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GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

1 INTRODUÇÃO

O ser humano, no desenvolvimento de suas várias atividades do dia-a-dia (sociais,


residenciais, comerciais, industriais etc.), gera e descarta uma grande quantidade de
resíduos. É verdade que ele pode diminuir e controlar essa produção, porém, sempre irá
gerar resíduo. Isto constitui um, entre outros fatos característicos de sua natureza.
As taxas de crescimento da população mundial, principalmente nos países em
desenvolvimento, têm apresentado valores elevados. O fluxo migratório em direção aos
centros urbanos vem se intensificando de forma marcante, fazendo com que, atualmente,
a população urbana mundial, apresente percentuais superiores ao da população rural.
Estes fluxos migratórios vêm acarretando um elevado crescimento demográfico nas
regiões metropolitanas, sobretudo nas grandes cidades dos países em desenvolvimento.
Com o crescimento populacional das sociedades de consumo, conseqüentemente,
vem aumentando a produção de resíduos. Por outro lado, a concentração da população
em torno dos centros urbanos, cujos espaços disponíveis cada vez mais se escasseiam,
faz com que o manuseio e, principalmente, a disposição final destes resíduos se torne um
problema de difícil solução. Ainda mais se levarmos em conta o fato de que muitos dos
componentes, como, por exemplo, os plásticos e metais, apresentam tempos de
degradação elevados de até cerca de 500 anos. Deve ser ainda destacado que a
evolução da ciência e da tecnologia vem trazendo, também, alterações na composição
deste resíduo, com a introdução de componentes como pilhas, baterias, lâmpadas
fluorescentes, produtos químicos em geral, etc., contendo elementos altamente nocivos à
saúde. Em conseqüência, os riscos de poluição do solo, das águas de superfície e
subterrâneas e do ar estão cada vez mais presentes, o que vem gerando a deterioração
do meio ambiente, com implicações na qualidade de vida das populações.
A situação da disposição final dos resíduos sólidos no Brasil tem melhorado, mas a
minoria dos municípios dispõe de técnicas adequadas. Na Pesquisa Nacional de
Saneamento Básico (PNSB), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE, 2008), observou-se que 50,8% dos municípios brasileiros encaminharam seus
resíduos sólidos para lixões, 22,5% para os aterros controlados e 27,7% para os aterros
sanitários.
A predominância de formas inadequadas de destinação final pode ser explicada
por vários fatores, tais como: falta de capacitação técnico-administrativa, orçamento
insuficiente, pouca conscientização da população quanto aos problemas ambientais ou
mesmo falta de estrutura organizacional das instituições públicas. O maior desafio está
em encontrar soluções para os municípios de pequeno porte, devido à menor
disponibilidade de recursos financeiros, recursos humanos especializados e critérios
técnicos, econômicos e sociais para tratar a questão dos resíduos sólidos urbanos.
Deste modo, a questão do lixo no Brasil é acima de tudo um problema de
conscientização da população e das autoridades competentes que, normalmente, só se
lembram do assunto quando o lixo vira notícia, como por exemplo, por ocasião de
enchentes ou escorregamentos de encostas nas grandes cidades ou no caso de
contaminações como no caso do césio 137. Felizmente, nos últimos anos, com os
movimentos ambientalistas e a crescente participação de pesquisadores no assunto, a
opinião pública tem cobrado de maneira mais efetiva um posicionamento das autoridades
quanto às questões ligadas ao meio ambiente e, particularmente, ao lixo urbano.
Assim, para que a questão do lixo seja tratada de forma competente é necessário
que, respeitadas as características e condições de cada município, seja elaborado um
planejamento integrado envolvendo as diversas operações e ações que envolvam os seus
manuseios, começando pela coleta, passando pelo transporte e concluindo com o

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tratamento e disposição final. Estas várias etapas envolvidas no gerenciamento do lixo
urbano são interligadas e dependentes entre si, de modo que a avaliação, o planejamento
e o dimensionamento de cada uma delas são fundamentais para o desenvolvimento de
um programa de lixo bem sucedido.
Com a mesma facilidade com que gera lixo, o ser humano estabeleceu (há muitos
anos) que “lixo é todo e qualquer tipo de resíduo sólido resultante de sua atividade”. Em
suma, “é toda matéria sólida que não lhe é mais útil, funcional ou estética”.
Os anos se passaram, e nesse período houve grande avanço tecnológico e
industrial, gerando novos produtos, bens de consumo sofisticados (e de baixa vida útil) e,
principalmente, a consolidação da enorme capacidade do homem para explorar os
recursos naturais.

