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Aula 01

Noções de Direito Penal Militar p/ PM-BA e CBM-BA (Soldado)


Professor: Paulo Guimarães

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Direito Penal Militar para PM-BA e CBM-BA

Teoria e exerc’cios
comentados
Prof. Paulo Guimar‹es Ð Aula 01
AULA 01: Crimes Militares Ð Parte I

SUMçRIO PçGINA
1. Crimes contra a Autoridade ou Disciplina Militar 1
2. Quest›es comentadas 43
3. Lista das quest›es apresentadas 52

Ol‡, amigo concurseiro!

Na aula de hoje come•aremos a estudar os crimes militares,


que representam a maior parte do conteœdo do nosso edital. Preste muita
aten•‹o ˆ descri•‹o dos tipos penais e aos aspectos que normalmente s‹o
cobrados em prova.

Bons estudos!

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1.! CRIMES CONTRA A AUTORIDADE OU DISCIPLINA MILITAR

Nossa an‡lise ser‡ feita de forma um pouco diferente do que


os livros de Direito Penal geralmente fazem. Normalmente os autores
buscam identificar certos elementos: bem jur’dico protegido, sujeito ativo,
sujeito passivo, conduta, etc. AlŽm disso, em geral os autores ficam
ÒviajandoÓ tentando encontrar possibilidades de aplica•‹o e gastam
p‡ginas e p‡ginas discutindo se Ž poss’vel a tentativa, ou em que
momento o crime realmente se consuma.
Nossa aula ser‡ um pouco mais pr‡tica, ok? As quest›es que
tratam dos crimes em espŽcie em geral utilizam uma f—rmula simples:
ÒFulano praticou tal ato nessas condi•›es. A conduta adotada Ž o crime
talÓ.

CAPêTULO I Ð DO MOTIM E DA REVOLTA

MOTIM
Art. 149. Reunirem-se militares ou assemelhados:
I - agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a
cumpri-la;
II - recusando obedi•ncia a superior, quando estejam agindo sem
ordem ou praticando viol•ncia;
III - assentindo em recusa conjunta de obedi•ncia, ou em resist•ncia
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ou viol•ncia, em comum, contra superior;


IV - ocupando quartel, fortaleza, arsenal, f‡brica ou estabelecimento
militar, ou depend•ncia de qualquer deles, hangar, aer—dromo ou
aeronave, navio ou viatura militar, ou utilizando-se de qualquer daqueles
locais ou meios de transporte, para a•‹o militar, ou pr‡tica de viol•ncia,
em desobedi•ncia a ordem superior ou em detrimento da ordem ou da
disciplina militar:
Pena - reclus‹o, de quatro a oito anos, com aumento de um ter•o para
os cabe•as.

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REVOLTA
Par‡grafo œnico. Se os agentes estavam armados:
Pena - reclus‹o, de oito a vinte anos, com aumento de um ter•o para os
cabe•as.

Estes crimes s‹o os que mais apareceram em provas atŽ hoje!


Perceba que todos os incisos do art. 149 mencionam de alguma forma a
desobedi•ncia ou resist•ncia ao cumprimento de ordem superior.
Os delitos n‹o podem se cometidos por apenas uma pessoa.
Podemos dizer, portanto, que s‹o crimes de concurso de pessoas
necess‡rio. Basta, porŽm, a a•‹o de duas pessoas para que a conduta
seja criminosa. Vai ser f‡cil voc• lembrar essa caracter’stica a partir da
associa•‹o ao nome do tipo penal: quando pensamos num motim,
inevitavelmente surge a ideia de a•‹o de um grupo.
Os sujeitos ativos precisam ser militares em atividade, n‹o
sendo poss’vel o cometimento do crime por civis ou mesmo por militares
da reserva ou reformados. A esta altura voc• tambŽm j‡ sabe que a
figura do assemelhado n‹o mais existe em nosso ordenamento.
ÒMas professor, se um militar da ativa e um da reserva se
recusarem juntos a cumprir ordem de superior, haver‡ crime de motim?Ó
A resposta Ž NÌO, caro aluno. Por outro lado, se este militar inativo
ocupar emprego regular na Administra•‹o Militar, ser‡ equiparado a
militar da ativa, e ser‡ poss’vel que haja o delito (relembre o teor do art.
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12 do CPM).
Alguns doutrinadores entendem que o civil e o militar
inativo podem cometer o delito na condi•‹o de coautores ou
part’cipes, mas somente se houver pelos menos dois militares da ativa
envolvidos. Como a circunst‰ncia pessoal de ser militar da ativa Ž
elementar do crime, ela se comunica aos part’cipes e coautores, nos
termos do art. 53, ¤1¼ do CPM.

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ƒ importante, contudo, que voc• saiba que as considera•›es
acima acerca do civil somente se aplicam na esfera federal, pois a Justi•a
Militar Estadual n‹o julga civis sob nenhuma circunst‰ncia (art. 125, ¤4¼
da Constitui•‹o Federal).
Esse racioc’nio ser‡ aplic‡vel para todos os crimes que
estudaremos na aula de hoje. Sempre que eu disser que Ž poss’vel que
civil cometa algum crime, isso vale apenas para o ‰mbito federal.
Parte importante dos doutrinadores, entre eles CŽlio Lob‹o,
entende, todavia, que o crime de motim somente pode ser cometido por
militares da ativa (crime propriamente militar). ATEN‚ÌO! O Cespe j‡
elaborou quest›es com este entendimento. Cuidado com a confus‹o, ok?
Quanto ao inciso I, n‹o faz diferen•a se a negativa de
obedi•ncia da ordem superior for expressa ou t‡cita. TambŽm Ž
importante que voc• saiba que o superior hier‡rquico n‹o Ž
necessariamente o militar de posto ou gradua•‹o superior ˆ do agente.
Pode ser tambŽm um militar de mesmo posto ou gradua•‹o, que esteja
exercendo fun•‹o de comando.
O inciso II trata da situa•‹o em que o superior hier‡rquico
tenta resgatar a normalidade da a•‹o irregular adotada pelos agentes,
ou da viol•ncia praticada de forma il’cita. Esta situa•‹o Ž mais grave,
pois alŽm de os autores do crime estarem agindo sem ordem ou com
viol•ncia, recusam o cumprimento da ordem superior de cessar a
conduta. 11295299674

No inciso III h‡ a situa•‹o em que um grupo se recusa a


obedecer, ou agride o seu superior. A maior parte da Doutrina acredita
que a greve praticada por militares, alŽm de ser ilegal, encaixa-se
tambŽm neste tipo penal militar.
Perceba que aqui a conduta Ž a mera concord‰ncia, e n‹o a
organiza•‹o da resist•ncia. Os criminosos n‹o s‹o os cabe•as. ƒ
importante compreender bem esse aspecto para n‹o confundir o motim
com a conspira•‹o, prevista no art. 152.

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Na conspira•‹o a conduta Ž anterior, preparat—ria, para,
posteriormente, haver anu•ncia coletiva ˆ pr‡tica do motim.
H‡ ainda alguma discuss‹o da rela•‹o do motim com a
viol•ncia contra superior (art. 157). A posi•‹o doutrin‡ria mais aceita
Ž a de que a viol•ncia contra superior, por ser mais grave, absorve o
motim.
No inciso IV est‡ prevista a conduta daqueles militares que
ocupam locais ou ve’culos militares. CŽlio Lob‹o diz que Ž necess‡rio
que os locais ou meios de transporte sejam utilizados para consecu•‹o
militar: movimenta•‹o pr—pria de organiza•‹o bŽlica, com armamento.
Ainda sobre o inciso IV, perceba que o texto d‡ abertura para
que o crime seja cometido mesmo sem desobedi•ncia direta a ordem de
superior. Esta Ž a hip—tese de ocupa•‹o destes bens ou locais em
detrimento da ordem ou da disciplina militar.
No crime de motim, a pena dos cabe•as Ž aumentada de um
ter•o. A defini•‹o de cabe•as est‡ no art. 53, ¤¤4¼ e 5¼ do CPM, que voc•
j‡ estudou.

Para que ocorram os crimes de motim e revolta, Ž


necess‡ria a atua•‹o de pelo menos dois militares
da ativa (concurso de pessoas necess‡rio).

Agora vamos estudar a revolta. CŽlio Lob‹o entende que o


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fato de estarmos diante de militares armados n‹o Ž o que distingue a


revolta do motim, mas sim a viol•ncia com que os atos s‹o perpetrados.
Esta vis‹o Ž adotada unicamente por este doutrinador, mas como ele Ž
muito importante, acredito que seja bom voc• saber, ok?
A revolta, na realidade, Ž um motim qualificado pela
presen•a de armas. Nas pol’cias militares, as condutas que estudamos
quase sempre incorrer‹o em crime de revolta, pois os policiais, salvo
raras exce•›es, exercem suas atribui•›es armados.

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Se houver pelo menos dois militares armados, a
qualificadora j‡ se torna aplic‡vel e comunica-se aos demais, mesmo que
n‹o estejam utilizando armas, mas apenas se tiverem conhecimento da
circunst‰ncia.
Assim como no motim, a pena dos cabe•as do crime de
revolta tambŽm Ž majorada de um ter•o.

MOTIM à Sem armas


REVOLTA à Com armas à N‹o Ž necess‡rio
utiliz‡-las

ORGANIZA‚ÌO DE GRUPO PARA A PRçTICA DE VIOLæNCIA


Art. 150. Reunirem-se dois ou mais militares ou assemelhados, com
armamento ou material bŽlico, de propriedade militar, praticando
viol•ncia ˆ pessoa ou ˆ coisa pœblica ou particular em lugar sujeito ou
n‹o ˆ administra•‹o militar:
Pena - reclus‹o, de quatro a oito anos.

Assim como os crimes que vimos anteriormente, este crime


n‹o pode ser praticado individualmente (concurso necess‡rio). A
diferen•a Ž que agora o dispositivo traz expressamente a necessidade de
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haver dois ou mais militares, enquanto a descri•‹o legal do motim n‹o


faz refer•ncia ˆ quantidade m’nima de pessoas.
O porte de armamento ou material bŽlico Ž elemento do
tipo, sendo necess‡rio para que o crime se configure. N‹o Ž necess‡rio,
entretanto, que as armas estejam sendo utilizadas na pr‡tica da viol•ncia.
Para CŽlio Lob‹o, a express‹o ÒarmamentoÓ tambŽm inclui
as armas impr—prias: paus, facas, rev—lver de uso pessoal do militar, etc.
N‹o h‡ nenhum requisito acerca do local onde se d‡ a a•‹o, podendo
ocorrer em depend•ncias sob administra•‹o militar ou n‹o.

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Vale aqui tambŽm o coment‡rio feito acerca do porte de
armamento por apenas alguns consortes. ƒ indiferente que apenas um ou
alguns deles portem o armamento, desde que os demais tenham
conhecimento desta condi•‹o. Neste caso todos responder‹o pelo mesmo
delito.
O crime apenas se consuma com a pr‡tica da viol•ncia
(crime material). Cuidado com a confus‹o que o nome do tipo penal
militar pode gerar na sua mente, pois a forma•‹o do grupo por si s— n‹o
configura o crime, pois o grupo precisa praticar a viol•ncia.

OMISSÌO DE LEALDADE MILITAR


Art. 151. Deixar o militar ou assemelhado de levar ao conhecimento do
superior o motim ou revolta de cuja prepara•‹o teve not’cia, ou,
estando presente ao ato criminoso, n‹o usar de todos os meios ao seu
alcance para impedi-lo:
Pena - reclus‹o, de tr•s a cinco anos.

O sujeito ativo apenas pode ser o militar da ativa (ou


equiparado) e agora estamos diante de um crime que pode perfeitamente
ser perpetrado por apenas uma pessoa.
Este crime Ž constitu’do de duas condutas omissivas: na
primeira o militar fica sabendo que est‡ sendo planejado o motim ou
revolta e omite-se de denunciar essa inten•‹o. Os doutrinadores dizem
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ainda que mesmo que ele comunique, se o fizer tarde demais, n‹o dando
ao seu superior oportunidade de tomar as medidas necess‡rias, o crime
estar‡ configurado.
Na segunda, o militar n‹o tem conhecimento prŽvio, mas est‡
presente quando o motim ou a revolta s‹o deflagrados. Nesta situa•‹o, se
ele n‹o cumprir seus deveres militares, tentando impedir os atos,
incorrer‡ no crime em estudo.

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Alguns doutrinadores falam em omiss‹o indireta, quando o
sujeito ativo do crime apenas finge que tenta adotar medidas. Isso
ocorre, por exemplo, quando ele telefona para o nœmero de seu superior
sabendo que ele n‹o est‡ dispon’vel no local.

