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Xanxerê

08 de
abril de
2019
MEMORIAL DESCRITIVO

Cicero Genro

Xanxerê 08 de abril de 2019


SUMÁRIO
MEMORIAL DESCRITIVO................................................................................................................................. 4

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................ 4

2. DEFINIÇÃO DE BIODIGESTOR .................................................................................................................... 4

3. HISTÓRICO DO BIOGÁS ............................................................................................................................. 4

4. NOVA ABORDAGEM .................................................................................................................................. 5

5. PRODUÇÃO DE BIOGÁS ............................................................................................................................. 6

5.1 Biologia da digestão anaeróbica.......................................................................................................... 6

5.2 Relação Carbono/Nitrogênio (C/N) ..................................................................................................... 7

5.3 Condições Indispensáveis à Fermentação........................................................................................... 7

5.4 O Biofertilizante................................................................................................................................... 9

5.5 O Biogás ............................................................................................................................................... 9

5.5.1 Uso do Biogás ................................................................................................................................. 10

5.5.2 Disponibilidade de Nutrientes........................................................................................................ 10

6. NOVOS CONCEITOS ................................................................................................................................. 11

7. VANTAGENS............................................................................................................................................. 12

8. TEMPO DE RETENÇÃO ............................................................................................................................. 13

9. GEOMEMBRANAS ................................................................................................................................... 13

9.1 Definição............................................................................................................................................ 13

9.2 Resistência Química .......................................................................................................................... 14

9.3 Fabricação ......................................................................................................................................... 14

9.4 Durabilidade ...................................................................................................................................... 14

9.5 Ensaios de qualidade ......................................................................................................................... 15

10. UNIÃO DO PEAD .................................................................................................................................... 15

10.1 Por calor .......................................................................................................................................... 15

10.2 Por solventes ................................................................................................................................... 16

10.3 Pré-confecção ............................................................................................................................. 16

11. BIODIGESTORES..................................................................................................................................... 16
1
11.1 Introdução .................................................................................................................................. 16

11.2 Concepção do projeto................................................................................................................. 17

12. INSTALAÇÃO .......................................................................................................................................... 19

12.1 Estado da Superfície/Suporte .......................................................................................................... 20

13. DRENAGEM............................................................................................................................................ 21

14. UNIÃO ENTRE AS MANTAS E A SUPERFÍCIE DE SUPORTE .................................................................... 21

15. APLICAÇÃO DA MANTA ......................................................................................................................... 22

15.1 Lastro .......................................................................................................................................... 22

15.2 Ancoragem .................................................................................................................................. 22

15.3 Segurança ................................................................................................................................... 23

16. SERVIÇOS PRELIMINARES - IMPLANTAÇÃO.......................................................................................... 23

16.1 - Demolições ............................................................................................................................... 23

16.2. Conformação do terreno ........................................................................................................... 24

16.3 – Locação .................................................................................................................................... 24

16.4. Generalidades ............................................................................................................................ 24

17. INSTALAÇÃO DA OBRA .......................................................................................................................... 24

18. VALAS.................................................................................................................................................... 25

18.1. Escavações ................................................................................................................................. 25

19. VIGA PARA FIXACÃO ............................................................................................................................ 25

19.1. Geral.................................................................................................................................................... 25

19.2 - Pilaretes ............................................................................................................................................. 26

19.3. Vigas .................................................................................................................................................... 26

20. IMPERMEABILIZAÇÕES ......................................................................................................................... 27

21. COBERTURA (CÚPULA) .......................................................................................................................... 27

22. DRENOS DE GÁS .................................................................................................................................... 27

23. RETIRADA DE LODO E AGITAÇÃO ......................................................................................................... 28

24. ENTRADA E SAÍDA DE DEJETOS ............................................................................................................. 28

24.1. CAIXA DE PASSAGEM .......................................................................................................................... 28


2
24.1.1 - Preparação do Terreno .......................................................................................................... 29

24.1.2. Número de caixas de passagem e dimensões ........................................................................ 29

24.1.3. Contra-piso ............................................................................................................................. 29

24.1.4. Piso.......................................................................................................................................... 29

24.1.5. Paredes ................................................................................................................................... 30

25. VÁLVULA DE SEGURANÇA ..................................................................................................................... 30

26. DADOS FÍSICOS LEGAIS ......................................................................................................................... 30

27. DADOS DO PROJETO E DIMENSÕES DO BIODIGESTOR ........................................................................ 31

28. O PROJETO ............................................................................................................................................. 32

3
MEMORIAL DESCRITIVO
BIODIGESTOR

O presente Memorial Descritivo tem por objetivo


descrever os serviços, materiais e técnicas construtivas a serem
utilizadas na execução da obra qualificada, como segue:

INTRODUÇÃO

O Brasil dispõe de condições climáticas favoráveis para explorar a imensa energia


derivada dos dejetos animais e restos de cultura e liberar o gás de bujão e o combustível
líquido (querosene, gasolina, óleo diesel) para o homem urbano aliviando comisso o país de
uma significativa parcela de importação de derivados do petróleo.

O alcance de um programa de substituição de fontes de energia por biogás, pode ser


avaliado tomando-se a produção dos 7,2 milhões de biodigestores instalados na China até
dezembro 1979, que tem um valor energético equivalente a cinco "Itaipus" ou 48 milhões de
toneladas de carvão mineral.

2. DEFINIÇÃO DE BIODIGESTOR

No biodigestor o esterco de animais e restos de vegetais são transformados em


biofertilizante, valioso adubo orgânico, e em gás metano que pode substituir as fontes de
energia necessárias no campo e na cidade. O biodigestor é o local onde ocorre a fermentação
da biomassa, isto pode ser um tanque, uma caixa, ou uma vala revestida e coberta por um
material impermeável.

3. HISTÓRICO DO BIOGÁS

4
Apesar do processo de biodigestão anaeróbica ser conhecido a longos tempos, só mais
recentemente é que tem sido desenvolvido mundialmente.

A China tem sido o país que mais desenvolveu o biogás no âmbito rural, visando
atender principalmente a energia par cozimento e iluminação doméstica. A Índia também
tem desenvolvido uma larga propagação com biodigestores, possuindo um total de 150 mil
unidades instaladas.

Com a crise do petróleo na década de 70, foi trazida para o Brasil a tecnologia dos
biodigestores. Os principais modelos implantados, o Chinês e o Indiano, eram quase que
exclusivamente orientados para produção do combustível alternativo biogás. Na região
nordeste, foram implantados vários programas de difusão dos biodigestores e a expectativa
era muito grande, mas os resultados não foram satisfatórios.