2 CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

2.1 Definição de resíduos sólidos


Segundo a Norma Brasileira NBR 10.004 (ABNT, 2004), são considerados
resíduos sólidos: “resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades
de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição.
Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de
água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem
como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na
rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e
economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.”

2.2 Classificação dos resíduos sólidos


São várias as maneiras de se classificar os resíduos sólidos. O resíduo pode ser
classificado em função de sua natureza física, composição, periculosidade (riscos
potenciais à saúde e ao meio ambiente) e origem. As duas últimas formas de
classificação são as mais utilizadas.

2.2.1 Quanto aos riscos potenciais de contaminação do meio ambiente


Existe uma grande variedade de resíduos que podem ser caracterizados como
resíduos sólidos de acordo com a norma NBR 10.004 (ABNT, 2004).
Para os efeitos da norma, os resíduos são classificados em: Classe I, Classe IIa e
Classe IIb.

2.2.1.1 Resíduos Classe I (perigosos)


Todo o resíduo sólido ou mistura de resíduos sólidos que, em função de suas
propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, podem:
 Apresentar risco à saúde pública provocando mortalidade, incidência de doenças
ou aumentando seus índices;
 Apresentar riscos ao ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma
inadequada;
 Apresentar, pelo menos, uma das características: inflamabilidade, corrosividade,
reatividade, toxicidade ou patogenicidade.
Exemplos: lâmpadas fluorescentes; óleos usados; materiais contaminados com
óleos e graxas; pilhas e baterias; resíduos ambulatoriais; pó de despoeiramento.

2.2.1.2 Resíduos Classe IIa (Não inertes)


Todo o resíduo sólido ou mistura de resíduos sólidos que têm propriedade com
inflamabilidade, biodegradabilidade, ou solubilidade em água, porém, não se enquadram
como resíduo Classe I ou IIb.

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2.2.1.3 Resíduos classe IIb (Inertes)
Todo o resíduo sólido ou mistura de resíduos sólidos que, submetido aos teste de
solubilidade (Solubilização de Resíduos Sólidos – Método de Ensaio – NBR 10006), não
tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos
padrões de potabilidade de água (exceto quanto a aspectos, cor, turbidez, dureza e
sabor).
Exemplos: rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas que não são
decompostos prontamente.
No QUADRO 1 são apresentados alguns exemplos do tempo que a natureza
levaria para decompor alguns resíduos.

QUADRO 1
Tempo de decomposição dos materiais

MATERIAL TEMPO DE DEGRADAÇÃO


Aço Mais de 100 anos
Alumínio 200 a 500 anos
Cerâmica Indeterminado
Cordas de Nylon 30 anos
Embalagens longa vida Até 100 anos - alumínio
Embalagens pet Mais de 100 anos
Esponjas Indeterminado
Filtros e cigarros 5 anos
Isopor Indeterminado
Luvas de borracha Indeterminado
Metais (componentes de equipamentos) Cerca de 450 anos
Papel e papelão Cerca de 6 meses
Plásticos (embalagens, equipamentos) Até 450 anos
Pneus Indeterminado
Sacos e sacolas plásticas Mais de 100 anos
Vidros Indeterminado

2.2.2 Quanto à natureza ou origem


A origem é o principal elemento para a caracterização dos resíduos sólidos.
Segundo este critério, os resíduos sólidos são classificados em:

2.2.2.1 Resíduo doméstico ou residencial


São aqueles produzidos nas atividades diárias em domicílios residenciais.
Compreendem papel, jornais velhos, embalagens de plástico e papelão, vidros, latas e
resíduos orgânicos, como restos de alimentos, trapos, folhas de plantas ornamentais e
outros.

