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JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS, CONFLITOS E PRÁTICAS: UMA

ANÁLISE DOS “MÉTODOS ADEQUADOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS”

Bianca Garcia Neri

INTRODUÇÃO

O presente trabalho foi elaborado a partir de pesquisa que venho desenvolvendo


a fim de compreender como vem se realizando na prática os chamados “métodos
adequados de solução de conflitos” – nomenclatura adotada pelo Conselho Nacional de
Justiça (CNJ) em suas Resoluções n. 125/2010 e 225/2016 ao tratar da conciliação, da
mediação e da justiça restaurativa. A problemática foi construída através de indagações
acerca do significado que tal categoria recebe no tocante à administração de conflitos de
natureza criminal, orientando-se pelas seguintes perguntas: Adequados a que? Para
quem? Como se realizam na prática para serem assim considerados?
Esta pesquisa tem como pano fundo as propostas da justiça restaurativa que, desde
2005, foram incorporadas ao discurso oficial brasileiro através de projetos implementados
pelo Ministério da Justiça em parceria com o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD), procurando expandir-se através da realização de palestras e
eventos capitaneados, eminentemente, por magistrados, prometendo um novo modelo de
justiça criminal.
Trata-se de um paradigma importado de países como Estados Unidos, Canadá e
Nova Zelândia – dentre outros -, que propõe “trocar as lentes” (ZEHR, 2008), passando
a encarar o crime não mais como mera violação às normas do Estado1, mas sim como um

1
Esta concepção se coaduna com a chamada racionalidade penal moderna que pode ser compreendida a
partir do breve histórico realizado por ILANA LUZ (2012), a qual destaca que a partir da derrocada do
Império Romano, a Europa Ocidental foi marcada por novos contornos, não só de conformação geográfica,
mas também política e cultural. No período denominado Alta Idade Média, a resolução dos conflitos era
eminentemente realizada por meio de disputas, regido por um jogo de prova público – inclusive lutas
corporais –, ou de acordos – transação – entre os envolvidos. Esse modelo de “justiça privada” passou a ser
substituído a partir do final do século XII e início do século XIII, em que a Europa Ocidental foi,
paulatinamente, situando-se no período da Baixa Idade Média, com retorno do Direito Romano, em especial
devido ao contexto de consolidação do Cristianismo bem como das monarquias feudais em que o rei –
representante de Deus na Terra – era encarregado de promover a justiça e a paz. (LE GOFF, 2010). Nesse
cenário, o crime deixa de ser concebido com um dano à vítima e passa a ser encarado com uma infração
criminal, ou seja, uma ofensa à lei do soberano, ensejando, portanto, a aplicação de uma pena – que não
mais envolve os interesses da vítima -, imposta por um terceiro, que tem poder de decisão. Tal modelo foi
absorvido, posteriormente, quando da formação dos Estados nacionais e das monarquias absolutistas –
Antigo Regime -, com o fortalecimento e a centralização do poder nas mãos do monarca, em que eram
comuns as penas físicas – suplícios -, diante da afronta ao rei. No entanto, em especial a partir do século
XVIII, o sistema de justiça criminal foi ganhando novos contornos, passando a ser colonizado pelos
conflito interpessoal. Quer se dizer com isso que o crime deve ser encarado como um ato
que causa prejuízos a outra pessoa, abalando a relação social entre aquele que praticou a
conduta e aquele que foi lesado, direta ou indiretamente.
Tal pensamento conduz, portanto, à ideia de que os conflitos devem ser
administrados pelas partes envolvidas que, por meio do diálogo e com a ajuda de um
facilitador – terceiro imparcial que intermedia a conversa -, poderão encontrar a melhor
forma de solucioná-lo. Pretende-se, com isso, trazer maior participação dos membros da
sociedade, que deixarão de ter mero papel coadjuvante e passarão a assumir uma postura
ativa na realização da justiça. Dessa forma, o autor do fato deve responsabilizar-se pelo
ocorrido, compreendendo as consequências de seus atos, a fim de buscar, dentro do
possível, minimizar o prejuízo e o sofrimento causados à vítima. Esta, por sua vez, deixará
de ser simples elemento de prova, sendo-lhe oportunizado expor seus sentimentos e suas
necessidades, para que possa de algum modo ser reparada pelos danos ocorridos.
Por meio da Resolução n. 225/2016, o CNJ estabeleceu que tal modelo passasse a
ser adotado por todos os tribunais brasileiros, tendo em vista ser o “mais adequado” a
alcançar a “pacificação social” (BRASIL, 2016). Nas palavras de um magistrado que
abriu uma palestra da qual participei, “o CNJ não determinou um modelo fechado
justamente para que cada tribunal pudesse adaptar o paradigma restaurativo a sua
realidade, pois o que importa é transformar a maneira como realizamos a justiça
criminal”. O magistrado referia-se a sua explicação anterior acerca das diversas técnicas
pelas quais se pode concretizar a justiça restaurativa, tais como a conciliação, a mediação,
as conferências familiares, os círculos restaurativos, entre outras, ressaltando que o
importante é que sejam observados seus princípios basilares, quais sejam, a
voluntariedade, respeito, segurança, responsabilidade, sigilo, confidencialidade, entre
outros. (BRASIL, 2016a).
Apesar de só ter integrado o discurso oficial após 2005 – quando se realizou o I
Simpósio Brasileiro de Justiça Restaurativa – há autores que sustentam que a justiça
restaurativa já fincava suas raízes no Brasil desde a Constituição de 1988, que estabeleceu

