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Tema II.

A CONTABILIDADE NACIONAL E A MEDIÇÃO DOS PRINCIPAIS


AGREGADOS MACROECONÓMICOS

2.1 Contabilidade Nacional:


2.1.1 Introdução;
2.1.2 Princípios básicos da Contabilidade Nacional;
2.1.3 As três ópticas de medição do Produto e do Rendimento Nacional;
2.2 Principais Agregados macroeconómicos:
2.2.1 Consumo e poupança e os seus determinantes;
2.2.2 Investimento e os seus determinantes;
2.2.3 Determinates dos Gastos Governamentais e Exportações Líquidas;
2.3 O modelo Keynesiano de Determinação do Rendimento
2.3.1 O modelo simples de economia fechada;
2.3.2 A introdução do sector Público e Externo e público;
2.3.3 Fundamentos da Procura e Oferta Agregada;
2.3.4 O Ensaio de políticas macroeconómicas.

2. CONTABILIDADE NACIONAL
2.1.1 Introdução

A macroeconomia se preocupa, principalmente, com a determinação do produto total da economia,


com o nível de preços, com o nível de emprego, taxas de juros, etc.

Contabilidade Nacional, é o processo de cálculo e de registo do Produto Nacional (PN), dos


Rendimentos gerados (RN) e distribuídos aos agentes económicos que participaram na produção
e da Despesa (DN) efectuada na aquisição dos bens e serviços produzidos.
Ou seja, a Contabilidade Nacional mostra o cálculo e o registo sistemático dos agregados
macroeconómicos de uma economia, nomeadamente, o que foi produzido, os rendimentos que esta
produção gerou e a sua distribuição pelos agentes económicos, bem como o registo da despesa
realizada ao longo de um determinado período de tempo, geralmente um ano.

A contabilidade nacional ou a determinação da renda nacional nos fornece uma estimativa regular
do Produto Nacional Bruto (PNB), a medida básica do desempenho económico na produção dos
bens e serviços.

O PNB é o valor de todos os bens finais e serviços produzidos por factores próprios de produção
no decorrer de um dado período.
O PNB inclui o valor dos bens produzidos, como casas ou automóveis, e o valor dos serviços,
como serviços de corretagem e palestras de economistas. O produto de cada um destes é avaliado
em seu preço de mercado específico e os valores são somados para fornecerem o valor do PNB.

Na contabilidade nacional há três ópticas para medir o produto nacional. Suponhamos que as
famílias comprem tudo que foi produzido, quer dizer que a despesa nacional é igual ao produto

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nacional (DN=PN). Se compraram toda a produção nacional, isto significa que elas gastaram todo
o seu rendimento nacional (RN), assim DN=RN e isto significa que PN=RN, logo:

PN=RN=DN → Identidade básica da Contabilidade Nacional

Óptica do produto, consiste na soma dos produtos finais de uma economia. É igual a despesa
total da sociedade na sua aquisição.

Óptica do rendimento, não só se considera os produtos principalmente ditos, mas sim a sua
contrapartida, compreendida como a remuneração dos factores utilizados na produção.

Óptica da despesa, é o somatório daquilo que as empresas produziram, i é, somatório dos valores
acrescentados pelos diferentes sectores.

2.1.2 Princípios básicos da Contabilidade Nacional

No processo de registo das contas nacionais, devemos ter sempre presente alguns princípios
básicos na medição dos agregados macroeconómicos.

- Na contabilidade nacional as transações são fluxos porque se referem a um determinado período


de tempo, geralmente um ano.
- Na contabilidade nacional a produção global é medida pelo valor de mercado dos bens e serviços
finais.
- Na contabilidade nacional consideram-se apenas as transações em bens e serviços finais, não
sendo computados os bens e serviços intermediários (tais como, matérias-primas, matérias
subsidiárias, produtos semiacabados, etc.) para evitar o problema de duplicação no registo das
contas nacionais,
- Na contabilidade nacional mede-se apenas a produção corrente, respeitante ao período em
análise. Significa que, não é considerado o valor dos bens e serviços que, por ventura, tenha sido
produzido no período anterior.
- Na contabilidade nacional não se regista o valor de transações puramente financeiras dado que
estas não representam acréscimos directos no produto real da economia.
Ex: depósitos, empréstimos bancários, transações de bolsas de valores, que são transferências
financeiras entre agentes económicos.

Fluxos e Stocks
As variáveis económicas podem ser de dois tipos:

Fluxos, são variáveis que dizem respeito a um determinado período de tempo.


Ex: RN, DN, PN.

Stock, são variáveis que se definem num determinado ponto no tempo.


Ex: moeda em circulação, os bens de capital fixo das empresas.

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Exemplo clássico para distinguir Fluxo e Stock
A água que cai para uma banheira é um fluxo (são tantos litros de água por segundo). Mas a
quantidade de água retida na banheira depois que se fechou a torneira é um stock. Naquele
momento existem exatamente tantos litros de água retidos na banheira, nem mais nem menos.