2.2.2.2 Resíduo comercial


São aqueles produzidos em estabelecimentos comerciais, variando de acordo com
a natureza da atividade: restaurantes; hotéis; supermercados; lojas e escritórios.

2.2.2.3 Resíduo público


Os resíduos públicos são aqueles originados dos serviços de limpeza pública,
incluindo todos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, de galerias,
de córregos e de terrenos, restos de podas de árvores etc., de limpeza de áreas de feiras
livres, constituídos por restos vegetais diversos, embalagens etc.

2.2.2.4 Resíduos de serviços de saúde e hospitalar


Constituem os resíduos sépticos, ou seja, que contêm ou potencialmente pode
conter germes patogênicos. São produzidos em serviço de saúde, tais como: hospitais,

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clínicas, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, postos de saúde etc. São agulhas,
seringas, gazes, bandagens, algodões, órgãos e tecidos removidos, meios de culturas e
animais usados em testes, sangue coagulado, luvas descartáveis, remédios com prazos
de validade vencidos, instrumentos de resina sintética, filmes fotográficos de raios X etc.

2.2.2.5 Resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoviários


Resíduos gerados tanto nos terminais, como dentro dos navios, aviões e veículos
de transporte. Os resíduos dos portos e aeroportos são decorrentes do consumo de
passageiros em veículos e aeronaves e sua periculosidade está no risco de transmissão
de doenças já erradicadas no país. A transmissão também pode se dar através de cargas
eventualmente contaminadas, tais como animais, carnes e plantas.

2.2.2.6 Resíduos agrícolas


Formado basicamente pelos restos de embalagens impregnados com pesticidas e
fertilizantes químicos, utilizados na agricultura, que são perigosos.

2.2.2.7 Resíduos industriais


São os resíduos gerados pelas atividades industriais originados nas atividades dos
diversos ramos da indústria, tais como, metalúrgica, química, petroquímica, papeleira,
alimentícia etc.. São resíduos muito variados que apresentam características
diversificadas, podendo ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou
ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros e cerâmicas etc.
Nesta categoria, inclui-se a grande maioria do resíduo considerado tóxico.

2.2.2.8 Resíduos da construção civil


A indústria da construção civil é a que mais explora recursos naturais. Além disso,
a construção civil também é a indústria que mais geram resíduos. No Brasil, a tecnologia
construtiva normalmente aplicada favorece o desperdício na execução das novas
edificações.

2.2.2.9 Resíduo domiciliar especial


Grupo que compreende as pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes e pneus.

2.3 Responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos sólidos


Para cada tipo de resíduos, existe um responsável por todas as etapas de
gerenciamento.
A prefeitura é responsável pelo gerenciamento dos resíduos sólidos domiciliares,
público e em parte do comercial.
O gerador é responsável pelo gerenciamento dos resíduos sólidos industrial,
serviços de saúde, portos, aeroportos e terminais ferroviários e rodoviários, agrícola e da
construção civil.

2.4 Caracterização dos resíduos sólidos


Os resíduos sólidos, apresentam grande diversidade e se originam das mais
variadas atividades humanas e ambientes urbanos. Constituem essa massa de materiais
reunidos, julgada sem utilidade, como restos alimentares, embalagens, produtos de
higiene e limpeza, inseticidas, resíduos orgânicos humanos sob a forma de fezes e urina
provenientes de fraldas descartáveis e papel higiênico ou sangue de absorventes
higiênicos, resíduos provenientes de varredura de pátios e jardins, bem como do processo
de varrição dos logradouros públicos e etc. Eventualmente, até animais mortos e fezes de
animais podem ser encontrados no resíduo domiciliar.