mecanismos disciplinares. Assim, em Vigiar e Punir, FOUCAULT (1999) explica que as prisões foram
gradativamente substituindo os suplícios, demonstrando uma reorganização da economia punitiva, que
melhor atendia aos interesses capitalistas. Essa sistemática demarca a construção da estrutura denominada
racionalidade penal moderna, sendo, portanto, uma forma de conceber a justiça criminal e seu
funcionamento a partir de todo um arcabouço teórico que o fundamenta e determina suas características.
Sob a referida perspectiva, impõe-se uma lógica segundo a qual o crime deve ser encarado como a violação
a uma norma de comportamento que, consequentemente, ensejará a aplicação de uma norma sancionatória,
concretizada em uma pena aflitiva.
a criação dos juizados especiais criminais para as infrações de menor potencial ofensivo2,
trazendo à época de sua implementação grandes celebrações na comunidade jurídica, por
se apresentar como uma proposta democrática, voltada a aproximar o cidadão do
Judiciário, promovendo, ainda, o desenvolvimento de uma justiça pautada no “consenso”.
No entanto, pesquisas posteriores revelaram uma realidade distante da
inicialmente pretendida, demonstrando que os juizados não foram capazes de trazer
transformações, posto que colonizados por lógicas próprias da justiça tradicional,
permeada por práticas burocráticas e hierarquizadas. (KANT DE LIMA; AMORIM;
BURGOS, 2003).
Diante disso, uma segunda indagação ocorreu quando, analisando a já citada
Resolução n. 225, verifiquei que o CNJ fez expressa correlação entre a justiça restaurativa
e os juizados especiais criminais3, me levando a questionar se e o que havia mudado a
partir de 2016 para que seus acordos passassem a receber status restaurativo. Seria
possível vislumbrar na prática as transformações pretendidas por um modelo que possui
essência comunitária (ACHUTTI, 2016), mas que no Brasil foi apropriado pelo Estado?
Objetivando, portanto, explicitar os rituais4 que envolvem a realização da justiça
criminal, bem como compreender as representações sociais a seu respeito, escolhi como
campo de pesquisa dois juizados especiais criminais e dois Centros Judiciários de Solução
de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do município do Rio de Janeiro, onde pude participar
como observadora e realizar entrevistas e conversas informais com diversos
interlocutores.

1. BREVES CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS: A IMPORTÂNCIA DA


EMPIRIA

2
“Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:
I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o
julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial
ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a
transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;” (BRASIL, 1988).
3
“Considerando que os arts. 72, 77 e 89 da Lei 9.099/1995 permitem a homologação dos acordos celebrados
nos procedimentos próprios quando regidos sob os fundamentos da Justiça Restaurativa, como a
composição civil, a transação penal ou a suspensão condicional do processo de natureza criminal que
tramitam perante os Juizados Especiais Criminais e nos Juízos Criminais [...]” (BRASIL, 2016).
4
A compreensão acerca dos rituais judiciários também pode ser verificada na tese de FIGUEIRA (2008)
que se propôs a analisar a categoria “prova” e os diversos significados que assume no ritual do tribunal do
júri, tendo em vista que não possui estabilidade semântica quando de sua aplicação prática. Dessa forma,
verificou como os atores do campo mobilizam a referida categoria, revelando verdadeiro jogo de forças
que pode ser percebido a partir de uma descrição densa (GEERTZ, 2008) do conjunto de elementos que
opera nesse processo de construção da verdade.
Tão logo comecei a me interessar pelo o tema e a buscar pesquisas para
compreender melhor o que estava sendo discutido a respeito, percebi que grande parte
dos trabalhos apresentavam características dogmáticas, propositivas e focadas
especialmente em: (I) legitimar a justiça restaurativa enquanto modelo transformador e
adequado a tratar de conflitos penais, apto a suprir as falhas do sistema tradicional ; (II)
estabelecer o formato ideal de justiça restaurativa a ser implementado, adotando-se
determinadas técnicas em detrimento de outras; (III) discutir o quanto de influência deve
o Estado exercer ou não sobre a justiça restaurativa, considerando o risco de incremento
do poder estatal.

Percebi, então, que se eu me concentrasse em aprofundar essas ou outras


discussões, acabaria por tornar minha pesquisa do mesmo modo propositiva e/ou envolta
em abstrações, o que não responderia às perguntas norteadoras. Assim, proponho uma
abordagem à luz dos ensinamentos de Michel Foucault, que sugere o abandono da noção
de soberania – segundo a qual o poder emanaria de um centro político e se enfraqueceria
nas extremidades – em favor de uma analítica do poder que se exerce, portanto, de forma
capilarizada, presente em todo o corpo social, nas microdisputas do cotidiano.

Nesse sentido, destaca o autor que nas sociedades ocidentais, desde a Idade Média,
construiu-se um pensamento jurídico que tem como figura central o poder régio, seja para
demonstrar o fundamento desse poder, tornando-o legítimo, ou, ao contrário, para
apresentar os limites ao seu exercício, devendo ser respeitados, sob o risco de incorrer em
arbitrariedades. Dessa forma, a teoria do Direito possui o papel essencial de fixar a
legitimidade do poder, tendo como problema central a questão da soberania, o que
significa dizer que “o discurso e a técnica do direito tiveram essencialmente como função
dissolver, no interior do poder, o fato da dominação, para fazer que aparecessem no lugar
dessa dominação [...] duas coisas: de um lado os direitos legítimos da soberania, do outro,
a obrigação legal da obediência.” (FOUCAULT, 2016, p. 31).

Foucault propõe, então, que se deixe de lado a teoria da soberania centrada na


figura do rei – preocupada em firmar a legitimidade do poder soberano - e se passe a
dissecar as relações de dominação. Estas, por sua vez, não pensadas a partir da dominação
de um – ou de um grupo – sobre os outros, mas das “múltiplas formas de dominação que
podem se exercer no interior da sociedade, [ou seja] nas múltiplas sujeições que
ocorreram e funcionam no interior do corpo social.” (FOUCAULT, 2016, p. 31-32).
O Direito – entendido, não só, mas também, enquanto conjunto de leis, aparelhos,
instituições, regulamentos – está imbricado nessa ideia de dominação, posto que se
apresenta como veículo permanente dessas relações, devendo ser analisado sob o prisma
dos procedimentos de sujeição que mobiliza, que põe em prática, e não a partir de
aspectos de uma legitimidade a ser fixada, que pressupõe a obediência dos indivíduos.

Para tanto, FOUCAULT (2016) enuncia cinco precauções de método


fundamentais para o desenho da pesquisa. A primeira determina um deslocamento na
análise do poder, um olhar não mais a partir de um centro, mas sim das extremidades do
corpo social, onde se torna capilar, nas instituições mais locais e periféricas. Quanto à
segunda precaução, trata-se não de observar o poder a partir de motivações internas de
seus agentes – o que implicaria pensar em quem detém o poder e qual seria seu objetivo.
Ao contrário, busca-se deslocar o olhar para o exercício do poder em sua face externa, ou
seja, estuda-lo a partir de suas práticas, por meio da multiplicidade de corpos, forças,
desejos, pensamentos, e dos efeitos materiais sobre eles produzidos. A terceira precaução
sugere que o poder seja percebido como algo que circula, que se exerce em rede, não se
apresentando como um fenômeno de dominação homogêneo, pertencente a um indivíduo,
grupo ou classe. Assim, o poder se exerce em cadeia, transitando entre os indivíduos,
atravessando seus corpos e as relações sociais que constituem, podendo estar submetidos
ao poder, mas, sucessivamente, também o exercendo.

