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Joel Rufino dos Santos

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O QUE É
RACISMO
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COLEÇAO NIMIIIOU
PAM! Joel Rufino dos Samos

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Revisão
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INDICE

Inlmduvão . v
.

Cªimão Hat/Sma
.....
Quem s㺠as memorias dançarinas do mundu?
o paraíso dos racíslas
Na pracinha, domingo de manhã
.,
,
, . v
,

o dia em que os euwueus começaram a ter


insônia,.
Esses pobres mªs egípcias da costelas à
mostra
”Bom dia segundo o Serv cu de Meteoruio:
gia . . ,
. , .
,
, .
Para que serve a cor das pessnasy . .
A ciwuzação pertence aos brancos. Até
livraria brasiliense eduora s,a. quandº? . .

01042 . rua barão de itapeuninga, 93/99 Em conclusão


são pam: , brasil
[acl Rufino dor Sum;

Exfsre rar/smc no Brasil. 40


No Maracanã domingoa rarde. 40
Brasilerro pilhadn em flagrante de racismo
reage.

..WW
Negmnho semvergonhª quer ser Sérgio
Chapelm quando cresczr.
Racismo de brasueiro zeIcsamente
guardaáa
aparece em memerrm de competiçãº
Or,-..eapenrsumrregro E
"Você n㺠vence na vidª? cum; sua, você
tem complexo de cor" , . . . . . . .
, ,
INTRODUÇÃO
Brancos sempre esperam que os outros
cumpram a seu dever
..
.
Negros não creem em ”democracia ra
Dão nuca a brancos. Sub efe'rre da opinião pública, um iuiz havia
decretada znregraçso racíai nas escolas do Enade,
Principal: moda/rdade: da ras/mm bati/erro A pequena Judith ia enllm senlur-se num banco de
Onde os pretas são maioria . . .
msdaim para aprenderascoreerquefaziam orgulho
Discriminado parque tinha bunda empinada.
Também xá fui criouro, dºutor .
do; adultos. Sua mãe ouvir. na norremrau matinal
Machadº de Assis ><
Lima Barreto que n mundo insiro prestava sxençxe nos Emdns
Unidos, no Texas, "aquel: modesta escola de Dallas,
><
Mão Branca mãos negras.
juàeue.
,,. na sua pequena mim, mas foi com serenim. que
“Quem cospe nos ourree e
nnodánoccuro
|uponés
E me preplrou lancheíra & os cªdernos. Um irmão
.
acompanhou Judith
de até pena,
Quatrocemus »; enema anos estupro . Não foi comum seu primeiro dia de aula. Nenhuma
Os Indio: saíram da creme para a Era passar.
crianca branca compnveoera, ea forme que ! prom
sore, sem saber ande põr us mãos, ensinou (udg sozi-
nhu para ali A a, na verdade,pnra :snmnli e. solda-
dos que dn mm de (um garantiam sua integridlde.
A5 com" a merenda, Judith mminuwl ea. Milo-dvi,
Joel Num., do: Samu;
a eu: ! Racism

quanee guardou seus penenees eere voitar e casa, ia Para muita gente, 0 racismo que husicememe e
não se senna nada eenreme, As duaS fileiras de sol -
uma egreesãe Comm es aulrus só se cembaie cem
dades razram um corredor para eu passar. Por detrás
deles neareeemm, em'ãa, eenrenas de carinhas bran ,
oulra agressão. Exú bem: quem ia; discriminado tem
(: dirsíto, e are o dever, de reagir. (A premia temia
dos Dlreilos Hernanes, tão em voga hoje, assegure
eas _ xingando, vaiandn, cuspindo. Havia eduires,
também, mas Judith não quls einar ninguem, Seus àqueles que sim vitimas de uma opress㺠(: direito de
passar erern firmes, are onde uma garota de 7 mes liquidar com eia.) () reeisme, entretanto, não é só
pude andar assim. o cºm e perseguiu ave à Drnpn, uma ariiuee como, porexempm,a dos euevaiaram,
em frente e eseeia.
A pequena Judith sentou-se, então,
num banco de
,
cuspiram a xingamm a pequenª Judith que só queria
esmder o racisme e, também, uma leur'iu, deiendiea
pedra e abaixou e russo. Um nemern branca veie na em livros e saias de aulas com argumentos e teses
sua direção es saieeees, pur um insranm, chegaram "eiemiiieas". Para brigar contra ele será preciso,
-
.depensarnuma agressão, Eie pôs a mão noseu ombro, ªntes, desmontªr ESSES argumenlos & (uses.
leve, e segreeeu; “Judith, não deixe eles verem
que você eslá chorando”.
Feres reais, como esre, ponrimaram a crônica dos
Estados U 'de: na década de meu, parecendo corr
iirrnar eue eii e, per definição, e pátrla do racismo.
Nennem pais do mundu, enireianra, dzsconhece, uu
rieseorrireeeu, uma forma qualquer ee racismo. Até
mesmo o Brasil, cuja; gevernanres sempre se argu-
ineram de sermos uma ”demucvacia reeiei", lem
dado provas de que e ienômene e universal. Esxe
pequeno irvre que você e.. ier, pmcura respeneer
a
pergunu: “o que e o racirmer', primeiro ne mun
do ocidental, de que fazemºs pane-, depois no Eram.
Naturalmente, nos eenames ern meinor pesieao para
Ver o racismo aqui da que ia mrs, mas, até mesmo
para compreender e nesse, preeisames de um rerme
de eemparaeão.
a que e Rum/wa

Um exempm de pmma comum de ionyc alcanc


430 anos a sociedade blaslhwa recusa aus seus índios
a posse da (erva (embora eles ;z' mnrassem aqm mr
mares de anos mes de o arssn ser "deecobeno").
o racismo e' um meme que a/írma s supsrrorr
dade de urrr ylupo rama/ sobre outros. . o que é
um grupo racial? A pergunta uarece lola' ninguém
cunlundê um preto com um branco, um (ndlu cum
um lapºnês e, se «or um bom observadºr, não com
O QUE E lundirá, também, um|udeu comum naliano. Nenhum
0 RACISMO desses Qwuosde pessoase', porém uma raça. Pvetos e
bvancos sâu apenas comumas da Indivíduos que [têm
essas cores nada mais. (Um su; m orem pode, por
Quem são os melhores dançarinos ,
exemmo. estav bmloglcameníe mais próxima de um
branca da que de ºutro Smam) ptetuv) mares e Au
do mundo? deus não são facas, são povos (grupos de pessoas de
&
Se um estudante rrences quisesse saber ºque rar raças nrsnmas que vxvem [umas num mesmo (em'r
riu). Quanto zepaneses e narram, são namunalídz»
msmo, pnssivelmeme abri 'a seu Fem Laruuxse um :
dmmnáno de presrigro universal: "Racismo. s.m. Sis' des, assvu como o são brasMeTros, angolanos, &

Yacval de
tema que afirma a supeviorídade um grupº mªrqueses, Etc.
sobre ouuas pregando, em particular. (: ccnfmamenr Já se vê que há poucas palavras rão cunlusas quen
:o dos íníeriores numa pane do país Ísegregacão rs. na raça. Mas não ici por acaso que a batalharam tªnta
cia!) (. .)". Como toda de mição, esta é como uma que;; nada quer drzer. Govemus e xdenroglasconssrr
Vadu'eã usaram e abusavam um, auavés da H4stóna,
gama de mascar: pode aumentar, dwmínulr nu lical
da mesma (amanha, conforme « seu gosto. para se dereneerem e propagandeavem seus propósi-
Estamos no primeiro caso. naturawmenre o que ms vreaHzações Nas Ollmpíadas de 1935, por exam
quer duel o Lamuxse com sinsma? Certamente um em um ,em. e ousadogovemame alemão exrgru que
pessoais e coletivas, seus atletas derrºtassem os representantes de "vacas
comum de ras-as & práticas, Um exemplo de idéra ínferíurex" para pmvar a "mcomesm supenondade
de pequeno e lunge aicanoe.
pessoal: "Não gosto árabesnomue sãotraicueims".
de de vaca mana”. Venceu—ns um crmula nene ame"
12 irrei Ruj7mr «lw Sendu a que e' Rºcinha

cano, Jesse Owens _ d quetambém niie provou nada, eienrriieememe a frase e um equívoco. :: correu:
exceto que era meindr eerredur. (Em rempp p serra dizer: "Ha' grupax de neylas que esa ps meihares
governante racista chamei/ese Aden Hider.) dançarmas de mundo". Quem Já viu, boquiaberto.
Em 1535, mesmo no mundo cienli'lim, muita numa reis de cinema, o branqulssimo Cheries
gente acreditava em "raças puras", Sedese h0|e que Chaplln fazer de suma o que queria, ap som de uma
raças puras nunca exisriram: um grupo humano que banda da mee, nae pede achar que "brancas não
iivesse se mantido puro, sem se mlsturarcom ºutra, dãp para dança”, cnapiin posswelmente pertencia a
não mireria mulãcães e, deriva de aigdm tempo, uma “raça invisivel" rap dançarina quanto e de
desaparecerra, Além disse, em ansaiuiamenre nenhum muitos negros do Rio de Janeire.
iugar do nosso plsnere, um grupo assim conseguiria o raciemeaeserrra, aãsim, numa faisrdadecienzriica,
vnrer isolado dos outros. O que chamamos raca — p que rama facil a edaiqperedie ' bem informado
negra, prensa, amarela, caucasiana, em. e apenas desmontada. Recentemente, nos Esrados Unidos,
,
um elenco de earaererisriaas anaiemiea a cor da
peie, a comextura do cabelo, a airura média dos
individuos, ere. Se pudéssemos despir as pesseas
foram apresenmdas "provas" das diferenças penedees
entre as raças negra e eranea. Os cientistas que as
apresenraram continuam, ponanre, trabalhando cam
dessa anatomia, veriames por denzra um muro o velho e duvidoso concerto de raça: indivíduos com
eierree de esreererisricas — as características gene o mesmo desenho externo. Cueremememe, ao que
ricas, Pois bem: esse eienco deearaererrsrreas imernes dizem os ,prrrais que se ínteresSaram peip fam, eeses
pouco tem a Ver com as exteriºres. cs crenrisras eieniisias parreneem à direrza pd/r'riea, sempre
chamam a esses conjuntos inrerrros de "raças ini/| obstlnzda em expiicar diferenças sociais par mores
sfveís". A raça prera, por exempiu, está formada de biologicas. Supondo que consigam provar que as
inúmeras “raças invrsivers". Comoa espécie humana negros sae ínfenures aps brancos — em inreirgencia,
sempre se misturau, conciui e que uma "raca capacidade de in ia a, de mncenrravdp, etc.
invisivel" de peie prers pode ser igual a uma “raça restaria aos anlisracíslas um argumentº deeiswe; _
invisível" de peie branca pu amareia, ou vermeina ele. murro bem, na, em a/gun: aspectºs, raças inierieres
Treddzindo num exemplo cºncreto a reprie das e raças superiores, mas todº grupo humano merece,
“raças invisivels” Um lurisu, maraviihadp diante peio lata de ser numano, a mesmo tratamento. Se
das Esppias de Sambª, poderia dizer "ºs negros sse há aigd iáeri de prever nesses assumes raciarr, além
os melhores dançarinas do mundo". Está bem, os disso, és unidade da espécie humanazqualquergmpe
turistas têm p direire de dizer a que quiserem, mas racial pode eruzpr com outro que nascerão crlatuvas

&;
Jua: kuhno drir Santo) a quo e Rcc/ama Is

nºrmais e saudávels, coaoirarem.


Diz o Larouxse que A prôp a oaiavra alri'kaaner encobre uma men»
o raCISmD prega, cm panicviar,
o conlinamenm dos "grupos i'rilenores" dentro de rira; não são avricanos os brancos que conrroiarn o
um oa is (sagragacao racial), isro sogcra, oara comcçar, pais, rcscnrandose para ai tudo o que a civilização
que na diversas formas da racisrno, sando a segrega e o dinheiro oferecem do bom, as carismas, as praias,
çâo apenas a mais osrens' a. A segregaçãn, por sua os hospirais, as escolas a até as simoias casas. Afría
voz, aorcsanradivcrsas modaiicadas- a, ao pensar nos carros são a maioria elmagsdura da negros (4/5 da
oaisca em que cia cxisrc, logo nos ocorram duas: a 1a- populacao roraii qua iá viviam qvandc chaqaram
gal (expressa em icisi, como na Afrlca du Sui, am cnc os primeiros oorrugveaos para contornar o Cabo da
Boa Esperança (hoje Cidade do cabni; Demo e
os negros estão expressamente proibidos da residir
e/ou lreqúenlar dewrminados bairros; e a extra/ega], cinquenta anos depois, começaram a chugar ui ori-
como na BoHvla, em que indios cano/oaimasricosdc rnairos noiandascs, anraoassados dos atuais sanhures.
indio com brancoi são impedidos de morar c/on por. (Jari van Ri'sbeeck, um culonulina que caiu corrido
manccar em carros locais, cmaora nao se anconrra do Brasi am 1652, halímu os prcros, que vieram
renebê—ln amisrosamanra, dcnrro do mcinor figurinu
quaioucr proibição cscrira nesse scnrido
(acima, dc "swan alínkende Hondon", cachorros
negros Vedºrenms.)
O paraíso dos racistas o aparrhaid e rccordisra mundial da condenªção,
amaidic de pelas mais imporcanraa organizações
Um turista despreuuupado pude trazer da Africa dcmocra cas oo pidnma o Conselho Nacional
do Sul a mais sorridanra das iamorancas. Afinal, os Africano, a Anisria inrarnac- onai, a ONU, crc. (973
afríkaanels têm um dm mais airos padrões da vida foi daciarado pela ONU cArw rnzcrrracr'ona/ carma
do mundo, ewadas reoicras de Mercedes Benz c o Aparmaid, sando inúmeras oc países que se con-
granrassofisricaoamcnra maoanizadas. Poda, também, iassam mcros pamelrus comarciais do regime da Pra-
voirar arerrorizado oaic mais absurda dos regimes tória, isoiandc seu embaixador do curpodlnlomátím
racisras que ia se concebeu: o apanhe/"d Esleé capaz, como sc eia oorrassa incurável doença comagiosa.
Eis uma pªqusna amosrra do regime racisra do
por exemplo, de mandar para a cadeia uma patroa
branca porque deixou dormir no quarto dos fundos apartheid, em vigor aasdc 1945;
a sua amorcgada arara—cisco caia simoias razão de Mesmo que resida iaqaimenia numa cidade,
que as ieis do aparmcic proíbem a negrose brancas
. nanirvm africano possui o dirciro de rcr consigo
o que e Rmm 17
Joel Rujímr
m Sumo;
mulher, mhos, subrlnhos uu netas por períndo
superiora 72 horas.
Sempre que julgar oponuno, o presidente do
Eslsdo pode declarar uma área propnedade do
grupo branca, mesmo que até então ela tenha '.
rmbmncm

