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Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas

EPS 7009 - Teoria da Decisão

Métodos Outranking

Prof. Mauricio Uriona M.


1
Métodos de Métodos Sistemas de
agregação Outranking Apoio à
Decisão
MAUT, Soma
Família de
Ponderada, Métodos Dinâmica
Produto Ponderado, Electre, de
Topsis, AHP Promethée Sistemas
Introdução

 Os métodos outranking apresentam a noção


das alternativas não serem necessariamente
comparáveis;
 Isto se dá pelo fato de existirem três tipos de
resultados, com relação à comparação:
preferência, indiferença e incomparabilidade.
Introdução

 Ou seja, existem agora três formas de comparar


as alternativas a e b:

1. Preferência: aPb ou bPa


2. Indiferença: aIb
3. Incomparabilidade: aRb

 P, I e R: definem a estrutura de preferências se,


para todo a,b de A, uma e apenas uma das
opções acima é válida.
Introdução

Desta forma, em muitas situações, duas


alternativas não podem ser comparadas entre si;
Portanto, não é mais possível estabelecer uma
ordem de preferência (no sentido do axioma da
transitividade);
Assim, torna-se necessário redefinir o conceito
de decisão:
Introdução

 Seleção: de um conjunto de alternativas é


selecionado um pequeno subconjunto de alternativas
consideradas como “melhores”;
 Classificação: cada alternativa é agrupada em uma
classe onde não existe ordem entre classes;
 Ordenação: as alternativas ou parte delas, são
levadas a uma ordem de preferência (total ou parcial).
Método Promethee
Promethee

 O método Promethee (Preference Ranking


Organization Method for Enriched Evaluation)
oferece um ranking com base em graus de
preferência;
 Três passos/etapas:
 Cálculo dos graus de preferência para cada par de
ações de cada critério;
 Cálculo dos fluxos uni-critério;
Exemplo

 Decisão: escolher um ERP dentre cinco diferentes


opções;
 Quatro critérios são definidos:
 Preço (a ser minimizado);
 Complexidade (a ser minimizado);
 Segurança (a ser maximizado); e
 Desempenho (a ser maximizado)
 Da tabela a seguir, observa-se que não existe uma
opção ‘ideal’, ou seja, existem trade-offs entre as
opções
Exemplo
Segurança Desempenho
Complexidade
Preço (R$) (escala de 4 (transações por
(1-10)
pontos) hora)

SAP 15000 7.5 Muito Ruim 50.0


Oracle 29000 9.0 Ruim 110.0
Totus 38000 8.5 Muito Bom 90.0
Microsoft 24000 8.0 Médio 75.0
IBM 25500 7.0 Médio 85.0
Passo 1

 O primeiro passo é calcular o grau de preferência do


tomador de decisão, para cada um dos critérios
identificados (neste caso, quatro);
 Isto é feito a partir da identificação da função de
preferência (similar a função utilidade da teoria de decisão sob risco)
para cada critério;
 Para fins de facilitar essa identificação, são utilizadas
funções gráficas;
 A função de preferência indica a preferência do tomador
de decisão com relação a duas alternativas.
Funções de preferência

Curva de Gauss Linear


1 1

0 0
s q p

s: Parâmetro que indica o ponto de inflexão da curva gaussiana


q: Parâmetro que indica o ponto de indiferença
p: Parâmetro que indica o ponto de preferência
Funções de preferência

Forma Usual Forma U


1 1
q=p=0
p=0
0 0
q

Forma V Forma em Níveis


1 1

q=0
0 0 q p
p
Passo 1

 Para cada critério:


 É utilizada uma das funções previamente apresentadas, com
ela são realizadas as comparações entre as alternativas ‘par
a par’.
 O resultado dessa comparação é levado a uma tabela
de comparações (similar àquela do método AHP);
 A seguir, apresenta-se o passo a passo das
comparações para o primeiro critério (preço),
assumindo uma função de preferência linear, com
q=2000 R$ e p=5000 R$.
Critério “Preço”

Grau de
1 Preferência

Diferença
0 q = 2000 R$
q p p = 5000 R$

Limiar de indiferença Limiar de preferência


Critério “Preço”

Grau de
1 Preferência

0.5

Diferença
0 q = 2000 R$
q 3500 p p = 5000 R$

Limiar de indiferença Limiar de preferência


Graus de preferência

Para funções lineares:

Se
𝑘𝑘
𝜋𝜋𝑖𝑖𝑖𝑖 Se

Se
Graus de preferência

Para funções gaussianas:

𝑘𝑘 Se
𝜋𝜋𝑖𝑖𝑖𝑖
De outra forma
Critério “Preço”

k = Preço
Tabela dos graus de preferência 𝜋𝜋𝑗𝑗𝑗𝑗𝑘𝑘
SAP Oracle Totus Microsoft IBM

SAP 0 1 1 1 1
Oracle 0 0 1 0 0
Totus 0 0 0 0 0
Microsoft 0 1 1 0 0
𝑘𝑘
𝜋𝜋𝑖𝑖𝑖𝑖 IBM 0 0.5 1 0 0
Passo 2

