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1 - Elementos de um Projeto Industrial

1.1 Introdução

Para elaborar um projeto elétrico industrial, devemos ter conhecimento de


dados relativos à:

1o - Condições de supprimento de energia elétrica

A concessionária local deve prestar ao interessado as informações que lhe são


peculiares, tais como:

(a) Garantia de suprimento de carga, dentro de condições satisfatórias;

(b) Variações de tensão de suprimento;

(c) Tipo de sistema de suprimento:

A alimentação na indústria é na grande maioria dos casos, de responsabilidade


da concessionária de energia elétrica. Por isso, o sistema de alimentação quase fica
sempre limitado as disponibilidade das linhas de suprimento existente na área do
projeto. Quando a indústria é de certo porte e a linha de produção exige uma elevada
continuidade do serviço, faz-se necessário realizar investimentos adicionais, buscando
recursos alternativos de suprimento, tais como construção de um novo alimentador
e/ou aquisição de geradores de emergência. As indústrias de uma maneira geral são
alimentadas por um dos seguintes sistemas:

(c.1) Sistema de suprimento radial simples: É aquele em que o fluxo de potência tem um
sentido único da fonte para a carga. Entretanto, apresenta baixa confiabilidade devido à
falta de recursos para manobra, quando da perda do alimentador. Em compensação seu
custo é mais reduzido em relação a outros sistemas.

(c.2) Sistema de suprimento com recurso: É aquele que o sentido do fluxo de potência
pode variar de acordo com as condições de carga do sistema. Estes sistemas apresentam
maior confiabilidade, pois a perda eventual de um dos alimentadores não deve afetar a
continuidade do fornecimento exceto durante o período do fornecimento da manobra
das chaves. Estes sistemas apresentam custo mais elevado devido ao emprego de
equipamento mais caro e, sobretudo pelo dimensionamento dos alimentadores que

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devem ter capacidade individual suficiente para suprir a carga quando da saída de um
deles. Este tipo de sistema pode ser alimentado por uma ou mais fontes de suprimento
da concessionária, que melhorará sobremaneira a continuidade do sistema.

Figura 1 – Sistema de suprimento com recurso

2o – Planta baixa de arquitetura do prédio

Contém toda a área de construção indicando com detalhes divisionais os


ambientes de produção industrial, escritório, dependências em geral e outros que
compõem o conjunto arquitetônico.

3o – Planta baixa com disposição física das máquinas

Contém a projeção aproximada de todas as máquinas, devidamente


posicionada com indicações dos motores e dos locais dos painéis de controle.

4o – Planta de detalhes

Devem conter todas as particularidades do projeto de arquitetura que venham


a contribuir na definição do projeto elétrico, tais como:

(i) Vistas e corte do galpão industrial

(ii) Detalhes de colunas e vigas de concreto ou outras particularidades da


construção

(iii) Detalhes de montagem de certas máquinas de grandes dimensões.

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5o – Planos de expansão

É importante na fase de projeto conhecer os planos expansionistas dos


dirigentes da empresa e, se possível, obter detalhes do aumento efetivo da carga a ser
adicionada, bem como o local de sua instalação.

Em qualquer projeto de instalação industrial devemos considerar os seguintes


aspectos:

(i) Flexibilidade – É a capacidade de admitir mudanças na localização das


máquinas sem comprometer seriamente as instalações existentes;

(ii) Acessibilidade – Exprime a facilidade de acesso a todas as máquinas e


equipamento de manobras existentes;

(iii) Confiabilidade – Representa o desempenho do sistema quanto as interrupções


temporárias e permanentes, bem como assegurar a proteção e a integridade
física daqueles que operam.

1.2 – Concepção do Projeto

Esta fase do projeto requer muita experiência profissional do projetista. Com


base na sua decisão o projeto tomará forma e corpo que conduzirão ao
dimensionamento dos materiais e equipamentos, filosofia de proteção, etc. De um
modo geral, como orientação, pode-se seguir os passos apontados a seguir para a
concepção do projeto elétrico.

1o – Divisão das cargas em blocos

Com base na planta baixa com os lay-out das máquinas deve-se dividir a carga
em blocos. Cada bloco de carga deve possuir um terminal com alimentação e proteção
individualizadas. A escolha do bloco é feita, em princípio, considerando-se os setores
individuais de produção, bem como as grandezas da carga de que são constituídos para
avaliação da queda de tensão.

Obs.:

(i) Nesta fase do projeto temos que já ter definido a tensão de alimentação na
baixa tensão, sendo as mais utilizadas: 220 V, 380 V, 440 V.

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(ii) Quando um determinado setor de produção está instalado em recinto
fisicamente isolado de outros setores, deve-se considerar como um bloco de
carga individualizado;

(iii) Podem-se agrupar vários setores de produção num só bloco de carga, desde
que a queda de tensão nos terminais das mesmas seja permissível. Isto se dá
muitas vezes quando da existência de máquinas de pequena potência.