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A composição dos resíduos gerados pelas mais diversas atividades humanas tem
se diversificado cada vez mais a partir do momento que a humanidade se desenvolve
tecnologicamente, incorporando a utilização dos mais variados materiais em seus hábitos
de consumo. Sua caracterização podem variar em função de aspectos sociais,
econômicos, culturais , geográficos e climáticos, ou seja, os mesmos fatores que também
diferenciam as comunidades entre si e as próprias cidades.

2.4.1 Geração per capita


A “geração per capita” relaciona a quantidade de resíduos urbanos gerada
diariamente e o número de habitantes de determinada região. Representa a quantidade
de resíduos gerados por pessoa em um dia. Está condicionado à classe econômica da
comunidade envolvida e aos hábitos e costumes de uma população. A faixa de variação
média para o Brasil está em torno de 0,5 a 1,0 kg/hab./dia.

3 GERENCIAMENTO INTEGRADO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

O Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos é, em síntese, o envolvimento de


diferentes órgãos da administração pública e da sociedade civil com o propósito de
realizar a limpeza urbana, a coleta, o tratamento e a disposição final do lixo, elevando
assim a qualidade de vida da população e promovendo o asseio da cidade, levando em
consideração as características das fontes de produção, o volume e os tipos de resíduos
– para a eles ser dado tratamento diferenciado e disposição final técnica e
ambientalmente corretas –, as características sociais, culturais e econômicas dos
cidadãos e as peculiaridades demográficas, climáticas e urbanísticas locais.
Para tanto, as ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento que
envolvem a questão devem se processar de modo articulado, segundo a visão de que
todas as ações e operações envolvidas encontram-se interligadas, comprometidas entre
si.
Para além das atividades operacionais, o gerenciamento integrado de resíduos
sólidos destaca a importância de se considerar as questões econômicas e sociais
envolvidas no cenário da limpeza urbana e, para tanto, as políticas públicas – locais ou
não – que possam estar associadas ao gerenciamento do lixo, sejam elas na área de
saúde, trabalho e renda, planejamento urbano etc.
O gerenciamento integrado focaliza com mais nitidez os objetivos importantes da
questão, que é a elevação da urbanidade em um contexto mais nobre para a vivência da
população, onde haja manifestações de afeto à cidade e participação efetiva da
comunidade no sistema, sensibilizada a não sujar as ruas, a reduzir o descarte, a
reaproveitar os materiais e reciclá-los antes de encaminhá-los ao lixo.
Por conta desse conceito, no gerenciamento integrado são preconizados
programas da limpeza urbana, enfocando meios para que sejam obtidos a máxima
redução da produção de lixo, o máximo reaproveitamento e reciclagem de materiais e,
ainda, a disposição dos resíduos de forma mais sanitária e ambientalmente adequada,
abrangendo toda a população e a universalidade dos serviços. Essas atitudes contribuem
significativamente para a redução dos custos do sistema, além de proteger e melhorar o
ambiente.
O gerenciamento integrado, portanto, implica a busca contínua de parceiros,
especialmente junto às lideranças da sociedade e das entidades importantes na
comunidade, para comporem o sistema.
Também é preciso identificar as alternativas tecnológicas necessárias a reduzir os
impactos ambientais decorrentes da geração de resíduos, ao atendimento das aspirações
sociais e aos aportes econômicos que possam sustentá-lo.

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Finalmente, o gerenciamento integrado revela-se com a atuação de subsistemas
específicos que demandam instalação, equipamentos, pessoal e tecnologia, não somente
disponíveis na prefeitura, mas oferecidos pelos demais agentes envolvidos na gestão,
entre os quais se enquadram:
 a própria população, empenhada na separação e acondicionamento diferenciado
dos materiais recicláveis em casa;
 os grandes geradores, responsáveis pelos próprio rejeitos;
 os catadores, organizados em cooperativas, capazes de atender à coleta de
recicláveis oferecidos pela população e comercializá-los junto às fontes de
beneficiamento;
 os estabelecimentos que tratam da saúde, tornando-os inertes ou oferecidos à
coleta diferenciada, quando isso for imprescindível;
 a prefeitura, através de seus agentes, instituições e empresas contratadas, que por
meio de acordos, convênios e parcerias exerce, é claro, papel protagonista no
gerenciamento integrado de todo o sistema.

