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FACULDADES DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS SOBRAL PINTO – FAIESP

UNIDADE UNIC RONDONÓPOLIS

CURSO DE PSICOLOGIA

A ESCUTA NO AMBIENTE HOSPITALAR COMO FORMA DE PROMOVER A


HUMANIZAÇÃO E COMPREENDER A SUBJETIVIDADE DO INDIVÍDUO NO
PROCESSO DE INTERNAÇÃO

ANA DAYANI DE ANDRADE SOUSA


GUSTAVO VINÍCIOS FIDÉLIS DE SOUZA
MARIA DONIZETI BISSONI
TAISA GUIMARÃES TRINDADE

Rondonópolis
2018/2
ANA DAYANI DE ANDRADE SOUSA
GUSTAVO VINÍCIOS FIDÉLIS DE SOUZA
MARIA DONIZETI BISSONI
TAISA GUIMARÃES TRINDADE

A ESCUTA NO AMBIENTE HOSPITALAR COMO FORMA DE PROMOVER A


HUMANIZAÇÃO E COMPREENDER A SUBJETIVIDADE DO INDIVÍDUO NO
PROCESSO DE INTERNAÇÃO

Projeto de intervenção de Psicologia Da Saúde -


Estágio Básico lV, da Universidade de Cuiabá
(UNIC), realizado na Instituição Unidade Básica de
Saúde sob a orientação da Professora Andréa
Yolanda de Paula Marcondes.

Rondonópolis
2018/1
SUMÁRIO

1. IDENTIFICAÇÃO ......................................................................................... 4
2. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 5
3. OBJETIVOS ................................................................................................ 6
3.1 Objetivo geral ............................................................................................ 6
3.2 Objetivos específicos ................................................................................ 6
4. JUSTIFICATIVA .......................................................................................... 8
5. REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................... 9
5.1 A HISTÓRIA DO HOSPITAL GERAL ...................................................... 9
5.2 HOSPITAL E SUA FUNÇÃO .................................................................. 10
5.3 A PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL .................................................... 10
5.4 O PSICÓLOGO HOSPITALAR .............................................................. 11
5.5 A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR ..................................... 12
5.5.1 O DOENTE ...................................................................................... 13
5.5.2 A FAMÍLIA ........................................................................................ 14
6. ANÁLISE INSTITUCIONAL ......................... Error! Bookmark not defined.
7. METODOLOGIA ........................................................................................ 15
8. CRONOGRAMA ........................................................................................ 16
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................... 17
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 19
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FACULDADES DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS SOBRAL PINTO – FAIESP

UNIDADE UNIC RONDONÓPOLIS

CURSO DE PSICOLOGIA

PROJETO DE INTERVENÇÃO HOSPITALAR

1. IDENTIFICAÇÃO

- Instituição: Unidade de Pronto Atendimento


- Título do projeto: A escuta no ambiente hospitalar como forma de
promover a humanização e compreender a subjetividade do indivíduo no
processo de internação.
- Professora orientadora: Daieni Marla Soares Dias
- Coordenadora responsável: Cláudia Regina Wandeveld
- Tempo de execução: 50 horas
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2. INTRODUÇÃO

A psicologia hospitalar é um campo do trabalho cujo objetivo é dar


suporte ao sujeito em adoecimento. Os cuidados estendem-se também aos
familiares e a equipe multiprofissional. Sendo assim, “A psicologia se interessa
em dar a voz à subjetividade do paciente, restituindo-lhe o lugar de sujeito que
a medicina lhe afasta” (Moretto, 2001, citado por Simonetti, 2011, p. 19).
É o que afirma também Angerami- Camon; Chiattone (2003,p.172)
“A psicologia hospitalar considera o ser humano em sua globalidade e
integridade, única em suas condições pessoais, com seus direitos
humanamente definidos e respeitados”.(Moretto, 2001,citado por Simonetti,
2011). (Moretto, 2001,citado por Simonetti, 2011). (Moretto, 2001,citado por
Simonetti, 2011). Segundo Trucharte (2010, p. 10): “A psicologia hospitalar tem
como objetivo principal a minimização do sofrimento provocado pela
hospitalização.”
É sabido que o trabalho do psicólogo hospitalar se diferencia do
trabalho clínico em certos aspectos, uma vez que este trabalha de acordo com
os liames da instituição, onde encontram-se as normas, a condição rotineira
estabelecida dentro do mesmo e a maneira subjetiva de cada hospital quando
se refere ao seu funcionamento. Então “se o médico trabalha com o corpo
físico do paciente, o psicólogo trabalha com o corpo simbólico” (Simonetti,
2011, p.23).
De acordo com a proposta da psicologia hospitalar e com a atuação
do psicólogo dentro de um hospital observa-se que o psicólogo pode realizar
interações em situações variadas nas diversas oportunidades, para isso ele vai
desenvolver seu estilo próprio de comunicação no trato com o paciente e seus
familiares. (Campos 1995, p. 63)
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3. OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral

