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AUTISMO E INCLUSÃO ESCOLAR NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Josiane Eugênio Pereira1

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo verificar se a ação pedagógica desenvolvida com
estudantes com autismo nos anos iniciais do ensino fundamental é inclusiva. Realizou-se
uma pesquisa de abordagem qualitativa e como procedimento para coleta de dados o
estudo de caso com a aplicação de questionário contendo perguntas abertas. Teve como
amostra três professores, uma diretora e dois familiares de um educando com autismo. Os
resultados da pesquisa indicam que esta ainda não encontrou a melhor maneira para incluir
efetivamente o estudante com autismo nas atividades desenvolvidas e que a ação
pedagógica desenvolvida nos anos iniciais do ensino fundamental com estudantes com a
referida síndrome, limita-se ao processo de integração e não o de inclusão, como deveria
acontecer.

Palavras-chave: Educando. Autismo. Processo inclusivo. Integração.

1 INTRODUÇÃO

O movimento de inclusão dos indivíduos com alguma deficiência ou


necessidades educativas especiais, constitui-se um desafio que já vem sendo discutido a
algum tempo no campo da educação. E ao afirmar-se a necessidade da inclusão na escola
é porque sabe-se que ainda existem na atualidade crianças e jovens que estão excluídas de
alguma maneira no âmbito pedagógico escolar.

Nesse sentido, este tema justifica-se a partir de uma inquietação sobre o


significado atribuído à inclusão dos educandos com a síndrome do autismo nos anos iniciais
do ensino fundamental. Acredita-se que a real inclusão destes indivíduos exige

1 Josiane Eugênio Pereira- Mestra em Educação,UNESC. Pedagoga; Professora no Instituto Federal Catarinense - Câmpus
Sombrio. E-mail: josianeeugenio@hotmail.com

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comprometimento da escola, do professor e da família, pois ambas precisam reconhecer
suas próprias limitações e compreender a necessidade de aperfeiçoamento em estudo e
pesquisa para poder desenvolver metodologias adequadas de trabalho para com esses
educandos, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental, que é onde acontece o
processo de adaptação e modificação no ambiente escolar e na rotina do estudante.

Assim, busca-se resposta para o seguinte problema: A ação pedagógica


desenvolvida com os estudantes com autismo nos anos iniciais do ensino fundamental é
inclusiva?

Com a finalidade de responder a mesma pergunta, traçou-se como objetivo geral


verificar se a ação pedagógica desenvolvida com estudantes com autismo nos anos iniciais
do ensino fundamental é inclusiva.

Quando se depara com o autismo em sala de aula, muitas vezes, o professor


não sabe como agir, foi esta questão que deu margem a opção pelo tema de estudo, a partir
daí reconheceu-se uma problematização, pois trata-se de destacar as dificuldades
enfrentadas no ato pedagógico de desenvolvimento e apropriação de saber destes
estudantes, visto que envolvem o relacionamento entre professores, pais e escola.

O autismo não é uma síndrome nova. Sempre existiu através dos séculos em
todas as partes do mundo, em todo tipo de configuração social, racial, étnica, mesmo assim,
ainda há precariedade de conhecimentos sobre o tema, na atualidade. Diante disso, é
preciso conhecer como está sendo efetivado o trabalho com estes estudantes nas escolas
de ensino regular, por compreender que muitos educadores não sabem como trabalhar com
crianças com a síndrome do autismo devido a falta de conhecimento sobre o assunto. A
falta de qualificação para atender estes educandos, impede que sejam efetivadas propostas
e metodologias apropriadas e que venham favorecer o desenvolvimento das potencialidades
destes indivíduos.

Na busca da fundamentação teórica dos diferentes conceitos atribuídos à


trajetória da educação especial no Brasil e em Santa Catarina, a integração e inclusão
diante da diversidade em sala de aula, buscou-se as contribuições de Glat, Mazzota,
Mantoan e a Política de Educação Especial Nacional e em Santa Catarina. Nas discussões
voltadas para a síndrome do autismo, suas principais características comportamentais e
formas de atendimento existentes utilizou-se o Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais (DSM-IV) e os estudos de Gauderer, Schwartzman e Hengemühle.

Nesse sentido, o suporte teórico foi de suma importância nessa pesquisa, pois
possibilitou uma maior compreensão sobre o autismo e sobre a ação pedagógica
desenvolvida com os educandos com a referida síndrome.