CONSPIRA‚ÌO
Art. 152. Concertarem-se militares ou assemelhados para a pr‡tica do
crime previsto no artigo 149:
Pena - reclus‹o, de tr•s a cinco anos.
Par‡grafo œnico. ƒ isento de pena aquele que, antes da execu•‹o do
crime e quando era ainda poss’vel evitar-lhe as consequ•ncias, denuncia
o ajuste de que participou.

Mais uma vez estamos diante de um crime de coautoria


necess‡ria (tambŽm chamado de plurissubjetivo), em que Ž necess‡ria a
a•‹o de pelo menos duas pessoas. Os agentes tambŽm precisam ser
militares da ativa, n‹o fazendo sentido a participa•‹o de civil.
A palavra ÒconcertarÓ significa entrar em acordo, pactuar.
Assim, o nœcleo do tipo est‡ nos atos preparat—rios para o motim ou
revolta. N‹o se trata da mera conversa sobre o assunto nem a
manifesta•‹o de insatisfa•‹o, mas sim o planejamento, reuni›es, etc.
CŽlio Lob‹o diz que Ž muito dif’cil relacionar a conspira•‹o
com a primeira parte do inciso III do art. 149, porque Òos agentes ter‹o
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de ajustar que no futuro ir‹o reunir-se para assentir Ôem recusa conjunta
de desobedi•ncia, ou em resist•ncia ou viol•ncia, em comum, contra
superiorÕÓ.
Acredito que essa discuss‹o seja de menor import‰ncia para a
sua prova, mas Ž interessante que voc• saiba que existem doutrinadores
que pensam de forma diversa, achando que a situa•‹o descrita por CŽlio
Lob‹o tem alguma possibilidade l—gica. Para ilustrar, esses autores criam
exemplos Òdo arco da velhaÓ, dos quais eu n‹o vou tratar aqui por
considerar perda de tempo.

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Quando os agentes se reœnem, conscientes da finalidade do
encontro, o crime est‡ consumado. Se algum dos que est‹o reunidos n‹o
conhece os reais prop—sitos do grupo, este n‹o estar‡ cometendo o
crime.
O par‡grafo œnico determina a isen•‹o de pena daquele que
denuncia o esquema, mesmo tendo participado dele, desde que o fa•a
enquanto ainda era poss’vel evitar suas consequ•ncias. Este Ž um
exemplo de escusa absolut—ria: condi•‹o estabelecida pela lei para que
o ato, mesmo sendo t’pico, antijur’dico e culp‡vel, n‹o seja pun’vel.

CAPêTULO II Ð DA ALICIA‚ÌO E DO INCITAMENTO

ALICIA‚ÌO PARA MOTIM OU REVOLTA


Art. 154. Aliciar militar ou assemelhado para a pr‡tica de qualquer dos
crimes previstos no cap’tulo anterior:
Pena - reclus‹o, de dois a quatro anos.

Aqui o sujeito ativo n‹o precisa ser militar. Estamos diante de


um crime impropriamente militar, pois nada impede que o civil alicie
um militar para o cometimento de crimes contra a disciplina ou a
autoridade militar.
O termo ÒaliciarÓ significa atrair, seduzir, envolver. O agente
criminoso, neste caso, convence o militar a praticar os crimes que vimos
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atŽ agora. ƒ dif’cil imaginar, entretanto, que esse aliciamento possa ser
direcionado a alguns dos crimes que vimos. Voc• consegue imaginar
alguŽm tentando convencer outro a praticar omiss‹o de lealdade ou
conspira•‹o?
O crime apenas se consuma quando o militar efetivamente se
deixa seduzir pelo aliciador e com ele concorda. Se a v’tima n‹o
concordar, poder‡ haver a alicia•‹o para motim ou revolta em sua
forma tentada.

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Perceba que o crime ser‡ consumado mesmo que o militar
aliciado n‹o venha a participar do crime. Sua mera concord‰ncia j‡ Ž
suficiente.

INCITAMENTO
Art. 155. Incitar ˆ desobedi•ncia, ˆ indisciplina ou ˆ pr‡tica de crime
militar:
Pena - reclus‹o, de dois a quatro anos.
Par‡grafo œnico. Na mesma pena incorre quem introduz, afixa ou
distribui, em lugar sujeito ˆ administra•‹o militar, impressos, manuscritos
ou material mimeografado, fotocopiado ou gravado, em que se contenha
incitamento ˆ pr‡tica dos atos previstos no artigo.

Mais uma vez o sujeito ativo pode ser tanto civil quanto
militar, vez que se trata de crime impropriamente militar.
O verbo ÒincitarÓ significa impelir, mover, instigar, estimular.
Se a incita•‹o for ˆ pr‡tica de crime comum, o incitador tambŽm
incorrer‡ na pr‡tica de crime comum (art. 286 do C—digo Penal).
O par‡grafo œnico, por sua vez, descreve algumas das formas
pelas quais o incitamento pode ser executado, no intento de alargar a
interpreta•‹o do caput. Perceba que no par‡grafo œnico h‡ ainda um
elemento espacial (Òem lugar sujeito ˆ administra•‹o militarÓ).
O incitamento apenas pode ser perpetrado por meio de
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conduta dolosa. Assim como a alicia•‹o para motim ou revolta, o


incitamento tambŽm s— se consuma com a concord‰ncia do militar que Ž
v’tima do crime, mas n‹o Ž necess‡rio que ele pratique nenhuma das
a•›es sugeridas.
Se o militar n‹o concordar com o incitador, estaremos diante
da tentativa de incitamento.

APOLOGIA DE FATO CRIMINOSO OU DO SEU AUTOR

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Art. 156. Fazer apologia de fato que a lei militar considera crime, ou do
autor do mesmo, em lugar sujeito ˆ administra•‹o militar:
Pena - deten•‹o, de seis meses a um ano.

O sujeito ativo deste crime pode ser qualquer pessoa, civil ou


militar. Trata-se de crime impropriamente militar.
Fazer apologia significa elogiar, exaltar, engrandecer o fato
tipificado como crime militar. Este tipo de atitude pode levar alguŽm a
decidir cometer o crime.
A apologia pode ser feita tambŽm ao autor de crime militar,
desde que o sujeito seja enaltecido em raz‹o do crime, e n‹o por outro
motivo qualquer.
O enaltecimento do crime militar ou seu autor tambŽm s—
ser‡ crime militar quando feito em local sob administra•‹o militar. Se
em outro local, ser‡ considerado crime comum.

A apologia a crime militar ou seu autor somente


ser‡ considerada crime militar se ocorrer em local
sob administra•‹o militar.

O elemento subjetivo desse crime somente admite o dolo, a


livre vontade de praticar a conduta de manifestar a apologia ao crime ou
ao seu autor. 11295299674

CAPêTULO III Ð DA VIOLæNCIA CONTRA SUPERIOR OU MILITAR


EM SERVI‚O

VIOLæNCIA CONTRA SUPERIOR


Art. 157. Praticar viol•ncia contra superior:
Pena - deten•‹o, de tr•s meses a dois anos.
FORMAS QUALIFICADAS

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¤ 1¼ Se o superior Ž comandante da unidade a que pertence o agente,
ou oficial general:
Pena - reclus‹o, de tr•s a nove anos.
¤ 2¼ Se a viol•ncia Ž praticada com arma, a pena Ž aumentada de um
ter•o.
¤ 3¼ Se da viol•ncia resulta les‹o corporal, aplica-se, alŽm da pena da
viol•ncia, a do crime contra a pessoa.
¤ 4¼ Se da viol•ncia resulta morte:
Pena - reclus‹o, de doze a trinta anos.
¤ 5¼ A pena Ž aumentada da sexta parte, se o crime ocorre em servi•o.

O posicionamento de CŽlio Lob‹o Ž de que este crime


somente pode ser praticado por militar da ativa, federal ou estadual,
pois o agente precisa ser inferior hier‡rquico da v’tima. O ilustre
doutrinador acredita que o militar da reserva e o reformado s‹o sempre
equiparados a civis, com exce•‹o da previs‹o do art. 12 do CPM.
ƒ importante tambŽm que voc• saiba que h‡ doutrinadores
que defendem a possibilidade de tambŽm o militar inativo praticar o
crime, pois ele n‹o deixa de submeter-se ˆ hierarquia militar por ter
entrado na inatividade.
O conceito de superior tambŽm j‡ foi estudado por n—s. Ele
tanto pode ser aquele que ocupa posto ou gradua•‹o superior, quanto
aquele que ocupa o mesmo posto ou fun•‹o e exerce atividade especial
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(art. 24 do CPM). Para que o crime ocorra, Ž necess‡rio que o agressor


tenha conhecimento da posi•‹o superior do agredido.
A viol•ncia consiste no emprego de for•a f’sica. O delito n‹o
se configura se a viol•ncia for praticada contra coisa, a exemplo do
ve’culo ou dos pertences do superior. N‹o Ž necess‡rio que haja les‹o
corporal, mas Ž indispens‡vel o contato f’sico.
O ¤1¼ traz uma forma qualificada do crime, em que o superior
agredido Ž o Comandante da Unidade Militar a que pertence o agente

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criminoso. O Comandante goza de prote•‹o especial por for•a dos valores
de hierarquia e disciplina que representa na unidade. Se o agredido for
oficial general, o agente tambŽm incorrer‡ na forma qualificada do
crime.
O ¤2¼ traz uma circunst‰ncia agravante: o uso de arma.
Aqui tanto faz se a arma Ž pr—pria (armamento militar) ou impr—pria
(faca, pau, ferro, etc.), mas dever‡ ser efetivamente utilizada para que
a pena seja majorada, n‹o bastando que o agente esteja em posse dela.
A pena tambŽm ser‡ afetada no caso de a viol•ncia resultar
em les‹o corporal (¤3¼) ou em morte (¤4¼). Neste œltimo caso,
perceba que os limites da pena s‹o equiparados ˆqueles cominados para
o homic’dio qualificado.
O ¤5¼ traz uma causa especial de aumento de pena, caso o
crime ocorra em servi•o. A palavra servi•o deve ser entendida de forma
bastante ampla: est‡ em servi•o o militar que est‡ desempenhando suas
fun•›es no ‰mbito da Corpora•‹o na qual serve. Para essa finalidade
tanto faz se quem estava em servi•o era o ofensor, o ofendido, ou ambos.
Se a agress‹o n‹o for injusta e obedecer os par‰metros de
proporcionalidade, poder‡ estar abrigada pela leg’tima defesa, que
exclui a antijuridicidade da conduta.

VIOLæNCIA CONTRA MILITAR DE SERVI‚O


Art. 158. Praticar viol•ncia contra oficial de dia, de servi•o, ou de quarto,
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ou contra sentinela, vigia ou plant‹o:


Pena - reclus‹o, de tr•s a oito anos.
FORMAS QUALIFICADAS
¤ 1¼ Se a viol•ncia Ž praticada com arma, a pena Ž aumentada de um
ter•o.
¤ 2¼ Se da viol•ncia resulta les‹o corporal, aplica-se, alŽm da pena da
viol•ncia, a do crime contra a pessoa.
¤ 3¼ Se da viol•ncia resulta morte:

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Pena - reclus‹o, de doze a trinta anos.

O sujeito ativo deste crime poder‡ ser militar ou civil. Trata-


se de crime impropriamente militar.
A conduta violenta Ž direcionada a oficial de dia, de servi•o,
ou de quarto, ou contra sentinela, vigia ou plant‹o. O Oficial de Dia Ž
aquele que desempenha fun•‹o de gerenciamento de uma Unidade
militar, normalmente exercendo essas atribui•›es fora dos hor‡rios de
expediente, raz‹o pela qual podemos dizer que o Oficial de Dia representa
o Comandante.
Em certas circunst‰ncias a fun•‹o de Oficial de Dia pode ser
desempenhada tambŽm por Pra•a, e neste caso ele exercer‡ todas as
atribui•›es inerentes ˆ fun•‹o, e a viol•ncia contra ele praticada tambŽm
configurar‡ o crime de viol•ncia contra militar de servi•o.
A fun•‹o de Oficial de Servi•o diz respeito a atribui•›es
espec’ficas que s‹o conferidas a oficiais, a exemplo do Oficial de
Comunica•‹o Social, Comandante de Linha de Fogo, Comandante de
For•a Patrulha (Pol’cia Militar), Oficial de çrea (Bombeiros Militares).
O Oficial de Quarto Ž o militar que est‡ desempenhando a
fun•‹o de vigil‰ncia ou sentinela. Ele n‹o Ž necessariamente o Oficial de
Dia, e nem Ž considerado Oficial de Servi•o. A express‹o militar ÒquartoÓ
Ž utilizada para designar as partes em que o dia Ž dividido para fins de
distribui•‹o das fun•›es de vigil‰ncia. 11295299674

Algumas fun•›es previstas no tipo em estudo s‹o


normalmente desempenhadas por pra•as: o sentinela Ž o militar que
guarda determinado local, em posto fixo ou m—vel, com ou sem arma. O
vigia tambŽm exerce fun•‹o de prote•‹o, mas n‹o de local, e sim de
uma situa•‹o, evento ou pessoa. O plant‹o comp›e a seguran•a das
subunidades incorporadas a uma Unidade Militar.
O ¤1¼ traz majorante semelhante ˆ que vimos anteriormente,
determinando o aumento da pena se houver o uso de arma (pr—pria ou

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impr—pria). O importante aqui Ž que a arma seja efetivamente utilizada,
n‹o bastando sua posse por parte do agente.
O ¤2¼ determina que haver‡ concurso formal de crimes no
caso de a les‹o corporal resultar da viol•ncia, exigindo-se tambŽm o
cœmulo material de penas.
O ¤3¼, por sua vez, qualifica o crime quando a morte do
ofendido resultar da viol•ncia empregada, aplicando-se as mesmas penas
previstas para o homic’dio qualificado.

