruas
história de Cidade de Deus, filme dirigido por Fernando Meirelles.

Não seria este o filme a mostrar e debater a questão da violência nas favelas brasileiras? Mas esta

surpresa não dura muito tempo. Em meio à tentativa de se capturar novamente a galinha fugitiva,
alguém grita para atirar nela.
 Francisco Russo. Sétima arte (com adaptações).


 Considerando o fragmento de texto apresentado, julgue o seguinte item.
 QUESTÃO 06 – (UNB – 2º 2009 – 1º dia – Q 39)
 Os temas violência e favelização abordados no filme Cidade de Deus remetem ao processo de periferização
em cidades brasileiras, alimentado pelo crescimento populacional.


RIOS SEM DISCURSO

1 Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
4 em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale

a uma palavra em situação dicionária:
7 isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais; porque assim estancada, muda,
10 e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
13 O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
16 para refazer o fio antigo que fez.
Salvo a grandiloquência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
19 um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
22 em frases curtas, então frase e frase,

até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
João Julgue os Melo
Cabral de seguintes
Neto. Aitens, a respeito
educação da composição
pela pedra. In: e das ideias do poema de João Cabral de Melo Neto
Obraapresentado
completa. Rio de Janeiro:
acima, bemNova Aguilar,
como das2003, p. 350. históricas que podem ser feitas a partir desse texto.
relações

 QUESTÃO 07 – (UNB – 2º 2008 – 1º dia – Q 21)
 O emprego da palavra “grandiloquência” (v.17), para qualificar a cheia, reforça a associação existente no
poema entre rio e discurso.


O TEMPO E O RIO

 o tempo é como um rio
Mas
que caminha para o mar

passa, como o passarinho
passa
 o vento e o desespero
passa como passa a agonia

passa a noite, passa o dia
mesmo o dia derradeiro
 todo o tempo há de passar
ah,
como passa a mão e o rio
que lavaram teu cabelo

Edu Lobo e Caipora.O tempo e o rio.

(fragmento)




 QUESTÃO 08 – (UNB – 1º 2008 – 1º dia – Q 14)

 Na década de 50 do século passado, o tempo histórico brasileiro tornou-se mais rápido, haja vista as
contínuas e rápidas transformações no quadro político, econômico, social e cultural vividas pelo país.


1O último dia do ano
não é o último do tempo.

Outros dias virão.
4 O último dia do tempo
 é o último dia de tudo.
não
Fica sempre uma franja de vida
 onde se sentam dois homens.
7
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
 um corpo e sua memória,
10
um olho e seu brilho,

uma voz e seu eco,
13 e quem sabe até se Deus...
Carlos
 Drummond de Andrade. Poesia
e prosa.


Rio de Janeiro: Aguilar, 1988, p. 107
(fragmento).

 Considerando o fragmento transcrito acima, da poesia de Carlos Drummond de Andrade, julgue


o item que se segue.

 QUESTÃO 09 – (UNB – 1º 2009 – 1º dia – Q 43)


 Do oitavo ao último verso, o poeta apresenta uma enumeração cujos elementos compõem a
idéia expressa pela metáfora “uma franja de vida” (v.6).

Alaíde (alheando-se bruscamente) — Espera, estou-me lembrando de uma coisa. Espera. Deixa
eu ver! Mamãe dizendo a papai. (Apaga-se o plano da alucinação. Luz no plano da memória. Pai e
mãe.)

Mãe — Cruz! Até pensei ter visto um vulto. — Ando tão nervosa. Também esses corredores! A
alma de madame Clessi pode andar por aí... e...

Pai — Perca essa mania de alma! A mulher está morta, enterrada!

Mãe — Pois é... (Apaga-se o plano da memória. Luz no plano da alucinação.)

Clessi — Mas o que foi?



Alaíde — Nada. Coisa sem importância que eu me lembrei. (forte) Quero ser como a senhora.
Usar espartilho. (doce) Acho espartilho elegante!
Clessi — Mas seu marido, seu pai, sua mãe e... Lúcia? Homem (para Alaíde) — Assassina!
(Apaga-se o plano da alucinação. Luz no plano da realidade. Sala de operação.)

