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Redes Eléctricas como Base para o Transporte e Distribuição de Energia

Frequentemente, os recursos energéticos necessários para diversas actividades económicas


situam-se muito longe das regiões industriais. É o caso de Moçambique em que grandes
reservas energéticas estão situadas em Tete, enquanto os potenciais consumidores estão em
Sofala e Maputo. Portanto, a energia necessária deve ser transportada para grandes distâncias.
O problema que se coloca é encontrar a melhor forma de transporte. Existem várias
possibilidades. Pode-se por exemplo, transportar os combustíveis (petróleo, carvão) por via
férea. Podem certos tipos de combustíveis (gás, petróleo) serem transportados por condutas
(“pipelines”) ou grandes navios (petroleiros). Embora o transporte do petróleo a grandes
distâncias já seja enconomicamente viável, o transporte da maioria dos recursos energéticos
primários não o é. A solução encontrada é a conversão da energia contida nesses recursos em
energia eléctrica e o transporte dessa nova forma de energia para os centros de consumo, a
partir das linhas de transmissão. A distribuição de energia eléctrica é mais fácil de expandir,
para além de que a sua transformação nos centros de consumo é cómoda e vantajosa. O
rendimento de transformação de energia eléctrica em outras formas de energia é muito alto.
Assim, na prática, o problema que se coloca é a decisão sobre o local de construção das
centrais eléctricas e sobre as distâncias de transporte do combustível para as centrais Estas
questões por seu turno estão ligadas a solução de outros aspectos da economia do país tais
como existência de vias féreas, desenvolvimento da indústria, nível cultural das populacões
da região, entre outros factores. Portanto, a função principal das redes eléctricas de transporte
é a transmissão da energia dos lugares remotos de sua produção aos lugares de consumo.
Através da interligação, as redes eléctricas permitem agrupar as diversas centrais eléctricas e
os consumidores de energia num sistema eléctrico único. A necessidade de interligações por
agrupamentos explica-se pela sua grande vantagem técnico-económica. Com o aumento da
potência de interligação, surge a possibilidade de construção de grandes potencias dos
agrupamentos criados, o que reduz consideravelmente os custos unitários de produção e
operação. O aumento do número de ligações das diferentes centrais eléctricas eleva a
fiabilidade do sistema para além de aumentar a possibilidade de utilização mais completa e
racional de todo o equipamento instalado permitindo assim uma utilizaçao mais económica
das fontes de alimentação a partir das reservas locais. 7
1.3 Evolução Histórica e Perspectivas do Transporte de
Energia Eléctrica no Mundo
1.3.1 Evolução Histórica Apenas no terceiro quarto do século XIX foi possível a produção
de energia eléctrica em quantidades razoáveis para poder ser consumida, graças ao
desenvolvimento do dínamo, como resultado dos trabalhos dos cientistas Siemens e Pacinotti.
Porém, só a partir de 1 879-1880, com a invenção da lâmpada incadescente por Thomas
Edison, a energia eléctrica teve o seu grande impulso. Em 1882 foi inaugurada a primeira
central eléctrica para fornecer energia para iluminação pública com 400 lâmpadas de 83 watt
cada, dentro de uma área com 1,5 km de raio, em Pearl Street, na cidade de Nova York. A
partir daí começaram a surgir os primeiros sistemas eléctricos em diversos paises do mundo
sendo o de maior destaque a linha de transmissão de 59 km a 2400 V, corrente contínua, na
Alemanha, em 1882. A expansão dos sistemas eléctricos foi limitada pelos fenómenos da
queda de tensão e perdas por efeito de Joule. Por volta de 1884/1886 foi inventado e
desenvolvida a versão comercial do transformador por William Stanley, que permitia elevar e
abaixar a tensão, com grande rendimento, desde que a energia fosse em corrente alternada.
Nestas condições, o problema de transmissão com tensões mais elevadas, portanto, com
menos perdas de energia, estava resolvido. Datam desse período, duas realizações notáveis
para a época:  A linha de 12KV, trifásica, 180Km em 1891 na Alemanha;  A invencão,
entre 1885 e 1888, do motor de indução, devido aos trabalhos de Ferraris e Nikola Tesla.
Estes feitos deram um novo impulso aos sistemas de corrente alternada, que foram, pouco a
pouco, substituindo os de corrente contínua. As vantagens da corrente alternada, seja na
geração como no transporte, ou ainda distribuição superaram as da corrente continua e assim
cresceram continuamente as redes de corrente alternada. Como resultado cresceram também
as potencias das centrais eléctricas e as tensões de transporte. Em 1910, atingia-se o nível de
110KV. Em 1913, estava-se em 130KV. Em 1922 entrou em operação a primeira linha de
230KV e em 1936 uma linha de 287KV. Apenas em 1950, foi suplantada a tensão de 287KV
com a entrada em serviço na Suécia de uma linha de 1000Km de cumprimento e uma tensão
de 400KV. Na América do Norte, somente em 1955 foram construídas as primeiras linhas de
345KV nos EUA. Entre 1964 e 1967, foram projectadas e construídas as primeiras linhas de
735KV no Canadá.