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“Sejam Bem-vindos”

Pós Graduação em
Administração de Empresas

Economia Empresarial
Aula 2
Prof. Dr.: Paulo F. Barbosa
E-mail:pferreirab@yahoo.com.br

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Os principais tópicos da aula 2:
 curva de oferta;
 mercado e formação de preço;
 preço como uma bússola;
 falhas de mercado;
 maximizando o lucro;
 lucro econômico versus lucro contábil e
 monopólio: o peso morto do monopólio e o
papel de Estado.

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Dinâmica 1 35 minutos

Vamos trabalhar !

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Dinâmica local 1: Lei da oferta e formação de preços nos mercados

Vamos dividir a turma em dois ou em quatro grupos:


 um grupo de alunos recebe a situação de mercado em concorrência, com o
governo impondo um teto de preço acima do preço de equilíbrio, e faz a
descrição de como o mercado ficará e

 outro grupo de alunos recebe a situação de mercado em concorrência, com o


governo impondo um teto de preço abaixo do preço de equilíbrio, e faz a descrição
de como ficará o mercado.

Temos 15 min. a essa etapa.

Apresentação de cada grupo, em plenária, para comentários do outro grupo e do


Professor(a) (15 min.).
A crise dos caminhoneiros: uma fábula econômica

Por Nora Raquel Zygielszyper–mestre Economia e professora nos cursos de pós-graduação da FGV. Rio de Janeiro, 30 de maio de 2018

Em 2009, o governo Lula, visando estimular a economia em um ambiente de profunda crise internacional, cujo estopim foi a falência do
Lehman Brothers em setembro de 2008, decidiu incentivar a compra de caminhões novos.

Com esse objetivo, financiou, com juros subsidiados – e, por isso, artificialmente – a ampliação da frota. Ao financiar com juros
subsidiados, o próprio governo pagou juros mais altos na sua dívida do que cobrou dos compradores de novos caminhões. Sempre que
algum setor é beneficiado desse modo, quem paga a diferença é a sociedade. Dessa forma, podemos afirmar que os compradores de
caminhão e as empresas de frete foram financiados pelo resto da sociedade.

Qual foi o impacto dessa intervenção do governo no mercado de fretes?

A oferta de caminhões, e consequentemente de fretes, cresceu muito acima da demanda por fretes. Desse modo, o preço do frete, que é
a remuneração do caminhoneiro e das empresas de frete, caiu. Essa consequência é dada pela Lei da Oferta e da Demanda e acontece
em qualquer mercado no qual a oferta supera a demanda.

Para complicar a situação dos caminhoneiros e das empresas de frete, a partir do final de 2013, a economia brasileira entrou na pior
recessão da sua história, com o PIB recuando 10% em três anos, o que gerou uma queda de produção digna de tempos de guerra.
Logicamente, a demanda por fretes despencou.

Em 2018, fatores geopolíticos internacionais pressionaram o preço do barril de petróleo, que subiu muito em dólares. Além disso, fatores
da economia americana e incertezas no cenário eleitoral brasileiro fizeram o dólar subir muito em relação ao real. Por esses dois motivos,
os derivados de petróleo, como o diesel e a gasolina, subiram no Brasil. Em outras palavras, houve aumento sobre aumento.

Os custos dos caminhoneiros e das empresas de frete, que já estavam com uma margem de lucro muito reduzida, explodiram. Para
piorar, o imposto sobre o diesel alcançou 45%, e o governo não pode diminuí-lo, pois as suas contas estavam destroçadas desde 2013.
Se diminuísse os impostos sobre derivados, teria de aumentá-lo em outros setores e, novamente, a sociedade pagaria – como, aliás,
ocorre habitualmente.

Moral da nossa fábula: a intervenção do governo em preços e, consequentemente, em mercados, como aconteceu no mercado de
caminhões em 2009, pode parecer interessante em um primeiro momento, mas cria distorções que, frequentemente, acabam gerando um
alto preço a ser pago pela sociedade. Quando o governo intervém na economia, lembro-me de um elefante em uma loja de cristais: ele
tenta arrumar uma prateleira, e destrói metade da loja.
Lei da oferta e formação de preços nos mercados

Situação 1
Mercado em concorrência, com o governo impondo um teto de preço acima do preço
de equilíbrio. Comente como ficará o mercado.

