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Aula 6 - Aplicações de EDO

Objetivos

Nesta sexta aula, deveremos nos familiarizar com as aplicações


de equações diferenciais ordinárias, mais especificamente rela-
cionadas com:

–– Crescimento e decaimento exponencial;


–– Geometria;
–– Reagentes e produtos;
–– Problemas de misturas;
–– Lei de Resfriamento de Newton;
–– Problemas de economia.

Assuntos
–– Aplicações de EDO ao campo social e estatístico;
–– Aplicações de EDO às ciências puras e exatas;
–– Aplicações de EDO ao campo econômico;

Introdução
As equações diferenciais têm vasto campo de aplicação, seja na física
(eletricidade, magnetismo, mecânica, dinâmica, hidrodinâmica), na quími-
ca (físico-química, reações químicas), na geografia, estatística, e bioquímica
(crescimento populacional), e na economia (cálculo de receita, de custos, de
juros, de produção), entre outras áreas.

A resolução dessas equações costuma ser empreendida com métodos ana-


líticos, bem como com métodos iterativos e/ou computacionais (também
denominados métodos numéricos).

A resolução de um problema matemático, quando se refere a algum fenô-


meno ou processo que venha a ser descrito por uma equação, deve seguir
algumas etapas.

Equações Diferenciais e Ordinárias 145 UAB


Mais especificamente, com fenômenos ou processos que envolvam equa-
ções diferenciais, ao menos quatro etapas podem ser consideradas:

1. Modelagem: descrição matemática do processo ou fenômeno através


de uma equação diferencial.

2. Solução geral: resolução da equação diferencial por meio de métodos


apropriados que permitam determinar uma família de soluções.

3. Solução particular: partindo-se de condições iniciais ou de contorno,


obtenção de uma solução particular para um processo ou fenômeno in-
dividual.

4. Verificação: obtida a solução particular, deve-se fazer a aplicação da


mesma ao fenômeno ou processo com o fim de se validar a modela-
gem, ou seja, verificar se a modelagem realizada foi eficiente.

Veremos, nesta aula, alguns exercícios ilustrando esse procedimento.

Crescimento e decaimento exponencia


Físico-química: decaimento radioativo
O decaimento radioativo é um processo físico-químico em que um isótopo
(radioativo) se decompõe à medida que o tempo passa, transformando-se
em um isótopo estável ou não radioativo.

A velocidade com que ocorre essa decomposição depende da massa inicial


do isótopo.

Assim, há duas grandezas físicas envolvidas no processo: a massa do isótopo


e o tempo em que ocorre o decaimento radioativo.

Consideremos:

, o tempo do decaimento radioativo (variável independente)

, a massa do isótopo (variável dependente)

, a massa inicial do isótopo

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, a massa do isótopo após transcorrido um dado tempo t

, a taxa de variação da massa do isótopo no tempo

1. Modelagem

Pela própria definição do fenômeno, o “decaimento” radioativo infere que


a massa do isótopo radioativo “diminui” com o passar do tempo, e, como
já dito anteriormente, essa “diminuição” é função da massa inicial, ou seja,
é proporcional à massa inicial do isótopo. Assim, seja uma constante de pro-
porcionalidade k, o fenômeno pode ser descrito (“modelado”) da seguinte
forma:

Eq. 137

Essa é uma equação diferencial de primeira ordem, em que a variação


(“decaimento”).

2. Solução geral

Usando os procedimentos da aula 3 deste componente curricular, e uma vez


que já estamos usando a notação de Leibniz, separemos as variáveis e inte-
gremos ambos os lados da equação:

Lembremos que y > 0, condição imposta pelo logaritmo acima, embora se


possa compreender, fisicamente, o significado de y ser positivo: y representa
a massa do isótopo, que só pode ser positiva.

• Exemplo 40:

Seja um dado isótopo cuja constante de decaimento radioativo é


. Partindo-se de uma massa inicial de 20 gramas, quanto

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restará do isótopo radioativo, depois de passados 30 dias? Considere, para
isso, que o tempo inicial é t = 0.

Solução:

1. Modelagem

Trata-se de um problema de condições iniciais, em que se pretende determi-


Atenção nar . Nesste caso, y(0) = 20 gramas.

2. Solução Geral
O valor da constante k é
negativo, pois se trata de uma
constante de decaimento. Inicialmente, a solução geral deverá conter o valor de k:

(solução geral)

2. Solução Particular

Aplicando o valor y(0) = 20 na solução geral obtida, determinaremos o valor


da constante de integração C:

Agora, aplicando o valor de C à solução geral, teremos a solução particular


para y(0) = 20 gramas:

y = 20e-0,0347t
(solução particular)

Então, passados 30 dias, teremos:

y = 20e-0,0347 (30) = 7,06 gramas.

4. Verificação:

A verificação pode ser realizada ao se observar que a massa do isótopo di-


minuiu realmente. Também pode ser feita uma verificação matemática do
ocorrido, perguntando-se “quanto tempo levará para que uma massa inicial
do isótopo estudado se reduza a 7,06 gramas?”

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Geografia e estatística: crescimento populacional
O estudo do crescimento populacional tem por base que o mesmo se dá,
proporcionalmente, ao tamanho da população. Observe-se que essa afirma-
ção só pode se dar se forem consideradas condições ideais de crescimen-
to, em que não interfiram o tamanho do meio ambiente, a quantidade de
alimentação, a ausência de predadores e/ou doenças. Esse é um fato que
ocorre, por exemplo, com uma população de micro-organismos em favorá-
veis condições de crescimento. Veremos que tal crescimento se dá de forma
exponencial.

