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Estomatologia

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Estomatologia, palavra derivada do grego "estoma" (que significa "boca"), portanto seu
significado é estudo da boca.
O cirurgião dentista especialista em estomatologia, é um profissional que previne, diagnostica
e trata as enfermidades relacionadas com a boca (e todo aparelho estomatognático). O
aparelho estomatognático é constituído pelos lábios, dentes, mucosa oral,
glândulas salivares, tonsilas palatinas e faringeas e demais estruturas da orofaringe.
O estomatologista está apto a diagnosticar lesões dentro e fora da cavidade bucal, podendo
tratá-las ou encaminhá-las a outras especialidades cirúrgicas e médicas.

Índice

 1Em Portugal
 2Dentista estomatologista
o 2.1Aparelho estomatognático
 3Lesões fundamentais
o 3.1Manchas ou máculas
o 3.2Placas
o 3.3Erosão
o 3.4Úlcera e ulceração
o 3.5Vesícula e bolha
o 3.6Pápulas
o 3.7Nódulos
o 3.8Alterações morfológicas descritas das lesões fundamentais
 4Classificação
o 4.1Dente
o 4.2Periodonto
o 4.3Lesões ulcerativas e vesicobolhosas
o 4.4Lesões brancas
 4.4.1Grupo A
 4.4.1.1Comuns
 4.4.1.2Menos comuns
 4.4.1.3Raras
 4.4.2Grupo B
o 4.5Lesão negra
o 4.6Doenças infecciosas
o 4.7Processos proliferativos
o 4.8Alterações vasculares
 4.8.1Benignos
 4.8.2Malignos
o 4.9Manifestações bucais de patologia nasais e de seios de face
o 4.10Glândulas salivares
 4.10.1Sialoadenite
 4.10.2Alterações obstrutivas
 4.10.2.1Retenção de muco
 4.10.3Lesões de natureza imunológica
o 4.11Crescimentos teciduais de origem traumática
 4.11.1Granulomas gengivais
o 4.12Tumores benignos dos tecidos moles
o 4.13Cistos não-odontogênicos
o 4.14Osteomielites e Lesões fibro-ósseas benignas
 4.14.1Cementomas
 4.14.2Displasia Fibrosas
 4.14.3Outras
o 4.15Cistos não-odontogênicos
 4.15.1Cistos fissurais
 4.15.2Outros
o 4.16Cistos e tumores odontogênicos
 4.16.1Cistos
 4.16.1.1Cisto de desenvolvimento
 4.16.1.2Cistos inflamatórios
 4.16.2Tumores odontogênicos
 4.16.2.1Tumores odontogênicos Epiteliais
 4.16.2.1.1Benignos
 4.16.2.1.2Malignos
 4.16.2.2Tumores odontogênicos Mesenquimais
 4.16.2.2.1Benignos
 4.16.2.3Tumores odontogênicos Mistos
 4.16.2.3.1Benignos
 4.16.2.3.2Malignos
o 4.17Tumores ósseo
 4.17.1Formadores de tecido ósseo
 4.17.1.1Benigno
 4.17.1.2Maligno
 4.17.2Formadores de tecido cartilagenoso
 4.17.2.1Benignos
 4.17.2.2Malignos
 4.17.3Tumor de células gigantes
 4.17.4Da medula óssea
 4.17.5Outros
o 4.18Disfunções de ATM e dos músculo da mastigação
 5Ver também
 6Bibliografia

Em Portugal[editar | editar código-fonte]