1.º médico — Pulso?



2.º médico — Cento e sessenta.

1.º médico — Rugina.

2.º médico — Como está isso!
1.º médico — Tenta-se uma osteossíntese!

3.º médico — Olha aqui.

1.º médico — Fios de bronze. (Pausa)


1.º médico — O osso!

3.º médico — Agora é ir até o fim.

1.º médico — Se não der certo, faz-se a amputação. (Rumor de ferros cirúrgicos)

1.º médico — Depressa!
(Apaga-se a sala de operação. Luz no plano da alucinação.)
Homem (para Alaíde, sinistro) — Assassina!


 Tendo como referência o fragmento da obra Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, apresentado
acima, julgue o ite, seguinte.

 QUESTÃO 10– (UNB – 1º 2009 – 1º dia – Q 43)
 Nesse fragmento, verifica-se a presença do jogo teatral, no qual é possível perceber a
construção, pelo autor, de situações psicológicas vertiginosas.


 OBJETO DE CONHECIMENTO: LÍNGUA PORTUGUESA – LINGUÍSTICA TEXTUAL



 Com relação ao provérbio mostrado acima, julgue os itens que se seguem.


 QUESTÃO 01 – (UNB – 2º - 2006 – 1º dia – Q 07)
 Admite-se a inserção de “como” após a palavra “e”, a qual não acarreta prejuízo para a compreensão do
provérbio.


 QUESTÃO 02 – (UNB – 2º - 2006 – 1º dia – Q 08)
 Os substantivos “Rico” e “Arvore” designam conjuntos de seres considerados como um todo, e não um único
de ser de cada um desses conjuntos.

 Tendo como referência o texto acima e os diversos aspectos que ele suscita, julgue o item a seguir.
 QUESTÃO 03 – (UNB – 2007 – 3ª etapa – PAS – Q 11)

 O conjunto de informações verbais e não verbais que compõe o texto permite que este seja intitulado A
invenção da escrita e subdividido em duas seções: à primeira pode ser atribuído o subtítulo Escrita
pictográfica, e à segunda, o subtítulo Escrita cuneiforme, seção que se inicia na expressão “Quinhentos anos
mais tarde”.



Cheguei
 a encarar a água, o Rio das Velhas passando seu muito, um rio é sempre sem
antiguidade.

 Guimarães Rosa.
João


Ninguém mergulha duas vezes no mesmo rio.

O TRENZINHO DO CAIPIRA
Heráclito.


1 Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
 Considerando
4 Cidade e noite a giraro fragmento de texto de João Guimarães Rosa e a citação do filósofo Heráclito,
apresentados acima, julgue os itens subsequentes.
Lá vai o trem sem destino
Pro diaQUESTÃO
novo encontrar
04 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 46)
7 Correndo vai pela terra
 No fragmento do texto de Guimarães Rosa, a palavra “muito” foi empregada como substantivo.
Vai pela serra

Vai pelo mar
10Cantando pela serra o luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar...

Música de Heitor Villa-Lobos e letra de Ferreira


Gullar.



















 Considerando o fragmento transcrito acima, de obra de Heitor Villa-Lobos e Ferreira Gullar, julgue o item.

 QUESTÃO 05 – (UNB – 1º - 2010 – 1º dia – Q 10)
 A repetição de estrutura linguística, no início dos três primeiros versos do fragmento, indica que as
expressões “trem com o menino” (v.1) e “ciranda e destino” (v.3) constituem metáforas para o termo “a vida”
(v.2).


TEXTO I
Não só os índios foram vítimas da política lingüística dos Estados lusitano e brasileiro. Os imigrantes —
que chegaram a partir de 1824 — e, principalmente, seus descendentes também sofreram com ela. O
Estado
 Novo, de Getúlio Vargas, por meio do chamado processo de nacionalização do ensino, marcou o
ponto
 alto da repressão a línguas de imigrantes — línguas alotóctones —, a qual teve repercussão direta
naregião Sul do país, em virtude da presença das comunidades alemã e italiana, que falavam sua língua
materna.