No tocante à quarta precaução, o autor destaca que, embora circule e forme redes,
não há uma distribuição igualitária do poder, de maneira que não devemos partir da
análise de uma dominação global – que teria como pressuposto a existência de um núcleo
central – para ver até onde se reproduz nos níveis mais baixos. Ao revés, propõe-se que
seja feita uma análise do poder a partir dos mecanismos infinitesimais, que detêm sua
própria história, seu trajeto e suas tecnologias, para depois verificar como “foram e ainda
são investidos, colonizados, utilizados, inflectidos, transformados, deslocados,
estendidos, etc., por mecanismos cada vez mais gerais e por formas de dominação
global.” (FOUCAULT, 2016, p. 36). Dessa maneira, propõe-se uma análise nos níveis
mais baixos, examinando o modo como os fenômenos, as técnicas, os procedimentos de
poder atuam e como podem ser apropriados e colonizados, introduzindo-se num jogo de
tecnologias que constituem as relações sociais.

Por fim, a quinta precaução adverte quanto às produções ideológicas que muitas
vezes acompanham as grandes máquinas do poder – por exemplo, a ideologia do poder
monárquico, a ideologia da democracia parlamentar -, no entanto, no ponto em que
terminam as redes de poder, o que se forma não são ideologias, mas sim instrumentos de
acumulação e circulação de dispositivos de saber que se operam por meio de técnicas de
registro, métodos de observação e procedimentos de investigação e pesquisa.5

Trata-se, portanto, de um referencial metodológico centrado em observar a


constituição dos corpos, seu controle, suas interações e os efeitos concretos que estas
produzem. Ou seja, ultrapassa-se a ideia de soberania jurídica, que pressupõe uma análise
acerca da legitimidade do poder do Estado – seus fundamentos e limites – voltando-se
para uma análise concreta da multiplicidade das relações de poder. Não pretendo,
portanto, partir do pressuposto de que existe um “método adequado” e um “método
inadequado” para solucionar conflitos criminais, mas sim compreender os jogos de forças
e tensionamentos que se colocam na fronteira entre essas classificações. As categorias
propostas nesta pesquisa não devem, então, ser pensadas como a priori normativos, mas
como um conjunto de práticas que as constitui e que, por isso, podem operar contradições.
Pretendo, então, pensar as categorias como janelas para verificar as formas de circulação
de poder na sociedade, o que implica considerar as relações como dinâmicas de poder,
que se opera em rede, atravessando os múltiplos corpos.

A proposta, portanto, não é pensar em quem detém o poder de solucionar os


conflitos, muito menos se está sendo realizado de maneira adequada ou inadequada, mas
sim, analisar como esses chamados “métodos de resolução de conflitos” vêm sendo
materialmente realizados na prática, e os possíveis jogos de força que os venha permear
na dimensão capilarizada das relações sociais.

Tentar compreender as lógicas e os significados do meu objeto pressupôs que eu


abandonasse as abstrações do Direito, fazendo rupturas com a minha própria formação -
jurídico-dogmática -, introduzindo mecanismos capazes de viabilizar as explicitações das
práticas, demonstrando, portanto, a relevância da interlocução com a Antropologia. A
perspectiva interdisciplinar me permitiu o constante exercício de estranhamento e

5
Assim, “Para resumir essas cinco precauções de método, eu diria isto: em vez de orientar a pesquisa sobre
o poder para o âmbito do edifício jurídico da soberania, para o âmbito dos aparelhos de Estado, para o
âmbito das ideologias que o acompanham, creio que se deve orientar a análise do poder para o âmbito da
dominação (e não da soberania), para o âmbito dos operadores materiais, para o âmbito das formas de
sujeição, para o âmbito das conexões e utilizações dos sistemas locais dessa sujeição e para o âmbito, enfim,
dos dispositivos de saber.” (FOUCAULT, 2016, p. 40).
relativização6 que aos poucos foi predominando sobre as naturalizações do Direito. Dessa
maneira, compreender como estavam ocorrendo na prática os rituais de administração
institucional de conflitos, pressupunha que eu fosse a campo, utilizando técnicas de
pesquisa próprias da Antropologia, em especial a etnografia e a observação participante7.

2. JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS, AUDIÊNCIA PRELIMINAR E O “NÃO TEM


ACORDO”
Conforme mencionei, o surgimento dos juizados especiais criminais,
inicialmente, como proposta democrática da Constituição de 1988 - sendo a posteriori
regulamentado pela Lei n. 9.099/1995 -, marcou um período de grande entusiasmo em
muitos juristas, que viram uma nova forma de acesso à justiça e promoção da cidadania.
(GRINOVER et al, 2005).
Vislumbrou-se a promessa de tratamento mais humanizado aos conflitos penais,
transformando o tradicional paradigma punitivo em uma justiça mais consensual, pautada
no diálogo entre as partes envolvidas. As chamadas infrações de menor potencial ofensivo
– contravenções penais e crimes cuja pena máxima não exceda a dois anos – passaram a
ser regidas por princípios norteadores que demonstram, pelo menos em tese, a mudança
paradigmática, sendo, portanto, os juizados orientados pela “oralidade, simplicidade,
informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a
reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de
liberdade”, conforme disposto no artigo 62 da Lei n. 9.099/1995.