AUSæNCIA DE DOLO NO RESULTADO


Art. 159. Quando da viol•ncia resulta morte ou les‹o corporal e as
circunst‰ncias evidenciam que o agente n‹o quis o resultado nem
assumiu o risco de produzi-lo, a pena do crime contra a pessoa Ž
diminu’da de metade.

Aqui Ž abrandada a puni•‹o daquele que tinha a inten•‹o de


agredir, mas n‹o de tirar a vida. A maior parte dos livros gasta p‡ginas e
mais p‡ginas nesta parte discutindo se nesse caso o crime seria
preterdoloso ou qualificado pelo resultado.
Sendo beeeem honesto com voc•, acredito que a sua prova
pode cobrar o teor do dispositivo, mas n‹o essa discuss‹o intermin‡vel,
ent‹o vamos adiante, ok?
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CAPêTULO IV Ð DO DESRESPEITO A SUPERIOR E A SêMBOLO
NACIONAL OU A FARDA

DESRESPEITO A SUPERIOR
Art. 160. Desrespeitar superior diante de outro militar:
Pena - deten•‹o, de tr•s meses a um ano, se o fato n‹o constitui crime
mais grave.
DESRESPEITO A COMANDANTE, OFICIAL GENERAL OU OFICIAL DE
SERVI‚O
Par‡grafo œnico. Se o fato Ž praticado contra o comandante da unidade
a que pertence o agente, oficial-general, oficial de dia, de servi•o ou de
quarto, a pena Ž aumentada da metade.

O cometimento deste crime Ž restrito aos militares.


Normalmente o agente criminoso Ž o inferior hier‡rquico ou funcional
(art. 24 do CPM). CŽlio Lob‹o entende que apenas os militares da ativa
podem cometer ou ser v’timas deste crime. Aqui valem os coment‡rios
feitos quando tratamos do crime de viol•ncia contra superior.
Desrespeitar significa faltar com a considera•‹o, desacatar.
A conduta pode ser praticada das mais diversas formas, verbais e n‹o
verbais. O tipo tambŽm exige que o ato de desrespeito ocorra na
presen•a de outro militar. Se o fato se der diante de civis, n‹o se
configurar‡ o crime. 11295299674

O desrespeito a superior somente configurar‡


crime quando o ato de desrespeito ocorrer diante de
outro militar.

Alguns doutrinadores trazem como exig•ncia que o militar que


presencia o fato ocupe cargo semelhante ao dos sujeitos do delito. Outros
dizem que n‹o Ž necess‡rio que o militar que presencia o fato perceba o

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desrespeito. N‹o acredito que essas discuss›es sejam importantes para
voc•.
Este crime Ž subsidi‡rio, como podemos aduzir da express‹o
Òse o fato n‹o constitui crime mais graveÓ. Essa subsidiariedade se d‡ em
rela•‹o ao crime de desacato a superior (art. 298).
Se o crime for praticado contra o Comandante da Unidade a
que pertence ou agente, ou contra Oficial-General, Oficial de Dia, de
Servi•o ou de Quarto, estar‡ presente a causa especial de aumento de
pena prevista no par‡grafo œnico.
N‹o h‡ crime se o agente desconhece a condi•‹o de superior
do sujeito passivo. TambŽm Ž poss’vel que a a•‹o desrespeitosa seja
praticada como rea•‹o a agress‹o injusta, configurando a leg’tima defesa.

DESRESPEITO A SêMBOLO NACIONAL


Art. 161. Praticar o militar diante da tropa, ou em lugar sujeito ˆ
administra•‹o militar, ato que se traduza em ultraje a s’mbolo nacional:
Pena Ð deten•‹o, de um a dois anos.

O patriotismo Ž um dos mais defendidos valores na cultura


militar. Este culto ˆ P‡tria muitas vezes se traduz no respeito aos
s’mbolos nacionais: a Bandeira, o Hino, as Armas e o Selo Nacionais. O
conhecimento desses s’mbolos integra qualquer curso de forma•‹o
militar. 11295299674

Os s’mbolos dos estados federados n‹o est‹o inclu’dos no


tipo, e isso n‹o pode ser feito por meio de analogia, pois esta tŽcnica
interpretativa n‹o Ž permitida para incriminar condutas n‹o previstas.
O sujeito ativo Ž o militar em situa•‹o de atividade. N‹o Ž
poss’vel o cometimento do crime por militar inativo ou civil, exceto em
concurso de agentes.

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Desrespeitar significa ultrajar, ofender, insultar. Os exemplos
aqui s‹o o do militar que limpa a boca com a Bandeira Nacional, ou
executa ÒperformanceÓ durante a execu•‹o do Hino Nacional.
ƒ imprescind’vel que o ato ocorra em local sujeito ˆ
administra•‹o militar, ou diante da tropa. Tropa Ž a reuni‹o de pelo
menos dois militares sob o comando de um terceiro, e para que haja o
delito Ž necess‡rio que os demais militares percebam o desrespeito.

DESPOJAMENTO DESPREZêVEL
Art. 162. Despojar-se de uniforme, condecora•‹o militar, ins’gnia ou
distintivo, por menosprezo ou vilip•ndio:
Pena Ð deten•‹o, de seis meses a um ano.
Par‡grafo œnico. A pena Ž aumentada da metade, se o fato Ž praticado
diante da tropa, ou em pœblico.

A farda, as condecora•›es, as ins’gnias e os distintivos s‹o


s’mbolos da vida militar, cultuados como elementos formadores da cultura
castrense.
CŽlio Lob‹o diz que, embora a condecora•‹o militar possa ser
concedida a civil, evidentemente este n‹o se inclui como agente do
delito, uma vez que a lei penal tutela a disciplina militar, ˆ qual o civil n‹o
se encontra subordinado.
O militar inativo, no entender de v‡rios doutrinadores, pode
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praticar o crime, uma vez que n‹o h‡ restri•‹o no tipo penal. Em algumas
circunst‰ncias, dependendo com a normatiza•‹o de cada corpora•‹o, o
inativo pode atŽ usar uniforme.
Despojar-se significa retirar de si, despir-se, e o tipo exige
que o ato seja praticado em raz‹o de menosprezo ou vilip•ndio. A
conduta precisa ser praticada pelo pr—prio militar, e n‹o por outra pessoa.
Se um militar arranca o distintivo de outro, por exemplo, n‹o est‡
configurado o crime em estudo.

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O uniforme Ž o conjunto de pe•as de vestu‡rio que comp›em
a identidade visual de uma for•a militar. As condecora•›es s‹o
distin•›es honor’ficas ou recompensas por algum servi•o prestado ou ato
praticado, e podem ser concedidas a civil ou a militar.
A ins’gnia Ž o s’mbolo que representa o posto ou gradua•‹o
do militar, bem como a arma ou servi•o ˆ qual est‡ vinculado.
Distintivo, por sua vez, Ž o s’mbolo que representa o curso frequentado
pelo militar, a Unidade em que est‡ lotado, a fun•‹o que ocupa, etc.
No delito h‡ a previs‹o de uma causa de aumento de pena,
que deve ser majorada se a conduta ocorrer na presen•a de tropa ou em
local pœblico. J‡ tratamos do conceito de tropa algumas p‡ginas atr‡s,
lembra?

CAPêTULO V Ð DA INSUBORDINA‚ÌO

RECUSA DE OBEDIæNCIA
Art. 163. Recusar obedecer a ordem do superior sobre assunto ou
matŽria de servi•o, ou relativamente a dever imposto em lei, regulamento
ou instru•‹o:
Pena - deten•‹o, de um a dois anos, se o fato n‹o constitui crime mais
grave.

O sujeito ativo Ž o inferior hier‡rquico ou funcional, e isto


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restringe o cometimento do crime ao militar da ativa. Este Ž


posicionamento de CŽlio Lob‹o, mas mais uma vez temos alguns
doutrinadores que entendem como poss’vel a pr‡tica da conduta por
militar inativo.
Trata-se de crime de m‹o pr—pria, n‹o sendo admitida a
coautoria. Na realidade, se imaginarmos uma situa•‹o de coautoria, esta
se traduziria na recusa coletiva de cumprir ordens superiores, e este Ž
outro tipo penal: motim ou revolta.

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Tome cuidado para n‹o confundir o tipo penal militar de
recusa de obedi•ncia com a insubordina•‹o. Este termo Ž utilizado
coloquialmente para designar situa•›es de desobedi•ncia.
Tecnicamente este entendimento Ž equivocado, uma vez que
insubordina•‹o, na realidade, Ž o cap’tulo do CPM no qual se encontra
inserido o tipo de recusa de obedi•ncia, bem como tr•s outros, que
estudaremos a seguir. A insubordina•‹o, portanto, Ž g•nero, que
comporta quatro diferentes espŽcies, entre elas a recusa de obedi•ncia.
O nœcleo da conduta Ž recusar, negar acatamento ou
obedi•ncia ˆ ordem superior, sendo poss’vel a conduta omissiva ou a
comissiva: o desobediente pode simplesmente permanecer inerte diante
de uma ordem para fazer algo, ou agir de forma contr‡ria ˆ ordem que
recebeu.
Quanto ˆ defini•‹o de ÒordemÓ, Ž importante lembrar que o
CPM n‹o adota o princ’pio da obedi•ncia cega: N‹o h‡ obriga•‹o de o
subordinado cumprir ordem ilegal emitida pelo superior, e,
portanto, se este fato ocorrer, n‹o haver‡ delito.

Se o superior emite ordem ilegal, o subordinado


n‹o tem a obriga•‹o de cumpri-la e, portanto, n‹o
incorre em crime de recusa de obedi•ncia.

Seguindo ainda o mesmo racioc’nio, a ordem, para ter


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validade, precisa observar tambŽm os requisitos gerais do ato


administrativo: compet•ncia, finalidade, causa, motivo e objeto. Uma
ordem advinda de pessoa incompetente, por exemplo, n‹o precisa ser
cumprida.
Perceba que o tipo penal tambŽm prev• o conteœdo da ordem:
assunto ou matŽria de servi•o. Se a ordem for legal, mas tiver conteœdo
diferente, estaremos diante do delito de desobedi•ncia (art. 301 do
CPM).

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Se o militar desobedecer dever imposto por lei ou
regulamento, tambŽm incorrer‡ no crime em estudo. Temos, por
exemplo, o dever funcional do policial militar de agir diante de situa•›es
criminosas. Se o subordinado ignorar a condi•‹o de superior do emitente
da ordem, n‹o haver‡ dolo e, portanto, n‹o haver‡ crime (art. 47).
Alguns doutrinadores defendem, ainda, a necessidade de que
na conduta tambŽm haja um conteœdo de afronta ao superior, e n‹o
apenas um mero descumprimento velado.

OPOSI‚ÌO A ORDEM DE SENTINELA


Art. 164. Opor-se ˆs ordens da sentinela:
Pena - deten•‹o, de seis meses a um ano, se o fato n‹o constitui crime
mais grave.

O sujeito ativo poder‡ ser militar ou civil, uma vez que n‹o
h‡ exig•ncia espec’fica no tipo. O crime Ž impropriamente militar. O
sujeito ativo pode ser inclusive militar superior hier‡rquico da sentinela.
J‡ vimos o que Ž uma sentinela, e a import‰ncia da fun•‹o
que ela exerce na organiza•‹o militar. ƒ importante, porŽm, que voc•
saiba que as ordens s‹o apenas transmitidas pela sentinela. O criador da
ordem Ž o pr—prio Comandante da Unidade Militar, ou quem o represente
(Oficial de Dia, por exemplo).
Obviamente a ordem tambŽm n‹o ter‡ car‡ter pessoal, mas
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estar‡ relacionada ao servi•o militar da Unidade.


A oposi•‹o pode ocorrer de forma comissiva ou omissiva.
Podemos dar como exemplo o do militar que estaciona seu ve’culo em
local que a sentinela comunica ser proibido.
Pela express‹o Òse o fato n‹o constitui crime mais graveÓ
podemos aduzir que este crime Ž subsidi‡rio em rela•‹o a outros, a
exemplo a resist•ncia (art. 177), e a viol•ncia contra militar de
servi•o (art. 158).