Mais uma vez, há duas grandezas físicas envolvidas no processo: o tamanho


da população e o tempo em que ocorre o referido crescimento populacional.

Consideremos:

, o tempo do crescimento populacional (variável independente)

, a população (variável dependente)

, a população inicial

, a população existente após transcorrido um dado tempo t

Glossário
, a taxa de variação da massa do isótopo no tempo

1. Modelagem: Observe-se, porém, que, ao


se estudar o crescimento
populacional, normalmente,
Da mesma forma que o decaimento radioativo, o crescimento populacional é preciso se estimar a
capacidade de suporte dessa
se dá de forma que sua taxa de variação é diretamente proporcional à popu- população.
Quando uma população
lação existente. Uma constante de proporcionalidade é inserida na equação cresce, à medida que alcança a
diferencial: sua capacidade de suporte, ela
se estabiliza.

Equações Diferenciais e Ordinárias 149 UAB


Eq. 138

Esta é uma equação diferencial de primeira ordem, em que a variação


, já que estamos falando de crescimento populacional.

2. Solução geral:

Separando as variáveis e integrando ambos os lados da equação, obtere-


mos uma equação semelhante à de decaimento radioativo:

p = Ce kt

Lembremos que p > 0, pois representa o quantitativo populacional (durante


o desenvolvimento da resolução da equação diferencial, veremos que, uma
vez que se usa o logaritmo para isso, p > 0).

• Exemplo 41:

Considere a tabela 7, em que se pode observar o histórico da po-


pulação mundial. Baseado na população de 1990, avalie a popu-
lação que deveria haver em 2005 e estime a população em 2010.

Tabela 7. Histórico do Crescimento populacional

Fontes: Crescimento populacional. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em


<http://pt.wikipedia.org/wiki/Crescimento_populacional>, em 29 Mai 2011.
United Nations. Table 1: World population, year 0 to near stabilization. The world
at six billion. Disponível em <http://www.un.org/esa/population/publications/six-
billion/sixbilpart1.pdf>, em 29 Mai 2011.
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Solução:

1.Modelagem

Trata-se de um problema de condições iniciais. Consideremos o ano inicial de


estudo, t = 0, como sendo o ano de 1990, , proposto.

Assim p(0) = 5,26 milhões de pessoas aproximadamente. Para 2005 e 2010,


são considerados 15 e 20 anos após o tempo inicial, ou seja, p(15) e p(20).

2. Solução Geral

Inicialmente, devemos determinar o valor de C. Pela solução obtida:

p = Cekt
(solução geral)

3. Solução Particular

Aplicando o valor de p(0) = 5,26 milhões, determinaremos o valor da cons-


tante de integração C:

Agora, aplicando o valor de C à solução geral, teremos a solução particular


para p(0) = 5,26 milhões:

p = 5,26ekt
(solução particular)

Observando ainda que, na tabela 7, p(10) = 6,07 (população 10 anos após


1990):

Aplicando o valor de k na solução particular:

p = 5,26e0,0143t

Equações Diferenciais e Ordinárias 151 UAB


4. Verificação

Podemos, agora, p(15) e p(20), correspondentes à população em 2005 e


2010, respectivamente:

Observando na tabela 7, veremos que há alguma discrepância com relação


à população de 2005 (pouco mais de 1%). De fato, a função obtida da
equação diferencial não é perfeita, mas apenas estimativa. Espera-se, natu-
ralmente, que a previsão para 2010 sofra ainda um desvio maior. Se hou-
vesse sido tomado um ano inicial de estudo anterior a 1990, para , o desvio
estimativo tenderia a ser maior.

Exercícios propostos
64. A maioria das substâncias radioativas se decompõe ou se desintegra,
proporcionalmente, à massa existente em cada momento. Assim, o tempo
de meia-vida de um isótopo radioativo é o tempo necessário para que me-
tade do isótopo se desintegre, tornando-se inerte. Para o Polônio-210, seu
tempo de meia-vida é de 138 dias. Determine:

a) A sua constante de decaimento.

b) A solução geral para o fenômeno.

65. Determine o tempo de meia-vida do Urânio-233, considerando que sua


constante de decaimento seja k = 4, 353 x 10-6 anos.

66. Uma contagem inicial de uma cultura de microalgas forneceu a quan-


tidade de 500 unidades. Supondo que o crescimento dessa cultura se dê,
proporcionalmente, ao número de algas existentes, foi constatado que, após
3 horas, havia 8000 algas.

a) Qual a expressão geral para a população de algas a qualquer tempo?

b) Qual o número de algas existentes após 10 horas?

c) Após 5 horas, qual a taxa de crescimento da cultura?

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d) Quanto tempo levará para que essa cultura alcance 50.000 unidades?

Geometria
Cálculo: determinação de uma curva
• Exemplo 42:

Dado um ponto em que uma curva passe P = (2,1), num plano xy, que pos-
sua, em todos os seus pontos, o coeficiente angular igual a , determine

a função que representa essa curva.

