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CIÊNCIA POLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

DISCIPLINA: CIÊNCIA POLITICA

Tema: a Democracia e a Participação Popular

Estudante: Duduque dos Anjos Castigo

PEMBA, AGOSTO 2019


1. INTRODUÇÃO

O trabalho em alusão com o tema intitulado” a Democracia e a Participação Popular”.


Provavelmente o maior desafio que Moçambique enfrenta em estabelecer um governo
democrático. Portanto, tão importante quanto a garantia de eleições livres e justas, é a luta pela
manutenção e aprofundamento da democracia interna no seio da povo. Moçambique foi um dos
últimos países africanos a conquistar a sua independência, e teve que pegar em armas para
consegui-lo.

Portugal, das primeiras potências europeias a explorar o continente, mostrou-se bastante


resistente a abandonar as suas políticas coloniais. Entre 1964 e 1974, o governo português
resistiu aos esforços dos movimentos de libertação da então província portuguesa de
Moçambique. No início dos anos 1970, dos vários movimentos de libertação, somente a Frente
de Libertação de Moçambique, a FRELIMO, mantinha-se verdadeiramente activa.

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2. OBJECTIVOS

OBJECTIVO GERAL: estudar ou compreender a efectivação da democracia em Moçambique no


que tange a participação popular.

OBJECTIVOS ESPECIFICOS

a) Conceituar o termo democracia;


b) Descrever a implementação da democracia em Moçambique;
c) Compreender até que ponto há participação popular em Moçambique;
d) Descrever os mecanismos da participação popular como instrumento da opinião publica;
e) Descrever os pressuposto da participação popular
f) Compreender a liberdade e a opinião pública;

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3. DEMOCRACIA E A PARTICIPAÇÃO POPULAR
3.1. BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A DEMOCRACIA

A origem da democracia nos vincula à cultura grega, lugar onde, pela primeira vez na
história, o exercício democrático se fez presente. Os gregos a inventaram. Até então, não existia
essa forma de governo, o que existia era o despotismo, ou pior, a tirania, aqueles governos em
que a vontade do governante era o indicativo havia da vontade geral. Não havia democracia por
que não existia o espaço público.

Segundo Brazão (2000), Democracia é um conceito de difícil definição, ou seja, um


termo familiar a muitos, mas nalguns casos este mesmo termo tem sido mal entendido ou mal
usado ao longo da história, onde pode fundamentar-se na noção de uma comunidade política e
que as pessoas possuem o direito de participar dos processos políticos.

Democracia provem de uma expressão grega; demos, “povo”, e kratos, “autoridade”, que
é uma forma de organização política que vai reconhecer a cada um dos membros da comunidade
o direito de participar da direção dos assuntos públicos e sociais. Assim sendo, a democracia
nasce na Grécia antiga, isto em 508 a.C, pois Atena inventa um novo sistema político como
alternativa à tirania. Só repararmos para alguns regimes totalitários e ditaduras militares da
Europa e da África que tomaram o poder sob o signo ou emblema de democratas.

Numa outra definição de democracia encontramos o seguinte: Democracia é o governo


do povo, onde o poder supremo pertence ao povo e é exercido directamente por este ou por seus
representantes, através de um sistema eleitoral livre. Nesta mesma óptica de pensamento
encontramos quartos aspecto, onde Mazula vai chamar de vitalizadores da democracia, que são:
o homem-sujeito; o cidadão; o povo; e os partidos políticos. (Mazula, 2000: 33)

Segundo Abraham Lincoln (1878), democracia é o governo de povo, pelo povo e para o
povo. “O conceito de democracia, embora estreitamente vinculado à ideia de lei e ao
constitucionalismo, não se resume à igualdade jurídica, e também depende do acesso
democrático (isto é, igual para todos) a espaços e benefícios sociais diversos, sobretudo do ponto
de vista das esquerdas. A democracia implica o reconhecimento do princípio de subordinação da
minoria à maioria, electividade dos principais órgãos do poder de Estado, a existência de direitos
e liberdades políticos

