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CITAÇÕES REFERENTES AO PRINCÍPIO DE IMANÊNCIA

QUEIRUGA
Karl Lowith “parte de um diagnostico global: os cristãos, pela força do
personalismo bíblico, deixaram para trás a cosmoteologia grega, preparando, assim,
caminho para os modernos, aos quais, por sua vez, abandonam a antropoteologia cristã.
Com isso, a ‘trindade metafísica’ Deus-homem-mundo fica reduzida à dualidade homem-
mundo, num processo que leva do teísmo pelo deísmo ao ateísmo” (Queiruga, p.36).

“Do ponto de vista teísta, toma Cornelio Fabro uma postura não menos resoluta
nem menos abundantemente exposta e defendida. Desde o início ao epílogo da obra,
extraordinariamente larga e enormemente erudita, vai repetir de maneira incansável que
o ‘principio moderno de imanência’ leva por irrefreável lógica interna ao ateísmo.
O autor não deixa lugar a dúvidas: “a resolução do cogito em ateísmo” – nos diz
ao início da conclusão – “não é algo facultativo, mas ‘constitutivo’ e ‘inevitável’. Isso
resulta rigorosamente que, embora reconheça que ‘o pensamento moderno partiu com o
propósito de defender o absoluto, a liberdade, a transcendência’, considera ‘inautênticas
e intrusas todas as formas de teísmo aparecidas no pensamento moderno” (Queiruga,
p.37ss).

INTRODUZIONE ALL’ATEISMO MODERNO


“o ponto de partida do ateísmo moderno é o novo conceito de ser e de liberdade
resultado do cogito em qualquer uma de suas formas. Pode existir, portanto, um ateísmo
teórico (positivo), podendo existir ateus teóricos, podendo existir também teóricos
convictos... e são tais todas as pessoas que são decisas a compreender e a fazer até ao
fundo do princípio de imanência. O ateísmo agora, como fenômeno cultural e situação de
consciência, pode ser, por isso, real como “convicção subjetiva”, pois é só isso que está
em questão agora.” Introduzione, p.36)
“o pensamento moderno é essencialmente ateu, porque foi fundado sob o principio
de imanência, desde o começo, assim é comovente reconhecer o ateísmo da filosofia
contemporânea a legitimidade de reivindicar para si a coerência do cogito” (Introduzione,
p.81).

“Sobre a interpretação de fundo do pensamento moderno, isto é, sobre o novo


caminho do pensamento que teve origem com o princípio de imanência [...]: esse fato
consiste em uma troca de direção do objeto ao sujeito, do mundo ao eu, do externo ao
interno” (Introduzione, p.1003).
“Neste sentido radical, e não histórico ou polêmico, nós defendemos que o
princípio moderno de imanência é intrinsecamente ateu, porque coincide com a afirmação
radical do Eu enquanto exclusão e expulsão de Deus segundo todo tipo de intenção da
consciência.
Por isso, a diferença do ateísmo negativo do século precedente, que é derivado do
materialismo metafísico e do ceticismo crítico, o ateísmo moderno se veio qualificando
por 'estrutural', 'constitutivo' e, portanto, positivo em virtude do novo princípio de
imanência...: enquanto a remoção ou perca da possibilidade de uma "presença"
(existência) de Deus é a essência (exigência) mesma do cogito no seu pôr-se em ato. Ou
seja, é o mesmo pôr-se em ato do cogito que deve pôr a verdade do ato (de consciência)
como fundamento da verdade do conteúdo (de ser) derivando a verdade do conteúdo
daquele ato. E porque o ato, quando se põe como início, não tem outra verdade do que
aquela do (seu) pôr-se e fazer-se, aqui que o conteúdo é o seu próprio vir-a-ser e a sua
verdade é dissolvida na pura historicidade do ser humano ou Dasein. Que a historicidade
(ou conteúdo do ato, a qualidade do ser) se encarna na atividade estética, na ciência, na
economia, na política... e algumas vezes na própria religião (faço alusão àqueles teólogos
protestantes e também aos considerados espiritualistas cristãos que pretendem forçar no
método da imanência a afirmação da transcendência) não tem mais importância, porque
é só questão de gosto pessoal e de escolha arbitrária e não mais de fundamento teorético.
(Introduzione, p.1004)
“Em uma interpretação teorética do princípio de imanência, a sua "resolução" no
ateísmo do pensamento contemporâneo não é um evento casual ou "facultativo", mas
inevitável e imanente precisamente, ou seja, isso é constitutivo da resolução ao
fundamento.” (Introduzione, p.1009)
“No pensamento moderno, em vez, a imanência é constitutiva e fundante ao ser.
Se trata, segundo a formula mais simples, que enquanto no realismo é o ser, o seu dar-se
e apresentar-se à cosnciência, que funda e traz ao ato a consciência mesma a qual torna-
se, pois, consciência do ser e configura a verdade como conformidade ao ser;”
(Introduzione, p.1010)

DODEKA
Princípio de imanência é “a elevação do ser do homem ao nível do cogito (o ato
do pensamento), ou, alternadamente, a redução da atualização do ser à atualização do
cogito, a limitação da estrutura do ser à estrutura do cogito [...]. Essa é a diferença chave
entre o antigo ateísmo e o ateísmo moderno: O ateísmo antigo foi meramente ceticismo
ou monismo materialista e foi confinado a uma minoria que nunca penetrou toda cultura.
O ateísmo moderno, entretanto, é distintivamente positivo e construtivo precisamente
porque ele assume um novo principio constitutivo que serve como a fundação para uma
nova estrutura ontológica inteira. Esta é a questão do ponto de partida, da fundação, que
como qual é inerentemente ateu e é, nas palavras do Estigmatino, “absolutamente
determinado para a expulsão de Deus”. (p.5)

Quando o pensamento é tido como o fundamento do ser, qualquer penetração à


uma noção de transcendência torna-se impossível [...]. Nós entendemos agora porque
Fabro acerta que “a resolução do princípio moderno de imanência no ateísmo tem rendido
os termos “teísmo”, “ateísmo”, e “panteísmo” radicalmente dialéticos” (p.5).