6
Relativizar categorias pode ser compreendido como uma forma de desconstruir verdades já consagradas
no campo e tomadas em seu caráter absoluto, visto que diferente das ciências naturais, “a matéria das
ciências sociais, assim, são eventos com determinações complicadas e que podem ocorrer em ambientes
diferenciados tendo, por causa disso, a possibilidade de mudar seu significado de acordo com o ator”,
podendo ocorrer as mais diversas possibilidades, que serão influenciadas por múltiplos fatores, como por
exemplo a cultura jurídica. (DA MATTA, 1981, p. 18-19). Identificando as distinções entre o Direito e a
Antropologia, LUPETTI BAPTISTA (2013, p. 46), destaca que “No Direito, por exemplo, somos educados
e formados, desde a universidade, para pensar de forma reprodutora, repetindo as lições teóricas dos
grandes mestres que consolidaram o nosso campo e, nesse sentido, somos treinados em um mundo de
certezas, onde não cabem críticas nem desconstruções.”
7
Assim, “É talvez através da observação participante (ou da participação observante) que se tem a
possibilidade de analisar, por exemplo, a dimensão da dominação no cotidiano e perceber como a cultura
reflete e medeia as contradições de uma sociedade complexa, procurando estudar a cultura não como algo
externo mas como um fenômeno que é produzido pelos homens nas suas relações sociais (OLIVEN, 2007,
p. 14). Segundo KANT DE LIMA (2008, p. 12-13), “o ponto central etnográfico é a descrição e a
interpretação dos fenômenos observados com a indispensável explicitação tanto das categorias ‘nativas’
como aquelas do saber antropológico utilizado pelo pesquisador [...] A convivência e a participação na vida
dos grupos costuma-se denominar observação participante [...]”
Em paralelo, a referida norma inovou na ordem jurídica relativizando o princípio
da obrigatoriedade8, ao introduzir os denominados “institutos despenalizadores”, na
tentativa de evitar a imposição de penas privativas de liberdade e, até mesmo, a formação
do processo penal propriamente dito. Assim, as demandas de competência dos juizados
especiais passaram a ser regidas pela possibilidade de composição civil dos danos –
acordo entre a vítima e o autor do fato -, transação penal e suspensão condicional do
processo – ambas propostas ofertadas pelo Ministério Público ao acusado -, além da
alteração nos crimes de lesão corporal leve e lesão corporal culposa, que passaram, a
depender da representação do ofendido.
Essa perspectiva de uma justiça mais “célere e eficaz” surgiu, “em princípio,
para desafogar a justiça comum” (KANT DE LIMA; AMORIM; BURGOS, 2003, p. 40),
criticada pela morosidade na prestação jurisdicional, diante do extenso volume de
demandas. No entanto, posteriormente, os juizados especiais passaram a ser permeados
por conflitos que antes não eram judicializados, permanecendo em sua grande maioria
apenas no âmbito da polícia judiciária. Assim, como já observou BURGOS (2003),
percebe-se uma forte incidência de delitos como ameaça, crimes contra a honra – calúnia,
difamação, injúria -, e lesão corporal leve, oriundos de relações familiares e de
vizinhança.
Em geral, o conflito chega ao Jecrim após o encaminhamento do termo
circunstanciado lavrado pela Delegacia de Polícia na ocasião em que a parte que se sentiu
lesada registrou a ocorrência. Especialmente quando se trata de crimes de ação penal
privada ou de ação penal pública condicionada à representação do ofendido, as partes são
intimadas para comparecer à audiência preliminar (conciliação), presidida por um
conciliador, que concentra seus esforços na busca por um acordo entre os envolvidos.
Nesse contexto, ao iniciar a audiência, o conciliador explica às partes – de
maneira bastante sucinta – que ele não está ali “para julgar ninguém”, uma vez que não é
o juiz, mas sim para ajudar a conseguirem chegar a um “consenso”. Tal conjuntura pode
ser encarada a partir de dois vieses: por um lado, confere-se às partes a possibilidade de

8
Acerca do referido princípio, LOPES JR. (2017, p. 200): “A ação penal de iniciativa pública está regida
pelo princípio da obrigatoriedade, no sentido de que o Ministério Público tem o dever de oferecer a denúncia
sempre que presentes as condições da ação (...). A legitimidade é inequívoca diante da titularidade
constitucional para o exercício da ação penal nos delitos de iniciativa persecutória pública. (...) A
obrigatoriedade (não consagrada expressamente, mas extraída da leitura do art. 24 e do seu caráter
imperativo) encontra sua antítese nos princípios da oportunidade e conveniência (não adotados no Brasil
na ação de iniciativa pública), em que caberia ao Ministério Público ponderar e decidir a partir de critérios
de política criminal com ampla discricionariedade.”
(r)estabelecer o diálogo e a relação abalada pelo conflito e, por outro, vislumbra-se a
instrumentalização de um procedimento voltado a evitar que as demandas se transformem
em processos judiciais9.
A quantidade de conflitos que passaram a ser levados aos juizados especiais
criminais, com o advento da Lei n. 9.099/1995, causou o inchaço desses órgãos, que
absorveram demandas para muito além do que se esperava, passando a ter que lidar com
questões que envolvem verdadeiros dramas pessoais (LIMA, 2015). Com isso, o que se
passou a verificar na prática são pautas diárias repletas de audiências preliminares
marcadas com pouquíssimo intervalo de tempo entre si, causando sérias dificuldades de
se conseguir alcançar resultados satisfatórios para as partes10.
Percebe-se, com isso, forte tendência a que essas audiências sejam destinadas a
uma tentativa de convencimento das partes – principalmente da vítima – para que
cheguem a um “consenso”, encerrando ali mesmo o conflito, sem que se faça necessário
o prosseguimento do feito. Tal negociação pode resultar no pagamento de alguma
indenização pecuniária – cujo acordo, após a homologação pelo juiz, se vier a ser
descumprido, poderá ser executado no juízo cível – ou até mesmo na elaboração de um
termo em que “as partes se comprometem a manter o respeito mútuo e a convivência
pacífica” – sendo este bastante usual nos juizados onde acompanhei as audiências.
Por diversas vezes verifiquei que a vítima já chegava à audiência informando
que não tem interesse em fazer acordo11 e que sua vontade é que o juiz julgue o caso e
aplique a punição àquele que, supostamente, lhe causou algum dano, mantendo-se
convicta mesmo após as tentativas de convencimento por parte do conciliador12. Ou
ainda, houve situações em que as partes estavam com os ânimos tão exaltados que o
próprio conciliador decidia interromper a discussão e encerrar a audiência, registrando na