Solução:

1. Modelagem:

O coeficiente angular de uma curva é dado por . Então:

2. Solução geral:

Separemos as variáveis e integremos ambos os lados da equação:

Lembremos que y > 0 e x > 0, condição imposta pelos logaritmos acima.

3. Solução particular:

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Para o ponto P = (2,1), aplicaremos esste valor na solução geral obtida, o que
permitirá a determinação do valor da constante de integração C:

Agora, aplicando o valor de C à solução geral, teremos a solução particular


para o ponto P = (2,1):

(solução particular)

4. Verificação:

Tal verificação pode ser realizada, simplesmente, pela substituição de x = 1


na solução particular, que fornecerá y = 2.

Cálculo: curvas ou trajetórias ortogonais


Considere uma família de curvas que seja solução de uma equação diferen-
cial. Se tivermos uma curva que intercepte essa família de curvas perpendi-
cularmente, então lhe daremos o nome de trajetória ortogonal.

Figura 1. Famílias de curvas com suas trajetórias ortogonais

Se tivermos uma família de curvas ortogonais a uma família de curvas que


seja solução de uma equação diferencial, podemos dizer também o inverso,
ou seja, que a família de curvas, que é solução da referida equação diferen-
cial, também é uma família de curvas ortogonais à sua própria família de
curvas ortogonais.

Na fig. 1, as linhas pontilhadas correspondem a famílias de curvas cujas equa-


ções são elipses concêntricas, e cujo centro é do plano xy. Suas trajetórias
ortogonais são as linhas contínuas, que correspondem a retas que cruzam o
centro do referido plano. Podemos dizer também o inverso, ou seja, que as

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elipses são as trajetórias ortogonais das famílias de retas.

Esse fenômeno ocorre em vários campos, como na Física, em que as linhas


de força de um campo eletrostático são ortogonais às linhas equipotenciais;
na Geologia, em que ocorrem as trajetórias ortogonais às linhas de nível de
um mapa; também na aviação, mais especificamente, na aerodinâmica, em
que as linhas de fluxo aéreo são ortogonais às curvas de velocidade cons-
tante.

Para se poder determinar as trajetórias ortogonais de uma família de curvas,


deve-se:

1. Encontrar a solução geral da família de curvas na forma ,

por exemplo, que não deixa de ser a inclinação dessa família de curvas,
ou seja, a equação correspondente às tangentes dessas curvas.

2. Assim, para obter curvas perpendiculares às tangentes, ou seja, a família


de curvas ortogonais, basta encontrar a equação que seja o inverso dessa
inclinação, como, no caso,

Eq. 139

3. Para se verificar se a família de curvas encontrada é, realmente, orto-


gonal à família de curvas primitiva, devemos lembrar do seguinte:

Duas famílias de curvas são ortogonais entre si, se o pro-


duto de seus coeficientes angulares for igual a -1.

Duas curvas são ortogonais num ponto de intersecção, se suas tangentes


nesse ponto forem perpendiculares. Uma família de curvas é ortogonal a
outra família de curvas se cada curva de uma das famílias for ortogonal
a todas as curvas da outra família, e isso pode ser verificado através do
produto de seus coeficientes angulares.

• Exemplo 43:

Os pontos (0,-1) e (2,3) estão em uma curva, e em um ponto qualquer (x,y),


na curva, . Encontre a equação da curva.

Equações Diferenciais e Ordinárias 155 UAB


• Modelagem:

Foi dada a segunda derivada da reta:

Modificando a notação (na verdade, fazendo uma mesclagem entre a nota-


ção de Leibniz e de Lagrange), e integrando:

2. Solução geral:

3. Solução particular:

Aplicando os pontos (0,-1) e (2,3), para resolver o sistema de equações di-


ferenciais:

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Assim, temos a solução particular, que representa a equação da curva:

4. Verificação:

Podemos derivar a solução particular duas vezes para comprovar que se trata
da equação primitiva da derivada segunda que representa a reta:

Como a derivada segunda corresponde à fornecida na modelagem, então

está verificada que é a solução para o PVC (problema

de valor de contorno) (cujos valores para a variável independente são dife-


rentes).

• Exemplo 44:

Encontre as trajetórias ortogonais da família de curvas y = (x+k)-2.

Solução:

1. Modelagem:

Seja y = f(x,y). A família de trajetórias ortogonais é dada por .

Primeiro, encontremos a equação diferencial que satisfaça à família de cur-


vas dada.

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Para eliminar k, lembremos que, na família de curvas

2. Solução geral:

Então:

Isso dá a inclinação da família de curvas y = (x+k)-2 em qualquer ponto (x,y).

Para encontrar a inclinação da família de trajetórias ortogonais, teremos que


, que representa o inverso da inclinação da família de ori-

gem, ou seja, enquanto , teremos:

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Separando as variáveis e integrando:

Em que k é uma constante de integração.


Essta é a família de curvas ortogonal à y = (x+k)-2.

3. Solução particular:

Como foi pedida apenas a família de curvas, e não uma curva em particular,
ou seja, como não foi dado um ponto sobre uma curva, ou, em outras pala-
vras, como não se trata de um problema de valor inicial (PVI) ou de contorno
(PVC), logo, não se pode determinar uma solução particular.