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Se n‹o houver a inten•‹o e afronta ˆ autoridade militar, n‹o
haver‡ delito. Voltado ao exemplo do militar que estaciona em local
proibido, se ele precisava estacionar o carro no local e em seguida foi
buscar entendimento com o Oficial de Dia, n‹o haver‡ crime.

REUNIÌO ILêCITA
Art. 165. Promover a reuni‹o de militares, ou nela tomar parte, para
discuss‹o de ato de superior ou assunto atinente ˆ disciplina militar:
Pena - deten•‹o, de seis meses a um ano a quem promove a reuni‹o; de
dois a seis meses a quem dela participa, se o fato n‹o constitui crime
mais grave.

O sujeito ativo Ž o militar ou civil. Trata-se de crime


impropriamente militar. Pelo menos esta Ž a posi•‹o de parte da
Doutrina. N‹o posso dizer com certeza qual o posicionamento das bancas
sobre o assunto, pois n‹o encontrei nenhuma quest‹o que chegasse a
este detalhe.
Perceba que a reuni‹o precisa ser promovida para discutir ato
de superior hier‡rquico. Por essa raz‹o, os participantes da reuni‹o
precisam ser inferiores. CŽlio Lob‹o diz que, caso um superior pratique a
conduta, ele poder‡ incorrer em coautoria.
Um bom exemplo Ž o do major que, sabendo dos motivos da
convoca•‹o, empresta seu s’tio para que seja promovida uma reuni‹o de
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sargentos que tinha a inten•‹o de discutir ato praticado por capit‹o.


Neste caso, pela Doutrina de CŽlio Lob‹o, o major seria coautor.
H‡ muita discuss‹o tambŽm sobre a reuni‹o que
eventualmente seja convocada para elogiar ou bendizer a ordem emitida
por superior. A discuss‹o parece meio tosca, mas lembre-se de que as
bancas tambŽm s‹o!

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A maior parte dos doutrinadores diz que somente haver‡ o
crime se a discuss‹o significar afronta ˆ disciplina ou ˆ hierarquia
militares.
Promover a reuni‹o significa organiz‡-la, convocar outras
pessoas para discutir os assuntos relacionados ao ato de superior ou ˆ
disciplina militar. A reuni‹o estar‡ configurada se estiverem presentes
pelo menos dois militares.
J‡ o ato de superior pode ser qualquer atitude, obviamente
relacionada com o servi•o militar. Pode ser uma decis‹o qualquer, uma
opini‹o, delibera•‹o, etc.
A reuni‹o il’cita pode discutir tambŽm assunto atinente ˆ
disciplina. Aqui o cerne da quest‹o continua sendo a afronta, o
desrespeito ˆ disciplina militar.

PUBLICA‚ÌO OU CRêTICA INDEVIDA


Art. 166. Publicar o militar ou assemelhado, sem licen•a, ato ou
documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou
assunto atinente ˆ disciplina militar, ou a qualquer resolu•‹o do Governo:
Pena - deten•‹o, de dois meses a um ano, se o fato n‹o constitui crime
mais grave.

Este tipo somente pode ser praticado por militar em


situa•‹o de atividade. Trata-se de crime propriamente militar.
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Publicar significa levar a conhecimento pœblico, e o termo


abarca tanto a elabora•‹o de material escrito quanto a publica•‹o de viva
voz, ou mesmo por meio de ve’culos de comunica•‹o, como jornais,
revistas, televis‹o, etc.
O alcance do meio utilizado Ž irrelevante para a pr‡tica do
crime. O fato de agente ter utilizado uma revista que quase ninguŽm l•
n‹o Ž o suficiente para dizer que n‹o houve crime. TambŽm n‹o importa
se a publica•‹o era destinada a militares ou se era para o pœblico civil.

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TambŽm n‹o Ž importante que a publica•‹o tenha
efetivamente chegado ˆs m‹os das pessoas. ƒ suficiente apenas que a
informa•‹o seja publicada.
A publica•‹o somente ser‡ considerada indevida quando n‹o
houver licen•a ou outro ato autorizativo, e quando seu objeto for um ato
ou documento oficial. Ato oficial Ž a declara•‹o verbal ou escrita, de
autoridade militar, relativa a assunto atinente ˆs institui•›es militares. Por
outro lado, qualquer suporte de transmiss‹o de informa•‹o (papel, fita de
v’deo, CD, etc.) que tratar de assunto atinente ˆs institui•›es militares,
ser‡ considerado um documento oficial.
A segunda possibilidade Ž a de o agente criticar
publicamente ato de seu superior, assunto atinente ˆ disciplina militar,
ou qualquer resolu•‹o do governo. Assim como vimos antes, a cr’tica
positiva n‹o oferece nenhum perigo ˆ hierarquia e disciplina militares.
Para Hely Lopes Meirelles, resolu•‹o Ž uma manifesta•‹o
unilateral de vontade da Administra•‹o Pœblica, que, agindo nessa
qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir,
modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obriga•›es aos
administrados ou a si pr—pria. O Governo se personifica no chefe do Poder
Executivo, que, em œltima an‡lise, Ž o chefe supremo das organiza•›es
militares. Por isso nesta conduta h‡ ofensa ˆ hierarquia militar.

CAPêTULO VI Ð DA USURPA‚ÌO E DO EXCESSO OU ABUSO DE


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AUTORIDADE

ASSUN‚ÌO DE COMANDO SEM ORDEM OU AUTORIZA‚ÌO


Art. 167. Assumir o militar, sem ordem ou autoriza•‹o, salvo se em
grave emerg•ncia, qualquer comando, ou a dire•‹o de estabelecimento
militar:
Pena - reclus‹o, de dois a quatro anos, se o fato n‹o constitui crime mais
grave.

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Geralmente este delito Ž perpetrado por oficiais, pois eles
t•m forma•‹o voltada para o comando. Eu, porŽm, n‹o vejo nenhum
empecilho ˆ a•‹o de pra•a assumindo indevidamente comando, j‡ que a
assun•‹o Ž ilegal de qualquer forma.
Comando Ž a designa•‹o dada ˆs unidades operacionais,
enquanto dire•‹o refere-se ˆs unidades administrativas. Assumir
comando ou dire•‹o diz respeito ˆ pr‡tica de ato pr—prio e exclusivo de
comandante. N‹o basta que o militar ocupe a cadeira do comandante,
pois Ž necess‡rio efetivamente praticar atos decis—rios importantes.
ƒ importante que voc• saiba tambŽm que h‡ situa•›es em
que a assun•‹o de comando Ž permitida. Isso ocorre em situa•›es
emergenciais ou mediante autoriza•‹o. Claro que nesses casos n‹o h‡
crime.

CONSERVA‚ÌO ILEGAL DE COMANDO


Art. 168. Conservar comando ou fun•‹o legitimamente assumida, depois
de receber ordem de seu superior para deix‡-los ou transmiti-los a
outrem:
Pena - deten•‹o, de um a tr•s anos.

Neste caso estamos diante da situa•‹o em que um militar


assumiu o comando ou fun•‹o de forma l’cita, mas resiste ˆ ordem de
superior para afastar-se. 11295299674

Fun•‹o, segundo Hely Lopes Meirelles, Ž a atribui•‹o que a


Administra•‹o confere a cada categoria profissional ou comete
individualmente a determinados servidores para a execu•‹o de servi•os
eventuais. Esta eventualidade Ž o que diferencia a ideia de fun•‹o da de
cargo.
Transferindo as considera•›es para a sistem‡tica militar, as
fun•›es seriam as atividades atribu’das aos militares pela Administra•‹o.

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S‹o exemplos as fun•›es de Assessor Militar, Adido Militar, Ajudante de
Ordens, Comandante, etc.

OPERA‚ÌO MILITAR SEM ORDEM SUPERIOR


Art. 169. Determinar o comandante, sem ordem superior e fora dos
casos em que essa se dispensa, movimento de tropa ou a•‹o militar:
Pena - reclus‹o, de tr•s a cinco anos.
FORMA QUALIFICADA
Par‡grafo œnico. Se o movimento da tropa ou a•‹o militar Ž em
territ—rio estrangeiro ou contra for•a, navio ou aeronave de pa’s
estrangeiro:
Pena - reclus‹o, de quatro a oito anos, se o fato n‹o constitui crime mais
grave.

Para praticar este delito n‹o basta ser militar, mas Ž


necess‡rio ocupar a fun•‹o de comandante. A determina•‹o feita pelo
comandante pode ser feita por meio verbal ou escrito, de forma direta ou
por meio de terceiro.
Perceba que o desempenho da fun•‹o de comando aqui Ž
leg’timo. A ilegalidade est‡ na ordem emitida, cujo objeto Ž o movimento
de tropa ou a•‹o militar n‹o autorizados.
Movimento de tropa Ž o deslocamento de um ponto a outro,
sem que haja um plano estratŽgico delimitado. A a•‹o militar, por sua
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vez, pressup›e o emprego da tropa com execu•‹o e finalidade definidas.


A repercuss‹o do delito e a afronta ˆ autoridade e disciplina
militares s‹o maiores se a conduta for praticada em territ—rio
estrangeiro. Isso justifica a exist•ncia da qualificadora prevista no
par‡grafo œnico.
A mesma qualificadora incide se a movimenta•‹o vai contra
for•a, navio ou aeronave de pa’s estrangeiro, ainda que ocorra em
territ—rio nacional.

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Perceba que a pr‡tica delituosa est‡ na emiss‹o de ordem
para movimenta•‹o da tropa ou a•‹o militar, n‹o sendo necess‡rio que
efetivamente ocorram para que o crime esteja consumado.

Para que ocorra o crime de opera•‹o militar


sem ordem superior, n‹o Ž necess‡rio que a
tropa efetivamente obede•a a ordem.

ORDEM ARBITRçRIA DE INVASÌO


Art. 170. Ordenar, arbitrariamente, o comandante de for•a, navio,
aeronave ou engenho de guerra motomecanizado a entrada de
comandados seus em ‡guas ou territ—rio estrangeiro, ou sobrevo‡-los:
Pena - suspens‹o do exerc’cio do posto, de um a tr•s anos, ou reforma.

Aqui tambŽm se exige n‹o s— que o sujeito ativo seja militar,


mas que seja comandante de for•a, navio, aeronave ou engenho de
guerra motomecanizado.
Da descri•‹o da pena cominada, podemos concluir que o
crime somente pode ser cometido por oficial, pois somente oficiais t•m
posto. No tipo, o comandante imp›e a seus comandados a entrada em
territ—rio, ‡gua ou espa•o aŽreo estrangeiro.
A for•a terrestre Ž a tropa que atua em terra. Navio, como
o pr—prio CPM conceitua, Ž toda embarca•‹o sob comando militar.
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Aeronave Ž qualquer aparelho, com a fun•‹o de transporte pessoal ou


material, capaz de se sustentar e se conduzir no ar. Engenho de guerra
motomecanizado Ž a m‡quina, aparelho ou mecanismo com emprego
bŽlico, destinado a incrementar o poder ofensivo de uma for•a militar, a
exemplo dos carros de combate.
Aqui Ž necess‡rio que o comandante aja dolosamente. Se
ele acreditar que est‡ em ‡guas nacionais, por exemplo, n‹o ocorre o
delito.

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USO INDEVIDO POR MILITAR DE UNIFORME, DISTINTIVO OU
INSêGNIA
Art. 171. Usar o militar ou assemelhado, indevidamente, uniforme,
distintivo ou ins’gnia de posto ou gradua•‹o superior:
Pena - deten•‹o, de seis meses a um ano, se o fato n‹o constitui crime
mais grave.

A apari•‹o pœblica de militar com indument‡ria que n‹o lhe


Ž pertinente ofende a disciplina militar. O nœcleo da conduta Ž o verbo
ÒusarÓ, que significa vestir o uniforme ou utilizar a ins’gnia ou distintivo
de posto ou gradua•‹o superior.
Obviamente esta utiliza•‹o precisa ocorrer em pœblico.
Aquele que veste o uniforme de superior apenas para ver como se ficar‡
em frente ao espelho n‹o comete crime algum.
Alguns doutrinadores citam exemplos em que seria poss’vel a
utiliza•‹o de uniforme, ins’gnia ou distintivo de superior de forma
autorizada, como o caso do uniforme que Ž utilizado numa atua•‹o
teatral para fins de treinamento. Nesse caso tambŽm n‹o h‡ crime.
Uniforme Ž o fardamento, e Ž composto n‹o s— pela roupa,
mas tambŽm pela cobertura, sapatos, cintos, meias, capacetes e outros
acess—rios geralmente definidos em regulamento pr—prio.
Distintivo Ž o s’mbolo sobreposto ao uniforme, e pode indicar
a Unidade Militar (bras‹o) ou a fun•‹o desempenhada pelo militar
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(alamar, por exemplo). Ins’gnia tambŽm Ž um s’mbolo sobreposto ao


uniforme, indicativo de quadro, arma, posto ou gradua•‹o. Geralmente Ž
utilizado nas golas, ombreiras ou mangas da camisa, a depender do tipo
de uniforme.
N‹o Ž preciso que o agente utilize o uniforme completo, com
todos os distintivos e ins’gnias para que haja crime. Basta que seja capaz
de causar confus‹o, enganando os colegas de farda e outras pessoas.