A estomatologia em Portugal é um campo de actuação por Licenciados em Medicina. Os
Médicos estomatologistas são profissionais licenciados em Medicina que se especializam
posteriormente em Estomatologia, exercendo em hospitais públicos/privados e clínicas.
Ambos os Estomatologistas e Dentistas, têm formação para identificar, diagnosticar patologia
dentária. As patologias orais e maxilares, bem como as estruturas anexas a estas, são
tratadas por estomatologia, quer de forma médica ou cirúrgica. A grande diferença entre
Estomatologistas e Dentistas reside na sua classificação profissional - Os Médicos
Estomatologistas são licenciados em Medicina e estão contemplados na carreira médica
hospitalar, enquanto que os Médicos Dentistas não têm, actualmente, qualquer carreira
associada e têm o curso de Medicina Dentária.
Em Portugal, as sub-especialidades estomatológicas ainda não estão completamente
definidas.
Programa de Formação Específica do Internato da Especialidade de Estomatologia
1 – Duração – 48 meses. 2 – Estágios, por sequência e duração: 2.1 – 1.º ano – estágio em
Clínica Estomatológica (primeira parte: 12 meses). Inclui um mês de estágio em Anatomia
Patológica 2.2 – 2.º ano – estágio em Clínica Estomatológica (segunda parte: 12 meses).
Inclui um mês de estágio em Anestesiologia. 2.3 – 3.º ano – estágio em Clínica
Estomatológica (terceira parte: 12 meses). Inclui um mês de estágio em Dermatologia. 2.4 –
4.º ano – estágio em áreas cirúrgicas da cabeça e pescoço (12 meses, num único Serviço ou
dois períodos de 6 meses em Serviços diferentes). 3 – Locais de formação: 3.1 – 1.º, 2.º e 3.º
anos: a) Serviços de Estomatologia b) Serviços de Estomatologia e Cirurgia Maxilofacial c)
Serviços de Anatomia Patológica d) Serviços de Anestesiologia e) Serviços de Dermatologia
3.2 – 4.º ano: a) Serviços de Estomatologia e Cirurgia Maxilofacial b) Serviços de Cirurgia da
Cabeça e do Pescoço c) Serviços de Oncologia Oral d) Serviços de Cirurgia Maxilofacial e)
Serviços de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva f) Serviços de Cirurgia Pediátrica 4 –
Desenvolvimento do Internato: 4.1 – Frequência da Consulta externa, Urgência
(obrigatoriamente sob a tutela de um Estomatologista), Enfermaria e Laboratório de Prótese.
4.2 – Colaboração e progressiva responsabilização nas actividades clínicas de rotina. 4.3 –
Participação nas reuniões do Serviço e nas suas actividades científico-pedagógicas
(nomeadamente reuniões clínicas, discussão de casos clínicos, conferências, investigação
clínica ou laboratorial). O acesso à investigação clínica pelo Médico Interno, deverá integrar-se
no âmbito de legislação própria criada para o efeito. 4.4 – Apresentação de casos clínicos,
temas relacionados com a Estomatologia e revisões bibliográficas. 4.5 – Manuseamento do
Arquivo e Biblioteca. 4.6 – Participação em cursos e simpósios de pós-graduação. 5 –
Objectivos dos estágios: 5.1 – Estágio em Clínica Estomatológica: 5.1.1 – 1.º ano: 5.1.1.1 –
Objectivos de desempenho: a) Colheita de histórias clínicas, com realce para os aspectos da
semiologia estomatológica: anamnese e exame objectivo; b) Execução de técnicas de
instrumentação estomatológica com manuseamento do material e equipamento de
Estomatologia; c) Realização de métodos semiológicos e terapêuticos próprios em: c 1)
Medicina e patologia oral c 2) Exodôncia c 3) Dentisteria operatória c 4) Endodôncia c 5)
Odontopediatria c 6) Imagiologia estomatológica 5.1.1.2 – Objectivos de conhecimento: a)
Conhecimentos básicos relacionados com a prática estomatológica de: a 1) Anatomia a 2)