4. Verificação:

Para saber se as duas curvas são ortogonais, devemos lembrar que o produto
dos coeficientes angulares de duas curvas ortogonais entre si é igual a -1.
Derivando a primeira curva, a fim de obter seu coeficiente angular :

Lembrando que , então:

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Derivando a segunda curva:

Lembrando que, neste caso, . Então:

Multiplicando entre si os coeficientes angulares encontrados:

Como o produto dos coeficientes angulares das duas retas é igual a -1, está
comprovada a ortogonalidade entre elas.

Cálculo: derivação implícita


Há casos em que a equação primitiva não é uma função explícita, mas implí-
cita (reveja os conceitos básicos na aula 1, ou o glossário com exemplos na
aula 2). Quando acontece isso, precisamos relembrar como se faz uma deri-
vação implícita, a fim de que possamos encontrar a declividade de uma cur-
va, por exemplo, ou simplesmente a derivada de uma variável dependente.

• Exemplo 45:

Encontre y’ da função y²-3x = y3.

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Solução:

Não é possível isolar y em um dos membros da equação, para que possamos


encontrar y’ ou . Então, precisamos derivar implicitamente. Para fazer

isso, basta derivar os termos em x. Quanto aos termos em y, sua derivação é


semelhante à derivação em x, seguindo-se as mesmas regras, mas, ao final,
se multiplica o termo por . Observe:

Aqui, usamos a notação de Lagrange, mas não há diferença ao se usar outra


notação.

• Exemplo 46:

Encontre­y’ da função xe2y = x+y³.

Solução:

Derivando implicitamente, lembrarndo que a derivada do primeiro termo é


a derivada de um produto:

Veja que, desta vez, usamos a notação de Leibniz.

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• Exemplo 47:

Encontre a inclinação da trajetória ortogonal à curva x³+y³ = 4xy.

Solução:

1. Modelagem:

Mais uma vez, seja y = f(x,y). Note-se que, agora, não se falou em “família de
trajetórias ortogonais”, mas somente em “curva ortogonal”. Isso porque, não
havendo uma constante na função dada, não podemos dizer que é uma “fa-
mília de curvas”, por justamente não possuir nenhum parâmetro indefinido
(que seria justamente uma constante. De qualquer forma, a curva ortogonal
será dada por . Assim, precisamos primeiro encontrar a equa-

ção diferencial que satisfaça à curva dada, mas para derivar a referida curva,
considerando que não podemos isolar a variável dependente y, devemos
fazê-lo implicitamente:

2. Solução geral:

Como já comentado, por não se tratar de determinação de uma família de


curvas, não estamos procurando encontrar uma solução geral.

3. Solução particular:

Como já comentado, não havendo uma constante (um parâmetro) na fun-


ção, não poderemos encontrar uma família de curvas ortogonais, e a inclina-
ção da curva dada já foi determinada:

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Essa é a inclinação da curva x³+y³ = 4xy em qualquer ponto (x,y).

Para encontrar a inclinação da curva ortogonal, teremos que ,

que representa o inverso da inclinação da curva dada inicialmente, ou seja,

se , para a curva dada, teremos, para a curva

ortogonal:

Essa é a inclinação da trajetória ortogonal à curva x³+y³ = 4xy.

4. Verificação:

Para saber se as duas curvas são ortogonais, devemos lembrar que o produto
dos coeficientes angulares de duas curvas ortogonais entre si é igual a -1.

A inclinação da curva dada já foi encontrada: . E a incli

nação da trajetória ortogonal também: .

Multiplicando os coeficientes angulares encontrados:

Como o produto dos coeficientes angulares das duas retas é igual a -1, en-
tão, está comprovada a ortogonalidade entre elas.

Exercícios propostos
67. A declividade da reta tangente a uma curva em um ponto qualquer (x,y) na
curva é igual a 2x³y. Encontre a equação da curva se ela contém o ponto (0,3).

Equações Diferenciais e Ordinárias 163 UAB


68. O ponto (2,-1) está em uma curva e, para qualquer ponto (x,y) na curva,
a reta tangente tem uma declividade igual a 3x² - 5. Encontre a equação da
curva.

69. Encontre as trajetórias ortogonais da família de curvas y = kx³ -1.

70. Determine a declividade da família de curvas ortogonais à família de


círculos x² + y² = kx, em que k é uma constante.

71. Verifique se a família de círculos x²+y² = my corresponde à família de


curvas ortogonais à família de círculos da questão anterior, ou seja, x²+y² =
kx (dica: determine a sua declividade ou coeficiente angular e compare com
o da família de curvas x²+y² = kx).

Reagentes e produtos
Química: reações químicas
Em problemas com reações químicas, há diversas leis a serem seguidas. Cada
lei mostra a proporcionalidade com que se consome(m) e/ou se forma(m)
determinado(s) reagente(s) ou produto(s) respectivamente.

Duas coisas, entretanto, sempre ocorrem: um reagente (ou mais reagentes)


é (ou são) sempre consumido(s) e um produto (ou mais produtos) é (ou são)
sempre formado(s), mesmo que consideremos reações em equilíbrio. Assim,
partindo-se de uma quantidade inicial de algum reagente (ou reagentes),
após um dado tempo t, a(s) concentração(ções) ou a(s) quantidade(s) desse(s)
reagente(s) diminui(em) de acordo com a estequiometria da reação. Por sua
vez, um produto (ou mais produtos), após um dado tempo t, aumenta(m)
sua(s) quantidade(s) ou concentração(ções) em proporção estequiométrica.