3de ocupada por nãorbrancm


nuamuer afn'esne maior da 15 anos e obrigado
e carregar um "livro de referência". 5 ver pego
sem eia, será pumdo com menu e W ão de um
mês e
hmmm

Um Dperárín africanº que se ausente do (rabar


«no por 24 horas, enem de ser demitídu,será
punido com meme e pnsão de vês meses
pam

Se um trabªlhador branco mene em eemenxe xepamdax

de trabalho, seus descendentes tém direím a


indemzaçãu e, amda, & pensão mensew baseada
em seu saléri . Ds descendentes de um africana
que morra por aumente de (rabalho não têm
zuada:

direito a pensão mensaw, sºmente a uma mdsnir


zação (Wada pela eemissàno do trabalho, Sul
Um afnczno que dmja uma classe de Ieuura e
escrila em sua própria casa, mesmo gmma, do

pode ser multado e preso durame seís meses. A/rim

Aquele que, durame uma reumãa, inchar um


auditéno negro a ação de protestos contra as Na
lzws do apanherd será muuada & aprisienede

Porcmco anºs
Nenhum a(ricanu pode ser membro de um
|uri lolmadu para um processo penal, mesmº
que o acusado seja um alrmano.
:umrw V W.,,»-
iii [od RIA/Trio da: Sumo; 19
a que € Racismo

Na prªcinha, domingo de manhã iusnfioar a sua agressão (”dou um soee em quem


xeniar me iomar a boia"), peeaiveimenie norara que
Tudos os paises que foram, algum dia coicn ; as outras são ureros, amarelos, brancos: peleswerme—
de metrópoles brancas China, Nigéria, Brasil, ines isro e, possuem aigo que as diferencia dele.
São Domingos -
conhecem, invariaveimenra, o
,
"05 outras querem me (amar a baia porque sao de
,
racismo. o passado colonial aeee-lhes na cabeça e no
coracao cama o pecado originai de que faia a Bíblia.
cor." Nesre momenro apareceu o racisme, uma idéia
negam. a respeito da Outro, nascida da uma dupla
isro quer dizer que Dutra tipo de pais a Rússia, necessidade: se defender e iusiiiicar a agressão.
ingiarerra, Grecia, su:.
, ,
que nunca iorarn ooiônias
de ninguem, desconhecem o ra ' meiNse,aoeciu-
Com o iemuo e a experiência, ele poderia supor
que “lodas as crianças de cor são romadoras de
iamenie. o racismo e lenõmeno universai. Seria, boia“, ista Ihe tornaria a devesa e a agressão muiio
então, um irremediávei componente da natureza mais seguras Seu racismo amadureceu, a(ingindo,
humana? nasra oonro, o piano dos eSreVEúl/pas' visão simpli-
Aiguns eienrisras acham que sim-, aiegam que o iicaua e cenvenienie de um grupo auaiauar (Por
namem está sempre defendendo seu e pace contra exemplo: ”Os iuaeus são gananciosos“, "os russos
a invasão de auircs, as quais, irao enremenie, são semprs Imperialistas", Etc.)
pertencem a outras raças. Embora passamos discar Se a insegurança uesia niaoieuca criança iasse
dar no essencial, e uma api ' o séria, com sua ind'is num crescendo ieia tivesse, por exempio, de disputar
cuiivei dose de verdade. uma vaga na escola primária com um dos "tomado-
oeeememos um grupo de inccemes orianoas res de baia"i,eoderia assumir a seguinre up nia
anneanao numa pracinha domingn ae manna. Em “As crianças de cor, que são iemaaoms de bola, não
poucos minutos vucê iera' assistido a divefsas brigas devem enirar na mesma aseoia que eu". Seu racismo
por causa da bola oiorioa, aue se acha, agora, em evoluiu para a aegregacionisrna Se, enfim, uma aeia
poder aaqueie meni inno ioiro. E como se eienvesse manhã esra criança acordasse com a idéia de que "as
demarcada um circuica sua voixa, o seugspaça, onde tomadores de bola não têm mesmo .eiio e aiguem
ine emaisiaciioeienaeraauabola e iacii ver que aie nreciaa acabar cum eies", iez iusa uma earrairinha de
a decenae centra qualquer um, creio, branco, ama— rncisu ysnaclda (que pede ou partmipa do extermínio
reie, peie'vermalha. de uma raça),
Se esse menina precisar exphcar sua insegurança Esta parábola raivez sugira que as neseoascnegam
(“as que chegarem perro vão me tomar a boia") e ao racismo sozinhas. Não e verdade. As ideias em
leal Rufino tlm Xml/ox ºqwéRacllmo zl

aa sociedade para denrro das Cabeças, através aas grego, unica Hrlgua capaz de expressar ideias e semi-
palavras. dos exemplas, de imitação, das crenças menras arelundaa". Bárbaras são tºdos aqueles que
religiosas, de uma infinidade de grandes e pequeninas não lalam meg sra e uma das larmes mais antigas
canais. ”Você esra arem de Suleiral” Quem auve de "racismo" que se canneee. (Uma curiosa sublev
ism desde os primeiros meses de vida, dilicilmeme, vêncía uesre arecaneeua; barbarismo e, ainda nele,
mais tarde, fará uma ideia positiva dos negros. Nessa
a vlclm de linguagem que eonsisre em empregar
parábola pressupõe, ramaem, que a senrimenre da palavras inexislenres ou deformadas.)
propriedade nasça com as pessoas, o que, prevauel-
Para as romanos que passaram a maiar pªne
mente, não e' eerra. A idéla de que asml'nhas coisas
devam sar protegidas um armas e relarivamenre
nova na história aa humanidade.
,
da rua vida conqulslando outros povos —, bárbaros
eram todos os que nae rinham Direira, ceniumo de
leis que regulam a vida eeleriva Bárbaros eram lame
os brancos macedanles, primos dos gregos, quanra
as núbíns, de pele negrlsslma,
0 dia em que os europeus começaram Duranre a idade meu (de século v ao xv), as
a ter insônia europeus cunsideravam inferiores as nâo-cristãos
Ena parábola da criança que começa elaiendenele
Arabes, maomeranes, africanos, inelusiue ealaeras,
judeus de qualquer aarre do glalm, e asiarieos, inr,
suas coisas e acaba ra a serve, rambem, como elueiue chineses. Os europeus sa hauiem mudada de
alegoria da que aconteceu a nossa eiuilizaçaa aciden- opinião a respeire dos aermanos, francos e eslavos,
(al. es bárbara: de anres: e que nnnam se convertido a
Nossos avós uriaaram muito iempo por espaço ae fé de Criam.
que os diferentes grupos se aleitassem na seu. Multas rar, parem, no limiar da epaaa moderna, a aarrir
deles continuaram, porem, inseguros a agressivos, dos anos 1400, que e racisme dos povos eurapeus
uma vez que rinnam multas bens a defender e, amadureceu, aaaeanuo a se basear na caraererlsriea
assim, acabaram descobrindo que os eurres eram
,
diferentes de si, Os gregos, ponto de partida da cil/l-
mais naravel dos ºutro:: a em da pele. Por quê?
A panir desra época, as países da Europa ociden-
llzaçãa quªlemoshule, per exemplo, noraram que ral tornaramrse sennares de três eenrinanrae, Ásia,
m vizinhas nae nnnam pensamento arrlculade—a Africa e Amé a. Seus anrepassaues haviam acusado
.sre acomecla, eerramenre, "porque não falavam a as bárbaras de cruéis e desumanos; pois em mªtéria
Jac! [Zu/Ino do: Santo: za
o que » knzmno

é, da Airica,
em cinqúema anos, milhão de índios;
1
de barbárie deixariam, agora, árabes e germano; na
condiçãu de anios caimiais. Hernán Cones, oihanda foram negociadas para a América, em irezumes anos
a distância, paia primeira vez, a capim dos anecas, de Escrªvidão, mais de 20 irumses da pessuas
um sobressaim: ere muim mais bela e limpa que () historiador português Oliveira Martins deixou-
me
Med Mandou deslrwrla. nos uma viu a de:/: cão deste rendese negôcm,
As clrcunstànmas rurçaram useurnpeusa erganizer “Havia lá, no sem do navio balnucadn pelº mªri
gigantescas nxplomcõm de açucar, mhaco, algodão e iuzas ferozes, uns de cólera e desespero. Os que a
minerida nos três cammemes. (o engenho coieruai serie iavoreuia nesse undear de cama Vivª e negra,
brasileiro a um exemplo.) Neias, forçado ainda nelas aferravam-se à iuz e olhavam a estrª'ila nesga do ceu,
circunstâncias, imaidu n trabalha escravo. cdma se Na obscuridade do antro, ds inreiizes, promíscua—
explica que em forma de trabalho, desaparecida meme arrumados a mente, ou caíam mâmmes num
desde o século v, reswscitasse agora? rorpor lerei, du murdiamiadesespzraduse cheios
Essas gigantescas exploraçõex emm um empreenv de Íúrias. Esrranguiavams a um sa' m-ihd do veria
dimento capitalista e, como iai, buscavam (: máx/mu tre as entranhas, u cum: quebravam-se ihe de (,menta )

de lucro, Seus ºrganizadores eram banquelms E ED bros nos choques dessas obscuras bataihas .

mereiumas esraaeiecidus em Lisboa, Londres e Ams- Guandu o naviu chegava ad portº de desurm _ uma
terdã, os mesmos que bzncavzm u tráhcu negrelru praia desena e afasladd _ o carregameum desembar-
havia mais de cinquenta anos. Que msn-deuma en- eeva; e à lui clara do soi das (fêmeas aparecia uma
vlariam para as suas explorações? su podia ser a coluna de esqueletos cheios de pústulas, com o uen
& eeie rasgada,
escrava Da Asia tiravam especiarias, da America, (re protuberante, as rdruiae chegadas, 6593153110
açúcar, fumo, aigddão, metais preciosos; da Africa, comidas de bichos, com o ar parvo 9 das
uma mercadoria muitu aspecial' geme. idiures. Muito: "Eu se tinham em pé; ireeeçevam,
A punir desta época os europeus começaram a na(am, e eram levados aos ombros como iardoe . . .
(ar insônia. Só vultarlam & dormir duende rasoives o capitão, mirando a bordo, e iimdar u porão,
sem do]: problema: 19) cºmº defender (amanha achava de restos, a quebra da carga que lruuxera:
riqueza? 29» Como iusf icar se por iam sofrímento havia por uezes cinqúdnla e mais cadáveres sobre
infiigido a tama gente? quatrocentos escravosi" (Citado por José Capeia,
Se você duvida quededur' dos muros povo: Escravatura: a empresa de saque _ o Aboiieienismd
nas mãos das eurepeue tenha
em
sido, de fato, tão gran Maio 1375). Porto, decõEs Apomamemo, iam,
de, eis aqui: os baudeirarues braeiieirae eiimmeram, P:
9“
Iru-I Ruflim da: Salum [; que e Rarnnw zs

Esses pobres felás egípcios, de costelas Dal, eines de Sepúlveda esrrala uma conclusiot
à mostra "Tudº me não pmva que eles s㺠eserauas de
narureza7(, .)
. Esses homenzinhus tão bárbaros,
t㺠inculta rão denumanas . (Citado por
A pólvora — 'nvemads par um ch es ajudºu Alelandm scnurz. EI Problema racial en la
ºs
,
europeus a resolverem o prlmeim problema: nenhum
pºvo da cor conneela armas de fogo. Para resriruir-
lhes o sono, poiém, foi preciso algo niais relisrieade
eenquisra de América y el masrlzaie, Sam-age do
Chile, se. Austral, 1963. p. 72.3.)
A parlir deste
momento, como se vê, o racismo
que um hacamarre de dois canos: uma concepçin deixou de ser puramente cultural ("Não gºsto dele
racista que DS isantzsse de culpa DD! tantºso'rímen' porque ele não fala grego" ou "Nãu gosro des—ra gen-
ro causado aos aurros. Os europeus começaram a re porque não e cristã"). Passou a ser rambe'm
pregar que os pnvus de cor, que habhavam os rres biológico: “Não gosw deie parque ela e prelo" eu
contlnenles, eram assim mesmo. incapazes e sems. “Não topo esra gente porque ela esra mªis perus dos
"E nós não os esmmus malrrarenda, mas eiuilizando" animais que de nós, humanos". Coma os lneies
Quero exempmicarcom Ginés de Sepuweea, inter narreamerieanos rivessem a mesma cor que os
leeruel calamalisla espanhel que, europeus, invenmwse, para rebaixá-Ius a ”povo de
no seculo xVi,
comparou us (nulos e macacos e porcos. cor", a "pele vermelhu"; enquame os teólogns, Bla
”Os espanhóis têm lado o drreim de mia debaixo do black), ((atavam de explicar que a
exercer seu
dcmrrii'osobre estes baraaws do Novo Mundn erlnas parei/ra rndian não passava de eerrunrela de iudeuf.
adiaeenres, as quais em pvudêncla, rnreligenaia moda Nãu, não era pecadu anche-las ue boidoadas.
especie de virtudes e sentimentos humanos são rsrs Por valra de meu, :) sisrenna capl alisra deu um
inlenares em espanhóis quanro às crianças vigoroSD passo adiante, na Europa no emai
e Ene
relacão nos adultas, as mulnereseom relação ausem hor do: Unidos, o navio a vapor, a energia elerrie. a,
mens, pessoas cruéis e desumanas com relação a logo depois, o autumàvei e (: aviãu fizeram emnail'r
pessoas mansas. pessoas desequi' bradss com relação eeeer as marawlnases inventos de anres; nasaeram
a pessoas equíiibradasz e, enlrm, esrou presles & o cap/ra/ financeira e os grandes conglºmerados de
adm'l r que com relação
aºs espanhóis estão na
posição de meCacos em relação a homem. (. . .) São
empresas, enquanw as nações mui: ricas ieiavam
a exportação de espira para as nações mais polares,
como porcos. estão sempre alisando para a chãº, Um escuro feia egipcio, de eosrelas a mesrra, lumals
como se nunca rivessem Vim: o céu." teria sema num banco, mas os banqueiros de Lona
ltrcl RIA/Inu dm saum

dres, uu meetas, é que decidiam, agnu,asuavida.