Fisiologia a 3) Embriologia a 4) Patologia geral (incluindo bacteriologia, imunologia e genética)
a 5) Anatomia patológica a 6) Fisiopatologia a 7) Farmacologia a 8) Semiologia clínica e
terapêutica a 9) Psicologia e ciências afins (v. g.: Biofísica, Bioquímica, Biomatemática,
Estatística, Informática) b) Doenças gerais com manifestações orais c) Semiologia
estomatológica, nomeadamente da história clínica e meios complementares de diagnóstico d)
Patologia geral do aparelho estomatognático e anexos e) Medicina, terapêutica
estomatológica, oclusão, dentisteria operatória, exodôncia, endodôncia, odontopediatria,
imagiologia, anestesia, instrumental e materiais em Estomatologia f) Fundamentos da
investigação clínica e laboratorial em Estomatologia 5.1.2 – 2.º ano: 5.1.2.1 – Objectivos de
desempenho: a) Elaboração de histórias clínicas, incluindo exame físico b) Discussão de
casos clínicos c) Realização de estudos pré e pós-operatórios e evolução pós-operatória d)
Diagnóstico, profilaxia e tratamento das infecções em meio hospitalar e) Realização de pensos
seguindo a evolução da ferida operatória e das drenagens e remoção de pontos de sutura f)
Aplicação de técnicas de reanimação e de suporte básico de vida g) Comportamento no bloco
operatório de acordo com as técnicas gerais e especiais de assepsia, desinfecção e
esterilização h) Instrumentação cirúrgica, mesas para cirurgia geral e especial i) Domínio das
técnicas cirúrgicas relativas à cirurgia oral e dentomaxilar: pensos, drenagem de abcessos,
tratamento de feridas, queimaduras, fracturas e traumatismos dento-alvéolo-maxilares,
biópsias de tecidos moles 5.1.2.2 – Objectivos de conhecimento – patologia cirúrgica oral e
dentomaxilar e técnicas cirúrgicas aplicáveis: a) Biologia dos ferimentos e cicatrização b)
Controlo da dor e anestesia c) Infecção d) Choque e) Equilíbrio ácido-base e hidroelectrolítico
f) Nutrição g) Preparação pré-operatória h) Aspectos psicológicos e emocionais da cirurgia i)
Influência de outras doenças e estados na cirurgia (insuficiência respiratória, doenças
cardiovasculares, insuficiência renal, insuficiência hepática, doenças infecciosas, doenças
endócrinas, hemopatias, doentes transplantados, desidratação, má nutrição e gravidez) j)
Influência de agentes farmacológicos na cirurgia (analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos,
anticoagulantes, cardiotónicos e digitálicos, diuréticos, drogas de acção neurovegetativa,
antidiabéticos, drogas imunossupressoras, etc.) k) Influência de agentes físicos na cirurgia
(radioterapia, terapêutica hiperbárica, laser, crioterapia, etc.) l) Cuidados e complicações pós-
operatórias m) Técnicas de reanimação. 5.1.3 – 3.º ano: 5.1.3.1 – Objectivos de desempenho
– domínio das técnicas semiológicas e terapêuticas em: 5.1.3.1.1 – Ortodôncia-ortopedia
dentomaxilofacial: Diagnóstico (incluindo estudos cefalométricos, fotográfico e de modelos) e
tratamento (tratamento interceptivo e tratamento preventivo e funcional ortodônticos). 5.1.3.1.2
– Reabilitação dento-oromaxilar. a) Diagnóstico e tratamento da edentação total e parcial com
uso de prótese móvel (muco e ou muco-dento suportadas) e ou fixa b) Diagnóstico (incluindo
uso de articuladores e arco facial) e tratamento das afecções temporomandibulares 5.1.3.1.3 –
Periodontologia: Diagnóstico das periodontopatias e terapêutica médica e cirúrgica. 5.1.3.1.4 –
Implantologia: Diagnóstico e tratamento de endentulismo com o recurso a implantes. 5.1.3.2 –
Objectivos de conhecimento: a) Aprofundamento dos conhecimentos básicos e de patologia