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2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

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Este artigo é o resultado de Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC), que teve como tema de pesquisa: "A inclusão dos estudantes
com autismo nos anos iniciais do ensino fundamental 2". Na pesquisa
realizada na graduação em Pedagogia, buscou-se compreender se a
ação desenvolvida com os estudantes com síndrome do autismo nos
Anos Iniciais do Ensino Fundamental poderia ser considerada inclusiva.
Para tanto, no ano de 2007 foi elaborado um questionário com
perguntas abertas, que foi aplicado a três professoras, dois familiares e
uma diretora, de uma escola localizada no município de Araranguá/SC,
onde o aluno (09 anos de idade) com a síndrome do autismo estava
matriculado.

A coleta de dados, com a aplicação do questionário estruturado


com perguntas abertas, segundo Luciano (2001,p.30) "possibilita que o
sujeito da pesquisa expresse sua opinião".

Para a elaboração do estudo, optou-se pelo estudo de caso,


que é uma metodologia qualitativa amplamente utilizada em pesquisas
em ciências sociais. O estudo de caso, segundo Rauen (2002,p.58)
consiste em "uma análise profunda e exaustiva de um ou poucos
objetos, de modo a permitir o seu amplo e detalhado conhecimento".
Haja visto, que o referido estudo teve como objetivo aproximar a
pesquisa da realidade que desejava-se evidenciar, utilizando de meios
adequados para identificar ações e práticas no âmbito escolar.

O contato prévio na instituição pesquisada aconteceu no mês


de março,do mesmo ano, diretamente com a diretora e as professoras e
em seguida ocorreu o contato com os pais do aluno. Em todos os
momentos, justificou-se a importância da participação na pesquisa com
os pesquisados, afim de que compreendessem que a mesma teria o
objetivo de construir e colaborar no desenvolvimento do potencial dos
educandos que apresentam autismo. Assim, firmou-se compromisso que
não seria revelado o nome de nenhum dos envolvidos, e para tanto,
para garantir o sigilo da identidade dos entrevistados, na pesquisa
optou-se pela utilização de letras do alfabeto.

2 Orientado pela professora Mestra Elizabet Ferreira de Aguiar.


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3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Este momento da pesquisa teve como objetivo analisar e discutir os dados


levantados, para a compreensão da visão dos educadores, diretora e pais, sobre o tema em
questão.

Para a melhor análise e discussão apresentar-se-a duas, das três categorias


elencadas no trabalho:

A primeira categoria trata sobre "O conceito de autismo compreendido pela


comunidade escolar": Entende-se que ao desconhecer o autismo, as pessoas
desconhecem o tratamento, as limitações, os interesses das pessoas que apresentam a
síndrome.

Assim, a fim de constatar o conhecimento que a comunidade escolar possui sob


o conceito de autismo, foi realizado um questionário com os educadores, diretora da
instituição escolar e pais do estudante. Quando questionados sobre , o que era o autismo
obteve-se as seguintes respostas:

“Autismo é uma deficiência que tem como característica o desligamento do


mundo real, onde o portador do autismo cria e vive em seu próprio mundo”. (Educador A)

“Autismo é um transtorno neurológico, que faz com que a criança não


estabeleça relações, não saiba interagir com outros, não compreende as regras sociais no
qual elas são pertencentes”. (Educador B)

“Quando comecei a trabalhar pesquisei muito sobre o assunto para entender,


meu aluno percebi com isto que nem todos eles são iguais, alguns falam, aprendem e
outros não, mas o ponto comum entre eles é o mundo à parte, imaginário criado pelos
mesmos”. (Educador C)

Quando questionado a diretora sobre o entendimento do que é autismo, obteve-


se a seguinte resposta:

“Autismo é uma desordem em qual um aluno portador não pode desenvolver


relações sociais “normais”, se comporta de modo compulsivo e ritualista. Ou seja, uma
patologia”. (Diretora)

Já para os pais do estudante com autismo:

“Nós entendemos muito pouco”. (Pais).