Na Contabilidade Nacional interessa medir fluxos e não stocks.

2.1.3 As três ópticas de medição do Produto e do Rendimento Nacional

Óptica do Produto

Para evitar a duplicação do registo da produção nacional (PN), usa-se dois métodos:
- Método do Valor Acrescentado
- Método do Produto Final

Produto Nacional, é o valor de todos os bens e serviços finais produzidos em determinado período
de tempo.

Método do Valor Acrescentado


O PN calcula-se através do Valor Acrescentado Bruto (VAB) que, diz que “em cada etapa estamos
a acrescentar um determinado valor já acrescentado”.

Ex:
Natureza VA1 VA2 VA3
Empresa1 Empresa2 Empresa3 ∑VA=Valor Produto final
Outas empresas
(terceiros)

Quer dizer, durante o processo produtivo, cada empresa cria valor porque acrescenta algo de novo
aos bens e serviços intermediários, ou seja, as matérias-primas que transforma durante esse
processo.

Valor Acrescentado Bruto, é o valor que cada empresa (ou sector de actividade) acrescenta ao
que extraí da natureza ou aos valores já criados por outras empresas (ou sectores) durante um certo
período de tempo, geralmente um ano.

O VAB determina-se pela diferença entre o Valor Bruto da Produção (VBP) e as compras
efectuadas a outras empresas ou a outros sectores de actividades (compra à terceiros):

VAB = Valor Bruto de Produção – Compra à Terceiros

Valor Bruto da Produção, é o facturamento, a receita de vendas, de cada sector produtivo. É a


renda gerada por cada sector de actividade na cadeia de produção.

As compras à terceiros incluem, custos das matérias-primas e das matérias subsidiárias; serviços
prestados por outras empresas ou por terceiros.

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O VAB destina-se, fundamentalmente, ao pagamento de intervenientes no processo produtivo, que
recebem o rendimento em forma de salários (s) + rendas (r) + juros (j) + lucros (l); as amortizações,
destinadas à substituição do equipamento depreciado.

VAB = S + R + L + J + Amortizações

Método do valor do Produto Final

A soma do Valor Acrescentado Bruto (∑VAB) de todas as despesas do país ou de todos os sectores
é igual ao Valor do Produto Final (preço de venda ao público).

O produto final, é o valor dos bens produzidos que se destinam ao consumo final, os quais são
registados pelo seu preço de venda ao público, i é, o preço de mercado.
Só é registado o que é produto final e a soma dá-nos o produto global final.

Óptica do Rendimento

O Rendimento (sob um ponto de vista doméstico) corresponde ao somatório de todas as


remunerações recebidas pelos proprietários dos factores de produção, num determinado período
de tempo, geralmente um ano, i é, a Renda Nacional é a soma dos rendimentos pagos às famílias,
que são proprietárias de factores de produção, pela utilização de seus serviços produtivos, em
determinado, período de tempo.

RN = S + R + J + L

Note-se, só se incluem os rendimentos recebidos de sectores produtivos respeitantes ao ano


corrente. Os pagamentos de transferências (Ex: pensões de reforma), não são contabilizados nas
contas nacionais.

Óptica da Despesa

A Despesa (sob um ponto de vista doméstico) é igual a soma do valor dos gastos em produtos
finais e serviços produzidos numa economia durante um determinado período de tempo, i é, a
Despesa Nacional é o valor das despesas dos vários agentes na compra de bens e serviços finais.

DN = C + I + G + NX

Onde: C – Consumo privado;


I – Investimento privado;
G – Gastos governamentais que incluem, o Consumo e o Investimento público;
NX = (X – M) – Exportações líquidas.

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Problemas no registo da Contabilidade Nacional

Na contabilidade nacional deduzem-se as Amortizações dos valores brutos para se obter os valores
líquidos.
Ex: PNB – Amortizações = PNL
VAB – Amortizações = VAL

Na prática não falamos de Rendimento Nacional Bruto nem Despesa Nacional Bruta. Fala-se mais
de Produto Nacional Bruto.

Os valores líquidos são os mais precisos. Mas apesar disso, é mais frequente usarem-se valores
brutos nas estatísticas oficiais, por duas razões: primeiro, as depreciações de capital (é o consumo
de stock de capital físico, em dado período) acontecem muito lentamente no tempo, por isso, o
PNB e o PNL apresentam valores muito próximo; segundo, é difícil fazer a avaliação das
depreciações com segurança porque o equipamento, sendo heterogéneo, não se desgasta da mesma
maneira e de forma linear.
É mais seguro usar o PNB para avaliar a Produção Nacional.

Produto Nacional Bruto – é o valor de todos bens finais e serviços produzidos por factores
próprios de produção no decorrer de um dado período, ou seja, é onde se encontra a produção de
todos nacionais dum país independentemente do espaço geográfico.