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USO INDEVIDO DE UNIFORME, DISTINTIVO OU INSêGNIA
MILITAR POR QUALQUER PESSOA
Art. 172. Usar, indevidamente, uniforme, distintivo ou ins’gnia militar a
que n‹o tenha direito:
Pena - deten•‹o, atŽ seis meses.

Neste crime, o pr—prio texto legal deixa claro que o sujeito


ativo pode ser tanto militar quanto civil, sendo este um crime
impropriamente militar.
A conduta Ž id•ntica ˆ do delito anterior, exceto pelo fato de
ser mais genŽrica: neste crime a conduta t’pica Ž a utiliza•‹o ileg’tima de
uniforme, distintivo ou ins’gnia. Naquele, a conduta recai sobre o
uniforme, distintivo ou ins’gnia pr—prios de superior.
Se um oficial, por exemplo, utilizar as ins’gnias de um
sargento, incorrer‡ neste crime, e n‹o no de uso indevido por militar
de uniforme, distintivo ou ins’gnia. Se ocorrer o contr‡rio, porŽm,
com o sargento utilizando ins’gnias de oficial, deve ele ser punido pelo
crime mais espec’fico.

ABUSO DE REQUISI‚ÌO MILITAR


Art. 173. Abusar do direito de requisi•‹o militar, excedendo os poderes
conferidos ou recusando cumprir dever imposto em lei:
Pena - deten•‹o, de um a dois anos.
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Ainda que o tipo n‹o seja expl’cito neste sentido, o direito de


requisi•‹o militar restringe o sujeito ativo do crime ao militar em
atividade, pois somente este pode exercer este direito, e, portanto,
cometer os exageros pun’veis.
A requisi•‹o (civil ou militar) Ž um procedimento unilateral
adotado pela Administra•‹o Pœblica para intervir na propriedade em casos
de extrema necessidade. Ela pode se dar por meio da ocupa•‹o

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tempor‡ria de um im—vel, da utiliza•‹o de um ve’culo ou de outro bem
em situa•›es de iminente perigo pœblico (Constitui•‹o Federal, art. 5¼,
XXV).
A legisla•‹o acerca das requisi•›es Ž muito antiga e esparsa.
Acredito que a principal norma sobre o assunto seja o Decreto-Lei n¼
4.812/1972, mas atŽ compreend•-lo Ž meio complicado... o ideal seria a
promulga•‹o de uma nova lei tratando do assunto, mas n‹o se preocupe,
pois isso n‹o Ž assunto da sua prova, ok?
Com rela•‹o ˆs requisi•›es militares especificamente, Ž
necess‡rio buscar subs’dios tambŽm na Lei n¼ 4.263/1921,
regulamentada pelo Decreto n¼ 17.859/1927. Estas normas cont•m
regras acerca da necessidade de limitar a requisi•‹o aos bens
estritamente necess‡rios ao atendimento da situa•‹o emergencial, bem
como sobre a compet•ncia e a forma para o exerc’cio da requisi•‹o, que
deve ser escrita, em duas vias, assinadas pelo requisitante.
Abusar significa exceder, passar do limite, corromper o
direito de requisi•‹o. Esse abuso ofende o princ’pio da legalidade da
Administra•‹o Pœblica, na medida em que o agente criminoso extrapola as
normas que regulam o direito de requisi•‹o militar.

RIGOR EXCESSIVO
Art. 174. Exceder a faculdade de punir o subordinado, fazendo-o com
rigor n‹o permitido, ou ofendendo-o por palavra, ato ou escrito:
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Pena - suspens‹o do exerc’cio do posto, por dois a seis meses, se o fato


n‹o constitui crime mais grave.

Este crime obviamente s— pode ser cometido por militar em


atividade, uma vez que civis n‹o t•m subordinados no sentido trazido
pelo CPM. Por outro lado, a comina•‹o da pena trata de Òsuspens‹o do
exerc’cio do postoÓ, o que restringe ainda mais a possibilidade de autoria
do crime, uma vez que somente oficias ocupam posto.

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Exceder significa ultrapassar o limite legal. Como o excesso
deve ocorrer no ato de punir, o autor deve ser necessariamente alguŽm
que goze de tais atribui•›es, em geral previstas em regulamentos. Em
alguns regulamentos, apenas oficiais a partir do posto de capit‹o podem
determinar puni•›es a subordinados.
O excesso pode ocorrer por meio da imposi•‹o de uma
san•‹o n‹o prevista, na imposi•‹o de condi•›es gravosas ou subumanas,
ou na ofensa por meio verbal ou escrito.
Desta forma, incorre no crime o oficial que pune seu
subordinado com priva•‹o de liberdade acima da quantidade de dias
permitida; o oficial que manda o subordinado preparar seus trabalhos de
faculdade; o oficial que limita a locomo•‹o, acesso ˆ ‡gua ou alimenta•‹o
do subordinado; bem como o oficial que profere xingamentos ou ofende
moralmente o subordinado em raz‹o da puni•‹o.
ƒ importante que voc• saiba que este crime Ž subsidi‡rio,
sendo absorvido no caso da ocorr•ncia de crime mais grave, a exemplo
do delito de les‹o corporal ou homic’dio.

VIOLæNCIA CONTRA INFERIOR


Art. 175. Praticar viol•ncia contra inferior:
Pena - deten•‹o, de tr•s meses a um ano.
RESULTADO MAIS GRAVE
Par‡grafo œnico. Se da viol•ncia resulta les‹o corporal ou morte Ž
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tambŽm aplicada a pena do crime contra a pessoa, atendendo-se, quando


for o caso, ao disposto no art. 159.

O sujeito ativo precisa n‹o s— ser militar, mas ser superior


hier‡rquico ou funcional (art. 24 do CPM) ao ofendido.
J‡ vimos que viol•ncia significa agress‹o necessariamente
f’sica. Para fins penais militares, n‹o se considera a chamada viol•ncia
psicol—gica ou moral.

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Caso da viol•ncia resulte les‹o corporal ou mesmo morte
do ofendido, haver‡ o cœmulo material das penas. Aten•‹o para n‹o
confundir com o que ocorre no crime de viol•ncia contra superior, em
que a morte do ofendido Ž qualificadora do delito, impondo por si s— pena
mais gravosa.
O par‡grafo œnico do art. 42 do CPM exclui o crime numa
situa•‹o bastante espec’fica. Esta seria uma boa quest‹o de prova hein?

Art. 42, Par‡grafo œnico. N‹o h‡ igualmente crime quando o


comandante de navio, aeronave ou pra•a de guerra, na imin•ncia de
perigo ou grave calamidade, compele os subalternos, por meios
violentos, a executar servi•os e manobras urgentes, para salvar a unidade
ou vidas, ou evitar o des‰nimo, o terror, a desordem, a rendi•‹o, a
revolta ou o saque.

Alguns autores defendem a inexist•ncia do elemento subjetivo


(dolo) quando o autor agride a pessoa, e n‹o a figura do inferior. Assim,
por exemplo, n‹o existiria dolo de viol•ncia contra inferior quando o pai,
Coronel da PM, agride o filho, tenente da PM, com ‰nimo de corre•‹o.

OFENSA AVILTANTE A INFERIOR


Art. 176. Ofender inferior, mediante ato de viol•ncia que, por natureza
ou pelo meio empregado, se considere aviltante:
11295299674

Pena - deten•‹o, de seis meses a dois anos.


Par‡grafo œnico. Aplica-se o disposto no par‡grafo œnico do artigo
anterior.

Esta conduta Ž id•ntica ˆ do tipo anterior, exceto porque


agride a honra e a dignidade do ofendido, alŽm, Ž claro, da integridade
f’sica.

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A Doutrina cita como exemplos a agress‹o ao inferior com
sand‡lias de borracha, tapas no rosto usando luvas, tapas nas n‡degas do
inferior como se fosse uma crian•a, pux›es de orelha no subordinado, etc.
Caso haja les‹o corporal ou morte, aplica-se a mesma norma prevista
para a viol•ncia contra inferior (cœmulo material das penas).
Como elemento subjetivo, Ž importante notar a necessidade
de que o ofensor tenha a inten•‹o de humilhar moralmente o ofendido,
utilizando-se de meio violento. Caso n‹o haja esse desejo de humilhar,
estaremos diante da viol•ncia contra inferior.

CAPêTULO VII Ð DA RESISTæNCIA

RESISTæNCIA MEDIANTE AMEA‚A OU VIOLæNCIA


Art. 177. Opor-se ˆ execu•‹o de ato legal, mediante amea•a ou viol•ncia
ao executor, ou a quem esteja prestando aux’lio:
Pena - deten•‹o, de seis meses a dois anos.
FORMA QUALIFICADA
¤ 1¼ Se o ato n‹o se executa em raz‹o da resist•ncia:
Pena - reclus‹o de dois a quatro anos.
CUMULA‚ÌO DE PENAS
¤ 2¼ As penas deste artigo s‹o aplic‡veis sem preju’zo das
correspondentes ˆ viol•ncia, ou ao fato que constitua crime mais grave.
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Neste caso Ž perfeitamente poss’vel que um civil seja sujeito


ativo do crime. Se o civil incorrer na conduta no ‰mbito das organiza•›es
militares estaduais, a conduta n‹o ser‡ crime militar, mas ser‡ crime
comum (previsto no art. 329 do CP).
Opor-se ˆ execu•‹o significa tentar impedir a realiza•‹o do
ato legal. Neste caso Ž necess‡rio que haja viol•ncia ou amea•a ao
executor ou a quem o auxilie. Se n‹o houver viol•ncia ou amea•a, n‹o
ocorrer‡ o crime em estudo.

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TambŽm n‹o faz parte do tipo a viol•ncia prestada contra
coisa. Se, em gesto de revolta e na tentativa de impedir o ato legal, um
militar quebra os vidros do ve’culo do executor, por exemplo, n‹o
estaremos diante do crime em estudo.
Ato legal Ž qualquer ato da Administra•‹o Militar que tenha
respaldo na legisla•‹o em vigor. Normalmente ele est‡ relacionado a uma
ordem emitida pelo executor. Este ato, como qualquer ato administrativo,
est‡ sujeito aos requisitos de validade: compet•ncia, forma, finalidade,
motivo e objeto).
TambŽm haver‡ o cœmulo material de penas de resist•ncia
com a de eventual delito resultante da viol•ncia, por exemplo, o
homic’dio, a les‹o corporal, o desacato a superior, ou qualquer outro
crime mais grave.
Perceba que n‹o estamos falando de subsidiariedade, mas sim
da soma da pena da resist•ncia com a de uma eventual viol•ncia ou outro
crime mais grave praticado no mesmo ato, nos termos do ¤2¼.

CAPêTULO VIII Ð DA FUGA, EVASÌO, ARREBATAMENTO E


AMOTINAMENTO DE PRESOS

FUGA DE PRESO OU INTERNADO


Art. 178. Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou
submetida a medida de seguran•a detentiva: 11295299674

Pena - deten•‹o, de seis meses a dois anos.


FORMAS QUALIFICADAS
¤ 1¼ Se o crime Ž praticado a m‹o armada ou por mais de uma pessoa,
ou mediante arrombamento:
Pena - reclus‹o, de dois a seis anos.
¤ 2¼ Se h‡ emprego de viol•ncia contra pessoa, aplica-se tambŽm a pena
correspondente ˆ viol•ncia.
¤ 3¼ Se o crime Ž praticado por pessoa sob cuja guarda, cust—dia ou
condu•‹o est‡ o preso ou internado:

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Pena - reclus‹o, atŽ quatro anos.
MODALIDE CULPOSA
Art. 179. Deixar, por culpa, fugir pessoa legalmente presa, confiada ˆ
sua guarda ou condu•‹o:
Pena - deten•‹o, de tr•s meses a um ano.

O sujeito ativo deste crime pode ser qualquer pessoa, civil ou


militar. Se o crime for cometido no ‰mbito estadual, o civil dever‡ ser
enquadrado no tipo previsto no art. 351 do CP.
A conduta Ž promover ou facilitar a fuga de preso ou
internado. Promover significa originar, iniciar a fuga, enquanto facilitar
significa tomar parte no esquema de fuga, facilitando-a, mas sem
desencadear o plano.
Em caso de fuga de estabelecimentos prisionais, j‡ se firmou
posi•‹o de que somente haver‡ o crime em estudo quando o fato for
praticado em estabelecimento militar, ou seja, em pres’dios militares ou
outras unidades com instala•›es prisionais. Nesse sentido h‡ a Sœmula n¼
75 do STJ.