Na investigação observou-se que, de certa maneira, mesmo tendo a experiência


e vivência junto ao filho com autismo, os pais possuem pouco conhecimento sobre o
assunto.
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Segundo Gauderer (1997) há uma precariedade de conhecimento sobre o
autismo na atualidade que seja realmente válido. Esse é um dos motivos para tantos
mistérios envolvendo o autismo, principalmente no que diz respeito à causa, diagnósticos e
tratamento. Nesta perspectiva, não se faz possível uma proposta de trabalho eficaz que seja
inclusiva para estes indivíduos, a fim de estimular este a desenvolver suas habilidades.

De alguma maneira, isso contribuiu para que os pais da criança com autismo,
não possuíssem a compreensão do que é o autismo, pois sem orientação adequada,
dificilmente saberão do que se trata. Desta forma, é necessário que a instituição escolar,
assuma o compromisso de investigar, pesquisar, buscar conhecimento sobre o assunto
firmando parcerias com outras áreas do conhecimento, com especialistas da área médica
por exemplo, para orientar os pais e juntos desenvolverem um trabalho em prol destas
crianças. Preocupa-se pois se os pais e educadores não compreendem o que é o autismo,
como eles irão incluir esta criança no ambiente escolar?

Partindo do princípio de que é preciso ter cautela e humildade frente ao tema,


pois compreender o autismo exige uma aprendizagem constante, onde é preciso revisar as
crenças, valores e conhecimentos sobre o mundo, que todos nós possuímos, compreende-
se que é necessário que toda a comunidade escolar aprenda e conheça o autismo, sua
conceituação e sintomatologia para ter-se um conhecimento das características e de
métodos pedagógicos, pois só assim, é que as crianças com autismo poderão ser realmente
incluídas.

O Autismo Infantil (AI) é uma síndrome definida por alterações presentes


desde idades muito precoces e que se caracteriza, sempre, pela presença
de desvios nas relações interpessoais, linguagem/ comunicação, jogos e
comportamento. Trata-se de uma condição crônica com início sempre na
infância, em geral até o final do terceiro ano de vida, afeta meninos em
uma proporção de quatro a seis para cada menina. (SCHWARTZMAN,
1994, p.7)

Caso isso não aconteça, tem-se apenas a certeza de que diagnósticos errôneos
e integração destas crianças irá acontecer. Gauderer (1997), afirma que a real incidência de
pessoas com autismo pode ser maior do que revelam alguns estudos, mas muitas dessas
crianças frequentam escolas especiais com diagnósticos errôneos de surdos ou deficientes
mentais/intelectuais.

A segunda categoria elencada, aborda "A inclusão do educando com autismo


nos anos iniciais do ensino fundamental e a importância para seu desenvolvimento".
Percebe-se, o quanto é fundamental a inclusão dos educandos com autismo no ensino
fundamental, especialmente nos anos iniciais, para o desenvolvimento cognitivo, social e
integral dessas pessoas. Além disso, a inclusão dessas crianças no ensino fundamental
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contribui também para o desenvolvimento de todos no ambiente escolar. Assim, quando os
educandos ditos “normais”, interagem, relacionam-se, convivem com estudantes com
autismo, aprendem a respeitar as diferenças e os limites do outro.

Para tanto, a matrícula dos estudantes com autismo nas escolas de ensino
fundamental, é garantida por lei, mas, mais do que inserir estas crianças na escola é preciso
incluí-las nas atividades, na aprendizagem escolar e na sociedade.Para Glat e Nogueira:

As políticas para a inclusão devem ser concretizadas na forma de


programas de capacitação e acompanhamento contínuo, que orientam o
trabalho docente na perspectiva da diminuição gradativa da exclusão
escolar, o que visa a beneficiar não apenas os alunos com necessidades
especiais, mas de uma forma geral, a educação escolar como um todo.
(apud MANTOAN, 2006, p. 63):

Neste sentido, quando questionado à diretora sobre como a escola realiza a


inclusão das crianças com autismo, obteve-se a seguinte resposta:

“O trabalho da escola visa proporcionar uma aprendizagem eficaz, atendendo


nosso aluno em suas limitações. A falta de docentes capacitados e instituições impedem
que a inclusão ocorra de uma maneira realmente eficiente.” (Diretora)

Os pais, ao serem questionados sobre o processo de inclusão, ressaltam:

“Direitos iguais, brincar, estudar e conviver com a sociedade”. (Pais)

Quanto à importância da escola para o filho, os pais desabafam:

“A importância para nosso filho na escola, é ele estar socializando com outras
crianças e aprendendo um pouco mais”. (Pais)

A partir destes relatos, pode-se verificar que os pais compreendem a importância


da escola de ensino fundamental para o desenvolvimento do filho com autismo, pois além
de possibilitar a aprendizagem, a escola é lugar de socialização com outras pessoas, o que
contribui para o crescimento das habilidades sociais deste educando.