Situação 2
Mercado em concorrência, com o governo impondo um teto de preço abaixo do preço
de equilíbrio. Comente como ficará o mercado.
Lei da oferta e formação de preços nos mercados

Situação 1
Mercado em concorrência, com o governo impondo um teto de preço acima do preço
de equilíbrio. Comente como ficará o mercado.
Resposta: O teto acima do preço de equilíbrio (quantidade ofertada = quantidade
demandada) não afeta em nada o mercado, já que o preço estabelecido,
espontaneamente, pelas forças de oferta e demanda já obedece a imposição do teto
do governo. Se os produtores resolvessem precificar pelo teto permitido, como esse
teto estaria acima do preço de equilíbrio, apareceria um excesso de oferta, o que faria
o preço cair até o preço de equilíbrio, que seria o praticado pelo mercado
naturalmente.
Lei da oferta e formação de preços nos mercados

Situação 2
Mercado em concorrência, com o governo impondo um teto de preço abaixo do preço
de equilíbrio. Comente como ficará o mercado.
Resposta: Se o teto imposto for abaixo do preço de equilíbrio, haverá um problema:
os consumidores vão querer comprar uma quantidade maior do que seria demandada
ao preço de equilíbrio (maior que o teto permitido). Já os produtores vão ofertar uma
quantidade menor do que seria ofertada ao preço de equilíbrio. Aparecerá então um
excesso de demanda que, normalmente, faria o preço subir até equilibrar o mercado.
No entanto, como a imposição do teto do governo proíbe o aumento de preço, o
excesso de demanda continuará existindo, acarretando racionamentos e pagamentos
de ágio (escondido do governo) por consumidores ávidos pelo produto.

Comentário: vale destacar que, quando o governo interfere em preços, ele


está dando uma referência irreal aos agentes econômicos, que tomam então
decisões que não são as mais eficientes para a economia.
Caso Extra, veja a questão a seguir.

 No Plano Cruzado (1986 – governo Sarney), para tentar conter a hiperinflação, o


governo impôs o congelamento de preços, com penas, inclusive de prisão, para
quem o desrespeitasse. Por que essa intervenção não deu certo?

Resposta: O congelamento de preços imposto pelo primeiro plano que tentou, em


vão, conter a hiperinflação (Plano Cruzado - 1986) funcionou como um teto de
preços acima dos de equilíbrio para os diversos mercados na economia, trazendo
as consequências que já foram discutidas na nossa aula. O resultado, mais do que
previsível, foram filas em supermercados, desabastecimentos e ágios, como a
teoria econômica previa.

Dessa forma, depois de algum tempo, o governo foi obrigado a suspender o


congelamento, e a hiperinflação voltou.
Dinâmica 2 15 minutos

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Dinâmica local 2: Barreiras a entrada
Vamos debater, em plenária, a questão a seguir:

A patente é um monopólio temporário por meio do qual, por um tempo definido, o


inventor de algo é o único que pode produzi-lo.
Por exemplo, se um laboratório inventa um remédio novo para diabetes, durante alguns
anos (10 a 15 anos), ele será o único a poder fabricá-lo ou receberá pagamento de
royalties de outro laboratório que o fabricar.
 Se uma empresa desenvolve uma nova tecnologia, é justo que outras empresas
possam usá-la livremente, sem pagar nada por isso? Se isso fosse permitido, as
empresas continuariam a investir no desenvolvimento de novos produtos e
tecnologias? Realize um debate com base nesses questionamentos e justifique a
existência do monopólio estabelecido pela patente.

Resposta: A patente é um monopólio temporário que visa incentivar os agentes


econômicos a continuarem desenvolvendo novas tecnologias e produtos. As inovações
tecnológicas são essenciais para o crescimento econômico, mas ninguém investiria tempo
e capital no desenvolvimento de novos produtos se, imediatamente, fosse permitido que
concorrentes copiassem a sua invenção, levando ao encolhimento da margem de lucro. É
importante frisar que os agentes econômicos reagem a incentivos. A patente gera o
incentivo necessário para que as pessoas tentem inventar novas tecnologias, remédios,
etc.
Dinâmica 3 20 minutos

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Dinâmica local 3: lucro contábil versus lucro econômico

O exercício pode em pequenos grupos ou individualmente. É importante que todos


leiam o texto e respondam à questão. Em seguida, vamos a plenária.
Fábrica de Biscoitos da Helena
O objetivo de uma empresa é obter lucro. Helena começa um negócio de fabricação de biscoitos. O lucro de Helena será o
seguinte: lucro = receita total – custo total. Já a receita será a seguinte: quantidade total produzida x preço da unidade.
Vamos supor que, em um mês, Helena produza 10 mil biscoitos e venda a unidade por R$ 2,00. A sua receita mensal é de R$
20.000,00. O cálculo dos custos é bem mais sútil.
Quando medirmos os custos de produção da fábrica de Helena, não podemos esquecer o conceito de custo de
oportunidade: o custo de oportunidade de algo é tudo aquilo de que você abre mão para adquiri-lo.
Os custos de oportunidade da produção de uma empresa são, às vezes, óbvios e, outras vezes, não tão óbvios: quando Helena
paga R$ 1.000,00 pela farinha, esse valor é um custo de oportunidade, pois ela não pode mais usá-lo para comprar outra
coisa.
Podemos pensar da mesma forma quanto aos salários que ela paga aos trabalhadores contratados. Esses custos são explícitos
e bastante óbvios.
Existem, contudo, outros custos de oportunidade que são implícitos e não tão óbvios. Imaginemos que Helena entenda muito
de computadores e possa ganhar R$ 100,00 por hora como programadora. A cada hora que trabalha na fábrica de biscoitos,
ela está deixando de ganhar R$ 100,00. Essa renda que Helena não ganha é também um custo, só que não é tão obvio, pois
não sai, fisicamente, do caixa da empresa.
Surge então a diferença entre o modo como os contadores e os economistas calculam o lucro (lucro contábil x lucro
econômico). Para realizar o cálculo do lucro, os contadores lançam, nas suas contas, somente os custos explícitos (os que
saem do caixa da empresa, como o custo da farinha). Já os economistas lançam os custos explícitos e implícitos (o que
Helena está deixando de ganhar como programadora) para verificar se vale a pena ter a fábrica de biscoitos. Provavelmente,
se o salário de um programador subisse para R$ 500,00 por hora, Helena poderia desistir da fábrica de biscoitos para trabalhar
como programadora.