9
As audiências preliminares são uma espécie de fase pré-processual, posto que ainda não houve o
oferecimento e/ou da denúncia ou da queixa.
10
Nos juizados especiais criminais da capital do Rio de Janeiro, onde venho desenvolvendo a pesquisa, não
raras as vezes, as audiências são marcadas de quinze em quinze minutos, o que faz com que haja atrasos e
audiências rápidas a fim de que se encerrem todas dentro do horário de expediente forense. Assim, por
diversas vezes, o conciliador já inicia com a pergunta “Tem possibilidade de acordo?”. Um conciliador que
entrevistei corroborou tal percepção: “Não tem como deixar falar muito, senão atrasa a pauta...e olha como
está cheia. Preciso fazer isso tudo aqui ainda hoje.” – no mesmo momento em que me mostrou uma lista
com cerca de umas dez audiências ainda pendentes.
11
Como em determinada ocasião em que a vítima assim que se sentou já se virou para a conciliadora e
disse: “Excelência, não tenho interesse em fazer acordo com essa pessoa. Só estou aqui porque sou
obrigado. Meu advogado disse que se eu faltasse o juiz iria extinguir o processo.”
12
Os conciliadores costumam utilizar diversos argumentos para tentar convencer as partes a fazerem um
acordo e, com isso, não prosseguirem com aquela demanda, sendo muito comum dizer que o processo vai
demorar e que podem sair daquela audiência com tudo resolvido; que é melhor uma convivência pacífica
do que continuar vivendo em uma situação de conflito; que não se sabe como o juiz pode julgar; ...
ata que “restou infrutífera a conciliação”, deixando a cargo do juiz decidir – como disse
um conciliador numa ocasião em que dois vizinhos discutiam severamente: “Estou
encerrando a audiência, por favor façam silêncio para que eu possa redigir a ata. Aqui é
lugar de conversa, não é lugar de briga. Se vocês querem brigar, vão brigar na frente do
juiz.”
Nessas, assim como em outras hipóteses de impossibilidade de conciliação,
passa-se à etapa de oferecimento de proposta de transação penal pelo Ministério Público
ao suposto autor do fato para aplicação imediata de uma medida alternativa (prestação
pecuniária, pagamento de cesta básica, prestação de serviços à comunidade, ...), que
sendo aceita pelo acusado, com posterior homologação judicial, colocará fim ao
procedimento. Trata-se de uma espécie de “negociação” entre o Parquet e o acusado, sem
a possibilidade de ingerência da vítima, que já teve oportunidade anterior para conciliar13.
Diversas pesquisas (LIMA, 2014; LUPETTI BAPTISTA, 2013; AMORIM,
2006), no entanto, já demonstraram que essa sistemática, ora explicitada por meio da
tentativa conciliação e/ou de transação penal, está mais preocupada em encerrar o feito
do que propiciar o (r)estabelecimento do diálogo e atender às necessidades das partes,
que se mantém invisibilizadas. Assim, os conflitos que, em um primeiro momento
poderiam ter sido administrados – notadamente diante da informalidade dos juizados,
que, em tese, facilitaria a comunicação -, acabam sendo devolvidos à sociedade
(AMORIM, 2006; MENDONÇA FILHO, 2007), podendo inclusive restarem-se
agravados.
3. MEDIAÇÃO E A NOVA TENTATIVA DE TRATAMENTO “ADEQUADO” AOS
CONFLITOS
Em 29 de novembro de 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou a
Resolução n. 125, dispondo sobre a “Política Judiciária Nacional de tratamento adequado
dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário”, considerando que “cabe ao
Judiciário estabelecer política pública de tratamento adequado dos problemas jurídicos e
dos conflitos de interesses” (BRASIL, 2010). Tal normativa trouxe diretrizes para a

13
Nesse sentido: “[Transação penal] cuida-se de benefício entabulado entre o Ministério Público e o autor
do fato, não havendo ingerência da vítima nesse mister (...). Desta feita, depreende-se que a participação
da vítima na formulação da proposta de transação penal é despicienda, sendo digna de rechaço a adução de
que a ausência de intimação da mesma para o referido ato ensejaria a nulidade absoluta.” (Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro. Primeira Turma Recursal Criminal. Recurso inominado n. 0219322-
97.2012.8.19.0001). Note-se que, na verdade, apesar de ser tratada pela doutrina como uma forma de
negociação, a transação penal não deve assim ser vista, posto que se parece mais com um termo de adesão
ao qual deve aceitar ou não o acusado, não lhe sendo dada oportunidade de negociar com o promotor qual
será a sua pena. Nesse sentido, conferir ALMEIDA, 2012.
conciliação e a mediação, sendo estas, portanto, consideradas como meios que o
Judiciário julgou “adequados” para a solução dos conflitos.14
Essas medidas - conciliação e mediação - já vinham sendo concretizadas no
âmbito dos Tribunais de Justiça do Rio de Janeiro, notadamente, a conciliação por estar
prevista na Lei n. 9.099/1995, apresentando-se como uma realidade tanto no âmbito cível
como na esfera criminal. No tocante à mediação, também foi possível vislumbrar a sua
implementação no referido tribunal em período anterior à resolução do CNJ, tendo esta
relevância para a expansão das práticas “consensuais”, contribuindo, portanto, para a
criação e instalação dos diversos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania
(CEJUSC).
As diversas críticas dirigidas à conciliação, em especial, por ter se tornado uma
medida burocrática e sem credibilidade para o tratamento dos conflitos (KANT DE
LIMA; AMORIM; BURGOS, 2003), fizeram com que a mediação fosse conquistando
cada vez mais adeptos, ganhando ainda mais força quando da aprovação do Código de
Processo Civil de 2015 – que trouxe previsão expressa para aplicação de tal instituto -,
bem como da Lei Nacional de Mediação – Lei n. 13.140/2015.
Os entusiastas passaram a celebrar, então, uma nova forma de tratar os conflitos,
de modo que as partes pudessem ser ouvidas e atendidas em suas necessidades, por meio
do resgate da comunicação entre elas. Especificamente no que tange à esfera penal, o
desenvolvimento de tal prática – no tribunal onde realizei a pesquisa -, vem ocorrendo no
âmbito dos juizados especiais criminais, considerados ambiente ideal para a sua
implementação, tendo em vista os princípios que os regem, propiciando uma maior
“flexibilidade”. Assim, os conflitos em que se vislumbra entre as partes uma relação de
proximidade e de continuidade – tendo que manter a convivência mesmo após o processo
-, caso não tenha havido acordo na audiência preliminar, é possível que sejam