O objetivo do psicólogo hospitalar é promover melhor qualidade de


vida do paciente em sua doença, diminuir o sentimento de angústia perante o
desconforto frente aos procedimentos necessários durante o período de
internação. Auxiliando o paciente a passar pela fase da doença de forma que
sua saúde se reestabeleça de maneira menos traumática possível.
Promover a escuta, proporcionando suporte emocional diante da
situação vivenciada ao paciente de forma individual. Com a devida atenção aos
acompanhantes dos mesmos quando se fizer necessário.
Acolher o doente em sua subjetividade, bem como estabelecer um
diálogo acerca dos assuntos mais variados de forma que a doença não seja o
principal foco da conversa.

3.2 Objetivos específicos

 Promover saúde mental com o intuito de “minimizar” o momento


de sofrimento;
 Acompanhar o paciente na elaboração simbólica do adoecimento,
ou seja, não negar a angústia do paciente, mas sustentá-la. Para que através
da fala ele possa dissolver tal sentimento;
 Auxiliar o doente no processo de internação por meio de “bate-
papo”;
 Realizar a psicoeducação sempre que necessário pertinente a
assuntos relacionados a saúde mental, portanto, zelar pela integridade psíquica
do paciente;
 Ouvir também os acompanhantes que estiverem com o doente no
sentido de prestar apoio emocional durante o processo de internação do
paciente;
 Utilizar técnicas de relaxamento quando o ambiente for propício;
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 Elaborar mensagens com o objetivo de promover o espírito de


superação, perseverança, no sentido de que ela possa enxergar algo além da
doença, afinal, ela não é a doença, mas sim, que ela possa compreender que
este é apenas um processo que pode ser superado;
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4. JUSTIFICATIVA

Entende-se que todo processo de hospitalização traz consigo o


desconforto, medo, sofrimento, insegurança, angustia, dores, entre inúmeros
outros sentimentos. Por sua vez, o médico possui a habilidade de lidar com a
doença, ou seja, fatores biológicos. Neste cenário o psicólogo entrará com o
saber de cuidar do “psíquico” do sujeito.
O psicólogo é um profissional cujos conhecimentos favorecem a
mediação da relação medico-doença-paciente no que se refere aos
sentimentos do mesmo, voltado para os fatores psicológicos que envolvem o
paciente no processo da doença.
Outro aspecto relevante da função do psicólogo é seu caráter de
bom ouvinte. Tendo em vista que é por meio da escuta que ele ajudará o
sujeito a fazer a travessia da experiência do adoecimento.
Considerando que a maioria dos profissionais da saúde (médicos,
enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros) cuidam da integridade
física, ou da doença propriamente dita, o papel do psicólogo será reposicionar
o sujeito em relação a sua doença.
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5. REFERENCIAL TEÓRICO

5.1 A HISTÓRIA DO HOSPITAL GERAL

De acordo com a literatura, na Grécia, Egito e Índia antigos, a


medicina era aprendida em templos e os médicos por sua vez, realizavam seu
trabalho nas residências das pessoas enfermas.
Segundo Campos (1995, p. 16): “Muitos séculos antes
da Era Cristã, se encontram na Grécia construções semelhantes a
hospitais junto aos templos dedicados a Esculápio. Nesses locais,
eram colocadas as pessoas enfermas ante a estátua do Deus, para
que a ação dos sonhos associada à de medicamentos empíricos
preparados pelos sacerdotes pudessem curar os doentes.”