Em retrospectiva, fica claro que uma combinação de fatores técnicos, humanos e


econômicos foram responsáveis pelo abandono das iniciativas de divulgação da tecnologia de
biodigestão. Um dos motivos que dificultou a difusão dos biodigestores foi o fato de no tempo
não ter sido dada maior ênfase ao aproveitamento do biofertilizante, cujo valor na
produtividade agropecuária está se mostrando hoje tão importante quanto o do biogás.
Outro ponto foi quanto a adaptabilidade dos modelos implantados.

No modelo Indiano - que foi o mais difundido - a campânula do biodigestor, quase na


sua totalidade confeccionados em aço, aumentam muito o custo e oxidam com bastante
facilidade, exigindo manutenções constantes. Já no modelo chinês os maiores problemas são
de estanqueidade. Devido às características do nosso solo e clima, ocorrem constantes
rachaduras em sua cúpula, com consequente perda de gás. Faltaram, ainda, um esforço
sistemático de capacitação dos usuários e uma estrutura de apoio aos produtores, à qual eles
poderiam recorrer para obter assistência técnica. Finalmente, a preocupação e legislação
ambiental que hoje existem eram pouco presentes na época, e não se dedicava a mesma
atenção à poluição de recursos hídricos e nem se tinha noção da dimensão dos efeitos das
ações do homem sobre o clima global.

4. NOVA ABORDAGEM

Atualmente, o modelo de biodigestor mais difundido no Brasil é aquele feito de manta


de PEAD, de baixo custo e fácil instalação comparado com os modelos antigos e com a
vantagem de poder ser usado tanto para pequenos produtores como para grandes projetos
5
agroindustriais. O setor privado, contando com o apoio de universidades e entidades de
pesquisa, tem sido a principal força no desenvolvimento do mercado, tanto na oferta quanto
na demanda desses novos sistemas de biodigestão.

Além das melhorias técnicas nos sistemas, a tecnologia de biodigestão hoje desperta
o interesse de produtores porque está se considerando o aproveitamento integral do esterco
animal, não só para biogás como para biofertilizante. Além disso, grande importância é dada
ao tratamento adequado de dejetos, para evitar a poluição dos recursos hídricos e a emissão
de gases de efeito-estufa.

5. PRODUÇÃO DE BIOGÁS

A decomposição bacteriana de matéria orgânica sob condições anaeróbicas é feita em


três fases: 1) fase de hidrólise; 2) fase ácida; 3) fase metanogênica.

1) Fase de hidrólise - Nesta fase as bactérias liberam no meio as chamadas enzimas


extracelulares, as quais irão promover a hidrólise das partículas e transformar as moléculas
maiores em moléculas menores e solúvel ao meio.

2) Fase Ácida - Nesta fase, as bactérias produtoras de ácidos transformam moléculas de


proteínas, gorduras e carboidratos em ácidos orgânicos (ácido láctico, ácido butílico), etanol,
amônia, hidrogênio e dióxido de carbono e outros.

3) Fase Metanogênica - As bactérias metanogênicas atuam sobre o hidrogênio e o dióxido de


carbono, transformando-os em metanol (CH4). Esta fase limita a velocidade da cadeia de
reações devido principalmente à formação de microbolhas de metano e dióxido de carbono
em torno da bactéria metanogênica, isolando-a do contato direto com a mistura em digestão.
Razão pela qual a agitação no digestor é prática sempre recomendável, através de
movimentos giratórios do gasômetro.

5.1 Biologia da digestão anaeróbica

6
Toda digestão anaeróbica (ausência de oxigênio) é um processo biológico. O
organismo anaeróbico não pode sobreviver enquanto estiver oxigênio. Por isso, no digestor
não deve entrar o ar atmosférico.

Só as bactérias anaeróbicas metanogênicas produzem gás metano. Pertencem a


quatro grupos morfológicos e são muito sensíveis a variações de temperatura, atuando numa
faixa entre 10 a 45°C. São as chamadas bactérias mesófilas.

Biologicamente, o sucesso de um digestor depende de um balanceamento entre as


bactérias que produzem gás metano dos ácidos orgânicos. E este balanceamento é adquirido
pela carga diária com água suficiente, pelo pH, temperatura, e a qualidade do material
orgânico.

5.2 Relação Carbono/Nitrogênio (C/N)

O carbono (sob a forma de carboidratos) e o nitrogênio (como proteínas, nitratos,


amônia) são os principais alimentos utilizados pelas bactérias anaeróbicas: o carbono, para
fornecer energia; o nitrogênio, para construir a estrutura das células. As bactérias utilizam
mais carbono do que nitrogênio.

A digestão anaeróbica realiza-se melhor quando o material que alimenta as bactérias


contém uma certa quantidade de carbono e nitrogênio juntos.

Nitrogênio --> Alguns compostos e resíduos são indigestíveis para as bactérias, como
a lignina, palhas e fibras vegetais.

A quantidade de nitrogênio contida na planta ou no organismo animal faria com a


idade e seu desenvolvimento. A quantidade de nitrogênio, é alta, em excremento de aves
devido as fezes serem expelidas com a urina.

Carbono --> Diferentemente do nitrogênio, o carbono existe em muitas formas


(matéria orgânica), as quais não são diretamente utilizadas pelas bacterias.

5.3 Condições Indispensáveis à Fermentação

As condições ótimas de vida para os microorganismos anaeróbios são:

7
a) Impermeabilidade ao Ar

Nenhuma das atividades biológicas dos microorganismos, inclusive, seu


desenvolvimento, reprodução e metabolismo, exigem oxigênio, que em cuja presença são
eles, de fato, muito sensíveis.

A decomposição de matéria orgânica na presença de oxigênio produz dióxido de


carbono (CO2); na ausência de ar (oxigênio) produz metano. Se o biodigestor não estiver
perfeitamente vedado a produção de biogás é inibida.

b) Temperatura adequada

A temperatura no interior do digestor afeta sensivelmente a produção de biogás.

"Todos os microorganismos produtores de metano são muito sensíveis a alterações


de temperatura; qualquer mudança brusca que exceder a 30°C afeta a produção. É preciso,
pois, assegurar uma relativa estabilidade de temperatura.

c) Nutrientes

Os principais nutrientes dos microorganismos são carbono, nitrogênio e sais


orgânicos. Uma relação específica de carbono para nitrogênio de ser mantida entre 20:1 e
30:1.

