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EMPRESARIAL I

Prof. Esp. NELZENY FEITOSA


nelzenyfeitosa@fgf.edu.br
Aula - 4 - NEGÓCIO JURÍDICO
Objetivos

Conhecer:

a denominação;

a conceituação; e

as características NEGÓCIO JURÍDICO


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NEGÓCIO JURÍDICO

FATO: qualquer ocorrência

1 - Fato jurídico: é todo acontecimento da vida relevante para o direito,


mesmo que seja fato ilícito.

2 - CLASSIFICAÇÃO: Fatos naturais ordinários (nascimento, morte


etc.) e extraordinários (raio, tempestade etc.)

FATOS HUMANOS: LÍCITOS: conforme a lei ( ato jurídico em sentido


estrito, negócio jurídico); E ILÍCITOS: contrário a lei.
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NEGÓCIO JURÍDICO

ATOS LÍCITOS: a) Ato jurídico em sentido estrito: o efeito da manifestação da


vontade está predeterminado na lei.

Basta a mera intenção. É sempre unilateral.

b) Negócio jurídico: é, em regra, bilateral.


Exige vontade qualificada.
Permite a criação de situações novas e a obtenção de múltiplos efeitos.
A manifestação de vontade tem finalidade negocial: criar, modificar, extinguir direitos.

Mas há alguns poucos negócios jurídicos unilaterais, em que ocorre o seu


aperfeiçoamento com uma única manifestação de vontade e se criam situações
jurídicas: testamento, instituição de fundação etc.
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NEGÓCIO JURÍDICO

CLASSIFICAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS:

Manifestação de vontade: unilaterais ( testamento); bilaterais (casamento) e


plurilaterais ( consórcio)
b)Vantagem patrimonial: gratuitos ( doação) e onerosos( compra e venda);
c)Aos efeitos temporal: inter vivos ( contrato em geral) e mortis causa (
testamento);
d) Independência: principais ( locação) e acessórios ( fiança);
e) Formalidade: solenes ou formais ( casamento) e não solenes ou de forma livre (
locação;
f) Condições pessoais dos negociantes: Impessoais ( compra e venda) e
Personalíssimo ( contrato com um pintor renomado)
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NEGÓCIO JURÍDICO

INTERPRETAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO:

Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do


que ao sentido literal da linguagem (art. 112). Prevalência da teoria da vontade.

b) Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do


lugar de sua celebração (art. 113).

c) Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam- se restritivamente (art.


114).

d) Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias,


dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente (art. 423).
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NEGÓCIO JURÍDICO

e) A transação interpreta-se restritivamente (art. 843).

f) A fiança não admite interpretação extensiva (art. 819).

g) A intenção das partes pode ser apurada pelo modo como vinham executando o
contrato, de comum acordo.

h) Deve-se interpretar o contrato, na dúvida, da maneira menos onerosa para o


devedor.

I) As cláusulas contratuais não devem ser interpretadas isoladamente, mas em


conjunto com as demais.
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NEGÓCIO JURÍDICO

ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO:

Essenciais Requisitos de existência


a) manifestação da vontade;
b) finalidade negocial;
c) idoneidade do objeto.

Requisitos de validade (art. 104)


a) capacidade do agente;
b) objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
c) forma prescrita ou não defesa em lei.

Elementos acidentais condição, termo e encargo. ( eficácia)


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NEGÓCIO JURÍDICO

Requisitos de existência

Manifestação da vontade, que pode ser expressa, tácita ou presumida.

O silêncio pode ser interpretado como manifestação tácita quando a lei, as


circunstâncias ou os usos o autorizarem (art. 111).