Glossário • Exemplo 48:

É comum, ao se falar em taxa


Suponha uma reação química elementar em que dois reagentes, A e B re-
de algo, estar-se referindo ajam entre si e formem um só produto, C. A taxa de formação, , do
à velocidade de algo, ou
seja, a uma derivada em
relação ao tempo, ou ainda, produto corresponde à velocidade da reação. Pela Lei da Ação das Massas,
a uma derivada cuja variável
independente é o tempo (t). essa taxa de formação, mais conhecida como taxa de reação, é proporcional
O termo entre colchetes nas
representações de fenômenos
ao produto das concentrações das espécies reagentes:
químicos costuma se referir à
concentração molar de uma
dada espécie.

UAB 164 Equações Diferenciais e Ordinárias


de maneira que, quanto maiores as concentrações das espécies A e B, maior
a velocidade de formação do produto C.

A constante de proporcionalidade k é uma constante que, normalmente,


só depende da pressão e da temperatura em que a reação ocorre. Feitas es-
sas considerações, determine quanto tempo levará para que a concentração
molar de A se reduza à metade, supondo que as concentrações molares de
A e B, inicialmente, são idênticas, e que não há nenhuma quantidade de C
no recipiente em que foram colocados a reagir A com B.

Solução:

1. Modelagem:

Observe que, para cada molécula de A consumida, é necessário o consumo


de uma molécula de B, ao que se forma uma molécula de C. Chamemos de
a, b e c as concentrações molares das espécies A, B e C, respectivamente, em
qualquer momento. As concentrações de A e B caem na mesma proporção
em que aumenta a concentração de C. Isso pode ser expresso assim:

As concentrações iniciais dos reagentes A e B serão representadas por


respectivamente, e a concentração é a concentração inicial
do produto C, ou seja, sua concentração quando t = 0.

2. Solução geral:

A resolução da equação diferencial acima pode ser feita por separação de


variáveis:

Porém, lembremos do enunciado em que as concentrações dos reagentes


são idênticas, e, como eles são consumidos na mesma proporção, então,
podemos dizer que a = b, o que simplifica a equação diferencial:

Equações Diferenciais e Ordinárias 165 UAB


Fazendo uma substituição de variáveis: , teremos ou
:

Em que P é uma constante de integração.

3. Solução particular:

Para encontrar o valor da constante de integração P, podemos usar o fato


de que a concentração inicial de C é nula no início da reação, ou seja,
ou, ainda, c(t = 0) = 0:

Assim:

UAB 166 Equações Diferenciais e Ordinárias


O tempo em que a será reduzido à metade será o mesmo tempo que
, já que C se forma na mesma proporção em que A é consumido:

O tempo necessário a que A se reduza à metade será inversamente propor-


cional à concentração inicial de A e à constante de proporcionalidade k.

4. Verificação:

Podemos avaliar qual seria a concentração da espécie A após passado o tem-

po , valendo-se da solução particular:

Equações Diferenciais e Ordinárias 167 UAB


Issto é absolutamente óbvio, porque a quantidade de C formada depende
diretamente da quantidade de A consumida. Assim, após se consumir me-
tade de A, deverá ser formada quantidade idêntica de C, ou seja, .

Geralmente, a resolução de EDOs referentes a reações químicas levam a


integrais parecidas com a do exemplo 48. Apresentamos a seguir a tabela 8,
que contém algumas integrais desse tipo:

Tabela 8. Integrais envolvendo termos que surgem em


EDO’s relacionadas com reações químicas.

INTEGRAL COM SOLUÇÃO

Eq. 140

Eq. 141

Eq. 142

Eq. 143

Eq. 144

Eq. 145

Eq. 146

Eq. 147

Eq. 148

Eq. 149

Eq. 150

Eq. 151

UAB 168 Equações Diferenciais e Ordinárias


Eq. 152

Eq. 153

Normalmente, dependendo dos termos a, b, c, m, n, p e q nas equações da


tabela 8, as soluções das equações 140 a 153 se tornam simplificadas.

Exercícios propostos
72. As experiências mostram que a reação satisfaz a lei
de troca:

e, portanto, para essa reação, a equação diferencial se torna

em que x = [HBr] e a e b são as concentrações iniciais de hidrogênio e bromo.

a) Escreva x como uma função de t no caso em que a = b. Use o fato de que


x(0)= 0.

b) Se a > b, escreva t como uma função de x. (Dica: ao efetuar a integração,


faça a substituição .)

Problemas de misturas
Físico-química: misturas sem reações químicas
Nesse caso, deve-se considerar que a taxa de variação de determinado ma-
terial que esteja misturado é dado por:

= (taxa de entrada) - (taxa de saída)

Eq. 154

Equações Diferenciais e Ordinárias 169 UAB


Esta taxa é dada em unidades de massa, ou em unidades de concentração,
por unidade de tempo.

• Exemplo 49:

2.000 L de água salgada estão represadas em um tanque, cuja massa de sal


dissolvido é de 40 kg. Para “limpar” a água, foi desenvolvido um procedi-
mento de diluição que consiste em adicionar água pura ao tanque enquanto
o mesmo é esvaziado por outro local. A água pura entra no tanque a uma
taxa de 30 L/min. A solução é mantida bem misturada, saindo do tanque na
mesma taxa. Quanto sal permanecerá no tanque

(a) Após t minutos?

(b) Após 30 minutos?