A principal fonte de nitrogênio são as dejeções humanas e de animais, enquanto que


os polímeros presentes nos restos de culturas representam o principal fornecedor de
carbono.

A produção de biogás não é bem sucedida se apenas uma fonte de material for
utilizada.

d) Teor de Água

O teor de água deve normalmente situar-se em torno de 90% do peso do conteúdo


total. Tanto o excesso, quanto a falta de água são prejudiciais. O teor da água varia de acordo
com as diferenças apresentadas pelas matérias-primas destinadas à fermentação.

8
e) Substâncias prejudiciais

Materiais poluentes, como NaCl, Cu, Cr, NH3, K, Ca, Mg e Ni, são conciliáveis se
mantidas abaixo de certas concentrações diluídas em água, por exemplo.

5.4 O Biofertilizante
Depois de passarem no digestor, os resíduos sobrantes apresentam alta qualidade para
uso como fertilizante agrícola, devido principalmente aos seguintes aspectos: diminuição no
teor de carbono do material, pois a matéria orgânica ao ser digerida perde exclusivamente
carbono na forma de CH4 e CO2;

 aumento no teor de nitrogênio e demais nutrientes, em conseqüência da perda do


carbono;
 diminuição na relação C/N da matéria orgânica, o que melhora as condições do
material para fins agrícola;
 maiores facilidades de imobilização do biofertilizante pelos microrganismos do solo,
devido ao material já se encontrar em grau avançado de decomposição o que vem
aumentar a eficiência do biofertilizante;
 solubilização parcial de alguns nutrientes.

5.5 O Biogás

"O Biogás é um gás inflamável produzido por microorganismos, quando matérias


orgânicas são fermentadas dentro de determinados limites de temperatura, teor de umidade
e acidez, em um ambiente impermeável ao ar"

O metano, principal componente do biogás, não tem cheiro, cor ou sabor, mas os
outros gases presentes conferem-lhe um ligeiro odor de alho ou de avo podre. O peso do
metano é pouco mais da metade do peso do ar ou seja:

1 m3 de metano/1 m3 de ar = 0,716 kg/1,293 kg = 0,554 kg

9
5.5.1 Uso do Biogás

No emprego do biogás como combustível, deve-se estabelecer entre este e o ar, uma
relação que permita a combustão integral. Quando esta se dá, a chama é forte, de coloração
azul claro, e o gás emite um assobio. Se a chama tremer, há insuficiência de ar e combustão
incompleta. Se for curta, amarela e bruxuliante, indica biogás insuficiente e ar excessivo.

O biogás por ser extremamente inflamável, oferece condições para:

 uso em fogão doméstico;


 em lampião;
 como combustível para motores de combustão interna;
 em geladeiras;
 em chocadeiras;
 em secadores de grãos ou secadores diversos;
 geração de energia elétrica.

Segurança:

a) Manômetro - é usado para medir a pressão interna, calcular a quantidade aproximada


de gás armazenado e zelar pela segurança da estrutura do digestor.

b) Em hipótese alguma, colocar no digestor fertilizantes fosfatados. Sob condições de


total ausência de ar, este material pode produzir fosfina, extremamente tóxica, cujo
contato será fatal.

c) O ar deve circular para que haja ventilação dentro da casa. Se alguém sentir cheiro forte
de ovo podre, abrir as portas e janelas para expelir o gás, e evitar acender cigarro ou
fósforo. Na utilização do biogás, acende-se primeiro o fósforo e depois abre-se a válvula
de gás.

5.5.2 Disponibilidade de Nutrientes

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A fermentação anaeróbica é um processo biológico que ocorre devido a ação de
bactérias. Evidentemente que quando maior a população bacteriana mais eficiente e rápido
será a digestão. Para se manter uma boa flora bacteriana há necessidade de se facultar um
ótimo meio de cultura. A disponibilidade de nutrientes é fundamental para o meio de cultura
e consequentemente para obter uma cultura bacteriana em rítimo acelerado de síntese e
desenvolvimento.

Os nutrientes são de origem orgânica e inorgânica, destacando-se principalmente os


elementos carbono, nitrogênio-nitrato, fósforo-fosfatos e enxofre-sulfatos. Os nutrientes que
mais frequentemente se mostram escasso são o nitrogênio e fósforo, razão pela qual
merecem atenção especial.

6. NOVOS CONCEITOS
Uma nova concepção energética se impõe a todos os brasileiros nesta crise irreversível
do petróleo.

O domínio da tecnologia da digestão anaeróbica e da operação de digestores em geral,


na prática não é complexa nem difícil. Estes conhecimentos, entretanto, só se conseguem
com a lida diária dos biodigestores de pequeno porte, de baixo custo e que possam ser
construídos com material local.

Uma vez adquiridos estes conhecimentos e o domínio dos problemas, biodigestores


de maior capacidade e mais sofisticados podem ser construídos e operados sem dificuldades,
pela mão-de-obra disponível no meio rural. então, nesta fase do processo, a energia do
metano continua no biogás e o biofertilizante, originário da reciclagem da matéria orgânica,
estarão na sua plenitude, ajudando o homem rural.

Produzindo energia com recursos próprios e renováveis, o produtor rural, finalmente,


pode libertar-se da energia do petróleo, de custo cada vez mais elevado e escasso.

A tecnologia chinesa impõe a reavaliação dos seguintes conceitos básicos em


biodigestores, amplamente difundidos nos países em desenvolvimento:

1- "Nos últimos anos têm-se afirmado amplamente que um dos principais entraves à
disseminação de tecnologia do biogás no meio rural do terceiro mundo é o custo do digestor.
À medida que detalhes dos modelos criados na China vão sendo conhecidos, torna-se

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evidente que os digestores construídos com material disponível no local podem realmente
ter custo muito baixo.

De fato, à vista do custo dos digestores atualmente disponíveis em outros países,


muitas pessoas levadas a concluir que os esforços nessa área deveriam concentrar-se mais
em projetos comunitários ou grandes unidades do que nos individuais. A experiência chinesa
impõe uma reavaliação desse conceito".

2- "É arbitrário pensar que quanto maior o digestor mais gás produzirá". Já foi dito que "o
sucesso de um digestor depende da sua operação".