14
Por mais que tenham sido tratadas em conjunto pelo CNJ, na mesma resolução, conceitualmente,
conciliação e mediação são práticas que, nos discursos, aparecem com traços distintivos entre si. Segundo
cartilha disponibilizada pelo próprio Conselho Nacional de Justiça: “No Brasil, conciliação e mediação são
vistos como meios distintos de solução de conflitos. Essa visão decorre, em grande parte, da evolução
histórica desses instrumentos entre nós. O Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015) reafirmou essa
diferenciação no artigo 165. Na conciliação, o terceiro facilitador da conversa interfere de forma mais direta
no litígio e pode chegar a sugerir opções de solução para o conflito (art. 165, § 2º). Já na mediação, o
mediador facilita o diálogo entre as pessoas para que elas mesmas proponham soluções (art. 165, § 3º). A
outra diferenciação está pautada no tipo de conflito. Para conflitos objetivos, mais superficiais, nos quais
não existe relacionamento duradouro entre os envolvidos, aconselha-se o uso da conciliação; para conflitos
subjetivos, nos quais exista relação entre os envolvidos ou desejo de que tal relacionamento perdure, indica-
se a mediação. Muitas vezes, somente durante o procedimento, é identificado o meio mais adequado.”
(BRASIL, 2017).
encaminhadas à mediação. Tal direcionamento é realizado em regra pelo juiz, após
recomendação do promotor, sendo as partes, portanto, intimadas a comparecerem àquele
ato, para que haja o “tratamento adequado de seu conflito” – como estabelece o Conselho
Nacional de Justiça.15
A mediação traz, portanto, a proposta de abrir um espaço dentro do Judiciário para
que o conflito seja encarado de forma mais “humanizada”, incentivando-se as partes a
dialogarem sobre o ocorrido e a pensarem sobre como será sua relação dali em diante
para que não haja mais rupturas. O próprio ambiente destinado à mediação nos locais
pesquisados, demonstram a preocupação em manter as partes, bem como os mediadores,
em posição de igualdade, sentados em torno de uma mesa redonda em que todos possam
ser vistos e ouvidos.

3.1 OBSTÁCULOS E DESAFIOS ENFRENTADOS NA MEDIAÇÃO


A análise puramente dogmática da mediação, restrita, portanto, a textos de
manuais, cartilhas e dispositivos legais, nos faria imaginar que os vícios de que padece a
conciliação estariam sanados, vislumbrando-se uma verdadeira “tábua de salvação” para
a realização da justiça. No entanto, o presente trabalho tem por objetivo analisar a
mediação, não por uma perspectiva idealizada ou de militância, mas sim a partir de suas
práticas e das representações para os atores do campo. Desse modo, por meio de pesquisa
empírica, baseada na observação participante junto à mediação, além da realização de
entrevistas com operadores do Direito e cidadãos, possibilitou-se explicitar lógicas
próprias dos rituais judiciários e, consequentemente, refletir sobre como essa forma
“adequada” de solucionar conflitos se apresenta na prática.
Ao chegar à sessão de mediação, grande parte dos mediandos relatam que nunca
tinham ouvido falar sobre tal procedimento e nem sequer sabem como este funciona –
ocasião em que já chegam até mesmo dizendo que “não querem fazer acordo”, repetindo
a mesma fala que ouvi nas audiências preliminares. Os mediadores, então, pedem que
todos se acalmem, enquanto fazem uma abertura explicando os propósitos da mediação,
a diferença entre esta e a conciliação, bem como destacam a oportunidade que está sendo
dada para (r)estabelecerem o diálogo e solucionarem por si mesmas o conflito.

15
Nas palavras de uma mediadora que entrevistei durante a pesquisa: “[trata-se de] uma oportunidade que
as partes têm de solucionar seus próprios conflitos, da maneira como acharem melhor, sem ficar
dependendo da decisão do juiz, que muitas vezes não atende às expectativas. É uma oportunidade que o
Judiciário está dando de as partes se empoderarem e resolverem o problema de forma mais rápida e eficaz.”
Mesmo após toda a apresentação acerca do que aquela audiência pode
proporcionar, é bastante comum que as partes – principalmente a vítima – insistam que
só estão ali “por obrigação”, pois seus advogados informaram que teriam que estar
presentes em tal procedimento por determinação do juiz, conforme intimação recebida.
Assim, a partir da minha posição de observadora nas sessões de mediação, deparei-me
com o primeiro obstáculo que os mediadores vêm enfrentando na prática, sendo comum
relatarem que “as partes chegam totalmente fechadas, dizendo que não querem fazer
acordo, que querem que a outra parte pague por tudo que fez, que não querem saber de
conversa, e querem seguir com o processo” – como enfatizou uma mediadora entrevistada
e cuja fala foi repetida por diversos outros mediadores com quem conversei.
A mediação, de acordo com o discurso do campo, é tida como um sistema
multidisciplinar, buscando alcançar não apenas a questão jurídica do conflito, mas todo o
contexto em que está inserido. Os mediadores costumam dizer que “é como um iceberg,
de início só se vê a ponta, mas o que importa mesmo é o que está submerso, a maior parte,
aquela que não está visível - o interesse”. Com isso, a proposta é conferir oportunidade
aos envolvidos para relatarem suas histórias, demonstrarem como chegaram ao conflito,
o sofrimento que vêm passando, enfim, procura-se proporcionar um momento em que as
pessoas possam falar e serem ouvidas. A partir de então, os mediadores aproveitam para
mostrar as “vantagens” e as “possibilidades” da mediação, representando “um primeiro
passo na tentativa de solucionar ou amenizar o conflito e seus efeitos, sendo possível
construir soluções reais, efetivas e satisfatórias para todos” – como me explicou a
mediadora após encerrar uma sessão em que eu estava observando.
Verifiquei durante a pesquisa, nas diversas sessões de mediação que acompanhei
que, mesmo após o mediador tentar estabelecer o diálogo entre as partes, o que percebi
com muita frequência é que os mediandos permanecem “resistentes” ao procedimento
não querendo participar e/ou continuar com a mediação. As pessoas durante a mediação
costumam nem se olharem e dirigem a palavra apenas ao mediador que, quando percebe
os ânimos mais exaltados ou algum constrangimento, pode fazer sessões individuais com
cada um. Essas sessões individuais podem ocorrer também quando o mediador “sente que
tem chance de conseguir um acordo, porque o caso é totalmente mediável” – como me
disse uma mediadora ao explicar que a experiência nessa hora podia fazer toda a
diferença.16