geral e especial do aparelho estomatognático e anexos e da semiologia e clínica
estomatológica b) Estudo da ortodôncia, ortopedia dentomaxilofacial, reabilitação dento-
promaxilar, periodontologia c) Estudo de anatomia patológica e de estomatologia forense 5.2 –
Estágio em áreas cirúrgicas da cabeça e pescoço. 5.2.1 – Objectivos de desempenho:
Aprofundamento e aperfeiçoamento das técnicas de diagnóstico e terapêutica cirúrgicas da
área da cabeça e do pescoço necessárias ao exercício da Estomatologia. 5.2.2 – Objectivos
de conhecimento: Aprofundamento dos conhecimentos de semiologia, patologia e clínica das
doenças craniocervicofaciais oncológicas, traumatológicas e dismórficas e seu tratamento
cirúrgico, isolado ou integrado em terapêuticas multidisciplinares. 5.3 – Níveis mínimos de
desempenho globais: 5.3.1 – Restaurações dentárias – 100. 5.3.2 – Endodôncias – 30. 5.3.3 –
Exodôncias – 100. 5.3.4 – Cirurgias dentomaxilares (total – 70). 5.3.4.1 – Subtotais em
inclusões dentárias – 30. 5.3.4.2 – Subtotais em traumatologia dento-alveolar – 30. 5.3.4.3 –
Subtotais em traumatologia maxilar – 20. 5.3.5 – Cirurgia dos tecidos moles (total – 30).
5.3.5.1 – Subtotais em glândulas salivares – 10. 5.3.6 – Cirurgia pré-protética – 10. 5.3.7 –
Cirurgia periodontal – 20. 5.3.8 – Implantes – 10. 5.3.9 – Prótese total – 5. 5.3.10 – Prótese
parcial removível – 10. 5.3.11 – Prótese fixa – 6. 5.3.12 – Ortodôncia – 20. 5.3.12.1 –
Diagnóstico e plano de tratamento e colocação de aparatologia – 20. 5.3.13 – Seguimento de
casos até à fase final – 6. 5.3.14 – Publicação anual de no mínimo um artigo em Revista
Científica da Especialidade. 6 – Avaliação: 6.1 –A avaliação do aproveitamento no Internato
de Estomatologia compreende uma avaliação contínua, realizada ao longo de todo o Internato
e uma avaliação final que precederá o Exame Nacional As avaliações incidem sobre os níveis
de desempenho e de conhecimento e serão feitas pelo Director de Serviço, pelo Orientador de
Formação e pelo Orientador do Estágio que o Médico Interno esteja a realizar. 6.2 – Avaliação
de desempenho A avaliação do desempenho é feita de forma contínua no decorrer de cada
estágio e na avaliação final, sendo o Interno avaliado, na escala de 0 a 20 valores, levando em
conta os seguintes parâmetros e respectiva ponderação: a) Capacidade de execução técnica
– 3 b) Interesse pela valorização profissional – 3 c) Responsabilidade profissional – 2 d)
Relações humanas no trabalho – 2 6.3 – Avaliação de conhecimentos 6.3.1 – A avaliação de
conhecimentos é feita de forma contínua no decorrer de cada estágio e na avaliação final de
acordo com os seguintes parâmetros: 6.3.1.1 – Apreciação e discussão do relatório de
actividades. 6.3.1.2 – Prova teórica de interrogatório sobre os objectivos de conhecimento.
6.3.1.3 – Prova prática, que incluirá: a) Entrevista e observação de um doente b) Elaboração
de relatório escrito onde conste o diagnóstico, pedido de exames, discussão dos mesmos,
prognóstico e terapêutica. 7 – Disposições finais: 7.1 – O presente programa entra em vigor
em 1 de Janeiro de 2008 e aplica-se aos Internos que iniciarem o Internato a partir dessa data.
7.2 – Pode, facultativamente, abranger os Internos já em formação e nesse caso os
interessados deverão entregar na Direcção do Internato do seu Hospital, no prazo de dois
meses a partir da publicação deste programa, uma declaração em que conste a sua pretensão
com concordância averbada dos respectivos Director de Serviço e Orientador de Formação.
13 de Maio de 2007