No caso de um grande digestor, se não se fizer abastecimento regular de matéria-


prima e não houver adequada manutenção, a produção de gás poderá ser inferior à de um
digestor pequeno.

"A noção de que é melhor possuir um grande digestor do que um pequeno deve, pois,
ser combatida. Naturalmente, o volume do digestor não deverá ser tão pequeno que a
produção de gás seja insuficiente e as necessidades não sejam atendidas".

7. VANTAGENS

A produção de biogás representa um avanço importante no sentido da solução do


problema da disponibilidade de combustível no meio rural, devido, por conseguinte,
interessar a toda a população nele residente.

A redução das necessidades de lenha poupa as matas. A produção de biogás


representa um importante meio de estímulo a agricultura, promovendo a devolução de
produtos vegetais ao solo e aumentando o volume e a qualidade de adubo orgânico. Os
excrementos fermentados aumentam o rendimento agrícola.

O biogás, substituindo o gás de petróleo no meio rural, elimina também os custos do


transporte de bujão de gás dos estoques do litoral ao interior.

O uso do biogás na cozinha é higiênico, não desprende fumaça e não deixa resíduos
nas panelas. As donas de casa ficam livres de pesadas tarefas domésticas, de mobilizar carvão
e lenha para a cozinha.

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O desenvolvimento de um programa de biogás também representa um recurso
eficiente para tratar os excrementos e melhorar a higiene e o padrão sanitário do meio rural.

"O lançamento de dejetos humanos e animais num digestor de biogás soluciona o


problemas de dar fins aos ovos dos esquistossomos e ancilóstomos, bem como de bactérias,
bacilos desintéricos e paratíficos e de outros parasitas. O número de ovos de parasitas
encontrados no efluente em 99%, após a fermentação".

8. TEMPO DE RETENÇÃO

Caracteriza-se como tempo de retenção o tempo que o material passa no digestor,


isto é, o tempo de entrada e saída dos diferentes materiais na digestor. Como a água, sólidos
e células.

9. GEOMEMBRANAS

9.1 Definição

A Geomembrana tem como matéria prima o Polietileno de Alta Densidade –PEAD, o


qual é produzido pela polimerização do etileno a baixa pressão, com copolímeros e
catalisadores específicos, resultando um polímero de alto peso molecular e de excelentes
propriedades físico-químicas.
As geomembranas de PEAD possuem aproximadamente 97,5% de polietileno virgem,
na sua formulação, 2,5 % de negro de fumo e traços de termoestabilizantes e antioxidantes;
nenhum outro tipo de aditivo é usado. O negro de fumo é responsável pela resistência aos
raios ultravioleta e os termoestabilizantes e antioxidantes aumentam significativamente a
resistência às intempéries, calor e resistência à degradação.
As petroquímicas fornecedoras da resina para a fabricação da Geomembrana
possuem rigoroso controle de qualidade, de acordo com normas internacionais, garantindo
as propriedades do polietileno fornecido.

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9.2 Resistência Química

Devido à estrutura química, o polietileno é inerte frente à maioria dos produtos


químicos comuns.

Sendo assim, os reservatórios de geomembranas de PE linear apresentam uma boa


resistência química, sendo a melhor resistência química entre os reservatórios de
geomembranas flexíveis feitas de outros materiais como, por exemplo, PVC.

9.3 Fabricação

Inicialmente, o polietileno granulado é introduzido através de um funil na extrusora,


onde é plastificado, homogeinezado e bombeado para a matriz. Logo após a massa fundida
passa por uma matriz de forma anelar, que possui uma ferramenta central chamada mandril,
para separar o fluxo desta forma.
O plástico sai da matriz formando um tubo, o qual é suspenso e movimentado pelo
puxador primário, localizado na parte superior da máquina. Ar sob pressão é insuflado na
parte interna do tubo, formando um balão.
O material sai do puxador primário em forma de tubo dobrado, sendo desdobrado
através de corte em uma das paredes.
Na descida do material um dispositivo abre o tubo, o qual é direcionado ao puxador
secundário.
Finalmente, a bobina passa por um processo de corte no comprimento pré-
estabelecido.

9.4 Durabilidade

A vida útil de reservatórios de geomembranas varia significativamente com base em


suas condições de exposição. Por exemplo, a previsão da vida útil de reservatórios de
geomembranas poliméricas expostas às condições atmosféricas é influenciada
principalmente pela radiação solar (UV). Para reservatórios de geomembranas não expostas,
os principais aspectos relacionados aos mecanismos de degradação são: ataques químicos e
solicitações mecânicas. Altas temperaturas e oxidação afetam a durabilidade dos
reservatórios de geomembranas tanto em condições expostas quanto não expostas.
Para evitar a degradação e garantir sua durabilidade, mesmo em condições expostas,
o reservatório de geomembrana de PE linear é devidamente aditivado com negro de fumo,
estabilizantes contra luz e antioxidantes.

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No contexto internacional a análise de envelhecimento acelerado vem sendo
estudada há algum tempo.
Vários autores estimam a vida útil de reservatório de geomembranas PEAD na ordem
de centenas de anos.
Testes de envelhecimento acelerado em condições expostas realizados em
laboratório indicaram que a vida útil do reservatório de geomembrana de PE linear pode ser
semelhante a do PEAD. Estudos realizados
sugerem que, embora o PE linear perca seus antioxidantes mais rápido do que PEAD, o PE
linear envelhece mais lentamente do que o PEAD após o esgotamendo dos antioxidantes.

9.5 Ensaios de qualidade

Os ensaios a que são submetidas as geomembranas de PEAD são variados e baseiam-


se em comprovações de aspecto, espessura, resistência a baixas temperaturas, tração,
alongamento, rasgo etc.

10. UNIÃO DO PEAD

10.1 Por calor

A união entre lâminas é efetuada aquecendo as superfícies que serão colocadas em


contato, as quais devem estar secas e limpas. As superfícies das bordas das lâminas ao
receberem o calor amolecem e se fundem, ao pressioná-las imediatamente consegue-se um
corpo único que é chamado de união.
Os sistemas de união por calor são:

a) Ar quente - utiliza-se uma máquina de solda (manual ou automática) que produz um jato
de ar quente aquecendo as superfícies que serão unidas.

b) Cunha quente - mediante equipamentos que transmitem, por contato, temperatura


suficiente para fundir as zonas de sobreposição das lâminas. Estes equipamentos permitem
a pré-confecção de painéis de grandes dimensões na fábrica e, inclusive, no local da obra.