Produto Interno Bruto – é o valor de bens finais produzidos em um país, ou seja, é o total final
atribuível aos factores produzidos localizados no interior do território nacional,
independentemente da sua nacionalidade.

A diferença entre o Rendimento recebido do exterior e o Rendimento enviado exterior é igual (=)
ao Saldo dos Rendimentos pela Propriedade de Factores Externos (SRPFEx) ou Rendimento
Líquido Externo ou Saldo do Rendimento com Resto do Mundo.

PIB + SRPFEx = PNB


PNB – Amort. = PNL
PIB – Amort. = PIL

PIB + SRPFEx = PNB onde: PIB = VAB


DI + SRPFEx = DN onde: DI = C + I + G + NX
RI + SRPFEx = RN onde: RI = S + R + J + L

Produto Nacional à Preço de mercado (pm) ou à Custo dos factores (cf)

Produto Nacional à preços de mercado (PNpm), é o PN medido a partir dos valores


transacionados no mercado, i é, medido pelo preço pago pelo consumidor final.

Produto Nacional à custo de factores (PNcf), é o PN medido a partir dos valores que reflectem
os custos de produção, a remuneração dos factores (s + j + r + l).

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É um preço de fábrica, antes dos impostos, e não considerando preços de insumos intermédios.
Como é medido pela óptica do Rendimento, rigorosamente é a Renda Nacional à custo dos factores
(RNcf).

A diferença entre PNpm e PNcf está nos Impostos indirectos (Ti) e nos Subsídios.

Impostos directos (Te), afectam os rendimentos resultantes da aplicação de factores produtivos,


transferindo-se parte desse rendimento para o Estado.
Ex: o dinheiro extraído dos salários

Impostos indirectos (Ti), constituem encargos normais da produção, venda, compra ou uso de
bens e serviços.
Ex: o IVA da factura ou recibo

Os Ti fazem aumentar o preço e, para se evitar o aumento, o Governo subsidia as empresas por
forma a diminuir o preço pago pelos consumidores.

Subsídios (sub ou z), são transferências correntes do sector aos produtores com o objectivo de
reduzir os custos de produção.
Ex: se o governo subsidiar o preço do leite em 30%, com o objectivo de diminuir o custo para os
consumidores, e supondo que o custo efectivo para os produtores (custo dos factores) é 100, o
preço de mercado será 70, sendo 30 o montante de subsídio pago pelo governo aos produtores.

PNpm = PNcf + Ti – sub


PNLcf = PNLpm – (Ti – sub)
PNBpm = PNBcf + Ti – sub
PNBcf = PNBpm – (Ti – sub)
PNLpm = PNBcf + Ti – sub – Amortizações
PNLcf = PNBpm – (Ti – sub) – Amortizações

Produto à Preço corrente (P. Nominal) ou a Preço constante (P. Real)

O Produto nominal, mede o valor do produto em um dado período aos preços desse período.

O Produto real, mede as variações na produção física da economia entre diferentes períodos de
tempo pela variação dos bens produzidos em dois períodos aos mesmos preços ou preços
constantes, i é, o produto real dá-nos a realidade da produção.
É necessário manter o preço antigo para sabermos o que aumentou ou o que baixou e tirarmos a
inflação porque o preço manteve-se.

1º Em relação a um Produto podemos analisar o Índice de Preço (IP).

2º Em relação a um Cabaz (um conjunto de produto) podemos analisar o Índice de Preços ao


Consumidor (IPC).

3º Quando analisamos em relação a toda produção (PIB), analisamos Deflator do PIB ou PNB.

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No 1º caso relacionamos o preço do bem hoje pelo preço antigo (ano base):

IP = _preço (corrente) * 100


preço (ano base)
No 2º caso: IPC = _valor cabaz (corrente) * 100
valor cabaz (ano base)

No 3º caso: Deflator do PIB = _PIB (corrente) * 100


PIB (ano base)

IPC – mede o custo da compra de uma cesta básica de bens e serviços que representa as compras
dos consumidores.

Deflator do PIB ou PNB – é a razão do PNB nominal em um dado ano em relação ao PNB real e
é uma medida de inflação a partir do período para o qual a base de cálculo dos preços do PNB real
considerada para o período vigente.

Diferença entre IPC e Deflator do PNB


1º - o Deflator do PNB mede os preços de um grupo muito maior de bens do que o IPC;
2º - o IPC mede o custo de uma dada cesta básica, que é a mesma de ano para ano;
3º - o IPC inclui directamente os preços das importações, enquanto o deflator inclui somente preços
de bens nacional.