Comº explrear tanta sujeiçio & miséria7
Os inulectuuis eurºpeus — dignos sucessores
daquele Gínés de Sepúlveda, que compara” as»
teca: n xímtos & porcos — começaram a ensinar
que “nos trópicos a pobreza é inwltável: aqui :: hn-
mem só tem energia para pensar em sexo & barxexas,
Sendu, além disso, habíudus por geme de cor, seu
futuro A
triste."
Não admira que oeeurepeus acredrtassem em lama
baboseira, mesmo porque, semetharne a tanta
porcaria que xe da as crianças, ela vinha embrulhadª
em mermo papel ciantílico A cada época, cada
classe social, ema grande putencra lax & ctência que
lhe interessa fazer.
Curioso, mas também expliclval, & que nus países
brutalmente exptamdds por eles também se ecred'r
tasse nisso. o :cmptexo de super dade geográ co-
racra dos eurepeus era 0 nossa complexo de inferlur
ridnde, como as duas faces de uma mesma moeda.
o: mais tamdsds criadores desta clencva calunia
Hsta foram Fríedrich Ratzet (1544 , 1904) que,
embora mano em 7904, amda tem seguideres; e o
conde de Gob'meau 115167 1882),umtwcarlintas
que passou a vida (entenda demonstrar que Deus
não fora decente ea criar as racas, tirandº quattdades
de umas para dar às outras. Das pensadores brasileív
ms 0 que melhor expressnu esta “ídeologra de colar Nm EMM: d: Debret, « um; virarem do Min
malismo" foi, sem dúvida, orrvena Viana.
mam,
m micro do Século xix,
que e Racuma
Joe! Rufino der Santar

quíssimos sauem sequer da sua extsréne'ra. Oliveir-
"Bom-dia, segundo o Serviço de Viarra loi para (: same de pensamento bmsileím.
Meteorologia" Pur que admiravarrms tanto, na au anda, um autor
hexa eseveerae? Em pnmzim lugar perque oriveira
Viana levava seu pensamente ao metudralfuiata. Tal
Ouveira Viana morreu em eemeearem os anos cine
exigénma foi posta, de uns 20 anus a esta parte, em
edema. Que passulsse um mátodo para anaHsar &
sociedade brasnerra, no passado e na presenxe, não termos duarerrtes dos do passado. Escrever bem,
agora — e este e um sinal posmvd des nossosdías
era de admirar. No seu tempo naseeu & sodomia ,
e escrever claro, e rer e que dr'zer e dize-re ednc'rsa-
brasileira, saindo de mede as t'rrterprerações mera-
mente. ovrveire Viana era elegante, maneirdsd,
meme rrrrpressrerrrstes. Pela menos tres autores, haja Comparado com es ensaístas de utualmeme, ele era
famosos, já haviam erbaeeae smteses da fonnaçãu
brasileira. Gilberto Freyre, nelson Werneck sdere e um esteta e estes uns meros atiradores dl pedradas.
Em segundo lugar, ouveara Viªna era dado a
Sérgiº Buarque de Holanda, sem mar nos estudos citações. Amava tamo este hábito que, diznm, cum'
pareiauzades de certa Pmdo Júnior. erimenrava assim: "Bom-dia, segundo e Serviço de
o que admira naquele mulata Hummense, de pena Meteummgla”. ora, num tempo como aquele, em
fa'c , é o rzger
em que deedeeeupautouao seu máis-10,5
que se Ha pouco uma auarrte haja » de eiteedres
,
dzsaiplirra, acoerénma perque tudo e que
E .mpressrarravam, pondo nunca da sahíchões ºutra
escreveu esereveu muita: Pagu/ações merfdr'orrar's circunsvâncía, Iigadn e esta, também lhe eeva .neerv
da Brasil (2 vetumasr, Evolução do povo brasileiro,
muiturçaes pull'zicas brasileira: teste autºridade inteleerual eirar em znglés e alnmlo.
o msn do imperr'a, Naquere tempo poucos Hum o zngres, raríssimos (:
(: verumes), Raça e assumi/ação, etc., ere, 1510 para atemãe. A mararra na em francês não somente os
,
só Valar nos ríruros mais importantes.
Admrra, também, a fame de quz desfrutaram os autores franceses, mas os de outra origem vertidas
seus trabalhos. Num pars, cºmo a nossa, em que se para e francês. Nos tempos amigos pesava até mesmo
edmema mms o amor de que se te a obra, ele deve e infâmía sdere as traduções, se traduzrarncs, era por
burrice.
ter sido um dos pensadores mais Hdus, um das que,
a(etivzmente, mars rnuuene'raram a geração que hoje ;, porém, no método que copiou dos racistas
beira os 40 anos, Na primeíra metade des anus em. europeus, que se eneentre ! explicação para e pres—
(Iglu deste repetidor brilhantes sociedade ureenerra
quervta es jovens cítavammo quase tanto quanm se
,

necessílava de alguém que Ihe expressasse, aum


cita here Caio Prado, por exempru. Em 1980,pnur
,
que e' Raciimo
30 mi Rujlnu aos Sama; 3I

"argumentos eianiiiieas" e aaa prosa, o sentimento


de inferioridade raeiai. (Foi uma ironia que a escu-
massa dos riagras purus; cama não e seriam (ambém
nesias épocas remous, em que se assinaiam esras
à
mim para esra missão resse um malaia de Niierai. grandes incas da EWWZECãO7
A História também escreve carro por Unhas tunas ) Que os asriiaas de passado e as invesrigações dos
Na iaira de melhor expressão, vamos chamar a arqueólogos assinaiam a exíslênma aas grandes aerr
esse método de "método eugên a'. mae se baseia nos de euiiura nas rag aescenrrais da Airica. e o que
na Eugen/ul ciência que tem por obiarrvn a "malha- não punho em dúvida, mas que esias aivriizações
ra eas facas humanas".i Eis seus princípios ba' cos. sejam criações da raça negra, é o que me parece
eaniesra'vei. Não sei se a negra e' reaimenre inferior,
mas awrrrecimerrias da vida de um povo se
explicam pala sua formaç㺠raciri, se e igual ou mesma superlor às outras raças; mas
29) 0 campanamenm psicºlógico de um pava e julgando paio que os resiemunhas da araseme e do
delsrm/nsda pe/rr sua rasa (Amim coma a passado demonstram a eoriaiusãa a tirar e que, até
rerrrperamerrra de uma pessoa e determmada agºra, a eiviiizaçaa tem sido apanágio de aguas
paia sua maria/agrai facas que não a negra; e que, para que as negros aos
aºiA raca negra, que rem um carriaarramerrm sam exercer um papei clvil'izador quaiquer, lalase
psicºlógica msma/, nunca criou rrerrr vai preciso que eies se caiaeiem
rriar civilizaçãº. especialmeme cum as raças arianas emau outras raças,
semiias. Isto
Esre ceniurrio de ideias, conveniente aas paises é percam a sua pureza." Raça e as:/ml/açá'a Ed José
ricas que expiaram paises pobres, se encorura auase Divmpin, Ric,1932.p me.
pum errr Oiivaira Viana. Urna só amasira
"o negro puro, ponanm, não im nunca, aeia
menos dentro do campo h iariaa em que 0 Cunhª Para que serve a cor das pessoas?
cemos, um eriaaarae civihzações Se, ria areserrie,
os vemos sempre subordinadas aas povºs de raça Pouca anies de morrer, 0. Viana tomou conheci-
branca, eam as quais enrrararn am conlam; se, nos memo de que Ds arqueaiogos haviam descoberto
seus grupos mais evaigiaas nas regiões das grandes poderosas eiwiizaeões na Airiea no gene de Bem,
aianiues nativas, sao os ziamames mesiiaas, são as
indivíduos de iipa negróíde, aqueles que irazarri
em Chaka, na alta Niie . . ,
,
Para negar esre faro
apelou para o seu "método eugênico": negras só
doses sensiveis ae sarrgua semita, os que ascendem as criam civilização sa irverem um pouco de sangue
eiasses superiores, iarmam a arisrocraaia a dirigem a branca misturada.
Juet Ru/írm dos Sumax um: e Ranma 33

er'rarlamus, atgum dia, uma mutação no arasiv brancas, dumínadnres uulmra, só a muito custo se
Fiel ao seu método, cur samente sua resposta era conservam ricos e atenuados, São bons exemptae
atirmanva Basxava a sangue branco ir predommando de um e autre caso & cnina e a Inglaterra.
sobre o negrº e a rndia e que estava, 'elizmente. Sendo a div/são rnundr'a/ do trabalha apenas a
,
acontecendo desde :) século XIX, quando se Iniciou
a grande imigração euroaéve (entre 1850 e 1930
ampliação da que acontece dentra da cada país
desenuaxu'rdo, ha, na sau rntariar, ricos e pobreza
recebemos cerca de a «(Mães de europeus). A rmsc classespatraas e classes-empregadas A Unha de cor
ganaeão e a aka laxa de mordeade das pessoas de alude, entãa, a marcar as awareness, brancos em
cor limparlam a testa. cima , de cor embarxo. Nus Estaddsumdosa fácil
o que hoje vemos melhor do que na (rima 37105 constatªr esta superpoareãa de classe a rica, desde
(e
que 0, Viana podre tar wsw se parasse de repetir as astratea mais akos (descendentes de inandeees)
autores estrangeiros colomalís'as) a que as nações até na mars baixas (negras, aono-riquenhas, lennºn
civnixadas, antee de serem brancas, sãn nações- americanas em geral), passando pelos intermediànus
patrdae— e as pobres. antes dz serem de cor, são de ianques (descendentes de ingleses), .udeus, eslar
nacierempmgadas (Newest/"pregada: são as que vos, etc , aua aenstituern a classe média.
traaatnam na séculos para enneueeer as amos. As da Além desta curiosa “peca/[13650 de cor, e capa-
América Lanna, por exempm, semp.e estiveram de talismc mms desanvulvvde inventou o “exército da
“Velas abertas", seu sangue fluindo para aHmentar reserva . sobra permanente de mae de obra que per»
os Estados Unidos e a Europa.) e aos empreaárícs pagamos (rahalhadures o menos
ºutra umª que emnareendemas melhor hole: a possível (Funcmna aqui a /er' da arena a da procura,
divisão mund/i/ do trada/hu eondenau uns patses autra tnvenção dd srsterna: quamo ma'a vºcê
ofere—

a produznem artigo: caros ameias, (ecnnlog , cer, nd aasa o trabalho, mends vatera' a seu produto;
,
cíênc' . ; outras, a produzirem amqos baratas e vice-versa.) Ora, em paises que abríuam várias
mater'rasprzmas, aumentos, setas humanas .
cor enaa xou-se nesta dwisãu como luva, us ,
. A
prlmeír
"raças" como a tngtaterra, a França, a Nemanha
a Austrália, a Argenuna, ate. este "exercrta da
ras erarn brancos, as segundas, de ear. Tanta era
coincidêncía isto, e não uma coisa causa da outra, ,
reserva", encoihído e miserável, e sempre de mr.
nene que se recrutam tauadarea de privada, uarredures
E

que, a partir da Sequnda Guerra Mundial (193945), de rua; guardas de segurança para exeauttuee e atm-
diversos povos de cor abandonaram a mcõmoda licos trnportantes; lutadarea de boxe; prostitutas;
posição de antes, enquanto isso, mu. os povos pruxenetax; bóias-mis: em época da come-ta, e Oper
Joe! Rufino doi Sun/as 35
ºu: Radmin
&

rál'los evenruais para suusriruir grevistas despedidos das, cerno ingenuamente se poderia super; nem
cama punição. (Bóia irias: trabalhadores diansras existiu sempre, eu existiria sempre. como mlumente
da roça, chamados assim porque levam marmilas pa se poderia pensar, lºs racínzs rem naturalmente
ra trabalho. Em geral não têm salario nem direitos
e interesse em derinir e racismo como uma earaararls-
iguais aos de eurros trabalhadores.) rica da "namreza humana”,
A cor oapele não loi, naturalmente, uma invenção mm a “narureze hu
maria“ é imutável, o racismo, per consequencia,
da oaplralisrno, nem de sistema algum fºi produm [amais desaparecerá. o racismo e um dos muitos
,
das eilarenree condições ecologicas que o homem
anaomrou na sua dispersão pelo Planeta. Mas mas
iilhos du espiral, com a peculiaridade de ter eres
cleo junta earn ele.
(ºu ao capitalismo urn maximávsl serviço, sepursnda, Como os melhores filhos, porém, a ramsmo lem
neste lanràsrieo mercado em que se comme e vende sobrevivido, & sucedido, aa própria pa Nos paises
mâ depara, a mercadºria de primeira da desegunda soeialisras, que se argulnarn de naver liquidada as
(mais ou menos como fazem os vendedores de formas essenciais ga expleraçaa do homem pelo
iumate: os melhores, 80; os piores, 50) homem, permanece, Enlezadn E renimme como uma
Em nosso pais, o "exército de reserva" está por planta que nin se eansegue arrancar,
tada parte. Nas rodoviárias, com seus sacos suios Se pageria argumentar que nas paises socialistas
às eosras: na Baixada Fluminense, com seus peitos qualquer que sera a seu caminho, a um o Sovié-
nus à mostra; nas feiras ou Nordeste. agachidns a
espera de "trabaio"; nas Max dus ônibus, os filhos
esouàlroos esmolando urls ceniavos. o Brasil e uma
,
riea, a China, Cuba, vierna, Argelia, Albânia
competição, que estimula e racismo, não desapareceu
a

ee tudo. (: argumenro e verdadeira, mas não basta.