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10.2 Por solventes

A união é feita aplicando-se solvente com a ajuda de uma brocha plana e de forma
regular entre as superfícies das bordas das lâminas a serem sobrepostas, pressionando-as
posteriormente com a mão ou com roletes de borracha e limpando o excedente, de solvente,
com um pano. Deve-se evitar qualquer derramamento de solvente sobre as lâminas que, se
acidentalmente ocorrer, deve ser limpo imediatamente com panos secos. Recomenda-se
observar atentamente as instruções dos fabricantes de solvente para o seu manuseio e
aplicação.

10.3 PRÉ-CONFECÇÃO

O PEAD permite a confecção, na fábrica, de painéis de grandes dimensões, trazendo


vantagens, tais como:
• Qualidade da solda em fábrica (maior controle em ensaios de laboratório, feitos em locais
protegidos de intempéries);
• Menor custo na confecção em fábrica do que no canteiro;
• Redução do tempo de colocação no local.

11. BIODIGESTORES

11.1 INTRODUÇÃO

A utilização de geomembrana de PEAD para impermeabilizar obras de terra vem


adquirindo um progresso importante nas áreas de:
• Agricultura - na otimização do aproveitamento da água para irrigação;
• Meio-ambiente - na contenção de rejeitos industriais;
• Mineração - nos processos de obtenção de ouro, cobre etc, principalmente por lixiviação ;
• Esterqueiras - contenção de rejeitos de suínos para fermentação e transformação em adubo
natural.

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11.2 CONCEPÇÃO DO PROJETO

A aparente simplicidade de concepção e realização de uma impermeabilização com


geomembrana em uma obra hidráulica, pode, eventualmente, trazer ao usuário, projetista e
impermeabilizador, surpresas desagradáveis caso os parâmetros ligados ao estudo e à
instalação não sejam cuidadosamente levados em conta.
Devido à multiplicidade de parâmetros a serem considerados, procuramos listar aqui
alguns dos principais pontos do projeto e da execução, a serem observados, porém, é sempre
importante lembrar que cada obra é única, devendo ser analisada isoladamente.
a. Características físico-químicas do produto a ser armazenado a ser armazenado
• Composição química e concentração exata de cada elemento, principalmente no que tange
a:
- Presença de poluentes;
- Presença de produtos tóxicos;
- Presença de materiais orgânicos;
- Presença de hidrocarbonetos.
• Riscos de derramamento acidental de efluentes tóxicos ou poluentes;
• Reservatório de água potável;
• Temperatura - valor médio e extremos das temperaturas.

b Características geométricas

• Superfície da geomembrana;
• Altura máxima do líquido;
• Diâmetro máximo dos granulados do suporte;
• Risco de perfuração hidráulica;
• Características gerais dos taludes;
• Volume do líquido armazenado;
• Extensão máxima da lâmina d’água.

c. Climatologia

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• Condições climáticas;
• Velocidade e direção dos ventos;
• Ocorrência de neve e/ou gelo.

d. Dados específicos devido às condições de utilização

• Velocidade pontual ou turbulências do líquido armazenado;


• Necessidade e periodicidade de limpeza e/ou proteção da geomembrana;
• Tráfico de veículos sobre a impermeabilização (para a manutenção);
• União do PEAD a obras de concreto.

e. Características do suporte e do subsolo

• Subsolo: dados geológicos e geotécnicos, nível do lençol freático;


• Leito suporte: solo, materiais granulares, rochas, concreto (projetado, poroso).

f. Entrada de líquidos

A entrada de líquidos na lagoa deve ser feita de preferência por tubulação, que pode
ser impulsionada por diferentes sistemas (bombeamento, sifão, cota etc).
Deve-se ter cuidado no ponto de impacto do líquido sobre o elemento impermeabilizante,
mediante a um sistema de dispersão de energia.

g. Manutenção

No caso de esvaziamento da lagoa, deve-se aproveitar para verificar a existência de


pontos a serem reparados. Existindo algum furo, deve-se colocar um reparo de diâmetro,
nunca inferior a 20cm.
Havendo necessidade de remoção de lodo ou de vegetação (geralmente no topo do talude),
orientar o pessoal da manutenção de modo que não danifiquem a geomembrana, caso a
mesma não seja protegida.

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NOTA: Recomendamos que no caso de lagoas onde existam constantes operações de
esvaziamento, deve-se prever uma proteção mecânica da geomembrana.

h. Meio-ambiente

• Vegetação: todos os materiais orgânicos de origem vegetal devem ser retirados do leito de
colocação, a fim de evitar:
- a criação de pontos duros sob a membrana;
- a formação de gás pela decomposição destes materiais.
• Vandalismo: em regiões onde possam ocorrer vandalismo ou passagem de animais,
poderão ser adotadas algumas soluções como:
- proteção mecânica;
- cercar a lagoa com tela de arame.

i. Modulação

A partir do projeto executivo, se estabelece um plano de modulação dos painéis de


PEAD, que são numerados conforme em planta de modulação. A planta de modulação deve
conter a posição exata de cada painel.
A área máxima de pré-confecção dos painéis é definida em função do peso final de
cada painel, embalagem, movimento de carga e descarga (equipamento e transporte
disponível), bem como de sua utilização em campo.

12. INSTALAÇÃO

a. Terraplenagem
• Marcação (piquetes): para a implantação sobre o sítio e, em particular, no caso de pré-
fabricação da geomembrana, é necessário verificar se a empresa de terraplenagem respeitou
as cotas e as inclinações dos taludes.

b. Geometria do leito

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• Fundo da bacia: para um bom funcionamento da drenagem e para facilitar a instalação,
assim como para encher e esvaziar a lagoa, o fundo da bacia deverá apresentar uma
inclinação mínima (geralmente 1%, para adaptação da membrana à superfície da obra e ao
abatimento previsível).

• Talude: a inclinação dos taludes deve assegurar sua estabilidade uma vez que a
geomembrana não contribui para a estabilidade mecânica do talude.

• Em função da altura da lagoa e inclinação do talude pode ser necessário a execução de uma
berma intermediária.

• Crista do talude: a largura da crista do talude deverá ser suficiente para permitir:
- o tráfego de equipamentos (veículos, máquinas) durante a exploração das lagoas (por
exemplo: caminhão cisterna para aspiração da lama de decantação).