Para tanto, perguntou-se a diretora como a escola se organiza para atender


estudantes com autismo, e alcançou-se a seguinte resposta:

“Primeiramente acreditando no potencial de nossos educadores e organizando


nossa escola com um espaço coletivo, não linear, onde todos “comunidade escolar” tem
algo a ensinar, compartilhando e aprendendo”. (Diretora)

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Verifica-se nesta fala, que a escola vem se organizando a fim de transformar-se
num espaço coletivo, para isso propõe uma intervenção na aquisição de habilidades sociais,
comunicativas e cognitivas básicas de seus educandos, especialmente, os estudantes com
autismo, pois a intervenção precoce e contínua é intensamente desejável.

Sabe-se que o autismo tem como fator básico o isolamento, por isso, o contato
com os outros acontece de maneira superficial. Desta forma, a escola deve praticar uma
educação onde todos possam se desenvolver por meio da interação e da socialização com
os outros, independente das suas diferenças.

Entendendo a importância que os pais/familiares exercem no processo de


inclusão da criança com autismo na escola, compreendendo que os pais têm grande
influência neste aspecto, pois também fazem parte do processo de aprendizagem do
educando, questionou-se os professores sobre o papel dos pais nesse processo e no
processo de aprendizagem do seu filho com autismo e obtiveram-se as seguintes respostas:

"O papel dos pais é muito importante e fundamental, porém eles precisam
buscar mais informações a respeito do autismo para poder ajudar e entender seu filho.”
( Educadora A)

“Não existe uma receita pronta para cuidar de um filho com autismo, mas os pais
precisam estar conscientes de que a escola é o caminho para que a criança cresça e se
desenvolva, mas tem que existir parceria com a família.” (Educadora B)

“È o papel mais importante, na minha opinião, porque se a família não aceita a


criança como ela é não haverá harmonia escola x família, portanto o educando não terá
êxito em sua vida escolar.” (Educadora C)

Quando questionado os pais do estudante com autismo, sobre o seu papel


frente à aprendizagem de seu filho, obteve-se a seguinte resposta:

“Nosso papel é incentivar e fazer o que é o melhor para nosso filho.” (Pais)

Para Gauderer (1997), os pais têm também o papel de instrutores dos


profissionais no espaço escolar, dando informações para a avaliação e formulação de
prioridades para o real desenvolvimento do educando.

Por conseqüência, quando questionou-se os pais, se eles conheciam algum


método para serem utilizados na comunicação e ensino das crianças com autismo, relatou-
se o seguinte desabafo:

“Não.” (Pais)

Ao analisar a fala dos pais, percebe-se que eles não recebem orientação
pedagógica sobre as formas, métodos ou técnicas de aprendizagem, para ensinar seu filho
em casa. É de suma importância que a escola busque novos métodos de ensino, visando

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atender as necessidades particulares de cada educando e assim, trazer a família dos
estudantes para a escola, e juntos desenvolverem métodos que venham contribuir para o
desenvolvimento integral do educando com autismo, dentro e fora do ambiente escolar.

Ao observar a resposta da maioria dos entrevistados, fica visível a falta de


orientação e conhecimento sobre a inclusão dos educandos com autismo, ainda há muito a
ser melhorado, até que a verdadeira inclusão dos educandos com a síndrome do autismo,
nos anos iniciais do ensino fundamental, venha a ser realidade.

A formação do professor torna-se, assim, um processo de


desenvolvimento, um processo de maturação, mais do que um processo de
instrução sobre como o professor deve ensinar. Portanto, cabe aos
formadores dos futuros formadores planejar e prover metodologicamente
suas aulas para que sua metodologia e sua avaliação se tornem momentos
vivos daquilo que se almeja nas praticas dos formandos. (HENGEMÜHLE,
2004, p.156)

Verifica-se, infelizmente, que as práticas pedagógicas desenvolvidas na escola


com o educando com autismo, não são de inclusão, mas sim de integração, fruto do pouco
conhecimento que a escola possui sobre o autismo. Nesta perspectiva, é de suma
importância que os educadores busquem aperfeiçoamento sobre o assunto e que os órgãos
responsáveis tomem as devidas providencias para que esta situação mude e a verdadeira
inclusão destes educandos aconteça.