grande feira de rrauainagores bararos, inva velmerite o racismo esra deposíxado na mais rumo da cabeça
de cor. isaixada Fluminense assim licou conhecido dos homens _ assim cnmo certas semenres que rESls-
a Grande Rio iCaXias, Nava iguaçu, Belford Roxo, (em as mais violentas mudancas ge temperatura &,
Nilopolis, em,). Tem baixissimo nível ele renoa e subitamente, voltam a nrorar, Há nele uma dose de
em enrre as reglaes mais violenras do mundo.) irracionarisrno gua nennum sisrerna sucial, are hole,
fui capaz de liquidar. (A antropofagia, nua acampar
A civilização pertence aos brancos. nnou a humanidade durante milnares de anos,
Izmbra, nesre aspecto, o (abismo, A guerra, que a
Até quando? SDEIedade continua a usar para resºlverdelermlnados
O racismo não é produto de menms desequilibrar prablemas, a outrº exemplo de insmuiaao persisrenrs
JW! Ru/um [lm Yan/m ,qw ? Ruamm

bom. mmaº ano, por exempm, 2 Africa lara


miserwelmeme "partilhada" entre em, sem que
um só africano estivesse pveseme.) Diante da fam
consumada, & burguesla alemã estava na situaçãu
de quem chegou tarde à festa só restam migalhai
,
da bula sºbre a malha manchada Virou & mesa. Sua
progressiva agresswmade percorreu rodas os cªma-
nhos cnnhemdns, Desprezo panos outros, apelo a
”raça”, a "pureza do sangue", à supenondade das
“mais capazes” nada foi mvemado pela nazismo,
,
os outros povos eumpeus .a tinham recorrido a
tudo ísm no passado. A novrdade estava no grau e
na .mermdaue, arrastando a humanidade a um
conmm cujas ccatnzes não daapareneram ainda.
Adail um” uma 945; Há
quem prefira ver no episódio nazrfascisca
apenas o arracrorraw e o absurdo. (Estão em moda,
há alqum tempo, as expucações sobrenaturais &
cósmicas para latas hístóvicosJ Clan), aºs esnve-
& rrracrunaw que pode, ingenuamente, ser tomada ram presemes; digamºs, na percentagem de 1%, o
como própria da "natureza humana") nazir asclsmu com seu cuneío de misérias & odzo
o exemplo mas escandaloso de racismo om, conr racial
, ,
for uma sede momentânea pan—z o capítaHs»
atrasam na cor da culanial; o
mo alemão. o
pzw's se
tudo, o regrme "arrasaram alemão (1933745LJuntar
ram» naqueíe Íantástíco calderrãc todos os mgre tempo em de grave crise ecºnômica (a "grande
dienus cor—recreios do údlo ram menor-cerro; vm depressão"), &, e.mm, aburguesuse senna irremer
gares, vamos de Sécmos ou (ecémrfabncadm pah? díavelmente acessada paia massa Dperàn .
pmpaganda paHUca; prejuízos cmmíhcus mhzados Por que o racrsmu se abateu, em especial, como
por pensadmes de umadlrewlã, enermhuoz em massa uma avaianchu, subre Cabeça dos Judeus? Os judeus
«5

de misturas mdelesas eram 0 único auzru mspunwew na Alemanha: trans'


Por mha de1885,aspméncmseurope asJà "nham lormaram se embodesxpiazórm1dea|.A|émdesErem
dwwdwdu o mundo entre Slv
como quem dlwde um a outra que se podia agredir, da lnhnm uma pane
lar! mmm dvx Sarna; o que e Emma w

da riquzu nas suas mãos: tomé-1a abria espaco para Em algun: aspectos, a racismo é Injusto, puis
m Empresários "aulendcsmeme alzmães" aumenr a espécie humana é uma cuisa só.
&

tava aa verbas do Miníslénu da Fazenda. A]udava pregando, em panmu/ar, a canfmamarrm das


também os govzmantes a provarem seu: pvupásitns fnfwíows numa parte dº para,
us judeus “exploradurei do A segregação&
“lnciaíiszas” («no mm apenas a forma mais sacandamsa
povo"». do racismo (como :: apartheid na Africa du
Num filme Já mássica, Queimada, de Punmcorvo, sm). Mas o fenômeno é universal, ocorrendo
há uma cena didáucu. José Dolores, líder negro da n㺠só nos países que foram colônias européias,
índupundênnia do para, vai sendo: levado para a mas também nos caprmnsras desenvmvidos &
(orca. Um ínqlês, que a ajudara amas para exterr nas xociehsus.
mlnárlo depois
lição: “A
,
cwilização ,
vem se despedir a ouve a segulme
em com vocês, hem, mares! º mcwsmo nãu ͪl Dalle da "natureza humana",
Nasceu,
um, dn nacassrdada de dsfmdsr ::
Mas até quando?" seu espaço; a e apenas uma msmmçãn irracional
de pruWongada duração [asnm cºmo a amrupcr
fagla & a guerra).
Sob a formª ªtual, baseado na cor da pele, e
Em conclusão mha do colonialismº; e an'ngiu o :eu mmm
com O aparecimento dº capwtalismu hnance 0.
o mmsmn, segundo ()Larousse, é Dentro dos parsea capitalistas desenvolvidos,
Sistema que afirma a super/'ulídíde meia! de que não (eram colônias (comu a lngiaterra & a
- Franca, por axzmpm), e fruto da competição
um grupo sobre outrº:, .
Esta superioridade é uma hipótese cianmica e da drwsão du trabalha.
não cravada, lpesar dai esfurços da "ideologia o bdío ranma chegou ao máximo durante .:
do commausma", interessada em Jusllf ar a nazi-fascismo alam5011933'45),que conlinou a
miséria e atraso dos pa4aes subdesenvonvidos, extarminou milhões de ludeus. o nazirfaseismo
Os cientistas que se empenham am pmvá-Ia im uma xama momentânea para o aapzmisma
trabalham cum n velho conceito de raça (cona alemão-, e em matéria de údío racial apenas
lume de caracteres externos das pessoas). exagerou !) que ]é se fizera ama!.
Mesmo que cansrgam provas condusivas da
suaariorzdada de um grupo racial sobre muros,
41
a que e Eamma

eu não sou".
.».ng correndo, roda vez que Pauln César negava
uma baia, algumas iiisiras arms um suiirario lume-
dor do Grêmio smaldicoavs "Crioulo sem-vergonha!
Foi a maiar mancada u Giêmia comprar este fres-
co Mºu amiga virou-sa sarna para (: pr'msim su-
]e'ito s wiseu:“01hu,tem um outro oria | da
Em
II aim ai atrás
Considera este casa, axrrsiao de uma irrrarmina
EXISTE RACISMO NO BRASIL
vel iisra ds
mimos raciais que conhece, bastante
ilustrativo:
1.0) Nº: hrasiieiras, quando somos nilhados em
flagrante de racismº nus assusramns, reagindo, de
imediato, contra quem denuncia. (Aqusis inimrga
No Maracanã, domingo à tarde da Cláudia Adão, por exemplo, alegou sua condição
de aiiciai da Exército para “provar" que não podia
Um amigo meu, ramasa aror de TV, assisria a um ser racisla.)
Fismerrgo e Grêmio, no Maracanã. Toda Vez que 1.0) Nosso preconceito ramal, zsiasamame guardas
Cláud'iu Adão perdia um gel E foram vários — um do, vem a uma, quase sempre, num momenm de
,
suieilinho as iwamava para berrar. “Criouio burroi
Sai dai, & macacol" Meu amigo sngoiia em seca. Alê
competição. (O lulebnl e um caso mais que «pico
de “mumenm de competição")
3.0) Em nossa pais os brancos sempre usperarii
que Carpag'iani pevdeu uma oportunidade "debaixo
dos paus“. Eleachou que chegava a sua vez. "Ai, bran- que as minorias raciais cumpram carmameme os par
no burrai Branco (apado'" Instuiousse um súbiro e pais que ihss passaram — no caso do negro, as mais
densa mai-assar naquele sem das cadeiras — o único comuns são anisu e jogador de futebol. & fracas
preto aii, é preciso que ss diga, era o meu amigo. sam, um ;ogam na cara a supaara razão do "acesso:
Passada um instante, o suja'itinho não se naum a em da paia. io suieilo achava muito na(urul ligar
"mha aqui, garoraa, você imu a mai alwila. Não o fracasso de ciáudia Adão a sua cor preza; mas não
sou racista, sau ufic'ial do Exército", Mau amigo, aceiwu que se iigasse e erro de Carpeg'iani & sua cui
aparemando rraruraiidada, encerrou a converta: "E branca.)
47. Joel Rufino dot Satirot (; que e' Raertrno 43

(__—__—
[___
49) Muitos negros. sobretudo da classe mêdlar de fato ocorridos, nenhum brasileiro tem do que se
costumam hoje em dia dar o troco ao racismo dos orgulhar nesses asoeotos, Pretinnos, balan'lnhos, pa-
brancos, aswslândo as peasoasoveainda crêem numa raibinnas, indios, caboclos, ]nvens Ndeus, moças
”democracia reoial brasileira". (Meu amigo confessa japonesas estão, nesse exam momento, solrenoo alr
que a partir do incidente loi olhada comu um negro guma espécie de maltrato pelo simples lato de não
perigoso, desses que oaraoamoisoostoea o gar àloa.) pertencerem a marorra branca“, e na, nesta exam mo
Usamos, na primeira oerte deste livro, um varoete menta, em qualquer delegacia de bairro um piUrdEr
do Larousse como ponto de part e. Tomarei, ago. arara lFad-deatara: instrumento de tortura lnven
ra, esse osso como guiª para abordar o racismo no tado pela policia orasilelra. Cnnsiste num pau apoia-
Brasil. do em dois eavaletes no eval a pessoa e amarrada
por tornozelos » pulsºs, o (ronco para baixo, lioan-
do a mercê do torturador t e espera do uma oriatv ra
Brasileiro pilhado em flagrante de humilde que caia na suspeita de polioia.
racismo reage Por que boa parte das brasileiros ainda acredita
que vivamos numa "democracia taoial"7 Para como
A idéia de que “aqm não (emos desses Prºblemas" oar, porque as elites que nos governaram até hole
esta' drolundamente enraizada em nossas oeoeoas. e precisavam vender esta mentira, add. e no exterlur.
comum, também, enaerrarmos uma eonvarsa solore A cabeça de uma sociedade e, em geral, leita pela
violência na mundo com uma frase lmbec i"Ainda sua classe dominante cºm o ooieuvo duplo de
bem que aqui não acontece nada disso", enquanto
do lado de iora das nossas tanelas morrem, em assalt ,
manter seus privilêgíns e deixa-la dormir em paz
Quero exempiiiioar com dois casos atuaiissimos.
tos e enodoas com a policia, mais pessoas pur dia
que no apogeu da guerra oo Vlemã.
wl o i.ee . llnstrtuto Brasiieím de Geografia
Convido as pessoas que ainda creem ne “democra- e Estatistica), óvgão do governo encarregado de pro
oia raoial brasileira”, na “cordialidade inata do brar oooer aos levantamentos de população, retirou do
sileiro", e balelas que tais, e orestarem um pouco ultimo censo (1272) e pergunta: "oval e a sua corr,
mais de alencãu à sua volta os jornais noticiam, em isto aoonteoau, oraoisamento, num momento em
media, dois casos de discriminação racial por mes-, e que o racismo brasileiro começava a ser denunciado
dois ossos de tortura por dia, Considerando que os e discutido amplamente lmilnoes de negms sairam a
,mais não apanham sequer um oontasimo dos casos rua. nesta decada, no Rin, em São Paulo. em Fono
AS
Joot Rumo dos Samui a que e Racismº

black). Neguinho sem-vergonha quer ser


Aiegra, exigindo direito; e exibindo seu oabeio
Rerirar aquela pergunta do censo, não reria sido uma Sérgio Chupelin quando cresccr
maneira de se subtrair ao movimenro negro o pu-
afir
deroso argumenta numérico (os lideres negros Recentemente assim a um espªta'cuiu raro; um
' número que os
mern que os da cor rão em m r carcereiro do DOPS chorar, M. era um Bram airo e
brancosn o presidente do |.B,G.E. apressºu-ie em fome, que rraeainaua sempre à noite. Aqueia vez me
e inútil saber
nzgar: o irem iara rerirado porque coniidoneiou que o iiino queria ser “ioouror de telas
ouanras são as pessoas de cor, ie que “não temos
Visao", quando cresoesse: “Igual ao Sérgio shape 'n",
aqui nennum orobiema raciai, somos rodos uma se
expiroou. Deseiai boa com ao garoro, mas eie recuv
upa",
sou: "Voos acha que um neguinno sem-vergonha, cos
M'Ihões dz nãºsbmricºs que sofrem discriminar rno o meu, pode anegar a sergio Chaoeiinzv“ Vi que
cães todo dia quandu procuram emprego, mulaa M, estava meio bêbado quando começou a fazer cara
,
dia, oarcairo amorosa, ciuoe sociai, rne'dieo, em »
nic ecrão, aesoiurarnenre, de acordo com
isso de choro: ”Esse moieoue e a razão da minha vida. E
quer ser e Sergio cnaoeiin , " Concordei que era
7?) No dia12/5/76,em Salvador, um casal de mesmo impossível a um prannno suburbano, mira
subir pelo ele
piezas lui impedido pelo porreiro de de tira, chegar a astro da Rede Globo. aasrou corr
vader social; nxo oarravam ferramenus nem estavam cordar para M. me amar orofissionairnenze e ear a
exoiicaria aquela proibir sua senmnca: "Mas voce em! dizendo isso porque e
em traia: de banha, o que
cão. Comu fosse um easai de ciasse média, bem rela subi/e o". "Estou dizendo o mesmo que voce",
Presidente
clonado, o incidente ganhou os jornais, o ponderei. E ele "No Brasil não rern dessa não, a ca-
de Rapuaiica recomendou uma sindicância ao Mis ra .