Dentista estomatologista[editar | editar código-fonte]


O cirurgião dentista que atua na especialidade de estomatologia "Estomatologistas" tem o
objetivo de tratar não apenas a cavidade oral, e sim de estruturas como a pele, pois existem
diversas patologias que apresentam repercussões tanto no sistema estomatognático como
nas superfícies cutâneas.
O especialista está apto a diagnosticar lesões dentro e fora da cavidade bucal, podendo tratá-
las individualmente, ou trabalhar conjuntamente/ encaminhar a outras especialidades médicas
"dermatologia, cirurgia plástica, oncologia, cirurgia de cabeça e pescoço entre outros".
O especialista em estomatologia atua na prevenção, diagnóstico e tratamento de todas
enfermidades "patologias" na cavidade bucal (aparelho estomatognático).
Aparelho estomatognático[editar | editar código-fonte]
É todo complexo bucal constituído pelos lábios, elementos dentários, língua, palato mole/
duro, mucosa mastigatória (oral), glândulas salivares maiores/ menores, tonsilas "palatinas e
faríngeas" e orofafinge.

Lesões fundamentais[editar | editar código-fonte]


Os processos patológicos básicos aparecem, clinicamente, por variadas alterações
morfológicas, na pele ou mucosa bucal, e são denominadas lesões
fundamentais ou elementares.
Quando se sabe que determinado grupo de doenças manifesta-se sistematicamente por meio
de lesões ulcerativas, em princípio, já se excluem outros tipos de alterações, quando se
defronta com tal lesão. Assim, por exemplo, sabe-se que a ulceração aftosa recorrente(como
o próprio nome já diz) pode surgir em diversas regiões. da mucosa bucal, sem que ocorram
outras manifestações clínicas importantes, além da destruição do epitélio e
conseqüentemente. Nesse caso pode se pensar em tratar-se de uma leucoplasia, por
exemplo, que é lesão branca representada por placa elevada. Dessa maneira, com o
conhecimento das lesões fundamentais e, mais tarde, ao estudar os processos patológicos
que as produzem, processo de elaboração do diagnóstico será facilitado.
Manchas ou máculas[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Mancha
Manchas ou máculas são modificações das coloração normal da mucosa bucal, sem que
ocorra elevação ou depressão tecidual.
Placas[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Placa
As placas constituem lesões bem características, fundamentalmente elevadas em relação ao
tecido normal, sua altura é pequena em em relação à extensão, consistentes à palpação e a
superfície pode ser rugosa, verrucosa, ondulada, lisa ou apresentar diversas combinações
desses aspectos.
Erosão[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Erosão
A erosão representa perda parcial do epitélio, sem exposição do tecido conjuntivo subjacente.
Surge em decorrência de variados processos patológicos, predominantemente de origem
sistêmica, que produzem atrofia da mucosa bucal, que se torna fina, plana e com aparência
frágil.
Úlcera e ulceração[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Úlcera, Ulceração
Úlcera e ulceração são lesões em que ocorre solução de continuidade do epitélio com
exposição do tecido conjuntivo subjacente.
Ulcerações correspondem a lesões de curta duração, geralmente conseqüentes a doenças
autolimitantes, como afta vulgar, herpes recorrente, lesões traumáticas e outras. Grispan
(1970) classifica as úlceras e ulcerações como lesões secundárias, decorrentes de evolução
de lesões primitivas como bolhas, vesículas, nódulos etc. Em realidade, essa divisão se
justifica se pudermos detectar a lesão primária, acompanhar sua evolução ou obter do
paciente informação absolutamente segura desse comportamento. A afta vulgar (ou ulceração
aftosa recorrente) é um exemplo típico de ulceração primitiva em função de não ser possível
clinicamente, observar-se previamente em sua instalação o desenvolvimento de nenhuma
outra lesão.
As úlceras e ulcerações apresentam uma série de aspectos semiológicos que devem ser
minuciosamente considerado em relação à formulação de hipóteses diagnósticas. Assim,
localização, forma, tamanho, cor, conformação das bordas, aspeto do fundo da lesão
(presença de exsudato, sangramento, pseudomembrana etc.), profundidade, consistência
à palpação, sensibilidade dolorosa, aderência a planos profundos, números de lesões,
fenômenos associados (lesões concomitantes e linfadenopatia) duração, ocorrência de
fenômenos prévios à sua instalação e história de episódios anteriores semelhantes poderão
ser de grande importância na elaboração do diagnóstico.
Vesícula e bolha[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Vesícula, Bolha
Seu estudo em conjunto justifica-se por diferirem, praticamente, apenas no tamanho da lesão.
São elevações do epitélio contendo líquido no seu interior. A membrana de revestimento pode
ser fina ou espessa, conforme a lesão esteja localizada de maneira sub ou intra-epitelial.
Pápulas[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Pápula
Pápulas são pequenas lesões sólidas, circunscritas, elevadas, cujo diâmetro não ultrapassa
5 mm.
Nódulos[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Nódulo
Nódulos são lesões sólidas, circunscritas, com localização superficial ou profundas e formadas
por tecido epitelial, conjuntivo ou misto. Podem ser pediculado, quando seu maior diâmetro é
superior ao da base de implantação, ou séssil, quando o da base é maior. Quando a origem é
conjuntiva, a superfície da lesão é recoberta por epitélio com aspecto normal, a não ser em
áreas de irritação ou trauma.
Alterações morfológicas descritas das lesões fundamentais[editar | editar
código-fonte]
Certas denominações são utilizadas na descrição morfológica das lesões fundamentais, de
maneira a particularizar determinados aspectos. Assim, as manchas podem ser
chamadas púrpura, quando de coloração vermelha-arrocheadas, resultante de
extravasamento sangüíneo, que não desaparece sob pressão. Já o aspecto cianótico revela
um eritema venoso ou hiperemia passiva, e desaparece por vitropressão. As crostas,
aparecem apenas sobre superfícies relativamente secas, como lábios e pele na evolução de
lesões ulcerativas, e podem ser melicélicas, quando resultam da dessecação de exsudato
serofibrinoso purulentas ou hemorrágicas. As púrpuras, quando pequenas e múltiplas,
descritas como petéquias.
As ulceras podem assumir aspectos variados e são descritas como exulcerações quando
envolvem grandes regiões da mucosa; são superficiais sem limites nítidos, como
na paracoccidioidomicose (PCM).
Podem, ainda, aparecer como fissuras nas regiões de pregas e dobras da mucosa e pele.
As vesículas podem conter pus em seu interior e são chamadas pústulas. As fístulas são
orifícios na superfície cutânea ou mucosa, terminais de trajetos sinuosos que põem em
contato com o exterior focos ou cavidades supurativas internas; em fases crônicas, aparecem,
clinicamente, como pequenas pústulas.

Classificação[editar | editar código-fonte]


Dente[editar | editar código-fonte]

 Microdontia
 Macrodontia
 Dens in dente
 Geminação
 Pérolas de esmalte
 Taurodontismo
 Dilaceração
 Cárie
Periodonto[editar | editar código-fonte]

 Gengivite
 Periodontite
Lesões ulcerativas e vesicobolhosas[editar | editar código-fonte]
Constituem um grupo variado de doenças que podem ocorrer na mucosa bucal e de grande
importância clínica pela freqüência e variedade de entidades que podem representar.