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3.1.2. TIPOS DE DEMOCRACIA

Democracia Directa

Democracia directa é um sistema onde os cidadãos dum determinado país ou região


decidem por forma directa a cada assunto por um sistema de votação. Neste sistema discussão
referente as questões relativas à vida do Estado, livre actividade das organizações sociais é feita
por todo o povo. A democracia directa tornou-se cada vez mais difícil, e necessariamente se
aproxima mais da democracia representativa, quando o número de cidadãos cresce.

Democracia Semidirecta

Segundo Benevides (1991), uma democracia semidirecta é um regime de democracia em


que existe a combinação de representação política com formas de Democracia directa. No
sistema de democracia semidirecta existem órgãos representativos de soberania popular, mas
condiciona a realidade de certas decisões ou deliberações à manifestação, expressa, do povo
constituído pela generalidade dos cidadãos eleitos. O povo intervém aqui através do referendo.

Também pode ser entendida como uma forma de democracia que no seu no processo vai
possibilitar um sistema mais bem-sucedido de democracia frente às democracias representativas
e directas.

Democracia Popular

Democracia popular é uma forma de sistema político da sociedade instaurado num certo
número de países da Europa e da Ásia em consequência das revoluções democráticas populares
dos anos 40 do século XX.

A democracia popular foi seguida no bloco da Ex-URSS e nos países Satélites. É uma
democracia que suprime a liberdade individual a título de facilitar a perfeita realização da
vontade do povo. Aqui neste tipo de sistema não há multipartidarismo, mas sim o partido único,
não há liberdade de expressão nem associações.

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Democracia Representativa

A democracia representativa é exercida por um sistema é em que os cidadãos procura ou


elegem seus representantes em intervalos regulares, que vão votar assuntos em seu favor, mas
isto por meio de voto. Por exemplo, Alemanha é uma encarnação de um exercício de democracia
representativa.

3.1.3. DEMOCRACIA EM MOÇAMBIQUE

Nos nmomentos que se seguiram à independência, o Estado moçambicano optou por uma linha
de orientação socialista, ou seja, democracia socialista. Assim sendo, Moçambique tenta
implementar uma concepção socialista de poder, de Estado e de direito.

Neste contexto CRPM (constituição da República Popular de Moçambique) dispunha no


artigo 2a o seguinte: “ a República Popular de Moçambique é um Estado de democracia em que
todas as camadas patrióticas se engajam na constitução de uma nova sociedade, livre de
exploração de homem pelo homem.

3.1.4. CONSTITUIÇÃO DE 1990 E A DEMOCRACIA MULTIPARTIDÁRIO

A constituição de 1990 veio a introduzir o Estado de direito democrático, que se funda na


separação de poderes, pluralismo político, liberdade de expressão e respeito pelos direitos
fundamentais. Ou seja, com esta constituição de 1990, Moçambique pela primeira vez introduz o
sistema multipartidário, onde nas vésperas das primeiras eleições gerais multipartidários haviam
sido legalizados 18 partidos políticos. (Mazula, 2000).

3.1.5. A CONSTITUIÇÃO DE 2004 E O PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO

A constituição da República de Moçambique (CRM) de 2004 vem reafirmar, desenvolver e


aprofundar os princípios fundamentais do Estado Moçambicano, isto é, consagrar o carácter
soberano do Estado de direito democrático, baseado no pluralismo de expressões, organizações
partidárias, respeito pelos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos.

“O terceiro texto constitucional moçambicano desde a independência nacional foi aprovado


em 16 de Novembro de 2004, foi democraticamente elaborado e, diferentemente das anteriores
constituições, a sua elaboração foi marcada por considerável participação popular. O texto

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constitucional ora em vigor possui 306 artigos, divididos em 17 títulos, com uma estrutura que
trata, sucessivamente, dos princípios fundamentais, dos direitos fundamentais, da organização
económica, da organização do poder político, e da garantia da Constituição.”