Por esse motivo, faz-se também essencial refletir sobre a formação dos
educadores, pois além de um diploma, precisam dedicação, força de vontade para superar
os desafios, além de respeito e interesse verdadeiro por todos os seus educandos, sem
nenhuma exceção.

Assim, é de suma importância que os educadores busquem aperfeiçoamento por


meio de cursos, para estarem mais bem qualificados e preparados para atender educandos
com autismo. Deste modo, questionou-se os educadores sobre o tipo de formação que
receberam para trabalhar com estudantes com autismo e as respostas foram as seguintes:

“A única formação que recebi foi na faculdade quando fiz uma disciplina voltada
para o ensino especial”. (Educador A)

“Sim, recebi em minha faculdade quando estudamos em uma disciplina voltada


para o ensino especial”. (Educador B)

A falta de compreensão e conhecimento sobre o autismo pode vir a prejudicar o


crescimento do estudante, já que muitas vezes, o educador não sabe como intervir no
processo de desenvolvimento destes educandos. Portanto, é essencial que o educador
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esteja em constante aperfeiçoamento para estar preparado ao receber crianças com
diferentes deficiências.

Deste modo, a nova mudança educacional desafia os educadores a ir além de


seus conteúdos, muito além de um histórico brilhante na faculdade. É preciso sentir-se
provocado/incomodado a buscar, conhecer, pesquisar, sobre as deficiências para poder
trabalhar com a diversidade, que encontra no ambiente escolar de maneira verdadeiramente
inclusiva.

Para Ferreira e Guimarães (2003, p. 147) “nas últimas décadas, o discurso sobre
a inserção social de Todos parece ter invadido os diversos domínios da sociedade.
Transformou-se em verdadeiro modismo e lugar comum falar, defender e pregar a inclusão”.
A partir dessas discrepâncias, cabe ao educador abandonar as práticas conservadoras e
transformar-se em mediador e procurador de conhecimento.

4 CONCLUSÃO

Este trabalho teve por objetivo perceber se a ação pedagógica desenvolvida


com um aluno com a síndrome do autismo na realidade escolar de uma escola regular de
ensino era realmente inclusiva.

Para tanto, buscou-se pressupostos teóricos que mostrassem a importância da


inclusão dos estudantes com autismo nos anos iniciais para o desenvolvimento de suas
potencialidades, pois além de conviver com os colegas, eles também aprendem. Aliás, na
inclusão todos têm algo a aprender com o outro, pois é respeitando a diversidade que a
sociedade começa a trilhar um caminho mais humano.

Com base no referencial teórico e coleta de dados junto à escola investigada,


percebeu-se que a ação pedagógica desenvolvida nos anos iniciais do ensino fundamental
com estudantes com autismo, limita-se ao processo de integração e não o de inclusão,
como deveria acontecer.

A partir da investigação na instituição de ensino, verificou-se que esta


compreende pouco sobre a síndrome do autismo e por isso não se encontra preparada
para dar suporte aos familiares deste educando, bem como não sabe qual a melhor forma
para incluí-lo nas atividades desenvolvidas, já que os educadores não possuem
aperfeiçoamento e orientação adequada sobre a inclusão destes estudantes na
aprendizagem da sala de aula.

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Percebeu-se que todos consideram a Inclusão um fator fundamental para o
desenvolvimento de todos os alunos, no entanto demonstram despreparo quanto às
estratégias utilizadas para a efetivação das propostas de inserção do aluno com autismo na
aprendizagem escolar. Deste modo, as relações e mediações realizadas estão sendo
constituídas no seu cotidiano frente às experiências que vão acontecendo.

Percebeu-se, que são várias as dificuldades encontradas pelos educadores no


atendimento aos estudantes com autismo, pode-se citar quanto às atividades desenvolvidas
com este educando, sendo que a maior parte delas, quando realizadas individualmente,
limita-se na elaboração de conceitos básicos, como o autocuidado e cumprimento de regras.
Nas atividades coletivas, pode-se destacar a confecção de cartazes com colagem e jogos
de encaixe.