12.1 Estado da Superfície/Suporte

a. Preparação da superfície

A preparação da superfície tem fundamental importância no resultado final da obra,


sendo um dos principais fatores de sucesso do serviço.
A compactação deve obedecer estritamente às diretrizes de mecânica dos solos
estabelecidos no projeto, a fim de que a estabilidade seja mantida. Após a sua execução a
superfície deverá estar:
• Contínua (ausência de pequenas cavidades ou fissuras);
• Regular (não existir nenhum elemento agressivo, como pedras, raízes etc).
NOTA: Especial atenção deve ser dada a compactação do talude, pois se forem mal
compactados pode ocorrer desmoronamento de materiais, que irão se acumular no pé do
talude, deixando a manta sem contato com o solo no meio do talude e aumentando a tensão
no pé do talude.
Em caso de presença de rocha na base a ser revestida, critérios especiais, a cargo da
fiscalização deverão ser adotados, tais como:
• Escavação complementar com a remoção de arestas e pontas vivas;
20
• Posterior regularização, se necessário, com solo selecionado ou areia.

b. As estruturas de concreto e/ou alvenarias e tubos passantes que serão revestidos, deverão
apresentar arestas arredondadas e bordas bem acabadas bem como isentas de incrustações,
rebarbas, poeiras e oleosidade.

c. Na vistoria preliminar, antes da aplicação do revestimento, todas as áreas e obras deverão


sofrer uma vistoria detalhada por parte dos técnicos da aplicadora, os quais informarão à
fiscalização todas as áreas irregulares para a aplicação da manta.

13. DRENAGEM

A drenagem deve assegurar a evacuação dos líquidos e gases acumulados ou presentes sob
a membrana.

14. UNIÃO ENTRE AS MANTAS E A SUPERFÍCIE DE SUPORTE

a. Com relação aos painéis estendidos, para se efetuar a soldagem em campo, todo o
cuidado na sua preparação é imprescindível para a perfeita estanqueidade do sistema.

b. As faces das mantas deverão sofrer uma limpeza completa

c. Nos pontos onde for necessário a execução de soldagem química, a largura de sobreposição
nas emendas passa a ser de no mínimo 50 mm e as partes após a aplicação do adesivo, devem
ser comprimidas firmemente através de roletes de borracha para garantir um perfeito
espalhamento do solvente e uma colagem homogênea.

d. A colagem das mantas sobre superfícies de concreto, alvenaria e em tubos passantes


deverá ser efetuada com a utilização de adesivos de contato, podendo ainda, receber reforço
mecânico (chapas, braçadeiras etc).

e. O adesivo de contato deverá ser aplicado nas duas faces a serem coladas e em camadas
espessas (ver recomendações do fabricante de adesivo).

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f. Na solda do pé do talude, é recomendável que os painéis dos taludes avancem no mínimo
1,0 metro para dentro da área do fundo do lago, pois o pé do talude é uma região em que o
solo sofre grande tensão.

15. APLICAÇÃO DA MANTA

As mantas em painéis pré-fabricados serão estendidas e distribuídas cuidadosamente,


utilizando-se operários em números adequados para evitar esforços concentrados.
O transporte dos painéis do alojamento ao local será feito através de veículo
motorizado.
Os painéis têm localização e sentido de emendas já pré-estabelecidos no projeto de
modulação, sendo imprescindível a locação exata dos módulos na sequência de projeto.
Recomenda-se instalar primeiro as superfícies inclinadas, onde os painéis serão distribuídos,
de modo que as emendas fiquem obrigatoriamente no sentido vertical, para evitar o peso da
manta contra a mesma.

15.1 LASTRO

A utilização de lastro provisório é necessária para:


• Evitar a ação do vento sobre a geomembrana para que não possa deslocá-la;
• Evitar o deslocamento da geomembrana no talude. Neste caso, os sacos de lastro devem
ser amarrados em uma corda que deve ser fixada no topo do talude;
• Evitar o deslocamento da geomembrana na área da trincheira, antes da ancoragem
definitiva.

15.2 ANCORAGEM

A distância da implantação da trincheira de ancoragem em relação à crista do talude,


não deve ser inferior a 1,0 m, sendo que a trincheira de ancoragem na crista do talude deve
ter pelo menos 0,40 m x 0,40 m.

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15.3 SEGURANÇA

a. Na aplicação da manta de PEAD todo o acesso de pessoas estranhas ao serviço deverá ser
bloqueado, devendo apenas circular pessoas previamente orientadas para os cuidados e
restrições peculiares à obra.

b. Não utilizar ferramentas pontiagudas.

c. Não fumar na área revestida e adjacências.

d. Proibir o arraste de qualquer objeto sobre a manta.

e. Inibir o desmonte, com utilização de explosivos, nas proximidades da manta.

f. Toda a equipe em campo deverá estar vestida com os equipamentos de segurança


necessários.

g. Utilizar sapatos de solado de borracha macio e liso.

Deve-se notar que todas as condições particulares de utilização e todos os detalhes


de execução de um projeto não puderam ser abordados e recomenda-se a consulta a nosso
Departamento Técnico caso a caso.

16. SERVIÇOS PRELIMINARES - IMPLANTAÇÃO

16.1 - DEMOLIÇÕES

Deverão ser executadas todas as demolições que eventualmente se fizerem


necessárias para a implantação da obra. Os serviços de demolição que por ventura forem
necessários além dos previstos inicialmente no projeto serão de obrigação do proprietário da
granja.
23
16.2. CONFORMAÇÃO DO TERRENO

O terreno deverá ser devidamente limpo. Proceder-se á todo o movimento de terra


que se fizer necessário para o nivelamento do terreno. As áreas externas deverão ser
regularizadas de forma a permitir fácil acesso e escoamento das águas superficiais .

16.3 – LOCAÇÃO

Para locação da obra deverá ser executado um quadro de marcação em guias de


madeira fixadas em pontaletes a 1,00 m de altura em relação ao solo. O construtor deverá
proceder á aferição das dimensões, dos alinhamentos e dos ângulos constantes no projeto
com as reais condições encontradas no local.

16.4. GENERALIDADES

A mão-de-obra e os materiais a serem empregados na execução dos serviços deverão


ser de boa qualidade, em obediência a estas especificações e aos padrões em vigor, devendo
ser providenciados pela contratada, bem como todo maquinário e ferramentas necessárias.

A aplicação de materiais industrializados ou de emprego especial obedecerá às


recomendações dos fabricantes, cabendo, em qualquer caso, a responsabilidade técnica.