4 TRATAMENTO E DESTINO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Define-se tratamento como uma série de procedimentos destinados a reduzir a


quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos, seja impedindo descarte de
resíduo em ambiente ou local inadequado, seja transformando-o em material inerte ou
biologicamente estável.

4.1 Incineração
Incineração como forma de destino final de resíduo é uma prática muito antiga, e
os métodos empregados, apesar de rudimentares, consistiam em sua maioria em
empilhar os resíduos e atear fogo diretamente. A cinza resultante era espalhada no solo
ou incorporada como um elemento auxiliar na agricultura. Com a expansão das cidades,
estas práticas tornaram-se inadequadas pelo incômodo causado às vizinhanças e assim
foram sendo gradativamente substituídas por processos mais complexos e eficientes,
como os sofisticados sistemas de incineração hoje instalados nas metrópoles.
É um dos processos mais eficientes em termos de destinação final, pois reduz o
volume do material incinerado em até 95% do volume inicial, porém a maior dificuldade
ainda é o controle dos gases devidos ao processo de combustão. Utiliza o calor e
oxigênio do ar para destruir a fração orgânica do resíduo. O processo requer
temperaturas acima de 900° C, no caso da queima de resíduos domiciliares haverá uma
redução dos constituintes minerais como o dióxido de carbono gasoso e vapor d'água, à
sólidos inorgânicos (cinzas).
Do ponto de vista químico, esta técnica representa um processo de oxidação
exotérmico que converte compostos orgânicos em dióxidos de carbono e vapor de água,
acompanhado de liberação de calor.
Do ponto de vista sanitário, a destruição integral do resíduo pela incineração à altas
temperaturas é uma das alternativas para o destino final do resíduo urbano.
As vantagens da queima do resíduo são: redução drástica do volume a ser
descartado, redução do impacto ambiental, recuperação de energias e o aumento da vida
útil dos aterros sanitários.
Dentre as desvantagens destacam-se: custo elevado de operação e manutenção,
mão-de-obra qualificada, problemas operacionais, os limites de emissão de componentes
da classe das toxinas e furanos que são lançados na atmosfera.
Os incineradores também estão sendo utilizados em larga escala para incinerar os
resíduos provenientes dos serviços de saúde, como hospitais, farmácias, ambulatórios,
laboratórios, clínicas veterinárias e médicas.

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4.2 Lixão
No Brasil, ainda existem técnicas de disposição considerada inadequada do ponto
de vista ambiental. A utilização de disposição a céu aberto ainda é utilizada como forma
de disposição de resíduos na maioria das cidades de pequeno porte.
Inicialmente, quaisquer áreas livres, longe de regiões habitadas eram
transformadas em depósitos de resíduos, conhecidos vulgarmente como lixões. O lixão é
uma forma de disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples
descarga sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. É
o mesmo que descarga a “céu aberto”. Os resíduos assim lançados acarretam problemas
à saúde pública, como a proliferação de vetores de doenças (moscas, mosquitos, baratas,
ratos, entre outros), geração de maus odores e, principalmente, poluição do solo e das
águas superficiais e subterrâneas através do chorume (líquido de cor preta, mau cheiroso
e de elevado potencial poluidor, produzido pela decomposição da matéria orgânica
contida no lixo (ABNT, 1984), comprometendo os recursos hídricos.

4.3 Aterro controlado


Uma evolução dos lixões é os aterros controlados, os quais utilizados princípios de
engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com uma camada de material
inerte na conclusão de cada jornada de trabalho. Esta técnica de disposição produz, em
geral, poluição localizada, porém não dispõe de impermeabilização de base
(comprometendo a qualidade das águas subterrâneas), nem de sistemas de tratamento
de percolado (termo empregado para caracterizar a mistura entre o chorume, produzido
pela decomposição do lixo, e a água de chuva que percola o aterro) ou de dispersão dos
gases gerados. É classificado como um aterro sem confinamento.
Esse método é preferível ao lixão, mas devido aos problemas ambientais que
causa e aos seus custos de operação, é de qualidade bastante inferior ao aterro sanitário.