Pelas estradas onde passavam os exércitos, na Índia antiga,


construções do tipo hospitalar foram encontradas. Ali, eram lugares onde as
tropas descansavam e aqueles que se apossavam de alguma enfermidade,
buscava-se tratamento. Na mesma época, surgem também estabelecimentos
análogos aos que os civis descansavam, porém era utilizado primordialmente
para o isolamento de pessoas que se encontravam com doenças contagiosas,
mantendo-se totalmente distante da sociedade, afinal, muitas vezes os
medicamentos eram ineficientes. (Campos, 1995, p. 16)
É possível dizer que, nos séculos passados, o hospital servia como
um meio de depósito onde eram aglomerados os doentes, que não possuíam
recursos financeiros; era um trabalho mais social do que terapêutico. “Assim, a
figura do hospital surgiu historicamente no ano de 360 d. C. Desta forma, a
história do hospital começa a ser contada a partir de Cristo, pois, recebendo
influência direta da religião cristã, o homem passou a se preocupar com o seu
semelhante.” (Campos, 1995, p. 16)
O Brasil é uma colonização portuguesa, logo, os cuidados com os
doentes já era algo que acontecia nesse país. Conforme Campos (1995, p. 18):
“No Brasil, em 1538, fundaram a primeira Santa Casa, em Santos. À medida
que os exploradores portugueses adentraram o interior brasileiro e formaram
os vilarejos, fundaram um hospital local para atendimento dos próprios
exploradores e colonizadores.” Logo, também surge a Santa Casa de São
Paulo por volta de 1590 a 1599.
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“Historicamente, então, a primeira instituição- hospital


pública ou privada, destinava-se ao tratamento dos doentes,
desenvolvendo atividades de natureza curativa. À medida em que os
conhecimentos de natureza preventiva foram se desenvolvendo, as
medidas práticas com eles relacionadas aplicaram-se mais à
abordagem dos problemas de saúde das comunidades. Criou-se um
segundo tipo de instituição, destinada ao desenvolvimento das
práticas de natureza preventiva – as unidades de saúde,
especialmente ligadas ao poder público.” (Campos, 1995, p. 19)

5.2 HOSPITAL E SUA FUNÇÃO

De acordo com o Ministério da Saúde citado por Campos (1991,


p.90) o hospital é definido como “parte integrada de uma organização médica e
social, cuja função básica consiste em proporcionar à população, assistência
médico-sanitária completa, tanto curativa, como preventiva.
Segundo Campos (1995), apud. Lima Gonçalves (1983): as funções
do hospital, atualmente, podem ser agrupadas em alguns itens como:
atendimento médico e complementar a doentes internados; desenvolver
atividades preventivas, participar de programas comunitários visando alcançar
o contexto socio-familiar dos doentes; programas de educação em saúde para
pessoas internadas, em ambulatórios, e seus familiares, e também aos
próprios funcionários.
Outra função é a integração ativa no sistema de saúde. Dessa
forma, no século XX, a função do hospital se amplia a toda a comunidade.
Segundo esse modelo as funções hospitalares abrangeriam aspectos no
âmbito da restauração e prevenção da saúde, além de educativo e de
pesquisas, indo ao encontro dos objetivos que convergem para a satisfação
das necessidades do paciente.

5.3 A PROMOÇÃO DE SAÚDE MENTAL

Quando se refere à doença, logo se pensa em cura. A cura, no caso


da doença mental, possui suas variações de acordo com as fundamentações
teóricas utilizadas. “Falar em doença implica pensar, também, em prevenção.
A prevenção da doença mental significa criar estratégias para evitar o seu
aparecimento.” (Bock, 2008, p. 350)
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“E falar em saúde significa pensar em promoção da


saúde mental, o que implica pensar o homem como totalidade, isto é,
como ser biológico, psicológico e sociológico e, ao mesmo tempo, em
todas as condições de vida que visam propiciar-lhe bem-estar físico,
mental e social. Nessa perspectiva, significa pensar na pobreza, que
determina condições de vida pouco propicias a satisfação das
necessidades básicas dos indivíduos, e, ao mesmo tempo pensar na
violência urbana e no direito à segurança; no sistema educacional,
que reproduz a competividade da nossa sociedade; na
desumanização crescente das relações humanas, que levam à
“coisificação” do outro e de nós mesmos.” (Bock, 2008, p. 350)