governador,
nistrc da Jusrica, ane areoomendoua ao "Esse
Aiern de aoredirar na sua “democrmía racial", o
Jusrica, responde
»

que, antecipam—resse brasileiro acha que falar no orooienna e subversão


aconiaeirnenro
&
de carasor de exoeocianeiidade ta- one eoneiusão extrair da i? a mito da democracia ra—
rai e deus ser encarado como rai". ciai e urna fur/'na orasi/errr'ssrma, bastante eficaz, de
o que sua em todos os prédiusdo pafsferilradas comroie soc/ai. () que espanta os estrang s que
vestidas, socias/,- e entradas para e'
nas wsnam nao esta democracia racial em que só
para eranoos bem
pretos, mai ou bem vestidas, de servico a
— aumr'ida— a -
nos acredirannos 7, e nossa ingenuidade em acredi-
de mama de "axeeooionaliuade tolai” tar nela. Quando o senador norte—americano Boo
' Eu: Rmrrne
&
Joe! Runne um SEMUS 47

Kennedv vlslreu a Pontifícla Universidade cªr e,


do Rio (1967, erelcl, um grupº de esludanms enren
deu de agredíela rnenelonande o ódio raelal no seu
pele. Ele se defendeu em uma perguma que ficou
no ar, pesadaesem respusra 'E os negros braslleiros,
por que não esreu vendo nennum eeul enrre vocês?"
A mim, pessoalmente, me agrada mulre urne velha
nlegoria para explicar a diferença da querrãe racial
la e aqui Nes Eeuues umaus o negro rern uma pls-
mln eeenrada pare sue cabeca; no aresrl, ele está
apontada para es suas costas. Para quem segum &
eismle, .: segunda situação e, sem dúvida, mals cô-
moda.
Esta (ética de esconder eenflires, para d'lmlnul'r
Ius, e rãe brasllelra quanto o peixe de mee pode
ser que façam lgunl -
em eurra parte do mundo, me
Ihor nae, As rebeliões Indígenas, per exemple, pun-
rllnerem nessa h'lstr'ma eelenlal, só que os manuals
dldárlcos não falam delas, preferem exaltar banda
ranres genocidas (assassinaram l milhão de l'ndlus
em 50 anos], e & “glorlesa epopele desbendelras",
ere, ere. Dune exemplo: a eserevldãu eneguu ao apo—
geu durante &o Impé o, eeenee 4/5 da população "Tecnica; elº usura. miy se mrrrerurn rn
rreeelnevem força, sob rorruras, poís leem as pala» Imre err. quere
toda pari: por um presciso de csnecl'allzam'o qual: bios
was eserewdâo e rarrura não podiam, Dfimalmeme, Mew que llrer parece ter aguçada o perfil no ue aw: de
ser erelerldas no Parlamento E, por lrm, um exelvls reprm, e ml'mlm em maxmllles em.» de aqumçio e d:
pla recente: no gºverno Medlei (1959 1974» nennum
lernel, grande ou pequeno, pudia publicar nada so' pane, as rnãer em gum: irreapaeer de xemmr de L-n'm,
:
capazes rei de umeulner " Gilberta neyre em (”axuvír'rall-
bre índios, esquadrão da morte, movimento negra e
guerrilha era como 58,901 deerero, tais problemas ec &Senzala
,m m,
e.: p,

,
Jvc! Rufino dor saum ir quzé Rm'xmo

não existissem. que só lem ”iapciiês'. “Por quê?", indaga. “Você


Dizarn os aspaciaiiscas que a primeiro passo para pensa que eles chamam ª geme pro lime dele:7“r
(axé-Ic- aurruur que o a, As' ihs respondem. Mário sc recusa a inrcgrar um rima
curar um roxicômana é
sim, ao a sMiedade orasiiaira dasoia acabar com a só de "parricios" a rarrnina o arm sam rogar Em
vioiêmia & o racismo, deve cºnfessar que a viaiama a -
uma nenhum a ao raiacaes miudas com os ourrcs
raci a. Pode rias consolar, raivez, a idéia os que não "iapuneses".
casamos sozinhas. leda: as ex-colõniis europeias em riº 3, Ala apravaira a camaradagem do
Uganda, Ei Saivaaar, viainã
,
têm a masma per»
sanniidade basica.-rai fui a haranca do colonialismo.
, proisssor de Resistencia de Marariais para convocar
os irrrarassarios am formar um grupo de euudo.
Está
diante da classe, o proiassor as suas costas, quando
iris ativam a primeira bolinha ria papai e o primeiro
Racismo de brasileiro, zelosamente “xlngamenm”: "Saí dai o iudeui" "Vai procurar
guardado, aparece em momento de tua rurrna um Bom Rcsiroi" “Vai vender gravam, o
Jacó!" Aisin riasisre de tudo, os olhos cheios de iár
competição grim . o professor raaraanac esperamenm a surrna e,
aeaois sic asciaraoar oua n㺠é iuoau, inicia uma pra
Cam riª i. Eivira é uma publicil ia bem Sucedir lação sobra os males que o nazismo aiemão causou
da: ireoiianrarnanra consuirada por miegas impor- àqueia gente.
(amas, guriha, por mbs, entre 70 e ao rnii cruzeims. o qua têm em comum esses três casos reais de rar
Aiirn de dar maior ccnforro sua mãe e a dois ir- clsmu? A negra Elvira, o iaponê! Mário c o ,um
&

mãos em idade ascuiar, adquire, ainda na piania, um Aiain oarcciarn dispusroa a oomparircom oa nur/Dx
aparranrsnio de luxo no Jardim América, Tude corr
ra bem até o 49 mas, quando, oarra none, ao ragras
sia queria mnrur “cm lugar de branco", o segundo
queria “jogar em time de brasile a" a o asiuaanrc
,
sai do trabalho, encontra a mãe chorosa.3,0Após uma iuacu queria asrudar com naciudaus. As pessoas
briga comum da orianaas, a vizinha do agraaira que as agrediram, em outra siruaaaa, não camaeri
"muralmzme“ sous dDIS irmãos: "Vocês não iªm ca» riua, possivairncmc seriam smisiosas com eies. a a
iagoria para morar num prédio como estai " quaiqucr menção de racismo, no Brasii, sa mosrra»
Caso ".º 2. Mário é convidado oaias coiagas "|a- riam demremes c indianaaas
porraaas" du cursinho que fraaiiania a amrar nurn (ir foi par
o rioo de racismo que rivamos no passado sacuio,
me de lulubol de salão. No primeiro treino, va fica ramalista: díxcriminaçãu sem confuso; nessa
l'

—___,
joel Rufino llm' .çmrtnr o que é Ram/m) SI

acnmpunhsndu nosso desenvolvimento aapltallsta, da populªção, pobre e de con


transformou se em raolsmo aoerr dlscriminação
-
05 rnor'anrstas, no seculo pasxado, ]usllça sela Ielr
com oanllllo. ta, tentaram incurporar ao pai: lmayillán'u uma parr
Até cerca de taua, com efeito, nossa sociedade cela do pais raal. nuseram o malo nos seus romances
girou na brbim da grande fazenda, os espíritos dos e poemas. Os serram'staa, no começo desta seculo,
oorone'ls da roça pairando mbre ludo. Em olma, uma aarosoemaram, mars tarde, uma ourra latla o ho
"esmagadora ml'nuria“ oe latllundlarlos, embaíxo mam da roça era, (1 Indio e o homem da roça são
uma multidão de escravos e servos, no meio uma l'nr de cor moreno, /amba, cafécamJe/w, Rcabaclar
sígnifícáncia de "classe maola“ Os lugares estavam
mamudusau nascar os de mma eram sempre brancos; ,
do, uma inllnlelaoe oe ooras, raals e imagl'nárlas. (No
oenu'ltimo censo houve ate' quem se autcpmclamas
os de baixo, de oor. Podia acontecer de uma pessoa se ”cor de taurre quando fogo".) A soc edarle brasl»
de cor lrromner, suoiramante, em alma, a eultura lalra não rinna, naquele tempo, cendlções o alem.
lunclnnandu como trampollm; como podla suceder, o: ”ma/emu" são, na fato, a maror pane da nosso
igualmente, de uma crlamra oranoulssrma desaar a povº, mas a melhor aomosrms, os brancos, ninguém
pomo de se cnnmndírcum a ”genralha" que se cume precisa, também, ficar preocupado, a tendência da
arlmla nas senzalas e corl'lços. As exceções, entrar Brasil a' elnbranquecsr era, mais ou menos. o que
ramo, por de nro.—:anaoa querem dl'zer. A nossa rar
gra a linna de classe se ccrl'urldlr eam a lmha de cor.
Guandu um braillelm de cima se leferla ao seu
,
pensava um rntalaotual arasilalro, no flnal do se'oula,
sobre as relações raora do seu país.

oals, num aoonelreoante café de Barllm oor exemr


plo, nao estava se refermoo aos negros e caboclos Ora, é apenas um negro
que nenavam nas nonsnucões e fazendas no pal'x
real para que ele pudesse rer uma wdn de oonlorto, Durante esse longo período, as pessoas de cor
Estava falando dos seus lnuuls, brancos, alraoetrza- não ameaçaram a poslção de ninguém. Faziam so
dos & rloos como ele, Esm clsãu entre ooars real e o munte trabalhos manuars e vrvram, em geral, nos par
pais ímªgl'na'rl'a acabou v'lncalldu o pensamento oas tes mais atrasadas do país (no Norte e Nordesre. no
nossas amas ate' hoje. Quamla um oras-lelro desovar inlerlur do Rio de Janelru e Ml'nas Gerelsl. Estavam
ve, em 1530, o Rlo de Jonelro para um estrangerra, sapregadas, socíal e oeograllcamente, mas esta verda—
lala oe Ipanema, Dalrm sofrsrieaoo da classe médla de nem de leve uassavz pela cabeça tle nlnguém [cum
branca; não lala do subúrbio, onde a lmensa as honrosas exceções de smnnrc). Quando vinha &
me
sz Joel Ramo do: Samu;

,——
1.0) Era preciso acapar aom a escravidão para mo-
baila sun marginalidade e pobfaza, os de cima encunr
.demizar o Brasil (e para os cremes na "cordialidade
rravarn uma facil e comoaa oxpiioação: “o pais é no» brasiie ra" eis ªqui um recorde nacional; fomm o vi»
bre, que diabo; não na oportunidades ainda para
“timo pais do mundu a aooiir oirciairnenia a eserav
rodos e, aiem disso, eies não estão preparados para
a complexidade da viaa moderna. como aos negros,
Bh).
2?) Era preciso acabar com a escrawdãa para ai
em especiai. tenham paciencia; a escravidão acabou vlar o xoirimenio dos pobres pretas. Ora, compaixão
na oouquisaimo tempo, sua aroanano sooiai não se
rara da noiia para o dia". io argumenro conrinua a pelos pretas e o mesmo que, por exemplo, compai-
ser usado ainda hoje, um anos após a Abolição: sa
xic pelos pobres maoaoos, que esieiam sofrendo de
alguma 'uma. (DS passagem, lembremos que "minar
os negros anao embaixo e porque foram escravos. e
um argumemo que nos exime de ouipa. o propiama :o” é um das xingamentos preferidos de brancos
não a nosso, e histórico.) contra nsgrosJ
Ao começar em século a cabeça dos brasiiarros,
Pretos, mestiços e inoios não eram vistos, naqueie
lm geral, euava cheia de . rar oesravoravoiscom
re»
rampa, como raoaa, Eram vi'sms como subespécies, |açao aos não-brancos. Nada mais narurai: na aos ao
Miz/aro é apenas uma derivação iingiimiaa oe mula;
nos víamos o negro comu escrava, 0 Índio como ser—
ouanro aos índios, os reoiogos orscvxirarn mais de vo, o maariço como vagabundo (por não haver uma
cem anos se elaa iariarn ou não uma aima, Ora, você lho para eie, e oiaroi. Tamo e veroaoe que, na hora
pode ter tudo com mação a uma ourra espe ie, ou
da extinguir a escravidão, ninguém pensou em usar
subespécie, menos preeonaeiro. Vºcê não precisa
os nao-brancos oomo iraoainaoures livres, Formu-
tºl, pois aie nao e aosoiuramenra seu igual. A viaian- iou-so, enrão, uma regra muiio oiara (sem irocadi
ra inglesa Maria Gmham, gue ina reprovou, eeria lha). ovanro mais blanca o Haha/hador, rna/hor,
vez, mairrarar um criado, um iatifundiari'o respon- Noasos fazendeiros sb apreciavam colonos aiemies,
aau cum naruraiioaae: "Ora, a apenas um negro
Sinromariaamenre, as expressões "discriminação ra- micos, eslavos e, na pior das hipóteses, riaiianos.
Por que os de aor não serviam Na aoneepeso re
aiai", "conriiro raciai", “preconaeiro raciai" eram eiara dos nossos iariiunoiários, "não eram capazes
desconnearoas de nosaor avos: eles não oreaisavarn
oaias_ de acompanhar o novo rraoaino, inroiigenre e res
ponsavei". Haviam escravizaoo os povos oe cor e,
Nem mesmo a Campanha Aooiiaionisra
(1579-1333) encarou o negro como geme. Ela se agora, como bagaços, os ariravam na beira da osrra»
baseou em por: argumenros principais. aa.
X
luar Rufino do) Summ a que e Radmin ss