Taxa de inflação = P1 – P0 * 100


P0

A taxa de inflação, também pode ser calculada através do PIB, IPC e do Deflator do PIB

Taxa de inflação = IPC1 – IPC0 * 100 ou


IPC0

= PIBnominal – PIBreal * 100 ou


PIBreal

= Deflactor1 – Deflator0 * 100


Deflator0

Outra forma de cálculo de Índice de Preços

Laspeyres: IPC = ∑P1*Q0 * 100 (ano base)


∑P0*Q0

Paasche: IPC = ∑P1*Q1 * 100 (corrente)


∑P0*Q1

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Repartição ou distribuição do rendimento

O VAB é feito a preço de mercado (pm)


Sob ponto de vista doméstico ou interno:
VABpm = PIBpm se retirarmos as Amortizações
VALpm = PILpm se adicionamos os Ti e retirarmos os sub (Ti – sub)
VALcf = PIBcf que corresponde ao
RI = S + R + L + J

Equivalências

PN = RN = DN

Equivalências entre produto e despesas


DI = C + I + G + NX DN = C + I + G + NX + SRPFEx
DI = PIBpm DN = PIBpm + SRPFEx
DI = VABpm DN = VABpm + SRPFEx

Equivalências entre o produto e rendimento


RI = S + R + L + J RN = S + R + L + J + SRPFEx
RI = VALcf RN = VALcf + SRPFEx
RI = PILcf RN = PILcf + SRPFEx

2.2 Principais Agregados macroeconómicos


2.2.1 Consumo e Poupança e os seus determinantes

Consumo (C), parcela do rendimento destinada a compra de bens e serviços indispensáveis a


satisfação das necessidades, i é, constituem a despesa total das famílias em bens e serviços durante
um certo período.
Existe um limite quantitativo adicional que os consumidores estão dispostos a despender em
alimentação quando o seu rendimento se eleva. Daí que a despesa em alimentação decresce a
medida que o rendimento aumenta.

Determinantes do Consumo

Rendimento disponível, é a renda que o indivíduo utiliza para gastar ou realizar as suas despesas.
Quando o rendimento aumenta, o consumo também aumenta e, vice-versa. Tem uma relação
directa a variável e o consumo.

Rendimento Permanente ou Ciclo de Vida


A função consumo baseia-se na noção simples de que o comportamento do consumo dos
indivíduos, em um dado período, está relacionado com a sua renda desse período.
A hipótese de Ciclo de Vida, desenvolvida por Franco Modigliani (do MIT- Instituto de
Tecnologia de Massachusetts, ganhador do prémio Nobel em Ciências Económicas de 1985),
focaliza indivíduos, planejando seu comportamento de consumo e poupança no decorrer de longos

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períodos com a intenção de alocar seu consumo da melhor maneira possível por toda a sua vida,
ou seja, as famílias devem escolher os seus níveis de consumo, tendo em consideração as
espectativas quanto ao rendimento médio que vão auferindo durante a vida ou ao longo da vida.
A hipótese de Ciclo de Vida vê as poupanças como resultantes, principalmente, dos desejos dos
indivíduos viabilizarem o consumo na velhice.

A teoria de Renda Permanente, desenvolvida por Milton Friedman (da University of Chicago,
ganhador do prémio Nobel em Economia de 1976), defende que, as pessoas geram seu
comportamento de consumo em relação às oportunidades de consumo de longo prazo e não de
acordo com o nível de renda corrente, ou seja, as famílias escolhem seus níveis de consumo tendo
em vista, em grande parte, as suas espectativas de longo prazo.

A renda permanente, é a taxa constante de consumo que uma pessoa pode manter para o resto
da sua vida, dado o nível presente de riqueza e renda ganhos agora e no futuro.
__
C = C + cYp

Riqueza
Quanto mais a pessoa é rica, maior é o consumo.

Outras influências:

Altas taxas de Tributação


Tem influências negativa, i é, quanto maior for o imposto incidente sobre o rendimento da pessoa,
menor é o consumo.

Inflação
O preço alto torna as pessoas mais pobres, i é, quanto maior for o nível de preço, menor será o
poder de compra das pessoas. E, exerce maior impacto nas camadas mais vulneráveis, i é, nas
camadas baixas.

Expectativa acerca do futuro económico


Que, influencia a poupança e por via disso o consumo.

Função Consumo
O consumo agregado é uma função crescente no nível de renda nacional.

C = f(Y)

Supõem-se que o consumo é uma função linear da renda nacional:


__
C = C + cY
__
Onde: C – consumo autónomo, que não depende da renda (é o intercepto)
c – propensão marginal à consumir (é o coeficiente angular, declividade)

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__
C C = C + cY

__
C

A Pmgc = c = _ΔC_
ΔY

A propensão marginal à consumir (Pmgc), é o acréscimo de consumo, dado um acréscimo na


renda nacional, ou seja, refere-se ao montante adicional que os indivíduos estão dispostos a
gastarem em consumo por cada Dólar do rendimento adicional.
A Pmgc é positiva mas inferior a um (1)

0 < Pmgc < 1

Significa que, dado um aumento de renda (Y), as pessoas reservam certa parcela para poupança,
de forma que o aumento do consumo (C) é sempre menor do que o aumento de renda, em termos
agregados. __
O intercepto, Consumo autónomo (C), representa a parcela do consumo que não depende da renda,
mas de outros factores (riqueza, renda futura, etc), ou seja, mesmo quando Y = 0, então C = C (as
pessoas não deixarão de consumir).