 Afta
 Periadenite mucosa recorrente cicatrizante
 Úlcera psicogênica
 Granuloma eosinófilo traumático
 Gengivoestomatite ulceronecrosante aguda
 Mononucleose infecciosa
 Estomatite urêmica
 Noma
 Estomatites medicamentosas
 Carcinomas
Lesões brancas[editar | editar código-fonte]
Dentre as lesões elementares da mucosa bucal descrita por Grinspan (1970), encontram-se
as escamas e queratoses e, como subgrupo, as chamadas "lesões brancas". Sob essa
denominação, utilizada pela primeira vez provavelmente por James Ewing, é descrita uma
serie heterogênea de processos localizados exclusivamente na boca, ou de origem sistêmica
e caracterizados clinicamente por sua coloração esbranquiçada , e aspecto leucoplasiforme,
ou liquenóide.
Uma divisão bastante interessante das lesões brancas da mucosa bucal é a proposta por
Grinspan (1970), que as separa segundo a presença de hiperqueratose. Assim, temos, com
ligeiras modificações:
Grupo A[editar | editar código-fonte]
Lesões com queratinização histológica anormal
Comuns[editar | editar código-fonte]

 leucoplasia
 Queratose irritativa
 Líquen plano
Menos comuns[editar | editar código-fonte]

 Névus branco esponjoso


 Doença de Darier
 Síndrome de Jadassonhn-Lewandowsky
 Disqueratose Intra-epitelial benigna hereditária

 Disqueratose congênita familial de Zinsser-Cole


 Lúpus eritematoso crônico discóide
Raras[editar | editar código-fonte]

 Líquen esclerótico
 psoríase
 Doença de Mabelli-Respighi
 Ictiose vulgar
Grupo B[editar | editar código-fonte]

 Candidíase
 Sífilis
 Língua geográfica
 Mucosa mordiscada
 Leucoedema
 Língua saburrosa
 Hialinose cutaneomucosa
Lesão negra[editar | editar código-fonte]
São manchas ou placas de coloração escura (negras, pardas, violáceas ou "cafe-com-leite")
que manifestam na mucosa oral. Dois grupos fundamentais de lesões podem ser distinguidos:

1. algumas aparecem em decorrência da intensificação da pigmentação melânica e,


2. coloração decorrente de outras causas.

 Melanose
 Doença de Addison
 Tatuagem por amálgama
 Nevo pigmentado
 Nevo azul
 Melanoma
 Síndrome de Peutz-Jeghers
 Língua negra pilosa
Doenças infecciosas[editar | editar código-fonte]

 Tuberculose
 Gengivite ulcerativa necrosante aguda
 Tricomoníase
 Impetigo contagioso
 Sífilis
 Gonorreia
 Hanseníase
 Candidíase
 Paracoccidioidomicose
 Actinomicose
 histoplasmose
 Herpes
 Zoster
 Mononucleose infecciosa
 Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA, AIDS)
 Citomegalovírus
 Papilomavírus humano (HPV)
 Vírus Epstein-Barr (EBV)
 Molusco contagioso
 Sarcoma de Kaposi
 Linfoma não-Hodgkin
Processos proliferativos[editar | editar código-fonte]
A denominação processos proliferativos, atribuída a um grupo de lesões que ocorre na boca e
no complexo maxilomandibular, é consideravelmente discutida e discutível. Esse grupo é
representado por lesões proliferativas, basicamente de natureza inflamatória e sem
característica histológica neoplásica.
A denominação adotada, de processos proliferativos, sugerem que sejam lesões
representadas por um aumento de volume tecidual, bem como ausência de característica
neoplásica.

Processos Proliferativos
Tecido de origem o mesmo ou maior número de células + componentes inflamatórios
(células e/ou edema)

Tecido
normal de Tumor Benigno
origem Células iguais às dos tecidos de origem, mas em número extremamente maior, com ou
sem componentes inflamatórios

Tumor Maligno
Células diferenciadas do tecido de origem. População tumoral constituída por células
em proliferação, em diferenciação e diferenciação proliferativa. Pode ou não
apresentar componentes inflamatórios

Apesar do quadro, alguns PP podem não evidenciar a presença a presença de inflamação,


como ocorre nas fibromatoses anatômicas e hereditárias. Esse fato é uma exceção ao quadro
histológico apresentado pelas lesões que constituem este grupo. Por outro lado, apesar de
alguns autores incluírem entre PP os cistos da boca e complexo maxilomandibular, não se
encontrou justificativa clínica para tal inclusão.
Com a finalidade de facilitar a compreensão de cada entidade será utilizada a seguinte
denominação para os processos proliferativos não-neoplásicos, baseados, principalmente, na
composição histológica de cada lesão.