Sœmula 75 do STJ
Compet•ncia - Processo e Julgamento - Facilita•‹o de Fuga de
Preso por Policial Militar
Compete ˆ Justi•a Comum Estadual processar e julgar o policial militar
11295299674

por crime de promover ou facilitar a fuga de preso de Estabelecimento


Penal.

V‡rios doutrinadores entendem que o mesmo racioc’nio se


aplica ˆ fuga de preso que, apesar de n‹o estar em estabelecimento
militar, est‡ sob escolta militar. Seria o caso de uma fuga em tr‰nsito,
por exemplo.

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A utiliza•‹o de arma, seja ela pr—pria ou impr—pria, qualifica o
delito, bem como a pr‡tica do crime por mais de uma pessoa e o
arrombamento de instala•‹o.
Se a pessoa que tem responsabilidade pela guarda,
cust—dia ou condu•‹o do preso pratica este crime, tambŽm estaremos
diante de uma forma qualificada. A maior reprova•‹o aqui se justifica
porque este agente estatal tem atribui•‹o espec’fica na guarda do preso e
deve maior lealdade ˆ Administra•‹o Militar.
A regra do ¤2¼, apesar de ter sido escrita como se fosse
qualificadora, imp›e o cœmulo material das penas aplicadas ao crime
em estudo e ˆ viol•ncia.
A modalidade culposa pode, na realidade, ser encarada
como outro tipo, e a maior parte dos autores assim o faz. Estamos diante
de um crime culposo, e a Doutrina exige, para que um civil pratique crime
militar, que haja a inten•‹o de ofender as institui•›es militares. Podemos
concluir, portanto, que na modalidade culposa n‹o Ž poss’vel que o
civil pratique o delito.
Perceba que na modalidade culposa n‹o Ž figura t’pica a
fuga de pessoa submetida a medida de seguran•a, mas somente o preso.

EVASÌO DE PRESO OU INTERNADO


Art. 180. Evadir-se, ou tentar evadir-se o preso ou internado, usando de
viol•ncia contra a pessoa: 11295299674

Pena - deten•‹o, de um a dois anos, alŽm da correspondente ˆ viol•ncia.


¤ 1¼ Se a evas‹o ou a tentativa ocorre mediante arrombamento da pris‹o
militar:
Pena - deten•‹o, de seis meses a um ano.
CUMULA‚ÌO DE PENAS
¤ 2¼ Se ao fato sucede deser•‹o, aplicam-se cumulativamente as penas
correspondentes.

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O sujeito ativo do crime pode ser tanto civil quanto militar,
desde que esteja preso em estabelecimento militar, ou submetido a
guarda militar.
Para os fins do tipo em estudo, n‹o importa se o sujeito ativo
conseguiu ou n‹o concretizar seu intento de escapar. O legislador
equiparou a tentativa e a consuma•‹o porque o cerne da quest‹o n‹o Ž a
fuga, mas sim o uso de viol•ncia contra a pessoa ou contra a coisa.
Mais uma vez a viol•ncia deve ser entendida como
manifesta•‹o f’sica. N‹o importa se na fuga o sujeito proferiu
xingamentos ˆ guarda. Se a fuga ou sua tentativa ocorrer sem viol•ncia
f’sica, n‹o ocorrer‡ o crime em estudo.
O preceito secund‡rio expresso na comina•‹o da pena
estabelece a regra do cœmulo material caso o emprego da viol•ncia
constitua outro crime. N‹o Ž necess‡rio, porŽm, que haja les‹o corporal
ou morte para que o crime em estudo esteja configurado.
A modalidade do ¤1¼ consiste no emprego de viol•ncia
contra coisa, caracterizada pelo arrombamento do estabelecimento
promovido para possibilitar a fuga. O arrombamento n‹o precisa ser
necessariamente da carceragem, sendo poss’vel que ocorra, por exemplo,
na porta principal do estabelecimento.
Tendo o militar empreendido fuga, iniciar-se-‡ a contagem do
tempo para que se configure o crime de deser•‹o. Caso ele n‹o se
apresente em oito dias, portanto, incorrer‡ em outro crime, cuja pena,
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nos termos do ¤2¼, deve ser cumulada com a da evas‹o de preso ou


internado.

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ARREBATAMENTO DE PRESO OU INTERNADO
Art. 181. Arrebatar preso ou internado, a fim de maltrat‡-lo, do poder de
quem o tenha sob guarda ou cust—dia militar:
Pena - reclus‹o, atŽ quatro anos, alŽm da correspondente ˆ viol•ncia.

Aqui o sujeito ativo Ž aquele que toma ˆ for•a o preso ou


internado que est‡ sob autoridade militar. N‹o h‡, portanto, nenhum
impedimento ao cometimento do crime por civil.
O pr—prio significado do termo ÒarrebatarÓ est‡ relacionado ao
emprego de for•a, e por isso a viol•ncia Ž considerada elemento do tipo
penal, n‹o importando se ela foi dirigida a pessoa ou a coisa.
Seguindo o racioc’nio dos tipos anteriores, Ž necess‡rio que o
preso esteja em local sob administra•‹o militar ou sob cust—dia
militar. Em caso contr‡rio, estaremos diante de um crime comum.
O militar que guarda a pessoa arrebatada e tem sua resist•ncia
vencida n‹o comete nenhum delito. Se de alguma forma o guarda
concorrer para o arrebatamento, responder‡ em concurso de pessoas por
tudo que venha a ocorrer com o arrebatado.
Mais uma vez temos o preceito secund‡rio estabelecendo a
regra do cœmulo material caso o emprego da viol•ncia constitua outro
crime. Se o arrebatador, por exemplo, causar les‹o corporal no
arrebatado, responder‡ tambŽm por este crime, em preju’zo do crime que
estamos estudando. 11295299674

AMOTINAMENTO
Art. 182. Amotinarem-se presos, ou internados, perturbando a disciplina
do recinto de pris‹o militar:
Pena - reclus‹o, atŽ tr•s anos, aos cabe•as; aos demais, deten•‹o de um
a dois anos.

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RESPONSABILIDADE DE PARTêCIPE OU DE OFICIAL
Par‡grafo œnico. Na mesma pena incorre quem participa do
amotinamento ou, sendo oficial e estando presente, n‹o usa os meios ao
seu alcance para debelar o amotinamento ou evitar-lhe as consequ•ncias.

Este crime Ž de autoria coletiva necess‡ria. N‹o Ž poss’vel


que apenas um preso ou internado seja sujeito ativo deste crime. ƒ
necess‡ria a a•‹o de pelo menos duas pessoas.
O sujeito ativo pode ser civil ou militar, desde que esteja
preso em estabelecimento prisional militar, ou unidade que tenha
depend•ncias prisionais.
O tipo contŽm uma impropriedade, pois deixa de mencionar
os estabelecimentos psiqui‡tricos em que s‹o cumpridas as medidas de
seguran•a, mas ao mesmo tempo menciona a figura do internado. A
maior parte dos doutrinadores aceita que a express‹o Òpris‹o militarÓ seja
aplic‡vel tambŽm aos hospitais de cust—dia que estejam sob
administra•‹o militar.
A primeira parte do par‡grafo œnico confere abertura ao tipo
para permitir que mesmo pessoas que n‹o est‹o presas ou
internadas possam tambŽm cometer o crime, desde que tomem parte
no amotinamento.
Quanto ˆ segunda parte do par‡grafo œnico, tambŽm poder‡
ser sujeito ativo do crime o oficial que estiver presente e n‹o tentar, por
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todos os meios dispon’veis, sufocar o amotinamento.


Amotinar-se significa rebelar-se, perturbar a ordem. Desta
forma, incorrem no crime os presos que se recusam a retornarem a suas
celas, que tomam terceiros como refŽns, ou que de alguma forma alteram
a ordem e a disciplina da pris‹o militar.
O preceito secund‡rio comina o aumento de pena para os
Òcabe•asÓ do amotinamento. Esta express‹o Ž utilizada para designar os
l’deres do movimento, nos termos do art. 53, ¤¤4¼ e 5¼ do CPM.

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Aqui se encerra o assunto da nossa aula. A seguir est‹o


quest›es de concursos anteriores que tratam dos assuntos que
estudamos hoje. Ao final, inclu’ a lista das quest›es sem os coment‡rios.
Se ficar alguma dœvida, por favor me procure. Estou dispon’vel tanto no
f—rum quanto no e-mail e tambŽm nas redes sociais, ok?

Grande abra•o!

Paulo Guimar‹es
professorpauloguimaraes@gmail.com

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2.! QUESTÍES COMENTADAS

1. PMSC Ð Soldado da Pol’cia Militar Ð 2011 Ð Ieses. O Motim se


caracteriza quando reunirem-se militares ou assemelhados:

I. Agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a cumpri-


la.
II. Recusando obedi•ncia a superior, quando estejam agindo sem ordem
ou praticando viol•ncia.
III. Assentindo em recusa conjunta de obedi•ncia, ou em resist•ncia ou
viol•ncia, em comum, contra superior.
IV. Ocupando quartel, fortaleza, arsenal, f‡brica ou estabelecimento
militar, hangar, aer—dromo ou aeronave, navio ou viatura militar, ou
utilizando-se de qualquer daqueles locais ou meios de transporte, para
a•‹o militar, ou pr‡tica de viol•ncia, em desobedi•ncia a ordem superior.

a) Todas est‹o corretas.


b) Apenas II e IV est‹o incorretas.
c) Apenas I e IV est‹o corretas.
d) Todas est‹o incorretas.

COMENTçRIOS: A quest‹o traz quatro assertivas, que correspondem


quase perfeitamente aos quatro incisos do art. 149 do CPM. Minha œnica
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observa•‹o diz respeito ˆ reda•‹o da assertiva IV: a conduta tipificada Ž


ocupar estes locais ou bens e utiliz‡-los para meio de transporte para
a•‹o militar ou pr‡tica de viol•ncia em desobedi•ncia a ordem superior,
ou em detrimento da ordem ou da disciplina militar. A assertiva n‹o
mencionou a œltima frase do inciso, e isso n‹o a torna incorreta, mas
quero chamar sua aten•‹o para este caso, em que Ž poss’vel que haja o
crime de motim mesmo sem a desobedi•ncia de uma ordem superior
direta.

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GABARITO: A

2. STM Ð Analista Judici‡rio Ð 2011 Ð Cespe. Considere as seguintes


situa•›es hipotŽticas.
I. Um agrupamento de militares armados, em concurso com civis, ocupou
estabelecimento militar em desobedi•ncia a ordem superior.
II. Reunidos, militares agiram contra ordem recebida de superior,
negando-se a cumpri-la, todavia, sem a utiliza•‹o de armamento.

Nesse caso, a situa•‹o I configura crime de revolta, sendo que os civis


n‹o ingressam na rela•‹o jur’dico-penal castrense, nem mesmo como
coautores, e a situa•‹o II tipifica o crime de motim, sendo elemento
diferenciador entre as duas situa•›es a exist•ncia de armas.

COMENTçRIOS: Lembra de quando eu disse a voc• que o Cespe segue a


doutrina de CŽlio Lob‹o e n‹o considera poss’vel a coautoria entre civis e
militares no crime de motim? Pois bem, a’ est‡ a quest‹o na qual me
baseei. Lembre-se de que motim Ž crime cometido sem armas, e revolta
com armas.

GABARITO: C

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3. MPE-ES Ð Promotor de Justi•a Ð 2010 Ð Cespe. Juca, sargento da


pol’cia militar, presidente da associa•‹o dos sargentos da pol’cia militar
de um dos estados da Federa•‹o, adentrou as depend•ncias de um dos
batalh›es de pol’cia da capital desse estado, local diverso daquele em que
exerce suas fun•›es policiais, e distribuiu aos colegas texto associativo,
firmado por ele, em que tecia duras e infundadas cr’ticas de cunho
depreciativo a algumas decis›es do comandante do batalh‹o, atinentes ˆ
disciplina militar e ao rigoroso servi•o daquela unidade policial militar.

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AlŽm disso, ocupou, sem a devida autoriza•‹o, por mais de dois minutos,
o sistema de comunica•‹o do referido batalh‹o com a leitura do texto
associativo, convocando os colegas para reuni‹o preparat—ria de
campanha remunerat—ria, com indicativo de greve e discuss‹o dos atos
disciplinares apontados como ilegais e abusivos.