Entende-se, que respeitar a diversidade significa dar oportunidades para todos


aprenderem os mesmos conteúdos. Para isso, o professor deve fazer as adaptações
necessárias quando preciso, mas isso não significa dar atividades sem sentido ou mais
fáceis, e sim oferecer possibilidades para que todos possam progredir e se desenvolver,
realizando as adaptações necessárias.

Deste modo, compreende-se que a inclusão dos estudantes com autismo nos
anos iniciais no ensino fundamental precisa ir além da integração, pois a inclusão na escola
possibilita o educando crescer, não só no cognitivo e no social, mas integralmente. Ou seja,
é necessário que se rompa o paradigma tradicional, rever conceitos e práticas, conhecer o
educando, seu ritmo, suas limitações, suas capacidades, para que possam ter um ensino
com qualidade.

A partir da análise dos dados, pôde-se obter as respostas que nortearam a


presente pesquisa. Assim, percebe-se que na escola investigada, os pesquisados precisam
estudar e compreender de maneira abrangente o autismo para poder atender e incluir estes
estudantes nos anos iniciais. É preciso que toda a comunidade escolar participe, estude e
tracem novas metas e ações pedagógicas que colabore de maneira efetiva para que a
verdadeira inclusão aconteça.

Nessa perspectiva, a formação do educador é fundamental. Se o professor


desconhece o autismo, como ele poderá elaborar um planejamento que possibilite seu
educando com autismo a aprender? É difícil responder esta pergunta, as pessoas temem o
que não conhecem, o desconhecido gera medo, então no processo de inclusão é
fundamental que se conheça, pois cada deficiência requer estratégias e materiais
diversificados. Os métodos específicos, desconhecidos pelos pesquisados, para trabalhar
com estudantes com autismo, podem auxiliar pais e educadores (escola), na sua práxis,
mas é preciso reconhecer que cada um aprende de uma forma e num ritmo próprio.

A escola, em sua totalidade precisa atender de forma mais justa e democrática


todos os seus estudantes, seja eles com ou sem autismo.

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Nesse sentido, a fundamentação teórica foi de suma importância nessa
pesquisa, pois possibilitou uma maior compreensão sobre o autismo e sobre a ação
pedagógica desenvolvida com os educandos com essa síndrome na escola regular.

Conclui-se, que a Inclusão dos educandos com autismo é um desafio a ser


enfrentado com muito estudo, dedicação e comprometimento por parte de todos,
principalmente por ser pouco discutida, sendo para muitos algo ainda desconhecido.

Avalia-se que mesmo com os avanços nos últimos anos, ainda há muito por
fazer quanto à inclusão, especialmente das crianças com a síndrome do autismo, pois cada
um precisa estar consciente de seu papel nessa caminhada. Percebe-se ainda, que é
primordial aprofundar mais o estudo sobre a referida síndrome, pois como educador/a, o
conhecimento deve ser algo em constante aperfeiçoamento.

REFERÊNCIAS

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de transtornos mentais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.

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GAUDERER, Christian. Autismo e outros atrasos do desenvolvimento. Guia prático para


pais e profissionais. 2ª ed. Revista e Ampliada. Rio de Janeiro: Revinter, 1997.

___________. Autismo. 3ª ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 1993.

GLAT,Rosana; FERREIRA, Júlio Romero. Panorama Nacional da Educação Inclusiva no


Brasil. Rio de Janeiro: Banco Mundial, 2003.

HENGEMUHLE, Adelar. Gestão de ensino e práticas pedagógicas. Petrópolis, Rio de


Janeiro: Vozes, 2004.

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LUCIANO, Fábia Liliã. Metodologia científica e da pesquisa. Criciúma: Ed. do autor, 2001.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér; PRIETO, Rosângela Gavioli; ARANTES, Valéria Amorim
(Org.) Inclusão escolar: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2006.

MAZZOTA, Marcos José Silveira. Educação Especial no Brasil: História e políticas


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RAUEN, Fábio José. Roteiro de investigação científica. Tubarão: Unisul, 2002.

SANTA CATARINA, Secretaria de Estado da educação, Ciência e Tecnologia/ Fundação


Catarinense de Educação Especial. Política de Educação Especial no Estado de Santa
Catarina: proposta/ Coordenador Sérgio Otávio Basseti – São José: FCEE, 2006.

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