O segundo passo é o cálculo dos fluxos


unicritério: fluxos positivos, fluxos negativos e
fluxos líquidos;
 Fluxos positivos (fluxos saindo): nota de 0 a 1,
indica o grau de preferência de uma alternativa sobre
todas as outras (por filas);
 Fluxos negativos (fluxos entrando): nota de 0 a 1,
indica o grau de preferência de todas as outras (por
colunas);
 Fluxos líquidos: soma dos fluxos positivos e
negativos por alternativa.
Fluxos unicritério

b b

φ + (a) φ − (a)
a a

• Fluxos positivos:
(saindo)
• Fluxos negativos:
(entrando)
• Fluxos líquidos:
Fluxos unicritério

Cálculo dos fluxos de preferência:


Microsof
SAP Oracle Totus
t
IBM 𝜙𝜙 + (a)
SAP 0 1 1 1 1
Oracle 0 0 1 0 0
Totus 0 0 0 0 0
Microsof
t 0 1 1 0 0
IBM 0 0.5 1 0 0
𝜙𝜙 - (a)
Fluxos unicritério

Cálculo dos fluxos de preferência:


Microsof
SAP Oracle Totus
t
IBM 𝜙𝜙 + (a)
SAP 0 1 1 1 1 1
Oracle 0 0 1 0 0 0.25
Totus 0 0 0 0 0 0
Microsof
t 0 1 1 0 0 0.5
IBM 0 0.5 1 0 0 0.375
𝜙𝜙 - (a) 0 0.625 1 0.25 0.25
Fluxos unicritério

Cálculo dos fluxos de preferência:


Microsof
SAP Oracle Totus
t
IBM 𝜙𝜙 + (a)
SAP 0 1 1 1 1 1
Oracle 0 0 1 0 0 0.25
Totus 0 0 0 0 0 0
Microsof
t 0 1 1 0 0 0.5
IBM 0 0.5 1 0 0 0.375
𝜙𝜙 - (a) 0 0.625 1 0.25 0.25
𝜙𝜙 (a) 1 -0.375 -1 0.25 0.125
Passo 3

 O terceiro passo é o cálculo dos fluxos globais, a


partir do fluxos unicritério (calculados anteriormente)
 Obs.: o procedimento apresentado anteriormente para o
critério ‘preço’, deve ser reproduzido para cada um dos
critérios restantes;
 Assim, teremos 𝜙𝜙 + (a), 𝜙𝜙 - (a) e 𝜙𝜙 (a) para cada um dos
quatro critérios do nosso problema;
 Adicionalmente, para o cálculo dos fluxos globais,
precisamos também dos ‘peso relativo’ de cada critério.
Fluxos Globais
 Os valores para wi , q e p para cada critério aparecem
na tabela a seguir:

Critério wi q p
Preço 0.25 2000 5000
Complexidade 0.25 0.5 1.0
Segurança 0.25 1.0 2.0
Desempenho 0.25 10 20

 E calculamos os fluxos unicritério para cada critério, ou


seja, 𝜙𝜙 + (a), 𝜙𝜙 - (a) e 𝜙𝜙 (a) para cada critério.
Fluxos Globais

 Por fim, realiza-se uma soma ponderada de cada fluxo


uni-critério do critério i, multiplicado pelo peso relativo
do critério i;
 Utiliza-se a equação:

∑ k
ϕ a = i=1 wi ∗ϕi a

 Os fluxos globais, aparecem na tabela a seguir.


Fluxos Globais

Fluxos Fluxos
Fluxos Líquidos
Positivos Negativos
Globais
Globais Globais
𝜙𝜙 (a)
𝜙𝜙 + (a) 𝜙𝜙 - (a)
SAP 0.3750 0.5000 -0.1250
Oracle 0.3750 0.5312 -0.1562
Totus 0.3438 0.4375 -0.0937
Microsoft 0.3750 0.2812 0.0937
IBM 0.4688 0.1875 0.2812
Passo 4

 A escolha da melhor opção de compra pode ser obtida de


duas formas:
 A partir dos rankings dos fluxos positivos e negativos globais
(procedimento conhecido como Promethee I); e
 A partir dos rankings dos fluxos líquidos globais (procedimento
conhecido como Promethee II).
 Promethee I oferece um rankeamento ‘parcial’ no sentido
de representar o estado da incomparabilidade;
 Promethee II oferece um rankeamento ‘total’, onde o
estado da incomparabilidade não existe.
Promethee I

𝜙𝜙 + (a) 𝜙𝜙 - (a)
Promethee II 𝜙𝜙 (a)
Método Electre
Introdução

 A família de métodos ELECTRE (Elimination et choix


traduisant la realité) oferecem a vantagem de evitar a
compensação entre critérios/alternativas;
 A família ELECTRE compõe-se de:
 Métodos para escolha (Electre I, Electre Iv e Electre Is);
 Métodos para ranking (Electre II, Electre III e Electre
IV);
 Métodos para classificação (Electre-Tri-B e Electre-Tri-
C).
Electre III

 Electre III: método para ranking de alternativas;