Neste sentido, é essencial que os profissionais da atenção básica


realizem ações que proporcione aos usuários momentos de reflexões, é
preciso ter boa comunicação, exercer a empatia, a escuta, o acolhimento. Isso
faz parte de todo o trabalho em relação à saúde mental, sendo sistêmico,
direcionando-se em aspectos que se evidenciem resultados no trabalho
concretizado.
“As intervenções em saúde mental procuram promover
melhoras na condição e modo de vida, orientando-se pela produção
de vida e de saúde e não se restringindo à cura de doenças. Isso
significa acreditar que na vida existem várias possibilidades de
experimentar, perceber e viver. Mas, para isso, é preciso ver o sujeito
em suas múltiplas dimensões, como: desejos, valores, anseios e
escolhas. Na atenção Básica, o desenvolvimento de intervenções em
saúde mental é construído através dos encontros entre profissionais e
usuários, em que ambos criam novas formas e estratégias para a
construção do cuidado em saúde.” (Caderno de atenção Básica 34,
2013, p.23)

5.4 O PSICÓLOGO HOSPITALAR

A psicologia, apesar de ser uma ciência relativamente nova, vem


ganhando espaço no âmbito social no que se refere à saúde das pessoas. Na
área hospitalar agrega muitos benefícios, já que o profissional (psicólogo) pode
atuar juntamente com a equipe médica e enfermeiros, formando assim uma
equipe interdisciplinar. Além de auxiliar a equipe médica, seu trabalho é muito
importante junto aos pacientes e também aos familiares. Segundo Babtista
(2011, p. 30): “No Brasil, a psicologia hospitalar foi consolidada na década de
1980, quando o psicólogo foi incluído nos hospitais públicos, a assistência aos
pacientes e familiares”.
Na psicologia hospitalar, o trabalho consiste em ajudar as pessoas a
passar pelo processo de adoecimento, muitas vezes traumáticos. Tendo em
vista seu caráter de atendimento no tratamento de aspectos que envolvam o
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“psicológico” das pessoas. “Psicologia hospitalar não trata apenas das doenças
com causas psíquicas, classicamente denominadas “psicossomáticas”, mas
sim de aspectos de toda e qualquer doença” (Simonetti, 2011, p. 15).
Dessa forma é possível entender que o objetivo da psicologia
hospitalar é cuidar da pessoa que passa pela doença, de um “ser completo” da
subjetividade dos pacientes em internação. “É então que entra em cena o
psicólogo hospitalar, que se oferece para escutar esse sujeito adoentado falar
de si, da doença, da vida ou da morte, do que pensa, do que sente, do que
deseja, do que quiser falar”. (Simonetti 2011, p. 19)

5.5 A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR

“O psicólogo Profissional da Saúde tem um papel clínico, social,


organizacional e educacional, com áreas de atuação que abrangem a
Psicologia Preventiva e de Tratamento”. (Campos, p.11, 1995).
Segundo Campos (p.14, 1995): “O psicólogo tem uma atuação
dentro do hospital, como um profissional da Saúde Pública, buscando sempre o
bem-estar individual e social, utilizando também informações das áreas de
Medicina, Enfermagem, Serviço Social, Nutrição e outras áreas afins”..
Além disso, o psicólogo hospitalar está inserido num sistema
“multiprofissional”, no qual o médico tem a função de cuidar do corpo do
paciente, observar seus sintomas e “trabalhar” para a cura do corpo; os
enfermeiros administram medicações, fazem procedimentos necessários em
benefício da “cura” do paciente. Por sua vez “o psicólogo fala e escuta; de
preferência, mais escuta” (Simonetti 2011, p. 23).
Isso significa que não é, a priori, função do psicólogo oferecer a cura
da doença, ou indicar o caminho, ou melhorar o trabalho do hospital e até
mesmo da equipe médica. Segundo Simonetti (2011, p. 20): “O psicólogo pode
fazer muito pouco em relação à doença em si, este é o trabalho do médico,
mas pode fazer muito no âmbito da relação do paciente com seu sintoma: esse
sim é o trabalho do psicólogo”.
Pode-se ressaltar ainda, que o psicólogo tem a função de zelar
também pela equipe de trabalho, detectar possíveis conflitos, ser um facilitador
da comunicação entre a equipe, o paciente e familiares. Isso favorece a
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comunicação como um todo, tendo em vista que é a partir do relacionamento


adequado ou inapropriado que o tratamento pode ser respectivamente
viabilizado ou comprometido. (Angerami- Camon, Chiattone, 2003, p. 172).
Tudo isso afirma que a assistência psicológica dentro do hospital
busca alívio emocional do paciente e de sua família, e para prestar essa ajuda
é necessário levar em conta que a pessoa vive um período em que a angústia
e a ansiedade estão presentes, já que tal situação não fazia parte de suas
escolhas. (Angerami- Camon; Chiattone, 2003, p. 172).