16
A depender do caso, os mediadores podem insistir na mediação quando julgam como sendo “mediável”
– no vocabulário nativo -, utilizando o máximo de ferramentas que aprendem no treinamento, sendo uma
Ouvi também, por diversas vezes, a vítima, quando perguntada sobre o que queria
com o processo, responder que quer “justiça”. Diante da vagueza e da subjetividade da
palavra, os mediadores, então, costumam indagar: “Mas o que vem a ser justiça para
você?” e, após alguns titubeios, não é raro ouvir respostas como: “Eu não sei... o juiz, é
quem sabe, ele que estudou, então, é quem tem competência pra resolver isso.”; ou “Eu
quero que ele pague pelo que fez, não pode sair impune”; e, ainda, em casos mais
extremos, “Eu quero ele preso” – falas que já dão pistas de que a mediação não terá o
resultado esperado.
Em paralelo a isso, outra questão comum na fala dos mediandos – em especial de
quem figura na qualidade de vítima - é que o acordo que vier a ser estabelecido na
mediação, não venha a ser cumprido, que a pessoa só irá levar a sério se for a sentença
do juiz. Quando surge tal preocupação, os mediadores prontamente explicam que o
“acordo ali realizado passará pela homologação do juiz e valerá como título executivo,
tendo a mesma força da sentença judicial”. No entanto, os esforços nem sempre são
proveitosos, pois as partes continuam descrentes, principalmente a vítima, que costuma
associar mediação a acordo e acordo a perdão ou impunidade – como disse um mediando:
“ele fez o que fez, eu não vou aliviar o lado dele não”.
Outro dado que verifiquei durante a pesquisa, e que ecoa entre os mediadores de
forma uníssona, é a necessidade de que os advogados exerçam a chamada “advocacia
colaborativa”, devendo haver, portanto, um esforço conjunto para encontrar a melhor
solução para o conflito, atendendo aos interesses e necessidades das partes. Caso
contrário, o advogado se torna “uma pedra no caminho da mediação, dificultando o
diálogo e o consenso” – na fala de uma mediadora que conheci em um evento sobre
mediação.
Segundo os mediadores, o que se percebe ainda com muita frequência são
“advogados resistentes”, que já chegam na mediação esclarecendo não serem “advogados
de acordos”, e que “essa não é a vontade de seu cliente, que só estão ali porque o juiz
mandou”. Além disso, conforme relatou uma mediadora: “muitos advogados já chegam
e começam a falar no lugar do cliente...quando você vai ver, estão as partes encolhidas
na cadeira, enquanto os advogados discutem a causa.” E, ainda, percebi também que
durante a pesquisa de campo os advogados, por estarem habituados ao procedimento

delas a possibilidade de realizar sessões separadas ou então agendar outras mediações. Essa escolha fica a
critério dos mediadores e da representação de cada um sobre o que seja ou não um caso “mediável”. A esse
respeito, cf. RANGEL, 2013.
formal, a todo tempo fazem menção ao processo e às provas que estão nos autos,
chagando a ficar indignados quando o mediador explica que não irá se ater à questão
probatória, pois conforme explicou uma mediadora ao tentar facilitar o diálogo entre dois
vizinhos que brigavam há tempos: “a mediação tem um visão prospectiva, não podemos
apagar o passado, mas estamos aqui para ajudar a encontrar soluções para o conflito daqui
para frente”.
A partir dessas narrativas, é possível perceber que mesmo diante dos chamados
“casos mediáveis”, os mediadores ainda vêm se deparando com um cenário, onde se
construiu um “muro forte e consolidado, de resistências” – nas palavras da coordenadora
de um dos centros de mediação que visitei - causadas por inúmeros fatores, muitos dos
quais relacionados às partes e aos seus advogados.

4. TRADIÇÃO JURÍDICA E SOCIEDADE BRASILEIRA

Os obstáculos que explicitei acima, os quais puderam ser extraídos a partir das
representações trazidas por meus interlocutores, levam a refletir acerca das causas que
contribuem para a sua manutenção e que vêm dificultando a obtenção de resultados mais
expressivos.
Em um primeiro momento, a inserção da mediação nos juizados especiais
criminais se apresenta como uma grande expectativa de melhora no tratamento de delitos
que, em sua maioria, estão relacionados com questões próprias do dia-dia e dos entraves
interpessoais, comuns em uma sociedade tão plural, apresentando-se como uma nova
possibilidade capaz de fazer frente à ineficácia da conciliação. No entanto, podemos
perceber que a ideologia e as lições dogmáticas que permeiam a mediação – nos fazendo
imaginar que a partir de agora as pessoas estariam aptas a solucionar com autonomia seus
próprios conflitos – nem sempre refletem o que vem ocorrendo na prática e que somente
por meio de uma pesquisa empírica é possível demonstrar. Assim, imprescindível se faz
a interlocução entre o Direito e a Antropologia para compreender e refletir acerca de como
vem sendo realizada a mediação e do contexto em que se insere17.