 Hiperplasia fibrosa inflamatória (epúlide fibroso)


 Hiperplasia papilomatosa inflamatória
 Lesão periférica de células gigantes (epúlide gigantocelular)
 Lesão central de células gigantes
 Granuloma gravídico
 Fibromatose gengival
 Neuroma de amputação
Alterações vasculares[editar | editar código-fonte]
Benignos[editar | editar código-fonte]

 Hemangioma
 Linfangioma
 Tumor glômico
Malignos[editar | editar código-fonte]

 Angiossarcoma
 Hemangioendotelioma
 Hemagiopericitoma
Manifestações bucais de patologia nasais e de seios de face [editar | editar
código-fonte]

 Fístula bucoantral
 Fístula nasobucal
Glândulas salivares[editar | editar código-fonte]

 Glândula salivar ectópica


Sialoadenite[editar | editar código-fonte]

 Parotidite epidêmica(caxumba)
 Parotidite aguda
 Parotidite crônica
Alterações obstrutivas[editar | editar código-fonte]

 Sialolitíase
Retenção de muco[editar | editar código-fonte]

 Mucocele
 Rânula
Lesões de natureza imunológica[editar | editar código-fonte]

 Síndrome de Sjögren
 Hiperplasia linfóide
Crescimentos teciduais de origem traumática[editar | editar código-fonte]
Granulomas gengivais[editar | editar código-fonte]

 Hemangiogranuloma
 Fibrogranuloma
 Granuloma piogênico
 Lesão periférica de células gigantes
 Hiperplasia fibrosa inflamatória de palato
 Hiperplasia fibrosa inflamatória de fundo de sulco
 Fibromatose gengival irritativa
 Fibromatose gengival hereditária
 Fibromatose gengival anatômica
 Fibromatose gengival medicamentosa
Tumores benignos dos tecidos moles[editar | editar código-fonte]

 Papiloma
 Queratoacantoma
 Fibroma
 Lipoma
 Mixoma
 Hemangioma e linfangioma, tumores de origem vascular.
 Leiomioma
 Rabdomioma
 Mioblastoma de células granulares
 Tumor melanótico neuroectodérmico da infância
 Neurilemoma
 Neurofibromatose
Cistos não-odontogênicos[editar | editar código-fonte]

 Cisto do ducto nasopalatino


 Cisto palatino mediano
 Cisto nasolabial
 Cisto mandibular mediano
Osteomielites e Lesões fibro-ósseas benignas[editar | editar código-fonte]

 Osteomielite
o Osteomielite supurativa aguda
o Osteomielite crônica esclerosante difusa
 Osteomielite de Garré
Cementomas[editar | editar código-fonte]
São lesões fibro-ósseas benignas de origem odontogênica.
A Organização Mundial de Saúde conceitua os cementomas como um grupo complexo de
lesões que apresentam em comum um tecido semelhante a cemento.

 Displasia cementiforme periapical


 Fibroma cementificante central e peridérico
 Cementoma gigantiforme
Displasia Fibrosas[editar | editar código-fonte]

 Displasia fibrosa
o Displasia fibrosa monostótica
o Displasia fibrosa poliostótica
Outras[editar | editar código-fonte]

 Doença de Paget
 Querubismo
 Lesão central de células gigantes
 tumor marrom do hiperparatireoidismo
 Cisto ósseo aneurismático
Cistos não-odontogênicos[editar | editar código-fonte]
Cistos fissurais[editar | editar código-fonte]

 Cisto do ducto nasopalatino


 Cisto palatino mediano
 Cisto nasolabial
 Cisto mandibular mediano
Outros[editar | editar código-fonte]
 Cisto linfoepitelial benigno
 Cisto do ducto tireoglosso
 Cisto dermóide
 Pseudocistos
Cistos e tumores odontogênicos[editar | editar código-fonte]
Cistos[editar | editar código-fonte]
Cisto de desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

 Queratocisto odontogênico
 Cisto dentígero
 Cisto de erupção
 Cisto gengival do recém-nascido
 Cisto gengival do adulto
 Cisto periodontal lateral
 Cisto odontogênico calcificante
 Cisto odontogênico glandular
Cistos inflamatórios[editar | editar código-fonte]

 Cisto radicular
o Cisto radicular apical e cisto radicular lateral
 Cisto paradentário
Tumores odontogênicos[editar | editar código-fonte]
Tumores odontogênicos Epiteliais[editar | editar código-fonte]
Benignos[editar | editar código-fonte]

 Ameloblastoma
 Tumor odontogênico escamoso
 Tumor odontogênico epitelial calcificante
 Tumor odontogênico de células claras
Malignos[editar | editar código-fonte]