A propensão média à consumir (Pmec), é o nível de consumo sobre o nível de renda.

Pmec = _C_
Y

Poupança e seus determinantes

Poupança (S), é a parcela da RN não consumida no período, i é, de renda gerada (s + r + j + l),


parte não é gasta em bens de consumo.

Formas de Poupança:

Entesouramento, é guarda de dinheiro fora do sistema bancário.

Colocação, pôr o dinheiro no sistema bancário (depositar o dinheiro no banco).

Investimento, é um recurso não consumido e poupado.

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Como vimos em Contabilidade Nacional, a Poupança (S) é a parcela da renda nacional não
consumida, em dado período de tempo:

S=Y–C
__
Como: C = C + cY
__
S = Y – (_C + cY)
S = Y – C – cY
__
S = - C + (1-c)Y

Onde: (1 –c) = propensão marginal à poupar.

Propensão marginal à poupar (Pmgs), é o acréscimo da poupança agregada, dado um acréscimo


na renda nacional, i é:

Pmgs = 1 – c = s = _ΔS_
ΔY
Gráficamente:

S __
S = - C + (1 –c)Y

(1-c)

0
__ Y
-C

Como:
Pmgs = 1 - Pmgc ou s=1-c

Segue-se que:
Pmgs + Pmgc = 1 ou s+c=1

Analogicamente ao conceito de propensão média a consumir, temos também o conceito de


propensão média a poupar (Pmes), que é medido com base em um dado nível de poupança, sobre
um dado nível de renda.

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Como: S=Y–C
Pmes = _Y – C_
Y
=Y–C
Y Y
=1–C
Y
Sabendo que: Pmec = C
Y

Assim, Pmes = 1 - Pmec

e, Pmes + Pmec = 1

2.2.2 Investimento e os seus determinantes

Investimento (I), é o gasto destinado ao aumento ou à manutenção do stock de capital, i é,


actividade económica que sacrifica o consumo presente com o objectivo de aumentar a produção
no futuro.

Def2: é o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia, i é, da


capacidade de gerar rendas futuras. É também chamado de taxa de acumulação de capital.

O Investimento mede-se através de 3 categorias:

I = Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) + Variação das Existências + Construção nova das
Famílias.

Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), é a parte do Investimento respeitante ao aumento dos
meios de trabalho, ou seja, do equipamento propriamente dito.
A FBCF também depende da taxa de juro.

Variações das Existências, é a parte do Investimento respeitante à variação dos objectos de


trabalho.
Ex: as matérias-primas, matérias subsidiárias, os produtos acabados, etc.

O Investimento pode ser tangível como por Ex:


- Instalação
- Equipamento
- Existências

Ou pode ser intangível como por Ex:


- Educação
- Investigação
- Saúde

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O Investimento é a segunda componente principal do PNB e da despesa agregada, exerce uma
forte influência não só na demanda agregada, como também na produção e no emprego.
O Investimento conduz a acumulação de capitais, permitindo assim a aumentar o stock de
edifícios, de equipamentos, etc, úteis para a elevação do produto potencial.

Determinantes do Investimento

Ociosidade e obsolescência

Como os gastos de Investimento das empresas são para repor ou acrescentar os stocks de bens de
capital utilizados no processo produtivo, o nível de ociosidade torna-se um factor básico que
determina o Investimento.

Em épocas recessivas, caracterizadas por queda de procura agregada, aumento de stocks de


produtos finais não absorvidos pelo mercado, elevação das taxas de desemprego do factor trabalho
e aumento da ociosidade dos equipamentos instaladas, as decisões de investimento são,
geralmente, deixadas de lado (ou para trás).

Junto com a ociosidade, outro factor que determina o Investimento é a obsolescência dos
equipamentos.
O processo de inovação tecnológica torna obsoletos bens de capital ainda não inteiramente
depreciados pelo uso. Máquinas informatizadas e mais velozes, equipamentos que deduzem custos
de produção e ampliam a qualidade dos produtos finais, automação e robotização (que ampliam o
grau de competitividade das empresas inovadoras) tornam-se relativamente obsoletas.

Crescimento económico
A expansão económica, sustentada pela procura agregada, anima os empreendedores a ampliarem
suas capacidades efectivas de produção.

Custos de Investimento:
Taxas de juros (i)
Quando a taxa de juro baixa, os investimentos tendem a subir e maiores taxas de juros
desincentivam o investimento.
Há uma relação inversa entre a taxa de juro e o investimento:

Impostos
Quanto maior for a taxa de imposto, menor é o investimento e quanto mais baixa for a taxa de
imposto, maior é o incentivo para que as empresas produzam mais ou reinvestem.