2o – Localização do quadro de distribuição terminal

Os quadros de distribuição terminal devem ser localizados em pontos que


satisfaçam de um modo geral as seguintes condições:

(i) No baricentro elétrico do bloco de cargas – O baricentro elétrico é calculado


considerando um sistema de coordenadas cartesianas, concentradas em cada
ponto, de cargas puntiformes com suas respectivas distâncias à origem.

N N

¦P u x
i 1
i i ¦P u y
i 1
i i
x N
, y N

¦P
i 1
i ¦Pi 1
i

Pi o Potência individual de cada motor, e N o Quantidade de motores:

(ii) Próximo à linha geral dos dutos de alimentação;


(iii) Afastado da passagem sistemática de funcionários;
(iv) Em ambientes bem iluminados;
(v) Em locais de fácil acesso;
(vi) Em locais não sujeitos a gases corrosivos, inundações, trepidações, etc.;
(vii) Em locais de temperaturas adequadas.

3o – Localização da subestação de transformação

É comum o projetista receber as plantas já com as indicações do local da


subestação. Nestes casos, a escolha é feita em função do arranjo arquitetônico da
construção e muitas vezes da exigüidade da área. Pode ser também uma decisão visando
a segurança da indústria, principalmente quando o seu produto é de alto risco. Observa-
se portanto, que nem sempre o local escolhido para a subestação é o local mais
adequado, às vezes, muita afastada do centro de carga, acarretando alimentadores longos
e de seção elevada.,

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4o – Sistema primário de distribuição interna

Quando uma indústria possui duas ou mais subestações de transformações,


alimentada de um ponto suprimento da concessionária, devido a indústria ser formadas
por duas ou mais unidades de produção, localizadas em galpões fisicamente separados.
Em tais casos, é necessário localizar próximo a via pública a Cabine de Medição, que
contém equipamentos e instrumentos de medida de energia de propriedade da
concessionária.

Pode-se proceder a energização destas subestações utilizando-se um dos


seguintes esquemas:

(i) Sistema radial simples;

Figura 2 – Sistema radial simples

(ii) Sistema radial com recurso – Este sistema pode ser projetado de acordo com a
ilustração abaixo.

Figura 3 – Sistema radial com recurso

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5o – Sistema secundário de distribuição

A figura abaixo mostra o traçado de um circuito terminal de motor.

Figura 4 – Sistema secundário de distribuição. QGF (quadro geral de força) e CCM


(centro de comando)

A distribuição secundária em baixa tensão numa instalação industrial pode ser


dividida em:

(a) Circuitos terminais de motores

O circuito terminal de motores consiste em dois ou três condutores


conduzindo corrente numa dada tensão. Os circuitos terminais de motores devem
obedecer algumas regra básicas, tais como:

x Conter dispositivos de seccionamento na sua origem para fins de


manutenção. O seccionamento deve desligar tanto o motor como seu
dispositivo de comando. Podem ser utilizados:

(i) seccionadores;
(ii) interruptores;
(ii) disjuntores;
(iv) contactores;
(v) fusíveis com terminais apropriados para retirada sob tensão
(vi) tomada de corrente.
x Conter um dispositivo de proteção contra curto-circuito na sua origem;

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x Conter um dispositivo de comando capaz de impedir uma partida
automática do motor devido a queda ou falta de tensão, se a partida for
capaz de provocar perigo. Nesse caso recomenda-se a utilização de
contactores;

x Conter um dispositivo de acionamento do motor, de forma a reduzir a


queda de tensão na partida a um valor igual a 10%, ou de conformidade
com as exigências da carga;

x De preferência, cada motor deve ser alimentado por um circuito


terminal individual;

x Quando um circuito terminal alimentar mais de um motor ou outras


cargas, os motores devem receber proteção de sobrecarga individual.
Nesse caso, a proteção contra curto-circuito deve ser feita por um
dispositivo único e localizado no início do circuito terminal capaz de
proteger condutores de alimentação do motor de menor corrente
nominal e que não atue indevidamente sob qualquer condição de carga
normal do circuito;

x Quanto a maior potência de um motor alimentado por um circuito


terminal individual, mais é recomendável que as cargas de outras
naturezas sejam alimentadas por outros circuitos.

(b) Circuito de distribuição

Compreende-se por circuito de distribuição, também chamados de


alimentadores, os condutores que derivam do Quadro Geral de Força (QGF) e
alimentam um os mais centros de comando (CCM ou QDL). Os circuitos de
distribuição devem ser protegidos no ponto de origem através de disjuntores ou fusíveis
de capacidade adequada à carga e às correntes de curto-circuito. Os circuitos devem
dispor, no ponto de origem, de um dispositivo de seccionamento, dimensionado para
suprir a maior demanda do centro de distribuição e proporcionar condições satisfatórias
de manobra.

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