 Helena investiu um capital na fábrica de biscoitos que está rentabilizando 6% a.a. A caderneta de
poupança rentabiliza 7% a.a.
Esse é um caso de lucro contábil ou de lucro econômico?
Resposta: É um caso de lucro contábil (6% a.a.),
com um prejuízo econômico, pois o capital está
deixando de render 7% na poupança.
Dessa forma,
há um prejuízo econômico de 7% - 6% = 1%.

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Dinâmica 4 33 minutos

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Dinâmica local 4: O eterno debate: estatais ou concessões ao setor privado?

Esta aula abordou a eterna “briga” entre aqueles que preferem a atuação direta do governo nos serviços
públicos (energia, aeroportos, estradas, etc.) e aqueles que preferem que o setor privado atue por meio de
concessões concedidas pelo poder público a partir de leilões.

Vamos ler e em seguida fazer um debate entre alunos trazendo a sua opinião sobre esse assunto,
embasada em cases (como a privatização dos aeroportos e das empresas de telecomunicações) e na vivência
brasileira de cada um no assunto em geral.
Apresentemos os prós e os contras, com ponderações, lembrando que esse é sempre um assunto polêmico e
que a “verdade” nunca está somente de um dos lados. Existem empresas do setor público gerenciadas pelo
Estado que são eficientes, como as responsáveis pelas estradas na Alemanha, e também existem empresas
privatizadas eficientes, como a responsáveis pelas estradas francesas.

Um ponto importante a ser trazido para o debate é o seguinte: as empresas nas quais voces
trabalham têm os seus custos aumentados pela deficiência de infraestrutura (estradas, portos,
aeroportos) do País? Esse não seria um motivo importante para apoiar as concessões ao setor
privado.

Também é importante pensar e imaginar como seria a vida das empresas se a nossa telefonia não tivesse tido
um impulso após as privatizações ocorridas em 1998. Como seria a nossa vida particular e empresarial se não
tivéssemos acesso à internet?
A seguir, apresentamos um texto sobre o assunto para auxiliar nesse debate.
Privatizações no Brasil
Os defensores das privatizações no Brasil argumentam que a administração pública centralizadora é bastante
precária, impede a evolução das empresas e trava a economia. Com as privatizações, a lucratividade dessas
instituições elevar-se-ia, gerando mais riquezas (embora essas mesmas riquezas não mais pertençam ao poder
público, e sim ao grupo de empresários investidores).
No cerne dessa proposição está a minimização dos gastos com a folha salarial, uma vez que o número excessivo
de funcionários é diminuído e, sempre que possível, os cargos passam a ser terceirizados. Para se ter uma ideia,
entre 1995 e 2005, o número de empregados em empresas privatizadas nesse período caiu de 95.000 para
28.000 trabalhadores, assinalando uma queda superior a 70%. Enquanto isso, nessas mesmas empresas, a
lucratividade saltou de R$ 11 bilhões para R$ 110 bilhões, um aumento de 900%.
É justamente nesse ponto, no entanto, que se encontra boa parte das críticas direcionadas às privatizações no
Brasil. As argumentações estão no fato de que elas foram responsáveis por acelerar o processo de terceirização
da economia e precarização das relações de trabalho, aumentando o desemprego e diminuindo a renda dos
assalariados. Contudo, a reforma trabalhista, realizada em 2017, regulamentou e permitiu a terceirização.
Em contrapartida, aqueles favoráveis à privatização afirmam que ela proporciona um melhor desenvolvimento
em termos de infraestrutura, sobretudo no que se refere à qualidade dos serviços oferecidos. Um dos exemplos
mais citados é o caso das empresas de telefonia brasileiras, como a Embratel e a Telebras. Após as
privatizações, o acesso aos aparelhos de telefone tornou-se mais comum. Antes das privatizações de 1998,
menos de 2% da população brasileira possuía um telefone celular.
Os críticos afirmam que essa difusão somente foi possível graças à estruturação feita pelo governo a partir da
década de 1960, que permitiu a integração nacional das redes de telefonia. Além disso, questiona-se a
qualidade dos serviços das empresas de telefonia, frequentes alvos de reclamações dos consumidores.
Fonte: PENA, Rodolfo F. Alves. Privatizações no Brasil. Mundo Educação. Disponível em:
https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/privatizacoes-no-brasil.htm. Acesso em: fev. 2019.
Dúvidas

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