4. PARTICIPAÇÃO POPULAR

Segundo Grynszpar (1999), participação dos cidadãos no processo governativo, a sua


capacidade de influenciar a formulação das políticas públicas, a abertura do governo às
demandas da população e a transparência com que o governo trata dos assuntos públicos são
indicadores da qualidade da democracia. Para além da forma mais elementar de participação
política que é o voto livre e periódico para a escolha dos representantes, um regime democrático
deve oferecer aos cidadãos outras formas de participação e envolvimento neste processo.

Em Moçambique, foi a Constituição de 1990 que estabeleceu, de maneira inédita no


país, a liberdade de expressão e de imprensa como integrantes do rol de direitos fundamentais
dos moçambicanos, situação que foi confirmada e ampliada na Constituição de 2004, uma vez
que nesta foi incluído também o direito à informação no rol de direitos fundamentais.

Na história moçambicana, o texto constitucional ora em vigor, a Constituição de 2004,


Pode ser considerado o primeiro texto constitucional democraticamente elaborado no país, uma
vez que, diferentemente das prévias Constituições, a sua elaboração foi marcada por considerável
participação popular e o documento final foi aprovado por um Parlamento pluripartidário e
democraticamente eleito. Contudo, o processo para a sua adopção não transcorreu sem
problemas, e a sociedade moçambicana não teve a oportunidade de votar directamente o texto
aprovado por via de um referendo.

4.1. PARTICIPAÇÃO POPULAR COMO INSTRUMENTO DA OPINIÃO


PÚBLICA

Segundo Morgenthau (2003),participação popular e o exercício da cidadania possuem


diversos elementos. Dentre eles, destacam-se a possibilidade da escolha, por meios livres e
justos, dos representantes políticos (o voto), e a possibilidade de participação activa na execução
e formulação de políticas públicas, seja pela via política (candidatando-se a cargo político ou
participando em fóruns de consulta popular) ou administrativa (via concurso ou indicação para

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função pública). Em linhas gerais, a Constituição confere a todos os cidadãos moçambicanos,
tanto os portadores de cidadania originária como adquirida, amplas possibilidades de
participação popular e de exercício da cidadania. As principais desigualdades e barreiras à
participação política em Moçambique estão relacionadas à pobreza, ao analfabetismo, e à falta de
acesso às estruturas formais do Estado.

4.1.1. OS PRESSUPOSTOS DA PARTICIPAÇÃO POPULAR

O acesso a informação

Acesso à informação Um dos pressupostos de participação popular dos cidadãos é a


faculdade de, no quadro legal e institucional, aceder à informação de interesse geral, relevante
para que cada um possa estar preparado a fazer, por um lado, escolhas informadas e, por outro, a
defender consistentemente os seus legítimos direitos junto das entidades públicas e das entidades
privadas cujas actividades tenham impacto na vida da comunidade.

O direito dos cidadãos à informação está inscrito no texto constitucional desde a


Constituição da República de 1990, tendo-o a Constituição de 2004 transformado em direito
fundamental, mas jamais foi regulamentado em lei própria.

O Governo tem consciência que o direito à informação constitui um dos elementos


fundamentais para o exercício da cidadania e participação na construção de um Estado
Democrático. Uma vez que um Estado de Direito Democrático envolve o debate público e
tomada de decisões e a livre circulação de ideias e opiniões, a informação e o acesso à
informação por exemplo, sobre as contas públicas, bem como o diálogo regular com os Governos
locais e a Sociedade Civil, estimulam a transparência e reforçam a Boa Governação.

Liberdade de associação e reunião

No tocante à liberdade de associação, existe legislação própria a regular o processo de


formação e registo de associações, fundações e organizações não-governamentais estrangeiras.