Gilvan
 Müller de Oliveira. Brasileiro fala português: monolinguismo e preconceito linguístico. In: Revista Linguagem. Internet:
<www.letras.ufscar.br> (com adaptações).


TEXTO II

A Declaração Universal da Diversidade Cultural, recentemente assinada pelo Brasil, reconhece o povo
brasileiro
 como plural e diverso e, ainda, a pluralidade linguística. É essa visão acerca de questões
linguísticas que estáosexpressa
 Considerando textos I ena Declaração
II, bem como asUniversal
questõesdos Direitos
por eles Linguísticos,
suscitadas, julgue em tramitação
os itens 6, 7 e 8.na
Organização
 das Nações Unidas (ONU) e que havia orientado, em 2008, o Ano Internacional das
Línguas, proposto pela UNESCO, cuja ação pretendeu chamar a atenção dos governos e das
 QUESTÃO 06 – (UNB – 2º 2011 – 1º dia – Q 21)
sociedades para os perigos do desaparecimento acelerado da riqueza linguística do mundo e para os
 Da
direitos comparação
linguísticos das entre os textos
comunidades I e II, depreende-se,
constitutivas dos Estadosno que se refere a propostas de homogeneização
Nacionais.
linguística em determinada nação, que a implementação de políticas linguísticas Idem,semelhantes
ibidem. às
mencionadas no texto I contrasta, em essência, com o enfoque linguístico relatado no texto II.


 QUESTÃO 07 – (UNB – 2º 2011 – 1º dia – Q 22)
 A partir dos textos I e II e considerando-se, em especial, o contexto brasileiro, é correto afirmar que
discussões sobre propriedades linguísticas centradas na relação entre língua e nação — discussões essas
inauguradas, na via da literatura, em período pós-independência — alcançaram matérias legais e garantiram
soluções acerca da unidade linguística.

 QUESTÃO 08 – (UNB – 2º 2011 – 1º dia – Q 23)
 O texto II sinaliza a intenção da UNESCO de sensibilizar governos e sociedades relativamente à pluralidade
linguística, sem indicar, no entanto, se tal intenção se concretizou.


O GRAMÁTICO

Os negros discutiam

Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.





 Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas,
julgue o item 9.

 QUESTÃO 09 – (UNB – 2º - 2011 – 1º dia – Q 35)
 Considerando, de um lado, a questão linguística referida no texto e, de outro, as intenções propostas por Oswald
de Andrade no Manifesto Pau-Brasil, pode-se apontar que, no poema, há tematização de aspectos relativos ao
contato linguístico no Brasil colônia, como evidenciado na dicotomia “boçais”/“ladinos” (R.15 e R.16).


ERRO DE PORTUGUÊS


Quando o português chegou

Debaixo duma bruta chuva

Vestiu o índio


Quando aqui aportaram os portugueses, há mais de 500 anos, falavam-se, no país, mais de mil línguas

indígenas; tal profusão linguística constitui-se numa situação semelhante à que ocorre, hoje, nas
Filipinas(com 160 línguas), na Índia(com 391 línguas) ou, ainda, na Indonésia (com 663 línguas).

 Com relação ao poema Erro de português, de Oswald de Andrade, ao fragmento de texto acima, bem como
às questões por eles suscitadas, julgue o item seguinte.

 QUESTÃO 10 – (UNB – 2º - 2011 – 1º dia – Q 50)
 No trecho “numa situação semelhante à que ocorre” (R.3-4), a locução pronominal poderia, corretamente, ser
substituída por à qual.


 OBJETO DE CONHECIMENTO: LÍNGUA PORTUGUESA – TEORIA DA ENUNCIAÇÃO
 (Compreensão de Textos)

 Julgue os itens 1, 2 e 3 que se seguem considerando a linguagem do texto acima e as realidades e ficções
nele aludidas.