4.4 Aterro sanitário


Aterro sanitário é uma obra de engenharia que tem como objetivo acomodar no
solo, no menor espaço possível, resíduos domiciliares e urbanos sem causar danos ao
meio ambiente ou à saúde pública.
Apesar de ser o método mais simples de destinação final de resíduos sólidos, o
aterro sanitário exige cuidados especiais e técnicas específicas a serem seguidas, desde
a seleção e preparo da área até a sua operação e monitoramento.
Este tipo de aterro sanitário deve dispor de todos os elementos de proteção
ambiental:
 Sistema de impermeabilização de base e laterais;
 Sistema de cobertura;
 Sistema de coleta e drenagem de líquidos percolados;
 Sistema de tratamento de líquidos percolados;
 Sistema de coleta e tratamento de gás;
 Sistema de drenagem superficial;
 Sistema de monitoramento.

Embora consistindo numa técnica simples, os aterros sanitários exigem cuidados


especiais, e procedimentos específicos devem ser seguidos desde a escolha da área até
a sua operação e monitoramento. Tem uma vida útil superior a 10 anos, e o seu
monitoramento deve prolongar-se, no mínimo, por mais 10 anos após o seu
encerramento.

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4.5 Reciclagem
Denomina-se reciclagem a separação de materiais do resíduo domiciliar, tais como
papéis, plásticos, vidros e metais, com a finalidade de trazê-los de volta à indústria para
serem beneficiados. Esses materiais são novamente transformados em produtos
comercializáveis no mercado de consumo.
A reciclagem propicia as seguintes vantagens:
 preservação de recursos naturais;
 economia de energia;
 economia de transporte (pela redução de material que demanda o aterro);
 geração de emprego e renda;
 conscientização da população para as questões ambientais.

A reciclagem ideal é aquela proporcionada pela população que separa os resíduos


recicláveis em casa, jogando no lixo apenas o material orgânico.
Embora o Brasil seja um grande "reciclador" de alumínio, ainda recicla pouco vidro,
plásticos, latas de aço e pneus.

4.6 Compostagem
Define-se compostagem como o processo natural de decomposição biológica de
materiais orgânicos (aqueles que possuem carbono em sua estrutura), de origem animal e
vegetal, pela ação de microrganismos. Para que ele ocorra não é necessária a adição de
qualquer componente físico ou químico à massa do resíduo.
A compostagem pode ser aeróbia ou anaeróbia, em função da presença ou não de
oxigênio no processo.
Na compostagem anaeróbia a decomposição é realizada por microrganismos que
podem viver em ambientes sem a presença de oxigênio; ocorre em baixa temperatura,
com exalação de fortes odores, e leva mais tempo até que a matéria orgânica se
estabilize.
Na compostagem aeróbia, processo mais adequado ao tratamento do resíduo
domiciliar, a decomposição é realizada por microrganismos que só vivem na presença de
oxigênio. A temperatura pode chegar até 70ºC, os odores emanados não são agressivos
e a decomposição é mais veloz.
O processo de compostagem aeróbio de resíduos orgânicos tem como produto
final o composto orgânico, um material rico em húmus (matéria orgânica homogênea,
totalmente bioestabilizada, de cor escura e rica em partículas coloidais que quando
aplicada ao solo, melhora suas características físicas para uso agrícola.) e nutrientes
minerais que pode ser utilizado na agricultura como recondicionador de solos, com algum
potencial fertilizante.

5 COLETA SELETIVA

Processo no qual os resíduos são coletados de forma apropriada, classificados


adequadamente, embalados e armazenados, a fim de serem destinados de formar segura
e minimizar os impactos ambientais, em conformidade com requisitos legais e/ou
corporativos aplicáveis.
É o recolhimento do resíduo reciclável. Os funcionários separam os materiais que
podem ser utilizados ou reciclados, depositando-os em coletores próprios para cada tipo
de resíduo. Para facilitar a identificação dos diferentes tipos de resíduos, suas cores
seguem o padrão nacional definido pela Resolução CONAMA 275/2001 (QUADRO 2).

