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1 Funções Côncavas e Quasecôncavas

Definição 1. Uma função real f definida num subconjunto convexo U de Rn é côncava, se para
quaisquer x e y em U e para todo t entre zero e um:

f (tx + (1 − t) y) ≥ t f (x) + (1 − t) f (y)

Uma função real g definida num subconjunto convexo U de Rn é convexa, se para quaisquer x e
y em U e para todo t entre zero e um, temos:

g(tx + (1 − t) y) ≤ tg(x) + (1 − t) g(y)


Observação. Se f é côncava, -f é convexa.
Definição 2. Um conjunto U é um conjunto convexo se dados quaisquer pontos x e y em U, o
segmento de reta ligando x a y:

l (x, y) = {(tx + (1 − t) y) : ∀t ∈ [0, 1]}


Teorema 1. Seja f definida num subconjunto convexo U de Rn . Então, f é côncava se, e somente
se, sua restrição a qualquer segmento de reta em U é uma função côncava (convexa) de uma
variável.
Demonstração. Escolha x e y como 2 pontos arbitrários de U. Seja g (t) = f (tx + (1 − t) y). Por
hipótese, g é côncava. Assim, para t entre zero e um temos:

f (tx + (1 − t) y) = g(t)

= g(t.1 + (1 − t) .0)

≥ tg(1) + (1 − t) g(0)

= t f (x) + (1 − t) f (y)
consequentemente, f é côncava.
Reciprocamente, suponha que f é côncava. Queremos mostrar que a função é côncava a
restrição g (t) = f (tx + (1 − t) y) de f ao segmento de reta contendo x e y. Para fazer isso,
fixamos s1 e s2 e tomamos um t entre zero e um. Então,

g(ts1 + (1 − t) s2 ) = f [(ts1 + (1 − t) s2 )x + (1 − (ts1 + (1 − t) s2 )) y]

= f [(ts1 x + (1 − t) s1 y) + (1 − t) (s2 x + (1 − t) s2 y)]

≥ t f (ts1 x + (1 − t) s1 y) + (1 − t) f (s2 x + (1 − t) s2 y)

= tg(s1 ) + (1 − t) g(s2 )
Portanto, g é côncava. A prova para funções convexas é praticamente idêntica.

1
Teorema 2. Seja f uma função C1 num subconjunto convexo U de Rn . Então, f é côncava se, e
somente se, para quaisquer x e y em U:

f (y) − f (x) ≤ D f (x) (y − x)


ou seja,

∂ f (x) ∂ f (x)
f (y) − f (x) ≤ (y1 − x1 ) + ... + (yn − xn )
∂ x1 ∂ xn
Analogamente, f é convexa em U se, e somente se, f (y) − f (x) ≥ D f (x) (y − x) para quais-
quer x e y em U.
Demonstração. gx,y (t) = f (ty + (1 − t) x)
Então pela regra da cadeia,
n
0 ∂f
gx,y (t) = ∑ (x + t (y − x)) (yi − xi )
i=1 ∂ xi
e
n
0 ∂f
gx,y (0) = ∑ (x) (yi − xi ) = D f (x) (y − x)
i=1 ∂ xi
Pelos teoremas 1 e 2, f é côncava se, e somente se, cada uma destas gx,y é côncava se, e
somente se, para quaisquer x e y em U:
0 0
gx,y (1) − gx,y (0) ≤ gx,y (0) (1 − 0) = gx,y (0)
se, e somente se, para quaisquer x e y em U:

f (y) − f (x) ≤ D f (x) (y − x)

Teorema 3. Seja f uma função C2 num conjunto aberto U de Rn . Então, f é uma função côncava
em U se, e somente se, a matriz hessiana D2 f (x) é não positiva para x em U. A função f é uma
função convexa em U se, e somente se, D2 f (x) é não negativa para cada x em U.
Demonstração. Escolha pontos arbitrários x e y de U e seja gx,y (t) = f (ty + (1 − t) x). Então, f
00
é côncava em U se, e somente se, cada gx,y (t) é côncava, que é equivalente a cada gx,y (t) ≤ 0.
Agora, pela equação
n
0 ∂f
gx,y (t) = ∑ (x + t (y − x)) (yi − xi )
i=1 ∂ xi
e pela regra da cadeia:
!
n
00 d ∂f
gx,y (t) = ∑ (x + t (y − x)) (yi − xi )
dt i=1 ∂ xi
!
n n
∂2 f 
= ∑∑ (x + t (y − x)) yi − x j (yi − xi )
j=1i=1 ∂ xi ∂ x j

2
!
n  ∂2 f
= ∑ yi − x j (x + t (y − x)) (yi − xi )
j,i=1 ∂ xi ∂ x j

= (y − x)T D2 f (x + t (y − x)) (y − x)
Se cada D2 f (z) é não positiva, então,
00
1. cada gx,y (t) ≤ 0
2. cada gx,y (t) é côncava, e a própria f é côncava.
Reciprocamente, suponha que f é côncava em U. Seja z um ponto arbitrário em U e seja
v um vetor deslocamento arbitrário em Rn . Queremos mostrar que vT D2 f (z) ≤ 0. Como U é
aberto, existe um t0 > 0 tal que y = z + t0 v está em U. Como f é côncava gz,y (t) é côncava e
00
gz,y (t) ≤ 0.
00
0 ≥ gz,y (0) = (y − z)T D2 f (z) (y − z)

= (t0 v)T D2 f (z) (t0 v)

= t02 vT D2 f (z) v
Assim, t02 vT D2 f (z) v ≤ 0 e D2 f (z) é não positiva para cada z em U

1.1 Propriedades de funções côncavas


Para funções com estas características as seguintes propriedades são válidas:

1. Seus pontos críticos são máximos globais;

2. A soma ponderada de funções côncavas é uma função côncava;

3. Os conjuntos de nível de uma função côncava tem o formato ideal para a teoria do con-
sumo e da produção.

Teorema 4. Seja f uma função côncava (convexa) num subconjunto aberto e convexo U de Rn .
Se x0 é um ponto crítico de f, ou seja, se D f (x0 ) = 0, então x0 ∈ U é um máximo (mínimo)
global de f em U.

Teorema 5. Seja f uma função C1 definida num subconjunto convexo U de Rn . Se f é uma


função côncava e se x0 é um ponto de U que satisfaz D f (x0 ) (y − x0 ) ≥ 0 ∀ y ∈ U, então x0 ∈ U
é um máximo global de f em U. Se f é uma função convexa e se x0 é um ponto de U que satisfaz
D f (x0 ) (y − x0 ) ≥ 0 ∀ y ∈ U, então x0 ∈ U é mínimo global do f em U.

1.2 Funções quasecôncavas e quaseconvexas


Definição 3. Uma função definida num subconjunto convexo U de Rn é quasecôncava se, para
cada número real a,

Ca+ = {x ∈ U : f (x) ≥ a}
é um conjunto convexo. Analogamente, f é quaseconvexa se, para cada número real a,

3
Ca− = {x ∈ U : f (x) ≤ a}
é um conjunto convexo.
Teorema 6. Suponha que F é uma função C1 num subconjunto aberto convexo U de Rn . Então
F é quasecôncava em U se, e somente se,

F (y) ≥ F (x) → DF (x) (y − x) ≥ 0


F é quase convexa em U se, e somente se,

F (y) ≤ F (x) → DF (x) (y − x) ≤ 0


Observação. Funções côncavas são quasecôncavas.

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