As mudanças sociais sb eantribu iam para refurcar ( exemplificar,


*
tinha em 1850 a população que São
miinãuii Não era na-
aqueles estereótipos. Desde 1350, as regiões Sudeste
e Sui vinham se desenvolvendo mais do que as GUV
Pauid sb veio a ter em
vc, mas era assustador.
mon
tras. Cerne os
i
'gmmes europeus, branqutssimes, As novidades foram trazidas paio capitalismoâw
se concentravam nelas, ds racistas brasrieiros podiam me em outras partes, aonde chegou antes, eie pare
expiiear- "Estão venda7 Onde tem menos preto e cia oferecer oportunidades a todos dependia de
progresso e maier". Esqueeiam que a arrancada
“mir -
esforço e surte. Os não—brancos teriam, também, e
eial de cafe, que enriqueceu e triângulo RierMínzs— sua chance. Tiveram?
5. Paulo, foi dada por negros e repuies. Esqueciam, Não, As :(atíst'icus provam uma marginahzacãu
também, que, se a maior pane das pessoas de ser maiºr das nãorbrancus hcue do que antes. A peiitiae
continuavam a viver em regiões esmgnadas (cantina- de "integração" de índio iraeessou e a distancia que
mente geográfico) e nos degraus m ' baixas de ser os separa, atuaimante, de nós só pede ser medida em
ciedade (confinamento seeiaii, nao ere por euiea anne/ur, (Em 1965, ao ser criada a FUNAI, Funda—
sua Nessas regiões e nesses degraus não poderiam çãe Naeionai do indio, em substituição ao Semed
ramais, mesmo que iessem capazes, mostrar valer de Proteção an indie, coníessuurse, sinceramente,
aigum, aquele iraoesse.) Quanto aos negros, e expectativa
mim' ta de que a dasenvoivimentd econômico levar
ria aa aparecimento de uma ”burguesia negra", pr'
”Você não vence na vida? É culpa sua. pera e integrada frustrduee tntegraimente: ds negros
você tem complexo de Cor". rrees sae meia duzia de gatos pingados, implensados
e sº tárlos numa classe media que as uma de (rave .
Nos ultrmm sn anos, porém. a saciedade brnsi Podese Dbletar que nen unimos 50 anos dive ,
[eira mudou bastante, Mudnu tanto, nos seus aspec' sos negros ganharam destaque na seeiadade bras
ms econômica, político e euiiurai que, se você tiver ra (diversos negras, mas, curiosamente, nenhum (nv
se morridu em 1920 e ressuscirasse em 40, pensaria dia), Não é novidade isto: na sécum passada aiguns
estar em outro pais. Pressa, competição desenireada, deiee chegaram ate' ae e/rcuie intima de imperador.
individualismo, iaira generalizada de escrupuias “Es- Nem e novidade, também, o processo da «axé-los
tragaranr" d Brasii de nossos avó . para cima: a yanchu, que os afasta, edmpietamente,
o espetaeuia não era noi/cr ocorrera muitºs anos de sua gente e permite exidi-ias comu prova da "de-
antes na Europa e Estados Unidos. (Londres, para mucrscia racial", Desde Henrique Dias, no século
Joc! Hmm. aai Samus

xvn, ate Peie, a iiata tia homens de cor assim "pªrir Broncos sempre esperam que os outros
duladus" em vitrina a extensa. o que pensam, em
gerai, as brancas arasiieiras desses negras e mulatas
cumpram o seu dever
”ilustres“? cvc sac “aiferemes de rasta". iE ce Um amigo prelo, casada com muinar branca, me
mum, em nosso país, se falandº um nugro bem me» cantºu que na pena do seu prédio havia um guarda
dido, nas seguintes termos: "Ele e preto mas a negar; dor da astaeionamenra com quem estabsiecuu uma
como se a car, am si, constituísse um dslsim.) Para curiosa relaclo. Sempre que retirava o carro, o guar-
designáaios inventamos ate uma expressão: “negros aaacr iha perguntava se a madame tinha deixado “ai
de alma branca". num". “Deixou só ista", ale respondia. Nunca passa
Par vaita ca 1930 ioi que começaram a aparecer, ria pela cabeça da guardador qua a madame savina
primeiro nos jornais e nas arganizusães de iuta ne- ura esparsa da outra. o casal combinou manter a
gras, expressões como “preconceito racial", "digerir farsa a, assim, pagar samara menas aaia estaciona
minação raciai", ”segregação raciai". Eram desce manto.
nneeirias antes, porque a sociedade brasiieira não e arasiieira sa acostumou a var o negro desempe
precisava ceias: as negros não disputavam lugares nhanda determinadas aaaa . mendigo, empregado,
com os brancos. Eram necesárias agora que n
capi— aaararic, artista, jogador de lutebol. Meu amigo não
raiismo em desenvaivimenta acirrava as campeticisas. era Conhecido carna artista ou jogada, aa podiaser
Pein menas uma dessas novas exaresaões aarece ahaiar. Maiancrameme, eie se apraveirou da iana,
invenção brasileira: "campiexa de cor". Seria uma rência do guardndur, mas c iate de estarem eandena
especie de cnmpiexn de inferioridade dos não-branr nos a certas aaaeis sutrairernas coma uma praga »,
cos diante da vid aia dava ºportunidade a todos
:
-
e fonte de angústia para miinões de braaiiairas que
não nasceram brancos, "Judeu a sempre aomarcian
que tivessem força de vontªde, mas os nãorbrancos
tinham um inexaiieavai medo de tentar, iargaasam o ra"- a m que não são eu não querem ser? “Japonês
meia e rentassem, estudando, trahainando lirmer esempre esiarcaao eas que praierem maianaraari
cumprindo as regras sociais . Aeabariam premiadas. Nos uitimas cinquenta anos e sociedade aresiiaira
A invenção deste “complexo de car" um sabiº» astabeieeeu para as negros tieis naves plpéii sambii—
me ta e ioaadar de futebol. Samba e futebol vieram na
tiv . jogar em cima das nãu-brancus a cuiaa das suas
a. icuidades. Vºcê não vence parque tem camp/exa crista da Revolução de Trinta, a revºlução qua trans»
de car. A saciedade area/eira não e' sbmluwrnznrs tarmav o Brasii num pais capitaiista dependente. Cla-
ric/sta. m, ]á existiam antes, mas, só enraa, seduzindo a par
juelkumo um Mum; o qu: e Rurmlw

vão e se prarlssrcnalrunae, e qua vlraram "expres. erasllerre um perfeito exemplo, que ae pitoresco
sões ea alma naclonal" Os pnmeims leeles de massa, pnssuu a (régio Paulo César Lima, apelidada ”Car
ncsre ears, rerarn sambrsrase ]ogadores ue bela; e o iu". Todos reconhecem que e um craque, so llre la-
lendo uma restrição: "E merlde demais", “Quer
le—

primeira bomba e o prlmelm craque ferem os negros


reluzenres Pixingulnha e Leônidas de sllua. llrodese ver um soc el", ”E lhe dar 05 pes pra ele querer as
obielar que ncuue anres nhõ a Cândido das Neues, mães", etc. Reslrleão do mals erlmllno vaclsmu,
Friedenreich e Fausm Nao lmporra: eram redes de Outra forma de punlr, mulro nessa, e' uemosrlcur
cor.) Crescendo rapidamente na década de luau, n a pessoa de cor. Todo mundo cnnhece o "negro pal
ceplrallsme erasrlelre eslebelecera o lugar dos pretas João", o "negro que se preza", o "negro que não m
palco e o gramado. ja fora do penlco", e equivalentes, E sempre perlge
_ oMesma so confrar demasiado nele, “pols preto quando nao
nesses dors lugares, parem, seus papéls eram
rigidameme marcadas sambista não passava a em- faz na entrada, laz nc salda“, mas () eraslleire bran-
presárlu de sem:», ,eeauor de fureucl não passava co cosruma ler por peru: na cundlcãa de empregar
nunca a técnico, nem a luiz, nem a golelro não ,
do, de "pau pra toda obra" e, me, de "amlgo do pei

mlleaee para esses funcoes. No me e em São Paulo,,


rlrrnarn, segunee a crença geral, sererlldade e cenlia- m” um crleulo esslm.
,
A demesrlcaçâo e' uma (arma su ' de raclsmo.
Mulros brancas não se acham sequer dlspesms a ad-
milhares de negros começaram, enrreranro, a bater
em outras porras, faculdades, negóclos, forças arma- mlt o, mas basraria presrar um peucc de alenvãoà
psicologla das não-brancas pare cnnstatar a defer-
clas era natural, dado o seu grande numero, Dls
,
putandu cargas e funções com homens e mulheres
crencas acaeauern punldos como "negros que não se
maçãc causada paralaocorrsm'mejesta alem, de-
zenas de casos. Per exemplo, a da um amigo bem snr
cedido que comecou a rer problemas de relaclonav
enxergam", “negros atrevldus que não reconhecem
seu lugar", elc. le recrl comprºvar a ueracleaee els memo com e tllhe e procurou uma pslcóloga, ele a
re, Toda ereslleira ia ouvlu ou erase, alguma vez, rra- procurou, errrre numas razões, por sen 'r que esrava
se semelnanre,) transferindo para o garoto seus conlllros raclels. A
As rermas de pumçãu suclal aos negros "que não psicalega não concedeu qualquer arenção a essa pru-
reconhecem 0 seu lugar" são pródiga: A mais cºr blemarlca: "o problema só exlsne em voce. Não o'
murn e (acharemrlhes as perras Os brancos, e alta um problema real, que afem a relação enrre pessoas
mesmo outros negras, não dão empregos a negras na nossa sociedade",
rebelde-s. eulrenee convrver com eles, Há no lurebol Outra: como alguns negras de sorte, R. coleclur
JOA'Í RIA/ino
dm Samus
aqueenacim dl

#;
*r——x
nau diptumas de curso super-or, Começou s frequen— Uma pessas nunc-sa que saísse por São Paula a na.
tar, montado neles, ambientes retatwameme feche (& ficaria ainda mais surpiesa. Tupalia com dezenas
do: dz zona sul. Queixa se que es amigos, sempre de grupos negros de teatro' pelo menos mem duna
que vão apresenta-td, enumeram a 518 dos seus tvtu- de cenãcmcs de poetas negros, escolas profis ona
Ins, como se precisassem se ;usntieat arame dos ou
zantes para negras, pentes de encontra só de negros;
tras por andarem com ele; eu se quisessem lranqu
.
bailes “da cor" e, até, símmes bares eslumaçados em
zar as pessoas: "E negro, mas esta domesticado por
este montão de eretomas at“ que negros de names regulares entram para um tva-
ga antes de dorrmr. Exceto numa escma de samba,
nunca ten'a wsw tantas pessoas de em umas. Sen
Negros não crêem em “democracia mer ra “| entrar em quatduer desses lugares » só
lhe cuslaría o leve eanstrangrmento de se achar entre
racial". Dão h'nco & brancos. pessoas de eur drferenue
Cam » matdna desses negros, este etmese freema-
No final do em passado quem passasse pela movi- samba, futeeaw,
go só Conversana coisas amenas
mentada calcada do Mappín, em São Paulo, veria na
escadaria da Munictpal, em frente, um grupo de nar
gras recítandd em coro
,
mulheres, mu/ Alguns, porém, inststrr'ram em Me da-
tar da "eonsereneza negra", dos "direitos humanos
dos negros", do "qudomblsmo" .. Comanam que es
"( )
Continuamos marginauzados na socledade míUtantes negros se drstnnuem por centenas de orgar
brasileira, que nos discrimina, esmaga e empurra ao
ntzaçaes nacmnats, Vr uxameme euerdenanos pelo
desemprega, subemprego e à marginaHdade, neganr Movimento Negro u cado Comm a Dlscnmmação
dunas e unem a Educaçiu, a saúde e a mmadta de aaer'ar, cuja antecedente mars remoto ta. a Ftente
sentei" (: daeumento se tula “10 de Novembro, Negra, extmta peb drtadura do Esladc Nova, em
Dta Nacwonsl da Conscrênata Negva", e (m distribuir
1937.
do nas ruas, dep de Udo em com Da conversa com mmrames do movimenw negro,
Havia surpresa, e uma punta de increduhdade, nas
das entrevistas, documentos e mas que vêm mean
01h05 das que passavam. Perleiumeme naturah nun-
Undº, ememe alguma coisa pfoíunda e NEW/DSB, UO
ca tivemes assa por aqui. (Não era ngamsameme me
dltn este tipo de manttestaçãe, Esporadtcamente me me mmm não viamos mara, os Wmuaos da de
elas acontecem dame 1950, Nossa atencao nara o moer acla (que, aa menus leorícamenle, sena a mam
(estação organizada de mas as insanstaeões secrets)
problema meia! e que vaVe peace.)
tentaram Eslrangulàrln rm berco, edntandd, para ts
,que 9 Rmvww
,hn/ Rir/inn dur iuri/in

ri ')Talvez suª pretensão de abarcar apenas os nar


so, com o preconceito generalizado de que aqui hmitando sau crase menta. Aqui, as vi ir
não temos problemas raciais" o rnawrnanm negro gras Esteja
sobreviveuàhes, entretanto. (De dois anºs para ca', mas do racismo são maus os na rbrancuss Um movr
vem se estrumiando, também, um mom-nemo indir mento de iiãnrbrancus Iana pºtencialmente, ponanr
qevia, a começar paia reduzido númerº de schievl lu, mais chances de crescer que um mnvímentn rie-
ventas, seus absiacuios são infinllamemz maiaras gro.
Hà outra dlficuldade interna. Esse auspícioso mur
que as dos outross e iam, pºrém, de não aparecer vimenm Gonnª o racismo parece não zer compreendi-
enm de nãohrancos,
i.—
sozinho, mas como me
gado :| probiemas sociais gravíssimas . como o da do ainda a relação entre ciassa e raça. o nmblumz
ina abre bass perspectivas de cres— não &' iniaiacxaal, entretanto, a ser resoiwdo am pár
posse da terra
Cimento.) ,, ginas de livros ou texto: de conferências. E de pré
ea política e pode, a meu Ver, se equacionar assim'
-

As a.riauidades do iunvimentn negro não são nos


nas as que seus adversários iria trazem. Ele Iam uma que aiasses da sociedade arasiiaira independem da
diiiauidana congênita. nasceu, e permanece ainda, me ”raca” se iniegrarão a um contra :) rscisma7
Por enquanto, sua lorça reside em manifestações
um movimento de eine Dmaumau ariniiiai, rem: ruidosas e pequenas de denúncla, como aquaia do
nhuçarse, de todos os nossos movimentos poiiums.
ideaingicas a animais No Brasii so são popuiares. Municipai; & am inorasms soii'tári'os » insaiims, co
de iam, a reiigiãu, o iutabul, o mimavai & a Rede mmo do meu amigo no Maracanã numa bela tarde de
soi,
Giobo de Taiewsãa , a que sulcca, carna uma mas
cala de iarro, tudo o que se tentou iazer, axé aqui,
para mrnar a pa is uma democracia raai
A fans de base ponular no movimento negro .