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Categorias de Investimento:

Investimento de substituição ou reposição


Consiste na aquisição de equipamento

Investimento de expansão
Está relacionada com a ampliação de uma unidade produtiva ou criação de uma unidade produtiva
nova, ampliação de número de turnos ou horas de trabalho.

Investimento de modernização ou de inovação


Está relacionado com aquisição de novos equipamentos, melhoria da qualidade de produtos e
introdução de produtos novos.

Numa economia sem estado e sem o sector externo não tem outra forma de investir se não recorrer
as poupanças das famílias.
As famílias através dos bancos efectuam as suas poupanças e os bancos fazem empréstimos as
empresas e as empresas investem.
Tanto as famílias como o governo devem poupar para que haja investimentos.

Y=C+I
_
I = I – di

Onde: d – mostra a sensibilidade do investimento com relação a taxa de juros (i), i é, como é que
o investimento reage quando há uma variação na taxa de juro.
_
I ou I ≠ f(Y)

Gastos governamentais (G)


Gasto governamentais ou despesas públicas, são autónomas e não dependem da renda.
Os G = Consumo público + Investimento público
__
G ou G ≠ f(Y)

Na teoria macroeconómica, os gastos públicos (bem como a oferta de moeda) são considerados
uma variável determinada institucionalmente (exógena), ou seja, dependem dos objectivos de
política económica escolhida pelas autoridades.

Os Tributos ou Receitas Tributárias


A função tributária do governo é constituída, segundo convenções teóricas da macroeconomia, por
um conjunto de receitas originárias de pelo menos quatro fontes: tributos, taxas, contribuições
sociais e receitas patrimoniais.
_
T = T + tY onde: 0 < t < 1

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_
T ou T ≠ f(Y)

Onde: _
T – é o imposto autónomo que não depende da renda (Ex: taxa de serviços prestados e dos
tributos sobre activos patrimoniais).
T – é a receita tributária
t – taxa marginal do imposto ou propensão marginal à tributar ou alíquota fiscal, i é, mostra
a parte do rendimento que vai aos impostos.

Exportações líquidas (NX)

Importações (M), são vazamentos, por representarem transferências de recursos para o exterior,
sob forma de pagamentos pelos bens e serviços produzidos pelas economias com as quais se
efectivaram os fluxos correspondentes. Estes pagamentos são extraídos da renda disponível
interna, diminuindo a capacidade efectiva de absorção da oferta agregada interna.

Exportações (X), são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços, ou seja, os gastos do
sector externo com nossas empresas.

Determinante das Exportações líquidas:

Taxa de câmbio real


As taxas de câmbio depreciadas estimulam o segmento exportador e inibem as importações, i é, a
curto prazo.

Nível de renda disponível


Que afecta as importações, i é, a absorção de produto externos é descrita como uma função
crescente da renda disponível do sector privado.

Política de comércio externo


Ex: fixação de quotas de importação e exportação, barreiras alfandegárias, tributárias e não
tributárias e controle das operações cambiais.

Taxa de ociosidade
As variações de capacidade ociosa da economia, especialmente, dos segmentos com potencial
exportador, modificam o interesse dos produtores por mercados externos.
As baixas taxas de crescimento da economia implicam queda na renda disponível do sector
privado, puxando a procura agregada para baixo.

Cotações internacionais
As cotações internacionais dos produtos exportáveis fazem oscilar para mais e para menos, em
certos casos de forma bem acentuada, os fluxos de exportações e importações.

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Assimetria de custos
Este factor diz respeito ao facto de não serem equalizadas, em termos globais, as estruturas de
custos das economias nacionais. São díspares de país para país, as taxas de remuneração e os
encargos sociais do factor trabalho. Os países onde estes custos são comprovadamente rebaixados
em relação à média mundial são relacionados pelo argumento do dumping social.

NX = X – M
_
X ou X ≠ f(Y)

As exportações não são afectadas pela renda nacional, mas pela renda dos outros países (renda
mundial), entre outros factores.
__
M = M + mY
__
M ou M ≠ f(Y)
__
Onde: M – importações autónomas que não depende do rendimento.
m – propensão marginal à importar.

2.2.3 Fundamentos da Procura e Oferta Agregada

O modelo de oferta e demanda agregada é o modelo macroeconómico básico para o estudo da


determinação no nível de produção e do nível de preços.

Demanda Agregada
A curva de demanda agregada, mostra as combinações do nível de preços e do nível de produção
aos quais os mercados de bens e monetários estão simultaneamente equilibrados, ou seja, mostra
as quantidades de bens e serviços demandados na economia a qualquer nível de preços.