A vontade, uma vez manifestada, obriga o contratante, segundo o princípio da


obrigatoriedade dos contratos (pacta sunt servanda), ao qual se opõe o da
onerosidade excessiva (art. 478)

Como o contrato é um acordo de vontades, não se admite a existência de contrato


consigo mesmo, salvo se o permitir a lei ou o representado (art. 117).
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NEGÓCIO JURÍDICO

B) Finalidade negocial: intenção de criar, conservar, modificar ou extinguir direitos.

c) Idoneidade do objeto: a vontade deve recair sobre objeto apto, que possibilite a
realização do negócio que se tem em vista, uma vez que cada contrato tem objeto
específico.

Requisitos de validade:
Capacidade do agente: aptidão para intervir em negócios jurídicos como declarante
ou declaratório;
A incapacidade de exercício é suprida, porém, pelos meios legais: a representação e
a assistência (art. 1.634, V).
Não se confunde com falta de legitimação, que é a incapacidade para a prática de
determinados atos.
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b) Objeto lícito: é o que não atenta contra a lei, a moral ou os bons costumes. O
objeto deve ser também possível.

Quando impossível, o negócio é nulo. Impossibilidade física é a que emana de leis


físicas ou naturais. Deve ser absoluta.

Ocorre a impossibilidade jurídica do objeto quando o ordenamento jurídico proíbe


negócios a respeito de determinado bem (art. 426).

A ilicitude do objeto é mais ampla, pois abrange os contrários à moral e aos bons
costumes, além de não ser impossível o cumprimento da prestação.

O objeto deve ser, também, determinado ou determinável.


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c) Forma: Deve ser a prescrita ou não defesa em lei.

Em regra, a forma é livre, a não ser nos casos em que a lei exija a forma escrita,
pública ou particular (art. 107).

Há três espécies de formas: livre, especial ou solene (é a exigida pela lei) e


contratual (convencionada pelas partes (art. 109).

A forma pode ser, também, solene (ad solemnitatem) e probatória ( ad probationem


tantum).

Solene: determinada forma é da substância do ato, indispensável, como a escritura


pública na aquisição de imóvel (art. 108); Probatória: a forma destina-se a facilitar a
prova do ato (lavratura do assento de casamento no livro do registro (art. 1.536).
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ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO:

São de três espécies: condição, termo e encargo.

Tais elementos acidentais são introduzidos facultativamente pela vontade das partes
e não são necessários à essência do negócio jurídico.

CONDIÇÃO: Conceito: é a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das


partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento
futuro e incerto (art. 121).

Elementos: futuridade e incerteza. EX: eu lhe darei o meu carro, se eu ganhar na


loteria.
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NEGÓCIO JURÍDICO

Só são consideradas condição, portanto, as convencionais, e não as impostas pela


lei.

Classificação: a) Quanto à licitude: podem ser lícitas e ilícitas (art. 122, 1ª parte).

b) Quanto à possibilidade: possíveis e impossíveis.

c) Quanto à fonte de onde promanam as casuais , potestativas e mista

Causal: são que dependem do acaso, do fortuito, de fato alheio à vontade das
partes.

Ex: eu lhe darei um anel de brilhantes se chover amanhã.


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NEGÓCIO JURÍDICO

Potestativas: são as que decorrem da vontade ou do poder de uma das partes.

Ex: eu lhe darei uma joia se você cantar bem (não basta cantar... deve cantar
bem...);
ou se você passar num concurso (não basta se inscrever... deve passar...);
ou se você for à Paris (não basta só a vontade, exige-se a obtenção de tempo e de
dinheiro para isso);

Mista: são as condições que dependem simultaneamente da vontade de uma das


partes e da vontade de terceiro.

Ex: dar-te-ei tal quantia se casares com tal pessoa ou se constituírem sociedade
com fulano.
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d) Quanto ao modo de atuação: suspensivas e resolutivas.

Suspensiva:((art. 125, CC): é aquela que suspende (protela, adia) os efeitos do


negócio jurídico (eficácia) até a realização do evento futuro e incerto. Adia-se,
temporariamente, a eficácia do negócio.

