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HISTÓRIA DA ARTE

1
Professor
Isaac Antonio Camargo
Licenciado em Desenho e Plástica – UNAERP/SP
Mestre em Educação – UEL/PR
Doutor em Comunicação e Semiótica – PUC/SP
2. Historiografia da História,
Teoria e Crítica da Arte
A historiografia se propõe a
estudar os modos como se faz a
história, ou seja, quais os
pressupostos teóricos, os
caminhos metodológicos, quais
autores e que pertinência eles
têm para o conhecimento da arte
como tal
A historiografia é, por princípio,
comparativa na medida em que olha
para os diferentes autores e tenta
observá-los em seus contextos,
descobrir suas escolhas,
metodologias, preferências e
pressupostos, confrontando-os e
construindo assim um universo
teórico mais consistente sobre um
dado período, autor ou escola
Ao longo do tempo os
historiadores da arte fizeram
suas escolhas, ora observando
as obras de arte ora o fazer dos
artistas; ora filosofando, ora
argumentando em prol do
desenvolvimento de uma ciência
que pudesse dar conta deste
mister que é a arte
LICHTENSTEIN (2004), nos
remete a Grécia, aos filósofos e
aos textos que tratavam do fazer
dos artistas. Um deles é o texto
de Filóstrato, o velho (165-244
a.C.), ao qual é atribuída a
autoria do “Eikones” (Imagens),
um texto que descreve e discute
65 quadros que decoravam uma
galeria em Nápoles (Stoa).
A metodologia era a dos sofistas
que consistia em descrever as
obras como o máximo de
requinte retórico, dando vida às
pinturas por meio da eloqüência
do discurso verbal. Neste caso
seriam os primeiros escritos
sobre arte, inaugurando assim a
sua história, já na antiguidade
ARGAN e FAGIOLO (1992),
relacionam vários autores, aos
quais poderíamos chamar de
pré-historiadores da arte. Na
Idade Média citam as
Tratadísticas, livros de normas e
técnicas para o fazer da arte
como o “Libro dell´Arte” de
Cennino Cennini, no século XIV,
citando Giotto e seus discipulos;
no século XV, com Leon Batista
Alberti, o tratado assume um
aspecto teórico, discutindo não
só questões técnicas, mas
também conceituais; no século
XVI, surge o livro as “Vite” de
Giorgio Vasari, em que cita
Cimabue e Michelangelo
citam também outros autores que
abrem novos caminhos para as
tratadísticas como Piero della
Francesca, Andrea Del Pozzo,
Fra Lucca Pacioli, Albrecht
Dürer, Vincenzo Danti, Frederico
Zuccari e ainda Leonardo Da
Vinci, que reflete sobre seus
próprios processos criativos
BAZIN (1989), faz um percurso
criterioso sobre os historiadores
da arte e elege alguns que
fundam a arte européia, como a
maioria dos historiadores que
focam a arte ocidental. Afirma
que a história da arte nasce com
os florentinos, onde surge o
chamado Renascimento
Cita o florentino Filippo Villani,
por meio de seu livro “Vite di
uomini illustri Fiorentini”, de
1404, como um dos primeiros a
reivindicar para a arte visual o
mesmo status das chamadas
artes liberais, citando,
especialmente, Cimabue e Giotto
WÖLFFLIN (1984), fundador da
teoria formalista (oriundo da pura
visibilidade, do instituto alemão
de Walburg) e propositor de uma
teoria autônoma para a história
da arte a partir do conceito de
estilo (individual, nacional e de
época)
Concebe uma metodologia que
opera por meio de uma
comparação entre duas
categorias que se sucedem no
tempo: o gráfico e o pictórico. O
gráfico corresponderia ao
racional e lógico e o pictórico ao
passional e fantasioso
GONZAGA DUQUE (1995), é um
dos primeiros historiadores
brasileiros a olhar para o
contexto do país e observar a
história da arte sob este viés,
publicando a primeira versão de
seu livro: A arte brasileira, em
1888. Descreve o percurso da
arte no Brasil, nomeia e analisa
diversos artistas significativos
As escolhas feitas pelos estudiosos
identificam também seus pontos de
vistas ou o lugar do qual olham. Sob
este aspecto podemos dizer que seus
olhares se fundam nas diferentes
teorias que amparam o saber e, no
caso da arte, isto não é diferente. Há
várias maneiras de olhar a arte, como
há também várias maneiras de
olharmos o ambiente social humano
3. A Arte e as Teorias
As teorias nada mais são do que
a organização do pensamento
em alinhamentos conceituais ora
filosóficos, ora sociais, ora
históricos, ora psicológicos, ora
semióticos no intuito de melhor
observar as ocorrências de um
dado campo do saber
Embora em Ciências Humanas
fique difícil falarmos em Teorias, na
medida em que não há modelos
precisos de pensamento para
amparar uma área em especial,
podemos entender por Teoria as
diferentes condutas que
assumimos por meio das diferentes
ciências nas quais nos amparamos
Para CHALUMEAU, (1997),
há as seguintes famílias
teóricas: A Fenomenológica, a
Psicológica, a Sociológica, a
Formalista, a Iconológica e a
Estruturalista
ARGAN e FAGIOLO, (1992),
argumentam sobre quatro
famílias teóricas: a Formalista,
a Sociológica, a Iconológica e
a Estruturalista
HAUSER, (1973), distingue a
Sociológica, a Psicológica, a
Filosófica e a Antropológica
onde o folclore e a arte
popular encontram apoio
Portanto, Teorias são modos
de ver, maneiras de olhar, são
lentes que interpomos entre o
visível e o inteligível para
melhor
enxergarmos/interpretarmos o
que vemos
As primeiras discussões sobre
a arte, que se tem notícia no
mundo ocidental, são
originárias da Grécia. Os
filósofos gregos, ao tratarem
dos diferentes assuntos que
motivavam suas reflexões, a
incluíram nessas discussões
Pode-se dizer que, nesses
primeiros momentos, não
havia uma preocupação
exclusiva com a arte, mas
com outros temas sociais, no
entanto, ao tratar destes
temas, a arte acabava por
surgir nestas discussões
Neste caso, as primeiras
explicações sobre a arte
ocorreram no contexto da
Filosofia
Uma das questões que
motivou a reflexão sobre a
arte na Filosofia Grega foi,
sem dúvida, a questão do
Belo