Nível de
Preços curva da demanda agregada

P Uma alteração no nível de preços provoca a


deslocação/movimento ao longo da curva

AD

Y PIBpm = Y

Porquê a curva da demanda agregada é negativamente inclinada?


Suponhamos que os mercados de bens e monetários estejam equilibrados em um nível de produção
como Y, com um dado nível de preços P. Suponha também que o nível de preços caia.

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Com um dado stock nominal de moeda, uma queda no nível de preços, cria um aumento na
quantidade de encaixes reais, que reduz as taxas de juros, elevando a demanda por Investimento,
aumentando por tanto os gastos agregados.

Nível de
preços

AD’
AD
Y

Redução do Investimento ocasionada pelo aumento da taxa de juro:

Nível de
Preços Ex, se o nível de preços aumentar e mantendo fixo a oferta
da moeda nominal, a oferta da moeda real irá baixar, i é,
haverá uma restrição monetária, que fará com que haja
redução da AD para AD’.

AD
AD’
Y

Oferta Agregada

A curva de oferta agregada descreve as combinações do nível de produção e nível de preços nos
quais as empresas estão dispostas, em dado nível de preços, a oferecer uma dada quantidade de
bens e serviços que as empresas produzem e vendem a um dado nível de preços.

Nível de AS (curva da oferta agregada)


Preços
Com o nível de preços P, as empresas estão
dispostas a oferecer uma produção igual a Y.
Este volume de produção depende dos preços
que elas recebem por seus bens e dos volumes
que têm que pagar pelo trabalho e por outros
factores de produção.

Y Y

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Demanda Agregada completa

AD AD = C + I + G + NX

DA = C + I + G

X-M DA = C + I

DA = C
G

Y
__
C = C + cYd
I = I – bi
G=G
T = T + tYd
Yd = Y – T + TR
TR = TR
X=X
M = M + mYd

AD = C + I + G + NX

Onde: NX = X - M

Determinação do equilíbrio:

Condição de equilíbrio: AS = AD

Como, a oferta agregada: AS = Y

Demanda agregada: AD = C + I + G + NX

A condição de equilíbrio fica: Y = C + I + G + NX

Casos especiais da oferta agregada

A curva da oferta agregada Keynesiana


A curva da oferta agregada Keynesiana é horizontal indicando que as empresas oferecerão
qualquer volume de bens que for demandado ao nível de preços existentes.

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P
A ideia subjacente à curva de oferta agregada
Keynesiana é que, devido ao desemprego, as
empresas podem obter tanto trabalho quanto
quiserem os salários de mercado. Supõem-se
que seus custos médios de produção não se
P AS alteram quando seus níveis de produção
variam. Elas estão dispostas também a
oferecer tanto quanto for demandado ao
Y nível de preços existentes.

A curva da oferta agregada Clássica

A curva de oferta agregada Clássica é vertical, indicando que o mesmo volume de bens será
oferecido em qualquer nível de preços.

P AS
A curva de oferta Clássica se baseia na hipótese de que o
mercado de trabalho está sempre em equilíbrio
com pleno emprego da força de trabalho. Se toda força
de trabalho está empregada, então a produção não pode
ser aumentada acima do seu nível actual mesmo se o
nível de preços subir. Não há mais trabalho disponível
para produzir qualquer produto extra. Portanto, a curva
de oferta agregada será vertical no nível de produção
correspondente ao Pleno Emprego da força de trabalho,
Y* Y Y*, e que é independente do nível de preços.

A diferença entre as curvas de oferta agregada Clássica e Keynesiana é que a curva de oferta
Clássica é baseada na crença de que o mercado de trabalho opera eficientemente, sempre mantendo
o pleno emprego da força de trabalho. Os movimentos no salário são o mecanismo pelo qual o
pleno emprego é mantido. A curva de oferta agregada Keynesiana, ao contrário, baseia-se na
hipótese de que o salário não varia muito ou completamente quando há desemprego e, portanto,
que o desemprego pode continuar por algum tempo.

A noção do multiplicador

Mostra como cada variação de uma unidade monetária em certas despesas leva a uma variação
superior a uma unidade monetária de nível de produto, ou seja, o chamado multiplicador
Keynesiano, é a variação do nível de renda nacional, dada uma variação autónoma da demanda
agregada.

Modelo de multiplicador

É uma teoria económica que o Keynes utilizou para explicar a forma como o produto é determinado
no curto prazo.