As organizações da sociedade civil moçambicanas constituem um complexo mosaico e


um pressuposto fundamental para a participação popular. De acordo com os dados publicados

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pelo Instituto Nacional de Estatística no relatório As instituições sem fins lucrativos em
Moçambique.

Eleições

As eleições representam o cerne do processo de participação política democrática, e suas


características ilustram a profundidade e o alcance do processo de consolidação democrática. Em
Moçambique, os processos eleitorais têm sido marcados por conflitos, acusações e alto nível de
desconfiança entre os partidos políticos, o que sinaliza para a fragilidade das instituições
democráticas no país. De acordo com a legislação eleitoral vigente, o Presidente da República é
eleito por sufrágio universal e directo num círculo eleitoral único ao nível nacional, em eleição
de cunho maioritário.

Liberdade e Opinião Pública

Segundo Fernandes (2007), Democracia que em alguns momentos ela se confunde com a
própria liberdade. Ou melhor, parece que toda democracia conserva a liberdade como valor
universal para o qual devem ser direccionados todos os princípios, práticas e teorias. Através da
história da humanidade a liberdade é o núcleo a partir do qual se movem todas as acções. Desse
modo, a própria natureza da política faz exigências quanto à acção livre, tomando-a
frequentemente como seu pressuposto. A liberdade é vista sob várias perspectivas como a
religiosa, ou a social, entre outras, revelando as nossas possibilidades essenciais. Quando
falamos em liberdade nos referimos com maior frequência à liberdade social, às relações de
interacção, de contacto interpessoal ou social em que um actor deixa o outro livre para a sua
acção.

No Dicionário de Política (2000), Norberto Bobbio ressalta o problema da liberdade


social através de dois sentidos:

A liberdade em sentido descritivo – refere-se às situações identificáveis empiricamente,


independente dos pontos de vista normativos.

A liberdade em sentido valorativo – é usada mais como exortação, como palavra de


ordem em situações de euforia.

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5. CONCLUSÃO

A democracia é um processo, como algo inacabável ou por outra é um ideal, isto é, aquilo
que lutamos por alcançar. Nenhuma sociedade pode proclamar estar a viver uma democracia
total. Mostra que a democracia é na sua génese e essência algo teorética e não prática. Mais
ainda, podemos dizer que a democracia é um conceito ementimente filosófico. Dado que a
Filosofia é uma Ciência na sua essência teorética.

A lei prevê uma série de instrumentos para a efetivação do princípio da democracia


participativa como a obrigatoriedade da ocorrência de audiências e consultas públicas, na
elaboração e gestão do plano director e no acesso público a todas as informações dos processos.

Dentre as razões da participação há de se destacar que promove a reflexão crítica sobre a


realidade, o compartilhamento e maior responsabilização sobre o público e os interesses
colectivos, a priorização dos aspectos a partir do olhar do cidadão e dos seus interesses, o
aprendizado e o crescimento da cidadania, do mesmo modo que evita privilégios a grupos
restritos da sociedade e combate a corrupção, assim, possibilitar a participação popular é uma das
maneiras mais eficiente para o Estado cooptar as opções sociais que deverão determinar as
directrizes de estratégias de desenvolvimento económico e social.

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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FERNANDES, Tiago M.: Revista Crítica de Ciências Sociais, 77, Junho 2007.

Bonavides, Paulo, Ciência Política, Malheiras editores, 10 edição actualizada, 2000

MAZULA, Brazão, A construção da democracia em África: O caso moçambicano. Ed. Ndjira.


Maputo (2000).

Grynszpar, Mario, Ciência, Política e Trajectórias Sociais, Editora FGV, 1999

Morgenthau, Hans J., A Politica entre Nações, A Luta pelo Poder e pela Paz, Universidade de
Brasília, 2003

Pequeno dicionário político. (1984). Ed. Progresso. Moscovo.

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