 QUESTÃO 01 – (UNB – 2º - 2007 – 1º dia – Q 08)

 Pelo conteúdo apresentado e pela linguagem usada, é correto classificar o texto como um gênero publicitário.


 QUESTÃO 02 – (UNB – 2º - 2007 – 1º dia – Q 08)

 Segundo o texto, o cordel é uma produção popular originada do nordeste brasileiro.


 QUESTÃO 03– (UNB – 2º - 2007 – 1º dia – Q 08)

 Esse texto, por abordar características de construções artísticas, deve ser considerado obra de ficção.

 MORTE E VIDA SEVERINA

 Esta cova em que estás, com palmos medida

 É a conta menor que tiraste em vida

 É de bom tamanho, nem largo, nem fundo

 É a parte que te cabe deste latifúndio

 Não é cova grande, é cova medida

 É a terra que querias ver dividida

 É uma cova grande pra teu pouco defunto

 Mas estarás mais ancho que estavas no mundo

 É uma cova grande pra teu defunto parco

 Porém mais que no mundo, te sentirás largo

 É uma cova grande pra tua carne pouca

 Mas à terra dada não se abre a boca

 É a conta menor que tiraste em vida

 É a parte que te cabe deste latifúndio

 (É a terra que querias ver dividida)

 Estarás mais ancho que estavas no mundo

 Mas a terra dada não se abre a boca

 João Cabral de Melo Neto. Morte e Vida Severina. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967 (com adaptações).

 Com base no trecho de poema apresentado acima, julgue o item.

 QUESTÃO 04 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 42)


 A descrição da cova por meio dos segmentos “Não é cova grande” (v.5) e “É uma cova grande” (v.9) constitui
um paradoxo porque essas estruturas, a frase negativa e a afirmativa, apontam para os mesmos elementos
referenciais


O Brasil não é mais um país de jovens. É um país com muitos jovens, mas que envelhece
rapidamente. Isso deve ser entendido como uma conquista. O alarmante é verificar que o

equacionamento correto do fenômeno ainda está longe de ser colocado como uma das
prioridades dos governantes. O Brasil será, em 2025, a sexta nação do mundo com mais
pessoas
 acima de 70 anos de idade — cerca de 33 milhões. O contingente que mais
crescerá será o dos cidadãos acima de 80 anos. A expectativa de vida, que era, em 2006,
de cerca de 72 anos de idade, aumentará gradativamente nas próximas décadas,

demonstrando que o perfil das causas de morte e o das doenças invalidantes estarão
definitivamente relacionados com doenças crônico-degenerativas: hipertensão, diabetes,

infarto, derrames, doença de Alzheimer, câncer, osteoporose etc. O envelhecimento, uma
fase natural da vida, é determinado basicamente por três fatores: estilo de vida, genética
eambiente.
Internet: <www.envelhecercomsaude.com.br> (com adaptações).

 Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os itens 5 e 6.



 QUESTÃO 05 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 52)
 A “conquista” referida no texto está relacionada ao fato de o Brasil ser um país em que a
expectativa de vida da população tem aumentado, o que revela melhorias na qualidade de vida.


 QUESTÃO 06 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 53)
 Infere-se, em relação ao “fenômeno” mencionado no texto, que haverá necessidade de o
governo brasileiro dar prioridade, entre outras áreas, à seguridade social, haja vista o aumento
do percentual da população dos mais idosos.

Está
 previsto para junho o primeiro teste da Ares, família de foguetes que permitirá a aposentadoria
do ônibus espacial e que, eventualmente, levará o homem de volta à Lua até 2020. Esse teste
promete ser uma das sensações do ano por várias razões. Uma delas é a expectativa ruim que tem

envolvido o programa. Até agora chegaram ao conhecimento do público, principalmente, os
problemas que os engenheiros estão encontrando. Mas, em uma de suas raras aparições públicas, o

administrador da NASA, Mike Griffin, contra-atacou dizendo que, “diferentemente do que se afirma
em alguns blogs e sites, o desenvolvimento da Ares vai muito bem.” Se o lançamento do protótipo da

Ares realmente vier a ocorrer como previsto, tem tudo para ser, se não um sucesso retumbante, um
alento para quem sonha com a ocupação humana do nosso satélite natural.