Solução:

1. Modelagem:

Variáveis a serem consideradas:

Vazão (L/min) = Q
Massa (kg) = m
Volume (L) = V
Concentração (kg/L) = C

A equação diferencial ordinária deverá ficar assim:

em que é a variação infinitesimal de massa, correspondente a essa


variação na entrada do tanque, corresponde a essa variação na saída
do tanque.

Observe, porém, que corresponde à massa na saída do tan

que e são as taxas de variação de

massa na entrada e na saída do tanque respectivamente. Introduzindo-as na


equação diferencial ordinária:

UAB 170 Equações Diferenciais e Ordinárias


Entretanto, como , se , então constante.

Logo, nossa equação diferencial ordinária fica assim:

2. Solução geral:

Separando as variáveis e integrando:

Lembrando que a concentração na entrada é constante e igual a 0, façamos


, logo, :

em que é uma constante de integração, e .

Retornando à substituição:

Equações Diferenciais e Ordinárias 171 UAB


Como, para o caso, , então:

Em que , que também é um valor constante.

A solução geral é dada, por , em que onde foi simplesmente


substituída por , Apor ser uma constante qualquer.

3. Solução particular:

Condições de contorno

Em t = 0, a concentração de saída, , seria a concentração de saída inicial e


, e claro, seria a concentração do próprio tanque, se nada fosse adiciona-
do a ele. No caso, .

Em t = 0, o volume do tanque, V, será o volume inicial do tanque, , ou seja,


, já que o volume do tanque não varia (a vazão, Q, é constan-
te, seja na entrada, seja na saída, e são iguais).

Aplicando essas condições de contorno à solução geral, obtemos o valor da


constante C:

que, aplicada na família de soluções:

UAB 172 Equações Diferenciais e Ordinárias


Lembrando que Q = 30 L/min e V = 2000L:

(a) Resultado:

Usando a solução particular obtida anteriormente, para t = 30 minutos:

(b) Resultado:

Observe que esse valor corresponde à massa calculada a partir da concentra-


ção que se encontra na saída do tanque.

4. Verificação:

Uma forma de constatar se a equação particular é correta, seria supor que,


num primeiro milésimo de segundo (supostamente t = 0), ao se abrir a tor-
neira de saída, sem se abrir a torneira de entrada, qual seria a concentração
de saída:

De fato, essa é a concentração inicial do tanque (ainda que 2000 L de água,

ou seja, .

Exercícios propostos
73. Há um tanque com 100 kg de sal dissolvidos em 5.000 L de água salga-
da. Água pura entra no tanque a uma taxa de 50 L/min. Mantendo a solução
bem misturada e considerando que a solução formada sai do tanque na
mesma taxa, determine:

a) Quanto sal permanece no tanque após t minutos?

b) Quanto tempo levará para que o tanque esteja com 60,7 kg de sal dissol-
vido aproximadamente?

Equações Diferenciais e Ordinárias 173 UAB


74. A glicose, ao ser administrada a um paciente, via intravenosa, em sua
corrente sanguínea, não costuma ser, completamente, convertida, sendo
parte dela filtrada pelos rins a uma taxa que é proporcional à sua concentra-
ção sanguínea em um dado instante. Admitindo-se que a taxa de entrada
da glicose seja p, e considerando um modelo de concentração sanguínea G
= G(t)como sendo:

em que k é uma constante positiva, e o sinal negativo na sua frente mostra


que a concentração G = G (t) cai com o tempo. Calcule a concentração a
qualquer tempo t da glicose, partindo-se de que, antes da administração da
glicose no paciente, ou seja, quando t = 0, ela é .

Lei de Resfriamento de Newton


Física: mudanças de temperatura
A Lei de Resfriamento de Newton estabelece que a taxa de resfriamento de
um dado objeto é diretamente proporcional à diferença de temperatura en-
tre o objeto e o ambiente em que ele se encontra. Assim, considerando essa
diferença (para simplificar) a equação diferencial que
governa esse fenômeno será:

Eq. 155

• Exemplo 50:

Considere que a temperatura para se fazer uma fornada de bolo em uma


padaria seja de 200ºC. Feita a fornada, ela é retirada do forno e colocada em
uma mesa cuja temperatura ambiente é de 50ºC. A queda de temperatura
se dá lentamente, de maneira que, passados 30 minutos, os bolos ainda se
encontram a 135ºC.

UAB 174 Equações Diferenciais e Ordinárias


(a) Determine qual a temperatura que a fornada alcançará após transcorri-
dos 60 minutos?

(b) Quanto tempo levará para que a fornada alcance 60ºC?

Solução:

1. Modelagem:

Este é um problema relacionado com a “Lei de Resfriamento de Newton”,


que diz que a taxa de resfriamento (sendo T a temperatura) de um dado

corpo é diretamente proporcional à diferença de temperatura entre esse cor-


po, T, e a temperatura do meio em que ele se encontra, , de maneira que:

em que k é uma constante de proporcionalidade.

2. Solução geral:

A temperatura do meio, , foi dada, sendo igual a 50ºC. Assim:

Separando as variáveis e integrando:

Fazendo a substituição de variáveis u = T - 50, du = dT:

em que é uma constante de integração. Retornando à substituição:

Equações Diferenciais e Ordinárias 175 UAB


Em que , que continua sendo uma constante. Esta é a solução geral.