Com base no direito penal militar e considerando a situa•‹o hipotŽtica


acima, assinale a op•‹o correta.
a) O comparecimento de policiais armados ˆ reuni‹o convocada pela
associa•‹o, nos termos da situa•‹o hipotŽtica em tela, ser‡ suficiente
para caracterizar a conduta como crime militar de revolta, por ser delito
formal.
b) A œnica infra•‹o penal militar cometida pelo sargento Juca na situa•‹o
em apre•o foi a conduta de convocar reuni‹o il’cita, cuja san•‹o penal
poder‡ ser desclassificada para transgress‹o disciplinar.
c) Na situa•‹o descrita, Juca n‹o praticou crime militar, uma vez que o
livre exerc’cio da atividade associativa encontra-se assegurado na CF,
bem como a garantia da manifesta•‹o do pensamento e a liberdade de
express‹o, sendo vedado, apenas, o anonimato.
d) As condutas praticadas pelo sargento Juca amoldam-se aos tipos
penais militares de reuni‹o il’cita, cr’tica indevida, alicia•‹o para motim
ou revolta e incitamento ˆ desobedi•ncia, ˆ indisciplina e ˆ pr‡tica de
crime. 11295299674

e) Os militares que atenderem ˆ convoca•‹o do sargento Juca cometer‹o


crime militar pela participa•‹o em reuni‹o il’cita. Na assembleia, caso
haja delibera•‹o pela greve, com pr‡tica de atos que se ajustem ˆ figura
t’pica de motim, a norma penal militar exige, para caracteriza•‹o desse
tipo de infra•‹o, que haja participa•‹o de, pelo menos, quatro militares.

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COMENTçRIOS:
Esta quest‹o Ž um pouco mais complexa, n‹o Ž mesmo? Vamos fazer
nossa an‡lise com calma e por partes. Juca praticou as seguintes
condutas:
I. Distribuiu aos colegas texto criticando as decis›es do comandante
atinentes ˆ disciplina militar;
II. Leu texto associativo no sistema de comunica•‹o do batalh‹o, por
meio do qual convocou os colegas para reuni‹o em que se discutiria
campanha salarial e seriam discutidos atos apontados como ilegais e
abusivos.

Pois bem, vamos agora verificar em que crimes essas condutas se


encaixam:
A cr’tica ˆs decis›es do comandante, por si s—, j‡ configura a pr‡tica de
cr’tica indevida.

PUBLICA‚ÌO OU CRêTICA INDEVIDA


Art. 166. Publicar o militar ou assemelhado, sem licen•a, ato ou
documento oficial, ou criticar publicamente ato de seu superior ou
assunto atinente ˆ disciplina militar, ou a qualquer resolu•‹o do Governo:
Pena - deten•‹o, de dois meses a um ano, se o fato n‹o constitui crime
mais grave.
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A convoca•‹o para reuni‹o em que seria discutido ato de superior


configura o cometimento do crime de reuni‹o il’cita.

REUNIÌO ILêCITA
Art. 165. Promover a reuni‹o de militares, ou nela tomar parte, para
discuss‹o de ato de superior ou assunto atinente ˆ disciplina militar:

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Pena - deten•‹o, de seis meses a um ano a quem promove a reuni‹o; de
dois a seis meses a quem dela participa, se o fato n‹o constitui crime
mais grave.

A distribui•‹o de impressos, em local sujeito ˆ administra•‹o militar,


contendo incitamento ˆ desobedi•ncia, indisciplina ou ˆ pr‡tica de crime
militar Ž prevista especificamente no par‡grafo œnico do art. 155. No caso
em quest‹o, Juca incitou os colegas ˆ pr‡tica da reuni‹o il’cita e,
portanto, praticou o incitamento.

INCITAMENTO
Art. 155. Incitar ˆ desobedi•ncia, ˆ indisciplina ou ˆ pr‡tica de crime
militar:
Pena - reclus‹o, de dois a quatro anos.
Par‡grafo œnico. Na mesma pena incorre quem introduz, afixa ou
distribui, em lugar sujeito ˆ administra•‹o militar, impressos, manuscritos
ou material mimeografado, fotocopiado ou gravado, em que se contenha
incitamento ˆ pr‡tica dos atos previstos no artigo.

Este œltimo crime n‹o est‡ expresso t‹o claramente na quest‹o, mas
acredito que tambŽm podemos dizer que Juca aliciou os colegas para que
cometessem os crimes de motim e revolta, e, portanto, praticou tambŽm
11295299674

o aliciamento.

ALICIA‚ÌO PARA MOTIM OU REVOLTA


Art. 154. Aliciar militar ou assemelhado para a pr‡tica de qualquer dos
crimes previstos no cap’tulo anterior:
Pena - reclus‹o, de dois a quatro anos.

GABARITO: D

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4. MPE-ES Ð Promotor de Justi•a Ð 2010 Ð Cespe. Para a
caracteriza•‹o do crime contra a autoridade ou disciplina militar, Ž
irrelevante o fato de o agente ter ou n‹o conhecimento da condi•‹o de
superior do outro militar atingido e consci•ncia de que est‡ infringindo as
regras de disciplina e a hierarquia militar.

COMENTçRIOS: Falamos por diversas vezes que os crimes em que a


ascend•ncia hier‡rquica faz parte do tipo somente podem ser cometidos
se o criminoso tiver conhecimento da rela•‹o hier‡rquica.

GABARITO: E

5. PM-MG Ð Oficial da Pol’cia Militar Ð 2011 Ð Fumarc. O C—digo


Penal Militar incorpora dentre as figuras t’picas, alguns delitos
inimagin‡veis na legisla•‹o comum. Em verdade, o rigor da hierarquia e
da disciplina predisp›e que o policial militar tenha comportamentos
irrepreens’veis em rela•‹o ˆ institui•‹o e em rela•‹o aos seus superiores,
pares e subordinados. Analise as afirmativas abaixo:
I. Os crimes de Motim e Revolta se diferenciam se diferenciam em dois
aspectos. No Motim os militares que se reœnem decididamente n‹o
portam armas, enquanto na Revolta, por serem utilizadas armas de fogo,
a pena Ž aumentada em atŽ um ter•o para os Òcabe•asÓ ou l’deres;
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II. As penas aplic‡veis aos crimes de Motim e Revolta s‹o aumentadas


em atŽ um ter•o se resultarem les‹o corpora grave e em atŽ dois ter•os
se resultarem morte;
III. O disciplina militar determina que a viol•ncia praticada contra o
Comandante Ž considerada mais grave do que praticada contra outro
superior qualquer.
Assinale a alternativa CORRETA.
a) Apenas a afirmativa III est‡ correta.
b) Apenas a afirmativa II est‡ correta.

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c) As afirmativas I, II e III est‹o incorretas.
d) As afirmativas I, II e III est‹o corretas.

COMENTçRIOS:
A assertiva I est‡ correta no que tange ˆ utiliza•‹o de armas. Por outro
lado, tanto no motim quanto na revolta a pena dos cabe•as Ž aumentada
em um ter•o.
Quanto ˆ assertiva II, n‹o existem qualificadoras nos crimes de motim e
revolta.
A assertiva III est‡ correta em face da qualificadora prevista no ¤1¼ do
art. 157 do CPM. O referido dispositivo trata do crime de viol•ncia contra
superior, e qualificadora determina pena mais grave se o superior
agredido for comandante ou oficial general.

GABARITO: A

6. DPU Ð Defensor Pœblico Ð 2007 Ð Cespe. O crime de recusa de


obedi•ncia (art. 163 do CPM) Ž espŽcie do g•nero insubordina•‹o.

COMENTçRIOS: O crime de recurso de obedi•ncia faz parte do cap’tulo


V, intitulado ÒDa insubordina•‹oÓ. ƒ importante que, alŽm de
compreender os crimes, voc• tambŽm tenha uma boa ideia de como a
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parte especial do CPM est‡ estruturada.

GABARITO: C

7. MPE-ES Ð Promotor de Justi•a Ð 2010 Ð Cespe. O crime de


viol•ncia contra superior somente se caracteriza como delito material com
a efetiva les‹o ao superior hier‡rquico direto do agente, tendo como bem

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jur’dico tutelado a integridade f’sica do militar que exerce as fun•›es de
comando. Somente o militar em atividade poder‡ ser autor desse delito.

COMENTçRIOS: Vimos que, n‹o s— no delito de viol•ncia contra


superior, mas em qualquer dos crimes tipificados no CPM que envolvam
viol•ncia, Ž necess‡rio que haja contato f’sico, mas n‹o Ž necess‡rio que
haja les‹o decorrente da viol•ncia.

GABARITO: E

8. STM Ð Analista Judici‡rio Ð 2011 Ð Cespe. Considere a seguinte


situa•‹o hipotŽtica.
O comandante de um batalh‹o do ExŽrcito, ap—s a pris‹o de um suboficial
por policiais civis, determinou a invas‹o da delegacia de pol’cia, a fim de
livrar o suboficial da cust—dia, considerada, por esse, como irregular.
Apesar da determina•‹o do superior, n‹o houve aquiesc•ncia da tropa,
que permaneceu aquartelada sem sujei•‹o ˆs ordens do comandante.
Nessa situa•‹o hipotŽtica, a conduta do comandante caracteriza a figura
t’pica de movimenta•‹o ilegal de tropa e a•‹o militar, sendo indiferente o
cumprimento ou n‹o da ordem emanada.

COMENTçRIOS: A quest‹o Ž imprecisa quanto ao nome do crime, mas


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isto n‹o faria com que voc• errasse a quest‹o, n‹o Ž mesmo? Na
realidade, o crime previsto no art. 169 Ž chamado de opera•‹o militar
sem ordem superior. Vimos na aula de hoje que movimento de tropa Ž o
seu deslocamento de um lugar a outro, enquanto a•‹o militar Ž o
emprego da tropa em finalidades planejadas. TambŽm vimos que o crime
est‡ consumado quando o comandante emite a ordem irregular, n‹o
sendo necess‡rio que a tropa a d• cumprimento.

GABARITO: C

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9. DPU Ð Defensor Pœblico Ð 2010 Ð Cespe. Considere que, em
conluio, um servidor pœblico civil lotado nas for•as armadas e um militar
em servi•o tenham-se recusado a obedecer a ordem do superior sobre
assunto ou matŽria de servi•o. Nessa situa•‹o, somente o militar Ž sujeito
ativo do delito de insubordina•‹o, que Ž considerado crime propriamente
militar, o que exclui o civil, mesmo na qualidade de coautor.

COMENTçRIOS: O posicionamento mais recente Ž no sentido de que o


civil n‹o pode cometer crimes propriamente militares na condi•‹o de
coautor, mas somente como part’cipe.

GABARITO: C

10. (inŽdita). Pedro e Paulo, tenentes da Pol’cia Militar, reuniram-se


para espancar antigo desafeto. Durante a agress‹o, os dois militares
estavam de posse de pistolas de propriedade da Pol’cia. N‹o se pode
dizer, entretanto, que os dois tenentes praticaram crime de organiza•‹o
de grupo para a pr‡tica de viol•ncia, pois para tal seria necess‡rio que
houvesse pelo menos tr•s militares reunidos.

COMENTçRIOS: O tipo penal previsto no art. 150 do CPM Ž expresso


quanto ˆ quantidade de pessoas necess‡rias para que o crime seja
11295299674

praticado: dois ou mais militares. AlŽm disso, eles precisam portar


armamento ou material bŽlico no momento em que praticam a viol•ncia.

GABARITO: E

11. (inŽdita). Juliano, Capit‹o do ExŽrcito Brasileiro, tem forte


admira•‹o pelo Major Cl‡udio, em raz‹o de ocasi‹o em que este,
demonstrando grande bravura, reuniu outros militares para questionar os

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desmandos de um antigo comandante de sua unidade. Em raz‹o da
convoca•‹o da reuni‹o, o Major Cl‡udio foi peso, e, em solidariedade, o
Capit‹o Juliano pronunciou-se publicamente no quartel em sua defesa,
enaltecendo seus feitos. O Capit‹o Juliano, na situa•‹o em quest‹o,
praticou o crime de apologia de fato criminoso ou do seu autor.

COMENTçRIOS: A conduta do Major Cl‡udio Ž tipificada no art. 165


(Reuni‹o Il’cita). Quanto ˆ conduta do Capit‹o Juliano, o militar que faz
apologia a fato criminoso ou a seu autor incorre no crime de apologia,
mencionado na quest‹o. Lembre-se, porŽm, que a apologia s— Ž crime
quando praticada em local sob administra•‹o militar.

GABARITO: C

12. (inŽdita). No crime de viol•ncia contra superior, a utiliza•‹o de arma


Ž causa de aumento de pena. N‹o Ž necess‡rio, porŽm, que a arma seja
efetivamente utilizada, mas apenas que o agente esteja de posse dela.

COMENTçRIOS: Na realidade a majorante aqui Ž a utiliza•‹o de arma na


pr‡tica de viol•ncia. Se o ofensor apenas est‡ de posse da arma mas n‹o
a utiliza, portanto, n‹o h‡ que se falar em aumento de pena.