 Tendo o texto acima como referência inicial, julgue o próximo item.




 QUESTÃO 07 – (UNB – 1º - 2010 – 1º dia – Q 22)
 Pelo sentido da palavra “alento”, depreende-se da leitura do último período do texto que as pesquisas
aeroespaciais dependem do sucesso dos testes com o protótipo da Ares, sem os quais não se poderá dar
continuidade ao programa que possibilitará a conquista do espaço.


 A fotografia não fala (forçosamente) daquilo que não é mais, mas apenas e com certeza daquilo
que foi. Essa sutileza é decisiva. Diante de uma foto, a consciência não toma necessariamente a
via nostálgica da lembrança (quantas fotografias estão fora do tempo individual), mas a via da
certeza: a essência da fotografia consiste em ratificar o que ela representa.

 Roland Barthes. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, p. 127 (com adaptações).

 A partir da ilustração acima, que representa duas fotografias, e do fragmento de texto
apresentado, julgue os itens que se seguem.

 QUESTÃO 08 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 34)
 Pelos sentidos do texto, conclui-se que fotografias provocam o sentimento nostálgico das
pessoas porque muitas delas estão fora do referido “tempo individual”.


Quando ficou claro que a designação de Homo sapiens não era tão adequada à nossa espécie
como se havia acreditado — porque, afinal, não somos tão razoáveis como se acreditava no
século XVIII, em seu otimismo ingênuo —, acrescentaram-lhe a de Homo faber (homem que
fabrica). Entretanto, a expressão Homo ludens (homem que joga) evoca uma função tão essencial

quanto a de fabricar e merece,portanto, ocupar seu lugar junto à de Homo faber.

 Johan Huizinga. Homo ludens. Madri: Alianza, 2001, p. 7 (com adaptações).





 Tendo como referência essas informações e aspectos a elas relacionados, julgue os itens a seguir.

 QUESTÃO 09 – (UNB – 1º - 2012 – 1º dia – Q 11)

 Levando-se em consideração que o léxico da língua portuguesa passou por transformações ao longo dos
processos históricos, pode-se justificar a coexistência de itens lexicais do mesmo campo semântico, como
“sapiência” e “sabedoria”, do latim, e “filosofia” e “sofista”, do grego.


Derivada do grego, a palavra “estética” significa “sentir” e envolve um conjunto, uma rede de
percepções presentes em diversas práticas e conhecimentos humanos. As experiências estéticas de

homens e mulheres estendem-se a vários âmbitos de seu existir, de seu saber, de sua identidade,
enfim, de seu humanizar-se. Em processos de produzir e apreciar objetos artísticos, em múltiplas

linguagens, enraizadas em contextos socioculturais, as pessoas experimentam suas criações e
percepções estéticas de maneira mais intensa, diferenciada.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais: ensino médio.
Brasília: MEC, 1999, p. 48.

O jogo instaura uma nova percepção do tempo, pois o início e o fim do jogo estão diretamente
relacionados à limitação do tempo, que, por sua vez, instaura-se como fenômenos culturais.

Mesmo depois de ter chegado ao fim, o jogo permanece como criação do espírito, um tesouro a ser
conservado pela memória.
 Huizinga. Homo ludens – O jogo como elemento da cultura. São Paulo: Editora Perspectiva,1996. 4. ed., p. 12-3.
Johan

 QUESTÃO 10 – (UNB – 1º - 2009 – 1º dia – Q 88)


 Tendo como referência inicial os fragmentos de textos acima e a multiplicidade de aspectos que eles evocam,
assinale a opção correta.