17
Nesse sentido, KANT DE LIMA (2011, p. 13) aduz que: “A contribuição que se pode esperar da
Antropologia para a pesquisa jurídica no Brasil será evidentemente vinculada à sua tradição de pesquisa.
Desde logo há a advertir que o estranhamento do familiar é um processo doloroso e esquizofrênico a que
certamente não estão habituadas as pessoas que se movem no terreno das certezas e dos valores absolutos.
A própria tradição do saber jurídico no Brasil, dogmático, normativo, formal, codificado e apoiado numa
concepção profundamente hierarquizada e elitista da sociedade refletida numa hierarquia rígida de valores
autodemonstráveis, aponta para o caráter extremamente etnocêntrico de sua produção, distribuição,
repartição e consumo. Constitui-se, mesmo, o ‘mundo do Direito’ em domínio afirmado como esfera à parte
A proposta de adotar formas “consensuais” de solução de conflitos – notadamente
após já estarem judicializados – se apresenta como verdadeiro paradoxo à lógica que rege
nosso sistema de justiça, pautado na cultura do dissenso e do litígio. A própria formação
jurídica brasileira e a maneira como o Direito é ensinado, aprendido e aplicado demostram
uma tradição adversarial, de eterna disputa pelo monopólio interpretativo que só tem fim
com o posicionamento de uma autoridade, configurando a chamada lógica do
contraditório (AMORIM, 2006). Trata-se da perpetuação de uma estrutura construída a
partir de exercícios realizados na Escola de Bologna, que consistiam em disputas de
oratória – contradicta – entre alunos do curso de Direito até que se decidisse quem estava
com a razão. Assim, travava-se uma disputa contínua de argumentação entre os
participantes, que só tinha fim quando a autoridade determinava quem havia vencido, sem
que com isso tivesse se estabelecido o consenso.
A formação do conhecimento jurídico brasileiro traz características próprias dessa
lógica, que não busca a construção de um saber consensualizado; na verdade, o que temos
é uma eterna disputa entre os operadores do Direito, para saber quem está com a razão
sobre determinada matéria, até que a autoridade estabeleça o vencedor, não havendo,
portanto, o que BOURDIEU (1968, p. 142) chama de “consenso no dissenso”.
Assim, acabamos internalizando a concepção de que processo significa briga,
litígio, ao qual só poderá colocar fim a autoridade legitimamente investida no cargo de
magistrado. Trabalha-se, portanto, com uma lógica binária, de certo ou errado, em que
necessariamente, um ganha e o outro perde, sendo exatamente o oposto do que pretende
a mediação, visando instituir um procedimento de ganhos mútuos – “ganha-ganha”, no
jargão dos mediadores. Com isso, a disputa que se dá no campo jurídico para saber quem
detém o monopólio interpretativo – própria da lógica do contraditório – fomenta ainda
mais dissensos e conflitos sociais, obstaculizando a legitimação de práticas consensuais
na solução dos referidos conflitos.
Nossa tradição jurídica pautada na lógica do contraditório faz com que seja
necessária a manifestação de uma autoridade – o magistrado – para pôr fim às infinitas
argumentações, vinculando, assim, a função jurisdicional a uma relação de poder, fazendo
com que as próprias partes não se sintam aptas a solucionar de maneira autônoma seus
conflitos. Essa posição de supremacia do juiz para dizer o Direito no caso concreto, bem
como sua centralidade em relação ao sistema processual – autorreferencialidade (IÓRIO

das relações sociais, onde só penetram aqueles fatos que, de acordo com critérios formulados internamente,
são considerados como jurídicos.”
FILHO; DUARTE, 2011) – revela traços característicos de uma sociedade hierarquizada,
que não se coaduna com os ideais republicanos, funcionando como um mecanismo de
cristalização das desigualdades.
A instituição de um Estado republicano, onde todos devem ser tratados como
iguais perante a lei, em tese, serve como uma forma de neutralizar ou amenizar as
desigualdades oriundas de uma ordem capitalista de mercado, que desiguala de acordo
com as oportunidades e condições econômicas, constituindo a metáfora do
paralelepípedo cunhada por KANT DE LIMA (2004, p. 57), “em que os diferentes
estratos sociais se encontram em permanente mobilidade e cada individ́ uo/elemento tem
sua própria trajetória, uma vez que a base e o topo dessa figura têm a mesma superfície.”
Trata-se de um sistema em que a ordem social se mantém por meio do consenso e da
universalidade das regras, que são aplicadas de forma unívoca sobre todos os membros
da sociedade, permitindo-lhes facilmente internalizar normas de convivência,
prevenindo, assim, o surgimento de conflitos.
No entanto, essa prática de construção e aplicação do Direito pautada no dissenso,
sobre a qual o poder de afirmar o conteúdo das normas jurídicas concentra-se nas mãos
dos magistrados, representa uma sociedade que, metaforicamente, KANT DE LIMA
(2004, p. 57) chamou de piramidal, em que “As diferenças naõ exprimem igualdade
formal, mas desigualdade formal, própria da lógica da complementaridade, em que cada
um tem o seu lugar previamente definido na estrutura social.” Nesse sistema, não se
pretende a internalização das regras pelos membros que compõem a sociedade, pois sua
aplicação particularizada, sempre sujeita à interpretação pela autoridade judicial, alimenta
a lógica da hierarquia.

Vê-se, então, que as percepções de DAMATTA (1997; 1998; 2003) acerca da


sociedade brasileira, onde predominam valores hierárquicos e aristocráticos, continuam
enraizadas em nossa cultura jurídica e a cada dia se confirmam por meio dos implícitos
por traz das práticas judiciais. Apenas por meio de um olhar voltado para a realidade é
possível explicitar como se legitimam tais práticas e como se mantém as relações de
hierarquia e poder em uma sociedade que se diz pautada sob princípios republicanos e
democráticos.

Com isso, além das dificuldades oriundas da tradição jurídica, regida por uma
cultura adversarial, ainda há que se considerar que o contexto em que se pretende
concretizar a mediação, baseada no pressuposto de que as partes são iguais, esbarra na
desigualdade que marca a sociedade brasileira. A própria necessidade de que o juiz decida
o caso, corroborada pela lógica do contraditório, demostra também a compreensão de que
em uma sociedade piramidal cada um tem a sua posição, sendo difícil para o
jurisdicionado se reconhecer como apto a decidir o conflito no lugar do magistrado. E,
ainda que as partes cheguem a um “consenso”, não estarão dispensadas da atuação do
juiz, pois mesmo havendo o acordo só terá validade caso seja homologado pela autoridade
judicial, detentor de um saber-poder que o legitima como tal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo dos juizados especiais criminais e dos meios consensuais de solução de
conflitos – especialmente a mediação - a partir de pesquisa empírica de caráter qualitativo,
permitiu demonstrar que a análise do Judiciário não deve ser realizada de maneira
dissociada do contexto social em que se insere.
A compreensão dos institutos e de suas representações pressupõe a explicitação
das práticas para que se possa refletir acerca das características da sociedade brasileira,
que legitimam e influenciam uma sistemática invisibilizada pelos discursos abstratos e
ideais, próprios do Direito.
Assim, a despeito de ainda estar em curso a pesquisa, é possível perceber que os
obstáculos enfrentados pelos mediadores encontram respaldo em uma tradição jurídica
baseada na lógica do contraditório, que não estimula consensos; mas sim, fomenta
dissensos que devem ser solucionados pela autoridade judicial, revelando a manutenção
de uma estrutura social onde predominam valores hierárquicos, próprios de uma
sociedade piramidal, que continuam enraizados em nossa cultura jurídica, trazendo mais
continuidades do que rupturas.

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