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GABARITO: E

13. (inŽdita). Mariano, sargento da Pol’cia Militar da Para’ba, em


momento de revolta motivado pelo fracasso da campanha salarial dos
policiais, rasgou e pisou na bandeira da Para’ba diante da tropa. A
conduta do Sargento Mariano constitui crime militar, a saber, o
desrespeito a s’mbolo nacional.

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COMENTçRIOS: Apenas a bandeira do Brasil Ž s’mbolo nacional, e n‹o
as bandeiras dos estados. Lembre-se de que o tipo penal n‹o pode ser
aplicado ao caso em quest‹o porque a analogia n‹o Ž permitida na lei
penal militar.

GABARITO: E

14. (inŽdita). O subordinado que se recusa a cumprir ordem emitida por


superior hier‡rquico incorre no crime de recusa de obedi•ncia, exceto se a
ordem for ilegal, caso em que seu descumprimento Ž justific‡vel.

COMENTçRIOS: O Direito Penal Militar rejeita o princ’pio da obedi•ncia


cega: se a ordem for ilegal, n‹o Ž necess‡rio cumpri-la.

GABARITO: C

15. MPU Ð Analista Ð 2013 Ð Cespe. Considere que militares do


ExŽrcito brasileiro, reunidos em alojamento militar, tenham criado uma
coreografia ao som de uma vers‹o funk do Hino Nacional, alŽm de
terem filmado a dan•a e divulgado o v’deo na Internet. Nessa situa•‹o,
segundo entendimento do Superior Tribunal Militar, a conduta dos
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militares n‹o constitui crime de desrespeito a s’mbolo nacional,


devendo ser tratada, na esfera disciplinar, como brincadeira
desrespeitosa.

COMENTçRIOS: Esse foi um caso real, julgado pelo STM em 2013. O


crime aqui cometido Ž o tipificado no art. 161. Perceba que a conduta
foi praticada dentro da organiza•‹o militar, o que nesse caso Ž
elemento do tipo.
GABARITO: E

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3.! QUESTÍES SEM COMENTçRIOS

1. PMSC Ð Soldado da Pol’cia Militar Ð 2011 Ð Ieses. O Motim se


caracteriza quando reunirem-se militares ou assemelhados:

I. Agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a cumpri-


la.
II. Recusando obedi•ncia a superior, quando estejam agindo sem ordem
ou praticando viol•ncia.
III. Assentindo em recusa conjunta de obedi•ncia, ou em resist•ncia ou
viol•ncia, em comum, contra superior.
IV. Ocupando quartel, fortaleza, arsenal, f‡brica ou estabelecimento
militar, hangar, aer—dromo ou aeronave, navio ou viatura militar, ou
utilizando-se de qualquer daqueles locais ou meios de transporte, para
a•‹o militar, ou pr‡tica de viol•ncia, em desobedi•ncia a ordem superior.

a) Todas est‹o corretas.


b) Apenas II e IV est‹o incorretas.
c) Apenas I e IV est‹o corretas.
d) Todas est‹o incorretas.

2. STM Ð Analista Judici‡rio Ð 2011 Ð Cespe. Considere as seguintes


situa•›es hipotŽticas. 11295299674

I. Um agrupamento de militares armados, em concurso com civis, ocupou


estabelecimento militar em desobedi•ncia a ordem superior.
II. Reunidos, militares agiram contra ordem recebida de superior,
negando-se a cumpri-la, todavia, sem a utiliza•‹o de armamento.

Nesse caso, a situa•‹o I configura crime de revolta, sendo que os civis


n‹o ingressam na rela•‹o jur’dico-penal castrense, nem mesmo como
coautores, e a situa•‹o II tipifica o crime de motim, sendo elemento
diferenciador entre as duas situa•›es a exist•ncia de armas.

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3. MPE-ES Ð Promotor de Justi•a Ð 2010 Ð Cespe. Juca, sargento da
pol’cia militar, presidente da associa•‹o dos sargentos da pol’cia militar
de um dos estados da Federa•‹o, adentrou as depend•ncias de um dos
batalh›es de pol’cia da capital desse estado, local diverso daquele em que
exerce suas fun•›es policiais, e distribuiu aos colegas texto associativo,
firmado por ele, em que tecia duras e infundadas cr’ticas de cunho
depreciativo a algumas decis›es do comandante do batalh‹o, atinentes ˆ
disciplina militar e ao rigoroso servi•o daquela unidade policial militar.
AlŽm disso, ocupou, sem a devida autoriza•‹o, por mais de dois minutos,
o sistema de comunica•‹o do referido batalh‹o com a leitura do texto
associativo, convocando os colegas para reuni‹o preparat—ria de
campanha remunerat—ria, com indicativo de greve e discuss‹o dos atos
disciplinares apontados como ilegais e abusivos.

Com base no direito penal militar e considerando a situa•‹o hipotŽtica


acima, assinale a op•‹o correta.
a) O comparecimento de policiais armados ˆ reuni‹o convocada pela
associa•‹o, nos termos da situa•‹o hipotŽtica em tela, ser‡ suficiente
para caracterizar a conduta como crime militar de revolta, por ser delito
formal.
b) A œnica infra•‹o penal militar cometida pelo sargento Juca na situa•‹o
em apre•o foi a conduta de convocar reuni‹o il’cita, cuja san•‹o penal
poder‡ ser desclassificada para transgress‹o disciplinar.
11295299674

c) Na situa•‹o descrita, Juca n‹o praticou crime militar, uma vez que o
livre exerc’cio da atividade associativa encontra-se assegurado na CF,
bem como a garantia da manifesta•‹o do pensamento e a liberdade de
express‹o, sendo vedado, apenas, o anonimato.
d) As condutas praticadas pelo sargento Juca amoldam-se aos tipos
penais militares de reuni‹o il’cita, cr’tica indevida, alicia•‹o para motim
ou revolta e incitamento ˆ desobedi•ncia, ˆ indisciplina e ˆ pr‡tica de
crime.

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e) Os militares que atenderem ˆ convoca•‹o do sargento Juca cometer‹o
crime militar pela participa•‹o em reuni‹o il’cita. Na assembleia, caso
haja delibera•‹o pela greve, com pr‡tica de atos que se ajustem ˆ figura
t’pica de motim, a norma penal militar exige, para caracteriza•‹o desse
tipo de infra•‹o, que haja participa•‹o de, pelo menos, quatro militares.

4. MPE-ES Ð Promotor de Justi•a Ð 2010 Ð Cespe. Para a


caracteriza•‹o do crime contra a autoridade ou disciplina militar, Ž
irrelevante o fato de o agente ter ou n‹o conhecimento da condi•‹o de
superior do outro militar atingido e consci•ncia de que est‡ infringindo as
regras de disciplina e a hierarquia militar.

5. PM-MG Ð Oficial da Pol’cia Militar Ð 2011 Ð Fumarc. O C—digo


Penal Militar incorpora dentre as figuras t’picas, alguns delitos
inimagin‡veis na legisla•‹o comum. Em verdade, o rigor da hierarquia e
da disciplina predisp›e que o policial militar tenha comportamentos
irrepreens’veis em rela•‹o ˆ institui•‹o e em rela•‹o aos seus superiores,
pares e subordinados. Analise as afirmativas abaixo:
I. Os crimes de Motim e Revolta se diferenciam se diferenciam em dois
aspectos. No Motim os militares que se reœnem decididamente n‹o
portam armas, enquanto na Revolta, por serem utilizadas armas de fogo,
a pena Ž aumentada em atŽ um ter•o para os Òcabe•asÓ ou l’deres;
II. As penas aplic‡veis aos crimes de Motim e Revolta s‹o aumentadas
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em atŽ um ter•o se resultarem les‹o corpora grave e em atŽ dois ter•os


se resultarem morte;
III. O disciplina militar determina que a viol•ncia praticada contra o
Comandante Ž considerada mais grave do que praticada contra outro
superior qualquer.
Assinale a alternativa CORRETA.
a) Apenas a afirmativa III est‡ correta.
b) Apenas a afirmativa II est‡ correta.
c) As afirmativas I, II e III est‹o incorretas.

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d) As afirmativas I, II e III est‹o corretas.

6. DPU Ð Defensor Pœblico Ð 2007 Ð Cespe. O crime de recusa de


obedi•ncia (art. 163 do CPM) Ž espŽcie do g•nero insubordina•‹o.

7. MPE-ES Ð Promotor de Justi•a Ð 2010 Ð Cespe. O crime de


viol•ncia contra superior somente se caracteriza como delito material com
a efetiva les‹o ao superior hier‡rquico direto do agente, tendo como bem
jur’dico tutelado a integridade f’sica do militar que exerce as fun•›es de
comando. Somente o militar em atividade poder‡ ser autor desse delito.

8. STM Ð Analista Judici‡rio Ð 2011 Ð Cespe. Considere a seguinte


situa•‹o hipotŽtica.
O comandante de um batalh‹o do ExŽrcito, ap—s a pris‹o de um suboficial
por policiais civis, determinou a invas‹o da delegacia de pol’cia, a fim de
livrar o suboficial da cust—dia, considerada, por esse, como irregular.
Apesar da determina•‹o do superior, n‹o houve aquiesc•ncia da tropa,
que permaneceu aquartelada sem sujei•‹o ˆs ordens do comandante.
Nessa situa•‹o hipotŽtica, a conduta do comandante caracteriza a figura
t’pica de movimenta•‹o ilegal de tropa e a•‹o militar, sendo indiferente o
cumprimento ou n‹o da ordem emanada.

9. DPU Ð Defensor Pœblico Ð 2010 Ð Cespe. Considere que, em


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conluio, um servidor pœblico civil lotado nas for•as armadas e um militar


em servi•o tenham-se recusado a obedecer a ordem do superior sobre
assunto ou matŽria de servi•o. Nessa situa•‹o, somente o militar Ž sujeito
ativo do delito de insubordina•‹o, que Ž considerado crime propriamente
militar, o que exclui o civil, mesmo na qualidade de coautor.

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10. (inŽdita). Pedro e Paulo, tenentes da Pol’cia Militar, reuniram-se
para espancar antigo desafeto. Durante a agress‹o, os dois militares
estavam de posse de pistolas de propriedade da Pol’cia. N‹o se pode
dizer, entretanto, que os dois tenentes praticaram crime de organiza•‹o
de grupo para a pr‡tica de viol•ncia, pois para tal seria necess‡rio que
houvesse pelo menos tr•s militares reunidos.

11. (inŽdita). Juliano, Capit‹o do ExŽrcito Brasileiro, tem forte


admira•‹o pelo Major Cl‡udio, em raz‹o de ocasi‹o em que este,
demonstrando grande bravura, reuniu outros militares para questionar os
desmandos de um antigo comandante de sua unidade. Em raz‹o da
convoca•‹o da reuni‹o, o Major Cl‡udio foi peso, e, em solidariedade, o
Capit‹o Juliano pronunciou-se publicamente no quartel em sua defesa,
enaltecendo seus feitos. O Capit‹o Juliano, na situa•‹o em quest‹o,
praticou o crime de apologia de fato criminoso ou do seu autor.

12. (inŽdita). No crime de viol•ncia contra superior, a utiliza•‹o de arma


Ž causa de aumento de pena. N‹o Ž necess‡rio, porŽm, que a arma seja
efetivamente utilizada, mas apenas que o agente esteja de posse dela.

13. (inŽdita). Mariano, sargento da Pol’cia Militar da Para’ba, em


momento de revolta motivado pelo fracasso da campanha salarial dos
policiais, rasgou e pisou na bandeira da Para’ba diante da tropa. A
11295299674

conduta do Sargento Mariano constitui crime militar, a saber, o


desrespeito a s’mbolo nacional.

14. (inŽdita). O subordinado que se recusa a cumprir ordem emitida por


superior hier‡rquico incorre no crime de recusa de obedi•ncia, exceto se a
ordem for ilegal, caso em que seu descumprimento Ž justific‡vel.

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15. MPU Ð Analista Ð 2013 Ð Cespe. Considere que militares do
ExŽrcito brasileiro, reunidos em alojamento militar, tenham criado uma
coreografia ao som de uma vers‹o funk do Hino Nacional, alŽm de
terem filmado a dan•a e divulgado o v’deo na Internet. Nessa situa•‹o,
segundo entendimento do Superior Tribunal Militar, a conduta dos
militares n‹o constitui crime de desrespeito a s’mbolo nacional,
devendo ser tratada, na esfera disciplinar, como brincadeira
desrespeitosa.

GABARITO
1. A
2. C
3. D
4. E
5. A
6. C
7. E
8. C
9. C
10. 11295299674

E
11. C
12. E
13. E
14. C
15. E

Prof. Paulo Guimarães www.estrategiaconcursos.com.br Página 57 de 57

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