17. INSTALAÇÃO DA OBRA

A obra será dotada de dispositivos que garantam as condições adequadas de


segurança.

O proprietário da empresa providenciará as ligações necessárias (água, energia).

O canteiro deverá ser organizado e limpo, cabendo à contratada manter estas


condições durante a obra, retirando quaisquer materiais, equipamentos, entulhos e outros
que não sejam necessários à construção.

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18. VALAS

18.1. ESCAVAÇÕES

18.1.1 - A locação da obra deverá ser feita rigorosamente de acordo com os níveis e indicações
constantes dos projetos e detalhes e respeitando todas as normas vigentes da legislação
ambiental Federal e Código Sanitário Estadual.

18.1.2 - As escavações do terreno deverão ser executadas até o nível indicado no projeto ou
até que se verifique a resistência mínima adequada, coesão mínima e ausência de águas
agressivas, possibilitando a execução dos elementos da fundação a céu aberto, sem a
necessidade de escoramentos.

18.1.3 - As escavações manuais ou mecânicas serão executadas dentro da melhor técnica


comprovada pela experiência e/ou normas, assim como garantindo as condições adequadas
de segurança, prevendo escoramento de valas, onde necessário. Para os taludes de corte de
solo, deve-se respeitar a relação horizontal: vertical (H:V) de 1:1,4; ou seja, um ângulo de 55º,
ou inclinação mais suave, tendo em vista premissas de geotecnia para garantia de sua
estabilidade.

18.1.4 - Os aterros que porventura existirem, serão executados em camadas uniformes,


constituídas por material escolhido e isento de matéria orgânica, molhada (mas não
encharcada), ou seja, com umidade entorno da ótima (23%) e rigorosamente compactada.
Para os taludes de aterro de solo, deve-se respeitar a relação H:V de 1:1 ou inclinação mais
suave, tendo em vista premissas de geotecnia para garantia de sua estabilidade.

19. VIGA PARA FIXACÃO

19.1. GERAL

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A viga deverá ser construída a uma distância mínima de 20 cm da borda superior da
vala. O piso onde será alocada deverá ser devidamente nivelado e não possuir nenhum tipo
de material estranho que possa prejudicar a construção e funcionamento da mesma.

19.2 - PILARETES

Ao longo da extensão de toda a viga deverão ser alocados pilaretes de concreto para
que aumente a resistência da viga, os pilaretes deverão ser dispostos a uma distância máxima
entre eles de 2,00 m (as distâncias dos pilaretes de cada granja constam nos desenhos
técnicos).

Os pilaretes deverão ser executados em concreto usinado seguindo as recomendações


de resistência do concreto de no mínimo fck 20MPa. Serão moldadas diretamente no solo
através de abertura com brocas manuais conforme profundidade estabelecida no projeto (a
profundidade de cada pilarete vai depender do tipo de solo da região). Os pilaretes serão
executados com diâmetro mínimo de ø25cm com armadura longitudinal em 4 barras de ferro
6.3 mm (1/4”) - CA 50B e armadura transversal em estribo #4,6mm - CA60 a cada 20cm. A
armadura longitudinal de ferro deverá possuir a extensão de todo o pilarete até a base da
viga, respeitando sempre a NBR 6118 da ABNT no que diz respeito ao cobrimento mínimo da
armadura e o transpasse das mesmas.

19.3. VIGAS

Deverão ser executadas, em concreto usinado, com FCK de no mínimo 20MPa. Para
as vigas deverão ser executadas formas de madeira de pinho e/ou formas metálicas com
fundo aberto. As formas deverão ser limpas e umedecidas até a saturação imediata antes da
concretagem. As vigas deverão receber armadura longitudinal em 04 barras de ferro 8,0 mm
(5/16”) CA-50 e estribos 4,2mm em aço CA 50, a cada 20cm com recobrimento de 2,0 cm.

As dimensões mínimas das vigas serão as seguintes: 30 x 25 de parede. Durante a


execução da viga deverão ser previstas as passagens necessárias para a execução das
instalações, bem como drenos de gás e tubos de retirada de lodo.

A execução das formas, dos escoramentos e da armadura, as tolerâncias a serem


respeitadas, o preparo do concreto, a cura, a retirada das formas e do escoramento e a
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aceitação da estrutura obedecerão ao estipulado na NBR-6118 da ABNT.

20. IMPERMEABILIZAÇÕES

Elementos de estrutura em contato com o solo ou expostos ao tempo serão


impermeabilizados com vistas à proteção, sendo adotado o sistema mais adequado a cada
caso.

A parte inferior das valas deve ser totalmente revestida por manta em PEAD com no
mínimo 0,80 mm de espessura, compondo a parte inferior do biodigestor, fixa na borda
superior da viga de concreto através de chapa zincada 3/16 x 2” com parafusos 3/8 x 80
galvanizados, espaçados longitudinalmente entre si, no máximo, a 25 cm, de modo a garantir
perfeita vedação (estanqueidade) e segurança.

21. COBERTURA (CÚPULA)

A cobertura das lagoas (fechamento da cúpula dos biodigestores) será em PEAD com
espessura de 1,25 mm, fixa na borda superior da viga de concreto através de chapa de ferro
zincada 3/16 x 2”, sobreposta ao anterior e fixada pelos parabolts a cada 25 cm, de modo a
garantir perfeita vedação (estanqueidade) e segurança.

22. DRENOS DE GÁS

Deverá ser executada vala no sentido da largura da vala (transversal), como se


apresenta no projeto, para eventual saída de gás gerado sob a lona de revestimento (inferior)
das lagoas.

A valeta para colocação do dreno de gás deverá ter as seguintes dimensões: 10 x 10


cm.

A tubulação (Kanadren) usada para drenagem deverá ser de no mínimo 50 mm de


diâmetro.
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23. RETIRADA DE LODO E AGITAÇÃO

O biodigestor será provido de tubulações PVC de 200 mm de diâmetro PN 60 para


retirada do lodo decantado do fundo e também para agitação do sistema, devendo existir, no
mínimo, 02 (duas) unidades para cada câmara (o número de tubos de retirada do lodo e
agitação, juntamente com os distanciamentos da tubulação se apresentam no projeto).

O sistema de agitação é projetado conforme a quantidade de dejetos armazenados,


no formato de hélices, cada agitador poderá recircular 850 m³.