 A) Nas danças brasileiras, como, por exemplo, bumba meu boi, tambor de crioula, cavalo-marinho, os
espectadores são convidados à apreciação estética passiva.
 B) Tanto na origem quanto nos dias atuais, o texto tem sido o principal elemento do jogo cênico, que permite
reconhecer a dramaturgia como manifestação artística.
 C) No jogo cênico, o elemento tempo, responsável pela permanência da sensação da presentificação para o
espectador, é o que mais se destaca, uma vez que o teatro é arte que depende, preponderantemente, da
noção de tempo.
 D) Ao longo da história do teatro, foram modificadas, no jogo cênico, as relações entre a caixa cênica e o
espectador, transformação que se estendeu ao jogo simbólico estabelecido entre apreciador e fazedor


 OBJETO DE CONHECIMENTO: LÍNGUA PORTUGUESA – ANÁLISE DO DISCURSO


 (Produção de Textos)


Texto I Texto II
O espelho
LXXIX

1 Entre este álamo, ó Lise, e essa corrente, O
Que
 agora estão meus olhos contemplando, espelho: atra
Parece que hoje o céu me vem pintando vés

4 A mágoa triste, que meu peito sente. de seu líquido nada
 me des

Firmeza a nenhum deles se consente dobro.
 doce respirar do vento brando;
Ao Ser quem me
7 O tronco a cada instante meneando, olha
A fonte nunca firme, ou permanente. e olhar seus
 olhos
Na líquida porção, na vegetante nada de

10 Cópia daquelas ramas se figura nada

Outro rosto, outra imagem semelhante: duplo
 mistério.

Quem não sabe que a tua formosura Não amo
 Sempre móvel está, sempre inconstante,
13 o espelho: temo-o.
Nunca
 fixa se viu, nunca segura?
Orides Fontela. Poesia reunida (1969-1996).
 São Paulo: Cosac Naify; Rio de Janeiro: 7letras,
Cláudio Manoel da Costa. Apud Domício Proença Filho. A poesia
 inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 85.
dos 2006, p. 212.







 QUESTÃO 01 – (UNB – 1º - 2012 – 1º dia – Q 116)
 Os poemas LXXIX e O espelho abordam tema semelhante de maneira bastante diferente. Considerando que
o soneto de Cláudio Manoel da Costa foi escrito em 1768 e o poema de Orides Fontela, em 1986, redija um
texto, na modalidade da língua escrita padrão, abordando as diferenças formais (verso, rima etc.) e temáticas
(configuração do eu lírico diante do espelho) entre as duas obras.


Em A Câmara Clara: Nota sobre a Fotografia, Roland Barthes investiga, como espectador e não como
fotógrafo, a estrutura da fotografia como sistema, como código: a linguagem fotográfica, portanto. E

aponta um paradoxo: a imagem fotográfica é uma cópia do real e uma ficção. No que se refere à
“emoção” de sujeito olhado e de sujeito que olha uma foto-retrato, o autor argumenta: “diante da
objetiva,
 faço pose; então, sou, ao mesmo tempo, aquele que eu me julgo, aquele que eu gostaria que
me julgassem, aquele que o fotógrafo me julga e aquele de que ele se serve para exibir sua arte.
Assim, a fotografia é o advento de mim mesmo como outro, uma dissociação astuciosa da consciência

de identidade; a fotografia transforma o sujeito em objeto.”
Roland Barthes. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, p. 22-3 (com adaptações).




 QUESTÃO 02 – (UNB – 1º - 2012 – 1º dia – Q 87)
 Com base no que está proposto acerca de retrato/fotografia no trecho acima, redija um texto, na modalidade
padrão da língua portuguesa, apresentando sua visão sobre a seguinte questão: um rosto na foto-retrato —
realidade ou ficção?

 História do Brasil. São Paulo: Publifolha, 1997, p. 206 (com adaptações)



 Com base nessas informações, atenda ao que se pede no item a seguir, que é do tipo D.

 QUESTÃO 03 – (UNB – 2º - 2011 – 1º dia – Q 13)


 Redija um texto, na modalidade padrão da língua portuguesa, relacionando o Movimento Antropófago à
Semana de Arte Moderna de 1922 e esclarecendo a contribuição do principal fundamento desse movimento
para a análise da cultura brasileira.