3. Solução particular:

Para encontrar o valor de , consideremos que a t = 0, T = 200º C:

Aplicando na solução geral:

Precisamos, ainda, determinar o valor da constante de proporcionalidade


k. Para isso, consideremos que, transcorridos 30 minutos, a temperatura
alcança 135ºC:

Atenção
O valor negativo de k mostra que ocorre queda na temperatura, após a re-
tirada do forno (por isso, chamamos de “Lei de Resfriamento de Newton”).
Considerando que a constante
k na Lei de Resfriamento de
Newton é negativa (e, por Aplicando, então, o valor da constante de proporcionalidade k:
isso, o nome “resfriamento”),
é normal se encontrar na
bibliografia a equação

, que já

insere o sinal negativo antes da ou ainda:


constante k, passando o valor
de k a ser positivo.

Esta é a solução particular.

UAB 176 Equações Diferenciais e Ordinárias


Respondendo as questões:

(a) A temperatura que a fornada alcançará depois de transcorridos 60 minu-


tos:

(b) Quanto tempo levará para que a fornada alcance 60ºC?

Levará 153 minutos, aproximadamente, para a fornada alcançar 60ºC.

Física: equilíbrio térmico


O calor específico de um corpo é definido como a razão da quantidade de Glossário
calor necessário para elevar em um grau uma unidade de massa desse corpo
e a quantidade de calor necessário a elevar em um grau uma unidade de
O calor específico de um corpo
massa de água. Por exemplo, dizemos que o calor específico da água é de 1 também pode ser expresso em
cal/(g.ºC), ou seja, é necessária uma caloria para elevar em 1ºC a tempera- unidades inglesas, de maneira
que sua definição passa a ser:
tura de 1 g de água. a razão entre a quantidade de
calor necessário (em BTU, ou
British thermal unit) para
A quantidade de calor ganho ou perdido por um corpo é dado por: elevar a massa correspondente
a uma libra (lb) de um corpo
em 1ºF e a quantidade de calor
(também em BTU) para elevar
1 lb de água em 1ºF.
Eq. 156

Em que m é a massa do corpo, c é seu calor específico e é a variação de


temperatura a que foi submetido o corpo.

Através da troca de calor, ou seja, quando um corpo ganha ou cede calor


para outro corpo, esses corpos entram em equilíbrio térmico. Assim, equi-
líbrio térmico é o estado em que se encontram dois corpos que, antes, se
encontravam em temperaturas diferentes, mas que agora se encontram sob
a mesma temperatura.

Equações Diferenciais e Ordinárias 177 UAB


• Exemplo 51:

O calor específico do chumbo é 0,03 cal/(g.ºC). Suponha que uma bola de


chumbo de 40 g, cuja temperatura seja 150ºC, tenha sido mergulhada em
um vasilhame com 300 g de água que se encontre, inicialmente a 30ºC.

(a) Determine qual a temperatura do chumbo em função do tempo.

(b) Qual a temperatura de equilíbrio térmico alcançada?

Solução:

1. Modelagem:

Observemos que, para se alcançar o equilíbrio térmico, a quantidade de ca-


lor que a bola de chumbo deverá perder será a mesma quantidade de calor
que a água deverá ganhar (considere-se aqui que não há perda de calor para
a vizinhança). Assim, pela eq. 156:

Eq. 157

em que os subscritos significam água, chumbo e meio,


respectivamente. Observe que, no primeiro membro, temos ( ), pois
a temperatura do meio é a temperatura a que chegará a água após a imer-
são da bola de chumbo, e esse valor, , é maior que a inicial. Por outro
lado, no segundo membro, temos ( ), pois a temperatura inicial é
maior que .

Isolando o valor de , poderemos usá-lo na eq. 155:

UAB 178 Equações Diferenciais e Ordinárias


Então, isolemos da eq. 157 (faça como exercício). Deixaremos o valor de
.

Eq. 158

Aplicando os valores conhecidos,

,teremos:

2. Solução geral:

Aplicando na eq. 155:

Equações Diferenciais e Ordinárias 179 UAB


3. Solução particular:

Considerando que em , poderemos encontrar o valor de


:

Finalmente:

Essa solução particular é o que se requer na letra (a) do exemplo.

4. Solução particular (ainda):

O que se pede na letra (b) desse exemplo é a temperatura do equilíbrio tér-


mico. Poderemos usar diretamente a eq. 157:

Assim, a temperatura de equilíbrio é 30,5ºC.

Exercícios propostos

75. Uma placa de metal se achava aquecida a 100ºC quando foi colocada
em um ambiente, cuja temperatura era de 20ºC, para se resfriar. Após 10
minutos, a placa alcançou 60ºC.

a) Determine a expressão da temperatura da placa de metal, T = T(t).

b) Qual a temperatura da placa de metal ao se passarem 40 minutos?

c) Quando a placa de metal alcançará a temperatura de 50ºC?

UAB 180 Equações Diferenciais e Ordinárias


76. Um corpo, cujo calor específico é 0,1 cal/(g.ºC), encontra-se a 200ºC.
Ao ser mergulhado em 40 g de fluido, cujo calor específico é 0,5 cal/(g.ºC),
estando esse fluido a 50ºC.

a) Determine a expressão da temperatura desse corpo em função do tem-


po.

b) Qual a temperatura de equilíbrio térmico que será alcançada?