5.5.1 O DOENTE
Sob o ponto de vista do doente, entende-se: “A doença é sentida
pelo indivíduo como uma agressão, gerando um abalo na condição de ser,
tornando o futuro incerto”. (Angerami-Camon; Chiattone, 2003, p. 152)
E dependendo da gravidade da doença o indivíduo precisa ser
retirado do convívio familiar, precisa ser afastado do trabalho, dos amigos,
enfim, toda sua rotina é alterada. Ele precisa buscar ajuda médica, e, quando
necessário, acontece a internação. “Com a internação, o indivíduo percebe que
não é mais o mesmo, pois há uma ruptura na história deste, ocasionando
sofrimento diante de sua própria imagem já alterada”. (Angerami-Camon;
Chiattone, 2003, p.153)
Um momento delicado para o doente é receber o diagnóstico. Como
se vê em: Angerami-Camon; Chiattone (2003, p.172). “A angústia em relação
ao diagnóstico desencadeia reações psíquicas específicas: num primeiro
momento, o paciente tem um choque inicial que gera medo, depressão, choro e
desespero, sendo um período curto, marcado pela família, médico e paciente”.
Nesse sentido, o psicólogo, em sua prática, deve cuidar do aspecto
“humano” do paciente para que a doença não seja vista como a única
identidade da pessoa, e sim, a pessoa seja colocada em primeiro plano. É
preciso levar em conta o indivíduo com suas particularidades e necessidades
na vida, não apenas na hospitalização. Há de considerar que: “O ser doente é
um ser que vivencia uma doença: não é um ser anormal e sim um ser
diferente” (Angerami-Camon; Chiattone, 2003, p.155)
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5.5.2 A FAMÍLIA

Quando se fala em “internação” para tratamento, mesmo que seja


indispensável, há, no mínimo, um desconforto. Em alguns casos a experiência
é traumática. E geralmente todos os envolvidos no processo são afetados. Na
maioria dos casos, a família está em primeira instância de proximidade,
portanto, a primeira a sentir tal processo. “A família, tal qual o paciente, pode
passar por diversos estados emocionais, como: medo, ansiedade, angústia
mobilização de mecanismos de defesa (negação, racionalização e fantasias
são os mais frequentes), mas nesse caso toda a mobilização é no intuito de
superação da crise”. (Angerami-Camon; Chiattone, 2003, p.164)
“A família representa para a maioria das pessoas um esteio de suma
importância, tanto no que tange à estruturação de seus vínculos afetivos
quanto nos referenciais de apoio e segurança”. (Angerami-Camon; Chiattone,
2003, p.163). É nesse sentido que se percebe a importância da atuação da
família junto ao doente. Para este é indispensável que ela esteja intimamente
envolvida no processo de adoecimento, bem como no processo de internação,
além de auxílio na recuperação.
É o que afirma Angerami-Camon; Chiattone (2003, p.164): “A família
passa a ter um papel decisivo no auxílio à adaptação do paciente frente a esse
episódio crítico de sua vida, contribuindo, inclusive com o próprio trabalho de
equipe de saúde, ou, em alguns casos, comprometendo-o”.
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6. MÉTODO

 Adotar o modelo de psicoterapia breve, adequando-se a rotina


diária do hospital. Pois é importante observar que o psicólogo não estará no
setting terapêutico, ele deverá se adequar ao ambiente hospitalar, onde o
paciente está;
 Estabelecer o “rapport” para proporcionar um processo empático
e conquistar a confiança do paciente
 Acolher o paciente por meio da escuta individualizada;
 Oferecer apoio diante do processo de espera do diagnóstico e
possível encaminhamento para exames ou outra instituição de acordo com a
necessidade de cada um;
 Esclarecimento sobre assuntos que envolvam a saúde mental no
âmbito hospitalar, primordialmente a pessoa internada, mas que pode se
estender também ao acompanhante;
 Promover a comunicação eficaz entre todas as pessoas
envolvidas no processo, para que haja sintonia entre as diversas funções de
cada profissional de acordo com seu setor;
 De acordo com a demanda escutar também os acompanhantes
das pessoas internadas;
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7. CRONOGRAMA