 QUESTÃO 04 – (UNB – PAS - 2009 – 1ª etapa – Q 60)

 A ética utilitarista baseia-se no princípio de que as ações moralmente boas devem promover o bem para o
maior número de pessoas. Acima, são apresentados, na forma de quadrinhos, problemas ambientais e
sociais causados pela ação humana na natureza. Redija, inicialmente, um texto dissertativo descrevendo os
problemas apontados na tirinha. Em seguida, dando continuidade a seu texto, apresente, com fundamento na
ética utilitarista e no conceito de cidadania, uma proposta de intervenção para se evitar a ocorrência de tais
problemas.

Texto
 I


Grande homem pelo avesso, Antônio Conselheiro era o profeta, o emissário das alturas, transfigurado
por ilapso [por influência divina] estupendo, mas adstrito a todas as contingências humanas, passível
do sofrimento e da morte, e tendo uma função exclusiva: apontar aos pecadores o caminho da
salvação. Satisfez-se sempre com este papel de delegado dos céus. Não foi além. Era o servo
jungido
 à tarefa dura; e lá se foi, caminho dos sertões bravios, largo tempo, arrastando a carcaça
claudicante, arrebatado por aquela ideia fixa, mas de algum modo lúcido em todos os atos,
impressionando
 pela firmeza nunca abalada e seguindo para um objetivo fixo com finalidade
irresistível. A sua frágil consciência oscilava em torno dessa posição média, expressa pela linha ideal
que Maudsley lamenta não se poder traçar entre o bom senso e a insânia. Parou aí indefinidamente,
nas fronteiras oscilantes da loucura, nessa zona mental onde se confundem facínoras e heróis,
reformadores
 brilhantes e aleijões tacanhos, e se acotovelam gênios e degenerados. Não a transpôs.
Recalcado pela disciplina vigorosa de uma sociedade culta, a sua neurose explodiria na revolta, o seu
misticismo
 comprimido esmagaria a razão. Pregava contra a República; é certo. O antagonismo era
inevitável. Era um derivativo à exacerbação mística; uma variante forçada ao delírio religioso. Mas
não traduzia o mais pálido intuito político: o jagunço é tão inapto para apreender a forma republicana


Texto II

Euclides da Cunha, em Os Sertões, privilegia uma figura que reúne duas forças contraditórias e

desvela a incapacidade raciocinante de encontrar uma síntese entre elas. Por exemplo, a seu ver,
Antônio Conselheiro era, ao mesmo tempo, um grande homem, como líder, porém um degenerado,

como encarnação das piores potencialidades presentes nos mestiços. Como resolver tal dilema no
âmbito do discurso? Empregando a figura da antítese, em que dois opostos são violentamente

aproximados, ou sua forma mais extremada, que é a figura do oxímoro. Isto é, resolvendo o problema
não no âmbito do raciocínio, mas naquele da literatura. Assim, Antônio Conselheiro, diz ele, era tão

extraordinário que cabia igualmente na História e no hospício. Louco obscuro ou personagem heróica
exemplar acabam sendo a mesma coisa. Mais do que adornos do texto, os oxímoros famosos são os


 QUESTÃO 05 – (UNB – PAS - 2009 – 1ª etapa – Q 46)


 Considerando as ideias apresentadas nos textos I e II, redija um texto acerca da forma como Euclides da
Cunha apresentou literariamente as contradições da figura de Antônio Conselheiro

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 A partir do conjunto de informações do texto publicitário apresentado acima, julgue o item a seguir.



 QUESTÃO 06 – (UNB – 1º 2010 – 1º dia – Q 32)

 Na imagem que compõe o texto publicitário, o movimento corporal — de euforia — que o nadador expressa
combina peso firme, tempo rápido e espaço focado, o que resulta na representação cênica do ato de socar o
ar.