Ex.: eu lhe darei uma joia se você ganhar a corrida - enquanto você não ganhar, eu
não preciso entregar o bem, pois a condição suspende a doação.

...eu lhe darei uma casa logo após o seu casamento - eu lhe darei um carro, se você
passar no concurso...

Utiliza-se o “ SE” na suspensiva; e “ ENQUANTO” na resolutiva.


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Resolutiva: é a que extingue, resolve o direito transferido pelo negócio, ocorrido o


evento futuro e incerto.

EX : deixo-lhe uma renda enquanto você estudar (se você parar de estudar, você
perde esta renda; o direito se resolve, extingue). Enquanto a condição não se
realizar, vigorará o negócio jurídico. Verificada a condição, extingue-se o direito para
todos os efeitos.
EX: Empresto-lhe uma casa para você nela residir enquanto for solteiro. Isto quer
dizer que no dia em que você se casar perderá o direito de usar a casa.
EX: Beneficiário da doação, depois de recebido o bem, casa-se com a pessoa que o
doador proibira, tendo este conferido ao eventual casamento o caráter de condição
resolutiva.
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NEGÓCIO JURÍDICO

TERMO: (arts. 131/135, CC) é o momento em que começa ou se extingue a eficácia


do negócio jurídico. Termo é a cláusula contratual acessória que subordina os efeitos
do negócio jurídico a um acontecimento futuro e certo.
Requisitos: certeza e futuridade.

Espécies: a) termo convencional – é o aposto no contrato pela vontade das partes.


b) termo de direito – é o que decorreu da lei;
c) termo de graça – dilação de prazo concedido ao devedor : termo inicial (dies a
quo) e final (dies ad quem);
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NEGÓCIO JURÍDICO

d) termo certo e incerto – pode ocorrer que o termo, embora certo e inevitável no
futuro, seja incerto quanto à data de sua verificação.
Ex: determinado bem passará a pertencer a tal pessoa a partir da morte de seu
proprietário. A morte é certa, mas não se sabe quando ocorrerá. Neste caso, a data é
incerta.;

e) termo essencial e não essencial. É essencial quando o efeito pretendido deva


ocorrer em momento bem preciso, sob pena de, verificado depois, não ter mais valor
(data para a entrega de vestido para uma cerimônia).
Prazo: é o intervalo entre o termo inicial e o final (arts. 132 a 134).
Utiliza-se o termo “ QUANDO”.
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NEGÓCIO JURÍDICO

Encargo ou modo - Conceito: cláusula acessória às liberalidades, pela qual se impõe


um ônus ou obrigação ao beneficiário. É admissível também em declarações
unilaterais, como na promessa de recompensa.

Efeitos: o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito (art. 136).

EX: dou um terreno à municipalidade para que nele seja edificado um hospital;
dou-lhe dois terrenos desde que em um deles seja construída uma escola.

Sendo ilícito ou impossível, considera-se não escrito (art. 137).


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Diferenças entre condição suspensiva e encargo:

Condição Suspensiva - a condição impede a aquisição do direito; é imposta com o


emprego da partícula “se”; não coercitiva e suspensiva.

Encargo não suspende a aquisição e nem o exercício do direito; é imposto com as


expressões “ para que” e “ com a obrigação de”, etc.; é coercitivo, e não suspensivo .
:
CONCLUSÃO

Conhecer o negócio jurídico como ato lícito e suas especificações.


:
AVALIAÇÃO

Qual a classificação do fato jurídico?

Qual a classificação do negócio jurídico?

Qual a interpretação do negócio jurídico?


BIBLIOGRAFIA
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil esquematizado. 4ªDireito Civil
esquematizado. 4ª ed. ver. E atual. – São Paulo: Saraiva, 2014.

TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil: volume único. 1.ª ed. Rio de Janeiro:
Forense. São Paulo: Método, 2011.

FIUZA, César. Direito Civil: curso completo. 17.ª ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2014.