ATIVIDADES SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO


Primeiro contato com a X
instituição;
Acompanhamento dos leitos no X
setor de repouso;
Escuta dos pacientes e X
acompanhantes nos leitos;
Acompanhamento dos leitos no X
setor de repouso e textos de
perseverança;
Psicoeducação sobre “outubro X
rosa”;
Aplicar técnicas de relaxamento X
com os pacientes;
Psicoeducação sobre X
“novembro azul”
Oferecer mensagens de X
superação e escuta dos
pacientes;
Acolhimento dos pacientes e X
acompanhantes nos leitos;
Psicoeducação sobre X
“novembro azul”
Escuta dos pacientes nos leitos X
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8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabe-se que o pressuposto da Psicologia Hospitalar é dar suporte


ao indivíduo que passa por um processo de hospitalização face a algum tipo de
enfermidade. É de interesse do psicólogo hospitalar cuidar da saúde mental do
paciente, amenizar o desconforto e ajudá-lo a passar pela fase "complicada" de
adoecimento. Nesse sentido há de se considerar que cada paciente é um
sujeito "biopsicossocial" e tem sua história, sua subjetividade.
Dessa forma a proposta de trabalho desenvolvida para a (UPA)
Unidade de Pronto Atendimento de Rondonópolis, MT, se dispõe a ajudar as
pessoas e amenizar o sofrimento causado pela doença e por todo o processo
de hospitalização. Dar atenção as suas angústias, incertezas, acolher seus
sentimentos de revolta, insegurança, a falta de casa, da família, do trabalho,
entre outros. Considerou-se também a importância de atender individualmente
as demandas de cada paciente em forma de conversa para juntamente com
eles vislumbrar a possibilidade de resgatar a subjetividade de cada um. Na
interação individual acredita-se no valor de trazer presente em conversa fatos
importantes da vida, falar de experiências vividas, da família, do trabalho, ou
seja, daquilo que quiser falar. Enfim, o que se quer demonstrar neste projeto é
a possibilidade de trabalhar a subjetividade das pessoas e proporcionar uma
escuta individualizada, resgatando, assim, a essência humana de cada ser.
Nesse processo vale lembrar que, além das pessoas enfermas,
compreende-se a necessidade de ouvir seus respectivos acompanhantes, por
vezes cuidadores, contratados, filhos, pais, esposas, parentes, etc. Os quais
estão fragilizados pela situação, pois também sofrem, estão angustiados,
cansados, longe de casa, e, por vezes, desanimados.
Levando em conta esse contexto, a possibilidade de alguém para
conversar sem reservas, sem julgamento, apenas acolhendo o que é dito, pode
resgatar o valor das pessoas. Ou seja, ter alguém totalmente disponível para
ouvir faz com que a pessoa sinta que está sendo "cuidada", amada.
Por fim, em se falar da realidade hospitalar, entende-se que é
necessária a participação de todos os profissionais: os médicos cada um em
sua especialidade, enfermeiros, pessoal da copa, da limpeza, administrativo.
Cada um desempenhando sua função para cuidar da saúde dos hospitalizados,
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Todos são peças importantes no processo, formam uma equipe. E junto a essa
equipe está o psicólogo como agente facilitador, promotor de saúde mental e
agente responsável pelo processo de sensibilização, de humanização das
pessoas. Neste caso com foco nos pacientes internados e seus respectivos
acompanhantes.
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REFERÊNCIAS

Caderno de Atenção Básica a Saúde 34. Editora MS, 2013.


Brasília-DF.
Campos, Terezinha Colil Padis. Psicologia Hospitalar: a atuação
do Psicólogo em hospitais. Ed. Epu, 1995. São Paulo.
Baptista, M. N., & Dias, R. R. Psicologia Hospitalar: teoria,
aplicações e casos clínicos. 2ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2010.
Simonetti, Alfredo. Manual de Psicologia Hospitalar: o mapa da
doença. 6ª edição. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011.
Valdemar Augusto, Angerami-Camon. E a psicologia entrou no
hospital. São Paulo: Cengage Learning, 2011.
5ª reimpr. da 1ª edição de 1996.
Trucharte, Fernanda Alves Rodrigues. Psicologia Hospitalar:
teoria e prática. São Paulo: Cengage Learning, 2013.
1ª reimp. Da 2ª edição de 2010.
Angerami-Camon, Valdemar Augusto. A psicologia no hospital.
São Paulo: Cengage Learning, 2009.
1ª reimp. Da 2ª edição de 2003.
Bock, Ana Mercês Bahia. Psicologias: uma introdução ao estudo
de psicologia/ Ana Mercês Bahia Bock, Odair Furtado, Maria de Lourdes
Trassi Teixeira. – 14ª edição – São Paulo: Saraiva, 2008.