veio menos, eilranha, |a' que as pessoas de em são,


mdlsculiveimente, » maioria de nossa povo (o iai
(or leia nmado que até aqui griiamas as paiavras
maioria & minoria quando se relerianl & raca Os
brancos sãa maioria, no Bras-i, se camaradas a uu'
tros grupos raciais .saiadas; se comparados aos nãn
brancos, sãn niinaria, pois as rnirronas de matos, mir
iaros, Indios. cabocius, etc., somadas, dão uma maia

o que é Fºctxmv 65

do", digarse de passagem me (embrew dicso Um nr

a roupa ,
ra se aprexlmou e, aos berros, ordenou que tirassem
mumu sonâmhulns nunecaram'a obedecen

elª não
,
Se alguém se aproximasse parª dizer—lhes
um díreílo de laler aquilo, seria
que a po
havído por
louco. (Há uma parncularinade curiosa na fmmnçãu
III do nossa nova: os poblªs de hoie são “despossuídos
histéricos", descendem de pessoas que nunca uva
PRINCIPAIS MODALIDADES DO ram nada, msm sequer a posse do seu prbprío cºmo.)
Foram atochadaa, em seguida, num cubículo, (:
RACISMO BRASILEIRO ch㺠pmpusiladameme aWagadu (de tempos em (em-
pus o carmem atirava um balde de àgua). Uma
idéia, mm's completa que & pnmezra Wembranba, me
Onde os pretos são maioria ríscnu então (: cérebro“ onde as pessoassâu tratadas
Não sei se o leitor Já vm um camburãn de pona cume bichos não há democracia nenhumª, muito
despeja sua carga num pátio de deWegacía. Dezenas menus a ran-aL
Para mxm esta e a pnmeira mºdalidade da ramsmo
de pobres coitados descahços, perebenms, encaçhar
brasnenn:
çadm, que haviam entrado alí aos pontªpés, largados Nas acammamos & Ver, e a tratar, o pava cama
pare—a os
agora para lara Cºmu bichos. Por que a b/chox.
"recolheu"? Porque não tinham carreira de trabalho
Se poderia cbielar que ista não é racismo, mas
amnada ou praxicavem pzquenus funos ou (eram
dwscriminacâo mcíal Sena locar numa uma e amar
acusados pur amuém decentemente vestida ou [estar
dnnha discussão: raça & dass? mm são a mesma
uam em amude suspeixa'wuma diabàHca mvençau da
coisa? No BrasM, maltratar us pubres é malvarar pes-
pumiea brasnws, a única do mundo que "prende
por resmênma prisão"). Ou,slmp195mem&, porqne
à soas de W_ e ponto al.
dlar
os invesugaumes premsavam compvmr sua em
*na de uvisõas Discriminado porque tinha
"Oslmiuos lugares em que preta e' mamna,d|zwa
_ _
. .
bunda empinada
um am 90 meu, é na favela e na cana." Cena vgz.
amando um despejo daqueIes de “local pnunegm Me lembro munas vezes de um hino avançam;
,
Jaz! RIA/Ina do: Santa)

Fmãos
que cantei muito
sobre
na infância, agnando, em ouro, as mrrsranárra que nos ensmou aquele hino. (luanda
unmâvamcs addere “ô vem, e vem, vem nos raiar de
a enm Jusus ere queue que, uuuando índms, nze'sse
"Os Índios rá no Norte
.ero pensando em nós aqui. ,
mus carinhas rrisres.) Exvsle um padrão hra/rca de
Eles desejam salvação qual/dade, quem sai dele não sobe na wda um ex?
rs
e pedem, sim, é vem, vem, preieuo de cidade impnname me coníessou, cena
vem nos falar de Jesus voz, a grande lruslvacãu da sua vrda reprovado na
Vem pra guiarrnos à luz." ldmíssãu ao Culéglo Mimar porque rmhe bunda emr
plnhndav (o candidato e ohmal, segundo me garan»
o: pobres índios sô conhecerão a luz se nas bru-
um.
tiu, nãu pode, pelo regulamento, rera "região glúrea
ur-m. em é a segunda modalidade do racirmp
dmnvolwda".) "Ora — redamava ele das»
:lleíro: e, coma
Achamºs, :rnaeramme, que a: brancos s㺠me- undenre de arrreanm eu sb puma rer rraserro ano
lhores que os não-bruna». Fui vrr'rme de drserrmmacâo ramr."
Em matéria de rehglão, Em quarduer erdede bvasMewa os Jomarx estão
pºr exemplo, temos usde cheios de anúnmos de emprego. Arguns, abrindo o
geme de tar (candomblmuimmnda, parerançe, car loga, pedem "pessuas claras", outros xermmem com
rimbó, lerecó, em); e as de branca (esp-í mp, mesa
branca, calolímsmn, proresmmismn. mermon, evanr o “exrgese boa apardnera" Nenhum rapaz ou moça
«da
dórica etc.). Para os cremes naturalmente, esta minha cor ver perder o seu rempo se apresentando. Far
clmificaçln nxa rem gemido quam rodas as relir ço, a em altura, um nonvire às pessoas que amda
-
qíões se pretendem universais; nâ'u vam, contudo, nu
pinno de fã mu no pune abier'wa. Quem quiser
, uràam na nossa "democracia remar". Arenrem para
dulermínada: prprrssões garçom, dlplumatz, pm
cºm
prover a desprezo peías re lglães de gente de em não
precisa iv longe: o iomal o Estuda desãa Pau/a vez
,
pagandrsra de Iaburalónn farmacéuripo. caixa de
banco, aeromoça, pareemsra de bouuque Com as
hunrosas exceçãº: de sempre não encontrara prerus,
por ourra real-ma açlo ppucial contra teneirus de
mlcumbn pur prarícarem "magia negra”. (Seria dí-
venldp ver os macumheims pedirem : iusnca & inter
diçãa das igrejas cristãs ppr pràrrca de "magia bran- Também já fui crioulº, doutor
ca " ...) Me lembro de um eprsôdip contam: pur Robson,
Coma xupumos os brancos melhores, exigímus
que pr não—bruncos os “unirem. (Ainda me lembm da mera esquerda da melnense Futebol clube, Ia
0 que e Rimini; os

nu Iandau de um cartola para a canwmracãa, Quanr mulheres brancas, mias como mais boias e «mas que
do um casal de namorados atravessou a pista corren- as escuras e fala inniga &, às vezes, imia as pessoas
do, e canais «sou e, esiieando a cabeca neia ianois, brancas É
e de Ver a hostilidade cºm que ESSES car
xmgou' “Querem morrer, o Crioulos safados!" Rob
,
sais biooiuros são recebidos numa sometime que se
son enga li em saco mas, passada um stante, iemr diz nãorraclâla. . E naiurai que esses negro: que
omo. "Doutor, eu sei o que e isso Tambem ia im "venceram" queuam as meinores coms que seu
momo". presiigio e seu omneiro possam comoiai. o racismo
Como o mundo que esia ai seu confurto, seus nãu osia nisso. Está em achar que "as brancas são as
padrões, seus vaioros, seus ideais- — e branco, os que melhores momeres" [Como ssiaiia em achar, no
podem Embrinquecgm iem xermos sociais. natural tm cama, que os homens negros são os mais "quen.
ou
memo). Aiouem .a observou que a car, em nosso tes"
pais, e mais uma marcª que uma raca. De em são :o.
das as que vaiem pouco ou não vaiem nada ”istº
,
é serviço de preto”, diz o povo quandu sigma ooisa
resulta mal-(eita. Há, & ciaro, um bom número de
Machado de Assisx Lima Barreto
os dm: maiores ascrlícres negros da nossa mm
bvanquinhos que não valem nada, iaveiados de olhos
azuis, paus-demora de canoios escunidus _ exceções ma sofreram dessa obsessão de embranquecel que
que conh'rmam » Vega, (Paus'de-arara' nordestinas mencionei acima; um curou—se, o outro não
que vão procurar trabalho «ora da sua terra. Não ”Se me discrim am, plºt pam eies", dizia Louis
confundir com instrumento de tortura, delínído an. Armstrong toda vez que Me perguntavam se era
tes.) vi ma de racismo em seu pais Este parece [Er sido
Embranquecer se tomou, por oonseoiisnoia, uma na Vida :) ieme de Joaqulm Maria Machado de Assis
obsessão para as pessoas humildes de cor ”Não sou ”sae-iam), Sua resposta aos prºconccilos fui um
racista. Mas gostaria que mlnha iiiha casasse com duidenhosn dar de ombrus; & uma arte refinada &
auguem menos escuro, para ir hmpandc o sangue", aristocrática, muitu mals aparentada d êmulos
eurºs
cansei de ouvir isso de zaiosss mães suburbanas. Para paus que brasMeiroS, o cérebro oomandanoo o erga
que EmbvinqueCel os filhos e noiosv Para terem me. nizandn as paixões Lileralura sem suur e sem bu
nos obstáculos na vida Não se vá pensar, oomooo, dum
Seu hercmeu esforço
que este processo é sempte conseieme. os negros para embranqueoer foi com
que ficam ricas de aigumo farma, procuram sempm preendido e aiuuado. (Machado de Assis não aneuds
mr mm dox sªum 0 que e mmm 7|

modelou sua arte pela amam a. Casou'se com bvan


ca. nunca mencmnava os parentes pretos, não Unha
amigas de cºr,) Na ,uvemude, modesto tipógrafo
matido & escriwr, os relratistas o pmtavam negro
como era; na velh' famoso » festejado, presídeme
da Academia Brasum de Letras, representavammu
quase branca, « tez clara, o p<><aím mamada.
Um meio-cnnlemporâneo seu, Afonso Henriques
de Lima Bavrem (188171922),1ambém Ihn de pra-
(os, «um caminho diverso. Na ínfâncla &
Juve"
tude enfrentou, (ann) quam e mmo, os obstáculos
que a sociedade brasneim antepõe que nãu nas-
ceram brancos também m
O mandaram
* também exigiram mais entrar pela
pena dos fundos, dell: do
que das outras, também lhe explicaram as «massas
pela cor da pele (uma mscnmmaçãu que, parece, mª
calou fundo fm não poder iormapse em engenharia).
e comum o Ãovem de cor que cunmma esses nbstá
nulos pam dribbe. se não posso derrubar, dou woke-,
;
sua personalidade se equllíbra nesle liquezague, que
quebra & dígnidade mas permíte vwzr & sublr as
brancas n㺠(: acertam, mas o negro forca a acena-
ção comoorlandovse cama as brancas desejam que
,
ele 52 comporte (Este mmgmamenm adaptativa
aº negro, comum em toda a América, que acaba me
coníermdu dupla personalidade, (em s. e bastante
estudado por pswcblogos & miomas.)
Não fui o caso da Líma Barreto. ae decidiu
gar, como escritor e como pessºa. Enquanto Machar
m
Machado de Am: “847971908; da de Assws driblava os umxàcmus, na vida e na ane,
,
lar!/mp,.” dm Aun/o:
a que z Racumv “
Barreto sacvmuava se (e, por rsso, certamente, que governo dá tudº Governo não gosta de nos .
era
odiava que u comparassem com o outro). Seus rar Não 5 qual dos dois, Clara do: Amos ou Triste
Fim de Pal/carpo Quaresma, o maior Hbdu contra
&'

monoss che-rem e pava, denunuam todas as formas


evidêntes e sutis de dlscnmínaçie contra as pessoas a discrmrheção demão—brancas ho Brasn. Ou se a
de cor que se acowveWam no subúrblo, "refugio dus própria wds de Alonso Hsnnques de anrelo
lea
mismas". me proprio decide mudar-se para aquela
parte abandonada da crueoe, assumrhoe a idenudade
de prelº e pobre Ora, esta unidade entre a sua arte Mão Branca x mãos negras
e a sua wds e que lhe eehvere a força de grande escrí
mr, Machado de Assrs fugm, Barreto assumiu.
lea
Duas opcões SOCIaIs (e, ho «uhoo, racrsus) dHEremes, & D c , oedrerro, mulato, 39 anos, embnagouse
duas esséucas dlslmlªs. certn nome e, à «orça, deu um banho de soda cáustlco
Sua nuvem mais reuse e Clara da: Aru/a:, cm.-. ha mulher, A, M. 5. lim aconteceu em Belo Horimrr
le, me 14 de seremuru de 1971. Alguns ,orhsrs
um casa de sedução- marinha, menina press, Mhz de
carteira. ear he lema de um seduwr urohssrohal, Cas expmlaram e Nada cômme do ease, mas hehhum
sí Jones, rapaz mira de escenuéhere mglesa: ho frnel, ehelrsou hem os Jornais têm esse ubngacau a

ele & engravida e foge. cwarrhha & a mãe se dmgemà ,


serrwel amowelenm do modem peoreiro, queria ,
casa da femme de Cassi A mãe eere, ao v”
Was,
mu- sua mulher mas hão queue sua cor
uessas e presas, hem abre a porra Termma a mãe de Conheci, he mmha znrshsreoesunururo, rhumeros
Clarmh 'Minha mha, nos não valemos nada". A presos que se eslvegavam a nome com água sanna'rla
(&
cruise lrserár're so tem falado mew deste romance, ral "cáhdzda" das pauhstas] e, amda hore, mmms
ouse Barreto o padr㺠meu de delas “estacam” o cabaWo para orsfarser sua ”rum
vez porque
Machado de Assis. Tah/ez
em
porque sem um .bem arm dade" Que condessa urav7 MMhôes us preu“,
racnsta; e, para muiros de hos, pareça mars ráeu ser Judeus, Jªponeses, muros de tudos os grupos rscrsw
Cessr Jones quz uma Clara dos Amas.
»

,
meme oprimidos he socreuaoe bvamewa foram
um
Em Triste Frm de Fu/rciwu Quaresma, a sobvmha
do major pergunta :| um roceiro preto, Fehzarao, proprros.
,
levados a se uma: e a pranczr wowehem emma ;-

porque não meme haoa, se a terra e boa a lana. EleE o racrsmo sem essa pecuharldade acaba se uma
exphcn que não sem sementes, não [em aradu [nanda nas suas v/n'mas, mmandc'rax, rem/ww,
cuncmí. " ., Isso & bum para rraueho ou 'aWamão', racistas.
Joel RIA/I'm; da; Saulo; a que 4 Riu-[mto