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Dada as variáveis:
__
C = C + cYd
I = I – bi
G=G
T = T + tYd
Yd = Y – T + TR
TR = TR
X=X
M = M + mYd onde: NX = X – M

Economia fechada:

Y=C+I
__ _
Y = C + cY + I _ __ _
Y = C + I + cY onde: A = C + I
Y = A + cY A = despesas autónomas
Y – cY = A
(1 – c)Y = A
_
Y = _1__ * A Multiplicador: _1__ = α
1–c 1–c

AD Y = AD onde: Y = AS, o que significa


_ que AS = AD
AD = A + cY
_ _ _
A ΔA C = C + cY
_
C α = _1__ O que provoca a alteração do
1-c nível de produto será a despesa
ΔY autónoma (C ou I).
ΔY = _1__ * Δ A
Y Y1 Y 1-c

Economia fechada com Governo

Y=C+I+G

_
Admitir que: G = G__
TR = TR
Yd = Y - T + TR
T = T + tY

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_ _ _
Assim, Y = C + cYd + I – di + G_ _
Y = C + c(Y – T + TR) + I + G – di _
Y = C + c[Y – (T + tY) + TR] + I + G – di
Y = C + cY – cT – ctY + cTR + I + G – di _ _ _ __ _ _
Y – cY + ctY = C – cT + cTR + I + G – di onde: A=C – cT + cTR + I + G
(1 – c + ct)Y = A – di
[1 – c(1 – t)]Y = A – di
_
Y = ____1____ * A – di Multiplicador: ___1_____ = α
1 – c(1 – t) 1 – c(1 – t)

AD Y = AD

_
AD' = A + cYd
_ _
_ ΔA AD = A + cYd
A'
A
ΔY α = ____1____
1 – c(1 –t) _
ΔA => ΔY
Δdi => ΔY (inversa)
Y Y' Y

Economia Aberta

Y = C + I + G + NX
__
Considerar: X = X
M = M + mY

Onde: NX = X – M_
NX = X – (M + mY)
__ __
Assim, NX = X – M – mY

Logo: Y = C + I + G + NX _ __ __
Y = C + cYd + I – di + G + X – (M + mY)__
Y = C + c(Y – T + TR) + I – di + G + X – M – mY
Y = C + c[Y – (T + tY) + TR] + I + G + X – M – mY – di
Y = C + cY – cT – ctY + cTR + I + G + X – M – mY – di
Y– cY+ ctY+mY = C – cT + cTR + I + G + X – M – di

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_ _ __ __ _ __ __ __
_ onde A= C-cT+cTR+I+G+X-M
(1 - c + ctY + m)Y = A – di
[1 – c(1 –t) + m]Y = A – di
_
Y = _____1______ * A – di Multiplicador: ______1_____ = α
1 – c(1 – t) + m 1 – c(1 – t) + m

AD Y = AD

_
AD' = A + cY
E'
_ _
_ ΔA AD = A + cY
A'
_ E
A α
ΔY

Y Y' Y
_
Uma variação de despesa autónoma (ΔA) vai fazer com que a curva AD desloque para cima e,
consequentemente o nível de produto aumenta de Y para Y'.
Uma redução de alíquota fiscal (t) estimula o consumo e o reinvestimento.

Multiplicadores dos gastos autónomos:


_ _ __ _ _ _
Y = C – cT + cTR + I + G = ____A ___
1 – c(1 – t) 1 – c(1 – t)

Multiplicador de Consumo, Investimento e Gastos:

∂Y = ∂Y = ∂Y = ____1____
∂C ∂G ∂I 1 – c(1 – t)

Multiplicador de receitas tributárias e transferências:

∂Y = - ____c____ ∂Y = ____c____
∂T 1 – c(1 – t) ∂TR 1 – c(1 – t)

Saldo Orçamental
O Saldo Orçamental é igual a diferença entre as receitas totais cobradas pelo estado e as suas
despesas totais, i é, as receitas totais correspondem os impostos totais (que é uma função do

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rendimento), e às despesas totais, os gastos adicionados das transferências do estado com os
particulares. Nas contas do Estado, o total dos recebimentos tem de igualar o total dos pagamentos,
e, neste sentido, o saldo orçamental é sempre nulo.

So = T – G – TR
_
Sendo, T = T + tY
_ _ __
então, So = T + tY – G – TR

Isto, implica que o saldo orçamental varia positivamente com o nível de rendimento, considerando
tudo o resto constante.

Saldo _ _ __
orçamental So = T + tY – G – TR

t
_ _ __ Y
T – G – TR

Saldo Orçamental equilibrado

Em equilíbrio: T = G + TR, o que significa que o saldo orçamental é nulo.

Teremos um déficit orçamental quando T < G + TR, ou seja, o governo gasta mais do que recebe
pelos impostos.
Saldo orçamental superavitário T > G + TR

S – I = (G + TR – T) + NX

É uma identidade que estabelece relações importantes entre as contas do sector privado doméstico
(S – I), o orçamento do governo (G + TR – T) e o sector externo (NX). Anuncia que, o excesso da
poupança sobre os investimentos do sector privado é igual ao déficit orçamental.
Se as contas do sector doméstico privado estiver equilibrado (S = I, o saldo = 0), qualquer déficit
orçamentário reflete-se no déficit comercial.
S – I = (G + TR – T) + NX
0 = (G + TR – T) + NX
- NX = G + TR – T

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