 QUESTÃO 07 – (UNB – PAS - 2012– 1ª etapa – Q 100)


 Suponha que você esteja interessado no emprego anunciado acima, mas não possa comparecer a
entrevista. Considerando essa situação hipotética, elabore um pequeno texto, com extensão entre 7 e 10
linhas, justificando sua ausência a entrevista e argumentando por que você deve ser selecionado(a) para o
emprego. Utilize os nomes João ou Maria na identificação do emissor da comunicação.

 FEIRA DE MANGAIO
 Sivuca

 Fumo de rolo, arreio de cangalha
 Eu tenho pra vender, quem quer comprar
 Bolo de milho, broa e cocada
 Eu tenho pra vender, quem quer comprar
 [...]
 Tinha uma vendinha no canto da rua, onde o mangaieiro ia se animar
 Tomar uma bicada com lambu assado, e olhar pra Maria do Joa
 [...]
 Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar
 Tem Zefa de Purcina fazendo renda, e o ronco do fole sem parar
 Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua, fazendo floreio pra gente dançar
 Tem no
Entramos Zefa de Purcina
quarto. fazendo
Encurvada emrenda, e o ronco
semicírculo doofole
sobre sem
leito, parar
outra criatura que não a minha
avó,
 uma
[...] espécie de animal que se tivesse disfarçado com os seus cabelos e deitado sob os
seus
 lençóis,
No trecho arquejava, gemia,
da letra da cançãosacudia as Mangaio,
Feira de cobertas com as suas
de autoria de convulsões. As pálpebras
Sivuca, e descrito, em linguagem poética e
estavam fechadas, e era porque fechavam mal, antes
regional, o movimento em uma feira do interior do Nordeste. que porque se abrissem, que
deixavam
 ver um canto da pupila, velado, remeloso, refletindo a obscuridade de uma visão
orgânica e de um sofrimento interno.

 QUESTÃO
Quando 08 –a(UNB
meus lábios – PAS
tocaram, as -mãos
2011–de2ªminha
etapaavó
– Qagitaram-se,
40) ela foi percorrida inteira
 um
por Considerando
longo frêmito,o ou
texto acimaou
reflexo, como estimulo,
porque certasredija, na modalidade
afeições possuam a sua da língua padrão,que
hiperestesia, um parágrafo de 5 a 8
linhas,através
reconhece, em prosa, descrevendo
do véu o ambiente
da inconsciência, emque
aquilo queelas
vocêquase
esta. não têm necessidade dos
sentidos para querer. Súbito, minha avó ergueu-se a meio, fez um esforço violento, como
alguém
 que defende a própria vida. Françoise não pôde resistir, ao vê-lo, e rompeu em
soluços.

Lembrando-me do que o médico havia dito, quis fazê-la sair do quarto. Nesse momento,
minha avó abriu os olhos. Precipitei-me sobre Françoise para lhe ocultar o pranto, enquanto

meus pais falassem à enferma. O ruído do oxigênio calara-se, o médico afastou-se do leito.

Minha avó estava morta. A vida, retirando-se, acabava de carregar as desilusões da vida. Um
sorriso
 parecia pousado nos lábios de minha avó. Sobre aquele leito fúnebre, a morte, como
o escultor da Idade Média, tinha-a deitado sob a aparência de menina e moça.

Marcel Proust. Em busca do tempo perdido: o caminho de Guermantes. vol. 3, 3.ed. rev. Trad. Mario Quintana. São
Paulo: Globo, 2006, p. 376-7 (com adaptações).























 QUESTÃO 09 – (UNB – 2º 2010 – 1º dia – Q 43)
 Do ponto de vista sociológico, o texto descreve o processo de agonia e morte de um indivíduo
em contexto social comunitário, no qual os moribundos eram cercados de parentes e amigos, o
que evidencia o caráter privado da morte.


 QUESTÃO 10 – (UNB – 2º 2010 – 1º dia – Q 45)
 Depreende-se do texto que a realidade é percebida — e assim construída — por meio de
sensações aliadas a pensamentos fugidios, instantâneos, que, no entanto, se revelam como
elementos integrantes de um todo. Escreva um parágrafo que faz uma abordagem à cena
retratada.