 Divide-se em duas etapas:
 Primeiro, são construidas as relações outranking
entre as alternativas; e
 Logo, essas relações são exploradas.
 Vejamos no exemplo a seguir.
Exemplo

 Decisão: escolher um candidato para um determinado cargo;


 Cinco critérios são definidos:
 Anos de estudo na Universidade (a ser maximizado);
 Experiência profissional em anos (a ser maximizado);
 Recursos financeiros solicitados em USD (a ser
minimizado);
 A avaliação da carta de apresentação (a ser maximizado); e
 O retorno potencial dos recursos financeiros alocados (a ser
maximizado)
 Da tabela a seguir, observa-se que não existe uma opção
‘ideal’, ou seja, existem trade-offs entre as opções
Exemplo
Retorno
Educação Experiênci Recursos Carta
Potencial
(anos) a (anos) (x100USD) (escore)
(escore)
f1 f2 f3 f4
f5
C1 6 5 28 5 5
C2 4 2 25 10 9
C3 5 7 35 9 6
C4 6 1 27 6 7
C5 6 8 30 7 9
C6 5 6 26 4 8
Exemplo

 O método utiliza dois índices de comparação:


 O índice de concordância parcial: dado pela soma dos
pesos dos critérios (wi) nos quais a “alternativa a é pelo
menos tão boa quanto b”;
 O índice de discordância parcial: dado pelo papel do veto
em relação a concordância;
 Para isto são necessários alguns parâmetros: o limiar de
indiferênça q, o limiar de preferência p e o limiar do
veto v, bem como os pesos relativos de cada critério
w.
 Para o nosso exemplo:
Exemplo

f1 f2 f3 f4 f5
wi 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2
qi 0 0 0 0 0
pi 1 1 1 1 1
vi 0 0 0 0 0
Concordância parcial
 A concordância ci(a,b) é medida para cada critério fi, a partir da
comparação “a é pelo menos tão bom quanto b”.
 Utiliza os parâmetros qi e pi
Discordância parcial
 A discordância di(a,b) é medida para cada critério fi, a partir da
posição do tomador de decisão perante a discordância com a
afirmação “a é pelo menos tão bom quanto b”;
 Utiliza o parâmetro vi.
Concordância global

 O grau de concordância global C(a,b) agrega todos os índices


de concordância parcial, levando em consideração o peso
relativo wi

 Com o grau de concordância global C(a,b) e com os índices


de discordância, calcula-se o grau global de outranking
S(a,b):
Passo 1
 Vamos calcular os índices de concordância parcial para o
critério educação (f1):
C1 C2 C3 C4 C5 C6 f1
C1 1 1 1 1 1 1 C1 6
C2 0 1 0 0 0 0 C2 4
C3 0 1 1 0 0 1 C3 5
C4 1 1 1 1 1 1 C4 6
C5 1 1 1 1 1 1 C5 6
C6 0 1 1 0 0 1 C6 5
Passo 2

 Calcular os índices de discordância parcial;


 Para o exemplo, como os valores dos vetos vi são 0,
não existe a matriz de discordância;
Passo 3

 Após calcular os índices de concordância e dicordância para


cada critério, calcula-se a matriz de concordância global:

C1 C2 C3 C4 C5 C6
C1 1.00 0.40 0.40 0.40 0.40 0.40

C2 0.60 1.00 0.60 0.80 0.60 0.60

C3 0.60 0.40 1.00 0.40 0.20 0.60

C4 0.80 0.20 0.60 1.00 0.40 0.40

C5 0.80 0.60 0.80 0.80 1.00 0.80

C6 0.60 0.40 0.60 0.60 0.20 1.00


Passo 4
 Logo, aplica-se um processo de destilação na matriz S(a,b);
 No nosso exemplo, a matriz S(a,b) = C(a,b), pois não
houveram parâmetros de discordância;
 O processo de destilação, precisa dos parâmetros a seguir:

Parâmetros Valores
λ0 = ( para todo (a,b ϵ A) max S(a,b) 1
α, β α=-0.15 e β=0.3
s(λ0)= α + β· λ0 0.15
λ1 = λ0 – s(λ0) 0.85
λ2 = para todo {S(a,b)≤ λ1 } max [ S(a,b) ]
∀a,bϵA 0.80
Destilação
 Utiliza-se o λ2 para identificar as qualificações positivas
e negativas de cada alternativa, e com isto, finalizar o
processo de destilação:
Qualificações Qualificações Qualificações
Positivas Negativas Líquidas
C1 0 2 -2
C2 1 0 1
C3 0 1 -1
C4 1 2 -1
C5 4 0 4
C6 0 1 -1
Resultado final

Destilação Destilação Destilação


Descendent Ascendente Final
e
C5
C5 C2 e C5

C2

C4 e C2 C3 e C6
C3 e
C4
C6

C1, C3 e
C6
C1 e C4 C1
Bibliografia

1. Ishizaka, A. et al (2013). Multi Criteria Decision Analysis: Methods


and Software. Cap 6. Promethee.
2. Ishizaka, A, et al (2013). Multi Criteria Decision Analysis: Methods
and Software. Cap 7. Electre.

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