Problemas de economia
Juros compostos
Uma aplicação a juros compostos permite afirmar que o aumento do investi-
mento se dá proporcionalmente ao seu tamanho, de forma que:

Eq. 159

em que é o capital aplicado, r é a taxa de juros, t é o tempo de aplicação


e é a taxa de variação do capital.

• Exemplo 52:

Ao se aplicar R$ 1000,00 a juros compostos de 6% a.a., e lembrando que a


taxa de capitalização é proporcional ao capital inicialmente aplicado, após 3
anos, quanto alcançará meu capital?

Solução:

1. Modelagem:

Seja a taxa de capitalização, , diretamente proporcional ao capital, C,

inicialmente aplicado. Entretanto, como o capital é remunerado por juros


compostos, j, num período t, dizemos que o capital inicial é remunerado
da seguinte maneira:

Equações Diferenciais e Ordinárias 181 UAB


em que é o capital inicialmente aplicado, é a taxa de juros por unidade

de período, n é o número de períodos, e t é a unidade de tempo de aplica-


ção, sendo nt o número de períodos em que se aplicou o capital.

2. Solução geral:

Por um desenvolvimento de limites, fazendo-se , obte-


remos:

Eq. 160

A diferenciação da equação acima nos dá a equação diferencial ordinária:

Eq. 161

3. Solução particular:

Como já temos a solução geral da equação diferencial ordinária, então, para


ao ano, e n = 3 anos.

O capital alcançará R$ 1.197,23.

Exercícios propostos
77. Quanto tempo levará para um capital inicial de R$ 1000,00 dobrar, à
taxa de 5% ao ano?

78. Qual será a taxa de juros para que um dado capital inicial dobre após 12
anos?

UAB 182 Equações Diferenciais e Ordinárias


Resumo
Nesta aula, foram estudados diversos tipos de situação em que as EDO apa-
recem. Apresentamos exercícios resolvidos das seguintes áreas:

1. Crescimento e decaimento exponencial:


a) Físico-química: decaimento radioativo;
b) Geografia e estatística: crescimento populacional;

2. Geometria:
a) Cálculo: determinação de uma curva;
b) Cálculo: curvas ou trajetórias ortogonais;
c) Cálculo: derivação implícita;

3. Reagentes e produtos:
a) Química: reações químicas;

4. Problemas de misturas:
a) Físico-química: misturas sem reações químicas;

5. Lei de Resfriamento de Newton:


a) Física: mudanças de temperatura;
b) Física: equilíbrio térmico;

6. Problemas de economia:
a) Juros compostos.

Ao final da apresentação de cada tipo de aplicação de EDOs, sugerimos


exercícios propostos.

Claro que há outras áreas em que as EDOs aparecem. Fica como sugestão
para o(a) estudante mais arguto(a) procurar em livros de Cálculo, que conte-
nham o assunto EDO, outros tipos de problemas para se familiarizar.

Respostas dos exercícios propostos

64. (a) ou k = -0,00502;

(b)

Equações Diferenciais e Ordinárias 183 UAB


65. Solução geral: ;

Solução particular: ;

anos, ondem que representa o tempo de meia-vida.

66. (a) ;

(b) ;

(c) unidades/hora;

(d) t = 4,98 horas

67. Solução geral (ou família de curvas): , ondem que ;

Solução particular (equação da curva):

68. Solução geral (ou família de curvas): ;

Solução particular (equação da curva):

69. Solução geral (ou família de curvas ortogonais): ,


em que .

70.

71. Sim, corresponde. A declividade é .

72. (a)

(b)

73. (a) kg

(b) 20 minutos.

UAB 184 Equações Diferenciais e Ordinárias


74.

75. (a)

(b) 25ºC

(c) 14min 9seg

76. (a) t = 100 (1+e-1,5kt)

(b) 100ºC

77. 13,86 anos, ou seja, 13 anos, 10 meses e 10 dias aproximadamente


(considerado o ano comercial de 360 dias).

78. 5,78%

Referências
AYRES Jr., F. Coleção Schaum: equações diferenciais. Rio de Janeiro: AO Livro Técnico
S.A., 1966.
BRONSON, Richard. Coleção Schaum: moderna introdução às equações diferenciais.
São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1977.
JACOMASSI, A.C.; SILVA, N.A.P. Modelagem matemática para a cinética química.
UNESP: Campus da Ilha Solteira, Faculdade de Engenharia. Disponível em <http://prope.
unesp.br/xxi_cic/27_39501278875.pdf>. Acesso em 24 Ago 2011.
SILVA, V.F. Equações diferenciais ordinárias aplicadas em cinética química.
Fundação Universidade Federal do Rio Grande. 2008. Disponível em <http://www.ceunes.
ufes.br/downloads/2/luciofassarella-aula_notas_cinetica-quimica.pdf>. Acesso em 24
Ago 2011.
SPIEGEL, M.R. Manual de fórmulas, métodos e tabelas de matemática. 2ª ed.
Revisada e ampliada. São Paulo: Makron, McGraw-Hill (Coleção Schaum), 1992.
STEWART, J. Cálculo. Vol. 2. 5ª ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
TENEMBAUM, M.; POLLARD, H. Ordinary differential equations: an elementary
textbook for students of mathematics, engineering, and the sciences. (Dover edition
reprint, 1985). New York: of Harper & Row, New York, 1963.

Equações Diferenciais e Ordinárias 185 UAB