 Ameloblastoma maligno
Tumores odontogênicos Mesenquimais[editar | editar código-fonte]
Benignos[editar | editar código-fonte]

 Mixoma
 Fibroma odontogênico
 Cementoblastoma benigno
Tumores odontogênicos Mistos[editar | editar código-fonte]
Benignos[editar | editar código-fonte]

 Fibroma ameloblástico
 Odontoameloblastoma
 Tumor odontogênico adenomatóide
 Odontoma
o Odontoma Complexo
o Odontoma Composto
Malignos[editar | editar código-fonte]

 Fibrossarcoma ameloblástico

 Fibro-odontosssarcoma ameloblástico
Tumores ósseo[editar | editar código-fonte]
Formadores de tecido ósseo[editar | editar código-fonte]
Benigno[editar | editar código-fonte]

 Osteoma
 Osteoma osteróide
 Osteoblastoma
Maligno[editar | editar código-fonte]

 Osteossarcoma
 Osteossarcoma paraostal
 Osteossarcoma em focos múltiplos
Formadores de tecido cartilagenoso[editar | editar código-fonte]
Benignos[editar | editar código-fonte]

 Condroma
 Osteocondroma
 Condroblastoma fibroma condromixóide
Malignos[editar | editar código-fonte]

 COndrossarcoma
 Condrossarcoma justacortical
 Condrossarcoma mesenquimal
Tumor de células gigantes[editar | editar código-fonte]
Da medula óssea[editar | editar código-fonte]

 Sarcoma de Ewing
 Reticulossarcoma
 Linfossarcoma
 Mieloma plasmocitário
Outros[editar | editar código-fonte]

 Condroma
 Adamantinoma de ossos longos
 Neurilemoma
 Neurofibroma
Disfunções de ATM e dos músculo da mastigação[editar | editar código-
fonte]
 Deslocamento do disco com redução
 Deslocamento do disco sem redução
 Deslocamento da articução temporo-mandibular
 Anquilose da ATM
 Fratura de côndilo
 Disfunção por dor miofacial
 Miosite
 Disfunção por espamo

Ver também[editar | editar código-fonte]


 Lista das Lesões orais

[Esconder]

Patologia bucal (K00-K14)

a - Hiperdontia - anomalias do tamanho e da forma dos dentes (Concrescência, Fusão, Geminação, Dente evaginado, Dente invaginado, Pérola de esmalte, Macrodontia, M

o, Odontodisplasia regional, Dente hipoplásico de Turner) - outros distúrbios hereditários na estrutura dentária (Amelogênese imperfeita, Dentinogênese imperfeita, Disp

nquilose - Cárie dentária - Dentículos - Erosão - Reabsorção externa - Fluorose dentária - Impactação - Reabsorção interna - Úlcera

ulcerativa necrosante - Gengivite Plasmocitária - Gengivite Granulomatosa - Gengivite descamativa - Fibromatose Gengival - Periodontite - Periodontite Crônica - Period

narite - Periodontite Agressiva - Síndrome de Papillon-Lefèvre

Periapical - Cisto Periapical - Abscesso Periapical - Osteíte Condensante - Osteíte alveolar

o de erupção - Ceratocisto odontogênico - Cisto Odontogênico Ortoceratinizado - Cisto Gengival do Adulto - Cisto Odontogênico Glandular

ntogênico Ameloblastoma - Ameloblastoma Maligno - Tumor odontogênico adenomatoide - Tumor Odontogênico Epitelial Calcificante - Tumor Odontogênico Escamoso

-odontoma Ameloblástico - Odontoameloblastoma - Odontoma - Tumores de ectomesênquima odontogênico Fibroma Odontogênico Central - Fibroma Odontogênico Peri

órus palatino - Querubismo

ia - Rânula - Mucocele - Lesão linfoepitelial benigna - Sialometaplasia necrosante - Sialodenite - Sialolitíase - Aplasia de glândula salivar - Cisto do Ducto Salivar - Queili

ndulas salivares menores - Tumores de glândulas salivares - Tumores benígnos: Adenoma pleomórfico - Oncocitoma - Oncocitose - Tumor de Warthin - Adenoma Monom

oma de Células Acinares - Tumores de glândulas salivares malignos mistos Carcinoma adenoide cístico - Adenocarcinoma Polimorfo de Baixo Grau

ueilite angular - Eritroplasia - Leucoplasia pilosa - Leucoplasia


geográfica - Romboidal mediana) - Língua fissurada - Glossodínia - Língua negra pilosa

andibular - Anquilose da articulação temporomandibular