Agora, um exemplo menos tragico. Quando a TV assassinando rapazes pobre; da região mais pobre
exlblu o seriado Ris/lex, a vida de um nunhecldo do Estado. Descontar as dificuldades coletivas em
meu, pobre rapaz favaiaoo, virou um inferno. Ele se cima dos mais lracos
_ e pobre, o homossexual, a
parecia demais com Kunta Kinte, o alrlcano em prostituta, o deliciente mental ou física, o menor
(mmc do qual se desenrola a ação, Cada vez que abandonada, e preta, o Índio, o iutiau e uma
me gritavam ”Kunm!", meu conhecido partia para
a briga. Sabia perleitamente que se tratava de um
,
invenção da ideologia fascista. ºrganizações desta
natureza não querem saber dos crimes dos ricos; e
antepassado negro que resisriv bravamente a npresenram os Crimes aos pobres como a causa da
vizaaao sem
mas tinna vergonha do aeti cabelo duro, violencia social. lloeologia laseista ldeulugla tie
-
esperado, do seu nariz mm e do seu beico grande extremaadileila, elaborada originalmente na uma
Supanne que a m ' 'a das negros brasileiros seja de entregnerras. Sobrevive inclusive em nosso pa iai
como este meu amigo: não acham D/ack beautiful Por que Mão Branca e vacina? basta correral ta
(Black VI beautiful, negra é bonita, a uma certa dos ”presuntos" que ele envia diariamenre aos
alrura, loi consigna ao movimento negro norteame jornais, para constatar que a esmagadora ma or e
naane.) de jovens e negros. l"vrestinta", na glria policial, e
Delxeí o melbor exemplo de lmmleçân do racismo delunln.) Fooese cbierar que e coincidenci . map
nas suas vlrimas para o «' Branca não olha a cor de suas vitimas. Esta ohiacac
Há cerca de um ano a Baixada Pium nense, no e um sofisma: a maip a tinha de ser mesmo de cor,
Rio, conhece um trio maracer, que se da' ao luxo de pois ele só mala pobre.
o racismo da Mão Branca rica, porém, visivel
&'
avisar aos .ornais, antecipadamente, quem vai
matar e onde. A lhe dar cretino teria executado, na escolha do simbolo: maos crencas represenram a
um só mês, Limpeza e a Bem. As mãn negras, que ele algema
tão celebre m pessoas, chamasse Mao Branca e
flcuu, que muitas maes ameaçam chama antes tie seviciar e matar, são, ao contrario, simbolo
ic quando o filho recusa a sopa. da sineira e do Mal. Preta, em nossas cabaças te
M㺠Branca, porém, é apenas cl slmbalcl de uma
organizacao terrorista, racista, ae extrema-aireim,
nnamos a coragem de confessar
_ ,
está associado a
baixeza, re tira e crime. Nat campanhas de segurança
executora da pena de morte por oelegaçao do que a pol/ela cosnima empreender para . alasca
Governa. meoia ná sempre, penso, uma recomendação: "Não
Por que a Mão Branca e' terrorista tie extrema abra a ma peru para pessoas desconnecioas e dc
direitaz Porque se proppe a acabar com o crime, cor". (o que levou um jornalista de a Pasquim a
76 In:! Rujiuo do; Simm a
que e [Ml-um 77

mando de medo, u proprietário indicou-Ihe a Capela:


?
perguntar: “E se aparecer e loiro e bem vestido
Michel Frnnck lralicanu acusada de mone de "E o único lugar a vossa anura, capitã , Não um“)
E ,
Cláudia Lessir. Rodrigues — a geme deve abriª”)
naxurei que as desses pr ada: apreciam a
outra". o bando avisou que lª panir mes do sal,
ficando o fazendeiro cano de que “rasperia” as
tmbaiho da Mão Branca. Afinai ela "castiga" assai imagens e reiiquias valiosax que lá se samuara, Quai
mmm ! Contax/entom! — e, o queé m importante. não foi sua surpresa, ii manhã eira, ao veriiiear que
nunca a Brace nos burros gra-finos. Nos bairros e !) cangaceiro respmtara os ssnms: emba & de cada
mNnIcÍpIDS pobres, onde o maioria e de cor — Bel- um havia uma nou de rruir-iis. Menos de São Bene
fnrd Roxo, sexies, Nilópolis, etc. — é que & ºrganir dim. Muitusanes depois, quando Lampião returnou,
zação slnistru rem, contudo, mais defensores, & o homem, inuigade e eaureiosc, ine [ndaguu o por—
acrerimr nas pesquisas de jornal. Porque7 crimeiru, quê. o cangaceiro, caçado peia poiieia de sele Estar
porque ; tela/1550 e os [amais ditas papuiares, das, eie proprio um hºmem de cor, respondeu: “E
panidàrios dª pena de maus, prepararam conveni-
[&
exisre saum preto?!"
nntsmenlz & opinião púbiiea. Segunda, parque os Qualquer paulista é capaz de cantar dezenas de
preconceiws social e racial foram immieladas pelas p das sobre “japonês", Em todas, o uriemai entrará
suas uirimas. Eiasapiauuem a organização unrauirui- como inferiºr: não é capaz de dirigir bem, não eeu
risra, emécie ue Ku-Kqu-Klan iiuminense, especiair- paz de satisfazer uma mulher, não e capaz de raciuci.
zada noextermmio de nobres e preto: (KurKlux'KIun: nar uirerro; & as poucas qualidades que ihe atribuem,
organizaçio (ermrísta, contra os negros, criada nos nenhum brasiieira quer para 50 lanát'icos, esforr
a vida.
Estados Unidos em 1866) mas, não (êm amar
Sobre os judeus não pensamos, .guaimenxe, nada
bem excetº que “são muim inreiigenres, mas
“Quem cospe nos outros é judeu.
E japonês não dá no couro", ,
só para meihar roubar os oumys". Na minha infância
suburbana cansei de ouvir; "Per que sua cuspindo
Você não & ,uueui"
rmHáoutros, menino7! atrás,
Uma terceira modalidade do racismn brasileiro poucos meses em S㺠mio, um "ole
em na: de eaieures acabou em tragédia. Vereranas massacra-
Idéia Myst/vz que Inema: das pessoas de cor. ram a sucos um novo coiega que se recusava a "brirr
Conta-se que, cena vez, o ͪmosn bandido Lama ciar". Uma testemunha cemenmu pela rádio: “Parecia
pião pediu hospedluem numa grande fazenda. Tre um bando de maiosv" Tudo que nós uresiierras
n que e Ruci'xmº 79
mi Ruim; do: Samu;
?
sei» majur senmwse para me exphcar
sem vez umErasri:
&
pensªmus do ("dia está ai uma eme iraee: s㺠"Unix zorra. E por quê? Você,
vagens e bárbaros cuermaemaaarroe desempenhan- que achava do
do papel de vilões eseraurrando, expulsando, Joel, negro pum,!u, branCD pum. iUm iurnairsra
e

-,
exterminandu indies e edminuemos cºnvencidos. escreveu qua sou de origem alemã; engan sou
candidamente, de que os víiõxs são eles. “Praaedam auerriuee, e que e muire difereme.) Pois ba . 65
como ases dizia um cronista punugués do século dois remos ser-gue rene. A maiºria do povo brasi-
XVI e -
fazem filhas nae praprras miss." “Parec ierro, porem, “[O e como nós dois, é mas a. Dre,

,
mais um bando de Índios", lembrava a ieeiemunne,
horrorizada, em 1930. Nunca se aeiumou tanto
mesriao, comu você sabe, rem sangue creed. (Na
guerra, par exemplo, cansei de verrreneesas iuredes
n beier-era pur ndo quererem deitar com aiemãd;
rama gema duram tanto tempo. rá as iiaiieues, que não são puras, dairauam
Para muiras peª/aai ino usa pese da increnswu par um
“preconceira racial". Não há dúvida de que e prª» maço de cíqarro) o exércixo sempre que romava
poder devolvia civis. Aguri, não vai devolver
ednaeird, Lá em na Aureª/mr'?raoorrcairamoneei .: e nos
mei já compreendemos que com esre sangue rreeo
m antecigndo; adimiro «armada sem reflexão, Supers-
lição; preiuizo". A todo preconceim, eamdo, todo aí, nae da'."
mrreeparrde uma erirude discriminatóiia. Se eu acho Este mxlm era um raeiere confasomum a sº pa
euiaridade de querer envolver :: exemiio e a ruim
que "japones não da' no cuum porque um a uma
pequenª", mais cedo ou mui: (arde, aonsaieme ou na sua concepção. Se miihões de pessoas que acham
mecensciencememe, este iulzu vai miiueneiar a mesma coisa, em nossa pais, tivessem a sua iran»
queu, ae vh'imas se defende m melhor o mºvi-
'
minha: reiaaões com uriameis Dizer que em nossa
pais não na racismo, ou discriminação raciai, mªs memo negro none-americano parece ter nampreanr
apenas “precºnceito racial“,é enfiar a cabeça na dido isto e ja não prerende mais mudar a cabeça
rerra como os avestruzes. dos brancos: está bem, eominuam ra ra
querem; nós queremos, apenas, nesses
("| wam mv ireedem now", quero minha liberdade
auure, fui uma der suas cons-gum No Brasil, como
Quatrocentos e oitenta anos de estupro ºficialmente nae rra' racismo, as mim:/ía: fav/'a]: nãº
tem direitº aigum a reivindicar nena.
A quarta modaiidade do ramsmc brusileiro é a: Quando os turistas nos pergumam: “cadê os
Ideia de que nio fumº: racistas políticos negros?”, responde-moi que não são
na lua! RIA/lm) rior Sumax «o que e Rucmm Il

esta
necessários, "aqui es brancos mpvasemam espretas". uma região para mma “A presença deies
atrapalhanúo o desenvaivimento do território“,
"esas os universitários rndiasi", “Eles estão na
idade da Pedra, cºmo podiam passar no vestibular?" Embutido nesta opinião, apsrenremente bem Inlªnv
Temos pars qusiquer pergunta uma resposta NIEME- cionada, sslá o que achamos do! Índios _ o Brasil
de um lado, eles do outro. cºmo se não fizessem
E
rfpads; mentiras am penes
pm noss-| tranquiiiesde
no(umn. parte da povo tsrasiieire,
A noite, ievsmos De 1945 pam cá, por outro indo, Dhm/eram
e: (urina! sor shows da muisus:
”Sia as mªis belas muineres do pais, Vêem como congressos sobre o negro, sºbre a cuiturs africana,
não urnas preconceim?" na, certamente, turistas religiões afro-brasileiras, stc, Enquanm isso, muitos
bastam mies pªrª acredltav ne “euito brasiieire à negras passaram, orgulhusamums, a ss intitular
muiner mulala". burros, porém, logo percebem que arms e, mais recentemenm, bla kr. A euriesiesee
só as encaramos como objeto da cama e mess. Entre pelo negro e sua mitura e ]usli cável, mas revela
as vitimas dessa originsi explorsesn rseisi, (: shºw de (umhém uma coisa: o brasileiro ainda vi o negro
minas, há de tudo também: desde as que parecem cºmº mxm, um cºmo estranho que merece atenção
ieiizes em esrimuisr brancos en inheirados até, no s estudo.
outro extrema, as que se sentam ssmpradus cada ºs manuais didáricos & que dia, no entretanto, a
noite. (A palavra est/upº parecerá Ione aos que meinor mova de que vêm consíderamas o negro e a
nsreriitarn ns "democrªcia racial" brasilnira. Aos índia cºmo brasiieiras- num "ponto" famoso,A
inocentes, a inocência.) reiseronam as cnmr'ibulcões rins "tres raças"
iermsçse du povo brasilcírn, a(r ndo ªos nlor
brancas sismentus pitorescas e/au animais. «o
negro reris cunlribuldn, par example, com o vatapá;
Os índios saiam da frente para o o Índia com o gosto pelas cores fur—res)
Brasil passar Na verdade, a sociedade nrssiisira sines não tern
condições históricas de se enxergar puma reairnente
A quinta mudsiidsde de mismo brasileiro cun- &:
de cur, isvemente cabana de branco, como os
.
srste em: bolos de chocolate que se adornam de glacê. Pur
Olha/mus E; não-menage como nlarbrasi/eíms. que n㺠conseguimos ver no espelho nossa própria
Recenrenrenre um gºvernador do território de Iane? Em algumas coisas .s' não somas um país
Roraima sugeriu que se rrsnsferirsenr indios ae nolnnial, mas em muitas eurras, todas importantes
,
mx [<a/m.. do; Swim;

de nós mesmas
na um os popular, na concepção
continuamos determinados de
uma:
,
«me para demro. Tanto quanto no tempo da mar-
ques de Pumba]. o negro a o meio foram, durante
Joel
mm da: Santo!
400 anos, as mudas criadores de riqueza não
deram sÓ o candombm, o cuuim, em. — foram eles - leeu no km de Janeiro . 19 de julho de 1941. Ewen-
que cnarem tudu, sul: o chuan-e do amu branco, »: M |Z
mas» (ando nomeado como fama
curnumr da
as mantªvões, os prédios, as estradas, us màveix , . . Num do amu, pmmu pelo Movlmnnm Remin-
Até recentemente nossos amb adures nu exteríor ”um
amido de 54. Publicou, depoix, ox seg-xm»; mam
eram mstluldas para explicar nua o Brasil e um
nação branca, que puªulr também, em número Drum/ez .; República]
reduzido e cada vez msrmr, negras e menos, E um .. o Rzruc'immtº, :: Refºrm: eu Gum da! mm Anº:
absurdo lógica: se memos negros e Indios, o que ªdhzmqueapovofnnhvu
subvaria do BrasilY . (mamonª)
MMar/Dna Prexi'dmfã
.
Na iru Infanta-juvenil pubhcvu, entre mumu:

o Caçador de Lobisomem
.....

a mamºu; . a ampím
Marina»,17
mnhm, : oumrhinúmr
Aventura: na [xfx du pimwpmee
Ilma arranha em Talalal (Prêmio mun,
mmm
a. Clmm Bremen da Livra) ,
Tem pubncme “ngm de Humm : como! em divalus
mim anlolngin.
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E pmlesm de Hktbxln em cursos e humilde! do Rin &
Sia Pluln.
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TITULOS DA COLECAO

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o QUE E CONSUMISMO
() QUE CRESCIMENTOPOP LACIONAL
o QUE E ECOLOGIA
o QUE EE FEMINISMO
OQUE IDEOLOGIA
OQUE E INDIGENIsMo
o QUE EE RACISMO
o QUE E sunDEsENvowIM
O QUE TERRORISMO
() QUI sAo CLASSES SOCIAIS

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