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QUADRO 2
Padrão de cores

CORES MATERIAL
Azul Papel /Papelão
Vermelho Plástico
Verde Vidro
Amarelo Metal
Preto Madeira
Laranja Resíduos perigosos
Branco Resíduos ambulatoriais e de serviço de saúde
Roxo Resíduos radioativos
Marrom Resíduos orgânicos
Cinza Resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado, não
passível de separação

6 HIERARQUIA DO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS

A redução de resíduos deve ser o objetivo principal no gerenciamento de resíduos


industriais. Ações de minimização, diminuição da quantidade e do potencial de
contaminação dos resíduos deveriam ser feitas utilizando-se o principio dos 3Rs. Essa
hierarquia pode ser visualizada como: reedução, reutilização e reciclagem.

6.1 Redução
A redução da geração de resíduos deve ser a primeira estratégia a ser adotada no
gerenciamento de resíduos. Isto pode ser feito através da racionalização do consumo,
evitando o desperdício e o excesso de descartáveis.

6.2 Reutilização
A reutilização de resíduos é uma estratégia aplicável a muitos materiais. As
oportunidades variam de acordo com o tipo do material. Pode ser realizado dentro da
unidade geradora de resíduo, ou com um parceiro adequado fora da unidade. Um material
muito familiar ao processo é a reutilização da escória que é usada na pavimentação de
ruas.

6.3 Reciclagem
A reciclagem de resíduos é uma estratégia, que dentro dos 3R´s dever ser utilizada
quando não for possível a redução ou reutilização dos resíduos. É aplicável a certos
materiais para os quais o mercado esta disponível. Materiais tipicamente recicláveis são:
 A maioria dos papéis, particularmente papelão e papel fino;
 Todos os metais, especialmente sucata ferrosa;
 Alguns vidros;
 Alguns plásticos: pet;
 Algumas madeiras.

7 BENEFÍCIOS POTENCIAIS DO GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS

Dentre os vários benefícios de um bom gerenciamento de resíduos, podemos


destacar a redução nos custos, otimização dos recursos naturais, preservação do meio
ambiente e melhoria da qualidade do ambiente interno.

7.1 Redução dos custos


 Melhoria na eficiência de utilização do material no processo;
 Lucro na venda dos materiais recicláveis;

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 Redução nos gastos com disposição.

7.2 Preservação do Meio Ambiente


 Conservação de recursos naturais e não renováveis;
 Redução na emissão de produtos químicos tóxicos usados na produção;
 Menor quantidade de resíduo destinada ao aterro;
 Menor risco de causar impactos significantes ao meio ambiente

7.3 Melhoria da satisfação dos clientes e qualidade do ambiente interno


 Melhorar a imagem da empresa;
 Resposta direta à demanda pública por melhorias na performance ambiental;
 Melhoria na produtividade e moral dos funcionários;
 Redução dos riscos ambientais e atendimento a legislação.

REFERÊNCIAS

BARROS, R.T.V. et al. Manual de saneamento e proteção ambiental para os


municípios. Vol. 2. Belo Horizonte: Escola de Engenharia da UFMG, 1995. 221 p.

CARVALHO, André Luciano de. Efeitos da recirculação do percolado sobre a


qualidade do efluente de lixo doméstico de diferentes idades. Tese (Doutorado em
Engenharia Agrícola e Ambiental). Universidade Federal de Viçosa, 2005. 115 p.

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Manual de saneamento. Brasília: FUNASA, 2004.


408 p.

MOTA, Suetônio. Introdução à Engenharia Ambiental. 3. ed. Rio de Janeiro: ABES,


2003. 419 p.

ROCHA, Júlio César; ROSA, André Henrique; CARDOSO, Arnaldo Alves. Introdução à
Química Ambiental. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. 256 p.

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