O equipamento é introduzido no biodigestor por uma tubulação de 300 mm, a haste


do agitador é lacrada e imersa em óleo específico para aplicação de manejo de dejeto. As pás
são especialmente projetadas para quebra das fibras sólidas facilitando assim a
homogeneização, com isso reduzindo o tempo de ciclo e custos na operação.

24. ENTRADA E SAÍDA DE DEJETOS

A entrada e saída dos dejetos no biodigestor será feita através de tubo PVC 200 mm
de diâmetro com tratamento de raios ultra violeta.

O tubo de entrada deverá ser ligado diretamente da caixa de passagem para o


biodigestor. A ligação deverá ser feita de modo que o tubo de entrada saia da caixa de
passagem e siga acompanhando o terreno e o talude até a borda superior da lagoa, neste
local deverá ser instalado uma curva de 45º também de 200 mm, após a curva o cano deve
estender-se por mais 1,10 metros.

A ligação de saída deverá seguir a mesma descrição, mas apenas estar a uma
profundidade máxima de 0,90 m do nível superior da lagoa. A ligação será feita direta, não
constando nenhuma caixa de passagem. A ligação será feita até 2 (dois) m da viga do
biodigestor. Deste ponto até a lagoa seguinte, a ligação é de responsabilidade do produtor.

24.1. CAIXA DE PASSAGEM

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24.1.1 - PREPARAÇÃO DO TERRENO

Do interior do quadro da obra deverá ser removido todo o solo com detritos, material
orgânico em decomposição e solo que não atenda as condições mínimas de rigidez e coesão
e resistência. Haverá caso o solo do local não atenda as condições acima, empréstimo de solo
de boas condições para dentro do quadro de obra. O solo deverá ser devidamente nivelado
e apiloado em camadas de 15 cm.

24.1.2. NÚMERO DE CAIXAS DE PASSAGEM E DIMENSÕES

Será instalada um total de 04 (quatro) caixa de passagem por biodigestor (conforme desenho
técnico).

A caixa de passagem devera ter as seguintes dimensões: 1,00 m de comprimento x 1,00 m de


largura e profundidade total de 0,80 m. A tubulação das caixas deverá estar no fundo da mesma, de
maneira que não haja depósito de dejeto dentro das mesmas.

24.1.3. CONTRA-PISO

Será executado contrapiso de concreto simples de cimento Portland comum,


areia media e pedra britada n. 1, na proporção 1:6:9, uma parte de cimento, 6 partes de areia
média e 9 partes de pedra brita n.1. Para estas quantidades, devem ser colocados 20 litros de
água, devendo a água ser controlada na betoneira conforme a umidade da areia. Para
recebimento do contra-piso serão executadas mestras de madeira, com espaçamento
máximo de 1,00 (um) metro, rigorosamente niveladas. As mestras serão em madeira de
pinho, secas e com as faces superiores perfeitamente plainadas em marcenaria. As mestras
serão fixadas em pontaletes de madeira de pinho cravadas no terreno devidamente apiloado,
de forma que não deformem. Espessura mínima de 5 cm.

24.1.4. PISO

Sobre o contra-piso da caixa de descarga deverá ser executado um piso de cimento na


proporção de 1:4, sendo uma parte de cimento e quatro partes de areia peneirada.

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O piso deverá ter uma espessura aproximada 3 cm. Para essas quantidades devem ser
colocados aproximadamente 20 litros de água, devendo a água ser controlada na betoneira
conforme a umidade da areia ou serragem molhada por 7 dias.

24.1.5. PAREDES

As paredes da caixa de descarga serão de blocos cerâmicos (tijolos) 6 furos, assentados


a espelho, com argamassa de cimento e areia, traço 1:3, nivelados e aprumados, nos
alinhamentos e dimensões indicados nos projetos e detalhes aprovados. O chapisco e o
emboço devem ser aplicados prevendo-se um intervalo mínimo de um dia, com traço idêntico
ao da argamassa de assentamento (espessura total máxima: 3 cm).

25. VÁLVULA DE SEGURANÇA

A válvula de segurança foi desenvolvida para evitar o excesso de pressão no


biodigestor, o que poderia causar danos estruturais aos biodigestores e resultar em
vazamento de biogás.

A válvula de segurança está localizada ao lado da viga do biodigestor, sendo composta


de mecanismo de expurgo de gás quando a pressão excede o limitante de pressão da cúpula
do biodigestor, é composto por um sistema montado com material em PVC 200 mm.

Caso haja um excesso de pressão no biodigestor, haverá a indicação na válvula de


segurança através da abertura da tampa auxiliar.

26. DADOS FÍSICOS LEGAIS

Obra: Biodigestor para tratamento de lodo de ETE

Proprietários: VALE FÉRTIL INDÚSTRIA DE FERTILIZANTES.

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Localização: Santa Maria - RS

27. DADOS DO PROJETO E DIMENSÕES DO BIODIGESTOR

Dados Referência

Atividade: Fábrica de Adubo

Sistema de Produção: Lodo de ETE

Quantidade: 45 m³

Produção diária total do efluente (m3/dia): 45,00

Tempo de Detenção Hidráulico (TDH) – dias: 44

Diâmetro Superior (m): 30,00

Diâmetro Inferior (m): 22,00

Profundidade Útil (m): 3,80

Profundidade Total (m): 4,00

Volume Útil (m3): 2.033

Volume Total (m3): 2.140

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28. O PROJETO

1) Este projeto, será implantado na empresa vale fértil indústria de fertilizantes


no município de santa maria – rs, no seguinte formato:
2) Todo o material recebido diariamente será depositado em uma lagoa de
homogeneização no formato circular com as dimensões de 10,00 metros de
diâmetro superior, 5,00 metros de diâmetro inferior e 2,50 metros de
profundidade total, sua capacidade de armazenamento útil é de 96,00 m³.
3) Por gravidade, este material recebido no depósito de homogeneização,
passará pelo sistema de biodigestão, onde o material ficará em média 44 dias
retido para produção de biogás.
4) Após a passagem do biodigestor, esse material será direcionado então ao
digestato com as dimenssões de 20,00 metros de diâmetro superior, 14,00
metros de diâmetro inferior e 3,00 metros de profundidade total, sua
capacidade de armazenamento útil é de 596,00 m³.
5) Será disposto também no circuito fechado o sistema de compostagem para o
fechamento do tratamento.
6) Todos os sistemas estarão anexados em autocad.

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